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Europa Economia


Em uma clara diferença com o sentimento otimista entre executivos dos Estados Unidos, autoridades e líderes corporativos europeus reunidos em Davos mostraram-se preocupados com o que será um ano importante no continente, em meio a uma onda de populismo e eleições nacionais em algumas das principais economias, que poderiam ameaçar a já modesta retomada na região.

Vice-presidente da Comissão Europeia para a zona do euro, Valdis Dombrovskis disse em entrevista que todos os 28 países da União Europeia devem crescer neste ano, mesmo a Grécia. O crescimento na zona do euro deve acelerar de 1,5% neste ano para 1,7% em 2018.

De fato, o Produto Interno Bruto (PIB) da UE finalmente está acima dos níveis anteriores à crise, enquanto o desemprego no bloco caiu para os níveis de 2009. A dívida dos governos e os déficits também diminuem. "A recuperação econômica, embora muito modesta, é resistente a diferentes fatores de risco, a incerteza política sendo um deles", afirmou Dombrovskis.

As eleições na Alemanha, na França e possivelmente na Itália, porém, podem atrapalhar essa recuperação, especialmente se partidos populistas - muitos deles contrários à moeda comum - continuarem a avançar. Embora investidores e analistas esperem que o Banco Central Europeu (BCE) prossiga com a redução de seu programa de compra de bônus, fatos políticos poderiam mudar isso.

"Se algo der errado, o BCE poderia inundar os mercados para estabilizar", disse Oliver Bäte, executivo-chefe da seguradora alemã Allianz. "Nós precisamos estar preparados para esse cenário também."

No curto prazo, a incerteza política tende a frear as contratações, disse Stefano Scabbio, diretor para o sul da Europa da Manpower. Na Espanha, por exemplo, a forte geração de vagas vista nos últimos anos perdeu fôlego recentemente enquanto os partidos políticos brigavam para formar um novo governo.

A ameaça do terrorismo também é citada como ameaça para uma recuperação mais robusta na Europa. Os hotéis Marriott na França "ainda não se recuperaram", segundo o executivo-chefe da rede, Arne Sorenson.

A Itália, terceira maior economia da zona do euro, continua a ser um grande freio para a região, com crescimento muito mais baixo que países como a Alemanha ou mesmo a Espanha. Um grande problema continua a ser seu sistema bancário, que tem 200 bilhões de euros (US$ 187,6 bilhões) em empréstimos inadimplentes, o que dificulta os novos empréstimos. O ministro da Economia da Itália, Pier Paolo Padoan, afirmou que deseja ver esse montante cair pela metade, mas a redução levará tempo. Fonte: Dow Jones Newswires.

GENEBRA - A economia brasileira deve crescer só 0,6% neste ano, segundo projeção das Organizações das Nações Unidas (ONU) divulgada nesta terça-feira. O relatório anual indica que o desempenho do país ficará aquém da média das nações em desenvolvimento que devem registrar alta média de 4,4%. Para 2018, a expectativa é de crescimento de 1,6%, contra alta de 4,7% dos países em desenvolvimento.

A projeção está em linha com o esperado por analistas do mercado financeiro que, segundo o boletim Focus, do Banco Central, esperam alta de 0,5% neste ano. Para 2018, a projeção do relatório compilado pela autoridade monetária é mais otimista, de alta de 2,2%.

Recessão1701Na avaliação da ONU, o pior da recessão brasileira ficou para trás, mas ainda há desafios. “A recessão no Brasil pode ter ficado para trás, após um declínio agudo da produção em 2015 e em 2016. Incertezas políticas no Brasil diminuíram e os fundamentos do projeto macroeconômicos, introduzidos. No entanto, o alto desemprego e uma política fiscal relativamente apertada continuarão a pesar sobre a economia”, destacou a entidade, no documento.

CRESCIMENTO MUNDIAL DE 2,7%

A ONU também projeta que o crescimento econômico global vai acelerar a 2,7% este ano e 2,9% em 2018, depois de ter crescido 2,2% em 2016. A entidade, no entanto, vê incertezas criadas pela decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia, e a expansão britânica deve cair de 2% em 2016 para 1,1% em 2017 e 1,3% em 2018.

Políticas tributárias defendidas pelo presidente eleito dos EUA, Donald Trump, podem também ter efeitos adversos sobre a economia mundial, disse Alfredo Calcagno, chefe de políticas de desenvolvimento e macroeconomia da agência econômica da ONU, a Unctad.

— Isso pode gerar um déficit no curto prazo... E isso pode nos levar na direção de um desafio para a economia global — disse ele em entrevista à imprensa em Genebra. — O outro elemento da reforma tributária... É se esse sistema tributário significará um topo de maior proteção para os produtores norte-americanos. Assim, isso vai incorporar um enorme desafio para o sistema multilateral e a Organização Mundial do Comércio.

oglobo.globo.com | 17-01-2017

BERLIM - Com preocupação, mas dispostos a demonstrar uma nova autoconfiança, líderes europeus reagiram de forma contundente à primeira entrevista do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, à imprensa estrangeira — ao jornal britânico “Times” e ao alemão “Bild Zeitung” — que causou um abalo sísmico. Disparando sua metralhadora giratória verbal, Trump criticou a União Europeia (UE), a Otan, o acordo nuclear com o Irã e a resposta da Alemanha à crise dos refugiados, classificando de “erro catastrófico” a decisão da chanceler Angela Merkel de abrir as portas do país a mais de um milhão de fugitivos de guerras e da pobreza extrema em países de Ásia, África e Oriente Médio. CONTEÚDO TRUMP 1701

Em uma primeira reação, Merkel afirmou que “a Europa é dona do seu próprio destino”. A chefe de governo alemã, que como presidente (rotativa) do G-20 deverá visitar Trump em abril ou maio, apelou aos colegas no continente a não se deixarem confundir pelas declarações dele. Reunidos em Bruxelas, os chanceleres europeus apelaram para a unidade dos 28 membros da UE. O chanceler francês, Jean-Marc Ayrault, foi enfático:

— A melhor resposta à entrevista do presidente é a unidade dos europeus.

Já o ex-premier e pré-candidato à Presidência da França, Manuel Valls, chamou as falas de Trump de provocação:

— Uma declaração de guerra à Europa.

O presidente da França, François Hollande, também se juntou ao coro que desancou Trump.

— A Europa não precisa de conselhos extremos para dizer o que tem de fazer — pontuou o francês.

Depois de um encontro com o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, o ministro das Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, lembrou que as declarações de Trump sobre a Otan vão contra as ideias do futuro secretário de Defesa dos EUA, James Mattis. Segundo Steinmeier — que dentro de poucas semanas deverá ser eleito o novo presidente da Alemanha — Trump causou “surpresa e agitação” na Europa. As críticas também vieram internamente. O secretário de Estado americano, John Kerry, classificou as declarações de Trump sobre Merkel como inapropriadas.

— Ele terá que responder por isso. Acho que devemos ser muito prudentes antes de dizer que um dos líderes mais poderosos na Europa cometeu um erro.

A inquietação indica que os europeus esperavam que, depois de eleito, o republicano deixasse de fazer declarações incendiárias. De fato, Trump não disse nada de novo. Na campanha, criticou Merkel, elogiou o Brexit (a saída do Reino Unido da UE), e antecipou que iria adotar medidas protecionistas para proteger as empresas americanas — ele já anunciou uma taxa de 35% para os carros da montadora alemã BMW produzidos no México. Trump Info

Para o cientista político Thomas Jäger, da Universidade de Colônia, Trump não tem a intenção apenas de chocar:

— Ele tem dois objetivos: acelerar a economia americana e só fazer acordos internacionais se estes favorecerem os EUA.

Para ele, a ideia é pôr a perspectiva americana, durante muito tempo ignorada, no centro das atenções.

Mas, poucos dias antes de tomar posse, o presidente eleito continua dividindo os europeus. A maior parte dos países da Europa Ocidental acompanha com apreensão o receio da influência do republicano na possível desintegração de uma já dividida UE. No Leste, da Rússia à República Tcheca, no entanto, Trump é admirado. Irina Sherbakova, historiadora e ativista da ONG Memorial, lembra que os russos — que detestavam Barack Obama — associam o novo governo à possibilidade de melhoria nas relações entre Moscou e o Ocidente e, com isso, o fim das sanções e superação da crise econômica.

Já na Europa Ocidental, apenas os partidos de extrema-direita apoiam o novo presidente. E não é só o estilo direto de Trump que assusta a maioria dos europeus. A possibilidade de uma forte aliança dos EUA com a Rússia, que teria assim carta branca para novas ações como a ocupação da Crimeia, até então território da Ucrânia, é vista como sombria. Contra uma possível aliança Trump-Putin, 17 políticos europeus, entre eles o ex-presidente da Estônia, Toomas Hendrik, enviaram uma carta ao novo presidente alertando sobre a Rússia, que teria em vista, segundo os signatários, “a desestabilização da Otan, a espionagem e a guerra psicológica”.

Extrema-direita celebra

Pior do que isso. Como escreveu o cientista político Ulrich Speck na sua coluna no jornal “Neue Zürcher Zeitung”, a proximidade entre os dois presidentes desperta lembranças amargas da Conferência de Yalta, que selou a derrota da Alemanha nazista, em 1945, e resultou na divisão da Europa em áreas de influência dos EUA (Europa Ocidental) e da então União Soviética (Europa Oriental). “Os EUA de Trump não são mais (como foi no passado) a garantia de uma ordem mundial liberal, mas são definidos pelos seus interesses nacionais imediatos”, sustenta Speck.

Embora o secretário-geral da Otan não veja grandes riscos para a Europa, analistas advertem para o perigo concreto de um racha dessa aliança — com efeitos negativos para a UE, que precisaria investir muito mais na sua segurança. Em crise, o bloco não tem sido capaz de chegar a um consenso nem na divisão de um sistema de cota de refugiados — uma unanimidade na decisão de medidas de defesa é vista como muito difícil.

Não por coincidência, a posse de Trump será acompanhada com atenção pela extrema-direita europeia. Um dia depois, lideres do bloco extremista em Alemanha, França, Holanda, Bélgica e Itália vão se reunir na cidade alemã de Koblenz, na cúpula dos populistas. A iniciativa partiu de Marine Le Pen, da Frente Nacional, da França, que quer fazer do Movimento para uma Europa das Nações e da Liberdade, que fundou em junho de 2015, uma espécie de “Internacional da extrema-direita”, a exemplo da tradicional Internacional Socialista.

De carona no populismo de Trump, os direitistas europeus contam com mudanças radicais em 2017, que começariam com a possível vitória de Geert Wilders, do Partido da Liberdade, na Holanda, e de Le Pen, na França, em março e em maio. Para o cientista político italiano Giulietto Chiesa, ex-deputado do Parlamento Europeu, a extrema-direita continuará contando com a influência do americano para realizar seus dois mais importantes projetos: acabar com o fluxo de refugiados e reduzir o papel da UE nos países-membros.

oglobo.globo.com | 17-01-2017

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, fez seu primeiro pronunciamento no Fórum Econômico Mundial, em Davos, enaltecendo o interesse que os investidores têm demonstrado sobre o Brasil. "Desta vez, existe uma mudança importante que é uma expectativa positiva sobre o Brasil. Não é a primeira vez, mas é a primeira vez nos últimos anos", disse, durante entrevista coletiva de imprensa.

As reformas, de acordo com Meirelles, estão sendo muito bem avaliadas. Ele citou que a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do teto de gastos públicos está de acordo com o cronograma que o governo havia anunciado no ano passado. Também mencionou a aprovação pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da admissibilidade da reforma da Previdência na Câmara e as reformas microeconômicas que foram anunciadas. "Estes são problemas que o Brasil enfrenta há várias décadas", afirmou.

O ministro da Fazenda também enfatizou a classificação sobre a facilidade de produção feita pelo Banco Mundial (Bird). "O Brasil tem estado em uma classificação muito ruim em vários anos. É a primeira vez que estamos enfrentando esse assunto decisivamente com as reformas microeconômicas", disse. Ele citou problemas de registro de companhias em juntas comerciais, em grupo de bombeiro, dificuldade de se pagar impostos. "Há também uma dificuldade burocrática de exportar. Estamos introduzindo um portal que vai permitir um processamento muito rápido de toda a documento de exportação e pagamento de impostos e várias medidas nessa linha", disse. A questão trabalhista começará a ser endereçada agora também, conforme Meirelles.

"É uma visão bastante positiva. Há muita curiosidade (dos investidores), interesse em saber como está a questão do crescimento do ritmo de atividade da economia", comentou. Ele voltou a dizer que prevê um Produto Interno Bruto (PIB) negativo no último trimestre de 2016 comparado com o trimestre anterior, mas já espera crescimento no primeiro de 2017. No quarto trimestre deste ano, de acordo com ele, a economia crescerá 2% sobre idêntico período de 2016. "É o que interessa, mas médias não dizem muito", argumentou.

A redução da inflação também está sendo vista de maneira positiva e consistente pelos investidores, conforme Meirelles, "o que tem permitido ao BC tomar medidas adequadas".

Ao mesmo tempo, salientou o ministro da Fazenda, há muita preocupação por parte dos investidores com regiões sempre consideradas sólidas e estáveis, como na Europa. Ele mencionou a questão dos imigrantes na Alemanha, da saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit), o problema de auxílio do governo italiano aos bancos, o surgimento do nacionalismo e do radicalismo em muitos países europeus e preocupação com as próximas eleições, além de "alguma preocupação" com efeito do início do governo de Donald Trump nos Estados Unidos.

"Eles (os investidores) olham e falam: dentro desse quadro, o Brasil parece muito bom, apesar das discussões políticas e todo o processo de investigação, que continua, mas que é visto como positivo. O Brasil vai cada vez mais mostrando solidez de suas instituições", defendeu. Para ele, o momento é positivo, apesar de ainda a população brasileira estar sentindo o pico do desemprego. "Esperamos que no correr deste ano a população vá sentir efeitos da retomada do crescimento. Vai ficar mais claro no segundo semestre deste ano", prometeu.

O dólar acelerou a alta no final da sessão desta segunda-feira, 16, e encerrou aos R$ 3,2421 (+0,76%) no mercado à vista. O movimento foi atribuído por especialistas à busca por proteção antes de importantes eventos internacionais nos próximos dias, a começar amanhã pelo discurso da premiê britânica, Theresa May.

A preocupação é de que a primeira-ministra adote uma postura mais dura na separação com a União Europeia, resultando numa ruptura mais bruta entre as partes. A mídia britânica já apontou que Theresa May aumentará a pressão para deixar o bloco econômico em troca de um controle maior da política de imigração.

Por aqui, o dólar à vista fechou aos R$ 3,2421 (+0,76%), nível mais elevado desde 3 de janeiro, quando marcou R$ 3,2615. Além disso, o valor no fim do dia ficou levemente aquém da máxima, de R$ 3,2423 (+0,77%).

O marco principal da semana e maior fonte de incertezas para o mercado, entretanto, só ocorre na sexta-feira, com o início do governo de Donald Trump. A campanha eleitoral do republicano foi marcada por promessas de investimentos em infraestrutura, aumento do protecionismo comercial e acirramento da disputa com a China. No entanto, mesmo com a entrevista coletiva na semana passada, Trump ainda não deixou claro como fará o país acelerar seu crescimento econômico.

No segmento futuro, o contrato de dólar mais líquido, para fevereiro de 2017, encerrou em alta de 0,65%, aos R$ 3,2585, enquanto o pico da sessão foi registrado em R$ 3,2600 (+0,69%).

Hoje, a ausência das operações nos Estados Unidos, por causa do feriado do Dia de Martin Luther King Jr, limitou o volume de negócios por aqui. Com isso, o impacto das operações no câmbio foram potencializadas nas cotações, de acordo com profissionais ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.O giro registrado no mercado à vista somou apenas US$ 328,352 milhões, enquanto o contrato futuro mais líquido, para fevereiro de 2017, movimentou US$ 5,115 bilhões.
A Alemanha poderá reduzir sua alíquota de imposto corporativo na sequência de movimentos semelhantes no Reino Unido e nos EUA, disse nesta segunda-feira o ministro de Finanças alemão, Wolfgang Schäuble. As reduções, no entanto, viriam só após as eleições gerais marcadas para setembro.A maior economia da Europa deve simplificar seu sistema tributário complexo para as empresas, a fim de manter a competitividade internacional, argumentou Schäuble em entrevista ao The Wall Street Journal. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 16-01-2017

BRASÍLIA - Pela primeira vez em dois anos, o governo brasileiro vai levar ao Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, um time reforçado, visando ao resgate da credibilidade do país, perdida com o desequilíbrio fiscal, a grave e prolongada recessão e os escândalos de corrupção. Vão desembarcar nos Alpes na próxima semana - para eventos que reúnem a elite global, em uma semana de debates sobre os rumos e desafios da economia mundial - os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, do Desenvolvimento, Marcos Pereira, e de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

O presidente Michel Temer também planejava ir, mas acabou desistindo para acompanhar de perto a reta final das eleições para o comando da Câmara dos Deputados. Ele também foi aconselhado a não correr o risco de ter que responder a algum questionamento sobre a legitimidade de seu governo depois do impeachment de Dilma Rousseff.

A ex-presidente nunca foi grande fã do evento. Compareceu apenas em 2014. Em 2015, representaram o Brasil o então ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o ex-presidente do BC Alexandre Tombini. Em 2016, foi a vez do ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa tentar mostrar o Brasil como um mercado interessante para investimentos. A missão não era fácil diante da desconfiança em relação à capacidade de Dilma de reequilibrar as contas públicas e retomar o crescimento da economia. Davos

Agora, a expectativa da equipe econômica é obter mais sucesso. Segundo interlocutores do governo, Meirelles poderá destacar em suas conversas avanços concretos, como a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que fixa um teto para os gastos públicos, essencial ao ajuste fiscal. Ele também vai falar sobre as propostas de reforma da Previdência e das relações de trabalho e o recente pacote de medidas para turbinar o Produto Interno Bruto (PIB).

— A mensagem é de otimismo. Há boas notícias sobre a inflação, e o governo conseguiu avançar em sua agenda de reformas do Congresso. Isso é uma perspectiva positiva — disse um integrante da equipe econômica.

Meirelles esperou até o último minuto para confirmar sua participação no fórum. Ele chegou a considerar não participar do evento por causa das negociações do acordo de ajuda financeira ao Estado do Rio. Mas, a pedido de Temer, ele encontrou como solução ir a Davos para algumas reuniões e voltar ao Brasil mais cedo. Ele embarca no fim de semana e retorna na quarta-feira. Na quinta, estará em Brasília para a assinatura formal do acordo com o Rio.

