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Europa Economia

O preço do petróleo despencou e levou com ele a cotação do rublo, que perdeu cerca de 45% do valor frente ao dólar, este ano. Petróleo e gás respondem por perto de 50% das exportações russas, e a crise em que o país mergulhou devido a isso pode se tornar o maior desafio à hegemonia do presidente Vladimir Putin, há 14 anos no poder. As autoridades russas iniciaram uma ação de emergência: o banco central elevou os juros em 6,5 pontos, para 17%, e já gastou mais de US$ 80 bilhões das reservas tentando sustentar a moeda.

As pesquisas ainda indicam um apoio popular acima de 70% a Putin graças a seu estrito controle sobre a mídia e o sistema político, e a suas bravatas contra o Ocidente. Mas isto pode começar a mudar com o que o ministro da Economia, Alexei Ulyukayev, descreveu como “tempestade perfeita”: queda das cotações do petróleo/gás, sanções do Ocidente pela crise na Ucrânia e desaceleração econômica chinesa e europeia. Há previsões de que a economia russa encolherá 4% em 2015. Para complicar, o presidente Obama se declarou disposto a pôr em execução uma nova rodada de sanções contra a Rússia, aprovadas pelo Congresso.

Mesmo assim, Putin manteve o tom desafiador em sua mensagem de fim de ano. Acusou o Ocidente de tentar subjugar seu país e culpou fatores externos pelo colapso do rublo e da bolsa. Admitiu que as sanções ocidentais devido à anexação da Crimeia causam problemas, mas afirmou que são “o pagamento de nossa independência e soberania”. Reconheceu que as dificuldades refletem o fracasso em diversificar a economia e pediu aos russos dois anos para reduzir a dependência das exportações de hidrocarbonetos. Admitiu que, se os problemas persistirem, “teremos de cortar algumas coisas”, sem especificá-las.

A crise e as sanções parecem levar Putin a um beco sem saída. Ele apostou alto na política de enfrentamento com o Ocidente na Ucrânia, que o levou a anexar a Crimeia e a apoiar forças separatistas no Leste do país, favoráveis, como ele, à incorporação da região ao território russo. As sanções, inclusive da Europa, e a queda do petróleo puseram em xeque sua política de expansão física dos domínios russos, de inspiração czarista. O presidente vê-se obrigado a buscar uma conciliação na Ucrânia, para fazer jus a uma redução das sanções econômicas, mas não pode parecer que esteja capitulando frente ao Ocidente. Por outro lado, se a cotação do petróleo não voltar a subir, não se sabe de onde o Kremlin tirará recursos para bancar a diversificação da economia russa, já que os investimentos privados estrangeiros também escasseiam.

Nessas circunstâncias, Putin precisará tirar do bolso outro inimigo externo para poder posar de herói e desviar a atenção dos russos dos atuais tempos de crise.

oglobo.globo.com | 20-12-2014
Stephen Harper. Em comunicado, primeiro-ministro criticou anexação da Crimeia e ações da Rússia no Leste da Ucrânia - Adrian Wyld / AP

OTTAWA — O Canadá anunciou nesta sexta-feira novas sanções contra a Rússia por seu apoio aos rebeldes no Leste da Ucrânia. As medidas afetam os setores de petróleo e gás natural — coração da economia russa — e proíbe a presença de 20 dirigentes políticos russos no território nacional canadense.

A proibição de viagens ao Canadá afeta principalmente membros do Parlamento russo e da Câmara dos Deputados, e a ministros da chamada “República Popular de Donetsk”, no Leste da Ucrânia, anunciou o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper.

“O Canadá não aceita a ocupação ilegal da Crimeia e a atividade militar contínua e provocadora no Leste da Ucrânia”, afirmou Harper em um comunicado, no qual não descartou mais sanções caso “seja necessário”.

Ottawa também restringiu a exploração e extração de petróleo em águas profundas do Ártico e também impôs restrições à exploração do petróleo de xisto, “seguindo medidas adotadas pela União Europeia e os Estados Unidos”.

As novas restrições proibir "a exportação, venda, fornecimento e entrega de uma lista de produtos para a Rússia, como" bens financeiros, técnicos e outros bens abrangidos pela proibição".

oglobo.globo.com | 20-12-2014
O presidente americano Barack Obama proibiu novos investimentos na Crimeia, reforçando sanções na península que a Rússia anexou da Ucrânia no início deste ano.
atarde.uol.com.br | 19-12-2014

MOSCOU - O homem mais rico da Rússia, Alisher Usmanov transferiu seus investimentos na operadora de telecomunicação Megafon e na produtora de minério de ferro Metalloinvest para o país, atendendo a pedido do presidente Vladimir Putin, que tenta assim dar uma injeção de ânimo na combalida economia russa.

Anteontem, em entrevista coletiva de fechamento do ano, o líder russo reforçou seu empenho para que os empresários renacionalizem seus ativos, num momento em que o país se encaminha para a recessão, arrastado pelo derretimento dos preços do petróleo e abatido pela sanções impostas por Estados Unidos e Europa, em resposta à invasão da Crimeia, na Ucrânia.

A operação foi concretizada por meio de transferência de ações da Megafon para a AF Telekom Holding LLC, que está incorporada na Rússia. A telecom está no guarda-chuva da Telecominvest Holdings Limited, que tem sede no Chipre e é subsidiária da empresa de investimentos USM Holdings, de Usmanov. A AF Telekom agora detém 53,8% das ações da Megafon, segundo a empresa.

Outra subsidiária da USM Holdings com sede no Chipre, a USM Steel & Mining cedeu suas ações na Metalloinvest para a USM Metalloinvest, registrada na Rússia. “Esta medida tem relação com o anúncio do presidente Vladimir Putin de levar adiante a repatriação da economia russa e introduzir cláusulas no código fiscal relacionadas à taxação dos lucros de... empresas estrangeiras", declarou a USM Holdings em nota.

Usmanov é o maior acionista da USM Holdings, da qual detém 4%, e seus parceiros de longa data Vladimir Skoch e Farhad Moshiri possuem 30% e 10%, respectivamente.

oglobo.globo.com | 19-12-2014
Sam Greene, diretor do Instituto de Rússia do King's College - Reprodução/King's College

LONDRES - O diretor do Instituto de Rússia do King's College, Sam Greene, em Londres, diz que a equipe econômica do presidente Vladimir Putin tem de agir depressa porque “as reservas do país não vão durar para sempre”.

Quais são os principais problemas da Rússia neste momento?

A economia russa tem problemas reais. E o mais importante deles agora é a falta de quaisquer fontes de crescimento. Sem os preços altos do petróleo e sem acesso aos mercados de capitais, a economia, por assim dizer, está sem combustível.

Mas há também uma crescente falta de confiança, não?

A tudo isso se soma uma ampla falta de confiança na capacidade de o governo pensar e implementar as políticas que possam colocar a situação nos eixos. O banco central da Rússia mostrou que pode manter o rublo sob controle, até um certo ponto, e, quem sabe, até valorizá-lo, mas a um alto custo e com grande risco. Agora o governo terá de aparecer com soluções reais, e as autoridades não têm muito tempo para isso. As reservas internacionais da Rússia não vão durar para sempre.

Que medidas podem ser tomadas para contornar a crise?

O presidente Putin e seus ministros não têm como trazer os preços do petróleo para os altos patamares em que se encontravam, mas podem fazer outras coisas. Podem buscar uma acomodação na relação entre o Ocidente e a Ucrânia, de modo a conseguir que as sanções aplicadas sejas suspensas. Eles também podem apoiar investimentos reais e começar a se mexer contra os monopólios e cartéis que tanto controlam a economia. E eles precisam garantir que a independência do banco central será mantida.

Qual é a agenda mais imediata de Putin?

As pressões imediatas sobre ele são para cumprir suas obrigações sociais para com aposentados e funcionários públicos, e garantir a prosperidade do seu círculo de apoio. Será quase impossível fazer as duas coisas enquanto buscar reformas e a distensão política com a Europa e os Estados Unidos.

oglobo.globo.com | 18-12-2014
Proibição a investimentos na Crimeia será ampliada. Líderes do bloco farão reunião no fim de semana.
g1.globo.com | 17-12-2014

OSLO - Thomas Piketty, o economista francês de 43 anos cujo livro sobre a desigualdade, “O capital no século XXI”, tornou-se um dos maiores best-sellers deste ano, fez um apelo aos governos da Escandinávia para que reavaliam seus planos de aumentar a competitividade por meio de cortes de impostos.

— A forte concorrência para atrair investimentos pode ser bastante prejudicial a longo prazo — afirmou Piketty. — Em última instância, isso é destrutivo para o tecido social como um todo.

Ele fez essas observações depois de uma palestra realizada em Oslo, na qual aproveitou para questionar a decisão do governo norueguês de suspender o imposto sobre heranças este ano. O economista afirmou que políticas desse tipo, além de não se basearem na meritocracia, distorcem dados estatísticos e turvam o debate democrático sobre a desigualdade.

Suécia, Noruega, Dinamarca e Finlândia, após a Segunda Guerra Mundial, impuseram os mais elevados impostos do mundo, de forma a construir uma generosa rede de bem-estar social. Os quatro países estão entre os mais igualitários do mundo, segundo estudo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicado este mês.

Mas dados da Eurostat, a agência de estatísticas da União Europeia, apontam que a maior alta da desigualdade durante a crise financeira ocorreu na Dinamarca, que recentemente reduziu seus impostos.

A Noruega, por sua vez, suspendeu o imposto sobre heranças, com o objetivo de simplificar seu regime fiscal. E a Finlândia reduziu os impostos corporativos de 24,5% para 20%, a fim de impulsionar o crescimento da economia.

— São medidas de longo prazo, então não mudarão o tecido social em um dia — disse Piketty. — Mas é preciso ter cautela.

Ele ainda chamou França e Alemanha de “egoístas” por deixarem os países do Sul da Europa arcarem com elevados custos de financiamento. Segundo Piketty, a Itália, por exemplo, gasta mais com os juros da dívida que com educação.

oglobo.globo.com | 14-12-2014

BARCELONA E MADRI* - Soluções tecnológicas para melhorar a gestão em hospitais públicos, portos, aeroportos e rodovias. Sistemas sofisticados para a vigilância da Amazônia, para a prevenção de incêndios em áreas de florestas e para a defesa aérea. O cardápio que grandes empresas espanholas oferecem ao Brasil é variado. A economia em marcha lenta e a perspectiva de ajuste fiscal nos próximos dois anos não reduziram o apetite de multinacionais como a Indra, uma das maiores de consultoria e tecnologia da Europa, que já tem uma base forte e diversificada de negócios no país e planeja ampliá-la.

O desejo de estreitar relações com o Brasil também é manifestado por setores do governo espanhol, que ainda enxergam a possibilidade de incentivar o caminho inverso, atraindo empresas brasileiras. Mas a imagem do Brasil na Espanha é a de um país complexo, com entraves e burocracia que dificultam os investimentos.

— O Brasil é um país muito atraente para investimentos estrangeiros. Metade dos investimentos espanhóis na América Latina está no Brasil, mas o que nos dizem é que, para pequenas e médias empresas, o custo é muito grande. É um país complexo com administração complexa e sistemas estaduais diferentes — avalia Jesús Gracia Aldaz, secretário de Cooperação Internacional para a Ibero-América do Ministério das Relações Exteriores da Espanha.

