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Rússia Economia

Caricatura. No centro de Kiev, mulher observa desenhos feitos pelo artista ucraniano Oleh Smal que ridicularizam o presidente russo Vladimir Putin - SERGEI SUPINSKY / AFP

BRUXELAS E WASHINGTON — A União Europeia (UE) e os Estados Unidos aplicaram as mais duras sanções contra a Rússia desde o fim da Guerra Fria como forma de punir o país pelo que afirmam ser uma tentativa de Moscou de desestabilizar a Ucrânia. O bloco, os EUA e o governo pró-Ocidente em Kiev acusam a Rússia de armar e dar apoio aos separatistas do Leste da Ucrânia e afirmam que os rebeldes são responsáveis pela derrubada, com um míssil, de um avião da Malaysia Airlines numa área controlada pelos militantes, matando 298 pessoas.

As restrições coordenadas entre Bruxelas e Washington terão como alvo quatro setores econômicos: finanças, equipamento militar, armas e produção de petróleo. Segundo os diplomatas europeus, as medidas devem entrar em vigor amanhã.

“O pacote de medidas restritivas acordado pelas partes da UE é um poderoso sinal para os líderes da Federação Russa: desestabilizar a Ucrânia, ou qualquer Estado vizinho da Europa Oriental, trará pesados custos para a sua economia”, diz o comunicado de Bruxelas, que afirma ainda que Moscou “se encontrará cada vez mais isolada em suas ações”.

Os líderes europeus afirmaram em comunicado que as sanções poderiam ser retiradas se o Kremlin parasse de “desestabilizar a Ucrânia”. Segundo uma das fontes diplomáticas, as medidas serão revistas após três meses.

Numa declaração para anunciar as novas sanções, o presidente americano, Barack Obama, negou se tratar de um retorno da rivalidade entre superpotências que dividiu o século XX:

— Isto não é uma nova Guerra Fria. Trata-se de uma questão muito específica, relacionada com a falta de vontade da Rússia em reconhecer que a Ucrânia pode traçar seu próprio caminho.

O primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, disse que vai anunciar novas sanções contra a Rússia nos próximos dias. Outro membro do G7, o Japão também lançou sanções contra a Rússia horas antes dos europeus. Moscou afirmou que as “imposições de Tóquio” atingiam amplamente as relações bilaterais entre os países e as “faziam retroceder”.

O Kremlin não se posicionou imediatamente sobre as sanções ocidentais, mas uma análise do Citigroup apostava que o país não mudaria seu cálculo geopolítico e deveria continuar enfatizando sua “capacidade própria de resiliência”.

ISOLAR FINANÇAS E TECNOLOGIA

Um dos principais objetivos das sanções é impedir a modernização das indústrias de armamento e energia russas — setores vitais da economia da segunda maior potência militar do planeta — e isolar os bancos estatais do país. As empresas de energia, por exemplo, não poderão captar novos investimentos emitindo títulos nos mercados financeiros dos 28 países do bloco europeu que tenham um prazo de validade superior a 90 dias. Os americanos, por sua vez, não poderão negociar com os bancos russos VTB e Agrícola.

As sanções não afetam a renovação de equipamentos de tecnologia para o gás natural, fonte de energia para a Europa. Exportações de armas já acordadas, como a venda de dois navios de guerra da França no valor de € 1,2 bilhão (R$ 3,6 bilhões), também não foram afetadas.

Washington já argumentava com os aliados europeus sobre a necessidade de punir a Rússia pela questão ucraniana antes da queda do voo MH17 da Malaysia Airlines, há duas semanas. A UE, porém, se limitava a congelar ativos e vistos de alguns indivíduos, já que o vizinho do Leste é um de seus maiores parceiros comerciais. A Federação Alemã de Engenheiros, de fabricantes de máquinas, afirmou que apenas a ameaça das sanções já prejudicou as exportações do setor para a Rússia, que caíram 20% nos primeiros cinco meses deste ano em comparação com o mesmo período de 2013.

Boa parte das vítimas do MH17 eram cidadãos europeus, e a Holanda lidera as investigações para esclarecer os motivos da queda. A agência civil de aviação da ONU marcou para fevereiro uma reunião para rediscutir as normas internacionais de segurança.

Mas foram imagens como a de um rebelde tirando um anel de uma das vítimas do voo e a afirmação de agências de inteligência da Ucrânia e dos EUA de que foram os separatistas a disparar os mísseis, que pioraram ainda mais o clima entre Bruxelas e Moscou.

O Kremlin nega as acusações feitas pelo Ocidente e rebate com afirmações parecidas: diz que a desestabilização da Ucrânia foi causada pelo apoio dos europeus e americanos a “fascistas” que tomaram o poder após os protestos iniciados em dezembro levarem à derrubada do presidente Viktor Yanukovich. E também acusa as tropas de Kiev de terem disparado o míssil contra o MH17.

A relação entre as potências nucleares Rússia e EUA chegou à própria questão atômica: um dia antes do anúncio das sanções, Washington acusou Moscou de violar o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário e pediu diálogos bilaterais urgentes sobre o assunto.

oglobo.globo.com | 30-07-2014

BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff aproveitou sua fala na cúpula do Mercosul em Caracas, capital venezuelana, para fazer uma cobrança à União Europeia por sua contrapartida no acordo de associação entre os dois blocos. A presidente disse que o Mercosul já fez sua parte, mas a Europa ainda não, e que o acordo só será possível quando houver um “intercâmbio simultâneo” entre ambos os lados.

- No caso do acordo de associação entre o Mercosul e a União Europeia, nosso bloco já concluiu oferta compatível com os compromissos assumidos na negociação de 2010. Esperamos agora que o lado europeu consolide a sua oferta. Essa negociação só poderá prosperar com intercâmbio simultâneo de ofertas e o equilibro entre o que demandamos, o que demandam eles, o que oferecemos e o que oferecem eles – disse Dilma.

Ela também deu o recado de que o Mercosul não é um bloco economicamente insignificante. E que o recente encontro entre o Brics( bloco formando entre Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul) e países sulamericanos em Brasília mostrou que há novas oportunidades ao alcance do Mercosul junto a grandes emergentes.

- O Mercosul não é um espaço econômico insignificante, pelo contrário, tem o segundo maior território, a quarta maior população e a quinta maior economia do mundo. Possui as maiores reservas de água doce, um dos maiores potenciais energéticos e minerais, além de uma agricultura moderna de alta produtividade. Também temos uma indústria que se não é inteiramente completa é extremamente significativa - pontuou a presidente em seu discurso.

oglobo.globo.com | 29-07-2014
O presidente norte-americano, Barack Obama, anunciou nesta terça-feira (29) que os Estados Unidos vão impor novas sanções à Rússia nos setores de energia, finanças e de armamento por instigar a violência separatista no Leste da Ucrânia.

“Hoje, estendendo o âmbito das medidas que anunciamos há duas semanas, os Estados Unidos impõem novas sanções em setores fundamentais para a economia da Rússia: energia, armamento e finanças”, indicou o chefe de Estado norte-americano.

Vamos bloquear as exportações de bens e tecnologias específicos ao setor da energia russo e vamos
Pressão aumentou depois de o voo MH17 ser abatido por míssil no leste da Ucrânia; Obama: 'Essa é a escolha da Rússia'.
www.bbc.co.uk | 29-07-2014
A diretora gerente do FMI, Christine Lagarde - JIM WATSON / AFP

WASHINGTON - Às vésperas do recesso de verão do Fundo Monetário Internacional (FMI), a diretora-gerente Christine Lagarde reuniu-se na manhã desta terça-feira com um grupo de jornalistas, na sede do organismo multilateral, para discutir as perspectivas da economia mundial. Ao falar do Brasil, brincou que o país foi “uma força perturbadora” dos trabalhos do organismo por um mês, devido à Copa do Mundo, durante a qual funcionários, diretores e ela própria pararam constantemente para acompanhar os jogos. Mas também falou sério. Questionada se, diante de 15 meses de prognósticos ruins e repetição das mesmas recomendações, o governo brasileiro estava falhando na adoção de políticas para corrigir fragilidades, diplomaticamente concordou:

— Temos reiterado as mesmas fortes recomendações para que reformas estruturais sejam feitas, gargalos sejam reduzidos na economia e que o potencial, a capacidade de o Brasil entregar crescimento seja liberada. E isso não vem sendo feito — afirmou a diretora-gerente, que colocou o Brasil ainda em estado de atenção em relação à expansão do déficit em conta corrente (que fechou em 3,6% do PIB, ou 2,9% justados, em 2013, para um patamar que o Fundo considera ideal entre 1% e 2,5%).

Lagarde reforçou a mensagem de que o mundo passa por um período de retomada desigual do crescimento, com tração nos motores dos países ricos e desaceleração sincronizada e sistemática das nações emergentes. Alertou para os riscos associados à nomalização das políticas monetárias dos EUA e do Reino Unido, que pode provocar turbulências e desarrumar ainda mais a casa dos países em desenvolvimento.

O receituário para vencer os obstáculos, disse Lagarde, é inequívoco: reformas estruturais, conserto dos problemas macroeconômicos (inflação alta, déficits em contas externas, desequilíbrios fiscais) e muita coordenação entre autoridades.

Ela acredita ainda que a criação de mecanismos como o Arranjo de Contingência de Reservas (ACR) das nações que compõem o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) não afronta o FMI, e sim convoca parceria entre os diversos agentes, refletindo um mundo multipolar mas interdependente. A diretora-gerente considera ainda que a falha do Congresso dos EUA em ratificar a reforma de governança do Fundo, que dará mais poder aos emergentes, não afeta a eficiência da instituição nem lhe retira credibilidade.

