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Europa Economia

PEQUIM - As maiores economias do mundo trabalharão para apoiar o crescimento e compartilhar melhor os benefícios comerciais, informaram legisladores neste domingo após uma reunião dos ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais do G-20 cujo assunto principal foi o impacto da saída do Reino Unido da União Europeia e as preocupações de elevar o protecionismo.

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Philip Hammond, titular britânico das Finanças, afirmou que a incerteza gerada pelo Brexit começaria a se esvair uma vez que a Grã-Bretanha delineasse uma visão de futura relação com a Europa, o que ficará mais claro ainda este ano. Mas o ministro disse, no encontro em Chengdu, China, que pode haver volatilidade nos mercados financeiros durante os anos à frente de negociação.

— O que começará a reduzir a incerteza é quando nós formos capazes de estabelecer um tipo de arranjo mais claro que prevemos avançar com a União Europeia — disse Hammond à imprensa. — Se nossos parceiros da União Europeia responderem à essa visão positiva – obviamente estará sujeita a negociações –, de modo que faça sentido, talvez no fim deste ano, estarmos todos na mesma página em termos de onde esperamos ir. Acho que enviaremos um sinal de garantia à comunidade empresarial e aos mercados.

Um comunicado emitido pelos ministro do G-20 após dois dias de reunião afirma que o Brexit, assunto principal das discussões, aumentou a incerteza na economia global, levando a um crescimento “mais fraco do que o desejável”. O documento acrescenta que os membros, no entanto, estão “bem posicionados para lidar proativamente com as possíveis consequências econômicas e financeiras”.

“À luz dos desenvolvimentos recentes, nós reiteramos nossa determinação para usar todas as ferramentas de política – monetária, fiscal e estrutural – individualmente e coletivamente para alcançar nossa meta de crescimento forte, sustentável, equilibrado e inclusivo”.

Essa semana, o Fundo Monetário Internacional cortou as projeções de crescimento global por causa do Brexit.

NECESSIDADE DE ALAVANCAR O CRESCIMENTO

Enquanto a política monetária global se configurou como o principal assunto nos últimos encontros de autoridades do G-20, o presidente do BC da França, François Villeroy de Galhau afirmou que houve pouco debate dessa vez, com foco principal no crescimento.

Houve amplo consenso quanto à necessidade de crescimento da economica global, informou o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jack Lew, enquanto o ministro das Finanças da China, Lou Jiwei, afirmou que foi fácil forjar um consenso pois a recuperação da economia global permanece fraca.

— Não apenas o Brexit, mas vários risco de baixo crescimento permanecem, e houve muito debate sobre a necessidade de monitoramento dos desenvolvimentos do terrorismo, riscos geopolíticos e refugiados — disse uma autoridade do Ministério das Finanças do Japão. — Muitas preocupações foram manifestadas sobre a propagação de medidas de protecionismo”.

No comunicado, o G-20 destacou “o papel das políticas de comércio aberto e um sistema global de comércio seguro e forte na promoção do crescimento econômico global inclusivo, e faremos esforços futuros para revitalizar o comércio global e aumentar o investimento”.

O grupo reconheceu problemas causados pelo excesso de capacidade, particularmente do setor siderúrgico, que tem impacto negativo no comércio e no emprego. Tal ponto foi considerado “uma questão global que exige respostas coletivas”.

“Também reconhecemos que subsídios e outros tipos de apoio de governos e instituições sem patrocínio público podem causar distorções no mercado e contribuir ao excessso de capacidade global e, portanto, exige atenção”, diz a nota dos ministros.

oglobo.globo.com | 24-07-2016
Os ministros de Finanças globais redobraram seu compromisso de utilizar todos os instrumentos de políticas disponíveis para impulsionar o crescimento econômico, em meio ao temor de que uma miríade de ventos contrários possa empurrar a economia mundial para uma rotina de baixo crescimento.Entre os problemas mais proeminentes do grupo das 20 maiores economias do mundo está a surpresa com a decisão do Reino Unido no fim do mês passado de deixar a União Europeia. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 24-07-2016

PEQUIM - O Fundo Monetário Internacional (FMI) pediu neste sábado aos países ricos do G-20 que aumentem o gasto público para acelerar a economia mundial, confrontada com novos riscos como o Brexit e atentados.

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"O crescimento mundial continua sendo frágil e os riscos de recaídas se tornaram mais proeminentes", advertiu o FMI antes do início, em Chengdu (sudoeste da China), de uma reunião de dois dias dos ministros das Finanças e diretores de bancos centrais de G-20, uma instância que reúne as principais potências industrializadas e emergentes.

"O crescimento pode ser, inclusive, menor, se persistirem as incertezas econômicas e provocadas pelo Brexit", especifica o relatório em referência à decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE).

O FMI reduziu na semana passada suas previsões de crescimento do PIB mundial, a 3,1% em 2016 e 3,4% em 2017, em ambos os casos um décimo a menos que em suas projeções anteriores.

A instituição pede em particular aos países com economias avançadas, como Estados Unidos, Alemanha, Canadá e Austrália, que orientem mais fundos públicos para obras de infraestruturas um assunto que causa divisões no G-20.

oglobo.globo.com | 23-07-2016

PEQUIM - As principais economias do mundo se comprometaram a aumentar esforços para impulsionar o crescimento global e compartilhar benefícios mais amplamente, indicaram os principais responsáveis pelas políticas econômicas das nações que compõem o G-20 neste sábado em meio a debates para lidar com consequências do referendo que definiu a saída do Reino Unido da União Europeia e conter o descontentamento com a globalização.

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Os ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do grupo se reúnem na cidade chinesa de Chengdu durante o fim de semana para discutir soluções para desafios globais intensificados pelo Brexit. O espectro do protecionismo, ampliado pela retórica e visão do candidato à presidência dos Estados Unidos a favor da saída de acordos comerciais, Donald Trump, também é pauta na rodada de debates.

“A recuperação continua, mas permanece mais fraca do que o desejável. Enquanto isso, os benefícios do crescimento precisam ser compartilhados mais amplamente dentro dos países para promover inclusão”, indica um rascunho do comunicado elaborado pelos ministros do G-20 ao qual a Reuters teve acesso.

O esboço, que ainda está sujeito a mudanças até a divulgação oficial ao fim do encontro, atesta que o Brexit acrescenta incerteza à economia global, mas os integrantes do G-20 estão “bem posicionados para lidar proativamente com as possíveis consequências econômicas e financeiras”.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jack Lew, afirmou que é importante para os países do G-20 fomentar o crescimento compartilhado através de todas as ferramentas, inclusive instrumentos de políticas monetária e fiscal, bem como reformas estruturais, para aumentar a eficiência.

— Este é um tempo importante para todos nós redobrarmos nossos esforços para usar todas as ferramentas de política que temos para impulsionar o crescimento compartilhado — disse a autoridade à imprensa.

O ministro das Finanças da China, Lou Jiwei, pediu mais coordenação para promover o crescimento sustentável, já que medidas fiscais e monetárias têm se tornado cada vez menos eficientes.

— Os países do G-20 devem aumentar a comunicação e coordenação entre políticas, formar consensos políticos e guiar as expectativas do mercado, tornando a política monetária mais avançadas e transparantes e aumentar a efetividade da política fiscal — disse Lou.

BREXIT

O encontro do G-20 é o primeiro do gênero desde o referendo do Brexit e, portanto, é a estreia do novo ministro das Finanças britânico, Philip Hammond, que enfrentou questionamentos sobre o quão rápido o Reino Unido planeja avançar com negociações formais para deixar a União Europeia. Muitos países têm demonstrado preocupação frente à possível demora, o que elevaria ainda mais a incerteza da economia global.

Este semana, o Fundo Monetário Internacional esta semana cortou as projeções de crescimento global devido ao Brexit. Dados divulgados na sexta-feira intensificaram tais preocupações, com o índice da atividade do setor de serviços registrando a maior queda em seus 20 anos de História.

— Espero que haja esclarecimentos sobre o tempo e procedimento do divórcio. Quanto mais cedo, melhor, pois gera um novo equilíbrio — afirmou o ministro da Economia italiano, Pier Carlo Padoan à Reuters.

O ministro das Finanças da França, Michel Sapin, afirmou que mesmo que o Reino Unido não esteja preparado para a saída, o tempo de resposta não deve ser indefinido. Já o titular alemão das Finanças, Wolfgang Schaeuble disse que não deve cair sobre outros países gastos maiores para amortecer a saída do Reino Unido:

— Acredito que é uma questão que os próprios britânicos precisam resolver — disse.

MERCADO DE CÂMBIO

Lew, em reunião com o ministro japonês Taro Aso, reiterou a necessidade dos membros do G-20 de conter desvalorizações cambiais competitivas, como acordado pelo grupo em fevereiro. Considerado como porto seguro em tempos de turbulência nos mercados, o iene se fortaleceu para cerca de 100 ienes por dólar após o referendo do Brexit no fim de junho.

Os mercados especulam sobre uma futura expansão do programa de estímulo do Banco Central do Japão na revisão da política monetária planejada para 28 e 29 de julho, com o fortalecimento do iene este ano atingindo exportações e minando esforços para escapar da deflação.

O presidente do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda, afirmou que poderia afrouxar a política monetária no futuro caso seja necessário para atingir a meta de 2% de inflação.

oglobo.globo.com | 23-07-2016

PEQUIM - O G-20 planeja dizer que é capaz de lidar com as consequências econômicas do Brexit, de acordo com um rascunho de comunicado que o grupo de países emitirá após reunião em Pequim, na China, este fim de semana. O documento está sendo debatido nesta sexta-feira pelas autoridades, antes do encontro de ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais, e será revisado durante a conferência.

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"Membros do G-20 estão bem posicionados para lidar proativamente com as consequências econômicas e financeiras do referendo britânico", diz o texto ao qual a Bloomberg teve acesso.

Os representantes dos países mais desenvolvidos do mundo e das economias emergentes se reúnem para discutir questões que abrangem desde ataques terroristas recentes à deterioração da perspectiva de crescimento global. As projeções econômicas foram reduzidas adicionalmente ao referendo que determinou a saída do Reino Unido da União Europeia.

A votação do Brexit “se soma à incerteza da economia global”, diz o rascunho do comunicado. “O ambiente econômico global é desafiador e os riscos negativos persistem, ampliados pelos preços flutuantes de commodities, inflação baixa em muitas economias, conflitos geopolíticos, terrorismo e fluxos de refugiados”.

Espera-se que o grupo reitere o compromisso em acompanhar de perto os mercados cambiais e em conter medidas protecionistas.

“Reafirmamos nossos compromissos anteriores de taxas de câmbio, inlcusive que nós vamos evitar desvalorizações competitivas e não vamos mirar nossas taxas cambiais em propóstios competitivos”, indica o esboço.

O G-20 também planeja destacar a necessidade de um “sistema financeiro aberto e resiliente” diante da recente turbulência nos mercados e expressar seu compromisso para finalizar elementos críticos da estrutura regulatória.

REINO UNIDO: FERRAMENTAS

O Reino Unido tem as ferramentas necessárias para responder à turbulência no mercado provocada pela decisão do mês passado de deixar a União Europeia, disse o ministro das Finanças, Philip Hammond, em um encontro de líderes empresariais em Pequim.

Em um pronunciamento exibido pela Sky News no Reino Unido, Hammond disse que o Banco da Inglaterra também vai usar as ferramentas monetárias à sua disposição.

"É claro que nós entendemos que a decisão e, particularmente, a natureza inesperada da decisão em 23 de junho causou alguma turbulência nos mercados", disse ele. "Nós temos as ferramentas necessárias para responder a isso no curto prazo, os nossos colegas do Banco da Inglaterra vão usar as ferramentas monetárias à sua disposição."

oglobo.globo.com | 22-07-2016

A economia do Reino Unido parece estar encolhendo no ritmo mais rápido desde a crise financeira na esteira do referendo do mês passado que decidiu pela saída da União Europeia, de acordo com a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês), que registrou a maior queda em seus 20 anos de história.

O post Economia do Reino Unido se deteriora após Brexit apareceu primeiro em Jornal Correio do Brasil.


O dólar reduziu a alta ante o real durante a tarde desta terça-feira, 19, em meio à entrada de recursos no mercado pela via comercial e da perspectiva de liquidação amanhã do leilão de títulos do Tesouro Nacional realizado hoje. As novas medidas de estímulo anunciadas pelo Banco Central da Turquia também sustentaram as expectativas de fluxo financeiro adicional para o Brasil, uma vez que a confiança na economia nacional tem se fortalecido, disseram operadores, com base em novas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Instituto Internacional de Finanças (IIF).

No balcão, o dólar à vista fechou aos R$ 3,2572, em alta de 0,22%, pouco acima da mínima intraday de R$ 3,2547 (+0,15%). De acordo informações registradas na clearing da BM&F Bovespa, o volume total de negócios somou US$ 952,500 milhões, acima dos US$ 481,211 milhões de segunda-feira, mas bem menor que a média diária. No mercado futuro, às 17h17, o contrato de dólar para agosto avançava 0,11%, aos R$ 3,2700, com giro de US$ 11,225 bilhões.

Expectativas de manutenção da taxa Selic, em 14,25% ao ano, contribuíram para a desaceleração do dólar, disse o gerente de mesa de derivativos de uma corretora. Segundo o profissional, o mercado espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) forneça alguma sinalização sobre futuros cortes nos juros básicos quando anunciar sua decisão amanhã, ao fim de sua reunião de dois dias.

"Há percepção de que, se a Selic for mantida amanhã em 14,25% ao ano, poderá haver migração de investidores para cá, após os estímulos anunciados hoje pelo BC da Turquia", afirmou o especialista. A instituição turca decidiu reduzir hoje a taxa para concessão de empréstimos no overnight, de 9% para 8,75%, após reunião de política monetária.

Há ainda a possibilidade de um fluxo financeiro favorável amanhã, por conta da liquidação do leilão de títulos de longo prazo feito hoje pelo Tesouro Nacional, afirmou uma fonte de câmbio.

A expectativa de liquidez também é reforçada pela possibilidade de o Banco Central Europeu (BCE) sinalizar para breve algumas medidas de incentivo à economia. A instituição reúne-se nesta quinta-feira, pela primeira vez desde a decisão do Reino Unido sair da União Europeia.

