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Itália Economia

Autoridades de Finanças dos sete países mais ricos do mundo alertaram que o crescimento a longo prazo pode permanecer subjugado e que devem ser tomadas medidas para fazer com que a economia global funcione para todos. O crescimento inclusivo que beneficia a todos foi um tema importante na declaração final emitida pelo grupo de ministros, ao final da reunião de dois dias encerrada neste sábado, em Bari, na Itália. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 13-05-2017
O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, afirmou que os principais parceiros dos Estados Unidos "estão muito mais confortáveis" com as políticas comerciais do governo Trump e entendem que o crescimento da economia norte-americana irá beneficiá-los. Mnuchin deu a declaração após encontros com os principais parceiros comerciais do país, como Alemanha, Japão e Canadá, durante a reunião dos Ministros das Finanças do G-7, que acontece neste fim de semana em Bari, na Itália. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 13-05-2017

RIO - O regime fascista de Benito Mussolini não queria criar um mártir. Em 24 de abril de 1937, após dez anos e cinco meses de prisão, decidiu soltar Antonio Gramsci, principal liderança do Partido Comunista Italiano (PCI). Após uma década de maus tratos no cárcere, Gramsci, de saúde frágil desde a infância, já estava condenado. Morreu três dias depois, numa clínica em Roma, aos 46 anos. Sem nunca ter publicado um livro em vida, tornou-se um dos mais influentes pensadores do século XX, com sua original e heterodoxa contribuição ao marxismo. E, 80 anos após sua morte, seus trabalhos são lidos, relidos e, em alguns casos, até “reescritos”.

Desde a década de 1990, ganharam força as pesquisas que buscam reconstituir a produção de Gramsci à luz da filologia histórica. Seguindo essa linha, a partir de 2007 começou a ser editada na Itália a “Edição nacional dos escritos de Antonio Gramsci”, sob responsabilidade da Fundação Instituto Gramsci, com objetivo de estabelecer a versão definitiva de todos os seus manuscritos. Esse trabalho vem dando novo impulso aos estudos da obra do pensador italiano, agora livre das amarras políticas do século passado, como é o caso de dois livros recém-lançados no Brasil: o ambicioso “Dicionário gramsciano”, organizado por Guido Liguori e Pasquale Voza, e “Modernidades alternativas: o século XX de Antonio Gramsci”, de Giuseppe Vacca, ex-diretor do Instituto Gramsci.

Isso porque, além dos cerca de 2 mil textos políticos e jornalísticos publicados na imprensa entre 1914 e 1926, a parte mais importante da produção do pensador italiano são os seus 33 cadernos manuscritos, feitos na prisão entre 1929 e 1935, mais conhecidos como “Cadernos do cárcere”. É no período de reclusão que Gramsci desenvolve seus conceitos mais conhecidos, como “hegemonia”, “revolução passiva”, “sociedade civil” e a “filosofia da práxis”. Contudo, pela própria natureza dos cadernos e pelas limitações impostas pelos fascistas, trata-se de uma “obra em progresso”, na definição de Liguori, professor da Universidade da Calábria e presidente da seção italiana da International Gramsci Society (IGS).

NA TRILHA DO TEXTO

Para Vacca, os esforços em torno da “Edição nacional” favoreceram a formação de uma nova geração de estudiosos que se dedicam a uma “leitura diacrônica” dos “Cadernos do cárcere”, reconstruindo suas conexões com a história europeia e mundial do século XX. Essa “leitura diacrônica” é uma forma de montar o mosaico do seu pensamento, já que o desenvolvimento dos seus conceitos está espalhado pelos cadernos.

— A “Edição nacional” é a primeira edição crítica integral dos escritos de Gramsci tratados com critérios exclusivamente filológicos e segundo o método histórico, sem sugerir nenhuma interpretação e restituindo textos e contextos de sua obra a seu tempo, como é obrigatório para um clássico do pensamento — afirma Vacca, que no seu “Modernidades alternativas” analisa alguns dos principais conceitos de Gramsci.

Na mesma trilha, o “Dicionário gramsciano” busca realizar um trabalho que o pensador italiano não teve tempo de concluir em vida: a sistematização de seus principais conceitos. Trata-se de um trabalho coletivo dos pesquisadores da IGS desde o ano 2000. No livro, trabalharam cerca de 60 especialistas e estudiosos, italianos e estrangeiros, incluindo brasileiros. Liguori vê um renascimento dos estudos gramscianos após o fim da União Soviética: "Depois do fim do PCI, o partido de Gramsci, e da União Soviética, o seu pensamento tem sido interpretado de um modo menos diretamente condicionado pela luta política."

— Depois do fim do PCI, o partido de Gramsci, e da União Soviética, o seu pensamento tem sido interpretado de um modo menos diretamente condicionado pela luta política. Nos países anglo-saxões, ele se tornou um autor de referência para os “Estudos culturais”, o que lhe deu fama, mas também mutilou grande parte de sua natureza política. Um caso interessante é o dos “estudos subalternos”, nascido na Índia, que difundiu por todo o mundo a categoria gramsciana de “classe subalterna”, em oposição à “classe hegemônica” — aponta Liguori.

Os “Cadernos do cárcere” foram editados pela primeira vez entre 1948 e 1949, após a Segunda Guerra Mundial, mas o texto sofreu diversas alterações e censuras devido às discordâncias de Gramsci com a linha política adotada pelo PCI, à época comandado por Palmiro Togliatti. A primeira edição crítica dos “Cadernos” só foi publicada na Itália em 1975, graças ao trabalho de Valentino Gerratana. A partir daquela década, segundo Vacca, houve apropriações equivocadas das ideias de Gramsci com objetivos políticos imediatos. Ele cita a “presumida hegemonia neoliberal”, que não leva em conta que o conceito gramsciano de hegemonia implica “a capacidade das classes dominantes de produzir estabilidade e gerar consenso”.

RECEPÇÃO BRASILEIRA

No Brasil, a situação foi parecida. Um dos tradutores da edição brasileira dos “Cadernos” (Civilização Brasileira), ao lado de Carlos Nelson Coutinho e Luiz Sérgio Henriques, o professor Marco Aurélio Nogueira, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), afirma que o contexto brasileiro do final das décadas de 1970 e 1980 influenciou a recepção das ideias gramscianas.

— Havia muita resistência ao pluralismo e ao valor intrínseco da democracia, em torno do qual não deveria haver disputas. O marxismo brasileiro também era raso, sobretudo na reflexão política — diz Nogueira. — Além do mais, Gramsci é um pensador marxista heterodoxo e de difícil assimilação. São coisas que fazem com que ele gere tantas controvérsias.

Contudo, o professor aponta que as suas ideias foram decisivas para encaminhar os grupos de esquerda em direção à luta democrática contra a ditadura. Esse movimento estava alinhado com a própria reorientação política dos partidos comunistas na Itália, na França e na Espanha, repercutidas no Brasil por intelectuais chamados então de “eurocomunistas”. O marxismo gramsciano deu à esquerda uma concepção “processual” da reforma social, ou seja, uma ideia de “revolução socialista” que se faria mediante processo de longo prazo e não de “explosões”.

— O marxismo gramsciano deu à esquerda uma concepção “processual” da reforma social, ou seja, uma ideia de “revolução socialista” que se faria mediante processo de longo prazo e não de “explosões”. Isso impulsionou a passagem de praticamente todas as correntes para o campo democrático — explica Nogueira. — Sem o estímulo fornecido pela sua “plataforma” política e intelectual, é provável que a história da transição tivesse sido diferente.

Gramsci viveu e produziu no conturbado período entreguerras, num mundo chacoalhado pela Revolução Russa de 1917 e pela ascensão do fascismo — do qual foi vítima — na Itália, e do nazismo na Alemanha. Morto em 1937, não viu a queda dos seus algozes nem a crise do regime comunista soviético, que já criticava no início dos anos 1930. No presente de crises e ascensão da extrema-direita na Europa, os estudiosos concordam que Gramsci segue atual.

— Gramsci diz que o poder está assentado muito mais nos aspectos “hegemônicos” do que no aparato “repressivo”. Ele também não tinha uma visão ingênua da democracia: um consenso sobre um programa político deve ser criado bem antes do dia da eleição — diz Liguori.

Já Vacca acredita que o mundo do século XXI é marcado, mais do que pela globalização e sua crise, por um conflito econômico que corre o risco de se tornar uma guerra de verdade. E recorre às categorias gramscianas.

— Essa situação teve origem na crise do sistema mundial do segundo pós-guerra, culminada pela implosão da União Soviética. que havia permitido décadas de estabilidade, e no surgimento de um conflito econômico mundial que se caracteriza pelo crescente conflito do "cosmopolitismo" da economia e o "nacionalismo" da política. Superado o velho sistema hegemônico mundial, não se formou nenhum outro novo e, portanto, volta à cena a equação entre a política e a guerra.

oglobo.globo.com | 26-04-2017
O primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni, pediu hoje para que os trabalhadores da Alitalia aprovassem um acordo de compromisso para relançar a companhia aérea italiana, que foi firmado nesta sexta-feira entre a empresa e sindicalistas. O acordo reduz os cortes propostos nos empregos e nos salários e pede por maiores investimentos nas rotas de longa distância, que analistas dizem ser importantíssimas para a sobrevivência da companhia. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 15-04-2017

A Polícia Federal realiza, na manhã desta quinta-feira, a operação Águas Claras, que apura esquema de desvio de recursos públicos na Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). Três pessoas já foram presas, entre elas o presidente afastado da CBDA, Coaracy Nunes, e cinco foram conduzidas coercitivamente a unidades da PF em São Paulo e no Rio. Coaracy estava à frente da CBDA desde 1988.

Além de Coaracy, foram presos o diretor financeiro, Sérgio Ribeiro Lins de Alvarenga, e o coordenador técnico do polo aquático, Ricardo Cabral. Um mandado de prisão preventiva ainda não foi cumprido, contra o superintendente Ricardo de Moura. Braço direito de Coaracy, Ricardo negou que esteja foragido. Foram solicitadas as quebras dos sigilos bancário e fiscal dos dirigentes da CBDA.

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- Não consideram o fato de o Coaracy não ser mais o presidente da entidade, de ele ter acabado de passar por uma cirurgia no cérebro. Não levaram isso em consideração e não precisavam tomar essa atitude (prisão preventiva) - disse Marcelo Franklin, advogado da CBDA, ao Sportv.

Outros 15 mandados de busca e apreensão também foram cumpridos. As medidas foram expedidas pela 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo. As investigações apuram o destino de cerca de R$ 40 milhões repassados à CBDA. Há, ainda, uma investigação na esfera cível sobre o patrocínio dos Correios à CBDA. No total, em 11 anos, o patrocínio rendeu mais de R$ 60 milhões à confederação.

PF + CBDA

Desse total, a PF aponta irregularidades em três convênios firmados entre a CBDA e o Ministério dos Esportes. Num dos convênios, de R$ 1, 5 milhão para a compra de passagem e hospedagem, a PF constatou suspeita de superfaturamento de preços e fraude em licitação. De acordo com Rodrigo de Campos Costa, delegado regional do crime organizado, a empresa que ganhava as licitações era uma agência de viagens cujos donos eram amigos dos dirigentes da CBDA. As outras duas empresas que sempre participavam das licitações e que nunca venciam estavam em nomes de moradores de comunidades do Rio.

- Percebemos que essa mesma agência de viagens prestava serviços para a CBDA há dez anos, e nesse período recebeu R$ 24 milhões. Ela disputava licitações sempre com duas empresas de fachada - disse o delegado.

As denúncias partiram de atletas, inclusive campeões olímpicos. O delegado também encontrou irregularidades num segundo convênio para a compra de equipamentos para a modalidade de polo aquático no valor de R$ 1,5 milhão. A licitação foi ganha por uma empresa de pet shop, e o material comprado não foi entregue.

O terceiro convênio investigado previa recursos de R$ 5 milhões para investimentos em Polo Aquático. A PF suspeita de desvios desse convênio porque a seleção brasileira da modalidade deixou de ir a um torneio mundial no Cazaquistão em 2015, sob a alegação de falta de recursos.

Outro indício de irregularidade apontado pelo delegado foi um prêmio de US$ 50 mil dólares vencido pelos atletas de polo na liga mundial de Bergamo, na Itália, em 2015, quando o Brasil ficou em terceiro lugar. Os valores nunca foram repassados aos atletas pela CBDA.

Para o delegado Rodrigo de Campos Costa, a corrupção na CBDA impactou no desempenho dos atletas de esportes aquáticos brasileiros nas olimpíadas.

- É fato que esse dinheiro causou prejuízo no desempenho dos atletas brasileiros. Por falta do apoio, o resultado foi um desempenho fraco nas Olimpíadas - disse o delegado regional de crime organizado.

A procuradora federal Tahamea Danelon, do MPF de São Paulo, fez coro com o delegado.

- Os valores destinados ao esporte não chegavam.

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No Rio, um dos locais visitados pela PF foi a agência de turismo Roxy, no centro. Ninguém foi encontrado no local, e os agentes entraram na agência com o auxílio de um chaveiro da região.

Em 22 de março, o Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), determinou o afastamento da atual diretoria da CBDA. Na decisão, foi destacado que o mandato de presidência de Coaracy Nunes expirou no dia 9 de março. Apesar disso, não houve escolha de um sucessor.

