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Europa Economia

O resultado do referendo de domingo na Itália reforçou a divisão crescente entre a economia necessária para sustentar a moeda comum da Europa e a forte onda de populismo no continente.
online.wsj.com | 06-12-2016

ROMA — O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, postergou sua renúncia até pelo menos sexta-feira, após anunciar sua saída em função do fracasso na proposta de levar adiante uma ampla reforma constitucional que mudaria a estrutura política do país. Após o Conselho de Ministros chegar a um consenso por sua saída, ele foi ao Palácio do Quirinal, sede da Presidência, para comunicar ao presidente Sergio Mattarella que deixará o cargo, mas que esperará a votação da Lei Orçamentária, nesta semana.

Pela manhã, Mattarella disse que o clima político é de "serenidade e respeito recíproco", tentando convencer Renzi a ficar no cargo por mais tempo e evitar uma nova eleição, mas ainda cogitando indicar um nome técnico para liderar um governo de transição. Sua meta, segundo fontes, era evitar trazer mais instabilidade ao país no contexto da atual crise na zona do euro. italia

Segundo a imprensa italiana, o breve adiamento da saída de Renzi foi um atendimento ao apelo de Mattarella para "congelar a crise". Ao fim do segundo encontro, o Quirinal emitiu uma nota dizendo que o presidente pediu a Renzi que ficasse mais tempo no cargo.

— Faço isso por senso de responsabilidade e para evitar o exercício provisório do cargo — disse Renzi após a reunião derradeira com seus ministros, citado pelo "La Repubblica".

Se for apontado um novo governo, sua função seria principalmente preparar uma nova lei eleitoral antes da votação de 2018 — a atual foi declarada inconstitucional pela Justiça e teria sido resolvida com a vitória do "sim".

— Estamos certos de que o presidente saberá dar a solução mais correta para garantir aos italianos em breve a possibilidade de votar e finalmente escolher, depois de três governos não eleitos, o Executivo a quem confiar o comando do país — pressionou o ex-premier Silvio Berlusconi, que pediu ao Partido Democrático (PD), de Renzi, que forme logo um novo governo de transição.

Mattarella deve apontar um novo líder do governo com o apoio da atual maioria de centro-esquerda do Parlamento. É a hipótese apontada como a mais provável pelos analistas políticos. Dentre os nomes mais cotados, estão o Presidente do Senado, Pietro Grasso, e o ministro das Finanças, Pier Carlo Padoan.

Outra opção seria a dissolução do Parlamento, com a convocação de novas eleições, como pedem os partidos de oposição. Esta alternativa representaria um momento de alta instabilidade política para a Itália. E muitos partidos já expressaram que não estão de acordo com esta opção, sobretudo pra evitar uma vitória populista. Além disso, embora menos provável, Renzi poderia receber um voto de confiança do Parlamento. O premier, no entanto, aparentemente excluiu essa possibilidade no domingo.

Primeiro-ministro da Itália renuncia

TEMORES SOBRE FUTURO NA Europa

Enquanto a Itália acordava nesta segunda-feira cercada de incertezas sobre seu futuro político, cresciam os receios de que a renúncia de Renzi leve a uma crise na zona do euro. O premier anunciou que deixaria o cargo na noite de domingo, quando os resultados das urnas apontavam que ele perderia um referendo sobre sua proposta de reforma constitucional no país. A derrota de Renzi poderá fortalecer a oposição, incluindo a bancada eurocética que defende uma consulta popular sobre o abandono do euro no ano que vem, depois que a moeda atingiu uma baixa recorde dos últimos 21 meses na madrugada desta segunda-feira.

Mattarella e Renzi se encontraram de manhã no Quirinal. Logo depois, o presidente emitiu um comunicado no qual destacou que "a elevada participação no voto (...) é o testemunho de uma democracia sólida, de um país apaixonado, capaz de participação ativa". Tentando apaziguar os ânimos, o presidente disse ainda em sua declaração que "o clima político (...) está marcado pela serenidade e pelo respeito recíproco".

A saída de Renzi provoca incerteza sobre como será o próximo governo no país. Mas, minutos após o premier ter reconhecido a derrota no domingo, a oposição já pressionava por eleições antecipadas, na esperança de ampliar sua potência política com novas votações no ano que vem — o fim do mandato do premier estava previsto para 2018. O resultado preocupa os vizinhos europeus, uma vez que a derrota da reforma é considerada a terceira revolta eleitoral antissistema neste ano para o Ocidente — depois do Brexit no Reino Unido e da vitória de Donald Trump para a Presidência dos EUA. Info referendo Itália

Segunda força política no país, o populista Movimento Cinco Estrelas (M5S), fundado pelo comediante Beppe Grillo, comemorou a derrota de Renzi, após ter investido em uma forte campanha pelo "Não" — assim como a xenófoba Liga Norte, de Matteo Salvini, e a Força Itália, de centro-direita. O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Luigi di Maio, que é também um dos líderes do movimento, prometeu que começariam os novos esforços já nesta segunda-feira:

— A partir de amanhã, começaremos a trabalhar para formar o time do futuro governo Cinco Estrelas — disse di Maio no domingo, repetindo o tom da sua recente entrevista ao GLOBO.

O movimento antissistema, cujo discurso se constrói, em grande parte, na crítica à velha classe o abandono do euro, defende uma consulta popular para votar o abandono do euro pela Itália. O discurso gerou temores de uma crise na zona do euro e do aprofundamento da desintegração na União Europeia (UE) — já fragilizada pela saída britânica do bloco, aprovada em referendo em junho no Reino Unido.

Nesta segunda-feira, o euro já caiu e atingiu seu índice mais baixo nos últimos 21 meses em comparação ao dólar. Os investidores fugiram de ativos mais arriscados depois que Renzi anunciou a derrota. E, ainda, a derrota ameaça os esforços para estabilizar a economia italiana e o seu instável sistema bancário.

Daniele Caprepra, porta-voz do M5S no Reino Unido, disse à rede BBC que a oposição é a favor do movimento para debater a permanência italiana na zona do euro:

— O euro é um problema para a Itália agora, e nós gostaríamos de ouvir a voz das pessoas sobre isso. O euro está prejudicando a economia italiana e não é bom o suficiente pra a Itália agora.

Nesta segunda-feira, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, afirmou que a Itália deveria manter as políticas econômicas de Renzi.

— A Itália tem que continuar o caminho que o primeiro-ministro Matteo Renzi tomou economica e políticamente — disse.

DERROTA SIMBÓLICA

Renzi propôs um pacote de mudanças cuja principal plataforma era a drástica redução dos poderes do Senado, e, na sua campanha pela aprovação do texto, prometeu que sairia do governo caso os italianos dissessem "Não" à reforma. Esta foi uma simbólica derrota para Renzi, uma vez que, nas últimas pesquisas antes da votação, a maioria dos italianos dizia que votaria apenas pensando em manter o premier no governo ou retirá-lo do poder. O resultado foi amplamente comemorado pelos seus opositores.

"Viva Trump, viva Putin, viva la Le Pen e viva a Liga!", escreveu, em seu Twitter, o líder da Liga Norte, Matteo Salvini. salvini

O resultado das urnas foi expressivo, superando significamente a margem de liderança do "Não" que era esperada, tomando como base as últimas pesquisas de intenção de voto: 49,69% dos italianos que foram às urnas votaram "Sim" e 59,11% votaram "Não".

— O "Não" venceu de forma clara — declarou Renzi em entrevista coletiva, em que acrescentou: — Assumo a responsabilidade pela derrota. Minha experiência como chefe de governo termina aqui. Amanhã apresentarei minha renúncia.

oglobo.globo.com | 05-12-2016

LONDRES — A Suprema Corte britânica analisa a partir desta segunda-feira a apelação do governo de Theresa May contra uma decisão que o obrigava a submeter ao Parlamento o processo de saída da União Europeia, algo que pode atrasar o divórcio.

Os 11 juízes de mais alto escalão do país — pela primeira vez reunidos em um caso —iniciaram quatro dias de audiências, e sua decisão será divulgada no início de 2017.

A Alta Corte da Inglaterra e Gales decidiu no mês passado que May não tinha a autoridade para invocar o Artigo 50 do Tratado europeu de Lisboa, porta de saída da União Europeia.

A decisão enfureceu os partidários do Brexit, que venceram o referendo de 23 de junho por 52% a 48%, mas a lei que validou o plebiscito não o tornava legalmente vinculante, deixando a decisão final nas mãos do governo ou do Parlamento, exatamente o que está sendo discutido.

ATAQUES AOS JUÍZES

O procurador-geral Jeremy Wright, principal assessor legal do Executivo, argumentará ante os juízes que o governo tem a autoridade de Relações Exteriores, incluindo o poder de se retirar de tratados internacionais.

Mas os demandantes, liderados pela diretora de um fundo de investimentos, Gina Miller, sustentam que o Brexit deixaria sem valor algumas leis nacionais e despojaria os cidadãos de certos direitos — o do passaporte comunitário, por exemplo —, algo que apenas o Parlamento pode autorizar.

A primeira decisão da justiça favorável aos demandantes polarizou o país e levou os pró-Brexit a questionar a independência de um poder judicial encarado por eles como pró-europeu.

Diante da ferocidade do ataque aos juízes — que chegou a níveis pessoais —, o ministro da Justiça precisou defender sua independência. Além disso, as ameaças de morte contra Miller se intensificaram, denunciou publicamente.

Uma complicação adicional para o governo será a presença no caso, como partes, dos governos regionais de Escócia e Gales, que esperam que seus parlamentos também tenham que votar para ativar a saída da UE.

Um veredicto nesta linha pode alterar completamente o calendário de May para sair da UE e provocar uma crise constitucional entre as diferentes partes constituintes do Reino Unido (Escócia, Gales, Irlanda do Norte e Inglaterra).

Ainda assim, não se espera que o Parlamento, cuja maioria dos membros é pró-europeus, volte atrás no Brexit, mas pode modificá-lo.

O tribunal também examinará a apelação do irlandês Raymond McCord, ativista pelos direitos humanos das vítimas do conflito do Úlster, que quer que o Parlamento da Irlanda do Norte tenha voz e voto no Brexit.

McCord teme que, se o Reino Unido abandonar a UE, se retire igualmente da Convenção Europeia de Direitos Humanos, deixando em perigo sua cruzada pessoal para que seja feita justiça no assassinato de seu filho.

POUCAS CHANCES DE VITÓRIA DO GOVERNO

O especialista legal Michael Zander estimou que o governo tem poucas chances de ganhar a apelação.

“Ficarei muito surpreso se o procurador-geral e outros advogados derem ao governo razões para esperar que seja revertida uma decisão que foi unânime e muito fundamentada”, escreveu Zender na revista de direito Counsel. “Na minha opinião, o governo pode esperar uma derrota por 11-0”, ou seja, sem o apoio de nenhum dos magistrados.

oglobo.globo.com | 05-12-2016

O ministro italiano para Assuntos da União Europeia, Sandro Gozi, descartou hoje preocupações de que o resultado do referendo na Itália possa afetar os bancos do país, mas alertou que a renúncia do primeiro-ministro Matteo Renzi é uma "má notícia" para a Europa.

"A Europa precisava de Matteo Renzi para relançar a economia", disse Gozi a uma rádio francesa.

No referendo de ontem, o eleitorado italiano rejeitou mudanças constitucionais propostas pelo governo, levando Renzi a anunciar sua renúncia e garantindo aos populistas uma significativa vitória em uma das maiores economias europeias.

Com a apuração dos votos praticamente encerrada, 59,6% dos eleitores votaram pelo "não", segundo o Ministério de Interior italiano.

A proposta constitucional de Renzi era retirar boa parte dos poderes do Senado para facilitar a passagem de leis, incluindo medidas com o objetivo de tornar o país mais competitivo. Fonte: Dow Jones Newswires.

A vitória do "não" em referendo na Itália sobre reformas na Constituição, conforma apontam projeções preliminares, deverá ser avaliada na terça-feira pelo Partido Democrático, do primeiro-ministro Matteo Renzi, que fez campanha a favor das propostas. A informação é do vice-secretário do partido, Lorenzo Guerini.

O voto deste domingo diz respeito principalmente a uma reforma do processo legislativo do país. A aceitação das mudanças tiraria poderes do Senado e aceleraria a tramitação de projetos de lei. Além disso, a reforma busca reduzir a maior parte da autoridade das regiões locais, uma vez que a sobreposição de poderes entre as autoridades locais e o governo central agravou a burocracia e dissuadiu o investimento empresarial.

Projeção feita com base em pesquisa boca de urna e votos já apurados mostram que entre 56% e 60% dos eleitores italianos rejeitaram as reformas. A pesquisa usada para fazer a projeção é do Instituto Piepoli, que apontou vitória do "não" com algo entre 54% e 58% dos votos.

Se a projeção estiver correta, Renzi poderá se demitir na segunda-feira, preparando o cenário para a formação de um governo interino e, possivelmente, novas eleições nacionais no próximo ano. Isto significaria uma nova incerteza na Itália, a quarta maior economia da União Europeia, em meio a um momento em que o bloco luta para retomar o crescimento e definir seu futuro. Fonte: Dow Jones Newswires.

Projeção feita com base em pesquisa boca de urna e votos já apurados mostram que entre 56% e 60% dos eleitores italianos rejeitaram mudanças na Constituição propostas em referendo neste domingo. A pesquisa usada para fazer a projeção é do Instituto Piepoli, que apontou vitória do "não" com algo entre 54% e 58% dos votos.

O resultado, se confirmado, representa uma derrota para o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, que fez campanha a favor das mudanças e prometeu renunciar caso o "não" vencesse. Partidos populistas como o 5 Estrelas fizeram campanha contra as propostas. Renzi é esperado para discurso às 21h.

O voto deste domingo diz respeito principalmente a uma reforma do processo legislativo do país. A aceitação das mudanças tiraria poderes do Senado e aceleraria a tramitação de projetos de lei. Além disso, a reforma busca reduzir a maior parte da autoridade das regiões locais, uma vez que a sobreposição de poderes entre as autoridades locais e o governo central agravou a burocracia e dissuadiu o investimento empresarial.

Se a projeção estiver correta, Renzi poderá se demitir na segunda-feira, preparando o cenário para a formação de um governo interino e, possivelmente, novas eleições nacionais no próximo ano. Isto significaria uma nova incerteza na Itália, a quarta maior economia da União Europeia, em meio a um momento em que o bloco luta para retomar o crescimento e definir seu futuro. Fonte: Dow Jones Newswires.

As urnas para votação de referendo na Itália sobre mudanças na Constituição foram fechadas às 20h (de Brasília) e uma primeira pesquisa boca de urna divulgada há pouco aponta vitória do "não", com algo entre 54% e 58% dos votos, de acordo com o Instituto Piepoli.

