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Europa Economia

Num momento em que os ocidentais se interrogam sobre a necessidade de reforçar as sanções contra a Rússia, acusada de apoiar os separatistas pró-russos ucranianos que terão abatido o voo MH17, o Adevărul explica de que forma a imposição de medidas de retaliação no plano económico contra Moscovo terá muito provavelmente uma incidência na economia da UE.

Segundo o diário romeno, a Europa e a Rússia estão ligadas por um comércio bilateral no valor de centenas de milhares de milhões de euros. Nomeadamente, 30% do gás que os europeus consomem proveem da Rússia e os russos adoram os automóveis alemães e as marcas de roupa italianas. Além disso, os investimentos ocidentais na Rússia são vistos como uma garantia contra a imposição de sanções mais rigorosas.

Recentemente, os Estados Unidos declararam que a Rússia terá de enfrentar custos adicionais se continuar a ajudar os separatistas e a destabilizar a Ucrânia. No entanto, segundo o Adevărul,

a discussão de novas sanções mostra que Bruxelas e Washington não podem formar uma frente comum contra Moscovo, devido sobretudo às diferentes posições no seio da UE.

www.voxeurop.eu | 24-07-2014
O primeiro-ministro considerou hoje que a economia deverá assumir um papel cada vez mais central na CPLP e declarou ter convidado os Estados membros exportadores de hidrocarbonetos a usarem Portugal como porta de entrada na Europa.
www.rtp.pt | 23-07-2014
Um aprofundamento da crise na Ucrânia poderia interromper o processo de recuperação da economia europeia em 2015, segundo o professor especialista em conjuntura econômica internacional da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), Paulo Feldmann.
atarde.uol.com.br | 23-07-2014
O setor das telecomunicações em Portugal sentiu os efeitos da crise económica, com quebras nas receitas e nos investimentos, mas o país continuou a fazer progressos relativamente às metas da Agenda Digital europeia, segundo um relatório da Comissão Europeia.
www.rtp.pt | 22-07-2014
O euro caiu diante das principais moedas, depois de os dados da inflação nos EUA em junho colocar em evidência a diferença entre o desempenho da economia norte-americana e a europeia.
atarde.uol.com.br | 22-07-2014

BRUXELAS - A dívida pública dos países da zona do euro se aproxima, apesar da austeridade, da cifra psicológica de 100%. O endividamento dos 18 países que tem como divisa a moeda única aumentou no primeiro trimestre do ano para 93,9%, segundo os dados divulgados na manhã desta terça-feira pelo escritório europeu de estatísticas (Eurostat).

O número é 1,2% superior ao do quarto trimestre de 2013, e supõe um crescimento de 1,4% sobre o registrado em igual trimestre do ano passado.

Com dívida pública total de suas administrações equivalente a 96,8% de seu PIB – quase sete pontos percentuais a mais do que um ano antes –, a Espanha superou a França pela primeira vez desde do fim de 2000, e se tornou a sétima economia mais endividada da zona do euro e da União Europeia.

Somente a Grécia (174,1%), Itália (135,6%), Portugal (132,9%), Irlanda (123,7%), Chipre (112,2%) e Bélgica (105,1%) apresentam dados piores. No lado oposto, Estônia (10%) e Luxemburgo (22,8%) obtiveram, no fim de março, as melhores taxas de dívida comparado com PIB na eurozona.

O aumento no endividamento dos 18 países da zona do euro reverte a tendência de quedas nos trimestres anteriores e é um importante aviso aos três países mais afetados pela crise de dívida europeia: Chipre, Eslovênia e Grécia, que tiveram aumentos de 24,6%, 23,9% e 13,5%, respectivamente, na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.

oglobo.globo.com | 22-07-2014
A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, fala com a imprensa em Bruxelas - THIERRY CHARLIER / AFP

BRUXELAS — A União Europeia publicará na próxima quinta-feira novas sanções contra entidades e personalidades russas pelo apoio aos separatistas na Ucrânia, anunciou nesta terça-feira a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton. Segundo o ministro de Relações Exteriores austríaco, Sebastian Kurz, as áreas atingidas serão os setores de defesa e de tecnologia. A decisão ocorre ao mesmo tempo em que cresce a indignação internacional após a derrubada do voo MH17 da Malaysia Airlines em território controlado pelos rebeldes, no Leste da Ucrânia

— A Comissão (Europeia) será encarregada de preparar sanções contra os setores de tecnologias e militares — declarou o ministro, durante reunião com líderes ocidentais em Bruxelas.

A informação adiantada pelo austríaco foi confirmada por fontes europeias. O ministro das Relações Exteriores holandês, Frans Timmermans, declarou que a UE concordou em impor proibições de viagens e congelar os bens de autoridades russas, mas não revelou a quantidade ou identidade dos funcionários envolvidos.

— A Rússia não tem feito o suficiente para ajudar a acabar com o conflito — afirmou Steinmeier.

O holandês disse ainda que as medidas afetarão os mercados financeiros europeus e o setor energético, em particular as áreas de gás e petróleo. No entanto, os chanceleres reunidos decidiram não impor, pelo menos por enquanto, sanções mais duras que tenham repercussão em setores inteiros da economia russa.

Mais do que nunca, a Rússia está na mira da União Europeia, depois da queda do avião derrubado no Leste da Ucrânia, área controlada por separatistas. Quase 300 pessoas morreram na tragédia. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou que o acidente alterou drasticamente a situação e que os russos não podem ter acesso aos mercados de capitais europeus, se continuarem a alimentar uma guerra contra outro país europeu.

Moscou já foi alvo de sanções por seu papel no conflito entre Kiev e apoio aos rebeldes. Especificamente, a UE proibiu até agora a obtenção de vistos europeus e congelou os bens de 72 personalidades russas e ucranianas.

oglobo.globo.com | 22-07-2014

NOVA YORK — Os empresários mais ricos da Rússia estão cada vez mais desesperados com as políticas do presidente Vladimir Putin na Ucrânia, que podem levar a sanções paralisantes — e temem tanto as represálias que evitam se posicionar publicamente, segundo analistas. Se Putin não se mexer para acabar com a guerra no país vizinho, que se agravou com a derrubada, na semana passada, de um jato da Malaysia Airlines em território controlado pelos rebeldes, corre o risco de se tornar um pária internacional como o presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, a quem os EUA notoriamente rotulam como o último ditador da Europa.

— O que está acontecendo é ruim para os negócios e para a Rússia — disse um bilionário local, sob condição de anonimato.

— A elite econômica e empresarial está simplesmente aterrorizada — afirmou Igor Bunin, que dirige o Centro de Tecnologia da Política em Moscou, lembrando que ninguém irá publicamente confirmar isso, temendo a ameaça implícita de represálias. — Qualquer sinal de rebelião e eles estarão de joelhos.

A derrubada da aeronave comercial que saía da Malásia, e matou 298 pessoas, levou a renovadas ameaças de sanções mais profundas por parte dos EUA e da União Europeia — que já haviam sancionado cidadãos e empresas russas, considerados cúmplices na insurgência pró-Rússia na Ucrânia. Recentemente, o Reino Unido acusou Putin de “patrocinar o terrorismo”.

— Marcar a Rússia, como o Irã ou a Líbia de Muammar Kadafi, como um “estado patrocinador do terrorismo", como o ministro da Defesa britânico sugeriu, seria uma grande jogada que teria um impacto muito significativo sobre a Rússia e as empresas que lidam com o país — afirmou Timothy Ash, economista de mercados emergentes do Standard Bank Plc em Londres.

De acordo com o porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, no entanto, a Rússia não está preocupada com a possibilidade de ser rotulada assim.

PRECEDENTE LÍBIO

Em 1988, o atentado contra o voo da Pan Am Flight 103 sobre Lockerbie, na Escócia, que matou 270 pessoas e foi atribuído a Líbia, foi uma das causas que levaram a sanções internacionais nos anos de 1980 e 1990, consolidando o status da Líbia como um pária até o final do século.

Embora a UE tenha até agora imposto medidas menos severas contra a Rússia do que os Estados Unidos — por causa da oposição de países como a Itália e a Áustria —, Reino Unido e Holanda lideram a pressão por punições mais ousadas em uma recente reunião de ministros das Relações Exteriores. A maioria das vítimas a bordo do avião, 193, eram holandeses; dez eram britânicos.

E em meio à turbulência do mercado provocada pelo conflito, os 19 russos mais ricos perderam US$ 14,5 milhões desde o início do ano, de acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg — em comparação a um aumento de US$ 56,5 milhões entre os 64 americanos mais ricos.

— A Rússia corre o risco de se tornar um Estado pária, se não se comportar adequadamente — disse o ministro do Exterior britânico, Philip Hammond, ao Sky News, no fim de semana. — Precisamos agora usar o sentimento de indignação que está claro para obter uma nova rodada de sanções contra Moscou.

Punições adicionais dos EUA podem ser impostas nas próximas semanas, com sanções prováveis em toda a indústria em setembro, caso os investigadores comprovem que os rebeldes realizaram o ataque. A Europa, no entanto, tomaria medidas menos amplas, já que tem laços comerciais mais estreitos com a Rússia, de acordo com o Eurasia Group, empresa de pesquisa e consultoria com sede em Nova York.

— A ameaça de sanções contra setores inteiros da economia é agora muito real e há motivos sérios para que os empresários tenham medo — afirmou Mikhail Kasyanov, primeiro-ministro da Rússia durante o primeiro mandato de Putin, de 2000 a 2004. — Se houver sanções contra todo o setor financeiro, a economia entrará em colapso em seis meses.

Andrey Kostin, chefe do credor estatal VTB Group, sinalizou na semana passada que as sanções já em vigor podem prejudicar a economia russa em US$ 2 trilhões. Apesar de toda a pressão econômica, Putin, que negou repetidamente armar os separatistas na Ucrânia, não vai recuar, porque está determinado a resistir à ingerência dos EUA e Europa, de acordo com um estudo do Eurasia Group.

“Ele ainda verá a influência russa sobre o Leste da Ucrânia e um veto russo em relação à adesão da Ucrânia à Otan como interesses nacionais russos vitais. A ajuda militar aos rebeldes vai continuar”, diz.

oglobo.globo.com | 22-07-2014
Vladimir Putin chega a aeroporto na cidade de Samara, na Rússia - Alexei Nikolsky / AP

LONDRES — Os investigadores ainda estão longe de um julgamento oficial para determinar as causas da derrubada do voo MH17 da Malaysia Airlines, no Leste da Ucrânia, matando todos os 298 passageiros e tripulantes a bordo. Mas, para líderes do Ocidente, o veredicto parece já ter sido definido: Vladimir Putin é o culpado.

Putin enfrenta uma enxurrada pessoal de condenação mundial após a derrubada do avião comercial. As autoridades americanas e ucranianas sugerem que o míssil responsável por abater a aeronave era, na verdade, russo e fornecido aos rebeldes. Agora, se ele não conseguir rapidamente mudar o rumo da crise na Ucrânia, Moscou sofrerá a ameaça de novas sanções.

A Austrália já levantou a possibilidade de retirar Putin da reunião do G20, grupo das nações mais poderosas do mundo, em novembro, se ele não concordar em exercer mais pressão sobre os rebeldes ucranianos. O Reino Unido, por sua vez, acusou abertamente o líder russo de patrocinar o “terrorismo”. Já o secretário de Estado americano, John Kerry, foi a programas de TV no domingo e ressaltou que agora era o “momento da verdade” para a Rússia.

Na Europa — continente que há muito tempo pressiona os russos para deixarem de apoiar os separatistas — o choque inicial deu lugar, rapidamente, à indignação. No domingo, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, François Hollande, e primeiro-ministro britânico, David Cameron, conversaram em um telefonema conjunto sobre a crise. Um porta-voz do gabinete inglês declarou que os três líderes concordaram que a União Europeia deve reconsiderar a abordagem para a Rússia e que os ministros devem se preparar para para impor mais sanções ao país, quando se encontrarem na terça-feira, em Bruxelas.

“A Rússia fez isso e Putin deve pagar, política e economicamente”, exigiu o jornal londrino “The Sunday Times”.

Talvez o lugar onde o clima mudou mais rapidamente foi na Holanda, de onde saiu o avião abatido, pois a tragédia custou a vida de 192 cidadãos holandeses. O primeiro-ministro Mark Rutte falou com Putin no sábado e afirmou que o russo “tem que assumir responsabilidades.” Os comentários foram feitos no mesmo momento em que a tristeza profunda, que parecia consumir muitos holandeses no início, começou a dar gradualmente lugar à raiva.

Flores são depositadas na área externa do aeroporto de Schiphol, em memória às vítimas do voo MH17 - UNITED PHOTOS / REUTERS

A mudança foi motivada pelas cenas horríveis de corpos deixados no local da queda do acidente e, posteriormente, pelo transporte dos mortos em trens, feito sem qualquer cerimônia. Os rebeldes haviam permitido a centenas de voluntários o acesso aos destroços, mas ainda estavam se recusando a ceder a autoridade do local do acidente ao governo ucraniano.

— Agora, estamos mais com raiva por causa da maneira desrespeitosa como (os insurgentes) nos trataram e a forma como eles estão lidando com os corpos — afirmou a holandesa Marjolein Pel, de 60 anos.

PRESSÃO ECONÔMICA

Fortes laços econômicos da Europa com a Rússia oferecerão a maior pressão sobre Moscou, na tentativa de forçar Putin a abandonar o apoio aos rebeldes que há meses já protagonizaram uma insurgência sangrenta no Leste da Ucrânia. No entanto, até agora, os europeus realizaram várias rodadas de sanções que tiveram impacto limitado. Além disso, a região é conhecida por rodadas penosas e demoradas de consenso diplomático, antes de agir.

Apesar da onda de raiva, não ficou claro se a pressão acabaria por danificar seriamente os setores da economia russa. O confronto também poderia levar a riscos enormes para a Europa, que depende da Rússia para fornecer cerca de 30% do seu petróleo e gás natural. Por isso, o continente teme que Putin responda às sanções com o corte do fornecimento de energia.

Há ainda o medo de interromper a entrada do dinheiro russo, que flui para contas bancárias de Londres e para apartamentos de luxo, hotéis e boutiques de Paris e Roma. Mas é certo que em todo o continente, a raiva contra Putin é palpável, talvez dando aos líderes políticos mais espaço de manobra. Depois de acusar Putin de patrocinar o terror, o secretário de Defesa britânico, Michael Fallon, exigiu em entrevista no domingo que a Rússia “saia do Leste da Ucrânia e deixe-a para os ucranianos.”

Tradicionalmente com laços mais fortes com a Rússia, a Alemanha também adotou uma linha mais dura. Em entrevista ao jornal “Bild” no domingo, o ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, pediu a Moscou para forçar um cessar-fogo imediato sobre os rebeldes.

“Pode ser a última chance de a Rússia nos mostrar que está realmente interessada em uma solução”, disse ele.

oglobo.globo.com | 21-07-2014

BUENOS AIRES - Em 2005, o então ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, comandou a primeira operação de reestruturação da dívida do país, que obteve 76,15% de adesão. Pouco tempo depois, Lavagna saiu do governo Kirchner, sem imaginar que a dívida levaria o país, no futuro, a enfrentar o chamado julgamento do século. Numa das pouquíssimas entrevistas que concedeu nas últimas semanas, em meio à delicada disputa entre a Casa Rosada e os fundos abutres nos tribunais de Nova York, o ex-ministro disse ao GLOBO que a crise financeira atual é consequencia de “um vazio legal” e “do abandono por parte do governo Kirchner” de uma questão que “tinha um caminho claramente traçado”. Faltam poucos dias para que vença o prazo de um mês - em 30 de julho - dado ao governo para chegar a um acordo com os fundos abutres e evitar o que muitos interpretam como um risco de calote. Lavagna, porém, faz uma correção: “A versão simplista de um calote não pode ser aplicada no caso de um país que está pagando e cumprindo com 93 de cada 100 credores”. Para o único ex-ministro da Economia da Argentina que elevou seu prestígio após abandonar o cargo, desde a redemocratização, em 1983, o fato do governo ter desembolsado mais de US$ 1 bilhão para pagar os credores reestruturados (dinheiro que a Justiça americana congelou, porque exige, ao mesmo tempo, o pagamento de US$ 1,5 bilhão aos abutres) impede falar em calote.

O senhor acredita na possibilidade de um acordo que evite o calote?

ROBERTO LAVAGNA: Primeiro, espero que seja alcançado um acordo. Por outro lado, me parece que as coisas devem ser ditas da maneira correta. Enquanto a Argentina continuar pagando como está fazendo aos que têm bônus da dívida reestruturada (em 2005 e 2010), que são 93 de cada 100, não acho que possa usar-se alegremente o termo calote. Em todo caso, são questões legais complexas, me parece que não é comparável a um calote. De fato, a Argentina fez pagamentos e na próxima semana o juiz convocou uma reunião (dia 22) para discutir reclamações de entidades bancárias que devem realizar pagamentos (a credores) na Europa e no Japão que sabem que o dinheiro está, porque a Argentina o enviou na data que correspondia, e tentam evitar um conflito legal. Estão perguntando ao juiz como devem proceder. A situação é muito estranha, porque parece que os castigados seriam terceiros que nada tem a ver nesta questão (os credores reestruturados). Por isso, meios de comunicação como o Financial Times, Martin Wolf, que nunca foram proclives a apoiar a Argentina, publicaram artigos dizendo que a Argentina deve ser respaldada. Nem falar em Prêmios Nobel como Krugman e Stiglitz. A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Lagarde. Todos pedem cuidado com uma interpretação simplista da decisão do juiz.

Estão errados os que falam em risco de calote?

A Argentina pagou, é o que estou dizendo. A versão simplista de um calote não pode ser aplicada no caso de um país que está pagando e cumprindo com 93 de cada 100 credores.

O senhor foi o artífice da primeira grande troca de papéis, em 2005...

Sim, tivemos mais de 76% de adesão. Li um recente artigo de Anne Krueger que diz que com 70%, hoje, qualquer reestruturação se consideraria fechada. Lamentavelmente, existem vazios legais que levam a uma situação como esta. Por esse mesmo motivo, porque a situação é complexa e existem vazios legais, não corresponde falar alegremente em calote.

