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Europa Economia

BUENOS AIRES - Há três anos, Daniel Melhem foi expulso de uma delegação do governo da Argentina que estava tentando atrair investidores do Oriente Médio após dizer que ninguém se interessaria. Agora, o assessor de investimentos de 44 anos diz que recebeu tantas ligações de clientes perguntando pela Argentina nos últimos doze meses que decidiu abrir um hedge fund dedicado à compra de títulos do país. Melhem, que dirigiu a unidade de gestão de riqueza privada do Morgan Stanley para o Brasil, a Argentina e o Chile antes de fundar a Knightsbridge Partners Ltd., pretende arrecadar US$ 150 milhões de dez a vinte famílias ricas da América Latina, do Oriente Médio e da Europa e começar a investir antes do final do ano.

Embora a presidente Cristina Kirchner continue longe de resolver a disputa de uma década pela dívida com credores de títulos não reestruturados (holdouts) que levou o país a dar o calote em julho, Melhem diz que é possível ganhar dinheiro apesar de os bonds (títulos de dívida) da Argentina terem caído para seu menor valor em oito meses e o Bank Of America ter recomendado evitar completamente o país. Com a eleição em 12 meses e Cristina impossibilitada de se candidatar novamente, Melhem aposta que uma nova administração é exatamente o que a Argentina precisa para acabar com seu isolamento nos mercados internacionais e abrir a economia aos investidores estrangeiros.

— O novo regime trará uma grande mudança política e econômica — disse Melhem, quem assessora clientes com cerca de US$ 1 bilhão, em entrevista no seu escritório em Buenos Aires. “Os clientes estão perguntando se está na hora de entrar. É como jogar futebol; você não pode fazer um gol se não estiver em campo. Agora é hora de entrar em campo”.

O hedge fund Argentina Recovery, da Knightsbridge, arrecadou US$ 100 milhões e comprará os bonds do país denominados em dólares e recibos de depósitos americanos (ADR, na sigla em inglês) a partir de dezembro. O dinheiro será devolvido aos investidores em três anos, caso eles não decidam retirar seus ativos antes. Melhem, que investirá na Argentina pela primeira vez desde 2007, disse que seus clientes obtiveram retornos anuais de 25% em investimentos imobiliários no país entre 2004 e 2007.

O interesse no país também surgiu em outras casas. Alguns hedge funds, como o Soros Fund Management LLC, do bilionário George Soros, o Perry Capital e o Third Point LLC, aumentaram sua participação nos ADR da empresa estatal argentina de energia YPF SA no segundo trimestre, e outros, como o Noctua International LLC e o Callaway Capital Management LLC, abriram fundos dedicados ao país nos últimos doze meses.

A Argentina não toma dinheiro emprestado nos mercados externos desde que deu o calote recorde por US$ 95 bilhões em 2001. Os holdouts, que possuem quase 7%, não quiseram trocar seus bonds por títulos novos a cerca de 30 centavos por dólar nas reestruturações realizadas em 2005 e 2010. Acabar com essa disputa abriria as portas para que a Argentina volte a tomar dinheiro emprestado no exterior.

DETERIORAÇÃO DOS FUNDAMENTOS

A economia tem piorado desde o calote. O peso se desvalorizou 16% no mercado paralelo, o governo restringiu as importações e a produção industrial se contraiu 2,9% em agosto. O presidente do Banco Central, Juan Carlos Fábrega, quem tinha implementado uma desvalorização e aumentado as taxas de juros, pediu demissão no dia 1º de outubro.

Para Melhem, que se mudou do México para a Argentina aos sete anos de idade e morou em Buenos Aires até o segundo ano da faculdade, antes de se formar em Economia e Administração Internacional na Babson College, a deterioração da economia antes da chegada da próxima administração é uma oportunidade para comprar os títulos do país antes de uma recuperação.

— Quem entrar começará com menos do que zero, e a partir dali haverá uma valorização enorme — disse Melhem.

oglobo.globo.com | 21-10-2014
O investimento direto estrangeiro em Portugal continua dominado por países da União Europeia, mas a China ganha terreno como “parceiro significativo”.
www.rtp.pt | 20-10-2014
O mexicano Angel Gurría, secretário-geral da OCDE - Jason Alden / Bloomberg

DEAUVILLE, França - O Brasil não é o único país do mundo com a economia em desaceleração e deve voltar a crescer, quando houver uma decisão sobre quem estará no comando nos próximo quatros anos. Esta é avaliação do mexicano Angel Gurría, secretário-geral da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), espécie de clube dos países ricos, e ex-ministro das Finanças do México, em entrevista exclusiva ao GLOBO.

A OCDE tem destacado os progressos do Brasil nos últimos anos. Agora o Brasil entrou em recessão técnica. O que está errado ?

O Brasil fez uma mudança muito importante na sua composição em termos de renda. Brasil incorporou milhões e milhões de brasileiros para a classe média e criou uma sociedade mais justa. O país ainda é uma das sociedades de (índice de) Gini elevado, isto é, o nível de desigualdade é alta, mesmo para a América Latina. Mas isso não é um problema novo. Ele não começou com a crise (a crise financeira mundial iniciada em 2008). O único problema é que a crise tende a agravar essas tendências.

Que tendências?

A desigualdade nos países da OCDE cresceu mais nos primeiros três anos de crise do que nos 12 anos anteriores. Embora a desigualdade já estivesse crescendo antes da crise, acelerou. Há uma tendência secular de desigualdade e uma aceleração disso por causa da crise. Há recuperação em alguns países. O Brasil ainda não está em fase de recuperação. A primeira coisa que acontece na fase de recuperação não é a criação de postos de trabalho. Primeiro, há crescimento sem emprego, no caso de não ter havido reformas suficientes. Quando reformas são feitas, há recompensa.

O Brasil não fez reformas suficientes?

Deixe-me dar o exemplo da Espanha, que teve e ainda tem a mais alta taxa de desemprego. O país estava crescendo e tomou a decisão há alguns anos de fazer grandes reformas. Em seguida, o desemprego parou de crescer. Depois, estabilizou e novos postos de trabalho estão sendo criados. Será que é porque eles estão crescendo rápido demais? Não. A Espanha está começando a crescer cerca de 1,25% somente. A diferença maravilhosa é que, no passado, a Espanha precisava crescer pelo menos 3% para criar novos empregos. Qual é a diferença entre cinco anos atrás e hoje? Reformas.

Por que o Brasil está crescendo menos que o México e outros países do Brics (grupo formado ainda por Rússsia, Índia, China e África do Sul)?

Por muito tempo, o Brasil estava crescendo mais rápido que o México. No ano passado, os dois entraram num cenário de baixo crescimento. Agora, o México está saindo mais rápido. Uma das razões para isso é que o México está muito conectado com a recuperação dos Estados Unidos. Depois, o México é um país muito aberto e se beneficia da recuperação do comércio (mundial). Além disso, depende mais de exportações de manufaturados do que de matéria-prima. Já o Brasil (está sendo impactado) por causa da desaceleração (no mundo), os preços das commodities estão caindo. Este é um aspecto. Outro são as reformas: nas áreas de educação, inovação, nos mercados de trabalho e de produtos e na forma como se financia parceria público e privada, grandes projetos de infraestrutura. É um país que ainda precisa de muita importação de poupança. O Brasil não poupa o bastante para financiar seus próprios investimentos. Numa desaceleração, há trilhões de dólares disponíveis sentados em paraísos fiscais para não pagar impostos nos EUA. Mas (o dinheiro) ainda não está se movendo. Baixo investimento é um problema na Europa, nos EUA e também no Brasil porque as pessoas estão esperando por sinais claros (para investir).

Neste momento em que o Brasil vai escolher um novo presidente, como o senhor vê o desenvolvimento da economia brasileira ?

Incertezas relacionadas à mudança de governo ou ao período eleitoral existem por todo lado. O Brasil não é o único, nem é exceção. Isso acontece sobretudo quando há muitas diferenças entre os candidatos, em termos de filosofia (de governo). Na Europa, (a escolha de um presidente ou chefe de governo) depende mais da personalidade do candidato do que da plataforma. No caso do Brasil, há duas plataformas econômicas bem diferentes. As pessoas, então, estão esperando para ver o que acontece.

O FMI acaba de revisar para baixo o crescimento do Brasil.

Nós revisamos para baixo o crescimento do Brasil. Mas também revisamos para baixo o crescimento de Estados Unidos, Alemanha, França, Itália, Grã-Bretanha. Na verdade, nós revisamos para baixo todas as projeções que tínhamos feito em maio, ou seja, apenas quatro meses atrás. Revisamos todos os países para baixo, com exceção da Índia.

O senhor está dizendo que não é dramático estarmos numa chamada recessão técnica?

Não estou dizendo que é bom, nem que é uma situação desejável. O que estou dizendo é que é vocês estão sendo acompanhados (na queda) por outros países. O fato de o mundo não estar crescendo mais rápido não é boa notícia, porque vocês precisam de parceiros. Vocês estão cada vez mais abertos e exportando mais, não apenas matérias-primas, mas também manufaturados. Quem vai comprar isso do Brasil se outros países não estão crescendo? México ou Brasil estão crescendo mais devagar porque seus parceiros não estão indo bem. Mas no caso do México, 80% do nosso comércio é com os Estados Unidos. É por isso que o país está melhor que o Brasil. Mas os mexicanos encerraram agora o leque mais importante de reformas jamais realizadas na história moderna do México: são 12 reformas. Levaram quase dois anos e não trarão resultados antes dos próximos dois anos. Mas plantaram as sementes. Mudaram o potencial de crescimento. O que significa hoje que o México tem mais potencial e espaço para crescer.

Em dois anos veremos o México disparar à frente de muitos emergentes?

Não, porque os outros países emergentes não estão sentados fazendo nada.

O Brasil também entra nesse grupo?

Eles (Brasil) estão acelerando as reformas e estou certo que, não importa quem vença a disputa presidencial, no momento em que a eleição acabar, vai começar a legislar as reformas. A questão é que tipo de reformas virão. Todo mundo vai estar olhando para formas de sair deste período de póscrise numa posição mais forte.

Os mercados estão apostando contra o Brasil?

Fui ministro das Finanças e estou no comando da OCDE há oito anos. Uma coisa que aprendi é que não se pode fazer política econômica se baseando na taxa de câmbio, nas bolsas e nas taxas de juros de hoje. Porque dentro de cinco anos, se você tomou decisões porque hoje o real estava sobrevalorizado ou subvalorizado ou porque a inflação estava muito alta ou baixa, tomará as decisões erradas. A ideia é perguntar o que pode fazer o país crescer na direção certa. Além do que se pode fazer para aumentar a produtividade e a competitividade.

E qual a resposta para estas perguntas ?

Educação, inovação, concorrência, regulamentação, estrutura de impostos, o sistema de saúde, a forma como você lida com a ligação entre empresas, universidades, centros de pesquisa. E se vocês estão mais ou menos integrados nas cadeias globais de valor do mundo.

Esta mesma lista está na mesa nos últimos dez anos, inclusive nos relatórios da OCDE. O que está faltando ?

Diria que é porque somos perseverantes (risadas). Em primeiro lugar, tem havido, nos últimos cinco a seis anos, uma atmosfera do tipo “a casa está pegando fogo”. E aí um pegue a mangueira, um balde de água, um copo, seja lá o que for para acabar com este fogo. Só depois é que vamos ver a cor da casa (em chamas). Temos vivido neste tipo de lógica. Mas agora a casa não está mais pegando fogo. A economia mundial está lutando para sair da crise. Mas não ajuda porque o mundo está crescendo muito pouco. Isso significa que as fontes de crescimento têm que ser de fora, mas também domésticas. Como aumentar os salários? Pode se fazer isso se empresas e o governo forem muito generosos. Mas só se pode aumentar salários de forma sustentável se a produtividade aumentar. Caso os salários cresçam mais rápido que a produtividade por um longo período, você perde a competitividade. Se a produtividade crescer mais que os salários, em alguns anos, há ganhos em competitividade. Não se trata de dizer que vocês devem reduzir ou aumentar salários. Se pode aumentar salários, desde que aumente primeiro a produtividade.

A presidente Dilma disse “que a recessão no segundo trimestre foi momentânea”. Como o senhor reage à isso ?

O Brasil está numa campanha eleitoral. Temos que ler isso no contexto de uma campanha. É uma boa frase para campanha, à propósito. Exemplo : os Estados Unidos tiveram um primeiro trimestre negativo. Quer dizer que os Estados Unidos estão em recessão ? Não, aconteceu por causa das tempestade de neve. Aí tiveram um segundo trimestre (de crescimento) forte. Japão tem um primeiro trimestre muito forte e um terrível segundo trimestre, (de crescimento) negativo. Por quê? Porque todo mundo queria ir às lojas e comprar antes que um novo imposto entrasse em vigor, no dia 1º de abril. Depois de 1º de abril, ninguém foi às lojas. Primeiro, porque compraram antes. Segundo, porque os produtos ficaram mais caros. Aí o segundo trimestre foi terrível. Isso significa que o Japão está em recessão? Não. Apenas significa que no terceiro trimestre haverá uma normalização.

E o Brasil ?

Veja primeiro o que aconteceu ao redor do mundo, porque isso vai ajudar a tirar o Brasil desse modo de olhar apenas para si mesmo e entender melhor as questões brasileiras. A Alemanha teve crescimento negativo no segundo trimestre e uma grande queda na produção industrial em agosto. E todo mundo ficou tão preocupado. O que aconteceu? Houve uma mudança nos feriados, e isso criou um trimestre artificialmente ruim. Isso significa que a Alemanha está em recessão? Não! O México teve um primeiro trimestre no negativo, e um segundo trimestre muito melhor. Dei a você vários exemplos de países em várias partes do mundo, com diferentes tipos de tamanho, importâncias e etc. Tudo o que estou dizendo é: não tomem decisões de política ou façam julgamentos sobre a economia e o desempenho do país baseado num trimestre.

E dois trimestres ?

Não. Se você tiver uma tendência que está subindo, quer dizer que estão no caminho certo. A questão é como consolidar e acelerar (esse processo). Se você tiver uma tendência em queda, claro, primeiro vai ter que estabilizar, como se faz com uma avião.

O Brasil está na fase de estabilização, então?

Minha impressão é que, no caso do Brasil , quando a eleição acabar e o novo governo, seja lá qual for, der os sinais de como vão fazer (no comando do país), acho que vocês vão ter uma situação mais normal.

A economia brasileira logo vai voltar a crescer, é isso?

Eu certamente espero isso. Porque não apenas o Brasil está crescendo em importância como parceiro do México, mas também para o resto do mundo, pois o Brasil é uma das maiores economias do mundo.

Não há razão para pânico, portanto?

Nunca entrem em pânico. Cabeças frias devem prevalecer, na política e na guerra, mas também na economia. Isso vai permitir focar nas soluções certas.

oglobo.globo.com | 20-10-2014

LONDRES - A zona do euro não se direciona para uma nova recessão, disse neste domingo o presidente da Comissão Europeia prestes a entregar o cargo, José Manuel Barroso.

O crescimento da economia da zona euro registou desaceleração no segundo trimestre e indicadores piores que o esperado na Alemanha, o motor econômico do continente, têm levantado dúvidas sobre a recuperação.