Antes da operação deflagrada pela PF nesta quinta-feira, a CBDA comemorou uma vitória na justiça na noite de quarta-feira. A entidade ganhou, por unanimidade, o recurso no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que confirmou a decisão anterior do Desembargador Nery da Costa Junior, contra denúncia de fraude no órgão.

Em setembro do ano passado, o Ministério Público Federal, de São Paulo (MPF-SP), protocolou uma ação de improbidade administrativa contra a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), três de seus diretores e dois coordenadores de modalidades esportivas.

Segundo a procuradoria, teria havido fraude na compra de equipamentos para treinamento de atletas para os Jogos Rio-2016. A verba teria sido repassada a uma empresa “fantasma” em cujo endereço funcionaria uma pet shop. Na defesa, o advogado Marcelo Franklin alegou que a justiça de São Paulo não poderia julgar aquela ação e que todos os equipamentos comprados foram utilizados nos treinamentos dos atletas. Além disso, a mudança de endereço da fornecedora, sem o registro na Junta Comercial, não configuraria ilegalidade.

oglobo.globo.com | 06-04-2017

A vitória por 3 a 0 sobre o Paraguai na noite de terça-feira colocou a seleção brasileira em posição privilegiada: é a primeira a conquistar vaga na Copa do Mundo de 2018 via eliminatórias. Além do Brasil, somente a Rússia já está garantida, por ser país-sede.

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Outras potências do futebol mundial estão perto de se juntar ao Brasil no grupo das classificadas. Há, por outro lado, grandes seleções que mostram dificuldades, enquanto algumas candidatas a surpresa não engataram e podem dar lugar a outras zebras.

Veja como estão as eliminatórias da Copa pelo mundo:

- EUROPA

As eliminatórias do Velho Continente estão somente na metade, restam ainda cinco partidas em cada um dos nove grupos. Algumas seleções, no entanto, já despontam como fortes candidatas à liderança de suas chaves, o que garante vaga direta na Copa de 2018 - os oito melhores segundos colocados disputam uma repescagem entre si para decidirem outras quatro vagas.

A Alemanha, por exemplo, lidera o Grupo C com 15 pontos, cinco a mais que a vice-líder Irlanda do Norte. Quem também aparece em boa situação é a Inglaterra, líder do Grupo F com quatro pontos de gordura para a Eslováquia. A maior vantagem, no entanto, é da Polônia: seis pontos à frente da vice-líder Montenegro no Grupo E.

Se os ventos não mudarem drasticamente, estas seleções podem carimbar passaporte para a Rússia até setembro, quando acontece a antepenúltima rodada da eliminatória da Europa.

Quem vai mal das pernas é a Holanda: derrotada pela Bulgária no sábado, a seleção holandesa soma 7 pontos. É apenas a quarta colocada no Grupo A, liderado pela França (13).

Entre as candidatas a surpresa da vez, País de Gales é a principal decepção até aqui. A seleção de Gareth Bale está em terceiro no Grupo D com 7 pontos, quatro a menos que Sérvia e Irlanda. Precisa correr atrás do prejuízo já na próxima rodada, em junho, para não correr risco de ficar fora até da repescagem.

- AMÉRICAS DO NORTE E CENTRAL

O hexagonal final mal começou, mas já indica mais uma classificação do México: a seleção lidera com folga e permanece a única invicta nesta fase, com 10 pontos em quatro jogos. A vice-liderança é da Costa Rica, que foi a grande surpresa da Copa do Mundo do Brasil ao chegar às quartas de final e parece confirmar a boa fase: tem sete pontos.

Quem ainda não engatou na fase decisiva é a seleção dos EUA, que ocupa apenas a quarta colocação. Na rodada de terça-feira, os americanos não passaram de um empate com o Panamá, que busca sua primeira participação em uma Copa do Mundo. Por enquanto os panamenhos estão conseguindo: ocupam a terceira posição, a última que garante vaga direta na Rússia, com cinco pontos.

Os americanos, por sua vez, aparecem em quarto com quatro pontos. Hoje, teriam que disputar a repescagem contra uma seleção da Ásia.

- ÁSIA

Nada de Japão ou Coreia do Sul: quem está mais perto de ser a primeira seleção asiática a garantir vaga na Copa de 2018 é o Irã. Líder do Grupo 1 com 17 pontos, precisa apenas de uma vitória em casa contra o Uzbequistão na próxima rodada, em junho, para carimbar o passaporte.

Coreia do Sul e Japão também vão bem, por sinal: estão na zona de classificação de seus respectivos grupos. Quem pode acabar ficando na repescagem é a Austrália, que marcou presença nas últimas três Copas. Com 13 pontos, os australianos são superados atualmente por Japão e Arábia Saudita, ambos com 16, a três rodadas do fim.

A repescagem da Ásia envolve os dois terceiros colocados de cada grupo - atualmente, Austrália e Uzbequistão. Quem vencer ainda tem que enfrentar um representante da América do Norte ou Central pela vaga na Copa.

Apesar dos investimentos recentes em futebol, a China deve amargar mais uma decepção em eliminatórias. Os chineses ocupam a penúltima posição do Grupo 1, com cinco pontos.

- ÁFRICA

Nada de repescagem ou segunda chance para vice-líderes: na África, somente os líderes de cada grupo com quatro seleções avançam à Copa do Mundo. Com apenas duas rodadas disputadas, a briga está embolada em quase todos.

A situação mais confortável é a da Nigéria, líder do Grupo B com seis pontos, quatro a mais que o vice Camarões. Os nigerianos ficam com a mão na vaga caso vençam os camaronenses na próxima rodada, em agosto.

Quem corre sério risco de ficar fora da Copa de 2018 é Gana, seleção que despontou nos últimos anos como a principal potência africana em Copas do Mundo - ficou perto de uma histórica e inédita semifinal em 2010. Os ganeses somam apenas 1 ponto no Grupo E, liderado pelo Egito, que tem seis pontos.

- OCEANIA

O continente briga por apenas uma vaga na Copa do Mundo, e mesmo assim não tem nada garantido: o vencedor das eliminatórias joga repescagem contra o quinto colocado da América do Sul para decidir quem vai à Rússia em 2018.

Na fase atual, os líderes de dois grupos disputarão um mata-mata que decidirá o representante na Rússia. Tudo indica que a briga ficará entre Nova Zelândia e Taiti, em novembro deste ano.

A última vez dos neozelandeses em um Mundial foi em 2010, na África do Sul, quando acumularam três empates e terminaram à frente da Itália, em um grupo que também tinha Paraguai e Eslováquia.

oglobo.globo.com | 29-03-2017

RIO — A Kawasaki continua na busca por um lugar ao sol no mercado brasileiro e estuda novidades para cá. A marca fez, em São Paulo, clínicas com potenciais compradores e com proprietários de modelos Kawasaki para ver suas reações às naked Z650 e Z900, que muito provavelmente serão vendidas no país — substituindo a ER-6n e a Z800, respectivamente. O próximo passo é mostrá-las no Salão Duas Rodas, em novembro.

Lançadas mundialmente no Salão de Milão, na Itália, no ano passado, as duas são uma evolução dos modelos que vão substituir. A Z900 tem o mesmo motor quatro-em-linha de 948cm³ da irmã maior Z1.000, só que amansado em 18cv — tem 124cv. É, porém, 12cv mais forte do que a Z800. É uma solução inteligente: a naked média-grande da marca fica mais forte e ainda ajuda na economia de escala, já que não é preciso montar dois motores diferentes.

Já a Z650 é a própria ER-6n profundamente redesenhada e bastante melhorada. No visual, herdou os cortes evidentes e agressivos das “Z” maiores, com muitos vincos e um farol bem mais afilado.

O motor é o manjado e eficiente bicilíndrico de 650cm³, que também vemos na on/off Versys 650, na esportiva Ninja 650 e na custom Vulcan 650S (olha a economia de escala aí de novo!).

Na nova Z650, esse motor rende os mesmos 69cv disponíveis na Versys. Na ER-6n, eram 72cv, como na Ninja 650. Mas a Kawasaki diz que a calibragem com menos potência permite ganhar torque em baixos giros e, com isso, melhorar o desempenho geral da moto.

A MAIS INTERESSANTE DO TRIO

Falamos há pouco em Versys e olha só que legal: a Kawasaki começou a vender, na Europa e nos Estados Unidos, a Versys X300 (que também foi lançada em Milão).

É uma irmã menor das Versys 650 e 1.000, e usa o mesmo motor da Ninja 300 (um monocilíndrico com 296cm³ e 39cv).

Lá fora, a ideia é brigar, principalmente, com a futura BMW G 310. Aqui, onde esse tipo de moto tem um mercado vasto e é muito adequado às nossas condições de rodagem, teria pela frente também a Honda XRE 300 e a Yamaha XTZ 250 Ténéré. Mas a Kawa ainda não confirma oficialmente sua venda em paragens tupiniquins.

Preços de todas essas lindezas? Nada confirmado, ainda. Mas apostamos em uns R$ 34 mil para a Z650 e algo próximo de R$ 44 mil para a Z900. A Versys X300 custa, nos Estados Unidos, de R$ 18 mil e R$ 19 mil (versão com ABS). Aqui, para ser competitiva, não poderia passar de R$ 18 mil.

oglobo.globo.com | 29-03-2017

PARIS — Os cinco principais candidatos à Presidência da França se enfrentaram nesta segunda-feira pela primeira vez num debate em que a líder da extrema-direita Marine Le Pen foi o principal alvo das críticas lançadas por seus adversários. Le Pen lidera as pesquisas para a eleição do dia 23 de abril, seguida pelo centrista Emmanuel Macron. França_2003

O ex-ministro da Economia, que concorre pelo novo partido Em Marcha!, acusou a rival de dividir os franceses durante um dos momentos mais acalorados do debate. A candidata da Frente Nacional exigiu “fronteiras nacionais”, afirmando que os franceses não poderiam confiar “em uma Grécia arruinada” ou uma Itália com dificuldades para controlar o fluxo imigratório. Ela prometeu ainda banir a imigração "legal e ilegal". O confronto veio na discussão sobre o burkini, o traje de banho islâmico.

— Você não quer ver a gravidade real do que ocorre em nosso país. Há alguns anos, não havia burkinis nas praias — afirmou Le Pen, dizendo que Macron apoiava a vestimenta.

Macron respondeu dizendo que a adversária mentia "ao distorcer a realidade". Sobre o burkini, deixou a questão com os prefeitos:

— Madame Le Pen, a senhora será gentil, não lhe farei falar (por mim), não preciso de um ventríloquo. Não tem a ver com laicidade, esse é um problema de ordem pública. Há alguns prefeitos que proibiram, o que algumas vezes era justificado, é um problema de ordem pública. Quando há um problema de ordem pública, o prefeito é responsável. Não divida a França.

Investigado por desvio de fundos públicos, o candidato dos Republicanos, François Fillon, tentou impulsionar sua campanha apresentando um programa prevendo cortes nos gastos.

— Quero ser o presidente que vai libertar os franceses do excesso de burocracia — disse o conservador, que é acusado de arrumar empregos fantasmas para a mulher e dois filhos.

Os escândalos, no entanto, ficaram em segundo plano, Apenas Jean-Luc Melenchon procurou encurralar Fillon e Le Pen, que perdeu sua imunidade como eurodeputada ao ser investigada por postar no Twitter fotos de execuções realizadas pelo Estado Islâmico. A líder da extrema-direita é ainda suspeita de pagar dois funcionários seus por meio do Parlamento Europeu.

Já o candidato socialista, Benoît Hamon, mirou também em Macron que, como ex-investidor financeiro, poderia ficar sujeito a lobbies de empresários.

Nesse debate, os candidatos tentam conquistar os aproximadamente 40% de indecisos. Se as pesquisas se confirmarem, os franceses deverão ter um segundo turno em 7 de maio entre Le Pen e Macron.

oglobo.globo.com | 20-03-2017

Os principais candidatos às eleições presidenciais da França - François Fillon, Benoît Hamon, Marine Le Pen, Emmanuel Macron e Jean-Luc Mélenchon - participaram do primeiro debate televisivo dessas eleições nesta segunda-feira.

Candidata da Frente Nacional, partido de extrema-direita, Marine Le Pen criticou a União Europeia e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel. "Eu realmente quero ser a presidente da França, não a vice-chanceler de Merkel. Quero garantir a independência nacional, em conformidade com a Constituição e defender os nosso valores, identidade nacional e tradições".

Segundo Le Pen, a UE implementa uma concorrência desleal, com a ajuda dos que apoiaram o bloco no Tratado de Lisboa. "A União Europeia nos proíbe e nos pune por tudo. Ela nos censura. E o resultado disso é o desemprego e a pobreza." A candidata apresentou, ainda, um gráfico que, segundo ela, prova que a queda na produção industrial na Alemanha, na Itália e na França "obviamente tem a ver com o euro".

Em questões relativas à segurança nacional, o discurso de Le Pen se assemelha ao do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. "Os setores jihadistas representam uma grande ameaça para os franceses. Eu quero parar a imigração. Legal e ilegal. E assumo totalmente o meu ponto de vista. Temos que recuperar as nossas fronteiras e encerrar a imigração de uma vez", afirmou.

