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Grécia Economia

Virgilio Viana* –  Portugal está saindo de uma crise econômica de maneira surpreendente e que merece atenção. Estimativas apontam para um crescimento do PIB de até 2,4% em 2017, o que representa a taxa de crescimento mais elevada desde 2007. Isso é marcante, depois de três anos (2011-2013) de decrescimento da economia e uma séria crise de confiança. O déficit público deve ser menor do que 1,5% em 2017. O investimento estrangeiro direto aumentou 26% entre 2015 e 2016. É uma trajetória muito diferente da Grécia, que passou por crise semelhante, no mesmo período. Portugal é hoje um país que atrai interesse internacional. Durante o Horasis Global Meeting, em Portugal, de 27 a 30 de maio de 2017, o Primeiro Ministro Antônio Costa e o Ministro da Economia de Portugal, Manoel Caldeira Cabral, debateram as principais razões das boas perspectivas para o país. Esse artigo decorre dos debates neste evento e de conversas com ambos. A moderadora de um dos painéis, a editora da The Economist, Anne McElvoy, usou a expressão “milagre de Lisboa”, que inspirou o título desse artigo. Um dos fatores mais expressivos do momento em que vive Portugal é a estabilidade política. O presidente (Marcelo Rebelo de Sousa) é um conservador e o Primeiro Ministro (Antônio Costa) é um socialista. Tanto o presidente quanto o primeiro ministro possuem elevados índices de aprovação: 70% e 46%, respectivamente. Essa coalizão ampla possibilitou a construção de uma agenda de reformas políticas de longo prazo, guiadas mais pelo interesse nacional e espirito público do que pelos interesses partidários. A mensagem do Primeiro Ministro expressa isso de forma clara: “precisamos de menos dogmatismo e mais pragmatismo para fazer as reformas estruturais que o país precisa”. Diante da atual crise do Brasil, vale refletir sobre algumas lições da experiência portuguesa recente, que devem incluir: Liderança política sólida e governo estável, com respeito e credibilidade junto à sociedade. Ministros com elevada qualificação técnica. Políticas que promoveram um salto na qualidade da educação e avanço na qualificação da população. Políticas de estímulo à inovação e criatividade, com diversas medidas de apoio a startups como estratégia para a geração de empregos e fomento da economia. Políticas de atração de investimento externo para atividades produtivas. Políticas voltadas para o desenvolvimento sustentável, especialmente energia renovável, com ênfase para solar e eólica (60% da energia do país). Boa infraestrutura, qualidade de vida e segurança, capazes de atrair e fixar talentos no país. Espírito cosmopolitano, com elevada parcela da população dominando mais de uma língua e tendo vivido em outros países. Autoconfiança e autoestima elevada da nova geração, que apresenta elevados níveis de inovação e empreendedorismo. Esta não é uma lista exaustiva, mas são pontos que podem e devem servir de inspiração para o Brasil. Para sair da atual crise precisamos desenhar uma estratégia que tenha uma perspectiva mais ampla de desenvolvimento. Não se trata de olhar apenas para o crescimento da economia e os números do PIB de forma isolada. É necessário ter uma estratégia de longo prazo, de […]

O post O milagre de Lisboa: a estratégia de Portugal para sair da crise apareceu primeiro em Envolverde - Revista Digital.

www.envolverde.com.br | 05-06-2017

As contrapartidas e vedações do projeto são “draconianas” (em referência ao duríssimo legislador ateniense Drácon em 600 a.C.). Pô, mais uma vez vamos passar a mão na cabeça do Rio pelos seus erros? E os Estados que fizeram o dever de casa, equilibrando suas contas, não ganham nada? Empréstimos, mais uma rodada de abatimento de dívidas ou encontro de contas de recebíveis (Lei Kandir, por exemplo)? Esse projeto não fica de pé, jamais será aprovado! Essas foram as frases que mais escutei nas últimas quatro semanas, desde que começou a tramitar o PLP343/2017 que cria o inédito Regime de Recuperação Fiscal dos Estados (RRF). Um mecanismo novo na esfera pública, mas conhecido das empresas que já se utilizam da Lei de Falências de 2005, no que se refere ao capítulo da Recuperação Judicial, criado para a empresa não falir, mantendo a fonte produtora, salvando empregos e estimulando a atividade econômica.

A polêmica é enorme e os deputados basicamente se dividem em dois grandes grupos: aqueles que não acreditam na dureza das medidas como o único caminho para o ajuste — privatizar, congelar despesas de pessoal, alíquotas extras previdenciárias e redução da farra de incentivos fiscais. Este grupo, basicamente é representado por partidos como PT, PCdoB, PSOL e Rede que, utopicamente, creem que o gasto público crescente, ainda que no caso de estados hiperendividados, promoverá desenvolvimento, aquecendo a economia, empregos, aumentando a arrecadação, mascarando assim seus imensos déficits. E do outro, deputados-senadores, concentrados na base do governo. E usei esse termo pois é legítimo que todos nós, deputados eleitos em nossos estados, queiramos defendê-los em qualquer oportunidade.

Contudo, o RRF é muito mais do que uma solução para atender imediatamente ao Rio, com salários de servidores atrasados e colapso de serviços públicos essenciais. A Lei de Responsabilidade Fiscal foi um marco na estabilização, mas não previu mecanismos para trazer estados hiperendividados de volta ao equilíbrio. O RRF tem regras claras de acesso, que não deixam dúvida de que apenas estados em gravíssima situação fiscal se enquadram: i) dívida consolidada maior que a receita corrente líquida (RCL); ii) despesa de pessoal mais encargos da dívida maior que 70% da RCL; iii) obrigações financeiras maiores que o caixa livre. Impossível um estado, enquadrado nestes três indicadores, não estar à beira da falência. Hoje, apenas Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais poderiam se habilitar ao RRF. No entanto, vale ressaltar que 13 estados da União já estão acima da Lei de Responsabilidade Fiscal e ao menos cinco já cumprem dois dos pré-requisitos para aderir ao Regime.

O RRF não é automático, nem obrigatório. Mesmo após atingir estes três indicadores, o estado tem que requerer a adesão ao Regime à Fazenda, que só será homologado depois de aprovadas todas as leis nas respectivas Assembleias. Assinado o acordo, a União suspende o recebimento de suas parcelas da dívida por três anos, renováveis por outros três. Ao fim do período, o pagamento da dívida é retomado e o valor será acrescido de juros (4% ao ano) e correção monetária (IPCA-E ou Selic). Ao todo serão R$ 37,3 bilhões a menos de obrigações para que estes estados coloquem suas contas em dia, caso os três estados venham a aderir.

Todas as medidas são muito duras, é verdade. Mas, para casos extremos, é preciso medidas extremas. E muitas delas são ações que já deveriam ter sido feitas há muito tempo!

Bem, no caso do Rio, o mais grave do país, com salários atrasados há mais de dois meses, hospitais sem medicamentos, universidades sem aulas, polícia sem insumos, e a criminalidade explodindo, o RRF é a última saída antes da falência e uma possível intervenção federal. Imaginem o estado nas mãos dos tecnocratas da União, sem ter qualquer compromisso com as instituições, com servidores públicos e com a população fluminense. Para quem acha que está ruim, pode ficar ainda pior! Portanto, aos discípulos de Sólon, que acham que a RRF é um Código de Drácon, Pisístrato foi muito pior para os atenienses e para a Grécia.

Pedro Paulo é economista, deputado federal (PMDB-RJ) e relator do projeto que cria o Regime de Recuperação Fiscal dos Estados

oglobo.globo.com | 13-04-2017
O Banco Central Europeu (BCE) elevou o montante que os bancos da Grécia podem emprestar no âmbito do programa de empréstimo emergencial do país. A decisão é tomada em meio às negociações entre o governo grego e seus credores, que se arrastam e geram uma nuvem de incertezas sobre sua economia. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 23-03-2017

PARIS — Os cinco principais candidatos à Presidência da França se enfrentaram nesta segunda-feira pela primeira vez num debate em que a líder da extrema-direita Marine Le Pen foi o principal alvo das críticas lançadas por seus adversários. Le Pen lidera as pesquisas para a eleição do dia 23 de abril, seguida pelo centrista Emmanuel Macron. França_2003

O ex-ministro da Economia, que concorre pelo novo partido Em Marcha!, acusou a rival de dividir os franceses durante um dos momentos mais acalorados do debate. A candidata da Frente Nacional exigiu “fronteiras nacionais”, afirmando que os franceses não poderiam confiar “em uma Grécia arruinada” ou uma Itália com dificuldades para controlar o fluxo imigratório. Ela prometeu ainda banir a imigração "legal e ilegal". O confronto veio na discussão sobre o burkini, o traje de banho islâmico.

— Você não quer ver a gravidade real do que ocorre em nosso país. Há alguns anos, não havia burkinis nas praias — afirmou Le Pen, dizendo que Macron apoiava a vestimenta.

