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Rússia Economia

Bloomberg Photo Service 'Best of the Week': Tim Cook, chief executive officer of Apple Inc., speaks during a press event at the Yerba Buena Center in San Francisco, California, U.S., on Tuesday, Oct. 22, 2013. Apple Inc. introduced new iPads in time for holiday shoppers, as it battles to stay ahead of rivals in the increasingly crowded market for tablet computers. Photographer: Noah Berger/Bloomberg *** Local Caption *** Tim Cook - Noah Berger / Bloomberg

NOVA YORK - Com aparelhos com telas maiores em desenvolvimento, a Apple disse na quarta-feira que os compradores estão adiando a compra de novos iPhone, o que afetará as vendas no trimestre atual, que finaliza em setembro. No entanto, em vez de dissuadir os compradores de protelarem, a Apple atiçou a expectativa por novos dispositivos numa teleconferência em que o CEO Tim Cook falou de uma “carteira incrível” e o diretor financeiro Luca Maestri declarou que seria um “outono (boreal) muito agitado”.

— Mal podemos esperar para mostrar-lhes (os produtos) — disse Cook.

A expectativa por dispositivos novos é a principal razão pela qual os investidores mal reagiram na terça-feira aos resultados da Apple no terceiro trimestre do seu ano fiscal. A empresa mais valiosa do mundo registrou um aumento de 12% da renda líquida, para US$ 7,75 bilhões, e uma alta da receita de 6%, para US$ 37,4 bilhões; as vendas fortes de iPhone e Mac compensaram uma queda na demanda por iPad.

Em vez disso, os investidores falavam com interesse sobre os próximos produtos da Apple. A empresa com sede em Cupertino, Califórnia, que não apresenta um dispositivo móvel novo desde o ano passado, está trabalhando em modelos de iPhone com telas maiores, um potencial aparelho de vestir e uma atualização da Apple TV, disseram fontes do setor.

A IMPORTÂNCIA DO iPHONE

No último trimestre, as vendas de iPhone aumentaram 13%, para 35,2 milhões, e as vendas de Mac subiram 18%, para 4,4 milhões. Isso ajuda a compensar o segundo declínio trimestral consecutivo do iPad, cujas vendas caíram 9%, para 13,3 milhões, pois o mercado de tablets está se saturando, especialmente nos EUA e na Europa Ocidental.

Os resultados reforçaram a importância do iPhone, que representa mais de metade da receita da Apple e cerca de 70% do total de lucros, segundo o ISI Group.

A Apple lançará novos modelos de iPhone, com tela de 4,7 polegadas e de 5,5 polegadas, disseram fontes do setor. Alguns analistas antecipam que os novos dispositivos sejam os mais vendidos da empresa desde a apresentação do iPhone, em 2007.

A Apple está respondendo a uma mudança nas preferências dos consumidores em favor de smartphones com telas maiores, tendência que a Samsung Electronics Co. e outras empresas têm aproveitado para arrebatar a participação da Apple no mercado.

Na China, cerca de 40% dos dispositivos móveis vendidos com o sistema operacional Android da Google Inc. em 2014 tinham uma tela de mais cinco polegadas, segundo uma estimativa da Forrester Research.

FOCO NA CHINA

A China também continua sendo um importante foco para a Apple. Nos últimos três meses, a empresa disse que as vendas de iPad cresceram 51% no país mais populoso do mundo e que as vendas de iPhone aumentaram 48%, impulsionadas por uma parceria para vender o dispositivo através da operadora de telefonia celular China Mobile Ltd. As vendas de Mac também aumentaram 39% na China, disse Cook.

Junto com a China, as vendas no Brasil, na Índia e na Rússia também têm sido fortes. As vendas de iPhone nesses países aumentaram em total 55% no último trimestre.

Após enfrentar críticas de investidores ativistas, como Carl Icahn, para que retornasse mais dinheiro aos acionistas, a Apple também continuou aumentando seu dividendo.

A companhia disse que daria um dividendo de US$ 0,47 por ação, que será pagável em 14 de agosto aos acionistas do que foi registrado até 11 de agosto.

Por meio de dividendos e reaquisições, a Apple já pagou US$ 74 bilhões até agora como parte de um programa de retorno de capital de US$ 130 bilhões autorizado para funcionar por mais seis trimestres.

A Apple tinha US$ 164,5 bilhões em caixa e investimentos no final do trimestre passado, com somente US$ 27 bilhões mantidos nos EUA. As vendas internacionais representaram 59% da receita da empresa no último trimestre.

oglobo.globo.com | 23-07-2014
A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, fala com a imprensa em Bruxelas - THIERRY CHARLIER / AFP

BRUXELAS — A União Europeia publicará na próxima quinta-feira novas sanções contra entidades e personalidades russas pelo apoio aos separatistas na Ucrânia, anunciou nesta terça-feira a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton. Segundo o ministro de Relações Exteriores austríaco, Sebastian Kurz, as áreas atingidas serão os setores de defesa e de tecnologia. A decisão ocorre ao mesmo tempo em que cresce a indignação internacional após a derrubada do voo MH17 da Malaysia Airlines em território controlado pelos rebeldes, no Leste da Ucrânia

— A Comissão (Europeia) será encarregada de preparar sanções contra os setores de tecnologias e militares — declarou o ministro, durante reunião com líderes ocidentais em Bruxelas.

A informação adiantada pelo austríaco foi confirmada por fontes europeias. O ministro das Relações Exteriores holandês, Frans Timmermans, declarou que a UE concordou em impor proibições de viagens e congelar os bens de autoridades russas, mas não revelou a quantidade ou identidade dos funcionários envolvidos.

— A Rússia não tem feito o suficiente para ajudar a acabar com o conflito — afirmou Steinmeier.

O holandês disse ainda que as medidas afetarão os mercados financeiros europeus e o setor energético, em particular as áreas de gás e petróleo. No entanto, os chanceleres reunidos decidiram não impor, pelo menos por enquanto, sanções mais duras que tenham repercussão em setores inteiros da economia russa.

Mais do que nunca, a Rússia está na mira da União Europeia, depois da queda do avião derrubado no Leste da Ucrânia, área controlada por separatistas. Quase 300 pessoas morreram na tragédia. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou que o acidente alterou drasticamente a situação e que os russos não podem ter acesso aos mercados de capitais europeus, se continuarem a alimentar uma guerra contra outro país europeu.

Moscou já foi alvo de sanções por seu papel no conflito entre Kiev e apoio aos rebeldes. Especificamente, a UE proibiu até agora a obtenção de vistos europeus e congelou os bens de 72 personalidades russas e ucranianas.

oglobo.globo.com | 22-07-2014

NOVA YORK — Os empresários mais ricos da Rússia estão cada vez mais desesperados com as políticas do presidente Vladimir Putin na Ucrânia, que podem levar a sanções paralisantes — e temem tanto as represálias que evitam se posicionar publicamente, segundo analistas. Se Putin não se mexer para acabar com a guerra no país vizinho, que se agravou com a derrubada, na semana passada, de um jato da Malaysia Airlines em território controlado pelos rebeldes, corre o risco de se tornar um pária internacional como o presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, a quem os EUA notoriamente rotulam como o último ditador da Europa.

— O que está acontecendo é ruim para os negócios e para a Rússia — disse um bilionário local, sob condição de anonimato.

— A elite econômica e empresarial está simplesmente aterrorizada — afirmou Igor Bunin, que dirige o Centro de Tecnologia da Política em Moscou, lembrando que ninguém irá publicamente confirmar isso, temendo a ameaça implícita de represálias. — Qualquer sinal de rebelião e eles estarão de joelhos.

A derrubada da aeronave comercial que saía da Malásia, e matou 298 pessoas, levou a renovadas ameaças de sanções mais profundas por parte dos EUA e da União Europeia — que já haviam sancionado cidadãos e empresas russas, considerados cúmplices na insurgência pró-Rússia na Ucrânia. Recentemente, o Reino Unido acusou Putin de “patrocinar o terrorismo”.

— Marcar a Rússia, como o Irã ou a Líbia de Muammar Kadafi, como um “estado patrocinador do terrorismo", como o ministro da Defesa britânico sugeriu, seria uma grande jogada que teria um impacto muito significativo sobre a Rússia e as empresas que lidam com o país — afirmou Timothy Ash, economista de mercados emergentes do Standard Bank Plc em Londres.

De acordo com o porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, no entanto, a Rússia não está preocupada com a possibilidade de ser rotulada assim.

PRECEDENTE LÍBIO

Em 1988, o atentado contra o voo da Pan Am Flight 103 sobre Lockerbie, na Escócia, que matou 270 pessoas e foi atribuído a Líbia, foi uma das causas que levaram a sanções internacionais nos anos de 1980 e 1990, consolidando o status da Líbia como um pária até o final do século.

Embora a UE tenha até agora imposto medidas menos severas contra a Rússia do que os Estados Unidos — por causa da oposição de países como a Itália e a Áustria —, Reino Unido e Holanda lideram a pressão por punições mais ousadas em uma recente reunião de ministros das Relações Exteriores. A maioria das vítimas a bordo do avião, 193, eram holandeses; dez eram britânicos.

E em meio à turbulência do mercado provocada pelo conflito, os 19 russos mais ricos perderam US$ 14,5 milhões desde o início do ano, de acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg — em comparação a um aumento de US$ 56,5 milhões entre os 64 americanos mais ricos.

— A Rússia corre o risco de se tornar um Estado pária, se não se comportar adequadamente — disse o ministro do Exterior britânico, Philip Hammond, ao Sky News, no fim de semana. — Precisamos agora usar o sentimento de indignação que está claro para obter uma nova rodada de sanções contra Moscou.

Punições adicionais dos EUA podem ser impostas nas próximas semanas, com sanções prováveis em toda a indústria em setembro, caso os investigadores comprovem que os rebeldes realizaram o ataque. A Europa, no entanto, tomaria medidas menos amplas, já que tem laços comerciais mais estreitos com a Rússia, de acordo com o Eurasia Group, empresa de pesquisa e consultoria com sede em Nova York.

— A ameaça de sanções contra setores inteiros da economia é agora muito real e há motivos sérios para que os empresários tenham medo — afirmou Mikhail Kasyanov, primeiro-ministro da Rússia durante o primeiro mandato de Putin, de 2000 a 2004. — Se houver sanções contra todo o setor financeiro, a economia entrará em colapso em seis meses.

Andrey Kostin, chefe do credor estatal VTB Group, sinalizou na semana passada que as sanções já em vigor podem prejudicar a economia russa em US$ 2 trilhões. Apesar de toda a pressão econômica, Putin, que negou repetidamente armar os separatistas na Ucrânia, não vai recuar, porque está determinado a resistir à ingerência dos EUA e Europa, de acordo com um estudo do Eurasia Group.

“Ele ainda verá a influência russa sobre o Leste da Ucrânia e um veto russo em relação à adesão da Ucrânia à Otan como interesses nacionais russos vitais. A ajuda militar aos rebeldes vai continuar”, diz.

oglobo.globo.com | 22-07-2014

GENEBRA — Com sua economia fragilizada e dependente em termos energéticos da Rússia - que fornece 30% do todo o gás consumido no continente - a União Europeia decide nesta terça-feira, em Bruxelas, até que ponto vai avançar nas sanções a Moscou.

Reino Unido, Alemanha e França prometem mais sanções. Mas muitos europeus temem acabar penalizando suas próprias economias. A França já avisou que vai cumprir o contrato de €1,2 bilhão de venda de helicópteros Mistral para a Rússia, por considerar que um cancelamento traria mais danos a ela do que a Moscou.

A reunião de quarta-feira entre ministros das Relações Exteriores dos 28 países da UE poderá decidir a lista com os nomes de pessoas e empresas russas que sofrerão sanções. É esperada forte pressão da Holanda, que perdeu 193 cidadãos com a queda do avião. Mas em Bruxelas diplomatas acreditam que os ministros europeus não vão muito além disso. A lista de amanhã estava programada para ser divulgada no final deste mês e tem a ver com sanções passadas. Uma resposta mais severa aos russos só poderia ser decidida por chefes de Estado e de governo, que só se reúnem no dia 30 de agosto.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, avisou a Vladimir Putin que a Rússia vai sofrer mais sanções se não houver "uma mudança radical de atitude" de Moscou na Ucrânia. Até agora, o discurso mais duro veio de Cameron :

"A relutância por parte de muitos países europeus em enfrentar as implicações do que está acontecendo no Leste da Ucrânia está se arrastando há muito tempo. Chegou a hora de fazer valer o nosso poder, a nossa influência e os nossos recursos", escreveu David Cameron no jornal "Sunday Times".

Resta saber, na prática, como isso vai acontecer. Londres é um dos destinos favoritos de empresários russos e muitos oligarcas têm propriedades no país. A gigante de petróleo britânica BP detém um quinto do grupo petrolífero russo Rosneft.

No Rio, o presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, defendeu uma ação dura.

- A União Europeia não pode aceitar esse tipo de comportamento. Se começamos a aceitar que agora comecem a derrubar os aviões que andam nos céus, onde vai parar o mundo?

oglobo.globo.com | 22-07-2014
Vladimir Putin chega a aeroporto na cidade de Samara, na Rússia - Alexei Nikolsky / AP

LONDRES — Os investigadores ainda estão longe de um julgamento oficial para determinar as causas da derrubada do voo MH17 da Malaysia Airlines, no Leste da Ucrânia, matando todos os 298 passageiros e tripulantes a bordo. Mas, para líderes do Ocidente, o veredicto parece já ter sido definido: Vladimir Putin é o culpado.

Putin enfrenta uma enxurrada pessoal de condenação mundial após a derrubada do avião comercial. As autoridades americanas e ucranianas sugerem que o míssil responsável por abater a aeronave era, na verdade, russo e fornecido aos rebeldes. Agora, se ele não conseguir rapidamente mudar o rumo da crise na Ucrânia, Moscou sofrerá a ameaça de novas sanções.

A Austrália já levantou a possibilidade de retirar Putin da reunião do G20, grupo das nações mais poderosas do mundo, em novembro, se ele não concordar em exercer mais pressão sobre os rebeldes ucranianos. O Reino Unido, por sua vez, acusou abertamente o líder russo de patrocinar o “terrorismo”. Já o secretário de Estado americano, John Kerry, foi a programas de TV no domingo e ressaltou que agora era o “momento da verdade” para a Rússia.

Na Europa — continente que há muito tempo pressiona os russos para deixarem de apoiar os separatistas — o choque inicial deu lugar, rapidamente, à indignação. No domingo, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, François Hollande, e primeiro-ministro britânico, David Cameron, conversaram em um telefonema conjunto sobre a crise. Um porta-voz do gabinete inglês declarou que os três líderes concordaram que a União Europeia deve reconsiderar a abordagem para a Rússia e que os ministros devem se preparar para para impor mais sanções ao país, quando se encontrarem na terça-feira, em Bruxelas.

“A Rússia fez isso e Putin deve pagar, política e economicamente”, exigiu o jornal londrino “The Sunday Times”.

Talvez o lugar onde o clima mudou mais rapidamente foi na Holanda, de onde saiu o avião abatido, pois a tragédia custou a vida de 192 cidadãos holandeses. O primeiro-ministro Mark Rutte falou com Putin no sábado e afirmou que o russo “tem que assumir responsabilidades.” Os comentários foram feitos no mesmo momento em que a tristeza profunda, que parecia consumir muitos holandeses no início, começou a dar gradualmente lugar à raiva.

Flores são depositadas na área externa do aeroporto de Schiphol, em memória às vítimas do voo MH17 - UNITED PHOTOS / REUTERS

A mudança foi motivada pelas cenas horríveis de corpos deixados no local da queda do acidente e, posteriormente, pelo transporte dos mortos em trens, feito sem qualquer cerimônia. Os rebeldes haviam permitido a centenas de voluntários o acesso aos destroços, mas ainda estavam se recusando a ceder a autoridade do local do acidente ao governo ucraniano.

— Agora, estamos mais com raiva por causa da maneira desrespeitosa como (os insurgentes) nos trataram e a forma como eles estão lidando com os corpos — afirmou a holandesa Marjolein Pel, de 60 anos.

PRESSÃO ECONÔMICA

Fortes laços econômicos da Europa com a Rússia oferecerão a maior pressão sobre Moscou, na tentativa de forçar Putin a abandonar o apoio aos rebeldes que há meses já protagonizaram uma insurgência sangrenta no Leste da Ucrânia. No entanto, até agora, os europeus realizaram várias rodadas de sanções que tiveram impacto limitado. Além disso, a região é conhecida por rodadas penosas e demoradas de consenso diplomático, antes de agir.

Apesar da onda de raiva, não ficou claro se a pressão acabaria por danificar seriamente os setores da economia russa. O confronto também poderia levar a riscos enormes para a Europa, que depende da Rússia para fornecer cerca de 30% do seu petróleo e gás natural. Por isso, o continente teme que Putin responda às sanções com o corte do fornecimento de energia.

Há ainda o medo de interromper a entrada do dinheiro russo, que flui para contas bancárias de Londres e para apartamentos de luxo, hotéis e boutiques de Paris e Roma. Mas é certo que em todo o continente, a raiva contra Putin é palpável, talvez dando aos líderes políticos mais espaço de manobra. Depois de acusar Putin de patrocinar o terror, o secretário de Defesa britânico, Michael Fallon, exigiu em entrevista no domingo que a Rússia “saia do Leste da Ucrânia e deixe-a para os ucranianos.”

Tradicionalmente com laços mais fortes com a Rússia, a Alemanha também adotou uma linha mais dura. Em entrevista ao jornal “Bild” no domingo, o ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, pediu a Moscou para forçar um cessar-fogo imediato sobre os rebeldes.

“Pode ser a última chance de a Rússia nos mostrar que está realmente interessada em uma solução”, disse ele.

oglobo.globo.com | 21-07-2014

WASHINGTON - A reestruturação da arquitetura financeira global passa, necessariamente, pela reforma dos organismos multilaterais, dizem os especialistas. O Banco Mundial (Bird) precisa de mais capital e foco redobrado na expansão do crescimento dos sócios. Mas, pela natureza das mudanças pelas quais o mundo passou, o trabalho concentra-se no Fundo Monetário Internacional (FMI) – que, apesar das críticas em diversas intervenções aos longo das décadas, tem tido papel central nas respostas globais às crises.

As organizações de Bretton Woods nasceram desempenhando papel tímido. O Bird foi ofuscado pelo Plano Marshall, de reconstrução da Europa com dinheiro americano. Já o Fundo apagava incêndios, basicamente europeus, e tinha até o fim dos anos 60 o Reino Unido como principal cliente.

Foi apenas em 1982, com a primeira crise da dívida do México, que o FMI assumiu sua função global, com a noção de risco sistêmico de um eventual calote mexicano. Esse papel foi reforçado com as crises dos anos 1990 e 2000, diz o economista James Boughton, ex-historiador do Fundo. No mesmo período, ficou claro que o FMI precisava refletir melhor a nova ordem mundial, com a ascensão da China e demais emergentes como o Brasil.

A estrutura de poder no FMI está ultrapassada, afirmam os especialistas. Com 19,2% do PIB mundial, os EUA mantêm 16,8% dos votos no Fundo, única nação com poder de veto sobre as decisões. A Europa está super-representada, ao passo que a China, com 16,1% da economia global, tem apenas 3,8% dos votos. No Brics, apenas Rússia e África do Sul têm seu peso econômico ajustado ao poder de voto. O Brasil, com 2,8% do PIB mundial, tem 1,7% dos votos e a Índia, que representa 6%, tem 2,3% das cotas.

— O papel do FMI está consolidado. Agora é preciso que o Congresso americano ratifique o pacote de mudanças, que dará mais recursos ao Fundo e redistribuirá votos, dando poder maior aos emergentes e consolidando a presença da União Europeia como voz unificada. O FMI terá assim mais legitimidade. Mas, junto, é preciso que se repense a relação do G-20 (grupo das 20 maiores economias do mundo), que representa um universo poderoso mas restrito — afirma Boughton.

Marcos Troyjo, diretor do Bric-Lab da Universidade de Columbia, concorda.

— Não basta apenas pensar em representação. Após 2008, há uma tensão entre ação, coordenação e delegação. Os EUA precisam revitalizar sua economia, enchem o mercado de recursos, mas não levam a política dos outros em consideração. O FMI precisa poder implementar as medidas necessárias e falar para os EUA que é hora de ajustar, falar para a China ajustar, como fala para os demais emergentes e nações pobres. O Fundo precisa de um novo mandato.

Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do FMI e professor de Havard, afirma que “será ridículo se o diretor-gerente que substituir Christine Lagarde (francesa) não for de um país emergente”, rompendo a tradição pela qual os EUA indicam o presidente do Bird e a Europa, o dirigente do FMI. Ele adiciona outro ponto para reforma: a dos instrumentos utilizados nos programas de assistência do Fundo. Ele vê com bons olhos a discussão sobre o re-profiling, mecanismo que permitiria a reprogramação do pagamento de dívida privada pelos governos, uma espécie de perdão temporário.

— Esta seria uma grande mudança de paradigma e era claramente a solução para a Europa periférica após 2008, que tinha dívidas altíssimas e, para saná-las, teve que segurar o crescimento, com consequências desastrosas — diz Rogoff.

Para James Boughton, o fortalecimento do FMI é uma peça-chave na nova arquitetura global, diante das dificuldades políticas de se criarem novas instituições e órgãos reguladores internacionais:

— Eu acho irrealizável um novo Bretton Woods, temos que trabalhar dentro do sistema que existe. Dentro do FMI, já temos estruturas tratando dos temas prementes, já temos o board de regulação financeira, temos muito trabalho sendo feito sobre capitais. Os países estão trabalhando regulações nacionais e, com os anos, elas ficarão prontas e as melhores práticas vão se sobressair. É preciso continuar nesta direção e o Fundo pode conectar essas pontas. Se não fortalecermos o FMI, haverá uma nova crise. Esta é a verdade a se encarar. É melhor fazermos as coisas sem precisarmos de nova crise para nos incentivar.

oglobo.globo.com | 20-07-2014

RIO - Insurgentes no Iraque, escalada das tensões entre Israel e Gaza e, nesta semana, o avião comercial abatido na Ucrânia que ameaça acirrar o conflito com a Rússia são riscos geopolíticos que pouco abalaram os mercados financeiros globais. No dia seguinte à queda do avião da Malaysia Airlines, as bolsas europeias fecharam hoje com pequenas variações. O que de fato está no radar dos investidores internacionais neste ano, dizem os analistas, são os juros norte-americanos.

E, no Brasil, as atenções estão voltadas sobretudo para as eleições presidenciais de outubro. Desde março, a Bolsa sobe ou desde ao sabor das pesquisas de intenção de voto, o que deve se acentuar nos próximo meses

Segundo Mauro Schneider, estrategista da CGD, eventos como a anexação da Crimeia pela Rússia e mesmo o avanço de radicais islâmicos no Iraque produziram alguma aversão a risco, mas não têm impacto relevante. A "agenda real" é o ajuste monetário nos EUA, disse Schneider.

— Todos querem saber como e quando se dará o aumento dos juros americanos. Isso é de extrema relevância porque dá o tom dos preços dos ativos no mundo — acrescentou.

Historicamente, conflitos políticos só têm impacto duradouros nos mercados quando se transformam em guerras mais amplas ou em crises de longo prazo, disse Welber Barral, sócio da consultoria Barral M Jorge e ex-secretário de Comércio Exterior.

— As informações que temos sobre conflitos parecem não ser suficientes para prejudicar as expectativas sobre a recuperação da economia americana e global — afirmou Frederico Sampaio, diretor de renda variável da gestora Franklin Templeton no Brasil.

Para Eduardo Velho, economista-chefe INVX Global Capital Asset, mesmo com a recuperação no mercado de trabalho, os juros dos EUA não vão subir antes do segundo semestre de 2015. E, quando o aumento vier, sua magnitude não deve ser elevada. Caso essa previsão se confirme, países como o Brasil serão favorecidos, uma vez que juros mais altos nos EUA reduzem a liquidez global e investimentos em emergentes.

— Dificilmente os títulos do Tesouro dos EUA, mesmo após o aumento dos juros, vão passar de 3,5% ao ano. Isso é bom para os mercados emergentes. E na Europa e Japão também há sinais de manutenção dos juros pelos próximos meses — explicou Velho, lembrando que, atualmente, os títulos do Tesouro norte-americano estão pagando 2,48% ao ano.

O maior risco no horizonte é que a recuperação econômica de Estados Unidos e Europa não se concretize, resultando em “crescimento global pífio”, classificou Welber Barral:

— O ritmo da melhoria americana e europeia tem sido muito lento, e enfrentamos um risco sério de deparar com uma estagnação de abrangência mundial.

Além da preocupação com EUA e Europa, as Bolsas também acumulam tensão com o crescimento da China. A segunda maior economia do mundo quer avançar 7,5% neste ano, mas têm divulgado dados mistos, que não permitem aos investidores “respirar aliviados e tampouco derramar lágrimas”, nas palavras de Mauro Schneider.

oglobo.globo.com | 19-07-2014

WASHINGTON A economia da Ucrânia está entre as vítimas do conflito com separatistas pró-Rússia, que se intensificou a partir de março, quando Moscou anexou a Crimeia. Ameaçado de um colapso econômico, o país fechou em abril um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para receber US$ 17 bilhões nos dois próximos anos. Em troca se comprometeu com um programa que se torna mais difícil de cumprir com o avanço do conflito.

A queda de um Boeing 777 da Malaysia Airlines na quinta-feira, matando as 298 pessoas a bordo e atribuído pelo governo ucraniano a um ataque com míssil por rebeldes pró-Rússia, fez a tensão crescer. Com a escalada do conflito, as condições econômicas pioraram — afetadas inclusive pelo corte no fornecimento de gás pela Rússia. Assim, o cumprimento dos termos do acordo com o Fundo ficaram mais difíceis de serem alcançados.