Sobre a iminência de default da Argentina, nesta quarta-feira, Lagarde afirma que os efeitos serão circunscritos ao país sul-americano, do ponto de vista de turbulências. Mas o episódio acentuará a necessidade de reavaliação dos processos de reestruturação de dívida, da eficiência da ação coletiva, “(d)a escolha de leis e outros critérios legais tipicamente encontrados nesses casos”. O próximo trabalho do FMI sobre o tópico será apresentado à diretoria-executiva do órgão entre o fim de setembro e o início de outubro, pouco antes da Reunião Anual da instituição e do Banco Mundial, em Washington.

Abaixo, alguns trechos da entrevista.

CONDIÇÕES GLOBAIS

“Estamos passando por uma recuperação desigual do crescimento global. O que estamos identificando é risco associado com a normalização das políticas monetárias dos países ricos, começando com EUA e Reino Unido. O Fed (Federal Reserve, BC americano) e o Banco da Inglaterra estão agora considerando o fim dos estímulos e a elevação dos juros. Banco Central Europeu e Banco do Japão provavelmente continuarão mais um tempo com a política acomodativa. Haverá consequências. Se a comunicação for bem calibrada e feita, acreditamos que os efeitos colaterais serão administráveis. Mas claramente temos em mente o que aconteceu em maio do ano passado e como apenas a comunicação da intenção afetou os mercados emergentes”.

EMERGENTES

“Também temos uma desaceleração mais sincronizada dos emergentes. Eu colocaria a China de lado, pois medidas tomadas vão segurar o crescimento de 7,5%. Mas demais emergentes, sim. Isso terá ‘consequências para a vizinhança’, no sentido de que os países que comercializam ou se beneficiam de investimentos dessas nações emergentes vão arcar com os efeitos desta desaceleração sincronizada. Se levarmos esses dois elementos em consideração (desaceleração e normalização monetária dos ricos), claramente haverá impacto na tentativa das autoridades tomarem medidas e realçar a fragilidade do crescimento”.

SETOR EXTERNO E AÇÕES

“(Antes), era mais uma questão do superávit da China versus o déficit dos EUA no debate. O que vemos agora é menos desequilíbrio, mas esta questão está mais espalhada. Do lado superavitário, claramente vemos dois líderes, China e Alemanha. Do lado do déficit, temos os suspeitos de sempre, os EUA e alguns dos países europeus, mas também países como Turquia, África do Sul e Brasil. Está espalhando-se esse lado do déficit. Então, acreditamos que o caminho de políticas é manter a casa em ordem, cada um com suas particularidades no caso dos emergentes. O que é comum a todos é fazer reformas estruturais de diversas categorias. E nos frontes monetário e fiscal, cada um também tem políticas para adotar. A segunda recomendação é: falem uns com os outros. E a terceira é cooperem o quanto puderem. Parece incongruente recomendar cooperação em tempos em que você não vê muita cooperação, mas, economicamente, isso é o mais desejável, mais comunicação, mais cooperação, particularmente os banqueiros centrais, quando forem mudar o curso de política”.

COPA DO MUNDO

“O Brasil foi uma força perturbadora do trabalho do FMI recentemente, porque a Copa do Mundo mobilizou todo mundo nesta instituição, todos grudados na tela de TV por um mês e muitos jogos. Afetou todos os níveis da instituição, dos diretores-executivos ao staff, incluindo a diretora-gerente, embora eu não tenha assistido todos os jogos, mas vi alguns”.

BRASIL

“É verdade que temos revisado para baixo nossas projeções para o Brasil e é verdade que todos temos reiterado as mesmas fortes recomendações para que reformas estruturais sejam feitas, gargalos sejam reduzidos na economia e que o potencial, a capacidade de o Brasil entregar crescimento seja liberada. E isso não vem sendo feito”.

ARGENTINA

“Estamos obviamente monitorando a situação. A Argentina está fora dos mercados financeiros e de qualquer círculo financeiro há muito tempo e, embora defaults sejam sempre lamentáveis, nós não temos a visão de que teria grandes consequências significativas além daquela situação geográfica particular (...) (há) a questão significativa dos princípios da reestruturação de dívidas e qual seria o resultado das decisões legais que estão sendo tomadas em NY no momento, que têm significado mais amplo. Os princípios da reestruturação de dívidas e a eficiência da ação coletiva precisarão ser reavaliadas, junto com escolhas de leis e outros critérios legais tipicamente encontrados nesses casos. É neste ponto em que estamos trabalhando e continuaremos nos próximos meses”.

REFORMA DE GOVERNANÇA E CREDIBILIDADE O FMI

“Sobre (a redistribuição das) cotas, não acho que afete a eficiência do Fundo, a efetividade da diretoria. Quando olho para os nossos programas, linhas de crédito em vigor, a estabilidade que tentamos entregar por intermédio da nossa assistência técnica, da supervisão bilateral que oferecemos baseada em 70 anos de expertise em campo, não acho que a falha de alguns membros em aprovar a reforma de governança é um impedimento às nossas operações. Isso está corroendo a credibilidade da instituição. Alimenta algumas pesquisas acadêmicas e alguns editoriais de observadores, mas na minha vida cotidiana, nas nossas operações com o staff e os membros da diretoria, e, mais importante, nas minhas tratativas com as autoridades dos países, incluindo com as dos países do Brics, isso não afeta o Fundo e não corrói nossas ações”.

INICIATIVAS FINANCEIRAS DO BRICS

“O Arranjo de Contingência de Reservas (ACR) criado pelo Brics vem sendo construído nos últimos três ou quatro anos. Então, acho que é bastante independente da falha dos EUA em ratificarem a reforma (de governança). É atribuída uma ligação pelos observadores, mas o Brics já vinha falando disso há algum tempo, eles decidiram em um encontro deles, há alguns anos, os princípios (do ACR). Há uma cooperação intrínseca entre o ACR e o FMI. Dos US$ 100 bilhões que o Brics reservaram, cada membro pode sacar do que aportou até 30%. Para mais, tem que ter um programa em curso com o FMI. Quando se olha para a relação do FMI com essas novas agências, os acordos, é muito similiar ao Chiang Mai (mecanismo de contingência e reserva) criado pelos países asiáticos, que tem o FMI do outro lado. Não digo que foi um ‘corte e cola’. O Brics não é uma região, Brics é um agrupamento com interesses comuns. Embora, por interesses comuns, eu digo a mim mesma ‘eles não são a mesma coisa de forma alguma’...”.

PAPEL DO FMI

“Estamos celebrando os 70 anos das instituições de Bretton Woods e há muita nostalgia expressa sobre os objetivos dos ‘fundadores’. O mundo mudou ao redor do FMI e o próprio Fundo mudou imensamente. E continuará a mudar. Esta é uma das belezas desta instituição, ela se ajusta, é flexível, mudamos os instrumentos e os programas ao longo do tempo, mudamos a supervisão, ampliamos massivamente a assistência técnica. E continuaremos a fazê-lo. Todo o mundo está mudando continuamente. O equilíbrio de poder está mudando, há confrontos e há poderes econômicos emergindo, se consolidando e cooperando, há efeitos sobre os vizinhos, que valerá a pena continuar explorando. O fato é que a rede de proteção que os coreanos particularmente demandaram no encontro do G-20 vem sendo construída, em torno do arranjo do Chiang Mai, do mecanismo europeu de estabilidade, do ACR, dos instrumentos de swap entre vários bancos centrais. Isso reflete o fato de que o mundo é vastamente global e interdependente e precisa, provavelmente, de diferentes camadas nesta rede de proteção. Mas não vejo nada que seja inconsistente com a missão do FMI, que acho que é coordenação, cooperação entre os pilares das redes de proteção internacionais – das quais o FMI é a peça central”.

oglobo.globo.com | 29-07-2014
A União Europeia chegou a um acordo para impor sanções contra setores da economia da Rússia, segundo diplomatas.
atarde.uol.com.br | 29-07-2014

BRUXELAS — Os governos da União Europeia chegaram a um acordo nesta terça-feira de impor uma série de sanções econômicas contra a Rússia, na tentativa de forçar o presidente Vladimir Putin a parar o apoio aos rebeldes no Leste da Ucrânia. As restrições terão como alvo quatro setores econômicos: finanças, equipamento militar, armas e produção de petróleo. Segundo os diplomatas, as medidas devem entrar em vigor na quinta-feira.

— Um acordo político sobre um pacote de sanções econômicas foi concluído — afirmou a porta-voz do serviço diplomático da UE durante uma reunião dos embaixadores em Bruxelas.

Os representantes dos 28 países membros passaram a manhã desta terça-feira discutindo a adoção de sanções, incluindo restrições para os bancos estatais russos operarem no mercado de capitais europeu e a proibição de venda de armas para a Rússia. Segundo uma das fontes diplomáticas, as medidas serão revistas após três meses.

O bloco europeu afirmou que o objetivo das sanções é aumentar o custo para a Rússia de seu contínuo apoio para os rebeldes no Leste da Ucrânia. Moscou nega as acusações por parte da UE e dos EUA de que está fornecendo armas pesadas para os separatistas.

Com esta nova rodada de restrições, o bloco europeu dá um passo importante. Pela primeira vez, a UE impõe medidas para afetar setores econômicos russos, mesmo assumindo o custo para a própria economia. Vários países da União Europeias têm relações comerciais estreitas com a Rússia.

