
|
SÃO PAULO — Desemprego, risco de calote da dívida, recessão econômica. Nos últimos tempos, esse tem sido o cenário de alguns países europeus que adotaram o euro como moeda única. A gastança desenfreada dos governos já levou à lona países como a Grécia, Portugal e Irlanda, que tiveram que pedir ajuda internacional para não quebrar. Agora, estão na mira a Itália, a Espanha e até a França. Essas nações têm sido pressionadas pelos investidores a pagar juro muito alto para se financiar no mercado. Mas a Europa não é só caos. No meio desse furacão econômico, sem solução aparente, existem algumas “ilhas de prosperidade”, onde, por enquanto, a crise do euro ainda não chegou com força. Tome o exemplo da Suécia. O país não adotou o euro como moeda, embora integre a União Europeia. Os títulos da dívida suecos mantêm a classificação AAA dada por agências de rating e o Tesouro sueco não tem dificuldades para rolar seus papéis no mercado. A Suécia paga juros até mais baixos do que a Alemanha, que se viu forçada a oferecer taxa de 2,3% para se financiar. Este ano, a economia sueca deve crescer 4%, um número impensável até para a própria Alemanha, a economia mais forte da Europa, que deve crescer 0,5% em 2011. — A Suécia é um caso especial em toda a Europa. Sua economia, que é muito diversificada, continua a manter fundamentos fortes, como finanças públicas sólidas, uma indústria competitiva, um mercado de trabalho que funciona bem e um sistema bancário comparativamente robusto — afirmou a BBC Neil Prothero, analista para Europa Ocidental da Economist Intelligence Unit, o braço de pesquisas da revista britânica The Economist. A taxa de desemprego na Suécia, que chegou a 9% após a crise global de 2008, vem se reduzindo e caiu a 7,2% em setembro deste ano. A relação entre a dívida pública e o PIB sueco está em queda e deve ficar em 36,3% este ano, maior apenas que as de Estônia, Bulgária e Luxemburgo na UE. — O país permanece em uma situação mais bem posicionada para absorver um grande choque econômico que a maioria, se não todos, os parceiros da União Europeia — diz Prothero. Sem o mesmo vigor que a economia sueca, mas muito melhor que seus pares, a economia da Finlândia deve crescer 3% este ano e 2,5% em 2012, segundo estimativa do analista Harri Parssinen, da consultoria Ernst & Young. A Finlândia leva vantagem porque tem um mercado consumidor interno mais robusto que economias de vocação exportadora. O setor de construção civil puxou os investimentos nos últimos meses e blindou a Finlândia contra os efeitos da crise. Agora, é a indústria manufatureira que lidera os investimentos. Mas a queda das exportações, consequência de economias enfraquecidas pela crise, deve reduzir o ritmo de investimento. — O risco da Finlândia é que os bancos do país estão muito expostos a papéis da dívida soberana de economias periféricas da Europa, como Portugal, Itália, Espanha, Grécia e Irlanda. Outro ponto a ser observado é a inflação alta, de 3,7% nos últimos 12 meses, até julho. Ela foi puxada, sazonalmente, por uma alta no preço de alimentos e energia. Nossa expectativa é que a inflação caia para 2% em 2012 — explica Parssinen em relatório sobre o país. A relação entre a dívida pública e o PIB, na Finlândia, está abaixo de 50%, situação confortável se comparada às nações com problemas. O novo governo finlandês, entretanto, já anunciou medidas para reduzir o déficit, como corte de gastos e aumento de impostos. O objetivo é reduzir esse déficit em 0,5 ponto percentual — o equivalente a 1 bilhão de euros por ano — até 2015. Com reservas financeiras generosas, irrigadas pelo alto preço do petróleo no mercado internacional, a Noruega também tem passado, até agora, incólume à crise. A Noruega não adotou o euro e nem é membro da União Europeia. Por isso, tem suas próprias políticas financeiras e monetárias, o que neste momento é extremamente positivo. Todos os indicadores do país são animadores: o desemprego é baixo, menos de 3%, há ganho de renda e o país deve crescer mais de 3% em 2012. Mesmo assim, o governo noruguês está em alerta. Como o país exporta boa parte de seus produtos como salmão, alumínio e papel para clientes europeus e americanos, pode sofrer algum impacto. — A Noruega está na posição de "país mais sortudo do mundo". O petróleo, cujo preço subiu no mercado internacional, tem irrigado de recursos o Tesouro, o que garante reservas internacionais muito robustas — disse Oystein Thogersen, professor da Escola Norueguesa de Economia e Administração de Empresas ao jornal Dagens Naeringsliv. Segundo ele, a disciplina dos últimos governos com os gastos públicos contribuiu para a boa situação financeira do país atual: — Apesar de uma longa sequência de governos de direita e esquerda ao longo das últimas décadas, todos adotaram políticas financeiras que limitam o uso das receitas do petróleo em 4% dos ativos do fundo de petróleo, onde a maioria das receitas é guardada para as gerações futuras. Por isso, o país oferece um eficiente sistema de bem-estar social à sua população. Luxemburgo é outro país que terá crescimento muito acima da média europeia. Os analistas preveem que a economia do pequeno país de 500 mil habitantes tenha expansão de 3,5% este ano. A taxa de desemprego também é baixa — 4,6% — e a consultoria Ernest & Young não prevê mudanças significativas em 2012. O problema é que a economia do país é baseada principalmente no setor financeiro, que está exposto aos riscos da dívida soberana dos vizinhos. E a indústria luxemburguense também apresentou um desaquecimento, nos últimos meses, consequência da crise na região. “No setor financeiro, a área de seguros e gestão de ativos continua forte. Mas a concessão de crédito começa a se enfraquecer, o que reduz o ganhos dos bancos”, afirmou relatório da Ernest & Young.
