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Europa Economia

Principais centrais sindicais preparam greve geral em 12 de dezembro - ANDREAS SOLARO / AFP / 1-7-2010

ROMA - A situação político-econômica da Itália continua se deteriorando e coloca em cheque a habilidade do governo em dar respostas concretas aos crescentes protestos da população. Após anos de estancamento econômico e políticas públicas de austeridade, a frustração dos italianos se converte agora em protestos e greves quase diárias que estão assustando a classe política.

Em meio a este cenário, o primeiro-ministro, Matteo Renzi, vê seus índices de aprovação caírem mês após mês. Para agravar o quadro, a CIGL e a UIL, duas das principais centrais sindicais do país, estão organizando uma greve geral em 12 de dezembro. A terceira maior organização, a CISL também promete uma paralisação do setor público, embora ainda não haja uma data definida. Os protestos prometem ser a maior demonstração do poder sindical desde 2011, quando Monti aprovou uma série de medidas de austeridade econômica.

Trabalhadores com ou sem filiação sindical e aposentados expressam toda sua indignação. Em Tor Sapienza, um bairro pobre na periferia de Roma, os moradores têm protestado nos últimos dias em frente a um centro de imigrantes, alvo de pedras e lixo queimado.

– Estamos cercados. Para lá estão as prostitutas, desse lado estão os ciganos e agora aqui os imigrantes. Isso é demais para nós – desabafa a aposentada Milena Pecci.

A maioria dos moradores diz não ser racista, mas se diz revoltada com o aumento da criminalidade, da pobreza e da falta de serviços públicos básicos, como o de iluminação. Os poucos políticos que se aventuram a Tor Sapienza são recebidos com insultos.

– Agora eles (os políticos) vêm oferecer uma série de vantagens para nós, porque a situação em que vivemos é contada na imprensa. Quando o noticiário diminuir, contudo, eles vão pensar de novo apenas nos seus bolsos – reclama Francesca Ribaudo, uma viúva de 38 anos.

O Produto Interno Bruto (PIB) da Itália diminuiu 9% desde 9,8%, o desemprego juvenil está em 43% – um dos mais elevados da Europa – e três recessões seguidas provocaram o fechamento de 80 mil empresas. Enquanto outros países também fortemente golpeados pela crise, como Irlanda, Espanha e Grécia, mostram alguns sinais de recuperação, a economia italiana não para de afundar.

As três confederações sindicais estão furiosas com o congelamento de salários e os planos do governo de flexibilizar as demissões nas empresas. Renzi rebate e diz que sua proposta de mudança na legislação trabalhista ajudará a atrair investimentos. Para a maior parte dos economistas, porém, as mudanças serão mínimas.

Renzi pertence ao Partido Democrático (PD), o maior da Itália. graças a uma centro-direita debilitada por divisões internas. Apesar do porte do partido, a Agência Demos, calcula que o índice de aprovação pessoal do primeiro-ministro está hoje em 52%, após uma queda de 10 pontos percentuais.

oglobo.globo.com | 23-11-2014

BRASÍLIA O Brasil é um dos países mais evoluídos em relação à tecnologia bancária, mas sofre com um problema inusitado: o atraso tecnológico dos Estados Unidos. É a relação com o maior mercado consumidor do mundo que mantém vivas as tarjas magnéticas dos cartões por aqui. Apesar de praticamente todas as máquinas brasileiras aceitarem cartões com chip, os bancos não podem abolir a tecnologia antiga. Sem a tarja, os brasileiros não poderiam gastar em solo americano, nem os turistas de lá deixarem os dólares aqui. Esse atraso dos EUA é alvo de uma ação internacional.

O Brasil apoiou a pressão europeia para que as operadoras determinassem a mudança de tecnologia nos EUA. O problema é gigantesco. Isso porque a rede de máquinas que recebe cartões americanos é enorme. E, nos Estados Unidos, há pequenos bancos que não aceitam mudar a tecnologia com facilidade.

Isso faz com que os cartões clonados no Brasil sejam usados em lojas americanas, pois lá não há chip e a senha não é exigida.

— Os cartões que são clonados aqui são usados pelas gangues em lojas ou em sites americanos porque lá é muito menos seguro que aqui — afirma uma fonte graduada do sistema bancário sob a condição de anonimato.

mais segurança

Enquanto a pressão dos demais países não dá resultado, resta aumentar a segurança interna. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), essa é uma das preocupações centrais das instituições financeiras. Por isso, os investimentos são vultosos: R$ 20,6 bilhões por ano em tecnologia da informação.

“Fortalecer a segurança é uma das prioridades dos bancos, porque tanto as instituições financeiras quanto os consumidores são vítimas dessa situação. O desafio dos bancos é desenvolver formas de identificação e autenticação que impossibilitem as fraudes sem dificultar o acesso aos serviços”, diz a instituição em nota.

Procurado, o Banco Central não se manifestou

oglobo.globo.com | 23-11-2014
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, apresenta na próxima semana, no Parlamento Europeu, as suas propostas para o pacote de investimentos públicos e privados de 300 mil milhões de euros, para os próximos três anos.
www.rtp.pt | 20-11-2014

MADRI — Um grupo de atrizes espanholas encontrou um modo inovador de protestar contra a tributação do governo sobre as artes cênicas: vender pornografia. A companhia teatral Primas de Riesgo está se registrando como distribuidora de pornografia depois de colocar as mãos em 300 números antigos da revista “Free People”.

O detalhe é que cada revista contém um ingresso gratuito para assistir à peça “El mágico prodigioso” neste mês no Nuevo Teatro Alcalá, em Madri, porque o imposto sobre as revistas é menos de um quinto daquele aplicado aos ingressos de um espetáculo teatral.

Os produtores do drama, escrito por Calderón de la Barca no século XVII, se juntam aos vencedores do Oscar Pedro Almodóvar e Javier Bardem, além de outros membros do mundo das artes na Espanha, em ataques ao governo por aumentar os impostos e cortar financiamento.

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, mais do que dobrou o tributo de vendas de entradas teatrais, que agora é de 21%, desde que assumiu o cargo em 2011. O valor se compara com o imposto de 4% sobre revistas, inclusive as pornográficas.

— Companhias independentes como a nossa sentem que estão numa camisa de força, sufocadas — disse Karina Garantiva, de 33 anos, diretora da Primas de Riesgo. — Se permitimos um imposto extremamente reduzido para a pornografia e um valor punitivo para Calderón, que é parte de nossa herança cultural, como Shakespeare para os ingleses, então estamos perdidos enquanto sociedade — completou Garantiva.

A companhia teatral fez uma parceria com uma banca em Madri para vender as revistas e distribuir os ingressos para a obra, cuja temporada começa no dia 25 de novembro.

ARTISTAS x ESTADO

O número de espectadores despencou 33% desde o começo da crise econômica em 2008, o que gerou entre atores e diretores a preocupação de que o patrimônio dramático da Espanha esteja ruindo. A arrecadação com os ingressos era de 8% até Rajoy cortar os gastos e aumentar os impostos para ganhar o apoio financeiro da União Europeia (UE) para o setor bancário.

O Ministério do Orçamento disse, por e-mail, que o aumento fiscal para o teatro foi necessário para equilibrar as contas públicas e a taxa reduzida para as revistas é permitida pela UE. O teatro está fazendo sua parte para tirar o país da crise, e muitas instituições culturais, como museus e bibliotecas, têm o benefício das taxas fiscais reduzidas, disse a o órgão do Estado, no dia 5 deste mês.

CORTE ORÇAMENTÁRIO

Rajoy prevê que a Espanha estreite o déficit orçamentário para 5,5% do PIB neste ano, em contraste com 10,3% em 2012. O governo reduzirá os impostos no próximo ano a fim de ganhar apoio para a eleição geral; as pesquisas de opinião indicam que o partido dele está mofando no terceiro lugar.

— O impacto do setor teatral sobre o déficit não é grande — disse José Carlos Díez, professor de Economia na Universidade de Alcalá. — Eles poderiam recuar a taxa quando quiserem, mas cometeram um erro ao aumentá-la e não querem admitir — explica ele.

A bilheteria nos teatros espanhóis caiu cerca de 14% desde 2008, e o número de apresentações despencou 26%, de acordo com a Sociedade Espanhola de Autores e Editores. A Espanha tem a segunda taxa mais alta de impostos sobre a venda de serviços culturais na Europa Ocidental, atrás da Dinamarca, que cobra 25%, conforme a Comissão Europeia. Portugal arrecada 13%, ao passo que a Itália cobra 10%.

PRÊMIO DE RISCO

Primas de Riesgo, que em espanhol significa tanto “prêmios de risco” quanto “primas de risco”, surgiu do mal-estar econômico do país há dois anos. De repente, os preços dos títulos dominavam os meios de comunicação espanhóis, e o país quase perdeu o acesso aos mercados financeiros.

— Todo mundo só falava do prêmio de risco — disse Garantiva, a diretora da companhia. — Estávamos num bar, cansados depois de um ensaio, e inventamos o nome. Naquela época, a gente estava começando. Provavelmente, era o pior momento para montar um projeto desses — conta ela.

As primeiras 300 pessoas que quiserem assistir à peça de Calderón vão pagar 16 euros (US$ 20) por uma revista pornográfica de 20 anos atrás. Depois, é possível que a companhia comece a produzir pornografia, mas o objetivo é que Rajoy volte atrás na decisão sobre o aumento das taxas.

— Não queremos nos tornar pornógrafos — disse Garantiva. — Essa é uma manifestação contra o governo.

oglobo.globo.com | 18-11-2014
Federica Mogherini. Chefe da política externa da União Europeia negou que bloco esteja discutindo sanções contra Israel - EMMANUEL DUNAND / AFP

TEL AVIV — A Alta Representante da União Europeia para Política Externa e Segurança, Federica Mogherini, afirmou nesta segunda-feira que um documento que revelava possíveis sanções contra Israel, revelado pelo diário israelense “Haaretz”, é um documento interno e “hipotético”, que não chegou a ser discutido pelos 28 países-membros do Bloco Europeu.

O documento revela novos detalhes de sugestões apresentadas em discussões internas entre membros da União Europeia (UE) em Bruxelas. Entre as opções consideradas estariam sanções às companhias europeias envolvidas na construção de assentamentos judaicos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

— Esses assuntos não estavam na pauta dos ministros hoje, e também não estava no centro das discussões de hoje — afirmou Mogherini, alegando não ter lido a matéria do “Haaretz”. — Certamente também não discutimos a possibilidade de isolar ou sancionar ninguém, mas sim, como voltar a motivar as partes envolvidas para que o diálogo retorne, e que possamos criar um cenário positivo para que israelenses e palestinos reiniciem o processo de paz.

Ainda assim, o encontro dos ministros terminou com um condenação formal contra a expansão dos assentamentos e indicações de medidas punitivas contra Israel.

“Lembrando que os assentamentos são ilegais sob a lei internacional, a União Europeia e seus Estados-membros continuam empenhados em assegurar a operação contínua, plena e efetiva aplicação da legislação em vigor e acordos bilaterais aplicáveis aos produtos de liquidação”, diz a mensagem dos ministros. “A UE acompanha de perto a situação e suas implicações mais amplas e permanece pronta para tomar novas medidas no sentido de proteger a viabilidade da solução de dois Estados”.

Os ministros ressaltaram em seu comunicado que “o desenvolvimento das relações com parceiros israelenses e palestinos dependerá de seu engajamento em nome de uma paz duradoura baseada num solução biestatal”.

O acordo de livre comércio entre Israel e União Europeia exclui os produtos das colônias, que estão sujeitos a taxas aduaneiras.

Em maio deste ano, a UE proibiu a importação de frangos e ovos das colônias judaicas da Cisjordânia ocupada.

A possibilidade de penalidades gerou uma resposta intensa do ministro israelense das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, que fez questão de separar as relações que o país mantém com a Europa, da turbulenta situação envolvendo a minoria palestina.

— Não é possível associar as relações bilaterais que Israel mantém com a União Europeia com as relações entre Israel e os palestinos — afirmou Lieberman após um encontro com o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier. — Uma coisa deve ficar clara: nunca aceitaremos que construções em bairros judaicos de Jerusalém sejam consideradas assentamentos. Não aceitaremos limitações de construção em áreas judaicas da cidade.

— Estamos sendo desafiados pela má vontade em reconhecer o direito do povo judeu a seu Estado — afirmou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. — Israel é um Estado judaico e democrático, onde todos os cidadãos têm direito ao voto.

MUDANÇAS NA LEI

Nesta segunda-feira, Netanyahu defendeu a aprovação, a qualquer preço, do polêmico projeto de lei que reforça o caráter "judeu" de Israel, em uma tentativa de evitar a ruptura de sua coalizão governamental. Segundo o projeto, as Leis Fundamentais não definirão mais Israel como um Estado "judeu e democrático", mas sim como "o Estado nacional do povo judeu".

Para alguns, trata-se de institucionalizar a discriminação contra a minoria árabe israelense, mas para o premier de Israel, é uma resposta "a todos aqueles que duvidam do direito dos judeus a uma Nação-Estado própria".

Este projeto de lei divide os membros da coalizão governamental, que enfrenta problemas internos há meses.

— Sem esta lei, adeus coalizão — ameaçou nesta segunda-feira a ministra da Economia, Naftali Bennett, do partido nacionalista religioso e pró-colonização Lar Judeu.

Os ministros de centro se preocupam, por sua parte, com o caráter "perigoso" e "antidemocrático" do projeto, e a ministra da Justiça, Tsipi Livni (HaTnoua), conseguiu adiar sua votação, prevista inicialmente para o domingo.

Segundo analistas, Netanyahu busca com esta lei um duplo objetivo: pender para a direita sua coalizão para permanecer no cargo ou angariar votos para eventuais eleições antecipadas, caso ocorra o rompimento da coalizão.

Os responsáveis do Likud, partido de Netanyahu, afirmaram ao jornal "Maariv" que "nas atuais circunstâncias" o primeiro-ministro conquistaria apenas 18 das 120 cadeiras do Parlamento.

Para a imprensa, este polêmico projeto é um modo de Netanyahu entrar em campanha de modo extraoficial.

