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Europa Economia

LONDRES - Nove em cada dez dos principais economistas da Grã-Bretanha, que atuam no distrito financeiro de Londres, na academia e em pequenas empresas, acreditam que a economia será prejudicada caso o Reino Unido deixe a União Europeia, mostra uma pesquisa divulgada neste domingo.

ReinoUnido_2905Realizada pelo instituto Ipsos-MORI, a pesquisa revela que 88% dos entrevistados acreditam que uma saída da UE e do mercado único prejudicaria as perspectivas de crescimento da Grã-Bretanha ao longo dos próximos cinco anos e 82% disseram que provavelmente haveria um impacto negativo sobre a renda das familiares.

A pesquisa, que segundo o jornal “Observer” seria a maior de seu gênero e entrevistou mais de 600 economistas, é um combustível para o primeiro-ministro David Cameron, que lidera a campanha para que o Reino Unido permaneça no bloco de 28 membros no referendo marcado para 23 de junho, apesar da oposição de alguns membros de seu partido.

De acordo com o jornal, os profissionais entrevistados são membros de órgãos representativos mais respeitados da categoria, como a Sociedade Real de Economia e da Sociedade de Economistas Empresariais.

“A pesquisa confirma o ponto de vista geral dos economistas: deixar a UE prejudicaria nossa economia, custando empregos e elevando os preços”, disse Cameron em um comunicado.

Militantes de ambos os lados miram na economia como uma das principais batalhas para ganhar eleitores indecisos, no que está se transformando em uma luta cada vez mais amarga sobre o futuro da Grã-Bretanha.

Aqueles que defendem a saída do bloco afirmam que a Grã-Bretanha ficaria livre de regulação e burocracia, caso deixe a União Europeia, sendo capaz de negociar seus próprios acordos comerciais sem ter para agradar a 27 outros países.

A campanha pela permanência, porém, tem calcado o argumento de que a Grã-Bretanha sofreria uma recessão econômica, prejudicando a libra, o emprego e os salários.

oglobo.globo.com | 29-05-2016

Em menos de um mês, os britânicos irão às urnas decidir sobre a permanência ou não do Reino Unido na UE. Políticos e analistas, como se viu na reunião do G-7 esta semana, especulam sobre as consequências do Brexit (como a saída está sendo chamada) para o país, o bloco europeu e a economia mundial. O FMI e a OCDE também fizeram alertas, mas o assunto divide os britânicos — segundo o medidor da revista “Economist”, referente à última quinta-feira, 40% são a favor da permanência; 39% contra; e 16% não sabem — e o premier David Cameron, contrário à saída, enfrenta resistência na base do próprio Partido Conservador.

Alguns economistas criticam o que veem como amarras ao pleno desenvolvimento do Reino Unido, mas a maioria dos agentes econômicos teme a ruptura. Analistas independentes reforçam esses temores, alertando sobre os impactos na economia, caso o país deixe a UE. Pesquisa do Instituto para Estudos Fiscais (IFS, na sigla em inglês), uma instituição apartidária, mostrou que o endividamento do governo britânico crescerá e o déficit fiscal poderá chegar a US$ 44 bilhões, obrigando o ministro de Finanças, George Osborne, a rever a projeção de superávit no ano fiscal 2019-2020, e manter o programa de austeridade até a próxima década.

O estudo foi divulgado dois dias depois de o Tesouro britânico avisar que a saída do bloco poderá empurrar o Reino Unido para uma recessão. Além disso, a agência de classificação de riscos Standard & Poor’s alertou que o Brexit não apenas enfraqueceria a libra, como ameaçaria seu status como moeda de reserva internacional, ao lado do dólar, do iene e do euro. Segundo o analista da S&P Global Ratings Frank Gill, “a saída do Reino Unido da UE colocaria o status de reserva da libra esterlina sob risco, ao derreter o investimento externo direto e outros influxos de capital”. Ele acrescentou que a medida também colocaria em risco o rating AAA do país.

O especialista econômico do “Financial Times” Martin Wolf já havia alertado no mês passado que o Brexit faria o país perder vantagens comerciais importantes, lembrando que o comércio com os parceiros europeus cresceu 55%, após a adesão dos britânicos ao bloco europeu, graças sobretudo ao acesso privilegiado aos mercados dos sócios. Ao mesmo tempo, lembrou o economista, os britânicos dispõem de inúmeras salvaguardas e regimes de exceção, que os permitem se beneficiar das vantagens do bloco, com ônus menor do que seus vizinhos.

Se o efeito econômico para britânicos e seus sócios na UE é negativo, o Brexit também pode afetar a economia global, ainda em frágil recuperação. Isto sem mencionar os riscos geopolíticos que uma potencial desintegração europeia produziria ao Ocidente.

oglobo.globo.com | 29-05-2016

RIO e ISE-SHIMA (Japão) - Conhecida pelas leis do trabalho mais protetivas do mundo, e pela resistência a mudanças, a França se prepara para implementar uma das mais ambiciosas reformas de sua história econômica: a flexibilização da legislação trabalhista. Subvertendo a cartilha do Partido Socialista e dos fortes sindicatos franceses, o governo do presidente François Hollande admitiu que a rigidez das regras é um entrave à competitividade e decidiu abraçar mudanças já implementadas pelos seus principais pares europeus — Alemanha, Reino Unido, Espanha e Itália. Para especialistas, o acirrado debate na França antecipa as discussões nas quais o Brasil mergulhará, após as propostas de reformas e revisão dos gastos encaminhada pelo presidente interino, Michel Temer.

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Na sexta-feira, após reunião do G-7, no Japão, Hollande garantiu que não recuará da revisão das leis:

— Acredito que é uma boa reforma e devemos continuar até sua adoção.

Às vésperas da campanha presidencial, em 2017, porém, o debate sobre mudanças estruturais na França não se restringe à reforma trabalhista. Alain Jupeé, provável candidato de centro-direita à presidência, tem afirmado que o ajuste precisa ser mais duro, com corte de gastos e de funcionários públicos e aumento da idade mínima de aposentadoria de 62 para 65 anos.

Quase todos os países europeus fizeram reformas para elevar a idade mínima, ao longo do tempo, para 65, 67 e até 68 anos. A França é exceção. Istvan Kasznar, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), diz que a mudança é urgente:

— A França vive, desde o fim dos anos 70, um envelhecimento populacional, e a sua capacidade de criar receitas para essa Previdência se limitou.

Para o economista Paulo Tafner, ao adiar a correção do déficit, cria-se um problema futuro:

— É uma irresponsabilidade, pois o jovem de hoje vai pagar a conta. Quando ele se aposentar, corre o risco de encontrar um país sem recursos.

Para especialistas, a França, tardiamente, se depara com os dilemas que o restante da União Europeia enfrenta desde a crise de 2008, que levou à bancarrota Estados com máquina pública inchada, orçamentos estourados e alto grau de endividamento. O ajuste foi severo desde então, com cortes de gastos e revisões gerais de legislações — especialmente a trabalhista e a previdenciária.

No caso mais emblemático, a Grécia, falida, foi obrigada a diminuir salários do funcionalismo, aumentar contribuições previdenciárias e reduzir benefícios pagos. A Espanha facilitou demissões coletivas e permitiu redução de jornada e salários, voltando a crescer.

A situação da França não é tão crítica. Mas o país está perdendo terreno aceleradamente para a Alemanha, que aproveitou o processo de unificação, nos anos 1990, para realizar um duro ajuste, que a consolidou como principal potência europeia, com economia em expansão e baixo desemprego — na França, a taxa chega a 10%.

— A Alemanha, após a reunificação, passou dez anos fazendo reformas. Controlou salários, reformulou a política industrial, reorganizou a economia. Quem mais cresce na Europa agora? — indaga a economista Monica de Bolle.

Esta semana, o FMI divulgou que a França deve crescer apenas 1,75% ao ano nos próximos cinco anos. Ressaltou que o ritmo não será suficiente para criar empregos e reduzir a dívida: “A economia francesa está se recuperando, mas maiores esforços ainda são necessários para criar empregos e colocar as finanças públicas em uma trajetória mais sustentável”.

A reforma trabalhista é uma opção clara no plano de recuperação da França. Um dos principais pontos é permitir que a sagrada jornada de 35 horas de trabalho semanais possa ser estendida para 48 ou até 60 horas. Demissões em empresas cujas receitas caiam por quatro trimestres passam a ser admitidas, e o pagamento de hora extra será flexibilizado.

Monica de Bolle argumenta que o Brasil tem muito a aprender com a França: ajustes devem ser feitos para ganhos de longo prazo. Temer parece ter optado por este caminho. Na posse, indicou que enviará as reformas trabalhista e da Previdência ao Congresso, com flexibilização de jornada e salários e a adoção de idade mínima para a aposentadoria. Esta semana, propôs uma revisão profunda nos gastos sociais, com desvinculação das despesas com saúde, educação e benefícios previdenciários.

Na avaliação do economista Manuel Thedim, do Iets, o desafio enfrentado por Hollande antecipa o debate no qual o Brasil vai mergulhar:

— No Brasil, essas duas reformas também são essenciais, pois temos problemas semelhantes: desemprego de dois dígitos e déficit da Previdência. Acredito que vai ter reação muito forte dos sindicatos apoiados pelo PT. Mas, diferentemente da França, aqui são menos organizados, e Temer parece ter apoio do Congresso.

Monica de Bolle concorda:

— No Brasil, não é mais possível ignorar as reformas necessárias. Elas estão em todas as áreas da economia. Quanto maior a demora em realizá-las, maiores os cortes a serem feitos.

oglobo.globo.com | 28-05-2016

As bolsas europeias fecharam em alta tímida nesta sexta-feira, 27, antes do pronunciamento da presidente do Federal Reserve (o Fed, banco central dos Estados Unidos), Janet Yellen. Os investidores estavam na expectativa de que Yellen sinalizasse se uma elevação dos juros básicos da economia norte-americana está próxima de acontecer.

Mesmo com o índice pan-europeu Stoxx 600 fechando o dia em alta de apenas 0,21%, a semana teve ganhos firmes de 3,4%, estimulados pelo setor de energia, especialmente pelos papéis ligados ao petróleo. No entanto, ao contrário do que aconteceu nos outros dias, o que se observou nesta sexta foi um movimento de queda nos preços do barril, que acabou limitando os ganhos das bolsas.

Em Londres, o índice FTSE-100 fechou aos 6.270,79 pontos, alta de 0,08% no dia e 1,86% na semana. O destaque negativo do dia ficou com os papéis das mineradoras: a Rio Tinto caiu 0,25%, a Glencore recuou 1,21% e a Anglo American perdeu 2,73%.

Em Frankfurt, o DAX foi aos 10.286,31 pontos, alta de 0,13% no dia e de 3,73% na semana, com destaque para os papéis da SGL Carbon, que fecharam em alta de 27% após uma revista noticiar que a ChemChina tem interesse em comprar a companhia. Os investidores também estão de olho na tentativa da Bayer de comprar a Monsanto.

Em Paris, o índice CAC-40 fechou aos 4.514,74 pontos, em alta de 0,05% e acúmulo de 3,69% na semana. As ações da AXA fecharam em alta de 0,60% depois da companhia anunciar a venda de seus negócios em pensão e proteção direta no Reino Unido ao Phoenix Group.

Em Milão, o FTSE Mib caiu 0,17%, aos 18.186,14 pontos, mas acumula alta de 2,10% na semana. As perdas nos papéis de energia e dos bancos superaram os ganhos na indústria nesta sexta-feira. A Saipem, uma das maiores empreiteiras da área de óleo e gás, por exemplo, caiu 1,99%. Com informações da Dow Jones Newswires

Ainda há os que pensam que tudo que é bom para os EUA é bom para o Brasil. Os adeptos dessa tese agora cultuam a Parceria Comercial Transpacífica (TPP), lançada pelos EUA em nome dos benefícios “incondicionais” do livre comércio. Trata-se o acordo como se fosse revolucionário e inovador, mas há vários questionamentos, inclusive de setores organizados da sociedade americana.

A TPP casa-se com a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimentos (TTIP), entre EUA e União Europeia. Dois mega acordos que deixam os EUA como ator central na economia mundial e englobam cerca de metade do comércio do planeta. É, de fato, o resgate da hegemonia do eixo EUA, UE e Japão, frente a novos atores como China e os emergentes (inclusive o Brics) que ameaçam a velha ordem.

O objetivo maior é adequar a economia mundial aos interesses das multinacionais da tríade, num momento de incertezas econômicas. Busca-se enfraquecer os emergentes e e consolidar os interesses geoestratégicos dos EUA. A bandeira do livre comércio é pura balela, já que a média das tarifas comerciais aplicadas entre os pretendentes à TPP já é bem baixa.

Trata-se de uma espécie de mega-Alca, o famigerado projeto enterrado há doze anos. Quer-se abrir o setor de serviços — o que mais cresce e gera empregos no mundo — nos países emergentes e em alguns desenvolvidos , com privilégios especiais ao setor financeiro. Preconiza-se a abertura de soberania, com condicionantes que impeçam a aplicação de legislação nacional ou restrições a bancos e outras instituições. Os emergentes ficariam sem instrumentos para enfrentar ataques especulativos contra as moedas, por exemplo. Uma ditadura do capital financeiro. O pacote inclui a abertura de setores estratégicos como educação, saúde, comunicações etc.

Pela TPP, os EUA reafirmam a intenção de abrir o setor de compras governamentais, de grande importância para estimular o mercado interno. Naturalmente, os emergentes teriam poucas condições de competir com as potências. No caso do Brasil, essa medida inviabilizaria a política de conteúdo nacional da Petrobras, que impulsiona a indústria naval e gera renda e empregos localmente. Em resumo, conferem-se privilégios abusivos a estrangeiros, inclusive com a possibilidade de impor arbitragens internacionais, em detrimento dos Estados nacionais.

Argumenta-se que não podemos ficar de fora das “cadeias produtivas globais” e critica-se nossa opção pelo Mercosul e nossa política externa. Análise errada. Nossa política não é isolacionista, e foi nos últimos 11 anos que nossa participação no comércio mundial passou de 0,88% para 1,46% — 63% de aumento. Nos últimos três anos, diminuiu, devido à crise mundial e a sobrevalorização do câmbio, mas não por causa do Mercosul. Interesse nacional vale. Os EUA que o digam.

Sibá Machado é deputado federal é deputado federal (PT-AC)

oglobo.globo.com | 27-05-2016

ISE-SHIMA, JAPÃO - No documento apresentado nesta quinta-feira sobre os trabalhos da Cúpula do G-7, que reúne líderes das principais economias do mundo, destaca que se o Reino Unido votar pela saída do país da União Europeia isso representaria “sério risco ao crescimento global”, informou a BBC News. O grupo de líderes argumenta que a decisão reverteria a tendência de crescimento do comércio global, de investimentos e empregos.

A primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, que participou do encontro, declarou que os líderes não discutiram a potencial saída do Reino Unido do bloco europeu, mas que era consenso o desejo de que o país permaneça.

“Não foi assunto tratado aqui. Mas houve a sinalização de que todos que aqui estiveram querem que o Reino Unido siga pertencendo à União Europeia”, disse a primeira-ministra à imprensa em paralelo a realização do evento, segundo a Reuters. “Mas a decisão vai depender dos eleitores britânicos”.

O G-7 expressou preocupação quanto aos riscos para a economia mundial e se comprometeu a buscar crescimento sólido e sustentável. No comunicado divulgado, os líderes se comprometeram também em evitar as “desvalorizações competitivas” de suas moedas ao passo em que fizeram alertas sobre variações cambiais excessivas.

