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Europa Economia

SÃO PAULO - A semana será marcada pelas discussões em torno das reformas econômicas e a divulgação de dados fiscais. O governo Temer se esforça para conseguir apoio para concluir as mudanças nas regras para aposentadoria e também nas leis trabalhistas, mas encontra dificuldade em encontrar apoio na própria base.
José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, lembra que os desdobramentos da "Lista de Fachin", que determinou a abertura de inquérito contra oito ministros de Temer, além de dezenas de outros políticos, podem dificultar essas negociações. "O ambiente tenso em Brasília tempera as negociações sobre a reforma da previdência e trabalhista. A temperatura vai subindo na medida em que maio se aproxima e alista de Fachin tem desdobramentos "inesperadamente esperados"", afirmou, em relatório a clientes.
Para tentar apoio à Reforma da Previdência, o governo já cedeu em alguns pontos. Mas dada a continuidade do impasse, a votação em plenário pode ser adiada. Em outra frente, o governo tenta aprovar as mudanças nas regras trabalhistas, que por não se tratar de tema constitucional tem uma tramitação mais simples.
Os economistas e analistas também estarão de olho nos dados econômicos, em especial as referentes às contas públicas.
No exterior, o principal fato de atenção é a repercussão em torno do primeiro turno das eleições presidenciais na França. No segundo turno estão o social-liberal Emmanuel Macron, considerado um candidato de centro, e a nacionalista Marine Le Pen, de extrema direita. Está em jogo a permanência do país na União Europeia.
Nos Estados Unidos, que conhecerá os dados do PIB do primeiro trimestre na sexta-feira, o presidente Donald Trump deve divulgar mais informações sobre os planos de incentivo à economia.



DIA 24 - Eleições na França
Os mercados internacionais estarão de olho nas repercussões do primeiro turno da eleição para presidente na França. O social-liberal Emmanuel Macron, favorável à permanência do país na União Europeia, e a nacionalista Marine Le Pen disputam o segundo turno em 7 de maio.
DIA 25 - Reformas
A comissão especial da Reforma da Previdência discute o parecer do relator, Arthur Maia. O governo pode adiar a votação das mudanças nas regras de aposentadoria para garantir mais apoio. Também estão no radar as discussões em torno da reforma trabalhista.
DIA 26 - Crédito
O Banco Central divulga os dados referente ao comportamento do crédito e da inadimplência no mês de março. Será possível verificar se os juros dos empréstimos já começaram a cair para o consumidor, refletindo a queda da Selic, e se a taxa de calotes dá sinais de melhora.
DIA 27 - Contas Públicas
Saem na quinta-feira os dados de arrecadação e despesa do governo central. Os analistas vão estar de olho, principalmente, no comportamento das receitas, que estão demorando mais para reagir e podem comprometer a meta de déficit primário (despesas acima das receitas, sem contar os gastos com juros).
DIA 28 - EUA
O Departamento de Comércio dos Estados Unidos divulga os dados do Produto Interno Bruto (PIB) referente ao primeiro trimestre. A expectativa é de um crescimento anualizado de 1,2%. Além do comportamento dos três primeiros meses do ano, analistas e economias avaliam as novas medidas do governo de Donald Trump. Cinco fatos que vão mexer com a economia na semana Cinco fatos que vão mexer com a economia na semana Cinco fatos que vão mexer com a economia na semana Cinco fatos que vão mexer com a economia na semana Cinco fatos que vão mexer com a economia na semana

oglobo.globo.com | 24-04-2017

A parceria entre Brasil e Espanha é fecunda e bem-sucedida em muitas áreas, e em ciência, tecnologia, inovações e comunicações. Raízes históricas poderiam explicar parte do que já se alcançou. Mas o presente e o futuro apontam, de modo inegável, para resultados a serem alcançados por meio de fluxos de informação cada vez maiores e mais velozes. Resultados que deverão redefinir a ideia mesma de navegação, agora em tempos de globalização e de internet.

Se nossos países carregam tanta similaridade, também são notórias as semelhanças no setor em que atuamos e buscamos contribuir com o desenvolvimento dos dois países.

Mantivemos uma profícua reunião em fevereiro, quando de viagem oficial brasileira à Espanha. Serviu como prévia em ciência, tecnologia, inovações e comunicações para visita do presidente de governo Mariano Rajoy ao Brasil, nestes dias 24 e 25 de abril. Visita há muito aguardada e que se concretiza pelo reconhecimento do governo de Michel Temer sobre a importância de multiplicarmos potencialidades entre os países.

As semelhanças nos níveis de desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação favorecem parcerias bilaterais. Já firmamos um Plano de Ação em Ciência e Tecnologia e um acordo sobre cooperação em nanotecnologia. E iremos avançar mais.

E, por isso, na missão do presidente Rajoy, teremos importantes acordos de cofinanciamento de projetos conjuntos, envolvendo agências brasileiras e espanholas de pesquisa e ciência. O I Fórum Brasil-Espanha, a ser realizado em São Paulo, durante a missão espanhola, impulsionará essas discussões.

Prevê-se também a construção de um novo cabo submarino de fibra óptica entre a Europa e a América do Sul, em associação entre Espanha e Brasil, que ampliará a oferta e a velocidade de tráfego internacional, com redução de custos e incremento da segurança de dados.

Os dois países efetuam trocas comerciais que remontaram a mais de US$ 5,1 bilhões em 2016, com pauta variada. A Espanha é um dos maiores parceiros do Brasil quando se trata de investimentos em nível mundial. Em relação às exportações brasileiras para a Espanha, a pauta é diversificada e estimula o desenvolvimento da economia do país latino-americano.

Além disso, vale salientar a importância do aporte das empresas espanholas na década de 90 como contribuintes do desenvolvimento econômico do Brasil. Instalaram-se, cresceram e prosperaram. Geraram riqueza, empregos e contribuíram com o avanço de setores importantes, impactados pela tecnologia.

Brasil e Espanha estão prontos para embarcar em uma nova grande aventura em áreas de ponta, voltadas para o desenvolvimento econômico. Áreas que aliam inovações científico-tecnológicas ao que existe de mais moderno em comunicações.

A evolução da ciência, tecnologia, inovações e comunicações se reflete diretamente na vida dos cidadãos. Com a melhoria da qualidade dos serviços públicos nas áreas de transporte, comunicações, saúde e energia, entre outras. Sabendo disso, os dois países trabalham pela ampliação dos investimentos nesses setores e colocam em marcha políticas públicas impulsionadoras.

Quando a Espanha se reencontrou com o Brasil, há três décadas, em pouco tempo se tornou uma das principais investidoras no País. Agora, é a vez da Ciência, da Tecnologia, da Inovação e das Comunicações: a porta para o futuro. Brasil e Espanha têm as senhas de acesso nas mãos.

Gilberto Kassab é ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do Brasil, e Carmen Vela é secretária de Estado de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Espanha

oglobo.globo.com | 24-04-2017

PARIS - Dentre os 11 candidatos à Presidência da França, os agora postulantes ao segundo turno demonstram posições radicalmente opostas em temas que vão de imigração a economia. O centrista ex-ministro da Economia Emmanuel Macron e a líder da extrema-direita nacionalista, a eurodeputada Marine Le Pen, divergem principalmente sobre o papel da colaboração econômica com a União Europeia e a recepção a refugiados e imigrantes. Entenda melhor algumas destas diferenças. LINKS BOCA DE URNA

Aos 39 anos, Macron concorre pelo partido que fundou em 2016, o Em Marcha!. Ele se posiciona como um liberal social e defende uma terceira via política diante da tradicional disputa entre o Partido Socialista (de cujo governo fez parte) e Os Republicanos (antigo União por um Movimento Popular, de centro-direita). Na sua campanha, usou muito as redes sociais para se mostrar como figura de forte contraponto aos demais candidatos num cenário dividido. Começou com poucas chances, mas rapidamente ganhou espaço e passou a liderar as intenções de voto até o fim, com pequena vantagem sobre os principais rivais.

Entre suas principais propostas, Macron defende uma redução no quadro de funcionários do Estado e redução do gasto público; maior acesso ao mercado comum da União Europeia e maior união econômica dentro do bloco; um sistema universal de seguro desemprego a partir de impostos; subsídios à energia limpa e aos alimentos orgânicos; proibição da contratação de parentes no setor público; limitação do número de mandatos de parlamentares; vale-cultura para jovens; novos postos de contratação de agentes de polícia e segurança; serviço militar temporário obrigatório; maior avaliação de antecedentes e solicitações de asilo.

Já Le Pen tem uma candidatura altamente polêmica, que preocupa os vizinhos europeus. Com forte discurso ultranacionalista, a líder do partido Frente Nacional (FN) não economiza em promessas agressivas contra imigrantes — num estilo semelhante ao do presidente dos EUA, Donald Trump, de quem é confessa admiradora. Seu programa defende ainda maior soberania da economia francesa, aplicando medidas protecionistas para fortalecer a indústria nacional.

Entre suas principais propostas, Le Pen quer negociar a saída da zona do euro e o afastamento das regras de fronteiras da UE; diminuir tratados de livre comércio; reduzir a imigração anual para até 10 mil pessoas; restringir condições de asilo e união familiar de migrantes; melhorar condições de aposentadoria e apoio financeiro para franceses; impostos para produtos que venham de empresas que saíram da França; restringir a saída de empresas; desfiscalizar horas extras no trabalho; proibir o cultivo de transgênicos; reforçar a polícia e agentes fronteiriços; abandonar a direção da Otan; investir mais em Defesa; estender o laicismo do Estado.

Entenda a eleição na França em 1 minuto

DIVERGÊNCIAS FEROZES

Macron e Le Pen têm se acusado na campanha por divergências que envolvem a relação econômica da França com a UE. Ela quer taxar as importações de dentro do bloco, enquanto Macron alega que o efeito do protecionismo seria negativo para as exportações francesas.

O movimento político liderado por Macron não se identifica nem de direita nem de esquerda. Ele diz que sua intenção é renovar a elite política francesa. Seu princípio geral de campanha busca unir estímulos ao livre mercado com medidas de amparo social, com moldes semelhantes aos do "New deal" americano de Franklin D. Roosevelt.

A seis dias da votação, Le Pen prometeu suspender toda a imigração legal para o país, a fim de conter “uma situação louca e descontrolada”, e bloquear a liberação de vistos de longo prazo — para que o governo possa verificar se migrantes estão tirando empregos dos cidadãos franceses. Ela também quer fechar as fronteiras e cobrar impostos de qualquer empresa que contrate trabalhadores estrangeiros.

Filha de Jean-Marie Le Pen — um dos históricos defensores da extrema-direita francesa, que foi expulso da FN em 2015 —, a candidata também fala em deixar a zona do euro. Ela diz que a França se prejudicou com a criação da moeda única, reduzindo a produção industrial do país, enquanto a Alemanha saiu em vantagem. Numa proposta ainda mais radical, defende a realização de um referendo sobre a permanência francesa na União Europeia (UE), seguindo o caminho aberto pelo Brexit no Reino Unido.

Quem é Marine Le Pen, a candidata que lidera a corrida presidencial na França?

oglobo.globo.com | 23-04-2017
Os eleitores franceses estão de mau humor: ao se dirigirem às urnas neste domingo, estão dispostos a enviar um completo estranho, talvez da extrema-esquerda ou da extrema-direita, para o segundo turno da eleição presidencial. A causa desse mau humor não é difícil de encontrar. A economia da França é uma das mais fracas entre os países avançados. O desemprego tem se mantido em cerca de 10% há quatro anos e está bem acima da média da União Europeia. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 23-04-2017

PARIS — Em eleições acirradas marcadas pela incerteza, a França sai às urnas neste domingo para o primeiro turno da votação que escolherá seu novo presidente. Enquanto o país vive um momento delicado, alguns temas sensíveis protagonizaram a disputa: a crise migratória, a relação com a União Europeia (UE) e a ameaça terrorista. Conheça os programas dos cinco principais candidatos à Presidência francesa.

Europa: PARTIR OU REFORMAR?

A questão europeia agita as tradicionais divisões francesas desde que o general Charles de Gaulle (1890-1970) e os comunistas combatiam a integração europeia, então defendida por centristas e socialistas.

Mais tarde, nos referendos realizados em 1992, sobre o Tratado de Maastricht, e em 2005, sobre a Constituição europeia, os votos "sim" e "não" recrutaram partidários à esquerda e à direita do espectro político.

E o mesmo se repete desta vez, nas eleições presidenciais de 2017. A líder da extrema-direita, Marine Le Pen, e o ícone da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, acusam Bruxelas de impor a austeridade fiscal à França; e, por isso, defendem a saída francesa da União Europeia, se as negociações não permitirem transformações profundas. A campanha eurocética segue o caminho aberto pelo Brexit no Reino Unido.

Os outros candidatos querem transformar a UE, mas não deixá-la. Por exemplo, o socialista Benoît Hamon quer o alívio no rigor orçamentário. E, assim como o centrista Emmanuel Macron, propõe um Parlamento da zona do euro e investimentos maciços europeus. O candidato da direita, François Fillon, diz que renegociaria o Acordo de Schengen, para controlar ainda mais as fronteiras da UE.

IMIGRAÇÃO E ISLÃ

François Fillon e Marine Le Pen defendem uma política de imigração restritiva, sobretudo frente à crise de refugiados na Europa. Os dois candidatos querem medidas que limitem o reagrupamento familiar, os benefícios sociais para os imigrantes e a concessão da nacionalidade francesa.

À esquerda, Benoît Hamon e Jean-Luc Mélenchon não fazem da imigração ou da concessão de asilo a refugiados um tema dominante nsa suas campanhas. No entanto, Hamon propõe um visto humanitário para os refugiados; e ambos dizem que concederiam direito de voto aos estrangeiros nas eleições locais.

Ao centro, Emmanuel Macron não considera oferecer direito ao voto para os estrangeiros. Mas, assim como Hamon, destaca a discriminação na contratação da jovens da periferia.

Conheça os candidatos à Presidência da França

INSTITUIÇÕES

Este é um assunto bastante delicado nas eleições. Fillon e Macron afirmam que não desejam mudar a Constituição. Enquanto isso, Mélenchon e Hamon querem uma VI República, com menos poder ao chefe de Estado e mais referendos estaduais de iniciativa popular.

Os referendos também são prometidos por Le Pen, que promete incluir as preferências nacionais na Constituição.

Fillon também promete criar cotas de imigração e é o único que não quer introduzir a representação proporcional nas eleições — os outros candidatos defendem, em diferentes graus, a mudança no sistema de votação.

Já Macron e Hamon prometem exigir dos políticos eleitos uma ficha judicial limpa. Mélenchon diz que, se eleito, os condenados por corrupção, se tornariam inelegíveis em caráter definitivo.

ECONOMIA E SOCIEDADE

Tradicionalmente, as questões econômicas e sociais opõem direita e esquerda. Mas nesta história Le Pen é exceção: a sua estratégia para atrair classes populares leva o seu programa menos à direita do que Fillon, cuja linha econômica é bastante liberal.

Fillon diz que a idade de aposentadoria seria gradualmente aumentada para 65 anos. Hamon e Macron, enquanto isso, falam em mantê-la em 62 anos, com algunas exceções. E Le Pen e Mélechon prometem reestabelecê-la em 60 anos.

Além disso, Fillon diz que revogaria a carga horária de trabalho obrigatória de 35 horas semanais. Macron e Le Pen prometem mantê-la, com modulações, derrogações e horas adicionais. Hamon e Mélenchon querem reduzir o tempo de trabalho.

O imposto sobre grandes fortunas (ISF) seria suprimido por Fillon, amenizado por Macron, mantido por Le Pen, fundido ao imposto sobre a propriedade por Hamon e reforçado por Mélenchon.

Fillon promete eliminar 500 mil cargos públicos e Macron 120 mil, enquanto Mélenchon diz que criaria 200 mil postos de trabalho no setor.

ENERGIA NUCLEAR

Mélenchon e Hamon dizem que abandonariam progressivamente a energia nuclear, defendida por Fillon e Le Pen. Macron, por sua vez, diz que reduziria a sua importância.

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oglobo.globo.com | 23-04-2017

BRASÍLIA — O presidente de governo da Espanha chega nesta segunda-feira ao Brasil para uma visita de dois dias — a primeira de um líder europeu ao país desde que o presidente Michel Temer tomou posse, em maio de 2016. Ele passará por Brasília e São Paulo. Em entrevista ao GLOBO, por escrito, Rajoy revelou que a economia dominará a conversa com Temer, afirmou que o Brasil é parceiro estratégico e enfatizou que o terror só será combatido com esforço internacional. Rajoy_2304

A União Europeia enfrenta um momento de indefinições e incertezas ante a saída do Reino Unido do bloco. Quais são as consequências do Brexit?

Não existe um Brexit bom. Nós sempre estivemos contra o Brexit, e continuo pensando que não é bom nem para a Europa nem para o Reino Unido. O que devemos, agora, é tentar fazer uma negociação inteligente e rápida, que limite ao máximo os danos que serão causados com a saída do Reino Unido da UE. As consequências serão de todos os tipos e serão constatadas com o tempo. A prova é que a maioria dos principais responsáveis pelo Brexit se retiraram do primeiro plano para não terem que enfrentar as consequências de seus discursos.

Qual a sua expectativa sobre um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia?

Creio que, agora, temos as condições mais favoráveis para essas negociações. De fato, na última reunião do Conselho Europeu foi decidido, a pedido de Espanha e Portugal, acelerar os contatos para firmar o acordo com o Mercosul e atualizar o que já existe com o México. A Europa, que está saindo de uma crise gravíssima, continua apostando no livre comércio e isso é uma boa notícia para todo o mundo. O comércio continua sendo um dos motores mais potentes do crescimento, ao sustentar milhões de postos de trabalho e fomentar a prosperidade. Os momentos mais graves na crise da União Europeia

Qual avaliação o senhor faz da situação política hoje na Europa, com os ventos nacionalistas bem fortes em alguns países? O senhor acha que esses movimentos vão crescer ou são uma onda passageira?

Sou um europeísta convicto, como a maioria dos espanhóis. Portanto, não compartilho dessas posições contrárias à União Europeia. Acabamos de celebrar os 60 anos do Tratado de Roma e não há mais necessidade de se comparar a História da Europa nestes 60 anos e a que sofremos nos 60 anos anteriores: nem mais nem menos do que duas guerras mundiais e todos os tipos de totalitarismos. A Europa é um êxito indiscutível, por mais que alguns tenham decidido convertê-la numa espécie de madrasta responsável por todos os males, quando foi totalmente o contrário. Saberemos dar uma resposta às preocupações dos cidadãos e definir um rumo para os próximos anos. A Europa sairá fortalecida desta crise. Sete consequências e insatisfações deixadas pelo Brexit

A própria Espanha e o senhor enfrentaram grandes dificuldades para formar o governo atual, após um ano e várias tentativas fracassadas. A Espanha foi berço de novos partidos bem polarizados, tanto de esquerda como de direita e ainda convive com a questão da Catalunha. Diante desse quadro, o senhor diria que o modelo político vigente se esgotou?

