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Europa Economia

ANCARA — A União Europeia (UE) lançou nesta segunda-feira um plano de ajuda para refugiados na Turquia. A iniciativa de 350 milhões de euros consiste em distribuir cartões de débito carregados com cerca de 30 euros cada um. O objetivo é “dar uma sensação de normalidade” para os refugiados, segundo o comissário europeu de Ajuda Humanitaria, Christos Stylianides. refugiados

Os refugiados que quiserem se beneficiar pelo programa poderão apresentar um pedido a partir de outubro. Para as famílias requerentes de asilo que tiverem crianças escolarizadas, o valor da ajuda será maior.

Em Ancara para lançar o programa, Stylianides garantiu que todos os refugiados registrados são potenciais beneficiários. Ele classificou a iniciativa de uma resposta inédita a uma crise sem precedentes.

Apenas na Turquia, vivem cerca de 3 milhões de refugiados atualmente. A maioria é de sírios, que deixaram seu país em fuga da guerra civil. Muitos vivem em grandes cidades e não têm acesso direto à ajuda de organizações não-governamentais.

O comissário argumentou que o plano também beneficiará a economia turca.

— O dinheiro será gasto nos comércios locais. Isto vai beneficiá-los e impulsionar a coesão social entre os cidadãos turcos e os refugiados — afirmou Stylianides.

O plano é parte de uma ajuda total de 6 milhões de euros que a União Europeia prometeu à Turquia no acordo alcançado em março. Em troca, Ancara aceitou frear a chegada de refugiados ao território europeu depois que o continente recebeu em 2015 mais de um milhão de pessoas em busca de asilo nos países do continente.

oglobo.globo.com | 26-09-2016
As velhas tensões sobre o livre comércio estão ressurgindo na União Europeia. Ela hoje pode estar profundamente integrada na economia mundial, com um em cada sete empregos dependendo das exportações. Mas a opinião pública está cada vez mais desconfiada da globalização.
online.wsj.com | 26-09-2016

SÃO PAULO - A BRF, gigante brasileira do setor de alimentos, fechou, na quinta-feira, uma captação de US$ 500 milhões no mercado externo, com a emissão de títulos com prazo de 10 anos. A demanda pelos papéis foi cinco vezes maior que a oferta, chegando a US$ 2,5 bilhões, e os juros oferecidos aos investidores ficaram em 4,35% ao ano. Para fazer a emissão, a empresa esperou a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), anunciada quarta-feira, de manter a taxa de juro entre 0,25% e 0,50% ao ano — uma dos menores da história. Para os especialistas, o interesse pelos papéis da BRF apenas confirma que o mercado externo voltou a se abrir para as empresas brasileiras.

Este ano, as emissões de dívida de companhias nacionais no exterior, incluindo a operação da BRF, já somam US$ 16 bilhões, o dobro dos US$ 8 bilhões registrados em 2015. Se consideradas as duas emissões feitas pelo Tesouro Nacional, o total captado lá fora atinge US$ 19 bilhões este ano. De acordo com analistas, as emissões vão subir um pouco mais até o fim do ano, mas ainda ficarão abaixo das médias anuais registradas até 2014, que oscilavam entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões. Mas, se a economia brasileira recuperar fôlego em 2017, a expectativa dos economistas é que o patamar histórico de captações externas seja retomado.

— Houve um período longo sem emissões (de setembro de 2015 a maio deste ano), que foram retomadas após uma melhora de sentimento em relação ao Brasil. A remoção da incerteza política ajudou, embora ainda permaneça a incerteza econômica — explica Cristina Schulman, superintendente de mercado de capitais do Santander.

DEMANDA SUPERA OFERTA

Entre as empresas que captaram recursos no exterior, estão companhias acostumadas a recorrer a essa fonte de financiamento, como Petrobras, Cosan, Suzano, Marfrig e Vale. Foram pelo menos 11 operações, e, em alguns casos, a demanda superou em muito a oferta. Na emissão da Marfrig, por exemplo, que somou US$ 750 milhões, a demanda chegou a US$ 2,5 bilhões.

José Eduardo Laloni, diretor de mercado de capitais da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), observa que, além das companhias tradicionais, há um movimento de novas empresas de olho nos recursos do exterior. É um movimento tímido, diz, mas revela uma alternativa de financiamento ao crédito escasso e caro no Brasil. Segundo ele, já há empresas em road show no exterior, e outras devem iniciar em breve:

— O ambiente externo continuará favorável, com juros baixos na Europa e nos EUA. E, no cenário doméstico, as notícias também são mais positivas.

Em países como Suécia, Suíça, Dinamarca, Japão e, mais recentemente, Alemanha, os juros estão negativos. Com isso, os investidores se voltam para mercados emergentes, dando preferência aos que são “mais fáceis de entender” e que ofereçam ganhos atraentes. Assim, o Brasil leva vantagem sobre nações da Ásia e do Leste da Europa, observa Schulman, do Santander.

Laloni, da Anbima, lembra que as companhias que já voltaram ao mercado têm o chamado “hedge natural”, ou seja, parte de suas receitas é em dólar, o que as protege de oscilações bruscas do câmbio.

— O câmbio é sempre um ponto de atenção para empresas que emitem papéis em dólar. E as que foram ao mercado externo, este ano, têm um componente dolarizado, o que elimina surpresas — afirma Laloni.

CUSTO DE CAPTAÇÕE DEVE CAIR

O estrangulamento do caixa decorrente da recessão doméstica, a deterioração das finanças e o crédito restrito levaram as empresas brasileiras a aproveitarem a janela de oportunidade no mercado externo, explica Adeodato Volpi Netto, chefe de mercado de capitais da Eleven Financial. O custo dessas captações, lembra ele, subiu desde 2014 em decorrência da retirada do grau de investimento do país pelas agências de classificação de risco:

— Chegamos a fazer captações com juros de 4,5% ao ano, antes da perda do rating do país. Essas companhias, especialmente a Petrobras, têm seus ratings atrelados ao risco soberano do país — explica Volpi Netto.

Nas captações feitas em 2016, os juros variaram entre 5,87% ao ano (caso da Vale) e 9% ao ano (Petrobras).

Mais recentemente, entretanto, diz Roberto Dib, responsável pela área de produtos estruturados da Tag Investimentos, a tendência é que algumas empresas já consigam captar pelas mesmas taxas de juros de quando o país tinha grau de investimento. Este foi o caso da BRF.

— Algumas companhias já fizeram a lição de casa, cortando custos, enxugando suas operações e se reestruturando, o que as beneficia com taxas mais baixas — ressalta Dib.

Por enquanto, as empresas que estão indo ao mercado externo são aquelas que querem melhorar o perfil de sua dívida. Os juros pagos pela Petrobras (entre 7,87% e 9% ao ano) nas captações deste ano são os maiores da série e, segundo analistas, mostram a fragilidade das finanças da empresa no momento da emissão.

— Mas o quadro hoje para a Petrobras já é diferente. A nova diretoria da empresa montou um plano exequível de venda de ativos e de evolução da saúde financeira, que tende a baratear as próximas captações — diz Volpi Netto.

Dib, da Tag, observa que os recursos captados lá fora ainda não são destinados para investimento, já que há muita ociosidade por conta da recessão.

oglobo.globo.com | 24-09-2016

NOVA YORK - O presidente Michel Temer aproveitou as reuniões bilaterais que teve com chefes de estado para “vender” o novo plano de investimentos do país. Com Marcelo Rebelo de Souza, presidente de Portugual, Temer pediu que ele “divulgasse” o plano de concessões na Europa e que auxiliasse para acelerar as negociações entre Mercosul e União Europeia, segundo a Presidência da República. temer 1909

Nos EUA para a reunião da Organização das Nações Unidas (ONU), Temer está acompanhado de uma comitiva de 20 pessoas — incluindo os ministros Moreira Franco (Programa de Parcerias de Investimentos, PPI), Fernando Bezerra Coelho Filho (Minas e Energia) e Maurício Quintella (Transportes, Portos e Aviação Civil) —, que buscará vender internacionalmente o programa de concessões do governo federal.

Já na reunião de 25 minutos com Tabaré Vazquez, presidente do Uruguai, Temer falou sobre a importância da intensificação da relação dos dois países e convidou o uruguaio a visitar Brasília. Indiretamente, segundo a assessoria da Presidência, ele tratou da crise política brasileira, ao dizer que “temos que ter relações mais intensas, independentemente dos governantes. O fundalmental são as instituições”. Temer ainda defendeu a aceleração das negociações para um acordo entre Mercosul e União Europeia.

oglobo.globo.com | 19-09-2016

NOVA YORK E BRASÍLIA - Os chanceleres dos países do Mercosul, exceto a Venezuela, aprovaram na noite de domingo, em Nova York, uma declaração conjunta para tentar destravar o acordo entre o grupo e a União Europeia. José Serra, ministro das Relações Exteriores do Brasil, disse ter saído otimista da reunião e que acredita que um acordo com os europeus pode ser concluído em até dois anos.

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— Aprovamos uma declaração que faz uma exortação à União Europeia para que prossiga, que dê mais agilidade de negociação com o Mercosul — afirmou Serra, que disse que essa nota pode ser considerada como um passo para o acordo entre os dois grupos: — É a nossa vontade e a nossa disposição. Existem resistências na UE por causa de mobilizações que eu diria protecionistas em alguns países. Mas a Espanha, Portugal, Suécia, Itália estão amplamente a favor. Eu confio que eles consigam maioria para acelerar o processo. Queremos acelerar (as negociações entre os dois grupos) em outubro. Mas é algo para um ano e meio ou dois anos (a conclusão do acordo).

Serra, que está em Nova York pela Assembleia Geral da ONU, afirmou que este documento seria importante para os europeus, de acordo com o ministro espanhol de comércio, com quem Serra se encontrou em Brasília. O Uruguai, segundo o ministro, será o país que vai “pilotar” as negociações com a União Europeia.

Serra lembrou que os países ratificaram a declaração, divulgada no início da semana passada, que determina que o Mercosul seja administrado por uma comissão dos países, e não pela Venezuela. Seria a vez do país de Nicolas Maduro assumir a presidência do grupo, mas os demais sócios queriam evitar isso por causa da situação política venezuelana. O ministro brasileiro disso que isso não foi tratado na reunião dos chanceleres, convocada pelos argentinos. Questionado porque a Venezuela não participou do evento, Serra esquivou:

— O encontro foi convocado pela Argentina sobre aquela nota. Isso (Venezuela) nem foi posto. Não chegou a ser cogitado Não se falou sobre Venezuela, o que se falou foi o desejo de não ficar com o assunto da Venezuela pela frente — disse Serra, lembrando que esta foi a sua primeira reunião do Mercosul à frente da diplomacia brasileira.

‘EQUILIBRADO, AMBICIOSO E ABRANGENTE’

Os chanceleres de Argentina, Susana Malcorra, Brasil, José Serra, Paraguai, Eladio Loizaga, e Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, reunidos em Nova York, examinaram a agenda de negociações comerciais externas do bloco. Nessa perspectiva, destacam a importância de impulsionar as negociações do Acordo de Associação Birregional Mercosul–União Europeia, pelos tradicionais laços culturais, comerciais e de investimentos que já unem os dois blocos e pelo grande potencial de crescimento dos fluxos de comércio e investimentos entre eles.

“Nesse sentido, (os países do Mercosul) conclamam os países da União Europeia a reforçarem seu engajamento no processo de negociação em curso”, afirmou a nota assinada pelos quatro países. “Os Chanceleres reiteram, por fim, a expectativa de conclusão, o quanto antes, de um acordo equilibrado, ambicioso e abrangente”.

De acordo com o chanceler brasileiro, o presidente Michel Temer, que abrirá pela primeira vez a Assembleia Geral da ONU amanhã, deverá focar seu discurso nos “valores” brasileiros: Paz, direitos humanos e desenvolvimento sustentável.

Depois do encontro, segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, divulgarão uma carta, que terá um recado claro: o Mercosul quer um acordo "equilibrado, ambicioso e abrangente" com os europeus. Os chanceleres da Argentina, Susana Malcorra, do Brasil, José Serra, do Paraguai, Eladio Loizaga, e do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, querem avançar numa negociação que começou no século passado. As primeiras conversas foram feitas em 1999. O objetivo do grupo, agora, é dar prioridade para o acordo com os europeus, aproveitando o alinhamento do bloco depois das trocas de governo no Brasil e na Argentina.

Segundo a fonte ouvida pelo GLOBO, uma das grandes expectativas de avanço nessas negociações é a Sessão XXVI do Comitê de Negociações Birregionais (CNB) que será realizada no mês que vem em Bruxelas. As discussões que serão feitas são sobre a troca de ofertas de acesso mercados de bens, serviços e compras governamentais.

*Correspondente

oglobo.globo.com | 19-09-2016

BRASÍLIA - Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai começarão neste domingo uma pressão para tentar, enfim, fechar um acordo de livre comércio com a União Europeia. Os ministros dos países que ocupam conjuntamente a presidência do Mercosul têm uma reunião marcada para o fim da tarde em Nova York, onde participam da reunião da Organização das Nações Unidas. Depois do encontro, segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, divulgarão uma carta, que terá um recado claro: o Mercosul quer um acordo "equilibrado, ambicioso e abrangente" com os europeus.

VenezuelaOs chanceleres da Argentina, Susana Malcorra, do Brasil, José Serra, do Paraguai, Eladio Loizaga, e do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, querem avançar numa negociação que começou no século passado. As primeiras conversas foram feitas em 1999.

Para tentar catalizar esse processo, os ministros já rascunharam um comunicado, que será divulgado após o encontro. De acordo com uma fonte do governo brasileiro, eles ressaltarão que um acordo com os europeus é prioridade para o bloco, que alinhou-se depois das trocas de governo no Brasil e na Argentina.

Eles devem afirmar que a situação da economia global faz com que seja cada vez mais necessário aprofundar o processo de integração do Mercosul e a inserção das empresas dos países do bloco nas cadeias globais de produção.

Nessa estratégia, fechar um acordo com os europeus - que diminuíram o ritmo das negociações nos últimos anos - é essencial. Os ministros devem argumentar que a relação dos países do bloco com o continente é intensa por tradicional histórico, cultural, comercial e investimentos.

Ressaltarão ainda o potencial das economias e a complementaridade entre os países europeus e do Mercosul, ou seja, esses países possuem produções complementares. Por isso, a União Europeia é vista como prioridade na estratégia de integração internacional do bloco.

Segundo a fonte ouvida pelo GLOBO, uma das grandes expectativas de avanço nessas negociações é a a Sessão XXVI do Comitê de Negociações Bi-regionais (CNB) que será realizada no mês que vem em Bruxelas. As discussões que serão feitas são sobre a troca de ofertas de acesso mercados de bens, serviços e compras governamentais.

oglobo.globo.com | 18-09-2016

Já passou mais de um quarto de século desde que a bolha de ativos do Japão estourou — e um quarto de século de mal-estar à medida que uma “década perdida” se seguiu a outra sucessivamente. Algumas das críticas às suas políticas econômicas são injustificáveis. O crescimento não é um objetivo em si mesmo; devemos nos concentrar na qualidade de vida. O Japão está à frente da curva no controle do crescimento da população, e a produtividade vem crescendo. O crescimento na produção por pessoa em idade de trabalho, sobretudo após 2008, tem sido maior do que nos EUA, e bem maior do que na Europa.

Apesar disso, os japoneses creem que podem melhorar. E eu concordo. O Japão tem problemas tanto na oferta quanto na demanda, assim como na economia real e no setor financeiro. Para lidar com eles, o país precisa de um programa econômico que tenha um potencial maior para funcionar do que as medidas que os parlamentares adotaram recentemente, que não conseguiram atingir a meta de inflação, restaurar a confiança ou estimular o crescimento para o nível desejado.

Para começar, um alto imposto sobre emissão de carbono, se acompanhado de uma “finança verde”, estimularia grandes investimentos para adaptar a economia. Quase certamente este estímulo excederia o efeito de contração provocado pela retirada de dinheiro do sistema e o efeito negativo na riqueza do valor depreciado dos “ativos de carbono”. O efeito adverso da depreciação do valor dos ativos de carbono na riqueza seria pequeno; e, com o estoque de capital fora de sintonia com o novo sistema de preços, o investimento realizado seria grande, a não ser que tenham ocorrido gargalos no fechamento de lacunas.

Neste caso, o dinheiro gerado pelo imposto poderia ser usado para reduzir o endividamento do governo; do contrário, poderia ser utilizado para financiar investimentos em tecnologia e educação — inclusive medidas do lado da oferta para aprimorar a produtividade do setor de serviços do Japão. Estes gastos poderiam simultaneamente estimular a economia, levando-a a sair da deflação.

Muitos estrangeiros se preocupam com a dívida do Japão, que é fácil de financiar com os baixos juros praticados hoje, mas não seria se as taxas de juros aumentassem para níveis mais normais. Embora não creia que vá ocorrer em breve, o Japão poderia adotar duas políticas para se autoimunizar contra tais preocupações.

Em primeiro lugar, poderia trocar parte de sua dívida por obrigações perpétuas, títulos que nunca são reembolsados, mas rendem uma (pequena) taxa de juros anualmente. Isto deslocaria totalmente dos livros o risco. Alguns podem se preocupar que esta iniciativa gere inflação, mas, na economia invertida do Japão, é exatamente de inflação que se precisa. Creio que as preocupações sobre um abrupto aumento nas taxas de juros são amplamente exageradas; mas, por uma abundância de cautela, o governo poderia, digamos, trocar 5% de seu endividamento anual, até que surgissem pressões inflacionárias excessivas.

Alternativamente, o governo poderia trocar a dívida por dinheiro sem incidência de juros — a temida monetização do endividamento do governo. Mesmo se a finança monetária seja mais propensa a provocar inflação do que a troca do endividamento por obrigações perpétuas com juros.

A segunda forma que o Japão poderia se proteger de uma alta de juros começa com o reconhecimento de que uma grande parcela do dinheiro devido pelo governo é devido a si próprio. Muitos em Wall Street não parecem compreender que o que importa é a dívida líquida — o que o governo deve ao resto da sociedade. Se o governo reembolsasse o dinheiro que deve a si mesmo, ninguém perceberia a diferença. Mas aqueles em Wall Street que olham apenas para a relação dívida/PIB se sentiriam subitamente melhor em relação ao Japão.