"Não creio que voltaremos à recessão", disse ele à emissora britânica BBC, referindo-se às previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

"Obviamente (...) não devemos cair em qualquer tipo de complacência, devemos implementar reformas mais rigorosas e tornar nossas economias mais atraentes", acrescentou.

oglobo.globo.com | 20-10-2014

A zona do euro não se direciona para uma nova recessão, disse neste domingo o presidente da Comissão Europeia prestes a entregar o cargo, José Manuel Barroso. O crescimento da economia da zona euro registou desaceleração no segundo trimestre e indicadores piores que o esperado na Alemanha, o motor econômico do continente, têm levantado dúvidas sobre a recuperação.

O post Zona do euro não caminha para recessão, diz presidente da Comissão apareceu primeiro em Jornal Correio do Brasil.

correiodobrasil.com.br | 19-10-2014
Pregão da Bovespa: panorama de dúvidas e tensão diante da falta de um favorito para o segundo turno - Eliária Andrade / O GLOBO/29-12-2011

RIO - A indefinição da eleição presidencial a menos de duas semanas do segundo turno aumenta a tensão no mercado financeiro, já bastante afetado pela deterioração do cenário internacional nos últimos dias. A manutenção do empate técnico entre Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) na segunda rodada de pesquisas do Datafolha e do Ibope para o segundo turno tirou do mercado qualquer parâmetro para prever quem vai governar o país em 2015. E antecipar cenários é justamente o que os analistas de mercado são pagos para fazer.

A incerteza dá margem a todo tipo de boato e especulação, aumentando o sobe e desce das ações na Bolsa de São Paulo (Bovespa) e influenciando outros indicadores, como o dólar. O nervosismo deve continuar até o dia da decisão, segundo previsão de analistas e bancos. Na sua maioria crítico à política econômica de Dilma, o mercado parecia animado na segunda-feira com pesquisas delimitadas que apontavam crescimento de Aécio sobre a petista.

A bolsa teve naquele dia a maior alta do seu principal índice, o Ibovespa, desde agosto de 2011: 4,78%, chegando aos 57.956 pontos. Na terça e na quarta-feiras, a trajetória mudou com dados negativos sobre a economia europeia, alta das commodities e até a epidemia de ebola.

A Bovespa acompanhou a queda das bolsas no mundo, mas despencou de vez na quinta-feira, com a repetição do quadro de empate técnico da semana anterior nas pesquisas divulgadas na quarta-feira: 45% a 43% no Datafolha e no Ibope, com Aécio ligeiramente à frente. Na quinta-feira, o Ibovespa fechou com baixa de 3,27%, em 54.298 pontos.

Segundo analistas ouvidos pelo GLOBO, a bolsa sofre com a incerteza internacional, mas também está influenciada pela decepção com as pesquisas. Havia a expectativa de que a divulgação de novas informações do escândalo de corrupção na Petrobras e a formalização do apoio do PSB e de Marina Silva a Aécio fizessem o tucano se descolar de Dilma.

Na quarta, antes da divulgação das sondagens, circularam no mercado boatos de que o tucano apareceria entre quatro e seis pontos porcentuais na frente da petista. A vantagem numérica dele ficou na margem de erro, de dois pontos.

‘MERCADO FINANCEIRO NÃO TEM IDEOLOGIA’

Boatos e até mesmo pesquisas falsas circularam no mercado durante o primeiro turno, na primeira eleição a mexer com os investidores desde 2002, quando o favoritismo de Lula provocou uma crise de confiança que fez a cotação do dólar dobrar. Agora, o efeito tem sido maior sobre a bolsa, especialmente na cotação de ações de estatais como Petrobras, Banco do Brasil e Eletrobras. A leitura é a de que o governo Dilma tem políticas intervencionistas que prejudicam o desempenho dessas empresas e geram distorções na economia.

— O mercado financeiro não tem ideologia. A questão é mesmo o desequilíbrio da economia, com estagnação e inflação teimosa. E, no momento, a oposição é que tem o discurso de mudança da política econômica. Tanto que, na eleição de 2006 e 2010, Lula e Dilma venceram sem esse abalo no mercado — diz Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos. — A bolsa tem sido mais sensível ao ambiente doméstico do que o dólar, mas também sofre impacto do cenário externo. Em momentos como este (de eleição), a tendência no Brasil é de a bolsa se descolar do efeito internacional, mas o difícil é saber o efeito líquido, de quanto será esse descolamento.

Relatórios de bancos que circulam entre os analistas apontam que o nível atual dos preços das ações ainda reflete maior probabilidade de vitória de Dilma, o que poderia fazer a bolsa cair para um patamar ainda mais baixo, entre 40 mil e 50 mil pontos. Já se Aécio vencer, as ações poderiam subir para o intervalo entre 60 mil e 70 mil pontos.

Mas tudo não passa de especulação. É a primeira vez desde 1989 que uma eleição se aproxima sem um favorito. O empate entre candidatos com propostas tão distintas para a economia deve deixar o mercado de capitais em suspense até a reta final.

SINAIS CONTRADITÓRIOS DE DILMA

Para Hersz Ferman, economista da corretora Elite, o último pregão antes da eleição, no dia 24, deverá ter grande volume de operações, com investidores tentando acertar o resultado com a melhor posição. Já abertura da segunda, dia 27, com o resultado final, tem tudo para ganhar contornos dramáticos:

— Vai ser loteria mesmo. Como jogar moeda para o alto. Até agora, o preço das ações está refletindo mais ou menos 50% de chances para cada um. O resultado deve provocar uma grande alta ou uma grande queda.

Para José Valter Almeida, diretor da RC Consultores, Dilma dá sinais contraditórios sobre como seria seu segundo mandato, mas a possibilidade de continuidade da política econômica já está precificada pelo mercado hoje. Por outro lado, o cenário externo desfavorável pode conter parte da euforia que uma vitória de Aécio poderia causar.

— O mercado quer sempre antecipar, mas a indefinição faz parte da democracia. O mercado incorpora. As instituições financeiras e também as empresas gastam muito dinheiro com consultores, mas no final tudo é interpretação.

oglobo.globo.com | 17-10-2014
. - Divulgação

SÃO PAULO - Associada ao charme da cidade de Buenos Aires e sinônimo de alfajor, a rede argentina Havanna prepara-se para abrir suas primeiras unidades no Rio de Janeiro. Estão em negociação seis pontos em shoppings centers e aeroportos, que devem iniciar suas atividades em dezembro, oferecendo, além dos alfajores, café, panetones e doce de leite. É a segunda ofensiva dos argentinos no mercado brasileiro, desta vez através do sistema de franquias. Desde 2006, a empresa já abriu cafés e quiosques em São Paulo e Curitiba, totalizando 28 lojas próprias.

— Agora a marca vai se nacionalizar no país. A expansão começa pelo Rio de Janeiro, depois vai para o interior de São Paulo e para região Centro-Oeste — diz Conceição Cunha, diretora da Havanna no Brasil.

Os alfajores oferecidos continuarão sendo importados da fábrica de Mar Del Plata, balneário a 400 quilômetros de Buenos Aires, onde a marca nasceu em 1948. Mas alguns produtos já são made in Brazil. O panetone recheado de doce de leite e o ovo de Páscoa, por exemplo, foram desenvolvidos no Brasil. Para este Natal, a empresa vai oferecer três novos sabores de panetones recheados, também criados no país. Calcula-se que somente a loja do aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires, venda mais de sete milhões de alfajores por ano. Na Argentina, são consumidos cerca de 6 milhões de alfajores por dia, de mais de 1,2 mil marcas diferentes. Por aqui, o plano da Havanna é vender 1 milhão de alfajores por ano.

— O Brasil é considerado um dos mercados mais importantes para a empresa. A marca já é muito conhecida. Não havia brasileiro que fosse a Buenos Aires e não trouxesse uma caixa do alfajor Havanna para dar de presente — diz Conceição Cunha.

ALTOS E BAIXOS

A marca vem sobrevivendo aos altos e baixos da economia Argentina ao longo das últimas décadas. Criada por três amigos, que homenagearam a capital de Cuba, somente em 1995, a empresa abriu seu primeiro Havanna Café, em Buenos Aires, inspirado nas cafeterias europeias. Em 1998, foi comprada por US$ 85 milhões pelo fundo de investimentos Exxel Group. Em novembro de 2003, deficitária, a empresa foi adquirida pelo fundo de investimentos Desarollo y Gestión, que saneou as dívidas e começou a expandir sua linha de produtos e sua rede de lojas, quiosques e cafés.

A expectativa é que nos próximos cinco anos mais de 320 franqueados estejam com as portas abertas, segundo Conceição, em sistema de franquia. O investimento inicial começa em R$ 90 mil, para quiosques, e chega a R$ 270 mil para as cafeterias.

O coordenador do Centro de Pesquisa em Estratégia do Insper, Luiz Fernando Turatti, observa que a ofensiva dos argentinos no mercado brasileiro coincide com anos de aprofundamento das crises na economia argentina. Com um mercado consumidor gigantesco como o brasileiro, é natural que a rede tenha o país como um dos alvos.

— A estratégia da Havanna é diluir os riscos, num momento em que o mercado argentino está desaquecido. O desafio da empresa será transformar um produto que é típico de um país e identificado pelo brasileiro como um presente aos hábitos de consumo - diz Turatti, do Insper.

SEM CONCORRÊNCIA NO BRASIL

Para ele, embora não exista uma marca de alfajor brasileira que possa concorrer com a Havanna, Turatti lembra que marcas brasileiras como Cacau Show e Kopenhagen se enquadram na mesma categoria da Havanna, oferecendo um mix de produtos, que também são presentes, e podem ser consumidos acompanhados de café.

— É um mercado competitivo, mas a marca tem apelo já que há um fluxo muito grande brasileiros que viaja a Buenos Aires. Aqui eles não precisam contar uma história, todo mundo já conhece — diz Turatti.

Turatti lembra que no Brasil, as cafeterias Havanna incluíram o pão de queijo no cardápio. Já no Peru, os consumidores preferem comprar unidades individuais do alfajor, a comprar a caixa com seis, observa o especialista.

Atualmente, a Havanna já está em dez países, além da Argentina. A marca já fincou sua bandeira no Brasil, Estados Unidos, México, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela e República Dominicana. Na Europa, é possível encontrar uma loja na Espanha, e no Oriente Médio, em Israel.

oglobo.globo.com | 17-10-2014
O primeiro-ministro afirmou hoje esperar que, enquanto o Estado diminui a sua despesa, a economia portuguesa cresça por via do investimento privado e da aposta na inovação e nas exportações para fora da Europa.
www.rtp.pt | 15-10-2014
Um impasse entre o Banco Central Europeu, a Alemanha e outros governos da zona do euro está impedindo a Europa de reanimar sua debilitada recuperação econômica. As tensões pioraram este mês em meio à deterioração dos dados econômicos da zona do euro, ameaçando impedir uma resposta política coerente enquanto a economia europeia se dirige a uma terceira recessão em seis anos.
online.wsj.com | 15-10-2014

BRASÍLIA - A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) prevê uma queda da corrente de comércio - soma das exportações e importações - em 2014 em torno de 5,5%, que, se confirmada, será a maior redução desde 2008, quando o fluxo comercial, já afetado pela crise financeira global, caiu em torno de 24%. Embora pouco abordada na divulgação da balança comercial brasileira, a corrente de comércio é considerada fundamental para medir a saúde da economia de um país.

— É a corrente de comércio que gera desenvolvimento econômico. Superávit e déficit são consequência. Não é apenas exportar pouco que é ruim. Importar pouco também é péssimo, pois reflete a baixa atividade econômica — diz o presidente da AEB, José Augusto de Castro.

Nos nove primeiros meses deste ano, a corrente de comércio do Brasil somou US$ 347,960 bilhões, uma queda de 2% ante o mesmo período de 2013. Também se verifica redução do fluxo em 12 meses: de outubro de 2013 a setembro de 2014, foram US$ 472,857 bilhões, valor 1,3% inferior ao do período anterior.

Dados do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) mostram que, de janeiro a setembro de 2014, à exceção dos Estados Unidos, cujos negócios com o Brasil cresceram 2,7%, a corrente de comércio caiu para os principais mercados. Como China (5,7%), Argentina (21,6%) e União Europeia (5,4%).

Segundo técnicos do governo, o quadro difícil da economia global explica a queda na corrente de comércio brasileira. A recuperação dos EUA é um dado positivo, mas o marasmo econômico na Europa e a crise na Argentina preocupam.

oglobo.globo.com | 13-10-2014
Preocupado com sinais da "economia europeia e mundial" e os "reflexos" que terá na portuguesa", Rebelo de Sousa admite que "não são boas notícias para o governo que está a contar com crescimento de 1,5%".
feeds.dn.pt | 12-10-2014
Espigão. O Shard London Bridge é o edifício mais alto da Europa - / Mario Roberto Duran Ortiz

LONDRES — A pujança da capital inglesa nunca foi tão evidente. Arranha-céus cada vez mais numerosos disputam o espaço aéreo londrino. Confirmam que os investimentos bilionários da indústria da construção nos últimos anos não apenas serviram de combustível para a expansão da cidade para os lados, como mudaram de uma vez por todas a paisagem. Os pátios cercados pelos tradicionais prédios baixos em tijolinho remanescentes no centro da Londres victoriana descrita e vivida por Charles Dickens hoje vivem escondidos entre os espigões de vidro e ferro por onde se espalham as empresas e bancos que ocuparam o bairro que ficou conhecido como a "City", o centro financeiro da capital.

Até pouco tempo atrás, dois dos principais cartões postais da cidade, a catedral de Saint Paul — na mesma vizinhança — e o Big Ben determinavam uma espécie de limite imaginário do gabarito de Londres.

Eram a referência no horizonte. Mas boa parte dos velhos prédios que, em geral, tinham no máximo cinco andares vem dando lugar a megaempreendimentos com tecnologia de ponta que desenham os céus da capital. Estudo da New London Architecture (NLA) mostra que, neste exato momento há 236 arranha-céus em construção na cidade, ou com permissão concedida para sair do papel nos próximos anos.

O dado causou espanto entre as próprias autoridades locais, quando o documento foi apresentado à prefeitura, segundo o presidente da NLA Peter Murray. As autorizações para novas construções são concedidas por bairros. Portanto, não há uma contabilização centralizada para a cidade como um todo. "Alguns observadores temem que o está acontecendo em Londres leve a um estilo vale-tudo de Dubai ou Xangai", diz o documento.

— Há áreas que podem crescer para cima sem problemas. Mas há outras em que há muitos investidores individuais e não se sabe qual será o resultado final. É preciso usar um sistema de imagens 3-D que mostre como se dará, na prática a ocupação — disse Muray.

Para muitos, embora ainda tenha seus recantos de charme, a cidade que cresce em uma velocidade jamais vista desde os anos 1930, começa a perder sua dimensão humana. Erguida em 1710, a catedral de Saint Paul, com seus 111,3 metros de altura, parece pequena perto do Shard (com 306 metros), assinado pelo badalado arquiteto Renzo Piano, hoje o edifício mais alto da Europa.

De acordo com o estudo, prédios altíssimos como o One Canada Square, de César Pelli, o Gherkin (ou pepino) como foi apelidada a ogiva gigante de Norman Forster, ou o Shard "incrementaram o status de Londres na cena mundial, criando para a cidade uma espécie de marco visual de potência global", afirma o estudo.

À beira do Tâmisa, muito em breve as quatro chaminés gigantes da antiga usina de força de Battersea, reconhecido no vídeo Help! dos Beatles, e capa de disco do Pink Floyd, terão de disputar a atenção dos transeuntes com dezenas de novos prédios e empreendimentos residenciais e comerciais começam a povoar a área, até pouco tempo atrás sucateada, que já vale uma fortuna. O emblemático edifício do século XVIII, outro cartão postal da cidade, depois de muita polêmica, também será renovado e transformado num complexo de apartamentos residenciais, comerciais e shopping center, pelas mãos de um grupo da Malásia que se dispôs a investir nada menos que oito bilhões de libras no local, mais que R$ 25 bilhões.