A missão do FMI encerrou sua primeira revisão da economia da Ucrânia na quinta-feira, afirmando num relatório divulgado ontem que “o conflito põe uma pressão crescente sobre o programa e uma série de elementos cruciais da estrutura macroeconômica ainda terão que ser revisados”. Segundo o FMI, a economia da Ucrânia vai encolher 6,5% este ano, frente a uma previsão de queda anterior de 5%, quando o programa de ajuda foi acertado. Os gastos para conter a rebelião dos separatistas pró-Moscou drenam as reservas da Ucrânia. E a perda de parte do território reduz a arrecadação de receitas.

O acordo com o FMI não alivia os efeitos sociais do aperto fiscal. Em troca da ajuda, a Ucrânia concordou com um programa de austeridade que inclui demissão de 24 mil funcionários públicos, elevação de impostos, venda de ativos estatais e retirada gradual de subsídios ao setor de gás natural. Ciente do momento ruim, o acordo foi desenhado para que o aperto ocorra em 2015 e 2016. Mas, com os custos do conflito, o governo se viu obrigado a fazer, este ano, cortes de gastos equivalente a 1% do PIB (conjunto de bens e serviços produzidos no país).

“O programa se baseia na suposição de que o conflito vai ceder nos próximos meses”, diz a missão do FMI. “Um prolongamento da crise afetaria seriamente a capacidade de reformar a economia sem um aumento substancial da ajuda externa”.

oglobo.globo.com | 19-07-2014

RIO - O acirramento da crise na Ucrânia e o isolamento da Rússia pelos Estados Unidos sugerem um cenário mais delicado para a economia global daqui para a frente. Países da zona do euro podem estar entre os mais afetados, pela ligação comercial e financeira. Há também expectativa de maior aproximação da Rússia com a China, o que indica atenção dos países mais ligados ao gigante asiático, que já precisam lidar com a desaceleração chinesa.

Neste ambiente, produtores de “commodities” metálicas, como Brasil, Chile, Peru, África do Sul e Austrália, devem ser os mais afetados pelo ritmo menor de crescimento chinês, ainda que no segundo trimestre o país tenha registrado expansão de 7,5%, e pela transformação do modelo de crescimento, apontam analistas.

Já a demanda por commodities agrícolas deve se sustentar com o aumento da renda da população chinesa. A intensidade do impacto nos países sinodependentes, no entanto, dependerá se o projeto do governo chinês de promover uma desaceleração suave de sua expansão econômica terá sucesso.

— O impacto deve ser desigual nos emergentes. Quem produz commodities industriais deve sofrer mais porque a desaceleração chinesa é puxada pela fraqueza no setor imobiliário e nos gastos do governo — afirma Qinwei Wang, da consultoria Capital Economics.

A China vem trilhando longo caminho para transferir a força da expansão econômica de exportações e investimento para consumo doméstico. Essa transformação estrutural tem contribuído para a redução do ritmo de crescimento. Ainda assim, as projeções são de crescimento acima de 7% pelo menos até 2016.

— O menor ritmo de crescimento chinês significará um cenário mais difícil para todos, mas não é desastroso. O que se imagina agora é um pouso suave — diz o professor Eduardo Costa Pinto, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Para ele, as tensões no campo geopolítico devem aumentar e é possível uma aproximação entre Rússia e China. Em maio, os dois países assinaram um histórico acordo de fornecimento de gás natural, já depois do anúncio das sanções econômicas contra a Rússia.

— Ao mesmo tempo que há a tensão na Rússia, percebe-se que os EUA estão buscando conter mais a China. As tensões devem aumentar, mas num cenário sem conflito armado a recuperação deve continuar, ainda que lenta. Dependendo, isso pode até ser favorável ao Brasil, já que Rússia e China podem se aproximar mais — diz o professor da UFRJ.

O efeito do crescimento menor da China se daria principalmente pelas exportações. Um ritmo menor de vendas externas pode levar à deterioração da balança comercial e do saldo em transações em conta corrente. Para as commodities agrícolas, a previsão é mais otimista: a demanda por alimentos deve continuar forte com manutenção do aumento de renda da população.

Para o pesquisador do Centro Carnegie-Tsinghua para Política Global Matt Ferchen, países da América do Sul que dependem de exportações de minerais – como Chile e Peru principalmente, mas também o Brasil – têm razão para estarem ansiosos:

— Num cenário otimista, com sucesso no reequilíbrio da economia chinesa, o minério de ferro e o cobre usados em infraestrutura e mercado imobiliário podem ir para as reformas de urbanização e acompanhar o aumento da demanda do consumo doméstico. No cenário pessimista, o boom de commodities acaba e junto a esperança de sustentação dos preços altos — disse Ferchen.

oglobo.globo.com | 19-07-2014
David Luiz em campo durante a Copa do Mundo: segunda transferência mais cara da janela europeia - GABRIEL BOUYS / AFP

RIO — Se o fracasso na Copa do Mundo deixou a impressão de que faltam protagonistas no futebol brasileiro, jogadores com poder de decisão, o mercado de transferências da Europa parece refletir tal realidade. O continente atravessa uma janela de negociações agitada, que movimenta muito dinheiro. E na lista das mais caras transações, o Brasil continua presente. Só que com defensores.

A janela de verão da Europa, às vésperas do início da temporada, costuma concentrar a maior parte dos investimentos. E, até agora, a lista das 20 transações mais caras tem três jogadores nascidos no Brasil: o zagueiro David Luiz, o lateral-esquerdo Filipe Luís e o atacante Diego Costa. Este último, no entanto, é naturalizado espanhol. Jogou a Copa do Mundo com a camisa da Espanha.

David Luiz é, até agora, o segundo jogador mais caro deste período de negociações. Por ele, o Paris Saint-Germain pagou ao Chelsea o equivalente a R$ 153 milhões. Avaliado após o desempenho do zagueiro na Copa, em especial contra a Alemanha, o número pode assustar. Mas David foi negociado antes do Mundial. Ele só perde para Luis Suárez, por quem o Barcelona desembolsou um valor estimado em R$ 285 milhões.

Filipe Luís está em 11º lugar na lista. O Atlético de Madrid recebeu do Chelsea cerca de R$ 70 milhões. Já o agora espanhol Diego Costa, também contratado pelo Chelsea, custou R$ 120 milhões.

Até 2013, a tendência brasileira era pela valorização dos jogadores com características ofensivas. A exceção foi Thiago Silva, vendido em 2012 pelo Milan ao Paris Saint- Germain por cerca de R$ 130 milhões. Naquele ano, ele foi a segunda transferência mais cara da Europa. A primeira foi Hulk, que custou cerca de R$ 165 milhões ao Zenit, da Rússia. Ele jogava no Porto.

Ainda em 2012, Oscar foi o sétimo colocado no ranking de transferências. Foi vendido pelo Internacional ao Chelsea por R$ 90 milhões. Já Lucas, o quarto mais caro, saiu do São Paulo para o PSG por R$ 120 milhões.

Na janela do verão de 2013, o número de brasileiros no topo já diminuíra. Neymar foi um dos dois jogadores ofensivos do Brasil a integrar listas dos mais caros. Inicialmente, o valor oficial de sua contratação divulgado pelo Barcelona era de R$ 170 milhões. Após a inclusão de outros contratos feitos entre o clube e a família do atacante, o número subiu para R$ 260 milhões. O outro foi Willian, comprado pelo Chelsea por R$ 120 milhões. Mais um brasileiro a movimentar altos valores, Fernandinho, um volante, custou R$ 130 milhões ao Manchester City em sua transferência do Shakhtar Donetsk.

TRANSFERÊNCIAS NA JANELA EUROPEIA

Luis Suárez: Vendido pelo Liverpool ao Barcelona por estimados R$ 285 milhões

David Luiz: Antes da Copa do Mundo, trocou o Chelsea pelo PSG por R$ 153 milhões

Filipe Luís: Está em 11º na lista dos mais caros. Saiu do Atlético de Madrid para o Chelsea por R$ 70 milhões

oglobo.globo.com | 19-07-2014

GENEBRA — Irã e seis potências mundiais concordaram na sexta-feira em prorrogar as negociações sobre o programa nuclear do país por mais quatro meses, dizem diplomatas.

Irã, Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China haviam estabelecido 20 de julho como prazo para conclusão do acordo, que visa resolver uma disputa de dez anos a respeito dos direitos e das ambições de Teerã em relação ao seu programa nuclear.

Estados Unidos e Israel, por exemplo, acusam o Irã de querer desenvolver uma bomba atômica. O país nega e afirma que tem o direito de produzir energia nuclear.

Sanções unilaterais americanas e europeias, assim como as aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU, isolaram a economia do Irã dos mercados mundiais e das finanças globais.

As negociações começaram em fevereiro em Viena, no rastro da eleição do presidente iraniano Hasan Rouhani.

O Irã não quer abrir mão da produção de seu conteúdo atômico, mas os negociadores temem que, dada a capacidade do país, ele use o material para produzir uma bomba, ao invés de energia elétrica e materiais para tratamento médico, por exemplo.

O chanceler iraniano Mohammad Javad Zarif disse que o Irã estaria disposto a retardar o desenvolvimento de seu programa de enriquecimento de urânio em escala industrial por até sete anos e em manter em até 19 mil o número de centrífugas que tem instaladas.

O secretário de Estado Americano disse que a proposta iraniana estava “fora de questão”. Os EUA e seus aliados europeus querem que o Irã restrinja seu programa nuclear por pelo menos 10 anos, o que Teerã considera excessivo.

O Irã, porém, será autorizado a ter acesso a 2,8 bilhões de dólares de recursos congelados durante o período de negociação com seis potências mundiais sobre o programa nuclear iraniano, mas a maioria das sanções contra o país continuará em vigor, disseram os Estados Unidos nesta sexta-feira.

oglobo.globo.com | 19-07-2014

Se algum espírito maligno se dispusesse a aprofundar as tensões globais bem poderia imaginar a queda de um Boeing 777 da Malaysian Airlines no Leste da Ucrânia, onde ocorre um conflito entre forças de Kiev e separatistas apoiados e armados pela Rússia. A realidade dispensou esse espírito.

A opinião pública mundial ainda não se recuperou do golpe do desaparecimento, em março, de outro Boeing 777 da Malaysian que decolou de Kuala Lumpur com destino a Pequim com 239 a bordo, e permanece desaparecido desde então. O desastre de ontem matou as 295 pessoas que iam de Amsterdã para para Kuala Lumpur. Ele ocorreu um dia após os EUA e a União Europeia anunciarem novas sanções à Rússia, por não levar à prática as promessas de pôr um fim à crise na Ucrânia. O fato de o jato ter despencado de 10 mil metros levanta a hipótese de ter sido derrubado por um míssil. Mas é preciso esperar provas irrefutáveis.

O espaço aéreo na fronteira da Ucrânia com a Rússia foi tomado pela crise. Terça-feira, Kiev acusou jatos russos de derrubar um caça SU-25 ucraniano e, na segunda, disse que um certeiro míssil, “provavelmente disparado do território russo”, derrubou um cargueiro da Ucrânia, matando dois tripulantes. Outros incidentes ocorreram nos últimos meses, inclusive em junho, com a derrubada de um cargueiro ucraniano com nove tripulantes e 40 paraquedistas a bordo. Todos morreram.

A nova tragédia apanhou os presidentes Obama e Putin num telefonema em que discutiam a situação no Leste da Ucrânia e, especialmente, as novas sanções adotadas por EUA e UE contra a Rússia por sua posição dúbia de apoiar verbalmente a paz negociada, sem deixar de armar rebeldes separatistas naquela parte da Ucrânia, o que ameaça partir o país em dois.

As novas sanções aumentam muito as dificuldades para a economia russa, ao atingir grandes companhias como Rosneft Oil, Novatek (segunda maior produtora de gás), Gazprombank, Vnesheconombank, fábricas de armamentos, Feodosya (da Crimeia, península tomada pela Rússia da Ucrânia), além de autoridades como o líder da Duma (parlamento), o chefe do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) e um líder separatista ucraniano.

Segundo a Casa Branca, no telefonema Obama advertiu Putin que “passos adicionais estão sobre a mesa se a Rússia não mudar sua atitude”. O porta-voz afirmou que “os EUA estão comprometidos em assegurar a prioridade da norma internacional de que os países respeitem a integridade territorial dos demais”.

De fato, esse é um princípio básico da convivência internacional. A ampliação das sanções à Rússia é a melhor forma de pressionar o Kremlin a não fomentar a disputa no Leste da Ucrânia, onde mais de 700 pessoas, entre civis e militares, morreram desde o início da crise, no fim do ano passado.

oglobo.globo.com | 18-07-2014
O principal índice da Bolsa brasileira fechou esta quinta-feira (17) em leve queda de 0,14%, para 55.637 pontos, influenciado pelo clima de aversão ao risco no exterior em decorrência das novas sanções dos Estados Unidos contra a Rússia e ao agravamento da crise na Ucrânia após a queda de um avião comercial no leste do país. O Ibovespa passou por instabilidade ao longo do dia e chegou a subir cerca de 800 pontos em apenas 30 minutos no meio da tarde, estimulado pela expectativa dos investidores por pesquisas eleitorais previstas para esta semana. O volume financeiro foi de R$ 7,143 bilhões –acima da média diária no mês de julho, de R$ 4,959 bilhões. "Além das turbulências externas e o cenário político nacional, a forte oscilação refletiu também a proximidade do vencimento de opções sobre ações, que ocorre na segunda-feira na BM&FBovespa", diz Alexandre Wolwacz, diretor da escola de investimentos Leandro & Stormer. Leia mais (07/17/2014 - 18h27)
redir.folha.com.br | 17-07-2014

O presidente americano, Barack Obama, declarou nesta quarta-feira que a imposição de novas sanções contra a Rússia são a consequência de suas ações na Ucrânia. "O que esperamos é que os líderes russos se deem conta, de uma vez por todas, de que suas ações na Ucrânia têm consequências, principalmente um enfraquecimento da economia russa e um crescente isolamento diplomático", disse Obama durante um breve discurso....
noticias.terra.com.br | 17-07-2014

CRETA - Creta, a maior e uma das mais famosas ilhas da Grécia, guarda imensuráveis riquezas do Mediterrâneo. Está entre os destinos de maior importância cultural do arquipélago grego. É em Creta, ao sul do Mar Egeu, que você poderá apreciar a beleza dos mares da Líbia, Mirtoico, de Cárpatos; terá a chance de andar por ruínas de sítios arqueológicos minoicos, pequenas ruas em labirínticos centros históricos que parecem cópias do Palácio de Knossos (o do labirinto do minotauro), portos venezianos, e verá vilas, igrejas, mosteiros ortodoxos e desfiladeiros impressionantes. Também será possível admirar campos de oliveiras, aproveitar praias lindas e experimentar pratos da cozinha mediterrânea que marcam o papel central da culinária na filosofia e no estilo de vida do berço da civilização europeia.

Com mais de mil quilômetros de extensão de litoral, para conhecer as principais cidades cretenses — Héraclion, Chania e Rethymno, as mais bonitas e centrais para hospedagem — e ainda outras — como Ierápetra, Agios Nikolaos e Siteía — será necessário ao menos cinco dias. A diversidade da ilha com a sexta maior população da Grécia combina turismo cultural, gastronômico e praiano. O agroturismo também virou negócio local e mostra o papel significativo da olivicultura e da viticultura na região. Enquanto pequenos agricultores mantêm a tradição cuidando de rebanhos que incluem os cabritos selvagens, empresas produtoras de azeite, mel e queijo exportam freneticamente para Brasil, China e Rússia.

Tão conhecida quanto Santorini e Mikonos, Creta se destaca por ser a única ilha da Grécia que seria capaz de sobreviver sem a economia do turismo devido à potência de sua agricultura, pecuária, indústria alimentícia e comercial. A quinta maior ilha do Mediterrâneo tem três aeroportos. O de Rethymno, depois do de Atenas, é o mais movimentado da Grécia.

O Ministério do Turismo grego diz que Creta recebe anualmente cerca de um quarto dos turistas da Grécia, sendo a ilha mais visitada de todo o país. Dados fornecidos pelo Banco da Grécia ao site DiscoverGreece.com, informam que Creta recebeu 3,3 milhões de turistas em 2013. O guia “Lonely Planet” classifica a ilha como um dos destino de férias mais populares da Europa. Creta tem belas paisagens e ao longo delas você vai se deparar com aldeias tradicionais, cavernas — como a de Zeus, que segundo a mitologia grega nasceu e viveu na ilha — e montanhas espetaculares, como as Montanhas Brancas, que alcançam 2.453 metros de altitude, na região de Chania, onde também se encontra o desfiladeiro de Samaria, o mais longo da Europa.

PRAIAS. MAR AZUL-TURQUESA E AREIAS DE VÁRIAS CORES

Os melhores meses para conhecer Creta são entre maio e outubro. Nessa época, a temperatura da água do mar pode ser superior aos 20°C, em agosto chega na casa dos 25°C. A ilha é um destino ideal para quem deseja tranquilidade. Mesmo no auge do verão europeu, em julho e agosto, os preços são acessíveis devido a variedade que Creta oferece aos seus visitantes.

Só de praias, são mais de 350. Algumas com areia branca, outras cor-de-rosa, ou dourada, cheias de pedrinhas coloridas, ou ainda, com milhares de conchas quebradas. Essas inúmeras praias com paisagem diversificada têm águas de tonalidades azul-turquesa que lembram o Caribe.

Nos dois lados da ilha, a tarefa difícil será escolher a sua praia entre as mais bonitas. Há praias badaladas, isoladas, familiares, calmas, agitadas, organizadas e de nudismo. Listamos seis consideradas imperdíveis.

Elafonisi. Majestosa e protegida pela Rede Natura 2000 — áreas de proteção ambiental estabelecidas pela União Europeia — tem paisagem serena, dunas de areia branca, águas cristalinas e rasas. A praia é excelente para crianças. Por ser área protegida, é estritamente proibido cortar plantas ou levar uma garrafa de areia para casa. Os leitores do site TripAdvisor consideraram Elafonisi uma das 20 praias mais bonitas do mundo em 2014. Fica a cerca de 74 quilômetros da cidade de Chania.

Balos. Impressiona com as cores da areia vermelha dourada em combinação com o azul-turquesa das águas. Tem menos turistas. Melhor chegar de barco a partir de Kissamos — de carro a estrada é bastante difícil Balos fica em Gramvousa, a 52 quilômetros de Chania.

Falasarna. Provavelmente a praia mais famosa e encantadora de Creta. Todo ano recebe prêmios de guias de turismo e da imprensa internacional como a praia mais bonita da Grécia e uma das dez melhores da Europa. De cenário espetacular, tem areia quase rosa, águas cristalinas de cor azul-turquesa e montanhas. A praia é organizada, mas com espaço livre o suficiente para aqueles que querem ficar em contato direto com o sol e a areia. Fica em Kissamos, a 54 quilômetros de Chania.

Matala. A pequena vila de pescadores foi paraíso de hippies nos anos 1970. Entre suas características atraentes estão areia fina, rochas brancas e águas azuis cristalinas. As pequenas grutas artificiais aumentaram o turismo na região. A praia é organizada e cercada por tavernas. Está a 68 quilômetros de Heráclion.

Vai. Tem palmeiras exuberantes, areia fina, com algumas pedras, e águas azul-turquesa. A praia está em harmonia com a paisagem natural e deslumbrante do Mediterrâneo. Vai está ocalizada a 25 quilômetros de Agios Nikolaos.

Preveli. Pequeno paraíso onde mar e rio se unem. O visual surpreende com a faixa de areia cortada em diagonal por um rio, de mesmo nome. Uma floresta de palmeiras cerca o local. Isolada, bonita e romântica, depois do banho no mar, vale tirar o sal nas águas doces e límpidas do riacho. A 40 quilômetros de Rethymno, Preveli pode ser alcançada por uma estrada de terra seguida de uma longa escadaria ou por barco.

CIDADES. LABIRINTO E CAFÉ HISTÓRICO

A importância cultural de Creta é grande. A ilha é berço da civilização minoica, uma mais antigas do mundo, na Idade do Bronze (3 mil anos a.C.), considerada mais avançada que a contemporânea civilização da Grécia continental.

O Palácio de Knossos, em Héraclion, é o sítio mais importante e visitado da ilha. Embora não existam provas contundentes, é o endereço conhecido do labirinto do Minotauro. A fila de entrada é longa. Reserve ao menos duas horas para visitação e use um calçado confortável para andar no chão de terra e pequenas pedras. Considerado o maior sítio arqueológico da Idade de Bronze de Creta e um dos mais antigos da Europa, a grandeza da história do palácio impressiona. Depois da visita, o Museu Arqueológico de Héraclion complementa o passeio, com objetos pré-históricos e coleções da civilização minoica. E o Museu Lychnostatis, em Hersonissos (a 25 km de Héraclion), erguido a céu aberto exibe uma rica exposição de cultura folclórica.

No trajeto entre Héraclion e Chania (140 km), aldeias tradicionais de Creta são lugares com visual de cartão-postal. Archanes, em Héraclion, é uma pitoresca vila rural com uma história de cinco mil anos, onde a passagem do tempo não alterou a arquitetura tradicional — a recuperação da aldeia ganhou o Prêmio Europeu de Restauração de Vilas.

Anogia, a meio caminho, no distrito de Rethymno, a 700 metros de altitude, tem 2.500 moradores. Os habitantes mantêm inalterado o dialeto peculiar, que inclui palavras do grego antigo.

Entre os mais bonitos desses povoados está Sfakiá (Hóra Sfakíon), vila de Creta na região de Chania onde os moradores não foram afetados pelas invasões estrangeiras. Lé se vive ainda da agricultura e da pesca. De relevo acidentado e montanhoso, o local tem belas colinas. A 12 km a leste de Sfakiá, o castelo medieval Frangokastello, na costa sul, é famoso pelo fenômeno Drosoulites. Diz a lenda que nas manhãs de maio e junho, sombras de guerreiros fantasmas que morreram na batalha de maio de 1828 rondam o castelo. Explicações científicas atribuem o fenômeno à miragem ou à ilusão.

Outra vila interessante é Therissos (a 16 km de Chania), cercada pela vegetação do desfiladeiro de Theriso, com belas águas e árvores densas. Therissos fica aos pés das Montanhas Brancas, a 580 metros de altitude. Na região, pode-se também atravessar o desfiladeiro de Samaria, o mais longo da Europa. O percurso de 18 km de extensão leva de cinco a sete horas, dependendo do ritmo do visitante. É recomendável para pessoas com certo grau de resistência física. Fica em um parque com excelente infraestrutura com banheiros por todo o caminho e fontes de água. Perto dali, em Akrotiri, está o túmulo do ex-primeiro-ministro da Grécia, Eleftherios Venizelos — que duplicou as terras gregas durante as guerras mundiais e é considerado pelos cretenses como pai da Grécia moderna. O local tem bela vista panorâmica de Chania.

Em Chania, vale visitar o Museu Arqueológico; a Catedral da Apresentação da Virgem Maria, com pinturas religiosas em bom estado, e o Mosteiro ortodoxo de Agia Triada, conhecido por sua capela dedicada aos 12 apóstolos. Construído em 1634, o mosteiro oferece degustação de vinhos e uma pequena loja com produtos artesanais. O Museu de Tipografia exibe livros, jornais raros e prensas de ferro fundido.

Em Chania se toma o melhor café grego da ilha, no Café Kipos, no jardim nacional. Aberto desde 1870, o local serve vários tipos de doces e faz parte da Associação de Cafés Históricos da Europa.

GASTRONOMIA. PESCADOS, ERVAS, CARACÓIS E RAKI

Creta é acolhedora e está repleta de tavernas, restaurantes, bares e clubes. A ilha fica na região com a melhor gastronomia da Grécia e a fama de ser um dos melhores lugares para comer na Europa. A comida é temperada com especialidades como erva-doce, manjericão, orégano, limão e azeite. E os melhores azeites da Grécia vêm de Creta. Graças às condições climáticas, posição geográfica e geologia, a ilha é também um paraíso botânico, com 1.742 espécies registradas de plantas, 159 das quais endêmicas. O aroma das ervas é percebido por toda parte, principalmente na primavera, entre março e junho. Nas tavernas, vasos de orégano e manjericão decoram os ambientes.

As tavernas são ideais para provar as especialidades de Creta, pois servem variados tipos de mezzes (porções fartas em pratos de sobremesa). E tudo vem ao mesmo tempo: os quentes, os frios, as entradas e os principais. Belisque das diferentes porções em vez de se servir individualmente. Nas tavernas, a comida é compartilhada.

Entre as especialidades, experimente tortas e pastéis de queijo e espinafre; stáka (ovo frito coberto por uma espécie de mingau de queijo); dakos (pão regado ao azeite e coberto por queijo branco e tomate); haniotiko boureki (bolo salgado recheado de queijo branco, batata e abobrinha); pilafe de zigouri (parecido com risoto, servido com carne cozida de cabrito), e os queijos myzithra, anthotyros, graviera e feta. Creta fabrica vários tipos de queijos e os mantêm como produto básico e tradicional. Aproveite como aperitivo, acompanhamento, lanche ou sobremesa.

Peixes ou frutos do mar podem vir cozidos, fritos, assados. Para saborear os pescados fresquinhos, peça os do dia. A maioria das tavernas de peixes estão próximas ao mar e são chamadas de psarotavernas. Perto das montanhas, são servidas carnes, principalmente as de carneiro. Outra especialidade são os caracóis — particularmente saborosos por se alimentarem de ervas aromáticas, que junto ao alho temperam os moluscos.

Já os doces, a maioria tem como ingredientes principais o mel e o queijo. Prove as kalitsounias, pastel doce com recheio de queijo e mel. Os iogurtes são deliciosos. No verão, a preferência é por frutas frescas, como melancia, melão, figo e uvas.

Na maioria das vezes, as tavernas oferecem de graça sobremesas como queijos e iogurtes com mel ou frutas. A cortesia é acompanhada de um copinho de raki — bebida típica, parecida com licor, derivada de uva e com 40% a 45% de álcool. Muitas vezes, quando o visitante pede um café ou copo d’água, o garçom traz o raki com a desculpa de que em Creta a hospitalidade é brindada de forma clássica. Em qualquer lugar da ilha, de mosteiros aos restaurantes mais luxuosos, esta será a bebida servida para brindar ao visitante. Contudo, se o gosto forte não agradar, opte pelo rakomelo, que vem misturado com mel.

