i
Français | English | Español | Português

Europa Economia

O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou a previsão de crescimento de 2017 para a economia do Reino Unido, após um primeiro trimestre fraco, que sugeriu que a saída britânica da União Europeia, processo conhecido como Brexit, estivesse começando a pesar sobre consumidores e empresas. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 24-07-2017

Por Mário Augusto Jakobskind - O crescimento de 1% se deve ao agronegócio que exporta, por exemplo, soja para alimentar animais na Europa, o que não significa necessariamente, como querem incutir os dois golpistas mencionados, que a economia está melhor.

O post Crescimento é mera publicidade do governo Temer apareceu primeiro em Jornal Correio do Brasil.

Futuro líder enfrentará a saída da União Europeia, os desejos separatistas da Escócia e da Irlanda do Norte, a ameaça à segurança e uma frágil economia
O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, alertou os líderes empresariais da Catalunha neste sábado das "terríveis consequências econômicas" se os separatistas ganharem independência para a região.Falando na cidade costeira de Sitges, Rajoy disse ao grupo empresarial do Círculo de Economia que se a Catalunha se apartar da Espanha, a região poderia perder até 30% do seu PIB e teria de procurar readmissão para a União Europeia. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 27-05-2017

Renata Koch Alvarenga* –  Em meio ao caos que se resultou no país após o impeachment de Dilma Rousseff, com a entrada de um novo governo e com a economia decadente, o discurso da sustentabilidade tornou-se figurante no Brasil e corre o risco de não voltar a estar dentre as prioridades do governo tão cedo – o que é extremamente alarmante. A COP21, Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, aconteceu em dezembro de 2015, somente um mês após o maior desastre ambiental da história do Brasil: o rompimento da barragem em Mariana, Minas Gerais. Apesar disso, o Brasil teve uma posição de liderança nas negociações climáticas, e o Acordo de Paris, que entrou em vigor no final do ano passado, foi adotado por 195 países, incluindo diversas medidas que visam combater as mudanças climáticas. Dentre essas medidas, destaca-se a cláusula para manter o aumento da temperatura média global em menos de 2°C em relação aos níveis pré-industriais, realizando esforços para que o aumento máximo da temperatura seja de 1,5°C. Essa última condição, motivo de polêmica nas negociações em Paris, é crucial, pois esse meio grau Celsius de diferença pode resultar em consequências desastrosas para o planeta – e principalmente para o Brasil. Sede da maior floresta tropical do mundo, o Brasil tem 42% do seu território ocupado pela floresta Amazônica. Devido a essa riqueza natural, o governo brasileiro possui o dever de implementar medidas ambientais que visem proteger a Amazônia. A questão do 1,5°C encaixa-se nisso, já que dentre as principais fontes emissoras de gases de efeito estufa no Brasil está o desmatamento de regiões tropicais como a floresta Amazônica. Um segundo fator diz respeito à queima de combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão mineral), que não são renováveis e causam muita poluição na atmosfera. O setor de produção de energia brasileiro, por meio das termelétricas, é um dos mais poluentes e, desde 2013, tem sido utilizado como medida para amenizar a crise hídrica que atingiu o Brasil – mais um motivo para manter o aumento em 1,5°C. De acordo com o site Carbon Brief, o orçamento atual de carbono revela que em apenas quatro anos de emissões globais de gases de efeito estufa o aumento da temperatura média global será maior do que 1,5°C. Essa informação leva o planeta a um estado de urgência; e o Brasil, como um dos principais emissores do mundo (atrás da China, dos EUA, e da União Europeia), tem enorme responsabilidade na luta para estabilizar a temperatura do planeta. A crise política e econômica do Brasil não deve – e nem pode –  ser deixada de lado em meio à urgência ambiental no planeta. Entretanto, mais do que nunca, as secas e as enchentes, assim como outros desastres ambientais, têm o potencial de desestabilizar o Brasil em proporções catastróficas. Se as mudanças climáticas e o desenvolvimento sustentável não forem vistos como prioridades pelo governo brasileiro e pela população, as consequências serão muito piores do que a atual instabilidade que figura nos […]

O post Por que um Brasil sustentável, logo agora? apareceu primeiro em Envolverde - Revista Digital.

www.envolverde.com.br | 26-05-2017
A União Europeia pediu que seus Estados membros aproveitem a economia em recuperação do bloco para fortalecer suas finanças públicas e promover reformas que busquem combater a desigualdade social.O conselho veio na orientação político-econômica para os 28 Estados-membros do bloco, que foi publicada pela Comissão Europeia. Ela recomendou "aumentar os investimentos, prosseguir com reformas estruturais e garantir políticas fiscais responsáveis". [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 22-05-2017
Emmanuel Macron assumiu neste domingo como presidente da França. Aos 39 anos, o político pretende liderar esforços para reformar a economia francesa e consolidar a força da União Europeia.No início de uma cerimônia no Palácio do Eliseu, Macron caminhou em um tapete vermelho na direção de François Hollande, o presidente que deixa o cargo. Hollande, que ficou no poder entre 2012 e 2017, foi mentor de Macron quando este foi ministro da Economia (2014-2016). [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 14-05-2017
As empresas portuguesas devem aproveitar as oportunidades abertas com o crescimento da economia mundial e, em particular, da europeia, para onde vão 75% das nossas exportações, para fazer negócios, defendeu o presidente da Comissão Executiva do Santander Totta.
feeds.jn.pt | 12-05-2017
As conversas para um acordo bilateral entre o Mercosul e a União Europeia estão avançadas e o documento final pode ser assinado no começo de 2018, afirmou nesta quinta-feira, 11, o subsecretário geral de assuntos econômicos e financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Carlos Márcio Cozendey.Já as conversas comerciais do Brasil com o México estão "bastante difíceis", disse ele durante seminário do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 11-05-2017

PARIS - O 1º de Maio na França foi marcado por um duelo à distância entre os dois candidatos que disputam o segundo e decisivo turno da eleição presidencial, no próximo domingo. Em seus respectivos comícios, o centrista Emmanuel Macron, do movimento Em Marcha!, e a líder da extrema-direita, Marine Le Pen, da Frente Nacional (FN), multiplicaram ataques recíprocos para desacreditar o adversário e convencer eleitores indecisos e absenteístas nesta reta final do pleito.

Na pesquisa Kantar-Sofres-OnePoint divulgada ontem, Macron diminuiu sua vantagem, mas permanece como o favorito na corrida presidencial contra Le Pen: venceria por 59% a 41%. No Dia do Trabalho, manifestações convocadas por associações e sindicatos resultaram em confrontos de black blocs com as forças de ordem em Paris, com seis policiais feridos e cinco agressores detidos. França cont

A candidata da direita radical abriu o embate ao reunir milhares de simpatizantes em Villepinte, em Seine-Saint-Denis, ao norte de Paris, ao aludir à célebre declaração do então candidato à Presidência François Hollande, em 2012, em que apontou como seu maior inimigo “o mundo da finança”.

— Hoje, o adversário do povo francês ainda é o mundo da finança — disse Le Pen. — Mas desta vez, ele tem um nome, um rosto, um partido, e ele apresenta sua candidatura e todos sonham em vê-lo eleito: ele se chama Emmanuel Macron. Monsieur Macron adotou como slogan “A França reunida”. Seria mais sincero dizer “A finança reunida”.

Le Pen definiu seu oponente como um legítimo herdeiro do governo atual, do qual ele foi ministro da Economia antes de se demitir para lançar seu próprio movimento, e ironizou suas reais preocupações se eleito para o Palácio do Eliseu:

— Macron é Hollande que se agarra ao poder. E pensa mais do que tudo no status de primeira-dama. (...). No 7 de maio, eu os convoco a fazer barragem à finança, à arrogância e ao “dinheiro-rei” — concluiu antes de entoar a Marselhesa, o Hino Nacional francês.

Jean-Marie Le Pen, pai de Marine e um dos fundadores da FN (hoje afastado do partido pela filha), fez seu tradicional discurso de 1º de Maio ao pé da estátua de Joana d’Arc na Praça des Pyramides, na capital francesa, e não poupou o desafiante da filha.

— Macron é um Hollande bis. Ele nos fala de futuro, mas não tem filhos. Ele nos fala dos trabalhadores, mas é um ex-banqueiro do Rothschild. Ele quer dinamizar a economia, mas faz parte daqueles que a dinamitaram — disparou, referindo-se a Marine como uma “mãe de família patriótica e engajada há anos ao serviço do país”.

Em seu discurso de campanha num centro de eventos na Porte de la Villette, em Paris, Macron replicou a pai e filha.

— Sinto em nosso país um imenso temor sobre o futuro das famílias. Eu seria um inimigo porque a minha é um pouco diferente, o que assumo plenamente? — indagou, mirando na plateia sua mulher Brigitte, 24 anos mais velha do que ele. — Sim, há na França muitas famílias, casais de mesmo sexo e de sexos diferentes, há filiações diferentes e há muito amor. Eu protegerei todas as famílias, pois dois homens e duas mulheres que se amam são também famílias. Monsieur Le Pen, eu tenho filhos e netos de coração. É uma filiação que se constrói, e que o senhor não terá!.

O candidato também explorou as recentes hesitações de sua adversária em relação a um dos pontos de referência do programa da FN: a saída da França da zona euro. Nos últimos dias, Le Pen suavizou seu discurso, acenou com negociações mais amplas e duradouras com a União Europeia, e mesmo com a coabitação de duas moedas no país, o franco e o euro.

— Eles nos explicam que não vão sair de imediato do euro, que haverá uma moeda comum, que teremos o franco pela manhã e, à tarde, o euro, e que com estas cédulas de “Monopólio” as coisas serão melhores! É agora que está em jogo a herança intelectual, moral e política da França, mas também o futuro da Europa. Marine Le Pen quer tirar a França da Europa, do mundo e da História. A FN é o partido anti-França — atacou.

SOBRA ATÉ PARA MÉLENCHON

Neste 1º de Maio belicoso, sobrou também para Jean-Luc Mélenchon, que obteve 19,5% de votos no primeiro turno como candidato da frente de esquerda radical França Insubmissa. Mélenchon, que se recusa a indicar apoio, exigiu um gesto da parte de Macron, como a promessa de retirada de seu programa do projeto de reforma trabalhista, sob o argumento de que não se pode “pedir uma adesão sem nada oferecer”.

— Ouvi nestes últimos dias pedidos de modificação do meu programa, como “faça uma concessão, a união, e esqueça sua reforma do trabalho”. Não o farei. Os franceses votaram e escolheram o projeto que inclui estas reformas. Não vou traí-los renegando-as. Nós faremos estas reformas — garantiu Macron.

Segundo o Ministério do Interior, 142 mil pessoas — 280 mil para a central CGT — se manifestaram em toda a França pelo Dia do Trabalho. Em Paris, as manifestações reuniram 30 mil pessoas, segundo a polícia, e 80 mil, segundo os sindicatos. Os dois candidatos manifestaram solidariedade aos policiais feridos nas passeatas parisienses. Confrontos em Paris à margem de marcha pelo 1º de Maio

oglobo.globo.com | 02-05-2017

RIO - Usar o seguro-viagem embutido no cartão de crédito vale a pena? A pergunta é uma das mais frequentes durante o planejamento da viagem, e com motivo. O benefício embutido em algumas categorias de cartões consegue representar uma boa economia, mas também pode oferecer cobertura insuficiente, dependendo dos planos do turista.

BVSeguro

Tem direito ao seguro do cartão de crédito o cliente que efetuou o pagamento total do valor de algum meio de transporte de empresas registradas oficialmente (avião, trem, navio de cruzeiro) ou adquiriu essas passagens via programas de fidelidade ou milhagem com pontos de compras feitas com o próprio cartão. O benefício é estendido ao cônjuge do titular e para filhos menores de 24 anos.

Serviços à parte

Apesar da aparência gratuita, o seguro faz parte da cartela de serviços pagos com a anuidade do cartão. E não é para todo mundo. Nas principais empresas do mercado, esses serviços estão disponíveis apenas para portadores das bandeiras superiores.

Nos cartões Mastercard, o benefício é válido apenas para as categorias Platinum e Black, cujos usuários têm direito a despesas médicas pagas no valor até US$ 25 mil por pessoa, remoção médica de emergência até US$ 50 mil e repatriação de restos mortais de até US$ 25 mil. Nos cartões Visa, a categoria Platinum dá direito a cobertura de até US$ 50 mil em assistência médica e até US$ 100 mil em internação, remoção de corpo ou retorno antecipado. Na categoria Infinite, esses valores são de US$ 100 mil, para as duas situações. Para quem viaja para os países Schengen, na Europa, as empresas oferecem cobertura de até € 30 mil.

Em relação aos seguros por morte ou invalidez por acidente e outras doenças que não as preexistentes, as apólices dos cartões de crédito têm prêmios parecidos com os produtos mais caros das seguradoras, em valores que vão de US$ 500 mil a US$ 1,5 milhão. Os cartões mais superiores, como Visa Infinite e Mastercard Black, também dão reembolso para cancelamento de viagem, algo que, na maioria das seguradoras, é preciso contratar em serviço à parte, e seguro para proteção de objetos na bagagem. Outra vantagem é o seguro para o veículo alugado com o mesmo cartão, desde que o cliente não contrate o seguro oferecido pela locadora. Na Visa, esse benefício é válido também para categoria Gold.

Comprovante é exigência

Desde a regulamentação do serviço de assistência de viagens, em 2016, ficou determinado que todo passageiro deve viajar levando um documento que comprove o seguro. Por isso, quem pretende usar o benefício dos cartões deve baixar certificados nos sites das operadoras.

Para a advogada especializada em direito do viajante, Luciana Atheniense, tão fundamental quanto viajar com um seguro é se informar sobre a cobertura que ele oferece.

— Não importa o tipo de seguro, é importante que se saiba exatamente o que ele cobre. Vejo muitos casos de gente que diz “ah, não vou contratar na agência porque já tenho o do cartão de crédito”, e só descobre quando se depara com o problema, em outro país.

Além disso, acrescenta Luciana, é preciso especial atenção para seguros específicos, como de esportes radicais, que devem ser contratados à parte:

— Nem sempre a seguradora aceita pagar por um tratamento de um cliente que quebrou a perna esquiando se isso não havia sido acertado com antecedência.

O que fica de fora: quem precisa de cobertura extra

A cobertura oferecida pelos seguros de cartões de créditos costuma se assemelhar à dos planos mais básicos oferecidos pelas seguradoras. Mas há casos especiais em que o turista deve contratar um seguro específico, como para atividades radicais ou viagens longas.

Esportes radicais. Apólices convencionais não cobrem acidentes de pessoas que se expõem deliberadamente ao risco, como os praticantes de atividades como snowboard, esqui, bungee jump e voo de asa-delta. Nesses casos, é preciso contratar um seguro específico para esportes de aventura. É o ideal para quem viaja para lugares como Alpes, estações de esqui na América do Sul, nos EUA ou na Nova Zelândia.

Viagens longas. Os períodos máximos de cobertura oferecidos pelos cartões são de 30 ou 60 dias. Por isso, quem viaja para um mochilão ou um período sabático, com roteiros que podem durar alguns meses ou até um ano, é preciso contratar um seguro para períodos estendidos. Quem viaja para fazer intercâmbios ou cursos também precisa de um seguro específico para isso, que costuma ser oferecido nas agências especializadas.

Gestantes. Complicações na gravidez não são cobertas pelas apólices dos cartões de crédito, assim como das seguradoras (que são consideradas condições de saúde preexistentes). Mas algumas destas têm seguros especiais para viajantes grávidas, em geral até a 32ª semana de gestação, já que a partir desse período os médicos recomendam que as mulheres não viagem mais de avião.

oglobo.globo.com | 01-05-2017

PARIS — Favorito às eleições presidenciais da França, o centrista Emmanuel Macron disse à BBC que a União Europeia (UE) deve passar por uma reforma ou, então, enfrentar a perspectiva do “Frexit” — em referência à possibilidade de um referendo sobre a saída francesa do bloco europeu. Embora seja centrista e pró-Europa, o candidato cita as mudanças como medida para amenizar o descontentamento com a UE, protagonista na campanha da sua rival da extrema-direita, Marine Le Pen. No domingo, os eleitores sairão às urnas para decidir qual dos dois candidatos será o próximo presidente.

— Eu sou pró-Europa. Defendi constantemente durante esta eleições a ideia europeia e as políticas eutopeias porque acredito que seja extremamente importante para a população francesa e para a posição do nosso país na globalização — disse Macron, líder do movimento En Marche!, à rede britânica. — Mas, ao mesmo temp, temos que enfrentar a situação, ouvir as nossas pessoas e atentar ao fato de que elas estão muito revoltadas e impacientes hoje. A disfunção da UE não é mais sustentável. Meu mandato será, ao mesmo tempo, para reformar em profundidade a União Europeia e nosso projeto europeu.

Por sua vez, Le Pen tem um discurso bem diferente. Com retórica ultranacionalista e xenofóbica, a líder da Frente Nacional (FN) defende que a França deixe a zona do euro e um referendo sobre o “Frexit”. Segundo a candidata, o país teve sua economia prejudicada pela adoção da moeda europeia, com a queda na produção industrial e nos índices de emprego. Além disso, quer fechar as fronteiras e frear bruscamente a imigração, frente à crise de refugiados na Europa.

Macron, ex-ministro de Economia entre 2014 e 2016 e ex-banqueiro, tenta alavancar sua campanha depois de um início ruim, quando se viu superado por Le Pen, que soube se vender como uma candidata muito próxima ao povo. Mas desde o domingo, quando passou ao segundo turno como o mais votado — com 24,03% dos votos — o candidato de 39 anos vem caindo vários pontos, segundo as pesquisas, que lhe dão uma vitória ainda confortável, mas cada vez mais estreita: o último levantamento o coloca com 59% das intenções de voto contra 41% de sua rival, diferença bem menor do que alguns institutos previam inicialmente.

No domingo, o candidato, que já tem o apoio de representantes dos dois partidos tradicionais — do presidente socialista François Hollande e de boa parte dos Republicanos (centro-direita) — recebeu o reforço do ex-ministro centrista Jean-Louis Borloo. E o líder da extrema-esquerda, Jean-Luc Mélenchon, que conseguiu 19,6% dos votos no primeiro turno, se pronunciou pela primeira vez contra o “terrível erro” de se votar em Le Pen, sem no entanto revelar se votará em branco ou em Macron.

— Não há ambiguidade na minha posição. Eu não votarei na Frente Nacional, eu combato a Frente Nacional. E digo a todos que me escutam: não cometam o terrível erro de colocar uma cédula de votação para a Frente Nacional.

Le Pen, por sua vez, anunciou no sábado que Nicolas Dupont-Aignan — candidato da direita eurofóbica, que terminou o primeiro turno em sexto lugar, com 4,7% dos votos — será o seu primeiro-ministro caso vença no dia 7 maio.