O viés de alta do dólar ante o real, porém, sustentou-se na sessão em meio a um baixo giro de negócios e o cenário externo instável, depois do índice ZEW de sentimento da economia na Alemanha" apontar uma queda a 6,8 em julho, ante +19,2 de junho.

As bolsas de Nova York fecharam sem direção única nesta terça-feira, 19, com o Dow Jones anotando nova máxima histórica de fechamento, em meio a balanços mistos da temporada de resultados trimestrais.

O índice Dow Jones fechou em alta de 0,14%, aos 18.559,01 pontos; o S&P 500 caiu 0,14%, aos 2.163,78 pontos; e o Nasdaq recuou 0,38%, aos 5.036,37 pontos.

"Não estamos vendo muita convicção no mercado em nenhum dos sentidos hoje. Os balanços não têm sido fantásticos nem horrorosos. Eles vieram mornos, por assim dizer", afirmou Jonathan Corpina, da Meridian Equity Partners.

Entre as que divulgaram o resultado hoje, as ações da Johnson & Johnson avançaram 1,71% após a empresa apresentar ganhos melhores que os esperados pelos analistas e melhorar sua perspectiva para o ano.

Já os papéis da Netflix pesaram no Nasdaq e no S&P 500 ao cair 13,13%. Ontem, a empresa divulgou um aumento menor que o esperado do número de assinantes.

O banco Goldman Sachs (-1,18%) superou as expectativas para seu lucro, mas registrou queda nas receitas, o que foi interpretado como um sinal ruim.

Como pano de fundo, existe a expectativa de que grandes bancos centrais do mundo irão entrar em cena para evitar que incertezas sobre a economia mundial, especialmente após o plebiscito que decidiu a saída do Reino Unido da União Europeia, contaminem os mercados financeiros. Essa leitura ajudou o índice Dow Jones a subir mais de 3,0% acima dos níveis vistos antes do Brexit.

"A esperança sobre novos estímulos tem sustentado o rali até o momento, mas a questão que alguns se perguntam agora é: quanto dessas expectativas vai se materializar?" disse Geoffrey Yu, estrategista do UBS.

Para ele, o primeiro teste será nesta quinta-feira, quando acontece a reunião do Banco Central Europeu (BCE). Embora a maioria acredite que a instituição não vá anunciar novos estímulos no primeiro encontro após o Brexit, a coletiva de imprensa com o presidente Mario Draghi oferece uma janela para saber o que pode estar a caminho. Fonte: Dow Jones Newswires

RIO E SÃO PAULO - O novo presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, comanda hoje sua primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), e a expectativa é que mantenha a taxa básica de juros (Selic) estável nos atuais 14,25% ao ano. Enquanto isso, os países europeus vêm reduzindo suas taxas, para tentar estimular a economia, e o Federal Reserve (Fed, o BC americano) deve adiar a alta dos juros. Essa combinação de fatores levou a diferença entre a taxa brasileira e a média dos países desenvolvidos ao maior patamar em dez anos: 13,73 pontos percentuais.

Juros18-07Levantamento feito pelo economista-chefe da agência de classificação de risco Austin Rating, Alex Agostini, a pedido do GLOBO, mostra que este é o maior nível desde fevereiro de 2006, quando ficou em 13,88 pontos. Agostini usou a média das taxas básicas de juros de Estados Unidos, Austrália, Canadá, Japão e zona do euro, que ficou em 0,53% em maio deste ano. Em fevereiro de 2006, portanto bem antes da crise financeira global, essa média era de 3,38%, enquanto a Selic estava em 17,25%.

O chamado diferencial de juros é um dos indicadores que estimulam a atração de capital de curto prazo, com perfil mais especulativo, e vinha variando entre 13,64 e 13,68 desde julho do ano passado. Neste século, o nível desse diferencial só foi maior entre fevereiro e março de 2003, quando a Selic estava em 26,50%, e a média dos juros dos países desenvolvidos era de 2,54%.

REAL TENDE A SE APRECIAR MAIS

E há pouca expectativa de mudança nesse cenário nos próximos meses, já que a economia global se vê às voltas com os efeitos econômicos do Brexit (a saída do Reino Unido da União Europeia) e da intensificação dos atentados terroristas.

— A perspectiva de aumento de juros lá fora está adormecida, e, aqui no Brasil, há dúvidas sobre o corte da taxa. Então a avaliação é que o diferencial de juros deve se manter elevado por pelo menos seis meses — afirma Agostini.

Ele aponta que a taxa de remuneração dos títulos do Tesouro americano para o prazo de dez anos — os chamados T-Bonds — estava em 2,3%, enquanto no Brasil, hoje, os papéis do Tesouro prefixados têm taxa de 12%.

Agostini ressalta, porém, que o diferencial elevado de juros não é o único fator determinante na decisão dos investidores estrangeiros — o risco-país e a variação cambial também são importantes. O credit default swap (CDS, espécie de seguro contra calote da dívida soberana), indicador do risco associado ao Brasil, de cinco anos ficou em 288,3 pontos. Em março deste ano, antes do início do processo de impeachment, havia superado os 400 pontos.

O economista-chefe da Austin lembra ainda que as pesquisas mostram aumento da confiança no Brasil nos últimos meses. Sua expectativa é que, com a definição sobre o impeachment, cresça o volume de investimentos no país, especialmente os de curto prazo.

Isso traz consequências para o câmbio: o real tende a se apreciar ainda mais, movimento que vem sendo observado nas últimas semanas. O professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Fundação Getulio Vargas André Nassif ressalta que, quanto maior o diferencial de juros, maior a atração de capital de curto prazo, mantendo-se as demais condições constantes. Estudo feito por ele para o período entre 1999 e 2015 aponta que a evolução da renda per capita, o diferencial de juros e os termos de troca são os três fatores que mais determinam o comportamento da taxa real de câmbio.

— Existe um alto estoque de liquidez no mundo, freneticamente desejoso por ganhos com diferenciais de preços. A tendência é mirar países em que o diferencial de juros é maior, sem riscos de controle cambial — diz Nassif.

AJUSTE NO COMÉRCIO EXTERNO

O aumento da confiança com uma avaliação melhor da situação fiscal favorece esse processo, mas o professor destaca que também há influência do ajuste comercial externo em curso no país. Ele lembra que o déficit em conta corrente era de US$ 104 bilhões no fim de 2014 — o que correspondia a 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB) —, montante que caiu para US$ 58,8 bilhões no fim de 2015 (3,3% do PIB) e US$ 29,5 bilhões (1,7% do PIB) no período de 12 meses encerrado em maio deste ano. A previsão é que chegue a zero no fim de 2016, segundo Nassif:

— Fizemos um ajuste externo recessivo, com queda forte de importações, de maneira muito rápida. Dado o cenário, a perspectiva é que o diferencial de juros continue alto e o real continue se apreciando.

O mercado acredita que o BC vá manter a taxa de juros em 14,25% ainda por algum tempo. Nassif destaca que, diante da postura cautelosa da autoridade monetária, o movimento não só não será imediato como ocorrerá de forma gradual. Com isso, vai se manter o diferencial de juros elevado. A avaliação é compartilhada pelo economista Joaquim Elói Cirne de Toledo:

— Acredito que há espaço para reduzir juros, mas acho que o Banco Central não vai mexer nos juros pelo menos nas próximas duas reuniões, até pela questão da credibilidade. Com isso, os movimentos de capitais de curto prazo vão continuar, pressionando o dólar mais para baixo.

(Colaborou Ana Paula Ribeiro)

oglobo.globo.com | 19-07-2016

A fracassada tentativa de golpe militar na Turquia, na última sexta-feira, se tornou um inesperada oportunidade para o presidente Recep Tayyip Erdogan promover um expurgo bem mais amplo do que, tudo indica, o grupo de insurgentes. O presidente turco chegou a classificar o motim como um “presente de Deus" para limpar as Forças Armadas. Cerca de seis mil pessoas já foram presas, entre elas 29 generais e mais de 20 coronéis. Cerca de 2.700 juízes, inclusive dois membros da mais alta corte do país, e procuradores foram exonerados. Entre os quais, 500 já estariam presos. Outras três mil pessoas estão sendo procuradas pelo governo turco.

Erdogan pediu a Washington a extradição do clérigo Fethullah Gulen, exilado nos EUA, a quem acusa de tramar o golpe. A Casa Branca informou que analisará o pedido, mas pediu provas do envolvimento de Gulen. Este nega. Num duro recado, Binali Yildirim, premier turco e aliado de Erdogan, disse que qualquer país que apoie Gulen “está engajado numa guerra contra a Turquia”. O secretário de Estado americano, John Kerry, reagiu afirmando ser uma irresponsabilidade acusar os EUA de envolvimento.

Enfurecido com o que classificou como “traição”, o presidente turco defendeu a volta da pena de morte, abolida no país, no início dos anos 2000, como parte do processo de adesão da Turquia à União Europeia (UE). Erdogan, porém, é considerado um líder autoritário, que tenta introduzir preceitos islâmicos à ordem constitucional do país. Há controle da mídia, inclusive as redes sociais na internet, e a administração dos principais jornais e canais de televisão é aparelhada por aliados do governo. A ofensiva contra juízes e procuradores mostra que Erdogan e seu Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco) pretendem dominar o Judiciário, além dos militares. Todos esses sinais preocupam.

Situada, em parte, no coração do Oriente Médio e às portas da Europa, a Turquia tem sido um ator importante na crise humanitária síria, ao acolher cerca de 2,5 milhões de refugiados. Também está recebendo sírios que tentam entrar ilegalmente na UE, como parte de um acordo que deve agilizar sua entrada no bloco.

A tentativa de golpe se soma a outros conflitos. Erdogan está em guerra contra a minoria curda, no Sudeste do país, e, apesar de tentativas recentes de diálogo, tem uma relação difícil com Rússia e Israel. Além disso, a Turquia, membro da Otan, tem sido alvo frequente de atentados de extremistas do Estado Islâmico.

A reação da população civil contra o golpe mostra que uma democracia, mesmo com defeitos, ainda é preferível a uma junta militar governando o país. Mas é preciso evitar que, com a desculpa do golpe, Erdogan acabe com os predicados republicanos de um país crucial para o Ocidente e o Oriente Médio. O projeto turco, de uma potência regional de maioria muçulmana, sustentada por um regime democrático e uma economia próspera, é fundamental para a ordem mundial.

oglobo.globo.com | 19-07-2016
É o novo grande risco que enfrenta a economia europeia: a banca italiana precisa urgentemente de capital, mas as regras europeias impõem perdas para os credores que o Governo de Renzi se recusa a provocar. A resolução do problema poderá servir de exemplo para Portugal.
www.publico.pt | 16-07-2016

LONDRES E NOVA YORK - A tentativa de golpe que abalou o delicado cenário político na Turquia também gerou reflexos para a economia do país. A reação de investidores às primeiras notícias de mobilização de militares, no fim da tarde de sexta-feira, foi rápida. A lira turca, que tinha dia de estabilidade, despencou 5% — a maior queda desde 2008. Segundo analistas ouvidos pela imprensa internacional, não se trata de pânico passageiro, mas sim um sinal de crescente incerteza em relação à economia turca, altamente dependente de fluxo de capital externo de curto prazo.

turquia1607Reportagem do jornal britânico "Financial Times" destaca que uma fuga da capital duradoura seria nociva para o país em várias frentes. O mais imediato seria o potencial efeito inflacionário, devido à moeda mais fraca. O mais preocupante, no entanto, é o volume de investimentos, que podem afetar diretamente a capacidade de crescimento do país. A nova onda de incerteza, causada não só pela tentativa de golpe, como também pelos recentes ataques terroristas, ocorre em um cenário de perda de confiança dos investidores. As projeções para o crescimento da Turquia deste ano estão entre 3% e 4%, contra um avanço do PIB de 4,5% em 2015.

— O desafio para a Turquia, e o governo esqueceu disso, é a necessidade de aumentar a produtividade. Sem investimento de longo prazo em educação... Ou uma economia baseada em exportação, você se condena a um crescimento econômico mais lento — avalia Gultekin.

Neil Shearing, economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, destaca que a situação se agrava diante da alta necessidade de financiamento turca, após um boom de crédito: “Um período prolongado de instabilidade política poderia desencadear uma séria baixa na economia”, escreveu Shearing em relatório, segundo a Bloomberg.

A instabilidade política traz consequências para um dos principais setores da economia turca: o turismo. Segundo dados do governo citados pelo “FT”, o fluxo de turistas para o país já caiu 23% em maio, frente ao ano anterior. A sequência de ataques terroristas, a proximidade com a Síria e, agora, a tentativa de golpe, agravam a situação. Mais uma razão para que a capacidade de crescimento do país seja colocada em xeque.

— Da perspectiva de investidor, a Turquia parece cada vez mais um caso perdido — resume Dami Rodrik, economista turco da Universidade de Harvard.

IMPACTO MENOR QUE BREXIT

A avaliação sobre o quão duradouro será o impacto econômico da crise política turca, no entanto, ainda é incerto. Alguns analistas destacam que é cedo para prever se os desdobramentos serão tão graves.

— Não acho que isso (a tentativa de golpe) resultará em uma grande mudança de avaliação de risco nos mercados globais. Claramente, há um foco nessa parte do mundo em relação ao que está ocorrendo na Síria, mas não acho que é outro choque para os mercados como foi o Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia). Considerando a história, é um evento muito menor — ponderou Jeffrey Kleintop, estrategista global da Charles Schwap, em entrevista à Bloomberg.

oglobo.globo.com | 16-07-2016

As bolsas de Nova York fecharam sem direção única, mas perto da estabilidade, com os investidores aproveitando o fim de uma semana com quebra de recordes de fechamento para realizar lucros. O índice Dow Jones seguiu a onda nesta sexta-feira, 15, renovando mais uma máxima histórica.

No final da tarde em Nova York, Dow Jones avançou 0,05%, aos 18.8514,90 pontos, seu quarto recorde seguido, ganhando 2% na semana. Já o S&P 500 fechou em queda de 0,10%, aos 2.161,54 pontos e o Nasdaq recuou 0,09%, aos 5.029,59 pontos. Ambos ganharam na semana 1,5%. Caterpillar (+0,80%) e General Eletric (+0,77%) lideraram os ganhos do pregão.

