i
Français | English | Español | Português

Europa Economia

A União Europeia pediu que seus Estados membros aproveitem a economia em recuperação do bloco para fortalecer suas finanças públicas e promover reformas que busquem combater a desigualdade social.O conselho veio na orientação político-econômica para os 28 Estados-membros do bloco, que foi publicada pela Comissão Europeia. Ela recomendou "aumentar os investimentos, prosseguir com reformas estruturais e garantir políticas fiscais responsáveis". [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 22-05-2017
Emmanuel Macron assumiu neste domingo como presidente da França. Aos 39 anos, o político pretende liderar esforços para reformar a economia francesa e consolidar a força da União Europeia.No início de uma cerimônia no Palácio do Eliseu, Macron caminhou em um tapete vermelho na direção de François Hollande, o presidente que deixa o cargo. Hollande, que ficou no poder entre 2012 e 2017, foi mentor de Macron quando este foi ministro da Economia (2014-2016). [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 14-05-2017
As empresas portuguesas devem aproveitar as oportunidades abertas com o crescimento da economia mundial e, em particular, da europeia, para onde vão 75% das nossas exportações, para fazer negócios, defendeu o presidente da Comissão Executiva do Santander Totta.
feeds.jn.pt | 12-05-2017
As conversas para um acordo bilateral entre o Mercosul e a União Europeia estão avançadas e o documento final pode ser assinado no começo de 2018, afirmou nesta quinta-feira, 11, o subsecretário geral de assuntos econômicos e financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Carlos Márcio Cozendey.Já as conversas comerciais do Brasil com o México estão "bastante difíceis", disse ele durante seminário do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 11-05-2017

PARIS - O 1º de Maio na França foi marcado por um duelo à distância entre os dois candidatos que disputam o segundo e decisivo turno da eleição presidencial, no próximo domingo. Em seus respectivos comícios, o centrista Emmanuel Macron, do movimento Em Marcha!, e a líder da extrema-direita, Marine Le Pen, da Frente Nacional (FN), multiplicaram ataques recíprocos para desacreditar o adversário e convencer eleitores indecisos e absenteístas nesta reta final do pleito.

Na pesquisa Kantar-Sofres-OnePoint divulgada ontem, Macron diminuiu sua vantagem, mas permanece como o favorito na corrida presidencial contra Le Pen: venceria por 59% a 41%. No Dia do Trabalho, manifestações convocadas por associações e sindicatos resultaram em confrontos de black blocs com as forças de ordem em Paris, com seis policiais feridos e cinco agressores detidos. França cont

A candidata da direita radical abriu o embate ao reunir milhares de simpatizantes em Villepinte, em Seine-Saint-Denis, ao norte de Paris, ao aludir à célebre declaração do então candidato à Presidência François Hollande, em 2012, em que apontou como seu maior inimigo “o mundo da finança”.

— Hoje, o adversário do povo francês ainda é o mundo da finança — disse Le Pen. — Mas desta vez, ele tem um nome, um rosto, um partido, e ele apresenta sua candidatura e todos sonham em vê-lo eleito: ele se chama Emmanuel Macron. Monsieur Macron adotou como slogan “A França reunida”. Seria mais sincero dizer “A finança reunida”.

Le Pen definiu seu oponente como um legítimo herdeiro do governo atual, do qual ele foi ministro da Economia antes de se demitir para lançar seu próprio movimento, e ironizou suas reais preocupações se eleito para o Palácio do Eliseu:

— Macron é Hollande que se agarra ao poder. E pensa mais do que tudo no status de primeira-dama. (...). No 7 de maio, eu os convoco a fazer barragem à finança, à arrogância e ao “dinheiro-rei” — concluiu antes de entoar a Marselhesa, o Hino Nacional francês.

Jean-Marie Le Pen, pai de Marine e um dos fundadores da FN (hoje afastado do partido pela filha), fez seu tradicional discurso de 1º de Maio ao pé da estátua de Joana d’Arc na Praça des Pyramides, na capital francesa, e não poupou o desafiante da filha.

— Macron é um Hollande bis. Ele nos fala de futuro, mas não tem filhos. Ele nos fala dos trabalhadores, mas é um ex-banqueiro do Rothschild. Ele quer dinamizar a economia, mas faz parte daqueles que a dinamitaram — disparou, referindo-se a Marine como uma “mãe de família patriótica e engajada há anos ao serviço do país”.

Em seu discurso de campanha num centro de eventos na Porte de la Villette, em Paris, Macron replicou a pai e filha.

— Sinto em nosso país um imenso temor sobre o futuro das famílias. Eu seria um inimigo porque a minha é um pouco diferente, o que assumo plenamente? — indagou, mirando na plateia sua mulher Brigitte, 24 anos mais velha do que ele. — Sim, há na França muitas famílias, casais de mesmo sexo e de sexos diferentes, há filiações diferentes e há muito amor. Eu protegerei todas as famílias, pois dois homens e duas mulheres que se amam são também famílias. Monsieur Le Pen, eu tenho filhos e netos de coração. É uma filiação que se constrói, e que o senhor não terá!.

O candidato também explorou as recentes hesitações de sua adversária em relação a um dos pontos de referência do programa da FN: a saída da França da zona euro. Nos últimos dias, Le Pen suavizou seu discurso, acenou com negociações mais amplas e duradouras com a União Europeia, e mesmo com a coabitação de duas moedas no país, o franco e o euro.

— Eles nos explicam que não vão sair de imediato do euro, que haverá uma moeda comum, que teremos o franco pela manhã e, à tarde, o euro, e que com estas cédulas de “Monopólio” as coisas serão melhores! É agora que está em jogo a herança intelectual, moral e política da França, mas também o futuro da Europa. Marine Le Pen quer tirar a França da Europa, do mundo e da História. A FN é o partido anti-França — atacou.

SOBRA ATÉ PARA MÉLENCHON

Neste 1º de Maio belicoso, sobrou também para Jean-Luc Mélenchon, que obteve 19,5% de votos no primeiro turno como candidato da frente de esquerda radical França Insubmissa. Mélenchon, que se recusa a indicar apoio, exigiu um gesto da parte de Macron, como a promessa de retirada de seu programa do projeto de reforma trabalhista, sob o argumento de que não se pode “pedir uma adesão sem nada oferecer”.

— Ouvi nestes últimos dias pedidos de modificação do meu programa, como “faça uma concessão, a união, e esqueça sua reforma do trabalho”. Não o farei. Os franceses votaram e escolheram o projeto que inclui estas reformas. Não vou traí-los renegando-as. Nós faremos estas reformas — garantiu Macron.

Segundo o Ministério do Interior, 142 mil pessoas — 280 mil para a central CGT — se manifestaram em toda a França pelo Dia do Trabalho. Em Paris, as manifestações reuniram 30 mil pessoas, segundo a polícia, e 80 mil, segundo os sindicatos. Os dois candidatos manifestaram solidariedade aos policiais feridos nas passeatas parisienses. Confrontos em Paris à margem de marcha pelo 1º de Maio

oglobo.globo.com | 02-05-2017

PARIS — Favorito às eleições presidenciais da França, o centrista Emmanuel Macron disse à BBC que a União Europeia (UE) deve passar por uma reforma ou, então, enfrentar a perspectiva do “Frexit” — em referência à possibilidade de um referendo sobre a saída francesa do bloco europeu. Embora seja centrista e pró-Europa, o candidato cita as mudanças como medida para amenizar o descontentamento com a UE, protagonista na campanha da sua rival da extrema-direita, Marine Le Pen. No domingo, os eleitores sairão às urnas para decidir qual dos dois candidatos será o próximo presidente.

— Eu sou pró-Europa. Defendi constantemente durante esta eleições a ideia europeia e as políticas eutopeias porque acredito que seja extremamente importante para a população francesa e para a posição do nosso país na globalização — disse Macron, líder do movimento En Marche!, à rede britânica. — Mas, ao mesmo temp, temos que enfrentar a situação, ouvir as nossas pessoas e atentar ao fato de que elas estão muito revoltadas e impacientes hoje. A disfunção da UE não é mais sustentável. Meu mandato será, ao mesmo tempo, para reformar em profundidade a União Europeia e nosso projeto europeu.

Por sua vez, Le Pen tem um discurso bem diferente. Com retórica ultranacionalista e xenofóbica, a líder da Frente Nacional (FN) defende que a França deixe a zona do euro e um referendo sobre o “Frexit”. Segundo a candidata, o país teve sua economia prejudicada pela adoção da moeda europeia, com a queda na produção industrial e nos índices de emprego. Além disso, quer fechar as fronteiras e frear bruscamente a imigração, frente à crise de refugiados na Europa.

Macron, ex-ministro de Economia entre 2014 e 2016 e ex-banqueiro, tenta alavancar sua campanha depois de um início ruim, quando se viu superado por Le Pen, que soube se vender como uma candidata muito próxima ao povo. Mas desde o domingo, quando passou ao segundo turno como o mais votado — com 24,03% dos votos — o candidato de 39 anos vem caindo vários pontos, segundo as pesquisas, que lhe dão uma vitória ainda confortável, mas cada vez mais estreita: o último levantamento o coloca com 59% das intenções de voto contra 41% de sua rival, diferença bem menor do que alguns institutos previam inicialmente.

No domingo, o candidato, que já tem o apoio de representantes dos dois partidos tradicionais — do presidente socialista François Hollande e de boa parte dos Republicanos (centro-direita) — recebeu o reforço do ex-ministro centrista Jean-Louis Borloo. E o líder da extrema-esquerda, Jean-Luc Mélenchon, que conseguiu 19,6% dos votos no primeiro turno, se pronunciou pela primeira vez contra o “terrível erro” de se votar em Le Pen, sem no entanto revelar se votará em branco ou em Macron.

— Não há ambiguidade na minha posição. Eu não votarei na Frente Nacional, eu combato a Frente Nacional. E digo a todos que me escutam: não cometam o terrível erro de colocar uma cédula de votação para a Frente Nacional.

Le Pen, por sua vez, anunciou no sábado que Nicolas Dupont-Aignan — candidato da direita eurofóbica, que terminou o primeiro turno em sexto lugar, com 4,7% dos votos — será o seu primeiro-ministro caso vença no dia 7 maio.

— A aliança entre os dois partidos de direita é simbolicamente importante, pois é a primeira vez que o FN formou um pacto com um partido político dominante — disse Hugh Schofield, correspondente da BBC em Paris.

oglobo.globo.com | 01-05-2017
Representantes da União Europeia (UE) fizeram neste fim de semana uma visita ao Irã que faz parte do acordo antinuclear fechado entre o país do Oriente Médio e os países desenvolvidos, apesar das ameaças dos EUA de revogar o acordo. Os europeus se comprometem a apoiar a economia iraniana. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 30-04-2017
Representantes da União Europeia (UE) fizeram neste fim de semana uma visita ao Irã que faz parte do acordo antinuclear fechado entre o país do Oriente Médio e os países desenvolvidos, apesar das ameaças dos EUA de revogar o acordo. Os europeus se comprometem a apoiar a economia iraniana. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 30-04-2017
O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, que se encontrou com a premiê britânica, Theresa May, na sexta-feira, afirmou que "continuará confiando" na economia do Reino Unido, mesmo após a saída do país da União Europeia.Abe acrescentou que manter a Europa aberta é algo de importância mundial. O líder japonês disse que espera que investidores de fora da UE possam ter "perspectivas de futuro claras" no decorrer do processo de separação. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 29-04-2017

Com os americanos ainda cautelosos no consumo, a economia americana cresceu 0,7% no primeiro trimestre, o ritmo mais lento desde 2014. O consumo das famílias avançou apenas 0,3%, em meio à queda de vendas no setor automobilístico. Os economistas, porém, veem o fraco desempenho da economia americana como um fenômeno temporário, à medida que os ganhos de renda tendem a se traduzir no aumento do consumo, que representa dois terços do PIB. Eles apostam que os EUA terão um comportamento semelhante ao de 2016, quando começaram mal, mas depois mantiveram uma expansão moderada ao longo do ano.

A França e o Reino Unido também apresentaram um desempenho débil no primeiro trimestre, com suas economias avançando apenas 0,3%. No caso francês, o fator eleitoral e o temor de uma vitória da extremista Marine Le Pen tiveram impacto nas decisões de investimento das empresas, revelando que a segunda maior economia da UE ainda é vulnerável ao risco político. Mas, dizem os especialistas, à medida que o candidato independente, Emmanuel Macron, apareça liderando as pesquisas, a tendência é de recuperação.

Em relação ao Reino Unido, cujo desempenho ficou abaixo das previsões, analistas apontam para os efeitos do Brexit, sobretudo o impacto sobre o consumo de um potencial aumento da inflação com o divórcio da UE. Em ambos os casos, a economia reagiu a aspectos pontuais, embora no caso britânico o custo do Brexit tenda a se alongar nos próximos anos.

Apesar desses resultados, o Fundo Monetário Internacional (FMI), em relatório sobre a economia global, vê sinais positivos em áreas essenciais, como investimento global, setor industrial e a confiança do consumidor. Apesar das ameaças geopolíticas, em especial o impasse entre EUA e Coreia do Norte, as eleições na França e na Alemanha e o processo do Brexit, associados ao aumento do protecionismo no comércio mundial, o Fundo vê EUA, Europa e Japão mostrando sinais sustentáveis de recuperação.

No plano das commodities, as cotações do petróleo avançaram em relação a 2016, elevando as taxas de inflação de patamares perigosamente baixos nos países desenvolvidos, e favorecendo as economias emergentes dependentes das exportações. Segundo o relatório do Fundo, a economia mundial deverá avançar este ano 0,10 ponto percentual, para 3,5%, o que, se confirmado, representará o ritmo mais acelerado de expansão em cinco anos.

Os prognósticos do FMI para a economia mundial este ano tornam ainda mais urgente a aprovação das reformas básicas da economia no Brasil. O país não pode mais se dar ao luxo de desperdiçar uma nova oportunidade de atrair investimentos que impulsionem de vez a recuperação.

oglobo.globo.com | 29-04-2017
O governo da Alemanha elevou ligeiramente sua projeção de crescimento econômico para este ano, afirmando que a maior economia da Europa está crescendo com firmeza.A economia alemã deverá expandir 1,5% este ano e 1,6% em 2018, segundo a ministra da Economia, Brigitte Zypries. Em janeiro, o governo projetou crescimento de 1,4% em 2017. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 26-04-2017

RIO - O regime fascista de Benito Mussolini não queria criar um mártir. Em 24 de abril de 1937, após dez anos e cinco meses de prisão, decidiu soltar Antonio Gramsci, principal liderança do Partido Comunista Italiano (PCI). Após uma década de maus tratos no cárcere, Gramsci, de saúde frágil desde a infância, já estava condenado. Morreu três dias depois, numa clínica em Roma, aos 46 anos. Sem nunca ter publicado um livro em vida, tornou-se um dos mais influentes pensadores do século XX, com sua original e heterodoxa contribuição ao marxismo. E, 80 anos após sua morte, seus trabalhos são lidos, relidos e, em alguns casos, até “reescritos”.

Desde a década de 1990, ganharam força as pesquisas que buscam reconstituir a produção de Gramsci à luz da filologia histórica. Seguindo essa linha, a partir de 2007 começou a ser editada na Itália a “Edição nacional dos escritos de Antonio Gramsci”, sob responsabilidade da Fundação Instituto Gramsci, com objetivo de estabelecer a versão definitiva de todos os seus manuscritos. Esse trabalho vem dando novo impulso aos estudos da obra do pensador italiano, agora livre das amarras políticas do século passado, como é o caso de dois livros recém-lançados no Brasil: o ambicioso “Dicionário gramsciano”, organizado por Guido Liguori e Pasquale Voza, e “Modernidades alternativas: o século XX de Antonio Gramsci”, de Giuseppe Vacca, ex-diretor do Instituto Gramsci.

Isso porque, além dos cerca de 2 mil textos políticos e jornalísticos publicados na imprensa entre 1914 e 1926, a parte mais importante da produção do pensador italiano são os seus 33 cadernos manuscritos, feitos na prisão entre 1929 e 1935, mais conhecidos como “Cadernos do cárcere”. É no período de reclusão que Gramsci desenvolve seus conceitos mais conhecidos, como “hegemonia”, “revolução passiva”, “sociedade civil” e a “filosofia da práxis”. Contudo, pela própria natureza dos cadernos e pelas limitações impostas pelos fascistas, trata-se de uma “obra em progresso”, na definição de Liguori, professor da Universidade da Calábria e presidente da seção italiana da International Gramsci Society (IGS).

NA TRILHA DO TEXTO

Para Vacca, os esforços em torno da “Edição nacional” favoreceram a formação de uma nova geração de estudiosos que se dedicam a uma “leitura diacrônica” dos “Cadernos do cárcere”, reconstruindo suas conexões com a história europeia e mundial do século XX. Essa “leitura diacrônica” é uma forma de montar o mosaico do seu pensamento, já que o desenvolvimento dos seus conceitos está espalhado pelos cadernos.