O senhor imaginou que poderia esta crise poderia acontecer?

Isso é o que acontece com qualquer governo do mundo, quando alguns assuntos não são acompanhados e tratados devidamente. Entre 2005 e 2010 não se fez nada. Em 2010 se fez uma pequena troca, que obteve uma aceitação menor e foi proposta e instrumentada por uma consultoria externa e bancos. Não foi armado pelo governo argentino. Quando as coisas que o governo deveria armar são armadas por um terceiro, em geral, não dá certo. Parte do que hoje está acontecendo é consequencia desse mal procedimento em 2010. Houve um abandono da questão, depois da operação bem sucedida de 2005. Não continuaram com o caminho que tínhamos deixado claramente traçado. E quando retomaram o assunto o fizeram vinculados a interesses externos e não do país.

O senhor era dos que acreditava que a Corte Suprema dos Estados Unidos aceitaria tratar o caso argentino?

A maioria pensou, aqui e no exterior, que a Corte, no mínimo, daria tempo ao país.

Para que vencesse a cláusula Rights Upon Future Offers (RUFO, que estabelece que em caso de fazer uma oferta melhor aos chamados holdouts, a Argentina deve fazer o mesmo oferecimento aos credores reestruturados)...

Exatamente.

Por que tomaram esta decisão?

Não sei. Mas estas são situações que já viveram outros países. O Brasil teve um problema com um pequeno grupo, quando reestruturou sua dívida. É inadmissível que não existam mecanismos para os países, como existem para as empresas. Nunca se consegue 100%. Por isso até mesmo Krueguer, que nunca foi muito amiga da Argentina, diz que 70% é um resultado satisfatório. Mas existem, como disse antes, vazios legais. E a atitude da Argentina de ter abandonado o assunto também contribuiu para que chegássemos a esta situação.

Existe risco de ativação da RUFO?

Sim, claro. Não existem garantias de que isso não vá ocorrer. Enquanto alguém não me demonstrar o contrário, essa cláusula será ativada até 1 de janeiro de 2015. É uma armadilha acreditar na argumentação dos lobistas que dizem o contrário. É um risco enorme, por isso não podemos sequer discutir essa questão e por isso o governo pediu o stay (reposição da liminar, que suspende a implementação da sentença do juiz Thomas Griesa).

A Argentina já está em recessão?

A Argentina tem hoje uma queda anual de seu PBI de 2% e isso é recessão. No último ano e meio, segundo o próprio Indec, foram perdidos 20 mil empregos registrados em todo o país, a isso teríamos de somar a perda de postos de trabalho no mercado informal. Temos queda dos investimentos, enfim, é como não medicina, não existe apenas um sintoma. Existe, talvez, um sintoma principal, que é essa queda de 2%, e depois outros sintomas que confirmam que o país está em recessão.

A inflação continua aumentando?

Este mês a inflação voltou a acelerar-se e estimamos cerca de 37% para o ano. Já sabemos que 2014 e 2015 serão anos de crescimento muito baixo. Este ano haverá recessão e no ano que vem esperamos algo similar ao do Brasil, em torno de 2% positivo, no melhor dos casos. Hoje não existem condições de crescimento, nem na Argentina, nem no Brasil. Por isso o Mercosul não está passando por um bom momento.

No ano passado, o senhor foi um dos mais enfáticos em defender, durante a campanha para as últimas legislativas, que estava em jogo, principalmente, a possibilidade frear uma reforma constitucional, que permitiria uma terceira reeleição de Cristina Kirchner. Qual é o eixo das presidenciais de 2015?

Acho que é ter uma visão de conjunto, que inclua uma luta contra a deterioração institucional do país, a Justiça, etc... questões de política externa, temos de reorientar nossa política externa ao Brasil, Chile, Uruguai, Paraguai, ou seja, o Mercosul original. Terminar com a fantasia bolivariana, os acordos com o Irã. E no econômico, temos de reconhecer os desajustes. Temos déficit fiscal, atraso cambial, perda de emprego e de investimentos.

oglobo.globo.com | 21-07-2014

WASHINGTON E RIO - O comércio é, setenta anos depois, a vertente mais capenga da Conferência de Bretton Woods. Com o foco principal da reformulação global na reativação dos mecanismos financeiros e monetário e na necessidade urgente de reconstruir uma Europa arrasada, a organização do tabuleiro comercial internacional foi postergada e, quando finalmente saiu, imperou – como ainda hoje é o caso – a proteção de interesses nacionais.

O Acordo Geral de Tarifas do Comércio (Gatt) – embrião da Organização Mundial do Comércio (OMC) – foi assinado em 1947, três anos depois de Bretton Woods, com escopo limitado. Em novembro daquele ano, os países aliados se reuniram em Havana, capital de Cuba, para detalhar a proposta de regulação. O delegado brasileiro na cúpula foi o economista Roberto Campos.

Os EUA, que detinham 50% do PIB global e era de longe a maior potência mundial, não aceitaram a camisa-de-força de um acordo amplo, com a estrutura trazida pela OMC, a partir de 1995.

— Só alcançou-se um simples acordo de tarifas de manufaturados. Ficaram três espaços vazios: agricultura, serviços e compras governamentais. O sistema ficou torto até os anos 1990, quando houve as rodadas de Tóquio e a do Uruguai, que incluíram serviços, propriedade intelectual, comércio de telecomunicações e compras governamentais no GATT, mas o acordo geral já não conseguia mais abraçar tantos temas diversos, não tinha órgão de solução de controvérsias. Isso fez com que se perdesse o timing de estruturação do comércio global e a gente vê isso refletido até hoje — explica o economista Marcos Troyjo, diretor do Bric-Lab da Universidade de Columbia.

Antes da formação da OMC, também houve a adoção de mecanismos bilaterais que minaram o crescimento mais igualitário do comércio internacional. Por exemplo, diz Troyjo, países como os EUA fizeram amplo uso da cláusula da nação mais favorecida, pela qual uma nação concedia a um parceiro eleito a possibilidade de exportar sem tarifas uma quantidade grande de produtos. A China, afirma o economista, foi uma das principais beneficiárias.

Outro problema é que as decisões da OMC são tomadas por unanimidade, ou seja, os interesses de um único país podem travar negociações inteiras. E as nações continuam muito presas a atender suas necessidades internas, por exemplo protegendo setores ineficientes mas que fazem grande barulho político.

A crise global de 2008 só tornou estas barreiras mais rígidas. Para se defender dos efeitos colaterais, as nações adotaram medidas protecionistas e se retiraram da arena multilateral, deixando a OMC, com seus mais de 140 países, esvaziada. A preferência, especialmente de EUA e União Europeia, tem sido pela costura de acordos regionais, como as alianças Transpacífica e Transtlântica, nos quais os interesses são mais claro e as agendas, mais fáceis de serem defendidas.

— Isso contribui para tornar a OMC menos relevante. O que vemos hoje é que EUA e UE estão relegando à OMC apenas a agenda de contenciosos. A UE está negociando um acordo de livre comércio com o Mercosul, mas abriu uma série de disputas na OMC com o Brasil — diz Troyjo.

BRASIL: SEM ACORDOS EM 16 ANOS

Para o diretor do Bric-Lab, é impossível antecipar qual será o incentivo que surgirá para que o aspecto multilateral do comércio se reanime. Por isso, a saída para países com menos poder de fogo, como o Brasil, é “fazer de tudo um pouco”: buscar parcerias comerciais regionais sem se retirar da OMC.

— É idealismo achar que os Estados vão se comportar com benevolência e passar por cima dos interesses nacionais, das disputas internas. Em algum momento, a reforma atualizadora do sistema econômico vai desencantar. Nem que seja porque a frustração cria a necessidade.

Carlos Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getulio Vargas e ex-presidente do Banco Central do Brasil, destaca porém que a OMC é eficaz na solução de controvérsias, já que é o único organismo multilateral que tem força de lei, obrigando países a cumprirem decisões.

— O mais curioso é que a OMC é presidida por um brasileiro e é onde o Brasil menos evoluiu nos últimos 16 anos, sem firmar um único acordo comercial — disse.

* Colaborou Henrique Gomes Batista

oglobo.globo.com | 20-07-2014

WASHINGTON - A reestruturação da arquitetura financeira global passa, necessariamente, pela reforma dos organismos multilaterais, dizem os especialistas. O Banco Mundial (Bird) precisa de mais capital e foco redobrado na expansão do crescimento dos sócios. Mas, pela natureza das mudanças pelas quais o mundo passou, o trabalho concentra-se no Fundo Monetário Internacional (FMI) – que, apesar das críticas em diversas intervenções aos longo das décadas, tem tido papel central nas respostas globais às crises.

As organizações de Bretton Woods nasceram desempenhando papel tímido. O Bird foi ofuscado pelo Plano Marshall, de reconstrução da Europa com dinheiro americano. Já o Fundo apagava incêndios, basicamente europeus, e tinha até o fim dos anos 60 o Reino Unido como principal cliente.

Foi apenas em 1982, com a primeira crise da dívida do México, que o FMI assumiu sua função global, com a noção de risco sistêmico de um eventual calote mexicano. Esse papel foi reforçado com as crises dos anos 1990 e 2000, diz o economista James Boughton, ex-historiador do Fundo. No mesmo período, ficou claro que o FMI precisava refletir melhor a nova ordem mundial, com a ascensão da China e demais emergentes como o Brasil.

A estrutura de poder no FMI está ultrapassada, afirmam os especialistas. Com 19,2% do PIB mundial, os EUA mantêm 16,8% dos votos no Fundo, única nação com poder de veto sobre as decisões. A Europa está super-representada, ao passo que a China, com 16,1% da economia global, tem apenas 3,8% dos votos. No Brics, apenas Rússia e África do Sul têm seu peso econômico ajustado ao poder de voto. O Brasil, com 2,8% do PIB mundial, tem 1,7% dos votos e a Índia, que representa 6%, tem 2,3% das cotas.

— O papel do FMI está consolidado. Agora é preciso que o Congresso americano ratifique o pacote de mudanças, que dará mais recursos ao Fundo e redistribuirá votos, dando poder maior aos emergentes e consolidando a presença da União Europeia como voz unificada. O FMI terá assim mais legitimidade. Mas, junto, é preciso que se repense a relação do G-20 (grupo das 20 maiores economias do mundo), que representa um universo poderoso mas restrito — afirma Boughton.

Marcos Troyjo, diretor do Bric-Lab da Universidade de Columbia, concorda.

— Não basta apenas pensar em representação. Após 2008, há uma tensão entre ação, coordenação e delegação. Os EUA precisam revitalizar sua economia, enchem o mercado de recursos, mas não levam a política dos outros em consideração. O FMI precisa poder implementar as medidas necessárias e falar para os EUA que é hora de ajustar, falar para a China ajustar, como fala para os demais emergentes e nações pobres. O Fundo precisa de um novo mandato.

Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do FMI e professor de Havard, afirma que “será ridículo se o diretor-gerente que substituir Christine Lagarde (francesa) não for de um país emergente”, rompendo a tradição pela qual os EUA indicam o presidente do Bird e a Europa, o dirigente do FMI. Ele adiciona outro ponto para reforma: a dos instrumentos utilizados nos programas de assistência do Fundo. Ele vê com bons olhos a discussão sobre o re-profiling, mecanismo que permitiria a reprogramação do pagamento de dívida privada pelos governos, uma espécie de perdão temporário.

— Esta seria uma grande mudança de paradigma e era claramente a solução para a Europa periférica após 2008, que tinha dívidas altíssimas e, para saná-las, teve que segurar o crescimento, com consequências desastrosas — diz Rogoff.

Para James Boughton, o fortalecimento do FMI é uma peça-chave na nova arquitetura global, diante das dificuldades políticas de se criarem novas instituições e órgãos reguladores internacionais:

— Eu acho irrealizável um novo Bretton Woods, temos que trabalhar dentro do sistema que existe. Dentro do FMI, já temos estruturas tratando dos temas prementes, já temos o board de regulação financeira, temos muito trabalho sendo feito sobre capitais. Os países estão trabalhando regulações nacionais e, com os anos, elas ficarão prontas e as melhores práticas vão se sobressair. É preciso continuar nesta direção e o Fundo pode conectar essas pontas. Se não fortalecermos o FMI, haverá uma nova crise. Esta é a verdade a se encarar. É melhor fazermos as coisas sem precisarmos de nova crise para nos incentivar.

oglobo.globo.com | 20-07-2014

RIO - Insurgentes no Iraque, escalada das tensões entre Israel e Gaza e, nesta semana, o avião comercial abatido na Ucrânia que ameaça acirrar o conflito com a Rússia são riscos geopolíticos que pouco abalaram os mercados financeiros globais. No dia seguinte à queda do avião da Malaysia Airlines, as bolsas europeias fecharam hoje com pequenas variações. O que de fato está no radar dos investidores internacionais neste ano, dizem os analistas, são os juros norte-americanos.

E, no Brasil, as atenções estão voltadas sobretudo para as eleições presidenciais de outubro. Desde março, a Bolsa sobe ou desde ao sabor das pesquisas de intenção de voto, o que deve se acentuar nos próximo meses

Segundo Mauro Schneider, estrategista da CGD, eventos como a anexação da Crimeia pela Rússia e mesmo o avanço de radicais islâmicos no Iraque produziram alguma aversão a risco, mas não têm impacto relevante. A "agenda real" é o ajuste monetário nos EUA, disse Schneider.

— Todos querem saber como e quando se dará o aumento dos juros americanos. Isso é de extrema relevância porque dá o tom dos preços dos ativos no mundo — acrescentou.

Historicamente, conflitos políticos só têm impacto duradouros nos mercados quando se transformam em guerras mais amplas ou em crises de longo prazo, disse Welber Barral, sócio da consultoria Barral M Jorge e ex-secretário de Comércio Exterior.

— As informações que temos sobre conflitos parecem não ser suficientes para prejudicar as expectativas sobre a recuperação da economia americana e global — afirmou Frederico Sampaio, diretor de renda variável da gestora Franklin Templeton no Brasil.

Para Eduardo Velho, economista-chefe INVX Global Capital Asset, mesmo com a recuperação no mercado de trabalho, os juros dos EUA não vão subir antes do segundo semestre de 2015. E, quando o aumento vier, sua magnitude não deve ser elevada. Caso essa previsão se confirme, países como o Brasil serão favorecidos, uma vez que juros mais altos nos EUA reduzem a liquidez global e investimentos em emergentes.

— Dificilmente os títulos do Tesouro dos EUA, mesmo após o aumento dos juros, vão passar de 3,5% ao ano. Isso é bom para os mercados emergentes. E na Europa e Japão também há sinais de manutenção dos juros pelos próximos meses — explicou Velho, lembrando que, atualmente, os títulos do Tesouro norte-americano estão pagando 2,48% ao ano.

O maior risco no horizonte é que a recuperação econômica de Estados Unidos e Europa não se concretize, resultando em “crescimento global pífio”, classificou Welber Barral:

— O ritmo da melhoria americana e europeia tem sido muito lento, e enfrentamos um risco sério de deparar com uma estagnação de abrangência mundial.

Além da preocupação com EUA e Europa, as Bolsas também acumulam tensão com o crescimento da China. A segunda maior economia do mundo quer avançar 7,5% neste ano, mas têm divulgado dados mistos, que não permitem aos investidores “respirar aliviados e tampouco derramar lágrimas”, nas palavras de Mauro Schneider.

oglobo.globo.com | 19-07-2014
David Luiz em campo durante a Copa do Mundo: segunda transferência mais cara da janela europeia - GABRIEL BOUYS / AFP

RIO — Se o fracasso na Copa do Mundo deixou a impressão de que faltam protagonistas no futebol brasileiro, jogadores com poder de decisão, o mercado de transferências da Europa parece refletir tal realidade. O continente atravessa uma janela de negociações agitada, que movimenta muito dinheiro. E na lista das mais caras transações, o Brasil continua presente. Só que com defensores.

A janela de verão da Europa, às vésperas do início da temporada, costuma concentrar a maior parte dos investimentos. E, até agora, a lista das 20 transações mais caras tem três jogadores nascidos no Brasil: o zagueiro David Luiz, o lateral-esquerdo Filipe Luís e o atacante Diego Costa. Este último, no entanto, é naturalizado espanhol. Jogou a Copa do Mundo com a camisa da Espanha.

David Luiz é, até agora, o segundo jogador mais caro deste período de negociações. Por ele, o Paris Saint-Germain pagou ao Chelsea o equivalente a R$ 153 milhões. Avaliado após o desempenho do zagueiro na Copa, em especial contra a Alemanha, o número pode assustar. Mas David foi negociado antes do Mundial. Ele só perde para Luis Suárez, por quem o Barcelona desembolsou um valor estimado em R$ 285 milhões.

Filipe Luís está em 11º lugar na lista. O Atlético de Madrid recebeu do Chelsea cerca de R$ 70 milhões. Já o agora espanhol Diego Costa, também contratado pelo Chelsea, custou R$ 120 milhões.

Até 2013, a tendência brasileira era pela valorização dos jogadores com características ofensivas. A exceção foi Thiago Silva, vendido em 2012 pelo Milan ao Paris Saint- Germain por cerca de R$ 130 milhões. Naquele ano, ele foi a segunda transferência mais cara da Europa. A primeira foi Hulk, que custou cerca de R$ 165 milhões ao Zenit, da Rússia. Ele jogava no Porto.

Ainda em 2012, Oscar foi o sétimo colocado no ranking de transferências. Foi vendido pelo Internacional ao Chelsea por R$ 90 milhões. Já Lucas, o quarto mais caro, saiu do São Paulo para o PSG por R$ 120 milhões.

Na janela do verão de 2013, o número de brasileiros no topo já diminuíra. Neymar foi um dos dois jogadores ofensivos do Brasil a integrar listas dos mais caros. Inicialmente, o valor oficial de sua contratação divulgado pelo Barcelona era de R$ 170 milhões. Após a inclusão de outros contratos feitos entre o clube e a família do atacante, o número subiu para R$ 260 milhões. O outro foi Willian, comprado pelo Chelsea por R$ 120 milhões. Mais um brasileiro a movimentar altos valores, Fernandinho, um volante, custou R$ 130 milhões ao Manchester City em sua transferência do Shakhtar Donetsk.