O resultado representa uma derrota para o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, que fez campanha a favor das mudanças e prometeu renunciar caso o "não" vencesse. Ele é esperado para discurso às 21h.

As mudanças constitucionais colocadas em votação retirariam poderes do Senado e tornariam o processo legislativo mais rápido. Grupos populistas fizeram campanha contra as propostas.

Se a pesquisa boca de urna estiver correta, Renzi poderá se demitir na segunda-feira, preparando o cenário para a formação de um governo interino e, possivelmente, novas eleições nacionais no próximo ano. Isto significaria uma nova incerteza na Itália, a quarta maior economia da União Europeia, em meio a um momento em que o bloco luta para retomar o crescimento e definir seu futuro. Fonte: Dow Jones Newswires.
O ministro italiano para Assuntos da União Europeia, Sandro Gozi, descartou hoje preocupações de que o resultado do referendo na Itália possa afetar os bancos do país, mas alertou que a renúncia do primeiro-ministro Matteo Renzi é uma "má notícia" para a Europa."A Europa precisava de Matteo Renzi para relançar a economia", disse Gozi a uma rádio francesa. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 05-12-2016
O referendo constitucional que o primeiro-ministro italiano defende para mudar o sistema político transformou-se em plebiscito a Matteo Renzi, que ameaçou demitir-se se perder. Isso pode gerar incerteza política em Roma, afetar a economia e arrastar a Europa para nova crise
feeds.dn.pt | 04-12-2016

RIO — Vice-presidente da Câmara dos Deputados da Itália, Luigi di Maio não poupa críticas ao premier Matteo Renzi na campanha para que os italianos reprovem a sua proposta de reforma constitucional em um referendo deste domingo. Caso o primeiro-ministro saia derrotado, o legislador do Movimento Cinco Estrelas (M5S) defende eleições antecipadas e uma consulta popular sobre a saída da zona do euro. Em entrevista ao GLOBO, afirmou que Renzi embarcou em toda a velha política italiana, embora sua promessa quando chegou ao poder fosse se afastar de grupos dirigentes antiquados do país. italia

Por que, na sua opinião, a Itália deve rejeitar a reforma?

A reforma é feita sob medida para uma classe política que está falindo e não sabe mais o que inventar para não perder o poder. Tira dos cidadãos o direito de votar no Senado e, em vez de superar o bicameralismo perfeito, o complica. A Câmara e o Senado terão que entrar em acordo a cada vez que se discutir uma nova lei. Se os presidentes das Casas discordarem, o Parlamento e o país paralisarão, aumentando o caos. Além disso, serão mais classes políticas com imunidade parlamentar, o que aumenta a corrupção e o senso de impunidade.

Qual é o grande pecado de Renzi? E o que os italianos querem mudar?

Os italianos querem a possibilidade de eleger a maioria que dará o voto de confiança a um governo. E o seu grande pecado é querer ser alguém que se propõe a se afastar de um grupo dirigente antiquado, mas, na verdade, embarcou em toda a velha política italiana ao entrar no Palácio Chigi (sede do governo). Se tivesse coragem, estaria fazendo uma votação hoje, e não mudando a Constituição para retirar nosso direito de votar. Dar mais poder à velha classe política é um risco à democracia. Quem já governou este país fez leis vergonhosas, que nos empobreceram e aumentaram a corrupção, com a típica arrogância de quem governa para favorecer a poucos.

Se Renzi perder, qual a expectativa do Movimento Cinco Estrelas para o futuro próximo?

Pediremos que o presidente convoque eleições o mais rápido possível. Se precisar, faremos uma nova lei eleitoral e depois vamos à votação. Isso se Renzi se demitir, o que não sabemos, porque um dia ele diz uma coisa, e, outro dia, outra. Ele fez essa promessa e deve mantê-la aos italianos.

A saída do euro ainda seria uma opção?

Quem esperará a saída da zona do euro não é o M5S, mas sim os italianos. Queremos um referendo sobre o euro. Mas, se mudarem os parâmetros do euro e de Maastricht, teremos uma economia muito mais próspera, que poderá fazer investimentos. Esta será uma vontade popular dos italianos se a Europa e o euro não mudarem. Mas, em qualquer caso, não está em discussão a saída da UE.

O referendo tem semelhanças com o Brexit?

A única é a tendência de Renzi brincar com o medo, como os partidos tradicionais ingleses fizeram. Já vimos isso com o Brexit, Donald Trump e poderemos ver com o “Não”. Diziam que os mercados cairiam e, na verdade, no dia seguinte se realinharam.

oglobo.globo.com | 04-12-2016

RIO e ROMA — Depois de apostar o seu cargo em uma ousada reforma legislativa, o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, se depara frente a uma perigosa encruzilhada política. Neste domingo, os italianos vão às urnas para decidir se o país reduzirá ou não os poderes do Senado — uma proposta que, segundo o premier, é necessária para aumentar a governança e reduzir os custos do Estado. No entanto, após meses de uma dramática campanha entre governo e oposição, em que Renzi prometeu renunciar caso sua reforma fosse derrotada, a verdade é que a disputa virou um grande julgamento popular do seu governo de centro-esquerda. E, agora, com as pesquisas apertadas, uma dividida Itália se vê diante da incerteza sobre o seu futuro, em que podem entrar em jogo o avanço de discursos populistas, a convocação de eleições antecipadas e até mesmo a sua saída da zona do euro. italia

A duas semanas do referendo, uma pesquisa do Instituto Demopolis marcava 52% das intenções de voto para o “Não”, que rechaça a reforma, e 48% para o “Sim”. No entanto, o diretor da organização, Pietro Vento, explica que o cenário era bastante diferente em abril, quando 58% dos eleitores indicavam endossar a proposta do premier. Mas a campanha de Renzi entrou em queda livre e, em apenas quatro meses, perdeu dez pontos — justamente porque o primeiro-ministro personalizou a votação e prometeu renunciar em caso de derrota. Tudo isso enquanto muitos italianos estão frustrados pelos altos índices de desemprego e pela crise migratória.

— Muitos começaram a pensar não tanto na reforma, mas em decidir se ainda queriam ou não o governo de Renzi, o que reduziu o percentual do “Sim” — explica o analista político. — Cerca de 56% dos italianos votarão para fazer um julgamento positivo ou negativo do seu governo.

GOVERNO SOB JULGAMENTO

Ao longo da campanha, o premier passou a evitar falar em renúncia. Mas, diante de um cerco cada vez mais apertado, ele agora diz que honrará sua palavra e não permanecerá em um governo enfraquecido. Já o vice-secretário da sua legenda, Lorenzo Guerini, sugeriu que, se o “Não” vencesse, o partido pressionaria por eleições antecipadas — sem esclarecer se o premier continuaria no Palácio Chigi, garantiu que ele ainda seria o líder do maior partido do Parlamento.

Entretanto, o que mais surpreende é o alto número de indecisos: na mesma pesquisa, eram 7 milhões de italianos que não sabiam que lado escolheriam. E outros 5 milhões que nem mesmo haviam decidido se sairiam de casa para comparecer às urnas. Vento atribui o clima de dúvida, sobretudo, à distância entre uma reforma tão complexa e a população, que nem sempre compreende os efeitos práticos de reduzir uma das duas Casas do país — o Senado e a Câmara de Deputados, hoje, têm o mesmo nível de poder e juntas reúnem quase mil legisladores. E, também, cita uma tendência recente dos cidadãos menos informados de escolher o voto na última hora, aumentando os desafios das pesquisas em acertar suas previsões — um fenômeno já registrado no referendo pela saída do Reino Unido da União Europeia (UE) e nas eleições presidenciais dos EUA.

— Há um movimento de voto muito mais forte hoje, e isso aconteceu muito nos últimos anos também na Itália. Quando a opinião pública está rachada praticamente ao meio, com este número tão alto de indecisos, que é de um italiano em quatro, tudo pode acontecer — avalia Vento.

Renzi, no entanto, pediu repetidamente na reta final da campanha que os eleitores saíssem hoje para votar. Enquanto crescia a pressão sobre os seus ombros por um sinal de vitória, uma das apostas do premier era a ampla comunidade italiana no exterior — que compõe cerca de 8% do eleitorado e, segundo analistas, pode ser decisiva para o referendo. E também apelava a uma suposta maioria silenciosa a seu favor, em contraposição aos eleitores que clamavam em alto e bom som em protestos nas ruas que votariam contra a reforma.

POSSÍVEL ABANDONO DO EURO

O pacote de Renzi parece não ter convencido, sobretudo, os desempregados e a juventude. Com sensação de abandono, em tempos de altos níveis de desocupação, muitos desconfiam das legendas tradicionais, incluindo o governista Partido Democrático. Na contramão, se veem atraídos pelo discurso antissistema do Movimento Cinco Estrelas (M5S). A retórica populista do grupo, liderado pelo temperamental comediante Beppe Grillo, conquista eleitores com críticas à tradicional elite política italiana. Enquanto a centro-direita não encontrou ainda um líder depois do ex-premier Silvio Berlusconi, o movimento é hoje a segunda força política da Itália.

O M5S fez uma fervorosa campanha pelo “Não”, na esperança de ver crescer sua potência política em eventuais eleições antecipadas. Dentre as suas propostas, a mais preocupante para os mercados e vizinhos europeus é um novo referendo: desta vez para votar a saída italiana da zona do euro. Ao lado do Italexit, como já é apelidada a potencial polêmica, os temores do rechaço à reforma incluem consequências semelhantes ao que vive hoje o Reino Unido pós-Brexit: troca repentina de governo, instabilidade na política e forte turbulência para a economia.

Renzi, por outro lado, tem ao seu lado investidores, a imprensa italiana e fortes líderes da comunidade internacional. Inclusive, é pressionado a não deixar o governo, se derrotado, para conter uma terceira revolta eleitoral antissistema no Ocidente, após os resultados em Reino Unido e EUA. O presidente Barack Obama disse que o italiano não deveria sair de cena. E em editorial, o “New York Times” pediu que Renzi amenize os efeitos da sua própria derrota.

— Renzi deu um sentido publicitário para a consulta e, assim, desencadeou um mecanismo de dramatização. Agora, a Europa, os grandes bancos e as organizações internacionais nos pedem que ele não saia — diz Fulco Lanchester, professor de Ciências Políticas da Universidade La Sapienza, em Roma.

oglobo.globo.com | 04-12-2016

ROMA - Com seu futuro político em risco, o premier italiano, Matteo Renzi, fez uma série de comícios para tentar reverter a desvantagem em pesquisas no referendo constitucional que impulsiona e será votado no domingo. O chefe do governo se prepara para viver no domingo um dos momentos mais importantes de sua carreira política, com um referendo constitucional, cujo resultado, incerto, decidirá o seu futuro.

— Minha impressão é a de que vamos ganhar no limite — disse Renzi em entrevista a uma TV. — Pense no seu futuro e no de suas crianças. renzi

O referendo propõe o fim do sistema parlamentar, até hoje em vigor, e a redução do número de cadeiras no Senado - de 300 para 100. O objetivo é acelerar o processo legislativo e oferecer estabilidade política em um país que já teve 60 governos desde 1946, ano em que redigiu sua primeira Constituição como República.

Mas o principal interessado no projeto, Renzi, não vê sua vitória tão claramente.

— Se eu perder este referendo constitucional, deixarei a política — prometeu há um ano o político, de 41 anos, que chegou ao poder em fevereiro de 2014 com a vontade de mudar a Itália.

A reforma de Renzi despertou críticas de todos os setores políticos, desde a extrema-direita até a extrema-esquerda, e um setor do próprio partido de centro-esquerda de Renzi, o Partido Democrático, se rebelou contra o que consideram "um retrocesso democrático" e uma decisão "autoritária".

Renzi tem se esforçado, por meio de entrevistas, comícios e intervenções nas redes sociais, para convencer os milhões de indecisos sobre a reforma. "Este referendo é fundamental, não para o governo, mas para o futuro do país", ressaltou nesta sexta-feira em um live no Facebook.

A reforma prevê uma redução drástica dos poderes do Senado, que não votaria mais a confiança no governo e para a maioria das leis, uma limitação do poder das regiões e a supressão das províncias.

Os opositores do projeto querem enviar Renzi "para casa", pois consideram que esta reforma, associada a uma lei eleitoral, cria uma concentração de poder em um país onde o trauma do fascismo deixou vestígios.

— Esta é uma reforma que reduz o espaço para a participação e a soberania popular. Ela humilha o Parlamento e concentra o poder nas mãos do governo, sem o contrapeso necessário — explicou à AFP o ex-chefe de governo Massimo D'Alema, que é membro do Partido Democrata (PD) de Matteo Renzi.

A incerteza sobre o resultado desta votação provoca preocupação na Europa e nos mercados, que temem uma nova fase de instabilidade na terceira maior economia da zona do euro. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, não pouparam esforços para pedir abertamente um voto no 'sim'. Já os populistas do Movimento Cinco Estrelas (M5E) e da Liga do Norte, do ex-premier Silvio Berlusconi, esperam que o país entre na onda populista após o Brexit e a eleição de Donald Trump à Casa Branca.

Os partidos exigem eleições antecipadas em caso de vitória do não, o que está longe de ser uma certeza. Mas o presidente Sergio Mattarella não dissolverá o Parlamento antes de uma reforma legislativa para a escolha de deputados. A vitória do não, portanto, não conduz automaticamente a eleições antecipadas... ou mesmo a uma saída de Renzi, que poderia ser reconduzido pelo presidente e ganhar a confiança da maioria atual do Parlamento.

oglobo.globo.com | 02-12-2016

RIO - O desemprego na zona do euro caiu em outubro a 9,8%, abaixo portanto da barreira simbólica de 10%, anunciou a agência europeia de estatísticas Eurostat, que revisou ainda o resultado de setembro de 10% a 9,9%.

O número de desempregados ficou, desta maneira, em setembro e outubro abaixo de 10% pela primeira vez desde abril de 2011 (9,9%). As disparidades entre os 19 países da zona do euro, no entanto, continuam grandes.

República Tcheca e Alemanha registram as menores taxas, 3,8% e 4,1%, enquanto Espanha (19,2%) e Grécia (23,4%, em agosto) têm os maiores índices.

A França, segunda maior economia da zona do euro, registrou uma queda de 9,9% em setembro para 9,7% em outubro, uma tendência similar no período em vários países, como Itália (de 11,7% a 11,6%) e Portugal (de 10,9% a 10,8%).

O resultado de outubro para a zona do euro, o menor índice desde julho de 2009, é levemente inferior à estimativa dos analistas da agência Bloomberg (10%). Em número de desempregados, a Eurostat calcula que 15,9 milhões de europeus não têm trabalho.

Apesar da queda, o desemprego entre os jovens permanece estável em um nível muito elevado na zona do euro (20,7%). Na Espanha, o índice de pessoas com menos de 25 anos sem trabalho aumentou em outubro, de 42,9% a 43,6%.