— A “Edição nacional” é a primeira edição crítica integral dos escritos de Gramsci tratados com critérios exclusivamente filológicos e segundo o método histórico, sem sugerir nenhuma interpretação e restituindo textos e contextos de sua obra a seu tempo, como é obrigatório para um clássico do pensamento — afirma Vacca, que no seu “Modernidades alternativas” analisa alguns dos principais conceitos de Gramsci.

Na mesma trilha, o “Dicionário gramsciano” busca realizar um trabalho que o pensador italiano não teve tempo de concluir em vida: a sistematização de seus principais conceitos. Trata-se de um trabalho coletivo dos pesquisadores da IGS desde o ano 2000. No livro, trabalharam cerca de 60 especialistas e estudiosos, italianos e estrangeiros, incluindo brasileiros. Liguori vê um renascimento dos estudos gramscianos após o fim da União Soviética: "Depois do fim do PCI, o partido de Gramsci, e da União Soviética, o seu pensamento tem sido interpretado de um modo menos diretamente condicionado pela luta política."

— Depois do fim do PCI, o partido de Gramsci, e da União Soviética, o seu pensamento tem sido interpretado de um modo menos diretamente condicionado pela luta política. Nos países anglo-saxões, ele se tornou um autor de referência para os “Estudos culturais”, o que lhe deu fama, mas também mutilou grande parte de sua natureza política. Um caso interessante é o dos “estudos subalternos”, nascido na Índia, que difundiu por todo o mundo a categoria gramsciana de “classe subalterna”, em oposição à “classe hegemônica” — aponta Liguori.

Os “Cadernos do cárcere” foram editados pela primeira vez entre 1948 e 1949, após a Segunda Guerra Mundial, mas o texto sofreu diversas alterações e censuras devido às discordâncias de Gramsci com a linha política adotada pelo PCI, à época comandado por Palmiro Togliatti. A primeira edição crítica dos “Cadernos” só foi publicada na Itália em 1975, graças ao trabalho de Valentino Gerratana. A partir daquela década, segundo Vacca, houve apropriações equivocadas das ideias de Gramsci com objetivos políticos imediatos. Ele cita a “presumida hegemonia neoliberal”, que não leva em conta que o conceito gramsciano de hegemonia implica “a capacidade das classes dominantes de produzir estabilidade e gerar consenso”.

RECEPÇÃO BRASILEIRA

No Brasil, a situação foi parecida. Um dos tradutores da edição brasileira dos “Cadernos” (Civilização Brasileira), ao lado de Carlos Nelson Coutinho e Luiz Sérgio Henriques, o professor Marco Aurélio Nogueira, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), afirma que o contexto brasileiro do final das décadas de 1970 e 1980 influenciou a recepção das ideias gramscianas.

— Havia muita resistência ao pluralismo e ao valor intrínseco da democracia, em torno do qual não deveria haver disputas. O marxismo brasileiro também era raso, sobretudo na reflexão política — diz Nogueira. — Além do mais, Gramsci é um pensador marxista heterodoxo e de difícil assimilação. São coisas que fazem com que ele gere tantas controvérsias.

Contudo, o professor aponta que as suas ideias foram decisivas para encaminhar os grupos de esquerda em direção à luta democrática contra a ditadura. Esse movimento estava alinhado com a própria reorientação política dos partidos comunistas na Itália, na França e na Espanha, repercutidas no Brasil por intelectuais chamados então de “eurocomunistas”. O marxismo gramsciano deu à esquerda uma concepção “processual” da reforma social, ou seja, uma ideia de “revolução socialista” que se faria mediante processo de longo prazo e não de “explosões”.

— O marxismo gramsciano deu à esquerda uma concepção “processual” da reforma social, ou seja, uma ideia de “revolução socialista” que se faria mediante processo de longo prazo e não de “explosões”. Isso impulsionou a passagem de praticamente todas as correntes para o campo democrático — explica Nogueira. — Sem o estímulo fornecido pela sua “plataforma” política e intelectual, é provável que a história da transição tivesse sido diferente.

Gramsci viveu e produziu no conturbado período entreguerras, num mundo chacoalhado pela Revolução Russa de 1917 e pela ascensão do fascismo — do qual foi vítima — na Itália, e do nazismo na Alemanha. Morto em 1937, não viu a queda dos seus algozes nem a crise do regime comunista soviético, que já criticava no início dos anos 1930. No presente de crises e ascensão da extrema-direita na Europa, os estudiosos concordam que Gramsci segue atual.

— Gramsci diz que o poder está assentado muito mais nos aspectos “hegemônicos” do que no aparato “repressivo”. Ele também não tinha uma visão ingênua da democracia: um consenso sobre um programa político deve ser criado bem antes do dia da eleição — diz Liguori.

Já Vacca acredita que o mundo do século XXI é marcado, mais do que pela globalização e sua crise, por um conflito econômico que corre o risco de se tornar uma guerra de verdade. E recorre às categorias gramscianas.

— Essa situação teve origem na crise do sistema mundial do segundo pós-guerra, culminada pela implosão da União Soviética. que havia permitido décadas de estabilidade, e no surgimento de um conflito econômico mundial que se caracteriza pelo crescente conflito do "cosmopolitismo" da economia e o "nacionalismo" da política. Superado o velho sistema hegemônico mundial, não se formou nenhum outro novo e, portanto, volta à cena a equação entre a política e a guerra.

oglobo.globo.com | 26-04-2017

PARIS — Veterano da extrema-direita francesa, Jean-Marie Le Pen criticou nesta terça-feira a campanha da sua filha, Marine Le Pen, na corrida presidencial francesa. Embora não seja a favorita, a candidata da ultranacionalista Frente Nacional (FN), com seu forte discurso xenófobo, se saiu vitoriosa no primeiro turno de domingo e enfrentará o centrista Emmanuel Macron na votação final. O seu pai, no entanto, afirmou que ela deveria ter feito uma campanha ainda mais agressiva, seguindo o exemplo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. frança

— Acho que a campanha dela foi muito contida. Se eu estivesse em seu lugar, teria feito uma campanha do tipo Trump, mais aberta, muito agressiva contra os responsáveis pela decadência de nosso país, seja da esquerda ou da direita — disse Jean-Marie Le Pen, de 88 anos, à rádio RTL.

A intervenção do fundador da FN veio após a filha ter anunciado, na segunda-feira, seu afastamento temporário da liderança da sua legenda radical. Uma briga entre os dois levou à sua expulsão da legenda em 2015, depois que o político fez duros comentários sobre o Holocausto. França: os pontos fracos de Le Pen e Macron

Le Pen tenta se desassociar da imagem racista e antissemita do seu partido, mas mantém um discurso muito agressivo. Na campanha, prometeu acabar com a imigração legal; bloquear a liberação de vistos de longo prazo; restringir os benefícios sociais de imigrantes; fechar fronteiras; e taxar empresas que contratem estrangeiros. Também fala em deixar a zona do euro e realizar um referendo sobre a permanência francesa na União Europeia (UE).

Com 7,5 milhões de votos, Marine Le Pen superou na votação de domingo o recorde eleitoral anterior da Frente Nacional. Mas não conseguiu tomar o primeiro lugar de Macron, candidato pró-União Europeia que já foi ministro da Economia.

Jean-Marie chocou o mundo em 2002 ao avançar para o segundo turno da eleição presidencial francesa. Mas perdeu por larga margem na disputa contra o conservador Jacques Chirac. Macron e Le Pen iniciam campanha para o segundo turno das eleições presidenciais

oglobo.globo.com | 25-04-2017

Em sintonia com o espírito de 1789, a França revolucionária está um passo à frente de todo mundo. No domingo, o país se tornou a primeira nação ocidental a deixar de lado, numa eleição presidencial, a estrutura partidária que dominou a política europeia desde a Segunda Guerra Mundial. Nem Emmanuel Macron nem Marine Le Pen pertencem à velha gauche ou à velha droite. Também não terão uma maioria parlamentar para apoiá-los, nem representam uma continuação do status quo.frança

Se a grande divisão política — na França, como em qualquer lugar do mundo — costumava ser sobre o tamanho do Estado, a nova cisão não está ligada à economia, e sim a diferentes visões de o que a França representa. Le Pen quer tirar o país das instituições internacionais, incluindo a União Europeia (UE) e a Otan; fechar as fronteiras; limitar o comércio exterior; e impor uma economia quase marxista e dominada pelo Estado. Já Macron representa o novo centro radical e rejeita rótulos políticos. Ministro no governo do Partido Socialista, ele diz que a honestidade o obriga a dizer que não é um socialista, embora acredite em “solidariedade coletiva”. Seus eleitores apoiam a UE e a integração da França com o resto do continente e do mundo.

Desta forma, o segundo turno francês tem uma agenda muito clara. Abertura X fechamento; integracionismo X isolacionismo; futuro X passado. Embora esteja muito atrás de Macron nas projeções, Le Pen deverá conseguir um resultado melhor do que o obtido por seu pai em 2002, e a possibilidade de uma vitória da Frente Nacional não pode ser descartada. Parte da velha esquerda, que apoiou o trotskista Jean-Luc Mélenchon, simpatiza com suas objeções ao comércio internacional e aos banqueiros; e parte da direita, incluindo aqueles que votaram em François Fillon, prefere sua ostentação de “valores tradicionais”.

França: os pontos fracos de Le Pen e Macron

Há ainda muitos que, confusos com as novas divisões políticas, preferirão se abster. A campanha de difamação que virá contra Macron será de uma maldade até então nunca vista, e pode desestimular alguns eleitores.

Qualquer que seja o resultado final, Le Pen e seu partido não irão desaparecer. Eles refletem sentimentos que são reais, que existem em todos os países ocidentais e que agora devem ser confrontados abertamente, pois representam uma genuína e poderosa ameaça à democracia liberal. Embora a Frente Nacional tenha origens fascistas — seus fundadores incluem defensores do governo colaboracionista francês na Segunda Guerra — tais argumentos são insuficientes para descartar sua candidatura. A tarefa agora para Macron é encontrar soluções para os muitos que rejeitam sua política “aberta” e sua visão centrista.

Na noite de domingo, Le Pen conclamou os “patriotas” a apoiarem-na no segundo turno. Em resposta, Macron deve definir novas formas de patriotismo e solidariedade, para aqueles que queiram permanecer franceses, mas ao mesmo tempo abraçar o mundo.Macron e Le Pen iniciam campanha para o segundo turno das eleições presidenciais

oglobo.globo.com | 25-04-2017

Pela primeira vez desde o início da Quinta República, há 59 anos, os franceses irão às urnas, em segundo turno, escolher entre dois candidatos estranhos à tradição política da França, que sempre oscilou entre republicanos (direita) e socialistas (esquerda).

O centrista Emmanuel Macron, do movimento independente En marche! (Avante!), que obteve 23,9% dos votos no primeiro turno, no domingo passado, disputará a segunda rodada com a candidata da Frente Nacional (FN), Marine Le Pen (21,4%). Os dois derrotaram o conservador François Fillon (19,9%), do partido Os Republicanos; o socialista Benoit Hamon (6,3%) e o candidato da extrema-esquerda, Jean-Luc Mélenchon (19,6%), da Frente Insubmissa.

O resultado do primeiro turno é significativo pela derrota das agremiações convencionais, sobretudo o Partido Socialista (PS), refletindo a insatisfação do eleitor francês com o presidente François Hollande. Também evidenciou, mais uma vez, que o eixo atual da disputa ideológica, sobretudo no campo eleitoral, não se dá tanto entre esquerda e direita, mas especialmente entre aqueles que defendem um mundo integrado mediante regras comuns e os que preferem retornar ao isolacionismo e ao protecionismo do nacional-populismo.

Os números também apontam o forte avanço da esquerda radical e da extrema-direita, com bandeiras parecidas. As pesquisas, porém, indicam que Macron deve derrotar Le Pen no segundo turno, no próximo dia 7 de maio. Defensora de um nacionalismo que evoca o III Reich, a candidata da FN é controversa, com opiniões polêmicas sobre o Holocausto, refugiados sírios e globalização. Ela elogia as bravatas populistas de Donald Trump e, como ele, defende o fechamento de fronteiras, especialmente a muçulmanos. Le Pen prometeu que, se eleita, implementará o Frexit — a saída da França da União Europeia (UE), a exemplo do Reino Unido (Brexit).

Mais do que isso: Le Pen faz da xenofobia marca eleitoral e cativa o eleitor conservador do interior da França, embora também tenha crescido entre os jovens, ao contrário de Trump e dos eleitores britânicos que apoiaram o Brexit. Analistas dizem que a candidata da FN não consegue angariar muitos votos fora do seu eleitorado, ao contrário do rival, que já recebeu promessas de apoio de alguns dos candidatos derrotados no primeiro turno. Mélenchon, no entanto, anunciou que vai consultar “as bases” do partido, antes de anunciar quem terá seu apoio.

O centrista Macron é um defensor eloquente da integração europeia, a favor da economia de mercado e da saúde fiscal. Se sua vitória for confirmada, será mais um sinal de que a onda nacional-populista que varreu a Europa e o mundo nos últimos anos começa a perder força. Um alento bem-vindo.

oglobo.globo.com | 25-04-2017

SÃO PAULO - A semana será marcada pelas discussões em torno das reformas econômicas e a divulgação de dados fiscais. O governo Temer se esforça para conseguir apoio para concluir as mudanças nas regras para aposentadoria e também nas leis trabalhistas, mas encontra dificuldade em encontrar apoio na própria base.
José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, lembra que os desdobramentos da "Lista de Fachin", que determinou a abertura de inquérito contra oito ministros de Temer, além de dezenas de outros políticos, podem dificultar essas negociações. "O ambiente tenso em Brasília tempera as negociações sobre a reforma da previdência e trabalhista. A temperatura vai subindo na medida em que maio se aproxima e alista de Fachin tem desdobramentos "inesperadamente esperados"", afirmou, em relatório a clientes.
Para tentar apoio à Reforma da Previdência, o governo já cedeu em alguns pontos. Mas dada a continuidade do impasse, a votação em plenário pode ser adiada. Em outra frente, o governo tenta aprovar as mudanças nas regras trabalhistas, que por não se tratar de tema constitucional tem uma tramitação mais simples.
Os economistas e analistas também estarão de olho nos dados econômicos, em especial as referentes às contas públicas.
No exterior, o principal fato de atenção é a repercussão em torno do primeiro turno das eleições presidenciais na França. No segundo turno estão o social-liberal Emmanuel Macron, considerado um candidato de centro, e a nacionalista Marine Le Pen, de extrema direita. Está em jogo a permanência do país na União Europeia.
Nos Estados Unidos, que conhecerá os dados do PIB do primeiro trimestre na sexta-feira, o presidente Donald Trump deve divulgar mais informações sobre os planos de incentivo à economia.



DIA 24 - Eleições na França
Os mercados internacionais estarão de olho nas repercussões do primeiro turno da eleição para presidente na França. O social-liberal Emmanuel Macron, favorável à permanência do país na União Europeia, e a nacionalista Marine Le Pen disputam o segundo turno em 7 de maio.
DIA 25 - Reformas
A comissão especial da Reforma da Previdência discute o parecer do relator, Arthur Maia. O governo pode adiar a votação das mudanças nas regras de aposentadoria para garantir mais apoio. Também estão no radar as discussões em torno da reforma trabalhista.
DIA 26 - Crédito
O Banco Central divulga os dados referente ao comportamento do crédito e da inadimplência no mês de março. Será possível verificar se os juros dos empréstimos já começaram a cair para o consumidor, refletindo a queda da Selic, e se a taxa de calotes dá sinais de melhora.
DIA 27 - Contas Públicas
Saem na quinta-feira os dados de arrecadação e despesa do governo central. Os analistas vão estar de olho, principalmente, no comportamento das receitas, que estão demorando mais para reagir e podem comprometer a meta de déficit primário (despesas acima das receitas, sem contar os gastos com juros).
DIA 28 - EUA
O Departamento de Comércio dos Estados Unidos divulga os dados do Produto Interno Bruto (PIB) referente ao primeiro trimestre. A expectativa é de um crescimento anualizado de 1,2%. Além do comportamento dos três primeiros meses do ano, analistas e economias avaliam as novas medidas do governo de Donald Trump. Cinco fatos que vão mexer com a economia na semana Cinco fatos que vão mexer com a economia na semana Cinco fatos que vão mexer com a economia na semana Cinco fatos que vão mexer com a economia na semana Cinco fatos que vão mexer com a economia na semana

oglobo.globo.com | 24-04-2017

A parceria entre Brasil e Espanha é fecunda e bem-sucedida em muitas áreas, e em ciência, tecnologia, inovações e comunicações. Raízes históricas poderiam explicar parte do que já se alcançou. Mas o presente e o futuro apontam, de modo inegável, para resultados a serem alcançados por meio de fluxos de informação cada vez maiores e mais velozes. Resultados que deverão redefinir a ideia mesma de navegação, agora em tempos de globalização e de internet.

Se nossos países carregam tanta similaridade, também são notórias as semelhanças no setor em que atuamos e buscamos contribuir com o desenvolvimento dos dois países.