TRANSFERÊNCIAS NA JANELA EUROPEIA

Luis Suárez: Vendido pelo Liverpool ao Barcelona por estimados R$ 285 milhões

David Luiz: Antes da Copa do Mundo, trocou o Chelsea pelo PSG por R$ 153 milhões

Filipe Luís: Está em 11º na lista dos mais caros. Saiu do Atlético de Madrid para o Chelsea por R$ 70 milhões

oglobo.globo.com | 19-07-2014
Visita também é despedida, já que Durão Barroso vai deixar o cargo. Reunião deve discutir impulso na relação entre Mercosul e União Europeia.
g1.globo.com | 18-07-2014

CRETA - Creta, a maior e uma das mais famosas ilhas da Grécia, guarda imensuráveis riquezas do Mediterrâneo. Está entre os destinos de maior importância cultural do arquipélago grego. É em Creta, ao sul do Mar Egeu, que você poderá apreciar a beleza dos mares da Líbia, Mirtoico, de Cárpatos; terá a chance de andar por ruínas de sítios arqueológicos minoicos, pequenas ruas em labirínticos centros históricos que parecem cópias do Palácio de Knossos (o do labirinto do minotauro), portos venezianos, e verá vilas, igrejas, mosteiros ortodoxos e desfiladeiros impressionantes. Também será possível admirar campos de oliveiras, aproveitar praias lindas e experimentar pratos da cozinha mediterrânea que marcam o papel central da culinária na filosofia e no estilo de vida do berço da civilização europeia.

Com mais de mil quilômetros de extensão de litoral, para conhecer as principais cidades cretenses — Héraclion, Chania e Rethymno, as mais bonitas e centrais para hospedagem — e ainda outras — como Ierápetra, Agios Nikolaos e Siteía — será necessário ao menos cinco dias. A diversidade da ilha com a sexta maior população da Grécia combina turismo cultural, gastronômico e praiano. O agroturismo também virou negócio local e mostra o papel significativo da olivicultura e da viticultura na região. Enquanto pequenos agricultores mantêm a tradição cuidando de rebanhos que incluem os cabritos selvagens, empresas produtoras de azeite, mel e queijo exportam freneticamente para Brasil, China e Rússia.

Tão conhecida quanto Santorini e Mikonos, Creta se destaca por ser a única ilha da Grécia que seria capaz de sobreviver sem a economia do turismo devido à potência de sua agricultura, pecuária, indústria alimentícia e comercial. A quinta maior ilha do Mediterrâneo tem três aeroportos. O de Rethymno, depois do de Atenas, é o mais movimentado da Grécia.

O Ministério do Turismo grego diz que Creta recebe anualmente cerca de um quarto dos turistas da Grécia, sendo a ilha mais visitada de todo o país. Dados fornecidos pelo Banco da Grécia ao site DiscoverGreece.com, informam que Creta recebeu 3,3 milhões de turistas em 2013. O guia “Lonely Planet” classifica a ilha como um dos destino de férias mais populares da Europa. Creta tem belas paisagens e ao longo delas você vai se deparar com aldeias tradicionais, cavernas — como a de Zeus, que segundo a mitologia grega nasceu e viveu na ilha — e montanhas espetaculares, como as Montanhas Brancas, que alcançam 2.453 metros de altitude, na região de Chania, onde também se encontra o desfiladeiro de Samaria, o mais longo da Europa.

PRAIAS. MAR AZUL-TURQUESA E AREIAS DE VÁRIAS CORES

Os melhores meses para conhecer Creta são entre maio e outubro. Nessa época, a temperatura da água do mar pode ser superior aos 20°C, em agosto chega na casa dos 25°C. A ilha é um destino ideal para quem deseja tranquilidade. Mesmo no auge do verão europeu, em julho e agosto, os preços são acessíveis devido a variedade que Creta oferece aos seus visitantes.

Só de praias, são mais de 350. Algumas com areia branca, outras cor-de-rosa, ou dourada, cheias de pedrinhas coloridas, ou ainda, com milhares de conchas quebradas. Essas inúmeras praias com paisagem diversificada têm águas de tonalidades azul-turquesa que lembram o Caribe.

Nos dois lados da ilha, a tarefa difícil será escolher a sua praia entre as mais bonitas. Há praias badaladas, isoladas, familiares, calmas, agitadas, organizadas e de nudismo. Listamos seis consideradas imperdíveis.

Elafonisi. Majestosa e protegida pela Rede Natura 2000 — áreas de proteção ambiental estabelecidas pela União Europeia — tem paisagem serena, dunas de areia branca, águas cristalinas e rasas. A praia é excelente para crianças. Por ser área protegida, é estritamente proibido cortar plantas ou levar uma garrafa de areia para casa. Os leitores do site TripAdvisor consideraram Elafonisi uma das 20 praias mais bonitas do mundo em 2014. Fica a cerca de 74 quilômetros da cidade de Chania.

Balos. Impressiona com as cores da areia vermelha dourada em combinação com o azul-turquesa das águas. Tem menos turistas. Melhor chegar de barco a partir de Kissamos — de carro a estrada é bastante difícil Balos fica em Gramvousa, a 52 quilômetros de Chania.

Falasarna. Provavelmente a praia mais famosa e encantadora de Creta. Todo ano recebe prêmios de guias de turismo e da imprensa internacional como a praia mais bonita da Grécia e uma das dez melhores da Europa. De cenário espetacular, tem areia quase rosa, águas cristalinas de cor azul-turquesa e montanhas. A praia é organizada, mas com espaço livre o suficiente para aqueles que querem ficar em contato direto com o sol e a areia. Fica em Kissamos, a 54 quilômetros de Chania.

Matala. A pequena vila de pescadores foi paraíso de hippies nos anos 1970. Entre suas características atraentes estão areia fina, rochas brancas e águas azuis cristalinas. As pequenas grutas artificiais aumentaram o turismo na região. A praia é organizada e cercada por tavernas. Está a 68 quilômetros de Heráclion.

Vai. Tem palmeiras exuberantes, areia fina, com algumas pedras, e águas azul-turquesa. A praia está em harmonia com a paisagem natural e deslumbrante do Mediterrâneo. Vai está ocalizada a 25 quilômetros de Agios Nikolaos.

Preveli. Pequeno paraíso onde mar e rio se unem. O visual surpreende com a faixa de areia cortada em diagonal por um rio, de mesmo nome. Uma floresta de palmeiras cerca o local. Isolada, bonita e romântica, depois do banho no mar, vale tirar o sal nas águas doces e límpidas do riacho. A 40 quilômetros de Rethymno, Preveli pode ser alcançada por uma estrada de terra seguida de uma longa escadaria ou por barco.

CIDADES. LABIRINTO E CAFÉ HISTÓRICO

A importância cultural de Creta é grande. A ilha é berço da civilização minoica, uma mais antigas do mundo, na Idade do Bronze (3 mil anos a.C.), considerada mais avançada que a contemporânea civilização da Grécia continental.

O Palácio de Knossos, em Héraclion, é o sítio mais importante e visitado da ilha. Embora não existam provas contundentes, é o endereço conhecido do labirinto do Minotauro. A fila de entrada é longa. Reserve ao menos duas horas para visitação e use um calçado confortável para andar no chão de terra e pequenas pedras. Considerado o maior sítio arqueológico da Idade de Bronze de Creta e um dos mais antigos da Europa, a grandeza da história do palácio impressiona. Depois da visita, o Museu Arqueológico de Héraclion complementa o passeio, com objetos pré-históricos e coleções da civilização minoica. E o Museu Lychnostatis, em Hersonissos (a 25 km de Héraclion), erguido a céu aberto exibe uma rica exposição de cultura folclórica.

No trajeto entre Héraclion e Chania (140 km), aldeias tradicionais de Creta são lugares com visual de cartão-postal. Archanes, em Héraclion, é uma pitoresca vila rural com uma história de cinco mil anos, onde a passagem do tempo não alterou a arquitetura tradicional — a recuperação da aldeia ganhou o Prêmio Europeu de Restauração de Vilas.

Anogia, a meio caminho, no distrito de Rethymno, a 700 metros de altitude, tem 2.500 moradores. Os habitantes mantêm inalterado o dialeto peculiar, que inclui palavras do grego antigo.

Entre os mais bonitos desses povoados está Sfakiá (Hóra Sfakíon), vila de Creta na região de Chania onde os moradores não foram afetados pelas invasões estrangeiras. Lé se vive ainda da agricultura e da pesca. De relevo acidentado e montanhoso, o local tem belas colinas. A 12 km a leste de Sfakiá, o castelo medieval Frangokastello, na costa sul, é famoso pelo fenômeno Drosoulites. Diz a lenda que nas manhãs de maio e junho, sombras de guerreiros fantasmas que morreram na batalha de maio de 1828 rondam o castelo. Explicações científicas atribuem o fenômeno à miragem ou à ilusão.

Outra vila interessante é Therissos (a 16 km de Chania), cercada pela vegetação do desfiladeiro de Theriso, com belas águas e árvores densas. Therissos fica aos pés das Montanhas Brancas, a 580 metros de altitude. Na região, pode-se também atravessar o desfiladeiro de Samaria, o mais longo da Europa. O percurso de 18 km de extensão leva de cinco a sete horas, dependendo do ritmo do visitante. É recomendável para pessoas com certo grau de resistência física. Fica em um parque com excelente infraestrutura com banheiros por todo o caminho e fontes de água. Perto dali, em Akrotiri, está o túmulo do ex-primeiro-ministro da Grécia, Eleftherios Venizelos — que duplicou as terras gregas durante as guerras mundiais e é considerado pelos cretenses como pai da Grécia moderna. O local tem bela vista panorâmica de Chania.

Em Chania, vale visitar o Museu Arqueológico; a Catedral da Apresentação da Virgem Maria, com pinturas religiosas em bom estado, e o Mosteiro ortodoxo de Agia Triada, conhecido por sua capela dedicada aos 12 apóstolos. Construído em 1634, o mosteiro oferece degustação de vinhos e uma pequena loja com produtos artesanais. O Museu de Tipografia exibe livros, jornais raros e prensas de ferro fundido.

Em Chania se toma o melhor café grego da ilha, no Café Kipos, no jardim nacional. Aberto desde 1870, o local serve vários tipos de doces e faz parte da Associação de Cafés Históricos da Europa.

GASTRONOMIA. PESCADOS, ERVAS, CARACÓIS E RAKI

Creta é acolhedora e está repleta de tavernas, restaurantes, bares e clubes. A ilha fica na região com a melhor gastronomia da Grécia e a fama de ser um dos melhores lugares para comer na Europa. A comida é temperada com especialidades como erva-doce, manjericão, orégano, limão e azeite. E os melhores azeites da Grécia vêm de Creta. Graças às condições climáticas, posição geográfica e geologia, a ilha é também um paraíso botânico, com 1.742 espécies registradas de plantas, 159 das quais endêmicas. O aroma das ervas é percebido por toda parte, principalmente na primavera, entre março e junho. Nas tavernas, vasos de orégano e manjericão decoram os ambientes.

As tavernas são ideais para provar as especialidades de Creta, pois servem variados tipos de mezzes (porções fartas em pratos de sobremesa). E tudo vem ao mesmo tempo: os quentes, os frios, as entradas e os principais. Belisque das diferentes porções em vez de se servir individualmente. Nas tavernas, a comida é compartilhada.

Entre as especialidades, experimente tortas e pastéis de queijo e espinafre; stáka (ovo frito coberto por uma espécie de mingau de queijo); dakos (pão regado ao azeite e coberto por queijo branco e tomate); haniotiko boureki (bolo salgado recheado de queijo branco, batata e abobrinha); pilafe de zigouri (parecido com risoto, servido com carne cozida de cabrito), e os queijos myzithra, anthotyros, graviera e feta. Creta fabrica vários tipos de queijos e os mantêm como produto básico e tradicional. Aproveite como aperitivo, acompanhamento, lanche ou sobremesa.

Peixes ou frutos do mar podem vir cozidos, fritos, assados. Para saborear os pescados fresquinhos, peça os do dia. A maioria das tavernas de peixes estão próximas ao mar e são chamadas de psarotavernas. Perto das montanhas, são servidas carnes, principalmente as de carneiro. Outra especialidade são os caracóis — particularmente saborosos por se alimentarem de ervas aromáticas, que junto ao alho temperam os moluscos.

Já os doces, a maioria tem como ingredientes principais o mel e o queijo. Prove as kalitsounias, pastel doce com recheio de queijo e mel. Os iogurtes são deliciosos. No verão, a preferência é por frutas frescas, como melancia, melão, figo e uvas.

Na maioria das vezes, as tavernas oferecem de graça sobremesas como queijos e iogurtes com mel ou frutas. A cortesia é acompanhada de um copinho de raki — bebida típica, parecida com licor, derivada de uva e com 40% a 45% de álcool. Muitas vezes, quando o visitante pede um café ou copo d’água, o garçom traz o raki com a desculpa de que em Creta a hospitalidade é brindada de forma clássica. Em qualquer lugar da ilha, de mosteiros aos restaurantes mais luxuosos, esta será a bebida servida para brindar ao visitante. Contudo, se o gosto forte não agradar, opte pelo rakomelo, que vem misturado com mel.

NÃO PERCA

Portos e ruas. Caminhe pela pequenas ruas dos portos de Chania e Rethymno sem medo de se perder. Todas as ruas terão saída para o lado do mar.

Suvenires. Em Chania e Rethymno, há lembrancinhas em madeira e folhas de oliveira que custam menos de R$ 4. Pechinchar preços funciona. Em Chania, uma das lojas mais bonitas para peças de cerâmica é a Flakatoras.

Hammam. No quebra-cabeça arquitetônico de Chania, há vários banhos otomanos. Experimente o Al Hammam, na praça Eleftherios Venizelos.

Aquários. O Cretaquarium, em Héraclion, tem mais de 250 espécies marinhas do Mediterrâneo em 60 tanques. O Aquaworld Aquarium, em Hersonissos, abriga um museu de história natural com exibição da vida marinha e répteis de várias partes do mundo.

Festas. O Panigiri é uma festa folclórica grega, realizada em diversas datas na primavera e no verão, com danças tradicionais, boa comida e vinho.

oglobo.globo.com | 16-07-2014
O governo português e a Comissão Europeia finalizaram, em Bruxelas, as negociações sobre o Acordo de Parceria relativo às prioridades de financiamento dos fundos estruturais europeus para o período 2014-2020. São mais de 25 mil milhões de euros que o primeiro-ministro qualifica de "decisivos para a Economia nacional e para a sustentabilidade do emprego".
www.rtp.pt | 16-07-2014

RIO - A crise do banco Espírito Santo ameaça a recuperação da economia portuguesa, que está começando a sair da crise, e pode colocar em risco o crescimento de 1% previsto para este ano, dizem os analistas. Isso porque, além do peso do grupo na economia do país, a confirmação de problemas no banco colocaria em xeque a credibilidade de todo o sistema bancário português. Em maio, Portugal saiu do programa de assistência financeira da troika (FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia).

— Um banco português não é capaz de desestabilizar o sistema financeiro mundial nem europeu. Não dá para comparar com os efeitos da quebra do Lehman Brothers, porém para a economia portuguesa pode representar até a descontinuidade na trajetória de recuperação lenta que o país vem passando. Acredito em efeitos limitados, porque os controladores fizeram uma intervenção branca no BES e os bancos centrais aprenderam a lidar com crises em bancos — diz Carlos Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da FGV e ex-presidente do Banco Central.

Luis Miguel Santacreu, analista da Austing Ratings, diz que tudo vai depender de como a crise será equacionada. O melhor seria uma solução entre os parceiros privados. Num cenário mais grave, diz, o grupo deve ser socorrido pelo governo e até pela Comunidade Europeia.

— O governo português tentará evitar um efeito maior sobre a combalida economia do país, que começa a sair de da crise fiscal, inciada em 2008. (Nice de Paula)

A crise do banco Espírito Santo ameaça a recuperação da economia portuguesa, que começa a sair da crise iniciada em 2008, e pode colocar em risco o crescimento de 1% previsto para este ano, dizem os analistas. Isso porque, além do peso no grupo na economia do país, a confirmação de problemas no banco colocaria em xeque a credibilidade de todo os sistema bancário português.

— Um banco português não é capaz de desestabilizar o sistema financeiro mundial nem europeu. Não dá para comparar com os efeitos da quebra do Lemman Brothers,pórem para a economia portuguesa pode representar até a descontinuidade na trajetória de recuperação lenta que o país vem passando. Mas acredito em efeitos limitados, porque os controladores já fizeram uma intervenção branca no BES e todos os bancos centrais aprenderam a lidar com crises em bancos — diz Carlos Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da FGV e ex-presidente do Banco Central.

Luis Miguel Santacreu, analista da Austing Ratings, diz que tudo vai depender de como a crise será equacionada. O melhor seria uma solução entre os parceiros privados. Num cenário mais grave, diz, o grupo deve ser socorrido pelo governo e até pela Comunidade Europeia.

— Dada a relevância do grupo, o governo tentará evitar um efeito maior sobre a combalida economia do país, que começa a sair de da crise iniciada em 2008.

oglobo.globo.com | 16-07-2014

FORTALEZA - O Brasil deverá assumir a primeira presidência do banco de desenvolvimento que será criado nesta terça-feira, durante encontro de cúpula de chefes de Estado e de governo do Brics, sigla do bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Segundo fontes envolvidas nas negociações, as chances de a cidade chinesa de Xangai ser a sede da instituição são bastante promissoras, apesar da forte pressão indiana por Nova Délhi. O único empecilho no caminho do Brasil é que o país que perder a disputa da sede pode exigir, como compensação, o direito de ser o primeiro presidente.

A favor dos brasileiros na presidência do banco está o fato de o país ter sido o único entre os cinco membros que não se candidatou como sede da instituição. Moscou teria desistido da disputa, que tem como concorrentes mais fortes Xangai e Nova Délhi. A África do Sul teria poucas chances com Joanesburgo. Outra vantagem é que o Brasil é anfitrião da reunião do Brics, que acontecerá nestas segunda e terça-feiras na capital cearense.

