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Bélgica Economia

Quem tem histórico de pouca permanência nas empresas por onde passou é quase sempre descartado dos processos de seleção, revela pesquisa - Divulgação

RIO — Ficar pulando de emprego em emprego, o que poderia ser um indício de que as empresas estão brigando por aquele profissional, na verdade tende a não favorecer sua carreira. Os funcionários com histórico de pouca permanência nas empresas por onde passaram são quase sempre descartados dos processos de seleção, segundo 95% dos CFOs brasileiros. Os dados fazem parte de um levantamento da consultoria Robert Half e mostram que, para 20% dos entrevistados, cinco trocas de emprego em dez anos já são suficientes para taxar um candidato de instável. Outros 18% consideram sete um número alto de mudanças durante uma década, e 15% apontam ser preocupante dez transições, no mesmo período. Para 15%, três movimentações nesse intervalo de tempo já merecem atenção.

Para Sócrates Melo, diretor da Robert Half, o profissional valorizado no mercado de trabalho é aquele capaz de completar ciclos de projetos e aprendizados.

— A contratação é um investimento da empresa no colaborador. Se ele não permanece tempo suficiente para atuar nos projetos do início até o momento de colher os resultados, torna-se difícil compreender sua capacidade de entrega e seu valor para a organização — explica, acrescentando que é claro que há casos e razões plausíveis para curtas permanências. — Mas o profissional pode ser classificado como instável caso as mudanças sigam um padrão e não tenham justificativas claras.

Sócio-fundador e psicólogo da Top Quality, Carlos Eduardo Pereira Porque ressalta que, ficando pouco tempo, o profissional não tem como absorver de maneira satisfatória a cultura da organização, não podendo identificar os atalhos e pormenores da empresa. Além disso, não terá tantas chances de vivenciar as situações específicas daquela função e, consequentemente, terá menos chance de verificar o andamento do mercado, do papel do seu cargo numa empresa, do impacto destes nos objetivos da companhia e desta no mercado de trabalho.

— E estes pontos são ruins tanto na busca dos objetivos da empresa, quanto na formação do profissional. Nos dias de hoje, após a primeira insatisfação, as pessoas tendem a sentir a necessidade de mudar de emprego, prejudicando principalmente a si próprio, pois não experimenta ao menos um ciclo fechado, que costuma durar ao menos um ano.

Segundo a sócia-fundadora da MSA Recursos Humanos, Miriam Sion Adissi, a instalibilidade pode não ser prejudicial para o contratado e para o contratante, quando as expectativas não estão atingindo os resultados esperados:

— Persistir em algo que não está dando certo afeta a produtividade, a motivação e os resultados. No entanto, deve-se aguardar um tempo para essas conclusões, ou seja, a permanência de um profissional de média gerência deve ser acima de três anos e, no caso de alta gerência e diretoria, acima de cinco anos. Menos que esse tempo não podemos afirmar que a relação é prejudicial, mas há casos para ser considerado como mudanças de gestão, falta de investimentos ou crises internas, que podem vir a acelerar desligamentos antes desse prazo médio.

O estudo da Robert Half considerou a opinião de 1.185 CFOs de Austrália, Bélgica, Brasil, Chile, França, Hong Kong, Singapura, Reino Unido e Japão. Na média mundial, cinco mudanças de emprego do candidato em um período de dez anos também colocam o recrutador em estado de atenção.

Com o objetivo de barrar a rotatividade, os CFOs brasileiros têm utilizado como principal estratégia de retenção o aumento da remuneração, de acordo com 60% dos entrevistados, seguida por melhorias e benefícios flexíveis (54%), treinamento e desenvolvimento profissional (49%), plano de carreira (35%), flexibilidade de horário e local de trabalho (26%) e contraproposta (24%). Na média mundial, melhorias e benefícios flexíveis estão no topo da lista do plano de retenção, segundo a percepção de 52% dos entrevistados. 

Miriam ressalta que, cada vez mais, na atual conjuntura no mundo corporativo, não somente a empresa seleciona o profissional, mas o mesmo também avalia se a oferta está compatível com suas expectativas de carreira, principalmente.

— Quanto mais houver uma ampla análise de ambos (contratante e contratado), mais chances de dar certo. Hoje, é comum em nossas entrevistas o profissional questionar bastante sobre o nosso cliente que está demandando a posição, focando se os valores da organização estão condizentes com os seus, para que haja um maior e melhor gerenciamento dos riscos para ambas as partes.

Pereira, por sua vez, diz entender que existem situações específicas, que realmente demandam que a pessoa busque um outro emprego, mas é necessário ter a consciência de que​ um bom emprego dificilmente se consegue numa entrevista.

— As empresas costumam valorizar seu capital humano. Assim, ao receber uma oportunidade, reflita sobre o pacote completo (benefícios, clima organizacional, estrutura e posição da empresa no mercado, plano de carreira, entre outros) e não apenas em situações a curto prazo, como o salário — enfatiza, sugerindo que o profissional busque analisar sua carreira a longo prazo, já que as escolhas de hoje refletirão no seu futuro profissional. — Nem sempre um salário melhor corresponde a um emprego melhor.

oglobo.globo.com | 04-11-2014
O italiano Monte dei Paschi teve o pior resultado na avaliação, com um déficit de € 2,1 bilhões - ALESSIA PIERDOMENICO / BLOOMBERG / 8-1-2014

FRANKFURT e WASHINGTON - Vinte e cinco dos 130 maiores bancos da zona do euro não passaram em um importante teste de estresse e encerraram o ano passado com um déficit de capital coletivo de € 25 bilhões, afirmou o Banco Central Europeu (BCE) neste domingo. Uma dúzia desses bancos já se movimentou para cobrir esse buraco, levantando € 15 bilhões ao longo deste ano.

O setor financeiro da Itália enfrenta o maior desafio com nove de seus bancos não tendo passado no teste, de acordo com a Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla em inglês), que coordenou o quarto teste de estresse da União Europeia com o BCE. O Monte dei Paschi teve a maior diferença de capital para preencher, de € 2,1 bilhões, mesmo depois de seus esforços para levantar recursos até agora.

A EBA disse que três bancos gregos, três cipriotas, dois da Bélgica, dois da Eslovênia, e um, cada, da França, Alemanha, Áustria, Irlanda e Portugal também tinham sido reprovados no teste, tendo como referência o final do ano passado.

O BCE passou o último ano revisando os principais ativos dos bancos e submetendo-os a rigorosos testes de estresse, em exercício para sanar eventuais problemas antes do início da supervisão do setor a partir de 4 de novembro.

A marca exigida pelo BCE era de que os bancos tivessem um índice de capital de alta qualidade de pelo menos 8% de seus ativos ponderados pelo risco da situação econômica mais provável para os próximos três anos, e índice de capital de pelo menos 5,5% em um cenário mais pessimista. Os bancos com um déficit de capital terão de dizer, dentro de duas semanas, como pretendem resolver esse diferença em um prazo de nove meses.

CONFLITOS ECONÔMICOS

A EBA exigiu que 123 credores de toda a UE se submetessem a choques teóricos, como uma recessão de três anos, e disse que 24 não passaram no total. O teste do BCE incluiu um número maior de instituições na zona do euro, uma vez que também incluiu filiais de grandes bancos.

O BCE tem apostado sua reputação no fornecimento de uma avaliação independente dos bancos da zona do euro, em uma tentativa de começar um novo capítulo após anos de conflitos econômicos e financeiros no bloco. Ainda assim, não há certeza de que o crédito bancário será impulsionado como deseja o BCE, dando vida a uma moribunda economia da zona euro.

– Pensar que os empréstimos podem de alguma forma conduzir o PIB (Produto Interno Bruto) é uma ilusão, e eu não sei como isso, de alguma forma, penetrou o debate político – disse o economista-chefe global da Unicredit, Erik Nielsen.

Escrutinando os balanços dos bancos, o BCE disse que, até o fim do ano passado, os valores contábeis das instituições precisavam ser ajustados em € 48 bilhões e que os empréstimos duvidosos aumentaram em € 136 bilhões, para € 879 bilhões.

Gerry Rice, diretor do Departamento de Comunicações do Fundo Monetário Internacional (FMI), elogiou, por meio de nota, a conclusão do teste de estresse:

“O exercício usou um modelo comum para verificar as necessidades de captial dos bancos e marca o progresso substancial que foi alcançado rumo à união bancária. O alto nível de transparência e comparabilidade dos resultados vai permitir aos participantes do mercado a realizarem suas próprias avaliações acerca da saúde dos bancos, o que deve fortalecer a confiança. No conjunto, o exercício provê uma base importante para novo fortalecimento dos balanços dos bancos, lidando com instituições frágeis e financiamento adicional para apoiar a recuperação”, escreveu Rice. “Concordamos com o BCE que isto é um primeiro passo importante e apoiamos sua determinação em repetir o exercício anualmente, melhorando constantemente o processo.”

oglobo.globo.com | 26-10-2014
Fachada da Gare du Nord, onde rua é tomada por um tráfego intenso de carros - Reprodução / Google Street View

PARIS — Em uma tarde recente na estação de trem Gare du Nord, em Paris, um homem inclina-se contra um poste, com uma garrafa de vinho vazia aos seus pés, e vomita sobre um estacionamento público de bicicletas.

Pessoas que frequentam o espaço passam apressadas, evitando olhar para ele, enquanto os visitantes observam com horror.

Ocorrências diárias como esta na estação de trem mais movimentada da Europa, onde o Eurostar traz milhões de passageiros de Londres, fez com que a Gare du Nord ganhasse o rótulo de"fosso da miséria" de um empresário britânico este mês. O papel da estação de porta de entrada para a França foi transformado em símbolo do declínio da nação, para Andy Street, diretor da John Lewis Partnership Managing, que disse que o país está "acabado".

- Nada funciona e, pior, ninguém se importa - disse ele, comparando a Gare du Nord com a "moderna, voltada para o futuro" St Pancras International, a estação do Eurostar em Londres.

Enquanto Street acabou, mais tarde, pedindo desculpas por ter ido "longe demais", suas palavras atingiram um ponto nervoso na França, onde a popularidade do presidente François Hollande vem derretendo, ao passo que o país luta para salvar seu modelo de benefícios sociais tão elogiado em meio a um desemprego quase recorde, um déficit orçamentário crescente e o crescimento estagnado.

- Os símbolos e as imagens contam - disse o primeiro-ministro Manuel Valls, durante uma visita a Londres, logo após os comentários de Street, prometendo que está nos planos uma modernização para a estação que recebe 200 milhões de passageiros por ano, cinco vezes mais que os 36 milhões de St Pancras.

Como o símbolo improvável que se tornou, para as pessoas que passam por ali ou têm a Gare du Nord como ponto de partida, a estação de 150 anos incorpora o pior e o melhor da França.

Passageiros - mochileiros, famílias em férias, empresários e "eurocratas" - que se dirigem para ou a partir de Grã-Bretanha, Alemanha e Bélgica se misturam na estação com os fluxos de Paris e outras regiões francesas, principalmente de integrantes da classe trabalhadora vinda dos subúrbios, uma das mais afetadas pelos piores distúrbios do país, que atraíram a atenção do mundo em 2005.

A estação de onde partem vários trens famosos e de alta velocidade também é um ímã para pessoas sem abrigo, dependentes químicos e imigrantes ilegais, muitos dos quais vivem em bairros próximos.

- Para eles, é mais seguro, mais limpo, mais quente e há banheiros e lugares acessíveis para comer e, para alguns, também mendigar ou 'pegar' nos bolsos - disse Lotfi Ouanezar, do FNARS, um grupo de associações bancadas pelo serviço ferroviário nacional SNCF para ajudar as pessoas desabrigadas.

Com o estado lastimável da economia na França, que quase não tem crescido nos últimos dois anos e deixou 3,4 milhões de pessoas sem trabalho, o número de pessoas sem abrigo tem aumentado na última década, disse Ouanezar.

Pela lei francesa, qualquer um pode ficar em espaços públicos - incluindo estações - desde que não cometa um delito. Às 7h, é comum encontrar pessoas caídas em bancos da estação com a cabeça coberta, enquanto passageiros se movem rapidamente, conforme cada anúncio do número da plataforma.

- A Gare du Nord reflete a diversidade das populações reunidas - disse o chefe da estação Jeremie Zeguerman, em entrevista por telefone. - A situação não é perfeita e estamos procurando soluções para melhorá-la, mas, no geral, é algo que nos deixa muito orgulhosos.

Mesmo o homem passando mal no estacionamento de bicicletas da estação se sente em casa. Segurando uma mochila aberta com sacos plásticos saindo dela, ele cambaleia até sentar-se numa mesa, no terraço do café Terminus Nord.

Ele cai no sono antes que possa fazer qualquer pedido à garçonete.

- Não é um problema - diz Sylvain Le Monnier, vice-diretor da brasserie, que serve comida o dia todo. - Apenas os pedimos para sair. Pessoas estão constantemente indo e vindo, assim nunca faltam mesas.

Inaugurado na década de 1860 como Gare du Nord, St Pancras, em Londres, sempre foi mais espaçosa que a sua correspondente francesa. E sete anos após uma modernização que custou US$ 1,28 bilhões, St Pancras deixou Gare du Nord ainda mais para trás.

Um quarto dos visitantes que frequentam a estrutura de tijolos vermelhos no norte de Londres não tem um trem para pegar. Eles estão em busca das vitrines de boutiques e restaurantes, incluindo o bar de champanhe e uísque Searcys.

A reforma tem ajudado a transformar o antigo distrito em torno da estação, atraindo empresas como o Google e o restaurante Grain Store, do chef francês Bruno Loubet.

Em contraste, 50 metros separam os trilhos da Gare du Nord da rua. O tráfego é caótico, enquanto uma avenida destinada a ligá-la à Rue de Rivoli, no centro de Paris, perto do Rio Sena, nunca foi construída.

Historiador das linhas férreas francesas, Clive Lamming diz que George-Eugène Haussmann, que remodelou a capital francesa durante os anos 1800 - dando-lhe as amplas avenidas que têm hoje - pode ter vetado o plano, depois de descobrir uma ligação entre sua esposa e o arquiteto da do Gare du Nord, Jacques-Ignace Hittorff.

O Serviço Nacional Ferroviário diz que está investindo US$ 64 milhões para melhorar a estação. Quando as reformas forem concluídas, em 2018, o prédio incluirá um centro de negócios e um bistrô gerido por um renomado chef.

O trabalho pesado começou apenas depois de meses de uma lavagem da poeira e dos excrementos de pombos. Coletores de sujeira com espetos anti-pombos foram removidos e falcões são liberados à noite, duas vezes por mês, para espantar as aves.

Ao contrário de St Pancras, que foi parcialmente fechada durante os sete anos de sua renovação, as reformas Gare du Nord acontecem em meio à agenda lotada da estação, que interrompe os serviços apenas três horas por noite.

A partir deste mês, uma melhoria da iluminação vai mostrar a fachada neoclássica feita a pedido do primeiro proprietário da estação, barão James Mayer de Rothschild. O barão da Compagnie des Chemins de fer du Nord transferiu a estação para o SNCF em 1937.

Enquanto a iluminação melhorada e a nova camada de tinta podem dar à Gare du Nord um novo aspecto que se faz muito necessário desde sua última reforma em 2001, consertar o perecptível declínio da França pode ser mais difícil.

Com os franceses convencidos de que o desmoronamento da popularidade de Hollande decorre de sua incapacidade de fazer o suficiente para colocar a casa em ordem, seu recém-nomeado ministro da Economia, Emmanuel Macron, prometeu resultados dentro de dois ou três anos.

- Estamos pagando o preço de uma década perdida - disse ele no mês passado.

oglobo.globo.com | 25-10-2014
. - SXC.hu

SÃO PAULO - A Cnova, que reúne as atividades de comércio eletrônico do Grupo Pão de Açúcar (GPA) e de seu controlador francês Casino, anunciou nesta quinta-feira o lançamento do site da Cdiscount no Brasil, passando a também operar no país com a bandeira on-line que utiliza em países como França e Colômbia.

Segundo o diretor-executivo de marketing da Cnova, Vicente Rezende, o site nasce como um outlet, focado mais em preços competitivos do que na oferta de um grande sortimento. Ao contrário de alguns endereços de descontos na internet, o Cdiscount.com.br não exigirá cadastro prévio, nem tampouco adotará um modelo de clube de compras, completou o executivo.

"Produtos vão deixar de ser vendidos aqui se não atenderem a essa proposta de preço", afirmou Rezende em coletiva de imprensa, acrescentando que o site "está totalmente integrado com os processos da Cnova", inclusive compartilhando centros de distribuição.