A mudança de posição ocorreu após a queda do voo MH17 da Malaysia Airlines, no Leste da Ucrânia, que matou as 298 pessoas a bordo, a maioria de nacionalidade holandesa. Os governos ocidentais acreditam que os rebeldes derrubaram o avião com um míssil russo.

Em Amsterdã, o ministro das Relações Exteriores holandês, Frans Timmermans, afirmou que as sanções sobre os mercados de capitais russos em resposta à crise Ucrânia teria um efeito imediato. Em um debate no parlamento sobre a derrubada da aeronave, Timmermans ressaltou que as sanções enviaram um sinal forte a Moscou.

— Acho que as medidas vão ter um efeito de longo alcance e imediato — declarou o ministro no parlamento.

Nesta terça-feira, mais uma vez uma equipe internacional não conseguiu ter acesso ao local do acidente, em meio a intensos combates entre as forças ucranianas e os rebeldes.

oglobo.globo.com | 29-07-2014

A política externa é uma das que mais foram alteradas desde que o PT chegou ao Planalto, em janeiro de 2003. Ficou visível que o Itamaraty como instituição deixou de ter peso nas decisões, ao mesmo tempo em que uma visão de mundo condicionada por um nacionalismo de esquerda, antiamericanista, do pós-guerra, passou a ser preponderante. Foram engavetadas características da diplomacia profissional: a busca pelo equilíbrio, a não intervenção em crises políticas de outros países, o bom relacionamento com americanos e europeus, sem se afastar do mundo emergente.

O curioso é que onde se esperavam alterações de fundo, na política econômica, nada aconteceu. E ainda bem, porque foi a manutenção de princípios da administração tucana que evitou o descarrilamento da economia, atingida por uma séria crise de confiança causada pela perspectiva de chegada do próprio PT ao poder. Consta que, para manter as fileiras petistas unidas, a política externa foi cedida, em contrapartida, às frações mais à esquerda do partido.

E no momento observa-se mais um surto de esquerdização da diplomacia, quando o Planalto necessita de um PT unido, às vésperas da que deverá ser a mais árdua batalha eleitoral que o partido enfrentará, desde a vitória de Lula, em 2002.

O último sintoma do surto foi a decisão do governo Dilma de convocar o embaixador em Tel Aviv , Henrique Sardinha, “para consultas", devido ao “uso desproporcional da força” por parte de Israel em Gaza. Havia formas menos estridentes de comunicar o justificável mal-estar com as mortes de civis em Gaza — mas também sem deixar de registrar a contrariedade com os constantes ataques de foguetes feitos pelo Hamas contra cidades israelenses, incluindo, agora, Tel Aviv.

A atitude gerou a resposta, também desequilibrado, da chancelaria israelense, com o uso do deplorável termo “anão diplomático” para qualificar o Brasil. O ministro das Relação Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, embaixador de carreira, respondeu dentro dos códigos da atividade, enquanto Marco Aurélio Garcia, assessor especial da presidência, militante petista, uma espécie de ministro das Relações Exteriores “do b", manteve o nível do porta-voz israelense, classificando-o de “sub do sub do sub do sub do sub” — copiando o ex-presidente Lula na resposta a um comentário de autoridade americana de que não gostou.

Mais uma prova de que os profissionais da diplomacia estão em segundo plano é a tíbia posição brasileira diante do ataque ao jato comercial por grupos de rebeldes ucranianos apoiados pela Rússia de Putin, outro aliado preferencial do Planalto. O avião, malaio; o míssil, russo. Morreram 298 pessoas.

O governo evita qualquer condenação à Rússia e faz o mesmo com a Síria de Assad, ditador já com mais de 150 mil mortos na biografia. O conceito é simples: faz-se tudo aquilo que contraria a política externa americana. Parece birra, mas há quem considere eficaz para conseguir votos.

oglobo.globo.com | 29-07-2014

LONDRES Uma das historiadoras mais respeitadas, a canadense Margaret MacMillan vê semelhanças quase aflitivas — para quem a ouve — entre o mundo atual e aquele de 100 anos atrás, quando o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando por terroristas em Sarajevo desencadeou a primeira grande guerra mundial. Os Bálcãs de antes poderiam perfeitamente ser o Oriente Médio ou os mares do Sul da China de hoje, segundo ela. Cercada por livros em seu gabinete na Universidade de Oxford, onde passa a maior parte do tempo, disse ao GLOBO que os riscos não podem ser descartados. Mas não está completamente pessimista. Para ela, o mundo de hoje tem instituições internacionais mais fortes e um sentimento de Humanidade compartilhado que podem evitar uma nova grande guerra. “Então, vamos tentar ter confiança nisso...”, disse, sorridente, a autora do livro “A guerra que acabou com a paz: como a Europa trocou a paz pela primeira guera mundial”.

A senhora diz o mundo está parecido com o do pré-I Guerra. Quais as semelhanças?

Ambos são muito globalizados. O período de 1914 já era, com a disseminação das comunicações, dos telégrafos, das ferrovias, o movimento de povos pelo planeta, com os europeus partindo para o novo mundo. Os eventos em uma parte do mundo afetavam as outras. Havia uma expansão da prosperidade, mas a divisão era muito desigual. Havia também os movimentos de trabalhadores, os movimentos revolucionários. Havia ainda um medo exagerado, talvez como agora, do poder dos terroristas, de ataques. O nacionalismo também se repete: nos Bálcãs, ou na Escócia, logo ali, querendo deixar o Reino Unido, e em partes da Ásia, no Japão. E uma força de partidos de direita, como o Tea Party ou o Ukip aqui no Reino Unido. Não se trata mais de partidos de direita tradicionais, mas antielite, novas organizações política. Os protestos eram mais organizados em 1914 do que agora. Os sindicatos estavam em ascensão e agora estão em queda. Mas há greves na China. Há problemas que se repetem, embora não necessariamente nas mesmas partes do mundo. As pessoas também estão pensando de maneira mais internacional.

As semelhanças indicam riscos similares de uma guerra hoje?

Seríamos bobos se não tivéssemos cautela, ou não pensássemos em riscos. Temos que estar preocupados. Há o risco da corrida armamentista, da mudança do clima, das grandes epidemias, vírus. Uma nova guerra mundial não é provável, porque tivemos duas e sabemos o que pode acontecer, ainda mais agora que as armas têm uma capacidade de destruição muito maior. Poderia ser o fim de tudo. Uma semelhança interessante são as partes do mundo em que há problemas e disputas locais que ameaçam envolver países (poderes) de fora. Antes de 1914 eram os Bálcãs; hoje poderiam ser, por exemplo, o Oriente Médio ou os mares do Sul e do Leste da China.

Conflitos como o da Ucrânia não significam que a tensão pode estar no ar?

Os países do Ocidente não souberam lidar com a Rússia corretamente desde o fim da Guerra Fria. É um país orgulhoso. O discurso de Putin por conta da anexação da Crimeia mostra que há muito ressentimento e orgulho ferido. Ele menciona o Kosovo, em que o Ocidente agiu exatamente da mesma maneira. Tudo isso importa. E agora quer desestabilizar a região. Uma das coisas que mais me assustam hoje são as estatísticas. Há 51 milhões de refugiados no mundo, muito mais do que em qualquer momento de guerra.

Como a senhora mesma diz: não aprendemos com a I Guerra?

O aprendizado aconteceu de maneira diversa no mundo. A Europa aprendeu, prova disso é a importância da União Europeia. Mas isso é algo que as gerações mais jovens, que não viveram a guerra diretamente, já não sabem valorizar.

A senhora compara as turbulências nos Bálcãs, que acabaram por desencadear a Primeira Guerra, ao Oriente Médio. Há riscos semelhantes?

O perigo sempre depende de como os poderes de fora lidam com a situação, disso depende o risco. Cada um tinha os seus interesses nos Bálcãs, daí a importância que ganhou. O Oriente Médio é parte problemática do mundo, com países que podem levar suas forças para lá. Há interesses na Síria, no Iraque. Qualquer lugar pode oferecer risco. A China, com a militarização e os problemas no mar do Sul e do Leste, é um exemplo. O Japão também vem se movimentando com investimentos militares. Os Estados Unidos têm um acordo de defesa com o Japão, se a China e o Japão se desentendem…

Mas o mundo já não está dividido nas mãos de algumas potências como cem anos atrás...

O mundo está mais multipolar do que naquela época. Acho que podemos ver agrupamentos mais regionais, com potências regionais. A China pode, ou não, tornar-se a potência hegemônica no lugar dos Estados Unidos. Mas pode não querer sê-lo, ou não ser capaz.

Se no mundo globalizado de 1914 já havia tantos riscos, hoje, com a internet, usada para promover protestos pacíficos e a propaganda jihadista, eles não são potencializados?

A internet é neutra. Mas ajuda a pôr em contato pessoas do mal. Pode, sim, servir de combustível para ações do mal. Mas também pode ser usada para o bem, para caridade. Os governos já perceberam a importância e o poder da rede, e estão tentando usá-la a seu favor. Sabem que as pessoas usam a internet para atrair uma audiência cada vez maior.

Há uma corrida armamentista no mundo. E não é só em países como Irã, ou Síria. EUA e o Reino Unido gastam bilhões. Não é uma ameaça?