Esse modelo que alguns dizem que está esgotado ajudou a Europa a criar um sistema de proteção social sem comparação com o resto do mundo e é um exemplo de respeito às liberdades e aos direitos das pessoas. No caso da Espanha, a evolução é ainda mais chamativa: há muitos poucos países no mundo que tenham experimentado um progresso como o da Espanha, e isso se deu com um modelo bipartidário, baseado na moderação e na capacidade de alcançar grandes consensos nacionais. Creio que ninguém pôde demonstrar que haja uma fórmula melhor, ou que renda melhores resultados para as pessoas. Os populistas prometem tudo, mas na hora da verdade, eu não conheço nenhum governo populista que tenha feito seu país prosperar. Outra coisa é que sempre devemos estar abertos a fazer reformas e melhorar o sistema. Essa vontade deve estar sempre aí.

O Brasil passa por momento de transição após o Congresso ter feito o impeachment da ex-presidente Dilma. Como a Espanha acompanhou esse processo e qual avaliação o senhor faz do atual momento do Brasil?

Acompanhamos o Brasil com a atenção e o interesse que nos desperta qualquer país que é um sócio estratégico e com o qual compartilhamos interesses e valores. Temos seguido de muito perto os acontecimentos políticos no Brasil, mas com a tranquilidade e a confiança de que há solidez nas suas instituições.

O que o senhor elegeria como mais importante a ser acertado em seu encontro com o presidente Michel Temer durante sua visita ao Brasil?

Esta viagem tem um inegável componente econômico, que desejaria ressaltar. O Brasil é o terceiro maior destino dos investimentos espanhóis no mundo, só atrás dos Estados Unidos e do Reino Unido, e, de todos os países que investem no Brasil, a Espanha é o terceiro, depois dos Países Baixos e dos EUA. Em 2014, a Espanha tinha um estoque de investimentos de € 47,202 bilhões, e nossas empresas fizeram uma aposta estratégica no futuro deste país. Também espero tratar com o presidente Temer a questão das negociações entre a União Europeia e o Mercosul. Como sabem, a Espanha é o impulsor mais firme da UE para uma aproximação comercial e também política entre as duas regiões.

O governo Temer prepara um amplo processo de concessões em áreas estratégicas de infraestrutura e logística. Como os empresários espanhóis estão se preparando?

Como dizia, nos momentos de maior dificuldade, as empresas espanholas demonstraram que sua aposta no Brasil era de longo prazo. Agora, podem oferecer sua experiência internacional e sua liderança em setores, como infraestrutura de transportes, energia, telecomunicações e meio ambiente. O governo espanhol também está disposto a apoiar, com instrumentos financeiros, aquelas companhias que queiram aproveitar a oportunidade de se internacionalizar.

Em sua opinião, como operações da Polícia Federal como a Lava-Jato, que atingiu as principais empreiteiras do Brasil e está investigando um gigantesco esquema de corrupção envolvendo agentes públicos, influencia na imagem internacional do Brasil?

A corrupção é sempre condenável e deve ser combatida de maneira implacável no Brasil, na Espanha e em todo o mundo. Contra esse flagelo, é preciso apoiar o trabalho de instituições fiscais, procuradores, juízes e forças de segurança. Esse tipo de operação demonstra a sua independência. É certo que também produzem alarme e mal-estar na população, mas são a prova evidente de que as instituições funcionam e não existe impunidade. Seis atentados terroristas em 30 dias de 2016

A Espanha e outros países da Europa têm sido alvos frequentes de ataques terroristas. O que o senhor pode comentar sobre isto?

A Espanha tem sofrido durante muitos anos a violência do ETA, que, felizmente, está em vias de desaparecer. Mas, agora, todos os países enfrentamos outro tipo de ameaça, que é a do terrorismo jihadista. É uma ameaça global, que requer uma resposta global da comunidade internacional. É preciso atuar sobre as novas formas de doutrinação, intercambiar informações entre os diversos serviços de Inteligência, atuar sobre os mecanismos de financiamento das redes e prevenir o fenômeno dos combatentes retornados. Sem dúvida, superaremos essa ameaça, como temos superado outras no passado. Mas só poderemos fazê-lo com muita cooperação internacional.

oglobo.globo.com | 23-04-2017

Numa feliz ironia, candidatando a deputada Renata Abreu ao prêmio “Trabalho Escravo de 2017”, que quer isenção de direitos para músicas tocadas em rádios, igrejas, motéis, hotéis, academias, o cineasta Cacá Diegues, em sua coluna no GLOBO, comunga com todos os artistas ao condenar mais uma tentativa de burlar os sagrados direitos autorais do criador.

Por extensão, também roteirista e diretor, faço minha sua revolta clamando pela igual alforria para realizadores do audiovisual (cinema, televisão, animação), hoje reféns de uma Lei de Direito Autoral, nascida na proto-história do digital em 1988, a exigir urgente atualização.

Excetuando músicos e intérpretes, nossos inestimáveis parceiros que já garantem seu numerário pela comunicação e reutilização públicas de suas criações, para diretores e roteiristas a LDA é manquitola, quando não ambígua, portanto, ineficaz.

Nesses tempos do impune tsunami da internet e seus infindáveis repiques, somos todos órfãos de pagamento pela gratuita veiculação do nosso estro em plataformas e suportes, digital e não digital.

Diante desse infortúnio institucional e pecuniário estamos em descompasso com o processo civilizatório que vige na América Latina/Caribe, Canadá, Europa/Leste, África, Oriente Médio e Ásia/Pacífico que, ao dignificar a profissão de roteiristas e diretores, consagra o mantra da mais absoluta contemporaneidade: direito autoral é o salário do criador.

Não é de admirar que direito de autor conste da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU (1948) e assim deveria ser encarado por todos os signatários da Convenção de Berna (Suíça, 1886), como o Brasil, na qual há mais de cem anos, mundo afora, é defendida e garantida essa prevalência.

Na mesma batida é hoje o ordenamento jurídico da Comunidade Europeia, que subscreve a necessidade da intransferível e irrenunciável remuneração a diretores e roteiristas tal qual músicos, dramaturgos e intérpretes que, por todos os méritos, de há muito navegam nessa inelutável conquista, capilarizando a economia criativa do país, pois direito autoral é mercado!

A escandalosa supressão de pagamento a roteiristas e diretores pela fruição pública de suas obras vem chamando a atenção de gestores públicos e privados, advogados de direitos autorais e propriedade intelectual, inclusive sensibilizando Legislativo e Executivo de inúmeros países, como Chile, onde a presidente Michelle Bachelet acaba de assinar a Ley Ricardo Larraín (premiado diretor daquele país).

“Criadores sem direitos autorais é o mesmo que cidadãos sem direitos políticos” — completa o advogado chileno, Santiago Schuster, diretor para América Latina e Caribe da poderosa Confédération Internacionale des Sociétés d’Auteurs et Compositeurs (Cisac). A Colômbia está prestes a aprovar sua lei própria.

A modernidade está cobrando seu preço com o Brasil assumindo a responsabilidade de se alinhar imediatamente a esse processo de total pertinência moral, financeira e humanitária.

Sylvio Back é cineasta

oglobo.globo.com | 21-04-2017
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou sua previsão de crescimento para o Reino Unido, afirmando que a economia britânica se mostrou mais resistente à votação do Brexit do que se esperava. O fundo acrescentou, ainda, que ainda antecipa um crescimento moderado para o Reino Unido nos próximos anos, uma vez que a decisão de tirar os britânicos da União Europeia provavelmente afetará o comércio e o investimento. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 18-04-2017

PARIS — Um clima de Guerra Fria surgiu na França desde que Jean-Luc Mélenchon, candidato nas eleições presidenciais pelo movimento de esquerda radical França Insubmissa, cresceu nas pesquisas de opinião a ponto de poder reivindicar uma passagem ao segundo turno no próximo domingo e uma eventual vitória na disputa pela sucessão do presidente François Hollande. A perspectiva de que Mélenchon possa se tornar o próximo inquilino do Palácio do Eliseu provocou temores — “verdadeiros ou simulados”, como apontam analistas — no mercado financeiro e em investidores, ressuscitando antigos discursos contra a “ameaça comunista”. Seus principais adversários na corrida presidencial passaram a considerá-lo como um sério concorrente e alvo privilegiado de ataques. françca

Sem deixar de responder aos críticos, o autoproclamado candidato “antissistema” prossegue sua campanha reunindo centenas de milhares de pessoas em seus comícios, apresentando-se como a única e real opção de ruptura com o atual modelo político e econômico.

— Hoje se fala no “risco Mélenchon” para os bancos e o sistema financeiro. Que risco? Eu sou perigoso? — ironizou ontem o próprio candidato, num de seus encontros com eleitores.

O candidato direitista François Fillon acusou-o de “sonhar em ser o capitão do encouraçado Potemkin (navio russo palco de um motim em 1905, tema do célebre filme do cineasta Serguei Eisenstein), mas que acabará negociando a sucata do Titanic”. O presidenciável centrista Emmanuel Macron chamou-o de “revolucionário comunista”, e a líder da extrema-direita, Marine de Le Pen, do partido Frente Nacional (FN), de “imigracionista absoluto”. Já o jornal conservador “Le Figaro” não hesitou em rebatizá-lo de “Chávez francês”, em alusão ao falecido presidente venezuelano Hugo Chávez, e “Maximilien Ilitch Mélenchon”, numa combinação dos nomes do revolucionário Maximilien Robespierre (do período do Grande Terror da Revolução Francesa de 1789) e de Vladimir Ilitch Lenin (um dos líderes da Revolução Russa de 1917).

Para Bruno Cautrès, do Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences-Po), é preciso distinguir o medo exagerado e fantasioso das reais consequências na hipótese de uma vitória Mélenchon.

— Se ele ganhar a eleição presidencial, a França não vai retroceder no tempo e passar à dominação soviética. Mélenchon se reivindica como alguém de tradição gaullista, numa posição nacional típica, mas com uma tonalidade da cultura da esquerda, na ideia de independência e da não submissão aos EUA. Já em relação à Europa, no entanto, o caso é outro. Conheça os candidatos à Presidência da França

AMEAÇA DE SAÍDA DA UNIÃO EUROPEIA

O programa de Jean-Luc Mélenchon prevê uma renegociação dos atuais tratados europeus, com o abandono da austeridade e um incremento de investimentos em políticas públicas. Em caso de fracasso no estabelecimento de novas regras, numa anunciada queda de braço com a chanceler federal alemã, Angela Merkel, ele ameaça com o Frexit, a saída da França da União Europeia (UE), a exemplo do que ocorreu no Reino Unido.

— Uma parte da esquerda francesa acusa a Europa pelas políticas de restrição orçamentária e de austeridade na França. Mélenchon não é o antieuropeu visceral da FN, que acentua a soberania e a identidade nacional. Nele, temos a combinação entre a tradição intelectual da esquerda internacionalista e um discurso crítico em relação à Europa liberal e suas instituições. Mas é verdade que, oferecer todos os benefícios sociais que promete, só será possível via renegociação dos tratados europeus ou pela saída da Europa — diz Cautrès.

Em nível nacional, Mélenchon prega a diminuição do idade de aposentadoria de 62 para 60 anos; aumento da remuneração do funcionalismo público e do salário mínimo — dos atuais € 1.150 para € 1.326 — ou um maior rigor na aplicação da lei de 35 horas de trabalho semanais, com possível redução a 32h. O Observatório Francês das Conjunturas Econômicas (OFCE) avaliou o programa econômico do candidato como incoerente, acusando-o de não levar em conta as obrigações externas e as finanças públicas do país.

— É verdade que seu programa econômico não se adéqua muito aos limites da França, que já possui uma dívida pública muito importante, de mais de € 2 trilhões. Mas além de econômica, trata-se também de uma questão ideológica. Mélenchon fez uma boa campanha, e uma boa parte do eleitorado decidiu mostrar que a esquerda não está morta. O tema desta eleição é o “sistema”, principalmente após as denúncias de corrupção (contra François Fillon). Há uma tendência de “varrer o sistema”, o que explica em parte a dinâmica Mélenchon — conclui Cautrès.

Em duas pesquisas divulgadas ontem, Mélenchon aparecia com 18% de intenções de voto. Macron mantinha-se em primeiro, com 24% e 22%, em empate técnico com Le Pen, que obtinha 23% e 22%. Já Fillon vinha com 21% e 19,5%. Quem é Marine Le Pen, a candidata que lidera a corrida presidencial na França?

oglobo.globo.com | 18-04-2017

RIO e ISTAMBUL — Ibrahim Dogus, diretor do Centro de Estudos Turcos, critica censura no país e afirma ser improvável que a Turquia consiga completar um processo de integração ao bloco nos próximos dez anos. Turquia_domingo

Como a disputa com a Holanda e a Alemanha fortaleceu o discurso do presidente Recep Tayyip Erdogan às vésperas do referendo?

A crise que sucedeu a tentativa fracassada de golpe em julho fez com que Erdogan precisasse sair em busca de apoio, e ele soube usar as oportunidades para elevar tensões no país. Ele se aliou ao MHP, um partido nacionalista e racista que usa a minoria curda como bode expiatório. E — a menos que consiga um novo acordo com os curdos e se aproxime do Partido do Povo Republicano (CHP, principal legenda da oposição) — terá problemas, já que seus aliados enfrentam fortes divisões internas.

De que maneira as emendas constitucionais aumentam o poder do presidente?

Erdogan diz que as novas medidas irão modernizar a Turquia, transformando-a numa democracia ao estilo americano, mas isso não poderia estar mais distante da verdade. O governo já ignora o Estado de direito, e Erdogan já decide o destino do país praticamente sozinho. Com as novas medidas ele será capaz nomear juízes e compor tribunais, e a mínima autonomia que o Judiciário tenta manter será extinta.

Nos últimos anos, o governo turco intensificou a repressão à imprensa, prendendo jornalistas e fechando veículos. Quais os riscos para a imprensa caso Erdogan triunfe no referendo?

Hoje, menos de 10% da imprensa turca podem ser considerados livres. Todos sofrem censuras, e muitos simplesmente ignoram a política e não se atrevem a cobrir nada que possa desagradar ao governo. Na Turquia, é difícil imaginar que esse cenário possa piorar muito mais.

Entenda o referendo na Turquia em um minuto

Como a retórica de Erdogan ameaça a relação com a Europa, e seus planos de levar o país à União Europeia?

É muito improvável que a Turquia consiga completar um processo de integração ao bloco nos próximos dez anos. Poucos Estados-membros ainda mantêm boas relações com Ancara, e Erdogan usou a crise artificial com Holanda e Alemanha como arma de negociação na questão da crise dos refugiados. No entanto, a Europa já percebe que não pode ser refém, e não creio que essa tática funcione por muito tempo.E quais os passos da oposição no caso de uma derrota?

Apesar das muitas críticas e da economia enfraquecida, há a percepção entre os eleitores de que Erdogan fez coisas incríveis pelo país, e, com uma vitória, a ideia ganhará força. Além disso, ele tem um talento especial para culpar os outros, e isso dificulta a situação da oposição, que já enfrenta complicações muito maiores que as do presidente. A maioria dos opositores está na cadeia, e os líderes de seus partidos estão sem poder algum. (F.B.)

oglobo.globo.com | 16-04-2017

RIO - O brasileiro adora acessar as redes sociais, mas usar a internet do celular para assistir a vídeos, ouvir música e navegar livremente vai exigir não só disposição, como paciência nos próximos anos. Afetado pela crise econômica, o Brasil vai chegar em 2021 entre as últimas posições na corrida pela maior conectividade móvel. A constatação faz parte de uma pesquisa da Cisco, que revela que, em cinco anos, o usuário brasileiro vai consumir 4.201 megabytes (MB) por mês, número que o coloca à frente apenas de África do Sul e Índia em uma lista de 23 países. Celular_1504

Para se ter uma ideia do abismo digital, a Coreia do Sul, a primeira do ranking, vai chegar em 2021 com consumo médio mensal por usuário de 23.892 MB. No levantamento, o Brasil fica atrás da vizinha Argentina, onde o consumo por pessoa será de 5.721 MB. Segundo especialistas, a crise no Brasil afetou a capacidade de investimento das empresas de telecomunicações e o poder de compra das famílias brasileiras. A qualidade, muito questionada pelos usuários, também aparece na lista como um dos fatores que travam o crescimento.

ALTO GRAU DE EXCLUSÃO DIGITAL

Info - consumo de dados mapaAssim, o país vai avançar menos nos próximos anos em comparação a outras nações. O Brasil, onde o consumo por pessoa hoje é de 878 MB mensal, terá alta de 37%, em média, a cada ano. No México, por exemplo, o avanço chegará a 43%, passando dos atuais 740 MB para 4.507 MB. O mesmo vai ocorrer em diversas nações da Europa, como França, Espanha e Reino Unido.

— Muitos desses países estão em um movimento diferente do Brasil, com a digitalização da economia e a própria internet das coisas, que permite a conexão de carros e outros produtos à internet. O Brasil, por outro lado, tem um grau de exclusão alto. A crise afeta as empresas e a capacidade de pagamento das pessoas, que buscam planos mais baratos — diz Giuseppe Marrara, diretor de Relações Governamentais da Cisco Brasil.

Dessa forma, novas tecnologias vão atrasar. A adoção da rede 4,5G, que permite velocidade maior que a 4G, prevista para 2018, deve ficar para 2020, prevê a Huawei.

— A crise adia muitos investimentos. Há uma relação entre a economia e a tecnologia. Na Europa, por exemplo, uma pessoa faz download, em média, de nove aplicativos por ano. No Brasil, assim como em outros países em desenvolvimento, essa média é de dois aplicativos — destaca Kleber Faccipieri, gerente de Marketing da Huawei.

A atriz Sill Esteves conhece bem a velocidade lenta da internet no celular. Ela já ficou na mão várias vezes:

— Pela minha profissão, sempre preciso baixar vídeos para pesquisar algum personagem, ou para compartilhar nas redes sociais algum vídeo que tenha feito, mas geralmente só consigo fazer isso quando chego em algum lugar que tenha Wi-Fi.

MAIOR PARTE DE PRÉ-PAGOS

Rafael Steinhauser, presidente da Qualcomm para a América Latina, diz que o Brasil está mal na qualidade. Ele lembra que o Brasil tem menos espectro alocado para a telefonia móvel do que recomenda a União Internacional de Telecomunicações (UIT):

— Se juntar tudo que as empresas de telefonia móvel já compraram nos leilões, chega-se a 844 megahertz. A UIT diz que o ideal é de 1.800 a 2.000 megahertz. Temos ainda um longo percurso no Brasil. Com a internet das coisas, será preciso mais rede. Apesar de termos 4G, a maior parte dos usuários é 3G e 2G. Quem mais avança no mundo hoje é a China, onde quase todos os celulares já são 4G.

Mas a rede não é o único fator que explica o baixo volume de conexão móvel no Brasil. Atualmente, diz a Anatel, órgão que regula o setor , 67% dos 243 milhões de linhas são de pré-pagos. E, lembra Steinhauser, a maior parte desse contingente não usa internet o mês inteiro.

— Ter um smartphone não significa acessar a internet, pois é preciso uma linha. Os usuários pré-pagos compram pacotes avulsos, não têm internet o mês inteiro.

Para os especialistas, não faltam desafios conjunturais. O maior deles, citam, são as incertezas em relação à Oi, dona da maior rede de infraestrutura do país e que passa por um processo de recuperação judicial com dívidas de R$ 65 bilhões. Além disso, uma instabilidade operacional afetaria todas as outras teles do país.

— Tem a crise da economia, da Oi. Enquanto isso, o resto do mundo cresce e avança — disse um consultor que não quis se identificar.