O principal evento na agenda de Meirelles é a tradicional reunião do Business Interaction Group on Brazil (BIG Brazil), onde autoridades do governo brasileiro se encontram com grandes investidores interessados no mercado nacional. Segundo interlocutores da área econômica, se Temer viesse a Davos, esse certamente seria um compromisso em sua agenda. Meirelles também deve participar de três eventos organizados pelo próprio Fórum, sobre reforma da Previdência, conjuntura na América Latina e sobre a relação entre América Latina e o novo governo dos Estados Unidos, com a eleição de Donald Trump, que tomará posse no dia 20 de janeiro, último dia do evento.

Meirelles vai se reunir com investidores e com grandes empresários. Na agenda do ministro estão encontros com os presidentes do Grupo ArcelorMittal, Lakshmi Mittal, da AT&T, Randall Stephenson, do UBS, Axel W. Weber, e do Lloyd's, John Nelson. Outros nomes previstos na agenda do ministro são os da executiva do Facebook, Sheryl Sandberg, e o do presidente da Bolsa da Nova York, Thomas Farley.

Na área de comércio, o ministro Marcos Pereira vai aproveitar para conversar com representantes de países com os quais o Brasil quer fechar acordos comerciais como México e Canadá. Ele também vai lançar as negociações entre o Mercosul e um bloco de países europeus, a Associação Europeia de Livre Comércio (composta por Noruega, Suíça, Islância e Lienchenstein).

— O Brasil deve aproveitar o Fórum para debater temas que estão muito fortes na agenda internacional. Um dos assuntos será o atual viés protecionista no mundo. Vamos mostrar que o Brasil está na contramão disso e quer fechar acordos comerciais — disse o secretário de Comércio Exterior, Abrão Neto.

Rodrigo Janot também terá participação destacada, em painéis sobre corrupção nos quais certamente será abordada a Lava-Jato. Ele vai participar de debate da Iniciativa Conjunta de Combate à Corrupção (Paci, na sigla em inglês) com empresários do setor de infraestrutura e desenvolvimento urbano, além de representantes do setor público de países europeus e asiáticos. Caberá ao procurador-geral listar os avanços do Brasil no combate à corrupção. Ele também falará sobre combate a crimes cibernéticos, na mesa sobre Parceria Público-Privada.

O tema do Fórum é “Liderança Responsiva e Responsável”, e um dos focos de debate será a retomada do crescimento global. O evento de 2017 terá um recorde de participantes: mais de 3.000 pessoas de mais de cem países, incluindo 1.200 CEOs (altos executivos) e 50 chefes de Estado e de Governo.

oglobo.globo.com | 15-01-2017

BERLIM - O Reino Unido poderia mudar seu modelo econômico para reconquistar competitividade caso deixe a União Europeia sem um acordo sobre acesso ao mercado europeu, afirmou o ministro das Finanças Philip Hammon a um jornal alemão em entrevista publicada neste domingo.

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Em uma suposta de que a Grã-Bretanha poderia usar seu imposto corporativo como uma forma de alavancar as negociações do Brexit, Hammond disse ao "Welt am Sonntag" que esperava que a país permanecesse com uma economia no estilo europeu com os correspondentes sistemas fiscais e regulatórios.

"Mas caso sejamos forçados a algo diferente, então teremos que virar algo diferente", disse o ministro quando perguntado sobre os planos do Reino Unido em reduzir sua taxa corporativa. "Se não tivermos acesso ao mercado europeu, se estiver fechado, se a Grã-Bretanha saísse sem um acordo de acesso ao mercado, então poderíamos sofrer um dano econômico ao menos no curto prazo", avaliou Hammond, que acrescentou:

"Neste caso, poderíamos ser forçados a mudar nosso modelo econômico e teremos que mudar nosso modelo para reconquistar competitividade", indicou.

A chanceler alemã Angela Merkel disse que a União Europeia deve considerar um limite de acesso do Reino Unido ao mercado caso o governo britânico não aceite os quatro princípios de liberdade - movimento de bens, capital, pessoas e serviços - nas negociações do Brexit.

A primeira-ministra britânica Theresa May já disse repetidamente que não revelará sua estratégia de negociação antes de acionar o Artigo 50 do Tratado de Lisboa da UE - artifício legal necessário para solicitar saída do bloco. Ela já indicou que tomará a medida até o fim de março.

A lídre afirmou que quer a retomada do controle britânico sobre a imigração; a restauração da soberania e também a criação das melhores relações comerciais possíveis com a UE.

oglobo.globo.com | 15-01-2017

RIO - Presidente e fundador do Eurasia Group, o americano Ian Bremmer vê riscos no futuro das relações políticas dos Estados Unidos com a chegada de Donald Trump à Presidência, mas afirma que - apesar da retórica explosiva do presidente eleito - a aproximação com Cuba, a relação com a Otan, o acordo nuclear com o Irã e a aliança com Israel não deverão sofrer grandes mudanças com magnata republicano na Casa Branca.

Durante a campanha presidencial, muito se falou sobre a relação entre Donald Trump e o presidente russo, Vladimir Putin. A poucos dias da chegada de Trump à Presidência, o que se pode esperar para o futuro das relações entre Moscou e Washington?

Embora Trump e nomes como Jeff Sessions e Rex Tillerson tenham adotado uma postura mais cautelosa ao falar da Rússia recentemente, eles ainda estão no modo de campanha, dizendo aquilo que é necessário dizer no momento. Tillerson - que tem uma relação com o Kremlin melhor que a de qualquer outro cidadão americano - foi bastante cuidadoso e evitou se referir aos russos como criminosos de guerra, enquanto Trump admitiu a possibilidade dos ciberataques, mas afirmou que eles poderiam ter sido realizados por outros países. Trump vem deixando claro que as relações com a Rússia podem melhorar, e acho que veremos os dois países muito mais alinhados nos próximos anos, o que, é claro, gerará desconforto dentro do Partido Republicano.

De que modo a resistência a Trump dentro de seu próprio partido, evidente durante a campanha eleitoral, poderá influenciar as decisões do novo governo? Os republicanos domarão Trump ou ele conseguirá conquistá-los?

Ele, de certa forma, já os conquistou por ter conseguido a indicação presidencial e vencido a eleição. Havia muita resistência por parte do establishment republicano, é verdade, mas isso aconteceu porque ele disputou a indicação contra outros 16 nomes do partido. As decisões que vem anunciando, desde a indicação de Reince Priebus para a chefia de seu Gabinete, quanto os nomes escolhidos para as secretarias do Tesouro (Steve Munchin) e de Comércio (Wilbur Ross), estão dentro de uma proposta que favorece os negócios, os bancos e as privatizações, logo, perfeitamente alinhada com os interesses do partido. É na política externa que estão suas grandes divisões com os republicanos.

Trump

Barack Obama foi um grande defensor da diplomacia, apostando na abordagem de "liderar por trás", enquanto Trump tem se manifestado bastante sobre temas como armas nucleares, o combate ao Estado Islâmico e a redefinição dos laços americanos com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Qual deve ser a maior mudança na política externa americana?

Por mais diferente que possa parecer a retórica, na prática não acho que Trump vá ser muito diferente. Obama era inexperiente, tinha pessoas inexperientes a seu lado, e foi o primeiro a reclamar sobre os gastos com aliados da Otan, anos atrás. Com Trump temos o mesmo cenário, somado à sua personalidade volátil e seu estilo menos diplomático. Isso pode gerar desconfianças em outros países, especialmente por sua insistência em dizer que colocará os EUA em primeiro lugar.

Até que pontos ciberataques realizados por hackers estrangeiros representarão um risco para o governo de Trump?

Bem, essa é uma atividade que tem se tornado cada vez mais comum nos últimos anos, como vimos em casos como os dos "Papéis do Panamá", o ataque de hackers norte-coreanos que derrubaram o site da Sony Pictures e, agora, no caso dos hackers russos. As habilidades dos hackers permitem que a Rússia, que tem uma economia menor do que a de países como Itália e Canadá, cause bastante estrago com a divulgação de informações confidenciais. Há uma aura de vulnerabilidade da qual os EUA ou qualquer outra nação não se verão livres tão cedo.

No Oriente Médio são esperadas mudanças nas relações dos EUA com Irã e Israel. A chegada de Trump aumenta os riscos de tensões na região?

Não necessariamente. Obama e (o primeiro-ministro israelense Benjamin) Netanyahu não gostavam um do outro, mas a relação com Israel se manteve sólida, com números recordes na ajuda financeira. A decisão de não vetar a resolução contra os assentamentos israelenses na Cisjordânia foi algo que Obama poderia ter feito durante os oito anos em que esteve no cargo, e que deixou para a reta final, após fechar acordos milionários com o governo israelense. Não acho que vá ter qualquer influência sobre as relações ou mesmo sobre a expansão dos assentamentos. Com relação ao Irã, o acordo nuclear é algo que Trump nunca teria feito, mas não acho que ele, apesar das duras críticas, irá simplesmente anulá-lo, até mesmo por se tratar de uma decisão multilateral. O perigo está no fato de Trump atacar o Islã como um todo. Isso transforma bens americanos no Oriente Médio em alvos para as ações de extremistas.

A vitória do bilionário nos EUA foi celebrada por diversos nomes da política europeia. Sua chegada à Presidência pode estimular a ascensão de candidatos populistas na Europa?

Trump quer trabalhar com o Reino Unido, e isso indica que, mesmo após a saída do país da União Europeia, a relação deverá ser mais estável do que com os outros países europeus. Ele sem dúvida adoraria ver nomes da extrema-direita como Marine Le Pen e Geert Wilders chegando ao poder em países como França e Holanda, e isso poderia afastar líderes europeus mais tradicionais, dificultando ações de cooperação.

Como deve ficar a relação dos EUA com a América Latina, especialmente após a histórica reaproximação diplomática com Cuba?

O foco de Trump está no México. Ele sabe que tem que manter boas relações, pela proximidade entre os dois países. Ao mesmo tempo, também sabe que o México não tem outra opção a não ser se aproximar dos EUA, e com isso, temas como a imigração e a construção ou não do muro na fronteira se estenderão por muito tempo. Ainda não há uma estratégia clara para a América do Sul, mas com as transições nos governos, que estão cada vez mais alinhados com a política ocidental tradicional, as relações não devem ser abaladas. Já a reaproximação com Cuba teve reações negativas muito abaixo do esperado nos EUA, e Trump quer trabalhar com Havana. É possível que o governo cubano desacelere um pouco o processo, mas seria uma enorme surpresa se a reaproximação diplomática retrocedesse.

oglobo.globo.com | 15-01-2017

BRASÍLIA - Pela primeira vez em dois anos, o governo brasileiro vai levar ao Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, um time reforçado, visando ao resgate da credibilidade do país, perdida com o desequilíbrio fiscal, a grave e prolongada recessão e os escândalos de corrupção. Vão desembarcar nos Alpes na próxima semana - para eventos que reúnem a elite global, em uma semana de debates sobre os rumos e desafios da economia mundial - os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, do Desenvolvimento, Marcos Pereira, e de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

O presidente Michel Temer também planejava ir, mas acabou desistindo para acompanhar de perto a reta final das eleições para o comando da Câmara dos Deputados. Ele também foi aconselhado a não correr o risco de ter que responder a algum questionamento sobre a legitimidade de seu governo depois do impeachment de Dilma Rousseff.

A ex-presidente nunca foi grande fã do evento. Compareceu apenas em 2014. Em 2015, representaram o Brasil o então ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o ex-presidente do BC Alexandre Tombini. Em 2016, foi a vez do ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa tentar mostrar o Brasil como um mercado interessante para investimentos. A missão não era fácil diante da desconfiança em relação à capacidade de Dilma de reequilibrar as contas públicas e retomar o crescimento da economia. Davos

Agora, a expectativa da equipe econômica é obter mais sucesso. Segundo interlocutores do governo, Meirelles poderá destacar em suas conversas avanços concretos, como a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que fixa um teto para os gastos públicos, essencial ao ajuste fiscal. Ele também vai falar sobre as propostas de reforma da Previdência e das relações de trabalho e o recente pacote de medidas para turbinar o Produto Interno Bruto (PIB).

— A mensagem é de otimismo. Há boas notícias sobre a inflação, e o governo conseguiu avançar em sua agenda de reformas do Congresso. Isso é uma perspectiva positiva — disse um integrante da equipe econômica.

Meirelles esperou até o último minuto para confirmar sua participação no fórum. Ele chegou a considerar não participar do evento por causa das negociações do acordo de ajuda financeira ao Estado do Rio. Mas, a pedido de Temer, ele encontrou como solução ir a Davos para algumas reuniões e voltar ao Brasil mais cedo. Ele embarca no fim de semana e retorna na quarta-feira. Na quinta, estará em Brasília para a assinatura formal do acordo com o Rio.

O principal evento na agenda de Meirelles é a tradicional reunião do Business Interaction Group on Brazil (BIG Brazil), onde autoridades do governo brasileiro se encontram com grandes investidores interessados no mercado nacional. Segundo interlocutores da área econômica, se Temer viesse a Davos, esse certamente seria um compromisso em sua agenda. Meirelles também deve participar de três eventos organizados pelo próprio Fórum, sobre reforma da Previdência, conjuntura na América Latina e sobre a relação entre América Latina e o novo governo dos Estados Unidos, com a eleição de Donald Trump, que tomará posse no dia 20 de janeiro, último dia do evento.

Meirelles vai se reunir com investidores e com grandes empresários. Na agenda do ministro estão encontros com os presidentes do Grupo ArcelorMittal, Lakshmi Mittal, da AT&T, Randall Stephenson, do UBS, Axel W. Weber, e do Lloyd's, John Nelson. Outros nomes previstos na agenda do ministro são os da executiva do Facebook, Sheryl Sandberg, e o do presidente da Bolsa da Nova York, Thomas Farley.

Na área de comércio, o ministro Marcos Pereira vai aproveitar para conversar com representantes de países com os quais o Brasil quer fechar acordos comerciais como México e Canadá. Ele também vai lançar as negociações entre o Mercosul e um bloco de países europeus, a Associação Europeia de Livre Comércio (composta por Noruega, Suíça, Islância e Lienchenstein).

— O Brasil deve aproveitar o Fórum para debater temas que estão muito fortes na agenda internacional. Um dos assuntos será o atual viés protecionista no mundo. Vamos mostrar que o Brasil está na contramão disso e quer fechar acordos comerciais — disse o secretário de Comércio Exterior, Abrão Neto.

Rodrigo Janot também terá participação destacada, em painéis sobre corrupção nos quais certamente será abordada a Lava-Jato. Ele vai participar de debate da Iniciativa Conjunta de Combate à Corrupção (Paci, na sigla em inglês) com empresários do setor de infraestrutura e desenvolvimento urbano, além de representantes do setor público de países europeus e asiáticos. Caberá ao procurador-geral listar os avanços do Brasil no combate à corrupção. Ele também falará sobre combate a crimes cibernéticos, na mesa sobre Parceria Público-Privada.

O tema do Fórum é “Liderança Responsiva e Responsável”, e um dos focos de debate será a retomada do crescimento global. O evento de 2017 terá um recorde de participantes: mais de 3.000 pessoas de mais de cem países, incluindo 1.200 CEOs (altos executivos) e 50 chefes de Estado e de Governo.

oglobo.globo.com | 15-01-2017

PERL-NENNIG (Alemanha) - A chanceler alemã, Angela Merkel, alertou neste sábado para tendências protecionistas, apontou para os riscos para o mundo e defendeu que os Estados Unidos se mantenham dentro da cooperação multilateral.

— Minha convicção profunda é que há mais vantagens em avançar juntos que quando cada um resolve seus problemas. Estou realmente convencida, é minha atitude constante — disse ela.

Após uma reunião de seu partido, Merkel afirmou que os países estarão melhor se trabalharem juntos e citou o exemplo da crise financeira mundial que começou nos Estados Unidos em 2008.

— Não foi uma resposta baseada em isolamento, mas uma resposta baseada em cooperação, em normas comuns de regulação, incluindo os mercados financeiros.

Ao ser consultada sobre quando será sua primeira reunião com Trump, Merkel disse que isso pode ocorrer durante a cúpula do G-7 (sete maiores economias mundiais) em maio, na Sícilia, ou na do G-20 (que reúne as principais economias do mundo), em julho, na Alemanha.

Os Estados Unidos são o parceiro comercial mais importante da Alemanha e a retórica protecionista do presidente eleito, Donald Trump, tem preocupado exportadores da maior economia europeia. Em 2017, a Alemanha ostenta a presidência do G-20 (que reúne as principais economias do mundo).

oglobo.globo.com | 14-01-2017

Espanha e Irlanda, duas das economias europeias mais afetadas pela crise global de 2008, deram sinais de robusta recuperação. Ambas nações implementaram medidas de ajuste fiscal para sanear as contas públicas, recuperar a confiança e os investimentos, o que exigiu sacrifícios e gerou críticas, do mesmo modo como ocorrera há uma década com a Alemanha, hoje a maior economia do continente e que cresceu 1,9% em 2016, maior expansão em cinco anos.

A Espanha registrou no ano passado o maior número de contratações de mão de obra desde o início da crise, que levou o país a ter a pior taxa de desemprego da União Europeia, sobretudo entre os mais jovens. Segundo o Ministério do Trabalho, o número de empregados registrados cresceu 540.655 em 2016, o maior volume em uma década. Já o número de espanhóis desempregados caiu 390.534, o maior ritmo de queda já registrado nas estatísticas oficiais.

A Irlanda — que viu seus setores bancário e imobiliário derreterem, obrigando o país a recorrer à UE e ao FMI para uma ajuda de € 85 bilhões — vem abrindo cerca de mil postos de trabalho por semana, as exportações estão em níveis recorde, e o país tornou-se um dos principais destinos para corporações interessadas em instalar uma base estratégica na Europa. O governo irlandês focou na criação de empregos e na recuperação do setor bancário, mas sem descuidar da estabilidade fiscal e, por este caminho, conseguiu quitar os empréstimos recebidos.

A maioria dos economistas concorda que o modelo de saúde fiscal, como o defendido pela chanceler alemã, Angela Merkel, nas negociações para tirar a UE da crise, é incontornável para uma meta de crescimento sustentável. Pode-se diferir na dosagem dos ajustes fiscais, mas não quanto ao tratamento. E é importante que os resultados de anos de sacrifício venham às vésperas de importantes eleições no continente e num momento em que crescem a retórica protecionista e o nacional-populismo, reforçados pela decisão do Reino Unido de deixar o bloco por meio do chamado Brexit.

O Reino Unido, que cedeu ao canto da sereia e embarcou numa aventura, jogando fora décadas de integração europeia, amarga prospectos sombrios, sobretudo para a população mais pobre. Segundo a maioria de um grupo de 122 economistas ouvidos pelo “Financial Times”, o aumento da inflação afetará a renda das famílias e a empresas vão adiar decisões de investimento devido às incertezas do processo de divórcio. A expectativa é que o crescimento econômico do país caia nos próximos anos.