NÃO PERCA

Portos e ruas. Caminhe pela pequenas ruas dos portos de Chania e Rethymno sem medo de se perder. Todas as ruas terão saída para o lado do mar.

Suvenires. Em Chania e Rethymno, há lembrancinhas em madeira e folhas de oliveira que custam menos de R$ 4. Pechinchar preços funciona. Em Chania, uma das lojas mais bonitas para peças de cerâmica é a Flakatoras.

Hammam. No quebra-cabeça arquitetônico de Chania, há vários banhos otomanos. Experimente o Al Hammam, na praça Eleftherios Venizelos.

Aquários. O Cretaquarium, em Héraclion, tem mais de 250 espécies marinhas do Mediterrâneo em 60 tanques. O Aquaworld Aquarium, em Hersonissos, abriga um museu de história natural com exibição da vida marinha e répteis de várias partes do mundo.

Festas. O Panigiri é uma festa folclórica grega, realizada em diversas datas na primavera e no verão, com danças tradicionais, boa comida e vinho.

oglobo.globo.com | 16-07-2014
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, destacou nesta terça-feira (15) na 6ª Cúpula do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), em Fortaleza, que o grupo ocupa um lugar único na economia global, pois é o maior mercado do mundo. Os cinco países detém 21% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, informou, e continuará em crescimento nos próximos anos.

“Os nossos países desempenham cada vez mais um papel importante no cenário político mundial, graças ao papel assumido pela China e pela Rússia no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), quando preve
A presidente Dilma Rousseff disse nesta terça-feira (15) que está otimista com a criação do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics e de um fundo de reservas para o bloco, que reúne cinco países – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Ao sair do hotel onde está hospedada em Fortaleza, para participar da sexta reunião de cúpula do bloco, ela ressaltou que a instituição deverá beneficiar os países emergentes e em desenvolvimento.

“O banco vai contribuir com recursos para garantir investimentos em infraestrutura. O Acordo Contingente de Reservas, com montante de US$ 100 bilh
O grupo dos Brics - formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - divulgou comunicado conjunto na tarde desta terça-feira, 15, ao final da 4ª Reunião dos Ministros de Comércio Externo do bloco, dentro da VI Cúpula, realizada em Fortaleza (CE).
atarde.uol.com.br | 15-07-2014

FORTALEZA - O presidente da China, Xi Jinping, destacou os avanços na cooperação entre os países do Bric (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) nos últimos cinco anos e defendeu uma parceria ainda mais sólida em seu discurso de encerramento da VI Cúpula do Brics. Xi ressaltou a importância da abertura comercial e também defendeu mais voz para os países emergentes nas instituições internacionais.

- Estamos comprometidos em promover o comércio (...) e também voltados para a democracia nas relações internacionais. Há cinco anos, nossa cooperação floresceu em muitas áreas, trazendo benefícios intangíveis aos nossos povos. (...) Nada disso foi impedido por mares ou montanha - afirmou.

Xi disse que é preciso trabalhar para a melhoria da governança econômica e "aumentar a representatividade e a voz dos países em desenvolvimento". Além disso, destacou a importância da abertura comercial:

- Precisamos manter o espírito da abertura para fazer pleno uso de nossos pontos fortes. Precisamos incorporar o espírito da inclusão e o benefício mútuo entre os diferentes modelos de desenvolvimento.

O presidente chinês afirmou, em sua apresentação, que a China é hoje a principal parceria comercial de 128 países do mundo:

- Em 2013, a China tornou- se o maior parceiro comercial de 128 paises do mundo. A importação gira em torno de US$ 2 trilhões e nossos investimentos em outros países somam US$ 19 bilhões. E esses números continuam aumentando.

oglobo.globo.com | 15-07-2014

FORTALEZA - Na reta final para a criação do banco de desenvolvimento do Brics, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, os ministros da Fazenda e presidentes dos bancos centrais dos cinco países não conseguiram, hoje, chegar a um acordo sobre onde será a sede da instituição e que país assumirá a primeira presidência do banco de desenvolvimento, que a partir de 2016 vai financiar projetos de infraestrutura de nações emergentes. A decisão terá de ser tomada nesta terça-feira, durante a reunião de cúpula dos líderes do Brics na capital cearense.

— Não há nada definido. Muita gente quer — disse ao GLOBO Guido Mantega, ministro da Fazenda.

Até o último domingo, estava praticamente certo que Xangai, na China, sediaria o banco, e o Brasil seria o presidente. Porém, divergências marcaram os debates, na véspera da reunião de chefes de Estado do Brics, amanhã. Índia, Rússia e África do Sul, que também se candidatam à sede, passaram a reivindicar a presidência da instituição caso percam a disputa para a China.

Apesar das dificuldades para se chegar a um acordo, a presidente Dilma Rousseff preparou um discurso citando o banco de desenvolvimento do Brics como um dos principais resultados do encontro de cúpula. Segundo uma fonte ligada ao Palácio do Planalto, Dilma dirá que a instituição é uma resposta às necessidades dos países emergentes, que continuam duplamente prejudicados pela falta de reformas em organismos multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional, e a lenta recuperação das economias dos países desenvolvidos.

— Há uma preocupação com o lento processo de recuperação econômica, que continua a prejudicar os investimentos e o fluxo de comércio. As incertezas relacionadas ao crescimento e as respostas dos países desenvolvidos podem levar ao aumento da volatilidade dos mercados financeiros — disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges.

Junto com o banco, que terá um capital inicial de US$ 50 bilhões para financiar projetos do Brics e de outros emergentes, será criado o Arranjo Contingente de Reservas (ACR), com cerca de US$ 100 bilhões, que poderão ser usados em caso de problemas nos balanços de pagamentos dos cinco países.

Os líderes do Brics assinarão, na quarta-feira, um documento com 50 artigos, a Declaração de Fortaleza. Nele, além do banco e do ACR, serão firmados dois acordos de cooperação entre as agências de garantias de crédito à exportação e os bancos de fomento, o que inclui o BNDES.

Como nas últimas reuniões de cúpula, a declaração não incluirá os termos “democracia” e “liberdade de expressão”. Haverá uma pequena evolução em direitos humanos, com uma lembrança de que os cinco países fazem parte do conselho que trata do assunto nas Nações Unidas.

— Esses princípios (democracia e liberdade de expressão) já são incorporados solidamente em nossa filosofia de vida. São valores que têm de ser perpetuados. Não devemos abrir mão de nossas posições, e cada um do Brics age como achar que deve agir — disse Jorge Gerdau, presidente do Conselho de Gestão da Presidência da República.

A discussão sobre democracia hoje acabou virando uma gafe do presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade. Perguntado sobre uma possível entrada da Argentina no Brics, disse que o país não se encaixava no conceito do bloco, que inclui não apenas crescimento econômico, mas segurança jurídica e democracia. Mais tarde, perguntado novamente sobre a participação da Argentina no bloco, por um jornalista daquele país, ele voltou atrás:

— Não falei que falta democracia nem segurança jurídica. A Argentina é um grande parceiro do Brasil e da indústria brasileira.

Em comunicado conjunto, os ministros de Comércio do Brics ressaltaram a preocupação com a situação econômica global e com a reação dos países desenvolvidos. O texto destaca ainda que o bloco busca o cumprimento de objetivos e prazos estabelecidos na Conferência de Bali (dezembro), a fim de retomar as negociações da Rodada de Doha, de liberalização do comércio global.

oglobo.globo.com | 15-07-2014
Empresários de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul querem o uso das moedas locais desses países nas transações entre si, sem a necessidade de conversão para outra moeda, como o dólar, e depois para a moeda local, gerando perdas. A proposta, feita pelos brasileiros, foi apresentada em reunião nesta segunda-feira (14), em Fortaleza, para discutir maneiras de fortalecer a integração econômica e intensificar investimentos entre eles.

O encontro empresarial dá início à sexta cúpula do Brics, grupo formado por essas cinco economias emergentes. A ideia é aproveitar a aliança p

Sábado

1) CONTE ALGO QUE NÃO SEI – p. 2 – ‘A bandeira da Copa russa será a tolerância’

- primeira resposta: A Copa na Rússia vai ser totalmente inclusiva e não descriminatória.

Crítica: erro de grafia (confusão com parônimo)

Certo: A Copa na Rússia vai ser totalmente inclusiva e não discriminatória.

2) LEIA TAMBÉM – p. 2 – Rio / segundo tópico

- Câmara de Vereadores altera emenda para permitir indicações políticas ao Tribunal de Contas do Município

Crítica: falta de vírgula (ambiguidade: a emenda era para isso ou a alteração é para isso?)

Melhor: Câmara de Vereadores altera emenda, para permitir indicações políticas ao Tribunal de Contas do Município

3) PANORAMA POLÍTICO – p. 2 – A engenharia

- José Agripino, coordenador da campanha, admite o drama mas garante que ele pode ser superado.

Crítica: falta de vírgula antes do “mas”

Certo: José Agripino, coordenador da campanha, admite o drama, mas garante que ele pode ser superado.

4) PANORAMA POLÍTICO – p. 2 – A tentação não é de agora

- Um ministro do governo FH conta que, depois do Brasil perder a Copa de 1998, foi procurado por integrantes do governo para...

Crítica: combinação inadequada

Certo: Um ministro do governo FH conta que, depois de o Brasil perder a Copa de 1998, foi procurado por integrantes do governo para...

5) PAÍS – p. 3 – Acréscimo bilionário

- Os três grupos aparecem numa planilha apreendida pela Polícia Federal que registrou, segunda as investigações, repasses de R$ 31 milhões a empresas, algumas de fachada, de Youssef.

Crítica: erro no emprego do relativo (ambiguidade: quem registrou? A planilha ou a PF?)

Certo: Os três grupos aparecem numa planilha apreendida pela Polícia Federal a qual registrou, segunda as investigações, repasses de R$ 31 milhões a empresas, algumas de fachada, de Youssef.

6) PAÍS – p. 3 – NHENHENHÉM / Arrancada

- Dilma começa sua campanha de verdade à partir do dia 20, com viagens pelo país.

Crítica: erro no emprego do acento grave

Certo: Dilma começa sua campanha de verdade a partir do dia 20, com viagens pelo país.

7) PAÍS – p. 3 – NHENHENHÉM / Solto

- ...numa espécie de “campanha paralela” da campanha da pupila.

Crítica: repetição de “campanha” e erro de regência

Certo: ...numa espécie de “campanha paralela” à da pupila.

8) PAÍS – p. 4 – A força da propaganda

- ...bem menos em relação a campanha presidencial de 2010, quando José Serra teve com sete minutos e 18 segundos.

Crítica: falta do acento grave (indicador da crase)

Certo: ...bem menos em relação à campanha presidencial de 2010, quando José Serra teve com sete minutos e 18 segundos.

9) PAÍS – p. 9 – Justiça nega anulação de ação contra Pimentel

- ...para tentar anular provas do processo que ele responde por fraude em licitação e desvio de recursos...

Crítica: erro de regência no emprego do relativo

Certo: ...para tentar anular provas do processo a que ele responde por fraude em licitação e desvio de recursos...

10) ESPECIAL – p. 13 – COI elogia Mundial e diz que Olimpíada será excelente

Crítica: uso fora do padrão O GLOBO

Certo: COI elogia Mundial e diz que Olimpíadas serão excelentes

11) OPINIÃO/artigo – p. 19 – Pelo hermanos alemães

- olho: Alguém devia pedir à psicóloga para, com jeito, comunicar ao técnico o que de fato aconteceu, não na sua cabeça pós-choque traumático, mas na realidade

Crítica: erro na regência do verbo “pedir”

Certo: Alguém devia pedir à psicóloga que, com jeito, comunicasse ao técnico o que de fato aconteceu, não na sua cabeça pós-choque traumático, mas na realidade

12) ECONOMIA – p. 28 – Virtude rara / Os pontos-chave / 3

- Brasileiro mostrou o melhor dele mesmo, tentando compensar falhas nas obras de infraestrutura

Crítica: erro no emprego do pronome pessoal

Certo: Brasileiro mostrou o melhor de si, tentando compensar falhas nas obras de infraestrutura

13) COPA 2014 – p. 6 – PANORAMA ESPORTIVO / Quem cala, consente

Crítica: mau uso da vírgula (Não se separa sujeito de verbo!)

Certo: Quem cala consente

Domingo

1) CAPA – Brics quer ter mais voz nos fóruns globais

- ...para debater uma maior participação nas decisões globais.

Crítica: cacofonia

Melhor: ...para debater uma participação maior nas decisões globais.

2) PAÍS – p. 4 – A pátria nos ombros / Os pontos-chave / 3

- ...para se dedicar de corpo e alma ao objetivo de serem campeões aos trancos e barrancos.

Crítica: erro de grafia / digitação

Certo: ...para se dedicar de corpo e alma ao objetivo de serem campeões aos trancos e barrancos.

3) PAÍS – p. 4 – A pátria nos ombros

- “Só queria poder dar uma alegria ao meu povo, a minha gente que sofre tanto.”

Crítica: falta do acento grave (facultativo) recomendado (inclusive pelo paralelismo)

Certo: “Só queria poder dar uma alegria ao meu povo, à minha gente que sofre tanto.”

4) PAÍS – p. 4 – Sem bola de cristal / Entenda um dos modelos / 2011-2013

- As commodities chegam ao um recorde em 2011...

Crítica: incoerência: duplo uso do artigo

Certo: As commodities chegam ao recorde em 2011...

Ou então: As commodities chegam a um recorde em 2011...

5) PAÍS – p. 6 – No PR, três candidatos farão disputa acirrada

- O PT nunca ganhou eleições para Presidente da República no Paraná.

Crítica: cacofonia

Melhor: O PT jamais ganhou eleições para Presidente da República no Paraná.

6) PAÍS – p. 7 – Dilma reclamou de texto em site da campanha

- Ela pediu para Franklin tirar o texto do ar, e ele, incomodado, com a interferência, insistiu em mantê-lo.

Crítica: erro de regência na construção com o verbo “pedir”

Certo: Ela pediu a Franklin que tirasse o texto do ar, e ele, incomodado, com a interferência, insistiu em mantê-lo.

7) PAÍS – p. 9 – No Rio, Everaldo controlou a entrega do Cheque Cidadão

- ...e integrou o núcleo de governo de Anthony Garotinho, coordenando um carros-chefe da administração...

Crítica: falta da palavra “dos”

Certo: ...e integrou o núcleo de governo de Anthony Garotinho, coordenando um dos carros-chefe da administração...

8) PAÍS – p. 10 – ‘Renda não é suficiente sem serviços públicos’

- última coluna, primeira resposta: A diferença, é que todos estão tentando algo.

Crítica: mau uso da vírgula (Não se separa sujeito de verbo)

Certo: A diferença é que todos estão tentando algo.

9) PAÍS – p. 10 – ‘Renda não é suficiente sem serviços públicos’

- final: Quem não tem dinheiro para pagar mais, tem um serviço pior.

Crítica: mau uso da vírgula (Não se separa sujeito de verbo!)

Certo: Quem não tem dinheiro para pagar mais tem um serviço pior.

10) OPINIÃO/artigo – p. 13 – O ouro do Brasil no Mundial

- A previsão da Confederação Nacional do Comércio (CNC) é de que o balanço da Copa do Mundo feche com movimento de R$ 863 milhões com as vendas totais no varejo.

Crítica: “de” a mais

Certo: A previsão da Confederação Nacional do Comércio (CNC) é que o balanço da Copa do Mundo feche com movimento de R$ 863 milhões com as vendas totais no varejo.

11) ESPECIAL – p. 19 – PLANOS DO PREFEITO / Transmissões ao ar live

Crítica: erro de grafia (digitação)

Certo: Transmissões ao ar livre

12) ESPECIAL – p. 21 – Fifa sai em defesa do diretor da Match

- Ele chegou a ser fotografado senado em um ponto de ônibus...

Crítica: erro de grafia (digitação)

Certo: Ele chegou a ser fotografado sentado em um ponto de ônibus...

13) RIO – p. 27 – A triste história de Herculano

- olho: “Nunca ganhou um centavo”

Crítica: cacofonia

Certo: “Jamais ganhou um centavo”

Segunda

1) RICARDO NOBLAT – p. 2 – A VERDADE É QUE...

- Abrem-se as cortinas e começa um novo espetáculo – dessa vez, o das eleições gerais.

Crítica: falta de vírgula antes do “e” (mudança de sujeito) e mau uso do demonstrativo (é a vez atual...)

Certo: Abrem-se as cortinas, e começa um novo espetáculo – desta vez, o das eleições gerais.

2) COPA 2014 – p. 6 – Final só aumentou o vexame do Brasil / Sem brasileiros

- ...Hummels (Alemanha), Vlaar (Holanda) e Blind (Holanda); Mascherano (Argentina), Schwensteiger (Alemanha) e James Rodriguez (Colômbia); Messi (Argentina), Hummels (Alemanha) e Robben (Holanda).

Crítica: repetição de “Hummels (Alemanha)”

Certo (provável): ...Hummels (Alemanha), Vlaar (Holanda) e Blind (Holanda); Mascherano (Argentina), Schwensteiger (Alemanha) e James Rodriguez (Colômbia); Messi (Argentina), Müller (Alemanha) e Robben (Holanda).

3) COPA 2014 – p. 6 – ‘Obrigado’

- E a seleção que mais curtiu a Copa no país do futebol não esqueceu do anfitriões na comemoração.

Crítica: erros de regência e de concordância (do artigo)

Certo: E a seleção que mais curtiu a Copa no país do futebol não esqueceu os anfitriões na comemoração.

Ou então: E a seleção que mais curtiu a Copa no país do futebol não se esqueceu dos anfitriões na comemoração.

4) COPA 2014 – p. 8 – Menino de ouro

- terceira coluna: Apesar do protagonismo ter batido à porta de outros jogadores, Götze não pode ser considerado uma surpresa.

Crítica: combinação inadequada

Certo: Apesar de o protagonismo ter batido à porta de outros jogadores, Götze não pode ser considerado uma surpresa.

5) COPA 2014 – p. 14 – Imagens do fim de semana / 2. Sangue e suor

- Após pancada de Agëro, punido apenas com cartão amarelo...

Crítica: erro no nome

Certo: Após pancada de Agüero, punido apenas com cartão amarelo...

6) SEGUNDO CADERNO – p. 2 – O alemão

- Lembro do placar e tudo, lembro do espanto de ver aqueles gols todos enfiados em menos de dez minutos, mas, de resto, já apagou.

Crítica: erro de regência: falta do pronome

Certo: Lembro-me do placar e tudo, lembro-me do espanto de ver aqueles gols todos enfiados em menos de dez minutos, mas, de resto, já apagou.

Ou melhor: Lembro-me do placar e de tudo, lembro-me do espanto de ver aqueles gols todos enfiados em menos de dez minutos, mas, de resto, já apagou.

Ou então: Eu me lembro do placar e de tudo, eu me lembro do espanto de ver aqueles gols todos enfiados em menos de dez minutos, mas, de resto, já apagou.

7) SEGUNDO CADERNO – p. 3 – GENTE BOA / ‘Isso é Brasil. E é o máximo’

- terceiro tópico: “Espero finalizar esse filme este ano, mas para lançá-lo, preciso que a família de Jorge diminua os valores de direitos autorais...”

Crítica: falta de vírgula no início da circunstância interposta

Certo: “Espero finalizar esse filme este ano, mas, para lançá-lo, preciso que a família de Jorge diminua os valores de direitos autorais...”

8) SEGUNDO CADERNO – p. 6 – PATRÍCIA KOGUT / Tudo no susto

- A queixa geral nos bastidores de “Cidade alerta” é de que o programa precisa de recursos.

Crítica: “de” a mais

Certo: A queixa geral nos bastidores de “Cidade alerta” é que o programa precisa de recursos.

oglobo.globo.com | 14-07-2014

FORTALEZA - Líderes das empresas do Conselho Empresarial do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) destacaram nesta segunda-feira o potencial dos negócios do grupo e a necessidade de união no atual momento de incerteza na economia. Além disso, foi ressaltada a importância de medidas concretas para o incremento dessa integração econômica entre os países.

— A união é muito importante para as comunidades empresariais do Brics, especialmente neste momento de grandes mudanças e incertezas na economia mundial, que nos apresentam grandes dificuldades, e quando o crescimento dos países do Brics está mais lento. Há quem diga que o brilho dos Brics está diminuindo por causa do ritmo de crescimento da economia. Agora todos estão no mesmo barco. Vamos remar com confiança — afirmou o presidente da seção chinesa do Conselho, Ma Zehua.

Já Sergey Katyrin, da seção russa do Conselho, defendeu medidas concretas no âmbito do Brics, diante do interesse da comunidade internacional:

— Há muitos países prestando atenção no nosso trabalho e no nosso futuro. Nos próximos anos, a sociedade mundial vai esperar algo de nós e é preciso pensarmos em algo concreto.

O Conselho Empresarial do Brics foi criado na Cúpula de Durban, no ano passado, e reúne 25 empresas, sendo cinco empresas de cada um dos países. Eles se reuniram em agosto em Joanesburgo e desde então tiveram teleconferências mensais para tratar de uma agenda comum. Foram levantados mais de 200 áreas e projetos com perspectivas de incremento no comércio e investimentos.

A maior dificuldade foi coordenar os diferentes interesses e objetivos, segundo o presidente da Marcopolo, José Rubens de la Rosa, que é o presidente da seção brasileira do Conselho e assume a presidência do Conselho em Fortaleza.

— Não é tão simples coordenar interesses e objetivos. A primeira impressão é que vai ser difícil fazer negócios, já que todos só querem comprar. Mas há sim diversas áreas de cooperação — apontou de La Rosa.

Nesta terça-feira, o Conselho Empresarial do Brics vai entregar uma lista de sugestões com o resultados das discussões nos últimos meses. O pedido para que as transações comerciais sejam em moedas locais está entre as prioridades, de maneira a reduzir os custos. A criação do banco de investimentos do Brics é vista com bons olhos pelos empresários:

— O banco de investimentos é muito importante para as empresas dos cinco países, principalmente para o financiamento com garantias. É fundamental que aceitem as garantias da matriz no Brasil — disse o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson de Andrade.

Questionado sobre a possível inclusão da Argentina no Brics, Andrade afirmou que a Argentina não se enquadra no conceito de criação do bloco. Ele citou que, além de crescimento econômico, há a questão de “segurança jurídica e do caminho da democracia plena”. Mais tarde, no entanto, o presidente negou que não haja democracia na Argentina e destacou que o país é um grande parceiro comercial.

oglobo.globo.com | 14-07-2014

FORTALEZA - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que a reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI) está demorando “injustificadamente” e que os países do Brics precisam participar de forma mais ativa do sistema de decisões do Fundo e do Banco Mundial. Em entrevista à agência de notícias russa Itar-Tass, antes de chegar ao Brasil para a VI Cúpula do Brics, disse que o tema será objeto de discussões no encontro, assim como a situação na Síria, no Iraque e, em especial, na Ucrânia.

— Prestaremos atenção especial à situação na Ucrânia e às medidas da comunidade internacional que ajudarão a acabar com o banho de sangue no sudeste do país — disse Putin, para depois denunciar que a Rússia está sob “ataque” de sanções vindas dos Estados Unidos e de seus aliados.

O presidente abordou ainda o interesse da Argentina em participar do Brics. Ele saudou o interesse das autoridades argentinas e disse que a expansão do bloco não é avaliada de forma prática hoje, mas poderá ser discutida futuramente:

— Em geral, hoje cada vez mais países estão enxergando as perspectivas da nossa associação. Por isso, no futuro provavelmente surgirá a questão da ampliação gradual do Brics.

A união dos países do Brics, cuja importância no mundo contemporâneo multipolar vem crescendo, podia contribuir para mudanças significativas no sistema das relações internacionais. Qual é a agenda e quais planos o senhor acha necessário abordar com os parceiros do Brics durante a cúpula?

O mundo contemporâneo, na verdade, é multipolar, complexo e dinâmico – essa é a realidade objetiva. E as tentativas de criar um modelo das relações internacionais em que as decisões seriam tomadas no âmbito de um “polo” só não são eficazes, constantemente falham e, afinal de contas, são condenadas ao fracasso.

Não é por acaso que o formato da interação entre países tão poderosos como os membros do Brics, como proposto pela Rússia, provou ser necessário. E os nossos trabalhos conjuntos na verdade contribuem para previsibilidade e estabilidade das relações internacionais.

A agenda da cúpula próxima é unida pelo tema comum – “Crescimento para todos e com participação de todos: soluções confiáveis”. Então, analisaremos todos os temas atuais da política internacional, economia e, claro, desenvolvimento do Brics.

Acho que chegou a hora de elevar o papel do Brics a outro nível, fazer com que a nossa união se torne uma parte integral do sistema da governança global nos interesses do desenvolvimento sustentável.

Como isto pode ser feito?

Em primeiro lugar, é preciso fomentar plenamente a cooperação no âmbito da ONU, se opor veementemente às tentativas de alguns países de impor à comunidade internacional a política de remover regimes indesejáveis e promover as variantes unilaterais da solução de situações de crise. Sugerimos estabelecer um mecanismo de consultas regulares ao nível alto entre os nossos ministérios da política externa sobre vários conflitos regionais para adotar, onde possível, posições comuns e aplicar os esforços conjuntos para contribuir para resolução político-diplomática deles.

Também é preciso coordenar de forma mais ativa a política do Brics no que se refere ao combate às ameaças e desafios a segurança, inclusive combate ao terrorismo. Inclusive é necessário usar os mecanismos de consultas sobre temas de contraterrorismo. Terão lugar importante na agenda da cúpula os assuntos da cooperação antidrogas. Estamos dispostos a incrementar os esforços conjuntos a fim de reforçar o regime do direito internacional do controle de drogas.