No caso britânico, é mais uma ressaca imperial. Tem valor simbólico. Para que precisa disso tudo? Os EUA também continuam se armando. Israel não diz ter armas nucleares, mas todos sabem que sim. Tem o Paquistão, uma ameaça no Irã. A Ucrânia desistiu em troca de integridade territorial quando se tornou independente da URSS. A proliferação de armamentos de massa é um grande risco.

A senhora diz que a Primeira Guerra aconteceu por um conjunto de acidentes e decisões tomadas pelos líderes da época. Que acidentes podem acontecer hoje?

Os chineses com seus navios de guerra, por exemplo, podem esbarrar em uma embarcação filipina ou num barco pesqueiro japonês. Tudo isso por engano. A Coreia do Norte agir de maneira imprudente, o que não é impossível. Se o Isis resolver atacar o Irã… Não podemos descartar nada. O assassinato de Francisco Ferdinando foi um acidente. Os terroristas acharam que, matando o arquiduque, as coisas automaticamente se resolveriam. Não previram os desdobramentos. Nunca pensaram numa guerra global. Faz parte da natureza humana ter problemas. Sempre os teremos de uma maneira ou de outra.

oglobo.globo.com | 28-07-2014

GENEBRA — Países emergentes , como Brasil ou China, “não têm uma visão de mundo” como tiveram os Estados Unidos no pós-guerra: não sabem o que querem . É o que sustenta o inglês Guy de Jonquière, pesquisador do European Centre for International Political Economy (Ecipe), em Bruxelas.

— Não vejo uma visão de mundo nos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). E esta palavra (Brics) é uma invenção ridícula. A única coisa que eles têm em comum é que são todos ressentidos com a dominância americana — diz.

Jonquières lembra que o atual sistema multilateral – ou seja, toda a estrutura que governa a relação entre países no mundo, como Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e outros, foi construída à partir da visão dos Estados Unidos, que emergiram poderosíssimos da Segunda Guerra. A estrutura, segundo ele, baseada em estabilidade, equidade e estado do direito, “teve enorme sucesso” e a prova é que “o mundo tem muito mais países prósperos hoje do que jamais na História”.

O que mudou, então ? Duas coisas, diz Jonquières. Primeiro, países que prosperaram e emergiram se tornaram mais assertivos: não agem sempre como americanos esperam. Segundo, a vontade e a capacidade dos EUA de jogarem o papel de líder mundial diminuiu:

— Sua economia não tem o mesmo poder de antes e os americanos não querem mais se engajar militarmente no exterior. Liderança custa: economica, financeira, militar, diplomática e políticamente. Eles não querem mais arcar com todos os custos — afirma.

O problema agora, para o pesquisador, é que os novos atores — os emergentes — não têm uma visão de mundo. Nem sabem o que querem. A China é um exemplo

— A política externa da China é desconcertante, para dizer o mínimo. É incrivelmente imprevisível. É uma liderança constantemente assombrada por uma profunda inseguraça sobre o seu papel, mas determinada a ser aceita como uma grande potência. O que isso significa não é de todo claro — afirma.

Para Jonquières o mundo de hoje se encontra num “desequilíbrio estável”. Que ordem multilateral, então, ele vê emergindo ?

— Uma (ordem) muito confusa, com diversos centros de poder. Para onde estamos indo? Que tipo de arquitetura vai emergir deste mundo fluido e estranho ? Impossível dizer. Mas a América ainda é poderosa e os chineses erraram ao assumir que ela está em declínio irreversível.

oglobo.globo.com | 28-07-2014

BRASÍLIA - O anúncio de investimentos bilionários em infraestrutura e crédito para o Brasil e para a América Latina, feito pelo governo chinês durante a visita do presidente Xi Jinping ao país, na reunião do Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), há duas semanas, faz parte de um projeto maior da nação asiática para controlar grandes rotas logísticas no mundo e assegurar suprimento de minerais e alimentos.

A construção do canal da Nicarágua — que cortará o país numa rota alternativa ao Canal do Panamá — e da ferrovia Transcontinental, que atravessará o Brasil e o Peru, ligando Atlântico e Pacífico, fazem parte desse projeto.

Conheça ops projetos de interesse dos chineses. O canal da Nicarágua, projeto de US$ 40 bilhões, começará a ser construído no fim deste ano e tem entrega prevista para 2019. Deverá percorrer 278 quilômetros — quase quatro vezes o canal do Panamá, inaugurado há um século — passando por florestas, terras indígenas e o lago da Nicarágua, no interior do país.

O traçado foi definido há duas semanas pelo concessionário HKND Group. O empreendimento envolve também dois portos, uma zona de livre comércio, hotéis, um aeroporto e estradas. O tamanho da obra levou o governo da Nicarágua a aprovar leis e medidas em prol do projeto, com orçamento de quatro vezes o tamanho da economia do país.

Redução no frete

Apesar de o canal do Panamá ter capacidade disponível, a China apoia a iniciativa na Nicarágua porque não teria controle sobre as rotas logísticas no Panamá, devido à influência americana, que tem bases na região e é responsável por sua defesa militar.

— Para eles, faz muito sentido um segundo canal. A China é e continuará sendo um importador de matérias-primas. Tudo o que facilite e reduza fretes é positivo e se paga no longo prazo — disse Cláudio Frischtak, da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios.

O canal da Nicarágua gera grande interesse geopolítico internacional. No mês passado, o país recebeu uma visita do presidente russo Vladimir Putin, sinalizando o interesse daquele país na futura ligação marítima. O canal deverá comportar os maiores navios existentes atualmente, como aqueles que levam minérios da Vale para China.

Na apresentação da rota, o HKND Group reconhece que atravessar áreas protegidas é inevitável, mas promete planos de mitigação e compensação. O lago da Nicarágua é rico em biodiversidade, e a movimentação de navios de porte gigantesco pode alterar significativamente o ecossistema.

Ferrovia no Brasil

O embaixador Sergio Amaral, presidente do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), destaca que os investimentos agora promovidos pela China mundo afora, principalmente na América Latina, tem uma preocupação com a preservação do ambiente local, diferentemente de investimentos feitos no passado pelo país na África, que não deixaram retornos econômicos e socioambientais significativos para os moradores afetados.

— O que é impressionante no caso da China é a visão estratégica e a capacidade de realização. Estão criando alternativas para chegarem aos seus objetivos sem fazer ruídos — disse Amaral.

No caso da ferrovia Transcontinental, o governo brasileiro espera realizar ainda este ano o leilão da primeira obra desse traçado, entre Lucas do Rio Verde (MT) e Campinorte (GO), com orçamento estimado em US$ 2,3 bilhões. A gigante China Railway Construction Corporation (CRCC) deverá participar dessa licitação em parceria com a Camargo Corrêa, embora o grupo ainda considere refazer todos os estudos do trecho, o que pode adiar o leilão, assim como o prazo para a conclusão, reconhece uma fonte do governo.

— Acredito que as parcerias em infraestrutura e agricultura ainda têm muito potencial para crescer, porque trazem benefícios aos dois povos — disse Sun Chenghai, diretor geral da Agência de Desenvolvimento Comercial do governo chinês, a uma plateia de empresários brasileiros durante a visita oficial do presidente Xi Jinping ao país neste mês.

Caminho pelo ártico

Com outro projeto de levar navios pelo Ártico em rotas que se abrem pelo aquecimento global, a China quer se firmar como operadora logística global, principalmente por meios marítimos. Segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), 90% do volume de negócios internacionais feitos no mundo em 2012 passaram pelos mares e oceanos.

oglobo.globo.com | 27-07-2014

BUENOS AIRES - Com dramatismo digno de um tango, muitos argentinos se perguntam, em meio à disputa judicial entre a Casa Rosada e os chamados “fundos abutres” nos tribunais de Nova York, se existirá vida depois do próximo dia 30 de julho. Nessa data vence o prazo para que o país possa alcançar um acordo com os credores que não participaram das operações de reestruturação da dívida de 2005 e 2010, os holdouts, e evitar um cenário inédito no mundo: um calote técnico, ou seja, não por falta de recursos ou vontade, mas sim por uma impossibilidade judicial, já que o juiz Thomas Griesa, encarregado do caso, exige que qualquer pagamento aos credores reestruturados inclua, também, os abutres.

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Analistas econômicos, investidores e operadores de mercado estão em clima de contagem regressiva e ninguém se atreve a antecipar o que acontecerá a partir da próxima quarta-feira, caso o governo da presidente Cristina Kirchner não consiga selar um entendimento com os fundos NML, do milionário Paul Singer, Aurelius Capital e outros holdouts que foram favorecidos por uma sentença questionada por todos os governos latino-americanos, autoridades de outros países como Rússia, Suíça, Itália, o Grupo dos 77 mais China, até mesmo o Fundo Monetário Internacional (FMI) e jornais de prestígio internacional como o “Financial Times".

— As consequências não serão iguais às do calote de 2001, e haverá vida depois do dia 30. O que não sabemos é que tipo de vida, onde estaremos e como estaremos — opinou o ex-secretário de Finanças Daniel Marx, diretor executivo da Quantum Finanças.

Segundo ele, um dos principais especialistas em dívida da Argentina, “estamos vivendo uma situação que não está controlada, por isso não sabemos quais serão os efeitos de uma eventual suspensão de pagamentos”.

— Existe uma lógica que nos levaria a pensar num acordo no último minuto, mas neste momento não imagino o governo fazendo uma proposta (de pagamento em bônus, nos moldes do acordo com o Clube de Paris) e sim a Justiça adotando alguma decisão ou os litigantes fazendo algum pedido — disse Marx, referindo-se à possibilidade de que os fundos abutres solicitem ao juiz a reposição de uma liminar que suspenda a aplicação de sua sentença e permita à Argentina negociar sem correr o risco de sofrer embargos.