Se, depois disso tudo, ainda houver sinais de falta de demanda, o governo poderia reduzir seu imposto sobre o consumo, elevar créditos fiscais de investimento, expandir programas para ajudar famílias de baixa e média rendas, ou investir mais em tecnologia e educação, e financiar tudo isso emitindo dinheiro. Novamente, a velha economia se preocuparia com inflação; mas o Japão quer que essas “preocupações” se concretizem.

O Japão tem mais do que um problema pelo lado da demanda. Dados sobre produtividade por hora trabalhada sugerem um problema no lado da oferta, mais claramente manifestado no setor de serviço, onde não se encontram vestígios da impressionante engenhosidade verificada em tantas indústrias manufatureiras.

O primeiro-ministro, Shinzo Abe, no entanto, adotou uma abordagem bastante distinta, apoiando o acordo comercial Parceria Transpacífica (TPP) com os EUA e outros dez países do Pacífico. Abe crê que a TPP forçaria a realização de reformas necessárias na agricultura doméstica. Na verdade, tais reformas teriam um efeito minúsculo no PIB, simplesmente porque a agricultura é uma parte muito pequena da produção. Mesmo assim, tais reformas continuam desejáveis e fornecem outra arena em que os jovens japoneses poderiam mostrar sua engenhosidade (embora a TPP não seja a melhor forma de realizar isso).

Por outro lado, Abe está certo em perseguir políticas para integrar as mulheres mais completamente e de forma mais igualitária na força de trabalho. Se isso der certo, tais medidas deveriam prover um salto tanto na produtividade quanto no crescimento.

Mesmo após um quarto de século de estagnação, o Japão continua a terceira maior economia do mundo. Políticas que podem elevar o padrão de vida vão estimular a demanda e o crescimento em outros lugares na economia global. Igualmente importante: da mesma forma como repartiu seus bens inovadores e tecnologias com o mundo, o Japão poderia acabar exportando políticas de sucesso, com as mesmas ou similares medidas também elevando os padrões de vida em outros países avançados.

Joseph E. Stiglitz é vencedor do Prêmio Nobel de Economia e professor da Universidade de Columbia

© Project Syndicate

oglobo.globo.com | 18-09-2016

BERLIM - Manifestantes se reuniram em sete cidades alemães neste sábado em atos contra acordos de livre comércio negociados entre a União Europeia (UE) e Estados Unidos e também contra o CETA, sigla em inglês de um pacto, também de livre comércio, com o Canadá.

Mais de 320 mil pessoas compareceram, segundo os organizadores. Segundo a AFP, os atos aconteceram em Berlim, Hamburgo, Frankfurt, Colônia, Stuttgart, Leipzig e Munique. Nesta última, milhares se reuniram na Odeonsplatz sob forte chuva.

— Não há tempo ruim, há apenas acordos comerciais ruins — Karl Baer, do Instituto Ambiental de Munique, disse no início da manifestação diante de uma multidão com cartazes e bandeiras de organizações incluindo o Partido Verde alemão, sindicatos de trabalhadores, grupos de fazendeiros locais e organizações não governamentais, como o Greenpeace.

Os manifestantes argumentam que os acordos de comercio favoreceriam os processos de agricultura industrializados em detrimento da produção mais artesanal, que não recorre à engenharia genética. Eles defendem que estes pactos poderiam custar milhares de trabalhos e levar a padrões mais baixos de emprego e segurança alimentar.

Ministros do comércio dos membros da UE estão se preparando para uma reunião em Bratislava, na Eslováquia, no próximo dia 23. O TTIP (sigla em inglês para o pacto em negociação) tem o apoio da chanceler federal alemã Angela Merkel, mas é criticado por outros governos.

Funcionários dos governos do bloco, como o ministro do Comércio Exterior da França, Matthias Fekl, e o ministro da Economia da Alemanha, Sigmar Gabriel, já manifestaram seu ceticismo a respeito de um consenso sobre o acordo entre os EUA e a UE. Essa posição reflete a preocupação crescente em toda a Europa e nos Estados Unidos sobre o impacto que pode ser causado por esses acordos.

oglobo.globo.com | 17-09-2016

BRASÍLIA - Depois da China, os Estados Unidos são o novo foco dos “caixeiros viajantes” de Brasília, no esforço de retomada de confiança da economia brasileira e abertura de novos mercados. Enquanto Blairo Maggi, ministro da Agricultura, ficou pela Ásia, depois de o governo fazer seu début de vendedor no seminário empresarial em Xangai, no início do mês; o presidente Michel Temer vai aproveitar a ida a Nova York na próxima semana para a Assembleia Geral da ONU para conversar com empresários e o mercado financeiro, acompanhado de sete ministros. Na ocasião, o foco maior será a atração de investimentos.

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Na segunda-feira e na terça-feira, o secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco — que deve se tornar oficialmente ministro na semana que vem, pela edição de medida provisória — e os ministros Maurício Quintella Lessa (Transportes) e Fernando Bezerra Coelho (Minas e Energia) farão três reuniões com grupos de 40 a 50 investidores. Bank of America, Citibank e Goldman Sachs levarão clientes, investidores e operadores aos encontros.

Para essas reuniões, o governo preparou um resumo dos 34 projetos de infraestrutura que vão a leilão, para entregar aos empresários. Secretários dos ministérios estarão disponíveis para encontros privados com investidores que os solicitarem.

Na quarta-feira, o Council of the Americas oferecerá um almoço para a comitiva brasileira e 400 empresários americanos. Antes, haverá um encontro de Temer e ministros com 25 diretores executivos de grandes empresas. Na quinta-feira, Moreira Franco deverá apresentar os resultados dos encontros.

Estarão na comitiva de Temer aos EUA também os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles; Alexandre de Moraes, da Justiça; José Serra, de Relações Exteriores; Sarney Filho, do Meio Ambiente; e Maggi.

‘ROAD SHOW’ EM WASHINGTON

No início de outubro, Meirelles aproveita a companhia do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, durante a reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial em Washington, para circular em seminários.

As autoridades brasileiras também têm convites para eventos na Europa nos próximos meses, mas ainda não há definição sobre as etapas seguintes desse road show. Como na China, as autoridades deverão apresentar um levantamento com o potencial de investimentos no país.

Segundo dados do BNDES, apenas os setores de infraestrutura no país têm uma perspectiva de investimentos de US$ 269 bilhões entre 2016 e 2019. Nesse total, estão, por exemplo, US$ 90,6 bilhões previstos para o setor de petróleo e gás, US$ 65 bilhões para energia elétrica. Esses números não se confundem com os projetos incluídos no PPI.

MAIS MERCADOS PARA O AGRONEGÓCIO

Em visita recente a países da Ásia, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, conseguiu negociar a abertura dos mercados do Vietnã e da Coreia do Sul a produtos brasileiros.

A informação foi dada ontem pelo ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, que passou o dia em reunião com o presidente Michel Temer e o secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco, em São Paulo.

— (Blairo Maggi) Conseguiu abrir o mercado do Vietnã, onde o Brasil não tinha participação, para suínos, aves e bovinos, e na Coreia do Sul, onde também não tínhamos participação, ele conseguiu estabelecer mercado para suínos e aves — contou Padilha aos jornalistas.

Esses dois mercados, segundo Padilha, são “importantíssimos” para o agronegócio brasileiro, e o acesso a eles, conseguido agora, significa a inserção internacional do Brasil “de forma diferenciada”.

— Temos todas as condições de ampliar nossa participação na Ásia a partir da ida do presidente Temer à China — afirmou Padilha.

Depois da visita do presidente Temer à China, no início do mês, Maggi, que fazia parte de sua comitiva, seguiu viagem liderando uma missão comercial que visitou outros seis países da região, com o objetivo de ampliar relações e conquistar novos mercados para o agronegócio brasileiro.

oglobo.globo.com | 17-09-2016

BRATISLAVA - Depois de uma cúpula com muitas promessas de esforço por colaboração maior e poucos consensos, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, assegurou nesta sexta-feira que a União Europeia (UE) estaria pronta para negociar a saída do Reino Unido "a partir de amanhã", ao término de uma reunião de mandatários em Bratislava sobre seu futuro. No entanto, outros representantes do bloco, que passa por uma crise interna agravada com o "Brexit", descartaram abrir mão de princípios básicos, como a liberdade de movimento dentro de suas fronteiras.

­— Estamos bem preparados e poderíamos inclusive começar o procedimento amanhã mesmo — assegurou Tusk. bratislava

A posição oficial da União Europeia é, entretanto, esperar que Londres notifique sua vontade de se retirar, como decidido pelos britânicos no referendo, antes de se sentarem para negociar. Segundo um relato de Tusk, a nova premier britânica, Theresa May, indicouque as conversas começariam por volta de janeiro ou fevereiro.

Enquanto isso, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse que quer manter a "ótima e muito próxima relação com o Reino Unido". Mas com limites quanto à restrição ao movimento migratório interno, um dos apelos feitos por partidários britânicos a favor da saída do bloco.

— Não é possível que estas negociações prejudiquem nossos interesses. Sobre a liberdade de movimento de trabalhadores e de pessoas, estamos firmes em apoio a esta posição. Não é um jogo entre os premiers que entram e os que saem, é sobre o povo europeu — defendeu Juncker em uma coletiva.

APELO POR UMA 'UE MAIS ATRAENTE'

Ainda se recuperando da decisão do Reino Unido de se deixar o bloco, os 27 Estados remanescentes da União Europeia se reuniram nesta sexta-feira para tentar renovar o projeto europeu. No entanto, o que mais se viu foram apenas reconhecimentos das divisões profundas causadas pela crise de refugiados e pela economia.

A meta em Bratislava é acertar um "roteiro" para reformas na UE que possa ser finalizado ao longo do próximo semestre. Propostas mais concretas serão apresentadas em uma cúpula em março do ano que vem que irá coincidir com o 60º aniversário do Tratado de Roma, marco de fundação do bloco.

Por causa das divisões em torno de alguns dos temas principais, porém, alguns líderes se ativeram a áreas em que existe consenso. Eles prometem uma cooperação de defesa mais intensa e concordar em reforçar a segurança nas fronteiras externas da UE, além de debater novas iniciativas para gerar crescimento e empregos.

"Nos comprometimos a oferecer a nossos cidadãos nos próximos meses uma visão de uma UE atraente, na qual se possa confiar e que possa ser apoiada. Estamos seguros de que temos a vontade a capacidade para consegui-lo", destacou uma nota conjunta que foi chamada de Declaração de Bratislava, assinada pelos líderes.

Anos de crise econômica elevaram o desemprego em muitos países-membros, e uma onda de ataques de militantes islâmicos e um influxo recorde de imigrantes abalaram os eleitores, que estão se voltando cada vez mais a partidos populistas anti-UE.

— Estamos em uma situação crítica. Temos que mostrar com nossas ações que podemos melhorar no campo da segurança interior e exterior, da luta contra o terrorismo, da cooperação em matéria e defesa, e em temas como o crescimento e o emprego — disse a chanceler federal alemã, Angela Merkel.

A cúpula "informal" – assim chamada porque qualquer outra reunião formal ainda tem que incluir o Reino Unido até que este deixe o bloco – tem como objetivo restaurar a fé do público no bloco, que durante décadas foi visto como fiador da paz e da prosperidade, mas que agora passa por uma "crise existencial", como admitiram autoridades.

— Todos estão cientes da situação. O Reino Unido decidiu partir e existem dúvidas a respeito do futuro da Europa — disse o presidente da França, François Hollande, antes da reunião na capital eslovaca. — Ou seguimos na direção da desintegração, da dissolução, ou trabalhamos juntos para injetar um novo ímpeto, relançamos o projeto europeu.

O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, disse que a Europa "deveria parar de ser um sonâmbulo que anda na direção errada."

oglobo.globo.com | 16-09-2016

Após o lançamento do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), o secretário de Estado de Comércio da Espanha, Jaime García-Legaz Ponce, disse com exclusividade ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, que seu país tem a intenção de aumentar investimentos em infraestrutura no Brasil. O secretário, que se reuniu antes com o secretário do PPI, Moreira Franco, acrescentou que a ideia é "difundir mais e melhor" os programas anunciados essa semana pelo governo brasileiro.

A aproximação entre os dois países para investimentos em infraestrutura começou numa reunião entre Ponce e o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviço, Marcos Pereira, em Xangai em julho. "Temos muito interesse no programa apresentado pelo governo brasileiro, principalmente em portos, aeroportos e em áreas relacionadas à transmissão e produção de energia", disse ao Broadcast.

Pouco antes de se reunir com o ministro brasileiro para tratar de comércio exterior, principalmente entre o Mercosul e a União Europeia, o secretário espanhol afirmou que a ideia é promover um encontro entre os empresários espanhóis e o governo brasileiro para mostrar os projetos de infraestrutura apresentados ontem.

O governo anunciou 34 projetos que fazem parte do PPI, entre eles, os aeroportos de Porto Alegre, Salvador, Florianópolis e Fortaleza; as ferrovias Norte-Sul, Ferrogrão e Fiol (Ferrovia de integração Oeste-Leste); a 4ª rodada de licitação de campos marginais de petróleo e gás; a 14ª rodada de licitações de blocos de petróleo e gás sob o regime de concessão e a 2ª rodada de licitação do pré-sal sob o regime de partilha e os portos de Santarém (combustíveis) e do Rio de Janeiro (trigo).

O ministro de Comércio da Espanha, Jaime García-Legaz, estimou nesta quinta-feira, 15, que as negociações do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia serão concluídas no fim de 2017. Ele informou que, no próximo dia 23, defenderá, numa reunião de ministros de comércio da Europa, a conclusão rápida do acordo. Segundo avaliou, os países favoráveis ao acordo são maioria. Por isso, será possível dar o necessário apoio político à Comissão Europeia para avançar nas negociações.

As declarações foram dadas após uma reunião com o ministro das Relações Exteriores, José Serra. Segundo o chanceler, o acordo alcançado esta semana no Mercosul, que passará a ser presidido por uma comissão quadripartite até o final do ano, tornará o bloco mais operacional e permitirá avanço das negociações. Na próxima semana, à margem da assembleia-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), os chanceleres do Mercosul deverão reunir-se e emitir uma nota reforçando o interesse na negociação com a União Europeia.

García-Legaz esteve hoje mais cedo com o ministro da Indústria, Marcos Pereira, e com o secretário executivo do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), Wellington Moreira Franco. Há grande interesse das empresas europeias nos investimentos em infraestrutura: rodovias, portos, aeroportos, ferrovias, distribuição e geração de energia. Nas conversas, ele mencionou especificamente interesse em energia eólica e no aeroporto de Fortaleza.

Um forte movimento de aversão a ativos de risco no mercado internacional não poupou a Bovespa, que caiu 3,01% nesta terça-feira, 13, voltando ao patamar dos 56.820,77 pontos. Na essência do movimento mundial estiveram as preocupações dos investidores com a fraqueza das economias na Ásia, Europa e Estados Unidos. Apesar da queda agressiva, profissionais ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, afirmam que o movimento pode ser atribuído a uma correção, dado que o Ibovespa ainda contabiliza ganhos de 31,08% em 2016.

O nervosismo dos mercados teve início com a notícia de que a Agência Internacional de Energia (AIE) cortou previsões de demanda global por petróleo neste ano e no próximo. Para justificar sua previsão, a entidade destacou a desaceleração na demanda vinda da Ásia, sobretudo de China e Índia. A análise da agência não apenas derrubou os preços do petróleo e outras commodities, como também alimentou o pessimismo no que diz respeito ao fraco crescimento da economia mundial. No Brasil, as ações da Petrobras tiveram quedas de 7,61% (ON) e de 6,74% (PN). As da Vale, suscetíveis à variação negativa das commodities metálicas, caíram 6,98% (ON) e 6,94% (PNA).

Mas entre as 58 ações que compõem o Ibovespa, as maiores quedas ficaram com as ações do setor de siderurgia - importantes termômetros da expectativa em relação ao crescimento econômico.

Lideraram as perdas do índice os papéis de Gerdau Siderúrgica PN (-8,76%), Gerdau Metalúrgica PN (-8,43%), Usiminas PNA (-7,71%) e CSN ON (-7,39%).

Hoje o governo anunciou um programa com medidas elaboradas pelo Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Nesta primeira fase, serão 25 projetos em concessão, que incluem quatro aeroportos e seis distribuidoras de energia, além de rodovias, ferrovias e terminais. O anúncio não chegou a influenciar a bolsa, apesar de uma certa cautela nos negócios com ações de infraestrutura. CCR S/A ON teve queda de 5,23% e EcoRodovias ON recuou 3,41%.

Na mínima do dia, registrada à tarde, o Ibovespa atingiu 56.459 pontos, com baixa de 3,63%. Segundo profissionais do mercado, a aceleração foi causada por movimentos de "stop loss" (interrupção de perdas) por parte de investidores vencidos pela magnitude das quedas.

ATENAS - Um dia após fazer um apelo a investidores para ajudar na retomada da economia grega, o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras atribuiu neste domingo o atraso na solução do problema fiscal do país ao desacordo entre a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo o premier, o dilema em torno de como tornar a dívida da Grécia sustentável está prejudicando as tentativas de recuperação econômica.

Descrevendo a pilha de dívida, equivalente a mais de 170% do PIB, Tsipras afirmou que os investidores continuariam temerosos pelo país enquanto os dois lados não encontrassem um consenso.

— Estamos mais próximos do que nunca de encontrar uma solução para essa crise. Mas o que atrasa o esforço para recuperar a confiança dos mercados é o desacordo contínuo entre as instituições europeis e o FMI — afirmou Tsipras em uma coletiva de imprensa na Feira Comercial Internacional de Tessalônica.

O governo esquerdista está implementando as reformas exigidas pelos credores para desbloquear € 2,8 bilhões em uma nova parcela de resgate financeiro à economia grega. A Grécia espera sobretudo poder começar as negociações para aliviar parte da dívida antes que acabe o ano.

