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Europa Economia

SÃO PAULO - Entre os eventos econômicos que devem marcar a semana estão os desdobramentos da operação "Carne Fraca", o corte de gastos no Orçamento, os dados de inflação e também os indicadores econômicos nos Estados Unidos.

Nos mercados financeiros, os investidores estão de olho em qual deve ser o comportamento das ações da JBS e da BRF, que derreteram na sexta-feira após a deflagração da operação "Carne Fraca" da Polícia Federal, que divulgou uma série de irregularidades, fiscais e sanitárias, em frigoríficos que atuam no país. Durante o final de semana, as empresas deram mais esclarecimentos sobre o caso, mas o temor de suspensão das exportações podem ampliar o efeito negativo sobre esses papéis.

Fora da Bolsa, mas que também vai render forte atenção dos analistas, está a divulgação, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do IPCA-15 de março, que é uma prévia do indicador oficial de inflação, o IPCA.

-- Se a desaceleração for maior que o esperado, vai corroborar com a expectativa de que o Banco Central (BC) deve acelerar o ritmo de corte de juros a partir de abril -- afirmou Ignacio Crespo, economista-chefe da Guide Investimentos.

Cinco fatos que vão mexer com a economia esta semana

A taxa Selic está em 12,25% ao ano e é esperado que o BC passe a promover cortes da ordem de um ponto percentual, o que levaria o juro básico para a casa de um dígito até o final do ano. A justificativa é que a inflação caminha para ficar no centro da meta de 4,5% para o IPCA e, além disso, um juro mais baixo pode ajudar a estimular a atividade econômica.

Na mesma data o governo federal deve anunciar seu relatório de despesas e receitas e, como as entradas de recursos não estão subindo na proporção necessária, um contingenciamento do Orçamento deve ser anunciado. Quando isso ocorre, despesas previstas na lei orçamentária ficam congeladas. Um aumento de impostos também pode ser anunciado, como forma de reduzir o contingenciamento.

Externamente, as eleições na Europa estão no radar, uma vez que podem causar alguma volatilidade no mercado com o temor do avanço de partidos mais conservadores, principalmente na França. Nos Estados Unidos, uma série de indicadores de atividade devem servir para que os investidores decidam se voltam a apostar em uma alta mais rápida de juros no país, apesar da presidente do Federal Reserve (Fed, o bc americano), Janet Yellen, ter afirmado que a autarquia continua trabalhando para fazer apenas mais duas elevações de 0,25 ponto percentual no ano - a taxa atualmente está entre 0,75% e 1% ao ano.

Dia 20 - Carne fraca

Os negócios nos mercados financeiros locais estarão voltados para a repercussão da operação "Carne Fraca" nas empresas que possuem negócios na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Na sexta-feira, com poucas declarações por parte das empresas e falta de clareza sobre as irregularidades cometidas por cada uma, os papéis da JBS e da BRF caíram de forma expressiva. Ameaça de suspensão de exportações pode ampliar o efeito negativo sobre os papéis.

Dia 21 - Balanço da Petrobras

A Petrobras divulga na terça-feira, após o fechamento dos mercados, o balanço relativo ao quarto trimestre e o consolidado do ano. A média de 18 estimativas compiladas pela Bloomberg aponta para um prejuízo de R$ 4,81 bilhões em 2016. A companhia também deve dar mais detalhes sobre o plano de venda de ativos.

Dia 22 - IPCA-15

O IBGE divulga na quarta-feira o resultado do IPCA-15 de março, que serve como uma prévia do índice oficial de inflação. Na visa de economistas, o índice deverá apresentar uma desaceleração em relação ao registrado em fevereiro, quando ficou em 0,54% no mês e 5,02% no acumulado de 12 meses.

Dia 22 - Fiscal

O governo deve divulgar o valor do corte do Orçamento de 2017. O contingenciamento é necessário para que a meta de R$ 139 bilhões de déficit primário (gastos acima da arrecadação seja atingido). Uma das alternativas para o corte não ser tão severo é o aumento da alíquota de algum imposto, o que também pode ser divulgado na mesma data.

Dia 23 - Economia americana

Será divulgada nesta quinta-feira dados sobre os pedidos de auxílio-desemprego. Se vierem mais baixo que o esperado, mostrando aquecimento do mercado de trabalho, os investidores podem voltar a apostar em uma aceleração dos juros americanos. Mudanças nessas expectativas tendem a pressionar o mercado de câmbio em países emergentes, como o Brasil.

oglobo.globo.com | 20-03-2017

BRASÍLIA - Além de EUA e União Europeia, a China também pediu informações sobre o escândalo revelado pela Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, na sexta-feira. Segundo dados oficiais, 70% das aves consumidas no país asiático vêm do Brasil. Em entrevista ao GLOBO, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse que o embaixador do Brasil em Pequm, Marcos Caramuru, já prestou esclarecimentos ao governo chinês.

Blairo, que se reúne neste domingo com o presidente Michel Temer disse ainda que o objetivo do governo é atuar com maior rapidez e transparência possível para reduzir os danos que as irregularidades podem provocar em relação à compra de carne, sobretudo no exterior. O ministro, no entanto, já admite que algum prejuízo será inevitável.

O objetivo dessa reunião com o presidente é criar um gabinete de crise?

carnefraca1803Montamos um gabinete de crise no ministério da Agricultura e estamos permanentemente ligados a este assunto. Conversei com o presidente hoje, ele me perguntou algumas coisas e decidimos fazer uma reunião amanhã para nivelar a conversa com ele sobre as ações que o ministério está fazendo e outra já com as associações que representam os frigoríficos, os produtores para também alinhar algumas ações com eles em defesa do mercado brasileiro e internacional também.

Quais são as principais preocupações neste momento?

A maior preocupação que eu tenho é a perda de mercado no exterior dos nossos produtos e a perda da garantia ou da confiança do consumidor interno no Brasil.

Além da Europa e dos EUA, algum outro mercado já demonstrou preocupação?

Eu tenho conversado com nosso embaixador na China, o embaixador (Marcos) Caramuru, e ele já prestou esclarecimentos lá. O ministério que cuida da sanidade na China também nos questionou, pediu informações. Todos muito serenos, acompanhando as coisas, mas querendo saber exatamente o que está acontecendo no Brasil. Todos que conversam conosco mostram preocupação, mas ninguém ainda tomou uma decisão drástica contra o Brasil, mas nós temos que ser muito rápidos e transparentes na nossa comunicação e estancar esse assunto aonde ele está restrito e checar o resto dos nossos procedimentos e dar garantia absoluta de que não temos outros problemas nessa área.

O senhor acha essas preocupações internacionais podem chegar à produção agrícola?

Não, realmente não. Porque o que está acontecendo é uma coisa pequena dentro do contexto que nós temos. Mas nós temos que atuar com urgência para não deixar isso se alastrar. Não creio que nós tenhamos outros problemas, nosso sistema é forte, robusto, bem desenhado, é reconhecido mundialmente como um serviço de boa qualidade. Só que nós tivemos quebra de comportamento de pessoas, pessoas se corromperam no meio do processo e aí nós não temos muito aonde nos agarrar a não ser na Justiça. Obviamente se o Ministério tivesse sabido com antecedência, nós tínhamos tomado as providências, mas não recebemos essas informações desses servidores que foram corrompidos ou se corromperam no meio do processo.

O senhor acha possível evitar ainda que haja algum tipo de barreira imposta?

Acho que prejuízo nós teremos, não sei se no ponto de um embargo total, que eu creio que não, nós temos como comprovar que temos isso restrito. Agora, você sabe como é mercado, mercado se ressente de qualquer notícia, por mais boato que seja ele já se ressente, imagina numa operação aonde a própria Polícia Federal do Brasil aponta esses problemas. Ainda quero também questionar dentro da Polícia Federal a amplitude disso, das coisas que foram ditas, se efetivamente temos a comprovação de pontos ali ditos. Por exemplo, quando se diz que misturou carne com papelão, não me parece que seja essa a questão, a questão ali está falando da embalagem de produtos, de bandejas que devem ser utilizadas no processo daquela parte da industrialização. Então nós vamos ter que agora pegar os laudos da Polícia Federal, pegar os depoimentos que tem e tecnicamente comparar se o entendimento do delegado é o mesmo que nós temos olhando da parte técnica do processo.

O senhor enviou técnicos ao Paraná para acompanhar essa parte judicial?

Já. Nós temos gente desde ontem no Paraná acompanhando, tivemos acesso ao inquérito para estudá-lo com toda tranquilidade para separar aquilo que realmente aconteceu daquilo que se pensa ou se supõe que aconteceu. porque esse é um assunto muito grave, é um assunto de interesse nacional, afinal de contas estamos falando de alguns bilhões de dólares de exportação. É uma coisa muito grave para o Brasil essa acusação.

O senhor acha que pode ter havido exagero da Polícia Federal?

Quero primeiro checar. Também não sei se efetivamente aquilo que fui publicado pelos jornais e blogs foi dito pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. A gente precisa checar isso primeiro e recolocar a informação, a narrativa do que efetivamente está acontecendo.

O senhor já tem alguma estimativa do impacto que isso pode ter na economia?

Não sei o tamanho, mas tenho muito medo do tamanho que pode ter se não estancarmos isso com rapidez e muita transparência. O Brasil é o maior exportador de carnes suínas ndo mundo, 70% da carne que a China consome de aves é nossa. Um embargo chinês por um problema desses é uma coisa muito grave. Embora, já levantamos isso, nenhuma das plantas que foram acusadas são exportadoras para a China. Mas o mercado reage a boatos, nem sempre á ciência e às coisas claras. Por isso precisamos ser muito rápidos e transparentes.

Existem de fato funcionários que estariam trabalhando para empresas e seriam do ministério?

Não existe isso, toda a fiscalização é feita por técnicos públicos, não há possibilidade de termos pessoas privadas cedidos por empresas para fazer esse controle. Sempre são servidores públicos.

Como o governo pretende dar segurança para a população brasileira em relação aos alimentos que ela consome?

A mesma preocupação em relação ao público externo temos em relação ao interno. Nós podemos garantir que nossos sistemas são sérios, robustos, que não tem problema. Nós tivemos alguns problemas nesses apontados por corrupção dos servidores públicos. O sistema é muito forte, muito rígido. O que temos de fazer é urgentemente mostrar esse sistema, passar por auditorias esse sistema e garantir ao consumidor brasileiro que ele não corre nenhum risco, nós temos a capacidade de garantir que não tem problema.

O senhor tem acompanhado esse recolhimento de alimentos dos frigoríficos fechados?

Não tenho ainda esses números. Mas as três plantas que foram suspensas não podem mais expedir mercadorias e nós temos sim como rastrear os últimos embarques para onde eles foram. Mas ainda não temos como saber se esses produtos ainda estão circulando, e então serão retirados do mercado, ou se já foram consumidos.

E qual a posição do presidente?

Falei com ele na sexta e hoje (sábado). A preocupação do presidente é comprovar que nosso sistema é forte, que os casos são pontuais e garantir à população brasileira que isso não trará problemas a eles. Para mim, esse é um assunto de segurança nacional, não podemos deixar esse assunto matar a agroindústria brasileira, a importância que nós temos e o grande trabalho que foi feito para conquistarmos esse mercado mundial. Muitos concorrentes nossos vão tentar aproveitar a situação para nos sacrificar nesse mercado muito competitivo, mas nós vamos trabalhar para não acontecer isso.

oglobo.globo.com | 18-03-2017

ANCARA — O ministro do Interior da Turquia, Süleyman Soylu, ameaçou enviar 15 mil refugiados por mês à Europa, para surpreender negativamente as nações do continente. Ele disse que a União Europeia (UE) está fazendo jogos para prevenir a Turquia de se fortalecer, em um ataque direto a Alemanha e Holanda. A Turquia se vê numa crise diplomática com os dois países europeus, que recentemente impediram comícios em favor do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, em seu território. turquia

— Eu estou te dizendo, Europa, vocês têm a coragem? Se quiserem, podemos abrir o caminho para 15 mil refugiados por mês e surpreendê-los.

Além disso, Soylu mirou especialmente os governos holandês e alemão, enquanto Erdogan não poupa ataques contra os dois países.

— Este é nosso assunto interno. Por que vocês se importam? Por que estão se envolvendo nisso? Vocês aceitaram a Turquia na União Europeia? Ofereceram apoio à Turquia no seu combate ao terrorismo? — disse. — Há jogos sendo jogados contra a Turquia para evitar o seu fortalecimento no futuro.

As declarações do ministro vêm dois dias após a Turquia ter ameaçado anular unilateralmente o acordo migratório de março de 2016 com a UE. O pacto permitiu reduzir consideravelmente o fluxo de migrantes e refugiados na Europa, em meio às tensões com vários países da UE.

— Podemos acabar (com o acordo) unilateralmente. Ainda não informamos nosso interlocutores (europeus), tudo está nas nossas mãos — declarou o ministro das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, ao canal 24 TV. — A partir de agora, podemos dizer 'não vamos mais aplicar o acordo e está acabado'.

O ministro acusou a UE de não ter autorizado, como previsto no pacto, a liberação de vistos para cidadãos turcos na UE. O polêmico acordo, concluído em plena crise migratória, que prevê o reenvio sistemático de todos os migrantes para a Turquia, permitiu reduzir drasticamente o número de chegadas na Grécia.

Erdogan, por sua vez, afirmou que "o espírito do fascismo está desenfreado", e acusou diretamente a Holanda de ser responsável pelo massacre de Srebrenica.

A crise diplomática se estendeu às redes sociais. Várias contas do Twitter certificadas, entre elas as da Anistia Internacional, BBC e do ministério francês da Economia, foram atacadas por hackers com mensagens em turco comparando a Holanda e a Alemanha ao regime nazista. O Twitter confirmou ter sofrido um ataque de grande envergadura.

— A Holanda não tem nada a ver com civilização, nem com o mundo moderno, foram eles que massacraram mais de 8.000 bósnios muçulmanos na Bósnia Herzegovina, durante o massacre de Srebrenica em 1995 — acusou Erdogan em um discurso.Erdogan acusa Holanda de massacre de muçulmanos

oglobo.globo.com | 17-03-2017
A saída do Reino Unido da União Europeia (UE) ameaça restabelecer uma fronteira na ilha da ...
noticias.terra.com.br | 16-03-2017

SÃO PAULO — Atração de abertura da 4ª Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, a MITsp, a peça-concerto "Avante, marche!" transformou o palco do Teatro Municipal, na terça-feira à noite, num espaço de celebração da música e do teatro como expressões humanas capazes de costurar e fortalecer laços afetivos e sociais. Links MITsp 2017

A montagem, codirigida pelos belgas Alain Platel e Frank Van Laecke, ainda será apresenta nesta quarta e na quinta, no mesmo palco. Criada em conjunto com o compositor Steven Prengels, "Avante, marche!" revela, em primeiro plano, a história de um músico que, diagnosticado com um câncer na garganta, se vê impossibilitado de tocar seu instrumento, o trombone. A partir daí, porém, o que se vê não é um drama ou sua tragédia pessoal, mas sim um tributo à vontade de viver, e sobretudo à prática musical como uma estratégia de sobrevivência nos dias de hoje.

Em algumas de suas últimas criações, como "Avante, marche!", "Coup fatal" e "Tauberbach" é possível observar uma forte relação entre música, histórias pessoais e reflexões sobre as condições sociais e políticas da vida em comunidade. Como observa a importância e a relação desses elementos dentro do seu fazer teatral?