No conjunto dos 28 países da União Europeia, o índice também caiu em outubro, 8,3%, quase 20,5 milhões de desempregados, o menor nível desde fevereiro de 2009.

oglobo.globo.com | 01-12-2016

RIO - A Uber tentará convencer, nesta terça-feira, o Tribunal de Justiça Europeu de que é um serviço digital e não uma empresa de transportes, em um julgamento que pode ter grandes implicações para a economia baseada em app em todo o continente. Se for considerada uma empresa regular, terá que seguir uma legislação muito mais rígida. A União Europeia é um dos maiores mercados internacionais da empresa. Uber - 28/11

A polêmica começou na Espanha em 2014, quando a Uber enfrentou a resistência dos taxistas e agora chegou ao mais alto tribunal da região. Houve problemas também em outras cidades europeias. Em Paris, alguns motoristas foram atacados por taxistas. Dois executivos europeus da companhia foram julgados por executar serviço de transporte ilegal na França. A empresa nega as acusações.

Segundo o "New York Times", a Uber funciona em mais de 300 cidades em seis continentes. Essa expansão agressiva ajudou a empresa americana de tecnologia a atingir uma valorização de 68 bilhões de dólares, tornando-a uma das mais bem-sucedidas start-ups do Vale do Silício. Além dos taxistas, que a criticam por desrespeitar a legislação de transporte, ela é acusada de descumprir leis trabalhistas.

Com o crescente número de usuários do serviço, os formuladores de políticas públicas em todo o mundo estão questionando como as empresas da chamada economia de compartilhamento devem ser governadas. Para Uber e seus rivais na Europa, esse processo judicial será um momento decisivo para o modo como poderão operar na região.

oglobo.globo.com | 28-11-2016

O crescimento dos Estados Unidos e da economia global podem receber um impulso com o aumento de gastos e o corte de impostos prometidos pelo presidente eleito norte-americano, Donald Trump. Esses ganhos, porém, seriam perdidos caso ele leve adiante as ameaças de elevar tarifas, o que pode levar a retaliações, afirmou a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta segunda-feira.

Durante a campanha, Trump se comprometeu a elevar os gastos com infraestrutura em até US$ 1 trilhão, embora os detalhes sobre como isso será financiado não estejam claros. Ele também prometeu cortar impostos corporativos e sobre a renda pessoal.

Em seu relatório semestral sobre as perspectivas econômicas globais, o órgão de pesquisas sediado em Paris disse que, se por um lado a forma exata dessas políticas não está clara, é de se esperar que Trump ofereça algum estímulo fiscal nos primeiros meses de sua presidência. Isso deve impulsionar o crescimento econômico dos EUA de 1,9% para 2,3% em 2017 e de 2,2% para 3% em 2018. A medida também beneficiaria outras regiões do mundo, já que a demanda por exportações dos EUA cresceria, com o crescimento econômico global avançando de 3,2% para 3,3% em 2017 e de 3,3% para 3,6% em 2018. A OCDE é a primeira agência econômica internacional a publicar uma estimativa do possível impacto das propostas de Trump.

"A extensão do programa fiscal estabelecido pela nova administração durante a campanha eleitoral a ser implementado ainda não está clara, já que será necessário um acordo com o Congresso para aprovar legislação necessária e em algumas áreas, notavelmente a reforma tributária, podem ser necessárias complexas mudanças legislativas", afirma a OCDE. "Ainda assim, parece provável que haverá algum relaxamento da política fiscal ao longo dos próximos dois anos, com implicações para as perspectivas para o crescimento e a inflação nos Estados Unidos e em outras economias."

As projeções da OCDE são baseadas em um aumento nos gastos do governo em 2017 e 2018 de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), um corte no imposto de renda que reduza a receita do governo em 0,5% do PIB em cada ano, além de um corte no imposto sobre as empresas que reduziria a receita em 0,75% do PIB em 2018. A entidade calcula que, graças ao impulso para o crescimento, um pacote como esse levaria as dívidas do governo a uma leve redução como proporção do PIB.

A OCDE, que dá assessoria política a seus 35 integrantes, disse que outros governos também devem fornecer mais estímulo fiscal que o agora planejado, o que impulsionaria mais o crescimento global. Com um espaço menor para iniciativas de política monetária que impulsionam o crescimento, a OCDE tem pedido nos últimos anos mais gastos dos governos como maneira de escapar do que chama da "armadilha do baixo crescimento".

A entidade advertiu, porém, que um maior protecionismo poderia ofuscar o impulso dos maiores gastos do governo e de menos impostos. Trump afirmou que pretende impor tarifas contra China e México, além de reavaliar outras relações comerciais que segundo ele colocam trabalhadores norte-americanos em desvantagem.

"O protecionismo e a inevitável retaliação comercial ofuscariam boa parte dos efeitos das iniciativas fiscais no crescimento doméstico e global, elevariam preços, prejudicariam os padrões de vida e deixariam países com uma posição fiscal pior", afirmou Catherine Mann, economista-chefe da OCDE. Segundo ela, o protecionismo comercial protege alguns empregos, mas piora as perspectivas e reduz o bem-estar para muitas outras pessoas. "Em muitos países da OCDE, mais de 25% dos empregos dependem da demanda externa."

Em relação ao Reino Unido, a OCDE elevou a perspectiva de crescimento para 2017 para 1,2%, quando em setembro esperava 1%, mas disse prever que a economia do país desacelere mais em 2018, avançando apenas 1%, devido à incerteza sobre o processo de saída do país da União Europeia, que enfraquecerá o investimento das empresas. Fonte: Dow Jones Newswires.

HAVANA — A morte de Fidel Castro consolida no poder seu irmão, Raúl Castro, que formou um governo com a velha guarda comunista e chefes militares veteranos. Conheça alguns nomes de peso no governo cubano:

Miguel Díaz-Canel — Engenheiro elétrico, nascido em 20 de abril de 1960. Desde fevereiro de 2013 designado sucessor de Raúl Castro na condição de primeiro vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros. Ex-chefe do Partido Comunista em Villa Clara e Holguín e ex-ministro de Educação Superior.

José Ramón Machado Ventura — Médico e dirigente histórico, nascido em 26 de outubro de 1930. Segundo secretário do Partido Comunista e um dos vice-presidentes dos Conselhos de Estado e de Ministros. Conhecido por ser linha dura.

Ramiro Valdés — Comandante da Revolução, nascido em 28 de abril de 1932. Membro do bureau político e vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros.

Bruno Rodríguez — Membro do bureau político e chanceler que efetivou o restabelecimento das relações com os EUA. Também promoveu a aproximação com a União Europeia. Nasceu em 22 de janeiro de 1958.

Esteban Lazo — Economista, nascido em 26 de fevereito de 1944. Membro do bureau político e do secretariado do Partido Comunista, onde estava a cargo do departamento ideológico. Vice-presidente do Conselho de Estado.

Leopoldo Cintra — Dirigente histórico, nascido em 17 de julho de 1941. Ocupa o cargo de Ministro da Defesa e general do Corpo de Exército. Membro do bureau político e do Conselho de Estado.

Marino Murillo — Economista, nascido em 19 de fevereiro de 1961. Ocupa o Ministério da Economia e é membro do bureau político e do Conselho de Estado, além de vice-presidente do Conselho de Ministros e supervisor geral das reformas econômicas.

oglobo.globo.com | 27-11-2016

VARSÓVIA (POLÔNIA) - O Banco Central Europeu (BCE) tem um longo caminho pela frente para cumprir a meta de inflação, portanto é “muito cedo” para discutir a retirada gradual do estímulo monetário, afirmou Yannis Stournaras, que integra o Conselho Geral da instituição.

— É claro que a política monetária continuará acomodando até que a inflação esteja no nível desejável, que é 2 por cento ou pouco menos — disse Stournaras em entrevista a Guy Johnson, da Bloomberg TV, em Atenas nesta sexta-feira. — Ainda há uma longa distância desta meta.

A política monetária fez uma contribuição “bastante substancial” para uma situação na qual a inflação na Europa está subindo, e o crescimento econômico melhora, ele disse. O BCE entregou seu objetivo, embora “às vezes os mercados sejam muito impacientes, querem entrega agora”, na visão de Stournaras, que também preside o banco central da Grécia.

O Conselho Geral precisa decidir em 8 de dezembro se estende um programa de afrouxamento quantitativo de € 1,7 trilhão (US$ 1,8 trilhão) para além do prazo final, em março. O presidente do BCE, Mario Draghi, afirmou nesta semana que a recuperação permanece dependente do suporte monetário contínuo, mas algumas autoridades entendem que o BCE talvez tenha espaço para adiar decisões a respeito do futuro do programa de compra de títulos até o começo do ano que vem.

“O BCE tem uma postura de longo prazo, é preciso ter confiança no BCE”, disse Stournaras. “Estamos fazendo o que é certo e no dia 8 vamos discutir a situação, a nova previsão e então decidiremos o que fazer.”

META DE INFLAÇÃO

A inflação em 12 meses na zona do euro atualmente gira ao redor de 0,5%. O Conselho Geral não discutiu “de maneira alguma” se permitirá que a taxa supere a meta por algum tempo depois que for atingida, disse Stournaras. A variação de preços tem estado abaixo da meta há mais de três anos. Pela primeira vez uma nova projeção mostrará a expectativa para a evolução dos preços até 2019.

Falando especificamente sobre a economia da Grécia, Stournaras disse que o pior já passou e que a situação fiscal e a situação macroeconômica agora estão muito melhores do que há um ano. Embora os bancos estejam bem capitalizados e com boas provisões, a “grande tarefa” continua sendo a redução do saldo de empréstimos de recebimento duvidoso.

A Grécia recebeu três pacotes de resgate desde 2010. O país tem dificuldades para sanar a economia, que encolheu um quarto desde o início da crise. Uma segunda revisão do último pacote de resgate abrirá caminho para uma possível reestruturação da dívida do país, que o Fundo Monetário Internacional colocou como condição necessária para seu envolvimento futuro.

A última rodada de negociações em Atenas entre o governo e os auditores do resgate foi encerrada sem acordo entre as partes. No entanto, ainda estão de pé as condições para um acordo antes da reunião do Eurogroup (grupo que reúne os ministros das Finanças da zona do euro), em 5 de dezembro, segundo informação passada pelo porta-voz do governo grego, Dimitris Tzanakopoulos, a repórteres na terça-feira.

Stournaras afirmou que a Grécia está muito perto da “sustentabilidade da dívida” e que não considera tão severas as medidas necessárias para atingir esse objetivo. Haverá eleições em importantes integrantes da União Europeia no ano que vem, incluindo França e Alemanha. Assim, quanto antes houver uma decisão, melhor, ele disse.

“Os governos estão bem perto de encerrar a avaliação”, disse Stournaras. “Portanto, minha esperança é que haja uma decisão final no dia 5.”

oglobo.globo.com | 25-11-2016

LONDRES - As empresas britânicas elevaram seu investimento acima do esperado no terceiro trimestre, uma vez que a economia cresceu de forma sólida após a decisão do Reino Unido em junho de deixar a União Europeia.

O investimento empresarial expandiu a uma taxa trimestral de 0,9% nos três meses até setembro, informou a Agência para Estatísticas Nacionais, superando as expectativas de alta de 0,6% em pesquisa da Reuters.

A agência confirmou nesta sexta-feira que a economia britânica cresceu 0,5% no terceiro trimestre, ajudada pela recuperação nas exportações e fortes gastos das famílias.

oglobo.globo.com | 25-11-2016

Toda nova presidência nos Estados Unidos abre um período de incertezas. No caso do presidente Trump, a magnitude da incerteza é inédita, nunca vista desde que os EUA passaram a ocupar o papel de potência hegemônica global. Difícil prever que parte de seu programa será implementado e de que forma, mas algumas consequências são desde já possíveis de antever.

Em primeiro lugar, devemos lembrar que as propostas de Trump, tanto no campo econômico como geopolítico, são, em boa medida, divergentes das posturas do Partido Republicano, sua base parlamentar — o que coloca dúvidas sobre o grau de apoio que terá no Congresso para as suas políticas e o quanto serão modificadas. A convergência entre ambos se limita à redução de impostos, para favorecer os setores empresariais; à desregulamentação, inclusive do sistema financeiro; e à flexibilização da proteção ao meio ambiente, em benefício particular da indústria petrolífera. A implicação desta última medida será um aumento da produção de petróleo nos EUA, tornando o país ainda mais autossuficiente e pressionando, para baixo, o preço internacional.

Em segundo lugar, Trump se propõe a realizar um amplo plano de obras públicas na área de infraestrutura, em valor duas vezes superior ao que propõe o Partido Republicano no Congresso. Somada à diminuição de impostos, essa medida resultará em aumento do déficit fiscal e elevação das taxas de juros. O déficit será proporcional à capacidade de Trump prevalecer e enfrentar a oposição de setores do Partido Republicano aos grandes investimentos em infraestrutura, podendo contar, nesse caso, com apoio de parlamentares democratas. Pressões inflacionárias decorrentes da expansão do gasto poderão ser agravadas por medidas protecionistas, que encontrarão resistência no Partido Republicano. Seja como for, a tendência é clara: os juros dos títulos do governo americano aumentarão, encarecendo o financiamento externo das empresas brasileiras e tornando mais difícil a atração de investimentos para o Brasil.

Em terceiro lugar, não apenas novos acordos de livre comércio com os EUA estarão fora da agenda, como também incerto se tornará o futuro de acordos já existentes ou em estado avançado de negociação, como o TPP, com 11 países da Ásia e América do Sul, e o TTIP, com a União Europeia. As ameaças de Trump de aumentar os impostos sobre as importações da China, se concretizadas, poderão provocar uma guerra comercial entre as duas principais economias do mundo e uma crise de dimensões globais. Possivelmente, será em relação ao Nafta, tendo como alvo o México, país com menor poder de negociação, que Trump fará um gesto para seu eleitorado. A redução de espaços para acordos de livre comércio não é boa noticia para o Brasil. Não é só nos EUA que a disposição para fazê-los diminui drasticamente. Também a Europa, tomada pelas negociações do Brexit e frente ao crescimento dos partidos nacionalistas, dificilmente terá disposição para uma negociação com o Mercosul.

Em quarto lugar, no quadro geopolítico global, as declarações de Trump de que tradicionais aliados dos EUA deveriam pagar pela proteção militar que recebem dos americanos ou se defender por conta própria provocaram insegurança em muitos países. Nessa área especialmente sensível, na qual a confiança é fundamental, se não voltar atrás, Trump poderá desencadear uma corrida nuclear na Ásia e no Oriente Médio. No primeiro caso, Coreia do Sul e Japão desenvolveriam seus próprios arsenais por temor à China. No segundo, fariam o mesmo a Arábia Saudita e outros países sunitas, ainda mais se Trump concretizar a sua promessa de rever o acordo com o Irã, levando a potência xiita a retomar o seu programa nuclear.