Os arquitetos do Brexit, a começar pela premier Theresa May, estão atordoados e demonstram não ter ainda uma noção clara da armadilha em que meteram o país. Enquanto isso, a UE fez seu dever de casa e começa a colher os frutos.

oglobo.globo.com | 14-01-2017

LONDRES - Chineses e alemães estão entre dezenas de investidores que estão considerando a oferta da Ucrânia de transformar o terreno de um dos piores desastres nucleares do mundo em um gigantesco parque solar.

Dos 39 grupos de investidores que pretendem obter autorização da Ucrânia, 13 são internacionais. Eles querem o sinal verde para instalar cerca de 2 gigawatts de painéis solares dentro da zona de exclusão radiativa que rodeia a usina nuclear de Chernobyl, desativada, segundo o ministro de Ecologia e Recursos Naturais, Ostap Semerak.

Esses 2 gigawatts equivalem à capacidade quase completa de dois reatores nucleares modernos, embora a energia atômica, diferentemente da solar, funcione dia e noite.

— Recebemos pedidos de empresas interessadas em alugar terrenos para construir usinas solares — disse Semerak em entrevista por telefone de Kiev. — Não pretendemos lucrar com o uso do terreno, mas com os investimentos.

Três décadas depois de o colapso de Chernobyl ter deslocado mais de 300 mil pessoas, espalhando radiação por grande parte da Ucrânia, da Bielorrússia e da Rússia, as autoridades continuam tentando descobrir o que fazer com o terreno que rodeia a usina e tem o dobro da dimensão de Los Angeles.

Como a radiação permanecerá no solo durante séculos, a área não pode ser utilizada para agricultura nem silvicultura. A possibilidade de a energia solar aproveitar a infraestrutura de rede de Chernobyl surgiu em julho.

MAIS DO QUE SÓ RECUPERAR O TERRENO

Em novembro, as empresas chinesas GCL System Integration Technology e China National Complete Engineering afirmaram que planejam construir um projeto de energia solar de 1 gigawatt no local em várias etapas.

Uma promotora alemã de energia renovável solicitou permissão para instalar 500 megawatts, disse Semerak, que não quis identificar a empresa. Os outros projetos propostos são de usinas de mais ou menos 20 megawatts.

Para a Ucrânia, um dos países mais pobres da Europa, o projeto vai além da simples recuperação do terreno. Assolado pela corrupção e por um conflito cada vez mais tenso com grupos pró-russos no leste, o governo quer fortalecer a economia com novos investimentos e atingir a independência energética fora da órbita da Rússia.

Segundo o plano da Ucrânia, as linhas de transmissão montadas originalmente para transmitir a eletricidade gerada pela usina nuclear de Chernobyl, de 4 gigawatts, serão adaptadas para a energia solar. Atualmente, o governo analisa como a rede atual pode lidar com os desafios de intermitência que a energia renovável apresenta. O Ministério da Ecologia também visa a atingir um equilíbrio entre suas ambições para a energia limpa e o impacto nas contas dos consumidores, disse Semerak.

A radiação que persiste em Chernobyl preocupa o Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD), que avalia se financiará os projetos solares. Empréstimos dependerão da due diligence ambiental, segundo o porta-voz Anton Usov. Os projetos teriam que ser instalados e operados de forma segura e ter viabilidade comercial para receber financiamento, disse ele.

“Para qualquer projeto de mais de 10 megawatts, seria preciso ter alguém no local quase todos os dias”, disse Pietro Radoia, analista de energia solar da Bloomberg New Energy Finance. “Quanto maior for o projeto, mais pequenos problemas cotidianos surgirão para resolver.”

As empresas que pediram autorização para instalar energia solar na zona de exclusão de Chernobylvêm da China, da Alemanha, da Irlanda, da Dinamarca, da Áustria, da Bulgária, de Belarus e da Ucrânia, segundo Semerak.

oglobo.globo.com | 13-01-2017

PARIS — A líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, passou a liderar as pesquisas de opinião para as eleições presidenciais do seu país. Na sondagem mais recente, a candidata da Frente Nacional (FN) ultrapassou o ex-premier conservador François Fillon em 1,5 ponto percentual, com total de 26,5% das intenções de voto. De uma legenda ultranacionalista, Le Pen mantém forte discurso anti-imigração, que ganha força durante a crise de refugiados que atinge a Europa. lepen

No entanto, as pesquisas indicam que Fillon ainda lidera a disputa em um eventual segundo turno em maio contra Le Pen. O conservador, neste cenário, tem 64% das intenções de voto — contra 36% para a candidata da extrema-direita. A pesquisa, cuja margem de erro é de 1,3 ponto percentual, foi realizada entre os dias 3 e 5 de janeiro, com uma amostra de 1.860 eleitores.

Ao “Independent”, o cientista político britânico Anand Menon disse que, embora o resultado seja importante, é necessário não exagerar no seu significado a esta altura da corrida presidencial. A candidatura de Le Pen avança em meio a uma onda populista em Europa e EUA — exponenciada, sobreuto, nos recentes meses, pelas vitórias dos partidários do Brexit, no Reino Unido, e do republicano Donald Trump, nos EUA.

— É importante não nos precipitarmos, mas Le Pen obviamente está em uma posição forte. As primárias da esquerda serão cruciais, porque há pesquisas que agora colocam Emmanuel Macron na frente de ambos, Fillon e Le Pen — disse o cientista ao jornal britânico.

No sábado, o popular ex-ministro da Economia da França, Emmanuel Macron, dará início à sua campanha para a presidência francesa com um evento em Paris. Macron, de 38 anos e no passado protegido pelo presidente François Hollande, enfrentou fortes críticas dos socialistas por decidir se candidatar como independente na eleição de 2017, saindo da estrutura do partido.

Ele recusou firmemente apelos, mais recentemente do ex-premiê Manuel Valls, que busca a candidatura do Partido Socialista, para se juntar à tentativa da esquerda de decidir um único candidato para e eleição.

Macron, ex-banqueiro de investimentos, espera participação de mais de 5 mil pessoas em seu evento no sábado, ofuscando a modesta reunião do fim de semana passado dos Socialistas, onde os grandes nomes do partido lutaram para reenergizar presentes no evento que só contou com 2.500 pessoas.

oglobo.globo.com | 13-01-2017
Uma UE cega e assustada pela diferença não compreende que a Turquia seria, para a própria Europa, um valor acrescentado na política mundial e na economia europeia.
www.publico.pt | 13-01-2017
Documento enviado ao Banco de Portugal surgiu por causa dos investimentos de Isabel dos Santos.
www.publico.pt | 12-01-2017

BERLIM - A economia da Alemanha cresceu 1,9% em 2016, taxa mais forte em cinco anos e uma melhora em relação ao ano anterior, apontou nesta quinta-feira estimativa preliminar da Agência Federal de Estatísticas.

A maior economia da Europa está se beneficiando do aumento do consumo privado e dos gastos estatais com refugiados, compensando uma contribuição mais fraca do comércio em meio à demanda fraca de importantes parceiros comerciais e mercados emergentes.

Economistas consultados pela Reuters esperavam crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,8% para 2016 após expansão de 1,7% no ano anterior.

oglobo.globo.com | 12-01-2017

O Banco Mundial projeta que o Brasil vai voltar a crescer em 2017 e a expansão aumenta nos próximos anos, mas o ritmo ainda ficará abaixo da média da América Latina, dos emergentes e da economia mundial. A estimativa divulgada nesta terça-feira, 10, é de crescimento de 0,5% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro este ano, 1,8% em 2018 e 2,2% em 2019, de acordo com o relatório "Perspectivas Econômicas Globais".

Brasil deve ter o menor crescimento também entre os países da América Latina
Para a economia mundial, a estimativa é de avanço de 2,7% este ano e os emergentes devem crescer 4,2%. Já os países latino-americanos devem ter expansão de 1,2% em 2017, 2,3% em 2018 e 2,6% em 2019.

As projeções do Banco Mundial para o Brasil divulgadas hoje melhoraram em relação ao relatório anterior de previsões da instituição, de junho de 2016. Naquele mês, a expectativa era de contração de 0,2% do PIB brasileiro este ano e de expansão de 0,8% em 2018. A recessão de 2016 também será menor do que o anteriormente estimado (contração de 4%), devendo ficar com queda de 3,4%.

No documento desta terça-feira, o Banco Mundial ressalta que o Brasil passou nos últimos dois anos por uma série de problemas domésticos e um período de incerteza política que provocou forte contração do investimento e do consumo privado, contribuindo para enfraquecer a atividade.

"Desafios domésticos entre as maiores economias da América Latina foram os principais fatores por trás da fraqueza da atividade", ressalta o Banco Mundial ao falar de países como Brasil e Argentina. Fatores externos também seguem influenciando a região, como os preços das commodities e a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, que provocou desvalorização de várias moedas da região.

O relatório ressalta que houve certa melhora da confiança de empresários e consumidores no Brasil após a troca de presidentes e o avanço de algumas reformas e medidas microeconômicas. Um dos desdobramentos positivos recentes vem sendo a queda da inflação. Uma vez que essas reformas sejam completadas, destaca o estudo, a economia do País estará em melhor forma fiscal e com espaço para que o governo faça investimentos para promover o crescimento no médio prazo.

Riscos

O Banco Mundial aponta uma série de riscos para o Brasil e outras economias da América Latina e emergentes. No conjunto, estes riscos "pendem para o lado negativo". O documento cita a incerteza sobre as políticas dos Estados Unidos com Donald Trump e também na Europa, em meio às eleições em alguns países importantes da zona do euro, como a França e Holanda, este ano.

Outro fator de risco é o processo de alta de juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Um aperto monetário mais intenso que o esperado pode ter repercussões nos fluxos de capital e nas moedas da região. O relatório fala ainda da possibilidade de turbulência no mercado financeiro por conta da maior incerteza e dos fatores políticos nos EUA e Europa.

RIO - Em linha com o mercado internacional, o dólar comercial abriu em ligeira queda e chegou a R$ 3,19, dando continuidade ao movimento de ontem e ainda repercutindo a emissão da Petrobras, que trará um grande volume de moeda estrangeira ao país. Após poucos minutos, a divisa praticamente zerou as perdas e passou o operar com estabilidade, a R$ 3,198. No mercado internacional, a divisa tem leve queda, de 0,09%, contra uma cesta de moedas globais, conforme o Dollar Index Spot, da Bloomberg. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu com vigor, subindo mais de 1% nos primeiros dez minutos de pregão, puxada por companhias ligadas a commodities, especialmente a mineradora Vale, que dispara 4%, favorecida pela forte do minério de ferro na China.

MERCADO 1001

Ontem, a moeda americana fechou com depreciação de 0,77%, a R$ 3,198, menor valor desde 8 de novembro, pressionada por um fluxo moderado de investimentos estrangeiros e pelo anúncio de uma emissão de bônus da Petrobras para recompra de US$ 2 bilhões.

No Brasil, os investidores observam a reunião do Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central, que começa hoje e termina amanhã, com anúncio da meta para a taxa Selic, referência para juros no Brasil, que deve sofrer corte de, ao menos, 0,5 ponto percentual - alguns agentes revisaram as expectativas para redução de 0,75 ponto percentual após resultados fracos da atividade econômica. Também amanhã sai o resultado fechado do IPCA.

O BC não anunciou intervenções no mercado de câmbio - a última foi em 13 de dezembro. Mas o Tesouro fará leilão de até 1,65 milhão de NTN-B com vários vencimentos

A ansiedade em relação ao futuro do Reino Unido, em processo de retirada da União Europeia, e às diretrizes da política econômica de Donald Trump dão o tom aos mercados hoje. Os investidores abriram os negócios com apetite por risco, após a queda, ontem, de quase 4% do petróleo — a maior desvalorização diária em seis semanas, puxada pelo anúncio de aumento das reservas do Irã e da produção americana. Hoje, a commodity recupera parte do terreno, com valorização de 0,7%.

Com a alta de 2,19% do minério de ferro no porto de Qingdao, a US$ 77,73, a mineradora Vale tem alta de 4% nas ações On (ordinárias, com direito a voto). Petrobras se recupera após o declínio de ontem e avança 2,3% nas ON e 1,8% nas PN (preferenciais, sem voto).

Na Europa, aos principais índices operam em alta. Em Londres, o FTSE 100, com valorização de 0,38%, chegou à máxima histórica, com a libra esterlina se recuperando, após tombar ao menor patamar desde o plebiscito do Brexit. O DAX, de Frankfurt, ganha 0,15%. Em Paris, o CAC 40 oscila 0,05% no campo positivo.

A expectativa é pelo pronunciamento de Trump, que assume na Presidência dos Estados Unidos no próximo dia 20, após uma campanha eleitoral em que prometeu crescimento econômico e fortalecimento do dólar, com indicações de que adotará uma política econômica inflacionária. Diante do acento, os investidores temem que o Fed eleve mais os juros do que se esperava. “Os mercados estão cada vez mais nervosos em relação à entrevista coletiva que Donald Trump concederá amanhã. Para os mercados de câmbio, será particularmente importante verificar quais são os planos dele para a política de comércio exterior, para as rerlações com a China”, disse Esther Reichelt, estrategista de câmbio do Commerzbank em Frankfurt.

Na Turquia, a lira caiu 1,5% chegou a mínima histórica contra o dólar, enquanto o Parlamento debate emendas constituicionais que dariam ao presidente Recep Tayyip Erdogan amplos poderes e poderiam limitar os equilíbrios de poder. Nesta manhã, a cotação foi a 3,7779 por dólar, contra 3,63 da véspera. Desde o início do ano, a moeda acumula depreciação de 7%.

Na China, o dia foi de realização de lucros, após uma recente alta forte alimentada por expectativas de reformas. Em Xangai, o SSEC perdeu 0,29%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng subiu 0,83%. Em Tóquio, o Nikkei recuou 0,79%.

oglobo.globo.com | 10-01-2017

SÃO PAULO e RIO - As empresas brasileiras abrem esta semana a temporada de captações de recursos no mercado internacional. A Petrobras, maior emissora do país de títulos de dívida no exterior, anunciou ontem a decisão de fazer uma captação, estimada inicialmente em US$ 2 bilhões. Segundo uma fonte a par do processo, a estatal obteve cerca de US$ 4 bilhões com investidores nos Estados Unidos — e a demanda atingiu US$ 20 bilhões. Já a Fibria, gigante do setor de papel e celulose, encerra hoje a apresentação (road show) de emissão a investidores, sua expectativa é levantar ao menos US$ 500 milhões. Braskem, Raízen, Fibria, Cemig e Vale, de acordo com fontes de mercado ouvidas pelo GLOBO, são outras companhias que engrossam a fila e já preparam a documentação para aproveitar o momento de alta liquidez e de juros ainda próximos de zero nas principais economias do mundo. Nas contas dos bancos de investimento, o total de recursos levantados no exterior este ano deve ultrapassar os US$ 25 bilhões.

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No ano passado, segundo dados divulgados ontem pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), essas captações somaram US$ 20,25 bilhões, bem mais que o dobro dos US$ 7,58 bilhões registrados em 2015. Há, portanto, a perspectiva de dois anos seguidos de crescimento das captações externas.

Essas companhias têm em comum o fato de recorrerem com frequência a emissões no exterior e o de desfrutarem de boa avaliação de crédito (rating). A expectativa de recuperação, ainda que lenta, da economia brasileira e a melhora do cenário político também ajudam esse tipo de operação — em 2016, as companhias brasileiras não aproveitaram a tradicional janela do mês de janeiro, e a primeira operação de captação com emissão lá fora, pelo Tesouro Nacional, só ocorreu em março.

CORRIDA PARA EMITIR ANTES DA POSSE DE TRUMP

Dos US$ 4 bilhões levantados pela Petrobras ontem, metade vence em cinco anos e tem taxa de 6,125% — menos que em emissões de títulos semelhantes feitas no ano passado, de 8,625% (maio) e 7,875% (julho). A outra metade da captação tem vencimento em dez anos e uma taxa de 7,375%, contra 9% e 8,75% nas emissões de maio e julho de 2016, respectivamente.

Segundo um analista do mercado, a maior procura reflete as melhoras nos dados da Petrobras e a condução da nova diretoria, com a venda de ativos e a adoção de uma política de preços.

Com essa emissão, a primeira deste ano, a Petrobras vai recomprar US$ 2 bilhões em títulos antigos, com vencimento entre 2019 e 2020. Desta forma, pretende prolongar esse vencimento com novos títulos que vencem em cinco e em dez anos. Segundo o comunicado da estatal, a companhia usará o excedente para refinanciar as dívidas a vencer. Coordenaram a operação os bancos Bradesco BBI, Citi, HSBC, Morgan Stanley e Itaú BBA.

Na avaliação de Leandro Miranda, diretor do Bradesco BBI, há uma convergência entre a intenção das empresas brasileiras, de refinanciar dívidas antigas, e o interesse dos investidores, que precisam recompor as suas carteiras. Nos últimos dois anos, o volume de emissões de bônus por empresas brasileiras ficou abaixo da média, o que fez encolher a participação do país nos fundos de renda fixa de América Latina e naqueles dedicados a mercados emergentes.

Além disso, como são esperados pelo menos três aumentos das taxas de juros nos Estados Unidos, o que elevará o custo dessas operações, as empresas brasileiras correm para antecipar as captações. Por isso, a maior parte deve ocorrer no primeiro trimestre. Segundo alguns especialistas, muitas empresas estão se apressando para fechar as emissões ainda antes da posse de Donald Trump, no próximo dia 20, já que a mudança de governo nos EUA pode ocasionar alguma volatilidade nos mercados. Contudo, o feriado de Martin Luther King, na próxima segunda-feira, pode atrasar os planos de algumas companhias.

— Os emissores vão tentar acelerar as emissões e fazê-las o mais cedo possível. É importante combinar um momento de alta liquidez e ainda sem os efeitos da alta de juros nos Estados Unidos. E o melhor momento deve ser aquele com o ambiente político menos turbulento. Esse primeiro trimestre pode ser muito favorável — diz Miranda, que espera que o volume dessas operações no ano fique entre US$ 25 bilhões e US$ 30 bilhões.

Cristina Schulman, superintendente executiva de mercado de capitais do Santander, avalia que, como mercado de captações estará aberto durante todo o ano de 2017 (no ano passado, fechou em outubro por causa da eleição nos EUA), o volume de emissões por empresas brasileiras lá fora vai, sim, superar os US$ 20 bilhões, mas não deve chegar aos US$ 40 bilhões observados em 2014. O valor exato, diz, vai depender da capacidade de recuperação da economia brasileira, que se refletirá no potencial de financiamento das companhias.