Mantivemos uma profícua reunião em fevereiro, quando de viagem oficial brasileira à Espanha. Serviu como prévia em ciência, tecnologia, inovações e comunicações para visita do presidente de governo Mariano Rajoy ao Brasil, nestes dias 24 e 25 de abril. Visita há muito aguardada e que se concretiza pelo reconhecimento do governo de Michel Temer sobre a importância de multiplicarmos potencialidades entre os países.

As semelhanças nos níveis de desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação favorecem parcerias bilaterais. Já firmamos um Plano de Ação em Ciência e Tecnologia e um acordo sobre cooperação em nanotecnologia. E iremos avançar mais.

E, por isso, na missão do presidente Rajoy, teremos importantes acordos de cofinanciamento de projetos conjuntos, envolvendo agências brasileiras e espanholas de pesquisa e ciência. O I Fórum Brasil-Espanha, a ser realizado em São Paulo, durante a missão espanhola, impulsionará essas discussões.

Prevê-se também a construção de um novo cabo submarino de fibra óptica entre a Europa e a América do Sul, em associação entre Espanha e Brasil, que ampliará a oferta e a velocidade de tráfego internacional, com redução de custos e incremento da segurança de dados.

Os dois países efetuam trocas comerciais que remontaram a mais de US$ 5,1 bilhões em 2016, com pauta variada. A Espanha é um dos maiores parceiros do Brasil quando se trata de investimentos em nível mundial. Em relação às exportações brasileiras para a Espanha, a pauta é diversificada e estimula o desenvolvimento da economia do país latino-americano.

Além disso, vale salientar a importância do aporte das empresas espanholas na década de 90 como contribuintes do desenvolvimento econômico do Brasil. Instalaram-se, cresceram e prosperaram. Geraram riqueza, empregos e contribuíram com o avanço de setores importantes, impactados pela tecnologia.

Brasil e Espanha estão prontos para embarcar em uma nova grande aventura em áreas de ponta, voltadas para o desenvolvimento econômico. Áreas que aliam inovações científico-tecnológicas ao que existe de mais moderno em comunicações.

A evolução da ciência, tecnologia, inovações e comunicações se reflete diretamente na vida dos cidadãos. Com a melhoria da qualidade dos serviços públicos nas áreas de transporte, comunicações, saúde e energia, entre outras. Sabendo disso, os dois países trabalham pela ampliação dos investimentos nesses setores e colocam em marcha políticas públicas impulsionadoras.

Quando a Espanha se reencontrou com o Brasil, há três décadas, em pouco tempo se tornou uma das principais investidoras no País. Agora, é a vez da Ciência, da Tecnologia, da Inovação e das Comunicações: a porta para o futuro. Brasil e Espanha têm as senhas de acesso nas mãos.

Gilberto Kassab é ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do Brasil, e Carmen Vela é secretária de Estado de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Espanha

oglobo.globo.com | 24-04-2017

PARIS - Dentre os 11 candidatos à Presidência da França, os agora postulantes ao segundo turno demonstram posições radicalmente opostas em temas que vão de imigração a economia. O centrista ex-ministro da Economia Emmanuel Macron e a líder da extrema-direita nacionalista, a eurodeputada Marine Le Pen, divergem principalmente sobre o papel da colaboração econômica com a União Europeia e a recepção a refugiados e imigrantes. Entenda melhor algumas destas diferenças. LINKS BOCA DE URNA

Aos 39 anos, Macron concorre pelo partido que fundou em 2016, o Em Marcha!. Ele se posiciona como um liberal social e defende uma terceira via política diante da tradicional disputa entre o Partido Socialista (de cujo governo fez parte) e Os Republicanos (antigo União por um Movimento Popular, de centro-direita). Na sua campanha, usou muito as redes sociais para se mostrar como figura de forte contraponto aos demais candidatos num cenário dividido. Começou com poucas chances, mas rapidamente ganhou espaço e passou a liderar as intenções de voto até o fim, com pequena vantagem sobre os principais rivais.

Entre suas principais propostas, Macron defende uma redução no quadro de funcionários do Estado e redução do gasto público; maior acesso ao mercado comum da União Europeia e maior união econômica dentro do bloco; um sistema universal de seguro desemprego a partir de impostos; subsídios à energia limpa e aos alimentos orgânicos; proibição da contratação de parentes no setor público; limitação do número de mandatos de parlamentares; vale-cultura para jovens; novos postos de contratação de agentes de polícia e segurança; serviço militar temporário obrigatório; maior avaliação de antecedentes e solicitações de asilo.

Já Le Pen tem uma candidatura altamente polêmica, que preocupa os vizinhos europeus. Com forte discurso ultranacionalista, a líder do partido Frente Nacional (FN) não economiza em promessas agressivas contra imigrantes — num estilo semelhante ao do presidente dos EUA, Donald Trump, de quem é confessa admiradora. Seu programa defende ainda maior soberania da economia francesa, aplicando medidas protecionistas para fortalecer a indústria nacional.

Entre suas principais propostas, Le Pen quer negociar a saída da zona do euro e o afastamento das regras de fronteiras da UE; diminuir tratados de livre comércio; reduzir a imigração anual para até 10 mil pessoas; restringir condições de asilo e união familiar de migrantes; melhorar condições de aposentadoria e apoio financeiro para franceses; impostos para produtos que venham de empresas que saíram da França; restringir a saída de empresas; desfiscalizar horas extras no trabalho; proibir o cultivo de transgênicos; reforçar a polícia e agentes fronteiriços; abandonar a direção da Otan; investir mais em Defesa; estender o laicismo do Estado.

Entenda a eleição na França em 1 minuto

DIVERGÊNCIAS FEROZES

Macron e Le Pen têm se acusado na campanha por divergências que envolvem a relação econômica da França com a UE. Ela quer taxar as importações de dentro do bloco, enquanto Macron alega que o efeito do protecionismo seria negativo para as exportações francesas.

O movimento político liderado por Macron não se identifica nem de direita nem de esquerda. Ele diz que sua intenção é renovar a elite política francesa. Seu princípio geral de campanha busca unir estímulos ao livre mercado com medidas de amparo social, com moldes semelhantes aos do "New deal" americano de Franklin D. Roosevelt.

A seis dias da votação, Le Pen prometeu suspender toda a imigração legal para o país, a fim de conter “uma situação louca e descontrolada”, e bloquear a liberação de vistos de longo prazo — para que o governo possa verificar se migrantes estão tirando empregos dos cidadãos franceses. Ela também quer fechar as fronteiras e cobrar impostos de qualquer empresa que contrate trabalhadores estrangeiros.

Filha de Jean-Marie Le Pen — um dos históricos defensores da extrema-direita francesa, que foi expulso da FN em 2015 —, a candidata também fala em deixar a zona do euro. Ela diz que a França se prejudicou com a criação da moeda única, reduzindo a produção industrial do país, enquanto a Alemanha saiu em vantagem. Numa proposta ainda mais radical, defende a realização de um referendo sobre a permanência francesa na União Europeia (UE), seguindo o caminho aberto pelo Brexit no Reino Unido.

Quem é Marine Le Pen, a candidata que lidera a corrida presidencial na França?

oglobo.globo.com | 23-04-2017
Os eleitores franceses estão de mau humor: ao se dirigirem às urnas neste domingo, estão dispostos a enviar um completo estranho, talvez da extrema-esquerda ou da extrema-direita, para o segundo turno da eleição presidencial. A causa desse mau humor não é difícil de encontrar. A economia da França é uma das mais fracas entre os países avançados. O desemprego tem se mantido em cerca de 10% há quatro anos e está bem acima da média da União Europeia. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 23-04-2017

PARIS — Em eleições acirradas marcadas pela incerteza, a França sai às urnas neste domingo para o primeiro turno da votação que escolherá seu novo presidente. Enquanto o país vive um momento delicado, alguns temas sensíveis protagonizaram a disputa: a crise migratória, a relação com a União Europeia (UE) e a ameaça terrorista. Conheça os programas dos cinco principais candidatos à Presidência francesa.

Europa: PARTIR OU REFORMAR?

A questão europeia agita as tradicionais divisões francesas desde que o general Charles de Gaulle (1890-1970) e os comunistas combatiam a integração europeia, então defendida por centristas e socialistas.

Mais tarde, nos referendos realizados em 1992, sobre o Tratado de Maastricht, e em 2005, sobre a Constituição europeia, os votos "sim" e "não" recrutaram partidários à esquerda e à direita do espectro político.

E o mesmo se repete desta vez, nas eleições presidenciais de 2017. A líder da extrema-direita, Marine Le Pen, e o ícone da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, acusam Bruxelas de impor a austeridade fiscal à França; e, por isso, defendem a saída francesa da União Europeia, se as negociações não permitirem transformações profundas. A campanha eurocética segue o caminho aberto pelo Brexit no Reino Unido.

Os outros candidatos querem transformar a UE, mas não deixá-la. Por exemplo, o socialista Benoît Hamon quer o alívio no rigor orçamentário. E, assim como o centrista Emmanuel Macron, propõe um Parlamento da zona do euro e investimentos maciços europeus. O candidato da direita, François Fillon, diz que renegociaria o Acordo de Schengen, para controlar ainda mais as fronteiras da UE.

IMIGRAÇÃO E ISLÃ

François Fillon e Marine Le Pen defendem uma política de imigração restritiva, sobretudo frente à crise de refugiados na Europa. Os dois candidatos querem medidas que limitem o reagrupamento familiar, os benefícios sociais para os imigrantes e a concessão da nacionalidade francesa.

À esquerda, Benoît Hamon e Jean-Luc Mélenchon não fazem da imigração ou da concessão de asilo a refugiados um tema dominante nsa suas campanhas. No entanto, Hamon propõe um visto humanitário para os refugiados; e ambos dizem que concederiam direito de voto aos estrangeiros nas eleições locais.

Ao centro, Emmanuel Macron não considera oferecer direito ao voto para os estrangeiros. Mas, assim como Hamon, destaca a discriminação na contratação da jovens da periferia.

Conheça os candidatos à Presidência da França

INSTITUIÇÕES

Este é um assunto bastante delicado nas eleições. Fillon e Macron afirmam que não desejam mudar a Constituição. Enquanto isso, Mélenchon e Hamon querem uma VI República, com menos poder ao chefe de Estado e mais referendos estaduais de iniciativa popular.

Os referendos também são prometidos por Le Pen, que promete incluir as preferências nacionais na Constituição.

Fillon também promete criar cotas de imigração e é o único que não quer introduzir a representação proporcional nas eleições — os outros candidatos defendem, em diferentes graus, a mudança no sistema de votação.

Já Macron e Hamon prometem exigir dos políticos eleitos uma ficha judicial limpa. Mélenchon diz que, se eleito, os condenados por corrupção, se tornariam inelegíveis em caráter definitivo.

ECONOMIA E SOCIEDADE

Tradicionalmente, as questões econômicas e sociais opõem direita e esquerda. Mas nesta história Le Pen é exceção: a sua estratégia para atrair classes populares leva o seu programa menos à direita do que Fillon, cuja linha econômica é bastante liberal.

Fillon diz que a idade de aposentadoria seria gradualmente aumentada para 65 anos. Hamon e Macron, enquanto isso, falam em mantê-la em 62 anos, com algunas exceções. E Le Pen e Mélechon prometem reestabelecê-la em 60 anos.

Além disso, Fillon diz que revogaria a carga horária de trabalho obrigatória de 35 horas semanais. Macron e Le Pen prometem mantê-la, com modulações, derrogações e horas adicionais. Hamon e Mélenchon querem reduzir o tempo de trabalho.

O imposto sobre grandes fortunas (ISF) seria suprimido por Fillon, amenizado por Macron, mantido por Le Pen, fundido ao imposto sobre a propriedade por Hamon e reforçado por Mélenchon.

Fillon promete eliminar 500 mil cargos públicos e Macron 120 mil, enquanto Mélenchon diz que criaria 200 mil postos de trabalho no setor.

ENERGIA NUCLEAR

Mélenchon e Hamon dizem que abandonariam progressivamente a energia nuclear, defendida por Fillon e Le Pen. Macron, por sua vez, diz que reduziria a sua importância.

LEIA TAMBÉM:

MARINE LE PEN: 'INDÚSTRIA FRANCESA RECUOU APÓS ADOÇÃO DO EURO'. É ISSO MESMO?

FENÔMENO MÉLENCHON PODE LEVAR EXTREMA-ESQUERDA AO 2º TURNO

ESPECIAL: UMA VIAGEM AO CORAÇÃO DA EXTREMA-DIREITA FRANCESA

oglobo.globo.com | 23-04-2017

BRASÍLIA — O presidente de governo da Espanha chega nesta segunda-feira ao Brasil para uma visita de dois dias — a primeira de um líder europeu ao país desde que o presidente Michel Temer tomou posse, em maio de 2016. Ele passará por Brasília e São Paulo. Em entrevista ao GLOBO, por escrito, Rajoy revelou que a economia dominará a conversa com Temer, afirmou que o Brasil é parceiro estratégico e enfatizou que o terror só será combatido com esforço internacional. Rajoy_2304

A União Europeia enfrenta um momento de indefinições e incertezas ante a saída do Reino Unido do bloco. Quais são as consequências do Brexit?

Não existe um Brexit bom. Nós sempre estivemos contra o Brexit, e continuo pensando que não é bom nem para a Europa nem para o Reino Unido. O que devemos, agora, é tentar fazer uma negociação inteligente e rápida, que limite ao máximo os danos que serão causados com a saída do Reino Unido da UE. As consequências serão de todos os tipos e serão constatadas com o tempo. A prova é que a maioria dos principais responsáveis pelo Brexit se retiraram do primeiro plano para não terem que enfrentar as consequências de seus discursos.

Qual a sua expectativa sobre um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia?

Creio que, agora, temos as condições mais favoráveis para essas negociações. De fato, na última reunião do Conselho Europeu foi decidido, a pedido de Espanha e Portugal, acelerar os contatos para firmar o acordo com o Mercosul e atualizar o que já existe com o México. A Europa, que está saindo de uma crise gravíssima, continua apostando no livre comércio e isso é uma boa notícia para todo o mundo. O comércio continua sendo um dos motores mais potentes do crescimento, ao sustentar milhões de postos de trabalho e fomentar a prosperidade. Os momentos mais graves na crise da União Europeia

Qual avaliação o senhor faz da situação política hoje na Europa, com os ventos nacionalistas bem fortes em alguns países? O senhor acha que esses movimentos vão crescer ou são uma onda passageira?

Sou um europeísta convicto, como a maioria dos espanhóis. Portanto, não compartilho dessas posições contrárias à União Europeia. Acabamos de celebrar os 60 anos do Tratado de Roma e não há mais necessidade de se comparar a História da Europa nestes 60 anos e a que sofremos nos 60 anos anteriores: nem mais nem menos do que duas guerras mundiais e todos os tipos de totalitarismos. A Europa é um êxito indiscutível, por mais que alguns tenham decidido convertê-la numa espécie de madrasta responsável por todos os males, quando foi totalmente o contrário. Saberemos dar uma resposta às preocupações dos cidadãos e definir um rumo para os próximos anos. A Europa sairá fortalecida desta crise. Sete consequências e insatisfações deixadas pelo Brexit

A própria Espanha e o senhor enfrentaram grandes dificuldades para formar o governo atual, após um ano e várias tentativas fracassadas. A Espanha foi berço de novos partidos bem polarizados, tanto de esquerda como de direita e ainda convive com a questão da Catalunha. Diante desse quadro, o senhor diria que o modelo político vigente se esgotou?

Esse modelo que alguns dizem que está esgotado ajudou a Europa a criar um sistema de proteção social sem comparação com o resto do mundo e é um exemplo de respeito às liberdades e aos direitos das pessoas. No caso da Espanha, a evolução é ainda mais chamativa: há muitos poucos países no mundo que tenham experimentado um progresso como o da Espanha, e isso se deu com um modelo bipartidário, baseado na moderação e na capacidade de alcançar grandes consensos nacionais. Creio que ninguém pôde demonstrar que haja uma fórmula melhor, ou que renda melhores resultados para as pessoas. Os populistas prometem tudo, mas na hora da verdade, eu não conheço nenhum governo populista que tenha feito seu país prosperar. Outra coisa é que sempre devemos estar abertos a fazer reformas e melhorar o sistema. Essa vontade deve estar sempre aí.

O Brasil passa por momento de transição após o Congresso ter feito o impeachment da ex-presidente Dilma. Como a Espanha acompanhou esse processo e qual avaliação o senhor faz do atual momento do Brasil?

Acompanhamos o Brasil com a atenção e o interesse que nos desperta qualquer país que é um sócio estratégico e com o qual compartilhamos interesses e valores. Temos seguido de muito perto os acontecimentos políticos no Brasil, mas com a tranquilidade e a confiança de que há solidez nas suas instituições.

O que o senhor elegeria como mais importante a ser acertado em seu encontro com o presidente Michel Temer durante sua visita ao Brasil?

