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Bélgica Economia


Vinte e sete líderes da União Europeia (UE) tentaram esboçar uma agenda, nesta sexta-feira, com o objetivo de colocar o bloco no caminho da recuperação após o plebiscito no Reino Unido, em que os britânicos decidiram pelo "Brexit". Houve, no entanto, sinais imediatos de grandes divisões no continente, particularmente sobre imigração.

No final da reunião na capital da Eslováquia, Bratislava, os líderes prometeram colaborar ainda mais na proteção das fronteiras do bloco, no combate ao terrorismo e nos esforços para impulsionar a economia da região. Eles disseram que essa era a única maneira de contrariar o que eles chamaram de "soluções simplistas" de movimentos populistas e nacionalistas.

Na primeira reunião dos líderes sem a participação do Reino Unido, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse que o bloco precisa se preparar para a era pós-Brexit. "Nossos eleitores estão esperando que entreguemos resultados na redução da imigração, na melhora dos padrões de moradias e na modernização da infraestrutura de telecomunicação do bloco", disse Merkel. "Mas se não fizermos isso, não teremos nenhuma chance, então hoje foi um passo para a direção correta, mas apenas um".

No entanto, o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi, que enfrenta forte pressão política em seu país, disse que não se juntaria aos líderes da França e da Alemanha em uma coletiva de imprensa porque não estava "satisfeito com as conclusões sobre o crescimento da migração".

Renzi reclamou que os outros países não dividiram o fardo da crise imigratória de forma homogênea e disse que para descrever as conclusões como um progresso seria preciso um ato de "imaginação". "As mesmas coisas foram ditas novamente", disse.

O chefe do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou que os líderes concordaram em "jamais permitir o retorno de fluxos descontrolados de refugiados do ano passado, e em garantir pleno controle de nossa fronteira externa".

Embora a reunião tenha sido originalmente convocada para ajudar os líderes europeus a se prepararem para as negociações sobre os termos da saída do Reino Unido, a primeira-ministra britânica, Theresa May, ainda não iniciou essas conversas. Apesar de alguma pressão por parte de países como França e Bélgica, May sinalizou que não vai negociar neste ano.

"As negociações precisam levar a um resultado em que fique claro que vale a pena ser um membro da UE, que existem mais vantagens que desvantagens", disse o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico. "Para ser franco, diferentemente do Reino Unido, nós sabemos o que queremos", completou.

Nas discussÕes, os líderes mapearam diversas areais importantes para se focarem e definiram um calendário de seis meses para começarem a realizar mudanças. Novas reuniões acontecerão em Malta, no começo do próximo ano e na Itália, em março. Fonte: Dow Jones Newswires.

RIO - A publicação da portaria 457 do Ministério da Saúde, em agosto de 2008, regulamentou o processo transexualizador no Sistema Único de Saúde (SUS) e foi recebida pelos movimentos de defesa dos direitos humanos como mais um avanço em direção ao reconhecimento da cidadania da população transexual. O documento credenciou o Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), da Uerj, em Vila Isabel, como o único do Rio e um dos cinco do país aptos a realizar todos os procedimentos envolvidos no processo, como acompanhamento psicológico, terapia hormonal, colocação de próteses e cirurgia de transgenitalização. Oito anos depois, a medida trouxe mais problemas do que benefícios para a unidade de saúde.

A portaria assinada pelo então ministro da Saúde José Gomes Temporão transformou em política de estado cinco projetos de pesquisa de hospitais universitários do país que, até então, trabalhavam amparados por resoluções do Conselho Federal de Medicina. Em Vila Isabel, o procedimento já era realizado regularmente desde 2002.

A nova legislação fez com que a procura pelo serviço explodisse. Com média de dez cirurgias de transgenitalização realizadas por ano, o Hupe não recebe mais inscrições para interessados no procedimento desde agosto de 2011. Tudo para equacionar a fila, estimada pela unidade em 80 pessoas, como explica a assistente social Márcia Brasil, coordenadora ambulatorial do processo transexualizador.

A portaria foi um reconhecimento importante no campo da cidadania, mas veio sem trazer novos investimentos — A portaria foi um reconhecimento importantíssimo no campo da cidadania, mas veio sem que fosse investido sequer mais R$ 1 no projeto, seja para qualificação de profissionais, para contratação ou para compra de qualquer equipamento. De uma hora para outra, passamos a ser muito cobrados por causa da expectativa de direito que foi gerada sem qualquer investimento. Nós estamos assoberbados porque somos a ponta de uma rede que não existe: não há atenção de base para os transexuais, e nós somos uma unidade de alta complexidade — afirma.

O atendimento aos transexuais não tem um setor próprio. Ele é feito no ambulatório de reconstrução genital do Departamento de Urologia, onde, uma vez por semana, são atendidos pacientes com problemas como câncer de pênis e intersexualidade, nova interpretação dada pela medicina para o fenômeno anteriormente conhecido como hermafroditismo. O objetivo da medida é evitar segregação. Até hoje, já foram realizadas, de acordo com o Ministério da Saúde, 231 cirurgias de transgenitalização na unidade. O procedimento é considerado de grande porte, dura entre quatro e seis horas, e demanda uma semana de internação no pós-operatório. Chefe do setor de Urologia, Ronaldo Damião é um dos entusiastas do processo transexualizador, mas reconhece que, sozinho, o Hupe não tem condições de atender a toda demanda natural do estado e ainda de transexuais de outras regiões do país que o procuram.

— Não podemos fazer todas as cirurgias aqui, por falta de leitos, de pessoal e de estrutura. Precisamos difundir essa prática e realizar as cirurgias também em outras unidades. Nós temos profundo compromisso com a formação de recursos humanos para essa área, mas isto não basta. Necessitamos de uma política de saúde voltada para a população transexual, com valorização dos profissionais que atuam neste segmento — diz.

Nas dependências do Hupe, funciona o único programa de fellowship em reconstrução genital do país, uma espécie de pós-residência. Durante um ano, os médicos acompanham o funcionamento do ambulatório e suas variadas cirurgias, e saem capacitados para realizar diversos procedimentos cirúrgicos, como o de reconstrução genital. No entanto, os demais eventos que buscam compartilhar experiências de profissionais da área com a transexualidade são pouco procurados, especialmente por cirurgiões e urologistas, profissionais fundamentais para que o processo possa se difundir para outros polos.

O mais importante é o acolhimento, e não a cirurgia: a genitália é um detalhe— Ninguém procura, não há interesse. Recebemos contatos de psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais, mas não de médicos, o que é fundamental. Até porque os assuntos dos quais tratamos não estão no programa acadêmico das faculdades de Medicina. Eles precisam de algum tipo de incentivo externo, como uma bolsa de estudos, por exemplo — diz Damião.

Responsável médico pelo processo transexualizador, o urologista Eloísio Alexsandro da Silva é referência nacional nas cirurgias de redesignação sexual. A simples menção de seu nome provoca nos interessados no procedimento o mesmo frisson causado no passado por Ivo Pitanguy na cirurgia plástica e, atualmente, por Paulo Niemeyer na neurocirurgia. Mineiro de Tarumirim, fez especializações na Espanha, na Bélgica e nos Estados Unidos e, ao lado de dois ex-alunos da fellowship que coordena, ele realiza as cirurgias. Cuidadoso com as palavras, ele explica que o atendimento de saúde voltado para a transexualidade é muito mais complexo do que a transgenitalização e envolve demandas invisíveis.

- A parte mais importante do trabalho que fazemos no Hupe é o acolhimento. O indivíduo chega ao hospital já muito machucado pela vida e não costuma recorrer à rede pública de saúde porque, quando o faz, é tratado de forma preconceituosa. É frequente o desrespeito ao nome social, por exemplo, algo que não acontece aqui - comenta Alexsandro da Silva.

Segundo o urologista, o Hupe também ajuda os pacientes com a nova documentação (para a mudança do primeiro nome) e seu encaminhamento à defensoria pública. Uma medida de acolhimento que, de acordo com o médico, alivia o sofrimento deles.

- A cirurgia não é para todo mundo. Mas para uma pequena parcela de pessoas que repelem a genitália e não a entendem como parte de seu gênero - afirma.

Devido ao caráter irreversível e mutilatório das cirurgias, o Ministério da Saúde determina que o paciente seja acompanhado por uma equipe de saúde transdisciplinar por pelo menos dois anos, antes de receber o aval para a realização do procedimento, para evitar depressão e arrependimento. Somente depois deste momento ele é incluído na fila de espera.

NOVO CENTRO ESPERA RECURSOS

A contrabaixista e estudante de Pedagogia Kathyla Katherine Valverde milita em prol da diversidade sexual e é membro do Conselho Estadual de Direitos LGBT. Começou a fazer acompanhamento no Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Caprilone (Ieds), no Centro, que também oferece serviços ambulatoriais, mas não cirúrgicos. Chegou ao Hupe no fim de 2008 e, de acordo com a equipe médica, deve ser operada até o fim do ano. Ao receber a notícia, mal conseguiu conter a ansiedade.

- Em casa, meu enxoval já está pronto: a hora que ligarem, venho com tudo. Estou muito feliz de passar por esse procedimento no Pedro Ernesto, que é referência nacional. Mas ainda falta uma política nacional de atenção aos transexuais, e isto gera problemas que o hospital não consegue contornar sozinho - afirma.

Em casa, meu enxoval já está pronto: a hora que ligarem chamando para a cirurgia, venho com tudoUma dessas dificuldades é o acesso a medicações, como o acetato de ciproterona, um anti-andrógeno que inibe a ação da testosterona. Disponível nas farmácias dos hospitais, a substância não está juridicamente liberada para o tratamento de pacientes transexuais. Seu consumo não está previsto no Código Internacional de Doenças (CID), que contempla a transexualidade.

A presença dessa condição no CID ampara a realização do processo transexualizador pelo SUS. Mas a equipe do Hupe luta pela desclassificação da categoria de doença, sem prejuízo ao atendimento aos pacientes, explica Márcia Brasil.

- Entendemos a situação como uma condição humana, que requer mais cuidados do que qualquer doença. O Ministério da Saúde deveria estender a medicina necessária ao CID aos transexuais, mas nós lutamos pela despatologização, como aconteceu há anos com os homossexuais. Já que a condição deles também foi considerada doença. E não há razões para isso atingir o atendimento. A saúde oferece cobertura para vários procedimentos que não envolvem doenças, como a gravidez - diz ela.

Para dinamizar o atendimento ao público e minimizar a fila de espera, no ano passado, Cláudio Nascimento, coordenador do programa Rio sem Homofobia, da Secretaria estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, conseguiu junto aos deputados federais Jandira Feghali (PCdoB) e Jean Wyllys (PSOL) uma verba de R$ 3 milhões em emendas parlamentares para a construção do Centro de Saúde Integral para Travestis e Transexuais. O novo equipamento funcionaria em uma área de 500 metros quadrados, dentro da Policlínica Piquet Carneiro, também da Uerj, no bairro de São Francisco Xavier. Mas os recursos foram bloqueados devido ao contingenciamento feito pelo governo federal por causa da crise econômica. Ele promete retomar a busca por recursos, agora que uma mudança na legislação tornou as emendas parlamentares impositivas.

- Os recursos dessa fonte precisam ser efetivamente pagos, não é mais uma discricionariedade do poder público. O acesso à saúde é fundamental. Hoje, os transexuais só procuram a rede pública quando não há mais jeito. Evitam ao máximo fazê-lo para não serem humilhados - diz Nascimento.