Muitos investidores afirmaram que essa semana marcou uma virada decisiva para os ativos de maior risco, que haviam caído com força após o voto do Reino Unido para sair da União Europeia, no dia 23 de junho. As bolsas foram impulsionadas pela expectativa de que os bancos centrais iriam estender o período de juros baixos e estímulos, além de dados de atividade econômica positivos dos EUA.

"O mercado está nos mostrando que é resiliente", disse Jason Browne, chefe de investimento da FundX Investment Group, em San Francisco.

O pânico que tomou os mercados imediatamente após o voto pelo Brexit desapareceu em grande parte, disse Mohit Bajaj, diretor da WallachBeth Capital.

Dados de atividade da economia norte-americana divulgados nos últimos dias também ajudaram a dar força aos mercados, o que significa para muitos investidores e analistas que os Estados Unidos permanecem sendo um local seguro na economia global.

A produção industrial dos Estados Unidos subiu 0,6% em junho ante maio, segundo dados publicados hoje pelo Federal Reserve (Fed, o BC norte-americano). O resultado superou a expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam acréscimo de 0,4%.

As vendas no varejo nos EUA também cresceram 0,6% em junho ante maio, para o valor sazonalmente ajustado de US$ 456,98 bilhões, segundo dados publicados hoje pelo Departamento do Comércio. O resultado veio bem acima da expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam alta marginal de 0,1%. Fonte: Dow Jones Newswires

RIO - Uma instituição financeira com mais de 500 anos está no centro de uma crise no sistema bancário da Itália, país onde os bancos nasceram. O Monte dei Paschi di Siena (MPS) — o banco mais antigo do mundo, criado em 1472, e o terceiro maior em ativos da Itália —, que já recebeu ajuda do governo italiano duas vezes desde a crise de 2008, está agora à espera de apoio para enfrentar o elevado volume de crédito atrasado e os efeitos da má gestão anterior. As dificuldades, no entanto, não se restringem ao MPS. Ao todo, os bancos italianos têm cerca de € 360 bilhões em empréstimos de difícil recuperação, que representam quase um quinto (18%) do total de crédito. Ao todo, os passivos dos bancos, em títulos, somam € 600 bilhões.

O resultado do referendo do Brexit intensificou o temor de que a situação dos bancos italianos possa ser o gatilho de uma nova crise na zona do euro: a Itália é a terceira maior economia da região. As atenções agora estão voltadas para o resultado dos testes de estresse dos bancos europeus (avaliação sobre a condição das instituições), que será divulgado no próximo dia 29. Entre estes há cinco italianos: Unicredit, Intesa, MPS, UBI e Banco Popolare. Muitos acreditam que um desempenho não muito favorável dessas instituições pode ser o motivo que faltava para que a Comissão Europeia concorde com um apoio às instituições da Itália, como defende o governo.

Especialistas são unânimes em afirmar que a posição dos bancos italianos é delicada e séria, mas não há consenso sobre a possibilidade de uma nova crise bancária na União Europeia.

— Os riscos de não fazer nada são muito grandes. Os testes de estresse do Banco Central Europeu podem ser uma oportunidade para os legisladores darem apoio ao setor bancário. — afirma Jack Allen, economista da Capital Economics. — Parece altamente provável que o governo vai encontrar maneiras de dar apoio aos bancos.

Ainda que ressalte que a exposição de bancos estrangeiros ao país tenha diminuído desde a crise financeira, Allen destaca que a Itália é a terceira maior economia da zona do euro e que uma crise bancária pode ter efeitos na região. Dada a gravidade da situação, no entanto, sua avaliação é a de que devem ser encontradas alternativas para ajudar os bancos.

REESTRUTURAÇÃO NECESSÁRIA

O sistema bancário vive dificuldades há anos em função do fraco crescimento econômico do país. O Produto Interno Bruto (PIB) da Itália ainda está 8% abaixo do que era antes da crise de 2008. Este ano, seu desempenho é inferior ao de outros países da zona do euro.

Especialistas apontam ainda que o modelo de negócios — bancos pequenos, com muitas agências e custos altos — precisa mudar. Soma-se a este cenário o movimento global de baixas taxas de juros, que prejudicam a rentabilidade das instituições financeiras. O governo já teve de ajudar alguns bancos, como o MPS, mas a legislação europeia impõe restrições a esse tipo de apoio. Qualquer iniciativa deve ser negociada com a Comissão Europeia.

— A situação dos bancos é muito séria e exige atenção. Teremos algumas questões de curto prazo, mas esta não é uma crise aguda, não estou preocupado com instabilidade financeira. Mas, em algum momento, será necessária ajuda das autoridades — afirma Nicolas Véron, pesquisador do centro de pesquisas Bruegel e do Instituto Peterson para Economia Internacional.

Federico Santi, analista do Grupo Eurasia, também espera medidas do governo. Estas incluiriam um novo esquema de garantias para os empréstimos bancários e uma espécie de “recapitalização preventiva” — um instrumento que permite aos países-membros conceder ajuda a bancos, com algumas condições.

Uma questão que torna mais complexa a situação bancária na Itália é que um terço dos títulos de bancos está nas mãos de pequenos investidores. Isso reforça a discussão sobre qual modelo de apoio às instituições financeiras pode ser adotado. Novas regras da União Europeia (UE) preveem que, antes que se recorra a dinheiro de contribuintes para o resgate, os detentores de títulos dos bancos devem dar sua parcela de sacrifício, no que é conhecido em inglês como bail-in. A Itália já recorreu no ano passado a este formato, o que provocou perdas a muitas famílias.

Por isso, Véron defende um modelo de ajuda aos bancos que preserve, de alguma forma, os pequenos investidores, e, ao mesmo tempo, demande a participação de investidores institucionais no resgate. Segundo ele, foi um modelo usado com sucesso na Espanha. Ele diz que é necessário fazer uma reestruturação:

— O momento de reestruturação é sempre difícil, mas pode abrir espaço para a economia italiana voltar a crescer.

oglobo.globo.com | 16-07-2016

RIO - O baixo crescimento da renda em anos recentes e a elevada desigualdade do Reino Unido — quando se considera o padrão de países avançados — podem ser alguns dos motivos por trás do resultado do referendo que decidiu pela saída da União Europeia (UE), apontam especialistas. Um relatório recente do governo mostrou que, somente em 2014/2015, a média da renda se recuperou e ficou acima do nível de 2008. A desigualdade de renda, que é uma das maiores entre as nações avançadas, se mantém no mesmo nível nas últimas duas décadas, após uma forte expansão nos anos 80.

Especialista em estudos de desigualdade, o professor da London School of Economics (LSE) Stephen Jenkins afirma que, quando se consideram os dados que levam em conta a renda dos mais ricos — usados por Thomas Piketty em “O capital no século XXI” —, a desigualdade vem se agravando no Reino Unido e teve influência no chamado Brexit. Outros estudiosos concordam com essa avaliação, destacando principalmente as diferenças entre a capital Londres, com mais oportunidades, e as demais regiões. Há quem argumente, no entanto, que não há elementos para confirmar essa relação.

— O referendo foi um grito de angústia, não um voto contra a União Europeia. Na minha visão, a desigualdade está aumentando. Não só a desigualdade de renda, mas uma manifestação ampla de desigualdades em várias dimensões, como os contratos de curto prazo e os empregos de baixa qualidade — diz Jenkins.

Mesma avaliação do grupo The Equality Trust, que defende políticas de redução de desigualdade. Para eles, o referendo foi além da migração.

— Não se pode ter uma sociedade coesa de Ferraris e bancos de alimentos. O voto do Brexit não foi apenas sobre desigualdade econômica, mas ela desempenhou um grande papel. Há uma clara correlação entre as regiões com menor renda, que se sentem sem oportunidades, e os votos pela saída — afirma John Hood, diretor de comunicação do Equality Trust.

Dados do governo mostram que a renda semanal das famílias entre abril de 2014 e março de 2015 ficou em £ 473 (R$ 2.040), atingindo assim um nível maior que antes da crise financeira internacional.

Para o professor da UFRJ Luiz Carlos Prado, a sensação de insegurança econômica pode ter contribuído para o Brexit:

— Apesar da participação grande do Estado na renda das famílias, com políticas de bem-estar social, o salário é fundamental para as famílias terem uma renda melhor. Um sentimento de insegurança pode ter afetado os trabalhadores.

Prado cita ainda a transição da economia britânica, de um peso maior da indústria para a maior participação dos serviços de tecnologia, concentrados em Londres. Segundo ele, as diferenças regionais aparecem, assim, de forma mais intensa.

LONDRES, MAIS DESIGUAL

Mais cauteloso, o economista do Instituto para Estudos Fiscais (IFS, na sigla em inglês) Jonathan Cribb ressalta que cresceu o número de pessoas no mercado de trabalho, mas que a renda caiu. Ainda assim, diz, não há evidências que comprovem a relação entre a deterioração econômica e o voto pelo Brexit. Para reforçar seu argumento, ele aponta o fato de Londres, com uma das maiores desigualdades de renda do país, ter votado por ficar na UE. Cribb admite, porém, que a queda da renda pode ter criado “um sentimento de frustração”.

Diante das políticas de austeridade adotadas no Reino Unido, Jenkins diz não estar otimista:

— Os cortes implementados pelo governo vêm afetando mais os pobres do que os ricos. As perspectivas de redução da desigualdade são muito pequenas.

O Reino Unido está criando o Crédito Universal, que vai substituir outros seis benefícios, como seguro-desemprego e auxílio-moradia. Para John Hood, isso afetará ainda mais a renda dos mais pobres:

— Estudos mostram que a política de governo prevista no Orçamento deve representar aumento da desigualdade, se os demais fatores permanecerem iguais.

oglobo.globo.com | 16-07-2016

LONDRES - O banco central britânico precisa agir "pronta e fortemente" para estimular a economia e elevar a confiança, disse nesta sexta-feira o economista-chefe do Banco da Inglaterra, Andrew Haldane, um dia depois de a autoridade monetária surpreender os mercados ao não cortar os juros. Em seu primeiro discurso desde a decisão britânica no mês passado de deixar a União Europeia (UE), Haldane disse que o Banco da Inglaterra precisa criar um "pacote de medidas de afrouxamento da política monetária mutuamente complementar" a tempo da reunião de 4 de agosto.

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— Esta resposta monetária, se é para fortalecer as expectativas e a confiança, eu acho que precisa ser apresentada pronta e fortemente. Por prontamente quero dizer no próximo mês — disse ele.

O pacote de estímulo será provavelmente necessário para “proteger a economia e os empregos de uma recessão” causada pela incerteza que pode estender por anos, disse a autoridade. Haldane afirmou que até próxima reunião do banco central as autoridades estarão mais capazes de decidir “o tamanho preciso e a extensão das medidas de estímulos necessárias”.

Ele descartou a ideia que possa haver uma escolha entre impulsionar o crescimento e arriscar uma inflação mais alta, sustentando que “não há dilema real sobre a política (monetária).

DESACELERAÇÃO ECONÔMICA

Pesquisas realizadas por agentes regionais do Banco da Inglaterra desde o referendo apontam para um número significante de empresas que estão freando ou reduzindo emprego e planos de investimento, enquanto a confiança dos consumidores e a expectativa dos preços imobiliários já estão caindo, disse o economista-chefe.

— Apesar de ser improvável que a economia quebre, é provável que desacelere, talvez materialmente, nos trimestre a vir — avalia Haldane. — A maior razão para essa provável desaceleração é a incerteza. E com a incerteza crescento acentudamente, cautela pode mais uma vez se tornar a palavra-chave para empresas e famílias, como foi durante a maior parte do período desde a crise. Isso aumenta o incentivo a atrasar a concepção e execução de planos.

A libra caiu quase um centavo em relação ao dólar após o discurso, revertendo parte dos ganhos obtidos após a decisão surpresa na quinta-feira de manter os juros.

O banco de investimentos J.P. Morgan mudou sua previsão para a taxa de juros britânica após o discurso de Haldane, prevendo que o Banco da Inglaterra vai cortar os juros a zero no próximo mês, ao invés de para 0,25%. Essa semana, o BC da Inglaterra votou por manter a taxa básica de juros em 0,5%.

“Estamos esperando agora um pouco mais do que estávamos ontem”, afirmou o analista Allan Monks em nota a clientes, que também prevê um aumento de 75 bilhões de libras em flexibilização quantitativa e o anúncio de algumas medidas de acesso a crédito.

oglobo.globo.com | 15-07-2016
O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Atlanta, Dennis Lockhart, afirmou hoje que a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia é "um fator de risco no médio prazo", e que a incerteza resultante desse processo pode "se mostrar um vento contrário persistente na economia".Apesar disso, a resposta dos mercados no curto prazo mostrou a "resistência" da economia, salientou.O dirigente disse também esperar que o Fed eleve os juros este ano. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 14-07-2016
O número de imigrantes que chegam à Alemanha atrás de uma nova vida bateu recorde em 2015, de acordo com dados oficiais divulgados nesta quinta-feira. Cerca de 2,14 milhões de pessoas migraram para a maior economia da Europa, atraídas por uma economia forte e por um regime de asilo relativamente liberal. Outras 1,14 milhões deixaram o país, resultando em uma entrada líquida de 1,14 milhão de pessoas. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 14-07-2016
O recém-nomeado ministro de Finanças do Reino Unido, Philip Hammond, disse hoje que o país será ágil em definir amplas metas para sua relação com a União Europeia após o chamado "Brexit", ao admitir que o resultado do plebiscito do mês passado abalou a confiança e desestimulou os investimentos. Em 23 de junho, a maioria do eleitorado britânico votou pelo rompimento do Reino Unido com a UE. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 14-07-2016

NOVA YORK - A economia dos Estados Unidos expandiu em ritmo modesto desde maio em meio a “leve” pressões sobre os preços e certo esfriamento do gasto dos consumidores, informou o Livro Bege, relatório econômico do Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA) com informações coletadas ao redor do país.

