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Europa Economia

Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional continuam a traçar um retrato bem mais sombrio da economia portuguesa que o Governo e colocam o problema do crédito malparado cada vez mais no centro do debate.
www.publico.pt | 23-02-2017

SÃO PAULO - A petroquímica Braskem teve prejuízo líquido consolidado de R$ 2,637 bilhões no quarto trimestre do ano passado, ante lucro líquido de R$35 milhões em igual período de 2015, segundo prévia não auditada do balanço. O resultado da companhia foi afetado pela provisão de multa referente ao acordo de leniência firmado em dezembro de 2016, com autoridades globais no âmbito da Lava-Jato, no qual a empresa se comprometeu a pagar US$ 957 milhões (R$ 3,1 bilhões). braskem_2202

Em fato relevante, a Braskem diz que decidiu adiar para 29 de março o arquivamento das demonstrações financeiras auditadas, enquanto conclui as avaliações necessárias de processos e controles internos após o acordo.

A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado consolidado somou R$ 2,385 bilhões, queda de 10% ante o último trimestre de 2015.

A petroquímica apurou uma receita líquida de R$ 11,9 bilhões no quarto trimestre, 1% menor na comparação anual devido à apreciação do real.

Conforme material de divulgação do balanço, as operações no Brasil contribuíram com 51% do faturamento total, enquanto Estados Unidos e Europa responderam por 17%, México por 6% e as exportações contabilizaram 19%.

O resultado financeiro líquido da empresa ficou negativo em 898 milhões de reais, ante os 841 milhões de reais negativos do quarto trimestre de 2015.

INVESTIMENTOS

A Braskem investiu entre outubro e dezembro R$ 757 milhões, sendo R$ 573 milhões no Brasil. No acumulado de 2016, a companhia desembolsou R$ 2,975 bilhões, menos que os R$ 3,661 bilhões previstos para o ano passado. Entre os motivos, a petroquímica citou o efeito da apreciação do real em valores investidos em dólares e a otimização do portfólio, o que resultou no adiamento ou cancelamento de projetos operacionais e estratégicos.

Para 2017, a companhia prevê investir cerca de R$ 1,814 bilhão, dos quais R$ 179 milhões em unidades dos Estados Unidos, Europa e México.

Ao fim de dezembro do ano passado, a Braskem acumulava uma dívida líquida ajustada de R$ 20,014 bilhões, incluindo a atualização contábil do valor de face do acordo de leniência de R$ 3,1 bilhões firmado com as autoridades globais no âmbito da operação Lava Jato.

Com isso, o prazo médio do endividamento da empresa era de 14,6 anos e a alavancagem medida pela relação dívida líquida sobre Ebitda estava em 1,82 vez em real e 1,95 vez em dólar.

oglobo.globo.com | 22-02-2017

O comércio inicia o ano um pouco mais otimista com as medidas anunciadas pelo governo para estimular a economia, que não resolvem a situação do setor, mas melhoram o ambiente de negócios e animam o consumidor, assustado com o desemprego.

Entre as medidas, pelo menos três devem contribuir para a melhoria das vendas. São elas a cobrança de preços diferenciados por um mesmo produto, com descontos de 5% ou mais para pagamentos à vista, o que também beneficia o consumidor; a diminuição do prazo de recebimento pelos lojistas das compras feitas com o cartão de crédito, que hoje acontece 30 dias após a venda, o que vai melhorar o fluxo de caixa das empresas; e o aprimoramento da regulamentação do trabalho temporário e do trabalho por jornada parcial.

Outra decisão importante que terá reflexo no comportamento do consumidor é a autorização para o trabalhador sacar as contas inativas do FGTS. Segundo o governo, a decisão vai injetar R$ 30 bilhões na economia este ano.

Tudo isso é animador. Mas não podemos perder de vista que, no caso específico do comércio, o setor vem sofrendo bastante os efeitos da desaceleração econômica — especialmente nos dois últimos anos, agravada pela crise política e embalada pelas denúncias de corrupção em diversas áreas, ampliada pela situação quase falimentar do Estado do Rio de Janeiro.

Efeito perverso desse quadro é que todas as datas comemorativas do comércio do ano passado, como Dia das Mães, Páscoa, Dia da Criança, dos Pais, dos Namorados e do próprio Natal — a maior de todas elas e responsável por um terço do faturamento anual do comércio — tiveram desempenho menor das vendas do que em 2015.

Conhecido pela sua capacidade de adaptar-se aos momentos desfavoráveis da economia, o comércio varejista é um dos bons exemplos nacionais de desempenho. Funciona como um dos motores que impulsionam a economia, fazendo girar a roda do seu crescimento, além de ser um dos maiores empregadores.

Neste cenário, quando a sociedade e os setores produtivos geram emprego, renda e fazem girar o círculo virtuoso da economia, é necessário reagir imediatamente para superar os obstáculos. É preciso buscar soluções que minimizem e deem fôlego às empresas para atravessar as turbulências e chegar em terra firme em condições de, pelo menos, manter os negócios e os empregos.

Não devemos esquecer que países fortes e ricos da Europa e os Estados Unidos tiveram no consumo uma das bases do seu crescimento. E aqui não pode ser diferente, principalmente com um mercado interno grandioso como é o nosso. O crescimento do consumo gera aumento de produção, movimenta a indústria, que, por sua vez, gera mais empregos e aumenta a arrecadação de impostos. E isso possibilita maiores investimentos em infraestrutura. É o chamado circulo virtuoso.

Aldo Gonçalves é presidente do Clube de Diretores Lojistas do Rio e do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro

oglobo.globo.com | 20-02-2017

NOVA YORK - Os investidores deveriam estar um pouco mais nervosos, na opinião de um gestor de recursos da BlackRock. As bolsas dos EUA bateram recordes diante de sinais de estabilização da economia chinesa e da expectativa de que o presidente Donald Trump gaste mais com infraestrutura, relaxe regras e reduza impostos. Embora a disparada das ações e a volatilidade abaixo da média mostrem um clima de maior otimismo, os mercados estão subestimando os riscos políticos globais, disse Russ Koesterich, um dos gestores do BlackRock Global Allocation Fund, com US$ 41 bilhões. Ele recomenda o ouro como forma de proteção.

Eleições próximas na Europa e incerteza política nos EUA são alguns dos fatores que podem mexer com o sentimento dos investidores, afirmou Koesterich. Essas ameaças são amplificadas pelo potencial impacto da saída do Reino Unido da União Europeia e da crise da dívida na Grécia. Essas preocupações ajudaram a aumentar a demanda pelo ouro como porto seguro. O metal se valorizou 8 por cento neste ano, após registrar seu pior desempenho trimestral desde 2013.

— Aquele risco político escondido não está refletido nos mercados”, afirmou Koesterich na quinta-feira. — As pessoas não estão tão nervosas e existem coisas que podem dar errado, especialmente quando consideramos todos os riscos políticos. Isso fortalece o argumento para inclusão do ouro em uma carteira.

A onça do ouro se encaminha para sua sétima semana em oito de valorização.

Nos EUA, as bolsas tiveram nesta semana a mais longa fase de alta em três anos, a inflação subiu e o mercado de trabalho vem ganhando força. Isso ocorre ao mesmo tempo em que uma métrica de incerteza sobre políticas econômicas em nível global bateu recorde em janeiro.

— Parte dessa alta se baseia no fato de os investidores esperarem algum estímulo de Washington na forma de cortes de impostos e potencial estímulo fiscal — disse Koesterich. — O que vai acontecer se isso não vier? Haverá algum estímulo, mas o cronograma, a forma e a magnitude ainda são bastante incertos.

oglobo.globo.com | 17-02-2017

RIO - A brasileira Go4it, empresa de negócios esportivos, está dando seu maior passo no exterior, com a compra da Strava, misto de rede social e aplicativo formada por atletas e que está presente em 195 países. A Go4it foi fundada por Marc Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann, do 3G Capital, empresa que detém fatia controladora da Ambev, entre outros investimentos.

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Essa será a quinta aquisição da Go4it no exterior no segmento de tecnologia. A lista já conta com empresas de conteúdo digital e aplicativos ligados a atividades esportivas.

Para adquirir uma parte da rede social criada nos EUA em 2009, o filho de Lemann se juntou a pesos-pesados da tecnologia, como a Sequoia Capital, do Vale do Silício, um dos primeiros investidores de Google, Airbnb e WhatsApp, e o Mandrone Capital, ligado à família dona da rede de supermercados Walmart.

O valor do negócio e a fatia na rede social não foram revelados. Cesar Villares, cofundador da Go4it, ressalta que a empresa está avaliando oportunidades de investimento em ativos esportivos globais. A Strava, por exemplo, segundo dados da consultoria comScore, teve, em dezembro, cerca de 285 mil usuários ativos. Alguns deles famosos, como o técnico de vôlei Bernardinho e o apresentador Luciano Huck.

— O potencial do Strava é imenso. Estamos buscando oportunidades de investimentos em ativos esportivos e de tecnologia ao redor do mundo. Além disso, o investimento visa também a apoiar as estratégias de expansão em mercados que conhecemos profundamente, como o Brasil e a América Latina — explicou Villares.

Strava vem da palavra sueca que significa “esforço”, e a rede tem como objetivo estimular atividades físicas entre atletas e esportistas, permitindo que as pessoas gravem e compartilhem as atividades praticadas.

UBER NO FLAMENGO

No exterior, a empresa também se associou a celebridades do mundo esportivo, como o tenista Roger Federer, em um evento de tênis chamado Laver Cup, na República Tcheca, que ocorre em setembro.

— É um torneio que vai entrar no calendário mundial do tênis. Na Laver Cup vamos assistir a partidas como a da dupla Federer e (Rafael) Nadal representando o time Europa — disse Villares.

No Brasil, a Go4it atua na gestão da carreira de atletas como o surfista Gabriel Medina, o jogador de futebol Thiago Silva, o nadador Daniel Dias e o piloto Felipe Nasr. A empresa atua como consultoria estratégica para marcas que usam o esporte na sua estratégia de marketing. O executivo cita que a companhia foi a responsável pelo patrocínio do Uber no futebol do Flamengo. A Go4it fez parceria com UFC e a Liga Mundial de Surfe.

oglobo.globo.com | 17-02-2017
É tentador interpretar a subida do mercado de ações dos EUA e a confiança das empresas como sendo resultado da eleição do presidente Donald Trump. Mas a ascensão é global: na Europa, Japão, China e em outros lugares, as pesquisas entre empresários e os mercados estão muito mais otimistas.¾
online.wsj.com | 16-02-2017

ESTRASBURGO - A Eurocâmara aprovou nesta quarta-feira o acordo comercial da União Europeia com o Canadá, abrindo caminho a uma implementação provisória iminente deste espaço de livre comércio de 550 milhões de pessoas. Por 408 votos a favor, 254 contra e 33 abstenções, os eurodeputados deram sua aprovação ao acordo Acordo Econômico e Comercial Global (Ceta) e negociado por sete anos, após um debate de três horas marcado por uma série de duras críticas entre partidários e opositores do tratado.

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Bruxelas busca que este tratado comercial, negociado durante sete anos, se converta no modelo dos futuros acordos, como o negociado com o Mercosul, em um contexto de incerteza no comércio internacional depois da chegada de Donald Trump à Casa Branca.

Trump retirou seu país do Tratado Transpacífico de Cooperação Econômica (TPP) e anunciou sua intenção de renegociar o Tratado de Livre Comércio para América do Norte (Nafta), por considerá-lo especialmente generoso para com o México.

Em sua intervenção aos eurodeputados, a comissária europeia de Comércio, Cecilia Malmström, reiterou os benefícios do comércio internacional na economia e no comércio e defendeu os valores compartilhados com o Canadá, como a tolerância, os direitos humanos ou a luta contra o terrorismo.

— Construir muros não funciona — disse Malmström em uma referência velada a Trump. — O caminho são os acordos comerciais justos e equilibrados com parceiros que pensam como nós — acrescentou.

A direita e os liberais expressaram seu apoio ao acordo, frente à rejeição dos verdes, da extrema esquerda e da ultradireita. O grupo social-democrata votou dividido, sendo criticado por seu principal rival, o PPE, de direita.

Na próxima quinta-feira, será a vez do primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, defender na Eurocâmara reunida em Estrasburgo (nordeste da França) "o caráter singularmente progressista do acordo", nas palavras de seu gabinete.

'DESMANTELAR A DEMOCRACIA?’

O 'sim' da Eurocâmara abre caminho para a aplicação provisória deste acordo, em princípio a partir de abril, que deixaria de fora alguns dos aspectos mais controversos como o mecanismo de resolução de litígios que facilita que as multinacionais denunciem os Estados caso considerem suas políticas contrárias a seus interesses comerciais.

Embora Bruxelas defenda que esse tratado comercial suprimirá 99% das tarifas e implicará em uma economia de € 500 milhões para os exportadores europeus, seus críticos alegam que o acordo é perigoso para o meio ambiente e para os agricultores europeus, enquanto seria demasiadamente favorável às multinacionais.

Vários opositores ao tratado, tanto membros de ONGs como de partidos de esquerda, bloqueavam deitados no chão a passagem à sessão plenária, que atrasou alguns minutos.

Frases como "Dizer sim ao Ceta é pisotear o povo" e "Desmantelar a democracia? De maneira nenhuma" podiam ser lidas em cartazes carregados pelos manifestantes. Cerca de 700 pessoas protestaram nas ruas de Estrasburgo, segundo a polícia.

Vários estudos contestam os aparentes benefícios do acordo, como o da universidade americana de Tufts, perto de Boston, que estima que o Ceta "implicará a perda de 230 mil empregos até 2023", e 200 mil na UE.

Para sua entrada em vigor completa e definitiva, o acordo deverá ser ratificado pelos parlamentos nacionais e alguns regionais dos 28 países da UE, um longo trâmite de anos com final incerto.

oglobo.globo.com | 15-02-2017
O racismo anti-semita tem um recrudescimento assustador. Quase um quarto dos alemães tem uma opinião negativa dos judeus.. Hoje, 24% dos norte-americanos e 30% dos cidadãos da União Europeia consideram que os judeus possuem demasiado poder na economia.
www.publico.pt | 13-02-2017
A Comissão Europeia elevou ligeiramente nesta segunda-feira as previsões de crescimento econômico na Alemanha para este ano e o próximo, citando emprego e consumo robustos e uma possível recuperação no investimento em máquinas.A União Europeia (UE) prevê que a maior economia da Europa cresça 1,6% em 2017 em relação ao ano anterior, citando menos dias de trabalho do que em 2016. Além disso, a projeção de crescimento em 2018 é de 1,8%. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 13-02-2017
A Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, disse hoje que já não espera mais que a economia do Reino Unido desacelere tanto quanto imaginava em novembro, apesar das incertezas causadas pelo futuro processo de retirada do país da UE (o chamado "Brexit").A projeção agora é que o Produto Interno Bruto (PIB) britânico cresça 1,5% em 2017 e 1,2% em 2018, após exibir expansão de 2% em 2016. Quatro meses atrás, a comissão previa avanço de apenas 1% em 2017. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 13-02-2017

SÃO PAULO - A semana será fraca na divulgação de indicadores econômicos, mas uma série de articulações no campo político e da equipe econômica podem ocasionar em eventos que vão afetar o bolso de todos os consumidores. Além disso, a temporada de balanços chega em sua reta final, e os analistas avaliam qual o fôlego das empresas para uma retomada da atividade econômica neste ano.

