Français | English | Español | Português

Europa Economia

German Chancellor Angela Merkel (3rdR) welcomes international Nobel Laureates before the opening ceremony of the 5th Lindau Nobel Laureate Meetings on Economic Sciences, in Lindau at lake Bodensee August 20, 2014. REUTERS/Michaela Rehle (GERMANY - Tags: POLITICS) - MICHAELA REHLE / REUTERS

BERLIM — Desde a queda do muro de Berlim, há quase 25 anos, o perigo de uma guerra na Europa nunca foi tão grande quanto atualmente. A conclusão é de 17 prêmios Nobel de economia, que estiveram reunidos esta semana em Lindau, no sul da Alemanha, para o seu encontro anual, mas também de Volker Rühe, ex-ministro da defesa da Alemanha Em uma pesquisa de opinião feita pelo jornal “Die Welt”, os gênios da economia afirmaram que já existe uma nova Guerra Fria, o que poderia contribuir para a decadência da Europa também do ponto de vista econômico.

No tradicional encontro de Lindau, iniciado em 1951 como uma iniciativa europeia de reconciliação do continente dividido pela Segunda Guerra Mundial, os 17 economistas apontaram sobretudo o conflito entre a Rússia e a Ucrânia como um dos mais graves no sentido de ter a “capacidade de modificar duradouramente a Europa”, como registrou Edward Prescott, americano de Minneapolis que foi premiado em 2004, juntamente com o seu colega Finn Kydland, pelo seu trabalho sobre macroeconomia.

Segundo ele, acionismo, como a anexação da Crimeia pela Rússia, e toda a tendência expansionista do presidente Vladimir Putin, que representaria de novo, como a liderança soviética durante a guerra fria, também um modelo econômico diferente do que tem o bloco ocidental. O mundo estaria de novo dividido entre dois blocos, sendo que com os graves conflitos existentes no resto do mundo tornariam a situação ainda mais complexa e explosiva.

Por outro lado, os economistas veem o efeito da crise geopolítica no leste da Ucrânia como perigo de agravamento da crise econômica ainda existente no continente europeu. Depois de criticar a política do euro da Alemanha e do Banco Central Europeu – que faz os consumidores europeus ainda mais inseguros em momentos de crises políticas, os economistas concluíram:

— O perigo de uma agressão aberta da Rússia no leste da Ucrânia pode ter efeitos sombrios para a economia do continente, os investimentos seriam retirados e o resultado pode ser visto na crise de crescimento.

O diagnóstico dos economistas acontece pouco depois de o ex-ministro da defesa da Alemanha, Volker Rühe, que fez parte da cúpula da União Democrata Cristã (CDU), o partido da chanceler Angela Merkel, advertir com veemência para o perigo de uma nova guerra na Europa desencadeada pela crise da Ucrânia.

— Há o perigo de uma guerra por equívoco — afirmou Rühe, lembrando a aproximação perigosa recente de um avião de combate russo com um navio de guerra americano, no Mar Negro, marcada pelo clima de nervosismo quase explosivo, e a situação extremamente instável na região.

Se os economistas apontam a Rússia como o grande responsável pela crise atual e possível “nova guerra fria”, Rühe preferiu criticar os dois lados.

— Também o ocidente falhou pela falta de diálogo e de consideração para com as “sensibilidades russas” — disse, referindo-se à tentativa da União Europeia de abrir espaço para a Ucrânia no bloco, sem procurar incluir a Rússia no dialogo entre os dois.

Segundo Rühe, que é especialista de politica do leste europeu da CDU, durante a guerra fria o perigo parecia maior mas era na verdade atenuado pelo dialogo constante entre os envolvidos, Estados Unidos e União Soviética.

— Esse diálogo não existe mais hoje — criticou.

Para Joseph Stiglitz, a estrela dos economistas premiados, a Europa está hoje cheia de riscos. Além do perigo de uma reedição da guerra fria, o continente estaria ameaçado de depressão, o que poder terminar agravando a situação política.

— Há o perigo de uma grande depressão na Europa, como a que aconteceu no Japão.

Esse risco seria ainda maior para o continente do do que o guerra fria. Para o professor da Universidade de Colômbia, premiado em 2001, é a política de austeridade fiscal da Alemanha na zona do euro que faz com que a situação não melhore

— A zona do euro sofre de uma política fatal — disse o economista, lembrando que a crise de 2008, que não foi superada, somada à queda radical dos juros fazem com que a Europa esteja a um passo da depressão.

Já a chanceler Angela Merkel, que abriu oficialmente o encontro, na última quarta, reagiu às alfinetadas que tinha recebido nas conversas preliminares dos premiados, apontando as teorias “fora da realidade” dos gênios da economia, como um dos fatores causadores da crise econômica mundial.

A crise, que começou nos Estados Unidos, em 2008, espalhou-se pelo mundo inteiro, é ainda hoje motivo de dores de cabeça para os europeus, sobretudo os da zona do euro, os mais afetados pela crise.

oglobo.globo.com | 27-08-2014

SÃO PAULO — O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse na noite desta segunda-feira a uma plateia de empresários em São Paulo, que é inadequado afirmar que o Brasil passa por uma crise na economia e que está em processo de estagnação ou recessão. Ele defendeu a política monetária do governo e, sem dar números, afirmou que espera um "crescimento moderado da economia este ano", já que o segundo semestre será melhor que o primeiro.

As declarações foram dadas durante o prêmio Valor 1000, entregue às 26 empresas que mais se destacaram em seus segmentos de atuação. Participaram da entrega dos prêmios o vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, e Marcello Moraes, diretor geral da Infoglobo. Segundo o ministro, o país iniciou 2014 com vários problemas para equacionar, entre eles as consequências da seca e a pressão inflacionária, mas sobretudo a falta de mercado externo e interno, pela crise e pela falta de crédito para o consumo por aqui. Ele lembrou que mesmo um evento positivo como a Copa diminuiu o número de dias úteis para a produção e prejudicou também o consumo.

— A política monetária foi um sucesso como instrumento para combater a pressão inflacionária, mas resultou na queda vertiginosa do crédito às empresas e aos consumidores. Com a inflação em queda livre e o IPCA tendo chegado praticamente a zero em julho, iniciou-se a descompressão da política monetária, com a redução dos compulsórios, e já detectamos a recuperação do ritmo de atividade — afirmou Mantega.

O ministro citou números positivos para justificar seu otimismo. Mantega disse que o Brasil tem taxa de desemprego abaixo de 5%, que o PIB cresceu a um média de 3,1% entre 2008 e 2013 e que é o quinto país que mais recebeu investimentos estrangeiros diretos, com média anual superior a US$ 60 bilhões, desde 2011. Mantega destacou que o Brasil também foi o quarto país que mais ampliou seu colchão de reservas internacionais nos últimos anos, o que dá a segurança para enfrentar turbulências cambiais e apostas contra nossa estabilidade.

— Esse sucesso é resultado de uma política anticíclica, corajosa e responsável. Nossa estratégia foi amortecer os efeitos da crise externa sobre a população e a produção, evitando desemprego e deterioração da indústria. Por isso, apostamos na queda dos juros, na redução de tributos e mantivemos o câmbio flutuante, impedindo o excesso de valorização do real — afirmou Mantega.

Mantega disse que ao resistir a uma valorização do real, o governo evitou uma euforia consumista de curto prazo. Mas o ministro observou que nem todos concordam com a política anticíclica adotada pelo governo. Segundo ele, os críticos teriam preferido colocar os juros na alturas, deixar o câmbio se valorizar e talvez até elevar impostos.

—- São os mesmos que preferem a recessão para reduzir o emprego e baixar os salários. São os mesmos que acreditam que a política econômica de um país complexo como o Brasil se resume a câmbio flutuante, a regime de metas de inflação e a superávit primário elevado. Ninguém cumpriu o tripé macroeconômico mais do que o nosso governo. Temos cumprido à risca as metas de inflação, pois não ultrapassamos o limite superior nos últimos dez anos. O câmbio é flutuante, com algumas intervenções. E nosso superávit primário está entre os maiores do G-20 (grupo das 20 maiores economias do mundo) nos últimos anos - defendeu Mantega.

Mantega afirmou que alguns preferem a agenda europeia de enfrentamento da crise, com excessiva austeridade que promoveu longa recessão, com persistente desemprego. O ministro resumiu que as ações do governo construíram uma economia mais resistente, com menos ônus para a população e preparada para iniciar mais um ciclo econômico de crescimento.

Ele disse que entre os grandes desafios do país está estabelecer um ambiente mais competitivo para as empresas. Também citou os déficits de infraestrutura e na área educacional, produzidos nos últimos 50 anos. Mantega afirmou que um amplo programa de investimentos já está combatendo esses dois problemas.

— Por isso, que crise é essa com pleno emprego, com valorização da Bolsa há mais de seis meses, e com estabilidade cambial? Que crise é essa com elevado volume de investimento estrangeiro direto no país? Certamente há problemas conjunturais em alguns segmentos produtivos e dois grandes desafios: melhorar a infraestrutura, os serviços de transporte aéreo, terrestre a aquaviário, e a escolaridade dos brasileiros. Cabe ainda dar continuidade ao programa de concessões iniciado em 2012, além de estender o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Minha Casa Minha Vida. Tenho convicção que o Brasil vai superar as dificuldades e entrar num novo ciclo de crescimento sustentável — concluiu.

oglobo.globo.com | 26-08-2014
O governo da República teve de financiar a aventura da guerra através da emissão monetária e de dívida. O aumento da circulação monetária traduziu-se em níveis de inflação dos mais elevados da Europa, numa forte desvalorização cambial, e no agravamento do desequilíbrio externo do país. Paradoxalmente, o período a seguir ao fim da primeira Guerra Mundial, que ocorreu num contexto de proteccionismo generalizado, foi palco de uma transformação de certo modo excepcional da economia portuguesa.
www.publico.pt | 26-08-2014

SÃO PAULO — Com discurso antagônico ao já conhecido otimismo do ministro da Fazenda, Guido Mantega, o ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio, Mauro Borges, afirmou nesta segunda-feira que a economia brasileira só voltará a crescer depois de superar suas fragilidades. Segundo ele, o País sofre com “a fragilidade conjuntural e a fragilidade estrutural” que “afetam diretamente os setores produtivos”.

— Não daremos conta de crescer na próxima década se não enfrentarmos esses problemas — declarou, durante almoço com empresários, em São Paulo.

Embora reconheça que, “o fundo do poço da desaceleração já ocorreu” e que´há “vários sinais de melhora”, ele disse não ver possibilidade de a indústria fechar esse ano com sinais de retomada firme da atividade.

— Estamos em um processo de recuperação bem lento. Acredito em recuperação apenas em 2015 — afirmou.

Borges detalhou que o principal desafio conjuntural a ser enfrentado é a apreciação do câmbio, que, em suas palavras, foi “exagerada” e ocorreu como “efeito colateral” das políticas anticíclicas adotadas pelo governo federal após a crise de 2008. Já em relação à questão estrutural, ele disse que o problema é a baixa produtividade brasileira.

O ministro afirmou ainda que o Brasil deve enfrentar “dois profundos déficits”: o da infraestrutura e o do capital humano. De acordo com ele, nenhum governo é capaz de corrigir sozinho esses gargalos.

— A questão da produtividade é uma doença que perdura há 30 anos no Brasil e que emperra o crescimento — afirmou, para completar: — Então, se equacionarmos esses dois problemas (conjunturais e estruturais) conseguiremos acompanhar o novo ciclo de crescimento mundial.

Para ele, a superação destas questões, que ele disse que serão os “vetores do crescimento”, induzirá naturalmente a retomada do consumo.

Diante do cenário mais pessimista pintado pelo ministro e perguntado sobre se vê o país em crise, porém, o ministro descartou veementemente a possibilidade.

ABERTURA DE MERCADO

A necessidade de abrir mais o mercado nacional, bem como fazer acordos multilaterais, também foi defendida por Borges. Ele aproveitou para reforçar que a proposta brasileira de um acordo comercial com a União Europeia já está pronto. Segundo ele, a partir de novembro, novidades a respeito desse tema devem surgir.

— Nós temos um momento de transição na Comissão Econômica da Europa. Então, evidentemente, que quem vai liderar esse processo de consulta, que já está em transição, é essa nova Comissão. Vamos ter isso definido até novembro, aí, a partir de novembro temos condições de equacionar essa consulta com os estados europeus.

oglobo.globo.com | 25-08-2014
Em entrevista, Christine Lagarde afirmou que a maior economia europeia tem "margem de manobra" para ajudar.
www.publico.pt | 25-08-2014

SÃO PAULO E RIO - Seis anos após a crise de 2008, cruzar fronteiras se tornou uma tarefa mais árdua para imigrantes pobres. Os ricos, porém, são bem-vindos. Pressionados pela necessidade de capital para estimular suas economias, países em dificuldade passaram a “vender” a estrangeiros autorizações de residência em seu território e, em alguns casos, a própria cidadania. No mapa da Europa, multiplicam-se as modalidades de vistos especiais para investidores em países como Portugal, Espanha, Irlanda, Grécia, Malta, entre outros. Nos Estados Unidos, um programa criado na década de 1990, sem maior alarde, registra aumento significativo no número de interessados, principalmente chineses.

O polêmico mercado — que, na avaliação de críticos, transforma a cidadania em um bem comercializável — começa, aos poucos, a atrair a atenção de brasileiros endinheirados, em busca de vida nova no exterior ou dos benefícios de um passaporte europeu ou americano.

Em Portugal, 39 brasileiros já receberam autorização especial de residência, com investimentos de € 37 milhões, a maioria deles no mercado imobiliário. O Brasil é a terceira nacionalidade em número de autorizações, atrás de China e Rússia, e a segunda em capital transferido, segundo dados do Consulado Geral de Portugal em São Paulo.

Com o programa criado em outubro de 2012, Portugal já recebeu € 842 milhões em investimentos. Para obter a autorização, é necessário comprar um imóvel de ao menos € 500 mil (R$ 1,5 milhão, equivalente ao preço médio de um apartamento de três quartos em Botafogo, Zona Sul do Rio) ou investir € 1 milhão (R$ 3 milhões) no mercado financeiro ou abrir um negócio que gere a contratação de ao menos dez funcionários. Após cinco anos, é possível solicitar uma autorização permanente de residência e, a partir do sexto ano, a cidadania. Não é preciso nem mesmo morar de fato no país. No primeiro ano de residência, basta comprovar estadia de sete dias. O benefício pode ser estendido ao marido ou esposa e aos filhos, em determinadas condições, após o pagamento de uma taxa.

Portugal: após 6 anos, cidadão europeu

Segundo Pedro Osório Cordeiro, gerente da imobiliária portuguesa House & Home, a maioria dos mais de 1.100 chineses que receberam autorização de residência comprou imóveis e, em seguida, os colocou para alugar. Já os brasileiros escolhem propriedades no Centro de Lisboa ou em condomínios de Cascais para usar como segunda casa ou para férias. É o caso de um cliente paulista que pediu para não ser identificado. Desiludido com o Brasil, comprou um imóvel de 200 metros quadrados em Cascais. A meta é deixar de lado a preocupação com segurança — no Brasil, ele circula em carro blindado — e dividir o tempo entre São Paulo e Lisboa. Um dos pontos decisivos para escolher o investimento foi o passaporte europeu. Com o programa, é possível circular munido só de um cartão de identificação no chamado espaço Schengen, que abrange 25 países europeus.

— Muitos desses esquemas exigem que ao menos parte do investimento seja feito em imóveis. Isso representa uma tentativa de reanimar mercados imobiliários fortemente atingidos pela crise. Em outros países, como Chipre, o investimento pode incluir depósitos num banco local. Essas instituições estiveram perto de quebrar há pouco tempo. Para mim, esses esquemas podem ser vistos como uma pequena parte, embora de valor simbólico significativo, de uma tentativa mais ampla de reanimar um modelo econômico que sob muitos aspectos fracassou — afirma Owen Parker, professor do Departamento de Política da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, que prepara um livro sobre os programas de visto para investidores.

Mas mesmo com um benefício à economia local, a proliferação desse tipo de programa na Europa não é isenta de polêmica. Em Malta, a cidadania era concedida logo após a realização do investimento. Após críticas da vice-presidente da Comissão Europeia, Viviane Reding, que fez um discurso intitulado “A cidadania não pode ser posta à venda” no Parlamento Europeu, em janeiro, a legislação foi alterada e, agora, determina que o interessado precisa mostrar vínculos com o país. É preciso esperar um ano antes de pedir cidadania, embora não seja necessário morar no país durante os 365 dias.

Jelena Dzankic, pesquisadora do Instituto Universitário Europeu, na Itália, ressalta que as regras de cada país para conceder vistos a investidores refletem a extensão dos danos causados pela crise em cada economia. Embora cada membro da União Europeia tenha o direito de determinar suas regras de cidadania, a distribuição de vistos sem exigências de integração com a comunidade, como o aprendizado do idioma local ou um prazo mínimo de moradia, mais comum em países periféricos, muda as regras do jogo.

— Os passaportes desses países se tornaram mais valiosos em virtude de sua associação com a cidadania europeia. Já a cidadania, que significa mais do que um passaporte, foi desvalorizada — diz Jelena.

Nos EUA, o programa de vistos E-B5 abre um caminho para quem quer obter a autorização permanente para morar e trabalhar, mais conhecido como Green Card, ou até mesmo a cidadania americana. É necessária uma aplicação mínima de US$ 500 mil (R$ 1,12 milhão) na abertura de um negócio ou num empreendimento em curso em áreas de taxa elevada de desemprego, que resultem na criação de ao menos dez postos de trabalho. Segundo dados do Departamento de Serviços de Imigração e Cidadania dos EUA, desde 2009, 97 brasileiros obtiveram o visto. Os investidores têm direito a um visto de moradia e trabalho, por dois anos, e que após esse prazo pode ser transformado em autorização permanente. Em cinco anos, já é possível dar entrada ao pedido de cidadania.

Segundo Renata Castro, consultora da Exclusive Visas, que dá suporte a investidores que buscam um segundo passaporte, nos últimos anos mudou o perfil dos interessados brasileiros:

— De três anos para cá, aumentou a procura de pessoas de classe média alta. Na maior parte dos casos, vítima ou com medo de sofrer violência — afirmou, lembrando que antes a demanda estava restrita a milionários.