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“A perspectiva foi geralmente positiva pelos amplos segmentos da economia, incluindo vendas do varejo, manufatura e imobiliário”, segundo o documento, que é publicado oito vezes ao ano. “Distritos que relataram crescimento em modo geral esperam que se mantenha modesto”.

A próxima reunião do comitê de política monetária do Fed será em 26 e 27 de julho. Investidores veem uma probabilidade de menos de 5% de que haja alguma elevação dos juros como resultado do encontro, de acordo com preços de contratos futuros de financiamentos federais. Enquanto isso, as autoridades da autarquia avaliam os riscos globais do referendo que definiu a saída do Reino Unido da União Europeia, realizado em 23 de junho.

O Livro Bege, divulgado nesta quarta-feira em Washington, resume comentários recebidos por contatos empresariais ao redor do país. Esse documento em específico é baseado em informações coletadas até 1º de julho.

As autoridades do Fed analisam o progresso feito por seu mandato de emprego máximo e esperam que os salários mínimos cresçam em um pequeno aumento na inflação à medida que a economia avança.

“As condições do mercado de trabalho permaneceram estáveis já que o emprego continua a cresce modestamente desde o relatório anterior e as pressões sobre salários mínimos continuaram de modestas a moderadas”, indicou o Fed.

Várias regiões registraram “forte demanda por trabalho qualificado” e as empresas enfrentam desafios em ocupar cargos nos setores de tecnologia da informação, biotecnologia e serviços de assistência médica.

O dados Departamento de Trabalho dos EUA divulgados no início deste mês mostram que as folhas de pagamento aumentaram em 287 mil cargos em junho, recuperando de um desempenho mais fraco em maio, quando apenas 11 mil postos de trabalho foram criados.

INFLAÇÃO LIMITADA

O Livro Bege também indicou uma inflação escassa, apesar de que a maioria dos distritos registraram pressão em preços de insumos. A filial do Fed em Atlatan agora estima que a economia cresceu 2,3% entre abril e junho, o que seria o período mais forte desde o segundo trimestre do ano passado.

Enquanto o Fed afirmou que a avaliação nas regiões apontavam para “sinais de abrandamento” do gasto das famílias, a perspectivas para os próximos meses “era predominantemente otimista” na maior parte dos EUA.

O Fed afirmou que a atividade manufatureira estava “mista” enquanto o desempenho do setor imobiliário “continua a se fortalecer” desde o último Livro Bege.

oglobo.globo.com | 13-07-2016

MILÃO - O banco italiano UniCredit conseguiu levantar mais de € 1 bilhão com vendas de ativos esta semana, enquanto o novo diretor executivo da instituição age rapidamente para recuperar a folha de balanço do banco. Desse total, quase € 750 milhões vieram da venda de uma fatia de 10% no Bank Pekao, segunda maio instituição financeira da Polônia. E outros € 328 milhões são da venda de uma fatia igual do Fineco, unidade de internet banking do UniCredit.

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O UniCredit detém uma participação de 55% no Fineco e de cerca de 40% no banco polonês. As ações da entidade italiana, que já acumulam queda de quase dois terços do valor este ano, recuaram 3,5%, a € 2,026 nesta quarta-feira.

A venda de ativos vem após o anúncio do banco na segunda-feira de que irá conduzir uma minuciosa revisão estratégica dos negócios sob o comando do novo diretor executivo Jean Pierre Mustier, que assumiu o cargo no último mês para recuperar a situação financeira do banco.

Os esforços do UniCredit para aprimorar sua posição financeira surgem em meio às preocupações sobre a saúde do sistema bancário italiano após o referendo que definiu a saída do Reino Unido da União Europeia, realizado em 23 de junho.

Analistas do banco americano JPMorgan afirmaram em nota que “a velocidade de execução é impressionante”, acrescentando que esperam que os negócios da instituição italiana na Áustria e o braço de investimentos Pioneer Investiments, bem como unidades menores no Leste europeu, também podem ser vendidos.

Os especialistas disseram, no entanto, que não está descartada uma elevação de capital “para concluir integralmente o debate e fornecer margem de manobra”.

Em seu anúncio, o banco disse que entre as medidas para melhorar seu desempenho e rentabilidade estão mais cortes de custo e uma redução em seu perfil de risco. O UniCredit classificou como operações estratégicas do grupo a subsidiária alemã HVB, as operações eurpeias no centro e leste da Europa e os negócios de investimento corporativo e disse que as operações na Itália são centrais à empresa.

oglobo.globo.com | 13-07-2016
O voto do Reino Unido para sair da União Europeia (UE) - o chamado Brexit - causou preocupação para os negócios em certas regiões dos Estados Unidos, de acordo com o Livro Bege, relatório sobre as condições econômicas regionais divulgado pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) nesta quarta-feira. O voto pelo Brexit foi um fator nas últimas semanas pelo menos em três áreas. Entretanto, no geral, o relatório mostrou que a economia norte-americana está crescendo em um ritmo modesto. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 13-07-2016

LONDRES — A conservadora Theresa May, de 59 anos, assumiu o cargo de primeira-ministra do Reino Unido nesta quarta-feira, depois de aceitar o convite da rainha Elizabeth II para formar governo. Ela substitui o premier David Cameron, após uma série de turbulências políticas causadas pela decisão do país de sair da União Europeia (UE). May terá agora o desafio de negociar a ruptura com o bloco e unir o Partido Conservador e um país profundamente divididos pelo Brexit. Reino Unido

— David Cameron foi um grande primeiro-ministro. Ele estabilizou a economia. Mas seu grande legado foi a justiça social. Ele liderou um governo de um país. E é assim que eu pretendo liderar — disse May em seu primeiro discurso como premier. — Vou liderar o governo de uma nação, fazer com que o Reino Unido seja um país que funcione para todos. Acreditamos na união de todos os cidadãos.

Sobre a UE, a primeira-ministra disse que o Reino Unido terá um papel positivo e ousado fora do bloco. Primeira mulher a assumir o cargo de premier após Margaret Thatcher, May está preparando o gabinete com mais mulheres na História do Partido Conservador, de acordo com informações dos jornais britânicos.

Em seu último discurso diante da residência oficial que usou como premier britânico, Cameron fez um balanço de seu governo e afirmou que a economia está melhor agora. O agora ex-premier estava ao lado da mulher e dos três filhos.

— Acredito que Theresa oferecerá força e liderança no momento em que o Reino Unido deixa a UE — disse.

Mudança na política do Reino Unido

Após o discurso, Cameron deixou a residência na Downing Street 10. Em seguida, ele seguiu para o Palácio de Buckingham para entregar sua renúncia à rainha Elizabeth II. Logo depois, a monarca recebeu Theresa May.

Apesar de ser eurocética por convicção, May decidiu se manter fiel a Cameron e defender a permanência do país na UE. Mas, se ela se limitou a advogar pela causa o mínimo necessário, por outro lado continuou insistindo sobre a necessidade de reduzir a imigração, tema preferido entre os pró-Brexit, tornando-se alguém bem vista para ambos os grupos.

Casada, May é considerada por muitos uma nova “Dama de Ferro”. Ela está na ala mais à direita do partido conservador. No entanto, durante a campanha para o referendo, abordou alguns temas sociais tentando conquistar os eleitores e também romper com a imagem de frieza.

No ministério do Interior, que ela ocupava desde 2010, adotou uma linha muito firme em temas como a delinquência, imigração ilegal ou pregadores islâmicos.

Ela não escapa às comparações com sua ilustre predecessora “Maggie” Thatcher, igualmente eurocética. O tabloide “The Sun” a apelidou de “Maggie May”.

Mas ela parece mais próxima de uma Angela Merkel, a chanceler alemã, com quem compartilha o fato de ser filha de um reverendo, conservadora, pragmática, aberta ao compromisso, casada há muitos anos e sem filhos. Cinco mulheres no poder

oglobo.globo.com | 13-07-2016

Os mercados acionários dos Estados Unidos fecharam em alta nesta segunda-feira, 11, ainda refletindo os resultados positivos sobre o mercado de trabalho do país, divulgados a última sexta-feira.

O índice S&P 500 atingiu seu primeiro recorde em mais de um ano hoje, um reflexo das apostas dos investidores de que a economia norte-americana permanece sólida em meio a um mundo instável.

No fim da tarde, o S&P 500 fechou em alta de 0,34%, aos 2.137,15 pontos e Dow Jones avançou 0,44%, aos 18.225.91 pontos. Já o índice Nasdaq ultrapassou brevemente os 5000 pontos durante o dia, pela primeira vez em 2016, encerrando com ganho de 0,64%, aos 4.988,64 pontos. As ações de tecnologia e do setor financeiro lideraram os avanços, com destaque para Boeing (1,50%).

O relatório sobre o mercado de trabalho, chamado de payroll, que teve resultado melhor do que o esperado, foi o último impulso ao índice S&P 500, que ganhou mais de 16% desde que atingiu o menor patamar em fevereiro. As bolsas foram impulsionadas por sinais de fortalecimento na economia dos EUA, pela melhora nos preços do petróleo e devido a uma postura cautelosa do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) sobre elevar a taxa básica de juros.

Alguns investidores e analistas afirmaram que o rali destaca o apelo das ações norte-americanas num momento em que a economia global enfrenta um futuro incerto devido ao voto do Reino Unido pela saída da União Europeia - o Brexit. Ao mesmo tempo, os bancos centrais seguem com esforços extraordinários para promover o crescimento e a inflação, o que ajudou a levar os rendimentos dos títulos do Tesouro a mínimas históricas.

"O recorde de hoje é uma resposta razoável ao fato de que o mundo parece um pouco melhor do que há uma semana", disse Russ Koesterich, chefe de alocação de ativos da BlackRock's Global Allocation Fund. Fonte: Dow Jones Newswires

LONDRES — Foi bem mais rápido do que se pensava. A confirmação da conservadora Theresa May como a nova primeira-ministra do Reino Unido ocorreu na manhã de ontem, de forma inesperada, após a abrupta desistência da concorrente de partido, Andrea Leadsom. Segunda mulher a ocupar o cargo na História — a anterior foi Margaret Thatcher (1979-90) — May vai escrever seu nome como a governante que conduzirá o país para fora da União Europeia (UE), aquela que seguirá à risca a decisão dos britânicos em referendo mês passado com a retumbante e inconteste frase: “Brexit significa Brexit.”

May chega com força ao cargo por ter logo de saída já largado bem na frente — com mais de 50% do total de votos — dos outros quatro concorrentes, levando dois a desistirem após a primeira votação. Com os 165 conseguidos na segunda rodada, contra os 66 de Leadsom, quinta-feira passada, mostrou ter a preferência inegável do partido. Segundo anunciou David Cameron, chefe de governo de saída, que renunciou após o referendo, a posse dela se dará amanhã. O premier, que só deixaria o cargo em setembro, antecipou a saída alegando não fazer sentido estender a transição.

Se para os britânicos, é praticamente a confirmação do Brexit, para os brasileiros poderá significar um entrave para visitar as ilhas se ela ressuscitar uma proposta de 2013, quando defendeu que se passasse a exigir visto dos brasileiros para entrar em solo britânico. Como ministra do Interior, a questão da migração — alvo de severos debates dentro da UE — sempre foi um tema caro a ela. Na época, em entrevista ao “Financial Times”, May disse que o Brasil era o único da lista dos dez países com mais imigrantes ilegais no Reino Unido que não tinha exigência de visto. Mas, após protestos sobre o impacto que restrições poderiam ter sobre a economia britânica, May voltou atrás e o governo anunciou que não havia planos para impor um regime de vistos ao Brasil.

‘MINHA FILOSOFIA É FAZER, NÃO FALAR’

Titular do Interior desde 2010, May, de 59 anos, é a mais longeva no cargo no país em meio século, com reputação de seriedade, trabalho duro e evitando as intrigas e traições que assolam seu partido. Ela faz parte de um número crescente de mulheres na política britânica a subirem ao escalão da liderança, tradicionalmente dominado pelos homens. Conhecida pela conduta férrea, pragmática e inflexível, May é conhecida dentro do Partido Conservador pelo meticuloso processo nas tomadas de decisão.

— Minha filosofia é fazer, e não falar — afirmou ela ao jornal britânico “The Telegraph”. — Sempre defendi mulheres na política. A política não é um jogo: as decisões que tomamos afetam as pessoas.

Ao contrário de Cameron e do ministro da Fazenda, George Osborne, May vê o Twitter como uma perda de tempo. Estas características levaram um colega de partido, Ken Clarke, a dizer que “Theresa é uma mulher terrivelmente difícil”, ressaltando que já tinha trabalhado com outra mulher, “com reputação de aço”, que também enfrentou uma política dominada pelos homens: Margaret Thatcher.

— Sei que não sou uma política que chama atenção. Não vou a estúdios de televisão. Eu não fofoco sobre as pessoas durante o almoço. Eu não vou beber nos bares do Parlamento — assume-se May, segundo o “New York Times”.

Por outro lado, a comparação política mais intrigante não é exatamente com a Dama de Ferro, mas com Gordon Brown, o premier que sucedeu a Tony Blair em 2007, também em votação interna do partido após a renúncia do trabalhista. Filhos de pais religiosos, criados com postura séria e moral rígida, tanto uma como o outro têm a necessidade do controle total. May é conhecida pela dificuldade em delegar, necessitando passar em revista tudo o que está sendo feito, checando todos os detalhes de decisões alheias a ela. E, como Brown, exige uma lealdade inabalável.

A política metódica de May — e sua história de vida — também permite traçar um paralelo com outra sistemática chefe de governo, a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel. As diligentes mulheres no comando das duas maiores economias europeias são filhas de clérigos: o pai da alemã, teólogo e pastor luterano; e o inglês, sacerdote da Igreja Católica.

Nascida em 1956, na cidade litorânea de Eastbourne, no condado de Sussex, May cresceu em Oxfordshire, condado industrial que abriga a cidade universitária de Oxford. Um “estudante boazinha”, como ela contou em entrevista ao “The Daily Telegraph”, nunca se rebelou contra a educação religiosa e continua a frequentar a igreja. Como Cameron e Boris Johnson, ex-prefeito de Londres que recentemente abandonou a corrida pela liderança conservadora, May estudou na Universidade de Oxford.