Na opinião de Eduardo Conejo, gerente de Inovação da Samsung América Latina, a indústria precisa criar novas tecnologias de forma a impulsionar a demanda por conexão e criar novas formas de acesso à internet. A empresa, em parceria com a Sigfox, vem investindo em soluções dentro de universidades para desenvolver tecnologias:

— Temos de buscar soluções mais baratas. Isso é importante, principalmente quando se fala em cidades inteligentes.

oglobo.globo.com | 16-04-2017

BRASÍLIA - A recessão que afetou a economia brasileira no ano passado fez com que o Brasil caísse da 25ª posição em 2015 e para o 28º lugar no ranking de países importadores, com 0,9% das importações globais, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Como país exportador, o Brasil seguiu na 25ª posição, com participação de 1,2% das vendas.

Ainda segundo a OMC, a queda de 9% das importações realizadas pela América do Sul foi puxada pelo enfraquecimento das compras do Brasil, que tiveram uma redução de 13%. As exportações brasileiras seguiram crescendo em volume, com aumento de 8% em 2015 e 4% em 2016. Porém, as vendas aos exterior dos demais países sulamericanos caíram 1,5% em 2016 e se mantiveram estáveis em 2015.

Para 2017, a OMC projeta um crescimento médio de 1,4% do volume das exportações na América do Sul, podendo variar entre 1,3% e 1,6%. Já as importações devem se manter no mesmo patamar do ano passado (crescimento estimado de 0,1%, e banda de -0,6% a +1.0%). Em 2018 as exportações da região devem crescer 2,2% e 2,6%, e a projeção é de que as importações aumentem entre 1,0% e 3,0%.

Conforme a OMC, o comércio mundial cresceu apenas 1,3%, devido, em parte a fatores cíclicos, como a desaceleração da atividade econômica, mas refletiu também mudanças estruturais mais profundas na relação entre comércio e produção econômica. No ano passado, a demanda global foi afetada pela queda nos gastos com investimentos nos Estados Unidos e pela redução da demanda por importações na China no primeiro trimestre do ano.Outros fatores, incluindo a estagnação das importações dos países em desenvolvimento (0,2%), também tiveram impacto no resultado.

"A Ásia e a Europa foram as únicas regiões que tiveram contribuição significativa para o crescimento das importações globais em 2016, com a Europa contribuindo com 1,6 ponto percentual (39% do aumento total) e a Ásia somando 1,9 ponto percentual (49% do total)", diz um trecho do comunicado da OMC.

APESAR DAS INCERTEZAS, COMÉRCIO MUNDIAL DEVE CRESCER

O comércio internacional vai se recuperar nos anos de 2017 e 2018, na avaliação dos técnicos da OMC, mesmo com um cenário de incertezas políticas em boa parte do planeta. Para este ano, a estimativa da OMC é de um crescimento, em volume, de até 3,6%, ante uma fraca expansão de 1,3% em 2016. Para 2018, a alta projetada deve ficar entre 2,1% e 4%.

"A desaceleração das economias emergentes contribuiu para o ritmo lento de crescimento do comércio internacional em 2016, mas a expectativa é que esses países retomem um crescimento modesto em 2017".

Apesar do otimismo em relação a 2017, os técnicos da OMC admitem que ainda é elevado o grau de incertezas no mundo, não só no campo político. Sem citar nomes, como o do assumidamente protecionista presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ele destacam que a recuperação do comércio podem ser afetadas por medidas dos governos nas áreas econômica e comercial.

"O principal fator de risco para essas estimativas são incertezas políticas, incluindo a imposição de barreiras ao comércio e a adoção de políticas monetárias restritivas", enfatiza a OMC.

Segundo a OMC, o rumo pouco previsível da economia global a curto prazo, assim como a falta de clareza sobre a ação dos governos nas áreas monetária, fiscal e comercial, aumentam o risco de que o comércio seja afetado negativamente em 2017. Taxas de juro mais elevadas para o combate à inflação em alguns países, políticas fiscais mais restritivas e a adoção de medidas que limitam o comércio têm a capacidade de minar o crescimento do comércio nos próximos dois anos, alertam os técnicos.

"As previsões mais promissoras da OMC para 2017 e 2018 são baseadas em certos pressupostos e há um risco considerável de que a expansão fique aquém dessas estimativas. Alcançar estas taxas de crescimento depende em grande medida da expansão do PIB global, em linha com as previsões de 2,7% para este ano e de 2,8% para o próximo ano", diz o informe do organismo. "Esta estimativa do PIB pressupõe que as economias desenvolvidas mantenham políticas monetárias e fiscais relativamente expansionistas e que os países em desenvolvimento continuem a se recuperar da desaceleração recente".

oglobo.globo.com | 12-04-2017

MADRI - Em nenhum outro lugar se sente com mais força o Brexit do que em Gibraltar, o enclave britânico de 6km quadrados no Sul da Espanha. Além de perder o acesso ao mercado comum, a saída da União Europeia (UE) poderia prejudicar a economia até agora próspera, baseada em serviços bancários, seguros, turismo e indústria de apostas. gibraltar

O governo espanhol aproveitou a brecha do Brexit para fazer a reivindicação diplomática. O país oferece a Gibraltar — em mãos britânicas há mais de 300 anos — que aceite a soberania espanhola (ou um regime compartilhado) como modo de salvar sua participação na UE.

O conflito aumentou agora, após Michael Howard, ex-líder dos conservadores, dizer que o governo britânico está disposto a defender Gibraltar como fez a então premier Margaret Thatcher com as Ilhas Malvinas: usando intervenção militar.

May baixou o tom após dois dias, mas insistiu que a soberania é inegociável. Ela disse isso a Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, a quem recebeu para avançar nas negociações de saída. Tusk irritara os britânicos quando anunciou que a UE dará à Espanha poder de veto a qualquer acordo que o bloco chegue com o Reino Unido sobre Gibraltar. Isto acelerou a ansiedade de seus moradores.

Se a Espanha tenta forçá-los a mudar de nacionalidade, a lógica indica que bloqueará um eventual pacto que outorgue a Gibraltar a liberdade de circulação e o acesso ao mercado comum, aspectos vitais para que o enclave não entre numa grave crise.

— A fronteira e o acesso ao mercado comum são cruciais. Nós importamos tudo o que comemos. Um terço dos trabalhadores cruza diariamente a fronteira com a Espanha — assinalou Edward Macquisten, chefe da Câmara de Comércio local.

Os moradores de Gibraltar reconhecem o papel da Europa em seu destino: 95,9% deles votaram contra o Brexit. Porém, mesmo assim, é unânime o desejo de manter o vínculo com o Reino Unido.

oglobo.globo.com | 12-04-2017

RIO — A cidade que aspirava ser europeia derrubou cortiços, ampliou ruas, construiu avenidas, canalizou rios, combateu epidemias. O Rio foi a terceira cidade do mundo a implementar uma rede de esgoto, atrás apenas de Londres, na Inglaterra, e Hamburgo, na Alemanha. Os investimentos no saneamento, no entanto, não acompanharam seu crescimento urbano nem seu pioneirismo. Se em 1907, após dizimar 59.065 pessoas, a febre amarela foi erradicada pela primeira vez na capital, hoje, 110 anos depois, a doença volta a atormentar os cariocas, provocando uma verdadeira corrida aos postos de saúde. Embora nenhum caso tenha sido registrado no município até o momento, ainda há com o quê se preocupar: quatro em cada dez cariocas vivem em área sem tratamento de esgoto, valas a céu aberto rasgam a cidade e moradores convivem com abastecimento de água precário e intermitente.

Antes lançado diretamente no mar pelos “tigres” — escravos que tinham a pele listrada pelos detritos que carregavam em barris nas costas —, o esgoto da cidade passou a ser coletado e a receber um estágio inicial de tratamento em 1864, quando foi inaugurada uma estação na Rua do Russel, na Glória. O sistema, administrado pela empresa inglesa The Rio de Janeiro City Improvements Limited, recebia tanto os despejos sanitários quanto as águas pluviais.

— Hoje, nosso sistema é separado, são duas tubulações distintas. Naquela época, não se tratava esgoto biologicamente como se trata hoje, tratava-se por precipitação físico-química. Não era a mesma eficiência que se consegue hoje em dia — explica o professor Isaac Volschan, do Departamento de Recursos Hídricos e Meio Ambiente da Escola Politécnica da UFRJ.

No final de 1887, cerca de 30 mil dos 48.576 imóveis na cidade tinham coleta de esgoto (62% do total). Hoje, de acordo com dados retirados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), 83% das casas têm coleta. Para Volschan, no entanto, o avanço da rede poderia ter sido ainda maior se houvesse vontade política.

— A cidade cresceu sem infraestrutura adequada. A dificuldade de implantação é a mesma. O desafio é que é muito maior, já que o déficit é maior. Continua o mesmo grau de dificuldade que sempre teve. Quando se prioriza BRTs, o Maracanã, o Túnel Marcello Alencar, a derrubada da Perimetral, em detrimento do saneamento, é uma opção política, seja da sociedade ou do administrador público — ressalta.

NO RIO, 23% ESTÃO EM FAVELAS

Se antes os cortiços aglomeravam famílias em habitações populares com condições insalubres, hoje são as favelas, onde moram 23% dos cariocas, segundo dados do Censo de 2010, do IBGE, as que mais sofrem de problemas sanitários e estão mais suscetíveis a doenças.

— É um milagre que a gente não tenha nenhum caso de febre amarela urbana na cidade do Rio porque todas as condições propícias para o desenvolvimento do mosquito estão dadas há décadas. Há um amontoado de pessoas, sobretudo nas regiões mais carentes, falta um sistema de água encanada que atinja toda a população, o que leva as pessoas a estocar água, favorecendo criadouros para os mosquitos e falta saneamento básico para todas as regiões — afirma o historiador Rodrigo César Magalhães, professor do Colégio Pedro II.

A primeira grande epidemia de febre amarela no Rio ocorreu em dezembro de 1849, com a chegada da barca americana Navarre, vinda da Bahia, onde havia surto. Os marinheiros começaram a morrer, mas somente dois meses depois a Academia Imperial de Medicina admitiu, oficialmente, a existência de uma epidemia. A doença só foi erradicada na cidade em 1907, após as campanhas do médico sanitarista Oswaldo Cruz, em meio a críticas e protestos dos cariocas.

No entanto, em 1928, a doença retornou com força total em uma nova epidemia na capital e em outros 43 locais do estado, sendo controlada no ano seguinte, deixando um rastro de 436 mortes.

Desde então, o combate à febre amarela impulsionou a pesquisa científica e o desenvolvimento de vacinas no Brasil. Para Magalhães, os novos casos da doença no estado foram causados pelo relaxamento de medidas de combate à doença, principalmente a vacinação em áreas rurais:

— Uma coisa é o mosquito, depois de ter sido erradicado em 1958, ter retornado ao Brasil ainda em 1967, vindo de outros países que não fizeram seu trabalho. O Brasil consegue erradicá-lo no começo dos anos 70, mas ele volta um ano depois e está aí desde então. Com relação à febre amarela, houve um relaxamento das políticas, sobretudo de vacinação.

DA REVOLTA À CORRIDA PARA VACINAÇÃO

Se hoje a população corre aos postos de saúde para se vacinar contra a febre amarela, no século passado, a obrigatoriedade da imunização contra a varíola, aliada ao desconhecimento sobre a doença, provocou uma das maiores reações urbanas já ocorridas no país: a Revolta da Vacina. De 10 a 18 de novembro de 1904, o Centro do Rio transformou-se numa verdadeira praça de guerra. Insatisfeitos com a vacinação obrigatória e com o autoritarismo do governo, a população ergueu barricadas, incendiou bondes, depredou lojas e enfrentou as forças da polícia e do Exército. No total, 30 pessoas morreram, 110 ficaram feridas e 945 foram presas, sendo mais de 400 enviadas para fora do Rio, então capital do país.

À frente das campanhas para erradicar possíveis larvas e focos do mosquito transmissor, o Aedes aegypti, estava Oswaldo Cruz, que havia sido nomeado, em 1903, diretor do Serviço de Saúde da capital da República. O médico sanitarista montou as brigadas de agentes, apelidados de mata-mosquitos, que vistoriavam jardins, porões, ralos, telhados, ralos e caixas d’água. Faziam a higienização das áreas, como limpeza de bueiros e o derramamento de água parada em tonéis. Essa medida de vigilância ostensiva desagradou muito à população, que afirmava que o governo estava “violando a intimidade do lar”. Contando com poder de polícia, os mata-mosquitos podiam entrar nas casas sem autorização dos moradores e, quando consideravam uma moradia em péssimas condições de higiene, demoliam a construção, o que enfureceu ainda mais a população.

No dia 31 de outubro de 1904, o Congresso aprovou a vacinação contra a varíola, feita com êxito na Europa. O texto vazou para a imprensa e logo começou a confusão. No dia 10 de novembro, o povo tomou as ruas da cidade. Seis dias depois, a lei foi revogada, mas os tumultos continuaram até 18 de novembro. Chamado de Czar dos Mosquitos, Oswaldo Cruz foi duramente criticado na época.

Para debelar os protestos, o governo não só suspendeu momentaneamente a vacinação como decretou estado de sítio e prendeu os principais líderes do movimento, deportando-os para o Acre. Controlada a revolta, a vacinação obrigatória foi retomada e, em pouco tempo, a varíola foi erradicada.

Já a febre amarela, erradicada em 1907, voltou a passar por uma nova epidemia em 1928. Todo o sistema implantado pelo sanitarista Oswaldo Cruz vinha perdendo verbas do governo e, sem grande atuação para manter o combate ao mosquito, o inseto voltou à cidade, trazendo pânico aos cariocas. O médico Clementino Fraga, diretor do Departamento Nacional de Saúde Pública, e seu assistente, Barros Barreto, tiveram grande atuação no combate à febre amarela nesse período ao reorganizarem as medidas adotadas no início do século. Além disso, houve a instalação de uma estação experimental para estudos da doença e foram desenvolvidos pesticidas. O historiador Jaime Larry Benchimol, pesquisador da Casa Oswaldo Cruz, ressalta que, desde então, o país vem acumulando tradição na saúde pública.

— Temos uma estrutura criada não de assistência médica, mas de campanhas de vacinação com muita eficiência — afirmou.

oglobo.globo.com | 09-04-2017

VALLETTA — Ministros das Finanças da União Europeia admitiram neste sábado que as 20 maiores economias do mundo (G20) não atingirão meta de gerar crescimento adicional através de reformas até 2018 e pediu reflexões sobre porque eles falharam. As economias do G20 concordaram em 2014 em impulsionar o crescimento em suas economias em pelo menos 2% a mais em cinco anos através de reformas, somando mais de US$ 2 trilhões à economia global e criando milhares de empregos.

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“Parece provável que não iremos alcançar nossa ambição de crescimento 2 em 5 até 2018”, disse um documento de termos de referência aprovado pelos ministros das Finanças da UE para a próxima reunião de líderes financeiros do G20, que acontecerá em 20 e 21 de abril, em Washington.

“Nós deveríamos refletir na comunicação apropriada sobre nosso objetivo 2 em 5 e construir uma avaliação em conjunto e um entendimento sobre os motivos pelos quais não atingimos completamente. Também é vital acelerar a implementação de reformas estruturais e de investimento em infraestrutura produtiva", disse o documento, obtido pela Reuters.

Delegações da UE para a reunião do G20 em Washington também irão reiterar que o G20 "deve evitar todas as formas de protecionismo, apoiar o acordo de Paris sobre mudança climática, o trabalho sobre finanças verdes e a abordagem multilateral sobre taxação e regulamentação financeira", revelou o documento.

A declaração, ainda que padrão em reuniões anteriores do G20 e comunicados, se tornou problemática desde que Donald Trump se tornou o presidente dos Estados Unidos no ano passado.

Em reunião em março na cidade alemã de Baden Baden, ministros das Finanças do G20 abandonaram a promessa de manter o comércio global livre e aberto, cedendo a um Estados Unidos cada vez mais protecionista.

Rompendo a tradição de uma década de apoiar o livre comércio, o G20 fez apenas uma referência simbólica ao comércio em seu comunicado em uma clara derrota para a anfitriã Alemanha, que lutou contra tentativas do novo governo norte-americano de diluir compromissos passados.

Os líderes financeiros do grupo também removeram de seu comunicado uma promessa de financiar a luta contra as mudanças climáticas, em um resultado antecipado após Trump chamar o aquecimento global de "engano".

oglobo.globo.com | 08-04-2017

É só à primeira vista que a distância que separa a Alemanha do Brasil parece grande. Mas, se olharmos com mais atenção, já não restam dúvidas: num mundo interconectado e cada vez mais complexo, onde as velhas estruturas de governação estão desmoronando, e valores que se consideravam adquiridos estão em risco de erodir, queremos cerrar fileiras e defender juntos nossos valores comuns.

Chegou o momento de passar das intenções à ação. Nesses dias, em Porto Alegre, se realiza a inauguração solene de um Centro de Estudos Europeus e Alemães que conta com o apoio do Ministério Federal das Relações Externas. O objetivo do centro é aproximar uma nova geração de estudantes e cientistas brasileiros da realidade europeia e alemã e, com isso, fomentar o intercâmbio científico entre a Alemanha e o Brasil. Queremos corações empenhados e mentes brilhantes que, transpondo o Atlântico que nos separa, vão se reunir na busca por respostas conjuntas a questões prementes que se colocam a ambos os lados.

Isso apenas será possível se conseguirmos envolver as gerações jovens. Na Alemanha, sinto nos jovens um grande entusiasmo pelo Brasil, sua cultura e seus habitantes. Também no Brasil, o interesse pela Alemanha está crescendo. Atualmente já são 135.000 brasileiros que aprendem alemão, 80.000 deles no contexto escolar.

Não é, portanto, coincidência que o primeiro Centro de Estudos Europeus e Alemães de toda a América Latina e de todo o hemisfério Sul nasce no Brasil.

O Brasil desempenha um papel de destaque na política externa alemã e é para nós um importante parceiro global. Só juntos seremos capazes de encontrar respostas justas a desafios globais, como as mudanças climáticas, a globalização e a urbanização. Já hoje, nossa cooperação multilateral é muito estreita. Juntos nos empenhamos por uma reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas para adaptá-lo às realidades geopolíticas do século XXI. Juntos apresentamos à Assembleia Geral da ONU uma resolução sobre o direito à privacidade na era digital, para que os direitos humanos também sejam protegidos on-line.

E podemos fazer muito mais! Devemos continuar nos empenhando em conjunto pela conclusão rápida e exitosa das negociações entre a UE e o Mercosul para um Acordo de Associação com medidas abrangentes em matéria de livre comércio que aprofunde as relações políticas entre as nossas regiões, promova investimentos e facilite as trocas comerciais. Hoje, São Paulo é, juntamente com Xangai, o mais importante polo da indústria alemã fora da Alemanha. Estima-se que as empresas alemãs empregam cerca de 240 mil pessoas em todo o Brasil.

Queremos construir verdadeiras pontes entre nossos países. O Centro de Estudos Europeus e Alemães é uma importante contribuição para alcançar esse fim. Se assistirmos sentados, não teremos qualquer influência no jogo — temos de entrar no gramado! Por isso, a parceria entre o Brasil e a Alemanha e entre a América Latina e a Europa se reveste de grande importância para nós.