Muitos já chegam ao país planejando oportunidades de trabalho. Foi o caso da pedagoga Katia Franhani. Ela e o marido decidiram, no ano passado, conquistar o E-B5. Venderam o apartamento em Perdizes, Zona Oeste da capital paulista, e usaram todas as economias para investir no sonho americano, que inclui, além do Green Card, uma casa num condomínio em Winter Garden, cidade ao lado de Orlando. É lá que o casal espera que os filhos de 7 e 14 anos tenham acesso a uma melhor educação. Na empreitada, ela também convenceu os pais a realizarem o mesmo investimento — a ampliação de um hospital no estado do Alabama.

— Não vamos ter que lidar tão cotidianamente com a falta de segurança que sentíamos em São Paulo — disse a pedagoga, que planeja abrir um negócio na área de saúde ou educação para atender os brasileiros que vivem na região.

Quem já esteve em situação parecida foi o empresário Flávio Augusto da Silva, ex-dono da Wise Up e que, entre 2009 e 2012, morou nos EUA com a mulher e optou pelo visto EB-5. Na época, o investimento foi feito em uma estação de esqui no estado de Vermont:

— Queria ir para os EUA com visto de residência, mas num primeiro momento fui só para morar. Só depois comecei a abrir unidades da Wise Up por lá.

Brasileiros miram educação dos filhos

De investidor em um EB-5, Silva pode ficar em breve na outra ponta. No ano passado, após vender a escola de inglês para a Abril Educação, comprou um time de futebol, o Orlando City — equipe que é dona do passe do jogador brasileiro Kaká. O desafio é construir um estádio de 25 mil lugares para o time, obra avaliada em US$ 110 milhões. Parte será bancada pelo governo da Flórida e outra, por investidores privados (sendo ele mesmo um deles). Silva não descarta que parte dos recursos venha de investidores em busca do EB-5.

Roger Bernstein, advogado americano especializado em imigração, diz que os chineses dominam os pedidos por visto de permanência nos Estados Unidos. Foram mais de 6 mil emissões para chineses de um total de 8.543 vistos desse tipo concedidos no ano passado. Entre os brasileiros, um dos pontos de destaque é o interesse em colocar os filhos em universidades americanas. Como residentes permanentes, o valor das mensalidades cai:

— O Brasil está entre os três países do continente que mais solicitam esse tipo de visto, atrás de México e Venezuela.

O vice-presidente da Westchester Financial Group, Octavio Cardoso, afirma que um projeto deste tipo requer folga no orçamento, já que o dinheiro investido terá baixo rendimento, não pode ser sacado antes do prazo e há o risco de não recuperar todo o montante investido:

— Recomendamos que a família tenha ao menos US$ 2 milhões de patrimônio.

Outro empecilho é o lado fiscal. Segundo ele, muitos desistem quando descobrem que a incidência de impostos pode ser grande. Isso acontece quando a pessoa opta por deixar parte do patrimônio ou renda no Brasil e outra parcela nos Estados Unidos. Quando isso ocorre, há risco de bitributação, já que o governo americano não aceita fazer compensação de certas taxas.

oglobo.globo.com | 24-08-2014
Vários analistas afirmam que a economia russa está “à beira do caos”, mas há quem seja mais prudente, até porque o objectivo das medidas decretadas pelos Estados Unidos e pela União Europeia não é esse.
www.publico.pt | 24-08-2014

WASHINGTON - A reunião dos banqueiros centrais realizada nesta sexta-feira em Jackson Hole, no estado americano de Wyoming, não está exatamente sendo caracterizada pelo consenso. Muitos deles caminham em direções opostas em suas políticas monetárias para lidar com os efeitos da crise global.

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) começa a se preparar para cortar seu apoio econômico. Na contramão, o Banco Central Europeu (BCE) vem considerando adotar mais estímulos. No mesmo caminho segue o Banco do Japão. Já o Banco da Inglaterra parece seguir em direção ao aumento das taxas de juros.

E não são apenas os bancos centrais das grandes economias que parecem seguir em direções distintas.

Janet Yellen, presidente do Fed, conversa com seu colega do BCE, Mario Draghi, na conferência econômica de Jackson Hole - Bradly J. Boner / Bloomberg

Este ano, os bancos centrais de México, Suécia e Coreia do Sul, entre outros, cortaram suas taxas de juros. Outros — como Rússia e África do Sul, por exemplo — subiram.

Um longo caminho foi percorrido desde 2008, quando as principais instituições monetárias fizeram esforços coordenados, após o estouro da crise financeira global. À medida que os governos reduziam suas taxas de juros e injetaram dinheiro para estimular a economia, os bancos centrais reduziram juros para destrancar o crédito e evitar uma depressão similar à de 1930.

As estratégias atuais dessas instituições não estão livres de riscos. Considere-se, por exemplo, o que aconteceu nos mercados emergentes depois que as autoridades do Fed sinalizaram que iriam começar em breve a reduzir o ritmo de compras mensais de bônus. Essas compras visavam a manter as taxas de empréstimos a longo prazo dos Estados Unidos para encorajar o financiamento e fomentar o crescimento.

POLÍTICAS DISTINTAS

Com o prospecto de ganhos maiores dos bônus americanos, alguns mercados emergentes mergulharam em parafuso. Os investidores tiraram suas aplicações desses países, temendo que o valor de seus investimentos despencaria com a fuga de capital para os Estados Unidos.

Algumas nações em desenvolvimento responderam elevando suas próprias taxas de juros e fortalecendo suas moedas. O tumulto foi temporário, mas ele mostrou o que poderá acontecer depois que o Fed encerrar as compras de bônus e eventualmente elevar a taxa básica de juros — algo que o banco central americano afirma que vai demorar “um tempo considerável”, depois do fim das compras de bônus.

Muitos economistas afirmam que os bancos centrais não têm opção, exceto buscar estratégias divergentes sobre taxas de juros agora por causa das variadas taxas de crescimento de suas economias.

— Isso apenas reflete os estágios da recuperação econômica em diferentes partes do mundo — disse Stuart Hoffman, economista-chefe do PNC Financial Services Group. — A recuperação dos Estados Unidos está bem mais adiantada do que aquelas de Europa e Japão.

Sung Won Sohn, professor de Economia na Califórnia State University, Channel Islands, observou que os Estados Unidos agiram mais rapidamente do que outros para estimular o crescimento com uma agressiva política de baixos juros. Os reguladores americanos também têm sido mais incisivo nos requerimentos sobre os bancos americanos para aumentar capital e lidar com maus empréstimos. Essas ações contribuíram para fortalecer o crescimento americano, disse ele.

Os prospectos de um crescimento mais saudável e a probabilidade de uma taxa de juros mais alta poderá tornar os Estados Unidos crescentemente mais atraente para os investidores. Sohn e Hoffman pensam que o dólar americano vai se valorizar, sobretudo contra o iene do Japão e a moeda comum europeia, o euro, à medida que os investidores migrarem para os títulos americanos.

oglobo.globo.com | 22-08-2014
O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, disse estar confiante de que os estímulos anunciados em junho, aliados ao euro mais enfraquecido, vão estimular a demanda na economia da zona do euro. No entanto, ressaltou nesta sexta-feira (22) que a autoridade monetária europeia está pronta para fazer mais. Falando na conferência anual de bancos centrais em Jackson Hole, nos Estados Unidos, Draghi disse que indicadores econômicos recentes confirmaram que a recuperação do bloco monetário continua "uniformemente fraca" e prometeu manter a política expansionista por um longo período. O BCE cortou os juros às mínimas históricas em junho e lançou uma série de medidas para injetar dinheiro na enfraquecida economia da zona do euro. Leia mais (08/22/2014 - 18h15)
redir.folha.com.br | 22-08-2014
A maior economia da Europa diminuiu inesperadamente no segundo trimestre. Governo procura formas de combater a crise no investimento.
www.publico.pt | 20-08-2014
Ann Lee: ‘O caminho do Brasil é fazer pesquisa junto com a China’ - Divulgação

RIO - Professora da Universidade de Nova York diz que Brasil deve aproveitar transição verde na economia chinesa. Americana nascida na China, a economista Ann Lee dará palestra nesta quarta-feira, no Ibmec do Rio, sobre os desafios que a ascensão chinesa impõe ao mundo.

O que o Brasil pode aprender com a China?

A China tem uma abordagem bastante aberta e experimental à implementação de políticas públicas. Em vez de basear suas escolhas em ideologia, seu método é científico. Eles dizem: “OK, não sabemos se isso vai funcionar, mas vamos tentar em algumas cidades ou províncias”. Depois, um grupo independente de especialistas avalia se aquilo dá certo, como no caso das Zonas Econômicas Especiais. Nos EUA e em outras democracias, as ideias são discutidas mas não são testadas. Além disso, o país tem sido muito sistemático no envio de membros do governo e estudantes ao exterior para experimentar outras culturas e ver como outros países fazem as coisas.

O Brics (que reúne Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul) fundou um banco de desenvolvimento, mas muita gente ainda duvida do seu potencial.

É claro que ainda há muitas diferenças entre o Brics, e histórico de tensões, como entre a China e a Índia. E o Brasil, com exceção do comércio, não se internacionalizou em outras áreas. Essas grandes diferenças podem criar problemas no financiamento de projetos.

Como os EUA viram a criação do banco?

Eles nunca acharam que iria sair do papel, porque os EUA subestimaram a China desde o começo. Eu não descarto a possibilidade de os EUA tentarem atrapalhar a iniciativa. Os americanos têm um histórico nisso, como quando, nos anos 1960, estimulou a Índia a causar problemas à China no Tibete. Os EUA tentarão de tudo para impedir qualquer grupo ou país que tente desafiar sua superioridade militar.

Há uma campanha americana contra a China?

Sim, porque os EUA estão bastante preocupados com a ascensão chinesa. Desde a Segunda Guerra, os americanos são a potência incontestável. E agora, pela primeira vez, há a possibilidade de a China ultrapassá-los na economia daqui a menos de uma geração. Isso perturba especialmente porque os EUA passam por um momento de disfunção política, desindustrialização, imobilidade social e deterioração do padrão de vida.

Uma nova Guerra Fria poderia eclodir?

De certa forma, já estamos nela. O conflito dessa vez é entre Ocidente e Oriente, que inclui muçulmanos, chineses e russos. Mesmo que a China seja muito diferente da União Soviética em termos militares, o modelo de abordagem americana é o mesmo, porque já funcionou.

A China também não teria interesse nessa tensão?

Não, tem zero interesse, porque a China sabe que é completamente vulnerável aos EUA, pois está pelo menos 25 anos atrás em poderio militar. Hoje, seriam completamente destruídos. Os chineses sabem que só poderão continuar crescendo se houver paz no mundo.

É perigoso para o Brasil depender tanto do PIB chinês?

É preciso ter em mente que a China passa por uma transição. O país cresceu rápido com um modelo de exportação, baseado em mão de obra barata, mas isso não funciona mais porque EUA e Europa não estão crescendo e a população está envelhecendo rapidamente. Então, a China precisa depender mais de sua demanda interna. Por isso os veremos importando cada vez mais nas próximas décadas, e isso será uma grande oportunidade para países como o Brasil.

Como o Brasil pode se beneficiar?

As commodities brasileiras continuarão importantes, só que a China reciclará mais. Eles entenderam que o crescimento até aqui não foi sustentável, e o governo passou a direcionar investimentos para energia limpa. Eles já investem mais em energia eólica do que todos os outros países juntos. Uma grande oportunidade para empreendedores são os parques eco-industriais, que terão projetos-piloto em lugares como Beijing e Hubei. E o Brasil tem expertise nessa área.

O Brasil deveria então investir na exportação de produtos tecnológicos ligados à economia verde?

O caminho para o Brasil é realizar pesquisa científica em conjunto com a China nessas áreas. Essa é uma das pontes possíveis para sair do modelo de exportação de commodities para um maior patamar tecnológico. Foi isso o que a China fez com a Alemanha, e é isso o que o Brasil pode fazer com a China.

A economia chinesa está desacelerando. O tempo de crescimento de dois dígitos ficou no passado?

Como eu disse, eles estão passando por uma transição. Quando ela estiver completa, a China pode muito bem decolar de novo, se conseguir reunir todos os talentos necessários para impulsionar o setor de serviços que ainda está muito atrás dos outros. A, China está injetando tanto dinheiro em pesquisa e desenvolvimento que pode surgir de lá, por exemplo, a próxima internet ou algo parecido.

oglobo.globo.com | 19-08-2014

RIO - O primeiro alerta veio da fabricante de relógios suíça Swatch. Depois foi a vez da francesa LVMH, dona das marcas Louis Vuitton e Givenchy, entre outras grifes. Mês passado, o grupo Kering — que tem a Gucci sob seu guarda-chuva — se juntou ao coro. Ao divulgar seus resultados financeiros, esses grupos traçaram um cenário nada alentador para o mercado de luxo. O porquê? Os dois países que lideram o consumo mundial nesse nicho, China e Rússia, vêm enfrentando questões políticas, com reflexos sobre o topo da pirâmide social. Consultorias já apontam desaceleração nas vendas globais do segmento, com crescimento entre 4% e 6% em 2014, ante 6,5% em 2013.

Na China, o freio no consumo de luxo tem relação com denúncias de corrupção contra a chamada “nobreza vermelha”. Elas ganharam peso a partir de janeiro, com a publicação, em jornais, de documentos revelando que a elite chinesa escondia milhões de dólares em paraísos fiscais. No esquema de corrupção, ao menos 13 parentes de ex e atuais dirigentes do Partido Comunista são acusados de manter patrimônio no exterior de forma suspeita.

Diante da repercussão desse e de outros escândalos, o governo iniciou investigação para apurar as denúncias. Com isso, não apenas a fonte de recursos para a compra de artigos de luxo minguou, como houve reação de manifestantes pró-democracia em Hong Kong. A agitação política na ilha, considerada a Miami chinesa, tem afastado compradores.

— O consumo, seja ele de luxo ou não, é uma atividade emocional. Qualquer problema ou desconforto mexe com a segurança do ser humano, o que tende a reduzir o impulso pelo consumo. No caso chinês, há ainda um agravante, pois muitas das pessoas que consumiam itens de luxo estavam de alguma forma ligadas a esse esquema de corrupção — avalia Carlos Ferreirinha, da MCF Consultoria.

Efeito de desvalorização de moedas

Os efeitos das manifestações em Hong Kong foram visíveis no balanço financeiro do segundo trimestre da Swatch. Em maio, a venda de relógios, joias e presentes caiu 25% na ilha, que é destino de 20% das exportações de relógios do grupo. O sinal amarelo também acendeu na LVMH.

— Levará alguns meses, senão alguns trimestres, para que a situação se normalize — disse o diretor financeiro da LVMH, Jean-Jacques Guiony, referindo-se à agitação política na ilha e seus efeitos sobre as vendas do grupo, quando da divulgação de resultados, no fim de julho.

O movimento de desaceleração no consumo na China foi capturado na pesquisa “Global Luxury Goods Worldwide Market Study”, divulgada em maio pela Bain & Company. No estudo, a consultoria diz que “a repressão contra a corrupção faz as vendas caírem”. A previsão de crescimento do mercado de luxo chinês para 2014 é de 2% a 4%, abaixo do ritmo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos) do país, que ficou em 7,5% no segundo trimestre.

Na Rússia, a estimativa é de queda de 4% a 6% nas vendas de itens de luxo em 2014. O país enfrenta violento conflito com a Ucrânia, após o então presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, ter se recusado, em novembro, a assinar acordo de livre comércio com a União Europeia (UE). A divergência fomentou grupos separatistas ucranianos pró-Rússia. Estados Unidos e UE impuseram sanções à Rússia, o que deve agravar a situação econômica.

— As sanções não afetam diretamente o mercado de luxo, mas abalam a economia, o que afeta a confiança — diz Massimo Mazza, líder da área de bens de luxo na América Latina da McKinsey.

A instabilidade político-econômica na Rússia afetou o desempenho da Gucci na Europa. François-Henri Pinault, presidente do grupo Kering, disse que o consumo de luxo na continente foi “lento” no primeiro semestre deste ano por causa da queda no fluxo de turistas russos e japoneses.

Mazza cita a desvalorização das moedas em países como Rússia, China e Brasil como fator que contribui para o desaquecimento do mercado. Com moeda fraca, o poder de compra da população desses países cai, já que muitos itens são importados. Em 2013, 330 milhões de consumidores no mundo movimentaram € 217 bilhões ao adquirir artigos de luxo, segundo a Bain & Company.

oglobo.globo.com | 17-08-2014

PARIS - Uma epidemia está afetando os turistas chineses que visitam a capital da França: a síndrome de Paris.

Como seus vizinhos japoneses, os turistas de primeira viagem oriundos da China — estimulados por reportagens da mídia e filmes como “Um americano em Paris” ou “O fabuloso destino de Amelie Poulain” — chegam a Paris cheios de expectativas, esperando encontrar uma pitoresca, afluente e amistosa cidade europeia, com pessoas bem vestidas e mulheres com aromas de Chanel Nº 5.

Jovem turista chinesa é fotografada próximo à Torre Eiffel - PATRICK DURAND / BLOOMBERG NEWS

Em vez disso, descobrem o lado mais duro de Paris — metrô lotado, garçons grosseiros e batedores de carteira especializados em roubar turistas — que os deixam em choque psicológico.

— Os chineses romantizam a França. Eles sabem conhecem literatura francesa e histórias de romances francesas — disse Jean-François Zhou, presidente da Associação Chinesa de Agências de Viagem na França. — Mas alguns deles acabam em lágrimas, jurando nunca mais voltar.

Para a França, continuar atraindo turistas chineses — cerca de um milhão dos quais visita Paris a cada ano — é essencial para estimular uma economia que estagnou no segundo trimestre, de acordo com dados oficiais divulgados na quinta-feira. O turismo representou 7,2% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) em 2012, segundo a Tourism Satellite Account.

Agora, o fluxo de turistas chineses começa a cair, em parte por causa da relutância em gastar muito diante da campanha anticorrupção iniciada pelo presidente Xi Jimping, e em parte devido às preocupações de como serão recebidos em Paris, disse Zhou.

BAD TRIP

Para Jiang He, de 20 anos, o desapontamento começou assim que ele aterrissou na capital francesa. O estudante universitário de Xangai, que escolheu Paris como destino de sua primeira viagem ao exterior no ano passado, foi recebido pela notícia de que a mala de um compatriota havia sido roubada no Aeroporto de Roissy. Ele também se sentiu surpreso ao ver as ruas de Paris sujas com guimbas de cigarro e lixo, disse ele numa entrevista.