No entanto, o FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu – credores da Grécia – não estão de acordo sobre até que ponto as reformas empreendidas podem melhorar as finanças do país. O órgão internacional com sede em Washington, integrante-chave nos três pacotes de resgate que a Grécia já obteve até agora, se nega a fornecer mais dinheiro até que os europeus apresentem um plano concreto para reduzir de maneira substancial a dívida do país.

NECESSIDADE DE INVESTIMENTO

Tsipras reiterou a necessidade de investimento no país, já que o volume encolheu 70% durante os sete anos de recessão, segundo ele. No sábado, na abertura do evento, o primeiro-ministro pediu apoio de investidores para reanimar a economia do país, sob a promessa de que "será mutuamente benéfico para vocês e nosso país". Ele disse que a Grécia está "virando a esquina" veria um crescimento de 2,7% e, 2017.

— Após sete anos de contração profunda, nós veremos o que os economistas chamam de retomada, e o crescimento será substancial em 2017 — disse Tsipras. — A questão se o crescimento vai durar, e isso dependerá das decisões que serão tomadas até o fim deste ano — acrescentou, sustentando que a Grécia já seria elegível para o programa de flexibilização quantitativas do Banco Central Europeu (BCE) se não fosse o confronto de posicionamentos.

A possível inclusão do país no programa de compra de ativos do BCE ajudaria a reduzir custos de empréstimo e a amenizar o eventual retorno grego aos mercados de título. No entanto, as esperanças de entrar no programa diminuem diante da necessidade de uma análise prévia pela autarquia. O presidente do BCE, Mario Draghi, disse que a autarquia comprará títulos podres do governo grego "em momento posterior, levando em conta o progresso feito na análise e reforço da sustentabilidade da dívida da Grécia".

— O FMI impôs como data-limite o final deste ano. Um país que teve que passar por ajustes tão duros não pode esperar mais. O povo tem direito a uma solução justa com relação à dívida — afirmou Tsipras.

Jeroen Dissjelbloem, presidente do Eurogrupo – conselho de ministros das Finanças da zona do euro – já alertou a Atenas na sexta-feira que tem que aplicar rapidamente as reformas acordadas com Bruxelas para evitar o fracasso da ajuda financeira.

O governo grego se comprometeu a implementar as reformas este mês, entre elas, vários planos de privatização ou a polêmica reforma do setor energético. Segundo o comissário europeu de Assuntos Econômicos, Pierre Moscovici, a Grécia só executou duas das 15 reformas acordadas.

No sábado, quase 15 mil pessoas participaram de uma manifestação em Salonica para protestar contra os cortes do governo em benefícios sociais.

oglobo.globo.com | 11-09-2016

BRATISLAVA - Vários países europeus estudam exigir da Apple a devolução de parte dos impostos que o gigante americano não pagou para o território, aumentando a pressão sobre a otimização fiscal em um contexto de controle do déficit.

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— Queremos saber quanto é esse impacto, queremos vê-lo — disse o ministro espanhol de Economia, Luis de Guindos, ao final de uma reunião dos ministros das Finanças da União Europeia, na Bratislava.

Para Guindos, "é fundamental que esses investimentos não se percam", em um momento de "importantes esforços" para reduzir o déficit. A Espanha, que enfrenta um possível congelamento dos fundos europeus por não cumprir o objetivo do déficit, deve alcançar 2,2% do PIB em 2018, depois de registrar 5,1% em 2015.

A Comissão Europeia exigiu no final de agosto que a Apple devolvesse à Irlanda mais de € 13 bilhões de impostos não pagos entre 2003 e 2014 no país, decisão que Dublin e a empresa querem recorrer.

A Apple se beneficiou das "vantagens fiscais" da Irlanda, onde chegou a contar em 2014 com um tipo de imposto de 0,005%, segundo a Comissão, para declarar todas as suas vendas realizadas em vários países, entre eles diversos da União Europeia.

O Executivo europeu afirmou que a Irlanda não era o único afetado e abriu as portas para que o resto dos países pudesse solicitar a devolução de sua parte correspondente desses € 13 bilhões.

A Áustria se mostra favorável a exigir o pagamento dos impostos e a Alemanha, que também estuda a situação, alertou sobre não fazer muitos planos devido à complexidade do caso.

— Não se pode vender a pele do urso antes de tê-lo caçado — advertiu o ministro de Finanças alemão, Wolfgang Schäuble.

Mesmo que a França considere legítima a decisão do executivo, seu ministro de Finanças, Michel Sapin, descartou na sexta-feira exigir qualquer devolução.

oglobo.globo.com | 10-09-2016

RIO - O Rio pode ser a Cidade Maravilhosa, mas o carioca não tem essa percepção do lugar onde vive. Uma pesquisa piloto, desenvolvida pela primeira vez no Brasil pela Fundação Getúlio Vargas — Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre), revelou que quem mora na cidade considera abaixo da média os serviços de saúde pública, segurança, transportes e os oferecidos por universidades, escolas e creches do poder público. Avaliados numa escala de 0 a 10, todos ficaram com notas inferiores a 5.

Em comparação a São Paulo, onde a mesma pesquisa foi feita, o Rio também não se saiu bem. De 15 itens avaliados, só em três os cariocas deram notas mais altas que os paulistanos: qualidade do ar, trânsito e infraestrutura para a prática de esportes. Os moradores do Rio também estão menos satisfeitos, por exemplo, com a limpeza urbana e o nível de barulho.

A pesquisa toma como base estudos semelhantes realizados na Europa, que são usados para orientar políticas públicas naquele continente. O trabalho da FGV avaliou a percepção de paulistanos e cariocas. Os participantes tinham que atribuir notas aos itens analisados, ao responder a uma pergunta sobre o grau de satisfação que tinham. Em ambas as cidades, as piores médias foram concedidas aos itens saúde pública (2,18 no Rio e 2,96 em São Paulo) e segurança pública (2,45 e 3,38, respectivamente). Nas duas, apenas cinco itens tiveram nota média acima de 5: qualidade da água potável, limpeza das ruas/coleta de lixo, urbanização, barulho e qualidade do ar. Nesses quesitos específicos, a percepção dos cariocas só é melhor que a dos paulistanos em relação à poluição do ar.

— A proposta do estudo é avaliar a percepção da população dessas duas cidades sobre a qualidade de seus serviços, sem entrar no mérito de eles serem prestados pelo governo federal, pelos estados ou pelas prefeituras. Mas os indicadores serão importantes para que as autoridades avaliem se estão investindo como deveriam em áreas consideradas relevantes para a população. Se acreditam que investiram para melhorar a qualidade do serviço, os gestores também têm que tentar entender por que a população tem determinada percepção — explicou a economista Viviane Seda Bittencourt, coordenadora da pesquisa.

NOTAS PIORES QUE EM PAÍSES EUROPES

Em comparação a pesquisas feitas na Europa em 2013 com indicadores semelhantes, moradores do Rio e de São Paulo atribuíram notas piores aos seus serviços públicos inclusive do que cidadãos de países com dificuldades econômicas. Na Grécia, por exemplo, no último estudo, a população atribuiu média de 4,80 à saúde, 4,63 à educação e 3,95 aos transportes. Na média, os moradores de Rio e São Paulo atribuíram aos mesmos itens, respectivamente, notas 2,54, 4,13 e 5,62.

O que a pesquisa da FGV constatou em relação ao Rio resume um pouco do que pensa, por exemplo, a consultora de marketing Luna Paladino, de 30 anos, moradora de Botafogo desde seu nascimento. Ela disse que se sente bem no bairro, mas reclama da qualidade dos serviços públicos que acabam interferindo na sensação de bem-estar dela e dos vizinhos. Segundo Luana, os principais problemas de Botafogo são a segurança pública, o trânsito, o barulho e qualidade do ar em alguns pontos.

— O trânsito é insuportável nas ruas São Clemente e Voluntários da Pátria, gerando reflexos nas vias internas. Na hora do rush, por exemplo, demoro 40 minutos para ir da casa da minha mãe, na Barão de Lucena, para a minha, na Eduardo Guinle. Este é um bairro de passagem e com muitos colégios, deixando-o propício a mais movimentação. E acho que o trânsito piorou com a colocação do BRS. Trabalho no Centro e vou e volto de metrô, que na minha opinião é a salvação dos moradores para fugir do trânsito — disse.

Luna costuma correr no Aterro do Flamengo. Segundo ela, a infraestrutura na região para a prática de esportes é boa. Mas a consultora reclama da falta de segurança: bandidos já roubaram sua bicicleta três vezes. Por isso, ela desistiu de pedalar no Aterro.

Os dados subdivididos por regiões das cidades do Rio e de São Paulo ainda estão sob análise dos pesquisadores. Mas indicadores preliminares mostram algumas curiosidades, como a avaliação do trânsito. A média entre os cariocas (4,58) ficou ligeiramente acima da dos paulistanos (4,50). No caso dos moradores do Rio, a pior avaliação veio dos que vivem na região de Barra, Recreio e Jacarepaguá, onde a nota média para o quesito (3,64) ficou abaixo da pior dada por nossos vizinhos (3,9). Esta foi atribuída pelos que moram na Zona Sul de São Paulo, cujos principais acessos são as marginais, onde o tráfego costumar ser intenso.

Com o estudo piloto, a FGV Ibre também pretende avaliar se a realização da Olimpíada no Rio terá alguma influência na percepção da qualidade dos serviços públicos na cidade. A pesquisa foi realizada antes do evento — entre os dias 1º de junho e 4 de agosto. Um novo questionário será aplicado este mês e em outubro, para comparação dos indicadores de percepção. A expectativa é que os relatórios completos — inclusive com resultados de cada região da cidade — sejam divulgados no fim do ano.

— O Rio recebeu investimentos importantes em infraestrutura para a Olimpíada. Muitas obras só ficaram prontas perto do evento. A gente quer avaliar que impacto a realização dos Jogos terá na percepção da população. A repetição do estudo em São Paulo é para efeito de controle dos resultados da pesquisa no Rio, pois permite comparar indicadores — disse Viviane.

Ao todo, os questionários foram respondidos por 1.500 pessoas (700 no Rio de Janeiro e 800 em São Paulo). Para fazer uma distribuição proporcional às características socioeconômicas e à quantidade de moradores das diversas regiões das duas cidades, os pesquisadores recorreram a informações coletadas no último censo do IBGE (2010). No Rio, a distribuição seguiu o critério de divisão pelas chamadas Áreas Programáticas: AP 1 (Centro), AP 2 (Zona Sul), AP 3 (Zona Norte), AP 4 (Barra, Recreio e Jacarepaguá) e AP 5 (Zona Oeste). Em São Paulo, a cidade foi dividida em seis áreas, conhecidas como Coordenadorias Regionais de Saúde.

PLANO É ESTENDER ESTUDO A OUTRAS CAPITAIS

A versão europeia da pesquisa é desenvolvida pela European Foundation for the Improvement of Living and Working Conditions (Eurofund), fundada em 1975. Com sede na Irlanda, a Eurofound é uma entidade vinculada à União Europeia, que desenvolve vários estudos em relação à percepção da qualidade de vida no continente. Também analisa outros indicadores sociais e econômicos, para orientar políticas públicas nesses países. Atualmente, os pesquisadores atuam em 33 países: 28 da União Europeia (incluindo Grã-Bretanha, que ainda não concluiu sua saída do bloco), além de Albânia, Macedônia, Montenegro, Sérvia e Turquia (candidatos a se associarem).

A intenção da FGV Ibre é que a pesquisa se torne mais uma das desenvolvidas permanentemente pela entidade, podendo se expandir para outras capitais brasileiras. No entanto, a FGV ainda não decidiu que outras cidades seriam estudadas, nem a fonte de financiamento. O trabalho atual, cujo valor não foi divulgado, foi feito com recursos da própria entidade.

— A prioridade neste momento é concluir a pesquisa piloto — disse Viviane.

oglobo.globo.com | 10-09-2016

Os principais índices acionários de Nova York terminaram o último pregão da semana nas mínimas, com o Dow Jones e o S&P 500 registrando seu pior resultado porcentual desde o fim de junho, quando um plebiscito selou a saída do Reino Unido da União Europeia.

O Dow Jones caiu 2,13%, aos 18.085,45 pontos, o S&P 500 recuou 2,45%, aos 2.127,81 pontos, e o Nasdaq cedeu 2,54%, aos 5.125,91 pontos.

O movimento foi desencadeado por comentários do presidente do Fed de Boston, Eric Rosengren. Ele afirmou ver um argumento "consistente" para um novo aperto monetário e defendeu que a autoridade monetária faça algo antes que surjam efeitos colaterais, como o excessivo aquecimento da economia e do mercado de trabalho.

O volume negociações foi elevado na sessão, segundo operadores, o que usualmente indica convicção nos movimentos de mercado.

"O volume visto hoje é notável porque mostra que as pessoas estão colocando dinheiro em suas apostas", disse Justin Wiggs, da corretora Stifel Nicolaus. Ainda assim, ele acredita que o declínio de hoje não significa o começo de uma queda prolongada do mercado. "Me parece um evento sem desdobramentos longos", disse.

As perdas foram lideradas por setores considerados defensivos, como o de telecomunicações e concessionárias de serviços públicos. Por serem pagadores assíduos de dividendos, eles são vistos como uma boa opção para momentos em que os juros dos Treasuries estão baixos. A Verizon teve o pior desempenho do dia, com baixa de 3,32%.

Com o resultado de hoje, os três índices encerraram a semana com perda acumulada de mais de 2,0%: Dow Jones caiu 2,20%, S&P 500 recuou 2,39% e Nasdaq cedeu 2,36%. Fonte: Dow Jones Newswires

WASHINGTON - As dificuldades econômicas da América Latina já estão fazendo a pobreza, inclusive em seu ponto mais extremo, ser levada em conta em ações de ajuste fiscal dos países, inclusive do Brasil, afirma Alicia Bárcena, secretária-geral da Comissão Econômica da ONU para a América Latina e o Caribe (Cepal). Presente no 20º seminário anual do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), na capital americana, ela alertou que a sociedade precisa definir o que não aceita negociar nas reformas trabalhista e previdenciária que o Brasil viverá. Combater a forte evasão fiscal pode ser uma forma de obter o ajuste fiscal sem prejudicar políticas públicas inclusivas, diz ela. Otimista, ela acredita que o Brasil vai retomar logo o crescimento e precisa pensar, junto com seus parceiros do Mercosul, formas de criar cadeias produtivas conjuntas, como na indústria farmacêutica. Abaixo, os principais pontos da entrevista:

Na sua palestra, você disse muito sobre a volta do crescimento da pobreza, mas a região hoje tem problemas fiscais. Como vê isso?

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Me parece que temos que chegar a este grande objetivo de obter equilíbrio fiscal ao mesmo tempo em que continuamos com a redução da pobreza. Temos que crescer para igualar e para ter igualdade em muitas frentes, não apenas na renda, renda é muito importante, mas não é a unica desigualdade que a região enfrenta. Por exemplo em serviços, em bens públicas, as pessoas estão ávidas por bens públicos de saúde, de transporter, de educação, então temos que fechar muitos espaços e por acredito que, efetivamente, é preciso saber o que fazemos com estes ganhos. Observe, a divisão dos ganhos de produtividade na nossa região ainda favorecem mais o capital que o emprego, todavia há um divisão entre a massa salarial e o capital que não é igualitária ou equitativa. No Brasil conseguiram muitos avanços nesta direção, não apenas por ter tirado 40 milhões de pessoas da pobreza, mas também se conseguiu estabelecer um padrão estrutural de distribuição dos ganhos de produtividade muito interessante. Se comparo o Brasil com o México, os ganhos de produtividade do Brasil 40% vão para a massa salarial e 60% para o capital, mas no México vai apenas 20% para salários e 80% para o capital. E qual é o fim condutor disso? Em parte os salários, os empregos, sem dúvida alguma, mas também políticas públicas que permitem encarar isso. E temos que lembrar que um caminho é igualar para crescer, ou seja, essa saída da pobreza vai gerando novas demandas de consumos necessários, que pode se transformar em um grande motor da economia e isso ocorreu no Brasil.

Mas vivemos uma mudança muito grande no Brasil, em economias e em políticas públicos. Estes avanços estão ameaçados?

Claro, toda a região tem uma ameaça que está sobre sua cabeça com o ajuste fiscal, está se fazendo um grande ajuste em quase todos os países. O importante é preservar o gasto social, vou te dar um exemplo, em programas como Bolsa Família, de transferência condicionada, de potencial de ingressos para os mais pobres. Se se pode preservar estes programas, não devemos ver retrocessos importantes. Mas como conseguir este pacto? Este é um pacto que eu acredito que o Brasil está pensando nisso, como conseguir uma maior integração de objetivos de políticas sociais com, obviamente que algo que é urgente no Brasil, que é sair deste impasse econômico. Estou convencida que o Brasil sairá logo disso, pois é um país com uma estrutura produtivia muito mais diversificada que a região.

É possível um equilíbrio fiscal com preservação de políticas públicas inclusivas?

Temos que fazer isso possível. O Brasil já tem uma taxa tributária muito alta, embora estes impostos sejam mais indiretos, é mais regressivo. Mas mesmo assim o Brasil tem um grande mercado interno que é muito atrativo para os investidores estrangeiros e para os investimentos em geral. O Brasil é interessante para a China, para a Europa, até para a Aliança do Pacífico, que não pode dar as costas ao Brasil. Acredito que é muitoi possível que o Brasil possa conseguir este equilíbrio, tomara que sem castigar os mais pobres.

A evasão fiscal da região equivale a 6,7% do PIB. Combater isso pode ser uma frente para o ajuste fiscal?

Acredito que é uma forma obter recursos tributários, temos que ir atrás das empresas e indvíduos que estão fazendo evasão fiscal tanto no imposto sobre a renda como nos impostos agregados. Agora na Cepal estamos calculando a evasão fiscal país por país, e quando tenhamos estes resultados serão muito importantes para vermos, com as autoridades fiscais, se este é um caminho para obter mais recursos.

Está começando agora uma onda de direita na América Latina?