Sigmar Gabriel é ministro das Relações Exteriores da Alemanha

oglobo.globo.com | 08-04-2017
A produção industrial da Alemanha subiu com vigor em fevereiro, surpreendendo analistas que previam queda na atividade e sugerindo que a maior economia da Europa ganhou força no primeiro trimestre.Dados da agência de estatísticas alemã, a Destatis, mostram que a indústria do país produziu 2,2% mais em fevereiro do que em janeiro, considerando-se ajustes sazonais. Analistas consultados pelo Wall Street Journal previam recuou de 0,3%. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 07-04-2017

PARIS - Com todos os 11 candidatos à Presidência francesa frente a frente, o primeiro debate aberto entre os postulantes, na noite de terça-feira, viu uma polarização com o embate entre os dois favoritos: o centrista Emmanuel Macron e a líder de extrema-direita Marine Le Pen. O ex-ministro da Economia e a eurodeputada, que as pesquisas mostram no segundo turno, se criticaram duramente pelas visões opostas sobre a relação com a Europa e a posição frente ao terrorismo — a ponto de Macron afirmar que a família Le Pen mente há décadas. Eleição França

— O nacionalismo é guerra. Sei porque venho de uma região cheia de túmulos — disse Macron, em referência à ampla destruição em sua cidade natal, Amiens, na Primeira e na Segunda Guerras Mundiais.

Le Pen, que também foi criticada pelo rival de direita François Fillon por sua postura antieuro e a favor de um referendo pela saída da União Europeia, rebateu Macron:

— Você não deveria fingir que é algo novo quando fala como os velhos fósseis de 50 anos atrás — disse ela, que em outro momento chamou a França atual de "universidade de jihadistas". Le Pen se referia ao fato de que Macron participou do governo de François Hollande, do tradicional Partido Socialista.

— Desculpe dizer, madame Le Pen, mas você está dizendo as mesmas mentiras que ouvimos de seu pai por 40 anos — rebateu Macron, em referência às tentativas de Le Pen de se desvincular da imagem do pai, o radical de ultradireita e fundador de sua Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen.

Macron e Le Pen têm se acusado na campanha por divergências que envovlem a relação econômica da França com a União Europeia. Ela quer impostos a importações de dentro do bloco, enquanto Macron alega que o efeito deste protecionismo seria o mesmo para as exportações franceses.

No debate, Macron ainda atacou Le Pen por considerar que uma eventual saída do euro representaria um severo déficit — sendo rebatido pela afirmação de que a moeda única seria responsável por um desafavorecimento comercial na balança francesa diante do bloco europeu.

PARA TODOS OS GOSTOS

Com Macron, Le Pen, Fillon, o socialista Benoit Hamon e o líder de extrema-esquerda Jean-Luc Melenchon no debate, houve ainda espaço para os demais candidatos — a maior parte deles não alcançando mais do que 2% das intenções de voto.

A 19 dias do primeiro turno (27 de abril), Macron e Le Pen aparecem em empate técnico de 25% nas intenções para a etapa inicial. No entanto, para o segundo turno, o ex-ministro leva ampla vantagem. Levantamentos dão conta de que ele teria cerca de 61% dos votos válidos, contra 39% da rival.

O ex-premier Fillon, que caiu drasticamente nas pesquisas após o estouro de um escândalo pela contratação fantasma de sua mulher e filhos na Assembleia Nacional, aparece em terceiro, seguido de perto por Melenchon, também ex-ministro socialista. No debate, Fillon afirmou que se recusaria a comentar com jornalistas as acusações que sofre — e pelas quais foi indiciado recentemente.

— Eu seria um presidente exemplar — afirmou o conservador.

Outro ex-membro do Gabinete de François Hollande, o próprio socialista Hamon, fica mais abaixo ainda, sem alcançar dois dígitos. Após o ex-premier Manuel Valls, a quem derrotou nas primárias do partido, anunciar apoio a Macron, ele caiu significativamente nas pesquisas.

Conheça os candidatos à Presidência da França

oglobo.globo.com | 04-04-2017

GENEBRA - A Organização Mundial do Comércio (OMC) criou nesta segunda-feira um painel para examinar a abordagem usada pela União Europeia para calcular as medidas antidumping aplicadas às exportações chinesas, a pedido de Pequim.

Quando a China aderiu à OMC, em 2001, foi acordado que os demais Estados-membros poderiam tratá-la como uma economia de não mercado por 15 anos. O prazo venceu no final do ano passado, mas a UE ainda quer operar com regras que protejam seu mercado dos produtos chineses, mais baratos.

Na semana passada, a China pediu à OMC a abertura de um painel de especialistas para decidir sobre a exigência de que a UE deixasse de tratar o país como economia de não mercado - comparando o preço dos produtos chineses ao de um terceiro país - para determinar se a China está vendendo seus produtos abaixo dos preços de mercado, o que caracterizaria a prática de dumping.

A UE rejeitou esse pedido, mas quando a China apresentou uma segunda demanda, as regras da OMC exigiam que o organismo criasse um painel.

Em dezembro do ano passado, a China apresentou controvérsias contra UE e Estados Unidos sobre essa questão, que estão sendo tratadas separadamente.

Quando as partes não conseguem chegar a um consenso nas consultas lideradas pela OMC, conta-se com a possibilidade de abertura de um painel, no qual especialistas avaliam a controvérsia.

A UE indicou que gostaria que os Estados Unidos fossem aliados na OMC contra práticas chinesas consideradas injustas, entretanto, o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, disse que pode ignorar todas as decisões da organização de comércio.

Os painéis de especialistas da OMC em geral levam meses para anunciar suas decisões, que podem apontar para medidas de retaliação ao país que desrespeita as regras comerciais.

oglobo.globo.com | 04-04-2017

PARIS/BORDEAUX — A candidata presidencial francesa Marine Le Pen disse em um comício político, neste domingo, que a moeda comum europeia, o euro, o qual ela quer abandonar, é como uma “facada” no torso do povo francês. A líder do partido Frente Nacional, que defende políticas anti-União Europeia e anti-imigração, também disse, durante o comício em Bordeaux, que a eleição para presidente deste ano poderia trazer uma “mudança na civilização”.

LEIA TAMBÉM: Se eleita, Le Pen promete converter parte da dívida francesa em moeda nacional

Encorajada pela inesperada eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e pela referendo britânico que decidiu pela saída do Reino Unido da UE, Le Pen espera capitalizar sobre a força de um movimento populista de direita na França, embora pesquisas de opinião sugiram que ela deve perder na votação de 7 de maio.

“Estamos à mercê de uma moeda adaptada para a Alemanha e não para nossa economia. O euro é, principalmente, uma facada em nossas costelas para nos forçar a ir aonde outros querem nos levar”, disse ela, em meio a aplausos e gritos de apoio.

Reiterando seu ponto de vista anti-globalização e anti-imigração, ela declarou:

“Nós não queremos que a França seja aberta a todos os fluxos comerciais e humanos, sem proteção e fronteiras”.

Um governo sob a presidência de Le Pen tiraria a França da zona do euro e traria de volta a moeda nacional, realizaria um referendo sobre sua filiação à UE e aplicaria impostos sobre importações e sobre companhias que contratassem estrangeiros.

oglobo.globo.com | 02-04-2017

MADRI — A União Europeia (UE) irritou os britânicos ao oferecer à Espanha, nesta sexta-feira, o poder de veto sobre qualquer futura relação entre Gibraltar e o bloco depois que o Reino Unido concluir o Brexit. O futuro de Gibraltar, um enclave rochoso britânico no Sul da Espanha, é apontado como o maior ponto de contenção nos acordos de saída, juntamente com o acesso do Reino Unido ao mercado comum e aos direitos dos cidadãos europeus que vivem no país. Enquanto 52% dos britânicos mostraram-se a favor da saída da UE no referendo de junho de 2016, 96% dos eleitores de Gibraltar votaram contra. brexit

A cláusula, contida dentro das diretrizes da negociação sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, pode ser mal recebida em Londres, que defende os interesses de Gibraltar, frente às reivindicações da Espanha. A medida da UE irritou o território britânico, que teme que Madri use a cláusula para afirmar sua soberania sobre o local, que pertencia ao país até 1713. A região já havia rejeitado uma proposta do Reino Unido de compartilhar o território com a Espanha, em um referendo de 2002.

O ministro de Gibraltar, Fabian Picardo, acusou o texto de descriminatório.

“Isso é uma tentativa vergonhosa da Espanha de manipular o Conselho Europeu para seus próprios interesses políticos”, afirmou Picardo em um comunicado. “O Brexit já é por si só complicado e a Espanha pode tentar complicá-lo ainda mais. O mundo inteiro e a União Europeia devem saber que isso não muda nada nossa continuada e exclusiva soberania britânica”.

Gibraltar, que tem 32 mil habitantes em uma superfície de 7 km², abandonará a União Europeia quando a saída do Reino Unido for efetiva. Madri propôs novamente ao Reino Unido, em outubro, compartilhar a soberania sobre Gibraltar, para que o território possa permanecer na União Europeia depois do Brexit. Gibraltar é dependente da Espanha para seu abastecimento, mas sua próspera economia, especializada em serviços financeiros, também beneficia o país ao contratar 10 mil trabalhores espanhóis.

“Depois que o Reino Unido abandonar o bloco, nenhum acordo entre a UE e o Reino Unido poderá se aplicar em Gibraltar, massim um acordo entre a Espanha e o Reino Unido”, diz o texto apresentado em Malta pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

Diferentemente do território britânico, o governo espanhol concordou com o texto.

“É uma decisão que nos satisfaz”, celebrou o porta-voz espanhol, Íñigo Méndez de Vigo.

oglobo.globo.com | 31-03-2017

Com a primeira-ministra Theresa May dando início à saída do Reino Unido da União Europeia, não há qualquer dúvida de que será um divórcio doloroso para ambas as partes — e muito mais para os britânicos, sem dúvida. Mas isso não quer dizer que não haja um lado positivo. O acordo certo saberá reconhecer as oportunidades e aproveitar o máximo delas.

Mesmo a mais harmoniosa das separações, que mantenha a maioria dos privilégios comerciais do Reino Unido, deixaria o país em desvantagens econômicas. A queda na libra esterlina desde o referendo já atinge o poder de compra das receitas britânicas. Além disso, a saída também é uma tentativa de recuperar o controle de suas fronteiras — no entanto, a imigração, em termos econômicos, é algo positivo, e um aumento nas restrições do fluxo de trabalhadores já é, por si só, uma punição, independentemente de se tratar de uma punição autoinfligida. brexit

O Reino Unido, é importante lembrar, sempre foi um ponto fora da curva, fundamentalmente oposto, ao contrário dos outros Estados-membros, ao princípio básico da UE, de uma união cada vez maior. Por ter mantido sua própria moeda, sempre esteve com um pé fora do bloco. Essas diferenças vão de encontro à ideia de que, se o país escapar agora com apenas alguns arranhões, outras nações também deixarão o bloco em seguida. O perigo de futuras saídas crescerá a longo prazo, caso a UE não consiga se recuperar do Brexit.

Isso nos leva ao lado positivo da saída britânica pelo ponto de vista da UE. Uma das mais claras lições dos últimos dez anos é a de que colocar a zona do euro nos eixos exigirá mais doses de integração nas políticas econômicas. É verdade que tais iniciativas agora não têm muito apoio, mas isso não as torna menos necessárias, e elas não podem ser procrastinadas para sempre. Em algum momento o tratado precisará de mudanças e, com elas, do apoio unânime dos Estados-membros. Mesmo sem o Reino Unido e suas arraigadas desconfianças sobre o projeto europeu, garantir esse apoio não será fácil — mas pelo menos não será algo impossível.

Há um lado positivo para o Reino Unido também. O país terá de volta parte da autonomia que perdeu como integrante de UE. Haverá um custo, sem dúvida, mas ele pode ser reduzido com uma parceria cooperativa com a UE, e aproveitando a saída do bloco para liberalizar a economia e suas outras relações comerciais. De novo, não será algo fácil — mas pelo menos não será algo impossível.

As negociações pela frente serão carregadas. Elas podem fracassar antes mesmo que os diálogos se aprofundem — com as exigências financeiras da Europa, com as discussões sobre a questão dos migrantes europeus, com a indefinição sobre o calendário das negociações. O que deve ser entendido é que a sorte está lançada, que mais reclamações sobre o processo que levou ao Brexit não servem para nada, e que a melhor aposta para os dois lados é aproveitar a situação ao máximo.

oglobo.globo.com | 30-03-2017

RIO E LONDRES — O início da histórica ruptura com a União Europeia (UE) conduz o Reino Unido a um caminho de incertezas e a um longo processo de negociações. Para Jonathan Portes, professor de Economia e Política Pública do King’s College e membro do programa “Reino Unido em uma Europa em Transformação”, o rompimento, em vez de ser uma ameaça para a integridade do bloco, pode fortalecer a unidade dos Estados-membros. Ele acredita que uma eventual vitória da líder de extrema-direita Marine Le Pen nas eleições francesas seria uma ameaça maior à UE do que o Brexit. Reino Unido

Qual é o clima no país após o início formal do Brexit?

Algumas pessoas estavam felizes e animadas, esperando isso por um longo tempo. Outras estavam muito descontentes. Mas não foi de fato uma surpresa. Para a maioria da população, nada mudou ainda.

Quais são as principais preocupações da população com a saída da UE?

Há muita preocupação em torno dos eventuais impactos econômicos. Mais especificamente, se o comércio e a livre circulação pelos membros do bloco se tornarão mais difíceis. Já vimos, por exemplo, um aumento da inflação.

As incertezas do processo podem trazer impactos negativos para o país?

No curto prazo, há um aumento de incertezas, e a economia pode começar a desacelerar. Mas não seria um desastre ou representaria um grande impacto. No médio prazo, há uma preocupação de que as negociações não tenham êxito e de que o país saia da UE sem nenhum tipo de acordo. Isso poderia ser muito problemático economicamente: veríamos novos controles de fronteira, novas taxas alfandegárias. E no longo prazo, o lado negativo seria perder o comércio com a UE. E o lado positivo seria estabelecer mais relações comerciais com o resto do mundo. A maioria dos economistas acredita que o balanço no longo prazo será de alguma forma negativo, que as perdas provavelmente serão maiores que os ganhos, mas isso levará um longo tempo para aparecer.

O senhor acredita que o Brexit poderia dar combustível para outros países deixarem a UE?

Ainda não há evidências disso. Até o momento, a reação ao Brexit na maioria dos países é que as pessoas têm ficado mais relutantes em considerar uma saída do bloco e se posicionado mais pró-UE. Talvez o Brexit tenha ajudado a fortalecer a unidade do resto da UE. Os outros países estão coordenando a sua posição em relação ao Reino Unido para manter uma frente unida nas negociações.

Então a integridade do bloco europeu não está em risco?

O Reino Unido sempre teve uma relação um pouco difícil com a UE, com menos apego ao conceito de integração política. O Brexit pode, de certa forma, tornar mais fácil à UE avançar para uma maior integração, e não há sinal de que outros países queiram seguir o caminho do Reino Unido. Assim, o Brexit não constitui uma ameaça direta à integridade da UE neste momento. Ao contrário, se Marine Le Pen — líder de um partido abertamente racista, cujos princípios são diretamente opostos a muitos valores e políticas da UE — for eleita na França, que é um dos primeiros Estados-membros fundadores da UE, seria muito mais ameaçador para a integridade e a coesão do bloco do que o Brexit, econômica e politicamente.

Como o senhor avalia a forma com que a premier Theresa May lida com o processo?

Do ponto de vista político, tem sido bem-sucedida. Ela é muito popular e seu partido se uniu. Mas, para fazer isso, teve que adotar uma linha dura para encarar essa difícil ruptura.

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, já rejeitou negociar nos termos do Reino Unido. A Alemanha pode representar um entrave para as negociações?

A posição já é adotada pela Comissão Europeia, mas talvez Merkel tenha surpreendido. Acho que está mandando uma mensagem muito clara para os britânicos de que o resto da UE negociará junto. Se os países mantiverem uma posição unida, o Reino Unido terá que aceitar.

Um dos pontos mais polêmicos é a questão migratória... O que pode mudar?

Pessoas que já estão morando no Reino Unido provavelmente terão permissão para ficar. Mas, no longo prazo, será mais difícil para europeus viverem no Reino Unido. Profissionais europeus não vão querer morar no Reino Unido, o que também pode afetar a economia. Entenda o Brexit em um minuto

oglobo.globo.com | 30-03-2017
Tiago Brandão Rodrigues considerou ainda que os cidadãos da União Europeia no Reino Unido são “uma força de trabalho importante para concretizar a economia britânica”.
www.publico.pt | 29-03-2017

RIO — Com ampla oferta de mão de obra e regulações e infraestrutura que facilitam as exportações, a China se transformou no maior centro industrial do mundo. Bens por lá produzidos são distribuídos por todo o planeta, assim como a poluição. Um estudo que será publicado na edição desta quinta-feira da revista “Nature” mostra que da mesma forma que as mercadorias, os poluentes em suspensão circulam entre regiões distantes, carregados pelas correntes atmosféricas, espalhando os males por eles provocados a áreas afastadas dos centros industriais.

Pesquisadores da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, utilizaram modelos para estimar a mortalidade prematura relacionada com a poluição por material particulado fino (PM 2.5) em 13 regiões, que englobam 228 países. O foco foi nos óbitos por doenças cardíacas, acidente vascular cerebral, câncer de pulmão e doença pulmonar obstrutiva crônica. Das 3,45 milhões de mortes prematuras registradas em 2007, cerca de 12% ou 411.100, foram provocadas por poluentes emitidos em outra região do mundo.

— Isso indica que a mortalidade prematura relacionada com a poluição do ar é mais que uma questão local — disse Dabo Guan, coautor do estudo e professor da Escola de Desenvolvimento Internacional de East Anglia. — Nossos resultados quantificam a extensão da poluição do ar como um problema global.

CONSUMO NUM PAÍS, POLUIÇÃO EM OUTRO

Além disso, os pesquisadores estimaram que 22% das mortes prematuras, ou 762.400, estavam associadas com a poluição gerada na produção de bens e serviços numa região, mas consumidos em outra. Produtos consumidos nos EUA, por exemplo, provocam mortes na China, onde eles foram fabricados. Dessa forma, alertam os cientistas, a economia gerada pelo custo menor de produção em países onde os controles sobre a emissão de poluentes é mais frouxa resulta em perdas de vidas em outros locais.

— O comércio internacional está globalizando a questão da mortalidade provocada pela poluição do ar, por permitir que as atividades de produção e consumo sejam fisicamente separadas — destacou Guan. — Na nossa economia global, bens e serviços consumidos em uma região podem envolver a geração de grandes quantidades de poluentes, e a mortalidade relacionada, em outras regiões.

É lógico que o PM2,5 tem maior impacto na saúde da população local, mas mortes em regiões vizinhas e em áreas mais distantes também são evidentes, pelo transporte intercontinental de poluentes. A poluição gerada na China, por exemplo, provocou 64.800 mortes prematuras em outras regiões, incluindo mais de 3.100 mortes nos EUA e na Europa Ocidental. Por outro lado, o consumo de bens e serviços nos EUA e na Europa está relacionado com mais de 108.600 mortes prematuras na China.

Os autores sugerem que a adoção de políticas regionais para regular a qualidade do ar pela imposição de um preço para a emissão de poluentes pode ser eficaz, e em alguns casos os custos de tais políticas poderiam ser compartilhados por consumidores em outras regiões. Entretanto, existem evidências de que indústrias poluentes tendem a migrar para países com regulações mais frouxas, o que provoca uma tensão entre a necessidade de melhorar a qualidade do ar e de atrair investimentos internacionais diretos.