Segundo Cristina, não são só as empresas brasileiras que estão se adiantando nas captações por causa da posse de Trump: companhias da América Latina e dos EUA estão fazendo o mesmo:

— A expectativa é que os juros nos Estados Unidos subam este ano, mas o presidente Trump é sempre fonte de notícias, o que pode trazer certa instabilidade aos mercados.

Entre as empresas que devem ir ao mercado está a Raízen, do setor sucroenergético. Em comunicado, a empresa informou que seu road show junto aos investidores lá fora começou ontem, mas que o montante a ser captado ainda não está definido. Fala-se no mercado, contudo, em algo próximo a US$ 500 milhões.

Outra que está quase pronta para captar lá fora, dizem fontes, é a petroquímica Braskem, que tem como controladores Petrobras e Odebrecht. A empresa iniciou road show na Europa e nos Estados Unidos na última sexta-feira, e a expectativa é que a Braskem levante mais de US$ 500 milhões para alongar suas dívidas. A companhia tem apenas US$ 56 milhões em bônus no exterior vencendo este ano, e mais US$ 38 milhões em 2018.

A petroquímica começou a testar o apetite do mercado após fechar acordos de leniência, em dezembro, junto ao Ministério Público Federal (MPF) brasileiro e às autoridades nos Estados Unidos, pelos quais comprometeu-se a pagar multas de R$ 3,1 bilhões (US$ 957 milhões) por causa de propinas. Procurada, a empresa não comentou o assunto.

MERCADO ‘CAUTELOSAMENTE OTIMISTA’

O Tesouro Nacional, o BNDES e a Rumo Logística também estudam buscar recursos com novas emissões no exterior, mas ainda não bateram o martelo, segundo fontes. Procurada, a Rumo afirmou que “estuda constantemente alternativas de financiamento para o seu plano de investimentos”.

Outro fator que contribui para essas operações, neste momento, é o fato de que o prêmio de risco do país, medido pelos credit default swaps (CDS), recuou e está em torno de 260 pontos, nível registrado antes da eleição americana.

— O apetite por papéis de empresas brasileiras está em alta neste início de ano, diferentemente de 2016, quando a crise política trouxe uma onda de incertezas — afirma Adeodato Volpi Netto, estrategista da Eleven Financial. — Também existe a percepção de que a taxa de juros (Selic) vai cair em um ritmo mais forte, o que melhora o ambiente de negócios. E o real mais valorizado contribui para mitigar o risco de default de uma empresa.

Para Jorge Simão, diretor de distribuição do banco de investimento Haitong, a janela de emissões existe porque o ano começou com uma percepção melhor sobre o Brasil:

— As incertezas continuam, mas, para empresas com bom nível de crédito e operação no mercado internacional, o mercado está aberto.

Apesar da expectativa do segundo ano de aumento no volume de captações externas, Sérgio Goldstein, presidente do Comitê de Finanças Corporativas da Anbima, vê um “otimismo moderado”:

— O mercado está cautelosamente otimista com a volta da confiança dos empresários e, portanto, do investimento. As principais variáveis para esse movimento são a subida dos juros nos EUA, as medidas do governo Trump e as do governo Temer. O andamento das reformas vai ajudar a criar um ambiente de negócios melhor.

oglobo.globo.com | 10-01-2017
Depois de receber palmas, ao referir que é o primeiro chefe de Governo de origem indiana de um Estado-membro da União Europeia, António Costa falou principalmente sobre Portugal.
www.publico.pt | 08-01-2017

SÃO PAULO - Os chineses devem dar dor de cabeça este ano ao governo brasileiro. Desde 11 de dezembro, a China tem o direito de ser reconhecida pelos membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) como economia de mercado. Mas empresas brasileiras de diferentes setores ainda se consideram prejudicadas pelos preços baixos dos produtos chineses e pressionam o governo do presidente Michel Temer a não conceder tal condição ao país asiático.

Os especialistas em relações internacionais, contudo, avaliam que o governo chinês deverá exigir do Brasil esse reconhecimento — seja por seu poder de investimentos ou pelo fato de ser o maior parceiro comercial do país.

SEM REGRAS TRABALHISTAS

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) é contra o reconhecimento imediato da China, alegando que subsídios mantêm os preços dos produtos chineses ainda artificialmente baixos (dumping).

China-OMC-07-01— Entramos numa zona cinzenta. O país não pode ser considerado uma economia de mercado, já que há forte ingerência do Estado na produção, tem câmbio controlado e as relações de trabalho não seguem as regras da Organização Internacional do Trabalho (OIT) — defende Carlos Eduardo Abijaoadi, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI.

Entre as 156 medidas antidumping atualmente em vigor no Brasil, a China é alvo de 52, um terço do total. Em seguida, vêm os EUA, com 14, e a Coreia do Sul, com dez.

— A China é o maior produtor mundial de calçados e, certamente, ainda não pode ser considerada uma economia de mercado. Pedimos na OMC a revisão de nossa medida antidumping, em março de 2016, e ela foi mantida até 2021. Isso mostra que a prática de dumping continua existindo — diz Heitor Klein, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), lembrando que, depois de seis meses da entrada em vigor da medida antidumping contra os chineses, em 2010, o setor calçadista reabriu 44 mil vagas de trabalho que haviam sido fechadas por causa da concorrência desleal.

O setor têxtil tem três medidas antidumping contra os produtos chineses em vigor. Fernando Pimentel, diretor da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção (Abit), observa que as empresas estatais ainda têm peso grande na economia e o governo dita a política de preços. Ele conta que, no caso do algodão, a China tem o maior estoque do planeta:

— O governo usa esse estoque e joga o preço do produto lá embaixo quando há interesse. É uma decisão de política interna. Como a China produz de tudo no setor têxtil, pode nos prejudicar em todos os elos da cadeia.

A China entrou na OMC em 2001, aceitando posição de desvantagem em julgamentos sobre prática de dumping. Em 11 de dezembro, expirou o prazo para o país adaptar-se às regras de concorrência, adquirindo o direito ao reconhecimento como economia de mercado.

CALÇADO, AÇO E TÊXTIL SOFREM

Para os especialistas, o fato de, já em 12 de dezembro, a China ter apresentado queixa na OMC contra os EUA e a União Europeia, exigindo o reconhecimento, mostra que o país vai pressionar os principais atores do comércio mundial a aceitá-lo como um de seus pares.

— O governo brasileiro não terá como não reconhecer, já que a China é o nosso maior parceiro comercial. Brasília pode esperar o posicionamento de outras nações, mas vai ter que fazer o reconhecimento — diz Larissa Wachholz, sócia diretora da Vallya, consultoria especializada em China.

O comércio entre Brasil e China expandiu-se 540% nos últimos dez anos, de US$ 12 bilhões em 2005 para US$ 78 bilhões em 2014. Para Wachholz, a China não está 100% adaptada e, por um bom tempo, produtos chineses como calçados, aço e têxteis terão vantagem competitiva.

Em 2004, por decisão política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil reconheceu a China como economia de mercado — a medida não teve, porém, a chancela da Câmara de Comércio Exterior (Camex) e não foi validada.

— Foi uma decisão diplomática errada. O governo Lula esperava um fluxo bilionário de investimento direto da China no Brasil, naquela época, que acabou não acontecendo — diz José Luiz Niemeyer, especialista do Ibmec/RJ.

oglobo.globo.com | 08-01-2017

O ex-presidente de Portugal, Mário Soares, morreu neste sábado, aos 92 anos. Ele foi uma figura fundamental na transição de Portugal da ditadura para a democracia, e como primeiro-ministro, levou seu país da crise para a União Europeia. A sua morte foi anunciada pela agência estatal de notícias Lusa.

Desde o dia 13 de Dezembro de 2016, Soares esteve em tratamento intensivo no Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, em Lisboa. Um sobrinho do ex-presidente, Eduardo Barroso, disse que Soares foi hospitalizado em 2013 com encefalite aguda, uma inflamação do cérebro, e que a sua saúde havia se deteriorado ainda mais desde a morte de sua esposa, em julho de 2015.

Soares, socialista, era admirado por sua tenacidade e otimismo exuberante. Como primeiro-ministro, ele apostou sua carreira na conquista da adesão de Portugal à UE, considerando-a um caminho para fortalecer a jovem democracia do país, modernizar sua economia e acabar com o isolamento internacional.

Muitos portugueses eram céticos, mas Soares persistiu. "Portugal será um país diferente e certamente muito melhor para todos os portugueses", declarou em 1985, depois de ter concluído oito anos de negociações para aderir ao bloco, então conhecido como Comunidade Econômica Europeia.

A adesão plena e o acesso ao mercado comum do bloco, iniciado em 1986, traduziram-se numa melhoria significativa dos padrões de vida portugueses. O comércio e o investimento estrangeiro expandiram-se, e Portugal abraçou a moeda do euro. Hoje, o país está ligeiramente abaixo da média europeia em termos de rendimento per capita, mas a diferença com os seus pares mais ricos diminuiu.

Filho de um político muitas vezes preso por se opor à ditadura de direita, Soares tornou-se politicamente engajado na Universidade de Lisboa, sendo graduado em filosofia e direito nos anos 50.

Sua própria atividade de oposição o colocou na prisão 12 vezes. Durante um destes períodos na prisão, ele se casou com Maria Barroso, uma atriz que conheceu na universidade. Em 1970, foi forçado a pedir exílio na França. Três anos mais tarde, ele, sua esposa e um grupo de amigos se encontraram na Alemanha para fundar o Partido Socialista de Portugal. Ele foi nomeado secretário-geral.

Em 25 de abril de 1974, uma revolta militar conhecida como Revolução dos Cravos terminou com 48 anos de ditadura e 13 anos de guerra contra os movimentos de independência nas colônias africanas de Portugal. Três dias depois, Soares voltou a Lisboa em comboio e foi recebido por milhares de simpatizantes, com a esperança de que pudesse ajudar a trazer democracia e prosperidade para o que era então um canto fechado da Europa.

Ele foi nomeado ministro das Relações Exteriores no governo recém-instalado, controlado por militares, que estava comprometido com o estabelecimento de um regime democrático. Ele supervisionou a concessão de independência a Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

Ele renunciou e entrou em oposição em 1975, depois que uma facção pró-soviética comunista ganhou influência no governo. Eventualmente, uma facção militar moderada apoiada por Soares prevaleceu, bloqueou uma tentativa de golpe apoiada pelo Partido Comunista e convocou eleições em 1976.

Soares venceu, tornando-se o primeiro chefe de governo constitucionalmente eleito de Portugal depois da revolução. Ele liderou dois governos até 1979 e um terceiro de 1983 a 1985.

Ele assumiu uma economia paralisada por guerras dispendiosas na África, a turbulência política interna e a repentina chegada de pelo menos 500.000 refugiados portugueses de antigas colônias a um país mal preparado para alojá-los e empregá-los.

Por duas vezes ele buscou ajuda do Fundo Monetário Internacional para administrar as dívidas, enquanto lutava para construir um estado de bem-estar moderno. Ele abriu o país para a Coca-Cola e outros bens de consumo estrangeiros proibidos sob a ditadura.

Mas sua aceitação das prescrições de austeridade do FMI - aumentos de impostos e cortes salariais acentuados, e principalmente o cancelamento de um bônus de Natal para funcionários públicos, em 1983 - o desgastaram politicamente.

A coligação governamental de Soares desmoronou logo após o parlamento ratificar o tratado para entrar na Comunidade Econômica Europeia, mas sua imagem de estadista respeitado permaneceu. Ele foi eleito presidente, um cargo em grande parte cerimonial, em 1986, e cumpriu dois mandatos de cinco anos.

Ele permaneceu politicamente engajado depois de deixar o cargo e escreveu colunas frequentes para um jornal português, o Diário de Notícias, até 2015.

Depois que a Europa mergulhou em recessão em 2008, ele levantou sua voz contra as políticas de austeridade lideradas pela Alemanha impostas às economias mais fracas da zona do euro - políticas semelhantes às que o FMI havia exigido nos anos 80. Em 2011, Portugal foi obrigado a cortar gastos públicos em troca de um resgate de 78 bilhões de euros pelo FMI e pela UE.

"Eu não acho que o Estado de bem-estar que os portugueses demoraram tanto para construir deveria ser destruído, como se nós fôssemos um simples servo da troika", disse Soares em um discurso de 2012, referindo-se aos credores internacionais do país . Fonte: Dow Jones Newswires.

LISBOA — Talvez a principal maneira de se conhecer não só o legado de uma pessoa, mas também sua personalidade e caráter, seja apreender o que se disse dela, no que foi mais marcante e quais as palavras mais usadas para defini-la. No caso do português Mário Soares, impressiona a quantidade de vezes em que o citam como um dos principais defensores da democracia em Portugal. Um líder humanista que não hesitou na hora de se tornar um dos maiores combatentes, sem armas, contra a ditadura salazarista. Vigor que permaneceu durante toda a trajetória política, que o levou a ser eleito três vezes como primeiro-ministro e duas como presidente. Vitalidade com a qual, mesmo em idade avançada, quase meio século após triunfar sobre o regime militar, combateu as políticas de austeridade que ameaçavam ruir com o projeto europeu pelo qual lutou. Soares morreu neste sábado, aos 92 anos, no hospital da Cruz Vermelha de Lisboa, onde estava internado desde o dia 13 de dezembro.

mario soares

O funeral está previsto para durar três dias. Nos dois primeiros, o corpo será exposto no Mosteiro dos Jerónimos, o Panteão Nacional, para onde será levado após sair de sua casa, com uma parada na Câmara Municipal de Lisboa. Como Soares era laico, não será velado em nenhuma capela, nem haverá missa de corpo presente.

No terceiro dia, será realizada uma cerimônia no próprio mosteiro com a presença da família, do presidente da República, do primeiro-ministro e do presidente da Assembleia. De lá, o cortejo segue para o Cemitério dos Prazeres, passando pelo Palácio de Belém, pela Fundação Mário Soares, pela Assembleia da República e pelo Largo do Rato, onde se encontra a sede do Partido Socialista.

Muitos dos que conviveram com Soares ressaltam a coragem e visão do líder português, um dos maiores defensores das políticas de bem-estar social, carinhosamente chamado pelos compatriotas de “Bochecha”. Como em 2014, na ocasião em que ele completou 90 anos e o jornal português “Público” apresentou 15 depoimentos sobre o primeiro premier eleito democraticamente no país após a Revolução dos Cravos, em 1974, e o primeiro presidente civil da então jovem democracia lusitana. Soares foi consenso tanto entre os simpatizantes, quando entre opositores.

— Um democrata indomável. A democracia é sua grande bandeira — afirmou Artur Santos Silva, amigo e presidente da Fundação Calouste Gulbenkian. — Em relação às convicções do que deve ser a democracia, ninguém consegue domá-lo, condicioná-lo. A vida de Mário Soares, em imagens

Soares completou 92 anos recentemente, em 7 de dezembro. Nascido em Lisboa, em 1924, casou-se jovem, aos 25 anos, em 1949, com Maria Barroso, mulher da vida toda. Formou-se primeiro em Ciências Histórico-Filosóficas, em 1951, e, depois, em Direito, em 1957 — exerceu as duas profissões, professor e advogado. Ainda estudante universitário, fez resistência ativa contra a ditadura portuguesa. Foi defensor de presos políticos e tornou-se um deles, sendo detido por 12 vezes, num total somado de quase três anos na cadeia. Sem julgamento, foi deportado para a Ilha de São Tomé, em 1968. E, em 1970, conseguiu permissão para se exilar na França.

Lutando o bom combate, em 1973, num congresso realizado em BadMünstereifel, na Alemanha, a Ação Socialista Portuguesa, que Soares fundou em 1964, transformou-se em Partido Socialista (PS), do qual foi eleito secretário-geral e sucessivamente reeleito no cargo ao longo de quase 13 anos.

— A palavra que define Mário Soares é coragem. Como no tempo da ditadura, que o levou à prisão e a ser deportado. Ou quando se apercebeu que o PS não podia ser o companheiro de rota do PCP (Partido Comunista Português) e teve coragem de liderar uma retomada do sentido democrático da revolução — enfatizou, ao “Público”, o jornalista Francisco Pinto Balsemão, um dos fundadores do Partido Social Democrata português, de oposição ao PS.

‘Liberdade, Europa e democracia’

Três dias após a Revolução dos Cravos, Mário Soares retornou do exílio na França, em 28 de abril de 74, chegando a Lisboa no chamado “comboio da liberdade” (comboio é como os trens são chamados em Portugal). Participou dos quatro primeiros governos provisórios e levou o PS à vitória na Assembleia Constituinte, em 1975.

— O Partido Socialista está junto do povo para assegurar o prosseguimento de uma política de esquerda, uma política progressista que conduza à construção de uma verdadeira sociedade socialista, e não de um capitalismo de Estado servido por um exército de burocratas e polícias, que denotam um imenso apetite de poder e de dinheiro — discursou, em julho de 75, num comício em Lisboa.

Soares oi nomeado premier do primeiro e segundo governos constitucionais (1976-77 e 78). Entre 1983 e 85, foi eleito novamente primeiro-ministro. Em 1986, tornou-se o primeiro presidente civil da redemocratização. Foi reeleito em 1991, no primeiro turno. Tornou-se um dos maiores defensores da integração europeia, elegendo-se eurodeputado para o mandato 1999-2004. Opôs-se às medidas de austeridade impostas pelo então governo de centro-direita português para equilibrar a economia do país, que recebeu recursos internacionais entre 2011 e 2014.

— É preciso acabar com essas aventuras do neoliberalismo, com essas roubalheiras. Quem efetivamente manda hoje são os mercados, não os Estados — criticou Soares em entrevista ao GLOBO, em 2011.

Após a morte da mulher, em julho de 2015, foi se retirando da vida pública. Visivelmente debilitado, foi homenageado em julho passado pelo atual governo socialista. Sua última aparição pública ocorreu em setembro, durante uma homenagem à sua falecida Maria Barroso.

— Soares se agarrou a três ou quatro ideias, fortíssimas, que são a liberdade, a Europa, a democracia. O melhor tripé de um grande projeto político — concluiu, no depoimento ao diário “Público”, a jornalista Maria João Avillez.

oglobo.globo.com | 07-01-2017

O índice de sentimento econômico da zona do euro avançou de 106,6 em novembro para 107,8 em dezembro, o maior nível desde março de 2011, informou a Comissão Europeia nesta sexta-feira. Analistas ouvidos pelo Wall Street Journal previam alta para 106,9.

O índice de confiança do consumidor subiu de -6,2 em novembro, para -5,1 em dezembro, como o previsto pelos economistas, mas manteve-se em território negativo. O índice de confiança do setor industrial aumentou de -1,1 em novembro, para +0,1, acima da expectativa de -0,3.

Enquanto isso, a confiança do setor de serviços melhorou de +12,2 em novembro para +12,9 em dezembro. Já o índice de ambiente para negócios teve alta de +0,41 em novembro, para 0,79 no mês passado.