"Quando se aproximam as eleições, Netanyahu sente a necessidade irresistível de se voltar para os elementos mais extremistas de seu eleitorado", afirma o jornal "Yediot Aharonot".

oglobo.globo.com | 17-11-2014
O dólar subiu diante do iene e do euro, como reflexo da divergência entre a recuperação da economia dos EUA e as dificuldades no Japão e na Europa.
atarde.uol.com.br | 17-11-2014

DAMASCO — Abu Maruan, sírio na faixa dos 50 anos, já não economiza. Faz mais de três anos que o último turista se foi, um desses que lhe tiraram das mãos os famosos lenços de seda que se vendiam às dezenas, ao preço de 10 euros cada. Numa rodinha com amigos diante de sua loja, Maruan segura numa das mãos o narguilé do qual sorve pausadamente. Com a outra ele joga os dados para tentar a sorte na “taula”, jogo de tabuleiro que, na falta de clientes, ocupa o tempo dos comerciantes e antiquários do bairro de Bab Touma, na zona velha de Damasco, capital da Síria.

— Se vendo apenas um lenço na semana já me considero afortunado — comenta Maruan sem tirar os olhos do jogo.

Ainda assim, esse comerciante volta a cada manhã para abrir sua loja.

— O que vou fazer? Ficar em casa? — indaga.

Para poder chegar ao fim do mês, muitas famílias se reagruparam em apenas uma casa, para assim poder pagar o aluguel. Outros vivem de remessas de familiares do exterior.

— Tento fazer estoque, mas já não chegam tecidos de Aleppo. As fábricas foram fechadas — acrescenta Maruan.

A cada passo, ecoa o som de tecidos carbonizados nas solas de Mohamed Hayani, empresário têxtil de 35 anos que gerencia uma fábrica em Aleppo. Ele caminha sobre quatro anos de trabalho e um milhão de euros de investimentos que viraram cinzas.

— Roubaram todos os aparelhos que permitiam o funcionamento da fábrica e atearam fogo no resto — queixa-se este homem de negócio arruinado.

A zona industrial de Sheij Nayar, dez quilômetros ao norte de Aleppo, a maior cidade síria e considerada a capital econômica do país, abrigava duas mil fábricas como a de Mohamed e dava de comer a 42 mil trabalhadores. Hoje, Sheij Nayar não passa de uma planície, na qual se espalham edifícios em ruínas, montanhas de plástico fundido, máquinas carbonizadas e vidros quebrados, tudo guardado por militares.

— Em tempos pré-guera, chamávamos Aleppo de “Oum al Kheir” (a mãe da bonança, em árabe) — lembra Mohamed Jamour, também empresário de Aleppo que olha desconsolado sua fábrica queimada. — A zona industrial representava 45% do total da produção da cidade, a maioria têxtil. Aleppo (com 4,75 milhões de habitantes antes da guerra) reúne 35% da produção total da Síria.

A maioria dos empresários tenta passar da área têxtil para o setor de construção, mais lucrativo em tempos de guerra.

— Não podemos suportar mais perdas. Os bancos não dão créditos, e ainda que reabríssemos, a maioria dos trabalhadores qualificados fugiu para a Turquia. E se pudéssemos produzir não conseguiríamos fazer frente aos preços exorbitantes do transporte devido à insegurança nas rotas para a capital — explica o empresário.

O corte nos subsídios afeta produtos básicos como o pão, cujo preço passou de 15 para 25 libras sírias (de 7 a 11 centavos de euro), ou o custo da eletricidade e da água, que subiu quase 100%.

— Antes, o quilo do arroz valia 35 libras sírias (17 centavos de euro), hoje vale 150 (70 centavos de euro). É impossível encontrar combustível para aquecer as casas, e as temperaturas estão caindo. No mercado negro custa até 200 libras (95 centavos de euro) o litro, enquanto o preço do governo é 80 (38 centavos de euro) — reclama Taufik, taxista de 35 anos, em Damasco.

A taxa de desemprego chega a 54,3%, segundo dados do The Economista Intelligence Unit, enquanto o restante está empregado ou pelo Estado (40% do total) — com salários de 180 euros mensais — ou pela crescente economia informal. Três milhões de pessoas perderam seu trabalho durante o conflito e outros três milhões se refugiaram em países vizinhos, reduzindo o consumo interno.

Em março de 2011, a exportação de petróleo respondia por 25% das receitas do Estado. O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) tomou os postos de petróleo do noroeste do país, enquanto outros rebeldes fizeram o mesmo na fronteira com a Turquia, deixando apenas duas refinarias sob controle do governo. A produção de 400 mil barris diários da Síria antes da guerra caiu para 25 mil.

À crise causada pelo conflito somam-se as sanções econômicas da Europa e dos Estados Unidos. Somente Rússia e Irã rompem seu isolamento internacional. A potência persa é responsável por 50% das importações sírias. Poucos meses atrás, o Irã anunciava a ajuda de 2.200 milhões de euros para a Síria importar derivados de combustíveis e petróleo bruto. À espera de uma milagrosa recuperação econômica, Abu Maruan e seus amigos continuarão jogando dados para matar o tempo.

oglobo.globo.com | 17-11-2014

BRISBANE. A presidente Dilma Rousseff não deu nenhuma indicação hoje de quem será o novo ministro da Fazenda. Mas seja lá quem for, ela já decidiu uma coisa:

— Nós vamos fazer ajustes.

A presidente garantiu que “nem todos os ajustes são pelo lado de cortar a demanda”. E deixou claro que o foco será outro:

— Eu não acho que você consegue recuperar uma economia sem ter uma política com foco na demanda. Você não pode achar que com restrição à demanda você recupera — disse, referindo-se à política de austeridade aplicada em alguns países, sobretudo na Europa.

Tanto ela quanto o ministro Guido Mantega, da Fazenda, que a acompanhou na reunião de cúpula das 20 maiores economias do mundo, o G-20, se negaram a revelar em que áreas serão feitas os cortes. Dilma explicou que no Brasil hoje há vários gastos e despesas que não resultam nem em mais investimento, nem em aumento de consumo. São estes gastos que serão cortados, avisou:

— Essas despesas que não levam à ampliação de investimento e consumo são aquelas que nós consideramos que podem ser cortadas. Tem outras despesas que temos que olhar porque são excessivas.

E insistiu que o governo não trabalhará com a restrição da demanda :

— Nós vamos fazer um ajuste, mas nós não defendemos que a melhor política seja a restrição da demanda como forma de sair da crise. Não é. Isso está provado na própria União Europeia.

Diante da necessidade de ajuste fiscal, há rumores no mercado de que o governo aumentaria a Cida, isto é, uma contribuição cobrada a cada litro da gasolina — como forma de aumentar a arrecadação. Dilma desmentiu o rumo :

— Não conheço essa possibilidade. Eu não discuti a criação da Cide com ninguém — garantiu.

Mantega assegurou que os ajustes ainda não foram totalmente decididos. Mas que serão feitos ainda este ano. E um dos objetivos será crédito para aumentar o consumo.

— Vamos anunciar no seu devido tempo os cortes que serão feitos. Não está pronto ainda. Está em estudos.

Mantega assegurou que não haverá uma mudança radical de rumo na política econômica do governo. E repetiu o seu principal argumento: de que a população, ao reeleger o governo, aprovou a atual política econômica “que gerou emprego e aumentou a renda da população”. Quando um jornalista quis saber, então, se ele não se sentia injustiçado por estar sendo afastado do governo, Mantega reagiu:

— Desculpe, mas eu não fui afastado. Eu pedi para sair do governo já há algum tempo. Existem problemas familiares. Cheguei no limite.

Dilma e Mantega falaram em frustração no G-20 com a recuperação fraca da economia mundial, bem abaixo do esperado.

— Todos nós consideramos dentro da reunião que teria havia uma frustração do crescimento. Esperava-se no início do ano um crescimento mais robusto. E este crescimento não se verificou da forma como a gente esperava —disse Dilma.

Mantega saiu pessimista da reunião do G-20. Ele disse que dizer que não viu no encontro, que acabou hoje, nenhuma solução que vá realmente resolver o problema do crescimento nos países ricos. Medidas do bloco para estimular o crescimento global, como os planos específicos de cada país ou a criação de um núcleo para atrair investidores para projetos de infraestrutura, “são positivas”, disse Mantega, mas não resolvem o problema:

— A verdade é essa: não apareceu aqui nenhuma solução para estimular a demanda da Europa, principalmente. Os Estados Unidos estão retomando, o Reino Unido está retomando. Mas Europa e Japão, não estão.

Mantega voltou a atribuir o baixo crescimento no Brasil e a desaceleração nos países emergentes ao baixo crescimento nas economias ricas:

— O comércio internacional era estimulado pelos países avançados, pela União Europeia, Estados Unidos, Japão. Então, foram eles que desaceleraram o comércio internacional. Portanto diminuíram as encomendas feitas para a China, os países asiáticos…

Ele citou ainda uma série de problemas específicos do Brasil para explicar o baixo crescimento do país, como uma seca forte, menos dias úteis, repercussão dos ajustes do Fed (o Banco Central dos Estados Unidos) e pressão inflacionária. Até, finalmente, reconhecer que o Brasil precisa fazer ajustes :

— O Brasil tem que fazer ajustes. Temos que reduzir a pressão inflacionária, e ela está sendo reduzida. Temos que fazer outros ajustes, como o fiscal, o que há muitos meses eu venho dizendo. Estamos preparando estes ajustes, quando estiverem prontos serão anunciados — afirmou.

Estes ajustes, do lado fiscal, segundo ele, vão abrir espaço para “uma política monetária mais flexível”.

— O objetivo é caminhar para um superávit fiscal maior em 2015 do tamanho que já foi anunciado na proposta orçamentária que está tramitando no Congresso, em torno de 2% de superávit primário.

Dilma cobra reforma do FMI

Dilma cobrou a prometida reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI), onde para Brasil e outros emergentes foi prometido mais peso. A reforma foi bloqueada pelos Estados Unidos.

— Se não houver saída, ou se não for aprovada esta reforma no âmbito de todos os membros, no caso, dos Estados Unidos, nós procuraremos, junto aos ministros da Fazenda do G-20, soluções alternativas.

Banco dos Brics vai operar em julho

Mantega disse que os Brics — grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — decidiram se organizar para que o novo banco do bloco, chamado Novo Banco do Desenvolvimento, comece a funcionar a partir de julho do ano que vem. Será indicado um conselho de administração provisória e alguns membros da diretoria antes mesmo de ter a aprovação do Congresso para o funcionamento do banco.

Mantega disse que os emergentes estão preocupados com a demora da economia internacional em superar a crise. E disse que os esforços do G-20 não têm sido suficientes:

— Todos os membros estão preocupados. Os países emergentes dependem do comércio internacional e do dinamismo da economia internacional.

oglobo.globo.com | 16-11-2014

RIO - As exigências que a PricewaterhouseCoopers (PwC) vem colocando à Petrobras para avalizar a contabilidade da estatal e de suas subsidiárias evocam um velho adágio popular: “Gato escaldado tem medo de água fria”. Após a onda de escândalos que marcaram a história corporativa neste início de século, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa, houve um aperto na regulação e legislação do setor, responsabilizando não apenas as empresas, mas igualmente os executivos e as firmas de auditoria.

Considerado culpado no caso de fraude na Enron, Jeffrey Skilling, ex-diretor-executivo do grupo, chega algemado ao presídio federal americano Bob Casey, em Houston, Texas, em junho de 2013, após audiência na Justiça - F. Carter Smith / Bloomberg/21-6-2013

O chamado crime do colarinho branco sempre existiu, mas a escala de grandeza dos prejuízos sobre investidores, empregados e contribuintes tornaram-se grandes demais a ponto de afetar a confiança no sistema com um todo. Contabilidade criativa, faturamentos irregulares, fraudes contábeis, desvios de dinheiro, omissões, falsificações de documentos e faturas, pagamento propinas, entre outros delitos, tornaram-se mais elusivos, graças às novas tecnologias e à globalização da economia.

A falência da gigante americana do setor de comercialização de energia elétrica Enron Corporation, em 2001, com uma dívida avaliada em US$ 13 bilhões, se tornou paradigmática, não só pela extensão dos prejuízos, mas por ter tornado evidente a precariedade dos modelos de governança corporativa e fiscalização contábil, além de expor a desatualização da legislação. Em sua queda, a Enron arrastou consigo para o abismo a Arthur Andersen, firma responsável por sua contabilidade, e espirrou lama em importantes bancos, entre eles Citigroup, Merrill Lynch, Credit Suisse, Barclays e Goldman Sachs.

NOVA LEGISLAÇÃO

Em 2002, a WorldCom, então a maior operadora de telecomunicações a longa distância dos Estados Unidos — com presença em 65 países e fruto de uma série de fusões na consolidação do setor —, abalou o mundo corporativo, depois que sua diretoria, capitaneada por Bernard Ebbers, admitiu que inflou artificialmente seu lucro em US$ 4 bilhões. O escândalo, descoberto por uma comissão interna de fiscalização, logo evoluiu para a maior fraude contábil da história corporativa do país. No esquema, despesas foram registradas como gastos de capital e as receitas foram infladas. A companhia, também auditada pela Arthur Andersen, pediu falência em 2002.

Calisto Tanzi, fundador e ex-presidente da Parmalat (ao centro), entre seus advogados, durante o julgamento do caso de fraude, em Milão, Itália, em 2008 - GIUSEPPE ARESU / Giuseppe Aresu/Bloomberg News/17-11-2008

Na Europa, chamou a atenção o caso da Parlamat — batizado pela imprensa local como a “Enron italiana”. Gigante do setor de alimentos, fundada por Calisto Tanzi, teve sua falência decretada pela Justiça italiana em 2003, com reflexos na subsidiária brasileira, que se viu obrigada a entrar com pedido de recuperação judicial. A firma responsável pela contabilidade do grupo italiano era a Grant Thornton.

Guido Ferrarini e Paolo Giudici afirmam, em um artigo publicado pelo European Corporate Governance Institute, que, diferentemente dos casos de WorldCom e Enron, a fraude na Parmalat se deveu menos à precariedade da legislação que regulava as práticas contábeis e a transparência corporativa, do que à falta de aplicação efetiva da lei pelas autoridades responsáveis. Uma das consequências dos casos Enron e WorldCom foi justamente o aperto na legislação do setor, quer no âmbito da Securities and Exchange Commission (SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA), quer na área judiciária.

