i
Français | English | Español | Português

Europa Economia

LONDRES - A venda de bilhões de libras de ações do Royal Bank of Scotland e do Lloyds Banking Group foi posta em espera por causa da volatilidade do mercado acionário após o voto do Reino Unido para deixar a União Europeia. O Tesouro planejava vender, nos próximos meses, papéis que foram comprados durante a crise financeira. A expectativa era de conseguir 9 bilhões de libras com a venda.

Brexit_2806

Os temores sobre a economia do Reino Unido seriam os motivos que forçaram o governo a adiar os planos. Os mercados acionários globais perderam um montante recorde de US$ 3 trilhões nos dois últimos dias de negócios, após um forte sell-off em todo o mundo como resposta ao resultado do referendo britânico.

A venda de ações do RBS chegou a ser suspensa na segunda-feira em função das fortes perdas registradas na Bolsa de Londres. Mas, na terça-feira, o banco chegou a subir 4%, embora tenha encerrado em queda de 0,29%. Até o início da tarde de hoje (no Brasil), a instituição tinha perdido 10 bilhões de libras de seu valor de mercado, desde quinta-feira. O valor é maior do que a contribuição do Reino Unido para a UE em 2015, estimada em cerca de 8,5 bilhões de libras.

Já os papéis do Lloyds fecharam em alta de 5,84%, nesta terça-feira, a 53,69 libras, ainda abaixo das 71,45 libras de antes do referendo.

“Vai demorar um pouco para que nós entendermos as implicações para os bancos antes de podermos sequer considerar começar a vender”, disse uma fonte à Reuters.

oglobo.globo.com | 28-06-2016

LONDRES - Richard Branson, fundador e presidente do conselho do Virgin Group — que tem negócios em diferentes setores, como aviação, varejo, viagens e mídia —, disse, nesta terça-feira, que acredita que o Reino Unido está indo em direção a um desastre, após o voto pelo Brexit. E, ao jornal “The Guardian”, ele afirmou que investidores estão deixando o país, em função da saída da União Europeia.

“Eu encontrei um grupo de homens de negócios chineses ontem de manhã que investiram pesadamente na Inglaterra e que agora vão parar de investir e até retirar investiementos que já fizeram”, contou Branson ao “Guardian”.

O empresário ressaltou também que a visão de que o Brexit causaria danos ao investiment no Reino Unido era a mesma de “todas as pessoas estrangeiras com as quais em encontrei”.

“Milhares e milhares de empregos serão perdidos como um resultado disso. Milhares de empregos que seriam criados serão perdidos e o efeito dominó será calamitoso”, opinou ao jornal.

INVESTIMENTO CANCELADO

Para Branson, o Reino Unido entrará em recessão e deveria haver uma segunda votação agora que as pessoas puderam ver quais as implicações que sair do bloco causam na economia.

“Este país vai entrar em recessão”, disse o empresário ao programa de TV “Good Morning Britain”, acrescentando que, com o impacto nos bancos, as instituições “não vão emprestar dinheiro, nós vamos entrar em recessão”.

O bilionário também disse que seu grupo cancelou um acordo “muito grande” após o voto. O negócio, segundo ele, envolvia cerca de 3.000 empregos.

“Nós não estamos muito pior do que qualquer outro, mas eu suspeito que perdemos um terço do nosso valor”, disse Branson.

O empresário acrescentou, ainda, que sua companhia perdeu cerca de um terço de seu valor desde o voto dos britânicos na semana passada.

oglobo.globo.com | 28-06-2016
A agência de classificação de risco Fitch divulgou um relatório hoje no qual estima que a saída do Reino Unido da União Europeia terá um impacto direto limitado na economia dos Estados Unidos. Segundo a Fitch, o principal efeito do Brexit será sentido no fortalecimento do dólar, que vai limitar o crescimento e poderá postergar a próxima alta de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 28-06-2016

O ministro de Finanças do Reino Unido, George Osborne, descartou a possibilidade de concorrer à sucessão do primeiro-ministro David Cameron, que na semana passada anunciou planos de renunciar após os britânicos votarem pela saída do país da União Europeia.

Osborne afirmou que prefere se concentrar na tarefa de estabilizar a economia britânica, depois da vitória do chamado "Brexit".

A decisão marca uma reviravolta para um dos aliados mais poderosos de Cameron, que antes era visto como um sucessor natural do atual premiê.

Em artigo publicado no jornal The Times, Osborne disse que o resultado do plebiscito britânico não foi o que ele esperava e que não será candidato na eleição para a liderança do Partido Conservador. Na última quinta-feira, 51,5% do eleitorado britânico votou pelo Brexit, levando Cameron, que havia feito campanha pela permanência na UE, a declarar sua intenção de renunciar. A expectativa é que um novo líder seja definido até outubro.

"Embora eu aceite totalmente o resultado, não sou a pessoa que garante a unidade que meu partido precisa nesse momento", escreveu Osborne no artigo. "Farei tudo que posso para ajudar o novo primeiro-ministro a unir nosso partido e a enfrentar os desafios do país", acrescentou.

Os favoritos na disputa pela liderança dos conservadores incluem a ministra do Interior britânica, Theresa May, e o ex-prefeito de Londres Boris Johnson, que fez campanha pelo Brexit. Fonte: Dow Jones Newswires.
O ministro de Finanças do Reino Unido, George Osborne, descartou a possibilidade de concorrer à sucessão do primeiro-ministro David Cameron, que na semana passada anunciou planos de renunciar após os britânicos votarem pela saída do país da União Europeia.Osborne afirmou que prefere se concentrar na tarefa de estabilizar a economia britânica, depois da vitória do chamado "Brexit". [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 28-06-2016

“Perplexidade” é certamente o sentimento atual de muita gente que, como eu, viveu na Inglaterra. Ao longo de três felizes anos, concluídos em fevereiro passado, pude ver o que tantos já sabem: Londres é próspera, cosmopolita, dinâmica e bem resolvida. Por que diabos mudar o “status quo” e abandonar a União Europeia? Foi justamente no período em que o país se associou ao projeto europeu de integração que a cidade deixou para trás a lúgubre decadência de décadas passadas para tornar-se o que é hoje — talvez a mais fascinante e uma das mais ricas metrópoles do mundo. BREXIT PAPEL 28-06

Mas Londres não é o Reino Unido. O vigor dinâmico da capital não é compartilhado em muitos rincões; em particular, no centro-norte pós-industrial da Inglaterra, paira uma densa desesperança em relação ao que o século XXI pode oferecer a cidades e comunidades assentadas em um paradigma que evapora diante de todos: o emprego na indústria, sobretudo a pesada, órfã num mundo em que a economia é comandada por serviços, tecnologia e conhecimento.

Os eleitores dessas regiões, que costumavam seguir o Partido Trabalhista aonde este os levasse, optaram, como os simpatizantes da extrema-direita, pelo voto de protesto — conhecido algoz de referendos e plebiscitos, em que frequentemente o eleitor não vota no que está sendo perguntado, e sim contra quem perguntou.

Aí está um dos maiores pecados do futuro ex-primeiro-ministro David Cameron: fazer a pergunta errada na hora errada. Cameron foi um bom chefe de governo. Mas foi mau estadista.

Para aplacar a indisciplina de uma parcela de seu partido, patologicamente eurofóbica, recorreu a um perigoso antídoto: a hiperdemocracia. Fizera o mesmo no plebiscito sobre a independência da Escócia, em 2014, quando venceu por pouco. A roleta agora foi menos generosa. Cameron entra para a História como aquele que tirou o Reino Unido da Europa. E mais: pode receber de bônus, como um bumerangue que atinge a nuca de quem o lançou, a secessão da Escócia, inconformada com o resultado das urnas, depois de votar folgadamente pela permanência na UE.

Embora passem despercebidas pelo norte pós-industrial e por tristonhas cidades litorâneas onde aposentados temem o imigrante europeu, as vantagens de estar na UE são inúmeras. Uma geração pode transitar, viver e trabalhar sem fronteiras. Cerca de três milhões de empregos no Reino Unido estão vinculados ao comércio com o continente. O mundo científico talvez seja um dos maiores prejudicados: perde fundos da UE, a facilidade de promover pesquisa e desenvolver novas empresas europeias, que, às vezes, envolvem dez, 20 países, sem amarras ou burocracias. O Reino Unido é a segunda nação que mais recebe recursos europeus para ciência e inovação, depois da Alemanha. Mais de 15% dos professores e pesquisadores nas 132 universidades do país são não-britânicos, assim como 5% dos estudantes. Estes últimos contribuem com 2,7 bilhões de libras para a economia britânica e 19 mil empregos. Com o livre trânsito na UE, mais de 200 mil alunos e 20 mil funcionários das suas universidades estudaram ou trabalharam em universidades europeias sob o programa Erasmus, da UE.

Cerca de 60% da renda dos produtores rurais britânicos vêm da Política Agrícola Comum europeia e dos incentivos ambientais do bloco. Metade das exportações vai para Europa, que investe uma média de 26,5 bilhões de libras por ano na economia britânica. O Citibank estima uma retração do PIB de 3 a 4 pontos percentuais nos próximos três anos.

Quando correspondente de O GLOBO em Bruxelas, me convenci de que, apesar da natureza paquidérmica da UE, e das crises posteriores — euro e imigração —, os benefícios para os Estados-membros superam em muito os prejuízos. As diretivas da UE garantem tarifas de telefonia celular razoáveis, sem roaming em todo o continente, impõem à indústria rigorosas normas ambientais e de saúde pública. Protegem como nunca o consumidor e o cidadão comum.

Tudo isso aponta para o alto grau de irracionalidade da escolha do histórico 23 de junho. A conclusão a que se pode chegar é que a Europa, continente de tantos valores e ideias que inspiram o mundo, pode também ser a terra em que, quando a prosperidade escasseia — como nos lugares em que venceu o Brexit — pode vicejar com força a xenofobia, sentimento de que a própria Europa já foi vítima, e de forma tão dolorosa, ao longo de sua História.

oglobo.globo.com | 28-06-2016

BERLIM - Marcada pelas divergências e despreparada para enfrentar a crise resultante do primeiro caso na sua História de saída de um membro, a União Europeia (UE) tenta definir uma posição comum, pelo menos entre os três principais membros fundadores — Alemanha, França e Itália. Depois de um encontro antecedendo a cúpula da UE sobre o Brexit, que começa hoje, os chefes de governo dos três países descartaram a possibilidade de um início das negociações antes do pedido formal do Reino Unido de saída do bloco. Por sua vez, conscientes da sua importância econômica para os países europeus, os britânicos querem ditar o cronograma e as regras do Brexit, para a irritação da cúpula da UE.

— Não haverá negociações formais ou informais se não houver um pedido de saída junto ao conselho da União Europeia — disse a chanceler federal alemã, Angela Merkel.

Mas as divergências são não apenas entre Reino Unido e UE. Também entre os três principais Estados-membros do bloco europeu, as opiniões sobre o grau de pressão contra os britânicos divergem. Enquanto o presidente francês, François Hollande, e o premier italiano, Matteo Renzi, exigiram mais pressa no processo, para evitar insegurança e turbulência nos mercados e possíveis efeitos negativos para a economia, Merkel mostrou mais cautela. Embora tenha adotado uma posição mais enérgica depois de um encontro de ontem com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e, mais tarde, com Hollande e Renzi, a chanceler continuou defendendo mais “paciência”. BREXIT PAPEL 28-06

Intitulado “Uma Europa Forte em um mundo de insegurança”, um documento assinado pelos ministros das Relações Exteriores da Alemanha e da França admite que pode haver uma Europa de várias velocidades, com diferentes ritmos de integração no bloco.

Lentidão ajuda a pressionar UE

Mas Merkel, que pede contenção no relacionamento com o Reino Unido, se distanciou do texto, preferindo falar em “impulsos” nas áreas de trabalho, segurança interna e externa, bem como crescimento econômico e competitividade, com os quais a UE quer evitar que novos membros do bloco sigam o exemplo britânico.

O próprio governo alemão está dividido sobre como tratar os britânicos. O ministro das Relações Exteriores, Frank Walter Steinmeier, e o vice-chanceler Sigmar Gabriel, ambos do Partido Social Democrata (SPD), estão mais próximos de Hollande e de Renzi do que de Merkel. Os dois defenderam uma saída do Reino Unido o mais rapidamente possível.

Segundo a cientista política Tanja Börzel, as divergências mostram como a UE está despreparada para enfrentar a crise.

— Ninguém imaginava que isso fosse possível. Até agora, a UE só conhecia candidaturas.

Na sua opinião, os britânicos estão com as cartas na mão para definir o cronograma, já que não seriam obrigados nem a seguir a decisão sobre o Brexit — o referendo foi consultivo, não vinculante. Mas a analista considera a lentidão uma forma de pressão do governo britânico para conseguir as melhores condições possíveis numa negociação que só vai acontecer quando eles decidirem.

— A UE não tem nenhum instrumento de pressão — ressaltou Börzel.

Donald Tusk admitiu que a UE não pode fazer nada, apesar do momento atual “dramático”.

Hoje, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, vai expor a posição do seu governo num encontro com os outros 27 membros do bloco. Amanhã, já sem Cameron, os chefes de governo discutirão medidas futuras para segurar na UE os países descontentes. Os diplomatas de Paris e Berlim trabalham a todo vapor na elaboração de planos de reformas na tentativa de mostrar otimismo aos demais países da UE e evitar um processo irreversível de referendos e saídas do bloco.

— O problema da UE é que dificilmente se consegue um consenso entre os seus membros, também os planos de reforma correm o risco de ficar no papel — diz a analista.

UE tem que reduzir competências

Börzel vê porém a chance de um plano de várias velocidades, o que já existe em parte no caso do euro, moeda que não foi adotada por todos os membros.

Segundo ela, a UE só tem chance de continuar existindo no futuro se houver mais realismo dos Estados membros.

— Mesmo na UE, haverá sempre países mais ricos e mais pobres. Além disso, o bloco não pode resolver tudo. Pelo contrário, dever reduzir a sua competência para ter chance de continuar existindo no futuro.

oglobo.globo.com | 28-06-2016

RIO - Os desdobramentos da saída do Reino Unido da União Europeia (UE) criaram uma nuvem de incerteza sobre os bancos britânicos. Fora do bloco, as instituições financeiras correm o risco de perder acesso ao mercado europeu e, segundo analistas, ser atingidas por uma provável desaceleração da atividade econômica no país. A preocupação abrange também gigantes globais que operam em Londres. A expectativa é que, sem livre acesso à zona do euro, bancos de outros países da Europa hoje instalados na City repatriem suas operações, em busca de alternativas.

Brexit_2706

O temor em relação à lucratividade dos bancos britânicos derrubou as ações das instituições ontem. Os papéis do Barclays fecharam em queda de 17%. Já os do Royal Bank of Scotland (RBS) perderam 15%, refletindo ainda a turbulência política na Escócia, contrária ao Brexit. As fortes quedas acionaram o chamado circuit breaker, interrompendo temporariamente as negociações das ações dos dois bancos.

Além disso, o índice que reúne os papéis dos bancos da zona do euro caíram ontem 6%, depois de um tombo de 18% na sexta-feira, segundo o jornal de negócios “Financial Times”. A queda está relacionada a preocupações sobre o futuro da economia da região com o Brexit.

Para a economista Monica de Bolle, pesquisadora do Instituto Peterson, as instituições britânicas terão de repensar o modelo de negócios, voltando-se mais para o mercado interno:

— Eles vão ter que repensar a estratégia. Serão voltados para o Reino Unido ou terão envergadura mais global? Os britânicos já haviam sentido um baque em 2008. Os que sobraram têm operações no continente e são grandes intermediadores de fluxo de comércio. É uma estratégia muito difícil.

MEDO DE INADIMPLÊNCIA

Embora estejam no centro do furacão, os bancos britânicos não são os únicos afetados. Segundo o “FT”, os americanos já se preparam para transferir suas operações em Londres para outras cidades europeias. Paris, Frankfurt e Dublin estão entre as candidatas. Na Itália, o governo está preparado para ajudar seus bancos, em caso de ataque de investidores, segundo uma fonte ouvida pela agência Reuters.

O Brexit caiu como uma bomba sobre um segmento que ainda não se recuperou completamente da turbulência pós-crise financeira de 2008. A frágil retomada da atividade econômica no continente tem estimulado uma política de juros zero e até taxas negativas em alguns países, como Suécia e Suíça. Visando a estimular a economia, essa estratégia representa um risco aos bancos, que perdem rentabilidade. Diante da iminência de desaceleração no país, teme-se que o Banco da Inglaterra também opte por esse caminho e adote juros negativos.

Mesmo antes, a situação do setor já era delicada: em 2014, no mais recente teste de estresse realizado pela autoridade bancária europeia (EBA, na sigla em inglês), 25 dos 130 maiores bancos do continente falharam. Segundo o relatório, as instituições reprovadas tinham, em conjunto, um déficit de capital de € 25 bilhões.

E o risco regulatório não é o único. Na avaliação do economista da Lopes Filho & Associados João Augusto Salles, o impacto da economia real sobre os bancos é preocupante. Com a perspectiva de uma desaceleração do fluxo comercial, a atividade mais fraca tornará os empréstimos a empresas mais arriscados. Isso levará os bancos a aumentarem o provisionamento contra a inadimplência. No cenário traçado pelo analista, a saída das instituições será reduzir a distribuição de dividendos, como forma de compensar o encolhimento de capital causado pelo provisionamento.