— Eu pensei que a Europa seria um lugar limpo, mas achei Paris muito suja e notei que os franceses na realidade não se preocupam muito com limpeza — disse Jiang.

Embora menos numerosos do que os americanos, 900 mil chineses chegaram à Região Metropolitana de Paris no ano passado, quase metade do 1,7 milhão de visitantes do país à França, disse Thomas Deschamps, chefe do Escritório de Turismo de Paris. Esse número representou um aumento de 23% em relação a 2012. Até agora no ano, o crescimento de tem sido de 11% em relação a 2013.

— O número de turistas chineses continua crescendo, mas não no mesmo ritmo de antes — disse Deschamps.

COMPRAS EM PARIS

Os turistas chineses também ajudam a economia francesa como consumidores. Cerca de 60% deles fizeram compras em Paris em 2012, segundo um relatório da autoridade de turismo da cidade. Eles compram itens como bolsas Louis Vuitton e lenços Chanel e Hèrmes. Eles gastaram € 59 por dia em média, levemente acima dos € 56 gastos pelos japoneses.

Mas como costumam carregar grandes volumes de dinheiro, os turistas chineses são com frequência alvo de batedores de carteira.

— Às vezes, eles tentam pagar um sorvete com uma nota de € 500 — disse Zhou, acrescentando que eles normalmente trocam grandes quantidades de yuans, pois o uso de cartão de crédito não é tão comum na China.

REPROVAÇÃO EM SEGURANÇA

Batedores de carteira têm sido tão numerosos em Paris que no ano passado a equipe do Museu do Louvre fez greve para exigir uma presença maior da polícia.

A mídia chinesa informou que 48 turistas foram roubados em maio, quando iam para um subúrbio de Paris, disse Muriel Sobry, chefe de polícia do 8º arrondissement de Paris, que abrange a região do Champs-Elysees.

— Paris é uma cidade romântica, mas é ingênuo quem acredita que não há crime nela — disse ela.

Segurança é uma preocupação primária para os chineses. Em 2012, Paris obteve notas excelentes de satisfação sobre tudo, da comida ao serviços, passando por eventos culturais. Mas foi reprovada em dois itens: segurança e limpeza. As duas categorias tiveram níveis de satisfação de 58% e 64%, respectivamente, de acordo com uma pesquisa conduzida pelo Escritório de Turismo de Paris.

oglobo.globo.com | 15-08-2014
A maior economia da União Europeia sofreu no trimestre de abril a junho uma quebra de 0,2 por cento, depois de ter progredido 0,7 por cento nos três meses anteriores, mostram os números publicados esta quinta-feira pelo gabinete germânico de estatísticas Destatis. Além da Alemanha, saíram também dados de Paris que parecem consubstanciar uma anemia dos motores europeus: o PIB francês teve um desempenho nulo.
www.rtp.pt | 14-08-2014
Eduardo Campos durante discurso de posse para seu segundo mandato no governo de Pernambuco - Divulgação/Governo de Pernambuco

Em discurso proferido no primeiro dia de seu segundo mandato à frente do Palácio do Campo das Princesas — sede do poder executivo de Pernambuco —, Eduardo Campos se comprometeu, de maneira calorosa, a manter políticas que possibilitavam se “erradicar a miséria”. Com frases alinhadas aos ideais socialistas, destacou os programas sociais de seu governo e os do governo federal, idealizados pelo ex-presidente e fiel aliado Luiz Inácio Lula da Silva. E defendeu, assim como defendeu no discurso de posse de seu primeiro mandato, em 2007, o combate à desigualdade social sem trégua, “como se combate uma doença física e moral”.

Campos deixava transparecer sua vontade de trabalhar pelo desenvolvimento social e econômico dos estados nordestinos. No mesmo pronunciamento, afirmou que o Nordeste é “efetivamente parte central da solução brasileira” e fez referências ao avô Miguel Arraes, ao sociólogo Gilberto Freyre, e ao pai, o escritor Maximiano Campos.

Leia, a seguir, trechos de seu discurso de posse, realizado em 1º de janeiro de 2011, na Assembleia Legislativa de Pernambuco.

“Retorno a esta Casa dos representantes do povo de Pernambuco, empossado governador do Estado, para reafirmar o compromisso com a unidade de todos, quaisquer que sejam suas filiações ou simpatias partidárias, em torno da continuidade do processo de mudanças econômicas, sociais e políticas que hoje marcam a vida do nosso Estado. Há quatro anos, fui trazido pelos ventos da mudança e embalado pela generosa esperança de milhares de pernambucanos e pernambucanas, que acreditaram que era chegado o momento de construir um Novo Pernambuco. Desde então, meu compromisso foi retribuir tamanha confiança com trabalho. E trabalhamos com muito gosto, ciente do tamanho da responsabilidade e da grandeza dos nossos objetivos.

(...) Meu Pai, o escritor Maximiano Campos, costumava citar a sentença de Miguel de Unamuno, o eterno Reitor de Salamanca, segundo a qual ‘coerência é o outro nome da verdade’. Invoco essa lição para rememorar o trecho inicial do pronunciamento que fiz, nessa mesma Casa Legislativa, em 01/01/2007:

‘Assumimos a tarefa de escrever, com serenidade e determinação, uma história diferente, que inaugure um novo tempo para Pernambuco. Um novo tempo no qual os que sempre perderam possam por fim ganhar. Um tempo em que as vítimas não sejam mais culpadas. E em que a desigualdade social extrema cause indignação e não indiferença. E seja combatida sem trégua, como se combate uma doença física e moral.’

(...) É relevante mencionar que, neste período, o Produto Interno Bruto de Pernambuco cresceu mais do que o do Nordeste e o do Brasil. Em quatro anos foram gerados mais de 255 mil empregos, reduzindo o desemprego a níveis nunca antes constatados; no complexo portuário industrial de Suape foram investidos – neste governo – mais do que os investimentos públicos e privados registrados nos 30 anos de sua história; os investimentos nas áreas de saúde, segurança e educação também bateram recordes, sendo hoje o Pacto pela Vida um programa de referência nacional.

(...) Cuidamos de valorizar o sistema estadual de ciência e tecnologia, apoiando a pesquisa e a inovação nas mais diversas áreas do conhecimento, sobretudo apostando na formação de uma nova geração de mestres e doutores, em áreas portadoras de futuro e estratégicas para o nosso desenvolvimento. Estruturamos políticas públicas direcionadas à população mais vulnerável, em programas como Mãe Coruja, Chapéu de Palha, Vida Nova, Carteira de Habilitação Popular, Minha Casa, Minha Vida, Academia das Cidades, Centros da Juventude, Governo Presente, Seguro Safra, Terra Pronta e Luz para Todos, a universalização da telefonia celular, entre outros, além da ampliação do universo de usuários atendidos pelo sistema Integrado de Transporte – SEI.

(...) Senhor Presidente, Senhores deputados e senhoras deputadas, agora é hora de falar do futuro. Para fazê-lo, valho-me de uma citação que julgo exemplar:

‘Nós não temos os olhos presos ao passado, não temos saudade do passado. Guardamos dele aquilo que nos ajuda a ampliar nossas perspectivas, todas elas projetadas no futuro. E o futuro, para o brasileiro atual, para o pernambucano que me escuta, é logo depois de agora, é cada dia que amanhece. A única diferença está em que cada dia amanhecerá inevitavelmente, quer queiramos, quer não; mas o nosso futuro, o futuro de povo livre e emancipado econômica e politicamente, esse nós teremos que merecer, que conquistar, a cada hora e a cada dia. E só nos será possível merecê-lo e conquistá-lo com trabalho e mais trabalho, com sacrifício e mais sacrifício. Sei que o povo de Pernambuco está disposto a isso, que não nos falta disposição para isso. E foi por isso e para isso que me colocou no governo’.

Estas palavras foram pronunciadas, há 48 anos, desta mesma tribuna, pelo governador Miguel Arraes de Alencar, homem do povo, com quem tive o privilégio de aprender muitas lições. O Brasil vive um momento particularmente rico da sua história. Se foi, na miragem da década de 70, o país do futuro, para o Brasil de hoje o futuro chegou.

Estamos vivenciando o mais longevo período da nossa democracia, temos crescido com inclusão social, os fundamentos macroeconômicos têm nos permitido atravessar uma crise econômica de proporções globais, com menos sacrifícios que os enfrentados pela Europa e Estados Unidos, cujas economias ainda não retomaram a rota do crescimento e, por isso mesmo, devemos permanecer atentos.

(...) Muitos descobriram que a questão regional é, sobretudo, uma questão nacional, e que o Nordeste é efetivamente parte central da solução brasileira. Para nós pernambucanos e pernambucanas, o que nos alegra, é perceber que, ao contrário de outros momentos em que o crescimento brasileiro não se viu acompanhado pelo do nosso Estado, vivemos um tempo em que os sonhos alimentados por tantas gerações tornaram-se vibrante realidade no cotidiano da nossa população, do litoral ao sertão.

(...) Vamos conseguir, nos próximos dez anos, dobrar o nosso PIB e, mais que isso, traduzir esse crescimento na erradicação da miséria e na melhoria de todos os indicadores sociais, na educação, na saúde, na segurança, enfim, no desenvolvimento humano, pois não se pode pensar em crescimento da economia dissociado da melhoria da qualidade de vida da nossa gente.

(...) Como disse Gilberto Freyre, há um novo país à vista. Parafraseando o Mestre de Apipucos digo que há um novo Pernambuco à vista. E digo-o com emoção, com a vibração que esse momento provoca:

‘Eu ouço as vozes

Eu vejo as cores

Eu sinto os passos

De outro Pernambuco que vem aí

Mais justo

Mais equilibrado

Mais brasileiro’.”

oglobo.globo.com | 14-08-2014
Transação pode elevar o valor da Cavalli a € 833 milhões - Vincent Mundy / Bloomberg

RIO - O VTB, segundo maior banco estatal da Rússia, que tem sido alvo de sanções dos Estados Unidos e da União Europeia, está em negociações para comprar uma fatia controladora na casa de moda italiana Roberto Cavalli. A informação, divulgada nesta terça-feira por reportagem do The Wall Street Journal, é de uma fonte familiriazada com as transações.

As negociações, que começaram antes da introdução das sanções, estão avançando, mas os dois lados ainda estão discutindo um preço para a participação de 60%. A fonte confirmou para uma reportagem do jornal diário russo Vedomosti que o negócio pode valer até € 500 milhões, o que iria valorizar a empresa em € 833 milhões.

Enquanto as sanções contra a Rússia parecem ter despertado a ira de sua liderança, elas estão longe de acabar o comércio entre a Rússia e o Ocidente. A União Europeia depende do país para uma parte substancial das suas importações de energia, e, embora possa tentar diversificar as fontes, essa é uma solução de longo prazo, que requer novos investimentos em infraestrutura e da vontade política de pagar preços mais elevados. Os Estados Unidos, por outro lado, têm os negócios com a defesa russa e com as indústrias aeroespaciais que não podem ser encerrados de um dia para o outro.

oglobo.globo.com | 12-08-2014
Jovens entram nas antigas fábricas, ondem vivem escondidos da hostilidade dos gregos com os imigrantes - LYNSEY ADDARIO/The New York Times

PATRAS, Grécia — Pela manhã, jovens começam a entrar em uma fábrica de móveis abandonada, retornando da praia para seus esconderijos, onde têm dormindo. Em meio a troncos podres e pilhas de lixo, um deles, vindo do Afeganistão, lava suas roupas, enquanto outro faz a barba usando água fria de uma mangueira velha. A atmosfera do lugar é triste. A polícia havia invadido o local durante a madrugada e prendido mais de 30 amigos deles, a maioria adolescentes.

Ele acabaram ali porque a Grécia, que faz fronteira com a Turquia, é uma entrada relativamente mais fácil para imigrantes ilegais, que pretendem chegar depois à Europa Ocidental. No entanto, depois de uma longa e perigosa viagem, eles se veem não na terra da oportunidade que imaginavam, mas em um país lutando para cuidar dos seus próprios cidadãos e cada vez mais hostil às levas de imigrantes, que chegam do Afeganistão, Sudão, Irã e outros países devastados ou sob repressão política.

Para os migrantes, o resultado dessa descoberta tem sido um misto de desilusão e desespero e, para alguns, uma determinação para viver mais uma jornada clandestina e arriscada. A cada dia, vários homens tentam se esconder nessas fábricas da cidade portuária na esperança de embarcar clandestinamente nas balsas, que vão para portos na Itália, e depois, talvez, outros lugares na Europa. Mas, muitos ficam presos ali por meses, fazendo o que podem por suas vidas, atrás de cercas quebradas e ervas daninhas na altura da cintura, fora da visão dos gregos que gritam insultos e atiram lixo quando eles se aventuram a sair dos esconderijos e andar pelas ruas.

Há uma cadeira de barbearia em uma das fábricas e uma área onde os jovens fazem exercícios nos canos. Eles carregam seus celulares em uma caixa de fusíveis que fica em um canteiro de obras de construção, e unem seus esforços para cozinhar, normalmente uma única refeição por dia, geralmente arroz. Mas, não há como fugir dos banheiros imundos e do tédio e medo que não poderão superar naquele lugar.

Dentro das fábricas, os imigrantes se dividem por idade, país de origem e afinidades. Os adolescentes, com programas de televisão americanos em seus celulares, ainda têm esperança sobre o que a vida e uma instituição de caridade que providencia cafés da manhã, banhos, acesso à internet, têm para oferecer. Porém, os homens mais velhos não recebem ajuda e muitos deles acabam ficando amargurados.

— Você acha que isso é divertido? Você acha que costumávamos viver desse jeito no lugar de onde viemos? — pergunta um dos homens, antes de sair.

EXPECTATIVAS IRREAIS

Com a economia em frangalhos, a Grécia está cheia de gregos que mal conseguem sobreviver, e o país tem poucas fontes para ajudar os tantos imigrantes que continuaram a chegar nos últimos anos. Organizações citaram a Grécia pelas péssimas condições em muitas de suas prisões e mais recentemente por enviar imigrantes de volta para a Turquia.

Mesmo aqueles que são livres para circular pela Grécia dizem que os imigrantes enfrentam uma hostilidade extrema. Segundo a revista investigativa grega "Hot Doc", um oficial do alto escalão da polícia grega foi gravado em dezembro dizendo que as vidas dos imigrantes ilegais deveriam se tornar insuportáveis.

Alguns dos jovens que tentam entrar nas barcas contam histórias do Talibã, que invadiu suas cidades, outros de como perambularam de país em país, depois que seus pais morreram. Alguns mostram cicatrizes de conflitos, uma panturrilha sem um pedaço, um ombro cortado.

Alguns já conseguiram se infiltrar nas barcas várias vezes, apenas para serem enviados de volta por autoridades italianas.

Advogados dizem que muitos desses jovens têm expectativas irreais sobre o que vão encontrar nos outros países da União Europeia.

— Mas o que você pode dizer? Aqui é pior — explica Christina Tampakopoulou, integrante do grupo voluntário Movimento pela Defesa dos Direitos do Refugiado e do Migrante, que algumas vezes visita os jovens e, quando pode, dá alguma assistência.

No início da tarde, era hora de vestir roupas escuras e começar a dormir entre as cercas do terminal das barcas. Eles correm entre muitas rodas dos caminhões alinhados, em busca de uma carona.

Sair da Grécia desse jeito tem se tornado cada vez mais difícil. Vigilantes dos terminais portuários não tiveram muita dificuldade para encontrar Mohammed Morsal, de 27 anos, e 1,83m de altura, se espremendo no rack de reposição de pneus, debaixo de um caminhão Logo depois, ele estava algemado.

Perguntado se sua família sabia onde ele estava, Morsal, do Sudão, olhou para o chão e começou a soluçar.

— Estão todos mortos — ele disse, antes de ser levado pelos policiais.

GREGOS NA MESMA SITUAÇÃO

Tryfon Korontzis, o capitão da Guarda Costeira que toma conta do porto, disse que ele vive um triste jogo de gato e rato, sabendo, a cada dia, que em qualquer lugar do mundo, gregos também estão tentando ter uma vida melhor em países estrangeiros. Na maior parte dos dias, seus inspetores encontram um ou dois imigrantes escondidos nos caminhões. Alguns estiveram muito próximo de quase morrer depois de passar horas em contêineres refrigerados ou enterrados e sufocando por ar em pilhas de sementes de algodão.

Liberado depois de seis horas de detenção, Morsal voltou para uma fábrica onde havia colchões velhos espalhados. Ele entrou com pedido de asilo há cinco anos, mas o caso dele está entre os 25 mil em uma lista de espera. Nunca recebeu respostas das autoridades. Se recebesse, as notícias provavelmente não seriam boas. A Grécia deu asilo a menos de 5% daqueles que entraram com pedidos no último ano, de acordo com estatísticas da União Europeia.

— Nós nos alimentamos do lixo, como animais — disse Morsal. — Essas pessoas passam de moto e jogam garrafas na gente.

Morsal tentou achar trabalho, como a maioria dos outros imigrantes que vivem nas fábricas também tentou. Não muito tempo atrás, ele trabalhou em uma plantação de morangos, no Sul, por um mês, mas o fazendeiro não o pagava.

Advogados de imigrantes dizem que homens como Morsal estão em uma espécie de buraco negro burocrático. As regras da União Europeia ditam que ele não pode pedir asilo em nenhum outro lugar, agora que já preencheu os documentos para o pedido na Grécia. Ele precisa ficar e esperar.

— Ele não tem escolha — disse Daniel Esdras, que lidera o escritório da Organização Internacional para Migração, em Atenas, que auxilia os imigrantes a voltarem para casa.

SEM A OPÇÃO DE VOLTAR

No último ano, 10 mil imigrantes escolheram essa rota, incluindo muitas mulheres da Geórgia que trabalharam por anos como empregadas domésticas e perderam seus empregos porque as famílias gregas que as empregavam não podiam mais pagar seus salários. Três anos atrás, apenas 400 procuraram o grupo.

Mas voltar para a casa é apenas uma opção para os imigrantes que não temem por suas vidas. Mohammed Riza disse que ele não poderia retornar ao Irã. Ele estava estudando, ensinando inglês e vivendo com seus pais, até que as autoridades descobriram seus interesses pelo cristianismo e a polícia foi atrás dele.

— Eles prendem você por esse tipo de coisa no meu país — disse Riza, explicando porque foi para a Europa, em um ônibus.