“A melhoria de controle de poluentes na China, na Índia e no resto da Ásia traria uma imenso benefício para a saúde pública naquelas regiões e em todo o mundo, e uma cooperação internacional para apoiar esses esforços na redução da poluição e do “vazamento” das emissões pelo comércio internacional é de interesse global”, dizem os pesquisadores.

oglobo.globo.com | 29-03-2017

BRASÍLIA - Numa ofensiva para superar a crise da carne, o presidente Michel Temer assinou, nesta quarta-feira, um decreto que endurece as punições a empresas e fiscais sanitários. O novo decreto atualiza o Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Rispoa), de 1952, editado pelo então presidente Getúlio Vargas, e que está em vigor hoje. Ele traz, entre outros pontos, penalidades leves, graves e gravíssimas a empresas que atuam no setor, podendo chegar a proibir a comercialização em caso de três penalidades gravíssimas no mesmo ano.

Temer mais uma vez reforçou a importância da agricultura para a economia brasileira e disse que o Brasil "está vencendo a batalha" contra a crise envolvendo a carne do país.

— Esse episódio foi provocativo. Fez com que todos nós quando vimos, sentíssemos na pele e na carne a importância do agronegócio para o Brasil — afirmou o presidente.

Secretário-adjunto do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki disse que o novo decreto não é uma consequência da Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal, e que o novo texto não foi feito de forma "corrida", mas admitiu que o momento é oportuno para dar uma resposta em relação à crise envolvendo o país, um dos maiores exportadores de carne do mundo.

— Esse decreto não foi uma atualização açodada ou corrida, isso começou há alguns anos, a revisão começou em 2007, é um regulamento muito extenso e por isso exigiu um trabalho meticuloso — afirmou Novacki:

— Ele não foi motivado pela operação em si, mas é uma resposta oportuna, porque estamos criando regras coercitivas para os infratores e regras claras de procedimentos.

O novo decreto traz penalidades leves, graves e gravíssimas às empresas e fiscais sanitários envolvidos na atividade. A partir de agora, se uma empresa cometer três penalidades gravíssimas em um ano terá o seu Serviço de Inspeção Federal (SIF), espécie de RG das empresas, cassado.

Novacki elencou ainda, como duas das principais inovações do decreto, a preocupação com o bem-estar animal e com a sustentabilidade.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, reconheceu que o país ficou em situação delicada com a deflagração da Operação Carne Fraca. China e Egito, que estão entre os maiores importadores de proteína animal brasileira, haviam suspendido as compras.

— O Brasil ficou muito ameaçado. Ficamos numa posição muito difícil, muito complicada — declarou Maggi, emendando:

— A situação era de emergência. Se nós não tomássemos as devidas providências imediatamente, os fechamentos de mercados internacionais seriam consequência muito danosa, extremamente danosa para o Brasil.

Apesar de comemorar a volta das compras internacionais da carne brasileira, o ministro da Agricultura defendeu que o governo tem outra luta pela frente: reconquistar o mercado.

COBRANÇAS ‘DURAS’

Blairo Maggi reuniu-se ontem com o comissário da União Europeia para Saúde e Segurança Alimentar, Vytenis Andriukaitis. O bloco estuda tomar medidas mais rigorosas em relação ao mercado brasileiro após a Carne Fraca. O ministro reconheceu que as cobranças foram "bastante duras", e que o governo brasileiro ainda não tem garantias de que não perderá mercados. Nesta quinta-feira, haverá outra audiência sobre o tema.

— As cobranças foram bastante duras. Eu disse que estamos prontos e dispostos a aceitar sugestões — afirmou, completando:

— Obviamente, não nos deu nenhuma garantia, nem poderia dar. Não depende só dele (comissário da União Europeia).

Em abril e maio, representantes do Ministério da Agricultura devem fazer duas viagens internacionais. Em maio, o périplo deve durar vinte dias e passar por Emirados Árabes, Arábia Saudita, China e União Europeia.

Blairo Maggi voltou a criticar a "comunicação" da Polícia Federal, e enfatizou que não estava atacando a operação.

— Em nenhum momento reclamei da operação. Nunca reclamei

oglobo.globo.com | 29-03-2017
Iniciativa visa chamar a atenção da opinião pública para os investimentos europeus e divulgar o papel da UE no crescimento dos países e na criação de emprego.
www.publico.pt | 29-03-2017

A premier britânica, Theresa May, dará início hoje às negociações do Brexit — a saída do Reino Unido da UE —, mediante a invocação do artigo 50 do Tratado de Lisboa. Trata-se de um processo inédito nos 60 anos de história de integração europeia, e que prevê dois anos de tensas conversações. O objetivo de May será preservar o máximo possível dos benefícios que o país desfruta hoje como membro do bloco europeu.

Mas inúmeras autoridades europeias, inclusive a chanceler alemã, Angela Merkel, indicam que haverá custos para o Reino Unido. Em entrevista ao “Financial Times”, o ministro de Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, resumiu a posição do bloco: “Não nos interessa punir o Reino Unido, mas também não temos interesse em pôr a integração europeia sob risco devido aos britânicos”. Merkel, que após o plebiscito britânico a favor do Brexit afirmara ter interesse em manter próximo o Reino Unido, agora decidiu priorizar a integração da UE.

O Brexit não é consenso nem mesmo no Reino Unido. Ele foi aprovado em plebiscito por uma margem apertada, em junho do ano passado, graças ao voto da população britânica mais velha, residente em pequenas cidades do interior e de forte tendência xenófoba. Eram eleitores sensíveis ao discurso populista da extrema-direita contra a política de acolhimento de refugiados e de imigrantes do Leste Europeu.

À medida que o impacto da saída britânica se torna evidente, sobretudo na economia, cresce a oposição à iniciativa. No último domingo, por exemplo, dezenas de milhares de britânicos fizeram uma grande manifestação em Londres contra o divórcio.

Pelo lado europeu, mais do que a perda do parceiro histórico, preocupa o estímulo que o Brexit dá a movimentos eurocéticos e ao nacional-populismo, especialmente num ano com eleições em França e Alemanha, sem mencionar o apoio de figuras como Donald Trump e Vladimir Putin, notórios líderes antiglobalização. A derrota do populismo nas eleições da Holanda e a vitória do partido de Merkel num importante estado alemão, porém, sugerem que a retórica nacionalista pode estar perdendo força.

É difícil prever as implicações políticas e econômicas do Brexit, mas já se sabe que o custo será alto, sobretudo para a economia britânica, que terá mais inflação e desemprego e verá diminuir a influência financeira da City londrina. Além disso, enfrentará movimentos de secessão internos, como a Escócia, que já aprovou um novo plebiscito. Mas a UE e o resto do mundo também serão afetados, sobretudo no contexto de maior protecionismo iniciado na era Trump.

A Comissão Europeia indicou que, antes de negociar como ficará a relação da UE com o Reino Unido, será preciso definir os termos do Brexit, inclusive a multa pelo divórcio, avaliada em € 60 bilhões. Este é o pano de fundo do complexo processo de negociação que tem início hoje.

oglobo.globo.com | 29-03-2017

A Lei 8.248/91, conhecida como Lei de Informática, foi sancionada em outubro de 1991, com previsão inicial de vigência até 1999, e desde então, além de prorrogada, foi objeto de diversas alterações de critérios.

No fim de 2016, após um processo movido pelo Japão e pela União Europeia, a Organização Mundial de Comércio (OMC) considerou “ilegais” sete programas da política industrial brasileira. O questionamento foi com relação à política de incentivos fiscais concedidos à indústria eletrônica, sobretudo no tratamento diferenciado nos campos tributário e comercial.

Na verdade, o desafio brasileiro é ir além das objeções levantadas pela OMC e conceber nova política para impactar o setor, visando sobretudo efeito interno.

Desde 2014, quando a lei foi prorrogada, representantes no Congresso Nacional prometeram revê-la, de forma que ela pudesse se transformar verdadeiramente num valioso instrumento capaz de beneficiar não só o hardware por meio dos benefícios fiscais, bem como o software por meio das contrapartidas, abrindo espaço para que a indústria nacional de software e serviços de TI atraísse maiores investimentos.

Agora, o governo federal anuncia que, enfim, a Lei de Informática deverá ser revista para se adequar aos novos tempos, já que é voltada especificamente para apoio à produção de equipamentos. Para elaborar a nova proposta, foi criado um grupo de trabalho com representantes de seis ministérios e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para estabelecer a Estratégia Digital Brasileira (EDB).

A proposta seria ampliar sua abrangência, para incluir o estímulo a novas etapas de produção de maior valor agregado, bem como as áreas de software e o desenvolvimento de aplicativos, entre outros segmentos, tendo como um dos focos o empreendedorismo digital.

Segundo declarações recém-divulgadas, pretende-se incorporar mecanismos de apoio às startups, empresas iniciantes, que criam produtos e aplicativos inovadores, mas que, em sua maioria, têm dificuldade de chegar ao mercado.

É importante ressaltar que, no Brasil, trabalham cerca de 500 mil profissionais de software e serviços, com uma média salarial superior a R$ 6 mil. A retração do mercado de trabalho no setor foi de apenas 1% em 2016, muito inferior aos números nacionais em outras atividades.

Ou seja, as empresas já constituídas, algumas com décadas de funcionamento, precisam de apoio e não podem ser esquecidas em favor de “novos empreendimentos.”

Por sua clara importância, a discussão sobre a nova política não pode, entretanto, ser limitada ao âmbito governamental, sem participação da sociedade, em especial das representações dos setores de ponta que desenvolvem tecnologia nacional e precisam de uma efetiva política de fomento para gerar riqueza e novos empregos.

Benito Paret é presidente do Sindicato das Empresas de Informática do Estado do Rio de Janeiro

oglobo.globo.com | 27-03-2017

PARIS — A candidata à presidência na França Marine Le Pen tentou tranquilizar seus eleitores sobre seus planos de retirar o país da zona do euro caso seja eleita. Segundo ela, seguir os passos dos britânicos “não seria o caos” e ela buscaria conversas “bem preparadas” com os vizinhos da União Europeia.

LINK LE PEN

De acordo com pesquisas eleitorais, a candidata da Frente Nacional, com propostas anti-imigração e contrárias à participação na zona do euro, passaria no primeiro turno das eleições, no dia 23 de abril, mas seria derrotada pelo centrista Emmanuel Macron na votação do dia 7 de maio.

Deixar o euro é uma das propostas que sustenta a Frente Nacional, por ser uma posição anti-establishment que atrai eleitores contrários à globalização. Por outro lado, o plano é um obstáculo para a vitória eleitoral num país onde a maioria de opõe a um retorno ao franco.

— O euro disparou um aumento grande nos preços e uma queda muito acentuada no poder de compra — disse Marine, em entrevista ao jornal “Le Parisien”. — É também um sério obstáculo para a criação de empregos, porque provocou a perda da competitividade da economia francesa.

Mas, contrários a esses argumentos, 72% dos eleitores franceses se opõem ao retorno ao franco, segundo pesquisa realizada pelo instituto Ifop a pedido do jornal “Le Figaro”. Para tentar tranquilizar o franceses, Marine vem defendendo que, caso seja eleita, a saída do euro não seria abrupta, mas por meio de um referendo realizado após seis meses de negociações com o resto da União Europeia.

— Isso deve ser feito de forma racional e bem preparada — disse Marine. — Eu não quero o caos. Dentro do calendário de negociações que eu pretendo levar, o euro seria o último passo porque eu quero esperar os resultados das eleições na Alemanha em setembro antes de renegociar.

oglobo.globo.com | 26-03-2017

SÃO PAULO - Entre os eventos econômicos que devem marcar a semana estão os desdobramentos da operação "Carne Fraca", o corte de gastos no Orçamento, os dados de inflação e também os indicadores econômicos nos Estados Unidos.

Nos mercados financeiros, os investidores estão de olho em qual deve ser o comportamento das ações da JBS e da BRF, que derreteram na sexta-feira após a deflagração da operação "Carne Fraca" da Polícia Federal, que divulgou uma série de irregularidades, fiscais e sanitárias, em frigoríficos que atuam no país. Durante o final de semana, as empresas deram mais esclarecimentos sobre o caso, mas o temor de suspensão das exportações podem ampliar o efeito negativo sobre esses papéis.

Fora da Bolsa, mas que também vai render forte atenção dos analistas, está a divulgação, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do IPCA-15 de março, que é uma prévia do indicador oficial de inflação, o IPCA.

-- Se a desaceleração for maior que o esperado, vai corroborar com a expectativa de que o Banco Central (BC) deve acelerar o ritmo de corte de juros a partir de abril -- afirmou Ignacio Crespo, economista-chefe da Guide Investimentos.

Cinco fatos que vão mexer com a economia esta semana

A taxa Selic está em 12,25% ao ano e é esperado que o BC passe a promover cortes da ordem de um ponto percentual, o que levaria o juro básico para a casa de um dígito até o final do ano. A justificativa é que a inflação caminha para ficar no centro da meta de 4,5% para o IPCA e, além disso, um juro mais baixo pode ajudar a estimular a atividade econômica.

Na mesma data o governo federal deve anunciar seu relatório de despesas e receitas e, como as entradas de recursos não estão subindo na proporção necessária, um contingenciamento do Orçamento deve ser anunciado. Quando isso ocorre, despesas previstas na lei orçamentária ficam congeladas. Um aumento de impostos também pode ser anunciado, como forma de reduzir o contingenciamento.

Externamente, as eleições na Europa estão no radar, uma vez que podem causar alguma volatilidade no mercado com o temor do avanço de partidos mais conservadores, principalmente na França. Nos Estados Unidos, uma série de indicadores de atividade devem servir para que os investidores decidam se voltam a apostar em uma alta mais rápida de juros no país, apesar da presidente do Federal Reserve (Fed, o bc americano), Janet Yellen, ter afirmado que a autarquia continua trabalhando para fazer apenas mais duas elevações de 0,25 ponto percentual no ano - a taxa atualmente está entre 0,75% e 1% ao ano.

Dia 20 - Carne fraca

Os negócios nos mercados financeiros locais estarão voltados para a repercussão da operação "Carne Fraca" nas empresas que possuem negócios na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Na sexta-feira, com poucas declarações por parte das empresas e falta de clareza sobre as irregularidades cometidas por cada uma, os papéis da JBS e da BRF caíram de forma expressiva. Ameaça de suspensão de exportações pode ampliar o efeito negativo sobre os papéis.

Dia 21 - Balanço da Petrobras

A Petrobras divulga na terça-feira, após o fechamento dos mercados, o balanço relativo ao quarto trimestre e o consolidado do ano. A média de 18 estimativas compiladas pela Bloomberg aponta para um prejuízo de R$ 4,81 bilhões em 2016. A companhia também deve dar mais detalhes sobre o plano de venda de ativos.

Dia 22 - IPCA-15

O IBGE divulga na quarta-feira o resultado do IPCA-15 de março, que serve como uma prévia do índice oficial de inflação. Na visa de economistas, o índice deverá apresentar uma desaceleração em relação ao registrado em fevereiro, quando ficou em 0,54% no mês e 5,02% no acumulado de 12 meses.

Dia 22 - Fiscal

O governo deve divulgar o valor do corte do Orçamento de 2017. O contingenciamento é necessário para que a meta de R$ 139 bilhões de déficit primário (gastos acima da arrecadação seja atingido). Uma das alternativas para o corte não ser tão severo é o aumento da alíquota de algum imposto, o que também pode ser divulgado na mesma data.

Dia 23 - Economia americana

Será divulgada nesta quinta-feira dados sobre os pedidos de auxílio-desemprego. Se vierem mais baixo que o esperado, mostrando aquecimento do mercado de trabalho, os investidores podem voltar a apostar em uma aceleração dos juros americanos. Mudanças nessas expectativas tendem a pressionar o mercado de câmbio em países emergentes, como o Brasil.

oglobo.globo.com | 20-03-2017

BRASÍLIA - Além de EUA e União Europeia, a China também pediu informações sobre o escândalo revelado pela Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, na sexta-feira. Segundo dados oficiais, 70% das aves consumidas no país asiático vêm do Brasil. Em entrevista ao GLOBO, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse que o embaixador do Brasil em Pequm, Marcos Caramuru, já prestou esclarecimentos ao governo chinês.

Blairo, que se reúne neste domingo com o presidente Michel Temer disse ainda que o objetivo do governo é atuar com maior rapidez e transparência possível para reduzir os danos que as irregularidades podem provocar em relação à compra de carne, sobretudo no exterior. O ministro, no entanto, já admite que algum prejuízo será inevitável.

O objetivo dessa reunião com o presidente é criar um gabinete de crise?

carnefraca1803Montamos um gabinete de crise no ministério da Agricultura e estamos permanentemente ligados a este assunto. Conversei com o presidente hoje, ele me perguntou algumas coisas e decidimos fazer uma reunião amanhã para nivelar a conversa com ele sobre as ações que o ministério está fazendo e outra já com as associações que representam os frigoríficos, os produtores para também alinhar algumas ações com eles em defesa do mercado brasileiro e internacional também.

Quais são as principais preocupações neste momento?

A maior preocupação que eu tenho é a perda de mercado no exterior dos nossos produtos e a perda da garantia ou da confiança do consumidor interno no Brasil.

Além da Europa e dos EUA, algum outro mercado já demonstrou preocupação?

Eu tenho conversado com nosso embaixador na China, o embaixador (Marcos) Caramuru, e ele já prestou esclarecimentos lá. O ministério que cuida da sanidade na China também nos questionou, pediu informações. Todos muito serenos, acompanhando as coisas, mas querendo saber exatamente o que está acontecendo no Brasil. Todos que conversam conosco mostram preocupação, mas ninguém ainda tomou uma decisão drástica contra o Brasil, mas nós temos que ser muito rápidos e transparentes na nossa comunicação e estancar esse assunto aonde ele está restrito e checar o resto dos nossos procedimentos e dar garantia absoluta de que não temos outros problemas nessa área.

O senhor acha essas preocupações internacionais podem chegar à produção agrícola?

Não, realmente não. Porque o que está acontecendo é uma coisa pequena dentro do contexto que nós temos. Mas nós temos que atuar com urgência para não deixar isso se alastrar. Não creio que nós tenhamos outros problemas, nosso sistema é forte, robusto, bem desenhado, é reconhecido mundialmente como um serviço de boa qualidade. Só que nós tivemos quebra de comportamento de pessoas, pessoas se corromperam no meio do processo e aí nós não temos muito aonde nos agarrar a não ser na Justiça. Obviamente se o Ministério tivesse sabido com antecedência, nós tínhamos tomado as providências, mas não recebemos essas informações desses servidores que foram corrompidos ou se corromperam no meio do processo.

O senhor acha possível evitar ainda que haja algum tipo de barreira imposta?

Acho que prejuízo nós teremos, não sei se no ponto de um embargo total, que eu creio que não, nós temos como comprovar que temos isso restrito. Agora, você sabe como é mercado, mercado se ressente de qualquer notícia, por mais boato que seja ele já se ressente, imagina numa operação aonde a própria Polícia Federal do Brasil aponta esses problemas. Ainda quero também questionar dentro da Polícia Federal a amplitude disso, das coisas que foram ditas, se efetivamente temos a comprovação de pontos ali ditos. Por exemplo, quando se diz que misturou carne com papelão, não me parece que seja essa a questão, a questão ali está falando da embalagem de produtos, de bandejas que devem ser utilizadas no processo daquela parte da industrialização. Então nós vamos ter que agora pegar os laudos da Polícia Federal, pegar os depoimentos que tem e tecnicamente comparar se o entendimento do delegado é o mesmo que nós temos olhando da parte técnica do processo.