Ela também criticou o modelo econômico da zona do euro e disse que o governo deve defender os interesses do povo francês, "não os dos bancos ou os das multinacionais". Segundo ela, a França deve adotar o patriotismo econômico, onde empresas francesas sejam favorecidas nos contratos públicos.

Nas pesquisas de intenção de voto, Le Pen aparece liderando no primeiro turno, mas fica em segundo lugar no segundo turno, em uma disputa hipotética contra Emmanuel Macron, de centrou, ou contra Fraçois Fillon, da centro-direita.

Fillon, por sua vez, adotou um tom menos anti-imigração que o de Le Pen, mas afirmou que "a situação social e econômica dos nossos países deve nos levar a impor limites às entradas em nosso território". O candidato da centro-direita afirmou que a esmagadora maioria dos muçulmanos deseja a integração do islã na República, mas que a ascensão do fundamentalismo ameaça o secularismo.

Fillon também criticou outros candidatos, ao dizer que Macron não tem legitimidade para governar o país depois do governo Hollande. Macron foi ministro da Economia e François Hollande até o ano passado. Sobre Le Pen, Fillon afirmou que o programa econômico da candidata de retorno ao franco seria um "assassinato" para o poder de compra dos franceses e que a agenda de Le Pen sobre pensões é comum à esquerda do início dos anos 1980.

O candidato socialista Benoît Hamon e o líder da extrema-esquerda, Jean-Luc Melenchon, tentaram aumentar seus índices de intenção de voto, ao falarem contra Le Pen, que foi alvo de ataques no início do debate. Hamon disse que a atitude da candidata era "doentia" após ela ter descrito as escolas francesas como "um pesadelo diário". Já Melenchon debochou do sotaque de Le Pen.

O centrista independente Mácron reagiu quando Le Pen o acusou de ser a favor das vestes muçulmanas. Ele a acusou de usar a religião para dividir os franceses. Ele propôs a criação de uma polícia de manutenção diária, que "não é uma intervenção, mas uma manutenção da paz".

RIO - Embora os analistas concordem que, tecnicamente, a recessão brasileira acabou, a economia do país deve seguir na lanterna do mundo em 2017. De acordo a mediana das previsões de crescimento econômico para 36 países, compiladas pela Bloomberg, o Brasil crescerá apenas 0,8% este ano, o segundo pior desempenho, empatado com a Itália e pior apenas que o da Venezuela (retração de 2,5%).

Info - ranking PIB 2017 estimativas

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Como informou o IBGE nesta terça-feira, a economia brasileira encolheu 3,6% em 2016, após uma perda de 3,8% registrada em 2015. Isso faz com que a recessão vivida pelos brasileiros seja a pior pelo menos desde 1948, quando começa a série histórica do Produto Interno Bruto (PIB). É a primeira vez em quase 70 anos que o PIB tem dois resultados negativos anuais seguidos, com perda acumulada de 7,2%. Nesse período, a renda per capita dos brasileiros encolheu 11%, superando os 7,5% da chamada década perdida (1981 a 1992), nos cálculos de Alberto Ramos, economista-chefe para América Latina do banco Goldman Sachs.

Leia mais: Análise: o pior já passou, mas perda social ainda é grande

Como mostra infográfico elaborado pelo GLOBO, o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace) da FGV vê o atual ciclo recessivo, que começou no segundo trimestre de 2014, como o mais longo em 35 anos. Ele alcançou a mesma duração da crise do governo Collor (1989-1992), com magnitude superior à crise da moratória da dívida (1981-1983), quando a economia encolheu 8,5%.

capa recessao

De acordo com as previsões compiladas pela Bloomberg, o crescimento brasileiro deve ficar muito abaixo do que o de outros países emergentes em 2017. Muito à frente do Brasil estarão, por exemplo, Índia (7,4%, na liderança das expectativas), China (6,5%), e os vizinhos Argentina (3%) e Colômbia (2,4%). Entre os outros membros do Brics, os países com desempenho mais próximo ao brasileiro devem ser a Rússia (alta de 1,1%, prejudicado pelo baixo preço do petróleo e por sanções econômicas) e África do Sul (1,2%).

A queda da economia brasileira nos últimos três meses de 2016 (0,9%) foi maior que a esperada pelos economistas (estimavam 0,5%), indicando, segundo analistas, que a recuperação da atividade deve mesmo ser “restrita” e “vagarosa” ao longo deste ano. Embora os especialistas concordem que, tecnicamente, a recessão acabou, a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2017 é esquálida: o Bradesco aposta alta de apenas 0,1%, enquanto a Capital Economics vê algo entre 0,2% e 0,4% e o Ibre/FGV, de 0,3%.

oglobo.globo.com | 07-03-2017

WASHINGTON - O discurso de terça-feira à noite de Donald Trump em uma sessão conjunta do Senado e da Câmara marcará o início de uma nova fase de seu governo. Se o republicano administrou suas primeiras cinco semanas ancorado em atos executivos e em seus tuítes, agora a negociação política com o Congresso passa a ser crucial. A primeira batalha será a votação do Orçamento, que teve um aceno bilionário para os militares. Os recursos deverão ser pagos às custas de verbas ambientais e de ajudas americanas ao exterior. trump

— Depois de um discurso inaugural e um primeiro mês de mandato tumultuosos, Trump tem uma excelente oportunidade para recompor sua Presidência diante de uma audiência de milhões — disse Aaron Kall, diretor de debates da Universidade de Michigan e autor de um livro sobre os discursos dos presidentes no Congresso, lembrando que esta é a grande chance de ele impulsionar sua agenda legislativa.

O Orçamento deve ser a tônica do discurso, segundo Trump. A proposta de ampliar em US$ 54 bilhões os gastos militares — uma alta de 9,3%, que equivale acrescentar na verba do setor o mesmo que Itália, Israel e Iraque destinam, somados, à Defesa por ano — foi bem recebida por seus partidários. Se a proposta passar, o orçamento militar dos EUA — que já é maior que a soma dos recursos para o setor de China, Rússia, Arábia Saudita, Índia, Reino Unido, França, Japão, Alemanha, Coreia do Sul, Austrália e Brasil — chegará a US$ 639,3 bilhões, ou mais de um terço de tudo que se gasta com Defesa no mundo por ano, diz o “El País”, com base em dados do IISS Military Balance.

— Antes dizíamos que os Estados Unidos jamais perdiam uma guerra. Agora não ganhamos nenhuma, isso é inaceitável. Temos que voltar a vencer guerras — disse Trump, em um encontro com governadores na Casa Branca.

Fontes do governo informaram a jornais americanos que o aumento dos gastos com a Defesa será compensado com drásticos cortes na verba da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) e em verbas de cooperação internacional. Apesar de formalmente estar apenas na fase final da guerra contra o terror no Afeganistão e auxiliando forças nacionais no Iraque, Trump afirmou que é preciso enfrentar o “ninho de vespas” que se tornou o Oriente Médio, prometendo acabar com o Estado Islâmico:

— Este Orçamento será de segurança pública e segurança nacional. Vamos incluir um aumento dos custos de Defesa para reconstruir o Exército militar dos EUA em um momento em que mais precisamos dele — acrescentou Trump, afirmando que isso ajudará a economia, pois “aviões, navios, armamentos” serão feitos por americanos.

Mas Trump terá que combinar isso com ao menos outras três promessas de campanha que estão congeladas: o fim do Obamacare e a definição de um substituto para os 20 milhões de americanos que utilizam o programa de saúde, cortes em impostos e o plano trilionário para infraestrutura, além do debate sobre o déficit fiscal. A falta de avanço nestes itens até agora mostra a pouca habilidade de Trump para negociações com o Congresso. E a opinião pública cobrará resultados rápidos, uma vez que os republicanos têm o controle das duas casas legislativas.

Trump disse que o sistema de saúde estava em risco de implodir. Segundo ele, a reforma tributária que prometeu é “um grão de areia” perto do que precisa fazer na saúde. E o discurso inaugural ao Congresso — anunciado por sua equipe como o mais importante de sua História até agora — será fundamental para criar uma chance de avanços concretos de sua agenda.

Oposição pressiona por investigação

O presidente, no entanto, enfrentará resistências. Democratas planejam levar ao menos quatro imigrantes ilegais — que estão na mira de Trump em seu esforço para acelerar as deportações — para ouvir o discurso direto do Capitólio. A oposição deve advertir contra possíveis cortes de cortar gastos sociais, que beneficiam aos pobres, para ter margem para reduzir impostos aos americanos ricos.

— É claro que o projeto de Orçamento do presidente Trump pretende romper suas promessas às famílias trabalhadoras — disse Chuck Schumer, líder da minoria democrata no Senado.

E mesmo republicanos que aplaudirão o discurso do presidente não concordam com tudo o que ele pretende fazer, como manter intactos os gastos de seguridade social e do Medicare, programa de remédios do governo federal, segundo o “New York Times”. Governadores que se encontraram com Trump também estão preocupados com uma eventual elevação de seus gastos com saúde.

Seu discurso também está sendo ofuscado pela pressão dos democratas para abrir uma investigação independente sobre as supostas relações entre a campanha de Trump e a Rússia, acusada de usar a espionagem para influenciar nas eleições. O presidente da Comissão de Inteligência da Câmara, o republicano Devin Nunes, disse que isso poderia significar uma “caça às bruxas".

— Não há nenhuma evidência até agora que estes contatos ocorreram — disse o deputado governista.

Adam Schiff, o principal democrata na Comissão, contestou:

— Nem sequer começamos a sentar com o FBI para falar sobre o que eles olharam, com quem conversaram, quais pistas foram seguidas — disse. — A realidade é que não sabemos se houve contatos de russos com funcionários da campanha de Trump.

oglobo.globo.com | 28-02-2017

BERLIM — Assustados e surpresos com a ascensão da extrema-direita, partidos progressistas começaram a reagir e a formar alianças para tentar frear seu avanço na Europa, num ano em que franceses, holandeses e alemães vão às urnas escolher seus próximos governantes. A estratégia de contra-ataque é pragmática e inclui até a aproximação com legendas de centro — todos reunidos, entre outros motivos, no intuito de preservar a União Europeia do ataque dos populistas de direita..

Na França, o abalo provocado por Marine Le Pen, da Frente Nacional (FN), uma forte candidata nas eleições de abril à Presidência, já fez com que François Bayrou, três vezes candidato ao Palácio do Eliseu, desistisse da corrida na quarta-feira passada. O veterano presidente do partido centrista Movimento Democrata declarou seu apoio ao independente Emmanuel Macron, justificado com a alegação de que o país corre “um risco extremo” que necessita de “respostas excepcionais”. Segundo o político verde Daniel Cohn-Bendit, que vive entre a França e a Alemanha, o único candidato com condições de evitar a “catástrofe europeia”, como descreve uma vitória de Le Pen, seria Macron, ex-ministro da Economia.

— Macron é o político que tem mais chances de frear os populistas. Em um segundo turno, ele se uniria ao candidato socialista (Benoit Hamon) — prevê Cohn-Bendit.

Toda a Europa acompanha com suspense o que vai acontecer na Holanda no próximo dia 15. Uma frente foi formada contra Geert Wilders, do Partido da Liberdade (PVV), um candidato antimuçulmano, anti-imigrante e anti-União Europeia. Para o cientista político Maurice de Hond, Wilders será o mais votado, mas isso não é garantia de que possa formar o governo. O premier Marc Rutte, do partido conservador liberal VVD, já adiantou que não aceitaria uma aliança com a extrema-direita. Depois da queda dramática do entusiasmo dos holandeses pela UE, Rutte é, porém, apenas um espectador do sucesso do líder populista que compara o Alcorão ao livro de Hitler “Mein Kampf”.

TEMOR DE REAÇÃO EM CADEIA

Com poucas chances, mas decididos a salvar a UE dos radicais, o GroenLinks (Verde Esquerda), de Jesse Klaver, está disposto a se unir aos liberais do D66 para frear Wilders. Se o “Trump holandês”, como é conhecido, ganhar, há o risco de uma reação em cadeia, temem analistas políticos. E se Le Pen for eleita na França, os dois países poderiam declarar sua saída da UE, uma decisão que provocaria graves consequências em todo o bloco e poderia atingir o euro.

Em toda a Europa são traçados cenários para evitar o terremoto, que não se restringe a França e Holanda. A esquerda alemã vai se unir nas eleições do dia 24 de setembro contra dois adversários: a extrema-direita e Angela Merkel. Para tirar a chanceler federal do governo, depois de quase 12 anos, o Partido Social Democrata (SPD) lançou Martin Schulz, ex-presidente do Parlamento Europeu, que tenta formar uma aliança de três partidos progressistas unindo SPD, os ex-comunistas e os verdes. O outro objetivo é barrar o crescimento do Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema-direita. Para isso, Schulz já começou a adotar um estilo bem mais progressista do que tinha Gerhard Schröder, ex-chanceler federal e colega de partido. Ele já antecipou que vai rever o programa de cortes sociais de Schröder, a Agenda 2010.

