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Europa Economia

Em cúpula na Itália, líderes decidem ampliar investimentos e reforçar fronteiras externas
Consumo privado vai ser o motor da maior economia europeia em 2016.
www.publico.pt | 15-08-2016

SÃO PAULO E RIO - A cervejaria escocesa Brewdog deu início, este mês, a uma captação de recursos nos Estados Unidos, com o objetivo de expandir sua operação no país. Para conseguir os US$ 50 milhões planejados, optou pelo equity crowfunding, nome dado para o financiamento coletivo em que os investidores aportam seu dinheiro em troca de uma participação na empresa. Se der certo, será a maior operação realizada nesse sistema no mundo — o recorde atual já pertence à fabricante de bebidas, mas na operação europeia. No Brasil, essa forma de captação ainda patina, mas pode ganhar força a partir de audiência pública da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que teve início na semana passada e vai até novembro.

Por aqui, os valores captados em plataformas eletrônicas equity crowfunding são muito mais modestos. Poucas empresas — a maior parte ainda em seus estágios iniciais — conseguem mais de R$ 1 milhão. Os profissionais dessa área afirmam que, para quem capta, é possível ter acesso a recursos a custo menor e com regras mais equilibradas em relação a outras fontes disponíveis para esse público. Para os investidores, é a chance de fazer um investimento de longo prazo em um projeto inovador que pode dar um retorno elevado — o que também implica risco alto.

O gerente de Comunicação Diogo Souto Maior já fez dois investimentos por esse sistema. Nos dois casos, ele sabe que há riscos, por serem negócios ainda em fase inicial, e que não é possível resgatar a curto prazo os recursos aportados.

— Investi por duas razões. A primeira, porque vi uma oportunidade de investimento para longo prazo. A outra, foi por paixão mesmo, já que é uma forma que encontrei de apoiar empresas inovadoras. Mas é preciso olhar no que se está investindo, quem lidera esse projeto, e investir apenas uma pequena parcela do patrimônio — conta Souto Maior, ressaltando que apenas 5% de seus investimentos estão nesses projetos.

ATENÇÃO PARA OS PEQUENOS

Segundo Antonio Berwanger, superintendente de Desenvolvimento de Mercado da CVM, a regulamentação sobre o equity crowdfunding precisa dar atenção especial aos pequenos investidores, porque seu alcance transcende os aplicadores acostumados a produtos financeiros tradicionais:

— Percebemos que ele tem esse apelo adicional, até pela grande popularidade do crowdfunding para projetos culturais. As pessoas têm um interesse especial por esse tipo de oferta, que alcança investidores que não são usuais no mercado de capitais.

O superintendente da CVM lembra que há riscos, como a alta taxa de mortalidade das start-ups. Embora não haja estatísticas conclusivas, especialistas nesse segmento afirmam que é razoável estimar que até 90% das start-ups acabem falindo em pouco tempo.

— Outro risco é o fato de não haver mercado secundário para esse tipo de investimento. Não é como comprar uma ação na Bolsa, que você pode vender para outra pessoa por meio de um mercado organizado. Logo, você vai ficar preso a esse título por um bom tempo — observa Berwanger.

Por causa desses riscos, a proposta em audiência pública limita a apenas R$ 10 mil ao ano o investimento total que pode ser aplicado por pessoa. Quem quiser colocar mais que isso estará obrigado a informar à plataforma seu rendimento bruto anual ou seu patrimônio líquido. Nesse caso, o limite máximo de aplicação é de 10% daqueles montantes. Apenas investidores qualificados (com patrimônio acima de R$ 1 milhão) não teriam limites para investir.

Do lado de quem vai captar, atualmente apenas as empresas definidas como micro ou pequenas dentro do Simples, ou seja, com faturamento de até R$ 3,6 milhões ao ano, podem se valer desse sistema.

Esse tipo de investimento se dá por plataformas eletrônicas como a Broota, que tem Ricardo Politi como um dos fundadores. Em quase dois anos de operação, já foram R$ 9,6 milhões captados para 32 empresas, sendo que a maior, a 123Reformei, conseguiu R$ 1,2 milhão. As empresas precisam ser aceitas na plataforma, que faz uma análise sobre o potencial do projeto.

— Analisamos a empresa para ver se é minimamente bem estruturada. É uma análise objetiva. Vemos se tem um produto ou se já está em um estágio que prove que a fabricação de um determinado item ou a prestação de um serviço é possível. Isso reduz o risco — afirma Politi, acrescentando que, na maior parte dos casos, há a figura do investidor “âncora”, em geral com mais experiência, que o investidor comum pode considerar como uma espécie de avalista.

A start-up capixaba de automação residencial Kokar captou R$ 300 mil em dezembro por meio da plataforma EqSeed. Foram 38 investidores, que ficaram com uma fatia de 10% da empresa, cada. Alguns dos aportes foram de apenas R$ 1 mil e vieram de pessoas que os fundadores da Kokar sequer conheciam.

— Negociamos durante seis meses com mais de uma dezena de potenciais investidores-anjo, mas sempre acabávamos em uma queda de braço desleal. Eles estão sempre lutando por uma fatia maior da empresa em troca do dinheiro ou impondo termos desfavoráveis. Foi aí que o equity crowdfunding chamou nossa atenção — conta Giulliano Siviero, diretor da Kokar.

‘DUPLICANDO DE TAMANHO’

O administrador Ramon Rigoni foi um dos que investiram na Kokar. Formado em Administração e mestre em Economia, com passagem por bancos, ele já acompanhava o desenvolvimento do equity crowdfunding lá fora. Foi determinante, porém, o fato de ele ser amigo de Siviero, fundador da start-up.

— Quando eu soube que ele estava captando por meio do crowdfunding, resolvi aplicar, mesmo não havendo legislação consolidada e sendo um investimento de altíssimo risco. Nesse tipo de aplicação, você precisa acreditar de verdade na empresa e ter confiança nas pessoas que estão por trás dela — explica Rigoni, que não revela quanto aportou na empresa, mas ressalta que, pelo risco, o máximo a se aportar é de 5% do patrimônio.

Greg Kelly, fundador da EqSeed, admite que os pequenos investidores ainda são minoria nesse segmento. Em sua plataforma, o objetivo até agora, aliás, tem sido atrair investidores com alguma experiência. Segundo Kelly, que também dirige a associação do setor no Brasil, a Equity, a proposta da CVM é um avanço. Um dos pontos importantes, sustenta, é o aumento do limite anual de faturamento das empresas elegíveis ao crowdfunding, de R$ 3,6 milhões para R$ 10 milhões. Pelo projeto, as captações também poderão ser maiores, com o limite subindo de R$ 2,4 milhões para R$ 5 milhões.

— A médio prazo, a regulamentação dará impulso à popularização. Ela servirá como um certificado de confiança para o investidor, o que trará mais empresas e mais aplicadores para esse ecossistema — afirma o empresário britânico.

Para Frederico Rizzo, também fundador da Broota, o positivo da proposta da CVM é a possibilidade de investimento por sindicato, que é uma empresa com o propósito específico de fazer um investimento em um dos projetos dessas plataformas.

— O mercado é muito novo, e essa regulação vai tirar o risco dos participantes. Com essa estrutura dos sindicatos, acreditamos que mais empresas vão querer captar. É um mercado que já vem duplicando de tamanho ano a ano — diz.

oglobo.globo.com | 15-08-2016

japão 1408PEQUIM - A economia japonesa cresceu 0,2% nos três meses encerrados em junho, na comparação anual. O número, divulgado nesta segunda-feira no Japão (noite de domingo no Brasil) veio abaixo das expectativas do mercado, que previa, em média alta de 0,7%.

O crescimento foi afetado pela queda dos gastos das empresas (-0,4%) pelo segundo trimestre consecutivo e pelas dificuldades enfrentadas por exportadores com a alta da cotação do iene.

As autoridades japonesas têm se esforçado para encontrar uma estratégia para produzir crescimento consistente, com a economia oscilando entre expansão e queda fracas.

Economista do Standard Chartered Bank em Hong Kong, Betty Rui Wang ressaltou que os números do segundo trimestre ainda não refletem totalmente os efeitos do referendo britânico que definiu a saída do Reino Unido da União Europeia.

Com empresas e consumidores relutantes em gastar, o Produto Interno Bruto (PIB) japonês ficou negativo em cinco trimestres dos últimos três anos. No início do mês, o Japão anunciou a injeção de 28,1 trilhões de ienes (cerca de US$ 276 bilhões) no mercado para fomentar a economia.

E O banco central do país poderá considerar a adoção de mais pacotes de estímulos monetários em sua reunião de setembro.

— O número (do PIB) confirmou que ainda há riscos na economia global — disse Masaki Kuwahara, economista da Nomura Securities, em Tóquio. — A economia da China é um grande risco para o Japão.

Para Kuwahara, o baixo gasto das empresas é explicado por uma postura de “esperar para ver” nas decisões de investimentos, diante do iene forte desde o início do ano.

oglobo.globo.com | 15-08-2016

ROMA - A Itália busca um novo acordo com a União Europeia para reativar uma economia em dificuldades com um orçamento expansionista em 2017, indicou neste sábado o ministro de Desenvolvimento Econômico italiano, Carlo Calenda.

As declarações de Calenda chegam três meses depois de Roma conseguir uma margem de manobra “sem precedentes” em seu orçamento de 2016 e de a Comissão Europeia pressionar por mais rigor na política fiscal no próximo ano.

Na véspera, foram publicados dados da Eurostat mostrando que a economia italiana não conseguiu crescer no primeiro e no segundo trimestre deste ano.

Os analistas preveem que o governo terá de revisar para baixo suas previsões de crescimento — que atualmente são de 1,2% para este ano e de 1,4% em 2017 —, o que afetaria seus planos de redução do déficit.

“O Tesouro apresentará uma atualização destas cifras em setembro. Eu não posso esconder que o espaço para manobras é apertado”, contou o ministro ao jornal “La Stampa”.

“Estamos discutindo com a Europa como abordar a absoluta necessidade de estimular os investimentos públicos e privados”, acrescentou.

INTENÇÃO DE RESPEITAR REGRAS

O ministro reconheceu implicitamente que isto poderia significar um déficit no orçamento maior do que o previsto anteriormente e provavelmente superior ao limite estabelecido pelas regras europeias — de, no máximo, 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

A Comissão Europeia definiu para a Itália uma meta de déficit de 1,8% do PIB para 2017, argumentando que este tipo de ajuste é necessário para inverter a tendência de alta da enorme dívida do país, que alcançou € 2,25 bilhões em junho.

“Temos a intenção de respeitar as regras, mas lutaremos também para mudá-las”, acrescentou Calenda, para quem “o limite intransponível é a dívida, que não pode aumentar”.

“Já obtivemos muita flexibilidade e temos a intenção de pedir mais, o máximo possível, mas sempre dentro das regras”, concluiu.

oglobo.globo.com | 14-08-2016

LONDRES - O Reino Unido vai cobrir uma brecha de até 4,5 bilhões de libras em financiamento para agricultura, universidades e regiões do país que surgirá uma vez que haja a saída oficial da União Europeia, disse o ministro britânico das Finanças, Philip Hammond.

Cientistas, agricultores e outras pessoas que recebiam financiamento da UE enfrentam incertezas desde que o Reino Unido votou, em 23 de junho, a favor de abandonar o bloco. Hammond lhes garantiu, neste sábado, que o governo britânico assumirá esses custos.

As novas garantias sobre o financiamento vêm à tona no momento em que o Reino Unido enfrenta a possibilidade de uma recessão após o referendo do Brexit. A previsão é que as empresas vão adiar seus investimentos e que os consumidores reduzirão seus gastos enquanto a Grã Bretanha e a UE negociam sua nova relação.

‘HAVERÁ DINHEIRO PARA INVESTIR’

Hammond afirmou a jornalista que o Reino Unido precisa de cerca de 4,5 bilhões de libras por ano para cobrir a brecha de financiamento que será provocada pelo Brexit, ainda que, provavelmente, falte muito tempo para que isso aconteça. A primeira-ministra britânica, Theresa May, já informou que não iniciará em 2016 o processo, que levará uns dois anos.

“Nós reconhecemos que muitas organizações de todo o Reino Unido que recebem financiamento da UE, ou que esperam começar a receber fundos, querem garantias sobre o fluxo de dinheiro que terão”, ressaltou o ministro das Finanças em um comunicado.

Segundo a agência independente de checagem de dados Full Fact, o governo britânico pagou uns 13 bilhões de libras à União Europeia em 2015, depois de sua devolução automática, e recebeu 4,5 bilhões de libras em financiamento.

“Claramente, se deixarmos de fazer contribuições à União Europeia, haverá dinheiro disponível para investir em nossa própria economia”, explicou Hammond quando jornalistas perguntaram sobre os ajustes financeiros assim que a Grã Bretanha deixar o bloco.

oglobo.globo.com | 13-08-2016
O Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha cresceu mais que o esperado no segundo trimestre, tanto ante os três meses anteriores quanto na comparação anual.Dados preliminares da agência de estatísticas do país, a Destatis, mostraram que o PIB alemão teve expansão de 0,4% entre abril e junho ante o primeiro trimestre, considerando-se ajustes sazonais. Em relação a igual período do ano passado, o PIB da maior economia da Europa avançou 1,8% no segundo trimestre. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 12-08-2016

A saída dos britânicos da União Europeia (UE) é a expressão mais drástica de uma tendência política internacional que, infelizmente, ganha corpo nos últimos anos, marcadamente após os efeitos negativos da crise financeira global, que eclodiu em 2008.

A frustração generalizada se tornou campo fértil para uma retórica populista que, à esquerda e à direita, promete soluções milagrosas investindo contra a globalização e a integração política, econômica e cultural.

Alguns, mais radicais, fazem até mesmo falsos diagnósticos baseados em sofismas xenófobos, para defender a desintegração de blocos e instituições multilaterais, o fechamento de fronteiras e a construção de muros. Assim, deslocam a fonte dos problemas para o exterior e oferecem uma falsa solução mágica, a partir do isolamento. Para eles, não importa que a lógica, sustentada em estatísticas socioeconômicas, desminta tal retórica, como mostram, por exemplo, os dados mais recentes da economia do Reino Unido, que já provocam o arrependimento em muitos eleitores que caíram no canto da sereia e votaram pelo Brexit.

Do esquerdista Syriza, do premier grego Alexis Tsipras, à extrema-direita Frente Nacional, da francesa Marine Le Pen, passando pelo espanhol Podemos, de Pablo Iglesias, e o Fidesz, do premier húngaro Viktor Orban, crescem vertiginosamente na Europa discursos contra a união continental, todas prometendo devolver uma dignidade que se perdeu com a configuração da União Europeia.

Como mostram séculos de convivência, o fluxo de imigrantes, a integração, as trocas comerciais e a miscigenação cultural representam o oxigênio necessário à prosperidade dos povos, sobretudo naqueles onde a população envelhece. E a UE talvez seja a experiência mais avançada nesse sentido.