BOLSAS PERDERAM US$ 3 TRI

Pesando sobre a economia, ainda há a saída de empresas do Reino Unido. Segundo pesquisa do Instituto de Diretores (IoD), que reúne os empresários britânicos, um em cada cinco executivos do país prevê a transferência de parte de suas atividades, enquanto dois terços consideram o Brexit negativo para seus negócios. A consulta foi realizada entre sexta-feira e domingo.

Nas Bolsas de Valores, as quedas não se restringiram aos bancos. As ações da imobiliária Taylor Wimpey desabaram 15%. A Berkeley, outra gigante do setor, que na sexta-feira desabou 39%, caiu 9,7% ontem. A reação se deve à expectativa de esfriamento do setor no Reino Unido. Na sexta-feira, a Capital Economics cortou as projeções de vendas de casas no país em 10%, prevendo piora no mercado de trabalho.

O setor aéreo também foi castigado, por temor de falta de acesso ao mercado europeu. As ações da EasyJet recuaram 22,3%, após a companhia aérea de baixo custo alertar que seus lucros seriam afetados pelo Brexit.

Com tantas quedas de empresas, a conta nos mercados foi pesada. De acordo com o “FT”, as perdas nas Bolsas globais, somando-se sexta-feira e ontem, chegam a US$ 3 trilhões. Só no dia 24 foram US$ 2,54 trilhões em capitalização de mercado, o equivalente a 4% do valor de todas as empresas listadas e mais de 40% acima do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil de 2015.

No Brasil, a queda foi mais amena. Ontem, a Bolsa de Valores de São Paulo perdeu 1,72%, enquanto o dólar encerrou em alta de 0,44%, a R$ 3,395.

oglobo.globo.com | 28-06-2016

BRASÍLIA - Na reunião de quinta-feira, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecerá a meta de inflação de 2018. Segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, a meta será mantida no patamar atual, de 4,5%, com a inflação_2706 mesma margem de tolerância fixada para o ano que vem: 1,5 ponto percentual. A avaliação é que não há espaço para mudanças, devido a fatores tanto internos quanto externos, como a decisão do Reino Unido de sair da União Europeia.

— Deve ficar como está — afirmou ao GLOBO um auxiliar próximo ao presidente interino, Michel Temer.

No governo, está descartada a possibilidade de aumentar a meta para acomodar qualquer choque. E reduzi-la seria um sacrifício ainda maior para a economia, já em recessão.

Em 2015, a inflação atingiu 10,67% e este ano deve estourar o teto da meta, de 6,5% (com a margem de tolerância em 2 pontos percentuais. Analistas de mercados ouvidos pelo Banco Central projetam IPCA de 7,29%. (Gabriela Valente)

oglobo.globo.com | 28-06-2016

A decisão dos britânicos de deixarem a União Europeia é um abalo sísmico de proporções históricas, cujos choques ainda não foram avaliados em toda sua magnitude. Mas, estima-se que o Brexit terá impacto corrosivo na ordem mundial estabelecida após a Segunda Guerra, que garantiu décadas de estabilidade política e prosperidade econômica ao continente.

A decisão ameaça desintegrar a UE — e o próprio Reino Unido —, com consequências para todo o mundo. Ela também evidencia a força de uma justificação moral populista que, à direita e à esquerda, vem contagiando parcelas cada vez mais expressivas de uma população inconformada, a ponto de, como no Brexit, optar por posições tão fantasiosas quanto perigosas.

Sinais de desencanto ante valores culturais do Ocidente aparecem por toda a parte, sobretudo na emergência de partidos populistas extremistas, porta-vozes de valores que ressoam velhas retóricas nacionalistas, de fechamento de fronteiras, contra os processos de integração global. Os exemplos estão por toda parte, da Grécia, onde a coalizão de esquerda radical Syriza chegou ao poder com um discurso de ruptura, aos países do leste da Europa cuja voz contra imigrantes e refugiados evocam o nazifascismo.

E o fenômeno não se restringe à Europa. Nos EUA, a alta popularidade de candidatos como Donald Trump e Bernie Sanders, na corrida à Casa Branca, revelam o grau de desconfiança com o chamado “mainstream” político. Tampouco está restrito a países ricos. A América Latina precisou passar por duras evidências do desatino político do populismo, antes de começar a duvidar de experimentos como o bolivarismo.

O baixo crescimento dos últimos anos minou a confiança da opinião pública na economia liberal, devido a seus efeitos sociais, como desemprego, empobrecimento e instabilidade, sobretudo entre a juventude. A percepção de um modelo sólido e saudável também foi afetada pela atuação perversa de uma elite financeira, beneficiada por práticas especulativas predatórias ao sistema, que levaram à crise global de 2008.

Por causa da crise, mas também devido a conflitos geopolíticos, étnicos e religiosos, o mundo sofre hoje o maior surto migratório desde o pós-1945. O êxodo alimenta retóricas de ódio e xenofobia nos países que acolhem esses refugiados. Não à toa, a campanha a favor do Brexit usou como argumento a “invasão” de imigrantes do leste europeu, que “roubam” empregos dos britânicos, embora as estatísticas desmintam tal discurso.

A dissolução da Europa, como bloco, reforça nações como Rússia e China, cujos sistemas políticos não são exatamente confiáveis. O mapa do mundo está sendo redesenhado por processos incontroláveis, que põem em questão o status de uma cultura baseada na democracia representativa e no capitalismo liberal. É urgente, portanto, a atuação dos líderes políticos para estabilizar a ordem mundial.

oglobo.globo.com | 28-06-2016

RIO - A decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE), através de referendo votado no último dia 23 de junho, não afeta as regras para entrada e saída de turistas no país, garantiu o Conselho Mundial de Turismo (WTTC, em inglês). Segundo a organização, a decisão tem claras consequências político, econômico e sociais, mas que, por enquanto, "não deve mudar a relação dos turistas que entram e saem da ilha". Isso porque o processo de saída de um país membro, estabelecido pelo Tratado de Lisboa, leva até dois anos, podendo inclusive ser prorrogado.

BV-Reino Unido

Durante este período, a legislação sobre turismo permanecerá inalterada. O Reino Unido já não era signatário do Tratado de Schengen antes mesmo da decisão do referendo, que é o documento que estabelece as regras de entrada e permanência nos países da União Europeia que assinaram o documento. Pelo acordo, o turista brasileiro tem direito de ficar até 90 dias, a cada período de 180 dias.

Na ilha da rainha, no entanto, o período que o turista brasileiro pode permanecer é decidido pelo agente de imigração apenas na chegada fronteira. Em nenhum dos dois casos é necessário visto.

Os países da União Europeia que assinaram o tratado, no entanto, exigem seguro saúde com cobertura de, no mínimo 30 mil euros, diferente do Reino Unido, que não faz essa exigência.

IMPACTO DEVE SER ECONÔMICO

Especialistas da área concordam que ainda é cedo para analisar as consequências para o turismo. Os impactos devem ser, inicialmente, no setor de economia, principalmente com o enfraquecimento da libra. Se a tendência de queda da divisa britânica de confirmar, um dos possíveis impactos pode ser o barateamento de uma viagem para o país.

A decisão foi tomada por 51,9% dos britânicos, ou 17.410.742, que escolheram deixar a UE, enquanto 48,1%, ou 16.141.241, votaram por permanecer.

oglobo.globo.com | 27-06-2016

As preocupações em torno da saída do Reino Unido da União Europeia mantiveram a alta do dólar ante o real nesta segunda-feira, 27, em linha com o movimento do câmbio lá fora. A libra esterlina seguiu em baixa. O dólar à vista no balcão fechou aos R$ 3,3918, em alta de 0,42%, com aumento do volume total de negócios, para US$ 2,734 bilhões, ante US$ 1,667 bilhão na última sexta-feira. No mercado futuro, o dólar para julho encerrou em alta, de 0,50%, aos R$ 3,3970, com giro de US$ 14,306 bilhões.

Como consequência da decisão britânica, as notas de crédito do Reino Unido foram rebaixadas hoje pelas agências Standard & Poor's e Fitch. A S&P cortou o rating de longo prazo do Reino Unido de AAA para AA, e manteve a perspectiva negativa. A alegação é de que o Brexit "irá enfraquecer a previsibilidade, a estabilidade e a efetividade do cenário político no país, afetar a economia e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), bem como seu equilíbrio fiscal e externo". Já a Fitch reduziu a nota de AA+ para AA, com perspectiva negativa, sob o argumento de que o Brexit prejudicará a economia, finanças e política do Reino Unido.

A valorização do dólar frente o real, porém, foi mais contida que no exterior. Isso devido a ingressos de recursos estrangeiros no mercado doméstico. Pesou também a perspectiva de migração de fluxo para cá decorrente da possibilidade de injeção de liquidez por bancos centrais nos mercados para estimular e garantir a estabilidade da economia. Além disso, o aumento da aposta no adiamento da alta de juros nos EUA para início de 2017 ajudou a conter a desvalorização do real.

Segundo operadores de câmbio, houve um movimento de antecipação da rolagem de contratos cambiais (dólar futuro e FRA de cupom cambial) na sessão, que favoreceu a elevação do volume de negócios em geral e também das taxas no mercado de cupom cambial de curto prazo. A taxa do FRA de cupom de agosto na BM&FBovespa subia a 4,00% no final da tarde de segunda-feira, ante taxa de 3,75% do fechamento na sexta-feira.

WASHINGTON - A saída do Reino Unido da União Europeia, definida pelo referendo realizado na última quinta-feira, impõe contratempos à economia dos Estados Unidos, mas não causará uma crise no país, afirmou nesta segunda-feira o secretário do Tesouro americano, Jack Lew.

Brexit_2706“Não faz sentido haver uma crise financeira em desenvolvimento”, disse a autoridade em uma entrevista ao canal CNBC. “É um contratempo adicional, mas acho que é algo com que podemos lidar, e a Europa e o Reino Unido conseguem gerenciar”, acrescentou.

Segundo ele, há forte movimentação nos mercados financeiros estrangeiros como efeito do Brexit, mas Lew sustentou que foi “um impacto ordenado até agora”. Ele disse que a preocupação entre os integrantes da equipe econômica do governo americano e do Federal Reserve (Banco Central dos EUA) era se haveria esse pânico interno no mercado.

Lew afirmou que os bancos americanos e na Europa estão bem capitalizados e preparados para aguentar os efeitos nos mercados.

oglobo.globo.com | 27-06-2016

As bolsas norte-americanas fecharam em queda nesta segunda-feira, 27, repercutindo ainda a votação popular da semana passada, que selou a saída do Reino Unido da União Europeia.

O índice Dow Jones encerrou em queda de 1,50%, aos 17.140,24 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 1,81%, para 2.000,54 pontos, e o Nasdaq cedeu 2,41%, aos 4.594,44 pontos.

O mau humor continuou presente entre em todos os mercados, levando a libra novamente aos seus menores níveis desde 1985, enquanto o rendimento do gilt de 10 anos do Reino Unido caiu abaixo de 1,0% pela primeira vez na história.

Nos Estados Unidos, os grandes índices apagaram os ganhos do ano em meio ao impacto do Brexit, que se soma às incertezas em relação à economia mundial e às politicas heterodoxas dos BCs globais para lidar com a inflação e o crescimento medíocre.

"Não existe cartilha para um momento como esse" resumiu Nill Nichols, diretor de ações para os EUA da Cantor Fitzgerald.

As ações de bancos e de materiais básicos lideraram as perdas neste pregão, o primeiro por causa das baixas expectativas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) possa elevar os juros num futuro próximo, e o segundo pela valorização do dólar.

Já os setores de serviços públicos e telecomunicações foram os únicos a terminar com ganho entre os segmentos que compõem o S&P 500. Ambos são considerados jogadas defensivas, por sempre renderem dividendos, e usualmente são vistos como uma proxy para a procura por Treasuries. No ano, os setores acumulam alta de mais de 18%. Fonte: Dow Jones Newswires

A Bovespa chegou a ensaiar uma discreta alta na manhã desta segunda-feira, 27, mas sucumbiu diante da aversão ao risco no mercado internacional e fechou em queda de 1,72%, com o Índice Bovespa em 49.245,53 pontos. A queda acompanhou o movimento negativo das bolsas na Europa e nos Estados Unidos, em meio às dúvidas sobre até que ponto a saída do Reino Unido da União Europeia vai interferir no ritmo da economia global.

A baixa do Índice Bovespa foi puxada principalmente pelas ações do setor bancário, sintonizadas com seus pares internacionais. No segundo pregão após o resultado do plebiscito que aprovou o "sim" ao Brexit por 51,9% dos votos, o índice FTSE 100, da bolsa de Londres, caiu 2,55%, tendo as ações do Barclays (-17,35%) entre os principais destaques. As ações de bancos refletem o temor de fuga de recursos de bancos europeus. As ações do segmento financeiro negociadas no Brasil seguiram a tendência, tendo Bradesco PN (-3,95%), Itaú Unibanco (-3,35%) e Santander Unit (-2,39%) entre os principais destaques.

As ações da Petrobras também foram destaque de baixa, ao acompanhar a desvalorização dos preços do petróleo nas bolsas de Nova York (-2,75%) e Londres (-2,58%). Ao final do pregão, Petrobras ON teve perda de 5,51% e Petrobras PN, de 5,08%. Já a alta de 3,5% do minério de ferro no mercado à vista chinês não foi suficiente para sustentar as ações da Vale em alta. Os papéis chegaram a subir pontualmente, mas se renderam às ordens de venda ainda pela manhã e terminaram o dia em queda de 2,70% (ON) e de 1,72% (PNA).

Assim como aconteceu na sexta-feira, a queda da Bovespa nesta segunda foi considerada "comedida" pelos analistas. Embora as ordens de venda de ações tenham sido comandadas pelos investidores estrangeiros, o volume de negócios continuou baixo. Foram movimentados R$ 5,337 bilhões, contra R$ 6,488 bilhões da média diária de junho. Para analistas ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, a queda ainda reflete uma correção de preços, uma vez que os mercados vinham operando nos últimos dias animados pela expectativa de que o Brexit não se concretizaria.

Entre as ações que compõem o Ibovespa, as maiores altas do dia ficaram com Cosan ON (+2,27%), Raia Drogasil ON (+2,05%) e BB Seguridade ON (+1,95%).

Com o resultado de hoje, o Ibovespa passa a acumular alta de 1,60% em junho e de 13,60% em 2016.

A semana começou com queda firme das taxas futuras de juros, ainda sob a percepção de que o Brexit pode ter efeitos positivos para o Brasil, sobretudo a atração de fluxo externo, e também influenciada pela expectativa com a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), nesta terça-feira, 28. Ao término da negociação regular na BM&FBovespa nesta segunda-feira, 27, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2017 (197.205 contratos) fechou com taxa de 13,650%, de 13,690% no ajuste de sexta-feira. O DI janeiro de 2018 (225.320 contratos) caiu de 12,64% para 12,53%. O DI janeiro de 2019 (176.970 contratos) encerrou em 12,19%, de 12,39%. O DI janeiro de 2021 fechou em 12,23%, na mínima, ante 12,44%, com 135.700 contratos.

Diante da perspectiva de que a saída do Reino Unido da União Europeia tende a elevar o nível de flexibilização da política monetária dos principais bancos centrais no mundo, de forma a evitar impactos sobre o crescimento, o comportamento da curva espelhou a avaliação de que o Brexit vai abrir oportunidade para aplicação de investidores estrangeiros, ideia que já dava as cartas no mercado na sexta-feira.

Após abrirem levemente pressionados para cima, os juros se descolaram da alta do dólar durante a sessão e se firmaram em baixa, com destaque para o trecho longo da curva, que reflete melhor a percepção de risco do investidor. "Num primeiro momento de aversão ao risco generalizado, os emergentes são colocados todos no mesmo cesto. Depois, há um filtro e alguns emergentes com determinadas características, no caso do Brasil os juros altos, conseguem se beneficiar", disse o economista-chefe da Guide Investimentos, Ignácio Rey.

Quanto ao RTI, a expectativa é grande por se tratar do primeiro documento oficial da gestão Ilan Goldfajn e que deverá orientar os prognósticos sobre a política monetária de curto prazo. Além do relatório, o mercado está ansioso pela entrevista que será concedida pelo presidente do Banco Central às 11 horas.

O ministro de Finanças do Reino Unido, George Osborne, procurou hoje acalmar as famílias, empresas e mercados financeiros ao garantir que a economia britânica continua sólida, depois da vitória do Brexit na semana passada.

Osborne, que falou a repórteres antes da abertura da Bolsa de Londres, disse que a economia do Reino Unido está forte e que seus bancos e sistema financeiro são saudáveis.

"O Reino Unido está pronto para enfrentar o que o futuro nos reserva de uma posição de força. Isso porque nos últimos seis anos o governo e o povo britânico trabalharam duro para reconstruir a economia britânica", afirmou Osborne, acrescentando que o país dispõe de um robusto plano de contingência.

O ministro alertou, no entanto, que poderá haver um ajuste na economia, uma vez que as incertezas em torno dos futuros arranjos comerciais do Reino Unido com a União Europeia comprometem gastos e investimentos.

"Como resultado da decisão de quinta-feira, algumas empresas continuam a interromper decisões de investimento ou de contratação. Como disse antes do plebiscito, isso terá um impacto na economia e finanças públicas e haverá necessidade de agirmos para lidar (com a situação)", declarou Osborne.