A instituição começará a operar a partir de 2016. Com um capital inicial de US$ 50 bilhões para financiar projetos de infraestrutura sustentáveis sob os pontos de vista econômico, social e ambiental, o banco será dirigido por um diretor executivo (CEO) — a ser indicado pelo país que estiver na presidência — e um conselho de administração com um mandato de cinco anos não renováveis.

CONTA DE US$ 10 BI POR PAÍS

Cada um dos cinco países terá uma conta de US$ 10 bilhões. A repartição igual tem por fim evitar pesos diferentes nas decisões da instituição, cuja atividade se assemelha ao que faz, hoje, o Banco Mundial. Em um segundo momento, o banco emprestará recursos para outras nações em desenvolvimento que não fazem parte do bloco.

Fontes afirmam que o modelo de gestão do banco seria semelhante ao da Corporação Andina de Fomento (CAF), que é o banco de desenvolvimento de 18 países de América Latina, Caribe e Europa com sede em Caracas, na Venezuela. A avaliação é de que haveria um foco na viabilidade econômica dos projetos financiados, com uma preocupação efetiva de retorno das operações. Outra questão em discussão é qual será o peso das condicionantes democráticas e ambientais para a liberação dos recursos.

Nessa vertente econômica, além do banco de desenvolvimento, os líderes do Brics assinarão três acordos: a criação do Arranjo de Contingente de Reservas (ACR, uma espécie de fundo), com US$ 100 bilhões para ajudar a resolver problemas nas economias dos países do bloco; um acordo de cooperação entre as respectivas seguradoras de crédito à exportação; e uma espécie de convênio entre os bancos de fomento, sendo o BNDES no caso do Brasil.

— Com o banco e o fundo, o Brics cria mais institucionalidade, assume um novo patamar de institucionalização. Não se trata de um grupo de mercados emergentes, mas de países que reivindicam um papel político. Mas há também uma segunda dimensão, que é a pressão desses instrumentos sobre a arquitetura internacional e o processo de reformas de instituições como Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial — diz o supervisor do think thank Brics Policy Center, Paulo Esteves.

PREOCUPAÇÃO COM POLÍTICA MONETÁRIA

Um tema que deve ganhar especial atenção na Declaração de Fortaleza, a preocupação com a política monetária da União Europeia e dos Estados Unidos, já foi parte do documento final da Cúpula de Durban, no ano passado. Na ocasião. o texto citava que os bancos centrais de países desenvolvidos deviam evitar as consequências indesejadas das políticas monetárias não convencionais que tinham sido adotadas para reagir aos riscos na economia global. Entre essas consequências estavam o aumento da volatilidade dos fluxos de capital e dos preços de commodities e moedas, que poderiam ter efeito negativo no crescimento de outros países, especialmente aqueles em desenvolvimento.

Agora, a preocupação dos países do Brics será a reversão dessa política monetária. Na semana passada, os Estados Unidos anunciaram o fim das medidas de estímulo à economia em outubro.

oglobo.globo.com | 14-07-2014

BRASÍLIA - Depois da Copa do Mundo, o Brasil se prepara para jogar em outro campo, desta vez junto com os demais integrantes do Brics (sigla do bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), em encontro de cúpula de chefes de Estado e governo, que começa amanhã em Fortaleza (CE). Os “adversários do grupo” — ausentes do evento, mas no centro da pauta — são as nações desenvolvidas, devido à baixa importância dada pelas potências ocidentais aos países emergentes. As mudanças na política monetária da União Europeia e dos EUA, que na última quarta-feira anunciaram o fim das medidas de estímulo à economia em outubro, serão o principal tema da reunião.

SAIBA MAIS SOBRE OS PAÍSES DO BRICS

Os líderes do Brics estão preocupados com o crescimento de seus países, a liberalização do comércio e a maior participação nas decisões econômicas mundiais. Essa preocupação estará expressa na declaração final que será negociada pelos sherpas — como são chamados aqueles que organizam previamente o encontro — até a primeira hora de segunda-feira, quando passarão o bastão para os ministros da Economia e das Relações Exteriores do bloco. A Declaração de Fortaleza terá 50 artigos e será entregue aos chefes de Estado na terça-feira. Embora os países desenvolvidos não sejam citados no texto, eles serão criticados, especialmente pela paralisação do processo de reformas no sistema de cotas do Fundo Monetário Internacional (FMI).

PRESSÃO DA CHINA PELA ARGENTINA

A reunião de cúpula do Brics terá duas faces: a política, com a posição do grupo sobre temas delicados, como a situação no Oriente Médio e na Ucrânia; e a econômica, ponto forte do encontro. No segundo caso, os ministros da Fazenda e presidentes dos bancos centrais se reúnem amanhã, quando o desenho do banco de desenvolvimento será concluído.

A instituição entrará em funcionamento dentro de um ano, segundo o Ministério da Fazenda, mas é fundamental sua aprovação pelo Legislativo brasileiro. Até a noite de sexta-feira, a expectativa era que a sede do banco, disputada por todos os membros, à exceção do Brasil, e a presidência da instituição, desejada pelo governo brasileiro e pelos demais integrantes do bloco, só serão decididas pelos chefes de Estado.

Fora da agenda oficial, a China voltará a insistir com a entrada de novos membros no bloco, começando pela Argentina — que vive uma das mais duras crises econômicas de sua história. O Brasil resiste a essa possibilidade. Argumenta que ainda é preciso dar uma roupagem melhor ao bloco. Os chineses conseguiram emplacar a África do Sul em 2011, mas não tiveram o mesmo êxito com México e Indonésia.

Há interesse dos países desenvolvidos na reunião de cúpula do Brics. O banco de desenvolvimento e o fundo de reservas para ajudar os países com problemas no balanço de pagamentos (contas com o resto do mundo), que também será criado, são competidores diretos do Banco Mundial e do FMI. Com isso, o bloco quer reafirmar sua posição de ter alternativas para o sistema financeiro mundial, fortemente questionado pelo grupo.

— Quanto mais competição, melhor — disse uma fonte da área econômica.

O governo brasileiro aposta nas reuniões bilaterais entre Dilma e o restante do Brics para fazer bons negócios. No encontro que terá com o presidente da China, Xi Jiping, Dilma pretende acertar a venda de 60 aeronaves da Embraer ao mercado chinês. Com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, será assinado um plano de ação, a ser executado até o fim de 2015, que prevê investimentos em projetos de ferrovias, portos, energia nuclear, petróleo e gás, entre outros.

Brasil e África do Sul negociam, de um lado, a liberação do ingresso de vinho sul-africano no Brasil e, de outro, acabar com os entraves à carne brasileira. Com a Índia, a ideia é expandir o comércio bilateral de US$ 9,5 bilhões em 2013 para US$ 15 bilhões até o fim de 2015.

— Cerca de 50% das exportações brasileiras para a Índia são do segmento de petróleo, e as importações, na sua maioria, são de óleo diesel, produtos que variam muito em função da oferta e do preço no mercado internacional — disse o subsecretário geral político do Itamaraty, embaixador José Alfredo Graça Lima, que também é o sherpa do Brasil.

CÂMBIO FORA DA AGENDA

Para o presidente do Conselho Empresarial Brasil-China, Sérgio Amaral, o Brics quer uma nova governança econômico-financeira, mas não se entende sobre a correção dos grandes desequilíbrios entre os países que exportam e têm superávits e os que importam e têm déficits. A superação desse obstáculo, afirmou Amaral, está relacionada à questão cambial, assunto que os integrantes do Brics não conseguem sequer discutir, porque a China não aceita incluí-la na agenda:

— Enquanto o Brics tem seu desempenho econômico menos expressivo, os países mais desenvolvidos estão saindo da crise, caso dos EUA e da União Europeia. Outro fator é que esse grupo original do Brics está sendo superado por alguns outros países em desenvolvimento com performance mais expressiva, como México, Coreia do Sul, Indonésia e Polônia. O que resta do Brics? O aspecto político.

Leonardo Paz, do Centro Brasileiro de Relações Internacionais, diz que ainda é difícil definir com clareza o perfil do Brics. Segundo ele, com a crise financeira mundial, o bloco idealizado pelo economista Jim O’Neill, no início dos anos 2000, acabou ganhando um tom mais político:

— O grupo precisará de um tempo para amadurecer.

oglobo.globo.com | 13-07-2014

O dólar fechou em alta sobre o real nesta quinta-feira, em linha com o desempenho da moeda norte-americana em outros mercados diante de preocupações com a economia europeia. O movimento foi contido pela percepção de que os juros nos Estados Unidos não vão subir tão cedo, reiterada na véspera pela ata da reunião passada do Federal Reserve, banco central norte-americano....
economia.terra.com.br | 10-07-2014
A bolsa nova-iorquina terminou em baixa a sessão de quinta-feira, com os problemas do banco português BES a evidenciarem as fragilidades da economia europeia e a darem aos investidores uma desculpa para venderem.
www.rtp.pt | 10-07-2014
O Comité das Regiões da União Europeia (UE) defendeu hoje a necessidade de, a par dos investimentos nas redes transeuropeias de transportes, canalizar mais fundos comunitários para as ligações nos territórios despovoados e isolados.
www.rtp.pt | 10-07-2014

BRASÍLIA Os líderes do Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) vão destacar sua “profunda decepção” com a demora na reforma do sistema financeiro mundial, no documento final a ser divulgado na próxima terça-feira, último dia do encontro de cúpula, em Fortaleza, no Ceará. Embora decididas em 2010, na reunião do G-20 financeiro — grupo das 20 maiores economias do mundo —, as mudanças que têm o objetivo de dar maior peso às nações emergentes em organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) não se concretizaram, devido ao desinteresse dos países desenvolvidos.

— Vamos demonstrar nossa frustração com a paralisação do processo de reforma — disse uma fonte da área econômica, que está trabalhando no tema e não quis se identificar.

Serão assinados quatro atos no evento em Fortaleza: o lançamento de um acordo contingente de reservas, em que estarão disponíveis US$ 100 bilhões para ajudar os países do Brics que estiverem com dificuldades em seus balanços de pagamentos; a criação de um banco para financiar projetos de infraestrutura; um memorando de cooperação entre as agências de garantia de crédito à exportação; e um convênio entre os bancos de desenvolvimento das nações do bloco — no caso brasileiro, o BNDES.

Segundo essa fonte, com um capital de US$ 50 bilhões, o banco de desenvolvimento do Brics vai financiar projetos de infraestrutura que sejam sustentáveis dos pontos de vista ambiental, social e econômico.

BRASIL QUER PRESIDIR INSTITUIÇÃO

Em um futuro próximo, países fora do bloco poderão se beneficiar com os empréstimos. Falta decidir, continua essa fonte, onde ficará a sede do banco e que país assumirá a presidência rotativa da instituição, que terá mandato de cinco anos não prorrogáveis.

— O Brasil não tem interesse em sediar o banco, mas gostaria de ser o primeiro presidente — revelou o técnico.

E a China deve propor a entrada da Argentina no bloco. A informação foi divulgada ontem pela agência de notícias oficial da Argentina, Télam, citando fontes da chancelaria chinesa.

Na terça-feira, o subsecretário para Assuntos Políticos do Itamaraty, José Alfredo Graça Lima, afirmara que os textos finais para a criação do banco de investimentos do Brics e do Arranjo Contingente de Reservas (ACR, uma espécie de fundo) estão “praticamente sacramentados” e passam agora apenas por revisão da área jurídica dos países.

Paralelamente à cúpula do Brics, a presidente Dilma Rousseff terá reuniões bilaterais com cada um dos chefes de Estado do bloco: o presidente da China, Xi Jinping; o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; e os presidentes da Rússia e da África do Sul, Vladimir Putin e Jacob Zuma, respectivamente.

Terminado o encontro de cúpula em Fortaleza, os chefes de Estado desembarcarão em Brasília, na próxima quarta-feira, para uma reunião com os presidentes da América do Sul. A expansão do comércio e dos investimentos com a região será o principal assunto a ser tratado.

De acordo com o Palácio do Planalto, após o encontro entre Brics e sul-americanos, Dilma receberá o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. Junto com os Estados Unidos, a União Europeia quer saber detalhes sobre os mecanismos a serem criados pelo Brics.

* Colaborou Catarina Alencastro

oglobo.globo.com | 10-07-2014

RIO - Mais de 360 neurocientistas assinaram nesta semana uma carta aberta pedindo mais transparência ao Projeto Cérebro Humano (HBP, em inglês), financiado desde o ano passado pela Comissão Europeia para explorar a vastidão do órgão humano. A pesquisa é considerada a versão europeia do Brain Iniciative, lançado nos EUA pelo presidente Barack Obama.

O objetivo mais ambicioso do projeto, simular em computador todas as reações cerebrais, foi atacado pelos especialistas por ter pouca "viabilidade e transparência". Há trechos inclusive que acusam a Comissão Europeia de financiar "sonhos", e não planos viáveis. A carta expressa ainda que "a abordagem excessivamente estreita" do projeto ameaça colocar a Europa na retaguarda do progresso científico, mesmo que mantenha seus investimentos anuais de cerca de $ 130 milhões de euros pelos próximos 10 anos.

A carta também manifesta a preocupação com a recente dissolução do projeto do ramo “Arquiteturas Cognitivas”, responsável por explorar implicações comportamentais. Esse seria o “coração” da pesquisa, segundo os cientistas, que demandaram mais explicações para a medida.

O próprio financiamento em si é fonte de preocupação. Segundo os neurocientistas, de todo o montante, apenas $ 65 milhões são garantidos todo ano pela Comissão Europeia, através da seção Tecnologias de Informação e Comunicação. A outra metade dependeria do quanto cada membro da União Europeia queira investir na neurociência.

Leia aqui a carta aberta à Comissão Europeia, em inglês.

oglobo.globo.com | 09-07-2014

BRASÍLIA, 5 (AG) - O superávit de US$ 2,365 bilhões da balança comercial em junho mascara a crise no comércio exterior. A melhora só foi possível porque as importações estão caindo mais do que as exportações, reflexo da economia fraca. O déficit acumulado no primeiro semestre chega a US$ 2,490 bilhões, e o cenário para o segundo semestre é cada vez mais sombrio. Apesar do discurso otimista do governo, que aposta em um saldo positivo em torno de US$ 4 bilhões este ano, por contar com a melhora da conta petróleo (exportações e importações de petróleo e derivados), especialistas do setor privado estimam um resultado próximo de zero, que chegará, na melhor das hipóteses, a US$ 2 bilhões.

A perda de dinamismo nas vendas para a Argentina, por exemplo, fará com que o Brasil deixe de exportar cerca de US$ 3 bilhões ao país vizinho, de acordo com estimativa da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). E mais: ao contrário de 2013, o país não contará com sete plataformas de petróleo para embarcar ao exterior, o que garantiu US$ 7,7 bilhões em divisas. Isso evitou que o comércio exterior brasileiro apresentasse um déficit de US$ 5,2 bilhões no ano passado.

Outro fator é a queda generalizada nos preços das commodities metálicas e agropecuárias, responsáveis por mais da metade dos produtos exportados no mercado internacional. A redução da cotação do produto interfere na receita computada com exportação. Há, ainda, o aumento das encomendas no exterior, principalmente de alimentos, bebidas e bens de consumo no segundo semestre para as festas de fim de ano.

- Não sei se teremos déficit ou superávit, pois sabemos que as exportações estão caindo, mas as importações sinalizam que estão perdendo o fôlego também. O fato é que a situação é bastante complexa - disse o presidente da AEB, José Augusto de Castro.

A fragilidade no comércio exterior começou a ser sentida com mais força em 2013, quando a balança apresentou um superávit de US$ 2,6 bilhões, ante US$ 19,4 bilhões no ano anterior. Foi o pior saldo desde 2001, quando as exportações superaram as importações em US$ 2,7 bilhões. A última vez em que houve déficit anual foi em 2000, no valor de US$ 732 milhões, ou seja, há 14 anos.

- Se você projetar as exportações no mesmo nível do ano passado, e com alguma retração das importações, pode-se conjecturar que teremos um superávit bem pequeno, de US$ 100 milhões a US$ 2 bilhões, o que é insignificante para ajudar no balanço de pagamentos - disse o consultor internacional Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).

O rombo estimado pelo próprio Banco Central nas contas externas brasileiras este ano é de US$ 80 bilhões.

Para o economista da Rosenberg Associados Rafael Bistafa, no caso do superávit registrado em junho, essa aparente melhora esconde um fator preocupante: a queda das importações é reflexo do baixo dinamismo da atividade doméstica. Das 23 categorias de importação, 17 registraram queda. Bistafa, que projeta resultado zero na balança de 2014, acredita que só haverá saldo positivo, ainda que pequeno, se a compras externas caírem ainda mais.

- Nossa projeção de saldo para a balança comercial este ano é zero desde o fim de 2013. Essa perda de dinamismo comercial assusta. A balança só ficou positiva no ano passado por causa das plataformas - observou Bistafa.

Ele destacou que, em junho, as importações totais recuaram 3,8% em relação ao mesmo mês de 2013. Não fosse o forte aumento, de 45%, nas compras externas de combustíveis, as importações teriam apresentado uma redução ainda maior, de 11,8%.

- A desaceleração das importações, principalmente em matérias-primas, bens intermediários e de capital, sinalizam perspectivas ruins para a atividade doméstica - completou o economista.

Na avaliação do MDIC, o déficit da conta petróleo, de US$ 20 bilhões em 2013, deverá cair para US$ 15 bilhões este ano. No primeiro semestre de 2014, o saldo estava negativo em US$ 8,7 bilhões. O aumento da produção de petróleo pela Petrobras anima o governo.

Por outro lado, o mundo assiste à recuperação da atividade industrial em países importantes, como Estados Unidos, Reino Unido e Japão. A disputa pelo mercado internacional de produtos manufaturados chega a ser cruel com os empresários brasileiros. O preço de um produto fabricado no Brasil custa 30% a mais do que um bem produzido pela concorrência, como os asiáticos.

- Nossa balança é extremamente dependente de commodities - ressaltou o presidente da AEB.