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— Os resultados do quarto trimestre que ainda estão sendo divulgados servem como um indicador de retomada ou da velocidade que essa recuperação vai ocorrer. A perspectiva de 2017 depende muito de como as companhias terminaram o ano passado — afirmou Rafael Ohmachi, analista da Guide Investimentos.

Além de ver como essas empresas terminaram 2016 em termos de caixa e endividamento, é durante a divulgação do resultado do quarto trimestre que os executivos costumam dar projeções de crescimento para o ano corrente.

Ainda no campo interno, a Câmara dos Deputados deve definir nesta semana a presidência de diversas comissões. Quando um projeto começa a tramitar, ele passa pela aprovação dessas comissões, como a de Constituição e Justiça, antes de seguir para o plenário. A estratégia para o encaminhamento do projeto de Reforma Tributária é outro tema que será articulado durante a semana.

Cinco fatos que vão mexer com a economia na semana

No exterior, além da sempre constante atenção nas políticas que devem ser adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, as notícias das eleições na Europa, principalmente na França, são outro fator de preocupação que podem mexer com os mercados financeiros globais.

oglobo.globo.com | 13-02-2017

BERLIM - A Alemanha registrou em 2016 um superávit comercial recorde graças a algumas exportações sem precedentes, o que poderia estimular as críticas à política econômica de Angela Merkel, começando pelas de Donald Trump. A maior economia europeia exportou € 252,9 bilhões a mais do que importou, anunciou o Instituto Federal de Estatísticas. É mais que em 2014, quando o excedente foi de € 244,3 bilhões. Desde a crise financeira de 2008-2009 esse dado não parou de aumentar.

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Os dados oficiais surgem dias depois de o conselheiro comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusar Berlim de explorar um euro "grosseiramente desvalorizado" a seu favor. A chanceler Angela Merkel rejeitou a acusação, dizendo que seu governo sempre pediu que o Banco Central Europeu (BCE) busque uma política monetária independente.

O superávit deve piorar a tensão entre Washington e Berlim, que tenta proteger o livre comércio global este ano durante sua presidência do G20, adotando o lema "Moldando um Mundo Interconectado".

O resultado mostra que Alemanha também importa cada vez mais (alta de 0,6%, a € 954,6 bilhões), especialmente produtos agrícolas, gás natural, roupa e aparelhos de informática. Ainda assim, o sucesso fora de suas fronteiras do "Made in Germany", de máquinas, produtos químicos e carros é ainda maior. As exportações aumentaram 1,2%, a 1,207 trilhões de euros, um valor sem precedentes.

O superávit comercial alemão cresceu anualmente mesmo com a queda de 3,3% das exportações em dezembro, enquanto as importações ficaram inalteradas. Isso significa que, apenas no último mês de 2016, o superávit comercial diminuiu para € 18,4 bilhões, sobre € 21,8 bilhões em novembro.

— O superávit recorde continuará a alimentar o conflito com os EUA e dentro da União Europeia — disse o chefe do instituto econômico DIW Marcel Fratzscher. — Os vizinhos europeus vão se beneficiar de investimentos mais fortes na Alemanha. A Alemanha, entretanto, será o primeiro a ganhar, já que o déficit de investimentos e os superávits comerciais excessivos resultantes são nocivos à economia doméstica.

Ele considera que neste recorde não há "nenhuma razão de estar orgulhoso". Os superávits da Alemanha frequentemente são os déficits de seus principais parceiros. Os EUA e o bloco econômico europeu acusam frequentemente a Alemanha de se aproveitar de outros países vendendo para eles seus produtos, sem fazer nada em troca para impulsionar o consumo interno que poderia beneficiar seus parceiros comerciais, ressalta o economista Marcel Fratzscher, do instituto DIW.

A Alemanha se mantém muito à frente de países como Brasil, que fechou o ano com um superávit comercial recorde, de US$ 47,692 bilhões de dólares, ou do Japão, que teve o seu primeiro desde 2010, de US$ 35,8 bilhões. O da China, embora tenha recuado, ainda é de US$ 510 bilhões.

Apaixonado por carros alemães, os Estados Unidos, principal parceiro comercial da Alemanha, agravou seu déficit comercial até os US$ 502,2 bilhões. Essa é uma pedra no sapato do novo presidente Donald Trump, que se lançou numa campanha para trazer os empregos e a produção de volta ao território americano.

‘FALTA DE INVESTIMENTO’

Antes de Trump, Barack Obama, o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Comissão Europeia e outros países como França já criticaram o superávit da balança comercial alemã, exigindo que investisse esse dinheiro.

Mais do que as exportações, Marcel Fratzscher indica que a fonte do problema está na "fraca evolução das importações como resultado de uma grande falta de investimento", que tem "um custo econômico elevado para a Alemanha", sobretudo reduzindo sua produtividade, enquanto investimentos mais significativos "beneficiariam seus vizinhos europeus".

A questão da falta de investimentos em um país que envelhece é também fonte de polêmica dentro da própria Alemanha.

Os conservadores de Angela Merkel insistem na importância de não criar nova dívida, enquanto os social-democratas exigem que os superávits orçamentários sejam usados para fortalecer as infraestruturas. Este deve ser um tema importante nas eleições legislativas de setembro.

O Estado alemão, fortalecido por uma arrecadação fiscal em alta e um alívio do peso da dívida graças aos juros baixos, aumentou, contudo, seu gasto nos últimos anos, para financiar, entre outros setores, a acolhida de refugiados.

oglobo.globo.com | 09-02-2017
A Alemanha registrou novo superávit comercial recorde em 2016, uma tendência que provavelmente reacenderá o debate entre Washington e Berlim sobre a dependência dos alemães em relação a exportações.No ano passado, a maior economia da Europa teve superávit de 252,9 bilhões de euros (US$ 270 bilhões) na balança comercial, o maior na série histórica iniciada após o fim da Segunda Guerra Mundial, segundo a agência de estatísticas alemã, a Destatis. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 09-02-2017

A visita de Estado do presidente da Argentina, Mauricio Macri, foi ofuscada, na quarta-feira, pelo anúncio de que Michel Temer indicara o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, para a vaga aberta no Supremo pela morte de Teori Zavascki. A repercussão foi intensa, e assim a passagem de Macri quase não repercutiu. Porém, na perspectiva da diplomacia regional brasileira e sua política comercial, foi um fato com desdobramentos nada desprezíveis.

Macri assumir a Casa Rosada em dezembro de 2015, ao derrotar o candidato de Cristina Kirchner nas urnas; Temer substituir a presidente Dilma Rousseff, em maio, quando ela foi afastada pelo processo de impeachment, e definitivamente, em agosto, constituiu a chamada conjunção positiva dos astros.

A aliança do lulopetismo com o kirchnerismo — que levara para dentro do Mercosul o bolivarianismo chavista, Venezuela à frente — saía do poder, e, com isso, os dois pilares do Mercosul podiam começar a reformar o bloco, para abrir-se ao exterior, livrando-se do protecionismo autárquico da visão terceiro-mundista de Lula/Dilma e dos Kirchner.

Não resultaram medidas objetivas da visita de Macri. Mas foi citado em discursos o interesse na aproximação com a Aliança do Pacífico (México, Chile, Colômbia e Peru), o México isoladamente, e a União Europeia.

Outra feliz coincidência, no aspecto comercial, foi Donald Trump assumir a Casa Branca e começar a cumprir as promessas protecionistas de campanha. É indiscutível que, para a economia global, trata-se de algo pernicioso. O protecionismo leva à guerra comercial e, em decorrência, à recessão. Contra os interesses dos próprios Estados Unidos. O fato, porém, de o novo presidente americano se confrontar com o Nafta (aliança com o México e Canadá), descartar qualquer acordo comercial com a União Europeia, Ásia/países do Pacífico, e alvejar as exportações da China abre espaço para múltiplas alianças comerciais. E permite acelerar as negociações com a UE.

Surge a oportunidade de o Mercosul romper o isolacionismo a que o lulopetismo, o kirchnerismo e o bolivarianismo impuserem ao grupo. Pode-se, inclusive, encontrar arranjos institucionais que permitam a cada membro do grupo liberdade de manobra no campo do comércio internacional.

Brasil e Argentina avançaram bastante na integração econômica, com destaque para a indústria automobilística. Sob uma direção mais arejada, cabe ao bloco buscar recuperar o tempo perdido na interconexão com linhas de produção globais, a fim de ter acesso a novas tecnologias, elevar a produtividade.

A era Trump não é animadora neste e outros aspectos. Mas Brasil e Argentina precisam agir na reforma do acordo comercial, sem esperar para saber o que acontecerá em Washington.

oglobo.globo.com | 09-02-2017

RIO — Ela se olhava no espelho e achava-se feia, queria ser magra como uma modelo europeia, mas não conseguia. Era infeliz até começar a sambar. Quando a russa Juliana Titaeva, 26 anos, viu a animação “Rio”, num cinema de Moscou, a vida começou a mudar. A aventura da arara Blu no sambódromo a marcou, e logo começou a fazer aulas de samba com uma baiana que vivia na cidade, ainda em 2011. Ano passado, o primeiro sonho realizado: ver o carnaval na Marquês de Sapucaí.

— Quando voltei a Moscou, fiquei uma semana sem saber o que fazer, me perguntando “e agora?”. Decidi que queria ser passista da Portela. Eu já tinha ouvido um dos sambas-enredo e fiquei apaixonada. Foi tudo muito rápido.

Começou a estudar português com a tradutora de Dilma Rousseff — compreende razoavelmente bem, mas ainda fala pouco — e, com a ajuda de um amigo, mandou vídeos mostrando seu samba no pé para a agremiação de Madureira. A escola apostou na russa, formada em análise de investimentos e sósia de uma pequena agência de relações públicas em sua terra natal. Incentivada pela mãe, Juliana voltou ao Rio em julho para um teste presencial com Nilce Fran, coordenadora da ala das passistas. O resultado já se sabe.

— Fui muito bem recebida pelas outras passistas. Metade já me convidou para passar a noite na casa delas, depois dos ensaios em Madureira. A gente se fala pelo WhatsApp, são todas muito amigas, como uma grande família. O melhor é que sou tratada como uma igual. É emocionante — afirma.

A russa gosta tanto de sambar que criou como hobby, com mais cinco amigas, o grupo Rio Angels, que se apresenta em festas culturais de Moscou e Berlim, vestidas com fantasias típicas do carnaval carioca.

No dia 15 de fevereiro, a poucos dias do desfile da Portela, Juliana completará 27 anos. Já sabe como comemorar. Quer fazer um churrasco em Madureira e convidar sua nova família: as passistas de Madureira.

E quando o carnaval acabar? Ela ainda não sabe como isso seria possível, mas pensa em se mudar para o Rio, talvez vivendo metade do ano aqui, a outra metade lá.

— Aprendi sambando que toda mulher é uma rainha. Passei a gostar de mim mesma e a aceitar meu corpo como ele é. O samba mudou minha vida.

oglobo.globo.com | 08-02-2017
O Fundo Monetário Internacional (FMI) enviou nesta terça-feira o sinal mais claro até agora de que não deve dar um novo pacote de ajuda à Grécia, caso Atenas e seus credores europeus não concordem antes com reformas econômicas e um substancial alívio na dívida.Dois documentos do Fundo tornados públicos revelam ceticismo ante a possibilidade de que o mais recente programa de financiamento da Europa possa reparar a economia grega. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 08-02-2017

O Fundo Monetário Internacional (FMI) enviou nesta terça-feira o sinal mais claro até agora de que não deve dar um novo pacote de ajuda à Grécia, caso Atenas e seus credores europeus não concordem antes com reformas econômicas e um substancial alívio na dívida.

Dois documentos do Fundo tornados públicos revelam ceticismo ante a possibilidade de que o mais recente programa de financiamento da Europa possa reparar a economia grega. A revisão anual do FMI sobre a economia do país e uma avaliação de seu segundo pacote de ajuda mostram que um terceiro pacote do Fundo em breve parece algo improvável.

O FMI parou de financiar a Grécia há cerca de três anos. O país tem se mantido com o apoio financeiro da Europa, mas pagamentos previstos para junho e julho ameaçam levar novamente Atenas a um default, reviver disputas políticas e mesmo o risco de uma eventual saída do país da zona do euro. A Europa quer que o FMI participe do programa de ajuda graças à credibilidade de seus programas de financiamento. O Fundo, porém, não se mostra animado por ora.

Há pouca indicação de que a União Europeia e a Grécia estejam dispostos a concordar com os termos sugeridos pelo FMI como necessários para voltar a participar da iniciativa. Conversas no mês passado não trouxeram avanços.

A equipe do FMI afirmou em sua revisão anual sobre a Grécia que a dívida do país permanece "altamente sustentável", com pouca perspectiva de retomada no crescimento sem um alívio na dívida e importantes reformas nos sistemas previdenciário e tributário. O fracasso em reparar sua economia e garantir um alívio na dívida, como recomendado pelo FMI, poderia levar a novos problemas de liquidez que, na ausência de mais apoio oficial, poderiam reavivar os temores de saída do país do euro, diz o Fundo. Fonte: Dow Jones Newswires.
O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, manteve na noite desta terça-feira uma conversação por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na conversa, Rajoy afirmou que a Espanha, com um governo estável e economia que cresce mais de 3%, "está em melhores condições para ser um interlocutor dos Estados Unidos na Europa, na América Latina e também no norte da África e no Oriente Médio", de acordo com comunicado do governo espanhol. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 07-02-2017

O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, manteve na noite desta terça-feira uma conversação por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na conversa, Rajoy afirmou que a Espanha, com um governo estável e economia que cresce mais de 3%, "está em melhores condições para ser um interlocutor dos Estados Unidos na Europa, na América Latina e também no norte da África e no Oriente Médio", de acordo com comunicado do governo espanhol.

Rajoy e Trump conversaram sobre questões de interesse comum, como segurança, economia e relações bilaterais, diz a nota espanhola. O premiê espanhol "mostrou sua disposição de desenvolver uma boa relação com a nova administração americana", afirma o texto. Trump, por sua vez, disse que se interessa pelo futuro da União Europeia, diz a nota. Rajoy "transmitiu a ele sua convicção de que nos próximos meses se fortalecerá o processo de integração e que nosso país trabalhará para isso".