Do lado do Partido Democrata, e em geral de forças com agendas progressistas no mundo, fica a lição dos limites da política de identidade (como raça e gênero), que as distanciou dos temas mais tradicionais, como a situação de emprego e renda dos setores assalariados, mas também de pequenos comerciantes e trabalhadores autônomos, afetados pelos processos de globalização e as transformações do sistema produtivo e do comércio. Não é que nos encontramos frente a um renascimento da classe operaria. O que aconteceu nos EUA, assim como na França e outros países, é que lideres políticos passaram a manipular, com sucesso, uma identidade cultural abandonada pelas elites culturais, o nacionalismo.

Entramos assim num período de incerteza, num mundo que já era incerto. Os traços de personalidade do candidato vitorioso dificultam ainda mais qualquer previsão. No momento, as oportunidades que ele apresenta não são óbvias. Os riscos, imensos.

Bernardo Sorj é sociólogo

oglobo.globo.com | 24-11-2016

LONDRES - A primeira-ministra britânica, Theresa May, pediu nesta segunda-feira às empresas que invistam em negócios inovadores como forma de estimular uma economia que enfrenta baixos níveis de produtividade e para realizar as mudanças exigidas pela decisão do povo britânico de deixar a União Europeia.

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Em um discurso à CBI, uma importante organização empresarial no Reino Unido, May também acrescentou detalhes a seus planos para melhorar a governança corporativa. Ela disse que, embora queria que as vozes dos trabalhadores sejam ouvidas, as empresas não serão obrigadas a nomear diretamente trabalhadores ou representantes sindicais para seus conselhos.

— Uma melhor governança ajudará as empresas a tomarem melhores decisões, para seus próprios benefícios a longo prazo e para a economia em geral — disse May aos líderes empresariais. — Portanto, esta é uma tarefa importante, trabalharemos com vocês para alcançá-la, e sei que vocês vão enfrentar o desafio.

Segundo o jornal "Daily Telegraph", Theresa May quer baixar os impostos corporativos ao menor nível das 20 principais economias do mundo, ficando abaixo dos 15% prometidos por Donald Trump antes das eleições presidenciais dos Estados Unidos.

Um corte de impostos desse tipo poderia atrair companhias de outros lugares da União Europeia ao Reino Unido e desafiar a proeminência da Irlanda como o lugar com impostos mais baixos da Europa para as grandes companhias internacionais.

oglobo.globo.com | 21-11-2016

BERLIM – A chanceler federal alemã, Angela Merkel, confirmou neste domingo que quer concorrer a um quarto mandato na eleição do próximo ano, depois de meses de especulação. A conservadora de 62 anos é vista como uma força estabilizadora na Europa em meio às incertezas da saída do Reino Unido da União Europeia e a crise dos refugiados do Oriente Médio, além de um bastião dos valores liberais ocidentais após vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA. Alemanha_2011

– Eu pensei sobre isso por um tempo infinitamente longo. A decisão de concorrer a um quarto mandato, depois de 11 anos no cargo, é tudo, menos trivial – disse Merkel em uma entrevista coletiva, depois de reunião dos principais líderes do partido conservador União Democrata-Cristã (CDU).

O encontro é uma preparação para a última conferência anual da legenda antes das eleições marcadas para setembro. Cerca de 55% dos alemães querem que Merkel sirva um quarto mandato, com 39% contra, indica pesquisa publicada no jornal “Bild am Sonntag”. Merkel tem guiado a Alemanha pela crise financeira e fiscal da zona do euro e ganhou respeito internacional, com o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmando na última quinta-feira que ela era uma “excepcional” aliada.

Colegas receberam bem a tão esperada decisão.

– Angela Merkel é sinônimo de estabilidade, confiabilidade e consideração – disse Julia Kloeckner, política sênior do CDU. – Com sua natureza simples e calma, ela nos conduziu com segurança durante as crises financeiras e econômicas.

Concorrente teria poucas chances

Entre os simpatizantes da CDU, o apoio a um quarto mandato de Merkel é de 92%. A chanceler também lidera entre as mulheres alemãs, com 66%, de acordo com a pesquisa realizada pelo Instituto Emnid. O Partido Social-Democrata (SPD) ainda não escolheu seu candidato, mas seu atual líder, Sigmar Gabriel – vice-chanceler e ministro da Economia e Tecnologia – teria poucas chances de acordo com a sondagem. Em um possível confronto direto, Gabriel é apoiado por 21% dos entrevistados, contra 51% de Merkel.

Outro nome citado como possível candidato social-democrata a chanceler é o do presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz. A outra alternativa, o ministro do Exterior alemão, Frank-Walter Steinmeier, era o político com maior respaldo popular. Mas ele foi eleito por consenso por líderes partidários do governo alemão para assumir a Presidência em fevereiro.

Com a vitória de Trump nos Estados Unidos e o aumento do apoio aos partidos de direita na Europa, alguns vêem Merkel como um bastião de valores liberais ocidentais. No entanto, sua decisão no ano passado de abrir as fronteiras da Alemanha para cerca de 900 mil imigrantes, principalmente de zonas de guerra no Oriente Médio, irritou muitos eleitores em casa e prejudicou sua popularidade. Seu partido sofreu uma baixa nas eleições regionais no ano passado, enquanto aumentou o apoio ao partido anti-imigrantista Alternativa para a Alemanha (AfD).

oglobo.globo.com | 20-11-2016

Grande parte do mundo ficou chocada e assustada com o sucesso eleitoral de Donald Trump, mas há aqueles que se deleitaram. “Foi uma vitória para as forças que se opõem à globalização, estão lutando contra a migração ilegal e são a favor de Estados étnicos limpos”, declarou um porta-voz do Aurora Dourada, o partido de extrema-direita da Grécia, muitas vezes caracterizado como neonazista.

Trump - Gabinete - 19.11

Viktor Orbán, o primeiro-ministro húngaro que afirmou querer construir um “Estado iliberal” em seu país, chamou o resultado de “uma grande notícia”. O vice-líder da Frente Nacional, legenda de direita da França historicamente considerada ultranacionalista e antissemita, também ficou exultante.

Ninguém pode ser julgado por aqueles que aprovam suas ações, mas vale a pena tentar entender o que os admiradores de Trump estão comemorando. Em alguns casos, seu apelo é que ele está contra o politicamente correto. Beppe Grillo, o ex-comediante que agora lidera o Movimento Cinco Estrelas, na Itália, observou que, como Trump, seu partido tinha sido rotulado de sexista e populista, mas que as pessoas não se importavam com isso.

Para outros, é o sentimento de parentesco entre homens fortes que não se preocupam com direitos humanos. O ditador sírio Bashar al-Assad chamou Trump de “aliado natural”. Rodrigo Duterte, líder autoritário das Filipinas, disse: “Nós dois somos iguais”. Robert Mugabe, no poder no Zimbábue por 36 anos, se mostrou esperançoso e teria descrito Trump como “um amigo”.

O que unifica os admiradores internacionais de Trump é a ideia de que a ordem global existente é podre e deve ser demolida. Todos os partidos europeus que aplaudem sua vitória buscam a destruição da União Europeia e, de forma mais geral, da comunidade ocidental fortemente unida centrada em valores e interesses partilhados. Eles são quase todos pró-russos porque veem na Rússia de Vladimir Putin um país que busca ativamente minar o atual sistema internacional.

Onda nacionalista ganha força na Europa

Muitos destes grupos têm o apoio secreto ou explícito da Rússia e se beneficiam da guerra cibernética do Kremlin. “Todos precisamos usar (a eleição de Trump) para remodelar o relacionamento transatlântico e acabar com os grandes conflitos na Ucrânia e na Síria, juntamente com a Rússia”, disse a alemã Frauke Petry, líder do partido ultranacionalista Alternativa para a Alemanha.

Mas o que é esse globalismo ao qual essas pessoas tanto se opõem? Depois de 1945, após a Grande Depressão e duas guerras mundiais, as nações ocidentais estabeleceram um sistema internacional caracterizado por regras que honraram a soberania nacional, permitiram o florescimento do comércio global e encorajaram o respeito pelos direitos humanos e liberdades.

Esta ordem resultou no mais longo período de paz entre as maiores potências do mundo, marcado por um crescimento econômico que criou grandes classes médias no Ocidente, garantiu o renascimento da Europa, o crescimento nos países pobres e a propagação da liberdade em todo o mundo.

O papel dos EUA em tudo isso foi fundamental. Ele estabeleceu a agenda e proporcionou segurança, que era mais do que apenas dissuadir a União Soviética e outras potências agressivas. Radek Sikorski, ex-ministro das Relações Exteriores da Polônia, disse: “A influência dos EUA e seus compromissos têm sido nosso cobertor de segurança. Permitiram que as rivalidades nacionais da Europa permanecessem dormentes. Se tirarmos essas garantias, a Europa poderia ficar muito instável”. E vale lembrar que a União Europeia é o maior mercado do mundo e o maior parceiro comercial dos EUA.

Os retratos de Trump por cartunistas

Para os EUA, o “globalismo” produziu enormes vantagens. Com 5% da população mundial, o país domina a economia global, em tecnologia, educação, finanças e energia limpa. Um em cada cinco empregos no país é resultado do comércio, e esse número cresce rapidamente. Os EUA ainda mantêm a moeda de reserva do mundo, o que lhes dá uma enorme vantagem econômica.

Os benefícios do crescimento e da globalização não foram compartilhados igualmente, e o ritmo da mudança causa a ansiedade em toda parte. Mas essas são razões para investir em pessoas e integrar melhor as comunidades. Não são motivo para destruir o sistema internacional mais pacífico e produtivo jamais concebido na história da Humanidade.

*Fareed Zakaria é colunista do Washington Post

oglobo.globo.com | 19-11-2016

O Barcelona anunciou nesta quarta-feira o seu novo patrocinador pelos próximos quatro anos. A empresa japonesa Rakuten pagará € 55 milhões (R$ 200,4 milhões) por ano para ter o seu nome estampado em um dos clubes mais famosos do planeta.

A Rakuten substituirá a Qatar Airways, que vinha sendo a patrocinadora do clube. Conhecida como a “Amazon japonesa”, a empresa tem uma enorme presença no comércio eletrônico, mas também possui investimentos em outras áreas como viagens, telecomunicação e crédito bancário.

Além dos € 55 milhões. a Rakuten também pagará um adicional de € 1,5 milhão (R$ 5,4 milhões) para cada vez que o clube conquistar a Liga espanhola e € 5 milhões (R$ 18,2 milhões) para cada título da Liga dos Campeões da Europa no período.

O acordo prevê ainda a extensão do contrato por mais uma temporada. O novo contrato começa na temporada 2017-18.

Segundo o presidente do Barcelona, Josep Bartomeu, o novo acordo coloca o clube “na linha de frente dos patrocínios para clubes” e vão ajudar o Barça “a atingir o objetivo de ser um ponto de referência mundial”.

O Barcelona tem há dez anos uma marca de patrocínio em sua camisa. Em 2006, o clube estampou o logo da Unicef, mas doava € 1,5 milhão para a entidade. Só em 2010, que o clube passou a receber dinheiro por uma marca na camisa, quando assinou por cinco anos com a Qatar Foundation. Pelo acordo, o clube passaria a receber € 30 milhões (R$ 109,4 milhões).

O acordo com a Rakuten representa um dos maiores contratos de patrocínio do futebol. É o mesmo valor que o Manchester United recebe com o seu contrato com a Chevrolet.

oglobo.globo.com | 16-11-2016

FRANKFURT — O Banco Central Europeu está conversando com os bancos que buscam transferir algumas operações de Londres à Zona do Euro após a decisão do Reino Unido de deixar a União Européia, disse, nesta terça-feira, Sabine Lautenschlaeger, integrante do Conselho Executivo do BCE. Manter uma presença na União Europeia permitiria aos bancos realizar negócios com o bloco de 450 milhões de pessoas, enquanto permanecem sob supervisão única, controlando os custos e a complexidade das operações.

ECO - Internacional

O Goldman Sachs, por exemplo, está considerando transferir algumas operações a Frankfurt como resultado do referendo, o que poderia significar que os bancos percam seus ‘passaportes’ ou o direito automático a fazer negócios na UE.

“Já temos muitos bancos pedindo entrevistas e reuniões para que possam identificar onde estão nossos pontos de pressão e onde diferem nossos métodos da Autoridade de Regulação Prudencial do Reino Unido”, disse Lautenschlaeger em uma conferência em Frankfurt. "Certamente, estamos nos preparando”.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, disse que iniciará conversações formais para a saída do bloco em fins de março de 2017. Diante deste panorama, importantes banqueiros asseguraram no mês passo que poderiam comelar a transferir pessoal para o exterior no próximo ano se não houver clareza sobre se o Reino Unido manterá o acesso ao mercado único europeu quando deixar a UE.

De acordo com lobistas, o livre acesso de Londres ao mercado da UE tem um valor de cerca de 10.000 milhões de libras (US$ 12.000 milhões) por ano para a economia britânica. Os bancos estão dispostos a conservar os denominados direitos de passaporte e se viram afetados pelos comentários de May, que parecem dar prioridade à limitação da imigração e não à retenção do acesso ao mercado único.

O governo está profundamente dividido sobre seus planos a respeito da futura relação do Reino Unido com o bloco, segundo um memorando do governo ao qual teve acesso o jornal The Times.

oglobo.globo.com | 15-11-2016

BERLIM — O crescimento econômico da Alemanha desacelerou mais que o esperado no terceiro trimestre, com a queda nas exportações após a votação britânica para deixar a União Europeia, embora a maior economia da Europa aparente estar pronta para uma retomada nos últimos três meses do ano. A economia alemã cresceu 0,2% no período de julho a setembro, após expansão de 0,4% nos três meses até junho, informou a Agência Federal de Estatísticas. A expansão foi inferior ao consenso de mercado, que apontava crescimento de 0,3%.

Analistas esperam que a economia encerre o ano em um tom mais forte, embora alguns estejam preocupados com as perspectivas de longo prazo para a as exportações da Alemanha em meio a promessas protecionistas de campanha do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump.

"Na nossa visão, o dado mais recente menos dinâmico de crescimento não é um motivo para preocupação", disse o economista do UniCredit Andreas Rees, acrescentando que dados indicam que a desaceleração do terceiro trimestre foi momentânea e não indica fraqueza do longo prazo.

O terceiro trimestre foi atingido por uma desaceleração no comércio exterior com as exportações caindo um pouco e as importações subindo marginalmente, disse a Agência de Estatísticas.