Moradora do Complexo da Maré, Samira Costa foi operada em junho depois de sete anos de espera. A angústia deu lugar à euforia depois de realizar o sonho após anos de sofrimento e bullying em Barbacena (MG), onde morava antes de mudar-se para o Rio, impulsionada pelo preconceito.

- Em cidade pequena, tudo é muito complicado. Aqui eu nunca sofri discriminação e estou muito feliz. Nunca poderia pagar por essa cirurgia na rede privada - diz, enquanto faz planos. - Quero arranjar um marido e ser dona de casa.

Para os homens transexuais, a situação é mais dramática. A cirurgia de transgenitalização masculinizante é considerada experimental pelo Ministério da Saúde. Mesmo que o paciente esteja disposto a pagar para fazê-la na rede particular, não pode. A legislação impede que o procedimento seja feito fora dos hospitais universitários credenciados.

Há um ano, Ollie Barbieri faz acompanhamento no Ieds. Ele procurou o Hupe, mas encontrou portas fechadas para o tratamento. Em breve, pretende passar por cirurgias para a retirada das mamas e do útero, mas ainda mostra receio com o caráter experimental da cirurgia genital masculinizante.

- Nunca me senti confortável com meu corpo, cheguei a sofrer de depressão por causa disso. Descobri aos 15 anos a existência deste procedimento que pensava só haver no exterior. Prefiro esperar um pouco mais para fazer a cirurgia transgenital, até que ela seja devidamente reconhecida - diz Barbieri, que espera a reabertura das inscrições do Hupe para voltar ao hospital.

De acordo com Eloísio Alexsandro, o Conselho Federal de Medicina (CFM) prepara uma nova resolução, que deverá pedir o fim do caráter experimental do procedimento, para que seja plenamente reconhecido, e que pode servir de base para a instrução de uma nova portaria do Ministério da Saúde. Ele diz que, nas cirurgias feitas no Pedro Ernesto, os desejos dos pacientes são levados em conta:

- Os indivíduos têm diferentes necessidades: uns querem uma vagina funcional. Outros, grande. As pessoas precisam entender que, neste processo todo, o órgão genital é só um detalhe. A saúde transexual é mais complexa do que a cirurgia. Devemos desconstruir o masculino e o feminino para assimilar o conceito de gênero.

Por meio de nota, o Ministério da Saúde informa que financia os procedimentos para o processo transexualizador, mas a implementação e o credenciamento de novos serviços são de competência dos gestores locais. Lembra ainda que, em 2013, garantiu o direito de inclusão dos nomes sociais de travestis e transexuais no Cartão SUS.

oglobo.globo.com | 08-09-2016

BRASÍLIA E RIO - O governo pode criar um regime especial de trabalho para o aposentado, nos mesmos moldes do estágio, sem custos trabalhistas para os empregadores. A ideia foi apresentada a assessores do Ministério da Fazenda e, segundo interlocutores, está sendo analisada com cuidado. Tem como partida projeto do professor de Economia da USP Hélio Zylberstajn.

Pela proposta, os aposentados com mais de 60 anos poderiam ser contratados por empresas, com jornada reduzida (quatro ou seis horas diárias) e sem encargos trabalhistas (FGTS, INSS, 13º). Teriam direito apenas a férias, sem adicional de um terço. Aposentados por invalidez não seriam incluídos na nova regra.

A iniciativa é vista como uma forma de aproveitar a força de trabalho mais experiente, além de oferecer renda adicional aos idosos, sem aumento de custos. Hoje, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) fixa jornada diária de oito horas e 44 semanais — o que inibe contratações por período menor, pelo risco jurídico.

Políticas para incentivar o trabalhador a permanecer mais tempo na ativa e o empregador a contratar profissionais mais velhos têm sido uma prática em outros países — onde as reformas dos sistemas de previdência vêm se tornando cada vez mais frequentes por causa do envelhecimento da população.

PRÁTICAS NO EXTERIOR

Ainda assim, há quem afirme que as medidas são tímidas e a inserção no mercado de quem já passou dos 60 anos é um desafio.

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Segundo o economista-chefe de Previdência da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), Hervé Boulhol, países têm endurecido regras para a aposentadoria precoce e dado bônus para quem posterga a aposentadoria:

— Só que isso não garante que as pessoas consigam vagas. É preciso acabar com discriminação, restringir políticas de aumento automático de salário por idade e melhorar programas de treinamento.

A Austrália elevou incentivos para empregadores que mantenham ou contratem trabalhadores mais velhos. Os Estados Unidos tornaram ilegal a aposentadoria compulsória por idade. Alemanha, Finlândia e Bélgica lançaram subsídios a salários de trabalhadores a partir de 50 anos.

— Os países da União Europeia adotaram muitas iniciativas para elevar a idade da aposentadoria, mas foram menos atuantes em políticas voltadas ao mercado de trabalho — diz Robert Anderson, da Fundação Europeia para Condições de Vida e Trabalho (Eurofound, na sigla em inglês).

Na avaliação de Claudio Dedecca, professor de Economia da Unicamp, as medidas compensatórias foram adotadas em países ricos porque a chance de aceleração do crescimento ali é pequena. O Brasil, diz, tem potencial para se desenvolver muito, o que permitiria absorver a mão de obra em idade avançada sem estímulos. Ele ressalta, porém, que isso dependerá da capacidade do país de crescer e da mudança no perfil do mercado de trabalho:

— A absorção dependerá de nossa capacidade de mudar a estrutura produtiva para aproveitar pessoas mais educadas e mais velhas. Se não formos capazes, os efeitos sociais serão ruins e precisaremos de medidas desesperadas de correção.

No Brasil, o engenheiro Carlos Alberto Nolasco se aposentou aos 58 anos, por tempo de contribuição. Mas continuou à frente de uma empresa belga até completar 65, quando deixou a presidência devido ao limite de idade imposto aos executivos. A opção para se manter ativo foi abrir uma consultoria e tornar-se conselheiro de empresas.

— Quando entrei na companhia, sabia da regra, mas não quis encerrar a carreira aos 65 anos. O mercado não é amigável. A percepção é que as pessoas dessa idade já perderam o brilho, não querem fazer sacrifícios nem têm energia para o batente. Mas eu estou pronto pra guerra — diz Nolasco, hoje com 70 anos.

oglobo.globo.com | 28-08-2016

RIO - Um BMW 507 fabricado em 1957 estará entre as atrações do concurso de elegância de Pebble Beach deste ano. Até aí, não haveria novidade, já que o evento, realizado desde 1950 na bela Monterey, na Califórnia, reúne carros clássicos e de alto valor. Mas este exemplar do roadster é especial. Rico em histórias, é um dos poucos sobreviventes de uma produção de somente 254 unidades. E o principal: pertenceu a ninguém menos do que Elvis Presley.

EXISTÊNCIA MOVIMENTADA

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A história do carro nos leva de volta à década de 1950. A BMW ainda sofria os efeitos da Segunda Guerra Mundial e tentava se reerguer. Além dos prejuízos materiais, lutava contra a falta de credibilidade e precisava virar o jogo. Foi nesse cenário que surgiu o 507, roadster impulsionado por um V8 de alumínio que rendia 150cv.

O esportivo criado para enfrentar o Mercedes 300 SLR era um carro para poucos, por conta da economia alemã ainda cambaleante no pós-guerra. Para piorar, dava prejuízo: cada 507 que saía da fábrica fazia a marca perder muito mais do que ganhava. Isto explica o fato de terem sido produzidas poucas unidades.

Um dos primeiros exemplares foi registrado com o chassi número 70079. Antes de chegar às mãos de Elvis, já havia tido uma intensa existência. Foi este o carro que a BMW exibiu no Salão de Frankfurt de 1957. Em seguida, passou à frota de imprensa: a revista alemã “Auto Motor und Sport” o avaliou em um teste comparativo com o Mercedes-Benz 300 SLR.

Cedido a produtores de cinema, o mesmo automóvel apareceu na comédia musical alemã “Hula-Hopp, Conny”. Além disso, foi conduzido pelo veterano piloto Hans Stuck, contratado pela BMW para promover as capacidades do 507. Hans pilotou o roadster em provas na Alemanha, Áustria e Suíça, além de fazer apresentações para potenciais clientes VIPs — incluindo o rei Balduíno, da Bélgica.

Se o monarca belga não se empolgou, a história foi diferente com o Rei do Rock. Após a BMW ter substituído motor e câmbio, e reparado avarias na carroceria, o carro foi parar nas mãos de um vendedor de automóveis em Frankfurt. Foi este quem, no dia 20 de dezembro de 1958, vendeu o 507 chassis 70079 ao soldado Elvis Presley, de 23 anos.

Apesar de já ser um astro, Elvis estava prestando serviço militar obrigatório em uma base americana na Alemanha. Ele ficou impressionado com o esportivo e, após um rápido test-drive, pagou US$ 3.750 pelo roadster pintado de Feder-Weiß (“branco pena”).

Reza a lenda que Elvis repintou o carro de vermelho. Não por gostar da cor, mas para reduzir os estragos provocados pelas fãs que manchavam a carroceria com beijos e mensagens escritas com batom.

O cantor usava o 507 diariamente em seu deslocamento entre a mansão que alugara em Bad Nauheim e a base militar em Friedberg, nos arredores de Frankfurt. Ao concluir as obrigações militares, em 1960, Elvis não tinha a intenção de levar o BMW para os Estados Unidos. O exército, porém, enviou o 507 para sua casa em Memphis. O Rei do Rock, então, negociou o carro com uma concessionária da Chrysler.

O ‘SANTO GRAAL’

Em 1962, um certo Tommy Charles pagou US$ 4.500 pelo roadster. Levou o BMW para o Alabama, onde mutilou o carro. Substituiu motor e câmbio por um conjunto da Chevrolet e trocou ainda o eixo traseiro. Tommy venceu uma prova de arrancada em Daytona Beach, na Florida, antes de vender o 507 todo modificado, em 1963. A partir daí, o automóvel teve mais dois proprietários. Por fim, chegou ao engenheiro espacial Jack Castor, em 1968.

O novo dono curtiu o carro até 1973 e decidiu restaurá-lo. Por falta de tempo, a reforma nunca aconteceu e o 507 foi abandonado em um galpão de uma fazenda de abóboras.

Passados alguns anos, uma reportagem publicada na revista “Bimmer”, da Califórnia, chamou a atenção de Jack, a essa altura aposentado. O texto falava sobre o BMW 507 de Elvis, considerado o “Santo Graal” dos colecionadores da marca. Ao ver que o número do chassi de seu carro era o mesmo 70009 citado na reportagem, procurou o autor da matéria. Não demorou para o BMW Group Classic (departamento que preserva a memória da marca) entrar em contato e comprar o carro.

O 507 de Elvis chegou a ser exposto, em 2014, ainda completamente deteriorado, no museu da marca em Munique. Mas logo o trabalho começou. O roadster foi desmontado peça por peça para ser refeito pelos engenheiros da casa. Os revestimentos em couro foram recriados com base em fotos, enquanto maçanetas e manivelas dos vidros foram impressas em 3D. Conseguiram ainda um conjunto mecânico original, formado por motor V8 de 3,2 litros, câmbio manual de quatro marchas e eixo traseiro de alumínio. No fim deste mês, em Pebble Beach, o roadster fará sua reestreia em público. O 507 não morreu.