— A aliança entre os dois partidos de direita é simbolicamente importante, pois é a primeira vez que o FN formou um pacto com um partido político dominante — disse Hugh Schofield, correspondente da BBC em Paris.

oglobo.globo.com | 01-05-2017

PARIS — A apenas uma semana do segundo turno na França — o primeiro sem um candidato dos dois principais partidos no país — a candidata da Frente Nacional (FN), Marine Le Pen, tenta virar o jogo. No domingo, Le Pen fez uma visita surpresa aos funcionários de uma fábrica ameaçada de fechamento em Gardanne, no Sul, no momento que seu adversário, à frente nas pesquisas, Emmanuel Macron se reunia com sindicatos. A candidata da extrema-direita ainda depositou flores no monumento aos deportados em Marselha — pouco antes de Macron visitar o Memorial do Holocausto — e, em uma entrevista ao jornal “Le Parisien”, explicou um dos pontos mais confusos de seu programa econômico: como sairá da zona do euro. França_0105

Macron, ex-ministro de Economia entre 2014 e 2016 e ex-banqueiro, tenta alavancar sua campanha depois de um início ruim, quando se viu superado por Le Pen, que soube se vender como uma candidata muito próxima ao povo. Mas desde o domingo, quando passou ao segundo turno como o mais votado — com 24,03% dos votos — o candidato de 39 anos vem caindo vários pontos, segundo as pesquisas, que lhe dão uma vitória ainda confortável, mas cada vez mais estreita: o último levantamento o coloca com 59% das intenções de voto contra 41% de sua rival, diferença bem menor do que alguns institutos previam inicialmente.

Mélenchon fala sobre erro de votar na FN

No domingo, o candidato, que já tem o apoio de representantes dos dois partidos tradicionais — do presidente socialista François Hollande e de boa parte dos Republicanos (centro-direita) — recebeu o reforço do ex-ministro centrista Jean-Louis Borloo. E o líder da extrema-esquerda, Jean-Luc Mélenchon, que conseguiu 19,6% dos votos no primeiro turno, se pronunciou pela primeira vez contra o “terrível erro” de se votar em Le Pen, sem no entanto revelar se votará em branco ou em Macron.

— Não há ambiguidade na minha posição. Eu não votarei na Frente Nacional, eu combato a Frente Nacional. E digo a todos que me escutam: não cometam o terrível erro de colocar uma cédula de votação para a Frente Nacional.

Le Pen, por sua vez, anunciou no sábado que Nicolas Dupont-Aignan — candidato da direita eurofóbica, que terminou o primeiro turno em sexto lugar, com 4,7% dos votos — será o seu primeiro-ministro caso vença no dia 7 maio.

— A aliança entre os dois partidos de direita é simbolicamente importante, pois é a primeira vez que o FN formou um pacto com um partido político dominante — disse Hugh Schofield, correspondente da BBC em Paris.

Seguindo a agenda da campanha, Macron tentou reforçar sua imagem de tolerância frente à de Le Pen e seu partido em uma homenagem realizada no Dia da Deportação na França — cujo regime colaboracionista contribuiu para mandar 200 mil judeus aos campos de extermínio.

— A homenagem que quis fazer hoje (domingo) é para mostrar este dever que temos com todas as vidas perdidas pelos extremos, pela barbárie — disse Macron, pedindo que atos como esses “não se reproduzam nunca mais”.

Os capítulos obscuros da ocupação nazista, em 1942, voltaram durante a campanha, com várias polêmicas em torno da FN — após declarações do pai de Marine e um dos fundadores da legenda, Jean-Marie Le Pen, e de Jean-François Jalkh, que teve que se afastar na sexta-feira da direção interina da FN por declarações sobre as câmaras de gás — que ele nega.

— A eleição de Marine Le Pen seria algo monstruoso — afirmou Daniel Cordier, ex-secretário de Jean Moulin e figura da resistência francesa durante a ocupação nazista, em uma entrevista ao “Journal du Dimanche”. — Le Pen na vida política francesa representa a negação de tudo pelo qual nós combatemos.

Le Pen: ‘Moeda única está morta’

A própria Le Pen se viu dentro da controvérsia negacionista ao afirmar, recentemente, que a França não foi responsável pelas detenções e deportações de judeus — em sua opinião, o regime colaboracionista não representava o país. No domingo, a líder da extrema-direita também fez uma discreta homenagem em Marselha às vítimas do Holocausto, e depositou flores diante do Monumento aos Deportados, sem avisar a imprensa.

— Eu não comercializo este tipo de homenagem. Não é um evento eleitoral — alfinetou na rede francesa BFMTV, enquanto sua sobrinha, a deputada Marion Maréchal Le Pen, denunciava o oportunismo de Macron.

Na tentativa de aumentar sua base eleitoral, a candidata ainda fez uma visita surpresa à fábrica de produtos de alumínio Altéo, envolvido em uma polêmica ambiental pelo vazamento de substâncias contaminantes no Mediterrâneo. Na quarta-feira, Le Pen já havia ido inesperadamente a uma fábrica de eletrodomésticos prestes a ser fechada. As visitas são uma tentativa de conquistar os eleitores com mais consciência ecológica, especialmente os do candidato de extrema-esquerda, Jean-Luc Mélenchon, e os do socialista Benoît Hamon, eliminados no primeiro turno.

— O Estado pode colaborar com o setor privado para proteger os empregos, ao mesmo tempo em que protege os franceses dos riscos ambientais — afirmou.

O discurso é incomum e se afasta de declarações anteriores da candidata, que já criticou, por exemplo, o custo da transição à energia verde e se opôs ao fechamento da central nuclear de Fessenheim, a mais antiga da França, para evitar a perda de postos de trabalho. E em uma entrevista ao jornal “Le Parisien”, a candidata explicou sua proposta polêmica de coexistência de duas moedas, uma para transações nacionais e outra para as internacionais. De acordo com ela, a moeda única europeia “está morta” e é responsável por grande parte do desemprego na França.

oglobo.globo.com | 01-05-2017
Representantes da União Europeia (UE) fizeram neste fim de semana uma visita ao Irã que faz parte do acordo antinuclear fechado entre o país do Oriente Médio e os países desenvolvidos, apesar das ameaças dos EUA de revogar o acordo. Os europeus se comprometem a apoiar a economia iraniana. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 30-04-2017
Representantes da União Europeia (UE) fizeram neste fim de semana uma visita ao Irã que faz parte do acordo antinuclear fechado entre o país do Oriente Médio e os países desenvolvidos, apesar das ameaças dos EUA de revogar o acordo. Os europeus se comprometem a apoiar a economia iraniana. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 30-04-2017
O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, que se encontrou com a premiê britânica, Theresa May, na sexta-feira, afirmou que "continuará confiando" na economia do Reino Unido, mesmo após a saída do país da União Europeia.Abe acrescentou que manter a Europa aberta é algo de importância mundial. O líder japonês disse que espera que investidores de fora da UE possam ter "perspectivas de futuro claras" no decorrer do processo de separação. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 29-04-2017

Com os americanos ainda cautelosos no consumo, a economia americana cresceu 0,7% no primeiro trimestre, o ritmo mais lento desde 2014. O consumo das famílias avançou apenas 0,3%, em meio à queda de vendas no setor automobilístico. Os economistas, porém, veem o fraco desempenho da economia americana como um fenômeno temporário, à medida que os ganhos de renda tendem a se traduzir no aumento do consumo, que representa dois terços do PIB. Eles apostam que os EUA terão um comportamento semelhante ao de 2016, quando começaram mal, mas depois mantiveram uma expansão moderada ao longo do ano.

A França e o Reino Unido também apresentaram um desempenho débil no primeiro trimestre, com suas economias avançando apenas 0,3%. No caso francês, o fator eleitoral e o temor de uma vitória da extremista Marine Le Pen tiveram impacto nas decisões de investimento das empresas, revelando que a segunda maior economia da UE ainda é vulnerável ao risco político. Mas, dizem os especialistas, à medida que o candidato independente, Emmanuel Macron, apareça liderando as pesquisas, a tendência é de recuperação.

Em relação ao Reino Unido, cujo desempenho ficou abaixo das previsões, analistas apontam para os efeitos do Brexit, sobretudo o impacto sobre o consumo de um potencial aumento da inflação com o divórcio da UE. Em ambos os casos, a economia reagiu a aspectos pontuais, embora no caso britânico o custo do Brexit tenda a se alongar nos próximos anos.

Apesar desses resultados, o Fundo Monetário Internacional (FMI), em relatório sobre a economia global, vê sinais positivos em áreas essenciais, como investimento global, setor industrial e a confiança do consumidor. Apesar das ameaças geopolíticas, em especial o impasse entre EUA e Coreia do Norte, as eleições na França e na Alemanha e o processo do Brexit, associados ao aumento do protecionismo no comércio mundial, o Fundo vê EUA, Europa e Japão mostrando sinais sustentáveis de recuperação.

No plano das commodities, as cotações do petróleo avançaram em relação a 2016, elevando as taxas de inflação de patamares perigosamente baixos nos países desenvolvidos, e favorecendo as economias emergentes dependentes das exportações. Segundo o relatório do Fundo, a economia mundial deverá avançar este ano 0,10 ponto percentual, para 3,5%, o que, se confirmado, representará o ritmo mais acelerado de expansão em cinco anos.

Os prognósticos do FMI para a economia mundial este ano tornam ainda mais urgente a aprovação das reformas básicas da economia no Brasil. O país não pode mais se dar ao luxo de desperdiçar uma nova oportunidade de atrair investimentos que impulsionem de vez a recuperação.

oglobo.globo.com | 29-04-2017
O governo da Alemanha elevou ligeiramente sua projeção de crescimento econômico para este ano, afirmando que a maior economia da Europa está crescendo com firmeza.A economia alemã deverá expandir 1,5% este ano e 1,6% em 2018, segundo a ministra da Economia, Brigitte Zypries. Em janeiro, o governo projetou crescimento de 1,4% em 2017. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 26-04-2017

RIO - O regime fascista de Benito Mussolini não queria criar um mártir. Em 24 de abril de 1937, após dez anos e cinco meses de prisão, decidiu soltar Antonio Gramsci, principal liderança do Partido Comunista Italiano (PCI). Após uma década de maus tratos no cárcere, Gramsci, de saúde frágil desde a infância, já estava condenado. Morreu três dias depois, numa clínica em Roma, aos 46 anos. Sem nunca ter publicado um livro em vida, tornou-se um dos mais influentes pensadores do século XX, com sua original e heterodoxa contribuição ao marxismo. E, 80 anos após sua morte, seus trabalhos são lidos, relidos e, em alguns casos, até “reescritos”.

Desde a década de 1990, ganharam força as pesquisas que buscam reconstituir a produção de Gramsci à luz da filologia histórica. Seguindo essa linha, a partir de 2007 começou a ser editada na Itália a “Edição nacional dos escritos de Antonio Gramsci”, sob responsabilidade da Fundação Instituto Gramsci, com objetivo de estabelecer a versão definitiva de todos os seus manuscritos. Esse trabalho vem dando novo impulso aos estudos da obra do pensador italiano, agora livre das amarras políticas do século passado, como é o caso de dois livros recém-lançados no Brasil: o ambicioso “Dicionário gramsciano”, organizado por Guido Liguori e Pasquale Voza, e “Modernidades alternativas: o século XX de Antonio Gramsci”, de Giuseppe Vacca, ex-diretor do Instituto Gramsci.

Isso porque, além dos cerca de 2 mil textos políticos e jornalísticos publicados na imprensa entre 1914 e 1926, a parte mais importante da produção do pensador italiano são os seus 33 cadernos manuscritos, feitos na prisão entre 1929 e 1935, mais conhecidos como “Cadernos do cárcere”. É no período de reclusão que Gramsci desenvolve seus conceitos mais conhecidos, como “hegemonia”, “revolução passiva”, “sociedade civil” e a “filosofia da práxis”. Contudo, pela própria natureza dos cadernos e pelas limitações impostas pelos fascistas, trata-se de uma “obra em progresso”, na definição de Liguori, professor da Universidade da Calábria e presidente da seção italiana da International Gramsci Society (IGS).

NA TRILHA DO TEXTO

Para Vacca, os esforços em torno da “Edição nacional” favoreceram a formação de uma nova geração de estudiosos que se dedicam a uma “leitura diacrônica” dos “Cadernos do cárcere”, reconstruindo suas conexões com a história europeia e mundial do século XX. Essa “leitura diacrônica” é uma forma de montar o mosaico do seu pensamento, já que o desenvolvimento dos seus conceitos está espalhado pelos cadernos.

— A “Edição nacional” é a primeira edição crítica integral dos escritos de Gramsci tratados com critérios exclusivamente filológicos e segundo o método histórico, sem sugerir nenhuma interpretação e restituindo textos e contextos de sua obra a seu tempo, como é obrigatório para um clássico do pensamento — afirma Vacca, que no seu “Modernidades alternativas” analisa alguns dos principais conceitos de Gramsci.

Na mesma trilha, o “Dicionário gramsciano” busca realizar um trabalho que o pensador italiano não teve tempo de concluir em vida: a sistematização de seus principais conceitos. Trata-se de um trabalho coletivo dos pesquisadores da IGS desde o ano 2000. No livro, trabalharam cerca de 60 especialistas e estudiosos, italianos e estrangeiros, incluindo brasileiros. Liguori vê um renascimento dos estudos gramscianos após o fim da União Soviética: "Depois do fim do PCI, o partido de Gramsci, e da União Soviética, o seu pensamento tem sido interpretado de um modo menos diretamente condicionado pela luta política."

— Depois do fim do PCI, o partido de Gramsci, e da União Soviética, o seu pensamento tem sido interpretado de um modo menos diretamente condicionado pela luta política. Nos países anglo-saxões, ele se tornou um autor de referência para os “Estudos culturais”, o que lhe deu fama, mas também mutilou grande parte de sua natureza política. Um caso interessante é o dos “estudos subalternos”, nascido na Índia, que difundiu por todo o mundo a categoria gramsciana de “classe subalterna”, em oposição à “classe hegemônica” — aponta Liguori.

Os “Cadernos do cárcere” foram editados pela primeira vez entre 1948 e 1949, após a Segunda Guerra Mundial, mas o texto sofreu diversas alterações e censuras devido às discordâncias de Gramsci com a linha política adotada pelo PCI, à época comandado por Palmiro Togliatti. A primeira edição crítica dos “Cadernos” só foi publicada na Itália em 1975, graças ao trabalho de Valentino Gerratana. A partir daquela década, segundo Vacca, houve apropriações equivocadas das ideias de Gramsci com objetivos políticos imediatos. Ele cita a “presumida hegemonia neoliberal”, que não leva em conta que o conceito gramsciano de hegemonia implica “a capacidade das classes dominantes de produzir estabilidade e gerar consenso”.

RECEPÇÃO BRASILEIRA

No Brasil, a situação foi parecida. Um dos tradutores da edição brasileira dos “Cadernos” (Civilização Brasileira), ao lado de Carlos Nelson Coutinho e Luiz Sérgio Henriques, o professor Marco Aurélio Nogueira, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), afirma que o contexto brasileiro do final das décadas de 1970 e 1980 influenciou a recepção das ideias gramscianas.

— Havia muita resistência ao pluralismo e ao valor intrínseco da democracia, em torno do qual não deveria haver disputas. O marxismo brasileiro também era raso, sobretudo na reflexão política — diz Nogueira. — Além do mais, Gramsci é um pensador marxista heterodoxo e de difícil assimilação. São coisas que fazem com que ele gere tantas controvérsias.

Contudo, o professor aponta que as suas ideias foram decisivas para encaminhar os grupos de esquerda em direção à luta democrática contra a ditadura. Esse movimento estava alinhado com a própria reorientação política dos partidos comunistas na Itália, na França e na Espanha, repercutidas no Brasil por intelectuais chamados então de “eurocomunistas”. O marxismo gramsciano deu à esquerda uma concepção “processual” da reforma social, ou seja, uma ideia de “revolução socialista” que se faria mediante processo de longo prazo e não de “explosões”.

— O marxismo gramsciano deu à esquerda uma concepção “processual” da reforma social, ou seja, uma ideia de “revolução socialista” que se faria mediante processo de longo prazo e não de “explosões”. Isso impulsionou a passagem de praticamente todas as correntes para o campo democrático — explica Nogueira. — Sem o estímulo fornecido pela sua “plataforma” política e intelectual, é provável que a história da transição tivesse sido diferente.

Gramsci viveu e produziu no conturbado período entreguerras, num mundo chacoalhado pela Revolução Russa de 1917 e pela ascensão do fascismo — do qual foi vítima — na Itália, e do nazismo na Alemanha. Morto em 1937, não viu a queda dos seus algozes nem a crise do regime comunista soviético, que já criticava no início dos anos 1930. No presente de crises e ascensão da extrema-direita na Europa, os estudiosos concordam que Gramsci segue atual.

— Gramsci diz que o poder está assentado muito mais nos aspectos “hegemônicos” do que no aparato “repressivo”. Ele também não tinha uma visão ingênua da democracia: um consenso sobre um programa político deve ser criado bem antes do dia da eleição — diz Liguori.

Já Vacca acredita que o mundo do século XXI é marcado, mais do que pela globalização e sua crise, por um conflito econômico que corre o risco de se tornar uma guerra de verdade. E recorre às categorias gramscianas.

— Essa situação teve origem na crise do sistema mundial do segundo pós-guerra, culminada pela implosão da União Soviética. que havia permitido décadas de estabilidade, e no surgimento de um conflito econômico mundial que se caracteriza pelo crescente conflito do "cosmopolitismo" da economia e o "nacionalismo" da política. Superado o velho sistema hegemônico mundial, não se formou nenhum outro novo e, portanto, volta à cena a equação entre a política e a guerra.

oglobo.globo.com | 26-04-2017

PARIS — Veterano da extrema-direita francesa, Jean-Marie Le Pen criticou nesta terça-feira a campanha da sua filha, Marine Le Pen, na corrida presidencial francesa. Embora não seja a favorita, a candidata da ultranacionalista Frente Nacional (FN), com seu forte discurso xenófobo, se saiu vitoriosa no primeiro turno de domingo e enfrentará o centrista Emmanuel Macron na votação final. O seu pai, no entanto, afirmou que ela deveria ter feito uma campanha ainda mais agressiva, seguindo o exemplo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. frança

— Acho que a campanha dela foi muito contida. Se eu estivesse em seu lugar, teria feito uma campanha do tipo Trump, mais aberta, muito agressiva contra os responsáveis pela decadência de nosso país, seja da esquerda ou da direita — disse Jean-Marie Le Pen, de 88 anos, à rádio RTL.