Esta viagem tem um inegável componente econômico, que desejaria ressaltar. O Brasil é o terceiro maior destino dos investimentos espanhóis no mundo, só atrás dos Estados Unidos e do Reino Unido, e, de todos os países que investem no Brasil, a Espanha é o terceiro, depois dos Países Baixos e dos EUA. Em 2014, a Espanha tinha um estoque de investimentos de € 47,202 bilhões, e nossas empresas fizeram uma aposta estratégica no futuro deste país. Também espero tratar com o presidente Temer a questão das negociações entre a União Europeia e o Mercosul. Como sabem, a Espanha é o impulsor mais firme da UE para uma aproximação comercial e também política entre as duas regiões.

O governo Temer prepara um amplo processo de concessões em áreas estratégicas de infraestrutura e logística. Como os empresários espanhóis estão se preparando?

Como dizia, nos momentos de maior dificuldade, as empresas espanholas demonstraram que sua aposta no Brasil era de longo prazo. Agora, podem oferecer sua experiência internacional e sua liderança em setores, como infraestrutura de transportes, energia, telecomunicações e meio ambiente. O governo espanhol também está disposto a apoiar, com instrumentos financeiros, aquelas companhias que queiram aproveitar a oportunidade de se internacionalizar.

Em sua opinião, como operações da Polícia Federal como a Lava-Jato, que atingiu as principais empreiteiras do Brasil e está investigando um gigantesco esquema de corrupção envolvendo agentes públicos, influencia na imagem internacional do Brasil?

A corrupção é sempre condenável e deve ser combatida de maneira implacável no Brasil, na Espanha e em todo o mundo. Contra esse flagelo, é preciso apoiar o trabalho de instituições fiscais, procuradores, juízes e forças de segurança. Esse tipo de operação demonstra a sua independência. É certo que também produzem alarme e mal-estar na população, mas são a prova evidente de que as instituições funcionam e não existe impunidade. Seis atentados terroristas em 30 dias de 2016

A Espanha e outros países da Europa têm sido alvos frequentes de ataques terroristas. O que o senhor pode comentar sobre isto?

A Espanha tem sofrido durante muitos anos a violência do ETA, que, felizmente, está em vias de desaparecer. Mas, agora, todos os países enfrentamos outro tipo de ameaça, que é a do terrorismo jihadista. É uma ameaça global, que requer uma resposta global da comunidade internacional. É preciso atuar sobre as novas formas de doutrinação, intercambiar informações entre os diversos serviços de Inteligência, atuar sobre os mecanismos de financiamento das redes e prevenir o fenômeno dos combatentes retornados. Sem dúvida, superaremos essa ameaça, como temos superado outras no passado. Mas só poderemos fazê-lo com muita cooperação internacional.

oglobo.globo.com | 23-04-2017

Numa feliz ironia, candidatando a deputada Renata Abreu ao prêmio “Trabalho Escravo de 2017”, que quer isenção de direitos para músicas tocadas em rádios, igrejas, motéis, hotéis, academias, o cineasta Cacá Diegues, em sua coluna no GLOBO, comunga com todos os artistas ao condenar mais uma tentativa de burlar os sagrados direitos autorais do criador.

Por extensão, também roteirista e diretor, faço minha sua revolta clamando pela igual alforria para realizadores do audiovisual (cinema, televisão, animação), hoje reféns de uma Lei de Direito Autoral, nascida na proto-história do digital em 1988, a exigir urgente atualização.

Excetuando músicos e intérpretes, nossos inestimáveis parceiros que já garantem seu numerário pela comunicação e reutilização públicas de suas criações, para diretores e roteiristas a LDA é manquitola, quando não ambígua, portanto, ineficaz.

Nesses tempos do impune tsunami da internet e seus infindáveis repiques, somos todos órfãos de pagamento pela gratuita veiculação do nosso estro em plataformas e suportes, digital e não digital.

Diante desse infortúnio institucional e pecuniário estamos em descompasso com o processo civilizatório que vige na América Latina/Caribe, Canadá, Europa/Leste, África, Oriente Médio e Ásia/Pacífico que, ao dignificar a profissão de roteiristas e diretores, consagra o mantra da mais absoluta contemporaneidade: direito autoral é o salário do criador.

Não é de admirar que direito de autor conste da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU (1948) e assim deveria ser encarado por todos os signatários da Convenção de Berna (Suíça, 1886), como o Brasil, na qual há mais de cem anos, mundo afora, é defendida e garantida essa prevalência.

Na mesma batida é hoje o ordenamento jurídico da Comunidade Europeia, que subscreve a necessidade da intransferível e irrenunciável remuneração a diretores e roteiristas tal qual músicos, dramaturgos e intérpretes que, por todos os méritos, de há muito navegam nessa inelutável conquista, capilarizando a economia criativa do país, pois direito autoral é mercado!

A escandalosa supressão de pagamento a roteiristas e diretores pela fruição pública de suas obras vem chamando a atenção de gestores públicos e privados, advogados de direitos autorais e propriedade intelectual, inclusive sensibilizando Legislativo e Executivo de inúmeros países, como Chile, onde a presidente Michelle Bachelet acaba de assinar a Ley Ricardo Larraín (premiado diretor daquele país).

“Criadores sem direitos autorais é o mesmo que cidadãos sem direitos políticos” — completa o advogado chileno, Santiago Schuster, diretor para América Latina e Caribe da poderosa Confédération Internacionale des Sociétés d’Auteurs et Compositeurs (Cisac). A Colômbia está prestes a aprovar sua lei própria.

A modernidade está cobrando seu preço com o Brasil assumindo a responsabilidade de se alinhar imediatamente a esse processo de total pertinência moral, financeira e humanitária.

Sylvio Back é cineasta

oglobo.globo.com | 21-04-2017
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou sua previsão de crescimento para o Reino Unido, afirmando que a economia britânica se mostrou mais resistente à votação do Brexit do que se esperava. O fundo acrescentou, ainda, que ainda antecipa um crescimento moderado para o Reino Unido nos próximos anos, uma vez que a decisão de tirar os britânicos da União Europeia provavelmente afetará o comércio e o investimento. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 18-04-2017

PARIS — Um clima de Guerra Fria surgiu na França desde que Jean-Luc Mélenchon, candidato nas eleições presidenciais pelo movimento de esquerda radical França Insubmissa, cresceu nas pesquisas de opinião a ponto de poder reivindicar uma passagem ao segundo turno no próximo domingo e uma eventual vitória na disputa pela sucessão do presidente François Hollande. A perspectiva de que Mélenchon possa se tornar o próximo inquilino do Palácio do Eliseu provocou temores — “verdadeiros ou simulados”, como apontam analistas — no mercado financeiro e em investidores, ressuscitando antigos discursos contra a “ameaça comunista”. Seus principais adversários na corrida presidencial passaram a considerá-lo como um sério concorrente e alvo privilegiado de ataques. françca

Sem deixar de responder aos críticos, o autoproclamado candidato “antissistema” prossegue sua campanha reunindo centenas de milhares de pessoas em seus comícios, apresentando-se como a única e real opção de ruptura com o atual modelo político e econômico.

— Hoje se fala no “risco Mélenchon” para os bancos e o sistema financeiro. Que risco? Eu sou perigoso? — ironizou ontem o próprio candidato, num de seus encontros com eleitores.

O candidato direitista François Fillon acusou-o de “sonhar em ser o capitão do encouraçado Potemkin (navio russo palco de um motim em 1905, tema do célebre filme do cineasta Serguei Eisenstein), mas que acabará negociando a sucata do Titanic”. O presidenciável centrista Emmanuel Macron chamou-o de “revolucionário comunista”, e a líder da extrema-direita, Marine de Le Pen, do partido Frente Nacional (FN), de “imigracionista absoluto”. Já o jornal conservador “Le Figaro” não hesitou em rebatizá-lo de “Chávez francês”, em alusão ao falecido presidente venezuelano Hugo Chávez, e “Maximilien Ilitch Mélenchon”, numa combinação dos nomes do revolucionário Maximilien Robespierre (do período do Grande Terror da Revolução Francesa de 1789) e de Vladimir Ilitch Lenin (um dos líderes da Revolução Russa de 1917).

Para Bruno Cautrès, do Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences-Po), é preciso distinguir o medo exagerado e fantasioso das reais consequências na hipótese de uma vitória Mélenchon.

— Se ele ganhar a eleição presidencial, a França não vai retroceder no tempo e passar à dominação soviética. Mélenchon se reivindica como alguém de tradição gaullista, numa posição nacional típica, mas com uma tonalidade da cultura da esquerda, na ideia de independência e da não submissão aos EUA. Já em relação à Europa, no entanto, o caso é outro. Conheça os candidatos à Presidência da França

AMEAÇA DE SAÍDA DA UNIÃO EUROPEIA

O programa de Jean-Luc Mélenchon prevê uma renegociação dos atuais tratados europeus, com o abandono da austeridade e um incremento de investimentos em políticas públicas. Em caso de fracasso no estabelecimento de novas regras, numa anunciada queda de braço com a chanceler federal alemã, Angela Merkel, ele ameaça com o Frexit, a saída da França da União Europeia (UE), a exemplo do que ocorreu no Reino Unido.

— Uma parte da esquerda francesa acusa a Europa pelas políticas de restrição orçamentária e de austeridade na França. Mélenchon não é o antieuropeu visceral da FN, que acentua a soberania e a identidade nacional. Nele, temos a combinação entre a tradição intelectual da esquerda internacionalista e um discurso crítico em relação à Europa liberal e suas instituições. Mas é verdade que, oferecer todos os benefícios sociais que promete, só será possível via renegociação dos tratados europeus ou pela saída da Europa — diz Cautrès.

Em nível nacional, Mélenchon prega a diminuição do idade de aposentadoria de 62 para 60 anos; aumento da remuneração do funcionalismo público e do salário mínimo — dos atuais € 1.150 para € 1.326 — ou um maior rigor na aplicação da lei de 35 horas de trabalho semanais, com possível redução a 32h. O Observatório Francês das Conjunturas Econômicas (OFCE) avaliou o programa econômico do candidato como incoerente, acusando-o de não levar em conta as obrigações externas e as finanças públicas do país.

— É verdade que seu programa econômico não se adéqua muito aos limites da França, que já possui uma dívida pública muito importante, de mais de € 2 trilhões. Mas além de econômica, trata-se também de uma questão ideológica. Mélenchon fez uma boa campanha, e uma boa parte do eleitorado decidiu mostrar que a esquerda não está morta. O tema desta eleição é o “sistema”, principalmente após as denúncias de corrupção (contra François Fillon). Há uma tendência de “varrer o sistema”, o que explica em parte a dinâmica Mélenchon — conclui Cautrès.

Em duas pesquisas divulgadas ontem, Mélenchon aparecia com 18% de intenções de voto. Macron mantinha-se em primeiro, com 24% e 22%, em empate técnico com Le Pen, que obtinha 23% e 22%. Já Fillon vinha com 21% e 19,5%. Quem é Marine Le Pen, a candidata que lidera a corrida presidencial na França?

oglobo.globo.com | 18-04-2017

RIO e ISTAMBUL — Ibrahim Dogus, diretor do Centro de Estudos Turcos, critica censura no país e afirma ser improvável que a Turquia consiga completar um processo de integração ao bloco nos próximos dez anos. Turquia_domingo

Como a disputa com a Holanda e a Alemanha fortaleceu o discurso do presidente Recep Tayyip Erdogan às vésperas do referendo?

A crise que sucedeu a tentativa fracassada de golpe em julho fez com que Erdogan precisasse sair em busca de apoio, e ele soube usar as oportunidades para elevar tensões no país. Ele se aliou ao MHP, um partido nacionalista e racista que usa a minoria curda como bode expiatório. E — a menos que consiga um novo acordo com os curdos e se aproxime do Partido do Povo Republicano (CHP, principal legenda da oposição) — terá problemas, já que seus aliados enfrentam fortes divisões internas.

De que maneira as emendas constitucionais aumentam o poder do presidente?

Erdogan diz que as novas medidas irão modernizar a Turquia, transformando-a numa democracia ao estilo americano, mas isso não poderia estar mais distante da verdade. O governo já ignora o Estado de direito, e Erdogan já decide o destino do país praticamente sozinho. Com as novas medidas ele será capaz nomear juízes e compor tribunais, e a mínima autonomia que o Judiciário tenta manter será extinta.

Nos últimos anos, o governo turco intensificou a repressão à imprensa, prendendo jornalistas e fechando veículos. Quais os riscos para a imprensa caso Erdogan triunfe no referendo?

Hoje, menos de 10% da imprensa turca podem ser considerados livres. Todos sofrem censuras, e muitos simplesmente ignoram a política e não se atrevem a cobrir nada que possa desagradar ao governo. Na Turquia, é difícil imaginar que esse cenário possa piorar muito mais.

Entenda o referendo na Turquia em um minuto

Como a retórica de Erdogan ameaça a relação com a Europa, e seus planos de levar o país à União Europeia?

É muito improvável que a Turquia consiga completar um processo de integração ao bloco nos próximos dez anos. Poucos Estados-membros ainda mantêm boas relações com Ancara, e Erdogan usou a crise artificial com Holanda e Alemanha como arma de negociação na questão da crise dos refugiados. No entanto, a Europa já percebe que não pode ser refém, e não creio que essa tática funcione por muito tempo.E quais os passos da oposição no caso de uma derrota?

Apesar das muitas críticas e da economia enfraquecida, há a percepção entre os eleitores de que Erdogan fez coisas incríveis pelo país, e, com uma vitória, a ideia ganhará força. Além disso, ele tem um talento especial para culpar os outros, e isso dificulta a situação da oposição, que já enfrenta complicações muito maiores que as do presidente. A maioria dos opositores está na cadeia, e os líderes de seus partidos estão sem poder algum. (F.B.)

oglobo.globo.com | 16-04-2017

RIO - O brasileiro adora acessar as redes sociais, mas usar a internet do celular para assistir a vídeos, ouvir música e navegar livremente vai exigir não só disposição, como paciência nos próximos anos. Afetado pela crise econômica, o Brasil vai chegar em 2021 entre as últimas posições na corrida pela maior conectividade móvel. A constatação faz parte de uma pesquisa da Cisco, que revela que, em cinco anos, o usuário brasileiro vai consumir 4.201 megabytes (MB) por mês, número que o coloca à frente apenas de África do Sul e Índia em uma lista de 23 países. Celular_1504

Para se ter uma ideia do abismo digital, a Coreia do Sul, a primeira do ranking, vai chegar em 2021 com consumo médio mensal por usuário de 23.892 MB. No levantamento, o Brasil fica atrás da vizinha Argentina, onde o consumo por pessoa será de 5.721 MB. Segundo especialistas, a crise no Brasil afetou a capacidade de investimento das empresas de telecomunicações e o poder de compra das famílias brasileiras. A qualidade, muito questionada pelos usuários, também aparece na lista como um dos fatores que travam o crescimento.

ALTO GRAU DE EXCLUSÃO DIGITAL

Info - consumo de dados mapaAssim, o país vai avançar menos nos próximos anos em comparação a outras nações. O Brasil, onde o consumo por pessoa hoje é de 878 MB mensal, terá alta de 37%, em média, a cada ano. No México, por exemplo, o avanço chegará a 43%, passando dos atuais 740 MB para 4.507 MB. O mesmo vai ocorrer em diversas nações da Europa, como França, Espanha e Reino Unido.

— Muitos desses países estão em um movimento diferente do Brasil, com a digitalização da economia e a própria internet das coisas, que permite a conexão de carros e outros produtos à internet. O Brasil, por outro lado, tem um grau de exclusão alto. A crise afeta as empresas e a capacidade de pagamento das pessoas, que buscam planos mais baratos — diz Giuseppe Marrara, diretor de Relações Governamentais da Cisco Brasil.

Dessa forma, novas tecnologias vão atrasar. A adoção da rede 4,5G, que permite velocidade maior que a 4G, prevista para 2018, deve ficar para 2020, prevê a Huawei.

— A crise adia muitos investimentos. Há uma relação entre a economia e a tecnologia. Na Europa, por exemplo, uma pessoa faz download, em média, de nove aplicativos por ano. No Brasil, assim como em outros países em desenvolvimento, essa média é de dois aplicativos — destaca Kleber Faccipieri, gerente de Marketing da Huawei.

A atriz Sill Esteves conhece bem a velocidade lenta da internet no celular. Ela já ficou na mão várias vezes:

— Pela minha profissão, sempre preciso baixar vídeos para pesquisar algum personagem, ou para compartilhar nas redes sociais algum vídeo que tenha feito, mas geralmente só consigo fazer isso quando chego em algum lugar que tenha Wi-Fi.

MAIOR PARTE DE PRÉ-PAGOS

Rafael Steinhauser, presidente da Qualcomm para a América Latina, diz que o Brasil está mal na qualidade. Ele lembra que o Brasil tem menos espectro alocado para a telefonia móvel do que recomenda a União Internacional de Telecomunicações (UIT):

— Se juntar tudo que as empresas de telefonia móvel já compraram nos leilões, chega-se a 844 megahertz. A UIT diz que o ideal é de 1.800 a 2.000 megahertz. Temos ainda um longo percurso no Brasil. Com a internet das coisas, será preciso mais rede. Apesar de termos 4G, a maior parte dos usuários é 3G e 2G. Quem mais avança no mundo hoje é a China, onde quase todos os celulares já são 4G.