Falta mão de obra qualificada

Os executivos da Indra reclamam de entraves para a contratação de mão de obra. A empresa tem hoje oito mil profissionais atuando no Brasil e, para crescer, precisa de mão de obra qualificada, que não encontra no país e tem dificuldade de importar profissionais.

— A mão de obra qualificada é muito boa, mas é pouca. Precisamos de mais engenheiros e é difícil conseguir. O processo é burocrático, muitas vezes a titulação (dos estrangeiros) não é reconhecida. Um dos principais problemas que temos é com o staff — diz Emílio Diaz, presidente da Indra para as Américas.

A Indra já tem presença forte no país com serviços e soluções para vários setores: defesa, controle de tráfego aéreo, gestão inteligente do tráfego de rodovias, sistemas e plataformas de TI para instituições financeiras, entre outros, mas demonstra fôlego e disposição para ampliar seus negócios. Recentemente, a empresa fechou contratos no valor de R$ 54 milhões com as companhias de Docas de São Paulo e do Espírito Santo para implantação de sistemas inteligentes de controle de tráfego de embarcações. E está participando da concorrência para implantar os mesmos serviços no Porto do Rio.

Outro filão identificado pela multinacional espanhola no Brasil é o desenvolvimento de soluções para melhorar o atendimento nos hospitais públicos. Foi contratada pelos governos do Acre e de Alagoas para desenvolver um sistema que agiliza as consultas e permite ao médico acessar o histórico do paciente. E planeja oferecer esse modelo de gestão aos hospitais públicos do Rio e de São Paulo.

— Vamos continuar apostando no Brasil. Faz parte da estratégia central da empresa. A percepção é que o país precisa de tecnologia e vai continuar crescendo. Só vai ficar um pouco mais caro, porque os juros estão subindo — afirma Diaz.

Outra gigante espanhola com negócios no país e planos para expandi-los é a Abertis, que atua na gestão de rodovias em cinco estados, por meio da Arteris. A empresa já tem investimentos previstos de R$ 6,2 bilhões, mas planeja novos negócios. Nos planos imediatos estão a concessão da ponte Rio-Niterói e oportunidades em torres de telecomunicações. Os executivos da empresa não demonstram preocupação com a conjuntura econômica, mas também reclamam da burocracia e da complexidade para atuar no país.

Esse mesmo interesse em desenvolver projetos e ampliar as parcerias com o Brasil é manifestado pela administração do Porto de Barcelona. Totalmente automatizado e operando sem filas, o porto é referência em gestão e exporta boas práticas. Manuel Galán, responsável pela área de promoção, informa que já existem acordos de cooperação com os portos de Santos (SP), Vitória (ES) e Imbituba (SC) para melhorar a gestão, mas o potencial no país é bem maior:

— Em relação aos portos, o Brasil está em um estágio de desenvolvimento que a Espanha estava há 15, 20 anos atrás.

Referência mundial

A Secretaria dos Portos, responsável pela formulação de políticas e diretrizes para o setor, confirma o interesse nas parcerias com o Porto de Barcelona e destaca que a Zona de Apoio Logístico (ZAL), por exemplo, é uma referência mundial que deverá servir de exemplo em áreas semelhantes no Brasil. Outro programa de interesse desenvolvido pelo Porto de Barcelona é o Programa de Garantia de Qualidade.

A Espanha vive um momento de recuperação econômica, após passar por um forte ajuste fiscal e reformas nas áreas trabalhista e financeira para fazer frente aos desafios da crise mundial de 2008. O país voltou a crescer, depois de cinco trimestres consecutivos de queda do Produto Interno Bruto (PIB), e a expectativa é de expansão da economia de 1,3% em 2014 e de 2% em 2015, mas ainda não conseguiu resolver um de seus principais problemas: a taxa de desemprego de 23%, a mais alta da Europa.

O governo do presidente Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP), está desgastado com denúncias de corrupção e há forte insatisfação da população com as medidas de ajuste e o desemprego alto. O aumento das exportações, a internacionalização de empresas espanholas e a atração de investimentos são vistos como caminho para turbinar a economia e recuperar a popularidade. Nesse contexto, o Brasil é considerado estratégico.

Segundo maior investidor estrangeiro no Brasil, a Espanha tem estoque de investimentos de € 71 bilhões. Já os investimentos brasileiros no país são de € 8,8 bilhões, se consideradas as sociedades holdings, diz a agência de promoção de exportações e investimentos da Espanha (Icex).

*A repórter viajou a convite da Fundação Conselho Espanha Brasil

oglobo.globo.com | 14-12-2014

MADRI - O rei voltou e quer ficar no trono. Depois de uma década na sombra e acompanhado pela caída do preço das matérias primas, o dólar está se recuperando seu lugar na economia global. A principal razão é que os Estados Unidos estão se recuperando da grande crise de 2008 com velocidade muito maior que europeus e asiáticos. E o mercado acompanha.

A reabilitação do dólar não parece um movimento fugaz. Seu atrativo com refúgio seguro para os investidores cresce com a perspectiva da alta de juros nos Estados Unidos em 2015. Na contramão, os bancos centrais das economias que ainda patinam estão baixando os juros e dando mais estímulos. O Banco Central Europeu (BCE), por exemplo, manteve os juros na mínima histórica de 0,5% ao ano. Devido à timidez do BCE e da pouca margem de manobra da instituição dirigida por Mario Draghi, um euro mais fraco favorece as exportações para tentar reanimar as exportações europeias.

Os especialistas que viam o fim do dólar como moeda de referência global estão buscando novos argumentos. No passado, com o dólar barato, os primeiros anos do euro e o forte crescimento chinês, a moeda americana perdeu sua popularidade entre os bancos centrais e investidores, que diversificaram com outras moedas. Hoje isso não exite mais e devem continuar assim por um bom tempo, segundo analistas.

Máxima em cinco anos

O dólar alcançou nestes dias sua máxima valorização em cinco anos na comparação com uma cesta de moedas. Desde 2011 ele se recuperou 20% e voltou ao nível de antes da crise global. Desde abril deste ano, sua valorização foi de 14%, com uma alta vertiginosa de 8% nos últimos seis meses. O yen japonês e o real brasileiro caíram 39% e respectivamente na comparação com a moeda dos Estados Unidos no mesmo período. Assim, o dólar está recordando seus períodos de glória dos anos 90, com Bill Clinton, e dos anos 80, Ronald Reagan.

A diferença entre o crescimento americano e de outras regiões do mundo há tempos não era tão grande. Em 2015, os Estados Unidos devem crescer 3,1%, contra 1,3% da Europa e 0,8% do Japão. No terceiro trimestre de 2014 o PIB americano avançou 3,9% sobre igual período do ano anterior, enquanto a Eurozona avançou apenas 0,8% nesta mesma comparação. E China e Índia também estão com mais dificuldades para crescer. Grandes multinacionais americanas estão felizes da vida com este novo patamar. Por outro lado, países que dependem de produtos americanos estão pagando mais caro, por outro lado, seus produtos tendem a ficar mais competitivos em um momento de forte recuperação da maior economia global.

Especialistas dizem que dólar ainda pode subir mais 20%

Embora seja difícil fazer novas previsões por causa da crise da dívida que ronda os europeus, os analistas enxergam a moeda do Velho Continente valendo 1,20 dólar em 2015 e esta diferença pode baixar para 1,15 em 2016 se a economia da Zona do Euro não reagir. “O BCE vai manter os juros baixos por um longo tempo e isso vai afetar o euro”, informa o Credit Suisse. Em Wall Street ainda está viva a lembrança de quando a moeda europeia valia 1,40 dólar. “Agora os europeus estão sendo obrigados a atuar e isso afeta o euro”, completa uma análise do Bank of America. O dólar, assinala o Goldman Sachs, "segue sendo uma moeda barata”. O único fato que poderia impedir sua valorização é uma forte recuperação da Europa, o que não está no radar dos especialistas, que estimam, se tudo se mantiver por um período ainda maior, uma nova valorização de 20% do dólar.

oglobo.globo.com | 14-12-2014
Apreensão de 2,5 toneladas de cocaína em 2002, na Colômbia, principal produtor da droga - Reuters

RIO - A leitura de “Zero zero zero” será indispensável para quem tiver coragem de olhar nos olhos a barbárie contemporânea e repensar o que supomos saber sobre nosso tempo. Com o risco da própria vida, atravessando cenários da mais assombrosa crueldade, Roberto Saviano nos oferece um mapa detalhado das redes políticas e econômicas que fazem da cocaína o segundo negócio mais lucrativo do planeta, abaixo apenas do petróleo. Considerando-se a escala e a complexidade dos fluxos financeiros provenientes do narcotráfico e sua infiltração nos ramos legais da economia, tornou-se impossível separar o joio do trigo, mesmo quando há interesse em fazê-lo por parte de agentes financeiros.

Um exemplo: em 2009, como sabemos, o mundo entrou em colapso. A bolha financeira explodiu: o débito sem lastro chegava a US$ 1 trilhão. Só um setor da economia continuava a girar sem problema de liquidez: o tráfico de cocaína, que lavou de imediato US$ 352 bilhões, injetando-os nas instituições financeiras desidratadas. Cerca de um terço da liquidez mundial era dinheiro sujo de sangue. A dinâmica do capitalismo financeiro globalizado e a agilidade dos narconegócios, turbinados pela instantânea liquidez de suas operações, gestaram um novelo inextricável. A legalização das drogas tornou-se um imperativo da racionalidade.

LIQUIDEZ IMEDIATA E DISPONÍVEL

São produzidas, anualmente, entre 788 e 1060 toneladas de cocaína, segundo dados do World Drug Report, de 2012. A maior fonte de exportação continua sendo a Colômbia, responsável por cerca de 60% da coca que circula no mundo. A crise colombiana não eliminou a produção, mas deslocou para o México as disputas por mediações comerciais, onde a violência explodiu. Aproximadamente 20 milhões de cidadãos cruzam todo ano os três mil quilômetros de fronteiras que separam o país dos Estados Unidos, principal consumidor. Entretanto, o problema não é regional. Os negócios do pó têm prosperado em escala global. O Brasil é o segundo maior consumidor. Passam por aqui, anualmente, entre 80 e 110 toneladas de pó. Metade cheira-se aqui mesmo, o resto segue para a Europa e outros destinos. Essa economia gira velozmente porque seu combustível é a liquidez imediata e sempre disponível. Se a demanda aumenta, nenhum problema: a oferta é elástica. Um quilo pode facilmente converter-se em cinco ou seis. A mágica está na mistura. Cheira-se pouquíssima cocaína no pó que se inala. A pureza média da cocaína na Europa varia entre 25% e 43%. A história contemporânea da política e da economia não pode mais omitir narrativas sobre as drogas, em especial a cocaína. A análise de Saviano é penetrante e conclusiva. Não autoriza ilusões.