PROVÁVEL ROTA DE COLISÃO COM MERKEL

Política sempre foi um dos seus interesses, e May participou do famoso diretório estudantil Oxford Union, passando a integrar também a Associação Conservadora universitária. Numa das reuniões do grupo, uma colega — Benazir Bhutto, futura primeira-ministra do Paquistão — apresentou-a ao homem com quem ela iria se casar, Philip May, que viria a se tornar um banqueiro de investimentos. Theresa May trabalhou em serviços financeiros, inclusive no Banco da Inglaterra, sem deixar de lado suas ambições políticas. Conquistou um assento no Parlamento britânico em 1997, por Maidenhead, próspera cidade a oeste de Londres — e teve rápida ascensão no Partido Conservador. Ontem, chegou ao posto mais alto.

— Teremos uma nova primeira-ministra neste prédio atrás de mim na noite de quarta-feira — afirmou ele em entrevista coletiva diante da residência oficial em Downing Street, acrescentando que manterá a última sessão de perguntas como primeiro-ministro no Parlamento amanhã, antes de se reunir com a rainha Elizabeth II para apresentar a renúncia.

Mas será com Merkel que May terá um provável primeiro embate. No domingo, a chanceler federal alemã reafirmou que, com a decisão do referendo, o Reino Unido deve deixar em breve a UE. Entretanto, a nova premier reiterou a “necessidade de negociar o melhor acordo para que o Reino Unido deixa a UE”, o que pode adiar o início do processo para 2017.

May, uma eurocética que passou para o campo dos partidários à permanência na UE por fidelidade a Cameron, declarou que “não pode haver um segundo referendo” e “nenhuma tentativa de voltar à UE pela porta dos fundos”:

— Não poderia ser mais clara: não haverá uma tentativa para permanecer na UE. Brexit significa Brexit, e nós faremos isso com êxito.

oglobo.globo.com | 12-07-2016

RIO - Professor da Universidade de Harvard e vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2007 – ao lado de Leonid Hurwicz e Roger Myerson, Eric Maskin vê no Brexit uma ameaça à globalização. Apesar das desigualdades criadas pelo fenômeno, ele lembra que a globalização também ajudou a levar prosperidade aos países em desenvolvimento. Maskin defende políticas de redução de desigualdade para neutralizar alguns desses efeitos, como a educação de trabalhadores menos capacitados.

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Na sua avaliação, o mundo ainda vive os efeitos da profunda recessão que se seguiu à crise financeira internacional, que levou à estagnação dos salários da classe média. Assim, muitos acabam confundindo as razões pelas dificuldades que atravessam.

— Muitos que estão sofrendo com essa recessão confundem suas críticas. Eles acham que é por causa da globalização, da imigração, mas é na verdade a consequência de uma recessão muito profunda. De certa forma, Donald Trump é uma fraude porque ele dá a explicação errada para o sofrimento das pessoas — apontou.

O Nobel elogiou o programa Bolsa Família do governo brasileiro, exatamente pela exigência de manter as crianças na escola, e defendeu os investimentos em educação mesmo em plena crise fiscal porque “a melhor maneira de dar às pessoas a oportunidade de ter sucesso por elas mesmas”.

O senhor foi um dos economistas laureados com o Nobel que se posicionou publicamente contra o Brexit. Diante do resultado, quais os maiores riscos?

Na economia, o maior risco é um retorno para as elevadas tarifas e para as restrições no comércio e no mercado de trabalho, o que é ruim para todos. Mas também há os riscos políticos. Uma razão para a Europa estar em paz há quase 70 anos é a cooperação econômica. No momento em que o Reino Unido sai na União Europeia, outros países podem decidir sair também e pode se imaginar até uma desintegração da União Europeia. Ninguém sabe. Certamente é um passo na direção errado. Eu me preocupo com o futuro da paz na Europa se isso ocorrer. Historicamente, a Europa tem sido o continente mais violento no mundo. A ideia de um período de 70 anos sem guerra é uma novidade e está ligada ao fato de existir tanta cooperação agora. Se essa cooperação se deteriorar, ninguém sabe o que vai ocorrer.

É uma ameaça à globalização?

É uma ameaça à globalização e é uma grande pena. Apesar das reclamações sobre a globalização, ela tem sido um instrumento poderoso para levar prosperidade aos países em desenvolvimento. O Brasil, por exemplo, se beneficiou enormemente da globalização, assim como a China. É verdade que há elevada desigualdade nesses países. Mas é possível lidar com a desigualdade sem eliminar a globalização. Você deve ter programas contra desigualdade ao lado da globalização para neutralizar a desigualdade que ela pode criar. O Brexit certamente coloca a globalização em risco.

Como os trabalhadores são afetados?

A globalização tende a criar mais desigualdades entre os trabalhadores dos países em desenvolvimento. Os trabalhadores mais capacitados são os que conseguem as novas vagas criadas pela globalização, e aqueles sem habilidades ficam para trás. Então o intervalo entre eles cresce. Isso é verdade. Mas a maneira de atacar o problema não é atacar a globalização, mas dar aos trabalhadores menos capacitados mais treinamento e educação para que possam competir no mercado de trabalho global também. O Brasil agiu nessa direção. O Brasil tem um programa de transferência condicional de renda de muito sucesso em que famílias pobres recebem subsídio se concordarem em enviar seus filhos para a escola. O sucesso ocorre não apenas porque ganham maior renda, mas porque as crianças são educadas e podem ganhar mais por elas mesmas. O programa é muito importante para enfrentar a desigualdade.

Mas o Brasil enfrenta hoje um grande problema fiscal. Como isso pode afetar?

Entendo que quando há um problema fiscal é preciso equilibrar o orçamento de alguma forma, mas acho que é um grande erro reduzir gastos em educação. Educação é um importante investimento para o futuro: há outras coisas com prioridade mais baixa. Educação deve ser a prioridade porque é importante para lutar contra a desigualdade, mas também porque o população é o ativo mais importante de um país. E a educação é a melhor maneira de dar às pessoas a oportunidade de ter sucesso por elas mesmas.

Muitos ligam o fenômeno do Brexit e a popularidade de Donald Trump à desigualdade. Como vê isso?

É verdade. Mas eu acho que o problema não é tanto a desigualdade, mas o fato de que os salários para a classe média estão estagnados há muito tempo. E uma grande razão para isso é a crise financeira de 2008/2009 e a profunda recessão que se seguiu a ela. O grande problema é que tivemos uma profunda recessão e ainda não nos recuperamos dela. E muitos que estão sofrendo com essa recessão confundem suas críticas. Eles acham que é por causa da globalização, da imigração, mas é na verdade a consequência de uma recessão muito profunda. De certa forma, Donald Trump é uma fraude porque ele dá a explicação errada para o sofrimento das pessoas. É inegável que as pessoas estão sofrendo, mas a razão não é a que ele dá. Não é por causa da imigração. Não é por causa de acordos de comércio ruins.

No início muitos consideraram Trump como uma piada...

Trump não é uma piada, ele é uma ameaça muito mais séria que muitos de nós imaginávamos. Mas apesar disso as pessoas para as quais ele está se voltando são uma minoria. Felizmente, a maioria dos americanos ainda entende que ele será muito ruim para o país e para o mundo. Acho que há uma grande probabilidade de ele perder.

Antes da elevação dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), o senhor estava muito cauteloso sobre esse movimento. Como vê a economia americana hoje?

Há muita incerteza, não apenas com o que está acontecendo nos Estados Unidos, mas também na Europa e na China. Se eu estivesse no Fed, seria muito cauteloso para elevar juros nesse momento, não vejo nenhuma razão para correr com isso.

Mas o que acha que a presidente Janet Yellen vai fazer?

Você deveria perguntar a ela. Ela não me contou e não tenho como adivinhar. Mas ela é uma economista muito inteligente então acho que vai levar em consideração esses aspectos que conversamos.

oglobo.globo.com | 12-07-2016

RIO - A Oi, em processo de recuperação judicial, é alvo de um novo pedido de falência na Holanda. Desta vez, a ação é movida pelo escritório Grimaldi Law, com sede em Milão, na Itália. O processo foi aberto ontem no Tribunal de Justiça de Amsterdã e é destinado a uma de suas subsidiárias, a Oi Coöperatief (FinCo). De acordo com o advogado Luca Dezzani, a ação representa investidores europeus que compraram títulos emitidos pela FinCo e Portugal Telecom International Finance (PTIF), ambas subsidiárias da tele carioca com sede na Holanda. Esses investidores, diz Dezzani, somam € 200 milhões de títulos.

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Esse é o segundo pedido de falência contra a FinCo. O primeiro, em junho, foi feito pelo fundo Syzygy Capital Management, administrado pelo “fundo abutre” Aurelius Capital. Segundo fontes, os investidores vêm abrindo processos na Holanda, que está submetida a leis diferentes de Reino Unidos e EUA, onde a Oi já obteve proteção contra possíveis ações judiciais.

— Esses investidores são pessoas normais, trabalhadores, que investiram parte de suas economias numa empresa europeia de telefonia, a Portugal Telecom. Na Europa, há centenas de famílias que compram esses títulos e agora estão preocupadas com suas economias — disse Dezzani.

Quando a Justiça aprovou o pedido de recuperação da Oi, incluiu no processo as subsidiárias no exterior, mas as ações que pedem a falência destas empresas podem, em tese, tumultuar ainda mais o processo porque podem resultar em alienação de ativos.

NOVO ACIONISTA

Ontem, a Oi informou, por meio de fato relevante, que o fundo de investimento dos EUA PointState Capital alcançou 5,16% das ações da companhia. Segundo uma fonte, a PointState teria comprado esses papéis dos fundos geridos pelo Ontario Teachers, fundo de pensão do Canadá.

— A PointState está alinhada com a Bridge Administradora de Recursos, que tem Nelson Tanure em seu comitê de investimentos. A Bridge está alinhada com o fundo Discovery Capital. O objetivo é criar um grupo de acionistas para retirar os membros do conselho indicados pelos portugueses da Pharol, a antiga controladora da Portugal Telecom — destacou essa fonte, que não quis se identificar.

Procurado, Zachary Schreiber, presidente do PointSate, não ligou de volta. Ontem, a Pharol anunciou que o presidente da Mesa da Assembleia Geral, João Vieira de Almeida, renunciou ao cargo.

oglobo.globo.com | 12-07-2016

LONDRES - A decisão do Reino Unido de sair da União Europeia causou turbulências nos mercados em todo o mundo. Mas, pelo menos para o grupo dos chocólatras, o Brexit tem um lado doce.

Isso porque, na esteira do resultado do referendo britânico, a cotação do dólar e do euro caíram em muitos países. Junto da cotação recuaram os gastos dos produtores de cacau — que pagam a maior parte de suas contas ou com a divisa americana ou com a moeda única europeia.

Esse recuo pode dar um respiro aos chocólatras, afinal, com despesas menores, há menos gastos para repassar no preço do produto. O valor do cacau tinha disparado e alcançado seu patamar mais alto em 39 anos.

— O cacau não está mais caro, ele está, provavelmente, um pouco mais barato agora do que antes do Brexit — observou Laurent Pipitone, diretor da divisão de economia e estatística da Cocoa Organization, de Londres, explicando que os produtores “não compram em libras, mas sim em euros ou em dólares”.

O cacau se dirige para seu quinto ano de ganhos, a maior sequência deste tipo desde 1989. Os preços estão subindo depois que o tempo seco no oeste da África afetou a menor das colheitas anuais, o que fez com que empresas que negociam a commodity, como a Cargill, projetassem escassez do produto.

DEMANDA PODE CAIR MAIS

Há ainda outra consequência do Brexit no preço do cacau. A saída do Reino Unido da UE pode afetar a confiança, o crescimento e a economia com o todo. Isso, avaliou Edward George, chefe de pesquisa do Ecobank Transnational, de Togo, pode puxar os preços para baixo, uma vez que, com a potencial desaceleração das economias, a demanda por chocolate pode recuar ainda mais.

As vendas globais de chocolate caíram 2% nos nove meses até maio, de acordo com um documento de rendimentos da Barry Callebaut, maior processadora de cacau do mundo, citando dados da Nielsen. O mercado encolheu 1,2% em Europa, Oriente Médio e África; 3,3% nas Américas; e 2,1% na Ásia.

Os contratos futuros de cacau com entrega para setembro negociados em Londres alcançaram 2.518 libras por tonelada na sexta-feira — o maior para um contrato para daqui a dois meses desde 1977, segundo dados do Marex Spectron Group.

Os valores destes contratos em dólar recuaram 3,9% desde o referendo de 23 de junho, enquanto os preços em euros caíram 1,1%.

Já os contratos futuros de cacau denominados em dólar e negociados em Nova York caíram 2,7% desde a decisão pelo Brexit, a US$ 3.907 a tonelada, na última sexta-feira.

oglobo.globo.com | 11-07-2016
O ministro de Finanças da Bélgica, Johan Van Overtveldt, afirmou estar "profundamente preocupado" sobre a planejada fusão entre o Deutsche Börse e o London Stock Exchange Group, em uma carta enviada ao chefe de Antitruste da União Europeia, nesta segunda-feira. Overtveldt expressou sua preocupação sobre o efeito que a fusão pode ter sobre a estabilidade financeira tanto da economia europeia quanto da economia da Bélgica. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 11-07-2016

NOVA YORK - O ministro das Finanças britânico, George Osborne, iniciou uma viagem internacional para redobrar esforços para estreitar os laços comerciais entre Estados Unidos UA e Reino Unido depois do referendo que decidiu pela saída da União Europeia.

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“A Grã Bretanha está aberta para negócios", escreveu ele em artigo publicado no jornal “The Wall Street Journal" antes de uma visita ao centro financeiro de Nova York nesta segunda-feira.

O ministro quer afastar dúvidas sobre se o Reino Unido ainda tem "o apetite para ter um papel de destaque no palco mundial" e também pretende tentar impedir que as empresas americanas tirem investimentos do país. Atrair investimentos privados e emprego para as regiões além das grandes cidades britânicas é citado por Osborne como o caminho correto para combater a desigualdade no Reino Unido.