Mas a rede não é o único fator que explica o baixo volume de conexão móvel no Brasil. Atualmente, diz a Anatel, órgão que regula o setor , 67% dos 243 milhões de linhas são de pré-pagos. E, lembra Steinhauser, a maior parte desse contingente não usa internet o mês inteiro.

— Ter um smartphone não significa acessar a internet, pois é preciso uma linha. Os usuários pré-pagos compram pacotes avulsos, não têm internet o mês inteiro.

Para os especialistas, não faltam desafios conjunturais. O maior deles, citam, são as incertezas em relação à Oi, dona da maior rede de infraestrutura do país e que passa por um processo de recuperação judicial com dívidas de R$ 65 bilhões. Além disso, uma instabilidade operacional afetaria todas as outras teles do país.

— Tem a crise da economia, da Oi. Enquanto isso, o resto do mundo cresce e avança — disse um consultor que não quis se identificar.

Na opinião de Eduardo Conejo, gerente de Inovação da Samsung América Latina, a indústria precisa criar novas tecnologias de forma a impulsionar a demanda por conexão e criar novas formas de acesso à internet. A empresa, em parceria com a Sigfox, vem investindo em soluções dentro de universidades para desenvolver tecnologias:

— Temos de buscar soluções mais baratas. Isso é importante, principalmente quando se fala em cidades inteligentes.

oglobo.globo.com | 16-04-2017

LONDRES — O Reino Unido almeja um acordo com os EUA que daria a bancos sediados em Londres livre acesso a Wall Street, segundo o secretário de Comércio Internacional, Liam Fox. Para Fox, a economia britânica vai prosperar mesmo sem um acordo sobre as condições de saída da União Europeia. Em entrevista à Bloomberg, Fox afirmou que quer maior abertura nas negociações com os EUA "em todo setor", incluindo serviços financeiros. Ele antecipa que o segmento será parte importante das futuras negociações comerciais entre Londres e Washington.

“Gostaríamos de ver o ambiente de comércio mais aberto possível entre Reino Unido e EUA. É razoável pensar que, diante do estado da economia britânica e do estado da economia dos EUA, o setor de serviços desempenhará papel muito importante”, disse Fox.

Garantir entrada mais fácil em Wall Street potencialmente compensaria os bancos britânicos por qualquer perda de acesso à UE após o Brexit e também daria à primeira-ministra, Theresa May, poder de barganha nas negociações com o bloco. Cada vez mais, presume-se que a saída do Reino Unido da UE custará aos bancos que operam em Londres o chamado direito de passaporte, que permite que prestem serviços em todo o bloco.

O presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizou estar disposto a discutir um acordo comercial com o Reino Unido quando se encontrou com May na Casa Branca em janeiro. Há relatos de que o governo dele gostaria de oferecer ao Reino Unido um esquema de passaporte semelhante ao da UE. Quando perguntaram se Fox gostaria de explorar planos dessa natureza para serviços financeiros, ele respondeu: “Com certeza, tenho apetite para liberalizar em todo setor.”

Cronograma do Brexit

Ele diz que ainda não deu início a conversas detalhadas com os EUA, mas espera que os trabalhos em torno do acordo transatlântico se acelerem quando Robert Lighthizer for confirmado ao cargo de representante comercial de Trump, o que pode acontecer na semana que vem.

Enquanto isso, Reino Unido e UE se preparam para conversas formais pela primeira vez. Cada lado busca vantagens estratégicas antes do início das negociações para a saída oficial do Reino Unido, em março de 2019. Fox é um dos maiores defensores do governo britânico e, muito antes do referendo de junho, afirmava que o Reino Unido estaria melhor fora da UE.

Durante a entrevista, Fox afirmou que oportunidades de expansão em outras partes do mundo darão um futuro melhor ao setor financeiro britânico. Ele vê potencial para explorar o status do Reino Unido como líder mundial em inovação em tecnologia financeira.

“Quando vemos gente mudando do Vale do Silício para o Reino Unido, dá para dizer que há algo a nosso favor – e não é o clima”, disse Fox.

oglobo.globo.com | 15-04-2017

AMSTERDÃ — O presidente da Fiat Chrysler, Sergio Marchionne, disse nesta sexta-feira que a montadora não está em posição de buscar acordos de fusão no momento e que focará em dar continuidade ao plano de negócios. Marchionne repetidamente citou a possibilidade de fusão na indústria automotiva e por muito tempo uma parceria era vista como o objetivo final do relançamento da Fiat Chrysler (FCA), empresa que ele deve deixar no início de 2019, após 15 anos no comando.

LEIA TAMBÉM: Toyota vai investir US$ 1,33 bilhão em fábrica nos EUA

O executivo tentou uma combinação com a General Motors dois anos atrás, mas o acordo foi rejeitado. Apenas no mês passado, ele disse que a Volkswagen — líder de mercado na Europa — poderia concordar em discutir uma aliança com a FCA, depois que a rival PSA (Peugeot) adquiriu a Opel.

Marchionne disse, durante uma reunião geral em Amsterdã, que ainda via necessidade de fusão entre montadoras para melhor cumprir os grandes investimentos demandados, mas afirmou que a Fiat Chrysler não estava em conversas com a Volkswagen.

"Sobre a Volkswagen, a questão se há negociações em andamento, a resposta é não", respondeu o executivo.

Ele acrescentou, sem entrar em detalhes, que a Fiat Chrysler não estava no estágio de discutir quaisquer alianças.

"O foco principal é a execução do plano (de negócios)", afirmou Marchionne.

A FCA prometeu alcançar uma posição líquida de caixa de 5 bilhões de euros até 2018, revertendo a dívida líquida de 4,6 bilhões de euros apurada no fim de 2016. O desafio, segundo o presidente, colocará a empresa em melhor posição para fechar um acordo no futuro.

oglobo.globo.com | 15-04-2017

BRASÍLIA - A recessão que afetou a economia brasileira no ano passado fez com que o Brasil caísse da 25ª posição em 2015 e para o 28º lugar no ranking de países importadores, com 0,9% das importações globais, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Como país exportador, o Brasil seguiu na 25ª posição, com participação de 1,2% das vendas.

Ainda segundo a OMC, a queda de 9% das importações realizadas pela América do Sul foi puxada pelo enfraquecimento das compras do Brasil, que tiveram uma redução de 13%. As exportações brasileiras seguiram crescendo em volume, com aumento de 8% em 2015 e 4% em 2016. Porém, as vendas aos exterior dos demais países sulamericanos caíram 1,5% em 2016 e se mantiveram estáveis em 2015.

Para 2017, a OMC projeta um crescimento médio de 1,4% do volume das exportações na América do Sul, podendo variar entre 1,3% e 1,6%. Já as importações devem se manter no mesmo patamar do ano passado (crescimento estimado de 0,1%, e banda de -0,6% a +1.0%). Em 2018 as exportações da região devem crescer 2,2% e 2,6%, e a projeção é de que as importações aumentem entre 1,0% e 3,0%.

Conforme a OMC, o comércio mundial cresceu apenas 1,3%, devido, em parte a fatores cíclicos, como a desaceleração da atividade econômica, mas refletiu também mudanças estruturais mais profundas na relação entre comércio e produção econômica. No ano passado, a demanda global foi afetada pela queda nos gastos com investimentos nos Estados Unidos e pela redução da demanda por importações na China no primeiro trimestre do ano.Outros fatores, incluindo a estagnação das importações dos países em desenvolvimento (0,2%), também tiveram impacto no resultado.

"A Ásia e a Europa foram as únicas regiões que tiveram contribuição significativa para o crescimento das importações globais em 2016, com a Europa contribuindo com 1,6 ponto percentual (39% do aumento total) e a Ásia somando 1,9 ponto percentual (49% do total)", diz um trecho do comunicado da OMC.

APESAR DAS INCERTEZAS, COMÉRCIO MUNDIAL DEVE CRESCER

O comércio internacional vai se recuperar nos anos de 2017 e 2018, na avaliação dos técnicos da OMC, mesmo com um cenário de incertezas políticas em boa parte do planeta. Para este ano, a estimativa da OMC é de um crescimento, em volume, de até 3,6%, ante uma fraca expansão de 1,3% em 2016. Para 2018, a alta projetada deve ficar entre 2,1% e 4%.

"A desaceleração das economias emergentes contribuiu para o ritmo lento de crescimento do comércio internacional em 2016, mas a expectativa é que esses países retomem um crescimento modesto em 2017".

Apesar do otimismo em relação a 2017, os técnicos da OMC admitem que ainda é elevado o grau de incertezas no mundo, não só no campo político. Sem citar nomes, como o do assumidamente protecionista presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ele destacam que a recuperação do comércio podem ser afetadas por medidas dos governos nas áreas econômica e comercial.

"O principal fator de risco para essas estimativas são incertezas políticas, incluindo a imposição de barreiras ao comércio e a adoção de políticas monetárias restritivas", enfatiza a OMC.

Segundo a OMC, o rumo pouco previsível da economia global a curto prazo, assim como a falta de clareza sobre a ação dos governos nas áreas monetária, fiscal e comercial, aumentam o risco de que o comércio seja afetado negativamente em 2017. Taxas de juro mais elevadas para o combate à inflação em alguns países, políticas fiscais mais restritivas e a adoção de medidas que limitam o comércio têm a capacidade de minar o crescimento do comércio nos próximos dois anos, alertam os técnicos.

"As previsões mais promissoras da OMC para 2017 e 2018 são baseadas em certos pressupostos e há um risco considerável de que a expansão fique aquém dessas estimativas. Alcançar estas taxas de crescimento depende em grande medida da expansão do PIB global, em linha com as previsões de 2,7% para este ano e de 2,8% para o próximo ano", diz o informe do organismo. "Esta estimativa do PIB pressupõe que as economias desenvolvidas mantenham políticas monetárias e fiscais relativamente expansionistas e que os países em desenvolvimento continuem a se recuperar da desaceleração recente".

oglobo.globo.com | 12-04-2017

MADRI - Em nenhum outro lugar se sente com mais força o Brexit do que em Gibraltar, o enclave britânico de 6km quadrados no Sul da Espanha. Além de perder o acesso ao mercado comum, a saída da União Europeia (UE) poderia prejudicar a economia até agora próspera, baseada em serviços bancários, seguros, turismo e indústria de apostas. gibraltar

O governo espanhol aproveitou a brecha do Brexit para fazer a reivindicação diplomática. O país oferece a Gibraltar — em mãos britânicas há mais de 300 anos — que aceite a soberania espanhola (ou um regime compartilhado) como modo de salvar sua participação na UE.

O conflito aumentou agora, após Michael Howard, ex-líder dos conservadores, dizer que o governo britânico está disposto a defender Gibraltar como fez a então premier Margaret Thatcher com as Ilhas Malvinas: usando intervenção militar.

May baixou o tom após dois dias, mas insistiu que a soberania é inegociável. Ela disse isso a Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, a quem recebeu para avançar nas negociações de saída. Tusk irritara os britânicos quando anunciou que a UE dará à Espanha poder de veto a qualquer acordo que o bloco chegue com o Reino Unido sobre Gibraltar. Isto acelerou a ansiedade de seus moradores.

Se a Espanha tenta forçá-los a mudar de nacionalidade, a lógica indica que bloqueará um eventual pacto que outorgue a Gibraltar a liberdade de circulação e o acesso ao mercado comum, aspectos vitais para que o enclave não entre numa grave crise.

— A fronteira e o acesso ao mercado comum são cruciais. Nós importamos tudo o que comemos. Um terço dos trabalhadores cruza diariamente a fronteira com a Espanha — assinalou Edward Macquisten, chefe da Câmara de Comércio local.

Os moradores de Gibraltar reconhecem o papel da Europa em seu destino: 95,9% deles votaram contra o Brexit. Porém, mesmo assim, é unânime o desejo de manter o vínculo com o Reino Unido.

oglobo.globo.com | 12-04-2017

RIO — A cidade que aspirava ser europeia derrubou cortiços, ampliou ruas, construiu avenidas, canalizou rios, combateu epidemias. O Rio foi a terceira cidade do mundo a implementar uma rede de esgoto, atrás apenas de Londres, na Inglaterra, e Hamburgo, na Alemanha. Os investimentos no saneamento, no entanto, não acompanharam seu crescimento urbano nem seu pioneirismo. Se em 1907, após dizimar 59.065 pessoas, a febre amarela foi erradicada pela primeira vez na capital, hoje, 110 anos depois, a doença volta a atormentar os cariocas, provocando uma verdadeira corrida aos postos de saúde. Embora nenhum caso tenha sido registrado no município até o momento, ainda há com o quê se preocupar: quatro em cada dez cariocas vivem em área sem tratamento de esgoto, valas a céu aberto rasgam a cidade e moradores convivem com abastecimento de água precário e intermitente.

Antes lançado diretamente no mar pelos “tigres” — escravos que tinham a pele listrada pelos detritos que carregavam em barris nas costas —, o esgoto da cidade passou a ser coletado e a receber um estágio inicial de tratamento em 1864, quando foi inaugurada uma estação na Rua do Russel, na Glória. O sistema, administrado pela empresa inglesa The Rio de Janeiro City Improvements Limited, recebia tanto os despejos sanitários quanto as águas pluviais.

— Hoje, nosso sistema é separado, são duas tubulações distintas. Naquela época, não se tratava esgoto biologicamente como se trata hoje, tratava-se por precipitação físico-química. Não era a mesma eficiência que se consegue hoje em dia — explica o professor Isaac Volschan, do Departamento de Recursos Hídricos e Meio Ambiente da Escola Politécnica da UFRJ.

No final de 1887, cerca de 30 mil dos 48.576 imóveis na cidade tinham coleta de esgoto (62% do total). Hoje, de acordo com dados retirados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), 83% das casas têm coleta. Para Volschan, no entanto, o avanço da rede poderia ter sido ainda maior se houvesse vontade política.

— A cidade cresceu sem infraestrutura adequada. A dificuldade de implantação é a mesma. O desafio é que é muito maior, já que o déficit é maior. Continua o mesmo grau de dificuldade que sempre teve. Quando se prioriza BRTs, o Maracanã, o Túnel Marcello Alencar, a derrubada da Perimetral, em detrimento do saneamento, é uma opção política, seja da sociedade ou do administrador público — ressalta.

NO RIO, 23% ESTÃO EM FAVELAS

Se antes os cortiços aglomeravam famílias em habitações populares com condições insalubres, hoje são as favelas, onde moram 23% dos cariocas, segundo dados do Censo de 2010, do IBGE, as que mais sofrem de problemas sanitários e estão mais suscetíveis a doenças.

— É um milagre que a gente não tenha nenhum caso de febre amarela urbana na cidade do Rio porque todas as condições propícias para o desenvolvimento do mosquito estão dadas há décadas. Há um amontoado de pessoas, sobretudo nas regiões mais carentes, falta um sistema de água encanada que atinja toda a população, o que leva as pessoas a estocar água, favorecendo criadouros para os mosquitos e falta saneamento básico para todas as regiões — afirma o historiador Rodrigo César Magalhães, professor do Colégio Pedro II.

A primeira grande epidemia de febre amarela no Rio ocorreu em dezembro de 1849, com a chegada da barca americana Navarre, vinda da Bahia, onde havia surto. Os marinheiros começaram a morrer, mas somente dois meses depois a Academia Imperial de Medicina admitiu, oficialmente, a existência de uma epidemia. A doença só foi erradicada na cidade em 1907, após as campanhas do médico sanitarista Oswaldo Cruz, em meio a críticas e protestos dos cariocas.

No entanto, em 1928, a doença retornou com força total em uma nova epidemia na capital e em outros 43 locais do estado, sendo controlada no ano seguinte, deixando um rastro de 436 mortes.

Desde então, o combate à febre amarela impulsionou a pesquisa científica e o desenvolvimento de vacinas no Brasil. Para Magalhães, os novos casos da doença no estado foram causados pelo relaxamento de medidas de combate à doença, principalmente a vacinação em áreas rurais:

— Uma coisa é o mosquito, depois de ter sido erradicado em 1958, ter retornado ao Brasil ainda em 1967, vindo de outros países que não fizeram seu trabalho. O Brasil consegue erradicá-lo no começo dos anos 70, mas ele volta um ano depois e está aí desde então. Com relação à febre amarela, houve um relaxamento das políticas, sobretudo de vacinação.

DA REVOLTA À CORRIDA PARA VACINAÇÃO

Se hoje a população corre aos postos de saúde para se vacinar contra a febre amarela, no século passado, a obrigatoriedade da imunização contra a varíola, aliada ao desconhecimento sobre a doença, provocou uma das maiores reações urbanas já ocorridas no país: a Revolta da Vacina. De 10 a 18 de novembro de 1904, o Centro do Rio transformou-se numa verdadeira praça de guerra. Insatisfeitos com a vacinação obrigatória e com o autoritarismo do governo, a população ergueu barricadas, incendiou bondes, depredou lojas e enfrentou as forças da polícia e do Exército. No total, 30 pessoas morreram, 110 ficaram feridas e 945 foram presas, sendo mais de 400 enviadas para fora do Rio, então capital do país.