A intervenção do fundador da FN veio após a filha ter anunciado, na segunda-feira, seu afastamento temporário da liderança da sua legenda radical. Uma briga entre os dois levou à sua expulsão da legenda em 2015, depois que o político fez duros comentários sobre o Holocausto. França: os pontos fracos de Le Pen e Macron

Le Pen tenta se desassociar da imagem racista e antissemita do seu partido, mas mantém um discurso muito agressivo. Na campanha, prometeu acabar com a imigração legal; bloquear a liberação de vistos de longo prazo; restringir os benefícios sociais de imigrantes; fechar fronteiras; e taxar empresas que contratem estrangeiros. Também fala em deixar a zona do euro e realizar um referendo sobre a permanência francesa na União Europeia (UE).

Com 7,5 milhões de votos, Marine Le Pen superou na votação de domingo o recorde eleitoral anterior da Frente Nacional. Mas não conseguiu tomar o primeiro lugar de Macron, candidato pró-União Europeia que já foi ministro da Economia.

Jean-Marie chocou o mundo em 2002 ao avançar para o segundo turno da eleição presidencial francesa. Mas perdeu por larga margem na disputa contra o conservador Jacques Chirac. Macron e Le Pen iniciam campanha para o segundo turno das eleições presidenciais

oglobo.globo.com | 25-04-2017

PARIS — Os dois candidatos à Presidência da França — o centrista Emmanuel Macron e a candidata de extrema-direita, Marine Le Pen — participaram nesta terça-feira de uma homenagem ao policial morto, na semana passada, em um atentado na avenida Champs Elysées, em Paris. O atual presidente, François Hollande, convidou os dois postulantes para uma cerimônia na sede da polícia parisiense em tributo a Xavier Jugelé.

Karim Cheurfi, autor do ataque reivindicado pelo grupo Estado Islâmico, matou o policial com dois tiros na cabeça na famosa avenida comercial no centro de Paris. Também feriu dois policiais e uma turista alemã, antes de ser morto.

— De novo a França perdeu um de seus filhos mais corajosos. A República perdeu um dos guardiões mais valorosos — afirmou Hollande em discurso solene exibido na televisão.

Jugelé recebeu a Legião de Honra, uma das principais honrarias da França, e receberá, em caráter póstumo, a patente de capitão.

O atentado sacudiu a reta final da campanha, uma vez que aconteceu apenas três dias antes do primeiro turno das eleições mais imprevisíveis das últimas décadas.

Os dois candidatos, que disputarão o segundo turno em 7 de maio, têm visões completamente diferentes sobre como proteger a França de ataques extremistas. Marine Le Pen exige o retorno das fronteiras nacionais e a expulsão de todos os estrangeiros que aparecem na lista de vigilância terrorista.

Já Emmanuel Macron, que aos 39 anos é o favorito para se tornar o presidente mais jovem da história da França, pediu aos eleitores que não cedam ao medo. Ele prometeu intensificar a cooperação na área de segurança com os países da União Europeia.

As pesquisas indicam que Macron, que recebeu 24% dos votos no primeiro turno, deve superar Le Pen por ampla margem no segundo turno.

Praticamente toda a classe política francesa, de esquerda e direita, incluindo o presidente Hollande, já expressou apoio ao centrista, ex-executivo do setor bancário e ex-ministro da Economia de Hollande. O candidato disputa uma eleição pela primeira vez e tenta impedir o avanço da extrema-direita.

Macron iniciou na segunda-feira o processo de negociações políticas para conquistar a maioria parlamentar nas legislativas de junho, indispensável para conseguir governar e aplicar seu programa caso seja eleito. O centrista deve retomar à campanha para o segundo turno na quarta-feira.

Já Le Pen espera conquistar votos dos eleitores do conservador François Fillon e do candidato da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon. Ambos foram derrotados no primeiro turno.

oglobo.globo.com | 25-04-2017

Em sintonia com o espírito de 1789, a França revolucionária está um passo à frente de todo mundo. No domingo, o país se tornou a primeira nação ocidental a deixar de lado, numa eleição presidencial, a estrutura partidária que dominou a política europeia desde a Segunda Guerra Mundial. Nem Emmanuel Macron nem Marine Le Pen pertencem à velha gauche ou à velha droite. Também não terão uma maioria parlamentar para apoiá-los, nem representam uma continuação do status quo.frança

Se a grande divisão política — na França, como em qualquer lugar do mundo — costumava ser sobre o tamanho do Estado, a nova cisão não está ligada à economia, e sim a diferentes visões de o que a França representa. Le Pen quer tirar o país das instituições internacionais, incluindo a União Europeia (UE) e a Otan; fechar as fronteiras; limitar o comércio exterior; e impor uma economia quase marxista e dominada pelo Estado. Já Macron representa o novo centro radical e rejeita rótulos políticos. Ministro no governo do Partido Socialista, ele diz que a honestidade o obriga a dizer que não é um socialista, embora acredite em “solidariedade coletiva”. Seus eleitores apoiam a UE e a integração da França com o resto do continente e do mundo.

Desta forma, o segundo turno francês tem uma agenda muito clara. Abertura X fechamento; integracionismo X isolacionismo; futuro X passado. Embora esteja muito atrás de Macron nas projeções, Le Pen deverá conseguir um resultado melhor do que o obtido por seu pai em 2002, e a possibilidade de uma vitória da Frente Nacional não pode ser descartada. Parte da velha esquerda, que apoiou o trotskista Jean-Luc Mélenchon, simpatiza com suas objeções ao comércio internacional e aos banqueiros; e parte da direita, incluindo aqueles que votaram em François Fillon, prefere sua ostentação de “valores tradicionais”.

França: os pontos fracos de Le Pen e Macron

Há ainda muitos que, confusos com as novas divisões políticas, preferirão se abster. A campanha de difamação que virá contra Macron será de uma maldade até então nunca vista, e pode desestimular alguns eleitores.

Qualquer que seja o resultado final, Le Pen e seu partido não irão desaparecer. Eles refletem sentimentos que são reais, que existem em todos os países ocidentais e que agora devem ser confrontados abertamente, pois representam uma genuína e poderosa ameaça à democracia liberal. Embora a Frente Nacional tenha origens fascistas — seus fundadores incluem defensores do governo colaboracionista francês na Segunda Guerra — tais argumentos são insuficientes para descartar sua candidatura. A tarefa agora para Macron é encontrar soluções para os muitos que rejeitam sua política “aberta” e sua visão centrista.

Na noite de domingo, Le Pen conclamou os “patriotas” a apoiarem-na no segundo turno. Em resposta, Macron deve definir novas formas de patriotismo e solidariedade, para aqueles que queiram permanecer franceses, mas ao mesmo tempo abraçar o mundo.Macron e Le Pen iniciam campanha para o segundo turno das eleições presidenciais

oglobo.globo.com | 25-04-2017

Pela primeira vez desde o início da Quinta República, há 59 anos, os franceses irão às urnas, em segundo turno, escolher entre dois candidatos estranhos à tradição política da França, que sempre oscilou entre republicanos (direita) e socialistas (esquerda).

O centrista Emmanuel Macron, do movimento independente En marche! (Avante!), que obteve 23,9% dos votos no primeiro turno, no domingo passado, disputará a segunda rodada com a candidata da Frente Nacional (FN), Marine Le Pen (21,4%). Os dois derrotaram o conservador François Fillon (19,9%), do partido Os Republicanos; o socialista Benoit Hamon (6,3%) e o candidato da extrema-esquerda, Jean-Luc Mélenchon (19,6%), da Frente Insubmissa.

O resultado do primeiro turno é significativo pela derrota das agremiações convencionais, sobretudo o Partido Socialista (PS), refletindo a insatisfação do eleitor francês com o presidente François Hollande. Também evidenciou, mais uma vez, que o eixo atual da disputa ideológica, sobretudo no campo eleitoral, não se dá tanto entre esquerda e direita, mas especialmente entre aqueles que defendem um mundo integrado mediante regras comuns e os que preferem retornar ao isolacionismo e ao protecionismo do nacional-populismo.

Os números também apontam o forte avanço da esquerda radical e da extrema-direita, com bandeiras parecidas. As pesquisas, porém, indicam que Macron deve derrotar Le Pen no segundo turno, no próximo dia 7 de maio. Defensora de um nacionalismo que evoca o III Reich, a candidata da FN é controversa, com opiniões polêmicas sobre o Holocausto, refugiados sírios e globalização. Ela elogia as bravatas populistas de Donald Trump e, como ele, defende o fechamento de fronteiras, especialmente a muçulmanos. Le Pen prometeu que, se eleita, implementará o Frexit — a saída da França da União Europeia (UE), a exemplo do Reino Unido (Brexit).

Mais do que isso: Le Pen faz da xenofobia marca eleitoral e cativa o eleitor conservador do interior da França, embora também tenha crescido entre os jovens, ao contrário de Trump e dos eleitores britânicos que apoiaram o Brexit. Analistas dizem que a candidata da FN não consegue angariar muitos votos fora do seu eleitorado, ao contrário do rival, que já recebeu promessas de apoio de alguns dos candidatos derrotados no primeiro turno. Mélenchon, no entanto, anunciou que vai consultar “as bases” do partido, antes de anunciar quem terá seu apoio.

O centrista Macron é um defensor eloquente da integração europeia, a favor da economia de mercado e da saúde fiscal. Se sua vitória for confirmada, será mais um sinal de que a onda nacional-populista que varreu a Europa e o mundo nos últimos anos começa a perder força. Um alento bem-vindo.

oglobo.globo.com | 25-04-2017

frança PARIS— Logo depois de ter confirmado seu lugar no segundo turno das eleições presidenciais francesas, Marine Le Pen anunciou que deixará temporariamente a liderança do seu partido, a Frente Nacional (FN). A candidata aparentemente tenta se desvincular da legenda radical, cujo passado é marcado por acusações de antissemitismo e racismo. Ela justificou a decisão dizendo que focará na corrida presidencial, em que enfrenta o centrista Emmanuel Macron.

— Hoje, eu não sou mais a presidente da Frente Nacional. Sou a candidata presidencial — disse Le Pen á televisão francesa.

Com forte discurso antissistema, Le Pen lança mão de uma retórica muito agressiva na sua candidatura. Os seus críticos dizem que suas declarações ultranacionalistas e xenófobas dividiriam a sociedade francesa.

O presidente francês, François Hollande, conclamou os eleitores a votarem em Macron no segundo turno das eleições, afirmando que Le Pen, é um risco para o país. Hollande advertiu que a líder da Frente Nacional devastaria a economia, ameaçando a liberdade francesa.

Macron venceu com 24,01% dos votos, contra 21,30% de Le Pen. O conservador François Fillon ficou em terceiro, com 19,94% , enquanto o concorrente de extrema-esquerda Jean-Luc Mélenchon foi o quarto, com 19,61% , segundo dados do Ministério do Interior. França: os pontos fracos de Le Pen e Macron

Os mercados globais reagiram com alívio ao resultado do primeiro turno, que deixou Macron — um político de centro pró-União Europeia — como favorito para se tornar o próximo presidente francês. O euro atingiu brevemente um pico de cinco meses, enquanto as ações europeias subiram consideravelmente.

Embora Macron, de 39 anos, seja relativamente inexperiente na política e nunca tenha exercido um cargo eleito, pesquisas de opinião realizadas após o resultado de domingo mostram o candidato vencendo facilmente o combate final contra Le Pen, de 48 anos.

Para o segundo turno, que será realizado em 7 de maio, uma sondagem da empresa Harris mostrou Macron vencendo com 64% das urnas, e Le Pen atrás com 36%. Uma pesquisa Ipsos/Sopra Steria apresentou um resultado semelhante, e um novo levantamento da Opinionway divulgado nesta segunda-feira falou em uma vitória de Macron com 61% dos votos diante de 39 da adversária.

Eichenberg comenta resultado histórico nas eleições francesas

Info - França resultados parciais

oglobo.globo.com | 24-04-2017

SÃO PAULO - A semana será marcada pelas discussões em torno das reformas econômicas e a divulgação de dados fiscais. O governo Temer se esforça para conseguir apoio para concluir as mudanças nas regras para aposentadoria e também nas leis trabalhistas, mas encontra dificuldade em encontrar apoio na própria base.
José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, lembra que os desdobramentos da "Lista de Fachin", que determinou a abertura de inquérito contra oito ministros de Temer, além de dezenas de outros políticos, podem dificultar essas negociações. "O ambiente tenso em Brasília tempera as negociações sobre a reforma da previdência e trabalhista. A temperatura vai subindo na medida em que maio se aproxima e alista de Fachin tem desdobramentos "inesperadamente esperados"", afirmou, em relatório a clientes.
Para tentar apoio à Reforma da Previdência, o governo já cedeu em alguns pontos. Mas dada a continuidade do impasse, a votação em plenário pode ser adiada. Em outra frente, o governo tenta aprovar as mudanças nas regras trabalhistas, que por não se tratar de tema constitucional tem uma tramitação mais simples.
Os economistas e analistas também estarão de olho nos dados econômicos, em especial as referentes às contas públicas.
No exterior, o principal fato de atenção é a repercussão em torno do primeiro turno das eleições presidenciais na França. No segundo turno estão o social-liberal Emmanuel Macron, considerado um candidato de centro, e a nacionalista Marine Le Pen, de extrema direita. Está em jogo a permanência do país na União Europeia.
Nos Estados Unidos, que conhecerá os dados do PIB do primeiro trimestre na sexta-feira, o presidente Donald Trump deve divulgar mais informações sobre os planos de incentivo à economia.



DIA 24 - Eleições na França
Os mercados internacionais estarão de olho nas repercussões do primeiro turno da eleição para presidente na França. O social-liberal Emmanuel Macron, favorável à permanência do país na União Europeia, e a nacionalista Marine Le Pen disputam o segundo turno em 7 de maio.
DIA 25 - Reformas
A comissão especial da Reforma da Previdência discute o parecer do relator, Arthur Maia. O governo pode adiar a votação das mudanças nas regras de aposentadoria para garantir mais apoio. Também estão no radar as discussões em torno da reforma trabalhista.
DIA 26 - Crédito
O Banco Central divulga os dados referente ao comportamento do crédito e da inadimplência no mês de março. Será possível verificar se os juros dos empréstimos já começaram a cair para o consumidor, refletindo a queda da Selic, e se a taxa de calotes dá sinais de melhora.
DIA 27 - Contas Públicas
Saem na quinta-feira os dados de arrecadação e despesa do governo central. Os analistas vão estar de olho, principalmente, no comportamento das receitas, que estão demorando mais para reagir e podem comprometer a meta de déficit primário (despesas acima das receitas, sem contar os gastos com juros).
DIA 28 - EUA
O Departamento de Comércio dos Estados Unidos divulga os dados do Produto Interno Bruto (PIB) referente ao primeiro trimestre. A expectativa é de um crescimento anualizado de 1,2%. Além do comportamento dos três primeiros meses do ano, analistas e economias avaliam as novas medidas do governo de Donald Trump. Cinco fatos que vão mexer com a economia na semana Cinco fatos que vão mexer com a economia na semana Cinco fatos que vão mexer com a economia na semana Cinco fatos que vão mexer com a economia na semana Cinco fatos que vão mexer com a economia na semana

oglobo.globo.com | 24-04-2017

A parceria entre Brasil e Espanha é fecunda e bem-sucedida em muitas áreas, e em ciência, tecnologia, inovações e comunicações. Raízes históricas poderiam explicar parte do que já se alcançou. Mas o presente e o futuro apontam, de modo inegável, para resultados a serem alcançados por meio de fluxos de informação cada vez maiores e mais velozes. Resultados que deverão redefinir a ideia mesma de navegação, agora em tempos de globalização e de internet.

Se nossos países carregam tanta similaridade, também são notórias as semelhanças no setor em que atuamos e buscamos contribuir com o desenvolvimento dos dois países.

Mantivemos uma profícua reunião em fevereiro, quando de viagem oficial brasileira à Espanha. Serviu como prévia em ciência, tecnologia, inovações e comunicações para visita do presidente de governo Mariano Rajoy ao Brasil, nestes dias 24 e 25 de abril. Visita há muito aguardada e que se concretiza pelo reconhecimento do governo de Michel Temer sobre a importância de multiplicarmos potencialidades entre os países.

As semelhanças nos níveis de desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação favorecem parcerias bilaterais. Já firmamos um Plano de Ação em Ciência e Tecnologia e um acordo sobre cooperação em nanotecnologia. E iremos avançar mais.

E, por isso, na missão do presidente Rajoy, teremos importantes acordos de cofinanciamento de projetos conjuntos, envolvendo agências brasileiras e espanholas de pesquisa e ciência. O I Fórum Brasil-Espanha, a ser realizado em São Paulo, durante a missão espanhola, impulsionará essas discussões.

Prevê-se também a construção de um novo cabo submarino de fibra óptica entre a Europa e a América do Sul, em associação entre Espanha e Brasil, que ampliará a oferta e a velocidade de tráfego internacional, com redução de custos e incremento da segurança de dados.

Os dois países efetuam trocas comerciais que remontaram a mais de US$ 5,1 bilhões em 2016, com pauta variada. A Espanha é um dos maiores parceiros do Brasil quando se trata de investimentos em nível mundial. Em relação às exportações brasileiras para a Espanha, a pauta é diversificada e estimula o desenvolvimento da economia do país latino-americano.

Além disso, vale salientar a importância do aporte das empresas espanholas na década de 90 como contribuintes do desenvolvimento econômico do Brasil. Instalaram-se, cresceram e prosperaram. Geraram riqueza, empregos e contribuíram com o avanço de setores importantes, impactados pela tecnologia.

Brasil e Espanha estão prontos para embarcar em uma nova grande aventura em áreas de ponta, voltadas para o desenvolvimento econômico. Áreas que aliam inovações científico-tecnológicas ao que existe de mais moderno em comunicações.

A evolução da ciência, tecnologia, inovações e comunicações se reflete diretamente na vida dos cidadãos. Com a melhoria da qualidade dos serviços públicos nas áreas de transporte, comunicações, saúde e energia, entre outras. Sabendo disso, os dois países trabalham pela ampliação dos investimentos nesses setores e colocam em marcha políticas públicas impulsionadoras.

Quando a Espanha se reencontrou com o Brasil, há três décadas, em pouco tempo se tornou uma das principais investidoras no País. Agora, é a vez da Ciência, da Tecnologia, da Inovação e das Comunicações: a porta para o futuro. Brasil e Espanha têm as senhas de acesso nas mãos.

Gilberto Kassab é ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do Brasil, e Carmen Vela é secretária de Estado de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Espanha

oglobo.globo.com | 24-04-2017

FRANKFURT - Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, pode estar considerando optar pela rota mais rápida para a normalização da política monetária do que o inicialmente esperado. A maioria dos economistas ouvidos pela Bloomberg espera que Draghi revise as diretrizes para juros e programa de compra de ativos na reunião de junho — seis meses antes do previsto na pesquisa anterior.

Divergências públicas entre legisladores sênior nas últimas semanas estimularam especulações de que o BCE está próximo de sinalizar o fim de seus extraordinário pacote de estímulo.