A demanda doméstica se sobrepôs ao comércio internacional, como maior impulso ao crescimento da Alemanha, com a queda do desemprego aumento real de salários e baixas taxas de juros levando a mais gastos dos consumidores.

oglobo.globo.com | 15-11-2016

ATENAS — Em sua última viagem internacional como presidente dos EUA, Barack Obama chegou na manhã desta terça-feira a Atenas, na Grécia. Na visita de dois dias, ele se encontrará pela primeira vez com o presidente grego, Prokopis Pavlopoulos. Uma forte operação de segurança foi montada, enquanto organizações de esquerda e anarquistas planejaram protestos e um grupo armado prometeu promover ataques e confrontos durante a visita de Obama. Em seguida, o presidente visitará Alemanha e Peru.

Esta é a primeira vez que um presidente americano faz uma viagem oficial à Grécia desde que o então presidente Bill Clinton esteve no país em 1999. O Air Force One pousou após um voo noturno que partiu de Washington. A chegada do presidente levou ruas importantes a serem fechadas, e as manifestações públicas foram proibidas no centro de Atenas e nos arredores do hotel de luxo onde Obama provavelmente se hospedaria. Embarcações também foram proibidas de navegar na costa perto do hotel.

Mais de 5 mil policiais reforçam a segurança nas ruas da capital grega para os dois dias de visita. Embora o sentimento anti-EUA tenha se modificado ao longo dos anos, muitas pessoas do país veem o governo americano com apreensões — sobretudo porque os EUA apoiaram a ditadura militar que governou o país entre 1967 e 1974.

Nesta terça-feira, Obama deverá se encontrar com Pavlopoulos e, em seguida, com o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras. Em seguida, deverá participar de uma entrevista coletiva. Pavlopoulos receberá o presidente americano em um jantar oficial na mansão presidencial à noite.

Na quarta-feira, Obama deverá visitar a Acrópole e fazer um grande discurso sobre democracia e globalização antes de seguir viagem para Berlim. Depois, viajará ao Peru para uma cúpula sobre a economia asiática. Ele retorna a Washington no sábado.

ECONOMIA E REFUGIADOS

A viagem de Obama deverá ser dominada por perguntas e preocupações sobre a recente eleição do republicano Donald Trump para ocupar a Presidência dos EUA a partir de 20 de janeiro. O atual chefe da Casa Branca vem tentando garantir aos líderes da comunidade internacional que os EUA não abandonarão suas parcerias e obrigações com outros países, apesar da retórica agressiva que Trump adotou durante a sua campanha.

A Grécia classificou a visita de Obama como um evento de grande importância para o país e para a Europa. A coalizão de esquerda que lidera o governo vem lutando para tirar o país de uma crise financeira de seis anos que devastou a economia nacional e deixou um quarto da mão de obra grega desempregada. E, apesar do resultado das eleições nos EUA, o governo vem depositando esperanças em Washington para persuadir alguns dos credores internacionais mais relutantes, como a Alemanha, a aliviar significativamente a dívida do país.

Além disso, o governo grego também busca reconhecimento pelo papel do país na crise de refugiados que atinge a Europa. Centenas de milhares de refugiados já passaram pela Grécia no seu caminho a países ais ricos do Norte europeu. A esperança da Grécia e de organizações internacionais é que os EUA pressionem a Europa a dividir mais a responsabilidade pela crise humanitária que atinge o país, uma vez que alguns países relutam em aceitar refugiados em seus territórios. Atualmente, mais de 60 mil pessoas estão presas em abrigos improvisados na Grécia, vivendo em condições extremamente precárias em diversas partes do país.

"Obama deveria colocar sob o holofote não apenas as condições abismais em que vivem dezenas de milhares de refugiados na Grécia, mas o fracasso dos líderes mundiais em abordar adequadamente a crise de refugiados global", disse o diretor da Anistia Internacional para a Europa, John Dalhuisen, em nota.

oglobo.globo.com | 15-11-2016

WASHINGTON — Para os Estados Unidos e a Europa, chegou a hora de fazer um acerto de contas: o Ocidente como o conhecemos está próximo de chegar ao fim. Os Estados Unidos acabaram de eleger como presidente um homem que não apenas se gaba de apalpar mulheres e enganar parceiros de negócios, mas que também publicamente não gosta de tradicionais aliados americanos — e os europeus acima de tudo.

Não se baseie nas minhas palavras. Ouça o que ele vem dizendo há muitos anos. Em 2000, no livro “A América que merecemos”, Trump escreveu que os “EUA não têm interesse vital em escolher entre facções armadas cuja hostilidade remonta a séculos. Seus conflitos não valem vidas americanas. Afastar-se da Europa poderia anualmente economizar milhões de dólares deste país. O custo de manter tropas da Otan na Europa é enorme. E estes são certamente investimentos que podem ser mais bem utilizados”.

Ao longo da campanha eleitoral, repetiu constantemente essa visão, mesmo que tenha mudado de opinião em relação a quase todo o restante. Mas em relação à Otan — e sobre a Rússia — Trump não muda nunca. Em março, descreveu a organização como obsoleta. Ao mesmo tempo, tem elogiado ditadores mundiais, Vladimir Putin principalmente. Em 2014, enalteceu a invasão russa à Ucrânia. Trump não fala sobre o declínio da economia russa ou do seu feroz autoritarismo, talvez porque não sabia sobre eles ou porque não se importe. Sua campanha recebeu assistência declarada da Rússia.

Não podemos presumir que avanços militares russos na Ucrânia e nos países bálticos serão empurrados para trás por uma aliança de países com posições semelhantes. Sob o comando do presidente Trump, não podemos presumir que os Estados Unidos continuem na liderança dos países livres — ou na liderança de qualquer coisa. O protecionismo, e não o livre comércio, acabou de ganhar esta eleição, e isso terá consequências. O livre comércio teve todos os tipos de consequências, mas uma de suas vantagens é que mantém países política e economicamente conectados. Muros, sejam físicos ou metafóricos, serão construídos.

Nada disso acontecerá rapidamente. Levará tempo para as consequências da mudança no sistema político internacional por vir se desdobrarem. A queda inicial do mercado de ações se inverteu. Mas a mudança está chegando, como populistas têm dito em tantos países. Nos próximos dias e semanas, os americanos estarão focados nas consequências desta eleição em casa, particularmente agora que o Partido Republicano de Trump domina a Câmara e o Senado e irá dominar a Suprema Corte. É importante abrir os olhos para as consequências ao restante do mundo também.

oglobo.globo.com | 13-11-2016

RIO - A globalização foi a vilã apontada pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, para atrair a classe média de regiões que já foram potências industriais. A vitória de Trump, amparada nesse discurso, intensificou o debate sobre os efeitos da ampla abertura comercial a partir dos anos 1990 sobre a vida dos cidadãos em diferentes partes do planeta.

trumpNo mundo, as nações pobres e ricas se aproximaram com a globalização, e a desigualdade diminuiu. Mas, dentro de cada país, a renda ficou mais concentrada, dizem especialistas. Esse fenômeno afetou não só os EUA, como também a China — alvo preferencial do discurso protecionista de Trump.

E os que menos ganharam com a globalização foram os 20% mais ricos no mundo, ou seja, a classe média e média baixa das economias avançadas, afirma a economista Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute e professora da Universidade Johns Hopkins, em Washington:

— O Brexit (a saída do Reino Unido da União Europeia) e a eleição de Trump têm vários matizes, além da distribuição de renda. Essas pessoas se sentiram deixadas para trás. Outros melhoraram muito mais do que eles. O que importa é sua posição relativa. A economia comportamental explica isso. As pessoas preferem ganhar R$ 50 enquanto todo mundo ganha R$ 20, do que ganhar R$ 100, se todo mundo estiver ganhando R$ 200. O sentimento de estar acima dos outros é preponderante.

A mudança da estrutura produtiva, o avanço tecnológico e até os valores culturais de cada canto do planeta são a outra parte da história para entender os motivos de parte da população na Europa e nos EUA querer fechar seus mercados e suas fronteiras. Nessa equação, a desigualdade é uma explicação comum. No caso dos EUA, o país, que já era o mais desigual entre seus pares de economia avançada, a disparidade de renda hoje já é tão grande como no Brasil.

Entre os americanos, o 1% mais rico da população concentra 22% da renda, parcela semelhante à apropriada no Brasil pelo topo da pirâmide. Há menos de uma década, os mais ricos americanos concentravam cerca de 12% dos ganhos do país.

CRISE DE 2008 EXPÔS A DIVISÃO

Marcelo Medeiros, sociólogo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da UnB, especialista em desigualdade e pobreza, diz que a classe média fabril americana viu a renda estagnar e perdeu a estabilidade com a transferência da produção para a Ásia. Contra esses efeitos, nenhuma medida foi tomada. Ao contrário, políticas públicas aprofundaram a crise:

— A estrutura sindical foi destruída, as regras trabalhistas foram flexibilizadas, tornando o trabalho mais inseguro, e não se preparou esses trabalhadores para a economia 3.0. O topo da distribuição de renda, os trabalhadores qualificados, a economia digital e, principalmente, o setor financeiro aumentaram sua renda. Não se mudou a estrutura tributária para redistribuir os ganhos gigantescos dessa parte da população.

Segundo Medeiros, o processo de globalização transformou a China numa potência industrial:

— A produção industrial menos sofisticada da Europa, dos EUA e até da América Latina migrou para a China. Não dá para atribuir todas as mudanças à globalização. Mas a Ásia virar a grande potência industrial só foi possível no mundo globalizado — afirma Medeiros.

A globalização beneficiou os pobres dos países subdesenvolvidos e prejudicou os pobres dos países desenvolvidos, afirma José Márcio Camargo, professor da PUC.

— Se, por um lado, houve o empobrecimento dessas pessoas no mundo ocidental, esse processo de globalização reduziu a pobreza no mundo de forma espetacular. Desde 1995, o preço internacional da TV caiu 96%, e o do brinquedo, 67%, o que significou um aumento monumental de renda real das pessoas. Já os preços dos serviços subiram: os médicos, 100%; matrícula escolar, 197%. Quem estava no setor de educação teve ganho de renda, mas o produtor de TV, não.

Tudo ia bem enquanto o mundo crescia 6%, 7% ao ano, lembra Camargo. Com a crise de 2008, a insatisfação com a desigualdade aflorou, porque “quando se chega perto da estagnação, acaba a expectativa de melhora, e a única solução é se revoltar”, diz o economista.

— A crise torna pior o quadro preexistente, com estagnação de renda, desemprego. Os que mais sofreram com a crise foram os mesmos que já estavam sofrendo com a globalização. Os trabalhadores de Pensilvânia, Ohio, Michigan, da indústria tradicional, antes tinham um bom salário. Hoje, não conseguem o mesmo nível nem de perto, porque a indústria tradicional acabou, e não foi só pela globalização. Toda a transformação tecnológica e a mudança da estrutura produtiva acabaram com o emprego desses pessoas — complementa Monica.

Sergei Soares, do Ipea, que atualmente é pesquisador visitante do Centro Global de Desenvolvimento, em Washington, diz que a saída dos trabalhadores da indústria para o setor de serviços se estreitou:

— O caminho seria se deslocar para os serviços, mas neles há uma concorrência forte dos imigrantes. Estão presos, sem saída. E as políticas sociais foram esvaziadas, até mesmo por pressão dessa mesma população. Hoje, só contam com food stamps.

Os especialistas temem uma onda protecionista, mesmo achando improvável estabelecer tarifas de importação muito altas, pois as grandes empresas americanas trabalham em cadeias globais de produção. O último movimento protecionista desse tipo aconteceu na Grande Depressão dos anos 1930.

— Trump é um empresário, vive no meio deles. Mas é muito difícil agora saber o que vai acontecer — afirma Monica.

Segundo Sergei, se os EUA ficarem mais protecionistas, vão sofrer retaliação de outros países, e o mundo se fecha:

— Esse é um jogo de perde-perde. Mas se Trump não oferecer uma resposta a essa população que o elegeu, vai embora em quatro anos.

oglobo.globo.com | 13-11-2016

É muito provável que brasileiros, ao verem, em 2015, as cenas de gregos em filas à frente de caixas eletrônicos sem dinheiro, imagens de aposentados em Atenas durante protestos contra cortes nos benefícios, ao lado de servidores públicos com salários atrasados, tenham se sentido aliviados porque aqueles dramas aconteciam muito distante do Brasil. Quase do outro lado do mundo.

Mas, na verdade, encontravam-se, àquela altura, bastante próximos, à medida que a crise fiscal semeada pelo governo Lula/Dilma consolidava no subsolo da economia as condições — já visíveis há algum tempo por analistas — para uma grave crise fiscal. Algo no padrão grego daqueles dias, infelizmente. No fim do ano, o pedido de abertura de processo de impeachment contra Dilma seria aceito na Câmara, por Eduardo Cunha. A eclosão da crise prevista na campanha eleitoral de 2014 — a imprensa profissional começara a tratar do assunto antes — e o impeachment da presidente foram o desfecho de tudo.

A montagem da bomba-relógio não foi instantânea. Para ser preciso, começou na Constituição de 1988, com a missão dada ao Estado para com acabar com a miséria, atender toda população na rede de saúde pública, educar e assim por diante. Sempre o Estado como responsável por uma empreitada gigantesca contra a pobreza, além de outras.

A miríade de gastos ditos sociais, em que se incluem os da Previdência e benefícios assemelhados (Loas, por exemplo), veio sendo construída passo a passo. Um gigantesco salto rumo ao precipício foi a indexação de benefícios previdenciários e muitas outras despesas sociais pelo salário mínimo. Este, por sua vez, passou a ter aumentos acima da inflação e — pior — à frente da produtividade da economia. Nada contra a chamada “política de valorização” da remuneração de base da população, mas atrelar ao mínimo a maior parte das despesas públicas primárias foi overdose.

A Grécia também praticou a irresponsabilidade fiscal — para seu enorme azar, em euros. Quando ficou evidente que o país não pagaria as dívidas — tudo sempre em euros —, os bancos fecharam-se à Grécia, os juros subiram e a economia entrou em colapso.

No Brasil, a debacle veio na moeda pátria. A irresponsabilidade fiscal fez investidores recuarem, projetos foram engavetados e, para agravar a situação, Dilma, o secretário de Tesouro, Arno Augustin, mago da “contabilidade criativa”, sob as bênçãos do seu chefe formal, ministro Guido Mantega, passaram a adulterar as contas públicas. Acabou a credibilidade do governo dentro e fora do país, e a presidente sofreu impeachment.

O Brasil pôde deixar o real se desvalorizar (daí os enormes superávits comerciais, também fermentados pela recessão interna). A Grécia, nem isso, porque não tem moeda própria. Recorre à União Europeia e ao FMI para renegociar dívidas, enquanto executa duro ajuste.

O Brasil não padece de falta de divisas. Mas tem de ajustar as contas internas, em reais, implodidas pelos mecanismos de indexação de gastos, desregramento em geral nas despesas e pela queda da receita tribuária devido à enorme recessão provocada por toda esta lambança macroeconômica. Um circulo vicioso trágico.