O iraniano contou que o pai, que é um mecânico, e a mãe, que cuida de uma loja de roupas, o encorajaram a fugir. Ele mostrou um vídeo da família em seu celular, e abriu um discreto sorriso em seu rosto. Riza também tem três temporadas de "How I Met Your Mother" no celular.

Como a maioria das pessoas na fábrica, ele conta, que tem seus momentos de depressão. Mas os amigos providenciam alguns momento de bom humor. Eles carregam pedaços de isopor para a praia para usarem como pranchas de surf.

Logo, Riza e outros estão de cuecas, aproveitando o mar. Um dos garotos começa a remar bravamente e grita:

— Vejam, eu estou indo para a Itália!

oglobo.globo.com | 11-08-2014
Nas economias mais fracas da Europa, pessoas em seus 20 e 30 anos sempre têm um pouco de esperança de conquistar a mesma carreira, recursos e segurança econômica de seus pais. Mas em países como Espanha e Itália, o nível de emprego vem caindo para pessoas abaixo de 40 anos desde 2008,o que desafia o sonho mais amplo de prosperidade do continente.
online.wsj.com | 11-08-2014

O clima de volta à Guerra Fria ganha força à medida que o Ocidente e a Rússia trocam chumbo devido à crise na Ucrânia. Moscou considerou uma afronta a aproximação entre a Ucrânia e a União Europeia, vista como uma intervenção num “espaço vital” russo, e passou a reagir de forma drástica e ameaçadora. Primeiro, reanexou a Crimeia, cedida em 1954; depois, enviou tropas com uniformes descaracterizados para “proteger a população russa do Oeste e Sul da Ucrânia”. A intenção, na verdade, é transformar essas regiões em satélites da Rússia ou, simplesmente, anexá-las. Os combates com forças ucranianas já mataram mais de 1.100 pessoas, com cerca de 300 mil refugiados.

Se o timing da aproximação Ucrânia/UE pode ser questionado, a reação do presidente russo, Vladimir Putin, não deixa dúvida sobre sua estratégia de usar seu comando imperial sobre o país para insuflar o nacionalismo russo contra supostas ameaças do Ocidente, conduzindo a crise ucraniana no fio da navalha: ora se mostra simpático a tentativas de cessar-fogo; mas mantém o suprimento de armas e apoio logístico a suas forças descaracterizadas. A crise chegou ao auge quando os rebeldes pró-Moscou, usando um míssil terra-ar russo, derrubaram um Boeing 777 da Malaysian Airlines no dia 17 de julho, matando as 298 pessoas a bordo.

A partir daí, e da relutância de Putin de ordenar a seus comandados permissão para total acesso de investigadores independentes ao local da queda do jato, os EUA e a UE adotaram sanções comerciais e financeiras pesadas contra a Rússia. O “czar” acaba de retaliar com o banimento de todas as importações de alimentos dos EUA, UE, Austrália, Canadá e Noruega, por um ano, medida que poderá beneficiar grandes exportadores de alimentos, como o Brasil. Na área militar, houve perigosos incidentes envolvendo aviões e navios americanos e russos, numa reedição de cenas da Guerra Fria.

Internamente, do ponto de vista político, tudo vai bem para Putin e sua democracia de fachada. Pesquisa do centro independente Levada, feita entre os dias 1º e 4º com 1.600 pessoas, atribuiu ao líder russo uma aprovação de 87%, resvalando a favor, também, do premier Dmitri Medvedev, que viu o seu índice subir de 48% (em janeiro) para 71% este mês.

O jogo de Putin, porém, tem alcance limitado. As sanções comerciais e financeiras contra empresas e pessoas têm um custo para o país, inclusive com aumento da inflação, o que poderá inverter a escalada da popularidade. A economia russa não tem hoje como sustentar uma guerra comercial e financeira contra o Ocidente, embora a Europa dependa do gás russo para 40% de seu abastecimento.

Putin, espião treinado, mantém o desafio para ver quem pisca primeiro. Suas chances não parecem boas.

oglobo.globo.com | 08-08-2014

WASHINGTON - A fortuna dos 1% mais ricos da população global é ainda maior do que se supunha, revelam estudos. Essa realidade tem dois impactos imediatos: países deixam de arrecadar bilhões de dólares em impostos; e o cálculo das tendências de desigualdade global ficam mais imprecisos.

Jeffrey Hollender pertence ao grupo Responsible Wealth: “Quanto mais dinheiro se tem, mais fácil é escondê-lo” - BRIAN SHUMWAY / NYT/7-1-2011

Pesquisas realizadas para o Banco Mundial (Bird) de forma separada pelos economistas do Banco Central Europeu (BCE) Philip Vermeulen e Gabriel Zucman, da London School of Economics, revelam que a riqueza dos super-ricos — camuflada em paraísos fiscais e na falta de respostas a questionários — é, na verdade, subestimada.

Corrigidos estes lapsos de informação sobre renda, praticamente apaga-se o suposto progresso ocorrido entre 1988 e 2008 na redução da desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres do mundo, revela o levantamento do Banco Mundial.

— Sempre desconfiamos que havia alguma “pechincha” no topo dos 1% — disse Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia e autor do estudo “The Price of Inequality” (”O preço da desigualdade”). — Há um sentimento crescente de que nosso sistema é manipulado e injusto.

Não ter acesso a uma melhor noção do volume real de riqueza e renda significa que os economistas e os gestores de políticas públicas não possuem uma compreensão apropriada do grau de disparidade. Isso representa um obstáculo para lidar com o problema. Por exemplo, saber que os ganhos e os ativos estão mais concentrados poderia estimular uma mudança da estrutura tributária, disse Zucman.

— Se você não possui uma ideia adequada de como o mundo é, fica difícil determinar quais serão os efeitos das políticas — disse Carter Price, matemático sênior do Center for Equitable Growth (Centro para o crescimento equitativo), em Washington, entidade especializada em questões de desigualdade econômica. — Olhando retrospectivamente, é difícil imaginar quais foram os efeitos das gestões.

RICOS MAIS RICOS

Os mais ricos entre os ricos americanos — o topo de 0,1%, com pelo menos US$ 20 milhões em ativos líquidos — detinham 23,5% de toda a riqueza dos Estados Unidos em 2012, após terem sido acrescentadas aos cálculos as estimativas de quanto dessas fortunas estava escondido em paraísos fiscais, disse Zucman, acadêmico visitante da Universidade da Califórnia em Berkeley. Esse número se compara à estimativa anterior de 21,5%.

Zucman colabora com Thomas Piketty, autor do best-seller “O capital no século XXI”, e com o professor da Universidade da Califórnia em Berkeley Emmanuel Saez, na tentativa de estabelecer uma medição mais precisa desses dados.

Pequisas sobre os super-ricos também subestimam os números reais, em parte devido às baixas amostras disponíveis, escreveu em um artigo publicado em julho Vermeulen, o pesquisador do BCE. Segundo ele, o 1% mais rico possuía entre 35% e 37% da riqueza em 2010, superando a estimativa de 34% da Pesquisa das Finanças do Consumidor do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Enquanto o Fed já puxa para cima os dados dos ricos para tentar trabalhar com um número mais realista, Vermeulen atualizou os dados, acrescentando informações a partir das listas de bilionários da revista “Forbes”.

MAIOR CONCENTRAÇÃO

Uma maior concentração de renda e riqueza no topo da pirâmide poderia explicar por que o gasto do consumidor tem demorado a se recuperar da recessão que acabou em junho de 2009, segundo Stiglitz:

— Alguns dos problemas no desempenho do sistema econômico estão relacionados ao verdadeiro grau de desigualdade, e não ao grau de desigualdade medido — disse ele.

Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia: “Há um sentimento crescente de que nosso sistema é manipulado e injusto” - Jerome Favre / Bloomberg/14-11-2013

Desde que a contração econômica de 18 meses acabou, o índice setorial de comércio de massa da Bloomberg, que inclui redes varejistas como Walmart e Dollar General, está em 80%, abaixo do ganho de 109% do índice Standard & Poor’s 500, da Bolsa de Nova York. Os varejistas de artigos de luxo prosperaram, como mostra o salto de 254% no índice global bens de luxos da Bloomberg, que inclui empresas como Coach, Hermès International e Prada.

SEM SURPRESA

Jeffrey Hollender, que está na lista dos 1% mais ricos dos Estados Unidos, não se surpreende com o fato de que os mais ricos do mundo tenham uma fortuna superior ao estimado.

— Quanto mais dinheiro se tem, mais fácil se torna escondê-lo para evitar tributação — disse Hollender, de 59 anos, cofundador da companhia Seventh Generation, de produtos de limpeza e cuidados pessoais. Ele é membro do grupo Responsible Wealth (Riqueza responsável), uma rede com sede em Boston que prega justiça econômica.

A medida de ativos dos super-ricos europeus pode ser ainda mais falsa, segundo Zucman. Cerca de 10% de sua fortuna está em contas no exterior, comparado a 4% dos ricos americanos, estimou ele em um artigo publicado em maio. Os super-ricos também colocam ativos em fundações e empresas holdings, o que torna difícil calcular seu volume, disse ele.

É possível que alguns países europeus, “especialmente o Reino Unido”, sejam tão ou mais desiguais do que os Estados Unidos, disse Zucman.

Não saber quanta renda e riqueza os mais ricos do mundo possuem significa que eles estão pagando menos impostos. Riquezas financeiras guardadas no exterior custam ao governo americano US$ 36 bilhões em arrecadação anual não paga sobre impostos, investimentos, heranças e tributos estaduais, segundo o artigo de Zucman. Este valor seria suficiente para pagar o almoço de cada estudante das escolas públicas de Nova York por mais de um século. A Europa, por sua vez, perde cerca de US$ 75 bilhões no mesmo cálculo.

— Há implicações potenciais para as políticas de tributação — disse Zucman. — Se a desigualdade é maior do que pensávamos, talvez ela possa mudar a visão sobre quais impostos deveriam ser elevados sobre as maiores rendas, ou talvez até mesmo o uso de outras ferramentas, como a criação de um imposto sobre a riqueza.

A economia global teve um dos maiores avanços em globalização entre a queda do Muro de Berlim e o início da última recessão, provocando a melhora na qualidade de vida para milhões de pessoas pobres, inclusive China e Índia. O Bird examinou esse período e descobriu que, na verdade, houve muito pouco progresso na redução da desigualdade, quando se consideram os ajustes feitos para corrigir os dados subestimados de riqueza.

COEFICIENTE DE GINI

Em contraste com dados sem ajuste que mostram uma queda na disparidade, o coeficiente de Gini do Banco Mundial, que mede a extensão da desigualdade de renda, praticamente não se alterou durante essas décadas, segundo ajustes preliminares feitos pelos economistas Christoph Lakner e Branko Milanovic. Com o ajuste no cálculo da renda dos mais ricos, “o declínio na desigualdade — presente em todos os outros cálculos — desaparece quase inteiramente”, escreveram os dois em um artigo em dezembro.

Isso é surpreendente, quando se considera o período, marcado por um declínio acentuado da desigualdade: o número de pessoas vivendo com menos de US$ 1,25 por dia caiu para 1,22 bilhão em 2010, frente a 1,91 bilhão em 1990, descontada a inflação do período, revelam dados do Bird.

Se a disparidade de renda não diminuiu no mundo, mesmo com o declínio da pobreza, isso pode “realmente mudar a forma como os economistas olham para os últimos 30 anos”, disse Lawrence Mishel, presidente do Instituto de Política Econômica, em Washington, que defende os direitos dos trabalhadores.

— Nós realmente precisamos ter uma boa medida de quem está absorvendo renda e riqueza, e como isso mudou ao longo do tempo, para ter uma ideia melhor de como estão funcionando as políticas econômicas — disse Heidi Shierholz, economista do instituto.

POLÍTICAS SOCIAIS

Tyler Cowen, professor de Economia da Universidade de George Mason, em Fairfax, Virginia, e coautor do blog sobre economia “Marginal Revolutions”, diz que focar no 1% mais rico, quando se olha para a distribuição de riqueza, é enganoso. Para ele, não tem tanta importância se gente como o cofundador da Microsoft Bill Gates está levando mais dinheiro para casa, desde que os pobres estejam melhorando suas condições no processo.

— As pessoas se preocupam demais com o 1% no topo. A verdadeira questão é se há oportunidade para todo mundo — disse Cowen. — A desigualdade num sentido significativo caiu.

Além disso, a forma como a renda é medida distorce as percepções sobre desigualdade. Dados sobre tributação de renda não consideram a transferência de pagamentos feitos pelo governo federal por meio de programas sociais como o Social Security (Seguridade Social americana), disse Richard Burkhauser, economista da Universidade de Cornell, cujas pesquisas se concentram sobre como a gestão pública afeta o comportamento econômico das populações vulneráveis.

Concentração no topo da pirâmide e uma má avaliação do escopo da desigualdade preocupam Dal La Magna, diretor executivo da indústria IceStone, em Nova York, e membro do Responsible Wealth.

— Não é bom para os ricos que vivem no Central Park West ou na Quinta Avenida ter tanto dinheiro a ponto de todos os demais os odiarem — disse LaMagna, de 68 anos, citando os endereços preferidos dos ricos de Nova York.

oglobo.globo.com | 07-08-2014
Leonardo pede união de forças em torno de interesse coletivo - Ivo Gonzalez

Como jogador, entre muitas conquistas, Leonardo ganhou títulos mundiais, pela seleção brasileira e pelo São Paulo; Brasileiros, por Flamengo e São Paulo; e da Liga dos Campeões, pelo Milan. Após pendurar as chuteiras, virou braço direito do presidente do clube italiano, onde também foi treinador, além de ter dirigido, em seguida, o seu maior rival, o Inter de Milão. Até o meio do ano passado, era o principal executivo do Paris Saint-Germain. De passagem pelo Brasil, após assistir à Copa na Europa, Leonardo analisou a atual situação do futebol brasileiro. E, com razão, defendeu mudanças radicais, conclamando a união de todos os envolvidos no esporte:

— Bom Senso, Romário, cubes, CBF, todos precisam se unir e caminhar juntos para uma grande reformulação. A gente tem que mudar a visão do todo. O Brasil é a sétima economia mundial, o futebol é a nossa grande paixão, mas, apesar de todo esse potencial, o mundo corporativo, e o próprio futebol, ainda vê o esporte como organização social, sem fins lucrativos. Isso limita demais a entrada de qualquer investimento. A visão tem que ser comercial, com fins lucrativos. O sistema do futebol tem que ser outro.

O EXEMPLO ALEMÃO

“Na Alemanha, foram criados centros federais, trabalho a longo prazo. Existe uma parte do projeto que é comum a todos. Aqui, todos defendem somente seus interesses. É preciso um movimento comum, no qual as pessoas convirjam para alguma coisa, que beneficie a todos. A CBF (antes, CBD) tem 100 anos. Como pode ser atual, se funciona da mesma maneira há um século? O que falta nessa engrenagem? Um grupo de executivos que conheça gerenciamento e futebol, e acorde e vá dormir pensando no desenvolvimento dele. A CBF é muito mais organizadora e controladora do que promotora do campeonato. Não acredito que o Marin e o Del Nero não queiram uma coisa que seja melhor pra eles, para os clubes e para o futebol brasileiro. A Premier League é o maior exemplo de sucesso profissional. Claro que, pelas nossas particularidades, não dá para pura e simplesmente implanta-la aqui. Mas muita coisa pode servir de exemplo. Temos que gerar ideias e riquezas. Nossa estrutura é muito engessada. A hora de mudar é essa.”

FORA DO MERCADO

“Precisamos criar uma nova estrutura para entrar no mercado. Estamos fora dele. Trabalhando direito, temos condições de fazer um NBA. Quanto custa o Neymar pra ficar aqui? Para o tamanho do negócio que se pode gerar, não é nada. Se, ao menos, fizéssemos um campeonato local forte, não precisaríamos nem competir com a Europa. A NBA não compete com ninguém e é um sucesso no mundo todo. Porque é um produto de altíssima qualidade. O Campeonato Brasileiro não passa em lugar nenhum do mundo. Não dá pra ver nem pela internet. Porque é um produto que não é reconhecido no mercado. Os jogos são desinteressantes, jogam em 70 metros, a TV não consegue nem enquadrar. Parece que há um desânimo, um conformismo. É assim mesmo, é assim que eu vou fazer e viver! E ainda se chama Brasileirão. Esse nome não pode ser internacional, nenhum estrangeiro entende, nem consegue pronunciar direito. Não vende lá fora...”

A IMPORTÂNCIA DA BASE

“Se a gente não tem uma base boa, ferrou. É como uma equação, erra a primeira soma, errou tudo. Isso acaba influenciando em todo o processo de formação. O menino que entra no Flamengo (e na maioria dos outros clubes), hoje, logo está dizendo ‘me tira daqui’. Ele quer é jogar na Europa. Eu, no meu tempo, quando entrava na Gávea, me benzia. Aquilo pra mim era um templo. A base hoje em dia tenta revelar jogadores pra vender. Quais são as receitas de um clube de futebol? TV, marketing, estádio e jogador . Na Europa, venda de jogador só contribui com 10% da receita. Aqui é muito mais. E a preocupação passa a ser vender logo a garotada. E se você negocia o jogador muito cedo, ele ainda nem está de fato formado. E muito talento se perde nisso.”

NEYMAR

“Neymar falou que no Brasil se treina pouco. E ele só descobriu isso aos 22 anos! Será que ele não poderia ser melhor se tivesse descoberto isso aos 18? Se tivesse tido outras opiniões táticas, poderia ser um autêntico 10. Hoje ele é muito mais hábil, jogando com uma linha atrás. Ele tem tempo, ainda pode vir a se tornar um craque completo. Mas poderia já ser. Taticamente estamos muito atrasados. Thiago Silva aprendeu a ser zagueiro na Europa. Antes era um monstro só no físico. Virou o melhor do mundo lá fora. No Brasil a gente aprende a jogar bola, não a jogar o jogo.”

TÉCNICA X TÁTICA

“Craque de bola é uma coisa. Ter estratégia é outra. A Alemanha hoje em dia tem talento, mas tem também estratégia. Já a Itália ganhou em 2006 só na estratégia. Materazzi, imagina, foi o artilheiro do time! Mas isso também é jogo! Só que a gente acha feio. Só que agora está todo mundo muito mais organizado taticamente. E para você conseguir fazer prevalecer o nosso talento, tem que estar organizado, pelo menos como eles. A gente precisa ter a visão do todo e depois colocar o jogador de talento. Aí, sim, vem o Neymar. Ele tem que ser o algo mais, não a base do time.”