"Vimos que existia no mercado brasileiro uma lacuna clara para esse tipo de negócio", disse Rezende. Questionado sobre a possibilidade de "canibalização" das vendas, ele afirmou que a companhia está acostumada a trabalhar com diversos sites no país.

Além dos endereços eletrônicos do Extra, Casas Bahia e Pontofrio, a Cnova Brasil (antiga Nova Pontocom) também opera a agência de viagens on-line Partiu Viagens, o eHub, de soluções para vendas na web, e o Barateiro, que vende produtos devolvidos sem utilização pelos consumidores ou revisados pelos fabricantes após problemas como arranhões e amassados.

COMÉRCIO ELETRÔNICO FRANCÊS E BRASILEIRO

A Cnova, fruto da combinação desses negócios no Brasil com os endereços on-line da Cdiscount, do Casino, disse em comunicado que o lançamento do seu novo site evidencia as sinergias entre as operações de comércio eletrônico francesas e brasileiras do grupo.

O novo site da Cdiscount ficará a cargo da Cnova Brasil, enquanto a Cdiscount continuará operando os endereços de mesmo nome na França, Colômbia, Equador, Tailândia e Vietnã, além de Costa do Marfim, Senegal e Bélgica.

Em junho, a Cnova pediu registro na Securities and Exchange Commission (SEC), reguladora do mercado norte-americano de capitais, para listagem em bolsa nos Estados Unidos. Por estar em período de silêncio, a companhia não detalhou os investimentos feitos para o site brasileiro da Cdiscount.

O endereço já possui uma variedade de 50 mil itens, incluindo lojas parceiras em sua plataforma de marketplace, que vende itens de terceiros. De acordo com o diretor-executivo de marketing da Cnova, os lojistas que integram o marketplace também se adequam à proposta de preço baixo do site.

O outro marketplace da Cnova Brasil funciona no site do Extra, que conta com uma oferta de cerca de 500 mil produtos atualmente, segundo o executivo.

No terceiro trimestre, o faturamento líquido da Cnova subiu 22,8% sobre o ano anterior, a 842 milhões de euros (cerca de R$ 2,66 bilhões), impulsionado pelas operações brasileiras.

Enquanto a Cnova Brasil teve alta de 30,8% na receita líquida, a R$ 1,38 bilhão, a Cdiscount viu avanço de 14,2% na mesma linha, a 384,2 milhões de euros (R$ 1,2 bilhão).

oglobo.globo.com | 23-10-2014
Bélgica, Espanha e Itália são três países que vêm registrando variações negativas de preços - Suzanne Plunkett / Bloomberg News/18-12-2007

BRUXELAS - A nova queda da inflação na zona do euro registrada em setembro gera temores de uma espiral deflacionária e reforça a pressão para que o Banco Central Europeu (BCE) atue. Segundo a primeira estimativa da agência europeia de estatísticas Eurostat, divulgada nesta terça-feira, a inflação de setembro foi de 0,3%, o que representa o nível mais baixo desde outubro de 2009 e um décimo a menos do que em agosto. Há um ano a inflação foi de 1%, de acordo com a Eurostat.

A ameaça de uma espiral deflacionária está mais presente do que nunca. O índice de preços de agosto já levou o BCE a atuar no início do mês. Com esse índice historicamente baixo, a autoridade monetária reduziu sua principal taxa de juros para 0,05% e lançou um plano de compra de dívida privada para apoiar o mercado de crédito. À época, a medida foi saudada pela diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, no sentido de "enfrentar os perigos existentes em um período prolongado de baixa inflação".

A deflação (queda dos preços) é um fenômeno nocivo para o dinamismo da economia, porque prorroga as decisões de compra, com a expectativa de que os preços continuem baixando, e, com isso, desestimula os investimentos e o consumo, gerando um círculo vicioso de mais deflação.

A zona do euro, em seu conjunto, ainda não passa por essa situação, mas alguns de seus membros já estão sendo afetados. Na Bélgica, por exemplo, a inflação passou para o campo negativo em setembro (-0,12%), pela primeira vez desde novembro de 2009, no auge da crise financeira. Na Espanha, os preços caíram pelo terceiro mês consecutivo e marcaram -0,3% em um ano. Na Itália, a inflação caiu 0,1% em um ano, como no mês anterior, quando registrou essa situação inédita desde 1959.

A publicação dos dados da Eurostat não chega a ser uma surpresa, pois os analistas já haviam diagnosticado a desaceleração da inflação após a divulgação dos números da zona do euro.

— Este é um duro golpe naqueles que acreditavam que a inflação baixa era apenas um fenômeno temporário — disse Jennifer McKeown, analista da Capital Economics. — Os dados apresentados nesta terça-feira deixam claro que a deflação continua sendo uma ameaça séria.

O conselho de governadores do BCE — instituição que tem entre suas atribuições a de manter uma evolução de preços perto dos 2% — se reúne na quinta-feira. O presidente do BCE, Mario Draghi, já adiantou, contudo, que na reunião a instituição a se limitará a detalhar as novas injeções de liquidez no circuito monetário.

DESEMPREGO SE MANTÉM ESTÁVEL

Os analistas, porém, esperam que Draghi recorra a “instrumentos não convencionais adicionais”, como a compra massiva de dívida soberana, no final do ano e no início de 2015. Esse dado, somado ao da confiança econômica que voltou a cair em setembro, e um crescimento estagnado no segundo trimestre, não ajudam no cenário da economia da zona do euro.

Há ainda os dados de desemprego publicados nesta terça-feira pela Eurostat. O desemprego se manteve estável em 11,5% em agosto na região, segundo a Eurostat.

— A taxa de desemprego não é muito mais baixa do que o recorde de um ano atrás, de 12% — lembrou McKeown.

Para Howard Archer, da IHS Golbal Insight, a interpretação dos dados é contrastante. Por um lado, a inflação baixa e a queda do desemprego é uma boa notícia para os consumidores, já que aumenta seu poder aquisitivo, mas, por outro, a inflação em queda é uma notícia ruim para o BCE, devido ao perigo de deflação.

Para Archer, o BCE será “reticente” na execução de um programa de compra de dívida, algo que pode fazer "apenas se a zona do euro voltar à recessão e se a inflação continuar baixa".

oglobo.globo.com | 30-09-2014
Refinaria Abreu e Lima custou US$ 20,1 bilhões, 9 vezes mais do que o previsto - Parceiro / Heudes Regis/JC Imagem/5-9-2014

RIO — A primavera de 2010 começou promissora para os negócios no segundo andar do 778 da rua Renato Paes de Barros, bairro do Itaim, zona sul de São Paulo. Depois do almoço de terça-feira 21 de setembro, a caixa postal de paulogoia58@hotmail.com recebeu mensagem confirmando quatro remessas para contas no exterior. Somavam US$ 2,7 milhões. O e-mail era assinado por Ann Smith, que anunciava em tom cordial: "Amanhã vou te visitar, abs".

Nada mal para um ex-presidiário. Aos 43 anos, Alberto Youssef estava cada dia mais distante da vida pobre em Londrina (PR). Filho de imigrante libanês e brasileira, construiu com habilidade no mercado de câmbio paralelo um acesso ao lucrativo submundo de negócios de empresários e políticos. No final dos anos 90 fora flagrado em traficâncias de recursos do banco estatal do Paraná (Banestado) para campanhas eleitorais. Amargou meses na cadeia, fez um acordo de delação premiada e saiu da prisão em 2003.

Fora das grades se associou ao deputado federal José Mohamed Janene, de Londrina, líder da bancada do PP na Câmara. Janene personificava promessa de lucros com imunidade — administrava o caixa 2 do partido, na época recheado por US$ 2 milhões repassados pelo operador do mensalão, Marcos Valério.

Além disso, integrava o condomínio de líderes partidários que partilhava o controle das áreas-chave das empresas estatais no governo Lula. Seu patrocínio, por exemplo, foi decisivo para Lula promover o então gerente Paulo Roberto Costa à diretoria de Abastecimento da Petrobras, com poder de influenciar contratos da estatal no aluguel de navios e plataformas marítimas, na manutenção de gasodutos e na construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A refinaria deve ser inaugurada em novembro, ao custo de US$ 20,1 bilhões, nove vezes mais que o previsto.

Janene, cardiopata, morreu indiciado no processo do mensalão, antes da sentença. Quando foi enterrado no Cemitério Islâmico de Londrina, na terça-feira 14 de setembro de 2010, seus negócios com Costa e Youssef já estavam fracionados entre caciques do PP, do PT e do PMDB.

Todos enriqueciam rapidamente. Youssef até planejou a compra simultânea de um avião e de uma mansão em São Paulo. Numa de suas caixas postais (paulogoia58@hotmail.com) encontraram-se evidências de negociações para a aquisição de um Lear Jet, por U$ 6,9 milhões, e de uma cobertura de 405 metros quadrados em Vila Nova Conceição, valorizado bairro paulistano.

A dimensão de seus negócios surpreendeu peritos e promotores federais. Ele fez transferências ilegais de US$ 444,6 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) do Brasil para contas em instituições financeiras de 24 países (China, Hong Kong, EUA, Coreia, Malásia, Nova Zelândia, Formosa/Taiwan, Reino Unido, Costa Rica, Cingapura, Bélgica, Holanda, Índia, Uruguai, Itália, Ucrânia, Liechtenstein, Costa Rica, Suíça, Espanha, Alemanha, Panamá, Paraguai e Canadá). Para comparação, esse valor é equivalente ao custo do novo Maracanã.

O dinheiro saiu do país sob o disfarce de contratos de comércio exterior. Foram 3.649 operações fictícias, realizadas por seis das suas empresas de fachada — três de informática e três de química. E, segundo a Justiça Federal, isso foi apenas parte do movimento de propinas pagas no circuito de fornecedores de bens e serviços da Petrobras.

Durou cerca de 50 meses, de 2008 até março passado quando Youssef, Paulo Roberto Costa e mais duas dezenas de colaboradores foram presos.

CONTRATOS FORJADOS

A engrenagem funcionava assim: ao receber um pedido para transferência para uma conta específica em Toronto, no Canadá, Youssef forjava um contrato de importação ("Câmbio Simplificado") entre duas das suas empresas — uma no Brasil (Labogen Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia) e outra registrada em Hong Kong (RFY Ltd). O cliente pagava em reais. Os dólares saíam da Labogen e chegavam à RFY, em Hong Kong. Na sequência, faziam escala em outras empresas, em outros países, até aportar na conta do beneficiário, indicada pelo pagador no Brasil.

As bases do negócio eram discrição e confiança. Sabia-se, por exemplo, que a Indústria Labogen S.A. estava inativa há mais de duas décadas. Desde 2010 seu endereço no interior paulista (Rua Frederico Magnusson, 247, Distrito Industrial, Indaiatuba-SP) passou a abrigar duas Labogen — uma de Química Fina e Biotecnologia e outra de Comércio de Medicamentos. E ambas contavam com uma única funcionária, a faxineira.

Juntas, essas empresas transferiram US$ 113,3 milhões, por meio de 1.945 operações baseadas em contratos fraudulentos. O comerciante paulista Pedro Argese Júnior, de 53 anos, assinava como presidente das Labogen, mediante 0,5% de comissão sobre as remessas. Em juízo, confirmou as fraudes.

No final do ano passado, o governo federal deu às Labogen um contrato de US$ 60 milhões. Forneceriam citrato de sildenafila, usado em tratamentos de impotência sexual e hipertensão arterial pulmonar. A negociação teria sido mediada pelo deputado André Vargas (PT-PR), amigo de Youssef. Ele nega. A cerimônia de assinatura do convênio foi solene, com a participação do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, candidato ao governo de São Paulo pelo PT. Três meses depois, Youssef foi preso e o compromisso anulado.

Enquanto esteve solto, ele administrou mais de cinco dezenas de empresas de fachada a partir de uma sala nos fundos do seu escritório no bairro do Itaim, em São Paulo. Com entrada independente, era frequentada semanalmente por parlamentares federais — testemunharam no tribunal sua contadora e seu advogado. Ali ficava a GFD Investimentos, nave-mãe do conglomerado de papel.

EMPRESA ENERGIA EÓLICA

Raros foram os negócios reais de Youssef. E esses poucos também acabaram transformados em papel. Foi o caso das empresas de energia eólica. Nasceram em 2008 por iniciativa do ex-deputado José Janene, que decidiu criar a CTSul sob controle de duas empresas de prateleira, CSA Project e Focus Participações.

No mesmo ano surgiu a Energio, em Fortaleza, controlada pela Focus e capitaneada por Rubens de Andrade Filho, colaborador de Janene e Youssef. No final de 2009, a Energio tinha oito subsidiárias e um único ativo: um contrato de venda de energia (481.800 Megawatts/hora) para a estatal mineira Cemig.

Quando completou dois anos de existência, a Energio acumulava três dezenas de subsidiárias e coligadas, além de um prejuízo operacional de US$ 2 milhões — em parte decorrente de um empréstimo de US$ 30 milhões. Em janeiro de 2012 todas as eólicas já estavam vendidas para um dos principais clientes de Youssef, a empreiteira Queiroz Galvão.

oglobo.globo.com | 21-09-2014

RIO - Com 45% de sua produção concentrados nas mãos de quatro grupos — AB-Inbev, SABMiller, Heineken e Carlsberg — o mercado cervejeiro global está diante de uma possível nova megafusão. Resta saber quem serão os parceiros de copo. Segundo fontes do “Wall Street Journal”, a belga-brasileira AB-Inbev está negociando com bancos o financiamento para o que poderá se tornar um acordo de US$ 122 bilhões para comprar a Miller, o maior já visto no setor cervejeiro e o terceiro maior de todos os tempos — atrás apenas da aquisição da Time Warner pela AOL (por US$ 186 bilhões), e da compra da Mannesmann pela Vodafone (US$ 185 bilhões).

Analistas afirmam que a Miller tentou se defender de uma possível oferta da AB-Inbev ao fazer uma proposta pela holandesa Heineken, que rejeitou a negociação, preferindo manter-se como a única das quatro gigantes ainda controlada pela família de fundadores.

Cervejarias globais estão numa corrida para dominar mercados emergentes, como África e China, onde a crescente classe média tem dinheiro para gastar em marcas premium de cerveja. Mas os conglomerados têm poucas opções de expansão, e a Miller estaria no centro dos planos de consolidação de sua principal rival. Desde 2008, as fusões e aquisições no setor cervejeiro totalizaram US$ 90 bilhões. Somente no ano passado, porém, elas perderam fôlego e somaram US$ 5,5 bilhões, segundo a Bloomberg Intelligence. As vendas globais de US$ 651 bilhões do setor cresceram apenas 1,3% anualmente desde 2004. Caso se concretize a negociação entre AB-Inbev e Miller, a empresa resultante deteria quase um terço da oferta mundial de cerveja, mas analistas não veem obstáculos intransponíveis por parte dos órgãos reguladores.

Instalada na Bélgica, a AB-InBev é a maior empresa do setor do mundo (20,2% do mercado, segundo o grupo Barth Haas), e está avaliada em US$ 142 bilhões. Criada a partir da compra da Ambev pela belga Interbrew, e depois da Anheuser-Busch, ela domina o mercado americano, com alguns dos rótulos mais famosos dos EUA, como Budweiser e Bud Light. No Brasil, tem a maior fatia do mercado, com Antarctica, Brahama, Bohemia e Skol. Na Europa, seu principal rótulo é Stella Artois. Sediada em Londres, a Miller é a segunda colocada no ranking do setor, com 9,5% e valor de mercado superior a US$ 90 bilhões. Suas principais cervejas são Miller Genuine Draft, Miller Lite, Blue Moon e Peroni.

Com a notícia sobre a intenção de compra, as ações da AB-Inbev subiram 2,4% em Bruxelas e as da Miller, quase 10% na Bolsa de Londres. No Brasil, as ações ordinárias da Ambev avançaram 3,74%.

As especulações no mercado sobre a compra da Miller pela AB-Inbev começaram em 2011. Na época, porém, a empresa anglo-sul-africana foi “salva” pela aquisição da australiana Foster’s, por US$ 10,5 bilhões em dinheiro e o pagamento de um dividendo extraordinário. Além de poder fazer uma improvável nova oferta pela Heineken (que também pode ser alvo da AB-Inbev), a Miller tem ainda a opção de tentar comprar a canadense Molson Coors, com a qual já tem uma joint-venture para produção da Blue Moon, fenômeno de vendas nos EUA.

“A rejeição tão pública da oferta da SABMiller deixa a Inbev numa posição ainda mais fortalecida, se ela optar por avançar sobre a Miller”, escreveu o analista Eddy Hargreaves, da Canaccord Genuity.

