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Europa Economia

Os últimos incidentes violentos no Leste da Ucrânia aumentaram a probabilidade de novas sanções do Ocidente à Rússia, com possíveis retaliações —, o que a ninguém interessa. O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, em Kiev, advertiu o Kremlin que “o tempo é curto” para desarmar a crise, mas Moscou, em tom de desafio, ignorou o aviso e afirmou poder lidar com qualquer sanção econômica do Ocidente. Mas a verdade é que a “guerra das sanções”, se vier a acontecer, poderá ter implicações danosas para a economia russa, descarrilhar a recuperação europeia e causar prejuízos às empresas ocidentais com investimentos na Rússia.

O presidente Putin usa a crise ucraniana para impulsionar seu projeto nacionalista de uma “Nova Rússia”, parte do plano para vender o sonho de voltar aos tempos da poderosa Rússia soviética ou da era czarista. Enquanto isso, é pisoteado o acordo firmado dia 17, em Genebra, entre Rússia, Ucrânia, UE e EUA, para pôr fim à violência no Leste ucraniano. O premier Medvedev, ao apresentar ao Parlamento seu relatório anual, disse que, em face de possíveis novas sanções do Ocidente, o país deve se preparar para reduzir a dependência externa em investimentos, produtos, serviços e tecnologia. Como se isto fosse possível numa economia globalizada, ainda mais a curto prazo. Já em 2009, Putin achava “uma desgraça” o país importar mais de 40% dos alimentos que consumia e mais da metade dos medicamentos, não havendo indícios que algo tenha mudado desde então.

A crise da Ucrânia, causada pela ocupação russa da Crimeia, assusta investidores, abate o rublo e causa fuga de capitais: US$ 50 bilhões já teriam deixado a Rússia este ano, segundo “US New & World Report”. O crescimento do PIB foi negativo no primeiro trimestre e o Ministério das Finanças prevê que a economia entre em recessão neste trimestre. Um banco estatal não conseguiu rolar no mercado internacional uma dívida de US$ 2,45 bilhões que vence na próxima semana. Moscou tenta criar um sistema de pagamentos depois que, por força das sanções americanas, Visa e MasterCard interromperam as operações com três bancos russos.

O outro lado da moeda: a UE compra da Rússia mais de um terço do petróleo e do gás que consome, via Ucrânia e Bielo-Rússia. Por sua vez, óleo e gás respondem por cerca de 30% do PIB russo e por 60% da receita de exportações. É improvável, por isso, que Moscou corte o fornecimento, mas pode criar dificuldades, aumentando preços, impondo condições ou fazendo breves interrupções no abastecimento à Europa. Isto poderia causar problemas para países europeus em meio à recuperação econômica.

O ideal é que Moscou se atenha ao acordo do dia 17. Mas, se isto não acontecer, a Rússia dará um tiro no próprio pé. A economia do país está vulnerável para resistir às sanções. Este é o calcanhar de Aquiles do projeto de Putin.

oglobo.globo.com | 23-04-2014

Lee Branstetter, professor de Economia e Políticas Públicas da Carnegie Mellon University, diz que a demanda por gás será alta suficiente para justificar o aumento da produção de gás de países como EUA e Brasil.

Quais os reflexos para o Brasil, que terá aumento em suas reservas de gás, com o início das exportações dos EUA?

Para o Brasil, o crescimento da demanda global por gás será alto o suficiente, pelo menos em curto e médio prazos, para que Brasil e EUA possam aumentar sua produção. Os terminais de GNL no Brasil talvez não sejam lucrativos, mas isso não significa que o investimento não seja razoável. A diferença é que nos EUA os investimentos são praticamente privados. O gás é a fonte mais limpa de energia fóssil que temos. Então, é importante ter políticas de transição. Vamos passar a ver mais caminhões e locomotivas movidos a gás em todo o mundo enquanto o gás se torna um mercado global integrado.

Como Ásia e Europa podem ter acesso ao gás mais barato dos EUA?

Os preços na Europa e na Ásia vão cair e ficar nos níveis de países onde o gás é abundante, como EUA e Austrália. Nos EUA, o gás custa US$ 4 (por milhão de BTU). No Japão, o gás importado sai a cerca de US$ 16. Assim, vai ficar mais barato liquefazer o gás (dos EUA), transportá-lo e regaseificá-lo no Japão. A Europa também paga muito caro pelo gás em relação aos EUA. Muitos acreditam que a exportação do gás americano para a Europa pode ser lucrativa, especialmente se a relação entre Rússia e Europa continuar conturbada.

oglobo.globo.com | 19-04-2014
O Fundo Monetário Internacional alerta que o reequilíbrio da economia portuguesa continua em risco. O FMI diz que o país continua a precisar de resolver importantes desafios, uma vez que as grandes necessidades financeiras deixam Portugal sensível à volatilidade dos mercados. Ainda assim, o FMI validou a estratégia do Governo para fazer baixar o défice e libertou a tranche de 851 milhões de euros. O Fundo Monetário aprovou, também, a extensão do acordo de assistência financeira até 30 de junho, tal como a Comissão Europeia já tinha feito.
www.rtp.pt | 18-04-2014
O vice-primeiro-ministro português vai reunir-se quarta-feira com o presidente da Comissão Europeia, o compatriota Durão Barroso, em Bruxelas, e receberá o vice-chanceler e ministro da Economia alemão...
feeds.dn.pt | 15-04-2014

MADRI — Quase 27 milhões de crianças estão em risco de pobreza ou de exclusão social na Europa, de acordo com a Pesquisa de Qualidade de Vida da União Europeia de 2012, com dados compilados no relatório Pobreza Infantil na Europa da organização Save the Children, apresentado nesta terça-feira. É um milhão a mais do que em 2008, quando a crise começou, apesar de metade deste aumento ter ocorrido em apenas um ano, entre 2011 e 2012.

O crescimento afasta a UE do cumprimento da “Estratégia Europa 2020 para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo”, que visa a tirar 20 milhões de pessoas do risco de exclusão social, com base no indicador Arope (que leva em conta o nível de renda, privações materiais graves das crianças ou que vivam em uma casa onde os adultos estejam desempregados ou tenham empregos muito precários).

De acordo com esses critérios, 20,8% da população com menos de 18 anos da União Europeia vivem abaixo da linha da pobreza. Na Espanha, esse número é muito maior, com 29,9% das crianças nessa situação — a maior taxa da Europa, atrás apenas da Romênia. Em toda a UE, 9% das crianças vivem em famílias com pouco emprego e 11,8% sofrem de privação material. No total, 28% das crianças estão em risco de pobreza e de exclusão com base no Arope. A Espanha está de volta ao topo, com 33,8% das crianças afetadas por uma (ou mais) dessas suposições.

A Save the Children alerta também que apenas metade dos países cumpriram o compromisso assumido em 2002, para facilitar a assistência a, pelo menos, um terço de todas as crianças com menos de 3 anos de idade.

“Igualdade no acesso aos cuidados à criança a preços acessíveis e a uma educação gratuita e de alta qualidade é essencial para garantir a igualdade de oportunidades”, afirmou a ONG.

Em toda a Europa, 13% das crianças abandonam a escola após o primeiro ano do ensino secundário e não estão em programas de treinamento. Mais uma vez, a Espanha lidera a lista com 24,9% de abandono escolar precoce. Andres Conde, diretor da Save the Children, acredita que a situação em Espanha “é inaceitável”. E pediu “medidas urgentes” do governo, durante a apresentação do documento.

“Pobreza não tem passaporte”

Os dados nacionais e globais estão intimamente relacionados ao investimento e ao compromisso com programas específicos para a proteção infantil. A Save the Children diz que os países que realizam mais gastos neste campo são os com menores taxas de pobreza infantil. São os casos de nações nórdicas, como Áustria, Eslovênia e Holanda. Não é o que acontece com Espanha, Itália, Grécia e Portugal, onde “os níveis de gastos mais baixos e associados à falta de estratégias” levam a uma elevada porcentagem de crianças em risco.

Além disso, as políticas sociais de redistribuição de renda do Estado são tão fracas em alguns países que produzem pouco impacto na redução da pobreza infantil. Grécia e Espanha têm os piores dados nesse campo. Na Grécia, o apoio público às famílias se traduz em um declínio na pobreza infantil de apenas 2,9%; na Espanha, de 6,9%.

São pequenas melhorias em comparação com a Alemanha, que tira do abismo 15,6% das crianças que, sem o auxílio ou subsídios, cairiam em situações precárias.

No entanto, “a pobreza na Europa não tem passaporte”, afirma o relatório da Save the Children. Assim, países com PIB elevado, como Itália ou França, tem um quinto e um terço de suas crianças em situação de risco, cita o documento. A educação e a ajuda direta não são os únicos assuntos pendentes. A organização acredita que um índice alarmante de 17% das crianças europeias vivem em casas com telhado com vazamentos, umidade no solo ou janelas podres.

E também enfatiza que “a pobreza infantil significa não só o descumprimento das necessidades básicas das crianças, tais como alimentação, vestuário e habitação, como também que eles não podem participar de atividades esportivas, culturais e de lazer”.

oglobo.globo.com | 15-04-2014
União Europeia quer contabilizar o dinheiro ganho em atividades ilegais na contabilidade do PIB.
www.bbc.co.uk | 14-04-2014

ESTOCOLMO - Pela primeira vez em dez anos, a Rússia gastou em armas, no ano passado, uma fatia maior de sua economia do que os Estados Unidos, já que o país quer aumentar a sua capacidade militar. O Instituto de Pesquisa Internacional de Paz de Estocolmo apontou um aumento no investimento em 2013 em 4,8%, passando para US$ 87,8 bilhões, o que representa 4,1% do seu produto interno bruto. Enquanto isto, o gasto militar global caiu 1,9%, no mesmo período, para US$ 1,7 trilhão, já que muitos países ocidentais cortaram seus investimentos em armas devido à crise financeira.

O diretor do instituto, Sam Perlo-Freeman, afirmou à “Associated Press” que esse aumento na Rússia vai de acordo com plano estatal de armamento de 2011 a 2020, que prevê gastar mais de US$ 700 bilhões nessa modernização.

- O fortalecimento militar tem sido visto como mais urgente desde a Guerra da Geórgia em 2008, que revelou graves deficiências na tecnologia russa - afirmou.

Entretanto, ele disse que as restrições econômicas podem impedir a Rússia de aumentar o gasto militar mais rápido do que o planejado anteriormente, apesar da crise em andamento na Ucrânia.

- A economia é um fator-chave, incluindo especialmente os preços de óleo e gás, e muitos observadores acreditam que o plano de armamento é baseado nas projeções econômicas superotimistas, de modo que isto pode atuar como uma espécie de restrição na taxa de aumento dos gastos militares - disse.

O corte dos Estados Unidos no gasto militar ficou em 7,8% em 2013, mas o país continuou a ser o maior investidor do mundo, com um gasto de US$ 640 bilhões, ou 3,8% do produto interno bruto. A queda é resultado, principalmente, do fim da Guerra no Iraque e os efeitos do corte orçamentário, apontou o instituto.

A China também aumentou os seus investimentos militares em 7,4% para US$ 188 bilhões, e é o segundo maior investidor do mundo. Segundo o órgão russo, nos últimos anos a despesa militar vem caindo em América do Norte, Europa e Oceania, enquanto que aumentou nas outras regiões.

- Em algumas regiões, tais como aquelas ao redor da China e da Rússia, o perigo do aumento do gasto militar é o aumento das tensões - disse Perlo-Freeman.