É a construção civil que vem garantindo o bom desempenho da economia britânica, sobretudo durante o período mais crítico da crise financeira global iniciada em 2008 da qual muitos países ainda não saíram totalmente.

Os preços de imóveis nunca foram tão altos na capital. Londres é a única região do Reino Unido onde o aumento dos preços parece não ter limite, ao ponto de expulsar a população para fora.

A explicação para o aquecimento imobiliário está no crescimento da cidade. A população da capital cresce duas vezes mais depressa do que a do resto do país. Entre 2011 e 2012, o número de habitantes de Londres aumentou em 1,3%, atingindo 8,3 milhões de pessoas. Mas a estimativa é que até 2031 passe a 11 milhões. Portanto, serão cerca de três milhões de pessoas a mais na disputa por moradia e escritórios de trabalho na cidade.

Segundo Muray, a conquista do espaço aéreo tornou-se a alternativa mais viável para ocupar a cidade e encurtar as distâncias entre a casa e trabalho.

— Ainda não acho que a cidade tenha perdido a sua dimensão humana. Mas é preciso planejamento- disse Muray.

Segundo o presidente da NLA, preocupam em especial os empreendimentos à beira do Tâmisa, que podem se tornar uma grande muralha. Há quem diga que Londres está ficando muito mais parecida com a novaiorquina Manhattan e cada vez mais distante do cenário idílico do bairro de Notting Hill que ganhou fama com o romance entre os personagens de Hugh Grant e Julia Roberts no filme "Um lugar chamado Notting Hill", que virou um dos roteiros turísticos da cidade.

oglobo.globo.com | 12-10-2014

PARIS - A cabeleireira Maryse Quertier, de 54 anos, trabalha 39 horas semanais num salão em Paris. Por isso, tem direito a dois dias de folga extras por mês, a chamada RTT (redução do tempo de trabalho), prevista na legislação francesa. Ela é a favor da lei de 35 horas semanais — em vigor desde 2000, mas questionada em momentos de crise —, embora avalie que o objetivo principal da medida, o aumento do número de empregos no país, não tenha sido cumprido:

— Mudar a lei e aumentar a carga horária não vai mudar isso. Não será bom para os franceses e nem para o país.

Seu patrão, Frédéric Dutertre, de 43 anos, proprietário do salão, não é da mesma opinião.

— Sou obrigado a trabalhar 50 horas semanais para compensar. Não tenho condições de contratar mais um empregado e, como o horário de trabalho dos meus funcionários não é suficiente para manter o salão, tenho de trabalhar mais — diz Dutertre, que emprega quatro pessoas.

CUSTO DE PRODUÇÃO ALTO

Uma recente pesquisa de opinião reforçou os argumentos dos opositores da lei. Sondagem do instituto Odoxa mostra que 61% dos franceses são a favor de uma revisão da lei de 35 horas no sentido de adaptar o tempo de trabalho ao tamanho e ao setor das empresas. Entre os entrevistados do campo conservador, o índice alcançou 74%, mas surpreendeu a porcentagem entre os simpatizantes da esquerda, de 56%.

Desde sua entrada em vigor, em 1° de janeiro de 2000, a lei se tornou alvo de debate na França. Hoje, a legislação, criada como uma conquista social do governo do primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, volta a ser contestada, considerada entrave à competitividade das empresas e ao crescimento econômico do país.

O economista Christian Saint-Étienne, autor do livro “França: estado de urgência”, defende o fim da imposição:

— A França sofre com as 35 horas, que nos levou a um dos custos de produção mais altos da Europa. Nosso problema maior é a combinação de fatores: o alto custo do trabalho e a rigidez do mercado de trabalho.

Para ele, as reformas promovidas desde a criação da lei foram superficiais, e são necessárias alterações mais profundas:

— Hoje, três quartos da população ativa com emprego estável trabalham 35 horas semanais. Não se trabalha o suficiente no país. Para sair da crise, a França precisa de investimentos em inovação, e com o trabalho custoso e rígido, isso não vai ocorrer.

O governo do socialista François Hollande reavivou o debate. Antes de assumir o Ministério da Economia, em agosto, Emmanuel Macron já havia apontado aspectos negativos da lei. Uma vez no cargo, viu-se obrigado a amenizar suas declarações, mas manteve aberta a possibilidade de mudanças na legislação.

— Não se trata de criticar as 35 horas em si, mas de tentar ser inteligente e concreto para satisfazer a vida das pessoas. Há empresas em que as 35 horas são uma boa coisa, com as quais as pessoas convivem bem. Para outros setores e categorias, elas não parecem adaptadas hoje — admitiu Macron recentemente.

PROPOSTA DE ATÉ 44 HORAS

A lei das 35 horas não se revelou crucial na criação de novos postos de trabalho no país, que tem taxa de desemprego na faixa de 10%. Em sua nova proposta para criar “um milhão de vagas” em cinco anos, o Medef, organização patronal francesa, inspirou-se no sistema britânico, no qual o tempo de trabalho é negociado em acordos entre patrões e empregados. A legislação já foi flexibilizada por uma série de medidas no governo de Nicolas Sarkozy — alcançando médias anuais de 39,5 horas, como em 2011 —, mas Pierre Gattaz, presidente do Medef, sugere que o limite chegue a 44 horas semanais. O Medef quer a supressão do limite legal do Código de Trabalho e o estabelecimento de remuneração de 25% a mais das oito primeiras horas trabalhadas além das 35 horas.

Os sindicatos franceses reagiram pressionando o governo e criticando os empresários.

— Os assalariados têm necessidade de garantias, e a garantia para a convivência é ter um Código do Trabalho. O código é fruto de uma relação social, questioná-lo sistematicamente provocará consequências — alertou Thierry Lepaon, presidente da Confederação Geral do Trabalho (CGT).

O sindicalista destaca que os empresários receberam generosos auxílios do governo para efetuar a passagem das 39 horas para as 35 horas semanais.

“Não se toca nos totens do progresso social”, defendeu, por sua vez, o presidente da Assembleia Nacional, o socialista Claudio Bartolone. Já o grupo parlamentar dos ecologistas disse que a mudança seria “total inépcia”.

Para o empresário Dennis Jacquet, presidente da associação Estimular o Crescimento, “nem todo mundo usa o mesmo jeans”, e o assunto deve ser negociado entre patrões e empregados.

Os presidenciáveis da União por um Movimento Popular (UMP), principal partido de oposição, anunciaram que se a direita voltar ao poder elegerá como prioridade o fim das 35 horas.

No vaivém do debate, o pesquisador Philippe Askenazy, da Escola de Economia de Paris, diz que é hora de voltar a “uma ideia simples”: o tempo de trabalho é uma dimensão essencial das condições de trabalho, da saúde e do desempenho dos franceses, não um “indicador ideológico”.

oglobo.globo.com | 12-10-2014
Sede do FMI em Washington - Jose Luis Magana / AP/09-10-2014

WASHINGTON - Ministros das Finanças das maiores economias do mundo comunicaram, neste sábado, sua determinação de perseguir políticas que previnam um deslize em direção a outra recessão global, mas, ao mesmo tempo, expressaram frustração de que nem todas as nações estejam atrás das abordagens corretas.

Falando para o painel do Fundo Monetário Internacional (FMI) que define as políticas do órgão, o ministro das Finanças da Inglaterra, George Osbourne, registrou a recente desaceleração nas previsões de crescimento globa e disse que há uma necessidade de “mais progresso por parte dos legisladores para alcançar uma recuperação global forte e sustentável”.

Já o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, disse ao grupo que a recuperação mundial “continua a criar um sentimento de desilusão” e que o FMI demonstrou “uma arraigada propensão a superestimar as perspectivas” para o crescimento das maiores economias do mundo.

Em suas considerações, o Secretário do Tesouro americano, Jacob Lew, reclamou que governos na Europa, Japão e China estão falhando em entregar o suporte necessário.

— Líderes europeus deveriam focar em recalibrar políticas para enfrentar a permanente fraqueza na demanda — disse Lew.

O painel do FMI e o comitê diretor do Banco Mundial devem encerrar suas discussões neste sábado. As expectativas eram de que ambos abordassem a desaceleração do crescimento e a crise do Ebola na África.

Para Lew, o panorama japonês era incerto com as projeções indicando que o crescimento continuará fraco este ano e no próximo. De acordo com o secretário, os japoneses precisam calibrar cuidadosamente as reduções de orçamento e se “mover decisivamente para implementar as reformas estruturais necessárias para impulsionar o crescimento”.

Ele afirmou ainda que a economia da China continuou forte, mas os riscos aumentaram e o país precisa pôr mais ênfase no crescimento por meio do consumo.

Lew não mencionou nominalmente a Alemanha, mas ficou claro que suas observações a respeito da Europa tinham como alvo a relutância alemã em fazer mais para estimular o crescimento. “Países com superávit externo e flexibilidade fiscal” precisam fazer mais para estimular o crescimento, disse o secretário. A Alemanha, a maior economia europeia, registrou um grande superávit comercial em 2013.

Até algumas nações europeias parceiras da Alemanha disseram que os países da zona do euro deveriam se afastar das políticas de corte de déficit defendidas por Berlim e impulsionar os investimentos para evitarem ficar presos em uma estagnação como a japonesa.

Foi com este pano de fundo que os ministros do G-20 e presidentes de bancos centrais se encontraram para dois dias de conversas que começaram na sexta-feira.

Depois dessas discussões, os ministros revelaram planos para uma iniciativa global para construir estradas, portos, ferrovias e outros projetos de infraestrutura para ajudar a impulsionar o crescimento mundial em US$ 2 trilhões nos próximos cinco anos, além de criar milhões de postos de trabalho.

O Grupo dos 20 (G-20) é liderado este ano pela Austrália. Sua reunião de cúpula será na cidade australiana de Brisbane, em novembro. O secretário do Tesouro australiano, Joe Hockey, que capitaneou as discussões financeiras, disse a repórteres que o plano desenvolvido pelo G-20 inclui mais de 900 iniciativas individuais com potencial de aumentar o crescimento em 1,8% nos próximos cinco anos. Ele disse que os detalhes serão divulgados na reunião de cúpula do bloco.

Se por um lado conseguiram elaborar um plano de cinco anos para projetos de infraestrutura, as autoridades financeiras do G-20 tiveram menos sucesso em seus esforços para lidar com as ameaças imediatas de desaceleração na Europa, América Latina e China. O grupo não elaborou nenhum comunicado, mas, individualmente, ministros contaram que discutiram problemas econômicos durante as sessões.

— Nós, como um grupo, não queremos nos contentar com um crescimento medíocre. Nós não achamos que temos que fazer isso — disse o ministro das Finanças canadense, Joe Oliver.

oglobo.globo.com | 11-10-2014

WASHINGTON - O diretor do Federal Reserve (o Fed, banco central americano) Daniel Tarullo citou, neste sábado, os riscos de deterioração enfrentados pela economia global como um fator que deve ser levado em conta na hora de elaborar a política monetária dos Estados Unidos, apesar da recuperação econômica do país.

Tarullo, que tem direito a voto no comitê que determina as políticas do Fed, disse ainda que a economia dos EUA está enfrentando profundos problemas, desde uma decadente insfraestrutura até uma polarizada distribuição de rendimentos que poderia debilitar a demanda no futuro.

"Estou preocupado com o crescimento mundial, existem mais riscos de retração do que de alta”, disse Tarullo em conferência do Instituto de Finanças Internacionais em Washington.

Ainda de acordo com ele, “outras importantes economias estão vacilando ou, pelo menos, mostrando riscos que são um pouco mais em direção à queda do que à elevação, e isto, obviamente, é algo em que temos que pensar para as nossas próprias políticas econômicas”.

Tarullo disse também que a falta de demanda agregada poderia estar relacionada com a crescente desigualdade de rendimentos.

Espera-se que o Fed comece a elevar as taxas de juros em algum momento do próximo ano. Muitos funcionários do Fed indicaram que não querem começar o aumento dos juros até que fique claro que a recuperação econômica dos Estados Unidos é sustentável e pode resistir a um ajuste na política monetária.

E o reajuste ficou ainda mais incerto nas últimas semanas devido à maior preocupação diante da possibilidade de a Europa cair em recessão e ao reconhecimento de que os investimentos, o gasto familiar e outros elementos da demanda agregado a nível global diminuíram.

O diretor do BC americano falou ainda que reguladores americanos seguem determinando as repercussões da crise financeira e da Grande Recessão, e complementou dizendo que está claro que os EUA “vão ter que abordar alguns problemas bastante fundamentais”.

oglobo.globo.com | 11-10-2014
Mulher passa por muro com a inscrição "Donetsk será livre!" acompanhada da bandeira russa. Confrontos entre rebeldes e soldados ucranianos voltaram a deixar mortos no Leste da Ucrânia - JOHN MACDOUGALL / AFP

DONETSK — Três civis morreram e outros quatro ficaram feridos em combates entre as forças de segurança ucranianas e rebeldes pró-Rússia na noite de sexta-feira, em Donetsk, principal reduto de forças separatistas no Leste da Ucrânia, informou neste sábado a prefeitura local.

Os confrontos aconteceram no bairro de Kuibychevski, próximo ao aeroporto de Donestk, disputado pelos dois lados do conflito. Segundo a ONU, o número de vítimas após a declaração de cessar-fogo entre o governo de Kiev e os separatistas já chegou a 331, totalizando mais de 3.600 desde o início dos conflitos.

O primeiro-ministro da autoproclamada República Popular de Donetsk, Alexander Zakharchenko, afirmou na noite de sexta-feira que concluíra juntamente com o governo de Kiev um acordo que demarcava os territórios controlados pelas duas partes, mas a informação foi desmentida pelo Exército ucraniano. Zakharchenko afirmou à agência russa Interfax que, caso seja respeitado um cessar-fogo dentro dessas linhas nos próximos cinco dias, a artilheria separatista se retiraria, criando uma zona-tampão.

Novo encontro entre Kiev e Moscou

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, anunciou neste sábado que se reunirá com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Milão, na Itália, na próxima semana, para discutir o conflito no Leste da Ucrânia.

O Kremlin acenou para a possibilidade do encontro acontecer durante a cúpula de Diálogo entre Ásia e Europa, que reunirá chefes de Estado da União Europeia e de diversos países asiáticos.

O presidente russo afirmou que o adiamento da implementação da parte econômica do acordo de associação entre Ucrânia e União Europeia oferece uma oportunidade para reajustar as cláusulas do documento, cuja aplicação poderá prejudicar significativamente a economia da União Aduaneira e as relações comerciais tradicionais entre Rússia e Ucrânia.

Ao discursar na reunião do Supremo Conselho Eurasiático, nesta sexta-feira, Putin destacou que "tanto Kiev como Bruxelas atenderam aos argumentos russos, tomando a decisão de adiar a implementação da parte econômica do acordo de associação para 31 de dezembro de 2015”.

O Ministro dos Relações Exteriores da Ucrânia, Pavel Klimkin, pediu que as autoridades russas desencorajassem as autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk de realizarem as eleições marcadas para o início de novembro. O chanceler ucraniano, que reconheceu que Kiev não pode impedir que a população do leste do país participe da votação, solicitou que Moscou não reconhecesse este processo e que apoie a proposta oficial ucraniana, de conferir um status de maior autonomia às regiões.