Governo contava com mais tempo

Nesse cenário, que vem sendo defendido pelos advogados do país perante tribunais de Nova York, a Casa Rosada poderia continuar pagando seus vencimentos aos credores reestruturados e evitaria o calote. Mas Griesa já negou várias vezes a solicitação de novo stay (liminar) e insiste em que o governo argentino deve sentar-se à mesa para discutir uma solução com os abutres. Cristina e o ministro da Economia, Axel Kicillof, resistem, principalmente, porque o principal temor da equipe econômica é que seja ativada a cláusula Rights Upon Future Offers (Rufo). Ela estabelece que caso uma oferta aos holdouts seja feita — o que obrigatoriamente implicaria melhorar as condições das trocas de 2005 e 2010 —, deverá reconhecer os mesmos direitos aos credores reestruturados. Segundo cálculos de economistas do setor privado, isso poderia implicar até US$ 20 bilhões em novas demandas, mais da metade das reservas do Banco Central argentino.

Assim, Kicillof evita qualquer ação que possa ativar a Rufo, até mesmo um encontro tête-à-tête com os abutres. A famosa cláusula que atormenta Cristina e seu ministro vence no próximo dia 31 de dezembro, razão pela qual o governo argentino vem empurrando o conflito com os holdouts nos últimos anos. Com declarações como “nem um centavo aos abutres”, a presidente afastou qualquer chance de acordo, sempre imaginando que eventual negociação ficaria para 2015, seu último ano de mandato. O problema surgiu quando, em junho, a Suprema Corte americana se negou a tratar do caso argentino. O governo Kirchner contava com mais tempo, achando que a Corte aceitaria o caso e o derivaria ao procurador geral, o que teria significado, ao menos, mais seis meses de oxigênio.

— Há duas opções: um novo stay ou default (calote). Muitos advogados americanos analisam o alcance da Rufo. Não é uma invenção do governo argentino, é uma realidade — disse Walter Molano, da BCP Securities, em Nova York.

Demanda por bônus deve crescer

Para ele, o mercado entenderá, no pior dos casos, “que se trata de um calote técnico”.

— O que deverá acontecer é uma maior demanda por papéis argentinos, esperando uma valorização em 2015, quando deverá ser fechado um acordo — explicou Molano.

Numa das últimas apresentações feitas pelos advogados da Cleary Gottlieb Steen & Hamilton, que defendem a Argentina, a Griesa, o país afirmou que “se for ativada, a cláusula Rufo poderia levar a novas demandas de outros credores por bilhões de dólares, colocando em risco as operações de 2005 e 2010”. Os advogados da Argentina indicaram que se Griesa continuar ignorando o obstáculo legal “tornará a situação mais difícil de ser resolvida”.

A estratégia de Cristina parece clara: o governo argentino responsabilizará Griesa e a Justiça americana por um eventual calote, o quarto da história do país. Já a ativação da Rufo, que poderia implicar até mesmo demandas penais contra funcionários, seria culpa da Casa Rosada.

— O temor à responsabilidade legal por um eventual colapso das trocas de 2005 e 2010, improvável, mas não impossível, representa hoje o principal obstáculo na negociação — enfatizou o economista Eduardo Levy Yeyati, da Elypsis.

Na cruzada contra os fundos abutres, o governo Kirchner obteve apoios importantes.

— A comunidade internacional é contra a sentença de Griesa porque boicota futuras reestruturações. Apoiaram o país prêmios Nobel como Stiglitz, e governos como França, México e Brasil — disse a jornalista Mara Laudonia, autora de “Os abutres da dívida”.

No país, alguns economistas como Martin Tetaz, pesquisador da Universidade de La Plata, acreditam num acordo de última hora. Caso contrário, o país terá, nos próximos meses, mais instabilidade cambial (leia-se alta do dólar), inflação e recessão.

oglobo.globo.com | 27-07-2014

GENEBRA Era 29 de junho de 1919. Das cinzas da Primeira Guerra Mundial, o tratado de paz de Versalhes lançou uma das maiores utopias do século: a Liga das Nações, uma organização que, no ideal do presidente americano Woodrow Wilson, impediria guerras. Sem poder e cheia de contradições, a liga morreu ao não evitar a Segunda Guerra, mas teve um mérito: lançou as bases da Organização das Nações Unidas (ONU) e da atual estrutura de governança do mundo.

Hoje, cem anos depois, esta estrutura se multiplicou e guia a relação entre países com base em regras, e não mais na força, como no passado: ONU, suas agências especializadas, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e, mais recentemente, a Organização Mundial do Comércio (OMC), está sendo colocada à prova. Não por uma guerra, mas pela crise econômica e mudança na estrutura da economia global e no jogo de poder no mundo, com a emergência de novos atores, como China, Brasil, Índia, Rússia, entre outros. Alguns perguntam: é a crise do multilateralismo?

três fatores que desconstroem o sistema

O especialista do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri) Philippe Moreau Defarges acha que sim. E vê três razões fundamentais. A primeira: o sistema, construído e comandado pelos países ocidentais no pós-guerra, continua sob as rédeas deles. Hoje, “tem que ser alargado para incorporar países não ocidentais”.

— O presidente do FMI é sempre um europeu, e o do Banco Mundial, um americano. Talvez tenha que se colocar no comando destas organizações um chinês ou um brasileiro.

Para Defarges, o debate pautou a escolha do primeiro brasileiro e latino, Roberto Azevêdo, para comandar a OMC, que regulamenta o comércio mundial. Azevêdo assumiu num momento crítico: a OMC está num marasmo. A rodada de negociações que a OMC lançou em 2001 para abrir ainda mais o comércio internacional (Rodada de Doha) está paralisada, porque países estão preferindo buscar abertura de comércio em acordos bilaterais e regionais do que na OMC. Como admitiu Azevêdo numa entrevista ao GLOBO em 2013, para não cair na irrelevância, a instituição precisa se atualizar:

— O que temos hoje (na OMC) ainda reflete uma forma de conduzir negócios dos anos 80.

A ONU também tem sido colocada à prova na função mais fundamental: manutenção da paz e segurança no mundo. Em 2003, a intervenção no Iraque liderada pelos EUA — sem a autorização do Conselho de Segurança da ONU — levou os mais alarmistas a prever o colapso do sistema. Não aconteceu, mas expôs os limites.

O Conselho de Segurança tem sido questionado pelos emergentes, como Brasil e Índia, por ter a mesma estrutura do pós-guerra, com cinco países com cadeira permanente tomando decisões cruciais: EUA, China, Rússia, Reino Unido e França. A ONU começou a estudar uma reforma em 1993, mas que não resultou em nada.

Com o fim da Guerra Fria, o Conselho de Segurança da ONU ficou mais intervencionista e teve sucessos. Mais recentemente, aprovou sanções contra Coreia do Norte e o Irã por conta dos programas nucleares. Mas resquícios da Guerra Fria continuam, quando China e Rússia se uniram em 2012 para vetar uma série de ações contra o regime de Bashar al-Assad, na Síria, país que se radicalizou e que está sendo destruído por uma guerra civil.

A ONU teve notórios fracassos nas missões de manutenção de paz: não impediu o último grande genocídio do século 20, em Ruanda, e fracassou em operações na guerra da Bósnia e na Somália.

Defarges acha que, apesar de tudo, as Nações Unidas obtiveram êxito:

— A ONU é um formidável sucesso. Hoje, quando há uma crise internacional, o Conselho de Segurança se reúne: discute, debate, grita, diverge. Mas não fazemos mais a guerra. O multilateralismo está em crise, mas fez enormes progressos.

Segunda razão da crise, segundo Defarges: todas estas instituições multilaterais foram concebidas para regular a relação entre estados. Mas o sistema hoje precisa “se tornar mais democrático, onde o povo e as sociedades estejam mais presentes”. E a terceira razão: há uma crise real no mundo atual.

— Há uma crise econômica e conflitos geopolíticos importantes. Então, o sistema multilateral sofre porque não está se sustentando numa situação política e econômica internacional favorável.

O professor de política internacional Kanishka Jayasuriya, da Universidade de Adelaide, na Austrália, vê os problemas do multilateralismo hoje por outro prisma:

— O que temos não é crise ou colapso do sistema multilateral pós-guerra, mas a substituição por um leque de arranjos mais complexo e pluralístico que, às vezes, é difícil de administrar e ter coerência.

As negociações na área de mudanças climáticas, segundo Jayasuriya, são emblemáticas desta mudança. A última grande tentativa multilateral para abordar o problema desabou numa conferência da ONU em Copenhague, em 2009. Mas, para o professor, a ação dos países continuou de outra forma:

— Cada vez mais a ação está partindo de grupos e alianças entre Estados, através de arranjos com o Banco Mundial e de trocas de emissões (mecanismo para reduzir gases poluentes) entre países.

TRANSFORMAÇÃO SEM PODER CENTRAL

Na área do comércio, há o mesmo fenômeno, segundo Jayasuriya. A Iniciativa Transpacífica (TPP, na sigla em inglês), um acordo de livre comércio negociado entre 12 países — dos EUA ao Japão e Chile —, tornou-se num dos principais motores da política comercial na Ásia e no Pacífico.