MOTIVAÇÃO

“Aquele negócio de ‘vamos lá, vamos lá’, não funciona com o europeu. Isso ele rebate na hora: ‘motivação, não me pede, não, que eu já tenho’! Ele quer conteúdo. Quer saber a função e o que fazer, como se comportar, dentro de campo. Na verdade, os europeus veem o Brasil como o país que resolve no talento. Nunca uma conquista nossa foi atribuída, lá fora, ao treinador. O técnico brasileiro é mais forte em colocar os bons jogadores para fazer o que eles querem e não para armar o time taticamente. E o jogador brasileiro não gosta de discutir tática. É até cultural. A velha história do ‘dá aqui que eu resolvo’. Se não for um gênio, como Pelé, Maradona, Zico, Romário, não resolve mais, não. Da minha época, o técnico que mais claro mostrava o que queria era o Telê. Ele não era tático. Mas aperfeiçoava a técnica ao máximo! E com a qualidade técnica conseguia superar até a tática. Era um perfeccionista. Naquela época, a técnica fazia a diferença. Mas hoje, com a escola europeia jogando o que está jogando, um time só técnico está morto.”

7 x 1

“Não quero criticar apenas um jogo. Mas todo mundo sabia que a Alemanha ia pressionar a nossa saída de bola desde o início. Estava escrito. Se fosse um treinador italiano, ia dizer pro David Luiz mandar a bola lá pra frente e todo mundo sair. Os caras são melhores que a gente. Não dava pra jogar normalmente. Não sou contra um técnico estrangeiro, mas não acho imprescindível. Mourinho e Guardiola, sim. Não porque são estrangeiros. Mas porque são os melhores.”

CLUBES/ INVESTIMENTOS

“Os clubes têm que tomar a iniciativa! Porque sem eles não tem campeonato, não tem seleção, não tem nada. Campeonato sem CBF tem, sem Federação tem, sem clube, não. Os grandes atores são os clubes. E eles não podem estar tão enfraquecidos. E não adianta só sanear a dívida. Senão mudar o sistema e gerar riqueza, não resolve. Vai dever de novo. Para o campeonato ser forte, os clubes têm que ser fortes. Sem isso, é impossível. Precisamos abrir as portas dos clubes para as riquezas existentes no Brasil ou mesmo para as estrangeiras: o Chelsea é de um russo, o Paris Saint Germain, do Qatar, o (Manchester) United, dos americanos, a Roma também. As riquezas italianas estão no Milan, na Inter, Juventus a Fiat. O Bayern tem por trás a Mercedes. E nós estamos fora do mercado! Tem que profissionalizar a visão! Se um louco milionário resolve botar toda a riqueza dele no Flamengo, não pode. E o futebol está nas mãos dos empresários... Ora, já estamos penhorados. O cara entra numa falha do sistema. Quando disse, numa entrevista, há algum tempo, que deveriam vender o Flamengo, era a esse tipo de investimento a que me referia. A gente precisa criar uma estrutura para alguém colocar dinheiro. Só que quem botar 200 milhões de euros vai querer o comando e lucro. E terá um grupo de gestores que vai cuidar do investimento. Assim funciona. Mas hoje em dia, nenhuma assembleia de clube aceitaria um investimento como esse. Por política, medo, insegurança. Ora, o Flamengo já está vendido (para os credores de sua divida). E todos os clubes estão mais ou menos na mesma situação. Se alguém fosse dono ia lutar mais pra não perder o próprio patrimônio. Tem que descobrir onde está esse dinheiro e botar no futebol. Faturamento de 300 milhões ainda é pouco para resolver os nossos problemas.”

oglobo.globo.com | 07-08-2014
Os investidores estão a mudar o sentido dos seus investimentos e a deslocá-los do setor bancário para outras áreas. Esta ação explica a queda das ações do setor bancário na Bolsa de Lisboa mas também noutras praças financeiras da Europa, como revelou na Antena 1 o professor João Duque, do Instituto Superior de Economia e Gestão.
www.rtp.pt | 07-08-2014
Vladimir Putin, em Voronezh, durante uma sessão do Conselho Estadual. Presidente ordenou medidas retaliatórias contra sanções que a Rússia recebeu dos Estados Unidos e da União Europeia - RIA Novosti / REUTERS

MOSCOU — O presidente russo Vladimir Putin assinou nesta quarta-feira um pacote de medidas para proteger a economia russa, que impõe a suspensão por um ano de alimentos e produtos agrícolas de países que participaram das sanções à Rússia. A ação foi motivada pela decisão de vários países de aplicar sanções devido à crise entre Rússia e Ucrânia, afirmou o Kremlin em sua página oficial na internet.

Embora as medidas entrem em vigor imediatamente, o governo tem a missão de elaborar uma lista concreta de importações a serem suspensas. O Kremlin espera conter a inflação e aumentar o número de produtos nacionais nas prateleiras russas.

Depois da emissão do decreto de Putin, a VPSS disse que irá discutir a opção de ampliar as importações de alimentos de Equador, Brasil, Chile e Argentina com os embaixadores destes países na quinta-feira.

Os produtores brasileiros poderiam enviar 150 mil toneladas adicionais de frango por ano para a Rússia para compensar a escassez, declarou o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, em São Paulo.

Na última semana, a União Europeia aprovou o pacote mais duro de sanções até agora, que atingiu os setores de energia, finanças e defesa da economia russa. Na última terça, antes de assinar as novas medidas, Putin declarou que a resposta russa deveria ser “cautelosa”.

— Obviamente temos que fazer isso de maneira cautelosa para apoiar os produtores domésticos sem atingir os consumidores — declarou o presidente, que descreveu as pressões políticas sobre a Rússia como “inaceitáveis”, afirmando que elas violavam leis internacionais.

O diário “Vedomosti“ noticiou que a Rússia limitará voos europeus para a Ásia que cruzem o espaço aéreo da Sibéria, em resposta às sanções que levaram a companhia russa Dobrolet a cancelar os voos de segunda-feira. No entanto, o ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, desmentiu as informações.

O diretor-executivo da Associação Russa de Varejistas, Andrey Karpov, garantiu que a suspensão de importações agrícolas não afetará os consumidores comuns. Por sua vez, o embaixador da União Europeia em Moscou, Vygaudas Ušackas, afirmou que as limitações de importações não alterarão a posição da União Europeia com relação à Ucrânia.

Enquanto em que os combates se intensificam e os separatistas perdem território no Leste da Ucrânia, a Rússia anunciou a realização de exercícios militares na região da fronteira.

“Não vamos fazer suposições sobre o que passa na mente dos russos, mas podemos ver o que a Rússia está fazendo, e isso gera uma enorme preocupação. São cerca de 20 mil soldados prontos para o combate na fronteira oriental da Ucrânia. Moscou poderia usar o pretexto de uma missão de paz ou humanitária para introduzir tropas no Leste da Ucrânia”, afirmou a porta-voz da Otan, Oana Lungescu, em um comunicado.

Um porta-voz do Ministério russo da Defesa minimizou as declarações da Otan. “Escutamos isso há três meses”, afirmou o funcionário.

Moscou anexou a península da Crimeia em março, e é acusada de financiar e armar rebeldes pró-Rússia que enfrentam o governo ucraniano desde abril no Leste do país.

oglobo.globo.com | 07-08-2014

MOSCOU — A Rússia vai impor “um embargo bastante substancial” a produtos alimentícios vindos dos Estados Unidos e da União Europeia, informou o governo do presidente Vladimir Putin nesta quarta-feira. Em uma primeira medida, a importação de carne de frango de empresas americanas foi suspensa, enquanto uma lista mais ampla é elaborada.

Ptin assinou um decreto nesta quarta-feira banindo ou limitando a importação de produtos agrícolas, em resposta às sanções impostas devido à crise ucraniana. Mas a medida pode contribuir para o aumento dos preços dos alimentos no país e para fortalecer o descontentamento da população russa com a desaceleração econômica que analistas relacionam indiretamente ao apoio aos insurgentes que lutam contra as forças do governo ucraniano.

Putin havia prometido proteger os consumidores russos dos efeitos de qualquer medida de retaliação tomada em resposta às sanções do Ocidente.

O Kremlin afirmou em comunicado que o decreto de Putin tem como objetivo “proibir ou limitar por um ano as importações do território russo de certos tipos de produtos agrícolas, de matérias-primas e de produtos alimentícios provenientes de países que decidiram instaurar sanções econômicas contra a Rússia”.

A porta-voz do governo, Natalia Timakova, informou que os ministros estão elaborando a lista de bens que devem sofrer futuras restrições. As estatísticas oficiais demonstram que a Rússia importou cerca de um terço dos alimentos consumidos na última década.

Algumas dessas importações vieram de nações da antiga União Soviética que têm vínculos estreitos com Moscou. A crescente classe média russa, no entanto, já se acostumou com os produtos europeus.

As últimas sanções impedem que companhias nos EUA e na UE negociem com os setores de armas e de petróleo da Rússia. As principais empresas estatais russas tiveram seu acesso ao mercado de capitais do Ocidente bastante restrito e enfrentam um possível congelamento das negociações de suas ações nas bolsas da Europa e de Nova York.

Nos últimos dias, o jornal russo “Vedomosti” afirmou que o governo russo considera a possibilidade de contra-atacar a UE com a proibição total ou parcial dos voos sobre a Sibéria.

Estima-se que as sanções conduzam a fraca economia russa para a beira da recessão até o final do ano.

“As medidas de retaliação trazem custos significativos para a economia russa”, afirma em nota a consultoria Capital Economic. “A curto prazo, a economia deve entrar em uma profunda recessão, com uma contração entre 2% e 3 %.”

As sanções do Ocidente, contudo, não foram capazes persuadir Putin a convencer os insurgentes separatistas que lutam contra as forças do governo da Ucrânia desde abril a depor suas armas.

A OTAN informou nesta semana que a Rússia aumentou de 12 mil para 20 mil o número de soldados deslocados para a fronteira.

oglobo.globo.com | 06-08-2014
"O Governo está a enganar os portugueses" quando diz que a operação de resgate do BES não terá custos para os contribuintes, acusa Paul De Grauwe, professor de Economia na Universidade de Leuven, na Bélgica, e ex-conselheiro da Comissão Europeia, em declarações ao Dinheiro Vivo.
feeds.jn.pt | 06-08-2014
O vice-primeiro-ministro diz a fórmula encontrada pelo Banco de Portugal, em articulação com a Comissão Europeia, protege depositantes e contribuintes, além de evitar ruturas no crédito à economia.
www.rtp.pt | 05-08-2014

GENEBRA - O socorro de 4,9 bilhões de euros que Portugal dará ao Banco Espírito Santo (BES) deverá evitar que a crise se espalhe para o setor financeiro local e, por tabela, para o resto da Europa. Essa é a avaliação de Gilles Moec, economista-chefe do Deutsche Bank em Londres.

— É algo muito circunscrito a Portugal — afirma Moec.

Para ele, a intervenção do governo português que, além do resgate, vai dividir o BES em um banco bom, chamado Novo Banco, e um banco ruim, vem na medida certa.

— É preciso ser prudente, mas, com base nos dados que temos, trata-se de uma intervenção temporária, porém forte o suficiente para evitar a deterioração da crise financeira em Portugal — explica.

Segundo Moec, a operação de resgate também não causou surpresa, pois segue o espírito das novas normas europeias: governos socorrendo bancos, mas taxando acionistas.

— A operação está em conformidade com novo espírito de gestão de crise bancária europeia. Não há surpresa. Os acionistas são taxados, os depositantes e os detentores sêniores (de títulos) ficam protegidos.

No ano passado, o Parlamento Europeu deu sinal verde para o início de um mecanismo único de supervisão dos bancos que analisa as atividades de mais de 150 instituições europeias, sob o controle do Banco Central Europeu (BCE).

A crise no maior banco português acontece apenas meses depois de Portugal, um dos países mais atingidos pela crise na zona do euro, ter saído do programa de resgate da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A ação do governo português no BES vai testar não apenas a economia de Portugal como também a resiliência da zona do euro em mais uma crise bancária. Quando a crise no banco veio à tona, as bolsas na Europa reagiram mal, o que afetou a zona do euro.

O BES pertence à família Espirito Santo, a última dinastia de banqueiros portugueses, do século XIX. Com 788 agências e mais de dez mil empregados no mundo, o grupo tem holdings com negócios em vários setores (imobiliário, hotelaria e serviços de saúde) na Europa, América do Sul – sobretudo no Brasil – e África. Em 2013, o BES amargou perdas de 517,6 milhões de euros em Portugal, mas teve lucro de 21,9 bilhões de euros no mundo.

As dificuldades começaram depois da descoberta de que a holding Espírito Santo International (ESI) havia ocultado das contas de 2012 dívidas no valor de 1,2 bilhão de euros, o que colocaria o BES em falência técnica. O grupo tem hoje tem uma dívida estimada em 7 bilhões de euros.

oglobo.globo.com | 05-08-2014
Vantagem. Charles Ferraz, do Itaú Unibanco: “É possível buscar exposição a mercados mais rentáveis sem tomar prejuízo" - Marcos Alves / Marcos Alves

Prestes a completar sete meses de vida, na quarta-feira, a mais jovem das aplicações no Brasil se apresenta como alternativa mais arrojada de investimento para correntistas, mas sem abandonar a segurança. O Certificado de Operações Estruturadas (COE), por enquanto oferecido apenas por bancos, combina características de renda fixa e variável em um só produto. Isso permite ao investidor perseguir estratégias mais complexas sem recorrer a múltiplos instrumentos. Apesar do risco que isso implica, quase todas as operações têm sido feitas com capital protegido, evitando prejuízo. Embora ainda seja restrito a clientes de alta renda, o COE vai aos poucos reduzindo suas barreiras, e já há aplicações de R$ 15 mil.

Segundo balanço da Cetip, onde estão registrados quase todos os COEs do mercado, o estoque desse produto já alcançou R$ 2,8 bilhões. O volume não representa sequer 0,5% do estoque do tradicional Certificado de Depósito Bancário (CDB), mas os bancos avaliam como positivo o desempenho frente à “idade” da aplicação. No primeiro semestre, foram 11.746 operações realizadas por 12 bancos, a maioria de varejo.

— Foi um bom começo, mas o COE ainda está em período de amadurecimento. Por isso, só bancos com uma boa infraestrutura no país e com uma ampla base de clientes entraram com força nesse novo instrumento de captação — explica Fábio Zenaro, gerente de produtos da Cetip. — Daqui para frente, esperamos mais players e que seja regulamentada a oferta pública de COE. Hoje, ela é apenas privada. A emissão de um banco não pode ser oferecida por uma corretora, por exemplo.

CVM AVALIA OFERTA PÚBLICA

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) realizou audiência pública sobre a oferta pública de COE entre janeiro e março, e agora avalia as manifestações. A proposta precisa ser aprovada pelo colegiado do órgão, mas não há prazo para que isso aconteça.

O COE é similar às notas estruturadas, populares há décadas nos Estados Unidos e na Europa, conhecidas por sua flexibilidade. A Cetip, por exemplo, registra 70 configurações diferentes do produto, permitindo diversas regras de remuneração. Pode-se atrelar a aplicação a uma infinidade de ativos, desde câmbio e Ibovespa a ações de empresas e commodities negociadas em mercados internacionais.

— Um COE simples pode apenas acompanhar a evolução do câmbio ou da inflação, enquanto um complexo pode ser formatado com inúmeros cenários. Por exemplo: se o dólar atingir tal valor, entra-se em um cenário que tem determinada rentabilidade. Se o preço chegar a outro patamar, o retorno muda — diz Cassiano Scarpelli, diretor de Tesouraria do Bradesco.

Segundo ele, as preferências dos aplicadores variam de acordo com a economia. No começo do ano, a maioria optava por COEs atrelados ao câmbio e a índices de ações estrangeiras, sobretudo o S&P 500.

— Depois que a volatilidade do dólar foi amenizada, o investidor migrou para apostas relacionadas à inflação — conta Scarpelli. — O produto tem aceitação muito favorecida por uma conjuntura econômica volátil como a de hoje.

'SÓ PARA QUEM SABE O QUE FAZ’

Por causa de sua estrutura complexa, a aplicação é arriscada e só é indicada para “quem entende o que está fazendo”, disse Leandro Ruschel, sócio da escola de investimento Leandro&Stormer.

— O COE é um grupo bastante genérico, por isso é preciso saber muito bem o que vai dentro dele. Um dos problemas no colapso das hipotecas nos EUA, que também entravam em produtos estruturados, era que ninguém entendia o que estava debaixo das aplicações — afirma Ruschel. — A maior parte dos investidores não tem conhecimento para isso.

Apesar do risco, o mercado de COE tem um quê de conservador: praticamente todas as aplicações são do tipo capital protegido, que garante como retorno mínimo o montante aplicado.

—Assim, é possível buscar uma exposição a mercados mais rentáveis sem tomar prejuízo. O que o investidor perde é o custo de oportunidade, a chance de ter investido em outra coisa no período — explica Charles Ferraz, chefe de Investimentos do Itaú Private Bank.

Mas o COE não está protegido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que obriga o investidor a avaliar a saúde financeira do emissor antes de aplicar no produto.

Além de exigir algum conhecimento financeiro, o COE ainda é restrito a um grupo seleto de correntistas, concentrados no segmento Private. No Itaú, a aplicação tem sido feita a partir de R$ 100 mil. No Bradesco, fica entre R$ 50 mil e 100 mil. Mas já há opções mais acessíveis. O próprio Bradesco oferece COE de perfil mais simples a partir de R$ 30 mil. O Santander, cuja aplicação mínima no segmento Private é de R$ 100 mil, oferece COE de R$ 15 mil ao grupo Select.

Não incide sobre o COE o come-cotas, o imposto semestral cobrado de fundos de investimentos, mas o aplicador paga Imposto de Renda (IR) sobre o ganho. A incidência segue a tabela regressiva, com alíquotas que variam de 15% a 22,5%, dependendo do tempo de aplicação.

Segundo a Cetip, mais da metade das emissões é feita com prazo superior a 720 dias, tempo que garante a menor das alíquotas. Mas, diferentemente do CDB, que muitas vezes permite resgate a qualquer momento, é preciso negociar com o banco para sair de um COE antes do prazo combinado.

oglobo.globo.com | 04-08-2014
Prédio do Banco Espírito Santo em Lisboa. Preocupações com saúde da instituição preocupam mercados - RAFAEL MARCHANTE / REUTERS

LISBOA - O Banco Espírito Santo, de Portugal, seria dividido entre um banco “bom” e o outro “ruim” como parte de um multimilionário plano de resgate estatal que está sendo preparado pelo governo português e autoridades da União Europeia, disseram neste domingo pessoas familiarizadas com as negociações.