E não se restringe à Europa este nacionalismo retrógrado, saudosista de uma suposta grandeza perdida. Na campanha presidencial americana, o candidato republicano, Donald Trump, vem falando ao coração de um segmento da população americana sensível ao tom truculento, racista e xenófobo, que assusta até mesmo membros do próprio partido. O discurso de Trump é recheado de sentimentos de ódio, com promessas de deportações e o fim da OMC, e pressagia tempos difíceis à frente, caso saia vencedor do pleito.

Os dias que correm estão repletos de desafios complexos, que exigem uma mentalidade aberta em vez de portas fechadas em dogmatismos esgotados. A globalização foi uma resposta adequada aos problemas atuais. A integração da China e da Índia à economia global, por exemplo, tirou centenas de milhões de pessoas de um nível de miséria que evocava tempos medievais. Protecionismos, fechamentos de fronteiras e discursos extremistas ameaçam trazer de volta obscurantismos duramente superados.

oglobo.globo.com | 11-08-2016

RIO - A Bridgestone, uma das maiores empresas de pneus do mundo, vai investir entre R$ 450 milhões e R$ 500 milhões nos próximos cinco anos. Em entrevista ao GLOBO, o presidente da companhia no país, Fabio Fossen, adianta que esse valor será destinado à criação de novos produtos e à ampliação de parte de suas quatro fábricas. O primeiro passo é o lançamento no próximo mês de um pneu chamado Ecopia, que permite a redução de até 3% no consumo de combustível devido ao uso de uma borracha específica que reduz a temperatura do material. O objetivo do novo produto tem relação direta com a atual crise econômica, já que o consumidor vem sofrendo com a queda no emprego e a redução na renda. Enquanto isso, a companhia vem investindo na ampliação fabril para aumentar as exportações.

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— Os lançamentos estão ligados à questão da produtividade. A crise está afetando toda a indústria. A produção de veículos voltou ao nível de 2006. Com isso, os consumidores passaram a fazer mais manutenção de seus carros. Mas agora a crise também chegou nesse segmento de reposição, que este ano deve ter queda de 2% a 3% nas vendas, após crescer entre 1% e 2% em 2015. As pessoas estão perdendo o emprego e estão vendendo os carros. Mas temos que acreditar na retomada da economia. Por isso, estamos investindo — disse Fossen, destacando que a companhia tem 3.700 funcionários.

A empresa, dona ainda da marca Firestone, no entanto, já prevê uma retomada para o setor de carga (caminhões). Segundo Fossen, esse segmento já começa a mostrar sinais de crescimento, com alta de 1% a 1,5% nas vendas entre junho e julho. Segundo ele, esse movimento já é um sinal positivo, já que o setor vinha oscilando entre quedas e altas, sem um movimento definido. O cenário é o oposto do setor agrícola, por exemplo, no qual a companhia também fornece pneus.

— Os agricultores estão cortando custos. O setor está esperando para ver até onde vai a crise. O aumento das taxas do Finame (linha de financiamento para máquina do BNDES) também contribuiu. Há muita incerteza. E isso é pior, pois dependemos de toda uma cadeia para vender. O nosso principal mercado são os setores de carga e passageiros. Para 2016, com a reação do setor de carga, podemos ter uma crescimento de 2% a 3%. O mercado de passageiros só deve começar a reagir em meados de 2017 — antecipa Fossen.

Enquanto isso, a companhia mira no mercado exterior. A empresa, com sede no Japão, vai reativar uma linha de produção na sua fábrica de Santo André, em São Paulo, no próximo ano para exportação. O restabelecimento da linha, que havia sido paralisada devido à crise, vai implicar na contratação de cerca de 200 funcionários, que haviam sido cortados. A unidade de Camaçari, na Bahia, também acabou de passar por uma ampliação justamente para atender aos Estados Unidos, Europa e América Latina. Com isso, a capacidade da unidade baiana passou de sete mil para dez mil pneus por dia.

— É uma ferramenta para passar pela crise. Mas o nosso mercado prioritário é atender ao mercado doméstico. Hoje, todo nosso esforço é em aumentar a produtividade, seja pulando algumas etapas durante o processo fabril para reduzir o consumo de energia. Nos Estados Unidos, por exemplo, estamos tentando extrair borracha de uma nova planta.

Entre as quatro maiores marcas no segmento para carros de passageiros no país, ao lado de Pirelli, Goodyear e Continental, a Bridgestone vai ampliar os investimentos em marketing no Brasil. Segundo Fossen, a companhia assinou contrato com o Comitê Olímpico Internacional, para patrocinar os Jogos Olímpicos até 2022. A estratégia começou com a Olimpíada do Rio.

— Estamos construindo uma plataforma de comunicação para a marca.

oglobo.globo.com | 10-08-2016

PEQUIM - Os intercâmbios comerciais da China voltaram a cair em julho, segundo dados publicados nesta segunda-feira, que refletem tanto as incertezas da economia mundial como a fraca demanda interna da potência asiática. As exportações chinesas totalizaram US$ 184,7 bilhões, uma queda de 4,4% em relação a julho de 2015, em seu quarto mês consecutivo de retrocesso, afirmou a Administração de Alfândegas.

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As importações caíram pelo 21º mês consecutivo, 12,5%, a US$ 132,4 bilhões. Os números são muito piores do que o esperado: os analistas consultados pela agência Bloomberg previam uma queda de 3,5% das exportações e de 7% das importações.

As estatísticas do órgão são acompanhadas cuidadosamente para avaliar a saúde da segunda maior economia do mundo: o comércio exterior continua sendo um dos pilares do PIB chinês, apesar dos esforços de reequilíbrio realizados por Pequim.

As exportações já haviam baixado mais de 4% em maio e quase 5% em junho, apesar da desvalorização da moeda chinesa as terem tornado mais atrativas.

— O reforço da atividade industrial nos sócios comerciais chave da China não comportaram nenhum aumento das exportações [...] e o crescimento mundial continuará sendo sombrio neste ano — comentou Julian Evans-Pritchard, especialista do Capital Economics.

As alfândegas destacaram no mês passado o aumento do custo da mão de obra chinesa, as perdas de pedidos devido à deslocalização da indústria e a incerteza econômica que paira sobre os países desenvolvidos.

— O crescimento sem brilho que esperamos da Europa e do Japão no segundo semestre provavelmente continuará comportando uma redução das exportações chinesas — afirmou Louis Lam, do banco ANZ.

Anteriormente, as Alfândegas tinham publicado os resultados em moeda chinesa e eles indicavam um aumento de 2,9% ao ano das exportações, o que reflete a forte desvalorização do iuane em relação ao dólar ao longo do ano. Em iuanes, os intercâmbios da China com a União Europeia, seu principal parceiro comercial, avançaram nos sete primeiros meses do ano 1,8%, enquanto que aqueles com os Estados Unidos e com os países do sudeste asiático (Asean) caíram 4,8% e 2,2% respectivamente.

FUGA DE CAPITAIS

A situação é igualmente ruim no plano das importações, em queda contínua desde há quase dois anos, enquanto os preços de algumas matérias-primas baixaram. Nos sete primeiros meses de 2016, o volume do petróleo importado pela China subiu 12,1% em um ano, estimulado pelo preço de compra atraente (dado que a cotação do barril caiu em média 26%).

Mesmo assim, a queda prolongada e interminável das importações chinesas demonstra, segundo os especialistas, uma economia em crise. A atividade das empresas exportadoras foi bastante afetada, embora a venda, barômetro do consumo, continue forte (10,3% no primeiro semestre), ressaltou Lam.

— A queda repentina das importações em junho sugere que houve uma queda do investimento interno — apontou Yang Zhao, analista da Nomura.

Segundo Yang, a única opção que restará a Pequim será introduzir novas medidas de flexibilização monetária durante este ano.

Esses maus resultados se inserem em um panorama nebuloso para a segunda maior economia do mundo: a indústria continua arrastada por capacidades excessivas de produção em massa; o aumento da dívida pública e privada preocupa; e as prometidas reformas estruturais estão estagnadas. O governo se esforça para reequilibrar o modelo de crescimento do país em serviços, as novas tecnologia e o consumo interno, mas a transição está sendo dolorosa.

O excedente comercial anual chinês aumentou em US$ 52,3 bilhões em julho, contra US$ 48,1 bilhões no mês anterior, afirmaram as alfândegas.

Esse excedente não impediu uma redução de US$ 4,1 bilhões nas reservas de divisas do país em julho (um dado publicado no domingo pelo Banco Central), o que, segundo Nomura, evidencia uma fuga de capitais "ainda considerável" para fora da China.

oglobo.globo.com | 08-08-2016
A indústria automobilística da Espanha está atraindo bilhões de dólares em novos investimentos de montadoras de todo o mundo, um raro ponto positivo para uma economia que ainda se recupera de anos de recessão e alto desemprego.
online.wsj.com | 08-08-2016

BERLIM - A maioria dos alemães acredita que a União Europeia deveria acabar com um acordo de migração com a Turquia, minando também as negociações para entrada do país no bloco, mostra pesquisa publicada neste domingo.

O acordo, obtido por Ancara em troca de um novo auxílio financeiro, uma promessa do fim da exigência de visto para a maioria dos países europeus e mais conversas sobre integrar o grupo, diminuiu muito a entrada de refugiados na Europa pelas rotas do leste.

No ano passado, a Alemanha acolheu cerca de 1,1 milhão de pessoas que fugiram da guerra e da pobreza no Oriente Médio e em outros países, muito mais do que qualquer outra nação da UE, criando condições que aumentaram as tensões sociais e políticas na maior economia da Europa.

Mas a pesquisa do instituto Emnid, publicada no jornal Bild am Sonntag, mostrou que 52% dos alemães querem o fim do acordo de imigração, contra 35% que defendem sua continuação.

Mais de dois terços das 502 pessoas entrevistadas no dia 4 de agosto também desejam o congelamento imediato do auxílio financeiro à Turquia. A sondagem ainda mostrou que 66% dos alemães querem o fim das negociações com os turcos para entrada na União Europeia.

De acordo com o pacto, Ancara aceitou receber de volta todos os imigrantes e refugiados, incluindo sírios, que cruzarem o mar e chegarem à Grécia ilegalmente.

O fim da necessidade de visto, que significaria reciprocidade nas relações, foi atrasado por causa de uma polêmica em torno da lei antiterrorismo da Turquia e preocupações do Ocidente sobre a recente tentativa de golpe no país.

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, afirmou no fim de semana passado que a nação recuará do acordo de refugiados com a UE se o bloco não liberar as viagens sem a necessidade de visto.

oglobo.globo.com | 07-08-2016

SÃO PAULO - Com o forte fluxo de recursos para o país, o dólar deve flutuar abaixo de R$ 3,20 e ficar em torno de R$ 3 a R$ 3,10 frente ao real em breve, segundo avaliação do gerente de câmbio do banco Ourinvest, Daniel Assine. Para ele, a baixa da divisa traz alívio à inflação e facilita a queda dos juros. mercado 0508

Temos um novo patamar para o dólar?

Sim. Acredito que o dólar deverá flutuar abaixo de R$ 3,20 frente ao real, chegando a R$ 3,10, ou até mesmo a R$ 3, em breve. Hoje, mesmo em um dia em que saíram dados mais fortes do que se esperava no mercado de trabalho americano, a divisa se desvalorizou por aqui. Há um fluxo grande de investidores vendendo dólares e comprando reais.

Por que a moeda americana perde força mesmo com o BC intervindo no câmbio?

O fluxo positivo de recursos se sobrepõe às intervenções do Banco Central. O investidor enxerga a possibilidade de a economia melhorar, o Banco Central e o Ministério da Fazenda começam a ganhar credibilidade, e o investidor traz recursos. Isso num momento em que os juros no exterior estão baixos, e até mesmo negativos em alguns casos, e há muita oferta de liquidez, com a atuação dos bancos centrais na Europa e no Japão.

Se o processo de impeachment se concretizar, o fluxo de dólares pode aumentar?

Neste momento, a crença é que o processo de impeachment vai se concretizar. E, mesmo com algumas dificuldades atuais do governo do presidente interino, Michel Temer, em aprovar medidas de austeridade, o país já está sendo atraente para o investidor.

Qual é o efeito de um dólar baixo na economia brasileira?

O primeiro é que essa queda ajuda a controlar a inflação e favorece a queda de juros. Com isso, acredito que se abre uma perspectiva benéfica para a economia. Já as exportações, que ganham com um dólar mais alto, podem ser afetadas mais tarde.

oglobo.globo.com | 06-08-2016

RIO — Uma tentativa de golpe militar na Turquia. A Rússia em constante atrito com o Ocidente, ocupando a Península da Crimeia, lutando no Leste da Ucrânia e deixando em alerta os países do Báltico. Azerbaijão e Armênia ainda em conflito por Nagorno-Karabakh. Como é ser presidente de um país no meio disso tudo?

Estamos falando de uma das mais dinâmicas regiões do mundo, o Cáucaso, com os mares Cáspio e Negro ao redor. Uma região dinâmica não só hoje, mas historicamente. A Geórgia é um país que tem se defendido e mantido sua identidade por mais de dois mil anos. Somos uma nação com alfabeto próprio, nossa própria língua e história. A questão é que é uma região historicamente conturbada, com grandes impérios em conflito: o otomano, o russo, árabes, turcos, persas, bizantinos, mongóis. Esta é a região onde nossa história foi fundada, e onde fomos capazes de manter nossa identidade. De tempos em tempos, fomos ocupados por grandes forças, mas sempre mantivemos nossa identidade. Fomos uma república soviética, mas, depois do colapso (da URSS, em 1991), tínhamos muito bem definida nossa identidade histórica e geopolítica. E a nossa mensagem mais clara sobre como enxergamos o futuro do nosso país é na criação de pontes entre Europa e Ásia, entre grandes mercados, e temos tido sucesso nisto.

De que maneira?

Hoje, a Geórgia é parte crucial da cooperação energética entre o Oriente e o Ocidente. Até o fim de 2019, o Gasoduto Trans-Cáspio (TAP, na sigla em inglês, um duto submarino, atravessando o Mar Cáspio, de Cazaquistão e Turcomenistão ao Azerbaijão, que vai incrementar o fornecimento para a União Europeia) vai estar finalizado. E, até o fim do ano, teremos finalizado a linha ferroviária entre Geórgia e Turquia, que vai conectar Baku (Azerbaijão), Tbilisi (Geórgia) e Kars (Turquia), e conectar o sistema ferroviário asiático com o europeu. Temos também uma grande cooperação com os parceiros chineses, na criação da malha ferroviária Rota da Seda (prevista para conectar China à Ucrânia, via Cazaquistão, Azerbaijão e Geórgia). Estamos muito engajados também em integrar o comércio dos países da área do Mar Cáspio, como o mercado afegão, com as nações do Mar Negro. A Geórgia está contribuindo para desenvolver 14 nações da região. Esta é a nossa estratégia.

Como está a questão do movimento separatista de Abcásia e Ossétia do Sul? A Geórgia ainda pensa em ter de volta as duas regiões, que hoje contam com bases militares russas, após a ocupação em 2008?