O anúncio representa ainda um acordo entre o Japão, que ameaçou intervir para frear a forte apreciação do iene, e os Estados Unidos, que muitas vezes se opõem a intervenções de mercado.

“O crescimento global continuará moderado e abaixo de seu potencial, enquanto que os riscos de uma expansão fraca persistem”, informou o G-7. “O crescimento mundial é nossa prioridade urgente”.

oglobo.globo.com | 27-05-2016

São Paulo, 26 (AE) - As bolsas europeias fecharam em leve alta nesta quinta-feira, beneficiadas pela alta do petróleo e de mineradoras. A exceção foi Madri, que caiu 0,50%, impactada pela queda de mais de 20% do Banco Popular Español.

Entre os destaques positivos, estão as ações de energia e mineradoras. Ontem, dados divulgados pelo Departamento de Energia dos EUA (DoE) mostraram que os estoques de petróleo bruto no país diminuíram 4,226 milhões de barris na semana encerrada em 20 de maio, para 537,068 milhões de barris. Diante desse recuo, os contratos futuros de petróleo chegaram a ultrapassar os US$ 50 por barril pela primeira vez em 2016, mas reduziram os ganhos e estavam em US$ 49 quando as bolsas fecharam na Europa.

A alta dos preços de metais impulsionou as mineradoras em Londres. Glencore registrou ganhos de 1,91%, Antofagasta subiu 1,22% e Anglo American avançou 1,45%.

Em Frankfurt, HeidelbergCement registrou alta de 1,5%, após a aprovação de compra de participação de 45% na Italcementi.

Na Bolsa de Paris, Peugeot e Renault se sobressaíram com avanço de 2,68% e 2,66%, respectivamente, e ArcelorMittal, que subiu 6,90%. Na sexta-feira, os investidores também devem observar a divulgação dos números da confiança dos consumidores franceses.

Em Madri, que caiu 0,50%, o impacto veio das ações do Banco Popular Español, que recuaram 26,49%, após o anúncio de que irá vender 2,5 bilhões de euros em ações. A medida é uma tentativa de reduzir as preocupações de investidores quanto à grande carteira de empréstimos imobiliários do banco.

Na agenda europeia, também chamaram atenção os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) da Espanha e do Reino Unido. A economia espanhola cresceu 0,8% no primeiro trimestre do ano ante os três meses anteriores. Na comparação com igual período do ano passado, foi registrada expansão de 3,4%. No Reino Unido, o resultado do PIB confirmou que a recuperação econômica do país perdeu força no primeiro trimestre. O PIB do país cresceu 0,4% nos três primeiros meses deste ano na comparação com o quarto trimestre.

A Bolsa de Londres fechou em alta de 0,04%, Frankfurt avançou 0,66% e Paris teve alta de 0,69%. A Bolsa de Milão avançou 0,09%, Madri caiu 0,50% e Lisboa avançou 0,52%. (Marcelle Gutierrez, com informações da Dow Jones Newswires - marcelle.gutierrez@estadao.com)

São Paulo, 26 (AE) - As bolsas europeias fecharam em leve alta nesta quinta-feira, beneficiadas pela alta do petróleo e de mineradoras. A exceção foi Madri, que caiu 0,50%, impactada pela queda de mais de 20% do Banco Popular Español.

Entre os destaques positivos, estão as ações de energia e mineradoras. Ontem, dados divulgados pelo Departamento de Energia dos EUA (DoE) mostraram que os estoques de petróleo bruto no país diminuíram 4,226 milhões de barris na semana encerrada em 20 de maio, para 537,068 milhões de barris. Diante desse recuo, os contratos futuros de petróleo chegaram a ultrapassar os US$ 50 por barril pela primeira vez em 2016, mas reduziram os ganhos e estavam em US$ 49 quando as bolsas fecharam na Europa.

A alta dos preços de metais impulsionou as mineradoras em Londres. Glencore registrou ganhos de 1,91%, Antofagasta subiu 1,22% e Anglo American avançou 1,45%.

Em Frankfurt, HeidelbergCement registrou alta de 1,5%, após a aprovação de compra de participação de 45% na Italcementi.

Na Bolsa de Paris, Peugeot e Renault se sobressaíram com avanço de 2,68% e 2,66%, respectivamente, e ArcelorMittal, que subiu 6,90%. Na sexta-feira, os investidores também devem observar a divulgação dos números da confiança dos consumidores franceses.

Em Madri, que caiu 0,50%, o impacto veio das ações do Banco Popular Español, que recuaram 26,49%, após o anúncio de que irá vender 2,5 bilhões de euros em ações. A medida é uma tentativa de reduzir as preocupações de investidores quanto à grande carteira de empréstimos imobiliários do banco.

Na agenda europeia, também chamaram atenção os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) da Espanha e do Reino Unido. A economia espanhola cresceu 0,8% no primeiro trimestre do ano ante os três meses anteriores. Na comparação com igual período do ano passado, foi registrada expansão de 3,4%. No Reino Unido, o resultado do PIB confirmou que a recuperação econômica do país perdeu força no primeiro trimestre. O PIB do país cresceu 0,4% nos três primeiros meses deste ano na comparação com o quarto trimestre.

A Bolsa de Londres fechou em alta de 0,04%, Frankfurt avançou 0,66% e Paris teve alta de 0,69%. A Bolsa de Milão avançou 0,09%, Madri caiu 0,50% e Lisboa avançou 0,52%. (Marcelle Gutierrez, com informações da Dow Jones Newswires - marcelle.gutierrez@estadao.com)

MUKACHEVO, UCRÂNIA – Antes de percorrer as trilhas e encostas nevadas, boa parte dos esquis do mundo começa a vida nessa fábrica enorme no oeste da Ucrânia.

Aqui, trabalhadores habilidosos combinam fitas flexíveis de fibra de carbono e chapas de titânio rígido, empilhando tudo como em uma espécie de bolo e prensando sob o calor das máquinas, dando forma e polimento até que se tornem os esquis utilizados na prática de cross-country ou downhill.

Aqui, os trabalhadores também usam vapor para dobrar a madeira e fabricar os tacos utilizados por jogadores de hóquei do mundo todo, vendidos por marcas como Nike e Oxelo.

A proprietária austríaca da fábrica, a Fischer Sports, paga o equivalente a US$307 ao mês em média aos funcionários – cerca de um oitavo do valor pago a operadores de máquinas e marceneiros experientes na sede da Fischer.

E desde janeiro deste ano, quando um novo pacto de livre comércio foi firmado entre a Ucrânia e os 28 países da União Europeia, os custos da Fischer caíram ainda mais com a eliminação das tarifas sobre o maquinário e as matérias primas que vão até a fábrica, bem como sobre os produtos finalizados, que são comercializados no restante do continente.

O pagamento pode parecer ruim para os padrões ocidentais, mas os 1.500 funcionários da fábrica veem os empregos como uma oportunidade. A Ucrânia é um dos países mais pobres do Hemisfério Norte, com uma economia que gera menos de US$3.100 per capita ao ano.

— A Europa é nosso futuro — afirmou Yuri V. Oros, operador de máquinas na linha de esquis.

Porém, o futuro sofre com o passado problemático do país e o conflito da Ucrânia com a Rússia. Agora, o nacionalismo ameaça a solidariedade da União Europeia. Em um referendo votado recentemente pela Holanda, por exemplo, quase dois terços dos eleitores holandeses pediram para que o governo deixe de apoiar o pacto com a Ucrânia.

E embora a Fischer e outras multinacionais, incluindo a Nexans, uma fabricante francesa de cabos elétricos, tenham investido em fábricas na Ucrânia para tirar proveito do acordo de livre comércio, muitas outras empresas ainda têm medo de se arriscar nessa antiga república soviética.

Por isso, não se sabe ao certo quais serão os benefícios do pacto comercial para além da região mais ocidental da Ucrânia, na divisa com a Polônia, onde boa parte dessas fábricas está se instalando, ou na economia desse país de 44,4 milhões de habitantes, dos quais cerca de cinco milhões vivem atualmente em áreas requisitadas pela Rússia, ou por separatistas pró-Rússia.

— Vamos ouvir falar de histórias de sucesso aqui e ali, mas ainda é cedo demais para falar em um sucesso real —afirmou Tymofiy S. Mylovanov, presidente da Escola de Economia de Kiev.

No geral, afirmou Mylovanov, a economia ucraniana mal está crescendo, afetada pela baixa produtividade dos trabalhadores e pela corrupção generalizada. Segundo ele, somente no longo prazo o acordo comercial poderá tirar os ucranianos da pobreza.

O acordo, conhecido como Acordo de Associação com a União Europeia, já percorreu um caminho tortuoso. Depois que um ex-presidente ucraniano o rejeitou em 2013, optando por um acordo com Moscou, cidadãos pró-Europa tomaram as ruas de Kiev em protestos que levaram a uma revolução.

O novo governo em Kiev assinou o acordo com a União Europeia em março de 2014. Mas naquele mesmo mês a Rússia anexou a província ucraniana da Crimeia, levando a uma guerra civil incitada pela Rússia no leste da Ucrânia.

Quando o acordo com a União Europeia entrou em vigor conforme o esperado, muitos ucranianos estavam tão distraídos ou desmoralizados pela guerra e pelos anos de recessão, que praticamente não notaram.

Ainda assim, aqui em Mukachevo, uma cidade pitoresca de ruas de paralelepípedos e um castelo do século XIV construído pelo Império Austro-Húngaro, a fábrica da Fischer representa um sinal de como poderia ser um futuro de maior integração com o restante Europa.

A subsidiária da Fischer na Ucrânia não revela números de faturamento, mas os executivos afirmam que os benefícios do pacto comercial devem representar um aumento de US$565 mil no lucro da fábrica este ano.

— A Ucrânia tem todas as condições iniciais para o investimento — afirmou Vasyl Ryabych, diretor da fábrica, em uma entrevista concedida em seu escritório, com vista para os jardins da fábrica e seus roseirais.

De forma similar a quando o Acordo de Livre Comércio da América do Norte, firmado em 1994, levou a um aumento no número de fábricas leves – conhecidas como “maquiladoras” – na fronteira do México com os Estados Unidos, o acordo de associação deve encorajar o desenvolvimento ao longo das fronteiras da Ucrânia com a União Europeia. Em troca, a Ucrânia fica obrigada a alterar as políticas econômicas por meio de medidas que modificam o judiciário, além de uma reforma nas regras para a concessão de contratos estatais.

A fábrica da Fischer é apenas um dos sinais do investimento estrangeiro surgindo ao redor de Lviv, a capital regional da Ucrânia ocidental.

A francesa Nexans alugou terras nos arredores de Lviv, onde planeja gastar US$4,7 milhões em uma fábrica que empregaria duas mil pessoas na fabricação de cabos elétricos para automóveis. Outra fábrica da Nexans já está produzindo cabos elétricos para a BMW, a General Motors e outras montadoras na região.

A Leoni, concorrente alemã da Nexans, conta com uma fábrica em Stryi, na região de Lviv, produzindo cabos para a Volkswagen, Opel, Porsche e outras montadoras.

Além disso, no ano passado, a Fujikura, fábrica japonesa de componentes automotivos, anunciou planos de abrir uma fábrica nos próximos três anos, empregando mais 3 mil ucranianos.

— A economia está se voltando para a Europa — afirmou Veronika Movchan, economista da VoxUkraine, um grupo de pesquisa com sede em Kiev.

A mudança em favor do Ocidente aumentou o comércio da Ucrânia com a União Europeia para mais de um terço do total de exportações e importações do país, se comparado a menos de um quarto em 2012.

Entretanto, durante o mesmo período as exportações para a Rússia caíram de mais da metade para apenas 12,7 por cento – um número que pode piorar ainda mais, já que Moscou aumentou as tarifas sobre produtos ucranianos, em retaliação ao pacto comercial com a Europa.

Além disso, o fim dos impostos comerciais em transações com a União Europeia representa uma faca de dois gumes: à medida que mais produtos europeus competem com produtos locais, a Ucrânia pode ser incapaz de sustentar até mesmo a modesta previsão de crescimento de um por cento este ano, de acordo com alguns economistas.

O pacto comercial também criou restrições rígidas sobre produtos agrícolas importados pela União Europeia, apesar de a agricultura ser um dos pontos fortes da Ucrânia. As cotas para importação de mel livre de tarifas são tão baixas, por exemplo, que os apicultores ucranianos estouraram o limite nas seis primeiras semanas do ano.

— Se a Ucrânia tem qualquer esperança, ela está na agricultura. Mas o fato de já terem utilizado boa parte das cotas anuais sugere que o acordo não teve o efeito desejado — afirmou Ivan Tchakarov, economista chefe de Estados da antiga União Soviética no banco Citi.

Essa é mais uma razão para que os apoiadores do pacto comercial contem com o sucesso da fábrica da Fischer, que já começa a produzir mais que skis e tacos de hóquei.

Depois de demonstrar sua destreza com materiais a base de fibra de carbono, além de destacar o crescimento da região na fabricação de peças automotivas, a fábrica criou uma oficina que realiza o polimento de componentes para o setor automotivo.

As peças leves incluem bases para motores de alta performance dos modelos BMW M3, além de painéis externos da Audi, Porsche e Tesla. Após o polimento, as peças são enviadas de volta para mercados mais ricos.

Ryabych, o diretor da fábrica, afirmou:

— Somos como a China, mas fazemos fronteira com a Europa.

oglobo.globo.com | 26-05-2016

RIO - A Coca-Cola Brasil trocará de comando em setembro. O mexicano Xiemar Zarazúa, deixará o cargo após oito anos, subindo a vice-presidente de Empreendimentos Estratégicos da companhia para a América Latina. Para seu lugar, virá o brasileiro Henrique Braun, hoje à frente da unidade China e Coreia.

A mudança, como antecipou o colunista do GLOBO Lauro Jardim, integra uma mexida na estrutura de negócios global da líder mundial em bebidas. O objetivo é tornar a estrutura mais simples, unindo áreas, em linha com a operação da rede de franqueados. Foi criada, por exemplo, a unidade de negócios Europa, Oriente Médio e África, que reúne as antigas unidades Europa e Eurásia e África. Será presidida por Brian Smith, hoje presidente da Coca-Cola na América Latina.

“O anúncio de hoje destaca mudanças importantes em nossa estrutura internacional de operações, que melhor sustentam a evolução da cobertura de nosso sistema de franquias”, disse Muhtar Kent, presidente do Conselho e diretor executivo da Coca-Cola Company, em comunicado.

Em fevereiro deste ano, a Coca-Cola anunciou planos de refranquiar seu sistema de produção na América do Norte, processo que terminará até o fim de 2017, e que já está em curso em Europa e África. No mercado chinês, a companhia assinou um memorando de intenções para refranquear fábricas a dois parceiros locais. Com isso, a Coca-Cola passa a se concentrar na gestão de suas marcas e do negócio.

A companhia não esclareceu que prioridades Braun, que ingressou na empresa em 1996, terá no Brasil. Zarazúa acompanha a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil, megaeventos que têm a Coca-Cola como patrocinadora. Entre 2012 e 2016, a empresa chegará a R$ 14,1 bilhões em investimentos no país, 50% mais que nos cinco anos anteriores. Em 2017, o aporte será de R$ 3,2 bilhões, ante R$ 2,7 bilhões este ano.