À frente das campanhas para erradicar possíveis larvas e focos do mosquito transmissor, o Aedes aegypti, estava Oswaldo Cruz, que havia sido nomeado, em 1903, diretor do Serviço de Saúde da capital da República. O médico sanitarista montou as brigadas de agentes, apelidados de mata-mosquitos, que vistoriavam jardins, porões, ralos, telhados, ralos e caixas d’água. Faziam a higienização das áreas, como limpeza de bueiros e o derramamento de água parada em tonéis. Essa medida de vigilância ostensiva desagradou muito à população, que afirmava que o governo estava “violando a intimidade do lar”. Contando com poder de polícia, os mata-mosquitos podiam entrar nas casas sem autorização dos moradores e, quando consideravam uma moradia em péssimas condições de higiene, demoliam a construção, o que enfureceu ainda mais a população.

No dia 31 de outubro de 1904, o Congresso aprovou a vacinação contra a varíola, feita com êxito na Europa. O texto vazou para a imprensa e logo começou a confusão. No dia 10 de novembro, o povo tomou as ruas da cidade. Seis dias depois, a lei foi revogada, mas os tumultos continuaram até 18 de novembro. Chamado de Czar dos Mosquitos, Oswaldo Cruz foi duramente criticado na época.

Para debelar os protestos, o governo não só suspendeu momentaneamente a vacinação como decretou estado de sítio e prendeu os principais líderes do movimento, deportando-os para o Acre. Controlada a revolta, a vacinação obrigatória foi retomada e, em pouco tempo, a varíola foi erradicada.

Já a febre amarela, erradicada em 1907, voltou a passar por uma nova epidemia em 1928. Todo o sistema implantado pelo sanitarista Oswaldo Cruz vinha perdendo verbas do governo e, sem grande atuação para manter o combate ao mosquito, o inseto voltou à cidade, trazendo pânico aos cariocas. O médico Clementino Fraga, diretor do Departamento Nacional de Saúde Pública, e seu assistente, Barros Barreto, tiveram grande atuação no combate à febre amarela nesse período ao reorganizarem as medidas adotadas no início do século. Além disso, houve a instalação de uma estação experimental para estudos da doença e foram desenvolvidos pesticidas. O historiador Jaime Larry Benchimol, pesquisador da Casa Oswaldo Cruz, ressalta que, desde então, o país vem acumulando tradição na saúde pública.

— Temos uma estrutura criada não de assistência médica, mas de campanhas de vacinação com muita eficiência — afirmou.

oglobo.globo.com | 09-04-2017

VALLETTA — Ministros das Finanças da União Europeia admitiram neste sábado que as 20 maiores economias do mundo (G20) não atingirão meta de gerar crescimento adicional através de reformas até 2018 e pediu reflexões sobre porque eles falharam. As economias do G20 concordaram em 2014 em impulsionar o crescimento em suas economias em pelo menos 2% a mais em cinco anos através de reformas, somando mais de US$ 2 trilhões à economia global e criando milhares de empregos.

zona_do_euro_2602

“Parece provável que não iremos alcançar nossa ambição de crescimento 2 em 5 até 2018”, disse um documento de termos de referência aprovado pelos ministros das Finanças da UE para a próxima reunião de líderes financeiros do G20, que acontecerá em 20 e 21 de abril, em Washington.

“Nós deveríamos refletir na comunicação apropriada sobre nosso objetivo 2 em 5 e construir uma avaliação em conjunto e um entendimento sobre os motivos pelos quais não atingimos completamente. Também é vital acelerar a implementação de reformas estruturais e de investimento em infraestrutura produtiva", disse o documento, obtido pela Reuters.

Delegações da UE para a reunião do G20 em Washington também irão reiterar que o G20 "deve evitar todas as formas de protecionismo, apoiar o acordo de Paris sobre mudança climática, o trabalho sobre finanças verdes e a abordagem multilateral sobre taxação e regulamentação financeira", revelou o documento.

A declaração, ainda que padrão em reuniões anteriores do G20 e comunicados, se tornou problemática desde que Donald Trump se tornou o presidente dos Estados Unidos no ano passado.

Em reunião em março na cidade alemã de Baden Baden, ministros das Finanças do G20 abandonaram a promessa de manter o comércio global livre e aberto, cedendo a um Estados Unidos cada vez mais protecionista.

Rompendo a tradição de uma década de apoiar o livre comércio, o G20 fez apenas uma referência simbólica ao comércio em seu comunicado em uma clara derrota para a anfitriã Alemanha, que lutou contra tentativas do novo governo norte-americano de diluir compromissos passados.

Os líderes financeiros do grupo também removeram de seu comunicado uma promessa de financiar a luta contra as mudanças climáticas, em um resultado antecipado após Trump chamar o aquecimento global de "engano".

oglobo.globo.com | 08-04-2017

É só à primeira vista que a distância que separa a Alemanha do Brasil parece grande. Mas, se olharmos com mais atenção, já não restam dúvidas: num mundo interconectado e cada vez mais complexo, onde as velhas estruturas de governação estão desmoronando, e valores que se consideravam adquiridos estão em risco de erodir, queremos cerrar fileiras e defender juntos nossos valores comuns.

Chegou o momento de passar das intenções à ação. Nesses dias, em Porto Alegre, se realiza a inauguração solene de um Centro de Estudos Europeus e Alemães que conta com o apoio do Ministério Federal das Relações Externas. O objetivo do centro é aproximar uma nova geração de estudantes e cientistas brasileiros da realidade europeia e alemã e, com isso, fomentar o intercâmbio científico entre a Alemanha e o Brasil. Queremos corações empenhados e mentes brilhantes que, transpondo o Atlântico que nos separa, vão se reunir na busca por respostas conjuntas a questões prementes que se colocam a ambos os lados.

Isso apenas será possível se conseguirmos envolver as gerações jovens. Na Alemanha, sinto nos jovens um grande entusiasmo pelo Brasil, sua cultura e seus habitantes. Também no Brasil, o interesse pela Alemanha está crescendo. Atualmente já são 135.000 brasileiros que aprendem alemão, 80.000 deles no contexto escolar.

Não é, portanto, coincidência que o primeiro Centro de Estudos Europeus e Alemães de toda a América Latina e de todo o hemisfério Sul nasce no Brasil.

O Brasil desempenha um papel de destaque na política externa alemã e é para nós um importante parceiro global. Só juntos seremos capazes de encontrar respostas justas a desafios globais, como as mudanças climáticas, a globalização e a urbanização. Já hoje, nossa cooperação multilateral é muito estreita. Juntos nos empenhamos por uma reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas para adaptá-lo às realidades geopolíticas do século XXI. Juntos apresentamos à Assembleia Geral da ONU uma resolução sobre o direito à privacidade na era digital, para que os direitos humanos também sejam protegidos on-line.

E podemos fazer muito mais! Devemos continuar nos empenhando em conjunto pela conclusão rápida e exitosa das negociações entre a UE e o Mercosul para um Acordo de Associação com medidas abrangentes em matéria de livre comércio que aprofunde as relações políticas entre as nossas regiões, promova investimentos e facilite as trocas comerciais. Hoje, São Paulo é, juntamente com Xangai, o mais importante polo da indústria alemã fora da Alemanha. Estima-se que as empresas alemãs empregam cerca de 240 mil pessoas em todo o Brasil.

Queremos construir verdadeiras pontes entre nossos países. O Centro de Estudos Europeus e Alemães é uma importante contribuição para alcançar esse fim. Se assistirmos sentados, não teremos qualquer influência no jogo — temos de entrar no gramado! Por isso, a parceria entre o Brasil e a Alemanha e entre a América Latina e a Europa se reveste de grande importância para nós.

Sigmar Gabriel é ministro das Relações Exteriores da Alemanha

oglobo.globo.com | 08-04-2017
A produção industrial da Alemanha subiu com vigor em fevereiro, surpreendendo analistas que previam queda na atividade e sugerindo que a maior economia da Europa ganhou força no primeiro trimestre.Dados da agência de estatísticas alemã, a Destatis, mostram que a indústria do país produziu 2,2% mais em fevereiro do que em janeiro, considerando-se ajustes sazonais. Analistas consultados pelo Wall Street Journal previam recuou de 0,3%. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 07-04-2017

PARIS - Com todos os 11 candidatos à Presidência francesa frente a frente, o primeiro debate aberto entre os postulantes, na noite de terça-feira, viu uma polarização com o embate entre os dois favoritos: o centrista Emmanuel Macron e a líder de extrema-direita Marine Le Pen. O ex-ministro da Economia e a eurodeputada, que as pesquisas mostram no segundo turno, se criticaram duramente pelas visões opostas sobre a relação com a Europa e a posição frente ao terrorismo — a ponto de Macron afirmar que a família Le Pen mente há décadas. Eleição França

— O nacionalismo é guerra. Sei porque venho de uma região cheia de túmulos — disse Macron, em referência à ampla destruição em sua cidade natal, Amiens, na Primeira e na Segunda Guerras Mundiais.

Le Pen, que também foi criticada pelo rival de direita François Fillon por sua postura antieuro e a favor de um referendo pela saída da União Europeia, rebateu Macron:

— Você não deveria fingir que é algo novo quando fala como os velhos fósseis de 50 anos atrás — disse ela, que em outro momento chamou a França atual de "universidade de jihadistas". Le Pen se referia ao fato de que Macron participou do governo de François Hollande, do tradicional Partido Socialista.

— Desculpe dizer, madame Le Pen, mas você está dizendo as mesmas mentiras que ouvimos de seu pai por 40 anos — rebateu Macron, em referência às tentativas de Le Pen de se desvincular da imagem do pai, o radical de ultradireita e fundador de sua Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen.

Macron e Le Pen têm se acusado na campanha por divergências que envovlem a relação econômica da França com a União Europeia. Ela quer impostos a importações de dentro do bloco, enquanto Macron alega que o efeito deste protecionismo seria o mesmo para as exportações franceses.

No debate, Macron ainda atacou Le Pen por considerar que uma eventual saída do euro representaria um severo déficit — sendo rebatido pela afirmação de que a moeda única seria responsável por um desafavorecimento comercial na balança francesa diante do bloco europeu.

PARA TODOS OS GOSTOS

Com Macron, Le Pen, Fillon, o socialista Benoit Hamon e o líder de extrema-esquerda Jean-Luc Melenchon no debate, houve ainda espaço para os demais candidatos — a maior parte deles não alcançando mais do que 2% das intenções de voto.

A 19 dias do primeiro turno (27 de abril), Macron e Le Pen aparecem em empate técnico de 25% nas intenções para a etapa inicial. No entanto, para o segundo turno, o ex-ministro leva ampla vantagem. Levantamentos dão conta de que ele teria cerca de 61% dos votos válidos, contra 39% da rival.

O ex-premier Fillon, que caiu drasticamente nas pesquisas após o estouro de um escândalo pela contratação fantasma de sua mulher e filhos na Assembleia Nacional, aparece em terceiro, seguido de perto por Melenchon, também ex-ministro socialista. No debate, Fillon afirmou que se recusaria a comentar com jornalistas as acusações que sofre — e pelas quais foi indiciado recentemente.

— Eu seria um presidente exemplar — afirmou o conservador.

Outro ex-membro do Gabinete de François Hollande, o próprio socialista Hamon, fica mais abaixo ainda, sem alcançar dois dígitos. Após o ex-premier Manuel Valls, a quem derrotou nas primárias do partido, anunciar apoio a Macron, ele caiu significativamente nas pesquisas.

Conheça os candidatos à Presidência da França

oglobo.globo.com | 04-04-2017

GENEBRA - A Organização Mundial do Comércio (OMC) criou nesta segunda-feira um painel para examinar a abordagem usada pela União Europeia para calcular as medidas antidumping aplicadas às exportações chinesas, a pedido de Pequim.

Quando a China aderiu à OMC, em 2001, foi acordado que os demais Estados-membros poderiam tratá-la como uma economia de não mercado por 15 anos. O prazo venceu no final do ano passado, mas a UE ainda quer operar com regras que protejam seu mercado dos produtos chineses, mais baratos.

Na semana passada, a China pediu à OMC a abertura de um painel de especialistas para decidir sobre a exigência de que a UE deixasse de tratar o país como economia de não mercado - comparando o preço dos produtos chineses ao de um terceiro país - para determinar se a China está vendendo seus produtos abaixo dos preços de mercado, o que caracterizaria a prática de dumping.

A UE rejeitou esse pedido, mas quando a China apresentou uma segunda demanda, as regras da OMC exigiam que o organismo criasse um painel.

Em dezembro do ano passado, a China apresentou controvérsias contra UE e Estados Unidos sobre essa questão, que estão sendo tratadas separadamente.

Quando as partes não conseguem chegar a um consenso nas consultas lideradas pela OMC, conta-se com a possibilidade de abertura de um painel, no qual especialistas avaliam a controvérsia.

A UE indicou que gostaria que os Estados Unidos fossem aliados na OMC contra práticas chinesas consideradas injustas, entretanto, o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, disse que pode ignorar todas as decisões da organização de comércio.

Os painéis de especialistas da OMC em geral levam meses para anunciar suas decisões, que podem apontar para medidas de retaliação ao país que desrespeita as regras comerciais.

oglobo.globo.com | 04-04-2017

PARIS/BORDEAUX — A candidata presidencial francesa Marine Le Pen disse em um comício político, neste domingo, que a moeda comum europeia, o euro, o qual ela quer abandonar, é como uma “facada” no torso do povo francês. A líder do partido Frente Nacional, que defende políticas anti-União Europeia e anti-imigração, também disse, durante o comício em Bordeaux, que a eleição para presidente deste ano poderia trazer uma “mudança na civilização”.

LEIA TAMBÉM: Se eleita, Le Pen promete converter parte da dívida francesa em moeda nacional

Encorajada pela inesperada eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e pela referendo britânico que decidiu pela saída do Reino Unido da UE, Le Pen espera capitalizar sobre a força de um movimento populista de direita na França, embora pesquisas de opinião sugiram que ela deve perder na votação de 7 de maio.

“Estamos à mercê de uma moeda adaptada para a Alemanha e não para nossa economia. O euro é, principalmente, uma facada em nossas costelas para nos forçar a ir aonde outros querem nos levar”, disse ela, em meio a aplausos e gritos de apoio.

Reiterando seu ponto de vista anti-globalização e anti-imigração, ela declarou:

“Nós não queremos que a França seja aberta a todos os fluxos comerciais e humanos, sem proteção e fronteiras”.

Um governo sob a presidência de Le Pen tiraria a França da zona do euro e traria de volta a moeda nacional, realizaria um referendo sobre sua filiação à UE e aplicaria impostos sobre importações e sobre companhias que contratassem estrangeiros.

oglobo.globo.com | 02-04-2017

MADRI — A União Europeia (UE) irritou os britânicos ao oferecer à Espanha, nesta sexta-feira, o poder de veto sobre qualquer futura relação entre Gibraltar e o bloco depois que o Reino Unido concluir o Brexit. O futuro de Gibraltar, um enclave rochoso britânico no Sul da Espanha, é apontado como o maior ponto de contenção nos acordos de saída, juntamente com o acesso do Reino Unido ao mercado comum e aos direitos dos cidadãos europeus que vivem no país. Enquanto 52% dos britânicos mostraram-se a favor da saída da UE no referendo de junho de 2016, 96% dos eleitores de Gibraltar votaram contra. brexit

A cláusula, contida dentro das diretrizes da negociação sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, pode ser mal recebida em Londres, que defende os interesses de Gibraltar, frente às reivindicações da Espanha. A medida da UE irritou o território britânico, que teme que Madri use a cláusula para afirmar sua soberania sobre o local, que pertencia ao país até 1713. A região já havia rejeitado uma proposta do Reino Unido de compartilhar o território com a Espanha, em um referendo de 2002.

O ministro de Gibraltar, Fabian Picardo, acusou o texto de descriminatório.

“Isso é uma tentativa vergonhosa da Espanha de manipular o Conselho Europeu para seus próprios interesses políticos”, afirmou Picardo em um comunicado. “O Brexit já é por si só complicado e a Espanha pode tentar complicá-lo ainda mais. O mundo inteiro e a União Europeia devem saber que isso não muda nada nossa continuada e exclusiva soberania britânica”.

Gibraltar, que tem 32 mil habitantes em uma superfície de 7 km², abandonará a União Europeia quando a saída do Reino Unido for efetiva. Madri propôs novamente ao Reino Unido, em outubro, compartilhar a soberania sobre Gibraltar, para que o território possa permanecer na União Europeia depois do Brexit. Gibraltar é dependente da Espanha para seu abastecimento, mas sua próspera economia, especializada em serviços financeiros, também beneficia o país ao contratar 10 mil trabalhores espanhóis.

“Depois que o Reino Unido abandonar o bloco, nenhum acordo entre a UE e o Reino Unido poderá se aplicar em Gibraltar, massim um acordo entre a Espanha e o Reino Unido”, diz o texto apresentado em Malta pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

Diferentemente do território britânico, o governo espanhol concordou com o texto.