A maioria dos especialistas ouvidos pelo GLOBO avalia que se a AB-Inbev comprar a Miller, não haveria interferência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), já que a Miller não tem fábricas no Brasil. Entre 1996 e 2007, o principal rótulo da marca chegou a ser produzido no Brasil por meio de uma joint-venture com a Brahma, e desde 2011 voltou ao mercado brasileiro pelas mãos de uma importadora gaúcha.

— Como não há produção aqui, não se pode falar que está havendo concentração de mercado, e sim o reforço do poder da marca — afirma Gilberto Braga, professor do Ibmec/RJ.

Para Adalberto Viviani, consultor da Concept, a AB-Inbev se beneficiaria da negociação porque poderia transformar a Budweiser em uma marca efetivamente global.

— Não existe ainda a “Coca-Cola das cervejas” — observa.

O grande desafio apontado por analistas é a aprovação da operação por órgãos de defesa da concorrência nos diferentes mercados em que atuam. A nova empresa que seria formada assumiria uma posição monopolista mundial, com sobreposição das operações das duas cervejarias em diversos países.

— A batalha pela compra é mais simples que a aprovação da compra — diz Agnaldo Santos Pereira, professor da FGV.

Uma eventual fusão das duas cervejarias, para os especialistas não teria impacto nos preços ao consumidor no Brasil. Para André Leite, sócio-gestor da TAG investimentos, no mercado mundial poderia haver alta, em tese, devido à concentração do mercado, da qual o Brasil estaria livre. Para Viviani, da Concept, não há espaço para aumento de preços porque as companhias não têm elasticidade para ampliar margens:

— Se os preços subirem, as vendas caem.

* Com agências internacionais

oglobo.globo.com | 16-09-2014

STEENOKKERZEEL (Bélgica) - Para Kurt Ryon, prefeito de Steenokkerzeel, um vilarejo a 16 quilômetros no Nordeste de Bruxelas, assistir a campanha da independência da Escócia na reta final antes do referendo, é como assistir a um bom jogo de futebol.

— Eles estavam perdendo no primeiro tempo e na metade do segundo — diz Ryon acrescentando. — Mas agora eles estão no 85º minutos e podem ganhar.

Ryon, um nativo flamengo que deseja que a sua região, os Flanders, se separe da Bélgica, está torcendo para que a Escócia faça o mesmo com o Reino Unido. E como qualquer fanático por futebol, ele tem até camiseta da pró-independência da Escócia, uma coleção de broches com o "sim" na sua jaqueta jeans, e grandes quantidades de uma cerveja especialmente fabricada por nacionalistas flamengos para expressar sua solidariedade. O rótulo diz: "Ja" ao lado de uma bandeira escocesa, flamengos para o sim.

Da Catalunha ao Curdistão, passando por Quebec, movimentos nacionalistas e separatistas na Europa observam o referendo de independência da Escócia de perto, as vezes mais dos que os próprios britânicos, que parecem ter acordado só agora para a possibilidade da Escócia votar na próxima quinta-feira e por fim a 307 anos de união.

No país Basco, uma comunidade autônoma no Norte da Espanha, o líder do partido nacionalista ficou conhecido por usar kilt (vestimenta típica dos homens escoceses) e brincar que os bascos preferiam ser parte de uma Escócia independente do que continuar a fazer parte da Espanha, que descartou a possibilidade de qualquer tipo de votação. Em Veneto, uma região do Norte da Itália, os nacionalistas realizaram um referendo on-line nos moldes do escocês, e agora afirmam que nove em cada 10 habitantes querem a autonomia.

Catalães, corsos, bretões e “finlandeses - suecos“, estão indo para a Escócia para acompanhar a votação. Até a Bavária (que se autodenomina a 7ª maior economia da Europa) está mandando uma delegação.

— Isso pode criar um precedente importante — diz Naif Bezwan da Mardin Artuklu Universidade no Curdistão da Turquia. Do outro lado da fronteira com o Iraque ("a fronteira curda-curda", como Mr. Bezwan se refere), uma confluência de guerra, disputas de petróleo e turbulência política renovou o debate sobre a secessão.

— Todos aqui estão de olho — diz Hemin Lihony, gerente de web da Rudaw, a maior empresa de mídia curda, baseada em Erbil, no Iraque.

DIVÓRCIO CONSENSUAL ENTRE NAÇÕES É RARO

A História oferece alguns exemplos de nações que se separam consensualmente. O divórcio entre os tchecos e os eslováquios em 1993 é um exemplo. O referendo de independência da Noruega da Suécia em 1905 outro. Mas, a maioria da nações fazem guerras para defender fronteiras.

Os Estados Unidos enfrentou uma guerra civil para defender a união do país. A Turquia brigou com os curdos nacionalistas por décadas. Kosovo declarou a independência da Sérvia só depois da guerra, em 1990.

O presidente Vladimir Putin da Rússia — que anexou a Crimeia depois de uma invasão e referendo não reconhecido pela comunidade internacional, e tem sido acusado de ajudar os rebeldes separatistas no Leste da Ucrânia — está apoiando a independência escocesa. Mas seu apego à causa é seletivo, já que nas repúblicas russas da Chechênia e do Daguestão, ele usou força selvagem para esmagar os separatistas muçulmanos.

Em alguns casos, o referendo escocês é combustível de novas esperanças, ainda que improvável, entre grupos marginais separatistas. Quando o presidente do Texas Movimento Nacionalista, Daniel Miller, foi convidado pela Universidade de Stirling, na Escócia, este ano, ele disse que os escoceses estavam abrindo o caminho para a independência do Texas. Em outras palavras, o voto está gerando debates com considerável importância geopolítica.

Em Taiwan, que a China reivindica como parte de seu território, mesmo que Taiwan seja efetivamente independente, com a sua própria moeda, militares e um governo democraticamente eleito, alguma esperança de um voto "sim" escocês poderia levar a uma deliberação mais cuidadosa sobre o futuro da ilha.

Mas é na Europa que se a Escócia votar “sim” provavelmente criará mais reações.

Seria a primeira vez que um Estado membro da União Europeia enfrentaria a secessão de uma região ansiosa para se tornar um membro de pleno direito. Se a Escócia conseguir negociar a sua própria participação no bloco, isso faria parecer a perspectiva da independência mais segura e atraente no resto da Europa, disse George Robertson, ex-secretário-geral da Otan.

— "Há um sério risco de efeito dominó — segundo Robertson, ele mesmo escocês e adversário da independência.

No escritório de Bruxelas da Aliança Livre Europeia, que agrupa 40 partidos que representam na Europa "nações sem Estado," um mapa mostra como a Europa seria se todos eles se tornassem independentes. François Alfonsi, o presidente da Aliança e um orgulhoso corso, admite que seria confuso, mas "a democracia é confusa e democracia é o que a Europa precisa.

Mark Demesmaeker, um flamengo membro do Parlamento Europeu, que decorou seu escritório com uma bandeira escocesa e mantém uma cópia do Livro Branco sobre a independência escocesa em sua mesa, fala que "Estados-nação falharam."

Na sua opinião, o Reino Unido deixou de dar aos escoceses e galeses uma representação adequada no Parlamento, e a Espanha falha ao não permitir que catalães e bascos tenham o seu próprio referendo.

Movimentos nacionais pró-europeus, como o seu próprio, a Nova Aliança Flamenga - agora o maior partido não apenas no Flandres, mas em toda a Bélgica - são o melhor antídoto contra a extrema-direita.

— Se Escócia votar “sim”, abrirá os olhos de muitas pessoas na rua — disse Demesmaeker acrescentando. A maioria das pessoas acha que é o nosso destino fazer parte da Bélgica. Mas Flanders poderia ser uma nação próspera. É uma evolução democrática que está acontecendo em diferentes países da União Europeia. Eventualmente nós queremos Flanders para tomar o seu lugar na União Europeia.

O referendo escocês ocorre poucos dias antes da confirmação do governo regional da Catalunha que está decidindo se fará uma votação para a sua própria independência no dia 9 de novembro, que há objeções jurídicas e políticas de Madri.

Alfred Bosch, um parlamentar catalão, disse que os seus homólogos na Escócia mostraram pouco interesse em ser associados aos eventos da Catalunha.

— Os escoceses provavelmente querem se distanciar de tudo o que eles veem como não tão maduro quanto o seu próprio processo. Eles não querem criar qualquer hostilidade com a Espanha ou outros países que também pode ter movimentos pró-independência, até porque os governos terão de reconhecer uma Escócia independente, e considerar a possibilidade de fazer parte da União Europeia — disse Bosh.

Seja qual for o resultado do referendo, muitos nacionalistas dizem que a Escócia já ganhou.

— Eles têm a oportunidade de decidir o seu próprio futuro", disse Andoni Ortuzar, o presidente do governante Partido Nacionalista Basco, que usava um kilt no carnaval de 2012 para comemorar o anúncio do referendo escocês naquele ano.

— Isso é o que a autodeterminação nacional é. Isso é tudo o que pedimos.

oglobo.globo.com | 12-09-2014
"O Governo está a enganar os portugueses" quando diz que a operação de resgate do BES não terá custos para os contribuintes, acusa Paul De Grauwe, professor de Economia na Universidade de Leuven, na Bélgica, e ex-conselheiro da Comissão Europeia, em declarações ao Dinheiro Vivo.
feeds.jn.pt | 06-08-2014

BRUXELAS - A dívida pública dos países da zona do euro se aproxima, apesar da austeridade, da cifra psicológica de 100%. O endividamento dos 18 países que tem como divisa a moeda única aumentou no primeiro trimestre do ano para 93,9%, segundo os dados divulgados na manhã desta terça-feira pelo escritório europeu de estatísticas (Eurostat).

O número é 1,2% superior ao do quarto trimestre de 2013, e supõe um crescimento de 1,4% sobre o registrado em igual trimestre do ano passado.

Com dívida pública total de suas administrações equivalente a 96,8% de seu PIB – quase sete pontos percentuais a mais do que um ano antes –, a Espanha superou a França pela primeira vez desde do fim de 2000, e se tornou a sétima economia mais endividada da zona do euro e da União Europeia.

Somente a Grécia (174,1%), Itália (135,6%), Portugal (132,9%), Irlanda (123,7%), Chipre (112,2%) e Bélgica (105,1%) apresentam dados piores. No lado oposto, Estônia (10%) e Luxemburgo (22,8%) obtiveram, no fim de março, as melhores taxas de dívida comparado com PIB na eurozona.

O aumento no endividamento dos 18 países da zona do euro reverte a tendência de quedas nos trimestres anteriores e é um importante aviso aos três países mais afetados pela crise de dívida europeia: Chipre, Eslovênia e Grécia, que tiveram aumentos de 24,6%, 23,9% e 13,5%, respectivamente, na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.

oglobo.globo.com | 22-07-2014

BUENOS AIRES - A presidente argentina, Cristina Kirchner, gosta de definir seu governo como “nacional e popular”. Esse é o principal lema dos kirchneristas, sempre presente nos discursos da chefe de Estado e dos ministros, ou nas bandeiras e cânticos dos militantes de movimentos sociais. No entanto, o lugar preferido dos funcionários kirchneristas para morar e fazer investimentos imobiliários, começando por Amado Boudou — primeiro vice-presidente argentino da História processado por corrupção — é a região menos “nacional e popular” da capital do país. A presidente, o vice e vários colaboradores compraram apartamentos em Porto Madero, espécie de Miami portenha, considerado o bairro mais moderno e luxuoso da cidade.

Uma contradição difícil de o kirchnerismo explicar. Cristina, além de milionária, dona de sofisticados hotéis em El Calafate, na Patagônia, possui dois apartamentos no edifício Madero Center, o mesmo onde mora o vice. Os imóveis estão registrados em nome da sociedade Los Sauces, administrada por Máximo Kirchner, filho da presidente.

Prédio é símbolo da corrupção

No mesmo prédio funcionou a empresa financeira SGI, que era utilizada pelo empresário Lázaro Baez, suposto sócio da família presidencial argentina, para lavar dinheiro. O caso é investigado pela Justiça e pode criar sérios problemas para Cristina.

— Porto Madero é o único lugar onde os kirchneristas se sentem seguros. Boudou não poderia caminhar por nenhum outro bairro de Buenos Aires — disse ao GLOBO a ex-ministra da Saúde Graciela Ocaña (2007-2009), que é presidente da Fundação Confiança Pública e vereadora portenha.

Para ela, a presença kirchnerista em Porto Madero é contraditória e, principalmente, uma vergonha.

— Parece uma cidade construída para lavar dinheiro. Mas o governo não está preocupado com sua imagem. Vivem em Porto Madero e permitem um nível de corrupção jamais visto neste país.

Desde que veio à tona o escândalo Ciccone — no qual Boudou foi formalmente acusado pela Justiça de ter favorecido empresários amigos para controlar a empresa gráfica onde são impressas as cédulas do peso argentino —, o Madero Center virou símbolo da corrupção kirchnerista. Além dos apartamentos comprados por Cristina, teria sido o prédio o local aonde Báez — que ao lado dos Kirchner passou de funcionário do Banco Santa Cruz a milionário — supostamente lavou mais de US$ 60 milhões. Para completar, é também no Madero Center que vive o político que tem, hoje, a pior imagem da Argentina: o vice-presidente Amado Boudou. O empresário Cristóbal López, outro dos grandes beneficiados pela era kirchnerista, dono de cassinos e empresas petrolíferas, entre muitos outros ativos, também tem um apartamento no polêmico Madero Center.

A lista de kirchneristas que se encantaram com a Miami portenha é longa. O ministro do Interior e Transporte, Florencio Randazzo, que pensa em disputar as primárias kirchneristas para ser candidato à Presidência em 2015, optou pelo edifício Madero Plaza. Já a secretária da Indústria, Débora Giorgi, preferiu o Renoir, nome emprestado do pintor impressionista francês para batizar uma gigantesca torre, que oferece serviços de altíssimo nível. O chefe da Secretaria de Inteligência, Héctor Icazuriaga, está no El Faro, um dos prédios mais famosos do bairro e dos mais altos da capital argentina. O ex-ministro da Economia e atual embaixador na Bélgica, Hernán Lorenzino, comprou um imóvel no complexo Zen City, onde também vive o presidente da Corte Suprema do país, Ricardo Lorenzetti.

Escolha por área ‘discreta’

Um dos mais novos moradores de Porto Madero é o deputado kirchnerista Martin Insaurralde, principal “candidato K” nas eleições legislativas de 2013, hoje famoso pelo romance com a bela modelo Jésica Cirio. A chegada de Insaurralde ao bairro provocou polêmica nas redes sociais. “Martin Insaurralde se mudou para Porto Madero (bairro K) com a namorada Jésica. #todosjuntosK, é o bairro Nacional e Popular”, escreveu o internauta @Samanthinia, no Twitter.

Em Porto Madero, os funcionários kirchneristas podem caminhar tranquilos. Os moradores do bairro não gostam de falar sobre os vizinhos. Os poucos que se atrevem a fazer algum comentário preferem não ser identificados nem fotografados.

— É claro que não gostamos que nosso bairro seja considerado um “bairro K”, onde vivem corruptos, mas, no dia a dia, tentamos evitar conflitos — comentou uma moradora, que vive em Porto Madero há dez anos.

Assim, num clima de relativa paz, os kirchneristas vão à academia de ginástica dos prédios onde moram, usam a piscina — Boudou chegou a fazer aulas de natação — frequentam supermercados, almoçam e jantam. Um dos preferidos é I Central Market, misto de restaurantes, delicatessen e mercado e que tem duas sucursais no bairro.

— Durante muito tempo fiz ginástica no mesmo horário do ex-secretário de Transportes Ricardo Jaime (que enfrenta vários casos de corrupção), e nem sabia quem ele era. Morávamos no mesmo prédio — contou outra moradora. — Os kirchneristas escolhem Porto Madero porque é um bairro seguro e, principalmente, discreto.

oglobo.globo.com | 06-07-2014

BUENOS AIRES - A presidente argentina, Cristina Kirchner, gosta de definir seu governo como “nacional e popular”. Esse é o principal lema dos kirchneristas, sempre presente nos discursos da chefe de Estado e dos ministros, ou nas bandeiras e cânticos dos militantes de movimentos sociais. No entanto, o lugar preferido dos funcionários kirchneristas para morar e fazer investimentos imobiliários, começando por Amado Boudou — primeiro vice-presidente argentino da História processado por corrupção — é a região menos “nacional e popular” da capital do país. A presidente, o vice e vários colaboradores compraram apartamentos em Porto Madero, espécie de Miami portenha, considerado o bairro mais moderno e luxuoso da cidade.

Uma contradição difícil de o kirchnerismo explicar. Cristina, além de milionária, dona de sofisticados hotéis em El Calafate, na Patagônia, possui dois apartamentos no edifício Madero Center, o mesmo onde mora o vice. Os imóveis estão registrados em nome da sociedade Los Sauces, administrada por Máximo Kirchner, filho da presidente.