Eu acredito que a sociedade não vai permitir isso, ou seja, o que mais avançou na América Latina foi a sociedade. O que se falava das classes médias, que acredito que ainda não temos essa maioria, pois há uma vulnerabilidade muito grande das pessoas que saíram da pobreza, mas acredito que há uma maior consciência. O que hoje se interpreta como desencanto das pessoas, interpreto mais como uma vontade social, ainda desorganizada, embora ela esteja se organizando cada vez mais. As pessoas querem ser sujeito de políticas, não objetos de políticas e isso ´pe uma mudança profunda. A verdadeira democracia vai se expressar na forma como a sociedade está dizendo não, aqui não quero retrocesso. Os trabalhadores tem dito isso. Essa negociação coletiva é muito importante.

No Brasil se fala muito se fala em reformas trabalhistas e de previdência. Como isso pode avançar?

Acredito que as mudanças tem que ser graduais, progressivos, e tendo muito claro o que não é negociável para a sociedade. O que não é negociável? O que é que a sociedade não quer perder? A conversa vai passar por isso nos próximos anos.

Como vê os problemas do Mercosul?

O Brasil sempre será um sócio importante para o TPP, embora ainda não esteja no TPP, para a Aliança do Pacífico, pois o Brasil é um país tão grande, com uma demanda tão grande e com uma população tão importante, com necessidades tão essenciais que sempre será um ator fundamental nas negociações de acordos comerciais e de integração. O Mercosul tem alguns bons avanços, não podemos esquecer da história, o Mercosul conseguiu avanços fortes na integração produtiva, de questões estruturais para avançar juntos em muitos setores. Há muito potencial para que os papíses avancem juntos na integração da cadeia da soja, por exemplo, na agroindústria. Há que superar os problemas políticos, mas é preciso ver a integração de outra maneira: como criamos indústrias, projetos e estratégias que sejam do Mercosul? Por exemplo, uma indústria farmacêutica que é urgente para a região, nós estamos fazendo cada vez mais gastos de saúde e Brasil, Argentina e Uruguai, com seu potencial, podem criar uma indústria farmacêutica para o mercado regional, isso é urgente. Criar um mercado aeroespacial para a região, como já começou a fazer o Brasil. Temos que pensar em indústrias integradas.

Já há o crescimento da pobreza e da pobreza extrema na região?

Sim, nós nos preocupamos muito com isso, aumento da pobreza e da pobreza extrema e, pelo menos em 2015 e 2016 isso está se deteriorando, junto com o emprego.

Inclusive no Brasil?

Sim, infelizmente sim.

O Brasil é o maior responsável por este crescimento da pobreza na região?

Não, o caso mais grave é México, América Central.

oglobo.globo.com | 09-09-2016
O coro de descontentamento com a política de juros negativos do Banco Central Europeu começa a crescer. Mas o banco deve ignorar as queixas por enquanto porque a política começa a dar sinais tímidos de que está ajudando a economia.
online.wsj.com | 09-09-2016

O grupo das 20 maiores economias do mundo, o G-20, reconhece que o chamado Brexit adiciona incerteza à economia global, mas diz que os países do grupo estão bem posicionados para reagir a eventuais problemas gerados pelo processo que ainda não começou oficialmente. Enquanto ainda avalia o tema, o G-20 voltou a rechaçar "toda forma de protecionismo" no comércio exterior.

O comunicado final do G-20 divulgado pela União Europeia cita que o tema foi avaliado, mas o grupo está pronto para "proativamente encaminhar" reações para eventuais consequências negativas no campo econômico e financeiro geradas após o voto que decidiu pela saída do Reino Unido da UE. O texto cita, ainda, a expectativa de que, apesar do resultado das urnas, britânicos e os demais europeus "permaneçam como parceiros próximos".

Diante desse processo que é encarado como uma ação de "isolacionismo", o G-20 escreveu que reitera a "oposição ao protecionismo no comércio exterior e investimento em todas as suas formas".

BRASÍLIA - O governo federal quer aperfeiçoar a Lei do Gás, de 2009, para promover a produção e o consumo de gás natural a preços competitivos a partir de investimentos privados. Segundo Márcio Félix, secretário de Petróleo, Gás e Combustíveis Renováveis, o Ministério de Minas e Energia deverá abrir uma consulta pública no início do próximo mês para, em novembro, definir novas normas e e propor ao Congresso ajustes legais para o setor.

— Já estamos dialogando com o Congresso. Hoje, os principais atores estão alinhados. A Petrobras quer sair dos ativos — disse Félix.

O projeto “Gás para crescer” foi apresentado nesta segunda-feira a agentes do mercado pelo ministério como uma proposta para a diminuição da presença da Petrobras desse segmento. Até o início do processo de venda de ativos, a estatal controlava totalmente o mercado de gás brasileiro, desde a produção ou importação, até a entrega às distribuidoras. Agora, regras terão de ser criadas para haver um mercado competitivo e evitar monopólios privados.

Segundo Félix, as mudanças legais a serem propostas serão apenas aquelas necessárias para ajustar o marco regulatório atual às discussões promovidas no “Gás para crescer”. Ele descartou a publicação de um novo projeto de lei e disse que o deputado Mendes Thame (PSDB-SP) sugeriu a inclusão de temas do governo em texto que relata na Câmara.

Um dos temas mais controversos apresentados para discussão pelo ministério é a criação de um gestor da rede, para assegurar a competição na oferta de gás para indústrias consumidoras e termelétricas. Autoridades do ministério defendem a criação dessa figura, que atuaria em sincronia com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), mas agentes do mercado defendem o modelo americano, em que não há uma gestão sobre o comércio de gás. Segundo Félix, a Petrobras também defende a criação desse gestor.

‘LUZ NO FIM DO TÚNEL’

O governo quer definir até novembro também o modelo de atuação da estatal PPSA na comercialização de gás e óleo a ser produzido na área do pré-sal sob o regime de partilha. Segundo Félix, esse gás pode ser usado como “agende de desenvolvimento” do país, por exemplo, tendo uma dedicação exclusiva.

— Defendemos condições de mercado no limite — disse Félix.

Segundo Félix, independentemente das discussões normativas e legais, investimentos já têm sido feitos no setor de gás brasileiro. Ele citou a parceria recente entre Statoil e Petrobras, destacando a atuação da empresa europeia nesse segmento específico.

— Os negócios estão acontecendo porque os investidores estão vendo a luz no fim do túnel.

Félix disse que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) cancelou o leilão do gasoduto que ligaria o pré-sal ao Comperj, mas disse que o processo poderá ser retomado futuramente. De acordo com apresentação feita aos participantes da discussão, o Comperj, ao lado da região Nordeste, área onde a venda de ativos da Petrobras deverá alavancar mais investimentos privados.

oglobo.globo.com | 05-09-2016

HANGZHOU (CHINA) — A boa notícia anunciada pela cúpula do G-20, encerrada nesta segunda-feira na cidade chinesa de Hangzhou, é que a economia mundial finalmente voltou a crescer. A má, porém, é que o ritmo está aquém do necessário. O problema é que novos desafios podem agravar a trajetória da recuperação quando associados aos riscos já conhecidos da volatilidade dos mercados financeiros, a oscilação dos preços das matérias-primas, a desaceleração do comércio internacional, a queda da produtividade e o desemprego. A reconfiguração geopolítica, com o aumento do fluxo de refugiados, assim como terrorismo e conflitos "complicam as perspectivas econômicas mundiais", segundo o comunicado final divulgado pelo grupo. G-20 05.09

— O nosso objetivo é retomar motores de crescimento do comércio e do investimento internacional — disse o presidente da China, Xi Jinping, durante a declaração de encerramento.

Pela primeira vez, os líderes do G-20 reconhecem no documento que o excesso de capacidade de produção de aço e em outras indústrias é um problema global que exige uma resposta coletiva. Para isso, será criado um fórum global para buscar soluções para o problema. O comunicado saiu depois de, na sexta-feira, o governo dos Estados Unidos decidir manter contra Brasil, Índia, Coreia do Sul e Inglaterra tarifas de importação de aço laminado a frio, determinando que os produtos vindos da Rússia não estão prejudicando a indústria norte-americana.

As tarifas impostas contra as importações de produtos dos quatro países são de até 58,36%. No caso do Brasil, as exportações para os EUA são feitas por CSN e Usiminas. A China responde por metade da produção anual mundial de aço de 1,6 bilhão de toneladas e vem tentando reduzir a estimativa de 300 milhões de toneladas de capacidade excedente. No entanto, a alta dos preços do produto vem estimulando o aumento da produção.

O comunicado destaca que os líderes do G-20 esperam que o Reino Unido e União Europeia (UE) sejam parceiros. Os britânicos votaram por separar-se do grupo europeu em junho deste ano. O combate ao protecionismo deu a tônica da cúpula, cujos integrantes representam 85% do PIB e dois terços da população do Planeta.

Nesta segunda, o presidente Michel Temer fez um pronunciamento sobre o crescimento inclusivo, uma das prioridades da pauta do G-20. Ele afirmou que não há desenvolvimento sustentável, sem a criação de empregos e a promoção do trabalho decente. Mas não deixou de dar o recado que veio trazer às 20 maiores economias do mundo em sua estreia na cena internacional. Garantiu aos interlocutores que o Brasil está reordenando a sua economia justamente para criar as condições de geração de empregos e que as medidas para tirar o paíse da crise em que se encontra já estão sendo tomadas..

— Não há crescimento sustentável e inclusivo sem a criação de empregos de qualidade e a promoção do trabalho decente — disse Temer em discurso durante almoço de trabalho na cidade chinesa de Hangzhou. — Temos de agir para criar empregos para nossas populações.

Debutante também na cúpula, a primeira-ministra britânica, Theresa May, pediu que os governos façam "mais para garantir que os trabalhadores realmente se beneficiem das oportunidades criadas pelo livre comércio." May tem pela frente o desafio de negociar as novas bases da relação britânica com a UE e com o resto do mundo. A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional Internacional (FMI), Christine Lagarde, juntou-se ao coro e disse que o crescimento era prioridade para a economia global.

— Precisamos de um maior crescimento, mas ele precisa ser mais equilibrado, mais sustentável e inclusivo para beneficiar todas as pessoas —disse.

oglobo.globo.com | 05-09-2016
O presidente da França François Hollande disse nesta segunda-feira que a perspectiva de o Reino Unido sair da União Europeia (UE) pesa sobre a economia mundial e que Londres deve começar as negociações do Brexit até o final do ano. Em um pronunciamento durante uma coletiva de imprensa no fim da cúpula do G-20, Hollande afirmou que diversos fatores - guerras, mudanças climáticas e o Brexit - pesam sobre a economia mundial. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 05-09-2016
Em entrevista à Antena 1, economista entende que a Europa deve pensar “num divórcio amigável com alguns países”.
www.publico.pt | 05-09-2016

CATÂNIA E SIRACUSA, Itália - O sudanês Mustafa Said, de 29 anos, espera ansioso o período de colheita de tomates na costa oriental da Sicília, na Itália. Ele não tem onde morar e vive como nômade, migrando de lavoura em lavoura no rastro das safras. Está agora acampado num terreno cujo proprietário desconhece — seu contato é com um atravessador, a quem se refere por “patrão” e descreve como o “dono” dos trabalhadores. No pico da safra, a fazenda mantém mais de 200 homens em situação análoga à escravidão, todos estrangeiros. A exploração de refugiados e migrantes é a nova face da economia do Mediterrâneo. CARRANCA DIA 2

Há outra, ainda: a das ruas. A reportagem encontrou dezenas de refugiados e migrantes dormindo nas ruas e mendigando nos faróis de Catânia, Palermo, Messina, Trapani, Siracusa, vítimas de políticas adotadas pela União Europeia (UE) no último ano, que estão jogando milhares na clandestinidade.

Mustafa dorme numa precária barraca de plástico; outros, ao relento. Não há eletricidade, água potável ou esgoto no acampamento improvisado pelos trabalhadores; o banheiro é a terra. As condições de estadia e na lavoura são desumanas. Saem antes do amanhecer, por volta de 4h, e só retornam após o sol se pôr. Na Europa de Mustafa, as condições de vida parecem com as do país de onde fugiu.

— A diferença é que aqui não tem guerra, o resto é mais ou menos igual — diz. — Se conseguisse trabalho contínuo, a vida melhorava. Porque na minha terra (uma aldeia na fronteira entre Sudão e Sudão do Sul) também isso não tem. Aqui só consigo trabalho na colheita. Quando termina, acaba o dinheiro. Então, eu migro para outra lavoura, e outra. Desde que cheguei, não consegui deixar essa vida.

A mãe de Mustafa morreu, o pai e os irmãos mais jovens ficaram para trás — refugiar-se exige dinheiro. Somente ele e outro irmão migraram, ambos estão nas mãos de intermediários que selecionam trabalhadores para as lavouras do Sul da Itália: Sicília, Calábria, Puglia, Campânia.

— Negros fortes, feito eu e meu irmão, têm mais chance, porque aguentam mais horas e carregam mais peso — conta Mustafa.

Nas raras vezes em que conseguem juntar algum dinheiro, enviam o montante para a família no Sudão. Mustafa não tem coragem de dizer ao pai que o sonho da Europa se transformou em pesadelo. Não poder mandar ajuda a eles lhe tira o sono.

— É uma grande fonte de estresse psicológico para essas pessoas, porque os familiares acreditam que os que migraram estão melhor de vida e os pressionam para que enviem dinheiro. Muitas dessas famílias investiram tudo para mandar o filho à Europa — afirma o padre Carlo Dantom, que abriga em sua igreja, em Siracusa, refugiados e migrantes excluídos do sistema de proteção italiano.

travessia-arriscada-refugiados

Paróquia na Sicília já acolheu 20 mil

Mais de 20 mil, a maioria ilegal, passaram pela casa mantida com doações nos fundos da paróquia.

A maioria dos que se sujeitam à exploração não tem documentos regulares. Muitos tiveram o pedido de asilo recusado. A ONG Oxfam estima que mais de cinco mil migrantes, principalmente do Norte e Oeste da África, receberam a carta de expulsão desde setembro de 2015, quando a UE adotou nova política de registro de migrantes e refugiados, na tentativa de excluir aqueles que buscam asilo por questões econômicas, embora isso contrarie leis internacionais. O documento determina que deixem o país em uma semana, ainda que as autoridades saibam ser improvável que obedeçam. Mas mesmo que quisessem, como Mustafa, eles não têm dinheiro para voltar para casa. Mais de 90% deles caem na clandestinidade — e na teia de criminosos que lucram com o trabalho escravo e as ruas.

— A polícia, as autoridades, os empregadores, todos sabem que eles não têm papéis. Mas fazem vista grossa porque a ilegalidade é uma forma de controle sobre eles — critica o padre Carlo. — O uso de ilegais barateou os custos da produção. São eles que hoje sustentam a agricultura mediterrânea.

Mustafa recebe pelo que colhe. A colheita do tomate, base da culinária italiana e dos molhos para exportação, é a que melhor paga: € 6 por contêiner de 200kg, no caso dos tomates pequenos, e € 3, dos maiores. Quem pesa é o “patrão”, e Mustafa não tem alternativa, se não confiar nele. Os atravessadores protegem os donos de terra de processos por trabalho escravo, embora seja improvável que um ilegal consiga ingressar com ação por direitos na Justiça.

— Esta é a face secreta da economia italiana — lamenta o padre Carlo. — Eles não têm direito a nada, porque são invisíveis ao sistema. Perderam o link com a sociedade. Desconhecem seus direitos, estão confusos, amedrontados, vivendo escondidos. É a mão de obra perfeita para exploração.

O dinheiro que Mustafa recebe não dá para moradia, por isso dorme na lavoura. Entre as safras, faz bicos de pedreiro, mas normalmente é forçado a complementar o orçamento mendigando.

Já Hamza, 26 anos, fugiu da Somália após um carro-bomba explodir junto ao pequeno comércio da família em Mogadíscio. O prédio desabou. Como muitos que fogem do Chifre da África, cruzou 9.675km em ônibus, caminhões e a pé numa jornada de 18 meses por Quênia, Uganda, Sudão do Sul, Sudão e, pelo deserto, até a Líbia. Em cada parada, fazia bicos para custear o próximo trecho.

Na Líbia, acabou em uma prisão em Gharyan, cerca de 80km de Trípoli, da qual escapou num levante. Foi recapturado, agora por contrabandistas, e colocado numa casa cuja localização desconhece.

— Eles queriam US$ 3 mil por minha libertação. Se não conseguiam falar com minha família, me batiam até eu desmaiar.

Quando viram que a família não mandaria o dinheiro, soltaram-no. Hamza diz que seguiu sem destino até se esconder na boleia de um caminhão. Assim chegou a uma fazenda. Trabalhou na lavoura por quatro meses, pelos quais recebeu 500 dinares (R$ 1.180), dinheiro com que pagou a travessia de barco de Sabara, na costa líbia, para a Sicília. Em Catânia, fez bicos para pagar a viagem de ônibus a Munique, na Alemanha, onde ficou por dois anos.

Há seis meses, foi colocado num avião e deportado de volta a Milão, com base na Convenção de Dublin. O sistema italiano lhe dá abrigo até que o pedido de asilo seja processado. Depois disso, perde a proteção. Hamza passou a viver nas ruas de Catânia com dois amigos somalis. De dia, perambula pelas proximidades da estação de trem, onde contrabandistas costumam recrutar estrangeiros para a lavoura ou mercado informal.

Convenção de Dublin obriga a pedido de asilo no país de chegada

A Convenção de Dublin, de 2013, prevê que pedidos de asilo só podem ser feitos nos países de chegada. Em setembro, agência da UE para controle de fronteiras (Frontex) passou a colher ainda nos portos as impressões digitais. Isso tem mantido milhares na Itália, principal entrada dos que tentam chegar à Europa, após acordo da UE com Turquia, que prevê deportação dos que chegam pela Grécia.