Na tentativa de frear radicais, os partidos europeus têm como modelo Bélgica e Suécia, onde a experiência de grandes alianças já começou a funcionar, incluindo o centro. Depois que os populistas dos Democratas Suecos (SD) galoparam nas pesquisas, alcançando 20% das previsões de votos, os dois principais blocos — do Partido Social Democrata com o Verde, de governo, e o conservador (formado por quatro partidos) — fecharam um acordo para que a aliança mais votada possa formar o governo, mesmo sem ter maioria. Nesse cenário, o atual governo “vermelho/verde” (social-democrata/verdes) é tolerado pela aliança conservadora. Trata-se da primeira ação do gênero.

Na Bélgica, que tem um cenário bastante complexo devido à divisão das agremiações entre as regiões de idioma francês e holandês, a ameaça da extrema-direita também vem sendo evitada por meio de alianças. O bloco conservador do primeiro-ministro Charles Michel — democracia cristã, liberais e nacional-democratas (CD&V,N-VA e VLD) — e o progressista Partido do Trabalho (PTB), atualmente de oposição, conseguiram frear o avanço de Vlaams Belang, separatista e de extrema-direita.

Mas a cientista política belga Chantal Mouffle, professora de Teoria Política da Universidade de Westminster, em Londres, defende que só é possível combater o inimigo, o populismo da extrema-direita, usando a mesma arma.

— Precisamos de um populismo da esquerda para salvar a Europa da ameaça da extrema-direita — diz a analista, que considera o populismo um instrumento da democracia.

Na França, Macron parece ser a concretização da teoria de Chantal. Jovem, bonito e carismático, o “Kennedy do Sena”, que registra um aumento de popularidade, tornou-se a principal arma para evitar uma presidente Le Pen, depois do desgaste do candidato do partido Os Republicanos, François Fillon, e da letargia dos socialistas, um legado deixado pela impopularidade de François Hollande.

A cientista política afirma que esse populismo como arma de contra-ataque pode ser visto também no Syriza, do premier grego, Alexis Tsipras, ou no Podemos, de Pablo Iglesias, na Espanha. Já na Itália, outra nação que pode contribuir para a perspectiva sombria de “desmoronamento da UE”, como receia Sigmar Gabriel, ex-presidente do SPD e ministro das Relações Exteriores, o populismo é quase exclusivo da extrema-direita, da Liga Norte — ou do Movimento Cinco Estrelas de Bepe Grillo.

OPOSIÇÃO ESTÁ ENFRAQUECIDA

Oskar Niedermeyer, da Universidade de Berlim, lembra que a extrema-direita encontra chances de crescer quando os partidos democráticos deixam de ser vistos como uma opção.

— Os conservadores e os social-democratas perderam os seus contornos ideológicos — critica.

Também no Leste Europeu, partidos começaram a adotar uma política mais agressiva contra populistas. Depois de quase dez anos de governo de Viktor Orbán, os socialistas húngaros vão tentar derrubá-lo nas eleições do próximo ano. Mas o cientista político Peter Kreko, de Budapeste, afirma que a oposição continua fraca e que Orbán precisa temer mais a ameaça que vem da sua direita:

— Na Hungria, aliança progressista não avançou.

Orban pode ser ultrapassado pelo partido Jobbik, ainda mais conservador, que nos últimos meses tenta se livrar da imagem de racista.

oglobo.globo.com | 26-02-2017

Em uma clara diferença com o sentimento otimista entre executivos dos Estados Unidos, autoridades e líderes corporativos europeus reunidos em Davos mostraram-se preocupados com o que será um ano importante no continente, em meio a uma onda de populismo e eleições nacionais em algumas das principais economias, que poderiam ameaçar a já modesta retomada na região.

Vice-presidente da Comissão Europeia para a zona do euro, Valdis Dombrovskis disse em entrevista que todos os 28 países da União Europeia devem crescer neste ano, mesmo a Grécia. O crescimento na zona do euro deve acelerar de 1,5% neste ano para 1,7% em 2018.

De fato, o Produto Interno Bruto (PIB) da UE finalmente está acima dos níveis anteriores à crise, enquanto o desemprego no bloco caiu para os níveis de 2009. A dívida dos governos e os déficits também diminuem. "A recuperação econômica, embora muito modesta, é resistente a diferentes fatores de risco, a incerteza política sendo um deles", afirmou Dombrovskis.

As eleições na Alemanha, na França e possivelmente na Itália, porém, podem atrapalhar essa recuperação, especialmente se partidos populistas - muitos deles contrários à moeda comum - continuarem a avançar. Embora investidores e analistas esperem que o Banco Central Europeu (BCE) prossiga com a redução de seu programa de compra de bônus, fatos políticos poderiam mudar isso.

"Se algo der errado, o BCE poderia inundar os mercados para estabilizar", disse Oliver Bäte, executivo-chefe da seguradora alemã Allianz. "Nós precisamos estar preparados para esse cenário também."

No curto prazo, a incerteza política tende a frear as contratações, disse Stefano Scabbio, diretor para o sul da Europa da Manpower. Na Espanha, por exemplo, a forte geração de vagas vista nos últimos anos perdeu fôlego recentemente enquanto os partidos políticos brigavam para formar um novo governo.

A ameaça do terrorismo também é citada como ameaça para uma recuperação mais robusta na Europa. Os hotéis Marriott na França "ainda não se recuperaram", segundo o executivo-chefe da rede, Arne Sorenson.

A Itália, terceira maior economia da zona do euro, continua a ser um grande freio para a região, com crescimento muito mais baixo que países como a Alemanha ou mesmo a Espanha. Um grande problema continua a ser seu sistema bancário, que tem 200 bilhões de euros (US$ 187,6 bilhões) em empréstimos inadimplentes, o que dificulta os novos empréstimos. O ministro da Economia da Itália, Pier Paolo Padoan, afirmou que deseja ver esse montante cair pela metade, mas a redução levará tempo. Fonte: Dow Jones Newswires.

BERLIM - Com preocupação, mas dispostos a demonstrar uma nova autoconfiança, líderes europeus reagiram de forma contundente à primeira entrevista do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, à imprensa estrangeira — ao jornal britânico “Times” e ao alemão “Bild Zeitung” — que causou um abalo sísmico. Disparando sua metralhadora giratória verbal, Trump criticou a União Europeia (UE), a Otan, o acordo nuclear com o Irã e a resposta da Alemanha à crise dos refugiados, classificando de “erro catastrófico” a decisão da chanceler Angela Merkel de abrir as portas do país a mais de um milhão de fugitivos de guerras e da pobreza extrema em países de Ásia, África e Oriente Médio. CONTEÚDO TRUMP 1701

Em uma primeira reação, Merkel afirmou que “a Europa é dona do seu próprio destino”. A chefe de governo alemã, que como presidente (rotativa) do G-20 deverá visitar Trump em abril ou maio, apelou aos colegas no continente a não se deixarem confundir pelas declarações dele. Reunidos em Bruxelas, os chanceleres europeus apelaram para a unidade dos 28 membros da UE. O chanceler francês, Jean-Marc Ayrault, foi enfático:

— A melhor resposta à entrevista do presidente é a unidade dos europeus.

Já o ex-premier e pré-candidato à Presidência da França, Manuel Valls, chamou as falas de Trump de provocação:

— Uma declaração de guerra à Europa.

O presidente da França, François Hollande, também se juntou ao coro que desancou Trump.

— A Europa não precisa de conselhos extremos para dizer o que tem de fazer — pontuou o francês.

Depois de um encontro com o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, o ministro das Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, lembrou que as declarações de Trump sobre a Otan vão contra as ideias do futuro secretário de Defesa dos EUA, James Mattis. Segundo Steinmeier — que dentro de poucas semanas deverá ser eleito o novo presidente da Alemanha — Trump causou “surpresa e agitação” na Europa. As críticas também vieram internamente. O secretário de Estado americano, John Kerry, classificou as declarações de Trump sobre Merkel como inapropriadas.

— Ele terá que responder por isso. Acho que devemos ser muito prudentes antes de dizer que um dos líderes mais poderosos na Europa cometeu um erro.

A inquietação indica que os europeus esperavam que, depois de eleito, o republicano deixasse de fazer declarações incendiárias. De fato, Trump não disse nada de novo. Na campanha, criticou Merkel, elogiou o Brexit (a saída do Reino Unido da UE), e antecipou que iria adotar medidas protecionistas para proteger as empresas americanas — ele já anunciou uma taxa de 35% para os carros da montadora alemã BMW produzidos no México. Trump Info

Para o cientista político Thomas Jäger, da Universidade de Colônia, Trump não tem a intenção apenas de chocar:

— Ele tem dois objetivos: acelerar a economia americana e só fazer acordos internacionais se estes favorecerem os EUA.

Para ele, a ideia é pôr a perspectiva americana, durante muito tempo ignorada, no centro das atenções.

Mas, poucos dias antes de tomar posse, o presidente eleito continua dividindo os europeus. A maior parte dos países da Europa Ocidental acompanha com apreensão o receio da influência do republicano na possível desintegração de uma já dividida UE. No Leste, da Rússia à República Tcheca, no entanto, Trump é admirado. Irina Sherbakova, historiadora e ativista da ONG Memorial, lembra que os russos — que detestavam Barack Obama — associam o novo governo à possibilidade de melhoria nas relações entre Moscou e o Ocidente e, com isso, o fim das sanções e superação da crise econômica.

Já na Europa Ocidental, apenas os partidos de extrema-direita apoiam o novo presidente. E não é só o estilo direto de Trump que assusta a maioria dos europeus. A possibilidade de uma forte aliança dos EUA com a Rússia, que teria assim carta branca para novas ações como a ocupação da Crimeia, até então território da Ucrânia, é vista como sombria. Contra uma possível aliança Trump-Putin, 17 políticos europeus, entre eles o ex-presidente da Estônia, Toomas Hendrik, enviaram uma carta ao novo presidente alertando sobre a Rússia, que teria em vista, segundo os signatários, “a desestabilização da Otan, a espionagem e a guerra psicológica”.

Extrema-direita celebra

Pior do que isso. Como escreveu o cientista político Ulrich Speck na sua coluna no jornal “Neue Zürcher Zeitung”, a proximidade entre os dois presidentes desperta lembranças amargas da Conferência de Yalta, que selou a derrota da Alemanha nazista, em 1945, e resultou na divisão da Europa em áreas de influência dos EUA (Europa Ocidental) e da então União Soviética (Europa Oriental). “Os EUA de Trump não são mais (como foi no passado) a garantia de uma ordem mundial liberal, mas são definidos pelos seus interesses nacionais imediatos”, sustenta Speck.

Embora o secretário-geral da Otan não veja grandes riscos para a Europa, analistas advertem para o perigo concreto de um racha dessa aliança — com efeitos negativos para a UE, que precisaria investir muito mais na sua segurança. Em crise, o bloco não tem sido capaz de chegar a um consenso nem na divisão de um sistema de cota de refugiados — uma unanimidade na decisão de medidas de defesa é vista como muito difícil.

Não por coincidência, a posse de Trump será acompanhada com atenção pela extrema-direita europeia. Um dia depois, lideres do bloco extremista em Alemanha, França, Holanda, Bélgica e Itália vão se reunir na cidade alemã de Koblenz, na cúpula dos populistas. A iniciativa partiu de Marine Le Pen, da Frente Nacional, da França, que quer fazer do Movimento para uma Europa das Nações e da Liberdade, que fundou em junho de 2015, uma espécie de “Internacional da extrema-direita”, a exemplo da tradicional Internacional Socialista.

De carona no populismo de Trump, os direitistas europeus contam com mudanças radicais em 2017, que começariam com a possível vitória de Geert Wilders, do Partido da Liberdade, na Holanda, e de Le Pen, na França, em março e em maio. Para o cientista político italiano Giulietto Chiesa, ex-deputado do Parlamento Europeu, a extrema-direita continuará contando com a influência do americano para realizar seus dois mais importantes projetos: acabar com o fluxo de refugiados e reduzir o papel da UE nos países-membros.

oglobo.globo.com | 17-01-2017

RIO - Presidente e fundador do Eurasia Group, o americano Ian Bremmer vê riscos no futuro das relações políticas dos Estados Unidos com a chegada de Donald Trump à Presidência, mas afirma que - apesar da retórica explosiva do presidente eleito - a aproximação com Cuba, a relação com a Otan, o acordo nuclear com o Irã e a aliança com Israel não deverão sofrer grandes mudanças com magnata republicano na Casa Branca.

Durante a campanha presidencial, muito se falou sobre a relação entre Donald Trump e o presidente russo, Vladimir Putin. A poucos dias da chegada de Trump à Presidência, o que se pode esperar para o futuro das relações entre Moscou e Washington?

Embora Trump e nomes como Jeff Sessions e Rex Tillerson tenham adotado uma postura mais cautelosa ao falar da Rússia recentemente, eles ainda estão no modo de campanha, dizendo aquilo que é necessário dizer no momento. Tillerson - que tem uma relação com o Kremlin melhor que a de qualquer outro cidadão americano - foi bastante cuidadoso e evitou se referir aos russos como criminosos de guerra, enquanto Trump admitiu a possibilidade dos ciberataques, mas afirmou que eles poderiam ter sido realizados por outros países. Trump vem deixando claro que as relações com a Rússia podem melhorar, e acho que veremos os dois países muito mais alinhados nos próximos anos, o que, é claro, gerará desconforto dentro do Partido Republicano.