Ele disse que a diminuição do investimento militar na Europa Ocidental provavelmente significa a redução da capacidade de países de intervir no exterior, mas disse que a crise na Ucrânia poderia se tornar uma tendência, especialmente em países próximos à Rússia.

oglobo.globo.com | 14-04-2014
A comissão europeia faz depender o valor das pensões da evolução da economia e dos indicadores demográficos em Portugal. A decisão está no documento que fecha a 11 avaliação da troika, mas o governo garante que nenhuma decisão ainda foi tomada. A Comissão Europeia poderá adiar seis semanas a saída do programa de assistência financeira a Portugal.
www.rtp.pt | 13-04-2014
O secretário-geral da CGTP criticou a alteração do cálculo das pensões em 2015 consoante a economia e demografia, abordada num documento da Comissão Europeia, afirmando que tal significa o aumento da idade da reforma ou uma penalização do valor.
feedproxy.google.com | 13-04-2014
A troika quer que as pensões de reforma passem a depender da evolução da economia e da demografia do país já no próximo ano. A exigência consta de um documento da Comissão Europeia e confirma a informação revelada pelo secretário de Estado da Administração Pública e que foi depois negada pelo primeiro-ministro.
www.rtp.pt | 13-04-2014
A presidente da Associação de Pensionistas e Reformados (APRE!) afirmou hoje que a alteração do cálculo das pensões em 2015 consoante a economia e demografia, abordada num documento da Comissão Europeia, é uma forma "disfarçada" de tornar definitivos os cortes provisórios.
www.rtp.pt | 13-04-2014

WASHINGTON - O escritório no 12o andar do tradicional e mais antigo quartel-general do Fundo Monetário Internacional (FMI) combina com a formalidade gentil do americano David Lipton, técnico de carreira do organismo e hoje seu vice-diretor-gerente. O ambiente é sóbrio e austero — embora a vista da capital americana, totalmente livre, seja espetacular. Braço direito de Christine Lagarde, Lipton fala com propriedade sobre a América Latina, região sobre a qual já se debruçou.

Evita palavras fortes e é extremamente político, mas em entrevista ao GLOBO, apesar de não ver “as coisas emocionalmente”, deixa transparecer a decepção com o desempenho do Brasil. Para Lipton, o país não pertence ao grupo dos países latino-americanos que estão implementando reformas estruturais e aumentando seu crescimento potencial no médio prazo. Portanto, tem que fazer mais. Sem restaurar a confiança do setor privado, não vai registrar o crescimento elevado “que o povo brasileiro quer e deve ter”. Nas entrelinhas, como preferem falar os executivos do FMI, ele afirma que não se deve esperar qualquer mudança substancial no Brasil antes das eleições.

Um dos principais riscos aos países emergentes é o fim da política monetária expansionista dos EUA, que pode gerar novas turbulências, como as vividas no ano passado e no início de 2014. O senhor confia que o Federal Reserve (banco central americano) vai considerar os efeitos colaterais para os emergentes em suas decisões? Como é possível coordenar esforços globais de política monetária (sugestão do FMI e demanda dos emergentes)?

A conversa inicial de redução gradual dos estímulos (pelo Fed, em maio de 2013) provocou volatilidade e efeitos colaterais para os emergentes. Porém, na segunda rodada, quando o Fed realmente começou a reduzir (dezembro), não vimos o mesmo tipo de efeitos negativos. Acho que isso deve-se ao fato de que o Fed preocupou-se mais em comunicar mais claramente o que iria fazer, e os mercados conseguiram entender o que pretendiam e não pretendiam. Dito isso, o processo de normalização da política monetária vai durar vários anos e não sabemos se será uma saída suave ou acidentada. Por isso temos sugerido que haja mais cooperação e comunicação, e achamos que é possível. Bancos centrais se falam, têm um fórum na Suíça onde se encontram a cada dois meses e eles se reúnem com o G-20. Acho que há várias oportunidades para os BCs explicarem o que estão fazendo e quais são suas políticas, e promoverem o tipo de entendimento que acho que ajudará os emergentes a anteciparem o que virá e a reagirem para se proteger. Também achamos que a saída dos EUA da política expansionista possivelmente será boa para todo o mundo, porque provavelmente só ocorrerá se a economia estiver se recuperando de uma maneira que permita ao Fed aumentar as taxas de juros (o que o FMI espera para meados de 2015). Os efeitos positivos do crescimento americano serão o fator predominante para a economia de todo mundo, ainda que alguns países passem por impactos financeiros.

Vários mercados emergentes voltaram a registrar fluxo positivo de capitais no último mês e meio. O senhor acredita que isso reflete apenas uma comunicação melhor do Fed ou os fundamentos dos emergentes melhoraram?

A visão do mercado é a de que as perspectivas melhoraram. Em alguns casos, é porque países tomaram medidas e alguns de seus pontos fortes agora estão aparentes. Isso é particularmente verdade no caso da periferia da Europa, onde os mercados têm estado muito mais otimistas.

E outros mercados emergentes? Parece que há países mais bem posicionados do que outros.

É importante reconhecer que o grosso do crescimento no mundo ainda vem dos emergentes, que estão crescendo mais rapidamente dos que os países avançados. Mas alguns emergentes estão mais inclinados a crescer mais rapidamente. Outros usaram os espaços de manobra que tinham para proteger-se durante a crise financeira (de 2008), e agora têm de se ajustar. Os mercados são sensíveis a quem tem agora pouco espaço de manobra. Mas, de forma geral, os países emergentes fortaleceram sua situação quando a mudança nos EUA entrou na pauta, e os mercados reconheceram isso.

O Brasil é um desses mercados emergentes?

O Brasil está se recuperando do período de crescimento baixou pelo qual passou dentro das condições de crise que o mundo viveu. Mas o Brasil tem mais a fazer para estabelecer o tipo de crescimento elevado que o povo brasileiro quer e o povo brasileiro deveria ter. Projetamos expansão pouco abaixo de 2% este ano, este não é o tipo de crescimento que elevará o padrão de vida ao longo do tempo no Brasil. O Banco Central está trabalhando arduamente, e de maneira apropriada nós consideramos, para conter inflação, que tem sido um problema perene no Brasil. Mas a questão mais importante é que poupança e investimento continuam muito baixos e, como resultado, a segurar o crescimento. O Brasil aprendeu da forma mais difícil que não pode ficar gerando déficits em conta corrente e pegando dinheiro do resto do mundo para gerar crescimento, tem que ter poupança maior, que é um grande desafio para o Brasil. Ao mesmo tempo, o consumo tem puxado o crescimento, não o investimento. E a não ser que o investimento aumente substancialmente, o Brasil não terá o tipo de expansão que quer. O governo apropriadamente tem trabalhado para elevar investimento em infraestrutura, então está-se prestando atenção no investimento público. Mas a não ser que haja um ambiente melhor para a atuação privada, a falta de investimentos vai segurar o crescimento. O Brasil precisa de mais abertura comercial e de regulações que favoreçam os negócios.

A única ação positiva que vem sendo reconhecida pelo FMI no caso do Brasil é a política monetária, enquanto para outros países o Fundo mencionou passos positivos mais amplos, como reformas na China, na Índia e no México. O governo brasileiro está errando na condução das políticas ou em oferecer resposta mais forte aos desafios?

Você mencionou o México, que acaba de embarcar em significativas reformas estruturais, abrindo o setor de petróleo, após de décadas fechado, e criando competição nas telecomunicações, setor controlado por poucos. Não sabemos quais serão os resultados destas reformas, mas achamos que elas caminham na direção certa. O Brasil poderia agir mais na criação de um ambiente melhor pra investimentos, que vão gerar empregos e crescimento. Não é uma questão simples, não é algo que pode ou vai acontecer do dia para a noite, mas criar este ambiente e abrir mais a economia, submetendo-a a pressões competitivas, é provavelmente a melhor direção.

O FMI está decepcionado com o desempenho brasileiro?

Não vemos as coisas emocionalmente. Teremos o diálogo anual de avaliação de políticas com o governo brasileiro e usaremos este espaço para expressar nossa visão e oferecer nossas sugestões.

O Brasil acabou de ser rebaixado pela S&P e o próprio Fundo alertou para uma falta de confiança privada no Brasil. Há uma crise de confiança no país?

Não vejo as coisas por este prisma. Eu acredito que há ações que o governo pode implementar depois das eleições para criar um melhor ambiente de negócios, ao qual a confiança provavelmente responderá.

O senhor disse “depois das eleições”. Relatório do FMI apontou que há risco de pressão sobre os gastos públicos por causa das eleições, piorando a situaçãoo fiscal. As eleições podem atrapalhar a condução de políticas em 2014?

Em qualquer país, quando há eleições, normalmente surgem pressões sobre o orçamento. Achamos que o governo brasileiro tem uma política fiscal e objetivos fiscais claros. Temos concordado bastante sobre política fiscal, nossas recomendações são mais no longo prazo, no sentido de ter um comprometimento claro com uma posição fiscal estável e forte, ano após ano. Novamente porque a confiança nas finanças públicas ajudará a reconstruir a confiança do setor privado.

Na América Latina, temos o México com as reformas em boa direção, o Brasil e seu crescimento lento, Argentina e Venezuela em situação ruim, mas o Peru com bom desempenho. O que está diferenciando os países?

Os países na América Latina são muito diferentes entre si, não se pode generalizar. Há diferentes tendências atualmente. No México, no Peru e no Chile, três países que visitei mês passado, estão sendo implementadas reformas, está criando-se uma base para crescimento mais robusto no longo prazo. Cada um desses países está vivendo uma desaceleração, como o Brasil, mas o que é positivo nos três é que eles estão dando passos que os fortalecerão. Há os países como o Brasil, que estavam crescendo e tendo bom desempenho mas se beneficiariam da adoção de reformas para aumentar a perspectiva de expansão no médio prazo. E há os países que desenvolveram problemas financeiros mais severos, a Venezuela sendo o caso mais extremo. A Argentina passou por alguns estresses no início do ano. Esses países têm de lidar com as turbulências financeiras para evitarem um período longo de fragilização econômica.

A China é um importante fator para a América Latina, sua fornecedora de matérias-primas e os chineses começaram a fazer reformas financeira e fiscal. O FMI está satisfeito com a velocidade das reformas? Quais as possibilidades hoje de um pouso forçado da China?

A China está implementando reformas importantes e necessárias. Houve o Congresso do Partido Comunista, no qual foi desenhada uma abordagem ampla. Se realmente implementarem as reformas, a economia seria fortalecida e o crescimento, reequilibrado (investimento para consumo). Ao mesmo tempo, eles estão lidando com problemas associados à rápida expansão do crédito e à proliferação de financiadores e tomadores, incluindo o sistema deshadow banking. Tambêm há outros riscos, como o ambiental. Portanto, eles têm muito a fazer. Mas nossa visão é a de que a China dispõe das ferramentas para enfrentar os desafios. Podem não mais alcançar as alta taxas de crescimento que exibiam nos últimos anos, mas não vemos a China fazendo um pouso forçado.

O senhor acredita que os países latino-americanos estão se preparando para enfrentar esta mudança na China, que vai consumir commodities de forma diferente, por exemplo?

É possível que, no futuro, o patamar de preços das commodities seja menos rígido do que no passado. Muitos países já estão adotando políticas incorporando expectativas mais modestas em relação aos preços das commodities. É útil que os países sejam cautelosos nessa questão. Saberemos o impacto do crescimento da China e dos emergentes entre seis meses a um ano.

O governo dos EUA tem dificuldade de aprovar leis no Congresso, muito polarizado; os líderes têm dificuldades de avançar reformas estruturais, por exemplo no mercado de trabalho, na Europa, temos uma rodada grande de eleições em todo o planeta este ano. Que papel a política está tendo na lenta recuperação da economia mundial?

Entendemos que esta crise foi muito prejudicial e muito perturbadora para muita gente, as pessoas perderam o emprego, as economias para aposentadoria. Então, o apoio popular para estes governos é abalado quando há insatisfação. Um ambiente político difícil é um fator básico com o qual muitos líderes têm que lidar. Mas os líderes têm que encontrar maneiras de navegar esses problemas e construir as bases para o crescimento sustentável, sem reacender uma crise futura. Mas a boa notícia é que, nos EUA e na Europa, os ajustes estão sendo implementados, Na maior parte dos casos, têm sido bem-sucedida a superação da crise e a administração do legado da crise. É encorajador.

oglobo.globo.com | 13-04-2014

WASHINGTON - O ministro de Economia da Espanha, Luis de Guindos, descartou neste sábado que seu país e a zona do euro corram o risco de enfrentar uma deflação como a que viveu o Japão, mas reconheceu que a recuperação econômica da região ainda é frágil. Ele considera que a baixa inflação, classificada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) como um risco para a economia espanhola, é na verdade uma chance de ganhos de competitividade para o país.

- Não há risco de deflação nem na Europa nem na Espanha. O que existe é uma situação de baixa inflação, que não afetou as expectativas dos agentes econômicos, que têm vantagens. Para a Espanha isso significa que ganha competitividade e os salários não perdem poder aquisitivo - disse o ministro, segundo reportagem do jornal espanhol "El País".

Por muitos anos, o Japão conviveu com a deflação, que desacelerou o consumo e os investimentos, o que paralisou a economia. Guindos participou esta semana do encontro do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (Bird) na capital dos Estados Unidos.