Achamos importante a promoção da elaboração de regras do comportamento responsável no espaço global de informação. Elas devem consolidar os princípios de respeito à soberania estatal, não-ingerência nos assuntos internos dos países, respeito aos direitos e liberdades do indivíduo, bem como direitos iguais de todos os países à participação da governança da Internet. Acredito que via esforços conjuntos conseguiremos as posições de liderança do Brics nos assuntos referentes à consolidação da segurança internacional de informação.

Planejamos estabelecer uma política de informação conjunta na arena internacional em apoio às atividades do Brics, bem como a fim de providenciar uma cobertura mais objetiva do quadro no mundo.

Com certeza, analisaremos em detalhe a situação em áreas de atenção do planeta. Vamos tratar da situação na Síria e Iraque, onde as posições de grupos extremistas e terroristas estão fortalecendo. Prestaremos atenção especial à situação na Ucrânia e às medidas da comunidade internacional que ajudarão a acabar com o banho de sangue no sudeste do país.

Na área da economia global discutiremos a reforma do FMI. Os países do Brics estão preocupados com que a conversa real, concreta sobre esse tema demora injustificadamente. Isso prejudica todos os esforços do G-20 nessa direção. Entretanto, trata-se do cumprimento das exigências legítimas das “economias novas” para adequar o FMI com as realidades do século 21.

Mais um assunto importante que pretendemos levantar durante a cúpula é sobre casos frequentes de uso em massa de sanções unilaterais. Agora a Rússia está sob “ataque” de sanções vindas dos EUA e seus aliados. Agradecemos os parceiros do Brics que de várias formas condenaram essa prática. Ao mesmo tempo, é preciso tirar conclusões substantivas sobre o que está acontecendo. Ponderar juntos um sistema de medidas que permitiria impedir a “caça” dos países que discordam com certas decisões na área da política externa tomadas pelos EUA e os aliados deles, mas conduzir diálogo civilizado, baseado em respeito mútuo sobre todos os assuntos controversos.

Como está indo a implementação dos planos concretos da promoção da interação econômica entre os países Brics? Recentemente falava-se da criação de um banco da união, porém, essa iniciativa ainda não foi realizada. Quais são as perspectivas nessa área? Será que é possível ponderar ações conjuntas concretas dos países Brics para reagir a vários desafios?

Nós procuramos desenvolver ativamente os laços econômicos e comerciais no âmbito dos “cinco”. A cota dos países-membros do Brics no comércio exterior da Rússia vem crescendo de forma constante: se no ano passado foi de 12,5%, nos primeiros quatro meses do ano corrente já chegou a 13,1%. Apesar da conjuntura instável, está aumentando o volume do intercâmbio comercial entre os países Brics (em 2013 excedeu US$ 300 bilhões).

O nosso interesse comum é tirar o máximo proveito o fator das economias nacionais complementares. As oportunidades de cooperação aqui são realmente enormes. Trata-se do mercado com cerca de três bilhões de consumidores. Os países Brics têm recursos naturais e matérias primas únicos, potencial tecnológico, financeiro e industrial significativo.

Agora, conforme a iniciativa da Rússia está sendo elaborada a estratégia de cooperação econômica dos “cinco”, que visa a criar as condições para acelerar o desenvolvimento econômico e reforçar a competitividade internacional dos nossos países, expandir e diversificar as relações comerciais, proporcionando interação para crescimento inovador. Para “saturar” esse documento com investimentos, trabalhamos sobre uma lista de projetos de cooperação promissores.

É de assinalar que no ano passado foi formado por empresários dos nossos países o Conselho Empresarial do Brics. Essa estrutura ainda não aproveitou todo o seu potencial, mas já começaram os trabalhos orientados para identificar e remover as barreiras impedindo a interação de negócios no âmbito dos “cinco”.

Como se sabe, todas as economias do Brics necessitam modernização profunda da infraestrutura. Nossa iniciativa de criar um banco de desenvolvimento tem por objetivo ampliar a cooperação neste domínio. Um ano após a cúpula de Durban, conseguimos progresso considerável neste sentido. Esperamos que no futuro próximo sejam acordados todos os assuntos pendentes e nós possamos usar o potencial do Banco para realizar grandes projetos em nossos países.

Está em andamento mais uma iniciativa importante – sobre a formação de um pool de reservas cambiais do Brics. Ele é destinado a virar uma espécie de “rede de segurança”, direcionada para responder juntos aos desafios financeiros.

Quero enfatizar que tanto o banco de desenvolvimento quanto o pool de reservas cambiais são os passos práticos dos nossos países dirigidos para fortalecer a arquitetura financeira internacional e atribuir a ela um caráter mais equilibrado e justo.

Os países do Brics têm posições comuns em relação a outros desafios contemporâneos na área econômica. Entre eles – concluir o mais rápido possível as negociações da Rodada de Doha, formar um sistema comercial global mais justo, garantir a transparência na assinatura de acordos comerciais regionais.

Quão forte pode ser a união de um grupo de países cuja maioria não tem fronteiras comuns? Os processos globais não levarão a uma situação em que a interação entre os países-membros, eventualmente, virá a nada, como acontece com associações regionais? Há planos de fortalecer o componente político do Brics e introduzir a questão militar para a interação entre esses países?

O fator de fronteiras no mundo contemporâneo não desempenha um papel definitivo. Ao contrário, os processos globais nos estimulam a juntar os esforços, pois os desafios e problemas viram comuns. No caso do Brics – nós vemos um conjunto inteiro de interesses estratégicos coincidentes.

Em primeiro lugar, é aspiração comum a reforma do sistema monetário e financeiro internacional. Na condição atual ele é injusto em relação aos países do Brics e, em geral, às “economias novas”. Temos que participar de forma mais ativa no sistema de decisões do FMI e do Banco Mundial. O próprio sistema monetário internacional depende muito da posição do dólar, ou melhor dizer da política monetária e financeira das autoridades americanas. Os países do Brics querem mudar essa situação.

Mais um interesse comum a longo prazo dos “cinco” é o reforço da primazia do direito internacional e do papel central da ONU no sistema internacional. Para ser sincero, sem posição intransigente da Rússia e da China no Conselho de Segurança da ONU sobre a Síria, a situação nesse país a um bom tempo estaria desenvolvendo conforme o cenário da Líbia e do Iraque.

Sem dúvida, os países do Brics pretendem reforçar a componente político da sua cooperação. Para fazer isso, vamos expandir a prática de consultas mútuas e ações conjuntas em organizações internacionais, principalmente na ONU. No futuro criaremos um secretariado virtual do Brics. Ao mesmo tempo, quero sublinhar que não há planos de formar uma aliança político—militar à base do Brics.

Em março, apareceu a informação que a Argentina poderia se tornar o sexto país do Brics. Esta ideia foi apoiada por três dos cinco países — Índia, Brasil e África do Sul. Qual é a opinião da Rússia sobre o assunto? Seria razoável expandir o Brics? Quais são os critérios para a eventual adesão de um país ao Brics?

A Rússia saúda a aspiração das autoridades argentinas a aproximar—se do Brics. É possível estabelecer uma parceria estratégica do Brics com a Argentina – como acontece com outros grandes países em desenvolvimento – em aspectos políticos, econômicos e financeiros internacionais.

No entanto, a questão da expansão do Brics não está sendo examinada em termos práticos. Primeiro é preciso ajustar os trabalhos de vários formatos de cooperação já existentes no âmbito da união. Não há critérios rigorosos para aderir ao Brics. A decisão é tomada individualmente.

Em geral, hoje cada vez mais países estão enxergando as perspectivas da nossa associação. Por isso no futuro provavelmente surgirá a questão da ampliação gradual do Brics.

oglobo.globo.com | 14-07-2014

WASHINGTON, BOMBAIM, MOSCOU E PEQUIM - Cansados do domínio americano do sistema financeiro global, cinco potências emergentes vão lançar esta semana sua própria versão do Banco Mundial (Bird) e Fundo Monetário Internacional (FMI). Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — o chamado grupo do Brics — estão buscando “alternativas à ordem mundial existente”, segundo as palavras de Harold Trinkunas, diretor da Iniciativa Latino-Americana do Brookings Institute.

Anton Siluanov, ministro de Finanças da Rússia: “É uma espécie de miniFMI” - Andrey Rudakov / Bloomberg/22-5-2014

Numa reunião de cúpula de terça-feira a quinta-feira no Brasil, os cinco países vão revelar sua versão do FMI: um fundo de US$ 100 bilhões para combater crises financeiras, chamado Arranjo de Reserva Contingencial. Eles também vão lançar um Banco Mundial alternativo, uma nova instituição que fará empréstimos para projetos de infraestrutura em todo o mundo emergente. O FMI possui ativos de mais US$ 300 bilhões e o Bird, US$ 490 bilhões.

Os cinco países do Brics vão investir, cada um, US$ 10 bilhões no banco de fomento, cujo nome, ainda provisório, é Novo Banco de Desenvolvimento. Outros US$ 50 bilhões são esperados à medida que outros países se engajem no projeto.

As potências do Brics ainda estão disputando onde será a sede do banco — Xangai, Moscou, Nova Délhi ou Johannesburg. A disputa faz parte de uma briga maior para evitar que a China, segunda maior economia do mundo, domine o novo banco da mesma forma como os Estados Unidos têm dominado o Banco Mundial, cuja sede é em Washington.

DIFERENÇAS ABISSAIS

O bloco contém países com economias muito distintas, assim como políticas internacionais e sistemas políticos — da democracia singular da Índia ao Estado de partido único da China.

Mas, independentemente de suas diferenças, os países do Brics compartilham um desejo comum de maior voz na política econômica mundial. Após décadas de rápido crescimento, os cinco países representam quase um quinto da atividade econômica mundial. Cada um viveu experiências dolorosas com o domínio financeiro ocidental. Sofreram sanções econômicas impostas pelas potências ocidentais. Também foram forçados a adotar apertos fiscais dolorosos e a atender a outras estritas prescrições para se qualificarem para receber empréstimos emergenciais do FMI.

A Rússia sofreu com um endividamento multibilionário nos anos 1990, mas pagou seu débito no início dos anos 2000. Desde então, relutou recorrer a novos financiamentos ou a buscar assistência do FMI ou outras instituições financeiras ocidentais, que são amplamente vistas no país como predadoras.

— A China apoia ativamente a criação do Banco de Desenvolvimento do Brics e a reserva contingencial o mais rapidamente possível, para dar aos países do Brics sua própria rede de proteção — afirmou o vice-ministro de Relações Exteriores da China, Li Baodong, na semana passada.

CONGRESSO AMERICANO

Os países emergentes também estão frustrados porque o Congresso americano tem se recusado a aprovar a legislação provendo dinheiro extra para permitir que o FMI possa dar mais empréstimos a países em dificuldades. O dinheiro é parte de uma reforma mais ampla que daria a China e outros países em desenvolvimento maior poder de voto no FMI.

As novas instituições financeiras surgem num momento em que os países emergentes vivem um lento crescimento econômico. Também estão vulneráveis a choques financeiros, à proporção que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) reduz a compra massiva de bônus, uma política de estímulos extraordinários à economia americana. À medida que a política de dinheiro fácil do Fed diminui, as taxas básicas de juros dos Estados Unidos deverão subir e atrair de volta o dinheiro de investidores que está alocado nos mercados emergentes, derrubando os preços das ações e o câmbio desses países.

— Concordamos que é importante, nas condições atuais de fuga de capital, ter esta reserva, uma espécie de miniFMI — disse o ministro de Finanças da Rússia, Anton Siluanov, antes de embarcar para a América Latina na delegação do presidente Vladimir Putin. — O fundo estará em condição de reagir prontamente à fuga de capital, provendo liquidez em moeda firme, isto é, em dólares.

Antes de embarcar para a reunião de cúpula no domingo, o novo premier indiano Narendra Modi reconheceu que “muitas economias emergentes têm vivido uma desaceleração, o que aumentou o desafio de buscar um desenvolvimento inclusivo e sustentável”.

NOVA ORDEM

Uri Dadush, economista do Carnegie Endowment for International Peace, não vê problema em relação ao banco de desenvolvimento dos países do Brics e seu fundo para crises financeiras. No entanto, ele teme que a decisão dos cinco países de buscar uma alternativa às instituições existentes hoje represente um sinal da “fratura do sistema (econômico) do pós-guerra que nos deu tanta paz e prosperidade. O sistema não conseguiu se adaptar à nova realidade, ao surgimento de novas potências.”

O FMI e o Bird parecem reagir bem aos novos desafios.

— Todas as iniciativas para fortalecer a rede de instituições de financiamento multilateral e elevar o potencial de financiamento para desenvolvimento e infraestrutura são bem-vindas — disse a porta-voz do FMI, Conny Lotze. — O que é importante é que as novas instituições complementem as existentes.

Ao responder uma pergunta sobre o banco de desenvolvimento do Brics no início do mês, o presidente do Bird, Jim Kim, disse:

— Damos as boas-vindas a qualquer nova organização... Pensamos que a demanda por novos investimentos em infraestrutura é enorme, e achamos que podemos trabalhar muito bem e de forma cooperativa com qualquer um desses novos bancos, uma vez que eles se tornem realidade.

oglobo.globo.com | 14-07-2014
Para evitar o surgimento de "elefantes brancos", a Fifa planeja convencer a Rússia a cortar dois estádios da próxima Copa do Mundo.

O presidente Joseph Blatter afirmou nesta segunda-feira (14) que gostaria que a competição em 2018 fosse disputada em dez estádios diferentes, e não em 12, como aconteceu no Brasil. "Teremos encontros em setembro para debater se 12 cidades na Rússia é certo ou se podemos reduzir para 2010. Precisamos garantir que investimentos sejam feitos para gerar um legado, não uma dívida", disse.

O projeto russo para a Copa pl

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira que o Brasil derrotou os pessimistas e fez com que a anunciada Copa das Copas se tornasse realidade. De cada 20 turistas estrangeiros que vieram ao Brasil durante a Copa do Mundo, 19 têm intenção de voltar ao país. Eles são de 202 nacionalidades diferentes, percorreram 378 municípios brasileiros e ficaram, em média, 13 dias no Brasil. Além disso, o Brasil atendeu plenamente ou superou as expectativas de 83% dos turistas. Ao todo, 1,02 milhão de turistas visitaram o Brasil durante a Copa. A maioria (61%) visitou o país pela primeira vez. Os números foram divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério do Turismo, que ouviu 6.627 turistas em 12 aeroportos e dez fronteiras terrestres.

- Sem sombra de dúvidas, os torcedores e amantes do futebol asseguraram uma festa que sem dúvida é uma das mais bonitas do mundo. A gente dizia que teríamos a Copa das Copas. Nós tivemos a Copa das Copas - disse Dilma, acrescentando:

- O Brasil demonstrou sua capacidade de organização. Os vaticínios, os prognósticos que se faziam sobre a copa eram os mais terríveis possíveis. Começava do "não vai ter Copa" a "Copa do caos". O estádio do Maracanã, que ontem foi palco de momento belíssimo, só ia ficar pronto em 2038 ou 2024. Enfim, não ficaria pronto nunca. Não teríamos aeroportos, e não teríamos a capacidade de receber milhões e milhões de turistas, Enfim, nós derrotamos sem dúvida essa previsão pessimista e realizamos uma imensa, maravilhosa contribuição, a Copa das Copas.

O quesito mais bem avaliado pelos estrangeiros foi a hospitalidade: 98,1% deles aprovaram. Em seguida vêm gastronomia (93,1%), segurança pública (92%), informação turística (90%), táxi (90%), transporte público (89,2%), sinalização turística (81,2%) e aeroportos (80%). Os pesquisadores, da Fundação Instituto de Pesquisa Econômicas (Fipe) continuarão em campo até o dia 23 de julho.

Dilma fez elogios a seu governo e também aos governos dos estados e cidades onde houve jogos. Segundo ela, foi um esforço conjunto, que também contou com o apoio do povo brasileiro.

- Foi uma árdua conquista para o meu governo. Todos nós nos empenhamos para assegurar que a Copa do Mundo trouxesse não só uma grande oportunidade para sediar o mais importante torneio de futebol do planeta, como também queríamos estar demonstrando naquela circunstância, quando a Copa começou, que o Brasil estava capacitado e tinha todas as condições para assegurar infraestrutura, segurança, telecomunicações, tratamento adequado aos turistas - disse a presidente.

O ministro da Casa Civil, Alozio Mercadante, concordou com a chefe sobre a organização da Copa no Brasil.

- Perdemos a taça, mas o Brasil ganhou. O mundo inteiro admirou. O Brasil soube ganhar, soube perder, soube celebrar em clima altamente receptivo, o que encantou o mundo - disse Mercadante.

O Ministério do Turismo também ouviu 6.038 turistas brasileiros que viajaram pelo país durante a Copa. Os turistas brasileiros saíram principalmente de São Paulo (858.825 pessoas), Rio de Janeiro (260.527), Bahia (220.021), Minas Gerais (204.425) e Paraná (165.694). A maioria (67%) estava visitando pela primeira vez a cidade para onde viajaram. O quesito mais aprovado foi o atendimento e receptividade (90,5%), opções de lazer e turismo (87,2%), segurança (83,8%), aeroporto (81%), hospedagem (80,6%) e informação turística (77,2%). Ao todo, 3,06 milhões de brasileiros visitaram as cidades-sede durante o Mundial.

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, manifestou condolências pela morte dos operários na construção dos estádios e de dois jornalistas argentinos em acidentes em São Paulo e Minas Gerais. O ministro fez um balanço positivo da organização da Copa e ironizou as previsões pessimistas:

- Nem um jornalista, nem um turista foi mordido por cobra.

AEROPORTOS

O Brasil sediou uma Copa do Mundo nos últimos 30 dias, mas o evento não impactou muito os aeroportos do país. Números divulgados pela Secretaria de Aviação Civil (SAC), pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) ao longo das últimas semanas mostram que, no geral, o movimento não fugiu do normal e o índice de atrasos ficou dentro do satisfatório. Mas houve exceções, especialmente nos aeroportos das cidades-sede nos dias em que elas receberam jogos, e no caso dos voos fretados.

A Copa começou, inclusive, com um movimento abaixo da média. Em 12 de junho, o primeiro dia da Copa, passaram pelos 20 principais aeroportos do Brasil 434,4 mil pessoas e 3.686 aeronaves. Segundo a SAC informou em 13 de junho, a média esperada para esta época do ano é de 500 mil passageiros por dia. Nos dias seguintes, a movimentação foi maior, mas ficou dentro da normalidade. A média diária da primeira semana foi de 471 mil passageiros.

Nas semanas seguintes, o movimento aumentou. Foram 487 mil por dia, em média, na segunda semana de competição, e 507 mil na terceira. Na quarta semana, 495 mil. O recorde foi no dia 3 de julho, véspera dos primeiros jogos das quartas de final, quando 548 mil pessoas passaram pelos principais aeroportos brasileiros.

No balanço desta segunda-feira, a SAC informou que os 21 aeroportos que atenderam as demandas da Copa tiveram um movimento de 16,74 milhões de passageiros.

O ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Moreira Franco, destacou que o tempo de restituição de bagagem em voos internos durou, em média, oito minutos e 36 segundos. Já nos voos internacionais, foram 28 minutos e 18 segundos. O tempo médio de inspeção no raio-x foi de dois minutos e 13 segundos. Já o índice de atrasos (voos que partem mais de 30 minutos depois do previsto) foi 7,03%. São considerados satisfatórios índices de até 15%.

- Se tivemos condições de atingir esse índice (na Copa), não temos nenhuma razão para não garantir aos brasileiros esses patamares.

Embora os índices de atrasos tenham ficado dentro do satisfatório, alguns aeroportos foram mais problemáticos, como os de Cuiabá e Porto Alegre. Boletins divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) ao longo das últimas semanas mostram que, em oito dias, os atrasos foram superiores a 15% em Cuiabá. No caso de Porto Alegre, foram sete dias.

Nesta segunda, Moreira Franco trouxe informações diferentes daquelas divulgadas anteriormente pela SAC. Em 13 de junho, boletim da SAC informou que, no dia anterior, quando houve a abertura da Copa, 434,4 mil pessoas haviam passado pelos principais aeroportos brasileiros, concluindo: “o número está abaixo da média esperada para esta época do ano, de cerca de 500 mil passageiros por dia”.

Na semanas seguintes, o movimento aumentou, mas ainda ficou dentro da normalidade. A média diária da primeira semana foi de 471 mil passageiros. Foram 487 mil por dia, em média, na segunda semana de competição, 507 mil na terceira, 495 mil na quarta. O recorde foi no dia 3 de julho, véspera dos primeiros jogos das quartas de final, quando 548 mil pessoas passaram pelos principais aeroportos brasileiros.

Nesta segunda, o ministro informou que os 21 aeroportos que atenderam as demandas da Copa tiveram um movimento de 16,74 milhões de passageiros, acima dos 15 milhões da mesma época no ano passado. Disse ainda que, antes da Copa, os recordes tinham sido verificados em 28 de fevereiro deste ano, no Carnaval, quando 467 mil passageiros passaram pelos aeroportos, e em 20 de dezembro do ano passado, com 420 mil passageiros.

- Nós podemos dizer com muito orgulho, com muita alegria que a infraestrutura aeroportuária brasileira conseguiu atender adequadamente o maior evento de futebol do planeta. Eu fui criado querendo a celebração. Foi um fato que se deu não apenas pelos investimentos da Copa nos aeroportos das capitais, mas por uma política que visa colocar a aviação civil em outro patamar - disse Moreira Franco.

COMUNICAÇÕES

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, destacou os números do setor, como as 15.012 antenas de telefonia móvel 3G e 4G instaladas nas cidades-sede e as 4,4 milhões de ligações telefônicas realizadas nos estádios.

- Foi montada uma rede de pouco mais de 15 mil km de fibras óticas, toda ela interconectada em todos os estádios, campos de treinamento, comitês de imprensa, todos os locais onde foi necessária a transmissão. Tivemos um trabalho bem sucedido, com 527 horas de transmissão. Não tivemos nenhuma interrupção. Os estádios tinham pelo menos duas redes operando separadamente. Se houvesse acidente em uma, a outra tinha condição de resolver o problema - disse Paulo Bernardo, destacando que foram instadas antenas de 2G, 3G e 4G em todos os estádios.

Ele disse ainda que os estrangeiros não tiveram problemas para comprar chips e fazer roaming internacional.

SEGURANÇA

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também disse que o país venceu as previsões negativas e teve uma estrutura de segurança exemplar, que já estaria até servindo de referência para a polícia de outros países. Ao todo, 59.523 homens das Forças Armadas trabalharam na segurança do evento: 13.125 da Marinha, 38.233 do Exército e 8.165 da Aeronáutica. Além disso, 61 helicópteros e outras 77 aeronaves foram usadas durante a Copa. Segundo ele, o governo federal R$ 1,113 bilhão em equipamentos e na estrutura das forças policiais. Toda essa estrutura deverá ser utilizada para reforçar a segurança nas estradas, vigilância das fronteiras e também na segurança das Olimpíadas de 2016. Segundo ele, o governo conseguiu um desconto de 39,7% de desconto na compra de equipamentos. O dinheiro que sobrou foi reinvestido na compra de mais equipamentos.

Cardozo também destacou a integração entres as forças de segurança federais e estaduais. Segundo ele, 176.579 policiais e bombeiros participaram da segurança da Copa.

- O legado maior é o rompimento do isolacionismo dos órgãos de segurança - disse Cardozo.

ATENDIMENTOS NA ÁREA DE SAÚDE

O Ministério da Saúde informou que foram feitos 17.042 atendimentos dentro e fora dos estádios, o que inclui ainda o entorno dos locais de competição, fan fests e outros locais de grande concentração de turistas. Do total, 7.055 atendimentos ocorreram nos estádios. Em 192 casos, foi preciso fazer remoção para unidades de saúde. As queixas mais comuns de quem passou mal foram dor de cabeça, mal de estar súbito, hipertensão, lesões, torções e quedas de baixa gravidade. Os números são do Centro Integrado de Operações Conjuntas da Saúde Nacional (CIOCS), do próprio ministério.

O governo divulga nesta segunda-feira balanço da Copa do Mundo. Além da presidente Dilma, há 16 ministros participam do evento: José Eduardo Cardozo (Justiça), Celso Amorim (Defesa), Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores), Arthur Chioro (Saúde), Edison Lobão (Minas e Energia), Mirian Belchior (Planejamento), Paulo Bernardo (Comunicações), Aldo Rebelo (Esporte), Vinicius Lages (Turismo), Gilberto Occhi (Cidades), Moreira Franco (Secretaria de Aviação Civil), Luíz Inácio Adams (Advocacia-Geral da União), José Elito (Gabinete de Segurança Institucional), Thomas Traumann (Comunicação Social) Ideli Salvatti (Direitos Humanos) e Aloizio Mercadante (Casa Civil).

oglobo.globo.com | 14-07-2014

BRASÍLIA - Em entrevista de 25 minutos à TV árabe Al-Jazeera, transmitida no fim da manhã de ontem, a presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, tratou abertamente sobre o pleito deste ano. Indagada sobre os motivos para o povo brasileiro lhe conceder um novo mandato, a presidente deixou claro qual será o tom de campanha: disse que será trava uma "disputa democrática entre quem sabe fazer e quem teve a oportunidade de fazer e não conseguiu". Em seguida, pediu mais quatro anos de mandato.

Durante a entrevista, Dilma disse ainda que o Brasil deveria tirar "nota máxima" em relação à realização da Copa do Mundo e que o governo conseguiu reverter a "campanha negativa" em torno dos jogos. No campo da economia, a presidente disse que o Brasil se prepara para entrar num "novo clico" e defendeu um "Estado sem burocracia e mais amigável com o cidadão e empresários".

A presidente Dilma falou a respeito da campanha eleitoral nos minutos finais da entrevista.

- Vai ser travada essa disputa democrática entre os caminhos. Oferecemos o seguinte: quem fez, sabe continuar fazendo. Quem, quando pôde, não fez, não sabe fazer. É simples a opção - disse Dilma, ao final da conversa.