(*Especial para O GLOBO)

oglobo.globo.com | 10-08-2016

PARIS É impossível colocar um guarda em cada igreja da Europa ou patrulhar todas as praias europeias. Mas, depois da onda de ataques no continente, autoridades agora tentam fazer o que podem para proteger a população — em plenas férias. Em Cannes, na Riviera Francesa — mesma região onde um atentado deixou 84 mortos no Dia da Bastilha, mês passado — a entrada com mochilas volumosas foi proibida, e o Reino Unido destinou fundos extras para dar segurança a dezenas de milhares de locais de culto. Os desafios políticos para os líderes da Europa também são enormes, e o impacto sobre a economia pode ser profundo.

O cruel assassinato de um padre que celebrava uma missa em uma igreja na Normandia, menos de duas semanas depois do atentado em Nice, fizeram soar o alarme: já não existe lugar seguro no continente. Os quatro ataques na Alemanha em uma semana não deixaram dúvidas sobre a insegurança.

Algumas das igrejas mais famosas de Roma já figuram entre os mais de 4 mil locais da Itália considerados potenciais alvos de terroristas.

— As igrejas se orgulham muito de serem lugares abertos, mas diante da chance real de terrorismo, é preciso encontrar um novo equilíbrio — diz Mark Gardner, porta-voz da Community Security Trust, empresa de segurança de sinagogas e escolas do Reino Unido.

TURISMO FECHA AS PORTAS

A incerteza tem se multiplicado nos últimos meses, à medida que atentados terroristas tornaram-se mais frequentes e mais graves. Agora, os visitantes estão repensando a Europa como destino, e a indústria do turismo, que responde por 10% da atividade econômica na União Europeia, começou a sentir o estrago.

No Monte Saint-Michel, ilha medieval e um dos principais destinos turísticos da França, a cadeia de hotéis e restaurantes do grupo Sodetour perdeu 70% de clientes após os ataques de 13 de novembro do ano passado em Paris — que deixaram 130 mortos.

Turistas americanos e japoneses, em particular, cancelaram todas as reservas, embora o local, no cume de uma rocha isolada na costa noroeste da Normandia esteja bem longe de Paris. Gilles Gohier, diretor-executivo da empresa, contou ao “New York Times” ter demitido quase um terço de seus 230 funcionários nos últimos quatro meses, além de fechar temporariamente dois hotéis e quatro restaurantes da rede.

Na França, as reservas de hotéis logo após os ataques de Paris caíram 20% — em Bruxelas, na Bélgica, ficaram no negativo. O aluguel de apartamentos em Paris e Nice também recuou depois que muitos turistas cancelaram os planos de visitar a França, de acordo com Adrian Leeds, do Leeds Adrian Group, agência imobiliária francesa com propriedades em ambas as cidades. E os clientes que pensavam em se mudar para o país suspenderam as buscas.

— Isso realmente afetou os negócios. Mas espero que as pessoas voltem quando as coisas se acalmarem — afirmou ao jornal americano.

A onda de ataques na Europa também levanta questões sobre se há uma nova ameaça à estabilidade da região. O Estado Islâmico — que reivindicou os ataques na França e na Alemanha — tem como alvo preferido os símbolos da Europa Ocidental. Mas é impossível prever onde será o próximo atentado.

— Estamos passando por uma mudança estrutural, um fenômeno de guerra à nossa porta que não existia antes — revelou ao “New York Times” Georges Panayotis, presidente do Grupo MKG, empresa de consultoria em turismo com sede em Paris. — Se não for resolvido, o problema vai continuar.

PROIBIDO TRAZER PARENTES

Os governos europeus, por sua vez, vêm gastando centenas de bilhões de euros em segurança interna. A França, terceira maior economia da UE — que já tentava sair de um longo período de estagnação e desemprego — fortaleceu os serviços de segurança desde a recente onda de atentados.

O presidente François Hollande ordenou que dez mil soldados adicionais fizessem a patrulha nas ruas e ainda convocou reservistas para reforçar o número de agentes. Agora, ele planeja usar alguns deles na criação da Guarda Nacional.

Mas o desafio de proteger igrejas, sinagogas, centros turísticos, praias, espaços abertos onde acontecem festivais de verão, além de aeroportos e estações de ônibus e trem é gigantesco — inclusive para a França e outros países vizinhos, como a Bélgica, também alvo de ataques recentes. Por precaução, autoridades de Nice decidiram cancelar uma marcha prevista para o início desta semana em memória das vítimas do recente atentado no Passeio dos Ingleses.

Ao visitar o esquema de segurança no festival anual de jazz que acontece na comuna de Marciac, o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, reiterou o que os cidadãos escutam todos os dias.

— Não há soluções mágicas — disse, insistindo na importância da “presença física” da polícia nos festivais.

Algumas cidades fazem o que podem — ou inventam novas regras — para prevenir atentados. Uma das medidas mais controversas foi tomada pelo prefeito de Rive-de-Gier, perto de Lyon, que decidiu “negar sistematicamente” toda solicitação de trazer parentes, sistema utilizado por muitos imigrantes para levar familiares de seus países de origem.

oglobo.globo.com | 03-08-2016
O ministro de Finanças da Bélgica, Johan Van Overtveldt, afirmou estar "profundamente preocupado" sobre a planejada fusão entre o Deutsche Börse e o London Stock Exchange Group, em uma carta enviada ao chefe de Antitruste da União Europeia, nesta segunda-feira. Overtveldt expressou sua preocupação sobre o efeito que a fusão pode ter sobre a estabilidade financeira tanto da economia europeia quanto da economia da Bélgica. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 11-07-2016

WASHINGTON - Donald Trump, o magnata republicano que concorre à Casa Branca, só venceria a democrata Hillary Clinton em dois países: China e Rússia. Esse é a conclusão de uma pesquisa global que o instituto Ipsos divulgou nesta terça-feira, após entrevistar 12.500 “eleitores” de 25 países. No Brasil, Hillary teria 52% dos votos, contra 12% de Trump e 36% de indecisos, números próximos às médias globais, que apontam Hillary com 57%, Trump com 13% e 30% de indecisos em uma eventual “eleição planetária”. hillary

A maior lavada da democrata seria, justamente, no México — Trump acusou o país de enviar “criminosos e violadores” aos EUA e quer construir um muro na fronteira dos dois países. Lá, a ex-secretária de estado teria 88% dos votos, contra apenas 1% de Trump. Por outro lado, o bilionário venceria na Rússia (28% a 12%, com 60% de indecisos) e estaria ligeriamente em vantagem, mas dentro da margem de erro na China (32% a 30%, com 39 % de indecisos). A Índia é o terceiro país estrangeiro que dá mais de 20% para o magnata: lá, ele teria 27% dos votos, mas perde feio para Hillary, que teria 48%. Tirando estes países - pouco famosos pela democracia - o magnata só vai bem justamente em casa: neste levantamento ele conta com o apoio de 32% dos americanos, mas perde para os 40% de Hillary, apesar de 28% se declararem indecisos.

O levantamento foi realizado na Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, China, França, Reino Unido, Alemanha, Hungria, Índia, Israel, Itália, Japão, México, Peru, Polônia, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Coreia do Sul, Espanha, Suécia, Turquia e Estados Unidos e tem margem de erro de 4,5 pontos percentuais.

O Brasil, contudo, é o país mais “generoso” com Trump na América do Sul, ao dar 12% de apoio ao republicano. Somente o Peru chega perto, com 10% de votos para o republicano, contra 8% no Chile e na Colômbia e apenas 6% na Argentina. Hillary teria sua melhor posição na região na Colômbia, com 72%, contra 69% no Peru, 64% na Argentina e 63% no Chile, número muito acima dos 52% no Brasil.

Perguntado sobre quem seria melhor para a economia global, 46% do total indicam Hillary, contra 14% Trump, 17% que afirmam que os dois atuariam de forma semelhante e 23% não sabem. Já 54% afirmam que Hillary seria melhor para a paz mundial, contra 9% que apoiam Trump, 14% que não vêem diferenças e 22% que não sabem. Novamente neste quesito, o de segurança global, Trump só se sai melhor na China e na Rússia.

oglobo.globo.com | 07-06-2016

WASHINGTON - Donald Trump, o magnata republicano que concorre à Casa Branca, só venceria a democrata Hillary Clinton em dois países: China e Rússia. Esse é a conclusão de uma pesquisa global que o instituto Ipsos divulgou nesta terça-feira, após entrevistar 12.500 “eleitores” de 25 países. No Brasil, Hillary teria 52% dos votos, contra 12% de Trump e 36% de indecisos, números próximos às médias globais, que apontam Hillary com 57%, Trump com 13% e 30% de indecisos em uma eventual “eleição planetária”. hillary

A maior lavada da democrata seria, justamente, no México — Trump acusou o país de enviar “criminosos e violadores” aos EUA e quer construir um muro na fronteira dos dois países. Lá, a ex-secretária de estado teria 88% dos votos, contra apenas 1% de Trump. Por outro lado, o bilionário venceria na Rússia (28% a 12%, com 60% de indecisos) e estaria ligeriamente em vantagem, mas dentro da margem de erro na China (32% a 30%, com 39 % de indecisos). A Índia é o terceiro país estrangeiro que dá mais de 20% para o magnata: lá, ele teria 27% dos votos, mas perde feio para Hillary, que teria 48%. Tirando estes países - pouco famosos pela democracia - o magnata só vai bem justamente em casa: neste levantamento ele conta com o apoio de 32% dos americanos, mas perde para os 40% de Hillary, apesar de 28% se declararem indecisos.

O levantamento foi realizado na Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, China, França, Reino Unido, Alemanha, Hungria, Índia, Israel, Itália, Japão, México, Peru, Polônia, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Coreia do Sul, Espanha, Suécia, Turquia e Estados Unidos e tem margem de erro de 4,5 pontos percentuais.

O Brasil, contudo, é o país mais “generoso” com Trump na América do Sul, ao dar 12% de apoio ao republicano. Somente o Peru chega perto, com 10% de votos para o republicano, contra 8% no Chile e na Colômbia e apenas 6% na Argentina. Hillary teria sua melhor posição na região na Colômbia, com 72%, contra 69% no Peru, 64% na Argentina e 63% no Chile, número muito acima dos 52% no Brasil.

Perguntado sobre quem seria melhor para a economia global, 46% do total indicam Hillary, contra 14% Trump, 17% que afirmam que os dois atuariam de forma semelhante e 23% não sabem. Já 54% afirmam que Hillary seria melhor para a paz mundial, contra 9% que apoiam Trump, 14% que não vêem diferenças e 22% que não sabem. Novamente neste quesito, o de segurança global, Trump só se sai melhor na China e na Rússia.

oglobo.globo.com | 07-06-2016

O fim do bipartidarismo espanhol acabou provocando situação esdrúxula e totalmente inusitada, que antes só se via na Bélgica: incapacidade total de se formar governo meses a fio. Profundamente dividida, a Espanha parece até o acéfalo Brasil destes dias de decisão.

Quando o franquismo caiu, há 40 anos, Adolfo Suárez conseguiu criar um Centro Democrático, que não subsistiria diante da polarização entre o direitista Partido Popular e o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). Mas agora surgiram opções, fragmentando e confundindo o espectro: o Podemos, na extrema-esquerda, e o Ciudadanos, que se equilibra entre o centro e a direita. Nas eleições do último 20 de dezembro, populares saíram à frente, com 123 cadeiras (63 a menos que em 2011); seguidos do PSOE, com 90 (menos 20); do Podemos, com 69 (incluindo aliados regionais); e do Ciudadanos, com 40. O resto dos 350 lugares ficou com a Esquerda Republicana de Catalunya (9), Democracia e Liberdade (8), Nacionalistas Bascos (6), Esquerda Unida (2), o basco Bildu (2) e Nacionalistas da Canária (1).