As duas lideranças lembraram na conversa que se encontrarão em maio, na reunião de líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), e trataram de questões de segurança e defesa. No plano econômico, os autoridades concordaram que mantém relações de comércio e investimento "equilibradas e benéficas", de acordo com o comunicado. A conversa de Rajoy e Trump durou 15 minutos, segundo o governo da Espanha.

Nos próximos dias 23 de abril (primeiro turno) e 7 de maio (segundo turno), os franceses escolherão o novo presidente, num pleito crucial para o destino da União Europeia. Segunda maior economia do bloco, o país vai dividido às urnas, com forças radicais à esquerda e à direita com chances reais de chegar ao Palácio do Eliseu. Na disputa, estão em confronto projetos que, de um lado, aprofundam a integração europeia e internacional; e, de outro, propostas nacionalistas de cunho populista, que, entre outras coisas, defendem a desintegração da UE e o fechamento de fronteiras a imigrantes.

O representante da direita convencional, François Fillon, do Partido Republicano, liderava com relativa folga as intenções de voto, com um projeto de reforma fiscal e a promessa de recolocar a França no caminho do crescimento sustentável. Mas a candidatura despencou após o escândalo, em que é acusado de oferecer à mulher, Pénélope, um emprego fantasma e aos filhos, trabalhos eventuais — não executados —, o que teria rendido à família cerca de € 900 mil.

Sua queda acabou favorecendo os demais candidatos, especialmente a representante do partido de extrema direita Frente Nacional, Marine Le Pen, líder nas intenções de votos no primeiro turno. Também gerou uma discussão interna sobre a possível substituição de Fillon como candidato do Partido Republicano.

No último domingo, Le Pen formalizou sua plataforma, prometendo, entre outras coisas, fechar as fronteiras da França a estrangeiros e iniciar o processo de retirada do país da UE, num processo similar ao Brexit britânico. “A globalização é minha inimiga”, disse ela, colocando no mesmo rol de problemas do país as finanças globais e o radicalismo islâmico, ameaças, que, segundo ela, vão “levar ao desaparecimento da França”.

Pesquisa do grupo BVA, divulgada no sábado, mostra Le Pen com 25% das intenções de voto no primeiro turno, seguida do candidato independente Emmanuel Macron, com 21% a 22%; Fillon com 20%; o candidato socialista, Benoît Hamon, com 16% a 17%; e o candidato da extrema-esquerda, Jean-Luc Melenchon, com 11% a 11,5%. No segundo turno, porém, o quadro se inverte, e Macron bate Le Pen, por 66% a 34%. O postulante independente, porém, ainda não detalhou sua plataforma de governo, o que deve ocorrer esta semana.

O debate eleitoral tem sido a economia, sobretudo a questão do desemprego. Mas os problemas do país não vão desaparecer com culpados inventados a partir de visões distorcidas da realidade. A França não pode mais continuar adiando reformas estruturais. O futuro presidente deve mirar o exemplo de parceiros europeus, como Portugal e Espanha, que tomaram medidas duras e hoje colhem os frutos de um crescimento sustentável. Mas a questão crucial é se a França irá seguir sua tradição iluminista e apostar em valores da civilização Ocidental, ou sucumbirá ao mais tacanho nacional-populismo.

oglobo.globo.com | 07-02-2017

ANCARA e BUDAPESTE - Enquanto a chanceler alemã, Angela Merkel, visitava o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, numa tentativa de fortalecer o papel da Otan no combate ao Estado Islâmico e no controle da crise migratória que assola a Europa, o presidente russo, Vladimir Putin, foi à Hungria, num esforço de reparar sua reputação com Estados-membros da União Europeia (UE) e acelerar a suspensão das sanções impostas contra Moscou desde a anexação da Crimeia em março de 2014.

Discursando ao lado de Erdogan na capital turca, Merkel usou o fracasso da tentativa de golpe contra o governo, em julho do ano passado, para cobrar do presidente — acusado de autoritarismo — respeito à democracia.

— É exatamente por isso que é importante que a liberdade de opiniões seja mantida, e por isso discutimos a questão da liberdade de imprensa — afirmou Merkel, que pediu ao presidente turco que garanta a diversidade de opiniões no país. — A oposição é parte da democracia.

A discussão sobre o combate ao terrorismo rendeu uma saia-justa durante a coletiva, quando Merkel afirmou ter conversado com Erdogan sobre a luta contra o “terrorismo islamista”.

— A expressão ‘terrorismo islamista’ entristece profundamente a todos nós muçulmanos — afirmou o presidente. — Essa expressão é incorreta porque o Islã e o terror não podem ser associados. O Islã significa paz.

Em resposta, Merkel assegurou que seu governo “não apenas respeita e valoriza os muçulmanos, mas quer trabalhar com eles contra o terrorismo”.

Com as relações entre Ancara e a União Europeia cada vez mais fragilizadas, Merkel busca garantir que o acordo firmado entre o bloco europeu e a Turquia, em março do ano passado, não se desmanche. O plano de ação ajudou a reduzir drasticamente o número de pessoas que atravessam o Mar Egeu tentando chegar à Grécia, para seguir rumo à Europa Ocidental. Embora o governo turco tenha alegado que a promessa de € 3 bilhões para apoiar projetos humanitários — destinados a ajudar os quase três milhões de sírios refugiados no país — não foi cumprida, Merkel garantiu que o acordo permanece “no caminho certo” e louvou os “extraordinários esforços” da Turquia no apoio a refugiados.

A visita foi criticada por Kemal Kilicdaroglu, líder do Partido do Povo Republicano (CHP), principal legenda de oposição da Turquia. Segundo ele, Erdogan explorará politicamente a passagem de Merkel, sugerindo que ela visitou o país para apoiar as políticas do governo.

Hungria defende Rússia

Já em Budapeste, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, saudou a visita de Vladimir Putin como “um sinal do processo de realinhamento no mundo”, afirmando que o cenário é favorável para o fortalecimento das relações entre a Rússia e a Hungria. Em uma entrevista coletiva, os dois falaram de questões econômicas, e destacaram a necessidade de cooperação internacional.

Embora a visita tenha sido encarada pela imprensa e pela oposição húngara como uma tentativa de Putin de amenizar as tensões entre Moscou e a UE e derrubar as sanções, o tema não foi citado na coletiva— ainda que Orbán tenha feito uma alusão às conturbadas relações entre o bloco europeu e a Rússia:

— Por razões que estão muito além de nossa compreensão, a porção ocidental de nosso continente demonstrou políticas bastante anti-Rússia que acabaram atingindo a economia húngara.

Em entrevista, o porta-voz de Orbán, Zoltan Kovács, explicou a importância da visita de Putin:

— Não queremos sair da UE. Queremos transformá-la em uma aliança de nações que possam governar sem a influência dos burocratas de Bruxelas — afirmou. — Ao mesmo tempo, sentimos que todos irão redefinir suas relações com Moscou e também queremos fazer isso. Não estamos mais em um mundo bipolar, mas sim num mundo multipolar que está surgindo.

oglobo.globo.com | 03-02-2017

O índice de sentimento econômico da zona do euro avançou de 107,8 em dezembro para 108,2 em janeiro, renovando o maior nível desde março de 2011, informou a Comissão Europeia nesta sexta-feira. Analistas ouvidos pelo Wall Street Journal previam alta para 107,9.

O índice de confiança do consumidor subiu de -5,1 em dezembro para -4,7 em janeiro, acima do previsto pelos economistas, de -4,9. O índice de confiança do setor industrial aumentou de 0,0 em dezembro para +0,8 em janeiro, acima da expectativa de +0,3, o maior nível desde junho de 2011.

Enquanto isso, a confiança do setor de serviços melhorou de +13,1 em dezembro para +13,5 em janeiro. Já o índice de ambiente para negócios se manteve em +0,77.

O renascimento nos negócios da zona do euro e da confiança do consumidor entraram em seu quinto mês em janeiro, antes de uma série de eleições importantes durante o ano de 2017. A recuperação do sentimento contribui para outros sinais de que a economia da zona do euro tem obtido forte impulso de crescimento evidente nos últimos meses de 2016 para o novo ano.

No entanto, economistas e legisladores continuam preocupados com a crescente incerteza sobre o resultado das eleições na Holanda, na França e Alemanha, que podem levar as empresas e as famílias a reterem as despesas, enfraquecendo assim uma recuperação já modesta.

BRASÍLIA E BUENOS AIRES - Depois de ter conseguido alcançar um consenso para suspender a Venezuela do Mercosul, em dezembro passado, os governos do Brasil e da Argentina querem fazer uma limpeza ainda mais profunda e preparar o bloco para avançar em negociações externas que ajudem seus sócios a enfrentar os novos desafios da economia global. A ideia, disseram ao GLOBO fontes dos governos dos dois países, é tornar mais ágil, dinâmico e flexível o processo e impor uma agenda mais pragmática e menos política.

Este caminho começará a ser traçado amanhã, com a chegada a Brasília de altos funcionários da secretaria de Comércio da Argentina, e, na próxima terça-feira, do ministro da Produção do país, Francisco Cabrera. Os negociadores brasileiros e argentinos levarão propostas de acordos aos presidentes Michel Temer e Maurício Macri, que se reunirão no dia 7 de fevereiro, no Palácio do Planalto.

Macri vai a Brasília a convite de Temer. Segundo fontes argentinas, o presidente brasileiro pediu a seu colega argentino que o visite, já que precisa de um mínimo respaldo internacional em meio à crise política brasileira.

ACORDO COM A UNIÃO EUROPEIA

Já o chefe de Estado argentino, que aceitou imediatamente o convite, quer aproveitar a oportunidade para fechar uma posição única com o Brasil em relação à agenda interna e externa do Mercosul. Depois disso será mais fácil incluir Paraguai e Uruguai. A Venezuela já é carta fora do baralho.

A viagem de Cabrera e dos negociadores da secretaria de Comércio foi marcada às pressas, semana passada.

— Foi tudo muito corrido. O telefonema de Temer acelerou os tempos — admitiu uma fonte argentina.

Sem a Venezuela no bloco, a quem consideram um incômodo vizinho, Brasil e Argentina discutem o relançamento de um Mercosul mais pragmático e menos político. A ideia é promover uma limpeza no excesso de regulamentações e barreiras tarifárias, fitossanitárias e técnicas no comércio entre os quatro sócios da união aduaneira, hoje tão cheia de falhas. Por exemplo, automóveis e açúcar continuam tributados com elevadas tarifas de importação e, portanto, não fazem parte da Tarifa Externa Comum (TEC), usada no comércio com terceiros mercados.

relacoes-latinas-links28-01A ordem é “arrumar a casa” ao longo de 2017 para que, em 2018, o bloco possa conseguir fechar acordos de livre comércio não apenas com a União Europeia, mas também com Canadá, Japão, Comunidade Africana.

— Queremos que esse entendimento que está sendo conduzido em nível técnico seja concluído este ano. Até porque em 2017 tem eleições na França e da Alemanha — explicou uma importante fonte do Itamaraty.

— Tentar resolver os problemas do Mercosul é sempre uma coisa desejável, sobretudo quando estão juntos apenas os sócios do Mercosul original (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) — disse o ex-embaixador do Brasil em Buenos Aires José Botafogo Gonçalves.

Para Botafogo, que participou diretamente das negociações para a criação do Mercosul, em março de 1991, em Assunção, no Paraguai, o bloco precisa aproveitar o fato de ser bastante competitivo no agronegócio e melhorar suas exportações. No campo industrial, a união dos quatro países poderia transformar a região em um polo de produção e exportação de manufaturados.

— O Mercosul precisa se unir, para vender para o mundo — disse.

Luiz Augusto de Castro Neves, vice-presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), afirma que o comércio brasileiro com os demais países do bloco está praticamente estagnado. E o excesso de barreiras, somado à falta de conclusão de uma série de acordos, prejudica o andamento do bloco.

— Há uma série de coisas a serem feitas, incluindo a harmonização legislativa e estatística — disse Castro Neves.

Na opinião de economistas argentinos, hoje existem condições objetivas para que o Mercosul saia da paralisia dos últimos anos.

— As políticas econômicas são similares, ambos os países querem uma economia mais integrada, captar investimentos, estão na mesma sintonia — apontou Dante Sica, diretor da empresa de consultoria Abeceb e ex-secretário da Indústria.

Ele lembrou que Brasil e Argentina têm hoje câmbio flexível e metas de inflação, entre outras semelhanças importantes em termos econômicos.

— Temos, principalmente, confiança, algo que tinha se perdido entre os governos de Dilma Rousseff e Cristina Kirchner — frisou Sica.

EFEITO TRUMP

Ainda em relação às negociações internacionais, a avaliação dos governos dos dois países é que o desembarque de Donald Trump na Casa Branca e sua agressiva agenda protecionista poderiam favorecer o Mercosul em suas negociações externas, por exemplo, com a União Europeia (UE).

Em 2016, o Brasil teve um superávit de US$ 4,3 bilhões no comércio com a Argentina. Os principais produtos vendidos para aquele país foram automóveis, tratores e minérios. Já as importações de bens argentinos tiveram como carros-chefe veículos, trigo, malte e milho. Os dois países competem em algumas áreas, como siderurgia, calçados e carnes em geral.

oglobo.globo.com | 29-01-2017

Não se pode acusar o novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de cometer estelionato eleitoral. Desde que entrou no Salão Oval da Casa Branca para despachar, passou a colocar assinaturas desenhadas com capricho e forte tinta preta sob várias medidas fortes, defendidas no palanque.

Trump causa espanto ao seguir um roteiro anunciado na campanha, quando muita gente dentro e fora dos Estados Unidos preferia acreditar que as teses nacional populistas e isolacionistas defendidas pelo candidato republicano eram só para atrair votos. Depois, seriam deixadas de lado.

Trump tomou posse e logo, por meio de medida executiva, uma espécie de decreto presidencial, investiu contra o Obamacare. Como prometido. É verdade que o novo Congresso, sob controle dos republicanos — na Câmara dos Representantes e no Senado —, já havia começado a fazer o mesmo.

O resto veio quase que por força da gravidade: retirou os Estados Unidos da Parceria Transpacífica (TPP), amplo acordo comercial ainda não homologado e pelo qual Obama se bateu, para reduzir a influência da China na Ásia; ajustou a mira no Nafta (acordo com México e Canadá); por tabela, deixou de lado qualquer acerto comercial mais amplo com a União Europeia; determinou a construção do muro na fronteira com o México, também um ataque ao Nafta. E, pelo visto, continuará assim, pelo menos até cumprir promessas feitas em tom de bravatas.

A linha nacionalista e protecionista de Trump representa forte suporte à onda, de mesmo pedigree ideológico, que avança na Europa, sob a torcida do também hipernacionalista Putin. Emerge de tudo isso uma surpreendente aproximação entre a Casa Branca e o Kremlin, enquanto o presidente chinês, Xi Jinping, se arvora em defensor da globalização. Tempos estranhos.