É um grande problema. A Rússia violou todas as regulamentações e leis internacionais. Além disso, violou as boas relações entre nações vizinhas. É inaceitável quando uma grande potência, uma potência nuclear, decide que pode resolver disputas com operações militares. Infelizmente, assim é como os russos encaram suas relações na região. Aceitamos o fato de que a Rússia é um grande país, uma grande economia, mas não aceitamos o fato de que a Rússia não quer falar pelos caminhos diplomáticos e racionais, mas somente através de armas.

A Rússia é uma ameaça?

A Rússia é uma ameaça porque não construiu um diálogo baseado em interesses comuns. Você mencionou a situação de 2008, quando a Rússia ocupou partes da Geórgia: é uma das mais esquisitas guerras da História da Humanidade. Uma guerra sem vencedores. A Rússia não precisa destes territórios: eles são o maior país do mundo e não precisam mais daqueles quilômetros quadrados...

Não seria por conta da disputa entre Rússia e Ocidente?

Eu e você estamos tentando adivinhar por que eles foram à guerra. Talvez encontremos respostas hipotéticas. O fato é que eles receberam o repúdio internacional por conta desta agressão. E é uma tragédia para a Geórgia, porque nosso território foi ocupado e ninguém foi beneficiado. É uma guerra sem nenhuma lógica. E, infelizmente, não há lógica no que os russos fazem com os vizinhos.

O senhor teme outra invasão?

Eu não vejo nenhuma razão para a Geórgia... A Geórgia é uma nação amiga da Rússia, com uma exceção: a Rússia tem que respeitar as leis internacionais e respeitar a integridade do nosso território e da nossa soberania.

Mas, hoje, vocês não têm relações diplomáticas com os russos...

Sim, porque a Rússia não respeita nossa soberania e territorialidade. A Rússia, na política externa, vê os vizinhos como se fossem seu quintal. Não aceitamos isso. Somos uma nação com uma antiga história, anterior a Cristo, e vamos manter nossa identidade e território. Não vejo nenhuma razão pela qual a Rússia possa realizar operações militares na Geórgia. Ao mesmo tempo, vemos a Rússia utilizando cada vez mais o soft power (poder brando, o exercício de influência através da economia ou cultura), tentando influenciar politicamente a Geórgia, com uma clara propaganda focada nisso.

A proximidade entre os presidentes turco, Recep Tayyip Erdogan, e russo, Vladimir Putin, preocupa?

Isto é uma questão interna entre Rússia e Turquia. Somos parceiros estratégicos da Turquia, e vamos aprofundar isso, por conta, inclusive, de todos os projetos que já citei. Somos pela paz na região. O quanto podem estar próximos Putin e Erdogan não é uma preocupação nossa: estaríamos preocupados se houvesse algum indício de tensão.

Geórgia e Turquia ainda planejam a instalação de um gasoduto, com origem em Baku, para transportar gás do Mar Cáspio, chegando até a Europa. No conflito russo-ucraniano, também há a disputa pelo transporte do gás. Este gasoduto Baku-Tbilisi-Erzurum pode aumentar as tensões?

A Geórgia tem uma vantagem competitiva: não misturamos política nos projetos econômicos. E, como você mencionou, com correção em sua análise: a Rússia coloca componentes políticos em meio a projetos econômicos, e isto torna os projetos deles perigosos para todo mundo. Temos uma das economias mais liberais da região. Temos livre comércio com a Europa, com a Turquia e com as ex-repúblicas soviéticas. Temos a mais baixa taxa de criminalidade na região e uma das mais altas taxas de sucesso em novos empreendimentos. E vemos o nosso futuro baseado na cooperação. Já a Rússia...

Em setembro, a União Europeia deve suspender a exigência de vistos da Geórgia. Por conta da turbulência na região e da situação econômica ainda instável, o senhor teme que esta facilidade possa contribuir para um movimento migratório para a Europa?

Não. Definitivamente, não. Acredito que georgianos sempre podem ver alguma oportunidade em ir para a Europa, e que isso pode ser simplificado com o fim da exigência do visto. Nos últimos 20 anos, georgianos têm migrado para a Europa, Rússia, outros países...

Mas as pessoas podem sentir medo pelo situação no entorno da Geórgia...

Francamente, não encaro assim. A migração da Geórgia, basicamente, deveu-se ao colapso da economia soviética. E acredito que esta migração cessou. Infelizmente, hoje, não podemos definir qual é o lugar mais seguro para se viver: Europa, ou Bruxelas...

Falando sobre Olimpíada, em que medida o fim da União Soviética afetou o potencial esportivo da Geórgia?

Tivemos uma perda, principalmente depois do colapso da economia soviética. Mas a Geórgia é um dos países mais proeminentes em esportes em todo o mundo. Se você comparar em tamanho de território, da população, e quantidades de medalhas que a Geórgia ganhou, é realmente impressionante. Os atletas de luta greco-romana são sempre muito bons, bem como os de rúgbi, a seleção de futebol...

Qual seu esporte favorito?

Não é olímpico: é o alpinismo (para Tóquio-2020, o Comitê Olímpico Internacional aprovou, entre cinco novas modalidades, a escalada esportiva).

oglobo.globo.com | 05-08-2016

Embora o divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia (UE) ainda tenha um caminho relativamente longo pela frente para se concretizar, alguns efeitos importantes do chamado Brexit na economia britânica já começam a aparecer. Números da firma de análise econômica Markit, divulgados ontem, mostraram que o setor de serviços do país desacelerou no ritmo mais intenso em sete anos, fortalecendo os argumentos para um afrouxamento da taxa básica de juros pelo Banco da Inglaterra (o BC britânico) em sua reunião de política monetária, hoje.

Estes dados confirmam os sinais de preocupação de executivos, investidores e consumidores britânicos, já expressos nas vertiginosas quedas da confiança e da atividade empresarial (inclusive indústria e construção civil), desde que o plebiscito foi realizado em junho. Segundo a Markit, o índice de compras dos gerentes de empresas (PMI, em inglês) despencou de 52,3 para 47,4 pontos em julho (um índice abaixo de 50 pontos indica contração).

O relatório da Markit acrescentou que o PMI não tinha um desempenho tão fraco desde março de 2009 (em plena crise global). Na ocasião, o BC britânico teve que cortar a taxa básica de juros para um patamar recorde de baixa e lançar uma política emergencial de alívio monetário para estimular a economia.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisa Econômica e Social confirmam que os investimentos das empresas e os gastos dos consumidores caíram após o plebiscito, reforçando os temores de que o Brexit empurre o Reino Unido para uma recessão. Segundo economistas ouvidos pela Bloomberg News, o BC britânico deverá reduzir a taxa básica de juros da economia de 0,5% para 0,1%, com um corte hoje e outro em novembro. Desde o plebiscito, em 23 de junho, a libra já perdeu mais de 10% ante o dólar.

Consideradas em seu conjunto, essas estatísticas retratam a cautela de importantes agentes econômicos. Afinal, com tantas incertezas, o melhor é adiar as decisões de compras e investimentos até que o horizonte fique mais claro. Elas também mostram o quanto de fantasia e ilusão é feito o argumento principal a favor do Brexit, isto é, o de que o divórcio com a UE supostamente devolverá a grandeza perdida ao Reino Unido — argumento, aliás, semelhante à retórica de Donald Trump, o candidato republicano a suceder a Barack Obama nos EUA.

Assentada em pressupostos nacionalistas inconsequentes, a decisão de sair da UE começa a cobrar o seu preço, a ponto de até mesmo muitos dos que votaram pelo Brexit — a maioria britânicos de meia-idade, do interior e sem nível universitário —, levados pelo impulso do momento, hoje demonstrarem arrependimento. E embora o processo ainda esteja no começo, os sinais iniciais confirmam os alertas de que o Brexit é um erro.

oglobo.globo.com | 04-08-2016

PARIS É impossível colocar um guarda em cada igreja da Europa ou patrulhar todas as praias europeias. Mas, depois da onda de ataques no continente, autoridades agora tentam fazer o que podem para proteger a população — em plenas férias. Em Cannes, na Riviera Francesa — mesma região onde um atentado deixou 84 mortos no Dia da Bastilha, mês passado — a entrada com mochilas volumosas foi proibida, e o Reino Unido destinou fundos extras para dar segurança a dezenas de milhares de locais de culto. Os desafios políticos para os líderes da Europa também são enormes, e o impacto sobre a economia pode ser profundo.

O cruel assassinato de um padre que celebrava uma missa em uma igreja na Normandia, menos de duas semanas depois do atentado em Nice, fizeram soar o alarme: já não existe lugar seguro no continente. Os quatro ataques na Alemanha em uma semana não deixaram dúvidas sobre a insegurança.

Algumas das igrejas mais famosas de Roma já figuram entre os mais de 4 mil locais da Itália considerados potenciais alvos de terroristas.

— As igrejas se orgulham muito de serem lugares abertos, mas diante da chance real de terrorismo, é preciso encontrar um novo equilíbrio — diz Mark Gardner, porta-voz da Community Security Trust, empresa de segurança de sinagogas e escolas do Reino Unido.

TURISMO FECHA AS PORTAS

A incerteza tem se multiplicado nos últimos meses, à medida que atentados terroristas tornaram-se mais frequentes e mais graves. Agora, os visitantes estão repensando a Europa como destino, e a indústria do turismo, que responde por 10% da atividade econômica na União Europeia, começou a sentir o estrago.

No Monte Saint-Michel, ilha medieval e um dos principais destinos turísticos da França, a cadeia de hotéis e restaurantes do grupo Sodetour perdeu 70% de clientes após os ataques de 13 de novembro do ano passado em Paris — que deixaram 130 mortos.

Turistas americanos e japoneses, em particular, cancelaram todas as reservas, embora o local, no cume de uma rocha isolada na costa noroeste da Normandia esteja bem longe de Paris. Gilles Gohier, diretor-executivo da empresa, contou ao “New York Times” ter demitido quase um terço de seus 230 funcionários nos últimos quatro meses, além de fechar temporariamente dois hotéis e quatro restaurantes da rede.

Na França, as reservas de hotéis logo após os ataques de Paris caíram 20% — em Bruxelas, na Bélgica, ficaram no negativo. O aluguel de apartamentos em Paris e Nice também recuou depois que muitos turistas cancelaram os planos de visitar a França, de acordo com Adrian Leeds, do Leeds Adrian Group, agência imobiliária francesa com propriedades em ambas as cidades. E os clientes que pensavam em se mudar para o país suspenderam as buscas.

— Isso realmente afetou os negócios. Mas espero que as pessoas voltem quando as coisas se acalmarem — afirmou ao jornal americano.

A onda de ataques na Europa também levanta questões sobre se há uma nova ameaça à estabilidade da região. O Estado Islâmico — que reivindicou os ataques na França e na Alemanha — tem como alvo preferido os símbolos da Europa Ocidental. Mas é impossível prever onde será o próximo atentado.

— Estamos passando por uma mudança estrutural, um fenômeno de guerra à nossa porta que não existia antes — revelou ao “New York Times” Georges Panayotis, presidente do Grupo MKG, empresa de consultoria em turismo com sede em Paris. — Se não for resolvido, o problema vai continuar.

PROIBIDO TRAZER PARENTES

Os governos europeus, por sua vez, vêm gastando centenas de bilhões de euros em segurança interna. A França, terceira maior economia da UE — que já tentava sair de um longo período de estagnação e desemprego — fortaleceu os serviços de segurança desde a recente onda de atentados.

O presidente François Hollande ordenou que dez mil soldados adicionais fizessem a patrulha nas ruas e ainda convocou reservistas para reforçar o número de agentes. Agora, ele planeja usar alguns deles na criação da Guarda Nacional.

Mas o desafio de proteger igrejas, sinagogas, centros turísticos, praias, espaços abertos onde acontecem festivais de verão, além de aeroportos e estações de ônibus e trem é gigantesco — inclusive para a França e outros países vizinhos, como a Bélgica, também alvo de ataques recentes. Por precaução, autoridades de Nice decidiram cancelar uma marcha prevista para o início desta semana em memória das vítimas do recente atentado no Passeio dos Ingleses.

Ao visitar o esquema de segurança no festival anual de jazz que acontece na comuna de Marciac, o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, reiterou o que os cidadãos escutam todos os dias.

— Não há soluções mágicas — disse, insistindo na importância da “presença física” da polícia nos festivais.

Algumas cidades fazem o que podem — ou inventam novas regras — para prevenir atentados. Uma das medidas mais controversas foi tomada pelo prefeito de Rive-de-Gier, perto de Lyon, que decidiu “negar sistematicamente” toda solicitação de trazer parentes, sistema utilizado por muitos imigrantes para levar familiares de seus países de origem.

oglobo.globo.com | 03-08-2016

BUENOS AIRES - Com o Mercosul em crise e o comércio bilateral em queda, Brasil e Argentina divulgaram ontem medidas para agilizar o intercâmbio bilateral que, de acordo com dados da consultoria argentina Abeceb, caiu 4,2% no primeiro semestre deste ano, frente ao mesmo período de 2015. Após dois dias de reuniões em Buenos Aires, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcos Pereira, anunciou, junto com seu colega de pasta argentino, Francisco Cabrera, iniciativas que pretendem reduzir custos e prazos burocráticos para importadores e exportadores dos dois países.

mercosul 0208A principal novidade é a certificação digital de origem. Os dois países serão, segundo os ministros, os primeiros da região a usarem certificados digitais, reduzindo o prazo de emissão de até três dias para 30 minutos. O custo da tramitação pode cair até 35%.

Segundo o ministro brasileiro, “isso tudo vai melhorar o clima de negócios” na região. A ideia é que os dois países façam uma espécie de implementação piloto. Se der certo, o sistema seria ampliado a outros membros do Mercosul e de todo o continente.

O certificado de origem é um documento que importadores e exportadores devem solicitar para provar que os produtos são feitos no Mercosul e, assim, poder usufruir dos benefícios do comércio intrabloco. O papel, anexado ao processo de exportação ou importação, poderá ser solicitado on-line.

— A facilitação do comércio é fundamental para o aprofundamento da relação comercial entre Brasil e Argentina — ressaltou Pereira.

O entendimento teve a participação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Os ministros pretendem voltar a se reunir ainda este mês e tratar de questões como o acordo de livre comércio com a União Europeia (UE). Ontem, Cabrera e Pereira defenderam a necessidade de conquistar, juntos, terceiros mercados. O ministro argentino mostrou-se confiante na recuperação da economia brasileira:

— Temos muita expectativa de que o Brasil volte a crescer, acho que está nesse caminho.

*Correspondente

oglobo.globo.com | 03-08-2016

A divulgação na sexta-feira passada do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no segundo trimestre do ano evidenciou sinais contraditórios sobre a recuperação da maior economia do mundo, que ainda sofre os efeitos da crise financeira global de 2008. Pelo lado positivo, os dados mostraram um crescimento robusto (4,2%) no consumo das famílias americanas — item que representa dois terços do cálculo do PIB —, sugerindo aumento na geração de emprego, maior acesso ao crédito, aumento salarial e do patrimônio.