Ele admitiu que a inflação na Europa deve ficar entre zero e 0,5% em 2014, mas que as expectativas giram em torno dos 2% nos próximos anos. Isso sugere, segundo ele, que há uma situação extraordinária e excepcional da inflação, que deve retomar evolução mais normal à frente.

oglobo.globo.com | 12-04-2014

Militantes pró-russos cravaram suas bandeiras em prédios oficiais em duas cidades do leste da Ucrânia neste sábado, ampliando o impasse com Moscou, enquanto Kiev alertou que a crise está levando a Europa para uma “guerra do gás” que poderá interromper o fornecimento no continente. Ao menos 20 homens armados com pistolas e rifles ocuparam a [...]

O post ‘Guerra do gás’ tende a afetar economia europeia, dizem analistas apareceu primeiro em Jornal Correio do Brasil.

correiodobrasil.com.br | 12-04-2014

SÃO PAULO - O aumento das emissões de dióxido de carbono (CO²) pelo uso crescente de transporte individual ao redor do mundo começa a entrar no debate de redução dos gases do efeito estufa. Quarto maior mercado de automóveis do mundo, o Brasil pode chegar a 2030 com o dobro de automóveis nas ruas, atingindo uma emissão de 88 megatoneladas de CO² equivalente por ano se não forem tomadas medidas mais ousadas para aumentar a eficiência energética dos veículos. Se alinhar suas metas aos parâmetros da União Europeia, mesmo que a frota dobre de tamanho, é possível reduzir a emissão a 67 Megatoneladas - 10% a menos do que as emissões de 2010, quando a frota era de 24 milhões de unidades e as emissões de CO² alcançaram 74,5 Megatoneladas. A conclusão é de um estudo encomendado pelo Greenpeace à Coppe/UFRJ, que avaliou cenários de emissões de CO² com base em metas de eficiência energética de automóveis.

- Temos uma frota de automóveis que cresce rapidamente. É preciso que o consumo de combustível seja mais eficiente. Hoje, o Brasil não tem regras de redução de emissão de CO² a serem alcançadas pelos veículos, apenas metas voluntárias de aumento de eficiência - explica o pesquisador William Wills, autor do estudo “Eficiência Energética e Emissões de Gases de Efeito Estufa” encomendado pela ONG.

As emissões do setor de transporte prometem ser as de maior crescimento do mundo até 2050, puxadas principalmente pelo aumento de renda e da demanda vertiginosa por carros em países emergentes e de grandes mercados, como China, Índia e Brasil, segundo as primeiras informações atribuídas ao novo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC).

De acordo com o Observatório do Clima, entre 1990 e 2012, as emissões do setor de transportes no Brasil cresceram 143%. Até 2009, os automóveis representavam 38% das 170 milhões de toneladas de CO² apenas pelo setor de transporte rodoviário no país - mais que o dobro do percentual de ônibus (14%) e caminhões (14%). De acordo com as estimativas do Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários, publicado pelo governo em 2011, as emissões podem alcançar 270 milhões de toneladas de CO² em 2020 e 40% virão de automóveis.

O CO² é o maior responsável pelo efeito estufa, responde por 50% do aquecimento global. Sua permanência na atmosfera é longa: mais de 200 anos.

Wills explica que o Brasil tem um programa de incentivo para o aumento da eficiência energética dos automóveis, o que gera redução na emissão de poluentes.

O programa, batizado de Inovar-Auto, foi o cenário de referência do estudo encomendado pelo Greenpeace. As metas do Inovar estão atreladas a incentivo fiscal, com redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A meta básica é alcançar uma economia de energia de 12,08% nos automóveis até 2017, em relação a 2011. Neste caso, os automóveis passariam a emitir 140,8 gramas de CO² por quilômetro rodado, permanecendo constante nas projeções até 2030. É com base neste dado que foi calculada a emissão total por ano, até 2030.

Na melhor das hipóteses estabelecidas pelo programa, segundo Wills, os automóveis com maior benefício fiscal (com economia energética de 18,84% em relação a 2011) emitiriam 130 gramas de CO²/Km em 2017, mesma meta estabelecida pela União Europeia para 2015.

A União Europeia estabeleceu uma meta de alcançar uma emissão de 95 gramas CO²/km até 2021. A montadora que não atingir pagará multa baseada no número de unidades vendidas e na quantidade de emissão acima da meta. A ideia do estudo do Greenpeace é que o Brasil alcance a meta junto com a Europa, sem qualquer atraso. Num cenário intermediário, com o Brasil alcançando as metas europeias com dois anos de atraso, em 2023, as emissões totais dos automóveis no país chegariam a 68 megatoneladas CO² equivalente em 2030.

- Ao ganhar eficiência, os carros conseguem se movimentar com menos combustíveis. Isso significa economia de custo de transporte e menos poluição do ar nas grandes cidades, além da redução do CO² - diz Wills.

Nos últimos anos, o principal vilão da emissão de gases do efeito estufa no Brasil foi o desmatamento. Dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação mostram que, em 2005, o desmatamento respondia por 57% das emissões de CO² no país. Em 2010, o percentual caiu para 22%. O uso de energia percorreu o caminho inverso: passou de 16% para 32% no período - e é nele que se encaixa a queima de combustível dos automóveis.

O estudo encomendado pelo Greenpeace já incorporou o uso da tecnologia flex e usou como parâmetro que os carros são abastecidos com 50% de álcool e 50% de gasolina. É preciso lembrar que a frota também não é renovada 100% a cada ano e, por isso, foi calculado também os parâmetros de renovação e sucateamento.

- O Brasil é e continuará sendo nos próximos anos um dos maiores mercados de automóveis do mundo. Montadoras e governo precisam viabilizar meios para que os carros produzidos aqui sejam mais limpos e eficientes. É hora de as montadoras serem coerentes e adotar padrões similares aos que elas já têm lá fora - afirma Iran Magno, coordenador da campanha Clima e Energia do Greenpeace.

oglobo.globo.com | 10-04-2014

WASHINGTON - O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, afirmou que as projeções pessimistas para a economia brasileira feitas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no relatório trimestral “Panorama Econômico Mundial”, divulgado nesta terça-feira pela manhã em Washington, refletem deficiência do modelo econométrico de previsão e leitura equivocada da evolução dos indicadores do país desde o ano passado. Para ele, o organismo multilateral está “olhando para trás” e “subestimando” o Brasil.

O FMI reduziu a previsão de crescimento do Brasil de 2,3% para 1,8% este ano e de 2,9% para 2,7% em 2015. A equipe do economista-chefe do Fundo, Olivier Blanchard, considerou a expansão brasileira contida, respondendo a uma série de entraves: pressão inflacionária persistente e juros em alta; investimentos, produção e exportações fracos; gargalos continuados de infraestrutura e deterioração fiscal; que formam um caldo de perda de competitividade e falta de confiança empresarial e de agentes do mercado.

— Eu acho que o FMI está subestimando a capacidade de o Brasil crescer este ano, nós mantemos a projeção de expansão de 2,5%, achamos que ela está validada pelo que aconteceu no primeiro trimestre de 2014. O FMI está olhando muito para trás, para o que aconteceu no terceiro trimestre de 2013, deve ser problema do modelo de previsão. E é difícil um órgão ter a capacidade de observar todos os países com a propriedade que a gente tem domesticamente. Provavelmente, o FMI sequer abriu os dados de janeiro a março de 2014 — afirmou Holland.

O humor dos investidores, garante o secretário, está mudando positivamente desde fevereiro e isso está refletido na queda do dólar, na recuperação de preços de ações e na entrada maior de recursos estrangeiros no Brasil, tanto para aplicações financeiras quanto para investimentos diretos.

No início do ano, afetando os emergentes, ainda havia incertezas de como seria o fim gradual do programa de estímulos dos EUA, de como a Europa incentivaria uma retomada econômica mais robusta e de qual seria a desaceleração da China, que impacta exportadores de commodities, disse o secretário. Tudo isso estava afetando as decisões de investimento de grandes aplicadores internacionais. Nos dois meses seguintes, os cenários ficaram mais claros e mais positivos para os emergentes em geral e o Brasil em particular.

— Essas informações entraram na cabeça dos investidores, que começaram a realocar recursos. E aí começou uma percepção melhor dos fundamentos brasileiros — assegurou Holland. — O que vale na hora de realocação de investimento é retorno prospectivo. Tenho recebido muitos investidores que apostam “na curva longa”. Eles estão vendo melhora do quadro fiscal, capacidade maior de crescimento, o que estamos fazendo em infraestrutura. E, não dá para ignorar, eles veem o mercado doméstico brasileiro gigante. Só de celulares vendendo 60 milhões de unidades ano passado. Quem aplica no Brasil vô o país como atrativo e rentável — defendeu o secretário.

Holland diz que as projeções da Fazenda se apoiam em dados concretos. Ele pondera que os números de agricultura e indústria já mostram retomada e que o aumento de 7,5% na produção da Petrobras este ano sozinho adicionará 0,14 ponto percentual ao Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

A inflação medida pelo IPCA também começará a ceder, especialmente os preços de alimentos. Segundo o secretário, crescimento maior e inflação menor vão promover a recuperação da confiança de investidores e consumidores.

— E se você olhar a demanda, o nível de inadimplência já está menor, a taxa de desemprego está menor, a massa salarial continua crescendo. Portanto, as famílias vão retomar confiança e começarão a gastar — disse Holland.

oglobo.globo.com | 09-04-2014

Os líderes financeiros mundiais devem discutir os possíveis riscos à economia europeia devido à crise na Ucrânia, mas não há planos de mencionar o tema no documento final da reunião em Washington, disseram duas fontes do G20....
noticias.terra.com.br | 08-04-2014
Os investimentos nas energias renováveis diminuíram em 2013, com uma queda particularmente acentuada na Europa, que foi ultrapassada pela primeira vez pela China, revelou a Organização das Nações...
feeds.dn.pt | 08-04-2014
Os investimentos nas energias renováveis diminuiram. As Nações Unidas revelam que a queda foi muito acentuada na Europa. O investimento chinês ultrapassou o europeu. Em relação a 2011 houve uma descida de 14% nos investimento em energias alternativas .
www.rtp.pt | 08-04-2014
A evolução de Portugal entre duas intervenções do FMI é o ponto de partida para o livro "A Economia Portuguesa na União Europeia - 1986-2010". Um dos envolvidos fala ao Expresso.
expresso.sapo.pt | 07-04-2014

LONDRES E FRANKFURT - A versão do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, dos estímulos extraordinários à economia — o chamado QE, quantitative easing — é um tanto diferente daquela aplicada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

À medida que os diretores do BCE tentam se livrar do risco de uma deflação, Draghi deu na semana passada o seu mais forte sinal até agora de que a autoridade monetária europeia está preparada para adotar uma política que se tornou sinônimo de compras em grande escala de bônus do governo. E, apesar disso, a própria natureza econômica da zona do euro empurra o BCE a buscar uma abordagem própria do quantitative easing.

Draghi está usando a “marca” QE como um instrumento para convencer os investidores de que os gestores da política monetária dos 18 países da zona do euro estão comprometidos a evitar uma espiral deflacionária como a que atingiu o Japão. Ao mesmo tempo, há obstáculos políticos e econômicos à compra de bônus soberanos europeus; e um programa voltado para estimular os empréstimos pelos bancos talvez se mostre mais eficiente.

— O BCE deverá se concentrar mais na compra de empréstimos bancários do que na compra de bônus soberanos — afirmou Elga Bartsch, economista-chefe para a Europa do Morgan Stanley, em Londres. — Por causa das preocupações políticas e legais em torno da compra de bônus, continuamos acreditando que um consenso sobre a compra de ativos do setor privados seria mais fácil de ser alcançado.

Compromisso unânime

Apesar disso, o BCE já fez simulações de compra de bônus de até € 1 trilhão, para verificar os efeitos na inflação, disse uma fonte com conhecimento da operação. Segundo ela, não há um pré-acordo sobre a aplicação e o tamanho de uma iniciativa de QE. Já Draghi disse na semana passada que o Conselho Governador do BCE foi “unânime” em seu compromisso de testar novas políticas, inclusive a compra de ativos.

— Houve um debate sobre o QE. Ele não foi negligenciado — disse o presidente do BCE, após a decisão do BCE de manter a taxa básica de juros em 0,25%.

Draghi está tentando estimular uma economia cuja dinâmica de financiamento é diferente daquela dos Estados Unidos, onde um mercado de capitais mais ativo torna mais fácil para o Fed guiar a economia por meio da compra de ativos.