BRASIL É O QUARTO MAIOR MERCADO

O Brasil é o quarto maior mercado do mundo para a Coca-Cola, atrás de Estados Unidos, México e China. No fim do ano passado, a Coca-Cola Brasil comprou a mineira Laticínios Verde Campo, negócio que marca sua entrada no segmento de produtos lácteos frescos.

A crise econômica, porém, vem freando o desempenho do país. No primeiro trimestre, a companhia registrou lucro global de US$ 1,48 bilhão, 5% menor que o de janeiro a março de 2015, em consequência de perdas em Brasil, Rússia e China.

— A demanda por refrigerantes está caindo. O consumidor vem optando por bebidas mais saudáveis. Então, é preciso diversificar o portfólio, lançar produtos de maior qualidade e valor agregado, como sucos e chás, e focar em saúde, como a Coca-Cola fez ao lançar a versão do refrigerante com estévia — diz o consultor de varejo Marco Quintarelli.

Em 2015, a produção de refrigerantes recuou 5,9% no Brasil. Nos primeiros quatro meses deste ano, a queda foi de 4,1%, a despeito de alta de 7,7% registrada em abril, segundo dados da Receita Federal. Categorias como chás e sucos prontos para beber, contudo, estão em expansão.

oglobo.globo.com | 25-05-2016
O Banco Central Europeu (BCE) fez nesta terça-feira um alerta contra o surgimento de lideranças políticas populistas na Europa, que poderiam desacelerar a implementação de reformas necessárias à economia da região.Os comentários foram feitos dentro do documento sobre a estabilidade financeira do BCE, publicado semestralmente, e chega em um momento em que uma onda de revoltas populistas ameaçam minar boa parte da ordem política construída desde o final da Segunda Guerra. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 24-05-2016
O Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha, a maior economia da Europa, cresceu 0,7% no primeiro trimestre do ano em relação ao quarto trimestre de 2015 e avançou 1,6% na comparação anual, de acordo com revisão da Destatis, como é conhecida a agência de estatísticas do país.Os números, que confirmam estimativas preliminares divulgadas no último dia 13, vieram em linha com as expectativas de analistas consultados pelo The Wall Street Journal. Fonte: Dow Jones Newswires.
atarde.uol.com.br | 24-05-2016

RIO - Os dirigentes iraniano, indiano e afegão assinaram nesta segunda-feira, em Teerã, um acordo tripartidário a fim de desenvolver o porto de Chabahar, no extremo sudeste do Irã, no oceano Índico, com o objetivo de aumentar os intercâmbios comerciais entre os três Estados.

Links Irã, Afeganistão e Índia

"Hoje é um dia histórico no desenvolvimento das relações entre os três países", afirmou o presidente iraniano, Hassan Rohani, em declaração transmitida pela televisão na presença de seus homólogos indiano e afegão, Narendra Modi e Ashraf Ghani.

O acordo, que prevê investimentos comuns, chega em um momento em que o Irã aspira dar um importante impulso em suas trocas comerciais, aproveitando o fim de grande parte das sanções internacionais após o acordo com as grandes potências sobre seu programa nuclear.

Teerã quer fechar acordos com os países ocidentais, mas também com os asiáticos, especialmente com a Índia, que era o segundo maior fornecedor de petróleo até 2011-2012, quando as sanções obrigaram Nova Deli a reduzir sua dependência do petróleo iraniano.

"Queremos nos conectar com o mundo, mas os vínculos entre nós (três) são uma prioridade", declarou Narendra Modi, em Teerã, no domingo. O dirigente indiano havia anunciado que seu país irá abrir uma linha de crédito de 500 milhões de dólares para o desenvolvimento de Chabahar.

Ghani, que chegou nesta segunda-feira à capital iraniana, assinalou que o objetivo do acordo é conquistar "uma cooperação econômica-cultural global" entre os três países.

Situado a 1.800 km ao sudeste de Teerã, a zona franca de Chabahar é um dos grandes projetos para o desenvolvimento do sul do Irã. Seu porto, que permite desviar o grande tráfego do Estreito de Ormuz, poderia atrair empresas do Paquistão, do Golfo, da China e de outros países da Ásia e Europa.

oglobo.globo.com | 23-05-2016

O presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan designou neste domingo o ministro de transportes e comunicação do país, Binali Yildirim, para assumir o cargo de primeiro-ministro da Turquia. Yildirim, um dos fundadores do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), foi apontado para substituir Ahmet Davutoglu, horás após ele ter pedido demissão do cargo devido a divergências com Erdogan. Yildirim manifestou sua lealdade a Erdogan e afirmou que trabalhará para legalizar de fato o sistema presidencial por meio de uma nova constituição.

Erdogan tem trabalhado para transferir poderes do parlamento turco para o executivo, o que causou divisão entre as lideranças do AKP no começo deste mês e aumentou o temor entre oposicionistas quanto a uma possível onda de autoritarismo. "Nosso caminho é o caminho da voz e da respiração do povo, do líder do nosso paritdo, Recep Tayyip Erdogan", declarou Yildirim no discurso de agradecimento aos delegados que votaram nele neste domingo.

Yildirim recebeu 1.405 votos, de um total de 1.470, de delegados do AKP registrados para votar no congresso extraordinário do partido. Na abertura do congresso, Erdogan destacou que uma nova constituição ajudaria a corrigir o "enviesado" sistema de administração do país. Apoiadores de Yildirim creditam a ele o papel de desenvolver grandes projetos de infraestrutura que contribuíram para impulsionar a economia turca e a popularidade do partido. Oposicionistas, entretanto, o acusam de corrupção.

A mudança na liderança do partido ocorre em um momento em que a Turquia vem enfrentando uma série de ameaças de segurança, incluindo o conflito com rebeldes curdos no sul do país, uma onda de ataques suicidas associados a militantes cursos e do Estado Islâmico, e efeitos da guerra na vizinha Síria. A transição também coincide com as crescentes tensões com a União Europeia em torno do acordo para reduzir o fluxo de imigrantes da Turquia para a Grécia.

O ex-primeiro ministro Davutoglu, que anteriormente havia ocupado o cargo de ministro das relações exteriores, perdeu espaço ao divergir com o presidente Erdogan em questões como a possibilidade de negociações de paz com rebeldes curdos e em relação à prisão preventiva de jornalistas acusados de espionagem e de acadêmicos que supostamente estariam apoiando o terrorismo. Erdogan vem tentando aprovar uma definição mais ampla de terrorismo, o que tem alarmado grupos de direitos humanos que alegam que as leis existentes já são interpretadas de forma bastante ampla para combater a dissidência política turca.

Yildirim também declarou em seu discruso que a Turquia pressionaria os rebeldes curdos em novas ofensivas até que o grupo armado tenha um fim e conclamou a União Européia a colocar um fim à confusão em relação ao pedido de adesão do país ao bloco e ao acordo sobre migração. "Já é tempo de sabermos o que eles pensam sobre a Turquia", afirmou Yildirim. "Tornando-se ou não um membro, a Turquia dará continuidade à expansão de sua democracia e desenvolvimento com determinação", disse. Fonte: Associated Press.

ATENAS - O parlamento grego aprovou neste domingo um novo pacote de austeridade que prevê alta de impostos e a criação de um fundo de privatizações. As medidas são uma forma de Atenas mostrar compromisso com o ajuste fiscal, dois dias antes de uma reunião de ministros da zona do euro, em que um alívio para a dívida grega será discutida.

O projeto prevê aumento de 1 ponto percentual na alíquota do imposto sobre valor agregado (VAT, na sigla em inglês), que passará a ser de 24%. Produtos como combustíveis, café, álcool, tabaco e serviço de acesso à internet também passarão a ser mais taxados. O plano inclui ainda a privatização de ativos estatais como empresas de transporte público, os correios e a estatal de energia elétrica grega.

A estratégia é complementada por um mecanismo de contingência, que determina o corte de despesas, caso o país se veja sob risco de não cumprir a meta de superávit primário (economia para pagar os juros da dívida pública).

A votação das medidas extremamente impopulares foi apertada: placar de 153 a 145. Todos os parlamentares da coalizão formada pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras votaram a favor do projeto de lei. Antes da sessão, Tsipras mostrou esperança de que as medidas fossem bem recebidas pelos credores internacionais.

— Hoje, os líderes europeus receberam a mensagem de que a Grécia está cumprindo suas promessas. Agora, é a vez deles de fazer o mesmo — afirmou aos parlamentares. — Os gregos já pagaram muito, mas esta é provavelmente a primera vez que a possibilidade de que esses sacrifícios são os últimos é tão evidente.

O apelo de Tsipras não foi suficiente para conter a insatisfação popular. Na noite de domingo, centenas de manifestantes protestaram contra as reformas. Para minimizar as reações, Tsipras anunciou que cada vez que o país exceder a meta de superávit primário, as receitas extras do Estado serão direcionadas para um fundo social de solidariedade. Segundo o premiê, cerca de € 700 milhões irão para o fundo só neste ano.

— É um desastre! Vamos cortar tudo, de comida aos gastos com o carro — disse o empresário Panayiotis Kehris, de 60 anos, à agência Reuters.

IMPASSE ENTRE UNIÃO EUROPEIA E FMI

O impasse em torno da liberação de um terceiro pacote de resgate à Grécia já dura meses. As principais divergências são entre os líderes da União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI). O organismo internacional só concorda em colaborar com o resgate se a Grécia conseguir cumprir um superávit primário de 3,5% do PIB, mas destaca que a meta é impossível, a menos que o país receba um alívio em sua dívida.

Já os credores europeus insistem que a meta é viável sem o perdão dos débitos. Sem a ajuda do FMI, no entanto, o grupo liderado pela Alemanhã não tem capacidade para garantir um novo pacote de resgate. O risco aumenta à medida que a Grécia se aproxima do vencimento de bônus do Banco Central Europeu, em julho.

oglobo.globo.com | 22-05-2016

BERLIM, WASHINGTON E BUENOS AIRES - A discussão sobre o melhor modelo para as relações trabalhistas não se restringe ao Brasil. Na França, pioneira na adoção da semana de 35 horas e conhecida pela rígida proteção aos trabalhadores, o governo quer passar por decreto a chamada Lei El Khomri. O objetivo é facilitar as demissões, impor limites às horas extras e abrir caminho para aumento da jornada de trabalho.

A reação foi imediata: além do movimento “Nuit Debout” (”Noite de pé”, em tradução livre), de ocupação de praças, os sindicatos convocaram uma greve geral, e várias refinarias de combustíveis estão paradas. Os confrontos com a polícia são diários.

A França quer flexibilizar seu mercado de trabalho para estimular a economia, algo já feito por Itália e Espanha na esteira da crise do euro. A Grécia também adotou reformas — condição para obter socorro financeiro da União Europeia (UE) —, que incluíram corte de 22% nos salários e aumento da idade da aposentadoria para 67 anos.

SUÍÇA: RENDA BÁSICA UNIVERSAL

Apesar dos protestos dos franceses, a economista Eileen Keller, do Instituto Franco-Alemão de Ludwigsburg, afirma que essas reformas são bem menos ambiciosas que o projeto adotado pela Alemanha na década passada. A Agenda 2010, do governo Gerhard Schröder (1998-2005), tornou mais fácil para as empresas demitirem, elevou a idade da aposentadoria para 67 anos e reduziu o valor do benefício. Com essas reformas, a Alemanha criou um mercado de salários baixos, que muitos apontam como estando na origem da crise do euro.

Hoje, a taxa de desemprego é na Alemanha é de 4,3%, contra mais de 10% na França. Entre os jovens franceses, o índice está em torno de 25%, semelhante aos dos países do Sul da Europa.

Mas, em meio à crise que achatou ainda mais os salários, a chanceler Angela Merkel decidiu adotar, no ano passado, um salário mínimo de € 8,50 (cerca de R$ 34) por hora.

Outros países buscam mais proteção. No próximo dia 5, a Suíça vota sobre o projeto de renda básica, de 2.500 francos suíços (R$ 9 mil) por adulto. A Suécia estuda reduzir a jornada de trabalho para seis horas diárias, sem corte de salário.

Já nos Estados Unidos, o aumento do salário mínimo federal se tornou um dos principais temas da campanha presidencial. Defendida pelo democrata Bernie Sanders, a proposta de elevar o valor de US$ 7,25 (R$ 26) a hora para US$ 15 (R$ 54) começa a chegar aos discursos de outros postulantes à Casa Branca. Além disso, cresce o debate para que os EUA melhorem o pagamento de licenças-maternidade, paternidade e médica. Hoje, a americana que tem um filho pode ficar três meses em casa — mas sem salário.

ARGENTINA NÃO PREVÊ REFORMAS

Mas o governo Barack Obama já determinou a ampliação do pagamento de horas extras, dobrando o teto do salário anual de quem tem direito ao benefício para US$ 47,5 mil (R$ 171 mil). Segundo a Casa Branca, isso deverá gerar anualmente mais US$ 1,2 bilhão (R$ 4,3 bilhões) a 4,2 milhões de trabalhadores. O limite não era corrigido desde 1970. A reforma foi tema, ontem, do pronunciamento semanal de rádio de Obama.

— Sob qualquer ângulo que se olhe, é uma vitória das famílias trabalhadoras — disse Obama.

A Argentina, por sua vez, luta contra a recessão. A taxa de desemprego oficial está em 7,5%, mas, segundo economistas, poderia chegar aos dois dígitos até o fim do ano. Os sindicatos ameaçaram convocar uma greve geral e conseguiram um reajuste de 33% para o salário mínimo. E na sexta-feira, na contramão dos desejos dos sindicalistas, o presidente Mauricio Macri anunciou sua decisão de vetar a Lei Antidemissões, aprovada pelo Congresso na véspera, que proíbe o desligamento de trabalhadores num período de 180 dias.

— Essa lei traria mais pobreza — afirmou Macri.

Ele aposta em medidas específicas para reativar o mercado de trabalho, como um projeto para promover a contratação de jovens entre 18 e 24 anos. No momento, uma reforma trabalhista não está no radar, segundo fontes do Ministério do Trabalho. Na Argentina, o sistema de férias prevê duas semanas para quem tem até cinco anos no emprego; 21 dias entre cinco e dez anos; 28 dias entre dez e 20 anos; e 35 dias acima de 20 anos de casa.

(*) Correspondentes

oglobo.globo.com | 22-05-2016

BRASÍLIA — Há pouco mais de uma semana no cargo, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, quer deixar como marca um Itamaraty combativo e com uma posição mais relevante na Esplanada dos Ministérios do que nos últimos 13 anos do governo petista. Com aval do presidente interino, Michel Temer, a estratégia de Serra é rebater as críticas de países contrários ao afastamento de Dilma Rousseff do cargo e, ao mesmo tempo, buscar apoio interno e externo para ampliar a relevância do Brasil no cenário internacional, por meio de acordos com foco comercial e menor peso ideológico.

Serra teve de ser convencido por Temer a aceitar o Itamaraty. Só concordou em assumir a pasta depois de receber a Secretaria-Geral da Câmara de Comércio Exterior (Camex) e a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), ambos até então ligados ao Ministério do Desenvolvimento (MDIC). Na última sexta-feira ouviu do ministro do Planejamento, Romero Jucá, que o governo pagará cerca de US$ 800 milhões que deve a organismos internacionais. Foi uma vitória importante, que agradou os diplomatas.

Serra é senador pelo PSDB de São Paulo. Foi deputado, governador e duas vezes candidato à Presidência da República. Na visão de fontes diplomáticas e especialistas ouvidos pelo GLOBO, o fato de o novo ministro das Relações Exteriores ser um político do calibre de Serra trará dividendos para o ministério e lhe garante interlocução direta com o Planalto e o Congresso.