Prédio é símbolo da corrupção

No mesmo prédio funcionou a empresa financeira SGI, que era utilizada pelo empresário Lázaro Baez, suposto sócio da família presidencial argentina, para lavar dinheiro. O caso é investigado pela Justiça e pode criar sérios problemas para Cristina.

— Porto Madero é o único lugar onde os kirchneristas se sentem seguros. Boudou não poderia caminhar por nenhum outro bairro de Buenos Aires — disse ao GLOBO a ex-ministra da Saúde Graciela Ocaña (2007-2009), que é presidente da Fundação Confiança Pública e vereadora portenha.

Para ela, a presença kirchnerista em Porto Madero é contraditória e, principalmente, uma vergonha.

— Parece uma cidade construída para lavar dinheiro. Mas o governo não está preocupado com sua imagem. Vivem em Porto Madero e permitem um nível de corrupção jamais visto neste país.

Desde que veio à tona o escândalo Ciccone — no qual Boudou foi formalmente acusado pela Justiça de ter favorecido empresários amigos para controlar a empresa gráfica onde são impressas as cédulas do peso argentino —, o Madero Center virou símbolo da corrupção kirchnerista. Além dos apartamentos comprados por Cristina, teria sido o prédio o local aonde Báez — que ao lado dos Kirchner passou de funcionário do Banco Santa Cruz a milionário — supostamente lavou mais de US$ 60 milhões. Para completar, é também no Madero Center que vive o político que tem, hoje, a pior imagem da Argentina: o vice-presidente Amado Boudou. O empresário Cristóbal López, outro dos grandes beneficiados pela era kirchnerista, dono de cassinos e empresas petrolíferas, entre muitos outros ativos, também tem um apartamento no polêmico Madero Center.

A lista de kirchneristas que se encantaram com a Miami portenha é longa. O ministro do Interior e Transporte, Florencio Randazzo, que pensa em disputar as primárias kirchneristas para ser candidato à Presidência em 2015, optou pelo edifício Madero Plaza. Já a secretária da Indústria, Débora Giorgi, preferiu o Renoir, nome emprestado do pintor impressionista francês para batizar uma gigantesca torre, que oferece serviços de altíssimo nível. O chefe da Secretaria de Inteligência, Héctor Icazuriaga, está no El Faro, um dos prédios mais famosos do bairro e dos mais altos da capital argentina. O ex-ministro da Economia e atual embaixador na Bélgica, Hernán Lorenzino, comprou um imóvel no complexo Zen City, onde também vive o presidente da Corte Suprema do país, Ricardo Lorenzetti.

Escolha por área ‘discreta’

Um dos mais novos moradores de Porto Madero é o deputado kirchnerista Martin Insaurralde, principal “candidato K” nas eleições legislativas de 2013, hoje famoso pelo romance com a bela modelo Jésica Cirio. A chegada de Insaurralde ao bairro provocou polêmica nas redes sociais. “Martin Insaurralde se mudou para Porto Madero (bairro K) com a namorada Jésica. #todosjuntosK, é o bairro Nacional e Popular”, escreveu o internauta @Samanthinia, no Twitter.

Em Porto Madero, os funcionários kirchneristas podem caminhar tranquilos. Os moradores do bairro não gostam de falar sobre os vizinhos. Os poucos que se atrevem a fazer algum comentário preferem não ser identificados nem fotografados.

— É claro que não gostamos que nosso bairro seja considerado um “bairro K”, onde vivem corruptos, mas, no dia a dia, tentamos evitar conflitos — comentou uma moradora, que vive em Porto Madero há dez anos.

Assim, num clima de relativa paz, os kirchneristas vão à academia de ginástica dos prédios onde moram, usam a piscina — Boudou chegou a fazer aulas de natação — frequentam supermercados, almoçam e jantam. Um dos preferidos é I Central Market, misto de restaurantes, delicatessen e mercado e que tem duas sucursais no bairro.

— Durante muito tempo fiz ginástica no mesmo horário do ex-secretário de Transportes Ricardo Jaime (que enfrenta vários casos de corrupção), e nem sabia quem ele era. Morávamos no mesmo prédio — contou outra moradora. — Os kirchneristas escolhem Porto Madero porque é um bairro seguro e, principalmente, discreto.

oglobo.globo.com | 06-07-2014
'Já estamos pensando na formação da próxima geração, mas precisamos nos concentrar no hoje, porque, agora, ou vencemos ou saímos', disse o alemão Jurgen Klinsmann, técnico dos Estados Unidos - Julio Cortez / AP

SALVADOR — A Bélgica já começa o jogo desta terça-feira, às 17h, na Fonte Nova, pelas oitavas de final, atrás dos Estados Unidos. Pelo menos fora de campo. Em quatro anos, o futebol cresceu 133% nos EUA, onde a Major League Soccer (MLS) faturou € 400 milhões, em 2013, e entrou em 10º no ranking das ligas mais lucrativas. No mesmo período, o campeonato belga arrecadou pouco mais que a metade: € 260 milhões.

Para comparar a força econômica das ligas mais poderosas, a empresa inglesa de consultoria Delloite publicou os dados financeiros dos campeonatos, levando em conta os direitos de transmissão, marketing e arrecadação com sócios e bilheterias. A mais lucrativa é a Premier League, da Inglaterra, com € 2,9 bilhões, em 2013. Em seguida, a Bundesliga, da Alemanha, com € 2 bilhões. As segundas divisões destes dois países também aparecem no ranking. Se forem considerados apenas os campeonatos principais, os EUA entram em 10º. O Brasil é o 7º, com os 20 clubes da Série A arrecadando € 800 milhões (R$ 2,4 bilhões).

O desenvolvimento da MLS em quatro anos só foi superado pela anfitriã da próxima Copa do Mundo, a Rússia, que está em 7º no ranking, cresceu 143% e arrecadou € 900 milhões. Amir Somoggi, consultor de marketing e gestão esportiva, prevê um crescimento ainda maior da MLS nos próximos anos, com a ampliação dos direitos de TV e mais patrocínios. A maior parte da arrecadação ainda vem de bilheteria (70%), o que explica a maciça presença de americanos no Brasil. Na Copa, eles compraram mais ingressos que os argentinos: 196.838 x 61.021. Os Brasileiros ficaram com 1,3 milhão na primeira fase do Mundial.

A audiência dos jogos da seleção americana tem alcançado picos comparáveis aos dos esportes mais populares do país (18 milhões de espectadores estimados contra Portugal). O dinheiro circula pela MSL e mantém a base da seleção no país. Seis jogadores do time considerado titular atuam em casa, e, no total, 16 dos 23 convocados jogam nos EUA. Com mais badalação, mas sem tanto dinheiro, a Bélgica não tem em seus 11 prováveis titulares um jogador que dispute o campeonato nacional e, dos 23, quatro jogam no país.

— Não tem mais como impedir o crescimento do futebol nos EUA. Há milhões de crianças jogando, e a energia que vem do país é imensa, positiva. Tem sido uma locomotiva para nós, porque nos encoraja muito, e não queremos desapontá-los — disse Jurgen Klinsmann, técnico dos EUA.

Do presidente Barack Obama, de TV ligada no jogo dos EUA em pleno voo do Air Force One, ao homem comum americano, que aprendeu a amar o futebol, a sintonia tem sido uma só graças ao desempenho dos americanos no Brasil.

— Este apoio significa muito para nós. O futebol realmente melhorou nos Estados Unidos, e os jogadores têm que abraçar este momento. Já estamos pensando na formação da próxima geração, mas precisamos nos concentrar no hoje, porque, agora, ou vencemos ou saímos — afirmou Klinsmann.

BELGAS: ESTRELAS NA EUROPA

Do outro lado, sem a economia efervescente do futebol na América, mas com astros milionários nas ligas europeias, a Bélgica venceu os três primeiros jogos sem convencer. Considerada a possível sensação da Copa, e diante dos EUA em ascensão, a derrota só terá um significado para os belgas.

— Fracasso. Está bem claro que, se não nos classificarmos, será um grande fracasso, porque temos grandes jogadores, e podemos ir adiante — disse o meia Witsel.

O treinador Marc Wilmots fez coro com o jogador, mas respondeu aos que querem ver a Bélgica, enfim, jogar bem:

— De quem está no topo, esperam qualidade. Podemos melhorar, mas não nos importamos com o que falam. Alguns diziam que a Espanha era maravilhosa. No Brasil e Chile, uma bola bateu na trave no fim da prorrogação. É assim que acontece. Deixo as pessoas reclamarem o quanto quiserem.

Wilmots vai esperar pelo zagueiro Kompany até a manhã desta terça-feira. Recuperando-se de lesão, o capitão é dúvida, O outro zagueiro, Vermaelen, tem lesão na perna esquerda e não joga. Expulso contra Coreia do Sul, o meia Defour teve a suspensão de um jogo mantida.

FICHA TÉCNICA
Bélgica X ESTADOS UNIDOS

Local: Arena Fonte Nova, em Salvador (BA)
Data: 1º de julho de 2014, terça-feira
Horário: 17 horas (de Brasília)
Árbitro: Djamel Haimoudi (Argélia)
Assistentes: Redouane Achik (Marrocos) e Abdelhak Etchiali (Argélia)

Bélgica: Courtois; Vanden Borre (Vermaelen), Van Buyten, Lombaerts (Kompany) e Vertonghen; Witsel, Dembele, Hazard, Fellaini e De Bruyne; Lukaku (Origi). Técnico: Marc Wilmots

ESTADOS UNIDOS: Howard, Beasley, Besler, González e Johnson; Jones, Bekerman, Bradley e Dempsey; Zusi e Altidore (Bedoya). Técnico: Jurgen Klinsmann

oglobo.globo.com | 01-07-2014

PARIS E TAL AVIV — Meses atrás, o estudante Mickael Bentura, 22 anos, andava por Paris quando viu um cartaz num muro com a frase: “Morte a Israel”. Ficou abalado e começou a arrancar o que pôde do papel colado à parede. Para ele, foi a gota d’água na decisão de deixar sua França natal e recomeçar a vida a milhares de quilômetros de distância.

— Uma semana depois, eu já estava lá. Meu coração sempre foi voltado para Israel, mas de repente me dei conta de que não quero andar pelas ruas com medo. Meu lugar é aqui — explica ele em Tel Aviv.

Mickael é parte da maior onda de imigração francesa para Israel em mais de quatro décadas. Desde o fim dos anos 1960, não havia desembarcado no Aeroporto Internacional de Tel Aviv, de mala e cuia, tal quantidade de judeus franceses. São estudantes, jovens famílias e até mesmo aposentados que decidiram trocar o país da Marselhesa pela Terra Santa. Eles citam o aumento do antissemitismo na França, a ascensão da extrema-direita, a crítica exacerbada da mídia em relação a Israel e a crise econômica europeia como as gotas d’água que os levaram a deixar a Europa para trás e rumar para o Oriente Médio.

Segundo dados da Agência Judaica, 2.254 franceses fizeram aliá para Israel de janeiro a maio de 2014 — quatro vezes mais do que no mesmo período de 2013. A cifra supera até mesmo a quantidade de judeus da Ucrânia (1.587), que também estão imigrando em massa por causa do conflito com a Rússia. A estimativa é de que, até o final do ano, cheguem mais de cinco mil judeus franceses, um aumento de 50% em relação a 2013 e de mais de 100% sobre a média anual dos últimos 20 anos: dois mil. O começo desse influxo foi sentido há sete anos e agora se igualou ao auge anterior, de 5.200 imigrantes franceses em 1967, após a Guerra dos Seis Dias. Hoje, vivem em Israel algo em torno de 200 mil cidadãos nascidos na França.

CHACINA TRAUMATIZOU COMUNIDADE

No cerne da decisão de partir, o antissemitismo é uma constante. Os 169 atos antissemitas cometidos em território francês no primeiro trimestre de 2014 representam um aumento de 44% em relação ao mesmo período de 2013, segundo o Serviço de Proteção da Comunidade Judia. O clima piorou com a ascensão da Frente Nacional (FN), da líder da direita radical Marine Le Pen, o partido mais votado na França nas eleições europeias de maio, junto com episódios como a polêmica envolvendo o humorista Dieudonné, conhecido por suas piadas e provocações de caráter racista e antissemita, cujo stand up “O muro” foi proibido em cidades da França. Sem citar o assassinato de quatro pessoas no Museu Judaico de Bruxelas, na Bélgica, no mês passado.

Mas o caso que realmente abalou o país ocorreu há dois anos, na matança protagonizada pelo terrorista Mohamed Merah em Toulouse e Montauban, com sete vítimas, sendo três crianças, na escola judia Ohr Torah. Em março, na lembrança dos dois anos da tragédia, o líder da comunidade judaica de Toulouse, Arié Bensemhoun, alertou para a deterioração do clima desde então e incitou judeus a partirem:

— Não vou mentir, sim, incito os mais jovens a fazerem aliá ou partir para outros horizontes onde poderão se desenvolver num judaísmo aberto, sem viver em permanente preocupação — disse.

Mas mesmo quem já não é jovem está partindo. O parisiense Gilles Nabet, de 62 anos, fermenta há uma década com a mulher, Marlène, 64, a ideia de se mudar para Israel. Hoje, o projeto virou prioridade.

— A comunidade judia não está mais segura na França, sobretudo após o crescimento da FN. O Estado não está mais em condições de garantir a segurança dos judeus da França.

Até 2015, Nabet espera concluir sua aliá e instalar-se em Tel Aviv. Deixará na França — país com a terceira maior quantidade de judeus (cerca de meio milhão), perdendo apenas para Israel (6,5 milhões) e os EUA (6 milhões) — os quatro filhos, de 36, 34, 28 e 22 anos.

— A melhor forma de salvar meus filhos é partir, para que eles tenham um porto seguro em Israel.

Para o governo israelense, a vinda em massa de judeus da França é ótima notícia. Os franceses têm, em geral, muitos anos de estudos e a maioria não chega com bolsos vazios ou fugindo de crises econômicas ou guerras. Boa parte é formada por judeus conservadores ou religiosos, que já falam algum hebraico, mas também há cada vez mais seculares. Para tentar atrair ainda mais judeus da Europa, Israel aprovou o desembolso de 60 milhões de shekels (US$ 17 milhões), com foco em França e Ucrânia até 2015.

Mas o medo não é o único impulso. A prosperidade da economia israelense, poupada nas recentes crises mundiais, aliada à identificação com o Estado Judeu, tornou o país atraente. Se na França o desemprego de jovens está em 25%, em Israel não passa de 11%. A efervescência de empresas de alta tecnologia atrai muitos deles. E a situação de segurança, mesmo sem paz com os palestinos, é de calmaria.

— As pessoas se sentem seguras e com futuro profissional — diz Sam Kadoch, diretor da ONG Centro Nacional de Estudantes Francófonos de Israel.

Outro imigrante recente, o pediatra Laurent Fermont, que chegou a Tel Aviv em abril e espera a chegada da mulher, também aponta o antissemitismo e também a constante crítica a Israel por intelectuais e a imprensa europeia. Mas, segundo ele, os judeus franceses ainda podem viver normalmente na terra da “igualdade, liberdade, fraternidade”.

— Não é preciso ficar paranoico. Ainda há judeus que ficaram na França e continuam levando uma vida normal e próspera. Mas os números não mentem: há uma sensação de insegurança no ar.

‘Para mim, está claro que Israel é o meu país’

Imigrantes francesas Johana e Sivane, em Tel Aviv - Daniela Kresch

As amigas Johana Benhamou (à esquerda na foto) e Sivane Brodach, de 19 anos, se conhecem desde o jardim de infância. Frequentaram o mesmo colégio judaico em Paris e dividiram os mesmos sonhos de adolescentes. Há dois anos, no entanto, elas começaram a planejar algo mais ambicioso, um passo que mudaria suas vidas: deixar seu país natal para morar em Israel. Com apoio dos pais, se despediram da Europa e rumaram para o Oriente Médio, dispostas a recomeçar a vida no Estado judeu. Motivos, garantem, têm de sobra.

— Para mim, está claro que Israel é o meu país — diz, resoluta, a extrovertida Johana, que há um ano mora em Jerusalém e trabalha como voluntária numa ONG de absorção de imigrantes como ela.

É assim que Sivane, a amiga um pouco mais tímida, também pensa. Ela aponta o aumento do antissemitismo no país onde nasceu como prova de que, fora de Israel, os judeus são vulneráveis. No caso da França, o preconceito é, segundo ela, consequência direta da imigração árabe para o país. Nos últimos anos, a hostilidade para com os judeus, por parte de alguns jovens árabes, se tornou mais latente e a levou a modificar seu dia a dia.