Macron respondeu dizendo que a adversária mentia "ao distorcer a realidade". Sobre o burkini, deixou a questão com os prefeitos:

— Madame Le Pen, a senhora será gentil, não lhe farei falar (por mim), não preciso de um ventríloquo. Não tem a ver com laicidade, esse é um problema de ordem pública. Há alguns prefeitos que proibiram, o que algumas vezes era justificado, é um problema de ordem pública. Quando há um problema de ordem pública, o prefeito é responsável. Não divida a França.

Investigado por desvio de fundos públicos, o candidato dos Republicanos, François Fillon, tentou impulsionar sua campanha apresentando um programa prevendo cortes nos gastos.

— Quero ser o presidente que vai libertar os franceses do excesso de burocracia — disse o conservador, que é acusado de arrumar empregos fantasmas para a mulher e dois filhos.

Os escândalos, no entanto, ficaram em segundo plano, Apenas Jean-Luc Melenchon procurou encurralar Fillon e Le Pen, que perdeu sua imunidade como eurodeputada ao ser investigada por postar no Twitter fotos de execuções realizadas pelo Estado Islâmico. A líder da extrema-direita é ainda suspeita de pagar dois funcionários seus por meio do Parlamento Europeu.

Já o candidato socialista, Benoît Hamon, mirou também em Macron que, como ex-investidor financeiro, poderia ficar sujeito a lobbies de empresários.

Nesse debate, os candidatos tentam conquistar os aproximadamente 40% de indecisos. Se as pesquisas se confirmarem, os franceses deverão ter um segundo turno em 7 de maio entre Le Pen e Macron.

oglobo.globo.com | 20-03-2017

ANCARA — O ministro do Interior da Turquia, Süleyman Soylu, ameaçou enviar 15 mil refugiados por mês à Europa, para surpreender negativamente as nações do continente. Ele disse que a União Europeia (UE) está fazendo jogos para prevenir a Turquia de se fortalecer, em um ataque direto a Alemanha e Holanda. A Turquia se vê numa crise diplomática com os dois países europeus, que recentemente impediram comícios em favor do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, em seu território. turquia

— Eu estou te dizendo, Europa, vocês têm a coragem? Se quiserem, podemos abrir o caminho para 15 mil refugiados por mês e surpreendê-los.

Além disso, Soylu mirou especialmente os governos holandês e alemão, enquanto Erdogan não poupa ataques contra os dois países.

— Este é nosso assunto interno. Por que vocês se importam? Por que estão se envolvendo nisso? Vocês aceitaram a Turquia na União Europeia? Ofereceram apoio à Turquia no seu combate ao terrorismo? — disse. — Há jogos sendo jogados contra a Turquia para evitar o seu fortalecimento no futuro.

As declarações do ministro vêm dois dias após a Turquia ter ameaçado anular unilateralmente o acordo migratório de março de 2016 com a UE. O pacto permitiu reduzir consideravelmente o fluxo de migrantes e refugiados na Europa, em meio às tensões com vários países da UE.

— Podemos acabar (com o acordo) unilateralmente. Ainda não informamos nosso interlocutores (europeus), tudo está nas nossas mãos — declarou o ministro das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, ao canal 24 TV. — A partir de agora, podemos dizer 'não vamos mais aplicar o acordo e está acabado'.

O ministro acusou a UE de não ter autorizado, como previsto no pacto, a liberação de vistos para cidadãos turcos na UE. O polêmico acordo, concluído em plena crise migratória, que prevê o reenvio sistemático de todos os migrantes para a Turquia, permitiu reduzir drasticamente o número de chegadas na Grécia.

Erdogan, por sua vez, afirmou que "o espírito do fascismo está desenfreado", e acusou diretamente a Holanda de ser responsável pelo massacre de Srebrenica.

A crise diplomática se estendeu às redes sociais. Várias contas do Twitter certificadas, entre elas as da Anistia Internacional, BBC e do ministério francês da Economia, foram atacadas por hackers com mensagens em turco comparando a Holanda e a Alemanha ao regime nazista. O Twitter confirmou ter sofrido um ataque de grande envergadura.

— A Holanda não tem nada a ver com civilização, nem com o mundo moderno, foram eles que massacraram mais de 8.000 bósnios muçulmanos na Bósnia Herzegovina, durante o massacre de Srebrenica em 1995 — acusou Erdogan em um discurso.Erdogan acusa Holanda de massacre de muçulmanos

oglobo.globo.com | 17-03-2017

ANCARA - A Turquia ameaçou nesta quarta-feira anular unilateralmente o acordo migratório de março de 2016 com a União Europeia, que permitiu reduzir consideravelmente o fluxo de migrantes e refugiados na Europa, em meio às tensões com vários países da UE.

— Podemos acabar (com o acordo) unilateralmente. Ainda não informamos nosso interlocutores (europeus), tudo está nas nossas mãos — declarou o ministro das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, ao canal 24 TV. — A partir de agora, podemos dizer 'não vamos mais aplicar o acordo e está acabado'. Erdogan

O ministro acusou a UE de não ter autorizado, como previsto no pacto, a liberação de vistos para cidadãos turcos na UE.

O polêmico acordo, concluído em plena crise migratória, que prevê o reenvio sistemático de todos os migrantes para a Turquia, permitiu reduzir drasticamente o número de chegadas na Grécia.

Este foi o último capítulo de uma crise entre a Turquia e a União Europeia, iniciada depois que Alemanha e Holanda não permitiram na semana passada que ministros turcos participassem em seus territórios de comícios em favor do referendo que dará mais poderes ao presidente Recep Tayyip Erdogan.

Mais cedo, nesta quarta-feira, Erdogan voltou a atacar violentamente a Europa, onde, segundo ele, "o espírito do fascismo está desenfreado", e acusou diretamente a Holanda de ser responsável pelo massacre de Srebrenica.

A crise diplomática se estendeu às redes sociais. Várias contas do Twitter certificadas, entre elas as da Anistia Internacional, BBC e do ministério francês da Economia, foram atacadas por hackers com mensagens em turco comparando a Holanda e a Alemanha ao regime nazista.

O Twitter confirmou ter sofrido um ataque de grande envergadura.

— A Holanda não tem nada a ver com civilização, nem com o mundo moderno, foram eles que massacraram mais de 8.000 bósnios muçulmanos na Bósnia Herzegovina, durante o massacre de Srebrenica em 1995 — acusou Erdogan em um discurso.

Erdogan acusa Holanda de massacre de muçulmanos

oglobo.globo.com | 15-03-2017

BERLIM — Entre os jovens holandeses, Geert Wilders deverá ser o mais votado. Segundo o Instituto de Pesquisa Eleitoral I&O, 27% dos eleitores de 18 a 25 anos estão decididos a votar no político que tem na sua plataforma reduzir o número de marroquinos no país, proibir as mesquitas e promover a saída da Holanda da União Europeia (UE). Entre os que têm mais de 65 anos, apenas 8% apoiam o político populista. Holanda

De acordo com especialistas, trata-se de uma mudança dramática, porque há dez anos os mais novos preferiam a esquerda. Esta praticamente deixou de existir na Holanda, observa Alize Zandwijk, que acompanhou de perto a adesão da juventude à extrema-direita durante seus dez anos como diretora artística do Teatro de Roterdã.

— A política holandesa conhece hoje só centro e direita.

Em poucas cidades o universo da extrema-direita parece tão concentrado quanto em Volendam, uma aldeia de pescadores perto de Amsterdã, onde Wilders deverá ter o voto de mais de 50% da população e de quase 100% dos moradores com menos de 30 anos.

Segundo a prefeita Mevrouw Sievers, os jovens da pequena cidade veem com pessimismo o futuro, embora as chances profissionais não sejam as piores. Muitos lamentam o fim da atividade pesqueira. Dos 250 barcos de pescadores que ali existiam há 60 anos, restaram apenas dois. O jovem Friso, de 25 anos, diz que seus conterrâneos se ressentem com a UE pelo fim da atividade tradicional de Volendam após a criação de uma cota de pesca. Eles veem ainda os marroquinos como uma ameaça à cultura e um problema econômico, porque dependeriam da ajuda econômica do Estado.

Já Robert Housman, candidato do Partido da Liberdade (PVV) em Limburg, província de origem de Wilders, diz que sobretudo os jovens são contra a UE porque “não querem ver seu futuro econômico ameaçado com a ajuda à Grécia”.

Mesmo com previsão de crescimento da economia de quase 2%, muitos holandeses veem com pessimismo a situação do país. Segundo Donny Bonsink, adolescente ativista pro-Wilders, os jovens não votam mais no partido do premier Mark Rutte por ele ter deixado de cumprir a promessa de dar mil euros de ajuda fiscal aos holandeses que trabalham.

Mas a preferência de parte da juventude pela extrema-direita é um fenômeno observado também em outros países europeus, como na França, onde 34% dos jovens pretendem votar em Marine Le Pen, da Frente Nacional. “Os jovens europeus são os maiores fãs dos extremistas de direita”, escreveu o jornal alemão “Die Welt”. Info - Holanda crise econômica

oglobo.globo.com | 12-03-2017

É das debacles fiscais o atropelamento de direitos, por uma dramática e simples razão — falta absoluta de dinheiro nos cofres públicos, como efeito de alguma crise fora do alcance do governante de turno ou devido a seus próprios erros. Um exemplo é a Grécia, em que a elite política entendeu ser a entrada no bloco do euro uma espécie de passaporte para o paraíso da moeda forte e do descuido com os gastos. O resultado é uma sucessão de anos de ajustes pela metade, baixo crescimento, desemprego.