— Um político do calibre de Serra atrai para o Itamaraty uma visibilidade maior — disse Hussein Kalout, pesquisador da Universidade de Harvard e professor de Relações Internacionais.

DOIS CHEFES DE ESTADO

Um ponto delicado na avaliação dos especialistas, no entanto, é o fato de governo Temer ser interino. Na prática, a visão das chancelarias estrangeiras é que existem dois chefes de Estado no momento, uma vez que Dilma é presidente afastada. Isso dificulta a execução de uma intensa diplomacia governamental, que passaria pela organização de uma ampla agenda de viagens do ministro. Só que várias nações titubeiam em organizar esses encontros neste momento.

Serra

Por enquanto, o único destino certo é a Argentina. Amanhã, Serra desembarcará em Buenos Aires para um encontro com a chanceler do país vizinho, Susana Malcorra. Segundo uma fonte, “será uma viagem simbólica”.

— O governo não se instalou de forma definitiva. Isso faz com que haja pouco espaço para a diplomacia. Não dá, por exemplo, para esperar o reconhecimento dos demais países, até que o processo de impeachment seja consumado. Ao observarmos que não houve declarações de nações como a Rússia e a China, percebemos que eles aguardam uma definição — disse Kalout.

Com aval de Temer, Serra passou a rebater, em duros comunicados para o padrão diplomático, as críticas de países contrários ao afastamento de Dilma, com destaque para Venezuela, Bolívia, Equador, Cuba e Nicarágua. Fontes próximas ao ministro revelaram que ele fez questão de escrever as notas, com algumas anotações do próprio presidente.

— É quase consenso nacional que não podemos submeter os valores e interesses brasileiros a afinidades ideológicas de um partido. Deixamos de fazer muitos acordos bilaterais e regionais por causa dessa predisposição — disse Sérgio Amaral, ex-ministro da Indústria e do Comércio do governo Fernando Henrique Cardoso e um dos embaixadores que têm assessorado Serra.

Crítico contumaz do Mercosul, Serra agora defende a renovação do bloco. Existe a percepção de que o bloco poderá expandir o leque de acordos com outros países, com menos divergências.

— É importante retomar as relações com as grandes potências democráticas. Falo de EUA, Europa, Canadá, Japão e Austrália. Temos em comum a defesa da democracia liberal e dos direitos humanos. Devemos rejeitar atitudes colonialistas, mas não hostilizar EUA e Europa como potências imperiais, como fazia o PT. A Guerra Fria acabou. No mundo globalizado, é preciso negociar com o mundo todo — comentou o consultor internacional Nelson Franco Jobim.

Para ele, o país precisa de uma política externa independente, soberana e flexível. Quanto ao Mercosul, Jobim diz que seria importante resgatar a proposta original de regionalismo aberto.

— Um grupo de países que se une para ter voz mais forte e maior poder de barganha em negociações e foros internacionais. A Venezuela de Maduro atrapalha, mas de que servem Mercosul, Unasul (União de Nações da América do Sul) e Celac (Comunidade dos Estados Latinos e Caribenhos), se não forem capazes de negociar uma transição pacífica na Venezuela. É o problema mais urgente no nosso entorno — enfatizou.

Logo ao assumir, Serra indicou que gostaria de rever custos com embaixadas e a África seria o foco. Porém, pessoas próximas a ele dizem que qualquer escolha de fechamento de embaixadas será feita criteriosamente, uma vez que o continente africano é um mercado importante. Até pouco tempo, empreiteiras brasileiras, enfraquecidas após a Lava-Jato, disputavam com empresas chinesas as contratações de obras de infraestrutura e logística na região.

— O ministro não vai fechar as portas para a África. Nem deixar de olhar para direitos humanos a meio ambiente. Mas vai enfocar o pragmatismo — disse um interlocutor com acesso a Serra.

oglobo.globo.com | 22-05-2016

SENDAI - Ministros do grupo dos sete países mais industrializados, o G7, reunidos durante o final de semana na esperança de que a Grã-Bretanha permaneça na União Europeia, admitem que têm pouco a fazer além de ter esperanças.

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"O G7 não falou sobre um Plano B em resposta ao que pode acontecer caso a Grã-Bretanha deixe a União Europeia", disse o ministro das Finanças francês, Michel Sapin, à Reuters neste sábado. "Nós falamos sobre modos de ajudar a Grã-Bretanha a ficar na UE."

O decisivo referendo britânico sobre a permanência na UE tem sido um assunto importante para os mercados globais e políticos, que podem apenas esperar para ver o que os britânicos dirão nas urnas do dia 23 de junho.

O sobe e desce nos dados de pesquisas sobre a votação tem feito os mercados financeiros oscilarem por meses. A preocupação com a votação iminente é um grande risco para o Fed, que já indicou que poderá elevar as taxas de juros norte-americanas em sua reunião no meio de junho, mas que expressou preocupações sobre o chamado "Brexit", abreviatura para "saída britânica" do bloco.

Sapin não entrou em detalhes sobre quaisquer medidas que o G7 tenha discutido para manter a Grã-Bretanha na UE, durante entrevista nos intervalos da reunião entre ministros das Finanças e representantes de Bancos Centrais em Sendai, nordeste do Japão.

"O Brexit teria fortes consequências", disse Sapin. "Seria ruim para a Grã-Bretanha e ruim para a Europa, pois investidores teriam suas dúvidas e isso afetaria os fluxos de capital."

Os ministros do G7, porém, não podem fazer muito além de torcer pelo apelo do primeiro-ministro David Cameron para que a segunda maior economia da UE permaneça na União.

"Estamos claramente preocupados, coletivamente, com o risco da saída... e acreditamos que isso poderia ter, potencialmente, alguns impactos econômicos", disse o ministro das Finanças canadense, Bill Morneau, à Reuters em Sendai. O ministro acrescentou, no entanto, que não se falou "de medidas específicas que possam ser tomadas sobre esse assunto".

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, disse que os membros do G7 "concordaram que o Brexit seria a decisão errada".

A campanha agressiva de Cameron contra um público eurocético parece estar funcionando. A libra esta semana chegou ao nível mais alto ante o euro em três meses e meio, com as pesquisas mostrando forte apoio da UE.

Uma pesquisa da Ipsos-MORI na sexta-feira mostrou que 55% apoiavam a permanência na UE, ante 37% querendo a saída.

oglobo.globo.com | 21-05-2016

SÃO PAULO - Em um cenário dominado pela crise econômica e tumultos políticos nos últimos anos, investidores em ativos de Brasil têm procurado diversas formas de investimentos que sejam imunes a turbulências.

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A Claritas Investimentos, gestora com sede em São Paulo, encontrou um bom negócio: fundos que investem majoritariamente em árvores de eucalipto. A empresa começou a comprar terras florestais no Brasil e a vender a celulose produzida pelas árvores após o período de tumulto que agitou os mercados globais em 2008. E a aposta se provou lucrativa. Dois fundos florestais da Claritas, que têm combinados R$ 635 milhões em ativos, entregam retorno médio anual de 17,5% desde 2008, com os preços da celulose subindo 42% desde sua mínima em mais de uma década em 2009. O mercado de ações do Brasil, enquanto isso, amargou investidores com prejuízos médios de 4,7 por cento na mesma comparação.

A Claritas agora trabalha em um projeto para lançar seu terceiro fundo florestal. A empresa, que tem R$ 3,5 bilhões em ativos sob gestão e conta com fundos de pensão locais entre seus clientes, cultiva eucaliptos nos estados de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia e Tocantins, onde possui uma fazenda de 130 mil hectares.

— Esses são ativos que crescem durante o ano todo, não importa se há uma crise ou não — disse Helton Lopes, engenheiro florestal da Claritas, contratado há três anos para ajudar a administrar os fundos.

Do escritório da Claritas na Avenida Brigadeiro Faria Lima, principal distrito financeiro de São Paulo, o CEO Carlos Ambrósio e Lopes mapeiam regiões do país nas quais acreditam ser viável a constituição dos fundos. Eles vendem a celulose a empresas brasileiras como a Suzano Papel e Celulose. A gigante exportadora de celulose está entre as maiores beneficiárias da desvalorização de 38% da moeda brasileira nos últimos dois anos.

A Suzano não respondeu imediatamente a um e-mail e a um telefonema em busca de comentário sobre suas aquisições de celulose.

O maior país da América Latina oferece certas vantagens, segundo Ambrósio. Uma delas é que no Brasil o eucalipto leva cinco a sete anos para atingir um tamanho que permita o corte. Esse tempo contrasta com a média de sete a 10 anos dos EUA e com os mais de 15 anos necessários na Europa. O Brasil também registra um alto índice de chuvas e ostenta sofisticadas tecnologias de bioengenharia, disse Ambrósio.

— Nosso objetivo era oferecer uma alternativa de diversificação para clientes internacionais e institucionais — disse ele em entrevista no escritório da empresa.

A Claritas inicialmente considerou a possibilidade de investir em soja e cana-de-açúcar, “mas a safra estraga se você não faz a colheita. Isso não acontece com a madeira. Se a economia não vai indo bem, você simplesmente não corta as árvores. E elas vão continuar crescendo”.

oglobo.globo.com | 20-05-2016

BRASÍLIA - Mesmo não sendo da carreira, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, quer colocar equipeeconomia_1905 diplomatas nos principais postos ligados às áreas econômica e comercial, a começar pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) que terá como secretária-geral Tatiana Rosito, até então assessora especial do Ministério do Planejamento, no lugar de Anamelia Seyffarth. Antes ligada ao MDIC, a Camex passou para o Palácio do Planalto, mas sua secretaria-executiva agora está no Itamaraty.

A Agência de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex-Brasil) será presidida por Roberto Jaguaribe, hoje embaixador na China, com larga experiência em promoção comercial. A Apex é presidida por David Barioni.

Serra também colocará o embaixador Sergio Amaral, ex-ministro da Indústria e Comércio no governo Fernando Henrique Cardoso, na embaixada do Brasil em Washington. Amaral terá papel fundamental no fortalecimento do Brasil com os Estados Unidos.

O ministro também quer dois secretários-gerais: Sergio Danese, que já estava no cargo; e Marcos Galvão, atual chefe da delegação brasileira na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, na Suíça.

O grande desafio de Serra é correr atrás de acordos comerciais. As prioridades são EUA, Argentina, Aliança do Pacífico (bloco formado por Chile, Colômbia, Peru e México), Ásia, União Europeia e Oceania.

oglobo.globo.com | 20-05-2016

ANCARA - O ministro turco dos Transportes, Binali Yildirim, fiel aliado do presidente Recep Tayyip Erdogan, foi designado nesta quinta-feira para suceder o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu à frente do partido no poder e do governo, uma escolha que reforça o poder do chefe de Estado. A decisão foi anunciada pelo porta-voz do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, islâmico-conservador), Omer Celik, após uma reunião do comitê executivo do partido. Erdogan

Yildirim será formalmente designado líder do AKP no domingo, em um congresso extraordinário. Após o Congresso, Davutoglu apresentará formalmente sua renúncia na segunda-feira a Erdogan, que confiará a Yildirim a formação de um novo governo.

Yildirim, de 60 anos, trabalha com Erdogan desde que este último foi eleito prefeito de Istambul, em 1994.

É considerado um político mais dócil que Davutoglu, que se opôs ao chefe de Estado em diversas ocasiões, como nas negociações com a rebelião curda, que Davutoglu queria continuar.

Sua principal missão será conduzir o projeto de Erdogan de reforçar os poderes presidenciais.

Em Ancara, Yildirim anunciou nesta quinta-feira que está comprometido "em trabalhar em total harmonia" com o presidente Erdogan.

Esta mudança preocupa a Europa, onde Davutoglu, artesão do acordo migratório com a UE, era encarado como uma interlocutor confiável.

'Trabalhar com e para o presidente'

A abertura da primeira Cúpula Mundial da Ajuda Humanitária na segunda-feira em Istambul, que contará com a presença da chanceler alemã Angela Merkel, pode ser a oportunidade de um primeiro contato com o seu sucessor.

Após a saída de Davutoglu, Erdogan multiplicou os ataques e críticas à Europa, mergulhando na incerteza um acordo de isenção de visto para cidadãos turcos que desejam viajar ao espaço Schengen, um elemento central do pacto para frear o fluxo de migrantes para a UE.

Yildirim rapidamente se estabeleceu como o candidato favorito do AKP, formação criada em 2001 por Erdogan.

"Na noite de domingo, a função do primeiro-ministro terá mudado de direção", disse à AFP Fuat Keyman, diretor do think tank Istanbul Policy Center. "O presidente será o chefe do executivo. O primeiro-ministro será apenas uma peça funcional no executivo. Ele vai trabalhar com e para o presidente", acrescentou.

A perspectiva de ver Erdogan reforçar ainda mais o seu poder preocupa seus críticos, que o acusam de autoritarismo, multiplicando os processos por "insulto" contra jornalistas e solicitando o levantamento da imunidade dos parlamentares pró-curdos.

Após o choque causado pelo anúncio da saída de Davutoglu, o AKP tentou transmitir mensagens de unidade, garantindo que não há divisões em suas fileiras.

Mas a instabilidade política refletiu nos mercados, inquietos com a perspectiva de Erdogan aumentar a sua influência sobre a gestão da economia, uma área onde tem demonstrado um intervencionismo crescente.

Sinal desta preocupação, a lira turca perdeu 5% de seu valor em relação ao dólar no último mês.

oglobo.globo.com | 20-05-2016
O membro do Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra (BOE), Gertjan Vlieghel, afirma que deve considerar mais estímulos monetários se a economia do país não melhorar até o fim do ano, mesmo que a população escolha pela permanência da Grã-Bretanha na União Europeia (UE) no referendo de junho. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 19-05-2016

WASHINGTON - A maioria dos membros do Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, disseram Fed_1805 que uma alta nos juros do país seria apropriada em junho se a economia continuar a melhorar, mas eles ficaram divididos sobre se essas condições seriam alcançadas a tempo.

"A maioria dos participantes julgou que, se dados futuros forem consistentes com a recuperação do crescimento econômico no segundo trimestre, as condições do mercado de trabalho continuarem a se fortalecer e a inflação fazendo progresso em direção ao objetivo do comitê de 2%, então é provável que seria apropriado que o comitê aumente a taxa de juros federais em junho", de acordo com as minutas da reunião de abril do comitê de política monetária dos EUA divulgadas nesta quarta-feira. “Os participantes expressaram uma série de visões sobre a probabilidade de novas informações tornarem apropriado para ajustar a orientação da política na próxima reunião”.

Em referência a reunião do mês que vem, as autoridades em geral “julgaram apropriado deixar as opções de política monetária abertas e manter a flexibilidade para tomar esta decisão” com base na evolução da economia, diz a documentação do Fed.

Após um primeiro trimestre fraco, indicadores recentes mostram uma retomada no trimestre em exercício. Um impulso na inflação foi registrado nesta semana, o que levantou as expactativas dos investidores quanto trajetória de elevação das taxas este ano, apesar da previsão de alta em junho continuar em baixa no mercado, em cerca de 14%, com base em preços futuros de financiamento federal.

ALTA NOS PREÇOS

O índice de preços ao consumidor avançou em nível recorde em mais de três anos no mês de abril. Os dados sobre habitação e gasto do consumidor também indicaram sinais de crescimento. O Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) no segundo período deve ser em torno de 2,5%, segundo a previsão da filial do Fed de Atlanta. A projeção é otimista diante do 0,5% de crescimento registrado entre janeiro e março deste ano.