— Há um crescente aumento de radicais de direita, há muito antissemitismo nas ruas e muita hostilidade contra Israel, principalmente na imprensa. Eu tinha que pensar duas vezes antes de usar um colar com a Estrela de Davi ou uma camiseta com algo em hebraico. Nunca aconteceu nada comigo, mas todos os dias há notícias de judeus sendo agredidos.

"Se pudesse partir amanhã, não hesitaria"

Ana Luzia Rodrigues e Jérôme Borenstein - Álbum de família / álbum de família

O roteirista judeu Jérôme Borenstein, 34 anos, que tem uma filha de 7 meses com a brasileira Ana Luzia Rodrigues, batizada católica, não se mostra muito otimista.

— Se pudesse partir amanhã, não hesitaria. Não tenho a impressão de estar em constante perigo, mas sinto que o futuro não vai melhorar. Estamos indo ladeira abaixo. Não é 1933 na Alemanha, mas, para mim, a situação vai se deteriorar, resta saber se será lenta ou rapidamente — diz.

Na sua opinião, o antissemitismo nunca desapareceu, foi apenas amenizado no período pós-Holocausto, em que se tornou “símbolo do mal absoluto”.

— Antes, o antissemitismo gerava uma indignação geral, e hoje é acompanhando por uma indiferença geral, e se acha tudo bem as pessoas inclusive se reivindicarem antissemitas. Todo mundo que conheço quer deixar a França — desabafa.

Ana Luzia, 34 anos, diz entender o companheiro, embora não se sinta “tão atingida” quanto ele e discorde do êxodo de judeus da França motivado pelo “pânico”.

— Já estive muitas vezes em Israel, e sei que a vida lá também não é fácil. A aliá é um sonho, mas chegando lá se tem de lidar com a realidade de um país que vive uma situação também complicada, em guerra constante com o Hamas. Também não é muito pacífico — argumenta.

Para ela, a solução não está “na fuga”:

— Como cidadão, deve-se combater isso e não fazer as malas e ir embora.

oglobo.globo.com | 29-06-2014

BRASÍLIA - Na primeira fase da Copa do Mundo, as redes de telefonia móvel instaladas pelas prestadoras nos estádios enviaram 32 milhões de fotos. Ou seja, foram 6 mil fotos foram envidadas por minuto, no período de maior tráfego de dados, que é de cerca de uma hora, que vai do início das partidas até o intervalo. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pelo SindiTelebrasil.

Durante os jogos da Copa foram feitas 2,8 milhões de ligações em aparelhos móveis e foram 31,7 milhões de comunicações de dados, incluindo envio de e-mails, imagens e mensagens multimídia, com tamanho médio de 0,55 MB.

O recorde de envio de fotos pelas redes de telefonia móvel foi na partida entre Brasil e Camarões, no dia 23, no Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, quando os torcedores enviaram ou postaram 1,6 milhão de fotos nas redes sociais. Em segundo lugar, aparece a partida entre Bélgica e Rússia, disputada no dia 22, no Maracanã, em que os torcedores enviaram 1,5 milhão de fotos, com tamanho médio de 0,55 MB. Na terceira posição, vem o jogo Argentina e Bósnia, também no Maracanã, com 1,4 milhão de fotos.

Segundo o SindiTelebrasil, 4.738 antenas fazem parte da infraestrutura interna instalada pelas prestadoras de serviços de telefonia nas arenas, com investimentos de R$ 226 milhões e infraestrutura compartilhada.

oglobo.globo.com | 27-06-2014

RIO - Mesmo com o reforço no policiamento no entorno do Maracanã, onde aconteceu a partida entre Bélgica e Rússia, pelo menos 47 crimes já foram registrados na delegacia móvel da Polícia Civil, montada dentro estádio. Turistas registram 20 furtos na unidade policial móvel; a maioria dos delitos teria ocorrido no metrô e está relacionada à furto de igressos e equipamentos eletrônicos, como celulares e máquinas fotográficas. Um mexicano também foi detido por desacato. O maior número de casos, 26 deles, são de venda irregular de ingressos e envolviam estrangeiros.

De acordo com um agente do Serviço de Inteligência Reservado da Polícia Militar (P2), que estava à paisana caracterizado como torcedor, efetuando as prisões, o ingresso mais caro era vendido por um cambista canadense por U$ 3.000.

- Apesar da Suécia estar fora do mundial, até sueco cambista tinha. Mas, a maioria que atua como cambista vendendo ingressos acima do valor permitido, é sulamericano. E a maior procura pelos ingressos fica por conta dos europeus. Tinha um com R$ 16 mil em espécie no bolso procurando ingressos para a semi-final e a final - disse o policial, apostando que o aumento da segurança foi determinante para a redução dos crimes praticados pelos brasileiros.

- O infrator brasileiro já se deu conta que vai em cana e não tem papo. Os estrangeiros que estão se passando de bobos alegando que a venda de ingressos na porta dos estádios é permitida no mundo todo. Eu respondo que o carnaval no Brasil já acabou - completou o agente.

Ao serem conduzidos para a unidade policial móvel, a maioria dos estrangeiros dizia que não estava vendendo os ingressos, e que estariam apenas portando o bilhete de amigos que chegariam para encontrá-los no estádio. Porém, sempre que a delegada pegava os ingressos e solicitava o nome dos supostos amigos, para conferir com a titularidade dos bilhetes, os nomes não coincidiam e, por isso, os detidos eram levados aos poucos em carros da Polícia Militar para a 17º DP (São Cristõvão), 18º DP (Praça da Bandeira), 19º DP (Tijuca) e 20º DP (Vila Isabel).

IRREGULARIDADES TAMBÉM POR PARTE DE FLANELINHAS

Agentes da Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop) também tiveram muito trabalho neste terceiro jogo no Maracanã. Equipes do Choque de Ordem da Seop detiveram dez flanelinhas e mais três cambistas que agiam no entorno do Maracanã. Os flanelinhas, além do exercício ilegal da profissão ser uma contravenção, poderão responder também por vários crimes como formação de quadrilha, extorsão e ameaça. De acordo com a polícia, eles responderão por crime contra a economia popular.

Os fiscais de Atividades Econômicas também participaram das ações deste domingo. Eles interditaram três estabelecimentos por descumprirem o decreto que proíbe a comercialização e consumo de bebidas alcoólicas no entorno do Maracanã duas horas antes e duas após o término do evento. O primeiro bar interditado foi o Renatos, na Rua Visconde de Itamaraty. O segundo, foi o Minimarket, na Rua Isidro de Figueiredo. Mais um estabelecimento comercial também foi interditado na Rua Conselheiro Olegário. Conhecido como Macujaba, além de venda irregular de bebidas alcoólicas, ele foi autuado por oferecer aos clientes mesas, cadeiras e mercadorias sem autorização.

Os ambulantes irregulares também não passaram despercebidos. Os agentes apreenderam 66 bandeiras, 44 unidades de bebidas ilegais, um quilo de açucar, dois isopores, dois quilos de limão, um pacote de canudo, uma bicicleta e um carrinho para transportar mercadorias.

O choque de ordem também rebocou 34 veículos e multou 68 por estacionamento em local proibido nas imediações do estádio.

PNEUS QUE SERIAM USADOS EM MANIFESTAÇÃO FORAM APREENDIDOS

Na madrugada deste domingo, guardas municipais da Tijuca flagraram dois homens acumulando pneus na esquina da Rua Mará com a Avenida São Francisco Xavier, em Vila Isabel. De acordo com os guardas, foram apreendidos 30 pneus que seriam supostamente utilizados em alguma manifestação contra o mundial.

QUATRO TOCEDORES PRECIRAM IR PARA HOSPITAIS DURANTE A PARTIDA

Durante a partida entre Bélgica e Rússia, quatro pessoas também foram levadas pela Secretaria municipal de Saúde para o Hospital Souza Aguiar, no Centro. Um turista alemão de 40 anos que sofreu uma queda e um vigilante de 25 anos, que trabalhava durante a partida e levou uma bolada na nuca. Já um torcedor canadense de 21 anos sofreu um entorse no tonozelo e foi encaminhado para o Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. Uma brasileira grávida, de 22 anos, também foi levada a um hospital particular no Méier, com dores lombares. Todos os pacientes, segundo a secretaria, apresentavam quadro estável, sem gravidade.

INGLESES SÃO PRESOS TENTANDO VENDER 30 INGRESSOS

Policiais da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (DEAT) realizaram, na noite deste sábado, uma ação para reprimir o comércio ilegal de ingressos. Na operação, dois ingleses que tentavam vender 30 ingressos foram presos. Eles foram capturados em um hotel na Zona Sul da cidade.Segundo os agentes, com os estrangeiros também foram apreendidos R$ 3 mil reais, 425 libras, 1 mil dólares e 50 dólares de Hong Kong. Eles foram autuados em flagrante por cambismo e associação criminosa.

PRESOS COM CREDENCIAIS FALSAS

Na sexta-feira, quatro turistas chilenos, um paraguaio e um colombiano foram presos e levados para a Cadeia Pública José Frederico Marques, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu. Todos eles foram flagrados com credenciais falsas durante o jogo entre Espanha e Chile, na quarta-feira, no Maracanã. Segundo a Polícia Civil, o “delegado de plantão mandou o caso para a Justiça, que converteu a prisão em preventiva”. No Rio, esse é o primeiro caso, desde o início da Copa do Mundo, em que estrangeiros que vieram ao Brasil acompanhar os jogos de suas seleções são mantidos acautelados em uma penitenciária.

O colombiano Juan Carlos Arce Carceres e o paraguaio Luis Javier Costa e os chilenos Victor Ramon Reys Pozo, Victor Alfonso Fronteras Castillo, Jorge Alfonso Rodriguez e Fabian Alejandro Pino vão responder por falsificação e uso de documento público e, ao fim do processo, podem pegar pena de até cinco anos de reclusão. Todos os seis foram detidos por seguranças enquanto circulavam já na parte interna do estádio.

No caso do colombiano, segundo consta no registro de ocorrência feito na 18ª DP (Praça da Bandeira), antes do jogo, ele circulava próximo à entrada do portão com uma credencial sem foto que tinha somente a inscrição “Seleção argentina”. Um segurança do estádio estranhou e encaminhou o estrangeiro a PMs. Os chilenos Victor Ramon e Fabian foram flagrados na área VIP por outros torcedores, que estranharam a diferença entre as credenciais. A dupla foi encaminhada aos seguranças. Jorge, Luis Javier e Victor Alfonso foram surpreendidos quando estavam sentados na arquibancada esperando o início da partida.

PARTE DE CHILENOS DETIDOS JÁ DEIXARAM PAÍS

Pelo menos 56 dos 85 Chilenos detidos após invadirem a sala de imprensa do Maracanã, na última quarta-feira, já deixaram o Brasil. Após o episódio, eles ganharam um prazo de 72 horas para deixaram o país e não poderão retornar até o fim da Copa do Mundo.

Segundo informações da Polícia Federal, além dos chilenos, um boliviano que estava envolvido no episódio também deixou o país. Como o prazo para eles deixarem o Brasil terminou no fim da noite de sábado, quem permanecer poderá ser deportado.

A deportação não impedirá que os torcedores retornem ao Brasil no futuro. No entanto, explicou a Polícia Federal, esse regresso será dificultado, com a possibilidade ainda de uma posterior inadmissão em território nacional, por terem infringido as normas brasileiras.

Assim, ao tentar retornar, em vez de passar pelos procedimentos básicos para a entrada no país, poderá ser analisado, por exemplo, o motivo do ingresso.

Além dessas consequências, o presidente da Federação Chilena de Futebol, Sergio Jadue, afirmou que que os torcedores que invadiram o Maracanã serão afastados dos estádios nos campeonatos do Chile e nas partidas da seleção do país.

oglobo.globo.com | 22-06-2014

BERLIM — O próximo rei da Espanha, Felipe, assume um legado que é o maior desafio da história moderna da monarquia espanhola: levar adiante uma instituição obsoleta, que apesar do apelo emocional — pois, para uma grande parcela da população, faz parte da identidade nacional —, é cada vez mais difícil de ser sustentada no contexto da política de austeridade fiscal. É um desafio comum a outros colegas de geração de Felipe que ascenderam recentemente ao trono, como o belga Philippe e o holandês Willem-Alexander.

A monarquia era a forma mais comum de Estado na Europa ainda no início do século XX. Após duas guerras mundiais — de destruição e divisão da Europa, o que só foi superado no final do século passado —, a situação passou a ser o oposto. Sete monarquias sobreviveram, na Holanda, Bélgica, Suécia, Noruega, Dinamarca, Espanha e Reino Unido (sem contar os pequenos principados de Luxemburgo e Liechtenstein). Mas o cientista político holandês Henk Velde, da Universidade de Leiden, prevê um futuro sombrio para os reis e rainhas da Europa: a decadência da monarquia continuará nas próximas décadas.

— Dentro de 70 anos, haverá na Europa uma única monarquia, na Inglaterra — arrisca.

Apesar da fascinação que reis, príncipes e princesas ainda exercem sobre a população, os contribuintes não estão mais dispostos a financiar as regalias reais, ainda mais quando a monarquia não preenche o seu requisito básico, que segundo Velde seria o de ser uma instância moral, símbolo de unidade nacional, e de preencher para a população a imagem de um mundo ainda intacto.

‘Pessoas querem rei com quem se identifiquem’

Na sua opinião, duas monarquias que correm o risco de deixar de existir nos próximos anos são a da Bélgica e a da Espanha. O caso espanhol é um exemplo típico de como a imagem da família real é importante para a aceitação da monarquia por parte da população. A cientista política alemã Marianne Kneuer diz que o futuro pode ser o fim da monarquia como forma de Estado, mas que elas podem sobreviver às crises, desde que tomem certa cautela de respeitar os desejos dos seus súditos.

— Quando o monarca ou os membros da família real são populares, a monarquia tem recordes de aceitação, como é o caso atualmente na Inglaterra, Holanda ou Noruega — diz.

A monarquia da Bélgica parece ainda mais frágil do que a espanhola, mas frágil também é o Estado belga, dividido entre Flandres, onde se fala flamengo, e Valônia, de língua francesa — um conflito que já existia antes do surgimento da Bélgica, em 1831. No norte rico de Flandres, os separatistas do partido N-VA ganham cada vez mais adeptos, aumentando o risco de uma divisão.

— A monarquia, um dos últimos símbolos da unidade nacional, poderá sucumbir se a situação econômica piorar — afirma Velde.

A crise de identidade belga, que já existia, piorou com a crise do euro. A rica Flandres vê com antipatia a transferência de recursos para a região mais pobre e observa também o casal real, que tem origem na Valônia, com desconfiança.

Para Marianne Kneuer, a estabilidade da monarquia sempre depende da imagem dos monarcas e da família real. Autora de vários livros sobre regimes de monarquias parlamentares, ela cita como típico o exemplo da Inglaterra, que seria a monarquia mais estável do mundo.

— Mesmo assim, a monarquia entrou em crise depois da morte da Princesa Diana — lembra.

A situação não piorou porque Elizabeth II cedeu à pressão da massa e foi levar o seu tributo, com flores, em frente ao palácio onde tinha vivido a princesa morta. Quando celebrou o jubileu de 60 anos, há dois anos, sua imagem já tinha melhorado.

— Sem poder, os monarcas ainda valem o dinheiro que custam ao Estado quando cumprem mesmo sua tarefa de símbolo nacional. As pessoas querem um rei ou uma rainha com quem possam se identificar — diz a cientista política.

No caso do trono britânico, a popularidade da monarquia voltou a crescer quando entraram em cena o jovem casal Príncipe William e Kate, que tem recordes de popularidade mesmo fora do país.

Este é outro fator importante da monarquia moderna. Os membros mais populares das famílias reais são como funcionários da economia do país. Suas viagens , como o recente tour de William com Kate e o filho George à Austrália e a outros países da região, são transformadas em fontes de arrecadação para a economia do país, através do séquito de empresários que usam a imagem positiva dos nobres para fechar negócios.

Segundo Kneuer, o fator econômico da popularidade dos príncipes sucessores com suas mulheres jovens é explorado também pelas casas reais de Noruega, Suécia e Dinamarca. Nesses países, os conselheiros econômicos costumam sugerir algo como o que aconteceu na Espanha para revigorar o apelo econômico da família real.