“Precisamos dobrar nossos esforços para conectar o norte e as reigões centrais – regiões que votaram amplamente para deixar a UE – através da construção de uma Central Elétrica no Norte com base em decisões tomadas localmente e pesquisa e infraestrutura de nível mundial”, sustenta Osborne.

O artigo coloca o Reino Unido como parte da economia global fora das fronteiras da União Europeia, pela atuação como voz da Europa no resto do mundo e pela aproximação de laços econômicos fora do continente.

“Pela primeira vez em 40 anos, o Reino Unido definirá seus próprios termos de comércio. Então devemos começar a negociação agora com os Estados Unidos e com os integrantes do Acordo Norte-Americano de Livre Comércio sobre como podemos alcançar laços econômicos ainda mais próximos”, indicou o ministro das Finanças britânico.

POLÍTICA FISCAL MAIS FLEXÍVEL

Osborne tem sido acusado de tentar tornar o Reino Unido em um paraíso fiscal após anunciar que cortaria impostos corporativos de 20% para 15%, o nível mais baixo entre as grandes potências econômicas, na tentativa de atrair investimento estrangeiro.

“Pretendemos oferecer taxas ainda mais competitivas, e nos tornar um lar de mais, e não menos, negócios internacionais. Para sinalizar nossa intenção, cortaremos ainda mais nossa taxa de imposto corporativo”, disse o ministro.

Segundo o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Pascal Lemy, a política monetária foi atingida da maneira errada para preparar negociações sobre impostos e comércio com a União Europeia.

“Estou bem convencido de que, no fim do dia, se você quer uma relação equilibrada de ganho-ganho no futuro, começar pela competitividade fiscal não é o caminho certo para preparar psicologicamente essa negociação”, disse Lemy segundo o “The Independent”.

oglobo.globo.com | 11-07-2016
A decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia pode dificultar os esforços do Banco Central Europeu (BCE) em impulsionar a economia e a inflação na região, afirmou hoje Ardo Hansson, presidente do Banco Central da Estônia e membro do conselho de governadores do BCE."É mais um fator de incerteza", dado que o Reino Unido "é um importante parceiro comercial da zona do euro", disse.Hansson afirmou que a instituição se manterá vigilante. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 11-07-2016
Ministros das Finanças da zona do euro discutem hoje como suas economias podem ser afetadas pela decisão do Reino Unido de deixar o bloco. Antes de entrar na reunião, eles reiteraram que incertezas prolongadas relacionadas a esse processo se traduzem me riscos financeiros e à economia."Ninguém deseja um longo período de incertezas, nem o Reino Unido nem a Europa", disse o ministro austríaco das Finanças, Hans Jörg Schelling. "Incertezas não são boas para o mercado de capitais nem para a UE". [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 11-07-2016

LONDRES — Num discurso curto e direto, Theresa May agradeceu aos ex-adversários e ao atual premier David Cameron e destacou a necessidade de construir um Reino Unido para todos os britânicos, no que deve ser uma linha de seu governo. May assumirá o cargo de primeira-ministra, após Cameron anunciar nesta segunda-feira que renunciará oficialmente na quarta. Ela será a primeira mulher a ocupar o cargo desde Margaret Thatcher. Reino Unido

— Sinto-me honrada por ter sido escolhida pelo Partido Conservador — disse May, prestando homenagem tanto à ministra de Energia, Andrea Leadsom, que saiu da disputa, como a Cameron pela liderança do partido e do país.

A futura premier estabeleceu “três necessidades”, que foram destacadas durante sua campanha: a necessidade de uma forte liderança e de negociar o melhor acordo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE); a necessidade de unir o país; e a necessidade de uma visão para um futuro no qual o país funcione para todos.

Ela citou tempos difíceis e incertos para a economia e a política do país, e voltou a indicar que aceitará a vitória do Brexit (saída da UE) no referendo de 23 de junho.

— Brexit significa Brexit, e nós vamos fazer com que seja um sucesso — disse ela — Nós daremos às pessoas mais controle sobre suas vidas. E é assim que, juntos, vamos construir um Reino Unido melhor.

Theresa May se torna única candidata no Reino Unido

May tornou-se a única candidata remanescente na disputa pela sucessão de Cameron, após a ministra de Energia, Andrea Leadsom, se retirar da corrida nesta segunda-feira.

Mais cedo, May, de 59 anos, lançou oficialmente sua campanha em um evento em Birmingham. Em resposta aos que pedem ao governo que ignore o resultado da consulta, May afirmou:

— Não haverá tentativas de permanecer na UE, não haverá tentativas de reintegrar-se pela porta dos fundos.

A ministra já era favorita na disputa pela liderança dos conservadores. Na votação de quinta-feira, ela obteve 199 votos, Leadsom, 84, e Michael Gove, 46. Caso a disputa fosse adiante, os finalistas seriam submetidas ao voto dos 150 mil militantes conservadores, e o nome do novo premier estava previsto para ser divulgado até 9 de setembro.

A favor da permanência do Reino Unido na UE, Cameron renunciou ao cargo após o referendo, alegando que o país precisava de um novo líder para negociar o divórcio com o bloco europeu.

oglobo.globo.com | 11-07-2016

RIO - Nobel de Economia em 1995, o professor da Universidade de Chicago Robert Lucas defende que a educação é o principal fator que diferencia uma economia de sucesso das demais. Ele vê com preocupação a proposta de limitar os gastos na área no Brasil e alerta para as consequências:

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— Quando se cortam investimentos em educação, toda uma geração de crianças vai crescer ignorante. E o país vai pagar por isso.

Em entrevista no Rio após participar de seminário no Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), Lucas admite o crescimento mais lento da economia americana e o aumento da desigualdade, mas é enfático ao afirmar que “não há crise” nos Estados Unidos nem há base para o debate proposto por Donald Trump de “tornar o país grande de novo”.

Em sua apresentação, destacou a existência de dois mundos em alguns países. Como vê isso?

Tenho pensado sobre a situação de ainda existirem dois mundos em países da África, do Sul da Ásia e das Américas, o das pessoas não instruídas e daquelas com nível educacional de países avançados. Há 200, 300 anos, todo país tinha a maioria da população não instruída, que trabalhava com as mãos, e uma minoria de educados, que trabalhavam com o cérebro. Algo alterou esse equilíbrio em certos países, enquanto não houve progresso em outras nações.

Como isso se explica?

Se um pai tem dois filhos, coloca em uma boa escola. Se perder o emprego e tiver um terceiro filho, não pode simplesmente deixar o filho sem escola. Uma pessoa decente deve lidar com isso. Um país decente deve lidar com isso

Muito do que foi feito na Europa e nos Estados Unidos tem a ver com educação. Em um país como o nosso, a maioria das pessoas tem acesso à boa educação, e o mundo científico está ao alcance delas. Quanto mais o país estiver envolvido em educação, melhor estará. A educação é a diferença-chave entre as economias de sucesso e as demais. Há outras questões, como a governança ruim, mas educação é chave. No Brasil, a corrupção é uma questão importante, mas ocorre em todos os lugares. Em geral, a América Latina não vai bem em educação. Há escolas de fronteira, como a Fundação Getulio Vargas e o Impa, mas poucos têm acesso.

O debate sobre educação no Brasil se voltou para a questão da qualidade. Qual é a importância?

Esta é uma questão difícil. Meu colega James Heckman (Nobel de Economia em 2000) está trabalhando duro nisto. Apenas colocar pessoas numa sala de aula com um professor por cinco horas não garante nada. É preciso saber quem é o professor e o que ele pode oferecer. Muito do que aprendemos na escola está ligado à interação com outros alunos e à influência dos pais. Eles acompanham, estimulam o estudo... É uma questão privada. Mas, se os pais não cuidam, o governo deve interceder? Com pais ruins, a pessoa está em maus lençóis desde o primeiro dia.

O debate sobre o problema fiscal no Brasil inclui teto para os gastos com saúde e educação. Isso é preocupante?

Todo país no mundo tem déficits, e isso também é realidade no meu estado, Illinois. Em uma situação fiscal delicada, o governo tem de avaliar tópico por tópico e decidir o que é mais importante. Se há invasão em um país, por exemplo, os recursos se voltam para o setor militar. A mesma coisa com as crianças. Não há uma fórmula. Mas não há escolha: ou se cortam os gastos ou se aumentam os impostos.

Mexer nos gastos com educação traz consequências?

Não conheço a situação fiscal no Brasil. Mas, se há um gasto de 5% do total com educação, é possível que haja muitas despesas para reduzir antes da educação. Quando se cortam investimentos em educação, toda uma geração de crianças vai crescer ignorante. E o país vai pagar por isso. Pessoas cujos talentos poderiam ser úteis no futuro em muitas áreas estarão em desvantagem. É um problema de longo prazo. Qualquer pai saberia isso. Se um pai tem dois filhos, coloca em uma boa escola. Se perder o emprego e tiver um terceiro filho, não pode simplesmente deixar o filho sem escola. Uma pessoa decente deve lidar com isso. Um país decente deve lidar com isso.

Como vê a economia americana e a atuação do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA)?

Não é uma crise (na economia americana). Não é uma questão de ficar pobre, mas de ficar rico mais devagar

O que a Janet Yellen (presidente do Fed) está fazendo é garantir que a inflação não fique à deriva. Eles têm o poder de estabilizar a inflação e estão fazendo um bom trabalho. Mas não têm muito poder sobre o mercado de trabalho, não há relação estreita entre as políticas do Fed e a criação de empregos. Não se deve pensar no discurso de Donald Trump de “a América ser grande de novo”. Isso é exagero. Somos o país mais rico do mundo, por uma boa margem. A renda é 30% maior do que nos principais países europeus. Não é uma crise. É verdade que há desaceleração do crescimento, que ninguém sabe se vai continuar. Isso afeta a economia. Mas não é uma questão de ficar pobre, e sim de ficar rico mais devagar.

Mas há economistas que destacam o aumento na desigualdade nos EUA...

Sim, isso está acontecendo. A renda das pessoas mais ricas está aumentando em ritmo maior do que a das mais pobres, então a desigualdade está aumentando. Mas certamente não é uma crise, (o debate) está fora das proporções.

Há quem atribua o Brexit e a popularidade de Trump a essa desigualdade...

Não sei do Brexit, mas não se pode falar de Trump como uma pessoa real. Ele nunca teve uma atividade pública, é apenas alguém com um pai rico. Não há base para esse debate de crise e “tornar o país grande de novo”. Somos o país com maior produtividade no mundo. Não é que não existam problemas a serem solucionados, mas não há uma crise. Vamos pensar nas Filipinas, no Paquistão, para não falar da Síria. Pessoas de lá adorariam ir para os Estados Unidos e poderiam ter grandes carreiras.

oglobo.globo.com | 11-07-2016
O ministro de Comércio da China, Gao Hucheng, disse neste sábado (9) que a perspectiva para a economia global continua sombria, apesar da recuperação gradual após o impacto da crise financeira. Os comentários do ministro evidenciam as preocupações com a economia, que se aprofundaram com a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia.

"Nos últimos anos, através de esforços conjuntos, a economia global emergiu e está caminhando em uma boa direção", disse Gao na abertura do encontro de ministros de Comércio do G-20. Mas, ao mesmo tempo, "os efeitos profundos da crise financeira global ainda podem ser sentidos".

Gao, que não mencionou o Brexit em seu discurso, disse que os governos devem trabalhar em conjunto para encontrar maneiras de estimular o crescimento. "A retomada e o crescimento da economia global ainda não têm muita força", disse. "O comércio global e os investimentos ainda não voltaram aos níveis pré-crise."

ESTIMATIVA
No mês passado, o Banco Mundial reduziu sua estimativa de crescimento global neste ano para 2,4%, de 2,9% em janeiro. Preços baixos de commodities continuam afetando países em desenvolvimento cujas economias dependem de suas exportações. E economias desenvolvidas ainda enfrentam dificuldade por causa da força de trabalho envelhecida e do fraco aumento de produtividade.

Ao mesmo tempo, a China enfrenta pressão para encolher indústrias inchadas como a siderúrgica. Segundo seus parceiros comerciais, o país está inundando o mercado com produtos siderúrgicos mais baratos, prejudicando indústrias locais e ameaçando empregos. Fonte: Associated Press.
O ministro de Comércio da China, Gao Hucheng, disse neste sábado que a perspectiva para a economia global continua sombria, apesar da recuperação gradual após o impacto da crise financeira. Os comentários do ministro evidenciam as preocupações com a economia, que se aprofundaram com a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 09-07-2016

XANGHAI - Em um encontro de ministros do G-20 (grupo das 19 maiores economias do mundo e a União Europeia), o ministro do comércio da China, Gao Hucheng, alertou neste sábado que a situação econômica global é “complicada e severa” e disse que as grandes economias devem aprender a lidar com dificuldades como baixo crescimento e comércio fraco. As afirmações foram feitas durante a abertura do evento, que é realizado em Xangai, na China, em meio às incertezas provocadas pelo resultado do referendo que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia.

G-20

— O comércio global está estremecido, o investimento internacional ainda precisa se recuperar para níveis de antes da crise financeira e a economia global ainda precisa encontrar o motor para um crescimento forte e sustentável. Nas circunstâncias atuais, a comunidade internacional espera que o G-20 mostre liderança na solução de problemas que enfrentamos e dê ímpeto para a recuperação e o crescimento — apontou Gao Hucheng.

Em abril, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu sua estimativa para o crescimento da economia global pela quarta vez em um ano, de 3,4% para 3,2%, em meio à fraca demanda global e os riscos geopolíticos. Uma quinta revisão da projeção é dada como quase certa.

Já a Organização Mundial do Comércio (OMC) espera que 2016 seja o quinto ano seguido de crescimento do comércio global abaixo de 3%. Nesta sexta-feira, o diretor-geral, Roberto Azevêdo, afirmou que o comércio se mantinha lento no terceiro trimestre do ano.

De acordo com o ministro de Comércio e Indústria da África do Sul, Rob Davies, os ministros do G-20 devem concordar em um conjunto de princípios para estimular o investimento, assim como divulgar uma declaração sobre protecionismo.