Dilma destacou as conquistas sociais alcançadas pelos governos do PT desde 2003 como motivo que dá lastro a esse pedido de mais um mandato:

- Acredito que o povo brasileiro deve me dar uma oportunidade de um novo período de governo pelo fato de que nós fazemos parte de um projeto que transformou o Brasil. O Brasil tinha 54% de sua população entre pobres e miseráveis em 2002. Hoje 75% da população brasileira vive na classe C para cima. É três em cada quatro brasileiros. Nós transformamos a vida dessas pessoas. Hoje, existem pobres, dá uns 23%, 24%. O restante é classe média, A e B. O Brasil mudou de perfil, e foi feito isso com a democracia vigindo, com a democracia vigente, com todos os direitos de expressão, manifestação e divergência - defendeu Dilma.

Neste momento, a presidente fez uma crítica aos seus adversários, sem citar os nomes dos candidatos Aécio Neves (PSDB) ou Eduardo Campos (PSB).

- Tanto é assim que como é que você explica o sucesso da Copa do Mundo em termos de infraestrutura? A uma semana antes de a Copa começar, você sabe o que se dizia a respeito da infraestrutura da Copa, você sabe que tinha gente que dizia que estava envergonhada do país porque não teria condição de receber (os visitantes) - alfinetou a petista.

COPA DO MUNDO

Ao falar da Copa do Mundo, a presidente justificou os gastos. E, para ela, em termos de desafios que o Brasil precisa enfrentar, "o menor deles é a Copa".

- O Brasil se superou ao organizar esta Copa. E teríamos que ter a nota máxima. Não superamos só as questões concretas, como garantir os estádios prontos, aeroportos funcionando plenamente, uma segurança bastante firme no que se refere à proteção das diferentes seleções e dos chefes de Estado que vieram nos visitar. Mas também superamos uma campanha negativa contra a Copa do Mundo no Brasil - disse Dilma, acrescentando:

- Há um ganho imenso para o Brasil em ter feito essa Copa do Mundo. No mesmo período em que os estádios começaram, e os estádios começaram em 2010, se você considerar de 2010 a 2013, o Brasil gastou mais de US$ 850 bilhões em Educação e Saúde. Os US$ 4 bilhões gastos para fazer os estádios é algo de muito pouco significativo no que se refere ao gasto geral. Precisamos do triplo de infraestrutura da que foi feita para a Copa.

CRESCIMENTO DO PAÍS

A presidente também reagiu à pergunta sobre o baixo crescimento do Brasil durante o seu governo, se comparado ao governo Lula. Dilma argumentou que os países emergentes passaram a sofrer em 2011 os efeitos da crise econômica internacional que começou em 2008. Para ela, são necessárias quatro ações para melhorar a produtividade do país: investimentos em infraestrutura, em Educação, em inovação tecnológica e ainda modernizar o Estado.

- Estamos numa fase de baixa do ciclo econômico, mas sabemos que vamos entrar numa outra fase do ciclo econômico. E temos de nos preparar de forma a melhorar a competitividade do nosso país, aumentar as condições pelas quais vamos poder enfrentar essa nova etapa que vai surgir. Se não surgir para o resto do mundo, te asseguro que vai surgir para o Brasil. Temos tomado todas as medidas para entrar num novo ciclo. E qual é o novo ciclo? Temos de melhorar a produtividade da economia brasileira - disse Dilma.

Neste momento, com discurso de candidata, ela falou em redução da burocracia.

- O Brasil é um país que tem demorado muito para modernizar seu Estado. Precisamos de um país sem burocracia, um Estado muito mais amigável tanto para os cidadãos quanto para os empresários, empreendedores e trabalhadores.

Dilma também voltou a tratar da questão da espionagem americana. Segundo ela, o pedido de desculpas americano não se completou por não ter tratado de como seria a conduta futura do governo:

- O pedido de desculpas só teria sentido se fosse acoplado a uma coisa que nos interessava mais: que era como vai ser daqui para frente. Porque não acredito que o governo Obama, de forma deliberada, estava espionando o governo brasileiro, as empresas brasileiras ou cidadãos brasileiros. O que queremos é que fique claro como vai ser daqui para frente. É o que mais nos interessa. Porque um pedido de desculpas acaba na hora em que é feito. Só se torna real quando se diz que não tem mais essa hipótese disso ocorrer. Acredito que o caminho está aberto para que isso ocorra.

BRICS

A presidente ainda comentou o encontro dos Brics (grupo econômico formado por Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul), que começou nesta segunda-feira em Fortaleza.

- Nessa reunião do Brics, temos duas propostas que se transformam em realidade neste encontro. A primeira é o novo Banco de Desenvolvimento dos Brics, ele faz parte da consciência destes países que é necessários construir uma instituição financeira que viabilize financiamentos, tanto aqueles ligados à ampliação da infraestrutura quanto aos relacionados a desenvolvimentos produtivos, inclusive a projetos maiores de infraestrutura social.

Dilma também aproveitou para defender a reforma do Conselho de Segurança da ONU, ao comentar o mais recente conflito entre palestinos e israelenses.

- Condeno tanto a morte e o sequestro de três jovens, como repudio a morte principalmente de mulheres e crianças por parte das forças militares israelenses. É chegada a hora de ter uma posição mais enfática, mais forte no sentido de propiciar a abertura do diálogo. É um momento muito claro em que fica visível a necessidade de se reformar o Conselho de Segurança da ONU. A paralisia leva a mais mortes - disse Dilma.

oglobo.globo.com | 14-07-2014

BRASÍLIA e SÃO PAULO - Aliados da presidente Dilma Rousseff querem sepultar o tema Copa do Mundo — e também a derrota da seleção — para evitar que o mau humor dos brasileiros contamine seu desempenho na corrida pela reeleição. A solidariedade da presidente com os jogadores encerrou-se na carta que ela enviou ou grupo ontem, e não há nenhuma intenção de recebê-lo no Palácio do Planalto. Quem acompanhou a presidente ao Maracanã ontem disse que Dilma não se deixou abalar pelas vaias que ouviu no estádio. Segundo fontes próximos a ela, a presidente deixou o local tranquila apesar de ter sido hostilizada mais uma vez, repetindo cenário visto no Itaquerão, na abertura do Mundial.

Segundo o deputado José Guimarães (CE), ex-líder do PT na Câmara, se alguém tentar culpar Dilma pelo mau resultado da seleção, dará um tiro no pé. Para ele, Dilma chamou para si a responsabilidade de organizar a melhor Copa da História e não pode ser responsabilizada pela derrota do Brasil.

— O fato de a seleção ter sido humilhada é responsabilidade unicamente dos jogadores e do Felipão. Não tivemos uma seleção à altura do que o governo realizou fora dos campos — afirmou ele. — A solidariedade que a presidente Dilma teve da população anula qualquer efeito de vaia. Apostaram no caos, e não teve isso. A Copa acaba hoje (ontem), e o assunto também. Vamos virar a página e começar a campanha imediatamente. Amanhã, mãos à obra, militância nas ruas para ganharmos a eleição.

Mau humor só no futebol

O deputado Eduardo Cunha (RJ), líder do PMDB na Câmara, aposta que as atenções vão se centrar agora na participação da presidente na reunião dos chefes de estado dos Brics (Brasil, Rússia, Índia China e África do Sul), que acontece esta semana, em Fortaleza. Para ele, a campanha virá logo depois.

— É necessário virar a página. Os registros da grande Copa que fizemos vão ficar. A frustração que ficará é para a história do nosso futebol. Em poucos dias a campanha dará o tom do debate nacional. É possível que haja mau humor em relação à desclassificação do Brasil, mas também o consciente reconhecimento de que tudo funcionou bem na Copa. Dos aeroportos à hospitalidade e alegria do povo brasileiro — ressaltou, por sua vez, o presidente da Câmara, o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Se, por um lado, os governistas querem virar a página e acham que, mais uma vez, a população vai ser solidária com a presidente pelas novas vaias ouvidas ontem no Maracanã, a oposição diz que a candidata do PT gastou sua bala de prata e não terá o resultado eleitoral esperado se tentar misturar Copa do Mundo com votos.

Um dos coordenadores da campanha do tucano Aécio Neves, o ex-governador Alberto Goldman (SP) classificou ontem a presidente como a grande perdedora por ter tentado “faturar” algo que não é dela: o entusiasmo do povo brasileiro pelo futebol.

— A presidente vai amargar a frustração de todos. Mas tudo isso não define as eleições. O que define é o péssimo governo que ela realiza. Inclusive a herança que a Copa deixa, que será explícita nas próximas semanas: estádios caros e vazios e dívidas dos clubes que não serão pagas.

O deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), um dos coordenadores da campanha do presidenciável Eduardo Campos (PSB) e candidato a governador do Rio Grande do Sul, afirmou, por sua vez, que os 80% de brasileiros que queriam mudança antes da Copa seguirão com esse propósito.

— O governo Dilma é um fracasso. Um retrocesso em relação ao de Lula. Dilma e Felipão são iguais: ultrapassados, teimosos e sem comando.

Na mesma linha, o secretário geral do PSB e coordenador da campanha de Campos, Carlos Siqueira, ressaltou que, independente do resultado da Copa, o eleitorado já deu sinais claros de que deseja mudar de governante.

— A frustração com o resultado não é determinante, e todos lamentamos. O eleitor brasileiro tem muitas razões para votar na oposição e por isso creio que a candidata chapa branca retornará a sua casa em Porto Alegre. Agora o jogo eleitoral começa para valer mesmo.

Economia e propostas definem eleição

Apesar do atrito evidente entre governistas e oposição, cientistas políticos ouvidos pelo GLOBO afirmam que ainda não é possível prever se a boa organização e a repercussão internacional positiva que o Brasil teve ao organizar a Copa pesarão a favor da presidente Dilma. Eles destacam que, por outro lado, houve o fracasso da seleção e que ele talvez possa “colar” na imagem dela. A maioria, no entanto, acredita que o assunto Copa do Mundo será logo esquecido e não deve ter impacto nenhum na campanha.

Vera Chaia, professora do Departamento de Política da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), acredita que o assunto será explorado pela oposição, mas diz que ainda é cedo para saber o impacto que terá.

— É possível fazer dois balanços dessa Copa. O positivo tem como ingredientes a boa organização, os estádios funcionando perfeitamente (mesmo tendo sido concluídos em cima da hora, não houve nenhum desastre) e a diminuição dos protestos. Tudo isso gerou um efeito muito positivo para os prefeitos e governadores e também influencia a imagem de Dilma — destaca ela. — O aspecto negativo foi o fracasso da seleção, que despertou uma série de críticas à CBF e à própria Fifa. Agora que o evento terminou, as manifestações de rua tendem a voltar assim como as cobranças com o dinheiro público gasto e os estádios que se transformarão em “elefantes brancos”. Por isso, ainda é cedo para saber qual dos dois aspectos pesará mais.

Especialista vê saldo positivo para Dilma

Para o cientista político Cláudio Couto, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), o saldo para o governo e para a imagem de Dilma será mais positivo do que negativo.

— Havia uma expectativa ruim sobre a realização da Copa, o que acabou não se concretizando. A reversão de expectativa é sempre mais benéfica do ponto de vista de imagem.

Couto não acredita, no entanto, que a avaliação positiva da Copa possa decidir as eleições, já que as pessoas votarão baseadas em outros critérios.

O professor de ciência política José Álvaro Moisés, da Universidade de São Paulo, vê como inevitável que a organização da Copa influencie na imagem do governo e da presidente.

— Essa Copa está politizada desde o início. Quando o ex-presidente Lula propôs a candidatura do Brasil, atrelou-a ao desempenho do governo.

Para o cientista político, desde o ano passado, com os protestos nas ruas, a população se tornou mais crítica, passando a comparar a organização da Copa com serviços considerados essenciais.

— As pessoas estão mais críticas, mas também não é uma coisa direta. Não é porque a seleção fracassou que a Dilma vai perder a eleição. Mas elas entendem que, a despeito do clima favorável durante a Copa, o país tem muitos problemas que precisam ser encarados de frente — acredita.

Já para Fernando Abrúcio, cientista político também da FGV-SP, a derrota da seleção não deverá ter impacto em Dilma ou na oposição.

— A Copa só teria efeito relevante na campanha se tivesse uma desgraça maior do ponto de vista estrutural. E a verdade é que a eleição reage a estímulos clássicos: economia, propostas e aliados. São esses fatores que definirão a eleição. Nenhum outro.

oglobo.globo.com | 14-07-2014

FORTALEZA - O Brasil deverá assumir a primeira presidência do banco de desenvolvimento que será criado nesta terça-feira, durante encontro de cúpula de chefes de Estado e de governo do Brics, sigla do bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Segundo fontes envolvidas nas negociações, as chances de a cidade chinesa de Xangai ser a sede da instituição são bastante promissoras, apesar da forte pressão indiana por Nova Délhi. O único empecilho no caminho do Brasil é que o país que perder a disputa da sede pode exigir, como compensação, o direito de ser o primeiro presidente.

A favor dos brasileiros na presidência do banco está o fato de o país ter sido o único entre os cinco membros que não se candidatou como sede da instituição. Moscou teria desistido da disputa, que tem como concorrentes mais fortes Xangai e Nova Délhi. A África do Sul teria poucas chances com Joanesburgo. Outra vantagem é que o Brasil é anfitrião da reunião do Brics, que acontecerá nestas segunda e terça-feiras na capital cearense.

A instituição começará a operar a partir de 2016. Com um capital inicial de US$ 50 bilhões para financiar projetos de infraestrutura sustentáveis sob os pontos de vista econômico, social e ambiental, o banco será dirigido por um diretor executivo (CEO) — a ser indicado pelo país que estiver na presidência — e um conselho de administração com um mandato de cinco anos não renováveis.

CONTA DE US$ 10 BI POR PAÍS

Cada um dos cinco países terá uma conta de US$ 10 bilhões. A repartição igual tem por fim evitar pesos diferentes nas decisões da instituição, cuja atividade se assemelha ao que faz, hoje, o Banco Mundial. Em um segundo momento, o banco emprestará recursos para outras nações em desenvolvimento que não fazem parte do bloco.

Fontes afirmam que o modelo de gestão do banco seria semelhante ao da Corporação Andina de Fomento (CAF), que é o banco de desenvolvimento de 18 países de América Latina, Caribe e Europa com sede em Caracas, na Venezuela. A avaliação é de que haveria um foco na viabilidade econômica dos projetos financiados, com uma preocupação efetiva de retorno das operações. Outra questão em discussão é qual será o peso das condicionantes democráticas e ambientais para a liberação dos recursos.

Nessa vertente econômica, além do banco de desenvolvimento, os líderes do Brics assinarão três acordos: a criação do Arranjo de Contingente de Reservas (ACR, uma espécie de fundo), com US$ 100 bilhões para ajudar a resolver problemas nas economias dos países do bloco; um acordo de cooperação entre as respectivas seguradoras de crédito à exportação; e uma espécie de convênio entre os bancos de fomento, sendo o BNDES no caso do Brasil.

— Com o banco e o fundo, o Brics cria mais institucionalidade, assume um novo patamar de institucionalização. Não se trata de um grupo de mercados emergentes, mas de países que reivindicam um papel político. Mas há também uma segunda dimensão, que é a pressão desses instrumentos sobre a arquitetura internacional e o processo de reformas de instituições como Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial — diz o supervisor do think thank Brics Policy Center, Paulo Esteves.

PREOCUPAÇÃO COM POLÍTICA MONETÁRIA

Um tema que deve ganhar especial atenção na Declaração de Fortaleza, a preocupação com a política monetária da União Europeia e dos Estados Unidos, já foi parte do documento final da Cúpula de Durban, no ano passado. Na ocasião. o texto citava que os bancos centrais de países desenvolvidos deviam evitar as consequências indesejadas das políticas monetárias não convencionais que tinham sido adotadas para reagir aos riscos na economia global. Entre essas consequências estavam o aumento da volatilidade dos fluxos de capital e dos preços de commodities e moedas, que poderiam ter efeito negativo no crescimento de outros países, especialmente aqueles em desenvolvimento.

Agora, a preocupação dos países do Brics será a reversão dessa política monetária. Na semana passada, os Estados Unidos anunciaram o fim das medidas de estímulo à economia em outubro.

oglobo.globo.com | 14-07-2014

NOVA YORK - Os brasileiros tiveram emoções ambíguas sobre a Copa do Mundo antes mesmo da humilhação de sua seleção na semifinal contra a Alemanha. Agora terão que lidar com o que foi gasto na competição e o que terão como legado dela — um retorno em investimento bastante desanimador.

Torcedores brasileiros na Vila Madalena, em São Paulo: decepção com a seleção na Copa pode ser momento de maturidade - MAURICIO LIMA / NYT

Enquanto o Brasil digere isso, o país vai sediar a sexta reunião dos países do Brics esta semana. Talvez se torne um alívio dar as boas-vindas às delegações de Rússia, Índia, China e África do Sul para discutir o futuro das maiores economias emergentes do mundo. Há realmente muito trabalho a ser feito neste encontro, por isso talvez o Brasil apresente uma imagem mais propositiva do que tem feito ultimamente. Mas também poderá abrir ainda mais as feridas.

Vamos falar primeiro da catástrofe no futebol. É difícil exagerar a frustração dos brasileiros neste momento. Vi a alegria dos torcedores em Copacabana após a seleção brasileira derrotar a Colômbia e ouvi seus cantos alegres em jogos onde o Brasil sequer estava jogando. Muitas coisas podem decepcioná-los, mas eles são orgulhosos de seu futebol. E então vi esse orgulho despencar após o jogo contra a Alemanha. Foi de cortar o coração.

O Brasil ainda tem um tanto para amadurecer no que se refere ao futebol. Já não possui jogadores do calibre daqueles de seus anos de ouro, entre os anos 1960 e o início dos 1980. Durante anos, sua seleção tem sido vencedora, mas não mais dominante como fora. Nesse sentido, as expectativas ficaram fora de alcance e o país caminhava para o infortúnio.

Não fariam mal um pouco mais de realismo e a percepção de que o futebol é apenas um jogo. Talvez esse tipo de maturidade seja o que estejamos vendo agora, apesar do desânimo. A vida continua. É isso, pelo menos, que me mantém torcedor do Manchester United.

Vale a pena lembrar que o Brasil não é o primeiro país — e não será o último — a gastar dinheiro num megaevento esportivo. Recurso que poderia ter sido melhor gasto em outras coisas. O mesmo foi verdade para a África do Sul na Copa de 2010, e provavelmente para Japão e Coreia do Sul, na Copa de 2002 (em 2006, a Alemanha já possuía praticamente tudo o que precisava para a competição).

Ou pense nas Olimpíadas, onde investimentos desperdiçados em grande escala são quase uma exigência. O Rio vai sediar os Jogos de 2016, e portanto seus organizadores podem ter aprendido uma coisinha ou outra nos últimos dias.

Embora seja correto que os brasileiros protestem contra o custo excessivo — aliás, uma bem-vinda expressão de expectativa democrática — o país não deveria se martirizar demasiadamente em relação aos gastos com a Copa do Mundo. E muito menos ser criticado por estrangeiros que cometeram o mesmo erro.

Enquanto isso, a economia do Brasil não está exatamente brilhando. Os últimos anos foram decepcionantes. Minha previsão anterior de crescimento de 5% nesta década é quase certo que não se confirmará. O fim dos anos turbinados pelas commodities não tem sido fácil.

Mas, novamente, é preciso pôr as coisas em perspectiva. O Brasil só cresceu tão fortemente na década passada por causa do altíssimo valor de sua moeda e do aumento dos preços das commodities. Isso se traduziu em aumentos rápidos na produção e gastos denominados em dólar. O crescimento real do Produto Interno Bruto foi menos de 4% por ano naquela década. E mais: por mais desapontador que seja o crescimento de parcos 2% nesta década, as crises típicas do Brasil são algo distante na memória.

Analistas que escrevem sobre a crescente e alta inflação do país — atualmente em torno de 6% — esquecem que os preços subiam algumas vezes 6% por mês nos anos 1970 e 1980. A moeda perdia valor tão rapidamente que precisou ser repetidas vezes ser anulada e substituída. Esses dias se foram.

Certamente o governo tem que sair do caminho e deixar de agir à chinesa, tentando dirigir a maior parte da economia (nem mesmo a China tem feito mais isso). O Brasil precisa ser mais competitivo e mais inventivo; precisa que suas empresas privadas invistam mais na criação de riqueza e elevação da produtividade.

Assim, esta reunião do Brics poderá ter um papel útil, embora pequeno. O Brasil pode pressionar pela tão discutida criação de um banco de desenvolvimento do Brics da forma correta. Onde será sua sede? Como será capitalizado? Quais grandes projetos ele poderá ajudar? Talvez algum financiamento para as Olimpíadas no Rio?

Como criador do acrônimo, tenho uma participação no Brics. Quero vê-lo prosperar, e tenho certeza que há o potencial. Por várias razões, agora seria a hora certa para o B do Brics tomar algumas decisões e calar os descrentes.

oglobo.globo.com | 13-07-2014

RIO - Pouco mais de um ano depois da criação do Conselho Empresarial do Brics, na V Cúpula do Brics, em Durban, empresários de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul conseguiram reunir mais de 200 áreas e projetos em que há interesse de expansão de comércio e investimentos. O levantamento é resultado de meses de trabalho entre 25 empresas dos países membros, sendo cinco de cada um.

O grupo se reúne amanhã e terça-feira no Centro de Convenções do Estado do Ceará, em Fortaleza, quando conclui um documento para levar aos cinco chefes de Estado e de governo, com sugestões para o aprofundamento da integração econômica entre os cinco países.

— O Brics é um projeto inovador que vamos amadurecer ao longo do tempo. Pelas reuniões do Conselho, vimos que há muita boa vontade de todos, e o potencial é estimulante. Esse documento final será um retrato das conversas dos empresários desde o ano passado — diz o diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abijaodi.

‘QUEREMOS ESTREITAR LAÇOS’

Criado em Durban em março de 2013, o Conselho Empresarial do Brics se reuniu em agosto em Johhanesburgo e, desde então, tem feito teleconferências mensais para discutir formas de ampliar os negócios entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Há uma empresa líder de cada país, mas as demais participantes também fazem parte das discussões.

— Queremos estreitar os laços de negócios entre os países. Há alguma dificuldade em negociar diante de tantos pontos de vista, mas tentamos caminhar pelos itens mais evidentes e conseguimos chegar a uma lista extensa de tópicos de possíveis áreas de colaboração. Todos estão colocando suas ambições, e agora vamos traduzir em possibilidades — afirma o presidente da Marcopolo, José Rubens de la Rosa, que é a líder entre as cinco empresas brasileiras que participam do Conselho (Marcopolo, Vale, Weg, Banco do Brasil e Gerdau).

Os segmentos de interesse estão distribuídos em cinco áreas: infraestrutura, serviços financeiros, indústria, energia e economia verde, treinamento e desenvolvimento de parcerias. Entre os projetos, há desde uma rede de fibra óptica submarina, que ligaria os países do Brics sem passar pelos Estados Unidos, até uma linha de transmissão de energia entre o Norte e Sul da África, com oito mil quilômetros de extensão.

TRANSAÇÕES EM MOEDAS LOCAIS

Temas como eliminação dos obstáculos ao comércio e de subsídios à exportação na agricultura, aumento das transações em moedas locais, engajamento dos líderes para cuidar de questões como dumping e subsídios, redução de barreiras não tarifárias e facilitação de emissão de vistos para viajantes a negócios devem estar entre as recomendações dos empresários aos líderes dos países-membros do Brics.

— Preparamos uma agenda positiva, com medidas que acreditamos que podem acelerar o ambiente de negócios. Mas são sugestões, e precisamos ver como serão tratadas pelos líderes — diz o presidente da Marcopolo, empresa que tem 25% de sua produção de carrocerias de ônibus concentrada em Rússia, Índia, China e África do Sul.

Além do Conselho Empresarial, também haverá um Encontro Empresarial e uma rodada de negócios, na qual se espera uma movimentação de US$ 3,9 bilhões. Mais de 700 empresários devem participar do encontro em Fortaleza.

— Queremos facilitar a comunicação entre os países e gerar oportunidades de negócios — aponta Abijaodi.

OS PRINCIPAIS PROJETOS

Índia: Ferrovia ligando Nova Délhi a Bombaim, porto na cidade de Sagar e investimentos na indústria com apoio da política industrial nacional, entre outros

China: Projetos de infraestrutura na África e nos países do Brics, trens de alta velocidade e parcerias entre portos chineses e exportadores de commodities

Rússia: Projetos de energia solar, indústria siderúrgica e logística

África do sul: Corredor Norte-Sul da África, rede de fibra óptica submarina e usina hidrelétrica na Zâmbia

oglobo.globo.com | 13-07-2014

BRASÍLIA - Depois da Copa do Mundo, o Brasil se prepara para jogar em outro campo, desta vez junto com os demais integrantes do Brics (sigla do bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), em encontro de cúpula de chefes de Estado e governo, que começa amanhã em Fortaleza (CE). Os “adversários do grupo” — ausentes do evento, mas no centro da pauta — são as nações desenvolvidas, devido à baixa importância dada pelas potências ocidentais aos países emergentes. As mudanças na política monetária da União Europeia e dos EUA, que na última quarta-feira anunciaram o fim das medidas de estímulo à economia em outubro, serão o principal tema da reunião.

SAIBA MAIS SOBRE OS PAÍSES DO BRICS

Os líderes do Brics estão preocupados com o crescimento de seus países, a liberalização do comércio e a maior participação nas decisões econômicas mundiais. Essa preocupação estará expressa na declaração final que será negociada pelos sherpas — como são chamados aqueles que organizam previamente o encontro — até a primeira hora de segunda-feira, quando passarão o bastão para os ministros da Economia e das Relações Exteriores do bloco. A Declaração de Fortaleza terá 50 artigos e será entregue aos chefes de Estado na terça-feira. Embora os países desenvolvidos não sejam citados no texto, eles serão criticados, especialmente pela paralisação do processo de reformas no sistema de cotas do Fundo Monetário Internacional (FMI).

PRESSÃO DA CHINA PELA ARGENTINA

A reunião de cúpula do Brics terá duas faces: a política, com a posição do grupo sobre temas delicados, como a situação no Oriente Médio e na Ucrânia; e a econômica, ponto forte do encontro. No segundo caso, os ministros da Fazenda e presidentes dos bancos centrais se reúnem amanhã, quando o desenho do banco de desenvolvimento será concluído.