Sim, é verdade, existe uma relação entre essas obras e esses elementos, apesar de não ter sido algo proposital. E eu ainda não havia feito esse link... Mas há.

"Tauberbach", por exemplo, nasce de uma investigação sobre uma brasileira, a Estamira, que vivia num aterro sanitário...

Sim, conheci a história e os pensamentos de "Estamira" através do documentário (de Marcos Prado), e a partir de um convite que recebi de uma atriz holandesa, começamos a trabalhar a partir desse material. Já "Coup fatal" nasceu como um projeto musical de Fabrizio Cassol. Ele havia se reunido com artistas e músicos congoleses para um trabalho em que eles executariam um repertório de música barroca. Fui assistir ao trabalho e depois começamos a pensar em como transformar aquilo numa performance.
Assim que cheguei ao Congo, em Kinshasa, para assistir aos trabalhos, comecei a pensar em relacionar aquela música com a vida pessoal de cada um, com as condições políticas e sociais do lugar em que eles vivem, então esse foi o desafio. Então sim, há essa relação entre música, vidas pessoais e condições políticas e sociais nas três obras, mas com resultados cênicos e sonoros bem diferentes.

Em "Avante, marche!" estamos diante de uma banda de metais, um tipo de formação musical que, assim como outros formatos, pode ser observada como uma espécie de "sociedade em miniatura", como você diz, com sua hierarquia e suas relações afetivas. O que te interessava observar neste caso?

Após receber o diagnóstico de câncer terminal, o homem sabe que vai morrer, mas decide tocar até o fim, até o último suspiro.Bom, depois que eu e Frank criamos "Gardênia" (2010) levamos cinco anos até encontrarmos uma boa ideia e termos certeza de que tínhamos um ponto de partida relevante. E isso aconteceu quando nos deparamos com um livro de um fotógrafo belga composto por uma série de imagens de bandas como essa. É uma antiga tradição de muitas cidades, ter a sua banda de metais, a sua banda sinfônica, então começamos a visitar pequenas cidades, vilarejos e investigar a história dessas bandas, dos músicos, dessas pessoas que se reúnem para fazer música.

Há algum tempo tenho observado que algumas formas clássicas de reunião comunitária estão desaparecendo. As famílias, de algum modo, estão se quebrando, a igreja já não é um lugar de encontro como antes, os partidos políticos têm se desintegrado ou têm se tornado menos claros, e é cada vez menos possível distinguir uns dos outros... Todos esses aspectos sociais têm mudado rapidamente. Algumas velhas formas de vida comunitária têm se tornado bastante raras, e as brass bands se enquadram nessa história.

Visitamos lugares pequenos que tinham as suas bandas, e isso nos emocionou muito. Começamos a conhecer as histórias daqueles músicos... Muitos deles têm outros empregos. Eles não podem viver apenas de música, mas não podem viver sem música. Para eles é fundamental se encontrar duas vezes na semana para tocar juntos, sem qualquer ambição de se tornarem grandes músicos, ou músicos profissionais. A única intenção é tocar, é fazer boa música, e fortalecer os seus laços sociais, no fim das contas.

Foi muito bonito ver algumas dessas bandas compostas de diferentes gerações de uma mesma família, de vizinhos... É o açougueiro, o farmacêutico... Em vez de ir à igreja, eles se encontram para fazer música, e isso nos tocou muito.

O protagonista da peça é um trombonista que é levado a aposentar seu instrumento, mas faz de tudo para permanecer integrado à banda. Como chegaram a essa história, e o que ela nos revela sobre esse tipo de banda?

Para além da concepção e da realização musical da peça, nós tínhamos de achar uma história. E então pensamos nesse homem, mais velho, que recebe o diagnóstico de um câncer terminal, mas decide continuar tocando, mesmo que seja outro instrumento. Ele sabe que vai morrer, mas decide tocar até o fim, até o último suspiro. Então há a sua vontade de fazer arte, de permanecer integrado com os outros, assim como os outros músicos cuidando dele, brincando e tocando com ele, lidando sem desvios com o sofrimento e também com as alegrias.

Como a sua obra e o seu trabalho têm sido afetados pelo contexto social e político em que você vive, ou na Europa de um modo geral? Como o seu trabalho busca responder a questões sociais urgentes como, por exemplo, a xenofobia crescente, a crise migratória, o fortalecimento de movimentos da nova direita...

Me afeta muito. O meu mais recente trabalho, "Nicht schlafen", traz uma relação direta com o que estamos vivendo, no mundo. Não é uma questão somente europeia, mas sim uma atmosfera geral, um mal-estar que é possível sentir em cada parte do mundo, sobretudo a partir do que está acontecendo agora nos Estados Unidos, que é algo que realmente afeta a vida de muita gente. Então se você me perguntar agora como eu imagino o futuro, a partir do presente, infelizmente vejo uma paisagem muito escura à frente.

Estamos marchando e avançando em direção ao abismo?

Sim, tenho visto coisas que me deixam muito preocupado. Acompanho as notícias, leio os programas dos políticos e não vejo nada de positivo se desenvolvendo nos patamares mais altos da política mundial.

Espero que essas outras formas se tornem cada vez mais acessíveis, claras e possíveis. Que estimulem novos movimentos políticos, mas tenho receio de que, no fim das contas, o "lado mau" vença. Mas essa é a minha perspectiva, de um homem com a minha idade, depois de ter vivido algumas décadas dessa história e acompanhar a repetição de alguns desses processos. Sinto, cada vez mais, que esse outro lado está avançando, vencendo... Isso deixa muita gente em estado de desespero.

E como isso tudo afeta a sua obra?

Acho que esse contexto nos obriga a sermos cada vez mais cuidadosos em relação ao que a gente faz e cria, em relação aos efeitos que causamos com nossas obras, o engajamento social que produzimos. Acho que o engajamento político precisa estar contido nos trabalhamos que criamos, ou ser uma resultante deles.

Nesse sentido, o que as cênicas podem oferecer de singular a partir de suas estratégias de relação com o público?

Essa é a pergunta mais difícil de todas. Não sei se consigo responder em nome da arte, mas só em meu nome. Tenho consciência do meu engajamento pessoal em diferentes níveis, e dentro dessa perspectiva pessoal me preocupo bastante, por exemplo, sobre como eu me relaciono e lido com o poder, com o dinheiro, com a economia e a ecologia. São preocupações pessoais minhas.

Num segundo nível, há o modo como o meu trabalho se relaciona com isso. E sinceramente acho que reunir pessoas diferentes num mesmo estúdio e tentar criar alguma forma de relação juntos, acho que isso é uma espécie de experimento social, são tentativas de criar utopias temporárias. É um lugar que nos permite observar como lidamos uns com os outros, e a partir daí pensar de que forma podemos trabalhar em conjunto, de um modo realmente democrático quando estamos criando, respeitando as diferenças, amparando uns aos outros e em busca de criar uma experiência potente.

Num terceiro nível, acho que a performance deve transmitir engajamento político mas não deve ser um panfleto político. Mas sim outra coisa, algo que deve mostrar como você imagina que pode ser uma sociedade, ou como você gostaria de viver nessa sociedade.

Mas se você me pergunta "A arte pode fazer alguma diferença?", eu não sei como responder, mas sei que tenho que agir, apesar de ter a consciência de que a arte não pode, de fato, mudar o mundo.

Após mais de três décadas de criação, ainda é possível descobrir e aprender coisas novas? O que o anima a seguir criando?

Bom, hoje não sinto a pressão de fazer coisas por razões econômicas, e só me envolvo em trabalhos que realmente desejo participar. É claro que respondo também por uma companhia, e sei que as pessoas envolvidas precisam trabalhar. Mas o que quero dizer é que quanto mais tempo eu tenho nesse "negócio", mas sinto que isso não é um "negócio". É por isso que eu não faço "projetos", para mim isso é realmente uma política de vida, uma forma de viver. Encontrar pessoas diferentes e tentar criar com elas utopias temporárias. Depois de tanto tempo fazendo isso, posso dizer que me sinto mais feliz hoje do que quando comecei.

oglobo.globo.com | 16-03-2017

ANCARA - A Turquia ameaçou nesta quarta-feira anular unilateralmente o acordo migratório de março de 2016 com a União Europeia, que permitiu reduzir consideravelmente o fluxo de migrantes e refugiados na Europa, em meio às tensões com vários países da UE.

— Podemos acabar (com o acordo) unilateralmente. Ainda não informamos nosso interlocutores (europeus), tudo está nas nossas mãos — declarou o ministro das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, ao canal 24 TV. — A partir de agora, podemos dizer 'não vamos mais aplicar o acordo e está acabado'. Erdogan

O ministro acusou a UE de não ter autorizado, como previsto no pacto, a liberação de vistos para cidadãos turcos na UE.

O polêmico acordo, concluído em plena crise migratória, que prevê o reenvio sistemático de todos os migrantes para a Turquia, permitiu reduzir drasticamente o número de chegadas na Grécia.

Este foi o último capítulo de uma crise entre a Turquia e a União Europeia, iniciada depois que Alemanha e Holanda não permitiram na semana passada que ministros turcos participassem em seus territórios de comícios em favor do referendo que dará mais poderes ao presidente Recep Tayyip Erdogan.

Mais cedo, nesta quarta-feira, Erdogan voltou a atacar violentamente a Europa, onde, segundo ele, "o espírito do fascismo está desenfreado", e acusou diretamente a Holanda de ser responsável pelo massacre de Srebrenica.

A crise diplomática se estendeu às redes sociais. Várias contas do Twitter certificadas, entre elas as da Anistia Internacional, BBC e do ministério francês da Economia, foram atacadas por hackers com mensagens em turco comparando a Holanda e a Alemanha ao regime nazista.

O Twitter confirmou ter sofrido um ataque de grande envergadura.

— A Holanda não tem nada a ver com civilização, nem com o mundo moderno, foram eles que massacraram mais de 8.000 bósnios muçulmanos na Bósnia Herzegovina, durante o massacre de Srebrenica em 1995 — acusou Erdogan em um discurso.

Erdogan acusa Holanda de massacre de muçulmanos

oglobo.globo.com | 15-03-2017

ANCARA — Em plena crise diplomática entre a Turquia e países europeus, várias contas do Twitter foram atacadas por hackers nesta quarta-feira com mensagens em turco que comparam a Holanda e a Alemanha com o regime nazista. Entre as contas alvos do ciberataque estão a do Fundo das Nações Unidas para Crianças (Unicef), da Anistia Internacional (AI), da emissora BBC e do ministério francês da Economia. Turquia

“Alemanha nazista #Holanda nazista. Aqui uma pequena bofetada otomana para vocês. #Nos vemos em 16 de abril. Querem saber o que escrevi? Aprendam turco”, afirmava uma mensagem em turco postada às 7h (4h de Brasília), que também foi publicada nas contas de Javi Martínez, espanhol que joga no Bayern de Munique, e do ex-tenista alemão Boris Becker, entre outros.

A mensagem era acompanhada por um vídeo com trechos de um discurso do presidente turco Recep Tayyip Erdogan, que aprovou uma reforma constitucional para reforçar seus poderes, que será submetida a um referendo em 16 de abril. O Twitter confirmou ter sofrido um ataque de grande envergadura.

“Estamos cientes do problema que afeta várias contas”, declarou um porta-voz da rede social, antes de acrescentar que a fonte do ataque foi rapidamente localizada e que procede de um “aplicativo”. “Retiramos imediatamente suas permissões”.

O aplicativo em questão, o Twitter Counter, iniciou uma investigação sobre o ataque do qual foi vítima e que permitiu a ação de pirataria, afirmou à agência AFP seu presidente, Omer Ginor. Não está claro quantas contas foram atacadas, mas os alvos parecem ter sido totalmente oportunistas.

O ministério francês da Economia confirmou que sua conta no Twitter foi alvo de ataque e disse que já havia solucionado o problema, sem revelar detalhes. A BBC News North America, por sua vez, publicou uma mensagem no Twitter em que informou que “perdeu temporariamente o controle” de sua conta na rede social.

Informações publicadas em meios de comunicação, tais como Gizmodo, Engadget e o jornal "The Guardian", observaram que também foram atacadas as contas do Unicef, da Universidade de Duke e do Starbucks na Argentina.

A Turquia suspendeu as relações "de mais alto nível" com a Holanda e bloqueou a volta à Turquia do embaixador holandês, em resposta à decisão do governo do primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, de impedir a entrada na Holanda de ministros turcos que iriam participar de comícios políticos — anulados pelas autoridades locais — a favor de Erdogan.

O presidente turco classificou esta medida de "vestígio" do nazismo e criticou Haia, assim como a chanceler Angela Merkel e a União Europeia que saíram em sua defesa.

oglobo.globo.com | 15-03-2017

O Brasil tem no comércio exterior um importante vetor para a retomada do crescimento econômico. No entanto, o aumento consistente da participação brasileira no comércio global passa por ganhos de competitividade do setor produtivo e pela melhoria do ambiente interno de negócios.

O governo tem intensificado as frentes de negociações comerciais para ampliar a integração da nossa economia ao mundo. Recentemente, concluímos ou estamos avançando em acordos bilaterais sobre investimentos, compras governamentais, serviços e convergência regulatória com parceiros como Estados Unidos, México, Chile e Peru. Em conjunto com o Mercosul, estamos evoluindo nas tratativas com a União Europeia, Associação Europeia de Livre Comércio e Índia, entre outras.

Além da redução de barreiras para acesso a mercados estrangeiros, o aumento de competitividade das nossas exportações requer a desburocratização do comércio exterior. O mercado internacional demanda não apenas bons preços e qualidade, mas prazos céleres e previsibilidade. Produção competitiva e logística eficiente são fatores-chave para uma maior inserção global. É nesse cenário que se inserem os esforços governamentais de facilitação de comércio, com vistas a reduzir burocracia e custos nas exportações e importações brasileiras.

Recentemente, a Organização Mundial do Comércio (OMC) anunciou a entrada em vigor do Acordo sobre Facilitação de Comércio — primeiro acordo multilateral concluído na história da entidade. Assinado em 2013, ele busca conferir maior agilidade e transparência na intervenção dos governos nas trocas internacionais. Segundo a OMC, o acordo poderá aumentar as exportações mundiais em até US$ 1 trilhão por ano. Os principais beneficiados serão países em desenvolvimento, que possuem maior espaço para ganhos de eficiência.

O Brasil ratificou o acordo ainda no ano passado e vem efetivando suas recomendações mesmo antes do início de sua vigência. Mais que uma obrigação internacional, o governo e setor privado brasileiros vislumbram na facilitação um caminho inteligente para tornar nosso comércio exterior mais eficiente e competitivo. Por isso, o Brasil já aderiu à maioria dos compromissos pactuados na OMC e tem buscado implementar outras medidas.

No centro da estratégia brasileira está o Portal Único de Comércio Exterior, coordenado pela Secretaria de Comercio Exterior (MDIC) e pela Receita Federal (MF). A iniciativa estabelece um guichê único para centralizar a interação entre o governo e os operadores comerciais. Com a indispensável participação do setor privado, os processos de exportação e importação estão sendo revisados e seus gargalos e redundâncias, eliminados. Estima-se que a plena implantação do portal levará à redução dos prazos médios para exportar e importar em 40%. Estudo da FGV indica potencial de ganhos no PIB de até US$ 23,8 bilhões por ano e crescimento anual da corrente de comércio superior a 6%.