Por caminhos diferentes, Brasil e Grécia chegaram ao mesmo desastre da explosão das contas públicas. Daí a semelhança dos dramas pessoais de servidores públicos gregos e brasileiros, e também aposentados da iniciativa privada: desemprego, benefícios previdenciários e pensões atrasados (o que acontecerá no âmbito do INSS, se não vier a reforma). A Grécia da crise chegou ao Brasil, pelo Rio de Janeiro. Mas visita todos os estados.

oglobo.globo.com | 13-11-2016
Desempenho pior da economia, com impacto na cobrança dos impostos indirectos, é outra explicação para a diferença de previsões entre a Comissão Europeia e o Governo.
www.publico.pt | 12-11-2016

FRANKFURT - A eleição de Donald Trump é um grande evento com lições para a Europa, mas ainda é cedo demais para determinar se o Banco Central Europeu (BCE) precisa agir para atenuar a consequente volatilidade do mercado, afirmou o membro da Comissão Executiva do BCE, Benoit Coeure, a um jornal francês.

“Há uma lição para a Europa: em um mundo em que os choques estão aumentando, a Europa tem que manter o controle de seu destino”, disse Coeure ao “Le Progrès”, de Lyon, desta sexta-feira. “Para a Europa ser forte em termos de defesa e segurança, ela precisa ter uma economia forte. E para a economia ser forte, reformas são necessárias em cada país e a zona do euro tem que funcionar melhor.”

Coeure acrescentou que a excessiva volatilidade do mercado tem que ser evitada mas que, por enquanto, a recuperação da zona do euro parece estar ganhando força.

oglobo.globo.com | 11-11-2016
O presidente da França, François Hollande, disse que os países europeus irão precisar de estratégias fortes e claras na segurança e na economia quando Donald Trump assumir a presidência dos Estados Unidos. Hollande afirmou que teme que a vitória do republicano fortaleça os populistas que querem desmanchar a União Europeia (UE).Hollande, que apoiou Hillary Clinton durante as eleições americanas, também afirmou que o bloco deve estar pronto para enfrentar Trump, caso seja necessário. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 10-11-2016

Donald Trump sinalizou que pode adotar um tom diferente no governo do que a demagogia raivosa que o levou à Casa Branca. Mas foi com a pregação do ódio — do nacionalismo, nativismo, xenofobia, racismo, misoginia, do desdém aos direitos civis, às normas democráticas e à verdade — que 59.470.229 americanos viram nele seu líder.

Sua vitória coloca em xeque princípios fundamentais da sociedade americana. Como a mais rica democracia do mundo, berço do liberalismo que defende globalmente, produziu tantos descontentes e raivosos?

Trump tinha o apoio de um eleitorado branco, mais velho e menos educado, de zonas rurais e subúrbios industriais, uma parcela particularmente afetada pela globalização da produção e ressentida por se julgar à margem do “sonho americano” — assim como os ingleses excluídos dos benefícios da União Europeia que votaram pelo Brexit.

Mas ele rompeu as barreiras desse eleitorado, expondo distorções de um sistema que tem sido incapaz de garantir o bem-estar de todos.

Pelo menos 9% de democratas votaram em Trump, que ganhou colégios eleitorais decisivos, como a Flórida, apesar dos imigrantes e negros; e redutos historicamente democratas como Michigan e Pensilvânia.

“Isso é o que acontece quando se tem democracia”, ironizou o Partido Comunista chinês. O descrédito do sistema político, das instituições e da imprensa que a campanha de Trump promoveu é uma vitória para regimes como China e Rússia, e uma derrota moral para os EUA. Mesmo que tenha sido apenas estratégia eleitoral.

Trump prometeu erguer um muro contra mexicanos, jogar duro com chineses, expulsar muçulmanos. Na prática, a China é o principal parceiro comercial dos EUA, fica no México grande parte de seu parque industrial e não só a economia americana, mas o próprio Trump lucra com negócios no Oriente Médio.

É mais incerto como conduzirá assuntos como o acordo nuclear com o Irã e o terrorismo. Entre as promessas, garantiu acabar com a agenda militar intervencionista de disseminar “valores americanos” — até porque ele próprio desdenha de tais valores.

oglobo.globo.com | 10-11-2016

Não podia ser diferente. A imprensa britânica dá forte destaque hoje ao resultado da eleição norte-americana, com a vitória do republicano Donald Trump. Os sites das publicações que mais circulam no país são atualizados a todo o momento com análises em relação ao evento histórico e a repercussão sobre a União Europeia, já sem rumo por causa da decisão do Reino Unido de deixar o bloco, o chamado Brexit.

O jornal Financial Times, especializado em economia, praticamente traz só esse assunto na capa de seu site. Entre as manchetes de reportagens e artigos da publicação estão: "Donald Trump tem vitória histórica nos Estados Unidos", "Republicanos desafiam as projeções e têm o controle do Congresso", "Vitória de Donald Trump desafia modelo de democracia ocidental", "Donald Trump e a fogueira das certezas", "Peso entra em colapso e os mercados futuros caem com vitória de Trump", "Sete políticas de Donald Trump que podem mudar os EUA", "Donald Trump inaugura a era da improvisação política", "Vitória de Donald Trump é mandato para explodir Washington", "Mundo reage à vitória de Trump: aliados consternados, populistas deleitados", "Time de Hillary aterrissa do lado errado da história", "Executivos norte-americanos escrevem carta aberta para Trump buscando tranquilidade" e "Donald Trump é o Brexit da America".

O The Guardian traz também um grande espaço para a eleição americana e enfatiza que a vitória do republicano mergulha a União Europeia em um "futuro incerto". O The Times dá destaque ao vídeo em que Trump promete diminuir divisões após a eleição. Segundo ele, "os homens e mulheres esquecidos não serão mais esquecidos". Já a revista Newsweek também deu ênfase à vitória do republicano e destacou ainda a maioria do partido no Congresso.

RIO - Após a eleição presidencial americana, que deu a vitória ao republicano Donald Trump, o mercado cambial abriu no Brasil com o dólar avançando 2%, a R$ 3,232.

Na véspera, quando os investidores ainda acreditavam na vitória da democrata Hillary Clinton na corrida pela Casa Branca, a moeda americana fechou com desvalorização de 1,2% frente ao real, a R$ 3,167, após alcançar a mínima de R$ 3,164.

A expectativa é que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abra em queda, seguindo os mercado globais.

Adicionalmente, a Petrobras sofre o efeito da queda nos preços do diesel e gasolina, anunciada ontem - diz Celson Plácido, estrategista-chefe da XP Investimentos. - As commodities certamente serão pressionadas por conta das incertezas e pela possibilidade de crescimento menor nos EUA.

Entre as companhias de maior peso o Ibovespa, o principal índice do mercado brasileiro, estão Petrobras e a mineradora Vale, cujos resultados estão atrelados à performance das commodities.

Porém, diz o especialista, por ora, a queda agora nos mercados está abaixo do que ocorreu na divulgação do Brexit (retirada do Reino Unido da União Europeia).

oglobo.globo.com | 09-11-2016
Economia, Saúde e Segurança Social, desigualdade social e tensões raciais, governabilidade, Supremo Tribunal, terrorismo, Rússia, China, Médio Oriente e Europa, eis alguns dos dossiers com os quais o futuro residente na Casa Branca terá de lidar.
www.publico.pt | 09-11-2016

As bolsas de valores de Nova York fecharam em alta nesta terça-feira, 8, de eleição presidencial nos Estados Unidos, revertendo as perdas observadas no começo da sessão.

No fim da tarde, o índice Dow Jones fechou em alta de 0,40%, para 18.332,43 pontos; o S&P 500 subiu 0,38%, para 2.139,53 pontos; e o Nasdaq avançou 0,53%, encerrando aos 5.193,49 pontos.

De todos os setores do S&P 500, apenas o de energia fechou no vermelho. Hoje o preço do barril de petróleo WTI recuou na New York Mercantile Exchange (Nymex), pressionado pelo ceticismo dos investidores sobre a implementação de um acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para reduzir a produção da commodity e equilibrar o mercado.

Nos últimos dias, ativos arriscados observaram ganhos ao passo em que a candidata democrata, Hillary Clinton, avançava nas pesquisas. Esses papéis, no entanto, eram liquidados quando levantamentos apontavam para uma corrida presidencial acirrada entre Hillary e o seu rival republicano, Donald Trump.

Ontem, o S&P 500 encerrou sua mais longa série de perdas em quase 36 anos, com um ganho de 2,2%, no maior salto desde março. Muitos investidores disseram estar cautelosos e alguns citaram a onda de vendas nos dias que seguiram o referendo em que os britânicos optaram por se separarem da União Europeia. "As pessoas achavam que o Brexit não aconteceria", disse Matt Lloyd, estrategista de investimentos da Advisors Asset Management.

Analistas afirmam que as negociações continuarão voláteis até que os resultados das eleições americanas sejam conhecidos. "O que os mercados querem ver é que há um vencedor claro, que não haja incertezas rondando os resultados", disse Quincy Krosby, estrategista da Prudential Financial.

A última rodada de pesquisas nacionais mostram Hillary ligeiramente à frente de Trump, com uma liderança de 3% a 6%. "Estamos mais cautelosos que o usual", disse Luca Paolini, da Pictet Asset Management.

Historicamente, é mais comum que as ações avancem no período entre as eleições e a posse do presidente eleito, de acordo com o WSJ Market Data Group, que monitorou as últimas 30 eleições presidenciais. Fonte: Dow Jones Newswires

BERLIM — O ministro da Economia da Alemanha, Sigmar Gabriel, pediu neste sábado a retomada de esforços longos para negociar um acordo global livre, alertando que a proliferação de acordos comerciais bilaterais pode levar a padrões e regras variados.

"O melhor seria um acordo sob a tutela da Organização Mundial do Comércio (OMC)", disse Gabriel durante uma conferência de negócios em Hong Kong.

"Devemos reiniciar as discussões na OMC, mesmo quando estamos negociando acordos bilaterais abrangentes".

Na ausência de um acordo de comércio global, Gabriel disse que é importante que os acordos comerciais bilaterais também incluam padrões sociais, climáticos e de consumo, além de simplesmente reduzir as tarifas.

O ministro alemão afirmou que a resistência aos acordos de livre comércio, como a assinada na semana passada pela União Europeia e pelo Canadá, deveu-se em grande parte à falta de comunicação por parte dos governos sobre os benefícios de tais acordos e a não inclusão de cidadãos e grupos sociais.

oglobo.globo.com | 05-11-2016

RIO - A economia americana ficará mais protecionista nos próximos quatro anos. Este é o consenso, entre analistas, do que se pode esperar, em termos de política econômica, de uma disputa presidencial que reúne visões muito diferentes do que é preciso para acelerar o ritmo de crescimento da maior economia mundial. A diferença entre Hillary Clinton e Donald Trump reside na intensidade desse protecionismo, que pode chegar ao extremo no caso de uma vitória do candidato republicano. EUA Economia

Na reta final da campanha, aumentaram os temores do mercado financeiro e de economistas diante do avanço de Trump nas pesquisas. O elevado grau de incerteza e o risco de uma guerra comercial dos Estados Unidos com o resto do mundo estão por trás do pânico do mercado. Qualquer sinal de chances de Trump se reflete em perdas nas Bolsas. Até um grupo de 19 laureados com o Nobel de Economia se manifestou em uma carta aberta contra a candidatura do republicano, citando uma “agenda econômica incoerente".

— O ponto-chave da política de Trump é um isolacionismo crescente dos Estados Unidos, o fechamento das fronteiras aos imigrantes e ao capital estrangeiro, a ameaça de o país se retirar de acordos comerciais. São coisas profundamente desestabilizantes, que mexem com o equilíbrio de comércio e de poder na América do Norte, na Europa, na Ásia e em todo o mundo. Isso terá um impacto muito ruim na economia — afirma Jonathan Lieber, que comanda a área de Estados Unidos no Eurasia Group.

Já um governo de Hillary deve ter uma postura menos pró-comércio que o do também democrata Barack Obama, apontam especialistas. Ou seja, ela não representará uma continuidade da administração atual. Mas há pontos de convergência, como a reforma da saúde e a maior regulação em Wall Street.

Lieber aponta, no entanto, que a candidata democrata pode comprometer até mesmo o que seria um dos legados do governo Obama, o Acordo de Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), que une Estados Unidos, Japão e outros dez países do Pacífico. O acordo ainda não foi ratificado pelo Congresso americano, e Hillary tem se colocado contra os termos finais da proposta, apesar de ter feito elogios na época da negociação, quando era secretária de Estado.

Já uma vitória de Trump pode colocar os Estados Unidos diante de uma guerra comercial. Ele já ameaçou suspender acordos comerciais e elevar as tarifas de importação para produtos de China e México. Info - Propostas divergentes

O desconforto de parte da população com a integração comercial — que se vê prejudicada pela globalização, com a perda de empregos industriais — é o que ajuda a explicar o tom mais protecionista na atual campanha, segundo o diretor executivo do Banco Mundial para o Brasil e oito países, Otaviano Canuto.

— O entusiasmo para levar adiante acordos de integração global não é mais o mesmo. Há uma culpabilização da imigração e do comércio. Com Hillary, pode-se perder oportunidade de avançar na integração comercial. Trump seria um desastre, tem tudo para gerar uma guerra comercial, já que haveria retaliação global — explica Canuto.

Tais conflitos, em sua opinião, poderiam afetar uma já frágil retomada da economia mundial. Ele diz que o mundo não está à beira de um colapso, mas aponta dois fatores preocupantes: a ascensão dos partidos antiglobalização nos países e uma desaceleração da economia chinesa.

TENSÕES COM CONGRESSO

Na cartilha de Hillary, o caminho para acelerar o crescimento da economia americana está, principalmente, nos investimentos em infraestrutura. Ela se comprometeu a anunciar, nos primeiros cem dias de governo, um plano de US$ 275 bilhões para a área ao longo de cinco anos. A democrata também se disse disposta a elevar impostos para aqueles de renda mais alta. E ainda defende com veemência a elevação do salário mínimo federal nos Estados Unidos. O valor está em US$ 7,25 por hora desde 2009, e Hillary propõe US$ 12. Nas primárias, seu rival no partido, Bernie Sanders, era a favor de US$ 15.

Trump também se mostra favorável a investir em infraestrutura, mas não deu detalhes sobre sua estratégia. No caso dos impostos, no entanto, sua posição vai na direção contrária da ex-secretária de Estado. Ele defende a redução das alíquotas, especialmente para a população de alta renda e para as empresas. Este é um dos caminhos que o candidato apresenta para um maior crescimento econômico, ao lado da expulsão dos imigrantes ilegais, o que, segundo ele, garantiria empregos para os americanos.