A instituição entrará em funcionamento dentro de um ano, segundo o Ministério da Fazenda, mas é fundamental sua aprovação pelo Legislativo brasileiro. Até a noite de sexta-feira, a expectativa era que a sede do banco, disputada por todos os membros, à exceção do Brasil, e a presidência da instituição, desejada pelo governo brasileiro e pelos demais integrantes do bloco, só serão decididas pelos chefes de Estado.

Fora da agenda oficial, a China voltará a insistir com a entrada de novos membros no bloco, começando pela Argentina — que vive uma das mais duras crises econômicas de sua história. O Brasil resiste a essa possibilidade. Argumenta que ainda é preciso dar uma roupagem melhor ao bloco. Os chineses conseguiram emplacar a África do Sul em 2011, mas não tiveram o mesmo êxito com México e Indonésia.

Há interesse dos países desenvolvidos na reunião de cúpula do Brics. O banco de desenvolvimento e o fundo de reservas para ajudar os países com problemas no balanço de pagamentos (contas com o resto do mundo), que também será criado, são competidores diretos do Banco Mundial e do FMI. Com isso, o bloco quer reafirmar sua posição de ter alternativas para o sistema financeiro mundial, fortemente questionado pelo grupo.

— Quanto mais competição, melhor — disse uma fonte da área econômica.

O governo brasileiro aposta nas reuniões bilaterais entre Dilma e o restante do Brics para fazer bons negócios. No encontro que terá com o presidente da China, Xi Jiping, Dilma pretende acertar a venda de 60 aeronaves da Embraer ao mercado chinês. Com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, será assinado um plano de ação, a ser executado até o fim de 2015, que prevê investimentos em projetos de ferrovias, portos, energia nuclear, petróleo e gás, entre outros.

Brasil e África do Sul negociam, de um lado, a liberação do ingresso de vinho sul-africano no Brasil e, de outro, acabar com os entraves à carne brasileira. Com a Índia, a ideia é expandir o comércio bilateral de US$ 9,5 bilhões em 2013 para US$ 15 bilhões até o fim de 2015.

— Cerca de 50% das exportações brasileiras para a Índia são do segmento de petróleo, e as importações, na sua maioria, são de óleo diesel, produtos que variam muito em função da oferta e do preço no mercado internacional — disse o subsecretário geral político do Itamaraty, embaixador José Alfredo Graça Lima, que também é o sherpa do Brasil.

CÂMBIO FORA DA AGENDA

Para o presidente do Conselho Empresarial Brasil-China, Sérgio Amaral, o Brics quer uma nova governança econômico-financeira, mas não se entende sobre a correção dos grandes desequilíbrios entre os países que exportam e têm superávits e os que importam e têm déficits. A superação desse obstáculo, afirmou Amaral, está relacionada à questão cambial, assunto que os integrantes do Brics não conseguem sequer discutir, porque a China não aceita incluí-la na agenda:

— Enquanto o Brics tem seu desempenho econômico menos expressivo, os países mais desenvolvidos estão saindo da crise, caso dos EUA e da União Europeia. Outro fator é que esse grupo original do Brics está sendo superado por alguns outros países em desenvolvimento com performance mais expressiva, como México, Coreia do Sul, Indonésia e Polônia. O que resta do Brics? O aspecto político.

Leonardo Paz, do Centro Brasileiro de Relações Internacionais, diz que ainda é difícil definir com clareza o perfil do Brics. Segundo ele, com a crise financeira mundial, o bloco idealizado pelo economista Jim O’Neill, no início dos anos 2000, acabou ganhando um tom mais político:

— O grupo precisará de um tempo para amadurecer.

oglobo.globo.com | 13-07-2014

O presidente russo, Vladimir Putin, se encontrou com o ex-líder cubano Fidel Castro e o atual presidente, Raúl Castro, na tarde da última sexta-feira, início de uma viagem de seis dias pela América Latina durante a qual a Rússia busca reafirmar sua influência na ilha comunista....
noticias.terra.com.br | 12-07-2014

Os líderes do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) terão nova oportunidade terça-feira, em Fortaleza, de fazer do grupo mais do que uma sigla. Dois itens da pauta podem tornar isto realidade: a criação do Arranjo Contingente de Reservas, com US$ 100 bilhões para ajudar países membros com problemas no balanço de pagamentos, um FMI do grupo; e um banco de desenvolvimento, com capital de US$ 50 bilhões, para financiar projetos sustentáveis de infraestrutura.

A reunião de Fortaleza ocorre num momento em que o Brics — acrônimo usado pela primeira vez há 12 anos pelo economista inglês Jim O’Neill, do Goldman Sachs, para designar grandes países emergentes em rápido desenvolvimento — não ostenta o brilho do passado. Em todos, o crescimento arrefeceu em alguma medida, um reflexo, para alguns, ainda das turbulências mundiais, embora os Estados Unidos já deem sinais de recuperação com uma certa consistência. No caso do Brasil, as causas são internas. Mesmo a China, na delicada manobra de troca de indutor de expansão, dos investimentos para o consumo, viu seu ritmo de crescimento ficar no patamar dos 7%, abaixo dos 9% a 10% de passado recente. Já que foram reunidos numa sigla por O’Neill, esses países decidiram fazer por onde. O objetivo era unificar o discurso em meio à grave crise financeira que o mundo atravessava. A primeira reunião foi em 2009, em Yekaterinburgo (Rússia), e a última, no ano passado em Durban, África do Sul. Há, evidentemente, dificuldades para se chegar a uma agenda comum entre países tão díspares — econômica, cultural e politicamente. Inclusive porque há interesses conflitantes entre Brasil, China e Índia, como ficou atestado no fracasso da Rodada de Doha, em 2008, em Genebra, criada para e liberalização do comércio internacional.

Os percalços não impedem que esses países se aproximem e falem em conjunto. Naturalmente, em contraposição aos EUA e, às vezes, à União Europeia. Foi este aspecto, aliás, que chamou a atenção da diplomacia companheira: participar de um eixo internacional forte contra “o Norte”. Pois a marca da política externa lulopetista foi ressuscitar, de forma anacrônica, a visão Sul-Sul. Com isto o país se viu capturado na armadilha de um Mercosul em esvaziamento, enquanto o governo se mostrava blasé diante do maior mercado consumidor do mundo (EUA). São vários os equívocos da política externa lulopetista. Um deles, achar que o Brics seria antiamericanista, sem considerar que a saúde financeira da China depende dos EUA. Mas o Brics é importante fórum para o Planalto, na hora em que o país enfrenta percalços, com risco de estagflação, e por ter sua importância diminuída no mundo à medida que aceita com passividade o atoleiro em que a crise argentina o coloca. Quanto mais não seja, permitirá a Dilma o convívio com os líderes presentes — o chinês XI Jiping, o russo Vladimir Putin, o sul-africano Jacob Zuma e, ainda, conhecer o premier Narendra Modi, recém-eleito na Índia.

oglobo.globo.com | 12-07-2014

BRASÍLIA Os líderes do Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) vão destacar sua “profunda decepção” com a demora na reforma do sistema financeiro mundial, no documento final a ser divulgado na próxima terça-feira, último dia do encontro de cúpula, em Fortaleza, no Ceará. Embora decididas em 2010, na reunião do G-20 financeiro — grupo das 20 maiores economias do mundo —, as mudanças que têm o objetivo de dar maior peso às nações emergentes em organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) não se concretizaram, devido ao desinteresse dos países desenvolvidos.

— Vamos demonstrar nossa frustração com a paralisação do processo de reforma — disse uma fonte da área econômica, que está trabalhando no tema e não quis se identificar.

Serão assinados quatro atos no evento em Fortaleza: o lançamento de um acordo contingente de reservas, em que estarão disponíveis US$ 100 bilhões para ajudar os países do Brics que estiverem com dificuldades em seus balanços de pagamentos; a criação de um banco para financiar projetos de infraestrutura; um memorando de cooperação entre as agências de garantia de crédito à exportação; e um convênio entre os bancos de desenvolvimento das nações do bloco — no caso brasileiro, o BNDES.

Segundo essa fonte, com um capital de US$ 50 bilhões, o banco de desenvolvimento do Brics vai financiar projetos de infraestrutura que sejam sustentáveis dos pontos de vista ambiental, social e econômico.

BRASIL QUER PRESIDIR INSTITUIÇÃO

Em um futuro próximo, países fora do bloco poderão se beneficiar com os empréstimos. Falta decidir, continua essa fonte, onde ficará a sede do banco e que país assumirá a presidência rotativa da instituição, que terá mandato de cinco anos não prorrogáveis.

— O Brasil não tem interesse em sediar o banco, mas gostaria de ser o primeiro presidente — revelou o técnico.

E a China deve propor a entrada da Argentina no bloco. A informação foi divulgada ontem pela agência de notícias oficial da Argentina, Télam, citando fontes da chancelaria chinesa.

Na terça-feira, o subsecretário para Assuntos Políticos do Itamaraty, José Alfredo Graça Lima, afirmara que os textos finais para a criação do banco de investimentos do Brics e do Arranjo Contingente de Reservas (ACR, uma espécie de fundo) estão “praticamente sacramentados” e passam agora apenas por revisão da área jurídica dos países.

Paralelamente à cúpula do Brics, a presidente Dilma Rousseff terá reuniões bilaterais com cada um dos chefes de Estado do bloco: o presidente da China, Xi Jinping; o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; e os presidentes da Rússia e da África do Sul, Vladimir Putin e Jacob Zuma, respectivamente.

Terminado o encontro de cúpula em Fortaleza, os chefes de Estado desembarcarão em Brasília, na próxima quarta-feira, para uma reunião com os presidentes da América do Sul. A expansão do comércio e dos investimentos com a região será o principal assunto a ser tratado.

De acordo com o Palácio do Planalto, após o encontro entre Brics e sul-americanos, Dilma receberá o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. Junto com os Estados Unidos, a União Europeia quer saber detalhes sobre os mecanismos a serem criados pelo Brics.

* Colaborou Catarina Alencastro

oglobo.globo.com | 10-07-2014

BRASÍLIA — Os programas de governo de dois dos três principais candidatos à Presidência abordam de forma vaga os temas mais espinhosos da economia: a inflação elevada, a deterioração da política fiscal e o baixo crescimento. Enquanto o plano da presidente Dilma Rousseff se limita a dizer que ela será “intransigente no combate à inflação”, o de Eduardo Campos (PSB) sequer toca no assunto. Já o do tucano Aécio Neves (PSDB) é um pouco mais detalhado e propõe uma redução tanto do centro da meta de inflação, hoje fixada em 4,5%, quanto da margem de tolerância, que é de dois pontos percentuais para baixo ou para cima.

GASTOS PÚBLICOS EM XEQUE

Também na área fiscal, o programa de Aécio é o único que fala na realização de superávits primários (economia feita pelo governo para o pagamento de juros da dívida pública) e no controle dos gastos públicos. Já Dilma, cuja equipe econômica é acusada de realizar uma política fiscal expansionista que aumentou excessivamente os gastos públicos e ainda prejudicou o combate à inflação, não falou de que maneira vai reverter o quadro atual. Em maio, por exemplo, o setor público registrou um déficit primário de R$ 11 bilhões, o pior desde 2001.

A professora de Economia da UFRJ Margarida Gutierrez ressalta que as propostas dos candidatos na área fiscal tendem a ser mais rígidas durante a campanha do que acaba ocorrendo na prática:

— É muito difícil conter os gastos públicos. Se o futuro presidente conseguir ao menos fazer com que as despesas do governo cresçam abaixo da taxa de crescimento da economia, já será um grande avanço.

O programa da presidente se limita a dizer que o novo ciclo de crescimento proposto pelo PT tem como alicerce “o fortalecimento de uma política macroeconômica sólida” e o “rigor fiscal”. O texto ressalta que os governos petistas adotaram uma estratégia que permitiu a queda da dívida líquida do setor, que teve uma redução de 60,2% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) em 2002 para 34,6% em 2014.

“Sob qualquer ótica, os indicadores macroeconômicos mudaram de patamar”, afirma o programa de Dilma. No entanto, o texto não menciona o fato de a dívida bruta — um dos principais parâmetros observados pelo mercado na hora de avaliar a situação das contas públicas de um país — estar subindo e preocupando o mercado. No ranking do Fundo Monetário Internacional (FMI), por exemplo, o Brasil é uma das economias emergentes em pior situação. Os dados apontam que, no Brasil, a dívida bruta fechou 2013 em 66,3% do PIB e terminará 2014 em 66,7% do PIB. Já a China deve terminar este ano em 20,2% do PIB; a Índia, em 65,3%; e a Rússia, em 13% do PIB.

O plano de Campos na área fiscal diz apenas que “a condução da política econômica requer planejamento de médio e longo prazos” e ressalta a importância de implantar no Brasil um projeto de crescimento com sustentabilidade, uma plataforma de sua vice Marina Silva. Um dos coordenadores do plano de governo do presidenciável do PSB, o ex-deputado Maurício Rands, explicou que o programa será detalhado futuramente.

O programa de Aécio também defende a autonomia operacional do Banco Central para fixar a política de juros no país. Já Dilma e Campos não tocam no assunto. Em comum, os três programas de governo têm o discurso em favor do aumento dos investimentos em infraestrutura, com simplificação tributária e redução de burocracia.

oglobo.globo.com | 10-07-2014

BRASÍLIA - Não adiantou o apelo feito pelo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), ao receber em audiência o vice-presidente da Duma Estatal da Assembleia Federal da Rússia (equivalente à Câmara dos Deputados), Alexander Zhukov, de que poderiam falar sobre tudo, exceto futebol. A derrota do Brasil para a Alemanha por 7 a 1 foi comentada, de maneira bem humorada pelo russo no encontro, que teve a presença de outros deputados russos e brasileiros e do primeiro-vice-presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Os deputados russos retribuem visita oficial feita pelos deputados brasileiros no ano passado. A visita antecede a vinda do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin que virá ao país para reunião dos BRICS (bloco formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em Fortaleza e deverá também participar da final da Copa, já que a Rússia será sede do próximo torno, em 2018.

Henrique brincou, afirmando depois de cumprimentar o vice-presidente da Duma e os demais deputados russos:

- Só não vamos falar de futebol. Futebol agora, só lá na Rússia.

Depois do encontro, Zhukov fez questão de conhecer o plenário da Câmara, acompanhado de Chinaglia, e depois conversaram com a imprensa.

- A gente discutiu que a próxima Copa será realizada na Rússia e no final vai ser Brasil e Rússia e o resultado vai melhor - disse Zhukov, segundo a tradutora oficial.

Chinaglia completou a fala acrescentando que durante o encontro Zhukov fez um provocação, bem humorada, citando a atuação conjunta Brasil e Alemanha frente às denúncias de espionagem do Estados Unidos sobre cidadãos e as duas comandantes dos países, Ângela Merkel e a presidente Dilma Rousseff.

- Ele falou que tinha dúvidas se o Brasil e a Alemanha continuariam a atuar juntos depois do resultado de ontem, ao que eu respondi: se nós fôssemos misturar futebol e política, como construiríamos o BRICS sendo que o Brasil é pentacampeão e nenhum dos outros países é campeão mundial - contou Chinaglia.

Uma comitiva de parlamentares brasileiros, chefiada por Henrique Alves, fez uma visita oficial ao parlamento russo em junho do ano passado, quando estouraram as primeiras manifestações de rua no Brasil. Chinaglia disse que é importante a troca de informações e a discussão de temas entre os dois parlamentos como forma de estreitar os laços e ampliar a relação comercial entre os dois países. Segundo Chinaglia, a meta é chegar a US$ 10 bilhões na relação comercial, com aumento significativa dos investimentos russos no Brasil e vice-versa.

A imprensa perguntou a Zhukov se ele teria conhecimento de pedido feito pelo advogado de Edward Snowden para estender o asilo na Rússia e se sabia de alguma resposta do governo russo em relação a isso; Zhukov disse que não tem conhecimento, não falaria sobre isso. Segundo Chinaglia, no encontro a questão do pedido de asilo de Snowden ao Brasil não foi tratada.

oglobo.globo.com | 09-07-2014

RIO - O subsecretário para Assuntos Políticos do Itamaraty, José Alfredo Graça Lima, afirmou nesta terça-feira que os textos finais para a criação do banco de investimentos dos Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e do Arranjo Contingente de Reservas (ACR, uma espécie de fundo) estão "praticamente sacramentados" e passam agora apenas por revisão da área jurídica dos países-membros. A VI Cúpula dos Brics será realizada nos dias 14, 15 e 16 de julho em Fortaleza e em Brasília.

Ao participar de coletiva de imprensa no Centro Aberto de Mídia da Copa, no Forte de Copacabana, o embaixador disse não prever dificuldades nesse sentido e destacou que os dois instrumentos são uma demonstração de que esses países não dependem das instituições internacionais. Ele revelou que o nome provisório da instituição financeira é Novo Banco de Desenvolvimento, mas que também está em discussão o nome Banco de Desenvolvimento dos Brics. Falta definir ainda, segundo Graça Lima, a sede do banco e também a presidência provisória.

— Os textos estão praticamente sacramentados. O que está pendente é a sede do banco, sendo que foi amplamente noticiado que Xangai concorre na frente, e a presidência rotativa. Não antecipo nenhuma dificuldade que não possa ser superada: tanto o banco quanto o arranjo de reservas já têm textos praticamente acabados — disse o embaixador.

O banco será criado com capital de US$ 50 bilhões, podendo chegar a US$ 100 bilhões. Do capital inicial, cada membro responderá por US$ 10 bilhões. Essas cotas iguais, segundo o embaixador, são justamente para evitar uma influência maior de algum membro.

Já o Arranjo Contingente de Reservas (ACR) terá US$ 100 bilhões. Ele funcionará como uma espécie de fundo no caso de crises no balanço de pagamentos de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Neste caso, a China terá uma contribuição maior, de US$ 41 bilhões, enquanto Brasil, Rússia e Índia vão responder por US$ 18 bilhões cada um. A África do Sul, por sua vez, fará aporte de US$ 5 bilhões.

Graça Lima destacou que o banco e o fundo podem ser vistos como uma resposta à falta de reformas nas instituições multilaterais, mas que não são só isso. Ele explicou que esses novos instrumentos são como "instituições espelho" do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, embora não haja interesse em concorrer ou confrontar as instituições já existentes. Neste sentido, afirmou que seria um exagero falar em Bretton Woods do século XXI – encontro de líderes que culminou na criação do FMI e do Banco Mundial -, mas que a comparação não é absurda.

O banco tem como objetivo financiar projetos de infraestrutura e sustentáveis dos cinco países-membros, mas também será aberto a outros países em desenvolvimento. As condições da liberação dos recursos para outros países, no entanto, ainda devem ser discutidas, segundo Graça Lima.

Questionado sobre a falta de consenso em questões como candidatura a presidências do Banco Mundial e do FMI, Graça Lima reconheceu que há falta de consenso entre os países-membros dos Brics em alguns pontos, mas disse que isso não afeta o bloco. Segundo ele, os integrantes são países com potencial e que podem contribuir para uma nova ordem econômica e política internacional:

— É mais fácil dizer o que o Brics não é do que o que é. Não é uma organização multilateral, não é uma união aduaneira, tampouco uma área de livre comércio. Mas é um mecanismo de consulta entre os cinco países membros. Até hoje pode ser que haja dúvida sobre sua utilidade. Para que serve? O Brics serve para os países se conhecerem melhor. São países-baleia, com enorme potencial e que podem ter muitos benefícios e contribuir para uma nova ordem econômica e política internacional, servir como um polo, um elemento capaz de prover maior interdependência global.

Ele citou ainda outras 30 áreas de colaboração entre os países do Brics, em áreas como comércio, energia e educação. Para o embaixador, é "um pouco excessivo fazer cobranças até certo ponto indevidas" sobre a falta de consenso e citou o fato de China e Rússia serem membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, enquanto os demais não são. Sua avaliação é de que isso não afeta a operacionalidade do bloco:

— É preciso ter um pouco de paciência e confiança de que o bom senso acabe no fim das contas prevalecendo e nós possamos realizar esse ideal de um mundo mais multipolar em que o Brics pode ser um elemento no mundo multipolar.

CHEFES DE ESTADO CONFIRMADOS

O texto final da Cúpula está em revisão pelos negociadores dos cinco países em Brasília e deve ser concluído até sexta-feira para depois ser encaminhado aos ministros de Economia e presidentes de bancos centrais, que se reúnem em Fortaleza na segunda-feira. Na terça-feira, será o encontro dos chefes de Estados, que serão os responsáveis pela divulgação desse documento final do encontro. Segundo Graça Lima, são cerca de 50 parágrafos e é possível que a questão da Ucrânia seja citada no texto, tema sensível para a Rússia.

— A vertente mais visível do Brics tem sido a econômica financeira, (...), mas é evidente que existe a vertente política e não ignoram os acontecimentos da realidade. (...) Por isso é possível que haja menção à crise ucraniana. Minha suspeita informada é que venha em linha de manifestações pregressas. Os quatro países do Brics, com exceção da Rússia, se abstiveram da votação da ONU (sobre o referendo da Crimeia sobre a secessão da Ucrânia) — apontou.

Foram confirmadas as presenças dos cinco chefes de Estado na cúpula de Fortaleza: o presidente da China, Xi Jinping, da Rússia, Vladimir Putin, da África do Sul, Jacob Zuma, e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, além da presidente Dilma Rousseff. Putin e Zuma acompanham a final da Copa do Mundo no Maracanã, no domingo, ao lado de Dilma, e depois seguem para Fortaleza, enquanto os demais devem ir direto para a capital do Ceará.

A cúpula será realizada nos dias 14 e 15 de julho em Fortaleza e depois continua em Brasília no dia 16. Neste dia, Modi tem um encontro particular com a presidente Dilma. E, à noite, começa a visita de Estado do presidente chinês, Xi Jinping, que se estende pelo dia 17. Está previsto um discurso de Jinping no Congresso Nacional e um encontro com os quatro países do quarteto da Comunidade de Estados Latino-americanos (CELAC) – Costa Rica, Cuba, Equador e São Vicente e Granadinas.

oglobo.globo.com | 09-07-2014

Os cinco países que formam os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) chegaram a um amplo consenso, nesta segunda-feira, sobre a criação do banco de desenvolvimento de US$ 100 bilhões, embora algumas diferenças permaneçam, afirmou um diplomata chinês nesta segunda-feira antes da reunião de cúpula no Brasil na próxima semana. Os chefes [...]

O post Brics chegam a consenso e formam banco de investimentos alternativo ao FMI apareceu primeiro em Jornal Correio do Brasil.

correiodobrasil.com.br | 07-07-2014

KIEV - A Ucrânia propôs um local e um horário no sábado para conversar sobre um cessar-fogo duradouro com rebeldes separatistas do Leste da Ucrânia e aguarda uma resposta, informou o site da Presidência. O site não mencionou o local, mas um diplomata ocidental espera que a reunião aconteça novamente na cidade de Donetsk, polo industrial no leste ucraniano onde os rebeldes autoproclamaram uma república autônoma.

Em um dos piores episódios de violência desde que o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, suspendeu o cessar-fogo unilateral em 30 de junho, o quartel-general da operação contra os separatistas da Ucrânia afirmou que pelo menos 13 militares ucranianos foram mortos nesta sexta-feira.

Mais de 200 funcionários do governo morreram, assim como centenas de civis e rebeldes, nos mais de dois meses de combates nas regiões do leste, onde a maioria fala russo e quer se unir à Rússia. Kiev afirmou que os militares do país sofreram baixas de franco-atiradores perto da cidade de Slaviansk, enclave rebelde e palco de conflitos onde os bombardeios deixaram as ruas esburacadas e edifícios danificados e chamuscados. As forças ucranianas afirmaram nesta sexta-feira ter recuperado o controle do vilarejo próximo de Mykolayivka após intensos combates.

APELO À Rússia

“No decurso da operação, numerosos terroristas foram aprisionados e um arsenal considerável de várias armas foi tomado”, disse um comunicado no Facebook. Slaviansk, cidade de 130 mil habitantes, e vilarejos vizinhos vêm sendo o principal alvo da iniciativa militar da Ucrânia para expulsar combatentes leais ao comandante rebelde moscovita Igor Strelkov.

Strelkov fez um apelo emocionado à Rússia nesta sexta-feira, alertando em um site rebelde que, sem a ajuda de Moscou, toda a região que os combatentes almejam, conhecida como Novorossiya (Nova Rússia), irá tombar diante das forças de Kiev.

"Slaviansk irá cair antes do resto”, escreveu. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia acusou a Ucrânia de arriscar a vida de civis inocentes na região. “Pedimos às autoridades ucranianas que cessem o fogo contra alvos civis e áreas residenciais”, declarou. O comunicado no site de Poroshenko disse que o mandatário informou a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, que Kiev propôs um local e um horário para as conversas de sábado, mas autoridades separatistas insinuaram que o local pode ser um problema, já que líderes rebeldes podem ser presos pelas autoridades ucranianas se saírem dos seus bastiões.

A economia da Rússia pode enfrentar mais sanções dos Estados Unidos e da UE se os separatistas não atenuarem a crise, um problema que o presidente norte-americano, Barack Obama, conversou com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, novamente nesta sexta-feira.

oglobo.globo.com | 04-07-2014

BRUXELAS — Governos europeus estudam impedir que a Rússia tenha acesso a fundos multilaterais de empréstimos como forma de punir Moscou pelo que consideram um apoio aos separatistas do Leste da Ucrânia, segundo autoridades.

O estudo preliminar avalia impedir empréstimos de bancos como o Banco Europeu de Investimentos e o Banco Europeu para a Construção e o Desenvolvimento, informaram diplomatas e um funcionário alemão.

A ideia da União Europeia é pressionar o presidente russo Vladimir Putin para que ele recue em seu apoio aos rebeldes, principalmente os da autoproclamada República Separatista de Donetsk. Putin nega ter controle sobre os separatistas, mas Kiev questiona a capacidade de organização deles e diz que armas são enviadas através da fronteira russa.