Para ter maioria, seria preciso o mínimo de 175 votos. E ninguém quis se compor com a direita no poder, eivada de escândalos de corrupção e marcada por rígida política de austeridade que, nos últimos quatro anos, recuperou pouco a economia, mas não conseguiu amainar o altíssimo desemprego. Tal como em Portugal, estavam todos contra o rigor conservador: só que lá conseguiram formar um governo socialista, apoiado por comunistas e trotskistas.

Pedro Sánchez, líder do PSOE, encarregado pelo tateante e incipiente jovem rei Felipe VI, só conseguiu, de início, apoio dos Ciudadanos, liderados pelo brilhante Alberto Rivera. Pablo Iglesias, líder do Podemos, não aceitou essa dupla, insistindo numa coalizão unicamente de toda a esquerda, que não resultaria também em maioria... e que o PSOE nem tentou.

Após quatro longos meses de infrutíferas idas e vindas, pesquisas mostram que o eleitorado ainda aposta no fim do bipartidarismo, mas ficou insatisfeito com quem não quis formar governo: Podemos, etc. Ao contrário, com isso, a popularidade pessoal de Rivera disparou: parecia que Ciudadanos seria o terceiro nas novas eleições deste 26 de junho. Mas agora outra sondagem mostra que a possível união do Podemos com a minúscula Esquerda Unida (IU) ultrapassaria o PSOE. Carismático, ex-comunista e mais jovem deputado da última legislatura, Alberto Garzón, líder da IU, não se “queimou” na lenga-lenga e pode dobrar seu eleitorado nanico.

Balanço geral mostra que a Espanha (profundamente dividida desde a Guerra Civil de 1936-39) não consegue formar grandes coalizões, tática que a Alemanha inventou e repete sempre que a coisa empata. Que o sistema não permite que o rei interfira de forma direta e se mantenha como um dois de paus. Apesar dos escândalos, o PP não deve perder nada, mas conseguirá algum parceiro para governar? Seu adversário PSOE pode perder ainda mais. A vantagem é que — com exceção do premier conservador Mariano Rajoy — todos são extremamente jovens (o rei e os líderes) e — quem sabe — podem aprender a aprender a jogar melhor no futuro.

Celso Barata é jornalista

oglobo.globo.com | 06-05-2016

RIO - A Bienal de São Paulo anunciou agora há pouco a lista completa de participantes de sua 32ª edição, que será realizada de 10 de setembro a 11 de dezembro deste ano. Uma lista preliminar já fora divulgada em dezembro de 2015. A de agora se completa com nomes como o do escultor Frans Krajcberg, Wlademir Dias-Pino (no momento com uma bela exposição no Museu de Arte do Rio), da videoartista Sonia Andrade e do cineasta Leon Hirszman, entre outros. Serão no total 81 participantes, entre artistas e coletivos. O evento, com curadoria de Jochen Volz e cocuradoria de Gabi Ngcobo (África do Sul), Júlia Rebouças (Brasil), Lars Bang Larsen (Dinamarca) e Sofía Olascoaga (México), terá como tema "Incerteza viva". Vai enfocar enfoca noções de “incerteza” e “entropia” a fim de refletir sobre as condições atuais da vida e as possibilidades oferecidas pela arte contemporânea para abrigar e habitar incertezas.

A lista final apresenta uma seleção de participantes de 33 países marcada pela forte presença de artistas nascidos após 1970; de mulheres – são mais da metade dos artistas convidados – e de projetos comissionados, produzidos para o contexto da exposição.

Segundo o curador Jochen Volz, os artistas da 32 Bienal trazem estratégias e especulações sobre como viver com a incerteza. “Estamos buscando compreender diversidades, olhar para o desconhecido e interrogar aquilo que tomamos como conhecido. Entendemos os diferentes saberes do nosso mundo como complementares e não como excludentes”.

Muitas das obras atualmente em desenvolvimento envolvem residências artísticas na cidade de São Paulo e viagens de pesquisa pelo Brasil. Para citar alguns exemplos, Carla Filipe, em parceria com o Instituto de Botânica de São Paulo, desenvolve uma horta com plantas alimentícias, espontâneas e em extinção; Iza Tarasewicz investiga a presença do ritmo musical polonês Mazurka no Brasil; Dalton Paula visitou três cidades envolvidas na economia do tabaco e Pilar Quinteros partiu para a Serra do Roncador, no Mato Grosso, a fim de seguir os rastros de Percy Fawcett (1867-1925), explorador desaparecido nos anos 1920. Veja abaixo a lista completa de artistas da 32º Bienal de São Paulo.

Todos os artistas da Bienal

Alia Farid (Nasceu em Kuwait, 1985. Vive e trabalha no Kuwait e em Porto Rico)

Alicia Barney (Nasceu em Cali, Colômbia, 1952. Vive e trabalha em Bogotá, Colômbia)

Ana Mazzei (Nasceu em São Paulo, Brasil, 1980. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil)

Anawana Haloba (Nasceu em Livingstone, Zâmbia, 1978). Vive e trabalha em Oslo, Noruega)

Antonio Malta Campos (Nasceu em São Paulo, Brasil, 1961. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil)

Barbara Wagner (Nasceu em Brasília, Brasil, 1980. Vive e trabalha em Recife, Pernambuco, Brasil)

Bené Fonteles (Nasceu em Bragança, Pará, Brasil, 1953. Vive e trabalha em Brasília, Brasil)

Carla Filipe (Nasceu em Aveiro, Portugal, 1973. Vive e trabalha em Porto, Portugal)

Carlos Motta (Bogotá, Colômbia, 1978. Vive e trabalha em Nova York, EUA)

Carolina Cayedo (Nasceu em Londres, Reino Unido, 1978. Vive e trabalha em La Jagua, Colômbia e Los Angeles, EUA)

Cecilia Bengolea e Jeremy Deller (Nasceu em Buenos Aires, Argentina, 1984. Vive e trabalha em Paris, França

Charlotte Johannesson (Nasceu em Malmö, Suécia, 1943. Vive e trabalha em Skanör, Suécia)

Cristiano Lenhardt (Nasceu em Itaara, Brasil, 1975. Vive e trabalha em Recife, Pernambuco, Brasil)

Dalton Paula (Nasceu em Brasília, Brasil, 1982. Vive e trabalha em Goiânia, Goiás, Brasil)

Dineo Seshee Bopape (Nasceu em Polokwane, África do Sul, 1981. Vive e trabalha em Joanesburgo, África do Sul)

Donna Kukama (Nasceu em Mafikeng, África do Sul, 1981. Vive e trabalha em Joanesburgo, África do Sul)

Ebony G. Patterson (Nasceu em Kingston, Jamaica, 1981. Vive e trabalha em Kingston, Jamaica e Lexington, Kentucky, EUA)

Eduardo Navarro (Nasceu em Buenos Aires, Argentina, 1979. Vive e trabalha em Buenos Aires, Argentina)

Em’kal Eyongakpa (Nasceu em Mamfe, Camarões, 1981. Vive e trabalha no Sudoeste de Camarões e Amsterdã, Holanda)

Erika Verzutti (Nasceu em São Paulo, Brasil, 1971. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil)

Felipe Mujica (Nasceu em Santiago, Chile, 1974. Vive e trabalha em Nova York, EUA)

Francis Alÿs (Nasceu em Antuérpia, Bélgica, 1959. Vive e trabalha na Cidade do México, México)

Frans Krajcberg (Nasceu em Kozienice, Polônia, 1921. Vive e trabalha em Nova Viçosa, Bahia, Brasil)

Gabriel Abrantes (Nasceu em Chapel Hill, Carolina do Norte, EUA, 1984. Vive e trabalha em Lisboa, Portugal)

Gilvan Samico (Nasceu em Recife, Pernambuco, Brasil, 1928 – Recife, Pernambuco, Brasil, 2013)

Grada Kilomba (Nasceu em Lisboa, Portugal, 1968.Vive e trabalha em Berlim, Alemanha)

Güneş Terkol (Nasceu em Ankara, Turquia, 1981. Vive e trabalha em Istambul, Turquia)

Heather Phillipson (Nasceu em Londres, Reino Unido, 1978. Vive e trabalha em Londres, Reino Unido)

Helen Sebidi (Nasceu em Marapyane, África do Sul, 1943. Vive e trabalha em Joanesburgo, África do Sul)

Henrik Olesen (Nasceu em Esbjerg, Dinamarca, 1967. Vive e trabalha em Berlim, Alemanha)

Hito Steyerl (Nasceu em Munique, Alemanha, 1966. Vive e trabalha em Berlim, Alemanha)

Iza Tarasewicz (Nasceu em Kolonia Koplany, Polônia, 1981. Vive e trabalha em Bialystok, Polônia e Berlim, Alemanha)

Jonathas de Andrade (Nasceu em Maceió, Alagoas, Brasil, 1982. Vive e trabalha em Recife, Pernambuco, Brasil)

Jordan Belson (Nasceu em Chicago, Illinois, EUA, 1926 – São Francisco, Califórnia, EUA, 2011)

Jorge Menna Barreto (Nasceu em Araçatuba, São Paulo, Brasil, 1970. Vive e trabalha no Rio de Janeiro, Brasil)

José Antonio Suárez Londoño (Nasceu em Medellín, Colômbia, 1955. Vive e trabalha em Medellín, Colômbia)

José Bento (Nasceu em Salvador, Bahia, Brasil, 1962. Vive e trabalha em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil)

Kathy Barry (Nasceu em Christchurch, Nova Zelândia, 1969. Vive e trabalha em Auckland, Nova Zelândia)

Katia Sepúlveda (Nasceu em Santiago, Chile, 1978. Vive e trabalha em Colônia, Alemanha e Tijuana, México)

Koo Jeong (Nasceu em Seul, Coreia do Sul, 1967. Vive e trabalha em Berlim, Alemanha)

Lais Myrrha (Nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, 1974. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil)

Leon Hirszman (Nasceu em Rio de Janeiro, Brasil, 1937 - Rio de Janeiro, Brasil, 1987)

Lourdes Castro (Nasceu em Funchal, Portugal, 1930. Vive e trabalha na Ilha da Madeira, Portugal)

Luiz Roque (Cachoeira do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil, 1979. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil)

Luke Willis Thompson (Nasceu em Auckland, Nova Zelândia, 1988. Vive e trabalha em Auckland, Nova Zelândia)

Lyle Ashton Harris (Nasceu em Nova York, EUA, 1965. Vive e trabalha em Nova York, EUA)

Maria Thereza Alves (Nasceu em São Paulo, Brasil, 1961. Vive e trabalha em Berlim, Alemanha)

Mariana Castillo Deball (Nasceu na Cidade do México, México, 1975. Vive e trabalha em Berlim, Alemanha e Cidade do México, México)

Maryam Jafri (Nasceu em Karachi, Paquistão, 1972. Vive e trabalha em Nova York, EUA e Copenhague, Dinamarca)

Michael Linares (Nasceu em Bayamón, Porto Rico 1979. Vive e trabalha em San Juan, Porto Rico)

Michal Helfman (Nasceu em Tel Aviv, Israel, 1973. Vive e trabalha em Tel Aviv, Israel)

Misheck Masamvu (Nasceu em Mutare, Zimbabwe, 1980. Vive e trabalha em Harare, Zimbabwe)