Uma das primeiras entregas do portal foi a eliminação da exigência de documentos em papel em operações de comércio exterior. Hoje, a quase totalidade dos documentos de importação e exportação pode ser apresentada de maneira eletrônica. Os operadores também já conseguem consultar, em tempo real e de uma única vez, o andamento de seus processos. Os efeitos desses avanços foram reconhecidos pelo Banco Mundial, que em seu relatório Doing Business apontou a melhora da posição do Brasil no ranking do comércio internacional por dois anos seguidos. O próximo passo será a adoção de novos processos simplificados na exportação (a partir de março) e na importação (a partir do final de 2017), com redução de documentos e exigências. A meta para a conclusão de todo o programa é 2018.

Outro compromisso já cumprido pelo Brasil foi a recente criação do Comitê Nacional de Facilitação de Comércio (Confac). O déficit de articulação entre os órgãos de governo e a baixa qualidade do diálogo com o setor produtivo estão na raiz da gestão pouco eficaz do comércio exterior. O Confac, sob coordenação do MDIC e do MF, permitirá organizar a atuação dos atores públicos que trabalham com comércio exterior e, em conjunto com os agentes privados, e construir saídas para os desafios existentes.

A retomada do crescimento econômico do Brasil requer que olhemos para fora de nossas fronteiras. Em conjunto com a negociação de acordos e a redução de barreiras às nossas exportações, o Brasil está buscando soluções internas para a melhoria da competitividade do comércio exterior. A facilitação do comércio apresenta respostas estruturantes de custo relativamente baixo e elevado retorno para que o país volte a avançar no cenário global.

Marcos Pereira é ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços

oglobo.globo.com | 14-03-2017

LONDRES - A primeira-ministra britânica, Theresa May, ganhou o aval das duas Câmaras do Parlamento para iniciar a ruptura com a União Europeia. Os deputados da Câmara dos Comuns derrubaram as duas emendas que a Câmara dos Lordes — a alta representação no Parlamento — havia anexado ao projeto, uma a respeito dos direitos dos europeus residentes no Reino Unido e outra sobre a votação parlamentar do acordo final. Posteriormente, a Câmara alta também aprovou a ativação do artigo 50 do Tratado de Lisboa. Com isso, May dará até o fim do mês o primeiro passo para romper amarras com seu principal aliado comercial e político. Brexit

Imediatamente depois das aprovações, espera-se que a rainha Elizabeth II faça o resto dando o consentimento real e convertendo-o, assim, em lei.

May pode enviar a carta a Bruxelas invocando o Artigo 50 do Tratado Europeu de Lisboa até o fim do mês, que dá início a dois anos de negociações para acordar os termos de ruptura.

"O que acontecerá posteriormente é bastante simples", explicou à BBC David Davis, o ministro a cargo do Brexit. "A carta vai ao Conselho Europeu", a instituição que reúne os chefes de Estado e de Governo, "e o Conselho tem que decidir as diretrizes" das negociações.

A UE afirmou que apresentará seu primeiro plano para as negociações em um prazo máximo de 48 horas depois de receber a notificação de saída de Londres, e que finalizará sua estratégia em uma cúpula no dia 6 de abril.

Posteriormente, dois anos de negociações. Segundo um relatório interno do governo espanhol, revelado pelo jornal "El País", Madri considera que o elemento "mais relevante das negociações é a manutenção da livre circulação de trabalhadores".

A Espanha abriga a maior comunidade britânica dentro da Europa, com estimativas não oficiais que falam de entre 800.000 e um milhão de britânicos instalados no país.

Segundo números do relatório, oficialmente há 286.000 britânicos na Espanha. Inversamente, há mais de 102.000 espanhóis em idade de trabalho no Reino Unido.

O relatório estima entre dois e quatro décimos de crescimento do PIB o impacto do Brexit sobre a economia espanhola, ou seja, entre 2 e 4 bilhões de euros, segundo o El País, que não informa a duração prevista deste efeito. Em cinco cenários, o que acontece com a União Europeia após o Brexit?

Descontentamento escocês

A aprovação das emendas obrigaria o governo a mudar de estratégia e abriria uma troca de acusações entre os conservadores, mas não afetaria o essencial: a saída começará em breve. O governo pedirá aos deputados que não manuseiem a lei e a deixem sem emendas, "para que possamos começar a construir um Reino Unido voltado ao mundo e uma nova aliança forte com a UE", disse Davis em sua entrevista.

Mas assim que este momento chegar, Londres pode encontrar sobre a mesa uma demanda de Edimburgo para celebrar um novo referendo de independência.

A líder do Partido Nacional Escocês (SNP) e chefe do governo regional, Nicola Sturgeon, disse na quinta-feira que o referendo pode ser realizado no fim de 2018 e insistiu que a Escócia, cujos habitantes votaram esmagadoramente a favor de seguir na UE, não tem motivos para ser condenada a sair. A Escócia já realizou um referendo de independência em setembro de 2014, no qual 55% dos eleitores optaram pela permanência e 45% pela secessão. May considera lamentável proposta de novo referendo na Escócia

oglobo.globo.com | 13-03-2017

SÃO PAULO - A semana que começa tem dois eventos que prometem mobilizar as atenções dos investidores e podem mexer com os mercados aqui e no mundo. Lá fora, a definição na quarta-feira das taxas de juros, que devem subir, pelo comitê de política monetária (FOMC) do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve agitar os mercados cambiais, enquanto que o resultado do leilão de quatro aeroportos, na quinta-feira, que colocará à prova o novo programa de concessões do governo Temer, frente importante para a retomada da economia.

Cinco fatos que vão mexer com a economia esta semana

Segunda-feira, 13. A semana começa com a divulgação do Boletim Focus, do Banco Central, cujos dados refletem as expectativas do mercado financeiro para a economia, e os números da balança comercial. Lá fora, saem os números sobre vendas do varejo e produção industrial na China e, nos Estados Unidos, o Federal Reserve analisa as condições do mercado de trabalho.

Terça-feira, 14. Um dia morno quanto a novos indicadores. Aqui, o IBGE divulga a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) de janeiro, com dados regionais. Dados sobre as expectativas com a economia e da produção industrial, em janeiro, no bloco serão apresentados na União Europeia, enquanto nos EUA saem dados de preços ao produtor relativos a fevereiro.

Quarta-feira, 15. No principal evento da semana, o comitê de política monetária (FOMC) do Federal Reserve (o banco central americano) reúne-se e deve anunciar um novo aumento na taxa de juros no país, medida que tende a dar fôlego ao dólar nos mercados cambiais pelo mundo. Ainda nos EUA, serão divulgados dados que podem mexer com a bolsas, como os estoques de petróleo bruto, vendas do varejo e estoques das empresas, além do índice de preços ao consumidor -- todos relativos a fevereiro.

Quinta-feira, 16. As atenções do mercado no Brasil estarão voltadas para o leilão de concessão de quatro aeroportos (Florianópolis, Fortaleza, Porto Alegre e Salvador) na BM&F Bovespa, o primeiro grande movimento do governo Michel Temer para tentar destravar os investimentos em infraestrutura no país. Um dia depois do Fed, o Banco da Inglaterra reúne-se para discutir os juros.

Sexta-feira, 17. No Brasil, saem as prévias de índices de preços como IGP-M e IPC da Fipe, e o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), Lá fora, tem os números da Balança Comercial na Zona do Euro em janeiro, e os dados da produção industrial nos EUA.

oglobo.globo.com | 13-03-2017

BERLIM - A chanceler alemã Angela Merkel vai alertar o presidente americano Donald Trump que uma proposta de revisão fiscal por parte dele poderia desencadear medidas de retaliação, incluindo impostos maiores sobre companhias americanas, informou a revista alemã "Der Spiegel".

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O governo alemão está revendo sua posição quanto a um imposto nas fronteiras, que apenas incidiria sobre importações americanas, e não sobre exportações. Documentos preparados para a próxima reunião de Merkel com Trump, aos quais a publicação teve acesso, classificam a medida como "tarifa protecionista" e afirma que viola as regras da Organização Mundial do Comércio.

As respostas da maior economia da Europa à medida de Trump também podem incluir a permissão empresas alemãs abaterem taxas de importação americanas de modo a compensarem a desvantagem competitiva, segundo o relatório. Eventualmente, a A lemanha poderia reduzir taxas corporativas e contribuições sociais, o que seria atrativo para companhias estrangeiras.

O comércio é ponto relevante na agenda de Merkel, que se reunirá com Trump pela primeira vez dele como presidente na terça-feira. A chanceler afirmou na quinta-feira que vai lutar para preservar o livre comércio e o fortalecimento da Europa, convocando a União Europeia a buscar acordos comerciais com outros países em resposta à tendência protecionista de Trump.

Para Merkel, defender o modelo econômico alemão, baseado na exportação, é um ponto-chave enquanto tenta melhorar os números de seu partido nas pesquisas de intenção de voto a fim de garantir seu quarto mandato em setembro. O país registrou superávit comercial recorde de mais de 8% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas e serviços produzidos de um país) em 2016, enquanto os EUA ampliaram seu déficit comercial em janeiro ao maior nível desde março de 2012.

Enquanto os republicanos no Congresso defendem a implementação do imposto de fronteira, Trump ainda precisa apoiar a medida explicitamente como parte de seu plano para tornar os EUA grandes novamente e fomentar a produção interna. O secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin deve começar a defender o plano em um encontro do G20 na Alemanha na próxima semana, levando a mensagem de que os Estados Unidos não vão tolerar países que usem a desvalorização cambial para ganhar frente no comércio.

oglobo.globo.com | 11-03-2017
Futuros acordos comerciais com o Brasil foram apontados como potenciais geradores de benefício para a economia do Reino Unido depois que o país se desligar da União Europeia (UE), no processo conhecido como Brexit, de acordo com o jornal britânico Financial Times. O Brasil é citado apenas no meio de uma reportagem com o título "Ativistas do Brexit mudam foco para o livre comércio global", ao lado de outras nações que também seriam promissoras, como Índia, Austrália e Nova Zelândia. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 09-03-2017

BRASÍLIA — Em cerimônia no Palácio do Itamaraty na noite desta terça-feira, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) assumiu o cargo de ministro das Relações Exteriores criticando o que chamou de "escalada autoritária" na Venezuela. Ele afirmou ainda que o governo brasileiro está preocupado com a crise humanitária no país vizinho. Ministros - 07.03

Confira os desafios de Aloysio Nunes no Itamaraty

— Não posso deixar de lembrar a preocupação, cada vez mais presente, com a escalada autoritária do governo venezuelano, que nos últimos anos esteve presente entre os grandes temas em debate. A nossa posição frente à Venezuela é emblemática do papel que queremos desempenhar na América Latina e no mundo. Nossa solidariedade irrestrita com aqueles que lutam pela liberdade nesse país irmão é a reafirmação do princípio constitucional da prevalência dos direitos humanos nas relações internacionais do Brasil democrático — disse no discurso na solenidade de transmissão de cargo.

Depois de falar da importância do Mercosul e anunciar que amanhã embarca para Buenos Aires para encontro com ministro desses países, voltou a falar da Venezuela.

— A situação na Venezuela continua a nos preocupar. Queremos uma Venezuela próspera e democrática, sem presos políticos e com respeito à independência dos poderes, um país irmão capaz de reencontrar o caminho do progresso para o bem de sua gente.

O novo chanceler elencou como uma das prioridades de sua gestão um novo patamar de relacionamento com a África. O novo ministro afirmou também que está na ordem do dia o acordo com o Mercosul e a União Europeia, fato que poderá proporcionar um salto nas relações do Brasil com a Europa.

No discurso de despedida, o ex-chanceler José Serra aproveitou para fazer balanço de sua gestão. Ele destacou como ponto importante de seu período como chanceler a reorientação da política externa em um contexto de grande instabilidade. O ex-ministro agradeceu ao presidente Michel Temer pela oportunidade de ocupar o cargo, que ele chamou de "uma das mais singulares e fascinantes" experiências de sua vida.

TEMER ANULA DEVOLUÇÃO DA CAMEX

Antes de tomar posse, Aloysio travou e venceu uma queda de braço com o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, pela manutenção, em sua pasta, da Secretaria Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex).

O órgão tinha sido tirado do MIDIC em negociação do presidente Michel Temer para que o ex-ministro José Serra (PSDB-SP) assumisse o Itamaraty. Com a saída de Serra, Temer cedeu a pressão de Marcos Pereira e setores da Indústria, e assinou na segunda-feira um decreto devolvendo a Camex ao órgão. Ao saber da mudança sem ser consultado, Aloysio reagiu com irritação e se negou a tomar posse com o esvaziamento da pasta.

Na tarde desta terça, antes da cerimônia de posse, Temer publicou outro decreto anulando o anterior e mantendo o órgão no Itamaraty. Empossado, o ministro Aloysio Nunes admitiu ter pedido a Temer mais tempo para fazer uma transição, se mantiver a decisão de atender á pressão do ministro Marcos Pereira.

— Eu pedi ao presidente Temer e ao ministro Marcos Pereira mais tempo para que façamos uma transição gradual, com tranquilidade. A decisão está nas mãos do presidente Temer. O importante é que essa seja uma transição tranquila. Os técnicos do Ministério do Desenvolvimento e do Itamaraty trabalham numa sintonia muito boa. A localização topográfica da Camex é o de menos. O importante é o trabalho que vai ser executado pelo órgão — disse Aloysio.

Senadores tucanos explicaram que, na conversa com Temer, Aloysio explicou que estão em andamento várias ações da Camex junto ao Ministério das Relações Exteriores, justamente para ajudar na aceleração de retomada de investimentos estrangeiros no País.

O novo decreto, publicado na tarde desta em edição extra do Diário Oficial da União, diz que "os dispositivos revogados ou que tiveram a redação alterada pelo Decreto 8.997, de 2017, ficam, respectivamente, revigorados ou com a sua redação anterior restabelecida".

oglobo.globo.com | 08-03-2017

TORONTO - Apesar do otimismo do governo brasileiro com o avanço da mineração no país, os investidores do ramo reunidos na maior feira mundial sobre o tema, o PDAC, no Canadá, exigem medidas rápidas para continuar a acreditar no país ou para fazer novas apostas. mineração

— O sentimento é positivo, mas preciso de resultados rápidos — disse Andrew Storrie, britânico que presta serviços para a multinacional Anfield Gold.

Em seu projeto já foram investidos cerca de US$ 40 milhões em uma mina de ouro no interior do Pará. Ele comprou equipamentos para operá-la e conta com 400 funcionários, mas aguarda licenças no país há mais de um ano.

— Sempre me falam que a licença sairá em duas semanas, mas isso nunca acontece — acrescenta ele.

Storrie ouviu com otimismo, como outros investidores internacionais, discursos do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, no Canadá, mas disse que não pode esperar mais muito tempo para que seu principal investidor — Ross Beaty, conhecido como o Bill Gates da mineração — continue a apostar em seu projeto, com potencial para funcionar por dez anos.

Para Luiz Mauricio Azevedo, da Associação Brasileira de Pesquisa Mineral (ABPM), se a Anfield Gold deixar o Brasil, afastará cerca de um terço dos potenciais investidores de mineração canadenses do pais — o Canada é o mais tradicional investidor em mineração do mundo, com cerca de 60% de mercado e 1.600 mineradoras listadas em bolsa.

Apesar de não haver dúvidas sobre o potencial do país — no Brasil, a mineração é feita praticamente toda na superfície e com apenas seis atividades no subsolo, onde se encontram as principais jazidas —, o cenário da mineração brasileira é complicado, por um histórico de mais de cinco anos de incertezas sobre a regulação.

Em 2012, o governo enviou ao Congresso um projeto intervencionista, que ameaçava a retirada de direitos minerários.