Em abril, as autoridades do Fed mantiveram a taxa de juros na faixa de 0,25% a 0,5% pela terceira reunião seguida, mas indicaram que estavam “deixando a possibilidade aberta” para uma elevação em junho. Os riscos desta perspectiva incluem o referendo britânico sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia, que será no dia 23 do próximo mês, e a possível instabilidade financeira associada à moeda chinesa, indicam as atas.

Algumas autoridades do encontro demonstraram preocupação de que os mercados estão mal preparados para uma alta em junho e “destacaram a importância da clara comunicação durante o período entre as reuniões sobre como o comitê pretende responder aos desenvolvimentos econômicos e financeiros”.

PRESIDENTES DISTRITAIS

Vários presidentes do Fed, incluindo os chefes do BC em Boston e São Francisco, Eric Rosengren e John Williams, respectivamente, manifestaram recentemente suas preocupações de que os mercados estão subestimando as chances de elevação dos juros no mês seguinte.

Os legisladores do Fed se reunirão novamente nos dias 14 e 15 de junho, e a presidente-geral do Fed, Janet Yellen, explicará a decisão em coletiva de imprensa como de costume.

O comitê aumentou os juros pela primeira vez em quase uma década em dezembro. Desde então, a autarquida aguarda uma resposta à volatilidade do mercado no início deste ano e a desaceleração do crescimento americano no primeiro trimestre. A partir de dezembro, os legisladores também passaram a divulgar um balanço de riscos, no qual eles ponderam os lados positivos e negativos de suas perspectivas. Em março, eles alertaram que os desenvolvimentos globais “continuam a impor riscos”.

“Essa mudança na linguagem teve intenção de comunicar a percepção do comitê de que os riscos associados aos desenvolvimentos globais diminuíram um pouco desde a reunião de março do comitê sem caracterizar o balanço geral dos riscos”, indicam as minutas.

oglobo.globo.com | 18-05-2016

LONDRES — A rainha Elizabeth II revelou nesta quarta-feira os planos do primeiro-ministro britânico, David Cameron, para uma agenda de reforma social. A cerimônia do seu discurso anual no Parlamento é cercada de tradições, incluindo a manutenção de um deputado como refém pelo Palácio de Buckingham até que a rainha retorne sã e salva da reunião — legado de uma época em que existia a possibilidade de que isto não acontecesse. rainha1805

No Parlamento, a monarca anunciou que o pacote de medidas poderá criar até 20 novas leis após a realização do referendo que decidirá sobre a permanência ou não do Reino Unido na União Europeia. Os temas da reforma incluem o combate ao extremismo, a adoção infantil e a assistência às camadas mais pobres da população.

Em um comunicado divulgado antes do discurso, Cameron destacou que estabelece um claro programa de reformas sociais, para derrubar os obstáculos e permitir que todos desfrutem de oportunidades de prosperar.

— Meu governo fará uso da economia em fortalecimento para fornecer segurança aos trabalhadores, aumentar as oportunidades de vida para os mais desfavorecidos e reforçar as defesas nacionais — disse a rainha, enquanto portava uma coroa com 3 mil diamantes.

CERIMÔNIA DE TRADIÇÃO

O discurso anual da rainha é um evento de grande importância na vida política do Reino Unido. É neste momento que o governo pode revelar até 30 novos projetos de lei e tentar surpreender os eleitores com medidas atrativas.

Desde que o rei Carlos I ordenou a detenção de cinco deputados em 1642, nenhum monarca colocou os pés na Câmara dos Comuns. Tradicionalmente, um emissário da Câmara dos Lordes, conhecido como Black Rod, vai buscar os deputados para que assistam ao discurso na Câmara Alta. No entanto, a sua primeira aproximação é rejeitada com uma porta fechada para reafirmar a superioridade da Câmara Baixa.

Além disso, o subsolo do é cuidadosamente revisado por medidas de segurança. Este procedimento começou em 1605, quando houve um complô católico liderado por Guy Fawkes para assassinar o rei britânico.

REFERENDO EM BREVE

Melhorar a situação das prisões e novas medidas contra o extremismo ou a corrupção foram alguns temas abordados no discurso. No entanto, a cerimônia deste ano foi permeada pela polêmica que toma a vida britânica atual: a possível saída do país do bloco europeu.

Enquanto muitos dos companheiros de Cameron no Partido Conservador dizem que ele vem atrasando o programa legislativo por causa do referendo do próximo dia 23 de junho. O seu porta-voz negou as acusações, afirmando que o governo está lidando com questões controversas.

No entanto, Cameron precisará de uma grande vitória para reunir seu partido fragmentado por conta das discussões sobre a saída do país da UE.

— Muitos conservadores ficam cada vez mais preocupados que, no afã do governo sobre o referendo, eles estejam diluindo elementos-chave do seu programa legislativo — disse Iain Duncan Smith, ex-ministro do Trabalho e Aposentadoria britânico.

oglobo.globo.com | 18-05-2016

LONDRES - Faltando apenas cinco semanas para o referendo sobre se o Reino Unido deve permanecer na União Europeia (UE), a mensagem de pesquisas de opinião não deixa dúvidas: é impossível prever como os britânicos vão votar em 23 de junho. O que não é nenhuma novidade em se tratando das sondagens britânicas, que não conseguiram prever a vitória, de forma inesperada, do primeiro-ministro David Cameron, no ano passado.

Vários levantamentos apontam para os dois lados. Um deles, realizado pelo instituto ICM, conseguiu a proeza de ter ambas as respostas: nos contatos com os entrevistados por telefone, o resultado foi “sim” para a permanência na UE; já on-line, venceu o “não”. Importante: ambos com 47%.

— Confuso? Você tem todo o direito de estar — afirma o diretor do ICM, Martin Boon. — Se você quiser me perguntar qual será o resultado, a resposta que tenho para dar é: eu apenas não sei.

A possível saída britânica abalaria as estruturas da UE, já combalida por desavenças entre governos sobre imigração e a moeda única, o euro — o Reino Unido é uma potência bélica e a segunda economia do bloco, atrás só da Alemanha.

— A única alternativa à nossa união é o caos político — disse ontem o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

oglobo.globo.com | 18-05-2016

LONDRES — Nesta segunda-feira, mais de 300 empresários britânicos pediram a saída do Reino Unido da União Europeia (UE). Em carta aberta ao “Daily Telegraph”, os executivos prevêem que suas empresas crescerão melhor fora do controle de Bruxelas. A declaração contraria os apelos do primeiro ministro britânico, David Cameron, a pouco mais de um mês do referendo para decidir sobre a permanência ou não no bloco. reinounidoUE

"Fora da UE, as empresas britânicas serão livres para crescer mais rápido, para se estender a novos mercados e criar mais empregos. É o momento de votar para sair e recuperar o controle de nosso destino", escrevem os signatários em uma coluna a pouco mais de um mês do referendo de 23 de junho sobre a permanência ou não do país na UE.

Entre os signatários — que assinam o texto a título pessoal, e não em nome de suas empresas — figuram o presidente da rede de pubs Wetherspoon, Tim Martin, ou Elaine Harries, diretora-executiva da sociedade de encomendas Action Express. Também aparecem ex-dirigentes de grandes empresas, como o ex-presidente da British American Tobacco, Patrick Sheehy, e o fundador da rede de produtos de higiene Superdrug, Peter Goldstein.

A maioria dos signatários são, no entanto, diretores ou responsáveis de pequenas e médias empresas. Os líderes das principais sociedades britânicas se declararam neutros no debate ou se pronunciarama favor da permanência do Reino Unido na União Europeia nos últimos meses.

Em seu texto, os signatários destacam a influência mundial da economia britânica. O país integra o clube dos países mais ricos do G7, que tem Londres como um de seus maiores centros financeiros do planeta.

"Pensamos, no entanto, que a competitividade do Reino Unido está minada por nosso pertencimento à UE em pleno fracasso”, disseram os empresários.

Eles ainda criticaram a burocracia de Bruxelas para as 5,4 milhões de empresas britânicas, quando apenas uma minoria delas comercializa concretamente com o bloco.

Boris Johnson, ex-prefeito conservador de Londres e líder do grupo favorável ao Brexit no Reino Unido, havia afirmado no domingo que a UE se comportava como Hitler ao tentar criar um supraestado. A declaração polêmica foi considerada por muitos um ato desesperado pelos partidários da permanência no bloco.

— Napoleão, Hitler, várias pessoas tentaram, e isso terminou de forma trágica. A UE é uma tentativa de fazer isso mesmo com métodos diferentes — declarou Johnson. — Mas fundamentalmente, o eterno problema é que não existe lealdade à ideia de Europa. Não há uma única autoridade à qual todos respeitem ou compreendam. Isto está provocando um enorme vazio democrático.

oglobo.globo.com | 16-05-2016

RIO - Quase 15 anos após a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) — considerada um marco da ascensão do país asiático no cenário internacional —, novamente o debate sobre a China ser ou não uma economia de mercado volta ao centro das atenções. Com o reconhecimento, seria mais difícil questionar práticas do país asiático na OMC.

A indústria siderúrgica é uma das que mais tem lutado contra a possibilidade de reconhecimento desse status, especialmente pela União Europeia (UE). O setor reclama da invasão do aço chinês e chegou a organizar uma manifestação em Bruxelas, em fevereiro. A Comissão Europeia, braço executivo da UE, ainda não tomou uma decisão. Recentemente, a comissária europeia para o comércio, Cecilia Malmström, afirmou que a discussão sobre o reconhecimento da China como economia de mercado não muda a necessidade de o país asiático lidar com o excesso de produção de aço que “invade os mercados”.

Pelas regras do processo de adesão da China à OMC, o país teria 15 anos para se adaptar, até dezembro de 2016, para ganhar status de economia de mercado. Há quem diga que, após esse prazo, a China ganhará automaticamente esse status — a própria China defende isso —, mas outros, como entidades empresariais em Estados Unidos, UE e Brasil, argumentam que o processo não é automático. Caso a China consiga o status, será mais difícil para outros países questionarem suas práticas na OMC.

CAUTELA DO GOVERNO BRASILEIRO

Oficialmente, os países não têm se pronunciado publicamente sobre o assunto. Relatos na mídia europeia apontam que a Comissão Europeia tem se mostrado simpática ao reconhecimento do status. A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou, durante visita à China, que a princípio é a favor da concessão do status de economia de mercado, mas que ainda havia trabalho a ser feito. Já os EUA são menos favoráveis, alertando para os riscos da menor possibilidade de se defenderem de uma invasão de produtos chineses baratos. Mas especialistas alertam que a China deve recorrer ao Órgão de Solução de Controvérsias da OMC se não tiver esse status reconhecido.

No Brasil, o Itamaraty afirma que ainda estuda a questão, buscando informações sobre o posicionamento de outros países.

— É um tema que deve acabar em controvérsia. Então (o Brasil) precisa ter uma posição sólida, bem argumentada, porque vai ter que sustentar essa argumentação no órgão de apelação e no painel depois — disse o subsecretário-geral de Assuntos Econômicos do ministério, Carlos Márcio Cozendey.

Em um processo de investigação de concorrência desleal nas vendas de um país para outro, compara-se o preço do produto exportado com o valor do mesmo item praticado internamente no país exportador. O documento de adesão da China tem artigo que prevê o uso de preços de um terceiro local. Isso porque os preços no país têm influência de fatores além do mercado, como subsídios ao crédito. É esse artigo que deixa de valer em dezembro deste ano.

— A China entende que, considere ou não que ela é economia de mercado, em dezembro não pode usar mais o método alternativo. Outras interpretações dizem que não, que só elimina o artigo, mas não elimina os métodos alternativos — explicou Cozendey.

Se o governo mostra cautela, o empresariado brasileiro já se mobilizou. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) encomendou um estudo detalhado sobre o assunto em 2013. Sócio do escritório de advocacia Campos Fialho e responsável pelo estudo, Lucas Spadano afirma que o texto da OMC é ambíguo, mas que não determina o reconhecimento obrigatório da China como economia de mercado:

— Nossa interpretação é que ocorre a inversão do ônus da prova. Se hoje se parte do princípio que a China não é uma economia de mercado, depois será preciso uma constatação prévia, com base na legislação brasileira.

Sua avaliação é que, embora a base jurídica seja forte, a decisão dos países deve ser política. A China, por sua vez, monitora a decisão dos demais países.

— A China concordou com uma série de compromissos, porque esperava o reconhecimento automático do status de economia de mercado até dezembro de 2016. Se a posição dos países for diferente, é muito provável que a China inicie um contencioso — disse Pablo Bentes, diretor de Comércio Internacional e Investimento do escritório internacional de direito Steptoe & Johnson LLP, que defendeu a China em dois casos junto à OMC.

FIESP: DISCUSSÃO PRAGMÁTICA

CNI e Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ressaltam a importância da China como parceiro comercial do Brasil, mas argumentam que o país não é economia de mercado e, por isso, não pode ser tratado como tal.

— A China é um grande parceiro do Brasil, e este é um tema delicado. Mas, pelo que se constata, a China não tem câmbio livre, as empresas têm participação estatal e há um grau de controle sobre elas — disse o diretor da CNI Carlos Eduardo Abijaodi.

Diretor de Relação Internacionais e Comercio Exterior da Fiesp, Thomaz Zanotto reconhece a relevância da China para o Brasil. Mas defende uma discussão pragmática:

— A China é nosso principal parceiro comercial, mas não é uma economia de mercado. O assunto deve ser tratado de forma pragmática e sem receios.

oglobo.globo.com | 16-05-2016

O ex-prefeito de Londres, Boris Johnson, comparou os objetivos da União Europeia àqueles de Adolf Hitler, argumentando que o bloco de 28 nações está criando um super Estado que espelha a tentativa do líder nazista de dominar o continente europeu.

Johnson, a figura política mais proeminente a argumentar que a Grã-Bretanha deve deixar a União Europeia, diz que os últimos 2.000 anos de história europeia tinham sido dominados por tentativas de unificação do continente e recriação da era de ouro romana. "Napoleão, Hitler, várias pessoas tentaram isso, e termina tragicamente. A UE é uma tentativa de fazer isso por métodos diferentes", disse ele, segundo o jornal The Sunday Telegraph. "Mas, fundamentalmente, o que falta é o eterno problema que é não haver nenhuma lealdade subjacente à ideia de Europa. Não há qualquer autoridade única que alguém respeite ou entenda. Isso está causando essa grande lacuna democrática."

As observações de Johnson provocaram imediatamente a indignação por parte daqueles que fazem campanha para a Grã-Bretanha permanecer na UE, antes da votação de 23 de junho sobre a possibilidade de o país ficar ou sair do bloco. A campanha "fica" descreveu os comentários de Johnson como um esforço desesperado de tirar o foco do impacto econômico que tal ruptura iria criar.

"Os militantes do 'deixa' perderam o argumento econômico e agora eles estão perdendo sua bússola moral", disse Hilary Benn, membro sênior do Partido Trabalhista. "Depois do horror da Segunda Guerra Mundial, a UE ajudou a pôr fim a séculos de conflitos na Europa. E Boris Johnson fazer esta comparação é ofensivo e desesperado."