Uma das preocupações de analistas é com possíveis tensões num novo governo, seja entre democratas e republicanos ou dentro dos próprios partidos. Sanders se dedicou à campanha da antiga adversária, mas há quem tema conflitos futuros.

— Agora, Bernie Sanders está apoiando Hillary. Se ela for eleita, terá de haver alguma negociação em termos de política econômica. Com certeza pode ter alguma tensão, inclusive na escolha do secretário do Tesouro — diz Mark Langevin, professor da Universidade George Washington e diretor da consultoria Brazil Works.

A falta de apoio durante a campanha de Trump também sugere possíveis conflitos entre os republicanos. Mas especialistas alertam que, seja qual for o vencedor, é a composição do Congresso que vai ajudar a ter um vislumbre da política econômica do novo governo. A expectativa é que a Câmara dos Representantes mantenha a maioria republicana, embora com menor força. Já no caso do Senado, há grandes chances de uma maioria democrata. De qualquer forma, o novo presidente continuará tendo negociações exaustivas com o Congresso, como ocorreu com a gestão Obama.

— Nos Estados Unidos, o Congresso é muitas vezes mais poderoso que o presidente. Trump e Hillary terão de negociar com o presidente da Câmara. Uma maioria democrata no Senado ajudaria Hillary — explica Langevin.

oglobo.globo.com | 05-11-2016

BRASÍLIA - Atual presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior, Rubens Barbosa afirma que, sob governos petistas, o Brasil perdeu “oportunidades de avançar no comércio exterior, aumentar as exportações para os EUA, captar investimentos, tecnologia”. EUA Brasil

Qual o impacto da eleição americana sobre o Brasil?

Pouco. A América Latina, em geral, e a América do Sul, em especial, não estão nas prioridades da política externa americana. Ganhe um ou outro, isso não vai mudar. As prioridades estão em Oriente Médio, Ásia, Rússia e Europa.

Uma vitória de Donald Trump seria uma preocupação?

Se Hillary Clinton ganhar, ela conhece o Brasil, é diferente. Trump não conhece nada. A vitória dele seria uma preocupação para o mundo: ninguém sabe o que faria. Mas teria pouquíssimo impacto sobre o Brasil, porque a América Latina não é do interesse deles, principalmente para Trump. Ele não tem política de aproximação.

A que se deve essa pouca aproximação dos EUA com o Brasil?

É resultado dos últimos 13 anos. Por questão partidária, os países desenvolvidos passaram para o segundo plano. Essa política Sul-Sul, que não é nova, transformou-se num instrumento ideológico de afastamento da relação com os países desenvolvidos — das relações institucionais, dos grupos de trabalho, dos contatos entre Brasil e EUA. No geral, se manteve uma relação morna e normal, sem avanço ou retrocesso.

Como ampliar a relação?

Perdemos oportunidades de avançar no comércio exterior, aumentar as exportações para os EUA, captar investimentos, tecnologia. Agora, temos que melhorar o ambiente interno no Brasil para voltar a atrair o interesse das empresas americanas. Para isso, precisa ter estabilidade econômica, segurança jurídica, visão de médio e longo prazo.

Já há mudança na política externa brasileira com Temer?

Ocorre agora mais uma mudança de ênfase, não uma grande guinada. Mudou com relação à Europa, aos Brics, à América do Sul, ao Mercosul. O PT teve novas ênfases, dando destaque aos países em desenvolvimento.

Há espaços para acordos?

O mundo mudou, e o Brasil foi apanhado no contrapé. Enquanto o mundo se abria e fez muitos acordos, o Brasil se fechou, e o Mercosul fez apenas três, inexpressivos comercialmente. Agora que o Brasil quer abrir, o mundo está fechando. Há uma eleição americana contra um acordo com a Ásia. O Brasil agora tem que insistir nas negociações do acordo com a Europa.

oglobo.globo.com | 05-11-2016

LONDRES - Há três anos, o prefeito de Amsterdã perguntou em uma sala cheia de gerentes de fundos de pensão quem estaria disposto a investir na regeneração da famosa zona de prostituição da cidade. Só duas pessoas levantaram a mão. Hoje, a mesma pergunta poderia ter desencadeado uma guerra de apostas.

Em uma época com juros extremamente baixos e populações envelhecidas, até os investidores institucionais mais avessos aos riscos agora estão comprando ativos que antes pareceriam inconcebíveis.

Como grande parte do ganha-pão deles — os títulos de governos — rende menos que zero, a busca por uma renda estável transformou os fundos de previdência da Europa em todo tipo de coisa, de donos de sex shops holandeses e bingos britânicos a investidores em loterias em Gibraltar.

As poupanças para a aposentadoria dos funcionários da BBC estão ajudando a pagar por um novo duto de esgoto em Londres, e a Pension Insurance Corporation comprou dívida da Virgin Atlantic que tem como garantia slots no aeroporto de Heathrow. A alemã Versicherungskammer Bayern até pensou em investir em abrigos para refugiados neste ano.

— O que deu certo nos últimos oito anos não vai dar certo nos próximos oito — disse Ingo Heinen, diretor de vendas de investimentos alternativos da BlackRock em Londres.

RENDIMENTO DE 10% A 15%

Em julho, fundos de pensão decidiram comprar 35% de um portfólio de cerca de cem imóveis. Os termos determinavam que as propriedades não poderiam ser usadas para fins de prostituição ou drogas, mas não há nenhum impedimento à venda de brinquedos sexuais.

— Um fundo de pensão ter um sex shop não é muito normal, mas, financeiramente, há um case de negócio muito forte — explicou Boris van der Gijp, diretor da consultoria de fundos de pensão Syntrus Achmea. — A competição por ativos imobiliários hoje é dura.

Essa busca por rendimentos “é uma continuação da tendência que observamos há alguns anos, mas agora estamos conversando mais do que nunca com nossos clientes e eles estão investindo cada vez mais dinheiro em ativos reais”, diz Heinen.

‘APOSTANDO’ NA LOTERIA

A busca por retornos já acabou mal anteriormente, embora a época atual seja uma exceção, o que significa que surgiram alguns beneficiários incomuns para o dinheiro das pensões.

Um deles é a Lottoland, com sede em Gibraltar, que permite que os jogadores apostem nos maiores sorteios de loteria do mundo, como EuroMillions e MegaMillions. O diretor executivo Nigel Birrell recorreu aos investidores pela primeira vez em 2015, quanto captou € 100 milhões para ajudar a se proteger do pagamento de grandes prêmios.

Outro é o bingo. A M&G Investments, em nome de clientes como o fundo de pensão que representa a Associação de Médicos Britânicos, comprou 52 clubes da Gala Leisure por 173,5 milhões de libras com um rendimento líquido de 8,4%.

O fundo de investimentos imobiliários, administrado pelo diretor de renda imobiliária Ben Jones, já investiu o dinheiro das pensões em clínicas de reabilitação, academias de ginástica e sites de leilão de automóveis.

Jones recebeu a ideia de um analista da divisão de créditos da M&G que fazia empréstimos à Gala há mais de uma década.

— Ao contrário do que as pessoas acham, o bingo não é um setor em declínio — acrescentou Jones, cuja carteira é composta principalmente por dinheiro de pensões. — Em primeiro lugar, e acima de tudo, os investidores procuram renda no longo prazo.

oglobo.globo.com | 04-11-2016

LONDRES - A Alta Corte do Reino Unido decidiu nesta quinta-feira que o governo britânico precisa de aprovação parlamentar para dar início ao processo formal de saída da União Europeia (UE), sugerindo a possibilidade de que o processo conhecido como Brexit ainda poderia ser vetado.

brexit 0311

Devido à decisão judicial, a libra esterlina, que vinha amargando desvalorização desde a decisão britânica de abandonar o bloco europeu, subia 1,15% frente ao dólar, cotada a US$ 1,2445. É a maior alta desde 16 de agosto. Contra o euro, a moeda do Reino Unido registrava o segundo dia de ganhos, com alta de 1,3%, a € 1,12 por libra.

"O tribunal não aceita o argumento apresentado pelo governo. O tribunal aceita o argumento principal dos demandantes", consideraram os juízes que leram a sentença.

O tribunal concedeu ao governo o direito de recorrer contra a decisão, e um advogado do Executivo disse que a Suprema Corte deve julgar o caso entre 5 e 8 de dezembro.

Em resposta, o governo britânico anunciou que apelará da decisão do Alto Tribunal. "O governo está decepcionado com a decisão do tribunal. O país votou a favor de abandonar a União Europeia em um referendo aprovado pelo Parlamento. O governo está determinado a respeitar o resultado do referendo. Vamos apelar", indicou o porta-voz de Downing Street em um comunicado.

A decisão é uma derrota para o governo da primeira-ministra Theresa May, que havia rejeitado a possibilidade de uma votação na Câmara dos Comuns, alegando que o governo tem a ordem expressa de respeitar a decisão do povo britânico, que votou pela ruptura com a UE em referendo.

No mês passado, foi publicado um documento, datado de 2010, em que o governo do ex-premier David Cameron reconhece o caráter consultivo e não vinculante dos referendos.

Esse foi o argumento que Gina Miller, uma gestora de investimentos, levou ao tribunal para tentar forçar uma votação parlamentar. A ação judicial afirma que é necessária uma autorização do Parlamento para invocar o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que trata do processo de saída do bloco europeu.

Os três juízes que cuidam do caso reconheceram que se tratava de uma questão de valor constitucional e, portanto, a última palavra poderia recair sobre o Supremo Tribunal Federal.

A saída do bloco econômico foi aprovada em um referendo em junho deste ano por mais de 1,2 milhão de votos de diferença. A disputa foi bastante acirrada. O "sair" venceu com quase 51,9% dos votos, com 17.410.742 votos a favor da saída contra 16.141.242 votos pela permanência.

oglobo.globo.com | 03-11-2016

O Santander negocia recomprar 50% das ações de sua unidade de gerenciamento de ativos, que havia sido vendida pelo banco em 2013 para dois fundos de private equity, segundo fontes próximas à negociação. Na ocasião, o banco vendeu a metade da unidade para os fundos Warburg Pincus e General Atlantic, em uma operação que envolveu 2 bilhões de euros (US$ 2,2 bilhões). Na ocasião, o acordo gerou um ganho líquido para o banco de 700 milhões de euros, segundo informações divulgadas pelo banco.

Até 30 de junho deste ano, a unidade tinha 173,6 bilhões de euros em ativos sob gestão e mais de 700 funcionários, a maioria na Europa e na América do Sul. As discussões envolvendo os dois fundos de private equity sobre a venda de parte da unidade começaram após o Santander e o banco italiano UniCredit terem concluído, em julho, um plano para unir suas unidades de gerenciamento de ativos.

Quando a fusão com a Pioneer Investments, unidade de investimentos da UniCredit, foi anunciada pela primeira vez, em 2015, o Santander informou que sua divisão de gerenciamento de ativos estava avaliada em 2,6 bilhões de euros. A combinação com a Pioneer criaria uma empresa com 353 bilhões de euros em ativos sob gestão.

A unidade de gerenciamento de ativos do Santander está entre os bilhões de dólares em ativos que fundos de private equity adquiriram de bancos, na esteira da crise financeira global. General Atlantic e Warburg Pincus têm trabalhado juntos em outras operações, incluindo a aquisição, no último ano, da fatia de 49% das ações da Network International, empresa de processamento de pagamentos baseada em Dubai.

Nos últimos dois anos, o Santander e outros bancos europeus reforçaram esforços para vender produtos relacionados a gerenciamento de ativos, que geram taxas e comissões que têm ajudado a elevar a rentabilidade das instituições bancárias, em um momento em que tomadores de crédito pressionam por taxas de juros mais baixas e há fraca demanda por empréstimos. (Fonte: Dow Jones Newswires).

RIO - Quer viajar no verão e economizar? De acordo com uma pesquisa feita pelo site de busca de passagens aéreas, hotéis e alugueis de carro Skyscanner, a segunda quinzena de janeiro de 2017 terá os preços mais baixos da estação.

BV Verão

Segundo o levantamento, quem está planejando viajar a partir de 19 de janeiro encontra, em comparação com a primeira semana de 2017, preços até 26% mais baixos para destinos europeus, 23% para os americanos, 12% para os brasileiros e 7% para cidades latinas.

Vale destacar que, ao contrário do que aconteceu em 2016, o carnaval do próximo ano será no final de fevereiro, no dia 28. Isso faz com que a alta temporada de verão se estenda um pouco mais.

Outros dois bons momentos para pegar a estrada, de acordo com a pesquisa, são o começo de novembro e a semana do dia 8 de dezembro. Em novembro, a economia para viagem para a Europa pode chegar a 42% e, para os Estados Unidos, 37%.

Já na segunda semana de dezembro, que antecede as festas de fim de ano, as passagens aéreas estarão até 8% mais baratas para voos domésticos, 14% para os EUA, 16% para a Europa e 15% para a América do Sul.

Todos em comparação com a última semana do ano, considerada um dos momentos mais caros para viajar. Quem puder, deve evitar o período de 15 de dezembro de 2016 a 12 de janeiro de 2017, onde os preços dos voos para os principais destinos estão mais caros, chegando a quase dobrar.

"Historicamente, entre os dias 22 a 31 de dezembro, é o período mais caro para se viajar tanto no Brasil quanto para o Exterior. Porém, a análise mostra que, como a virada de 2016 para 2017 será em um fim de semana, a primeira quinzena de janeiro deve ser evitada, pois os preços estão relativamente mais altos", comenta em nota o gerente de produto para a América Latina do Skyscanner, Mark Crossey.

oglobo.globo.com | 02-11-2016

BERLIM - Nunca uma eleição fora do continente moveu tanto os europeus quanto o pleito americano, no próximo dia 8. Abandonando a tradicional diplomacia no que se refere a candidatos estrangeiros, os europeus não poupam críticas (ou elogios) ao republicano Donald Trump. Como na sua pátria, também na Europa o magnata imobiliário não deixa ninguém indiferente. Na Itália ele é o “Berlusconi americano”. Na Alemanha, o candidato foi chamado pelo ministro das Relações Exteriores, Frank Walter Steinmeier, de “pregador do ódio”. Mas na Hungria ele só recebe elogios do primeiro-ministro Viktor Orbán.

— Trump ultrapassou todas as fronteiras, e por isso é acompanhado por uma mistura de ódio e amor no mundo inteiro — diz Sabine Hermeling, especialista em relações transatlânticas da Fundação Heinrich Böll.

Não só pelas críticas que fez à política de refugiados da chanceler federal Angela Merkel ou por suas previsões de fim da União Europeia (UE), a perspectiva de um presidente Trump, descendente de alemães, é vista como catastrófica.