— A questão mais ampla é que houve uma forte redução do crescimento do comércio. Ouvimos da OMC que a taxa ficou bem abaixo da expansão da economia, o que é bem ruim — disse Davies.

oglobo.globo.com | 09-07-2016

BERLIM - Em meio às incertezas desencadeadas pela decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE), a Grã Bretanha pode perder seu brilho aos olhos alemães. Uma pesquisa apontou que 25% das empresas da Alemanha planejam demitir funcionários no Reino Unido.

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O levantamento, citado pelo jornal britânico “Financial Times”, foi conduzido pela câmara de comércio da Alemanha e aponta que 35% das companhias alemãs com atividades — sejam por meio de subsidiárias ou filiais — no Reino Unido planejam diminuir o investimento em terras britânicas, enquanto 26% têm planos para demitir funcionários.

E apenas 7% dessas investiriam mais no Reino Unido. O quadro é bem distinto do que é visto quando a situação é a oposta, e são empresas britânicas em solo alemão. Nesse caso, 21% querem incrementar os investimentos na Alemanha.

A respeito do impacto do Brexit na própria Alemanha, diz o “Financial Times”, a câmara de comércio reviu a previsão para suas exportações para o Reino Unido em função da desvalorização da libra e do enfraquecimento da economia britânica. A estimativa deste ano, que era de crescimento de 5%, passou para uma queda de 1%. E, para 2017, espera-se um recuo de 5%.

Segundo o jornal, cerca de metade das empresas que participaram da pesquisa disseram esperar queda tanto das exportações do país para o Reino Unido quanto das importações de produtos britânicos.

oglobo.globo.com | 08-07-2016

Os mercados acionários dos Estados Unidos fecharam em alta consistente, nesta sexta-feira, 8, após a divulgação de dados surpreendentemente positivos sobre o mercado de trabalho daquele país, levando as bolsas de Nova York a patamares pré-Brexit (separação do Reino Unido da União Europeia).

No fim da tarde, o índice Dow Jones fechou em alta de 1,40% (250,86 pontos), aos 18.746,74 pontos, e o Nasdaq ganhou 1,64% (79,95 pontos), encerrando aos 4.956,76 pontos. O S&P chegou a superar o recorde de fechamento de 2.130,82 pontos - registrado em maio de 2015 -, atingindo 2.131,71 pontos durante a sessão, mas avançou apenas 1,53% (32,00 pontos) e fechou aos 2.129,90 pontos.

Entre as companhias que observaram os melhores desempenhos estão a Caterpillar, que subiu 3,09%, a American Express, que ganhou 2,81%, e a Visa, cujos papéis avançaram 2,56%.

Na semana, o índice Dow Jones avançou 1,10%, o Nasdaq subiu 1,94%, e o S&P 500 ganhou 1,28%.

Os empregadores norte-americanos contrataram muito mais que o esperado em junho, oferecendo a garantia de que a economia dos EUA está crescendo de forma sólida após um payroll fraco em maio. Os EUA criaram 287 mil empregos no mês passado, considerando-se ajustes sazonais, superando de longe a previsão de analistas consultados pela Dow Jones Newswires, de geração de 165 mil postos de trabalho, segundo dados publicados hoje pelo Departamento de Trabalho norte-americano.

Os fortes ganhos podem aumentar as chances de o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) aumentar as taxas de juros ainda neste ano, mas muitos investidores descartaram essa possibilidade e, em vez disso, focaram as implicações econômicas.

As companhias de tecnologia e de consumo de bens não-duráveis, que tipicamente se saem bem quando os investidores esperam expansão econômica, ajudaram a puxar as ações nesta sessão. Do Brexit até ontem, o setor que havia apresentado a melhor performance era o de serviços básicos, que são vistos como ativos relativamente seguros por participantes do mercado. A mudança de peso entre os setores pode ser boa para os índices acionários, de acordo com analistas.

O que os mercados acionários precisam agora é um sinal que os ganhos corporativos dos EUA estejam aumentando, dizem especialistas. Na próxima semana, começa a temporada de balanços do segundo trimestre, com números de companhias como a Alcoa e J. P. Morgan Chase. Espera-se que os ganhos das companhias recuem pelo quinto trimestre consecutivo, de acordo com a Factset. (Com informações da Dow Jones Newswires)

WASHINGTON - O Fundo Monetário Internacional (FMI) instou o Banco Central Europeu (BCE) a analisar a possibilidade de ampliar seu programa de compra de ativos se a inflação na zona do euro não passar a subir diante dos baixos níveis atuais.

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"Diante da perspectiva muito fraca para a inflação, o BCE deveria estar pronto para mais flexibilização se a inflação se mantiver abaixo de seu curso de ajuste antecipado”, disse a equipe técnica do Fundo nesta sexta-feira em um relatório. “As pressões deflacionárias continuam sendo fortes, sendo que 11 países registraram uma inflação negativa em maio”.

Ainda que as taxas de juros negativas tenham ajudado a economia da Europa, novas reduções poderiam indicar retornos menores, o que significa que o BCE deve mirar seu programa de compra de ativos, segundo o FMI.

“Mais cortes poderiam impactar sobre a rentabilidade dos bancos”, disse o órgão internacional. Segundo o FMI, “estariam disponíveis para compra” outros € 2,4 bilhões em ativos, o que “poderia permitir amplamente a extensão do programa por um ano”. A entidade sugere que seria útil, por exemplo, permitir a compra de títulos por taxas abaixo da taxa de depósito,

“Algumas mudanças modestas no programa poderiam aumentar consideravelmente a margem para mais compras”, indicou.

Guiados pelo BCE, os bancos centrais na zona do euro gastam atualmente € 80 bilhões (US$ 89 bilhões) mensais, a grande maioria em títulos soberanos, para fazer subir a taxa de inflação que há mais de três anos não alcança a meta da entidade de 2%. Os funcionários preveem atualmente que o crescimento dos preços ao consumidor vai acelerar de 0,2% este ano para até 1,6% em 2018.

Apesar de a economia integrada por 19 países chega ao décimo quarto trimestre de expansão, o desemprego se mantém acima de 10% em um momento que o referendo que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia põe em risco o processo de recuperação.

“Os riscos negativos são maiores”, disse o FMI. “A demanda externa poderia se debilitar, tanto que os riscos políticos cresceram significativamente”, disse o órgão, destacando a relação com a situação britânica.

REPERCUSSÕES DO BREXIT

O FMI rebaixou sua perspectiva de crescimento de 2017 para a zona de euro, de 1,6% para 1,4%, citando o referendo do Reino Unido. O fundo considera que a economia da região crescerá 1,6% este ano.

“O Reino Unido é um parceiro comercial importante para a zona do euro, com destino de 13% das exportações da zona do euro, e também tem laços financeiros estreitos com a região”, disse o FMI no informe. “Prevê-se que sua saída da UE afetará negativamente as economias da eurozona através dos canais de comércio, finanças e da confiança”.

oglobo.globo.com | 08-07-2016

NOVA YORK - O diretor executivo do banco americano JPMorgan Chase & Co, Jamie Dimon, afirmou que pode ser forçado a retirar milhares de postos de trabalho do Reino Unido caso o país perca o direito de vender serviços financeiros à União Europeia após a decisão de sair do bloco econômico – definida em referendo em 23 de junho.

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Atualmente, segundo leis do mercado comum europeu, os bancos sediados no Reino Unido têm permissão para vender serviços livremente pelos países-membros sob um sistema de “passaportes”, considerado um dos pontos mais significantes do bloco econômico para empresas do setor financeiro. Agora, após o Brexit, dúvidas giram em torno dessa possibilidade.

“A questão principal é a 'regra do passaporte' que temos em Londres e que nos permite fornecer serviços a clientes na União Europeia”, disse o executivo ao jornal italiano “Il Sole 24 Ore” na quinta-feira. “No entanto, se a União Europeia impor novas condições ao Reino Unido (...) o pior cenário é que teríamos que transferir milhares de funcionários para outras filiais na zona do euro”.

O JPMorgan tem 16 mil empregados no Reino Unido. A sede europeia fica em Londres e o banco conta com escritórios na cidade inglesa de Bournemouth, no Sul, e também na Escócia. Essas localidades contribuíram para gerar uma receita de US$ 14,2 bilhões ao banco no ano passado em operações pela Europa, Oriente Médio e África.

Dimon não acha que o Brexit pressionaria o mundo a outro recessão, mas a incerteza geral em torno da saída do Reino Unido vai desacelerar a economia mundial, disse o diretor executivo, segundo o “USA Today”:

“Ninguém realmente sabe o que será o futuro, até mesmo as pessoas que apoiaram o Brexit, porque há uma série ampla de possíveis resultados. O Brexit trouxe muita incerteza ao mercado e à economia”.

Nenhum banco anunciou ainda qualquer ação de saída do Reino Unido. Na quinta-feira, o JPMorgan, junto ao Goldman Sachs, Morgan Stanley e Bank of America, prometeram em comunicado conjunto trabalhar com o Reino Unido para ajudar Londres a “reter sua posição como o centro financeiro internacional líder”.

oglobo.globo.com | 08-07-2016

LONDRES - A libra esterlina caminha para uma terceira semana de declínios impulsionados pelo referendo que determinou a saída do Reino Unido da União Europeia. Nesse ritmo, a divisa britânica registra o pior desempenho de 2016 entre as principais moedas do mundo. Nesta semana, a moeda britânica superou o peso argentino como maior perdedora em relação ao dólar entre 31 países importantes em 2016.

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A alta da libra nesta sexta-feira pouco alterou o declínio de 2,7% em relação ao dólar acumulado nos quatro dias anteriores. O motivo é que os investidores continuam digerindo as consequências da decisão do Reino Unido, em referendo realizado em 23 de junho, de deixar o bloco econômico.

“A libra cairá consideravelmente mais enquanto os efeitos dessa incerteza em relação aos investimentos e ao crescimento não emergirem da escuridão”, escreveu Kit Juckes, estrategista macro do Société Générale em Londres, em nota a clientes.

A libra subiu 0,3% para US$ 1,2949 às 15h06 em Londres, acumulando queda de 2,4% na semana e de mais de 12% no ano. Por sua vez, o peso argentino, que até então desempenhava pior no ano,acumula perda de 11,7% ante o dólar desde o início de 2016.

O pregão desta sexta-feira eliminou brevemente o ganho diário da libra depois que o relatório do Departamento do Trabalho dos EUA mostrou um salto maior que o estimado na geração de empregos em junho. Até então, a libra avançava 0,5% para 85,24 pence por euro, a caminho de fechar a semana com uma queda de 1,6% em relação à moeda do mercado comum europeu.

Na quarta-feira, a moeda britânica tocou o menor nível em 31 anos, de US$ 1,2798, depois que o fechamento de uma série de fundos imobiliários lembrou o terremoto imobiliário do início da crise financeira de 2007. A confiança do consumidor britânico teve a maior queda em 21 anos em uma pesquisa especial pós-referendo realizada entre 30 de junho e 5 de julho, segundo dados divulgados nesta sexta-feira.

Segundo o site "CNN Money", analistas esperam que a libra atinja níveis ainda menores. O Societé Generale prevê, no médio prazo, a moeda em torno de US$ 1,23. Já o megainvestidor George Soros afirmou antes do referendo que a divisa poderia chegar a valer US$ 1,15.

oglobo.globo.com | 08-07-2016

LONDRES — Duas mulheres vão disputar a sucessão do primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron. A ministra do Interior, Theresa May, e a ministra de Energia, Andrea Leadsom, ficaram na corrida após o ministro da Justiça, Michael Gove, ser eliminado na segunda rodada de votações do Partido Conservador nesta quinta-feira. O país voltará a ser governado por uma mulher 26 anos após a saída da ex-premier Margaret Thatcher. Reino Unido

Theresa May obteve 199 votos, contra 84 de Leadsom e 46 de Gove, num resultado que evidencia o apoio robusto entre os parlamentares. Mas sua vitória não está garantida — os candidatos finais terão que passar semanas tentando conquistar os membros da legenda majoritariamente eurocética.

O vencedor, que será escolhido no dia 9 de setembro, formará uma equipe para conduzir o relacionamento futuro do Reino Unido com a União Europeia (UE), depois de os britânicos votarem em um referendo no mês passado pela saída do bloco.

Na primeira votação de quinta-feira, Theresa May havia conquistado 165 votos. Ela respaldou a campanha pró-UE, mas prometeu respeitar o resultado do referendo. A ministra deve sua preferência a Boris Johnson, o líder da campanha do Brexit (saída da UE) que decidiu não disputar o cargo.

Andrea Leadsom recebeu um reforço nesta quinta-feira ao ser apoiada pelo ex-líder conservador Michael Howard, e o fato de ter defendido a campanha do Brexit pode lhe render o apoio da maioria dos conservadores que desejam um desligamento rápido do bloco.

Falando a simpatizantes e jornalistas, ela procurou apaziguar as preocupações dos imigrantes da UE que temem ter que deixar o Reino Unido dizendo que aqueles que estão legalizados são bem-vindos para ficar. Ela também disse acreditar que a economia irá crescer após a desfiliação.

oglobo.globo.com | 07-07-2016

Há histórias tão verdadeiras que, às vezes, parecem inventadas. A frase, de Manoel de Barros, parece ter sido especialmente desenhada para o Brasil de hoje. Na Sucupira real, as notícias se superam, e a última é sempre mais inacreditável que a anterior. A sucessão de escândalos políticos nos governos PT e PMDB, a queda da ciclovia no Rio, o estupro coletivo, o japonês da Federal e tantas outras histórias nas páginas deste jornal soam absurdas, inacreditáveis. Já entre os acontecimentos que não nos surpreendem, destacam-se os negativos, como a recente divulgação do Ranking de Competitividade Global da escola de negócios suíça IMD, que revelou o Brasil como o quinto pior país do mundo nessa medição.

Diante do quadro de corrupção e da falta de credibilidade no governo por parte do empresariado, não foi zebra a queda de posição (pelo sexto ano) no ranking do qual fazem parte 61 economias. O IMD leva em conta cerca de 300 critérios para a classificação, com foco em desempenho econômico, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura. Estamos no 57ª lugar, à frente apenas de Croácia, Ucrânia, Mongólia e Venezuela.