Naufus Ramírez-Figueroa (Nasceu na Cidade da Guatemala, Guatemala, 1978. Vive e trabalha em Berlim, Alemanha e Cidade da Guatemala, Guatemala)

Nomeda & Gediminas Urbonas (Nasceu em Kaunas, Lituânia, 1968. Vive e trabalha em Cambridge, MA, EUA, Vilnius, Lituânia e Trondheim, Noruega)

Oficina de imaginação política (Criada em 2016. Baseada em São Paulo, Brasil)

OPAVIVARÁ! (Criado em 2005. Baseada no Rio de Janeiro, Brasil)

Öyvind Fahlström (Nasceu em São Paulo, Brasil, 1928 – Estocolmo, Suécia, 1976)

Park McArthur (Nasceu na Carolina do Norte, EUA, 1984. Vive e trabalha em Nova York, EUA)

Pia Lindman (Nasceu em Espoo, Finlândia, 1965. Vive e trabalha em Fagervik, Finlândia)

Pierre Huyghe (Nasceu em Antony, França, 1962. Vive e trabalha em Santiago, Chile e Nova York, EUA)

Pilar Quinteros (Nasceu em Santiago, Chile, 1988. Vive e trabalha em Santiago, Chile)

Pope.L (Nasceu em Newark, Nova Jersey, EUA, 1955. Vive e trabalha em Chicago, Illinois, EUA)

Priscila Fernandes (Nasceu em Coimbra, Portugal, 1981. Vive e trabalha em Roterdã, Holanda)

Rachel Rose (Nasceu em Nova York, EUA, 1986. Vive e trabalha em Nova York, EUA)

Rayyane Tabet (Nasceu em Ashqout, Líbano, 1983. Vive e trabalha em Beirute, Líbano)

Rikke Luther (Nasceu em Aalborg, Dinamarca, 1970. Vive e trabalha em Copenhague, Dinamarca e Berlim, Alemanha)

Rita Ponce de León (Nasceu em Lima, Peru, 1982. Vive e trabalha na Cidade do México, México)

Rosa Barba (Nasceu em Agrigento, Itália, 1972. Vive e trabalha em Berlim, Alemanha)

Ruth Ewan (Nasceu em Aberdeen, Reino Unido, 1980. Vive e trabalha em Glasgow, Reino Unido)

Sandra Kranich (Nasceu em Ludwigsburg, Alemanha, 1971. Vive e trabalha em Frankfurt, Alemanha)

Sonia Andrade (Nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, 1935. Vive e trabalha no Rio de Janeiro, Brasil)

Susan Jacobs (Nasceu em Sidney, Austrália, 1977. Vive e trabalha em Melbourne, Austrália e Londres, Reino Unido)

Till Mycha (Helen Stuhr-Rommereim e Silvia Mollicchi) Nasceu em Lawrence, Kentucky, EUA, 1986. Vive e trabalha em Filadélfia, Pensilvânia, EUA; Nasceu em Sansepolcro, Itália, 1983. Vive e trabalha em St-Erme, França e Londres, Reino Unido

Tracey Rose (Nasceu em Durban, África do Sul, 1974. Vive em Joanesburgo, África do Sul

Ursula Biemann e Paulo Tavares (Nasceu em Zurique, Suíça, 1955. Vive e trabalha em Zurique, Suíça; Nasceu em Campinas, São Paulo, Brasil, 1980. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil e Quito, Equador)

Víctor Grippo (Nasceu em Junín, Argentina, 1936 – Buenos Aires, Argentina, 2002)

Vídeo nas Aldeias (Criado em 1986. Baseado em Olinda, Pernambuco, Brasil)

Vivian Caccuri (Nasceu em São Paulo, Brasil, 1986. Vive trabalha no Rio de Janeiro, Brasil)

Wilma Martins (Nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, 1934. Vive e trabalha no Rio de Janeiro, Brasil)

Wlademir Dias-Pino (Nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, 1927. Vive e trabalha no Rio de Janeiro, Brasil)

Xabier Salaberria (Nasceu em Donostia-San Sebastián, Espanha, 1969. Vive e trabalha em Donostia-San Sebastián e Barcelona, Espanha)

oglobo.globo.com | 04-05-2016

RIO — Especialista em sistemas eleitorais, o cientista político Jairo Nicolau acredita que turbulências vão se estender e prevê dificuldades para os partidos, qualquer que seja o desfecho do impeachment: “Temos um encontro marcado com uma economia destruída”, afirma.

O desgaste do PT inviabiliza um novo governo de esquerda no país?

Os partidos de esquerda têm conseguido, juntos, entre 20% e 25% das cadeiras da Câmara dos Deputados. A esquerda governa o país nestes 13 anos porque fez uma coalizão com as forças de centro e centro-direita. Essa aliança parece ter chegado ao fim. O PT perdeu quadros importantes e tem visto seu apoio na opinião pública desmanchar. Uma parte do espólio petista provavelmente vai ser capturada por outras legendas. Mas nenhuma delas parece ter a força e o magnetismo do PT no seu momento de crescimento. Outro fator é que as forças que se juntaram em defesa da presidente são muitos díspares, com diferenças que reaparecerão em breve. O PSOL fazia oposição cerrada ao governo. Meses atrás, um documento do PT fez duras críticas à condução econômica do governo.

Em caso de impeachment, o PMDB é capaz de comandar um governo de união nacional?

Impeachment — entrevistas e artigos

Não tenho grandes ilusões com o dia seguinte à votação do pedido de impeachment no plenário da Câmara. Os desafios são gigantescos. Concentramos uma enorme energia nas discussões sobre o impedimento da presidente, e os temas fundamentais sumiram da agenda. Temos um encontro marcado com uma economia destruída e com a piora das condições de vida da população. Não creio que nenhuma das forças políticas tenha condição de promover um governo de união nacional, como já assistimos em outros países em momentos de crise. Vejo fortes semelhanças entre a base parlamentar de um eventual governo Temer e a de Itamar Franco (ex-presidente): PMDB, DEM, PSDB, PPS e pequenos partidos de centro-direita. A diferença é que Temer terá uma oposição de esquerda muito mais consistente no Legislativo e fora dele, comandada por Lula e Dilma. A mobilização contra o impedimento não vai parar, pelo menos até a decisão do Senado. Sem contar que as investigações da Lava-Jato estão longe do fim, e diversos líderes do PMDB estão sendo investigados pelo STF.

Caso o impeachment não passe, qual será o futuro do PMDB?

O PMDB nunca esteve completo em nenhum governo. Sempre deu espaço para que lideranças individuais e diretórios estaduais não participassem e até fizessem oposição. Foi assim com o governo de Fernando Henrique, tem sido assim na era petista. Mas, depois dessa polarização a que estamos assistindo, creio que setores expressivos do partido não tenham como voltar para o governo.

Em um cenário de impeachment, como ficará o PSDB?

O conflito PT versus PMDB tirou o protagonismo do PSDB no processo de impedimento. Diga-se de passagem, o partido nunca foi um grande entusiasta da ideia. Imagino que o PSDB estará na base de um eventual governo Temer. Não tem outro jeito. Mas o partido não tem força para condicionar esse apoio a qualquer compromisso eleitoral para 2018.

Com qual coalizão Dilma poderá contar se ficar no poder?

A base da coalizão é essa que estamos vendo para bloquear o impeachment: PT, PCdoB, PDT, pequenos partidos de centro-direita e setores do PMDB. O governo recorreu às negociações individuais, à pequena política e às promessas de futura participação no governo para sobreviver. Até ao PTN, com 13 deputados, foi prometido um ministério. Com isso, o governo perdeu uma parte do centro mais tradicional e terá que se ancorar em setores mais pragmáticos da direita. Uma péssima troca.

Essa base é suficiente para sustentar o governo?

Esses partidos, somados aos de esquerda, dão ao governo entre 150 e 200 votos na Câmara dos Deputados. O que garante a aprovação da legislação ordinária. Mas não podemos esquecer que, desde meados de 2014, o governo praticamente não conseguiu aprovar nada relevante no Congresso. Para piorar, o deputado Eduardo Cunha tem conseguido sobreviver e, se não for afastado, ainda deve ser um fator de desestabilização para o governo até acabar o seu mandato, em 31 de janeiro de 2017.

O parlamentarismo seria uma boa solução para o país?

Não acredito que seja hora de trazer esse tema à discussão. Já tivemos a péssima experiência de 1961, de buscar na mudança do sistema de governo a solução de uma crise política. Ninguém foi iludido com uma característica fundamental do presidencialismo, que é o mandato fixo. Se os governos acabam antes do prazo, paciência. O parlamentarismo também tem problemas. A Bélgica levou mais de um ano em negociações parlamentares para formar um governo. Sem contar que governos altamente impopulares, como o de John Major (ex-primeiro-ministro inglês), não caíram, mesmo com a possibilidade de o voto de desconfiança ser utilizado.

A antecipação das eleições para outubro seria uma boa solução?

Eleição para presidente somente se o TSE anular as eleições de 2014. A outra alternativa, a renúncia simultânea de Dilma e Temer, me parece uma quimera. Também não vejo base política ou legal para encurtar um mandato por meio de emenda constitucional.

A presidente sempre foi criticada pelo isolamento. Faltou a ela fazer política?

Esta característica foi agravada pela incapacidade de ter um operador político, um ministro da Casa Civil, que comandasse as negociações com o Congresso.

Há uma análise de que o funcionamento das instituições, mesmo na crise, é um sinal de amadurecimento do país. Concorda?

Só depois de passarmos esta tormenta é que conseguiremos fazer uma avaliação cuidadosa das instituições brasileiras. Tendo a concordar com a visão de que elas estão funcionando, mas algumas questões me preocupam. A primeira é o crescente divórcio entre o sistema representativo e a sociedade brasileira. Os primeiros sinais apareceram em 2013, se aprofundaram nas eleições de 2014, com a alta taxa de votos nulos e em branco para o Congresso e, mais recentemente, na rejeição aos partidos políticos. Acho que o sistema partidário que organizou a política pós-1988 vive uma crise sem precedentes. A segunda é o poder discricionário de algumas figuras individuais sobre instâncias coletivas das suas instituições. Por exemplo: o que o (presidente da Câmara) Eduardo Cunha tem feito para retardar os trabalhos da Comissão de Ética e para decidir sobre o impeachment; e algumas decisões solitárias de ministros do STF sobre temas fundamentais, como a posse do (ex-presidente) Lula no Ministério, ou o pedido de abertura de impeachment do Michel Temer.

Há condições para que as pontes entre governo e oposição sejam refeitas, seja qual for o resultado do processo de impeachment?

O clima não está para isso, e a votação em plenário tenderá a esgarçar mais as relações. A tendência é que os efeitos da crise ainda durem muito.

oglobo.globo.com | 10-04-2016

BRUXELAS - O aeroporto internacional de Bruxelas viveu, com emoção, a decolagem do primeiro voo de passageiros, neste domingo, após os atentados de 22 de março, dentro de uma operação de reabertura parcial de suas instalações e um novo passo na volta à normalidade na Bélgica.

Às 13H40 locais (9H40, no horário de Brasília), um avião da Brussels Airlines decolou em direção à cidade portuguesa de Faro, depois de receber as honras dos serviços de bombeiros e polícia do aeroporto, localizados ao longo da pista.

Assistindo à cena, responsáveis do aeroporto, dois ministros e dezenas de funcionários que respeitaram um minuto de silêncio antes dos aplausos.