Além disso, a compra de bônus soberanos, como fazem os Estados Unidos, é política e legalmente mais complexa para Draghi. Os tratados de financiamento do BCE o proíbem de emprestar a governos. O presidente do BCE também teria que escolher os países dos quais adquirir bônus. Se a compra de débitos soberanos fosse proporcional ao tamanho dos países-membros, mais da metade viria de países como Alemanha e França. Incluir países periféricos poderia minar seus esforços para reduzir os gastos.

oglobo.globo.com | 07-04-2014

As exportações brasileiras diminuíram no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, que também não foi brilhante. Mesmo com um pequeno recuo nas importações, o resultado da balança comercial nos primeiros três de meses de 2014 foi um déficit da ordem de US$ 6 bilhões. A recuperação esperada não se concretizou, pois houve queda expressiva nas vendas de manufaturados e semimanufaturados para o exterior, exatamente os itens que incorporam mais valores à economia brasileira, pois envolvem extensas cadeias produtivas.

Os números frustrantes das exportações de manufaturados, especialmente, são atribuídos aos problemas enfrentados pela Argentina, terceiro maior parceiro comercial do Brasil. O aumento mais expressivo na produção de petróleo, que se traduzirá em novas exportações, igualmente não se concretizou no primeiro trimestre.

Houve um salto fantástico nas exportações brasileiras a partir de 1999, saindo de um patamar de US$ 65 bilhões para cerca de US$ 250 bilhões anuais. Nos dois últimos anos, porém, as exportações estagnaram, embora o Brasil tenha mantido posições de liderança em diversos produtos, como minério de ferro, soja, café, açúcar, carnes. A capacidade de produção de veículos e de celulose, dois itens que contribuem significativamente para o resultado da balança comercial, se expandiu, com a ampliação e inauguração de fábricas.

O câmbio se tornou bem favorável às exportações nesse período de dois anos. Alguns avanços ocorreram na logística e a burocracia até diminuiu um pouco nos portos.

Então o que está se passando com as exportações deveria ser objeto de mais reflexão. Mesmo com a crise financeira internacional não superada, o mundo não parou de se mexer no comércio exterior, mas o Brasil manteve uma postura estática, muito em função das alianças políticas que acabaram engessando a estratégia comercial do país. Veja-se o caso do comércio com os Estados Unidos e a Europa.

O Brasil depende fundamentalmente de saldos na balança comercial para fechar suas contas externas de maneira equilibrada. Sem saldo na balança comercial, o déficit em transações correntes continuará aumentando, e para cobri-lo o país dependerá de um fluxo positivo de investimentos diretos e de financiamentos. Qualquer retração nesse fluxo financeiro provocaria uma depreciação considerável no câmbio, com risco de provocar mais inflação e até uma recessão.

Desse modo, não há como ser leniente em relação à trajetória das exportações, pois é por essa via que se pode melhorar os resultados da balança comercial, e não como era feito no passado, com barreiras e até a proibição de importações.

oglobo.globo.com | 06-04-2014

KIEV - A Ucrânia alertou neste sábado (5) que levará a Rússia para o tribunal de arbitragem se negociações com Moscou não resultarem na redução dos preços do gás natural. Kiev classificou o recente aumento de agressão econômica. Em mais um capítulo da crise entre os dois países, o governo russo praticamente dobrou o valor que a Ucrânia paga pelo gás. A medida, imediatamente, forçou Kiev a entrar em negociações de emergência com outros vizinhos europeus. Os esforços são no sentido de aumentar a importação de gás mais barato para não combaliar ainda mais uma economia já destroçada.

A Ucrânia, que importa mais da metade de seu gás da Rússia, acusa o país vizinho de usar o aumento dos preços como instrumento de pressão econômica depois que protestos em Kiev derrubaram o presidente pró-Rússia Viktor Yanukovich, em fevereiro. O gesto deteriorou a boa convivência entre duas ex-repúblicas soviéticas. A Rússia tomou a região ucraniana da Crimeia e a anexou formalmente no mês passado, alimentando o maior impasse entre russos e o Ocidente desde o fim da Guerra Fria.

"Nossos vizinhos russos realizaram outra forma de agressão contra a Ucrânia: a agressão do gás. Esse preço é o maior no território europeu e não é econômico, mas sim político", afirmou o primeiro-ministro ucraniano, Arseny Yatseniuk. O governo ucraniano segue em conversações com a Rússia para diminuir o preço do gás, que Moscou aumentou para 485 dólares por mil metros cúbicos, ante um preço anterior de 268,50 dólares.

A empresa que detém o monopólio do gás russo, Gazprom GAZP.MM, afirmou que cobra em média entre 370 e 380 dólares pela mesma quantidade para seus consumidores europeus.

Merkel fala em sanções

A chanceler alemã Angela Merkel, disse, neste sábado, que as autoridades não devem duvidar de novas sanções da União Europeia (UE) à Rússia se o país continuar desestabilizando a Ucrânia. Ela reconheceu diferenças de posição entre os países da UE sobre a crise na Ucrânia, mas afirmou que isso não impediria o bloco de ter uma posição unificada.

"Se a integridade territorial da Ucrânia continuar sendo violada, então teremos que impor sanções econômicas", afirmou Merkel em um congresso da União Democrata-Cristã (CDU), antes das eleições para o Parlamento Europeu, que serão realizadas no próximo mês.

"Ninguém deveria duvidar. Somos todos diferentes na Europa, mas temos a sorte de sermos unidos, e juntos vamos tomar essa decisão", afirmou a líder da maior economia do continente.

oglobo.globo.com | 05-04-2014
O trimestre que agora termina, embora coincidisse com um ponto alto da crise ucraniana, registou um aumento em flecha das importações de gás russo em alguns países europeus. No mesmo período, intensificaram-se também negociações, e em certos casos concluíram-se, para a participação de capitais russos em empresas europeias.
www.rtp.pt | 04-04-2014
O aumento de encomendas às fábricas em Fevereiro sinaliza maior robustez da principal economia europeia.
feedproxy.google.com | 04-04-2014
O aumento de encomendas às fábricas em Fevereiro sinaliza maior robustez da principal economia europeia.
feedproxy.google.com | 04-04-2014
A União Europeia informou nesta quarta-feira que vai aumentar os investimentos nos programas que trabalham pela paz e pela segurança na África. O anún






www.estadao.com.br | 02-04-2014
  Havana, Cuba, 2/4/2014 – Com uma lei que abre Cuba para os investimentos estrangeiros e a esperada reacomodação de suas relações com a União Europeia (UE), o governo de Raúl Castro busca uma alavanca externa para superar a crise que vive o país desde a década de 1990, enquanto facilita o retorno, ao menos […]
envolverde.com.br | 02-04-2014
Juros caem em dia de reunião dos ministros das Finanças e da Economia da União Europeia.
feedproxy.google.com | 02-04-2014
Juros caem em dia de reunião dos ministros das Finanças e da Economia da União Europeia.
feedproxy.google.com | 02-04-2014
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, defendeu hoje, em Bruxelas, que o setor privado deve desempenhar um papel cada vez mais relevante no crescimento da economia africana, cujo potencial, vincou, é "enorme".
www.rtp.pt | 31-03-2014

RIO — A chegada em massa de africanos na Europa racha o discurso do Velho Mundo: um estrato da sociedade defende políticas assistencialistas; outro ergue a bandeira da direita radical e hostil aos “invasores”. No Ártico, o derretimento das geleiras acirra a tensão entre as grandes potências mundiais, que cobiçam as novas rotas de navegação e a extração do petróleo. Milhões de pessoas deixarão o Leste da Ásia, constantemente inundado, e, no Brasil, nordestinos trocarão suas casas pelo Sudeste. Estes conflitos, entre tantos outros que já aparecem timidamente no cenário internacional, provocarão ainda mais embaraços nas próximas décadas. A explicação para tantos episódios caóticos é a mesma — as mudanças climáticas.

Divulgado neste domingo, o novo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) dedica um capítulo inteiro à relação entre clima e segurança. Esta é a primeira vez que o órgão deu ênfase à ligação entre clima e crescimento da extrema-direita.

Segundo o IPCC, a temperatura global pode aumentar, no máximo, 2 graus Celsius para que o clima do planeta seja “administrável”. Mais do que isso, o homem perderia o controle sobre os fenômenos naturais. Hoje, no entanto, acredita-se que os termômetros devem chegar a mais de 4 graus Celsius até o fim do século. Com isso, aumenta a ocorrência de eventos climáticos extremos, que arrasam os recursos fundamentais para a economia de cada país — terras cultiváveis e água, principalmente.

— A escassez acirra questões que já são sensíveis — alerta Suzana Kahn, vice-presidente do IPCC e professora da Coppe/UFRJ. — O ambiente alterado aumentará o fosso entre as nações. Populações inteiras, que têm muito pouco a perder, vão se transformar em refugiados climáticos. Em um mundo já lotado, elas sempre serão recebidas com hostilidade. Criamos um barril de pólvora.

Confrontos pela água

Os eventos climáticos extremos atingirão com maior ferocidade os países em desenvolvimento, especialmente na região tropical. A desertificação africana já provoca o deslocamento das populações, que voltarão cada vez mais suas atenções para a Europa. Assustado com o assédio de suas ex-colônias, o Velho Mundo testemunha o crescimento dos militantes anti-imigração. Um exemplo é o referendo no mês passado na Suíça, em que a nação optou por permanecer fora da União Europeia. O resultado foi citado como um modelo por líderes da extrema-direita de países como Áustria, França e Itália.

O Brasil pode ter sua própria onda migratória. A desertificação do sertão e do Leste da Amazônia levaria mais pessoas para as já saturadas capitais do Centro-Sul do país.

Coordenador de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, André Nahur concorda que a disputa por água e alimentos será uma das maiores motivações para os confrontos deste século.

— A queda da disponibilidade de água vai gerar um cenário de incerteza — destaca. — O estresse hídrico pode ser visto em diferentes partes do mundo. O Leste da Ásia, cada vez mais sacudido por eventos extremos, como furacões, pode não ter a água necessária para abastecer sua população. Outro exemplo é a disputa, entre Rio e São Paulo, pela Bacia do Rio Paraíba do Sul.

Para Fábio Scarano, coautor do relatório do IPCC e vice-presidente sênior da Divisão da América da Conservação Internacional, a América Latina é uma das áreas vulneráveis aos confrontos protagonizados pela água:

— Em nosso continente, a água é usada para energia, irrigação e saneamento nas cidades. À medida que o clima traz impacto à sua disponibilidade, as atividades econômicas correm risco e aumenta a competição pelos recursos naturais.

Efeitos seguirão por décadas

O aquecimento global, no entanto, é festejado em regiões como o Norte da Rússia, onde a maior exposição ao Sol vai proporcionar mais áreas cultiváveis. Mas o derretimento do gelo vem acompanhado de polêmicas, como a maneira de explorar gás e mineração, entre outras riquezas pouco estudadas da região.

Durante a Conferência do Clima de Copenhague, em 2009, representantes do Conselho Circumpolar Inuit, da Groenlândia, denunciaram o aumento da presença militar naquele território.

— O degelo do Ártico também traz um conflito em potencial — alerta Suzana. — Sem as geleiras, novas rotas de navegação estão sendo criadas, e o petróleo da região está atraindo as grandes potências. Mais uma disputa surge ali.

Mesmo que as emissões de carbono fossem interrompidas agora — o que sequer é cogitado —, os efeitos das mudanças climáticas seguirão por décadas, inclusive a possibilidade de confrontos.

— Os mais vulneráveis às mudanças climáticas são os pobres — destaca Scarano. — Então, os objetivos devem ser reduzir a miséria e, ao mesmo tempo, adaptar os ecossistemas.

oglobo.globo.com | 31-03-2014

RIO — A chegada em massa de africanos à Europa racha o discurso do Velho Mundo: um estrato da sociedade defende políticas assistencialistas. Outro ergue a bandeira da direita radical e hostil aos “invasores”. No Ártico, o derretimento das geleiras acirra a tensão entre as potências mundiais, que cobiçam novas rotas de navegação e extração do petróleo. Milhões de pessoas deixam o Leste da Ásia, constantemente inundado, e, no Brasil, nordestinos trocam suas casas pelo Sudeste. Estes conflitos, entre tantos outros que já aparecem timidamente no cenário internacional, provocarão mais embaraços nas próximas décadas. A explicação para tantos episódios caóticos são as mudanças climáticas.

Divulgado neste domingo, o novo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) dedica um capítulo inteiro à relação entre clima e segurança. Esta é a primeira vez que o órgão deu ênfase à ligação entre clima e crescimento da extrema-direita.