*Luiz Eduardo Soares é antropólogo e escritor

oglobo.globo.com | 13-12-2014

MILÃO - A possível saída da Ferrari, por razões tributárias, de sua tradicional sede de Maranello, na Itália, onde o primeiro carro esportivo do grupo foi construído em 1947, está gerando um debate sobre o risco de perda de patrimônio, à medida que marcas icônicas do país lutam para sobreviver à sua maior recessão.

“Ferrari voa para Londres”, afirmou nesta quinta-feira a manchete do diário de Milão “Il Giornale”, o jornal da família do ex-premier Silvio Berlusconi. Na quarta-feira, a Bloomberg News anunciou que a companhia estava estudando mudar sua sede fiscal para fora da Itália, para economizar no pagamento de impostos corporativos, segundo fontes próximas à empresa. Nesta quinta-feira, a Fiat Chrysler Automobiles, que controla a marca, informou que não há qualquer intenção de mudar a residência fiscal da Ferrari para o exterior.

Um modelo da Ferrari exposto em uma feira automobilística: mudança de sede gera controvérsia - Brent Lewin / Bloomberg/21-11-2013

O risco de perder a Ferrari após sua holding Fiat e a fabricante de caminhões e tratores CNH Industrial mudaram suas sedes para o Reino Unido, levou políticos e sindicalistas a pedirem uma intervenção do premier, Matteo Renzi, para impedir a mudança.

— Impostos corporativos continuam muito altos, não há planos de investimentos para modernizar o país, e os recursos estão sendo destruídos pela corrupção — disse Carla Ruocco, parlamentar do movimento de oposição Cinco Estrelas e vice-presidente do Comitê de Finanças da Câmara Baixa. — Dado este ambiente empresarial, não é de surpreender que mais e mais companhias e investidores fujam do país.

BENS DE LUXO

Inúmeras marcas italianas famosas foram vendidas a grupos estrangeiros nos últimos cinco anos. As fabricantes de itens de luxo Bulgari e Loro Piana foram compradas pelo bilionário Bernard Arnault. A fabricante de motocicletas Ducati foi adquirida pela Volkswagen, e a companhia aérea Alitalia foi resgatada pela Etihad Airways.

As tentativas de Renzi de reativar o crescimento e ao mesmo tempo manter as finanças públicas equilibradas estão sendo afetadas por uma economia que parece caminhar para o quarto ano seguido de queda. A produção industrial italiana caiu inesperadamente pelo segundo mês seguido em outubro, informou a Istar, a firma de pesquisa e estatísticas econômicas do país, num relatório divulgado nesta quinta-feira. A produção ainda está 25% abaixo de seu patamar pré-crise, em 2008.

Se acompanhar Fiat e CNH rumo ao Reino Unido, a Ferrari se beneficiará do sistema tributário corporativo britânico, cujo patamar de imposto vai encolher de 21% para 20% no próximo ano. A renda proveniente de patentes cairá eventualmente para até 10%, gerando potencial de novo alívio. Por contraste, a taxa corporativa da Itália hoje é de 13,4%. O país ocupa a56ª posição no ranking “Doing Business”, do Banco Mundial, logo depois de Turquia e Hungria. O Reino Unido é o oitavo na lista.

PRESSÃO FISCAL

— A Itália está comprometida há meses em melhorar as condições para que as empresas paguem seus impostos no país e reduzir as diferenças entre jurisdições na União Europeia (UE) — disse Roberto Basso, porta-voz do ministro de Finanças da Itália, Pier Carlo Padoan. — O governo está bem ciente de que a pressão fiscal sobre as companhias ainda está bastante alta e está comprometido em cortá-la ainda mais, depois de já ter reduzido o imposto sobre negócios regionais (Irap).

Uma sede em Londres faria sentido para a Ferrari porque uma vez que se é uma empresa de capital aberto “torna-se necessário ter uma base em um lugar como Londres ou Nova York porque as comunidades de investidores se concentram nessas metrópoles”, disse Julian Birkinshaw, professor da London School of Economics:

— Posso imaginar que a Ferrari, como uma marca nacional, esteja sob forte pressão domesticamente para não tomar essa iniciativa — disse ele.

oglobo.globo.com | 12-12-2014
É tempo de recordar: a educação é um dos melhores investimentos que a União Europeia pode fazer.
www.publico.pt | 11-12-2014
Para analistas, cortes de gastos e aperto monetário se tornaram 'inevitáveis', mas ritmo do ajuste será crucial para evitar que economia estanque.
www.bbc.co.uk | 10-12-2014

SANTIAGO - O Brasil foi muito bem-sucedido na incorporação das classes menos favorecidas à economia formal e à distribuição da renda na última década e meia, mas novos avanços na redução da desigualdade e na construção de uma sociedade mais equitativa dependem da retomada do crescimento e do aumento da produtividade de trabalhadores e empresas. A avaliação é de um dos maiores especialistas brasileiros em políticas sociais, o economista Ricardo Paes de Barros, quadro histórico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e atualmente assessor da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República.

— A melhor política social para o Brasil hoje é crescimento e produtividade. Tínhamos no passado um trem (a economia), mas a locomotiva só estava ligada a um dos vagões, o dos 10% mais ricos. Conseguimos nos últimos anos conectar todos os demais vagões, à exceção dos 10% mais pobres, que continuam totalmente desconectados e ainda dependem de transferências. Agora, a locomotiva precisa continuar girando para mover todos os vagões, os pobres. Sem crescimento, acabou, a nova classe média não vai para frente. Esse é o maior desafio — diz o economista, que participou de seminário em Santiago sobre perspectivas para a América Latina organizado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Ministério da Fazenda do Chile.

O economista acrescenta que, tanto no Brasil quanto no restante da América Latina, os próximos dez anos deveriam ser pautados por uma reformulação das políticas sociais e do sistema de transferência de renda. O foco deve se fechar em programas eficientes e de amplo impacto e na eliminação de incentivos ruins, como os que estimulam a informalidade. Esse será um processo comandado pelo governo, mas deve ser ancorado numa discussão de prioridades com a sociedade.

Ricardo Paes de Barros fez um levantamento e descobriu que o Brasil, para elevar produtividade, tem 150 programas, “e a produtividade está estável!”, diz. A articulação também é fundamental: o abono salarial precisa ser compatibilizado com o Bolsa Família, de forma que o pagamento do primeiro — que pressupõe vínculo formal de trabalho — não impeça o recebimento do segundo. Revisar critérios da concessão de benefícios sociais, diz, tem de ser um exercício permanente dos governos.

— A próxima década é a da escolha. Criamos programas sociais na América Latina quase todo dia. Precisamos de um novo consenso na região. O portfólio é grande, temos que escolher os programas mais produtivos — recomenda.

Especialistas reúnem-se em Santiago para abordar o futuro da América Latina. Da esquerda para a direita, o brasileiro Ricardo Paes de Barros, Winnie Byanyima, Santiago Levy, Nora Lustig e Alejandro Foxley - Stephen Jaffe/FMI

O novo salto de redução de desigualdade e aumento de oportunidades passa pela retomada do crescimento, cujos pilares macroeconômicos (reequilíbrio fiscal e monetário, revisão regulatória, reformas estruturais etc) têm sido amplamente discutidos. Paes de Barros acha essencial “convencer desesperadamente” a nova classe média a poupar. Uma sociedade com taxa de poupança mais alta mobiliza recursos para investimentos estruturais e de longo prazo, como educação e previdência.

A produtividade, porém, é central, diz o economista, e o plano para elevá-la contém três pontos. O primeiro é investir pesadamente em infraestrutura e logística. Mas é preciso rever regulações e burocracia, entraves aos investimentos. O segundo é melhorar o ambiente de negócios, para que empresas e empreendedores tenham capacidade de se desenvolver e aproveitar oportunidades lucrativas. O foco do aumento de produtividade não deve ser a elite empresarial, mas pequenas e médias empresas. Na União Europeia, a produtividade das grandes empresas é duas vezes maior do que a das pequenas e médias. Na América Latina, em média, é seis vezes superior.

— E tem que focar fora da indústria. O setor de serviços é muito pouco produtivo, e foi isso que a Coreia do Sul fez. O ambiente de negócios também, é para pequeno e médio que temos que trabalhar, porque as grandes têm o BNDES, o Legislativo, sempre conseguem um arranjo para continuarem trabalhando — enfatiza o economista.

‘VAMOS COPIAR!’

Por último, é necessário avanço tecnológico. O Brasil, segundo ele, está sempre muito preocupado com o desenvolvimento de ponta, mas é refratário à lição básica de copiar tecnologia, incorporando inovações altamente disseminadas e que contribuem a vários setores de forma mais equitativa.

— Nem o Starbucks do Brasil copia tecnologia do Starbucks dos EUA. Vamos parar de achar feio copiar, vamos copiar! Se copiar tudo que todo mundo faz bem, por mais que seja algo pequenininho, melhora. Nanotecnologia, biotecnologia, é um salto duvidoso, que pode ser desigual. O salto do dia a dia vem de copiar.

O quadro brasileiro não difere muito do latino-americano. Especialistas acreditam que a sustentabilidade da redução da desigualdade na região depende de um novo consenso sobre políticas públicas. Para Santiago Levy, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), um fator central é reduzir a informalidade do mercado de trabalho — 70% no Peru, 65% na Colômbia e 60% no México — e também a das empresas. Ele concorda com Paes de Barros que, para isso, além de crescer é preciso acabar com incentivos negativos.

Levy exemplifica que, no México, o tempo de estudo para o trabalhador de mais de 50 anos subiu 8,3 anos nos últimos 20 anos. No entanto, a produtividade deste grupo não se moveu no período:

— A alta disfuncionalidade do mercado de trabalho nos impediu de absorver os ganhos de educação significativos que tivemos nos últimos anos.

Esta abordagem é importante porque, segundo a economista Nora Lustig, da Universidade de Tulane (EUA), boa parte da queda de desigualdade na primeira década dos anos 2000 (20%) deve-se à redução do fosso salarial entre o topo e a base da pirâmide.

Alejandro Foxley, ex-ministro da Fazenda e chanceler do Chile, a educação é um dos elementos que devem constar do novo consenso regional, com aumento da qualidade do ensino, a ampliação da capacidade de aprendizagem de crianças até 3 anos e investimento na formação de professores:

— Também precisamos gerar empregos de melhor qualidade. Hoje, há três vezes mais jovens com nível superior do que no passado. Mas saem da universidade e não conseguem boas vagas. Ou seja, não estamos gerando empregos de qualidade suficientes. Precisamos crescer e diversificar economias ainda muito sino-dependentes e extrativistas.

Levy complementa que o conceito de educação deve ser entendido de forma ampla, como investimento em capital humano. Até porque a desigualdade é de renda, de condições e de oportunidades.

MANUTENÇÃO DE PROGRAMAS SOCIAIS

Foxley e outros especialistas dizem ainda que é preciso acabar com o que ele chama de “dicotomia ideológica”, pela qual quem defende foco no aumento de produtividade é neoliberal e quem prefere redução de desigualdade é progressista.

— São ações complementares. Aumentar a produtividade é o caminho para impulsionar o crescimento, que gera emprego e oportunidade que permite a queda da desigualdade — salienta.