O plano, que visa salvar o banco afetado pela dramática queda do império financeiro da família Espírito Santo, inclui o uso de ao menos a metade dos € 6 bilhões remanescentes de um programa de resgate internacional do qual Portugal saiu há pouco tempo, segundo as fontes.

O dinheiro do resgate será utilizado para financiar um fundo especial de resolução bancária estabelecido por Portugal em 2012, que por sua vez injetará dinheiro ao novo “banco bom” do Banco Espírito Santo, o BES, afirmaram as fontes.

Em virtude do plano, as ações do BES deixariam de figurar na Bolsa de Lisboa e os acionistas provavelmente perderiam seus investimentos, acrescentaram. Uma fonte afirmou que o investimento poderia ser de pelo menos 4 bilhões de Euros. Não ficou claro o que seria feito em relação ao “banco ruim”.

O plano, de cuja elaboração também participam funcionários do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia, seria anunciado no domingo a noite. Ainda são discutidos os detalhes e o anúncio pode ser prorrogado para a segunda-feira, disseram as pessoas familiarizadas com as negociações.

Os esforços para salvar o maior banco português por ações na bolsa acontecem depois que o BES reportou na semana passada que perdeu € 3,6 bilhões – um prejuízo maior que o esperado – dizendo que uma quantia maior do que a estimada originalmente havia sido despendida para salvar da falência empresas de propriedade da família Espírito Santo.

oglobo.globo.com | 03-08-2014
O PIB dos Açores e as exportações açorianas para os EUA poderão crescer até 0,35% e 76%, respetivamente, na sequência do acordo comercial que Bruxelas e Washington estão a negociar, segundo um estudo hoje apresentado em Ponta Delgada.
www.rtp.pt | 01-08-2014

O Governo alemão poderá recusar o acordo de comércio livre negociado entre a União Europeia e o Canadá (CETA) por temer “que as empresas estrangeiras ganham demasiado poder” afirma Cerstin Gammelin no Süddeutsche Zeitung. Segundo a correspondente europeia do diário de Munique,

alguns diplomatas alemães confirmaram que o Governo não assinará o acordo “tal como foi negociado”. A Alemanha estaria, de um modo geral, pronta para assinar o tratado em setembro, mas o capítulo sobre a proteção dos investimentos seria “problemático” e inaceitável na conjuntura atual.

Segundo o Süddeutsche Zeitung, a assinatura do tratado transatlântico de comércio livre (TTIP) com os Estados Unidos dependerá da assinatura do CETA pelos 28 Estados-membros.

“O acordo com o Canadá é um teste para o tratado com os Estados Unidos”, declara um alto funcionário da Comissão Europeia. Se o tratado com o Canadá for rejeitado, “o mesmo acontecerá com o dos Estados Unidos”.

Berlim já se opôs diversas vezes às cláusulas de proteção de investimento contempladas nas negociações dos acordos CETA e TTIP com o Canadá e os Estados Unidos. No entanto, a chanceler alemã Angela Merkel declarou estar a favor de um acordo de comércio livre com os Estados Unidos.

Certos Estados-membros estão em desacordo relativamente às medidas de proteção jurídica para as empresas que investem nos países abrangidos pelos acordos. Apesar de estas proteções terem sido maioritariamente aceites no âmbito do acordo com o Canadá, estas mesmas disposições foram rejeitadas liminarmente para o tratado com os Estados Unidos. […] O ministro federal da economia, Sigmar Gabriel, também declarou que considerava inútil a implementação de uma proteção jurídica específica para os investidores americanos. No entanto, não foi mencionado o facto de a comissão da UE ter sido encarregada, pelos Estados-membros, de negociar essas cláusulas e de as incluir no tratado com o Canadá.

Estas cláusulas de proteção de investimento são também conhecidas como mecanismos de resolução de diferendos entre investidores e Estados (ISDS). Os partidários destas medidas consideram-nas necessárias para realizar investimentos bilaterais. Os opositores defendem, no entanto, que estas medidas de proteção permitiriam às empresas perseguir judicialmente os Estados e escapar às regulamentações.

www.voxeurop.eu | 31-07-2014
Caricatura. No centro de Kiev, mulher observa desenhos feitos pelo artista ucraniano Oleh Smal que ridicularizam o presidente russo Vladimir Putin - SERGEI SUPINSKY / AFP

BRUXELAS E WASHINGTON — A União Europeia (UE) e os Estados Unidos aplicaram as mais duras sanções contra a Rússia desde o fim da Guerra Fria como forma de punir o país pelo que afirmam ser uma tentativa de Moscou de desestabilizar a Ucrânia. O bloco, os EUA e o governo pró-Ocidente em Kiev acusam a Rússia de armar e dar apoio aos separatistas do Leste da Ucrânia e afirmam que os rebeldes são responsáveis pela derrubada, com um míssil, de um avião da Malaysia Airlines numa área controlada pelos militantes, matando 298 pessoas.

As restrições coordenadas entre Bruxelas e Washington terão como alvo quatro setores econômicos: finanças, equipamento militar, armas e produção de petróleo. Segundo os diplomatas europeus, as medidas devem entrar em vigor amanhã.

“O pacote de medidas restritivas acordado pelas partes da UE é um poderoso sinal para os líderes da Federação Russa: desestabilizar a Ucrânia, ou qualquer Estado vizinho da Europa Oriental, trará pesados custos para a sua economia”, diz o comunicado de Bruxelas, que afirma ainda que Moscou “se encontrará cada vez mais isolada em suas ações”.

Os líderes europeus afirmaram em comunicado que as sanções poderiam ser retiradas se o Kremlin parasse de “desestabilizar a Ucrânia”. Segundo uma das fontes diplomáticas, as medidas serão revistas após três meses.

Numa declaração para anunciar as novas sanções, o presidente americano, Barack Obama, negou se tratar de um retorno da rivalidade entre superpotências que dividiu o século XX:

— Isto não é uma nova Guerra Fria. Trata-se de uma questão muito específica, relacionada com a falta de vontade da Rússia em reconhecer que a Ucrânia pode traçar seu próprio caminho.

O primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, disse que vai anunciar novas sanções contra a Rússia nos próximos dias. Outro membro do G7, o Japão também lançou sanções contra a Rússia horas antes dos europeus. Moscou afirmou que as “imposições de Tóquio” atingiam amplamente as relações bilaterais entre os países e as “faziam retroceder”.

O Kremlin não se posicionou imediatamente sobre as sanções ocidentais, mas uma análise do Citigroup apostava que o país não mudaria seu cálculo geopolítico e deveria continuar enfatizando sua “capacidade própria de resiliência”.

ISOLAR FINANÇAS E TECNOLOGIA

Um dos principais objetivos das sanções é impedir a modernização das indústrias de armamento e energia russas — setores vitais da economia da segunda maior potência militar do planeta — e isolar os bancos estatais do país. As empresas de energia, por exemplo, não poderão captar novos investimentos emitindo títulos nos mercados financeiros dos 28 países do bloco europeu que tenham um prazo de validade superior a 90 dias. Os americanos, por sua vez, não poderão negociar com os bancos russos VTB e Agrícola.

As sanções não afetam a renovação de equipamentos de tecnologia para o gás natural, fonte de energia para a Europa. Exportações de armas já acordadas, como a venda de dois navios de guerra da França no valor de € 1,2 bilhão (R$ 3,6 bilhões), também não foram afetadas.

Washington já argumentava com os aliados europeus sobre a necessidade de punir a Rússia pela questão ucraniana antes da queda do voo MH17 da Malaysia Airlines, há duas semanas. A UE, porém, se limitava a congelar ativos e vistos de alguns indivíduos, já que o vizinho do Leste é um de seus maiores parceiros comerciais. A Federação Alemã de Engenheiros, de fabricantes de máquinas, afirmou que apenas a ameaça das sanções já prejudicou as exportações do setor para a Rússia, que caíram 20% nos primeiros cinco meses deste ano em comparação com o mesmo período de 2013.

Boa parte das vítimas do MH17 eram cidadãos europeus, e a Holanda lidera as investigações para esclarecer os motivos da queda. A agência civil de aviação da ONU marcou para fevereiro uma reunião para rediscutir as normas internacionais de segurança.

Mas foram imagens como a de um rebelde tirando um anel de uma das vítimas do voo e a afirmação de agências de inteligência da Ucrânia e dos EUA de que foram os separatistas a disparar os mísseis, que pioraram ainda mais o clima entre Bruxelas e Moscou.

O Kremlin nega as acusações feitas pelo Ocidente e rebate com afirmações parecidas: diz que a desestabilização da Ucrânia foi causada pelo apoio dos europeus e americanos a “fascistas” que tomaram o poder após os protestos iniciados em dezembro levarem à derrubada do presidente Viktor Yanukovich. E também acusa as tropas de Kiev de terem disparado o míssil contra o MH17.

A relação entre as potências nucleares Rússia e EUA chegou à própria questão atômica: um dia antes do anúncio das sanções, Washington acusou Moscou de violar o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário e pediu diálogos bilaterais urgentes sobre o assunto.

oglobo.globo.com | 30-07-2014

BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff aproveitou sua fala na cúpula do Mercosul em Caracas, capital venezuelana, para fazer uma cobrança à União Europeia por sua contrapartida no acordo de associação entre os dois blocos. A presidente disse que o Mercosul já fez sua parte, mas a Europa ainda não, e que o acordo só será possível quando houver um “intercâmbio simultâneo” entre ambos os lados.

- No caso do acordo de associação entre o Mercosul e a União Europeia, nosso bloco já concluiu oferta compatível com os compromissos assumidos na negociação de 2010. Esperamos agora que o lado europeu consolide a sua oferta. Essa negociação só poderá prosperar com intercâmbio simultâneo de ofertas e o equilibro entre o que demandamos, o que demandam eles, o que oferecemos e o que oferecem eles – disse Dilma.

Ela também deu o recado de que o Mercosul não é um bloco economicamente insignificante. E que o recente encontro entre o Brics( bloco formando entre Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul) e países sulamericanos em Brasília mostrou que há novas oportunidades ao alcance do Mercosul junto a grandes emergentes.

- O Mercosul não é um espaço econômico insignificante, pelo contrário, tem o segundo maior território, a quarta maior população e a quinta maior economia do mundo. Possui as maiores reservas de água doce, um dos maiores potenciais energéticos e minerais, além de uma agricultura moderna de alta produtividade. Também temos uma indústria que se não é inteiramente completa é extremamente significativa - pontuou a presidente em seu discurso.

oglobo.globo.com | 29-07-2014
A União Europeia chegou a um acordo para impor sanções contra setores da economia da Rússia, segundo diplomatas.
atarde.uol.com.br | 29-07-2014

LONDRES Uma das historiadoras mais respeitadas, a canadense Margaret MacMillan vê semelhanças quase aflitivas — para quem a ouve — entre o mundo atual e aquele de 100 anos atrás, quando o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando por terroristas em Sarajevo desencadeou a primeira grande guerra mundial. Os Bálcãs de antes poderiam perfeitamente ser o Oriente Médio ou os mares do Sul da China de hoje, segundo ela. Cercada por livros em seu gabinete na Universidade de Oxford, onde passa a maior parte do tempo, disse ao GLOBO que os riscos não podem ser descartados. Mas não está completamente pessimista. Para ela, o mundo de hoje tem instituições internacionais mais fortes e um sentimento de Humanidade compartilhado que podem evitar uma nova grande guerra. “Então, vamos tentar ter confiança nisso...”, disse, sorridente, a autora do livro “A guerra que acabou com a paz: como a Europa trocou a paz pela primeira guera mundial”.

A senhora diz o mundo está parecido com o do pré-I Guerra. Quais as semelhanças?

Ambos são muito globalizados. O período de 1914 já era, com a disseminação das comunicações, dos telégrafos, das ferrovias, o movimento de povos pelo planeta, com os europeus partindo para o novo mundo. Os eventos em uma parte do mundo afetavam as outras. Havia uma expansão da prosperidade, mas a divisão era muito desigual. Havia também os movimentos de trabalhadores, os movimentos revolucionários. Havia ainda um medo exagerado, talvez como agora, do poder dos terroristas, de ataques. O nacionalismo também se repete: nos Bálcãs, ou na Escócia, logo ali, querendo deixar o Reino Unido, e em partes da Ásia, no Japão. E uma força de partidos de direita, como o Tea Party ou o Ukip aqui no Reino Unido. Não se trata mais de partidos de direita tradicionais, mas antielite, novas organizações política. Os protestos eram mais organizados em 1914 do que agora. Os sindicatos estavam em ascensão e agora estão em queda. Mas há greves na China. Há problemas que se repetem, embora não necessariamente nas mesmas partes do mundo. As pessoas também estão pensando de maneira mais internacional.

As semelhanças indicam riscos similares de uma guerra hoje?

Seríamos bobos se não tivéssemos cautela, ou não pensássemos em riscos. Temos que estar preocupados. Há o risco da corrida armamentista, da mudança do clima, das grandes epidemias, vírus. Uma nova guerra mundial não é provável, porque tivemos duas e sabemos o que pode acontecer, ainda mais agora que as armas têm uma capacidade de destruição muito maior. Poderia ser o fim de tudo. Uma semelhança interessante são as partes do mundo em que há problemas e disputas locais que ameaçam envolver países (poderes) de fora. Antes de 1914 eram os Bálcãs; hoje poderiam ser, por exemplo, o Oriente Médio ou os mares do Sul e do Leste da China.

Conflitos como o da Ucrânia não significam que a tensão pode estar no ar?

Os países do Ocidente não souberam lidar com a Rússia corretamente desde o fim da Guerra Fria. É um país orgulhoso. O discurso de Putin por conta da anexação da Crimeia mostra que há muito ressentimento e orgulho ferido. Ele menciona o Kosovo, em que o Ocidente agiu exatamente da mesma maneira. Tudo isso importa. E agora quer desestabilizar a região. Uma das coisas que mais me assustam hoje são as estatísticas. Há 51 milhões de refugiados no mundo, muito mais do que em qualquer momento de guerra.

Como a senhora mesma diz: não aprendemos com a I Guerra?

O aprendizado aconteceu de maneira diversa no mundo. A Europa aprendeu, prova disso é a importância da União Europeia. Mas isso é algo que as gerações mais jovens, que não viveram a guerra diretamente, já não sabem valorizar.

A senhora compara as turbulências nos Bálcãs, que acabaram por desencadear a Primeira Guerra, ao Oriente Médio. Há riscos semelhantes?

O perigo sempre depende de como os poderes de fora lidam com a situação, disso depende o risco. Cada um tinha os seus interesses nos Bálcãs, daí a importância que ganhou. O Oriente Médio é parte problemática do mundo, com países que podem levar suas forças para lá. Há interesses na Síria, no Iraque. Qualquer lugar pode oferecer risco. A China, com a militarização e os problemas no mar do Sul e do Leste, é um exemplo. O Japão também vem se movimentando com investimentos militares. Os Estados Unidos têm um acordo de defesa com o Japão, se a China e o Japão se desentendem…

Mas o mundo já não está dividido nas mãos de algumas potências como cem anos atrás...

O mundo está mais multipolar do que naquela época. Acho que podemos ver agrupamentos mais regionais, com potências regionais. A China pode, ou não, tornar-se a potência hegemônica no lugar dos Estados Unidos. Mas pode não querer sê-lo, ou não ser capaz.

Se no mundo globalizado de 1914 já havia tantos riscos, hoje, com a internet, usada para promover protestos pacíficos e a propaganda jihadista, eles não são potencializados?

A internet é neutra. Mas ajuda a pôr em contato pessoas do mal. Pode, sim, servir de combustível para ações do mal. Mas também pode ser usada para o bem, para caridade. Os governos já perceberam a importância e o poder da rede, e estão tentando usá-la a seu favor. Sabem que as pessoas usam a internet para atrair uma audiência cada vez maior.

Há uma corrida armamentista no mundo. E não é só em países como Irã, ou Síria. EUA e o Reino Unido gastam bilhões. Não é uma ameaça?

No caso britânico, é mais uma ressaca imperial. Tem valor simbólico. Para que precisa disso tudo? Os EUA também continuam se armando. Israel não diz ter armas nucleares, mas todos sabem que sim. Tem o Paquistão, uma ameaça no Irã. A Ucrânia desistiu em troca de integridade territorial quando se tornou independente da URSS. A proliferação de armamentos de massa é um grande risco.

A senhora diz que a Primeira Guerra aconteceu por um conjunto de acidentes e decisões tomadas pelos líderes da época. Que acidentes podem acontecer hoje?

Os chineses com seus navios de guerra, por exemplo, podem esbarrar em uma embarcação filipina ou num barco pesqueiro japonês. Tudo isso por engano. A Coreia do Norte agir de maneira imprudente, o que não é impossível. Se o Isis resolver atacar o Irã… Não podemos descartar nada. O assassinato de Francisco Ferdinando foi um acidente. Os terroristas acharam que, matando o arquiduque, as coisas automaticamente se resolveriam. Não previram os desdobramentos. Nunca pensaram numa guerra global. Faz parte da natureza humana ter problemas. Sempre os teremos de uma maneira ou de outra.

oglobo.globo.com | 28-07-2014

País deve ultrapassar a União Europeia e se tornar o 2º maior parceiro comercial da região até 2016, segundo a ONU.
g1.globo.com | 27-07-2014

As turbulências econômicas mundiais aos poucos deixaram de servir de álibi para os problemas da economia brasileira, num dos ciclos de crescimento médio mais baixos da história. Tanto que, se o PIB evoluir próximo do 1,5%, a gestão da presidente Dilma estará, sob este critério, entre as piores da República, na companhia dos governos Floriano Peixoto e Collor.

A expectativa atual dos analistas do mercado financeiro é de um índice mais baixo, pouco acima de 1%. O próprio governo, em relatório do Ministério do Planejamento, reduziu de 2,5% para 1,8% a estimativa de expansão do PIB este ano.

Enquanto isso, a economia americana continua em trajetória de recuperação, e deve obter em 2014 um resultado melhor que a brasileira, mais próximo dos 2%. Já a economia europeia apresenta um cenário diversificado, com alguns países melhores e outros piores, mas num quadro diferente daquele de terra arrasada de há dois anos.