A recuperação do sentimento contribui para outros sinais de que a economia da zona do euro ganhou algum ímpeto no último trimestre do ano passado. No entanto, economistas e legisladores preocupam-se com a crescente incerteza sobre o resultado de uma série de eleições nos Países Baixos, na França e na Alemanha, que poderiam levar as empresas e as famílias a reterem as despesas, enfraquecendo assim uma recuperação já modesta.

RIO - Com o retorno dos estrangeiros ao mercado brasileiro e a depreciação do dólar no mercado internacional, a moeda abriu em queda e é vendida a R$ 3,207, com desvalorização de 0,47%, em linha com o mercado global. O “dollar index”, calculado pela Bloomberg e que mostra a variação do dólar frente a uma cesta de dez moedas, tem recuo de 0,26%.

Ontem, no Brasil, a moeda americana seguiu o mercado externo e operou em queda durante todo o dia, fechando com depreciação de 1,34% ante o real, a R$ 3,219, a menor cotação desde 9 de novembro. Na véspera, havia recuado 0,67%. A queda de juros Tesouro americano e as incertezas externas, como a chegada de Trump à Casa Branca e as eleições na Alemanha e na França levam investidores a enviar recursos para mercados emergentes, como o Brasil, diz Alison Correia, analista da XP Investimentos.

MERCADOS DE AÇÕES

Na Europa, os índices abriram em queda, com investidores cautelosos após o Federal Reserve (Fed, banco central americano) expressar dúvidas sobre o programa do presidente eleito Donald Trump. Mas atenuaram as perdas ao longo dos pregões. Em Londres, o FTSE 100 perde 0,05%; em Frankfurt, o Dax recua 0,09%; em Paris, o CAC 40 oscila 0,03% no campo negativo.

Os principais índices acionários da China tiveram pouca variação nesta quinta-feira, depois de três sessões altas, com a atenção dos investidores sendo desviada para uma recuperação forte do iuan no mercado externo. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 0,01%, enquanto o índice de Xangai teve alta de 0,21%.

oglobo.globo.com | 05-01-2017

BRASÍLIA - O número de turistas estrangeiros no Brasil bateu recorde em 2016, ano da Olimpíada e da Paralimpíada. Depois de uma queda em 2015, o ano depois da Copa, o total de visitantes subiu 4,8% no ano passado e chegou a 6,6 milhões, de acordo com o Ministério do Turismo. Com isso, foram injetados US$ 6,2 bilhões na economia, um valor 6,2% maior do que os US$ 5,8 bilhões de 2015.

TURISMO 0401

O país que mais mandou pessoas para visitar o Brasil no ano passado foi a Argentina (2,1 milhões), seguido pelos Estados Unidos (580 mil). Completam a lista Chile, Paraguai, Uruguai, França, Alemanha, Itália, Inglaterra, Portugal e Espanha.

O ministro do Turismo, Marx Beltrão, disse ao GLOBO que espera que o ápice do crescimento do número de visitantes por conta dos eventos ainda esteja para ocorrer neste ano e nos próximos, principalmente se acompanhado de novos investimentos do governo. Segundo ele, na Inglaterra, onde ocorreram as Olimpíadas de 2012, o crescimento do turismo registrado naquele ano foi de apenas 0,92%. Contudo, nos anos seguintes, o crescimento subiu para a média de 5% ao ano.

— Os jogos ajudam a mostrar o país ao mundo, e cabe a nós tirar proveito disso depois. Alguns falam que o ápice foi durante a Olimpíada. Para mim, o ápice é daqui para frente. Se o turismo tiver investimentos, toda a economia do Brasil ganha.

AGENDA DE REFORMAS

Para isso, o ministro tem uma agenda de reformas polêmicas para o setor, que envolve a liberação de até 100% do capital estrangeiro nas companhias aéreas nacionais e o fim da exigência de vistos para americanos e chineses, além de desonerações tributárias.

— O brasileiro não reclama do visto, mas o americano não quer ir para a fila ou para o consulado antes de viajar. Se não precisa de carimbo (no país) do lado, para que ele virá para as praias do Nordeste? Se na Argentina tem turismo cultural (sem visto), para que vir para São Paulo?

O ministro não soube afirmar quando o governo enviará novamente ao Congresso proposta para elevar a participação de estrangeiros nas aéreas nacionais em 100%. Mas disse que essa ação aumentaria a competitividade do setor, elevando o número de turistas e reduzindo os preços das passagens.

— Se abrimos o capital estrangeiro para 100%, outras companhias aéreas virão e aumentarão a competitividade e o número de pessoas viajando, porque as empresas que chegam têm necessidade de vender passagens. Há aeroportos para isso e há muitas melhorias nos regionais no orçamento para 2017 - disse Beltrão

Segundo Beltrão, sua pauta de redução de burocracias (exigência de vistos), aumento de competitividade (com aéreas estrangeiras) e aumento de empregos com mais isenções tributárias está em linha com a orientação de Michel Temer. Sobre isenções, ele argumentou que a compra de uma montanha-russa por um parque temático no Brasil pode ter preço 120% maior do que nos EUA, por causa dos impostos.

— Se um parque quer botar brinquedos novos aqui, ele pensa dez vezes, porque sai muito caro. Não só os atuais parques podem crescer com menos imposto, como poderemos ter novos. Os grandes parques, como Disney e Bush Gardens, já foram para Europa e para a Ásia e por que não podem vir para a América do Sul?

De acordo com o ministério, daqueles turistas que visitaram o Brasil em 2016, 30% são influenciados por alguém que conhecem, como um parente ou amigo, embora quatro em cada dez tenham a internet como principal fonte de informações.

Questionado sobre o impacto do câmbio para o aumento do número de turistas ao Brasil no ano passado, Beltrão disse ser difícil afirmar que a evolução do dólar em 2015 tenha estimulado a chegada de turistas, mas reconheceu que, mantido em um patamar elevado, é possível que o câmbio ajude a trazer mais estrangeiros.

oglobo.globo.com | 04-01-2017

WASHINGTON - Roberto Lighthizer, nomeado ontem como representante do Comércio Exterior para o governo de Donald Trump, terá o desafio de renegociar as relações dos EUA com seus dois maiores parceiros comerciais, México e China, países que sofrem duras críticas do futuro presidente. No fogo cruzado, dizem especialistas, o Brasil pode aproveitar: Lightizer é um defensor do chamado “fair trade” — o comércio justo ambiental e socialmente —, e empresas brasileiras podem vir a ganhar espaço se conseguirem priorizar produtos sustentáveis, embora ainda exista muitas dúvidas sobre sua forma de atuar.

“Ele (Lighthizer) tem vasta experiência em fazer acordos que protegem alguns dos setores mais importantes da nossa economia e tem lutado repetidamente no setor privado para evitar negócios ruins que prejudicam os americanos”, declarou Trump em comunicado.

Experiente, Lighthizer será o responsável pelas negociações de acordos e tratados comerciais e ações em organismos multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC). A política externa dos EUA, contudo, deverá ficar muito mais submetida à Casa Branca - analistas acreditam que Trump deverá seguir de perto a área, uma das armas de sua eleição, quando prometeu uma postura mais protecionista da maior economia do mundo já a partir de sua posse, no dia 20.

Lighthizer ocupou o cargo de vice-representante de Comércio Exterior dos EUA, com status de embaixador, durante o governo do republicano Ronald Reagan na década de 1980. Desde então, ele tem representado clientes americanos em casos antidumping e buscado abrir acesso a mercados estrangeiros, diz a biografia no site da firma de advogados Skadden Arps, da qual é sócio.

Com seu nome associado à defesa das empresas americanas, se espera de Lighthizer uma atuação agressiva na OMC e na renegociação do Nafta, o Acordo de Livre Comércio da América do Norte, entre EUA, México e Canadá. Se espera que ele tente uma maior aproximação do Reino Unido, que neste ano terá de iniciar seu desembarque da União Europeia. Especialistas afirmam que é momento de cautela:

— Ainda é cedo para entender as prioridades do novo USTR do governo Trump e o impacto nas relações com o Brasil — afirma Antonio Josino Meirelles, diretor-executivo do Brazil Industries Coalition. — Sabe-se que ele está alinhado com o novo Secretário de Comércio Wilbur Ross que neste governo deve ter um papel mais influente do que no anterior no desenho das políticas comerciais dos EUA e que possui tendências mais protecionistas.

Outros especialistas acreditam que o Brasil também pode se beneficiar desta mudança:

— Ele é um defensor do “fair trade”e o Brasil pode se posicionar neste sentido. Temos menos problemas ambientais e trabalhistas que muitas das nações que negociam com os EUA — afirmou uma fonte diretamente ligada na negociação entre Brasil e EUA e que pediu para não ser identificada antes da posse efetiva do novo representante.

O Brasil também não deve estar nas primeiras preocupações do novo representante pelo fato dos EUA ter superávits comerciais na relação bilateral.

Trump ainda precisa escolher mais quatro cargos do primeiro escalão, sendo dois voltados à economia: os secretários de Agricultura e de Assuntos de Veteranos, o diretor nacional de inteligência e o chefe do conselho de assessores econômicos.

No entanto, para Lori Wallach, diretora da organização progressista Public Citizen's Global Trade Watch, Lighthizer tem histórico de críticas a várias posições defendidas pelos futuros colegas de governo: “O que o diferencia entre os principais especialistas republicanos em comércio é que, durante décadas, seus pontos de vista foram moldados pelos resultados pragmáticos de acordos e políticas comerciais, sem qualquer ideologia", disse, por meio de nota.

oglobo.globo.com | 03-01-2017

RIO — Ken Loach dedicou a vida inteira a fazer filmes de cunho social, expondo as fraturas da sociedade britânica e defendendo fracos e oprimidos — sem nunca deixar-se abalar por revezes nas conquistas comunitárias. E é com o mesmo empenho do início da carreira, mais de cinco décadas atrás, que o cineasta lança nesta quinta-feira “Eu, Daniel Blake”, poderosa denúncia sobre a falência do sistema previdenciário do Reino Unido (uma das vítimas do ventos neoliberais que assolam a Europa), que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, depois de vencer a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em maio.

Aos 80 anos, completados em junho, o cineasta demonstra certa fadiga física, mas não intelectual:

— A pior parte da velhice é a filmagem. Acordar às 6h e trabalhar por 14 e até 16 horas todos os dias, por dois meses seguidos, é uma rotina pesada. Sobrevivendo a isso, o resto é fácil — sorri o veterano realizador, autor de mais 50 títulos, entre longas de ficção, documentários, telefilmes e séries de TV. — Fora isso, não há como me sentir frustrado. É o curso do monopólio capitalista. Não há surpresas. O que está acontecendo hoje no Reino Unido é o resultado lógico da chegada ao poder da (ex-primeira-ministra) Margaret Thatcher, em 1979, que liderou a campanha neoliberal na Europa.

Após “A parte dos anjos” (2012), comédia inspirada na falta de perspectiva da juventude britânica, e o histórico “Jimmy’s Hall” (2014), que resgata a figura de um militante político dos anos 1930, Loach está de volta ao terreno do realismo social contemporâneo, que o consagrou como o mais ativista dos diretores britânicos. “Eu, Daniel Blake” descreve o drama de um marceneiro de 59 anos de Newcastle que, após sofrer um ataque cardíaco, enfrenta a burocracia do sistema previdenciário, que teve vários departamentos privatizados, para receber a pensão por invalidez.

COMEDIANTE COMO PROTAGONISTA

O personagem-título é vivido por Dave Johns, comediante de stand up que faz sua estreia no cinema em atuação que tem comovido plateias do mundo inteiro.

— A decisão por um comediante não foi intencional. Gosto de comediantes, em geral, porque eles costumam ter raízes profundas na classe trabalhadora. Muitos deles vêm do exercício de uma resistência política — explica Loach. — David é um sujeito muito engraçado, mas também é da cidade onde filmamos, estava na idade certa, o pai dele era carpinteiro, então ele conhecia o contexto social do personagem. Tudo estava interligado.

Acuado por formulários e exigências contraditórias para conseguir o benefício a que tem direito, o recém-viúvo Blake (Johns) se vê ameaçado de morar na rua. Entre muitas idas e vindas ao Departamento de Trabalho e Pensões, ele conhece a jovem Katie (Hayley Squires), mãe solteira despejada com os dois filhos de um conjugado em Londres, e despachada pelo Serviço Social para uma cidade a centenas de quilômetros da capital. Eles se ajudam como podem, mas esbarram nas engrenagens de organizações que acabam punindo os menos favorecidos.

— Os burocratas são ineficientes, mas é uma ineficiência cujo objetivo é humilhar as pessoas, mostrá-las que a pobreza é culpa delas — lamenta. — Há ainda a propaganda negativa na imprensa, nas TVs. Temos programas de televisão que fazem piadas sobre pessoas gordas, ou que têm muitos filhos. São tão comuns que já há um termo para eles, “poverty porn”. Ao culpar as pessoas, essas organizações tiram a responsabilidade dos verdadeiros culpados, que são as corporações que precisam de trabalho barato. É a agenda liberal de austeridade, guiando as pessoas à frustração.

O filme chega às salas 50 anos após “Cathy come home”, telepeça que Loach dirigiu para uma série da BBC. Nela, uma mulher entra em choque com as rígidas regras do Serviço Social, criadas sob a desculpa de evitar fraudes no sistema previdenciário, e acaba perdendo a casa, o marido e, finalmente, a custódia dos filhos. O paulatino desmantelamento das conquistas sociais britânicas já havia sido esmiuçado pelo diretor no documentário “O espírito de 45” (2013), sobre o projeto de reconstrução do país após a Segunda Guerra Mundial, quando a Inglaterra criou políticas públicas para os sistemas de transporte, habitação, educação e saúde.

Loach vê com extrema preocupação a saída do Reino Unido da União Europeia, decidida por um referendo popular em junho de 2016. É, segundo ele, mais uma vitória da ascensão do pensamento de direita que contamina o mundo, alimentado por sucessivas crises econômicas, e que tem na eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos, com o apoio das classes trabalhadoras, sua simbologia máxima.

— Foi assim que Hitler chegou ao poder. As pessoas estão direcionando sua raiva para os lugares errados. Antes, eram os judeus; hoje são os muçulmanos. É muito perigoso — alerta. — A União Europeia é um projeto neoliberal, que estimula a privatização. Muitas pessoas dizem que devemos sair, que precisamos mudar. Meu temor é que, se sairmos de verdade, tenhamos mais governos de extrema-direita, cada um querendo atrair mais investimentos para si e cortando leis trabalhistas e ambientais. Será uma corrida para o fundo do poço.

oglobo.globo.com | 02-01-2017

RIO - Incerteza, imprevisibilidade, instabilidade e insegurança. Essas são algumas das palavras mais usadas para descrever o cenário para a economia mundial em 2017. Embora o consenso entre os analistas aponte para um ano de crescimento global mais elevado, o xadrez político preocupa e pode representar uma ameaça a esse avanço. As atenções de todos estão voltadas sobretudo aos EUA, com a posse de Donald Trump. Além das fronteiras americanas o ano também será marcado por eventos importantes: na Europa, França e Alemanha podem ver o avanço da extrema-direita nas eleições; na China, ocorrerá o 19º Congresso do Partido Comunista (PCC), que ocorre a cada cinco anos e decide os próximos líderes do país.

— As relações internacionais serão mais tensas em 2017 e isso tem consequências para a economia. Temos que nos preparar para um mundo mais perigoso e instável — afirma o professor do Instituto de Economia da UFRJ Luiz Carlos Prado.

Economia 2017 As projeções para a economia mundial são de crescimento um pouco maior que em 2016, mas em ritmo ainda lento. As estimativas compiladas pela Bloomberg indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) mundial avançará 3,2% em 2017, contra 2,9% em 2016. O Instituto para Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês) prevê alta de 2,9%, já levando em conta que os estímulos fiscais prometidos por Trump impulsionem o PIB dos EUA, embora tornem menos favoráveis as expectativas para os emergentes. A agência de classificação de risco Moody’s também prevê expansão maior, mas alerta para o “crescente sentimento protecionista”.

TODOS OS OLHOS SOBRE TRUMP

Aos poucos, Trump escolhe sua equipe, mas há dúvidas. O que parece menos turvo é que seu governo reduzirá impostos e aumentará gastos, favorecendo o crescimento. Mas analistas apontam que o estímulo fiscal tende a pressionar os preços e a tensionar a atuação do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

A sinalização veio antes mesmo da posse. No dia 14 de dezembro, o Fed elevou os juros em 0,25 ponto percentual. As projeções são de outras três altas nesta magnitude em 2017, um ciclo mais longo do que o previsto em setembro e que terá efeito sobre os países emergentes, com possível fuga de investidores para os EUA.

Outro foco de preocupação é a política comercial. Durante a campanha, Trump ameaçou elevar tarifas para a importação de produtos mexicanos e chineses e se mostrou contrário a acordos de comércio, que podem ser renegociados.

— O governo Trump tem efeitos que se espalham por toda a economia mundial — diz Charles Collyns, diretor e economista-chefe do IIF.

ECONOMIA GLOBAL

Otto Nogami, professor do Insper, acrescenta o efeito Trump sobre as commodities. Embora sua promessa de investir US$ 1 trilhão em infraestrutura esteja puxando para cima o preço de insumos metálicos, a retórica agressiva do presidente eleito em relação à China pode abalar as cotações — ele já ofendeu Pequim ao telefonar para a presidente de Taiwan, país com o qual os EUA não têm relações diplomáticas.

— O grande comprador de commodities no mundo é a China. À medida que começam a surgir rusgas, isso pode desacelerar o crescimento chinês e, por consequência, arrefecer a alta das commodities. Se isso acontecer, será negativo também para os países da América Latina — afirmou Nogami. — Se houver reaproximação entre Rússia e EUA, a relação bilateral com a China deixa de ser prioridade. Isso pode esvair inclusive o sonho chinês de transformar o Brics (grupo de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em potência.

O emergente mais vulnerável aos EUA de Trump é o México, que poderá sofrer pressão sobre as contas externas e um ajuste mais intenso. Na avaliação de Marcelo Carvalho, economista-chefe do banco BNP Paribas para América Latina, o outro polo latino — Brasil, Chile, Peru, Colômbia e Argentina — é mais ligado à economia chinesa por causa das commodities:

— Nosso cenário é de uma China desacelerando, mas ainda com um crescimento robusto de 6,5%, o que dá suporte ao preço das commodities, embora longe dos tempos áureos.