Os comentários foram feitos depois de firmes advertências econômicas sobre o choque para a economia do país em caso de uma votação ampla na saída do bloco. O Banco da Inglaterra advertiu na semana passada que a Grã-Bretanha enfrenta uma recessão em meio à incerteza da chamada Brexit (saída britânica da UE).
Fonte: Associated Press

WASHINGTON — Enquanto o mundo desenvolvido flerta cada vez mais com a direita e com o conservadorismo, tanto na Europa como nos EUA do pré-candidato republicano Donald Trump, os canadenses fizeram o caminho contrário — e parecem felizes com isso. Após seis meses de governo, o país ainda segue em lua de mel com Justin Trudeau, o jovem primeiro-ministro que é a antítese de seu antecessor e a toda hora é comparado com o uruguaio José Mujica e o americano Barack Obama.

Apesar de ter dado um novo discurso para o país, ele ainda tem grandes desafios, como na economia e nos interesses da poluidora indústria extrativista canadense, que contrasta com seu empenho em favor do meio ambiente. Sua visão mais aberta às relações internacionais e ao debate de temas como eutanásia e direitos indígenas o ajudaram a manter a popularidade em alta. Segundo o instituto Ipsos, 66% dos canadenses aprovam o governo Trudeau — nada mal para quem obteve, em outubro, a maioria do Parlamento, mas com apenas 39,5% dos votos em seu partido. Seis motivos para gostar do premier canadense Justin Trudeau

— A maior conquista de Trudeau tem sido mudar o tom do governo e fazê-lo parecer mais ágil, aberto e transparente. Isso ainda pode ser uma lua de mel, mas há uma sensação de que o novo governo está disposto a se envolver com a sociedade civil de uma forma mais significativa e construtiva — afirmou Dane Rowlands, diretor do Norman Paterson School of International Affairs, de Ottawa.

O contraste com seu antecessor, Stephen Harper — que comandou o país por quase dez anos e era chamado de “George W. Bush canadense” — é total. Enquanto o conservador negava as mudanças climáticas, entrou nas guerras americanas no Oriente Médio e adotou uma política tributária que acabou ampliando a desigualdade (para os padrões canadenses), Trudeau se firma como novo ícone da esquerda global. Ao receber pessoalmente refugiados sírios e ir à Nova York no mês passado assinar o acordo climático celebrado pela ONU em dezembro em Paris, ajudou a dar uma nova cara ao país. Trudeau não só recebeu os 25 mil refugiados, como cumpriu essa meta até fevereiro — em vez do Natal. Ele planeja agora receber até 35 mil a mais este ano.

Diversidade no gabinete

Trudeau é um político da nova geração. Com 4,3 milhões de seguidores nas redes sociais — metade deles no Facebook —, seu balanço dos primeiros seis meses de governo, completados em 4 de maio, foi divulgado em forma de um álbum de fotos. Ele se assemelha a Obama, com quem se encontrou em março, na primeira visita de Estado de um mandatário canadense à Casa Branca em 19 anos, em um clima de amizade explícito.

— Trudeau parece gostar de pessoas e está disposto a usar seu charme para ganhar amigos, como o presidente americano — afirmou Gary Levy, da Universidade Carleton, em Ottawa.

O canadense de 44 anos e pai de três filhos, defende a legalização da maconha em seu país — embora o grupo de trabalho sobre este tema esteja atrasado. Quer levar o projeto de lei ao Parlamento no ano que vem, quando ele e a maior parte dos analistas espera já ter aprovada a nova regra para eutanásia. Admitindo ter fumando maconha, é comparado ao icônico líder uruguaio, sendo chamado de “Mujica do Norte".

Mas as semelhanças com Mujica param por aí. Filho do ex-premier Pierre Trudeau, o jovem primeiro-ministro faz parte da elite de seu país. Já viajou a mais de cem países e se sobressai nos debates globais. No Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça), roubou a cena ao defender o feminismo. Seu gabinete tem igual número de homens e mulheres — uma delas, Jody Wilson-Raybould, ministra da Justiça, é indígena. Há, também, ministros assumidamente gays, um cadeirante e muçulmanos — algo que faria Trump ter urticária, provavelmente.

Mas nem tudo são flores. O professor Dane Rowlands afirma que talvez ele não imaginasse obter a maioria folgada entre os deputados, e fez promessas demais, imaginando que um Parlamento hostil seria a desculpa perfeita caso não consiga concluir sua agenda.

— O governo conseguiu andar numa corda bamba entre a responsabilidade fiscal (sem aumento da dívida em relação ao PIB) e uma promessa de estímulo — afirmou o especialista da Norman Paterson School, lembrando que ele pretende investir em infraestrutura do país para gerar empregos e oportunidades.

Além disso, precisa modernizar a economia canadense:

— Trudeau quer investir em inovação tecnológica de forma sem precedentes para consolidar uma economia do conhecimento. Mas isso é algo de longo prazo e seu governo deve esperar o preço do petróleo se recuperar para manter a popularidade — afirma Thomas Corrigan, pesquisador especializado em Canadá do Atlantic Council, nos Estados Unidos.

Ele vê, até agora, grande parte da popularidade de Trudeau se devendo ao contraste com o governo anterior. Um dos desafios mais difíceis é modernizar a legislação eleitoral do Canadá:

— A questão agora é ver se essa mudança não será apenas superficial — disse.

Polêmica com Arábia Saudita

Até o seu discurso pacifista está sendo, aos poucos, colocado à prova:

— Uma questão que embaraçou o governo é que ele aprovou a venda de US$ 15 bilhões em veículos blindados para a Arábia Saudita, apesar da situação sombria dos direitos humanos no país. E o Canadá tem uma lei que exige que tais vendas passem por uma avaliação do país destinatário — explicou ao GLOBO Nelson Wiseman, diretor do Departamento de Ciência Política da Universidade de Toronto.

Daniel Cerqueira, brasileiro da ONG Fundação do Devido Processo Legal (DPLF, na sigla em inglês), lembra que mais de 180 ONGs fizeram petição para que o governo canadense mude de postura e apoie mais os direitos humanos:

— O país vive um paradoxo: é um dos grandes doadores internacionais para os direitos humanos, mas tem empresas de exploração de minérios e petróleo que sistematicamente cometem irregularidades, principalmente em países pobres. Enfrentar este grupo, muito importante para a economia local, não é algo simples — disse.

Outros pontos deste continental país de 36 milhões de habitantes, contudo, parecem ajudar Trudeau, oriundo do lado francês:

— Pela primeira vez, a divisão linguística do Canadá não está causando problemas. O separatismo em Quebec está em seu ponto mais baixo em 50 anos — afirmou Robert Bothwell, professor de História da Universidade de Toronto.

Ele não acredita que este novo momento do Canadá deva ter grandes impactos para o Brasil ou para a América Latina, talvez um pouco para o México, seu parceiro no Nafta, junto com os EUA, e um pouco para os países caribenhos.

Quando a lua de mel acabar e as cobranças crescerem, é bom que Trudeau tenha algo a apresentar além de fotos e carisma:

— Embora o Partido Conservador esteja sem um líder, ainda é forte. Há todas as razões para se pensar que os conservadores serão competitivos na próxima eleição — afirmou Stephen Azzi, da Universidade Carleton.

oglobo.globo.com | 15-05-2016

BERLIM — A polícia alemã encontrou, na noite deste sábado, uma cabeça de porco acompanhada de mensagens contra a chanceler alemã, Angela Merkel, na entrada do escritório eleitoral da cidade de Stralsund, do nordeste do país

Policiais evitaram dar detalhes sobre a mensagem, mas confirmaram que uma investigação foi iniciada sobre o caso.

A popularidade de Merkel tem diminuído devido à sua política de imigração liberal. Mais de um milhão de imigrantes chegaram à Alemanha no ano passado, muitos deles fugindo da guerra e da pobreza no Oriente Médio e na África. Com isso, as preocupações sobre como a maior economia da Europa será capaz de integrá-los agora são dominam as discussões políticas do país.

Uma pesquisa da INSA publicada na quarta-feira mostrou que quase metade dos alemães não quer que Merkel fique no cargo por um quarto mandato. A Alemanha realizará eleições parlamentares no próximo ano.

oglobo.globo.com | 15-05-2016

ATENAS - A Grécia pretende voltar a atuar no mercado de títulos no próximo ano, disse a um jornal grego neste sábado o primeiro-ministro Alexis Tsipras, depois de Atenas ter iniciado negociações com credores no começo da semana sobre como tornar mais gerenciável a dívida do país.

Fora dos mercados de crédito globais desde 2014, a Grécia assinou um terceiro pacote de ajuda multibilionário em julho passado.

O governo de esquerda de Tsipras espera concluir uma avaliação sobre seu progresso em reformas em um encontro com ministros das Finanças da zona do euro em 24 de maio, o que poderia liberar fundos no momento exato em que o país precisa fazer pagamentos à União Europeia, ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e a fornecedores do governo.

A Grécia anseia que o encontro também traga progressos em medidas para aliviar os problemas com a dívida pública do país, que atingirá 182,8% do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano, de acordo com previsões da Comissão Europeia.

— Retornaremos aos mercados em 2017 — afirmou Tsipras em uma entrevista ao jornal “Realnews“.

O ministro das Finanças grego, Euclid Tsakalotos, disse no ano passado que um compromisso de longo prazo para reduzir a dívida da Grécia com países da zona do euro era crucial para restaurar a confiança dos investidores no país e que Atenas poderia começar a tomar empréstimos no mercado de títulos no fim de 2016.

Neste momento, notas do tesouro são a principal fonte de financiamento de curto prazo da economia grega.

Tsipras foi reeleito em setembro prometendo mitigar o impacto da austeridade sobre os gregos, que já convivem com cinco anos de cortes orçamentários e aumentos de impostos.

— Podemos parar de depender da ajuda externa de uma vez por todas antes do fim do programa, em agosto de 2018 — afirmou Tsipras.

Em entrevista a outro jornal local, o vice-primeiro ministro Yannis Dragasakis disse que Atenas quer um acordo de alívio de suas dívidas, o que poderia ajudar a acessar os mercados de dívida em 2017 e permitir superávits primários sustentáveis no orçamento do país.

oglobo.globo.com | 14-05-2016

WASHINGTON - A saída do Reino Unido da União Europeia afetaria o crescimento econômico britânico e provocaria volatilidade nos mercados, advertiu o Fundo Monetário Internacional (FMI) a 40 dias do FMI_1305 referendo de 23 de junho.

"A vitória da saída levaria a um período prolongado de incerteza, traria volatilidade aos mercados financeiros e impactaria o crescimento", alerta o FMI em seu balanço anual sobre a economia britânica, dedicado desta vez às consequências de uma saída da UE.

Com base na análise de vários especialistas, o FMI calcula que o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) britânico seria entre 1,5% e 9,5% inferior no caso de saída e adverte que Londres poderia perder o status de centro financeiro mundial.

"Outro risco é o de que os mercados poderiam antecipar as consequências perniciosas, com uma reação abrupta à vitória da opção de deixar a UE que aceleraria a irrupção dos custos", completa a instituição.

A diretora genal do FMI, Christine Lagarde, fez um discurso em Londres nesta sexta-feira e advertiu que a saída do Reino Unido da UE seria um "risco importante"para a economia mundial.

— Não é uma questão interna, é uma questão internacional — insistiu.

Antes de Lagarde, o ministro britânico das Finanças, George Osborne, discursou e foi enfático:

— Se votarmos pela saída, as famílias britânicas serão mais pobres e o Reino Unido será mais pobre.

Na quinta-feira, o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) afirmou que a incerteza criada pelo referendo já está afetando o crescimento. A vitória da saída da UE, o 'Brexit', "poderia materialmente alterar as perspectivas de produção e inflação", segundo o BoE.

"Há sinais crescentes de que a incerteza relacionada ao referendo da UE começou a pesar na atividade econômica", destacou a instituição, depois de manter a taxa básica de juros em 0,5%.

O banco prevê que o crescimento do PIB será de 2% em 2016, 0,2% a menos que a estimativa de fevereiro. Em 2017, o avanço deve ser de 2,2%, um décimo a menos que na estimativa anterior.

oglobo.globo.com | 13-05-2016

Os preços do ouro se recuperaram e terminaram a sexta-feira, 13, em leve alta, em meio às incertezas globais que alimentaram a cautela dos investidores e estimularam a busca por ativos seguros.

O contrato de ouro para junho negociado na Comex subiu 0,1%, para US$ 1.272,70 por onça-troy, revertendo a queda apresentada pela manhã. O metal precioso chegou a cair para US$ 1.264,00 por onça-troy mais cedo.

O ouro acumula alta de 19% neste ano até agora, beneficiado pela preocupação dos investidores com a saúde da economia global. No primeiro trimestre de 2016 o ouro teve o melhor desempenho trimestral em 30 anos.

Entre os indicadores divulgados hoje, as vendas no varejo dos EUA subiram mais que o previsto em abril, o que renovou receios de que o Federal Reserve possa elevar as taxas básicas de juros novamente em breve, possivelmente na reunião de junho. Juros mais altos tendem a pressionar o ouro, que é um ativo que não rende retornos para os investidores, como é o caso dos Treasuries (títulos dos EUA).

No entanto, Ira Epstein, estrategista do Linn Group, afirmou que o ambiente de juros baixos ao redor do mundo, combinado com temores de que o Reino Unido possa sair da União Europeia, mantiveram a sustentação dos preços do ouro. "Não há muitos investimentos para onde correr", disse Epstein. "Conforme as pessoas procuram onde colocar o dinheiro, o maior fluxo tem sido para o ouro", acrescentou.

George Gero, diretor-gerente do RBC Wealth Management, afirmou que o recuo do ouro no início do dia foi guiado por operadores de curto prazo com base em notícias do dia. Porém, observou, os investidores de longo prazo ainda temem incertezas econômicas e políticas durante o ano. Fonte: Dow Jones Newswires
Economia portuguesa abranda no primeiro trimestre do ano passado, voltando a perder terreno face ao resto da zona euro.
www.publico.pt | 13-05-2016
O Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro cresceu menos do que inicialmente estimado no primeiro trimestre, segundo revisão publicada hoje pela agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat. Entre janeiro e março, a economia do bloco avançou 0,5% ante o último trimestre de 2015 e registrou aumento de 1,5% na comparação anual.Com isso, a expansão anualizada do PIB da zona do euro no primeiro trimestre foi de 2,1%. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 13-05-2016
O Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha, a maior economia da Europa, cresceu 0,7% no primeiro trimestre do ano em relação ao quarto trimestre de 2015 e avançou 1,6% na comparação anual, de acordo com dados preliminares da Destatis, como é conhecida a agência de estatísticas do país.Os números superaram as expectativas de analistas consultados pela Dow Jones Newswires, que previam alta trimestral de 0,6% e ganho anual de 1,5% entre janeiro e março. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 13-05-2016

NOVA YORK- A Organização das Nações Unidas afirmou, nesta quinta-feira, que reduziu a projeção do crescimento econômico global para 2016 em meio ponto percentual, para 2,4%, principalmente por causa de revisões para baixo dos dados referentes a América Latina, África e a Comunidade de Estados Independentes.

links ONU

No relatório “Situação Econômica e Perspectivas Mundiais 2016”, a ONU diz que cortou a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos) mundial para 2,4%, o mesmo de 2015. Em dezembro do ano passado, a previsão era 2,9%.

“As perspectivas de crescimento econômico global em 2017 também permanecem abaixo das tendências anteriores à crise. E um período prolongado de lenta expansão da produtividade e fraco investimento pesa sobre o potencial da economia global no longo prazo”, declarou a ONU.