CONTABILIDADE NA BERLINDA

Após esses escândalos, o Congresso americano aprovou a lei Sabernes-Oxley, que introduziu uma série de medidas regulatórias, cuja amplitude foi a maior já vista desde os anos 1930. Isso não impediu que outras corporações protagonizassem fraudes em série, como foi o caso da Tyco, em 2002; HealthSouth, em 2003; Freddie Mac, em 2003; AIG, em 2005; e o esquema da pirâmide de Bernard Madoff, em 2008, que resultou na prisão do mesmo. No mesmo ano, o caso das hipotecas lastreadas em “papéis podres” fizeram desmoronar o mercado financeiro, levando o sistema financeiro global à beira do abismo. O colapso do banco de investimentos Lehman Brothers foi o estopim para o recrudescimento da crise financeira mundial, cujos reflexos ainda se fazem sentir.

Em todos esses escândalos e outros com repercussão menor, as firmas responsáveis pela contabilidade também foram de algum modo penalizadas ou tiveram sua reputação afetada. Entre elas, a própria PwC, KPMG, Ernst & Young, Arthur Andersen, Deloitte & Touche e, no caso Madoff, a Friehling & Horowitz.

Com o aperto por parte das autoridades reguladoras, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa, sobrou também para os principais executivos, que começaram a ser processados criminalmente e condenados a extensas penas de prisão. No caso da Enron, Kenneth Lay e Jeffrey Skilling foram condenados a 24 anos de prisão. Lay, no entanto, morreu antes de cumprir a sentença. Já Bernie Ebbers, da WorldCom, foi condenado a 25 anos de prisão. O cerco à pessoa física junto com a jurídica acabou inclusive gerando um novo nicho de seguro: as apólices de responsabilidade civil, ou D&Os.

oglobo.globo.com | 14-11-2014

WASHINGTON - Em dois anos, a economia mundial nunca esteve tão fora de forma quanto agora. A zona do euro e os mercados emergentes estão se deteriorando, e o perigo de deflação aumenta, segundo a sondagem Bloomberg Global Poll com investidores internacionais.

A maioria relativa de 38% dos consultados nesta semana considera que a economia global está piorando. É mais do que o dobro da proporção que disse o mesmo na última edição da pesquisa, em julho, e o maior número desde setembro de 2012, quando a Europa estava atolada em uma recessão.

Grande parte da preocupação volta a se concentrar na zona do euro: quase dois terços dos consultados disseram que a economia da região está se deteriorando, e 89% considera que a desinflação ou deflação seja uma ameaça maior lá do que a inflação no próximo ano. Os participantes disseram que o Banco Central Europeu e os governos da região estão piorando a situação ao insistir em políticas rígidas demais, e um número menor expressou confiança no presidente do BCE, Mario Draghi, e na chanceler alemã, Angela Merkel.

“A economia da zona do euro tem se deteriorado e piorará se os principais países europeus, especialmente a Alemanha, não implementarem políticas fiscais”, disse por e-mail Sanwook Lee, participante da pesquisa e gerente sênior de carteiras do Shinhan Bank em Seul.

A Europa não é a única fonte de preocupação na economia mundial, segundo a pesquisa trimestral realizada com 510 investidores, operadores e analistas assinantes da Bloomberg. Mais de metade deles disse que as condições nas economias do BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China – estão piorando; em junho, 36% dos participantes tinham afirmado isso.

PONTO POSITIVO

O único ponto positivo foram os EUA. Pouco menos de dois terços disseram que a maior economia do mundo está melhorando, e quase a metade disse que os mercados dos EUA ofereceriam alguns dos melhores retornos nos próximos doze meses. Os mercados da China e da Índia ficaram em segundo lugar muito atrás, com 22% cada.

No entanto, os EUA não foram imunes ao crescente nervosismo dos investidores com a desaceleração dos aumentos nos preços ao consumidor. Quarenta e sete por cento disse que a desinflação ou deflação era um risco maior do que a inflação para os EUA nos próximos doze meses, frente a 31% em julho.

Em setembro, a inflação nos EUA foi de 1,4%, segundo o índice de preços para gastos em consumo pessoal preferido pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Foi o 29º mês consecutivo em que a taxa ficou abaixo da meta de 2% do Fed. Contudo, quase metade dos consultados descreveram a política monetária americana como bastante correta, e 45% considerou-a acomodatícia demais.

O BCE está tendo mais dificuldades do que o Fed para cumprir a meta de inflação. Em outubro, os preços ao consumidor na zona do euro subiram 0,4% em relação ao ano anterior, frente a 0,3%, o mínimo em cinco anos, registrado em setembro, com base nos dados da secretaria de estatísticas da União Europeia em Luxemburgo. O valor corresponde a menos de um quarto da meta do BCE, de pouco menos de 2%.

POLÍTICAS DO BCE

Uma maioria relativa de 43% considera que as políticas monetárias do BCE são restritivas demais, frente a 31% em julho. Como consequência, a popularidade do presidente do BCE Draghi entre os investidores foi afetada: na última pesquisa, cinquenta e nove% tinha uma imagem favorável dele, frente a 74% em julho.

Os participantes da pesquisa consideraram a economia do Japão estável, embora tenham dito que ela também enfrenta o risco de desinflação e deflação. Quase três quartos consideraram isso uma maior ameaça para o país asiático do que a inflação nos próximos doze meses, em comparação com 58% em julho.

A pesquisa com clientes da Bloomberg foi realizada nos dias 11 e 12 de novembro pela Selzer Co., empresa com sede em Des Moines, Iowa. A margem de erro é de mais ou menos 4,3 pontos porcentuais.

oglobo.globo.com | 14-11-2014
Sede do banco central europeu, em Frankfurt - DANIEL ROLAND / AFP

BRUXELAS - O crescimento econômico da zona do euro foi mais forte que o esperado no terceiro trimestre deste ano, mostraram dados preliminares publicados nesta sexta-feira, com a França superando projeções de mercado e a Alemanha afastando-se de recessão.

Segundo a agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat, o Produto Interno Bruto (PIB) dos 18 países que compartilham o euro cresceu 0,2% na comparação trimestral no período de julho a setembro, após expansão de 0,1% nos três meses anteriores.

Na comparação anual, a zona do euro cresceu 0,8% no terceiro trimestre, o mesmo ritmo visto no segundo trimestre, ante expectativas de mercado de expansão de 0,7%.

oglobo.globo.com | 14-11-2014

SYDNEY - A Rússia está exposta a novas sanções do Ocidente, caso não se comprometa com uma solução para o conflito no leste da Ucrânia, afirmou o primeiro-ministro britânico, David Cameron, que chamou o comportamento de Moscou de inaceitável.

Em um discurso no Parlamento australiano, Cameron afirmou que as atuais sanções impostas pelo Ocidente estão afetando a economia russa.

— A gestão da Rússia na Ucrânia é inaceitável — afirmou Cameron à imprensa, antes de viajar a Brisbane para participar no sábado e domingo da reunião de cúpula do 20, que terá a participação do presidente russo Vladimir Putin.

— Se a Rússia adotar uma atitude positiva a respeito da liberdade e da responsabilidade da Ucrânia, as sanções podem ser retiradas. Mas, se a Rússia continuar agravando as coisas, as sanções podem aumentar. É simples assim — acrescentou.

União Europeia, Estados Unidos e Austrália adotaram sanções contra a Rússia por seu papel no conflito do leste da Ucrânia. As potências ocidentais acusam Moscou de apoiar os rebeldes separatistas.

Na quinta-feira, a Rússia negou novamente ter enviado tropas ao leste da Ucrânia. Os separatistas pró-Rússia e o Exército ucraniano combatem desde abril no leste do país, um conflito que provocou mais de 4.000 mortes e deixou centenas de milhares de deslocados.

oglobo.globo.com | 14-11-2014

BRASÍLIA — O governo prevê que triplicará a demanda por energia no país até 2050 e, para tanto, o país não poderá contar apenas com energia limpa ou com a maior eficiência no consumo, que também devem se expandir no horizonte. Por essa linha, o volume de emissões de gases deverá dobrar no período de 36 anos, segundo o Plano Nacional de Energia 2050, apresentado nesta quinta-feira para debate com o setor em Brasília.

— Na próxima década se esgota o potencial de exploração da energia hidrelétrica. Como você vai fazer? Eólica, solar, biomassa e eficiência energética não são suficientes para um país das dimensões do Brasil, o que não quer dizer que não vamos fazer — disse Altino Ventura Filho, secretário de planejamento energético do Ministério de Minas e Energia, prevendo maior uso de energia térmica a partir de combustíveis nucleares, carvão mineral e gás natural.

O consumo de energia no país saltará de 266 mil toneladas equivalente de petróleo (tep) em 2013 para 604 mil em 2050, com aumento da oferta de energia principalmente pela geração de eletricidade a partir de todas as matrizes possíveis e de gás natural entregue diretamente para a indústria.

Assim como o PNE anterior, de 2030, esta versão atualizada prevê a construção de quatro novas usinas nucleares no país na década de 2020. Na ocasião do lançamento do PNE 2030, estados chegaram a disputar a escolha para a instalação dos parques nucleares, numa discussão que perdeu fôlego e interesse das partes após o acidente de Fukushima, em 2011.

São previstas, também entre quatro e seis usinas de carvão mineral na região Sul, onde há mais oferta da matéria-prima. Além disso, o aumento da produção de gás natural poderia elevar em 10 mil Megawatts a geração de energia térmica no país.

Na abertura da cerimônia de apresentação ao mercado do PNE para 2050, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, apontou que, em 2050, o consumo nacional estará equiparado ao nível atual da União Europeia.

— Trata-se do esforço de planejamento de longo prazo de maior envergadura do governo federal. (...) Em 2050, estaremos nos ombreando a países desenvolvidos da Europa — disse Lobão.

Técnicos do ministério de Minas e Energia e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apresentaram nesta quinta-feira em Brasília o PNE para 2050, com um ano de atraso em relação ao prazo original previsto. Ventura justificou esse atraso pela demanda de organização de leilões de energia que vem ocorrendo todos os anos.

Em seu cenário para 2050, o setor energético do governo previu que, naquele ano, a população brasileira chegará a 226,1 milhões de pessoas, ou seja, quase 30 milhões acima do que o número atual, principalmente em áreas urbanas. Com o envelhecimento da população, também são previstos mais domicílios por pessoa, o que significa maior demanda energética por pessoa.

Nesse horizonte, o MME e a EPE previram, também, um crescimento médio do Produto Interno Bruto (PIB) do país de 3,6% a 4% ao ano, acima da média mundial. Há uma previsão de encolhimento do setor industrial na parcela de consumo de energia entre os setores da economia, mas também o PNE 2050 aponta que a riqueza produzida no país exigirá menos energia ao fim do período, ou seja, a economia será mais eficiente.

O estudo apontou que esforços no sentido de economia de energia, ou eficiência energética, por parte das indústrias e da população em geral, têm potencial para reduzir em 18% o consumo de energia elétrica até 2050, equivalente a seis usinas de Itaipu.

O PNE 2050 prevê forte expansão das emissões de gases de efeito estufa, como consequência do maior consumo de energia no país, puxada principalmente pelos setores de transportes e indústria. O número de milhões de toneladas de CO2 emitidas em 2014 sairia de um nível de 400 para mais de 800 em 2050.

— Emissões absolutas aumenta, mas intensidade de crescimento cai a partir de 2020 — destacou o superintendente de estudos econômicos e energéticos da EPE, Ricardo Gorini.

oglobo.globo.com | 13-11-2014
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Os comboios noturnos, que ajudaram uma geração de jovens europeus a viajar pelo estrangeiro (alguém se lembra do célebre passe Interrail?) poderão brevemente passar a ser apenas uma memória.

A revista sobre economia e ecologia Terra eco recorda que, nos últimos tempos, várias companhias ferroviárias decidiram acabar com as suas linhas noturnas na Europa:

no passado mês de dezembro, a Elipsos decidiu cancelar a sua rota entre a França e a Espanha. E, em seguida, a que unia a Suíça, a Espanha e a Itália.

No início de outubro, a International Railway Journal anunciou que o Deutsche Bahn, a companhia de caminhos de ferro alemã e uma das maiores operadoras de comboios noturnos, também iria acabar com os comboios noturnos entre a França e a Alemanha e a Suíça, a Alemanha e a Dinamarca.

Quais os motivos de todos estes encerramentos? A falta de rentabilidade desta atividade perante os voos económicos: a vetustez do material, pois a renovação seria muito dispendiosa; os gastos de gestão; os problemas de interoperabilidade… Mas também a legislação europeia relativa ao setor ferroviário e à liberalização do mesmo. A International Railway Journal explica ainda que

enquanto a Comissão Europeia investe milhares de milhões de euros na conceção de infraestruturas ferroviárias transfronteiriças, as ligações internacionais estão a desaparecer aos poucos, devido à falta de uma visão comum para manter o seu funcionamento. Isto vai de encontro à política da UE relativamente à transferência modal e à redução das emissões de CO2, na medida em que os passageiros se veem obrigados a utilizar o avião para viagens de curta distância.

Segundo a revista, para evitar o desaparecimento dos comboios noturnos na Europa, que dispõem de um “enorme potencial turístico”, seria necessária “uma visão comum para o futuro”. Mas também que as companhias ferroviárias considerassem “uma abordagem mais pragmática”, oferecendo, por exemplo, “serviços de valor acrescentado, como compartimentos de alta gama, promoções e reservas simplificadas”.

Neste momento, observa a Terra eco, apenas a Thello, parece estar a progredir:

segundo o seu diretor geral, Albert Alday, a rota Paris-Milão-Veneza (que até 2010 foi explorada pela Artesia), transportava 200 mil passageiros por ano até à nossa chegada. Em 2012, ultrapassámos os 300 mil e, em 2014, vamos alcançar, pelo menos, 340 mil passageiros.