Segundo o IPCC, a temperatura global pode aumentar, no máximo, 2 graus Celsius para que o clima do planeta seja “administrável”. Mais do que isso, o homem perderia o controle sobre os fenômenos naturais. Hoje, no entanto, acredita-se que os termômetros devem chegar a mais de 4 graus Celsius até o fim do século. Com isso, aumenta a ocorrência de eventos climáticos extremos, que arrasam os recursos fundamentais para a economia de cada país — terras cultiváveis e água, principalmente.

— A escassez acirra questões que já são sensíveis — alerta Suzana Kahn, vice-presidente do IPCC e professora da Coppe/UFRJ. — O ambiente alterado aumentará o fosso entre as nações. Populações inteiras, que têm muito pouco a perder, vão se transformar em refugiados climáticos. Em um mundo já lotado, elas sempre serão recebidas com hostilidade. Criamos um barril de pólvora.

Confrontos pela água

Os eventos climáticos extremos atingirão com maior ferocidade os países em desenvolvimento, especialmente na região tropical. A desertificação africana já provoca o deslocamento das populações, que voltarão cada vez mais suas atenções para a Europa. Assustado com o assédio de suas ex-colônias, o Velho Mundo testemunha o crescimento dos militantes anti-imigração. Um exemplo é o referendo no mês passado na Suíça, em que a nação optou por permanecer fora da União Europeia. O resultado foi citado como um modelo por líderes da extrema-direita de países como Áustria, França e Itália.

O Brasil pode ter sua própria onda migratória. A desertificação do sertão e do Leste da Amazônia levaria mais pessoas para as já saturadas capitais do Centro-Sul do país.

Coordenador de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, André Nahur concorda que a disputa por água e alimentos será uma das maiores motivações para os confrontos deste século.

— A queda da disponibilidade de água vai gerar um cenário de incerteza — destaca. — O estresse hídrico pode ser visto em diferentes partes do mundo. O Leste da Ásia, cada vez mais sacudido por eventos extremos, como furacões, pode não ter a água necessária para abastecer sua população. Outro exemplo é a disputa, entre Rio e São Paulo, pela Bacia do Rio Paraíba do Sul.

Para Fábio Scarano, coautor do relatório do IPCC e vice-presidente sênior da Divisão da América da Conservação Internacional, a América Latina é uma das áreas vulneráveis aos confrontos protagonizados pela água:

— Em nosso continente, a água é usada para energia, irrigação e saneamento nas cidades. À medida que o clima traz impacto à sua disponibilidade, as atividades econômicas correm risco e aumenta a competição pelos recursos naturais.

Efeitos seguirão por décadas

O aquecimento global, no entanto, é festejado em regiões como o Norte da Rússia, onde a maior exposição ao Sol vai proporcionar mais áreas cultiváveis. Mas o derretimento do gelo vem acompanhado de polêmicas, como a maneira de explorar gás e mineração, entre outras riquezas pouco estudadas da região.

Durante a Conferência do Clima de Copenhague, em 2009, representantes do Conselho Circumpolar Inuit, da Groenlândia, denunciaram o aumento da presença militar naquele território.

— O degelo do Ártico também traz um conflito em potencial — alerta Suzana. — Sem as geleiras, novas rotas de navegação estão sendo criadas, e o petróleo da região está atraindo as grandes potências. Mais uma disputa surge ali.

Mesmo que as emissões de carbono fossem interrompidas agora — o que sequer é cogitado —, os efeitos das mudanças climáticas seguirão por décadas, inclusive a possibilidade de confrontos.

— Os mais vulneráveis às mudanças climáticas são os pobres — destaca Scarano. — Então, os objetivos devem ser reduzir a miséria e, ao mesmo tempo, adaptar os ecossistemas.

oglobo.globo.com | 31-03-2014

COSTA DO SAUÍPE - As economias da América Latina e do Caribe deverão crescer 3% em 2014 e 3,3% em 2015, estima o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). As projeções fazem parte do estudo “Recuperação Global e Normalização Monetária: Escapando de uma Crônica Anunciada”, divulgado neste domingo durante a 55ª Assembleia de Governadores do BID, realizada na Costa do Sauípe, Bahia.

A taxa de crescimento esperada, afirma o BID, é resultado principalmente de uma recuperação nas economias dos Estados Unidos e da Europa. No entanto, o relatório alerta para o fato de que os países da região ainda estão sujeitos a turbulências no mercado internacional que podem prejudicar o desempenho esperado.

Um dos riscos é resultado justamente da recuperação dos Estados Unidos. Como a economia americana começou a se recuperar, o FED (Federal Reserve, Banco Central dos EUA) começou a reduzir estímulos aos crescimento, o que vem provocando instabilidade no mercado e uma fuga de capitais de países emergentes.

“Esse processo de normalização monetária dos Estados Unidos pode acarretar quedas bruscas nos preços dos ativos e até mesmo depreciações cambiais em alguns casos. Os rendimentos mais altos que são oferecidos nas economias avançadas poderão induzir novas fugas da capital da região”, afirma o documento.

Outro risco para a América Latina e o Caribe está no desempenho da China, país que é um forte importador de mercadorias da região. “A participação da China como parceiro comercial tem se tornado cada vez mais significativa, e embora as taxas de crescimento tenham diminuído, permanece o receio de que possam diminuir ainda mais. Um crescimento mais lento da China significa um risco mais significativo”, diz o documento.

O BID afirma ainda que os governos da região precisam ficar alertas ao aumento do risco do que os economistas chamam de “Parada Súbita” nos fluxos de capital. Isso ocorre em momentos turbulentos quando os investidores não analisam apenas dados econômicos fundamentais para tomar suas decisões de investimento, mas levam em conta pareceres e iniciativas de outros investidores. Se um investidor, por exemplo, achar que os demais vão provavelmente investir em determinado país, isso poderá levá-los a prever uma valorização cambial e um retorno mais elevado de seus investimentos individuais. Mas o inverso também pode ocorrer. Nesse caso, há risco de uma fuga de capitais.

“Este é um evento mais dramático, cujo impacto depende do déficit fiscal do país, do déficit emconta corrente, do nível de dolarização e de reservas, entre outras variáveis. A maioria dos países da região sofreu uma deterioração nesses indicadores em anos recentes”, afirma o BID, destacando a importância de os governos reforçarem suas reservas e suas políticas fiscais.

No sábado, ao participar de evento paralelo à Assembleia do BID organizado pelo Institute of International Finance (IIF), o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse que o Brasil está preparado para enfrentar turbulências no mercado internacional.

— O Brasil tem fundamentos econômicos e financeiros robustos. É comprovadamente resistente a choques externos, possui colchões e um sistema financeiro sólido. Possuímos quase US$ 380 bilhõesde reservas internacionais, somos credores externos líquidos. A parcela da dívida pública em mãos de estrangeiros é de apenas 17% e nosso sistema financeiro está entre os mais capitalizados, líquidose com baixa dependência de recursos externos — disse o presidente do BC.

oglobo.globo.com | 30-03-2014

Os Estados Unidos caem novamente em contradição lógica. Como o que aconteceu com a ameaça de ação militar contra a Síria, o governo Obama na questão da Rússia e da Ucrânia vai além do que o país está disposto e é capaz de impor.

No começo do mês, o Presidente Barack Obama alertou que os EUA "isolariam a Rússia" caso ela tomasse mais territórios, e esta semana indicou a possibilidade de mais sanções. De igual modo, o secretário de Estado, John Kerry, declarou que o G7 estava "preparado para fazer de tudo" para isolar a Rússia.

Mas o discurso de Washington é perigosamente excessivo, por três razões principais: a Ucrânia é bem mais importante para Vladimir Putin do que para os EUA; será difícil para os Estados Unidos e a Europa cumprirem as suas ameaças de sanções severas; e outros países podem, no final das contas, enfraquecê-los.

Em primeiro lugar, os Estados Unidos precisam enxergar a crise da Ucrânia sob o ponto de vista russo. As ameaças dos EUA e da Europa nunca serão o fator determinante na tomada de decisão de Putin. A Ucrânia é a única questão de segurança nacional da Rússia além das suas fronteiras, e as políticas de Putin, inclusive se vão ou não anexar mais territórios da Ucrânia, serão formadas preponderantemente pelos interesses da segurança nacional, e não pela economia de curto prazo.

Além disso, a Rússia já deu cerca de US$ 200 bilhões a US$ 300 bilhões à Ucrânia em subsídios para o gás natural desde 1991. No caso de um governo ucraniano que não seja pró-Rússia, é provável que Moscou interrompa esses subsídios, eliminando uma carga econômica enorme justo quando o Ocidente tenta pressioná-la financeiramente.

Em segundo lugar, se a Rússia empreender novas incursões na Ucrânia, a tentativa dos EUA de sanções mais rígidas semelhantes às do Irã, coordenadas com os aliados, fracassarão no final. De fato, se Putin insistir em uma campanha militar mais abrangente, é improvável que haja uma reação semelhantemente robusta por parte tanto dos EUA quanto da Europa.

As exportações de energia da Rússia, o seu poder comercial e o seu tamanho tornam os custos do seu isolamento proibitivamente altos para a Europa. Apesar da recente exclusão da Rússia do G7, os europeus não querem chegar a extremos. O embaixador da Ucrânia para a União Europeia chamou as atuais sanções de uma "picada de mosquito"; e mesmo essas ações modestas deixaram muitos governos europeus ariscos. O Reino Unido e a França têm agido com muita cautela, os austríacos e os cipriotas mais ainda. (A Áustria compra mais da metade do seu gás natural da Rússia; Chipre tem grande envolvimento bancário com a Rússia.)

E finalmente, mesmo que os EUA tentem sanções severas, outras nações irão ignorá-las e compensarão qualquer dano causado. A Índia se recusa totalmente a tratar a Rússia como vilã. E o mais importante, a China não observará essas sanções.

O problema básico é que o governo Obama não quer assumir os custos envolvidos com uma política externa ativa. Isso é compreensível. Uma pesquisa feita pela Pew em dezembro revelou o menor nível de apoio da opinião pública a uma política externa ativa nos EUA desde 1964.

Essa pressão interna é evidente na Síria. O erro de Obama não foi recuar de uma ação militar e aceitar a proposta russa para eliminar as armas químicas da Síria. O erro foi impor limites cuja manutenção seria mais onerosa do que os EUA estavam dispostos a tolerar. Os EUA perderam a credibilidade internacionalmente por não cumprirem a ameaça.

Infelizmente, o governo está repetindo o mesmo erro na Ucrânia.

Quando a Rússia prosseguiu com a anexação da Crimeia, os Estados Unidos e a Europa reagiram com medidas severas que tiveram certo impacto econômico. Porém, eles de maneira alguma "fizeram de tudo". Em vez disso, os americanos e europeus estabeleceram um limite maior na questão ao fazer ameaças vãs de sanções abrangentes caso a Rússia tentasse tomar mais territórios da Ucrânia.

Tal retórica incisiva do Ocidente poderia forçar Putin a ser ainda mais agressivo. Isso porque ele não acredita que o Ocidente irá tratar a Rússia como trata o Irã, e que instituirá sanções severas que isolariam do Ocidente grandes áreas da economia russa. Como Putin explicou recentemente, em um mundo globalizado "é possível prejudicar o outro — mas isso haveria dano recíproco".

"Isolar a Rússia" como se ela fosse o Irã ou a Coreia do Norte não é uma ameaça que os EUA podem cumprir de forma viável. Só porque Putin está agindo como líder de um Estado vilão, o seu país não pode ser considerado vilão. A Rússia possui a oitava maior economia do mundo. Considerando a vulnerabilidade das corporações americanas em relação à Rússia, haveria sérios retrocessos no setor privado caso Obama tente atribuir a ela a posição de Estado vilão. O governo Obama precisa pregar o que de fato irá fazer. Do contrário, a credibilidade dos EUA pode diminuir ainda mais quando o país volta atrás em suas palavras.

Uma reação mais linha dura não é a solução. Obama estava certo em rejeitar a alternativa militar; a diplomacia é o único caminho viável para os EUA.

Contudo, Washington precisa antecipar uma resposta do ponto de vista russo. Em um grande discurso na quarta-feira, Obama sugeriu que mais medidas seriam criadas caso a Rússia mantenha o curso atual. Isso é um erro. A Rússia não vai voltar a trás, e tal conversa só aumentará as tensões.