Uma dose de curiosidade resultou na breve análise dessas nações que nos rodeiam no ranking, vizinhas na arte da corrupção, do descontrole e da ineficiência. Infelizmente, algumas informações nos levam a crer que, em 2017, o buraco do Brasil pode ser mais embaixo.

Vamos à Croácia. O país, que se tornou independente da URSS em 1991, foi pego de jeito pela crise financeira que atingiu a Europa. De 2008 a 2014, os croatas enfrentaram alta das taxas de desemprego e pobreza. Mas, como novata da União Europeia, a Croácia nutre expectativas de reformas (já anunciadas) e acesso a fundos. Segundo o FMI, desde o fim de 2014, o país se recupera da recessão, sobretudo com aumento das exportações. O turismo, fortemente incentivado, já representa parcela significativa do PIB.

Entre a influência russa e a europeia, a Ucrânia tem sua história recente marcada por guerras e rebeliões, tendo o país se transformado em palco de corrupção e espionagem. Em 2015, apesar da queda de quase 10% no PIB, houve progresso em direção à estabilidade, de acordo com relatório do FMI. A liberação de ajuda bilionária do Fundo tem como contrapartida esforços do governo contra a corrupção, além da implementação de reformas de gestão. O país é peça importante na geopolítica do petróleo.

Se há esperança ocidental em relação à Croácia e à Ucrânia, não se pode afirmar o mesmo de Mongólia e Venezuela, que parecem ter menos chances de ultrapassar o Brasil no curto prazo. A Mongólia, também ex-comunista, está na zona de influência da China, principal importador de sua produção agropastoril e mineral. Grande parte da população vive em extrema pobreza, e a infraestrutura é defasada. Com a desaceleração da economia chinesa, as perspectivas não são positivas.

Por fim, a Venezuela, bolivariana, em estado de emergência, até faz com que o Brasil pareça promissor. Com a economia dependente do petróleo, o país sofre os efeitos drásticos da queda do preço do barril. A miséria avança. A indústria inexistente e a redução de importações geraram uma escassez sem precedentes. A população convive com racionamento, previsão de inflação anual na casa de 700%, crise política, medidas autoritárias e ameaças de confisco.

Nossa história e o desenvolvimento socioeconômico brasileiro dos últimos anos estão bem distantes do ocorrido em cada um dos países citados. Para que a imagem do Brasil não se confunda com realidades tão duras quanto às vividas por Mongólia e Venezuela, por exemplo, o país precisa pavimentar seu próprio caminho priorizando combate à corrupção, reforma política e controle das contas públicas. Só assim poderá reconstruir as condições para a eficiência, investir em infraestrutura e, consequentemente, escapar de uma inacreditável 61ª posição do ranking da IMD.

Luciana Brafman é jornalista

oglobo.globo.com | 07-07-2016

WASHINGTON - Os membros do Federal Reserve, banco central norte-americano, decidiram em junho que as altas da taxa de juros não devem acontecer até que possam entender as consequências da decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE), de acordo com a ata da reunião do Fed divulgada nesta quarta-feira.

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A ata do encontro de 14 e 15 de junho, que aconteceu antes do referendo britânico em 23 de junho, mostrou inquietação generalizada sobre a votação, incluindo membros votantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed.

“Os membros em geral concordaram que, antes de avaliar se outra medida de remoção do afrouxamento monetário é justificada, é prudente aguardar dados adicionais sobre as consequências da votação no Reino Unido”, apontou a ata.

Os membros também citaram forte desaceleração nas contratações nos Estados Unidos como motivo para manter a taxa de juros no mês passado, mostrou o documento.

A decisão britânica de deixar a UE, que chocou investidores e políticos, aumentou o nervosismo nos mercados financeiros e entre autoridades mundiais, em parte porque pode levar vários anos para que o Reino Unido e a UE cheguem a um acordo sobre novas regras financeiras, de comércio e de imigração.

Antes do referendo, o Fed havia sinalizado que duas altas de juros provavelmente seriam necessárias este ano para evitar que a economia norte-americana superaquecesse. Mas desde então, várias autoridades do Fed disseram que a incerteza justifica postura de cautela.

Na ata da reunião de junho, muitos membros do Fed que participaram das discussões destacaram que a expressiva desaceleração das contratações pode ser ruído estatístico, e a maioria argumentou que a economia estará pronta para altas de juros a menos que choques financeiros ou econômicos tirem os EUA do curso.

Dezessete autoridades participaram da discussão, sendo que 10 deles tinham direito a voto no comitê decisório.

oglobo.globo.com | 06-07-2016
Ministro da Economia espanhol chega nesta quarta-feira a Estrasburgo para encontros com o vice-presidente da Comissão Europeia e com Moscovici.
www.publico.pt | 06-07-2016
Executivos dizem que incertezas limitam planos de ação e paralisam investimentos em todo o continente. Setor aéreo é um dos mais afetados.
online.wsj.com | 06-07-2016

LONDRES - Três fundos imobiliários britânicos que valem cerca de 10 bilhões de libras anunciaram a suspensão de seus negócios em menos de 24h, um primeiro sinal de interrupção do movimento no mercado desde o referendo que definiu a saída do Reino Unido da União Europeia. Legisladores se apressaram para destacar que a paralisação ficou restrita ao setor de fundos "open-ended" no setor mobiliário, que normalmente permitem que investidores saiam conforme sua vontade, e que não significava uma questão de liquidez nos mercados.

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O primeiro a suspender os negócios foi o Standard Life Investiments, de 2,9 bilhões de libras, na segunda-feira, seguido do Aviva e de seu fundo de 1,8 bilhão. O último dos três foi o fundo do M&G Investments – o Property Portfolio, de 4,4 bilhões de libras – que anunciou a suspensão na tarde de terça-feira, após uma corrida ao fundo por parte de investidores querendo retirar seu capital. Os três respondem por quase um terço dos 35 bilhões de libras (US$ 46 bilhões) no mercado de gestores imobiliários.

O setor recebeu alerta de risco do Banco da Inglaterra antes mesmo do referendo. A atividade financeira do setor imobiliário tem implicações amplas no sistema financeiro, já que é usado frequentemente como garantia a empresas que pedem empréstimos a bancos. Nesta terça-feira, a autarquia reduziu os compulsórios exigidos dos bancos.

Enquanto fundos “open-ended” tendem a deter um estoque de dinheiro ou ativos similates para gerenciar resgates, no pior cenário eles poderiam virar vendedores forçados de prédios em um mercado em queda já que mais investidores tendem a renunciar. A suspensão das negociações é uma medida destinada a evitar que isso aconteça.

O chefe do órgão regulador do mercado financeiro britânico, Andrew Bailey, afirmou nesta terça-feira que a ação do Standard Life demonstrou o descompasso de liquidez que precisava ser abordado e que ele estava “em contato próximo” com os fundos de investimento sobre a questão.

— Isso aponta para questões que precisamos olhar no desenho dessas coisas, porque isso leva ao meu ponto fundamental sobre deter ativos ilíquidos em fundos “open-ended” que revalorizam e são exigidos para serem revalorizados — disse Bailey, diretor executivo da Autoridade de Conduta Financeira.

Outros fundos imobiliários britânicos, como Henderson Global Investors, Aberdeen Asset Management e Kames, disseram que já cortaram o valor de seus ativos para refletir melhor os preços do mercado ou que já tomaram medidas para precificar os fundos regularmente.

BANCOS EXPOSTOS

Entre outros detendores de propriedades comerciais que poderiam ser afetados caso o mercado acabe em uma liquidação duradoura são os bancos, que estão preste a reportar seus resultados do segundo semestre nas próximas semanas.

O Royal Bank of Scotland tem ativos imobiliários de 25,24 bilhões de libras; o Lloyds, de cerca de 12,7 bilhões e o Barclays, cerca de 11,6 bilhões de libras, segundo relatórios financeiros do fim de 2015.

Investidores assutados com as incertezas do mercado venderam uma série de ações do setor imobiliário nesta terça-feira, inclusive empresas imobiliárias.

— Quando fundos “open-ended” fecham os portões, o mercado começa a ficar nervoso — afirmou Collette Ord, analista de trustes de investimentos da Numis. — O perigo é que, se fundos “open-ended” tem que vender ativos em níveis afligidos, isso levará à descoberta de preços e forçará turstes a também cortar ativos.

oglobo.globo.com | 06-07-2016

BRUXELAS e MADRI - Espanha e Portugal estão prestes a se tornar os primeiros países da zona do euro a receber sanções por descumprimento de regras fiscais da União Europeia, de acordo com o jornal “Financial Times”. Fontes contaram ao diário que a Comissão Europeia concluiu, nesta terça-feira, de que as duas nações não tomaram “ação efetiva” para cumprir as regras de déficit da UE.

A decisão pode levar colocar a atuação da UE em relação aos orçamentos nacionais na berlinda. Como consequência do descumprimento das regras, Portugal e Espanha podem ter de pagar multa ou podem sofrer suspensão parcial do acesso a fundos regionais da UE.

A expectativa é que a recomendação seja formalmente aprovada na próxima quinta-feira. Após esse aval, seguirá para a análise dos ministros das Finanças do bloco, que decidirão se concordam ou não com o parecer, explica o jornal. Em caso afirmativo, Bruxelas terá 20 dias para preparar as penalidades que serão aplicadas, mas Portugal e Espanha podem ainda, em um último esforço, tentar convencer a UE a usar um tratamento mais brando.

O “FT” ressalta ainda que, embora haja grandes chances de que as eventuais multas sejam brandas, elas podem comprometer os países. Em Portugal, autoridades já afirmaram que qualquer medida de sanção poderia afetar a reputação do país no exterior em um delicado momento no qual a nação tenta recuperar sua economia.

Ainda assim, o chefe de política fiscal da UE, Pierre Moscovici, afirmou que o bloco “vai adotar as decisões necessárias muito em breve”, conforme noticiou o jornal econômico. Ele disse ainda que as regras de orçamento ‘devem ser respeitadas”. Para Moscovici, os padrões definidos pela UE “também são inteligentes e demandam ser aplicados de uma maneira inteligente”.

A adoção de políticas para orçamento, contudo, não é uma unanimidade dentro da UE. Por um lado Alemanha, Finlândia, Holanda e o Banco Central Europeu acreditam que essas regras são essenciais para conservar a confiança na moeda única europeia, a Itália lidera a pressão por mais flexibilidade, iniciativa à qual se uniram países do sul do continente, segundo o “FT”.

O governo português, de esquerda, alega que não é justa e que é contraprodutiva uma punição por erros passados, apesar de o país estar a caminho de cumprir as regras orçamentárias da UE este ano. A informação da punição aos dois países, acrescenta o jornal britânico, surgiu no mesmo dia em que o ministro das Finanças da Espanha anunciou que planeja elevar a previsão oficial de crescimento da economia espanhola.

oglobo.globo.com | 05-07-2016

MADRI - O governo de Madri está estudando oferecer incentivos fiscais para atrair bancos e empresas internacionais que estiverem procurando um lugar para o qual transferir suas operações atualmente sediadas no Reino Unido, após o referendo britânico ter decidido pela saída da União Europeia, informou um porta-voz nesta segunda-feira.

Com isso, Madri se junta a outras cidades da União Europeia em uma disputa pelos negócios localizados em Londres. Estão nessa lista Frankfurt e Paris, dois dos maiores centros financeiros do continente.

O governo regional da cidade espanhola está considerando dar início a um esquema de impostos mais generoso para a compra e venda de terra e também para os ganhos de capital com propriedades, explicou o porta-voz.

“Nós vamos olhar para o esquema de impostos para trazer investimentos da City (de Londres), sempre com o objetivo último de criação de empregos”, afirmou o porta-voz sem dar mais detalhes.

A Espanha também iria competir para passar a ser o local da sede do regulador dos bancos da UE e da Agência Europeia de Medicamentos — ambos atualmente sediados em Londres —, conforme a vice-primeira-ministra espanhola Soraya Sáenz de Santamaría contou em uma entrevista coletiva na sexta-feira.

Madri, onde a maioria dos bancos da Espanha tem grandes operações, já usou incentivos fiscais para estimular o investimento antes. Em 2014, a cidade ofereceu uma redução de impostos de 95% para as companhias que estavam se mudando para o chamado “Corredor del Henares”, uma área industrial no norte da cidade.

“Há investidores, bem agora, na Grã Bretanha procurando por uma outra cidade para se estabelecerem: essa cidade é Madri”, a chefe do governo regional de Madri, Cristina Cifuentes, disse no Twitter.

oglobo.globo.com | 04-07-2016

A multiplicidade de nações adjacentes fez da Economia da Europa uma das mais complexas do planeta. Durante séculos a Europa foi o centro econômico do planeta. Entre as causas, podemos citar como a principal sua condição geográfica. A localização entre a África e a Ásia, fez da região europeia um ponto de passagem obrigatório, e facilitou de forma substancial a absorção e irradiação dos conhecimentos, tecnologia e comércio de ambos continentes. Esta condição perdurou até ao século XX. No século XX, a Europa viu seu predomínio declinar em relação aos Estados Unidos, o Japão e, na fase final, a China. A Primeira e Segunda guerra mundial, travadas em seu território, a carência de energia, de petróleo, além de uma intensa rivalidade entre seus povos, representaram para o continente a perda de sua liderança econômica. A Europa não tem auto-suficiência na produção de energia, exigindo a importação de muito petróleo. Este produto só é extraído em quantidades consideráveis na Rússia e no Mar do Norte. O gás natural, outro produto bastante usado na geração e produção de energia é muito abundante na Rússia, Romênia, Países Baixos e no Reino Unido. Outro recurso energético que teve grande importância nas fases iniciais da revolução industrial foi o carvão mineral, muito abundante, sobretudo na Alemanha, Polônia, Rússia, Reino Unido. Todas estas fontes energéticas são extremamente poluidoras e causam grandes impactos ambientais em todo o planeta. No caso da energia limpa, ou seja, não poluidora, podem ser citadas a energia hidráulica, energia eólica, e energia solar, de baixa produção e utilização da Europa, devido às suas condições geográficas. A produção de energia nuclear na Europa é muito importante, e, a exemplo dos Estados Unidos, gera imensas quantidades de lixo atômico, cujo fim, desde o início de sua utilização, é muito nebuloso e nunca divulgado na mídia mundial.


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