O presidente da Organização Mundial do Comércio (OMC), o brasileiro Roberto Azevêdo, em entrevista ao GLOBO antes da posse de Donald Trump, alertou que, segundo estudos, a globalização só pode ser relacionada de forma direta a apenas 20% dos empregos perdidos. O resto, a maior parte, se deve a inovações tecnológicas e avanços da produtividade.

O balanço do mercado mundial de trabalho, porém, é bastante positivo, a favor da globalização, considerando-se o bilhão de pessoas resgatadas da pobreza na Eurásia pelo processo de interconexão planetária, acelerado na reciclagem da China de uma economia comunista para um sistema misto, com a adoção de mecanismos de mercado.

Na esteira do nacional populismo trumpista vem o isolacionismo do país dono da maior economia e das forças armadas mais poderosas. Chega a ser uma incongruência, e que não produzirá desdobramentos positivos para o mundo. Nem, é certo, para os americanos.

oglobo.globo.com | 29-01-2017
A recessão acabou na Zona Euro, segundo o relatório trimestral divulgado ontem pela Comissão Europeia, que aponta para um crescimento da economia pela segunda vez consecutiva, agora de 0,4 por cento.
www.nexus.ao | 27-01-2017

LONDRES - Mesmo com risco de Brexit, Reino Unido avança 2% e foi a economia do G-7 (grupo dos países mais ricos) com maior crescimento em 2016. A economia britânica cresceu 0,6% no último trimestre de 2016, encerrando o ano do Brexit com um aumento total do Produto Interno Bruto de 2%, segundo dados oficiais divulgados nesta quinta-feira.

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“Estima-se que o PIB tenha aumentado 0,6% no quarto trimestre de 2016, a mesma taxa de crescimento que nos dois trimestres anteriores”, disse em um comunicado o Escritório de Estatísticas Nacionais (ONS, em inglês).

Apesar disso, o desempenho da economia britânica foi dois décimos inferior ao do ano anterior, 2015. A atividade econômica do último quarto de 2016 esteve marcada pelo consumo dos lares, disse a ONS.

A economia não se ressentiu enormemente da decisão dos britânicos de sair da União Europeia, tomada no referendo de 23 de junho, embora a forte depreciação da libra sugira um 2017 mais difícil. Além disso, a notificação formal da saída — em março, no mais tardar, segundo a promessa da primeira-ministra britânica, Theresa May — pode gerar outros problemas.

“O processo de início das discussões formais sobre os termos da vida fora da UE se aproxima e isso representa uma grande ameaça à economia britânica”, disse David Cheetham, analista de mercados da empresa financeira XTB.

oglobo.globo.com | 26-01-2017

BRASÍLIA - A saída dos Estados Unidos da Parceria Transpacífico (TPP), confirmada ontem pelo presidente Donald Trump, foi comemorada, discretamente, pelo governo brasileiro. Entre as razões para isso, a principal é que os produtos em que o Brasil concorre com os EUA (soja, açúcar, suco de laranja, carne bovina, entre outros) nesses mercados do Pacífico, especialmente o Japão, ficariam mais caros em relação aos americanos. Isso porque as exportações americanas deixariam de ser tributadas, ao contrário das vendas provenientes do Brasil.

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Na avaliação de fontes que estão na linha de frente da política externa brasileira, outro ponto favorável diz respeito às negociações entre Mercosul e União Europeia (UE). Espera-se que, com essa postura protecionista de Trump, os negociadores europeus voltem a focar o bloco sul-americano. Mesmo porque as perspectivas em torno da conclusão do Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio entre EUA e UE são praticamente nulas neste momento.

— Com o TPP, o produto brasileiro sairia mais caro que o americano. Ficará mais fácil para nós — afirmou o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

Para Roberto Abdenur, ex-embaixador do Brasil em Washington, a saída do TPP é boa para o Brasil “entre aspas”.

— O TPP agravaria a marginalização do Brasil no comércio internacional, prejudicaria nosso acesso aos mercados dos países participantes e imporia novos padrões técnicos e regulatórios que iriam além do que nosso visceral protecionismo admite — completou.

O presidente do Conselho Empresarial Brasil-China, Luiz Augusto de Castro Neves, enfatizou que a saída do TPP já era esperada. Segundo ele, Trump tenta, com isso, proteger industriais americanos mais antigos e menos competitivos. Ele concorda com o fato de o Brasil se beneficiar com a medida, mas acredita que os chineses é que sairão ganhando.

— Será aberto um enorme espaço de negociação comercial para a China — disse Castro Neves.

No campo bilateral, equipes dos governos do Brasil e dos EUA começam a se reunir no mês que vem, para construírem uma agenda comum, com itens como facilitação de comércio e investimentos. Os primeiros contatos se darão através das embaixadas dos dois países. Na avaliação do Itamaraty, o aumento do protecionismo a ser patrocinado por Trump não preocupa tanto o Brasil como os outros parceiros internacionais.

— Nós não somos uma fonte de problemas para os EUA. Temos um déficit comercial com eles (US$ 646 milhões em 2016) e, portanto, não somos um país com o qual os EUA precisam consertar a relação comercial — disse uma fonte do Itamaraty.

Além disso, os EUA são o país com maior estoque de Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs). No acumulado de janeiro a novembro de 2016, os EUA investiram US$ 5,66 bilhões no Brasil, o que o posiciona como o terceiro maior investidor estrangeiro no país. Já os investimentos brasileiros diretos tiveram nos EUA (US$ 1,354 bilhão) o quarto principal destino em 2016, atrás das Ilhas Cayman, Bahamas e Países Baixos.

oglobo.globo.com | 24-01-2017

O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, afirmou nesta segunda-feira que a decisão do novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de abandonar a Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), confirmada mais cedo, é um movimento também "simbólico de uma nova era nos acordos comerciais" para o país. O funcionário disse que o novo governo dos EUA privilegiará acordos bilaterais, por considerar que nas iniciativas multilaterais se negocia pelo "mínimo denominador comum" e não se levam em conta os interesses americanos na medida em que deveriam. "Queremos conseguir algo com esses acordos comerciais", afirmou Spicer, em sua primeira coletiva à imprensa no cargo.

Questionado sobre quais seriam as três prioridades no Legislativo do governo Trump no início do mandato, o porta-voz citou a imigração, a reforma tributária e a reforma regulatória. Sobre a imigração, Spicer lembrou que Trump havia deixado claro durante as eleições que ela seria prioridade, inclusive com a construção do muro prometido na fronteira com o México. O funcionário também disse que haverá prioridades na questão imigratória, como deportar os ilegais com registro criminal.

Em relação ao México, o porta-voz disse também que os EUA pretendem rever o Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio (Nafta, na sigla em inglês), que envolve ainda o Canadá. O funcionário informou que ainda não há um cronograma para isso, mas que o assunto será discutido com os líderes dos dois países em breve.

Spicer afirmou que Trump deve fazer mais anúncios sobre a questão do comércio ainda durante esta semana. Além disso, disse que o novo governo pretende criar um ambiente regulatório que gere mais empregos e melhore a economia americana.

O porta-voz disse que uma das prioridades na visita da primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, aos EUA é discutir a questão do comércio. O Reino Unido está no processo de saída da União Europeia, o que pode significar para este país uma perda de vantagens no comércio com a Europa. Com isso, May quer fortalecer a posição britânica em outras frentes.

Sobre a China, Spicer disse que os EUA têm interesse em conseguir mais mercado no gigante asiático, mas espera mais concessões de Pequim. "Há um grande mercado na China, mas não é uma via de duas mãos", argumentou.

Spicer comentou também outras decisões de hoje do governo Trump, como o congelamento de contratações federais, exceto de militares. O porta-voz disse que a decisão foi tomada como "um sinal de respeito" pelo dinheiro do contribuinte. Além disso, lembrou que Trump prometeu repelir a reforma de saúde realizada pelo governo anterior, de Barack Obama, o chamado Obamacare. A nova administração promete substituir esse sistema por outro, que seria mais barato e melhor. Não há, porém, detalhes sobre como isso deve ser feito. Outra decisão de hoje foi proibir o envio de fundos americanos para organizações não governamentais que apoiem o aborto ou realizem essa prática. Segundo Spicer, a intenção do governo é "proteger todo tipo de vida, nascida e não nascida", na questão do aborto.

Em relação a um tema delicado da política externa, Spicer disse que ainda não foi tomada uma decisão sobre a mudança da embaixada dos EUA em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém. Os palestinos criticaram a intenção declarada pelo novo governo americano de fazer essa mudança, pois reivindicam Jerusalém Oriental como capital de seu futuro Estado independente. Há o temor de que essa mudança no endereço da embaixada poderia inflamar mais a região.

Spicer disse que Trump, em sua visita à CIA no fim de semana, foi "ovacionado por cinco minutos" pelos presentes. "Eles estavam tão animados", comentou, usando isso como argumento contra o ceticismo que ele vê na cobertura da imprensa sobre o republicano. O porta-voz afirmou também que há grande animação entre lideranças globais para trabalhar com o país, especialmente em comércio.

Em vários momentos da coletiva, o porta-voz lembrou que se tratava do primeiro dia completo de governo, por isso não tinha algumas das informações solicitadas pelos repórteres, mas que as buscaria para informar posteriormente. Além disso, em várias ocasiões o funcionário aproveitou para criticar a imprensa, por considerar que a cobertura do novo governo é frequentemente negativa. Spicer defendeu que a posse de Trump foi a mais assistida da história, somando-se aqueles que viram o evento pela internet ou pela televisão. Para ele, foi "desmoralizante" que a imprensa tenha mostrado fotos da posse de Trump e da de Obama, comparando as duas para mostrar que a afluência de pessoas era bem menor em Washington na última sexta-feira. O porta-voz disse que o governo pretende ter boa relação com a imprensa, mas em vários momentos criticou a cobertura, para ele muito cética sobre a nova administração. "Não precisa ser sempre negativo, às vezes somos bem-sucedidos", defendeu-se o funcionário.

BERLIM — Daniel Cohn-Bendit, ex-deputado no Parlamento Europeu pelo Partido Verde (2004 a 2014), vê o risco de racha da União Europeia, em consequência dos ataques do novo presidente americano, Donald Trump, e dos populistas que avançam em vários países da Europa em direção ao poder. Em entrevista ao GLOBO, Cohn-Bendit, visto pela imprensa francesa como o provável vice da chapa do candidato Emmanuel Macron, lembrou que as medidas protecionistas anunciadas por Trump serão rebatidas pela Europa e o resultado pode ser uma guerra comercial capaz de afetar o mundo inteiro com uma estagnação econômica. Trump_2101

Donald Trump ainda não tinha assumido a Presidência quando começou a abalar a Europa com os seus ataques. Na sua opinião, ele pode mesmo contribuir para agravar a crise e a divisão da Europa?

Talvez esta seja a sua intenção. Antigamente, eu teria dito que a Europa não corre riscos porque é capaz de oferecer uma resposta à altura. Mas os países do núcleo da UE — França e Alemanha —, que antigamente eram responsáveis por iniciativas para consolidar a integração europeia, não estão em condições. Os dois passarão este ano por importantes eleições. Na França, há até o risco de ser eleito um presidente da extrema direita.

O senhor quer dizer Marine Le Pen, da Frente Nacional?

Isso mesmo. Havia o receio de um segundo turno dos populistas contra os conservadores. Mas, para falar a verdade, agora eu acredito que vai ser possível a vitória de Macron (o ex-ministro da economia Emmanuel Macron, de centro-esquerda). O fenômeno do populismo na Europa precisa ser combatido através da luta contra as circunstâncias que o causaram, a falta de programas sociais que deixou grandes camadas da população empobrecerem... Sem esse fenômeno, Le Pen e outros populistas na Europa não encontrariam a ressonância que têm no momento. Esses partidos crescem porque têm o apoio de uma camada da população que se sente perdedora com a globalização. Mas não devemos esquecer, muitas pessoas que hoje buscam os populistas perderam o emprego ou caíram de status econômico por culpa do capitalismo. O mesmo ocorre com as pessoas que elegeram Trump, em grande parte trabalhadores que perderam o emprego por causa da globalização. É uma grande ironia da História que o capitalista Donald Trump, um bilionário, seja o seu representante.

A imprensa francesa já abordou a possibilidade de uma chapa Macron-Cohn-Bendit. O senhor vai ser o vice de Macron, com quem esteve na semana passada, aqui em Berlim?

Só quero dizer que vou apoiar a candidatura de Macron porque ele é a única chance de frear a direita de Le Pen.

Quer dizer que descarta?

Nada está decidido.

Se Le Pen ganhar, ela vai mesmo cumprir a ameaça de organizar um referendo para a saída do país da UE?

Um referendo não significa necessariamente a saída. Todo esse debate sobre o Brexit (a saída britânica do bloco) e Trump teve na França um efeito contrário, de aumentar o interesse pela UE. As últimas sondagens indicam que dois terços dos franceses são a favor da permanência do país no bloco.

Também os membros da UE do Leste, como Hungria e República Tcheca, apoiam Trump e vivem criticando o bloco e a política de refugiados da chanceler alemã Angela Merkel. A Hungria é o próximo candidato à saída da UE?

A Hungria é um caso interessante porque vê a UE como meio de receber ajuda financeira. Já quando tem que cooperar, como no caso dos refugiados, fecha questão, recusando-se a recebê-los. Acho provável que a Hungria termine deixando a UE. Mas a saída de dois ou três membros não significa o fim do projeto da integração europeia.

Como a Hungria, também alguns outros países do Leste perderam o entusiasmo pela UE e voltaram a se aproximar de Moscou. Uma possível aliança entre o presidente russo, Vladimir Putin, e Donald Trump poderá ajudar Moscou a voltar a formar uma espécie de novo bloco leste?

Vejo um grande perigo e, por isso, volto a afirmar que o mais importante no momento é o desenvolvimento da ideia da União Europeia, não apenas administrar a crise, mas ir adiante na integração. Essa ideia tem encontrado um grande obstáculo porque os países ainda são movidos pelos interesses nacionais. A França quer uma UE à francesa, a Alemanha no estilo alemão. Em resumo, falta a capacidade de consenso.

Tudo isso costumava ser resolvido ou pelo menos discutido pelo chamado eixo Paris-Berlim. Esse eixo deixou de funcionar porque Merkel não se entende com François Hollande?

Também houve problemas na época de Helmut Kohl/François Mitterrand ou de Gerhard Schröder/Jacques Chirac. Nem sempre os dois países tinham posições parecidas. A diferença é que eles se falavam mais do que agora, com Merkel e Hollande.

Trump antecipou medidas de aumento das tarifas alfandegárias, o que teria o efeito de agravar a crise do euro. O que a UE, ou melhor, a zona do euro, pode fazer contra as possíveis medidas americanas?

A UE não vai ficar calada se Trump concretizar a sua ameaça de endurecer com medidas protecionistas. Há empresas americanas gigantescas, como a Google e a Amazon, que podem sofrer com as retaliações da UE. No final, o mundo inteiro poderia sofrer os efeitos de uma guerra comercial. Se houver ataque (protecionista), haverá um contra-ataque.