Nos últimos anos, Peru, Equador e Chile vêm tomando boa parte dos potenciais investimentos no país, por possuírem condições econômicas e regulatórias mais favoráveis. O índice de atratividade de investimentos minerais do Fraser Institute publicado nos últimos dias aponta que, apenas na América Latina, pelo menos Peru, Chile, México e as Guianas estão à frente do Brasil.

Em 2008, 59 empresas brasileiras tinham ações no Canada, e, agora, são apenas 17 com minas ativas. Mesmo assim, as companhias com recursos canadenses respondem por três a cada quatro quilos de ouro produzidos no Brasil.

— Temos que crescer três vezes para voltar ao que já fomos — resumiu Azevedo, da ABPM.

DECRETO PODE REDUZIR PREÇOS

É por isso que o pacote busca resgatar a credibilidade do mercado brasileiro, explicou Victor Bicca, diretor-geral do DNPM. Segundo ele, o decreto a ser publicado nas próximas semanas pelo governo vai simplificar a legislação e tende a reduzir prazos.

No segundo semestre, o DNPM vai leiloar, por meio de pregão eletrônico organizado pela Receita Federal, as primeiras mil áreas disponíveis em leilão. O edital será aberto 60 dias antes do pregão, em versões inglês e português, para atrair estrangeiros.

— O governo começa a ver a mineração como um mecanismo de alavancagem do desenvolvimento do Brasil — disse Bicca.

No fim de outubro, a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) também deverá leiloar quatro áreas para exploração mineral, em ações que deverão testar o apetite do mercado por negócios no Brasil. Embora o mercado seja reticente quanto ao sucesso de todos os leilões, essa será uma oportunidade de o governo de testar o apetite dos investidores e a aceitação das novas regras.

— A curva de preços começou a mudar e estamos saindo do fundo do poço, mas precisamos de segurança jurídica e transparência para avançar — disse Eduardo Ledsham, presidente da CPRM.

Vencerá as áreas leiloadas pela CPRM quem se comprometer a fazer mais investimentos nas minas no prazo de dois anos, como forma de o governo acelerar o ritmo da atividade mineral no país.

Também como forma de atrair os estrangeiros, Ledsham explica que a CPRM começou agora a oferecer sem custo para os interessados levantamentos aerogeofísicos feitos de cerca de 90% do país nos últimos anos. Os dados, nos quais o governo investiu cerca de R$ 1 bilhão nos últimos anos, ajudam a reduzir riscos nas atividades, uma vez que há mais conhecimento disponível sobre os solos.

Apesar de ter áreas com potencial minerados similares a países como Austrália e Canadá, onde a atividade está mais consolidada, no Brasil investe-se apenas cerca de 30% do valor anual desses dois países, na ponderação pelas áreas.

— O Brasil não dá a mineração o espaço que ela merecer, como setor nobre para a economia e o desenvolvimento — disse Fernando Coelho Filho, ministro de Minas e Energia, destacando que o segmento é uma prioridade para o atual governo.

CENÁRIO MUNDIAL DA MINERAÇÃO

Depois uma onda de forte valorização das commodities na virada da década e anos recentes de freada nos preços internacionais, o cenário mundial para os minérios é de otimismo, mas com pragmatismo.

Durante a feira do PDAC nesta semana em Toronto, Canadá, analistas se intercalaram nas declarações de que o preço do minério de ferro ter atingido a marca de US$ 90 nas últimas semanas era uma boa surpresa, mas praticamente todos veem esse preço como insustentável. Por ser um minério mais uniforme, o ferro é tido como um dos melhores indicadores da variação dos preços do setor.

Para Jon Butcher, economista-chefe da Wood Mackenzie, o cenário melhorou, mas não está róseo.

— O crescimento da Europa ainda é devagar — destacou ele.

Rory Johnston, analista dos setores de mineração e energia do Scotiabank, disse que não se pode ser tão otimista com o mercado e que algo que se possa esperar para a frente é volatilidade ao longo de uma retomada na próxima década. Segundo Johnston, porém, há alguns setores com déficit de oferta para ser otimistas, como zinco e cobre.

* O repórter viajou a convite da Agência para o Desenvolvimento Tecnológico da Indústria Mineral Brasileira (Adimb)

oglobo.globo.com | 07-03-2017

As questões em debate este ano na corrida eleitoral da França são amplas e variadas: terrorismo e comércio, a idade de aposentadoria, o legado da França na Argélia e o futuro da França na Europa. Mas, na verdade, apenas uma questão realmente importa: é possível vencer, num importante país ocidental, o coquetel de medo, nacionalismo, nostalgia, ressentimento, uma política externa pró-Rússia e grande participação do Estado na economia — uma filosofia descrita como “extrema-direita” ou “populista”, que toma uma forma on-line particularmente virulenta e influenciou vitórias eleitorais recentes nos EUA e no Reino Unido? E se a resposta for “sim”, como?

Até ser abatido por um escândalo, François Fillon, o candidato do Partido Republicano, de centro-direita, adotou o que pareceu ser a fórmula mais segura: roube os temas populistas da “extrema-direita” — a Frente Nacional, de Marine Le Pen — e faça deles questões centrais de seu programa. Ao escolher esta estratégia, ele estava copiando Theresa May, a conservadora premier britânica que derrotou o ascendente Partido da Independência (Ukip) ao anunciar que iria abandonar todas as estruturas de comércio da Europa (como queria o Ukip) e tornaria o controle sobre imigração sua prioridade.

A versão de Fillon é levemente distinta — ele defendeu a suspensão da entrada de imigrantes de fora da Europa, maior controle nas fronteiras e uma postura mais dura em relação à assimilação de muçulmanos franceses — mas a ideia básica é a mesma. Como Le Pen, cuja campanha tem sido patrocinada por dinheiro russo, ele fala de amizade com a Rússia. Ele fala abertamente sobre seu catolicismo, com a intenção de afastar de Le Pen os eleitores identificados com os “valores da família”. O problema é que a versão de Fillon de “valores da família” incluiu colocar a mulher e os filhos na folha de pagamento do Estado, uma história que simplesmente não evapora.

Isso deixa a disputa nas mãos de Emmanuel Macron, um liberal social e econômico de 39 anos, cuja estratégia é bem diferente. Está claro já há algum tempo que a velha divisão entre esquerda e direita na política europeia já não reflete mais as verdadeiras divisões sociais; e que os novos pontos de discórdia são mais bem descritos como “integracionista” versus “nacionalista”, ou, de forma mais bruta, “abertos” versus “fechados”. Mas, embora as vozes “fechadas” — partidos como a Frente Nacional de Le Pen ou o Ukip — estejam estabelecidas há tempos, Macron é o primeiro político importante da Europa a atrair apoio das massas ao defender de forma vigorosa e ativa o “aberto”.

“Eu defendo a Europa”, disse ele a um jornalista britânico. “Se você for tímido, estará morto.”

Sua estratégia, até agora, tem sido feita de desafio aos estereótipos ideológicos. Macron tem um passado como banqueiro, mas fala sobre “solidariedade coletiva”. Ele foi ministro em um governo socialista, mas disse que “a honestidade me compele a afirmar que não sou um socialista”. Em vez de um partido tradicional, ele tem seu próprio movimento, o En Marche! (Avante!), que ele criou em 2016 para difundir o ceticismo. Ele tem convidado cientistas americanos, especialmente aqueles que trabalham com mudança climática e energia limpa, a viverem na França. Ele também quer estender o tapete vermelho para acadêmicos e empresários britânicos marginalizados pela saída de Theresa May da Europa.

Ele também atrai inimigos. Como sua vitória fortaleceria a União Europeia e a Otan, a campanha de Macron acabou por atrair naturalmente a atenção daqueles que querem destruir ambos. Tanto o WikiLeaks (que afirma ter “documento secretos” de todos os candidatos) e o canal de propaganda russo RT tentaram mostrar ligações sinistras entre Macron e Hillary Clinton. A previsível campanha de boatos é conspiratória (“Macron faz parte de uma seita secreta”), antissemita (“Macron trabalha para os Rothschilds”) e pessoal (“Macron é gay”). Este tipo de campanha negativa — baseada em insultos e alegações histéricas — teve efeitos brilhantes em outros países, e ainda há tempo suficiente para que isso também ocorra na França.

O sucesso de Macron vai depender se ele consegue aguentar a próxima campanha difamatória, e tirar um truque da cartola que até agora tem escapado a seus homólogos britânico, holandês e outros: unir a centro-direita e a centro-esquerda em torno de uma única bandeira, e realizar uma campanha que é patriótica e igualmente “aberta”, dura com o terrorismo e igualmente “integracionista”.

As apostas são altas. Se ele perder, o liberalismo vai desaparecer da França por uma geração. Mas, se ele ganhar, ele terá muitos imitadores, não apenas na França, mas também no resto do continente e todo o mundo.

Anne Applebaum é vencedora do Prêmio Pulitzer e escreveu este artigo para o “Washington Post”

oglobo.globo.com | 07-03-2017

LONDRES - A seguradora britânica Standard Life anunciou nesta segunda-feira a compra do fundo de investimentos Aberdeen, também britânico, por ?£ 3,8 bilhões (US$ 4,7 bilhões), dando início a um dos maiores fundos de investimento do mundo. Ao todo, o negócio deve gerar economia anual de custos de 200 milhões à empresa.

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Realizada inteiramente por meio de ações, a transação dá início à maior gestora de recursos da Inglaterra e a segunda maior da Europa, com ?£ 660 bilhões em ativos, e terá uma capitalização na Bolsa de ?£ 11 bilhões de libras (US$ 13,5 bilhões).

Apesar de o acordo ter sido apresentado como uma fusão, os acionistas da Standard Life terão 66,7% das ações grupo e, portanto, seu controle.

"Os conselhos de administração da Standard Life e Aberdeen têm a satisfação de anunciar que alcançaram um acordo para uma fusão", informou um comunicado divulgado pelas empresas. "A fusão representa uma oportunidade excelente de potencializar a força combinada da Standard Life e do Aberdeen para criar uma empresa de categoria mundial", completa a nota.

O presidente da Standard Life, Gerry Grimstone, vai liderar o grupo e terá como braço direito o presidente do fundo Aberdeen, Simon Troughton. A nova empresa terá nove mil funcionários em todo o mundo, mas sua sede permanecerá na Escócia.

A aliança acontece em um momento em que o setor se dirige para oferta de produtos de baixo de custo que acompanham índices, afastando-se de gestão ativa de investimentos, que cobra tarifas maiores de clientes.

Em 2016, a Standard Life teve lucro operacional de ?£ 723 milhões, e a Aberdeen teve lucro de ?£ 353 milhões.

oglobo.globo.com | 07-03-2017

BERLIM — Com o governo do presidente americano Donald Trump pressionando as nações aliadas a reforçarem seus setores de Defesa, o debate sobre incrementar o poderio militar ganha foco na Alemanha. Caso consiga atingir os objetivos de Washington, o país europeu estará no caminho para ter, mais uma vez, o maior exército da Europa Ocidental. E, mesmo com rejeição — principalmente por parte dos próprios alemães — de um reforço militar alemão, as novas políticas transatlânticas de Trump fazem com que o governo reconsidere essa questão.

Nas últimas semanas, cerca de 500 soldados alemães chegaram à Lituânia para um deslocamento incerto perto da fronteira russa. A ação — liderada pela Alemanha, mas que conta com forças menores da Bélgica, Holanda e Noruega — é considerada pelos especialistas como a operação militar mais ambiciosa na região desde o fim da Guerra Fria.

— Com todo o respeito ao Estados Unidos, mas vocês tenham cuidado com o que desejam — disse o tenente-coronel Torsten Stephan, porta-voz das tropas alemãs na Lituânia. — O senhor Trump diz que a Otan pode estar obsoleta e que devemos ser mais independentes. Bem, talvez nós seremos. Info - Forças armadas Alemanha PIB

Para muitos na Lituânia, a Alemanha é considerada o bastião dos princípios da democracia e um dos maiores defensores dos direitos humanos. Frente às pressões dos EUA sobre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), os lituanos pedem uma Alemanha mais forte ao seu lado, como afirma o ministro da Defesa, Raimundas Karoblis.

— Acho que a liderança dos EUA (na Otan) deva ser mantida, mas também precisamos de uma chefia na Europa — afirma Karoblis. — Por que não a Alemanha?

O ministro lituano afirmou ainda que, com o processo de separação do Reino Unido, a Alemanha é o país com mais garantias de estabilidade na região.

Recentemente, a polícia lituana, junto com alguns políticos importantes e jornais, receberam e-mails falando sobre uma adolescente de 15 anos ter sido supostamente violada por soldados da Alemanha. O governo da Lituânia desmentiu rapidamente as alegações — mas não antes do boato ser espalhado por contas falsas em redes sociais. As autoridades investigam se russos estariam por trás do caso. Enquanto isso, sites pró-Rússia utilizam antigos estereótipos, fazendo menções ao líder nazista, Adolf Hitler, e retratando a implantação da Otan na Lituânia como uma “segunda invasão” pela Alemanha.

Desde a chegada de Trump, a discussão só aumenta entre políticos e na imprensa. No mês passado, o Ministério da Defesa anunciou planos de expandir de 166.500 a 200 mil soldados o contingente militar. Após 26 anos de cortes, o investimento em Defesa sobe 8%. A chanceler federal Angela Merkel defendeu com cautela o aumento no Exército, mas sua ministra da Defesa, Ursula von der Leyen, defende os reforços dizendo que o país “não pode se esquivar”.

— Se Trump mantiver seu tom, os EUA deixarão a defesa europeia nas mãos dos europeus de uma maneira que não é vista desde 1945 — avaliou Berthold Kohler, publisher da “Frankfurter Allgemeine Zeitung”.

Para muitos alemães, no entanto, há diversas razões para que o país não assuma essa posição de liderança. Os argumentos vão de despesas excessivas com o Exército até o medo de uma nova corrida armamentista. Segundo uma pesquisa feita pela revista alemã "Stern", 55% a população são contra novos investimentos na defesa do país nos próximos anos — enquanto 42% são a favor.

oglobo.globo.com | 06-03-2017

NOVA YORK - O banco alemão Deutsche Bank anunciou neste domingo planos de levantar pelo menos US$ 8,5 bilhões com o lançamento de novas ações e de vender uma parte de sua área de administração de ativos, em um esforço de reestruturação do grupo.

A proposta prevê o lançamento de 687,5 milhões de novas ações ainda em março, para aproveitar a valorização recente dos papéis. Como parte da reestruturação, o banco também vender ações de uma parte da área de administração de ativos, mas decidiu abandonar os planos de vender o Postbank. A ideia agora é integrá-lo ao negócio de banco de varejo.

“Nossas decisões são um passo significativo no caminho de criar um banco mais simples, mais forte e em crescimento”, disse, em comunicado, o diretor-executivo John Cryan.

Uma das maiores instituições financeiras da Europa, o Deutsche Bank tem enfrentado dificuldades para manter a lucratividade nos últimos dois anos. O banco enfrentou multas de bilhões de dólar por sua participação na crise financeira internacional — tanto nos Estados Unidos quanto na Europa —, taxas de juros baixas — que afetam o resultado do banco — e uma economia europeia ainda fraca. Em 2016, o Deutsche Bank teve prejuízo de US$ 1,51 bilhão, após perda recorde de US$ 7,38 bilhões em 2015.