O ministro defendeu que é preciso aceitar o resultado do plebiscito e atender o desejo do povo britânico. Osborne também assegurou que o Banco da Inglaterra (BoE, o BC inglês) está preparado para ajudar a sustentar a estabilidade financeira.

Na sexta-feira, quando foi anunciado que 51,9% da população britânica votou para que o Reino Unido deixasse a UE, o primeiro-ministro David Cameron anunciou a intenção de renunciar assim que seu Partido Conservador eleger um novo líder. Osborne era tido como um possível sucessor de Cameron, mas sua postura a favor da permanência na UE reduz as chances de que ele se torne o novo premiê, segundo parlamentares e analistas.

Na coletiva de hoje, Osborne disse que o Reino Unido precisa ter "uma visão clara" do acordo que pretende ter com a UE antes de invocar o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, mecanismo pelo qual se iniciará o processo formal de saída do bloco.

"Não serão fáceis os próximos dias. Mas permitam-me ser claro. Não subestimem nossa determinação. Estávamos preparados para o inesperado", afirmou Osborne. Fonte: Dow Jones Newswires.

A nova eleição realizada neste domingo na Espanha não conseguiu esclarecer o futuro político da quinta maior economia da União Europeia, já que os principais partidos ficaram aproximadamente com os mesmos votos conquistados em dezembro passado, quando a dificuldade na formação de um governo levou a seis meses de impasse.

O conservador Partido Popular, que governou o país pelo últimos quatro anos, mais uma vez obteve a maior parte dos votos, mas ainda ficou aquém dos 176 assentos de que necessita no Parlamento de 350 assentos para formar um governo por conta própria.

Com 97% dos votos apurados na noite de domingo, o partido do primeiro-ministro Mariano Rajoy ganhou 137 assentos. É um número maior que os 123 que obteve em dezembro, mas ainda vai precisar de aliados se quiser governar. Anteriormente os seus esforços para encontrar o apoio de partidos rivais depois de dezembro foram infrutíferos.

O Partido Socialista, de centro-esquerda, ficou em segundo lugar, com 22,75% dos votos e 85 cadeiras do Parlamento, de acordo com a contagem pelo Ministério do Interior do país. O partido conquistou cinco cadeiras menos do que seis meses atrás, mas foi o suficiente para manter sua influência.

A aliança Unidos Podemos, que uniu o partido Podemos, de dois anos de idade, criado em meio ao movimento de protestos populares, os comunistas e os ambientalistas - ficou com a terceira posição, com 71 assentos. A aliança, liderada pelo professor de ciência política Paul Igrejas, tinha a esperança de ultrapassar os socialistas e quebrar o país tradicionalmente bipartidário, tendo em vista que o Partido Popular e os socialistas se alternaram no poder durante décadas.

O partido Ciudadanos ficou em quarto lugar, com 32 lugares. Outros, partidos menores ganharam o resto dos votos.

Como nenhum partido conseguiu votos suficientes para formar um governo sozinho, os políticos terão agora que regressar à mesa de negociações, o que pode mais uma vez se provar difícil em uma Espanha que nunca teve um governo de coalizão. Partidos de oposição disseram que não iriam apoiar um governo liderado por Rajoy por causa de escândalos de corrupção.

O analista da consultoria de risco Teneo Intelligence Antonio Barroso disse que espera duras negociações entre as partes nas próximas semanas. "Esperava-se que esta eleição traria clareza e que um governo seria formado rapidamente, mas eu não acho que é assim que vai ser", disse. Ele considera que uma terceira eleição é uma possibilidade, embora os políticos estarão
sob pressão para evitar isso.
(Fonte: Associated Press)

SYDNEY e NOVA YORK - A libra — que na sexta-feira registrou sua maior queda para um dia ante o dólar — estendeu o recuo na abertura dos mercados asiáticos hoje (noite de domingo no Brasil). O movimento levou outras moedas europeias a caírem, enquanto a inesperada vitória do voto pela saída do Reino Unido da União Europeia no referendo de quinta-feira pesou nos mercados cambiais pelo segundo dia. E as questões políticas devem se tornar o foco.

A cotação da libra caía 1,6% às 7h em Tóquio, a US$ 1,3468, e o euro se desvalorizava em 0,5%. A coroa norueguesa, por sua vez, recuava mais de 2%, também ante a moeda americana. Já a divisa japonesa, comumente comprada em momentos de estresse nos mercados, operava quase estável, a 102,19 por dólar, após chegar a avançar 0,7%. Na sexta-feira, o iene chegou próximo de sua máxima em três anos, a 99,02 por dólar.

MENOS US$ 2 TRILHÕES

Na sexta-feira, já havia sido possível notar a busca dos investidores por ativos seguros, o que fez com que a cotação do ouro também subisse. As incertezas levaram a quedas generalizadas nas Bolsas de Valores, o que fez com que o mercado global perdesse US$ 2 trilhões.

O foco agora está mudando e sendo direcionado para os bancos centrais, enquanto estas instituições buscam uma forma de minimizar os danos nos mercados. Isso também se reflete nas expectativas. Agora, as apostas de que o banco central americano (Fed) vá aumentar os juros em dezembro caiu para 15%. Antes do referendo, 50% esperavam a alta.

— Os desenvolvimentos políticos vão definir, em grande parte, o tom para os mercados nas próximas semanas, e muitas questões continuam sem resposta — avaliou Jason Wong, estrategista cambial do Banco da Nova Zelândia. — A incerteza à frente sugere que um período de apetite moderado por risco deve se desenvolver nas próximas semanas.

Entre os temores no radar dos investidores, está o receito de que os investimentos das empresas tanto na UE quanto na Grã Bretanha serão adiados, agravando a situação nas já fragilizadas economias.

Ninguém sabe exatamente qual será o impacto do Brexit, o que é um grande problema, já que para investimentos de longo prazo as empresas precisam ter uma ideia clara sobre regras de comércio e tarifas, além das regulações, que enfrentarão no futuro. Assim, o voto pela saída do Reino Unido deixou o horizonte ainda mais imprevisível.

Andrew Hood, diretor sênior da Dechert, disse à agência de notícias AP, que grandes empresas de tecnologia e manufatura temem enfrentar problemas se o Reino Unido focar demais em manter os serviços financeiros. Segundo Hood, ele já ficou sabendo de três acordos postos em espera indefinidamente em função do Brexit.

oglobo.globo.com | 27-06-2016
A nova eleição realizada neste domingo na Espanha não conseguiu esclarecer o futuro político da quinta maior economia da União Europeia, já que os principais partidos ficaram aproximadamente com os mesmos votos conquistados em dezembro passado, quando a dificuldade na formação de um governo levou a seis meses de impasse. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 27-06-2016

PARIS - O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, afirmou neste domingo que “não pode haver acordo” de livre comércio entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos, porque a negociação “não está indo na direção certa”.

— A partir de agora, nenhum acordo de livre comércio deve ser concluído se não respeitar os interesse da União. A Europa tem que se manter firme. A França vai velar por isso. E os digo sinceramente: não pode haver acordo de tratado transatlântico. Este acordo não está indo na direção certa”, disse o primeiro-ministro ante militantes do Partido Socialista.

A Parceria Transatlântica de Livre Comércio e Investimento (TTIP) “imporia (...) uma visão que não só beneficia os populismos, mas que também seria ruim para a nossa economia”, completou Valls.

Os Estados Unidos e a UE negociam desde 2013 um amplo acordo que eliminaria as barreiras alfandegárias e regulamentárias entre as duas partes, mas encontram fortes resistências em ambos os lados do Atlântico, principalmente devido ao impacto que o acordo poderia ter na agricultura e no meio ambiente.

oglobo.globo.com | 26-06-2016

ROMA - O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, pediu o fim das políticas de austeridade na União Europeia (UE), como resposta ao vendaval político provocado pela decisão do Reino Unido de romper com o bloco.

brexit2_2606

“As políticas de austeridade estão tapando o horizonte. Transformaram o futuro em uma ameaça. Reforçaram o medo”, escreveu Renzi em uma coluna de opinião publicada pelo jornal “Il Sole 24 Ore”.

“Sem crescimento, não há trabalho. Sem investimentos, não há amanhã. Sem flexibilidade (orçamentária), não há comunidade”, afirma no texto Renzi, que na segunda-feira se reunirá em Berlim com a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, e com o presidente francês, François Hollande.

A Itália pede há algum tempo uma flexibilização das regras de responsabilidade orçamentária, defendida pela Alemanha, e uma política de investimentos que propicie o crescimento.

A UE está em crise, “mas não está acabada”, embora deva “se renovar”, considera Renzi, que propõe impulsar uma política “livre de ressentimentos, de procedimentos (burocráticos) e de miopias”.

oglobo.globo.com | 26-06-2016

MADRI — O Partido Popular, do primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy, ganhou as legislativas celebradas neste domingo na Espanha, com 32,68% dos votos, seguido pelos socialistas do PSOE, segundo resultados definitivos. O PP, entretanto, não obteve maioria absoluta, como ocorreu em dezembro.

Os espanhóis foram convocados às urnas pela segunda vez em seis meses para romper o bloqueio político na quarta maior economia da Eurozona, com um governo interino há seis meses.

Os resultados oficiais voltam a apontar para uma grande fragmentação política, em que a coligação de esquerda Unidos Podemos não conseguiu finalmente superar os socialistas.

O PP saiu como único beneficiado: após ter renunciado a formar um governo depois das últimas eleições por falta de apoio, Rajoy conseguiu que seu partido passasse de 123 para 137 cadeiras na Câmara dos Deputados, que tem um total de 350 assentos.

Nas primeiras eleições na Europa após a vitória do Brexit, o PP encerrou sua campanha apresentando-se como garantia de estabilidade diante dos desafios trazidos pela saída do Reino Unido da União Europeia.

— Reivindicamos o direito de governar justamente porque ganhamos as eleições — disse Rajoy da sede de seu partido em Madri, onde uma multidão carregava bandeiras azuis, a cor do partido, gritando "Campeões, campeões!".

Apesar dos vários casos de corrupção envolvendo seu partido, Rajoy, de 61 anos, venceu defendendo seu balanço econômico.

Os conservadores, no poder desde 2011, afirmam que suas políticas conseguiram tirar a Espanha da prolongada recessão, com direito a um crescimento de 3,2% em 2015, mas com duras medidas de austeridade e com a reforma do mercado de trabalho.

A taxa de desemprego no país baixou seis pontos, embora continue sendo extremamente elevada, de 21% - a maior da Europa atrás apenas da Grécia.

— Voto em Rajoy porque prefiro um mal conhecido do que um mal desconhecido — disse à AFP Luis Fernández, assistente social de 37 anos que votou no popular bairro madrilenho de Lavapiés.

No entanto, dessa vez o PP fica distante da maioria absoluta e precisará buscar aliados para formar governo.

DECEPÇÃO DO PODEMOS

Os conservadores sem dúvida buscarão o apoio do Partido Socialista Obrero Español (PSOE), que ficou em segundo lugar, com 85 cadeiras. Trata-se de um recuo em comparação aos 90 deputados eleitos de dezembro e de seu pior resultado desde a redemocratização da Espanha em 1978.

Seu líder Pedro Sánchez, de 44 anos, já afirmou algumas vezes que não votará por um governo conservador, mas a situação política pode levá-lo a permitir com sua abstenção um Executivo do PP em minoria.

— Apesar dos augúrios que anunciavam insistentemente (...) a perda de nossa relevância para a vida coletiva de nosso país, o partido socialista voltou a reafirmar sua condição de partido hegemônico — afirmou.

Apesar da redução no número de cadeiras, Sánchez conseguiu evitar uma ameaça maior: que a coligação Unidos Podemos lhe tomasse a liderança da esquerda.

Liderada por Pablo Iglesias, de 37 anos, essa coligação -formada pelo partido anti-austeridade Podemos, os eco-comunistas do Izquierda Unida e por pequenas formações regionais- conseguiu eleger 71 deputados, exatamente como em dezembro.

Após anos de duros cortes em políticas sociais que fizeram a desigualdade disparar, muitos espanhóis achavam que a coligação ganharia poder para questionar, junto com outras esquerdas europeias, a austeridade da UE.

No entanto, suas aspirações foram frustradas: juntos perderam mais de um milhão de votos em relação a dezembro e, assim, a mudança prometida terá que esperar.

— Não estamos satisfeitos com os resultados, tínhamos outras expectativas — reconheceu Iglesias em coletiva de imprensa. — É o momento de refletir.

NEGOCIAR E PACTUAR

O principal perdedor foi liberal Ciudadanos, de Albert Rivera, 36 anos, a outra formação emergente que junto com Podemos chegou ao Parlamento em dezembro. O partido passou de 40 para 32 cadeiras.

Esse resultado requer uma nova negociação a partir de segunda-feira.

— Espero que façam melhor desta vez e sejam capazes de deixar de egoísmo e formar um governo — disse à AFP Justina Zamora, aposentada de 65 anos, após votar nos socialistas na província de Barcelona.

— Que sejam obrigados a negociar e pactuar — desejou também Cristina Jiménez, professora de 38 anos, lembrando que o fragmentado parlamento eleito em dezembro não conseguiu formar um governo, provocando as novas eleições deste domingo.

oglobo.globo.com | 26-06-2016

LONDRES - A política econômica global precisa urgentemente ser reequilibrada, disse o Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) neste domingo, enquanto o mundo enfrenta uma "trindade de risco" de dívida elevada, baixo crescimento da produtividade e poder de fogo cada vez mais baixo nos grandes Bancos Centrais do mundo.

brexit2_2606

O BIS, órgão que abrange os principais bancos centrais, disse em seu relatório anual que a economia global estava altamente exposta mesmo antes do voto da Grã-Bretanha de quinta-feira, pela saída da União Europeia.

“Há desenvolvimentos preocupantes, uma espécie de ‘trindade de risco’, difícil de assistir”, disse o chefe do departamento monetário e econômico do BIS, Claudio Borio. "O crescimento da produtividade que está anormalmente baixo, jogando uma sombra sobre melhoras futuras no padrão de vida; níveis globais de dívida que são historicamente altos, elevando os riscos à estabilidade financeira; e um espaço notavelmente estreito para manobras políticas."

Ele afirmou que a economia global não pode depender mais do modelo de crescimento estimulado pela dívida, que levou à atual conjuntura.

Apesar das taxas de juros abaixo de zero e dos trilhões de dólares em estímulos, os Bancos Centrais da Europa e do Japão estão tendo dificuldade para levantar a inflação e o crescimento. Os mercados cresceram acostumados com este suporte, mas estão cada vez mais preocupados que o poder de fogo está na maior parte sendo gasto.

"Caso essa situação seja prolongada ao ponto de abalar a confiança pública na elaboração de políticas, as consequências para os mercados financeiros e para a economia podem ser sérias."

TURBULÊNCIA DE MERCADOS EMERGENTES

O BIS também afirma que o mundo está cada vez mais em risco de ser afetado por turbulências que começam nas economias emergentes, em função da influência crescente destes países no comércio e nas finanças globais.

A instituição ressalta que nos, mercados emergentes, os tomadores de créditos não bancários — que acumularam US$ 3,3 trilhões em dívidas denominadas em dólar — estão sob tensão enquanto suas economias desaceleram, e as moedas enfraquecem. Esses débitos foram acumulados durante a era do dinheiro barato que se seguiu à crise financeira de 2009, e investidores deveriam tomar nota agora que isso está acabando.

oglobo.globo.com | 26-06-2016

DUBAI - As Bolsas de Valores do Oriente Médio recuaram neste domingo, o primeiro dia de negociação desde que a Grã Bretanha votou a favor de abandonar a União Europeia, seguindo a tendência de outras Bolsas pelo mundo.

brexit2_2606O índice saudita Tadawul, o maior da região, encerrou a sessão com perda de 1,1%. Durante a sessão, 356 milhões de ações foram negociadas, 67% a mais do que a média dos últimos 20 dias. Entre os 172 membros do índice, 149 registraram queda.

Outros índices das Bolsas da região, que operam de domingo a quinta-feira, também caíram. No Egito, o EGX 30, do Egito, despencou 5,54%, com volume de negociação 50% acima da média nos últimos 20 dias. O índice principal de Dubai recuou 3,25% – o maior nível desde janeiro – e o de Abu Dahbi, 1,85%.

O sentimento geral do mercado girava em torno da permanência do Reino Unido no bloco econômico antes do referendo realizado na última quinta-feira. Com a decisão pela saída, os investidores acreditam que a incerteza nos mercados financeiros aumentará.

Os preços do petróleo também foram afetados negativamente. O barril do Brent (referência internacional) caiu 4,9%, cotado a US$ 48,41 na Bolsa de Londres. Já o WTI (mais comercializado no mercado americano) registrou o mesmo recuo e fechou o prgão a US$ 47,64 por barril na Bolsa de Nova York.

Depois da vitória do Brexit no referendo, a gestora de ativos Al Masah Capital afirmou que os investidores preferiram vender seus ativos de risco e aguardar mais esclarecimentos sobre o efeito que terá a saída do Reino Unido da UE na economia mundial.

No entanto, a Al Masha Capital disse que a volatilidade do mercado não é necessariamente algo ruim e que poderia dar oas investidores a longo prazo a possibilidade de comprar ações desvalorizadas.

oglobo.globo.com | 26-06-2016

PEQUIM - Legisladores e economistas chineses manifestaram preocupação sobre a saída do Reino Unido da União Europeia neste domingo. O ministro das Finanças da China, Lou Jiwei afirmou que o processo elevou a incerteza no mercado financeiro, apesar de uma expectativa de impacto limitado sobre a economia do país.

brexit_2606

A decisão “lança uma sombra sobre a economia global. As repercussões vão emergir durante os próximos cinco a dez anos”, disse Jiwei no primeiro encontro anual do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura em Pequim.