Nora pondera que a necessidade de passar a uma nova fase de política social não significa abandonar os programas correntes. Para a economista, um dos grandes desafios para os governos latinos é arranjar espaço fiscal para continuar as políticas de transferência de renda, diante do crescimento baixo:

— É muito importante ter clareza sobre isso, para não se repetir o que vimos nos anos 1980, quando os ajustes eliminaram programas baratos, mas de amplo alcance.

Winnie Byanyima, diretora executiva do braço internacional da ONG britânica Oxfam, acredita que o quadro atual é uma oportunidade única para se discutir formas de levantar recursos para bancar a redução continuada da desigualdade. Um caminho é a tributação da riqueza, ou seja, a renda dos ricos. Também acredita que é preciso fechar brechas tributárias e combater a evasão e a elisão de impostos:

— Chegou a hora de a América Latina encontrar novas formas de crescer e se desenvolver.

*A repórter viajou a convite do FMI

oglobo.globo.com | 08-12-2014
Muitas das principais autoridades econômicas do mundo estão reescrevendo suas previsões para os Estados Unidos, Europa e outras regiões, numa aposta em que a queda dos preços do petróleo vai impulsionar o crescimento.
online.wsj.com | 08-12-2014

BERLIM E ROMA - A Itália reagiu com indignação neste domingo às aspirações da chanceler alemã Angela Merkel por mais reformas para fazer com que o orçamento de 2015 se enquadre às regras orçamentais da União Europeia, dizendo que a líder alemã faria melhor se tratasse dos problemas de seu próprio país.

Em entrevista ao diário alemão “Die Welt”, Merkel pediu à Itália e à França para aprovar medidas adicionais antes de uma decisão de março da Comissão Europeia sobre se os orçamentos estão em linha com as regras de déficit e dívida do bloco. A menos que novas medidas sejam tomadas a tempo, a Comissão pode multar a França por ficar aquém das suas obrigações de redução do déficit e colocou a Itália num processo disciplinar por causa de seus níveis de endividamento. “A Comissão deixou claro que o que foi colocado na mesa até agora é insuficiente. Eu concordo com isso”, disse Merkel.

Um oficial sênior italiano disse que era “lamentável” que Merkel tenha visto as reformas feita pelo primeiro-ministro italiano Matteo Renzi como insuficientes. “O governo italiano nunca se permitiu dar receitas a um país membro da UE e pedimos a Alemanha faça o mesmo”, Sandro Gozi, subsecretário italiano para assuntos da UE, disse em comunicado. “Talvez a chanceler Merkel deva se concentrar na demanda doméstica da Alemanha, por sua falta de investimentos, ou sobre os seus desequilíbrios no balanço de pagamentos. Seria uma contribuição importante que a Europa tem estado à espera que Berlim faça por um longo tempo e que até agora não aconteceu.”

Não houve reação imediata da França. Na semana passada, o ministro das Finanças francês Michel Sapin disse na semana passada em visita a Berlim que a França iria fazer o necessário para cumprir as suas obrigações da UE, mas que impulsionar o crescimento era a prioridade. Um dia depois, ele anunciou que a França apresentou objetivo de reduzir seu déficit para 4,1% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) em 2015, em comparação com uma meta anterior de 4,3%, graças a uma poupança extra. A França inicialmente se comprometeu a reduzir o seu déficit para baixo do limite da UE de 3% em 2013, mas já reconheceu que não vai chegar a esse limite até 2017.

No ano passado, a Comissão ganhou novos poderes para avaliar projetos de orçamentos nacionais para garantir que eles estejam em linha com os acordos da UE.

oglobo.globo.com | 07-12-2014

HELSINQUE - A Finlândia é um bom lugar para se estar se você trabalha no setor público. Contudo, leis que protegem os funcionários municipais da dura realidade de uma economia cambaleante estão contribuindo para o endividamento de um país cuja nota de crédito foi rebaixada há somente dois meses.

Alexander Stubb, primeiro-ministro da Finlândia - Henrik Kettunen / Bloomberg

Em alguns municípios, nenhum funcionário público pode ser demitido até 2022. Entretanto, a dívida dos governos finlandeses locais se triplicou para € 16,3 bilhões (US$ 20 bilhões) desde 2000. O somatório aumentará em mais € 10 bilhões até 2018, estima o Ministério das Finanças.

— O governo e os municípios têm o mesmo problema: a base de renda se desmoronou, ao passo que as despesas continuaram crescendo — disse Anssi Rantala, economista-chefe do Aktia Bank Oyj.

Como há mais pessoas se aposentando do que entrando na força de trabalho, a recessão da Finlândia não dá sinais de dar trégua. O primeiro-ministro Alexander Stubb descreveu os apuros do país como uma “década perdida”. A produção industrial não conseguirá incentivar o crescimento pelo terceiro ano consecutivo.

Para piorar os infortúnios do país, problemas econômicos estão se espalhando desde seu vizinho a leste, já que as exportações à Rússia estão se desmoronando. Em outubro, a Standard Poor’s rebaixou a nota da Finlândia de AAA para AA+ porque a dívida do Estado supera o limite de 60% do PIB permitido dentro da União Europeia. O PIB desacelerou para 0,2% no trimestre passado — metade do seu ritmo de crescimento nos três meses terminados em junho — devido à queda das exportações e os investimentos, disse a secretaria de estatísticas hoje.

LEI MUNICIPAL

O governo está lutando para aumentar a competitividade da sua força de trabalho, mas as leis existentes estorvam seus esforços. Muitos funcionários municipais desfrutam de cinco anos de imunidade caso seu município seja fusionado com outro. Existem 320 municípios na Finlândia, e os menores podem se fusionar várias vezes — o que dá a esses funcionários mais cinco anos de proteção do emprego a cada vez.

Em Kuopio, uma cidade à beira de um lago no norte do país, até 5.578 funcionários municipais — mais os futuros recém-chegados de locais menores — podem conservar seus empregos até 2022, se todas as fusões planejadas forem realizadas. Os funcionários têm seu emprego protegido desde 2006, quando o município absorveu Vehmersalmi, uma aldeia com 2.000 moradores.

Kuopio conseguiu reduzir pelo menos parte da carga encorajando seus funcionários a tirarem férias adicionais não remuneradas, e porque seu setor comercial relativamente diversificado resistiu os tempos duros melhor do que municípios de foco mais estreito. Mesmo assim, o município estima que seu déficit orçamentário aumente para € 22 milhões no ano que vem.

O governo implementará uma supervisão financeira mais rigorosa dos municípios e deseja controlar o crescimento dos gastos centralizando a responsabilidade por serviços como a assistência médica em cinco unidades regionais, comparado com cerca de 200 organizações municipais atualmente.

GATOS DOENTES

Um de cada cinco trabalhadores finlandeses é empregado por um governo local. Três quartos deles trabalham nos setores de saúde, previdência social ou educação e quatro de cada cinco são mulheres. Metade do total de gastos dos governos locais é em salários e outras despesas ligadas aos funcionários. O custo aumenta ainda mais porque com frequência os salários são equiparados durante as fusões, o que implica que os funcionários de locais menos remunerados podem esperar um aumento.

O Estado deveria se abster de jogar mais responsabilidades nos governos locais e permitir que os municípios tenham maior flexibilidade na hora de estruturarem suas ofertas de serviços, disse Jarmo Pirhonen, vice-prefeito de Kuopio.

— Certamente, há coisas importantes como essa, mas elas poderiam ser bem administradas pelo setor privado —disse ele. — Se o gato de alguém adoecer, a responsabilidade tem que ser do município?

oglobo.globo.com | 06-12-2014
Pilhas de minério de ferro no terminal marítimo Teluk Rubiah, em Lumut, na Malásia - Charles Pertwee / Bloomberg

LONDRES - Depois de uma longa apresentação para investidores na capital britânica, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, afirmou que a situação da economia mundial “está longe de ser brilhante”, o que tem impacto sobre a demanda e os planos da empresa. Mas aposta num cenário melhor para o segundo semestre do ano que vem, que abrirá caminho para um 2016 otimista. Para ele, apesar da insistente retração na Europa, na Coreia e crescimento modesto do Japão, boas surpresas devem vir da Ásia, onde países como o Sri Lanka, Vietnã, Tailândia, Filipinas e Indonésia, pretendem investir pesado em infraestrutura. Estes países terão o apoio do banco de desenvolvimento da região, que conta com um capital inicial de US$ 100 bilhões.

— O plano de financiamento de infraestrutura dos asiáticos que não estão no mesmo estágio da Coreia e Japão, que serão sustentados pelo banco de desenvolvimento, vai trazer uma demanda grande por matérias- primas.

Segundo ele, há incertezas no mercado, que a Europa tem problemas, com desacelaração na Alemanha e França. E, mesmo com os números menos exuberantes da economia chinesa, se disse confiante no novo plano anunciado pelo governo.

O presidente afirmou que a empresa não precisa captar no ano que vem para fazer investimentos, mas não descarta se condições forem boas. A empresa tampouco pretende contrair dívidas para pagar dividendos aos seus acionistas.

Ferreira admitiu que a Vale pode vender a sua parte na MRS Logística. Segundo ele, "não é objetivo da companhia manter as ações em seu portfolio".

— Mas também não temos pressa.

'MUDANÇA DE CONTEXTO' NO CÓDIGO DE MINERAÇÃO

Perguntado sobre as expectativas para a economia brasileira a partir do ano que vem com a nova equipe econômica anunciada pela presidente Dilma Roussef, Ferreira reconheceu que existem problemas a serem enfrentados na área fiscal e espera que as medidas que estão sendo discutidas “tragam benefícios para a população e sejam efetivas”.

Murilo Ferreira, presidente da Vale, em aula magna na FGV - Marcelo Carnaval / Agência O Globo

Sobre as negociações do novo código de mineração, o presidente da Vale limitou-se a dizer que novos valores para a cobrança de royalties (que poderia passar de 2% até 4%) estavam sendo tratados pela legislatura que termina esse ano em um contexto em que o preço do minério estava em até US$ 140.

Segundo ele, o impacto de um aumento como este pode ser grande para a Vale e inviabilizar operações de micro, pequenas e até médias mineradoras. Para ele, os parlamentares saberá avaliar a situação atual do mercado e da demanda mundial.

— Temos certeza de que o novo Congresso vai saber ver o momento. O que está acontecendo é que diversas mineradoras estão paradas e gerando desemprego.

oglobo.globo.com | 05-12-2014
Motor da economia europeia deverá crescer 1,4% este ano e 1% em 2015, menos do que inicialmente previsto.
www.publico.pt | 05-12-2014
No período homólogo, o crescimento da economia portuguesa foi de 1,1%, nas contas da autoridade estatística da União Europeia.
expresso.sapo.pt | 05-12-2014
A alta do dólar e a queda dos preços das commodities, que têm gerado alívio para os consumidores dos Estados Unidos, estão desnorteando os bancos centrais de outras regiões ao alargar a distância entre a revigorada economia americana e a dos países da Europa e Ásia.
online.wsj.com | 05-12-2014
O ministro da Fazenda Guido Mantega, em reunião com Joaquim Levy, futuro titular da pasta, no ministério da Fazenda - Agência O Globo / André Coelho

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez um balanço de sua gestão nesta quinta-feira e disse que seu grande orgulho é entregar o país com a menor taxa de desemprego da história e com a economia mais firme e sólida do que recebeu. Mantega elogiou o desempenho da economia brasileira na gestão petista e afirmou que, no início dos anos 2000, “o Brasil estava literalmente de pires na mão pedindo empréstimos e as bênçãos do Fundo Monetário Internacional”.