Com as pressões, que podem alcançar setores inteiros da economia russa, a UE e os Estados Unidos pretendem forçar um cessar-fogo antes do fim desta semana.

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, já prometeu que continuará os ataques para “libertar a terra” dos “terroristas”.

Os europeus, porém, enfrentam dificuldades na execução de seus projetos de sanções, pois suas economias são muito integradas com a da Rússia, importadora de manufaturados e exportadora de gás. Setores da industria alemã, por exemplo, já se organizam contra o boicote à economia russa.

No caso do Banco Europeu para o Desenvolvimento, a integração é ainda maior, pois a Rússia é um dos 64 sócios da organização com sede em Londres. US$ 2,5 bilhões foram emprestados a Moscou no ano passado por essa instituição. O Banco Europeu de Investimento havia prometido outros US$ 1,3 bilhões.

Até o momento a UE impôs sanções a 60 pessoas na Rússia e na Ucrânia que incluem o congelamento de ativos e proibições de viagem.

oglobo.globo.com | 04-07-2014
Os EUA e a Alemanha concordaram em pressionar ainda mais a economia da Rússia a não ser que o governo de Moscou trabalhe para reduzir as tensões na Ucrânia em pouco tempo, afirmou a Casa Branca.
atarde.uol.com.br | 04-07-2014

WASHINGTON - A insistência da equipe econômica em manter a âncora cambial do Plano Real e a resistência do Banco Central (BC) à cooperação com o Fundo Monetário Internacional (FMI) quase custaram ao Brasil as duas etapas do socorro coordenado pelo Fundo, em novembro de 1998 e fevereiro de 1999, disse ao GLOBO a economista Teresa Ter-Minassian, chefe da missão brasileira do FMI entre 1997 e 2001. Os pacotes, que ela negociou com o então ministro da Fazenda, Pedro Malan, e os ex-presidentes do BC Gustavo Franco e Chico Lopes, foram essenciais para evitar o contágio irreversível da crise russa após a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o impacto da maxidesvalorização da moeda dois meses depois, salvando a economia do calote e da desestabilização.

O momento mais tenso foi o anúncio por Lopes do novo intervalo de flutuação administrada do câmbio, a banda diagonal endógena, em 13 de janeiro de 1999. Teresa Ter-Minassian foi avisada duas horas antes. Sem convencer a equipe econômica a adiar a mudança, que considerava desastrosa, teve que dizer à diretoria do FMI, “pela primeira vez na vida”, que os técnicos não tinham como apoiar a medida, o que inviabilizava nova ajuda.

— Foi um choque. A equipe do FMI não está acostumada com esse tratamento. Somos parceiros. Não se toma uma decisão dessa natureza, fundamental à estrutura do programa (em vigor desde novembro), sem consultar-nos e informando duas horas antes, por telefone. Ninguém veio a Washington, e não foi o presidente do BC que me ligou, acho que foi um vice. Não tinha como manter consciência profissional se dissesse à diretoria que aquilo era bom. A medida iria, como fez, desestabilizar expectativas e precipitar uma crise com os mercados.

Há um certo ressentimento no relato da negociadora, que se empenhou junto à diretoria, ao lado do vice-diretor-gerente do FMI à época, Stanley Fischer, para que a primeira ajuda ao Brasil fosse aprovada. Os EUA e países europeus se opunham a avalizar o pacote sem que o Brasil deixasse o câmbio flutuar, o que a equipe econômica descartava, por resistência de Gustavo Franco e seu então diretor de Política Monetária, Chico Lopes, diz Teresa.

Malan, Pedro Parente (secretário-executivo da Fazenda) e Murilo Portugal (diretor executivo pelo Brasil no FMI) eram mais receptivos às opiniões do Fundo. Ainda que tenham endossado a manutenção do câmbio fixo durante as negociações.

— Várias vezes senti que minha cabeça e a de Stanley estavam a prêmio. Lopes e Franco eram contrários a maior flexibilidade do câmbio. Achavam que permiti-la seria prejudicial às expectativas e viam a possibilidade, na minha percepção, como prova de falha da política deles. Ficaria claro adiante que era necessária mudança no comando do BC.

Fischer foi essencial na costura de apoio político ao Brasil — incluindo junto ao então diretor-gerente Michel Camdessus, inicialmente em cima do muro em relação ao socorro — e na liberação do pacote, para o qual contribuíram BIS (banco central dos BCs), Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento. Foi uma das maiores operações de socorro já coordenadas pelo FMI.

— Havia temor da equipe econômica de largar a âncora cambial. Apesar das apreensões, defendemos um programa focado no ajuste fiscal, deixando o câmbio como o Brasil queria. O país precisa se sentir dono do programa para implementá-lo. Não digo que foi um erro do FMI, mas não foi a decisão técnica correta. Stanley colocou assim a questão aos membros do Fundo: se der errado, eles vão se dar conta de que este não é o caminho; vamos dar-lhes uma chance. E o pacote passou — relata.

A negociadora diz que a primeira tranche do pacote era paliativa, pois a avaliação era que a manutenção do câmbio fixo tornara-se insustentável, “era apenas questão de quando e como haveria a desvalorização”. O nível de tensão era maior porque estavam no auge os atritos entre Fazenda e BC. O Banco Central não compartilhava dados com o FMI.

— Eu não dormia — diz Teresa. — Estava clara a tensão na equipe econômica, e o BC não nos passava muita informação. Não sabíamos o que planejavam para o câmbio. Aí Franco saiu, Lopes assumiu e teve aquele anúncio da banda diagonal endógena, que deixou a situação complicada.

Com a reação adversa de equipe técnica e membros do FMI e o chamado “efeito samba” nos mercados, Fischer ligou para Malan, de quem era amigo, e convocou o ministro e o presidente do BC para uma conversa em Washington, no fim de semana após a nova banda de Lopes. Com baixas reservas internacionais, o país não conseguia conter o ataque especulativo contra o real. O mercado testava a capacidade de o BC manter a cotação do dólar flutuando no intervalo definido, e a moeda americana explodiu em valor, ultrapassando R$ 2 — após quatro anos e meio quase empatada com o real:

— Foi uma conversa muito difícil, expusemos nossas contrariedades e a impossibilidade de novo pacote se não fossem emitidos sinais de mudança. Ali ficou acertado que o Brasil teria que deixar a taxa de câmbio flutuar, o Plano Real chegaria ao fim como o conhecíamos, que veríamos como e quais partes do plano poderíamos salvar e criaríamos novo arcabouço (da política econômica).

O que estava implícito no discurso era a condição do FMI para retomar a assistência: a substituição da equipe que comandava o BC desde o início do Real. Não havia clima ou condições para a missão trabalhar com Lopes ou a diretoria do Fundo avalizar qualquer socorro enquanto o time original estivesse à frente do BC. A ajuda era vital, lembra Teresa:

— Estava pessimista, não havia confiança suficiente no BC para a segunda tranche. E não era só pelo FMI dar dinheiro. Era um pacote imenso, com BIS, tinha que ligar para os bancos para abrir linhas de crédito, precisei viajar para Europa... O Brasil tinha que deixar o dólar flutuar com uma rede de segurança. Sem ajuda do Fundo, seria queda livre, poderia ter havido um calote e todas as consequências econômicas terríveis.

‘VEJO UM PERÍODO MUITO DIFÍCIL PARA O BRASIL’

Dias depois do encontro em Washington, Teresa desembarcou em Brasília para começar as negociações com o governo FH. Preparando-se para a primeira reunião, em 2 de fevereiro, recebeu pela manhã uma ligação de Pedro Parente.

— Ele me disse para não aparecer na Fazenda antes do meio-dia, que eles tinham que fazer primeiro um anúncio. Aguardei. Eram a demissão de Lopes e a chegada de Arminio Fraga para presidir o BC. Foi um grande alívio — afirma Teresa.

Arminio trouxe os conhecimentos do mercado e maior objetividade à resolução da crise, relembra Teresa, e contribuiu para que a equipe voltasse a trabalhar azeitada. Logo o segundo desembolso do FMI ocorreu. Em março, ele implementou um grande choque — cujo maior destaque foi a elevação dos juros para 45% ao ano. Os mercados se acalmaram rapidamente, diz Teresa:

— Como não era parte do grupo de arquitetos do plano, Arminio teve as condições e o desprendimento para fazer as mudanças. Deve-se muito crédito ao Malan por ter reconhecido o erro, decidido adotar o câmbio flutuante e as políticas que o acompanharam e convencido FH a bancá-las.

Para ela, a ação foi benéfica à economia global:

— O mundo não havia se recuperado da crise asiática, a Rússia dera calote, a Argentina estava cambaleante. Era necessário um caso de sucesso, uma economia que pudesse emergir de uma crise sem perdas colossais de PIB, restabelecendo credibilidade. Foi um divisor de águas para o FMI.

Teresa, que hoje é consultora, não engrossa o coro de quem acusa a equipe econômica de ter colocado o país em risco, sem fazer a desvalorização em 1998, para garantir a reeleição de FH. Em conversas privadas, o FMI tentara convencer o time a permitir influência maior do mercado na cotação do dólar. O Fundo defendia que o Brasil acumulava desequilíbrios, que tornariam o ajuste mais custoso:

— Pode até ser que manter a liderança de FH, que havia blindado a equipe econômica, entrasse no cálculo de alguma forma. Mas o que vi foi medo de abandonar a âncora cambial e a inflação voltar. O Brasil estava há menos de quatro anos fora da hiperinflação, dava para entender. Mas foi um erro.

Teresa vê efeitos colaterais para o país:

— A agenda de reformas estruturais foi de alguma forma abandonada. Foi feito muito pouco no segundo mandato de FH e no primeiro de Lula. Vejo um período muito difícil para o Brasil à frente.

oglobo.globo.com | 01-07-2014
'Já estamos pensando na formação da próxima geração, mas precisamos nos concentrar no hoje, porque, agora, ou vencemos ou saímos', disse o alemão Jurgen Klinsmann, técnico dos Estados Unidos - Julio Cortez / AP

SALVADOR — A Bélgica já começa o jogo desta terça-feira, às 17h, na Fonte Nova, pelas oitavas de final, atrás dos Estados Unidos. Pelo menos fora de campo. Em quatro anos, o futebol cresceu 133% nos EUA, onde a Major League Soccer (MLS) faturou € 400 milhões, em 2013, e entrou em 10º no ranking das ligas mais lucrativas. No mesmo período, o campeonato belga arrecadou pouco mais que a metade: € 260 milhões.

Para comparar a força econômica das ligas mais poderosas, a empresa inglesa de consultoria Delloite publicou os dados financeiros dos campeonatos, levando em conta os direitos de transmissão, marketing e arrecadação com sócios e bilheterias. A mais lucrativa é a Premier League, da Inglaterra, com € 2,9 bilhões, em 2013. Em seguida, a Bundesliga, da Alemanha, com € 2 bilhões. As segundas divisões destes dois países também aparecem no ranking. Se forem considerados apenas os campeonatos principais, os EUA entram em 10º. O Brasil é o 7º, com os 20 clubes da Série A arrecadando € 800 milhões (R$ 2,4 bilhões).

O desenvolvimento da MLS em quatro anos só foi superado pela anfitriã da próxima Copa do Mundo, a Rússia, que está em 7º no ranking, cresceu 143% e arrecadou € 900 milhões. Amir Somoggi, consultor de marketing e gestão esportiva, prevê um crescimento ainda maior da MLS nos próximos anos, com a ampliação dos direitos de TV e mais patrocínios. A maior parte da arrecadação ainda vem de bilheteria (70%), o que explica a maciça presença de americanos no Brasil. Na Copa, eles compraram mais ingressos que os argentinos: 196.838 x 61.021. Os Brasileiros ficaram com 1,3 milhão na primeira fase do Mundial.

A audiência dos jogos da seleção americana tem alcançado picos comparáveis aos dos esportes mais populares do país (18 milhões de espectadores estimados contra Portugal). O dinheiro circula pela MSL e mantém a base da seleção no país. Seis jogadores do time considerado titular atuam em casa, e, no total, 16 dos 23 convocados jogam nos EUA. Com mais badalação, mas sem tanto dinheiro, a Bélgica não tem em seus 11 prováveis titulares um jogador que dispute o campeonato nacional e, dos 23, quatro jogam no país.

— Não tem mais como impedir o crescimento do futebol nos EUA. Há milhões de crianças jogando, e a energia que vem do país é imensa, positiva. Tem sido uma locomotiva para nós, porque nos encoraja muito, e não queremos desapontá-los — disse Jurgen Klinsmann, técnico dos EUA.

Do presidente Barack Obama, de TV ligada no jogo dos EUA em pleno voo do Air Force One, ao homem comum americano, que aprendeu a amar o futebol, a sintonia tem sido uma só graças ao desempenho dos americanos no Brasil.

— Este apoio significa muito para nós. O futebol realmente melhorou nos Estados Unidos, e os jogadores têm que abraçar este momento. Já estamos pensando na formação da próxima geração, mas precisamos nos concentrar no hoje, porque, agora, ou vencemos ou saímos — afirmou Klinsmann.

BELGAS: ESTRELAS NA EUROPA

Do outro lado, sem a economia efervescente do futebol na América, mas com astros milionários nas ligas europeias, a Bélgica venceu os três primeiros jogos sem convencer. Considerada a possível sensação da Copa, e diante dos EUA em ascensão, a derrota só terá um significado para os belgas.

— Fracasso. Está bem claro que, se não nos classificarmos, será um grande fracasso, porque temos grandes jogadores, e podemos ir adiante — disse o meia Witsel.

O treinador Marc Wilmots fez coro com o jogador, mas respondeu aos que querem ver a Bélgica, enfim, jogar bem:

— De quem está no topo, esperam qualidade. Podemos melhorar, mas não nos importamos com o que falam. Alguns diziam que a Espanha era maravilhosa. No Brasil e Chile, uma bola bateu na trave no fim da prorrogação. É assim que acontece. Deixo as pessoas reclamarem o quanto quiserem.

Wilmots vai esperar pelo zagueiro Kompany até a manhã desta terça-feira. Recuperando-se de lesão, o capitão é dúvida, O outro zagueiro, Vermaelen, tem lesão na perna esquerda e não joga. Expulso contra Coreia do Sul, o meia Defour teve a suspensão de um jogo mantida.

FICHA TÉCNICA
BÉLGICA X ESTADOS UNIDOS

Local: Arena Fonte Nova, em Salvador (BA)
Data: 1º de julho de 2014, terça-feira
Horário: 17 horas (de Brasília)
Árbitro: Djamel Haimoudi (Argélia)
Assistentes: Redouane Achik (Marrocos) e Abdelhak Etchiali (Argélia)

BÉLGICA: Courtois; Vanden Borre (Vermaelen), Van Buyten, Lombaerts (Kompany) e Vertonghen; Witsel, Dembele, Hazard, Fellaini e De Bruyne; Lukaku (Origi). Técnico: Marc Wilmots

ESTADOS UNIDOS: Howard, Beasley, Besler, González e Johnson; Jones, Bekerman, Bradley e Dempsey; Zusi e Altidore (Bedoya). Técnico: Jurgen Klinsmann

oglobo.globo.com | 01-07-2014

RIO — A beatlemania, os embates literários entre Rússia e Ucrânia, um passeio virtual pelos museus de São Petersburgo e o surrealismo são alguns dos temas abordados pelos cursos de verão da Casa do Saber O GLOBO. Com início marcado para a próxima quarta-feira, a programação inclui também aulas sobre vinhos de Portugal, astrologia e a filosofia do amor. Os sócios do Clube Sou+Rio, do GLOBO, têm descontos de 10% nos cursos à noite e de até 50% nos cursos à tarde.

— Tradicionalmente, dividimos a programação em três partes: Pensamento, que engloba filosofia e psicanálise, Artes e HCA, que engloba História, Ciências e Atualidades. A diferença nesta programação de férias é a ênfase em Artes, que não é habitual — explica o diretor de conteúdo da casa, Luiz Antonio Ryff. — Tentamos oferecer uma programação diversificada.

O jornalista (e cantor) Pedro de Freitas Branco vai ser o condutor de “Beatles — 50 anos da invasão americana” (início no dia 23 de julho). O curso vai tomar a lendária apresentação do grupo no programa de televisão do apresentador Ed Sullivan, em 1964, como ponto de partida para um abrangente olhar em torno dos Fab Four, que culmina com o assassinato de Lennon e a reunião dos demais na série “Anthology”, já nos anos 1990.

A porção atualidades se justifica com a inclusão do curso multidisciplinar “Rússia x Ucrânia: o conflito na literatura” (início em 3 de julho), que espelha nos livros o atual conflito político entre os dois países. A partir de textos de Gógol, Dostoiévski, Tchekov, Tolstói e Bulgakov, o escritor e tradutor Marcelo Backes vai tentar desvendar as almas russa e ucraniana e os conflitos entre elas.

— O conflito envolve questões que vêm sendo debatidas há séculos na literatura por esses autores — explica Backes.

HISTÓRIA E ECONOMIA

O mesmo aspecto multidisciplinar estará presente no curso “Surrealismos” (início em 11 de julho), dado pelo professor, artista plástico e consultor de arte Franz Manata, pelo psicanalista e crítico de cinema Luiz Fernando Gallego e pelo professor de literatura Marcelo Jacques de Moraes.

— Esse curso tem por gancho a exposição de Salvador Dalí no CCBB, mas com enfoque mais abrangente, discutindo a influência do movimento nas artes plásticas, na literatura e no cinema — explica Ryff.

Os cursos terão também aulas abertas, como “O Brasil da Inconfidência” (3 de julho), com o jornalista Pedro Doria, editor-executivo do GLOBO; e “Vinte anos depois do Real” (30 de julho), um debate com os economistas Pedro Malan e Gustavo Franco, com mediação da jornalista e colunista do GLOBO Míriam Leitão.

oglobo.globo.com | 30-06-2014

PARIS E TAL AVIV — Meses atrás, o estudante Mickael Bentura, 22 anos, andava por Paris quando viu um cartaz num muro com a frase: “Morte a Israel”. Ficou abalado e começou a arrancar o que pôde do papel colado à parede. Para ele, foi a gota d’água na decisão de deixar sua França natal e recomeçar a vida a milhares de quilômetros de distância.

— Uma semana depois, eu já estava lá. Meu coração sempre foi voltado para Israel, mas de repente me dei conta de que não quero andar pelas ruas com medo. Meu lugar é aqui — explica ele em Tel Aviv.

Mickael é parte da maior onda de imigração francesa para Israel em mais de quatro décadas. Desde o fim dos anos 1960, não havia desembarcado no Aeroporto Internacional de Tel Aviv, de mala e cuia, tal quantidade de judeus franceses. São estudantes, jovens famílias e até mesmo aposentados que decidiram trocar o país da Marselhesa pela Terra Santa. Eles citam o aumento do antissemitismo na França, a ascensão da extrema-direita, a crítica exacerbada da mídia em relação a Israel e a crise econômica europeia como as gotas d’água que os levaram a deixar a Europa para trás e rumar para o Oriente Médio.

Segundo dados da Agência Judaica, 2.254 franceses fizeram aliá para Israel de janeiro a maio de 2014 — quatro vezes mais do que no mesmo período de 2013. A cifra supera até mesmo a quantidade de judeus da Ucrânia (1.587), que também estão imigrando em massa por causa do conflito com a Rússia. A estimativa é de que, até o final do ano, cheguem mais de cinco mil judeus franceses, um aumento de 50% em relação a 2013 e de mais de 100% sobre a média anual dos últimos 20 anos: dois mil. O começo desse influxo foi sentido há sete anos e agora se igualou ao auge anterior, de 5.200 imigrantes franceses em 1967, após a Guerra dos Seis Dias. Hoje, vivem em Israel algo em torno de 200 mil cidadãos nascidos na França.

CHACINA TRAUMATIZOU COMUNIDADE

No cerne da decisão de partir, o antissemitismo é uma constante. Os 169 atos antissemitas cometidos em território francês no primeiro trimestre de 2014 representam um aumento de 44% em relação ao mesmo período de 2013, segundo o Serviço de Proteção da Comunidade Judia. O clima piorou com a ascensão da Frente Nacional (FN), da líder da direita radical Marine Le Pen, o partido mais votado na França nas eleições europeias de maio, junto com episódios como a polêmica envolvendo o humorista Dieudonné, conhecido por suas piadas e provocações de caráter racista e antissemita, cujo stand up “O muro” foi proibido em cidades da França. Sem citar o assassinato de quatro pessoas no Museu Judaico de Bruxelas, na Bélgica, no mês passado.

Mas o caso que realmente abalou o país ocorreu há dois anos, na matança protagonizada pelo terrorista Mohamed Merah em Toulouse e Montauban, com sete vítimas, sendo três crianças, na escola judia Ohr Torah. Em março, na lembrança dos dois anos da tragédia, o líder da comunidade judaica de Toulouse, Arié Bensemhoun, alertou para a deterioração do clima desde então e incitou judeus a partirem:

— Não vou mentir, sim, incito os mais jovens a fazerem aliá ou partir para outros horizontes onde poderão se desenvolver num judaísmo aberto, sem viver em permanente preocupação — disse.

Mas mesmo quem já não é jovem está partindo. O parisiense Gilles Nabet, de 62 anos, fermenta há uma década com a mulher, Marlène, 64, a ideia de se mudar para Israel. Hoje, o projeto virou prioridade.

— A comunidade judia não está mais segura na França, sobretudo após o crescimento da FN. O Estado não está mais em condições de garantir a segurança dos judeus da França.

Até 2015, Nabet espera concluir sua aliá e instalar-se em Tel Aviv. Deixará na França — país com a terceira maior quantidade de judeus (cerca de meio milhão), perdendo apenas para Israel (6,5 milhões) e os EUA (6 milhões) — os quatro filhos, de 36, 34, 28 e 22 anos.

— A melhor forma de salvar meus filhos é partir, para que eles tenham um porto seguro em Israel.

Para o governo israelense, a vinda em massa de judeus da França é ótima notícia. Os franceses têm, em geral, muitos anos de estudos e a maioria não chega com bolsos vazios ou fugindo de crises econômicas ou guerras. Boa parte é formada por judeus conservadores ou religiosos, que já falam algum hebraico, mas também há cada vez mais seculares. Para tentar atrair ainda mais judeus da Europa, Israel aprovou o desembolso de 60 milhões de shekels (US$ 17 milhões), com foco em França e Ucrânia até 2015.

Mas o medo não é o único impulso. A prosperidade da economia israelense, poupada nas recentes crises mundiais, aliada à identificação com o Estado Judeu, tornou o país atraente. Se na França o desemprego de jovens está em 25%, em Israel não passa de 11%. A efervescência de empresas de alta tecnologia atrai muitos deles. E a situação de segurança, mesmo sem paz com os palestinos, é de calmaria.

— As pessoas se sentem seguras e com futuro profissional — diz Sam Kadoch, diretor da ONG Centro Nacional de Estudantes Francófonos de Israel.

Outro imigrante recente, o pediatra Laurent Fermont, que chegou a Tel Aviv em abril e espera a chegada da mulher, também aponta o antissemitismo e também a constante crítica a Israel por intelectuais e a imprensa europeia. Mas, segundo ele, os judeus franceses ainda podem viver normalmente na terra da “igualdade, liberdade, fraternidade”.

— Não é preciso ficar paranoico. Ainda há judeus que ficaram na França e continuam levando uma vida normal e próspera. Mas os números não mentem: há uma sensação de insegurança no ar.

‘Para mim, está claro que Israel é o meu país’

Imigrantes francesas Johana e Sivane, em Tel Aviv - Daniela Kresch

As amigas Johana Benhamou (à esquerda na foto) e Sivane Brodach, de 19 anos, se conhecem desde o jardim de infância. Frequentaram o mesmo colégio judaico em Paris e dividiram os mesmos sonhos de adolescentes. Há dois anos, no entanto, elas começaram a planejar algo mais ambicioso, um passo que mudaria suas vidas: deixar seu país natal para morar em Israel. Com apoio dos pais, se despediram da Europa e rumaram para o Oriente Médio, dispostas a recomeçar a vida no Estado judeu. Motivos, garantem, têm de sobra.

— Para mim, está claro que Israel é o meu país — diz, resoluta, a extrovertida Johana, que há um ano mora em Jerusalém e trabalha como voluntária numa ONG de absorção de imigrantes como ela.

É assim que Sivane, a amiga um pouco mais tímida, também pensa. Ela aponta o aumento do antissemitismo no país onde nasceu como prova de que, fora de Israel, os judeus são vulneráveis. No caso da França, o preconceito é, segundo ela, consequência direta da imigração árabe para o país. Nos últimos anos, a hostilidade para com os judeus, por parte de alguns jovens árabes, se tornou mais latente e a levou a modificar seu dia a dia.

— Há um crescente aumento de radicais de direita, há muito antissemitismo nas ruas e muita hostilidade contra Israel, principalmente na imprensa. Eu tinha que pensar duas vezes antes de usar um colar com a Estrela de Davi ou uma camiseta com algo em hebraico. Nunca aconteceu nada comigo, mas todos os dias há notícias de judeus sendo agredidos.

"Se pudesse partir amanhã, não hesitaria"

Ana Luzia Rodrigues e Jérôme Borenstein - Álbum de família / álbum de família

O roteirista judeu Jérôme Borenstein, 34 anos, que tem uma filha de 7 meses com a brasileira Ana Luzia Rodrigues, batizada católica, não se mostra muito otimista.

— Se pudesse partir amanhã, não hesitaria. Não tenho a impressão de estar em constante perigo, mas sinto que o futuro não vai melhorar. Estamos indo ladeira abaixo. Não é 1933 na Alemanha, mas, para mim, a situação vai se deteriorar, resta saber se será lenta ou rapidamente — diz.

Na sua opinião, o antissemitismo nunca desapareceu, foi apenas amenizado no período pós-Holocausto, em que se tornou “símbolo do mal absoluto”.