— É difícil prever agora — disse a autoridade. — A reação instintiva do mercado é provavelmente um pouco exagerada e precisa se acalmar e tomar uma visão objetiva.

As Bolsas acionária pelo mundo despencaram após o resultado do referendo britânico, e a libra atingiu seu menor valor desde 1985 frente ao dólar.

As declarações de Jiwei foram apoiadas pelo chefe do principal órgão de planejamento econômico da China e outros economistas no Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês) na cidade de Tianjin.

— Para as empresas chinesas que vão investir ou continuar fusões, os empresários são mais esperto que eu, e provavelmente esperarão para ver — afirmou Shaoshi, presidente da Comissão de Reforma e Desenvolvimento Nacional, no WEF neste domingo. — O incidente do Brexit afetará a economia chinesa através do investimento, comércio e capital, mas acredito que o impacto não será grande, e departamentos de governo relevantes prepararam planos de contingência.

Huang Yiping, professor na Peking University e integrante do comitê de política monetária do Banco Central chinês, afirmou que é difícil julgar o impacto direto do referendo na economia chinesa.

— Se (o Brexit) é um marco importante em termos de reversão da globalização, acho que é muito ruim para o mundo, muito ruim para a China — disse o acadêmico.

Li Daokui, professor da Universidade de Tsingua e ex-consultor do BC da China, se mostrou mais otimista sobre os efeitos da saída do Reino Unido da União Europeia para a segunda maior economia do mundo.

— A China é provavelmente uma das economias menos impactada no mundo pelo acontecimento do Brexit — disse Daokui em conferência no Fórum. — O impacto de curto prazo acho que poder ser na taxa de câmbio do yuan. Mas acho que dentro de algumas sessões de mercado a situação será rapidamente controlada.

Michael Falcon, diretor executivo de gerenciamento de investimento global para a região Ásia-Pacífico do banco americano JP Morgan, afirmou que espera mais volatilidade no mercado, mas duvida que o referendo fará descarrilhar uma recuperação global:

— É um choque, não uma crise, e até agora os mercados pareceram lidar bem — disse o economista em participação no WEF.

oglobo.globo.com | 26-06-2016

LONDRES — Coração financeiro da Europa, Londres parece inconformada com a decisão britânica de deixar a União Europeia (UE). O choque que tomou conta dos moradores da capital, onde 60% dos eleitores votaram contra o Brexit, deu lugar ontem a um sentimento de depressão e revolta. A cidade manteve sua rotina, mas a era de incertezas que agora assombra o Reino Unido mudou o clima nas ruas. O prefeito Sadiq Khan — filho de imigrantes paquistaneses eleito recentemente, e cuja ascensão no cenário político representa o multiculturalismo associado a Londres — disse que a metrópole vai lutar para participar das negociações sobre a retirada da UE.

— Como país, decidimos deixar a UE, mas para a cidade vejo enormes benefícios em se manter no mercado único. Já disse ao governo que Londres deve estar na mesa de negociações — disse Khan, que criticou seu antecessor, Boris Johnson, líder da campanha pelo Brexit, por ter ignorado o impacto da decisão sobre a economia da capital.

Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista que saiu derrotado das urnas, sentiu a decepção dos moradores de Londres. Ao passar pelo Pride Festival, a parada gay da cidade, foi acusado de não ter feito o suficiente para evitar o Brexit.

— Foi sua culpa, Jeremy! — gritou um homem. — Pare de usar o movimento gay para disfarçar sua falta de liderança.

Corbyn, constrangido, respondia apenas que havia “feito todo o possível”.

O vídeo da cena, postado no Twitter, viralizou.

Em Brixton, na região de Lambeth, Sul de Londres, fica clara a posição da capital britânica na discussão que evidenciou a profunda divisão no Reino Unido. A área registrou o maior percentual de votos pela permanência na UE em toda a Inglaterra: 78,6%. Ao redor do mercado de Brixton, uma sucessão de coloridas barracas com todos os tipos de produtos, onde diferentes etnias se misturam, um casal de amigos não escondia o desânimo. May, que tem raízes irlandesa, francesa e indiana, e Tom, filho de mãe italiana e pai de Trinidad e Tobago, nasceram em Londres, mas já não sabem se querem continuar na capital.

— O Brexit foi a pior coisa que podia acontecer para a minha geração. Minha mãe já fala em se mudar. Acha que imigrantes serão tratados com hostilidade — disse o rapaz, produtor de vídeos.

A amiga, estudante de Sociologia, concordou:

— Não posso mais confiar num país que acreditou numa campanha marcada por xenofobia.

Brixton já foi uma área esquecida, palco de violentos conflitos sociais na década de 80. É um bairro de imigrantes, sobretudo africanos, mas nos últimos anos a gentrificação mudou a cara do local, atraindo londrinos jovens que buscam aluguéis acessíveis. As comunidades se cruzam nos mercados de rua, onde o Brexit dominou as conversas ontem.

— Nada de bom pode sair dessa decisão — resumiu um vendedor de roupas do Afeganistão, que deixou Cabul há 15 anos.

No Brixton Village, shopping com restaurantes de diferentes partes do mundo, a britânica Samantha Williams, funcionária de uma pequena loja de doces caseiros, contou que já havia recebido vários clientes inconformados com o resultado do referendo.

— Acho que as pessoas votaram sem entender direito os efeitos do Brexit — avaliou.

Uma petição publicada na plataforma digital Change.org já havia alcançado ontem 140 mil assinaturas para que Londres seja declarada “cidade mundial”. A esperança é que, assim, possa se juntar de forma independente à UE.

oglobo.globo.com | 26-06-2016

WASHINGTON - Apesar do pessimismo que tomou as primeiras horas após o Brexit, Gary Clyde Hufbauer, economista do Peterson Institute for International Economics, minimizou o impacto da saída do Reino Unido da União Europeia. Em sua opinião, haverá uma pequena queda na taxa de crescimento da economia mundial a curto prazo. Ele afirma que os problemas financeiros serão sentidos, mas que o maior risco é um efeito dominó, que leve outros países a adotarem, com plebiscitos, a saída da União Europeia ou outras políticas antiglobalização, que poderiam ser devastadoras.

Brexit_2506

O economista, que já foi vice-secretário para Comércio Internacional e diretor da Equipe Fiscal Internacional do Tesouro americano, acredita que Canadá e Estados Unidos podem se beneficiar exportando produtos para a Europa, ocupando a lacuna dos britânicos, dependendo do acordo que negociarão neste divórcio com o continente. Para o Brasil, ele vê mais dificuldades nas negociações com os europeus, embora acredite numa tendência de maior abertura com os ingleses.

O impacto do Brexit pode ser comparado à crise global de 2008?

Eu penso que terá um impacto negativo, mas não será nada parecido com o que foi a quebra do Lehman Brothers (em 2008, que marcou o início da crise financeira global). O Brexit vai criar problemas, mas não será um desastre para o sistema financeiro global. É um golpe, mas que terá impactos diferenciados. Este impacto será, claro, maior na economia do Reino Unido, e importante na União Europeia. Além da volatilidade, o Brexit vai reduzir um pouco o crescimento econômico no resto do mundo, que já está em um cenário desfavorável, de fraco crescimento global. Assim, apenas o Brexit tende a ter um impacto relativamente pequeno em todo o mundo. O grande impacto pode ocorrer se tivermos mais referendos, mais países tentando sair da União Europeia. Isso pode gerar crises de instabilidade e afetar os bancos. O pior impacto ocorrerá se outros países começarem a realizar plebiscitos para a saída da União Europeia, em um efeito dominó, ou ainda outros países realizarem plebiscitos (para aprovar medidas antiglobalização). Este efeito dominó pode não ser rápido e não ocorrer apenas na Europa, mas em outras partes do mundo. Mas precisamos de tempo para saber se isso acontecerá.

Quanto tempo pode durar a instabilidade?

Não será uma instabilidade de décadas, mas de alguns anos. Ainda é difícil fazer uma previsão exata de prazos, pois há muitas incertezas sobre como será o processo de desligamento do país. Como serão as negociações entre europeus e britânicos? Quanto os europeus vão querer ceder aos britânicos? E vai depender de quanto tempo os britânicos precisarão para fazer acordos com outros países pelo mundo. Ainda há muita incerteza sobre os próximos passos.

E quais países podem ocupar o espaço do Reino Unido na venda de bens para a União Europeia?

Isso depende muito dos termos que os britânicos conseguirão negociar nesta saída da União Europeia, mas alguns países vão tentar ganhar esse espaço. À primeira vista, os países que mais podem se beneficiar são o Canadá e os Estados Unidos. Mas isso ainda depende dos acordos comerciais que o Reino Unido fará com a União Europeia.

E o que acontecerá com Londres, hoje um importante centro financeiro global?

A situação ficou muito desfavorável para o setor financeiro londrino continuar o mesmo sem o acesso à Europa. Para onde este setor vai? A cidade com maior potencial, em um primeiro momento, é Frankfurt (sede do Banco Central Europeu e principal cidade financeira da Alemanha). Mas, na verdade, são duas opções: Frankfurt e Paris. A capital francesa tem algumas vantagens: está muito perto de Londres, acessível por trem, e é um cidade mais agradável para viver do que Frankfurt. Estas devem ser as duas cidades que mais ganharão com a perda de importância de Londres.

Como o Brexit afetará os mercados emergentes?

Eu penso que, neste primeiro momento, todas as economias estão sendo afetadas, de alguma maneira, pelo choque de instabilidade e pela volatilidade financeira. Todos estão sofrendo agora. A longo prazo, tende a ficar mais complexo para a União Europeia assinar acordos comerciais com o Brasil ou com o Mercosul. Assim, ficará mais difícil para o Brasil negociar produtos agrícolas. Novos acordos serão uma questão mais complexa para a Europa, em todos os sentidos, não apenas com o Brasil. Já o Reino Unido, por sua vez, poderá ter uma postura mais favorável a acordos comerciais, e os emergentes, como o Brasil, podem se beneficiar disso. No fim das contas, os aspectos negativos tendem a ser maiores que os positivos para os países emergentes.

oglobo.globo.com | 26-06-2016

LONDRES - A agência de classificação de risco Moody's rebaixou de estável para negativa a perspectiva da nota de crédito Reino Unido na sexta-feira, após o referendo realizado na quinta-feira resultar na saída do país da União Europeia. A ação representa um sinal de que o rating poderá ser reduzido em um futuro próximo.

Brexit_2506

A Moody's prevê "um prolongado período de incerteza" que terá "implicações negativas sobre as perspectivas de crescimento a médio prazo" da economia britânica. A nota da dívida britânica foi mantida em Aa1. Já o rating da UE (AAA), no entanto, foi mantido com a perspectiva estável.

"Durante os anos nos quais o Reino Unido negociará suas relações comerciais com a União Europeia, a Moody's espera um aumento da incerteza, uma diminuição da confiança e menores investimentos que levarão a um menor crescimento", afirma a agência em um comunicado.

A Moody's também teme que as finanças públicas do país se debilitem mais do que o previsto.

"O impacto negativo de um menor crescimento superará a economia feita pelo Reino Unido ao não contribuir mais com o orçamento da UE", assegura a Moody's.

A agência lembra que a UE é o principal parceiro comercial do Reino Unido, e que absorve 44% de suas exportações, enquanto que 48% dos investimentos estrangeiros diretos vêm da UE.

"É possível que o Reino Unido seja capaz de reorientar seu comércio para outras regiões e compense assim um comércio menor com a Europa, mas isso levará tempo", alerta a agência.

A Moody's acha que o país deverá chegar a um acordo com a UE para preservar "a maior parte, mas não todos, seus intercâmbios comerciais".

"Há claramente um risco de baixa", conclui Moody's, que acrescenta que "na ausência de um acordo comercial que preserve o núcleo do acesso atual do Reino Unido ao mercado único (...) o crescimento de seu PIB será materialmente mais baixo".

oglobo.globo.com | 25-06-2016
O Banco Central da Arábia Saudita informou neste sábado (25) que reavaliou a sua política de investimento na libra e em ativos denominados em euro, depois que o Reino Unido decidiu abandonar a União Europeia (UE), o chamado Brexit.

A autoridade monetária anunciou os ajustes como uma postura de precaução contra o impacto sobre os mercados financeiros com o Brexit, disse o presidente do BC, Ahmed Al-Khulaifi, segundo a agência de notícias oficial saudita. O banco central, no entanto, não disse quais foram as alterações que fez com os ativos que detém.

QUEDA

O resultado do plebiscito levou as bolsas mundiais a caírem fortemente. A libra recuou para o menor nível em 30 anos e o euro perdeu valor em meio à incerteza sobre o futuro da UE. As ações de bancos registraram as maiores perdas em meio a preocupações sobre perdas comerciais potencialmente grandes e uma retração no crescimento econômico.

"Ainda é muito cedo para avaliar o impacto duradouro da saída do Reino Unido da União Europeia, quer sobre a economia britânica ou na economia da UE e, portanto, sobre os mercados financeiros e de investimento", disse Al-Khulaifi.

Al-Khulaifi, porém, disse que espera que o impacto sobre o setor bancário saudita seja limitado, pois é menos exposto à libra e aos movimentos do euro.
Fonte: Dow Jones Newswires.
O Banco Central da Arábia Saudita informou neste sábado que reavaliou a sua política de investimento na libra e em ativos denominados em euro, depois que o Reino Unido decidiu abandonar a União Europeia (UE), o chamado Brexit.A autoridade monetária anunciou os ajustes como uma postura de precaução contra o impacto sobre os mercados financeiros com o Brexit, disse o presidente do BC, Ahmed Al-Khulaifi, segundo a agência de notícias oficial saudita. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 25-06-2016
A partir da próxima quinta-feira (30), as lâmpadas incandescentes não poderão mais ser vendidas no Brasil. As alternativas para os consumidores são as lâmpadas fluorescentes ou as de LED que, apesar de mais caras, consomem menos energia e duram mais.

Uma lâmpada fluorescente compacta economiza 75%, se comparada a uma lâmpada incandescente de luminosidade equivalente. E se a opção for por uma lâmpada de LED, essa economia sobe para 85%. A durabilidade da LED é 25 vezes superior às lâmpadas incandescentes e até quatro vezes maior que as lâmpadas fluorescentes.

Para o diretor técnico da Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux ), Isac Roizenblatt, vale a pena investir em lâmpadas mais modernas, porque o retorno financeiro é grande. “O que custa pesado para os consumidores não é o preço da lâmpada de fato, é o preço da energia ao longo do tempo. Então, esse investimento retorna rapidamente”, avalia.

CUSTO
Enquanto uma lâmpada incandescente de 60 watts custava em média R$ 2,90, uma equivalente de LED custa em torno de R$ 8,90. Segundo a Abilux, o preço da lâmpada de LED vem caindo cerca de 30% por ano no Brasil.

Roizenblatt também aponta que as lâmpadas incandescentes emitem 95% de calor e apenas 5% de luz, o que prejudica o meio ambiente. “É uma lâmpada que tem baixíssima eficiência e vida curta”, explica. Segundo ele, a melhor opção é usar as lâmpadas LED, que são mais eficientes e não contêm metais pesados, como as fluorescentes, que têm mercúrio em sua composição. O uso de lâmpadas LED já é adotado amplamente em outros países como China, Índia, Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Cuba, Austrália, Argentina, Venezuela e na União Europeia.

A troca das lâmpadas incandescentes no Brasil começou em 2012, com a proibição da venda de lâmpadas com mais de 150W. Em 2013, houve a eliminação das lâmpadas de potência entre 60W e 100W. Em 2014, foi a vez das lâmpadas de 40W a 60W, e o processo de substituição acaba no dia 30 junho deste ano, com a proibição das lâmpadas com potência inferior a 40W. A partir dos prazos finais estabelecidos, fabricantes, atacadistas e varejistas serão fiscalizados. Os estabelecimentos, importadores e fabricantes serão fiscalizados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), e quem não atender à legislação poderá ser multado.

SUBSTITUIÇÃO
Segundo a Abilux, se todas as lâmpadas do país fossem substituídas por LED, haveria uma redução de cerca de 10% no consumo de energia elétrica. “Não só o cidadão ganha quando usa uma lâmpada mais moderna, mas o país ganha porque transfere investimentos em geração e distribuição de energia. A diferença de eficiência é tão grande que reflete em todo o país porque não existe lugar onde não se usa uma lâmpada, em ambientes externos e internos. Então, vale a pena”, diz Roizenblatt. Segundo dados da ONU, a substituição das lâmpadas incandescentes no mercado é capaz de economizar anualmente cerca de 5% de toda a energia elétrica utilizada no mundo.

Nas lojas de Brasília, já é difícil encontrar lâmpadas incandescentes para vender, embora ainda haja procura dos consumidores. “Algumas pessoas ainda procuram, se tivéssemos ainda em estoque, com certeza venderíamos”, diz o gerente de vendas de uma loja da capital, Sebastião Pereira Costa.