Há semelhanças com o Rio de Janeiro de Sérgio Cabral, trancafiado em Bangu por corrupção, e de Luiz Fernando Pezão, vice e depois eleito na fase final da farra de gastos imprevidentes que houve no estado. Sem falar da corrupção.

A grande conspiração contra o funcionalismo ativo, aposentados e pensionistas do estado — e, numa visão mais ampla, contra a população mesma — foram apostas erradas na política de gastos do governo, considerando a fonte incerta dos recursos. Era quase suicídio destinar o volume crescente de royalties — em alta puxada pela elevação das cotações externas de petróleo e gás — para gastos engessados por lei e blindados por grupos políticos organizados (salários de servidores, aposentadorias e pensões do funcionalismo).

Como era previsto na imprensa especializada, a entrada em produção, nos Estados Unidos, de áreas de exploração de óleo e gás de rochas ajudou a derrubar o preço dos hidrocarbonetos e com isso pulverizou parte da receita do governo fluminense. A probabilidade de um longo ciclo de petróleo e assemelhados a cotações mais baixas havia levado a Arábia Saudita, sob o comando de nova geração da família Saud, a desenhar um programa de ajuste fiscal e, mais do que isso, de reciclagem estrutural da economia, para depender menos das receitas do petróleo. A notícia, de circulação ampla, deveria ter alertado os governantes fluminenses.

A tempestade perfeita se formou com o efeito catastrófico da política heterodoxa do “novo marco macroeconômico”, ensaiada no segundo mandato de Lula e radicalizada com Dilma Rousseff no Planalto, sobre toda a economia brasileira. Vieram daí um ano de estagnação (2014) e os dois seguintes da mais profunda recessão que as estatísticas brasileiras mostram: a subtração de aproximadamente 8% do PIB, causa de mais de 12 milhões de desempregos e decorrentes mazelas sociais.

Há razões profundas e longe do alcance direto do Palácio Guanabara — o que não lhe redime da irresponsabilidade na gestão do estado — de boa parcela desta tempestade perfeita. Para isso há leis como a da responsabilidade fiscal, para a cobrança de autoridades. A presidente Dilma perdeu o mandato por atropelar a LRF. Governantes podem e devem ser punidos em que esfera for: administrativa, penal e política. Mas a crise é tão profunda que não será superada na base de liminares, mesmo que sejam pertinentes do ponto de vista jurídico.

oglobo.globo.com | 01-03-2017

LONDRES - O salário médio dos trabalhadores do setor industrial na China já ultrapassou o de países como Brasil e México e está se aproximando da renda média da força de trabalho na Grécia e em Portugal, segundo levantamento da consultoria Euromonitor publicado na edição de hoje do jornal britânico “Financial Times”. Considerando os trabalhadores chineses como um todo, a renda por hora é superior a de todos os grandes países da América Latina, com exceção do Chile. Em relação aos países menos desenvolvidos da zona do euro, o chinês recebe 70% do salário médio.

O salário médio por hora na indústria chinesa triplicou entre 2005 e 2016, para US$ 3,60, segundo o Euromonitor. No mesmo período, o salário no setor industrial no Brasil caiu de US$ 2,90 para US$ 2,70. No México, a queda foi de US$ 2,20 para US$ 2,10. Os dados foram compilados junto à Organização Internacional do Trabalho, à Eurostat (o órgão de estatísticas da União Europeia) e a agências de estatísticas nacionais. Em seguida, foram convertidos para o dólar e ajustados pela inflação. O custo de vida em cada país não foi levado em consideração.

AMEAÇA A POSTOS DE TRABALHO

Os números mostram como a China elevou o padrão de vida de sua população nos últimos anos. Alguns analistas avaliam que ganhos de produtividade poderão elevar ainda mais os salários no país asiático. Por outro lado, o crescimento dos salários pode fazer com que os chineses comecem a perder emprego para outros países em desenvolvimento, num cenário de busca por corte de custos pelas empresas instaladas na China.

Os dados publicados no “FT” também revelam os problemas que enfrentam os países latino-americanos, onde a renda estagnou e, em alguns casos, caiu em termos reais. Na Grécia, o salário médio por hora caiu mais da metade desde 2009, segundo a Euromonitor.

— É marcante como a China fez bem, comparando-se a todos os outros países — disse Charles Robertson, economista-chefe do banco de investimentos Renaissance Capital, ficado em países emergentes. — Ela está convergindo com o Ocidente, quando tantos outros mercados emergentes não conseguiram.

oglobo.globo.com | 27-02-2017

NOVA YORK - Os investidores deveriam estar um pouco mais nervosos, na opinião de um gestor de recursos da BlackRock. As bolsas dos EUA bateram recordes diante de sinais de estabilização da economia chinesa e da expectativa de que o presidente Donald Trump gaste mais com infraestrutura, relaxe regras e reduza impostos. Embora a disparada das ações e a volatilidade abaixo da média mostrem um clima de maior otimismo, os mercados estão subestimando os riscos políticos globais, disse Russ Koesterich, um dos gestores do BlackRock Global Allocation Fund, com US$ 41 bilhões. Ele recomenda o ouro como forma de proteção.

Eleições próximas na Europa e incerteza política nos EUA são alguns dos fatores que podem mexer com o sentimento dos investidores, afirmou Koesterich. Essas ameaças são amplificadas pelo potencial impacto da saída do Reino Unido da União Europeia e da crise da dívida na Grécia. Essas preocupações ajudaram a aumentar a demanda pelo ouro como porto seguro. O metal se valorizou 8 por cento neste ano, após registrar seu pior desempenho trimestral desde 2013.

— Aquele risco político escondido não está refletido nos mercados”, afirmou Koesterich na quinta-feira. — As pessoas não estão tão nervosas e existem coisas que podem dar errado, especialmente quando consideramos todos os riscos políticos. Isso fortalece o argumento para inclusão do ouro em uma carteira.

A onça do ouro se encaminha para sua sétima semana em oito de valorização.

Nos EUA, as bolsas tiveram nesta semana a mais longa fase de alta em três anos, a inflação subiu e o mercado de trabalho vem ganhando força. Isso ocorre ao mesmo tempo em que uma métrica de incerteza sobre políticas econômicas em nível global bateu recorde em janeiro.

— Parte dessa alta se baseia no fato de os investidores esperarem algum estímulo de Washington na forma de cortes de impostos e potencial estímulo fiscal — disse Koesterich. — O que vai acontecer se isso não vier? Haverá algum estímulo, mas o cronograma, a forma e a magnitude ainda são bastante incertos.

oglobo.globo.com | 17-02-2017

RIO - O grupo J&F controla negócios tão distintos quanto a JBS (dona das marcas Friboi e Seara) e a empresa de celulose Eldorado. Em julho de 2016, o conglomerado passou a ser investigado pela Polícia Federal em três operações — Sépsis, Greenfield e Cui Bono — que apuram suspeitas de pagamento de propina para liberação de recursos do FI FGTS, administrado pela Caixa Econômica Federal, e investimentos de fundos de pensão de estatais nas empresas do grupo. Nas três operações, aparece o nome do doleiro Lúcio Funaro, apontado como interlocutor do ex-deputado Eduardo Cunha. Presidente da J&F, holding do grupo, Joesley Batista rebate as denúncias, diz que elas tiveram motivação pessoal e afirma que os pagamentos feitos a Funaro foram comissão por negócios, cobrada na Justiça. Segundo Joesley, as investigações estão afetando os negócios, porque teve de adiar um projeto de R$ 10 bilhões.

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Quais são os problemas da decisão do Ministério Público (MP)?

Ficamos absolutamente surpreendidos com essa história. Foi uma atitude pessoal do conselheiro Max Pantoja da Costa, não da Funcef (Costa representa o fundo de pensão dos funcionários da Caixa no Conselho de Administração da Eldorado). Na nossa avaliação, os fatos que ele relata na denúncia ao MP são estapafúrdios e mentirosos. Ele diz que as empresas (contratadas para fazer a auditoria na Eldorado) foram tendenciosas. A Ernst&Young e o Veirano (as empresas citadas) são idôneas. E o Conselho aprovou a contratação dessas empresas, inclusive com voto dele. Diz ainda que o comitê interno (para acompanhar a auditoria) não é independente, mas o comitê foi aprovado pelo Conselho.

Houve uma apresentação ao Conselho feita pelas empresas que fizeram a auditoria, mas não foi produzido um relatório final.

Quando fez a apresentação, a equipe do Veirano disse que aquilo era um sumário executivo, mas que havia sete meses de trabalho, com documentos em um data room no escritório à disposição dos conselheiros. O Max não foi lá e saiu reclamando que o trabalho estava ruim.

Qual o interesse que o conselheiro teria em fazer uma denúncia?

Essa é a pergunta que fica, o que o motivou a fazer isso?

Para o MP, há “triangulação arquitetada para fazer lavagem de dinheiro”.