— Nesse longo período no governo, tenho a convicção de que fomos bem-sucedidos nessa missão de transformar e desenvolver a nossa economia. Mas, sem sombra de dúvidas, meu grande orgulho é ter liderado a economia brasileira durante a mais grave crise financeira em 80 anos e entregar o país com a menor taxa de desemprego da história e com a economia mais firme e mais sólida do que quando a recebi — afirmou, ao receber homenagem na Academia Brasileira de Ciências Contábeis.

Mantega disse que no início dos anos 2000 – na gestão de Fernando Henrique Cardoso – o Brasil estava com a economia abalada e com os cofres vazios.

— Nessa época, o Brasil estava literalmente de pires na mão pedindo empréstimos e as bênçãos do Fundo Monetário Internacional — disse Mantega, que acrescentou que, naquela época, faltava emprego e os jovens tinham pouca expectativa de trabalho.

Em seguida, o ministro disse que, quando a crise de 2008 começou, o Brasil estava preparado para enfrentá-la. Tinha mais de US$ 200 bilhões de reservas, uma situação fiscal sólida, um mercado interno vigoroso e, com isso, foi possível amenizar as consequências do abalo internacional sobre a atividade econômica. Mantega disse acreditar que, agora, a crise mundial está perto do fim e que esse processo será “tão mais rápido quanto a Europa e outros países deixarem o imobilismo e tomarem iniciativas eficazes para retomar o crescimento e gerar os empregos necessários”.

— Com o mundo melhorando nos próximos anos, o Brasil tem plenas condições de engatar um novo ciclo de crescimento e geração de emprego e renda — avaliou.

O ministro destacou que, mais recentemente, o Brasil começou a implantar um grande programa de infraestrutura, com concessões à iniciativa privada de aeroportos, rodovias, portos e setor de gás e energia.

— Enquanto muitos países trilharam um tortuoso caminho da ortodoxia, cortando investimentos e gerando desemprego, fizemos uma corajosa política anticíclica que manteve um nível razoável de investimento para períodos de crise — afirmou Mantega, que observou que, enquanto milhões de trabalhadores perderam seus empregos e sofreram reduções salariais nos Estados Unidos e na Europa, no Brasil o emprego e a renda continuaram aumentando.

Mantega foi homenageado pela Academia Brasileira de Ciências Contábeis devido à publicação de uma portaria, em 2008, com as diretrizes a serem observadas no setor público quanto aos procedimentos, práticas, laboração e divulgação das demonstrações contábeis, a fim de torná-los convergentes com as Normas Internacionais de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público.

oglobo.globo.com | 04-12-2014
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, condenou os governos ocidentais por isolarem Moscou, em seu discurso anual para o Parlamento nesta quinta-feira (4)."Cada vez que alguém acredita que a Rússia se tornou muito forte e independente, aplicam imediatamente este tipo de medidas", disse Putin no discurso do estado da nação.

Putin disse que a Rússia não iria escolher o caminho do isolamento e iria continuar a cooperar com os Estados Unidos e a Europa, apesar da crise Ucrânia.O presidente disse ainda que as sanções ofereceram um estímulo para a economia russa e que a Rús

Economia europeia vai cortar emissões em 40% até 2020, em relação a 90. Negociadora da União Europeia elogiou iniciativa da COP 20, em Lima.
g1.globo.com | 04-12-2014
Pier da Vale na Malásia - Charles Pertwee / Bloomberg

NOVA YORK - A Vale estuda abrir o capital de sua unidade de metais básicos numa tentativa de “destravar valor”, confirmou o presidente da empresa, Murilo Ferreira, durante evento realizado nesta terça-feira na Bolsa de Valores de Nova York. O novo IPO ocorreria em meio à queda do preço do minério de ferro, o que vem afetando o valor das ações da maior produtora dessa commodity no mundo. A ideia é oferecer entre 30% e 40% do negócio – que analistas estimam valer, em sua totalidade, entre US$ 30 bilhões e US$ 35 bilhões – na Bolsa de Toronto, no Canadá, a partir de agosto.

– Trata-se de um inconformismo que temos em relação ao valor percebido nas ações da Vale sobre o negócio de metais básicos. Achamos que tem um valor escondido que precisa ser melhor expresso – disse Ferreira em entrevista concedida ao lado de nove diretores da empresa após sua apresentação anual para investidores estrangeiros, frisando que a proposta ainda não foi submetida ao conselho da Vale. – Parece lógico que uma das praças seja Toronto, onde temos operações muito importantes para o negócio de metais básicos. Seria uma forma de destravar o valor dos ativos de metais básicos.

A empresa também anunciou que vai reduzir seu orçamento de investimentos pelo quarto ano consecutivo. Em 2015, a Vale planeja aplicar US$ 10,17 bilhões – US$ 6,368 bilhões em execução de projetos e US$ 3,809 bilhões em manutenção de operações –, uma queda de 26,3% em relação ao total estimado para 2014. A ideia é que o valor desabe progressivamente no futuro próximo, até chegar a US$ 5 bilhões em 2018. Após o prognóstico, houve uma redução na alta das ações da empresa no mercado.

– O investimento vai drasticamente cair, para algo em torno de US$ 5 bilhões em 2018 – afirmou Ferreira, que trabalha com o dólar a R$ 2,60 para 2015. – A maior parte desse não dispêndio é porque temos uma moeda brasileira mais enfraquecida. Então como nós pagamos os nossos dispêndios em reais, é natural que a gente gaste menos. E isso é um fenômeno mundial. O real brasileiro foi depreciado, o dólar canadense foi depreciado, a moeda da Indonésia foi depreciada. Então em todos os principais lugares onde nós estamos, nós contamos com uma moeda depreciada. Portanto, estamos gastando bastante dinheiro na moeda local e menos em dólar.

O presidente da Vale antecipou ainda que pretende divulgar no próximo dia 17 a venda de entre 15% e 25% de sua participação em uma mina de carvão em Moçambique e metade de sua fatia (de 70%) no corredor logístico de Nacala para levantar recursos. Nos dois casos, a empresa continuaria com o controle das operações. Outra medida que será adotada para trazer fluxo de caixa à companhia será o lançamento de ações preferenciais (sem direito a voto) de qualquer ativo da empresa.

– São ações que poderão ser lançadas no mercado com data de recompra – explicou Ferreira. – Um viés de trazer recusrsos enquanto a gente constrói o projeto mais importante da nossa história, o S11D, em Carajás.

QUEDA DO DAS COMMODITIES

Questionado se a queda do preço do minério de ferro e do petróleo é sinal de que a era de ouro das commodities ficou para trás, Ferreira afirmou que vê pela frente um processo “doloroso, mas saudável”:

– Passamos por um processo de ajuste mundial das economias. Para os próximos tempos enxergamos um processo doloroso, mas saudável, porque preserva os players mais competitivos da indústria, ou seja, os que produzem minério de melhor qualidade ao preço mais baixo. Estamos em fase de redução da disparidade mundial. Países com grande contingente populacional, como China e Índia, estão ascendendo para um novo status. Não acredito que veremos mais Europa e Estados Unidos concentrando a maior parte da riqueza mundial. É um processo inexorável ao meu ver, que começou com o evento da China e veio para ficar, mas não é um processo simplesmente ascendente, ele tem volatilidade, e às vezes faz seus ajustes.

Sobre a nova equipe econômica anunciada recentemente pela presidente Dilma Rousseff, Ferreira se disse “muito confiante”:

– Certmente, foram os nomes que a nossa presidente considerou mais adequados. Entendo que alguns anúncios não estão completos, mas constinuo muito confiante. O preço da redução de disparidade mundial veio para prevalecer, e fico feliz de ver que o Brasil reduziu sua disparidade e o nível de emprego está muito alto, poderia chamar até de pleno emprego. Espero que os pontos mais fracos da nossa economia sejam endereçados pela futura equipe, assim como os pontos de aspecto social.

oglobo.globo.com | 02-12-2014

WASHINGTON — O secretário americano de Estado, John Kerry, afirmou nesta terça-feira que as sanções aplicadas pelos países ocidentais não impediram o apoio russo aos separatistas na Ucrânia, mas atingiram a economia da Rússia, que deve entrar em recessão no ano que vem, e um membro de seu departamento afirmou que os Estados Unidos discutem a possibilidade de uma ampliação das sanções caso a violência dos separatistas não diminua no Leste da Ucrânia.

— Claramente, a economia está sentindo o impacto das sanções — afirmou Kerry. — A Rússia tem a oportunidade de fazer uma escolha diferente. Estamos preparados, assim como outros também estão, para sentar e negociar soluções razoáveis para que todas as partes concordem em passos específicos que podem ser tomados para mover a questão numa direção diferente.

Os Estados Unidos e a União Europeia impuseram sanções aos setores financeiro, energético e defensivo da Rússia após a anexação por parte de Moscou da península ucraniana da Crimeia e depois de sinais de que o Kremlin estaria apoiando separatistas no Leste do país, algo que o governo russo nega.

— A Rússia não cumpriu suas promessas de dar fim ao apoio a separatistas armados, retirar tropas e aramamentos, soltar reféns permitir que inspetores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) façam seu trabalho, e repeitar a soberania territorial da Ucrânia — afirmou o secretário.

No entanto, diplomatas europeus afirmam que há pouca vontade entre os países da União Europeia de ampliar as sanções a menos que haja um escalada nos conflitos no Leste da Ucrânia. A Rússia é a principal fornecedora de energia do continente e muitos países do bloco temem que represálias do Kremlin às sanções possam prejudicar suas economias.

Militares ucranianos e forças separatistas concordaram nesta terça-feira em renovar o cessar-fogo firmado em setembro, na região de Luhansk.

oglobo.globo.com | 02-12-2014
As expectativas econômicas estão enfraquecendo na Europa, Japão e em grandes países emergentes como Índia e Brasil, numa mudança de direção que representa um novo desafio para a relativamente robusta economia americana.
online.wsj.com | 01-12-2014

BERNA - Num plebiscito neste domingo, suíços se posicionaram contra a proposta de reduzir a imigração no país, sob o argumento de proteger seus recursos naturais. Pelo menos 74% votaram “não” para a iniciativa, que, se tivesse sido aprovada, reduziria de 80 mil para 16 mil por ano o saldo de entrada de estrangeiros — a diferença entre os que emigram e os que imigram — correspondendo a 0,2% da população.

Sob o sistema de democracia direta, os cidadão suíços podem sugerir um referendo se conseguirem reunir assinaturas suficientes de apoio. Dessa forma, a votação deste domingo foi encabeçada pelo Ecopop, um grupo formado há 40 anos por ambientalistas de esquerda que alega que o país está sendo “enterrado sob o concreto” devido ao crescente afluxo de estrangeiros.

Segundo eles, com a taxa de imigração crescendo de 1,1% a 1,4% anualmente, a população atingiria os 12 milhões em 2050, o que aumentaria a demanda por infraestrutura urbana. A proposta também incluía o controle da superpopulação no exterior, dedicando 10% dos investimentos de ajuda externa da Suíça para o planejamento familiar de países em desenvolvimento.