oglobo.globo.com | 13-12-2011
|
|
PARIS. A zona do euro está rolando ladeira abaixo num ritmo que ninguém esperava. Mas quem se salva hoje na União Europeia (UE): as economias que ficaram de fora? Não necessariamente. E o contraste é grande. Se a Suécia, que rejeitou o euro num referendo em 2003, reina radiante em meio à tormenta, com expansão de 6,4% no primeiro trimestre, o Reino Unido afunda rumo à recessão. E nem mesmo a sólida e rica Suíça — que nunca foi parte do bloco europeu ou sonhou em adotar o euro — escapa: com o franco suíço transformado em moeda de refúgio para investidores em pânico, sua cotação disparou a ponto de seu banco central (BC) decidir intervir a partir de determinado ponto de valorização. O banco Crédit Suisse baixou sua previsão de crescimento para a Suíça de 2% para 0,5% em 2012. Se o grande atrativo do euro — a estabilidade — não é mais válido, surgem duas perguntas: o euro vai sobreviver? Se sobreviver, é melhor estar dentro ou fora? O economista Francesco Saraceno, do Observatório Francês de Conjunturas Econômicas (OFCE), responde com ironia: — Até 2008, a estabilidade atraía. Países lutavam para entrar na zona do euro. Isso valerá novamente quando a crise for superada, se o euro sobreviver. Reino Unido é o pior exemplo fora do euro Entre os que estão de fora da zona do euro — e afundam — o Reino Unido é o pior exemplo. O país, que nunca gostou do euro e da ideia de Bruxelas (sede da UE) ditar as regras, assiste com pavor à turbulência no continente. O fato de ter um banco central independente para desvalorizar a libra não ajudou: abalado com a crise financeira de 2008, o país não consegue sair da crise. O Reino Unido vai crescer em 2011 bem menos do que previsto — 0,9% em vez de 1,7%. O governo queria reduzir sua dívida para o equivalente a 71% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015: agora admite que só chegará a 78%. O plano de austeridade do país é draconiano e os juros batem recorde. — Se o resto da Europa entrar em recessão, vai ser difícil evitar uma no Reino Unido — admitiu o ministro de Finanças, George Osborne, às vésperas da maior greve geral de funcionários públicos $30 anos, na quarta-feira. Para Saraceno, o caso britânico prova que o problema não está no euro ou nas economias europeias da zona do euro: está no fato de os 17 países da zona do euro não terem governo. — Temos uma economia unificada na zona do euro sem política fiscal integrada e um banco central (o Banco Central Europeu, BCE) incapaz de fazer o que bancos centrais devem fazer: ser credor de último recurso. Já a Dinamarca, que assume a presidência rotativa da UE em janeiro, não sabe o que fazer. A coroa dinamarquesa tem pari$com o euro. O governo quer adotar a moeda única, por temer isolamento e perda de influência, se continuar fora. A última sondagem, porém, revelou o maior sentimento contra o euro desde 2002: 65% da população rejeitam a moeda europeia, que já foi rechaçada em dois referendos, em 1992 e 2000. A Dinamarca crescerá menos este ano por causa da crise: de 1,3% para 1,1%. A agência de classificação de risco Moody’s alertou para problemas potenciais nos bancos. Mas comparado à maioria dos países da Europa em crise, a Dinamarca $bem. Como disse Helge Pedersen, do Nordear Bank, ao jornal "Jyllands Posten": Hungria e Bulgária às voltas com FMI. Polônia cresce Não é o caso da Hungria, que, de estrela econômica dos anos 90, desponta como outro caso dramático. O governo de centro-direita do primeiro-ministro Viktor Orban anunciou que estuda bater na porta do Fundo Monetário Internacional (FMI) para pedir ajuda, um ano depois de rejeitar a instituição. A Hungria foi castigada pela crise financeira global de 2008, quando recebeu 20 bilhões do FMI e da UE, mas saiu do acordo em 2010, brigada com o FMI. A moeda húngara, o florin, perdeu 13% de seu valor em relação ao euro em 2011 e muitos húngaros estão endividados em moeda estrangeira. A dívida do país chega a quase 80% do PIB, as taxas de risco não param de subir. A Moody’s acaba de reduzir os ratings dos títulos soberanos do país para "junk" (lixo), e outras duas agências estudam fazer o mesmo. A Bulgária — outro país da UE fora da zona do euro — receberá uma missão do FMI esta semana. O desemprego no país está em 10,2% e o crescimento para este ano foi revisado para baixo: de 3% para 2,5%. A Polônia, maior economia do Leste da Europa, quer entrar na zona do euro, assim como os húngaros e os búlgaros. A Polônia cresceu a um ritmo alto este ano (4%) mas o governo prevê 2,5% para 2012.