Para Charles Collyns, do IIF, a China tem feito uma transição lenta para um novo modelo de crescimento — menos investimento e mais consumo — porque quer evitar volatilidade. Com isso, mantém estímulo fiscal, forte crescimento do crédito e evita a rápida depreciação da moeda:

— Eles querem manter a economia crescendo a um ritmo razoável porque há uma grande transição de liderança em outubro (no Congresso do PCC). Ainda achamos que a China vai atingir crescimento de 6,5% em 2017, mas cada ano fica mais difícil.

O fator político também é significativo nas duas principais economias da zona do euro: França e Alemanha vão escolher novos líderes. O continente enfrenta uma escalada do nacionalismo de extrema-direita, que se contrapõe à chegada em massa de refugiados vindos de países em conflito. Associado ao nacionalismo está o chamado euroceticismo, descrença no projeto Europeu e desconfiança com relação à burocracia de Bruxelas que cresce mesmo entre segmentos moderados do espectro político.

Além disso, o continente europeu enfrenta há anos um problema de ordem econômica. O endividamento na zona do euro está estagnado em patamar elevado, chegando a 90,3% em 2016. O desemprego, sobretudo entre jovens, também tem se mostrado resistentemente elevado desde o início da crise da dívida em 2009. Enquanto isso, o Banco Central Europeu (BCE) mantém um programa de estímulo que já atingiu a marca de US$ 1 trilhão, além de impor juros negativos, fatores que levam a distorções no mercado de capitais. Uma das maiores preocupações é com os bancos italianos, que sofrem com alta inadimplência e ameaçam contaminar o sistema bancário da zona do euro.

Na França, a extrema-direita já mostra força antes mesmo do início oficial da campanha presidencial: Marine Le Pen, candidata da Frente Nacional, aparece nas pesquisas com chances reais de disputar o segundo turno. Ela já se manifestou favoravelmente à saída da França da zona do euro e prometeu submeter a referendo nacional a saída da UE. Gabriela Santos, estrategista de mercado global do J.P. Morgan Asset Management, pondera, porém, que abandonar a moeda não é tão simples quanto deseja Le Pen:

— Temos que lembrar o exemplo da Grécia. Quando ela considerou sair do euro, vimos um forte impacto negativo no seu crescimento. Esse foi um exemplo muito negativo sobre o que acontece quando um país tenta sair da zona do euro. É mais fácil sair da UE do que da união monetária.

A chanceler alemã Angela Merkel vai disputar seu quarto mandato após a extrema-direita ter ganhado espaço nas eleições legislativas. Ao mesmo tempo, o Reino Unido continuará o processo para sua saída da União Europeia após a vitória do sim ao Brexit. Mas Gabriela Santos pondera que a incerteza política não se traduz necessariamente em trava econômica:

— Existe uma diferença entre incertezas políticas e desempenho econômico. Um exemplo é a Espanha, que ficou sem governo durante dez meses em 2016, mas continuou crescendo 3%. Na Europa, as análises costumam focar muito nos riscos políticos. Mas a economia vem melhorando, o consumo está reagindo e deve crescer 1,5% este ano.

RETORNO DA INFLAÇÃO

Dentro da lógica de que nem sempre incerteza se traduz em lentidão, o JP Morgan tem viés positivo com relação à economia global.

— Esperamos a continuação dessa tendência que chamamos de “reflação global”, que tem sido percebida desde a segunda metade de 2016 e significa um maior crescimento real da economia e o retorno da inflação global. Esse contexto cria as condições para o crescimento de lucratividade das empresas. Nos últimos anos, a expansão desses lucros veio por meio de corte de custos. Agora passará a vir também do crescimento das receitas — explicou Gabriela, acrescentando que ainda é difícil estimar o impacto de Trump na economia global.

O retorno da inflação global vem em boa hora, indicando maior demanda por parte dos consumidores, segundo a analista. A inflação global foi de apenas 2,8% em 2015, abaixo da dos cinco anos anteriores (em 2011, chegou a 5,1%). Gabriela explica que isso aconteceu por causa de “uma queda dramática do petróleo”.

Para a analista do JP Morgan, o acordo recentemente firmado entre membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opec) será importante para a sustentação da commodity. Ela prevê que o barril de petróleo do tipo WTI pode chegar a US$ 65 (hoje está em US$ 51). Esse limite se deve à tendência de os EUA aumentarem a produção quando o petróleo chega nesse patamar, aumentando a oferta. Gabriela minimiza a influência que Trump possa ter na expansão da produção, apesar da retórica pró combustíveis fósseis.

— As companhias americanas só vão aumentar a produção quando fizer sentido econômico para elas, independentemente do que o governo americano fizer — acrescentou.

oglobo.globo.com | 02-01-2017

RIO - A adoção de uma moeda única na Europa coincide com a expansão do comércio entre o Brasil e o Velho Continente. Segundo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o fluxo comercial com a União Europeia saltou de US$ 29,1 bilhões, em 2002, para US$ 88,7 bilhões, em 2015, avanço de 204,8%. O bloco é o segundo maior parceiro comercial do Brasil, com exportações de café, soja e produtos siderúrgicos, atrás da China.

EURO EM 2017

— Considero o euro uma grande revolução monetária. Criou-se uma nova moeda reserva capaz de acabar com o monopólio do dólar. Para o Brasil, as fontes de recursos externos foram ampliadas. O euro aumentou as exportações para a União Europeia — diz Carlos Langoni, ex-presidente do Banco Central e diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getulio Vargas.

Para José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o sucesso do euro como “concorrente” do dólar em transações internacionais é relativo. A criação da moeda coincide com o boom de commodities e não pode ser considerada o único fator por trás do aumento do fluxo comercial. Segundo ele, a participação do euro nas transações comerciais sempre girou de 10% a 15%, não chegando a dividir a participação com o dólar:

— O que era para ser uma moeda aparentemente estável mostrou que está sujeita às flutuações do momento, por razões econômicas e políticas. Foi boa a participação do euro nesses 15 anos, embora não tenha alcançado o que se imaginava. O euro não é destaque, mas também não é uma decepção.

Lia Vals Pereira, professora da FGV, concorda:

— Moeda única facilita o comércio pelo menor custo de transação. Quando o euro foi criado, a moeda se valorizou, o que facilita exportações para o bloco.

Além do comércio, o euro impulsionou investimento estrangeiro direto (IED) da Europa no Brasil. Segundo dados da Eurostat, o fluxo de recursos para o Brasil cresceu mais de 11 vezes entre 2003 e 2012, alcançando € 24,9 bilhões em 2012.

Brasil atrai espanhóis

Luis Afonso Lima, diretor-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e Globalização Econômica (Sobeet), diz que a divisa explica esses resultados.

— O ganho mais óbvio é o custo de transação. Ficou mais fácil fazer investimentos em outros países. Algumas economias foram beneficiadas. O caso mais exemplar é o da Espanha, que era um país fechado comparativamente aos outros e, com a adoção do euro, teve uma internacionalização. Isso nos beneficiou. O Brasil acabou virando um grande receptor de investimentos espanhóis — afirma Afonso, acrescentando que a Espanha é o terceiro maior investidor estrangeiro direto do Brasil, atrás de EUA e Países Baixos.

O economista avalia ainda que o Brasil se beneficiou quando a crise internacional atingiu mais fortemente a Europa, em 2011, tornando-se refúgio para companhias europeias.

Langoni, da FGV, avalia que o saldo dos 15 anos é positivo para o Brasil e para o mundo, embora a economia da região esteja diante de desafios importantes:

— O saldo é positivo. Se o Reino Unido tivesse aderido ao euro, a saída seria mais difícil, talvez impossível. O impacto da desvalorização acentuada da libra seria importante desestímulo para a onda neopopulista e protecionista que varreu o Reino Unido. Esse efeito vai ser testado nas eleições francesas de março.

oglobo.globo.com | 01-01-2017

BERLIM - O crescimento dos partidos populistas na Europa e os rumores de uma nova crise no euro, que desta vez começaria na Itália, geraram um debate sobre a sobrevivência da moeda única do bloco. Gropp acredita que o euro continuará firme e forte. Mas diz que os países em dificuldade têm prazo curto para superar seus problemas. O Banco Central Europeu (BCE) deve aumentar os juros, diz, o que levará a uma explosão do custo dos financiamentos dessas nações, podendo causar uma nova crise, se reformas não forem feitas

EURO EM 2017

Quinze anos após a entrada em circulação do euro, os países do Sul da Europa têm feito um balanço negativo, por quê? A economia italiana encolheu em 0,5% no período.

A economia italiana sofre com estagnação, dívida pública e crise dos bancos. Mas esses problemas não foram causados pelo euro. Pelo contrário, sem o euro a situação seria muito pior para o país, que pagaria juros muito mais altos. O maior problema dos países do Sul da Europa é a queda da produção industrial, causada pela perda de competitividade com a falta de reformas.

Como a Alemanha se tornou a mais competitiva depois do euro? Na conversão das moedas nacionais em euro, o marco alemão foi calculado baixo demais, tornando os produtos alemães mais baratos para o mercado europeu. Isso explicaria isso?

Pode ser. Mas a economia alemã vai bem hoje por causa de reformas estruturais feitas pelo então chanceler Gerhard Schröder, há mais de dez anos. Na época, a Alemanha era chamada de a lanterna da União Europeia. O país tinha cinco milhões de desempregados. A reforma mudou até a aposentadoria, mas o mais importante foi a flexibilização do trabalho.

Ou seja, a criação de um setor de salários baixos, que não existia antes.

Também. Mas essas pessoas que voltaram ao mercado, embora ganhando muito pouco, estão mais satisfeitas pois não estão paradas em casa. Há uma forte dinâmica de pessoas que começam a trabalhar em empregos sem seguro social e passam para vagas regulares. A reforma fez aumentar a competitividade e o desemprego caiu drasticamente.

Por que os países do Sul da Europa não copiaram o modelo alemão?

Eles começaram mais tarde. A Espanha começa a sentir os efeitos positivos, voltando a crescer. É verdade que o desemprego ainda é dramático. Não quero negar os problemas, que são graves, mas não foram causados pelo euro, e uma saída da união monetária poderia abalar ainda mais a economia do país. Os países do Sul da Europa não se esforçaram para realizar reformas por causa dos juros muito mais baixos do que pagavam antes. A crise financeira de 2008 piorou a situação. Os estados começaram a se endividar para resgatar bancos, gerando um círculo vicioso.

Qual seria o custo de deixar o euro?

Os custos seriam tão altos que deixaram claro ao governo de Atenas que não há outra saída, a não ser atender às exigências da troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia). O primeiro efeito seria uma desvalorização dramática da moeda nacional. A dívida externa da Grécia cresceria em proporção igual. Já a saída da Itália abalaria toda a zona do euro, com efeitos talvez para a economia global. Acho que nem os populistas levariam em conta esses riscos, caso cheguem ao poder.

Mas a dívida aumentou e o problema dos bancos continua...

Uma ajuda aos bancos, na Itália ou na Alemanha, vai contra as novas regras da União Europeia. O caso é complicado. Quando lembramos do Lehmann Brothers (um dos primeiros a quebrar na crise de 2008), a lógica seria que os governos não devem deixar falir os bancos que são relevantes para a economia. Sei que o governo italiano definiu um pacote de ajuda ao banco Monte dei Paschi. Mas o problema não está resolvido porque a crise é em todo o setor bancário. O problema foi causado por créditos não pagos, falta de cautela dos bancos. Não tem a ver com o euro.

A falta de liberdade dos países em desvalorizar a moeda seria outro problema do euro?

Este é um problema real porque o euro reúne países muito diferentes, como a Grécia e a Alemanha. Há pessoas que sugerem a divisão dos países em “euro Norte” e “euro Sul”, o que não acho viável. Quando foi decidida a criação do euro, há 25 anos, com o Tratado de Maastricht, foram cometidos erros, como unir em uma moeda economias tão diferentes. Mas abolir a moeda não é solução. Os países podem se esforçar para ter um nivelamento gradual.

Os juros baixos do BCE podem aumentar o endividamento?

Eu vejo como um problema, pois os juros vão aumentar com certeza. Todos os países do euro precisam aproveitar essa fase para reduzir gastos públicos. Quando os juros aumentarem, em poucos anos, os países endividados terão uma explosão dos custos de financiamento da dívida. Isso causará uma nova crise, que poderia ser evitada se fossem feitas as reformas

oglobo.globo.com | 01-01-2017

BERLIM - Os desequilíbrios e os conflitos entre os países do Norte e do Sul da Europa que compõem a zona do euro são entraves à sobrevivência da moeda única, avaliam especialistas. A receptividade à união, que acelerou a transferência de recursos das nações ricas às mais pobres, na forma de investimentos bilionários, deu lugar ao ressentimento provocado pelo enfrentamento da crise, pautado por medidas duras de ajuste, impostas pelas economias mais fortes às mais frágeis. Há a sensação de que o euro quebrou as nações ao sul. E, neste cenário, há um grande vilão para os demais 18 parceiros de bloco: a Alemanha.

EURO EM 2017

Do ponto de vista da Alemanha, força motriz do bloco, o euro foi um projeto mais político do que econômico. Depois da queda do muro de Berlim, em novembro de 1989, os alemães — vistos com uma certa desconfiança pelos franceses, que receavam a arrogância de um novo poderio econômico depois da reunificação — viam na integração uma forma de acalmar os vizinhos.

O período de integração, porém, coincidiu com a agenda de reformas capitaneada pelo ex-chanceler Gerhard Schröder, que visava ao aumento da produtividade alemã. Cruciais foram as mudanças trabalhistas, que flexibilizaram regras e direitos e criaram um amplo setor de salários baixos, absorvendo milhões que antes viviam desempregados.

Segundo Heiner Flassbeck, vice-ministro das Finanças quando o euro entrou em circulação, as mudanças promoveram um arrocho salarial, elevando enormemente a competitividade dos produtos da Alemanha, que virou um gigante exportador. Numa área que usa a mesma moeda, se alguém vence, alguém perde.

— A Alemanha exportou o seu desemprego para o sul da Europa — sustenta Flassbeck.

Para o economista Hans Werner Sinn, autor do livro “O junho negro”, sobre o verão catastrófico para a União Europeia (UE) com o Brexit, a crise dos refugiados e a política expansionista do Banco Central Europeu (BCE), o euro deveria ter nivelado as economias. Mas teve efeito contrário:

— O Sul da Europa continua sofrendo com o desemprego em massa. Economias que eram importantes antes do euro entraram em decadência. Na Itália, houve uma queda da produção industrial de 22%; na Espanha, de 25%. Até na França (que já deu início à reforma trabalhista) houve uma queda considerável.

Jovens sem oportunidades

Grécia, Itália, Chipre, Portugal e Espanha exibem as mais elevadas taxas de desemprego da região, todas de dois dígitos, chegando a 22,1% na Espanha e a 25% na Grécia. Na Alemanha, é de 6,4%. De acordo com a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), os jovens do Sul são as peças mais vulneráveis no xadrez do desemprego em massa. Só na faixa etária de 18 a 25 anos, são 40 milhões de desempregados.

— Uma geração perdida sofre com a falta de perspectivas — afirmou Theodoros Parakevopoulos, assessor econômico do partido grego Syriza.

O economista Marcus Brunnenmeier, porém, afirma que não passa de desculpa transformar a Alemanha em vilã. Embora o ajuste alemão tenha tido consequências negativas, ele sustenta que as demais nações surfaram na onda da bonança, sem se preocupar em fazer ajustes que elevassem sua própria competitividade e lhes garantissem espaço fiscal para investimentos e para sustentar um estado de bem-estar.

Na hora da crise, pagaram a fatura mais alta, diante do risco de insolvência: Grécia, Itália, Chipre, Portugal e Espanha são cinco dos seis países com maior endividamento da zona do euro, com indicador acima de 100% em relação ao PIB.

— O que falta a alguns países do Sul são reformas e mais flexibilização do trabalho. Os países ainda não chegaram onde queremos, mas muitos, como a Espanha, superaram o pior da crise e já voltaram a crescer — pondera Brunnenmeier.

Mesmo com reformas, é tão grande o hiato entre as nações, que Hans Olaf Henkel, ex-presidente da Federação da Indústria Alemã, defende uma receita radical:

— Para que o euro sobreviva, precisa ser reformado. A solução é a divisão em euro-norte e euro-sul. É o único meio de combater a crise, o desemprego em massa e evitar que os populistas de direita assumam o poder.

A Alemanha também foi acusada pelos países do Sul de ser intransigente na negociação do pacote de ajuda, exigindo sacrifícios fiscais que impuseram severas perdas sociais às populações. Acabou criticada até mesmo pela França, que com ela forma o “eixo rico”.

— A situação da Grécia só poderia melhorar se houvesse uma redução da dívida — diz Parakevopoulos.

Os alemães se opõem a resgates. O programa de compra de títulos do BCE, que aliviou as economias regionais, é criticado pelos ortodoxos. Dizem que a instituição está cada vez menos independente e mais subserviente ao “Club Med”, como chamam o lobby forte do Sul.

Os embates dificultam a ação das instâncias políticas da UE em busca de um diagnóstico para os problemas e de uma solução concertada.

— A UE não tem respostas para os problemas dos países do euro — conclui Sinn.

oglobo.globo.com | 01-01-2017

BERLIM - O euro completa hoje uma década e meia de existência diante do desafio de garantir sua sobrevivência. De seus 15 anos de circulação no comércio, nos bancos, nas trocas internacionais e nos bolsos dos europeus, a moeda que simboliza a utopia de perfeita integração continental vive há oito anos uma crise inesgotável, perigosamente embalada por uma onda nacionalista, amplo descrédito das instituições que governam a zona do euro e frágeis condições fiscal e bancária dos países-membros.

EURO EM 2017

Previsto pelo Tratado de Maastricht há 25 anos, o euro nasceu do desejo de superação dos conflitos e de união das nações que amargaram duas grandes guerras no século XX. Quando suas cédulas e moedas começaram a circular, em 1º de janeiro de 2002, eram 11 os países a adotá-lo. Atualmente, são 19, que juntos têm 339,7 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) de € 10,4 trilhões — um dos três pilares da economia global, com uma balança comercial superavitária em € 322 bilhões.

Porém, esse gigante europeu também impressiona por números alarmantes. Como proporção do PIB, a dívida pública está estagnada em patamar elevado há cinco anos, chegando a 90,3% em 2016. O limite imposto pelo tratado de criação da moeda é de 60%, mas apenas cinco países, todos pequenos, o respeitam.

A explosão do nível de endividamento — elevado também no setor privado — está no cerne das preocupações com a zona do euro desde a grande crise global iniciada em 2008, com implicações fiscais, bancárias e na economia real. É ela quem responde pela perda de confiança na moeda única europeia.

Combinada a outros indicadores (juros zero por período prolongado, déficit fiscal de 1,9% do PIB, taxa de desemprego de 10,9%) e ao crescente euroceticismo, que ganhou musculatura após a convulsão socioeconômica da Grécia, o cenário leva muitos analistas a temerem um colapso do euro.