A população suíça aumentou em mais de um milhão em 20 anos, e atualmente concentra 8,2 milhões de indivíduos. Cerca de 25% de seus habitantes são estrangeiros, sendo a maioria de países da União Europeia (UE).

A iniciativa anti-imigração — que além de ecologistas de esquerda, uniu ainda intelectuais de extrema-direita — provocou uma onda de críticas ao redor do mundo, sobretudo por líderes empresariais, o governo e outros partidos suíços. Eles argumentaram que sua implementação prejudicaria a economia do país, além de isolá-lo da UE.

“O objetivo da medida é reduzir drasticamente e de forma linear a imigração para a Suíça, sem nenhuma consideração com suas necessidades econômicas”, disse à AFP, Christian Lüscher, um parlamentar do Partido Liberal. “Teríamos que ser completamente loucos para dar adeus a esta dádiva à nossa economia”.

A resposta da população surpreendeu até analistas, que previam uma votação mais apertada, já que em fevereiro os suíços votaram a favor da reintrodução das quotas de imigração, impondo, com isso, restrições ao acordo de livre circulação entre os países da UE. O governo ainda precisa implementar o resultado daquele plebiscito, que estremeceu as relações com a UE.

As cinco milhões de pessoas com direito a voto também rejeitaram outras duas propostas neste domingo: a que obrigava o Banco Central a aumentar suas reservas de ouro; e a medida que eliminaria incentivos fiscais para os estrangeiros que vivem, mas não trabalham na Suíça. Estes indivíduos, segundo a proposta, teriam um imposto sobre o gasto, em vez de um imposto sobre a renda. Oponentes afirmam que isso poderia prejudicar o status de “paraíso fiscal” do país. “A Suíça grita um direto ‘não, não, não!”, publicou o jornal Handelszeitung.

oglobo.globo.com | 30-11-2014

Do orçamento da UE sairão 16 mil milhões de euros e outros 5 mil milhões do Banco Europeu de Investimento. O resto será financiado por investidores privados. Esta revista de imprensa foi elaborada graças ao euro|topics.

“Bruxelas está a tomar medidas. É um sinal, um aviso”, escreve o Die Welt. O diário conservador alemão estima que o programa de investimento de Juncker é a medida certa para ajudar os países da UE assolados pela crise. No entanto, acrescenta que

a UE está a criar um fundo com relativamente pouco dinheiro, que cobrirá uma parte significante dos riscos dos investidores privados, numa tentativa de os tranquilizar e fomentar novos investimentos. Mas não há certezas de que o esquema de Bruxelas para apoiar os investimentos vá funcionar, já que existe o risco de não haver projetos e investidores suficientes. Porque, no final de contas, o dinheiro só é realmente investido numa infraestrutura, energia e tecnologia digital quando a rentabilidade é atrativa e as condições são adequadas em cada país.

“A Comissão Europeia pode ganhar muito, apostando pouco”, comenta o La Libre Belgique, segundo o qual,

a jogada é arriscada, uma vez que o seu fracasso iria destruir a confiança na Comissão e prejudicar o projeto europeu, que ficaria ainda mais enfraquecido se as esperanças desvanecerem. Os Estados-membros têm de continuar a poupar e, por vezes, implementar reformas dolorosas. Ainda estão a pagar um preço elevado para recuperar da crise. O sector privado deve agora assumir a sua quota-parte de responsabilidade.

O diário austríaco Die Presse mostra-se relativamente cético e não acredita que o pacote de investimento de Juncker vá reanimar a fraca economia da UE, nomeadamente devido à má situação orçamental de alguns países:

com receio de pagarem mais impostos devido à subida da dívida, as empresas investirão menos. Por esta razão, qualquer incentivo que utilize investimentos baseados na dívida parece bastante contraproducente.

O plano de investimento de Juncker é a última oportunidade para salvar a UE, escreve o diário espanhol El Periódico, que está “à espera de ver” se o sector privado estará disposto a investir no fundo.

Não é a primeira vez que se anuncia um programa destes sem que chegue a dar frutos. Além disso, um plano com a duração de três anos parece insuficiente para produzir resultados, dada a lentidão da burocracia da UE. Mas Juncker estava certo quando disse que esta seria a última oportunidade para ultrapassar a crise. Se este esquema não resultar, simbolizará não só o fracasso da Europa, mas também o da própria União Europeia.

www.voxeurop.eu | 28-11-2014

RIO - A poucos dias de receber oficialmente o Prêmio Nobel de Economia 2014, em 10 de dezembro, o economista francês Jean Tirole afirmou nesta quinta-feira que as autoridades da área de regulação devem ficar atentas ao funcionamento dos chamados mercados de duas partes, nos quais se encontram empresas de tecnologia, como Google, e de pagamentos, como Visa, Mastercard, Google Wallet e Paypal, para intervir quando houver abusos decorrentes do domínio do mercado.

— Tenho acompanhado o impacto da Google. As coisas estão mudando muito rápido, e o que as autoridades de regulação devem fazer é acompanhar o que acontece e prestar atenção para poder intervir muito rapidamente quando algo vai errado — disse o presidente da Escola de Economia de Toulouse, que participou, através de vídeoconferência, da 8ª Jornada de Estudos de Regulação, promovida pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no Palácio do Itamaraty, no Rio.

Seu estudo aponta que esses mercados atraem dois lados, com custos diferentes. No caso da Google, por exemplo, usuários do mecanismo de busca não pagam nada, enquanto anunciantes pagam taxa elevada. A lógica se estende a administradoras de cartões de crédito ou de pagamento on-line: o consumidor não paga, mas as empresas são cobradas.

‘MONOPÓLIOS PODEM RECORRER A ABUSOS’

Perguntado em relação às investigações sobre corrupção na Petrobras e o fato de a indústria de petróleo brasileira ser quase um monopólio, Tirole disse que não é especialista em Brasil, mas esclareceu que “corrupção é uma coisa, e falta de competição é outra”. O economista destacou que um dos progressos do mundo foi a conquista de independência pelas autoridades de regulação, que não toleram campeões nacionais nem monopólios.

— Monopólios podem agir com inovação e investimentos, mas também podem recorrer a abusos para manter a posição dominante. É aí que as autoridades de regulação devem desempenhar um papel e, por isso, precisam ser independentes do poder político.

Tirole, que também defendeu a independência dos bancos centrais — segundo ele, quando estes eram administrados por ministérios, a inflação era alta —, mostrou-se preocupado com a situação econômica da União Europeia e apontou a estagnação como o principal problema. As taxas de juros próximas de zero, destacou, dificultam a ação da política monetária para estimular a economia.

A situação se torna crítica, segundo ele, porque existem hoje duas Europas: a do Norte, que já passou por reformas e hoje tem credibilidade, e a do Sul, que ainda não promoveu reformas e atravessa dificuldades. E não há orçamento que garanta a transferência automática de recursos no caso de dificuldades, como ocorre nos Estados Unidos, por exemplo.

— É muito claro que o Sul não está em boa situação e o Norte está melhor. É muito difícil contar com a Alemanha e o Norte para apoiar o Sul. A única esperança é que se façam reformas no Sul para que este se pareça mais com o Norte da Europa.

AVANÇO NA REGULAÇÃO BANCÁRIA

Sobre o atual estado da regulação bancária, Tirole afirmou que houve progresso desde a crise de 2008, mas que ainda há muito a ser feito, como na questão da liquidez dos bancos e na regulação das chamadas instituições financeiras sistemicamente importantes (Sifi, na sigla em inglês), ou seja, que podem ter impactos de grande amplitude na economia.

— Estamos melhores, mas não há garantia de que não teremos outra crise. Não podemos ter risco zero de crise, porque isso significaria que não fazemos mais nada. Queremos um risco razoável, mas precisamos fazer mais.

Tirole também se colocou a favor de sacrificar uma parte do crescimento econômico para reduzir a desigualdade, principal tema de trabalho de seu colega na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais da França, Thomas Piketty, autor de “O Capital no século XXI”.

— Pessoas como você e eu se importam com o aquecimento global e sabem que é preciso sacrificar o crescimento econômico em função disso. É o mesmo caso da desigualdade. É preciso tirar um pouco do crescimento econômico para enfrentar a desigualdade. Isso tem a ver com a sociedade em que queremos viver.

oglobo.globo.com | 28-11-2014
A Comissão Europeia anunciou um investimento de 315 mil milhões de euros é na economia dos 28 Estados membros nos próximos três anos. O chamado Plano Junckers foi apresentado esta manhã ao Parlamento Europeu, com o objetivo de incentivar a economia e diminuir a dívida pública, como relata a correspondente da RTP em Estrasburgo. Fernanda Gabriel.
www.rtp.pt | 26-11-2014

BERLIM - Pela primeira vez de 1969, a Câmara Baixa do Parlamento alemão deve aprovar esta semana um Orçamento em que os gastos do governo não superarão as receitas. Além de ressaltar a importância dessa medida para o equilíbrio das contas públicas, a chanceler Angela Merkel aproveitou sua intervenção no Parlamento para apoiar o principal projeto da nova Comissão Europeia (CE), que ressalta a importância de elevar os investimentos no continente como forma de elevar o crescimento.

Angela Merkel aguarda início dos debates no Paralamento alemão - STEFANIE LOOS / REUTERS

— O governo alemão apoia o pacote de investimentos do presidente (da CE) Jean-Claude Juncker — disse Merkel em meio a aplausos de seus correligionários.

O apoio de Berlim aos planos de investimentos de Bruxelas tem muitos poréns. Primeiro, porque dos mais de € 300 bilhões que Juncker espera mobilizar, apenas € 16 mil sairão dos cofres da UE. É esta a mensagem que Merkel e seu ministro da Fazenda, Wolfgang Schäuble, repetem sempre que podem: faz falta ter mais investimentos, sim; mas isso deve ocorrer fundamentalmente por meio de mãos privadas pois a consolidação fiscal é um objetivo do qual os governo não podem fugir.

O déficit zero do Orçamento alemão em 2015 não será uma exceção, já que a medida será mantida nos anos seguintes.

— Essa política será aplicada nos próximos anos. A Alemanha viveu durante anos acima de suas possibilidades, mas isso acabou. Nosso objetivo é reduzir a porcentagem de dívida pública através de uma política orçamentária razoável — afirmou Merkel, à frente da maior economia europeia desde 2005, indicado que não pensa em dar marcha à ré na política de austeridade.

Como concessão aos que cobram de Berlim um papel maior como investidor para melhorar a infraestrutura deficiente de algumas áreas do país, Merkel destacou os mais € 10 bilhões que o seu governo pretende gastar no setor entre 2016 e 2018, um número que representa apenas 0,3% do PIB alemão.

— Se podemos investir é graças à estabilidade orçamentária — afirmou Merkel.

O plano de Juncker não recebeu apenas o aval da chanceler. O número dois do governo e líder dos social-democratas, Sigmar Gabriel, e os industriais alemães também deram seu aval à política europeia.

— Necessitamos de mais crescimento na Europa. Os Estados-membros têm que modernizar sua infraestrutura. Mas não basta apenas dinheiro — disse Gabriel.