O retrocesso da ideia da integração europeia, a volta dos Estados nacionais, tudo isso aumentaria o perigo de guerra que, depois da queda da Cortina de Ferro, parecia definitivamente superado?

Não vejo qualquer perigo de volta desse fantasma. A democracia não corre risco na Europa. Não devemos despertar um medo que não tem risco de acontecer.

oglobo.globo.com | 22-01-2017

DAVOS - Apesar das incertezas provocadas pela saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) e pela eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos, a economia global deve ter um desempenho mais favorável em 2017. Essa foi a avaliação de representantes dos países desenvolvidos que participaram do painel “Panorama Econômico Global”, principal evento do último dia do Fórum Econômico Mundial de Davos, Suíça. O debate, mediado pelo editor do Financial Times, Martin Wolf, teve a participação da diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, dos ministros das Finanças do Reino Unido, Philip Hammond, e da Alemanha, Wolgang Schäuble, do presidente BC japonês, Haruhiko Kuroda, e do presidente da BlackRock (maior gestora de fundos do mundo), Larry Fink.

Davos19-01-1Único representante do setor privado no painel, Fink disse que Trump – nome mais citado ao longo da semana em Davos – trouxe otimismo para a economia americana, especialmente por parte dos eleitores do milionário e também de pequenos empresários. Segundo ele, o mesmo ocorreu no Reino Unido com os britânicos que votaram a favor do Brexit.

- Brexit e Trump tiveram impacto no comportamento de famílias que viram sua voz ser ouvida. Vamos saber se eles estão certos no futuro. Mas o fato é que essas pessoas estão consumindo mais - disse o presidente da BlackRock.

Ele destacou que a sinalização dada por Trump para a economia americana é o uso de uma política monetária mais rígida e uma política fiscal mais flexível, com incentivos tributários e subsídios para alguns setores. O problema, disse Fink, é saber como isso será custeado. Para o executivo, uma das consequências na área monetária é que o dólar tende a se fortalecer:

- Algumas das políticas vão afetar o câmbio, fortalecer o dólar e afetar a competitividade dos Estados Unidos. O fato é que vamos ver no mundo um dólar mais forte.

Seguindo os passos da primeira-ministra, Theresa May, o ministro do Reino Unido ressaltou que a saída da União Europeia não foi um rompimento do país com as relações comerciais. May também veio a Davos esta semana fazer um discurso conciliador para tentar desfazer o mal-estar que se instalou na Europa depois do Brexit.

- O Brexit não foi resultado de uma reação antiglobalização e anticomércio. Estamos tentando esclarecer esta semana para onde queremos ir. (A saída da UE) não significa que não possamos ter um acordo de livre comércio com União Europeia. O Reino Unido tem como principal parceiro comercial a UE e queremos que o nosso principal parceiro esteja bem e que o euro seja uma moeda estável e forte - disse Hammond, destacando que a escolha dos britânicos foi ligada principalmente à forma como o bloco europeu está lidando com a questão migratória.

Ele fez questão de dizer que o movimento do Reino Unido não tem o viés protecionista que Trump defendeu durante a campanha à presidência. No debate, outros representantes dos países ricos saíram em defesa da abertura comercial internacional. O ministro alemão chegou a dizer que seu país não vai deixar a China ser o único defensor do livre comércio.

- Não deixaremos a defesa do livre comércio apenas com as lideranças chinesas - afirmou Schäuble.

O Fórum de Davos apresentou esta semana um quadro que poucos imaginaram. Enquanto o presidente americano, que não veio à Suíça, fazia um discurso protecionista nos Estados Unidos, o chinês, Xi Jinping, compareceu ao evento e defendeu fortemente a globalização e o livre comércio. Ele comparou o protecionismo a “trancar-se num quarto escuro” para se proteger do perigo, ao mesmo tempo privando a sala de “luz e ar”.

Christine Lagarde adotou um tom cauteloso. Segundo ela, se os resultados da economia forem mais negativos em 2017 em decorrência dos fatores de 2016, especialmente políticos, o mundo terá muitos “cisnes negros”, termo usado para descrever eventos raros, imprevisíveis e de alto impacto nos mercado financeiros.

oglobo.globo.com | 20-01-2017

Donald Trump é o bilionário detentor de uma marca global eleito presidente dos Estados Unidos com um discurso antiglobalização, explorando o ressentimento da baixa classe média com o modo como as elites liberais têm conduzido a economia. Sua retórica populista foge do que republicanos e democratas defendem desde a Segunda Guerra Mundial, com duras críticas às instituições internacionais, acordos de livre comércio e ataques discriminatórios contra minorias étnicas e religiosas.

Artigos Trump - 19.01

O Gabinete ministerial de Donald Trump mistura presidentes de grandes empresas (Educação, Estado, Tesouro, Trabalho) com oficiais generais das Forças Armadas (Defesa, Segurança Interna) e políticos da ala mais conservadora do Partido Republicano (Energia, Habitação, Justiça, Saúde), que compartilham com o novo presidente posições como criar barreiras ao comércio com a China ou repelir o programa de saúde criado por Barack Obama.

Os republicanos têm a maioria no Congresso, mas Trump é figura estranha às suas causas históricas e se afirmou candidato à revelia da liderança partidária e do establishment conservador, particularmente no que toca à sua oposição aos tratados de livre comércio e ao investimento americano em países em desenvolvimento. As posições do novo presidente às vezes são mais próximas às dos bastiões tradicionais da esquerda, como sindicatos. Veremos estranhas alianças e conflitos.

O choque dos interesses empresariais de Trump com suas responsabilidades públicas como presidente é uma sombra que atravessará seu mandato. O presidente eleito colocou a gestão de suas empresas sob o controle dos filhos mais velhos, prometendo que não irá interferir nos negócios. Não há outras garantias além de sua palavra, e seu conglomerado tem investimentos ou dívidas em vários países, com companhias que são afetadas pelas decisões do governo americano.

Donald Trump começa o governo em meio a polêmicas acirradas e traz mais instabilidade a um mundo já tenso pelo crescimento do extremismo na Europa, pela crise dos refugiados e por conflitos no Oriente Médio.

*Doutor em Ciência Política, professor do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro

oglobo.globo.com | 20-01-2017

Em uma clara diferença com o sentimento otimista entre executivos dos Estados Unidos, autoridades e líderes corporativos europeus reunidos em Davos mostraram-se preocupados com o que será um ano importante no continente, em meio a uma onda de populismo e eleições nacionais em algumas das principais economias, que poderiam ameaçar a já modesta retomada na região.

Vice-presidente da Comissão Europeia para a zona do euro, Valdis Dombrovskis disse em entrevista que todos os 28 países da União Europeia devem crescer neste ano, mesmo a Grécia. O crescimento na zona do euro deve acelerar de 1,5% neste ano para 1,7% em 2018.

De fato, o Produto Interno Bruto (PIB) da UE finalmente está acima dos níveis anteriores à crise, enquanto o desemprego no bloco caiu para os níveis de 2009. A dívida dos governos e os déficits também diminuem. "A recuperação econômica, embora muito modesta, é resistente a diferentes fatores de risco, a incerteza política sendo um deles", afirmou Dombrovskis.

As eleições na Alemanha, na França e possivelmente na Itália, porém, podem atrapalhar essa recuperação, especialmente se partidos populistas - muitos deles contrários à moeda comum - continuarem a avançar. Embora investidores e analistas esperem que o Banco Central Europeu (BCE) prossiga com a redução de seu programa de compra de bônus, fatos políticos poderiam mudar isso.

"Se algo der errado, o BCE poderia inundar os mercados para estabilizar", disse Oliver Bäte, executivo-chefe da seguradora alemã Allianz. "Nós precisamos estar preparados para esse cenário também."

No curto prazo, a incerteza política tende a frear as contratações, disse Stefano Scabbio, diretor para o sul da Europa da Manpower. Na Espanha, por exemplo, a forte geração de vagas vista nos últimos anos perdeu fôlego recentemente enquanto os partidos políticos brigavam para formar um novo governo.

A ameaça do terrorismo também é citada como ameaça para uma recuperação mais robusta na Europa. Os hotéis Marriott na França "ainda não se recuperaram", segundo o executivo-chefe da rede, Arne Sorenson.

A Itália, terceira maior economia da zona do euro, continua a ser um grande freio para a região, com crescimento muito mais baixo que países como a Alemanha ou mesmo a Espanha. Um grande problema continua a ser seu sistema bancário, que tem 200 bilhões de euros (US$ 187,6 bilhões) em empréstimos inadimplentes, o que dificulta os novos empréstimos. O ministro da Economia da Itália, Pier Paolo Padoan, afirmou que deseja ver esse montante cair pela metade, mas a redução levará tempo. Fonte: Dow Jones Newswires.

GENEBRA - A economia brasileira deve crescer só 0,6% neste ano, segundo projeção das Organizações das Nações Unidas (ONU) divulgada nesta terça-feira. O relatório anual indica que o desempenho do país ficará aquém da média das nações em desenvolvimento que devem registrar alta média de 4,4%. Para 2018, a expectativa é de crescimento de 1,6%, contra alta de 4,7% dos países em desenvolvimento.

A projeção está em linha com o esperado por analistas do mercado financeiro que, segundo o boletim Focus, do Banco Central, esperam alta de 0,5% neste ano. Para 2018, a projeção do relatório compilado pela autoridade monetária é mais otimista, de alta de 2,2%.

Recessão1701Na avaliação da ONU, o pior da recessão brasileira ficou para trás, mas ainda há desafios. “A recessão no Brasil pode ter ficado para trás, após um declínio agudo da produção em 2015 e em 2016. Incertezas políticas no Brasil diminuíram e os fundamentos do projeto macroeconômicos, introduzidos. No entanto, o alto desemprego e uma política fiscal relativamente apertada continuarão a pesar sobre a economia”, destacou a entidade, no documento.

CRESCIMENTO MUNDIAL DE 2,7%

A ONU também projeta que o crescimento econômico global vai acelerar a 2,7% este ano e 2,9% em 2018, depois de ter crescido 2,2% em 2016. A entidade, no entanto, vê incertezas criadas pela decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia, e a expansão britânica deve cair de 2% em 2016 para 1,1% em 2017 e 1,3% em 2018.

Políticas tributárias defendidas pelo presidente eleito dos EUA, Donald Trump, podem também ter efeitos adversos sobre a economia mundial, disse Alfredo Calcagno, chefe de políticas de desenvolvimento e macroeconomia da agência econômica da ONU, a Unctad.

— Isso pode gerar um déficit no curto prazo... E isso pode nos levar na direção de um desafio para a economia global — disse ele em entrevista à imprensa em Genebra. — O outro elemento da reforma tributária... É se esse sistema tributário significará um topo de maior proteção para os produtores norte-americanos. Assim, isso vai incorporar um enorme desafio para o sistema multilateral e a Organização Mundial do Comércio.

oglobo.globo.com | 17-01-2017

BERLIM - Com preocupação, mas dispostos a demonstrar uma nova autoconfiança, líderes europeus reagiram de forma contundente à primeira entrevista do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, à imprensa estrangeira — ao jornal britânico “Times” e ao alemão “Bild Zeitung” — que causou um abalo sísmico. Disparando sua metralhadora giratória verbal, Trump criticou a União Europeia (UE), a Otan, o acordo nuclear com o Irã e a resposta da Alemanha à crise dos refugiados, classificando de “erro catastrófico” a decisão da chanceler Angela Merkel de abrir as portas do país a mais de um milhão de fugitivos de guerras e da pobreza extrema em países de Ásia, África e Oriente Médio. CONTEÚDO TRUMP 1701

Em uma primeira reação, Merkel afirmou que “a Europa é dona do seu próprio destino”. A chefe de governo alemã, que como presidente (rotativa) do G-20 deverá visitar Trump em abril ou maio, apelou aos colegas no continente a não se deixarem confundir pelas declarações dele. Reunidos em Bruxelas, os chanceleres europeus apelaram para a unidade dos 28 membros da UE. O chanceler francês, Jean-Marc Ayrault, foi enfático:

— A melhor resposta à entrevista do presidente é a unidade dos europeus.

Já o ex-premier e pré-candidato à Presidência da França, Manuel Valls, chamou as falas de Trump de provocação:

— Uma declaração de guerra à Europa.

O presidente da França, François Hollande, também se juntou ao coro que desancou Trump.

— A Europa não precisa de conselhos extremos para dizer o que tem de fazer — pontuou o francês.

Depois de um encontro com o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, o ministro das Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, lembrou que as declarações de Trump sobre a Otan vão contra as ideias do futuro secretário de Defesa dos EUA, James Mattis. Segundo Steinmeier — que dentro de poucas semanas deverá ser eleito o novo presidente da Alemanha — Trump causou “surpresa e agitação” na Europa. As críticas também vieram internamente. O secretário de Estado americano, John Kerry, classificou as declarações de Trump sobre Merkel como inapropriadas.

— Ele terá que responder por isso. Acho que devemos ser muito prudentes antes de dizer que um dos líderes mais poderosos na Europa cometeu um erro.

A inquietação indica que os europeus esperavam que, depois de eleito, o republicano deixasse de fazer declarações incendiárias. De fato, Trump não disse nada de novo. Na campanha, criticou Merkel, elogiou o Brexit (a saída do Reino Unido da UE), e antecipou que iria adotar medidas protecionistas para proteger as empresas americanas — ele já anunciou uma taxa de 35% para os carros da montadora alemã BMW produzidos no México. Trump Info

Para o cientista político Thomas Jäger, da Universidade de Colônia, Trump não tem a intenção apenas de chocar:

— Ele tem dois objetivos: acelerar a economia americana e só fazer acordos internacionais se estes favorecerem os EUA.

Para ele, a ideia é pôr a perspectiva americana, durante muito tempo ignorada, no centro das atenções.

Mas, poucos dias antes de tomar posse, o presidente eleito continua dividindo os europeus. A maior parte dos países da Europa Ocidental acompanha com apreensão o receio da influência do republicano na possível desintegração de uma já dividida UE. No Leste, da Rússia à República Tcheca, no entanto, Trump é admirado. Irina Sherbakova, historiadora e ativista da ONG Memorial, lembra que os russos — que detestavam Barack Obama — associam o novo governo à possibilidade de melhoria nas relações entre Moscou e o Ocidente e, com isso, o fim das sanções e superação da crise econômica.

Já na Europa Ocidental, apenas os partidos de extrema-direita apoiam o novo presidente. E não é só o estilo direto de Trump que assusta a maioria dos europeus. A possibilidade de uma forte aliança dos EUA com a Rússia, que teria assim carta branca para novas ações como a ocupação da Crimeia, até então território da Ucrânia, é vista como sombria. Contra uma possível aliança Trump-Putin, 17 políticos europeus, entre eles o ex-presidente da Estônia, Toomas Hendrik, enviaram uma carta ao novo presidente alertando sobre a Rússia, que teria em vista, segundo os signatários, “a desestabilização da Otan, a espionagem e a guerra psicológica”.