A administração tem lançado mão de várias iniciativas para fortalecer o banco e seu resultado, inclusive corte de despesas e venda de parte dos negócios. Até recentemente, o banco vinha resistindo à ideia de vender novas ações sob o argumento de que isso prejudicaria os acionistas atuais. E tinha mantido o foco na venda do Postbank. Só que não foram encontrados interessados e o banco se viu sem alternativas.

O Deutsche Bank foi um últimos grandes bancos a fechar um acordo com o Departamento de Justiça por causa de sua participação na crise de subprime, que desencadeou a crise financeira internacional. Em dezembro, concordou em pagar US$ 7,2 bilhões, montante inferior aos US$ 14 bilhões que se acreditava que era a demanda das autoridades americanas.

oglobo.globo.com | 05-03-2017

LONDRES — O ministro de Finanças britânico, Philip Hammond, disse que não utilizaria as boas notícias sobre o déficit orçamentário do país para aumentar os gastos, porque, segundo afirma, o Reino Unido necessita de reservas para enfrentar sua saída da União Europeia.

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"Se teu banco aumenta o limite de seu cartão de crédito, não acredito que te sintas obrigado a gastar cada centavo desse montante de imediato'', disse Hammond à rede BBC neste domingo, antes da divulgação do boletim orçamentário anual que irá apresentar na próxima quarta-feira no Parlamento. "Creio que meu trabalho como ministro é me assegurar de que nossa economia seja resistente, tenhamos as reservas no tanque. Assim, ao embarcarmos nessa viagem nos próximos anos, quero que tenhamos confiança de que teremos gasolina suficiente no tanque para terminá-la'', declarou.

A economia britânica suportou surpreendentemente bem no ano passado o impacto inicial do Brexit, o que implica que as previsões de crescimento de 2017 possivelmente serão revisadas para cima pelo governo britânico em seu boletim orçamentário. Isto também significa que Hammond provavelmente anunciará uma modesta queda na estimativa do montante de dinheiro que o Reino Unido terá que pedir emprestado nos próximos cinco anos.

No entanto, neste domingo, o ministro disse que não relaxaria sua estratégia para melhorar as finanças públicas.Em entrvista com outra rede de televisão, Hammond afirmou que o avanço no panorama da dívida de curto prazo não significava que as coisas poderiam melhorar no longo prazo também.

As perspectivas para a economia britânica continuam sendo complexas devido à incerteza sobre o impacto do Brexit, que separa o país de um bloco que compra cerca da metade do total de suas exportações.

oglobo.globo.com | 05-03-2017
No princípio da era europeia, o calçado, a têxtil, a cortiça e a agricultura eram patinhos feios. Sectores arcaicos, diziam. Inviáveis, notavam. Condenados, garantiam. Ninguém acreditava que os empresários das anedotas com amantes e carros de luxo dessem a volta à globalização e ao euro. Deram.
www.publico.pt | 04-03-2017

PARIS - A líder de extrema-direita Marine Le Pen foi intimida por juízes de instrução a comparecer ao tribunal pelo caso no qual é acusada de ter feito pagamentos a funcionários do partido que preside, a Frente Nacional, com recursos da União Europeia. Segundo fontes ligadas ao caso, Le Pen reiterou aos magistrados que não comparecerá antes do primeiro turno da eleição presidencial, em abril, no qual é favorita. Le Pen

As acusações dão conta do período de sua Legislatura de 2011-2012 no Parlamento Europeu, chegando a centenas de milhares de euros. Ela nega as acusações e diz ser vítima de “truques sujos da política”.

Na semana passada, Le Pen se recusou a ser interrogada sobre o caso de suposto desvio de verba. A decisão da candidata foi divulgada pelo seu advogado. Ela disse que compareceria a qualquer convocação, mas apenas depois das eleições deste ano.

— Não responderei durante a campanha eleitoral — disse Le Pen, favorita no primeiro turno das eleições, no dia 23 de abril. — Este período não permite nem a neutralidade nem a serenidade necessárias para o correto funcionamento da Justiça.

As pesquisas apontam vitória da candidata no primeiro turno das eleições, mas derrota no segundo para o centrista Emmanuel macron, ex-ministro da Economia.

Nesta sexta-feira, uma sondagem da Odoxa mostra que Macron a superaria por 27% a 25,5% no primeiro turno e teria maior vantagem no segundo.

Quem é Marine Le Pen, a candidata que lidera a corrida presidencial na França?

PERDA DE IMUNIDADE POR OUTRO CASO

O Parlamento Europeu suspendeu nesta quinta-feira a imunidade parlamentar da candidata presidencial. A líder da Frente Nacional está sendo investigada por publicar no Twitter fotografias da violência do grupo extremista Estado Islâmico (EI). A história poderia prejudicar a sua campanha.

A votação no plenário do Parlamento confirma uma decisão preliminar tomada na terça-feira pelo Comitê de Assuntos Legais do Legislativo da União Europeia. A imunidade de Le Pen a protegia de uma possível acusação. Ao retirá-la, o Parlamento autoriza uma ação legal contra a eurodeputada.

Le Pen está sob investigação em seu país pela publicação no Twitter de três imagens fortes de execuções cometidas pelo EI em 2015. Uma das fotos mostra a decapitação do jornalista americano James Foley. O crime de publicação de imagens violentas, em determinadas circunstâncias, pode levar a penas de três anos de prisão e multa de 75 mil euros. A líder da extrema-direita pediu a suspensão das investigações até que as eleições sejam realizadas, sob o argumento de que a ação judicial é uma interferência em sua campanha.

oglobo.globo.com | 03-03-2017

O candidato presidencial francês Emmanuel Macron apresentou detalhes de sua plataforma política, com foco na modernização da economia, no momento me que busca rebater as críticas de que ele e seu partido não estão prontos para governar. Apresentando-se como um centrista, Macron disse que seu plano busca um equilíbrio entre tornar a economia francesa mais flexível e dar uma rede de proteção aos trabalhadores.

Macron, de 39 anos, nunca teve um cargo para o qual foi eleito. Ele diz que terá como foco a educação, os investimentos em uma economia moderna, a segurança, a renovação democrática e um compromisso com a Europa.

O primeiro turno eleitoral ocorre em 23 de abril e o segundo turno, duas semanas depois.

Macron propõe uma reforma previdência, pela qual haveria um sistema de pensão único, a fim de reduzir a complexidade do modelo atual. Ele também promete fortalecer a zona do euro com a criação de um orçamento dedicado a ela e um Parlamento para o bloco monetário, além da criação do posto de ministro de Finanças da zona do euro. Fonte: Dow Jones Newswires.

RIO — Em sua primeira fala pública após ter sido anunciado como novo ministro das Relações Exteriores, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) afirmou que quer "dar nova vida" ao Mercosul, buscando acordos com a Aliança do Pacífico e a União Europeia. Em vídeo publicado em sua conta oficial no Facebook, na tarde desta quinta-feira, Aloysio também garantiu que a política externa pode ajudar o Brasil a sair da recessão.

CONFIRA O PERFIL DO NOVO MINISTRO

— Nós temos alguns desafios muito importantes, como dar nova vida ao Mercosul, aproximar o Mercosul dos países da Aliança do Pacífico. Agora, um entendimento entre o Mercosul e a União Europeia pode dar também uma nova oportunidade para uma inserção mais competitiva do Brasil no Brasil — destacou o novo ministro.

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Aloysio garantiu que a política externa pode trazer investimentos e empregos para o Brasil, e afirmou que país é influente no mundo por defender valores como paz, justiça, meio ambiente e direitos humanos.

— O Brasil, em todos esses temas, tem muitas coisas importantes para dizer e uma contribuição positiva para que nós possamos viver em um mundo melhor — disse o senador.

O senador tucano disse que assumir o cargo é um desafio:

— Espero não decepcioná-los nessa nova incumbência que assumo. O presidente Temer me convidou, e eu aceitei, para assumir o cargo de ministro das Relações Exteriores. É um cargo muito honroso, que aceito consciente da responsabilidade e também das oportunidades que uma boa política externa como essa que vem sendo praticada pelo governo Temer pode trazer para o Brasil. Penso que a política externa, nesse momento em que o Brasil começa a sair de uma crise profunda pode dar uma grande contribuição, especialmente na área econômica, para trazer mais investimentos, mais prosperidade e empregos para o Brasil.

oglobo.globo.com | 02-03-2017

Depois de três quedas consecutivas, os investidores do mercado de ações voltaram do feriado mais dispostos à compra, influenciados principalmente pelos expressivos ganhos das bolsas da Europa e dos Estados Unidos. O cenário interno também se mostrou favorável, com manutenção das expectativas de queda de inflação e juros. Ao final do pregão desta quarta-feira, 1, o Índice Bovespa marcou 66.988,87 pontos, em alta de 0,49%. Os negócios somaram R$ 6,17 bilhões.

Com os negócios iniciados às 13h, o índice atingiu a máxima do dia logo nos primeiros minutos de pregão, atingindo os 67.397,88 pontos (+1,10%). A alta perdeu fôlego ainda na primeira hora de negócios, uma vez que as ações de bancos passaram a exibir comportamento instável, com a maioria dos papéis migrando para o terreno negativo. Por outro lado, as ações da Petrobras resistiram à virada para baixo dos preços do petróleo e subiram apoiadas em notícia da assinatura de acordo de venda de ativos.

"As altas nas bolsas dos Estados Unidos foram bastante expressivas, mas tivemos algum descolamento delas. Algumas de nossas ações subiram muito ultimamente e ficaram suscetíveis a correções, o que não significa sinal um sinal de fraqueza", disse Fernando Góes, analista da Clear Corretora.

Lá fora, o otimismo foi incentivado por dados positivos da economia dos Estados Unidos e pelo discurso do presidente Donald Trump, que na véspera fez um discurso no qual prometeu investimentos da ordem de US$ 1 trilhão em infraestrutura no país. A expectativa de incentivo aqueceu as ações de empresas ligadas ao setor.

Analistas apontam que, no Brasil, a ação que mais mostrou esse efeito vindo dos EUA foi Gerdau PN (+2,70%), uma vez que a empresa tem boa parte de suas receitas vindas de operações no país. As ações da Vale também se destacaram em alta, refletindo ainda números positivos sobre a economia chinesa. Ao final dos negócios, Vale ON e PNA subiram 1,38% e 1,14%, respectivamente.

Os estrangeiros elevaram a exposição em papéis de mercados emergentes em fevereiro, principalmente em países como Brasil e Índia. Com isso, os fluxos privados de capital de investidores não residentes para a região subiram para US$ 17,1 bilhões no mês recém-terminado, o volume mais alto desde junho de 2016, de acordo com dados preliminares divulgados nesta quarta-feira, 1, pelo Instituto Internacional de Finanças (IIF).

Em janeiro, os fluxos internacionais haviam ficado em US$ 14,1 bilhões. O IIF nota que o interesse dos estrangeiros tem sido tanto por renda fixa como nas bolsas dos emergentes. Os aportes nos mercados locais de dívida somaram US$ 10,9 bilhões em fevereiro, enquanto no mercado de renda variável eles ficaram em US$ 6,2 bilhões. Todas as quatro regiões de emergentes monitoradas pelo IIF tiveram ingressos de recursos em fevereiro.

O IIF projeta que março deve ser novo mês de ingresso de recursos externos nos emergentes, com o total nos três primeiros meses de 2017 devendo chegar a US$ 45 bilhões. Em janeiro e fevereiro, os fluxos ficaram em US$ 31 bilhões.

A rentabilidade dos ativos nos emergentes segue atrativa, mas o IIF ressalta no relatório divulgado hoje que é preciso ter cautela. Uma das razões é que ainda há considerável incerteza sobre a agenda de políticas econômicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobretudo como se dará sua política comercial. Ao mesmo tempo, alguns países têm conseguido avançar nas reformas econômicas e melhorado indicadores domésticos, o que contribui para atrair mais recursos.

Além de Trump, outros fatores que podem contribuir para uma reversão do apetite dos investidores internacionais, segundo o IIF, são o ritmo de alta de juros nos EUA pelo Federal Reserve (o banco central norte-americano) e as eleições em países importantes da Europa, principalmente a França, onde a candidata líder do partido direitista e anti-União Europeia, Marine Le Pen, vem crescendo nas pesquisas.

Além dos dados preliminares de fevereiro, o IIF divulgou dados fechados de 2016. Brasil, Índia e Turquia estão entre os emergentes que mais atraíram recursos externos no ano passado, considerando os aportes em renda fixa e renda variável. A economia brasileira recebeu US$ 32,5 bilhões, a indiana US$ 33 bilhões e a turca, US$ 33,4 bilhões. Já a China registrou saída de US$ 654 bilhões.

SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) seguiu o mercado externo e fechou em alta. O Ibovespa chegou ao final dos negócios com alta de 0,49%, aos 66.998 pontos. A alta veio na esteira dos recordes nas Bolsas americanas - hoje o Dow Jones ultrapassou os 21 mil pontos pela primeira vez na história. Já o dólar comercial fechou em queda de 0,61% ante o real, a R$ 3,095, com a ajuda do fluxo de recursos para o país.

mercado 1 de março

A Bolsa operou em alta durante todo o pregão, acompanhando as bolsas americanas, que já haviam batido recordes no início da semana, quando os mercados aqui não operaram devido ao Carnaval. O Dow Jones registra alta de 0,xx%, aos 21.xxx pontos, e o S&P sobe 0,xx%, aos 2.xxx pontos, em um pregão que alguns operadores trabalharam com os rostos marcados por cinzas em homenagem à quarta-feira de cinzas. A razão da valorização é a expectativa de uma aceleração da economia americana.

Na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um discurso voltando a prometer investimentos em infraestrutura. Isso contribuiu para a alta das ações e também do mercado de commodities, já que é esperada uma demanda maior por matérias-primas. “O discurso de Trump no congresso americano trouxe poucos detalhes, porém reforçou a visão de estímulos ao crescimento com foco em corte agressivo de impostos e políticas protecionistas”, afirmaram os analistas da Yield Capital.

As maiores altas entre as ações do Ibovespa foram registradas pela Ecorodovias e Qualicorp, que subiram, respectivamente, 4,78% e 5,02%.

Os papéis da Petrobras também tiveram alta expressiva. Os preferenciais (PNs, sem direito a voto) subiu 2,23%, cotados a R$ 15,52, e os ordinários (ONs, com direito a voto) avançaram 2,94%, a R$ 16,43. Os PNs da Vale e os ONs subiram, respectivamente, 1,14% e 1,37%.

Fora do índice, as ações da PDG dispararam 25,75%, cotada a R$ 2,49. Essa valorização, no entanto, não supera a queda de 36,7% que a incorporadora sofreu desde o dia 22, data em que anunciou que iria pedir recuperação judicial, até a última sexta-feira.

Internamente, os investidores estão de olho nas repercussões do depoimento do empresário Marcelo Odebrecht ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que apura denúncias contra a chapa Dilma-Temer das eleições de 2014.

Na Europa o pregão também foi de ganhos, o DAX, de Frankfurt, subiu 1,97%, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, avançou 2,10%. O FTSE 100, de Londres, teve valorização de 1,64%.

DÓLAR CAI COM FLUXO

A moeda americana chegou a inciar o pregão em alta - na máxima, chegou a R$ 3,124 -, refletindo a expectativa de um amento dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o bc americano) na próxima reunião e o aumento das taxas dos títulos americanos nos últimos dias, mas o fluxo de recursos fez com que ela mudasse de tendência.

— O dólar continua em tendência de queda. Mesmo com a esperada alta de juros nos Estados Unidos, ela irá ocorrer de forma gradual e os juros no Brasil ainda estão em patamares elevados. Isso atrai um fluxo de recursos — explicou Bernard Gonin, analista de renda Fixa da Rio Gestão.