Klimkin destacou que o governo de Kiev está pronto para estabelecer um processo político na Ucrânia, inclusive em Donetsk e Lugansk, com uma maior descentralização. Ao comentar a relação com a Rússia, ele disse que os acordos de associação da Ucrânia com a União Europeia não devem ser um muro que separe os dois países.

oglobo.globo.com | 11-10-2014
A OPEP manteve esta sexta-feira as previsões de consumo de petróleo para 2014 e 2015, alegando que a melhoria da economia dos Estados Unidos compensa a estagnação da União Europeia e do Japão, anunciou a organização em Viena.
www.rtp.pt | 10-10-2014
A queda nas exportações alemãs se juntou a uma série de dados ruins sobre a maior economia da Europa, indicando que o crescimento da Alemanha perdeu fôlego e que o país pode até estar no início de uma recessão.
online.wsj.com | 10-10-2014

WASHINGTON - Com a “forte desaceleração” experimentada em 2014, o Brasil integra o grupo das economias que “estão ficando para trás”, segundo a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde. O desempenho não pode ser atribuído a um padrão comum dos mercados emergentes ou ao cenário externo isoladamente, sugeriu ela, pois todos os grupos de países apresentam atualmente casos de sucesso e de fracasso, diante do mesmo panorama mundial. Ou seja: são fragilidades e deficiências próprias as raízes dos problemas de quem perdeu fôlego ao longo de 2014, como o Brasil.

— O que notamos claramente, na análise que fazemos, é cada vez mais especificidade de cada país. Não é mais como se um grupo de países, economias avançadas ou mercados emergentes, esteja se recuperando e o outro esteja ficando para trás. Dentro de cada grupo, alguns países estão à frente e outros estão ficando para atrás — explicou Lagarde.

Essas forças opostas estão se neutralizando e segurando a recuperação global, criando o que Lagarde chamou de “risco do novo medíocre”. Este é um cenário no qual a comunidade internacional se acostumaria com um baixo ritmo de atividade, que seria o possível, em vez de agir para destravar o crescimento.

O Fundo revisou esta semana a projeção de expansão da economia mundial em 0,1 ponto percentual este ano, para 3,3%, o que significa patinar no mesmo patamar dos dois anos anteriores. Para 2015, o organismo espera um pouco de tração, com taxa a 3,8%, mesmo assim, 0,2 ponto menor do que em julho, quando esperava-se que, no próximo ano, finalmente a barreira psicológica dos 4% seria vencida.

Os sinais do peso da especificidade no comportamento das economias estão evidentes nos panoramas para os quatro principais blocos ricos e mercados emergentes, exemplificou a diretora-gerente do FMI:

— Nos países ricos, claramente a recuperação é puxada pelos Estados Unidos e Reino Unido, enquanto a zona do euro e o Japão estão ficando para trás. Nos mercados emergentes, temos um crescimento razoavelmente forte, ainda que mais lento, na China e (crescimento) melhor do que o esperado na Índia. E claramente temos uma forte desaceleração em países como Brasil e Rússia.

As previsões do FMI confirmam esta divisão. Itália (com retração de 0,2%, terceiro ano seguido de recessão), Rússia (0,2%) e Brasil (0,3%) terão em 2014 as menores taxas de expansão da atividade entre as principais economias.

Na zona do euro, os quatro principais motores (Alemanha, França, Espanha e Itália) tiveram redução da expectativa de crescimento em 2014, ranking que, em magnitude do corte, foi liderado por Brasil (um ponto) e Japão (0,7 ponto). O mercado financeiro já discute o risco de a economia alemã estar em recessão.

Estados Unidos, com previsão de crescimento de 2,2% (alta de 0,5 ponto sobre julho), e Reino Unido, com alta do Produto Interno Bruto (PIB) estimada em 3,2% em 2014, foram destaques positivos dos documentos divulgados esta semana. Bem como China (7,4%) e Índia (5,6%, alta de 0,2 ponto percentual).

O PAPEL DOS BANCOS CENTRAIS

Algumas respostas necessárias são comuns aos retardatários, apesar da especificidade dos problemas, disse Lagarde. As ações expansionistas dos bancos centrais devem continuar e as políticas fiscais precisam serem relaxadas para elevar o incentivo à retomada na Europa e no Japão. Emergentes, por sua vez, devem estar particularmente atentos a possíveis novas turbulências, geradas especialmente pela esperada alta dos juros dos EUA em meados de 2015.

No entanto, isso é pouco. A diretora-gerente afirmou que o mundo precisa de uma nova etapa, após os estímulos fiscais e monetários e a limpeza de balanços de bancos e empresas detonados na crise de 2008: reformas estruturais e investimento pesado em infraestrutura. O FMI acredita que, combinados, estes esforços podem ser o combustível que falta para religar as turbinas globais. É o novo mantra da instituição.

— Acreditamos que reformas estruturais são muito importantes. Temos recomendado enfaticamente que o investimento em infraestrutura pode ser uma forma significativa de estimular o crescimento no curto prazo, ao colocar as pessoas para trabalhar, lançar grandes esforços de construção, mas também ter impacto de médio prazo no lado da oferta ao facilitar e acelerar a criação de valor para mais tarde — explicou Lagarde.

As reformas, porém, reformas devem respeitar as especificidades dos países, enfatizou a diretora-gerente:

— (As reformas) devem ser bem ajustadas para serem politicamente palatáveis e terem o máximo de efeito multiplicador nas economias. É uma questão de fazê-las, não só de falar sobre elas.

REFORMAS TRABALHISTAS

Há duas recomendações extensivas ao Brasil na “Agenda de Política Global”, que formam as recomendações da gerência executiva do Fundo aos países-membros, aos quais cabem a orientação final do foco do FMI.

Lagarde acredita que a reforma trabalhista é uma prioridade para o país. Medidas devem ter alto custo-benefício, ser focadas em treinamento de mão de obra e englobar cortes seletivos dos impostos patronais. O conselho serve ainda para EUA, China, Índia e África do Sul.

A redução de barreiras ao comércio exterior e ao investimento seriam outras contribuições importantes à melhora do ambiente econômico. A diretora-gerente, no documento, salienta ainda a necessidade de o Brasil precisa atuar para reduzir os gargalos de infraestrutura. O objetivo é elevar o crescimento potencial da economia no médio prazo.

Lagarde destacou ainda que, se forem bem planejados, os investimentos públicos em infraestrutura sequer representam risco à disciplina fisca.

— Não só o investimento em infraestrutura é favorável ao crescimento, é favorável até à dívida, se feito sob as condições certas, se a economia está fraca, se as condições de financiamento continuarem sendo liquidez a custo baixo.

oglobo.globo.com | 10-10-2014
O dólar e o iene subiram diante do euro e da libra, com a intensificação das preocupações com a perspectiva da economia europeia.
atarde.uol.com.br | 09-10-2014

SÃO PAULO — Com a maior coleção do mundo de arte europeia fora da Europa e dos EUA, o Museu de Arte de São Paulo (Masp) recebe uma média de 800 mil visitantes ao ano. Mas tem potencial para muito mais, em comparação com instituições de metrópoles como Nova York e Paris. Essa é a opinião do novo presidente do museu, o empresário Heitor Martins, que comandou a Fundação Bienal de SP de 2009 a 2013. Para ele, sua segunda empreitada como gestor cultural tem mais atributos positivos do que negativos, apesar das dificuldades financeiras por que passa a instituição, com dívidas de R$ 12 milhões.

Em entrevista ao GLOBO, Martins avisa: “Não sou um gestor cultural profissional. Isso é um trabalho voluntário e não remunerado. Tenho minha profissão”. Logo depois de assumir, em setembro, ele anunciou a troca da curadoria do Masp — deixou o cargo Teixeira Coelho, e no lugar dele assumiu Adriano Pedrosa.

Foi graças à reestruturação da Bienal de São Paulo a escolha de seu nome para tirar o Masp da crise?

A sociedade quer essas instituições bem. Queria uma Bienal forte, saudável, assim como quer um Masp vibrante, capaz de receber muitos visitantes, de fazer grandes exposições, de ter um acervo que cresça. O que fazemos é criar as condições corretas para que a sociedade contribua. Ao criá-las, as pessoas contribuem, como aconteceu com o Masp, (que já arrecadou) R$ 10 milhões, sem nenhum incentivo fiscal. Recebi um e-mail, logo quando assumimos, de uma pessoa dizendo que queria ser patrona e mandou um cheque de R$ 300 mil para o museu. Isso é incrível. É essa força que faz com que a instituição seja capaz de se recuperar.

O problema de caixa do museu está resolvido?

O problema de caixa está em vias de ser sanado. O passivo é da ordem de R$ 12 milhões. Arrecadamos com doações de pessoas físicas algo próximo de R$ 10 milhões, o que é um feito. Nunca no Brasil, pelo menos no passado recente, houve uma arrecadação desse vulto de pessoas físicas. Temos também uma série de doações de empresas. A expectativa é equalizar todo esse passivo até o final do ano. Estamos muito tranquilos com relação a isso. O passivo é composto por quatro blocos, mais ou menos do mesmo tamanho: dívida bancária, dívida com fornecedores, dívida tributária e algumas pendências com o Ministério da Cultura. As pessoas se assuntam muito com esses números, mas eles são pequenos, comparados ao patrimônio que está investido dentro daquele museu: uma coleção de valor incalculável — se fosse para colocar um número para o acervo seria de US$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões. Além do prédio na Avenida Paulista e o anexo. A dívida do Masp é menos de 2% do custo de um estádio para a Copa do Mundo.

Como está a situação do edifício anexo, cujas obras foram paralisadas por falta de verbas?

O edifício anexo foi recebido em doação. Havia um plano de reformá-lo. Foi feito um acordo com a Vivo para um aporte de recursos para a obra, mas a reforma acabou custando muito mais, porque foi necessário um investimento muito grande de fundação e de preparação da estrutura do edifício. Os recursos não foram suficientes para acabar o projeto e ele está parado na metade há muito tempo. Então, temos a obra parada e uma pendência legítima com o patrocinador. O anexo é muito importante, é valioso, apesar da pendência com a Vivo e de ser necessário um investimento razoável para concluir a obra. Ele é mais um ativo do que um passivo do museu. É importante e estratégico para o museu, que está com seu espaço comprimido no edifício sede. Seria muito bom contar com o anexo, inclusive para preparar o museu para um nível de visitação maior. Talvez falte algo entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões para a conclusão da obra. Estamos otimistas com o diálogo com a Vivo.

A sede precisa de reformas?

O edifício sede está em boas condições estruturais. Estamos nos esforçando para melhorar questões de pintura, como o vermelho dos pilares. Há alguns investimentos que podem ser feitos em pequenas melhorias. Há também uma discussão sobre circulação, que passa pela bilheteria, acessos, divisão das salas de exposição, que é um projeto mais de médio prazo. A situação atual não é a ideal. Mas nada comparável à reforma que foi feita nos anos 1990.

Qual será a função de Adriano Pedrosa?

Como diretor artístico, Adriano Pedrosa escolherá um conjunto de curadores, será responsável pela programação, pelo acervo, por publicações e pelo educativo no museu. Quando se acerta uma programação, as pessoas lotam e há demanda para tudo. Parte da arte do diretor artístico é explorar o potencial do acervo extraordinário do Masp e, ao mesmo tempo, criar uma programação dinâmica, com mostras temporárias, porque o prédio tem espaços expositivos muito bons.

Quais as prioridades de sua gestão?

Existe um desafio com relação ao dia a dia do museu. O orçamento do Masp é da ordem de R$ 19 milhões ao ano. A subvenção da prefeitura, o único recurso público que o museu recebe, é menos de 10% desse valor. Então, 90% do orçamento precisa ser captado através de programas de incentivo, patrocínio de empresas e bilheteria. Estamos agora em busca de parceiros. Idealmente, esse orçamento anual deveria ser maior. Para fazer mais exposições e exposições de maior envergadura, esse orçamento deveria estar mais próximo da casa de R$ 25 milhões a R$ 30 milhões ao ano.

Como está a segurança do Masp, lembrando que em 2008 o prédio foi invadido e dois quadros foram furtados?

Segurança é sempre um item central de preocupação numa instituição como essa. É o segundo maior item de custo do orçamento do museu. São quase R$ 200 mil por mês. A segurança melhorou de 2008 para cá e tem muito investimento em tecnologia.

Sua administração tem planos para o vão livre?

O vão livre é uma dimensão importante do Masp. Ele pertence à prefeitura. É uma praça. Não está sob a gestão do Masp, mas é um elemento sempre presente na mídia e foi concebido pela Lina Bo Bardi como um espaço de convivência, que pudesse ter shows, eventos, mostras de arte, exibição de filmes. No passado, havia uma programação cultural e o vão livre funcionava como elemento de ligação entre a cidade e o museu. Gostaríamos muito de retomar esse papel desse espaço. Isso passa por um diálogo com a prefeitura que já começou.

O Masp e a Bienal de São Paulo foram vítimas de corrupção, de desvio de recursos?

Acho que não. Ao contrário do que acontece em outras áreas, os orçamentos são muito pequenos, essas instituições vivem numa precariedade imensa. As pessoas que estão envolvidas nessas instituições normalmente estão imbuídas de um propósito nobre, porque sua administração demanda muita energia. Há práticas de gestão inadequadas, muitas vezes em função da precariedade. Chega no fim do mês e o gestor precisa escolher se paga o salário do funcionário ou recolhe o imposto. As pessoas se veem diante desse tipo de situação e é isso que causa problemas. Os problemas de prestação de contas, pelo que vi na Bienal, existem em sua maior parte porque não é possível ter uma estrutura capaz de fazer frente à quantidade de demandas burocráticas.

oglobo.globo.com | 09-10-2014

COCHABAMBA — Evo Morales já vislumbra seu terceiro mandato. O bom andamento da economia boliviana e a estabilidade social dos últimos anos prenunciam um triunfo do ex-líder cocaleiro nas eleições do próximo domingo. A última pesquisa do Ipsos dá uma vitória à situação com 59% dos votos. O empresário da área de cimento Samuel Doria (13%) e o ex-presidente Tuto Quiroga (8%), ambos conservadores, ficariam a anos-luz. Morales aspira a uma segunda reeleição depois de o Governo promulgar, no ano passado, uma lei para permiti-la. Se vencer, garante que respeitará a Constituição, que o impede de voltar a se candidatar. Seu vice-presidente, Álvaro García Linera, insistiu durante toda a campanha que não está nos planos do Movimento ao Socialismo (MAS) mudar a Constituição.

Apesar de sua vantagem nas pesquisas, a agenda de Morales é frenética. Quando chega para a entrevista, às 6h30 da manhã de quarta-feira, já se reuniu com seu gabinete e teve tempo de participar de uma passeata para fazer campanha com os transportadores, aos quais entregou camisetas, bonés e CDs “com a música do Evo”.

“Só um me rejeitou, mas acho que foi porque não me reconheceu. Nem protestou nem nada”, garante o presidente em uma sala da base militar de Cochabamba, antes de voar para Santa Cruz. Apesar de tudo, Morales não pode evitar bocejar em algumas ocasiões e esfregar os olhos, avermelhados, como se estivesse com sono. Quando se pergunta se está cansado, responde: “Em que consiste o cansaço? Que história é essa de cansaço? Nem todos podem ser presidentes. Eu não entendo o cansaço”.

Como se chegou à boa situação vivida pela Bolívia?