O governo americano deveria se concentrar no apoio a Kiev, em vez de na punição de Moscou. Isso significa usar a sua influência na Europa para garantir que esse apoio dê certo, e que o novo governo da Ucrânia não faça nada que provoque uma resposta extrema. Isso exigirá um reconhecimento dos interesses centrais da Rússia e das limitações dos EUA — e um fim às ameaças vazias.

* Ian Bremmer é presidente do Grupo Eurásia e professor de pesquisa global da Universidade de Nova York.

oglobo.globo.com | 29-03-2014

O otimismo sobre a economia da zona do euro melhorou mais do que o esperado em março, uma vez que a confiança do consumidor europeu registrou sua alta mensal mais forte em quase cinco anos. Dados da Comissão Europeia divulgados nesta sexta-feira mostraram que a confiança no bloco de 18 países aumentou para 102,4, ante [...]

O post Otimismo sobre economia na zona do euro melhora apesar da Ucrânia apareceu primeiro em Jornal Correio do Brasil.

correiodobrasil.com.br | 28-03-2014
Portugal ocupa a 21ª posição entre os países da União Europeia, neste indicador
feedproxy.google.com | 28-03-2014
Joseph Stiglitz, prémio Nobel da Economia em 2001, defendeu hoje, em Macau, uma reestruturação "profunda" da dívida de Portugal e teceu duras críticas às políticas de austeridade impostas pela `troika` na Europa.
www.rtp.pt | 27-03-2014
Na Europa, 11% dos inquiridos pelo Eurobarómetro admitem ter adquirido produtos ou pago a alguém de forma não declarada.
feedproxy.google.com | 24-03-2014

GENEBRA — A independência da Crimeia já teve um efeito: chamou atenção para uma onda de movimentos independentistas “esquecidos” na própria Europa Ocidental. Por exemplo, na Itália. Veja a reação de Fabrizio Comencini, fundador da Liga Veneta Repubblica — partido que luta pela independência do Vêneto, região no norte da Itália que inclui Veneza:

— Antes ninguém se dava conta do Vêneto. A Crimeia tem um único valor para a gente: acendeu a luz (sobre o movimento independentista de Vêneto) — disse o político ao GLOBO.

A atual crise de governança e econômica na Itália, com governos que caem sem parar, é o maior impulso:

— A Itália não pode ser reformada; está praticamente falida! Inútil que nos contem outra história. Renzi (o novo primeiro-ministro Matteo Renzi) vai ser comido vivo — prevê Comencini.

Pobre nos anos 70, Vêneto hoje é uma das regiões mais ricas na Itália. Contribui muito mais do que recebe de Roma, queixa-se o político. E não quer ficar pagando por outras regiões mais pobres da Itália ou por erros do governo central em Roma. Segundo Comencini, o erro de Roma foi não ter reconhecido esta mudança e dado mais autonomia ao Vêneto:

— Nosso movimento diz: se somos capazes de transformar nossa economia e nos tornar economicamente independentes, podemos também nos governar sozinhos! — afirma.

O Vêneto têm um argumento que alguns historiadores consideram forte: a região foi independente por quase mil anos. Tinha até embaixadores. Até o dia em que o imperador francês Napoleão Bonaparte conquistou o território, em 1797. Os austríacos depois incorporaram Vêneto até que finalmente houve a união com Itália.

Nacionalistas do Vêneto estão avançando também sob o impulso de dois referendos este ano que terão profundo impacto nos movimentos separatistas e independentistas da Europa: um na Escócia (Reino Unido), em setembro, e outro na Catalunha (Espanha), em novembro. A assembleia regional do Vêneto começou a debater a possibilidade de também organizar formalmente um referendo, segundo declarou o presidente do Vêneto, Luca Zaia. A iniciativa teria, segundo ele, apoio da maioria dos 5 milhões de habitantes da região.

Um referendo online que durou uma semana terminou na sexta-feira com um esmagador “sim” à independência do Vêneto (89%). Participaram 2,3 milhões de pessoas. Um comunicado no site Plebiscito.eu anunciava o resultado, dizendo: “A besta sangrenta do Estado italiano é odiada por todos os seus súditos em todos os lugares”.

‘Vamos construir novo Estado’, afirma catalão

A crise econômica na Europa alimentou a onda nacionalista e separatista no continente. O resultado da Escócia terá impacto certo na Catalunha, a rica região da Espanha onde se encontra Barcelona. Os catalães, que conquistaram autonomia (têm parlamento e governo com presidente) vão votar logo depois da Escócia. A votação catalã, por sua vez, vai afetar outros grupos no país que também buscam independência, como os bascos.

A diferença é que, ao contrário dos escoceses, que obtiveram luz verde do governo britânico para decidir seu futuro, catalães vão fazer um referendo na marra. O presidente de Governo espanhol, Mariano Rajoy, chamou a iniciativa de “ilegal” e prometeu bloqueá-la. Rajoy é apoiado pelo Parlamento espanhol, que rejeitou o referendo, e também pela oposição socialista da Espanha. Membro do Parlamento da Catalunha (região que goza de ampla autonomia), Jordi Solé diz que a iniciativa é “pacífica” e legítima. Os catalães, segundo ele, vão adiante:

— Oitenta por cento da população, assim como dois terços do Parlamento da Catalunha, querem o referendo. Temos toda a legitimidade do mundo para convocá-lo — disse o político catalão ao GLOBO.

E se o governo espanhol não aceitar um eventual “sim” dos catalães à independência, como já anunciou? Jordi Solé tem a resposta na ponta da língua:

— Vamos construir este novo estado na Europa. E se ainda assim o estado espanhol não quiser negociar, vamos ter que recorrer à mediação internacional. E tentar que governos europeus façam o governo espanhol entender que é preciso respeitar a democracia e a vontade majoritária de um povo — disse.

Sordi não é ativista apenas na Catalunha. Ele é secretário-geral da European Free Alliance — uma aliança de nacionalistas, independentistas e separatistas da Europa, que atua no Parlamento europeu. Ele minimiza as ameaças da União Europeia (UE) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de excluir a Catalunha destas instituições: 

— A mensagem que às vezes obtemos de Bruxelas, de que vamos ficar de fora (da UE), não tem nenhum sentido. Nós já somos europeus, temos direitos à cidadania europeia e aplicamos a legislação europeia — argumenta.

Na ilha de Córsega, na França, nacionalistas também aguardam ansiosos o resultado dos referendos da Escócia e da Catalunha. Para François Alfonsi, deputado nacionalista corso no Parlamento Europeu, a ideia de que fronteiras atuais da Europa podem ser mantidas por muito tempo “não é realista e condenaria a Europa à morte”.

— Um conflito entre a Espanha e a Catalunha (sobre o referendo), pode ser resolvido de forma democrática. De qualquer forma, a decisão dos catalães pertence a eles. Se declararem independência amanhã, não vejo como a União Europeia (UE) poderá ingerir e dizer que fizeram mal.

Ele reconhece que a Córsega está longe de uma independência. Dependente economicamente da França, e com uma população de apenas 300 mil habitantes (contra 7,5 milhões na Catalunha), a ilha perderia com a separação. Para Alfonsi, a luta nacionalista deve se concentrar na busca de maior autonomia e mais influência. Neste domingo, nacionalistas esperam vencer por “2 votos para cada 3” as eleições municipais.

Alfonsi se distancia dos independentistas da Crimeia, ao dizer que o referendo foi feito sob pressão militar e diplomática dos russos, por métodos “condenáveis”:

— Foi organizado num tempo tão curto que deu lugar para um debate democrático, mesmo para as pessoas da Crimeia. Tudo isso me pareceu mais uma manipulação da diplomacia internacional do que um verdadeiro processo pela autodeterminação, como é o caso da Escócia ou da Catalunha.

oglobo.globo.com | 23-03-2014

NÁPOLES - Muralhas, templos e afrescos de Pompeia resistiram à ira de um vulcão e a quase dois mil anos de estudos científicos e visitas turísticas. Agora, no entanto, o Patrimônio Mundial da Unesco ameaça ceder. Tempestades põem a resistência das antigas paredes à prova. Furtos e cortes de afrescos mostram ao mundo a vulnerabilidade do tesouro arqueológico. A reputação italiana desmorona diante de promessas não cumpridas de investimentos. Não há câmeras de vigilância mirando obras preciosas, imunes a saques como o divulgado na semana passada.

Ladrões ainda não identificados invadiram uma área fechada das ruínas, furtando o retrato de uma divindade grega. O crime — descoberto por um guarda, durante uma ronda — foi “a remoção de parte de um afresco da Casa de Netuno”, onde uma representação da deusa Ártemis havia sido retirada com um objeto metálico, segundo um comunicado divulgado na terça-feira pela curadoria do sítio arqueológico romano.

A polícia abriu uma investigação para encontrar o fragmento, de cerca de 20 centímetros de comprimento, roubado de uma área fechada ao público, deixando uma marca branca no afresco cor de rosa, onde o deus Apolo posa tristemente solitário.

O crime provocou indignação na Itália. O jornal “Il Messaggero” descreveu o episódio como “uma vergonha para o país” — e é ainda mais constrangedor porque houve recentemente a troca do superintendente do sítio.

Comissária europeia de Educação, Juventude e Cultura, Androulla Vassiliou afirmou estar “verdadeiramente triste” com o crime. À agência de notícias italiana Ansa, ela declarou que os ladrões “levaram um patrimônio sem preço, que pertence a todos os cidadãos, italianos e europeus, e a gerações futuras”.

O arqueólogo Umberto Pappalardo, da Universidade Suor Orsola Benincasa, acredita que ladrões comuns estejam por trás do furto, em vez de criminosos especialistas em roubo de obras de arte, que poderiam levar a peça ao mercado internacional.

— Vender um afresco roubado de um sítio arqueológico tão conhecido como Pompeia seria uma encomenda muito, muito especial — avaliou. — Certamente não há um mercado para isso na Itália.

Em janeiro, o fragmento de um afresco levado de outra localidade do sítio arqueológico foi entregue à curadoria em um pacote anônimo.

O novo superintendente de Pompeia, Massimo Osanna, declarou à imprensa italiana que “tudo está sendo feito” para recuperar a pintura de Ártemis. Segundo ele, o reforço da segurança é uma de suas prioridades.

Os curadores revelaram que a polícia analisará imagens das câmeras de vigilância no perímetro do sítio arqueológico. No entanto, segundo eles, nenhum equipamento registrou movimentação dentro das ruínas.

Os recorrentes furtos e o colapso das ruínas têm atraído a preocupação internacional. Para os arqueólogos, um dos mais famosos patrimônios da Humanidade está sendo negligenciado pelo governo de Nápoles.

O Templo de Vênus e paredes de um túmulo foram danificados este mês devido a uma série de tempestades, levando a União Europeia a exortar a Itália a “cuidar de Pompeia, porque ela é emblemática não só para a Europa, como também para o mundo”. A Unesco afirmou que “tudo entrará em colapso se não forem tomadas medidas urgentes”. Como resposta, o governo italiano prometeu destinar cerca de US$ 2,8 milhões em iniciativas já em andamento para revitalizar a região.

O primeiro-ministro Matteo Renzi também apelou para que investidores privados contribuam com a restauração das ruínas.

Presidente do Observatório do Patrimônio Cultural, Antonio Irlando destacou como os roubos afetam a imagem do país no exterior.

— O desaparecimento do afresco da Casa de Netuno pode ser classificado como outro “colapso de Pompeia” — lamentou. — No entanto, o que desmoronou desta vez não foram paredes, mas a preciosa reputação da Itália.

No ano passado, a União Europeia anunciou o financiamento de projetos de revitalização de Pompeia, que destinariam US$ 136 milhões ao sítio arqueológico. Mas, de acordo com o jornal “Corriere della Sera”, apenas US$ 764 mil — cerca de 0,5% — foram desembolsados.

O programa é considerado crucial para a sobrevivência do sítio de 44 hectares à sombra do Monte Vesúvio, o vulcão que destruiu a cidade no ano 79 d.C..

oglobo.globo.com | 22-03-2014

Na sua última passagem pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, esta semana, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, repetiu duas vezes que nada condena o Brasil a continuar com uma inflação acima da meta de 4,5%.

Talvez, mas dependerá do governo. Não mais deste, é certo, que se notabiliza por jamais ter mantido a variação dos preços neste nível, até alto se comparado com a inflação de vizinhos — com a exceção dramática da Venezuela e Argentina — e do bloco de economias emergentes em geral. Serão quatro anos em que o melhor resultado foram 4,92%, em junho de 2012, com o agravante de o teto da meta, de perigosos 6,5%, ter sido furado algumas vezes. Como, prevê-se, acontecerá novamente em 2014.