No mercado internacional o dólar ganha força. O “dollar index”, que mede o comportamento da divisa americana frente a uma cesta de dez moedas, tinha alta de 0,58% próximo ao horário de encerramento dos negócios no Brasil. No exterior, os investidores refletiram a divulgação do “Livro Bege”, um relatório com indicadores sobre a economia americana, que mostrou uma melhor percepção em relação ao mercado de trabalho.

Em meio a esse cenário de indicadores mais consistentes de crescimento, os investidores passaram a apostar em uma alta na taxa de juros dos Estados Unidos já na reunião dos dias 14 e 15 de março. Ontem, com dados nas negociações no mercado de juros da Bolsa de Chicago, a probabilidade de alta na próxima reunião do Fed era de 35,4%. Hoje, passou para 66,4%.

oglobo.globo.com | 01-03-2017

PEQUIM - A recente paixão declarada dos chineses pelo café levou três empresários brasileiros a uma aventura cujo modelo poucos compatriotas ousaram até agora. Pelo menos no ramo do café. Criaram a Carioca Coffee, uma marca de produtos processados, feitos sob medida para o público da China, que só serão vendidos na Ásia. Os negócios serão feitos pela trading Meeet, que eles fundaram em solo chinês. café china 2802

A estratégia é inundar o mercado da segunda maior economia do mundo com os produtos made in Brazil e oferecer o Brazilian way of life em simpáticas cafeterias que servirão de vitrine para a marca. A primeira já está em funcionamento em uma área nobre de Xangai, onde fica o escritório da empresa. Há exatamente um ano em operação, a Carioca Coffee vende quatro blends de café torrado moído e em grão — o Sunset Orange (com imagem do pôr do sol do Rio), o Amazon Green, o Samba Red e o Brazil Yellow (em referência ao futebol, com a camisa da seleção brasileira) — que já estão em 22 cidades.

O caminho até o consumidor passa pela maior rede de supermercados de produtos importados da China, lojas on-line nas grandes plataformas de comércio eletrônico e pelas redes de hotel, restaurante e outras cafeterias. Já foram mais de 20 mil quilos de café exportados até agora. A ideia é que, ainda nesse semestre, tenham início as vendas de chocolate da marca.

— É um novo conceito. É muito mais do que uma cafeteria. A cafeteria funciona para dar confiança aos clientes sobre os produtos da Carioca e oferecer o Brazilian way of life, fazendo jus ao nosso slogan Let´s Brazil! Nossa empresa tem 100% de capital brasileiro, sócios brasileiros, mas está registrada na China, com todas as licenças válidas e aprovadas pela autoridade chinesa — disse ao GLOBO o empresário Leonardo Scarpelli, um dos sócios da Carioca Coffee, que pertence ao Union Group, um fundo de investimentos que opera em projetos pelo mundo, de infraestrutura na África à construção na Europa.

LICENÇAS CARAS

A empresa abriu as portas no ano passado, mas os estudos de mercado começaram em 2014. A ideia era entender o gosto do público chinês e descobrir como os chineses viam o Brasil. Na China, o processo para a obtenção das licenças é complexo e caro, cabendo aos investidores pagar pelas pesquisas sobre os produtos que pretendem vender. Segundo Leonardo, o mercado de café no país pode ser pequeno, mas exige investimentos altos, proporcionais ao potencial de 600 milhões de consumidores de classe média.

— Não vendemos nada no Brasil. Não temos interesse em fazê-lo pela diferença de estratégia, que, no nosso caso, é totalmente voltada para o mercado chinês — conta Leonardo, mineiro de Belo Horizonte, como os outros dois sócios, Luiz Fernando de Mello e Mário de Melo Botelho.

Para Leonardo, que se apaixonou pelo país quando veio estudar mandarim, em 2009, a transformação da China num mercado agressivo de consumo é um fenômeno único na história mundial. Para ele, não basta embalar o produto e mandar para a China. É preciso pensar como os chineses.

oglobo.globo.com | 28-02-2017
A Europa continuará aberta ao comércio. Uma UE aberta ao exterior pode tornar-se o destino favorito para talentos, investimentos e empresas de todo o mundo.
www.publico.pt | 27-02-2017

LONDRES - O salário médio dos trabalhadores do setor industrial na China já ultrapassou o de países como Brasil e México e está se aproximando da renda média da força de trabalho na Grécia e em Portugal, segundo levantamento da consultoria Euromonitor publicado na edição de hoje do jornal britânico “Financial Times”. Considerando os trabalhadores chineses como um todo, a renda por hora é superior a de todos os grandes países da América Latina, com exceção do Chile. Em relação aos países menos desenvolvidos da zona do euro, o chinês recebe 70% do salário médio.

O salário médio por hora na indústria chinesa triplicou entre 2005 e 2016, para US$ 3,60, segundo o Euromonitor. No mesmo período, o salário no setor industrial no Brasil caiu de US$ 2,90 para US$ 2,70. No México, a queda foi de US$ 2,20 para US$ 2,10. Os dados foram compilados junto à Organização Internacional do Trabalho, à Eurostat (o órgão de estatísticas da União Europeia) e a agências de estatísticas nacionais. Em seguida, foram convertidos para o dólar e ajustados pela inflação. O custo de vida em cada país não foi levado em consideração.

AMEAÇA A POSTOS DE TRABALHO

Os números mostram como a China elevou o padrão de vida de sua população nos últimos anos. Alguns analistas avaliam que ganhos de produtividade poderão elevar ainda mais os salários no país asiático. Por outro lado, o crescimento dos salários pode fazer com que os chineses comecem a perder emprego para outros países em desenvolvimento, num cenário de busca por corte de custos pelas empresas instaladas na China.

Os dados publicados no “FT” também revelam os problemas que enfrentam os países latino-americanos, onde a renda estagnou e, em alguns casos, caiu em termos reais. Na Grécia, o salário médio por hora caiu mais da metade desde 2009, segundo a Euromonitor.

— É marcante como a China fez bem, comparando-se a todos os outros países — disse Charles Robertson, economista-chefe do banco de investimentos Renaissance Capital, ficado em países emergentes. — Ela está convergindo com o Ocidente, quando tantos outros mercados emergentes não conseguiram.

oglobo.globo.com | 27-02-2017

AMSTERDÃ e LONDRES - Depois de o Reino Unido decidir abandonar a União Europeia (UE), em junho do ano passado, a Holanda começa a avaliar a possibilidade de abandonar a zona do euro. Na última quinta-feira, o Parlamento holandês aprovou por unanimidade a proposta de se fazer um estudo sobre alternativas à moeda comum. Apresentada pela oposição, a proposta visa a promover um amplo debate sobre o tema, num cenário de crescente ceticismo quanto ao euro.

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O projeto foi apresentado pelo senador Pieter Omtzigt, do partido democrata-cristão e aprovado em sessão parlamentar na última quinta-feira. Ele autoriza o início do estudo, que será supervisionado Conselho de Estado, órgão de assessoramento jurídico do governo. As conclusões da pesquisa serão apresentadas em alguns meses, quando a composição do Parlamento terá mudado drasticamente após as eleições, previstas para março.

— A pesquisa vai avaliar se a Holanda poderia sair da zona da moeda única e, se sim, investigar como isso seria possível —, disse o senador Pieter Omtzigt, do partido dos democratas-cristãos.

PERDA COM JURO BAIXO DO BCE

Omtzigt disse a pesquisa foi solicitada, principalmente, devido às preocupações de que as taxas de juros Banco Central Europeu (BCE), que estão muito baixas, estariam afetando os holandeses, especialmente os aposentados. Essa preocupação tem sido percebida não apenas na Holanda, mas também em outros países europeus.

Partidos populistas têm apostado nessa onda para fazerem suas campanhas eleitorais. Por isso, o movimento de Omtzigt também pode ser interpretado como uma tentativa de “roubar” eleitores do candidato de extrema direita Geert Wilders, do Partido para a Liberdade. Wilders também se opõe ao euro e está liderando as pesquisas de opinião para as próximas eleições parlamentares, com a promessa de fazer um referendo sobre a participação da Holanda na zona do euro.

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, critica essas propostas e defende a manutenção do país na área de moeda comum. A decisão de deixar a União Europeia pelos britânicos também foi feita em referendo, mas não há prazo para isso ocorrer. No caso britânico, o país não integrava a zona do euro e, sim, o bloco que reúne países europeus e que garante livre circulação de bens, serviços e pessoas entre seus membros.

APÓS BREXIT, 'FINTECHS' DEIXAM O REINO UNIDO

Hoje, o Reino Unido está vivendo um êxodo de fintechs, empresas de serviços financeiros fortemente apoiadas em tecnologia e internet. Segundo reportagem publicada na edição deste domingo do jornal britânico “Guardian”, empresas do setor estão ativamente buscando alternativas para deslocar funcionários e investimentos para fora do país devido às incertezas trazidas com o Brexit.

Simon Black, presidente do grupo PPRO, conhecido por ser uma das fintechs de mais rápido crescimento na Europa, disse ao “Guardian” que estava inaugurando uma operação em Luxemburgo devido à incerteza sobre se as empresas sediadas no Reino Unido continuariam a fazer negócios no resto da Europa com as regras que regem as relações entre todos os membros da União Europeia.

oglobo.globo.com | 26-02-2017

BERLIM — Assustados e surpresos com a ascensão da extrema-direita, partidos progressistas começaram a reagir e a formar alianças para tentar frear seu avanço na Europa, num ano em que franceses, holandeses e alemães vão às urnas escolher seus próximos governantes. A estratégia de contra-ataque é pragmática e inclui até a aproximação com legendas de centro — todos reunidos, entre outros motivos, no intuito de preservar a União Europeia do ataque dos populistas de direita..

Na França, o abalo provocado por Marine Le Pen, da Frente Nacional (FN), uma forte candidata nas eleições de abril à Presidência, já fez com que François Bayrou, três vezes candidato ao Palácio do Eliseu, desistisse da corrida na quarta-feira passada. O veterano presidente do partido centrista Movimento Democrata declarou seu apoio ao independente Emmanuel Macron, justificado com a alegação de que o país corre “um risco extremo” que necessita de “respostas excepcionais”. Segundo o político verde Daniel Cohn-Bendit, que vive entre a França e a Alemanha, o único candidato com condições de evitar a “catástrofe europeia”, como descreve uma vitória de Le Pen, seria Macron, ex-ministro da Economia.

— Macron é o político que tem mais chances de frear os populistas. Em um segundo turno, ele se uniria ao candidato socialista (Benoit Hamon) — prevê Cohn-Bendit.

Toda a Europa acompanha com suspense o que vai acontecer na Holanda no próximo dia 15. Uma frente foi formada contra Geert Wilders, do Partido da Liberdade (PVV), um candidato antimuçulmano, anti-imigrante e anti-União Europeia. Para o cientista político Maurice de Hond, Wilders será o mais votado, mas isso não é garantia de que possa formar o governo. O premier Marc Rutte, do partido conservador liberal VVD, já adiantou que não aceitaria uma aliança com a extrema-direita. Depois da queda dramática do entusiasmo dos holandeses pela UE, Rutte é, porém, apenas um espectador do sucesso do líder populista que compara o Alcorão ao livro de Hitler “Mein Kampf”.

TEMOR DE REAÇÃO EM CADEIA

Com poucas chances, mas decididos a salvar a UE dos radicais, o GroenLinks (Verde Esquerda), de Jesse Klaver, está disposto a se unir aos liberais do D66 para frear Wilders. Se o “Trump holandês”, como é conhecido, ganhar, há o risco de uma reação em cadeia, temem analistas políticos. E se Le Pen for eleita na França, os dois países poderiam declarar sua saída da UE, uma decisão que provocaria graves consequências em todo o bloco e poderia atingir o euro.

Em toda a Europa são traçados cenários para evitar o terremoto, que não se restringe a França e Holanda. A esquerda alemã vai se unir nas eleições do dia 24 de setembro contra dois adversários: a extrema-direita e Angela Merkel. Para tirar a chanceler federal do governo, depois de quase 12 anos, o Partido Social Democrata (SPD) lançou Martin Schulz, ex-presidente do Parlamento Europeu, que tenta formar uma aliança de três partidos progressistas unindo SPD, os ex-comunistas e os verdes. O outro objetivo é barrar o crescimento do Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema-direita. Para isso, Schulz já começou a adotar um estilo bem mais progressista do que tinha Gerhard Schröder, ex-chanceler federal e colega de partido. Ele já antecipou que vai rever o programa de cortes sociais de Schröder, a Agenda 2010.

Na tentativa de frear radicais, os partidos europeus têm como modelo Bélgica e Suécia, onde a experiência de grandes alianças já começou a funcionar, incluindo o centro. Depois que os populistas dos Democratas Suecos (SD) galoparam nas pesquisas, alcançando 20% das previsões de votos, os dois principais blocos — do Partido Social Democrata com o Verde, de governo, e o conservador (formado por quatro partidos) — fecharam um acordo para que a aliança mais votada possa formar o governo, mesmo sem ter maioria. Nesse cenário, o atual governo “vermelho/verde” (social-democrata/verdes) é tolerado pela aliança conservadora. Trata-se da primeira ação do gênero.

Na Bélgica, que tem um cenário bastante complexo devido à divisão das agremiações entre as regiões de idioma francês e holandês, a ameaça da extrema-direita também vem sendo evitada por meio de alianças. O bloco conservador do primeiro-ministro Charles Michel — democracia cristã, liberais e nacional-democratas (CD&V,N-VA e VLD) — e o progressista Partido do Trabalho (PTB), atualmente de oposição, conseguiram frear o avanço de Vlaams Belang, separatista e de extrema-direita.

Mas a cientista política belga Chantal Mouffle, professora de Teoria Política da Universidade de Westminster, em Londres, defende que só é possível combater o inimigo, o populismo da extrema-direita, usando a mesma arma.

— Precisamos de um populismo da esquerda para salvar a Europa da ameaça da extrema-direita — diz a analista, que considera o populismo um instrumento da democracia.

Na França, Macron parece ser a concretização da teoria de Chantal. Jovem, bonito e carismático, o “Kennedy do Sena”, que registra um aumento de popularidade, tornou-se a principal arma para evitar uma presidente Le Pen, depois do desgaste do candidato do partido Os Republicanos, François Fillon, e da letargia dos socialistas, um legado deixado pela impopularidade de François Hollande.

A cientista política afirma que esse populismo como arma de contra-ataque pode ser visto também no Syriza, do premier grego, Alexis Tsipras, ou no Podemos, de Pablo Iglesias, na Espanha. Já na Itália, outra nação que pode contribuir para a perspectiva sombria de “desmoronamento da UE”, como receia Sigmar Gabriel, ex-presidente do SPD e ministro das Relações Exteriores, o populismo é quase exclusivo da extrema-direita, da Liga Norte — ou do Movimento Cinco Estrelas de Bepe Grillo.

OPOSIÇÃO ESTÁ ENFRAQUECIDA

Oskar Niedermeyer, da Universidade de Berlim, lembra que a extrema-direita encontra chances de crescer quando os partidos democráticos deixam de ser vistos como uma opção.

— Os conservadores e os social-democratas perderam os seus contornos ideológicos — critica.

Também no Leste Europeu, partidos começaram a adotar uma política mais agressiva contra populistas. Depois de quase dez anos de governo de Viktor Orbán, os socialistas húngaros vão tentar derrubá-lo nas eleições do próximo ano. Mas o cientista político Peter Kreko, de Budapeste, afirma que a oposição continua fraca e que Orbán precisa temer mais a ameaça que vem da sua direita:

— Na Hungria, aliança progressista não avançou.