Está sendo um processo. Vem de uma longa luta contra o colonialismo interno e externo, contra o modelo neoliberal. As conquistas já são conhecidas: a estabilidade social permitiu a estabilidade política e esta, a econômica. Estamos passando de uma economia baseada em matérias-primas a uma economia industrial, e aspiramos chegar a uma economia baseada no conhecimento.

Em Santa Cruz, o principal bastião opositor, algumas pesquisas também o dão como vencedor. O que mudou nesses anos?

Demonstramos que os sindicalistas sabem governar. A direita diz que a gestão se desgasta. Talvez isso aconteça quando as autoridades estão mais focadas em fazer negócios e em conseguir benefícios para as cúpulas. Nossa experiência é a de que a política não é benefício nem negócio para pessoas, mas sacrifício para o povo.

Muitos afirmam que sob seu discurso de esquerda se esconde uma política capitalista.

Desde que chegamos, reduzimos a pobreza de 38% para 18%. O desemprego estava entre 8% e 9%; hoje é de 3%. Agora, pela Constituição, temos uma economia plural: respeita-se a propriedade privada, a comunal, a estatal, as coletivas.

O que passa pela sua cabeça quando o FMI ou o Banco Mundial elogiam sua gestão econômica?

Às vezes, que estamos fazendo algo errado. Mas também que estão aprendendo como fazer uma política econômica. As avaliações que esses organismos fazem me geram desconfiança. Os países em que o FMI decide políticas econômicas estão mal. Vocês sabem disso.

Por que você não quis debater com a oposição?

Nunca gostei de debater. Não se trata de debater entre candidatos, mas com o povo. Eu debato com o povo. O rascunho do meu programa chegou à Central Trabalhista Boliviana, o observamos, debatemos e aprovamos. Eu não tenho porque discutir com os neoliberais. Eles estão debatendo para ver quem é o segundo.

Que problemas o inquietam?

Ainda temos burocracia. Quando eu era dirigente sindical, me divertia, resolvia todos os problemas. Quando cheguei à Presidência me deparei com ministros que não gastam seu dinheiro, outros que se esquecem... Tive um forte choque cultural, é difícil para mim. Da Presidência podíamos garantir há dois anos a construção de uma estrada, e até agora não aconteceu. Ontem me informaram sobre a construção de uma ponte e então os técnicos me dizem que há um decreto que impede construir essa ponte. Isso me incomoda, porque para mim ganhar eleições é simples. Ganhamos seis, entre referendos, departamentais, presidenciais.

Se ganhar, será seu último mandato?

Vamos sempre respeitar a Constituição.

Então isso significa que será seu último mandato.

Isso significa que vamos respeitar a Constituição.

O que você imagina fazer ao deixar a presidência?

Eu já disse que vou montar um restaurante com alguns prefeitos, que são excelentes churrasqueiros, e vou servir comida. Vou virar cervejeiro.

A situação da Justiça na Bolívia o preocupa?

Sim, temos problemas. Só se pode fazer uma revolução dentro da justiça com a participação do povo.

Mas, em 2011, você impulsionou o sufrágio universal para a eleição de juízes. Está arrependido?

Um dos equívocos da Constituição foi esse, a eleição de autoridades com o voto do povo. Lamento muito, me dói muito.

Qual a sua relação com a Espanha?

Diplomática. Sempre quis que a Espanha fosse a entrada da Europa para Evo, para a Bolívia. Mas há outros países, como a França, que podem servir. Era desejável que fosse a Espanha, mas não decisivo.

Na semana passada você se reuniu com vários dirigentes do partido espanhol Podemos. O que disse a eles?

Saudamos uma nova força política. Compartilhamos algumas experiências, desejei-lhes muita sorte. Estamos em outros tempos. Antes importávamos políticas econômicas da Europa. Agora exportamos nossas políticas para a África e outros continentes. Não só políticas sociais, também modelos econômicos.

Em que ponto está a relação com os Estados Unidos?

Para mim é como qualquer outro Governo. Não vejo como uma potência. Tinha muita confiança no Obama, porque ele vem de um setor social muito discriminado, como os afroamericanos, e nós, dos indígenas. Infelizmente, não governam nem os republicanos, nem os democratas, governam os bancos.

Os Estados Unidos afirmaram recentemente que a Bolívia não tem feito o suficiente para erradicar o cultivo de coca.

Antes, seu ataque era o comunismo; agora, o terrorismo, o narcotráfico. A União Europeia respeita o modelo boliviano de luta contra o narcotráfico. A ONU reconhece que foi feito um esforço e que o terreno de cultivo da folha foi reduzido a 23.000 hectares. E sem mortos nem feridos como antes, quando morria um cocaleiro por semana. Sim, temos um problema com a cocaína que passa do Peru para o Brasil, mas estamos vendo como controlar as fronteiras.

Quando chegou ao poder, suas referências eram Hugo Chávez e Fidel Castro, e agora, quem são?

Continua sendo Fidel. Não considere Fidel como morto. Para mim é o homem mais solidário do mundo. Apesar do bloqueio, ninguém tem esse sentimento humano que tem Fidel.

De quem se sente mais próximo agora, Nicolás Maduro ou Rafael Correa?

Todos são companheiros, não tenho por que qualificá-los. Aqui não há presidentes de primeira ou de segunda. São companheiros anti-imperialistas e anticapitalistas, cada um com suas particularidades. Todos pertencemos a um movimento de libertação.

oglobo.globo.com | 08-10-2014

Os investidores chineses chegaram à Europa no pico da crise da dívida soberana, escreve o The Financial Times. Segundo uma investigação do diário londrino, os investimentos diretos chineses na Europa passaram de 6,1 mil milhões de euros em 2010 para cerca de 27 mil milhões de euros no final de 2012.

Esta transformação do modelo de investimento chinês no estrangeiro” baseou-se na compra de ativos baratos “em alguns países mais afetados da periferia da zona euro”, escreve o diário.

Para o Financial Times esta tendência revela

a estratégia dos investidores chineses e dos imigrantes que participam num esforço nacional – a política do “going out” (expansão para o estrangeiro) implementada em 1999 – para encontrar novos mercados e reforçar a economia chinesa. […] Os analistas do continente observam a formação de contratos robustos e de sinais, segundo os quais o investimento irá aumentar de forma significativa esta década.

www.voxeurop.eu | 07-10-2014
O comissário europeu designado para a pasta do Emprego, Crescimento, Investimento e Competitividade defendeu hoje, em Bruxelas, que a Europa necessita de uma mobilização sem precedentes para tornar realidade o pacote de investimentos de 300 mil milhões de euros.
www.rtp.pt | 07-10-2014

“As alterações administrativas em Bruxelas, com um novo Parlamento e, brevemente, uma nova Comissão Europeia, constitui um bom augúrio para a Google”, escreve o Het Financieele Dagblad. A nova equipa liderada por Jean-Claude Juncker está “sob pressão” para responder de forma mais agressiva à gigante norte-americana da Internet do que a Comissão cessante. Günther Oettinger, o novo comissário para a Economia Digital, avisou os eurodeputados, numa audiência realizada na semana passada, de que qualquer acordo da UE com a Google sobre o longo processo de antimonopólio poderia ajudar a empresa a “reforçar a sua posição no mercado, em vez de a diluir”. Margrethe Vestager, a nova comissária responsável pela Concorrência, disse na sua audiência que em breve dar-se-á “um novo passo” contra a Google.

Segundo o diário financeiro holandês, a Google possui 90 por cento do mercado europeu de motores de busca na Internet. Várias empresas tecnológicas, unidas no clube anti-Google Fairsearch, queixam-se de que a Google abusa da sua posição para “alterar os resultados de pesquisa”.

www.voxeurop.eu | 06-10-2014

RIO - Em 1912, Thomas Mann levou sua esposa a Davos, uma então isolada e próspera estância dos Alpes suíços. Katharina padecia de tuberculose, e o vilarejo, com seu ar puro e fresco, era uma referência no tratamento da doença, atraindo abastados europeus em busca da cura para o mal. A viagem impactaria Mann a ponto de fazer de Davos e seus sanatórios os cenários da obra-prima “A montanha mágica”.

Mais de cem anos depois, graças à penicilina, Davos já não tem tuberculosos. Alguns de seus famosos sanatórios são hoje hotéis onde se hospedam, todos os anos, os frequentadores do Fórum Econômico Mundial. Entre eles, estrelas do mundo corporativo, gurus econômicos, chefes de Estado e ícones do filantrocapitalismo que, sob um impressionante aparato de segurança, reúnem-se para discutir o futuro dos mercados e do planeta, além de prospectar negócios.

As ressonâncias entre a Davos de Thomas Mann e a atual, porém, não são apenas geográficas. Em seu contundente e cáustico livro “Um repórter na montanha mágica: como a elite econômica de Davos afundou o mundo” (em tradução livre do título da obra, lançada na Espanha, Argentina e México, até agora inédita no Brasil), o jornalista britânico Andy Robinson evoca o passado para analisar detalhadamente o que ocorre nos encontros anuais dos arautos do capitalismo global.

— Thomas Mann escreveu “A montanha mágica” como uma metáfora da decadência histórica da elite europeia da sua época, na iminência das grandes guerras e revoluções. Essa metáfora me pareceu muito aplicável à elite econômica de Davos. Hoje, voltamos a níveis de desigualdade que imperavam no início do século XX. Além disso, temos, como naquela época, um capitalismo muito volátil, com grandes fluxos de capitais se movendo pelo mundo sem qualquer tipo de regulação, desestabilizando mercados e provocando bolhas e crises profundas — conta Robinson, que esteve no Rio na última semana para fazer uma palestra sobre o assunto no Midrash Centro Cultural.

Na Meca da globalização business friendly, a hierarquia é clara. Ali, o homem é o seu crachá. Escolhidos a dedo pela organização do Fórum, os jornalistas que recebem credenciais de cor branca garantem acesso quase irrestrito e sorrisos receptivos por parte dos chamados Davos Man. Se a sua credencial for marrom, porém, você precisará usar doses cavalares de insistência e se engajar nas táticas mais criativas para retratar os bastidores do encontro. Foi assim com Robinson nas quatro vezes em que cobriu o Fórum de Davos para o jornal catalão “La Vanguardia”.

Vagando pelos corredores do evento, surpreendendo incautos figurões perdidos nas cafeterias ou fingindo falar ao celular para captar diálogos furtivamente, o repórter se infiltrou em um mundo inacessível a pobres (e nem tão pobres) mortais. Nessa viagem, somos apresentados a representantes da nova elite global, como o financista Nicolas Berggruen, conhecido como “o bilionário sem teto”, por viver em constante deslocamento, entre jatos de luxo Gulfstream e hotéis cinco estrelas.

Apesar de idolatrar o capitalismo-mão-de-ferro asiático, Berggruen é hoje um dos ícones do chamado filantrocapitalismo, a captação de grandes doações em prol de causas sociais e ambientais ao redor do mundo. Nos anos pós-crise, o discurso do comprometimento social tornou-se quase uma unanimidade em Davos. Para Robinson, porém, é difícil separar boas intenções de objetivos menos nobres:

— Davos é um fórum tanto ideológico como um lugar para fazer negócios, e o filantrocapitalismo é hoje uma forma de maquiar a imagem de uma elite global que saiu muito abalada com a crise. Muita gente percebeu que os responsáveis pela crise financeira são justamente aqueles que mais estão se beneficiando com as políticas criadas supostamente para combatê-la, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos.

Entre os arautos do filantrocapitalismo questionados pela pena mordaz de Robinson estão nomes como Bill Clinton, que multiplicou substancialmente seu patrimônio dando palestras e lançando livros sobre o assunto, e Bono Vox, a quem confere o epíteto “Rasputin meio afetado dos czares de Davos”. O repórter não deixa passar em branco o fato de o líder do U2 ter manobrado uma troca da sede fiscal da banda de Dublin para Amsterdã, quando o governo irlandês acabou com uma isenção fiscal para artistas que ganhavam mais de 250 milhões de euros por ano.

Mais preocupante, porém, seria a captura do discurso filantrópico por parte do mercado, popularizando nos últimos anos termos orwelianos como venture philantropy, ou “capital de risco filantrópico”:

— Vivemos uma fase do capitalismo em que não se privatizam empresas como antes. Hoje, políticas disfarçadas de filantropia são usadas para que fundos de investimentos tentem controlar, por exemplo, sistemas de ensino público e outros serviços. É em Davos que se cria toda a justificativa ideológica para esses novos pactos com os Estados.

A investigação ganha contundência com a revelação de que alguns nomes associados ao filantrocapitalismo têm suas sedes fiscais em Zug, um pequeno Jardim do Éden fiscal próximo a Davos, com 19 mil habitantes e, não obstante, mais de 29 mil empresas registradas. Com instabilidade geopolítica e taxas de desigualdade crescendo rapidamente em quase todo o planeta, Robinson alerta que, ainda que Davos pareça flutuar indefinidamente no topo do mundo, uma frase de Thomas Mann publicada em um artigo de 1953 pode vir a soar morbidamente apropriada nos dias vindouros: “A montanha mágica é o canto do cisne daquela forma de existência”.

oglobo.globo.com | 04-10-2014

O novo comissário da União Europeia para Economia e Sociedade Digitais se recusou a pedir desculpas por dizer que celebridades foram "estúpidas" ao tirar fotos íntimas que vazaram na internet....
diversao.terra.com.br | 02-10-2014
Günther Oettinger será o próximo encarregado da União Europeia para Sociedade e Economia Digital - / União Europeia

RIO - O próximo encarregado da União Europeia para Sociedade e Economia Digital, Günther Oettinger, se recusou a pedir desculpas nesta quarta-feira (01) por dizer que celebridades que postaram fotos íntimas na internet e que posteriormente foram vazadas eram “burras”. Oettinger se referia ao episódio do mês passado, quando hackers invadiram o ICloud e expuseram centenas de imagens de cerca de 80 personalidades nuas ou em poses sensuais, como Jennifer Lawrence e Rihanna.

Antes de tecer os comentários, Oettinger havia alegado que ele estava sendo “semi-sério”. No entanto, depois de hesitar um pouco, o político disse que se “alguém é burro o suficiente como uma celebridade para tirar uma foto nua de si mesmo e colocá-la na internet, certamente não se pode esperar que nós iremos para protegê-lo”. Em seguida, ele disse que “estupidez das pessoas é algo que apenas parcialmente recuperável”.

As declarações geraram revolta entre os europeus, já que, em novembro, ele chefiará a comissão da União Europeia responsável por desenhar as próximas políticas do mundo digital no continente. Perguntado posteriormente se gostaria de se retratar pelas declarações, Oettinger respondeu apenas que não.

Especialistas lembraram que, por mais que as fotos estivessem em sistemas de nuvem, elas eram mantidas sob sigilo. Portanto, o vazamento das imagens configuraria um roubo.

A deputada Julia Reda, do Partido Pirata, classificou os dizeres de Oettinger como “inacreditáveis”, pois jogaria a culpa pelos vazamentos exclusivamente nos próprios usuários.

- Ele colocou a culpa moral do crime diretamente sobre as vítimas, e não sobre os agressores. E o fato é ainda mais grave por ser o próximo encarregado da União Europeia para passar ainda mais confiança e credibilidade da internet aos europeus.

oglobo.globo.com | 02-10-2014

“Se há um país que tirou partido da crise ucraniana, foi a Bielorrússia”, escreve o Nezavissimaïa Gazeta, que realça que Minsk abandonou recentemente o seu estatuto de pária internacional e que o seu presidente, Alexandre Lukachenko, já não é considerado pelos seus homólogos como o inaceitável “último ditador da Europa”. Mas o diário russo considera que o papel da Bielorrússia nas negociações para a resolução do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, que permitiu mudar a forma como “este Estado dirigido pelo ‘último ditador europeu’ é visto e ganhar uma certa visibilidade na cena política europeia, “foi só um começo”.