Segundo ele, as pessoas procuram porque gostam da cor da luz incandescente e não se acostumam com a luz emitida pelas lâmpadas LED. “A qualidade da luz incandescente ainda é a melhor, apesar de ter um maior consumo de energia, esquentar muito e durar pouco”, diz. De acordo com o gerente, existem hoje no mercado opções de lâmpadas LED com luminosidade amarelada, parecida com as incandescentes.

PARIS - A União Europeia precisa de um novo projeto que deve ser elaborado em consulta com os eleitores e, em seguida, submetido a um referendo, disse neste sábado o ministro de Economia da França, Emmanuel Macron.

Brexit 2506

Os comentários de Macron sobre um referendo europeu vão além dos feitos pelo presidente François Hollande e pelo primeiro-ministro Manuel Valls, que disseram que a UE precisa se reinventar após os britânicos votarem para deixar o bloco, mas não fizeram qualquer referência a um voto popular.

— Primeiramente construiríamos este novo projeto com o povo europeu e, em seguida, apresentaríamos este novo roteiro, este novo projeto, a um referendo — disse ele antes de um debate sobre as consequências do referendo britânico.

Macron disse que os eleitores deveriam ser consultados através de uma série de debates que ele chamou de “convenções democráticas”.

— Deve ser feito no âmbito certo — acrescentou o ministro.

oglobo.globo.com | 25-06-2016
A chancelar alemã Angela Merkel afirmou nesta manhã que a Alemanha manterá relacionamento próximo com o Reino Unido para temas econômicos e de defesa, após os britânicos terem decidido em referendo realizado na quinta-feira (23)deixar a União Europeia. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 25-06-2016

RIO E SÃO PAULO - A economia mundial entrou em uma nova era de incerteza com a decisão do Reino Unido de sair da União Europeia (UE), afirmam analistas. O efeito mais claro e imediato é sobre o mercado financeiro, que, em todas as regiões do mundo, já deu mostras ontem de um movimento de aversão ao risco, com queda generalizada de Bolsas e moedas. Este ambiente de dúvidas afugenta investimentos e inibe o consumo. O cenário levou consultorias e bancos a revisarem para baixo as projeções de expansão para o Reino Unido e para a UE, o que pode comprometer o desempenho da economia global.

O maior desafio é o fato de a saída de um país do bloco europeu não ter precedentes, o que dificulta a avaliação dos acontecimentos. Não se sabe sob quais regras — acesso a mercados, tipo de tarifas de importação e exportação, integração financeira e fluxo de mão de obra e turismo, entre outros — e com qual impacto político se dará o processo de desfiliação britânica da UE, que deverá durar dois anos.

Dessa forma, esta crise traz interrogações sobre o que pode mudar na geopolítica, que também compromete a economia a longo prazo.

— Existem muito mais questões que respostas, o que gera um ambiente de grandes incertezas. E isso é ruim porque inibe investimentos e consumo em uma Europa que ainda está se recuperando economicamente. Se virmos uma instabilidade maior, este momento pode até dar início a uma terceira onda da crise econômica mundial, que viveu sua primeira fase em 2008 e a segunda, na crise do euro — afirma o professor do Instituto de Economia da UFRJ Luiz Carlos Prado.

Para Wilber Colmerauer, da firma de investimentos EM Funding, em Londres, o Brexit, por ora, não se compara à derrocada do banco de investimentos Lehman Brothers, em 2008, nem à crise da dívida europeia, em 2011, marcos da grande crise financeira global, cujas consequências ainda são sentidas pelos países europeus e a economia mundial em geral. Mas o potencial de estrago é grande:

— Caso a saída do Reino Unido da UE leve, de fato, à desestabilização da Europa, com outros países abandonando o bloco, as pessoas olharão para o dia de hoje (ontem) como o estopim de uma crise financeira. O Lehman foi apenas financeiro. Agora, trata-se de um fator geopolítico.

O banco Crédit Agricole reduziu à metade expansão do Reino Unido em 2016, de 2% para 1%, apontando que as divisões entre os membros da UE devem se cristalizar durante as negociações de critérios de desfiliação e que há risco de contágio político. Para 2017, o HSBC reduziu a previsão em dois terços, de 2,1% para 0,7%. A estagnação virá acompanhada de um salto na inflação: com a desvalorização da libra, que só ontem foi de 8,1%, o custo de vida deverá subir 4%.

Os bancos ainda refaziam ontem as previsões para o Produto Interno Bruto (PIB) global e da zona do euro, tanto em 2016 quanto em 2017. Economistas do Citi apontaram que a economia global já se encontrava frágil e “agora estará mais”.

Silvio Campos Neto, analista da Tendências Consultoria, destaca a dificuldade de desenhar o cenário para médio e longo prazos. Na crise de 2008, os riscos eram mais claros e sabia-se como reagir com políticas monetárias expansionistas, aponta:

— Agora, vai depender de como se dará o acordo de desmembramento. Há muitos ruídos e incertezas econômicas. Talvez não seja tão grave para a economia real, mas há dificuldade maior de avaliar os desdobramentos pela novidade em si. Esta não é uma crise padrão, é o desmembramento de um bloco importante.

Economista e diretor da LCA Consultores, Celso Toledo destaca que para a Europa, particularmente, o jogo é o da sobrevivência:

— Este pode ser o começo do fim da Europa, se outros países resolverem seguir o Reino Unido.

Os caminhos de contágio para a economia global são vários. Turbulência financeira, libra e euro mais fracos e queda generalizada de ações podem elevar o custo do crédito, a inflação e os juros. Tudo isso afeta o ritmo da atividade econômica. Com um mercado deste tamanho desacelerando, os países avançados terão crescimento menor.

REFERENDO PODE ADIAR ALTA DE JUROS NOS EUA

Este cenário, para a equipe do Itaú Unibanco, tende a transbordar para os emergentes como o Brasil, pois o preço das commodities deve cair, e as moedas ligadas a estes países podem se desvalorizar, com efeitos incertos sobre a inflação.

Nesse cenário, avalia o estrategista-chefe do banco Mizuho, Luciano Rostagno, se as moedas latino-americanas apresentarem uma forte e persistente desvalorização frente ao dólar, os bancos centrais da região poderão estender os ciclos de aperto monetário, reduzindo ainda mais as perspectivas de crescimento latinas.

Um efeito colateral adicional, acrescentam especialistas, é a elevação dos juros de títulos de países periféricos da Europa, o que poderia reiniciar a crise da dívida do euro.

O Brexit terá ainda repercussões na política monetária global, que deve ser mais expansionista, para impulsionar as economias. A consequência mais importante e imediata seria a postergação do aumento de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA).

— Embora isso ajude a manter o real em um patamar mais baixo, não devemos olhar isso pelo lado positivo, porque significa que o mundo vai crescer menos. A própria alta do dólar em virtude do Brexit continuará prejudicando a indústria americana, por exemplo — explicou Ignácio Rey, economista da Guide Investimentos.

Para Solange Srour, da ARX Investimentos, é possível que o Fed não promova nenhuma elevação de juros este ano. Há algumas semanas, os economistas previam mais duas altas este ano.

Professora da Coppead/UFRJ, a economista Margarida Gutierrez acrescenta que o Brexit pode ser interpretado como um “não à globalização”, um passo contrário à onda de acordos comerciais dos últimos anos e uma “volta ao isolacionismo”:

— Isso terá consequências para o comércio mundial e para o Brasil. A decisão de romper com tratados comerciais e de livre circulação de pessoas, previstos pela União Europeia, mostra que o Reino Unido quer decidir suas práticas comerciais e quem vai circular pelo país. É uma mudança radical no cenário político e econômico desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando se começaram a costurar acordos comerciais e o mundo se tornou globalizado.

Num mundo que cresce pouco, a sinalização de relações comerciais mais protecionistas é um problema, não só para o Reino Unido, que exporta cerca de 50% para a UE, mas globalmente, alerta Margarida:

— Vamos passar por um período de muita incerteza, de aversão ao risco. Todas as moedas, com exceção do dólar e do iene, tendem a se depreciar, e haverá menos disposição ao investimento. E, com moedas depreciadas, aumentam as pressões inflacionárias.

oglobo.globo.com | 25-06-2016

BRASÍLIA E BUENOS AIRES - O Brasil perdeu um importante aliado nas negociações entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, para a criação de uma zona de livre comércio, com a saída do Reino Unido do bloco europeu. Ao contrário de países como a França, o Reino Unido nunca foi afeito a subsídios agrícolas.

— É claro que pode haver algum impacto na negociação entre o Mercosul e a União Europeia. O Reino Unido apoiava esses entendimentos e é um dos países mais abertos em termos comerciais — disse ao GLOBO o ministro das Relações Exteriores, José Serra.

Segundo Serra, por outro lado, a saída dos britânicos do bloco europeu pode abrir uma janela de oportunidades para uma maior aproximação econômico-comercial com Londres:

— Preferia que isso (a decisão pela saída dos britânicos da UE) não tivesse ocorrido, mas aconteceu. Vamos manter o ímpeto com a União Europeia e aproveitar que os ingleses são um free trader (país defensor do livre comércio) e que podemos fazer bons acordos com eles.

O ministro enfatizou que o Reino Unido é a economia mais aberta da Europa. O coeficiente de comércio exterior em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do país, acrescentou, é de 57%.

Em nota, o Itamaraty informou que o governo brasileiro recebe com respeito o resultado do referendo.

“O Brasil confia que essa decisão não irá deter o processo de integração europeia, nem o espírito de abertura ao mundo que caracterizam, e devem continuar a caracterizar, tanto o Reino Unido como a UE. Confia, igualmente, que todos os esforços serão feitos para assegurar uma transição suave e estável", diz o comunicado.

Após se reunir, no fim da tarde de ontem, com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o embaixador do Reino Unido no Brasil, Alex Ellis, defendeu reforçar a relação britânica com o Brasil. Na saída, o diplomata britânico afirmou que houve mudança de contexto nas relações entre os dois países:

— Muda o contexto de União Europeia, mas a nossa relação é muito antiga, tão antiga quanto o Brasil. A relação humana, comercial e de investimentos tem crescido muito. Tudo isso deve avançar e não retroceder.

Em Buenos Aires, a ministra das Relações Exteriores argentina, Susana Malcorra, disse que a vitória do Brexit “representa um golpe muito forte, seria absurdo dizer que não terá impacto”. Já o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, assegurou que a situação do Reino Unido poderia “complicar” o entendimento entre os dois blocos comerciais.

Esta semana, negociadores do Mercosul se reuniram em Montevidéu para analisar a oferta apresentada pelos europeus em maio. Após 12 anos de idas e vindas, Mercosul e UE finalmente trocaram suas ofertas, mas, segundo disse ao GLOBO uma fonte do governo Mauricio Macri que acompanha de perto a negociação, “isso não significa que o acordo esteja perto”.

— A UE ainda não incluiu carne nem etanol, dois produtos considerados importantíssimos por Argentina e Brasil — comentou a fonte.

*Correspondente

** Estagiário sob supervisão de Eliane Oliveira

oglobo.globo.com | 25-06-2016

BRASÍLIA E BUENOS AIRES - O Brasil perdeu um importante aliado nas negociações entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, para a criação de uma zona de livre comércio, com a saída do Reino Unido do bloco europeu. Ao contrário de países como a França, o Reino Unido nunca foi afeito a subsídios agrícolas.

Brexit 1

— É claro que pode haver algum impacto na negociação entre o Mercosul e a União Europeia. O Reino Unido apoiava esses entendimentos e é um dos países mais abertos em termos comerciais — disse ao GLOBO o ministro das Relações Exteriores, José Serra.

Segundo Serra, por outro lado, a saída dos britânicos do bloco europeu pode abrir uma janela de oportunidades para uma maior aproximação econômico-comercial com Londres:

— Preferia que isso (a decisão pela saída dos britânicos da UE) não tivesse ocorrido, mas aconteceu. Vamos manter o ímpeto com a União Europeia e aproveitar que os ingleses são um free trader (país defensor do livre comércio) e que podemos fazer bons acordos com eles.

O ministro enfatizou que o Reino Unido é a economia mais aberta da Europa. O coeficiente de comércio exterior em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do país, acrescentou, é de 57%.

Em nota, o Itamaraty informou que o governo brasileiro recebe com respeito o resultado do referendo.

“O Brasil confia que essa decisão não irá deter o processo de integração europeia, nem o espírito de abertura ao mundo que caracterizam, e devem continuar a caracterizar, tanto o Reino Unido como a UE. Confia, igualmente, que todos os esforços serão feitos para assegurar uma transição suave e estável", diz o comunicado.

Após se reunir, no fim da tarde de ontem, com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o embaixador do Reino Unido no Brasil, Alex Ellis, defendeu reforçar a relação britânica com o Brasil. Na saída, o diplomata britânico afirmou que houve mudança de contexto nas relações entre os dois países:

Brexit 2

— Muda o contexto de União Europeia, mas a nossa relação é muito antiga, tão antiga quanto o Brasil. A relação humana, comercial e de investimentos tem crescido muito. Tudo isso deve avançar e não retroceder.

Em Buenos Aires, a ministra das Relações Exteriores argentina, Susana Malcorra, disse que a vitória do Brexit “representa um golpe muito forte, seria absurdo dizer que não terá impacto”. Já o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, assegurou que a situação do Reino Unido poderia “complicar” o entendimento entre os dois blocos comerciais.

Esta semana, negociadores do Mercosul se reuniram em Montevidéu para analisar a oferta apresentada pelos europeus em maio. Após 12 anos de idas e vindas, Mercosul e UE finalmente trocaram suas ofertas, mas, segundo disse ao GLOBO uma fonte do governo Mauricio Macri que acompanha de perto a negociação, “isso não significa que o acordo esteja perto”.

— A UE ainda não incluiu carne nem etanol, dois produtos considerados importantíssimos por Argentina e Brasil — comentou a fonte.

*Correspondente

** Estagiário sob supervisão de Eliane Oliveira

oglobo.globo.com | 25-06-2016

RIO - As potenciais consequências da saída do Reino Unido da União Europeia (UE) vão depender de qual será o modelo de relacionamento entre Londres e Bruxelas que resultará após o período de transição, apontam especialistas. Isso se dá especialmente no comércio exterior.

Quase metade das exportações britânicas tem como destino a União Europeia. Assim, se beneficiam do mercado único com 28 países-membros, sem barreiras, tarifas ou cotas comerciais. Mas, com o Brexit, será preciso negociar novas condições para o comércio com as demais 27 nações e também com outros 52 países com os quais o bloco tem acordos preferenciais.

Defensores do Brexit descartaram a possibilidade de continuar no mercado único, pois isso exigiria a manutenção da livre circulação de pessoas do bloco. Mas há quem considere que este modelo poderia ser o que traria menos prejuízos para a economia.

Levantamento do Eurasia Group mostra que existem cinco modelos de relação entre a UE e seus parceiros comerciais que podem servir de inspiração. Um deles é com a Noruega, que não é membro da UE, mas tem mais acesso ao mercado único que qualquer outro não-membro. O outro é com a Suíça, com a qual a UE tem diversos acordos bilaterais que oferecem acesso parcial ao mercado único. Já o acordo com o Canadá — ainda não aplicado — prevê o maior acesso ao mercado único sem o livre movimento de pessoas ou contribuição para o orçamento europeu.

NEGOCIAÇÃO COMPLEXA

As outras duas formas de relacionamento são pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e os privilégios oferecidos ao países em processo de integração à UE, que não se aplicariam ao caso do Reino Unido.

— O divórcio entre Reino Unido e UE será uma negociação complexa, que se espera que ocorra da forma mais civilizada possível. Mas isso vai depender da boa vontade dos países negociantes — afirma o diretor da unidade de inteligência internacional da Fundação Getulio Vargas, Renato Galvão Flôres.

Na sua avaliação, é possível que o Reino Unido se mantenha como membro de uma união aduaneira — ou seja, sem barreiras tarifárias com o restante da UE e com tarifas externas para os demais países.

Para o professor do Instituto de Economia da UFRJ Luiz Carlos Prado, as negociações devem ter como objetivo minimizar o impacto econômico da saída do Reino Unido da União Europeia para ambas as partes:

— Não interessa para a Europa arrumar uma fonte de tensão. O discurso pode ser este no início, mas, aos poucos, tende a se ajustar. O Reino Unido é um grande fornecedor e também cliente da União Europeia.

Analista da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto destaca que os termos do processo de desmembramento do Reino Unido da União Europeia, especialmente no comércio, é que vão determinar a percepção dos investidores e os impactos na economia.

oglobo.globo.com | 25-06-2016

RIO - As potenciais consequências da saída do Reino Unido da União Europeia (UE) vão depender de qual será o modelo de relacionamento entre Londres e Bruxelas que resultará após o período de transição, apontam especialistas. Isso se dá especialmente no comércio exterior.

Brexit 1

Quase metade das exportações britânicas tem como destino a União Europeia. Assim, se beneficiam do mercado único com 28 países-membros, sem barreiras, tarifas ou cotas comerciais. Mas, com o Brexit, será preciso negociar novas condições para o comércio com as demais 27 nações e também com outros 52 países com os quais o bloco tem acordos preferenciais.

Defensores do Brexit descartaram a possibilidade de continuar no mercado único, pois isso exigiria a manutenção da livre circulação de pessoas do bloco. Mas há quem considere que este modelo poderia ser o que traria menos prejuízos para a economia.