Outro fator importante é que “o Brasil está inserido em uma recessão mais profunda do que a prevista”, acrescentou.

A organização ainda citou a fragilidade da demanda das economia desenvolvidas, junto com a baixa dos preços das commodities, o que implica em crescente desequilíbrios fiscais e aperto da política monetária em economias exportadoras de matérias-primas.

Outros fatores negativos, segundo o relatório, são “impactos severos vinculados ao clima, desafios políticos e grandes saídas de capital de países em desenvolvimento”. Na região da ex-União Soviética, a ONU aponta que Azerbaijão, Casaquistão e Rússia provavelmente devem apresentar queda no PIB nesse ano. No caso russo, as sanções internacionais são os principais fatores negativos.

As preocupações a cerca do referendo que irá decidir sobre a permanência da Grã-Bretanha na União Europeia também representa um possível risco para a economia global, indicou a entidade.

oglobo.globo.com | 12-05-2016
Decisão europeia terá de ser tomada até ao final do ano.
www.publico.pt | 10-05-2016

LONDRES - O primeiro-ministro britânico, David Cameron, fez um apelo para que os eleitores do país rejeitem a saída da União Europeia (UE), afirmando que a paz e estabilidade do Reino Unido podem ficar comprometidas caso a opção pela saída do bloco seja a mais votada no referendo agendado para o dia 23 de junho.

— Do tempo das legiões de César à Guerra da Sucessão Espanhola, das Guerras Napoleônicas à queda do Muro de Berlim, o Reino Unido sempre foi e sempre será uma potência europeia — afirmou Cameron, em discurso no Museu Britânico, em Londres. — O isolacionismo nunca nos ajudou. Sempre que viramos as costas para a Europa, acabamos nos arrependendo, mais cedo ou mais tarde.

Cameron citou as históricas batalhas de Blenheim (1704), Trafalgar (1805) e Waterloo (1815) e as duas guerras mundiais para afirmar que “o Reino Unido não está imune às consequências dos eventos que acontecem no continente”.

— No período do pós-guerra, Winston Churchill defendeu de maneira apaixonada que a Europa Ocidental se juntasse para promover o livre comércio, e criar instituições duradouras para que nosso continente nunca mais vivenciasse tamanho derramamento de sangue.

Apesar de seu apelo, Cameron destacou a importância de realizar o refendo, afirmando que “não deveria tentar manter uma nação dentro de uma organização contra sua vontade”. Além do discurso no Museu Britânico, o premier também publicou uma carta no diário “Daily Telegraph”, na qual voltou a reforçar a importância da UE na segurança e estabilidade do Reino Unido.

“Embora a decisão pertença ao povo, uma saída da União Europeia resultaria, sem dúvida, na perda de influência britânica e num enfraquecimento da Otan que ajudariam os inimigos do Ocidente justamente num momento no qual devemos estar lado a lado com a comunidade euro-atlântica contra ameaças comuns, incluindo aquelas bem próximas de nós”, afirma o primeiro-ministro na carta.

Boris Johnson: ‘UE mudou’

Discursando no mesmo local, logo depois de Cameron, o ex-prefeito de Londres e líder da campanha pela saída do bloco europeu, Boris Johnson, afirmou que as renegociações do país com o bloco foram um “fracasso total”, alegando que “não foi alcançado nada remotamente parecido com o que foi prometido”.

— Nenhuma reforma foi colocada em ação e, pela lógica, o governo deveria fazer campanha junto conosco hoje — afirmou Johnson, que classificou os argumentos em defesa da permanência como “bobagens totais”. — O poder mais básico de um Estado, o de decidir quem tem e quem não tem direito de viver e trabalhar em seu país, foi retirado de nós e agora pertence a Bruxelas.

O ex-prefeito também rebateu acusações de xenofobia, afirmando que uma saída da UE não significa uma saída da Europa.

— De todos os argumentos que ouvi, esse é o que mais me irrita. Sou um filho da Europa, um cosmopolita liberal e minha família é uma força de paz genética da ONU — declarou Johnson, nascido em Nova York, e descendente de ingleses, suíços, turcos, franceses e russos. — A UE mudou, feriu a democracia britânica e é o motivo pelo qual temos regulações excessivas que sufocam o país. Insistir em dizer que a UE é uma organização baseada na economia é como afirmar que a máfia italiana trabalha com azeite de oliva e imóveis.

oglobo.globo.com | 10-05-2016

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Manoel Pires, explicou nesta segunda-feira, 9, a portaria que estabelece a primeira divulgação anual do relatório de Distribuição Pessoal de Renda e da Riqueza da População Brasileira, com base nos dados das declarações de Imposto de Renda de Pessoal Física (IRPF).

Considerando as 27 milhões de declarações entregues no ano passado, os dados mostram que os 5% mais ricos do Brasil detêm 26% da renda e 28% da riqueza - incluindo bens e direitos - declarada no País, totalizando R$ 1,790 trilhão. Dentro desse recorte, os 1% mais ricos têm R$ 942 bilhões, ou 15% da riqueza total declarada no ano passado.

"Os 1% mais ricos declaram um renda 3.101% mais elevada que o rendimento médio da economia brasileira. Considerando os bens e direitos, essa diferença chega a 6.448%", destacou Pires.

Segundo ele, as pesquisas domiciliares realizadas hoje no Brasil representam bem a média da população brasileira, mas têm dificuldade de identificar os extremos mais ricos. "Há uma discrepância muito grande entre os índices usados hoje no País", justificou.

Utilizando metodologias semelhantes à que o Brasil adotará, pesquisas nos Estados Unidos, por exemplo, mostram que os 10% mais ricos têm 47,2% da renda declarada naquele país. "Os 0,1% mais ricos possuem 7,5% da renda declarada nos Estados Unidos, isso é bastante elevado", destacou Pires.

Com a nova metodologia, o governo quer entender com mais detalhe a distância entre as camadas mais pobres e mais ricas da população. "Vamos produzir informações que vão permitir colocar o Brasil nessa comparação internacional", afirmou. "Haverá mais transparência nesses dados", completou.

O Índice de Gini brasileiro caiu de 0,545 em 2004 para 0,490 em 2014, mas ainda distante dos resultados de países da Europa. "A desigualdade de renda no País tem caído de forma contundente desde meados dos anos 90. O Brasil é um dos países que conseguiram reduzir a desigualdade de renda de forma mais rápida, mas ainda assim o País possui elevado grau de desigualdade em comparação com outros países", avaliou.

Faixa extra

Pires disse ainda que a discussão sobre a criação de uma faixa extra para alíquota do IRPF para a população mais rica será subsidiada pela nova publicação anual de um relatório de Distribuição Pessoal de Renda e da Riqueza da População Brasileira, com base nos dados das declarações à Receita Federal.

"Uma agenda da política tributária é mudar a composição da tributação direta, mas isso é um estudo que vamos começar", afirmou. Um portaria será publicada pelo ministério até a próxima quarta-feira para determinar a realização do relatório anual.

"Quando se discute a desigualdade de renda, isso permite desenhar políticas públicas melhores, e os programas sociais podem ser melhor desenhados. O novo relatório nos dará um mapa completo", avaliou.

A campanha para manter o Reino Unido na União Europeia se intensificará nesta segunda-feira. O primeiro-ministro David Cameron vai evocar sucessos militares recentes da Grã-Bretanha como prova da necessidade de manter a nação na vanguarda dos assuntos europeus.

Com pouco mais de seis semanas até a realização do referendo sobre a continuidade da adesão do Reino Unido à UE, aqueles que defendem a saída britânica do bloco de 28 países também aumentam seus esforços para convencer os britânicos a votar pela retirada. O ex-prefeito de Londres, Boris Johnson, um dos políticos mais proeminentes que apoiam a campanha para o país deixar a UE, também fará um discurso nesta segunda-feira, reforçando os argumentos para a chamada Brexit, na votação prevista para 23 de Junho.

Cameron pretende argumentar que o interesse nacional da Grã-Bretanha será melhor servido ao permanecer como um membro da União Europeia. O primeiro-ministro vai ressaltar que o Reino Unido tem sido um componente central do bloco, e vai lembrar que sempre que o país virou as costas ao continente no passado, "mais cedo ou mais tarde, o Reino Unido veio a se arrepender".

A expectativa é que, no discurso, Cameron faça referência ao papel da Grã-Bretanha em conflitos históricos, incluindo as duas guerras mundiais e as batalhas de Trafalgar e Waterloo. O primeiro-ministro britânico também planeja dizer que a UE tem ajudado a reconciliar os países "que estavam em conflito havia décadas", e que o Reino Unido tem "um interesse nacional fundamental na manutenção de um propósito comum na Europa, para evitar futuros conflitos entre países europeus".

Suas observações representam um esforço renovado pelo grupo pró-UE para reforçar sua causa como uma opção patriótica, em um debate que divide os eleitores. As pesquisas de opinião mostram essa divisão, com uma pequena vantagem para a opção de aderir ao bloco.

Os defensores da retirada britânica da UE, que incluem outras figuras importantes do partido conservador de Cameron, dizem que a posição internacional do Reino Unido será reforçada por abandonar o bloco. Eles argumentam que no exterior da UE, o Reino Unido, a quinta maior economia do mundo e membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas, será capaz de negociar seus próprios acordos de livre comércio e perseguir os seus próprios objetivos de política externa, sem a interferência de Bruxelas.

Neste domingo, líderes políticos de ambos os lados apresentaram cenários econômicos contrastantes sobre a vida fora do bloco. O chefe do Tesouro do Reino Unido, George Osborne, disse à emissora ITV PLC que sair do mercado único de bens e serviços da União Europeia seria "catastrófico" para a subsistência dos britânicos. Enquanto isso, o secretário de Justiça Michael Gove, um apoiador do Brexit, disse à British Broadcasting que a integração europeia tem prejudicado as economias da região, e que o Reino Unido se desenvolveria melhor fora da União.

Suas observações ocorrem após a divulgação de dados econômicos e pesquisas, que sugerem que a economia desacelerou na fase que antecede a votação. Na última quinta-feira, o Banco da Inglaterra anunciou um novo conjunto de previsões trimestrais para a economia britânica. Economistas esperam que esses dados reforcem a mensagem recente do governo de que a incerteza sobre o resultado do referendo está prejudicando gastos e investimentos. Fonte: Dow Jones Newswires.

A campanha para manter o Reino Unido na União Europeia se intensificará nesta segunda-feira. O primeiro-ministro David Cameron vai evocar sucessos militares recentes da Grã-Bretanha como prova da necessidade de manter a nação na vanguarda dos assuntos europeus.

Com pouco mais de seis semanas até a realização do referendo sobre a continuidade da adesão do Reino Unido à UE, aqueles que defendem a saída britânica do bloco de 28 países também aumentam seus esforços para convencer os britânicos a votar pela retirada. O ex-prefeito de Londres, Boris Johnson, um dos políticos mais proeminentes que apoiam a campanha para o país deixar a UE, também fará um discurso nesta segunda-feira, reforçando os argumentos para a chamada Brexit, na votação prevista para 23 de Junho.

Cameron pretende argumentar que o interesse nacional da Grã-Bretanha será melhor servido ao permanecer como um membro da União Europeia. O primeiro-ministro vai ressaltar que o Reino Unido tem sido um componente central do bloco, e vai lembrar que sempre que o país virou as costas ao continente no passado, "mais cedo ou mais tarde, o Reino Unido veio a se arrepender".

A expectativa é que, no discurso, Cameron faça referência ao papel da Grã-Bretanha em conflitos históricos, incluindo as duas guerras mundiais e as batalhas de Trafalgar e Waterloo. O primeiro-ministro britânico também planeja dizer que a UE tem ajudado a reconciliar os países "que estavam em conflito havia décadas", e que o Reino Unido tem "um interesse nacional fundamental na manutenção de um propósito comum na Europa, para evitar futuros conflitos entre países europeus".

Suas observações representam um esforço renovado pelo grupo pró-UE para reforçar sua causa como uma opção patriótica, em um debate que divide os eleitores. As pesquisas de opinião mostram essa divisão, com uma pequena vantagem para a opção de aderir ao bloco.

Os defensores da retirada britânica da UE, que incluem outras figuras importantes do partido conservador de Cameron, dizem que a posição internacional do Reino Unido será reforçada por abandonar o bloco. Eles argumentam que no exterior da UE, o Reino Unido, a quinta maior economia do mundo e membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas, será capaz de negociar seus próprios acordos de livre comércio e perseguir os seus próprios objetivos de política externa, sem a interferência de Bruxelas.

Neste domingo, líderes políticos de ambos os lados apresentaram cenários econômicos contrastantes sobre a vida fora do bloco. O chefe do Tesouro do Reino Unido, George Osborne, disse à emissora ITV PLC que sair do mercado único de bens e serviços da União Europeia seria "catastrófico" para a subsistência dos britânicos. Enquanto isso, o secretário de Justiça Michael Gove, um apoiador do Brexit, disse à British Broadcasting que a integração europeia tem prejudicado as economias da região, e que o Reino Unido se desenvolveria melhor fora da União.

Suas observações ocorrem após a divulgação de dados econômicos e pesquisas, que sugerem que a economia desacelerou na fase que antecede a votação. Na última quinta-feira, o Banco da Inglaterra anunciou um novo conjunto de previsões trimestrais para a economia britânica. Economistas esperam que esses dados reforcem a mensagem recente do governo de que a incerteza sobre o resultado do referendo está prejudicando gastos e investimentos. Fonte: Dow Jones Newswires.

LONDRES — O ministro das Finanças britânico, George Osborne, disse neste domingo que os proprietários de imóveis enfrentarão um “golpe significativo” de preços mais baixos e custos elevados de hipoteca caso os eleitores decidam deixar a União Europeia no referendo de junho.

“Esta não é apenas uma grande questão sobre quem somos como um país. Ela atinge o coração da segurança financeira das pessoas”, disse Osborne em uma entrevista à televisão ITV.

“É muito claro que haverá um golpe significativo no valor das casas e no custo das hipotecas. Esse é um exemplo do tipo de impacto, o impacto econômico, que teremos com a saída da UE.”

Osborne e o primeiro-ministro David Cameron colocaram os riscos econômicos da saída da União Europeia — a chamada Brexit — no centro de sua campanha para manter a Grã-Bretanha na UE, antes do referendo de 23 de junho.

As pesquisas de opinião mostram que os eleitores acreditam que a permanência na UE será melhor para a economia da Grã-Bretanha, mas ainda estão divididos sobre a intenção de voto no próximo mês.

oglobo.globo.com | 08-05-2016

ATENAS - O Parlamento grego se pronuncia neste domingo sobre uma polêmica reforma das aposentadorias exigida pelos credores da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI), em meio a protestos convocados pelos sindicatos e na véspera de uma reunião do Eurogrupo sobre a Grécia. Quinze mil pessoas protestaram de forma pacífica em Atenas e Tessalônica — segunda cidade grega no norte do país —, 14.000 delas simpatizantes da Frente de Luta dos Trabalhadores (PAME), próxima ao partido comunista KKE, segundo a polícia.

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“Vamos acabar com o desastre do sistema de aposentadorias, o desastre social e econômico”, afirmava um cartaz.

A mobilização foi, no entanto, muito menor que a registrada na última grande manifestação contra esta reforma, no dia 4 de fevereiro, quando 50.000 pessoas participaram dos protestos.

O sindicato público Adedy convocou uma manifestação diante do Parlamento, na noite de domingo, horas antes da votação prevista sobre a reforma, considerada um "saque" pelos sindicatos.