O senhor enviou técnicos ao Paraná para acompanhar essa parte judicial?

Já. Nós temos gente desde ontem no Paraná acompanhando, tivemos acesso ao inquérito para estudá-lo com toda tranquilidade para separar aquilo que realmente aconteceu daquilo que se pensa ou se supõe que aconteceu. porque esse é um assunto muito grave, é um assunto de interesse nacional, afinal de contas estamos falando de alguns bilhões de dólares de exportação. É uma coisa muito grave para o Brasil essa acusação.

O senhor acha que pode ter havido exagero da Polícia Federal?

Quero primeiro checar. Também não sei se efetivamente aquilo que fui publicado pelos jornais e blogs foi dito pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. A gente precisa checar isso primeiro e recolocar a informação, a narrativa do que efetivamente está acontecendo.

O senhor já tem alguma estimativa do impacto que isso pode ter na economia?

Não sei o tamanho, mas tenho muito medo do tamanho que pode ter se não estancarmos isso com rapidez e muita transparência. O Brasil é o maior exportador de carnes suínas ndo mundo, 70% da carne que a China consome de aves é nossa. Um embargo chinês por um problema desses é uma coisa muito grave. Embora, já levantamos isso, nenhuma das plantas que foram acusadas são exportadoras para a China. Mas o mercado reage a boatos, nem sempre á ciência e às coisas claras. Por isso precisamos ser muito rápidos e transparentes.

Existem de fato funcionários que estariam trabalhando para empresas e seriam do ministério?

Não existe isso, toda a fiscalização é feita por técnicos públicos, não há possibilidade de termos pessoas privadas cedidos por empresas para fazer esse controle. Sempre são servidores públicos.

Como o governo pretende dar segurança para a população brasileira em relação aos alimentos que ela consome?

A mesma preocupação em relação ao público externo temos em relação ao interno. Nós podemos garantir que nossos sistemas são sérios, robustos, que não tem problema. Nós tivemos alguns problemas nesses apontados por corrupção dos servidores públicos. O sistema é muito forte, muito rígido. O que temos de fazer é urgentemente mostrar esse sistema, passar por auditorias esse sistema e garantir ao consumidor brasileiro que ele não corre nenhum risco, nós temos a capacidade de garantir que não tem problema.

O senhor tem acompanhado esse recolhimento de alimentos dos frigoríficos fechados?

Não tenho ainda esses números. Mas as três plantas que foram suspensas não podem mais expedir mercadorias e nós temos sim como rastrear os últimos embarques para onde eles foram. Mas ainda não temos como saber se esses produtos ainda estão circulando, e então serão retirados do mercado, ou se já foram consumidos.

E qual a posição do presidente?

Falei com ele na sexta e hoje (sábado). A preocupação do presidente é comprovar que nosso sistema é forte, que os casos são pontuais e garantir à população brasileira que isso não trará problemas a eles. Para mim, esse é um assunto de segurança nacional, não podemos deixar esse assunto matar a agroindústria brasileira, a importância que nós temos e o grande trabalho que foi feito para conquistarmos esse mercado mundial. Muitos concorrentes nossos vão tentar aproveitar a situação para nos sacrificar nesse mercado muito competitivo, mas nós vamos trabalhar para não acontecer isso.

oglobo.globo.com | 18-03-2017

ANCARA — O ministro do Interior da Turquia, Süleyman Soylu, ameaçou enviar 15 mil refugiados por mês à Europa, para surpreender negativamente as nações do continente. Ele disse que a União Europeia (UE) está fazendo jogos para prevenir a Turquia de se fortalecer, em um ataque direto a Alemanha e Holanda. A Turquia se vê numa crise diplomática com os dois países europeus, que recentemente impediram comícios em favor do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, em seu território. turquia

— Eu estou te dizendo, Europa, vocês têm a coragem? Se quiserem, podemos abrir o caminho para 15 mil refugiados por mês e surpreendê-los.

Além disso, Soylu mirou especialmente os governos holandês e alemão, enquanto Erdogan não poupa ataques contra os dois países.

— Este é nosso assunto interno. Por que vocês se importam? Por que estão se envolvendo nisso? Vocês aceitaram a Turquia na União Europeia? Ofereceram apoio à Turquia no seu combate ao terrorismo? — disse. — Há jogos sendo jogados contra a Turquia para evitar o seu fortalecimento no futuro.

As declarações do ministro vêm dois dias após a Turquia ter ameaçado anular unilateralmente o acordo migratório de março de 2016 com a UE. O pacto permitiu reduzir consideravelmente o fluxo de migrantes e refugiados na Europa, em meio às tensões com vários países da UE.

— Podemos acabar (com o acordo) unilateralmente. Ainda não informamos nosso interlocutores (europeus), tudo está nas nossas mãos — declarou o ministro das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, ao canal 24 TV. — A partir de agora, podemos dizer 'não vamos mais aplicar o acordo e está acabado'.

O ministro acusou a UE de não ter autorizado, como previsto no pacto, a liberação de vistos para cidadãos turcos na UE. O polêmico acordo, concluído em plena crise migratória, que prevê o reenvio sistemático de todos os migrantes para a Turquia, permitiu reduzir drasticamente o número de chegadas na Grécia.

Erdogan, por sua vez, afirmou que "o espírito do fascismo está desenfreado", e acusou diretamente a Holanda de ser responsável pelo massacre de Srebrenica.

A crise diplomática se estendeu às redes sociais. Várias contas do Twitter certificadas, entre elas as da Anistia Internacional, BBC e do ministério francês da Economia, foram atacadas por hackers com mensagens em turco comparando a Holanda e a Alemanha ao regime nazista. O Twitter confirmou ter sofrido um ataque de grande envergadura.

— A Holanda não tem nada a ver com civilização, nem com o mundo moderno, foram eles que massacraram mais de 8.000 bósnios muçulmanos na Bósnia Herzegovina, durante o massacre de Srebrenica em 1995 — acusou Erdogan em um discurso.Erdogan acusa Holanda de massacre de muçulmanos

oglobo.globo.com | 17-03-2017
A saída do Reino Unido da União Europeia (UE) ameaça restabelecer uma fronteira na ilha da ...
noticias.terra.com.br | 16-03-2017

SÃO PAULO — Atração de abertura da 4ª Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, a MITsp, a peça-concerto "Avante, marche!" transformou o palco do Teatro Municipal, na terça-feira à noite, num espaço de celebração da música e do teatro como expressões humanas capazes de costurar e fortalecer laços afetivos e sociais. Links MITsp 2017

A montagem, codirigida pelos belgas Alain Platel e Frank Van Laecke, ainda será apresenta nesta quarta e na quinta, no mesmo palco. Criada em conjunto com o compositor Steven Prengels, "Avante, marche!" revela, em primeiro plano, a história de um músico que, diagnosticado com um câncer na garganta, se vê impossibilitado de tocar seu instrumento, o trombone. A partir daí, porém, o que se vê não é um drama ou sua tragédia pessoal, mas sim um tributo à vontade de viver, e sobretudo à prática musical como uma estratégia de sobrevivência nos dias de hoje.

Em algumas de suas últimas criações, como "Avante, marche!", "Coup fatal" e "Tauberbach" é possível observar uma forte relação entre música, histórias pessoais e reflexões sobre as condições sociais e políticas da vida em comunidade. Como observa a importância e a relação desses elementos dentro do seu fazer teatral?

Sim, é verdade, existe uma relação entre essas obras e esses elementos, apesar de não ter sido algo proposital. E eu ainda não havia feito esse link... Mas há.

"Tauberbach", por exemplo, nasce de uma investigação sobre uma brasileira, a Estamira, que vivia num aterro sanitário...

Sim, conheci a história e os pensamentos de "Estamira" através do documentário (de Marcos Prado), e a partir de um convite que recebi de uma atriz holandesa, começamos a trabalhar a partir desse material. Já "Coup fatal" nasceu como um projeto musical de Fabrizio Cassol. Ele havia se reunido com artistas e músicos congoleses para um trabalho em que eles executariam um repertório de música barroca. Fui assistir ao trabalho e depois começamos a pensar em como transformar aquilo numa performance.
Assim que cheguei ao Congo, em Kinshasa, para assistir aos trabalhos, comecei a pensar em relacionar aquela música com a vida pessoal de cada um, com as condições políticas e sociais do lugar em que eles vivem, então esse foi o desafio. Então sim, há essa relação entre música, vidas pessoais e condições políticas e sociais nas três obras, mas com resultados cênicos e sonoros bem diferentes.

Em "Avante, marche!" estamos diante de uma banda de metais, um tipo de formação musical que, assim como outros formatos, pode ser observada como uma espécie de "sociedade em miniatura", como você diz, com sua hierarquia e suas relações afetivas. O que te interessava observar neste caso?

Após receber o diagnóstico de câncer terminal, o homem sabe que vai morrer, mas decide tocar até o fim, até o último suspiro.Bom, depois que eu e Frank criamos "Gardênia" (2010) levamos cinco anos até encontrarmos uma boa ideia e termos certeza de que tínhamos um ponto de partida relevante. E isso aconteceu quando nos deparamos com um livro de um fotógrafo belga composto por uma série de imagens de bandas como essa. É uma antiga tradição de muitas cidades, ter a sua banda de metais, a sua banda sinfônica, então começamos a visitar pequenas cidades, vilarejos e investigar a história dessas bandas, dos músicos, dessas pessoas que se reúnem para fazer música.

Há algum tempo tenho observado que algumas formas clássicas de reunião comunitária estão desaparecendo. As famílias, de algum modo, estão se quebrando, a igreja já não é um lugar de encontro como antes, os partidos políticos têm se desintegrado ou têm se tornado menos claros, e é cada vez menos possível distinguir uns dos outros... Todos esses aspectos sociais têm mudado rapidamente. Algumas velhas formas de vida comunitária têm se tornado bastante raras, e as brass bands se enquadram nessa história.

Visitamos lugares pequenos que tinham as suas bandas, e isso nos emocionou muito. Começamos a conhecer as histórias daqueles músicos... Muitos deles têm outros empregos. Eles não podem viver apenas de música, mas não podem viver sem música. Para eles é fundamental se encontrar duas vezes na semana para tocar juntos, sem qualquer ambição de se tornarem grandes músicos, ou músicos profissionais. A única intenção é tocar, é fazer boa música, e fortalecer os seus laços sociais, no fim das contas.

Foi muito bonito ver algumas dessas bandas compostas de diferentes gerações de uma mesma família, de vizinhos... É o açougueiro, o farmacêutico... Em vez de ir à igreja, eles se encontram para fazer música, e isso nos tocou muito.

O protagonista da peça é um trombonista que é levado a aposentar seu instrumento, mas faz de tudo para permanecer integrado à banda. Como chegaram a essa história, e o que ela nos revela sobre esse tipo de banda?

Para além da concepção e da realização musical da peça, nós tínhamos de achar uma história. E então pensamos nesse homem, mais velho, que recebe o diagnóstico de um câncer terminal, mas decide continuar tocando, mesmo que seja outro instrumento. Ele sabe que vai morrer, mas decide tocar até o fim, até o último suspiro. Então há a sua vontade de fazer arte, de permanecer integrado com os outros, assim como os outros músicos cuidando dele, brincando e tocando com ele, lidando sem desvios com o sofrimento e também com as alegrias.

Como a sua obra e o seu trabalho têm sido afetados pelo contexto social e político em que você vive, ou na Europa de um modo geral? Como o seu trabalho busca responder a questões sociais urgentes como, por exemplo, a xenofobia crescente, a crise migratória, o fortalecimento de movimentos da nova direita...

Me afeta muito. O meu mais recente trabalho, "Nicht schlafen", traz uma relação direta com o que estamos vivendo, no mundo. Não é uma questão somente europeia, mas sim uma atmosfera geral, um mal-estar que é possível sentir em cada parte do mundo, sobretudo a partir do que está acontecendo agora nos Estados Unidos, que é algo que realmente afeta a vida de muita gente. Então se você me perguntar agora como eu imagino o futuro, a partir do presente, infelizmente vejo uma paisagem muito escura à frente.

Estamos marchando e avançando em direção ao abismo?

Sim, tenho visto coisas que me deixam muito preocupado. Acompanho as notícias, leio os programas dos políticos e não vejo nada de positivo se desenvolvendo nos patamares mais altos da política mundial.

Espero que essas outras formas se tornem cada vez mais acessíveis, claras e possíveis. Que estimulem novos movimentos políticos, mas tenho receio de que, no fim das contas, o "lado mau" vença. Mas essa é a minha perspectiva, de um homem com a minha idade, depois de ter vivido algumas décadas dessa história e acompanhar a repetição de alguns desses processos. Sinto, cada vez mais, que esse outro lado está avançando, vencendo... Isso deixa muita gente em estado de desespero.

E como isso tudo afeta a sua obra?

Acho que esse contexto nos obriga a sermos cada vez mais cuidadosos em relação ao que a gente faz e cria, em relação aos efeitos que causamos com nossas obras, o engajamento social que produzimos. Acho que o engajamento político precisa estar contido nos trabalhamos que criamos, ou ser uma resultante deles.

Nesse sentido, o que as cênicas podem oferecer de singular a partir de suas estratégias de relação com o público?

Essa é a pergunta mais difícil de todas. Não sei se consigo responder em nome da arte, mas só em meu nome. Tenho consciência do meu engajamento pessoal em diferentes níveis, e dentro dessa perspectiva pessoal me preocupo bastante, por exemplo, sobre como eu me relaciono e lido com o poder, com o dinheiro, com a economia e a ecologia. São preocupações pessoais minhas.

Num segundo nível, há o modo como o meu trabalho se relaciona com isso. E sinceramente acho que reunir pessoas diferentes num mesmo estúdio e tentar criar alguma forma de relação juntos, acho que isso é uma espécie de experimento social, são tentativas de criar utopias temporárias. É um lugar que nos permite observar como lidamos uns com os outros, e a partir daí pensar de que forma podemos trabalhar em conjunto, de um modo realmente democrático quando estamos criando, respeitando as diferenças, amparando uns aos outros e em busca de criar uma experiência potente.

Num terceiro nível, acho que a performance deve transmitir engajamento político mas não deve ser um panfleto político. Mas sim outra coisa, algo que deve mostrar como você imagina que pode ser uma sociedade, ou como você gostaria de viver nessa sociedade.

Mas se você me pergunta "A arte pode fazer alguma diferença?", eu não sei como responder, mas sei que tenho que agir, apesar de ter a consciência de que a arte não pode, de fato, mudar o mundo.

Após mais de três décadas de criação, ainda é possível descobrir e aprender coisas novas? O que o anima a seguir criando?

Bom, hoje não sinto a pressão de fazer coisas por razões econômicas, e só me envolvo em trabalhos que realmente desejo participar. É claro que respondo também por uma companhia, e sei que as pessoas envolvidas precisam trabalhar. Mas o que quero dizer é que quanto mais tempo eu tenho nesse "negócio", mas sinto que isso não é um "negócio". É por isso que eu não faço "projetos", para mim isso é realmente uma política de vida, uma forma de viver. Encontrar pessoas diferentes e tentar criar com elas utopias temporárias. Depois de tanto tempo fazendo isso, posso dizer que me sinto mais feliz hoje do que quando comecei.

oglobo.globo.com | 16-03-2017

ANCARA - A Turquia ameaçou nesta quarta-feira anular unilateralmente o acordo migratório de março de 2016 com a União Europeia, que permitiu reduzir consideravelmente o fluxo de migrantes e refugiados na Europa, em meio às tensões com vários países da UE.

— Podemos acabar (com o acordo) unilateralmente. Ainda não informamos nosso interlocutores (europeus), tudo está nas nossas mãos — declarou o ministro das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, ao canal 24 TV. — A partir de agora, podemos dizer 'não vamos mais aplicar o acordo e está acabado'. Erdogan

O ministro acusou a UE de não ter autorizado, como previsto no pacto, a liberação de vistos para cidadãos turcos na UE.

O polêmico acordo, concluído em plena crise migratória, que prevê o reenvio sistemático de todos os migrantes para a Turquia, permitiu reduzir drasticamente o número de chegadas na Grécia.

Este foi o último capítulo de uma crise entre a Turquia e a União Europeia, iniciada depois que Alemanha e Holanda não permitiram na semana passada que ministros turcos participassem em seus territórios de comícios em favor do referendo que dará mais poderes ao presidente Recep Tayyip Erdogan.

Mais cedo, nesta quarta-feira, Erdogan voltou a atacar violentamente a Europa, onde, segundo ele, "o espírito do fascismo está desenfreado", e acusou diretamente a Holanda de ser responsável pelo massacre de Srebrenica.

A crise diplomática se estendeu às redes sociais. Várias contas do Twitter certificadas, entre elas as da Anistia Internacional, BBC e do ministério francês da Economia, foram atacadas por hackers com mensagens em turco comparando a Holanda e a Alemanha ao regime nazista.

O Twitter confirmou ter sofrido um ataque de grande envergadura.

— A Holanda não tem nada a ver com civilização, nem com o mundo moderno, foram eles que massacraram mais de 8.000 bósnios muçulmanos na Bósnia Herzegovina, durante o massacre de Srebrenica em 1995 — acusou Erdogan em um discurso.

Erdogan acusa Holanda de massacre de muçulmanos

oglobo.globo.com | 15-03-2017

ANCARA — Em plena crise diplomática entre a Turquia e países europeus, várias contas do Twitter foram atacadas por hackers nesta quarta-feira com mensagens em turco que comparam a Holanda e a Alemanha com o regime nazista. Entre as contas alvos do ciberataque estão a do Fundo das Nações Unidas para Crianças (Unicef), da Anistia Internacional (AI), da emissora BBC e do ministério francês da Economia. Turquia

“Alemanha nazista #Holanda nazista. Aqui uma pequena bofetada otomana para vocês. #Nos vemos em 16 de abril. Querem saber o que escrevi? Aprendam turco”, afirmava uma mensagem em turco postada às 7h (4h de Brasília), que também foi publicada nas contas de Javi Martínez, espanhol que joga no Bayern de Munique, e do ex-tenista alemão Boris Becker, entre outros.

A mensagem era acompanhada por um vídeo com trechos de um discurso do presidente turco Recep Tayyip Erdogan, que aprovou uma reforma constitucional para reforçar seus poderes, que será submetida a um referendo em 16 de abril. O Twitter confirmou ter sofrido um ataque de grande envergadura.

“Estamos cientes do problema que afeta várias contas”, declarou um porta-voz da rede social, antes de acrescentar que a fonte do ataque foi rapidamente localizada e que procede de um “aplicativo”. “Retiramos imediatamente suas permissões”.

O aplicativo em questão, o Twitter Counter, iniciou uma investigação sobre o ataque do qual foi vítima e que permitiu a ação de pirataria, afirmou à agência AFP seu presidente, Omer Ginor. Não está claro quantas contas foram atacadas, mas os alvos parecem ter sido totalmente oportunistas.