"Voltamos a funcionar", disse o presidente da Brussels Airlines, Arnaud Fesir, antes de abraçar, emocionado, o presidente do conselho de administração, Marc Descheemaecker.

A maioria dos passageiros chegou com bastante antecedência devido aos fortes controles de segurança instalados: registros nas vias de acesso, controle de bagagem antes da entrada nas instalações e proibição de acompanhantes antes de sair do estacionamento.

Outros dois voos decolam neste domingo com destino a Atenas (Grécia) e Turim (Itália). As três aeronaves voltarão pela noite a Bruxelas, com os primeiros passageiros autorizados a aterrissar desde os atentados.

"Estes voos simbolizam a volta à normalidade em nosso aeroporto", disse Feist no sábado.

O centro de transporte aéreo é um pulmão da economia belga que gera 20 mil empregos em 260 empresas, afirmou a direção.

A área de desembarque, devastada pela dupla explosão, encontra-se ainda impraticável, o que tornou necessária a instalação de grandes tendas brancas que permitissem o registro de aproximadamente 800 passageiros por hora, isto é, uma média de seis voos, cerca de 20% da capacidade habitual.

Interrogado pelos jornalistas, um pai de família responsável por um grupo de jovens que viajavam para Faro para assistir a um campeonato esportivo se mostrava otimista: "Creio que agora é o aeroporto mais seguro do mundo, não?", respondeu com um sorriso.

Superação

Loukas Bassoukosm, um estudante de 20 anos que chegou quatro horas antes de seu voo para Atenas, dizia-se "contente" por ter evitado um trajeto de uma hora e meia até o aeroporto de Lieja.

Ao seu lado Panagiotis, que o havia trazido, considerava fundamental "superar o medo".

A partir de segunda-feira, a atividade será ampliada para incluir outras companhias aéreas, destinos mais distantes e também a chegada de aviões.

Algumas dezenas de voos estão previstas para esse dias, incluindo internacionais, segundo a Brussels Airlines, que teve um prejuízo diário de cinco milhões de euros com o fechamento do aeroporto.

"Nosso objetivo é ter a máxima capacidade disponível para as viagens do final de junho e começo de julho", afirmou Feist.

Segundo os meios de comunicação, o aeroporto poderia voltar a operar com aproximadamente 40% de sua capacidade nos meses de verão na Europa, mas não poderá recuperar plenamente suas atividades antes do final do ano.

O encerramento do aeroporto para voos de passageiros (o transporte de mercadorias foi retomado rapidamente), assim como as reservas canceladas após os atentados, reduziram a movimentação do setor turístico. Na região de Bruxelas, o índice de ocupação dos hotéis diminuiu pela metade desde 22 de março, segundo um organismo profissional.

A companhia americana Delta Airlines, por exemplo, anunciou, neste domingo, que suspenderia seu trajeto entre Bruxelas e Atlanta, sua principal plataforma nos Estados Unidos, até pelo menos março de 2017 "pela incerteza que continua pairando sobre a abertura do aeroporto e pela queda da demanda".

O metrô da capital reabriu rapidamente depois dos atentados e a vida está voltando à normalidade, apesar do aumento de policiais e militares nas ruas, que buscam por possíveis suspeitos dos atentados, especialmente o chamado "homem de chapéu", que, nas imagens, aparece com uma mala que foi abandonada repleta de explosivos no aeroporto.

oglobo.globo.com | 03-04-2016

SÃO FRANCISCO - Dona da Pedigree e outras marcas conhecidas no mundo pet, como Whiskas e Royal pedigree_0204 Canin, a Mars Petcare está investindo alto para ter acesso a mais informações sobre o comportamento animal. A empresa comprou a startup Whistle, criadora de uma espécie de coleira inteligente que registra dados sobre a saúde e o nível de atividade física dos cachorros. O valor do acordo não foi revelado, mas fontes da Bloomberg afirmam que o negócio foi fechado em US$ 117 milhões.

‘FITBIT’ DE CACHORROS

Além de vender comida para animais, a Mars Petcare, cuja sede fica na Bélgica, controla a maior rede de hospitais veterinários do mundo, com mais de 800 unidades. Com a aquisição, a empresa deve não só lucrar com a venda dos dispositivos, mas, principalmente, se beneficiar com os dados coletados.

— O comportamento e os dados sobre saúde dos pets podem ser mais valiosos no desenvolvimento de novos produtos do que o acessório em si. O hardware, simplesmente, tende a se transformar em commodity — avalia Jitendra Waral, analista da Bloomberg Intelligence.

Em comunicado, a empresa destacou o interesse pela novidade: “Estamos empolgados com a oportunidade de nossos investimentos nos levarem a uma nova área de tecnologia para cuidado de animais”.

A Whistle ficou conhecida como a “fitbit” para cachorros, em referência à pulseira inteligente que ficou popular entre atletas e celebridades. A empresa tem entre seus investidores a Nokia e o jogador de basquete americano Carmelo Anthony.

oglobo.globo.com | 03-04-2016

Em 2004, a Al-Qaeda no Iraque (AQI) elaborou uma cartilha, na qual instruía seus militantes a atingir o que os especialistas chamam de “alvos brandos”. Em contraposição aos convencionais alvos militares, os brandos são muito menos bem defendidos e portanto mais fáceis de atacar. São lugares que reúnem grande quantidade de civis e que, uma vez destruídos, causam grande impacto na economia, aí incluído o turismo, e também no dia a dia e no estilo de vida da população. Restaurantes, boates e estádios, como os que foram alvo dos ataques de 13 de novembro em Paris, preenchem esses requisitos. Os meios de transporte também.

Como já havia acontecido antes em Madri, Paris, Londres e Tóquio, por exemplo, o metrô é um alvo brando extremamente proveitoso, do ponto de vista do terrorismo, porque sua condição claustrofóbica provoca pânico entre os usuários. Sua luta para tentar chegar à superfície multiplica as mortes, por pisoteamento, ataques cardíacos, sufocamento e queimaduras. Os aeroportos também são um alvo clássico, por sua repercussão nacional e internacional. Aeroportos vulneráveis inibem o ingresso de turistas e homens de negócios, que trazem receitas para os países.

A doutrina propagada pela AQI, da qual o Estado Islâmico (EI) é sucessor, estabelece como objetivo quebrar a espinha dorsal dos Estados inimigos atacando suas economias. O foco nos alvos brandos também tem por objetivo perturbar o estilo de vida das pessoas comuns, associado à prosperidade e ao desrespeito às normas de conduta moral que os jihadistas pretendem impor.

Essa doutrina representa um enorme desafio para os governos. O fluxo fácil de usuários do transporte público é importante para o funcionamento da economia. As medidas que terão de ser tomadas para proteger melhor os alvos brandos custarão caro, prejudicarão a atividade econômica e não serão suficientes para impedir novos ataques.

POR QUE BRUXELAS

O principal alvo do recrutamento de militantes pelo EI no continente europeu são os jovens descendentes de imigrantes do Norte da África, ex-colônias da França. Depois de Paris, a segunda capital que mais concentra esses jovens francófonos é Bruxelas. Como demonstra a história de Salah Abdeslam, o décimo e último executor dos atentados de Paris, preso no dia 18, há um intenso trânsito de membros dessa comunidade entre as capitais francesa e belga. Descendente de marroquinos, Abdeslam nasceu na Bélgica e obteve cidadania francesa. Carros alugados em Bruxelas foram usados nos atentados de Paris.

A França tem tido um papel protagonista nos ataques a grupos jihadistas, sobretudo no Sahel, a zona intermediária entre o Deserto do Saara e a savana africana. Em janeiro de 2013, a França interveio militarmente no Mali para conter o avanço do Ansar Dine (Defensores da Fé) do norte do país em direção à capital, Bamako. Ao longo daquele ano, as forças francesas, apoiadas por tropas de membros da Comunidade Econômica de Estados Africanos Ocidentais, combateram as células jihadistas no norte do Mali, que se dispersaram e depois se reagruparam em países vizinhos. Hoje, todo o Sahel tem forte presença das células jihadistas, que vêm aderindo ou aliando-se ao EI. A África é uma frente prioritária na expansão do grupo.

A Bélgica em si não tem papel relevante no combate ao jihadismo. Mas Bruxelas é a sede da União Europeia, e o bloco tem se engajado na luta contra o Estado Islâmico e seus aliados. A estação de metrô atacada, Maelbeek, no centro de Bruxelas, é a que dá acesso ao complexo da União Europeia.

O ataque à sede da União Europeia busca elevar ao máximo o impacto de suas ações. Além disso, há a capacidade de mobilização. A periferia de Bruxelas, assim como as de Paris e de Marselha, no sul da França, oferece um grande contingente de jovens descendentes de árabes e de muçulmanos, que não pertencem aos países de seus pais ou avós e também não se sentem como pertencentes ao lugar onde vivem, por razões culturais e socioeconômicas.

Muitos participantes dos atentados têm um passado de criminosos comuns. É o caso dos irmãos Ibrahim e Khalid el-Bakraoui, que se explodiram no aeroporto e no metrô, respectivamente. Salah Abdeslam e Abdelhamid Abaaoud, considerado o mentor intelectual dos ataques de Paris, foram presos por assalto a mão armada em 2010. Abu Musab al-Zarqawi, que fundou a AQI, foi menor infrator em Zarqa, na Jordânia, antes de se converter ao Islã radical. O terrorismo oferece a esses jovens uma nova expressão para sua agressividade.

O Estado Islâmico é, para eles, a oportunidade de conquistar autoestima, tornando-se importantes e famosos. Ainda que isso lhes custe a vida “terrena”, parece-lhes compensador, por vários motivos: essa vida não tem sido prazerosa, e há os prêmios da ressignificação dela e da conquista do paraíso eterno, para o qual acreditam levar, como mártires, outros 16 parentes, quando morrerem. É um desfecho glorioso para muitos desses jovens. O EI só não tem recrutado mais jovens pelas dificuldades inerentes de segurança e logística, não por falta de apelo.

E OS ESTADOS UNIDOS?

Os Estados Unidos continuam um alvo prioritário do EI. Desde os atentados de 11 de setembro de 2001, no entanto, as forças de segurança americanas adotaram medidas que tornaram a relação custo-benefício de agir nos EUA muito desfavorável. Os jihadistas continuam tentando, mas evitam investir todos os seus recursos nos EUA, cuja proteção é mais fácil do que os países europeus. Os Estados Unidos têm apenas duas fronteiras: ao sul, com o México, e ao norte, com o Canadá. A França faz fronteira com a Bélgica, Luxemburgo, Alemanha, Suíça, Itália e Espanha. A Bélgica está cercada pela França, Alemanha, Luxemburgo e Holanda. Esses países pertencem ao Espaço Schengen, que prevê livre trânsito de pessoas pelas fronteiras. Esse tratado provavelmente terá de ser revisto.

Ao atacar na Europa, os jihadistas têm buscado alvos americanos: em Paris, o concerto da banda de rock que atende pelo nome Eagles of Death Metal (Águias do Death Metal) e, no aeroporto de Bruxelas, o guichê da American Airlines.

POR QUE ATACAR

O Estado Islâmico se lançou como grupo guerrilheiro, em sua campanha para criar um califado por sobre as fronteiras nacionais dos países muçulmanos. Tem perdido sua capacidade militar, com os bombardeios liderados pelos Estados Unidos na Síria e no Iraque, e com as hostilidades, no terreno, dos guerrilheiros curdos, apoiados pela Rússia, e do Hezbollah e de outras milícias xiitas encarregadas pelo Irã de proteger o regime de Bashar al-Assad.