Enquanto Draghi tem tentado conter esse falatório, e as eleições francesas — cujo primeiro turno aconteceu neste domingo — ainda representa uma ameaça para a zona do euro, a recuperação da região, que vem se reforçando continuamente, pode convencê-lo a, pelo menos, dar pistas sobre sua estratégia para a saída da estratégia monetária atual.

— Supondo que não haja grandes choques, então o BCE vai querer começar a retirar o estímulo monetário, ainda que em um ritmo modesto — avaliou Alan McQuaid, um economista da Merrion Capital, em Dublin. — É provável que comece mudando as diretrizes após a eleição francesa.

No encontro do BCE previsto para a próxima quinta-feira em Frankfurt, pode começar a discussão dessa saída que, até agora, só foi citada em aparições públicas e entrevistas a meios de comunicação. Em março, após uma reunião do Conselho de Governo, Draghi afirmara que este não era um tópico em debate. E, em discurso no início de abril, destacou que a economia não oferecia bases para “alterar nossa avaliação das projeções para inflação”.

Muito disso depende dos sinais vindos da eleição francesa, na qual Marine Le Pen faz campanha usando uma plataforma anti-euro e anti-União Europeia. Segundo pesquisas de boca de urna, Le Pen seguirá para o segundo turno do pleito contra Emmanuel Macron.

Hoje, o BCE diz esperar manter os juros “nos níveis atuais ou mais baixos por um período estendido” e até “bem depois” do fim do programa de compra de ativos, chamado de quantitative easing (QE).

Uma vez que a autoridade monetária tenha iniciado a comunicação que vai levar ao fim do QE e dos juros ultrabaixos, economistas preveem que a ação será mais rápida do que esperada anteriormente.

Mais de 60 dos analistas esperam que a redução do QE seja anunciada em setembro deste ano, com 93% acreditando que a diminuição acontecerá a partir do primeiro trimestre de 2018 — prazo antes indicado por apenas 88% dos entrevistados.

oglobo.globo.com | 23-04-2017

PARIS — O candidato centrista Emmanuel Macron pode ser eleito presidente com dois terços dos votos no segundo turno das eleições francesas, segundo duas pesquisas feitas neste domingo. Macron já recebeu o apoio do socialista Benoît Hamon e do conservador François Fillon, membros dos dois partidos que eram as grandes forças opostas na política francesa. O atual presidente do país, François Hollande, pretende fazer um discurso contra a extrema-direita, de acordo com fontes próximas a ele. FRANÇA seg turno

As pesquisas foram feitas depois dos resultados de boca de urna que indicaram que Macron e a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, irão ao segundo turno, no dia 7 de maio. Uma sondagem da Harris Interactive para a emissora "M6" constatou que 64% dos entrevistados votariam no ex-ministro de Economia, enquanto 36% votariam em Le Pen. Enquanto isso, uma sondagem da Ipsos Sopra Steria para a France Televisions disse que Macron foi visto ganhando 62% dos votos contra 38% de Le Pen.

A contagem oficial dos votos confirma Macron e Le Pen no segundo turno. Com 33,2 dos 47 milhões dos votos apurados, os resultados das maiores cidades francesas ainda não foram computados, onde a aprovação de Le Pen tende a ser menor em comparação com as cidades pequenas.

Segundo a apuração oficial de 77% das urnas, Macron tem 23,17%, seguido de Le Pen, com 22,94%. O conservador François Fillon vem atrás com 19,74% e o candidato da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, tem 18,88%.

Já as pesquisas de boca de urna previram que Macron alcançaria 23,7% dos votos, contra 21,7% de Marine Le Pen. François Fillon ficaria em terceiro lugar, com 19,5% dos votos, e o esquerdista Jean-Luc Mélenchon, em quarto, com 19,5%.

O primeiro turno desta eleição presidencial foi o mais acirrado da história recente da França. Quatro candidatos chegaram neste domingo com chances reais de irem para o segundo turno, mas o resultado confirmou as últimas pesquisas de intenção de voto.

— Eu quero ser o presidente dos patriotas contra a ameaça dos nacionalistas — disse o ex-banqueiro de 39 anos a uma multidão de simpatizantes. — Encarnarei a voz da esperança para nosso pais e para a Europa.

EX-BANQUEIRO E EX-SOCIALISTA

Há três anos, Emmanuel Macron era praticamente desconhecido. Agora, esse ex-banqueiro pode ser o presidente mais jovem da história da França, aos 39 anos.

Esse homem de grandes ambições se distanciou do socialista e atual presidente, François Hollande, em agosto de 2016, após dois anos como seu ministro da Economia, para se concentrar na construção de seu próprio movimento "Em Marcha!".

Em discursos, Macron diz não ser de direita nem de esquerda, ao defender ideias liberais que irritam seus pares socialistas e ao questionar os fundamentos de uma esquerda francesa ainda influenciada por uma visão marxista da economia, que vê com receio o mundo empresarial.

Inspirado no modelo escandinavo, seu discurso seduz, sobretudo, os jovens dos centros urbanos e do mundo dos negócios em um país no qual a maioria da população já não confia nos partidos tradicionais. Entenda a eleição na França em 1 minuto

HERDEIRA DA EXTREMA-DIREITA

Marine Le Pen, filha do líder histórico da extrema-direita francesa, chorou de alegria quando em 2002 seu pai provocou um terremoto político passando para o segundo turno presidencial. Agora ela repetiu a façanha.

No entanto, se Jean-Marie Le Pen pensava que nunca se tornaria um chefe de Estado, sua carismática filha e herdeira política está convencida de que no próximo 7 de maio a França terá sua primeira presidente mulher.

— A sobrevivência francesa está em jogo. Convido todos os patriotas a se juntarem — disse Le Pen em um comício, comemorando o "resultado histórico". — O resultado me põe em uma grande responsabilidade de defender a nação francesa, sua unidade, sua segurança, sua cultura, prosperidade e independência.

A candidata da Frente Nacional (FN), de 48 anos, soube capitalizar a insatisfação dos franceses com o desemprego e a imigração, e aproveitar a onda nacionalista na Europa para se transformar em uma das favoritas ao segundo turno das eleições presidenciais, no próximo 7 de maio.

Com um programa centrado no "patriotismo" e na "preferência nacional", Le Pen espera agora desmentir as pesquisas que preveem sua derrota no segundo turno. Promete, entre outras coisas, a suspensão dos acordos de livre circulação no interior da UE, a expulsão dos estrangeiros vigiados por radicalização e a supressão do "ius soli", a nacionalidade por direito de solo de nascimento. Conheça os candidatos à Presidência da França

oglobo.globo.com | 23-04-2017

PARIS — Centenas de jovens protestam em Paris contra a líder da extrema-direita, Marine Le Pen, e o centrista, Emmanuel Macron, que lideram as pesquisas de boca de urna para o segundo turno. A manifestação provocou confrontos a entre as forças de segurança e os militantes na Praça da Bastilha e ruas adjacentes, neste domingo. FRANÇA seg turno

Cerca de 300 manifestantes se reuniram antes mesmo que saíssem as primeiras estimativas da eleição presidencial. As forças de segurança interromperam preventivamente o tráfego na região. No local, um organizador com um microfone convocava as pessoas a demonstrar sua insatisfação contra Marine e contra Macron.

Os manifestantes atendiam ao chamado de movimentos antifascistas que pretendiam organizar uma "noite das barricadas". Os jovens, alguns usando máscaras, atiraram garrafas e bombas contra os agentes de segurança. Segundo a polícia, três pessoas foram detidas.

Pesquisas de boca de urna do instituto Ipsos-Sopra Steria, encomendada pela France Télévisions, Radio France e “Le Monde”, indicam que Emmanuel Macron e Marine Le Pen irão disputar o segundo turno da eleição presidencial, marcada para o dia 7 de maio.

De acordo com a pesquisa, Macron alcançou 23,7% dos votos, contra 21,7% da segunda colocada, a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen. François Fillon ficou em terceiro lugar, com 19,5% dos votos, e o esquerdista Jean-Luc Mélenchon, em quarto, com 19,5%.

O primeiro turno desta eleição presidencial foi o mais acirrado da história recente da França. Quatro candidatos chegaram neste domingo com chances reais de irem para o segundo turno, mas o resultado confirmou as últimas pesquisas de intenção de voto.

— Estamos virando uma página da História francesa — disse Macron à agência AFP. — Os franceses expressaram seu desejo de renovação.

OS DOIS CANDIDATOS

Há três anos, Emmanuel Macron era praticamente desconhecido. Agora, esse ex-banqueiro pode ser o presidente mais jovem da história da França, aos 39 anos. Em discursos, Macron diz não ser de direita nem de esquerda, ao defender ideias liberais que irritam seus pares socialistas e ao questionar os fundamentos de uma esquerda francesa ainda influenciada por uma visão marxista da economia, que vê com receio o mundo empresarial.

Inspirado no modelo escandinavo, seu discurso seduz, sobretudo, os jovens dos centros urbanos e do mundo dos negócios em um país no qual a maioria da população já não confia nos partidos tradicionais.Entenda a eleição na França em 1 minuto

Marine Le Pen, filha do líder histórico da extrema direita francesa, chorou de alegria quando em 2002 seu pai provocou um terremoto político passando para o segundo turno presidencial. Agora ela repetiu a façanha. Com um programa centrado no "patriotismo" e na "preferência nacional", Le Pen espera agora desmentir as pesquisas que preveem sua derrota no segundo turno.

A líder da Frente Nacional (FN) promete, entre outras coisas, a suspensão dos acordos de livre circulação no interior da UE, a expulsão dos estrangeiros vigiados por radicalização e a supressão do "ius soli", a nacionalidade por direito de solo de nascimento. A candidata, de 48 anos, soube capitalizar a insatisfação dos franceses com o desemprego e a imigração, e aproveitar a onda nacionalista na Europa para se transformar em uma das favoritas ao segundo turno das eleições presidenciais, no próximo 7 de maio.Conheça os candidatos à Presidência da França

oglobo.globo.com | 23-04-2017

PARIS — O ex-ministro Emmanuel Macron e a eurodeputada Marine Le Pen comemoraram o que consideraram um momento histórico na vida política francesa ao serem apontados vitoriosos no primeiro turno da eleição presidencial. O centrista recebeu um inédito apoio dos candidatos socialistas e conservadores, que costumavam ser as duas grandes forças opostas na vida política da França, além do presidente François Hollande. Os dois se enfrentarão num segundo turno no próximo dia 7. FRANÇA seg turno

Pesquisas de boca de urna do instituto Ipsos-Sopra Steria, encomendada pela France Télévisions, Radio France e “Le Monde”, indica que Emmanuel Macron e Marine Le Pen irão disputar o segundo turno da eleição presidencial, marcada para o dia 7 de maio.

— Hoje claramente estamos virando uma página da vida política francesa. Os franceses expressaram seu desejo de renovação — disse Macron à agência AFP, antes de fazer um comício de vitória. — Em vosso nome, encarnarei a voz da esperança para nosso país e para a Europa — declarou Macron, que disse querer ser "o presidente dos patriotas frente à ameaça dos nacionalistas".

De acordo com a pesquisa, Macron alcançou 23,7% dos votos, contra 21,7% da segunda colocada, a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen. François Fillon ficou em terceiro lugar, com 19,5% dos votos, e o esquerdista Jean-Luc Mélenchon, em quarto, com 19,5%. Benoît Hamon, do partido do atual presidente, ficou apenas na quinta colocação, com 6,2% do votos, segundo a pesquisa de boca de urna. Já segundo uma pesquisa da Kantar Sofres-Onepoint para o diário "Le Figaro" coloca Macron e Le Pen empatados em 23%, enquanto Mélenchon e Fillon teriam 19% cada. Hamon alcançaria 5,8%.

— A sobrevivência francesa está em jogo. Convido todos os patriotas a se juntarem — disse Le Pen em um comício, comemorando o "resultado histórico". — O resultado me põe em uma grande responsabilidade de defender a nação francesa, sua unidade, sua segurança, sua cultura, prosperidade e independência.

O primeiro turno desta eleição presidencial foi o mais acirrado da história recente da França. Quatro candidatos chegaram neste domingo com chances reais de irem para o segundo turno, mas o resultado confirmou as últimas pesquisas de intenção de voto.

Derrotados, Fillon e Hamon pediram votos para o centrista.

— A luta continua — declarou Hamon, após a publicação dos primeiros resultados, que lhe atribuíram entre 6% e 7% dos votos, configurando, portanto, sua eliminação .— Esta derrota é um golpe profundo — admitiu Hamon, acrescentando que apesar dos resultados, "a esquerda não está morta".

Admitindo o que chamou de um "desastre", o vencedor das primárias organizadas pelos socialistas e seus aliados assumiu "a plena responsabilidade" pelos resultados, mas foi claro sobre quem escolheria, indicando Macron.

— Faço uma clara distinção entre um adversário político e uma inimiga da República — disparou Hamon, num ataque a Le Pen.

Ao admitir derrota, Fillon também pediu apoio a Macron, assim como fez o também ex-premier Alain Juppé, seu correligionário e derrotado por ele nas primárias de seu partido.

— Não há outra opção a não ser votar contra a extrema direita, vou votar em Emmanuel Macron — disse Fillon a seus apoiadores.

Segundo fontes próximas a Hollande, o presidente parabenizou Macron — seu ex-ministro da Economia — e pedirá aos conterrâneos "um voto contra a extrema-direita".

Já Mélenchon, por sua, vez preferiu "não validar o resultado baseado em pesquisas" e disse que não terá um candidato no segundo turno:

— Faço um apelo à contenção — citando uma espera pelo resultado nas grandes cidades.

EX-BANQUEIRO E EX-SOCIALISTA

Há três anos, Emmanuel Macron era praticamente desconhecido. Agora, esse ex-banqueiro pode ser o presidente mais jovem da história da França, aos 39 anos.

Esse homem de grandes ambições se distanciou do socialista e atual presidente, François Hollande, em agosto de 2016, após dois anos como seu ministro da Economia, para se concentrar na construção de seu próprio movimento "Em Marcha!".

Em discursos, Macron diz não ser de direita nem de esquerda, ao defender ideias liberais que irritam seus pares socialistas e ao questionar os fundamentos de uma esquerda francesa ainda influenciada por uma visão marxista da economia, que vê com receio o mundo empresarial.

Inspirado no modelo escandinavo, seu discurso seduz, sobretudo, os jovens dos centros urbanos e do mundo dos negócios em um país no qual a maioria da população já não confia nos partidos tradicionais. Entenda a eleição na França em 1 minuto

HERDEIRA DA EXTREMA-DIREITA

Marine Le Pen, filha do líder histórico da extrema-direita francesa, chorou de alegria quando em 2002 seu pai provocou um terremoto político passando para o segundo turno presidencial. Agora ela repetiu a façanha.

No entanto, se Jean-Marie Le Pen pensava que nunca se tornaria um chefe de Estado, sua carismática filha e herdeira política está convencida de que no próximo 7 de maio a França terá sua primeira presidente mulher.

A candidata da Frente Nacional (FN), de 48 anos, soube capitalizar a insatisfação dos franceses com o desemprego e a imigração, e aproveitar a onda nacionalista na Europa para se transformar em uma das favoritas ao segundo turno das eleições presidenciais, no próximo 7 de maio.

Com um programa centrado no "patriotismo" e na "preferência nacional", Le Pen espera agora desmentir as pesquisas que preveem sua derrota no segundo turno. Promete, entre outras coisas, a suspensão dos acordos de livre circulação no interior da UE, a expulsão dos estrangeiros vigiados por radicalização e a supressão do "ius soli", a nacionalidade por direito de solo de nascimento. Conheça os candidatos à Presidência da França

oglobo.globo.com | 23-04-2017

PARIS - Dentre os 11 candidatos à Presidência da França, os agora postulantes ao segundo turno demonstram posições radicalmente opostas em temas que vão de imigração a economia. O centrista ex-ministro da Economia Emmanuel Macron e a líder da extrema-direita nacionalista, a eurodeputada Marine Le Pen, divergem principalmente sobre o papel da colaboração econômica com a União Europeia e a recepção a refugiados e imigrantes. Entenda melhor algumas destas diferenças. LINKS BOCA DE URNA

Aos 39 anos, Macron concorre pelo partido que fundou em 2016, o Em Marcha!. Ele se posiciona como um liberal social e defende uma terceira via política diante da tradicional disputa entre o Partido Socialista (de cujo governo fez parte) e Os Republicanos (antigo União por um Movimento Popular, de centro-direita). Na sua campanha, usou muito as redes sociais para se mostrar como figura de forte contraponto aos demais candidatos num cenário dividido. Começou com poucas chances, mas rapidamente ganhou espaço e passou a liderar as intenções de voto até o fim, com pequena vantagem sobre os principais rivais.

Entre suas principais propostas, Macron defende uma redução no quadro de funcionários do Estado e redução do gasto público; maior acesso ao mercado comum da União Europeia e maior união econômica dentro do bloco; um sistema universal de seguro desemprego a partir de impostos; subsídios à energia limpa e aos alimentos orgânicos; proibição da contratação de parentes no setor público; limitação do número de mandatos de parlamentares; vale-cultura para jovens; novos postos de contratação de agentes de polícia e segurança; serviço militar temporário obrigatório; maior avaliação de antecedentes e solicitações de asilo.

Já Le Pen tem uma candidatura altamente polêmica, que preocupa os vizinhos europeus. Com forte discurso ultranacionalista, a líder do partido Frente Nacional (FN) não economiza em promessas agressivas contra imigrantes — num estilo semelhante ao do presidente dos EUA, Donald Trump, de quem é confessa admiradora. Seu programa defende ainda maior soberania da economia francesa, aplicando medidas protecionistas para fortalecer a indústria nacional.

Entre suas principais propostas, Le Pen quer negociar a saída da zona do euro e o afastamento das regras de fronteiras da UE; diminuir tratados de livre comércio; reduzir a imigração anual para até 10 mil pessoas; restringir condições de asilo e união familiar de migrantes; melhorar condições de aposentadoria e apoio financeiro para franceses; impostos para produtos que venham de empresas que saíram da França; restringir a saída de empresas; desfiscalizar horas extras no trabalho; proibir o cultivo de transgênicos; reforçar a polícia e agentes fronteiriços; abandonar a direção da Otan; investir mais em Defesa; estender o laicismo do Estado.

Entenda a eleição na França em 1 minuto

DIVERGÊNCIAS FEROZES

Macron e Le Pen têm se acusado na campanha por divergências que envolvem a relação econômica da França com a UE. Ela quer taxar as importações de dentro do bloco, enquanto Macron alega que o efeito do protecionismo seria negativo para as exportações francesas.

O movimento político liderado por Macron não se identifica nem de direita nem de esquerda. Ele diz que sua intenção é renovar a elite política francesa. Seu princípio geral de campanha busca unir estímulos ao livre mercado com medidas de amparo social, com moldes semelhantes aos do "New deal" americano de Franklin D. Roosevelt.