Levantamento do Eurasia Group mostra que existem cinco modelos de relação entre a UE e seus parceiros comerciais que podem servir de inspiração. Um deles é com a Noruega, que não é membro da UE, mas tem mais acesso ao mercado único que qualquer outro não-membro. O outro é com a Suíça, com a qual a UE tem diversos acordos bilaterais que oferecem acesso parcial ao mercado único. Já o acordo com o Canadá — ainda não aplicado — prevê o maior acesso ao mercado único sem o livre movimento de pessoas ou contribuição para o orçamento europeu.

NEGOCIAÇÃO COMPLEXA

As outras duas formas de relacionamento são pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e os privilégios oferecidos ao países em processo de integração à UE, que não se aplicariam ao caso do Reino Unido.

— O divórcio entre Reino Unido e UE será uma negociação complexa, que se espera que ocorra da forma mais civilizada possível. Mas isso vai depender da boa vontade dos países negociantes — afirma o diretor da unidade de inteligência internacional da Fundação Getulio Vargas, Renato Galvão Flôres.

Brexit 2

Na sua avaliação, é possível que o Reino Unido se mantenha como membro de uma união aduaneira — ou seja, sem barreiras tarifárias com o restante da UE e com tarifas externas para os demais países.

Para o professor do Instituto de Economia da UFRJ Luiz Carlos Prado, as negociações devem ter como objetivo minimizar o impacto econômico da saída do Reino Unido da União Europeia para ambas as partes:

— Não interessa para a Europa arrumar uma fonte de tensão. O discurso pode ser este no início, mas, aos poucos, tende a se ajustar. O Reino Unido é um grande fornecedor e também cliente da União Europeia.

Analista da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto destaca que os termos do processo de desmembramento do Reino Unido da União Europeia, especialmente no comércio, é que vão determinar a percepção dos investidores e os impactos na economia.

oglobo.globo.com | 25-06-2016

PARIS - Para o analista francês Pascal Boniface, as consequências negativas da saída britânica da UE serão mais graves para o próprio Reino Unido. CONTEÚDO EXCLUSIVAS PAPEL 2506

O senhor se surpreendeu com o resultado do referendo?

Não. Foi um resultado apertado, mas havia muitos elementos que poderiam favorecer o Brexit. O Partido Conservador estava extremamente dividido e um parte da legenda militava pela saída. O governo, por sua vez, está em situação frágil. O clima em relação à crise de refugiados, ao terrorismo, dava todas as chances para que o “não” pudesse vencer.

Quais são as consequências para o futuro da Europa?

É a primeira vez que um país deixa a UE, haverá um custo. Por outro lado, o Reino Unido nunca realmente entrou, sempre esteve com um pé dentro e outra fora. Penso que os problemas serão muito mais importantes para os britânicos, que estarão isolados, e sofrem a ameaça de ver a Escócia se separar. Haverá também um menor interesse dos EUA e investidores estrangeiros.

Não teme um efeito dominó?

Os partidos que desejam a saída de seus países da UE não estão no poder e não podem organizar referendos. O único que poderia se sentir tentado é a Dinamarca, porque depende do partido extremista. Penso que os governos vão observar o que vai se passar com os britânicos antes de imitar seu exemplo, o que deve esfriar as tentativas de saída de outros países.

Como o senhor analisa o fracasso atual do projeto europeu?

É um fracasso de soluções equivocadas tomadas. Mas acredito que, se organizarem bem, os principais líderes poderão conter essa tendência e poderão adotar medidas que permitam evitar consequências negativas para o futuro da UE. A Europa permanece como uma proteção.

A saída pode significar uma nova reconstrução europeia?

Pode ser o caso, mas só se boas decisões forem tomadas rapidamente, como medidas de recuperação da economia, uma nova política de infraestruturas, e o afrouxamento da austeridade, que é em grande parte a causa da rejeição da Europa.

oglobo.globo.com | 25-06-2016

PARIS - “Decepção” e “tristeza” foram as palavras pronunciadas pelo presidente François Hollande em conversa por telefone com o premier David Cameron após a confirmação da vitória do Brexit no Reino Unido. O líder francês, um dos principais protagonistas do projeto europeu ao lado da Alemanha, admitiu que o choque provocado pela rejeição britânica coloca “gravemente a Europa à prova” e apelou para uma reação “à altura” por parte da UE.

— A Europa é uma grande ideia, e não somente um grande mercado. Ela deve portar projetos e não se perder em procedimentos. A Europa não pode mais agir como antes. A História nos julga. Estejamos à altura — defendeu Hollande, que reuniu-se com ministros após o resultado. CONTEÚDO EXCLUSIVAS PAPEL 2506

O presidente prometeu que a França estará à frente para que a Europa se concentre no “essencial” com o objetivo de reconquistar a confiança dos cidadãos: a segurança e defesa do continente, o investimento para o crescimento e o emprego, a harmonização fiscal e social, e o reforço da eurozona e da governança democrática. Longe de minimizar os possíveis efeitos do referendo, Hollande assumiu a gravidade da situação:

— Está em jogo a dissolução da Europa, no risco de uma retração. O perigo é imenso diante de extremismos e populismos.

Como se esperava, o “não” britânico à UE foi comemorado efusivamente por Marine Le Pen, presidente do partido de extrema-direita Frente Nacional, que desde 2003 pede que uma consulta popular do mesmo tipo seja feita na França, o “Frexit”. “Vitória da liberdade! Como peço há anos, é preciso agora o mesmo referendo na França e nos países da UE”, escreveu a líder da direita radical em sua primeira reação via Twitter. Mais tarde, qualificou o resultado britânico de histórico:

— Sim, é possível sair da UE!

Bloco estará ‘no centro da campanha’

Segundo as pesquisas de opinião, se as eleições presidenciais de 2017 fossem realizadas hoje, Marine Le Pen teria presença garantida no segundo turno do pleito. Ela garante que a questão europeia estará “no centro da próxima campanha presidencial”, e promete que, se eleita ao Palácio do Eliseu, organizará um referendo no prazo de seis meses após a posse, para recuperar as “quatro soberanias fundamentais” do país: monetárias e orçamentárias, econômicas, territoriais e legislativas:

— O Reino Unido nos deu uma impressionante lição de democracia, não cedeu ao medo e às predições apocalípticas. Não é a Europa que está morta, é a UE que vacila, são as nações que renascem.

Para o ex-presidente conservador Nicolas Sarkozy, que almeja poder disputar novamente as eleições presidenciais no ano que vem, o diagnóstico produzido pelo Brexit é claro: “a expressão de uma forte rejeição da Europa tal como funciona hoje”. Sarkozy vai além:

— A lucidez manda dizer que este sentimento de rejeição é partilhado por muitos franceses. O que disse o povo britânico, outros povos europeus poderiam ter dito. É algo que nós não devemos ignorar.

Políticos já questionam a validade do tratado bilateral de Touquet, relacionado ao controle de migração, firmado no início dos anos 2000 após o fechamento do campo de refugiados de Sangatte, na fronteira, e reclamam uma renegociação. O ministro da Economia, Emmanuel Macron, ameaçou recentemente que, em caso de Brexit, “a França não reteria mais os migrantes em Calais”. O ministério do Interior, Bernard Cazeneuve, descartou no entanto alterações, pelo menos por enquanto.

oglobo.globo.com | 25-06-2016

Um antigo colega de universidade fez um resumo preciso com apenas uma mensagem na manhã de sexta-feira: “Duas recessões antes dos 30 anos, estamos bem!”

Essa segunda ainda está para acontecer, e os sinais não são bons com a libra e o mercado de ações afundando mais rapidamente do que o capital político de George Osborne (o ministro das Finanças). CONTEÚDO EXCLUSIVAS PAPEL 2506

Muito será falado nos próximos dias sobre a nação dividida. O próximo primeiro-ministro, seja lá quem for, terá uma enorme responsabilidade para atenuar as rachaduras entre os 52% e os 48%.

Mas essa divisão veio para ficar. Já sabíamos dela nas pesquisas, e a reação do dia após o referendo a evidenciou — os jovens queriam permanecer, os mais velhos queriam sair. Ou para colocar em outros termos, quanto maior o tempo que a pessoa terá que viver com as consequências do Brexit, maior a rejeição.

Antes do referendo, os jovens já tinham bons motivos para se sentirem injustiçados. Os baby boomers — ou mais especificamente, a Geração X — que desfrutaram dos benefícios da educação superior gratuita e puderam aproveitar em suas casas próprias enquanto o curso estava favorável, foram os arquitetos da crise financeira que devastou a economia, na qual os millennials estavam apenas começando a se tornar participantes ativos.

Foi difícil para todos, mas foi particularmente difícil para os jovens, visto que os empregos ficaram escassos, os investimentos do governo cessaram, e as casas deixaram de ser construídas por demanda. Nós não somos chamados de Geração do Aluguel à toa: não temos outras opções.

Enquanto a geração dos nossos pais se acomodou em seus investimentos habitacionais esperando ansiosamente pelas generosas pensões estatais, nós vimos, mesmo antes dos 25 anos, o corte nos serviços públicos. Até o salário mínimo nos foi negado. Ah, e obrigado por introduzir, e depois triplicar, as mensalidades das universidades.

Nas últimas semanas, a campanha do Brexit afirmou que os jovens se beneficiariam com o colapso nos preços dos imóveis. Mas, se isso acontecer, com as pessoas sem patrimônio líquido, quem irá querer vender? E com a economia em queda livre, quem irá construir novas moradias? Isso promete, como quase tudo no referendo, provar- se uma fantasia.

De acordo com o YouGov, 75% dos jovens com idades entre 18 e 24 anos, e 56% da faixa etária entre 25 e 49 anos votaram pela permanência. Não são muitas as pessoas com menos de 30 anos que entendem o motivo de os britânicos considerarem a ideia de deixar a União Europeia. Agora eles vão ficar chocados, vão ficar irritados. E não será surpreendente se acontecer um miniêxodo para as capitais do continente europeu, onde a vida é mais barata e as atmosferas sociais e políticas, mais de acordo com a forma de pensar da geração.

Existem outros motivos para o descontentamento dos jovens, que não os econômicos. A geração que cresceu como nativa da UE e foi criada na era da internet tem uma inclinação inerente a pensar além das fronteiras. As gerações mais velhas pensam o país na direção oposta.

É um prejuízo para os jovens que querem se identificar como britânicos e como europeus. Se essas identidades já foram compatíveis entre si, agora estão separadas e seguem direções diametralmente opostas.

oglobo.globo.com | 25-06-2016

SÃO PAULO e RIO - A surpreendente decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE) derrubou os mercados em todo o mundo, movimento que se refletiu no Brasil, mas com intensidade menor. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chegou a cair quase 4%, mas encerrou o último pregão da semana com perda de 2,82%, aos 50.105 pontos. No mercado de câmbio, no início dos negócios, o dólar chegou a disparar 3,14% contra o real, mas acabou perdendo força no decorrer do dia e fechou em alta de 1,04%, a R$ 3,37.

‘CONTINUAMOS EXPOSTOS À VOLATILIDADE’

Diferentemente das fortes perdas das Bolsas europeias — algumas caíram mais mais de 12% —, o mercado brasileiro seguiu mais de perto o comportamento observado em Nova York, onde o Dow Jones recuou 3,39%. Também pesou o cenário político, com maior possibilidade de impeachment.

— Mas os efeitos indiretos do Brexit, a médio prazo, também serão sentidos no Brasil, como uma menor liquidez, maior aversão a risco e redução do fluxo de investimentos — estimou o economista Hersz Ferman, da Elite Corretora.

Entre as ações brasileiras, Petrobras e Vale registram as perdas mais significativas, reagindo à desvalorização das commodities no mercado internacional. Os papéis ordinários (ON, com direito a voto) da petrolífera despencaram 5,47%, enquanto os preferencias (PN, sem voto) caíram 4,65%. No caso da mineradora, as quedas foram de 8,19% (ON) e 8,65% (PN).

— O comportamento do mercado brasileiro foi razoavelmente controlado — avaliou Paulo Gomes, economista-chefe da gestora Azimut. — A alta do dólar, inclusive, é favorável para as exportações das empresas brasileiras. No caso da Vale, embora a China consuma metade de sua produção, a mineradora despenca com a desvalorização das commodities que ocorre quando o dólar avança.

No mercado de câmbio brasileiro, a libra, que atingiu menor valor em 30 anos frente ao dólar, despencou mais de 7% em relação ao real, cotada a R$ 4,60. O euro teve desvalorização de 1,38% frente ao real, sendo negociado a R$ 3,75.

— Foi surpreendente o comportamento do dólar por aqui. O comunicado do BC (Banco Central) brasileiro mostrando que estava alerta, o cenário político positivo, que fortalece o impeachment, e o sentimento de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), não deve elevar os juros em breve, ajudaram a segurar a cotação do dólar — explicou Cleber Alessie, operador de câmbio da corretora H. Commcor.

Para o economista Ignácio Rey, da Guide Investimentos, o impacto no câmbio puniu mais os países diretamente ligados ao mercado europeu:

— De qualquer forma, continuamos sendo um mercado emergente bastante exposto à volatilidade, e o Brexit foi uma surpresa ruim que complica ainda mais o cenário externo.

Para Rey, a postergação de uma alta de juro nos Estados Unidos também tem um componente negativo do ponto de vista global.

— Isso significa que o mundo vai crescer menos. A própria alta do dólar em virtude do Brexit continuará prejudicando a indústria americana, por exemplo — ressaltou.

Nos EUA, a preocupação é com a valorização do dólar, considerado um porto seguro pelos investidores. Cresceu também a procura por ouro e títulos do Tesouro americano. O papel de dez anos viu seu rendimento (que é inversamente proporcional à demanda) cair 0,19 ponto percentual, para 1,56%.

— Não se sabe o que vai acontecer no fim de semana — disse ao site CNNMoney o diretor de Estratégia Global da Charles Schwab, Jeff Kleintop.

As consequências da ruptura do Reino Unido com a União Europeia são diversas e imprevisíveis para a economia mundial e inevitavelmente vão se refletir no Brasil, dizem os especialistas. Entre os efeitos mais prováveis, estão o adiamento da retomada do crescimento nas principais economias da América Latina, o nascimento de uma onda protecionista nas relações comerciais com a região, além de um período de muitas incertezas. Para o Brasil, o primeiro impacto se dá via mercado financeiro, mas o contágio virá também por outras vias.

Nesse cenário, avalia o estrategista-chefe do banco Mizuho, Luciano Rostagno, se as moedas latino-americanas apresentarem uma forte e persistente desvalorização frente ao dólar, os bancos centrais da região poderão estender os ciclos de aperto monetário, reduzindo as perspectivas de crescimento para as principais economias da região. Para o Brasil, se isso se concretizar, diz ele, o BC deve adiar um pouco mais o início da redução da Selic, o que também irá retardar a retomada do crescimento.

— Se o real tiver um movimento forte de depreciação frente ao dólar, por um período prolongado, o BC deverá adiar o corte de juros — diz Rostagno, que considera que o BC brasileiro só voltaria a subir os juros no caso de uma turbulência mais forte causado pela ruptura, como a quebra de um grande banco, o que não está no horizonte do banco neste momento.

Para a professora Margarida Gutierrez, economista e professora do Instituto COPPEAD de Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a decisão da Inglaterra de deixar a União Europeia pode ser interpretada como um 'não à globalização'. Na prática, avalia Gutierrez, é um passo contrário ao que vinha se praticando em termos de acordos comerciais e uma volta ao 'isolacionismo'.

— Isso terá consequências para o comércio mundial e para o Brasil. A decisão de romper com tratados comerciais e livre circulação de pessoas, previstos pela União Europeia, mostra que o Reino Unido quer decidir suas práticas comerciais e quem vai circular pelo país. É uma mudança radical no cenário político e econômico desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando se começaram a costurar acordos comerciais e o mundo se tornou globalizado — explica a professora da UFRJ.

Num mundo que cresce pouco, a sinalização de relações comerciais mais protecionistas é um problema, não só para o Reino Unido, que exporta cerca de 50% para a União Europeia, mas para o mundo.

— Vamos passar um período de muita incerteza, de aversão ao risco. Todas as moedas, com exceção do dólar e do iene, tendem a se depreciar, e haverá menos disposição ao investimento. E com moedas depreciadas, aumentam as pressões inflacionárias — observa Gutierrez, lembrando, entretanto, que um real mais fraco acaba beneficiando a indústria nacional em termos de exportações.

A economista da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro, avalia que o crescimento mundial deve ser afetado negativamente com a saída do Reino Unido. E para a economia brasileira as consequências também são negativas.

— Além dos impactos diretos sobre o crescimento econômico, diante do menor fluxo de comércio de bens e serviços, financeiro e de pessoas, as incertezas com relação ao processo, considerando, inclusive, a possibilidade de desmembramento da União Europeia, deve manter elevada a aversão ao risco, afetando negativamente decisões de investimento e consumo. Para a economia mundial, que apresenta taxa moderada de expansão, esses efeitos devem provocar um crescimento ainda menor — afirma a economista.

Para ela, a economia brasileira, não escapa das consequências do Brexit, dados os efeitos via preços de ativos, confiança e crescimento econômico dos parceiros comerciais. Ainda que o comércio direto seja pequeno (1,5% das exportações brasileiras tem como destino o Reino Unido e 1,6% de nossas importações vem de lá), os maiores efeitos virão das consequências para a comunidade europeia, segundo maior destino de nossas exportações, e demais países como Estados Unidos e China.