De que modo a resistência a Trump dentro de seu próprio partido, evidente durante a campanha eleitoral, poderá influenciar as decisões do novo governo? Os republicanos domarão Trump ou ele conseguirá conquistá-los?

Ele, de certa forma, já os conquistou por ter conseguido a indicação presidencial e vencido a eleição. Havia muita resistência por parte do establishment republicano, é verdade, mas isso aconteceu porque ele disputou a indicação contra outros 16 nomes do partido. As decisões que vem anunciando, desde a indicação de Reince Priebus para a chefia de seu Gabinete, quanto os nomes escolhidos para as secretarias do Tesouro (Steve Munchin) e de Comércio (Wilbur Ross), estão dentro de uma proposta que favorece os negócios, os bancos e as privatizações, logo, perfeitamente alinhada com os interesses do partido. É na política externa que estão suas grandes divisões com os republicanos.

Trump

Barack Obama foi um grande defensor da diplomacia, apostando na abordagem de "liderar por trás", enquanto Trump tem se manifestado bastante sobre temas como armas nucleares, o combate ao Estado Islâmico e a redefinição dos laços americanos com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Qual deve ser a maior mudança na política externa americana?

Por mais diferente que possa parecer a retórica, na prática não acho que Trump vá ser muito diferente. Obama era inexperiente, tinha pessoas inexperientes a seu lado, e foi o primeiro a reclamar sobre os gastos com aliados da Otan, anos atrás. Com Trump temos o mesmo cenário, somado à sua personalidade volátil e seu estilo menos diplomático. Isso pode gerar desconfianças em outros países, especialmente por sua insistência em dizer que colocará os EUA em primeiro lugar.

Até que pontos ciberataques realizados por hackers estrangeiros representarão um risco para o governo de Trump?

Bem, essa é uma atividade que tem se tornado cada vez mais comum nos últimos anos, como vimos em casos como os dos "Papéis do Panamá", o ataque de hackers norte-coreanos que derrubaram o site da Sony Pictures e, agora, no caso dos hackers russos. As habilidades dos hackers permitem que a Rússia, que tem uma economia menor do que a de países como Itália e Canadá, cause bastante estrago com a divulgação de informações confidenciais. Há uma aura de vulnerabilidade da qual os EUA ou qualquer outra nação não se verão livres tão cedo.

No Oriente Médio são esperadas mudanças nas relações dos EUA com Irã e Israel. A chegada de Trump aumenta os riscos de tensões na região?

Não necessariamente. Obama e (o primeiro-ministro israelense Benjamin) Netanyahu não gostavam um do outro, mas a relação com Israel se manteve sólida, com números recordes na ajuda financeira. A decisão de não vetar a resolução contra os assentamentos israelenses na Cisjordânia foi algo que Obama poderia ter feito durante os oito anos em que esteve no cargo, e que deixou para a reta final, após fechar acordos milionários com o governo israelense. Não acho que vá ter qualquer influência sobre as relações ou mesmo sobre a expansão dos assentamentos. Com relação ao Irã, o acordo nuclear é algo que Trump nunca teria feito, mas não acho que ele, apesar das duras críticas, irá simplesmente anulá-lo, até mesmo por se tratar de uma decisão multilateral. O perigo está no fato de Trump atacar o Islã como um todo. Isso transforma bens americanos no Oriente Médio em alvos para as ações de extremistas.

A vitória do bilionário nos EUA foi celebrada por diversos nomes da política europeia. Sua chegada à Presidência pode estimular a ascensão de candidatos populistas na Europa?

Trump quer trabalhar com o Reino Unido, e isso indica que, mesmo após a saída do país da União Europeia, a relação deverá ser mais estável do que com os outros países europeus. Ele sem dúvida adoraria ver nomes da extrema-direita como Marine Le Pen e Geert Wilders chegando ao poder em países como França e Holanda, e isso poderia afastar líderes europeus mais tradicionais, dificultando ações de cooperação.

Como deve ficar a relação dos EUA com a América Latina, especialmente após a histórica reaproximação diplomática com Cuba?

O foco de Trump está no México. Ele sabe que tem que manter boas relações, pela proximidade entre os dois países. Ao mesmo tempo, também sabe que o México não tem outra opção a não ser se aproximar dos EUA, e com isso, temas como a imigração e a construção ou não do muro na fronteira se estenderão por muito tempo. Ainda não há uma estratégia clara para a América do Sul, mas com as transições nos governos, que estão cada vez mais alinhados com a política ocidental tradicional, as relações não devem ser abaladas. Já a reaproximação com Cuba teve reações negativas muito abaixo do esperado nos EUA, e Trump quer trabalhar com Havana. É possível que o governo cubano desacelere um pouco o processo, mas seria uma enorme surpresa se a reaproximação diplomática retrocedesse.

oglobo.globo.com | 15-01-2017

Muitos americanos ficam indignados ao verem Donald Trump ironizar a palavra “inteligência” quando se refere aos órgãos de segurança americanos. Parece uma heresia desafiar a sabedoria e a competência de instituições encarregadas de resguardar a segurança e a liberdade. Como russo, apenas dou de ombros: nunca acreditei numa só palavra vindo dos serviços de inteligência do meu país. Esta distância cultural, no entanto, está diminuindo. As sociedades ocidentais estão ficando cada vez mais desconfiadas.

Há duas décadas, Francis Fukuyama — o homem que, também com irreverência, declarou que a História estava morrendo e que um paraíso liberal e democrático nascia — relacionou confiança à prosperidade. Ele argumentou que as sociedades com maior confiança entre seus membros, tais como EUA, Japão e Alemanha, se saíam melhor do que aquelas com um grau menor de confiança, tais como China, Itália, França ou Coreia. A evidência econômica não tem apoiado tal teoria, mas pelo menos se pode dizer que uma sociedade mais confiável é mais agradável para se viver, sobretudo porque não é necessário se esforçar para provar a pureza das intenções.

O comunismo destruiu a confiança em cada país onde reinou. Um Estado controlador e inconfiável definiu o tom das interações sociais e praticamente convidou as pessoas a lutarem contra ele ou a enganá-lo. E a aniquilação da confiança sobreviveu ao comunismo. Muitos pesquisadores que se debruçaram sobre o fenômeno concluíram que isso tem a ver com o desenvolvimento econômico: se as instituições e as relações interpessoais não conseguem produzir bem-estar, elas não merecem confiança. Ambientes com baixa credibilidade são inadequados para uma democracia robusta: rapidamente se degeneram em guerras internas e paralisia.

Em razão disso, nações com baixa confiança geralmente se submetem prontamente a regras draconianas. Um autoritário como o presidente russo Vladimir Putin não se preocupa em gerar confiança: ele pode governar por outros métodos, tais como canalizar as frustrações contra supostos inimigos externos. Viktor Orban, da Hungria, e Jaroslaw Kaczynski, da Polônia, também seguem por esta trilha. Monopólios de poder e governos com mãos de ferro, porém, tendem a excesso de regulamentação e corrupção, economia em desaceleração e perpétua desconfiança em relação aos governos e entre as pessoas.

Segundo a empresa de marketing Edelman, que mede o fenômeno desde a virada do século, a confiança em instituições nos EUA ainda não é tão baixa quanto na Europa Oriental, mas a diferença não é grande. Entre a população geral, a confiança média em organizações não governamentais, governo, mídia e empresas alcança 49% nos EUA; 39% na Rússia e 35% na Polônia. São os americanos com nível universitário que têm, de longe, maior grau de confiança nas instituições do país frente a seus pares da Europa Oriental. Isso explica a irritação dos americanos de nível universitário com a falta de confiança de Trump nos órgãos de inteligência. Edelman classifica isso de “abismo de confiança” entre o “público informado” e a “massa da população”. Essa distância tem se ampliado em boa parte do mundo, sobretudo em França, Reino Unido e EUA.

Alguns veem o abismo de confiança como consequência da crescente desigualdade econômica, mas creio que as altas correlações entre prosperidade econômica e níveis de confiança levaram os pesquisadores a simplificar demais a questão e a sugerir que a desconfiança pode ser invertida mediante a redução da desigualdade. Mas as pessoas não são cães de Pavlov, e não respondem unicamente a estímulos econômicos. Elas também acreditam em instituições que, ao longo do tempo, construíram reputações de confiabilidade.

Enquanto na Europa Oriental a desconfiança é universal, e os resultados são relativamente previsíveis, no Ocidente, a relativa capacidade de confiança das elites criou o potencial para surpresas surpreendentes. Trump e os partidários do Brexit venceram porque não ignoraram uma massa desconfiada — aprenderam a pensar como esse público e ver as instituições através de seus olhos.

Três diferentes resultados são possíveis. Um seria uma versão de Putin, Orban ou Kaczynski: ignore a desconfiança, use as instituições para impor uma agenda e mantenha as pessoas sob controle. Trump pode sentir-se tentado a seguir por aí, embora os pesos e contrapesos das instituições americanas sejam desenhados para resistir a usurpadores. Outra possibilidade seria um relativo caos, algo parecido com o que os britânicos pró-Brexit parecem ter criado no país. Quanto à terceira possibilidade, que é imperativa para o Ocidente, nenhum país a adotou com sucesso: a reconstrução da confiança universal em suas principais instituições. Como salientou Fukuyama: é mais fácil destruir a confiança do que reconstruí-la.

Leonid Bershidsky é colunista da Bloomberg News

oglobo.globo.com | 08-01-2017

BRASÍLIA - O número de turistas estrangeiros no Brasil bateu recorde em 2016, ano da Olimpíada e da Paralimpíada. Depois de uma queda em 2015, o ano depois da Copa, o total de visitantes subiu 4,8% no ano passado e chegou a 6,6 milhões, de acordo com o Ministério do Turismo. Com isso, foram injetados US$ 6,2 bilhões na economia, um valor 6,2% maior do que os US$ 5,8 bilhões de 2015.

TURISMO 0401

O país que mais mandou pessoas para visitar o Brasil no ano passado foi a Argentina (2,1 milhões), seguido pelos Estados Unidos (580 mil). Completam a lista Chile, Paraguai, Uruguai, França, Alemanha, Itália, Inglaterra, Portugal e Espanha.

O ministro do Turismo, Marx Beltrão, disse ao GLOBO que espera que o ápice do crescimento do número de visitantes por conta dos eventos ainda esteja para ocorrer neste ano e nos próximos, principalmente se acompanhado de novos investimentos do governo. Segundo ele, na Inglaterra, onde ocorreram as Olimpíadas de 2012, o crescimento do turismo registrado naquele ano foi de apenas 0,92%. Contudo, nos anos seguintes, o crescimento subiu para a média de 5% ao ano.

— Os jogos ajudam a mostrar o país ao mundo, e cabe a nós tirar proveito disso depois. Alguns falam que o ápice foi durante a Olimpíada. Para mim, o ápice é daqui para frente. Se o turismo tiver investimentos, toda a economia do Brasil ganha.

AGENDA DE REFORMAS

Para isso, o ministro tem uma agenda de reformas polêmicas para o setor, que envolve a liberação de até 100% do capital estrangeiro nas companhias aéreas nacionais e o fim da exigência de vistos para americanos e chineses, além de desonerações tributárias.

— O brasileiro não reclama do visto, mas o americano não quer ir para a fila ou para o consulado antes de viajar. Se não precisa de carimbo (no país) do lado, para que ele virá para as praias do Nordeste? Se na Argentina tem turismo cultural (sem visto), para que vir para São Paulo?

O ministro não soube afirmar quando o governo enviará novamente ao Congresso proposta para elevar a participação de estrangeiros nas aéreas nacionais em 100%. Mas disse que essa ação aumentaria a competitividade do setor, elevando o número de turistas e reduzindo os preços das passagens.

— Se abrimos o capital estrangeiro para 100%, outras companhias aéreas virão e aumentarão a competitividade e o número de pessoas viajando, porque as empresas que chegam têm necessidade de vender passagens. Há aeroportos para isso e há muitas melhorias nos regionais no orçamento para 2017 - disse Beltrão

Segundo Beltrão, sua pauta de redução de burocracias (exigência de vistos), aumento de competitividade (com aéreas estrangeiras) e aumento de empregos com mais isenções tributárias está em linha com a orientação de Michel Temer. Sobre isenções, ele argumentou que a compra de uma montanha-russa por um parque temático no Brasil pode ter preço 120% maior do que nos EUA, por causa dos impostos.

— Se um parque quer botar brinquedos novos aqui, ele pensa dez vezes, porque sai muito caro. Não só os atuais parques podem crescer com menos imposto, como poderemos ter novos. Os grandes parques, como Disney e Bush Gardens, já foram para Europa e para a Ásia e por que não podem vir para a América do Sul?

De acordo com o ministério, daqueles turistas que visitaram o Brasil em 2016, 30% são influenciados por alguém que conhecem, como um parente ou amigo, embora quatro em cada dez tenham a internet como principal fonte de informações.