— A Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, que também está sendo formada entre Europa e Estados Unidos, é outro exemplo de como estes acordos regionais estão cada vez mais esvaziando as rodadas de negociação multilaterais de comércio. Isso, em certo sentido, reflete esta crise do multilateralismo — enfatiza o professor.

A tese de Jayasuriya é de que há uma transformação fundamental da ordem multilateral, “mas que não está sendo guiada por nenhum tipo de poder central, como no início da Guerra Fria”:

— O que vejo emergindo é uma colcha de retalhos de instituições para gerar a ordem econômica e política globais. Não significa que instituições multilaterais, como a ONU, a OMC ou o Banco Mundial, vão desaparecer. Mas cada vez mais vão ter que existir num espaço muito mais complexo, com outras instituições e foros.

oglobo.globo.com | 27-07-2014
O ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, pediu mudanças na implementação de sanções contra setores da economia da Rússia.
atarde.uol.com.br | 26-07-2014
O ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, pediu mudanças na implementação de sanções contra setores da economia da Rússia.
atarde.uol.com.br | 26-07-2014

Nem a morte de 298 inocentes na queda de um jato da Malaysian Airlines sobre o Leste da Ucrânia, atingido por um míssil fornecido pela Rússia aos separatistas ucranianos, foi capaz de fazer o czar Vladimir Putin suavizar a estratégia de apoio a essas forças, em aberto desafio à comunidade internacional. Os EUA acusam Moscou de atacar com artilharia o território do país vizinho e de planejar o envio de novos lançadores de mísseis e armas pesadas para os separatistas, numa escalada do conflito. Na quarta-feira, mais dois caças ucranianos SU-25 foram abatidos sobre a região conflagrada, ficando apenas a dúvida se foram os rebeldes ou os próprios russos.

A conduta do Kremlin no episódio da derrubada do avião comercial foi deplorável. Levou dias até que os separatistas, aliados de Moscou, permitissem o trabalho de investigadores internacionais junto aos destroços do jato num campo aberto. Eles constataram que a área tinha sido adulterada pelos rebeldes, para encobrir evidências de que a aeronave fora atingida por um míssil. Quando finalmente os mercenários a soldo da Rússia liberaram os corpos, constatou-se que não estavam todos os 298.

Putin continua dúbio. Concorda em conversar e faz acenos a propostas para pôr fim ao conflito que ameaça dividir a Ucrânia ao meio, mas, na prática, continua fornecendo homens e armas para que suas forças de aluguel no Leste do país, fronteira com a Rússia, sigam combatendo o exército regular ucraniano. Mas evidências de que tem havido ataques de artilharia a partir do território russo muda o caráter do conflito, até aqui tratado como algo interno, entre os separatistas e o governo de Kiev. Passa a ser um embate entre dois países.

Citando fontes da inteligência americana, o jornal “Financial Times” revelou que entre as armas que a Rússia está enviando aos separatistas estão tanques T-64, lançadores de mísseis Grad, veículos de combate com canhões automáticos, veículos militares de transporte e sistemas anti-aéreos como o que derrubou o jato da Malaysian Airlines.

O recurso usado pelo Ocidente para tentar demover Putin são as sanções. Evidentemente, elas precisam ser intensificadas. A União Europeia, até agora reticente em apertar o laço devido aos interesses econômicos na Rússia, caminha para um consenso em torno de restrições à venda de armas, de tecnologia usada pelos militares russos e de equipamentos para exploração não convencional de petróleo.

Além disso, o mercado europeu seria fechado para investimentos e instrumentos financeiros russos, um duro golpe para a economia comandada pelo Kremlin.

O presidente Obama disse à CNBC que, provavelmente na próxima semana, os EUA vão adotar sanções mais duras contra bancos e companhias de energia e de armamentos da Rússia. Espera-se que os europeus não fiquem atrás.

oglobo.globo.com | 26-07-2014

GENEBRA - Um clima geral de frustração e protesto tomou conta da Organização Mundial de Comércio (OMC) nesta sexta-feira, em Genebra, depois que a Índia anunciou oficialmente sua decisão de bloquear, até o final do ano, a implementação de um acordo fechado no ano passado, em Bali, na Indonésia, para reduzir drasticamente a burocracia e os custos das transações de comércio no mundo.

A Índia rompeu, com este gesto, um consenso de 160 países do qual ela mesma participou – mergulhando a OMC numa crise e lançando dúvidas sobre a capacidade da instituição se reerguer dos anos de paralisia nas negociações comerciais.

A primeira etapa da implementação do acordo que teria acontecer agora, à partir do dia 31 deste mês. Mas agora todo o acordo para facilitar o comércio mundial que, segundo economistas, daria um estímulo de US$ 1 trilhão à economia mundial – está refém de uma exigência indiana: segurança alimentar.

Com a segunda maior população do mundo – a maioria pobre, vivendo em zona rural – a Índia diz que vai manter o bloqueio até que a OMC encontre uma solução permanente que permita a países em desenvolvimento subsidiarem suas agriculturas para criar estoques e garantir de alimentos. Este tema tem prazo para ser decidido até 2017, mas a Índia quer antecipar.

Os indianos acusam a OMC de estar trabalhando mais pelos interessses dos países ricos, do que dos países em desenvolvimento e mais pobres.

— A vontade de se envolver em áreas de interesse dos países em desenvolvimento está conspicuamente ausente – queixou-se um representante da Índia.

O anúncio, feito numa reunião em Genebra, na sede da OMC, provocou reação imediata. O embaixador dos Estados Unidos, Michel Froman, disse que a decisão indiana corre o risco de “dar um duro golpe na credibilidade do sistema multilateral de comércio”.

— Estamos profundamente desapontados que uma volta atrás (no acordo) de facilitação de comércio (pelos indianos) trouxe a OMC para a beira da crise – reagiu Michael Froman, o embaixador dos Estados Unidos.

Para o americano, o gesto indiano pode ter “sérias conseqüências para o futuro da Rodada de Doha”, isto é, a rodada de negociações lançada pela OMC em 2001, que está paralisada por falta de acordo entre países sobre vários temas. O pacote fechado em Bali no ano passado, que marcou também a estreia de Roberto Azevêdo no comando da OMC, foi o primeiro passo para tentar relançar a Rodada.

Um grupo de 25 países, que inclui Austrália, Canadá, Colômbia, México, Noruega, Suí4a e Tailândia, disse que estava “consternado” com o fracasso em se cumprir o acordo acertado em Bali. Eles alertaram que Índia estava efetivamente destruindo as chances de uma reforma do comércio global.

RACHA NO BRICS

A decisão indiana também provocou um claro racha no Brics – o bloco que reúne Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul. Brasileiros, russos e chineses querem o acordo. Mas a África do Sul concordou com a visão da Índia de que os interesses de países em desenvolvimento estariam ficando para o segundo plano, embora não tenham claramente apoiado o bloqueio indiano. Concretamente, a Índia está isolada. De 160 países, só obteve apoio de 3: Venezuela, Bolívia e Cuba.

— O Brasil reitera o seu engajamento ativo com a implementação de todos os resultados de Bali, segundo o cronograma acordado – disse o embaixador Marcos Galvão.

Para reforçar a mensagem, o Brasil até anunciou na reunião como vai implementar o acordo, quando ele entrar em vigor.

A primeira etapa na implementação do acordo seria a aprovação, até o dia 31 deste mês, de um protocolo para incorporar o acordo nas regras da OMC. Sem isso, os governos não podem iniciar o processo de aprovação e ratificação do acordo nos seus parlamentos. Roberto Azevêdo está pedindo aos países-membros da organização para que continuem se consultando, na esperança de que cheguem a um entendimento com os indianos até o dia 31.

— O diretor-geral está pedindo a governos para continuar discutindo. O próximo passo está nas mãos dos países-membros – disse Keith Rockwell, porta-voz da OMC.

oglobo.globo.com | 26-07-2014

Num momento em que os ocidentais se interrogam sobre a necessidade de reforçar as sanções contra a Rússia, acusada de apoiar os separatistas pró-russos ucranianos que terão abatido o voo MH17, o Adevărul explica de que forma a imposição de medidas de retaliação no plano económico contra Moscovo terá muito provavelmente uma incidência na economia da UE.

Segundo o diário romeno, a Europa e a Rússia estão ligadas por um comércio bilateral no valor de centenas de milhares de milhões de euros. Nomeadamente, 30% do gás que os europeus consomem proveem da Rússia e os russos adoram os automóveis alemães e as marcas de roupa italianas. Além disso, os investimentos ocidentais na Rússia são vistos como uma garantia contra a imposição de sanções mais rigorosas.

Recentemente, os Estados Unidos declararam que a Rússia terá de enfrentar custos adicionais se continuar a ajudar os separatistas e a destabilizar a Ucrânia. No entanto, segundo o Adevărul,

a discussão de novas sanções mostra que Bruxelas e Washington não podem formar uma frente comum contra Moscovo, devido sobretudo às diferentes posições no seio da UE.

www.voxeurop.eu | 24-07-2014
Bloomberg Photo Service 'Best of the Week': Tim Cook, chief executive officer of Apple Inc., speaks during a press event at the Yerba Buena Center in San Francisco, California, U.S., on Tuesday, Oct. 22, 2013. Apple Inc. introduced new iPads in time for holiday shoppers, as it battles to stay ahead of rivals in the increasingly crowded market for tablet computers. Photographer: Noah Berger/Bloomberg *** Local Caption *** Tim Cook - Noah Berger / Bloomberg

NOVA YORK - Com aparelhos com telas maiores em desenvolvimento, a Apple disse na quarta-feira que os compradores estão adiando a compra de novos iPhone, o que afetará as vendas no trimestre atual, que finaliza em setembro. No entanto, em vez de dissuadir os compradores de protelarem, a Apple atiçou a expectativa por novos dispositivos numa teleconferência em que o CEO Tim Cook falou de uma “carteira incrível” e o diretor financeiro Luca Maestri declarou que seria um “outono (boreal) muito agitado”.