— Antes, o antissemitismo gerava uma indignação geral, e hoje é acompanhando por uma indiferença geral, e se acha tudo bem as pessoas inclusive se reivindicarem antissemitas. Todo mundo que conheço quer deixar a França — desabafa.

Ana Luzia, 34 anos, diz entender o companheiro, embora não se sinta “tão atingida” quanto ele e discorde do êxodo de judeus da França motivado pelo “pânico”.

— Já estive muitas vezes em Israel, e sei que a vida lá também não é fácil. A aliá é um sonho, mas chegando lá se tem de lidar com a realidade de um país que vive uma situação também complicada, em guerra constante com o Hamas. Também não é muito pacífico — argumenta.

Para ela, a solução não está “na fuga”:

— Como cidadão, deve-se combater isso e não fazer as malas e ir embora.

oglobo.globo.com | 29-06-2014

RIO - Vinte anos depois do lançamento da moeda brasileira, o real, o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan revelou suas memórias sobre o momento crucial da economia, quando a inflação anual estava em quase 5.000%, em junho de 1994, e comentou a situação do país hoje, após duas décadas de estabilização. Um dos artífices do Plano Real avalia que as taxas de inflação “são civilizadas à luz de nossa experiência pretérita, mas continuam um pouquinho mais elevadas do que gostaríamos”. A crise de confiança, que abalou o país entre 1998 e 1999, após o colapso com os Tigres Asiáticos, em 1997, e a moratória da Rússia, em 1998, levando o dólar a custar R$ 2 e as reservas internacionais a se esvaírem, foi um dos momentos mais difíceis para o economista. A crise levou o Brasil a mudar o regime cambial de bandas para flutuante em janeiro de 1999.

— Não tinha medo de inflação. Tinha receio de uma crise de confiança grande. (...) Havia generalização da ideia de que país subdesenvolvido e em desenvolvimento era tudo igual. A confiança foi recuperada, com custo obviamente (o PIB ficou estagnado nos dois anos da crise e o rendimento do trabalho caiu 7% em 1999), mas depois do início de 1999, conseguimos recuperar isso, após a turbulência.

Malan, que ficou no governo de maio de 1991 a dezembro de 2002, como negociador da dívida externa brasileira, na presidência do Banco Central (BC) e no Ministério da Fazenda, não vê descontrole na inflação atualmente:

— É importante que, passados 20 anos, as taxas de inflação estejam relativamente civilizadas.

Indagado sobre o que faria de diferente em relação à montagem e administração do Plano Real, fez piada:

— Presumo que eu não possa dizer não ter aceito o Banco Central e o Ministério da Fazenda. Isso não vale como resposta (risos).

Para o ex-ministro, é natural a preocupação com a alta de preços, traduzida no movimento Rio $urreal, mas diz que “aquele tipo de inflação não volta”.

Recordista de inflação em três décadas: “As pessoas que têm menos de 40 anos não têm nenhuma experiência vivida da marcha da insensatez que foi a evolução da inflação no Brasil nas décadas que antecederam ao lançamento do real. O Brasil foi o recordista mundial de inflação nas três décadas que vão do início do anos 1960 ao início dos anos 1990. Entre 1980 e 1993, a inflação média foi superior a 600% ao ano: 100% na virada dos anos 1970 para os anos 1980, 200% em 1985, 1.000% em 1988/1989 e 2.500% em 1993. Isso felizmente ficou para trás. É importante, que passados 20 anos, taxas de inflação de inflação sejam relativamente civilizadas. São civilizados à luz de nossa experiência pretérita, mas continuam ainda um pouquinho mais elevadas do que gostaríamos”.

Aprendizado com outros planos: “Aprendemos com a experiência do Cruzado, em 86, com Plano Bresser em 1987, Plano Verão em 1988, Collor 1 em 1990, Collor 2 em 1991. Tanto é que, na equipe básica, sem a qual o real não teria sido concebido e implementado, tinham três veteranos do Cruzado, pessoas-chave, Pérsio (Arida), o André (Lara Resende) e Edmar (Bacha), aos quais se juntou Gustavo Franco também em 1993. Aprendeu-se muito com a experiência”.

O plano foi rapidamente aceito pela população: “Eu acho que o real teve uma conjugação de circunstâncias. Fernando Henrique conseguiu reunir em torno de si pessoas que já o conheciam há muito tempo, que se conheciam mutuamente, que se respeitavam. Nenhuma delas estava disputando poder. Quando nós anunciamos, em 7 de dezembro de 1993, a direção que íamos tomar, foi uma coisa muito importante que diferenciou o real de outras experiências. Não foi algo que surgiu de surpresa depois de um fim de semana, de um feriado bancário e que pegou a população de surpresa com tablitas e taxas de conversão, congelamentos, bloqueio de poupança, coisas desse tipo. Lembro-me de uma pergunta de um jornalista. O que vai acontecer amanhã ou a semana que vem com câmbio, dólar? Eu falei nada de diferente do que vocês estão vendo aqui. Foi uma razões da aceitação do êxito que foram fundamentais naqueles quatro meses de recontratação em URV.”

Hiperinflação não volta mais: “A agenda para o Brasil pós-real se confundia com a própria agenda do desenvolvimento econômico, social, político e institucional do Brasil. Ela envolvia não só área fiscal, do regime monetário, cambial, mas também outras mudanças para que o país pudesse, depois daquela experiência histórica de convivência com a inflação alta, crônica e crescente, conviver com taxas de inflação civilizadas. Eu acho que quando se olha os últimos 20 anos em perspectiva, isso aconteceu. Na experiência dos 50 anos anteriores, é um sucesso, mas isso não quer dizer de forma alguma que a inflação baixa, sob controle, está definitivamente incorporada ao DNA da sociedade brasileira, que não é preciso mais preocupação. Mas eu tenho certeza absoluta de que ela não volta, essa (inflação) passada. Eu espero que hoje a população brasileira considere a responsabilidade de qualquer governo, qualquer que seja sua coloração político partidária, preservar a inflação sob controle. E eu acho que isso é o grande legado do real. Eu não vejo o Brasil tendo aquele processo de inflação em que ela foi subindo de 40% para 100% para 1.000%. As pessoas já se deram conta que isso tem um custo altíssimo.”

Aonde não conseguimos chegar: “Sem estabilidade macroeconômica é difícil imaginar soluções duradouras para outros tipos de problema. Deveria ser o básico, como é hoje no mundo desenvolvido, considera-se que qualquer governo tem a responsabilidade de assegurar uma certa estabilidade, previsibilidade macroeconômica. Ter um regime monetário definido. O mesmo vale para o regime cambial que é o de taxa flutuante. A política de operacionalização contempla certo tipo de intervenção, do tipo que estão sendo feitas desde agosto, acho que corretamente, porque houve um excesso de nervosismo com os sinais de que o Fed (Banco Central americano) ia começar a reduzir suas compras e o câmbio foi a R$ 2,45 em 21 de agosto do ano passado. Não se justificava, o Banco Central fez bem em ter feito a intervenção. E temos o nosso calcanhar de aquiles que é a questão fiscal. É um regime de responsabilidade fiscal.”

Problemas que surgiram com fim da inflação: “O grande benefício que o real trouxe para o Brasil foi que ele permitiu que nós pudéssemos começar a encarar de frente questões que estavam mascaradas, obscurecidas pelo zumbido, zoeira, poeirada da inflação alta. Fomos obrigados a lidar com problemas de bancos. Nós tínhamos 28, 29 bancos comerciais e estaduais que faziam empréstimos a seus governos e às empresas de seus governos, que representavam uma parcela muito grande do seus ativos. Hoje nós devemos ter uma meia dúzia de bancos comerciais e estaduais e todos eles sabem que estão sujeitos à supervisão e fiscalização do Banco Central e podem ser liquidados. Isso teve que ser feito, tivemos que intervir em grandes bancos: Econômico, Nacional, Bamerindus e muitos outros que apareceram também, porque a inflação baixa faz com que os problemas apareçam. Houve um enorme dispêndio do capital político do governo Fernando Henrique Cardoso para lidar com problemas de banco, mas tinha que ser feito. Custoso como foi, inclusive politicamente. Nós reestruturamos as dívidas de 180 municípios no Brasil. Desde então estão adimplentes, todos mantendo a observância dos contratos. Mais uma urgência, uma coisa que tinha que ser feita. Outro exemplo do enorme dispêndio de capital político. Nós chegamos à conclusão de que o Brasil tinha enorme necessidades de investimento na área de infraestrutura, energia, transportes, gás, petróleo, mineração, rodovias, e que o setor público e suas empresas por si só não tinham condições de realizar os investimentos que o país demandava. O que nos levou, não por qualquer consideração de natureza política ou ideológica, a mudar os capítulos da ordem econômica da Constituição. Foi feito e foi algo importante, as privatizações. Tem gente que prefere falar em concessões. Não importa. Houve uma interrupção por um período longo, está sendo retomado agora, com atraso, perdemos algum tempo. O importante é que está sendo retomado. São evidentes as nossas deficiências na infraestrutura, mas ao mesmo tempo elas sinalizam oportunidades de investimento também. Portanto, eu acho que possível ter um processo de investimentos na área de infraestrutura no Brasil que ajude a retomada do crescimento. As oportunidades de investimento existem, são percebidas. Tem é que equacionar os mecanismos.”

Riscos para estabilização: “A inflação exige cuidados. Não tem risco de descontrole, não vejo nenhum desastre no front da inflação, mas eu acho que é importante manter as expectativas quanto ao curso futuro dos preços mais ou menos ancoradas num nível que seja percebido como não induzindo demandas por indexação (repasse para os preços da inflação passada). Quando as pessoas acham que a inflação está numa trajetória, ainda que muito lenta, ainda que muito pequena, mas que é ascendente ou que ela mudou de patamar, é natural que as pessoas queiram se precaver nos seus dissídios, nas suas correções de preços, queiram se precaver se ela aumentar um pouquinho mais. Ela exige eterna atenção e não é só da parte do Banco Central. Depois de certo ponto ela exige uma ação concertada de governo no seu conjunto. Não só a área econômica. Exige percepção de quão importante para o conjunto da população. Não interessa só ao governo. Interessa à renda disponível das famílias, interessa ao poder de compra das transferências de renda. Isso é algo fundamental.”

Renegociação da dívida externa: “Larry Summers (então secretário do Tesouro americano) sempre me disse que, se não tivesse acordo com o fundo (FMI), não teria emissão de títulos de 30 anos que os EUA emitiam para garantia. Nós íamos pagar só juros durante os próximos 30 anos. Amortização do principal só em 2023. A garantia eram títulos de 30 anos que eles faziam uma edição especial, fizeram para o México, Argentina. Eu sabia que era muito difícil ter um acordo com o fundo com inflação de 30% ao mês. Eu dizia, vamos cruzar esse rio quando chegarmos a ele. Para você ter uma ideia, nós tínhamos um bônus internacional, cujo título era bônus de interesses devidos e não pagos. Era nosso interesse eliminar esse bônus e substituir por outro. Fomos comprando discretamente, por longo período de tempo, títulos do Tesouro Americano para não depender da emissão especial do bônus do Tesouro Americano. Para isso, precisávamos ir devagar, ir com calma, eles acabaram se reforçando mutuamente, o fato de que havia a ideia de que o Brasil ia fazer uma aposta contra a hiperinflação em maio de 1993 ajudou na formação da maioria que se dispôs a preparar os contratos para assinatura no final de novembro daquele ano. Nós éramos vistos até ali como um país meio drogado, país meio viciado em drogas, meio bêbado, como um adolescente que ainda é meio destrambelhado no caminhar, no andar que anda esbarrando pelas coisas. O real e a negociação da dívida se reforçaram mutuamente na percepção por parte do resto do mundo sobre o Brasil.”

Crises: “Teve um momento que se tinha que tomar umas decisões em condições de risco, de incerteza, sem ter esse conhecimento que aqueles que se dedicam ao exercício de sabedoria posterior fazem. Em agosto de 1998, a Rússia decretou a sua moratória e houve a falência daquele grande fundo de hedge americano, com três prêmios Nobel no conselho, o LTCM. Foi a primeira vez que um presidente americano, Bill Clinton, pediu para ter uma conversa com alguns ministros da Fazenda e presidentes de Banco Central na reunião anual do Fundo Monetário Internacional em Washington, em setembro de 1998. A decisão de criar o G-20 surgiu aí. Havia o receio de que pudesse ser uma crise mais sistêmica. Eu não tinha medo de inflação. Eu tinha receio de uma crise de confiança grande. Foi o que nos levou a buscar um apoio, um apoio que nós obtivemos. Um programa de organizações multilaterais, BID, Banco Mundial, FMI e de cerca de 15 bancos centrais, que foi uma expressão de confiança no Brasil. Para nós, naquela época, o importante era a confiança. Confiança exige ação doméstica. Nós tomamos uma lá em final de 1997, que havia generalização da ideia de que país subdesenvolvido e em desenvolvimento era tudo igual. Todos os países asiáticos estavam em grande crise. Estávamos ainda saindo da resolução do problema bancário, com problemas fiscais tentando resolver, privatização ainda não tinha levado aos seus efeitos, acabado de mudar a lei do petróleo em 1997. Em 1998, eu me lembro bem, dia 8 ou 9 setembro, lançamos um decreto definindo os cortes de gastos, criando uma comissão de gestão e controle fiscal, com poderes para fazer o que fosse necessário para fazer.”

Desvalorização do real: “A percepção de crise nos levou a tomar uma decisão de deixar o câmbio flutuar. Mesmo que fizesse uma ampliação grande de banda, o mercado ia imediatamente testar o teto naquela situação. Então, ele flutuou. Foi lá no primeiro dia a R$ 1,4, R$ 1,5. Depois, com rumores, chegou a bater em R$ 2 em janeiro. Havia o problema de bancos comerciais retirando linhas de crédito de comércio, de linhas comerciais de curto prazo no Brasil. Visitamos dez grandes capitais do mundo no começo de março. Nossas reuniões foram todas em bancos centrais com os presidentes dos bancos centrais convocando os bancos locais. Conseguimos interromper a retirada de linhas de comércio.”

oglobo.globo.com | 29-06-2014

RIO — Passados 20 anos do Plano Real, os números da economia mostram o Brasil com inflação alta de Terceiro Mundo e crescimento baixo de país desenvolvido. Ao cruzar os dois indicadores com os de 32 países de América Latina, Brics (além do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), Tigres Asiáticos (Hong Kong, Coreia do Sul, Cingapura e Taiwan) e desenvolvidos, o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, encontrou a sétima maior inflação acumulada de 1995 a 2013, de 275,4%, mesmo com a estabilização — o que representou taxa média anual de 7,2%, pouco acima da expectativa de inflação do mercado para este ano, de 6,46%. Na América Latina, o Brasil só perde para Venezuela e Colômbia. No ranking de crescimento, o Brasil cai para o meio da lista. Está na 15ª posição, com média de expansão de 3%.

— O que essa tabela mostra é que, em termos de crescimento econômico, o Brasil tem característica de país desenvolvido (países maduros que crescem mais devagar). Já a inflação revela problema crônico de país de Terceiro Mundo. Podemos sintetizar o problema pelo custo Brasil, colocando no preço as nossas deficiências estruturais, como logística, mobilidade urbana caótica, burocracia, tributação complexa e excessivamente elevada.

‘CUSTO BRASIL AFUGENTA CRESCIMENTO’

O economista ainda cita problemas de ingerência política em decisões técnicas, o que provoca insegurança jurídica e baixo crescimento.

— Todo esse custo Brasil afugenta o crescimento. Os Tigres Asiáticos estão à frente do Brasil. Crescem quase o dobro, enfrentando adversidades externas maiores que o Brasil. Na comparação com os outros, é emblemática a nossa situação.

Essa situação não é à toa. O processo de estabilização do Brasil combateu 30 anos de indexação (repasse para os preços da inflação passada), afirma o decano da PUC e especialista em inflação Luiz Roberto Cunha:

— Ninguém teve 30 anos de indexação como nós tivemos. No crescimento, tivemos problemas sim, não evoluímos nas reformas como o Chile, a Colômbia e o Peru (todos tiveram expansão superior à do Brasil). Eles caminharam melhor do que nós. É claro que a complexidade da economia brasileira também é maior.

Para poder conviver com a inflação, foi criada a correção monetária no período militar, que embutia, na maioria dos preços, a inflação passada. A correção monetária foi extinta com o Plano Real.

Cunha afirma que a indexação ainda existe, atualmente causada por uma inflação renitente em 6%:

— A demanda por indexação cristalizada em 6% é muito grande, formal e informal. O aumento real do salário mínimo tem como contrapartida a inflação de serviços, que está comendo parte do ganho.

O professor da USP Heron de Carmo teme esse repasse da inflação passada aos preços de hoje. Para ele, o governo errou ao não reduzir para 3% a meta de inflação quando as taxas estavam perto de 4%, entre 2006 e 2007:

— A inflação começou a subir com os choques. Agora, vivemos administrando choques. Ainda temos o custo da taxa de juros entre as mais altas do mundo.

Há de se ter cuidado com as comparações, afirma Mônica de Bolle, da Galanto Consultoria, diante de estágios diferentes de desenvolvimento entre os países. Ela cita o exemplo da China, que deu um impulso no crescimento com a migração da população rural para as cidades, elevando a produtividade e o crescimento. O Brasil viveu este fenômeno com mais intensidade nas décadas de 1960 e 1970. A economista considera boa a média de 3% de crescimento anual, mas chama a atenção para o fato de esta performance ter piorado nos últimos anos. Para 2014, o Relatório de Inflação do Banco Central, divulgado semana passada, já prevê expansão da economia de apenas 1,6%. Mas a avaliação da economista não se repete para as taxas de inflação:

— Ficamos mal na foto na inflação. É alta a média de 7,2%. Muito longe da meta de 4,5%. Tem havido um enfraquecimento institucional no Brasil. Isso fica claro com a inflação muito alta. Se alguns preços não estivessem represados, poderia estar até acima de 7,2%. Deveríamos estar hoje bem abaixo desta média de 20 anos.

Cunha lembra que mesmo países que sofreram com inflação alta não tinham a tradição de indexação do Brasil, citando a quantidade de índices de preços aqui, com os da FGV, da Fipe e do IBGE.

Mônica afirma que Colômbia, Chile e Peru não tiveram o problema inflacionário do Brasil, mas conseguiram adotar políticas de abertura comercial e fazer reformas como a tributária e trabalhista:

— Quando se faz reforma estrutural, ganha-se eficiência. O crescimento sobe, e a inflação cai.

REAL: FALTA DE SURPRESA EXPLICA SUCESSO

Para Lia Valls, especialista em América Latina da Fundação Getulio Vargas (FGV), o Brasil se saiu bem, na medida do possível, principalmente baixando o patamar da inflação:

— Dentro do possível, a gente se saiu bem. Conseguimos, principalmente, sair da âncora cambial de uma forma que não causou muito trauma na economia. Conseguimos fazer isso de uma maneira que não a inflação não acelerou. Depois se criou um consenso de que a inflação é algo que a gente não deve aceitar.

Cunha afirma que o sucesso do real veio da falta de surpresas. Num artigo em dezembro de 1993, o professor da PUC explica cada passo do plano, com base na divulgação oficial, ao contrário de planos anteriores, que a população só sabia o que ia acontecer na hora.

Na avaliação do diretor do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica do Instituto de Economia da Unicamp, Francisco Lopreato, foi a renegociação da dívida externa que viabilizou o sucesso do Plano Real. Segundo ele, a experiência brasileira seguiu a de outros países da América Latina, que conseguiram se livrar da hiperinflação após reestruturar a dívida dos países.

— Não é coincidência que o Plano Real só tenha ocorrido depois da renegociação. Sem querer tirar o mérito do real, que foi um plano inteligente, o acordo da dívida retomou o acesso ao crédito internacional, o que tornou viável o plano.

oglobo.globo.com | 29-06-2014

Com uma economia muito diversificada, a Federação Russa possui importantes recursos naturais e humanos, que constituem forte potencial de desenvolvimento económico. O povo russo em geral, já a partir de meados da década de 1950, vivia bem melhor que os cidadãos de países capitalistas há muito orientados para o mercado, como o México, a Índia, o Brasil ou a Argentina. A taxa de analfabetismo era virtualmente zero, o ensino superior era muito bom e economicamente acessível; o desemprego quase não existia, a igualdade entre os géneros era uma das mais desenvolvidas do mundo, com as mulheres a chegar por vezes mais longe do que os homens nas suas carreiras, especialmente na ciência. Muitas famílias possuiam automóveis, TVs, gravadores de cassetes e podiam viajar de avião pelo menos uma vez por ano até às áreas balneares famosas do mar Negro. Mas a produção e distribuição de produtos de consumo (particularmente de vestuário e alimentos) era relativamente ineficiente e havia uma falta de habitação muito pronunciada em muitas das áreas urbanas, se bem que fossem raras situações de habitação precária ou insalubre. Contudo, desde a desintegração da União Soviética, em 1991, o caminho para a estabilização macroeconómica tem sido longo e difícil, A partir daquele ano, o país sofreu severa contracção económica ao longo dos cinco anos seguintes, enquanto o governo e o parlamento divergiam sobre a implementação das reformas. A base industrial do país foi seriamente atingida. O país tem passado por diversas crises, destacando-se a crise financeira de 1998, resultante fundamentalmente da crise financeira do Sudeste Asiático. Depois da dissolução da URSS, causada mais por razões étnicas do que económicas, a primeira recuperação russa, ainda ligeira mas já a mostrar os sinais da influência do mercado livre, ocorreu em 1997. Porém a crise financeira asiática daquele ano acabou por atingir a economia russa. Diante da significativa desvalorização do rublo, o governo Russo aumentou a taxa de juros, mas as medidas de política econômica fracassaram e a Rússia declarou uma moratória unilateral, gerando perdas a seus credores internos e externos. Assim, 1998 ficou marcado por ser o ano da crise financeira Russa, com intensa fuga de capitais e, na sequência, recessão. A economia começou a se recuperar em 1999, entrando numa fase de rápida expansão, com o PIB a crescer a uma taxa média de 6.8% por ano, entre 1999 e 2004, apoiado em preços mais altos no petróleo, num rublo mais fraco, e no aumento na produção de industrial e de serviços. Esta recuperação, a par de um renovado esforço governamental em 2000 e 2001 para fazer avançar as reformas estruturais, aumentou a confiança das empresas e dos investidores para a segunda década de transição. A Rússia permanece fortemente dependente de exportações de matérias-primas, em particular do petróleo, do gás natural, de metais e de madeira, que correspondem a mais de 80% do total das exportações, o que deixa o país vulnerável às oscilações dos preços do mercado mundial. Em anos recentes, no entanto, a economia também foi impulsionada pela crescente procura interna, que cresceu cerca de 12% ao ano entre 2000 e 2004, o que mostra o vigor do seu mercado interno. O PIB do país atingiu 535 bilhões de dólares em 2004, fazendo da economia russa a 16ª economia mundial, sendo que Moscou, concentra 30% da produção do país. Um dos maiores desafios dos formuladores da política econômica russa é o de encorajar o desenvolvimento de PMEs num ambiente empresarial dominado por oligarcas e dotado de um sistema bancário jovem e disfuncional. Muitos dos bancos russos pertencem a grandes empresários ou oligarcas, que usam frequentemente os depósitos para financiar os seus próprios negócios. O Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento e o Banco Mundial tentaram normalizar as práticas bancárias fazendo investimentos em acções ordinárias e na dívida, mas com um sucesso muito limitado. Outros problemas incluem um desenvolvimento económico desigual entre as regiões do país. Enquanto que a região de Moscovo, com a sua imensa população de 20 milhões de habitantes, é uma metrópole moderna, com setores de tecnologia de ponta e renda per capita próxima à das economias mais fortes da eurozona, o resto do país, em especial as comunidades indígenas e rurais da Ásia, vive como vivia no fim da Idade Média. A integração ao mercado também se faz sentir noutras cidades grandes como São Petersburgo, Kaliningrad e Ekaterinburg. Estimular o investimento estrangeiro é também um grande desafio. Até agora, o país tem se beneficiado do aumento nos preços de petróleo e tem sido capaz de pagar uma boa parte da sua dívida externa, que era gigantesca. O reinvestimento dos lucros obtidos pela exploração de recursos naturais em outros sectores da economia também é um problema. Em 2003, a prisão de Mikhail Khodorkovski, um dos oligarcas russos e, à época, o mais rico empresário do país, sob a acusação de fraude, evasão fiscal e corrupção durante as grandes privatizações conduzidas no governo de Boris Yeltsin, gerou certa desconfiança entre os investidores estrangeiros. Muitas das grandes fortunas actuais, na Rússia, parecem ter resultado da aquisição de propriedades estatais a muito baixo preço ou da aquisição barata de concessões governamentais. Outros países manifestaram a sua preocupação com a aplicação "selectiva" da lei contra empresários individuais. Apesar de tudo, algumas grandes firmas internacionais têm grandes investimentos na Rússia. Um exemplo é a fabricante de bebidas Scottish & Newcastle, que descobriu que o mercado da cerveja na Rússia crescia muito mais rapidamente do que noutras áreas da Europa. Quase duas décadas após o colapso da União Soviética, em 1991, a Rússia continua a tentar estabelecer uma economia de mercado moderna e de fato tem conseguido altas taxas de crescimento económico. Ao longo da década de 2000, a economia russa registrou taxas de crescimento acima de 7% em 2000 (10%), 2001, 2002, 2003, 2004 e 2007 (8,1%). Em 2005 teve alta de 6,4 e, em 2006, de 6,8%. Em 2008, a Rússia cresceu 6% e foi a 9ª economia do mundo. No entanto, diante da crise mundial e a queda dos preços do petróleo, as perspectivas para 2009 são mais sombrias. Em dezembro de 2008, a ministra da Economia, Elvira Nabiullina, previu 2,4% de crescimento do PIB para 2009, o índice mais baixo desde 1998 - o fatídico ano da moratória russa. A Rússia integra a área da APEC (Asia-Pacific Economic Cooperation), um bloco econômico que tem por objetivo transformar o Pacífico numa área de livre comércio e que engloba economias asiáticas, americanas e da Oceania.


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