Questionado sobre o impacto do câmbio para o aumento do número de turistas ao Brasil no ano passado, Beltrão disse ser difícil afirmar que a evolução do dólar em 2015 tenha estimulado a chegada de turistas, mas reconheceu que, mantido em um patamar elevado, é possível que o câmbio ajude a trazer mais estrangeiros.

oglobo.globo.com | 04-01-2017

BERLIM - O crescimento dos partidos populistas na Europa e os rumores de uma nova crise no euro, que desta vez começaria na Itália, geraram um debate sobre a sobrevivência da moeda única do bloco. Gropp acredita que o euro continuará firme e forte. Mas diz que os países em dificuldade têm prazo curto para superar seus problemas. O Banco Central Europeu (BCE) deve aumentar os juros, diz, o que levará a uma explosão do custo dos financiamentos dessas nações, podendo causar uma nova crise, se reformas não forem feitas

EURO EM 2017

Quinze anos após a entrada em circulação do euro, os países do Sul da Europa têm feito um balanço negativo, por quê? A economia italiana encolheu em 0,5% no período.

A economia italiana sofre com estagnação, dívida pública e crise dos bancos. Mas esses problemas não foram causados pelo euro. Pelo contrário, sem o euro a situação seria muito pior para o país, que pagaria juros muito mais altos. O maior problema dos países do Sul da Europa é a queda da produção industrial, causada pela perda de competitividade com a falta de reformas.

Como a Alemanha se tornou a mais competitiva depois do euro? Na conversão das moedas nacionais em euro, o marco alemão foi calculado baixo demais, tornando os produtos alemães mais baratos para o mercado europeu. Isso explicaria isso?

Pode ser. Mas a economia alemã vai bem hoje por causa de reformas estruturais feitas pelo então chanceler Gerhard Schröder, há mais de dez anos. Na época, a Alemanha era chamada de a lanterna da União Europeia. O país tinha cinco milhões de desempregados. A reforma mudou até a aposentadoria, mas o mais importante foi a flexibilização do trabalho.

Ou seja, a criação de um setor de salários baixos, que não existia antes.

Também. Mas essas pessoas que voltaram ao mercado, embora ganhando muito pouco, estão mais satisfeitas pois não estão paradas em casa. Há uma forte dinâmica de pessoas que começam a trabalhar em empregos sem seguro social e passam para vagas regulares. A reforma fez aumentar a competitividade e o desemprego caiu drasticamente.

Por que os países do Sul da Europa não copiaram o modelo alemão?

Eles começaram mais tarde. A Espanha começa a sentir os efeitos positivos, voltando a crescer. É verdade que o desemprego ainda é dramático. Não quero negar os problemas, que são graves, mas não foram causados pelo euro, e uma saída da união monetária poderia abalar ainda mais a economia do país. Os países do Sul da Europa não se esforçaram para realizar reformas por causa dos juros muito mais baixos do que pagavam antes. A crise financeira de 2008 piorou a situação. Os estados começaram a se endividar para resgatar bancos, gerando um círculo vicioso.

Qual seria o custo de deixar o euro?

Os custos seriam tão altos que deixaram claro ao governo de Atenas que não há outra saída, a não ser atender às exigências da troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia). O primeiro efeito seria uma desvalorização dramática da moeda nacional. A dívida externa da Grécia cresceria em proporção igual. Já a saída da Itália abalaria toda a zona do euro, com efeitos talvez para a economia global. Acho que nem os populistas levariam em conta esses riscos, caso cheguem ao poder.

Mas a dívida aumentou e o problema dos bancos continua...

Uma ajuda aos bancos, na Itália ou na Alemanha, vai contra as novas regras da União Europeia. O caso é complicado. Quando lembramos do Lehmann Brothers (um dos primeiros a quebrar na crise de 2008), a lógica seria que os governos não devem deixar falir os bancos que são relevantes para a economia. Sei que o governo italiano definiu um pacote de ajuda ao banco Monte dei Paschi. Mas o problema não está resolvido porque a crise é em todo o setor bancário. O problema foi causado por créditos não pagos, falta de cautela dos bancos. Não tem a ver com o euro.

A falta de liberdade dos países em desvalorizar a moeda seria outro problema do euro?

Este é um problema real porque o euro reúne países muito diferentes, como a Grécia e a Alemanha. Há pessoas que sugerem a divisão dos países em “euro Norte” e “euro Sul”, o que não acho viável. Quando foi decidida a criação do euro, há 25 anos, com o Tratado de Maastricht, foram cometidos erros, como unir em uma moeda economias tão diferentes. Mas abolir a moeda não é solução. Os países podem se esforçar para ter um nivelamento gradual.

Os juros baixos do BCE podem aumentar o endividamento?

Eu vejo como um problema, pois os juros vão aumentar com certeza. Todos os países do euro precisam aproveitar essa fase para reduzir gastos públicos. Quando os juros aumentarem, em poucos anos, os países endividados terão uma explosão dos custos de financiamento da dívida. Isso causará uma nova crise, que poderia ser evitada se fossem feitas as reformas

oglobo.globo.com | 01-01-2017

BERLIM - Os desequilíbrios e os conflitos entre os países do Norte e do Sul da Europa que compõem a zona do euro são entraves à sobrevivência da moeda única, avaliam especialistas. A receptividade à união, que acelerou a transferência de recursos das nações ricas às mais pobres, na forma de investimentos bilionários, deu lugar ao ressentimento provocado pelo enfrentamento da crise, pautado por medidas duras de ajuste, impostas pelas economias mais fortes às mais frágeis. Há a sensação de que o euro quebrou as nações ao sul. E, neste cenário, há um grande vilão para os demais 18 parceiros de bloco: a Alemanha.

EURO EM 2017

Do ponto de vista da Alemanha, força motriz do bloco, o euro foi um projeto mais político do que econômico. Depois da queda do muro de Berlim, em novembro de 1989, os alemães — vistos com uma certa desconfiança pelos franceses, que receavam a arrogância de um novo poderio econômico depois da reunificação — viam na integração uma forma de acalmar os vizinhos.

O período de integração, porém, coincidiu com a agenda de reformas capitaneada pelo ex-chanceler Gerhard Schröder, que visava ao aumento da produtividade alemã. Cruciais foram as mudanças trabalhistas, que flexibilizaram regras e direitos e criaram um amplo setor de salários baixos, absorvendo milhões que antes viviam desempregados.

Segundo Heiner Flassbeck, vice-ministro das Finanças quando o euro entrou em circulação, as mudanças promoveram um arrocho salarial, elevando enormemente a competitividade dos produtos da Alemanha, que virou um gigante exportador. Numa área que usa a mesma moeda, se alguém vence, alguém perde.

— A Alemanha exportou o seu desemprego para o sul da Europa — sustenta Flassbeck.

Para o economista Hans Werner Sinn, autor do livro “O junho negro”, sobre o verão catastrófico para a União Europeia (UE) com o Brexit, a crise dos refugiados e a política expansionista do Banco Central Europeu (BCE), o euro deveria ter nivelado as economias. Mas teve efeito contrário:

— O Sul da Europa continua sofrendo com o desemprego em massa. Economias que eram importantes antes do euro entraram em decadência. Na Itália, houve uma queda da produção industrial de 22%; na Espanha, de 25%. Até na França (que já deu início à reforma trabalhista) houve uma queda considerável.

Jovens sem oportunidades

Grécia, Itália, Chipre, Portugal e Espanha exibem as mais elevadas taxas de desemprego da região, todas de dois dígitos, chegando a 22,1% na Espanha e a 25% na Grécia. Na Alemanha, é de 6,4%. De acordo com a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), os jovens do Sul são as peças mais vulneráveis no xadrez do desemprego em massa. Só na faixa etária de 18 a 25 anos, são 40 milhões de desempregados.

— Uma geração perdida sofre com a falta de perspectivas — afirmou Theodoros Parakevopoulos, assessor econômico do partido grego Syriza.

O economista Marcus Brunnenmeier, porém, afirma que não passa de desculpa transformar a Alemanha em vilã. Embora o ajuste alemão tenha tido consequências negativas, ele sustenta que as demais nações surfaram na onda da bonança, sem se preocupar em fazer ajustes que elevassem sua própria competitividade e lhes garantissem espaço fiscal para investimentos e para sustentar um estado de bem-estar.

Na hora da crise, pagaram a fatura mais alta, diante do risco de insolvência: Grécia, Itália, Chipre, Portugal e Espanha são cinco dos seis países com maior endividamento da zona do euro, com indicador acima de 100% em relação ao PIB.

— O que falta a alguns países do Sul são reformas e mais flexibilização do trabalho. Os países ainda não chegaram onde queremos, mas muitos, como a Espanha, superaram o pior da crise e já voltaram a crescer — pondera Brunnenmeier.

Mesmo com reformas, é tão grande o hiato entre as nações, que Hans Olaf Henkel, ex-presidente da Federação da Indústria Alemã, defende uma receita radical:

— Para que o euro sobreviva, precisa ser reformado. A solução é a divisão em euro-norte e euro-sul. É o único meio de combater a crise, o desemprego em massa e evitar que os populistas de direita assumam o poder.

A Alemanha também foi acusada pelos países do Sul de ser intransigente na negociação do pacote de ajuda, exigindo sacrifícios fiscais que impuseram severas perdas sociais às populações. Acabou criticada até mesmo pela França, que com ela forma o “eixo rico”.

— A situação da Grécia só poderia melhorar se houvesse uma redução da dívida — diz Parakevopoulos.

Os alemães se opõem a resgates. O programa de compra de títulos do BCE, que aliviou as economias regionais, é criticado pelos ortodoxos. Dizem que a instituição está cada vez menos independente e mais subserviente ao “Club Med”, como chamam o lobby forte do Sul.

Os embates dificultam a ação das instâncias políticas da UE em busca de um diagnóstico para os problemas e de uma solução concertada.

— A UE não tem respostas para os problemas dos países do euro — conclui Sinn.

oglobo.globo.com | 01-01-2017

BERLIM - O euro completa hoje uma década e meia de existência diante do desafio de garantir sua sobrevivência. De seus 15 anos de circulação no comércio, nos bancos, nas trocas internacionais e nos bolsos dos europeus, a moeda que simboliza a utopia de perfeita integração continental vive há oito anos uma crise inesgotável, perigosamente embalada por uma onda nacionalista, amplo descrédito das instituições que governam a zona do euro e frágeis condições fiscal e bancária dos países-membros.

EURO EM 2017

Previsto pelo Tratado de Maastricht há 25 anos, o euro nasceu do desejo de superação dos conflitos e de união das nações que amargaram duas grandes guerras no século XX. Quando suas cédulas e moedas começaram a circular, em 1º de janeiro de 2002, eram 11 os países a adotá-lo. Atualmente, são 19, que juntos têm 339,7 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) de € 10,4 trilhões — um dos três pilares da economia global, com uma balança comercial superavitária em € 322 bilhões.

Porém, esse gigante europeu também impressiona por números alarmantes. Como proporção do PIB, a dívida pública está estagnada em patamar elevado há cinco anos, chegando a 90,3% em 2016. O limite imposto pelo tratado de criação da moeda é de 60%, mas apenas cinco países, todos pequenos, o respeitam.

A explosão do nível de endividamento — elevado também no setor privado — está no cerne das preocupações com a zona do euro desde a grande crise global iniciada em 2008, com implicações fiscais, bancárias e na economia real. É ela quem responde pela perda de confiança na moeda única europeia.

Combinada a outros indicadores (juros zero por período prolongado, déficit fiscal de 1,9% do PIB, taxa de desemprego de 10,9%) e ao crescente euroceticismo, que ganhou musculatura após a convulsão socioeconômica da Grécia, o cenário leva muitos analistas a temerem um colapso do euro.

— O euro cambaleia e está prestes a virar um projeto fracassado — afirma o economista Wolfgang Münchau, que assina uma coluna semanal na revista alemã “Der Spiegel”.

POUCAS AMARRAS NO PROJETO ORIGINAL

O euro foi criado em um período de abundância de recursos a juros baixos, o que permitiu uma farra de crédito entre os estados-membros, especialmente dos mais ricos para a “periferia” ibérica e ao sul. As dívidas pública e corporativa dispararam. Bancos, sem regulação, assumiram posições temerárias. As contas públicas foram negligenciadas. Quando veio a crise de 2008 e a seca do crédito, esse quadro alimentou uma brutal desconfiança. E economias, asfixiadas, começaram a ruir: Espanha, Irlanda, Portugal, Grécia.

A expansão do crédito não veio acompanhada de mecanismos de controle e contenção, como regulação do setor financeiro, e, sobretudo, de coordenação supranacional. Apesar das instituições centrais em Bruxelas, as nações que aderiram à moeda comum retiveram basicamente todos os poderes sobre suas políticas econômicas, que obedeciam a características e interesses próprios.

Info Euro

Esses fatores complicaram imensamente a resposta às turbulências, e ainda hoje são entrave à solidez do euro. Só no auge da crise, por exemplo, a zona do euro criou um mecanismo de socorro financeiro — os resgates de países-membros eram proibidos — e deu mais autonomia de formulação ao Banco Central Europeu (BCE).

Porém, os planos iniciais — quase uma utopia pós-era comunista traçada pelo ex-chanceler alemão Helmut Kohl e o ex-presidente francês François Miterrand — eram a criação dos “Estados Unidos da Europa”, ou seja, a moeda comum deveria ser complementada por uma política econômica comum.

— Com o euro, eles queriam se tornar os Estados Unidos da Europa, mas o projeto não podia funcionar por causa da falta de homogeneidade (entre os países) — explica o jornalista Henryk M. Broder, para o qual o “projeto de grande ilusão está perto de despencar e arrastar consigo a União Europeia para o precipício”.