Mas nem tudo são flores. O relatório mostra igualmente que as empresas permanecem tímidas em seus investimentos, e com estoques acumulados, fator preocupante, a ponto de ofuscar o peso do consumo das famílias no cálculo do PIB. A desconfiança do setor corporativo, que se traduz na ausência de investimentos em contratação de pessoal e em novas fábricas e equipamentos, representa atualmente talvez o maior desafio à recuperação econômica — dos EUA e do mundo.

Ela se alimenta de temores que extrapolam o campo financeiro. Antes de decidir investir, os empresários olham não só para a solidez fiscal da economia, a segurança jurídica e os níveis de corrupção, mas também para aspectos geopolíticos, como a instabilidade provocada pela violência extremista, crise política e a crescente retórica populista de ultranacionalistas, cujo exemplo mais grave foi a decisão do Reino Unido de abandonar a União Europeia, o Brexit.

No caso americano, a previsão média entre os investidores indicava que o PIB alcançaria algo em torno de 2% no período e não o índice de 1,2% registrado, permanecendo ainda perto do tíbio crescimento do primeiro trimestre, de 0,8%. Diante da desconfiança dos empresários, os analistas concluíram que o Federal Reserve (Fed) acertou ao manter a taxa básica de juros da economia inalterada em sua última reunião.

O banco central americano tem a difícil tarefa de calibrar, com sua política monetária, os estímulos à economia sem precipitar pressões inflacionárias. Mas, com a economia mundial integrada, uma decisão do BC americano tem efeitos que não se restringem à economia do país. A decisão do Fed, assim, representou mais tempo para que os países emergentes reorganizem as finanças para estimular e atrair investimentos, financeiros e empresariais. Um medida urgente, pois o ciclo de aumento de juros pode ser retomado pelo Fed a qualquer momento.

A desconfiança do setor corporativo, portanto, atinge a economia global como um todo. E no Brasil, apesar do colchão das reservas internacionais, há agravantes que tornam ainda mais urgente que o país encare seus dilemas e faça o dever de casa. Isto significa aprovar de uma vez por todas as reformas estruturais da economia, em especial a da Previdência, a trabalhista e o teto das despesas, desarmando a bomba-relógio cuja explosão atingirá as futuras gerações.

oglobo.globo.com | 02-08-2016

Polêmica entre economistas e o sistema financeiro europeu, a iniciativa de bancos centrais em adotar uma política monetária com taxas negativas ocorreu diante das incertezas em relação ao euro e à persistente deflação.

Desde o colapso da Grécia e os riscos para o mercado único europeu, países que ainda mantêm moedas soberanas se viram invadidos por um fluxo recorde, e inédito, de recursos em busca de segurança. Investidores apostaram no franco suíço e nos países escandinavos. O resultado foi uma valorização excessiva dessas moedas, afetando a competitividade de suas exportações e até afastando turistas das estações de esqui em busca de montanhas mais baratas do lado francês ou italiano.

Com uma economia frágil, esses países começaram a dar sinais de que corriam o risco de a economia entrar em processo de deflação, o que levou os bancos centrais a optar pela taxa de juros negativa.
Quem primeiro lançou a ideia foram os dinamarqueses, com uma taxa negativa de 0,65%. No fim de 2014, os suíços aplicaram taxa negativa de 0,75% e a Suécia, de 0,5%. O Banco Central Europeu (BCE) e mesmo o Banco do Japão (BoJ) seguiram o mesmo caminho.

Um dos primeiros impactos foi no financiamento da dívida soberana desses países. Comprar um título do Tesouro dessas economias passou a significar que o investidor, ao final da maturidade do papel, receberia menos do que investiu. Em troca, teria a garantia de que essas economias não sucumbiriam nem que a moeda desapareceria. Na prática, o investidor paga aos governos para colocar seus ativos num país seguro e autoridades se financiam gratuitamente.

Estudo do JP Morgan aponta que um quarto das dívidas soberanas pelo mundo já estão praticando taxas negativas.

Quem ainda comemora são os governos municipais e regionais, que passaram a ter condições ideais para pedir dinheiro emprestado aos bancos e fazer obras ou mesmo financiar o funcionalismo público. Segundo o Credit Suisse, um ano depois da introdução das taxas negativas, os governos economizaram 1 bilhão de francos em juros.

Limitado

Em uma verdadeira cruzada contra essa realidade, os bancos têm proliferado alertas de que a estratégia pode punir a economia suíça no médio prazo. Num levantamento publicado pelo Credit Suisse, os resultados teriam mostrado que apenas um terço de pequenas e médias empresas consultadas indicaram que a taxa negativa teria ajudado.

O UBS chega a alertar que a manutenção dessa política de taxas de juros negativas pode aumentar o desemprego, enquanto bancos regionais já advertem terem começado a registrar resultados negativos e culpam a política monetária do banco central do país.

Mas o Banco Nacional suíço já deixou claro que não pretende rever essa política por enquanto, principalmente depois do referendo, em junho, quando a população do Reino Unido votou pela saída do país da União Europeia e que, uma vez mais, levou investidores a migrar para o franco. "Nas condições atuais, um aumento das taxas significaria uma deterioração das condições monetárias da Suíça", disse Thomas Jordan, presidente do BC suíço.

Mas, no país que ostenta de forma orgulhosa o título de campeão mundial da poupança, a lógica de recompensar endividados e punir quem poupa começa a incomodar a população. "Punir quem guarda dinheiro e recompensar o consumo contradiz os princípios da economia de mercado", alertou Alois Bischofberger, em um estudo do instituto Avenir Suisse. Para o economista, o que existe hoje entre os bancos suíços é uma "repressão financeira". "Além disso, o dinheiro barato não gerou uma alta no consumo", completou.

BERLIM — Após denúncias de perseguições em abrigos coletivos, cidades alemãs, como Nuremberg, Berlim, Munique e Dresden, abriram albergues especiais para refugiados homossexuais. Segundo Stephan Jäkel, da Schwulenberatung, organização de direitos LGBT baseada em Berlim, no aperto dos abrigos lotados sobem à tona preconceitos dirigidos sobretudo aos mais fracos, as minorias das minorias. Alemanha_3107

A ONG calcula que 3.500 gays e lésbicas chegaram a Berlim no ano passado.

— A convivência nos abrigos coletivos é difícil. Principalmente os refugiados que não ocultam sua identidade sexual são vítimas de agressões — contou Jäkel.

A entidade, que recebe doações dos seus associados, investe por mês cerca de € 20 mil no abrigo. Mas Jäkel diz que Berlim, a cidade alemã que mais recebeu refugiados gays, precisa de mais abrigos para evitar que pessoas que fogem de guerras continuem sendo vítimas de agressões também na Europa.

Divergências sobre custos

Como os governos municipais são contra a separação de acordo com a orientação sexual, o Partido Verde deu início a um projeto que prevê a criação de espaços dentro dos próprios abrigos, onde os refugiados que se sintam agredidos possam ir.

— Os homossexuais precisam de uma proteção especial porque já sofreram muito nos seus países de origem — lembrou Jäkel.

Mas a necessidade de investimentos adicionais para abrigar refugiados desperta polêmica. Mesmo depois da redução do fluxo de chegada, não houve consenso entre o governo federal e os municípios sobre quem é responsável pelas despesas.

O governador da Baviera, Horst Seehofer, presidente da União Social Cristã (CSU, parte da coalizão governista), é contra manter abrigos especiais para gays. Ele exige que a chanceler federal alemã, Angela Merkel, destine mais recursos para abrigar refugiados, de modo que os governos locais paguem menos pelas estruturas.

oglobo.globo.com | 31-07-2016

As bolsas de Nova York fecharam sem direção única nesta sexta-feira, 29, com a leitura de que o Federal Reserve (Fed o banco central dos EUA) pode ser obrigado a adiar mais a normalização da política monetária no país após a divulgação da primeira estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre. Entretanto, as bolsas registraram o sexto mês consecutivo de ganhos.

No fim da tarde em Nova York, o S&P 500 e o Nasdaq fecharam em alta de 0,16%, aos 2.173,60 pontos, e 0,14%, aos 5.162,13 pontos, respectivamente. Dow Jones, por outro lado, caiu 0,13%, aos 18.432,24 pontos, com o desempenho de papéis importantes como ExxonMobil (-1,39%), que anunciou um lucro líquido 60% menor neste trimestre na comparação anual. No mês, os três índices acumularam ganhos de, respectivamente, 3,56%, 6,60% e 2,80%.

As bolsas realizaram a maioria dos avanços na primeira metade de julho, à medida que investidores apostaram que os bancos centrais iriam estender medidas de estímulo após o Reino Unido ter votado por sair da União Europeia (UE) e o relatório de empregos de junho nos EUA ter assegurado aos investidores que a economia estava melhorando.

Entretanto, nas duas últimas semanas, a dinâmica do mercado diminuiu.

A falta de grandes movimentos ocorreu durante um período atribulado da divulgação dos balanços corporativos e dados econômicos importantes. Mais da metade das empresas do S&P 500 já divulgaram seus balanços do segundo trimestre. Nesta sexta-feira, dados do Departamento do Comércio mostraram que o PIB norte-americano cresceu à taxa anualizada de 1,2% na primeira estimativa do segundo trimestre, bem abaixo da previsão de +2,6% dos economistas ouvidos pelo Wall Street Journal.

"O clima parece diferente", disse Mohit Bajaj, diretor da ETF trading Solutions da WallachBeth Capital. "Esses pequenos movimentos têm sido a norma ultimamente."

Os papéis de tecnologia estão entre as melhores performances em julho. As ações da Alphabet subiram 3,35% após a companhia ter divulgado na quinta-feira que seu lucro no segundo trimestre avançou 24%.

As ações da Amazon.com subiram 0,9% após a empresa ter anunciado seu terceiro lucro recorde consecutivo hoje. Fonte: Dow Jones Newswires
Se o gigante asiático for considerado economia de mercado, desemprego pode ser devastador na Europa. Por isso, UE não quer dar-lhe esse estatuto
feeds.dn.pt | 30-07-2016

LONDRES - O italiano Monte dei Paschi, o Raiffeisen, o Banco Popular e dois dos principais bancos da Irlanda foram os piores em um teste de estresse da União Europeia (UE) destinado a limpar os balanços para impulsionar o crédito para economia do bloco.

A Autoridade Bancária Europeia, que coordenou o teste de 51 bancos do bloco, disse que os resultados mostraram que ainda há trabalho a fazer para colocar os bancos em uma base mais firme.

Os resultados vieram após o Monte dei Paschi, com bilhões de euros em empréstimos ruins, montar um pacote de resgate de última hora para levantar cerca de € 5 bilhões e atenuar consequências do resultado do teste de estresse.

O teste analisou como os bancos poderiam suportar um choque econômico teórico de três anos, e mostrou que o banco italiano, o mais antigo do mundo, teve um nível principal de capital próprio de menos 2,44%.

Este foi o terceiro teste de estresse na UE desde que os contribuintes tiveram que socorrer os bancos na crise financeira de 2007-09. Analistas definiram informalmente que um nível de 5,5% significaria resultado suficiente.

O Allied Irish Banks teve nível de 4,31%.

oglobo.globo.com | 30-07-2016

MONTEVIDÉU - A crise pela qual o Mercosul atravessa por conta da passagem da presidência rotativa do bloco à Venezuela, não tem "saída clara no curto prazo", afirmou nesta quinta-feira o ministro da Economia do Uruguai, Danilo Astori. O Mercosul tem "problemas institucionais graves", disse a autoridade. Foi um bloco criado com muita ambição no começo", mas agora tem "uma enorme fragilidade do ponto de vista institucional", ressaltou.

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O bloco integrado por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela, fundado em 1991, atravessa uma situação de completa e absoluta estagnação por diferenças que parecem irreconciliáveis entre os sócios acerca da passagem da presidência pro tempore à Venezuela.

— É preocupante a situação do Mercosul. Nunca tínhamos chegado a essa situação — opinou o ministro da Economia uruguaio. — Não vejo uma saída clara no curto prazo — disse Astori em uma coletiva organizada por sindicatos patronais em Montevidéu.

Para o ministro da Economia uruguaio, que deve participar neste sábado com o chanceler de uma reunião do chanceler de uma reunião do Conselho do Mercado Comum (CMC) do Mercosul convocada pelo Uruguai para contornar a crise, e que terminou sendo suspensa segundo informou nesta quarta-feira à AFP, só os acordos extra-zona poderão salvar o bloco de um desastre.

Sem acordos comerciais com grupos de países de outras partes do mundo, "o Mercosul está perdido para sempre", concluiu Astori.

Astori se referiu principalmente à busca de um acordo de livre-comércio negociado há anos com a União Europeia, que está em etapa de troca de ofertas tarifárias.

O CENTRO DA CRISE

O Uruguai quer passar a presidência rotativa do Mercosul à Venezuela. Mas Brasil e Paraguai se opõem que o governo de Nicolás Maduro assuma o comando da agenda e dos trabalhos do grupo devido à situação política que atravessa o país caribenho.

Brasil quer que essa discussão seja adiada até agosto, enquanto o Paraguai tem afirmado reiteradamente que considera que o governo de Maduro tenta silenciar seu Parlamento e que não deveria assumir a representação do bloco regional até que demonstre seu compromisso com a democracia.

A passagem da presidência à Venezuela, último dos sócios a entrar no bloco, não está prevista nas normas do Mercosul.

A cada seis meses, a presidência do Mercosul muda de mão. Tradicionalmente essa mudança acontece nas cúpulas, mas nenhuma das normas internas do bloco determina que seja assim.

Há 15 dias, o governo de Tabaré Vázquez convocou uma reunião do CMC para sábado, 30 de julho.

A suspensão dessa reunião constitui o terceiro fracasso consecutivo do Mercosul para solucionar essa crise em um encontro com presença de todos os sócios, após o cancelamento da cúpula presidencial que deveria ser realizada neste mês.

Em declarações recentes à imprensa local, o chanceler uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, definiu em poucas palavras a situação do Mercosul por este inédito desacordo: "Estamos em um verdadeiro problema, um grande problema".

A Venezuela entrou no Mercosul em 2012 em uma polêmica reunião de presidentes celebrada na Argentina da qual o Paraguai não participou, suspenso pela deposição do presidente Fernando Lugo.

Os presidentes Cristina Kirchner (Argentina), Dilma Rousseff (Brasil) e José Mujica (Uruguai), decidiram então aprovar a entrada da Venezuela, que não havia sido concretizada por falta de aprovação do Senado paraguaio.

oglobo.globo.com | 29-07-2016

ASSUNÇÃO - A Chancelaria paraguaia recebeu uma nota oficial do Uruguai, informando sobre o cancelamento da reunião do Mercosul prevista para este sábado (30) em Montevidéu, em meio a uma crise pela transferência da presidência rotativa para a Venezuela - informou o vice-chanceler paraguaio, Rigoberto Gauto, à AFP.

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O vice-chanceler confirmou que "foi cancelada" a reunião do Mercosul programada para sábado, em Montevidéu, após uma carta enviada pelo Ministério uruguaio das Relações Exteriores.

"Continuamos trabalhando, buscando opções para aproximar as diferenças de opiniões que poderiam haver", disse Gauto, em meio a uma das piores crises do bloco.