— Só as monarquias dispostas a reformas e a ouvir com sensibilidade a opinião pública sobreviverão nos países onde a austeridade fiscal exige enormes sacrifícios de seus cidadãos — conclui.

oglobo.globo.com | 08-06-2014

RIO - Está aberta a temporada de apostas e palpites sobre a Copa do Mundo. Qual será a seleção campeã? Quem será o artilheiro? Quais serão os craques da competição? Neste bolão, que movimenta casas de apostas em outros países e se restringe à brincadeira entre amigos no Brasil, o Goldman Sachs, um dos maiores grupos de investimentos financeiros do mundo, deu o primeiro pitaco: a taça ficará no Brasil. O grupo divulgou nesta quarta-feira suas previsões para o Mundial, e a seleção de Luiz Felipe Scolari se saiu bem — vencerá a Argentina na final, pelo placar de 3 a 1. Só faltou dizer quem fará os gols.

Para elaborar seus palpites, o Goldman Sachs analisou dados sobre as 32 seleções do torneio desde 1960. Por causa do bom desempenho nesse período — o Brasil tem quatro mundiais desde então —, a seleção tem mais chances de vencer a Copa, com 48.5%. A Argentina, bicampeã do mundo, fica em segundo, com 14.1%, seguida da Alemanha, tricampeã, mas com um título fora do período analisado, com 11.4%. A atual campeã, Espanha, aparece em quarto, com 9.8%.

A grande diferença nas previsões do grupo de investimentos não garante à seleção vida fácil no torneio. A tabela elaborada pelo Goldman Sachs aponta que o Brasil vai enfrentar Holanda, Uruguai e Alemanha até chegar à final.

O grupo escolheu também os jogadores que mais se destacarão no Mundial. Daniel Alves, Thiago Silva e Neymar serão os três brasileiros da seleção da Copa. A eles, se juntarão o goleiro Neuer (Alemanha), o zagueiro Sergio Ramos (Espanha), o lateral-esquerdo Lahm (Alemanha), o meio-campista Hazard (Bélgica), Iniesta (Espanha), Ribéry (França), e os craques hors concours Messi (Argentina) e Cristiano Ronaldo (Portugal).

Previsão não trouxe sorte na África do Sul

Antes da última Copa, em 2010, o grupo também se arriscou nos palpites e, acredite, elegeu o Brasil como favorito ao título na África do Sul. Como se sabe, o time de Dunga caiu nas quartas de final diante da Holanda. A Espanha, na ocasião, era a segunda na preferência do grupo, e terminou com o título.

Já a escolha da seleção do Mundial de 2010 não foi muito feliz. Tinha apenas um espanhol, o meia Xavi, e não incluía nenhum jogador da seleção holandesa, que ficou com o vice-campeonato. No trio de ataque, formado por Messi, Rooney, Cristiano Ronaldo, só um deles marcou gol — o português anotou apenas uma vez, contra a Coreia do Sul.

oglobo.globo.com | 28-05-2014

BRUXELAS — A líder da Frente Nacional (FN), Marine Le Pen, chegou nesta quarta-feira à sede da União Europeia, em Bruxelas, com o objetivo de conquistar aliados e formar um bloco no Parlamento. Apesar da vitória sem precedentes da extrema-direita na França no último fim de semana, Le Pen está encontrando dificuldades para formar a bancada.

Ela obteve os apoios do PVV, de Holanda; do FPO, da Áustria; da Liga Norte, da Itália; e do Interesse Flamengo, da Bélgica. Mas para constituir um bloco, o que lhe garantirá mais tempo ao microfone e apoio financeiro, precisa do apoio de legendas de seis países, e não somente de quatro.

Segundo as regras do Parlamento, um grupo político deve ter, no mínimo, 25 deputados de sete países. Como a Frente Nacional já possui 24 legisladores, a maior dificuldade de Le Pen será conquistar aliados de outras seis nacionalidades. O partido de Le Pen acusa a UE de minar a economia francesa, violando sua soberania e inundá-la de imigrantes — uma queixa comum entre seus novos aliados.

— Vamos deter qualquer novo avanço da UE — disse Le Pen.

Outro vencedor da eleição e que também faz parte dos grupos dos eurocéticos, Nigel Farage do partido UKIP do Reino Unido, já pertence a um grupo parlamentar e descartou a possibilidade de se aliar à Frente Nacional .

— Isso não vai acontecer — disse Farage à mídia britânica.

O partido grego Aurora Dourada demonstrou interesse, mas Marine le Pen descartou, assim como o húngaro Jobbik e o alemão NPD.

oglobo.globo.com | 28-05-2014

RIO - Quando entrar em campo no dia 12 de junho, contra a Croácia, Fred vai realizar seu sonho de criança, de jogar a Copa no Brasil. Se a seleção chegar à final, e vencer, outro sonho será realizado, desta vez, o de uma nação: exorcizar o fantasma de 1950, quando o Uruguai virou o jogo e deixou aberta a ferida que não vai cicatrizar enquanto o título em casa não vier para afogar no novo estádio as mágoas do velho Maracanazo.

Ser titular na Copa é o seu ápice?

Com toda certeza, é o meu ápice. Estar no grupo da seleção já é algo maravilhoso, vestir a camisa 9, então, é o sonho. É aquilo que trabalhei a minha vida inteira para conseguir. Estou no auge da minha carreira, não só na parte técnica, mas também física, psicológica e espiritual. É o momento que eu sempre esperei e esta responsabilidade me motiva a fazer um grande Mundial, aproveitar muito esta oportunidade única na vida de qualquer jogador e, se Deus quiser, ajudar o Brasil a trazer este hexa.

É a concretização do seu sonho de criança?

É um sonho de criança, sim. Acho que todo brasileiro ama futebol e, desde cedo, eu queria ser jogador profissional. Quando as coisas foram se encaminhando, este sonho foi ficando mais perto de ser realizado e, já na Copa de 2006, eu tive o prazer de estar junto de uma seleção maravilhosa, trabalhando inclusive com o Ronaldo, meu grande ídolo no futebol. Agora, ter a oportunidade de ajudar de forma mais efetiva, especialmente por disputar uma Copa junto com a nossa torcida, é maravilhoso. Se conseguirmos o título então, será a forma perfeita de realizar esse desejo de criança.

Se o Brasil ganhar a Copa, você seria capaz de dedicá-la à população?

O futebol existe por causa do povo, é a torcida que faz este jogo ser o mais popular e o mais lindo do mundo. Então, tudo que eu faço em campo, sempre é e sempre será dedicado ao torcedor, seja no Fluminense ou na seleção. No caso do Brasil, todos estamos acompanhando a situação do país, com as manifestações populares, e sabemos bem que esta Copa significa muito para todos os brasileiros. Acho que esta vai ser a Copa mais especial de todas. Estaremos juntos com a torcida para espantar aquele fantasma de 1950 e, se o título vier, será dedicado a cada brasileiro que nos apoia, e um prêmio para todos que têm lutado por um país melhor.

Os protestos já completaram um ano. As ruas, de fato, mudaram a percepção em relação aos políticos?

Acredito que essas manifestações foram algo realmente muito positivo para a consciência política dos brasileiros. Apoio totalmente qualquer causa que tenha como objetivo acabar com a corrupção e com tudo de errado que acontece no nosso país. Acho que o povo se lembrou da força e do poder que tem. Precisamos, no entanto, estar muito atentos para cobrar dos nossos representantes e, principalmente, participar mais da vida política do Brasil. Depois da Copa, temos eleições, e é uma forma excelente de todos darem prosseguimento às manifestações, de uma forma democrática buscando sempre as melhorias que precisamos, através do voto consciente. Acho que o Brasil tem melhorado nos últimos anos, mas ainda está muito abaixo daquilo que o povo merece.

E em relação à seleção?

O apoio do torcedor brasileiro sempre vai existir, a seleção é motivo de orgulho. Tenho muito claro que aquela química maravilhosa entre torcida e time cantando o hino daquela forma incrível, quebrando o protocolo da Fifa, passa também pelas manifestações e pelo sentimento nacional que estava muito forte. O povo sempre terá esta identificação com a seleção, e nós sempre teremos orgulho de representar os mais de 200 milhões de brasileiros quando entramos em campo. Acho que o povo nas ruas protesta de forma bem específica contra os acontecimentos do país, seja por melhorias no transporte, saúde, educação ou segurança. Dentro do estádio, o apoio é irrestrito e, desde que toca o hino até o apito final, sabemos que podemos contar com a torcida.

Você apoiaria algum movimento?

Acho que todos devemos ser engajados, especialmente quando se fala da política e das melhorias no país. Não só jogadores, mas também a imprensa e todo o povo precisam lutar por um país melhor. Com relação a apoiar movimentos, eu apoio e, inclusive, estou bem envolvido na batalha de erradicar a violência no futebol brasileiro. É um legado que pretendo deixar antes de encerrar minha carreira, mas acredito que, com união e parceria com os governantes, poderemos sim conseguir um futebol jogado dentro de campo, para que os profissionais do esporte não fiquem reféns de nada nem ninguém. Quem quer prejudicar o espetáculo é uma minoria, e, contra as minorias criminosas, todos precisamos agir, com leis mais severas e exigindo o seu cumprimento.

O Brasil perdeu a oportunidade de mostrar o grande país que quer ser?

O Brasil está mostrando o que ele é realmente. É um país gigante, com potencial enorme, mas, como todo país em desenvolvimento, sofre com estas mazelas sociais, com o descaso com a saúde, educação, transporte, segurança. Porém, temos uma força impressionante, talvez muito maior do que todos nós imaginemos, além de um povo muito forte e trabalhador. O mundo já sabe o tamanho do Brasil. Fora dos gramados, também somos uma potência em desenvolvimento. Um país com potencial turístico muito grande, riquezas naturais, uma cultura diversa e muito rica, além de termos um povo maravilhoso e muito trabalhador. A tendência é que o bom trabalho ajude no crescimento do Brasil e que sejamos notícia por grandes feitos não só no esporte, mas nos demais setores. Nosso país já está crescendo e ainda tem potencial para melhorar.

Que legado a Copa vai deixar?

Para o futebol, especificamente, a Copa vai deixar um legado de estádios maravilhosos que vão elevar o nível do nosso jogo, permitindo que, caso as pessoas envolvidas no espetáculo saibam recuperar e atrair os torcedores, os clubes ganhem em arrecadações, os jogadores desempenhem um futebol de maior qualidade e até mesmo que, no futuro, estejamos entre as grandes ligas do mundo no aspecto técnico. Acredito, inclusive, que estas novas arenas podem inibir a violência, com cadeiras em todos os locais e circuito interno de TV eficiente, que facilita a identificação de quem cometer algum delito. Competitividade, nenhum outro país tem como o nosso. o Brasileiro é o torneio mais difícil do mundo. Fora de campo, acredito que tivemos melhorias com obras de mobilidade, hotelaria, mas muito aquém do que poderia ter sido feito. Infelizmente, sabemos que é muito provável que obras tenham sido superfaturadas e que muito dinheiro do nosso povo foi pelo ralo, mas temos melhorias sensíveis em todos os aspectos. A decepção vem quando pensamos que a Copa era a grande oportunidade de se fazer mais e ver, por exemplo, o caos que vem sendo o trânsito nas grandes capitais. Mas temos muitas obras em andamento e execução até para depois da Copa. Cabe a todos nós trabalharmos para que o crescimento continue, porque, independentemente dos turistas, o Brasil é dos brasileiros, e é para o nosso povo que tudo precisa ser feito. Todos nós merecemos um país melhor.

Você teme pela sua família e amigos se ocorrerem protestos violentos durante Copa, principalmente no entorno dos estádios?

É inegável que a gente sente medo, não somente pelos nossos familiares e amigos de forma mais próxima, mas também pela segurança de toda a população. Protestos pacíficos sempre terão o meu apoio, mas quando a coisa desanda para a selvageria é sempre uma tristeza muito grande. E, mesmo nas manifestações, quem vai para depredar patrimônio e arrumar confusão é uma parcela mínima. Os brasileiros de bem estão nas ruas e com uma motivação absolutamente legítima. Os marginais que se infiltram precisam ser identificados e punidos de forma exemplar. Assim, nós vamos desenvolver uma cultura de povo mais consciente e que sabe lutar pelos seus direitos respeitando as leis e os direitos do outro.

Ainda sente medo antes de entrar em campo? O que teme fora dele?

O frio na barriga para entrar em campo nunca vai parar. O dia que eu não sentir aquela adrenalina, o nervosismo de um jogo de futebol, acho que não vou jogar mais. É uma sensação maravilhosa entrar em campo com estádio cheio e, na minha carreira, não conheci um jogador que não ficasse mexido com isso. Quando a bola rola, os sentimentos vão normalizando, é o nosso trabalho e eu gosto muito de conviver com a pressão, é uma motivação a mais. Meu maior temor é pela violência. Temo pela segurança da minha família e quero que minha filha encontre um país melhor no futuro. Nosso povo precisa ter o direito de ir e vir em segurança, seja pra casa, pro trabalho ou para um estádio de futebol. A violência é o grande monstro que precisamos combater.

Você pode ser considerado um dos principais jogadores do mundo?

Um jogador que atue pela seleção brasileira, e seja o centroavante do time, sempre terá um peso grande em qualquer lugar. Sempre tenho dito que não sou um gênio como Romário e Ronaldo, mas tentarei ser eficiente e corresponder bem as expectativas de todos. O grande astro da nossa seleção, pelo talento enorme que tem, é o Neymar. Acredito que em alguns anos ele será não um dos melhores, mas o melhor do mundo. Eu sei da minha importância para o meu clube e também para a seleção. Sobre ser um dos principais jogadores do mundo, prefiro que a Copa responda essa pergunta. Espero que a taça venha e que estejamos para sempre guardados na História.

Qual será o principal rival do Brasil, em campo e fora dele?

Estamos com a nossa torcida, e isso sempre será um ponto positivo. Dentro do campo, temos vários adversários de qualidade, todos os países que já foram campeões do mundo constituem ameaça para o nosso objetivo de conquistar o hexa. Vejo Alemanha e Espanha um passo à frente das demais, embora nunca possamos subestimar Itália, Argentina, França, Uruguai. A Holanda, que nunca foi campeã é muito forte, assim como Portugal, que tem o melhor jogador do mundo, a Bélgica, que tem uma geração que pode surpreender. Precisamos entrar em cada jogo muito focados para a vitória, porque todos sempre vão querer vencer o Brasil. É um troféu a parte para qualquer seleção. Fora de campo, os grandes adversários do país são internos, a corrupção, violência e a falta de investimentos na educação. Mas acredito que, com um combate adequado, nós vamos superar todas as dificuldades.

É possível ser artilheiro da Copa?

É possível, sim, até pela qualidade dos jogadores da nossa seleção, que têm o talento de criar jogadas e ajudar nesse objetivo. Primeiramente, o foco é ser campeão, mas ser artilheiro de uma Copa do Mundo seria um feito espetacular. A concorrência é forte, os melhores atacantes do mundo estarão na disputa, mas acredito na minha qualidade e na força da nossa equipe. Se não for o artilheiro, mas sair campeão, confesso que estarei extremamente satisfeito. Se conseguir as duas coisas, será perfeito.

Acha que Klose supera Ronaldo?

Torço bastante para que ele não supere, mas, caso o Klose seja titular da Alemanha, acho que será inevitável. A equipe deles é muito forte, cria várias oportunidades e o Klose é um artilheiro nato, não é de desperdiçar chances. Se dependesse de mim, o Ronaldo seria sempre o maior artilheiro, é o meu ídolo e sempre torci por ele. Escreveu sua história de uma forma maravilhosa sendo campeão, artilheiro e um símbolo de superação. Se o Klose marcar estes gols a mais vai ser um grande feito, mas não diminui em nada o gênio que sempre será o Ronaldo.

Qual seria, para você, a partida perfeita para o Brasil ganhar?

Ganhar da Argentina seria especial pela rivalidade e pela qualidade que as duas equipes têm. A última vez que o Brasil enfrentou a Argentina em Copa do Mundo foi em 1990, se não me engano, e fomos derrotados. Eu era criança ainda, mas a gente aprende desde cedo que ganhar da Argentina é mais especial que de todos os outros países (risos). Se não vierem nossos rivais daqui, e for um outro país, precisamos estar igualmente concentrados para vencer. Mas seria maravilhoso.

Na final?

Pode ser, ninguém alcança um título mundial sem enfrentar grandes seleções. Caímos em um grupo de adversários muito qualificados, mesmo não tendo sido campeões ainda. E, passando de fase, já nas oitavas, temos a possibilidade de pegar a atual campeã ou a atual vice-campeã mundial. E até mesmo o Chile, que é um time muito bom. Então, nós estamos esperando pedreiras em todos os confrontos, serão sete decisões que precisamos superar. Venha quem vier, estamos prontos.

Tem que assumir o favoritismo?