A Ernst&Young e o Veirano terminaram o trabalho dizendo que não há como afirmar que há evidências de relação entre os pagamentos feitos (pela Eldorado) às empresa do doleiro Lúcio Funaro e liberações de recursos do FI FGTS (para a Eldorado ou outras empresas do grupo). É razoável que o MP, após leitura de um sumário executivo de 20 ou 30 páginas, tenha mais convicções que os que ficaram sete meses investigando a empresa?

Mas como você explica fatos concretos sob suspeita? Por exemplo, o pagamento de R$ 37 milhões feito pela Eldorado a empresas de Funaro.

A J&F é uma holding, não gera caixa. Normalmente, paga-se por conta e ordem. Quando ela tem um pagamento a fazer, ele é feito por outra empresa do grupo.

O MP pediu o bloqueio de R$ 1,7 bilhão de seu patrimônio. Qual o efeito disso sobre seus negócios?

Isso não vai adiante. Vamos recorrer em segunda instância, caso o juiz acolha o pedido. Estamos muito confiantes na nossa defesa. O Max mentiu.

São três operações em que o grupo J&F é citado. Funaro aparece como um nome que interliga essas histórias. Afinal, qual é sua relação com ele?

A holding J&F teve negócio com o Lúcio. Ele vendeu boi para a JBS. Além disso, houve fusão entre Bertin e JBS em 2009. Em 2011, houve uma briga entre nós e a família Bertin. Os Bertin contrataram o Lúcio primeiro, e ele arrumou a briga. Foi criado um litígio, em que a fusão foi questionada. Aí contratamos o Lúcio, e ele viabilizou a compra da parte dos Bertin. Depois, compramos uma empresa no Paraná chamada Big Frango. Ele tinha um contrato com uma subsidiária dessa empresa para comissão sobre venda. E nos cobrou a comissão, e não pagamos. Então, entrou na Justiça e ganhou. Nós pagamos. Foram esses os pagamentos que fizemos ao Lúcio.

Mas Fabio Cleto (ex-executivo da Caixa) sustenta que recebeu propina da Eldorado para aprovar a operação do FI FGTS, por intermédio de Funaro.

Surpreendente. E sabe quem pagou? A Carioca, que eu nunca vi na vida. Essa operação que ele diz que ajudou, não ajudou coisa nenhuma, porque essa operação não era nem da área dele. Depois de fechada a operação, isso vai a um conselho que tem 12 pessoas. O Fábio é um dos 12.

Qual seria o interesse de Cleto de criar essa história?

Não é o primeiro delator que nos enfia em coisa. Nunca me conectei com o Fabio. Não sei se o Fabio é do Rio ou de São Paulo, nunca mandei uma mensagem para ele. Mas aquele negócio da viagem ao Caribe é verdade (Fabio Cleto disse em delação premiada que viajou ao Caribe com Joesley e Funaro). Quando você fala assim “viagem ao Caribe”, parece uma intimidade danada. Encontrei o Lúcio e o Fabio na Grécia fazendo não sei o quê. Ele era brasileiro, estava lá. “Vamos nos encontrar, vamos jantar?” Encontramos. “Daqui você vai para onde?” “Tô indo passar um feriado na casa de um amigo meu no Caribe. Vamos?” Eu estava sozinho no meu avião e nele cabem dez pessoas. Ele falou “vamos embora". Entrou no avião e foi.

Não costumo levar para casa de amigos pessoas que eu não conheço.

É, engraçado. Eu fiz isso. A casa era de um amigo meu, o Júnior (João Alves de Queiroz Filho, fundador da Hypermarcas). Ele fica sozinho lá, é uma casa grande, seis quartos, enfim, sou amigo dele. Não quero parecer arrogante. Mas não tiro férias. Faço essas escapadas de fim de semana. Com alguma frequência fui para esse lugar, no meu avião com convidados, que, francamente, tem muitos que eu nem lembro. Só garanto uma coisa. Não tenho conexão com esse rapaz (Cleto).

A J&F pensa em pedir o afastamento do Max?

Estamos hoje focados em fazer nossa defesa ao juiz. Depois vamos certamente acioná-lo.

O que as denúncias interferem no plano de negócios do grupo?

Em 2016, mesmo com todo o barulho, crescemos e ganhamos market share em todas as divisões. Na Vigor, na Seara, nos EUA. No caso da Eldorado, há um projeto de construir uma nova fábrica. Mas, para construir a fábrica, preciso de crédito, preciso de uma situação mais calma. A gente já postergou o projeto uns seis meses.

Ia começar quando?

No cronograma original ela era para fim de 2019. Já escorregou para meados de 2020. A gente continua formando a floresta. Para uma empresa de celulose, eu preciso de duas coisas: madeira e capital. Madeira, a gente planta ou compra. Capital, a gente precisa estar com a reputação em ordem, né? Isso (as denúncias) obviamente mexe no mercado. A Eldorado tem bastante caixa, mas esse projeto da nova fábrica é um investimento de R$ 10 bilhões.

Você tem conversado com investidores para explicar a situação?

Tivemos principalmente com bondholders (donos de títulos da Eldorado) e agências de rating.

Qual a estimativa do grupo de investimento para este ano?

O grande investimento seria essa fábrica. Mas precisamos resolver primeiro esses sobressaltos. A JBS fez muitas aquisições em 2015. Foram US$ 5 bilhões na JBS e US$ 1 bilhão pela J&F, que foi a compra da Alpargatas. Então, a gente acha que 2016, 2017 e 2018 serão anos de consolidar isso.

oglobo.globo.com | 15-02-2017
O Produto Interno Bruto (PIB) da Grécia teve contração de 0,4% no quarto trimestre de 2016 ante os três meses anteriores, segundo dados publicados hoje pela agência de estatísticas do país, a Elstat. A queda veio após a economia grega mostrar expansão de 0,9% no terceiro trimestre ante o segundo.Na comparação anual, o PIB grego cresceu 0,3% entre outubro e dezembro. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 14-02-2017
O Fundo Monetário Internacional (FMI) enviou nesta terça-feira o sinal mais claro até agora de que não deve dar um novo pacote de ajuda à Grécia, caso Atenas e seus credores europeus não concordem antes com reformas econômicas e um substancial alívio na dívida.Dois documentos do Fundo tornados públicos revelam ceticismo ante a possibilidade de que o mais recente programa de financiamento da Europa possa reparar a economia grega. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 08-02-2017

O Fundo Monetário Internacional (FMI) enviou nesta terça-feira o sinal mais claro até agora de que não deve dar um novo pacote de ajuda à Grécia, caso Atenas e seus credores europeus não concordem antes com reformas econômicas e um substancial alívio na dívida.

Dois documentos do Fundo tornados públicos revelam ceticismo ante a possibilidade de que o mais recente programa de financiamento da Europa possa reparar a economia grega. A revisão anual do FMI sobre a economia do país e uma avaliação de seu segundo pacote de ajuda mostram que um terceiro pacote do Fundo em breve parece algo improvável.

O FMI parou de financiar a Grécia há cerca de três anos. O país tem se mantido com o apoio financeiro da Europa, mas pagamentos previstos para junho e julho ameaçam levar novamente Atenas a um default, reviver disputas políticas e mesmo o risco de uma eventual saída do país da zona do euro. A Europa quer que o FMI participe do programa de ajuda graças à credibilidade de seus programas de financiamento. O Fundo, porém, não se mostra animado por ora.

Há pouca indicação de que a União Europeia e a Grécia estejam dispostos a concordar com os termos sugeridos pelo FMI como necessários para voltar a participar da iniciativa. Conversas no mês passado não trouxeram avanços.

A equipe do FMI afirmou em sua revisão anual sobre a Grécia que a dívida do país permanece "altamente sustentável", com pouca perspectiva de retomada no crescimento sem um alívio na dívida e importantes reformas nos sistemas previdenciário e tributário. O fracasso em reparar sua economia e garantir um alívio na dívida, como recomendado pelo FMI, poderia levar a novos problemas de liquidez que, na ausência de mais apoio oficial, poderiam reavivar os temores de saída do país do euro, diz o Fundo. Fonte: Dow Jones Newswires.

ANCARA e BUDAPESTE - Enquanto a chanceler alemã, Angela Merkel, visitava o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, numa tentativa de fortalecer o papel da Otan no combate ao Estado Islâmico e no controle da crise migratória que assola a Europa, o presidente russo, Vladimir Putin, foi à Hungria, num esforço de reparar sua reputação com Estados-membros da União Europeia (UE) e acelerar a suspensão das sanções impostas contra Moscou desde a anexação da Crimeia em março de 2014.

Discursando ao lado de Erdogan na capital turca, Merkel usou o fracasso da tentativa de golpe contra o governo, em julho do ano passado, para cobrar do presidente — acusado de autoritarismo — respeito à democracia.

— É exatamente por isso que é importante que a liberdade de opiniões seja mantida, e por isso discutimos a questão da liberdade de imprensa — afirmou Merkel, que pediu ao presidente turco que garanta a diversidade de opiniões no país. — A oposição é parte da democracia.