A seis dias da votação, Le Pen prometeu suspender toda a imigração legal para o país, a fim de conter “uma situação louca e descontrolada”, e bloquear a liberação de vistos de longo prazo — para que o governo possa verificar se migrantes estão tirando empregos dos cidadãos franceses. Ela também quer fechar as fronteiras e cobrar impostos de qualquer empresa que contrate trabalhadores estrangeiros.

Filha de Jean-Marie Le Pen — um dos históricos defensores da extrema-direita francesa, que foi expulso da FN em 2015 —, a candidata também fala em deixar a zona do euro. Ela diz que a França se prejudicou com a criação da moeda única, reduzindo a produção industrial do país, enquanto a Alemanha saiu em vantagem. Numa proposta ainda mais radical, defende a realização de um referendo sobre a permanência francesa na União Europeia (UE), seguindo o caminho aberto pelo Brexit no Reino Unido.

Quem é Marine Le Pen, a candidata que lidera a corrida presidencial na França?

oglobo.globo.com | 23-04-2017
Os eleitores franceses estão de mau humor: ao se dirigirem às urnas neste domingo, estão dispostos a enviar um completo estranho, talvez da extrema-esquerda ou da extrema-direita, para o segundo turno da eleição presidencial. A causa desse mau humor não é difícil de encontrar. A economia da França é uma das mais fracas entre os países avançados. O desemprego tem se mantido em cerca de 10% há quatro anos e está bem acima da média da União Europeia. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 23-04-2017

PARIS — Pesquisas de boca de urna do instituto Ipsos-Sopra Steria, encomendada pela France Télévisions, Radio France e “Le Monde”, indica que Emmanuel Macron e Marine Le Pen irão disputar o segundo turno da eleição presidencial, marcada para o dia 7 de maio.

LINKS BOCA DE URNA

De acordo com a pesquisa, Macron alcançou 23,7% dos votos, contra 21,7% da segunda colocada, a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen. François Fillon ficou em terceiro lugar, com 19,5% dos votos, e o esquerdista Jean-Luc Mélenchon, em quarto, com 19,5%.

Benoît Hamon, do partido do atual presidente, Frnçois Hollande, ficou apenas na quinta colocação, com 6,2% do votos, segundo a pesquisa de boca de urna.

Já segundo uma pesquisa da Kantar Sofres-Onepoint para o diário "Le Figaro" coloca Macron e Le Pen empatados em 23%, enquanto Mélenchon e Fillon teriam 19% cada. Hamon alcançaria 5,8%.

— Estamos virando uma página da História francesa — disse Macron à agência AFP. — Os franceses expressaram seu desejo de renovação.

O primeiro turno desta eleição presidencial foi o mais acirrado da história recente da França. Quatro candidatos chegaram neste domingo com chances reais de irem para o segundo turno, mas o resultado confirmou as últimas pesquisas de intenção de voto.

Ao anúncio dos primeiros resultados houve uma explosão de alegria no QG de Macron, com seus partidários gritando "Macron presidente" e agitando bandeiras. Fillon e Hamon pediram votos para o centrista.

"Calorosas felicitações a Macron, e desejo de sucesso no projeto europeu", escreveu no Twitter o premier belga, Charles Michel.

EX-BANQUEIRO E EX-SOCIALISTA

Há três anos, Emmanuel Macron era praticamente desconhecido. Agora, esse ex-banqueiro pode ser o presidente mais jovem da história da França, aos 39 anos.

Esse homem de grandes ambições se distanciou do socialista e atual presidente, François Hollande, em agosto de 2016, após dois anos como seu ministro da Economia, para se concentrar na construção de seu próprio movimento "Em Marcha!".

Em discursos, Macron diz não ser de direita nem de esquerda, ao defender ideias liberais que irritam seus pares socialistas e ao questionar os fundamentos de uma esquerda francesa ainda influenciada por uma visão marxista da economia, que vê com receio o mundo empresarial.

Inspirado no modelo escandinavo, seu discurso seduz, sobretudo, os jovens dos centros urbanos e do mundo dos negócios em um país no qual a maioria da população já não confia nos partidos tradicionais. Entenda a eleição na França em 1 minuto

HERDEIRA DA EXTREMA DIREITA

Marine Le Pen, filha do líder histórico da extrema direita francesa, chorou de alegria quando em 2002 seu pai provocou um terremoto político passando para o segundo turno presidencial. Agora ela repetiu a façanha.

No entanto, se Jean-Marie Le Pen pensava que nunca se tornaria um chefe de Estado, sua carismática filha e herdeira política está convencida de que no próximo 7 de maio a França terá sua primeira presidente mulher.

A candidata da Frente Nacional (FN), de 48 anos, soube capitalizar a insatisfação dos franceses com o desemprego e a imigração, e aproveitar a onda nacionalista na Europa para se transformar em uma das favoritas ao segundo turno das eleições presidenciais, no próximo 7 de maio.

Com um programa centrado no "patriotismo" e na "preferência nacional", Le Pen espera agora desmentir as pesquisas que preveem sua derrota no segundo turno. Promete, entre outras coisas, a suspensão dos acordos de livre circulação no interior da UE, a expulsão dos estrangeiros vigiados por radicalização e a supressão do "ius soli", a nacionalidade por direito de solo de nascimento. Conheça os candidatos à Presidência da França

oglobo.globo.com | 23-04-2017

PARIS — Sob forte aparato de segurança, os franceses foram às urnas neste domingo para o primeiro turno de uma eleição presidencial marcada pela indefinição, e considerada crucial para o futuro da União Europeia. Os pontos de votação abriram às 8h pelo horário local (3h pelo horário de Brasília), três dias após um ataque terrorista em Paris. No total, 50 mil policiais e 7 mil militares foram mobilizados para garantir a segurança em todo o território francês.

LINKS FRANÇA ELEIÇAO

Analistas apontam que esta seja a mais imprevisível eleição presidencial da história recente da França, com uma disputa acirrada entre quatro dos 11 candidatos, e nível elevado de indecisão dos eleitores. O centrista Emmanuel Macron e a líder de extrema-direita, Marine Le Pen, lideravam as pesquisas de intenção de voto publicadas nas sexta-feira, mas o conservador François Fillon e o candidato da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, acompanhavam de perto. A diferença entre eles está dentro da margem de erro, o que significa que todos têm chances de chegar ao segundo turno.

De acordo com o Ministério do Interior Francês, a taxa de participação alcançou 28,54% ao meio-dia pelo horário local, uma ligeira alta em relação ao pleito de 2012, quando a parcial teve taxa de 28,29%. Os quatro principais candidatos já depositaram os seus votos.

Marine Le Pen, líder da Frente Nacional (FN), de 48 anos, espera beneficiar-se da onda populista que resultou na vitória de Donald Trump nos EUA e o voto a favor da saída do Reino Unido da União Europeia (UE). Com um programa centrado no "patriotismo" e na "preferência nacional", Le Pen defende a saída do euro e da UE, promessas que, caso cumpridas, poderiam representar um golpe fatal a um bloco já fragilizado pelo Brexit.

Entenda a eleição na França em 1 minuto

Emmanuel Macron, ex-ministro da Economia do presidente François Hollande, fez uma campanha com um programa abertamente europeísta e liberal, com o desejo de reativar o motor do continente. O ex-executivo do setor bancário, praticamente desconhecido há apenas três anos e que nunca disputou uma eleição, pode se tornar, aos 39 anos, o presidente mais jovem da história da França.

A reta final da campanha presidencial foi sacudida por um atentado na avenida Champs-Élysées, num país traumatizado por uma onda de ataques jihadistas que provocou mais de 230 mortes desde 2015. Apesar de ser difícil medir o impacto deste ataque na eleição, alguns especialistas acreditam que a sensação de medo pode influenciar o eleitorado.

— Não influenciou o meu voto. De qualquer maneira, você já não está seguro em nenhum lugar — declarou à AFP Anne Piechaud, uma arquiteta de 59 anos que votou em Burdeous.

Conheça os candidatos à Presidência da França

CAMPANHA ATÍPICA

A campanha foi considerada atípica. Com recorde de impopularidade, o presidente François Hollande renunciou à disputa da reeleição, algo nunca visto na França em mais de 60 anos. O seu primeiro-ministro, Manuel Valls, foi eliminado nas primárias do Partido Socialista por um candidato mais à esquerda, Benoît Hamon. Porém, segundo as pesquisas, os socialistas não têm chances de chegar ao segundo turno.

O conservador François Fillon perdeu sua condição de favorito após a imprensa revelar que sua esposa e dois de seus cinco filhos se beneficiaram de cargos públicos supostamente fictícios. Acusado de desvio de verbas públicas e apropriação indébita, Fillon diz ser inocente, mas perdeu muitos apoios após o escândalo.

Marine Le Pen também é investigada por empregos supostamente fictícios no Parlamento Europeu, onde ocupa o cargo de eurodeputada, e por supostas irregularidades no financiamento de campanhas passada. Mas difente de Fillon, ela se nega a ser interrogada pela Justiça, invocando sua imunidade.

A última surpresa chegou da esquerda radical. Mélenchon, um ex-socialista convertido em símbolo da frente “França Insubmissa”, teve uma escalada nas intenções de votos e encostou nos outros três candidatos que lideravam a corrida. Admirador do ex-presidente venezuelano, Hugo Chávez, e do ex-líder cubano, Fidel Castro, se diz disposto a pôr fim na política de austeridade.

A votação termina às 20h (15h de Brasília). Os dois candidatos com o maior número de votos disputarão o segundo turno em 7 de maio.

oglobo.globo.com | 23-04-2017

PARIS — Em eleições acirradas marcadas pela incerteza, a França sai às urnas neste domingo para o primeiro turno da votação que escolherá seu novo presidente. Enquanto o país vive um momento delicado, alguns temas sensíveis protagonizaram a disputa: a crise migratória, a relação com a União Europeia (UE) e a ameaça terrorista. Conheça os programas dos cinco principais candidatos à Presidência francesa.

Europa: PARTIR OU REFORMAR?

A questão europeia agita as tradicionais divisões francesas desde que o general Charles de Gaulle (1890-1970) e os comunistas combatiam a integração europeia, então defendida por centristas e socialistas.

Mais tarde, nos referendos realizados em 1992, sobre o Tratado de Maastricht, e em 2005, sobre a Constituição europeia, os votos "sim" e "não" recrutaram partidários à esquerda e à direita do espectro político.

E o mesmo se repete desta vez, nas eleições presidenciais de 2017. A líder da extrema-direita, Marine Le Pen, e o ícone da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, acusam Bruxelas de impor a austeridade fiscal à França; e, por isso, defendem a saída francesa da União Europeia, se as negociações não permitirem transformações profundas. A campanha eurocética segue o caminho aberto pelo Brexit no Reino Unido.

Os outros candidatos querem transformar a UE, mas não deixá-la. Por exemplo, o socialista Benoît Hamon quer o alívio no rigor orçamentário. E, assim como o centrista Emmanuel Macron, propõe um Parlamento da zona do euro e investimentos maciços europeus. O candidato da direita, François Fillon, diz que renegociaria o Acordo de Schengen, para controlar ainda mais as fronteiras da UE.

IMIGRAÇÃO E ISLÃ

François Fillon e Marine Le Pen defendem uma política de imigração restritiva, sobretudo frente à crise de refugiados na Europa. Os dois candidatos querem medidas que limitem o reagrupamento familiar, os benefícios sociais para os imigrantes e a concessão da nacionalidade francesa.

À esquerda, Benoît Hamon e Jean-Luc Mélenchon não fazem da imigração ou da concessão de asilo a refugiados um tema dominante nsa suas campanhas. No entanto, Hamon propõe um visto humanitário para os refugiados; e ambos dizem que concederiam direito de voto aos estrangeiros nas eleições locais.

Ao centro, Emmanuel Macron não considera oferecer direito ao voto para os estrangeiros. Mas, assim como Hamon, destaca a discriminação na contratação da jovens da periferia.

Conheça os candidatos à Presidência da França

INSTITUIÇÕES

Este é um assunto bastante delicado nas eleições. Fillon e Macron afirmam que não desejam mudar a Constituição. Enquanto isso, Mélenchon e Hamon querem uma VI República, com menos poder ao chefe de Estado e mais referendos estaduais de iniciativa popular.

Os referendos também são prometidos por Le Pen, que promete incluir as preferências nacionais na Constituição.

Fillon também promete criar cotas de imigração e é o único que não quer introduzir a representação proporcional nas eleições — os outros candidatos defendem, em diferentes graus, a mudança no sistema de votação.

Já Macron e Hamon prometem exigir dos políticos eleitos uma ficha judicial limpa. Mélenchon diz que, se eleito, os condenados por corrupção, se tornariam inelegíveis em caráter definitivo.

ECONOMIA E SOCIEDADE

Tradicionalmente, as questões econômicas e sociais opõem direita e esquerda. Mas nesta história Le Pen é exceção: a sua estratégia para atrair classes populares leva o seu programa menos à direita do que Fillon, cuja linha econômica é bastante liberal.

Fillon diz que a idade de aposentadoria seria gradualmente aumentada para 65 anos. Hamon e Macron, enquanto isso, falam em mantê-la em 62 anos, com algunas exceções. E Le Pen e Mélechon prometem reestabelecê-la em 60 anos.

Além disso, Fillon diz que revogaria a carga horária de trabalho obrigatória de 35 horas semanais. Macron e Le Pen prometem mantê-la, com modulações, derrogações e horas adicionais. Hamon e Mélenchon querem reduzir o tempo de trabalho.

O imposto sobre grandes fortunas (ISF) seria suprimido por Fillon, amenizado por Macron, mantido por Le Pen, fundido ao imposto sobre a propriedade por Hamon e reforçado por Mélenchon.

Fillon promete eliminar 500 mil cargos públicos e Macron 120 mil, enquanto Mélenchon diz que criaria 200 mil postos de trabalho no setor.

ENERGIA NUCLEAR

Mélenchon e Hamon dizem que abandonariam progressivamente a energia nuclear, defendida por Fillon e Le Pen. Macron, por sua vez, diz que reduziria a sua importância.

LEIA TAMBÉM:

MARINE LE PEN: 'INDÚSTRIA FRANCESA RECUOU APÓS ADOÇÃO DO EURO'. É ISSO MESMO?

FENÔMENO MÉLENCHON PODE LEVAR EXTREMA-ESQUERDA AO 2º TURNO

ESPECIAL: UMA VIAGEM AO CORAÇÃO DA EXTREMA-DIREITA FRANCESA

oglobo.globo.com | 23-04-2017

BRASÍLIA — O presidente de governo da Espanha chega nesta segunda-feira ao Brasil para uma visita de dois dias — a primeira de um líder europeu ao país desde que o presidente Michel Temer tomou posse, em maio de 2016. Ele passará por Brasília e São Paulo. Em entrevista ao GLOBO, por escrito, Rajoy revelou que a economia dominará a conversa com Temer, afirmou que o Brasil é parceiro estratégico e enfatizou que o terror só será combatido com esforço internacional. Rajoy_2304

A União Europeia enfrenta um momento de indefinições e incertezas ante a saída do Reino Unido do bloco. Quais são as consequências do Brexit?

Não existe um Brexit bom. Nós sempre estivemos contra o Brexit, e continuo pensando que não é bom nem para a Europa nem para o Reino Unido. O que devemos, agora, é tentar fazer uma negociação inteligente e rápida, que limite ao máximo os danos que serão causados com a saída do Reino Unido da UE. As consequências serão de todos os tipos e serão constatadas com o tempo. A prova é que a maioria dos principais responsáveis pelo Brexit se retiraram do primeiro plano para não terem que enfrentar as consequências de seus discursos.

Qual a sua expectativa sobre um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia?

Creio que, agora, temos as condições mais favoráveis para essas negociações. De fato, na última reunião do Conselho Europeu foi decidido, a pedido de Espanha e Portugal, acelerar os contatos para firmar o acordo com o Mercosul e atualizar o que já existe com o México. A Europa, que está saindo de uma crise gravíssima, continua apostando no livre comércio e isso é uma boa notícia para todo o mundo. O comércio continua sendo um dos motores mais potentes do crescimento, ao sustentar milhões de postos de trabalho e fomentar a prosperidade. Os momentos mais graves na crise da União Europeia

Qual avaliação o senhor faz da situação política hoje na Europa, com os ventos nacionalistas bem fortes em alguns países? O senhor acha que esses movimentos vão crescer ou são uma onda passageira?

Sou um europeísta convicto, como a maioria dos espanhóis. Portanto, não compartilho dessas posições contrárias à União Europeia. Acabamos de celebrar os 60 anos do Tratado de Roma e não há mais necessidade de se comparar a História da Europa nestes 60 anos e a que sofremos nos 60 anos anteriores: nem mais nem menos do que duas guerras mundiais e todos os tipos de totalitarismos. A Europa é um êxito indiscutível, por mais que alguns tenham decidido convertê-la numa espécie de madrasta responsável por todos os males, quando foi totalmente o contrário. Saberemos dar uma resposta às preocupações dos cidadãos e definir um rumo para os próximos anos. A Europa sairá fortalecida desta crise. Sete consequências e insatisfações deixadas pelo Brexit

A própria Espanha e o senhor enfrentaram grandes dificuldades para formar o governo atual, após um ano e várias tentativas fracassadas. A Espanha foi berço de novos partidos bem polarizados, tanto de esquerda como de direita e ainda convive com a questão da Catalunha. Diante desse quadro, o senhor diria que o modelo político vigente se esgotou?

Esse modelo que alguns dizem que está esgotado ajudou a Europa a criar um sistema de proteção social sem comparação com o resto do mundo e é um exemplo de respeito às liberdades e aos direitos das pessoas. No caso da Espanha, a evolução é ainda mais chamativa: há muitos poucos países no mundo que tenham experimentado um progresso como o da Espanha, e isso se deu com um modelo bipartidário, baseado na moderação e na capacidade de alcançar grandes consensos nacionais. Creio que ninguém pôde demonstrar que haja uma fórmula melhor, ou que renda melhores resultados para as pessoas. Os populistas prometem tudo, mas na hora da verdade, eu não conheço nenhum governo populista que tenha feito seu país prosperar. Outra coisa é que sempre devemos estar abertos a fazer reformas e melhorar o sistema. Essa vontade deve estar sempre aí.

O Brasil passa por momento de transição após o Congresso ter feito o impeachment da ex-presidente Dilma. Como a Espanha acompanhou esse processo e qual avaliação o senhor faz do atual momento do Brasil?

Acompanhamos o Brasil com a atenção e o interesse que nos desperta qualquer país que é um sócio estratégico e com o qual compartilhamos interesses e valores. Temos seguido de muito perto os acontecimentos políticos no Brasil, mas com a tranquilidade e a confiança de que há solidez nas suas instituições.