A nova política foi justificada sob promessa de que ao menos 160 mil seriam realocados para outros países da Europa. Mas, até o primeiro semestre, pouco mais de 800 foram realocados da Itália. Somente este ano, mais de 112 mil pessoas chegaram ao país pelo mar, segundo a Organização Internacional para as Migrações. E eles continuam chegando — dez mil novos na última semana.

oglobo.globo.com | 05-09-2016

RIO - Evitando falar abertamente sobre o clima político brasileiro, o embaixador da Grã-Bretanha, Alexander Ellis, disse que até agora o governo britânico não sinalizou nenhuma restrição ao governo de Michel Temer. Apesar das duras críticas que a impressa britânica fez ao processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, referindo-se ao processo como golpe, o embaixador disse que seu país acredita na soberania do Brasil e afirmou que orientação é continuar investindo na relação entre os países, principalmente nas áreas de saúde, educação e energia. Para fugir da saia justa, Alexander brincou que espera não ter que ir embora do país. No Rio para recepcionar a delegação paralímpica da Grã-Bretanha, Alexander Ellis conversou com O GLOBO.

Como a Grã-Bretanha recebeu a notícia da troca de governo?

Não vamos nos meter. Respeitamos a soberania do Brasil sobre o seu processo político. Vamos continuar trabalhando em conjunto com o Brasil. Nos últimos 10 anos o país cresceu muito em força e economia. Temos interesses em comum.

Como vocês acompanharam esse processo? A imprensa britânica falou em golpe...

Toda movimentação politica em países com os quais a Grã-Bretanha tem relação são acompanhadas. Assim como o mundo acompanhou a nossa saída da União Europeia. Estamos em um momento politico delicado. A saída da União Europeia mexe com o bloco britânico. Então, as relações estão sempre mudando entre os países como os países estão mudando.

Como essa mudança pode influenciar a relação da Grã-Bretanha com o Brasil?

Não acredito que vá mudar a relação Brasil e Grã-Bretanha. Não existe nenhuma orientação para isso. É uma mudança grande, mas, como o Brasil, a Grã-Bretanha também cresceu. De maneiras diferentes. Temos uma baixa taxa de desemprego e uma inflação bem controlada. A saída do bloco é complexa, mas podemos fazer isso. E não acho que nada disso mude a relação entre os países.

A Venezuela chamou de volta o seu embaixador. Alguns países se posicionaram contra ao governo Temer. Existe algum receio de que isso aconteça?

Espero muito que não. Não quero ir embora! (risos). Não acredito nisso. De novo, respeitamos a soberania do Brasil, e por enquanto, não há nenhum temor quanto a algo mais grave. Vamos continuar aqui trabalhando.

O senhor falou muitas vezes que as orientações não mudaram. Qual é a orientação?

É investir e fazer parcerias nos campos de saúde, educação e energia, principalmente. Que são assuntos que temos em comum. Já temos essa parceria.

A crise financeira preocupa?

Preocupou quando a gente falou de Olimpíada. Mas sabíamos que Brasil era capaz. Toda crise tem que ser acompanhada, mas o Brasil é um país grande e que cresceu muito para o mercado internacional.

E como foram os Jogos do Rio?

Foram ótimos. Um sucesso. Tiveram problemas pontuais, como os nossos tiveram. Mas foi uma ótima organização. Tenho certeza que o Brasil saberá aproveitar esse bom momento de visibilidade internacional pós-olímpico. Tenho certeza que as paralímpiadas serão um sucesso também.

oglobo.globo.com | 05-09-2016

O Ministério das Relações Exteriores do Japão publicou um documento de 15 páginas, com o título "Mensagem do Japão para o Reino Unido e União Europeia", no qual detalha os requisitos da negociação após Brexit e as consequências se as exigências não forem atendidas.

O documento foi entregue antes do início da cúpula do G-20, que acontece entre hoje (4) e amanhã (5), em Hangzhou, na China. Atualmente, metade dos investimentos japoneses na União Europeia são destinados para o Reino Unido por meio de empresas como a Nissan, Honda, Mitsubishi, Nomura e Daiwa.

Segundo o alerta, importantes companhias podem deixar o Reino Unido. "Empresas japonesas com sede europeia no Reino Unido podem decidir por transferir sua sede para a Europa Continental, se as leis da União Europeia deixarem de ser aplicadas após a saída do Reino Unido do bloco", informa o relatório.

O documento informa que algumas montadoras, por exemplo, receiam ser atingidas por um duplo golpe de tarifas comerciais. Segundo o texto, as empresas temem ser tarifadas pela importação de peças da União Europeia e depois, novamente, por produtos montados no Reino Unido e exportados.

Outro receio está na exportação a partir do Reino Unido para outros países, já que a União Europeia tem acordos comerciais vantajosos.

G-20

Em discurso durante o início da cúpula do G-20, a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, reiterou que não haverá segundo referendo e que o Reino Unido deixará a União Europeia. "Brexit significa Brexit", disse, durante coletiva de imprensa.

A primeira-ministra discursou junto com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e ambos enfatizaram que as relações comerciais continuam, apesar da decisão de saída do bloco.

Obama, no entanto, manteve sua postura de que a decisão pode atrasar novas negociações comerciais diretas entre os dois países. Obama disse que "não faria sentido" que esforços comerciais com a União Europeia ou Ásia sejam colocados de lado para negociações com o Reino Unido. Fonte: Dow Jones Newswires.
O discurso antiglobalização que ganha força na Europa e nos EUA erra no diagnóstico dos problemas da economia mundial e poderá levar a medidas protecionistas que restrinjam o comércio internacional, desacelerem o crescimento e aumentem o desemprego, disse neste sábado o secretário-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 04-09-2016

BERLIM — Um ano depois da decisão da Alemanha de abrir as fronteiras aos refugiados, duas eleições regionais podem marcar o avanço da extrema-direita, no que seria um grande revés para a chanceler Angela Merkel.

Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental (nordeste), a circunscrição de Merkel, vai às urnas no domingo para renovar o Parlamento regional.

A votação coincide com o primeiro aniversário da decisão da Alemanha e da Áustria, em 4 de setembro de 2015, de abrir suas fronteiras a dezenas de milhares de migrantes bloqueados no leste da Europa.

A capital Berlim, que tem status de Estado-região, vai definir sua assembleia local em uma eleição em 18 de setembro.

Após a chegada de um milhão de demandantes de asilo e dois atentados reivindicados em julho pelo grupo Estado Islâmico, as eleições devem antecipar o que aguarda a chefe de Governo conservadora, um ano antes das próximas legislativas.

Apesar da popularidade crescente do partido anti-imigração Alternativa para a Alemanha (AFD), Merkel não se arrepende da decisão de 2015, que chama de “dever humanitário”.

Mas o entusiasmo do povo alemão, que em um primeiro momento recebeu os migrantes nas estações de trem, deu lugar a uma realidade contrastante: a de um país onde a mobilização de voluntários continua muito forte, mas onde paralelamente a inquietação é cada vez maior.

EFEITO MANADA

Tanto na Europa como na Alemanha, várias vozes acusam Merkel de ter provocado um efeito manada, que deve atrair mais migrantes, desestabilizando seu país e a UE.

Com a chegada de centenas de milhares de homens, mulheres e crianças em fuga da guerra e da pobreza, surgiram novos temores na maior economia europeia, o que provocou uma guinada à direita no debate político, explica à AFP Gero Neugebauer, da Universidade Livre de Berlim.

Os atentados de julho colocaram a “inclusão da segurança interna e da luta contra o terrorismo” como principal preocupação, segundo uma pesquisa de Deutschlandtrend divulgada pelo canal ARD.

A popularidade de Angela Merkel, que permanecia estável apesar de 11 anos de poder, desabou: 75% em abril de 2015, 45% em agosto de 2016. Por este motivo, segundo a imprensa, Merkel adiou o anúncio de sua candidatura para um novo mandato.

Apesar de fragilizada, Merkel não tem no momento nenhum rival a sua altura. Mas se o seu partido, CDU, registrar uma votação ruim em Mecklemburgo isto seria um golpe duro, já que este é o reduto eleitoral da chanceler.

DESAFIO MIGRATÓRIO SUBESTIMADO

A nível federal e local, o cenário político já mudou, com a entrada em metade dos 16 parlamentos regionais do AFD, que conseguiu avançar como nenhum outro partido de direita havia conseguido desde a guerra.

Com pesquisas que apontam 14% das intenções de voto em Berlim e até 23% em Mecklemburgo, a AFD influencia a pauta dos grandes partidos, o que leva certos líderes a endurecer os discursos, incluindo alguns dentro do grupo social-democrata, aliado de Merkel e em queda livre nas sondagens.

O líder do Partido Social-Democrata (SPD), Sigmar Gabriel, afirmou que a chanceler subestimou o alcance do desafio migratório.

A AFD, criada em 2013 com uma plataforma contrária ao euro, adaptou seu discurso aos temores do momento. No ano passado, adotou uma linha anti-imigração, que depois do fechamento da rota dos Bálcãs se transformou em um programa contrário ao islã.

O partido consegue mobilizar pessoas que optariam pela abstenção, mas também conquista votos entre os eleitores de todo o leque político, da esquerda radical do Die Linke aos neonazistas, passando pelos liberais do FDP, segundo o instituto de pesquisas DIW.

oglobo.globo.com | 04-09-2016
O presidente do Banco Central Europeu (ECB, na sigla em inglês), Mario Draghi, vai viajar para Berlim no final deste mês para conversar com legisladores alemães sobre as críticas acerca da política de "dinheiro fácil" do ECB na maior economia da Europa. Draghi vai visitar o parlamento alemão no dia 28 de setembro, como resposta a um convite de legisladores alemães na primavera, disse um porta-voz do banco. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 03-09-2016

HANGZHOU, China - A economia mundial está longe de voar em céu de brigadeiro, mas enquanto discutem o que fazer para dispersar o nevoeiro de incertezas que encobre as perspectivas de bonança para os próximos anos, os líderes das 20 nações mais ricas do mundo terão 48 horas de céu azul e ar puro. Centenas de fábricas num raio de 300 quilômetros da cidade de Hangzhou, a sede da XI Cúpula do G-20, foram desligadas para garantir dias bonitos — sem a névoa de poluição — aos milhares de participantes do encontro, entre chefes de Estado e de governo, ministros e assessores, além de jornalistas, que estarão na capital da Província de Zhejiang, a quarta mais populosa da China e um dos maiores polos tecnológicos do país.

Para os ministros de Finanças do G-20, ainda pairam dúvidas sobre o ambiente econômico mundial. A lista de desafios vai de oscilações cambiais e nos preços das commodities a deflação em muitos países e volatilidade nos mercados financeiros. Há ainda uma onda protecionista, além de conflitos, crise de refugiados e terrorismo. As implicações da saída do Reino Unido da União Europeia também estão no cardápio dos encontros de hoje e amanhã.

O ritmo de crescimento da China daqui para frente e a desvalorização do yuan são igualmente motivos de preocupação. Por mais que o país ainda cresça em níveis superiores ao resto do mundo (6,9% no ano passado), o anfitrião da reunião já avisou que o “novo normal” não são mais as taxas de dois dígitos que vinham puxando a expansão global. Diante das preocupações, antes da cúpula, em entrevista à televisão estatal, o vice-ministro de Finanças chinês, Zhu Guangyao, garantiu que “não há base para uma depreciação de longo prazo da moeda” e que “os fundamentos da economia do seu país são sólidos”.

O ar puro que será respirado em Hangzhou esta semana terá um custo alto para a China. O fechamento temporário, total ou parcial, de fábricas na sede do G-20 e vizinhança (Xangai inclusive) por até dez dias pode afetar fornecedores e clientes dentro e fora do país. Levantamento da agência Icis mostra que milhões de toneladas de poliéster, cimento, coque, metais não ferrosos, produtos químicos, entre outros, deixarão de ser produzidos.

‘FINANCIAMENTO VERDE’

Talvez o efeito contraditório da iniciativa seja um bom exemplo do paradoxo que vive a China moderna: como investir e promover a sustentabilidade sem afetar o crescimento. Esta pode ser uma das explicações para que o país, pela primeira vez, tenha trazido para o âmbito do G-20 o tema do “financiamento verde”. Em uma declaração separada, chineses e americanos devem ratificar o acordo do clima de Paris, e anunciar revisões periódicas dos subsídios que cada um concede a combustíveis fósseis.

A presidência chinesa introduziu uma agenda de médio prazo que faça do G-20 uma plataforma menos imediatista. O G-20 foi criado em 1999. Mas passou a reunir os líderes dos países somente após a crise financeira global para coordenar medidas macroeconômicas de curto prazo para combater as turbulências internacionais. Em Hangzhou, pretende-se confirmar a meta de crescimento para 2018 em dois pontos percentuais acima dos 3,8% previstos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em 2013.

A ampliação da atuação dos bancos multilaterais em projetos de infraestrutura, um tema que interessa bastante ao Brasil, é um dos itens da pauta. Os chineses querem que o foco do encontro esteja na inovação, na economia digital e nas reformas estruturais, prioridades já anunciadas de Pequim nos seus planos de desenvolvimento de longo prazo.

BRASIL DE NOVO NOS HOLOFOTES

As reformas devem ganhar força no documento final do G-20. Os países devem indicar seus planos de ação.

— A China vai tentar impor sua visão, mas não vejo muito espaço para que consiga obter ação coordenada ou até mesmo um acordo geral. A China quer, por exemplo, um câmbio mais fraco, mas precisa que o yuan se enfraqueça mais do que outras moedas. Precisa que os outros aceitem a sua enxurrada de importações e investimentos ainda que não vá fazer o mesmo. É uma posição difícil de se defender — disse o professor de economia da Escola de Negócios HSBC da Universidade de Pequim.

Este ano, o Brasil volta aos holofotes. Não mais como um dos casos de sucesso de recuperação após a crise financeira global de 2008, mas como um país que atravessa uma crise de credibilidade e cuja economia está debilitada. Caberá ao governo mostrar o que está sendo feito para que o país volte a crescer e contribuir para a expansão mundial. Essa é um das principais missões do presidente Michel Temer.

— É o início do processo de reconstrução da imagem do país no exterior para tentar retomar a confiança de forma mais vigorosa dos investidores. A presença do (ministro da Fazenda, Henrique) Meirelles, reconhecido internacionalmente, reforça essa tese — disse o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini.

oglobo.globo.com | 03-09-2016

HANGZHOU (China) - Os bancos centrais mundiais estão “muito perto” dos limites de sua capacidade para estimular as economias, alertou neste sábado o secretário-geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), Angel Gurria. Em uma entrevista antes do início da cúpula do G-20 (20 maiores economias mundiais) na China, Gurria afirmou que, na falta de políticas inovadoras, o crescimento global deve se manter fraco.

— Deixamos para nossos bons bancos centrais todo o trabalho pesado. Temos que ter um revezamento. Uma política monetária acomodatícia (com baixa taxa de juros) contínua e então vai para a próxima pessoa, como num revezamento de 4 por 100 metros — disse Gurria, fazendo uma analogia com o esporte.

Segundo ele, é preciso agora levar a questão a ministros de finanças, de economia, de comércio, de tecnologia, de ciência, de educação e de concorrência, entre outros.

— Agora é a grande hora de uma mudança estrutural.

Repercutindo afirmações feitas por autoridades chinesas na sexta-feira, Gurria ressaltou a importância de uma combinação de políticas monetária e fiscal e de políticas de ajustes estruturais para garantir a reação do crescimento econômico global, inclusive da China.

Apesar disso, se mostrou otimista com o cenário para o crescimento chinês, apesar do progresso irregular do país para lidar com a baixa eficiência e o excesso de capacidade em setores estatais fundamentais para a economia. Sua avaliação é de que a China deve continuar a crescer entre 6,5% e 7% no atual plano quinquenal (que vai até 2020) sem grandes mudanças na estrutura da economia.

POLÍTICAS TRIBUTÁRIAS MUNDIAIS

Já o diretor do Centro de Política Tributária e Administração da OCDE, Pascal Saint-Amans, fez comentários sobre a decisão da Comissão Europeia desta semana de obrigar a gigante da tecnologia Apple a pagar € 13 bilhões em impostos.

— Você acaba tendo centenas de bilhões em lucro no meio do Atlântico. Este tipo de planejamento tributário agressivo é ultrajante e é precisamente por causa deste tipo de planejamento que lançamos uma iniciativa para conter isso — disse.

Apesar disso, Saint-Amans, uma força importante no esforço da OCDE para racionalizar as políticas tributárias internacionais, afirmou que o caso da Apple não deve servir como servir como precedente para o tratamento tributário no futuro.

oglobo.globo.com | 03-09-2016

MADRI - A Espanha pode estar caminhando para a terceira eleição geral em um ano, mas, para os investidores, isso não é motivo para evitar o mercado. O índice espanhol Ibex-35 teve um salto de 16% desde junho e é um dos melhores entre os 94 medidores de ações monitorados pela Bloomberg globalmente. O medidor das ações menores do país — aquelas mais dependentes do crescimento doméstico — recuperou 19% desde a onda de liquidações que se seguiu ao Brexit, quando o Reino Unido deixou a União Europeia, mantendo uma alta de nove meses. rajoy

A economia da Espanha manteve-se forte, apesar da turbulência política, expandindo mais do que o previsto no segundo trimestre, e economistas esperam que o país tenha uma das maiores taxas de crescimento da zona do euro este ano, de 2,8%. Mesmo que o drama político possa continuar, a preocupação de que um partido antiausteridade chegue ao poder diminuiu.

— A incerteza política não está pesando sobre o mercado espanhol — disse Miguel Rodriguez, que ajuda a supervisionar € 358 milhões (R$ 1,3 bilhão) como gestor de fundos da Metagestion SGIIC SAU em Madri. — Temores do ano passado acerca de um governo radical se dissiparam porque a maioria dos votos foi para os dois maiores partidos. Por isso, o mercado está apostando que o próximo governo será mais do mesmo. A economia não está refletindo qualquer ansiedade também.

O fraco resultado do partido antiestablishment Podemos e dos socialistas na eleição de junho aliviou as preocupações sobre um governo de esquerda. E mesmo que Rajoy não tenha conseguido obter votos suficientes para garantir um segundo mandato, conquistou uma aliança com o partido liberal Cidadãos. Indicadores industriais sobre a confiança do consumidor mostraram a elasticidade da economia.

Mas, enquanto a economia se mantém, o encarregado da pasta do setor, Luis de Guindos, alertou que ela pode não suportar o impacto de uma terceira eleição. O impasse político que tomou o país desde dezembro vem adiando reformas cruciais, e a Espanha corre o risco de perder o prazo de outubro para apresentar o Orçamento de 2017 à Comissão Europeia. Sem um governo definitivo, o país só será capaz de levar adiante o programa de gastos de 2016 sem os cortes que os engravatados de Bruxelas estão exigindo.