A discussão sobre o combate ao terrorismo rendeu uma saia-justa durante a coletiva, quando Merkel afirmou ter conversado com Erdogan sobre a luta contra o “terrorismo islamista”.

— A expressão ‘terrorismo islamista’ entristece profundamente a todos nós muçulmanos — afirmou o presidente. — Essa expressão é incorreta porque o Islã e o terror não podem ser associados. O Islã significa paz.

Em resposta, Merkel assegurou que seu governo “não apenas respeita e valoriza os muçulmanos, mas quer trabalhar com eles contra o terrorismo”.

Com as relações entre Ancara e a União Europeia cada vez mais fragilizadas, Merkel busca garantir que o acordo firmado entre o bloco europeu e a Turquia, em março do ano passado, não se desmanche. O plano de ação ajudou a reduzir drasticamente o número de pessoas que atravessam o Mar Egeu tentando chegar à Grécia, para seguir rumo à Europa Ocidental. Embora o governo turco tenha alegado que a promessa de € 3 bilhões para apoiar projetos humanitários — destinados a ajudar os quase três milhões de sírios refugiados no país — não foi cumprida, Merkel garantiu que o acordo permanece “no caminho certo” e louvou os “extraordinários esforços” da Turquia no apoio a refugiados.

A visita foi criticada por Kemal Kilicdaroglu, líder do Partido do Povo Republicano (CHP), principal legenda de oposição da Turquia. Segundo ele, Erdogan explorará politicamente a passagem de Merkel, sugerindo que ela visitou o país para apoiar as políticas do governo.

Hungria defende Rússia

Já em Budapeste, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, saudou a visita de Vladimir Putin como “um sinal do processo de realinhamento no mundo”, afirmando que o cenário é favorável para o fortalecimento das relações entre a Rússia e a Hungria. Em uma entrevista coletiva, os dois falaram de questões econômicas, e destacaram a necessidade de cooperação internacional.

Embora a visita tenha sido encarada pela imprensa e pela oposição húngara como uma tentativa de Putin de amenizar as tensões entre Moscou e a UE e derrubar as sanções, o tema não foi citado na coletiva— ainda que Orbán tenha feito uma alusão às conturbadas relações entre o bloco europeu e a Rússia:

— Por razões que estão muito além de nossa compreensão, a porção ocidental de nosso continente demonstrou políticas bastante anti-Rússia que acabaram atingindo a economia húngara.

Em entrevista, o porta-voz de Orbán, Zoltan Kovács, explicou a importância da visita de Putin:

— Não queremos sair da UE. Queremos transformá-la em uma aliança de nações que possam governar sem a influência dos burocratas de Bruxelas — afirmou. — Ao mesmo tempo, sentimos que todos irão redefinir suas relações com Moscou e também queremos fazer isso. Não estamos mais em um mundo bipolar, mas sim num mundo multipolar que está surgindo.

oglobo.globo.com | 03-02-2017

Em uma clara diferença com o sentimento otimista entre executivos dos Estados Unidos, autoridades e líderes corporativos europeus reunidos em Davos mostraram-se preocupados com o que será um ano importante no continente, em meio a uma onda de populismo e eleições nacionais em algumas das principais economias, que poderiam ameaçar a já modesta retomada na região.

Vice-presidente da Comissão Europeia para a zona do euro, Valdis Dombrovskis disse em entrevista que todos os 28 países da União Europeia devem crescer neste ano, mesmo a Grécia. O crescimento na zona do euro deve acelerar de 1,5% neste ano para 1,7% em 2018.

De fato, o Produto Interno Bruto (PIB) da UE finalmente está acima dos níveis anteriores à crise, enquanto o desemprego no bloco caiu para os níveis de 2009. A dívida dos governos e os déficits também diminuem. "A recuperação econômica, embora muito modesta, é resistente a diferentes fatores de risco, a incerteza política sendo um deles", afirmou Dombrovskis.

As eleições na Alemanha, na França e possivelmente na Itália, porém, podem atrapalhar essa recuperação, especialmente se partidos populistas - muitos deles contrários à moeda comum - continuarem a avançar. Embora investidores e analistas esperem que o Banco Central Europeu (BCE) prossiga com a redução de seu programa de compra de bônus, fatos políticos poderiam mudar isso.

"Se algo der errado, o BCE poderia inundar os mercados para estabilizar", disse Oliver Bäte, executivo-chefe da seguradora alemã Allianz. "Nós precisamos estar preparados para esse cenário também."

No curto prazo, a incerteza política tende a frear as contratações, disse Stefano Scabbio, diretor para o sul da Europa da Manpower. Na Espanha, por exemplo, a forte geração de vagas vista nos últimos anos perdeu fôlego recentemente enquanto os partidos políticos brigavam para formar um novo governo.

A ameaça do terrorismo também é citada como ameaça para uma recuperação mais robusta na Europa. Os hotéis Marriott na França "ainda não se recuperaram", segundo o executivo-chefe da rede, Arne Sorenson.

A Itália, terceira maior economia da zona do euro, continua a ser um grande freio para a região, com crescimento muito mais baixo que países como a Alemanha ou mesmo a Espanha. Um grande problema continua a ser seu sistema bancário, que tem 200 bilhões de euros (US$ 187,6 bilhões) em empréstimos inadimplentes, o que dificulta os novos empréstimos. O ministro da Economia da Itália, Pier Paolo Padoan, afirmou que deseja ver esse montante cair pela metade, mas a redução levará tempo. Fonte: Dow Jones Newswires.

O título deste artigo é o mesmo de um livro do reconhecido filósofo americano Noam Chomsky a respeito do sistema econômico que rege alguns dos principais países do mundo ocidental. Suas considerações estão cada vez mais presentes em nossa atualidade, e todos nós deveríamos estar mais atentos aos caminhos aos quais somos conduzidos por aqueles que, em diversos segmentos de nossa sociedade, são detentores de algum tipo de poder.

Outro livro clássico, “A riqueza das nações”, de Adam Smith, deu origem ao capitalismo liberal. Diferentemente dos dias de hoje, Adam Smith não restringia ao autointeresse o motor da economia; esse era também admitido, ao lado da principal meta, que ele colocava como sendo o bem-estar da sociedade. Havia no criador do sistema capitalista um sentimento social. E devemos lembrar que o grande pecado da Grécia Antiga, da qual nossa civilização se origina, era a chamada húbris, que pode ser traduzida como desmedida; ou seja, tudo que se torna um exagero distorce os seus princípios. Assim, o neoliberalismo, e o que hoje chamo de financismo, privilegiou unicamente o interesse dos poucos detentores de poder e riqueza.

Hoje nos defrontamos estarrecidos com medidas governamentais que se enquadram nessa situação. O lucro, seja ele em que sentido for, tornou-se muito mais importante que as pessoas. O pagamento de dívidas a instituições financeiras ou similares toma o lugar do pagamento de dívidas em relação à população. Educação e saúde, dois compromissos absolutos de qualquer governo que se preze, são jogadas à margem para beneficiar algo volátil e sem valor próprio, o dinheiro, e para privilegiarem instituições que nada produzem a não ser intermediar essa matéria com a cobrança de juros absolutamente escorchantes. Nossos juros de 13% deixam longe a Alemanha e a França, com 0,05%; os Estados Unidos, com 0,25%; o Reino Unido, com 0,5%.

A falta de pensamento social por parte dos servidores públicos que se dizem “autoridades” alojadas no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto é gritante. Também é gritante a falta de atenção da população em geral para a real doença de nossa economia. São ainda poucos os movimentos isolados protestando contra a desconstrução de nossa saúde pública, uma obrigação do Estado, como reza a Constituição Cidadã de 1988, assim como contra a desconstrução da educação pública que forma os cidadãos.

Que cada um de nós, cada vez mais, se conscientize de que decisões isoladas, e tantas vezes parciais, não podem estar acima do bem da sociedade como um todo. E para isso não ocorrer, é importante a participação de todos em relação a esses assuntos.

Luiz Roberto Londres é médico e diretor do Movimento Participação Médica

oglobo.globo.com | 16-01-2017

RIO - Incerteza, imprevisibilidade, instabilidade e insegurança. Essas são algumas das palavras mais usadas para descrever o cenário para a economia mundial em 2017. Embora o consenso entre os analistas aponte para um ano de crescimento global mais elevado, o xadrez político preocupa e pode representar uma ameaça a esse avanço. As atenções de todos estão voltadas sobretudo aos EUA, com a posse de Donald Trump. Além das fronteiras americanas o ano também será marcado por eventos importantes: na Europa, França e Alemanha podem ver o avanço da extrema-direita nas eleições; na China, ocorrerá o 19º Congresso do Partido Comunista (PCC), que ocorre a cada cinco anos e decide os próximos líderes do país.

— As relações internacionais serão mais tensas em 2017 e isso tem consequências para a economia. Temos que nos preparar para um mundo mais perigoso e instável — afirma o professor do Instituto de Economia da UFRJ Luiz Carlos Prado.