“É uma decisão que nos satisfaz”, celebrou o porta-voz espanhol, Íñigo Méndez de Vigo.

oglobo.globo.com | 31-03-2017

Com a primeira-ministra Theresa May dando início à saída do Reino Unido da União Europeia, não há qualquer dúvida de que será um divórcio doloroso para ambas as partes — e muito mais para os britânicos, sem dúvida. Mas isso não quer dizer que não haja um lado positivo. O acordo certo saberá reconhecer as oportunidades e aproveitar o máximo delas.

Mesmo a mais harmoniosa das separações, que mantenha a maioria dos privilégios comerciais do Reino Unido, deixaria o país em desvantagens econômicas. A queda na libra esterlina desde o referendo já atinge o poder de compra das receitas britânicas. Além disso, a saída também é uma tentativa de recuperar o controle de suas fronteiras — no entanto, a imigração, em termos econômicos, é algo positivo, e um aumento nas restrições do fluxo de trabalhadores já é, por si só, uma punição, independentemente de se tratar de uma punição autoinfligida. brexit

O Reino Unido, é importante lembrar, sempre foi um ponto fora da curva, fundamentalmente oposto, ao contrário dos outros Estados-membros, ao princípio básico da UE, de uma união cada vez maior. Por ter mantido sua própria moeda, sempre esteve com um pé fora do bloco. Essas diferenças vão de encontro à ideia de que, se o país escapar agora com apenas alguns arranhões, outras nações também deixarão o bloco em seguida. O perigo de futuras saídas crescerá a longo prazo, caso a UE não consiga se recuperar do Brexit.

Isso nos leva ao lado positivo da saída britânica pelo ponto de vista da UE. Uma das mais claras lições dos últimos dez anos é a de que colocar a zona do euro nos eixos exigirá mais doses de integração nas políticas econômicas. É verdade que tais iniciativas agora não têm muito apoio, mas isso não as torna menos necessárias, e elas não podem ser procrastinadas para sempre. Em algum momento o tratado precisará de mudanças e, com elas, do apoio unânime dos Estados-membros. Mesmo sem o Reino Unido e suas arraigadas desconfianças sobre o projeto europeu, garantir esse apoio não será fácil — mas pelo menos não será algo impossível.

Há um lado positivo para o Reino Unido também. O país terá de volta parte da autonomia que perdeu como integrante de UE. Haverá um custo, sem dúvida, mas ele pode ser reduzido com uma parceria cooperativa com a UE, e aproveitando a saída do bloco para liberalizar a economia e suas outras relações comerciais. De novo, não será algo fácil — mas pelo menos não será algo impossível.

As negociações pela frente serão carregadas. Elas podem fracassar antes mesmo que os diálogos se aprofundem — com as exigências financeiras da Europa, com as discussões sobre a questão dos migrantes europeus, com a indefinição sobre o calendário das negociações. O que deve ser entendido é que a sorte está lançada, que mais reclamações sobre o processo que levou ao Brexit não servem para nada, e que a melhor aposta para os dois lados é aproveitar a situação ao máximo.

oglobo.globo.com | 30-03-2017

RIO E LONDRES — O início da histórica ruptura com a União Europeia (UE) conduz o Reino Unido a um caminho de incertezas e a um longo processo de negociações. Para Jonathan Portes, professor de Economia e Política Pública do King’s College e membro do programa “Reino Unido em uma Europa em Transformação”, o rompimento, em vez de ser uma ameaça para a integridade do bloco, pode fortalecer a unidade dos Estados-membros. Ele acredita que uma eventual vitória da líder de extrema-direita Marine Le Pen nas eleições francesas seria uma ameaça maior à UE do que o Brexit. Reino Unido

Qual é o clima no país após o início formal do Brexit?

Algumas pessoas estavam felizes e animadas, esperando isso por um longo tempo. Outras estavam muito descontentes. Mas não foi de fato uma surpresa. Para a maioria da população, nada mudou ainda.

Quais são as principais preocupações da população com a saída da UE?

Há muita preocupação em torno dos eventuais impactos econômicos. Mais especificamente, se o comércio e a livre circulação pelos membros do bloco se tornarão mais difíceis. Já vimos, por exemplo, um aumento da inflação.

As incertezas do processo podem trazer impactos negativos para o país?

No curto prazo, há um aumento de incertezas, e a economia pode começar a desacelerar. Mas não seria um desastre ou representaria um grande impacto. No médio prazo, há uma preocupação de que as negociações não tenham êxito e de que o país saia da UE sem nenhum tipo de acordo. Isso poderia ser muito problemático economicamente: veríamos novos controles de fronteira, novas taxas alfandegárias. E no longo prazo, o lado negativo seria perder o comércio com a UE. E o lado positivo seria estabelecer mais relações comerciais com o resto do mundo. A maioria dos economistas acredita que o balanço no longo prazo será de alguma forma negativo, que as perdas provavelmente serão maiores que os ganhos, mas isso levará um longo tempo para aparecer.

O senhor acredita que o Brexit poderia dar combustível para outros países deixarem a UE?

Ainda não há evidências disso. Até o momento, a reação ao Brexit na maioria dos países é que as pessoas têm ficado mais relutantes em considerar uma saída do bloco e se posicionado mais pró-UE. Talvez o Brexit tenha ajudado a fortalecer a unidade do resto da UE. Os outros países estão coordenando a sua posição em relação ao Reino Unido para manter uma frente unida nas negociações.

Então a integridade do bloco europeu não está em risco?

O Reino Unido sempre teve uma relação um pouco difícil com a UE, com menos apego ao conceito de integração política. O Brexit pode, de certa forma, tornar mais fácil à UE avançar para uma maior integração, e não há sinal de que outros países queiram seguir o caminho do Reino Unido. Assim, o Brexit não constitui uma ameaça direta à integridade da UE neste momento. Ao contrário, se Marine Le Pen — líder de um partido abertamente racista, cujos princípios são diretamente opostos a muitos valores e políticas da UE — for eleita na França, que é um dos primeiros Estados-membros fundadores da UE, seria muito mais ameaçador para a integridade e a coesão do bloco do que o Brexit, econômica e politicamente.

Como o senhor avalia a forma com que a premier Theresa May lida com o processo?

Do ponto de vista político, tem sido bem-sucedida. Ela é muito popular e seu partido se uniu. Mas, para fazer isso, teve que adotar uma linha dura para encarar essa difícil ruptura.

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, já rejeitou negociar nos termos do Reino Unido. A Alemanha pode representar um entrave para as negociações?

A posição já é adotada pela Comissão Europeia, mas talvez Merkel tenha surpreendido. Acho que está mandando uma mensagem muito clara para os britânicos de que o resto da UE negociará junto. Se os países mantiverem uma posição unida, o Reino Unido terá que aceitar.

Um dos pontos mais polêmicos é a questão migratória... O que pode mudar?

Pessoas que já estão morando no Reino Unido provavelmente terão permissão para ficar. Mas, no longo prazo, será mais difícil para europeus viverem no Reino Unido. Profissionais europeus não vão querer morar no Reino Unido, o que também pode afetar a economia. Entenda o Brexit em um minuto

oglobo.globo.com | 30-03-2017
Tiago Brandão Rodrigues considerou ainda que os cidadãos da União Europeia no Reino Unido são “uma força de trabalho importante para concretizar a economia britânica”.
www.publico.pt | 29-03-2017

RIO — Com ampla oferta de mão de obra e regulações e infraestrutura que facilitam as exportações, a China se transformou no maior centro industrial do mundo. Bens por lá produzidos são distribuídos por todo o planeta, assim como a poluição. Um estudo que será publicado na edição desta quinta-feira da revista “Nature” mostra que da mesma forma que as mercadorias, os poluentes em suspensão circulam entre regiões distantes, carregados pelas correntes atmosféricas, espalhando os males por eles provocados a áreas afastadas dos centros industriais.

Pesquisadores da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, utilizaram modelos para estimar a mortalidade prematura relacionada com a poluição por material particulado fino (PM 2.5) em 13 regiões, que englobam 228 países. O foco foi nos óbitos por doenças cardíacas, acidente vascular cerebral, câncer de pulmão e doença pulmonar obstrutiva crônica. Das 3,45 milhões de mortes prematuras registradas em 2007, cerca de 12% ou 411.100, foram provocadas por poluentes emitidos em outra região do mundo.

— Isso indica que a mortalidade prematura relacionada com a poluição do ar é mais que uma questão local — disse Dabo Guan, coautor do estudo e professor da Escola de Desenvolvimento Internacional de East Anglia. — Nossos resultados quantificam a extensão da poluição do ar como um problema global.

CONSUMO NUM PAÍS, POLUIÇÃO EM OUTRO

Além disso, os pesquisadores estimaram que 22% das mortes prematuras, ou 762.400, estavam associadas com a poluição gerada na produção de bens e serviços numa região, mas consumidos em outra. Produtos consumidos nos EUA, por exemplo, provocam mortes na China, onde eles foram fabricados. Dessa forma, alertam os cientistas, a economia gerada pelo custo menor de produção em países onde os controles sobre a emissão de poluentes é mais frouxa resulta em perdas de vidas em outros locais.

— O comércio internacional está globalizando a questão da mortalidade provocada pela poluição do ar, por permitir que as atividades de produção e consumo sejam fisicamente separadas — destacou Guan. — Na nossa economia global, bens e serviços consumidos em uma região podem envolver a geração de grandes quantidades de poluentes, e a mortalidade relacionada, em outras regiões.

É lógico que o PM2,5 tem maior impacto na saúde da população local, mas mortes em regiões vizinhas e em áreas mais distantes também são evidentes, pelo transporte intercontinental de poluentes. A poluição gerada na China, por exemplo, provocou 64.800 mortes prematuras em outras regiões, incluindo mais de 3.100 mortes nos EUA e na Europa Ocidental. Por outro lado, o consumo de bens e serviços nos EUA e na Europa está relacionado com mais de 108.600 mortes prematuras na China.

Os autores sugerem que a adoção de políticas regionais para regular a qualidade do ar pela imposição de um preço para a emissão de poluentes pode ser eficaz, e em alguns casos os custos de tais políticas poderiam ser compartilhados por consumidores em outras regiões. Entretanto, existem evidências de que indústrias poluentes tendem a migrar para países com regulações mais frouxas, o que provoca uma tensão entre a necessidade de melhorar a qualidade do ar e de atrair investimentos internacionais diretos.

“A melhoria de controle de poluentes na China, na Índia e no resto da Ásia traria uma imenso benefício para a saúde pública naquelas regiões e em todo o mundo, e uma cooperação internacional para apoiar esses esforços na redução da poluição e do “vazamento” das emissões pelo comércio internacional é de interesse global”, dizem os pesquisadores.

oglobo.globo.com | 29-03-2017

BRASÍLIA - Numa ofensiva para superar a crise da carne, o presidente Michel Temer assinou, nesta quarta-feira, um decreto que endurece as punições a empresas e fiscais sanitários. O novo decreto atualiza o Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Rispoa), de 1952, editado pelo então presidente Getúlio Vargas, e que está em vigor hoje. Ele traz, entre outros pontos, penalidades leves, graves e gravíssimas a empresas que atuam no setor, podendo chegar a proibir a comercialização em caso de três penalidades gravíssimas no mesmo ano.

Temer mais uma vez reforçou a importância da agricultura para a economia brasileira e disse que o Brasil "está vencendo a batalha" contra a crise envolvendo a carne do país.

— Esse episódio foi provocativo. Fez com que todos nós quando vimos, sentíssemos na pele e na carne a importância do agronegócio para o Brasil — afirmou o presidente.

Secretário-adjunto do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki disse que o novo decreto não é uma consequência da Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal, e que o novo texto não foi feito de forma "corrida", mas admitiu que o momento é oportuno para dar uma resposta em relação à crise envolvendo o país, um dos maiores exportadores de carne do mundo.

— Esse decreto não foi uma atualização açodada ou corrida, isso começou há alguns anos, a revisão começou em 2007, é um regulamento muito extenso e por isso exigiu um trabalho meticuloso — afirmou Novacki:

— Ele não foi motivado pela operação em si, mas é uma resposta oportuna, porque estamos criando regras coercitivas para os infratores e regras claras de procedimentos.

O novo decreto traz penalidades leves, graves e gravíssimas às empresas e fiscais sanitários envolvidos na atividade. A partir de agora, se uma empresa cometer três penalidades gravíssimas em um ano terá o seu Serviço de Inspeção Federal (SIF), espécie de RG das empresas, cassado.

Novacki elencou ainda, como duas das principais inovações do decreto, a preocupação com o bem-estar animal e com a sustentabilidade.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, reconheceu que o país ficou em situação delicada com a deflagração da Operação Carne Fraca. China e Egito, que estão entre os maiores importadores de proteína animal brasileira, haviam suspendido as compras.

— O Brasil ficou muito ameaçado. Ficamos numa posição muito difícil, muito complicada — declarou Maggi, emendando:

— A situação era de emergência. Se nós não tomássemos as devidas providências imediatamente, os fechamentos de mercados internacionais seriam consequência muito danosa, extremamente danosa para o Brasil.

Apesar de comemorar a volta das compras internacionais da carne brasileira, o ministro da Agricultura defendeu que o governo tem outra luta pela frente: reconquistar o mercado.

COBRANÇAS ‘DURAS’

Blairo Maggi reuniu-se ontem com o comissário da União Europeia para Saúde e Segurança Alimentar, Vytenis Andriukaitis. O bloco estuda tomar medidas mais rigorosas em relação ao mercado brasileiro após a Carne Fraca. O ministro reconheceu que as cobranças foram "bastante duras", e que o governo brasileiro ainda não tem garantias de que não perderá mercados. Nesta quinta-feira, haverá outra audiência sobre o tema.

— As cobranças foram bastante duras. Eu disse que estamos prontos e dispostos a aceitar sugestões — afirmou, completando:

— Obviamente, não nos deu nenhuma garantia, nem poderia dar. Não depende só dele (comissário da União Europeia).

Em abril e maio, representantes do Ministério da Agricultura devem fazer duas viagens internacionais. Em maio, o périplo deve durar vinte dias e passar por Emirados Árabes, Arábia Saudita, China e União Europeia.

Blairo Maggi voltou a criticar a "comunicação" da Polícia Federal, e enfatizou que não estava atacando a operação.

— Em nenhum momento reclamei da operação. Nunca reclamei

oglobo.globo.com | 29-03-2017
Iniciativa visa chamar a atenção da opinião pública para os investimentos europeus e divulgar o papel da UE no crescimento dos países e na criação de emprego.
www.publico.pt | 29-03-2017

A premier britânica, Theresa May, dará início hoje às negociações do Brexit — a saída do Reino Unido da UE —, mediante a invocação do artigo 50 do Tratado de Lisboa. Trata-se de um processo inédito nos 60 anos de história de integração europeia, e que prevê dois anos de tensas conversações. O objetivo de May será preservar o máximo possível dos benefícios que o país desfruta hoje como membro do bloco europeu.

Mas inúmeras autoridades europeias, inclusive a chanceler alemã, Angela Merkel, indicam que haverá custos para o Reino Unido. Em entrevista ao “Financial Times”, o ministro de Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, resumiu a posição do bloco: “Não nos interessa punir o Reino Unido, mas também não temos interesse em pôr a integração europeia sob risco devido aos britânicos”. Merkel, que após o plebiscito britânico a favor do Brexit afirmara ter interesse em manter próximo o Reino Unido, agora decidiu priorizar a integração da UE.

O Brexit não é consenso nem mesmo no Reino Unido. Ele foi aprovado em plebiscito por uma margem apertada, em junho do ano passado, graças ao voto da população britânica mais velha, residente em pequenas cidades do interior e de forte tendência xenófoba. Eram eleitores sensíveis ao discurso populista da extrema-direita contra a política de acolhimento de refugiados e de imigrantes do Leste Europeu.

À medida que o impacto da saída britânica se torna evidente, sobretudo na economia, cresce a oposição à iniciativa. No último domingo, por exemplo, dezenas de milhares de britânicos fizeram uma grande manifestação em Londres contra o divórcio.

Pelo lado europeu, mais do que a perda do parceiro histórico, preocupa o estímulo que o Brexit dá a movimentos eurocéticos e ao nacional-populismo, especialmente num ano com eleições em França e Alemanha, sem mencionar o apoio de figuras como Donald Trump e Vladimir Putin, notórios líderes antiglobalização. A derrota do populismo nas eleições da Holanda e a vitória do partido de Merkel num importante estado alemão, porém, sugerem que a retórica nacionalista pode estar perdendo força.

É difícil prever as implicações políticas e econômicas do Brexit, mas já se sabe que o custo será alto, sobretudo para a economia britânica, que terá mais inflação e desemprego e verá diminuir a influência financeira da City londrina. Além disso, enfrentará movimentos de secessão internos, como a Escócia, que já aprovou um novo plebiscito. Mas a UE e o resto do mundo também serão afetados, sobretudo no contexto de maior protecionismo iniciado na era Trump.