Alberto Espelosin, da Abante Asesores, diz que a recuperação financeira irá continuar.

— As condições estão lá para melhorar resultados em 2016 e 2017 e, ao mesmo tempo, os salários estão crescendo e as exportações estão indo bem — disse.

oglobo.globo.com | 03-09-2016

BRASÍLIA E XANGAI - Em sua primeira viagem oficial, para a qual embarcou poucas horas depois de sua posse, o presidente Michel Temer tentará mostrar ao mundo que houve uma guinada política e econômica no Brasil e refutar fortemente a ideia de que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff foi um golpe. No G-20, bloco que reúne as 20 maiores economias do mundo, Temer terá sua primeira reunião bilateral com um chefe de Estado desde que foi confirmado no cargo: será com o presidente chinês, Xi Jinping. Temer quer azeitar as relações com os chineses, que podem investir nos projetos de infraestrutura no Brasil e ajudar a economia a sair da crise, já que o Estado não tem dinheiro para investir.

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O presidente e a equipe de ministros que o acompanham nessa jornada assinarão 11 atos, aos quais O GLOBO teve acesso. São negócios bilionários que envolvem Petrobras, Embraer e construtoras brasileiras. Temer admitirá aos demais chefes de Estado que o desafio mais urgente do país é fiscal. No discurso, prometerá ao mundo que o gasto público no país não terá crescimento real nos próximos 20 anos por causa da emenda constitucional que está no Congresso. Sem citar Dilma de maneira direta, ele alfinetará o antigo governo. Falará que, agora, o Banco Central tem atuado de forma decisiva para trazer a inflação para o centro da meta, o que não ocorreu em “anos recentes”. Dirá também que uma ambiciosa agenda de reformas estruturais está em curso e que o que já foi feito mudou radicalmente as expectativas, o que, em consequência, mexe com a economia.

Com o objetivo de marcar posição na cena global, o presidente fará discursos sobre temas mundiais, como, por exemplo, as migrações, assunto em alta por causa da crise dos refugiados na Europa. Ele defenderá políticas para estabilização e desenvolvimento dos locais de origem desses fluxos migratórios e condenará o terrorismo. Ressaltará que o mundo não se recuperou da crise global deflagrada em 2008 e que três elementos têm merecido a atenção do governo brasileiro: a evolução do preço das commodities, os reflexos das políticas de estímulo nos países desenvolvidos e a volatilidade dos mercados financeiros por causa do Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia) e do terrorismo.

O governo Temer tem interesses específicos nessa viagem. O Brasil quer ampliar as vendas do agronegócio à China, inclusive pela habilitação de novos estabelecimentos autorizados a exportar carne. O presidente vai ressaltar a necessidade de maior flexibilidade das autoridades chinesas na concessão de autorização para as importações, bem como defender que empresas chinesas participem de projetos de infraestrutura no Brasil.

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ECONOMIA DE MERCADO: TEMA SENSÍVEL

Temer também participará de um seminário, organizado pelo Itamaraty, com cerca de 350 empresários e representantes dos setores de energia, logística e infraestrutura, considerados prioritários pelo governo brasileiro. Deste total, 100 companhias são brasileiras e outras 250, chineses. Temer fará o encerramento do evento, que contará com cinco ministros-chave do governo, inclusive Henrique Meirelles, da Fazenda. Depois, empresas com interesses comuns serão postas para conversar. O presidente ainda se encontrará com o prefeito de Xangai, a maior cidade da China.

Para fazer ao negociações, Temer foi alertado sobre importantes questões internas da China. No que se refere à liberdade de expressão, assessores do Palácio do Planalto ressaltaram que centenas de advogados chineses foram detidos e que vêm se tornando frequentes casos de assédio e intimidação a críticos do governo e funcionários de ONGs. Com relação ao reconhecimento efetivo da China como economia de mercado, a orientação ao presidente — de acordo com fontes ouvidas pelo GLOBO — é dar uma resposta padrão: a questão está em avaliação técnica pelo governo brasileiro. O tema é considerado sensível para a indústria brasileira, porque parte das medidas de defesa comercial contra a China não seria possível se adotada a metodologia normalmente aplicável a economias de mercado (comparação com preço doméstico no país do produtor investigado). E o governo brasileiro teme que haja alguma represália, como a abertura de uma investigação antidumping, pela China, relativa às importações de minério de ferro da Vale.

Colaborou Vivian Oswald, especial para O GLOBO

oglobo.globo.com | 02-09-2016

BRASÍLIA - No primeiro compromisso oficial após ser efetivado no poder, o presidente Michel Temer fará cinco discursos na China para mostrar que houve uma guinada política e econômica no país. Na reunião do G20 (grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo), ele ressaltará as diferenças em relação ao governo passado, tanto no controle das contas públicas e da inflação quanto na retomada do crescimento. Já na agenda preparada exclusivamente para azeitar as relações do Brasil com os chineses, nos níveis empresarial e de Estado, Temer e a equipe de ministros que o acompanham nessa jornada assinarão 11 atos, aos quais O GLOBO teve acesso. São negócios bilionários, como a venda de 50 aviões da Embraer, investimentos de US$ 1 bilhão na Petrobras, construção de um grande terminal de cargas e uma siderúrgica no Maranhão e até a compra de participações na construtora Camargo Correa, por US$ 1,83 bilhão.

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Com esses acordos, Temer quer marcar uma nova fase de entradas de recursos no Brasil e reativação da economia. No entanto, terá de dar várias justificativas sobre a cena política e refutar a ideia de golpe. E ainda enfrentará temas complicados, como o reconhecimento da China como economia de mercado.

A agenda do presidente é extensa. No primeira sessão de trabalho, no domingo (4 de setembro), ele admitirá aos demais chefes de Estado que o desafio mais urgente do país é fiscal. No discurso, prometerá ao mundo que o gasto público no país não terá crescimento real nos próximos 20 ano,s por causa da emenda constitucional que está no Congresso Nacional.

Sem citar diretamente a ex-presidente Dilma Rousseff, ele alfinetará o antigo governo. Falará que, agora, o Banco Central tem atuado de forma decisiva para trazer a inflação para o centro da meta, o que não ocorreu em “anos recentes”. Dirá também que uma ambiciosa agenda de reformas estruturais está em curso e que o que já foi feito mudou radicalmente as expectativas, o que mexe com a economia. O presidente afirmará que o Brasil já vive, hoje, uma alta do nível de confiança dos agentes econômicos, queda no custo de financiamento externo, redução de risco país, o aumento do fluxo de dólares e de investimento e também ressaltará o "desaparecimento" do rombo das contas externas.

Na segunda-feira, o foco de Michel Temer será a energia elétrica. Dirá que o país está pronto para cooperar na construção de uma plataforma internacional para desenvolver a bioeconomia e a bioenergia avançada e sustentável. Num discurso voltado para o meio ambiente, argumentará que não há um plano B para o mundo a não ser investimento em energia limpa. Nesse mesmo dia, o presidente falará em outro fórum que o mundo precisa discutir os subsídios agrícolas e remover barreiras comerciais para países em desenvolvimento.

Em um almoço com chefes de Estados do G20, Temer fará um discurso voltado para o social. Dirá que o G20 tem responsabilidades e que é indispensável uma “solidariedade global revigorada”.

Na quinta sessão de trabalho, o presidente tratará de temas como as migrações, assunto em alta por causa dos refugiados que rumam para a Europa. Defenderá política para estabilização e desenvolvimento dos locais de origem desses fluxos migratórios. Lembrará, por exemplo, que o Brasil recebeu de braços abertos os haitianos - que não se enquadram na categoria de refugiados, mas chegaram aos milhares ao país por diversas razões. Condenará o terrorismo. E ainda falará sobre saúde. Lembrará que o Brasil quebrou a patente dos remédios contra a Aids.

Durante a viagem, o presidente ressaltará que o mundo não se recuperou da crise mundial e que três elementos têm merecido a atenção do governo brasileiro: a evolução do preço das commodities, os reflexos das políticas monetárias acomodatícias em países desenvolvidos e a volatilidade dos mercados financeiros por causa do Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia) e do terrorismo.

O governo brasileiro tem interesses específicos nesta viagem. Com a China, o Brasil quer aumento das exportações do agronegócio brasileiro inclusive por meio da habilitação de novos estabelecimentos autorizados a exportar carne. Sublinhará a necessidade de maior flexibilidade das autoridades chinesas na concessão de autorização para as importações e a participação de empresas chinesas no Plano de Investimentos em Infraestrutura.

OS ATOS QUE SERÃO ASSINADOS

Em um seminário empresarial em Xangai, o Brasil deve assinar 11 acordos comerciais, de acordo com informações levantadas pelo GLOBO. O primeiro deles ser uma operação de crédito de US$ 1 bilhão com um prazo de 10 anos entre a Petrobras e o China Eximbank. O financiamento é a primeira parcela dos US$ 2 bilhões previstos num acordo assinado no ano passado. A estatal, que tenta se reerguer depois da crise do escândalo de corrupção e da queda do preço internacional do petróleo, tem todo o interesse que esse acordo saia.

Também está previsto um ato que trata a ser assinado que trata da venda de 32 aeronaves para empresas de aviação chinesa. Uma outra negociação é a aprovação pelo governo chinês da aquisição de 18 jatos pela empresa Hainan Airlines. A Embraer pediu apoio ao governo brasileiro para que essa autorização saia o mais rápido possível.

Será negociada ainda a venda da participação da Camargo Correia na CPFL Energia. O negócio é avaliado em US$ 1,83 bilhão.

Um acordo de investimento num terminal multicargas privado na região de São Luis (MA) também deve ser fechado. Esse terminal terá a capacidade instalada de 14 milhões de toneladas por ano para grãos, 3 milhões de toneladas para celulose, 3,5 milhões de toneladas de fertilizantes e 3,6 milhões de toneladas de líquidos. O investimento será de US$ 1,5 bilhão apenas na primeira fase. Ainda no Maranhão, o governo negocia a instalação de uma siderúrgica na cidade de Bacabeira no valor de US$ 3 bilhões.

Há previsão de acordos para parcerias com o Banco Modal para ser braço financeiro do CCCC (China Communications and Construction Company Internacional) para analisar e executar projetos na área de infraestrutura no Brasil; criação de um fundo de US$ 1 bilhão dos grupos Pengin e Haitong para investimento em armazenamento, logística e infraestrutura de escoamento de grãos; e ainda a compra de 50,1% da sociedade de investimentos Rio Bravo pelo Grupo Fosun.

Ambos países ainda acordarão medidas de cooperação para ampliar o comércio bilateral, como antecipado pelo GLOBO na semana passada.

CHINA E A ECONOMIA DE MERCADO

Para fazer toda essa negociação, Michel Temer foi alertado sobre pontos importantes da política interna da China. O slogan governamental daquele país tem quatro pontos: construir uma sociedade modernamente próspera, aprofundar reformas, implementar o Estado de direito e aumentar a disciplina partidária.

No que se refere à liberdade de expressão, assessores do Palácio do Planalto ressaltaram ao presidente que centenas de advogados chineses foram detidos e se tornaram frequentes casos de assédio e intimidação a críticos do governo e a funcionários e organizações não governamentais.

O governo chinês tem promovido uma campanha de combate à corrupção com prisão de diversos líderes partidários. Tem enfatizado que a unidade e lealdade é o ponto fundamental para o partido para os rumos da economia da política chinesa.

Sobre o reconhecimento efetivo de que a China é uma economia de mercado, a orientação dada ao presidente — de acordo com fontes ouvidas pelo GLOBO — é dar uma resposta padrão: a questão do reconhecimento da China como economia de mercado para fins de investigações de defesa comercial está em avaliação técnica pelo governo brasileiro.

O tema é considerado sensível para a indústria brasileira, porque parte das medidas de defesa comercia do Brasil contra a China não seria possível se adotada a metodologia geral, aplicável a economia de mercado (comparação com preço doméstico no país do produtor investigado). No entanto, o tema é de alta prioridade do governo chinês, que espera o reconhecimento do Brasil. Caso não seja dado, os chineses podem reagir. A preocupação do governo é que haja represália. Um dos exemplos é a possibilidade de a China abrir uma investigação antidumping contra as importações de minério de ferro da Vale.

oglobo.globo.com | 01-09-2016

SÃO PAULO — À frente do Templeton Emerging Markets Group, o supergestor, responsável por US$ 25 bilhões em investimentos, espera recuperação consistente da economia brasileira apenas em 2017:

Qual a sua avaliação sobre a economia brasileira neste momento? Já é possível ver algum sinal de recuperação nos níveis de atividade, ou ainda é cedo para esse tipo de sinalização?

De fato, há alguns sinais de recuperação em duas frentes. Primeiro, no comportamento da moeda (o real). Segundo, no movimento do mercado de ações. Ambos experimentaram altas depois de atingirem suas mínimas poucos meses atrás. O real se apreciou mais de 20% contra o dólar (desde o início do ano) e o índice MSCI Brazil (utilizado por gestores internacionais e que considera um conjunto de ações de empresas brasileiras) sobe mais de 63% no acumulado de 2016. É claro que esses tendem a ser indicadores antecedentes, então esperamos ver sinais mais sólidos que possam mostrar um incremento nos gastos com consumo e outros indicadores de crescimento mais evidentes a partir do próximo ano.

Diante desses sinais, quais os cenários que a Templeton traça para o Brasil? Houve um aumento da exposição de vocês em ativos brasileiros nos últimos meses?

O Brasil está overweight (expressão empregada pelo mercado quando se espera um desempenho acima da média de um determinado grupo de ativos) neste momento. E sim, nós realizamos um aumento de nossa exposição ao longo deste ano.

O senhor poderia dizer quais as empresas e os setores que são as melhores opções no país em termos de potencial de ganho no médio prazo?

Vemos boas opções de investimentos em ações nas empresas dos setores financeiro e de consumo, e também em algumas empresas ligadas ao setor de commodities.

O Brasil enfrentou, a partir do ano passado, uma forte crise política, que teve um capítulo importante encerrado ontem com o impeachment da agora ex-presidente Dilma Rousseff, substituída por Michel Temer. A crise política ainda é um risco, ou já foi debelada?

As reformas que estão se desenvolvendo na economia, como resultado dessa crise política pela qual o Brasil passou, são uma boa notícia para o país e o tornam muito mais atraente para os investidores.

Que medidas o novo governo brasileiro deveria priorizar no curto prazo para destravar os investimentos e atrair o investidor estrangeiro?

Nesse curto prazo, vejo que a reforma fiscal e a adoção de medidas para extirpar a burocracia que sufoca os negócios são ações importantes (a serem tomadas). Além disso, um foco mais rigoroso sobre a eficiência da economia e medidas contra a corrupção também são de alta prioridade, e podem tornar o Brasil mais atraente neste momento.

O que os investidores estrangeiros podem esperar do Brasil olhando para um horizonte de tempo mais longo?

Esses investidores esperam excelentes resultados da economia brasileira. O Brasil é um país com futuro. Tem muitos recursos naturais e é uma uma sociedade aberta. É uma população muito jovem e que tem um desejo por mudança e reformas.

A liquidez no mercado financeiro global está maior devido aos estímulos monetários e fiscais em várias economias. Pode-se esperar um aumento do fluxo de recursos estrangeiros para o Brasil?

Sim, o Brasil pode ser beneficiado porque temos no mundo um ambiente de juros muito baixos nos países desenvolvidos, essencialmente nos Estados Unidos, no Japão e na Europa. Portanto, os investidores estão em busca de rendimento e retornos mais altos e são os países emergentes que podem oferecer isso. Nesse cenário, o Brasil é um exemplo importante.

Quais os riscos que o Brasil pode enfrentar e, se não contornados, podem fazer com que o Brasil não absorva esse fluxo?

Um aumento dramático nas taxas de juros nos países desenvolvidos poderia colocar um freio nos fluxos de investimento para o Brasil. Também um abandono pelo Brasil das reformas fiscal e administrativa poderia ser negativa no processo de atrair esses fluxos.

oglobo.globo.com | 01-09-2016

RIO — O setor externo mostrou um desempenho diferente no segundo trimestre do ano e passou a contribuir menos para um resultado positivo do PIB. Isso fica evidente na comparação com os três primeiros meses do ano: as importações registram resultado positivo de 4,5%, depois de quatro quedas seguidas, enquanto as exportações, que vinham de um crescimento de 4,3%, registraram alta de apenas 0,4%. Nessa comparação, houve contribuição negativa para o PIB.

De acordo com a a gerente de Contas Nacionais do IBGE, Claudia Dionísio, que apresentou os resultados do PIB ontem, essa mudança reflete a variação cambial do período:

— Como o real teve apreciação no segundo trimestre, as exportações ficam menos competitivas, e as importações tendem a crescer mais.

Na comparação anual, as exportações continuaram em alta, enquanto as importações caíram. No entanto, também em níveis mais baixos, contribuindo menos para um resultado positivo do PIB.

As exportações, que haviam crescido 13% no primeiro trimestre frente ao mesmo período do ano anterior, tiveram alta de apenas 4,3% entre abril e junho. Já as importações, que caíram 21,7% nos primeiros três meses do ano, no segundo trimestre recuaram 10,6%. Os resultados também foram influenciados pela desvalorização cambial, que foi de 14,3% no período. Dentre as exportações, os destaques de crescimento foram veículos, agropecuária, papel e celulose e metalurgia. Nas importações de bens, as maiores quedas ocorreram em siderurgia, indústria automotiva, têxteis, vestuário e calçados, eletrônicos e petróleo.

— É difícil dizer o que explica isso, é possível que seja o câmbio. Mas, por trás do aumento do investimento que apareceu neste PIB, está também o crescimento da importação de bens de capitais, o que ajuda a entender o movimento do setor externo — diz Paulo Levy, economista do Ipea.

Na avaliação da economista do Ibre/FGV Silvia Matos, um crescimento maior das exportações em relação às importações é ruim no contexto econômico brasileiro.