Economia 2017 As projeções para a economia mundial são de crescimento um pouco maior que em 2016, mas em ritmo ainda lento. As estimativas compiladas pela Bloomberg indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) mundial avançará 3,2% em 2017, contra 2,9% em 2016. O Instituto para Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês) prevê alta de 2,9%, já levando em conta que os estímulos fiscais prometidos por Trump impulsionem o PIB dos EUA, embora tornem menos favoráveis as expectativas para os emergentes. A agência de classificação de risco Moody’s também prevê expansão maior, mas alerta para o “crescente sentimento protecionista”.

TODOS OS OLHOS SOBRE TRUMP

Aos poucos, Trump escolhe sua equipe, mas há dúvidas. O que parece menos turvo é que seu governo reduzirá impostos e aumentará gastos, favorecendo o crescimento. Mas analistas apontam que o estímulo fiscal tende a pressionar os preços e a tensionar a atuação do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

A sinalização veio antes mesmo da posse. No dia 14 de dezembro, o Fed elevou os juros em 0,25 ponto percentual. As projeções são de outras três altas nesta magnitude em 2017, um ciclo mais longo do que o previsto em setembro e que terá efeito sobre os países emergentes, com possível fuga de investidores para os EUA.

Outro foco de preocupação é a política comercial. Durante a campanha, Trump ameaçou elevar tarifas para a importação de produtos mexicanos e chineses e se mostrou contrário a acordos de comércio, que podem ser renegociados.

— O governo Trump tem efeitos que se espalham por toda a economia mundial — diz Charles Collyns, diretor e economista-chefe do IIF.

ECONOMIA GLOBAL

Otto Nogami, professor do Insper, acrescenta o efeito Trump sobre as commodities. Embora sua promessa de investir US$ 1 trilhão em infraestrutura esteja puxando para cima o preço de insumos metálicos, a retórica agressiva do presidente eleito em relação à China pode abalar as cotações — ele já ofendeu Pequim ao telefonar para a presidente de Taiwan, país com o qual os EUA não têm relações diplomáticas.

— O grande comprador de commodities no mundo é a China. À medida que começam a surgir rusgas, isso pode desacelerar o crescimento chinês e, por consequência, arrefecer a alta das commodities. Se isso acontecer, será negativo também para os países da América Latina — afirmou Nogami. — Se houver reaproximação entre Rússia e EUA, a relação bilateral com a China deixa de ser prioridade. Isso pode esvair inclusive o sonho chinês de transformar o Brics (grupo de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em potência.

O emergente mais vulnerável aos EUA de Trump é o México, que poderá sofrer pressão sobre as contas externas e um ajuste mais intenso. Na avaliação de Marcelo Carvalho, economista-chefe do banco BNP Paribas para América Latina, o outro polo latino — Brasil, Chile, Peru, Colômbia e Argentina — é mais ligado à economia chinesa por causa das commodities:

— Nosso cenário é de uma China desacelerando, mas ainda com um crescimento robusto de 6,5%, o que dá suporte ao preço das commodities, embora longe dos tempos áureos.

Para Charles Collyns, do IIF, a China tem feito uma transição lenta para um novo modelo de crescimento — menos investimento e mais consumo — porque quer evitar volatilidade. Com isso, mantém estímulo fiscal, forte crescimento do crédito e evita a rápida depreciação da moeda:

— Eles querem manter a economia crescendo a um ritmo razoável porque há uma grande transição de liderança em outubro (no Congresso do PCC). Ainda achamos que a China vai atingir crescimento de 6,5% em 2017, mas cada ano fica mais difícil.

O fator político também é significativo nas duas principais economias da zona do euro: França e Alemanha vão escolher novos líderes. O continente enfrenta uma escalada do nacionalismo de extrema-direita, que se contrapõe à chegada em massa de refugiados vindos de países em conflito. Associado ao nacionalismo está o chamado euroceticismo, descrença no projeto Europeu e desconfiança com relação à burocracia de Bruxelas que cresce mesmo entre segmentos moderados do espectro político.

Além disso, o continente europeu enfrenta há anos um problema de ordem econômica. O endividamento na zona do euro está estagnado em patamar elevado, chegando a 90,3% em 2016. O desemprego, sobretudo entre jovens, também tem se mostrado resistentemente elevado desde o início da crise da dívida em 2009. Enquanto isso, o Banco Central Europeu (BCE) mantém um programa de estímulo que já atingiu a marca de US$ 1 trilhão, além de impor juros negativos, fatores que levam a distorções no mercado de capitais. Uma das maiores preocupações é com os bancos italianos, que sofrem com alta inadimplência e ameaçam contaminar o sistema bancário da zona do euro.

Na França, a extrema-direita já mostra força antes mesmo do início oficial da campanha presidencial: Marine Le Pen, candidata da Frente Nacional, aparece nas pesquisas com chances reais de disputar o segundo turno. Ela já se manifestou favoravelmente à saída da França da zona do euro e prometeu submeter a referendo nacional a saída da UE. Gabriela Santos, estrategista de mercado global do J.P. Morgan Asset Management, pondera, porém, que abandonar a moeda não é tão simples quanto deseja Le Pen:

— Temos que lembrar o exemplo da Grécia. Quando ela considerou sair do euro, vimos um forte impacto negativo no seu crescimento. Esse foi um exemplo muito negativo sobre o que acontece quando um país tenta sair da zona do euro. É mais fácil sair da UE do que da união monetária.

A chanceler alemã Angela Merkel vai disputar seu quarto mandato após a extrema-direita ter ganhado espaço nas eleições legislativas. Ao mesmo tempo, o Reino Unido continuará o processo para sua saída da União Europeia após a vitória do sim ao Brexit. Mas Gabriela Santos pondera que a incerteza política não se traduz necessariamente em trava econômica:

— Existe uma diferença entre incertezas políticas e desempenho econômico. Um exemplo é a Espanha, que ficou sem governo durante dez meses em 2016, mas continuou crescendo 3%. Na Europa, as análises costumam focar muito nos riscos políticos. Mas a economia vem melhorando, o consumo está reagindo e deve crescer 1,5% este ano.

RETORNO DA INFLAÇÃO

Dentro da lógica de que nem sempre incerteza se traduz em lentidão, o JP Morgan tem viés positivo com relação à economia global.

— Esperamos a continuação dessa tendência que chamamos de “reflação global”, que tem sido percebida desde a segunda metade de 2016 e significa um maior crescimento real da economia e o retorno da inflação global. Esse contexto cria as condições para o crescimento de lucratividade das empresas. Nos últimos anos, a expansão desses lucros veio por meio de corte de custos. Agora passará a vir também do crescimento das receitas — explicou Gabriela, acrescentando que ainda é difícil estimar o impacto de Trump na economia global.

O retorno da inflação global vem em boa hora, indicando maior demanda por parte dos consumidores, segundo a analista. A inflação global foi de apenas 2,8% em 2015, abaixo da dos cinco anos anteriores (em 2011, chegou a 5,1%). Gabriela explica que isso aconteceu por causa de “uma queda dramática do petróleo”.

Para a analista do JP Morgan, o acordo recentemente firmado entre membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opec) será importante para a sustentação da commodity. Ela prevê que o barril de petróleo do tipo WTI pode chegar a US$ 65 (hoje está em US$ 51). Esse limite se deve à tendência de os EUA aumentarem a produção quando o petróleo chega nesse patamar, aumentando a oferta. Gabriela minimiza a influência que Trump possa ter na expansão da produção, apesar da retórica pró combustíveis fósseis.

— As companhias americanas só vão aumentar a produção quando fizer sentido econômico para elas, independentemente do que o governo americano fizer — acrescentou.

oglobo.globo.com | 02-01-2017

BERLIM - Os desequilíbrios e os conflitos entre os países do Norte e do Sul da Europa que compõem a zona do euro são entraves à sobrevivência da moeda única, avaliam especialistas. A receptividade à união, que acelerou a transferência de recursos das nações ricas às mais pobres, na forma de investimentos bilionários, deu lugar ao ressentimento provocado pelo enfrentamento da crise, pautado por medidas duras de ajuste, impostas pelas economias mais fortes às mais frágeis. Há a sensação de que o euro quebrou as nações ao sul. E, neste cenário, há um grande vilão para os demais 18 parceiros de bloco: a Alemanha.

EURO EM 2017

Do ponto de vista da Alemanha, força motriz do bloco, o euro foi um projeto mais político do que econômico. Depois da queda do muro de Berlim, em novembro de 1989, os alemães — vistos com uma certa desconfiança pelos franceses, que receavam a arrogância de um novo poderio econômico depois da reunificação — viam na integração uma forma de acalmar os vizinhos.

O período de integração, porém, coincidiu com a agenda de reformas capitaneada pelo ex-chanceler Gerhard Schröder, que visava ao aumento da produtividade alemã. Cruciais foram as mudanças trabalhistas, que flexibilizaram regras e direitos e criaram um amplo setor de salários baixos, absorvendo milhões que antes viviam desempregados.

Segundo Heiner Flassbeck, vice-ministro das Finanças quando o euro entrou em circulação, as mudanças promoveram um arrocho salarial, elevando enormemente a competitividade dos produtos da Alemanha, que virou um gigante exportador. Numa área que usa a mesma moeda, se alguém vence, alguém perde.