Extrema-direita celebra

Pior do que isso. Como escreveu o cientista político Ulrich Speck na sua coluna no jornal “Neue Zürcher Zeitung”, a proximidade entre os dois presidentes desperta lembranças amargas da Conferência de Yalta, que selou a derrota da Alemanha nazista, em 1945, e resultou na divisão da Europa em áreas de influência dos EUA (Europa Ocidental) e da então União Soviética (Europa Oriental). “Os EUA de Trump não são mais (como foi no passado) a garantia de uma ordem mundial liberal, mas são definidos pelos seus interesses nacionais imediatos”, sustenta Speck.

Embora o secretário-geral da Otan não veja grandes riscos para a Europa, analistas advertem para o perigo concreto de um racha dessa aliança — com efeitos negativos para a UE, que precisaria investir muito mais na sua segurança. Em crise, o bloco não tem sido capaz de chegar a um consenso nem na divisão de um sistema de cota de refugiados — uma unanimidade na decisão de medidas de defesa é vista como muito difícil.

Não por coincidência, a posse de Trump será acompanhada com atenção pela extrema-direita europeia. Um dia depois, lideres do bloco extremista em Alemanha, França, Holanda, Bélgica e Itália vão se reunir na cidade alemã de Koblenz, na cúpula dos populistas. A iniciativa partiu de Marine Le Pen, da Frente Nacional, da França, que quer fazer do Movimento para uma Europa das Nações e da Liberdade, que fundou em junho de 2015, uma espécie de “Internacional da extrema-direita”, a exemplo da tradicional Internacional Socialista.

De carona no populismo de Trump, os direitistas europeus contam com mudanças radicais em 2017, que começariam com a possível vitória de Geert Wilders, do Partido da Liberdade, na Holanda, e de Le Pen, na França, em março e em maio. Para o cientista político italiano Giulietto Chiesa, ex-deputado do Parlamento Europeu, a extrema-direita continuará contando com a influência do americano para realizar seus dois mais importantes projetos: acabar com o fluxo de refugiados e reduzir o papel da UE nos países-membros.

oglobo.globo.com | 17-01-2017

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, fez seu primeiro pronunciamento no Fórum Econômico Mundial, em Davos, enaltecendo o interesse que os investidores têm demonstrado sobre o Brasil. "Desta vez, existe uma mudança importante que é uma expectativa positiva sobre o Brasil. Não é a primeira vez, mas é a primeira vez nos últimos anos", disse, durante entrevista coletiva de imprensa.

As reformas, de acordo com Meirelles, estão sendo muito bem avaliadas. Ele citou que a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do teto de gastos públicos está de acordo com o cronograma que o governo havia anunciado no ano passado. Também mencionou a aprovação pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da admissibilidade da reforma da Previdência na Câmara e as reformas microeconômicas que foram anunciadas. "Estes são problemas que o Brasil enfrenta há várias décadas", afirmou.

O ministro da Fazenda também enfatizou a classificação sobre a facilidade de produção feita pelo Banco Mundial (Bird). "O Brasil tem estado em uma classificação muito ruim em vários anos. É a primeira vez que estamos enfrentando esse assunto decisivamente com as reformas microeconômicas", disse. Ele citou problemas de registro de companhias em juntas comerciais, em grupo de bombeiro, dificuldade de se pagar impostos. "Há também uma dificuldade burocrática de exportar. Estamos introduzindo um portal que vai permitir um processamento muito rápido de toda a documento de exportação e pagamento de impostos e várias medidas nessa linha", disse. A questão trabalhista começará a ser endereçada agora também, conforme Meirelles.

"É uma visão bastante positiva. Há muita curiosidade (dos investidores), interesse em saber como está a questão do crescimento do ritmo de atividade da economia", comentou. Ele voltou a dizer que prevê um Produto Interno Bruto (PIB) negativo no último trimestre de 2016 comparado com o trimestre anterior, mas já espera crescimento no primeiro de 2017. No quarto trimestre deste ano, de acordo com ele, a economia crescerá 2% sobre idêntico período de 2016. "É o que interessa, mas médias não dizem muito", argumentou.

A redução da inflação também está sendo vista de maneira positiva e consistente pelos investidores, conforme Meirelles, "o que tem permitido ao BC tomar medidas adequadas".

Ao mesmo tempo, salientou o ministro da Fazenda, há muita preocupação por parte dos investidores com regiões sempre consideradas sólidas e estáveis, como na Europa. Ele mencionou a questão dos imigrantes na Alemanha, da saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit), o problema de auxílio do governo italiano aos bancos, o surgimento do nacionalismo e do radicalismo em muitos países europeus e preocupação com as próximas eleições, além de "alguma preocupação" com efeito do início do governo de Donald Trump nos Estados Unidos.

"Eles (os investidores) olham e falam: dentro desse quadro, o Brasil parece muito bom, apesar das discussões políticas e todo o processo de investigação, que continua, mas que é visto como positivo. O Brasil vai cada vez mais mostrando solidez de suas instituições", defendeu. Para ele, o momento é positivo, apesar de ainda a população brasileira estar sentindo o pico do desemprego. "Esperamos que no correr deste ano a população vá sentir efeitos da retomada do crescimento. Vai ficar mais claro no segundo semestre deste ano", prometeu.

O dólar acelerou a alta no final da sessão desta segunda-feira, 16, e encerrou aos R$ 3,2421 (+0,76%) no mercado à vista. O movimento foi atribuído por especialistas à busca por proteção antes de importantes eventos internacionais nos próximos dias, a começar amanhã pelo discurso da premiê britânica, Theresa May.

A preocupação é de que a primeira-ministra adote uma postura mais dura na separação com a União Europeia, resultando numa ruptura mais bruta entre as partes. A mídia britânica já apontou que Theresa May aumentará a pressão para deixar o bloco econômico em troca de um controle maior da política de imigração.

Por aqui, o dólar à vista fechou aos R$ 3,2421 (+0,76%), nível mais elevado desde 3 de janeiro, quando marcou R$ 3,2615. Além disso, o valor no fim do dia ficou levemente aquém da máxima, de R$ 3,2423 (+0,77%).

O marco principal da semana e maior fonte de incertezas para o mercado, entretanto, só ocorre na sexta-feira, com o início do governo de Donald Trump. A campanha eleitoral do republicano foi marcada por promessas de investimentos em infraestrutura, aumento do protecionismo comercial e acirramento da disputa com a China. No entanto, mesmo com a entrevista coletiva na semana passada, Trump ainda não deixou claro como fará o país acelerar seu crescimento econômico.

No segmento futuro, o contrato de dólar mais líquido, para fevereiro de 2017, encerrou em alta de 0,65%, aos R$ 3,2585, enquanto o pico da sessão foi registrado em R$ 3,2600 (+0,69%).

Hoje, a ausência das operações nos Estados Unidos, por causa do feriado do Dia de Martin Luther King Jr, limitou o volume de negócios por aqui. Com isso, o impacto das operações no câmbio foram potencializadas nas cotações, de acordo com profissionais ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.O giro registrado no mercado à vista somou apenas US$ 328,352 milhões, enquanto o contrato futuro mais líquido, para fevereiro de 2017, movimentou US$ 5,115 bilhões.
A Alemanha poderá reduzir sua alíquota de imposto corporativo na sequência de movimentos semelhantes no Reino Unido e nos EUA, disse nesta segunda-feira o ministro de Finanças alemão, Wolfgang Schäuble. As reduções, no entanto, viriam só após as eleições gerais marcadas para setembro.A maior economia da Europa deve simplificar seu sistema tributário complexo para as empresas, a fim de manter a competitividade internacional, argumentou Schäuble em entrevista ao The Wall Street Journal. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 16-01-2017

BRASÍLIA - Pela primeira vez em dois anos, o governo brasileiro vai levar ao Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, um time reforçado, visando ao resgate da credibilidade do país, perdida com o desequilíbrio fiscal, a grave e prolongada recessão e os escândalos de corrupção. Vão desembarcar nos Alpes na próxima semana - para eventos que reúnem a elite global, em uma semana de debates sobre os rumos e desafios da economia mundial - os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, do Desenvolvimento, Marcos Pereira, e de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

O presidente Michel Temer também planejava ir, mas acabou desistindo para acompanhar de perto a reta final das eleições para o comando da Câmara dos Deputados. Ele também foi aconselhado a não correr o risco de ter que responder a algum questionamento sobre a legitimidade de seu governo depois do impeachment de Dilma Rousseff.

A ex-presidente nunca foi grande fã do evento. Compareceu apenas em 2014. Em 2015, representaram o Brasil o então ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o ex-presidente do BC Alexandre Tombini. Em 2016, foi a vez do ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa tentar mostrar o Brasil como um mercado interessante para investimentos. A missão não era fácil diante da desconfiança em relação à capacidade de Dilma de reequilibrar as contas públicas e retomar o crescimento da economia. Davos

Agora, a expectativa da equipe econômica é obter mais sucesso. Segundo interlocutores do governo, Meirelles poderá destacar em suas conversas avanços concretos, como a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que fixa um teto para os gastos públicos, essencial ao ajuste fiscal. Ele também vai falar sobre as propostas de reforma da Previdência e das relações de trabalho e o recente pacote de medidas para turbinar o Produto Interno Bruto (PIB).

— A mensagem é de otimismo. Há boas notícias sobre a inflação, e o governo conseguiu avançar em sua agenda de reformas do Congresso. Isso é uma perspectiva positiva — disse um integrante da equipe econômica.

Meirelles esperou até o último minuto para confirmar sua participação no fórum. Ele chegou a considerar não participar do evento por causa das negociações do acordo de ajuda financeira ao Estado do Rio. Mas, a pedido de Temer, ele encontrou como solução ir a Davos para algumas reuniões e voltar ao Brasil mais cedo. Ele embarca no fim de semana e retorna na quarta-feira. Na quinta, estará em Brasília para a assinatura formal do acordo com o Rio.

O principal evento na agenda de Meirelles é a tradicional reunião do Business Interaction Group on Brazil (BIG Brazil), onde autoridades do governo brasileiro se encontram com grandes investidores interessados no mercado nacional. Segundo interlocutores da área econômica, se Temer viesse a Davos, esse certamente seria um compromisso em sua agenda. Meirelles também deve participar de três eventos organizados pelo próprio Fórum, sobre reforma da Previdência, conjuntura na América Latina e sobre a relação entre América Latina e o novo governo dos Estados Unidos, com a eleição de Donald Trump, que tomará posse no dia 20 de janeiro, último dia do evento.

Meirelles vai se reunir com investidores e com grandes empresários. Na agenda do ministro estão encontros com os presidentes do Grupo ArcelorMittal, Lakshmi Mittal, da AT&T, Randall Stephenson, do UBS, Axel W. Weber, e do Lloyd's, John Nelson. Outros nomes previstos na agenda do ministro são os da executiva do Facebook, Sheryl Sandberg, e o do presidente da Bolsa da Nova York, Thomas Farley.

Na área de comércio, o ministro Marcos Pereira vai aproveitar para conversar com representantes de países com os quais o Brasil quer fechar acordos comerciais como México e Canadá. Ele também vai lançar as negociações entre o Mercosul e um bloco de países europeus, a Associação Europeia de Livre Comércio (composta por Noruega, Suíça, Islância e Lienchenstein).

— O Brasil deve aproveitar o Fórum para debater temas que estão muito fortes na agenda internacional. Um dos assuntos será o atual viés protecionista no mundo. Vamos mostrar que o Brasil está na contramão disso e quer fechar acordos comerciais — disse o secretário de Comércio Exterior, Abrão Neto.

Rodrigo Janot também terá participação destacada, em painéis sobre corrupção nos quais certamente será abordada a Lava-Jato. Ele vai participar de debate da Iniciativa Conjunta de Combate à Corrupção (Paci, na sigla em inglês) com empresários do setor de infraestrutura e desenvolvimento urbano, além de representantes do setor público de países europeus e asiáticos. Caberá ao procurador-geral listar os avanços do Brasil no combate à corrupção. Ele também falará sobre combate a crimes cibernéticos, na mesa sobre Parceria Público-Privada.

O tema do Fórum é “Liderança Responsiva e Responsável”, e um dos focos de debate será a retomada do crescimento global. O evento de 2017 terá um recorde de participantes: mais de 3.000 pessoas de mais de cem países, incluindo 1.200 CEOs (altos executivos) e 50 chefes de Estado e de Governo.

oglobo.globo.com | 15-01-2017

BERLIM - O Reino Unido poderia mudar seu modelo econômico para reconquistar competitividade caso deixe a União Europeia sem um acordo sobre acesso ao mercado europeu, afirmou o ministro das Finanças Philip Hammon a um jornal alemão em entrevista publicada neste domingo.

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Em uma suposta de que a Grã-Bretanha poderia usar seu imposto corporativo como uma forma de alavancar as negociações do Brexit, Hammond disse ao "Welt am Sonntag" que esperava que a país permanecesse com uma economia no estilo europeu com os correspondentes sistemas fiscais e regulatórios.

"Mas caso sejamos forçados a algo diferente, então teremos que virar algo diferente", disse o ministro quando perguntado sobre os planos do Reino Unido em reduzir sua taxa corporativa. "Se não tivermos acesso ao mercado europeu, se estiver fechado, se a Grã-Bretanha saísse sem um acordo de acesso ao mercado, então poderíamos sofrer um dano econômico ao menos no curto prazo", avaliou Hammond, que acrescentou:

"Neste caso, poderíamos ser forçados a mudar nosso modelo econômico e teremos que mudar nosso modelo para reconquistar competitividade", indicou.

A chanceler alemã Angela Merkel disse que a União Europeia deve considerar um limite de acesso do Reino Unido ao mercado caso o governo britânico não aceite os quatro princípios de liberdade - movimento de bens, capital, pessoas e serviços - nas negociações do Brexit.

A primeira-ministra britânica Theresa May já disse repetidamente que não revelará sua estratégia de negociação antes de acionar o Artigo 50 do Tratado de Lisboa da UE - artifício legal necessário para solicitar saída do bloco. Ela já indicou que tomará a medida até o fim de março.

A lídre afirmou que quer a retomada do controle britânico sobre a imigração; a restauração da soberania e também a criação das melhores relações comerciais possíveis com a UE.

oglobo.globo.com | 15-01-2017

RIO - Presidente e fundador do Eurasia Group, o americano Ian Bremmer vê riscos no futuro das relações políticas dos Estados Unidos com a chegada de Donald Trump à Presidência, mas afirma que - apesar da retórica explosiva do presidente eleito - a aproximação com Cuba, a relação com a Otan, o acordo nuclear com o Irã e a aliança com Israel não deverão sofrer grandes mudanças com magnata republicano na Casa Branca.