— O euro cambaleia e está prestes a virar um projeto fracassado — afirma o economista Wolfgang Münchau, que assina uma coluna semanal na revista alemã “Der Spiegel”.

POUCAS AMARRAS NO PROJETO ORIGINAL

O euro foi criado em um período de abundância de recursos a juros baixos, o que permitiu uma farra de crédito entre os estados-membros, especialmente dos mais ricos para a “periferia” ibérica e ao sul. As dívidas pública e corporativa dispararam. Bancos, sem regulação, assumiram posições temerárias. As contas públicas foram negligenciadas. Quando veio a crise de 2008 e a seca do crédito, esse quadro alimentou uma brutal desconfiança. E economias, asfixiadas, começaram a ruir: Espanha, Irlanda, Portugal, Grécia.

A expansão do crédito não veio acompanhada de mecanismos de controle e contenção, como regulação do setor financeiro, e, sobretudo, de coordenação supranacional. Apesar das instituições centrais em Bruxelas, as nações que aderiram à moeda comum retiveram basicamente todos os poderes sobre suas políticas econômicas, que obedeciam a características e interesses próprios.

Info Euro

Esses fatores complicaram imensamente a resposta às turbulências, e ainda hoje são entrave à solidez do euro. Só no auge da crise, por exemplo, a zona do euro criou um mecanismo de socorro financeiro — os resgates de países-membros eram proibidos — e deu mais autonomia de formulação ao Banco Central Europeu (BCE).

Porém, os planos iniciais — quase uma utopia pós-era comunista traçada pelo ex-chanceler alemão Helmut Kohl e o ex-presidente francês François Miterrand — eram a criação dos “Estados Unidos da Europa”, ou seja, a moeda comum deveria ser complementada por uma política econômica comum.

— Com o euro, eles queriam se tornar os Estados Unidos da Europa, mas o projeto não podia funcionar por causa da falta de homogeneidade (entre os países) — explica o jornalista Henryk M. Broder, para o qual o “projeto de grande ilusão está perto de despencar e arrastar consigo a União Europeia para o precipício”.

— Os países do euro só vão superar definitivamente a crise quando forem submetidos a uma política econômica comum entre os seus membros e aceitarem os países mais pobres ou em dificuldades econômicas como a região mais pobre de um país, que precisa de ajuda — afirma o economista Alexander Thiele, da Universidade de Göttingen, autor do livro “O BCE e o euro”.

O especialista Clemens Fuest, autor do livro “O complexo de Odisseus, uma sugestão pragmática para a solução da crise do euro”, recomenda quatro passos básicos às autoridades europeias: aperfeiçoamento da regulação dos bancos, controle das dívidas dos países (chegou a 177% do PIB na Grécia), reforma do mecanismo de resgate e do BCE e fortalecimento das economias nacionais:

— Só austeridade não resolve nenhuma crise.

Segundo os economistas Jorg Haas e Katharina Gnath, que escreveram em setembro um relatório de diagnóstico da crise, “é senso comum entre as autoridades europeias que a união econômica e monetária não é sustentável a longo prazo”.

Ainda assim, o progresso das reformas necessárias ao seu aperfeiçoamento — como maior poder decisório supranacional, união bancária e mecanismos mútuos de seguro e amortecimento — tem sido “imperceptivelmente lento”, concluem Haas e Gnath.

ONDA NACIONALISTA É RISCO ADICIONAL

E não é por falta de aviso. Apesar de a zona do euro ter deixado a recessão para trás e estar crescendo a um ritmo de 1,5%, os desequilíbrios não desapareceram. A Grécia ainda luta para recolocar a economia de pé, atolada em dívidas e de pires na mão, tentando evitar uma custosa saída do euro.

Para piorar, a Itália, a terceira maior economia do bloco, enfrenta grave crise bancária, com uma das três maiores instituições do país, o Monte dei Paschi, à beira do precipício, precisando levantar mais de € 5 bilhões.

— A zona do euro pode pegar fogo se a Itália recorrer ao fundo de resgate — afirmou Christoph Schmidt, do Instituto de Pesquisa Econômica de Essen e chefe do grupo de institutos de pesquisa que assessora o governo alemão.

Fuest adverte ainda para o risco da “japonização” da zona do euro, com “bancos zumbis” que sofrem com os juros baixos praticados pelo BCE.

— Faz-se na zona do euro o mesmo que se fez no Japão nos anos de recessão. As reações à crise eram liberar liquidez em vez de resolver os problemas. O resultado foram 20 anos de estagnação. Também na zona do euro a dívida dos países cresce, o BCE injeta mais dinheiro, mas não resolve o problema — sustenta Fuest.

Há um risco adicional à situação da zona do euro. Em 2017, três países, França, Holanda e Alemanha, terão eleições decisivas, nas quais poderão ser eleitos para a Presidência e os Parlamentos candidatos de partidos antieuro, uma face do nacionalismo de ultradireita que cresce vertiginosamente na Europa.

Na França, Marine Le Pen, da Frente Nacional, já anunciou que, se sair vitoriosa da campanha presidencial, em maio, vai realizar um referendo sobre o euro. Também na Holanda e na Alemanha, os populistas, com chances de vencer em eleições parlamentares, têm como principal plataforma o combate ao euro. Embora nos dois países a economia esteja relativamente bem, o euro é visto como ameaça, sob a ótica do risco de os países ricos terem de socorrer os mais pobres.

Na Itália, onde o primeiro-ministro Matteo Renzi renunciou ao interpretar recente referendo como uma desaprovação de sua política, o euro é cada vez mais visto como um problema e não uma solução.

Os efeitos perversos dos planos de resgate e ajuste — como desemprego, perda salarial e contração dos gastos públicos — reforçam o discurso de extremo nacionalismo e o desinteresse pelo euro. Theodoros Parakevopoulos, assessor econômico do Syriza, o partido do primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, lembra que a situação é um círculo vicioso:

— Com a ajuda, a Grécia tem afundado cada vez mais na crise.

O economista Marcus Brunnenmeier adverte, porém, que os problemas de hoje se agravariam ainda mais se o euro fosse abolido:

— Os custos de uma volta às moedas nacionais nos 19 países seriam astronômicos, e a ruptura teria consequências políticas e sociais.

oglobo.globo.com | 01-01-2017

NOVA YORK - Num ano marcado por três notícias de impacto global — crescimento menor da China, Brexit (retirada do Reino Unido da União Europeia) e eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA —, a volatilidade dos mercados subiu, constituindo um cenário favorável para ativos de risco. E quem saiu vitorioso foi o grupo das pessoas mais ricas do mundo, que estão encerrando 2016 com US$ 237 bilhões nos cofres.

Bilionários

As maiores forunas do planeta oscilaram de acordo com o mercado durante o ano. Oscilaram US$ 4,8 trilhões em ganhos e perdas diárias, tendo crescido 5,7%, para US$ 4,4 trilhões, no encerramento do pregão de 27 de dezembro, segundo o Bloomberg Billionaires Index.

— Em geral, os clientes atravessaram a volatilidade — disse Simon Smiles, diretor de investimentos para clientes de alto patrimônio da UBS Wealth Management: — 2016 acabou sendo um ano espetacular para os ativos de risco. Bastante notável dado o começo do ano.

Quem mais ganhou foi Warren Buffett, que adicionou US$ 11,8 bilhões durante o ano porque sua empresa de investimentos, a Berkshire Hathaway, teve uma forte alta de seus ativos em empresas aéreas e bancos após a vitória surpresa de Trump em 8 de novembro. Buffett, que prometeu doar a maior parte de sua fortuna à caridade, doou ações da Berkshire Hathaway avaliadas em US$ 2,6 bilhões em julho.

— O ano de 2016 foi impulsionado por eventos com notícias globais impulsionando os preços em vez de fundamentos — disse Michael Cole, presidente da Ascent Private Capital Management, que tem cerca de US$ 10 bilhões em ativos sob administração: — A crença de que Trump vai entrar e desregular grande parte da economia está direcionando os mercados agora.

OS MAIS RICOS

Os ganhos individuais do ano foram dominados pelos americanos, que registraram quatro dos cinco maiores aumentos no índice, entre eles o cofundador da Microsoft, Bill Gates, a pessoa mais rica do mundo, com US$ 91,5 bilhões, e o petroleiro Harold Hamm.

O francês foi o único representante não americano entre os cinco melhores desempenhos, somando US$ 7,1 bilhões, para chegar a US$ 38,9 bilhões. Sua empresa, a Moët Hennessy Louis Vuitton (LVMH), disse que o mercado chinês de bens de luxo está melhorando.

Gates continuou sendo a pessoa mais rica do mundo ao longo do ano. Amancio Ortega, a pessoa mais rica da Europa e fundador da rede de indumentária Zara, ficou em segundo lugar durante a maior parte do ano, até ceder o lugar a Buffett em novembro. Ortega, que perdeu US$ 1,7 bilhão em 2016, é a terceira pessoa mais rica do mundo, com US$ 71,2 bilhões.

Administradores das fortunas dos mais ricos do mundo estão se preparando para um começo de ano também frenético em 2017, à medida que as reviravoltas exigidas pelos eleitores em 2016começarem a tomar forma.

— Esperem o inesperado — disse Sabine Kaiser, fundadora da SKadvisory, que assessora family offices sobre capital de risco e private equity: — Eu não acredito que as family offices estejam muito preocupadas ou nervosas, mas depois do Brexit e de Trump elas se resignaram à volatilidade dos mercados.

oglobo.globo.com | 28-12-2016
Numa garrafa de 15 euros, quase metade reverte a favor do Estado, o que leva Portugal para "um dos níveis mais elevados" da Europa em termos de carga fiscal.
www.publico.pt | 25-12-2016

LISBOA — O estado de saúde do ex-presidente português Mário Soares, de 92 anos, se agravou bruscamente neste sábado, segundo a equipe médica do hospital onde ele está internado há dez dias. Os médicos definem seu estado como crítico. Não foi divulgada a natureza exata do problema de saúde que levou à sua internação em 13 de dezembro.

Na sexta-feira, Soares havia saído dos cuidados de terapia intensiva. Mas, segundo o hospital, ele teve uma forte piora de ontem para hoje.

O ex-presidente, que contribuiu para a queda da ditadura em 1974 e a integração do país à União Europeia, se manteve na primeira linha do cenário político por mais de 40 anos. Figura histórica de Portugal, foi o fundador do Partido Socialista Português (PSP), ministro das Relações Exteriores, duas vezes chefe de governo, presidente da República de 1986 a 1996 e eurodeputado.

Muito ativo até uma idade avançada, se opôs às medidas de austeridade impostas pelo ex-governo de centro-direita para equilibrar a economia do país, que esteve sob assistência econômica internacional entre 2011 e 2014.

Após a morte de sua esposa, Maria Barroso, em julho de 2015, foi se retirando aos poucos da vida pública. Visivelmente debilitado por problemas de saúde, foi homenageado em julho pelo atual governo socialista. Sua última aparição pública ocorreu em setembro, durante uma homenagem a sua falecida esposa. Em 7 de dezembro, completou 92 anos.

oglobo.globo.com | 24-12-2016

ROMA - O governo italiano aprovou nesta sexta-feira um decreto para o resgate financeiro do banco Monte dei Paschi di Siena (BMPS) após a instituição anunciar o fracasso de um levantamento de capital que buscava arrecadar € 5 bilhões no mercado para manter sua liquidez. Com o objetivo de por fim a uma longa crise bancária que estagnou a economia, o primeiro-ministro italiano Paolo Gentiloni afirmou que o Parlamento autorizou a criação de um fundo de € 20 bilhões para ajudar bancos com problemas, principalmente o BMPS.

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Minutos após o fim da reunião de gabinete realizada durante a noite, o terceiro maior banco do país emitiu um comunicado no qual anunciou que solicitará formalmente a ajuda do Estado, possivelmente abrindo caminho para a maior nacionalização de um banco italiano em décadas.

O governo disse que a esperada operação de resgate será feita dentro das regras da União Europeia, o que significa que alguns detentores de títulos do Monte dei Paschi serão obrigado a aceitar perdas para garantir que os contribuintes não assumam o custo total.

No entanto, o governo e o BMPS prometeram proteger os cerca de 40 mil investidores que haviam comprado a dívida subordinada do banco.

— Hoje é um dia importante para o Monte dei Paschi, um dia em que o vemos dar um giro e lhe permite tranquilizar os contribuintes — afirmou Gentiloni, que assumiu o cargo na semana passada e determinou o resgate do banco como prioridade.

O Monte dei Paschi foi avaliado como o mais fraco dos 51 bancos europeus submetidos a provas de solvência realizadas este ano pelo Banco Central Europeu em junho. A entidade recebeu um prazo até o fim ano para resolver seus problemas ou enfrentaria seu desmantelamento.

O colapso do Monte dei Paschi teria ameaçado a economia de milhares de italianos e poderia ter devastado o setor bancário italiano, que lida com cerca de € 356 bilhões em créditos podres – um terço do total da zona do euro. O banco com sede em Siena, que foi golpeado por aquisições imprudentes e má gestão, tem a maior proporção de créditos incobráveis entre os bancos italianos em comparação com seu capital.

oglobo.globo.com | 23-12-2016
A campanha para a criação de um sistema bancário europeu unido está tendo dificuldades para superar um obstáculo simples: os bancos não estão se consolidando.
online.wsj.com | 23-12-2016

As bolsas de Nova York fecharam em alta nesta terça-feira, 20, influenciadas pelo setor financeiro e pelo industrial. Os índices Dow Jones e Nasdaq renovaram seus recordes de fechamento - com o Dow Jones próximo dos 20 mil pontos e o Nasdaq batendo máximas históricas intraday.

O índice Dow Jones encerrou o dia em alta de 0,46%, aos 19.974,62 pontos. Já o S&P 500 avançou 0,36%, aos 2.270,76 pontos, enquanto o Nasdaq subiu 0,49%, aos 5.483,94 pontos.

As bolsas americanas estão subindo há seis semanas consecutivas, impulsionadas por expectativas de que o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, adote políticas que impulsionem a inflação e o crescimento econômico. Os investidores também esperam que Trump flexibilize a carga tributária das companhias americanas - perspectiva que fez com que ações do setor financeiro e industrial avançassem desde a vitória do bilionário nas eleições americanas. O Goldman Sachs subiu 1,69%; o Morgan Stanley teve alta de 1,55%; o Bank of America ganhou 0,93% e o JPMorgan teve avanço de 1,28%.

"Nós estamos no período de lua de mel, e o mercado irá continuar o rali até o dia da posse de Trump", disse Michael Arone, estrategista-chefe de investimentos do State Street Global Advisors. Ao mesmo tempo, outros investidores analisam com "cautela" a proximidade do índice Dow Jones dos 20 mil pontos. Segundo Yousef Abbasi, estrategista de mercados globais do JonesTrading Institutional Services, seu sentimento é de preocupação porque o sentimento se tornou "muito otimista".

A TripAdvisor foi um dos destaques desta terça-feira. A empresa anunciou um acordo para adicionar o inventário de hotéis da Expedia à sua ferramenta de reserva instantânea. Com isso, as ações da empresa registraram fortes ganhos, chegando a ficar acima dos 7% durante a sessão, e fecharam em alta de 5,05%.

O setor de biotecnologia também subiu, ajudando o índice Nasdaq a renovar recorde intraday, aos 5.489,47 pontos, pouco após a abertura das bolsas. As ações da Conatus Pharmaceuticals dispararam 139,29% após a empresa anunciar um acordo de colaboração e licenciamento para tratamento do fígado com a Novartis. Pelo acordo, a Conatus, que é uma pequena companhia do setor farmacêutico, vai receber, entre outros pagamentos, US$ 50 milhões antecipadamente. A Biomarin avançou 0,71% e a Celgene ganhou 2,42%.

No setor de tecnologia, notícias corporativas mexeram com as ações das empresas. A Apple disse que avalia a possibilidade de fabricar parte de seus produtos na Índia, segundo informações do Wall Street Journal. Já o Facebook foi acusado pela União Europeia de fornecer "informações incorretas ou enganosas" para investigadores responsáveis pela análise da compra do aplicativo WhatsApp, em 2014. A Apple fechou em alta de 0,25% e o Facebook recuou 0,14% nesta terça-feira. (Com informações da Dow Jones Newswires)

RIO - Grandes redes de óticas mantêm planos de expansão no país, apesar da crise que transformou em retração o crescimento de dois dígitos ao ano que o setor apresentava até 2013. Esses grupos enxergam longe: apostam em abertura de franquias — apoiada em preço competitivo e pagamento facilitado — para crescer, ganhar mercado e fortalecer o negócio para a retomada da economia.

— Esperamos crescimento em vendas de quase 10% este ano. Ótica é necessidade básica. Por isso, mesmo na crise, se mantém. Nossa expansão é apoiada em escala, oferecendo preços competitivos, a partir de R$ 99 — explica Murillo Piotrovski, diretor de marketing da GrandVision by Fototica.

A paulistana Fototica foi adquirida pelo grupo holandês dono da GrandVision em 2007, junto com duas empresas do Nordeste. Em março, veio a união das marcas. Ao todo, tem 90 lojas próprias e 17 franquias.

— Lançamos as franquias este ano e já temos 17. As lojas têm as armações expostas, permitindo ao cliente experimentar os modelos. Já são duas filiais no Rio, vamos abrir mais cinco em 2017 — conta Piotrovski.

FATURAMENTO 22% MENOR

Apesar de tudo, o setor de franquias rema contra a maré. Avançou 8,3% em 2015, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF). O segmento de bijuterias, joias e óculos cresceu 11,7%, acima da média do setor.

Bento Alcoforado, presidente da Abióptica, que reúne as empresas do setor, explica que a economia modela o mercado:

— Em 2011, o faturamento das óticas cresceu 25% no Brasil. O país atraiu grandes grupos internacionais, como a Luxottica, dona da Ray-Ban. A francesa Essilor ampliou os investimentos aqui. Mas a instabilidade política dificulta a vinda de outros grupos.

O crescimento no início da década foi puxado pelo ganho de renda das classes C e D, explica Alcoforado. De dois anos para cá, porém, a tendência se inverteu. Em 2013, a expansão no faturamento foi de 25%. No ano seguinte, desacelerou para 5%, e em 2015, encolheu 8%. Nos 12 meses acumulados até outubro, contra um ano antes, a retração bateu 22%.

— O mercado é principalmente de óticas independentes, com menos capacidade de investir em promoção e negociar preços com fornecedores. Por isso a adesão às franquias de grandes redes — conta Alcoforado.

Com as franquias, a GrandVision chegou a Alagoas, Ceará e Rio este ano. Na capital fluminense, abre hoje sua segunda filial, no Via Parque Shopping.