— A Alemanha exportou o seu desemprego para o sul da Europa — sustenta Flassbeck.

Para o economista Hans Werner Sinn, autor do livro “O junho negro”, sobre o verão catastrófico para a União Europeia (UE) com o Brexit, a crise dos refugiados e a política expansionista do Banco Central Europeu (BCE), o euro deveria ter nivelado as economias. Mas teve efeito contrário:

— O Sul da Europa continua sofrendo com o desemprego em massa. Economias que eram importantes antes do euro entraram em decadência. Na Itália, houve uma queda da produção industrial de 22%; na Espanha, de 25%. Até na França (que já deu início à reforma trabalhista) houve uma queda considerável.

Jovens sem oportunidades

Grécia, Itália, Chipre, Portugal e Espanha exibem as mais elevadas taxas de desemprego da região, todas de dois dígitos, chegando a 22,1% na Espanha e a 25% na Grécia. Na Alemanha, é de 6,4%. De acordo com a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), os jovens do Sul são as peças mais vulneráveis no xadrez do desemprego em massa. Só na faixa etária de 18 a 25 anos, são 40 milhões de desempregados.

— Uma geração perdida sofre com a falta de perspectivas — afirmou Theodoros Parakevopoulos, assessor econômico do partido grego Syriza.

O economista Marcus Brunnenmeier, porém, afirma que não passa de desculpa transformar a Alemanha em vilã. Embora o ajuste alemão tenha tido consequências negativas, ele sustenta que as demais nações surfaram na onda da bonança, sem se preocupar em fazer ajustes que elevassem sua própria competitividade e lhes garantissem espaço fiscal para investimentos e para sustentar um estado de bem-estar.

Na hora da crise, pagaram a fatura mais alta, diante do risco de insolvência: Grécia, Itália, Chipre, Portugal e Espanha são cinco dos seis países com maior endividamento da zona do euro, com indicador acima de 100% em relação ao PIB.

— O que falta a alguns países do Sul são reformas e mais flexibilização do trabalho. Os países ainda não chegaram onde queremos, mas muitos, como a Espanha, superaram o pior da crise e já voltaram a crescer — pondera Brunnenmeier.

Mesmo com reformas, é tão grande o hiato entre as nações, que Hans Olaf Henkel, ex-presidente da Federação da Indústria Alemã, defende uma receita radical:

— Para que o euro sobreviva, precisa ser reformado. A solução é a divisão em euro-norte e euro-sul. É o único meio de combater a crise, o desemprego em massa e evitar que os populistas de direita assumam o poder.

A Alemanha também foi acusada pelos países do Sul de ser intransigente na negociação do pacote de ajuda, exigindo sacrifícios fiscais que impuseram severas perdas sociais às populações. Acabou criticada até mesmo pela França, que com ela forma o “eixo rico”.

— A situação da Grécia só poderia melhorar se houvesse uma redução da dívida — diz Parakevopoulos.

Os alemães se opõem a resgates. O programa de compra de títulos do BCE, que aliviou as economias regionais, é criticado pelos ortodoxos. Dizem que a instituição está cada vez menos independente e mais subserviente ao “Club Med”, como chamam o lobby forte do Sul.

Os embates dificultam a ação das instâncias políticas da UE em busca de um diagnóstico para os problemas e de uma solução concertada.

— A UE não tem respostas para os problemas dos países do euro — conclui Sinn.

oglobo.globo.com | 01-01-2017

BERLIM - O euro completa hoje uma década e meia de existência diante do desafio de garantir sua sobrevivência. De seus 15 anos de circulação no comércio, nos bancos, nas trocas internacionais e nos bolsos dos europeus, a moeda que simboliza a utopia de perfeita integração continental vive há oito anos uma crise inesgotável, perigosamente embalada por uma onda nacionalista, amplo descrédito das instituições que governam a zona do euro e frágeis condições fiscal e bancária dos países-membros.

EURO EM 2017

Previsto pelo Tratado de Maastricht há 25 anos, o euro nasceu do desejo de superação dos conflitos e de união das nações que amargaram duas grandes guerras no século XX. Quando suas cédulas e moedas começaram a circular, em 1º de janeiro de 2002, eram 11 os países a adotá-lo. Atualmente, são 19, que juntos têm 339,7 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) de € 10,4 trilhões — um dos três pilares da economia global, com uma balança comercial superavitária em € 322 bilhões.

Porém, esse gigante europeu também impressiona por números alarmantes. Como proporção do PIB, a dívida pública está estagnada em patamar elevado há cinco anos, chegando a 90,3% em 2016. O limite imposto pelo tratado de criação da moeda é de 60%, mas apenas cinco países, todos pequenos, o respeitam.

A explosão do nível de endividamento — elevado também no setor privado — está no cerne das preocupações com a zona do euro desde a grande crise global iniciada em 2008, com implicações fiscais, bancárias e na economia real. É ela quem responde pela perda de confiança na moeda única europeia.

Combinada a outros indicadores (juros zero por período prolongado, déficit fiscal de 1,9% do PIB, taxa de desemprego de 10,9%) e ao crescente euroceticismo, que ganhou musculatura após a convulsão socioeconômica da Grécia, o cenário leva muitos analistas a temerem um colapso do euro.

— O euro cambaleia e está prestes a virar um projeto fracassado — afirma o economista Wolfgang Münchau, que assina uma coluna semanal na revista alemã “Der Spiegel”.

POUCAS AMARRAS NO PROJETO ORIGINAL

O euro foi criado em um período de abundância de recursos a juros baixos, o que permitiu uma farra de crédito entre os estados-membros, especialmente dos mais ricos para a “periferia” ibérica e ao sul. As dívidas pública e corporativa dispararam. Bancos, sem regulação, assumiram posições temerárias. As contas públicas foram negligenciadas. Quando veio a crise de 2008 e a seca do crédito, esse quadro alimentou uma brutal desconfiança. E economias, asfixiadas, começaram a ruir: Espanha, Irlanda, Portugal, Grécia.

A expansão do crédito não veio acompanhada de mecanismos de controle e contenção, como regulação do setor financeiro, e, sobretudo, de coordenação supranacional. Apesar das instituições centrais em Bruxelas, as nações que aderiram à moeda comum retiveram basicamente todos os poderes sobre suas políticas econômicas, que obedeciam a características e interesses próprios.

Info Euro

Esses fatores complicaram imensamente a resposta às turbulências, e ainda hoje são entrave à solidez do euro. Só no auge da crise, por exemplo, a zona do euro criou um mecanismo de socorro financeiro — os resgates de países-membros eram proibidos — e deu mais autonomia de formulação ao Banco Central Europeu (BCE).

Porém, os planos iniciais — quase uma utopia pós-era comunista traçada pelo ex-chanceler alemão Helmut Kohl e o ex-presidente francês François Miterrand — eram a criação dos “Estados Unidos da Europa”, ou seja, a moeda comum deveria ser complementada por uma política econômica comum.

— Com o euro, eles queriam se tornar os Estados Unidos da Europa, mas o projeto não podia funcionar por causa da falta de homogeneidade (entre os países) — explica o jornalista Henryk M. Broder, para o qual o “projeto de grande ilusão está perto de despencar e arrastar consigo a União Europeia para o precipício”.

— Os países do euro só vão superar definitivamente a crise quando forem submetidos a uma política econômica comum entre os seus membros e aceitarem os países mais pobres ou em dificuldades econômicas como a região mais pobre de um país, que precisa de ajuda — afirma o economista Alexander Thiele, da Universidade de Göttingen, autor do livro “O BCE e o euro”.

O especialista Clemens Fuest, autor do livro “O complexo de Odisseus, uma sugestão pragmática para a solução da crise do euro”, recomenda quatro passos básicos às autoridades europeias: aperfeiçoamento da regulação dos bancos, controle das dívidas dos países (chegou a 177% do PIB na Grécia), reforma do mecanismo de resgate e do BCE e fortalecimento das economias nacionais:

— Só austeridade não resolve nenhuma crise.

Segundo os economistas Jorg Haas e Katharina Gnath, que escreveram em setembro um relatório de diagnóstico da crise, “é senso comum entre as autoridades europeias que a união econômica e monetária não é sustentável a longo prazo”.

Ainda assim, o progresso das reformas necessárias ao seu aperfeiçoamento — como maior poder decisório supranacional, união bancária e mecanismos mútuos de seguro e amortecimento — tem sido “imperceptivelmente lento”, concluem Haas e Gnath.

ONDA NACIONALISTA É RISCO ADICIONAL

E não é por falta de aviso. Apesar de a zona do euro ter deixado a recessão para trás e estar crescendo a um ritmo de 1,5%, os desequilíbrios não desapareceram. A Grécia ainda luta para recolocar a economia de pé, atolada em dívidas e de pires na mão, tentando evitar uma custosa saída do euro.

Para piorar, a Itália, a terceira maior economia do bloco, enfrenta grave crise bancária, com uma das três maiores instituições do país, o Monte dei Paschi, à beira do precipício, precisando levantar mais de € 5 bilhões.