Orban pode ser ultrapassado pelo partido Jobbik, ainda mais conservador, que nos últimos meses tenta se livrar da imagem de racista.

oglobo.globo.com | 26-02-2017
Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional continuam a traçar um retrato bem mais sombrio da economia portuguesa que o Governo e colocam o problema do crédito malparado cada vez mais no centro do debate.
www.publico.pt | 23-02-2017

SÃO PAULO - A petroquímica Braskem teve prejuízo líquido consolidado de R$ 2,637 bilhões no quarto trimestre do ano passado, ante lucro líquido de R$35 milhões em igual período de 2015, segundo prévia não auditada do balanço. O resultado da companhia foi afetado pela provisão de multa referente ao acordo de leniência firmado em dezembro de 2016, com autoridades globais no âmbito da Lava-Jato, no qual a empresa se comprometeu a pagar US$ 957 milhões (R$ 3,1 bilhões). braskem_2202

Em fato relevante, a Braskem diz que decidiu adiar para 29 de março o arquivamento das demonstrações financeiras auditadas, enquanto conclui as avaliações necessárias de processos e controles internos após o acordo.

A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado consolidado somou R$ 2,385 bilhões, queda de 10% ante o último trimestre de 2015.

A petroquímica apurou uma receita líquida de R$ 11,9 bilhões no quarto trimestre, 1% menor na comparação anual devido à apreciação do real.

Conforme material de divulgação do balanço, as operações no Brasil contribuíram com 51% do faturamento total, enquanto Estados Unidos e Europa responderam por 17%, México por 6% e as exportações contabilizaram 19%.

O resultado financeiro líquido da empresa ficou negativo em 898 milhões de reais, ante os 841 milhões de reais negativos do quarto trimestre de 2015.

INVESTIMENTOS

A Braskem investiu entre outubro e dezembro R$ 757 milhões, sendo R$ 573 milhões no Brasil. No acumulado de 2016, a companhia desembolsou R$ 2,975 bilhões, menos que os R$ 3,661 bilhões previstos para o ano passado. Entre os motivos, a petroquímica citou o efeito da apreciação do real em valores investidos em dólares e a otimização do portfólio, o que resultou no adiamento ou cancelamento de projetos operacionais e estratégicos.

Para 2017, a companhia prevê investir cerca de R$ 1,814 bilhão, dos quais R$ 179 milhões em unidades dos Estados Unidos, Europa e México.

Ao fim de dezembro do ano passado, a Braskem acumulava uma dívida líquida ajustada de R$ 20,014 bilhões, incluindo a atualização contábil do valor de face do acordo de leniência de R$ 3,1 bilhões firmado com as autoridades globais no âmbito da operação Lava Jato.

Com isso, o prazo médio do endividamento da empresa era de 14,6 anos e a alavancagem medida pela relação dívida líquida sobre Ebitda estava em 1,82 vez em real e 1,95 vez em dólar.

oglobo.globo.com | 22-02-2017

O comércio inicia o ano um pouco mais otimista com as medidas anunciadas pelo governo para estimular a economia, que não resolvem a situação do setor, mas melhoram o ambiente de negócios e animam o consumidor, assustado com o desemprego.

Entre as medidas, pelo menos três devem contribuir para a melhoria das vendas. São elas a cobrança de preços diferenciados por um mesmo produto, com descontos de 5% ou mais para pagamentos à vista, o que também beneficia o consumidor; a diminuição do prazo de recebimento pelos lojistas das compras feitas com o cartão de crédito, que hoje acontece 30 dias após a venda, o que vai melhorar o fluxo de caixa das empresas; e o aprimoramento da regulamentação do trabalho temporário e do trabalho por jornada parcial.

Outra decisão importante que terá reflexo no comportamento do consumidor é a autorização para o trabalhador sacar as contas inativas do FGTS. Segundo o governo, a decisão vai injetar R$ 30 bilhões na economia este ano.

Tudo isso é animador. Mas não podemos perder de vista que, no caso específico do comércio, o setor vem sofrendo bastante os efeitos da desaceleração econômica — especialmente nos dois últimos anos, agravada pela crise política e embalada pelas denúncias de corrupção em diversas áreas, ampliada pela situação quase falimentar do Estado do Rio de Janeiro.

Efeito perverso desse quadro é que todas as datas comemorativas do comércio do ano passado, como Dia das Mães, Páscoa, Dia da Criança, dos Pais, dos Namorados e do próprio Natal — a maior de todas elas e responsável por um terço do faturamento anual do comércio — tiveram desempenho menor das vendas do que em 2015.

Conhecido pela sua capacidade de adaptar-se aos momentos desfavoráveis da economia, o comércio varejista é um dos bons exemplos nacionais de desempenho. Funciona como um dos motores que impulsionam a economia, fazendo girar a roda do seu crescimento, além de ser um dos maiores empregadores.

Neste cenário, quando a sociedade e os setores produtivos geram emprego, renda e fazem girar o círculo virtuoso da economia, é necessário reagir imediatamente para superar os obstáculos. É preciso buscar soluções que minimizem e deem fôlego às empresas para atravessar as turbulências e chegar em terra firme em condições de, pelo menos, manter os negócios e os empregos.

Não devemos esquecer que países fortes e ricos da Europa e os Estados Unidos tiveram no consumo uma das bases do seu crescimento. E aqui não pode ser diferente, principalmente com um mercado interno grandioso como é o nosso. O crescimento do consumo gera aumento de produção, movimenta a indústria, que, por sua vez, gera mais empregos e aumenta a arrecadação de impostos. E isso possibilita maiores investimentos em infraestrutura. É o chamado circulo virtuoso.

Aldo Gonçalves é presidente do Clube de Diretores Lojistas do Rio e do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro

oglobo.globo.com | 20-02-2017

NOVA YORK - Os investidores deveriam estar um pouco mais nervosos, na opinião de um gestor de recursos da BlackRock. As bolsas dos EUA bateram recordes diante de sinais de estabilização da economia chinesa e da expectativa de que o presidente Donald Trump gaste mais com infraestrutura, relaxe regras e reduza impostos. Embora a disparada das ações e a volatilidade abaixo da média mostrem um clima de maior otimismo, os mercados estão subestimando os riscos políticos globais, disse Russ Koesterich, um dos gestores do BlackRock Global Allocation Fund, com US$ 41 bilhões. Ele recomenda o ouro como forma de proteção.

Eleições próximas na Europa e incerteza política nos EUA são alguns dos fatores que podem mexer com o sentimento dos investidores, afirmou Koesterich. Essas ameaças são amplificadas pelo potencial impacto da saída do Reino Unido da União Europeia e da crise da dívida na Grécia. Essas preocupações ajudaram a aumentar a demanda pelo ouro como porto seguro. O metal se valorizou 8 por cento neste ano, após registrar seu pior desempenho trimestral desde 2013.

— Aquele risco político escondido não está refletido nos mercados”, afirmou Koesterich na quinta-feira. — As pessoas não estão tão nervosas e existem coisas que podem dar errado, especialmente quando consideramos todos os riscos políticos. Isso fortalece o argumento para inclusão do ouro em uma carteira.

A onça do ouro se encaminha para sua sétima semana em oito de valorização.

Nos EUA, as bolsas tiveram nesta semana a mais longa fase de alta em três anos, a inflação subiu e o mercado de trabalho vem ganhando força. Isso ocorre ao mesmo tempo em que uma métrica de incerteza sobre políticas econômicas em nível global bateu recorde em janeiro.

— Parte dessa alta se baseia no fato de os investidores esperarem algum estímulo de Washington na forma de cortes de impostos e potencial estímulo fiscal — disse Koesterich. — O que vai acontecer se isso não vier? Haverá algum estímulo, mas o cronograma, a forma e a magnitude ainda são bastante incertos.

oglobo.globo.com | 17-02-2017

RIO - A brasileira Go4it, empresa de negócios esportivos, está dando seu maior passo no exterior, com a compra da Strava, misto de rede social e aplicativo formada por atletas e que está presente em 195 países. A Go4it foi fundada por Marc Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann, do 3G Capital, empresa que detém fatia controladora da Ambev, entre outros investimentos.

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Essa será a quinta aquisição da Go4it no exterior no segmento de tecnologia. A lista já conta com empresas de conteúdo digital e aplicativos ligados a atividades esportivas.

Para adquirir uma parte da rede social criada nos EUA em 2009, o filho de Lemann se juntou a pesos-pesados da tecnologia, como a Sequoia Capital, do Vale do Silício, um dos primeiros investidores de Google, Airbnb e WhatsApp, e o Mandrone Capital, ligado à família dona da rede de supermercados Walmart.

O valor do negócio e a fatia na rede social não foram revelados. Cesar Villares, cofundador da Go4it, ressalta que a empresa está avaliando oportunidades de investimento em ativos esportivos globais. A Strava, por exemplo, segundo dados da consultoria comScore, teve, em dezembro, cerca de 285 mil usuários ativos. Alguns deles famosos, como o técnico de vôlei Bernardinho e o apresentador Luciano Huck.

— O potencial do Strava é imenso. Estamos buscando oportunidades de investimentos em ativos esportivos e de tecnologia ao redor do mundo. Além disso, o investimento visa também a apoiar as estratégias de expansão em mercados que conhecemos profundamente, como o Brasil e a América Latina — explicou Villares.

Strava vem da palavra sueca que significa “esforço”, e a rede tem como objetivo estimular atividades físicas entre atletas e esportistas, permitindo que as pessoas gravem e compartilhem as atividades praticadas.

UBER NO FLAMENGO

No exterior, a empresa também se associou a celebridades do mundo esportivo, como o tenista Roger Federer, em um evento de tênis chamado Laver Cup, na República Tcheca, que ocorre em setembro.

— É um torneio que vai entrar no calendário mundial do tênis. Na Laver Cup vamos assistir a partidas como a da dupla Federer e (Rafael) Nadal representando o time Europa — disse Villares.

No Brasil, a Go4it atua na gestão da carreira de atletas como o surfista Gabriel Medina, o jogador de futebol Thiago Silva, o nadador Daniel Dias e o piloto Felipe Nasr. A empresa atua como consultoria estratégica para marcas que usam o esporte na sua estratégia de marketing. O executivo cita que a companhia foi a responsável pelo patrocínio do Uber no futebol do Flamengo. A Go4it fez parceria com UFC e a Liga Mundial de Surfe.

oglobo.globo.com | 17-02-2017
É tentador interpretar a subida do mercado de ações dos EUA e a confiança das empresas como sendo resultado da eleição do presidente Donald Trump. Mas a ascensão é global: na Europa, Japão, China e em outros lugares, as pesquisas entre empresários e os mercados estão muito mais otimistas.¾
online.wsj.com | 16-02-2017

ESTRASBURGO - A Eurocâmara aprovou nesta quarta-feira o acordo comercial da União Europeia com o Canadá, abrindo caminho a uma implementação provisória iminente deste espaço de livre comércio de 550 milhões de pessoas. Por 408 votos a favor, 254 contra e 33 abstenções, os eurodeputados deram sua aprovação ao acordo Acordo Econômico e Comercial Global (Ceta) e negociado por sete anos, após um debate de três horas marcado por uma série de duras críticas entre partidários e opositores do tratado.

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Bruxelas busca que este tratado comercial, negociado durante sete anos, se converta no modelo dos futuros acordos, como o negociado com o Mercosul, em um contexto de incerteza no comércio internacional depois da chegada de Donald Trump à Casa Branca.

Trump retirou seu país do Tratado Transpacífico de Cooperação Econômica (TPP) e anunciou sua intenção de renegociar o Tratado de Livre Comércio para América do Norte (Nafta), por considerá-lo especialmente generoso para com o México.

Em sua intervenção aos eurodeputados, a comissária europeia de Comércio, Cecilia Malmström, reiterou os benefícios do comércio internacional na economia e no comércio e defendeu os valores compartilhados com o Canadá, como a tolerância, os direitos humanos ou a luta contra o terrorismo.

— Construir muros não funciona — disse Malmström em uma referência velada a Trump. — O caminho são os acordos comerciais justos e equilibrados com parceiros que pensam como nós — acrescentou.

A direita e os liberais expressaram seu apoio ao acordo, frente à rejeição dos verdes, da extrema esquerda e da ultradireita. O grupo social-democrata votou dividido, sendo criticado por seu principal rival, o PPE, de direita.

Na próxima quinta-feira, será a vez do primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, defender na Eurocâmara reunida em Estrasburgo (nordeste da França) "o caráter singularmente progressista do acordo", nas palavras de seu gabinete.

'DESMANTELAR A DEMOCRACIA?’

O 'sim' da Eurocâmara abre caminho para a aplicação provisória deste acordo, em princípio a partir de abril, que deixaria de fora alguns dos aspectos mais controversos como o mecanismo de resolução de litígios que facilita que as multinacionais denunciem os Estados caso considerem suas políticas contrárias a seus interesses comerciais.

Embora Bruxelas defenda que esse tratado comercial suprimirá 99% das tarifas e implicará em uma economia de € 500 milhões para os exportadores europeus, seus críticos alegam que o acordo é perigoso para o meio ambiente e para os agricultores europeus, enquanto seria demasiadamente favorável às multinacionais.

Vários opositores ao tratado, tanto membros de ONGs como de partidos de esquerda, bloqueavam deitados no chão a passagem à sessão plenária, que atrasou alguns minutos.

Frases como "Dizer sim ao Ceta é pisotear o povo" e "Desmantelar a democracia? De maneira nenhuma" podiam ser lidas em cartazes carregados pelos manifestantes. Cerca de 700 pessoas protestaram nas ruas de Estrasburgo, segundo a polícia.

Vários estudos contestam os aparentes benefícios do acordo, como o da universidade americana de Tufts, perto de Boston, que estima que o Ceta "implicará a perda de 230 mil empregos até 2023", e 200 mil na UE.

Para sua entrada em vigor completa e definitiva, o acordo deverá ser ratificado pelos parlamentos nacionais e alguns regionais dos 28 países da UE, um longo trâmite de anos com final incerto.

oglobo.globo.com | 15-02-2017
O racismo anti-semita tem um recrudescimento assustador. Quase um quarto dos alemães tem uma opinião negativa dos judeus.. Hoje, 24% dos norte-americanos e 30% dos cidadãos da União Europeia consideram que os judeus possuem demasiado poder na economia.
www.publico.pt | 13-02-2017
A Comissão Europeia elevou ligeiramente nesta segunda-feira as previsões de crescimento econômico na Alemanha para este ano e o próximo, citando emprego e consumo robustos e uma possível recuperação no investimento em máquinas.A União Europeia (UE) prevê que a maior economia da Europa cresça 1,6% em 2017 em relação ao ano anterior, citando menos dias de trabalho do que em 2016. Além disso, a projeção de crescimento em 2018 é de 1,8%. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 13-02-2017
A Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, disse hoje que já não espera mais que a economia do Reino Unido desacelere tanto quanto imaginava em novembro, apesar das incertezas causadas pelo futuro processo de retirada do país da UE (o chamado "Brexit").A projeção agora é que o Produto Interno Bruto (PIB) britânico cresça 1,5% em 2017 e 1,2% em 2018, após exibir expansão de 2% em 2016. Quatro meses atrás, a comissão previa avanço de apenas 1% em 2017. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 13-02-2017

SÃO PAULO - A semana será fraca na divulgação de indicadores econômicos, mas uma série de articulações no campo político e da equipe econômica podem ocasionar em eventos que vão afetar o bolso de todos os consumidores. Além disso, a temporada de balanços chega em sua reta final, e os analistas avaliam qual o fôlego das empresas para uma retomada da atividade econômica neste ano.