Para o Nezavissimaïa Gazeta, Lukachenko, que o jornal descreve como sendo politicamente hábil, na medida em que a sua “estratégia de intermediário entre o Ocidente e a Rússia tem sido até à data bastante lucrativa”,

vai poder tirar partido de Moscovo, que não quer perder o seu parceiro, e do Ocidente, que não quer uma Rússia mais forte e muito menos o desenvolvimento da união aduaneira [com a Rússia e o Cazaquistão].

Além disso,

este também poderá tentar transformar Minsk numa “plataforma mundial” para as relações entre a Rússia e o Ocidente […]. Ou ainda num mercado de ações da UE e da união aduaneira, tendo ainda em conta que os europeus já estão a pensar criar uma zona de comércio livre com a Bielorrússia. Um projeto desta dimensão, que poderia propulsar a Bielorrússia para o primeiro plano da cena europeia, melhorar a sua imagem e estimular consideravelmente a sua economia, não pode deixar de interessar a Alexandre Grigorievitch Lukachenko, que previu sempre um destino fora do comum para o seu país.

www.voxeurop.eu | 02-10-2014
Bélgica, Espanha e Itália são três países que vêm registrando variações negativas de preços - Suzanne Plunkett / Bloomberg News/18-12-2007

BRUXELAS - A nova queda da inflação na zona do euro registrada em setembro gera temores de uma espiral deflacionária e reforça a pressão para que o Banco Central Europeu (BCE) atue. Segundo a primeira estimativa da agência europeia de estatísticas Eurostat, divulgada nesta terça-feira, a inflação de setembro foi de 0,3%, o que representa o nível mais baixo desde outubro de 2009 e um décimo a menos do que em agosto. Há um ano a inflação foi de 1%, de acordo com a Eurostat.

A ameaça de uma espiral deflacionária está mais presente do que nunca. O índice de preços de agosto já levou o BCE a atuar no início do mês. Com esse índice historicamente baixo, a autoridade monetária reduziu sua principal taxa de juros para 0,05% e lançou um plano de compra de dívida privada para apoiar o mercado de crédito. À época, a medida foi saudada pela diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, no sentido de "enfrentar os perigos existentes em um período prolongado de baixa inflação".

A deflação (queda dos preços) é um fenômeno nocivo para o dinamismo da economia, porque prorroga as decisões de compra, com a expectativa de que os preços continuem baixando, e, com isso, desestimula os investimentos e o consumo, gerando um círculo vicioso de mais deflação.

A zona do euro, em seu conjunto, ainda não passa por essa situação, mas alguns de seus membros já estão sendo afetados. Na Bélgica, por exemplo, a inflação passou para o campo negativo em setembro (-0,12%), pela primeira vez desde novembro de 2009, no auge da crise financeira. Na Espanha, os preços caíram pelo terceiro mês consecutivo e marcaram -0,3% em um ano. Na Itália, a inflação caiu 0,1% em um ano, como no mês anterior, quando registrou essa situação inédita desde 1959.

A publicação dos dados da Eurostat não chega a ser uma surpresa, pois os analistas já haviam diagnosticado a desaceleração da inflação após a divulgação dos números da zona do euro.

— Este é um duro golpe naqueles que acreditavam que a inflação baixa era apenas um fenômeno temporário — disse Jennifer McKeown, analista da Capital Economics. — Os dados apresentados nesta terça-feira deixam claro que a deflação continua sendo uma ameaça séria.

O conselho de governadores do BCE — instituição que tem entre suas atribuições a de manter uma evolução de preços perto dos 2% — se reúne na quinta-feira. O presidente do BCE, Mario Draghi, já adiantou, contudo, que na reunião a instituição a se limitará a detalhar as novas injeções de liquidez no circuito monetário.

DESEMPREGO SE MANTÉM ESTÁVEL

Os analistas, porém, esperam que Draghi recorra a “instrumentos não convencionais adicionais”, como a compra massiva de dívida soberana, no final do ano e no início de 2015. Esse dado, somado ao da confiança econômica que voltou a cair em setembro, e um crescimento estagnado no segundo trimestre, não ajudam no cenário da economia da zona do euro.

Há ainda os dados de desemprego publicados nesta terça-feira pela Eurostat. O desemprego se manteve estável em 11,5% em agosto na região, segundo a Eurostat.

— A taxa de desemprego não é muito mais baixa do que o recorde de um ano atrás, de 12% — lembrou McKeown.

Para Howard Archer, da IHS Golbal Insight, a interpretação dos dados é contrastante. Por um lado, a inflação baixa e a queda do desemprego é uma boa notícia para os consumidores, já que aumenta seu poder aquisitivo, mas, por outro, a inflação em queda é uma notícia ruim para o BCE, devido ao perigo de deflação.

Para Archer, o BCE será “reticente” na execução de um programa de compra de dívida, algo que pode fazer "apenas se a zona do euro voltar à recessão e se a inflação continuar baixa".

oglobo.globo.com | 30-09-2014

MOSCOU - Especulações de que a Rússia está considerando adotar controles de capital em meio à pior performance entre os países emergentes no câmbio e em títulos empurraram o rublo abaixo do nível que o banco central (BC) havia estipulado como limite para intervir no mercado.

A moeda russa escorregou temporariamente para 44,40 ante a cesta de moedas de dólares e euros usada pelo Banco da Rússia como parâmetro, depois que duas fontes informaram que os gestores da política monetária do país estariam considerando aplicar restrições temporárias, caso a fuga líquida de divisas aumente significativamente. Mais tarde, o BC emitiu um informe, negando que estivesse estudando estabelecer limites no fluxo de capitais. O rendimento dos bônus de dez anos subiu seis pontos básicos, para 9,42%, levando o aumento deste trimestre a 102 pontos básicos.

O presidente Vladimir Putin enfrenta especulações do mercado em meio às sanções de EUA e UE por crise na Ucrânia - RIA NOVOSTI / REUTERS

Sinais de que restrições ao fluxo de dinheiro serão impostas novamente, depois que tal política foi abandonada há oito anos, ameaçam provocar uma corrida de venda de ativos russos. Esse movimento já vem ocorrendo desde que os Estados Unidos e a União Europeia (UE) ampliaram as sanções econômicas contra o presidente Vladimir Putin por causa do conflito com a Ucrânia. O rublo perdeu 14% frente ao dólar este trimestre, quebrando recordes de queda nos últimos três dias.

— A fuga de capitais deverá aumentar fortemente agora — estimou Stanislav Kopulov, gestor do UralSib Asset Management, em Moscou. — Quando se é ameaçado dessa forma (mais controle de capital), é preciso tirar o dinheiro urgentemente.

O BC da Rússia está analisando todos os possíveis cenários sobre como implementar os controles de capital, segundo as fontes, que pediram para não serem identificadas porque a decisão ainda não foi tomada. Elas também não deram um prazo para a implementação das medidas e disseram que estas terão um caráter preventivo, sendo aplicadas apenas se a saída líquida de capital crescer significativamente.

LONGA CONFRONTAÇÃO

Os gestores da política monetária não estão discutindo qualquer limitação sobre os fluxos de capital entre fronteiras, de acordo com nota divulgada no site do banco central. O rublo caía 0,1%, para 44,2573, às 16h57m desta terça-feira, em Londres. A moeda russa perdeu 0,4% frente ao dólar, caindo para 39,5800, elevando a desvalorização no trimestre para 14%, a pior entre os 24 países emergentes analisados pela Bloomberg.

As discussões sobre tais medidas são o sinal mais recente de que as sanções estão atingindo a Rússia e levando a autoridade monetária a repensar a aplicação de políticas que vinha evitando. A queda de hoje ocorre num momento em que a chanceler alemã, Angela Merkel, disse que a UE e os Estados Unidos podem estar enfrentando uma longa confrontação com a Rússia, citando os 40 anos que a Alemanha Oriental levou para escapar ao controle comunista.

A situação dos bônus soberanos, porém, não está tão caótica. Embora tenham recuado no trimestre, os títulos de dez anos do governo completaram seu melhor mês desde maio, depois que o cessar-fogo no Leste da Ucrânia ajudou a aliviar as preocupações dos investidores de que a crise militar na região fosse piorar. O Ministério de Finanças da Rússia informou que fará seu segundo leilão de títulos nesta quarta-feira, oferecendo 15 bilhões de rublos (US$ 379 milhões) por meio de securitizações em moeda local, com vencimento em janeiro de 2028.

ÚLTIMA INTERVENÇÃO

A Rússia provavelmente não vai introduzir controles de capital a não ser que suas reservas internacionais comecem a cair num ritmo mensal de US$ 20 bilhões, afirmou Vladimir Osakovskiy, economista do Bank of America, em comentários difundidos por e-mail. “A declaração é certamente negativa para todos os tipos de ativos na Rússia à proporção que estimula mais desinvestimento”, acrescentou.

A última vez que o BC russo interveio no câmbio foi em maio, elevando a US$ 40 bilhões o total das reservas vendidas pelo governo este ano para conter o êxodo de investidores de ativos locais. Esse movimento se acelerou depois que Putin anexou a região da Crimeia em março.

O BC ampliou a banda de flutuação do rublo em agosto, à medida que se prepara para uma mudança rumo a um rublo flutuante, abandonando a política de usar as reservas para controlar os movimentos de câmbio e administrar a inflação em favor do uso das taxas de juros. Os gestores de política monetária elevaram a taxa básica de juros em 2,5 pontos percentuais para escorar a moeda este ano, mesmo com a economia se aproxima da recessão.

CLIMA RUIM

Quando a Rússia eliminou os controles de capital em 2006, o país se tornou um dos quatro maiores mercados emergentes a permitir um fluxo sem restrições entre suas fronteiras. O Ministério da Economia elevou sua estimativa de saída de capitais este ano para US$ 100 bilhões, uma alta de 64% em relação ao ano passado.

— (O controle de capital) poderá levar alguns estrangeiros a retirarem seu capital, o que poderá provocar aumento de saídas — estimou Olega Popov, do Allianz Investments, o braço de investimentos da maior seguradora da Europa. — Isso é ruim para o clima de investimento. Qualquer investidor calcula o potencial de retorno combinado com o risco que sua aplicação corre.

oglobo.globo.com | 30-09-2014
Em 2011, yuan era a 21ª moeda mais utilizada no mundo; hoje já é a sétima - Brent Lewin / Bloomberg/23-6-2014

PEQUIM - As autoridades chinesas deram nesta segunda-feira mais um passo em direção à internacionalização de sua moeda. A partir de agora, o yuan poderá ser negociado diretamente com o euro no mercado interbancário, segundo anunciou nesta segunda-feira o Banco Popular da China (banco central).

Na prática, o intercâmbio entre as duas divisas deixará de ser calculado através de uma terceira moeda, geralmente o dólar americano, e o valor passará a ser fixado diretamente. Em comunicado, o BC chinês afirma que a medida ajudará a reduzir os custos de conversão, estimulará o uso do yuan e do euro, vai incrementar as relações comerciais como o investimento bilateral, promovendo maior cooperação financeira entre China e Europa, reforçando os laços econômicos entre as duas regiões.

China e União Europeia são os dois maiores blocos comerciais do mundo, com um volume de intercâmbio de € 559 bilhões em 2013 (último dado disponível). Durante seu giro europeu em abril pelo continente europeu, o presidente chinês Xi Jinping apelou para que ambas as partes trabalhassem conjuntamente para que esta cifra chegue a US$ 1 bilhão em 2020. China e UE também começaram a negociar este ano um acordo de investimento bilateral com o objetivo de eliminar barreiras a investimentos em ambas as regiões.

Em outubro de 2013, o Banco Central Europeu (BCE) assinou com o equivalente chinês uma linha de intercâmbio bilateral de euros e yuans pelo prazo de três anos. O acordo permite o acesso máximo de 350 milhões de yuans por parte do BCE e de € 45 bilhões em contraparte à China. Em março, se estabeleceu, em Frankfurt, o primeiro banco da zona do euro habilitado para efetuar as operações comerciais internacionais em yuan. Londres e Bruxelas também têm se esforçado para servir de ponte financeira entre as companhias chinesas e europeias.

Com o acordo, o euro se convertirá na sexta das principais divisas que poderão ser transacionadas com o yuan, assim como o dólar americano, o iene japonês, o dólar australiano e neozelandês e a libra esterlina. Com a Nova Zelândia e a Grã-Bretanha, o acordo foi firmado este ano, e as autoridades estão otimistas em uma breve adesão do won sul coreano.

Nos últimos meses, a China tem posto em prática diversas medidas para que o yuan ganhe relevância cada vez maior nos mercados internacionais. Segundo dados do provedor de serviços financeiros Swift, hoje, 1,64% do total das transações mundiais foi realizado em yuan, em agosto. Embora seja uma participação mínima em comparação com o dólar, o crescimento do uso da moeda chinesa vem sendo constante desde fins de 2011, quando era a 21ª moeda mais utilizada, ao passo que hoje já é a sétima.

Para os analistas, o prestígio internacional da moeda chinesa vai depender do processo de liberalização econômica no país. Apesar dos avanços recentes — em março, o governo ampliou a banda de flutuação do yuan frente ao dólar, de 1% para 2% — as autoridades chinesas parecem não ter pressa em aprofundar essas reformas.

oglobo.globo.com | 29-09-2014
O indicador económico da Comissão Europeia, que mede as expetativas das familias e das empresas, também subiu em Portugal em Setembro - dados que contrariam a tendência de queda registada tanto na zona euro como na União Europeia.
www.rtp.pt | 29-09-2014
Para ter uma viagem realmente dos sonhos, o ideal é que ela seja planejada com bastante antecedência. Não importa se o destino é um país vizinho, Europa, Estados Unidos, ou se o passeio vai ser pelo Brasil mesmo. Quem contrata primeiro, garante os melhores lugares e, por consequência, os melhores preços e, dependendo do período em que o pacote for fechado, a economia pode chegar a até 40%.

Segundo a Aviesp (Associação das Agências de Viagens Independentes do Interior do Estado de São Paulo), é possível contratar um roteiro com até 345 dias de antecedência da data do embarque. De
Stephen Harper. primeiro-ministro canadense quebrou imagem da influência europeia no Canadá e aproximou país dos Estados Unidos - CARLO ALLEGRI / REUTERS

TORONTO — Como Ronald Reagan nos Estados Unidos e Margaret Thatcher no Reino Unido, o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, pertence à linhagem de governantes que aspiram a mais do que simplesmente governar. Ao deixar o poder transformaram seu país para sempre. O conservador Harper foi reeleito duas vezes desde a primeira vitória em 2006, e busca um quarto mandato em 2015, o que o colocaria entre os cinco chefes de governo canadenses com os mandatos mais longos.

Com Harper, se diluiu o velho Canadá: a terra do consenso e do Estado de bem-estar, que colocou seu centro de gravidade na província francófona de Quebec e em sua vizinha, a anglófona Ontario, onde o Partido Liberal era o partido natural do governo. A Escandinávia norte-americana.

E então emerge outro Canadá. Um país que se parece menos para a Europa e mais com a Ásia. Um país onde a explosão do petróleo alterou o equilíbrio econômico e o poder deslocou-se para as províncias do Oeste, mais próximas culturalmente dos Estados Unidos. Mais confiante e menos ligado ao multiculturalismo, marca da política externa canadense no século XX.