No entanto, o economista Yves Crozet revela à revista francesa que a “linha noturna retomada pela Thello entre Paris e Veneza é um serviço especial, marcado pelo romantismo” e um sinal de que os comboios noturnos se estão a tornar um produto de nicho ou de luxo: “pertencem a outra era, tal como os barcos que atravessam o Atlântico”.

www.voxeurop.eu | 13-11-2014
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jack Lew, disse nesta quarta-feira (12) que a França e a Itália deveriam ter mais tempo para controlar seus deficits orçamentários e que é "fundamental" que a Alemanha e a Holanda abram seus cofres para impulsionar o crescimento econômico. Leia mais (11/12/2014 - 20h45)
redir.folha.com.br | 12-11-2014
Os Estados Unidos receiam "uma década perdida" na economia europeia e apelam aos governos para adotarem "ações determinadas" que travem o declínio, afirmou hoje o secretário do Tesouro norte-americano, Jacob Lew.
www.rtp.pt | 12-11-2014
Moradores de Niterói realizaram uma manifestação nos últimos dias após o aumento do número de crimes na cidade - Agência O Globo / Gustavo Stephan

SÃO PAULO - No final de 2011, Wagner Dornelles Pereira, então com 29 anos, recebeu uma proposta para mudar de emprego. Mesmo ainda cursando a faculdade de Administração de Empresas, teria a oportunidade de trabalhar em uma função de destaque na área de logística de uma rede de locadora de veículos. Antes de começar no novo emprego, em Porto Alegre, resolveu descansar uns dias na Guarda do Embaú, no litoral catarinense. Na noite de 29 de dezembro daquele ano, porém, ao deixar um bar do balneário, foi surpreendido por um tiroteio. Uma bala perdida o atingiu na cabeça. O rapaz sobreviveu, mas perdeu os movimentos do corpo e a fala.

A tragédia levou o pai de Wagner a parar de trabalhar para cuidar do filho, e hoje a família se mantém com a ajuda de rifas e doações. O caso ilustra como a epidemia de violência no país produz também impactos financeiros. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que será lançado na próxima terça-feira, mostrará que o problema custa para o Brasil o equivalente a 5,4% do Produto Interno Produto (PIB). No ano de 2013, o montante atingiu R$ 258 bilhões. A maior parte deste valor, R$ 114 bilhões, é resultado justamente da perda de capital humano.

— As pessoas vítimas da violência, em geral, morrem de forma prematura, e deixam de produzir e de consumir. É claro que a vida não tem preço, mas, do ponto de vista econômico, há uma perda. É uma tragédia humana e econômica - afirma o economista Daniel Cerqueira, diretor do Instituto de Pesquisas Econômicas (Ipea) e responsável pelo cálculo.

É a primeira vez que o anuário elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública inclui dados sobre os custos da violência. A comparação com outros países é complicada, segundo Cerqueira, porque há diferença no método de cálculo.

— Mas o Brasil é certamente um dos países em que a violência tem um dos maiores custos, porque é um dos mais violentos do mundo, principalmente se for levado em consideração o número de homicídios — diz o economista.

Para o sociólogo Renato Sérgio de Lima, vice-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o custo da violência é um entrave para o desenvolvimento do país e acaba tirando dinheiro de outras áreas.

— Desta forma, o Brasil dificilmente vai atingir níveis civilizados de desenvolvimento. O custo da violência no Brasil seria pesado para qualquer país, e tira dinheiro que deveria ser investido em áreas mais centrais, como saúde e educação.

PREJUÍZO PARA AS FAMÍLIAS

Lima ressalta que os parentes das vítimas, além da lidar com a perda, são gravemente prejudicados financeiramente.

— A famílias acabam sendo punidas porque sofrem com a queda das condições de vida — afirma o sociólogo.

No caso de Wagner Dornelles, as dificuldades persistem três anos depois da tragédia. Impedido de trabalhar, o rapaz recebe um seguro de R$ 1.800, segundo sua mãe, Fátima. Quando foi atingido pela bala perdida, ele tinha um salário de cerca de R$ 4 mil, em valores da época. O pai deixou a microempresa de cortinas que possuía porque a mãe não consegue movimentar o filho dentro de casa.

— Ele é um rapaz grande e forte. Somos uma família destruída, e o pior é que os responsáveis por este crime estão soltos — desabafa a mãe.

Além dos R$ 114 bilhões gerados pela perda de capital humano, entram na conta dos custos da violência R$ 39 milhões de gastos com contratação de serviços de segurança privada, R$ 36 bilhões com seguros contra roubos e furtos e R$ 3 bilhões com o sistema público de saúde. A soma destas despesas, que chegou a R$ 192 bilhões em 2013, ou 3,97% do PIB, é classificada no estudo como “custo social da violência”. O valor pode ser ainda maior, porque os gastos com pessoas que ficam inválidas em razão da violência, por exemplo, não entraram no cálculo.

— Quem mora numa cidade onde há muitos roubos de carros tem o custo econômico de pagar um seguro — observa Daniel Cerqueira. — Este tipo de gasto faz parte do impacto provocado pela violência e pela criminalidade.

INVESTIMENTO MAL ADMINISTRADO

Completam os custos da violência no país os R$ 4,9 bilhões para manter as prisões e unidades de cumprimento de medidas socioeducativas e os investimentos governamentais de R$ 61,1 bilhões em segurança pública. Na avaliação dos responsáveis pela elaboração do anuário, o último número é uma prova de que o problema da área não é falta de recursos, e sim seu mau uso.

Em 2013, o investimento público em segurança cresceu 8,65% (patamar superior ao aumento da inflação e ao crescimento da economia) em relação ao ano anterior. O gasto dos governos federal, estaduais e municipais com o setor no ano passado representou 1,26% do PIB. Os Estados Unidos gastam 1% e a União Europeia, 1,3%. Mas, enquanto o Brasil teve 24,8 homicídios por grupo de 100 mil habitantes no ano passado, os Estados Unidos registram uma taxa de 4,7 e a União Europeia, de 1,1. O Chile, país da América Latina como o Brasil, destina um valor equivalente a 0,8% de seu PIB para a segurança pública e registra apenas 1,1 assassinato por grupo de 100 mil habitantes.

— O gasto público do nosso país é muito parecido com o dos países desenvolvidos. Isso mostra que o montante reservado pelos governos para segurança pública não é suficiente para dar conta de nossa mazela, mas está longe de ser pouco dinheiro. O problema está na forma ineficiente como o dinheiro é gasto — analisa Renato Sérgio de Lima.

Na visão do especialista, o caminho correto para obter resultados com a redução dos índices de criminalidade seria os estados investirem em ações coordenadas com órgãos como o Ministério Público e entre as próprias polícias Civil e Militar.

— A gente teria ganhos mais expressivos. São estas ações que acabam provocando mais impacto — afirma.

Já o economista Daniel Cerqueira acredita que o problema do investimento público em segurança pública no Brasil é a descontinuidade dos projetos.

— Isso ocorre por razões políticas. O novo governo, por achar que o anterior tem uma marca forte na área, descontinua programas, sem avaliar se estão dando certo ou não.

Para o diretor do Ipea, diante do custo social da violência, de R$ 192 bilhões, seria aceitável um investimento público que chegasse a R$ 150 bilhões:

— Se isso resolvesse o problema, geraria bem-estar. Mas gastar mais não garante em nada que se vá resolvê-lo. Nosso sistema de segurança pública de modo geral está falido. Acredito que é preciso gastar mais, mas não de qualquer forma. Não fazendo mais do mesmo.

Entre os estados, São Paulo foi o que mais investiu em segurança pública em 2013: R$ 9,27 bilhões. O valor é, inclusive, 12,11% superior aos gastos do governo federal com a área naquele ano, que foram de R$ 8,27 bilhões. Tanto o governo paulista como a União elevaram o investimento em relação ao ano anterior.

ACRE GASTA MAIS POR HABITANTE

Mas, se for considerada a população, o estado que mais investiu no setor foi o Acre, com R$ 486 por habitante. São Paulo gastou apenas R$ 212 per capita. Rondônia foi o segundo em despesa per capita, com R$ 476; e o Rio, o terceiro, com R$ 429. O Rio também foi um dos estados que mais aumentaram o gasto na área: 24,75%. O montante total investido passou de R$ 5,64 bilhões para R$ 7,03 bilhões, consolidando o estado em segundo no ranking dos que mais destinaram dinheiro para a segurança pública em valores absolutos.

O Amapá e Roraima aceleraram os investimentos ainda mais do que o Rio, porém ainda estão em um patamar inferior de gasto. Com crescimento de 35,01%, o Amapá atingiu R$ 52,2 milhões, mas o valor per capita é de R$ 70, o segundo pior do país. E Roraima teve um aumento de 25,27% no investimento, colocando R$ 183,1 milhões na área e atingindo R$ 373 por habitante.

Na contramão, seis estados colocaram menos dinheiro no setor em 2013, em comparação com o ano anterior. São eles Ceará, Bahia, Sergipe, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e Piauí - o que mais retirou recursos da segurança pública, com uma redução de 61,72%. O estado do Nordeste destinou R$ 94,5 milhões para a área no ano passado, tornando-se a menor unidade da federação em investimento per capita: apenas R$ 29,67.

Apesar de a segurança pública ser uma atribuição dos estados, de acordo com a Constituição, o anuário mostra que os municípios brasileiros investiram R$ 3,59 bilhões na área, valor inferior apenas a São Paulo, Rio e Minas. O gasto é 3,28% maior do que o do ano anterior.

oglobo.globo.com | 10-11-2014

BRASÍLIA - Os líderes do G20 (grupo que reúne as 19 maiores economias do mundo e a União Europeia) se reunirão na próxima semana para discutir ações que estimulem o crescimento mundial. Ao final do encontro, que será realizado em Brisbane, na Austrália, nos dias 15 e 16 de novembro, será assinado um comunicado no qual os países se comprometem a adotar medidas para que o Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os produtos e serviços produzidos) global tenha um crescimento adicional de dois pontos percentuais nos próximos cinco anos.

Segundo o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Carlos Cozendey, o Brasil vai contribuir para esse esforço com US$ 50 bilhões em investimentos. Esse montante inclui o programa de concessões na área de infraestrutura, o Pronatec (programa voltado para o aumento da qualificação da mão de obra no país), e incentivos para micro e pequenas empresas, como a reformação do Simples Nacional. Ao todo, os países do grupo vão citar 900 medidas de estímulo no comunicado final da reunião.

Cozendey afirmou ainda que a presidente Dilma Rousseff vai aproveitar o encontro para pedir que os países dêem mais estímulos ao crescimento, especialmente aqueles que têm adotado uma política fiscal muito restritiva. Ela será acompanhada do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

— A presidente vai falar sobre a necessidade de retomada do crescimento global. Para isso, é necessário que os países se mobilizem, especialmente os que tem espaço fiscal para isso, mas que não estão fazendo — disse Cozendey.

Há uma expectativa de que, durante o encontro, a Organização Mundial do Comércio (OMC) apresente um relatório apontando as medidas de defesa comercial adotadas pelos países. O Brasil deve estar entre as nações que mais fecharam sua economia depois da crise global de 2008. Mesmo assim, o secretário afirmou que o governo não tem preocupação com o relatório, pois houve, em todo o mundo, um aumento da prática de dumping, que ocorre quando uma empresa exporta para um país um produto com preço inferior àquele que pratica em seu mercado interno.

Cozendey lembrou que o estudo da OMC não faz julgamentos sobre os países. Trata-se de um levantamento das medidas que eles adotaram. Para ele, o fato de a crise ter gerado uma redução da demanda global acabou criando uma pressão para que as empresas vendessem seus produtos e usassem práticas desleais como dumping. Por isso, o Brasil aumentou a aplicação de direitos antidumping nos últimos anos.

— Houve uma desova de produtos a preços desleais. Mas o Ministério do Desenvolvimento é criterioso na hora de aplicar direitos antidumping. O Brasil está absolutamente tranquilo — disse o secretário.

Além de discutirem o crescimento mundial, os integrantes do G20 vão assumir outros compromissos. Entre eles, trabalhar pela redução do custo das transferências feitas por migrantes. Segundo Cozendey, essas remessas são importantes para várias economias e fazem parte importante do balanço de pagamentos. Por isso, a ideia é discutir com as agências privadas que fazem essas remessas a possibilidade de seu custo ser reduzido para 5%. Outro compromisso é reduzir em 25% a diferença entre a participação de homens e mulheres no mercado de trabalho. A meta é que isso seja atingido até 2025.

O comunicado deve ainda fazer uma referência às clausulas “pari passu” dos contratos de dívidas soberanas para evitar problemas como o que ocorreu na Argentina. Essa cláusula estabelece que todos credores de um país devem ser pagos ao mesmo tempo.

Este ano, a Argentina foi obrigada pela Justiça dos Estados Unidos a pagar imediatamente tanto os credores que possuíam bônus de sua dívida quanto os que não aceitaram a proposta de reestruturação do país (conhecidos com fundos abutres). O governo argentino queria honrar primeiro o compromisso com os credores que aceitaram a reestruturação e que são maioria entre os detentores de bônus. O impasse deixou o país em calote técnico. Segundo o governo brasileiro, a cláusula "pari passu" pode ter impacto negativo sobre futuras reestruturações de dívidas de outros países.

Durante o encontro, também será criado um Centro Mundial de Infraestrutura. A ideia, segundo Cozendey, é que ele seja um espaço onde os investidores internacionais possam obter informações detalhadas sobre projetos de infraestrutura espalhados pelos países do G20. Inicialmente, esse centro vai funcionar durante quatro anos.

— É um casamento entre investidores e projetos de investimento.

Paralelamente ao encontro do G20, também deve ser realizada uma reunião dos Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Nela, serão tratados temas como a criação do bancos dos Brics.

oglobo.globo.com | 07-11-2014
Kirchner na Assembléia Geral da ONU, em setembro. Presidente argentina esta internada desde o último domingo com infecção intestinal - JEWEL SAMAD / AFP

BUENOS AIRES — Internada com um quadro de sigmoidite, a presidente argentina Cristina Kirchner deverá ficar dez dias de repouso após receber alta e não poderá participar do encontro do G20 nos dias 15 e 16 de novembro, na Austrália. De acordo com a Casa Rosada, o ministro da economia, Axel Kicillof, e o chanceler argentino, Héctor Timerman, deverão representar o país no encontro.

De acordo com o documento assinado pelos médicos da Presidência, o quadro de Cristina é estável e ela está internada para completar o tratamento. O documento diz ainda que após a alta a presidente deverá ficar pelo menos dez dias em repouso na residência presidencial de Olivos. Cristina foi internada na noite de domingo com febre e dores estomacais e foi diagnosticada com um quadro de sigmoidite, uma infecção intestinal.

Com a estimativa do tratamento, a Casa Rosada declarou que Cristina não participará do encontro do G20, em Brisbane, Austrália. Na reunião, a presidente pretendia debater a questão dos fundos abutres, mas Austrália, Estados Unidos, Alemanha e outros países da União Europeia não são a favor da discussão, por acreditarem que o assunto deve ser debatido junto ao FMI.