Brasília também recebeu uma nota da presidência do Uruguai anunciando que a reunião foi cancelada, revelou um funcionário brasileiro, que pediu para não ser identificado.

Brasil e Paraguai se opõem a que a Venezuela assuma o comando da agenda e os trabalhos do grupo, diante da situação política atual no país caribenho.

Brasília defende o adiamento para agosto da discussão sobre a transferência da presidência do Bloco enquanto o Paraguai insiste em que o governo de Nicolás Maduro - que busca silenciar o Parlamento venezuelano - não tem legitimidade para assumir a liderança do Mercosul.

O Uruguai tem se manifestado a favor de que a Venezuela assuma a presidência rotativa do bloco.

UM MECANISMO POR TRADIÇÃO

A cada seis meses, a presidência do Mercosul troca de mãos e, tradicionalmente, isto ocorre durante as cúpulas presidenciais, mas não existe uma regra interna que estabeleça isto.

Também não existe uma transferência automática da presidência, como quer a Venezuela.

Há quinze dias, o governo do presidente Tabaré Vázquez convocou uma reunião do Conselho Mercado Comum (CMC), formado pelos chanceleres e ministros da Economia, para o dia 30 de julho.

A suspensão da reunião foi o terceiro fracasso consecutivo do Mercosul para solucionar a crise em um encontro com a presença de todos os sócios, após a suspensão da cúpula prevista para este mês.

Em declarações recentes, o chanceler uruguaio, Nin Novoa, definiu em poucas palavras a atual situação do Mercosul: "estamos com um verdadeiro problema, um grande problema".

A Venezuela entrou no bloco como membro pleno em 2012, em uma cúpula realizada na Argentina quando o Paraguai estava suspenso, depois do processo parlamentar que destituiu o então presidente Fernando Lugo.

O Congresso paraguaio era o único que não havia aprovado a entrada da Venezuela e seu voto permanecia com requisito para que Caracas se integrasse ao Mercosul.

Essa crise acontece em um momento delicado para o bloco regional, que relançou a negociação de um tratado de livre comércio com a União Europeia.

oglobo.globo.com | 28-07-2016

A Bovespa operou em terreno positivo durante todo o pregão nesta quarta-feira, 27, e fechou em alta de 0,12%, aos 56.852,84 pontos. A sinalização um pouco mais otimista do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) no que diz respeito a riscos econômicos foi bem recebida, embora tenha tido pouca influência prática sobre os negócios com ações. O Índice Bovespa foi bastante influenciado pelo desempenho das bolsas americanas, mas também refletiu o noticiário corporativo e a forte resistência dos 57 mil pontos.

O final de sua reunião de política monetária, o Fed manteve os juros inalterados, conforme as expectativas. Mas o comunicado divulgado após a reunião apontou menor risco econômico de curto prazo e melhoras na economia local, principalmente no mercado de trabalho. Apesar dessa avaliação, a autoridade monetária não indicou quando poderá retomar as elevações de juros no país. Nas entrelinhas do comunicado, analistas nacionais e internacionais viram uma menor preocupação do BC americano com os efeitos da saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit. Algumas análises passaram a considerar a possibilidade de elevação de juros no país no curto prazo.

Com a agenda doméstica ainda esvaziada, o comportamento das commodities e o noticiário corporativo continuaram a ter grande relevância nos negócios da Bovespa. Depois da alta de 2,9% na véspera, o minério de ferro subiu mais 1% hoje no mercado chinês. Assim, as ações dos setores de mineração, siderurgia e metalurgia estiveram em destaque em todo o mundo. No Brasil, foram elas as principais responsáveis pela sustentação do Ibovespa.

Entre as ações que compõem o índice, as maiores altas foram de Usiminas PNA (+8,88%), Gerdau Metalúrgica PN (+4,51%) e Gerdau (siderúrgica) PN (+4,21%). Vale ON e PNA avançaram 2,71% e 3,36%, respectivamente. Na contramão estiveram as ações da Petrobras, que caíram 1,02% (ON) e 3,11% (PN), acompanhando as fortes perdas dos preços do petróleo nas bolsas de Nova York e Londres.

Entre as empresas que divulgaram balanço trimestral, destaque para Weg ON, que subiu 4,11%. A empresa, fabricante de equipamentos, manteve resultados próximos aos verificados no trimestre anterior, o que foi considerado positivo diante do cenário adverso. No pregão de hoje, foram movimentados R$ 6,96 bilhões, valor próximo da média do mês. Com o resultado desta sessão, o Ibovespa passa a acumular alta de 10,34% em julho e de 31,15% no acumulado do ano.

BRUXELAS - A Comissão Europeia decidiu nesta quarta-feira não multar Espanha e Portugal por descumprimento das metas de déficit no ano passado. As multas poderiam chegar a no máximo 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) dos países em questão. As sanções poderiam abrir um precedente em um continente ainda desestabilizado pelo Brexit.

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Segundo as leis da UE, os estados-membros devem limitar déficits orçamentários a 3% do PIB e manter a proporção da dívida abaixo de 60%. Em 2015, o déficit espanhol chegou a 5,1% do PIB, muito mais do que o máximo fixado pelo chamado pacto de estabilidade e que a meta de 4,2% fixada posteriormente pela Comissão. Portugal, por sua vez, teve um déficit de 4,4% do PIB no ano passado, quando a meta era de 3%.

— O colegiado [de 28 comissários europeus] decidiu hoje anular as multas contra os dois países — declarou o vice-presidente da Comissão Europeia encarregado do euro, Valdis Dombrovskis, em coletiva de imprensa em Bruxelas.

A recomendação da Comissão, apresentada na quarta-feira, deverá ser ratificada pelos ministros da zona do euro.

— As sanções, inclusive simbólicas, não permitiriam corrigir o passado e não teriam sido compreendidas pelo povo — disse o comissário europeu de Assuntos Econômicos, Pierre Moscovici.

Ele também disse que as multas não são o melhor método em um momento em que a Europa tem dúvidas sobre seu futuro, após o sim ao Brexit dos britânicos.

‘DURAS CRISES ECONÔMICAS’

A Comissão Europeia apresentou três possibilidades: cancelar o procedimento de infração, a multa máxima, ou uma sanção de € 1,1 bilhão. Em troca do cancelamento da multa, Bruxelas definiu novas metas fiscais para os dois países.

O executivo europeu deu à Espanha dois anos adicionais, até 2018, para que o país rebaixe seu déficit para menos de 3%, No dia 18 de maio, o prazo dado foi de até 2017 para atingir a meta do bloco.

Para este país, que não consegue formar o governo desde as eleições gerais de 26 de junho, a Comissão Europeia recomenda a seguinte trajetória orçamentária: um déficit de 4,6% do PIB em 2016, 3,1% em 2017 e 2,2% em 2018.

A Comissão exigiu que Portugal alcançasse essa meta desde 2016, com um déficit de 2,5% do PIB para este ano.

Espanha e Portugal "atravessaram duras crises econômicas e financeiras. Conseguiram restabelecer a estabilidade financeira graças a ajustes orçamentários importantes. Os dois países passaram por reformas estruturais para ganhar competitividade. Esses esforços não podem ser subestimados", declarou Dombrovskis.

— Efetivamente, esses esforços começam a dar seus frutos. Em ambos os países o crescimento voltou e foram criados milhares de novos empregos — acrescentou.

Além das multas, a Comissão Europeia tem a obrigação de propor a suspensão total ou parcial do financiamento com os fundos estruturais, que pode chegar a 0,5% do PIB e a 50% das promessas de financiamento para 2017 nos dois países.

PUNIÇÃO SERIA UM 'ERRO'

A Comissão espera iniciar "um diálogo estruturado" com o Parlamento Europeu sobre essa questão, que afeta 12 fundos em Portugal e aproximadamente sessenta na Espanha.

Após o anúncio da decisão, o ministro da Economia espanhol, Luis de Guindos disse que as novas metas fiscais determinadas pela Comissão Europeia são atingíveis e destacou como prioridades o crescimento econômico e a redução do desemprego.

Segundo ele, seria um erro punir a Espanha pela violação fiscal tendo em vista os "enormes" esforços empregados pelos espanhóis em tempo de crise.

Já o ministro das Relações Exteriores de Portugal, Augusto Santos Silva disse à imprensa em Lisboa que a decisão era uma boa notícia para o país e para a Europa em geral.

— Portugal é hoje em rota clara de consolidação orçamentária, em rota clara de recuperação econômica e, portanto, qualquer medida que fosse contraprodutiva deve ser evitada — defendeu.

oglobo.globo.com | 27-07-2016

PEQUIM - As maiores economias do mundo trabalharão para apoiar o crescimento e compartilhar melhor os benefícios comerciais, informaram legisladores neste domingo após uma reunião dos ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais do G-20 cujo assunto principal foi o impacto da saída do Reino Unido da União Europeia e as preocupações de elevar o protecionismo.

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Philip Hammond, titular britânico das Finanças, afirmou que a incerteza gerada pelo Brexit começaria a se esvair uma vez que a Grã-Bretanha delineasse uma visão de futura relação com a Europa, o que ficará mais claro ainda este ano. Mas o ministro disse, no encontro em Chengdu, China, que pode haver volatilidade nos mercados financeiros durante os anos à frente de negociação.

— O que começará a reduzir a incerteza é quando nós formos capazes de estabelecer um tipo de arranjo mais claro que prevemos avançar com a União Europeia — disse Hammond à imprensa. — Se nossos parceiros da União Europeia responderem à essa visão positiva – obviamente estará sujeita a negociações –, de modo que faça sentido, talvez no fim deste ano, estarmos todos na mesma página em termos de onde esperamos ir. Acho que enviaremos um sinal de garantia à comunidade empresarial e aos mercados.

Um comunicado emitido pelos ministro do G-20 após dois dias de reunião afirma que o Brexit, assunto principal das discussões, aumentou a incerteza na economia global, levando a um crescimento “mais fraco do que o desejável”. O documento acrescenta que os membros, no entanto, estão “bem posicionados para lidar proativamente com as possíveis consequências econômicas e financeiras”.

“À luz dos desenvolvimentos recentes, nós reiteramos nossa determinação para usar todas as ferramentas de política – monetária, fiscal e estrutural – individualmente e coletivamente para alcançar nossa meta de crescimento forte, sustentável, equilibrado e inclusivo”.

Essa semana, o Fundo Monetário Internacional cortou as projeções de crescimento global por causa do Brexit.

NECESSIDADE DE ALAVANCAR O CRESCIMENTO

Enquanto a política monetária global se configurou como o principal assunto nos últimos encontros de autoridades do G-20, o presidente do BC da França, François Villeroy de Galhau afirmou que houve pouco debate dessa vez, com foco principal no crescimento.

Houve amplo consenso quanto à necessidade de crescimento da economica global, informou o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jack Lew, enquanto o ministro das Finanças da China, Lou Jiwei, afirmou que foi fácil forjar um consenso pois a recuperação da economia global permanece fraca.

— Não apenas o Brexit, mas vários risco de baixo crescimento permanecem, e houve muito debate sobre a necessidade de monitoramento dos desenvolvimentos do terrorismo, riscos geopolíticos e refugiados — disse uma autoridade do Ministério das Finanças do Japão. — Muitas preocupações foram manifestadas sobre a propagação de medidas de protecionismo”.

No comunicado, o G-20 destacou “o papel das políticas de comércio aberto e um sistema global de comércio seguro e forte na promoção do crescimento econômico global inclusivo, e faremos esforços futuros para revitalizar o comércio global e aumentar o investimento”.

O grupo reconheceu problemas causados pelo excesso de capacidade, particularmente do setor siderúrgico, que tem impacto negativo no comércio e no emprego. Tal ponto foi considerado “uma questão global que exige respostas coletivas”.

“Também reconhecemos que subsídios e outros tipos de apoio de governos e instituições sem patrocínio público podem causar distorções no mercado e contribuir ao excessso de capacidade global e, portanto, exige atenção”, diz a nota dos ministros.

oglobo.globo.com | 24-07-2016
Os ministros de Finanças globais redobraram seu compromisso de utilizar todos os instrumentos de políticas disponíveis para impulsionar o crescimento econômico, em meio ao temor de que uma miríade de ventos contrários possa empurrar a economia mundial para uma rotina de baixo crescimento.Entre os problemas mais proeminentes do grupo das 20 maiores economias do mundo está a surpresa com a decisão do Reino Unido no fim do mês passado de deixar a União Europeia. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 24-07-2016

PEQUIM - O Fundo Monetário Internacional (FMI) pediu neste sábado aos países ricos do G-20 que aumentem o gasto público para acelerar a economia mundial, confrontada com novos riscos como o Brexit e atentados.

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"O crescimento mundial continua sendo frágil e os riscos de recaídas se tornaram mais proeminentes", advertiu o FMI antes do início, em Chengdu (sudoeste da China), de uma reunião de dois dias dos ministros das Finanças e diretores de bancos centrais de G-20, uma instância que reúne as principais potências industrializadas e emergentes.

"O crescimento pode ser, inclusive, menor, se persistirem as incertezas econômicas e provocadas pelo Brexit", especifica o relatório em referência à decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE).

O FMI reduziu na semana passada suas previsões de crescimento do PIB mundial, a 3,1% em 2016 e 3,4% em 2017, em ambos os casos um décimo a menos que em suas projeções anteriores.

A instituição pede em particular aos países com economias avançadas, como Estados Unidos, Alemanha, Canadá e Austrália, que orientem mais fundos públicos para obras de infraestruturas um assunto que causa divisões no G-20.

oglobo.globo.com | 23-07-2016

PEQUIM - As principais economias do mundo se comprometaram a aumentar esforços para impulsionar o crescimento global e compartilhar benefícios mais amplamente, indicaram os principais responsáveis pelas políticas econômicas das nações que compõem o G-20 neste sábado em meio a debates para lidar com consequências do referendo que definiu a saída do Reino Unido da União Europeia e conter o descontentamento com a globalização.

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Os ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do grupo se reúnem na cidade chinesa de Chengdu durante o fim de semana para discutir soluções para desafios globais intensificados pelo Brexit. O espectro do protecionismo, ampliado pela retórica e visão do candidato à presidência dos Estados Unidos a favor da saída de acordos comerciais, Donald Trump, também é pauta na rodada de debates.

“A recuperação continua, mas permanece mais fraca do que o desejável. Enquanto isso, os benefícios do crescimento precisam ser compartilhados mais amplamente dentro dos países para promover inclusão”, indica um rascunho do comunicado elaborado pelos ministros do G-20 ao qual a Reuters teve acesso.

O esboço, que ainda está sujeito a mudanças até a divulgação oficial ao fim do encontro, atesta que o Brexit acrescenta incerteza à economia global, mas os integrantes do G-20 estão “bem posicionados para lidar proativamente com as possíveis consequências econômicas e financeiras”.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jack Lew, afirmou que é importante para os países do G-20 fomentar o crescimento compartilhado através de todas as ferramentas, inclusive instrumentos de políticas monetária e fiscal, bem como reformas estruturais, para aumentar a eficiência.