O pacote de investimentos é um “passo numa boa direção”, afirmou a Federação da Indústria Alemã.

oglobo.globo.com | 26-11-2014
315 mil milhões de euros vão ser injetados na União Europeia para estimular a economia e diminuir a dívida pública. O chamado Plano Juncker da Comissão Europeia, para os próximos três anos, foi apresentado ao Parlamento Europeu.
www.rtp.pt | 26-11-2014

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, “apresenta esta quarta-feira em Estrasburgo o seu plano de investimento de 300 mil milhões de euros para os próximos três anos”, informa o Les Echos.

Segundo o diário francês,

todos os Estados-membros estão de acordo quanto à necessidade de compensar o atraso dos investimentos que se acumulou desde a crise financeira de 2008, de modo a evitar um longo período de estagnação ou até mesmo de deflação.[…] Infelizmente, os cofres dos Estados estão vazios. Este é o motivo pelo qual Jean-Claude Juncker terá de fazer magia para a sua recuperação, que equivale a 2% do PIB da UE e da qual espera, no fim, a criação de mais de 1 milhão de empregos. Para isso, irá propor a utilização mais inteligente do orçamento da União, com uma grande dose de engenharia financeira.

Por sua vez, o Le Soir explica que os especialistas e políticos europeus se interrogam particularmente sobre “o equilíbrio entre o financiamento público e privado, as consequências sobre as finanças dos Estados, a atração do dispositivo e, portanto, sobre o seu êxito”. Os investimentos privados serão “alimentados por garantias públicas”, observa o diário belga. Mais concretamente, 16 mil milhões de euros serão facilitados pela União Europeia no âmbito do orçamento existente e 5 mil milhões de euros provirão do Banco Europeu de Investimentos (BEI). Não haverá “nenhuma quota por Estado” e serão os especialistas independentes e não os funcionários quem escolherão os projetos financiados.

www.voxeurop.eu | 26-11-2014
O presidente da Comissão Europeia disse, esta quarta-feira, que "o Natal chegou mais cedo", na apresentação do plano para a economia europeia, que cria um fundo estratégico para mobilizar 315 mil milhões de euros nos próximos três anos.
feeds.jn.pt | 26-11-2014
Chama-se Fundo Europeu para o Investimento Estratégico (FEIE) e é com ele que a Comissão Europeia espera gerar 315 mil milhões de euros de investimento.
www.publico.pt | 26-11-2014
O presidente da Comissão Europeia apresenta hoje no Parlamento Europeu o plano que pretende mobilizar mais de 300 mil milhões de euros nos próximos três anos para a economia europeia, que corre o risco de entrar novamente em recessão.
www.rtp.pt | 26-11-2014
O plano hoje conhecido é, segundo Juncker, "uma mensagem para o mundo, a Europa está de volta ao negócios".
feeds.dn.pt | 26-11-2014

ESTRASBURGO, França - O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, apresentou nesta quarta-feira um plano para alavancar cerca de € 300 bilhões (US$ 375 bilhões) em novos investimentos, em grande parte privados, na União Europeia, dizendo que é hora de dar o pontapé inicial para o crescimento sem aumentar a dívida pública.

Ressaltando a necessidade de manter os esforços nas reformas estruturais das economias mais maduras deixando para trás dívidas e déficits da crise financeira, o novo chefe executivo da União Europeia disse ao Parlamento Europeu em Estrasburgo que seu plano seria a terceira etapa da estratégia para colocar os europeus de volta ao trabalho.

“A Europa precisa de um pontapé inicial e hoje a Comissão está fazendo isso”, disse Juncker, ex-primeiro-ministro conservador de Luxemburgo, que assumiu o cargo este mês.

Ele reconheceu as críticas ao plano pela falta de um importante componente de novos gastos públicos. Autoridades da União Europeia dizem que o bloco está reservado apenas € 8 bilhões para ajudar a fornecer € 21 bilhões em capital para um fundo especial, gerenciado pelo Banco Europeu de Investimento, que acreditam que podem alavancar € 315 bilhões de euros em investimento ao longo dos próximos três anos.

oglobo.globo.com | 26-11-2014
Já é oficial. O presidente da comissão europeia já apresentou no parlamento europeu o plano que pretende mobilizar mais de 300 mil milhões de euros nos próximos três anos para a economia europeia.
www.rtp.pt | 26-11-2014
O presidente da Comissão Europeia apresenta esta quarta-feira no Parlamento Europeu o plano que pretende mobilizar mais de 300 mil milhões de euros nos próximos três anos para a economia europeia.
www.rtp.pt | 26-11-2014
Plano de investimento para salvar economia europeia da recessão será hoje apresentado pela Comissão Europeia.
www.publico.pt | 26-11-2014
O Papa Francisco apelou hoje aos deputados europeus para construírem "uma Europa que gira, não em torno da economia, mas da sacralidade da pessoa humana" e criticou a centralidade das "questões técnicas e económicas" no debate político.
www.rtp.pt | 25-11-2014

ESTRASBURGO — Em sua primeira visita ao Parlamento Europeu, o Papa Francisco pediu nesta terça-feira a líderes do continente mais medidas para ajudar os milhares de imigrantes que arriscam suas vidas para chegar à Europa, dizendo que é necessário evitar que o Mediterrâneo se transforme em “um grande cemitério”. Francisco disse que era hora de redescobrir a “alma boa” da região, favorecer políticas de emprego e construir uma Europa que não gire em torno da economia.

— Não se pode tolerar que o Mediterrâneo se converta em um grande cemitério. Nas barcaças que chegam cotidianamente há homens e mulheres que necessitam de acolhida e ajuda. A ausência de um apoio dentro da União Europeia arrisca a incentivar soluções particulares, que não levem em conta a dignidade humana dos imigrantes, favorecendo o trabalho escravo e as contínuas tensões sociais — disse o Papa.

O Papa tornou a defesa dos imigrantes e dos trabalhadores uma grande bandeira de seu pontificado. Ele tem atacado o sistema econômico global por fracassar em compartilhar riquezas e escolheu a pequena ilha de Lampedusa, no Sul da Itália, local que muitos imigrantes morreram tentando chegar à Europa, como local de sua primeira viagem como pontífice.

No Parlamento Europeu, Francisco defendeu o trabalho e a dignidade humana - POOL / REUTERS

Em Estrasburgo, Francisco também disse que a Europa deve criar empregos e não permitir que a burocracia de suas instituições sufoque os ideais que uma vez tornaram o continente um lugar vibrante.

— Chegou a hora de promover políticas que gerem empregos, mas, acima de tudo, há a necessidade de restaurar a dignidade ao trabalho ao garantir melhores condições trabalhistas — disse ele. — Isso implica encontrar novos caminhos para unir flexibilidade de mercado com a necessidade de estabilidade e segurança da parte dos trabalhadores. Isso é indispensável para o desenvolvimento humano.

Telão na Catedral de Estrasburgo transmite o discurso do Papa - SEBASTIEN BOZON / AFP

A visita de quatro horas não prevê um encontro com católicos, para a decepção dos fiéis que se reuniram diante de um telão montado na Catedral de Estrasburgo para assistir ao discurso do Papa. Ao ser recebido no Parlamento Europeu, os sinos soaram por toda a cidade. E, mesmo barrados, jovens tocavam músicas nas ruas aguardando uma chance de ver o pontífice.

O Papa criticou ainda o individualismo e o consumismo, a falta de solidariedade, a burocracia, atos que reduzem homens e mulheres “a parafusos de uma engrenagem que os trata como bens de consumo”. Em uma condenação indireta ao aborto e à eutanásia, ele citou “o caso dos doentes terminais, idosos abandonados, crianças mortas no ventre das mães”.

Após seu discurso aos parlamentares dos 28 países da UE, o Papa visitou o Conselho da Europa, uma organização intergovernamental que representa 47 Estados. antes dele, o último Papa a visitar as duas assembleias foi João Paulo II, em 1988.

Num momento mais informal, o Papa se encontrou com uma alemã de 97 anos que o hospedou em 1985, quando ele aprendia alemão.

oglobo.globo.com | 25-11-2014
A Quercus defendeu hoje que o custo da poluição do ar pelas indústrias portuguesas está abaixo dos valores europeus, mas é "bastante significativo", porque afeta a saúde e representa prejuízos para a economia.
www.rtp.pt | 25-11-2014
Vladimir Putin participa de entrevista coletiva em Vladivostok, na Rússia - Mikhail Klimentyev / AP

MOSCOU — Uma queda nos preços do petróleo e sanções impostas pelo Ocidente devido à crise na Ucrânia estão custando à Rússia até US$ 140 bilhões (R$ 355 bilhões) por ano, informou o ministro das Finanças russo, Anton Sluanov, nesta segunda-feira. De acordo com Siluanov, só as restrições econômicas impostas pelos Estados Unidos e União Europeia são responsáveis pela perda de US$ 40 bilhões (R$ 101 bilhões) para Moscou.

— Estamos perdendo cerca de US$ 40 bilhões de dólares ao ano por causa de sanções geopolíticas, e cerca de US$ 90 bilhões a US$ 100 bilhões por causa da queda dos preços do petróleo em 30% — disse Siluanov, em uma entrevista coletiva. — A principal questão que afeta o orçamento e a economia e o sistema financeiro: é o preço do petróleo e a queda nos fluxos monetários provenientes da venda de recursos energéticos.

Moscou tem sofrido há meses com uma série de sanções ocidentais realizadas em represália às ações russas na crise ucraniana e que levaram a economia do país à beira da recessão. As medidas provocaram uma queda na moeda russa (o rublo), que perdeu quase um terço de seu valor em relação ao euro, e causaram uma significativa fuga de capitais do país. Em resposta, a Rússia proibiu as importações de alimentos provenientes de países da União Europeia.

No entanto, as sanções não são os principais perigos que ameaçam a economia russa. Em junho, o preço do petróleo caiu de US$ 115 (R$ 291) para em torno de US$ 80 (R$ 203) o barril. De acordo com os economistas do Banco Alfa russo, uma queda de US$ 10 dólares por barril de petróleo custaria US$ 10 bilhões para o orçamento federal russo e 0,4% do Produto Interno Bruto.

Para limitar o impacto da queda, Moscou anunciou na sexta-feira uma possível queda na produção de petróleo, a poucos dias da reunião em 27 de novembro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), da qual a Rússia não é um membro. No domingo, o presidente russo, Vladimir Putin, tentou minimizar o impacto da queda dos preços do petróleo e das sanções sobre a economia russa.

— Não é um fato que as sanções, a queda acentuada dos preços do petróleo e a depreciação da moeda nacional vão nos levar a resultados negativos ou a consequências catastróficas. Nada disso, não vai acontecer — afirmou Putin. — Incomoda? Parcialmente, mas não é fatal.

Neste ano, a economia russa deve crescer pouco. Segundo o Banco Central Russo, o crescimento deve se limitar a 0,3% em 2014 e a zero em 2015. Além disso, há a previsão para uma estagnação da economia nos próximos três anos, em um cenário bem distante dos primeiros anos do mandato do presidente Vladimir Putin.

oglobo.globo.com | 24-11-2014
Principais centrais sindicais preparam greve geral em 12 de dezembro - ANDREAS SOLARO / AFP / 1-7-2010

ROMA - A situação político-econômica da Itália continua se deteriorando e coloca em cheque a habilidade do governo em dar respostas concretas aos crescentes protestos da população. Após anos de estancamento econômico e políticas públicas de austeridade, a frustração dos italianos se converte agora em protestos e greves quase diárias que estão assustando a classe política.