Quando um grupo armado perde sua capacidade militar, ele recorre ao terrorismo. O Estado Islâmico está em franca expansão, em um arco que se estende da Indonésia, a maior população muçulmana do mundo, no Sudeste Asiático, até a Tunísia, no Norte da África, e do Oriente Médio até a Europa Ocidental. Ao ampliar sua presença, o grupo aumenta também seu espectro de apoio, atraindo para si agendas nacionais diversas, de grupos locais que passam a integrar sua franquia. Exemplo disso é o poderoso Boko Haram, no norte da Nigéria, que disputa com o governo o controle sobre as riquezas provenientes da extração do petróleo, do qual o país é o maior produtor africano e sexto maior do mundo.

A mensagem do Estado Islâmico foi simples e clara, quatro dias depois da prisão do décimo e último participante identificado dos atentados de Paris: “quanto mais nos prenderem e matarem, mais de nós surgirão”.

oglobo.globo.com | 24-03-2016

RIO - O comerciante Roberto Ferreira comanda o negócio de flores que o pai abriu na Praça da Cruz Vermelha, em 1974. Já o chef Rigo Duarte juntou-se a um sócio para reerguer a marca e repetir a receita de um prato lançado pelo avô na década de 1950. O tipógrafo Itamar Kobylinki Moreira mantém a tradição e está à frente de uma gráfica que há três gerações funciona na Praça Mauá. Sob a chancela do projeto Negócios de Valor, que preserva estabelecimentos tradicionais da cidade, esses empresários administram respectivamente a Roseira da Cruz Vermelha, o Angu do Gomes e a Gráfica Marly, que foram incluídos num guia bilíngue de compras, com 24 endereços antigos do Centro do Rio.

MAIS VISIBILIDADE PARA A MARCA

Com tiragem inicial de 24 mil exemplares, a publicação será lançada esta semana pelo Sebrae/RJ e pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), dentro de uma estratégia para dar maior visibilidade a casas que carregam parte da história do Rio.

No novo guia de compras, cariocas e turistas vão encontrar endereços já consagrados e badalados, como a Confeitaria Colombo (1894), o Bar Luiz (1887), o Bar Brasil (1907) e a Charutaria Syria (1912). Outra casa com mais de um século, a Chapelaria Alberto (1894) mantém a elegância na Rua Buenos Aires. O lugar teve como clientes Vinicius de Moraes e o rei Alberto, da Bélgica.

Mas a grande bossa será descobrir que em ruas do Centro há lugares que muita gente nunca notou, como a Casa Azevedo, desde 1940 vendendo toda sorte de peças para a montagem de bijuterias. Administrado pela neta do fundador da casa, Vanessa Azevedo, o estabelecimento fica num sobrado protegido pela Apac Corredor Cultural desde 1970. Antes, a loja funcionava num prédio da Avenida Passos. Outro endereço que poucos reconhecem como típico comércio carioca é a floricultura A Roseira da Cruz Vermelha. Para Roberto Ferreira, o segredo da longevidade desses negócios está no DNA:

— Cresci vendo meu pai mexer com flores. Adoro trabalhar com isso. Mas é preciso se modernizar para acompanhar as mudanças, e eu já estou fazendo isso. Criei um página no Facebook e aceito pedido por WhatsApp. Em breve, quero vender pela internet.

Conheça cinco comércios tradicionais do Rio

Ilustrado com fotos, o guia tem um mapa com a localização das casas no Centro e na Zona Portuária. E traz, além de informações como endereço, telefone e horário de funcionamento, um pequeno texto contando as origens do lugar.

— O projeto nasceu de um movimento de reconhecimento do valor desses negócios tradicionais, seja ele arquitetônico ou imaterial — diz Washington Fajardo, presidente do IRPH.

Os 24 estabelecimentos que entraram no guia passaram por uma peneira que excluiu 24 concorrentes. A publicação, explica Flávia Barbieri, coordenadora de economia urbana do Sebrae, é uma das ferramentas que estão sendo oferecidas aos donos dos negócios.

— O projeto começou ano passado, quando convocamos todos os negócios tradicionais do Centro. Dos 48 inscritos, 24 atendiam a todos os critérios. Depois disso, fizemos reuniões, oferecemos cursos e consultorias sobre valorização da marca, visual da loja, finanças. Devido à consultoria, eles tiveram, em média, um aumento de 20% no faturamento — conta Flávia, acrescentando que o próximo produto de divulgação do projeto será outro livro.

REPUTAÇÃO RECONHECIDA

Para serem consideradas um negócio tradicional, as empresas devem ter, além de uma marca ou reputação reconhecida, uma família à frente do negócio há várias gerações. Outro critério é preservar técnicas e processos de produção artesanais ou tradicionais. É o caso do Angu do Gomes, marca que desde 1955 faz parte da vida do carioca.

— O Angu do Gomes é parte da história do Rio. O negócio começou na década de 50, com uma carrocinha, e na década de 70 meu avô e o sócio chegaram a ter 40 barraquinhas. Nos anos 1990, a casa fechou. Em 2008, decidi retomar a marca e encontrei um sócio, o Marcelo — recorda Rigo, que faz questão de servir o angu à moda antiga, em pratos de alumínio.

A partir da semana que vem, o guia poderá ser encontrado nas lojas citadas na obra, nas bilheterias dos museus de Arte do Rio (MAR) e do Amanhã e nos pontos de informações turísticas da Riotur.

oglobo.globo.com | 13-03-2016

A  primeira mina de diamantes  extraídos  diretamente da rocha na América do Sul entrará em operação comercial até  junho. O projeto Braúna - que está sendo implantado no município de Nordestina pela Lipari Mineração - terá capacidade para beneficiar 720 mil toneladas por ano de minério (kimberlito) e a produção estimada é de   300 mil quilates por ano. Todo diamante será exportado para a Antuérpia, na Bélgica, onde o comércio do minério é tradicional. O projeto vai gerar 250 empregos diretos.  Cerca de 150 pessoas da região já foram treinadas em funções como motorista de caminhão fora de estrada, operador de máquinas pesadas e operador de planta. A implantação da unidade exigiu  investimentos de R$ 184 milhões. "Felizmente não tivemos que rever o nosso plano de negócios por conta do momento econômico. Estamos executando o que foi planejado, inclusive com contratações de novos empregados conforme a fase e demanda do projeto", diz o presidente da Lipari, Kenneth Johnson. "A economia rui [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 17-01-2016

RIO - A multa para quem for flagrado urinando nas ruas neste carnaval deve doer mais no bolso do infrator. Quem for pego no ato, terá que pagar R$ 510. No ano passado, a pena cobrada era de R$ 170. A mudança já foi adotada pela prefeitura desde agosto, mas este será o primeiro carnaval com o novo valor. Ao longo da folia em 2015, foram autuadas 1264 pessoas. Este ano, 235 equipes, cada uma com um agente da Comlurb e um guarda municial vão fiscalizar os mijões.

De acordo com a Riotur, haverá 25.496 posições de banheiros químicos ao longo de toda a festa, incluindo o pré-carnaval, que já começa neste fim de semana. O número é 4% maior do que o utilizado no ano passado. O secretário de Turismo, Antônio Pedro Figueira de Mello, no entanto, alerta que é preciso contar com o bom senso dos foliões.

— Pode ter 200 mil que não vai ser suficiente se as pessoas não colaborarem. Todo mundo tem que se programar e respeitar. É preciso tratar a cidade como se fosse nossa própria casa — afirmou.

A estimativa da Riotur é que o carnaval deste ano atraia R$ 3 bilhões para economia do Rio. São esperados cerca de um milhão de turistas ao longo da folia. Ainda de acordo com o órgão, a ocupação dos hotéis da cidade deve chegar a 85%.

FOLIÕES TERÃO 66 AMBULÂNCIAS PARA ATENDIMENTO

De acordo com a Secretaria municipal de Saúde, serão instalados ao longo dos dias de folia quatro postos de saúde, dois deles no Centro (Largo da Carioca e Praça Ana Amélia), um em Copacabana (Praça do Lido) e um em Ipanema (Praça General Osório). Ao todo, serão 66 ambulâncias, 16 leitos e 191 profissionais de saúde. Os números foram estimados com base nos atendimentos realizados em 2015. No ano passado, foram 756 atendimentos médicos e 53 remoções de pacientes para a rede pública.

Como em todos os grandes eventos que a cidade recebe, a orientação da Secretaria municipal de Transportes é que as pessoas usem o transporte público e evitem transitar de carro pelas regiões que estiverem recebendo blocos. Segundo a Secretaria, a operação especial para o carnaval vai ser realizada entre o dia 23 de janeiro e 14 de feveiro. Serão ao todo 945 agentes, incluindo guardas municipais, 71 motos e 51 carros operacionais para dar apoio aos motoristas. Ainda de acordo com a pasta, 78 painéis informativos serão espalhados pelas ruas no entorno dos blocos para avisar sobre os bloqueios no trânsito.

PROIBIÇÃO DE ESTACIONAMENTO

A partir das 23h dos dias anteriores aos desfiles dos blocos por cada região, será proibido o estacionamento de veículos nas ruas Gomes Carneiro, entre a Rua Tereza Aragão e a Avenida Vieira Souto; Joana Angélica, exceto na baia junto à Praça Nossa Senhora da Paz; na Avenida Rainha Elizabeth da Bélgica, entre a Rua Tereza Aragão e a Avenida Vieira Souto; e na Rua Teixeira de Melo, entre a Avenida Vieira Souto e a Rua Prudente de Morais.

De acordo com a Comlurb, 1100 garis por dia vão trabalhar para limpar as ruas após a passagem dos blocos. São até 5000 conteiners para receber lixo espalhados pela cidade.

oglobo.globo.com | 15-01-2016

RIO — Pela primeira vez, os direitos dos consumidores foram avaliados no Guia dos Bancos Responsáveis (GBR), lançado nesta segunda-feira pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Os resultados ficaram aquém do esperado, já que todas as instituições financeiras incluídas no relatório tiraram nota abaixo de cinco, e evidenciam a necessidade de as instituições detalharem seus compromissos com os clientes em políticas e procedimentos. O estudo analisa as políticas de crédito e investimento dos sete maiores bancos em ativos do país, segundo dados do Banco Central, e que juntos respondem por 80% dos depósitos e créditos em âmbito nacional. Este ano, foi incluído o BTG Pactual, cujo desempenho foi significativamente inferior às demais instituições avaliadas — Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, HSBC, Itaú e Santander.

Para Carlos Thadeu de Oliveira, gerente de Teste e Pesquisas do Idec, o estudo demonstra que a proteção e direito do consumidor não está institucionalizada pelos bancos:

— Não está explicitado, por exemplo, em nenhum documento que a venda casada é proibida, que não se pode incluir nenhum serviço ou pacote sem o aceite expresso do consumidor. Informações que se tivessem ao acesso dos funcionários, nos muitos textos, sites e documentos públicos avaliados, deixaria claro a qualquer funcionário, por exemplo, que isso mostraria que procedimentos diferentes dessa política poderiam ter consequências — exemplifica Oliveira, chamando atenção para o fato de que o tema foi analisado somente pelo Brasil, este ano, mas que poderá ser incorporado pelos outros seis países na próxima avaliação.