No lugar de Cristina, o ministro da economia, Axel Kicillof comandará a comitiva argentina, acompanhado do chanceler Timerman. De acordo com o jornal argentino “La Nacion” o governo tem evitado expor o vice-presidente Amado Boudou, que está sendo investigado por caso de sonegação de impostos. Cristina ainda não passou o mandato para Boudou, contrariando o que prevê a Constituição argentina.

oglobo.globo.com | 06-11-2014
Da esquerda para a direita, ministro das Finanças Pierre Gramegna, ministro da Justiça Felix Braz, ministro da Economia Etienne Schneider e primeiro-ministro Xavier Bettel deixam aquela que pode ter sido a mais importante conferência de imprensa das suas carreiras. O Luxemburgo foi acusado de ter aberto a porta à evasão fiscal de centenas de multinacionais. A denúncia parte de documentos obtidos pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação. Entre as 340 empresas favorecidas por estes acordos estão gigantes como a Apple, Amazon, IKEA e Pepsi. Trata-se de uma caso que toca o novo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, primeiro-ministro do Luxemburgo entre 1995 e 2013.
www.rtp.pt | 06-11-2014
É a segunda maior queda da Europa neste setor, de 2,5 por cento, ficando atrás apenas da Alemanha, que teve um recuo de 3,2 por cento. São os dados do Eurostat divulgados esta quarta-feira e que alertam para o abrandamento da economia no país "motor" da Europa.
www.rtp.pt | 05-11-2014
Nicolau Santos, comentador de economia da Antena 1, faz a leitura das previsões apresentadas esta terça-feira pela Comissão Europeia e que apontam para um défice orçamental de 3,3%, acima do número previsto pelo Governo no Orçamento do Estado para 2015.
www.rtp.pt | 04-11-2014
A Comissão Europeia reviu, esta terça-feira, em baixa as previsões de retoma da economia europeia, estimando que este ano cresça apenas 0,8% na zona euro e 1,3% no conjunto da UE, crescimento que se manterá "lento" em 2015.
feeds.jn.pt | 04-11-2014
A Comissão Europeia prevê que o crescimento da economia francesa permaneça "fraco" em 2014 e 2015, e antecipa que, "apesar de cortes significativos na despesa", o défice das contas públicas e a dívida continuem a subir.
www.rtp.pt | 04-11-2014
A economia italiana ainda deverá cair este ano 0,4%, segundo as previsões de outono da Comissão Europeia, que apontam para que a retoma aconteça apenas em 2015, com um crescimento do PIB de uns ligeiros 0,6%.
www.rtp.pt | 04-11-2014
A Comissão Europeia reviu hoje em baixa as previsões de retoma da economia europeia, estimando que este ano cresça apenas 0,8% na zona euro e 1,3% no conjunto da UE, crescimento que se manterá "lento" em 2015.
www.rtp.pt | 04-11-2014
Partindo do pressuposto de que se impõe “maior cautela” nas expectativas quanto à coluna das receitas, a Comissão Europeia avançou esta terça-feira com a previsão de um défice das contas públicas portuguesas de 3,3 por cento do Produto Interno Bruto no próximo ano, superando assim a estimativa de 2,7 por cento inscrita pelo Governo no Orçamento do Estado. A mão corretora de Bruxelas estende-se ao desempenho da economia: a previsão é de um crescimento de 1,3 por cento, duas décimas abaixo do cenário da coligação.
www.rtp.pt | 04-11-2014

BRUXELAS - Não pode haver uma verdadeira união monetária sem uma união bancária: o euro e a economia continental dificilmente podem funcionar sem um mecanismo que rompa essa perversa interação entre a fragilidade dos bancos e a dos Estados. Essa relação tóxica foi devastadora na crise que começou há mais de meia década e continua, latente, à espera da próxima sacudida. A União Europeia estreia esta semana uma mudança extra na sua arquitetura institucional, dentro desse estado de transição permanente que é a construção europeia: o Banco Central Europeu (BCE) assume os poderes de supervisão financeira depois dos recentes testes no setor. E, ainda assim, quando se trata do euro, sempre há um porém: dificilmente pode haver uma autêntica união bancária sem uma união fiscal e política. Porque quando o BCE decide que é preciso fechar bancos é muito possível que tenha que recorrer ao talão de cheques do contribuinte: os bancos são dependentes do Estado e há países que já não têm força suficiente para pagar essa conta. Sim, é um assunto muito delicado: não há verdadeira união monetária sem união bancária; e não há verdadeira união bancária sem união fiscal.

Fachada do Banco Central Europeu (BCE): mais poderes sobre os bancos - ALEX DOMANSKI / REUTERS

A união bancária é um dos poucos efeitos positivos da crise. Porque apesar das táticas de distração, o problema da Europa era e e continua sendo os bancos — cheios de dívidas, incapazes como empresas, abraçados ao Estado, além da liberdade dada pelo BCE, que permitiu a construção de setores financeiros cada vez menos europeus e mais nacionais. Por isso, essa é a mudança mais ambiciosa desde a adoção do euro: a transferência às autoridades europeias da supervisão dos bancos, e o poder de fechá-los em um continente em que antes não se deixava quebrar nem mesmo uma lavanderia. Música celestial para o desenvolvimento da construção europeia, e para melhorar o funcionamento de um sistema financeiro disfuncional, capaz de desestabilizar tudo por querer arriscar demais. Ao menos em teoria. Porque a realidade é mais prosaica; mais espinhosa. Uma união bancária requer três pilares: um supervisor único; uma autoridade de resolução — de fechamento — de bancos com um extintor de incêndio potente, que permita fechar uma entidade sem provocar grandes problemas; e um esquema de garantia de depósitos comum, que certifique que um banco espanhol é tão confiável como um alemão. Sem isso, a resistência da união bancária é questionável. E a Europa está apenas na metade do caminho.

O supervisor bancário assume nesta terça-feira plenos poderes sobre os 130 grandes bancos continentais, além da possibilidade de analisar com lupa qualquer uma das 6 mil entidades da zona do euro sob suspeita.

— É um passo positivo, porque os supervisores nacionais foram muito suaves nos últimos anos, muito complacentes com seus campeões nacionais — aponta Nicolas Veron, do think tank Bruegel, acrescentando que ainda falta muito. — Na parte de resolução, nem o processo de tomada de decisões está claro nem o extintor de incêndios — € 55 bilhões que não estarão completos em dez anos, têm munição suficiente: o Royal Bank of Scotland, por exemplo, precisou sozinho de uma quantia parecida. E o esquema de garantia de depósitos nem mesmo começou a ser debatido.

CÍRCULO VICIOSO

A semente do projeto começou a brotar em 2012, com a crise do Bankia assustando os líderes continentais, e depois da crise irlandesa. Os objetivos do Conselho Europeu de então assentavam as bases de uma ideia luminosa: “É preciso quebrar o círculo vicioso entre bancos e dívida soberana”, e ser capaz de usar o mecanismo de resgate europeu para “recapitalizar diretamente” os bancos em caso de problemas, mesmo para os ativos podres herdados, pensando em Espanha, Irlanda e talvez Itália.

Mas nos meses seguintes, Berlim se encarregou de excluir tudo de que não gostava. E, no fim, “nem se quebra esse vínculo bancos-Estados soberanos nem há possibilidade de recapitalização direta, exceto em casos excepcionais. A Alemanha impediu algo mais ambicioso com a atitude quase religiosa de evitar qualquer coisa que cheirasse a uma mutualismo”, escreveu Paul de Grauwe, da London School of Economics (LSE).

— O projeto de lei, tal como está, é perfeitamente válido para combater crises normais. Mas, em meio a uma estagnação longa e com tendências deflacionárias perigosas, já não se pode descartar um acidente grave na Europa, causando ferimentos sérios aos bancos. Nesse caso, seria preciso voltar a improvisar, porque essa união bancária é manca — diz Barry Eichengreen de Berkeley. — Para que o mercado monetário, bancário e de capitais europeu funcione corretamente, é preciso dar passos à frente na união política e fiscal. E, para isso, conseguir uma dose de confiança entre parceiros que não existe hoje. Se você quer minha opinião, a Europa ainda tem um caminho muito difícil pela frente.

UNIÃO LIGHT

Trata-se, enfim, de uma união bancária light, segundo fontes em Bruxelas e Frankfurt. A união fiscal que requer uma união bancária de verdade ainda está longe de ser conseguida, continua sendo a inalcançável utopia europeia de sempre. A união bancária é um passo capital para reforçar a construção europeia, segundo a maioria dos analistas. A união bancária é um passo adiante, mas, olhada de perto, dá a impressão de que o problema continua intacto. Nesta interminável crise europeia, o lobo é o sistema financeiro.

Mario Draghi, presidente do BCE: figura importante para os avanços no bloco - Michael Probst / AP

Apesar dos pesares, o BCE é a grande estrela da crise. E o presidente do BCE, Mario Draghi, vai construindo seu papel: tirou a zona do euro do pior de seus pesadelos em 2012, com aquele whatever it takes (“farei tudo que for necessário”), inventou uma fórmula para assustar os mercados sem usar um só euro e “é quem diz de forma mais lúcida do que necessita a Europa: investimento, flexibilidade fiscal onde for possível, reformas e mais política monetária”, aponta Joaquín Almunia, vice-presidente da Comissão Europeia. Agora, o BCE tem mais músculo.

E o BCE fica maior: “Não só assume mais responsabilidade, como viu de perto como estão as entidades bancárias e isso o força a amadurecer de uma só vez: já não deve se concentrar só na inflação, mas também na estabilidade financeira. E não pode haver estabilidade se o crescimento não voltar. Isso leva a mais medidas extraordinárias em Frankfurt, sempre que Draghi conseguir convencer Berlim”, alerta De Grauwe, da LSE.

RENACIONALIZAÇÃO DO SISTEMA BANCÁRIO

Francesco Papadia, ex-alto funcionário do BCE, afirma que tanto os testes recentes como o lançamento da supervisão única são “progressos importantes”, mas também afirma que muito mais precisa ser feito: “O mais urgente é parar a renacionalização do sistema bancário. A suavidade com que os supervisores nacionais trabalhavam com alguns dos excessos do setor bancário não podia ser tolerada por mais tempo. O BCE agora pode pressionar para reduzir a concentração de dívida nacional na carteira das instituições financeiras, por exemplo”.

Prever o que pode acontecer com o euro é um tipo de expedição para além do horizonte. Mas é claro que a economia não está respirando bem em tudo, apesar do otimismo irresponsável de certos setores. A fragilidade do sistema bancário afeta não apenas as economias que sofreram a crise, mas também os países que até agora têm uma maior estabilidade: problemas na Itália são evidentes, e a maré sobe para a França, incluindo às margens da Alemanha em algumas áreas.

As políticas do BCE tiveram sucesso em estabilizar o sistema, mas sem resolver a situação mais profundamente. A união bancária vem com várias promessas debaixo do braço. A partir de agora vem a parte difícil: para limitar a deficiência do projeto é preciso solidariedade — outra forma de dizer dinheiro —, e é nesse ponto que tudo é mais complicado. Antes de colocar um único euro para salvar um banco, ele deve vender ativos, punir acionistas e detentores de dívida de baixa qualidade. Deve, além disso, impor perdas aos credores para reduzir a conta da ajuda. E, em caso de crise sistêmica, ainda há os contribuintes.

— Já entramos no oitavo ano de crise e, no entanto, ainda é preciso encontrar a forma de manejar os imensos volumes de dívida da Europa — afirma Charles Wyplosz, do Graduate Institute.

oglobo.globo.com | 02-11-2014
Passageiros em ponto de ônibus perto de obra em Pequim. O setor de construções, que passou por um boom, agora anda a passos lentos e derruba a demanda por minério de ferro para produção de aço - Andy Wong / AP

WASHINGTON - A forte economia da China puxou, por anos, o resto do mundo, absorvendo petróleo, minério de ferro e outras commodities de países em desenvolvimento e automóveis e produtos de luxo exportados pela Europa. Mas o papel do país como motor do mundo está se desfazendo enquanto sua economia desacelera.

E muitas outras nações, na visão de economistas, vão sentir os efeitos disso. Uma pesquisa da Associated Press com 30 economistas revelou que 57% deles esperam que a desaceleração da economia chinesa vai restringir o crescimento em países do Brasil e Chile à Austrália e Coreia do Sul. A exceção notável é os Estados Unidos, visto pelos especialistas como “isolado” dos problemas chineses.

O crescimento da China, que já foi “explosivo”, está mais lento em parte devido aos esforços do governo do país para restringir seu setor imobiliário especulativo e direcionar a economia para o gasto do consumidor. No terceiro trimestre de 2014, a economia chinesa expandiu 7,3% em relação ao mesmo período de 2013 — o ritmo mais lento desde 2009.

Uma taxa de crescimento acima de 7% causaria inveja à maior parte das grandes economias do mundo. Mas, para a China, isso marca uma forte desaceleração depois de três décadas de expansão de dois dígitos. Na última semana, grupo privado de pesquisa econômica Conference estimou que o crescimento do país seria de apenas 4% em 2020.

Os efeitos do ritmo mais lento na economia da China já reverberam pelo mundo. O Brasil e a Austrália estão vendendo menos minério de ferro, um ingrediente-chave para a produção de aço, ao passo que o boom da construção no país oriental pisa no freio. Já o Chile está exportando menos cobre e a Indonésia registra queda nas vendas de petróleo e madeira.

Com os consumidores chineses comprando menos smartphones ou optando por modelos alternativos mais baratos feitos no próprio paós, as exportações de eletrônicos da Coreia do Sul estão enfraquecidas e seu crescimento está comprometido.

O consumo menos aquecido também ameaça as marcas de luxo europeias. Sung Won Sohn, uma economista da California State University estima que um terço dos relógios suíços são exportados para a China, que é o mercado da Mercedes-Benz e da BMW com o crescimento mais rápido.

Por outro lado, os EUA seriam pouco afetados porque suas fabricantes de automóveis vendem muito na China, mas quase toda a produção é feita no país oriental. Ou seja, pouco contribui para a economia americana, segundo Sohn. O mesmo acontece com muitos outros produtos de marcas americanas. Por isso os Estados Unidos estão relativamente protegidos dos problemas chineses.

— É difícil ver uma desaceleração na China ter um impacto realmente significante na economia dos Estados Unidos, exceto um colapso completo — disse o economista da Capital Economisc Paul Ashworth.