— A zona do euro pode pegar fogo se a Itália recorrer ao fundo de resgate — afirmou Christoph Schmidt, do Instituto de Pesquisa Econômica de Essen e chefe do grupo de institutos de pesquisa que assessora o governo alemão.

Fuest adverte ainda para o risco da “japonização” da zona do euro, com “bancos zumbis” que sofrem com os juros baixos praticados pelo BCE.

— Faz-se na zona do euro o mesmo que se fez no Japão nos anos de recessão. As reações à crise eram liberar liquidez em vez de resolver os problemas. O resultado foram 20 anos de estagnação. Também na zona do euro a dívida dos países cresce, o BCE injeta mais dinheiro, mas não resolve o problema — sustenta Fuest.

Há um risco adicional à situação da zona do euro. Em 2017, três países, França, Holanda e Alemanha, terão eleições decisivas, nas quais poderão ser eleitos para a Presidência e os Parlamentos candidatos de partidos antieuro, uma face do nacionalismo de ultradireita que cresce vertiginosamente na Europa.

Na França, Marine Le Pen, da Frente Nacional, já anunciou que, se sair vitoriosa da campanha presidencial, em maio, vai realizar um referendo sobre o euro. Também na Holanda e na Alemanha, os populistas, com chances de vencer em eleições parlamentares, têm como principal plataforma o combate ao euro. Embora nos dois países a economia esteja relativamente bem, o euro é visto como ameaça, sob a ótica do risco de os países ricos terem de socorrer os mais pobres.

Na Itália, onde o primeiro-ministro Matteo Renzi renunciou ao interpretar recente referendo como uma desaprovação de sua política, o euro é cada vez mais visto como um problema e não uma solução.

Os efeitos perversos dos planos de resgate e ajuste — como desemprego, perda salarial e contração dos gastos públicos — reforçam o discurso de extremo nacionalismo e o desinteresse pelo euro. Theodoros Parakevopoulos, assessor econômico do Syriza, o partido do primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, lembra que a situação é um círculo vicioso:

— Com a ajuda, a Grécia tem afundado cada vez mais na crise.

O economista Marcus Brunnenmeier adverte, porém, que os problemas de hoje se agravariam ainda mais se o euro fosse abolido:

— Os custos de uma volta às moedas nacionais nos 19 países seriam astronômicos, e a ruptura teria consequências políticas e sociais.

oglobo.globo.com | 01-01-2017

BERLIM - O crescimento dos partidos populistas na Europa e os rumores de uma nova crise no euro, que desta vez começaria na Itália, geraram um debate sobre a sobrevivência da moeda única do bloco. Gropp acredita que o euro continuará firme e forte. Mas diz que os países em dificuldade têm prazo curto para superar seus problemas. O Banco Central Europeu (BCE) deve aumentar os juros, diz, o que levará a uma explosão do custo dos financiamentos dessas nações, podendo causar uma nova crise, se reformas não forem feitas

EURO EM 2017

Quinze anos após a entrada em circulação do euro, os países do Sul da Europa têm feito um balanço negativo, por quê? A economia italiana encolheu em 0,5% no período.

A economia italiana sofre com estagnação, dívida pública e crise dos bancos. Mas esses problemas não foram causados pelo euro. Pelo contrário, sem o euro a situação seria muito pior para o país, que pagaria juros muito mais altos. O maior problema dos países do Sul da Europa é a queda da produção industrial, causada pela perda de competitividade com a falta de reformas.

Como a Alemanha se tornou a mais competitiva depois do euro? Na conversão das moedas nacionais em euro, o marco alemão foi calculado baixo demais, tornando os produtos alemães mais baratos para o mercado europeu. Isso explicaria isso?

Pode ser. Mas a economia alemã vai bem hoje por causa de reformas estruturais feitas pelo então chanceler Gerhard Schröder, há mais de dez anos. Na época, a Alemanha era chamada de a lanterna da União Europeia. O país tinha cinco milhões de desempregados. A reforma mudou até a aposentadoria, mas o mais importante foi a flexibilização do trabalho.

Ou seja, a criação de um setor de salários baixos, que não existia antes.

Também. Mas essas pessoas que voltaram ao mercado, embora ganhando muito pouco, estão mais satisfeitas pois não estão paradas em casa. Há uma forte dinâmica de pessoas que começam a trabalhar em empregos sem seguro social e passam para vagas regulares. A reforma fez aumentar a competitividade e o desemprego caiu drasticamente.

Por que os países do Sul da Europa não copiaram o modelo alemão?

Eles começaram mais tarde. A Espanha começa a sentir os efeitos positivos, voltando a crescer. É verdade que o desemprego ainda é dramático. Não quero negar os problemas, que são graves, mas não foram causados pelo euro, e uma saída da união monetária poderia abalar ainda mais a economia do país. Os países do Sul da Europa não se esforçaram para realizar reformas por causa dos juros muito mais baixos do que pagavam antes. A crise financeira de 2008 piorou a situação. Os estados começaram a se endividar para resgatar bancos, gerando um círculo vicioso.

Qual seria o custo de deixar o euro?

Os custos seriam tão altos que deixaram claro ao governo de Atenas que não há outra saída, a não ser atender às exigências da troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia). O primeiro efeito seria uma desvalorização dramática da moeda nacional. A dívida externa da Grécia cresceria em proporção igual. Já a saída da Itália abalaria toda a zona do euro, com efeitos talvez para a economia global. Acho que nem os populistas levariam em conta esses riscos, caso cheguem ao poder.

Mas a dívida aumentou e o problema dos bancos continua...

Uma ajuda aos bancos, na Itália ou na Alemanha, vai contra as novas regras da União Europeia. O caso é complicado. Quando lembramos do Lehmann Brothers (um dos primeiros a quebrar na crise de 2008), a lógica seria que os governos não devem deixar falir os bancos que são relevantes para a economia. Sei que o governo italiano definiu um pacote de ajuda ao banco Monte dei Paschi. Mas o problema não está resolvido porque a crise é em todo o setor bancário. O problema foi causado por créditos não pagos, falta de cautela dos bancos. Não tem a ver com o euro.

A falta de liberdade dos países em desvalorizar a moeda seria outro problema do euro?

Este é um problema real porque o euro reúne países muito diferentes, como a Grécia e a Alemanha. Há pessoas que sugerem a divisão dos países em “euro Norte” e “euro Sul”, o que não acho viável. Quando foi decidida a criação do euro, há 25 anos, com o Tratado de Maastricht, foram cometidos erros, como unir em uma moeda economias tão diferentes. Mas abolir a moeda não é solução. Os países podem se esforçar para ter um nivelamento gradual.

Os juros baixos do BCE podem aumentar o endividamento?

Eu vejo como um problema, pois os juros vão aumentar com certeza. Todos os países do euro precisam aproveitar essa fase para reduzir gastos públicos. Quando os juros aumentarem, em poucos anos, os países endividados terão uma explosão dos custos de financiamento da dívida. Isso causará uma nova crise, que poderia ser evitada se fossem feitas as reformas

oglobo.globo.com | 01-01-2017

A Economia da Grécia inclui-se entre as economias desenvolvidas. É capitalista do tipo misto, com grande participação do setor público e renda per capita de aproximadamente 2/3 daquela registrada nos principais países da Eurozona. Em 2009, a Grécia foi a 34ª economia do mundo, com um PIB de 341 bilhões de dólares (estimativa), medido em termos de paridade do poder de compra. A indústria responde por 20.7% do PIB, a agricultura por 5.1%, enquanto que o setor de serviços responde por cerca de 74.4%, com destaque para o turismo que gera cerca de 15% das receitas do país. Por outro lado, apresenta um déficit comercial constante, em 2009 as importações totalizaram 64 bilhões contra exportações de 21 bilhões. A Grécia é um dos países que mais se beneficiaram da união dos países europeus. Obteve um crescimento de 3,3% em sua economia após a união e vem obtendo taxas de crescimento na casa dos 4% desde o ano 2000, excedendo em mais de 1% a média da União Européia. A população ativa é de 4,93 milhões de pessoas. Em 2006, 17% estavam no setor primário, 20% no secundário e 63% no terciário. A partir de 2009, a Grécia enfrenta a uma importante crise econômica e das finanças públicas. A taxa de desemprego, que em 2007 era de 8.0%, passou a 9,5% em 2009, e segundo a Comissão Europeia, deve aumentar para 11,8% em 2010, e para 13,2% em 2011. O deficit orçamentário, em 2009, chegou a 13,6% do PIB. Segundo a Comissão, deve baixar para 9,3% em 2010 mas, em 2011, deve crescer um pouco, passando a 9,9% do PIB. O PIB da Grécia, por sua vez, deve cair cerca de 3,0% em 2010, e 0,5% em 2011. A dívida pública, estimada em 115,1% do PIB para 2010, deverá atingir 124,9% em 2011, o maior índice entre os 27 países da União Europeia. A Comissão projeta 3,1% de inflação, para 2010 e de 2,2% em 2011. Em abril de 2010, o governo socialista, eleito em outubro de 2009, pediu ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Zona Euro para enfrentar a crise. Em maio, anuncia um plano de austeridade, visando reduzir o deficit público.


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