— Mal podemos esperar para mostrar-lhes (os produtos) — disse Cook.

A expectativa por dispositivos novos é a principal razão pela qual os investidores mal reagiram na terça-feira aos resultados da Apple no terceiro trimestre do seu ano fiscal. A empresa mais valiosa do mundo registrou um aumento de 12% da renda líquida, para US$ 7,75 bilhões, e uma alta da receita de 6%, para US$ 37,4 bilhões; as vendas fortes de iPhone e Mac compensaram uma queda na demanda por iPad.

Em vez disso, os investidores falavam com interesse sobre os próximos produtos da Apple. A empresa com sede em Cupertino, Califórnia, que não apresenta um dispositivo móvel novo desde o ano passado, está trabalhando em modelos de iPhone com telas maiores, um potencial aparelho de vestir e uma atualização da Apple TV, disseram fontes do setor.

A IMPORTÂNCIA DO iPHONE

No último trimestre, as vendas de iPhone aumentaram 13%, para 35,2 milhões, e as vendas de Mac subiram 18%, para 4,4 milhões. Isso ajuda a compensar o segundo declínio trimestral consecutivo do iPad, cujas vendas caíram 9%, para 13,3 milhões, pois o mercado de tablets está se saturando, especialmente nos EUA e na Europa Ocidental.

Os resultados reforçaram a importância do iPhone, que representa mais de metade da receita da Apple e cerca de 70% do total de lucros, segundo o ISI Group.

A Apple lançará novos modelos de iPhone, com tela de 4,7 polegadas e de 5,5 polegadas, disseram fontes do setor. Alguns analistas antecipam que os novos dispositivos sejam os mais vendidos da empresa desde a apresentação do iPhone, em 2007.

A Apple está respondendo a uma mudança nas preferências dos consumidores em favor de smartphones com telas maiores, tendência que a Samsung Electronics Co. e outras empresas têm aproveitado para arrebatar a participação da Apple no mercado.

Na China, cerca de 40% dos dispositivos móveis vendidos com o sistema operacional Android da Google Inc. em 2014 tinham uma tela de mais cinco polegadas, segundo uma estimativa da Forrester Research.

FOCO NA CHINA

A China também continua sendo um importante foco para a Apple. Nos últimos três meses, a empresa disse que as vendas de iPad cresceram 51% no país mais populoso do mundo e que as vendas de iPhone aumentaram 48%, impulsionadas por uma parceria para vender o dispositivo através da operadora de telefonia celular China Mobile Ltd. As vendas de Mac também aumentaram 39% na China, disse Cook.

Junto com a China, as vendas no Brasil, na Índia e na Rússia também têm sido fortes. As vendas de iPhone nesses países aumentaram em total 55% no último trimestre.

Após enfrentar críticas de investidores ativistas, como Carl Icahn, para que retornasse mais dinheiro aos acionistas, a Apple também continuou aumentando seu dividendo.

A companhia disse que daria um dividendo de US$ 0,47 por ação, que será pagável em 14 de agosto aos acionistas do que foi registrado até 11 de agosto.

Por meio de dividendos e reaquisições, a Apple já pagou US$ 74 bilhões até agora como parte de um programa de retorno de capital de US$ 130 bilhões autorizado para funcionar por mais seis trimestres.

A Apple tinha US$ 164,5 bilhões em caixa e investimentos no final do trimestre passado, com somente US$ 27 bilhões mantidos nos EUA. As vendas internacionais representaram 59% da receita da empresa no último trimestre.

oglobo.globo.com | 23-07-2014
A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, fala com a imprensa em Bruxelas - THIERRY CHARLIER / AFP

BRUXELAS — A União Europeia publicará na próxima quinta-feira novas sanções contra entidades e personalidades russas pelo apoio aos separatistas na Ucrânia, anunciou nesta terça-feira a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton. Segundo o ministro de Relações Exteriores austríaco, Sebastian Kurz, as áreas atingidas serão os setores de defesa e de tecnologia. A decisão ocorre ao mesmo tempo em que cresce a indignação internacional após a derrubada do voo MH17 da Malaysia Airlines em território controlado pelos rebeldes, no Leste da Ucrânia

— A Comissão (Europeia) será encarregada de preparar sanções contra os setores de tecnologias e militares — declarou o ministro, durante reunião com líderes ocidentais em Bruxelas.

A informação adiantada pelo austríaco foi confirmada por fontes europeias. O ministro das Relações Exteriores holandês, Frans Timmermans, declarou que a UE concordou em impor proibições de viagens e congelar os bens de autoridades russas, mas não revelou a quantidade ou identidade dos funcionários envolvidos.

— A Rússia não tem feito o suficiente para ajudar a acabar com o conflito — afirmou Steinmeier.

O holandês disse ainda que as medidas afetarão os mercados financeiros europeus e o setor energético, em particular as áreas de gás e petróleo. No entanto, os chanceleres reunidos decidiram não impor, pelo menos por enquanto, sanções mais duras que tenham repercussão em setores inteiros da economia russa.

Mais do que nunca, a Rússia está na mira da União Europeia, depois da queda do avião derrubado no Leste da Ucrânia, área controlada por separatistas. Quase 300 pessoas morreram na tragédia. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou que o acidente alterou drasticamente a situação e que os russos não podem ter acesso aos mercados de capitais europeus, se continuarem a alimentar uma guerra contra outro país europeu.

Moscou já foi alvo de sanções por seu papel no conflito entre Kiev e apoio aos rebeldes. Especificamente, a UE proibiu até agora a obtenção de vistos europeus e congelou os bens de 72 personalidades russas e ucranianas.

oglobo.globo.com | 22-07-2014

NOVA YORK — Os empresários mais ricos da Rússia estão cada vez mais desesperados com as políticas do presidente Vladimir Putin na Ucrânia, que podem levar a sanções paralisantes — e temem tanto as represálias que evitam se posicionar publicamente, segundo analistas. Se Putin não se mexer para acabar com a guerra no país vizinho, que se agravou com a derrubada, na semana passada, de um jato da Malaysia Airlines em território controlado pelos rebeldes, corre o risco de se tornar um pária internacional como o presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, a quem os EUA notoriamente rotulam como o último ditador da Europa.

— O que está acontecendo é ruim para os negócios e para a Rússia — disse um bilionário local, sob condição de anonimato.

— A elite econômica e empresarial está simplesmente aterrorizada — afirmou Igor Bunin, que dirige o Centro de Tecnologia da Política em Moscou, lembrando que ninguém irá publicamente confirmar isso, temendo a ameaça implícita de represálias. — Qualquer sinal de rebelião e eles estarão de joelhos.

A derrubada da aeronave comercial que saía da Malásia, e matou 298 pessoas, levou a renovadas ameaças de sanções mais profundas por parte dos EUA e da União Europeia — que já haviam sancionado cidadãos e empresas russas, considerados cúmplices na insurgência pró-Rússia na Ucrânia. Recentemente, o Reino Unido acusou Putin de “patrocinar o terrorismo”.

— Marcar a Rússia, como o Irã ou a Líbia de Muammar Kadafi, como um “estado patrocinador do terrorismo", como o ministro da Defesa britânico sugeriu, seria uma grande jogada que teria um impacto muito significativo sobre a Rússia e as empresas que lidam com o país — afirmou Timothy Ash, economista de mercados emergentes do Standard Bank Plc em Londres.

De acordo com o porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, no entanto, a Rússia não está preocupada com a possibilidade de ser rotulada assim.

PRECEDENTE LÍBIO

Em 1988, o atentado contra o voo da Pan Am Flight 103 sobre Lockerbie, na Escócia, que matou 270 pessoas e foi atribuído a Líbia, foi uma das causas que levaram a sanções internacionais nos anos de 1980 e 1990, consolidando o status da Líbia como um pária até o final do século.

Embora a UE tenha até agora imposto medidas menos severas contra a Rússia do que os Estados Unidos — por causa da oposição de países como a Itália e a Áustria —, Reino Unido e Holanda lideram a pressão por punições mais ousadas em uma recente reunião de ministros das Relações Exteriores. A maioria das vítimas a bordo do avião, 193, eram holandeses; dez eram britânicos.

E em meio à turbulência do mercado provocada pelo conflito, os 19 russos mais ricos perderam US$ 14,5 milhões desde o início do ano, de acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg — em comparação a um aumento de US$ 56,5 milhões entre os 64 americanos mais ricos.

— A Rússia corre o risco de se tornar um Estado pária, se não se comportar adequadamente — disse o ministro do Exterior britânico, Philip Hammond, ao Sky News, no fim de semana. — Precisamos agora usar o sentimento de indignação que está claro para obter uma nova rodada de sanções contra Moscou.

Punições adicionais dos EUA podem ser impostas nas próximas semanas, com sanções prováveis em toda a indústria em setembro, caso os investigadores comprovem que os rebeldes realizaram o ataque. A Europa, no entanto, tomaria medidas menos amplas, já que tem laços comerciais mais estreitos com a Rússia, de acordo com o Eurasia Group, empresa de pesquisa e consultoria com sede em Nova York.