— Este é um tempo importante para todos nós redobrarmos nossos esforços para usar todas as ferramentas de política que temos para impulsionar o crescimento compartilhado — disse a autoridade à imprensa.

O ministro das Finanças da China, Lou Jiwei, pediu mais coordenação para promover o crescimento sustentável, já que medidas fiscais e monetárias têm se tornado cada vez menos eficientes.

— Os países do G-20 devem aumentar a comunicação e coordenação entre políticas, formar consensos políticos e guiar as expectativas do mercado, tornando a política monetária mais avançadas e transparantes e aumentar a efetividade da política fiscal — disse Lou.

BREXIT

O encontro do G-20 é o primeiro do gênero desde o referendo do Brexit e, portanto, é a estreia do novo ministro das Finanças britânico, Philip Hammond, que enfrentou questionamentos sobre o quão rápido o Reino Unido planeja avançar com negociações formais para deixar a União Europeia. Muitos países têm demonstrado preocupação frente à possível demora, o que elevaria ainda mais a incerteza da economia global.

Este semana, o Fundo Monetário Internacional esta semana cortou as projeções de crescimento global devido ao Brexit. Dados divulgados na sexta-feira intensificaram tais preocupações, com o índice da atividade do setor de serviços registrando a maior queda em seus 20 anos de História.

— Espero que haja esclarecimentos sobre o tempo e procedimento do divórcio. Quanto mais cedo, melhor, pois gera um novo equilíbrio — afirmou o ministro da Economia italiano, Pier Carlo Padoan à Reuters.

O ministro das Finanças da França, Michel Sapin, afirmou que mesmo que o Reino Unido não esteja preparado para a saída, o tempo de resposta não deve ser indefinido. Já o titular alemão das Finanças, Wolfgang Schaeuble disse que não deve cair sobre outros países gastos maiores para amortecer a saída do Reino Unido:

— Acredito que é uma questão que os próprios britânicos precisam resolver — disse.

MERCADO DE CÂMBIO

Lew, em reunião com o ministro japonês Taro Aso, reiterou a necessidade dos membros do G-20 de conter desvalorizações cambiais competitivas, como acordado pelo grupo em fevereiro. Considerado como porto seguro em tempos de turbulência nos mercados, o iene se fortaleceu para cerca de 100 ienes por dólar após o referendo do Brexit no fim de junho.

Os mercados especulam sobre uma futura expansão do programa de estímulo do Banco Central do Japão na revisão da política monetária planejada para 28 e 29 de julho, com o fortalecimento do iene este ano atingindo exportações e minando esforços para escapar da deflação.

O presidente do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda, afirmou que poderia afrouxar a política monetária no futuro caso seja necessário para atingir a meta de 2% de inflação.

oglobo.globo.com | 23-07-2016

PEQUIM - O G-20 planeja dizer que é capaz de lidar com as consequências econômicas do Brexit, de acordo com um rascunho de comunicado que o grupo de países emitirá após reunião em Pequim, na China, este fim de semana. O documento está sendo debatido nesta sexta-feira pelas autoridades, antes do encontro de ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais, e será revisado durante a conferência.

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"Membros do G-20 estão bem posicionados para lidar proativamente com as consequências econômicas e financeiras do referendo britânico", diz o texto ao qual a Bloomberg teve acesso.

Os representantes dos países mais desenvolvidos do mundo e das economias emergentes se reúnem para discutir questões que abrangem desde ataques terroristas recentes à deterioração da perspectiva de crescimento global. As projeções econômicas foram reduzidas adicionalmente ao referendo que determinou a saída do Reino Unido da União Europeia.

A votação do Brexit “se soma à incerteza da economia global”, diz o rascunho do comunicado. “O ambiente econômico global é desafiador e os riscos negativos persistem, ampliados pelos preços flutuantes de commodities, inflação baixa em muitas economias, conflitos geopolíticos, terrorismo e fluxos de refugiados”.

Espera-se que o grupo reitere o compromisso em acompanhar de perto os mercados cambiais e em conter medidas protecionistas.

“Reafirmamos nossos compromissos anteriores de taxas de câmbio, inlcusive que nós vamos evitar desvalorizações competitivas e não vamos mirar nossas taxas cambiais em propóstios competitivos”, indica o esboço.

O G-20 também planeja destacar a necessidade de um “sistema financeiro aberto e resiliente” diante da recente turbulência nos mercados e expressar seu compromisso para finalizar elementos críticos da estrutura regulatória.

REINO UNIDO: FERRAMENTAS

O Reino Unido tem as ferramentas necessárias para responder à turbulência no mercado provocada pela decisão do mês passado de deixar a União Europeia, disse o ministro das Finanças, Philip Hammond, em um encontro de líderes empresariais em Pequim.

Em um pronunciamento exibido pela Sky News no Reino Unido, Hammond disse que o Banco da Inglaterra também vai usar as ferramentas monetárias à sua disposição.

"É claro que nós entendemos que a decisão e, particularmente, a natureza inesperada da decisão em 23 de junho causou alguma turbulência nos mercados", disse ele. "Nós temos as ferramentas necessárias para responder a isso no curto prazo, os nossos colegas do Banco da Inglaterra vão usar as ferramentas monetárias à sua disposição."

oglobo.globo.com | 22-07-2016

A economia do Reino Unido parece estar encolhendo no ritmo mais rápido desde a crise financeira na esteira do referendo do mês passado que decidiu pela saída da União Europeia, de acordo com a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês), que registrou a maior queda em seus 20 anos de história.

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O dólar reduziu a alta ante o real durante a tarde desta terça-feira, 19, em meio à entrada de recursos no mercado pela via comercial e da perspectiva de liquidação amanhã do leilão de títulos do Tesouro Nacional realizado hoje. As novas medidas de estímulo anunciadas pelo Banco Central da Turquia também sustentaram as expectativas de fluxo financeiro adicional para o Brasil, uma vez que a confiança na economia nacional tem se fortalecido, disseram operadores, com base em novas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Instituto Internacional de Finanças (IIF).

No balcão, o dólar à vista fechou aos R$ 3,2572, em alta de 0,22%, pouco acima da mínima intraday de R$ 3,2547 (+0,15%). De acordo informações registradas na clearing da BM&F Bovespa, o volume total de negócios somou US$ 952,500 milhões, acima dos US$ 481,211 milhões de segunda-feira, mas bem menor que a média diária. No mercado futuro, às 17h17, o contrato de dólar para agosto avançava 0,11%, aos R$ 3,2700, com giro de US$ 11,225 bilhões.

Expectativas de manutenção da taxa Selic, em 14,25% ao ano, contribuíram para a desaceleração do dólar, disse o gerente de mesa de derivativos de uma corretora. Segundo o profissional, o mercado espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) forneça alguma sinalização sobre futuros cortes nos juros básicos quando anunciar sua decisão amanhã, ao fim de sua reunião de dois dias.

"Há percepção de que, se a Selic for mantida amanhã em 14,25% ao ano, poderá haver migração de investidores para cá, após os estímulos anunciados hoje pelo BC da Turquia", afirmou o especialista. A instituição turca decidiu reduzir hoje a taxa para concessão de empréstimos no overnight, de 9% para 8,75%, após reunião de política monetária.

Há ainda a possibilidade de um fluxo financeiro favorável amanhã, por conta da liquidação do leilão de títulos de longo prazo feito hoje pelo Tesouro Nacional, afirmou uma fonte de câmbio.

A expectativa de liquidez também é reforçada pela possibilidade de o Banco Central Europeu (BCE) sinalizar para breve algumas medidas de incentivo à economia. A instituição reúne-se nesta quinta-feira, pela primeira vez desde a decisão do Reino Unido sair da União Europeia.

O viés de alta do dólar ante o real, porém, sustentou-se na sessão em meio a um baixo giro de negócios e o cenário externo instável, depois do índice ZEW de sentimento da economia na Alemanha" apontar uma queda a 6,8 em julho, ante +19,2 de junho.

As bolsas de Nova York fecharam sem direção única nesta terça-feira, 19, com o Dow Jones anotando nova máxima histórica de fechamento, em meio a balanços mistos da temporada de resultados trimestrais.

O índice Dow Jones fechou em alta de 0,14%, aos 18.559,01 pontos; o S&P 500 caiu 0,14%, aos 2.163,78 pontos; e o Nasdaq recuou 0,38%, aos 5.036,37 pontos.

"Não estamos vendo muita convicção no mercado em nenhum dos sentidos hoje. Os balanços não têm sido fantásticos nem horrorosos. Eles vieram mornos, por assim dizer", afirmou Jonathan Corpina, da Meridian Equity Partners.

Entre as que divulgaram o resultado hoje, as ações da Johnson & Johnson avançaram 1,71% após a empresa apresentar ganhos melhores que os esperados pelos analistas e melhorar sua perspectiva para o ano.

Já os papéis da Netflix pesaram no Nasdaq e no S&P 500 ao cair 13,13%. Ontem, a empresa divulgou um aumento menor que o esperado do número de assinantes.

O banco Goldman Sachs (-1,18%) superou as expectativas para seu lucro, mas registrou queda nas receitas, o que foi interpretado como um sinal ruim.

Como pano de fundo, existe a expectativa de que grandes bancos centrais do mundo irão entrar em cena para evitar que incertezas sobre a economia mundial, especialmente após o plebiscito que decidiu a saída do Reino Unido da União Europeia, contaminem os mercados financeiros. Essa leitura ajudou o índice Dow Jones a subir mais de 3,0% acima dos níveis vistos antes do Brexit.

"A esperança sobre novos estímulos tem sustentado o rali até o momento, mas a questão que alguns se perguntam agora é: quanto dessas expectativas vai se materializar?" disse Geoffrey Yu, estrategista do UBS.

Para ele, o primeiro teste será nesta quinta-feira, quando acontece a reunião do Banco Central Europeu (BCE). Embora a maioria acredite que a instituição não vá anunciar novos estímulos no primeiro encontro após o Brexit, a coletiva de imprensa com o presidente Mario Draghi oferece uma janela para saber o que pode estar a caminho. Fonte: Dow Jones Newswires

RIO E SÃO PAULO - O novo presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, comanda hoje sua primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), e a expectativa é que mantenha a taxa básica de juros (Selic) estável nos atuais 14,25% ao ano. Enquanto isso, os países europeus vêm reduzindo suas taxas, para tentar estimular a economia, e o Federal Reserve (Fed, o BC americano) deve adiar a alta dos juros. Essa combinação de fatores levou a diferença entre a taxa brasileira e a média dos países desenvolvidos ao maior patamar em dez anos: 13,73 pontos percentuais.

Juros18-07Levantamento feito pelo economista-chefe da agência de classificação de risco Austin Rating, Alex Agostini, a pedido do GLOBO, mostra que este é o maior nível desde fevereiro de 2006, quando ficou em 13,88 pontos. Agostini usou a média das taxas básicas de juros de Estados Unidos, Austrália, Canadá, Japão e zona do euro, que ficou em 0,53% em maio deste ano. Em fevereiro de 2006, portanto bem antes da crise financeira global, essa média era de 3,38%, enquanto a Selic estava em 17,25%.

O chamado diferencial de juros é um dos indicadores que estimulam a atração de capital de curto prazo, com perfil mais especulativo, e vinha variando entre 13,64 e 13,68 desde julho do ano passado. Neste século, o nível desse diferencial só foi maior entre fevereiro e março de 2003, quando a Selic estava em 26,50%, e a média dos juros dos países desenvolvidos era de 2,54%.

REAL TENDE A SE APRECIAR MAIS

E há pouca expectativa de mudança nesse cenário nos próximos meses, já que a economia global se vê às voltas com os efeitos econômicos do Brexit (a saída do Reino Unido da União Europeia) e da intensificação dos atentados terroristas.

— A perspectiva de aumento de juros lá fora está adormecida, e, aqui no Brasil, há dúvidas sobre o corte da taxa. Então a avaliação é que o diferencial de juros deve se manter elevado por pelo menos seis meses — afirma Agostini.

Ele aponta que a taxa de remuneração dos títulos do Tesouro americano para o prazo de dez anos — os chamados T-Bonds — estava em 2,3%, enquanto no Brasil, hoje, os papéis do Tesouro prefixados têm taxa de 12%.

Agostini ressalta, porém, que o diferencial elevado de juros não é o único fator determinante na decisão dos investidores estrangeiros — o risco-país e a variação cambial também são importantes. O credit default swap (CDS, espécie de seguro contra calote da dívida soberana), indicador do risco associado ao Brasil, de cinco anos ficou em 288,3 pontos. Em março deste ano, antes do início do processo de impeachment, havia superado os 400 pontos.

O economista-chefe da Austin lembra ainda que as pesquisas mostram aumento da confiança no Brasil nos últimos meses. Sua expectativa é que, com a definição sobre o impeachment, cresça o volume de investimentos no país, especialmente os de curto prazo.

Isso traz consequências para o câmbio: o real tende a se apreciar ainda mais, movimento que vem sendo observado nas últimas semanas. O professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Fundação Getulio Vargas André Nassif ressalta que, quanto maior o diferencial de juros, maior a atração de capital de curto prazo, mantendo-se as demais condições constantes. Estudo feito por ele para o período entre 1999 e 2015 aponta que a evolução da renda per capita, o diferencial de juros e os termos de troca são os três fatores que mais determinam o comportamento da taxa real de câmbio.

— Existe um alto estoque de liquidez no mundo, freneticamente desejoso por ganhos com diferenciais de preços. A tendência é mirar países em que o diferencial de juros é maior, sem riscos de controle cambial — diz Nassif.

AJUSTE NO COMÉRCIO EXTERNO

O aumento da confiança com uma avaliação melhor da situação fiscal favorece esse processo, mas o professor destaca que também há influência do ajuste comercial externo em curso no país. Ele lembra que o déficit em conta corrente era de US$ 104 bilhões no fim de 2014 — o que correspondia a 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB) —, montante que caiu para US$ 58,8 bilhões no fim de 2015 (3,3% do PIB) e US$ 29,5 bilhões (1,7% do PIB) no período de 12 meses encerrado em maio deste ano. A previsão é que chegue a zero no fim de 2016, segundo Nassif:

— Fizemos um ajuste externo recessivo, com queda forte de importações, de maneira muito rápida. Dado o cenário, a perspectiva é que o diferencial de juros continue alto e o real continue se apreciando.

O mercado acredita que o BC vá manter a taxa de juros em 14,25% ainda por algum tempo. Nassif destaca que, diante da postura cautelosa da autoridade monetária, o movimento não só não será imediato como ocorrerá de forma gradual. Com isso, vai se manter o diferencial de juros elevado. A avaliação é compartilhada pelo economista Joaquim Elói Cirne de Toledo:

— Acredito que há espaço para reduzir juros, mas acho que o Banco Central não vai mexer nos juros pelo menos nas próximas duas reuniões, até pela questão da credibilidade. Com isso, os movimentos de capitais de curto prazo vão continuar, pressionando o dólar mais para baixo.