No primeiro semestre deste ano, houve queda nas exportações para África, América Latina - com uma redução de quase 20% das vendas para a Argentina - Oriente Médio e União Europeia. Por outro lado, cresceram os embarques para Estados Unidos, Europa Oriental e Ásia, com destaque para a China, que garantiu uma expansão de 4,9% em relação ao ano anterior.

As importações nos seis primeiros meses do ano só não caíram nos casos de Europa Oriental, África, Estados Unidos e Ásia. As compras do Mercosul tiveram uma queda de 14% e, da União Europeia, 5,3%.

oglobo.globo.com | 06-07-2014

A economia brasileira, como todas as outras, enfrentou forças recessivas durante muito tempo, desde a propagação pelo mundo das ondas de choque decorrentes da quebra financeira do mercado imobiliário americano, em fins de 2008. A paralisia do sistema global de crédito, com a falência do Lehman Brothers, em Wall Street, teve o efeito de uma colisão de frente de um trem-bala. A desaceleração das economias foi abrupta, e levou tempo para o sistema ser restabelecido.

Quase seis anos depois, o Brasil, infelizmente, está em sentido contrário ao do mundo: os Estados Unidos já se recuperam — 288 mil empregos foram criados apenas em junho —, e, por isso, aumentam as especulações sobre quando o Fed (banco central) fará o primeiro aumento de juros desde 2008. Na Europa, a tendência é a mesma, mais forte ou menos, a depender do país, e não tão firme quanto a americana.

Já o Brasil está em desaceleração. E pior: com inflação elevada, no limiar do rompimento do teto da meta (6,5%). Em contraposição, forças da deflação ainda atuam em grandes economias. Outra contramão brasileira.

Até mesmo o Banco Central, em seu último relatório trimestral, reduziu de 2% para 1,6% a estimativa de expansão do PIB para este ano. Já os analistas ouvidos periodicamente pelo próprio BC (Relatório Focus) estimaram, na última rodada de previsões, apenas 1,1% de crescimento. No início do ano, esperavam 2,28%.

Os dados sobre o setor industrial divulgados quarta-feira pelo IBGE confirmam o pessimismo: retração de 0,6% em maio, comparado com abril, a terceira queda mensal consecutiva. Em relação a maio de 2013, queda de 3,2%.

Há outros sinais de desaquecimento. Mesmo no mercado de trabalho, trunfo usado pela campanha à reeleição de Dilma. Embora a taxa de desemprego nas principais regiões metropolitanas se mantenha na faixa de 5% (7% na Pnad contínua), já há desaceleração na geração de empregos formais. Muito em função de problemas da indústria automobilística — a crise na Argentina atinge de frente o setor —, ocorreu o pior mês de maio em termos de geração líquida de empregos formais desde 1992 (58.836 novas vagas contra 28.533 demissões).

O cenário recessivo é confirmado por uma arrecadação tributária fraca, ainda que se considerem desonerações e fatores sazonais. De janeiro a maio, recolheu-se em impostos federais apenas 0,31% a mais que o mesmo período de 2013.

A razão básica de o Brasil estar na contramão do mundo é o erro na escolha da terapia para se contrapor à recessão: incentivo ao consumo, em vez dos investimentos. E o governo insiste, ao manter os gastos públicos em alta, numa velocidade superior à da arrecadação: de janeiro a maio, as despesas aumentaram em 11,1% e as receitas líquidas, 6,5%. A situação, em geral, é insustentável.

oglobo.globo.com | 04-07-2014

BRUXELAS — Governos europeus estudam impedir que a Rússia tenha acesso a fundos multilaterais de empréstimos como forma de punir Moscou pelo que consideram um apoio aos separatistas do Leste da Ucrânia, segundo autoridades.

O estudo preliminar avalia impedir empréstimos de bancos como o Banco Europeu de Investimentos e o Banco Europeu para a Construção e o Desenvolvimento, informaram diplomatas e um funcionário alemão.

A ideia da União Europeia é pressionar o presidente russo Vladimir Putin para que ele recue em seu apoio aos rebeldes, principalmente os da autoproclamada República Separatista de Donetsk. Putin nega ter controle sobre os separatistas, mas Kiev questiona a capacidade de organização deles e diz que armas são enviadas através da fronteira russa.

Com as pressões, que podem alcançar setores inteiros da economia russa, a UE e os Estados Unidos pretendem forçar um cessar-fogo antes do fim desta semana.

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, já prometeu que continuará os ataques para “libertar a terra” dos “terroristas”.

Os europeus, porém, enfrentam dificuldades na execução de seus projetos de sanções, pois suas economias são muito integradas com a da Rússia, importadora de manufaturados e exportadora de gás. Setores da industria alemã, por exemplo, já se organizam contra o boicote à economia russa.

No caso do Banco Europeu para o Desenvolvimento, a integração é ainda maior, pois a Rússia é um dos 64 sócios da organização com sede em Londres. US$ 2,5 bilhões foram emprestados a Moscou no ano passado por essa instituição. O Banco Europeu de Investimento havia prometido outros US$ 1,3 bilhões.

Até o momento a UE impôs sanções a 60 pessoas na Rússia e na Ucrânia que incluem o congelamento de ativos e proibições de viagem.

oglobo.globo.com | 04-07-2014
Em entrevista a nove correspondentes estrangeiros, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu nesta quinta-feira (3) que o crescimento da economia no governo Dilma Rousseff não é o ideal, mas não vê necessidade de mudança nos rumos da política econômica. Lula minimizou o desempenho da economia brasileira alegando que o cenário internacional ainda enfrenta os efeitos da crise de 2009. Ele justificou que o Brasil passa pela mesma desaceleração que atinge a Europa e os Estados Unidos, mas tem a seu favor a criação empregos em ritmo acelerado. "Obviamente o nosso PIB não é o PIB que a gente gostaria", disse Lula segundo a agência internacional Reuters. "Quando as pessoas acham que o Brasil não cresceu muito nestes últimos quatro anos, a pergunta que faço é: 'quem cresceu mais do que o Brasil'?", indagou. Leia mais (07/03/2014 - 18h43)
redir.folha.com.br | 03-07-2014

RIO - A imprensa está reagindo contra a decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia que dá a qualquer pessoa o “direito de ser esquecida” na internet. Esta semana, veículos como BBC, “Guardian” e MailOnline começaram a receber notificações do Google sobre links que foram removidos dos resultados a pedido de pessoas envolvidas no noticiário. A solução encontrada foi criticar a medida e relembrar os casos para eles voltarem ao sistema de buscas.

“Quando você procura por alguém no Google dentro da União Europeia, você não encontra mais o que a gigante de buscas pensa ser a mais importante e relevante informação sobre um indivíduo. Você vê as informações mais importantes que o seu alvo de busca não está tentando esconder”, escreveu o “Guardian”.

A decisão da corte europeia foi sobre processo movido pelo espanhol Mario Costeja González, que não queria que internautas vissem nos resultados do Google um link do jornal “La Vanguardia” de 1998, que continha aviso do Ministério do Trabalho sobre leilão de imóveis realizado para sanar suas dívidas. O problema é que casos importantes estão desaparecendo das buscas.

“Os editores devem lutar contra esse desafio indireto à liberdade de imprensa, que permite que artigos 'desapareçam'. As decisões editorias cabem a eles, não ao Google”, criticou o “Guardian”.

O jornal britânico teve seis artigos retirados dos resultados das buscas na União Europeia. Três são sobre o ex-árbitro de futebol escocês Dougie McDonald, sobre fato ocorrido em 2010. Os artigos falam sobre a descoberta de que ele teriam mentido sobre um pênalti marcado em uma partida do Celtic contra o Dundee United. As outras são de casos menores, como o de funcionários de um escritório na França que faziam arte com Post-it.

Na BBC, um artigo publicado em 2007 pelo editor de Economia Robert Peston foi retirado do sistema de buscas do Google. O caso envolvia Stan O'Neal, na época presidente do banco de investimento Merrill Lynch.

No MailOnline, reportagens sobre o mesmo caso também foram retiradas do sistema de buscas, assim como uma matéria sobre funcionários da rede de varejo Tesco atacando outros trabalhados em redes sociais, outra sobre um casal flagrado fazendo sexo em um trem e uma sobre um muçulmano que acusou a companhia aérea Cathay Pacific de se recusar a empregá-lo por causa do seu nome.

“Esses exemplos mostram como o direito a ser esquecido não faz sentido. É o equivalente a ir a uma livraria e queimar livros que você não gosta. O MailOnline vai publicar regularmente listas de artigos deletados do Google para que as pessoas saibam o que está sendo apagado”, afirmou Martin Clarke, editor do MailOnline.

oglobo.globo.com | 03-07-2014

SÃO PAULO - Com a eleição presidencial mais próxima, os analistas estão recomendando aos investidores, para julho, ações consideradas mais defensivas ou de setores com menor probabilidade de intervenção governamental. O objetivo é montar uma carteira que ofereça possibilidade de ganhos mesmo com indicadores econômicos mais fracos. Cielo e Vale são os papéis mais recomendados, com cinco indicações cada um, entre nove corretoras.

Papéis de empresas que são beneficiadas pelo consumo, um dos motores do crescimento do atual governo, também estão bem cotados: Magazine Luiza e Estácio Participações foram citadas quatro vezes cada um. Itaú Unibanco e Suzano também apresentam quatro indicações cada um, já que existe a expectativa de bons resultados no segundo trimestre.

. - O GLOBO

Para Elad Victor Revi, analista da Spinelli Corretora, as escolhas levaram em conta o cenário não só de baixo crescimento, com a deterioração de alguns indicadores, mas também a proximidade das eleições; A avaliação é que desde 2012 o governo federal fez algumas interferências em setores já consolidados, como o elétrico e o de Petróleo, o que mexeu com comportamento das ações.

– A gente traçou um cenário econômico até outubro, considerando as eleições. Tentamos sair de setores em que a probabilidade de interferência seja alta – afirmou.

No caso da Cielo, a justificativa é que o setor de serviços financeiros vem apresentando crescimento e, apesar do aumento da concorrência, a empresa conseguiu manter a sua participação de mercado. Para os analistas da corretora Geração Futuro Eduardo Nishio e Vito Ferreira, a companhia deve continuar apresentando crescimento nos lucros e não deve sofrer os impactos negativos da Copa do Mundo e das eleições.

Já no caso da Vale, a avaliação é que a economia chinesa não deve desacelerar tanto este ano. A China é a maior compradora da Vale e, mesmo com a queda atual do preço do minério de ferro, o valor deve se recuperar gradativamente. Além disso, a Guide Investimentos destaca a recuperação das economias da Europa e dos Estados Unidos. Esses fatores, aliados à forte desvalorização dos papéis - as cotações das ações preferenciais acumulam queda de 16% no ano - justificam a escolha.

“Mantemos a recomendação no papel e acreditamos que o atual patamar de preços é atrativo”, dizem os analistas da corretora, em relatório.

As empresas atreladas ao mercado interno também estão no radar dos investidores. No caso do Magazine Luiza, a avaliação é que apesar do baixo crescimento, o nível de emprego continua estável e o aumento de renda dos últimos anos favoreceu o consumo no país. A empresa se destaca porque tem conseguido elevar as suas margens de ganhos.

– O Magazine Luíza apresenta uma contínua melhora de margens das redes adquiridas, como a Maia e a Baú, e tem um crescimento de vendas impulsionado por programas sociais, como o “Minha Casa, Minha Vida” – justificou o analista Henrique Florentino, da Um Investimentos.

A Estácio é outra favorita em um setor que tem crescido devido a maior procura por educação. Na avaliação de Ruben Couto, Guilherme Assis e Victor Falzoni, analistas da Geração Futuro, o mercado de educação tem fundamentos consistentes e as metas de crescimento de longo prazo da empresa mostram uma boa relação entre risco e retorno, justificando a escolha.

Novamente na lista, a Suzano aparece em quatro carteiras recomendadas. Entre os motivos para sua escolha, estão a expectativa positiva em relação aos resultados do segundo trimestre, uma vez que a empresa fez algumas reduções de custo. É também a divulgação de um bom balanço balanço do período entre abril e junho que contribuiu para que as ações do Itaú Unibanco também recebesse quatro indicações.

oglobo.globo.com | 02-07-2014

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, usou um veículo interno da instituição para mandar um recado para o mercado financeiro: a taxa de juros (Selic) mantida em 11% ao ano é capaz de fazer com que a inflação entre numa trajetória de convergência para a meta de 4,5% nos próximos dois anos. Numa entrevista ao “Conexão Real”, jornal interno do BC, divulgada pela assessoria de imprensa, o presidente admitiu, entretanto, que a inflação em 12 meses continuará elevada por algum tempo.

“Gostaria de reafirmar que, mantidas as condições monetárias, a inflação tende a entrar em trajetória de convergência para a meta ao longo do horizonte relevante para a política monetária”, prometeu.

Na entrevista, Tombini garantiu que a inflação está sob controle e encerrará 2014 dentro dos limites do regime de metas. O objetivo do BC, estabelecido por lei, é deixar o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,5% neste ano. No entanto, a legislação admite uma tolerância de 2 pontos percentuais.

“A inflação mensal ao consumidor se encontra em patamar baixo e deve permanecer bem comportada nos próximos meses. Nesse sentido, deflações nos índices gerais de preços observadas recentemente tendem a se refletir com mais intensidade nos preços ao consumidor”, frisou o presidente do BC.

No entanto, nos últimos 12 meses, a inflação acumulada está em 6,37%. Tombini avisa que ela continuará elevada por causa da alta de preços dos alimentos vista no início do ano.

“Em momentos como o atual, onde a inflação acumulada em doze meses ainda mostra resistência, a política monetária deve se manter vigilante para mitigar riscos”.

Tombini deveria ter ido hoje ao Congresso Nacional para participar de uma audiência de rotina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal. No entanto, a sessão foi cancelada pelos parlamentares por falta de quórum. As mensagens que seriam dadas foram enviadas na entrevista ao órgão interno do BC.

Ela foi concedida depois do regresso de Tombini da assembleia geral do BIS (o Banco Central dos BCs), na Suíça, onde foi discutida a situação econômica mundial. Alexandre Tombini disse que sua leitura é que a economia internacional continua em recuperação, mas num ritmo menos intenso do que o esperado inicialmente. Segundo ele, um grande número de países está revendo para baixo suas projeções de crescimento como Estados Unidos, México, China e Brasil.

“Apesar dessas revisões, não estamos em situação semelhante a de 2011, onde desenvolvimentos na Europa indicavam agravamento da crise. No Banco Central, continuamos operando dentro das margens do cenário que tínhamos nos últimos meses, e que comunicamos nos nossos vários documentos, apenas com alguns ajustes”.

MAIOR LIQUIDEZ GLOBAL NÃO MUDOU CONFIANÇA

De acordo com o presidente do BC, a explicação para esse fenômeno é que apesar dos estímulos monetários e financeiros sem precedentes, o aumento da liquidez global – ou seja, do grande volume de dinheiro injetado no mercado – não foi capaz de traduzir-se em mudança permanente e significativa da confiança dos setores reais das economias avançadas.

“Ou seja, os 'espíritos animais' dos empreendedores ainda não se restabeleceram. A assunção de riscos de mais longo prazo, por meio de investimentos ainda não foi retomada de maneira significativa, não obstante termos sinais positivos nos mercados acionários, e de certa forma, nos mercados de imóveis”.

Tombini disse que alguns eventos como os problemas climáticos nos Estados Unidos levaram a uma contração significativa do produto no primeiro trimestre e isso deve se refletir no crescimento ao longo deste ano. No entanto, ele deixou claro que nem mesmo essa quebra no ritmo de recuperação deve alterar a estratégia de retirada gradual dos estímulos monetários, mas pode facilitar a compreensão pelos mercados de que poderá haver um período mais longo de normalização da política monetária.

Ele ainda disse que há a possibilidade da Zona do Euro aprofundar os seus estímulos à atividade e do Japão continuar os seus, o que, de certa forma, pode suavizar o movimento de retirada observado na economia norte-americana. Já no caso da China, o BC alerta para uma gradual mudança de patamar de crescimento.

“Todos esses elementos do cenário externo estão sendo gerenciados com uma melhor comunicação pelas autoridades dos respectivos países, o que deve permitir também uma maior previsibilidade para as economias emergentes”.

oglobo.globo.com | 01-07-2014
Passos Coelho diz querer construir em Portugal uma das economias mais abertas da Europa. A vontade foi manifestada num fórum económico que reuniu o primeiro-ministro e o Presidente de Moçambique.
www.rtp.pt | 01-07-2014

PARIS E TAL AVIV — Meses atrás, o estudante Mickael Bentura, 22 anos, andava por Paris quando viu um cartaz num muro com a frase: “Morte a Israel”. Ficou abalado e começou a arrancar o que pôde do papel colado à parede. Para ele, foi a gota d’água na decisão de deixar sua França natal e recomeçar a vida a milhares de quilômetros de distância.

— Uma semana depois, eu já estava lá. Meu coração sempre foi voltado para Israel, mas de repente me dei conta de que não quero andar pelas ruas com medo. Meu lugar é aqui — explica ele em Tel Aviv.

Mickael é parte da maior onda de imigração francesa para Israel em mais de quatro décadas. Desde o fim dos anos 1960, não havia desembarcado no Aeroporto Internacional de Tel Aviv, de mala e cuia, tal quantidade de judeus franceses. São estudantes, jovens famílias e até mesmo aposentados que decidiram trocar o país da Marselhesa pela Terra Santa. Eles citam o aumento do antissemitismo na França, a ascensão da extrema-direita, a crítica exacerbada da mídia em relação a Israel e a crise econômica europeia como as gotas d’água que os levaram a deixar a Europa para trás e rumar para o Oriente Médio.

Segundo dados da Agência Judaica, 2.254 franceses fizeram aliá para Israel de janeiro a maio de 2014 — quatro vezes mais do que no mesmo período de 2013. A cifra supera até mesmo a quantidade de judeus da Ucrânia (1.587), que também estão imigrando em massa por causa do conflito com a Rússia. A estimativa é de que, até o final do ano, cheguem mais de cinco mil judeus franceses, um aumento de 50% em relação a 2013 e de mais de 100% sobre a média anual dos últimos 20 anos: dois mil. O começo desse influxo foi sentido há sete anos e agora se igualou ao auge anterior, de 5.200 imigrantes franceses em 1967, após a Guerra dos Seis Dias. Hoje, vivem em Israel algo em torno de 200 mil cidadãos nascidos na França.