O que o senhor elegeria como mais importante a ser acertado em seu encontro com o presidente Michel Temer durante sua visita ao Brasil?

Esta viagem tem um inegável componente econômico, que desejaria ressaltar. O Brasil é o terceiro maior destino dos investimentos espanhóis no mundo, só atrás dos Estados Unidos e do Reino Unido, e, de todos os países que investem no Brasil, a Espanha é o terceiro, depois dos Países Baixos e dos EUA. Em 2014, a Espanha tinha um estoque de investimentos de € 47,202 bilhões, e nossas empresas fizeram uma aposta estratégica no futuro deste país. Também espero tratar com o presidente Temer a questão das negociações entre a União Europeia e o Mercosul. Como sabem, a Espanha é o impulsor mais firme da UE para uma aproximação comercial e também política entre as duas regiões.

O governo Temer prepara um amplo processo de concessões em áreas estratégicas de infraestrutura e logística. Como os empresários espanhóis estão se preparando?

Como dizia, nos momentos de maior dificuldade, as empresas espanholas demonstraram que sua aposta no Brasil era de longo prazo. Agora, podem oferecer sua experiência internacional e sua liderança em setores, como infraestrutura de transportes, energia, telecomunicações e meio ambiente. O governo espanhol também está disposto a apoiar, com instrumentos financeiros, aquelas companhias que queiram aproveitar a oportunidade de se internacionalizar.

Em sua opinião, como operações da Polícia Federal como a Lava-Jato, que atingiu as principais empreiteiras do Brasil e está investigando um gigantesco esquema de corrupção envolvendo agentes públicos, influencia na imagem internacional do Brasil?

A corrupção é sempre condenável e deve ser combatida de maneira implacável no Brasil, na Espanha e em todo o mundo. Contra esse flagelo, é preciso apoiar o trabalho de instituições fiscais, procuradores, juízes e forças de segurança. Esse tipo de operação demonstra a sua independência. É certo que também produzem alarme e mal-estar na população, mas são a prova evidente de que as instituições funcionam e não existe impunidade. Seis atentados terroristas em 30 dias de 2016

A Espanha e outros países da Europa têm sido alvos frequentes de ataques terroristas. O que o senhor pode comentar sobre isto?

A Espanha tem sofrido durante muitos anos a violência do ETA, que, felizmente, está em vias de desaparecer. Mas, agora, todos os países enfrentamos outro tipo de ameaça, que é a do terrorismo jihadista. É uma ameaça global, que requer uma resposta global da comunidade internacional. É preciso atuar sobre as novas formas de doutrinação, intercambiar informações entre os diversos serviços de Inteligência, atuar sobre os mecanismos de financiamento das redes e prevenir o fenômeno dos combatentes retornados. Sem dúvida, superaremos essa ameaça, como temos superado outras no passado. Mas só poderemos fazê-lo com muita cooperação internacional.

oglobo.globo.com | 23-04-2017

PARIS — Quando Emmanuel Macron criou seu movimento Em Marcha!, em abril do ano passado, e na sequência deixou o cargo de ministro da Economia do governo François Hollande para alimentar suas ambições presidenciais, ninguém apostaria que hoje, apenas um ano depois, seria um dos principais favoritos para conquistar o Palácio do Eliseu. Ele se empenhou em se distanciar de seu passado de homem de negócios do Banco Rotschild, de sua identidade socialista e de ministro de um dos governos mais impopulares da história da França, para se apresentar como um candidato conciliador, capaz de agrupar em seu movimento os moderados da esquerda e da direita, e como o presidente que saberá manter o equilíbrio entre “as liberdades e as proteções sociais”. franca_2204

Na esquerda, é acusado de liberal em demasia, em um olhar desconfiado para seu currículo de ex-banqueiro. Já a direita critica sua participação no governo Hollande e suas amizades socialistas. Mas ao longo da campanha, Macron foi acumulando apoios tanto de políticos da direita e da esquerda, desapontados com rumos mais radicais tomados por seus respectivos partidos. Pascal Boniface, do Instituto de Estudos Europeus, define sua façanha como inédita:

— Não era certo que Hollande não se recanditaria, o que lhe tiraria espaço, nem se poderia adivinhar que o candidato ultrafavorito nas sondagens, François Fillon, teria problemas com casos de corrupção. Macron teve uma sorte incrível, porque deveria ser, em princípio, um candidato com papel importante, mas sem qualquer esperança de se classificar ao segundo turno. E hoje é ele o principal favorito no pleito.

Para o analista político Claude Pennetier, Macron se aproveitou de um “vazio político” criado pela atual crise vivida pela esquerda e direita tradicionais.

— É um personagem muito hábil. Ele procura encarnar uma esquerda modernista europeia, as pessoas estão decepcionadas a política em geral, e o fato de ele não ter um partido o favorece. Ele poderá encontrar pontos de equilíbrio com centristas e socialistas, certos apoios sem participação. Mas, se ganhar, a situação será complexa.

Michel Wieviorka ressalta o aspecto de novidade do candidato:

— Ele representa a juventude, a capacidade de reunir pessoas razoáveis de centro-direita e de centro-esquerda, em uma forma de fazer a política se renovar. Enquanto outros preferem os extremos, ele procura encarnar o apaziguamento e uma certa racionalidade.

O cenário de uma vitória de Emmanuel Macron na eleição presidencial é o mais temido pelo PS em sua tentativa de reconstrução pós-pleito, pois poderia acelerar a evasão de socialistas para o campo vencedor do movimento Em Marcha!, além dos que já debandaram antes mesmo do primeiro turno.

Conheça os candidatos à Presidência da França

oglobo.globo.com | 22-04-2017

PARIS — Senador histórico do Partido Socialista (PS) e também prefeito da cidade de Lyon, Gérard Collomb foi um dos primeiros a se aliar a Emmanuel Macron, em março de 2016, antes mesmo que o candidato centrista lançasse, um mês depois, o movimento Em Marcha!. franca_2204

O senhor ainda pertence ao PS...

Enquanto não me excluírem, eu ficarei. Mas penso que haverá uma recomposição da vida política. Tenho diferenças muito fortes com a linha de Benoît Hamon, não é a minha linha política. No partido Os Republicanos também há pessoas muito incomodadas com a linha hoje adotada, bastante conservadora. Alguém como Alain Juppé favorecia uma linha mais centrista, uma visão mais reformista da sociedade, no sentido social do termo, diferente das posições mais brutas de François Fillon. Também haverá um debate na direita.

Como o senhor avalia o cenário pós-eleitoral para o PS?

Será complicado e complexo, mas penso que se pode inovar. Quando me engajei ao lado de Macron, nada dizia que um ano depois ele poderia vencer as eleições presidenciais. O risco não me dá medo, o que importa é, sobretudo, a construção do futuro.

O senhor acha que esta eleição vai marcar uma virada na política francesa?

Sim, penso que é uma virada bastante clara. Tivemos no passado uma fratura na vida política francesa, com De Gaulle e a 5ª República, em 1958, e hoje estamos em um destes momentos históricos em que as coisas mudam. O bipartidarismo está morto, já tínhamos o tripartidarismo com a Frente Nacional de Marine Le Pen. De qualquer forma, não haverá mais aquele quadro clássico de dois partidos, de esquerda e de direita a grosso modo, entre os quais se disputa o jogo do poder a cada eleição.

O governo do presidente eleito vai depender muito do resultado das eleições legislativas?

Já estamos preparando o pleito legislativo. Está tudo bem organizado. Se vencermos as eleições presidenciais, teremos uma maioria. Neste momento, veremos a fratura no seio da direita e da esquerda francesa, e o candidato eleito presidente terá muitas chances de poder vencer o pleito parlamentar em um bom número de circunscrições. Estamos analisando isso em detalhes, por cada circunscrição.

Por que Emmanuel Macron?

Eu animava no seio do PS um movimento dito reformista, e quando Emmanuel Macron era ministro da Economia, o partido não o convidou para o tradicional encontro socialista anual de verão, em La Rochelle, porque pensava que ele desenvolvia teses demasiado iconoclastas. Eu o convidei para nosso encontro de reformistas, e ele fez um discurso extraordinário. Falou da França, da Europa e do mundo atual, com a internacionalização da economia, as mudanças climáticas etc. Ele tem um carisma singular, e possui algo que intriga, seduz e atrai.

Conheça os candidatos à Presidência da França

Como o senhor qualifica Macron politicamente e ideologicamente?

Sua origem é a esquerda. Mas o que pesa, hoje, é que a situação francesa é gravíssima, perdemos em dez anos 750 mil empregos industriais. Macron tenta reconciliar pessoas com diferentes percursos, como eu, que venho da esquerda, e outros mais centristas, como François Bayrou. E há um certo número de pessoas que vêm do gaullismo social ou juppeistas, que não se reconhecem na escolha feita nas primárias da direita por um candidato particularmente conservador.

O governo François Hollande foi um fracasso?

Eu colocaria as coisas um pouco em nuances. Penso que Hollande começou por não ir na boa direção no começo do mandato. Na questão da habitação, a lei feita na época não funcionou. Depois, tomou medidas que permitiram uma melhora da situação econômica, por exemplo, com as iniciativas do Pacto de Responsabilidade. No ano passado, o investimento industrial cresceu em torno de 6%. Mas tudo isso veio tarde demais para que fosse traduzido eleitoralmente. Se tivesse adotado estas medidas no início do quinquênio, teria feito um governo bem-sucedido. Trata-se de um fracasso pessoal. Sua política exterior não foi ruim com o ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius. Mas isso está distante da vida concreta dos franceses.

Um eventual apoio de Hollande a Macron foi considerado como um “beijo da morte”, o senhor concorda?

Penso que, hoje, quanto mais presidente da República permanecer como presidente da República e se ocupar menos da eleição será melhor para todo mundo, inclusive para ele.

oglobo.globo.com | 22-04-2017

Numa feliz ironia, candidatando a deputada Renata Abreu ao prêmio “Trabalho Escravo de 2017”, que quer isenção de direitos para músicas tocadas em rádios, igrejas, motéis, hotéis, academias, o cineasta Cacá Diegues, em sua coluna no GLOBO, comunga com todos os artistas ao condenar mais uma tentativa de burlar os sagrados direitos autorais do criador.

Por extensão, também roteirista e diretor, faço minha sua revolta clamando pela igual alforria para realizadores do audiovisual (cinema, televisão, animação), hoje reféns de uma Lei de Direito Autoral, nascida na proto-história do digital em 1988, a exigir urgente atualização.

Excetuando músicos e intérpretes, nossos inestimáveis parceiros que já garantem seu numerário pela comunicação e reutilização públicas de suas criações, para diretores e roteiristas a LDA é manquitola, quando não ambígua, portanto, ineficaz.

Nesses tempos do impune tsunami da internet e seus infindáveis repiques, somos todos órfãos de pagamento pela gratuita veiculação do nosso estro em plataformas e suportes, digital e não digital.

Diante desse infortúnio institucional e pecuniário estamos em descompasso com o processo civilizatório que vige na América Latina/Caribe, Canadá, Europa/Leste, África, Oriente Médio e Ásia/Pacífico que, ao dignificar a profissão de roteiristas e diretores, consagra o mantra da mais absoluta contemporaneidade: direito autoral é o salário do criador.

Não é de admirar que direito de autor conste da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU (1948) e assim deveria ser encarado por todos os signatários da Convenção de Berna (Suíça, 1886), como o Brasil, na qual há mais de cem anos, mundo afora, é defendida e garantida essa prevalência.

Na mesma batida é hoje o ordenamento jurídico da Comunidade Europeia, que subscreve a necessidade da intransferível e irrenunciável remuneração a diretores e roteiristas tal qual músicos, dramaturgos e intérpretes que, por todos os méritos, de há muito navegam nessa inelutável conquista, capilarizando a economia criativa do país, pois direito autoral é mercado!

A escandalosa supressão de pagamento a roteiristas e diretores pela fruição pública de suas obras vem chamando a atenção de gestores públicos e privados, advogados de direitos autorais e propriedade intelectual, inclusive sensibilizando Legislativo e Executivo de inúmeros países, como Chile, onde a presidente Michelle Bachelet acaba de assinar a Ley Ricardo Larraín (premiado diretor daquele país).

“Criadores sem direitos autorais é o mesmo que cidadãos sem direitos políticos” — completa o advogado chileno, Santiago Schuster, diretor para América Latina e Caribe da poderosa Confédération Internacionale des Sociétés d’Auteurs et Compositeurs (Cisac). A Colômbia está prestes a aprovar sua lei própria.

A modernidade está cobrando seu preço com o Brasil assumindo a responsabilidade de se alinhar imediatamente a esse processo de total pertinência moral, financeira e humanitária.

Sylvio Back é cineasta

oglobo.globo.com | 21-04-2017
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou sua previsão de crescimento para o Reino Unido, afirmando que a economia britânica se mostrou mais resistente à votação do Brexit do que se esperava. O fundo acrescentou, ainda, que ainda antecipa um crescimento moderado para o Reino Unido nos próximos anos, uma vez que a decisão de tirar os britânicos da União Europeia provavelmente afetará o comércio e o investimento. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 18-04-2017

PARIS — Um clima de Guerra Fria surgiu na França desde que Jean-Luc Mélenchon, candidato nas eleições presidenciais pelo movimento de esquerda radical França Insubmissa, cresceu nas pesquisas de opinião a ponto de poder reivindicar uma passagem ao segundo turno no próximo domingo e uma eventual vitória na disputa pela sucessão do presidente François Hollande. A perspectiva de que Mélenchon possa se tornar o próximo inquilino do Palácio do Eliseu provocou temores — “verdadeiros ou simulados”, como apontam analistas — no mercado financeiro e em investidores, ressuscitando antigos discursos contra a “ameaça comunista”. Seus principais adversários na corrida presidencial passaram a considerá-lo como um sério concorrente e alvo privilegiado de ataques. françca

Sem deixar de responder aos críticos, o autoproclamado candidato “antissistema” prossegue sua campanha reunindo centenas de milhares de pessoas em seus comícios, apresentando-se como a única e real opção de ruptura com o atual modelo político e econômico.

— Hoje se fala no “risco Mélenchon” para os bancos e o sistema financeiro. Que risco? Eu sou perigoso? — ironizou ontem o próprio candidato, num de seus encontros com eleitores.

O candidato direitista François Fillon acusou-o de “sonhar em ser o capitão do encouraçado Potemkin (navio russo palco de um motim em 1905, tema do célebre filme do cineasta Serguei Eisenstein), mas que acabará negociando a sucata do Titanic”. O presidenciável centrista Emmanuel Macron chamou-o de “revolucionário comunista”, e a líder da extrema-direita, Marine de Le Pen, do partido Frente Nacional (FN), de “imigracionista absoluto”. Já o jornal conservador “Le Figaro” não hesitou em rebatizá-lo de “Chávez francês”, em alusão ao falecido presidente venezuelano Hugo Chávez, e “Maximilien Ilitch Mélenchon”, numa combinação dos nomes do revolucionário Maximilien Robespierre (do período do Grande Terror da Revolução Francesa de 1789) e de Vladimir Ilitch Lenin (um dos líderes da Revolução Russa de 1917).

Para Bruno Cautrès, do Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences-Po), é preciso distinguir o medo exagerado e fantasioso das reais consequências na hipótese de uma vitória Mélenchon.

— Se ele ganhar a eleição presidencial, a França não vai retroceder no tempo e passar à dominação soviética. Mélenchon se reivindica como alguém de tradição gaullista, numa posição nacional típica, mas com uma tonalidade da cultura da esquerda, na ideia de independência e da não submissão aos EUA. Já em relação à Europa, no entanto, o caso é outro. Conheça os candidatos à Presidência da França

AMEAÇA DE SAÍDA DA UNIÃO EUROPEIA

O programa de Jean-Luc Mélenchon prevê uma renegociação dos atuais tratados europeus, com o abandono da austeridade e um incremento de investimentos em políticas públicas. Em caso de fracasso no estabelecimento de novas regras, numa anunciada queda de braço com a chanceler federal alemã, Angela Merkel, ele ameaça com o Frexit, a saída da França da União Europeia (UE), a exemplo do que ocorreu no Reino Unido.

— Uma parte da esquerda francesa acusa a Europa pelas políticas de restrição orçamentária e de austeridade na França. Mélenchon não é o antieuropeu visceral da FN, que acentua a soberania e a identidade nacional. Nele, temos a combinação entre a tradição intelectual da esquerda internacionalista e um discurso crítico em relação à Europa liberal e suas instituições. Mas é verdade que, oferecer todos os benefícios sociais que promete, só será possível via renegociação dos tratados europeus ou pela saída da Europa — diz Cautrès.

Em nível nacional, Mélenchon prega a diminuição do idade de aposentadoria de 62 para 60 anos; aumento da remuneração do funcionalismo público e do salário mínimo — dos atuais € 1.150 para € 1.326 — ou um maior rigor na aplicação da lei de 35 horas de trabalho semanais, com possível redução a 32h. O Observatório Francês das Conjunturas Econômicas (OFCE) avaliou o programa econômico do candidato como incoerente, acusando-o de não levar em conta as obrigações externas e as finanças públicas do país.

— É verdade que seu programa econômico não se adéqua muito aos limites da França, que já possui uma dívida pública muito importante, de mais de € 2 trilhões. Mas além de econômica, trata-se também de uma questão ideológica. Mélenchon fez uma boa campanha, e uma boa parte do eleitorado decidiu mostrar que a esquerda não está morta. O tema desta eleição é o “sistema”, principalmente após as denúncias de corrupção (contra François Fillon). Há uma tendência de “varrer o sistema”, o que explica em parte a dinâmica Mélenchon — conclui Cautrès.

Em duas pesquisas divulgadas ontem, Mélenchon aparecia com 18% de intenções de voto. Macron mantinha-se em primeiro, com 24% e 22%, em empate técnico com Le Pen, que obtinha 23% e 22%. Já Fillon vinha com 21% e 19,5%. Quem é Marine Le Pen, a candidata que lidera a corrida presidencial na França?

oglobo.globo.com | 18-04-2017

RIO e ISTAMBUL — Ibrahim Dogus, diretor do Centro de Estudos Turcos, critica censura no país e afirma ser improvável que a Turquia consiga completar um processo de integração ao bloco nos próximos dez anos. Turquia_domingo

Como a disputa com a Holanda e a Alemanha fortaleceu o discurso do presidente Recep Tayyip Erdogan às vésperas do referendo?

A crise que sucedeu a tentativa fracassada de golpe em julho fez com que Erdogan precisasse sair em busca de apoio, e ele soube usar as oportunidades para elevar tensões no país. Ele se aliou ao MHP, um partido nacionalista e racista que usa a minoria curda como bode expiatório. E — a menos que consiga um novo acordo com os curdos e se aproxime do Partido do Povo Republicano (CHP, principal legenda da oposição) — terá problemas, já que seus aliados enfrentam fortes divisões internas.