(Colaborou Ana Paula Ribeiro)

oglobo.globo.com | 19-07-2016

A fracassada tentativa de golpe militar na Turquia, na última sexta-feira, se tornou um inesperada oportunidade para o presidente Recep Tayyip Erdogan promover um expurgo bem mais amplo do que, tudo indica, o grupo de insurgentes. O presidente turco chegou a classificar o motim como um “presente de Deus" para limpar as Forças Armadas. Cerca de seis mil pessoas já foram presas, entre elas 29 generais e mais de 20 coronéis. Cerca de 2.700 juízes, inclusive dois membros da mais alta corte do país, e procuradores foram exonerados. Entre os quais, 500 já estariam presos. Outras três mil pessoas estão sendo procuradas pelo governo turco.

Erdogan pediu a Washington a extradição do clérigo Fethullah Gulen, exilado nos EUA, a quem acusa de tramar o golpe. A Casa Branca informou que analisará o pedido, mas pediu provas do envolvimento de Gulen. Este nega. Num duro recado, Binali Yildirim, premier turco e aliado de Erdogan, disse que qualquer país que apoie Gulen “está engajado numa guerra contra a Turquia”. O secretário de Estado americano, John Kerry, reagiu afirmando ser uma irresponsabilidade acusar os EUA de envolvimento.

Enfurecido com o que classificou como “traição”, o presidente turco defendeu a volta da pena de morte, abolida no país, no início dos anos 2000, como parte do processo de adesão da Turquia à União Europeia (UE). Erdogan, porém, é considerado um líder autoritário, que tenta introduzir preceitos islâmicos à ordem constitucional do país. Há controle da mídia, inclusive as redes sociais na internet, e a administração dos principais jornais e canais de televisão é aparelhada por aliados do governo. A ofensiva contra juízes e procuradores mostra que Erdogan e seu Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco) pretendem dominar o Judiciário, além dos militares. Todos esses sinais preocupam.

Situada, em parte, no coração do Oriente Médio e às portas da Europa, a Turquia tem sido um ator importante na crise humanitária síria, ao acolher cerca de 2,5 milhões de refugiados. Também está recebendo sírios que tentam entrar ilegalmente na UE, como parte de um acordo que deve agilizar sua entrada no bloco.

A tentativa de golpe se soma a outros conflitos. Erdogan está em guerra contra a minoria curda, no Sudeste do país, e, apesar de tentativas recentes de diálogo, tem uma relação difícil com Rússia e Israel. Além disso, a Turquia, membro da Otan, tem sido alvo frequente de atentados de extremistas do Estado Islâmico.

A reação da população civil contra o golpe mostra que uma democracia, mesmo com defeitos, ainda é preferível a uma junta militar governando o país. Mas é preciso evitar que, com a desculpa do golpe, Erdogan acabe com os predicados republicanos de um país crucial para o Ocidente e o Oriente Médio. O projeto turco, de uma potência regional de maioria muçulmana, sustentada por um regime democrático e uma economia próspera, é fundamental para a ordem mundial.

oglobo.globo.com | 19-07-2016
É o novo grande risco que enfrenta a economia europeia: a banca italiana precisa urgentemente de capital, mas as regras europeias impõem perdas para os credores que o Governo de Renzi se recusa a provocar. A resolução do problema poderá servir de exemplo para Portugal.
www.publico.pt | 16-07-2016

LONDRES E NOVA YORK - A tentativa de golpe que abalou o delicado cenário político na Turquia também gerou reflexos para a economia do país. A reação de investidores às primeiras notícias de mobilização de militares, no fim da tarde de sexta-feira, foi rápida. A lira turca, que tinha dia de estabilidade, despencou 5% — a maior queda desde 2008. Segundo analistas ouvidos pela imprensa internacional, não se trata de pânico passageiro, mas sim um sinal de crescente incerteza em relação à economia turca, altamente dependente de fluxo de capital externo de curto prazo.

turquia1607Reportagem do jornal britânico "Financial Times" destaca que uma fuga da capital duradoura seria nociva para o país em várias frentes. O mais imediato seria o potencial efeito inflacionário, devido à moeda mais fraca. O mais preocupante, no entanto, é o volume de investimentos, que podem afetar diretamente a capacidade de crescimento do país. A nova onda de incerteza, causada não só pela tentativa de golpe, como também pelos recentes ataques terroristas, ocorre em um cenário de perda de confiança dos investidores. As projeções para o crescimento da Turquia deste ano estão entre 3% e 4%, contra um avanço do PIB de 4,5% em 2015.

— O desafio para a Turquia, e o governo esqueceu disso, é a necessidade de aumentar a produtividade. Sem investimento de longo prazo em educação... Ou uma economia baseada em exportação, você se condena a um crescimento econômico mais lento — avalia Gultekin.

Neil Shearing, economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, destaca que a situação se agrava diante da alta necessidade de financiamento turca, após um boom de crédito: “Um período prolongado de instabilidade política poderia desencadear uma séria baixa na economia”, escreveu Shearing em relatório, segundo a Bloomberg.

A instabilidade política traz consequências para um dos principais setores da economia turca: o turismo. Segundo dados do governo citados pelo “FT”, o fluxo de turistas para o país já caiu 23% em maio, frente ao ano anterior. A sequência de ataques terroristas, a proximidade com a Síria e, agora, a tentativa de golpe, agravam a situação. Mais uma razão para que a capacidade de crescimento do país seja colocada em xeque.

— Da perspectiva de investidor, a Turquia parece cada vez mais um caso perdido — resume Dami Rodrik, economista turco da Universidade de Harvard.

IMPACTO MENOR QUE BREXIT

A avaliação sobre o quão duradouro será o impacto econômico da crise política turca, no entanto, ainda é incerto. Alguns analistas destacam que é cedo para prever se os desdobramentos serão tão graves.

— Não acho que isso (a tentativa de golpe) resultará em uma grande mudança de avaliação de risco nos mercados globais. Claramente, há um foco nessa parte do mundo em relação ao que está ocorrendo na Síria, mas não acho que é outro choque para os mercados como foi o Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia). Considerando a história, é um evento muito menor — ponderou Jeffrey Kleintop, estrategista global da Charles Schwap, em entrevista à Bloomberg.

oglobo.globo.com | 16-07-2016

As bolsas de Nova York fecharam sem direção única, mas perto da estabilidade, com os investidores aproveitando o fim de uma semana com quebra de recordes de fechamento para realizar lucros. O índice Dow Jones seguiu a onda nesta sexta-feira, 15, renovando mais uma máxima histórica.

No final da tarde em Nova York, Dow Jones avançou 0,05%, aos 18.8514,90 pontos, seu quarto recorde seguido, ganhando 2% na semana. Já o S&P 500 fechou em queda de 0,10%, aos 2.161,54 pontos e o Nasdaq recuou 0,09%, aos 5.029,59 pontos. Ambos ganharam na semana 1,5%. Caterpillar (+0,80%) e General Eletric (+0,77%) lideraram os ganhos do pregão.

Muitos investidores afirmaram que essa semana marcou uma virada decisiva para os ativos de maior risco, que haviam caído com força após o voto do Reino Unido para sair da União Europeia, no dia 23 de junho. As bolsas foram impulsionadas pela expectativa de que os bancos centrais iriam estender o período de juros baixos e estímulos, além de dados de atividade econômica positivos dos EUA.

"O mercado está nos mostrando que é resiliente", disse Jason Browne, chefe de investimento da FundX Investment Group, em San Francisco.

O pânico que tomou os mercados imediatamente após o voto pelo Brexit desapareceu em grande parte, disse Mohit Bajaj, diretor da WallachBeth Capital.

Dados de atividade da economia norte-americana divulgados nos últimos dias também ajudaram a dar força aos mercados, o que significa para muitos investidores e analistas que os Estados Unidos permanecem sendo um local seguro na economia global.

A produção industrial dos Estados Unidos subiu 0,6% em junho ante maio, segundo dados publicados hoje pelo Federal Reserve (Fed, o BC norte-americano). O resultado superou a expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam acréscimo de 0,4%.

As vendas no varejo nos EUA também cresceram 0,6% em junho ante maio, para o valor sazonalmente ajustado de US$ 456,98 bilhões, segundo dados publicados hoje pelo Departamento do Comércio. O resultado veio bem acima da expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam alta marginal de 0,1%. Fonte: Dow Jones Newswires

RIO - Uma instituição financeira com mais de 500 anos está no centro de uma crise no sistema bancário da Itália, país onde os bancos nasceram. O Monte dei Paschi di Siena (MPS) — o banco mais antigo do mundo, criado em 1472, e o terceiro maior em ativos da Itália —, que já recebeu ajuda do governo italiano duas vezes desde a crise de 2008, está agora à espera de apoio para enfrentar o elevado volume de crédito atrasado e os efeitos da má gestão anterior. As dificuldades, no entanto, não se restringem ao MPS. Ao todo, os bancos italianos têm cerca de € 360 bilhões em empréstimos de difícil recuperação, que representam quase um quinto (18%) do total de crédito. Ao todo, os passivos dos bancos, em títulos, somam € 600 bilhões.

O resultado do referendo do Brexit intensificou o temor de que a situação dos bancos italianos possa ser o gatilho de uma nova crise na zona do euro: a Itália é a terceira maior economia da região. As atenções agora estão voltadas para o resultado dos testes de estresse dos bancos europeus (avaliação sobre a condição das instituições), que será divulgado no próximo dia 29. Entre estes há cinco italianos: Unicredit, Intesa, MPS, UBI e Banco Popolare. Muitos acreditam que um desempenho não muito favorável dessas instituições pode ser o motivo que faltava para que a Comissão Europeia concorde com um apoio às instituições da Itália, como defende o governo.

Especialistas são unânimes em afirmar que a posição dos bancos italianos é delicada e séria, mas não há consenso sobre a possibilidade de uma nova crise bancária na União Europeia.

— Os riscos de não fazer nada são muito grandes. Os testes de estresse do Banco Central Europeu podem ser uma oportunidade para os legisladores darem apoio ao setor bancário. — afirma Jack Allen, economista da Capital Economics. — Parece altamente provável que o governo vai encontrar maneiras de dar apoio aos bancos.

Ainda que ressalte que a exposição de bancos estrangeiros ao país tenha diminuído desde a crise financeira, Allen destaca que a Itália é a terceira maior economia da zona do euro e que uma crise bancária pode ter efeitos na região. Dada a gravidade da situação, no entanto, sua avaliação é a de que devem ser encontradas alternativas para ajudar os bancos.

REESTRUTURAÇÃO NECESSÁRIA

O sistema bancário vive dificuldades há anos em função do fraco crescimento econômico do país. O Produto Interno Bruto (PIB) da Itália ainda está 8% abaixo do que era antes da crise de 2008. Este ano, seu desempenho é inferior ao de outros países da zona do euro.

Especialistas apontam ainda que o modelo de negócios — bancos pequenos, com muitas agências e custos altos — precisa mudar. Soma-se a este cenário o movimento global de baixas taxas de juros, que prejudicam a rentabilidade das instituições financeiras. O governo já teve de ajudar alguns bancos, como o MPS, mas a legislação europeia impõe restrições a esse tipo de apoio. Qualquer iniciativa deve ser negociada com a Comissão Europeia.

— A situação dos bancos é muito séria e exige atenção. Teremos algumas questões de curto prazo, mas esta não é uma crise aguda, não estou preocupado com instabilidade financeira. Mas, em algum momento, será necessária ajuda das autoridades — afirma Nicolas Véron, pesquisador do centro de pesquisas Bruegel e do Instituto Peterson para Economia Internacional.

Federico Santi, analista do Grupo Eurasia, também espera medidas do governo. Estas incluiriam um novo esquema de garantias para os empréstimos bancários e uma espécie de “recapitalização preventiva” — um instrumento que permite aos países-membros conceder ajuda a bancos, com algumas condições.

Uma questão que torna mais complexa a situação bancária na Itália é que um terço dos títulos de bancos está nas mãos de pequenos investidores. Isso reforça a discussão sobre qual modelo de apoio às instituições financeiras pode ser adotado. Novas regras da União Europeia (UE) preveem que, antes que se recorra a dinheiro de contribuintes para o resgate, os detentores de títulos dos bancos devem dar sua parcela de sacrifício, no que é conhecido em inglês como bail-in. A Itália já recorreu no ano passado a este formato, o que provocou perdas a muitas famílias.

Por isso, Véron defende um modelo de ajuda aos bancos que preserve, de alguma forma, os pequenos investidores, e, ao mesmo tempo, demande a participação de investidores institucionais no resgate. Segundo ele, foi um modelo usado com sucesso na Espanha. Ele diz que é necessário fazer uma reestruturação:

— O momento de reestruturação é sempre difícil, mas pode abrir espaço para a economia italiana voltar a crescer.

oglobo.globo.com | 16-07-2016

RIO - O baixo crescimento da renda em anos recentes e a elevada desigualdade do Reino Unido — quando se considera o padrão de países avançados — podem ser alguns dos motivos por trás do resultado do referendo que decidiu pela saída da União Europeia (UE), apontam especialistas. Um relatório recente do governo mostrou que, somente em 2014/2015, a média da renda se recuperou e ficou acima do nível de 2008. A desigualdade de renda, que é uma das maiores entre as nações avançadas, se mantém no mesmo nível nas últimas duas décadas, após uma forte expansão nos anos 80.

Especialista em estudos de desigualdade, o professor da London School of Economics (LSE) Stephen Jenkins afirma que, quando se consideram os dados que levam em conta a renda dos mais ricos — usados por Thomas Piketty em “O capital no século XXI” —, a desigualdade vem se agravando no Reino Unido e teve influência no chamado Brexit. Outros estudiosos concordam com essa avaliação, destacando principalmente as diferenças entre a capital Londres, com mais oportunidades, e as demais regiões. Há quem argumente, no entanto, que não há elementos para confirmar essa relação.

— O referendo foi um grito de angústia, não um voto contra a União Europeia. Na minha visão, a desigualdade está aumentando. Não só a desigualdade de renda, mas uma manifestação ampla de desigualdades em várias dimensões, como os contratos de curto prazo e os empregos de baixa qualidade — diz Jenkins.

Mesma avaliação do grupo The Equality Trust, que defende políticas de redução de desigualdade. Para eles, o referendo foi além da migração.

— Não se pode ter uma sociedade coesa de Ferraris e bancos de alimentos. O voto do Brexit não foi apenas sobre desigualdade econômica, mas ela desempenhou um grande papel. Há uma clara correlação entre as regiões com menor renda, que se sentem sem oportunidades, e os votos pela saída — afirma John Hood, diretor de comunicação do Equality Trust.

Dados do governo mostram que a renda semanal das famílias entre abril de 2014 e março de 2015 ficou em £ 473 (R$ 2.040), atingindo assim um nível maior que antes da crise financeira internacional.

Para o professor da UFRJ Luiz Carlos Prado, a sensação de insegurança econômica pode ter contribuído para o Brexit:

— Apesar da participação grande do Estado na renda das famílias, com políticas de bem-estar social, o salário é fundamental para as famílias terem uma renda melhor. Um sentimento de insegurança pode ter afetado os trabalhadores.

Prado cita ainda a transição da economia britânica, de um peso maior da indústria para a maior participação dos serviços de tecnologia, concentrados em Londres. Segundo ele, as diferenças regionais aparecem, assim, de forma mais intensa.