A Comissão Europeia indicou que, antes de negociar como ficará a relação da UE com o Reino Unido, será preciso definir os termos do Brexit, inclusive a multa pelo divórcio, avaliada em € 60 bilhões. Este é o pano de fundo do complexo processo de negociação que tem início hoje.

oglobo.globo.com | 29-03-2017

A Lei 8.248/91, conhecida como Lei de Informática, foi sancionada em outubro de 1991, com previsão inicial de vigência até 1999, e desde então, além de prorrogada, foi objeto de diversas alterações de critérios.

No fim de 2016, após um processo movido pelo Japão e pela União Europeia, a Organização Mundial de Comércio (OMC) considerou “ilegais” sete programas da política industrial brasileira. O questionamento foi com relação à política de incentivos fiscais concedidos à indústria eletrônica, sobretudo no tratamento diferenciado nos campos tributário e comercial.

Na verdade, o desafio brasileiro é ir além das objeções levantadas pela OMC e conceber nova política para impactar o setor, visando sobretudo efeito interno.

Desde 2014, quando a lei foi prorrogada, representantes no Congresso Nacional prometeram revê-la, de forma que ela pudesse se transformar verdadeiramente num valioso instrumento capaz de beneficiar não só o hardware por meio dos benefícios fiscais, bem como o software por meio das contrapartidas, abrindo espaço para que a indústria nacional de software e serviços de TI atraísse maiores investimentos.

Agora, o governo federal anuncia que, enfim, a Lei de Informática deverá ser revista para se adequar aos novos tempos, já que é voltada especificamente para apoio à produção de equipamentos. Para elaborar a nova proposta, foi criado um grupo de trabalho com representantes de seis ministérios e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para estabelecer a Estratégia Digital Brasileira (EDB).

A proposta seria ampliar sua abrangência, para incluir o estímulo a novas etapas de produção de maior valor agregado, bem como as áreas de software e o desenvolvimento de aplicativos, entre outros segmentos, tendo como um dos focos o empreendedorismo digital.

Segundo declarações recém-divulgadas, pretende-se incorporar mecanismos de apoio às startups, empresas iniciantes, que criam produtos e aplicativos inovadores, mas que, em sua maioria, têm dificuldade de chegar ao mercado.

É importante ressaltar que, no Brasil, trabalham cerca de 500 mil profissionais de software e serviços, com uma média salarial superior a R$ 6 mil. A retração do mercado de trabalho no setor foi de apenas 1% em 2016, muito inferior aos números nacionais em outras atividades.

Ou seja, as empresas já constituídas, algumas com décadas de funcionamento, precisam de apoio e não podem ser esquecidas em favor de “novos empreendimentos.”

Por sua clara importância, a discussão sobre a nova política não pode, entretanto, ser limitada ao âmbito governamental, sem participação da sociedade, em especial das representações dos setores de ponta que desenvolvem tecnologia nacional e precisam de uma efetiva política de fomento para gerar riqueza e novos empregos.

Benito Paret é presidente do Sindicato das Empresas de Informática do Estado do Rio de Janeiro

oglobo.globo.com | 27-03-2017

SÓFIA — O partido de centro-direita búlgaro Gerb (Cidadãos para o Desenvolvimento Europeu da Bulgária) ganhou por uma pequena margem a eleição parlamentar deste domingo, de acordo com pesquisas de boca de urna, o que lhe garante a chance de formar um novo governo depois que seu líder, Boiko Borisov, renunciou ao cargo de primeiro-ministro em novembro — provocando a convocação da eleição. Pelas pesquisas, o Gerb deve receber entre 32,9% e 33,2% dos votos, seguido pelo Partido Socialista (BSP), que teria entre 27,9% e 28,1% da representação. Bulgária

A eleição é vista como um teste para a lealdade da Bulgária à União Europeia (UE), da qual faz parte desde 2007, e à Rússia, com a qual tem ligações políticas e culturais históricas. O país assume a presidência da UE em 1º de janeiro de 2018.

— Temos o dever de formar um governo porque esta é a vontade do povo e porque foi o partido que desencadeou estas eleições antecipadas — disse Borisov após os resultados iniciais. — Não permitirei qualquer interferência de potências estrangeiras nos assuntos internos da Bulgária.

Borisov deverá tentar formar governo através de uma aliança com pequenos partidos nacionalistas, reagrupados sob o nome “Patriotas Unidos” e com o pequeno grupo do Bloco Reformista.

Após a divulgação dos resultados, os opositores socialistas reconheceram a derrota, mas a líder do partido, Kornelia Ninova, afirmou que consideraria opções para o governo caso o Gerb não consiga formar uma coalizão. Na campanha, a oposição se comprometeu melhorar os laços com a Rússia, contrariando os parceiros da UE. Eles conseguiram dobrar os votos em relação às eleições de 2014, mas não foi o suficiente para superar o Gerb, fortemente pró-UE.

— Queremos felicitar os vencedores do Gerb — afirmou a líder socialista. — Mas se eles não conseguirem formar um governo e nós recebermos um mandato, vamos tentar formar um governo búlgaro para garantir a estabilidade no país.

Na campanha, Ninova pedia o fim das sanções da UE contra a Rússia e um papel maior para o Estado na economia, e seduziu parte dos eleitores com promessas de salários e aposentadorias mais altas.

Campanha internacional

O governo liderado por Borisov renunciou em novembro depois que o candidato do partido perdeu uma eleição presidencial para o candidato pró-russo, Rumen Radev, apoiado pelos socialistas. O Parlamento foi dissolvido em janeiro e o presidente nomeou um governo provisório.

Temas internacionais dominaram a campanha das legislativas, as terceiras em quatro anos, embora a corrupção endêmica e a redução do nível de vida continuem sendo prioridade dos eleitores do país mais pobre da UE.

— Com a vitória do Gerb, o consenso pró-Ocidente fica preservado — analisou Parvan Simeonov, do Instituto Gallup, na TV estatal BNT.

A eleição também provocou protestos na fronteira com a Turquia por parte de nacionalistas búlgaros.

oglobo.globo.com | 27-03-2017

PARIS — A candidata à presidência na França Marine Le Pen tentou tranquilizar seus eleitores sobre seus planos de retirar o país da zona do euro caso seja eleita. Segundo ela, seguir os passos dos britânicos “não seria o caos” e ela buscaria conversas “bem preparadas” com os vizinhos da União Europeia.

LINK LE PEN

De acordo com pesquisas eleitorais, a candidata da Frente Nacional, com propostas anti-imigração e contrárias à participação na zona do euro, passaria no primeiro turno das eleições, no dia 23 de abril, mas seria derrotada pelo centrista Emmanuel Macron na votação do dia 7 de maio.

Deixar o euro é uma das propostas que sustenta a Frente Nacional, por ser uma posição anti-establishment que atrai eleitores contrários à globalização. Por outro lado, o plano é um obstáculo para a vitória eleitoral num país onde a maioria de opõe a um retorno ao franco.

— O euro disparou um aumento grande nos preços e uma queda muito acentuada no poder de compra — disse Marine, em entrevista ao jornal “Le Parisien”. — É também um sério obstáculo para a criação de empregos, porque provocou a perda da competitividade da economia francesa.

Mas, contrários a esses argumentos, 72% dos eleitores franceses se opõem ao retorno ao franco, segundo pesquisa realizada pelo instituto Ifop a pedido do jornal “Le Figaro”. Para tentar tranquilizar o franceses, Marine vem defendendo que, caso seja eleita, a saída do euro não seria abrupta, mas por meio de um referendo realizado após seis meses de negociações com o resto da União Europeia.

— Isso deve ser feito de forma racional e bem preparada — disse Marine. — Eu não quero o caos. Dentro do calendário de negociações que eu pretendo levar, o euro seria o último passo porque eu quero esperar os resultados das eleições na Alemanha em setembro antes de renegociar.

oglobo.globo.com | 26-03-2017

Os principais candidatos às eleições presidenciais da França - François Fillon, Benoît Hamon, Marine Le Pen, Emmanuel Macron e Jean-Luc Mélenchon - participaram do primeiro debate televisivo dessas eleições nesta segunda-feira.

Candidata da Frente Nacional, partido de extrema-direita, Marine Le Pen criticou a União Europeia e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel. "Eu realmente quero ser a presidente da França, não a vice-chanceler de Merkel. Quero garantir a independência nacional, em conformidade com a Constituição e defender os nosso valores, identidade nacional e tradições".

Segundo Le Pen, a UE implementa uma concorrência desleal, com a ajuda dos que apoiaram o bloco no Tratado de Lisboa. "A União Europeia nos proíbe e nos pune por tudo. Ela nos censura. E o resultado disso é o desemprego e a pobreza." A candidata apresentou, ainda, um gráfico que, segundo ela, prova que a queda na produção industrial na Alemanha, na Itália e na França "obviamente tem a ver com o euro".

Em questões relativas à segurança nacional, o discurso de Le Pen se assemelha ao do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. "Os setores jihadistas representam uma grande ameaça para os franceses. Eu quero parar a imigração. Legal e ilegal. E assumo totalmente o meu ponto de vista. Temos que recuperar as nossas fronteiras e encerrar a imigração de uma vez", afirmou.

Ela também criticou o modelo econômico da zona do euro e disse que o governo deve defender os interesses do povo francês, "não os dos bancos ou os das multinacionais". Segundo ela, a França deve adotar o patriotismo econômico, onde empresas francesas sejam favorecidas nos contratos públicos.

Nas pesquisas de intenção de voto, Le Pen aparece liderando no primeiro turno, mas fica em segundo lugar no segundo turno, em uma disputa hipotética contra Emmanuel Macron, de centrou, ou contra Fraçois Fillon, da centro-direita.

Fillon, por sua vez, adotou um tom menos anti-imigração que o de Le Pen, mas afirmou que "a situação social e econômica dos nossos países deve nos levar a impor limites às entradas em nosso território". O candidato da centro-direita afirmou que a esmagadora maioria dos muçulmanos deseja a integração do islã na República, mas que a ascensão do fundamentalismo ameaça o secularismo.

Fillon também criticou outros candidatos, ao dizer que Macron não tem legitimidade para governar o país depois do governo Hollande. Macron foi ministro da Economia e François Hollande até o ano passado. Sobre Le Pen, Fillon afirmou que o programa econômico da candidata de retorno ao franco seria um "assassinato" para o poder de compra dos franceses e que a agenda de Le Pen sobre pensões é comum à esquerda do início dos anos 1980.

O candidato socialista Benoît Hamon e o líder da extrema-esquerda, Jean-Luc Melenchon, tentaram aumentar seus índices de intenção de voto, ao falarem contra Le Pen, que foi alvo de ataques no início do debate. Hamon disse que a atitude da candidata era "doentia" após ela ter descrito as escolas francesas como "um pesadelo diário". Já Melenchon debochou do sotaque de Le Pen.

O centrista independente Mácron reagiu quando Le Pen o acusou de ser a favor das vestes muçulmanas. Ele a acusou de usar a religião para dividir os franceses. Ele propôs a criação de uma polícia de manutenção diária, que "não é uma intervenção, mas uma manutenção da paz".

SÃO PAULO - Entre os eventos econômicos que devem marcar a semana estão os desdobramentos da operação "Carne Fraca", o corte de gastos no Orçamento, os dados de inflação e também os indicadores econômicos nos Estados Unidos.

Nos mercados financeiros, os investidores estão de olho em qual deve ser o comportamento das ações da JBS e da BRF, que derreteram na sexta-feira após a deflagração da operação "Carne Fraca" da Polícia Federal, que divulgou uma série de irregularidades, fiscais e sanitárias, em frigoríficos que atuam no país. Durante o final de semana, as empresas deram mais esclarecimentos sobre o caso, mas o temor de suspensão das exportações podem ampliar o efeito negativo sobre esses papéis.

Fora da Bolsa, mas que também vai render forte atenção dos analistas, está a divulgação, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do IPCA-15 de março, que é uma prévia do indicador oficial de inflação, o IPCA.

-- Se a desaceleração for maior que o esperado, vai corroborar com a expectativa de que o Banco Central (BC) deve acelerar o ritmo de corte de juros a partir de abril -- afirmou Ignacio Crespo, economista-chefe da Guide Investimentos.

Cinco fatos que vão mexer com a economia esta semana

A taxa Selic está em 12,25% ao ano e é esperado que o BC passe a promover cortes da ordem de um ponto percentual, o que levaria o juro básico para a casa de um dígito até o final do ano. A justificativa é que a inflação caminha para ficar no centro da meta de 4,5% para o IPCA e, além disso, um juro mais baixo pode ajudar a estimular a atividade econômica.

Na mesma data o governo federal deve anunciar seu relatório de despesas e receitas e, como as entradas de recursos não estão subindo na proporção necessária, um contingenciamento do Orçamento deve ser anunciado. Quando isso ocorre, despesas previstas na lei orçamentária ficam congeladas. Um aumento de impostos também pode ser anunciado, como forma de reduzir o contingenciamento.

Externamente, as eleições na Europa estão no radar, uma vez que podem causar alguma volatilidade no mercado com o temor do avanço de partidos mais conservadores, principalmente na França. Nos Estados Unidos, uma série de indicadores de atividade devem servir para que os investidores decidam se voltam a apostar em uma alta mais rápida de juros no país, apesar da presidente do Federal Reserve (Fed, o bc americano), Janet Yellen, ter afirmado que a autarquia continua trabalhando para fazer apenas mais duas elevações de 0,25 ponto percentual no ano - a taxa atualmente está entre 0,75% e 1% ao ano.

Dia 20 - Carne fraca

Os negócios nos mercados financeiros locais estarão voltados para a repercussão da operação "Carne Fraca" nas empresas que possuem negócios na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Na sexta-feira, com poucas declarações por parte das empresas e falta de clareza sobre as irregularidades cometidas por cada uma, os papéis da JBS e da BRF caíram de forma expressiva. Ameaça de suspensão de exportações pode ampliar o efeito negativo sobre os papéis.

Dia 21 - Balanço da Petrobras

A Petrobras divulga na terça-feira, após o fechamento dos mercados, o balanço relativo ao quarto trimestre e o consolidado do ano. A média de 18 estimativas compiladas pela Bloomberg aponta para um prejuízo de R$ 4,81 bilhões em 2016. A companhia também deve dar mais detalhes sobre o plano de venda de ativos.

Dia 22 - IPCA-15

O IBGE divulga na quarta-feira o resultado do IPCA-15 de março, que serve como uma prévia do índice oficial de inflação. Na visa de economistas, o índice deverá apresentar uma desaceleração em relação ao registrado em fevereiro, quando ficou em 0,54% no mês e 5,02% no acumulado de 12 meses.

Dia 22 - Fiscal

O governo deve divulgar o valor do corte do Orçamento de 2017. O contingenciamento é necessário para que a meta de R$ 139 bilhões de déficit primário (gastos acima da arrecadação seja atingido). Uma das alternativas para o corte não ser tão severo é o aumento da alíquota de algum imposto, o que também pode ser divulgado na mesma data.

Dia 23 - Economia americana

Será divulgada nesta quinta-feira dados sobre os pedidos de auxílio-desemprego. Se vierem mais baixo que o esperado, mostrando aquecimento do mercado de trabalho, os investidores podem voltar a apostar em uma aceleração dos juros americanos. Mudanças nessas expectativas tendem a pressionar o mercado de câmbio em países emergentes, como o Brasil.

oglobo.globo.com | 20-03-2017

A multiplicidade de nações adjacentes fez da Economia da Europa uma das mais complexas do planeta. Durante séculos a Europa foi o centro econômico do planeta. Entre as causas, podemos citar como a principal sua condição geográfica. A localização entre a África e a Ásia, fez da região europeia um ponto de passagem obrigatório, e facilitou de forma substancial a absorção e irradiação dos conhecimentos, tecnologia e comércio de ambos continentes. Esta condição perdurou até ao século XX. No século XX, a Europa viu seu predomínio declinar em relação aos Estados Unidos, o Japão e, na fase final, a China. A Primeira e Segunda guerra mundial, travadas em seu território, a carência de energia, de petróleo, além de uma intensa rivalidade entre seus povos, representaram para o continente a perda de sua liderança econômica. A Europa não tem auto-suficiência na produção de energia, exigindo a importação de muito petróleo. Este produto só é extraído em quantidades consideráveis na Rússia e no Mar do Norte. O gás natural, outro produto bastante usado na geração e produção de energia é muito abundante na Rússia, Romênia, Países Baixos e no Reino Unido. Outro recurso energético que teve grande importância nas fases iniciais da revolução industrial foi o carvão mineral, muito abundante, sobretudo na Alemanha, Polônia, Rússia, Reino Unido. Todas estas fontes energéticas são extremamente poluidoras e causam grandes impactos ambientais em todo o planeta. No caso da energia limpa, ou seja, não poluidora, podem ser citadas a energia hidráulica, energia eólica, e energia solar, de baixa produção e utilização da Europa, devido às suas condições geográficas. A produção de energia nuclear na Europa é muito importante, e, a exemplo dos Estados Unidos, gera imensas quantidades de lixo atômico, cujo fim, desde o início de sua utilização, é muito nebuloso e nunca divulgado na mídia mundial.


De dbpedia, licença creative commons CC-BY-SA
w3architect.com | hosting p2pweb.net
afromix.org | afromix.info | mediaport.net | webremix.info