oglobo.globo.com | 03-12-2011
|
|
DAMASCO - A Liga Árabe aprovou neste domingo a aplicação imediata de sanções econômicas à Síria, numa decisão sem precedentes na história do bloco e classificada como uma traição por Damasco. A medida deixa mais isolado o regime de Bashar al-Assad , já pressionado pelo Ocidente a conter uma onda de repressão que, segundo a ONU, deixou mais de 3.500 mortos em nove meses. Aprovadas com o voto de 19 dos 22 membros, as sanções são uma retaliação ao fato de a Síria não ter aceitado a presença de observadores estrangeiros em seu território. A resolução proíbe viagens de altos representantes sírios a outros países árabes, e impede voos tendo a Síria como origem ou destino - a exceção são aviões que transportam mercadorias. Também ficam suspensos os investimentos de países árabes em novos projetos na Síria e todo tipo de transação com o banco central. O documento estipula, ainda, o bloqueio dos fundos financeiros do governo e de dirigentes do país — uma lista de nomes ainda será elaborada. — Este é um dia muito triste. Eu esperava que os irmãos sírios acabariam com a violência e libertariam prisioneiros políticos — afirmou o chanceler do Qatar, Hamad bin Jassim Al Thani, referindo-se ao acordo negociado entre o governo de Assad e a Liga Árabe, no início do mês. Pouco antes da confirmação da aprovação, a Síria, que já enfrenta sanções também de União Europeia e EUA, condenou a decisão da Liga Árabe, um bloco que ajudou a fundar. Por meio do jornal oficial "al-Thawra", acusou o grupo de "trair a solidariedade árabe". Numa carta enderaçada à Liga Árabe no sábado, o chanceler sírio, Walid al-Moallem, acusou a organização de tentar transformar os problemas da Síria numa crise internacional. "As sanções são um convite para uma intervenção internacional, ao invés de evitá-la. O que entendemos por essa decisão da Liga Árabe é uma luz verde tácita para a internacionalização da situação na Síria, e uma ingerência em nossos assuntos internos", escreveu o chanceler. A abstenção de Iraque e Líbano, dois importantes pareceiros econômicos da Síria, enfraqueceu a medida. Cerca de 50% do comércio exterior sírio é realizado com países árabes, e o Iraque é o segundo da lista, respondendo a 13% do total do comércio exterior do país, atrás apenas da União Europeia. Além disso, Irã e Rússia, aliados de Damasco, poderiam reforçar a ajuda ao governo de Assad - minando os esforços árabes. Ainda neste domingo, aproveitando a pressão internacional, novas manifestações eclodiram nas ruas das cidades sírias de Homs e Deir Balaba, sedes do movimento de oposição no país. Outro movimento surgiu também na frente da embaixada síria na cidade de Sofia, na Bulgária. Os manifestantes exibiram bandeiras no movimento revolucionário na Síria e riscaram imagens com o rosto de Assad.
oglobo.globo.com | 27-11-2011
|
|
A Bulgária quer unir emoção e negócios na visita de dois dias que a presidente Dilma Rousseff, de ascendência búlgara, faz ao país.
Com desemprego crescente (11,5% no geral da população e 27% entre os jovens) e economia estagnada (cresceu 0,3% no segundo trimestre), a Bulgária está em busca de dinheiro.
"A visita irá mostrar aos empresários brasileiros que a Bulgária é um bom lugar para investir", disse o presidente do país, Georgi Parvanov, em entrevista exclusiva à Folha
.
Leia mais (05/10/2011 - 07h01)
redir.folha.com.br | 05-10-2011
|
A Bulgária, um ex-país comunista que entrou para a União Européia em 1 de Janeiro de 2007, tem experimentado estabilidade macroeconômica desde que uma forte recessão em 1996 levou à queda do então governo socialista. Como resultado, o governo tornou-se comprometido com a reforma econômica e com o planejamento fiscal responsável. Os minerais, incluindo carvão, cobre e zinco têm um importante papel na indústria do país. Em 1997, a estabilidade macroeconômica foi reforçada pela imposição de uma taxa fixa de câmbio do lev em relação ao marco alemão – atualmente, a cotação da moeda é fixa em relação ao Euro – e a negociação de um acordo com o FMI. A baixa inflação e o consistente progresso nas reformas estruturais melhoraram o ambiente dos negócios: a Bulgária atingiu um crescimento médio de 5,1% ao ano desde 2000, e começou a atrair significativos investimentos diretos estrangeiros. A corrupção na administração pública, um poder judiciário fraco e a presença do crime organizado permanecem como os maiores desafios para o país. O atual governo, eleito em 2001, prometeu manter os objetivos fundamentais da política econômica adotados pelo governo anterior, ou seja, retendo a moeda corrente, aprofundando políticas financeiras, a aceleração das privatizações e prosseguir as reformas estruturais.