Harper nasceu em 1959, em Ontário, mas aos 19 anos mudou-se para o oeste, para Alberta para trabalhar na indústria do petróleo. Ele chegou ao poder sob o estigma entre seus detratores de ser um George W. Bush canadense, o homem que americanizaria o Canadá. Agora, depois da alemã Angela Merkel, é o líder mais veterano do G7. E é, sem dúvida, o mais conservador do grupo. "O líder do mundo livre", o chamam alguns na direita americana, para ressaltar que Barack Obama não está a sua altura.

O Canadá — segundo país mais extenso do planeta, atrás apenas da Rússia, e lar de uma população de 35 milhões de habitantes — abandonou o Protocolo de Kyoto, o acordo internacional para combater a mudança climática. A retórica nacionalista e militarista, um estilo de governo polarizador, o apego aos símbolos da Coroa Britânica (o Canadá é uma monarquia constitucional) e a defesa de um estado mais fraco na economia, e de políticas de lei e ordem, o distinguem da maioria de seus antecessores no número 24 da rua Sussex, a residência do premier canadense em Ottawa.

O cientista político Stephen Clarkson, professor da Universidade de Toronto, observa "uma mudança fundamental na natureza política interna e também na posição do Canadá no mundo". Clarkson co-escreveu “Trudeau e nossos tempos”, a principal biografia do primeiro-ministro Pierre Elliott Trudeau, refundador do Canadá moderno e pai de Justin Trudeau, atual líder do Partido Liberal, que espera derrotar Harper na próxima eleição.

— Na política interna, a mudança fundamental, não é de Harper, mas sim o deslocamento do centro de gravidade de Ontário para Alberta por causa da exploração de recursos petrolíferos, com uma mudança do centro de gravidade político de Ontário para Calgary e Edmonton — afirma Clarkson, em alusão à capital do petróleo e à capital administrativa de Alberta.

Darrell Bricker e John Ibbitson falam do fim do consenso Laurentian, o consenso da elite da bacia do rio St. Lawrence, que vive no corredor entre Montreal e Toronto, passando por Ottawa. Ibbitson, jornalista do diário “Globe and Mail”, e Bricker, diretor-executivo da Ipsos Public Affairs, escreveram The Shift Big ( “A grande mudança”), um ensaio que marcou o debate sobre o novo do Canadá de Harper.

— A grande mudança começou provavelmente em 1970, com a mudança na composição da imigração para o Canadá: nós começamos a ver mais pessoas da Ásia. Mas também, com a transição da população: o movimento de pessoas e poder de Ontário, especialmente nos arredores de Toronto, e no oeste do Canadá. É muito diferente de como funcionava antes o país como uma Entente Cordiale entre Quebec e Ontário — diz Bricker. — Havia a ideia de três culturas fundadoras: a francesa, a inglesa e a aborígene. A mudança de poder reduziu o peso do francês no país: 2011 foi o primeiro ano em uma geração em que o percentual de pessoas que diziam falar francês diminuiu. Devido à grande imigração, a população aborígene tornou-se também uma pequena parte do total da população. O Canadá aceita entre 250 e 300 mil imigrantes por ano, mais do que qualquer outro país em proporção de habitantes, e a maioria vem da Ásia. As velhas identidades, francesa, inglesa ou aborígene, importam menos. O pacto fundador perde relevância. O multiculturalismo promovido por Pierre Trudeau remodelou o país, mas tem ajudado a corroer as elites que o instituíram.

Harper, escrevem Bricker e Ibbitson, construiu uma coalizão entre os novos imigrantes canadenses de um lado, e o Canadá branco dos subúrbios e zonas rurais do Oeste. Se durante o último meio século foram os quebequenses francófonos que lidavam com as alavancas do poder — e Trudeau foi o mais notável deles — agora é a vez dos canadenses ocidentais. Bricker e Ibbitson lembram que o primeiro-ministro tem seu feudo em Alberta, quase a metade do seu grupo parlamentar vem do Oeste ou do Norte e a presidente do Supremo Tribunal Federal é ocidental.

— As políticas de Harper são extremas: não tivemos essa experiência até agora na história do Canadá — diz Clarkson, que lamenta o declínio do peso do país no mundo.

— Harper tentou mover o país para a direita — admite Peter Coleman, presidente da coalizão conservadora Citizens National, cargo que Harper ocupou antes de se tornar primeiro-ministro. — Mas nem de longe é tão conservador como quando ele presidiu a Citizens National.

Mudança leva tempo. O Canadá mantém o sistema público de saúde, a rejeição da pena de morte, e uma cultura política favorável ao consenso. Nunca será os Estados Unidos. Mas também não é mais o velho Canadá de sempre.

— O significado da identidade canadense está em transição — afirma Bricker. — E é provável que Stephen Harper tenha sido o primeiro a entender isso.

oglobo.globo.com | 28-09-2014
A decisão anunciada pela Fifa, que baniu a participação de fundos de investimentos na compra de jogadores, deve representar uma mudança radical no mercado de transferências de atletas. Segundo estudo da KPMG, empresa de consultoria e auditoria, hoje outros investidores que não os clubes já detém de 3,7% a 7,8% dos valores de mercado dos jogadores da Europa. O montante pode chegar a R$ 3,3 bilhões.

No Brasil estima-se que essa participação seja ainda maior. Em marcados como Portugal, ela chega a 30%, segundo dados da KPMG. O investimento de terceiros em direitos econômicos de jog
"A sensação que temos é a de que a economia já está a virar", diz James Armstrong, vice-presidente da Sony responsável pelo Sul da Europa. Vendas totais de consolas subiram 39% este ano.
www.publico.pt | 24-09-2014
A Comissão Europeia considera que as reformas feitas em Portugal para incrementar a economia e a competitividade já começam a dar "sinais encorajadores", num relatório hoje divulgado sobre que avalia as medidas tomadas também em Itália, Espanha e Grécia.
www.rtp.pt | 22-09-2014

A economia da Alemanha continua robusta, afirmou o Banco Central do país nesta segunda-feira, prevendo um final de ano positivo no geral apesar da desaceleração até o momento. Em seu relatório mensal para setembro, o BC afirmou que a indústria alemã foi impulsionada em julho pelo fato de que houve menos feriados escolares durante aquele [...]

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correiodobrasil.com.br | 22-09-2014
Uma economia saída de uma crise financeira, com os bancos em situação frágil e o consumo e o investimento muito abaixo da oferta. É assim a zona euro de hoje e era assim o Japão dos anos 90 do século passado, antes de cair na armadilha da deflação.
www.publico.pt | 21-09-2014

BERLIM - Os fundos não utilizados no mecanismo de resgate da zona do euro poderiam ser usados para aumentar o investimento em todo o continente e ajudá-lo a se recuperar da pior crise financeira em uma geração, de acordo com uma reportagem de um jornal alemão neste sábado.

O Sueddeutsche Zeitung diz que especialistas aconselhando o novo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, querem o dinheiro que o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) não precisa atualmente para ajuda financeira para ser reservado para investimentos.

Juncker tem como objetivo apresentar um plano de investimento de € 300 bilhões em novembro, sem a criação de nova dívida para ajudar a Europa a se recuperar da recessão, com as pessoas voltando ao trabalho e impulsionando o crescimento.

Com a economia da Europa lutando para se recuperar da recessão e desemprego, os Estados-membros da União Europeia encarregaram a Comissão Europeia e o Banco Europeu de Investimento (BEI) de propor projetos que gerem crescimento.

Sob o plano, cerca de € 80 bilhões de euros do capital pago no ESM poderia ser colocado em um fundo de investimento sob a administração do Banco Europeu de Investimento. O BEI, que foi chamado para fazer mais para ajudar o crescimento europeu, poderia então usar esses fundos para os seus projetos de infraestrutura, segundo o jornal.

oglobo.globo.com | 20-09-2014
A presidente da Reserva Federal dos EUA, Janet Yellen, defendeu esta quarta-feira que a economia europeia continua a ser um perigo para o resto do mundo devido ao seu crescimento extremamente vagaroso e baixa inflação.
feeds.jn.pt | 17-09-2014

RIO - O desenvolvimento da produção da área de Libra, no pré-sal na Bacia de Santos, vai exigir investimentos de US$ 80 bilhões nos próximos anos para o consórcio vencedor da licitação realizada pelo governo ano passado (Petrobras, Shell, Total, CNPC e CNOOC). A informação foi dada nesta terça-feira pelo vice-presidente das Américas de Exploração e Produção da petroleira francesa Total, Ladislaz Paszkiewcz.

A Total tem 20% do consórcio que vai explorar a área de Libra, que tem reservas estimadas entre 8 bilhões a 12 bilhões de barris de petróleo. O consórcio já começou a perfurar o primeiro poço no mês passado e pretende perfurar um segundo até o fim do ano.

O executivo, que está participando da Rio Oil & Gas, se mostrou bastante otimista com relação ao aumento das atividades da companhia francesa nas atividades exploratórias no Brasil. Paszkiewcz destacou que, nos últimos cinco anos, cerca de 40% das descobertas mundiais de petróleo foram feitas no Brasil. Em razão disso, a Total veio para o país em 2010 e no ano passado já arrematou dez blocos exploratórios na 11ª rodada de licitações feitas pelo governo.

— Há um grande potencial (de investimentos) no país, e com certeza muito petróleo a ser descoberto — disse Paszkiewcz.

O executivo disse que os preços do petróleo têm se estabilizado na faixa de US$ 100 o barril e que certamente ficará nesse nível nos próximos cinco anos. Isso por que a demanda deverá se retrair na Europa, além do fato do aumento da produção em outras regiões, como nos Estados Unidos.

Os executivos da Total presentes ao evento evitaram fazer críticas à atual política para o setor de petróleo, assim como fizeram na última segunda-feira executivos da Shell. Na ocasião a empresa levantou questões como a alta e complexa carga tributária e a questão do conteúdo local como algumas das questões que precisam ser aprimoradas para aumentar a atratividade do Brasil.

O presidente da Total no Brasil, Denis Besset, ao ser perguntado sobre o assunto disse apneas que “esta é uma discussão muito longa”.

oglobo.globo.com | 16-09-2014

RIO - Ter uma instituição entre as principais do mundo requer investimentos altíssimos em pesquisadores e forte internacionalização. A receita é da consultoria britânica Times Higher Education (THE), que, pela primeira vez, detalhou características das melhores 200 instituições de seu Ranking Mundial de Universidades feito anualmente. O levantamento completo será divulgado em 1º outubro, mas a entidade já adiantou alguns dados.

Segundo o estudo, em média, essas universidades têm uma receita anual de US$ 751.139 por pesquisador. Já o montante anual gerado por pesquisas é de US$ 229,109 por pesquisador. Além disso, elas contam com forte internacionalização, com cerca de 19% de seu corpo de alunos formado por estrangeiros e 43% das pesquisas publicadas com co-autoria internacional. Além disso, 20% dos funcionários dessas instituições são de outros países. Já a relação de alunos por profissionais que atuam nessas universidades é de 11,7 por um.

No ranking mundial do ano passado, o Instituto de Tecnologia da Califórnia encabeçou a relação, à frente das prestigiadas universidades de Harvard e Oxford. O Brasil ficou de fora das 200 primeiras. Apesar da USP ter ficado com a 158ª posição em 2012, ela escorregou para 226ª em 2013. Outra brasileira mencionada foi a Unicamp, em 275º lugar.

O editor do estudo, Phil Baty, ponderou que não existe um modelo único de sucesso, diante da infinidade de características e tamanhos das instituições. Entretanto, ele acredita que os dados divulgados nesta segunda-feira fornecem indicações claras para governos e gestores interessados na construção de uma universidade de classe mundial.

— Em primeiro lugar, é preciso ter uma boa verba assegurada. É essencial para pagar bons salários, atrair e reter os principais estudiosos e construir as instalações necessárias. Em segundo, deve-se proporcionar um ambiente de ensino íntimo e intenso, onde alunos possam conviver adequadamente com os principais professores — comenta.

Por último, Baty cita a internacionalização, que considera ser a questão mais importante:

— Uma universidade de classe mundial deve ser realmente internacional, atraindo os profissionais mais talentosos e estudantes de toda parte do mundo, para que possa unir as pessoas a partir de uma gama de diferentes culturas e origens, capazes de combater de maneira compartilhada os desafios globais. É preciso trabalhar e pensar além das fronteiras nacionais.

VEBRA COMO GARGALO

A pró-reitora de graduação da UFRJ, Ângela Rocha, afirma que, financeiramente, a realidade da instituição ainda é muito distante da observada pela THE no top 200. Por exemplo, se a média da receita gerada pelas pesquisas apontada no levantamento fosse aplicada à UFRJ, o resultado seria um montante de R$ 920 milhões só neste recorte, levando-se em consideração que há cerca de dois mil acadêmicos na instituição. Mas, atualmente, a verba de custeio da universidade, que é a principal fonte de financiamento de pesquisas, além de também ser destinada a gastos como manutenção e contratos, é de R$ 350 milhões.

— De 2006 para cá, a UFRJ aumentou em mais de 50% o número de alunos. Mas esse esforço tem que ser acompanhado por um investimento proporcional. De fato, nossa verba aumentou, se levarmos em consideração que a instituição tinha R$ 45 milhões de custeio em 2002. Mas o aumento ainda é pouco, diante da pressão por políticas de e assistência estudantil e novas instalações — diz. — É nosso papel estar na vanguarda, mas atingir esse posto exige orçamentos contínuos e cada vez maiores.

No que diz respeito à internacionalização, os números da UFRJ também ficam muito aquém. Entre os alunos, por exemplo, apenas cerca de 3% são de outros países. Mas, neste caso, a professora está otimista para os próximos anos:

— Criou-se recentemente o Conselho de Relações Internacionais e estamos aprovando um plano de desenvolvimento institucional para a internacionalização. Com isso, teremos metas definidas e o estímulo ao aumento de intercâmbio de profissionais e alunos.

BUROCRACIA

O professor da Universidade Federal da Bahia Robert Verhine, que é doutor em educação comparada e economia da educação, lembra que, além da verba insuficiente, a universidades também enfrentam problemas com a burocracia.

— Há muitos mecanismos de controle que limitam a utilização por parte dos pesquisadores. Então, não conseguimos fazer o melhor uso possível dos recursos — diz.

Sobre a internacionalização, Verhine afirma que ainda falta criar mecanismos concretos que tornem as universidades brasileiras atraentes para alunos e professores estrangeiros. É o caso de oferecer abrigo, orientação e suporte a esse público, estabelecendo uma cultura neste sentido. O professor, que é natural da Califórnia, nos Estados Unidos, conta que viu muito pouco ser feito no país acerca deste assunto, apesar de uma movimentação maior nos últimos anos.

— Há 37 dou aulas no Brasil e só recentemente orientei um aluno vindo de outro país, que era do Timor Leste. Se estivesse numa universidade da Europa ou dos Estados Unidos, isso já teria acontecido outras vezes — exemplifica. — Se quiser reconhecimento internacional, o Brasil precisa investir nesta área, pois são estas pessoas que levam o nome das instituições para o mundo.

VALORES FRÁGEIS

Para o pró-reitor da Fundação Getúlio Vargas, Antônio Freitas, os dados apresentados pela THE são muito frágeis e desviam o foco para um modelo especifico de instituições. São universidades de ponta, cujos modelos e práticas não se assemelham ao que é feito no Brasil.

É o caso da geração de receitas por meio de pesquisas. No país, a maior parte delas ainda está vincula a investimentos do governo federal ou restrita às universidades particulares de excelência. Além disso, apenas as instituições realmente grandes conseguem atingir cifras tão altas.