O preço do petróleo já caiu mais de 25% nos últimos meses, em parte pelo fato de a China estar usando menos a commodity, reduzindo, assim, a demanda global. Com a demanda menor, o preço médio da gasolina nos EUA caiu US$ 0,33 em outubro. O preço médio ficou abaixo de US$ 3 neste fim de semana pela primeira vez em quatro anos.

Robert Johnson, um economista do serviço de investimento Morningstar, observou que os EUA estão se recuperando gradualmente da crise de 2008 mesmo com o enfraquecimento chinês. Ainda assim, se o crescimento da China desacelerar significativamente, isso vai eventualmente diminuir o ritmo de avanço dos EUA.

— A China é um mercado muito grande. Cedo ou tarde, nós sentiremos o impacto — afirmou Sohn.

oglobo.globo.com | 02-11-2014
Há duas semanas, Portugal foi um dos 14 países que, numa carta, exigiam à Comissão Europeia a inclusão de uma cláusula de defesa dos investimentos nas negociações com os Estados Unidos. Agora, Bruno Maçães, que assinou a carta, garante que “o mecanismo pode estar, ou não, no texto final” e que isso não é “vital” para os interesses portugueses
www.publico.pt | 02-11-2014
Aperto. Multidão lota vagão da Linha 2 do metrô, que vai da Pavuna a Botafogo - Agência O Globo / Márcia Foletto

RIO E BRASÍLIA - O Brasil escolheu o carro. Governo após governo dedica parte de sua arrecadação para beneficiar essa indústria. A crise de 2008 provocou uma nova onda de incentivos. Somente no ano passado, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e o subsídio da gasolina, uma espécie de “bolsa carro”, somaram R$ 19,38 bilhões. O valor é quase o dobro do montante destinado a melhorar o transporte público nas cidades: R$ 10,2 bilhões em 2013. Enquanto isso, a população se espreme em metrôs, trens e ônibus superlotados. Em série de reportagens multimídia que começa a ser publicada hoje, O GLOBO percorre as maiores metrópoles do país para ver como anda a mobilidade urbana para milhões de brasileiros e mostra as consequências da opção por um Brasil motorizado e individualista.

São 47 milhões de automóveis e 19 milhões de motos nas vias brasileiras, frota 175% maior que em 1998. Nesse período, a população brasileira cresceu 28,5%. A cada ano, 3,7 milhões de carros novos invadem as ruas do país. Cálculos do economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho mostram que a capacidade de produção da indústria triplicou nos últimos 20 anos. Os incentivos ao carro em 2013 foram maiores que os R$ 14,38 bilhões previstos para obras da Copa do Mundo e são equivalentes a dez meses do Bolsa Família.

PARA O GOVERNO, IMPACTO É POSITIVO

A Copa do Mundo e as Olimpíadas ajudaram a diminuir um pouco esse desequilíbrio. Facilitar o ir e vir das pessoas nos grandes eventos passou a ter prioridade. E as manifestações de junho de 2013 deixaram claro que o transporte público caro e ruim é capaz de mobilizar a população a não só pedir preço de passagem menor como exigir serviços públicos de qualidade. Não era só por R$ 0,20, como diziam as faixas de protesto. O assunto foi um dos pontos centrais no debate eleitoral.

— Toda obra de mobilidade urbana que se faz já vai nascer cheia. O esgotamento é tamanho que vai ter demanda sempre — afirma Paulo Resende, coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral.

Desde 2009, os incentivos ao carro somaram R$ 56,4 bilhões — mais de dois anos de Bolsa Família. Neste cálculo estão as reduções do IPI, segundo a Receita Federal. Há também a isenção da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), tributo que incide sobre os combustíveis, e a diferença entre o valor da gasolina no país e a cotação mundial, segundo o Centro Brasileiro de Infraestrutura. Enquanto isso, em mobilidade urbana foram investidos R$ 32,6 bilhões no mesmo período, segundo estudo inédito do economista Cláudio Frischtak, presidente da Inter.B Consultoria Internacional, que falará sobre o tema em seminário na próxima sexta-feira na FGV.

E a pressão da indústria automobilística por baixar ainda mais o IPI este ano e pela manutenção em 2015 do benefício, previsto para terminar em 31 de dezembro, começou na semana passada, no lançamento do Salão do Automóvel. As montadoras alegam que estão com os pátios cheios, mas bateram seguidos recordes de vendas de 2003 a 2012.

No BNDES, a indústria automotiva também foi privilegiada. De 2008 a 2013, os desembolsos para o setor foram de R$ 32 bilhões, enquanto os projetos de mobilidade urbana levaram R$ 9 bilhões. Segundo o banco, dois fatores explicam isso: obras de tempo maior com o dinheiro liberado aos poucos e dificuldade dos estados de estar em condições de contrair os empréstimos.

— Já nos anos 1990 houve a redução na carga tributária para o carro popular com mil cilindradas. A tributação no Brasil é mais baixa que a da Europa e próxima à dos Estados Unidos, o país do automóvel. Também houve aumento de crédito, que era uma das barreiras para a população de classes mais baixas comprar carro — diz Carvalho, do Ipea.

. - Editoria de Arte/O GLOBO

O economista não critica o acesso mais fácil ao veículo. A proporção carro por habitante no Brasil ainda é baixa, dois têm carro a cada dez habitantes. Na Alemanha, essa relação é de seis para dez. O problema é a falta de infraestrutura e de transporte coletivo decente para ser uma alternativa ao carro.

Técnicos do governo justificam os incentivos ao carro pelo impacto positivo da expansão da indústria na economia, além dos empregos. O setor responde por 25% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos) industrial.

— Somos dependentes da indústria automobilística há mais de 40 anos. Está na hora de mudar e partir para a indústria de bens coletivos — diz Frischtak.

Mas fontes do governo reconhecem que a indústria tenta protelar investimentos. Houve pressão para prorrogar a exigência de airbag e freio ABS em todos os veículos no fim de 2013. As montadoras ameaçaram demitir se a exigência fosse mantida. O governo chegou a considerar o adiamento, mas a presidente Dilma Rousseff não cedeu, o que levou ao fim da fabricação da Kombi e a quase nenhuma demissão naquele momento.

Para o Ministério das Cidades, não há contradição: “A política de desoneração do IPI é uma medida econômica que mantém o mercado aquecido e gera empregos, o que pode caminhar junto com as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana”. Segundo o ministério, os recursos federais comprometidos para a área de mobilidade urbana, com Orçamento e BNDES, somam cerca de R$ 30 bilhões por ano desde 2012. Até o início da Copa, segundo o Ministério do Planejamento, dos 35 empreendimentos de mobilidade urbana previstos no orçamento de R$ 7 bilhões, nove foram concluídos (R$ 737,5 milhões) e 11 entraram em operação parcial (R$ 3,5 bilhões). Os demais migraram para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

INVESTIMENTOS NEM SEMPRE SÃO ADEQUADOS

Dos R$ 50 bilhões do Pacto da Mobilidade Urbana, lançado pelo governo federal em junho de 2013, durante as manifestações, foram selecionados mais de cem projetos, no valor de R$ 44 bilhões. O governo não informa quanto foi gasto até agora.

Marcos Bicalho dos Santos, diretor da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), diz que os pacotes do governo prometem R$ 143 bilhões à mobilidade urbana, mas até agora foram investidos algo entre 10% e 15%:

— Precisamos de R$ 400 bilhões em dez anos para atender à demanda. O abandono foi grande.

E os investimentos nem sempre são os mais adequados. Constroem BRTs, linhas rápidas de ônibus, enquanto a demanda exige trem ou metrô.

— Nos últimos anos vimos o movimento dos passageiros em transporte sobre trilhos crescer 10% ao ano, embora a malha cresça apenas 3% ao ano. Isso explica parte da superlotação — explica Joubert Flores, presidente da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos e diretor de Engenharia do Metrô Rio, afirmando que os governos precisam investir para ampliar a capacidade, diminuir intervalos e expandir a malha.

Enquanto espera mais projetos saírem do papel, Ana Beatriz de Azevedo acorda às 5h para chegar às 8h ao escritório no Centro do Rio. Moradora de Belford Roxo, pega um ônibus para chegar ao metrô da Pavuna, última parada da Linha 2. Veio para o Rio atraída pelo salário. Pela mesma função que exercia em Nilópolis, ganha R$ 600 a mais no Rio.

— Agora tenho que acordar às 5h para chegar ao Centro perto de 8h. Antes acordava às 7h.

oglobo.globo.com | 02-11-2014
O presidente executivo da Inapa, José Morgado, considerou hoje que o grupo vai manter a evolução positiva dos trimestres anteriores e estima que o abrandamento da economia europeia vai continuar até final do ano.
www.rtp.pt | 30-10-2014

Várias dezenas de milhares de pessoas voltaram a manifestar-se respondendo, na terça-feira em Budapeste, ao apelo das organizações que se opõem ao projeto de introdução de uma taxa sobre a Internet e que pedem a demissão do Governo de Viktor Orbán. O Governo apresentou no início desta semana um projeto de lei revisto, que prevê que as empresas paguem uma quantia máxima de 16 euros por mês.

Várias associações profissionais “publicaram um comunicado conjunto para protestar contra a Taxa sobre a Internet”, escreve o Népszabadság, no qual “afirmam que esta última terá consequências devastadoras diretas para os Fornecedores de Acesso à Internet (FAI) e indiretas para o público”. De facto, realça o jornal,

estas organizações sublinham o facto de que a alfabetização digital, a difusão e utilização da Internet e de serviços online foram durante muito tempo uma prioridade para o Governo. No passado, os FAI tomaram várias iniciativas para garantir ao público uma vasta oferta de serviços online, o que permitiu à economia húngara ganhar em eficácia e competitividade. A taxa sobre a Internet produzirá efeitos totalmente inversos.

O diário estima que “mais de uma centena de pequenos FAI serão levados à falência pela taxa sobre a Internet” e recorda também que a comissária europeia cessante responsável pela Agenda Digital, Neelie Kroes, expressou [o seu apoio]http://ec.Europa.eu/avservices/video/player.cfm?ref=I094641) à oposição à taxa.

www.voxeurop.eu | 30-10-2014

A nova Comissão Europeia assumirá funções no dia 1 de novembro, após as audições realizadas no Parlamento Europeu. Para o seu presidente, esta trata-se da Comissão “da última oportunidade” face aos desafios colocados pela crise económica e de confiança na UE, informa o La Croix: ao apresentar “as condições para o sucesso da nova equipa”, Jean-Claude Juncker afirmou que “em Bruxelas não existe nenhum míssil com alvo pré-estabelecido que bastaria ativar, nem um botão de “crescimento” no qual bastaria carregar”. Juncker e a sua equipa serão julgados pelos resultados económicos da União. O luxemburguês está consciente disso:

a principal promessa da equipa de Juncker é a apresentação, antes do Natal, de um plano de investimentos público e privado de 300 mil milhões de euros em três anos para financiar projetos na área da energia, tecnologia digital, inovação e transportes.

Aproximar os cidadãos da Europa, reduzir a burocracia e implementar uma política estrangeira coerente serão os outros grandes objetivos do executivo europeu, indica o diário francês no seu editorial:

a nova Comissão terá portanto de enfrentar desafios significativos. O voluntarismo expressado pelo seu presidente será necessário para afastar Bruxelas dos muitos impasses em que a Europa se envolveu nos últimos anos.

www.voxeurop.eu | 30-10-2014

RELATÓRIO 14 213 O GLOBO 29/10/2014

1) PAÍS – p. 3 – Pizzolato, mais um mensaleiro fora da cadeia

- quase no final: É preciso uma política permanente de investimentos nos presídios do país, que vêm sendo negligenciadas.

Crítica: ambiguidade (má escolha do relativo) e erro de concordância

Certo: É preciso uma política permanente de investimentos nos presídios do país, os quais vêm sendo negligenciados.

Ou então: É preciso uma política permanente de investimentos nos presídios do país, a qual vem sendo negligenciada.

2) PAÍS – p. 3 – CORPO A CORPO / ‘Eu não fugi, eu salvei minha vida’

- terceira resposta: Não sei, pergunte aos brasileiros, o que eles fizeram.

Crítica: mau uso da vírgula

Certo: Não sei, pergunte aos brasileiros o que eles fizeram.

3) PAÍS – p. 4 – Luva de pelica / Os pontos-chave / 3

- Pizzolato seguirá na Itália, livre, leve, e solto, podendo usufruir dos recursos que lhe permitiram comprar três apartamentos na Europa

Crítica: uso de regência informal

Melhor: Pizzolato seguirá na Itália, livre, leve, e solto, podendo usufruir os recursos que lhe permitiram comprar três apartamentos na Europa

4) PAÍS – p. 4 – Luva de pelica

- penúltimo parágrafo: E não vejo como um ministro do Brasil possa revogar uma decisão soberana da justiça de um país democrático.

Crítica: falta de maiúscula

Certo: E não vejo como um ministro do Brasil possa revogar uma decisão soberana da Justiça de um país democrático.

5) PAÍS – p. 4 – Criminalista italiano acha difícil reverter decisão e diz que ‘quase tudo está a favor de Pizzolato’

- terceira coluna: Pedir para que Pizzolato cumpra a sentença brasileira na Itália é uma possibilidade...

Crítica: erro de regência: “para” a mais

Certo: Pedir que Pizzolato cumpra a sentença brasileira na Itália é uma possibilidade...

6) PAÍS – p. 4 – Nacionalidade também pesou na decisão

- ...apesar da Constituição italiana não restringir nesta questão...

Crítica: combinação inadequada

Certo: ...apesar de a Constituição italiana não restringir nesta questão...

7) PAÍS – p. 5 – Supremo abre ação contra ex-ministro

- De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), quando ele era candidato ao cargo ao Senado, omitiu gastos...

Crítica: erro no emprego da preposição

Certo: De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), quando ele era candidato ao cargo no Senado, omitiu gastos...

8) RIO – p. 17 – ANCELMO GOIS / Ponto final

- O resultado no Rio, cidade onde Lula e Dilma sempre colheram estupendas vitórias, dessa vez reproduziu o apertado placar nacional.

Crítica: mau uso do demonstrativo (é a vez atual)

Certo: O resultado no Rio, cidade onde Lula e Dilma sempre colheram estupendas

vitórias, desta vez reproduziu o apertado placar nacional.