O Brasil é um dos favoritos e precisa jogar de modo condizente. Sabemos que precisamos alcançar as vitórias e, de preferência, sendo convincentes para que a força da torcida se manifeste ainda mais. Na Copa das Confederações, a gente sempre entrava com tudo no jogo, até empurrados pela força do hino, e o apoio era incrível. O Brasil é a maior seleção de futebol do planeta, provavelmente uma das mais talentosas e tem a comissão técnica mais vitoriosa entre todos os participantes, com Felipão e Parreira, que, juntos, somam três títulos mundiais. Precisamos assumir esta responsabilidade e faremos de tudo para justificar justificando a fama dentro de campo.

Quer ser o “muso” da Copa?

Não é algo que eu pense, mas as mulheres gostam do meu jeito e eu não reclamo disto. Mas não me considero nenhum muso, apenas arrumadinho. Se quiserem me eleger como este muso, vai ser uma honra a mais. Imagina só, campeão mundial, artilheiro da Copa e ainda ser o muso? (risos) Acho que seria um bom desfecho de Copa, não posso pedir mais nada.

Vencer a Copa seria a cura para ferida aberta desde 1950?

Seria uma forma de espantar o fantasma daquele mundial, que é lembrado sempre como um capítulo triste para o nosso povo. Ainda não éramos essa potência futebolística de hoje, mas aquela derrota para o Uruguai doeu muito. Ano passado, jogamos contra eles, no Mineirão, as lembranças eram inevitáveis, e, apesar da vitória, o jogo foi pegado, muito difícil. Mas Copa do Mundo é muito maior, tem uma importância decisiva e estamos prontos para curar essa ferida aberta no povo brasileiro com um grande título, independentemente do adversário.

Sua mãe será sua estrela nesta Copa? Irá olhar para você lá de cima?

Acredito que ela sempre olhou por mim e sempre será uma grande fonte de inspiração, um motivo para que eu faça sempre o melhor. Ela é a minha estrela lá no céu e tudo que eu faço é por ela e pela minha família, especialmente pela Geovanna, minha estrelinha aqui na terra. Conquistar este hexa vai ser muito especial. Sei que darei muito orgulho para ela, que, apesar de não estar fisicamente presente, nunca deixou de estar comigo e nunca será diferente.

oglobo.globo.com | 24-05-2014

RIO — O Brasil é o país que mais pretende expandir suas equipes em 2014, mas também o que enfrenta mais dificuldade de encontrar profissionais qualificados. É o que indica pesquisa feita pela consultoria Robert Half, que ouviu mil empresas de oito países — além do Brasil, o levantamento incluiu Austrália, Áustria, Bélgica, Chile, França, Itália e Nova Zelândia.

O estudo indica que 44% das empresas brasileiras pretendem criar novas vagas, contra 30% da média geral. E, segundo metade das companhias que atuam em território nacional, seu atual quadro de funcionários deve ser mantido, em número equivalente à média. Mais que isso: apenas 5% no Brasil dizem que vão congelar vagas e 1% afirma que vai eliminar posições, ficando abaixo da média dos países, de 15% de congelamento e 5% de supressão de vagas.

— O Brasil passa por momento antagônico: por um lado, tem muita empresa deixando o país; de outro, muitas estão chegando, principalmente nas áreas de infraestrutura e tecnologia — afirma o diretor de Operações da Robert Half no Rio de Janeiro, Sócrates Melo, para quem o fato de os empresários brasileiros mostrarem mais otimismo que os dos demais países é explicado pela perspectiva de expansão. — São lugares que têm uma economia muito forte, mas que não apresentam potencial de crescimento tão grande quanto o Brasil.

Esse momento, Melo acrescenta, está relacionado ao desaquecimento da economia e ao período pré-eleições, que geram incertezas:

— Por isso, o Brasil se apresenta como um país com os dois lados da moeda: há empresas que acreditam, e outras que preferem deixá-lo.

E, entre as companhias que continuam confiantes no potencial do país, é grande a dificuldade de achar profissionais qualificados. Esse é um problema apontado por 92% das empresas entrevistadas, especialmente para os cargos de assistente de projeto administrativo, gerente de escritório e assistente executivo, aponta a Robert Half.

— Principalmente nas áreas de recursos humanos, financeira e operações, por conta do novo modelo que as empresas estão buscando. Há também muita contratação de analistas de tecnologia e contábeis — diz Melo.

oglobo.globo.com | 14-04-2014

RIO - Ela pertenceu aos herdeiros do grupo pioneiro da indústria americana do petróleo. Passou rapidamente pelas mãos do homem mais rico da Bélgica. E enfrentou graves problemas ambientais que lhe custaram uma multa milionária nos anos 90, a mais alta aplicada até então por um órgão ambiental no Texas. Mas foi por causa de um negócio suspeito com a Petrobras que ela se tornou pivô de um escândalo de superfaturamento e ganhou as páginas dos jornais .

A árvore genealógica da refinaria de Pasadena remete à origem da toda-poderosa Standard Oil, fundada pela família Rockefeller em 1870. Os Rockefeller construíram um império nos EUA, que controlava 90% das refinarias do país e mais de 80% dos poços de petróleo. O monopólio acabou em 1911, quando a Suprema Corte americana validou uma lei antitruste, determinando a divisão da companhia em 34 empresas independentes.

Uma delas é a Standard Oil of Indiana, que em 1925 se fundiria com a antiga Amoco. Entre os ativos da nova empresa que emergiu desta união estava a Crown Central Petroleum Corporation, que operava duas refinarias no Texas. Uma delas era Pasadena.

Localizada no Houston Ship Channel, uma das vias navegáveis mais importantes dos EUA, e com capacidade para 106 mil barris diários, Pasadena chegou à beira do século XXI afundada em problemas ambientais. Com poluição atmosférica acima do aceitável, recebeu, em 1998, multa de US$ 1,1 milhão, aplicada pelo Texas Natural Resource Conservation Commission, o órgão ambiental do Texas. A punição foi uma vitória do sindicato de petroleiros local, que coordenou uma intensa campanha contra a refinaria.

Com tamanho passivo ambiental, os herdeiros da Crown decidiram colocar Pasadena à venda. Foram anos de tentativas. Reportagens publicadas em jornais americanos da época apontam que ela era avaliada nos livros contábeis da Crown por US$ 270 milhões, mas no mercado dizia-se que não valia mais de US$ 100 milhões.

A refinaria acabou sendo comprada, em janeiro de 2005, pela Astra Oil, controlada pelo belga Albert Frère, o homem mais rico do país. Meses depois, em novembro daquele ano, a Astra Oil assinava memorando de entendimentos com a Petrobras para sua venda à estatal.

Na época, o negócio fazia sentido. No início de 2006, quando a transação foi fechada, havia perspectiva de sobra de óleo pesado no Brasil, as refinarias brasileiras não estavam completamente adaptadas para este tipo de óleo e não se vislumbrava o atual crescimento do consumo de diesel e gasolina. Comprar uma unidade para refinar o petróleo brasileiro no maior mercado de derivados do mundo tinha lógica econômica, diz um ex-diretor da Petrobras que acompanhou a negociação.

Refinaria acabou sendo comprada por US$ 1,2 bilhão

O pré-sal, que até início de 2006 não havia sido anunciado, e a crise econômica mundial, que estouraria em 2008, mudaram o cenário. A Petrobras passou a ter de redirecionar investimentos. O consumo da gasolina nos EUA caiu no pós-crise e hoje anda de lado. Pasadena passou a operar com margens negativas.

O recente advento do tight oil — óleo não convencional muito leve — nos EUA deu fôlego à refinaria. Desde que foi comprada pela Petrobras, Pasadena processava óleo pesado brasileiro, mas tinha de importar óleo ultraleve africano. A mistura, explica Alexandre Szklo, professor de planejamento energético da Coppe/UFRJ, é necessária para compensar o elevado teor de enxofre e viscosidade do petróleo da Bacia de Campos (RJ).

— Como a produção do tight oil está concentrada no Meio-Oeste americano e há dificuldades para seu escoamento, há uma bolha de óleo leve na região. Pasadena está conseguindo comprar um óleo de excelente qualidade a preços baixos. Mas esta situação tem data para acabar. Quando o governo americano autorizar a inversão de sentido dos oleodutos que ligam o Meio-Oeste ao Golfo do México e o plano de expansão de dutos sair do papel, o tight oil será escoado para outros lugares, e o preço vai subir.

‘O diabo está nos detalhes’

Para Szklo, é difícil avaliar se Pasadena foi um bom negócio, pois “o diabo está nos detalhes”. O contrato de compra e venda acertado entre Petrobras e Astra tinha duas cláusulas controversas. Uma delas previa que um sócio teria de comprar a parte do outro em caso de desacordo, a chamada “put” (opção de compra de ações). A outra, batizada de cláusula Marlim, previa que a Astra Oil teria assegurado um lucro de 6,9% ao ano.

Membros do Conselho de Administração da Petrobras, entre eles a presidente Dilma Rousseff, dizem que aprovaram a compra sem conhecimento desses detalhes. A refinaria, cujo valor original era de US$ 360 milhões, acabou sendo comprada por US$ 1,2 bilhão. Sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU), ela também poderá se tornar alvo de uma CPI.

oglobo.globo.com | 23-03-2014

SEBASTOPOL — À margem do referendo de domingo na Crimeia sobre sua anexação à Rússia, há uma importante questão sobre o futuro dessa península: quais serão as consequências econômicas para a região caso decida cortar os laços com a Ucrânia? Uma semana antes da votação, um parlamentar russo anunciou que Moscou estava pronto para fornecer uma ajuda de mais de US$ 1 bilhão à península no sul da Ucrânia, ponto de acesso estratégico ao Mar Negro e que está sob controle russo.

Por parte da Ucrânia, Kiev promete “cobrir todas as despesas orçamentais na Crimeia, que será financiada, como de costume”, segundo o ministro das Finanças da Ucrânia, Oleksandr Chlapak.

— A Ucrânia assegura aos dois milhões de habitantes da Crimeia, cuja área é ligeiramente menor do que a da Bélgica, 85% dos recursos hídricos da península e 82% de sua eletricidade — afirma o especialista em energia Mykhailo Gonchar, do Centro Nomos em Kiev, contactado pela AFP.

As necessidades de gás da Crimeia são cobertas pela empresa estatal Tchornomornaftogaz, que extrai 1,6 bilhões de metros cúbicos de gás natural do Mar Negro a cada ano, ressalta o especialista. No entanto, se a Crimeia fizer parte da Rússia, esta última “não será capaz de compensar os recursos de curto prazo que a Ucrânia fornece à Crimeia, porque não existe infraestrutura entre a Rússia e a Crimeia”, avisa.

Turismo teme perdas

Um pequeno trecho de mar separa a Rússia do extremo leste da Crimeia, e apesar de o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, ter assinado em 3 de março um decreto sobre a construção de uma ponte, esta ficaria pronta apenas em alguns anos.

Para a Crimeia, um destino privilegiado na era soviética e até hoje muito procurado por turistas russos, o turismo é um dos principais pilares de sua economia. Mas, com a chegada das tropas russas e navios de guerra, os resorts, como os de Yalta e Evpatoria, já temem perdas e uma péssima temporada turística.

— Muitas pessoas decidiram não ir para a Crimeia, porque é perigoso, não é um lugar seguro —explica Sevguil Mousaïeva, famoso jornalista ucraniano. — No ano passado, mais de dois milhões de turistas passaram pela Crimeia, o que vai ser este ano? Eu não consigo imaginar.

As empresas, que correm o risco de perder seus clientes se a Crimeia passar a integrar a Rússia, “estão chocadas com esta situação. Elas não conseguem acreditar. Ontem era um território ucraniano, agora há um monte de soldados perto dos escritórios, muitas bandeiras russas nas prefeituras, escolas”.

As companhias não têm cedido ao pânico, segundo o jornalista, mas a situação econômica da península, que já não era positiva, pode piorar à medida que a crise diplomática se agrave, considera Olexiï Chorik, presidente dos Fundos de Desenvolvimento para a Crimeia.

Além do turismo, um dos motores da economia da península é a agricultura, que é “altamente dependente dos recursos hídricos que vêm do resto da Ucrânia, por isso todos temem os cortes caso a situação piore”, observa Chorik.

— É ridículo dizer que haverá investimentos na Crimeia, se o desconforto continuar. A Crimeia é um território perdido para o desenvolvimento econômico — diz ele.

Quarta-feira, os líderes autoproclamados da Crimeia avisaram que iriam começar a invadir as empresas estatais ucranianas, assegurando que não tocariam nas empresas privadas.

A cada ano, a Ucrânia gasta 2,8 bilhões de hryvnia (220 milhões de euros) na Crimeia, segundo Valerii Tchali, vice-diretor do Centro Razumkov, um centro de estudos com sede em Kiev, e ex-vice-ministro das Relações Exteriores da Ucrânia.

Se Moscou pagar os US$ 1,1 bilhões de dólares como declarou o parlamentar russo Pavel Dorokhine, membro da comissão parlamentar da Duma sobre a indústria, “não será o suficiente para manter as novas autoridades e garantir todos os benefícios dos cidadãos da Crimeia”, incluindo as pensões e salários, declarou Tchali.

E se a economia sofre por ter cortado seus laços com a Ucrânia, esta última não verá nenhuma diferença, pelo menos no curto prazo, acredita Tchali.

— A economia local da Crimeia no produto interno bruto da Ucrânia não exceda 3%, por isso não é uma grande perda por agora. Mas as consequências a longo prazo serão mais sensíveis — advertiu.

oglobo.globo.com | 15-03-2014
A Polícia Federal se prepara para fazer diligências e solicitar informações a autoridades de Holanda, Bélgica e Estados Unidos para apurar as suspeitas de evasão de divisas envolvendo a Petrobras em dois casos: no suposto suborno de funcionários da estatal por uma fornecedora holandesa e na compra de uma refinaria no Texas de uma empresa belga. Apesar de não ter, por lei, competência para investigar sociedades de economia mista como a Petrobras, cabe à PF apurar o crime de evasão de divisas. Como há suspeitas de que funcionários da estatal possam ter feito remessas ou mantido de forma irregular dinheiro no exterior, a polícia decidiu abrir dois inquéritos para averiguar as denúncias, como a Folha revelou hoje . Leia mais (03/13/2014 - 19h58)
redir.folha.com.br | 13-03-2014

BRASÍLIA - Com um estilo diferente de seu antecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ante os grandes temas globais, a presidente Dilma Rousseff acaba de aprovar a confecção de um Livro Branco, pelo Itamaraty, que conterá propostas elaboradas pela sociedade civil para a condução da política externa brasileira. Responsável pelo documento, o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, quer que o material sirva como referência para os próximos passos a serem dados pela diplomacia, não importa quem vença a eleição neste ano.

O Livro Branco será elaborado com base em uma série de debates que acontecerão, em Brasília, no período de 28 de fevereiro a 2 abril. Acadêmicos, políticos, autoridades governamentais, jornalistas, dirigentes de ONGs, enfim, representantes da sociedade civil discutirão temas envolvendo, por exemplo, as relações do Brasil com a América do Sul e os países desenvolvidos; o Oriente Médio; as mudanças climáticas; a nova geopolítica de energia; e os desafios da política comercial brasileira.

Um integrante do governo explicou que o ciclo de debates, denominado "Diálogos sobre Política Externa", e a consequente edição de um documento inédito na História da diplomacia brasileira, justifica-se pelo crescente interesse da sociedade brasileira pelo assunto. Será, ainda, uma forma de mostrar que, apesar das críticas, Dilma tem interesse pelo assunto tanto quanto Lula.

O gosto pela política externa foi demonstrado por Lula desde o início de seu primeiro mandato. Um de seus primeiros compromissos como presidente do Brasil foi participar em Davos, na Suíça, do Fórum Econômico Mundial. Lá, ele fez um discurso lançando a proposta de eliminação da fome e redução da pobreza.

No mês passado, Dilma se viu praticamente obrigada a viajar a Davos, para defender a economia brasileira perante os investidores internacionais. Outro compromisso que foi anunciado na última sexta-feira, após semanas de hesitação, é a ida da presidente da Bruxelas, na Bélgica, sede da União Europeia, onde ela discutirá com os europeus a criação de uma zona de livre comércio com o Mercosul.

- Está claro que a presidente Dilma tem, hoje, uma concepção diferente da política externa de Lula, que parece não bater nem mesmo com a do Itamaraty, que sempre fez críticas veladas à diplomacia. Ela quer mais engenheiros na política externa, pessoas pensando no aspecto mais imediatista - disse Guilherme Casarões, professor de política externa das Faculdades Integradas Rio Branco.

Casarões citou como pontos positivos da política externa de Dilma a eleição do diplomata Roberto Azevêdo para a diretoria-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Rio + 20, realizada em meados de 2012, no Rio. Foi graças ao sucesso do evento que Dilma escolheu, para ocupar a vaga do então chanceler Antonio Patriota, Luiz Alberto Figueiredo, na época negociador chefe pelo Brasil. Patriota foi atropelado, ano passado, pela fuga do senador boliviano Roger Pinto Molina de seu país, escoltado pelo diplomata Eduardo Saboya.