De que maneira as emendas constitucionais aumentam o poder do presidente?

Erdogan diz que as novas medidas irão modernizar a Turquia, transformando-a numa democracia ao estilo americano, mas isso não poderia estar mais distante da verdade. O governo já ignora o Estado de direito, e Erdogan já decide o destino do país praticamente sozinho. Com as novas medidas ele será capaz nomear juízes e compor tribunais, e a mínima autonomia que o Judiciário tenta manter será extinta.

Nos últimos anos, o governo turco intensificou a repressão à imprensa, prendendo jornalistas e fechando veículos. Quais os riscos para a imprensa caso Erdogan triunfe no referendo?

Hoje, menos de 10% da imprensa turca podem ser considerados livres. Todos sofrem censuras, e muitos simplesmente ignoram a política e não se atrevem a cobrir nada que possa desagradar ao governo. Na Turquia, é difícil imaginar que esse cenário possa piorar muito mais.

Entenda o referendo na Turquia em um minuto

Como a retórica de Erdogan ameaça a relação com a Europa, e seus planos de levar o país à União Europeia?

É muito improvável que a Turquia consiga completar um processo de integração ao bloco nos próximos dez anos. Poucos Estados-membros ainda mantêm boas relações com Ancara, e Erdogan usou a crise artificial com Holanda e Alemanha como arma de negociação na questão da crise dos refugiados. No entanto, a Europa já percebe que não pode ser refém, e não creio que essa tática funcione por muito tempo.E quais os passos da oposição no caso de uma derrota?

Apesar das muitas críticas e da economia enfraquecida, há a percepção entre os eleitores de que Erdogan fez coisas incríveis pelo país, e, com uma vitória, a ideia ganhará força. Além disso, ele tem um talento especial para culpar os outros, e isso dificulta a situação da oposição, que já enfrenta complicações muito maiores que as do presidente. A maioria dos opositores está na cadeia, e os líderes de seus partidos estão sem poder algum. (F.B.)

oglobo.globo.com | 16-04-2017

RIO - O brasileiro adora acessar as redes sociais, mas usar a internet do celular para assistir a vídeos, ouvir música e navegar livremente vai exigir não só disposição, como paciência nos próximos anos. Afetado pela crise econômica, o Brasil vai chegar em 2021 entre as últimas posições na corrida pela maior conectividade móvel. A constatação faz parte de uma pesquisa da Cisco, que revela que, em cinco anos, o usuário brasileiro vai consumir 4.201 megabytes (MB) por mês, número que o coloca à frente apenas de África do Sul e Índia em uma lista de 23 países. Celular_1504

Para se ter uma ideia do abismo digital, a Coreia do Sul, a primeira do ranking, vai chegar em 2021 com consumo médio mensal por usuário de 23.892 MB. No levantamento, o Brasil fica atrás da vizinha Argentina, onde o consumo por pessoa será de 5.721 MB. Segundo especialistas, a crise no Brasil afetou a capacidade de investimento das empresas de telecomunicações e o poder de compra das famílias brasileiras. A qualidade, muito questionada pelos usuários, também aparece na lista como um dos fatores que travam o crescimento.

ALTO GRAU DE EXCLUSÃO DIGITAL

Info - consumo de dados mapaAssim, o país vai avançar menos nos próximos anos em comparação a outras nações. O Brasil, onde o consumo por pessoa hoje é de 878 MB mensal, terá alta de 37%, em média, a cada ano. No México, por exemplo, o avanço chegará a 43%, passando dos atuais 740 MB para 4.507 MB. O mesmo vai ocorrer em diversas nações da Europa, como França, Espanha e Reino Unido.

— Muitos desses países estão em um movimento diferente do Brasil, com a digitalização da economia e a própria internet das coisas, que permite a conexão de carros e outros produtos à internet. O Brasil, por outro lado, tem um grau de exclusão alto. A crise afeta as empresas e a capacidade de pagamento das pessoas, que buscam planos mais baratos — diz Giuseppe Marrara, diretor de Relações Governamentais da Cisco Brasil.

Dessa forma, novas tecnologias vão atrasar. A adoção da rede 4,5G, que permite velocidade maior que a 4G, prevista para 2018, deve ficar para 2020, prevê a Huawei.

— A crise adia muitos investimentos. Há uma relação entre a economia e a tecnologia. Na Europa, por exemplo, uma pessoa faz download, em média, de nove aplicativos por ano. No Brasil, assim como em outros países em desenvolvimento, essa média é de dois aplicativos — destaca Kleber Faccipieri, gerente de Marketing da Huawei.

A atriz Sill Esteves conhece bem a velocidade lenta da internet no celular. Ela já ficou na mão várias vezes:

— Pela minha profissão, sempre preciso baixar vídeos para pesquisar algum personagem, ou para compartilhar nas redes sociais algum vídeo que tenha feito, mas geralmente só consigo fazer isso quando chego em algum lugar que tenha Wi-Fi.

MAIOR PARTE DE PRÉ-PAGOS

Rafael Steinhauser, presidente da Qualcomm para a América Latina, diz que o Brasil está mal na qualidade. Ele lembra que o Brasil tem menos espectro alocado para a telefonia móvel do que recomenda a União Internacional de Telecomunicações (UIT):

— Se juntar tudo que as empresas de telefonia móvel já compraram nos leilões, chega-se a 844 megahertz. A UIT diz que o ideal é de 1.800 a 2.000 megahertz. Temos ainda um longo percurso no Brasil. Com a internet das coisas, será preciso mais rede. Apesar de termos 4G, a maior parte dos usuários é 3G e 2G. Quem mais avança no mundo hoje é a China, onde quase todos os celulares já são 4G.

Mas a rede não é o único fator que explica o baixo volume de conexão móvel no Brasil. Atualmente, diz a Anatel, órgão que regula o setor , 67% dos 243 milhões de linhas são de pré-pagos. E, lembra Steinhauser, a maior parte desse contingente não usa internet o mês inteiro.

— Ter um smartphone não significa acessar a internet, pois é preciso uma linha. Os usuários pré-pagos compram pacotes avulsos, não têm internet o mês inteiro.

Para os especialistas, não faltam desafios conjunturais. O maior deles, citam, são as incertezas em relação à Oi, dona da maior rede de infraestrutura do país e que passa por um processo de recuperação judicial com dívidas de R$ 65 bilhões. Além disso, uma instabilidade operacional afetaria todas as outras teles do país.

— Tem a crise da economia, da Oi. Enquanto isso, o resto do mundo cresce e avança — disse um consultor que não quis se identificar.

Na opinião de Eduardo Conejo, gerente de Inovação da Samsung América Latina, a indústria precisa criar novas tecnologias de forma a impulsionar a demanda por conexão e criar novas formas de acesso à internet. A empresa, em parceria com a Sigfox, vem investindo em soluções dentro de universidades para desenvolver tecnologias:

— Temos de buscar soluções mais baratas. Isso é importante, principalmente quando se fala em cidades inteligentes.

oglobo.globo.com | 16-04-2017

LONDRES — O Reino Unido almeja um acordo com os EUA que daria a bancos sediados em Londres livre acesso a Wall Street, segundo o secretário de Comércio Internacional, Liam Fox. Para Fox, a economia britânica vai prosperar mesmo sem um acordo sobre as condições de saída da União Europeia. Em entrevista à Bloomberg, Fox afirmou que quer maior abertura nas negociações com os EUA "em todo setor", incluindo serviços financeiros. Ele antecipa que o segmento será parte importante das futuras negociações comerciais entre Londres e Washington.

“Gostaríamos de ver o ambiente de comércio mais aberto possível entre Reino Unido e EUA. É razoável pensar que, diante do estado da economia britânica e do estado da economia dos EUA, o setor de serviços desempenhará papel muito importante”, disse Fox.

Garantir entrada mais fácil em Wall Street potencialmente compensaria os bancos britânicos por qualquer perda de acesso à UE após o Brexit e também daria à primeira-ministra, Theresa May, poder de barganha nas negociações com o bloco. Cada vez mais, presume-se que a saída do Reino Unido da UE custará aos bancos que operam em Londres o chamado direito de passaporte, que permite que prestem serviços em todo o bloco.

O presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizou estar disposto a discutir um acordo comercial com o Reino Unido quando se encontrou com May na Casa Branca em janeiro. Há relatos de que o governo dele gostaria de oferecer ao Reino Unido um esquema de passaporte semelhante ao da UE. Quando perguntaram se Fox gostaria de explorar planos dessa natureza para serviços financeiros, ele respondeu: “Com certeza, tenho apetite para liberalizar em todo setor.”

Cronograma do Brexit

Ele diz que ainda não deu início a conversas detalhadas com os EUA, mas espera que os trabalhos em torno do acordo transatlântico se acelerem quando Robert Lighthizer for confirmado ao cargo de representante comercial de Trump, o que pode acontecer na semana que vem.

Enquanto isso, Reino Unido e UE se preparam para conversas formais pela primeira vez. Cada lado busca vantagens estratégicas antes do início das negociações para a saída oficial do Reino Unido, em março de 2019. Fox é um dos maiores defensores do governo britânico e, muito antes do referendo de junho, afirmava que o Reino Unido estaria melhor fora da UE.

Durante a entrevista, Fox afirmou que oportunidades de expansão em outras partes do mundo darão um futuro melhor ao setor financeiro britânico. Ele vê potencial para explorar o status do Reino Unido como líder mundial em inovação em tecnologia financeira.

“Quando vemos gente mudando do Vale do Silício para o Reino Unido, dá para dizer que há algo a nosso favor – e não é o clima”, disse Fox.

oglobo.globo.com | 15-04-2017

BERLIM — Assim como na Turquia, os turcos que vivem na Alemanha estão divididos em relação ao referendo para um “novo projeto de Constituição” — que pode mudar o país do sistema parlamentar para o presidencialista. Uma parede ideológica divide até famílias, entre os adeptos do presidente Recep Tayyip Erdogan, que propôs a consulta, e os contrários a ele. Desde que os primeiros turcos migraram para o país como mão de obra barata, há mais de 50 anos, nunca uma eleição foi acompanhada pela minoria com tanta emoção. Nos cafés e supermercados turcos, o clima começou a fervilhar com o início da votação para os que vivem fora do país, na última segunda-feira.

links turquiaOs turco-alemães com direito de voto — cerca de 1,5 milhão — representam 50% de todos os eleitores no exterior, o que fez com que Ancara entrasse em atrito direto com autoridades alemãs, em uma agressiva propaganda eleitoral. Depois que Holanda e Alemanha proibiram eventos com políticos turcos, o próprio Erdogan passou a comandar os ataques na linha de frente contra a Europa, comparando o primeiro-ministro holandês, Marc Rutte, e a chanceler alemã, Angela Merkel, a Hitler.

A disputa, chamada por alguns cientistas políticos de “Guerra Fria”, acabou gerando o efeito desejado por Erdogan. Pelo menos na Alemanha, houve um aumento do entusiasmo da minoria turca pelo projeto do presidente.

— Eu votei a favor porque o referendo é um projeto de Erdogan e tudo o que o nosso presidente tem feito desde que foi eleito pela primeira vez tem se mostrado bom para a Turquia — disse o turco Kazana Hayat.

Hayat, que se mudou de uma pequena aldeia da costa do Mar Negro para Berlim há 20 anos, é um representante típico da minoria. Grande parte dos turcos na Alemanha vive de atividades humildes — inclusive os da terceira geração, que continuam sendo chamados assim mesmo tendo nascido na Alemanha. Ao chegar a Berlim, a partir do início dos anos 60, eles se dividiram entre os bairros de Neukölln, Kreuzberg e Wedding. No auge da Guerra Fria, os aluguéis na região eram mais baratos em função da proximidade com o muro e a fronteira com a Alemanha Oriental e o bloco comunista.

A maioria não se integrou. Os homens jovens solteiros foram procurar esposas na Turquia. Seus filhos e netos, assim como outros turcos que chegaram mais tarde, continuaram se sentindo estrangeiros. E ainda hoje são discriminados pela sociedade alemã.

‘TENTATIVA DE REDUZIR DEMOCRACIA’

O resultado é uma ligação extremamente forte com o país de origem. Erdogan aproveitou bem esse capital político, atraindo para o seu partido AKP a maioria dos votos da minoria.

— A ligação dos turcos da Alemanha com o país de origem é forte porque o normal para uma grande parte da minoria é a migração de volta para a Turquia depois da aposentadoria — explica Ayten Muti, dona de um salão de tratamentos de pele e pedicure medicinal no bairro de Wilmersdorf.

Segundo Muti, os turcos são pragmáticos. Eles veem a Alemanha como um lugar de trabalho e por isso vão embora quando acaba a vida profissional. Ela e o marido, que trabalha em um cassino, também planejam voltar para a pequena cidade onde nasceram, perto de Istambul, embora as duas filhas, de 24 e 21 anos, tenham conseguido acesso à universidade — fenômeno raro entre os turcos, que têm em geral baixo nível de escolaridade.

Ela faz parte da minoria que é contra Erdogan.

— Votei contra o referendo porque sou contra sua tentativa de reduzir a democracia na Turquia.

Dentro da ONG Despertar Neukölln, que realiza projetos de apoio a jovens para que tenham uma maior chance de ascensão social, as opiniões são distintas. Kazim Erdogan (sem parentesco com o presidente) defendeu o referendo e os controvertidos eventos eleitorais na Alemanha. Seu colega, que pede para ser chamado apenas de Sr. X, diz que não votou e não comenta o referendo porque “vê o governo da Turquia com indiferença”. Já Kazana Hayat defende a política econômica do presidente.

— Mesmo quem não gosta de Erdogan precisa admitir que ele conseguiu melhorar a economia e aumentar o reconhecimento internacional.

Com Erdogan, a república fundada em 1923 do que restou do Império Otomano viveu uma mudança brusca. A Turquia dinamizou a sua política externa, em consonância com o aumento de importância do país, que com a fundação do G20 assumiu a posição de uma potência.

Mas o risco do excesso de poderes para o político — que tem fama de sede de poder — é visto com preocupação. Se Erdogan ganhar o referendo, o regime deixará de ser uma democracia parlamentar, o que é motivo de preocupação da Comunidade Turca da Alemanha.

“A comunidade assume sua posição contra o referendo, defendendo o “hayir” (não em turco) contra a redução dos direitos democráticos”, afirma um manifesto, assinado também por Cem Özdemir, presidente do Partido Verde Alemão e filho de imigrantes turcos.

oglobo.globo.com | 15-04-2017

RIO - Martin Fraenkel, presidente da empresa de precificação de commodities S&P Global Platts (que integra o grupo da agência de risco), acredita que políticas liberais no setor de energia vão provocar transformações positivas nos próximos anos no Brasil, no México e na Argentina. Em visita ao Rio na semana passada, o britânico disse ao GLOBO que o Brasil vai integrar nos próximos anos um nascente mercado global de gás natural, que aos poucos se distância de parâmetros emprestados do “primo rico”, o mercado de petróleo. Quanto a este, Fraenkel está otimista com relação à perspectiva sobre seu preço: acha que ultrapassará os US$ 65 ao fim deste ano — embora a produção de shale gas (gás de folhelho) nos EUA e a efetividade do corte de produção da Opep permaneçam como fatores incertos nessa equação. petróleo_1304

O preço do barril do petróleo se estabilizou em torno dos US$ 50 mas parece encontrar muitas dificuldades para ir além disso. O que está determinando esse patamar de preço?

Na Platts, temos uma unidade de projeções chamada PIRA, que é uma das líderes desse segmento. Ela projeta que o preço do barril do tipo Brent vai atingir algo entre US$ 65 e US$ 70 no fim deste ano. Ainda há uma enorme quantidade de estoque de petróleo no mundo, sobretudo nos EUA. A Opep fizeram um acordo para cortar produção, cujo desempenho tem bastante bom. O impacto disso é a redução da oferta de países da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) e de outros signatários do acordo, o que abre a possibilidade de esses estoques serem reduzidos gradativamente e de chegarmos a 2018, se a demanda continuar crescendo, com ela superando a oferta. Então é essa a base da estratégia da Opep.

E como fica a produção de shale gas (gás de folhelho) nos Estados Unidos nessa conjuntura?

O shale oil também tem sido um fator-chave. Este ano, a produção americana começou a voltar, possivelmente de forma mais rápida do que se esperava. A Platts tem uma companhia chamada Rig Data, que monitora os poços de shale que estão operando nos EUA, e suas estatística mostram que o crescimento tem sido muito rápido há muitos meses. A grande questão é se a velocidade da retomada da produção do shale nos EUA será rápida a ponto de diminuir o ritmo de redução dos estoques de petróleo.

O sr. acha que é isso que vai acontecer?

Ainda temos que ver. Fui trader durante a maior parte da minha carreira. Se eu soubesse o que vai acontecer, eu ainda seria trader! (risos)

Porque a produção do shale gas voltou a subir? Foi por causa da elevação dos preços depois do corte da Opep?

Conforme os preços subiram, ficou interessante do ponto de vista econômico para os produtores do setor de shale voltarem a perfurar. A Platts tem uma publicação que analisa a taxa de retorno de diferentes campos de produção nos EUA, e quando vemos os números, qualquer coisa acima de US$ 40, o retorno sobre o investimento se torna bastante atraente. Mas o fenômeno do shale é ainda muito recente, então não sabemos ainda com precisão as condições econômicas do segmento.

Mas há um preço mínimo que a partir do qual é viável a produção?

O que os dados mostram é que os níveis de break-even (que pagam os custos de produção) são diferentes para cada área de produção. E não apenas isso. Mas um dos fenômenos que o mercado está acompanhando bem de perto são chamados DUCs, que são poços apenas parcialmente perfurados. Esses poços podem ser ativados muito mais rapidamente, e o custo inicial de produção é muito menor. O que está provavelmente ocorrendo é que os produtores de shale estão apenas os poços mais rentáveis para reativar. Eles também estão fazendo operações de hedge, vendendo contratos da commodity no mercado futuro, o que fica claro no comportamento desses futuros. Isso permite aos produtores protegerem suas produções futuras e fechar uma taxa de retorno pré-estabelecida. O que não sabemos, porque o fenômeno do shale ainda é novo, é até onde essas práticas são sustentáveis. Até onde será sustentável para os poços voltarem a produzir, ou se uma cotação maior da commodity será necessária para que isso seja sustentável. Ainda não sabemos isso.

Projetando que o petróleo fechará o ano em US$ 70, vocês estão mais otimistas do que o restante do mercado.

Para que nossa projeção de preço para o fim do ano se cumpra, precisamos ver os estoques no mundo, e especialmente nos EUA, caindo de maneira contínua até o fim deste ano. Se isso acontecer, será possível antecipar que os estoques voltarão a níveis mais normais em 2018. Isso seria importante para o preço.

A atividade econômica global está em alta este ano, inclusive nos EUA. O PIB mundial desempenha um papel importante nessa equação?