Não sem motivo, a última pesquisa Focus, feita entre analistas do mercado, apontou para uma inflação anual de 6,1% em dezembro. Reconhece-se que, neste início de ano em especial, a pressão dos preços dos alimentos está forte, devido à seca. Mas, se o fenômeno climático explica, não justifica.

As margens na meta de inflação, de dois pontos percentuais para cima e para baixo, serve para a economia absorver choques, sem a necessidade de ações mais firmes da autoridade monetária (o BC). O governo Dilma, entretanto, contaminado pela visão “desenvolvimentista”, nunca assumiu formalmente mas caiu na armadilha de permitir um pouco mais de inflação, para obter um pouco mais de crescimento. Só conseguiu mais inflação.

O BC teve sensibilidade técnica para aproveitar os ventos deflacionistas soprados da crise europeia e jogar os juros internos para impensáveis 7, 25%. Mas, como quase sempre na Era do lulopetismo, o Ministério da Fazenda, sob estrito controle da presidente, não contribuiu com uma política fiscal responsável. E colocou o país em outra arapuca, ao acelerar o consumo sem a contrapartida dos investimentos internos no aumento da capacidade produtiva e na infraestrutura. Os resultados estão aí: déficits externos crescentes e inflação enrijecida nas vizinhanças de 6%, algo muito grave devido à existência, ainda, de mecanismos de indexação automática, o do salário mínimo apenas um deles. E mesmo assim porque o governo joga inflação para debaixo do tapete, ao conter artificialmente tarifas públicas (energia, etc) e combustíveis. É por isso que os preços chamados “livres” têm subido na faixa dos 7,5%/8%.

O BC, até agora, tem feito seu trabalho: voltou a apertar a política monetária,e os juros retornaram aos 10,75% de quando Dilma assumiu. Mas, como não é da índole deste o governo enfrentar para valer a inflação, ainda mais em ano de eleições presidenciais, a letal mistura de preços em alta — mesmo sem descontrole — e baixo crescimento, também reflexo da compreensível desconfiança dos empresários, ficará à espera de quem assumir o Planalto em 1º de janeiro de 2015. Que pode ser a própria Dilma Rousseff, a favorita nas pesquisas. Receberia, assim, a própria “herança maldita”.

oglobo.globo.com | 21-03-2014
A Comissão Europeia congratulou-se hoje com o acordo sobre o mecanismo único de resolução bancária, afirmando que a conclusão da união bancária vai permitir "estabilizar os mercados financeiros e ajudar à recuperação da economia".
www.rtp.pt | 20-03-2014

RIO - A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) alertou que a desigualdade de renda e as divisões sociais podem piorar se os governos não agirem rapidamente por meio de políticas de apoio às parcelas mais vulneráveis da sociedade. Segundo o estudo “Society at a Glance 2014” (Sociedade de relance 2014), divulgado nesta terça-feira, apesar da gradual melhora da economia global, as políticas de austeridade fiscal a médio prazo representarão desafios para as nações enfrentarem os desequilíbrios sociais provocados pela crise econômica.

Na fase inicial da crise, em 2008, os gastos públicos em medidas sociais e benefícios como seguro-desemprego chegaram a avançar, porém esses setores encontram-se hoje sob pressão devido às políticas de ajuste orçamentário.

O estudo da OCDE também aponta para as distintas iniciativas regionais, revelando que enquanto alguns países adotaram programas sociais que amorteceram os impactos da crise, outros fizeram muito pouco pelos mais necessitados, especialmente no Sul da Europa.

Por isso, adverte a OCDE, os governos devem avaliar quaisquer cortes de gastos sociais de forma bastante cuidadosa. Novos apertos fiscais podem piorar a já difícil situação das parcelas mais afetadas pela crise, gerando risco de conflitos sociais.

A entidade alerta que, embora o compromisso a longo prazo com as finanças públicas deva ser mantido, ele não pode se dar às custas do aumento da desigualdade social. Nesse sentido, a OCDE ecoa um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado na semana passada, com alerta semelhante.

“A recuperação econômica sozinha não será suficiente para sarar as divisões sociais e ajudar os mais atingidos a se recuperar”, afirmou em nota o secretário geral da OCDE, José Angel Gurría. “Os governos precisam pôr em marcha políticas sociais mais eficazes para ajudar seus cidadãos a lidar com crise futuras. Eles também precisam insistir em seus esforços de reforma à medida que a recuperação se consolida.”

A OCDE sugere que os governos evitem cortes em programas de transferência de renda, especialmente aqueles destinados à habitação e os benefícios sociais e escolaridade para famílias pobres e crianças.

Em vez disso, os governos devem destinar seus gastos e investimentos para os mais necessitados. Cortes em gastos sociais podem representar um impacto a longo prazo, especialmente para os mais jovens, com efeitos nocivos ao desenvolvimento dos países.

Balanço do estudo

O Society at a Glance 2014 apontou os seguintes impactos da crise econômica, segundo uma série de indicadores:

- O número de famílias sem renda de trabalho dobrou em Grécia, Irlanda e Espanha; e subiu 20% ou mais em Estônia, Itália, Letônia, Portugal, Eslovênia e Estados Unidos.

- As famílias mais pobres perderam uma parcela maior da renda do que aquelas com poder aquisitivo maior. Elas também foram menos beneficiadas com a recuperação da economia — especialmente em Estônia, Grécia, Irlanda, Itália e Espanha.

- A população mais jovem corre hoje maior risco de cair na pobreza do que antes da crise: a parcela dos jovens de 18 a 25 anos em famílias com renda inferior à média nacional cresceu na maior parte dos países — em cinco pontos percentuais em Estônia, Espanha e Turquia; em quatro pontos, em Irlanda e no Reino Unido; e em três, em Grécia e Itália.

- A parcela das pessoas que reclamaram não conseguir comprar alimentos suficientes cresceu em 23 países, especialmente em Grécia e Hungria, mas igualmente nos Estados Unidos.

- Gastos em educação caíram em relação ao Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) pela metade nos países da OCDE desde o início da crise. Os custos foram especialmente agudos em Estônia, Hungria, Islândia, Itália, Suécia, Suíça e Estados Unidos. Tais cortes, aponta o estudo da OCDE, terão um impacto maior entre os mais pobres, e, a longo prazo, poderá levar a uma redução na participação escolar, aumento da pobreza e redução da mobilidade social para crianças das famílias com baixa renda.

Emergentes reduziram desigualdade

A OCDE aponta que muitos países emergentes focalizaram suas políticas na redistribuição de renda, como parte de suas estratégias para reduzir a pobreza a desigualdade. Essas nações foram menos afetadas pela crise e puderam adotar políticas menos rigorosas do ponto de vista fiscal.

Mesmo assim, ressalta o estudo, a redução da pobreza nesses países não pode ser explicada apenas pela relativa imunidade à crise. As políticas sociais de redução de pobreza tiveram um papel crucial nesse processo. Apesar disso, essas nações ainda enfrentam grandes desafios na luta contra a pobreza e a desigualdade.

O Brasil é citado como uma das nações preocupadas com a redução da desigualdade:

“A redistribuição de renda é um dos pilares do modelo de crescimento do Brasil. Desde o início dos anos 1990, o país fez um enorme progresso ao tirar milhões de pessoas da pobreza e reduzir a desigualdade. A contrapartida exigida na distribuição de dinheiro pelo Bolsa Família se tornou um modelo bem-sucedido de programa de redução de pobreza e um paradigma de medidas antipobreza para outros países”, aponta a OCDE.

oglobo.globo.com | 18-03-2014
O ministro da Economia da Letônia, Vjceslavs Dombrovskis, afirmou hoje que o pequeno país báltico está entre as nações mais vulneráveis da Europa caso






www.estadao.com.br | 18-03-2014

LONDRES — Finanças e petróleo são dois dos principais setores da economia da Escócia e, se as empresas votassem no referendo de 18 de setembro, escolheriam o “não” à independência. Naturalmente, as companhias afirmam que a decisão está nas mãos dos escoceses, mas nomes de peso como os bancos Royal Bank of Scotland (RBS), Lloyds e Barclays, assim como a Shell, têm alertado para as complicações da independência. A seguradora Standard Life e a gestora de investimentos Alliance Trust já iniciaram planos de contingência para mudarem-se ao sul da fronteira caso o “sim” vença.

Os comentários em voz alta das grandes empresas refletem em parte o nervosismo pelo fortalecimento, nas pesquisas, do ainda minoritário voto favorável à saída do Reino Unido. Uma pesquisa do YouGov mostra 53% das intenções de voto para o “não” e 35% para o “sim”; uma vantagem considerável, mas há seis meses o placar era de 60% a 28%. Já o levantamento do Survation dá 47,6% ao “não” e 39,3% ao “sim”, a porcentagem mais alta para a independência em seis meses.

O executivo-chefe da Shell, Ben van Beurden, falou não só da Escócia, mas do perigo de que o Reino Unido deixe a União Europeia (UE). Para ele, o melhor seria o status quo: o Reino Unido na UE, e a Escócia no Reino Unido.

— Estamos acostumados a operar em entornos de incerteza política e econômica. Mas, se pudermos escolher, preferimos saber com a maior precisão possível que condições de investimento se esperam para os próximos dez, 20 anos. Por isso, somos a favor de que o Reino Unido mantenha sua arraigada posição no coração da UE: dá maior estabilidade e segurança ao investimento — disse Van Beurden em Londres. — Por razões muito similares gostaríamos que a Escócia continuasse fazendo parte do Reino Unido.

Com sede em Edimburgo e estabelecida na Escócia desde sua fundação, em 1825, a seguradora Standard Life anunciou ter começado planos de contingência, como o estabelecimento de seguradoras na Inglaterra.

— De forma alguma queremos dizer às pessoas como devem votar, mas temos que garantir a continuidade do negócio — disse o executivo-chefe da empresa, David Nish.

A Alliance Trust, sediada em Dundee, fez o mesmo, apesar de alertar que é “prematuro” falar de uma transferência de sede. Outras seguradoras, como a Aviva, a maior do país, têm dito que a independência não as afetaria. Mas se trata de uma companhia que tem sua sede e o grosso de seu negócio na Inglaterra.

O caso dos bancos é mais delicado. Empresas como a RBS e as filiais escocesas da Lloyds podem se ver legalmente obrigadas a transferir a sede para a Inglaterra, porque uma norma europeia de 1995 pode forçar que a sede de uma empresa esteja onde ela registra maior atividade. Com quartel-general em Londres, mas registrada em Edimburgo, a Lloyds confirmou que estuda a norma. O RBS, sediado em Edimburgo mas com a grande maioria de suas operações na Inglaterra, faz o mesmo. O que mais inquieta os bancos é a possibilidade de deixar de ter acesso ao Banco da Inglaterra como prestatário, e temem também um aumento da regulação dos impostos caso a independência vença.

Curiosamente, segundo a agência de classificação de riscos Standard & Poor’s, a saída de parte dos bancos da Escócia não necessariamente será algo negativo. Segundo a agência, um dos riscos da Escócia é ser muito pequena para o tamanho de seu sistema financeiro, 12,5 vezes maior que o PIB escocês, uma proporção muito superior à do conjunto do Reino Unido (quatro vezes).

Para a Standard & Poor’s, uma Escócia independente teria no começo problemas de crescimento e qualificação de sua dívida, mas com o tempo seria financeiramente viável e poderia ter sua própria moeda. Outros especialistas, como o investidor George Soros, questionaram que a Escócia possa continuar usando a libra, como pretende, e acham que o país estaria melhor ingressando na zona do euro.

oglobo.globo.com | 18-03-2014

BERLIM — A Guerra Fria está de volta. A ocupação militar russa da Crimeia e os preparativos para uma possível anexação da província do sul da Ucrânia reavivaram temores, cálculos e reflexos enferrujados desde a queda do Muro de Berlim, em 1989. Se a crise desencadeada pela tentativa do presidente Vladimir Putin de impedir a Ucrânia — uma ex-república soviética estratégica — de se voltar ao Ocidente vai se tornar um ponto crucial nas relações internacionais como os ataques da al-Qaeda contra os Estados Unidos ou a crise dos mísseis em Cuba 1962, ainda não é certo.