CHACINA TRAUMATIZOU COMUNIDADE

No cerne da decisão de partir, o antissemitismo é uma constante. Os 169 atos antissemitas cometidos em território francês no primeiro trimestre de 2014 representam um aumento de 44% em relação ao mesmo período de 2013, segundo o Serviço de Proteção da Comunidade Judia. O clima piorou com a ascensão da Frente Nacional (FN), da líder da direita radical Marine Le Pen, o partido mais votado na França nas eleições europeias de maio, junto com episódios como a polêmica envolvendo o humorista Dieudonné, conhecido por suas piadas e provocações de caráter racista e antissemita, cujo stand up “O muro” foi proibido em cidades da França. Sem citar o assassinato de quatro pessoas no Museu Judaico de Bruxelas, na Bélgica, no mês passado.

Mas o caso que realmente abalou o país ocorreu há dois anos, na matança protagonizada pelo terrorista Mohamed Merah em Toulouse e Montauban, com sete vítimas, sendo três crianças, na escola judia Ohr Torah. Em março, na lembrança dos dois anos da tragédia, o líder da comunidade judaica de Toulouse, Arié Bensemhoun, alertou para a deterioração do clima desde então e incitou judeus a partirem:

— Não vou mentir, sim, incito os mais jovens a fazerem aliá ou partir para outros horizontes onde poderão se desenvolver num judaísmo aberto, sem viver em permanente preocupação — disse.

Mas mesmo quem já não é jovem está partindo. O parisiense Gilles Nabet, de 62 anos, fermenta há uma década com a mulher, Marlène, 64, a ideia de se mudar para Israel. Hoje, o projeto virou prioridade.

— A comunidade judia não está mais segura na França, sobretudo após o crescimento da FN. O Estado não está mais em condições de garantir a segurança dos judeus da França.

Até 2015, Nabet espera concluir sua aliá e instalar-se em Tel Aviv. Deixará na França — país com a terceira maior quantidade de judeus (cerca de meio milhão), perdendo apenas para Israel (6,5 milhões) e os EUA (6 milhões) — os quatro filhos, de 36, 34, 28 e 22 anos.

— A melhor forma de salvar meus filhos é partir, para que eles tenham um porto seguro em Israel.

Para o governo israelense, a vinda em massa de judeus da França é ótima notícia. Os franceses têm, em geral, muitos anos de estudos e a maioria não chega com bolsos vazios ou fugindo de crises econômicas ou guerras. Boa parte é formada por judeus conservadores ou religiosos, que já falam algum hebraico, mas também há cada vez mais seculares. Para tentar atrair ainda mais judeus da Europa, Israel aprovou o desembolso de 60 milhões de shekels (US$ 17 milhões), com foco em França e Ucrânia até 2015.

Mas o medo não é o único impulso. A prosperidade da economia israelense, poupada nas recentes crises mundiais, aliada à identificação com o Estado Judeu, tornou o país atraente. Se na França o desemprego de jovens está em 25%, em Israel não passa de 11%. A efervescência de empresas de alta tecnologia atrai muitos deles. E a situação de segurança, mesmo sem paz com os palestinos, é de calmaria.

— As pessoas se sentem seguras e com futuro profissional — diz Sam Kadoch, diretor da ONG Centro Nacional de Estudantes Francófonos de Israel.

Outro imigrante recente, o pediatra Laurent Fermont, que chegou a Tel Aviv em abril e espera a chegada da mulher, também aponta o antissemitismo e também a constante crítica a Israel por intelectuais e a imprensa europeia. Mas, segundo ele, os judeus franceses ainda podem viver normalmente na terra da “igualdade, liberdade, fraternidade”.

— Não é preciso ficar paranoico. Ainda há judeus que ficaram na França e continuam levando uma vida normal e próspera. Mas os números não mentem: há uma sensação de insegurança no ar.

‘Para mim, está claro que Israel é o meu país’

Imigrantes francesas Johana e Sivane, em Tel Aviv - Daniela Kresch

As amigas Johana Benhamou (à esquerda na foto) e Sivane Brodach, de 19 anos, se conhecem desde o jardim de infância. Frequentaram o mesmo colégio judaico em Paris e dividiram os mesmos sonhos de adolescentes. Há dois anos, no entanto, elas começaram a planejar algo mais ambicioso, um passo que mudaria suas vidas: deixar seu país natal para morar em Israel. Com apoio dos pais, se despediram da Europa e rumaram para o Oriente Médio, dispostas a recomeçar a vida no Estado judeu. Motivos, garantem, têm de sobra.

— Para mim, está claro que Israel é o meu país — diz, resoluta, a extrovertida Johana, que há um ano mora em Jerusalém e trabalha como voluntária numa ONG de absorção de imigrantes como ela.

É assim que Sivane, a amiga um pouco mais tímida, também pensa. Ela aponta o aumento do antissemitismo no país onde nasceu como prova de que, fora de Israel, os judeus são vulneráveis. No caso da França, o preconceito é, segundo ela, consequência direta da imigração árabe para o país. Nos últimos anos, a hostilidade para com os judeus, por parte de alguns jovens árabes, se tornou mais latente e a levou a modificar seu dia a dia.

— Há um crescente aumento de radicais de direita, há muito antissemitismo nas ruas e muita hostilidade contra Israel, principalmente na imprensa. Eu tinha que pensar duas vezes antes de usar um colar com a Estrela de Davi ou uma camiseta com algo em hebraico. Nunca aconteceu nada comigo, mas todos os dias há notícias de judeus sendo agredidos.

"Se pudesse partir amanhã, não hesitaria"

Ana Luzia Rodrigues e Jérôme Borenstein - Álbum de família / álbum de família

O roteirista judeu Jérôme Borenstein, 34 anos, que tem uma filha de 7 meses com a brasileira Ana Luzia Rodrigues, batizada católica, não se mostra muito otimista.

— Se pudesse partir amanhã, não hesitaria. Não tenho a impressão de estar em constante perigo, mas sinto que o futuro não vai melhorar. Estamos indo ladeira abaixo. Não é 1933 na Alemanha, mas, para mim, a situação vai se deteriorar, resta saber se será lenta ou rapidamente — diz.

Na sua opinião, o antissemitismo nunca desapareceu, foi apenas amenizado no período pós-Holocausto, em que se tornou “símbolo do mal absoluto”.

— Antes, o antissemitismo gerava uma indignação geral, e hoje é acompanhando por uma indiferença geral, e se acha tudo bem as pessoas inclusive se reivindicarem antissemitas. Todo mundo que conheço quer deixar a França — desabafa.

Ana Luzia, 34 anos, diz entender o companheiro, embora não se sinta “tão atingida” quanto ele e discorde do êxodo de judeus da França motivado pelo “pânico”.

— Já estive muitas vezes em Israel, e sei que a vida lá também não é fácil. A aliá é um sonho, mas chegando lá se tem de lidar com a realidade de um país que vive uma situação também complicada, em guerra constante com o Hamas. Também não é muito pacífico — argumenta.

Para ela, a solução não está “na fuga”:

— Como cidadão, deve-se combater isso e não fazer as malas e ir embora.

oglobo.globo.com | 29-06-2014

KIEV — Os rebeldes pró-russos do leste da Ucrânia libertaram neste sábado uma segunda equipe de observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), mantida refém desde o fim de maio, em um gesto que pode favorecer a consolidação do frágil cessar-fogo. A trégua foi estendida por mais três dias pelo presidente Petro Poroshenko, na esperança de abrir caminho para um diálogo de paz.

Apoiado pelos ocidentais, o magnata Poroshenko assumiu o poder em 7 de junho passado. Os quatro observadores "da equipe com sede em Lugansk foram libertados depois de um mês em cativeiro", informou em sua página no Facebook a missão da OSCE, que está na Ucrânia. Os observadores — uma mulher e três homens — foram levados para Donetsk. Eles aparentavam cansaço, mas também alívio.

— Nós consideramos que cumprimos nossas obrigações — disse o primeiro-ministro da autoproclamada República Popular de Donetsk, Alexandre Borodai. Outros quatro integrantes da OSCE, sequestrados em 26 de maio por rebeldes pró-russos, já haviam sido libertados na noite de quinta para sexta-feira.

Depois de assinarem, na sexta, um acordo de associação histórico com a Ucrânia, os líderes da União Europeia elevaram o tom com Moscou, dando até segunda-feira para a Rússia adotar medidas para acabar com a insurreição separatista, ameaçando adotar novas sanções.O ministro russo da Economia, Alexei Uliukaev, advertiu neste sábado que novas sanções podem ter "consequências graves" para o crescimento econômico de seu país.

DESTRUIREMOS OS MILITANTES, DIZ MINISTRO DA DEFESA

Apesar de as últimas horas terem sido de "relativa calma" na região industrial de maioria russa do Donbass, o porta-voz para operações militares ucranianas Oleksii Dmitrachkivski anunciou a morte de três soldados neste sábado, em um ataque contra posições ucranianas perto de Slaviansk, reduto dos insurgentes.

Mesmo sem mencionar as novas perdas, o ministro ucraniano da Defesa, Mikhailo Koval, foi duro em suas declarações:

— Todos sabem que é melhor uma paz ruim do que uma boa guerra. Se não houver solução pacífica, destruiremos os militantes que se recusarem a depor as armas — ameaçou Koval, citado por uma agência de notícias ucraniana. Já os guardas de fronteira russos da região de Rostov, na divisão com a Ucrânia, afirmaram neste sábado que o posto em que estavam e aldeias em território russo tinham sido atingidos por três morteiros disparados pelo Exército ucraniano.

Na noite de sexta-feira, o presidente Poroshenko anunciou que o cessar-fogo de uma semana ordenado às suas tropas, aceito pelos rebeldes, foi prolongado por mais 72 horas. Ele disse esperar que esse seja o tempo para a Rússia impedir as "infiltrações" de armas e combatentes que saem da Rússia para a ex-república soviética.

Nessa mesma noite, porém, os rebeldes assumiram o controle de uma base ucraniana que abriga uma fábrica de munições na periferia de Donetsk. Neste sábado, os separatistas davam aos soldados duas opções: aliar-se à Rússia, ou voltar para casa.

Já a União Europeia (UE) impôs a Moscou quatro condições a serem cumpridas até segunda-feira à tarde, incluindo "a abertura de negociações sobre a aplicação do plano de paz" de Poroshenko.

Apresentado na semana passada, esse plano estabelece, principalmente, a criação de uma zona-tampão na fronteira entre Ucrânia e Rússia; a criação de um corredor para, de acordo com Kiev, permitir que mercenários e rebeldes vindos da Rússia retornem depois de deporem as armas; além de uma descentralização na Ucrânia.

A UE exige, por sua vez, um acordo sobre "um mecanismo de verificação do cessar-fogo, supervisionado pela OSCE", assim como o "retorno da autoridade ucraniana em três pontos da fronteira" com a Rússia e a libertação de todos os reféns. A prorrogação do cessar-fogo ocorre em um contexto de novas tensões entre Kiev e Moscou após a assinatura em Bruxelas da última etapa de um acordo de associação com a União Europeia.

O presidente russo, Vladimir Putin, denunciou um "golpe de Estado anticonstitucional em Kiev", que levou ao poder um regime pró-ocidental. O vice-ministro russo das Relações Exteriores, Grigori Karassin, advertiu que a conclusão do acordo com a UE terá "consequências graves" para as relações comerciais com a Ucrânia.

Há duas semanas, o país não recebe gás russo, diante da ausência de um acordo sobre o pagamento pelo que é fornecido aos ucranianos. A assinatura do acordo com a UE estava prevista, inicialmente, para novembro de 2013, antes do recuo do presidente pró-russo na época Viktor Yanukovytch, que preferiu receber ajuda econômica de Moscou.

Essa mudança de última hora provocou a onda de contestação que causou a queda de Yanukovytch, em fevereiro. Logo depois, veio a anexação da Crimeia à Rússia, seguida da rebelião pró-Moscou, que desencadeou uma operação militar ucraniana contra os insurgentes em abril.

oglobo.globo.com | 29-06-2014
O Governo está a negociar com a União Europeia um "envelope financeiro" para a área da eficiência energética que rondará o bilião de euros, estimando que este pode ser aplicado na economia no final do primeiro trimestre de 2015.
www.rtp.pt | 26-06-2014
O Ministério da Agricultura pôs em marcha um plano de emergência para combater a vespa do castanheiro. A praga foi detada pela primeira vez em Portugal, no final de maio, e pode ter um impacto na economia de 40 milhões de euros anuais. Em toda a Europa, o inseto chinês já destruiu quase metade da produção de castanha.
www.rtp.pt | 25-06-2014
O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, defende que o euro não chega para o relançamento da economia da União Europeia, sendo necessária uma comunidade de valores.
www.rtp.pt | 24-06-2014

BRASÍLIA - Cresce dentro do governo a convicção de que o Banco Central (BC) errou a mão ao testar qual seria o juro neutro do país, ou seja, qual patamar da taxa básica (Selic) teria neutralidade: não alimenta nem combate a inflação. No início de 2012, a autoridade monetária decidiu mostrar ao país que não seria necessário mais usar taxa de juros em níveis muito altos para conter a alta de preços. Em outubro do mesmo ano, o Comitê de Política Monetária do BC (Copom) derrubou a Selic para 7,25% ao ano, a menor da história. Os juros básicos da economia ficaram nesse patamar até abril de 2013.

Segundo técnicos da própria equipe econômica, foi essa estratégia — arquitetada pelo Palácio do Planalto — que criou o atual problema inflacionário do país.

— Todo esse problema que estamos vivendo hoje começou aí. O BC errou na mão. Se o problema fosse apenas o choque de alimentos, a inflação já teria cedido — disse uma fonte do governo.

A opinião não é restrita aos bastidores do governo. É amplamente difundida entre economistas do mercado.

— Não havia condições para a Selic cair para 7,25% ao ano naquela época: a inflação estava muito alta e a política fiscal estava frouxa. Isso só aprofundou os desequilíbrios da economia — argumentou o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.

Para Rosa, o resultado da política do BC foi o oposto do desejado: encareceu o custo da política de controle dos preços. Segundo ele, agora, é preciso uma carga de juros maior para colocar a inflação na meta. O economista lembrou que o governo precisou tomar medidas para tentar contornar a situação e interferiu diretamente nos preços das tarifas públicas. Assim, criou mais uma distorção econômica.

— E isso tudo nem ajudou a economia a crescer mais.

Já para o economista-chefe da corretora Gradual, André Perfeito, o BC fez certo ao cortar os juros na época. Ele lembrou que a Europa estava à beira do colapso e diminuir o custo do dinheiro era a melhor saída. No entanto, ele ponderou que o Banco Central errou ao demorar tempo demais para reagir e voltar a aumentar a Selic.

— O BC fez o correto porque em 2012 vivíamos num mundo em que todos os manuais foram rasgados e o experimentalismo reinava na política monetária — ressaltou Perfeito, antes de admitir:

— Mas o Banco Central errou ao deixar a taxa muito baixa por muito tempo.

INFLAÇÃO NO TETO DA META

A Selic foi mantida no piso histórico até abril do ano passado, quando o processo de elevação dos juros foi retomado, com alta em todas as reuniões do Copom. Atualmente, a taxa está em 11% ao ano. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado oficialmente no sistema de metas inflação, acumula alta de 6,37% nos últimos 12 meses.

O objetivo do Banco Central é fazer com que essa inflação fique em 4,5%, com uma uma margem de tolerância de dois pontos percentuais. É nesse limite de manobra que está estacionada a inflação desde 2009. Os analistas mais pessimistas preveem que o IPCA, em 12 meses, estoure o teto da meta já neste mês.

Na quinta-feira, o BC atualizará suas projeções quando divulgar o relatório trimestral de inflação, o seu documento mais importante. No mais recente, o prognóstico não era nada bom: o IPCA não chegaria ao centro da meta nem no primeiro trimestre de 2016. Agora, o quadro pode estar um pouco melhor porque os juros estão mais altos que em março e o dólar está mais fraco.

oglobo.globo.com | 24-06-2014

Moscou — Imersa em uma crise de consciência desde que a Rússia se implantou militarmente em solo ucraniano, as nações europeias lutam para equilibrar considerações econômicas e políticas. A França deve convidar este mês 400 marinheiros russos para treinar em um novo navio que um almirante do país disse certa vez que teria permitido a seu governo derrotar a vizinha Geórgia, na guerra de 2008, em "40 minutos em vez de 26 horas".

Líderes franceses se recusaram a cancelar a venda de dois porta-helicópteros da classe Mistral que custaram US$ 1,7 bilhão — capazes de transportar 16 helicópteros de ataque, dezenas de tanques e 700 soldados — apesar dos recentes ataques da Rússia, incluindo a anexação da Península da Crimeia, em março. Manter a venda gerou condenação dos aliados, incluindo os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que dizem que o fornecimento de equipamentos militares à Rússia com uma mão, enquanto condena suas ações militares com a outra, é claramente contraditória.

O acordo Mistral e outros carregamentos de armas demonstram a dificuldade de pressionar o governo de Vladimir Putin, mesmo num momento em que as tensões entre o Ocidente e a Rússia estão no seu pior nível desde a Guerra Fria. Os líderes europeus têm procurado proteger suas indústrias de defesa, mesmo quando condenam as autoridades russas sobre a anexação Crimeia.

— Estamos executando o contrato em conformidade legal, pois não estamos nesse nível de sanções — disse o presidente francês, François Hollande, a repórteres este mês, acrescentando que, se as sanções mudarem, “a França pode reter o envio dos navios”.

Já o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não concorda com Hollande:

— Eu expresso algumas preocupações, e não acho que eu estou sozinho. Eu acho que teria sido preferível apertar o botão de pausa.

Ainda assim, nenhuma nação se mostrou disposta a ajudar a França e evitar que o país arque sozinho com o ônus financeiro de qualquer cancelamento. Isso demonstra a dificuldade do Ocidente de encontrar uma resposta unificada para as ações da Rússia na Ucrânia, segundo analistas.