O projeto de lei para reformar o sistema de aposentadorias e aumentar os impostos, exigido pelos credores do país - a UE e o FMI - em troca de um novo plano de resgate assinado em julho, está sendo debatido no Parlamento desde sábado e será submetido a votação na noite deste domingo.

O governo de esquerda de Alexis Tsipras, que dispõe de uma maioria parlamentar mínima, com 153 deputados de 300, espera que, ao organizar a votação no fim de semana, em plenas férias de Páscoa, a reforma seja aprovada antes da reunião do Eurogrupo de segunda-feira. Isso pode ajudar os 19 ministros das Finanças da zona do euro a concluírem a primeira avaliação da implementação do plano de resgate e iniciarem o espinhoso debate sobre a dívida grega.

A reforma das aposentadorias prevê cortes das aposentadorias mais elevadas, a fusão de várias caixas, o aumento das cotações e a instauração de uma aposentadoria nacional de 384 euros para os que tiverem trabalhado 20 anos.

Durante a greve de 48 horas, convocada pelos sindicatos, a quarta desde a chegada ao governo de Tsipras, em janeiro de 2015, nenhum transporte público funcionou no país na sexta-feira e no sábado.

“Cansada e decepcionada”

Apenas os deputados da coalizão governamental - do Syriza e do partido soberanista Anel - estão dispostos a votar a favor deste projeto. Os partidos da oposição, entre eles a formação conservadora Nova Democracia, indicaram que votariam contra o projeto de lei.

“As pessoas estão cansadas e decepcionadas com o governo de esquerda no poder (...), as manifestações não tiveram a repercussão que esperávamos”, lamentou à AFP Maria K., que participou do protesto deste domingo.

Para o governo, esta reforma forma parte do acordo entre Atenas e os credores do verão passado em contrapartida ao empréstimo concedido ao país.

“Fazemos o que combinamos com nossos sócios europeus”, explicou na noite de sábado no Parlamento o ministro das Finanças, Eucleide Tsakalotos.

A reforma das aposentadorias é indispensável para "garantir a viabilidade do sistema para a segurança social" e bloquear o déficit dos planos de aposentadorias, indicou por sua vez o ministro do Trabalho, Georges Katrougalos, impulsionador desta tarefa.

Para Panayiotis Petrakis, professor de Economia na universidade de Atenas, as mobilizações não ameaçam a aprovação da lei: "A reforma será adotada e conseguir este voto antes do Eurogrupo é uma boa decisão", disse à AFP.

“Mas a distância entre Atenas e os credores, que exigem medidas adicionais de € 3,6 bilhões, continua sendo importante", advertiu.

oglobo.globo.com | 08-05-2016

BRASÍLIA - O Brasil vem descobrindo uma maneira de exportar commodities agrícolas comuns com maior valor agregado. Há alguns anos, o país se consolidou como uma potência na exportação do agronegócio in natura, mas está em crescimento a exportação de alimentos processados, como pratos congelados industrializados, com custo final mais elevado, mas atraentes em termos de rentabilidade em reais para os exportadores. O tempero brasileiro em comidas prontas garante o aumento de ganhos e ainda permite ao empresário driblar as dificuldades causadas pela recessão no mercado doméstico.

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Um desses exemplos é a empresa mineira Maricota, que, nos últimos cinco anos, deixou de depender exclusivamente do mercado interno e passou a fornecer pão de queijo, lasanha, pizza e salgados em geral para Europa, EUA, América Latina e países árabes.

— Temos inclusive o selo Halal, para vendermos aos países muçulmanos. Estamos conquistando mercados importantes e consolidados — explicou Arnaldo Peçanha, proprietário da empresa.

Enrico Milani, da paranaense Vapza, conta que um dos segredos do sucesso é promover os produtos em feiras mundiais. Outra dica é a inovação:

— Nosso produto tem um conceito diferente. Já é cozido e embalado a vácuo. Além disso, trabalhamos com carnes e vegetais orgânicos.

Se as empresas pequenas estão aproveitando essa onda, as grandes e tradicionais exportadoras já nadam de braçada. As exportações totais da BRF, que consideram comidas prontas e itens in natura, cresceram consideravelmente no primeiro trimestre de 2016. No período, a companhia exportou mais de 330 mil toneladas de alimentos. No comparativo entre o primeiro trimestre de 2015 e igual período de 2016, as exportações para a Ásia atingiram 125 mil toneladas, avanço de 12,8% no período; as vendas para a Europa atingiram 57 mil toneladas, alta de 33,4%; as exportações para a América Latina totalizaram 12 mil toneladas, avanço de 56,9%; e as vendas para a África atingiram 37 mil toneladas, aumento de 6,4%.

“Os mercados mais representativos (da BRF no primeiro trimestre de 2016) foram: Europa, América Latina, Oriente Médio, África e Ásia”, informou a empresa.

‘MERCADO DA SAUDADE’

Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), a exportação de alimentos processados está em ligeira queda, mas os alimentos industrializados prontos para o varejo avançaram 17% no primeiro trimestre, em relação a 2015. Eles perdem só para a alta na exportação de vinhos e cachaças.

Os desafios, porém, são enormes. Maurício Manfré, supervisor de Projetos Setoriais da Apex-Brasil, destaca que a exportação de alimentos prontos muitas vezes esbarra em barreiras não tarifárias. O pão de queijo, por exemplo, não pode ir pronto para a Europa, onde não são aceitos lácteos estrangeiros. A solução é enviar a massa e adicionar o queijo lá.

Manfré explica que a exportação de alimentos tem um caminho de entrada pelo “mercado da saudade”, dos expatriados brasileiros que procuram aquilo que estavam acostumados a comer aqui. É por isso que, nos EUA, por exemplo, é cada vez mais fácil encontrar produtos como o cheese roll: nosso famoso pão de queijo.

Para o diretor do Departamento de Economia e Estatística da Associação Brasileira das Indústria de Alimentos (Abia), Denis Ribeiro, a comida pronta é uma tendência da sociedade moderna. Um dos segredos para exportar é adequar o produto à exigência do consumidor:

— Há exigências sanitárias, de embalagens e até culturais — completou.

oglobo.globo.com | 08-05-2016

RIO - A Grécia “praticamente alcançou” as metas das reformas exigidas por seus credores, e o Eurogrupo iniciará, na segunda-feira, “as primeiras negociações” sobre a dívida do país, informou o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

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“Nos encontramos atualmente na primeira revisão do programa (do plano de ajuda à Grécia) e as metas foram praticamente alcançadas”, afirmou Juncker em uma entrevista, que os jornais alemães do Funke Mediengruppe publicarão no domingo.

Os credores pediram a “revisão”, que serve para avaliar o avanço das reformas implementadas pela Grécia em troca de um empréstimo internacional acordado com o país em 2015, como condição prévia a qualquer discussão sobre a dívida grega.

O Eurogrupo, que reúne 19 ministros da Economia da zona do euro, pretende analisar a partir de segunda-feira em Bruxelas essa revisão das reformas gregas.

Durante esta reunião, os ministros “também terão as primeiras negociações sobre como transformar a dívida da Grécia em sustentável no longo prazo”, garantiu Juncker, ressaltando que uma redução pura e simples da dívida não está na ordem do dia.

oglobo.globo.com | 08-05-2016

RIO — O ministro grego das Finanças, Euclid Tsakalotos, convocou neste sábado seus colegas da zona do euro a aprovarem, na reunião de segunda-feira, as reformas realizadas por seu país, o que ajudaria a economia grega.

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“A Grécia precisa de uma declaração clara sobre as medidas que estão ocorrendo e sobre as que serão adotadas. Ajudaria a fazer os investidores confiarem novamente no país”, escreve Tsakalotos em uma carta enviada aos seus colegas da zona do euro e à qual a AFP teve acesso.

Segundo Tsakalotos, esta “declaração clara” do Eurogrupo tem que destacar que “a Grécia está no bom caminho”.

“Isso contribuiria para transformar o círculo vicioso das medidas de austeridade em um círculo virtuoso baseado no crescimento”, afirma.

Na reunião do Eurogrupo de segunda-feira, os 19 ministros das Finanças da zona do euro abordarão novamente a avaliação das reformas na Grécia, exigidas pela União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) após o empréstimo internacional concedido ao país no verão de 2015.

Depois de meses de discussões, estas reformas não conseguiram a aprovação dos credores, particularmente por culpa das divergências entre a UE e o FMI.

oglobo.globo.com | 07-05-2016

No próximo dia 23 de junho, os britânicos decidirão se o Reino Unido permanecerá ou não na União Europeia (UE). Segundo as últimas pesquisas, o eleitorado está indeciso, o que se reflete também na divisão dentro do Partido Conservador, do premier David Cameron. Com o argumento de que o país é prejudicado na aliança com os vizinhos europeus, os defensores da Brexit — como a saída do bloco está sendo chamada, em inglês — veem a ligação com os países do continente como um peso. A partir dessas premissas construíram um discurso que tem sido sistematicamente refutado não só por Cameron e aliados, mas igualmente por instituições como o FMI, o Banco da Inglaterra (o banco central britânico) e a OCDE.

Em artigo recente, Martin Wolf, analista econômico do “Financial Times”, lembra que a adesão do Reino Unido à UE aumentou o comércio com os parceiros europeus em 55%, com as consequentes elevações de produtividade e produção. Se decidir sair, o país perderá o acesso privilegiado aos mercados do bloco, bem como de participar nas tomadas de decisões da UE. Wolf lembrou ainda que os britânicos têm inúmeras salvaguardas e regimes de exceção, que permitem que o país se beneficie das vantagens do bloco.

Os mercados financeiros, por sua vez, já buscam antecipar os possíveis efeitos de uma saída do Reino Unido da UE. Bancos estão recomendando cautela aos investidores, o que tem afetado sobretudo os títulos de países do Leste, entre eles, Polônia, Hungria e Croácia. Estas nações, segundo os analistas, sofreriam mais, porque o Brexit afetaria os financiamentos da UE, aos quais os países mais pobres do bloco recorrem para investimentos em infraestrutura. Os bancos pesam, ainda, no impacto no câmbio e em ações e títulos dos países europeus, bem como os efeitos no comércio, na produção industrial, e no mercado de trabalho.

Oito economistas pró-Brexit divulgaram documento, acusando o governo britânico de provocar o pânico em sua propaganda pela permanência dos britânicos no bloco. Mas os alertas sobre os riscos de uma saída do bloco vêm de todos os lados. Até mesmo o presidente americano, Barack Obama, em visita recente a Londres, alertou para o retrocesso que a saída do Reino Unido do bloco representaria no projeto de integração europeia. E Obama tem razão. Não interessa ao Ocidente a desintegração do bloco europeu, importante parceiro dos EUA, não só economicamente, mas também em termos geopolíticos, num mundo repleto de desafios.

oglobo.globo.com | 07-05-2016

Transcorria outubro de 2011, outono na Europa, quando uma triunfante presidente Dilma, ao visitar a sede do Conselho Europeu, em Bruxelas, aconselhou o continente a buscar o crescimento e, assim, deixar de lado as receitas de ajuste fiscal, seguidas pelo bloco para superar aquele momento de sério desequilíbrio nas contas públicas e recessão, na esteira da crise mundial deflagrada a partir do estouro da bolha imobiliária americana, em fins de 2008.

O cacife da presidente para ditar regras com empáfia era a boa fase econômica do Brasil. No ano anterior, o país crescera ambicionados 7% e se firmara de vez nessas listas que bancos globais costumam fazer de estrelas em ascensão na economia mundial. Havia quem já considerasse o Brasil candidato a entrar no bloco dos países desenvolvidos num prazo não muito extenso, para regozijo do lulopetismo.

Dilma aconselhou a Europa a seguir a receita de irresponsabilidade fiscal que ela mesma, como ministra-chefe do Gabinete Civil, levara Lula a adotar — sem muito esforço, certamente — já no segundo mandato dele.

Anabolizada, a economia brasileira elegera Dilma naquele 2010. Ela iria fundo na aplicação da fórmula, levaria o Brasil a esta recessão histórica e ao enfrentamento de sérios problemas fiscais, já esboçados no final do seu primeiro mandato, porém escamoteados por maquiagens contábeis, razão do processo de impeachment que deve afastá-la do Planalto dentro de alguns dias.

A Europa, por óbvio, não seguiu o conselho de Dilma, e por isso países-membros da UE têm conseguido se estabilizar. Surgem indicadores positivos, mesmo que ainda faltem instituições no continente de uma Federação de fato do ponto de vista fiscal, e isso torna o soerguimento na zona do euro mais difícil. Nada, porém, comparável à enrascada em que a heterodoxia lulopetista enfiou o Brasil.

A União Europeia informou que a zona do euro, com 19 países, cresceu 0,6% no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período de 2015 (0,5% nos 28 da UE). Com isso, o PIB do bloco do euro, de € 2,4 trilhões, voltou, enfim, ao mesmo nível de início de 2008, pouco antes de explodir a crise mundial. Em bases anualizadas, a zona do euro cresceu 2,2% — enquanto o PIB brasileiro cai a uma velocidade anual de 3,5%/4%, ou na faixa de 8% em dois anos, uma catástrofe.

Há pontos de interrogação em torno da recuperação europeia. Continuam a existir riscos de deflação — em abril, os preços ao consumidor, em euro, caíram 0,2%. E persistem as críticas ao conservadorismo fiscal alemão.

A comparação, porém, entre a testada ortodoxia europeia no combate à recessão e a criatividade desenvolvimentista brasileira do “marco macroeconômico” mostra o alto preço que se paga quando se tenta administrar a economia com invencionices salvacionistas.

oglobo.globo.com | 05-05-2016
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www.viaeptv.com | 03-05-2016

A multiplicidade de nações adjacentes fez da Economia da Europa uma das mais complexas do planeta. Durante séculos a Europa foi o centro econômico do planeta. Entre as causas, podemos citar como a principal sua condição geográfica. A localização entre a África e a Ásia, fez da região europeia um ponto de passagem obrigatório, e facilitou de forma substancial a absorção e irradiação dos conhecimentos, tecnologia e comércio de ambos continentes. Esta condição perdurou até ao século XX. No século XX, a Europa viu seu predomínio declinar em relação aos Estados Unidos, o Japão e, na fase final, a China. A Primeira e Segunda guerra mundial, travadas em seu território, a carência de energia, de petróleo, além de uma intensa rivalidade entre seus povos, representaram para o continente a perda de sua liderança econômica. A Europa não tem auto-suficiência na produção de energia, exigindo a importação de muito petróleo. Este produto só é extraído em quantidades consideráveis na Rússia e no Mar do Norte. O gás natural, outro produto bastante usado na geração e produção de energia é muito abundante na Rússia, Romênia, Países Baixos e no Reino Unido. Outro recurso energético que teve grande importância nas fases iniciais da revolução industrial foi o carvão mineral, muito abundante, sobretudo na Alemanha, Polônia, Rússia, Reino Unido. Todas estas fontes energéticas são extremamente poluidoras e causam grandes impactos ambientais em todo o planeta. No caso da energia limpa, ou seja, não poluidora, podem ser citadas a energia hidráulica, energia eólica, e energia solar, de baixa produção e utilização da Europa, devido às suas condições geográficas. A produção de energia nuclear na Europa é muito importante, e, a exemplo dos Estados Unidos, gera imensas quantidades de lixo atômico, cujo fim, desde o início de sua utilização, é muito nebuloso e nunca divulgado na mídia mundial.


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