Em relatório, os economistas do Itaú Unibanco preveem um crescimento menor nos países avançados, que tende a transbordar para os países emergentes. De acordo com o texto, o preço das commodities deve cair e as moedas ligadas a elas se desvalorize, com efeitos incertos sobre a inflação. O efeito positivo, diz o relatório do banco, a política monetária global será mais expansionista, sustentando o fluxo de capital para os mercados emergentes.

"O impacto global sobre a política monetária no Brasil vai depender do tamanho da depreciação do real e seu impacto sobre a inflação. Uma substancial depreciação da moeda poderia atrasar o início de um ciclo de corte de juros no segundo semestre desse ano", diz o texto do Itaú Unibanco.

oglobo.globo.com | 25-06-2016

1) O que é o artigo 50 do Tratado de Lisboa?

De acordo com os termos do acordo que forma a base constitucional da União Europeia (UE), “um Estado-membro que deseje deixar a UE deve notificar a Comissão Europeia de suas intenções. A UE deverá negociar e concluir um acordo com esse Estado, definindo os termos de sua saída, e considerando o cronograma de sua futura relação com o bloco”.

2) Quanto tempo o processo de saída do Reino Unido da UE pode levar?

O documento determina que os tratados europeus deixarão de ser aplicados a partir da data em que o acordo de saída passar a vigorar, ou até dois anos após a notificação inicial, a menos que o Conselho Europeu, em acordo com o Estado-membro em questão concorde unanimemente em estender esse período. David Cameron anunciou sua renúncia até outubro deste ano, deixando a tarefa de comandar a aplicação do artigo 50 nas mãos de seu futuro sucessor. CONTEÚDO EXCLUSIVAS PAPEL 2506

3) O Reino Unido está definitivamente fora da UE?

Pode-se dizer que sim. Embora os termos da secessão ainda devam ser decididos, e o referendo seja — tecnicamente — apenas uma “consulta”, cujo resultado é “não vinculante”, a História e a realidade política do Reino Unido mostram que temas tão explosivos não podem ter seus resultados ignorados. Quando e como essa secessão se dará, e qual será a relação do país com a UE no futuro, dependerá de longas e complexas negociações com os outros 27 Estados-membros do bloco.

4) Como ficam os três milhões de cidadãos europeus que atualmente vivem no Reino Unido?

Ainda não há uma resposta definitiva sobre esse tema. No momento, cidadãos europeus podem mover-se livremente pelos 28 países do bloco e viver por até três meses em qualquer Estado-membro sem qualquer condição prévia. Durante a campanha, defensores do Brexit afirmaram que a saída da UE não afetaria a vida dos europeus que vivem no país, alegando que eles receberiam permissões indefinidas para permanecer no Reino Unido. Essa declaração foi constantemente rebatida pelos defensores da permanência, e — de acordo com especialistas — o tema será um dos pontos-chave nas negociações do “divórcio” entre Londres e Bruxelas.

5) A Escócia, onde a permanência venceu em todos os distritos eleitorais, tem chances de continuar na UE?

Um dos principais argumentos na campanha que garantiu a permanência da Escócia no Reino Unido no referendo sobre a independência escocesa em 2014 era o de que a união com Londres também assegurava o futuro na região dentro da UE. Com a divulgação do resultado do referendo, a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, destacou o apoio à permanência no bloco, e afirmou que pretende “tomar todas as medidas possíveis para garantir nosso lugar na UE”, indicando que uma nova consulta popular sobre a independência deve ser realizada.

Entre as dificuldades no caminho dos escoceses estariam uma possível mudança de moeda (novos Estados-membros são obrigados a adotar o euro) e a oposição do governo espanhol que teme que a iniciativa escocesa inspire manobras secessionistas na Catalunha.

6) Como o tráfego no eurotúnel pode ser afetado?

O Eurostar, que estabelece a ligação ferroviária entre os dois países via o túnel sob o Canal da Mancha, anunciou que o Brexit não provoca alterações imediatas em termos de controles de segurança e de imigração aos viajantes. O Eurotunnel, que administra o Eurostar, emitiu um comunicado garantindo a estabilidade do percurso e a inalteração, pelo momento, dos procedimentos, já que o Reino Unido já não fazia parte do Espaço Schengen de livre circulação. Hoje, os franceses, por exemplo necessitam apenas da carteira de identidade para viajar a Londres, o que poderá mudar no futuro.

Info Brexit Referendo

7) O Reino Unido vai perder preferência de comércio com a UE?

Hoje, há livre trânsito de bens e serviços na Europa, e os britânicos vendem para os parceiros europeus com tarifa zero e sem restrições. A preferência terá de ser renegociada, e as tarifas podem subir, prejudicando o comércio e o desempenho econômico do Reino Unido.

8) A posição de Londres como capital financeira da Europa está ameaçada?

O Reino Unido tem superávit de 20 bilhões de euros no comércio de serviços financeiros com o resto da Europa. Sem as regras de livre comércio, deverá ser menos vantajoso para bancos, gestores de recursos, câmaras de compensação etc vender seus serviços, a partir de Londres, para todos os 28 membros da UE.

9) Com a saída, há um risco de recessão no Reino Unido?

O presidente do Banco Central da Inglaterra, Mark Carney; o ministro da Economia, George Osborne, e diversos economistas alertaram para esse perigo durante a campanha, enquanto defensores do Brexit os acusaram de estar exagerando o que seria um curto problema num futuro próximo. Mas, sem dúvida, há um choque negativo para a economia britânica, e mesmo que o processo de desligamento não seja finalizado nos próximos dois anos, companhias e investidores começarão a retirar dinheiro do país, ou ao menos reduzir seus planos de expansão, por falta de confiança no que pode acontecer após 2018.

10) Como a desvalorização da libra afetará a economia britânica?

Uma libra desvalorizada — a moeda chegou a apresentar uma queda superior a 10% em seu valor durante a apuração dos votos — significa que as importações se tornarão mais caras, o que deve trazer de volta a inflação, um fenômeno há muito distante do Reino Unido. Os sinais podem passar despercebidos nos meses iniciais, mas inflações tendem a se espalhar antes de serem controladas.

11) Este é o começo do fim da União Europeia?

Não, embora essa seja uma possibilidade real. O sentimento anti-UE é bastante grande em alguns dos principais países do bloco, como a França, e na Espanha, que realiza eleições amanhã, os partidos anti-UE, tanto na esquerda quanto na direita, chegam ao pleito fortalecidos. Para sobreviver, o bloco deve recuperar seu crescimento econômico e sua prosperidade, além de solucionar outras questões, como a crise migratória. Não se trata de uma tarefa fácil, e a UE já se encontra em um estado bastante fragilizado.

oglobo.globo.com | 25-06-2016

RIO, BRASÍLIA E WASHINGTON - A saída do Reino Unido da União Europeia pode afetar, indiretamente, o processo de recuperação da economia brasileira. De forma mais imediata, a incerteza é sobre a trajetória da taxa de juros. Analistas se dividem, mas alguns já acreditam que a volatilidade dos mercados pode fazer o Banco Central (BC) pensar mais antes de cortar a Selic, um movimento aguardado pelo mercado, diante de uma inflação mais comportada. Outro ponto de interrogação é sobre o peso que a provável desaceleração da atividade econômica global pode ter sobre o comércio exterior, apontado como uma das saídas para a recessão.

Até a semana passada, o mercado estava certo que os juros começariam a cair ainda neste ano. Segundo o boletim Focus divulgado pelo BC na última segunda-feira, o mais recente, a expectativa era que os juros começassem a cair a partir de setembro e chegassem a 13% em dezembro. Para Carlos Langoni, ex-presidente do BC e diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getulio Vargas (FGV), esse cenário está em xeque.

— Agora, há uma grande dúvida se o BC terá margem de manobra para reduzir juros em um ambiente externo de grande incerteza. A tendência é que esse fluxo estrangeiro de curto prazo sofra uma reversão — afirma o economista.

Para Ben Buckner, analista da AgResource Company, de Chicago, há ainda exagero sobre o impacto do Brexit na economia real. Mas, para países emergentes, como o Brasil, a contaminação poderá vir pelo câmbio, avalia:

— Esta saída provavelmente enfraquece as moedas. O dólar será a aposta mais segura, a curto prazo, e, assim, outras moedas vão enfraquecer.

No entanto, a reação moderada do câmbio ontem — o dólar subiu só 1,04% — deu fôlego a opiniões divergentes. Na avaliação do economista do Itaú Unibanco Caio Megale, uma postergação da redução dos juros só ocorreria no caso de uma pressão mais forte sobre o real. Ainda assim, considera que a provável decisão do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) de esperar para subir os juros aliviará a pressão sobre o câmbio por aqui.

— Pode ter um impacto de curto prazo de aversão a risco no câmbio. Se mudar, em vez de cortar em agosto, corta em outubro — aposta Megale.

Na avaliação de Solange Srour, economista da ARX Investimentos, os impactos do Brexit sobre o câmbio brasileiro serão limitados pelas mudanças na agenda econômica local:

— De alguma forma, estamos em um momento de expectativa de inversão na situação fiscal, enquanto já demos um passo importante no que diz respeito à conta corrente. Ela está mais bem ajustada do que no passado.

Diante do clima nervoso, a equipe econômica brasileira buscou acalmar investidores. Logo pela manhã, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, telefonou para o embaixador britânico no país, Alexander Ellis, para ter mais informações. Ele acompanhou de perto os efeitos no mercado doméstico, que foram considerados até suaves por técnicos do governo, que ainda aguardam os próximos dias para medir os reais impactos.

A avaliação era que o dia de ontem não será referência para os próximos. A queda dos preços das commodities, vista ontem, é um exemplo.

— O dia de hoje (ontem) não é padrão para muita coisa. As commodities não vão ficar baixas como hoje. Da mesma forma que Bolsas e prêmios de risco devem devolver um pouco das perdas de hoje — previu uma fonte do governo.

EXPORTAÇÕES AMEAÇADAS

Tanto o BC quanto o Ministério da Fazenda divulgaram notas ressaltando a robustez da economia brasileira e destacando que o país tem plenas condições de ultrapassar a turbulência causada pelas mudanças no cenário externo, destacando o volume de reservas internacionais e o colchão de liquidez. O BC disse que está em contínuo monitoramento e pronto para adotar “medidas adequadas para manter o funcionamento normal dos mercados financeiro e cambial”, se necessário. Já a Fazenda ressaltou que a dívida pública federal brasileira é composta majoritariamente por títulos denominados em reais e lembrou que o governo “anunciou medidas fiscais estruturantes de longo prazo”, o que daria segurança para a economia brasileira.

O chefe do departamento econômico do BC, Túlio Maciel, afirmou, ainda, que a decisão do Reino Unido tem impacto limitado sobre a economia brasileira, uma vez que o conjunto de países representa apenas 1,5% da balança comercial:

— Em termos de mercado, é claro que a saída agrega incertezas de curto prazo, é possível que a gente observe oscilações em preços de ativos, como já temos observado. Mas o câmbio flutuante tem se mostrado exitoso em contextos dessa natureza.

Mas, para economistas, o fluxo comercial brasileiro, assim como os de outros emergentes, deve sentir os efeitos da desaceleração global. A economista Monica de Bolle compara o fato histórico à queda do muro de Berlim, um marco da recente integração econômica internacional.

— O Brasil será afetado pelo que isso representa para a globalização. Assim como a queda do muro de Berlim inaugurou a era da integração acelerada, o voto britânico inaugura a era do nativismo e nacionalismo exacerbados. Para quem pretende agenda de inserção mundial atrasada como nós, é um baque forte — avalia Monica

Já Langoni lembra que a saída pelas exportações será mais difícil:

— Se a economia mundial vai crescer menos no médio prazo, isso prejudica o Brasil.

*Correspondente

oglobo.globo.com | 25-06-2016

RIO - Os britânicos abandonaram a União Europeia, mas agora podem tomar o troco, vendo o dinheiro, literalmente, abandoná-los. A City de Londres, uma pequena área no Centro histórico da capital que funciona há séculos como um dos centros financeiros mais importantes do mundo, está sob ameaça de fuga de bancos, empregos e capital. Além disso, outros setores da economia britânica podem sofrer reveses após a decisão de romper laços com o maior bloco econômico do planeta.

A principal preocupação da City é sobre a regulação. Ela poderá sofrer um duro golpe, por exemplo, se o Banco Central Europeu (BCE) decidir rever a decisão, que beneficiava os britânicos, de permitir empresas financeiras de fora da zona do euro fazerem transações de elevados valores em euro, como compensação e liquidação de negócios.

É em função da importância desses processos para a indústria financeira que o BCE quer tanto que eles sejam baseados em Paris ou Frankfurt. Hoje, Londres é o maior hub de negócios com euro no mundo, além de também ser um dos mais fortes no segmento de produtos da indústria de seguros. O Reino Unido tem um superávit na conta de serviços financeiros de € 20 bilhões por ano com a UE.

O gigante americano JP Morgan foi claro em sua ameaça. Em nota interna distribuída pelo banco, ele afirmou que pode cortar até 4.000 dos 16.000 empregados que mantém no Reino Unido. O britânico HSBC mencionou a possibilidade de mover mil vagas para sua subsidiária em Paris. O alemão Deutsche Bank, que emprega 9.000 pessoas no país, mantém um grupo de trabalho para analisar a repatriação de parte de sua operação para a zona do euro, sobretudo na Alemanha. Na estimativa da consultoria PwC, o Brexit poderá representar a perda de algo entre 70 mil e 100 mil empregos apenas no setor de serviços financeiros britânicos até 2020.

PARIS, FRANKFURT E NY CRESCEM

De acordo com uma pesquisa divulgada antes do referendo pelo grupo City UK, 84% dos profissionais daquela região de Londres se declaravam contrários ao Brexit. Apenas 5% apoiavam a decisão. Não à toa, os executivos da City acordaram — se é que chegaram a dormir — ontem sob estado de choque ao saberem do resultado da votação.

“Um dia terrível para o Reino Unido, um dia terrível para a Europa. Um grande passo de volta a história dos conflitos europeus”, lamentou Guy Hands, chefe da firma de private equity Terra Firma, ao “Financial Times”.

A City se beneficiava até hoje da livre circulação de pessoas para atrair os melhores profissionais europeus. Quase 11% dos 360 mil funcionários das empresas em Londres vieram de outros países do bloco.

Com a City sob ameaça, outras cidades são pretendentes aos negócios eventualmente perdidos por Londres. Há duas semanas, o vice-prefeito de Paris, Jean-Louis Missika, afirmou que a capital francesa iria “estender o tapete vermelho” ao mercado financeiro em caso de Brexit, apostando em um esvaziamento de Londres.

Outra possibilidade é Frankfurt, que já é o segundo centro financeiro mais importante da Europa. A cidade alemã fez, por meio de uma associação local, campanha ostensiva nas redes sociais com o slogan “Bem-vindos a Frankfurt, o que podemos fazer por você?”. O plano é tirar de Londres entre dez mil e 15.000 empregos. A Irlanda também quer aproveitar a eventual derrocada londrina, valendo-se da língua inglesa como principal atrativo.

Mas não há unanimidade nesse meio, e muitos analistas mencionam Nova York como herdeira potencial. No setor, também diz-se que, caso o BCE libere as transações em euro fora da UE, as instituições poderiam se estabelecer em Hong Kong ou Cingapura, onde os custos são menores, e a legislação, mais favorável às empresas.

— Aposto mais em Nova York. Frankfurt é o centro financeiro da UE, muito ligada ao euro, que também sai enfraquecido — disse Paulo Gomes, economista-chefe da Azimut.

RISCO PARA MONTADORAS

Outro canal de esvaziamento econômico é a saída de empresas que usam a ilha como base de operações na UE. Com o Brexit, essas companhias podem optar por transferir unidades para outros países do bloco, mantendo as vantagens do mercado único. A fabricante de motores de aviação Rolls-Royce é uma que alertou para o risco. E avisou aos seus mais de 50 mil funcionários que o Brexit ameaça a construção de sua unidade de testes, avaliada em 65 milhões de libras.

Uma pesquisa da SMMT, associação que representa o setor automotivo do Reino Unido, mostra que mais de 75% da indústria acreditam que o Brexit prejudicará os negócios. Toyota, BMW, Vauxhall (subsidiária da GM), Nissan, Audi e Tata (controladora da Jaguar Land Rover) apoiaram a campanha do “fica".

Há ainda outro risco: as cinco maiores farmacêuticas do Reino Unido são beneficiárias do financiamento da UE para pesquisas. Sem que os subsídios sejam cobertos pelo governo britânico, os laboratórios podem migrar para outros centros europeus.

Há ainda temor de que, sem as tarifas de importação elevadas da UE para a importação de carne, a pecuária britânica seja submetida a grande competição com produtores sul-americanos e irlandeses.

oglobo.globo.com | 25-06-2016

RIO - Os britânicos abandonaram a União Europeia, mas agora podem tomar o troco, vendo o dinheiro, literalmente, abandoná-los. A City de Londres, uma pequena área no Centro histórico da capital que funciona há séculos como um dos centros financeiros mais importantes do mundo, está sob ameaça de fuga de bancos, empregos e capital. Além disso, outros setores da economia britânica podem sofrer reveses após a decisão de romper laços com o maior bloco econômico do planeta.

Brexit 1

A principal preocupação da City é sobre a regulação. Ela poderá sofrer um duro golpe, por exemplo, se o Banco Central Europeu (BCE) decidir rever a decisão, que beneficiava os britânicos, de permitir empresas financeiras de fora da zona do euro fazerem transações de elevados valores em euro, como compensação e liquidação de negócios.