— Os valores de uma universidade devem estar relacionados à realidade de seu país. Se para algumas é importante levar o homem à Lua, para outras o trabalho mais importante pode ser encontrar a cura do ebola ou despoluir um rio — ilustra. — A excepcionalidade não se mede pela quantidade de pesquisas nem pelo valor financeiro. O que importa é a relevância.

oglobo.globo.com | 15-09-2014

A União Europeia buscou formas de injetar bilhões de euros na sua enfraquecida economia sem aprofundar suas dívidas, considerando opções que vão de um mercado de capitais pan-europeu até um grande fundo de investimentos. Com a economia europeia com dificuldades para se recuperar da pior crise financeira da atual geração, os ministros das Finanças da UE pediram à Comissão Europeia, braço executivo do bloco e ao Banco Europeu de Investimentos (BEI) que montassem uma lista de projetos de crescimento econômico e decidissem como financiá-los.

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correiodobrasil.com.br | 14-09-2014

FRANKFURT - O Federal Reserve, banco central americano, pode dar sinais mais claros a respeito da elevação da taxa de juros na próxima semana. Com a economia dos Estados Unidos retomando seus ritmo, a instituição está cada vez mais próxima de subir os juros pela primeira vez em mais de oito anos, em um movimento que causará reflexos ao redor do mundo. A informação deve ser divulgada nesta quarta-feira depois da reunião dos diretores do banco.

— Nós estamos entrando em uma nova fase na qual o Fed está tentando fazer as coisas voltarem ao normal. Isso pode mandar reverberações nas economias ao redor do mundo — disse Paul Dales, da consultoria econômica Capital Economics. — Parece um negócio fechado que eles vão aumentar a taxa de juros.

A presidente do BC americano, Janet Yellen - Andrew Harrer / Bloomberg

O cenário é distinto do visto na Europa, onde o Banco Central Europeu segue na direção oposta em uma tentativa de estimular o crescimento e a inflação. Os EUA estão se recuperando dos efeitos de uma crise financeira que acertou em cheio a Europa e atrapalhou o desempenho da economia da China.

A recuperação dos Estados Unidos, que se deve, em grande parte, ao dinheiro barato do Fed, faz com que, agora, a presidente do banco central americano, Janet Yellen, tenha que decidir quando suspender o auxílio.

Decidir quando aumentar o custo dos empréstimos na maior economia do mundo — um movimento esperado para o próximo ano — é um delicado ato de equilíbrio.

Yellen e outros especialistas tentarão descobrir como manter a recuperação econômica em um ritmo estável sem interrompê-lo antes que os efeitos da ascenção econômica levem a salários mais altos.

REFLEXOS NA Europa

Para alguns economistas, o eventual aumento nos juros americanos vai ser uma boa notícia para a Europa.

— Isso vai ajudar a enfraquecer o euro, e um euro mais fraco vai ajudar países como Irlanda, Portugal e Espanha a vender mais para o resto do mundo — opina Philip Lane, um economista da Trinity College Dublin.

Contudo, para outros, como o economista-chefe do banco alemão Commerzbank, Joerg Kraemer, o contraste vai ressaltar as fraquezas europeias:

— Os Estados Unidos estão muito mais além do que a Europa. Qualquer esperança de melhoras econômicas aqui (na Europa) desapareceram durante o verão — afirmou.

oglobo.globo.com | 14-09-2014

BRASÍLIA - A demanda em alta por produtos e serviços feitos de forma social, ambiental e politicamente correta propiciou o surgimento de um novo mercado: o de empresas cujo trabalho é auxiliar outras companhias a cumprirem requisitos de sustentabilidade. São, na maioria, firmas de micro ou de pequeno porte, criadas há menos de dez anos e, em muitos casos, com atuação no Brasil e no exterior. Apesar do tamanho, costumam ter grandes grupos econômicos como clientes e áreas de atuação tão diversas que vão do tratamento de ambientes, alimentos e fluidos até cosméticos não testados em animais e fornecimento de tecidos ecológicos, entre outras atividades.

A Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e a Fundação Getulio Vargas (FGV) têm uma parceria para apoiar empresas com projetos do gênero interessadas em exportar. De 58 candidatas, 12 micro e pequenas empresas conseguiram entrar no programa. Juntas, elas têm um faturamento aproximado de R$ 36 milhões e contratam 211 funcionários.

— Essas empresas são para o mundo e não só para o mercado brasileiro. Fazem parte da chamada nova economia. São empresas pequenas, que atendem gigantes — explica a diretora de Sustentabilidade da Apex, Adriana Rodrigues.

Marcelo Ebert, da Terpenoil, explica a clientes que natural não é mais caro - / Divulgação

Paulo Branco, coordenador do Centro de Estudos de Sustentabilidade da FGV, afirma que as empresas, apesar do pequeno porte, têm grande agilidade para promover inovação. Segundo ele, há um esforço internacional para aumentar o fluxo de capital para a chamada economia verde.

— Estamos identificando o que existe de recursos e os principais gargalos — acrescenta.

NATURAL NÃO É SINÔNIMO DE CARO

E até o ar entra nesse negócio. A Brasil Ozônio fabrica o gás de cor azul claro, que permeia e protege a Terra a partir de moléculas de oxigênio. Capaz de matar qualquer tipo de micro-organismo, como vírus e bactérias, o ozônio é usado para esterilizar material cirúrgico, higienizar alimentos e até limpar piscinas, como a da Granja do Torto, uma das residências oficiais da presidência da República.

— Nossa matéria-prima é o ar e nosso processo é 100% correto ambientalmente. Tratamos tanto o poço artesiano como o esgoto — diz Samy Menasce, da Brasil Ozônio.

Já a Terpenoil, empresa de tecnologia orgânica, substitui produtos de origem petroquímica e sintética por equivalentes naturais. O leque de atividades é amplo: de limpeza automotiva a tratamento de ar e emissões. O desafio, segundo Marcelo Ebert, diretor executivo da empresa, é explicar que natural não é sinônimo de mais caro:

— Vivo meu dia a dia para fazer um trabalho de convencimento, para mostrar que isso não é verdade. Nossos produtos chegam a ser 5% a 10% mais baratos.

A presença destes serviços já pode ser vista até em camisetas. Os designers Claudio Rocha e Marisa Ferragutt, viram em 2009 que havia espaço para produtos têxteis originalmente sustentáveis. Hoje, a empresa já fez o revestimento de cadeiras VIP do Maracanã e tem como clientes Alexandre Herchcovitch, Levi's, Osklen, Coca-Cola, Klin, Micasa, Alpargatas, Converse, Adidas, Reserva e Tok&Stok.

— O consumo moderno e o do futuro procuram minimizar impactos ambientais, com tecnologia, reuso, evitando o desperdício e o lucro às custas de mão de obra tratada de maneira indigna. Repetir o tratamento dado ao trabalhador chinês, por exemplo, para reduzir custos é a antítese do sustentável — diz Rocha.

NÃO BASTA PARECER

O setor de cosméticos é um dos mais visados, em razão das críticas recorrentes aos testes com animais. A vigilância começa desde os insumos usados nestes produtos. De olho neste nicho, a Ikov Organics, fornece ingredientes vegetais, orgânicos e especiais para indústrias cosméticas, farmacêuticas e alimentícias.

— A empresa nasceu do interesse de atuar de forma sustentável na cadeia produtiva de óleos vegetais nobres, obtidos por meio de prensagem à frio. Não utilizamos qualquer aditivo químico - conta ele, acrescentando que a empresa está presente nos Estados Unidos, no Canadá, na França, na Estônia, na Lituânia e já fechou contratos com Austrália e Emirados Árabes.

Hoje, já não basta parecer sustentável, é preciso ser capaz de comprovar a origem do produto. É nessa seara que atua a Safe Trace. A empresa rastreia alimentos, de castanhas produzidas no Pará a bovinos exportados para a União Europeia e outros mercados.

— A rastreabilidade é uma ferramenta de comprovação de sustentabilidade. Empresas que compram do Brasil estão preocupadas em saber, entre outras coisas, se o produto saiu de um desmatamento ilegal ou se havia trabalho escravo — ensina Vasco Picchi, diretor executivo da Safe Trace.

Sua equipe presta consultoria a empresas nacionais e estrangeiras. Vai a campo com papel, caneta, brincos com chip de computador (que podem ser colocados no bovino) e fornece informações aos solicitantes.

— As empresas estrangeiras estão em busca de fornecedores confiáveis no Brasil — diz Picchi.

oglobo.globo.com | 14-09-2014

BRASÍLIA - A demanda em alta por produtos e serviços feitos de forma social, ambiental e politicamente correta propiciou o surgimento de um novo mercado: o de empresas cujo trabalho é auxiliar outras companhias a cumprirem requisitos de sustentabilidade. São, na maioria, firmas de micro ou de pequeno porte, criadas há menos de dez anos e, em muitos casos, com atuação no Brasil e no exterior. Apesar do tamanho, costumam ter grandes grupos econômicos como clientes e áreas de atuação tão diversas que vão do tratamento de ambientes, alimentos e fluidos até cosméticos não testados em animais e fornecimento de tecidos ecológicos, entre outras atividades.

A Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e a Fundação Getulio Vargas (FGV) têm uma parceria para apoiar empresas com projetos do gênero interessadas em exportar. De 58 candidatas, 12 micro e pequenas empresas conseguiram entrar no programa. Juntas, elas têm um faturamento aproximado de R$ 36 milhões e contratam 211 funcionários.

— Essas empresas são para o mundo e não só para o mercado brasileiro. Fazem parte da chamada nova economia. São empresas pequenas, que atendem gigantes — explica a diretora de Sustentabilidade da Apex, Adriana Rodrigues.

Marcelo Ebert, da Terpenoil, explica a clientes que natural não é mais caro - / Divulgação

Paulo Branco, coordenador do Centro de Estudos de Sustentabilidade da FGV, afirma que as empresas, apesar do pequeno porte, têm grande agilidade para promover inovação. Segundo ele, há um esforço internacional para aumentar o fluxo de capital para a chamada economia verde.

— Estamos identificando o que existe de recursos e os principais gargalos — acrescenta.

NATURAL NÃO É SINÔNIMO DE CARO

E até o ar entra nesse negócio. A Brasil Ozônio fabrica o gás de cor azul claro, que permeia e protege a Terra a partir de moléculas de oxigênio. Capaz de matar qualquer tipo de micro-organismo, como vírus e bactérias, o ozônio é usado para esterilizar material cirúrgico, higienizar alimentos e até limpar piscinas, como a da Granja do Torto, uma das residências oficiais da presidência da República.

— Nossa matéria-prima é o ar e nosso processo é 100% correto ambientalmente. Tratamos tanto o poço artesiano como o esgoto — diz Samy Menasce, da Brasil Ozônio.

Já a Terpenoil, empresa de tecnologia orgânica, substitui produtos de origem petroquímica e sintética por equivalentes naturais. O leque de atividades é amplo: de limpeza automotiva a tratamento de ar e emissões. O desafio, segundo Marcelo Ebert, diretor executivo da empresa, é explicar que natural não é sinônimo de mais caro:

— Vivo meu dia a dia para fazer um trabalho de convencimento, para mostrar que isso não é verdade. Nossos produtos chegam a ser 5% a 10% mais baratos.

A presença destes serviços já pode ser vista até em camisetas. Os designers Claudio Rocha e Marisa Ferragutt, viram em 2009 que havia espaço para produtos têxteis originalmente sustentáveis. Hoje, a empresa já fez o revestimento de cadeiras VIP do Maracanã e tem como clientes Alexandre Herchcovitch, Levi's, Osklen, Coca-Cola, Klin, Micasa, Alpargatas, Converse, Adidas, Reserva e Tok&Stok.

— O consumo moderno e o do futuro procuram minimizar impactos ambientais, com tecnologia, reuso, evitando o desperdício e o lucro às custas de mão de obra tratada de maneira indigna. Repetir o tratamento dado ao trabalhador chinês, por exemplo, para reduzir custos é a antítese do sustentável — diz Rocha.

NÃO BASTA PARECER

O setor de cosméticos é um dos mais visados, em razão das críticas recorrentes aos testes com animais. A vigilância começa desde os insumos usados nestes produtos. De olho neste nicho, a Ikov Organics, fornece ingredientes vegetais, orgânicos e especiais para indústrias cosméticas, farmacêuticas e alimentícias.

— A empresa nasceu do interesse de atuar de forma sustentável na cadeia produtiva de óleos vegetais nobres, obtidos por meio de prensagem à frio. Não utilizamos qualquer aditivo químico - conta ele, acrescentando que a empresa está presente nos Estados Unidos, no Canadá, na França, na Estônia, na Lituânia e já fechou contratos com Austrália e Emirados Árabes.

Hoje, já não basta parecer sustentável, é preciso ser capaz de comprovar a origem do produto. É nessa seara que atua a Safe Trace. A empresa rastreia alimentos, de castanhas produzidas no Pará a bovinos exportados para a União Europeia e outros mercados.

— A rastreabilidade é uma ferramenta de comprovação de sustentabilidade. Empresas que compram do Brasil estão preocupadas em saber, entre outras coisas, se o produto saiu de um desmatamento ilegal ou se havia trabalho escravo — ensina Vasco Picchi, diretor executivo da Safe Trace.

Sua equipe presta consultoria a empresas nacionais e estrangeiras. Vai a campo com papel, caneta, brincos com chip de computador (que podem ser colocados no bovino) e fornece informações aos solicitantes.

— As empresas estrangeiras estão em busca de fornecedores confiáveis no Brasil — diz Picchi.

oglobo.globo.com | 14-09-2014
Uma alteração ao modelo vigente (e proposto) não trará qualquer benefício tangível.
www.publico.pt | 14-09-2014

A multiplicidade de nações adjacentes fez da Economia da Europa uma das mais complexas do planeta. Durante séculos a Europa foi o centro econômico do planeta. Entre as causas, podemos citar como a principal sua condição geográfica. A localização entre a África e a Ásia, fez da região europeia um ponto de passagem obrigatório, e facilitou de forma substancial a absorção e irradiação dos conhecimentos, tecnologia e comércio de ambos continentes. Esta condição perdurou até ao século XX. No século XX, a Europa viu seu predomínio declinar em relação aos Estados Unidos, o Japão e, na fase final, a China. A Primeira e Segunda guerra mundial, travadas em seu território, a carência de energia, de petróleo, além de uma intensa rivalidade entre seus povos, representaram para o continente a perda de sua liderança econômica. A Europa não tem auto-suficiência na produção de energia, exigindo a importação de muito petróleo. Este produto só é extraído em quantidades consideráveis na Rússia e no Mar do Norte. O gás natural, outro produto bastante usado na geração e produção de energia é muito abundante na Rússia, Romênia, Países Baixos e no Reino Unido. Outro recurso energético que teve grande importância nas fases iniciais da revolução industrial foi o carvão mineral, muito abundante, sobretudo na Alemanha, Polônia, Rússia, Reino Unido. Todas estas fontes energéticas são extremamente poluidoras e causam grandes impactos ambientais em todo o planeta. No caso da energia limpa, ou seja, não poluidora, podem ser citadas a energia hidráulica, energia eólica, e energia solar, de baixa produção e utilização da Europa, devido às suas condições geográficas. A produção de energia nuclear na Europa é muito importante, e, a exemplo dos Estados Unidos, gera imensas quantidades de lixo atômico, cujo fim, desde o início de sua utilização, é muito nebuloso e nunca divulgado na mídia mundial.


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