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— Os resultados do quarto trimestre que ainda estão sendo divulgados servem como um indicador de retomada ou da velocidade que essa recuperação vai ocorrer. A perspectiva de 2017 depende muito de como as companhias terminaram o ano passado — afirmou Rafael Ohmachi, analista da Guide Investimentos.

Além de ver como essas empresas terminaram 2016 em termos de caixa e endividamento, é durante a divulgação do resultado do quarto trimestre que os executivos costumam dar projeções de crescimento para o ano corrente.

Ainda no campo interno, a Câmara dos Deputados deve definir nesta semana a presidência de diversas comissões. Quando um projeto começa a tramitar, ele passa pela aprovação dessas comissões, como a de Constituição e Justiça, antes de seguir para o plenário. A estratégia para o encaminhamento do projeto de Reforma Tributária é outro tema que será articulado durante a semana.

Cinco fatos que vão mexer com a economia na semana

No exterior, além da sempre constante atenção nas políticas que devem ser adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, as notícias das eleições na Europa, principalmente na França, são outro fator de preocupação que podem mexer com os mercados financeiros globais.

oglobo.globo.com | 13-02-2017

BERLIM - A Alemanha registrou em 2016 um superávit comercial recorde graças a algumas exportações sem precedentes, o que poderia estimular as críticas à política econômica de Angela Merkel, começando pelas de Donald Trump. A maior economia europeia exportou € 252,9 bilhões a mais do que importou, anunciou o Instituto Federal de Estatísticas. É mais que em 2014, quando o excedente foi de € 244,3 bilhões. Desde a crise financeira de 2008-2009 esse dado não parou de aumentar.

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Os dados oficiais surgem dias depois de o conselheiro comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusar Berlim de explorar um euro "grosseiramente desvalorizado" a seu favor. A chanceler Angela Merkel rejeitou a acusação, dizendo que seu governo sempre pediu que o Banco Central Europeu (BCE) busque uma política monetária independente.

O superávit deve piorar a tensão entre Washington e Berlim, que tenta proteger o livre comércio global este ano durante sua presidência do G20, adotando o lema "Moldando um Mundo Interconectado".

O resultado mostra que Alemanha também importa cada vez mais (alta de 0,6%, a € 954,6 bilhões), especialmente produtos agrícolas, gás natural, roupa e aparelhos de informática. Ainda assim, o sucesso fora de suas fronteiras do "Made in Germany", de máquinas, produtos químicos e carros é ainda maior. As exportações aumentaram 1,2%, a 1,207 trilhões de euros, um valor sem precedentes.

O superávit comercial alemão cresceu anualmente mesmo com a queda de 3,3% das exportações em dezembro, enquanto as importações ficaram inalteradas. Isso significa que, apenas no último mês de 2016, o superávit comercial diminuiu para € 18,4 bilhões, sobre € 21,8 bilhões em novembro.

— O superávit recorde continuará a alimentar o conflito com os EUA e dentro da União Europeia — disse o chefe do instituto econômico DIW Marcel Fratzscher. — Os vizinhos europeus vão se beneficiar de investimentos mais fortes na Alemanha. A Alemanha, entretanto, será o primeiro a ganhar, já que o déficit de investimentos e os superávits comerciais excessivos resultantes são nocivos à economia doméstica.

Ele considera que neste recorde não há "nenhuma razão de estar orgulhoso". Os superávits da Alemanha frequentemente são os déficits de seus principais parceiros. Os EUA e o bloco econômico europeu acusam frequentemente a Alemanha de se aproveitar de outros países vendendo para eles seus produtos, sem fazer nada em troca para impulsionar o consumo interno que poderia beneficiar seus parceiros comerciais, ressalta o economista Marcel Fratzscher, do instituto DIW.

A Alemanha se mantém muito à frente de países como Brasil, que fechou o ano com um superávit comercial recorde, de US$ 47,692 bilhões de dólares, ou do Japão, que teve o seu primeiro desde 2010, de US$ 35,8 bilhões. O da China, embora tenha recuado, ainda é de US$ 510 bilhões.

Apaixonado por carros alemães, os Estados Unidos, principal parceiro comercial da Alemanha, agravou seu déficit comercial até os US$ 502,2 bilhões. Essa é uma pedra no sapato do novo presidente Donald Trump, que se lançou numa campanha para trazer os empregos e a produção de volta ao território americano.

‘FALTA DE INVESTIMENTO’

Antes de Trump, Barack Obama, o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Comissão Europeia e outros países como França já criticaram o superávit da balança comercial alemã, exigindo que investisse esse dinheiro.

Mais do que as exportações, Marcel Fratzscher indica que a fonte do problema está na "fraca evolução das importações como resultado de uma grande falta de investimento", que tem "um custo econômico elevado para a Alemanha", sobretudo reduzindo sua produtividade, enquanto investimentos mais significativos "beneficiariam seus vizinhos europeus".

A questão da falta de investimentos em um país que envelhece é também fonte de polêmica dentro da própria Alemanha.

Os conservadores de Angela Merkel insistem na importância de não criar nova dívida, enquanto os social-democratas exigem que os superávits orçamentários sejam usados para fortalecer as infraestruturas. Este deve ser um tema importante nas eleições legislativas de setembro.

O Estado alemão, fortalecido por uma arrecadação fiscal em alta e um alívio do peso da dívida graças aos juros baixos, aumentou, contudo, seu gasto nos últimos anos, para financiar, entre outros setores, a acolhida de refugiados.

oglobo.globo.com | 09-02-2017
A Alemanha registrou novo superávit comercial recorde em 2016, uma tendência que provavelmente reacenderá o debate entre Washington e Berlim sobre a dependência dos alemães em relação a exportações.No ano passado, a maior economia da Europa teve superávit de 252,9 bilhões de euros (US$ 270 bilhões) na balança comercial, o maior na série histórica iniciada após o fim da Segunda Guerra Mundial, segundo a agência de estatísticas alemã, a Destatis. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 09-02-2017

A visita de Estado do presidente da Argentina, Mauricio Macri, foi ofuscada, na quarta-feira, pelo anúncio de que Michel Temer indicara o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, para a vaga aberta no Supremo pela morte de Teori Zavascki. A repercussão foi intensa, e assim a passagem de Macri quase não repercutiu. Porém, na perspectiva da diplomacia regional brasileira e sua política comercial, foi um fato com desdobramentos nada desprezíveis.

Macri assumir a Casa Rosada em dezembro de 2015, ao derrotar o candidato de Cristina Kirchner nas urnas; Temer substituir a presidente Dilma Rousseff, em maio, quando ela foi afastada pelo processo de impeachment, e definitivamente, em agosto, constituiu a chamada conjunção positiva dos astros.

A aliança do lulopetismo com o kirchnerismo — que levara para dentro do Mercosul o bolivarianismo chavista, Venezuela à frente — saía do poder, e, com isso, os dois pilares do Mercosul podiam começar a reformar o bloco, para abrir-se ao exterior, livrando-se do protecionismo autárquico da visão terceiro-mundista de Lula/Dilma e dos Kirchner.

Não resultaram medidas objetivas da visita de Macri. Mas foi citado em discursos o interesse na aproximação com a Aliança do Pacífico (México, Chile, Colômbia e Peru), o México isoladamente, e a União Europeia.

Outra feliz coincidência, no aspecto comercial, foi Donald Trump assumir a Casa Branca e começar a cumprir as promessas protecionistas de campanha. É indiscutível que, para a economia global, trata-se de algo pernicioso. O protecionismo leva à guerra comercial e, em decorrência, à recessão. Contra os interesses dos próprios Estados Unidos. O fato, porém, de o novo presidente americano se confrontar com o Nafta (aliança com o México e Canadá), descartar qualquer acordo comercial com a União Europeia, Ásia/países do Pacífico, e alvejar as exportações da China abre espaço para múltiplas alianças comerciais. E permite acelerar as negociações com a UE.

Surge a oportunidade de o Mercosul romper o isolacionismo a que o lulopetismo, o kirchnerismo e o bolivarianismo impuserem ao grupo. Pode-se, inclusive, encontrar arranjos institucionais que permitam a cada membro do grupo liberdade de manobra no campo do comércio internacional.

Brasil e Argentina avançaram bastante na integração econômica, com destaque para a indústria automobilística. Sob uma direção mais arejada, cabe ao bloco buscar recuperar o tempo perdido na interconexão com linhas de produção globais, a fim de ter acesso a novas tecnologias, elevar a produtividade.

A era Trump não é animadora neste e outros aspectos. Mas Brasil e Argentina precisam agir na reforma do acordo comercial, sem esperar para saber o que acontecerá em Washington.

oglobo.globo.com | 09-02-2017

RIO — Ela se olhava no espelho e achava-se feia, queria ser magra como uma modelo europeia, mas não conseguia. Era infeliz até começar a sambar. Quando a russa Juliana Titaeva, 26 anos, viu a animação “Rio”, num cinema de Moscou, a vida começou a mudar. A aventura da arara Blu no sambódromo a marcou, e logo começou a fazer aulas de samba com uma baiana que vivia na cidade, ainda em 2011. Ano passado, o primeiro sonho realizado: ver o carnaval na Marquês de Sapucaí.

— Quando voltei a Moscou, fiquei uma semana sem saber o que fazer, me perguntando “e agora?”. Decidi que queria ser passista da Portela. Eu já tinha ouvido um dos sambas-enredo e fiquei apaixonada. Foi tudo muito rápido.

Começou a estudar português com a tradutora de Dilma Rousseff — compreende razoavelmente bem, mas ainda fala pouco — e, com a ajuda de um amigo, mandou vídeos mostrando seu samba no pé para a agremiação de Madureira. A escola apostou na russa, formada em análise de investimentos e sósia de uma pequena agência de relações públicas em sua terra natal. Incentivada pela mãe, Juliana voltou ao Rio em julho para um teste presencial com Nilce Fran, coordenadora da ala das passistas. O resultado já se sabe.

— Fui muito bem recebida pelas outras passistas. Metade já me convidou para passar a noite na casa delas, depois dos ensaios em Madureira. A gente se fala pelo WhatsApp, são todas muito amigas, como uma grande família. O melhor é que sou tratada como uma igual. É emocionante — afirma.

A russa gosta tanto de sambar que criou como hobby, com mais cinco amigas, o grupo Rio Angels, que se apresenta em festas culturais de Moscou e Berlim, vestidas com fantasias típicas do carnaval carioca.

No dia 15 de fevereiro, a poucos dias do desfile da Portela, Juliana completará 27 anos. Já sabe como comemorar. Quer fazer um churrasco em Madureira e convidar sua nova família: as passistas de Madureira.

E quando o carnaval acabar? Ela ainda não sabe como isso seria possível, mas pensa em se mudar para o Rio, talvez vivendo metade do ano aqui, a outra metade lá.

— Aprendi sambando que toda mulher é uma rainha. Passei a gostar de mim mesma e a aceitar meu corpo como ele é. O samba mudou minha vida.

oglobo.globo.com | 08-02-2017
O Fundo Monetário Internacional (FMI) enviou nesta terça-feira o sinal mais claro até agora de que não deve dar um novo pacote de ajuda à Grécia, caso Atenas e seus credores europeus não concordem antes com reformas econômicas e um substancial alívio na dívida.Dois documentos do Fundo tornados públicos revelam ceticismo ante a possibilidade de que o mais recente programa de financiamento da Europa possa reparar a economia grega. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 08-02-2017

O Fundo Monetário Internacional (FMI) enviou nesta terça-feira o sinal mais claro até agora de que não deve dar um novo pacote de ajuda à Grécia, caso Atenas e seus credores europeus não concordem antes com reformas econômicas e um substancial alívio na dívida.

Dois documentos do Fundo tornados públicos revelam ceticismo ante a possibilidade de que o mais recente programa de financiamento da Europa possa reparar a economia grega. A revisão anual do FMI sobre a economia do país e uma avaliação de seu segundo pacote de ajuda mostram que um terceiro pacote do Fundo em breve parece algo improvável.

O FMI parou de financiar a Grécia há cerca de três anos. O país tem se mantido com o apoio financeiro da Europa, mas pagamentos previstos para junho e julho ameaçam levar novamente Atenas a um default, reviver disputas políticas e mesmo o risco de uma eventual saída do país da zona do euro. A Europa quer que o FMI participe do programa de ajuda graças à credibilidade de seus programas de financiamento. O Fundo, porém, não se mostra animado por ora.

Há pouca indicação de que a União Europeia e a Grécia estejam dispostos a concordar com os termos sugeridos pelo FMI como necessários para voltar a participar da iniciativa. Conversas no mês passado não trouxeram avanços.

A equipe do FMI afirmou em sua revisão anual sobre a Grécia que a dívida do país permanece "altamente sustentável", com pouca perspectiva de retomada no crescimento sem um alívio na dívida e importantes reformas nos sistemas previdenciário e tributário. O fracasso em reparar sua economia e garantir um alívio na dívida, como recomendado pelo FMI, poderia levar a novos problemas de liquidez que, na ausência de mais apoio oficial, poderiam reavivar os temores de saída do país do euro, diz o Fundo. Fonte: Dow Jones Newswires.
O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, manteve na noite desta terça-feira uma conversação por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na conversa, Rajoy afirmou que a Espanha, com um governo estável e economia que cresce mais de 3%, "está em melhores condições para ser um interlocutor dos Estados Unidos na Europa, na América Latina e também no norte da África e no Oriente Médio", de acordo com comunicado do governo espanhol. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 07-02-2017

A multiplicidade de nações adjacentes fez da Economia da Europa uma das mais complexas do planeta. Durante séculos a Europa foi o centro econômico do planeta. Entre as causas, podemos citar como a principal sua condição geográfica. A localização entre a África e a Ásia, fez da região europeia um ponto de passagem obrigatório, e facilitou de forma substancial a absorção e irradiação dos conhecimentos, tecnologia e comércio de ambos continentes. Esta condição perdurou até ao século XX. No século XX, a Europa viu seu predomínio declinar em relação aos Estados Unidos, o Japão e, na fase final, a China. A Primeira e Segunda guerra mundial, travadas em seu território, a carência de energia, de petróleo, além de uma intensa rivalidade entre seus povos, representaram para o continente a perda de sua liderança econômica. A Europa não tem auto-suficiência na produção de energia, exigindo a importação de muito petróleo. Este produto só é extraído em quantidades consideráveis na Rússia e no Mar do Norte. O gás natural, outro produto bastante usado na geração e produção de energia é muito abundante na Rússia, Romênia, Países Baixos e no Reino Unido. Outro recurso energético que teve grande importância nas fases iniciais da revolução industrial foi o carvão mineral, muito abundante, sobretudo na Alemanha, Polônia, Rússia, Reino Unido. Todas estas fontes energéticas são extremamente poluidoras e causam grandes impactos ambientais em todo o planeta. No caso da energia limpa, ou seja, não poluidora, podem ser citadas a energia hidráulica, energia eólica, e energia solar, de baixa produção e utilização da Europa, devido às suas condições geográficas. A produção de energia nuclear na Europa é muito importante, e, a exemplo dos Estados Unidos, gera imensas quantidades de lixo atômico, cujo fim, desde o início de sua utilização, é muito nebuloso e nunca divulgado na mídia mundial.


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