Em meio a este cenário, o primeiro-ministro, Matteo Renzi, vê seus índices de aprovação caírem mês após mês. Para agravar o quadro, a CIGL e a UIL, duas das principais centrais sindicais do país, estão organizando uma greve geral em 12 de dezembro. A terceira maior organização, a CISL também promete uma paralisação do setor público, embora ainda não haja uma data definida. Os protestos prometem ser a maior demonstração do poder sindical desde 2011, quando Monti aprovou uma série de medidas de austeridade econômica.

Trabalhadores com ou sem filiação sindical e aposentados expressam toda sua indignação. Em Tor Sapienza, um bairro pobre na periferia de Roma, os moradores têm protestado nos últimos dias em frente a um centro de imigrantes, alvo de pedras e lixo queimado.

– Estamos cercados. Para lá estão as prostitutas, desse lado estão os ciganos e agora aqui os imigrantes. Isso é demais para nós – desabafa a aposentada Milena Pecci.

A maioria dos moradores diz não ser racista, mas se diz revoltada com o aumento da criminalidade, da pobreza e da falta de serviços públicos básicos, como o de iluminação. Os poucos políticos que se aventuram a Tor Sapienza são recebidos com insultos.

– Agora eles (os políticos) vêm oferecer uma série de vantagens para nós, porque a situação em que vivemos é contada na imprensa. Quando o noticiário diminuir, contudo, eles vão pensar de novo apenas nos seus bolsos – reclama Francesca Ribaudo, uma viúva de 38 anos.

O Produto Interno Bruto (PIB) da Itália diminuiu 9% desde 9,8%, o desemprego juvenil está em 43% – um dos mais elevados da Europa – e três recessões seguidas provocaram o fechamento de 80 mil empresas. Enquanto outros países também fortemente golpeados pela crise, como Irlanda, Espanha e Grécia, mostram alguns sinais de recuperação, a economia italiana não para de afundar.

As três confederações sindicais estão furiosas com o congelamento de salários e os planos do governo de flexibilizar as demissões nas empresas. Renzi rebate e diz que sua proposta de mudança na legislação trabalhista ajudará a atrair investimentos. Para a maior parte dos economistas, porém, as mudanças serão mínimas.

Renzi pertence ao Partido Democrático (PD), o maior da Itália. graças a uma centro-direita debilitada por divisões internas. Apesar do porte do partido, a Agência Demos, calcula que o índice de aprovação pessoal do primeiro-ministro está hoje em 52%, após uma queda de 10 pontos percentuais.

oglobo.globo.com | 23-11-2014

BRASÍLIA O Brasil é um dos países mais evoluídos em relação à tecnologia bancária, mas sofre com um problema inusitado: o atraso tecnológico dos Estados Unidos. É a relação com o maior mercado consumidor do mundo que mantém vivas as tarjas magnéticas dos cartões por aqui. Apesar de praticamente todas as máquinas brasileiras aceitarem cartões com chip, os bancos não podem abolir a tecnologia antiga. Sem a tarja, os brasileiros não poderiam gastar em solo americano, nem os turistas de lá deixarem os dólares aqui. Esse atraso dos EUA é alvo de uma ação internacional.

O Brasil apoiou a pressão europeia para que as operadoras determinassem a mudança de tecnologia nos EUA. O problema é gigantesco. Isso porque a rede de máquinas que recebe cartões americanos é enorme. E, nos Estados Unidos, há pequenos bancos que não aceitam mudar a tecnologia com facilidade.

Isso faz com que os cartões clonados no Brasil sejam usados em lojas americanas, pois lá não há chip e a senha não é exigida.

— Os cartões que são clonados aqui são usados pelas gangues em lojas ou em sites americanos porque lá é muito menos seguro que aqui — afirma uma fonte graduada do sistema bancário sob a condição de anonimato.

mais segurança

Enquanto a pressão dos demais países não dá resultado, resta aumentar a segurança interna. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), essa é uma das preocupações centrais das instituições financeiras. Por isso, os investimentos são vultosos: R$ 20,6 bilhões por ano em tecnologia da informação.

“Fortalecer a segurança é uma das prioridades dos bancos, porque tanto as instituições financeiras quanto os consumidores são vítimas dessa situação. O desafio dos bancos é desenvolver formas de identificação e autenticação que impossibilitem as fraudes sem dificultar o acesso aos serviços”, diz a instituição em nota.

Procurado, o Banco Central não se manifestou

oglobo.globo.com | 23-11-2014
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, apresenta na próxima semana, no Parlamento Europeu, as suas propostas para o pacote de investimentos públicos e privados de 300 mil milhões de euros, para os próximos três anos.
www.rtp.pt | 20-11-2014

MADRI — Um grupo de atrizes espanholas encontrou um modo inovador de protestar contra a tributação do governo sobre as artes cênicas: vender pornografia. A companhia teatral Primas de Riesgo está se registrando como distribuidora de pornografia depois de colocar as mãos em 300 números antigos da revista “Free People”.

O detalhe é que cada revista contém um ingresso gratuito para assistir à peça “El mágico prodigioso” neste mês no Nuevo Teatro Alcalá, em Madri, porque o imposto sobre as revistas é menos de um quinto daquele aplicado aos ingressos de um espetáculo teatral.

Os produtores do drama, escrito por Calderón de la Barca no século XVII, se juntam aos vencedores do Oscar Pedro Almodóvar e Javier Bardem, além de outros membros do mundo das artes na Espanha, em ataques ao governo por aumentar os impostos e cortar financiamento.

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, mais do que dobrou o tributo de vendas de entradas teatrais, que agora é de 21%, desde que assumiu o cargo em 2011. O valor se compara com o imposto de 4% sobre revistas, inclusive as pornográficas.

— Companhias independentes como a nossa sentem que estão numa camisa de força, sufocadas — disse Karina Garantiva, de 33 anos, diretora da Primas de Riesgo. — Se permitimos um imposto extremamente reduzido para a pornografia e um valor punitivo para Calderón, que é parte de nossa herança cultural, como Shakespeare para os ingleses, então estamos perdidos enquanto sociedade — completou Garantiva.

A companhia teatral fez uma parceria com uma banca em Madri para vender as revistas e distribuir os ingressos para a obra, cuja temporada começa no dia 25 de novembro.

ARTISTAS x ESTADO

O número de espectadores despencou 33% desde o começo da crise econômica em 2008, o que gerou entre atores e diretores a preocupação de que o patrimônio dramático da Espanha esteja ruindo. A arrecadação com os ingressos era de 8% até Rajoy cortar os gastos e aumentar os impostos para ganhar o apoio financeiro da União Europeia (UE) para o setor bancário.

O Ministério do Orçamento disse, por e-mail, que o aumento fiscal para o teatro foi necessário para equilibrar as contas públicas e a taxa reduzida para as revistas é permitida pela UE. O teatro está fazendo sua parte para tirar o país da crise, e muitas instituições culturais, como museus e bibliotecas, têm o benefício das taxas fiscais reduzidas, disse a o órgão do Estado, no dia 5 deste mês.

CORTE ORÇAMENTÁRIO

Rajoy prevê que a Espanha estreite o déficit orçamentário para 5,5% do PIB neste ano, em contraste com 10,3% em 2012. O governo reduzirá os impostos no próximo ano a fim de ganhar apoio para a eleição geral; as pesquisas de opinião indicam que o partido dele está mofando no terceiro lugar.

— O impacto do setor teatral sobre o déficit não é grande — disse José Carlos Díez, professor de Economia na Universidade de Alcalá. — Eles poderiam recuar a taxa quando quiserem, mas cometeram um erro ao aumentá-la e não querem admitir — explica ele.

A bilheteria nos teatros espanhóis caiu cerca de 14% desde 2008, e o número de apresentações despencou 26%, de acordo com a Sociedade Espanhola de Autores e Editores. A Espanha tem a segunda taxa mais alta de impostos sobre a venda de serviços culturais na Europa Ocidental, atrás da Dinamarca, que cobra 25%, conforme a Comissão Europeia. Portugal arrecada 13%, ao passo que a Itália cobra 10%.

PRÊMIO DE RISCO

Primas de Riesgo, que em espanhol significa tanto “prêmios de risco” quanto “primas de risco”, surgiu do mal-estar econômico do país há dois anos. De repente, os preços dos títulos dominavam os meios de comunicação espanhóis, e o país quase perdeu o acesso aos mercados financeiros.

— Todo mundo só falava do prêmio de risco — disse Garantiva, a diretora da companhia. — Estávamos num bar, cansados depois de um ensaio, e inventamos o nome. Naquela época, a gente estava começando. Provavelmente, era o pior momento para montar um projeto desses — conta ela.

As primeiras 300 pessoas que quiserem assistir à peça de Calderón vão pagar 16 euros (US$ 20) por uma revista pornográfica de 20 anos atrás. Depois, é possível que a companhia comece a produzir pornografia, mas o objetivo é que Rajoy volte atrás na decisão sobre o aumento das taxas.

— Não queremos nos tornar pornógrafos — disse Garantiva. — Essa é uma manifestação contra o governo.

oglobo.globo.com | 18-11-2014

A multiplicidade de nações adjacentes fez da Economia da Europa uma das mais complexas do planeta. Durante séculos a Europa foi o centro econômico do planeta. Entre as causas, podemos citar como a principal sua condição geográfica. A localização entre a África e a Ásia, fez da região europeia um ponto de passagem obrigatório, e facilitou de forma substancial a absorção e irradiação dos conhecimentos, tecnologia e comércio de ambos continentes. Esta condição perdurou até ao século XX. No século XX, a Europa viu seu predomínio declinar em relação aos Estados Unidos, o Japão e, na fase final, a China. A Primeira e Segunda guerra mundial, travadas em seu território, a carência de energia, de petróleo, além de uma intensa rivalidade entre seus povos, representaram para o continente a perda de sua liderança econômica. A Europa não tem auto-suficiência na produção de energia, exigindo a importação de muito petróleo. Este produto só é extraído em quantidades consideráveis na Rússia e no Mar do Norte. O gás natural, outro produto bastante usado na geração e produção de energia é muito abundante na Rússia, Romênia, Países Baixos e no Reino Unido. Outro recurso energético que teve grande importância nas fases iniciais da revolução industrial foi o carvão mineral, muito abundante, sobretudo na Alemanha, Polônia, Rússia, Reino Unido. Todas estas fontes energéticas são extremamente poluidoras e causam grandes impactos ambientais em todo o planeta. No caso da energia limpa, ou seja, não poluidora, podem ser citadas a energia hidráulica, energia eólica, e energia solar, de baixa produção e utilização da Europa, devido às suas condições geográficas. A produção de energia nuclear na Europa é muito importante, e, a exemplo dos Estados Unidos, gera imensas quantidades de lixo atômico, cujo fim, desde o início de sua utilização, é muito nebuloso e nunca divulgado na mídia mundial.


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