Confirma-se o que já se sabia: as causas das dificuldades da economia brasileira são internas. Na manhã de ontem, o Banco Central desembrulhou um minipacote para tentar ativar o crédito. Estabelecido em ata do Copom que não se cortam os juros neste momento de inflação nas alturas (pouco acima de 6,5%, limite superior da meta), o governo tenta induzir o mercado financeiro a elevar a oferta de crédito. Com alterações na remuneração dos depósitos compulsórios de bancos e redução de exigências para a cessão de empréstimos, o governo espera colocar mais R$ 45 bilhões disponíveis para créditos.

O principal objetivo é reativar as vendas de veículos, afetadas pela crise argentina e pela retração mesmo do mercado interno: em junho, a produção do setor automobilístico caiu 23%; e estima-se uma queda de 10% este ano, mesmo mantido o IPI reduzido.

Não há muito otimismo com as medidas. Afinal, a via do consumo tem sido tentada sem maiores êxitos, para relançar a economia. A fórmula se esgotou, diz-se há tempos, mas o Planalto persiste. Talvez devido à proximidade das eleições, para as quais todas as cartas parecem já ter sido dadas no que se refere à economia.

No caso dos veículos, a redução do IPI teria funcionado como grande indutor de antecipação de consumo: proprietários se aproveitaram do incentivo e anteciparam trocas. Assim, com o tempo, o corte do imposto tende a perder a eficácia.

Há, ainda, a baixa confiabilidade na política econômica, causa da retração de investimentos, fator que precisa substituir o consumo como força de tração do crescimento. E a inflação, o efeito do baixo crescimento no mercado de trabalho e o próprio nível de endividamento das famílias reduzem o ímpeto da ida às compras. Não são risonhas as perspectivas.

oglobo.globo.com | 26-07-2014

Nem a morte de 298 inocentes na queda de um jato da Malaysian Airlines sobre o Leste da Ucrânia, atingido por um míssil fornecido pela Rússia aos separatistas ucranianos, foi capaz de fazer o czar Vladimir Putin suavizar a estratégia de apoio a essas forças, em aberto desafio à comunidade internacional. Os EUA acusam Moscou de atacar com artilharia o território do país vizinho e de planejar o envio de novos lançadores de mísseis e armas pesadas para os separatistas, numa escalada do conflito. Na quarta-feira, mais dois caças ucranianos SU-25 foram abatidos sobre a região conflagrada, ficando apenas a dúvida se foram os rebeldes ou os próprios russos.

A conduta do Kremlin no episódio da derrubada do avião comercial foi deplorável. Levou dias até que os separatistas, aliados de Moscou, permitissem o trabalho de investigadores internacionais junto aos destroços do jato num campo aberto. Eles constataram que a área tinha sido adulterada pelos rebeldes, para encobrir evidências de que a aeronave fora atingida por um míssil. Quando finalmente os mercenários a soldo da Rússia liberaram os corpos, constatou-se que não estavam todos os 298.

Putin continua dúbio. Concorda em conversar e faz acenos a propostas para pôr fim ao conflito que ameaça dividir a Ucrânia ao meio, mas, na prática, continua fornecendo homens e armas para que suas forças de aluguel no Leste do país, fronteira com a Rússia, sigam combatendo o exército regular ucraniano. Mas evidências de que tem havido ataques de artilharia a partir do território russo muda o caráter do conflito, até aqui tratado como algo interno, entre os separatistas e o governo de Kiev. Passa a ser um embate entre dois países.

Citando fontes da inteligência americana, o jornal “Financial Times” revelou que entre as armas que a Rússia está enviando aos separatistas estão tanques T-64, lançadores de mísseis Grad, veículos de combate com canhões automáticos, veículos militares de transporte e sistemas anti-aéreos como o que derrubou o jato da Malaysian Airlines.

O recurso usado pelo Ocidente para tentar demover Putin são as sanções. Evidentemente, elas precisam ser intensificadas. A União Europeia, até agora reticente em apertar o laço devido aos interesses econômicos na Rússia, caminha para um consenso em torno de restrições à venda de armas, de tecnologia usada pelos militares russos e de equipamentos para exploração não convencional de petróleo.

Além disso, o mercado europeu seria fechado para investimentos e instrumentos financeiros russos, um duro golpe para a economia comandada pelo Kremlin.

O presidente Obama disse à CNBC que, provavelmente na próxima semana, os EUA vão adotar sanções mais duras contra bancos e companhias de energia e de armamentos da Rússia. Espera-se que os europeus não fiquem atrás.

oglobo.globo.com | 26-07-2014

Num momento em que os ocidentais se interrogam sobre a necessidade de reforçar as sanções contra a Rússia, acusada de apoiar os separatistas pró-russos ucranianos que terão abatido o voo MH17, o Adevărul explica de que forma a imposição de medidas de retaliação no plano económico contra Moscovo terá muito provavelmente uma incidência na economia da UE.

Segundo o diário romeno, a Europa e a Rússia estão ligadas por um comércio bilateral no valor de centenas de milhares de milhões de euros. Nomeadamente, 30% do gás que os europeus consomem proveem da Rússia e os russos adoram os automóveis alemães e as marcas de roupa italianas. Além disso, os investimentos ocidentais na Rússia são vistos como uma garantia contra a imposição de sanções mais rigorosas.

Recentemente, os Estados Unidos declararam que a Rússia terá de enfrentar custos adicionais se continuar a ajudar os separatistas e a destabilizar a Ucrânia. No entanto, segundo o Adevărul,

a discussão de novas sanções mostra que Bruxelas e Washington não podem formar uma frente comum contra Moscovo, devido sobretudo às diferentes posições no seio da UE.

www.voxeurop.eu | 24-07-2014
O primeiro-ministro considerou hoje que a economia deverá assumir um papel cada vez mais central na CPLP e declarou ter convidado os Estados membros exportadores de hidrocarbonetos a usarem Portugal como porta de entrada na Europa.
www.rtp.pt | 23-07-2014
Um aprofundamento da crise na Ucrânia poderia interromper o processo de recuperação da economia europeia em 2015, segundo o professor especialista em conjuntura econômica internacional da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), Paulo Feldmann.
atarde.uol.com.br | 23-07-2014
O setor das telecomunicações em Portugal sentiu os efeitos da crise económica, com quebras nas receitas e nos investimentos, mas o país continuou a fazer progressos relativamente às metas da Agenda Digital europeia, segundo um relatório da Comissão Europeia.
www.rtp.pt | 22-07-2014
O euro caiu diante das principais moedas, depois de os dados da inflação nos EUA em junho colocar em evidência a diferença entre o desempenho da economia norte-americana e a europeia.
atarde.uol.com.br | 22-07-2014

BRUXELAS - A dívida pública dos países da zona do euro se aproxima, apesar da austeridade, da cifra psicológica de 100%. O endividamento dos 18 países que tem como divisa a moeda única aumentou no primeiro trimestre do ano para 93,9%, segundo os dados divulgados na manhã desta terça-feira pelo escritório europeu de estatísticas (Eurostat).

O número é 1,2% superior ao do quarto trimestre de 2013, e supõe um crescimento de 1,4% sobre o registrado em igual trimestre do ano passado.

Com dívida pública total de suas administrações equivalente a 96,8% de seu PIB – quase sete pontos percentuais a mais do que um ano antes –, a Espanha superou a França pela primeira vez desde do fim de 2000, e se tornou a sétima economia mais endividada da zona do euro e da União Europeia.

Somente a Grécia (174,1%), Itália (135,6%), Portugal (132,9%), Irlanda (123,7%), Chipre (112,2%) e Bélgica (105,1%) apresentam dados piores. No lado oposto, Estônia (10%) e Luxemburgo (22,8%) obtiveram, no fim de março, as melhores taxas de dívida comparado com PIB na eurozona.

O aumento no endividamento dos 18 países da zona do euro reverte a tendência de quedas nos trimestres anteriores e é um importante aviso aos três países mais afetados pela crise de dívida europeia: Chipre, Eslovênia e Grécia, que tiveram aumentos de 24,6%, 23,9% e 13,5%, respectivamente, na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.

oglobo.globo.com | 22-07-2014
A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, fala com a imprensa em Bruxelas - THIERRY CHARLIER / AFP

BRUXELAS — A União Europeia publicará na próxima quinta-feira novas sanções contra entidades e personalidades russas pelo apoio aos separatistas na Ucrânia, anunciou nesta terça-feira a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton. Segundo o ministro de Relações Exteriores austríaco, Sebastian Kurz, as áreas atingidas serão os setores de defesa e de tecnologia. A decisão ocorre ao mesmo tempo em que cresce a indignação internacional após a derrubada do voo MH17 da Malaysia Airlines em território controlado pelos rebeldes, no Leste da Ucrânia

— A Comissão (Europeia) será encarregada de preparar sanções contra os setores de tecnologias e militares — declarou o ministro, durante reunião com líderes ocidentais em Bruxelas.

A informação adiantada pelo austríaco foi confirmada por fontes europeias. O ministro das Relações Exteriores holandês, Frans Timmermans, declarou que a UE concordou em impor proibições de viagens e congelar os bens de autoridades russas, mas não revelou a quantidade ou identidade dos funcionários envolvidos.

— A Rússia não tem feito o suficiente para ajudar a acabar com o conflito — afirmou Steinmeier.

O holandês disse ainda que as medidas afetarão os mercados financeiros europeus e o setor energético, em particular as áreas de gás e petróleo. No entanto, os chanceleres reunidos decidiram não impor, pelo menos por enquanto, sanções mais duras que tenham repercussão em setores inteiros da economia russa.

Mais do que nunca, a Rússia está na mira da União Europeia, depois da queda do avião derrubado no Leste da Ucrânia, área controlada por separatistas. Quase 300 pessoas morreram na tragédia. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou que o acidente alterou drasticamente a situação e que os russos não podem ter acesso aos mercados de capitais europeus, se continuarem a alimentar uma guerra contra outro país europeu.

Moscou já foi alvo de sanções por seu papel no conflito entre Kiev e apoio aos rebeldes. Especificamente, a UE proibiu até agora a obtenção de vistos europeus e congelou os bens de 72 personalidades russas e ucranianas.

oglobo.globo.com | 22-07-2014

NOVA YORK — Os empresários mais ricos da Rússia estão cada vez mais desesperados com as políticas do presidente Vladimir Putin na Ucrânia, que podem levar a sanções paralisantes — e temem tanto as represálias que evitam se posicionar publicamente, segundo analistas. Se Putin não se mexer para acabar com a guerra no país vizinho, que se agravou com a derrubada, na semana passada, de um jato da Malaysia Airlines em território controlado pelos rebeldes, corre o risco de se tornar um pária internacional como o presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, a quem os EUA notoriamente rotulam como o último ditador da Europa.

— O que está acontecendo é ruim para os negócios e para a Rússia — disse um bilionário local, sob condição de anonimato.

— A elite econômica e empresarial está simplesmente aterrorizada — afirmou Igor Bunin, que dirige o Centro de Tecnologia da Política em Moscou, lembrando que ninguém irá publicamente confirmar isso, temendo a ameaça implícita de represálias. — Qualquer sinal de rebelião e eles estarão de joelhos.

A derrubada da aeronave comercial que saía da Malásia, e matou 298 pessoas, levou a renovadas ameaças de sanções mais profundas por parte dos EUA e da União Europeia — que já haviam sancionado cidadãos e empresas russas, considerados cúmplices na insurgência pró-Rússia na Ucrânia. Recentemente, o Reino Unido acusou Putin de “patrocinar o terrorismo”.

— Marcar a Rússia, como o Irã ou a Líbia de Muammar Kadafi, como um “estado patrocinador do terrorismo", como o ministro da Defesa britânico sugeriu, seria uma grande jogada que teria um impacto muito significativo sobre a Rússia e as empresas que lidam com o país — afirmou Timothy Ash, economista de mercados emergentes do Standard Bank Plc em Londres.

De acordo com o porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, no entanto, a Rússia não está preocupada com a possibilidade de ser rotulada assim.

PRECEDENTE LÍBIO

Em 1988, o atentado contra o voo da Pan Am Flight 103 sobre Lockerbie, na Escócia, que matou 270 pessoas e foi atribuído a Líbia, foi uma das causas que levaram a sanções internacionais nos anos de 1980 e 1990, consolidando o status da Líbia como um pária até o final do século.

Embora a UE tenha até agora imposto medidas menos severas contra a Rússia do que os Estados Unidos — por causa da oposição de países como a Itália e a Áustria —, Reino Unido e Holanda lideram a pressão por punições mais ousadas em uma recente reunião de ministros das Relações Exteriores. A maioria das vítimas a bordo do avião, 193, eram holandeses; dez eram britânicos.

E em meio à turbulência do mercado provocada pelo conflito, os 19 russos mais ricos perderam US$ 14,5 milhões desde o início do ano, de acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg — em comparação a um aumento de US$ 56,5 milhões entre os 64 americanos mais ricos.

— A Rússia corre o risco de se tornar um Estado pária, se não se comportar adequadamente — disse o ministro do Exterior britânico, Philip Hammond, ao Sky News, no fim de semana. — Precisamos agora usar o sentimento de indignação que está claro para obter uma nova rodada de sanções contra Moscou.

Punições adicionais dos EUA podem ser impostas nas próximas semanas, com sanções prováveis em toda a indústria em setembro, caso os investigadores comprovem que os rebeldes realizaram o ataque. A Europa, no entanto, tomaria medidas menos amplas, já que tem laços comerciais mais estreitos com a Rússia, de acordo com o Eurasia Group, empresa de pesquisa e consultoria com sede em Nova York.

— A ameaça de sanções contra setores inteiros da economia é agora muito real e há motivos sérios para que os empresários tenham medo — afirmou Mikhail Kasyanov, primeiro-ministro da Rússia durante o primeiro mandato de Putin, de 2000 a 2004. — Se houver sanções contra todo o setor financeiro, a economia entrará em colapso em seis meses.

Andrey Kostin, chefe do credor estatal VTB Group, sinalizou na semana passada que as sanções já em vigor podem prejudicar a economia russa em US$ 2 trilhões. Apesar de toda a pressão econômica, Putin, que negou repetidamente armar os separatistas na Ucrânia, não vai recuar, porque está determinado a resistir à ingerência dos EUA e Europa, de acordo com um estudo do Eurasia Group.

“Ele ainda verá a influência russa sobre o Leste da Ucrânia e um veto russo em relação à adesão da Ucrânia à Otan como interesses nacionais russos vitais. A ajuda militar aos rebeldes vai continuar”, diz.

oglobo.globo.com | 22-07-2014
Vladimir Putin chega a aeroporto na cidade de Samara, na Rússia - Alexei Nikolsky / AP

LONDRES — Os investigadores ainda estão longe de um julgamento oficial para determinar as causas da derrubada do voo MH17 da Malaysia Airlines, no Leste da Ucrânia, matando todos os 298 passageiros e tripulantes a bordo. Mas, para líderes do Ocidente, o veredicto parece já ter sido definido: Vladimir Putin é o culpado.

Putin enfrenta uma enxurrada pessoal de condenação mundial após a derrubada do avião comercial. As autoridades americanas e ucranianas sugerem que o míssil responsável por abater a aeronave era, na verdade, russo e fornecido aos rebeldes. Agora, se ele não conseguir rapidamente mudar o rumo da crise na Ucrânia, Moscou sofrerá a ameaça de novas sanções.

A Austrália já levantou a possibilidade de retirar Putin da reunião do G20, grupo das nações mais poderosas do mundo, em novembro, se ele não concordar em exercer mais pressão sobre os rebeldes ucranianos. O Reino Unido, por sua vez, acusou abertamente o líder russo de patrocinar o “terrorismo”. Já o secretário de Estado americano, John Kerry, foi a programas de TV no domingo e ressaltou que agora era o “momento da verdade” para a Rússia.

Na Europa — continente que há muito tempo pressiona os russos para deixarem de apoiar os separatistas — o choque inicial deu lugar, rapidamente, à indignação. No domingo, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, François Hollande, e primeiro-ministro britânico, David Cameron, conversaram em um telefonema conjunto sobre a crise. Um porta-voz do gabinete inglês declarou que os três líderes concordaram que a União Europeia deve reconsiderar a abordagem para a Rússia e que os ministros devem se preparar para para impor mais sanções ao país, quando se encontrarem na terça-feira, em Bruxelas.

“A Rússia fez isso e Putin deve pagar, política e economicamente”, exigiu o jornal londrino “The Sunday Times”.

Talvez o lugar onde o clima mudou mais rapidamente foi na Holanda, de onde saiu o avião abatido, pois a tragédia custou a vida de 192 cidadãos holandeses. O primeiro-ministro Mark Rutte falou com Putin no sábado e afirmou que o russo “tem que assumir responsabilidades.” Os comentários foram feitos no mesmo momento em que a tristeza profunda, que parecia consumir muitos holandeses no início, começou a dar gradualmente lugar à raiva.

Flores são depositadas na área externa do aeroporto de Schiphol, em memória às vítimas do voo MH17 - UNITED PHOTOS / REUTERS

A mudança foi motivada pelas cenas horríveis de corpos deixados no local da queda do acidente e, posteriormente, pelo transporte dos mortos em trens, feito sem qualquer cerimônia. Os rebeldes haviam permitido a centenas de voluntários o acesso aos destroços, mas ainda estavam se recusando a ceder a autoridade do local do acidente ao governo ucraniano.

— Agora, estamos mais com raiva por causa da maneira desrespeitosa como (os insurgentes) nos trataram e a forma como eles estão lidando com os corpos — afirmou a holandesa Marjolein Pel, de 60 anos.

PRESSÃO ECONÔMICA

Fortes laços econômicos da Europa com a Rússia oferecerão a maior pressão sobre Moscou, na tentativa de forçar Putin a abandonar o apoio aos rebeldes que há meses já protagonizaram uma insurgência sangrenta no Leste da Ucrânia. No entanto, até agora, os europeus realizaram várias rodadas de sanções que tiveram impacto limitado. Além disso, a região é conhecida por rodadas penosas e demoradas de consenso diplomático, antes de agir.

Apesar da onda de raiva, não ficou claro se a pressão acabaria por danificar seriamente os setores da economia russa. O confronto também poderia levar a riscos enormes para a Europa, que depende da Rússia para fornecer cerca de 30% do seu petróleo e gás natural. Por isso, o continente teme que Putin responda às sanções com o corte do fornecimento de energia.