O ministério francês da Economia confirmou que sua conta no Twitter foi alvo de ataque e disse que já havia solucionado o problema, sem revelar detalhes. A BBC News North America, por sua vez, publicou uma mensagem no Twitter em que informou que “perdeu temporariamente o controle” de sua conta na rede social.

Informações publicadas em meios de comunicação, tais como Gizmodo, Engadget e o jornal "The Guardian", observaram que também foram atacadas as contas do Unicef, da Universidade de Duke e do Starbucks na Argentina.

A Turquia suspendeu as relações "de mais alto nível" com a Holanda e bloqueou a volta à Turquia do embaixador holandês, em resposta à decisão do governo do primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, de impedir a entrada na Holanda de ministros turcos que iriam participar de comícios políticos — anulados pelas autoridades locais — a favor de Erdogan.

O presidente turco classificou esta medida de "vestígio" do nazismo e criticou Haia, assim como a chanceler Angela Merkel e a União Europeia que saíram em sua defesa.

oglobo.globo.com | 15-03-2017

O Brasil tem no comércio exterior um importante vetor para a retomada do crescimento econômico. No entanto, o aumento consistente da participação brasileira no comércio global passa por ganhos de competitividade do setor produtivo e pela melhoria do ambiente interno de negócios.

O governo tem intensificado as frentes de negociações comerciais para ampliar a integração da nossa economia ao mundo. Recentemente, concluímos ou estamos avançando em acordos bilaterais sobre investimentos, compras governamentais, serviços e convergência regulatória com parceiros como Estados Unidos, México, Chile e Peru. Em conjunto com o Mercosul, estamos evoluindo nas tratativas com a União Europeia, Associação Europeia de Livre Comércio e Índia, entre outras.

Além da redução de barreiras para acesso a mercados estrangeiros, o aumento de competitividade das nossas exportações requer a desburocratização do comércio exterior. O mercado internacional demanda não apenas bons preços e qualidade, mas prazos céleres e previsibilidade. Produção competitiva e logística eficiente são fatores-chave para uma maior inserção global. É nesse cenário que se inserem os esforços governamentais de facilitação de comércio, com vistas a reduzir burocracia e custos nas exportações e importações brasileiras.

Recentemente, a Organização Mundial do Comércio (OMC) anunciou a entrada em vigor do Acordo sobre Facilitação de Comércio — primeiro acordo multilateral concluído na história da entidade. Assinado em 2013, ele busca conferir maior agilidade e transparência na intervenção dos governos nas trocas internacionais. Segundo a OMC, o acordo poderá aumentar as exportações mundiais em até US$ 1 trilhão por ano. Os principais beneficiados serão países em desenvolvimento, que possuem maior espaço para ganhos de eficiência.

O Brasil ratificou o acordo ainda no ano passado e vem efetivando suas recomendações mesmo antes do início de sua vigência. Mais que uma obrigação internacional, o governo e setor privado brasileiros vislumbram na facilitação um caminho inteligente para tornar nosso comércio exterior mais eficiente e competitivo. Por isso, o Brasil já aderiu à maioria dos compromissos pactuados na OMC e tem buscado implementar outras medidas.

No centro da estratégia brasileira está o Portal Único de Comércio Exterior, coordenado pela Secretaria de Comercio Exterior (MDIC) e pela Receita Federal (MF). A iniciativa estabelece um guichê único para centralizar a interação entre o governo e os operadores comerciais. Com a indispensável participação do setor privado, os processos de exportação e importação estão sendo revisados e seus gargalos e redundâncias, eliminados. Estima-se que a plena implantação do portal levará à redução dos prazos médios para exportar e importar em 40%. Estudo da FGV indica potencial de ganhos no PIB de até US$ 23,8 bilhões por ano e crescimento anual da corrente de comércio superior a 6%.

Uma das primeiras entregas do portal foi a eliminação da exigência de documentos em papel em operações de comércio exterior. Hoje, a quase totalidade dos documentos de importação e exportação pode ser apresentada de maneira eletrônica. Os operadores também já conseguem consultar, em tempo real e de uma única vez, o andamento de seus processos. Os efeitos desses avanços foram reconhecidos pelo Banco Mundial, que em seu relatório Doing Business apontou a melhora da posição do Brasil no ranking do comércio internacional por dois anos seguidos. O próximo passo será a adoção de novos processos simplificados na exportação (a partir de março) e na importação (a partir do final de 2017), com redução de documentos e exigências. A meta para a conclusão de todo o programa é 2018.

Outro compromisso já cumprido pelo Brasil foi a recente criação do Comitê Nacional de Facilitação de Comércio (Confac). O déficit de articulação entre os órgãos de governo e a baixa qualidade do diálogo com o setor produtivo estão na raiz da gestão pouco eficaz do comércio exterior. O Confac, sob coordenação do MDIC e do MF, permitirá organizar a atuação dos atores públicos que trabalham com comércio exterior e, em conjunto com os agentes privados, e construir saídas para os desafios existentes.

A retomada do crescimento econômico do Brasil requer que olhemos para fora de nossas fronteiras. Em conjunto com a negociação de acordos e a redução de barreiras às nossas exportações, o Brasil está buscando soluções internas para a melhoria da competitividade do comércio exterior. A facilitação do comércio apresenta respostas estruturantes de custo relativamente baixo e elevado retorno para que o país volte a avançar no cenário global.

Marcos Pereira é ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços

oglobo.globo.com | 14-03-2017

LONDRES - A primeira-ministra britânica, Theresa May, ganhou o aval das duas Câmaras do Parlamento para iniciar a ruptura com a União Europeia. Os deputados da Câmara dos Comuns derrubaram as duas emendas que a Câmara dos Lordes — a alta representação no Parlamento — havia anexado ao projeto, uma a respeito dos direitos dos europeus residentes no Reino Unido e outra sobre a votação parlamentar do acordo final. Posteriormente, a Câmara alta também aprovou a ativação do artigo 50 do Tratado de Lisboa. Com isso, May dará até o fim do mês o primeiro passo para romper amarras com seu principal aliado comercial e político. Brexit

Imediatamente depois das aprovações, espera-se que a rainha Elizabeth II faça o resto dando o consentimento real e convertendo-o, assim, em lei.

May pode enviar a carta a Bruxelas invocando o Artigo 50 do Tratado Europeu de Lisboa até o fim do mês, que dá início a dois anos de negociações para acordar os termos de ruptura.

"O que acontecerá posteriormente é bastante simples", explicou à BBC David Davis, o ministro a cargo do Brexit. "A carta vai ao Conselho Europeu", a instituição que reúne os chefes de Estado e de Governo, "e o Conselho tem que decidir as diretrizes" das negociações.

A UE afirmou que apresentará seu primeiro plano para as negociações em um prazo máximo de 48 horas depois de receber a notificação de saída de Londres, e que finalizará sua estratégia em uma cúpula no dia 6 de abril.

Posteriormente, dois anos de negociações. Segundo um relatório interno do governo espanhol, revelado pelo jornal "El País", Madri considera que o elemento "mais relevante das negociações é a manutenção da livre circulação de trabalhadores".

A Espanha abriga a maior comunidade britânica dentro da Europa, com estimativas não oficiais que falam de entre 800.000 e um milhão de britânicos instalados no país.

Segundo números do relatório, oficialmente há 286.000 britânicos na Espanha. Inversamente, há mais de 102.000 espanhóis em idade de trabalho no Reino Unido.

O relatório estima entre dois e quatro décimos de crescimento do PIB o impacto do Brexit sobre a economia espanhola, ou seja, entre 2 e 4 bilhões de euros, segundo o El País, que não informa a duração prevista deste efeito. Em cinco cenários, o que acontece com a União Europeia após o Brexit?

Descontentamento escocês

A aprovação das emendas obrigaria o governo a mudar de estratégia e abriria uma troca de acusações entre os conservadores, mas não afetaria o essencial: a saída começará em breve. O governo pedirá aos deputados que não manuseiem a lei e a deixem sem emendas, "para que possamos começar a construir um Reino Unido voltado ao mundo e uma nova aliança forte com a UE", disse Davis em sua entrevista.

Mas assim que este momento chegar, Londres pode encontrar sobre a mesa uma demanda de Edimburgo para celebrar um novo referendo de independência.

A líder do Partido Nacional Escocês (SNP) e chefe do governo regional, Nicola Sturgeon, disse na quinta-feira que o referendo pode ser realizado no fim de 2018 e insistiu que a Escócia, cujos habitantes votaram esmagadoramente a favor de seguir na UE, não tem motivos para ser condenada a sair. A Escócia já realizou um referendo de independência em setembro de 2014, no qual 55% dos eleitores optaram pela permanência e 45% pela secessão. May considera lamentável proposta de novo referendo na Escócia

oglobo.globo.com | 13-03-2017

SÃO PAULO - A semana que começa tem dois eventos que prometem mobilizar as atenções dos investidores e podem mexer com os mercados aqui e no mundo. Lá fora, a definição na quarta-feira das taxas de juros, que devem subir, pelo comitê de política monetária (FOMC) do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve agitar os mercados cambiais, enquanto que o resultado do leilão de quatro aeroportos, na quinta-feira, que colocará à prova o novo programa de concessões do governo Temer, frente importante para a retomada da economia.

Cinco fatos que vão mexer com a economia esta semana

Segunda-feira, 13. A semana começa com a divulgação do Boletim Focus, do Banco Central, cujos dados refletem as expectativas do mercado financeiro para a economia, e os números da balança comercial. Lá fora, saem os números sobre vendas do varejo e produção industrial na China e, nos Estados Unidos, o Federal Reserve analisa as condições do mercado de trabalho.

Terça-feira, 14. Um dia morno quanto a novos indicadores. Aqui, o IBGE divulga a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) de janeiro, com dados regionais. Dados sobre as expectativas com a economia e da produção industrial, em janeiro, no bloco serão apresentados na União Europeia, enquanto nos EUA saem dados de preços ao produtor relativos a fevereiro.

Quarta-feira, 15. No principal evento da semana, o comitê de política monetária (FOMC) do Federal Reserve (o banco central americano) reúne-se e deve anunciar um novo aumento na taxa de juros no país, medida que tende a dar fôlego ao dólar nos mercados cambiais pelo mundo. Ainda nos EUA, serão divulgados dados que podem mexer com a bolsas, como os estoques de petróleo bruto, vendas do varejo e estoques das empresas, além do índice de preços ao consumidor -- todos relativos a fevereiro.

Quinta-feira, 16. As atenções do mercado no Brasil estarão voltadas para o leilão de concessão de quatro aeroportos (Florianópolis, Fortaleza, Porto Alegre e Salvador) na BM&F Bovespa, o primeiro grande movimento do governo Michel Temer para tentar destravar os investimentos em infraestrutura no país. Um dia depois do Fed, o Banco da Inglaterra reúne-se para discutir os juros.

Sexta-feira, 17. No Brasil, saem as prévias de índices de preços como IGP-M e IPC da Fipe, e o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), Lá fora, tem os números da Balança Comercial na Zona do Euro em janeiro, e os dados da produção industrial nos EUA.

oglobo.globo.com | 13-03-2017

BERLIM - A chanceler alemã Angela Merkel vai alertar o presidente americano Donald Trump que uma proposta de revisão fiscal por parte dele poderia desencadear medidas de retaliação, incluindo impostos maiores sobre companhias americanas, informou a revista alemã "Der Spiegel".

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O governo alemão está revendo sua posição quanto a um imposto nas fronteiras, que apenas incidiria sobre importações americanas, e não sobre exportações. Documentos preparados para a próxima reunião de Merkel com Trump, aos quais a publicação teve acesso, classificam a medida como "tarifa protecionista" e afirma que viola as regras da Organização Mundial do Comércio.

As respostas da maior economia da Europa à medida de Trump também podem incluir a permissão empresas alemãs abaterem taxas de importação americanas de modo a compensarem a desvantagem competitiva, segundo o relatório. Eventualmente, a A lemanha poderia reduzir taxas corporativas e contribuições sociais, o que seria atrativo para companhias estrangeiras.

O comércio é ponto relevante na agenda de Merkel, que se reunirá com Trump pela primeira vez dele como presidente na terça-feira. A chanceler afirmou na quinta-feira que vai lutar para preservar o livre comércio e o fortalecimento da Europa, convocando a União Europeia a buscar acordos comerciais com outros países em resposta à tendência protecionista de Trump.

Para Merkel, defender o modelo econômico alemão, baseado na exportação, é um ponto-chave enquanto tenta melhorar os números de seu partido nas pesquisas de intenção de voto a fim de garantir seu quarto mandato em setembro. O país registrou superávit comercial recorde de mais de 8% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas e serviços produzidos de um país) em 2016, enquanto os EUA ampliaram seu déficit comercial em janeiro ao maior nível desde março de 2012.

Enquanto os republicanos no Congresso defendem a implementação do imposto de fronteira, Trump ainda precisa apoiar a medida explicitamente como parte de seu plano para tornar os EUA grandes novamente e fomentar a produção interna. O secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin deve começar a defender o plano em um encontro do G20 na Alemanha na próxima semana, levando a mensagem de que os Estados Unidos não vão tolerar países que usem a desvalorização cambial para ganhar frente no comércio.

oglobo.globo.com | 11-03-2017
Futuros acordos comerciais com o Brasil foram apontados como potenciais geradores de benefício para a economia do Reino Unido depois que o país se desligar da União Europeia (UE), no processo conhecido como Brexit, de acordo com o jornal britânico Financial Times. O Brasil é citado apenas no meio de uma reportagem com o título "Ativistas do Brexit mudam foco para o livre comércio global", ao lado de outras nações que também seriam promissoras, como Índia, Austrália e Nova Zelândia. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 09-03-2017

BRASÍLIA — Em cerimônia no Palácio do Itamaraty na noite desta terça-feira, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) assumiu o cargo de ministro das Relações Exteriores criticando o que chamou de "escalada autoritária" na Venezuela. Ele afirmou ainda que o governo brasileiro está preocupado com a crise humanitária no país vizinho. Ministros - 07.03

Confira os desafios de Aloysio Nunes no Itamaraty

— Não posso deixar de lembrar a preocupação, cada vez mais presente, com a escalada autoritária do governo venezuelano, que nos últimos anos esteve presente entre os grandes temas em debate. A nossa posição frente à Venezuela é emblemática do papel que queremos desempenhar na América Latina e no mundo. Nossa solidariedade irrestrita com aqueles que lutam pela liberdade nesse país irmão é a reafirmação do princípio constitucional da prevalência dos direitos humanos nas relações internacionais do Brasil democrático — disse no discurso na solenidade de transmissão de cargo.

Depois de falar da importância do Mercosul e anunciar que amanhã embarca para Buenos Aires para encontro com ministro desses países, voltou a falar da Venezuela.

— A situação na Venezuela continua a nos preocupar. Queremos uma Venezuela próspera e democrática, sem presos políticos e com respeito à independência dos poderes, um país irmão capaz de reencontrar o caminho do progresso para o bem de sua gente.

O novo chanceler elencou como uma das prioridades de sua gestão um novo patamar de relacionamento com a África. O novo ministro afirmou também que está na ordem do dia o acordo com o Mercosul e a União Europeia, fato que poderá proporcionar um salto nas relações do Brasil com a Europa.

No discurso de despedida, o ex-chanceler José Serra aproveitou para fazer balanço de sua gestão. Ele destacou como ponto importante de seu período como chanceler a reorientação da política externa em um contexto de grande instabilidade. O ex-ministro agradeceu ao presidente Michel Temer pela oportunidade de ocupar o cargo, que ele chamou de "uma das mais singulares e fascinantes" experiências de sua vida.

TEMER ANULA DEVOLUÇÃO DA CAMEX

Antes de tomar posse, Aloysio travou e venceu uma queda de braço com o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, pela manutenção, em sua pasta, da Secretaria Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex).

O órgão tinha sido tirado do MIDIC em negociação do presidente Michel Temer para que o ex-ministro José Serra (PSDB-SP) assumisse o Itamaraty. Com a saída de Serra, Temer cedeu a pressão de Marcos Pereira e setores da Indústria, e assinou na segunda-feira um decreto devolvendo a Camex ao órgão. Ao saber da mudança sem ser consultado, Aloysio reagiu com irritação e se negou a tomar posse com o esvaziamento da pasta.

Na tarde desta terça, antes da cerimônia de posse, Temer publicou outro decreto anulando o anterior e mantendo o órgão no Itamaraty. Empossado, o ministro Aloysio Nunes admitiu ter pedido a Temer mais tempo para fazer uma transição, se mantiver a decisão de atender á pressão do ministro Marcos Pereira.

— Eu pedi ao presidente Temer e ao ministro Marcos Pereira mais tempo para que façamos uma transição gradual, com tranquilidade. A decisão está nas mãos do presidente Temer. O importante é que essa seja uma transição tranquila. Os técnicos do Ministério do Desenvolvimento e do Itamaraty trabalham numa sintonia muito boa. A localização topográfica da Camex é o de menos. O importante é o trabalho que vai ser executado pelo órgão — disse Aloysio.

Senadores tucanos explicaram que, na conversa com Temer, Aloysio explicou que estão em andamento várias ações da Camex junto ao Ministério das Relações Exteriores, justamente para ajudar na aceleração de retomada de investimentos estrangeiros no País.

O novo decreto, publicado na tarde desta em edição extra do Diário Oficial da União, diz que "os dispositivos revogados ou que tiveram a redação alterada pelo Decreto 8.997, de 2017, ficam, respectivamente, revigorados ou com a sua redação anterior restabelecida".

oglobo.globo.com | 08-03-2017

TORONTO - Apesar do otimismo do governo brasileiro com o avanço da mineração no país, os investidores do ramo reunidos na maior feira mundial sobre o tema, o PDAC, no Canadá, exigem medidas rápidas para continuar a acreditar no país ou para fazer novas apostas. mineração

— O sentimento é positivo, mas preciso de resultados rápidos — disse Andrew Storrie, britânico que presta serviços para a multinacional Anfield Gold.

Em seu projeto já foram investidos cerca de US$ 40 milhões em uma mina de ouro no interior do Pará. Ele comprou equipamentos para operá-la e conta com 400 funcionários, mas aguarda licenças no país há mais de um ano.

— Sempre me falam que a licença sairá em duas semanas, mas isso nunca acontece — acrescenta ele.

Storrie ouviu com otimismo, como outros investidores internacionais, discursos do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, no Canadá, mas disse que não pode esperar mais muito tempo para que seu principal investidor — Ross Beaty, conhecido como o Bill Gates da mineração — continue a apostar em seu projeto, com potencial para funcionar por dez anos.

Para Luiz Mauricio Azevedo, da Associação Brasileira de Pesquisa Mineral (ABPM), se a Anfield Gold deixar o Brasil, afastará cerca de um terço dos potenciais investidores de mineração canadenses do pais — o Canada é o mais tradicional investidor em mineração do mundo, com cerca de 60% de mercado e 1.600 mineradoras listadas em bolsa.

Apesar de não haver dúvidas sobre o potencial do país — no Brasil, a mineração é feita praticamente toda na superfície e com apenas seis atividades no subsolo, onde se encontram as principais jazidas —, o cenário da mineração brasileira é complicado, por um histórico de mais de cinco anos de incertezas sobre a regulação.

Em 2012, o governo enviou ao Congresso um projeto intervencionista, que ameaçava a retirada de direitos minerários.