Durante a campanha presidencial, muito se falou sobre a relação entre Donald Trump e o presidente russo, Vladimir Putin. A poucos dias da chegada de Trump à Presidência, o que se pode esperar para o futuro das relações entre Moscou e Washington?

Embora Trump e nomes como Jeff Sessions e Rex Tillerson tenham adotado uma postura mais cautelosa ao falar da Rússia recentemente, eles ainda estão no modo de campanha, dizendo aquilo que é necessário dizer no momento. Tillerson - que tem uma relação com o Kremlin melhor que a de qualquer outro cidadão americano - foi bastante cuidadoso e evitou se referir aos russos como criminosos de guerra, enquanto Trump admitiu a possibilidade dos ciberataques, mas afirmou que eles poderiam ter sido realizados por outros países. Trump vem deixando claro que as relações com a Rússia podem melhorar, e acho que veremos os dois países muito mais alinhados nos próximos anos, o que, é claro, gerará desconforto dentro do Partido Republicano.

De que modo a resistência a Trump dentro de seu próprio partido, evidente durante a campanha eleitoral, poderá influenciar as decisões do novo governo? Os republicanos domarão Trump ou ele conseguirá conquistá-los?

Ele, de certa forma, já os conquistou por ter conseguido a indicação presidencial e vencido a eleição. Havia muita resistência por parte do establishment republicano, é verdade, mas isso aconteceu porque ele disputou a indicação contra outros 16 nomes do partido. As decisões que vem anunciando, desde a indicação de Reince Priebus para a chefia de seu Gabinete, quanto os nomes escolhidos para as secretarias do Tesouro (Steve Munchin) e de Comércio (Wilbur Ross), estão dentro de uma proposta que favorece os negócios, os bancos e as privatizações, logo, perfeitamente alinhada com os interesses do partido. É na política externa que estão suas grandes divisões com os republicanos.

Trump

Barack Obama foi um grande defensor da diplomacia, apostando na abordagem de "liderar por trás", enquanto Trump tem se manifestado bastante sobre temas como armas nucleares, o combate ao Estado Islâmico e a redefinição dos laços americanos com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Qual deve ser a maior mudança na política externa americana?

Por mais diferente que possa parecer a retórica, na prática não acho que Trump vá ser muito diferente. Obama era inexperiente, tinha pessoas inexperientes a seu lado, e foi o primeiro a reclamar sobre os gastos com aliados da Otan, anos atrás. Com Trump temos o mesmo cenário, somado à sua personalidade volátil e seu estilo menos diplomático. Isso pode gerar desconfianças em outros países, especialmente por sua insistência em dizer que colocará os EUA em primeiro lugar.

Até que pontos ciberataques realizados por hackers estrangeiros representarão um risco para o governo de Trump?

Bem, essa é uma atividade que tem se tornado cada vez mais comum nos últimos anos, como vimos em casos como os dos "Papéis do Panamá", o ataque de hackers norte-coreanos que derrubaram o site da Sony Pictures e, agora, no caso dos hackers russos. As habilidades dos hackers permitem que a Rússia, que tem uma economia menor do que a de países como Itália e Canadá, cause bastante estrago com a divulgação de informações confidenciais. Há uma aura de vulnerabilidade da qual os EUA ou qualquer outra nação não se verão livres tão cedo.

No Oriente Médio são esperadas mudanças nas relações dos EUA com Irã e Israel. A chegada de Trump aumenta os riscos de tensões na região?

Não necessariamente. Obama e (o primeiro-ministro israelense Benjamin) Netanyahu não gostavam um do outro, mas a relação com Israel se manteve sólida, com números recordes na ajuda financeira. A decisão de não vetar a resolução contra os assentamentos israelenses na Cisjordânia foi algo que Obama poderia ter feito durante os oito anos em que esteve no cargo, e que deixou para a reta final, após fechar acordos milionários com o governo israelense. Não acho que vá ter qualquer influência sobre as relações ou mesmo sobre a expansão dos assentamentos. Com relação ao Irã, o acordo nuclear é algo que Trump nunca teria feito, mas não acho que ele, apesar das duras críticas, irá simplesmente anulá-lo, até mesmo por se tratar de uma decisão multilateral. O perigo está no fato de Trump atacar o Islã como um todo. Isso transforma bens americanos no Oriente Médio em alvos para as ações de extremistas.

A vitória do bilionário nos EUA foi celebrada por diversos nomes da política europeia. Sua chegada à Presidência pode estimular a ascensão de candidatos populistas na Europa?

Trump quer trabalhar com o Reino Unido, e isso indica que, mesmo após a saída do país da União Europeia, a relação deverá ser mais estável do que com os outros países europeus. Ele sem dúvida adoraria ver nomes da extrema-direita como Marine Le Pen e Geert Wilders chegando ao poder em países como França e Holanda, e isso poderia afastar líderes europeus mais tradicionais, dificultando ações de cooperação.

Como deve ficar a relação dos EUA com a América Latina, especialmente após a histórica reaproximação diplomática com Cuba?

O foco de Trump está no México. Ele sabe que tem que manter boas relações, pela proximidade entre os dois países. Ao mesmo tempo, também sabe que o México não tem outra opção a não ser se aproximar dos EUA, e com isso, temas como a imigração e a construção ou não do muro na fronteira se estenderão por muito tempo. Ainda não há uma estratégia clara para a América do Sul, mas com as transições nos governos, que estão cada vez mais alinhados com a política ocidental tradicional, as relações não devem ser abaladas. Já a reaproximação com Cuba teve reações negativas muito abaixo do esperado nos EUA, e Trump quer trabalhar com Havana. É possível que o governo cubano desacelere um pouco o processo, mas seria uma enorme surpresa se a reaproximação diplomática retrocedesse.

oglobo.globo.com | 15-01-2017

BRASÍLIA - Pela primeira vez em dois anos, o governo brasileiro vai levar ao Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, um time reforçado, visando ao resgate da credibilidade do país, perdida com o desequilíbrio fiscal, a grave e prolongada recessão e os escândalos de corrupção. Vão desembarcar nos Alpes na próxima semana - para eventos que reúnem a elite global, em uma semana de debates sobre os rumos e desafios da economia mundial - os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, do Desenvolvimento, Marcos Pereira, e de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

O presidente Michel Temer também planejava ir, mas acabou desistindo para acompanhar de perto a reta final das eleições para o comando da Câmara dos Deputados. Ele também foi aconselhado a não correr o risco de ter que responder a algum questionamento sobre a legitimidade de seu governo depois do impeachment de Dilma Rousseff.

A ex-presidente nunca foi grande fã do evento. Compareceu apenas em 2014. Em 2015, representaram o Brasil o então ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o ex-presidente do BC Alexandre Tombini. Em 2016, foi a vez do ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa tentar mostrar o Brasil como um mercado interessante para investimentos. A missão não era fácil diante da desconfiança em relação à capacidade de Dilma de reequilibrar as contas públicas e retomar o crescimento da economia. Davos

Agora, a expectativa da equipe econômica é obter mais sucesso. Segundo interlocutores do governo, Meirelles poderá destacar em suas conversas avanços concretos, como a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que fixa um teto para os gastos públicos, essencial ao ajuste fiscal. Ele também vai falar sobre as propostas de reforma da Previdência e das relações de trabalho e o recente pacote de medidas para turbinar o Produto Interno Bruto (PIB).

— A mensagem é de otimismo. Há boas notícias sobre a inflação, e o governo conseguiu avançar em sua agenda de reformas do Congresso. Isso é uma perspectiva positiva — disse um integrante da equipe econômica.

Meirelles esperou até o último minuto para confirmar sua participação no fórum. Ele chegou a considerar não participar do evento por causa das negociações do acordo de ajuda financeira ao Estado do Rio. Mas, a pedido de Temer, ele encontrou como solução ir a Davos para algumas reuniões e voltar ao Brasil mais cedo. Ele embarca no fim de semana e retorna na quarta-feira. Na quinta, estará em Brasília para a assinatura formal do acordo com o Rio.

O principal evento na agenda de Meirelles é a tradicional reunião do Business Interaction Group on Brazil (BIG Brazil), onde autoridades do governo brasileiro se encontram com grandes investidores interessados no mercado nacional. Segundo interlocutores da área econômica, se Temer viesse a Davos, esse certamente seria um compromisso em sua agenda. Meirelles também deve participar de três eventos organizados pelo próprio Fórum, sobre reforma da Previdência, conjuntura na América Latina e sobre a relação entre América Latina e o novo governo dos Estados Unidos, com a eleição de Donald Trump, que tomará posse no dia 20 de janeiro, último dia do evento.

Meirelles vai se reunir com investidores e com grandes empresários. Na agenda do ministro estão encontros com os presidentes do Grupo ArcelorMittal, Lakshmi Mittal, da AT&T, Randall Stephenson, do UBS, Axel W. Weber, e do Lloyd's, John Nelson. Outros nomes previstos na agenda do ministro são os da executiva do Facebook, Sheryl Sandberg, e o do presidente da Bolsa da Nova York, Thomas Farley.

Na área de comércio, o ministro Marcos Pereira vai aproveitar para conversar com representantes de países com os quais o Brasil quer fechar acordos comerciais como México e Canadá. Ele também vai lançar as negociações entre o Mercosul e um bloco de países europeus, a Associação Europeia de Livre Comércio (composta por Noruega, Suíça, Islância e Lienchenstein).

— O Brasil deve aproveitar o Fórum para debater temas que estão muito fortes na agenda internacional. Um dos assuntos será o atual viés protecionista no mundo. Vamos mostrar que o Brasil está na contramão disso e quer fechar acordos comerciais — disse o secretário de Comércio Exterior, Abrão Neto.

Rodrigo Janot também terá participação destacada, em painéis sobre corrupção nos quais certamente será abordada a Lava-Jato. Ele vai participar de debate da Iniciativa Conjunta de Combate à Corrupção (Paci, na sigla em inglês) com empresários do setor de infraestrutura e desenvolvimento urbano, além de representantes do setor público de países europeus e asiáticos. Caberá ao procurador-geral listar os avanços do Brasil no combate à corrupção. Ele também falará sobre combate a crimes cibernéticos, na mesa sobre Parceria Público-Privada.

O tema do Fórum é “Liderança Responsiva e Responsável”, e um dos focos de debate será a retomada do crescimento global. O evento de 2017 terá um recorde de participantes: mais de 3.000 pessoas de mais de cem países, incluindo 1.200 CEOs (altos executivos) e 50 chefes de Estado e de Governo.

oglobo.globo.com | 15-01-2017

PERL-NENNIG (Alemanha) - A chanceler alemã, Angela Merkel, alertou neste sábado para tendências protecionistas, apontou para os riscos para o mundo e defendeu que os Estados Unidos se mantenham dentro da cooperação multilateral.

— Minha convicção profunda é que há mais vantagens em avançar juntos que quando cada um resolve seus problemas. Estou realmente convencida, é minha atitude constante — disse ela.

Após uma reunião de seu partido, Merkel afirmou que os países estarão melhor se trabalharem juntos e citou o exemplo da crise financeira mundial que começou nos Estados Unidos em 2008.

— Não foi uma resposta baseada em isolamento, mas uma resposta baseada em cooperação, em normas comuns de regulação, incluindo os mercados financeiros.

Ao ser consultada sobre quando será sua primeira reunião com Trump, Merkel disse que isso pode ocorrer durante a cúpula do G-7 (sete maiores economias mundiais) em maio, na Sícilia, ou na do G-20 (que reúne as principais economias do mundo), em julho, na Alemanha.

Os Estados Unidos são o parceiro comercial mais importante da Alemanha e a retórica protecionista do presidente eleito, Donald Trump, tem preocupado exportadores da maior economia europeia. Em 2017, a Alemanha ostenta a presidência do G-20 (que reúne as principais economias do mundo).

oglobo.globo.com | 14-01-2017

Espanha e Irlanda, duas das economias europeias mais afetadas pela crise global de 2008, deram sinais de robusta recuperação. Ambas nações implementaram medidas de ajuste fiscal para sanear as contas públicas, recuperar a confiança e os investimentos, o que exigiu sacrifícios e gerou críticas, do mesmo modo como ocorrera há uma década com a Alemanha, hoje a maior economia do continente e que cresceu 1,9% em 2016, maior expansão em cinco anos.

A Espanha registrou no ano passado o maior número de contratações de mão de obra desde o início da crise, que levou o país a ter a pior taxa de desemprego da União Europeia, sobretudo entre os mais jovens. Segundo o Ministério do Trabalho, o número de empregados registrados cresceu 540.655 em 2016, o maior volume em uma década. Já o número de espanhóis desempregados caiu 390.534, o maior ritmo de queda já registrado nas estatísticas oficiais.

A Irlanda — que viu seus setores bancário e imobiliário derreterem, obrigando o país a recorrer à UE e ao FMI para uma ajuda de € 85 bilhões — vem abrindo cerca de mil postos de trabalho por semana, as exportações estão em níveis recorde, e o país tornou-se um dos principais destinos para corporações interessadas em instalar uma base estratégica na Europa. O governo irlandês focou na criação de empregos e na recuperação do setor bancário, mas sem descuidar da estabilidade fiscal e, por este caminho, conseguiu quitar os empréstimos recebidos.

A maioria dos economistas concorda que o modelo de saúde fiscal, como o defendido pela chanceler alemã, Angela Merkel, nas negociações para tirar a UE da crise, é incontornável para uma meta de crescimento sustentável. Pode-se diferir na dosagem dos ajustes fiscais, mas não quanto ao tratamento. E é importante que os resultados de anos de sacrifício venham às vésperas de importantes eleições no continente e num momento em que crescem a retórica protecionista e o nacional-populismo, reforçados pela decisão do Reino Unido de deixar o bloco por meio do chamado Brexit.

O Reino Unido, que cedeu ao canto da sereia e embarcou numa aventura, jogando fora décadas de integração europeia, amarga prospectos sombrios, sobretudo para a população mais pobre. Segundo a maioria de um grupo de 122 economistas ouvidos pelo “Financial Times”, o aumento da inflação afetará a renda das famílias e a empresas vão adiar decisões de investimento devido às incertezas do processo de divórcio. A expectativa é que o crescimento econômico do país caia nos próximos anos.

Os arquitetos do Brexit, a começar pela premier Theresa May, estão atordoados e demonstram não ter ainda uma noção clara da armadilha em que meteram o país. Enquanto isso, a UE fez seu dever de casa e começa a colher os frutos.

oglobo.globo.com | 14-01-2017

LONDRES - Chineses e alemães estão entre dezenas de investidores que estão considerando a oferta da Ucrânia de transformar o terreno de um dos piores desastres nucleares do mundo em um gigantesco parque solar.

Dos 39 grupos de investidores que pretendem obter autorização da Ucrânia, 13 são internacionais. Eles querem o sinal verde para instalar cerca de 2 gigawatts de painéis solares dentro da zona de exclusão radiativa que rodeia a usina nuclear de Chernobyl, desativada, segundo o ministro de Ecologia e Recursos Naturais, Ostap Semerak.