É em função da importância desses processos para a indústria financeira que o BCE quer tanto que eles sejam baseados em Paris ou Frankfurt. Hoje, Londres é o maior hub de negócios com euro no mundo, além de também ser um dos mais fortes no segmento de produtos da indústria de seguros. O Reino Unido tem um superávit na conta de serviços financeiros de € 20 bilhões por ano com a UE.

O gigante americano JP Morgan foi claro em sua ameaça. Em nota interna distribuída pelo banco, ele afirmou que pode cortar até 4.000 dos 16.000 empregados que mantém no Reino Unido. O britânico HSBC mencionou a possibilidade de mover mil vagas para sua subsidiária em Paris. O alemão Deutsche Bank, que emprega 9.000 pessoas no país, mantém um grupo de trabalho para analisar a repatriação de parte de sua operação para a zona do euro, sobretudo na Alemanha. Na estimativa da consultoria PwC, o Brexit poderá representar a perda de algo entre 70 mil e 100 mil empregos apenas no setor de serviços financeiros britânicos até 2020.

PARIS, FRANKFURT E NY CRESCEM

De acordo com uma pesquisa divulgada antes do referendo pelo grupo City UK, 84% dos profissionais daquela região de Londres se declaravam contrários ao Brexit. Apenas 5% apoiavam a decisão. Não à toa, os executivos da City acordaram — se é que chegaram a dormir — ontem sob estado de choque ao saberem do resultado da votação.

“Um dia terrível para o Reino Unido, um dia terrível para a Europa. Um grande passo de volta a história dos conflitos europeus”, lamentou Guy Hands, chefe da firma de private equity Terra Firma, ao “Financial Times”.

A City se beneficiava até hoje da livre circulação de pessoas para atrair os melhores profissionais europeus. Quase 11% dos 360 mil funcionários das empresas em Londres vieram de outros países do bloco.

Brexit 2

Com a City sob ameaça, outras cidades são pretendentes aos negócios eventualmente perdidos por Londres. Há duas semanas, o vice-prefeito de Paris, Jean-Louis Missika, afirmou que a capital francesa iria “estender o tapete vermelho” ao mercado financeiro em caso de Brexit, apostando em um esvaziamento de Londres.

Outra possibilidade é Frankfurt, que já é o segundo centro financeiro mais importante da Europa. A cidade alemã fez, por meio de uma associação local, campanha ostensiva nas redes sociais com o slogan “Bem-vindos a Frankfurt, o que podemos fazer por você?”. O plano é tirar de Londres entre dez mil e 15.000 empregos. A Irlanda também quer aproveitar a eventual derrocada londrina, valendo-se da língua inglesa como principal atrativo.

Mas não há unanimidade nesse meio, e muitos analistas mencionam Nova York como herdeira potencial. No setor, também diz-se que, caso o BCE libere as transações em euro fora da UE, as instituições poderiam se estabelecer em Hong Kong ou Cingapura, onde os custos são menores, e a legislação, mais favorável às empresas.

— Aposto mais em Nova York. Frankfurt é o centro financeiro da UE, muito ligada ao euro, que também sai enfraquecido — disse Paulo Gomes, economista-chefe da Azimut.

RISCO PARA MONTADORAS

Outro canal de esvaziamento econômico é a saída de empresas que usam a ilha como base de operações na UE. Com o Brexit, essas companhias podem optar por transferir unidades para outros países do bloco, mantendo as vantagens do mercado único. A fabricante de motores de aviação Rolls-Royce é uma que alertou para o risco. E avisou aos seus mais de 50 mil funcionários que o Brexit ameaça a construção de sua unidade de testes, avaliada em 65 milhões de libras.

Uma pesquisa da SMMT, associação que representa o setor automotivo do Reino Unido, mostra que mais de 75% da indústria acreditam que o Brexit prejudicará os negócios. Toyota, BMW, Vauxhall (subsidiária da GM), Nissan, Audi e Tata (controladora da Jaguar Land Rover) apoiaram a campanha do “fica".

Há ainda outro risco: as cinco maiores farmacêuticas do Reino Unido são beneficiárias do financiamento da UE para pesquisas. Sem que os subsídios sejam cobertos pelo governo britânico, os laboratórios podem migrar para outros centros europeus.

Há ainda temor de que, sem as tarifas de importação elevadas da UE para a importação de carne, a pecuária britânica seja submetida a grande competição com produtores sul-americanos e irlandeses.

oglobo.globo.com | 25-06-2016

SÃO PAULO - As consequências da ruptura do Reino Unido com a União Europeia são diversas e imprevisíveis para a economia mundial e inevitavelmente vão se refletir no Brasil, dizem os especialistas. Entre os efeitos mais prováveis, estão o adiamento da retomada do crescimento nas principais economias da América Latina, o nascimento de uma onda protecionista nas relações comerciais com a região, além de um período de muitas incertezas. Para o Brasil, o primeiro impacto se dá via mercado financeiro, mas o contágio virá também por outras vias.

Nesse cenário, avalia o estrategista-chefe do banco Mizuho, Luciano Rostagno, se as moedas latino-americanas apresentarem uma forte e persistente desvalorização frente ao dólar, os bancos centrais da região poderão estender os ciclos de aperto monetário, reduzindo as perspectivas de crescimento para as principais economias da região. Para o Brasil, se isso se concretizar, diz ele, o BC deve adiar um pouco mais o início da redução da Selic, o que também irá retardar a retomada do crescimento.

— Se o real tiver um movimento forte de depreciação frente ao dólar, por um período prolongado, o BC deverá adiar o corte de juros — diz Rostagno, que considera que o BC brasileiro só voltaria a subir os juros no caso de uma turbulência mais forte causado pela ruptura, como a quebra de um grande banco, o que não está no horizonte do banco neste momento.

Para a professora Margarida Gutierrez, economista e professora do Instituto COPPEAD de Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a decisão da Inglaterra de deixar a União Europeia pode ser interpretada como um 'não à globalização'. Na prática, avalia Gutierrez, é um passo contrário ao que vinha se praticando em termos de acordos comerciais e uma volta ao 'isolacionismo'.

— Isso terá consequências para o comércio mundial e para o Brasil. A decisão de romper com tratados comerciais e livre circulação de pessoas, previstos pela União Europeia, mostra que o Reino Unido quer decidir suas práticas comerciais e quem vai circular pelo país. É uma mudança radical no cenário político e econômico desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando se começaram a costurar acordos comerciais e o mundo se tornou globalizado — explica a professora da UFRJ.

Num mundo que cresce pouco, a sinalização de relações comerciais mais protecionistas é um problema, não só para o Reino Unido, que exporta cerca de 50% para a União Europeia, mas para o mundo.

— Vamos passar um período de muita incerteza, de aversão ao risco. Todas as moedas, com exceção do dólar e do iene, tendem a se depreciar, e haverá menos disposição ao investimento. E com moedas depreciadas, aumentam as pressões inflacionárias — observa Gutierrez, lembrando, entretanto, que um real mais fraco acaba beneficiando a indústria nacional em termos de exportações.

A economista da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro, avalia que o crescimento mundial deve ser afetado negativamente com a saída do Reino Unido. E para a economia brasileira as consequências também são negativas.

— Além dos impactos diretos sobre o crescimento econômico, diante do menor fluxo de comércio de bens e serviços, financeiro e de pessoas, as incertezas com relação ao processo, considerando, inclusive, a possibilidade de desmembramento da União Europeia, deve manter elevada a aversão ao risco, afetando negativamente decisões de investimento e consumo. Para a economia mundial, que apresenta taxa moderada de expansão, esses efeitos devem provocar um crescimento ainda menor — afirma a economista.

Para ela, a economia brasileira, não escapa das consequências do Brexit, dados os efeitos via preços de ativos, confiança e crescimento econômico dos parceiros comerciais. Ainda que o comércio direto seja pequeno (1,5% das exportações brasileiras tem como destino o Reino Unido e 1,6% de nossas importações vem de lá), os maiores efeitos virão das consequências para a comunidade europeia, segundo maior destino de nossas exportações, e demais países como Estados Unidos e China.

Em relatório, os economistas do Itaú Unibanco preveem um crescimento menor nos países avançados, que tende a transbordar para os países emergentes. De acordo com o texto, o preço das commodities deve cair e as moedas ligadas a elas se desvalorize, com efeitos incertos sobre a inflação. O efeito positivo, diz o relatório do banco, a política monetária global será mais expansionista, sustentando o fluxo de capital para os mercados emergentes.

"O impacto global sobre a política monetária no Brasil vai depender do tamanho da depreciação do real e seu impacto sobre a inflação. Uma substancial depreciação da moeda poderia atrasar o início de um ciclo de corte de juros no segundo semestre desse ano", diz o texto do Itaú Unibanco.

oglobo.globo.com | 25-06-2016

Economista-chefe para Europa da consultoria Capital Economics, Jonathan Loynes acordou às quatro da madrugada para acompanhar a reta final da apuração do plebiscito e alerta para impacto negativo na economia, mas diz que “é errado ser pessimista demais". Ele espera mais estímulos do Banco Central Europeu (BCE), mas aponta que uma ação coordenada dos bancos centrais vai depender do comportamento do mercado.

A Capital Economics parece mais otimista que outros. Por quê?

Haverá impacto econômico, mas não tão grande quanto muitos preveem. Revimos para baixo nossa projeção para crescimento do Reino Unido em 2016 e 2017 e devemos ter estimativa mais baixa para a zona do euro em 2017 também. Há impacto negativo a curto prazo, mas não vemos nenhuma catástrofe na economia. É uma época de muita incertezas, mas é errado ser pessimista demais.

E o mercado financeiro?

O que vimos não é de maneira nenhuma a escala da crise de 2008. Nos EUA, por exemplo, houve queda forte, mas depois voltou para níveis dos últimos dias. Não é o colapso de um banco ou uma economia como a Grécia sendo forçada para fora da zona do euro. É claro que ainda é o início e as coisas podem mudar nas próximas semanas ou meses, se o mercado continuar a se enfraquecer. Já vimos alguma comunicação de bancos centrais, podemos ter compra de ativos...

Como deve ser a ação dos bancos centrais?

É possível que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) adie ainda mais a alta de juros. Tudo vai depender da reação dos mercados. Acredito que em algum momento o foco do mercado volte para a China, já que não teremos notícias concretas sobre a saída do Reino Unido pelo menos até outubro.

Acredita em uma ação coordenada?

Os bancos centrais podem avaliar que não é preciso. Mas se os BCs não agirem, o mercado pode se ressentir. É como a história do ovo e da galinha, não se sabe o que vem primeiro. Imagino que o Banco Central Europeu pode cortar mais os juros e avançar na compra de títulos de dívida soberana, o quantitative easing, ou enfim implementar o programa de Transações Monetárias Diretas (OMT, na sigla em inglês), anunciado em 2012 por Mario Draghi, mas que até agora não foi usado.

oglobo.globo.com | 25-06-2016

LONDRES - Os britânicos viveram ontem uma sexta-feira que não tem como ser esquecida. A decisão de deixar a União Europeia (UE), tomada por 52% dos eleitores no referendo de quinta-feira, enterrou 43 anos de integração com o bloco europeu, iniciando uma era de incerteza e turbulência política sem precedentes no Reino Unido. Em clima de incredulidade, o mundo viu o premier David Cameron renunciar, humilhado pela derrota para o Brexit (saída britânica). A corrida pela sucessão no Partido Conservador já começou, mas o escolhido só será apontado em outubro. Até lá, não há consenso sobre como será negociado o fim do casamento com a UE. Enquanto Cameron afirmou que o processo não seria imediato, líderes europeus exigiram uma saída rápida. CONTEÚDO EXCLUSIVAS PAPEL 2506

A votação dramática, que muda a História do Reino Unido, também sacudiu a oposição, encabeçada pelos trabalhistas. O líder Jeremy Corbyn, defensor da permanência na UE, foi alvo de uma moção de não confiança apresentada por colegas de legenda, que pode ir à votação já na segunda-feira. Por outro lado, dois políticos reforçaram a sua ascensão: Boris Johnson, ex-prefeito de Londres e favorito à sucessão de Cameron, e Nigel Farage, do Partido pela Independência do Reino Unido (Ukip), grandes vencedores da campanha pelo Leave (“sair”). O terremoto do Brexit teve impacto na Escócia, cujo governo prometeu voltar a lutar pela independência, e sacudiu os mercados globais. Mas a maior incógnita é como ficam as relações com a UE.

Os líderes dos outros 27 países que compõem o bloco europeu se reúnem a partir de terça-feira, em Bruxelas, para discutir o que o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, classificou como “processo de divórcio”. Cameron participará apenas de um jantar, mas no dia seguinte volta a Londres, enquanto os dirigentes debaterão as implicações do Brexit. Ao anunciar na manhã de ontem, diante da residência oficial de Downing Street, que só ficaria no cargo até outubro, o premier britânico garantiu que, por enquanto, os direitos dos cidadãos europeus no Reino Unido não serão afetados. Segundo ele, será responsabilidade do seu sucessor aplicar oficialmente o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, que determina o mecanismo de retirada da UE — um processo inédito. A partir daí começariam as negociações com a Comissão Europeia, que podem durar até dois anos e envolvem uma complexa revisão de todos os acordos, entre eles o de livre circulação de cidadãos europeus.

— Não seria correto tentar ser o capitão que conduz o país até seu próximo destino. Os britânicos votaram pela saída e sua vontade será respeitada — disse, com a voz embargada. — A negociação deve começar com um novo premier. Agora que a decisão está tomada, precisamos encontrar o melhor caminho.

Boris Johnson faz discurso conciliador

O processo pode ser desastroso para a integração europeia, refletindo um nacionalismo crescente no continente e trazendo graves riscos para a economia britânica, que pode ficar sem acesso ao mercado único europeu. A contagem dos votos do referendo surpreendeu inclusive quem defendia o Brexit, já que até o início da madrugada de quinta-feira as pesquisas previam uma vitória do Remain (de “permanecer”). O campo pró-UE, no entanto, acabou levando 48% dos votos. O resultado, confirmado às 5h da manhã, deixou Londres em estado de choque. A capital votou majoritariamente (60%) contra o Brexit, mas quando os moradores começaram a acordar, Farage já estava na TV sendo aplaudido por seus partidários de extrema-direita.

— Ouso sonhar com o amanhecer de um Reino Unido Independente — disse o político, principal responsável pelo discurso anti-imigração que ajudou a dar a vitória ao Brexit.

Info Brexit Referendo

As reações vieram em cadeia, com a libra esterlina despencando a níveis recordes. Para garantir a liquidez no mercado, o presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, anunciou que a instituição estava pronta para injetar 250 bilhões de libras na economia. Já Johnson, que nunca escondeu a ambição de substituir Cameron, fez um discurso conciliador, definindo o premier como “um dos mais extraordinários políticos de sua geração”. A imprensa já o trata como favorito à disputa no Partido Conservador. “Prepare-se para a era de Boris”, avisava o “Daily Telegraph” em seu site.

— Gostaria de dizer como estou triste pela renúncia de David (Cameron) — afirmou ele. — Diante da vitória do Leave, é preciso enfatizar que não há pressa. Como afirmou o primeiro-ministro, nada vai mudar a curto prazo, a não ser o início dos trabalhos para atender ao desejo do povo e remover o país desse sistema supranacional.

A declaração dos vencedores foi uma tentativa de evitar uma catastrófica reação econômica, mas sabe-se que não haverá saída fácil para o drama no Reino Unido.

oglobo.globo.com | 25-06-2016

A multiplicidade de nações adjacentes fez da Economia da Europa uma das mais complexas do planeta. Durante séculos a Europa foi o centro econômico do planeta. Entre as causas, podemos citar como a principal sua condição geográfica. A localização entre a África e a Ásia, fez da região europeia um ponto de passagem obrigatório, e facilitou de forma substancial a absorção e irradiação dos conhecimentos, tecnologia e comércio de ambos continentes. Esta condição perdurou até ao século XX. No século XX, a Europa viu seu predomínio declinar em relação aos Estados Unidos, o Japão e, na fase final, a China. A Primeira e Segunda guerra mundial, travadas em seu território, a carência de energia, de petróleo, além de uma intensa rivalidade entre seus povos, representaram para o continente a perda de sua liderança econômica. A Europa não tem auto-suficiência na produção de energia, exigindo a importação de muito petróleo. Este produto só é extraído em quantidades consideráveis na Rússia e no Mar do Norte. O gás natural, outro produto bastante usado na geração e produção de energia é muito abundante na Rússia, Romênia, Países Baixos e no Reino Unido. Outro recurso energético que teve grande importância nas fases iniciais da revolução industrial foi o carvão mineral, muito abundante, sobretudo na Alemanha, Polônia, Rússia, Reino Unido. Todas estas fontes energéticas são extremamente poluidoras e causam grandes impactos ambientais em todo o planeta. No caso da energia limpa, ou seja, não poluidora, podem ser citadas a energia hidráulica, energia eólica, e energia solar, de baixa produção e utilização da Europa, devido às suas condições geográficas. A produção de energia nuclear na Europa é muito importante, e, a exemplo dos Estados Unidos, gera imensas quantidades de lixo atômico, cujo fim, desde o início de sua utilização, é muito nebuloso e nunca divulgado na mídia mundial.


De dbpedia, licença creative commons CC-BY-SA
w3architect.com | hosting p2pweb.net
afromix.org | afromix.info | mediaport.net | webremix.info