- Dilma parece dar menos importância à política externa. Preferiu dois burocratas do Itamaraty a um diplomata de peso como Celso Amorim. Dizem que ela optou por um ministério fraco, assim quem manda é ela. Não tem o mesmo protagonismo em relação à África. Na prática, abandonou qualquer ambição a ter um papel maior nas questões do Oriente Médio. Afastou-se do Irã por causa da discriminação à mulher no regime fundamentalista iraniano - comentou o jornalista e especialista em relações internacionais, Nelson Franco Jobim.

O primeiro sinal de que Dilma iria imprimir um novo estilo foi dado dois meses antes de sua posse, em novembro de 2010. Em uma entrevista concedida ao jornal americano Washington Post, ela condenou a violação aos direitos humanos no Irã, especialmente em se tratando de mulheres. Esse tipo de colocação não fazia parte do discurso de Lula, que chegou a intermediar um acordo nuclear, em Teerã, com a participação da Turquia. Um dia depois de anunciado, o tratado foi vetado pelos Estados Unidos.

Da mesma forma, a participação do Brasil em questões como os conflitos na Síria, as negociações de paz envolvendo israelenses e palestinos e outros temas da agenda internacional passou a ser mais discreta. A diplomacia brasileira sempre se oferece para colaborar, mas por intermédio do multilateralismo.

Segundo especialistas e fontes do governo brasileiro, com a crise financeira, as grandes discussões esfriaram e os países desenvolvidos, mais atingidos pelas turbulências, voltaram-se para si e seus problemas. As maiores demandas partiram de forma mais frequente da América do Sul: a destituição do ex-presidente paraguaio Fernando Lugo; a crise comercial com a Argentina; e o ingresso da Venezuela no Mercosul.

Já Lula, em oito anos de mandato, consolidou a política Sul-Sul ajudando na criação dos Brics (sigla para o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e do Ibas (grupo político integrado por Índia, Brasil e África do Sul). Aproximou-se dos países árabes para melhorar a balança comercial brasileira e cortejou os africanos para receber o apoio à candidatura do Brasil a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU.

- O Brics virou um instrumento de política externa da China, como mostra a inclusão da África do Sul, convidada para dar a entender que a China está preocupada com o desenvolvimento da África e não apenas em garantir o acesso a matérias-primas - comentou o acadêmico e jornalista Nelson Franco Jobim, especialista em relações internacionais.

Lula mantinha ótimas relações com o ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Mais à frente, com a entrada de Barack Obama, a convivência azedou e esse estado permanece até os dias de hoje, com a denúncia revelada pelo GLOBO sobre a espionagem americana. Dilma chegou a cancelar uma viagem a Washington, insatisfeita com as explicações dadas pela Casa Branca.

O cientista político David Fleischer mencionou o tratamento dado por Lula pelos boxeadores cubanos que, durante as olimpíadas panamericanas, no Rio, pediram para ficar no Brasil. Os atletas tiveram de voltar para a ilha caribenha. No caso dos profissionais que estão deixando o programa Mais Médicos, a atitude do governo Dilma é deixá-los aqui para que aguardem a decisão final dos órgãos competentes.

oglobo.globo.com | 19-02-2014

A União Europeia aprovou nesta segunda-feira, 10, um processo de negociações para normalizar as relações com Cuba, suspensas há mais de dez anos. O objetivo é encorajar o país latino-americano a manter as reformas no âmbito da economia e dos direitos humanos. Reunidos em Bruxelas, na Bélgica, os ministros de Negócios Estrangeiros do bloco concordaram em iniciar negociações para garantir a conclusão de um acordo de diálogo político e cooperação com a ilha, dirigida pelo presidente Raúl Castro....
noticias.terra.com.br | 10-02-2014

BRUXELAS - Por uma margem pequena de votos, os suíços mostraram, em um referendo realizado neste domingo, que apoiam a proposta que pretende impor cotas à entrada de europeus e acabar assim com a livre mobilidade de pessoas entre ambos territórios que ocorre desde 2002. Segundo os resultados finais, 50,3% votaram a favor.

O referendo deve causar uma reviravolta na relação da União Europeia com o país. Com o resultado favorável a uma maior restrição da imigração, Suíça e Bélgica terão que renegociar alguns acordos de integração que afetam o movimento de trabalhadores, as relações comerciais, a pesquisa agrícola, entre outros âmbitos. As restrições de fronteiras aos cidadãos podem abrir uma grave crise política entre ambos os territórios.

A rede de TV BBC em diz que o resultado expôs divisões entre a população suíça, com áreas de língua francesa votando contra as cotas, as regiões de língua alemã divididas, e o cantão de língua italiana de Ticino fortemente a favor.

Em um comunicado, a Comissão Europeia afirmou que lamenta que uma “iniciativa para a introdução de limites quantitativos à imigração tenha sido aprovada por esta votação”.

“Isso vai contra o princípio da livre circulação de pessoas entre a UE e a Suíça. A UE analisará as implicações desta iniciativa sobre as relações UE-Suíça como um todo. Neste contexto, a posição do Conselho Federal sobre o resultado também será levado em conta”.

Os suíços foram convocados para votar, neste domingo, “contra a imigração em massa”, por uma iniciativa popular apresentada pela União Democrática de Centro, um partido de direita de cunho populista. O texto é breve e muito específico. Propõe reintroduzir um sistema de cotas primeiramente no país, que seriam fixadas pelo governo federal, e a possibilidade de limitar o direito ao reagrupamento familiar dos estrangeiros europeus. Conscientes de que esta proposta anula o sistema de livre intercâmbio que existe agora entre a Suíça e seu principal mercado, a UE, o texto pede renegociação, no prazo de três anos, dos acordos que vinculam Bruxelas a Berna. A Suíça possui 23% de imigrantes, um percentual superior ao de qualquer país europeu. Boa parte deles se localizam em setores de alta qualificação.

“É uma votação voltada para as emoções da gente, não para argumentos econômicos; todos os estudos demonstram que a livre circulação de pessoas foi benéfica para a Suíça”, explica em conversa telefônica Yves Flückiger, vice-reitor da Universidade de Genebra e especialista nas consequências econômicas da livre circulação.

Efetivamente, todos os indicadores ratificam esses benefícios: desde que se abriram as portas aos europeus, a taxa de desemprego do país permaneceu praticamente estável, ao redor de 3% da população ativa (2% entre os suíços de origem), o que supõe uma situação de pleno emprego e de dificuldades em alguns setores qualificados para encontrar mão-de-obra adequada. Os salários cresceram em média 0,6%, uma taxa superior ao período anterior. E o crescimento econômico do país supera o da UE (em 1% em 2012).

Os defensores da iniciativa não questionam esses dados. Suas objeções são outras.

“Há uma concentração demográfica muito forte na Suíça. Poderiam construir edifícios mais altos ou transformar terrenos agrícolas em habitação para aliviar, mas muita gente se opõe. Além disso, temos uma rede de transportes que está muito pressionada e isso se deve ao efeito migratório”, argumenta Fabienne Despot, presidente do partido do Canton de Vaud, um dos 26 que formam o país.

Em seus documentos oficiais, o governo federal admite problemas de acesso à moradia, mas atrela essa questão a várias causas – entre elas a livre circulação - e assegura que diferentes medidas paliativas já estão sendo tomadas.

Oficialmente, Bruxelas não quis se pronunciar nestes dias sobre as possíveis consequências que um sim terá para as relações que mantém com seu vizinho suíço, situado próximo ao centro geográfico da Europa e rodeado de países membros da UE. Seus porta-vozes expressaram o máximo respeito pelo procedimento democrático e decidiram esperar os resultados. Mas fontes comunitárias admitem que estão revisando todos os possíveis efeitos que terá nos acordos bilaterais.

O caso suíço demonstra que o temor à imigração e a caminhada rumo ao âmbito nacional se impõem apesar de as cifras não justificarem esses medos. As pesquisa sobre a intenção de voto foram ficando cada vez mais apertadas (últimas projeções apontam 50% contra a iniciativa e 43% a favor), ainda que entre os poderes públicos domine a rejeição à introdução de cotas aos vizinhos comunitários. O governo recomendou que se vote contra, os empresários alertaram das graves consequências que teria para a economia do país e os sindicatos advertiram também que trabalhadores suíços não seriam beneficiados. Mas a desconfiança que percorre toda a Europa chegou também aos ricos suíços e lhes levou a olhar com medo para os estrangeiros europeus. Embora esses estrangeiros sejam, em boa medida, alemães e franceses, afastados do estereótipo do imigrante comunitário do sul da Europa.

Com a aprovação popular da iniciativa, as autoridades têm pouca margem para resistir. A Suíça possui uma democracia que concede aos cidadãos a capacidade de submeter a referendo uma iniciativa popular (com um requisito quantitativo de assinaturas que a apoiem) para mudar legislações consideras prejudiciais. Como a proposta obteve a maioria do número de cidadãos, o Parlamento deve legislar de acordo com a decisão.

oglobo.globo.com | 09-02-2014

BRUXELAS - O conselheiro de estado chinês, Yang Jiechi, mais importante diploma de Pequim, defendeu nesta segunda-feira que China e União Europeia (UE) considerem um acordo de livre comércio multibilionário, revelando uma melhoria nas relaões entre os dois maiores mercados do mundo.

- Há perspectivas brilhantes para a cooperação China-UE - disse Yang a jornalistas após uma reunião com a chefe de políticas externas do bloco europeu, Catherine Ashton, em Bruxelas, na Bélgica.

A declaração do diplomata ocorre a dois meses da visita do presidente Xi Jinping à capital belga, programada para março. Segundo Yang, ambos os lados deveriam “trabalhar conjuntamente para criar condições para lançar um estudo de viabilidade de um acordo de livre comércio entre China e UE”.

Em dezembro, o primeito-ministro britânico, David Cameron, havia afirmado que era forte defensor de um acordo como esse. A Comissão Europeia, no entanto, que controla as negociações internacionais em nomve do bloco, destacou, na ocasião, que, em primeiro lugar, deveria haver progresso em um “acordo de investimento”, para facilitar os negócios entre países europeus e a China.

As conversas para que o pacto se concretize começaram formalmente em Pequim na semana passada. Empresas europeias reclamam do tratamento recebido ao fazer negócios na China, como a obrigação de compartilhar informações sensíveis para conseguir acesso a investimentos chineses e contratos locais.

Os negócios entre Europa e China dobraram desde 2003, para mais de 1 bilhão de euros (US$ 1,3 bilhões) por dia, mas a China recebe apenas 2% dos investimentos externos da União Europeia. A criação de uma área de livre comércio criaria um mercado de quase 2 bilhões de pessoas.

oglobo.globo.com | 27-01-2014

PARIS - Enquanto muitos são expulsos, outros são recebidos de braços abertos na Europa em crise. Desde que cheguem com uma mala cheia de notas. Isso acontece em Malta, que acaba de adotar uma lei que permite a estrangeiros obter a nacionalidade por 650 mil euros. Aqueles que aceitem pagar essa “módica” quantia não precisarão se submeter a qualquer outra obrigação. Nem mesmo precisarão viver na ilha. Malta quer assim depositar divisas em suas caixas vazias e atrair investidores ricos.

Para alguns, o valor pode parecer um pouco exagerado, só para ter direito a residir nessa pequena ilha de 450 mil habitantes, banhada pelos sol e situada em pleno Mediterrâneo. Mas Malta é um dos 28 estados da União Europeia (UE) e, sobretudo, membro pleno do espaço Schengen, que estabelece a livre circulação de pessoas e mercadorias dentro da maior parte do bloco.

Por esse motivo, a decisão tomada em 12 de novembro passado pelos legisladores malteses provocou indignação no Parlamento Europeu, que na última quinta-feira solicitou que a pequena ilha altere sua controvertida medida. Outros países que optaram pelo mesmo regime também receberão recomendação para modificá-lo.

Com o novo sistema, o governo maltês espera arrecada 30 milhões de euros a partir do primeiro ano de sua aplicação. O programa, que entrará em vigor em fevereiro, estabelece um máximo de 1.800 novas cidadanias por ano.

Henley and Partners, a empresa encarregada de organizar e administrar as formalidades administrativas dos futuros cidadãos, espera receber entre 200 e 300 candidaturas por ano. Até a última sexta-feira, cerca de 45 potenciais candidatos teriam se manifestado.

Graças ao afluxo de dinheiro, o governo deve ser capaz de “limitar a quantidade de tributação indireta”, mas também corre o risco de ser acusado de “desvalorizar a cidadania de Malta”. Este é, em qualquer caso, o ponto de vista do líder da oposição, Simon Busutill. Para ele, Malta pode acabar sendo comparado a “paraísos fiscais do Caribe”. Busutill prometeu, caso retome o poder, revogar a cidadania de quem a obtiver graças a essa lei.

De acordo com pesquisa realizada pelo diário “Malta Today”, a população pensa o mesmo que a oposição: 53% afirmaram ser contra a medida.

Apesar da indignação, tanto os legisladores europeus quanto a Comissão Europeia (CE) têm os pés e as mãos atados, uma vez que a concessão da nacionalidade é uma prerrogativa exclusiva dos estados, mesmo quando esta inclua todos os direitos reservados aos cidadãos europeus. “Conceder a cidadania a uma pessoa significa outorgar-lhe os mesmos direitos nos outros 27 estados da União Europeia”, reconheceu durante o debate a vice-presidente da CE responsável pela Justiça, Viviane Reding.

Mas a decisão de Malta está longe de ser um caso isolado. La Valette foi o primeiro a estabelecer o valor numa etiqueta de venda, mas outros países propuseram a concessão de um passaporte em troca de investimentos. Entre eles, Chipre e Áustria.

A Áustria prevê que uma solicitação de naturalização pode ser apresentada em troca de investimentos diretos no valor de três milhões de euros. Chipre oferece a mesma chance, mediante um investimento de dois milhões de euros no mercado de habitação e um subsídio de 500 mil euros para financiar pesquisas tecnológicas. Outros países, como Bélgica e Portugal, propõem autorizações de residência que, no fim, levarão à aquisição da nacionalidade em troca de grandes investimentos. “Há uma grande diferença entre a venda de um passaporte e obter uma autorização de residência mediante investimentos na economia de um país”, disse o representante do partido conservador PPE, Wim Van Camp.

Todos estão cientes de que o tema tem poucas chances de avançar com rapidez. “Mas a UE terá que tomar medidas”, opinou a eurodeputada socialista Sylvie Guillaume. Seu colega conservador Philippe Juvin pensa a mesma coisa: “Esta situação é absurda. O bloco precisa estabelecer regras rigorosas para regulamentar a atribuição de naturalização”.

oglobo.globo.com | 20-01-2014

BRUXELAS - A União Europeia (UE) vai mudar o cálculo do PIB a partir de setembro, obrigando os estados-membros a contabilizar os desembolsos de Investigação, Desenvolvimento e Defesa como investimento em lugar de gasto, como vinha sendo feito até agora.

A mudança aumentará o PIB espanhol entre 1% e 2% e em até 2,4% na UE, embora o número vá ser apenas estatítico. A revisão afetará também o cálculo que relaciona dívida pública e PIB, além de beneficiar outros países como Finlândia e Suécia, com avanços de 4% e 5% respectivamente.

Áustria e Reino Unido verão crescer o indicador entre 3% e 4%; Alemanha, Bélgica e Dinamarca, entre 2% e 3%. Em menor escala, Eslovênia, Eslováquia, Estônia, Irlanda, Itália, Luxembrugo, Portugal e República Tcheca verão essa expansão crescer entre 1% e 2%.

Quando o novo sistema contábil entrar em vigor, a taxa de dívida pública sobre PIB diminuirá na mesma proporção em que aumentam os resultados das economias destes países. Mas, de acordo com a UE< não afetará a evolução futura do PIB nem as perspectivas de crescimento dos países europeus.

A Comissão Europeia justificou a variação em seu método de cálculos com a "transformação da economia nos últimos 20 anos pela crescente importância das tecnologias da informação e comunicação, e pelo maior peso dos ativos intangíveis".

oglobo.globo.com | 16-01-2014

A economia da Bélgica é beneficiada pela localização geográfica privilegiada do país na Europa, por uma rede de transportes bastante desenvolvida, e por uma base industrial e comercial diversificada. A indústria está concentrada principalmente na região de Flandres, ao norte. Com poucos recursos naturais, o país importa grandes quantidades de matérias primas e exporta principalmente manufaturados. O resultado é uma economia bastante dependente dos mercados mundiais. O país é o 18º no ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial.


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