DE OLHO NA TECNOLOGIA EUROPEIA

Apenas alguns anos atrás, a Rússia não costumava comprar equipamentos militares feitos fora do bloco soviético. Ainda hoje, a Rússia continua a ser um grande exportador de armas. Mas depois da guerra com a vizinha Geórgia, em 2008, os principais líderes repensaram seus velhos hábitos. Embora a Rússia tenha prevalecido no conflito, seus soldados se mostraram mal equipados e desorganizados, lutando com armamento da era soviética que falhou em numerosas ocasiões. Assim, os líderes russos se voltaram para o Ocidente para aumentar a sua capacidade militar.

— Os russos descobriram que seus equipamentos não faziam mais jus às suas expectativas — disse Pieter Wezeman, pesquisador do Instituto Internacional de Estocolmo de Pesquisa da Paz (SIPRI), que acompanha as transferências de armas. — Os russos, então, começaram a comprar não apenas sistemas completos de armas, mas também de tecnologia.

Eles encontraram um continente que estava ansioso para vender. A crise financeira global de 2008 e subsequentes lutas econômicas da Europa fizeram com que mudassem políticas para aumentar as chances de empregos e exportações.

Embora números precisos sejam mantidos em segredo e difíceis de compilar, a França foi o parceiro comercial mais entusiasmado, dizem analistas. Alemanha, Itália e República Tcheca também estiveram envolvidos na venda de equipamentos para a Rússia nos últimos anos, de acordo com dados do SIPRI. Os contratos envolvem aeronaves, veículos blindados e material de comunicação.

Entregas francesas de armas e equipamentos de defesa para a Rússia triplicaram de valor entre 2009 e 2010, e em seguida, continuaram a aumentar, segundo relatórios de parlamentares franceses. Em 2011, o acordo Mistral — do qual mais de mil postos de trabalho dependem — era uma ordem de grande magnitude.

O presidente russo, Vladimir Putin, disse este mês que se a França seguir com o acordo dos navios, mais pedidos virão em breve. Uma proposta atraente para Hollande, que enfrenta uma economia estagnada.

— Se tudo correr como está no contrato, não descarto a possibilidade de novas encomendas, e não necessariamente na construção naval. Podemos considerar outros setores também — disse Putin a jornalistas franceses em uma viagem à Normandia este mês. — Em geral, as nossas relações neste domínio estão se desenvolvendo bem, e nós gostaríamos de continuar assim, na aviação, construção naval e outros setores.

Os dois porta-helicópteros Mistral oferecem novas capacidades para a Marinha russa, dizem analistas. O primeiro navio, Vladivostok, será entregue no outono.

— O Mistral traz um novo conceito, uma nova filosofia de guerra marítima — disse Alexander Golts, um dos maiores especialistas de defesa russa.

A Rússia também comprou 60 veículos blindados da Itália, de acordo com números do SIPRI, juntamente com novos produtos eletrônicos e sistemas de rádio, para atualizar aeronaves militares.

Um centro de treinamento militar de alta tecnologia, de US$ 163 milhões, construído na Rússia, pela empresa de defesa alemã Rheinmetall, estava quase pronto, quando o ministro da Economia da Alemanha, Sigmar Gabriel, parou o projeto, no final de março, citando a situação na Crimeia. Ainda não é claro se o trabalho será retomado.

As exportações da Europa têm sido fundamental para modernizar os equipamentos militares da Rússia, disse Igor Sutyagin, um especialista militar, no Royal United Services Institute, sediada em Londres.

— É muito difícil construir qualquer sistema moderno sem o uso de peças ocidentais — disse Sutyagin.

A Rússia está interessada em eletrônica ocidental, computação e sistemas de comando e controle, disse ele.

— A eletrônica russa ainda é muito atrasada comparada com a do Ocidente, e ela é muito, muito importante.

Ele acrescentou que os sistemas de comunicação do Mistral serão particularmente úteis para a Rússia, uma vez que podem ser estudados e recriados em outro lugar.

Na França, onde o governo do presidente Nicolas Sarkozy assinou o acordo em 2011, Hollande continua com a venda sem grande problemas internos com a oposição.

— A questão é monetária, em primeiro lugar. Mas também é de reputação — disse Etienne de Durand, diretor de estudos de segurança no Instituto Francês de Relações Internacionais.

— É meio difícil quando você está no ramo de defesa cancelar qualquer tipo de venda.

oglobo.globo.com | 21-06-2014

SÃO PAULO - O banco suíço Julius Baer divulgou sua avaliação para a economia global no segundo semestre do ano. O período continuará marcado pelos juros em patamares baixos nas principais economias desenvolvidas como uma alternativa para driblar o risco de deflação, principalmente na Europa. Já nos mercados emergentes, o desempenho econômico deve continuar fraco travados pelos juros altos.

"Altas taxas de inflação, moedas depreciadas e desequilíbrio no mercado externo obrigam os bancos centrais dos emergentes a elevar os juros, restringindo dessa forma o crescimento econômico", avalia a instituição, em relatório.

Apesar do cenário de desaceleração, os analistas do Julius Baer acreditam que o cenário de elevação dos juros poderá mudar, a partir do final do ano e em 2015, com a recuperação da demanda nos mercados desenvolvidos.

De forma geral, para o crescimento global, a expectativa é de uma expansão moderada e de normalizações dos mercados de crédito.

"A liquidez deve se expandir ainda mais no futuro, ajudando também os mercados financeiros", segundo a visão dos analistas.

Nesse cenário, os analistas do Julius Baer acreditam que há espaço para uma migração dos investimentos em dívida soberana (títulos públicos emitidos pelos países) para ações, mesmo que de pequenas empresas, e para o mercado imobiliário. Eles também alertam para a qualidade dos ativos das empresas não-financeiras, que emitiram um volume maior de títulos de dívida nos últimos anos, o que também justificaria uma migração para investimentos em participações acionárias.

oglobo.globo.com | 20-06-2014

BRUXELAS - O Brasil é o segundo maior investidor estrangeiro direto na União Europeia (UE), com um aporte de € 21 bilhões em 2013, informou nesta sexta-feira a Eurostat, órgão de estatísticas do bloco europeu. O maior investidor direto estrangeiro são os Estados Unidos com um volume muito maior: € 313 bilhões.

No total, a UE recebeu investimentos diretos do exterior (IDEs) num total de € 327 bilhões, volume que inclui desinvestimentos. Atrás de Estados Unidos e Brasil seguem Suíça, com € 18 bilhões; Japão, com € 10 bilhões; Hong Kong e Rússia, cada um com € 8 bilhões em IDEs.

Segundo a Eurostat, os investimentos a partir de centros financeiros em offshores recuaram € 41 bilhões. Estes incluem tanto centros europeus, como Liechtenstein, Ilha de Man, as ilhas Anglonormandas, Andorra e Gilbatrar, mas também centros financeiros da América Central e Caribe ou ainda centro asiáticos, como Bahrein e Cingapura.

Por outro lado, os investidores diretos estrangeiros dos 28 países-membros da UE totalizaram no ano passado € 341 bilhões.

A maior parte foi para os Estados Unidos (€ 159 bilhões), seguidos pelos centro financeiros offshore (€ 40 bilhões); Brasil (€ 36 bilhões); Suíça (€ 24 bilhões); Hong Kong (€ 10 bilhões); e China (€ 8 bilhões).

Os investimentos da UE em Rússia e Canada foram negativos no ano passado, com € 11 bilhões e € 2 bilhões, respectivamente.

Os IDEs são uma categoria de investimento internacional com objetivos a longo prazo, aplicando em empreendimentos em um país estrangeiro

oglobo.globo.com | 20-06-2014

SÃO PAULO - Dos 425 dias em que está no cargo, Luiz Moan, presidente da Anfavea, entidade que reúne as montadoras no país, passou pelo menos 160 em Brasília, em intermináveis reuniões com a presidente Dilma Rousseff e ministros da área econômica. Na pauta, itens como o acordo com a Argentina, a redução do IPI e a flexibilização das leis trabalhistas. Nascido em Santos, no litoral paulista, Moan, de 59 anos, diz que não compactua com o atual “mau humor do mercado”, sentimento que vem derrubando as vendas e a produção de automóveis no país. Um pouco mais otimista do que os economistas que estimam mais um “pibinho” este ano, ele aposta em crescimento “mais para 2% do que para 1%”.

Os problemas recentes na Argentina, com risco de calote e rebaixamento da dívida do país, terão reflexos no acordo automotivo fechado recentemente com o Brasil?

Não acredito que tenha qualquer impacto. Temos que lembrar que esse caso da dívida da Argentina é um problema antigo. E quando nós negociamos já havia todo esse cenário. Tenho certeza de que o governo argentino vai manter o acordo como assinamos e que não haverá influência (negativa) no fluxo de comércio e no crescimento do intercâmbio produtivo entre os dois países. O acordo já está assinado e protocolado na Aladi (Associação Latino-Americana de Integração).

O acordo com Argentina foi bom para a indústria brasileira?

Desde o início das conversas com o governo brasileiro, dizemos que temos dois grandes objetivos em relação à Argentina: o primeiro deles, manter o fluxo de comércio; e o segundo ponto, aumentar a integração produtiva. Nesse aspecto, o acordo assinado foi um sucesso absoluto. Durante todo o processo de negociação, entre abril e maio, sem as restrições burocráticas por parte do governo argentino, aumentamos as nossas exportações em 40%. Saímos de uma média de 25 mil unidades para 35 mil. Acertamos também que aumentaremos as participações mínimas de mercado dos carros brasileiros no mercado argentino. Hoje, os carros argentinos no Brasil representam 11%, e os brasileiros na Argentina, 44%. Queremos aumentar esta participação. Também demos um prazo de 12 meses para buscar um acordo definitivo, que, na nossa visão, deveria ser de dez anos. Nesse período, vamos negociar com o governo argentino uma política automotiva comum para o Mercosul.

Não está na hora de o Brasil ter outras parcerias na América do Sul?

O aumento de parceiros é um pleito antigo, desde abril do ano passado, quando falamos da meta de exportar um milhão de unidades. Já estamos trabalhando com o governo brasileiro na expansão dos acordos comerciais junto à União Europeia. E convencemos o governo também sobre a importância de marcarmos reuniões com os vários países da América do Sul e da África.

Já há negociações com algum país?

Sim. Estamos aprofundando o acordo com a Colômbia, nossa próxima prioridade. Queremos que o Brasil e a Colômbia tenham um fluxo de comércio maior que o da Argentina e, se possível, também de integração produtiva. Com o governo da Colômbia teremos uma reunião ainda neste trimestre. E, na Europa, as negociações deverão avançar no último trimestre.

O setor passa por dificuldades, com queda de produção e vendas, restrições de crédito, endividamento dos consumidores. Como retomar as vendas nos níveis de 2012, 2013?

Somos hoje o quarto maior mercado do mundo em termos de vendas e o sétimo maior no ranking de produção. Daqui para frente, esperamos taxas de crescimento mais modestas. Não vamos continuar crescendo no ritmo dos últimos cinco anos. O setor automotivo está sofrendo de uma queda no índice de confiança do consumidor, que é provocado por esse mau humor generalizado com a economia com o qual não compartilhamos. Este ano, esperamos uma alta do PIB mais perto de 2% do que 1%.

E como ficam as vendas?

Eu espero vendas nesse segundo semestre melhores do que temos nos primeiros seis meses do ano.

Mas com esse cenário negativo, além de Copa e eleição, dá para melhorar os números deste ano?

Aí temos alguns fatores. O primeiro ponto é: qual será o impacto da Copa? Acho que será, num primeiro momento, de restrição de fluxo de consumidores nas concessionárias, o que é normal, mas não significa ter vendas perdidas. O desejo de aquisição continua. Então, acredito que no final da Copa haja compensação.

A demissão de quase 5 mil trabalhadores este ano pode levar o governo a manter a redução do IPI?

Essas demissões foram fruto de um ajuste de pessoal em função do crescimento do nível de estoque, mas foram via plano de demissões voluntárias. Quanto ao IPI, ainda não começamos a conversar com o governo, mas vamos sempre defender a redução.

O mau humor sobre a economia brasileira afasta investidores?

Eu diria que o Brasil tem o maior potencial de crescimento do mercado automotivo mundial. O índice de motorização do Brasil hoje está em torno de seis habitantes por veículo. Na vizinha Argentina são três. Precisamos dobrar a frota para atingir o nível dos argentinos. Por isso os investimentos estão vindo. Ninguém investe pensando em um horizonte menor do que 15 ou 20 anos.

Com a entrada de novas montadoras, qual é o foco para vender mais com menos crédito?

Precisamos desenvolver novos instrumentos de financiamento, como o leasing operacional, que é plenamente utilizado nos EUA. É um mecanismo fantástico que ainda não desenvolvemos no Brasil devido aos juros altos.

O que muda na relação da Anfavea com o governo após a eleição?

Na nossa visão não haverá alteração. A indústria automobilística tem um peso grande na economia, quase um quarto da produção industrial. Quando se pensa na cadeia produtiva como um todo, o setor representa cerca de 12% da arrecadação tributária total do país. Todo governo sabe a importância e a relevância do setor automotivo.

oglobo.globo.com | 20-06-2014

RIO - O presidente da Embratur, Vicente Neto, afirmou nesta quinta-feira que a Copa permitiu a geração de um milhão de empregos no país, ou cerca de 20% dos 4,8 milhões de vagas criadas durante o governo da presidente Dilma Rousseff, segundo dados do Cadastro Geral de Empregos (Caged), do Ministério do Trabalho.

— Houve a geração de um milhão de empregos no país só com a Copa. Desses, 710 mil são empregos permanentes — disse Neto, ao participar de coletiva de imprensa no Centro Aberto de Mídia, no Forte de Copacabana.

Neto destacou que um evento como a Copa do Mundo tem impacto positivo e que o governo tem trabalhado para garantir a manutenção do turismo conquistado com o evento.

A estimativa é que a Copa tenha um impacto de R$ 6,7 bilhões na economia do turismo do Brasil. Se considerar a economia como todo — incluindo serviços, investimentos e comércio exterior —, o impacto na economia como um todo será de R$ 30 bilhões, segundo estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) encomendada pelo Ministério do Turismo. Esses valores não consideram investimentos em infraestrutura.

FIFA E COI SÃO CRITICADOS

Presentes ao encontro, o professor da Fundação Getulio Vargas Pedro Trengrouse e o professor da Uerj Lamartine da Costa fizeram críticas ao atual modelo de realização de megaeventos, como Copa e Olimpíadas, organizados por Fifa e pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).

Para Costa, está ocorrendo uma mudança na forma de organizar grandes eventos esportivos e a Copa do Brasil deve ser uma das últimas a serem realizadas com a atual estrutura.

— Até agora, sete ou oito cidades abandonaram a candidatura aos Jogos de Inverno na Europa. Hanoi, no Vietnã, também desistiu de um megaevento. Os megaeventos são insustentáveis nesse ritmo — disse o professor da Uerj, atribuindo ao pesado custo que cabe às cidades e países organizadores uma das principais razões para o fenômeno.

Costa também condenou a interferência exagerada da Fifa nas questões internas do país e principalmente as declarações públicas sobre a condução dos projetos necessários para o Mundial.

Pedro Trengrouse concordou com a avaliação de que o modelo de organização de megaeventos está em risco, mas afirmou que os benefícios da Copa são maiores que os malefícios. Ele esclareceu, no entanto, que um megaevento não pode ser visto como a solução dos problemas. Na sua opinião, o governo perdeu a oportunidade de realizar eventos de exibição pública em todo o país, como uma forma de incluir a população em um evento como esse.

— Não ter ingresso para a Copa na Alemanha não dói, mas aqui dói. Teríamos que ter investido mais R$ 1 bilhão para eventos de exibição pública. A festa do Alzirão, por exemplo, custou R$ 2 milhões. Por que não fazer mais eventos como esse? — perguntou Trengrouse.

* NOTA DA REDAÇÃO: Em uma primeira versão, foi divulgado que o valor de R$ 6,7 bilhões se referia ao impacto em serviços e em turismo, mas trata-se apenas do impacto em turismo. A informação já está corrigida no texto.

oglobo.globo.com | 19-06-2014
A chanceler alemã, Angela Merkel, declarou hoje que não vê necessidade de modificar o Pacto de Estabilidade na Europa, depois de declarações do ministro da Economia, Sigmar Gabriel, terem sido interpretadas como sugerindo o contrário.
www.rtp.pt | 18-06-2014
O ministro da Economia, António Pires de Lima, começa hoje em São Paulo uma missão de três dias para reforçar Portugal como porta de entrada para o investimento brasileiro na Europa e apoiar as exportações das empresas portuguesas.
www.rtp.pt | 17-06-2014
O comité de Economia e Finanças (Ecofin) da União Europeia também considerou hoje compreensível a decisão do Governo português de abdicar do último empréstimo do programa de assistência, mas sublinhou a necessidade de o país prosseguir o processo de reformas.
www.rtp.pt | 12-06-2014
O presidente da comissão organizadora das comemorações do 10 de junho, José Silva Peneda, destacou a necessidade de estabelecer em Portugal um compromisso, com a duração de pelo menos uma década, para equilibrar as finanças públicas, reformar o Estado e pôr a economia a crescer. O crescimento e o emprego que devem também ser a prioridade da Europa, substituindo a preocupação com a Paz que levou à criação da União Europeia.
www.rtp.pt | 10-06-2014

Sábado

1) CONTE ALGO QUE NÃO SEI – p. 2 – ‘Sou uma doutora House sem tirania’

- terceira coluna, segunda resposta: Gente querendo selecionar embrião, ter um bebê perfeito, mas a gente não chegou nisso ainda.

Crítica: Erro de regência

Certo: Gente querendo selecionar embrião, ter um bebê perfeito, mas nós ainda não chegamos a isso.

Melhor: Gente querendo selecionar embrião, ter um bebê perfeito, mas nós ainda não chegamos a isso.

2) CONTE ALGO QUE NÃO SEI – p. 2 – ‘Sou uma doutora House sem tirania’

- terceira coluna, terceira resposta: A espécie está chegando num ponto em que a gente está cada vez com menos tempo.