Há ainda passos a serem dados. Mas políticos e analistas estratégicos já estão pensando nas consequências de uma guerra potencialmente longa Leste-Oeste. Os países no meio, como Alemanha e Polônia, começam a pesar ajustes desconfortáveis para suas políticas. O impasse já está despertando perguntas difíceis sobre o equilíbrio entre sanções e diplomacia, estabelecendo testes de fidelidade a aliados e aumentando o risco de contágio por outros conflitos e de possíveis guerras por procuração.

“Bem-vindo à Guerra Fria Dois. Os episódios recentes têm efetivamente colocado fim ao interregno de parceria e cooperação entre o Ocidente e a Rússia que geralmente prevaleceu no quarto de século depois da Guerra Fria”, escreveu o analista russo Dmitri Trenin, da Fundação Carnegie para a Paz Internacional, em artigo na revista “Foreign Policy”.

Conflitos reabertos em ex-repúblicas soviéticas

Trenin não está só. Muitos veem a luta pela Ucrânia como o maior divisor de águas na segurança europeia desde o colapso da União Soviética em 1991. Embora ninguém imagine as superpotências retornando à arrepiante confrontação nuclear ou a uma escalada militar de blocos contra blocos, as implicações para outros problemas de segurança e para a economia mundial são significativas. Conflitos congelados em Moldávia, Geórgia e Azerbaijão poderiam ser reativados.

Em Berlim, o temor é que a Rússia possa aumentar suas apostas e parar de cooperação com o Ocidente em questões como o programa nuclear do Irã, a guerra civil na Síria, a segurança no Afeganistão e o acompanhamento do imprevisível líder da Coreia do Norte. Qualquer um desses atores poderia tornar a vida mais desconfortável para os Estados Unidos e seus aliados europeus e asiáticos através da desestabilização do Oriente Médio e do sul da Ásia ou mesmo do aumento da tensão na Península Coreana.

A percepção de que a Alemanha, o poder central da Europa, não tem influência especial com a Rússia quando as cartas geopolíticas estão em baixa, e que a chanceler federal Angela Merkel tem sido incapaz de convencer Putin, apesar de suas línguas comuns, tem chamado a atenção.

Em retrospectiva , a intervenção militar da Rússia em regiões separatistas da Geórgia em 2008 foi uma corrida seca. Teve menos impacto global, em parte, porque um líder georgiano errático disparou os primeiros tiros, mas também porque quase não mudou o status quo.

— A Ucrânia é diferente. Está na linha de frente e é muito grande — diz Constanze Stelzenmueller, pesquisadora do centro de estudos German Marshall Fund. — Agora estamos entrando numa competição sistêmica. É por isso que acho a analogia da Guerra Fria precisa.

Moscou é o 11º parceiro comercial de Berlim

Apesar de seus fortes interesses econômicos na Rússia, onde 6.200 empresas alemãs fazem negócios, e sua dependência do gás natural russo para 40% do abastecimento, Stelzenmueller ainda espera que a Alemanha surpreenda “positivamente pela firmeza”.

Moscou é apenas o 11º parceiro comercial de Berlim, abaixo da Polônia. Na semana passada, o principal órgão de comércio da Alemanha disse que um conflito comercial prejudicaria os negócios alemães, mas seria quase fatal para a economia russa estagnada. Como observou o ex-governador de Hong Kong, Chris Patten, enquanto quase todos os lares europeus possuem bens fabricados na China, poucos ou nenhum têm nada produzido na Rússia — com exceção de gás e vodka.

As economias da Europa Central poderia ser fortemente perturbadas se Moscou jogar com as torneiras de gás, mas os estoques estão altos, o inverno terminou, e a Rússia precisa da receita.

Na primeira Guerra Fria, falcões nos Estados Unidos e na Europa Ocidental temiam que a então Alemanha Ocidental pudesse ficar neutra em sua busca de distensão com a União Soviética e seus aliados do Leste Europeu, incluindo a Alemanha Oriental comunista.

Isso nunca aconteceu. Bonn permaneceu firmemente ancorada no campo político e militar ocidental. Mas havia algumas batalhas épicas transatlânticas ao longo do caminho — como o choque com os EUA em 1982 sobre o acordo de um gasoduto germano-soviético que, temia o governo Reagan, tornaria a Alemanha Ocidental perigosamente dependente de Moscou.

Concessões à vista para a Europa

Os alemães se mantiveram firmes. O gasoduto foi construído, e é uma das razões pelas quais a Alemanha continua tão atrelada à energia russa. Essa disputa, apenas um ano depois de uma repressão militar na Polônia, inspirada em Moscou, pode ter lições para qualquer nova Guerra Fria. Um ano depois, Bonn resistiu a protestos em massa e ameaças de Moscou para implantar mísseis americanos de médio alcance em seu território em resposta aos foguetes soviéticos SS- 20 apontados para o Ocidente. Isso levou finalmente a um fim negociado para a corrida armamentista Leste-Oeste.

Àquela época, como hoje, a ameaça russa uniu europeus e americanos, apesar das dúvidas públicas refletidas hoje em pesquisas de opinião que mostram que nem alemães, nem americanos estão contentes por endurecer com a Rússia. Àquela época, como hoje, tanto Moscou quanto o Ocidente se voltaram à China para tentar fazer pender a balança.

Se Putin avança para anexar a Crimeia, os europeus pode ter que contemplar sacrifícios embaraçosos em breve para mostrar sua determinação. Para França, isso significaria suspender o contrato para vender helicópteros de transporte militar à Rússia. Para o Reino Unido, fechar mansões e cofres bancários para magnatas próximos a Putin. Para a Alemanha, iniciar medidas graduais para reduzir a dependência do gás russo.

Será preciso uma determinação de estilo Guerra Fria para que tudo isso aconteça. Manter a unidade da União Europeia, se as coisas ficam difíceis, com os Estados do sul da Europa como Itália, Grécia, Chipre e Bulgária mais perto de Moscou, pode revelar-se um desafio.

oglobo.globo.com | 18-03-2014

TÓQUIO - O Japão impôs modestas sanções à Rússia nesta terça-feira por reconhecer a independência da Crimeia que consistem em suspender conversas para reduzir exigências de visas e planos de investimento, exploração espacial e cooperação militar.

O ministro das Relações Exteriores do Japão, Fumio Kishida, assinalou em uma declaração que o Japão não reconhece o resultado do referendo da Crimeia que levou à sua separação da Ucrânia por considerar uma violação à Constituição.

- É lamentável que a Rússia reconheça a independência da Crimeia porque interfere com a integração, soberania e o território da Ucrânia. Não podemos passar por cima da tentativa de mudar o estado das coisas à força como fez a Rússia - disse Kishida.

As medidas são consideradas leves em comparação com as sanções que impuseram os Estados Unidos e a União Europeia, que congelaram ativos de indivíduos vinculados com a instabilidade em Crimeia ou que apoiaram o referendo na região.

Mas autoridades japonesas destacaram que um seminário de investimentos patrocinado por uma instituição privada mas apoiado por ambos os governos que está programado para iniciar nesta quarta-feira segue firme.

As relações entre a Rússia e o Japão têm sido tensas durante décadas devido a uma disputa por uma série de ilhas em poder de Moscou localizadas ao norte da ilha de Hokkaido que os russos chamam de Kuriles e os japoneses de Territórios Norte. A disputa impediu que ambos países firmem um tratado de paz posterior à Segunda Guerra Mundial.

Kishida pediu para a Rússia cumprir o direito internacional, retratar-se de seu reconhecimento à independência da Crimeia e não tomar passos para a anexação do território.

oglobo.globo.com | 18-03-2014

Em 2013, o Brasil cresceu 2,3%, superando as apostas dos analistas. O carro-chefe foi o investimento (6,3%), com máquinas e equipamentos superando 10%. As despesas familiares e da administração pública ficaram em 2,3% e 1,9%, respectivamente, desautorizando a interpretação de que o modelo econômico é baseado exclusivamente no consumo.

Turbulências externas afetaram a economia internacional. A má comunicação do Fed e a demora para implementar a redução dos estímulos monetários provocou instabilidade cambial. As indagações sobre os bancos chineses e a acanhada recuperação europeia adicionaram incertezas. E a situação econômica da Argentina afetou diretamente nossa balança comercial.

A despeito desses impactos, continuamos a crescer e a gerar empregos. O desempenho ficou abaixo do que aspiramos, mas o crescimento superou o da maioria das grandes economias. Foram criados mais de 1,1 milhão de empregos com carteira assinada e a taxa de desemprego caiu para 4,3%, em dezembro, o menor da série histórica.

Mesmo assim, 2013 ficará marcado pela avalanche de críticas à política econômica. Textos alarmantes foram se disseminando, mudando o foco à procura de uma crise, passando do suposto “descontrole” da inflação para a trajetória pretensamente “explosiva” da dívida pública. A postura pessimista alimentou-se das manifestações das agências de rating à gestão fiscal e das críticas da OCDE e da revista “The Economist”. Por fim, o FMI, equivocadamente, relacionou o Brasil entre os mais vulneráveis, sem amparo em dados: a relação dívida externa/PIB (29,6%) é das menores entre os emergentes e a que tem o menor duration, exibindo a confortável relação dívida de curto prazo/dívida total de 9,4%.

O argumento sobre o desequilíbrio fiscal enfatizou a evolução da dívida bruta inaugurando uma nova moda, deixando de lado a dívida líquida. Mudaram a trave do gol, pois não podem fugir da constatação de que, há anos, essa se reduz, saindo de 60% do PIB, em 2002, para os atuais 34%.

Os empréstimos de bancos federais foram censurados, desconsiderando-se o papel do crédito na política anticíclica que permitiu à nossa economia preservar a produção e o emprego. Tais recursos destinados a investimentos e à infraestrutura, atenuaram as restrições dos acanhados mercados de capitais locais para o financiamento de longo prazo.

Um ponto importante e esquecido refere-se às “operações compromissadas” do Banco Central para ajuste da política monetária e que lastreiam as aquisições, desde 2008, de cerca US$ 170 bilhões para nossas reservas. Elas pesaram na dívida bruta, mas não geraram desequilíbrios. Como revela o Banco Central, essa dívida que está em 57,2% do PIB é menor do que a de 2008 (57,4%).

Enfim, os críticos mantêm-se avessos a reconhecer avanços. Alguns chegam ao extremo de enunciar que 2014 repetiria o caos de 2002, que eles ajudaram a fabricar. A distância deste cenário de devastação daquele do Brasil real é de fazer inveja ao saudoso Nelson Rodrigues, quando se referia ao nosso futebol e ao tratamento que lhe davam os críticos esportivos às vésperas de se sagrar campeão mundial.

oglobo.globo.com | 18-03-2014
Ele disse esperar que eventuais sanções sejam políticas e não econômicas. União Europeia aprovou termos para sanções por crise na Ucrânia.
g1.globo.com | 13-03-2014

A multiplicidade de nações adjacentes fez da Economia da Europa uma das mais complexas do planeta. Durante séculos a Europa foi o centro econômico do planeta. Entre as causas, podemos citar como a principal sua condição geográfica. A localização entre a África e a Ásia, fez da região europeia um ponto de passagem obrigatório, e facilitou de forma substancial a absorção e irradiação dos conhecimentos, tecnologia e comércio de ambos continentes. Esta condição perdurou até ao século XX. No século XX, a Europa viu seu predomínio declinar em relação aos Estados Unidos, o Japão e, na fase final, a China. A Primeira e Segunda guerra mundial, travadas em seu território, a carência de energia, de petróleo, além de uma intensa rivalidade entre seus povos, representaram para o continente a perda de sua liderança econômica. A Europa não tem auto-suficiência na produção de energia, exigindo a importação de muito petróleo. Este produto só é extraído em quantidades consideráveis na Rússia e no Mar do Norte. O gás natural, outro produto bastante usado na geração e produção de energia é muito abundante na Rússia, Romênia, Países Baixos e no Reino Unido. Outro recurso energético que teve grande importância nas fases iniciais da revolução industrial foi o carvão mineral, muito abundante, sobretudo na Alemanha, Polônia, Rússia, Reino Unido. Todas estas fontes energéticas são extremamente poluidoras e causam grandes impactos ambientais em todo o planeta. No caso da energia limpa, ou seja, não poluidora, podem ser citadas a energia hidráulica, energia eólica, e energia solar, de baixa produção e utilização da Europa, devido às suas condições geográficas. A produção de energia nuclear na Europa é muito importante, e, a exemplo dos Estados Unidos, gera imensas quantidades de lixo atômico, cujo fim, desde o início de sua utilização, é muito nebuloso e nunca divulgado na mídia mundial.


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