Nos últimos anos, Peru, Equador e Chile vêm tomando boa parte dos potenciais investimentos no país, por possuírem condições econômicas e regulatórias mais favoráveis. O índice de atratividade de investimentos minerais do Fraser Institute publicado nos últimos dias aponta que, apenas na América Latina, pelo menos Peru, Chile, México e as Guianas estão à frente do Brasil.

Em 2008, 59 empresas brasileiras tinham ações no Canada, e, agora, são apenas 17 com minas ativas. Mesmo assim, as companhias com recursos canadenses respondem por três a cada quatro quilos de ouro produzidos no Brasil.

— Temos que crescer três vezes para voltar ao que já fomos — resumiu Azevedo, da ABPM.

DECRETO PODE REDUZIR PREÇOS

É por isso que o pacote busca resgatar a credibilidade do mercado brasileiro, explicou Victor Bicca, diretor-geral do DNPM. Segundo ele, o decreto a ser publicado nas próximas semanas pelo governo vai simplificar a legislação e tende a reduzir prazos.

No segundo semestre, o DNPM vai leiloar, por meio de pregão eletrônico organizado pela Receita Federal, as primeiras mil áreas disponíveis em leilão. O edital será aberto 60 dias antes do pregão, em versões inglês e português, para atrair estrangeiros.

— O governo começa a ver a mineração como um mecanismo de alavancagem do desenvolvimento do Brasil — disse Bicca.

No fim de outubro, a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) também deverá leiloar quatro áreas para exploração mineral, em ações que deverão testar o apetite do mercado por negócios no Brasil. Embora o mercado seja reticente quanto ao sucesso de todos os leilões, essa será uma oportunidade de o governo de testar o apetite dos investidores e a aceitação das novas regras.

— A curva de preços começou a mudar e estamos saindo do fundo do poço, mas precisamos de segurança jurídica e transparência para avançar — disse Eduardo Ledsham, presidente da CPRM.

Vencerá as áreas leiloadas pela CPRM quem se comprometer a fazer mais investimentos nas minas no prazo de dois anos, como forma de o governo acelerar o ritmo da atividade mineral no país.

Também como forma de atrair os estrangeiros, Ledsham explica que a CPRM começou agora a oferecer sem custo para os interessados levantamentos aerogeofísicos feitos de cerca de 90% do país nos últimos anos. Os dados, nos quais o governo investiu cerca de R$ 1 bilhão nos últimos anos, ajudam a reduzir riscos nas atividades, uma vez que há mais conhecimento disponível sobre os solos.

Apesar de ter áreas com potencial minerados similares a países como Austrália e Canadá, onde a atividade está mais consolidada, no Brasil investe-se apenas cerca de 30% do valor anual desses dois países, na ponderação pelas áreas.

— O Brasil não dá a mineração o espaço que ela merecer, como setor nobre para a economia e o desenvolvimento — disse Fernando Coelho Filho, ministro de Minas e Energia, destacando que o segmento é uma prioridade para o atual governo.

CENÁRIO MUNDIAL DA MINERAÇÃO

Depois uma onda de forte valorização das commodities na virada da década e anos recentes de freada nos preços internacionais, o cenário mundial para os minérios é de otimismo, mas com pragmatismo.

Durante a feira do PDAC nesta semana em Toronto, Canadá, analistas se intercalaram nas declarações de que o preço do minério de ferro ter atingido a marca de US$ 90 nas últimas semanas era uma boa surpresa, mas praticamente todos veem esse preço como insustentável. Por ser um minério mais uniforme, o ferro é tido como um dos melhores indicadores da variação dos preços do setor.

Para Jon Butcher, economista-chefe da Wood Mackenzie, o cenário melhorou, mas não está róseo.

— O crescimento da Europa ainda é devagar — destacou ele.

Rory Johnston, analista dos setores de mineração e energia do Scotiabank, disse que não se pode ser tão otimista com o mercado e que algo que se possa esperar para a frente é volatilidade ao longo de uma retomada na próxima década. Segundo Johnston, porém, há alguns setores com déficit de oferta para ser otimistas, como zinco e cobre.

* O repórter viajou a convite da Agência para o Desenvolvimento Tecnológico da Indústria Mineral Brasileira (Adimb)

oglobo.globo.com | 07-03-2017

As questões em debate este ano na corrida eleitoral da França são amplas e variadas: terrorismo e comércio, a idade de aposentadoria, o legado da França na Argélia e o futuro da França na Europa. Mas, na verdade, apenas uma questão realmente importa: é possível vencer, num importante país ocidental, o coquetel de medo, nacionalismo, nostalgia, ressentimento, uma política externa pró-Rússia e grande participação do Estado na economia — uma filosofia descrita como “extrema-direita” ou “populista”, que toma uma forma on-line particularmente virulenta e influenciou vitórias eleitorais recentes nos EUA e no Reino Unido? E se a resposta for “sim”, como?

Até ser abatido por um escândalo, François Fillon, o candidato do Partido Republicano, de centro-direita, adotou o que pareceu ser a fórmula mais segura: roube os temas populistas da “extrema-direita” — a Frente Nacional, de Marine Le Pen — e faça deles questões centrais de seu programa. Ao escolher esta estratégia, ele estava copiando Theresa May, a conservadora premier britânica que derrotou o ascendente Partido da Independência (Ukip) ao anunciar que iria abandonar todas as estruturas de comércio da Europa (como queria o Ukip) e tornaria o controle sobre imigração sua prioridade.

A versão de Fillon é levemente distinta — ele defendeu a suspensão da entrada de imigrantes de fora da Europa, maior controle nas fronteiras e uma postura mais dura em relação à assimilação de muçulmanos franceses — mas a ideia básica é a mesma. Como Le Pen, cuja campanha tem sido patrocinada por dinheiro russo, ele fala de amizade com a Rússia. Ele fala abertamente sobre seu catolicismo, com a intenção de afastar de Le Pen os eleitores identificados com os “valores da família”. O problema é que a versão de Fillon de “valores da família” incluiu colocar a mulher e os filhos na folha de pagamento do Estado, uma história que simplesmente não evapora.

Isso deixa a disputa nas mãos de Emmanuel Macron, um liberal social e econômico de 39 anos, cuja estratégia é bem diferente. Está claro já há algum tempo que a velha divisão entre esquerda e direita na política europeia já não reflete mais as verdadeiras divisões sociais; e que os novos pontos de discórdia são mais bem descritos como “integracionista” versus “nacionalista”, ou, de forma mais bruta, “abertos” versus “fechados”. Mas, embora as vozes “fechadas” — partidos como a Frente Nacional de Le Pen ou o Ukip — estejam estabelecidas há tempos, Macron é o primeiro político importante da Europa a atrair apoio das massas ao defender de forma vigorosa e ativa o “aberto”.

“Eu defendo a Europa”, disse ele a um jornalista britânico. “Se você for tímido, estará morto.”

Sua estratégia, até agora, tem sido feita de desafio aos estereótipos ideológicos. Macron tem um passado como banqueiro, mas fala sobre “solidariedade coletiva”. Ele foi ministro em um governo socialista, mas disse que “a honestidade me compele a afirmar que não sou um socialista”. Em vez de um partido tradicional, ele tem seu próprio movimento, o En Marche! (Avante!), que ele criou em 2016 para difundir o ceticismo. Ele tem convidado cientistas americanos, especialmente aqueles que trabalham com mudança climática e energia limpa, a viverem na França. Ele também quer estender o tapete vermelho para acadêmicos e empresários britânicos marginalizados pela saída de Theresa May da Europa.

Ele também atrai inimigos. Como sua vitória fortaleceria a União Europeia e a Otan, a campanha de Macron acabou por atrair naturalmente a atenção daqueles que querem destruir ambos. Tanto o WikiLeaks (que afirma ter “documento secretos” de todos os candidatos) e o canal de propaganda russo RT tentaram mostrar ligações sinistras entre Macron e Hillary Clinton. A previsível campanha de boatos é conspiratória (“Macron faz parte de uma seita secreta”), antissemita (“Macron trabalha para os Rothschilds”) e pessoal (“Macron é gay”). Este tipo de campanha negativa — baseada em insultos e alegações histéricas — teve efeitos brilhantes em outros países, e ainda há tempo suficiente para que isso também ocorra na França.

O sucesso de Macron vai depender se ele consegue aguentar a próxima campanha difamatória, e tirar um truque da cartola que até agora tem escapado a seus homólogos britânico, holandês e outros: unir a centro-direita e a centro-esquerda em torno de uma única bandeira, e realizar uma campanha que é patriótica e igualmente “aberta”, dura com o terrorismo e igualmente “integracionista”.

As apostas são altas. Se ele perder, o liberalismo vai desaparecer da França por uma geração. Mas, se ele ganhar, ele terá muitos imitadores, não apenas na França, mas também no resto do continente e todo o mundo.

Anne Applebaum é vencedora do Prêmio Pulitzer e escreveu este artigo para o “Washington Post”

oglobo.globo.com | 07-03-2017

LONDRES - A seguradora britânica Standard Life anunciou nesta segunda-feira a compra do fundo de investimentos Aberdeen, também britânico, por ?£ 3,8 bilhões (US$ 4,7 bilhões), dando início a um dos maiores fundos de investimento do mundo. Ao todo, o negócio deve gerar economia anual de custos de 200 milhões à empresa.

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Realizada inteiramente por meio de ações, a transação dá início à maior gestora de recursos da Inglaterra e a segunda maior da Europa, com ?£ 660 bilhões em ativos, e terá uma capitalização na Bolsa de ?£ 11 bilhões de libras (US$ 13,5 bilhões).

Apesar de o acordo ter sido apresentado como uma fusão, os acionistas da Standard Life terão 66,7% das ações grupo e, portanto, seu controle.

"Os conselhos de administração da Standard Life e Aberdeen têm a satisfação de anunciar que alcançaram um acordo para uma fusão", informou um comunicado divulgado pelas empresas. "A fusão representa uma oportunidade excelente de potencializar a força combinada da Standard Life e do Aberdeen para criar uma empresa de categoria mundial", completa a nota.

O presidente da Standard Life, Gerry Grimstone, vai liderar o grupo e terá como braço direito o presidente do fundo Aberdeen, Simon Troughton. A nova empresa terá nove mil funcionários em todo o mundo, mas sua sede permanecerá na Escócia.

A aliança acontece em um momento em que o setor se dirige para oferta de produtos de baixo de custo que acompanham índices, afastando-se de gestão ativa de investimentos, que cobra tarifas maiores de clientes.

Em 2016, a Standard Life teve lucro operacional de ?£ 723 milhões, e a Aberdeen teve lucro de ?£ 353 milhões.

oglobo.globo.com | 07-03-2017

BERLIM — Com o governo do presidente americano Donald Trump pressionando as nações aliadas a reforçarem seus setores de Defesa, o debate sobre incrementar o poderio militar ganha foco na Alemanha. Caso consiga atingir os objetivos de Washington, o país europeu estará no caminho para ter, mais uma vez, o maior exército da Europa Ocidental. E, mesmo com rejeição — principalmente por parte dos próprios alemães — de um reforço militar alemão, as novas políticas transatlânticas de Trump fazem com que o governo reconsidere essa questão.

Nas últimas semanas, cerca de 500 soldados alemães chegaram à Lituânia para um deslocamento incerto perto da fronteira russa. A ação — liderada pela Alemanha, mas que conta com forças menores da Bélgica, Holanda e Noruega — é considerada pelos especialistas como a operação militar mais ambiciosa na região desde o fim da Guerra Fria.

— Com todo o respeito ao Estados Unidos, mas vocês tenham cuidado com o que desejam — disse o tenente-coronel Torsten Stephan, porta-voz das tropas alemãs na Lituânia. — O senhor Trump diz que a Otan pode estar obsoleta e que devemos ser mais independentes. Bem, talvez nós seremos. Info - Forças armadas Alemanha PIB

Para muitos na Lituânia, a Alemanha é considerada o bastião dos princípios da democracia e um dos maiores defensores dos direitos humanos. Frente às pressões dos EUA sobre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), os lituanos pedem uma Alemanha mais forte ao seu lado, como afirma o ministro da Defesa, Raimundas Karoblis.

— Acho que a liderança dos EUA (na Otan) deva ser mantida, mas também precisamos de uma chefia na Europa — afirma Karoblis. — Por que não a Alemanha?

O ministro lituano afirmou ainda que, com o processo de separação do Reino Unido, a Alemanha é o país com mais garantias de estabilidade na região.

Recentemente, a polícia lituana, junto com alguns políticos importantes e jornais, receberam e-mails falando sobre uma adolescente de 15 anos ter sido supostamente violada por soldados da Alemanha. O governo da Lituânia desmentiu rapidamente as alegações — mas não antes do boato ser espalhado por contas falsas em redes sociais. As autoridades investigam se russos estariam por trás do caso. Enquanto isso, sites pró-Rússia utilizam antigos estereótipos, fazendo menções ao líder nazista, Adolf Hitler, e retratando a implantação da Otan na Lituânia como uma “segunda invasão” pela Alemanha.

Desde a chegada de Trump, a discussão só aumenta entre políticos e na imprensa. No mês passado, o Ministério da Defesa anunciou planos de expandir de 166.500 a 200 mil soldados o contingente militar. Após 26 anos de cortes, o investimento em Defesa sobe 8%. A chanceler federal Angela Merkel defendeu com cautela o aumento no Exército, mas sua ministra da Defesa, Ursula von der Leyen, defende os reforços dizendo que o país “não pode se esquivar”.

— Se Trump mantiver seu tom, os EUA deixarão a defesa europeia nas mãos dos europeus de uma maneira que não é vista desde 1945 — avaliou Berthold Kohler, publisher da “Frankfurter Allgemeine Zeitung”.

Para muitos alemães, no entanto, há diversas razões para que o país não assuma essa posição de liderança. Os argumentos vão de despesas excessivas com o Exército até o medo de uma nova corrida armamentista. Segundo uma pesquisa feita pela revista alemã "Stern", 55% a população são contra novos investimentos na defesa do país nos próximos anos — enquanto 42% são a favor.

oglobo.globo.com | 06-03-2017

NOVA YORK - O banco alemão Deutsche Bank anunciou neste domingo planos de levantar pelo menos US$ 8,5 bilhões com o lançamento de novas ações e de vender uma parte de sua área de administração de ativos, em um esforço de reestruturação do grupo.

A proposta prevê o lançamento de 687,5 milhões de novas ações ainda em março, para aproveitar a valorização recente dos papéis. Como parte da reestruturação, o banco também vender ações de uma parte da área de administração de ativos, mas decidiu abandonar os planos de vender o Postbank. A ideia agora é integrá-lo ao negócio de banco de varejo.

“Nossas decisões são um passo significativo no caminho de criar um banco mais simples, mais forte e em crescimento”, disse, em comunicado, o diretor-executivo John Cryan.

Uma das maiores instituições financeiras da Europa, o Deutsche Bank tem enfrentado dificuldades para manter a lucratividade nos últimos dois anos. O banco enfrentou multas de bilhões de dólar por sua participação na crise financeira internacional — tanto nos Estados Unidos quanto na Europa —, taxas de juros baixas — que afetam o resultado do banco — e uma economia europeia ainda fraca. Em 2016, o Deutsche Bank teve prejuízo de US$ 1,51 bilhão, após perda recorde de US$ 7,38 bilhões em 2015.

A administração tem lançado mão de várias iniciativas para fortalecer o banco e seu resultado, inclusive corte de despesas e venda de parte dos negócios. Até recentemente, o banco vinha resistindo à ideia de vender novas ações sob o argumento de que isso prejudicaria os acionistas atuais. E tinha mantido o foco na venda do Postbank. Só que não foram encontrados interessados e o banco se viu sem alternativas.

O Deutsche Bank foi um últimos grandes bancos a fechar um acordo com o Departamento de Justiça por causa de sua participação na crise de subprime, que desencadeou a crise financeira internacional. Em dezembro, concordou em pagar US$ 7,2 bilhões, montante inferior aos US$ 14 bilhões que se acreditava que era a demanda das autoridades americanas.

oglobo.globo.com | 05-03-2017

LONDRES — O ministro de Finanças britânico, Philip Hammond, disse que não utilizaria as boas notícias sobre o déficit orçamentário do país para aumentar os gastos, porque, segundo afirma, o Reino Unido necessita de reservas para enfrentar sua saída da União Europeia.

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"Se teu banco aumenta o limite de seu cartão de crédito, não acredito que te sintas obrigado a gastar cada centavo desse montante de imediato'', disse Hammond à rede BBC neste domingo, antes da divulgação do boletim orçamentário anual que irá apresentar na próxima quarta-feira no Parlamento. "Creio que meu trabalho como ministro é me assegurar de que nossa economia seja resistente, tenhamos as reservas no tanque. Assim, ao embarcarmos nessa viagem nos próximos anos, quero que tenhamos confiança de que teremos gasolina suficiente no tanque para terminá-la'', declarou.

A economia britânica suportou surpreendentemente bem no ano passado o impacto inicial do Brexit, o que implica que as previsões de crescimento de 2017 possivelmente serão revisadas para cima pelo governo britânico em seu boletim orçamentário. Isto também significa que Hammond provavelmente anunciará uma modesta queda na estimativa do montante de dinheiro que o Reino Unido terá que pedir emprestado nos próximos cinco anos.

No entanto, neste domingo, o ministro disse que não relaxaria sua estratégia para melhorar as finanças públicas.Em entrvista com outra rede de televisão, Hammond afirmou que o avanço no panorama da dívida de curto prazo não significava que as coisas poderiam melhorar no longo prazo também.

As perspectivas para a economia britânica continuam sendo complexas devido à incerteza sobre o impacto do Brexit, que separa o país de um bloco que compra cerca da metade do total de suas exportações.

oglobo.globo.com | 05-03-2017

A multiplicidade de nações adjacentes fez da Economia da Europa uma das mais complexas do planeta. Durante séculos a Europa foi o centro econômico do planeta. Entre as causas, podemos citar como a principal sua condição geográfica. A localização entre a África e a Ásia, fez da região europeia um ponto de passagem obrigatório, e facilitou de forma substancial a absorção e irradiação dos conhecimentos, tecnologia e comércio de ambos continentes. Esta condição perdurou até ao século XX. No século XX, a Europa viu seu predomínio declinar em relação aos Estados Unidos, o Japão e, na fase final, a China. A Primeira e Segunda guerra mundial, travadas em seu território, a carência de energia, de petróleo, além de uma intensa rivalidade entre seus povos, representaram para o continente a perda de sua liderança econômica. A Europa não tem auto-suficiência na produção de energia, exigindo a importação de muito petróleo. Este produto só é extraído em quantidades consideráveis na Rússia e no Mar do Norte. O gás natural, outro produto bastante usado na geração e produção de energia é muito abundante na Rússia, Romênia, Países Baixos e no Reino Unido. Outro recurso energético que teve grande importância nas fases iniciais da revolução industrial foi o carvão mineral, muito abundante, sobretudo na Alemanha, Polônia, Rússia, Reino Unido. Todas estas fontes energéticas são extremamente poluidoras e causam grandes impactos ambientais em todo o planeta. No caso da energia limpa, ou seja, não poluidora, podem ser citadas a energia hidráulica, energia eólica, e energia solar, de baixa produção e utilização da Europa, devido às suas condições geográficas. A produção de energia nuclear na Europa é muito importante, e, a exemplo dos Estados Unidos, gera imensas quantidades de lixo atômico, cujo fim, desde o início de sua utilização, é muito nebuloso e nunca divulgado na mídia mundial.


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