Info defesa - avaliação bancos

Além do Brasil, realizam simultaneamente a avaliação dos bancos pelo mundo, utilizando-se da mesma metodologia, Indonésia, Japão, Suécia, Holanda, França e Bélgica. bancos 14-12

O gerente do Idec destacou que, apesar das notas baixas, isso não quer dizer que exista um desrespeito absoluto ao consumidor, mas não explicitar uma política de proteção ao consumo de forma institucionalizada é algo que preocupa:

— É preciso que haja mais transparência, nem os relatórios das ouvidorias que devem ser enviados obrigatoriamente ao Banco Central são divulgados. E isso não é uma questão só de pensar na proteção ao consumidor, mas de solucionar problemas do setor, que está sempre entre os mais reclamados pela população.

Em direitos do consumidor, a análise contemplou os seguintes itens: transparência sobre serviços, cobranças e riscos; combate ao superendividamento; qualidade do serviço; tratamento não discriminatório e gestão das reclamações. Neste tema, o Banco do Brasil foi a instituição com melhor ponturação, de 4,8, numa faixa de zero a 10. Itaú e Caixa aparecem na sequência, com 4,3 pontos.

Desde 2010, o GBR pretende sensibilizar bancos, consumidores e toda a sociedade civil na busca de soluções para contribuir com um sistema financeiro mais justo e sustentável. São avaliados em uma escala de zero a dez os conjuntos de políticas declaradas e publicadas das instituições financeiras em catorze temas: direitos humanos; direitos trabalhistas; impostos e corrupção; meio ambiente; mudanças climáticas; alimentos; armas; florestas; geração de energia; mineração; óleo e gás; setor financeiro; remuneração e transparência e prestação de contas. A análise das políticas dos bancos é realizada a partir dos documentos públicos das próprias instituições (sites, relatórios anuais, compromissos e tratados setoriais), nacionais e internacionais.

Ao contrário do que acontece quando se fala em compromissos dos bancos com os direitos dos clientes, o relatório do Idec mostra que houve um sutil progresso na inclusão de aspectos socioambientais nas políticas de investimentos dos bancos, e que as instituições financeiras, ao mesmo tempo que compreendem o impacto social e ambiental de seus investimentos, reconhecem que essa responsabilidade reduz os riscos para as suas próprias operações. E a melhor performance nos temas meio ambiente, direitos humanos e direitos trabalhistas indica essa percepção.

As notas elevadas de todas as instituições financeiras em tais temas se deve, segundo o Idec, ao fato de as políticas específicas das organizações pesquisadas já haverem incorporado e institucionalizado as normas e leis brasileiras nesses assuntos. No item meio ambiente, a instituição com melhor performance foi o HSBC, seguido de Banco do Brasil e Santander. Em direitos humanos, HSBC foi o de melhor pontuação, enquanto que, em direitos trabalhistas, Santander, Itaú, HSBC e Bradesco apresentaram mais pontos.

Demais conceitos com baixa performance

Na avaliação do Idec, o péssimo desempenho do BTG Pactual em suas políticas é um indício de que, para terem efetividade, as práticas dos bancos devem estar ancoradas e devidamente institucionalizadas. Assim, tem-se a garantia de homogeneidade e regularidade no nível de direção e por todos os funcionários de uma organização de que determinados procedimentos e diretrizes serão seguidas. Oliveira chama atenção para a importância da sociedade despertar para a grande relevância dos bancos no desenvolvimento, para o bem e para o mal.

— O banco está envolvido da conta salarial a um grande investimento em energia e quando ele não deixa claro quais são suas políticas seus princípios, isso pode trazer um grande prejuízo à sociedade. Sem querer ser oportunista, o fato de ter zerado praticamente toda a avaliação diz muito, por exemplo, sobre o BTG — conclui.

O relatório divulgado pelo Idec mostra que há diversos temas ainda incipientes na agenda do setor financeiro nacional, e que não foram incorporados às políticas de investimento, mesmo diante de sua relevância para o contexto nacional ou internacional. Isso pode ser notado pelo baixo desempenho em temas setoriais, como florestas, mineração, óleo e gás, transparência e prestação de contas ou mesmo geração de energia. Nesses temas, as médias variaram de 3,7 (alimentos e transaparência e prestação de contas) a 1,9 (mudanças climáticas), por exemplo.

O que dizem as instituições financeiras

Em carta enviada ao Idec, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que as instituições financeiras focadas pelo trabalho do Instituto não participariam da etapa de revisão proposta, porque, "mais uma vez, foram encontradas inconsistências na análise, o que nos leva a entender que as sugestões e considerações apontadas na elaboração do Guia de 2014 não foram atendidas". A Febraban reiterou o interesse em discutir, de forma colaborativa, a responsabilidade socioambiental dos bancos.

Sobre o resultado do teste, o Banco do Brasil "reafirma seu compromisso com práticas bancárias sustentáveis e com o aperfeiçoamento no atendimento aos clientes". A instituição destaca que foi considerada uma das empresas mais éticas do mundo pelo Instituto Ethisphere, que considera aspectos como que vão da gestão de funcionários ao tratamento dispensado aos clientes e investidores e acrescenta que, este ano, foi listado pelo quarto ano consecutivo no Índice Dow Jones de Sustentabilidade da Bolsa de Nova Iorque (DJSI), sendo destaque mundial nos temas "Políticas e medidas anticrime", "Gestão do relacionamento com o cliente", "Estabilidade financeira e risco sistêmico", "Questões controversas e dilemas em empréstimos e financiamentos", "Cidadania e filantropia corporativa" e "Inclusão Financeira".O BB lembra que foi incluído no rol Newsweek Green Ranking 2014, da revista americana Newsweek, que avaliou indicadores ambientais e de Governança e qualidicado pelo 5º ano consecutivo como Categoria Ouro no Inventário Corporativo de Emissões de Gases do Efeito Estufa – GEE, em conformidade com a certificação internacional ISO 14064, principal instrumento de verificação de sistemas de gestão de impactos em mudanças climáticas.Quanto aos direitos dos consumidores, ressalta que nos últimos cinco meses o BB vem mantendo-se fora das cinca primeiras posições do ranking de queixas do BC e obteve uma redução de 9,8% nas no volume de reclamações aos Procons entre janeiro a outubro deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado.

O Bradesco e o Santander disseram que nao vai comentar.

Convidados a comentar o resultado do relatório, alguns bancos ainda não enviaram resposta.

oglobo.globo.com | 14-12-2015

SÃO PAULO Rodrigo Pessoa é um caval(h)eiro de poucas palavras. Mas de muitas conquistas. Campeão mundial de saltos (Roma-1998) e olímpico (Atenas-2004), ele ainda ajudou o Brasil a conquistar dois bronzes na competição por equipes nas Olimpíadas de Atlanta-1996 e Sidney-2000. Nos Jogos do Rio, passará a ser o recordista brasileiro em participações olímpicas.

Galopando para sua sétima edição consecutiva desde Barcelona-1992, ele ultrapassará a marca que divide com o velejador Torben Grael e o mesatenista Hugo Hoyama, ambos com seis Olimpíadas na bagagem. Mais do que isso, Pessoa pretende fechar seu percurso no hipismo com chave de ouro.

Aos 42 anos, o atleta não crava a aposentadoria após a Rio-2016, mas revela que o resultado influenciará sua decisão sobre encerrar a carreira em sua segunda casa. Radicado na Bélgica, Pessoa não nega que subir ao lugar mais alto do pódio in loco teria um sabor melhor do que o ouro herdado a posteriori em Atenas 2004, após o primeiro colocado, o irlandês Cian O'Connor, ter sido desclassificado por doping de seu cavalo Waterford Crystal.

— Seria muito diferente. Receber uma medalha de ouro no momento da competição é uma coisa muito especial, que eu não consegui viver em Atenas. Particularmente, conquistar essa medalha em casa seria mais especial. Se for esse resultado, certamente vai influenciar (a decisão de encerrar a carreira) — diz Pessoa.

Porta-bandeira em Londres-2012, ele ficou na reserva da equipe no Pan de Toronto, em agosto, devido a uma lesão do seu cavalo Status. Ouro em saltos por equipes nos Jogos Pan-Americanos de Buenos Aires-1995 e Rio-2007, Pessoa não negou sua frustração com o quarto lugar no Canadá.

IMPACTO DA CRISE

A decepção só não foi maior do que a quinta colocação nos Jogos Equestres Mundiais, na França, ano passado, quando declarou que era a "mesma merda, só muda o cheiro" do que o quarto lugar na edição de Kentucky (Estados Unidos), quatro anos antes:

— O Status teve uma baixa de forma quando a equipe foi inscrita no Pan. Depois, se reabilitou e foi reservista. Estava pronto e apto a competir. Mandamos dois novos cavaleiros e dois mais antigos. Infelizmente, chegaram em quarto e não ganharam medalha. O desempenho não foi ruim, mas também não era o que esperávamos.

Para não depender de Status, ele comprou o cavalo Jordan II, de 10 anos, pertencente à amazona sueca Angelie Von Esse em junho. Até o fim do ano, pretendia adquirir um terceiro, mas a contagem regressiva para as Olimpíadas pode colocar a compra em xeque, já que é necessário pelo menos um ano para adaptação e treinamento do animal. A disparada do dólar também tem impactado.

— O valor da moeda e a crise econômica estão dificultando todos os setores, não só o de criação, mas a compra de cavalos e os investimentos de companhias do setor privado e público. É um problema que afeta a todos. Gostaria de ter mais um até o fim do ano, mas esses cavalos são muito raros, e é difícil adquirir — avalia ele.

Pessoa não sabe qual cavalo montará na Rio-2016. Como treina com Jordan II há pouco tempo, está em fase de desenvolvimento e aperfeiçoamento. O cavaleiro diz que será preciso esperar para ver qual estará em melhor forma.

Em autoanálise, Pessoa assume que herdou da mãe traços de uma personalidade mais tímida e introvertida do que a do pai, Nelson Pessoa. Um dos pioneiros do hipismo no Brasil e responsável pela internacionalização do esporte, ele viajava muito para competir:

— Eu passava mais tempo com a minha mãe e peguei mais traços da personalidade dela.

Ele vive uma situação parecida com sua filha Cecília, de 11 anos, de seu primeiro casamento, que mora nos Estados Unidos com a mãe e tem pouco contato com Pessoa, que pretende levá-la ao Rio, em 2016, para assistir às provas de ginástica artística, modalidade que ela pratica:

— Tento estar ao máximo com ela. Não é o suficiente, mas é o que a agenda nos permite. São coisas da vida.

Descrito na biografia “Você será um cavaleiro, meu filho”, da jornalista francesa Sabrine Delaveu, como “obsessivo por conquistar um rol de prêmios", cuja ansiedade pode ser percebida nas unhas roídas e dedos que ficam em carne viva, Pessoa nega a intensidade, mas confirma que tem acompanhamento psicológico:

— Carne viva é um pouco de exagero. Não tenho obsessão. É uma característica por ser um trabalho de altíssimo estresse e cobrança. É um modo de poder controlar esse estresse.

Questionado se tem mesmo um grande ego como o descrito no livro, Pessoa encerra a entrevista:

— Ego? Não tenho ego. Você está lendo o livro errado.

oglobo.globo.com | 19-10-2015

A economia da Bélgica é beneficiada pela localização geográfica privilegiada do país na Europa, por uma rede de transportes bastante desenvolvida, e por uma base industrial e comercial diversificada. A indústria está concentrada principalmente na região de Flandres, ao norte. Com poucos recursos naturais, o país importa grandes quantidades de matérias primas e exporta principalmente manufaturados. O resultado é uma economia bastante dependente dos mercados mundiais. O país é o 18º no ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial.


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