Sim, claro, esse é um fator importante. Há uma conexão entre o preço do petróleo e o PIB. É esse o caso especificamente em países como China e Índia, onde a demanda por petróleo nos últimos três anos têm crescido, países onde a economia também cresce rapidamente. Na Índia, aliás, a velocidade desse crescimento tem sido maior do que na China, embora o nível da demanda ainda seja menor que a chinesa. Se continuarmos a ver crescimento na Ásia, devemos ver a demanda por petróleo crescer em nível global. E se pensarmos em oferta e demanda e se a estratégia da Opep for bem-sucedida, vamos ver o níveis de estoque cair.

O sr. pode detalhar seus principais pontos de interesse na América Latina?

Além do Brasil, há duas áreas importantes para olhar nos próximos anos. Uma delas é no México, onde as mudanças que estão sendo promovidas no setor de energia já são significativas e estão evoluindo rapidamente. O governo já mudou o papel da Pemex, e está apoiando investidores estrangeiros na conexão na conexão da rede de gasodutos do México às da América do Norte e América Central. A Platts começou a publicar mensalmente estudos que monitoram as mudanças que estão correndo no país. Também estamos atentos ao que está acontecendo na Argentina, que será potencialmente importante mas ainda está em estágio inicial. A Argentina está sobre a terceira maior reserva de shale gas e óleo no mundo. Ainda não sabemos dados sobre o custo e o retorno para exploração desse segmento no país, mas o shale ainda não deu certo fora dos EUA. Mas não há porque duvidar da existência de áreas economicamente viáveis em outra parte do mundo. E isso seria muito importante para a Argentina e outros países da América Latina que podem importar o gás do vizinho.

E no Brasil?

O estágio ainda é inicial mas, sim, também achamos que vai ocorrer no Brasil.

Mas você pode citar especificamente alguma medida no sentido de liberalizar o mercado que tenha sido tomada aqui no Brasil? Você se refere apenas ao setor de petróleo ou ao governo como um todo?

Falo de forma mais geral. Minha sensação é que o papel do governo e da Petrobras no setor de petróleo está mudando, por diversas razões. O Brasil sempre teve operadores estrangeiros no setor, o que é positivo. Não porque operadores estrangeiros são melhores ou piores, não é isso. A questão é diversidade. Empresas diferentes aprendendo com as outras. O que as estrangeiras conseguem trazer é o expertise de suas atuações em diversas partes do mundo.

Quais efeitos devemos esperar da mudança nas regras de conteúdo legal?

Não tenho muitos detalhes sobre isso. Mas eu reforço que, em geral, é importante encorajar o envolvimento de múltiplos agentes no mercado de energia, porque coisas surpreendentes acontecem. Um exemplo é a própria indústria de shale gas nos EUA, que é um produto diretor de inovação tecnológica e empreendedorismo. E isso tem sido determinante no barateamento dos combustíveis nos EUA, sobretudo da gasolina. No segmento de painéis solares, é a China que está liderando o movimento de barateamento da produção em escala global. Esses diferentes fenômenos acontecem por causa da chamada mão invisível de Adam Smith — mesmo na China.

Logo, você considera positiva, de uma forma geral, a estratégia do governo brasileiro.

As medidas que o governo têm tomado para mudar a maneira de operar do setor deve ter impacto relevante. Uma coisa importante e que olhamos bem de perto é a maneira como os contratos são precificados. Olhemos, por exemplo, a importação de Gás Natural Liquefeito (GNL) da Bolívia. Os contratos são precificados com base em um índice que usa preços aferidos pela Platts. Mas esses são preços de óleo refinado. Ou seja, petróleo, não gás. Essa tem sido uma prática recorrente no setor de gás em vários países. Era assim na Europa, por exemplo, até alguns atrás. Mas isso está mudando ao redor do mundo. Então é bastante possível que isso também mude no Brasil. Aos poucos, o que está acontecendo ao redor do mundo é que estamos indo em direção a um mercado global de gás.

Por quê?

Porque o GNL pode ser transportado de um lugar para outro. O Brasil já é um grande importador de GNL dos EUA. A exportação americana de GNL tem crescido. A produção de gás liquefeito deve aumentar significativamente no Catar e na Austrália por muitos anos. Logo, deve haver um mercado global de negociação de gás natural. E isso já está mudando a forma como o gás é precificado ao redor do mundo. No passado, os EUA tinham um preço, a Europa tinha outro e a Ásia ainda outro. E eles eram muito diferentes, e eram operados em mercados completamente diferentes. Nos últimos dois anos, temos visto a convergência desses preços, e ela é provocada pela emergência do mercado de GNL que permite que o produto seja enviado de uma região a outra. O resultado é uma mudança na precificação do gás. Na Europa, ele costumava ser precificado através de uma fórmula baseada na cotação do petróleo, mas isso mudou para um método que usa os preços à vista (spot) de gás. Isso provavelmente vai acontecer no Brasil.

Isso depende do mercado ou do governo?

Um pouco dos dois. Em outras partes do mundo, foi preciso uma combinação de fatores. No Japão, por exemplo, o governo promoveu uma ampla reforma do mercado de energia, que estimulou maior liberdade nos mercados de eletricidade, petróleo e gás natural. Com isso, toda a estrutura de preços mudou, e o mercado absorveu essa mudança. Logo, geralmente é uma combinação de coisas que leva à mudança. É o tipo que esperamos ver no Brasil nos próximos anos.

E por que seria positivo para o mercado brasileiro? Significaria preços mais estáveis?

Eu acho que sempre é difícil dizer qual será o preço. Mas haveria uma série de efeitos. Se os preços são guiados pela oferta e demanda, as distorções são reduzidas e há ganhos de eficiência. Isso significa que, se os preços do mercado são reduzidos, os consumidores podem ser beneficiados. Também significa que as empresas podem mudar de uma fonte energética para outra. Já vemos em outros países que o que chamados de mix de hidrocarbonetos está mudando. É crescente a preocupação com as mudanças climáticas, e o papel da energia renovável está aumentando em vários países. O custo da energia renovável está caindo, enquanto o papel do gás está crescendo porque sua pegada de carbono é menor que a do carvão, por exemplo. Logo, há um conjunto de políticas públicas e de práticas de precificação que estão permitindo aos consumidores mudar suas fontes de energia. Isso é muito importante se o mundo vai evoluir, de forma eficiente, para uma pegada menor de hidrocarbonetos. É preciso haver um mecanismo que permita, com base nos preços, calcular o custo dessa transição. Mas o governo, de forma geral, não é bom em determinar transições. Ele é bom em estabelecer as regras básicas de mercado que permitam aos preços sinalizar a direção da mudança. Isso também será importante no Brasil.

oglobo.globo.com | 15-04-2017

AMSTERDÃ — O presidente da Fiat Chrysler, Sergio Marchionne, disse nesta sexta-feira que a montadora não está em posição de buscar acordos de fusão no momento e que focará em dar continuidade ao plano de negócios. Marchionne repetidamente citou a possibilidade de fusão na indústria automotiva e por muito tempo uma parceria era vista como o objetivo final do relançamento da Fiat Chrysler (FCA), empresa que ele deve deixar no início de 2019, após 15 anos no comando.

LEIA TAMBÉM: Toyota vai investir US$ 1,33 bilhão em fábrica nos EUA

O executivo tentou uma combinação com a General Motors dois anos atrás, mas o acordo foi rejeitado. Apenas no mês passado, ele disse que a Volkswagen — líder de mercado na Europa — poderia concordar em discutir uma aliança com a FCA, depois que a rival PSA (Peugeot) adquiriu a Opel.

Marchionne disse, durante uma reunião geral em Amsterdã, que ainda via necessidade de fusão entre montadoras para melhor cumprir os grandes investimentos demandados, mas afirmou que a Fiat Chrysler não estava em conversas com a Volkswagen.

"Sobre a Volkswagen, a questão se há negociações em andamento, a resposta é não", respondeu o executivo.

Ele acrescentou, sem entrar em detalhes, que a Fiat Chrysler não estava no estágio de discutir quaisquer alianças.

"O foco principal é a execução do plano (de negócios)", afirmou Marchionne.

A FCA prometeu alcançar uma posição líquida de caixa de 5 bilhões de euros até 2018, revertendo a dívida líquida de 4,6 bilhões de euros apurada no fim de 2016. O desafio, segundo o presidente, colocará a empresa em melhor posição para fechar um acordo no futuro.

oglobo.globo.com | 15-04-2017

BRASÍLIA - A recessão que afetou a economia brasileira no ano passado fez com que o Brasil caísse da 25ª posição em 2015 e para o 28º lugar no ranking de países importadores, com 0,9% das importações globais, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Como país exportador, o Brasil seguiu na 25ª posição, com participação de 1,2% das vendas.

Ainda segundo a OMC, a queda de 9% das importações realizadas pela América do Sul foi puxada pelo enfraquecimento das compras do Brasil, que tiveram uma redução de 13%. As exportações brasileiras seguiram crescendo em volume, com aumento de 8% em 2015 e 4% em 2016. Porém, as vendas aos exterior dos demais países sulamericanos caíram 1,5% em 2016 e se mantiveram estáveis em 2015.

Para 2017, a OMC projeta um crescimento médio de 1,4% do volume das exportações na América do Sul, podendo variar entre 1,3% e 1,6%. Já as importações devem se manter no mesmo patamar do ano passado (crescimento estimado de 0,1%, e banda de -0,6% a +1.0%). Em 2018 as exportações da região devem crescer 2,2% e 2,6%, e a projeção é de que as importações aumentem entre 1,0% e 3,0%.

Conforme a OMC, o comércio mundial cresceu apenas 1,3%, devido, em parte a fatores cíclicos, como a desaceleração da atividade econômica, mas refletiu também mudanças estruturais mais profundas na relação entre comércio e produção econômica. No ano passado, a demanda global foi afetada pela queda nos gastos com investimentos nos Estados Unidos e pela redução da demanda por importações na China no primeiro trimestre do ano.Outros fatores, incluindo a estagnação das importações dos países em desenvolvimento (0,2%), também tiveram impacto no resultado.

"A Ásia e a Europa foram as únicas regiões que tiveram contribuição significativa para o crescimento das importações globais em 2016, com a Europa contribuindo com 1,6 ponto percentual (39% do aumento total) e a Ásia somando 1,9 ponto percentual (49% do total)", diz um trecho do comunicado da OMC.

APESAR DAS INCERTEZAS, COMÉRCIO MUNDIAL DEVE CRESCER

O comércio internacional vai se recuperar nos anos de 2017 e 2018, na avaliação dos técnicos da OMC, mesmo com um cenário de incertezas políticas em boa parte do planeta. Para este ano, a estimativa da OMC é de um crescimento, em volume, de até 3,6%, ante uma fraca expansão de 1,3% em 2016. Para 2018, a alta projetada deve ficar entre 2,1% e 4%.

"A desaceleração das economias emergentes contribuiu para o ritmo lento de crescimento do comércio internacional em 2016, mas a expectativa é que esses países retomem um crescimento modesto em 2017".

Apesar do otimismo em relação a 2017, os técnicos da OMC admitem que ainda é elevado o grau de incertezas no mundo, não só no campo político. Sem citar nomes, como o do assumidamente protecionista presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ele destacam que a recuperação do comércio podem ser afetadas por medidas dos governos nas áreas econômica e comercial.

"O principal fator de risco para essas estimativas são incertezas políticas, incluindo a imposição de barreiras ao comércio e a adoção de políticas monetárias restritivas", enfatiza a OMC.

Segundo a OMC, o rumo pouco previsível da economia global a curto prazo, assim como a falta de clareza sobre a ação dos governos nas áreas monetária, fiscal e comercial, aumentam o risco de que o comércio seja afetado negativamente em 2017. Taxas de juro mais elevadas para o combate à inflação em alguns países, políticas fiscais mais restritivas e a adoção de medidas que limitam o comércio têm a capacidade de minar o crescimento do comércio nos próximos dois anos, alertam os técnicos.

"As previsões mais promissoras da OMC para 2017 e 2018 são baseadas em certos pressupostos e há um risco considerável de que a expansão fique aquém dessas estimativas. Alcançar estas taxas de crescimento depende em grande medida da expansão do PIB global, em linha com as previsões de 2,7% para este ano e de 2,8% para o próximo ano", diz o informe do organismo. "Esta estimativa do PIB pressupõe que as economias desenvolvidas mantenham políticas monetárias e fiscais relativamente expansionistas e que os países em desenvolvimento continuem a se recuperar da desaceleração recente".

oglobo.globo.com | 12-04-2017

MADRI - Em nenhum outro lugar se sente com mais força o Brexit do que em Gibraltar, o enclave britânico de 6km quadrados no Sul da Espanha. Além de perder o acesso ao mercado comum, a saída da União Europeia (UE) poderia prejudicar a economia até agora próspera, baseada em serviços bancários, seguros, turismo e indústria de apostas. gibraltar

O governo espanhol aproveitou a brecha do Brexit para fazer a reivindicação diplomática. O país oferece a Gibraltar — em mãos britânicas há mais de 300 anos — que aceite a soberania espanhola (ou um regime compartilhado) como modo de salvar sua participação na UE.

O conflito aumentou agora, após Michael Howard, ex-líder dos conservadores, dizer que o governo britânico está disposto a defender Gibraltar como fez a então premier Margaret Thatcher com as Ilhas Malvinas: usando intervenção militar.

May baixou o tom após dois dias, mas insistiu que a soberania é inegociável. Ela disse isso a Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, a quem recebeu para avançar nas negociações de saída. Tusk irritara os britânicos quando anunciou que a UE dará à Espanha poder de veto a qualquer acordo que o bloco chegue com o Reino Unido sobre Gibraltar. Isto acelerou a ansiedade de seus moradores.

Se a Espanha tenta forçá-los a mudar de nacionalidade, a lógica indica que bloqueará um eventual pacto que outorgue a Gibraltar a liberdade de circulação e o acesso ao mercado comum, aspectos vitais para que o enclave não entre numa grave crise.

— A fronteira e o acesso ao mercado comum são cruciais. Nós importamos tudo o que comemos. Um terço dos trabalhadores cruza diariamente a fronteira com a Espanha — assinalou Edward Macquisten, chefe da Câmara de Comércio local.

Os moradores de Gibraltar reconhecem o papel da Europa em seu destino: 95,9% deles votaram contra o Brexit. Porém, mesmo assim, é unânime o desejo de manter o vínculo com o Reino Unido.

oglobo.globo.com | 12-04-2017

RIO — Alunos dos ensinos fundamental e médio do Colégio Internacional Everest, na Barra, foram premiados, no mês passado, numa competição que reuniu estudantes de 170 diferentes nacionalidades na sede da ONU, em Nova York. O National High School Model United Nations transcorre como a simulação de uma conferência, e proporciona aos alunos a possibilidade de atuar como diplomatas mirins, seguindo os protocolos da entidade. Durante os encontros, eles precisaram propor acordos para pôr fim a impasses de relevância mundial.

Barra 09/04

Quinze alunos da escola viajaram para os Estados Unidos. Eles foram os únicos a trazer o prêmio de delegação de língua estrangeira com excelente desempenho — outras duas escolas brasileiras participaram da simulação, considerada a maior conferência modelo do mundo. A escola ficou entre as quatro melhores nessa categoria, competindo com outras 48 instituições de várias partes do mundo.

As simulações seguiram o padrão diplomático, desde a roupa usada pelos estudantes até o pedido de tempo feito pelos participantes. Divididos em comitês, os jovens debateram, sempre em inglês, temas variados, preestabelecidos pela ONU em outubro do ano passado. Os alunos Julien Daube e Thiago Baldine falaram sobre o meio ambiente, com destaque para a questão do hidrocarboneto na economia.

— Tínhamos que defender a postura do país em relação aos temas. As coisas não podiam ser aleatórias, tiradas das nossas cabeças. O mais interessante é que pudemos ter contato com pessoas com hábitos e comportamentos diferentes, o que nos fez observar que há várias ideias distintas. Aprendemos um pouco com cada uma — explica Baldine.

Entre os temas discutidos pelos demais estudantes estavam questões espinhosas, como o combate à xenofobia na Europa, a situação política da Líbia, o impacto dos agrotóxicos na saúde, a necessidade do desarmamento em países africanos e o uso da internet por terroristas. Matriculada no 9º ano, Beatriz Glafer participou, ao lado da colega Isabela Massadar, de uma discussão sobre a violência contra a mulher:

— Debatemos a questão da violência sexual como arma de guerra em zonas de conflito. Foi uma possibilidade de tratar de temas atuais e que realmente são abordados dentro da ONU.

A professora Fernanda Macena, coordenadora de língua inglesa do Everest, destaca o ineditismo do prêmio conquistado pelos estudantes brasileiros.

— A simulação foi criada em 1975, e esta é a primeira vez que o Brasil sai de lá com um prêmio de melhor performance — conta Fernanda, orgulhosa.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)

oglobo.globo.com | 10-04-2017

A multiplicidade de nações adjacentes fez da Economia da Europa uma das mais complexas do planeta. Durante séculos a Europa foi o centro econômico do planeta. Entre as causas, podemos citar como a principal sua condição geográfica. A localização entre a África e a Ásia, fez da região europeia um ponto de passagem obrigatório, e facilitou de forma substancial a absorção e irradiação dos conhecimentos, tecnologia e comércio de ambos continentes. Esta condição perdurou até ao século XX. No século XX, a Europa viu seu predomínio declinar em relação aos Estados Unidos, o Japão e, na fase final, a China. A Primeira e Segunda guerra mundial, travadas em seu território, a carência de energia, de petróleo, além de uma intensa rivalidade entre seus povos, representaram para o continente a perda de sua liderança econômica. A Europa não tem auto-suficiência na produção de energia, exigindo a importação de muito petróleo. Este produto só é extraído em quantidades consideráveis na Rússia e no Mar do Norte. O gás natural, outro produto bastante usado na geração e produção de energia é muito abundante na Rússia, Romênia, Países Baixos e no Reino Unido. Outro recurso energético que teve grande importância nas fases iniciais da revolução industrial foi o carvão mineral, muito abundante, sobretudo na Alemanha, Polônia, Rússia, Reino Unido. Todas estas fontes energéticas são extremamente poluidoras e causam grandes impactos ambientais em todo o planeta. No caso da energia limpa, ou seja, não poluidora, podem ser citadas a energia hidráulica, energia eólica, e energia solar, de baixa produção e utilização da Europa, devido às suas condições geográficas. A produção de energia nuclear na Europa é muito importante, e, a exemplo dos Estados Unidos, gera imensas quantidades de lixo atômico, cujo fim, desde o início de sua utilização, é muito nebuloso e nunca divulgado na mídia mundial.


De dbpedia, licença creative commons CC-BY-SA
w3architect.com | hosting p2pweb.net
afromix.org | afromix.info | mediaport.net | webremix.info