Os políticos europeus não procuram nem disfarçar a aversão que sentem pelo candidato republicano, que é criticado pelo presidente francês François Hollande pelos seus excessos e chamado por Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, como um “perigo para o mundo inteiro”. Info - Europa

Rejeitado por 60% dos alemães

“Trump personifica os preconceitos existentes na Europa sobre os Estados Unidos, e a sua eleição marcaria uma nova fase de forte antiamericanismo no continente”, escreveu o jornal berlinense “Der Tagesspiegel”, expressando a opinião de mais de 60% dos alemães, segundo um estudo recente. “O futuro deve tratar de educação, e não de intolerância; de confiança, e não de ódio; de construir pontes, e não muros”.

Para o cientista político Crister Garrett, da Universidade de Leipzig, o “fenômeno Trump”, do populismo acompanhado de xenofobia, existe também na Europa, onde é expressado por políticos como Orbán, a francesa Marine Le Pen ou o polonês Jaroslaw Kaczynski, do Partido Lei e Justiça, hoje chefe do governo.

Kaczynski e Orban recusam, como Trump, os muçulmanos.

— O que é bom para a Europa não poderia ser formulado de maneira melhor — disse Orbán, recentemente, ao falar para a minoria húngara na Romênia, alegando que um político como Trump seria o melhor para o continente.

Já o cientista político italiano Enrico Rusconi, da Universidade de Turim, lembra que o fenômeno Trump pode acontecer também na Europa Ocidental. Trata-se do que ele chama “estilo Berlusconi”, que se tornou possível através de uma “mutação” na sociedade.

— Trata-se da democracia do espectador. Vence o político que consegue se vender melhor na mídia, mesmo que tenha uma forma vulgar de expressão — lembra ele.

Sabine Hermeling também observa que os adeptos de Trump são parecidos com os franceses que apoiam Le Pen, os austríacos partidários de Heinz-Christian Strache, do Partido Democrata Liberal (FPÖ) e os poloneses que apoiam Kaczynski. “Não estou tendo pesadelos com a possibilidade de Trump ser o próximo presidente americano. Não vejo necessidade de responder suas críticas.”

Mesmo políticos moderados, como o ministro das Relações Exteriores da Áustria, Sebastian Kurz, observam Trump com interesse. Kurz chegou a apontar a ideia do magnata de construir um muro na fronteira com o México como interessante, pelo menos do ponto de vista de evitar imigrantes. A Áustria também constrói muros e cercas para evitar o êxodo de refugiados e imigrantes do Sul da Europa.

Mas, na sua maioria, os governos da Europa Ocidental preferem na Presidência dos EUA a democrata Hillary Clinton, de quem esperam mais confiabilidade. Segundo um estudo do “Deutsche Bank Research”, o instituto de pesquisa do Deutsche Bank, a economia europeia conta com uma vitória de Hillary porque enxerga que a cooperação econômica com a ex-secretária de Estado será mais intensa.

“Trump, ao contrário do que se espera de Hillary, quer cortar os laços econômicos com os países estrangeiro e concentrar o seu programa no mercado interno”, diz o estudo.

Medo de interferência

Thomas Jäger, do Instituto de Ciências Políticas da Universidade de Colônia, lembra que qualquer que seja o vitorioso haverá mudanças para pior nas relações com a Europa e com a Rússia.

— Trump não vai se intrometer nas questões europeias, mas também não terá uma influência positiva — considera o analista.

A Europa também espera de uma presidente Hillary mudanças para pior, como a de uma nova política de confrontação com a Rússia.

O jornalista alemão Jakob Augstein, coproprietário da revista “Der Spiegel”, afirmou que o papel que Hillary pode assumir na guerra da Síria, “o conflito mais perigoso do mundo”, terá o efeito de desencadear uma nova Guerra Fria. “Os excessos de Trump dão vontade de vomitar. A democracia está em risco, porque há cada vez mais políticos tentados pelo autoritarismo. Se os americanos escolherem Trump, haverá consequências, porque uma eleição nos EUA é uma eleição global”.

— Os riscos de um novo confronto com a Rússia se Hillary adotar as medidas que anunciou na campanha, como a criação de uma zona de proibição de voo, serão incalculáveis — disse Augstein.

O barril de pólvora da Síria, onde lutam lado a lado Rússia, Irã, Turquia, Israel e Arábia Saudita, mas cada um defendendo os próprios interesses, pode ser transformar em um explosivo para o mundo.

Ordem mundial multipolar

A Europa vê Trump como uma farsa, lembra Augstein, que é de esquerda. Mas mais do que essa farsa, ele receia a volta de uma política intervencionista, que seria possível com Hillary.

O cientista político austríaco Stefan Haderer diz que se Trump ganhar, os europeus vão observar com aversão como um presidente americano, da única superpotência do mundo, “usa uma terminologia que não é digna do seu posto". Mas com uma presidente Hillary Clinton vão sofrer se o novo governo americano se colocar contra uma ordem mundial multipolar. Segundo ele, com Hillary os Estados Unidos “podem retomar o papel de policiais do mundo”.

oglobo.globo.com | 02-11-2016

PARIS - A próxima eleição presidencial da França será um teste para nervos de aço, já que, segundo analistas e políticos locais, existe a possibilidade real de a extrema-direita, na figura da eurodeputada Marine Le Pen, conquistar pela primeira vez na História o comando do governo. Uma prova de fogo que extrapola os limites nacionais, já que uma das principais bandeiras da Frente Nacional, partido liderado por Marine, é deixar a zona do euro. O que, após a saída britânica da União Europeia (UE), e com o avanço da extrema-direita em diversos países do bloco, respaldados no sentimento anti-imigração e no fortalecimento das fronteiras nacionais, pode significar a derrocada do bloco continental.

Com a esquerda socialista esfacelada graças a um dos mais impopulares presidentes franceses de todos os tempos — com 14% de aprovação em outubro, segundo pesquisas, François Hollande ainda não sabe se concorre à reeleição — e com Os Republicanos (centro-direita) sem um candidato de consenso, pela primeira vez, desde a Quinta República inaugurada por Charles De Gaulle, os dois maiores partidos do país vão realizar primárias numa mesma eleição.

A principal convicção na imprensa e entre especialistas locais é de que, após os três atentados terroristas em Paris e Nice, que deixaram mais de 200 mortos, a França vai dar uma guinada à direita com uma agenda focada em segurança, imigração, identidade nacional e Islã. Ainda mais com as críticas que os socialistas vêm sofrendo pelo fraco desempenho da economia e desemprego — cerca de 10% da população está sem trabalho.

Impasse n’Os Republicanos

As últimas sondagens junto ao eleitorado mostram que o vencedor das primárias d’Os Republicanos, em 27 de novembro — o ex-primeiro-ministro e atual prefeito de Bordeaux, Alain Juppé, de 71 anos, e o ex-presidente Nicolas Sarkozy, de 61, são os favoritos à indicação —, deve ir, junto com Marine Le Pen, para o segundo turno da eleição presidencial, e vencê-la. Mas, faltando seis meses para o pleito (em 23 de abril), muito ainda pode acontecer, e uma série de fatores está em jogo.

— Na eleição presidencial de 2012, Marine terminou em terceiro e, agora, tem uma vantagem enorme: nunca esteve no poder — afirmou o pesquisador Jean-Yves Camus, analista político do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas.

Além disso, o contexto atual joga a favor dela. A chegada em massa de migrantes e de refugiados à Europa favorece os discursos ultranacionalistas, islamofóbicos e xenofóbicos em Áustria, Alemanha, Hungria, Polônia, Holanda e Dinamarca. São ventos que sopram a favor de Marine. françois hollande

— Ela ainda não foi derrotada. Aqueles que pensam que não há nenhum perigo vindo da extrema-direita se enganam. Tanto a esquerda quanto a direita podem perder para Marine Le Pen — advertiu um ministro socialista, sem se identificar, à agência de notícias AFP.

O cientista político Joël Gombin lembrou que na eleição presidencial, um pleito majoritário de dois turnos, é preciso contar com uma coalizão para ganhar e convencer fora de suas próprias fileiras. E faz uma ressalva:

— Desde 1958, nenhum partido conseguiu superar sozinho 50% dos votos. E a Frente Nacional rejeita as alianças, o que atrai eleitores, mas também priva a legenda de uma reserva de votos no segundo turno.

Capitalizando com a decepção

Numa estratégia para se tornar mais palatável, Marine, 48 anos, busca se distanciar das declarações racistas e antissemitas de seu pai, Jean-Marie Le Pen. Desde que assumiu o partido, em 2011, vem conseguindo êxito em angariar eleitores dos dois lados do espectro político: os de direita aderem aos argumentos anti-imigração; e os de esquerda, decepcionados com o atual governo, compram o discurso dela, de “empobrecimento dos franceses” e da “ideologia ultraliberal” da UE. Segundo levantamentos, a segurança é a principal preocupação dos franceses, destacou Frédéric Dabi, diretor da empresa de pesquisas Ipsos.

— Mas, quando perguntamos quais serão os temas que pesarão no voto, o emprego e o poder aquisitivo retornam com força — observou.

Por sua vez, na tentativa de não naufragar por completo, o socialista Hollande, de 62 anos, se apresenta como “fiador do Estado de direito”, denunciando os excessos que podem ser cometidos na segurança por seus rivais à direita. E, caso não apresente à reeleição, seu primeiro-ministro, Manuel Valls, deve se candidatar no lugar, sem alterar muito o amargo panorama que vislumbra a esquerda local.

oglobo.globo.com | 31-10-2016

O secretário de Estado para Negócios do Reino Unido, Greg Clark, ofereceu apoio ao presidente do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Mark Carney, em meio as especulações de que ele logo irá decidir se fica no cargo por oito anos.

Clark disse entrevista para a BBC no domingo que Carney "fez um trabalho tremendo, fantástico."

Aqueles que fizeram campanha para o Reino Unido sair da União Europeia (UE) criticaram Carney pelo alerta que o dirigente fez sobre o impacto do Brexit na economia. As especulações sobre seu futuro aumentaram nesta semana, após a mídia britânica ter sugerido que ele poderia deixar o cargo.

Carney, de origem canadense, assumiu o cargo em 2013 e deveria ficar no comando do BOE até 30 de junho de 2018, com a opção de prolongar por mais três anos. Na terça-feira, Carney afirmou que a decisão sobre seu contrato seria "inteiramente pessoal", não um reflexo das políticas do governo. Fonte: Associated Press.
O presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Mark Carney, está sob ataque dos apoiadores da saída do Reino Unido da União Europeia, enquanto ele decide quanto tempo ficará no cargo em um momento crítico para o país.Carney é elogiado pelos que defendem que sua resposta rápida e competente ao resultado do referendo em junho evitou um maior pânico no mercado, que poderia desestabilizar a economia global. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 31-10-2016

BRUXELAS - A União Europeia e o Canadá assinaram um tratado de livre comércio neste domingo com o objetivo de gerar empregos e crescimento econômico, embora o acordo ainda precise passar por cerca de 40 parlamentos nacionais e regionais na Europa nos próximos anos para entrar inteiramente em vigor.

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O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, assinou o tratado com os chefes de instituições da UE, em um passo que deve permitir a implementação provisória do acordo no início de 2017, com a remoção da maior parte de tarifas de importação.

O caminho para a aprovação do Acordo Econômico e Comercial Global (Ceta) não tem sido tranquilo. Residentes do Sul da Bélgica que falam francês, minoria no país e que representam menos de 1% dos 508 milhões de consumidores da UE a serem afetados pelo Ceta, levantaram objeções que impediram o acordo até um avanço na quinta-feira, confirmado por votos de parlamentares regionais na sexta-feira.

— Tudo fica bem quando termina bem — disse o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. —Temos 20 negociações em curso e hoje estamos determinando os padrões gerais que a UE e a Comissão Europeia querem que os outros aceitem.

O acordo com o Canadá é visto como um trampolim para um tratado maior da UE com os Estados Unidos, conhecido como Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP), que tem sido alvo de críticas de sindicatos trabalhistas, ambientalistas e outros grupos de manifestantes.

A comissária de Comércio da UE Cecilia Malmstrom disse que as negociações para a TTIP não estão encerradas, ao contrário do que alguns políticos na Alemanha e na França disseram, mas precisarão aguardar o próximo presidente dos EUA, que assume o cargo em janeiro, para voltarem à mesa.

Os que apoiam a medida afirmam que o Ceta aumentará o comércio entre Canadá e UE em 20% e impulsionará a economia da UE em 12 bilhões de euros ao ano e a do Canadá em 12 bilhões de dólares canadenses.

Para o Canadá, o tratado é importante para reduzir a dependência do vizinho EUA enquanto mercado de exportação.

oglobo.globo.com | 30-10-2016
O secretário de Estado para Negócios do Reino Unido, Greg Clark, ofereceu apoio ao presidente do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Mark Carney, em meio as especulações de que ele logo irá decidir se fica no cargo por oito anos. Clark disse entrevista para a BBC no domingo que Carney "fez um trabalho tremendo, fantástico."Aqueles que fizeram campanha para o Reino Unido sair da União Europeia (UE) criticaram Carney pelo alerta que o dirigente fez sobre o impacto do Brexit na economia. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 30-10-2016

A multiplicidade de nações adjacentes fez da Economia da Europa uma das mais complexas do planeta. Durante séculos a Europa foi o centro econômico do planeta. Entre as causas, podemos citar como a principal sua condição geográfica. A localização entre a África e a Ásia, fez da região europeia um ponto de passagem obrigatório, e facilitou de forma substancial a absorção e irradiação dos conhecimentos, tecnologia e comércio de ambos continentes. Esta condição perdurou até ao século XX. No século XX, a Europa viu seu predomínio declinar em relação aos Estados Unidos, o Japão e, na fase final, a China. A Primeira e Segunda guerra mundial, travadas em seu território, a carência de energia, de petróleo, além de uma intensa rivalidade entre seus povos, representaram para o continente a perda de sua liderança econômica. A Europa não tem auto-suficiência na produção de energia, exigindo a importação de muito petróleo. Este produto só é extraído em quantidades consideráveis na Rússia e no Mar do Norte. O gás natural, outro produto bastante usado na geração e produção de energia é muito abundante na Rússia, Romênia, Países Baixos e no Reino Unido. Outro recurso energético que teve grande importância nas fases iniciais da revolução industrial foi o carvão mineral, muito abundante, sobretudo na Alemanha, Polônia, Rússia, Reino Unido. Todas estas fontes energéticas são extremamente poluidoras e causam grandes impactos ambientais em todo o planeta. No caso da energia limpa, ou seja, não poluidora, podem ser citadas a energia hidráulica, energia eólica, e energia solar, de baixa produção e utilização da Europa, devido às suas condições geográficas. A produção de energia nuclear na Europa é muito importante, e, a exemplo dos Estados Unidos, gera imensas quantidades de lixo atômico, cujo fim, desde o início de sua utilização, é muito nebuloso e nunca divulgado na mídia mundial.


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