9) RIO – p. 17 – Juiz aposentado é eleito novo provedor da Santa Casa

- Horta terá um mandato tampão...

Crítica: erro de grafia: falta do hífen

Certo: Horta terá um mandato-tampão...

oglobo.globo.com | 29-10-2014
O ministro da Economia disse hoje que "estão dados todos os passos necessários" para que o Banco de Fomento possa estar operacionalizado em novembro, no dia em que a Comissão Europeia deu luz verde à criação da instituição.
www.rtp.pt | 29-10-2014
O ministro da Economia disse hoje que "estão dados todos os passos necessários" para que o Banco de Fomento possa estar operacionalizado em novembro, no dia em que a Comissão Europeia deu luz verde à criação da instituição.
www.rtp.pt | 29-10-2014

WASHINGTON — A reeleição da presidente Dilma Rousseff — em meio a indicadores econômicos anêmicos e ao escândalo da Petrobras — reflete o grande valor que os brasileiros atribuem aos avanços sociais e ao baixo desemprego registrados nos últimos anos e a percepção da maioria da população de que o PT é o principal fiador da manutenção desse quadro socioeconômico no país, avaliam especialistas americanos em Brasil.

A vitória, porém, não é um cheque em branco. A campanha de 2014 deixou claro que há insatisfação generalizada com o desempenho da economia, a corrupção e a qualidade dos serviços públicos. Por isso, dizem os brasilianistas, o principal desafio de Dilma é cumprir a promessa embutida no slogan de sua campanha, “muda mais”.

Há quase cinco décadas monitorando com lupa o Brasil, o presidente emérito do think tank americano InterAmerican Dialogue, Peter Hakim, afirma que o primeiro mandato pouco memorável de Dilma foi compensado, na balança do eleitor, pela continuidade da política social e dos programas de transferência de renda e a oferta vasta de empregos formais:

— Dentro da polarização entre as classes mais baixas, com Dilma, e mais altas, com Aécio, há a maioria da população brasileira, e essa caminhou dividida entre os dois projetos por quase todo o ciclo eleitoral, reflexo do desejo de mudança, porque 12 anos é tempo demais de poder para qualquer partido. No fim, porém, as pessoas não se convenceram de que Aécio é suficientemente melhor do que Dilma para arriscar tudo o que ganharam nos últimos anos. Dilma representa o diabo que se conhece.

O historiador James Green, diretor da Brazil Initiative, programa interdisciplinar da Brown University, acrescenta que, embora a estabilidade econômica seja um legado do PSDB, as políticas de ajuste do governo Fernando Henrique Cardoso causaram desemprego e limitaram investimentos e ações sociais, efeitos que estão na memória.

— Dilma vai ter que fazer ajustes que talvez sejam duros para as classes que a apoiaram. Acho que os investidores vão continuar investindo no Brasil, porque, apesar da conjuntura difícil nacional e internacionalmente, a economia brasileira é diversificada e forte — diz Green.

POLÍTICA EXTERNA

Quanto à política externa, Green e Hakim esperam manutenção do arcabouço geral dos governos do PT, com ênfase na articulação do Sul global. As ligações deverão permanecer estreitas com os países da América do Sul e com os integrantes do Mercosul.

No caso dos EUA, a reativação da aliança — abalada pelo escândalo da espionagem das comunicações de Dilma e de empresas como a Petrobras — não depende só da disposição da presidente.

— O Brasil tem problemas com os EUA, tem a questão da espionagem, sofre com os subsídios agrícolas, com barreiras tarifárias, a Lei de Patentes. Há a agenda de política externa americana, afastada da América Latina, e a disfunção do Congresso americano. Há muitas variáveis que independem do novo presidente do Brasil — explica Hakim.

Para Green, o governo americano não parece ter acompanhado com grande interesse as eleições no Brasil, devido aos problemas no Oriente Médio e na Europa:

— Os americanos sabem se adaptar a Lula e Dilma, seguir com a realidade. Mas os EUA precisam ter uma atitude um pouco diferente com o Brasil. (O presidente americano, Barack) Obama não pediu desculpas pela invasão das ligações da presidente, e o Brasil apenas marcou posição de que se deve respeitar a dignidade nacional.

oglobo.globo.com | 28-10-2014

BRASÍLIA - O setor produtivo brasileiro quer que o presidente eleito, no caso a presidente Dilma Rousseff, acerte as contas públicas, mas pede que a meta de superávit primário, que é a economia do governo com as contas públicas, seja flexível e se ajuste ao ponto do ciclo econômico em que o país se encontra. Assim, seriam excluídas do cálculo alterações das receitas provocadas pela forte aceleração ou súbita desaceleração do crescimento econômico. Esta é uma das sugestões no documento "Propostas da Indústria", divulgado neste domingo pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

"O Brasil usa meta rígida de superávit primário para monitorar as contas públicas. Com isso, em momentos de crescimento econômico acelerado, a receita pública aumenta significativamente e a meta fiscal é alcançada mesmo com a elevação dos gastos públicos. No entanto, nos períodos de baixo crescimento econômico, as receitas são menores e o cumprimento da meta depende do corte de gastos e dos investimentos públicos ou do aumento de impostos", destacou a entidade no domingo.

Na avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI),o superávit primário do Brasil deve ficar abaixo da meta oficial de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país), em parte devido ao enfraquecimento da atividade econômica. A projeção do FMI é de 1% do PIB.

Na área previdenciária, a CNI propõe que o reajuste do salário mínimo deve considerar inflação e avanço do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) per capita de dois anos antes e sugere idade mínima para aposentadorias por tempo de contribuição que, na visão da entidade, precisa ser equiparado para homens e mulheres. De acordo com a entidade, o envelhecimento da população brasileira pressiona por mudanças nas regras da Previdência.

A CNI também quer que a revitalização da Câmara de Comércio Exterior (Camex). Sugere que o órgão volte à Presidência da República, sob chefia da Casa Civil, e que as decisões sejam tomadas por ministérios que atuem diretamente na área de comércio exterior, sem a necessidade de consenso. Propõe, ainda, que o Itamaraty seja mais atuante na diplomacia econômica e comercial e reivindica mais firmeza no combate às barreiras às exportações.

Dados do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) mostram que há um déficit de mais de US$ 100 bilhões na balança de manufaturados. Cada vez mais, diminui a participação de produtos industrializados na pauta brasileira de exportações. A CNI aponta cinco parceiros prioritários para que o Brasil celebre acordos comerciais: União Europeia, México, Índia e África do Sul.

Simplificação do sistema tributário, remoção de obstáculos aos investimentos; e o desenvolvimento, no Brasil, de um mercado de títulos privados, como forma de aumentar o financiamento ao setor produtivo, também fazem parte da lista de propostas. Em infraestrutura, a CNI defende mais agilidade e racionalidade nas obras e a maior participação do capital privado nos investimentos; diversificação da matriz energética; e a recuperação da competitividade do preço do gás natural no Brasil.

Para os economistas da CNI, os projetos de infraestrutura devem ser analisados rigorosamente, para já preverem custos, riscos e contingências. Licenças ambientais e desapropriações precisam estar contempladas no planejamento e é preciso gestão técnica das obras, com fixação eficiente de prazos.

Outro ponto destacado pela CNI diz respeito ao saneamento. De acordo com a entidade, para cada R$ 1,00 aplicado na distribuição de água e coleta e tratamento de esgoto, são gerados R$ 3,00 em mais renda ao setor produtivo nacional.

"Solucionar o déficit de saneamento deve ser prioridade do Brasil", destaca a entidade, que defende investimentos de US$ 12,5 bilhões no setor até 2030.

Em educação, a CNI faz uma comparação entre a evolução da produtividade no Brasil e na China, no período de 1980 a 2013. No caso dos brasileiros, houve um crescimento de 5,6%, enquanto os chineses apresentaram um aumento de mais de 900%. A entidade defende que sejam prioridades no orçamento público a universalização da pré-escola e o fortalecimento do ensino básico.

oglobo.globo.com | 26-10-2014

A imprensa mundial, principalmente a europeia, destaca neste domingo a eleição presidencial brasileira mais disputada dos últimos 25 anos, e cita as acusações feitas na campanha e os desafios de quem for eleito para retomar o crescimento da economia. Na Grã-Bretanha, o jornal conservador Sunday Telegraph diz que a “Presidência de (Dilma) Rousseff está no fio [...]

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correiodobrasil.com.br | 26-10-2014

“A economia mundial não está em boa forma. […] Mas a maior ameaça económica provém, sem dúvida alguma, da Europa continental”, escreve o The Economist. O semanário britânico retrata, em primeira página, a zona euro como um papagaio morto – uma referência humorística ao célebre sketch dos Monty Python –, vigiado pela chanceler alemã Angela Merkel que garante que “a ave está apenas a descansar”.

Qual é o problema? A zona euro está quase a entrar em deflação. Para travar este fenómeno, “a Europa deve colocar um termo ao seu comportamento autodestrutivo” e para tal é preciso “tomar uma iniciativa radical”, estima o The Economist:

A melhor opção jurídica seria conjugar um aumento significativo das despesas de infraestruturas com a compra de obrigações pelo BCE. […] Uma outra hipótese consistiria em redefinir as regras europeias [de redução] do défice para excluir as despesas destinadas aos investimentos, o que permitiria aos governos aliviar o seu défice, com o BCE a proporcionar uma rede de segurança. Mas por trás disto tudo existe um problema de vontade política, uma vez que Merkel e os alemães não parecem estar dispostos a tomar medidas a menos que a moeda única esteja à beira da catástrofe.

www.voxeurop.eu | 24-10-2014
O futuro presidente da Comissão Europeia disse hoje que ainda antes do Natal anunciará o programa de investimentos do pacote de 300 mil milhões de euros, uma das `bandeiras` do seu mandato.
www.rtp.pt | 22-10-2014
O fantasma da deflação na Europa e a desaceleração da China e de outros mercados emergentes estão ameaçando prejudicar a economia dos Estados Unidos em um momento em que o mundo precisa de um motor de crescimento confiável.
online.wsj.com | 22-10-2014

BUENOS AIRES - Há três anos, Daniel Melhem foi expulso de uma delegação do governo da Argentina que estava tentando atrair investidores do Oriente Médio após dizer que ninguém se interessaria. Agora, o assessor de investimentos de 44 anos diz que recebeu tantas ligações de clientes perguntando pela Argentina nos últimos doze meses que decidiu abrir um hedge fund dedicado à compra de títulos do país. Melhem, que dirigiu a unidade de gestão de riqueza privada do Morgan Stanley para o Brasil, a Argentina e o Chile antes de fundar a Knightsbridge Partners Ltd., pretende arrecadar US$ 150 milhões de dez a vinte famílias ricas da América Latina, do Oriente Médio e da Europa e começar a investir antes do final do ano.

Embora a presidente Cristina Kirchner continue longe de resolver a disputa de uma década pela dívida com credores de títulos não reestruturados (holdouts) que levou o país a dar o calote em julho, Melhem diz que é possível ganhar dinheiro apesar de os bonds (títulos de dívida) da Argentina terem caído para seu menor valor em oito meses e o Bank Of America ter recomendado evitar completamente o país. Com a eleição em 12 meses e Cristina impossibilitada de se candidatar novamente, Melhem aposta que uma nova administração é exatamente o que a Argentina precisa para acabar com seu isolamento nos mercados internacionais e abrir a economia aos investidores estrangeiros.

— O novo regime trará uma grande mudança política e econômica — disse Melhem, quem assessora clientes com cerca de US$ 1 bilhão, em entrevista no seu escritório em Buenos Aires. “Os clientes estão perguntando se está na hora de entrar. É como jogar futebol; você não pode fazer um gol se não estiver em campo. Agora é hora de entrar em campo”.

O hedge fund Argentina Recovery, da Knightsbridge, arrecadou US$ 100 milhões e comprará os bonds do país denominados em dólares e recibos de depósitos americanos (ADR, na sigla em inglês) a partir de dezembro. O dinheiro será devolvido aos investidores em três anos, caso eles não decidam retirar seus ativos antes. Melhem, que investirá na Argentina pela primeira vez desde 2007, disse que seus clientes obtiveram retornos anuais de 25% em investimentos imobiliários no país entre 2004 e 2007.

O interesse no país também surgiu em outras casas. Alguns hedge funds, como o Soros Fund Management LLC, do bilionário George Soros, o Perry Capital e o Third Point LLC, aumentaram sua participação nos ADR da empresa estatal argentina de energia YPF SA no segundo trimestre, e outros, como o Noctua International LLC e o Callaway Capital Management LLC, abriram fundos dedicados ao país nos últimos doze meses.

A Argentina não toma dinheiro emprestado nos mercados externos desde que deu o calote recorde por US$ 95 bilhões em 2001. Os holdouts, que possuem quase 7%, não quiseram trocar seus bonds por títulos novos a cerca de 30 centavos por dólar nas reestruturações realizadas em 2005 e 2010. Acabar com essa disputa abriria as portas para que a Argentina volte a tomar dinheiro emprestado no exterior.

DETERIORAÇÃO DOS FUNDAMENTOS

A economia tem piorado desde o calote. O peso se desvalorizou 16% no mercado paralelo, o governo restringiu as importações e a produção industrial se contraiu 2,9% em agosto. O presidente do Banco Central, Juan Carlos Fábrega, quem tinha implementado uma desvalorização e aumentado as taxas de juros, pediu demissão no dia 1º de outubro.

Para Melhem, que se mudou do México para a Argentina aos sete anos de idade e morou em Buenos Aires até o segundo ano da faculdade, antes de se formar em Economia e Administração Internacional na Babson College, a deterioração da economia antes da chegada da próxima administração é uma oportunidade para comprar os títulos do país antes de uma recuperação.

— Quem entrar começará com menos do que zero, e a partir dali haverá uma valorização enorme — disse Melhem.

oglobo.globo.com | 21-10-2014
O investimento direto estrangeiro em Portugal continua dominado por países da União Europeia, mas a China ganha terreno como “parceiro significativo”.
www.rtp.pt | 20-10-2014
O mexicano Angel Gurría, secretário-geral da OCDE - Jason Alden / Bloomberg

DEAUVILLE, França - O Brasil não é o único país do mundo com a economia em desaceleração e deve voltar a crescer, quando houver uma decisão sobre quem estará no comando nos próximo quatros anos. Esta é avaliação do mexicano Angel Gurría, secretário-geral da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), espécie de clube dos países ricos, e ex-ministro das Finanças do México, em entrevista exclusiva ao GLOBO.