— Nos períodos de crescimento, o setor externo sempre tem contribuição menor. Quando as exportações superam as importações, como agora, isso reflete a desvalorização do câmbio, por conta de uma economia que estava indo para o buraco. Se essa diferença diminui, então é sinal de que estamos voltando à normalidade. Não temos tradição de exportação de manufaturados. Isso se torna alternativa quando o mercado interno não vai bem — explica.

Economia global estagnada

Para o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima, a contribuição do setor externo para a retomada será tímida, pois o comércio mundial está caindo.

— O Japão está estagnado, a União Europeia está estagnada, os Estados Unidos crescem pouco, e a China desacelera. Não tem como o setor externo ajudar a retomada do crescimento — ressalta Lima.

Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, tem opinião semelhante:

— O motor do crescimento é o mercado interno. O setor externo é importante para equilibrar nossas contas externas, pois a economia brasileira é muito fechada, e o comércio internacional está estagnado.

oglobo.globo.com | 01-09-2016

LONDRES e DUBLIN - A decisão da Comissão Europeia de que a Apple deve pagar € 13 bilhões em impostos retroativos à Irlanda poderia ajudar o país a reduzir sua dívida significativamente, mas pode também pode minar o governo, disse a agência de classificação de risco Standard & Poor’s à Reuters nesta quarta-feira.

Embora a empresa e Dublin tenham dito que vão contestar a decisão, economistas têm tentado calcular o possível impacto do pagamento nas finanças da Irlanda.

— Há muitas incertezas adiante, mas, se nós supormos que o dinheiro vai, de fato, ser pago, a soma de € 13 bilhões não é insignificante para uma economia do tamanho da Irlanda — destacou Moritz Kraemer, diretor executivo de rating soberano da agência para Europa.

Este montante representa mais do que 5% do Produto Interno Bruto (PIB) da Irlanda. Se for pago, esse total permitirá ao país reduzir suas dívidas — que hoje estão em cerca de 94% do PIB, segundo dados da Reuters — para algo na casa dos 80% do PIB, caso o governo use os € 13 bilhões apenas para este fim, explicou Kraemer.

A Moody’s adotou um tom similar ao da Standard & Poor’s, alegando que também ficaria de olho em um possível incremento nas finanças irlandesas e no impacto no regime de impostos corporativos, assim que os apelos forem feitos, e o cenário ficar mais claro.

REUNIÃO NA SEXTA-FEIRA

Na avaliação do executivo, contudo, a decisão pode desestabilizar o governo e sua habilidade de formular e implementar políticas — um importante fator levado em conta pela agência de classificação de risco:

— Se o governo escolher não aceitar os € 13 bilhões em um momento no qual afirmou que o dinheiro não está lá para outros gastos necessários, isso pode miná-lo aos olhos do público e enfraquecer sua posição.

Kraemer acrescentou que o modelo de negócios da Irlanda é que pode estar sendo posto em um teste legal.

O gabinete da Irlanda não conseguiu chegar a um consenso, nesta quarta-feira, sobre se vai recorrer ou não da decisão da Comissão Europeia de obrigar a Apple a pagar os € 13 bilhões, gerando questionamentos sobre o apelo e sobre a estabilidade do governo.

O ministro das Finanças, Michael Noonan. insistiu que Dublin deve recorrer de qualquer de decisão desde que a UE iniciou a investigação, em 2014. Mas, depois de quatro horas de discussão, o gabinete decidiu adiar o debate até sexta-feira, quando o governo disse que a decisão será tomada.

O país tem até dois meses para recorrer da determinação da Comissão Europeia.

oglobo.globo.com | 31-08-2016

RIO - Em que pese a crise econômica que atinge o país, os ventos continuam soprando forte. O Brasil atingiu, na semana passada, 10 mil megawatts (MW) de capacidade instalada de energia eólica. Para se ter uma ideia desse volume de energia, a usina hidrelétrica de Belo Monte terá 11 mil MW de capacidade instalada.

Essa energia toda está instalada em 400 parques e mais de 5.300 aerogeradores e outras 5.200 turbinas. a informação foi dada nesta terça-feira pela presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeólica), Élbia Melo, durante o Brazil Wind Power, no Rio de Janeiro.

— Muitas pás, muitas turbinas, R$ 50 bilhões de investimentos. Mas, em breve, já estaremos comemorando 20 mil MW, porque já estamos construindo mais ou menos 9.000 MW neste momento. Muito em breve a fonte eólica será a segunda fonte de energia da matriz elétrica nacional — destacou Élbia.

Com essa capacidade instalada, a energia eólica já representa 7% da matriz de energia elétrica do país. . Segundo a Abeólica, no ano passado, a energia eólica abasteceu mensalmente uma população equivalente a todo o sul do país e gerou 41 mil postos de trabalho.

Nos últimos anos os investimentos feitos pelas empresas da cadeia produtiva de energia eólica, já 80% nacionalizada, foi de R$ 48 bilhões. Nos últimos dias na Região Nordeste, onde o consumo total é de 9.711 MW médios, a geração de energia eólica, superior a 4.157 MW médios, já supera a geração de hidreletricidade, que é de 2.415 MW — o restante é energia térmica e transferências da Região Sudeste para a Nordeste.

Segundo a Abeólica, de 1998 até hoje, já foram investidos cerca de R$ 60 bilhões. Em 2015, a energia eólica foi a fonte de energia que mais cresceu na matriz elétrica brasileira, responsável pela participação de 39,3% na expansão, seguida pela energia hidrelétrica (35,1%) e termelétrica (25,6%).

De acordo com Rita Burnay, especialista em renováveis em Portugal da consultoria canadense CGI, que está participando do evento, destacou que as fontes renováveis deverão manter uma taxa de crescimento entre 7% e 8% na Europa.

Mas a executiva disse que o maior crescimento dessas fontes, principalmente da eólica e da solar deverá acontecer agora no Brasil, na China e nos Estados Unidos.

— Acredito que a solar vai se desenvolver mais agora. Agora existem formas de conjugar a eólica com a solar , na qual a solar fica junto com a eólica podendo se fazer sinergia, aproveitando as infraestruturas que já estão lá pela eólica — destacou a executiva.

Rita afirma que já está se estudando a possibilidade de instalar placas fotovoltaicas nas regiões onde já estão instalados os parques eólicos na região do do Nordeste como em Fortaleza, onde já possuem infraestrutura das eólicas.

Ela lembrou que alguns países já começaram a pesquisar a possibilidade de construir uma bateria na qual pode ser carregada com o remanescente da energia produzida pela eólica. Com isso poderia se usar essa energia quando não tem vento.

oglobo.globo.com | 31-08-2016

SAN FRANCISCO - Em resposta à decisão da União Europeia, que condenou a Apple a pagar R$ 47 bilhões em taxas para a Irlanda por considerar ilegal o planejamento tributário usado pela empresa, Tim Cook, presidente da companhia fundada por Steve Jobs, fez uma carta aberta à “comunidade Apple na Europa”. Nela, assegura que paga todos os impostos devidos em todas as praças onde está instalada e acusa a Comissão Europeia de tentar “ reescrever a história da Apple na Europa, ignorar as leis fiscais da Irlanda e criar um sistema fiscal internacional”. apple 3008

“Em sua raiz, o caso da Comissão não é sobre o quanto a Apple paga em impostos. É sobre qual governo recolhe o dinheiro”, diz Cook, afirmando ainda que a União Europeia tenta substituir a legislação local por seu entendimento de como a lei deveria ser. Diz ainda que a decisão terá impacto negativo e profundo sobre a geração de emprego e investimentos na Europa.

Leia abaixo a carta.

“Trinta e seis anos atrás, muito antes da introdução do iPhone, do iPod e até mesmo do Mac, Steve Jobs criou as primeiras operações da Apple na Europa. Na época, a companhia sabia que para ter clientes na Europa, seria necessário ter uma base lá. Então, em outubro de 1980, a Apple abriu ma fábrica em Cork, na Irlanda, com 60 empregados.

Na época, Cork estava sofendo com alto desemprego e investimento econômico extremamente baixo. Mas os líderes da Apple viram uma comunidade rica em talente, à qual acreditaram que poderiam levar crescimento se a companhia tivesse sorte suficiente.

Operamos continuamente em Cork desde então, apesar de períodos de incerteza sobre nosso próprio negócio, e hoje nós empregamos cerca de 6.000 pessoas por toda a Irlanda. A grande maioria ainda está em Cork — incluindo alguns dos primeiros empregados —, agora atuando em uma ampla variedade de funções como parte da pegada global da Apple. Um número incontável de multinacionais seguiram a Apple investindo em Cork, e hoje a economia local está mais forte do que nunca.

O sucesso que impulsionou o crescimento da Apple em Cork veio de produtos inovadores que maravilharam nossos consumidores. Isso ajudar a criar e sustentar mais de 1,5 milhão de empregos na Europa — empregos na Apple, empregos para centenas de milhares de desenvolvedores de aplicativos criativos que prosperam na App Store, e empregos em indústrias e outros fornecedores. Um sem-número de pequenas e médias empresas depende da Apple, e temos orgulho de apoiá-los.

Como cidadãos corporativos responsáveis, também temos orgulho de nossas contribuições para as economias locais por toda a Europa e para todas as demais comunidades. Como nosso negócio vem crescento ao longo dos anos, nos tornamos o maior contribuinte da Irlanda, do Estados Unidos e do mundo.

Ao longo dos anos, recebemos orientação das autoridades fiscais irlandesas sobre como cumprir corretamente a legislação tributária local — o mesmo tipo de orientação disponível para qualquer companhia em funcionamento lá. Na Irlanda e em todos os outros países onde operamos, a Apple segue a lei e nós pagamentos todas as taxas que devemos.

A Comissão Europeia lançou um esforço para reescrever a história da Apple na Europa, ignorar as leis fiscais da Irlanda e criar um sistema fiscal internacional. A opinião emitida em 30 de agosto alega que a Irlanda deu à Appel um tratamento fiscal especial. Esta alegação não tem base em fatos ou na lei. Nós nunca pedimos, nem nunca recebemos, nenhum tratamento especial. Nós nos encontramentos agora na estranha situação de ter de pagar taxas adicionais retroativas para um govenro que diz que nós não devemos nada além do que já pagamos.

O movimento da Comissão, sem precedentes, tem implicações sérias e de largo alcance. Ele efetivamente propõe substituir a legislação irlandesa pelo entendimento da Comissão de como a lei deveria ser. Isso deveria ser um golpe devastador na soberania dos estados membros da União Europeia no que tange a suas questões fiscais e ao princípio de c erteza da lei na Europa. A Irlanda diz que planeja apelar contra a sentença da Comissão e a Apple fará o mesmo. Estamos confiantes que a ordem da Comissão será revertida.

Em sua raiz, o caso da Comissão não é sobre o quanto a Apple paga em impostos. É sobre qual governo recolhe o dinheiro.

A taxação de companhias multinacionais é complexa, e ainda asim um princípio fundamento é reconhecido no mundo todo: os lucros de uma companhia devem ser tributados no país onde o valor é criado. A Apple, a Irlanda e os Estados Unidos concordam com este princípio.

No caso da Apple, praticamente toda pesquisa e desenvolvimento acontece na Califórnia, então a grande maioria dos lucros são tributados nos EUA. As companhias europeias que atuam nos EUA são taxadas de acordo com o mesmo princípio. Mas a Comissão está pedindo para que estas regras sejam mudadas retroativamente.

Além de visar a Apple, o efeito mais profundo e danoso desta ingerência será em investimentos e criação de trabalho na Europa. Usando a teoria da Comissão, todas as companhias na Irlanda e na Europa estão subitamente em risco de ser alvo de tributos sob leis que nunca existiram.

A Apple tem apoiado a reforma fiscal internacional com os objetivos de simplificar e dar clareza. Nós acreditamos que essas mudanças deveriam surgir de um processo legislativo legítimo, no qual as propostas são discutidas entre líderes e cidadãos dos países afetados. E, como com qualquer lei, elas deveriam ser aplicadas daqui para frente, não retroativamente.

Temos um compromisso com a Irlanda e planejamentos continuar investindo lá, crescendo e servindo nossos clientes com o mesmo nível de paixão e comprometimento. Nós acreditamos firmemente que os fatos e os princípios legais estabelecidos sobre os quais a União Europeia foi fundada vão prevalecer no final.

Tim Cook

oglobo.globo.com | 30-08-2016
Comissão Europeia determinou que Irlanda cobre quantia bilionária de gigante de tecnologia por ‘impostos atrasados’; Nobel de Economia elogiou decisão.
www.bbc.com | 30-08-2016

BRUXELAS — O órgão regulador da competição da União Europeia determinou que a Apple pague 13 bilhões de euros, cerca de R$ 47 bilhões, em taxas para o governo irlandês, após decidir que o esquema montado pela companhia para direcionar os lucros das operações internacionais para o país foi considerado ilegal.

— Estados membros não podem dar isenções fiscais para companhias selecionadas — disse Margrethe Vestager, da Comissão de Competição da União Europeia, nesta terça-feira. — Isso é ilegal perante as regras da União Europeia.

Segundo Margrethe, a comissão decidiu, após três anos de investigações, que a Irlanda concedeu benefícios fiscais para a Apple ao longo dos anos, fazendo com que os impostos corporativos cobrados sobre os lucros da companhia caíssem de 1% em 2003 para meros 0,0005% em 2014.

Por esse motivo, a “Irlanda deve agora recuperar taxas não pagas pela Apple entre os anos 2003 e 2014, de até 13 bilhões de euros (US$ 14,5 bilhões), mais juros”.

A soma é 40 vezes maior do que a Comissão Europeia já havia determinado contra uma companhia em casos semelhantes, e pode ser reduzida, informaram executivos da União Europeia em comunicado. A Irlanda está preparando um recurso contra a decisão.

— Estou em profundo desacordo com a decisão da comissão — declarou o ministro de Finanças da Irlanda, Michael Noonan. — O ministro de Finanças buscará o aval do gabinete para recorrer da decisão da comissão ante a Justiça Europeia.

A Apple também pretende recorrer. Em comunicado, a companhia afirma “seguir a lei e pagar todas as taxas devidas em todos os lugadores onde opera”.

“Nós vamos apelas e estamos confiantes que a decisão será revertida”, disse a companhia. “O caso da Comissão não é sobre quanto a Apple paga em taxas, é sobre qual governo coleta o dinheiro. Isso terá um profundo e danoso efeito nos investimentos e na criação de empregos na Europa”.

oglobo.globo.com | 30-08-2016

BRUXELAS e BERLIM - A Comissão Europeia — braço Executivo da União Europeia (UE) — disse, nesta segunda-feira, que tem uma ordem unânime dos 28 membros do bloco para concluir negociações sobre um acordo de livre comércio com os Estados Unidos, um dia depois de o ministro da Economia da Alemanha afirmar que as conversas tinha “de fato falhado”.

No domingo, Sigmar Gabriel, da Alemanha, afirmou que as negociações fracassaram porque a Europa rejeitara algumas demandas americanas.

Perguntado sobre as afirmações de Gabriel, um porta-voz da Comissão Europeia disse que “a bola ainda está em jogo” na Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, na sigla em inglês).

— Embora conversas sobre comércio levem tempo, a bola ainda está em jogo agora, e a Comissão está fazendo progresso constante nas atuais negociações do TTIP — explicou em conferência com jornalistas Margaritis Schinas, porta-voz da Comissão Europeia.

Segundo Schinas, as negociações chegaram a um ponto importante:

— As conversas agora estão entrando em um estágio de fato crucial, uma vez que temos propostas para quase todos os capítulos sobre a mesa e uma boa noção dos contornos do acordo futuro.

MUITO PODER A MULTINACIONAIS

Três anos de negociações não conseguiram resolver múltiplas diferenças, incluindo pontos sobre alimentos e segurança ambiental, com críticas de que o pacto daria muito poder às grandes multinacionais às custas de consumidores e trabalhadores.

Os que apoiam um amplo acordo de livre comércio entre EUA e UE veem potencial de ganhos econômicos para os dois lados do Atlântico. Ministros do Comércio do bloco vão discutir a questão em sua próxima reunião, que acontecerá dia 22 de setembro na Bratislava, Eslováquia.

Segundo Schinas, a Comissão estava pronta para finalizar o acordo no fim deste ano, mas não às custas “dos padrões de segurança, de saúde, social e de proteção de dados da Europa, ou nossa diversidade cultural”.

O referendo britânico de junho, quando se definiu a saída do Reino Unido da UE turvou mais o quadro, embora Schinas tenha insistido que Bruxelas ainda negocia em nome de todos os 28 membros do bloco, incluindo Londres.

Mas a perspectiva de um Brexit — como é chamada a saída da Grã Bretanha do bloco — desencadeou mais dúvidas de que o TTIP poderia ser concluído nos últimos meses de governo do presidente americano, Barack Obama.

Essa saída iminente do país também deixou incerto o status exato do Reino Unido em qualquer acordo, enquanto Londres pondera suas futuras conexões com a União Europeia.

MINISTRO É CRITICADO NA ALEMANHA

Na capital alemã, as principais associações da indústrias criticaram as observações de Gabriel e instaram o governo do país a mostrar maior comprometimento com acordos de livre comércio.

Para o presidente da associação industrial BDI, Ulrich Grillo, foi “espantoso” que o ministro — que também é vice-chanceler e presidente do Social Democratas — tenha declarado as negociações fracassadas, quando as conversas ainda estavam acontecendo.

Altos funcionários de outras associações industriais como a VDMA e a que representa o setor automotivo, a VDA, também mostraram descontentamento com os comentários de Gabriel, que ressaltam as crescentes divisões dentro da coalizão de Angela Merkel antes das eleições do ano que vem.

oglobo.globo.com | 29-08-2016

BERLIM — O ministro da Economia alemão, Sigmar Gabriel, disse neste domingo que, se a saída do Reino Unido da União Europeia fosse mal gerida e outros países membros seguissem a sua liderança, a Europa iria “pelo ralo”.

“A Brexit é ruim, mas não vai nos machucar tanto economicamente como alguns temem - é mais um problema psicológico e é um enorme problema politicamente”, disse Gabriel, vice da chanceler Angela Merkel na coalizão de governo da Alemanha, em entrevista coletiva.