Há ainda o medo de interromper a entrada do dinheiro russo, que flui para contas bancárias de Londres e para apartamentos de luxo, hotéis e boutiques de Paris e Roma. Mas é certo que em todo o continente, a raiva contra Putin é palpável, talvez dando aos líderes políticos mais espaço de manobra. Depois de acusar Putin de patrocinar o terror, o secretário de Defesa britânico, Michael Fallon, exigiu em entrevista no domingo que a Rússia “saia do Leste da Ucrânia e deixe-a para os ucranianos.”

Tradicionalmente com laços mais fortes com a Rússia, a Alemanha também adotou uma linha mais dura. Em entrevista ao jornal “Bild” no domingo, o ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, pediu a Moscou para forçar um cessar-fogo imediato sobre os rebeldes.

“Pode ser a última chance de a Rússia nos mostrar que está realmente interessada em uma solução”, disse ele.

oglobo.globo.com | 21-07-2014

BUENOS AIRES - Em 2005, o então ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, comandou a primeira operação de reestruturação da dívida do país, que obteve 76,15% de adesão. Pouco tempo depois, Lavagna saiu do governo Kirchner, sem imaginar que a dívida levaria o país, no futuro, a enfrentar o chamado julgamento do século. Numa das pouquíssimas entrevistas que concedeu nas últimas semanas, em meio à delicada disputa entre a Casa Rosada e os fundos abutres nos tribunais de Nova York, o ex-ministro disse ao GLOBO que a crise financeira atual é consequencia de “um vazio legal” e “do abandono por parte do governo Kirchner” de uma questão que “tinha um caminho claramente traçado”. Faltam poucos dias para que vença o prazo de um mês - em 30 de julho - dado ao governo para chegar a um acordo com os fundos abutres e evitar o que muitos interpretam como um risco de calote. Lavagna, porém, faz uma correção: “A versão simplista de um calote não pode ser aplicada no caso de um país que está pagando e cumprindo com 93 de cada 100 credores”. Para o único ex-ministro da Economia da Argentina que elevou seu prestígio após abandonar o cargo, desde a redemocratização, em 1983, o fato do governo ter desembolsado mais de US$ 1 bilhão para pagar os credores reestruturados (dinheiro que a Justiça americana congelou, porque exige, ao mesmo tempo, o pagamento de US$ 1,5 bilhão aos abutres) impede falar em calote.

O senhor acredita na possibilidade de um acordo que evite o calote?

ROBERTO LAVAGNA: Primeiro, espero que seja alcançado um acordo. Por outro lado, me parece que as coisas devem ser ditas da maneira correta. Enquanto a Argentina continuar pagando como está fazendo aos que têm bônus da dívida reestruturada (em 2005 e 2010), que são 93 de cada 100, não acho que possa usar-se alegremente o termo calote. Em todo caso, são questões legais complexas, me parece que não é comparável a um calote. De fato, a Argentina fez pagamentos e na próxima semana o juiz convocou uma reunião (dia 22) para discutir reclamações de entidades bancárias que devem realizar pagamentos (a credores) na Europa e no Japão que sabem que o dinheiro está, porque a Argentina o enviou na data que correspondia, e tentam evitar um conflito legal. Estão perguntando ao juiz como devem proceder. A situação é muito estranha, porque parece que os castigados seriam terceiros que nada tem a ver nesta questão (os credores reestruturados). Por isso, meios de comunicação como o Financial Times, Martin Wolf, que nunca foram proclives a apoiar a Argentina, publicaram artigos dizendo que a Argentina deve ser respaldada. Nem falar em Prêmios Nobel como Krugman e Stiglitz. A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Lagarde. Todos pedem cuidado com uma interpretação simplista da decisão do juiz.

Estão errados os que falam em risco de calote?

A Argentina pagou, é o que estou dizendo. A versão simplista de um calote não pode ser aplicada no caso de um país que está pagando e cumprindo com 93 de cada 100 credores.

O senhor foi o artífice da primeira grande troca de papéis, em 2005...

Sim, tivemos mais de 76% de adesão. Li um recente artigo de Anne Krueger que diz que com 70%, hoje, qualquer reestruturação se consideraria fechada. Lamentavelmente, existem vazios legais que levam a uma situação como esta. Por esse mesmo motivo, porque a situação é complexa e existem vazios legais, não corresponde falar alegremente em calote.

O senhor imaginou que poderia esta crise poderia acontecer?

Isso é o que acontece com qualquer governo do mundo, quando alguns assuntos não são acompanhados e tratados devidamente. Entre 2005 e 2010 não se fez nada. Em 2010 se fez uma pequena troca, que obteve uma aceitação menor e foi proposta e instrumentada por uma consultoria externa e bancos. Não foi armado pelo governo argentino. Quando as coisas que o governo deveria armar são armadas por um terceiro, em geral, não dá certo. Parte do que hoje está acontecendo é consequencia desse mal procedimento em 2010. Houve um abandono da questão, depois da operação bem sucedida de 2005. Não continuaram com o caminho que tínhamos deixado claramente traçado. E quando retomaram o assunto o fizeram vinculados a interesses externos e não do país.

O senhor era dos que acreditava que a Corte Suprema dos Estados Unidos aceitaria tratar o caso argentino?

A maioria pensou, aqui e no exterior, que a Corte, no mínimo, daria tempo ao país.

Para que vencesse a cláusula Rights Upon Future Offers (RUFO, que estabelece que em caso de fazer uma oferta melhor aos chamados holdouts, a Argentina deve fazer o mesmo oferecimento aos credores reestruturados)...

Exatamente.

Por que tomaram esta decisão?

Não sei. Mas estas são situações que já viveram outros países. O Brasil teve um problema com um pequeno grupo, quando reestruturou sua dívida. É inadmissível que não existam mecanismos para os países, como existem para as empresas. Nunca se consegue 100%. Por isso até mesmo Krueguer, que nunca foi muito amiga da Argentina, diz que 70% é um resultado satisfatório. Mas existem, como disse antes, vazios legais. E a atitude da Argentina de ter abandonado o assunto também contribuiu para que chegássemos a esta situação.

Existe risco de ativação da RUFO?

Sim, claro. Não existem garantias de que isso não vá ocorrer. Enquanto alguém não me demonstrar o contrário, essa cláusula será ativada até 1 de janeiro de 2015. É uma armadilha acreditar na argumentação dos lobistas que dizem o contrário. É um risco enorme, por isso não podemos sequer discutir essa questão e por isso o governo pediu o stay (reposição da liminar, que suspende a implementação da sentença do juiz Thomas Griesa).

A Argentina já está em recessão?

A Argentina tem hoje uma queda anual de seu PBI de 2% e isso é recessão. No último ano e meio, segundo o próprio Indec, foram perdidos 20 mil empregos registrados em todo o país, a isso teríamos de somar a perda de postos de trabalho no mercado informal. Temos queda dos investimentos, enfim, é como não medicina, não existe apenas um sintoma. Existe, talvez, um sintoma principal, que é essa queda de 2%, e depois outros sintomas que confirmam que o país está em recessão.

A inflação continua aumentando?

Este mês a inflação voltou a acelerar-se e estimamos cerca de 37% para o ano. Já sabemos que 2014 e 2015 serão anos de crescimento muito baixo. Este ano haverá recessão e no ano que vem esperamos algo similar ao do Brasil, em torno de 2% positivo, no melhor dos casos. Hoje não existem condições de crescimento, nem na Argentina, nem no Brasil. Por isso o Mercosul não está passando por um bom momento.

No ano passado, o senhor foi um dos mais enfáticos em defender, durante a campanha para as últimas legislativas, que estava em jogo, principalmente, a possibilidade frear uma reforma constitucional, que permitiria uma terceira reeleição de Cristina Kirchner. Qual é o eixo das presidenciais de 2015?

Acho que é ter uma visão de conjunto, que inclua uma luta contra a deterioração institucional do país, a Justiça, etc... questões de política externa, temos de reorientar nossa política externa ao Brasil, Chile, Uruguai, Paraguai, ou seja, o Mercosul original. Terminar com a fantasia bolivariana, os acordos com o Irã. E no econômico, temos de reconhecer os desajustes. Temos déficit fiscal, atraso cambial, perda de emprego e de investimentos.

oglobo.globo.com | 21-07-2014

WASHINGTON E RIO - O comércio é, setenta anos depois, a vertente mais capenga da Conferência de Bretton Woods. Com o foco principal da reformulação global na reativação dos mecanismos financeiros e monetário e na necessidade urgente de reconstruir uma Europa arrasada, a organização do tabuleiro comercial internacional foi postergada e, quando finalmente saiu, imperou – como ainda hoje é o caso – a proteção de interesses nacionais.

O Acordo Geral de Tarifas do Comércio (Gatt) – embrião da Organização Mundial do Comércio (OMC) – foi assinado em 1947, três anos depois de Bretton Woods, com escopo limitado. Em novembro daquele ano, os países aliados se reuniram em Havana, capital de Cuba, para detalhar a proposta de regulação. O delegado brasileiro na cúpula foi o economista Roberto Campos.

Os EUA, que detinham 50% do PIB global e era de longe a maior potência mundial, não aceitaram a camisa-de-força de um acordo amplo, com a estrutura trazida pela OMC, a partir de 1995.

— Só alcançou-se um simples acordo de tarifas de manufaturados. Ficaram três espaços vazios: agricultura, serviços e compras governamentais. O sistema ficou torto até os anos 1990, quando houve as rodadas de Tóquio e a do Uruguai, que incluíram serviços, propriedade intelectual, comércio de telecomunicações e compras governamentais no GATT, mas o acordo geral já não conseguia mais abraçar tantos temas diversos, não tinha órgão de solução de controvérsias. Isso fez com que se perdesse o timing de estruturação do comércio global e a gente vê isso refletido até hoje — explica o economista Marcos Troyjo, diretor do Bric-Lab da Universidade de Columbia.

Antes da formação da OMC, também houve a adoção de mecanismos bilaterais que minaram o crescimento mais igualitário do comércio internacional. Por exemplo, diz Troyjo, países como os EUA fizeram amplo uso da cláusula da nação mais favorecida, pela qual uma nação concedia a um parceiro eleito a possibilidade de exportar sem tarifas uma quantidade grande de produtos. A China, afirma o economista, foi uma das principais beneficiárias.

Outro problema é que as decisões da OMC são tomadas por unanimidade, ou seja, os interesses de um único país podem travar negociações inteiras. E as nações continuam muito presas a atender suas necessidades internas, por exemplo protegendo setores ineficientes mas que fazem grande barulho político.

A crise global de 2008 só tornou estas barreiras mais rígidas. Para se defender dos efeitos colaterais, as nações adotaram medidas protecionistas e se retiraram da arena multilateral, deixando a OMC, com seus mais de 140 países, esvaziada. A preferência, especialmente de EUA e União Europeia, tem sido pela costura de acordos regionais, como as alianças Transpacífica e Transtlântica, nos quais os interesses são mais claro e as agendas, mais fáceis de serem defendidas.

— Isso contribui para tornar a OMC menos relevante. O que vemos hoje é que EUA e UE estão relegando à OMC apenas a agenda de contenciosos. A UE está negociando um acordo de livre comércio com o Mercosul, mas abriu uma série de disputas na OMC com o Brasil — diz Troyjo.

BRASIL: SEM ACORDOS EM 16 ANOS

Para o diretor do Bric-Lab, é impossível antecipar qual será o incentivo que surgirá para que o aspecto multilateral do comércio se reanime. Por isso, a saída para países com menos poder de fogo, como o Brasil, é “fazer de tudo um pouco”: buscar parcerias comerciais regionais sem se retirar da OMC.

— É idealismo achar que os Estados vão se comportar com benevolência e passar por cima dos interesses nacionais, das disputas internas. Em algum momento, a reforma atualizadora do sistema econômico vai desencantar. Nem que seja porque a frustração cria a necessidade.

Carlos Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getulio Vargas e ex-presidente do Banco Central do Brasil, destaca porém que a OMC é eficaz na solução de controvérsias, já que é o único organismo multilateral que tem força de lei, obrigando países a cumprirem decisões.

— O mais curioso é que a OMC é presidida por um brasileiro e é onde o Brasil menos evoluiu nos últimos 16 anos, sem firmar um único acordo comercial — disse.

* Colaborou Henrique Gomes Batista

oglobo.globo.com | 20-07-2014

WASHINGTON - A reestruturação da arquitetura financeira global passa, necessariamente, pela reforma dos organismos multilaterais, dizem os especialistas. O Banco Mundial (Bird) precisa de mais capital e foco redobrado na expansão do crescimento dos sócios. Mas, pela natureza das mudanças pelas quais o mundo passou, o trabalho concentra-se no Fundo Monetário Internacional (FMI) – que, apesar das críticas em diversas intervenções aos longo das décadas, tem tido papel central nas respostas globais às crises.

As organizações de Bretton Woods nasceram desempenhando papel tímido. O Bird foi ofuscado pelo Plano Marshall, de reconstrução da Europa com dinheiro americano. Já o Fundo apagava incêndios, basicamente europeus, e tinha até o fim dos anos 60 o Reino Unido como principal cliente.

Foi apenas em 1982, com a primeira crise da dívida do México, que o FMI assumiu sua função global, com a noção de risco sistêmico de um eventual calote mexicano. Esse papel foi reforçado com as crises dos anos 1990 e 2000, diz o economista James Boughton, ex-historiador do Fundo. No mesmo período, ficou claro que o FMI precisava refletir melhor a nova ordem mundial, com a ascensão da China e demais emergentes como o Brasil.

A estrutura de poder no FMI está ultrapassada, afirmam os especialistas. Com 19,2% do PIB mundial, os EUA mantêm 16,8% dos votos no Fundo, única nação com poder de veto sobre as decisões. A Europa está super-representada, ao passo que a China, com 16,1% da economia global, tem apenas 3,8% dos votos. No Brics, apenas Rússia e África do Sul têm seu peso econômico ajustado ao poder de voto. O Brasil, com 2,8% do PIB mundial, tem 1,7% dos votos e a Índia, que representa 6%, tem 2,3% das cotas.

— O papel do FMI está consolidado. Agora é preciso que o Congresso americano ratifique o pacote de mudanças, que dará mais recursos ao Fundo e redistribuirá votos, dando poder maior aos emergentes e consolidando a presença da União Europeia como voz unificada. O FMI terá assim mais legitimidade. Mas, junto, é preciso que se repense a relação do G-20 (grupo das 20 maiores economias do mundo), que representa um universo poderoso mas restrito — afirma Boughton.

Marcos Troyjo, diretor do Bric-Lab da Universidade de Columbia, concorda.

— Não basta apenas pensar em representação. Após 2008, há uma tensão entre ação, coordenação e delegação. Os EUA precisam revitalizar sua economia, enchem o mercado de recursos, mas não levam a política dos outros em consideração. O FMI precisa poder implementar as medidas necessárias e falar para os EUA que é hora de ajustar, falar para a China ajustar, como fala para os demais emergentes e nações pobres. O Fundo precisa de um novo mandato.

Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do FMI e professor de Havard, afirma que “será ridículo se o diretor-gerente que substituir Christine Lagarde (francesa) não for de um país emergente”, rompendo a tradição pela qual os EUA indicam o presidente do Bird e a Europa, o dirigente do FMI. Ele adiciona outro ponto para reforma: a dos instrumentos utilizados nos programas de assistência do Fundo. Ele vê com bons olhos a discussão sobre o re-profiling, mecanismo que permitiria a reprogramação do pagamento de dívida privada pelos governos, uma espécie de perdão temporário.

— Esta seria uma grande mudança de paradigma e era claramente a solução para a Europa periférica após 2008, que tinha dívidas altíssimas e, para saná-las, teve que segurar o crescimento, com consequências desastrosas — diz Rogoff.

Para James Boughton, o fortalecimento do FMI é uma peça-chave na nova arquitetura global, diante das dificuldades políticas de se criarem novas instituições e órgãos reguladores internacionais:

— Eu acho irrealizável um novo Bretton Woods, temos que trabalhar dentro do sistema que existe. Dentro do FMI, já temos estruturas tratando dos temas prementes, já temos o board de regulação financeira, temos muito trabalho sendo feito sobre capitais. Os países estão trabalhando regulações nacionais e, com os anos, elas ficarão prontas e as melhores práticas vão se sobressair. É preciso continuar nesta direção e o Fundo pode conectar essas pontas. Se não fortalecermos o FMI, haverá uma nova crise. Esta é a verdade a se encarar. É melhor fazermos as coisas sem precisarmos de nova crise para nos incentivar.

oglobo.globo.com | 20-07-2014

A multiplicidade de nações adjacentes fez da Economia da Europa uma das mais complexas do planeta. Durante séculos a Europa foi o centro econômico do planeta. Entre as causas, podemos citar como a principal sua condição geográfica. A localização entre a África e a Ásia, fez da região europeia um ponto de passagem obrigatório, e facilitou de forma substancial a absorção e irradiação dos conhecimentos, tecnologia e comércio de ambos continentes. Esta condição perdurou até ao século XX. No século XX, a Europa viu seu predomínio declinar em relação aos Estados Unidos, o Japão e, na fase final, a China. A Primeira e Segunda guerra mundial, travadas em seu território, a carência de energia, de petróleo, além de uma intensa rivalidade entre seus povos, representaram para o continente a perda de sua liderança econômica. A Europa não tem auto-suficiência na produção de energia, exigindo a importação de muito petróleo. Este produto só é extraído em quantidades consideráveis na Rússia e no Mar do Norte. O gás natural, outro produto bastante usado na geração e produção de energia é muito abundante na Rússia, Romênia, Países Baixos e no Reino Unido. Outro recurso energético que teve grande importância nas fases iniciais da revolução industrial foi o carvão mineral, muito abundante, sobretudo na Alemanha, Polônia, Rússia, Reino Unido. Todas estas fontes energéticas são extremamente poluidoras e causam grandes impactos ambientais em todo o planeta. No caso da energia limpa, ou seja, não poluidora, podem ser citadas a energia hidráulica, energia eólica, e energia solar, de baixa produção e utilização da Europa, devido às suas condições geográficas. A produção de energia nuclear na Europa é muito importante, e, a exemplo dos Estados Unidos, gera imensas quantidades de lixo atômico, cujo fim, desde o início de sua utilização, é muito nebuloso e nunca divulgado na mídia mundial.


De dbpedia, licença creative commons CC-BY-SA
w3architect.com | hosting p2pweb.net
afromix.org | afromix.info | mediaport.net | webremix.info