A OCDE tem destacado os progressos do Brasil nos últimos anos. Agora o Brasil entrou em recessão técnica. O que está errado ?

O Brasil fez uma mudança muito importante na sua composição em termos de renda. Brasil incorporou milhões e milhões de brasileiros para a classe média e criou uma sociedade mais justa. O país ainda é uma das sociedades de (índice de) Gini elevado, isto é, o nível de desigualdade é alta, mesmo para a América Latina. Mas isso não é um problema novo. Ele não começou com a crise (a crise financeira mundial iniciada em 2008). O único problema é que a crise tende a agravar essas tendências.

Que tendências?

A desigualdade nos países da OCDE cresceu mais nos primeiros três anos de crise do que nos 12 anos anteriores. Embora a desigualdade já estivesse crescendo antes da crise, acelerou. Há uma tendência secular de desigualdade e uma aceleração disso por causa da crise. Há recuperação em alguns países. O Brasil ainda não está em fase de recuperação. A primeira coisa que acontece na fase de recuperação não é a criação de postos de trabalho. Primeiro, há crescimento sem emprego, no caso de não ter havido reformas suficientes. Quando reformas são feitas, há recompensa.

O Brasil não fez reformas suficientes?

Deixe-me dar o exemplo da Espanha, que teve e ainda tem a mais alta taxa de desemprego. O país estava crescendo e tomou a decisão há alguns anos de fazer grandes reformas. Em seguida, o desemprego parou de crescer. Depois, estabilizou e novos postos de trabalho estão sendo criados. Será que é porque eles estão crescendo rápido demais? Não. A Espanha está começando a crescer cerca de 1,25% somente. A diferença maravilhosa é que, no passado, a Espanha precisava crescer pelo menos 3% para criar novos empregos. Qual é a diferença entre cinco anos atrás e hoje? Reformas.

Por que o Brasil está crescendo menos que o México e outros países do Brics (grupo formado ainda por Rússsia, Índia, China e África do Sul)?

Por muito tempo, o Brasil estava crescendo mais rápido que o México. No ano passado, os dois entraram num cenário de baixo crescimento. Agora, o México está saindo mais rápido. Uma das razões para isso é que o México está muito conectado com a recuperação dos Estados Unidos. Depois, o México é um país muito aberto e se beneficia da recuperação do comércio (mundial). Além disso, depende mais de exportações de manufaturados do que de matéria-prima. Já o Brasil (está sendo impactado) por causa da desaceleração (no mundo), os preços das commodities estão caindo. Este é um aspecto. Outro são as reformas: nas áreas de educação, inovação, nos mercados de trabalho e de produtos e na forma como se financia parceria público e privada, grandes projetos de infraestrutura. É um país que ainda precisa de muita importação de poupança. O Brasil não poupa o bastante para financiar seus próprios investimentos. Numa desaceleração, há trilhões de dólares disponíveis sentados em paraísos fiscais para não pagar impostos nos EUA. Mas (o dinheiro) ainda não está se movendo. Baixo investimento é um problema na Europa, nos EUA e também no Brasil porque as pessoas estão esperando por sinais claros (para investir).

Neste momento em que o Brasil vai escolher um novo presidente, como o senhor vê o desenvolvimento da economia brasileira ?

Incertezas relacionadas à mudança de governo ou ao período eleitoral existem por todo lado. O Brasil não é o único, nem é exceção. Isso acontece sobretudo quando há muitas diferenças entre os candidatos, em termos de filosofia (de governo). Na Europa, (a escolha de um presidente ou chefe de governo) depende mais da personalidade do candidato do que da plataforma. No caso do Brasil, há duas plataformas econômicas bem diferentes. As pessoas, então, estão esperando para ver o que acontece.

O FMI acaba de revisar para baixo o crescimento do Brasil.

Nós revisamos para baixo o crescimento do Brasil. Mas também revisamos para baixo o crescimento de Estados Unidos, Alemanha, França, Itália, Grã-Bretanha. Na verdade, nós revisamos para baixo todas as projeções que tínhamos feito em maio, ou seja, apenas quatro meses atrás. Revisamos todos os países para baixo, com exceção da Índia.

O senhor está dizendo que não é dramático estarmos numa chamada recessão técnica?

Não estou dizendo que é bom, nem que é uma situação desejável. O que estou dizendo é que é vocês estão sendo acompanhados (na queda) por outros países. O fato de o mundo não estar crescendo mais rápido não é boa notícia, porque vocês precisam de parceiros. Vocês estão cada vez mais abertos e exportando mais, não apenas matérias-primas, mas também manufaturados. Quem vai comprar isso do Brasil se outros países não estão crescendo? México ou Brasil estão crescendo mais devagar porque seus parceiros não estão indo bem. Mas no caso do México, 80% do nosso comércio é com os Estados Unidos. É por isso que o país está melhor que o Brasil. Mas os mexicanos encerraram agora o leque mais importante de reformas jamais realizadas na história moderna do México: são 12 reformas. Levaram quase dois anos e não trarão resultados antes dos próximos dois anos. Mas plantaram as sementes. Mudaram o potencial de crescimento. O que significa hoje que o México tem mais potencial e espaço para crescer.

Em dois anos veremos o México disparar à frente de muitos emergentes?

Não, porque os outros países emergentes não estão sentados fazendo nada.

O Brasil também entra nesse grupo?

Eles (Brasil) estão acelerando as reformas e estou certo que, não importa quem vença a disputa presidencial, no momento em que a eleição acabar, vai começar a legislar as reformas. A questão é que tipo de reformas virão. Todo mundo vai estar olhando para formas de sair deste período de póscrise numa posição mais forte.

Os mercados estão apostando contra o Brasil?

Fui ministro das Finanças e estou no comando da OCDE há oito anos. Uma coisa que aprendi é que não se pode fazer política econômica se baseando na taxa de câmbio, nas bolsas e nas taxas de juros de hoje. Porque dentro de cinco anos, se você tomou decisões porque hoje o real estava sobrevalorizado ou subvalorizado ou porque a inflação estava muito alta ou baixa, tomará as decisões erradas. A ideia é perguntar o que pode fazer o país crescer na direção certa. Além do que se pode fazer para aumentar a produtividade e a competitividade.

E qual a resposta para estas perguntas ?

Educação, inovação, concorrência, regulamentação, estrutura de impostos, o sistema de saúde, a forma como você lida com a ligação entre empresas, universidades, centros de pesquisa. E se vocês estão mais ou menos integrados nas cadeias globais de valor do mundo.

Esta mesma lista está na mesa nos últimos dez anos, inclusive nos relatórios da OCDE. O que está faltando ?

Diria que é porque somos perseverantes (risadas). Em primeiro lugar, tem havido, nos últimos cinco a seis anos, uma atmosfera do tipo “a casa está pegando fogo”. E aí um pegue a mangueira, um balde de água, um copo, seja lá o que for para acabar com este fogo. Só depois é que vamos ver a cor da casa (em chamas). Temos vivido neste tipo de lógica. Mas agora a casa não está mais pegando fogo. A economia mundial está lutando para sair da crise. Mas não ajuda porque o mundo está crescendo muito pouco. Isso significa que as fontes de crescimento têm que ser de fora, mas também domésticas. Como aumentar os salários? Pode se fazer isso se empresas e o governo forem muito generosos. Mas só se pode aumentar salários de forma sustentável se a produtividade aumentar. Caso os salários cresçam mais rápido que a produtividade por um longo período, você perde a competitividade. Se a produtividade crescer mais que os salários, em alguns anos, há ganhos em competitividade. Não se trata de dizer que vocês devem reduzir ou aumentar salários. Se pode aumentar salários, desde que aumente primeiro a produtividade.

A presidente Dilma disse “que a recessão no segundo trimestre foi momentânea”. Como o senhor reage à isso ?

O Brasil está numa campanha eleitoral. Temos que ler isso no contexto de uma campanha. É uma boa frase para campanha, à propósito. Exemplo : os Estados Unidos tiveram um primeiro trimestre negativo. Quer dizer que os Estados Unidos estão em recessão ? Não, aconteceu por causa das tempestade de neve. Aí tiveram um segundo trimestre (de crescimento) forte. Japão tem um primeiro trimestre muito forte e um terrível segundo trimestre, (de crescimento) negativo. Por quê? Porque todo mundo queria ir às lojas e comprar antes que um novo imposto entrasse em vigor, no dia 1º de abril. Depois de 1º de abril, ninguém foi às lojas. Primeiro, porque compraram antes. Segundo, porque os produtos ficaram mais caros. Aí o segundo trimestre foi terrível. Isso significa que o Japão está em recessão? Não. Apenas significa que no terceiro trimestre haverá uma normalização.

E o Brasil ?

Veja primeiro o que aconteceu ao redor do mundo, porque isso vai ajudar a tirar o Brasil desse modo de olhar apenas para si mesmo e entender melhor as questões brasileiras. A Alemanha teve crescimento negativo no segundo trimestre e uma grande queda na produção industrial em agosto. E todo mundo ficou tão preocupado. O que aconteceu? Houve uma mudança nos feriados, e isso criou um trimestre artificialmente ruim. Isso significa que a Alemanha está em recessão? Não! O México teve um primeiro trimestre no negativo, e um segundo trimestre muito melhor. Dei a você vários exemplos de países em várias partes do mundo, com diferentes tipos de tamanho, importâncias e etc. Tudo o que estou dizendo é: não tomem decisões de política ou façam julgamentos sobre a economia e o desempenho do país baseado num trimestre.

E dois trimestres ?

Não. Se você tiver uma tendência que está subindo, quer dizer que estão no caminho certo. A questão é como consolidar e acelerar (esse processo). Se você tiver uma tendência em queda, claro, primeiro vai ter que estabilizar, como se faz com uma avião.

O Brasil está na fase de estabilização, então?

Minha impressão é que, no caso do Brasil , quando a eleição acabar e o novo governo, seja lá qual for, der os sinais de como vão fazer (no comando do país), acho que vocês vão ter uma situação mais normal.

A economia brasileira logo vai voltar a crescer, é isso?

Eu certamente espero isso. Porque não apenas o Brasil está crescendo em importância como parceiro do México, mas também para o resto do mundo, pois o Brasil é uma das maiores economias do mundo.

Não há razão para pânico, portanto?

Nunca entrem em pânico. Cabeças frias devem prevalecer, na política e na guerra, mas também na economia. Isso vai permitir focar nas soluções certas.

oglobo.globo.com | 20-10-2014

LONDRES - A zona do euro não se direciona para uma nova recessão, disse neste domingo o presidente da Comissão Europeia prestes a entregar o cargo, José Manuel Barroso.

O crescimento da economia da zona euro registou desaceleração no segundo trimestre e indicadores piores que o esperado na Alemanha, o motor econômico do continente, têm levantado dúvidas sobre a recuperação.

"Não creio que voltaremos à recessão", disse ele à emissora britânica BBC, referindo-se às previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

"Obviamente (...) não devemos cair em qualquer tipo de complacência, devemos implementar reformas mais rigorosas e tornar nossas economias mais atraentes", acrescentou.

oglobo.globo.com | 20-10-2014

A zona do euro não se direciona para uma nova recessão, disse neste domingo o presidente da Comissão Europeia prestes a entregar o cargo, José Manuel Barroso. O crescimento da economia da zona euro registou desaceleração no segundo trimestre e indicadores piores que o esperado na Alemanha, o motor econômico do continente, têm levantado dúvidas sobre a recuperação.

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correiodobrasil.com.br | 19-10-2014

A Rússia vai levar a União Europeia a tribunal devido às sanções contra as suas empresas, anuncia o The Financial Times, que vês nisto “um sinal dos danos que a exclusão das empresas dos mercados de capital estão a causar na economia russa”.

A gigante petrolífera nacional Rosneft e o empresário Arkady Rotenberg pediram ao Tribunal de Justiça Europeu a anulação da decisão que proibiu as companhias petrolíferas e os bancos estatais de angariar fundos nos mercados europeus.

O diário financeiro afirma que o Tribunal já

contestou a decisão do Conselho no passado em relação a medidas semelhantes impostas ao Irão e à Síria, tendo, nomeadamente, determinado que no momento de implementar as sanções, os Estados europeus se basearam demasiado em fontes confidenciais, o que compromete a defesa dos acusados.

O The Financial Times acrescenta que um processo penal pode estender-se por um longo período de tempo, o que significa que a “ação penal não implica um alívio rápido dos danos económicos” provocados pelas sanções.

www.voxeurop.eu | 17-10-2014

A multiplicidade de nações adjacentes fez da Economia da Europa uma das mais complexas do planeta. Durante séculos a Europa foi o centro econômico do planeta. Entre as causas, podemos citar como a principal sua condição geográfica. A localização entre a África e a Ásia, fez da região europeia um ponto de passagem obrigatório, e facilitou de forma substancial a absorção e irradiação dos conhecimentos, tecnologia e comércio de ambos continentes. Esta condição perdurou até ao século XX. No século XX, a Europa viu seu predomínio declinar em relação aos Estados Unidos, o Japão e, na fase final, a China. A Primeira e Segunda guerra mundial, travadas em seu território, a carência de energia, de petróleo, além de uma intensa rivalidade entre seus povos, representaram para o continente a perda de sua liderança econômica. A Europa não tem auto-suficiência na produção de energia, exigindo a importação de muito petróleo. Este produto só é extraído em quantidades consideráveis na Rússia e no Mar do Norte. O gás natural, outro produto bastante usado na geração e produção de energia é muito abundante na Rússia, Romênia, Países Baixos e no Reino Unido. Outro recurso energético que teve grande importância nas fases iniciais da revolução industrial foi o carvão mineral, muito abundante, sobretudo na Alemanha, Polônia, Rússia, Reino Unido. Todas estas fontes energéticas são extremamente poluidoras e causam grandes impactos ambientais em todo o planeta. No caso da energia limpa, ou seja, não poluidora, podem ser citadas a energia hidráulica, energia eólica, e energia solar, de baixa produção e utilização da Europa, devido às suas condições geográficas. A produção de energia nuclear na Europa é muito importante, e, a exemplo dos Estados Unidos, gera imensas quantidades de lixo atômico, cujo fim, desde o início de sua utilização, é muito nebuloso e nunca divulgado na mídia mundial.


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