Ele acrescentou que o mundo agora considerava a Europa como um continente instável.

“Se nós organizarmos a Brexit no caminho errado, então nós estaremos em apuros, assim agora precisamos ter certeza de não permitir que o Reino Unido mantenha as coisas agradáveis, por assim dizer, em relação à Europa, ficando sem nenhuma responsabilidade”, disse Gabriel.

Neste domingo, Gabriel também afirmou que fracassaram as negociações sobre a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, na sigla em inglês), um acordo de livre comércio que está sendo negociado por Estados Unidos e União Europeia.

“As negociações com os EUA falharam de facto porque nós, europeus, não queremos nos submeter às exigências americanas”, disse ele, de acordo com uma transcrição escrita da emissora alemã ZDF de uma entrevista que deverá ser transmitida neste domingo. "As coisas não estão se movendo nessa frente”, disse Gabriel, que também é vice-chanceler da Alemanha.

Desde o referendo para a saída britânica da União Europeia em 23 de junho, todos os olhos se voltaram para a Alemanha em busca de uma indicação de um caminho sem perigo aos 27 membros que permanecerão.

Em entrevista à emissora alemã ARD, neste domingo, Merkel disse: “estamos todos de acordo na União Europeia que a saída do Reino Unido, o resultado do referendo, tem um grande impacto”.

oglobo.globo.com | 28-08-2016

BERLIM — O ministro da Economia alemão, Sigmar Gabriel, disse neste domingo que, se a saída do Reino Unido da União Europeia fosse mal gerida e outros países membros seguissem a sua liderança, a Europa iria “pelo ralo”.

— O Brexit é ruim, mas não vai nos machucar tanto economicamente como alguns temem, é mais um problema psicológico e é um enorme problema politicamente — disse Gabriel, vice da chanceler Angela Merkel na coalizão de governo da Alemanha, em entrevista coletiva.

ECO- BREXIT

Ele acrescentou que o mundo agora considerava a Europa como um continente instável.

— Se nós organizarmos o Brexit no caminho errado, então nós estaremos em apuros, assim agora precisamos ter certeza de não permitir que o Reino Unido mantenha as coisas agradáveis, por assim dizer, em relação à Europa, ficando sem nenhuma responsabilidade — disse Gabriel.

Neste domingo, Gabriel também afirmou que fracassaram as negociações sobre a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, na sigla em inglês), um acordo de livre comércio que está sendo negociado por Estados Unidos e União Europeia.

"As negociações com os EUA falharam de fato porque nós, europeus, não queremos nos submeter às exigências americanas", disse ele, de acordo com uma transcrição escrita da emissora alemã ZDF de uma entrevista que deverá ser transmitida neste domingo. "As coisas não estão se movendo nessa frente”, disse Gabriel.

Desde o referendo para a saída britânica da União Europeia em 23 de junho, todos os olhos se voltaram para a Alemanha em busca de uma indicação de um caminho sem perigo aos 27 membros que permanecerão.

Em entrevista à emissora alemã ARD, neste domingo, Merkel disse: “Estamos todos de acordo na União Europeia que a saída do Reino Unido, o resultado do referendo, tem um grande impacto”.

oglobo.globo.com | 28-08-2016

BERLIM — O ministro da Economia da Alemanha, Sigmar Gabriel, disse neste domingo que fracassaram as negociações sobre a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, na sigla em inglês), um acordo de livre comércio que está sendo negociado por Estados Unidos e União Europeia.

“As negociações com os EUA falharam de facto porque nós, europeus, não queremos nos submeter às exigências americanas”, disse ele, de acordo com uma transcrição escrita da emissora alemã ZDF de uma entrevista que deverá ser transmitida neste domingo. "As coisas não estão se movendo nessa frente”, disse Gabriel, que também é vice-chanceler da Alemanha.

Os EUA e a UE têm negociado a TTIP por três anos e ambos os lados buscavam concluir as negociações em 2016, mas eles têm diferenças sobre vários assuntos, incluindo a agricultura.

Washington e Bruxelas esperavam chegar a um acordo até o fim do ano, apesar das fortes reservas que mantêm alguns membros da UE sobre a Associação Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, na sigla em inglês).

Sigmar Gabriel, que também é vice-chancelar da Alemanha, comparou as negociações sobre a TTIP com um acordo de livre comércio entre a UE e o Canadá, que, segundo ele, foi mais justo para ambas as partes.

"Na minha opinião, as negociações com os Estados Unidos fracassaram de fato, embora ninguém ainda o reconheça", acrescentou Gabriel, durante uma sessão de perguntas e respostas com cidadãos em Berlim.

O ministro alemão destacou que, em 14 rodadas de conversações, não foi possível chegar a um acordo sobre um só dos 27 capítulos em discussão. Gabriel acusou os EUA de estarem furiosos pelo acordo UE-Canadá, denominado de CETA, porque contém elementos que os americanos não querem incluir na TTIP."Não devemos nos submeter às propostas dos americanos'', disse Gabriel, dirigente do Partido Social Democrata, de centro-esquerda.

O ministério de Gabriel não participa diretamente das negociações com Washington porque os acordos de comércio são negociados a nível da UE. Mas um veredito semelhante de um alto funcionário da maior economia da Europa provavelmente dificultará ainda mais as negociações entre o executivo europeu e o governo de Barack Obama.

As declarações de Gabriel contrastam com as da chancelar Angela Merkel, que disse, no mês passado, que TTIP convém ''totalmente aos interesses da Europa''.

Na Alemanha, há uma forte oposição popular a um acordo de livre comércio com os Estados Unidos. Diante disso, foi convocada uma jornada nacional de protestos contra as conversações para 17 de setembro, um ano antes das próximas eleições gerais.

oglobo.globo.com | 28-08-2016
Conversas em prol da criação de um acordo de livre de comércio entre a União Europeia e os Estados Unidos falharam, afirmou o ministro da Economia na Alemanha Sigmar Gabriel. As negociações para o chamado Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, mais conhecido como TTIP, tiveram pouco progresso nos últimos anos. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 28-08-2016

BRASÍLIA E RIO - O governo pode criar um regime especial de trabalho para o aposentado, nos mesmos moldes do estágio, sem custos trabalhistas para os empregadores. A ideia foi apresentada a assessores do Ministério da Fazenda e, segundo interlocutores, está sendo analisada com cuidado. Tem como partida projeto do professor de Economia da USP Hélio Zylberstajn.

Pela proposta, os aposentados com mais de 60 anos poderiam ser contratados por empresas, com jornada reduzida (quatro ou seis horas diárias) e sem encargos trabalhistas (FGTS, INSS, 13º). Teriam direito apenas a férias, sem adicional de um terço. Aposentados por invalidez não seriam incluídos na nova regra.

A iniciativa é vista como uma forma de aproveitar a força de trabalho mais experiente, além de oferecer renda adicional aos idosos, sem aumento de custos. Hoje, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) fixa jornada diária de oito horas e 44 semanais — o que inibe contratações por período menor, pelo risco jurídico.

Políticas para incentivar o trabalhador a permanecer mais tempo na ativa e o empregador a contratar profissionais mais velhos têm sido uma prática em outros países — onde as reformas dos sistemas de previdência vêm se tornando cada vez mais frequentes por causa do envelhecimento da população.

PRÁTICAS NO EXTERIOR

Ainda assim, há quem afirme que as medidas são tímidas e a inserção no mercado de quem já passou dos 60 anos é um desafio.

Regras_2708

Segundo o economista-chefe de Previdência da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), Hervé Boulhol, países têm endurecido regras para a aposentadoria precoce e dado bônus para quem posterga a aposentadoria:

— Só que isso não garante que as pessoas consigam vagas. É preciso acabar com discriminação, restringir políticas de aumento automático de salário por idade e melhorar programas de treinamento.

A Austrália elevou incentivos para empregadores que mantenham ou contratem trabalhadores mais velhos. Os Estados Unidos tornaram ilegal a aposentadoria compulsória por idade. Alemanha, Finlândia e Bélgica lançaram subsídios a salários de trabalhadores a partir de 50 anos.

— Os países da União Europeia adotaram muitas iniciativas para elevar a idade da aposentadoria, mas foram menos atuantes em políticas voltadas ao mercado de trabalho — diz Robert Anderson, da Fundação Europeia para Condições de Vida e Trabalho (Eurofound, na sigla em inglês).

Na avaliação de Claudio Dedecca, professor de Economia da Unicamp, as medidas compensatórias foram adotadas em países ricos porque a chance de aceleração do crescimento ali é pequena. O Brasil, diz, tem potencial para se desenvolver muito, o que permitiria absorver a mão de obra em idade avançada sem estímulos. Ele ressalta, porém, que isso dependerá da capacidade do país de crescer e da mudança no perfil do mercado de trabalho:

— A absorção dependerá de nossa capacidade de mudar a estrutura produtiva para aproveitar pessoas mais educadas e mais velhas. Se não formos capazes, os efeitos sociais serão ruins e precisaremos de medidas desesperadas de correção.

No Brasil, o engenheiro Carlos Alberto Nolasco se aposentou aos 58 anos, por tempo de contribuição. Mas continuou à frente de uma empresa belga até completar 65, quando deixou a presidência devido ao limite de idade imposto aos executivos. A opção para se manter ativo foi abrir uma consultoria e tornar-se conselheiro de empresas.

— Quando entrei na companhia, sabia da regra, mas não quis encerrar a carreira aos 65 anos. O mercado não é amigável. A percepção é que as pessoas dessa idade já perderam o brilho, não querem fazer sacrifícios nem têm energia para o batente. Mas eu estou pronto pra guerra — diz Nolasco, hoje com 70 anos.

oglobo.globo.com | 28-08-2016

O Japão e Coreia do Sul concordaram neste sábado em lançar negociações para retomar um acordo de swap cambial após a sua expiração em fevereiro do ano passado, informaram os dois países, aparentemente refletindo a melhora recente nas relações bilaterais, segundo a agência Kyodo.

Em conversas entre autoridades financeiras dos dois países, o governo sul-coreano propôs reforçar os laços econômicos bilaterais e estabelecer um novo acordo de swap cambial como um símbolo de cooperação, disse o Ministério das Finanças japonês. O acordo de swap cambial bilateral "contribui para reforçar a estabilidade financeira regional" em meio à crescente incerteza na economia global após a decisão da Grã-Bretanha de sair da União Europeia, afirmou o ministério, em um comunicado à imprensa.

O ministro das Finanças do Japão, Taro Aso, e o ministro de Estratégia e Finanças da Coreia do Sul, Yoo Il Ho, compartilharam a visão de que "a economia global está em um caminho de recuperação gradual, mas continua mais fraca do que o desejável" por causa da persistência de riscos de desaceleração.

As conversas foram realizadas em um momento em que os dois países enfrentam desafios de uma desaceleração das economias emergentes, incluindo a China, enquanto os mercados financeiros continuam voláteis, em parte por causa de especulações sobre um aumento da taxa de juros dos EUA.

Em fevereiro do ano passado, o Japão encerrou um acordo de swap cambial de 14 anos com a Coreia do Sul, em que cada nação poderia obter dólares ao dar sua moeda para a outra, com o objetivo de resistir à instabilidade do mercado. O acordo de troca de moedas, constituído em 2001, foi ampliado em 2011 de US$ 13 bilhões para US$ 70 bilhões, a fim de garantir que a Coreia do Sul tivesse acesso a recursos em dólares suficientes em meio à crise da dívida soberana da zona do euro. A expansão de um ano expirou em 2012 e o tamanho total do acordo foi reduzido para US$ 13 bilhões. Em 2013, o valor do acordo voltou a ser reduzido, desta vez para US$ 10 bilhões. Fonte: Dow Jones Newswires.

RIO - Apesar da redução do número de passageiros no mercado aéreo brasileiro e da redução de rotas por várias empresas aéreas, a holandesa KLM está ampliando suas apostas no Brasil. Em entrevista ao GLOBO, Pieter Elbers, presidente mundial da companhia, antecipa, que dependendo da recuperação da economia brasileira - que, para ele, já dá sinais positivos - pode aumentar o número de voos entre Rio e Amsterdã. A empresa, que através de uma parceria com a GOL, voa para 27 cidades brasileiras, não descarta criar rotas diretas entre a capital da Holanda e outros destinados por aqui, além de Rio e São Paulo.

aviação 2208Tudo isso faz parte dos planos do grupo Air France KLM, que pretende chegar em 2018 transportando um a cada cinco brasileiros para a Europa. Hoje, o grupo transporta um a cada seis passageiros. Sem cortar voos devido à crise brasileira, a KLM espera um crescimento entre 4% e 5% no número de passageiros transportados pela empresa neste ano em relação ao ano passado. Segundo Elbers, serão 180 mil brasileiros voando pela empresa até dezembro. O avanço é maior que a alta de 1,7% no número de passageiros dos voos internacionais no primeiro semestre deste ano, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

— Vemos os primeiros sinais positivos novamente. Talvez a Olimpíada possa dar um clima positivo na perspectiva internacional sobre a situação do país. O Brasil é um país com muito potencial, mas, claro, a situação política tem que ficar mais clara. Uma vez estabilizada, os negócios vão voltar a acontecer. O setor aéreo é movido pelo clima econômico. A prioridade para nós é atravessar a crise sem reduzir voos. Esse foi o nosso principal esforço. Dependendo da velocidade da recuperação, podemos dar novos passos — disse ele.

Após a empresa aérea dobrar sua capacidade em cinco anos, de 200 mil assentos (passageiros) para 400 mil assentos por ano, Elbers destaca que a KLM poderá ter voo diário do Rio para a capital da Holanda, assim como já ocorre com São Paulo, a depender da recuperação econômica. Hoje, são seis voos semanais no trecho Rio-Amsterdã.

— O Brasil é um mercado com grande potencial. É o quinto maior mercado internacional para a KLM, atrás de Estados Unidos, China, Canadá e Japão. Vamos ver o Brasil crescendo. Se você olhar o tamanho do país, estou muito feliz com a nova infraestrutura, os investimentos do novo terminal no Rio. Isso ajuda muito - destacou ele, lembrando que o Rio tem hoje uma das sete aeronaves mais modernas do mundo, o 787 Dreamliner. — Espero que não muito distante podemos adicionar outra aeronave.

Dono de 1,5% do capital social da GOL, a Air France KLM, que já investiu US$ 100 milhões na empresa brasileira, pretende iniciar em setembro deste ano uma nova campanha publicitária para divulgar as rotas entre Brasil e Europa. Apesar de a GOL estar tentando renegociar sua dívida com credores para evitar uma recuperação judicial, Elbers lembrou que o grupo vem conversando com a companhia brasileira para adicionar valor na parceira de code share.

— A GOL está em momentos de dificuldade econômica e a cooperação entre as duas companhias é muito importante e adiciona valor a todos. Estamos tentando cooperar da maneira possível. Estamos fazendo muitas ações comerciais, e a cooperação de code share traz benefícios para todas as companhias. Nossa estrategia é desenvolver outros mercados (além de Rio e SP) em parceria com a Gol e talvez depois podemos ter voos diretos. Na África , com a parceria com a Kenya Airways, desenvolvemos muitos mercados e depois lançamos voos diretos. Isso levou de 4 a 5 anos - antecipou o executivo.

A ligação entre a KLM e o Brasil vai além dos voos entre os dois países - atualmente, 30% dos passageiros brasileiros têm como destino final a capital holandesa. A empresa holandesa vai se tornar até 2020 a maior parceira da Embraer na Europa.

— Trabalhamos com a Embraer há alguns anos. Semana que vem serão 33 aeronaves dos modelos 190 e 175. Até 2020, teremos 50 aeronaves Embraer. Seremos o maior operador da Embraer na Europa. A aeronave combina com a rede da KLM, dando a estrutura que queremos, oferecendo vários voos por dia. A Embraer mudou sua sede de Paris para Amsterdã.

O executivo também está otimista quando o assunto é o crescimento da empresa no mercado europeu, que, segundo ele, deve registrar alta no número de passageiros entre 6% e 7%. Para os Estados Unidos, o avanço deve ser de 2% a 3%. Sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, ele diz que ainda é cedo para saber os reflexos.

— Ainda é muito cedo para determinar os impactos com o Brexit. Voamos para 15 destinos do Reino Unido. Fora da Holanda é o maior mercado. Neste ano, abrimos sete novos destinos. E vamos ter Miami e Colombo. Serão ao todo 8 a 9 novas rotas até dezembro.

oglobo.globo.com | 25-08-2016

A multiplicidade de nações adjacentes fez da Economia da Europa uma das mais complexas do planeta. Durante séculos a Europa foi o centro econômico do planeta. Entre as causas, podemos citar como a principal sua condição geográfica. A localização entre a África e a Ásia, fez da região europeia um ponto de passagem obrigatório, e facilitou de forma substancial a absorção e irradiação dos conhecimentos, tecnologia e comércio de ambos continentes. Esta condição perdurou até ao século XX. No século XX, a Europa viu seu predomínio declinar em relação aos Estados Unidos, o Japão e, na fase final, a China. A Primeira e Segunda guerra mundial, travadas em seu território, a carência de energia, de petróleo, além de uma intensa rivalidade entre seus povos, representaram para o continente a perda de sua liderança econômica. A Europa não tem auto-suficiência na produção de energia, exigindo a importação de muito petróleo. Este produto só é extraído em quantidades consideráveis na Rússia e no Mar do Norte. O gás natural, outro produto bastante usado na geração e produção de energia é muito abundante na Rússia, Romênia, Países Baixos e no Reino Unido. Outro recurso energético que teve grande importância nas fases iniciais da revolução industrial foi o carvão mineral, muito abundante, sobretudo na Alemanha, Polônia, Rússia, Reino Unido. Todas estas fontes energéticas são extremamente poluidoras e causam grandes impactos ambientais em todo o planeta. No caso da energia limpa, ou seja, não poluidora, podem ser citadas a energia hidráulica, energia eólica, e energia solar, de baixa produção e utilização da Europa, devido às suas condições geográficas. A produção de energia nuclear na Europa é muito importante, e, a exemplo dos Estados Unidos, gera imensas quantidades de lixo atômico, cujo fim, desde o início de sua utilização, é muito nebuloso e nunca divulgado na mídia mundial.


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