Crítica: repetição de “está” e erro de regência

Certo: A espécie vai chegando a um ponto em que nós estamos cada vez com menos tempo.

3) PANORAMA POLÍTICO – p. 2 – Luiz Inácio Lula da Silva

- ‘Se a gente não souber o que o Brasil era, não valorizamos o que temos hoje’

Crítica: mistura de tratamento

Certo: ‘Se nós não soubermos o que o Brasil era, não valorizamos o que temos hoje’

4) PAÍS – p. 2 – Desânimo com a economia e com os candidatos

- terceira coluna: Credito a eles, somado ao clima de pessimismo no setor da economia, a taxa recorde de eleitores sem candidatos – explicou Paulino.

Crítica: erro de concordância

Certo: Credito a eles, somados ao clima de pessimismo no setor da economia, a taxa recorde de eleitores sem candidatos – explicou Paulino.

5) ESPECIAL – p. 12 – Um Rio de muitos sotaques

- Visitantes enchem as ruas, e estimativa é de movimentar mais de R$ 1 bilhão na economia

Crítica: “de” a mais

Certo: Visitantes enchem as ruas, e estimativa é movimentar mais de R$ 1 bilhão na economia

6) OPINIÃO/editorial – p. 18 – Infidelidade partidária degrada a democracia

- Neste sentido, o evento promovido na quinta-feira, no Rio, pelo presidente regional do PMDB, Jorge Picciani, de apoio à dobradinha “Aezão”, Aécio Neves (PSDB) para presidente da República e Luiz Fernando Pezão (PMDB) para governador fluminense, disse tudo.

Crítica: mau uso do demonstrativo (referência ao citado)

Certo: Nesse sentido, o evento promovido na quinta-feira, no Rio, pelo presidente regional do PMDB, Jorge Picciani, de apoio à dobradinha “Aezão”, Aécio Neves (PSDB) para presidente da República e Luiz Fernando Pezão (PMDB) para governador fluminense, disse tudo.

7) COPA 2014 – p. 3 – MATADOR / Orgulho no peito

- Célebre pelo vídeo em que rouba um beijo de uma motoqueira, dessa vez o atacante seduziu o estádio...

Crítica: mau uso do demonstrativo (é a vez atual)

Certo: Célebre pelo vídeo em que rouba um beijo de uma motoqueira, desta vez o atacante seduziu o estádio...

8) COPA 2014 – p. 3 – MATADOR / Orgulho no peito

- segunda coluna: ...o Brasil jamais teve um rival tão forte com um tempo tão pouco até a estreia.

Crítica: erro de palavra

Certo: ...o Brasil jamais teve um rival tão forte com um tempo tão pequeno até a estreia.

Ou então: ...o Brasil jamais teve um rival tão forte com tão pouco tempo até a estreia.

9) COPA 2014 – p. 4 – O dono absoluto da 9 / Confiante

- terceira coluna: Temos a evoluir tecnicamente e taticamente.

Crítica: eco / repetição desnecessária

Certo: Temos a evoluir técnica e taticamente.

10) COPA 2014 – p. 6 – Torcida unida / Rivalidade fora de hora

- Nós brasileiros temos um certo preconceito do jogador ter atuado em outra equipe.

Crítica: falta de vírgula e combinação inadequada

Certo: Nós, brasileiros, temos um certo preconceito de o jogador ter atuado em outra equipe.

11) COPA 2014 – p. 8 – Depois das figurinhas, camisinhas

- Uma ONG de prevenção da Aids vai distribuiu 52 mil preservativos embalados com reproduções...

Crítica: tempo do verbo.

Certo: Uma ONG de prevenção da Aids vai distribuir 52 mil preservativos embalados com reproduções...

12) COPA 2014 – p. 4 – PARA SE SUPERAR / Azzurra à beira-mar

- “Nós não precisamos de uma crise para crescer, mas se for preciso, saberemos utilizá-la para crescer no Mundial”

Crítica: falta de vírgula no início da circunstância interposta

Certo: “Nós não precisamos de uma crise para crescer, mas, se for preciso, saberemos utilizá-la para crescer no Mundial”

13) COPA 2014 – p. 12 - ETO’O / Eterna juventude

- Atacante camaronês deixa para trás marcadores e a polêmica em relação a sua idade para levar a seleção africana ainda mais longe em seu quarto Mundial

Crítica: falta do acento grave (facultativo) recomendado

Certo: Atacante camaronês deixa para trás marcadores e a polêmica em relação à sua idade para levar a seleção africana ainda mais longe em seu quarto Mundial

Melhor: Atacante camaronês deixa para trás marcadores e a polêmica em relação à sua idade, para levar a seleção africana ainda mais longe em seu quarto Mundial

Domingo

1) PAÍS – p. 4 – ‘Ficou claro que o poder está na rua, não no palácio’

- terceira coluna, segunda resposta: Se não tem o traço de união entre as pautas e os grupos, se põe um hífen entre eles.

Crítica: mau uso do verbo ‘ter’ e erro na colocação do pronome pessoal oblíquo átono

Certo: Se não existe o traço de união entre as pautas e os grupos, põe-se um hífen entre eles.

2) PAÍS – p. 4 – Resposta do Congresso foi tímida

- ...a resposta do Congresso Nacional às reivindicações não atendeu à boa parte dos pleitos.

Crítica: mau uso do acento grave

Certo: ...a resposta do Congresso Nacional às reivindicações não atendeu a boa parte dos pleitos.

3) PAÍS – p. 8 – Briga por alianças no Rio deixa disputa incerta para o Senado

- Até agora, sem aliados, Crivella sonha em ter Romário, mesmo sabendo que as chances são remotas.

Crítica: mau uso da vírgula e erro de regência: ‘em’ a mais

Certo: Até agora sem aliados, Crivella sonha ter Romário, mesmo sabendo que as chances são remotas.

4) ESPECIAL – p. 13 – Promessas para 2016

- Mais investimentos. A ponte estaiada do BRT Transcarioca, que liga a Barra ao Aeroporto Internacional Tom Jobim: projeto precisa estar integrado...

Crítica: ambiguidade: o que liga a Barra ao aeroporto? O BRT ou a ponte?

Certo: Mais investimentos. A ponte estaiada do BRT Transcarioca, o qual liga a Barra ao Aeroporto Internacional Tom Jobim: projeto precisa estar integrado...

5) ESPECIAL – p. 14 – Espaço abre as portas junto com o Mundial / Anote / 14 de junho

- De 14h às 18h, a Cia de dança Deborah Colker oferece para as crianças uma mini escolinha de artes com dança, música...

Crítica: falta de paralelismo e erro de grafia (com a reforma, o prefixo “mini-” tem hífen antes de “h” e “i”; nos demais casos, escreve-se junto)

Certo: Das 14h às 18h, a Cia de dança Deborah Colker oferece para as crianças uma miniescolinha de artes com dança, música...

6) ESPECIAL – p. 14 – Museus são a nova onda do designer

- terceira pergunta: De todos os seus trabalhos, projetar museus é o que você gosta mais?

Crítica: erro de regência no emprego do relativo

Certo: De todos os seus trabalhos, projetar museus é o de que você gosta mais?

Ou melhor: De todos os seus trabalhos, projetar museus é o que você mais gosta de fazer?

7) OPINIÃO/artigo – p. 20 – O resgate do soldado Bergdhal

- Sabia-se portanto que o anúncio daquela tarde primaveril...

Crítica: falta de vírgulas separando a conjunção destacada

Certo: Sabia-se, portanto, que o anúncio daquela tarde primaveril...

8) COPA 2014 – p. 3 – Campanha contra discriminação e manipulação

- São filmes que visam a conscientizar as pessoas a que serão veiculados em emissoras de TV no mundo todo.

Crítica: erro de uso do conectivo (digitação?)

Certo: São filmes que visam a conscientizar as pessoas e que serão veiculados em emissoras de TV no mundo todo.

9) COPA 2014 – p. 3 – Após o clone, a Croácia

- terceira coluna: Desta forma, esperamos ter mais domínio do jogo – afirmou Felipão.

Crítica: mau uso do demonstrativo (ideia de conclusão)

Certo: Dessa forma, esperamos ter mais domínio do jogo – afirmou Felipão.

10) COPA 2014 – p. 4 – ‘Não tenho medo de nada’

- “Mas como já disse, quando a bola rola, tudo passa”

Crítica: falta de vírgula no início da circunstância interposta

Certo: “Mas, como já disse, quando a bola rola, tudo passa”

11) COPA 2014 – p. 5 – Título pode definir futuro em clubes do ‘Rei do Gado’

- ...há quem considere que o título aumentaria as chances do atacante permanecer no Fluminense, apesar das ofertas da Europa.

Crítica: combinação inadequada.

Certo: ...há quem considere que o título aumentaria as chances de o atacante permanecer no Fluminense, apesar das ofertas da Europa.

13) COPA 2014 – p. 6 –Possível, sim. Provável, não. Depende do Neymar

- final: Senão, a segunda Copa no Brasil pode acabar virando um novo pesadelo.

Crítica: erro de grafia [“Se não” = Caso não (seja)]

Certo: Se não, a segunda Copa no Brasil pode acabar virando um novo pesadelo.

14) SEGUNDO CADERNO – p. 3 – GENTE BOA / ‘Estou toda serelepe’

- ...quando Fábio Porchat ligou a convidando para viver a mãe de seu personagem...

Crítica: colocação não preferencial do pronome átono

Melhor: ...quando Fábio Porchat ligou convidando-a para viver a mãe de seu personagem...

15) SEGUNDO CADERNO – p. 7 – Zoé e Zezé

- É sobre o que o blog de hoje?

Crítica: erro de grafia: falta do acento

Certo: É sobre o quê o blog de hoje?

16) SEGUNDO CADERNO – p. 7 – Valente

- terceiro quadrinho: Só acho ela a cara da Ranger Rosa...

Crítica: má construção do período

Certo / Melhor: Só acho que ela é cara da Ranger Rosa...

17) SEGUNDO CADERNO – p. 7 – HORÓSCOPO / Libra

- Para cuidar bem do outro é preciso, antes de tudo, cuidar de si mesmo.

Crítica: falta de vírgula no final da circunstância antecipada

Certo: Para cuidar bem do outro, é preciso, antes de tudo, cuidar de si mesmo.

18) SEGUNDO CADERNO – p. 8 – Otimismo

- segunda coluna: Mas quando ele estava escrevendo eu não podia tocar minha bateria”, relembra.

Crítica: falta de vírgulas separando a circunstância antecipada

Certo: Mas, quando ele estava escrevendo, eu não podia tocar minha bateria”, relembra.

Segunda

1) RICARDO NOBLAT – p. 2 – O legado de Dilma / Pobre Arno Augustin

- E, no caso de Lula, quando ele reconhece que foi cruel, costuma pedir desculpas sem pedi-las diretamente.

Crítica: repetição do verbo ‘pedir’

Melhor: E, no caso de Lula, quando ele reconhece que foi cruel, costuma pedir desculpas sem fazê-lo diretamente.

2) PAÍS – p. 3 – Luz sobre o caso Stuart

- segunda coluna: ...negou que Stuart tenha sido torturado com um jipe militar, “diante das quase 2 mil pessoal que circulavam na Base (do Galeão)”.

Crítica: erro de grafia (digitação)

Certo: ...negou que Stuart tenha sido torturado com um jipe militar, “diante das quase 2 mil pessoas que circulavam na Base (do Galeão)”.

3) PAÍS – p. 3 – MEMÓRIA / Nome de agente foi descoberto

- segunda coluna: Este chegou a receber a Medalha do Pacificador, honraria concedia pelo Exército em 1971.

Crítica: erro de grafia (digitação)

Certo: Este chegou a receber a Medalha do Pacificador, honraria concedida pelo Exército em 1971.

4) PAÍS – p. 4 – Mulher de Aécio dá luz a gêmeos em hospital do Rio

Crítica: erro de regência na construção da oração

Certo: Mulher de Aécio dá à luz gêmeos em hospital do Rio

5) ESPECIAL – p. 6 – Segurança máxima nas ruas / Números / 57 mil homens

- Efetivo total mobilizado em todo Brasil pelas Forças Armadas

Crítica: falta do artigo [“todo o Brasil” = o Brasil inteiro x “todo Brasil” = qualquer Brasil]

Certo: Efetivo total mobilizado em todo o Brasil pelas Forças Armadas

6) RIO – p. 12 – ANCELMO GOIS / Cuidado com o coração

- Amil, Bradesco e Unimed Rio acordaram com a ANS de dispor de um telefone que poderá ser acionado pelo Samu.

Crítica: erro de regência: ‘de’ a mais

Certo: Amil, Bradesco e Unimed Rio acordaram com a ANS dispor de um telefone que poderá ser acionado pelo Samu.

7) SEGUNDO CADERNO – p. 7 – Um violino raro em boas mãos

- No Rio ela tocará uma dessas sonatas, a “Primavera”, além de peças de...

Crítica: falta de vírgula no final da circunstância antecipada

Certo: No Rio, ela tocará uma dessas sonatas, a “Primavera”, além de peças de...

8) SEGUNDO CADERNO – p. 8 – PATRÍCIA KOGUT / Ele é discreto

- Na entrevista, se disse discreto com a vida pessoal e afirmou...

Crítica: erro na colocação do pronome pessoal oblíquo átono

Melhor / Certo: Na entrevista, ele se disse discreto com a vida pessoal e afirmou...

9) SEGUNDO CADERNO – p. 8 – PATRÍCIA KOGUT / ...E mais

- ...um modelo de família real, que se ama apesar de está enfrentando problemas.

Crítica: erro de grafia

Certo: ...um modelo de família real, que se ama apesar de estar enfrentando problemas.

oglobo.globo.com | 09-06-2014

A safra de notícias econômicas está tão incômoda para o governo que a informação menos ruim é que a inflação mensal dá sinais de desaceleração. Mesmo assim, por um efeito estatístico, o índice anualizado se mantém em alta e ultrapassará o teto de 6,5%, estabelecido pela meta de 4,5%. O mais recente índice negativo é o 0,3% de retração da indústria em abril, comparado a março. Se a referência for abril de 2013, a queda atinge 5,8%, o pior resultado desde setembro de 2009, segundo o IBGE.

A maior preocupação do governo é com o setor automobilístico, pelo tamanho e enraizamento na economia. Em abril, sua produção subiu 0,6%, mas havia caído 4,2% em março. Houve, em maio, um crescimento de 1,9%, porém, comparado com maio de 2013, ocorreu uma queda de 18%. A diminuição das importações de máquinas e equipamentos (bens de capital) comprova que a retração contaminou os investimentos — outra má notícia.

Endividamento das famílias, crédito escasso, horizonte nebuloso para as empresas — há várias hipóteses de análise sobre a perda de dinamismo industrial. Só que, desta vez, ao contrário de 2009, o álibi da “crise externa" não pode ser acionado pelo governo. Pois, embora haja situações diversas no continente, existem sinais na Europa de que pelo menos a situação deixou de se degradar, enquanto os Estados Unidos aceleram a recuperação. Há estimativas de crescimento entre 3% e 4% este ano, bem mais que o Brasil, condenado a patinar em torno do 1%.

Se a economia brasileira for olhada pelo ângulo da balança comercial, é possível detectar más apostas do governo Dilma com reflexos no setor industrial.

Esgotado o ciclo de lépido crescimento mundial, China à frente, que levou o Brasil a saldar a dívida externa, fato histórico, vive-se o ciclo oposto — é sempre assim no mundo econômico. Commodities essenciais para as contas externas do Brasil caíram de cotação — soja e minério de ferro, bem mais este último. A Petrobras, mal administrada, passou a importar bastante combustível, e de consumo subsidiado. Outro erro. O resultado é a tendência a déficits no comércio exterior ou pequenos saldos positivos — de janeiro a maio, perdas de US$ 4,8 bilhões. Parte das perdas se deve à queda das exportações de veículos para a Argentina, devido à turbulência econômica do vizinho. Por trás do problema, a opção feita pelo governo de dar prioridade cega ao Mercosul.

Tendências protecionistas de Brasília também impedem que a indústria nacional se interconecte como poderia a cadeias produtivas globais. Isso faria aumentar as importações de componentes, mas também elevaria as vendas externas de manufaturados, de valor agregado mais alto.

Tudo isso, somado à displicência com que os investimentos em infraestrutura e outras iniciativas para o aumento da produtividade no país foram tratados, explica parte da safra de indicadores negativos.

oglobo.globo.com | 06-06-2014

A multiplicidade de nações adjacentes fez da Economia da Europa uma das mais complexas do planeta. Durante séculos a Europa foi o centro econômico do planeta. Entre as causas, podemos citar como a principal sua condição geográfica. A localização entre a África e a Ásia, fez da região europeia um ponto de passagem obrigatório, e facilitou de forma substancial a absorção e irradiação dos conhecimentos, tecnologia e comércio de ambos continentes. Esta condição perdurou até ao século XX. No século XX, a Europa viu seu predomínio declinar em relação aos Estados Unidos, o Japão e, na fase final, a China. A Primeira e Segunda guerra mundial, travadas em seu território, a carência de energia, de petróleo, além de uma intensa rivalidade entre seus povos, representaram para o continente a perda de sua liderança econômica. A Europa não tem auto-suficiência na produção de energia, exigindo a importação de muito petróleo. Este produto só é extraído em quantidades consideráveis na Rússia e no Mar do Norte. O gás natural, outro produto bastante usado na geração e produção de energia é muito abundante na Rússia, Romênia, Países Baixos e no Reino Unido. Outro recurso energético que teve grande importância nas fases iniciais da revolução industrial foi o carvão mineral, muito abundante, sobretudo na Alemanha, Polônia, Rússia, Reino Unido. Todas estas fontes energéticas são extremamente poluidoras e causam grandes impactos ambientais em todo o planeta. No caso da energia limpa, ou seja, não poluidora, podem ser citadas a energia hidráulica, energia eólica, e energia solar, de baixa produção e utilização da Europa, devido às suas condições geográficas. A produção de energia nuclear na Europa é muito importante, e, a exemplo dos Estados Unidos, gera imensas quantidades de lixo atômico, cujo fim, desde o início de sua utilização, é muito nebuloso e nunca divulgado na mídia mundial.


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