LONDRES, MAIS DESIGUAL

Mais cauteloso, o economista do Instituto para Estudos Fiscais (IFS, na sigla em inglês) Jonathan Cribb ressalta que cresceu o número de pessoas no mercado de trabalho, mas que a renda caiu. Ainda assim, diz, não há evidências que comprovem a relação entre a deterioração econômica e o voto pelo Brexit. Para reforçar seu argumento, ele aponta o fato de Londres, com uma das maiores desigualdades de renda do país, ter votado por ficar na UE. Cribb admite, porém, que a queda da renda pode ter criado “um sentimento de frustração”.

Diante das políticas de austeridade adotadas no Reino Unido, Jenkins diz não estar otimista:

— Os cortes implementados pelo governo vêm afetando mais os pobres do que os ricos. As perspectivas de redução da desigualdade são muito pequenas.

O Reino Unido está criando o Crédito Universal, que vai substituir outros seis benefícios, como seguro-desemprego e auxílio-moradia. Para John Hood, isso afetará ainda mais a renda dos mais pobres:

— Estudos mostram que a política de governo prevista no Orçamento deve representar aumento da desigualdade, se os demais fatores permanecerem iguais.

oglobo.globo.com | 16-07-2016

LONDRES - O banco central britânico precisa agir "pronta e fortemente" para estimular a economia e elevar a confiança, disse nesta sexta-feira o economista-chefe do Banco da Inglaterra, Andrew Haldane, um dia depois de a autoridade monetária surpreender os mercados ao não cortar os juros. Em seu primeiro discurso desde a decisão britânica no mês passado de deixar a União Europeia (UE), Haldane disse que o Banco da Inglaterra precisa criar um "pacote de medidas de afrouxamento da política monetária mutuamente complementar" a tempo da reunião de 4 de agosto.

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— Esta resposta monetária, se é para fortalecer as expectativas e a confiança, eu acho que precisa ser apresentada pronta e fortemente. Por prontamente quero dizer no próximo mês — disse ele.

O pacote de estímulo será provavelmente necessário para “proteger a economia e os empregos de uma recessão” causada pela incerteza que pode estender por anos, disse a autoridade. Haldane afirmou que até próxima reunião do banco central as autoridades estarão mais capazes de decidir “o tamanho preciso e a extensão das medidas de estímulos necessárias”.

Ele descartou a ideia que possa haver uma escolha entre impulsionar o crescimento e arriscar uma inflação mais alta, sustentando que “não há dilema real sobre a política (monetária).

DESACELERAÇÃO ECONÔMICA

Pesquisas realizadas por agentes regionais do Banco da Inglaterra desde o referendo apontam para um número significante de empresas que estão freando ou reduzindo emprego e planos de investimento, enquanto a confiança dos consumidores e a expectativa dos preços imobiliários já estão caindo, disse o economista-chefe.

— Apesar de ser improvável que a economia quebre, é provável que desacelere, talvez materialmente, nos trimestre a vir — avalia Haldane. — A maior razão para essa provável desaceleração é a incerteza. E com a incerteza crescento acentudamente, cautela pode mais uma vez se tornar a palavra-chave para empresas e famílias, como foi durante a maior parte do período desde a crise. Isso aumenta o incentivo a atrasar a concepção e execução de planos.

A libra caiu quase um centavo em relação ao dólar após o discurso, revertendo parte dos ganhos obtidos após a decisão surpresa na quinta-feira de manter os juros.

O banco de investimentos J.P. Morgan mudou sua previsão para a taxa de juros britânica após o discurso de Haldane, prevendo que o Banco da Inglaterra vai cortar os juros a zero no próximo mês, ao invés de para 0,25%. Essa semana, o BC da Inglaterra votou por manter a taxa básica de juros em 0,5%.

“Estamos esperando agora um pouco mais do que estávamos ontem”, afirmou o analista Allan Monks em nota a clientes, que também prevê um aumento de 75 bilhões de libras em flexibilização quantitativa e o anúncio de algumas medidas de acesso a crédito.

oglobo.globo.com | 15-07-2016
O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Atlanta, Dennis Lockhart, afirmou hoje que a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia é "um fator de risco no médio prazo", e que a incerteza resultante desse processo pode "se mostrar um vento contrário persistente na economia".Apesar disso, a resposta dos mercados no curto prazo mostrou a "resistência" da economia, salientou.O dirigente disse também esperar que o Fed eleve os juros este ano. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 14-07-2016
O número de imigrantes que chegam à Alemanha atrás de uma nova vida bateu recorde em 2015, de acordo com dados oficiais divulgados nesta quinta-feira. Cerca de 2,14 milhões de pessoas migraram para a maior economia da Europa, atraídas por uma economia forte e por um regime de asilo relativamente liberal. Outras 1,14 milhões deixaram o país, resultando em uma entrada líquida de 1,14 milhão de pessoas. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 14-07-2016
O recém-nomeado ministro de Finanças do Reino Unido, Philip Hammond, disse hoje que o país será ágil em definir amplas metas para sua relação com a União Europeia após o chamado "Brexit", ao admitir que o resultado do plebiscito do mês passado abalou a confiança e desestimulou os investimentos. Em 23 de junho, a maioria do eleitorado britânico votou pelo rompimento do Reino Unido com a UE. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 14-07-2016

NOVA YORK - A economia dos Estados Unidos expandiu em ritmo modesto desde maio em meio a “leve” pressões sobre os preços e certo esfriamento do gasto dos consumidores, informou o Livro Bege, relatório econômico do Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA) com informações coletadas ao redor do país.

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“A perspectiva foi geralmente positiva pelos amplos segmentos da economia, incluindo vendas do varejo, manufatura e imobiliário”, segundo o documento, que é publicado oito vezes ao ano. “Distritos que relataram crescimento em modo geral esperam que se mantenha modesto”.

A próxima reunião do comitê de política monetária do Fed será em 26 e 27 de julho. Investidores veem uma probabilidade de menos de 5% de que haja alguma elevação dos juros como resultado do encontro, de acordo com preços de contratos futuros de financiamentos federais. Enquanto isso, as autoridades da autarquia avaliam os riscos globais do referendo que definiu a saída do Reino Unido da União Europeia, realizado em 23 de junho.

O Livro Bege, divulgado nesta quarta-feira em Washington, resume comentários recebidos por contatos empresariais ao redor do país. Esse documento em específico é baseado em informações coletadas até 1º de julho.

As autoridades do Fed analisam o progresso feito por seu mandato de emprego máximo e esperam que os salários mínimos cresçam em um pequeno aumento na inflação à medida que a economia avança.

“As condições do mercado de trabalho permaneceram estáveis já que o emprego continua a cresce modestamente desde o relatório anterior e as pressões sobre salários mínimos continuaram de modestas a moderadas”, indicou o Fed.

Várias regiões registraram “forte demanda por trabalho qualificado” e as empresas enfrentam desafios em ocupar cargos nos setores de tecnologia da informação, biotecnologia e serviços de assistência médica.

O dados Departamento de Trabalho dos EUA divulgados no início deste mês mostram que as folhas de pagamento aumentaram em 287 mil cargos em junho, recuperando de um desempenho mais fraco em maio, quando apenas 11 mil postos de trabalho foram criados.

INFLAÇÃO LIMITADA

O Livro Bege também indicou uma inflação escassa, apesar de que a maioria dos distritos registraram pressão em preços de insumos. A filial do Fed em Atlatan agora estima que a economia cresceu 2,3% entre abril e junho, o que seria o período mais forte desde o segundo trimestre do ano passado.

Enquanto o Fed afirmou que a avaliação nas regiões apontavam para “sinais de abrandamento” do gasto das famílias, a perspectivas para os próximos meses “era predominantemente otimista” na maior parte dos EUA.

O Fed afirmou que a atividade manufatureira estava “mista” enquanto o desempenho do setor imobiliário “continua a se fortalecer” desde o último Livro Bege.

oglobo.globo.com | 13-07-2016

MILÃO - O banco italiano UniCredit conseguiu levantar mais de € 1 bilhão com vendas de ativos esta semana, enquanto o novo diretor executivo da instituição age rapidamente para recuperar a folha de balanço do banco. Desse total, quase € 750 milhões vieram da venda de uma fatia de 10% no Bank Pekao, segunda maio instituição financeira da Polônia. E outros € 328 milhões são da venda de uma fatia igual do Fineco, unidade de internet banking do UniCredit.

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O UniCredit detém uma participação de 55% no Fineco e de cerca de 40% no banco polonês. As ações da entidade italiana, que já acumulam queda de quase dois terços do valor este ano, recuaram 3,5%, a € 2,026 nesta quarta-feira.

A venda de ativos vem após o anúncio do banco na segunda-feira de que irá conduzir uma minuciosa revisão estratégica dos negócios sob o comando do novo diretor executivo Jean Pierre Mustier, que assumiu o cargo no último mês para recuperar a situação financeira do banco.

Os esforços do UniCredit para aprimorar sua posição financeira surgem em meio às preocupações sobre a saúde do sistema bancário italiano após o referendo que definiu a saída do Reino Unido da União Europeia, realizado em 23 de junho.

Analistas do banco americano JPMorgan afirmaram em nota que “a velocidade de execução é impressionante”, acrescentando que esperam que os negócios da instituição italiana na Áustria e o braço de investimentos Pioneer Investiments, bem como unidades menores no Leste europeu, também podem ser vendidos.

Os especialistas disseram, no entanto, que não está descartada uma elevação de capital “para concluir integralmente o debate e fornecer margem de manobra”.

Em seu anúncio, o banco disse que entre as medidas para melhorar seu desempenho e rentabilidade estão mais cortes de custo e uma redução em seu perfil de risco. O UniCredit classificou como operações estratégicas do grupo a subsidiária alemã HVB, as operações eurpeias no centro e leste da Europa e os negócios de investimento corporativo e disse que as operações na Itália são centrais à empresa.

oglobo.globo.com | 13-07-2016
O voto do Reino Unido para sair da União Europeia (UE) - o chamado Brexit - causou preocupação para os negócios em certas regiões dos Estados Unidos, de acordo com o Livro Bege, relatório sobre as condições econômicas regionais divulgado pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) nesta quarta-feira. O voto pelo Brexit foi um fator nas últimas semanas pelo menos em três áreas. Entretanto, no geral, o relatório mostrou que a economia norte-americana está crescendo em um ritmo modesto. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 13-07-2016

LONDRES — A conservadora Theresa May, de 59 anos, assumiu o cargo de primeira-ministra do Reino Unido nesta quarta-feira, depois de aceitar o convite da rainha Elizabeth II para formar governo. Ela substitui o premier David Cameron, após uma série de turbulências políticas causadas pela decisão do país de sair da União Europeia (UE). May terá agora o desafio de negociar a ruptura com o bloco e unir o Partido Conservador e um país profundamente divididos pelo Brexit. Reino Unido

— David Cameron foi um grande primeiro-ministro. Ele estabilizou a economia. Mas seu grande legado foi a justiça social. Ele liderou um governo de um país. E é assim que eu pretendo liderar — disse May em seu primeiro discurso como premier. — Vou liderar o governo de uma nação, fazer com que o Reino Unido seja um país que funcione para todos. Acreditamos na união de todos os cidadãos.

Sobre a UE, a primeira-ministra disse que o Reino Unido terá um papel positivo e ousado fora do bloco. Primeira mulher a assumir o cargo de premier após Margaret Thatcher, May está preparando o gabinete com mais mulheres na História do Partido Conservador, de acordo com informações dos jornais britânicos.

Em seu último discurso diante da residência oficial que usou como premier britânico, Cameron fez um balanço de seu governo e afirmou que a economia está melhor agora. O agora ex-premier estava ao lado da mulher e dos três filhos.

— Acredito que Theresa oferecerá força e liderança no momento em que o Reino Unido deixa a UE — disse.

Mudança na política do Reino Unido

Após o discurso, Cameron deixou a residência na Downing Street 10. Em seguida, ele seguiu para o Palácio de Buckingham para entregar sua renúncia à rainha Elizabeth II. Logo depois, a monarca recebeu Theresa May.

Apesar de ser eurocética por convicção, May decidiu se manter fiel a Cameron e defender a permanência do país na UE. Mas, se ela se limitou a advogar pela causa o mínimo necessário, por outro lado continuou insistindo sobre a necessidade de reduzir a imigração, tema preferido entre os pró-Brexit, tornando-se alguém bem vista para ambos os grupos.

Casada, May é considerada por muitos uma nova “Dama de Ferro”. Ela está na ala mais à direita do partido conservador. No entanto, durante a campanha para o referendo, abordou alguns temas sociais tentando conquistar os eleitores e também romper com a imagem de frieza.

No ministério do Interior, que ela ocupava desde 2010, adotou uma linha muito firme em temas como a delinquência, imigração ilegal ou pregadores islâmicos.

Ela não escapa às comparações com sua ilustre predecessora “Maggie” Thatcher, igualmente eurocética. O tabloide “The Sun” a apelidou de “Maggie May”.

Mas ela parece mais próxima de uma Angela Merkel, a chanceler alemã, com quem compartilha o fato de ser filha de um reverendo, conservadora, pragmática, aberta ao compromisso, casada há muitos anos e sem filhos. Cinco mulheres no poder

oglobo.globo.com | 13-07-2016

A multiplicidade de nações adjacentes fez da Economia da Europa uma das mais complexas do planeta. Durante séculos a Europa foi o centro econômico do planeta. Entre as causas, podemos citar como a principal sua condição geográfica. A localização entre a África e a Ásia, fez da região europeia um ponto de passagem obrigatório, e facilitou de forma substancial a absorção e irradiação dos conhecimentos, tecnologia e comércio de ambos continentes. Esta condição perdurou até ao século XX. No século XX, a Europa viu seu predomínio declinar em relação aos Estados Unidos, o Japão e, na fase final, a China. A Primeira e Segunda guerra mundial, travadas em seu território, a carência de energia, de petróleo, além de uma intensa rivalidade entre seus povos, representaram para o continente a perda de sua liderança econômica. A Europa não tem auto-suficiência na produção de energia, exigindo a importação de muito petróleo. Este produto só é extraído em quantidades consideráveis na Rússia e no Mar do Norte. O gás natural, outro produto bastante usado na geração e produção de energia é muito abundante na Rússia, Romênia, Países Baixos e no Reino Unido. Outro recurso energético que teve grande importância nas fases iniciais da revolução industrial foi o carvão mineral, muito abundante, sobretudo na Alemanha, Polônia, Rússia, Reino Unido. Todas estas fontes energéticas são extremamente poluidoras e causam grandes impactos ambientais em todo o planeta. No caso da energia limpa, ou seja, não poluidora, podem ser citadas a energia hidráulica, energia eólica, e energia solar, de baixa produção e utilização da Europa, devido às suas condições geográficas. A produção de energia nuclear na Europa é muito importante, e, a exemplo dos Estados Unidos, gera imensas quantidades de lixo atômico, cujo fim, desde o início de sua utilização, é muito nebuloso e nunca divulgado na mídia mundial.


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