Esses 2 gigawatts equivalem à capacidade quase completa de dois reatores nucleares modernos, embora a energia atômica, diferentemente da solar, funcione dia e noite.

— Recebemos pedidos de empresas interessadas em alugar terrenos para construir usinas solares — disse Semerak em entrevista por telefone de Kiev. — Não pretendemos lucrar com o uso do terreno, mas com os investimentos.

Três décadas depois de o colapso de Chernobyl ter deslocado mais de 300 mil pessoas, espalhando radiação por grande parte da Ucrânia, da Bielorrússia e da Rússia, as autoridades continuam tentando descobrir o que fazer com o terreno que rodeia a usina e tem o dobro da dimensão de Los Angeles.

Como a radiação permanecerá no solo durante séculos, a área não pode ser utilizada para agricultura nem silvicultura. A possibilidade de a energia solar aproveitar a infraestrutura de rede de Chernobyl surgiu em julho.

MAIS DO QUE SÓ RECUPERAR O TERRENO

Em novembro, as empresas chinesas GCL System Integration Technology e China National Complete Engineering afirmaram que planejam construir um projeto de energia solar de 1 gigawatt no local em várias etapas.

Uma promotora alemã de energia renovável solicitou permissão para instalar 500 megawatts, disse Semerak, que não quis identificar a empresa. Os outros projetos propostos são de usinas de mais ou menos 20 megawatts.

Para a Ucrânia, um dos países mais pobres da Europa, o projeto vai além da simples recuperação do terreno. Assolado pela corrupção e por um conflito cada vez mais tenso com grupos pró-russos no leste, o governo quer fortalecer a economia com novos investimentos e atingir a independência energética fora da órbita da Rússia.

Segundo o plano da Ucrânia, as linhas de transmissão montadas originalmente para transmitir a eletricidade gerada pela usina nuclear de Chernobyl, de 4 gigawatts, serão adaptadas para a energia solar. Atualmente, o governo analisa como a rede atual pode lidar com os desafios de intermitência que a energia renovável apresenta. O Ministério da Ecologia também visa a atingir um equilíbrio entre suas ambições para a energia limpa e o impacto nas contas dos consumidores, disse Semerak.

A radiação que persiste em Chernobyl preocupa o Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD), que avalia se financiará os projetos solares. Empréstimos dependerão da due diligence ambiental, segundo o porta-voz Anton Usov. Os projetos teriam que ser instalados e operados de forma segura e ter viabilidade comercial para receber financiamento, disse ele.

“Para qualquer projeto de mais de 10 megawatts, seria preciso ter alguém no local quase todos os dias”, disse Pietro Radoia, analista de energia solar da Bloomberg New Energy Finance. “Quanto maior for o projeto, mais pequenos problemas cotidianos surgirão para resolver.”

As empresas que pediram autorização para instalar energia solar na zona de exclusão de Chernobylvêm da China, da Alemanha, da Irlanda, da Dinamarca, da Áustria, da Bulgária, de Belarus e da Ucrânia, segundo Semerak.

oglobo.globo.com | 13-01-2017

PARIS — A líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, passou a liderar as pesquisas de opinião para as eleições presidenciais do seu país. Na sondagem mais recente, a candidata da Frente Nacional (FN) ultrapassou o ex-premier conservador François Fillon em 1,5 ponto percentual, com total de 26,5% das intenções de voto. De uma legenda ultranacionalista, Le Pen mantém forte discurso anti-imigração, que ganha força durante a crise de refugiados que atinge a Europa. lepen

No entanto, as pesquisas indicam que Fillon ainda lidera a disputa em um eventual segundo turno em maio contra Le Pen. O conservador, neste cenário, tem 64% das intenções de voto — contra 36% para a candidata da extrema-direita. A pesquisa, cuja margem de erro é de 1,3 ponto percentual, foi realizada entre os dias 3 e 5 de janeiro, com uma amostra de 1.860 eleitores.

Ao “Independent”, o cientista político britânico Anand Menon disse que, embora o resultado seja importante, é necessário não exagerar no seu significado a esta altura da corrida presidencial. A candidatura de Le Pen avança em meio a uma onda populista em Europa e EUA — exponenciada, sobreuto, nos recentes meses, pelas vitórias dos partidários do Brexit, no Reino Unido, e do republicano Donald Trump, nos EUA.

— É importante não nos precipitarmos, mas Le Pen obviamente está em uma posição forte. As primárias da esquerda serão cruciais, porque há pesquisas que agora colocam Emmanuel Macron na frente de ambos, Fillon e Le Pen — disse o cientista ao jornal britânico.

No sábado, o popular ex-ministro da Economia da França, Emmanuel Macron, dará início à sua campanha para a presidência francesa com um evento em Paris. Macron, de 38 anos e no passado protegido pelo presidente François Hollande, enfrentou fortes críticas dos socialistas por decidir se candidatar como independente na eleição de 2017, saindo da estrutura do partido.

Ele recusou firmemente apelos, mais recentemente do ex-premiê Manuel Valls, que busca a candidatura do Partido Socialista, para se juntar à tentativa da esquerda de decidir um único candidato para e eleição.

Macron, ex-banqueiro de investimentos, espera participação de mais de 5 mil pessoas em seu evento no sábado, ofuscando a modesta reunião do fim de semana passado dos Socialistas, onde os grandes nomes do partido lutaram para reenergizar presentes no evento que só contou com 2.500 pessoas.

oglobo.globo.com | 13-01-2017
Uma UE cega e assustada pela diferença não compreende que a Turquia seria, para a própria Europa, um valor acrescentado na política mundial e na economia europeia.
www.publico.pt | 13-01-2017
Documento enviado ao Banco de Portugal surgiu por causa dos investimentos de Isabel dos Santos.
www.publico.pt | 12-01-2017

BERLIM - A economia da Alemanha cresceu 1,9% em 2016, taxa mais forte em cinco anos e uma melhora em relação ao ano anterior, apontou nesta quinta-feira estimativa preliminar da Agência Federal de Estatísticas.

A maior economia da Europa está se beneficiando do aumento do consumo privado e dos gastos estatais com refugiados, compensando uma contribuição mais fraca do comércio em meio à demanda fraca de importantes parceiros comerciais e mercados emergentes.

Economistas consultados pela Reuters esperavam crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,8% para 2016 após expansão de 1,7% no ano anterior.

oglobo.globo.com | 12-01-2017

O Banco Mundial projeta que o Brasil vai voltar a crescer em 2017 e a expansão aumenta nos próximos anos, mas o ritmo ainda ficará abaixo da média da América Latina, dos emergentes e da economia mundial. A estimativa divulgada nesta terça-feira, 10, é de crescimento de 0,5% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro este ano, 1,8% em 2018 e 2,2% em 2019, de acordo com o relatório "Perspectivas Econômicas Globais".

Brasil deve ter o menor crescimento também entre os países da América Latina
Para a economia mundial, a estimativa é de avanço de 2,7% este ano e os emergentes devem crescer 4,2%. Já os países latino-americanos devem ter expansão de 1,2% em 2017, 2,3% em 2018 e 2,6% em 2019.

As projeções do Banco Mundial para o Brasil divulgadas hoje melhoraram em relação ao relatório anterior de previsões da instituição, de junho de 2016. Naquele mês, a expectativa era de contração de 0,2% do PIB brasileiro este ano e de expansão de 0,8% em 2018. A recessão de 2016 também será menor do que o anteriormente estimado (contração de 4%), devendo ficar com queda de 3,4%.

No documento desta terça-feira, o Banco Mundial ressalta que o Brasil passou nos últimos dois anos por uma série de problemas domésticos e um período de incerteza política que provocou forte contração do investimento e do consumo privado, contribuindo para enfraquecer a atividade.

"Desafios domésticos entre as maiores economias da América Latina foram os principais fatores por trás da fraqueza da atividade", ressalta o Banco Mundial ao falar de países como Brasil e Argentina. Fatores externos também seguem influenciando a região, como os preços das commodities e a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, que provocou desvalorização de várias moedas da região.

O relatório ressalta que houve certa melhora da confiança de empresários e consumidores no Brasil após a troca de presidentes e o avanço de algumas reformas e medidas microeconômicas. Um dos desdobramentos positivos recentes vem sendo a queda da inflação. Uma vez que essas reformas sejam completadas, destaca o estudo, a economia do País estará em melhor forma fiscal e com espaço para que o governo faça investimentos para promover o crescimento no médio prazo.

Riscos

O Banco Mundial aponta uma série de riscos para o Brasil e outras economias da América Latina e emergentes. No conjunto, estes riscos "pendem para o lado negativo". O documento cita a incerteza sobre as políticas dos Estados Unidos com Donald Trump e também na Europa, em meio às eleições em alguns países importantes da zona do euro, como a França e Holanda, este ano.

Outro fator de risco é o processo de alta de juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Um aperto monetário mais intenso que o esperado pode ter repercussões nos fluxos de capital e nas moedas da região. O relatório fala ainda da possibilidade de turbulência no mercado financeiro por conta da maior incerteza e dos fatores políticos nos EUA e Europa.

RIO - Em linha com o mercado internacional, o dólar comercial abriu em ligeira queda e chegou a R$ 3,19, dando continuidade ao movimento de ontem e ainda repercutindo a emissão da Petrobras, que trará um grande volume de moeda estrangeira ao país. Após poucos minutos, a divisa praticamente zerou as perdas e passou o operar com estabilidade, a R$ 3,198. No mercado internacional, a divisa tem leve queda, de 0,09%, contra uma cesta de moedas globais, conforme o Dollar Index Spot, da Bloomberg. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu com vigor, subindo mais de 1% nos primeiros dez minutos de pregão, puxada por companhias ligadas a commodities, especialmente a mineradora Vale, que dispara 4%, favorecida pela forte do minério de ferro na China.

MERCADO 1001

Ontem, a moeda americana fechou com depreciação de 0,77%, a R$ 3,198, menor valor desde 8 de novembro, pressionada por um fluxo moderado de investimentos estrangeiros e pelo anúncio de uma emissão de bônus da Petrobras para recompra de US$ 2 bilhões.

No Brasil, os investidores observam a reunião do Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central, que começa hoje e termina amanhã, com anúncio da meta para a taxa Selic, referência para juros no Brasil, que deve sofrer corte de, ao menos, 0,5 ponto percentual - alguns agentes revisaram as expectativas para redução de 0,75 ponto percentual após resultados fracos da atividade econômica. Também amanhã sai o resultado fechado do IPCA.

O BC não anunciou intervenções no mercado de câmbio - a última foi em 13 de dezembro. Mas o Tesouro fará leilão de até 1,65 milhão de NTN-B com vários vencimentos

A ansiedade em relação ao futuro do Reino Unido, em processo de retirada da União Europeia, e às diretrizes da política econômica de Donald Trump dão o tom aos mercados hoje. Os investidores abriram os negócios com apetite por risco, após a queda, ontem, de quase 4% do petróleo — a maior desvalorização diária em seis semanas, puxada pelo anúncio de aumento das reservas do Irã e da produção americana. Hoje, a commodity recupera parte do terreno, com valorização de 0,7%.

Com a alta de 2,19% do minério de ferro no porto de Qingdao, a US$ 77,73, a mineradora Vale tem alta de 4% nas ações On (ordinárias, com direito a voto). Petrobras se recupera após o declínio de ontem e avança 2,3% nas ON e 1,8% nas PN (preferenciais, sem voto).

Na Europa, aos principais índices operam em alta. Em Londres, o FTSE 100, com valorização de 0,38%, chegou à máxima histórica, com a libra esterlina se recuperando, após tombar ao menor patamar desde o plebiscito do Brexit. O DAX, de Frankfurt, ganha 0,15%. Em Paris, o CAC 40 oscila 0,05% no campo positivo.

A expectativa é pelo pronunciamento de Trump, que assume na Presidência dos Estados Unidos no próximo dia 20, após uma campanha eleitoral em que prometeu crescimento econômico e fortalecimento do dólar, com indicações de que adotará uma política econômica inflacionária. Diante do acento, os investidores temem que o Fed eleve mais os juros do que se esperava. “Os mercados estão cada vez mais nervosos em relação à entrevista coletiva que Donald Trump concederá amanhã. Para os mercados de câmbio, será particularmente importante verificar quais são os planos dele para a política de comércio exterior, para as rerlações com a China”, disse Esther Reichelt, estrategista de câmbio do Commerzbank em Frankfurt.

Na Turquia, a lira caiu 1,5% chegou a mínima histórica contra o dólar, enquanto o Parlamento debate emendas constituicionais que dariam ao presidente Recep Tayyip Erdogan amplos poderes e poderiam limitar os equilíbrios de poder. Nesta manhã, a cotação foi a 3,7779 por dólar, contra 3,63 da véspera. Desde o início do ano, a moeda acumula depreciação de 7%.

Na China, o dia foi de realização de lucros, após uma recente alta forte alimentada por expectativas de reformas. Em Xangai, o SSEC perdeu 0,29%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng subiu 0,83%. Em Tóquio, o Nikkei recuou 0,79%.

oglobo.globo.com | 10-01-2017

A multiplicidade de nações adjacentes fez da Economia da Europa uma das mais complexas do planeta. Durante séculos a Europa foi o centro econômico do planeta. Entre as causas, podemos citar como a principal sua condição geográfica. A localização entre a África e a Ásia, fez da região europeia um ponto de passagem obrigatório, e facilitou de forma substancial a absorção e irradiação dos conhecimentos, tecnologia e comércio de ambos continentes. Esta condição perdurou até ao século XX. No século XX, a Europa viu seu predomínio declinar em relação aos Estados Unidos, o Japão e, na fase final, a China. A Primeira e Segunda guerra mundial, travadas em seu território, a carência de energia, de petróleo, além de uma intensa rivalidade entre seus povos, representaram para o continente a perda de sua liderança econômica. A Europa não tem auto-suficiência na produção de energia, exigindo a importação de muito petróleo. Este produto só é extraído em quantidades consideráveis na Rússia e no Mar do Norte. O gás natural, outro produto bastante usado na geração e produção de energia é muito abundante na Rússia, Romênia, Países Baixos e no Reino Unido. Outro recurso energético que teve grande importância nas fases iniciais da revolução industrial foi o carvão mineral, muito abundante, sobretudo na Alemanha, Polônia, Rússia, Reino Unido. Todas estas fontes energéticas são extremamente poluidoras e causam grandes impactos ambientais em todo o planeta. No caso da energia limpa, ou seja, não poluidora, podem ser citadas a energia hidráulica, energia eólica, e energia solar, de baixa produção e utilização da Europa, devido às suas condições geográficas. A produção de energia nuclear na Europa é muito importante, e, a exemplo dos Estados Unidos, gera imensas quantidades de lixo atômico, cujo fim, desde o início de sua utilização, é muito nebuloso e nunca divulgado na mídia mundial.


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