— Adaptamos a seleção de produtos ao perfil do brasileiro e por ponto de venda. Na Europa, a preferência é por armações mais sóbrias; aqui, o consumidor busca modelos mais coloridos — conta Piotrovski.

A recessão cortou, de início, o consumo de óculos de sol, que caiu 21% em dois anos. As compras ficaram mais restritas aos óculos de grau, ou na troca só das lentes, mantendo a armação.

PROMOÇÃO DE LENTES

Para manter o resultado positivo é preciso criatividade. A Chilli Beans, que impulsionou o consumo de óculos de sol no país, tem 700 pontos de venda no Brasil e no exterior. Abriu 88 este ano, alcançando avanço de 3,5% no faturamento — em 2014, foram 20%. O desempenho foi garantido pelo início das vendas em óticas multimarcas, com óculos de grau.

A mudança no consumo também foi percebida pela Óticas Carol, outra grande rede, que prevê encerrar 2016 com crescimento de 17%, diz o presidente Ronaldo Pereira.

— O consumo migrou de moda para saúde, e focamos as promoções em lentes de contato e oftálmicas. Mas abrimos 156 lojas, batendo 980, pouco abaixo da meta de mil — conta. — Estamos mais seletivos na escolha de novos franqueados. Este ano, só 10% da expansão vieram da conversão de óticas independentes.

Como a Fototica, a Carol aposta em diversidade de produtos e, sobretudo, facilidade de pagamento e preço competitivo.

Na outra ponta, a carioca Lunetterie volta suas atenções para o segmento premium.

— Somos a porta de entrada de novas marcas internacionais no Rio. Nossa clientela busca serviço de qualidade, com a compra motivada pelo desejo, não só pela necessidade — conta a sócia Diana Reis, afirmando ter mantido o faturamento de 2015.

O mercado, explica ela, vem se tornando cada vez mais competitivo, e é preciso ter um diferencial para se destacar e garantir bom desempenho.

oglobo.globo.com | 19-12-2016

A Escócia publicará, nesta semana, propostas de como pode se manter no mercado único da União Europeia. Pensa nas consequências após o Reino Unido deixar o bloco, o Brexit

O post Escócia lança medidas para evitar impacto do Brexit na economia apareceu primeiro em Jornal Correio do Brasil.

RIO - Agora ex-embaixador britânico em Brasília, Alex Ellis é diretor-geral nas negociações da saída do Reino Unido da União Europeia. O diplomata alerta que brasileiros com passaportes europeus serão afetados pelo Brexit, mas que processo será benéfico para as economias. BREXIT

O ministro das Finanças britânico, Philip Hammond, defendeu “acordos de transição” para o Brexit. Mas Michel Barnier, da Comissão Europeia, afirmou ser “difícil um período de transição”. Como resolver a questão?

Queremos continuar próximos da União Europeia (UE), tanto comercialmente, quanto em outros pontos. Vamos começar esta negociação com nossa carta de saída, antes do fim de março de 2017. Será que vai levar vários anos? O tratado diz que são dois anos para a saída. É um tempo curto. O que aconteceria sem um acordo até o prazo final, março de 2019? Evidente é que este novo estado da relação não será distante da UE. E vai ser sui generis: nunca um Estado-membro saiu. E somos o Reino Unido, quinta ou sexta economia do mundo. Temos bastante peso.

Barnier afirmou que o Reino Unido só terá acesso ao mercado único europeu se as quatro liberdades fundamentais forem mantidas: circulação de pessoas, de bens, de serviços e de produtos do mercado financeiro. O senhor acha possível mudar esta visão do negociador-chefe da UE?

Há muitas visões. Há relações diferentes entre os membros da UE. Você pode ser membro da união aduaneira, mas não do mercado único, como a Turquia. Pode não ser membro da união aduaneira, mas sim do mercado único, caso da Noruega. E pode não ser membro de nenhum dos dois, e ter uma relação muito próxima. Não vou antecipar qual modelo a premier (Theresa May) vai seguir. Haverá negociação.

Mais de três milhões de não britânicos — entre eles, cerca de 200 mil brasileiros — vivem no Reino Unido, e mais de um milhão de britânicos, em outros países da UE. Como fica esta questão com o fim do livre trânsito de pessoas?

Não sabemos até abrirem as negociações. Meu país é aberto: a população que nasceu fora chega a 14%. No Brasil, é 0,5%. Em Londres, chega a 33%, mais alto do que qualquer cidade do mundo, só comparável a Nova York. É tema difícil não só para o Reino Unido, mas para o resto da UE. Já para os brasileiros, o status não muda. Salvo para aqueles que têm e usam passaporte europeu.

A saída do Reino Unido da UE pode favorecer as relações econômicas com o Brasil?

Pode ser enxergada pelo Brasil e pelo Reino Unido como uma oportunidade, pois é um novo contexto na política externa. Evidente que vamos nos manter próximos dos países da UE, mas, ao mesmo tempo, vamos nos abrir ainda mais para países como o Brasil. As economias estão mais ou menos na mesma escala. Acho que pode haver uma boa complementaridade econômica entre o Brasil e o Reino Unido.

Boa parte do Parlamento britânico, inclusive do Partido Conservador, da premier Theresa May, tem uma visão europeísta. Caso a Suprema Corte decida que é o Parlamento que tem a primazia de invocar o Brexit, pode haver alguma reviravolta?

Não posso prever o voto político. Haverá um voto, com certeza, ao fim da negociação: o Parlamento tem que ratificar a saída. Se vai haver outro voto importante antes da negociação, não sei. Depende da decisão da Corte. Mas a posição do governo é clara: vou entrar no meu posto de trabalho com uma instrução para sair da UE.

oglobo.globo.com | 15-12-2016
A China não perde tempo e abre na Organização Mundial do Comércio (OMC) a primeira disputa comercial contra Estados Unidos e Europa. Pequim se queixa de que americanos e europeus reconheceram o país como uma economia de mercado. A iniciativa manda um recado duro a todos os demais países que pretendam manter barreiras contra os produtos importados chineses. O processo na OMC foi aberto menos de 24 horas depois do fim do prazo estipulado há 15 anos para o reconhecimento do novo status da China. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 13-12-2016

A China não perde tempo e abre na Organização Mundial do Comércio (OMC) a primeira disputa comercial contra Estados Unidos e Europa. Pequim se queixa de que americanos e europeus reconheceram o país como uma economia de mercado. A iniciativa manda um recado duro a todos os demais países que pretendam manter barreiras contra os produtos importados chineses. O processo na OMC foi aberto menos de 24 horas depois do fim do prazo estipulado há 15 anos para o reconhecimento do novo status da China.

O caso deve aprofundar ainda mais a tensão com o presidente dos EUA, Donald Trump. O republicano, durante sua campanha, prometeu proteger os trabalhadores americanos contra os produtos chineses.

O Brasil tampouco reconheceu explicitamente a China nessa condição. Mas a indústria nacional foi orientada a se antecipar e acelerou nos últimos meses processos contra produtos importados chineses, adotando taxas de proteção antes do prazo estipulado pelo acordo na OMC. Na avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 66 mil postos de trabalho poderiam desaparecer no Brasil em apenas um ano se a China fosse reconhecida como economia de mercado.

A indústria nacional também foi orientada a esperar para ver como os tribunais da OMC vão tratar os casos envolvendo a China, antes de abrir novos pedidos de medidas antidumping. O que poucos imaginavam é que, 24 horas depois do prazo final, a China abriria sua primeira disputa.

Prazo

No domingo, 11, concluiu-se o período em que a China tinha para reformar sua economia, num acordo estabelecido em 2001 para a adesão do país à OMC. Em troca, o governo chinês insiste no seu reconhecimento como uma economia de mercado, posição não compartilhada por EUA, Japão, Europa, Índia, Brasil e diversos outros países. Em termos técnicos, o novo status daria aos chineses a vantagem de ser tratado como todas as demais economias do mundo, sem discriminação comercial. Isso tem um impacto direto na aplicação de medidas antidumping contra produtos chineses.

Em nota, o Ministério do Comércio da China alertou que, mesmo com o fim do prazo, EUA e Europa continuam calculando a taxa de dumping com base em critérios que já deveriam ter sido abandonados.

"A China comunicou a outros países da OMC e pediu para que cumprissem com suas obrigações", apontou o comunicado. "Lamentavelmente, EUA e Europa não seguiram isso", indicou Pequim.

O jornal O Estado de S. Paulo apurou que o governo chinês tem alertado Brasília sobre os riscos que corre se repetir o comportamento de americanos e europeus. Dados da OMC, obtidos pelo jornal, mostram que 547 medidas antidumping foram aplicadas pelas maiores economias do mundo contra as importações chinesas entre 2008 e 2016. Só o Brasil aplicou mais de 60, número superior a todas as taxas contra produtos americanos, coreanos ou indianos, somados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

BRUXELAS — O governo de Cuba e a União Europeia (UE) assinaram nesta segunda-feira seu primeiro acordo de cooperação, sob a promessa de que a chegada ao poder do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, não afetará suas relações no futuro. Além de apoiar o desenvolvimento econômico e a promoção da democracia e dos direitos humanos na ilha, o acordo servirá de base jurídica para as futuras relações entre Bruxelas e Havana. A UE espera ainda que o acordo ajude a pressionar o governo cubano por mais direitos na ilha.

— Este é um dia histórico, viramos a página. Hoje, começamos a escrever juntos um novo capítulo - afirmou a chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, enquanto os principais diplomatas do bloco de 28 países e o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, assinaram o documento em Bruxelas.

Mogherini disse ainda que a UE está se aproximando mais de Cuba no momento em que a ilha passa por uma mudança profunda. Autoridades do bloco dizem que o acordo dá a diplomatas e funcionários da UE o direito de abordar questões de direitos humanos diretamente com Havana e de pressionar suavemente por reformas.

Segundo Rodríguez, a prioridade será desenvolver a economia cubana. No entanto, ressaltou que o bloqueio econômico e financeiro dos EUA é um obstáculo importante para as relações comerciais entre a UE e Cuba.

— Teremos que ver como as coisas evoluem. Mas temos muita esperança de que as relações entre a União Europeia e Cuba continuem a crescer e enriquecer a ambas as partes — disse, acrescentando que os laços“entre a UE e Cuba não passam por Washington.

O acordo é resultado de um longo processo e, segundo Mogherini, a chegada de Trump ao poder em janeiro não afetará as relações entre o bloco e a ilha. De acordo com ela, mesmo a UE tendo manifestado sua preocupação sobre o efeito extraterritorial das sanções dos EUA a Cuba, o acordo será mantido.

— Para nós, não é apenas interesse da ilha, mas sobretudo dos europeus, tratar deste tema.

Segundo o governo cubano, o custo total do embargo, imposto há 55 anos, foi de US$ 126 milhões, sendo US$ 4,6 mil países-membros da UE para que entre em vigor.

oglobo.globo.com | 12-12-2016

Se 2016 foi desafiador ao establishment político da União Europeia (UE), o ano que vem promete ser decisivo para o futuro do projeto de integração do Velho Continente.

Pela primeira vez, vozes contrárias ao bloco disputarão eleições presidenciais, regionais e legislativas em países estrategicamente importantes, como Alemanha, França, Holanda e Hungria, com chances de vitória ou, no mínimo, de obter importantes conquistas parlamentares, embaladas pela saída do Reino Unido do bloco, a recente renúncia do premier italiano, Matteo Renzi, e até mesmo pela vitória de Donald Trump nos EUA.

Líderes fundamentalistas do nacional-populismo, cujas ideias não raro eram tomadas mais como anedotas do que como propostas viáveis, se consolidaram como porta-vozes de um público crescentemente insatisfeito e desorientado, composto sobretudo pelo segmento mais afetado pelos efeitos sociais da crise de 2008 e pela globalização. Figuras radicais à esquerda e à direita, como o espanhol Pablo Iglesias, do Podemos; o italiano Beppe Grillo, do Movimento Cinco Estrelas; a francesa Marine Le Pen, da Frente Nacional; e a alemã Frauke Petry, do partido Alternativa para a Alemanha viram sua influência crescer este ano.

Os argumentos contrários à integração europeia se sustentam numa verbosa retórica nacionalista, contrária à moeda única e ao livre trânsito entre os países do bloco. Tomam a forma de propostas distintas, como antiglobalização, anti-imigração, anti-UE, e que tais; mas invariavelmente seguindo na direção do isolamento e da fragmentação. Prometem não apenas recuperar o emprego, a moradia e o bem-estar social, mas igualmente bens intangíveis, como a honra e a glória de um passado histórico. Arregimentam movimentos e agremiações ideologicamente à esquerda e à direita, aproveitando a insatisfação generalizada da população afetada pelos efeitos sociais da crise global de 2008 e do remanejamento de linhas de produção no mundo.

Pesquisas recentes revelam que a maioria dos europeus ainda defende a permanência de seus países na União Europeia e a moeda única. Tendência reforçada no último domingo pela vitória do verde Alexander Van der Bellen na eleição presidencial da Áustria. Ele derrotou Nortbert Hofer, do Partido da Liberdade, de extrema-direita. Segundo o “Wall Street Journal”, 54% dos italianos; 69% dos austríacos e 73% dos alemães querem o euro como moeda comum.

Mas a mesma pesquisa aponta que apenas um em cada três europeus têm uma visão positiva da UE. E a derrota do referendo proposto por Renzi, que culminou em sua saída do governo italiano, cuja economia vive uma preocupante crise, mostra que há terreno para o avanço do Cinco Estrelas e seu histriônico líder.

oglobo.globo.com | 11-12-2016

PARIS - O grupo PSA Peugeot Citroën — segunda maior fabricante dos veículos da Europa — está aumentando os investimentos em venture capital para ganhar acesso a tecnologias de última geração para automóveis, como aplicativos de carona, baterias e computação em nuvem. PSA 0912

A Peugeot Citroën vai investir em fundos de venture capital por meio da nova unidade Business Lab, que permitirá à empresa comprar participações em startups que não desejam envolvimento direto de uma grande corporação, disse Anne Laliron, responsável pela divisão.

O fundo fez seu primeiro investimento em uma gestora de ativos que apoiou o serviço de streaming de música Deezer.

— O desenvolvimento de capital de risco é uma ferramenta novíssima para nós — disse Anne Laliron. — Algumas startups não têm interesse em um investidor corporativo, portanto procuramos colaborar com elas de maneiras diferentes.

A Business Lab da PSA recebeu a missão de encontrar e testar novas tecnologias e faz parte dos esforços na direção de serviços de mobilidade anunciados pelo presidente Carlos Tavares em abril, em meio a um movimento em todo o setor em favor da redução da emissão de poluentes, de serviços digitais e opções de propriedade de veículos.

As montadoras tradicionais concorrem com a Uber Technologies, a Apple e outras empresas que desenvolvem novos modos de transporte.

A Volkswagen, maior montadora da Europa, lançou nesta semana o negócio de serviços de mobilidade Moia, projetando que a divisão vai gerar parcela significativa de seu lucro nos próximos anos. Já a Daimler lançou uma plataforma de compartilhamento de carros particulares chamada Croove.

Desde que anunciou sua estratégia de mobilidade, a PSA revelou investimentos na provedora de compartilhamento de veículos Communauto, do Canadá, e nas francesas Koolicar e TravelerCar, do mesmo ramo. A PSA também investiu na plataforma online Autobutler, da Dinamarca, que conecta oficinas mecânicas e clientes.

Outro lançamento foi a marca Free2move, que oferece serviços de compartilhamento de veículos, gestão de frotas, arrendamento de automóveis e conectividade.

Além desse fundo com capital inicial de 100 milhões de euros (US$ 107 milhões), a Business Lab também pretende realizar parcerias diretas com fornecedores de tecnologia de mobilidade, disse Anne Laliron. O foco da unidade será em tecnologia limpa, inteligência artificial, análises e comércio eletrônico.

oglobo.globo.com | 09-12-2016
O Banco Central da Alemanha, ou Bundesbank, elevou hoje suas projeções de crescimento do país para este e o próximo ano, uma vez que as famílias continuam consumindo em meio a um mercado de trabalho forte e ao avanço na renda pessoal.Em relatório semestral, o BC alemão agora prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) da maior economia da Europa terá expansão de 1,8% tanto em 2016 quanto em 2017. Em junho, a projeção do Bundesbank era de crescimento de 1,6%. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 09-12-2016

NOVA YORK - As perspectivas para bancos brasileiros são negativas para 2017, mesmo com a economia do país dando sinais de estabilização, afirmou a agência de classificação de risco Moody's nesta quinta-feira.

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Em relatório, a Moody's avaliou que o crescimento econômico lento enfraquece ambientes operacionais e a qualidade dos ativos de bancos no Brasil e nos demais países da América Latina, enquanto custos de crédito maiores provocarão um declínio modesto dos lucros.

"O cenário global adverso, incluindo a desaceleração econômica na China e o baixo crescimento na Europa, vão impedir uma forte recuperação dos preços das commodities e pesar sobre a atividade econômica na América Latina", disse Aaron Freedman, diretor associado da Moody's.

oglobo.globo.com | 08-12-2016

A multiplicidade de nações adjacentes fez da Economia da Europa uma das mais complexas do planeta. Durante séculos a Europa foi o centro econômico do planeta. Entre as causas, podemos citar como a principal sua condição geográfica. A localização entre a África e a Ásia, fez da região europeia um ponto de passagem obrigatório, e facilitou de forma substancial a absorção e irradiação dos conhecimentos, tecnologia e comércio de ambos continentes. Esta condição perdurou até ao século XX. No século XX, a Europa viu seu predomínio declinar em relação aos Estados Unidos, o Japão e, na fase final, a China. A Primeira e Segunda guerra mundial, travadas em seu território, a carência de energia, de petróleo, além de uma intensa rivalidade entre seus povos, representaram para o continente a perda de sua liderança econômica. A Europa não tem auto-suficiência na produção de energia, exigindo a importação de muito petróleo. Este produto só é extraído em quantidades consideráveis na Rússia e no Mar do Norte. O gás natural, outro produto bastante usado na geração e produção de energia é muito abundante na Rússia, Romênia, Países Baixos e no Reino Unido. Outro recurso energético que teve grande importância nas fases iniciais da revolução industrial foi o carvão mineral, muito abundante, sobretudo na Alemanha, Polônia, Rússia, Reino Unido. Todas estas fontes energéticas são extremamente poluidoras e causam grandes impactos ambientais em todo o planeta. No caso da energia limpa, ou seja, não poluidora, podem ser citadas a energia hidráulica, energia eólica, e energia solar, de baixa produção e utilização da Europa, devido às suas condições geográficas. A produção de energia nuclear na Europa é muito importante, e, a exemplo dos Estados Unidos, gera imensas quantidades de lixo atômico, cujo fim, desde o início de sua utilização, é muito nebuloso e nunca divulgado na mídia mundial.


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