— Os países do euro só vão superar definitivamente a crise quando forem submetidos a uma política econômica comum entre os seus membros e aceitarem os países mais pobres ou em dificuldades econômicas como a região mais pobre de um país, que precisa de ajuda — afirma o economista Alexander Thiele, da Universidade de Göttingen, autor do livro “O BCE e o euro”.

O especialista Clemens Fuest, autor do livro “O complexo de Odisseus, uma sugestão pragmática para a solução da crise do euro”, recomenda quatro passos básicos às autoridades europeias: aperfeiçoamento da regulação dos bancos, controle das dívidas dos países (chegou a 177% do PIB na Grécia), reforma do mecanismo de resgate e do BCE e fortalecimento das economias nacionais:

— Só austeridade não resolve nenhuma crise.

Segundo os economistas Jorg Haas e Katharina Gnath, que escreveram em setembro um relatório de diagnóstico da crise, “é senso comum entre as autoridades europeias que a união econômica e monetária não é sustentável a longo prazo”.

Ainda assim, o progresso das reformas necessárias ao seu aperfeiçoamento — como maior poder decisório supranacional, união bancária e mecanismos mútuos de seguro e amortecimento — tem sido “imperceptivelmente lento”, concluem Haas e Gnath.

ONDA NACIONALISTA É RISCO ADICIONAL

E não é por falta de aviso. Apesar de a zona do euro ter deixado a recessão para trás e estar crescendo a um ritmo de 1,5%, os desequilíbrios não desapareceram. A Grécia ainda luta para recolocar a economia de pé, atolada em dívidas e de pires na mão, tentando evitar uma custosa saída do euro.

Para piorar, a Itália, a terceira maior economia do bloco, enfrenta grave crise bancária, com uma das três maiores instituições do país, o Monte dei Paschi, à beira do precipício, precisando levantar mais de € 5 bilhões.

— A zona do euro pode pegar fogo se a Itália recorrer ao fundo de resgate — afirmou Christoph Schmidt, do Instituto de Pesquisa Econômica de Essen e chefe do grupo de institutos de pesquisa que assessora o governo alemão.

Fuest adverte ainda para o risco da “japonização” da zona do euro, com “bancos zumbis” que sofrem com os juros baixos praticados pelo BCE.

— Faz-se na zona do euro o mesmo que se fez no Japão nos anos de recessão. As reações à crise eram liberar liquidez em vez de resolver os problemas. O resultado foram 20 anos de estagnação. Também na zona do euro a dívida dos países cresce, o BCE injeta mais dinheiro, mas não resolve o problema — sustenta Fuest.

Há um risco adicional à situação da zona do euro. Em 2017, três países, França, Holanda e Alemanha, terão eleições decisivas, nas quais poderão ser eleitos para a Presidência e os Parlamentos candidatos de partidos antieuro, uma face do nacionalismo de ultradireita que cresce vertiginosamente na Europa.

Na França, Marine Le Pen, da Frente Nacional, já anunciou que, se sair vitoriosa da campanha presidencial, em maio, vai realizar um referendo sobre o euro. Também na Holanda e na Alemanha, os populistas, com chances de vencer em eleições parlamentares, têm como principal plataforma o combate ao euro. Embora nos dois países a economia esteja relativamente bem, o euro é visto como ameaça, sob a ótica do risco de os países ricos terem de socorrer os mais pobres.

Na Itália, onde o primeiro-ministro Matteo Renzi renunciou ao interpretar recente referendo como uma desaprovação de sua política, o euro é cada vez mais visto como um problema e não uma solução.

Os efeitos perversos dos planos de resgate e ajuste — como desemprego, perda salarial e contração dos gastos públicos — reforçam o discurso de extremo nacionalismo e o desinteresse pelo euro. Theodoros Parakevopoulos, assessor econômico do Syriza, o partido do primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, lembra que a situação é um círculo vicioso:

— Com a ajuda, a Grécia tem afundado cada vez mais na crise.

O economista Marcus Brunnenmeier adverte, porém, que os problemas de hoje se agravariam ainda mais se o euro fosse abolido:

— Os custos de uma volta às moedas nacionais nos 19 países seriam astronômicos, e a ruptura teria consequências políticas e sociais.

oglobo.globo.com | 01-01-2017

R$ 206,02 bilhões. Este é o montante da receita e da despesa previstos no orçamento do Estado de São Paulo de 2017. Bater o martelo em relação aos gastos para o ano seguinte é o ato mais importante da Assembleia Legislativa antes do recesso da virada de ano. Na última quarta-feira (21), como sempre, a peça foi aprovada com as emendas regionais dos deputados.

Do bolo total, R$ 128,4 bilhões serão provenientes da arrecadação de ICMS, que constitui a principal fonte de recursos do governo estadual. Isso significa que as contas do governo vão bem quando a economia vai também vai. Quanto maior a arrecadação, mais encorpado ficam os cofres públicos. Refletindo a expectativa de continuação da crise econômica do país, o orçamento de 2017 foi elaborado com uma redução da despesa total de 0,55% em relação a 2016.

Banco de Remédios
Está pronto para ser votado o projeto de lei que institui o Banco de Remédios no Estado de São Paulo. O objetivo do banco é formar estoque proveniente de doações de pessoas físicas e jurídicas. O Poder Executivo escolherá os centros regionais em que serão instaladas as unidades do Banco de Remédios e incentivará campanhas de doações para formar os estoques.

Prevenção
A Comissão de Saúde da Assembleia deu parecer favorável ao projeto de lei do deputado Rafael Silva (PDT), que prevê a obrigatoriedade da inserção de mensagens educativas sobre o uso de drogas em ingressos e em locais de eventos esportivos ou culturais voltados ao público infanto-juvenil. Os deputados também analisam projeto que torna obrigatórios, em todos os estabelecimentos de saúde do Estado, testes alérgicos antes da execução de qualquer procedimento médico.

Inovação
Começou a rodar no Interior Paulista o primeiro caminhão no mundo 100% elétrico destinado à coleta e compactação de lixo. O projeto foi desenvolvido por meio de parceria entre a Corpus Saneamento e Obras e a fabricante chinesa Build your Dreams (BYD). Em ruas de Paulínia, Indaiatuba, Tietê, Salto e Valinhos, o veículo faz todo o processo sem ruído ou poluição. Funciona através de uma bateria de fosfato de ferro lítio reciclável e pode compactar até 16 toneladas de lixo por turno de funcionamento e ainda pode circular por cerca de 200 quilômetros ou realizar oito horas de operação com apenas duas rodas de recarga em uma tomada.

Negócios na China
Campinas abriu um escritório de representação na cidade de Dongguan, na China, em espaço cedido pela Câmara de Comércio Brasil-China. O escritório terá sala de reuniões, secretária bilíngue e materiais de divulgação do potencial econômico de Campinas e região. A prefeitura planeja abrir escritórios semelhantes em outros países, entre eles Índia, Japão, Itália e Estados Unidos.

Microcrédito
O BNDES atingiu este ano a marca de R$ 1 bilhão desembolsado para o microcrédito produtivo, com um efeito multiplicador, na ponta, de R$ 4,5 bilhões. Os recursos, concedidos desde 2005, permitiram a realização de 1,3 milhão de operações, no valor de até R$ 20 mil, a juros de até 4% ao mês, beneficiando mais de um milhão de microempreendedores em todo o Brasil. Os recursos podem ser obtidos por microempresas ou pessoas físicas empreendedoras de atividades de pequeno porte com faturamento de até R$ 360 mil.

Fapesp
A FAPESP disponibilizou R$ 15 milhões para apoiar ideias inovadoras apresentadas por empresas com até 250 empregados sediadas no Estado de São Paulo, no âmbito do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE). A chamada de propostas recebe inscrições até 30 de janeiro de 2017.

Mais desastres naturais
Estudos feitos por pesquisadores brasileiros, baseados em simulações climáticas, indicam que o risco de ocorrência de inundações, deslizamentos de terra e secas prolongadas deverá aumentar, até o final do século, na maioria das áreas do país hoje já afetadas por esses fenômenos. Os trabalhos também sinalizam que novos pontos do território nacional, em geral adjacentes às zonas atualmente atingidas por eventos extremos, deverão se transformar em áreas de risco significativo para desastres naturais. As informações são da revista Pesquisa, da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Mosquito à vista
O verão potencializa a formação de criadouros do mosquito Aedes aegypti. Seguem algumas dicas de prevenção: cuidado com armazenamento e destinação do lixo, mantendo-o em recipiente fechado; mantenha a caixa d?água sempre limpa e totalmente tampada; mantenha as calhas livres de entupimentos para evitar represamento de água nas mesmas; elimine os pratinhos de vasos de plantas; se não for possível, mantenha-os limpos e escovados; mantenha limpos e escovados os bebedouros de animais domésticos; a água deve ser trocada diariamente; mantenha piscinas sempre em uso e devidamente tratadas; e caso perceba a manifestação de qualquer sintoma de dengue, procure imediatamente o centro de saúde mais próximo.

As bolsas de Nova York fecharam em leve alta nesta sexta-feira, 23, dia em que as margens de negociação ficaram muito estreitas em meio ao baixo volume de negócios às vésperas do Natal.

Dow Jones subiu 0,07%, para 19.933,81 pontos; S&P 500 e Nasdaq fecharam nas máximas do dia: o primeiro avançou 0,13%, para 2.263,79 pontos, e o segundo 0,28%, subindo para 5.462,69 pontos.

Os operadores descreveram mais uma sessão quieta nesta sexta-feira, depois de vários dias em que as bolsas se moveram muito pouco.

"Há, provavelmente, uma calmaria no fim do ano com as pausas para as festas. Ninguém está inclinado a fazer grandes movimentos enquanto seus chefes estão de folga", disse Rich Sega, diretor de investimentos da Conning.

Os bancos ficaram entre as ações mais ativas nesta sexta, depois dos EUA conseguir solucionar disputas relacionadas à crise de 2008 e com a Itália organizando um resgate dos seus principais bancos.

Os papéis do Deutsche Bank listados nos Estados Unidos subiram 0,3% depois do Departamento de Justiça chegar a um acordo de US$ 7,2 bilhões sobre os títulos hipotecários podres que provocaram a crise de 2008. Analistas disseram que a notícia removeu um elemento de incerteza em todo o setor bancário.

No S&P 500, o setor financeiro subiu 0,14% e acumula alta de 18% desde as eleições presidenciais dos Estados Unidos. Investidores têm comprado ações de bancos apostando numa regulação mais frouxa na administração Trump e maiores taxas de juros. Fonte: Dow Jones Newswires.

RIO — É quase hora de dizer adeus a 2016. E, para que a despedida seja em grande estilo, escolher o lugar certo para presenciar a chegada do novo ano é fundamental. Este ano, a Barra e os bairros vizinhos oferecem festas nos mais diferentes formatos. Há desde jantares por R$ 300 até eventos com convites que chegam a R$ 1.400. Restaurantes, boates, hotéis e quiosques vão se transformar em locais de comemoração, cada um com uma proposta e foco em um público distinto.

réveillon 20/12

À meia-noite do dia 31, o céu da Barra e do Recreio será iluminado com uma queima de fogos de artifício promovida pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro (ABIH-RJ), com o apoio da Riotur, em dez pontos diferentes.

A data será um marco para empreendimentos recém-inaugurados, como o hotel Grand Hyatt Rio de Janeiro. O cinco estrelas, aberto no final de março, na Praia da Reserva, promete uma comemoração completa para os públicos brasileiro e estrangeiro. Os convidados podem comprar o pacote que dá direito à festa e à ceia. O início será na área da piscina, com um coquetel, às 20h.

O jantar especial foi elaborado com a proposta de mesclar tradições locais a rituais de outras culturas. Para tanto, os chefs dos restaurantes do hotel, Leandro Minelli, do Tano Cucina Italiana; e Miriam Moriyama, do japonês Shiso; trabalharam na criação de um menu harmônico, que pudesse integrar as duas cozinhas e pratos típicos da ceia brasileira. A diretora de experiência do cliente, Mariana Nunes, salienta que a equipe pretende oferecer novidades para o público, composto, em sua maioria, por brasileiros, argentinos e americanos:

— No Rio se faz uma ceia que visa ao público internacional, com pratos que são típicos de uma ceia tradicional. Essa é nossa oportunidade de mostrar a cara do Grand Hyatt. Estamos com uma grande expectativa, por ser nosso primeiro réveillon aqui.

A aposta dos chefs é em pratos temperados pela crença de que atraem fortuna quando degustados na virada do ano. Leandro Minelli, do Tano, traz um alimento conhecido entre os brasileiros: a lentilha será apresentada na ceia à moda italiana, complementando o bufê ao lado de massas, risotos e queijos artesanais, entre outras iguarias.

— A lentilha cozida com legumes é um prato tradicional para a virada do ano na Itália. A diferença em relação ao preparo brasileiro é que ela é cozinhada com cenoura, aipo, tomate e cebola. Aqui se usa paio ou linguiça — diz Minelli.

Já na terra do sol nascente come-se o toshikoshi soba para se despedir do ano em curso e saudar a chegada do novo, pouco antes de o dia clarear. O macarrão, preparado no Shiso, faz parte da receita do Hyatt para garantir o sucesso.

— O macarrão de trigo sarraceno (soba) atrai prosperidade quando consumido na véspera do ano novo — diz a chef Miriam Moriyama. — Usamos também o mochi, um bolinho de arroz glutinoso, consumido no ano novo para trazer fartura.

A festa, marcada para as 23h no Grand Ballroom, terá um clima mais carioca e adianta o carnaval com o Monobloco, que vai tocar clássicos do samba e do pop e marchinhas. O DJ Pachu é outra atração, com sets de estilos variados. O público ainda vai contar com um menu que harmoniza com as opções do open bar. Localizado na Avenida Lucio Costa, o hotel está entre a Praia da Barra e a Lagoa de Marapendi, onde será realizada a queima de fogos. O público poderá acompanhar o momento das varandas.

A ocupação dos quartos chegou a 60% no início do mês, com reservas, em média, de seis noites, no caso de turistas estrangeiros; e duas, no de brasileiros. A gerente de marketing e comunicação do Grand Hyatt Rio de Janeiro, Ana Carolina Trope Taunay, aposta que a procura dos cariocas pelo evento mostra que eles estão em busca de novas alternativas, mas que mantenham a cultura da cidade.

— Na nossa festa, queremos entregar uma proposta que possa atender dois públicos, o morador do Rio e quem é de fora. A ideia da festa é ser um réveillon tipicamente carioca. Estamos tentando transmitir um pouco do que é essa cultura não só na queima de fogos, mas nos menus que elaboramos e nas surpresas que colocaremos nos apartamentos — diz Ana Carolina, destacando que espera que o hotel seja inserido no calendário da região. — O mercado da Barra costuma trazer novas propostas, novas tradições. Acho que somamos às opções de lazer.

Outra debutante na virada do ano é a festa Réveillon Rio Maravilha 2017, a primeira do gênero no Hotel Royal Tulip, em São Conrado. A festa começará às 21h e se estenderá até as 6h. Minutos depois da virada do ano, o palco montado no salão nobre receberá a energia da cantora Anitta, que desfiará seus hits. Entre as atrações do evento, que terá camarotes operados pela boate All In, estarão também o projeto F***k the Format, o DJ Jeff Tavares e a dupla sertaneja carioca Ugo e Bruno.

— Vamos trazer para o show as músicas mais executadas nas rádios do país atualmente. Por ser uma festa de réveillon, estamos priorizando as músicas mais agitadas. Mas, em se tratando de sertanejo, não podemos deixar de lado a famosa sofrência — diz Bruno.

Para quem deseja pular as tradicionais sete ondas na praia durante a virada, a organização do Rio Maravilha garante o retorno aos salões do hotel com pulseiras de identificação.

OUTROS RÉVEILLONS

Enquanto a expectativa ronda os estreantes, a região tem lugares conhecidos pelo público de outros réveillons. São lugares que apostam num público que prefere curtir a festa próximo de casa e busca espaços que possam receber toda a família. De maneira geral, os convivas da festa são os os mesmos do cotidiano das casas.

Longe de queimas de fogos de artifício e de artistas do momento, mas com animação, o Espaço Don, em Vargem Grande, convida os clientes a comemorarem o primeiro dia do ano assistindo a uma soltura de balões de gás nos jardins. O restaurante, em funcionamento desde 2012, comemora seu quarto ano novo com uma festa que começa às 21h. A equipe espera receber o público cativo, em grande parte responsável por esgotar o primeiro e o segundo lotes de ingressos.

Por receber famílias, a maioria delas com crianças, haverá um esquema especial. Um parquinho foi instalado e, nesta edição, animadores vão dinamizar a recreação. Os pequenos ainda terão menu próprio, um complemento ao bufê completo, com entrada, pratos principais, sobremesas e bebidas. DJ e show ao vivo prometem manter a noite aquecida.

— Temos pessoas que vêm desde o início e, a cada edição, indicam-nos aos amigos. Esse boca a boca foi realmente o que mais fez a festa crescer — conta a gerente de eventos do Espaço Don, Cintia Prudente, ressaltando a logística da casa para a ocasião. — O jardim, nós deixamos livre, ambientando-o com algumas mesinhas perto do parquinho, para os pais que quiserem acompanhar os filhos. E há os lounges, um mobiliário de jardim em que as pessoas se revezam o tempo inteiro.

A acessibilidade para portadores de deficiências e para quem chega com carrinho de bebê é um ponto que a equipe da casa gosta de ressaltar. Além de as entradas terem rampas e o espaço entre as mesas ser amplo para facilitar o trânsito, há cuidado com o mapa das mesas no momento da reserva, quando o cliente informa sobre esta necessidade.

O restaurante pode sediar festas com até 250 convidados. Apesar de pedidos insistentes até mesmo no dia do evento, não há venda de entradas extras, destaca Cintia Prudente:

— No dia, vai estar cheio de gente aqui querendo comprar o ingresso. Tem quem diga que não precisa de mesa, mas não dá. Tira o conforto de se ter espaço, atrapalha a logística. Uma quantidade enorme de pessoas aqui dentro deixa ruim a circulação e a pista de dança.

Para quem não dispensa os ares praianos no réveillon, uma opção é o Clássico Beach Club, na Praia do Pepê, que terá um evento animado pelo som da banda Floater e pelos sets dos DJs Cobra e Roger Lyra. É a terceira edição do “Réveillon Clássico”, das 21h às 4h. Os ingressos, cujas vendas estão no segundo lote, também dão direito a um cardápio assinado pelo bufê Pimenta Rosa e a open bar.

A área da festa, que terá no máximo 200 pessoas, será delimitada por grades que tomarão uma faixa de areia, onde serão dispostas mesas e cadeiras, além das tradicionais espreguiçadeiras já características do quiosque. A proprietária, Carla Romano, conta ver principalmente grupos de amigos e famílias da Barra durante a comemoração, mas há também quem participe buscando alternativas menos disputadas do que bairros como Copacabana. Carla diz que o clima é o de um espaço onde se pode comer bem, num bom ambiente”.

— A maioria dos convidados mora perto do quiosque. Vem com criança, fica um pouco, e tem a possibilidade de levá-la para casa e depois voltar para a festa. Que é light, mas bem animada. É um espaço em que se consegue conversar com as pessoas. Não é como uma boate. É uma comemoração entre amigos, num ambiente pequeno — define.

Carla e o marido, Marcio Rodrigues — dupla à frente também do Clássico Beach Club Urca —, moldaram o estilo do quiosque a partir de experiências que tiveram em viagens. No dia a dia, a casa oferece menu criado por um chef e drinques preparados por um mixologista. A dupla considerava que o Rio carecia de um espaço à beira-mar onde se pudesse “tomar uma boa bebida e passar o dia”, explica ela. O evento de fim de ano está em sintonia com a proposta.

— No primeiro ano, o objetivo foi fazer um festão, mas vimos que o público não quer isso. As pessoas querem se sentir confortáveis — conta a proprietária. — Aqui ainda é pé na areia.

NOVA TRADIÇÃO

A chegada de 2017 será saudada com uma festa maior do que a do ano passado na região. A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro (ABIH-RJ) e a Rio Convention & Visitors Bureau (Rio CVB), com o apoio da Riotur, promoverão, neste réveillon, queima de fogos de artifício em dez pontos espalhados na Barra e no Recreio. Serão cinco toneladas de material, que resultarão num show de entre três e 12 minutos, com 34 tipos de efeitos e cores. Por enquanto, a região tem média de ocupação de 58,49%, mas a rede hoteleira se mostra otimista, apostando em reservas de quartos e compras de pacote de última hora, principalmente pelo público carioca.

O Hotel Hilton vai participar da festa oficial pela segunda vez. Longe da orla do bairro, marcará a virada do ano com um espetáculo em frente ao empreendimento, na Avenida Embaixador Abelardo Bueno. A programação é dividida entre a ceia realizada no Abelardo Restaurante, com bufê especial para a ocasião, e a festa, que contará com DJ e terá como atração principal o cantor e apresentador Leo Jaime, que subirá ao palco logo após a meia-noite. No menu estarão combinados pratos tradicionais da época e opções contemporâneas. A diretora do Hilton e conselheira da ABIH-RJ na Barra, Laura Castagnini, tem a expectativa de fechar o ano com ocupação próxima a 100% e atrair o público vizinho para os eventos.

— A realidade está muito acima da expectativa. É nosso segundo ano-novo, e a festa principal está quase lotada. Como o brasileiro tem a tendência de deixar tudo para o último momento, achamos que tanto a ceia como a festa vão lotar — espera Laura.

A conselheira da ABIH-RJ na Barra lembra que os investimentos no setor são parte do legado olímpico. No ano passado, quando novas cadeias chegaram — Hilton entre elas —, o público vizinho, isto é, moradores de bairros próximos, começou a ser cortejado, salienta.

— Mostramos, assim como outros hotéis, que temos opções de qualidade e mais convidativas. Ao mesmo tempo, a iniciativa privada fez um investimento grande na queima de fogos. Sempre foi nossa intenção mostrar a região para os órgãos públicos. A Olimpíada colocou a Barra no mapa, e a Riotur entende isso.

No Windsor Barra, as festas de fim de ano já são uma tradição. Desta vez, a ideia é transportar os convivas para outro continente, com a ceia temática “Um safári na África”. Pratos típicos vão dividir a mesa com quitutes brasileiros. A proposta foi do gerente-geral de alimentação e bebidas, Joatan Franco de Queros, para deixar o jantar comemorativo nos mesmos moldes do realizado na unidade do Windsor em Copacabana.

Países como Grécia, Marrocos e França já serviram de inspiração para edições passadas. Este ano, a expectativa é que o cantinho da foto, com um jipe estilizado, faça a alegria dos convidados. Queros diz que a festa do Windsor é muito procurada por famílias, principalmente as com crianças, um público que sempre merece atenção especial. Os pequenos convidados têm direito a recreação durante toda a festa (das 21h às 5h) e berçário, área reservada para recarregar as energias com um cochilo.

— A Barra é um lugar tranquilo, onde se pode trazer a família para jantar. As pessoas vêm andando e voltam andando. Tem quem fique até as 5h. São clientes que fazem parte dos nossos dez anos — conta o gerente.

O hotel também promove queima de fogos. O show de luzes e som é brindado com uma garrafa de espumante, inclusa no pacote da festa, que dá direito também a taças personalizadas. A animação fica completa com a apresentação da banda Anjos da Noite.

Haverá queima de fogos ainda nos hotéis Sheraton, Brisa Barra, Grand Hyatt, Ramada Recreio Shopping, Venit + Mio e Praia do Pontal, no VillageMall e no Quebra-Mar. (Colaborou: Rodrigo Berthone)

oglobo.globo.com | 20-12-2016

Até a Segunda Guerra Mundial, a economia da Itália era baseada primariamente na agricultura. Porém, após o fim da guerra, a economia do país passou por grandes mudanças, que tornaram a Itália um país primariamente industrial. A Itália foi um dos membros fundadores da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço e da Comunidade Econômica Européia, que são os antecessores da atual União Européia - criada em 1993 pelos membros da Comunidade Econômica Européia - da qual a Itália também faz parte. Atualmente, a Itália possui a 8ª maior economia do mundo, e a 4ª maior economia da Europa, quando medida pelo seu PIB PPC. Devido ao seu terreno acidentado, a maior parte da Itália não possui solo apropriado para a prática da agricultura, fazendo com que o país seja um importador de alimentos. Além disso, o país possui poucos recursos naturais importantes, tais como petróleo, ferro e carvão, por exemplo, obrigando o país a importar também estes recursos naturais de outros países para o abastecimento de suas indústrias. Também por causa da falta destes recursos naturais, a Itália é obrigada a importar muito da eletricidade consumida no país. A Itália possui grandes diferenças socio-econômicas entre a região norte e a região sul do país. O norte da Itália é altamente industrializado, e onde está localizado o centro financeiro do país, a cidade de Milão. A taxa de desemprego no norte do país é de aproximadamente 4%. Enquanto isto, a economia do sul do país ainda é dependente primariamente da agricultura, a taxa de desemprego na região é de aproximadamente 20%, cinco vezes superior a do norte do país. Além disso, pessoas do sexo feminino possuem mais dificuldades em achar um emprego do que pessoas do sexo masculino. Esta dificuldade se acentua no sul - por causa do maior conservadorismo da população do sul da Itália, em relação à população do norte do país. Em uma perspectiva super hiper histórica, a Itália, que se destacou nos primeiros 500 anos da era Cristã pelo Poder do Império Romano, na Idade Média pela influência do Poder temporal da Igreja Católica, mais tarde, no Renascimento, pela vitalidade econômica das Cidades-Estado, Veneza, Florença e Génova, teve sua vitalidade econômica prejudicada na Revolução Industrial por ter escassez de matérias primas e de fontes de energia e um Mercado insufuciente para desenvolver indústrias competitivas. Com o mercado comum da União Europeia, e sua moeda forte, o Euro, a Itália se destaca em muitos segmentos da indústria do conhecimento, da moda ou da indústria de serviços. O PIB italiano é próximo ao PIB inglês e ao PIB francês, e a renda per capita italiana é aproximadamente a mesma da renda per capita da Alemanha.


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