— A ameaça de sanções contra setores inteiros da economia é agora muito real e há motivos sérios para que os empresários tenham medo — afirmou Mikhail Kasyanov, primeiro-ministro da Rússia durante o primeiro mandato de Putin, de 2000 a 2004. — Se houver sanções contra todo o setor financeiro, a economia entrará em colapso em seis meses.

Andrey Kostin, chefe do credor estatal VTB Group, sinalizou na semana passada que as sanções já em vigor podem prejudicar a economia russa em US$ 2 trilhões. Apesar de toda a pressão econômica, Putin, que negou repetidamente armar os separatistas na Ucrânia, não vai recuar, porque está determinado a resistir à ingerência dos EUA e Europa, de acordo com um estudo do Eurasia Group.

“Ele ainda verá a influência russa sobre o Leste da Ucrânia e um veto russo em relação à adesão da Ucrânia à Otan como interesses nacionais russos vitais. A ajuda militar aos rebeldes vai continuar”, diz.

oglobo.globo.com | 22-07-2014

GENEBRA — Com sua economia fragilizada e dependente em termos energéticos da Rússia - que fornece 30% do todo o gás consumido no continente - a União Europeia decide nesta terça-feira, em Bruxelas, até que ponto vai avançar nas sanções a Moscou.

Reino Unido, Alemanha e França prometem mais sanções. Mas muitos europeus temem acabar penalizando suas próprias economias. A França já avisou que vai cumprir o contrato de €1,2 bilhão de venda de helicópteros Mistral para a Rússia, por considerar que um cancelamento traria mais danos a ela do que a Moscou.

A reunião de quarta-feira entre ministros das Relações Exteriores dos 28 países da UE poderá decidir a lista com os nomes de pessoas e empresas russas que sofrerão sanções. É esperada forte pressão da Holanda, que perdeu 193 cidadãos com a queda do avião. Mas em Bruxelas diplomatas acreditam que os ministros europeus não vão muito além disso. A lista de amanhã estava programada para ser divulgada no final deste mês e tem a ver com sanções passadas. Uma resposta mais severa aos russos só poderia ser decidida por chefes de Estado e de governo, que só se reúnem no dia 30 de agosto.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, avisou a Vladimir Putin que a Rússia vai sofrer mais sanções se não houver "uma mudança radical de atitude" de Moscou na Ucrânia. Até agora, o discurso mais duro veio de Cameron :

"A relutância por parte de muitos países europeus em enfrentar as implicações do que está acontecendo no Leste da Ucrânia está se arrastando há muito tempo. Chegou a hora de fazer valer o nosso poder, a nossa influência e os nossos recursos", escreveu David Cameron no jornal "Sunday Times".

Resta saber, na prática, como isso vai acontecer. Londres é um dos destinos favoritos de empresários russos e muitos oligarcas têm propriedades no país. A gigante de petróleo britânica BP detém um quinto do grupo petrolífero russo Rosneft.

No Rio, o presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, defendeu uma ação dura.

- A União Europeia não pode aceitar esse tipo de comportamento. Se começamos a aceitar que agora comecem a derrubar os aviões que andam nos céus, onde vai parar o mundo?

oglobo.globo.com | 22-07-2014
Vladimir Putin chega a aeroporto na cidade de Samara, na Rússia - Alexei Nikolsky / AP

LONDRES — Os investigadores ainda estão longe de um julgamento oficial para determinar as causas da derrubada do voo MH17 da Malaysia Airlines, no Leste da Ucrânia, matando todos os 298 passageiros e tripulantes a bordo. Mas, para líderes do Ocidente, o veredicto parece já ter sido definido: Vladimir Putin é o culpado.

Putin enfrenta uma enxurrada pessoal de condenação mundial após a derrubada do avião comercial. As autoridades americanas e ucranianas sugerem que o míssil responsável por abater a aeronave era, na verdade, russo e fornecido aos rebeldes. Agora, se ele não conseguir rapidamente mudar o rumo da crise na Ucrânia, Moscou sofrerá a ameaça de novas sanções.

A Austrália já levantou a possibilidade de retirar Putin da reunião do G20, grupo das nações mais poderosas do mundo, em novembro, se ele não concordar em exercer mais pressão sobre os rebeldes ucranianos. O Reino Unido, por sua vez, acusou abertamente o líder russo de patrocinar o “terrorismo”. Já o secretário de Estado americano, John Kerry, foi a programas de TV no domingo e ressaltou que agora era o “momento da verdade” para a Rússia.

Na Europa — continente que há muito tempo pressiona os russos para deixarem de apoiar os separatistas — o choque inicial deu lugar, rapidamente, à indignação. No domingo, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, François Hollande, e primeiro-ministro britânico, David Cameron, conversaram em um telefonema conjunto sobre a crise. Um porta-voz do gabinete inglês declarou que os três líderes concordaram que a União Europeia deve reconsiderar a abordagem para a Rússia e que os ministros devem se preparar para para impor mais sanções ao país, quando se encontrarem na terça-feira, em Bruxelas.

“A Rússia fez isso e Putin deve pagar, política e economicamente”, exigiu o jornal londrino “The Sunday Times”.

Talvez o lugar onde o clima mudou mais rapidamente foi na Holanda, de onde saiu o avião abatido, pois a tragédia custou a vida de 192 cidadãos holandeses. O primeiro-ministro Mark Rutte falou com Putin no sábado e afirmou que o russo “tem que assumir responsabilidades.” Os comentários foram feitos no mesmo momento em que a tristeza profunda, que parecia consumir muitos holandeses no início, começou a dar gradualmente lugar à raiva.

Flores são depositadas na área externa do aeroporto de Schiphol, em memória às vítimas do voo MH17 - UNITED PHOTOS / REUTERS

A mudança foi motivada pelas cenas horríveis de corpos deixados no local da queda do acidente e, posteriormente, pelo transporte dos mortos em trens, feito sem qualquer cerimônia. Os rebeldes haviam permitido a centenas de voluntários o acesso aos destroços, mas ainda estavam se recusando a ceder a autoridade do local do acidente ao governo ucraniano.

— Agora, estamos mais com raiva por causa da maneira desrespeitosa como (os insurgentes) nos trataram e a forma como eles estão lidando com os corpos — afirmou a holandesa Marjolein Pel, de 60 anos.

PRESSÃO ECONÔMICA

Fortes laços econômicos da Europa com a Rússia oferecerão a maior pressão sobre Moscou, na tentativa de forçar Putin a abandonar o apoio aos rebeldes que há meses já protagonizaram uma insurgência sangrenta no Leste da Ucrânia. No entanto, até agora, os europeus realizaram várias rodadas de sanções que tiveram impacto limitado. Além disso, a região é conhecida por rodadas penosas e demoradas de consenso diplomático, antes de agir.

Apesar da onda de raiva, não ficou claro se a pressão acabaria por danificar seriamente os setores da economia russa. O confronto também poderia levar a riscos enormes para a Europa, que depende da Rússia para fornecer cerca de 30% do seu petróleo e gás natural. Por isso, o continente teme que Putin responda às sanções com o corte do fornecimento de energia.

Há ainda o medo de interromper a entrada do dinheiro russo, que flui para contas bancárias de Londres e para apartamentos de luxo, hotéis e boutiques de Paris e Roma. Mas é certo que em todo o continente, a raiva contra Putin é palpável, talvez dando aos líderes políticos mais espaço de manobra. Depois de acusar Putin de patrocinar o terror, o secretário de Defesa britânico, Michael Fallon, exigiu em entrevista no domingo que a Rússia “saia do Leste da Ucrânia e deixe-a para os ucranianos.”

Tradicionalmente com laços mais fortes com a Rússia, a Alemanha também adotou uma linha mais dura. Em entrevista ao jornal “Bild” no domingo, o ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, pediu a Moscou para forçar um cessar-fogo imediato sobre os rebeldes.

“Pode ser a última chance de a Rússia nos mostrar que está realmente interessada em uma solução”, disse ele.

oglobo.globo.com | 21-07-2014

WASHINGTON - A reestruturação da arquitetura financeira global passa, necessariamente, pela reforma dos organismos multilaterais, dizem os especialistas. O Banco Mundial (Bird) precisa de mais capital e foco redobrado na expansão do crescimento dos sócios. Mas, pela natureza das mudanças pelas quais o mundo passou, o trabalho concentra-se no Fundo Monetário Internacional (FMI) – que, apesar das críticas em diversas intervenções aos longo das décadas, tem tido papel central nas respostas globais às crises.

As organizações de Bretton Woods nasceram desempenhando papel tímido. O Bird foi ofuscado pelo Plano Marshall, de reconstrução da Europa com dinheiro americano. Já o Fundo apagava incêndios, basicamente europeus, e tinha até o fim dos anos 60 o Reino Unido como principal cliente.

Foi apenas em 1982, com a primeira crise da dívida do México, que o FMI assumiu sua função global, com a noção de risco sistêmico de um eventual calote mexicano. Esse papel foi reforçado com as crises dos anos 1990 e 2000, diz o economista James Boughton, ex-historiador do Fundo. No mesmo período, ficou claro que o FMI precisava refletir melhor a nova ordem mundial, com a ascensão da China e demais emergentes como o Brasil.

A estrutura de poder no FMI está ultrapassada, afirmam os especialistas. Com 19,2% do PIB mundial, os EUA mantêm 16,8% dos votos no Fundo, única nação com poder de veto sobre as decisões. A Europa está super-representada, ao passo que a China, com 16,1% da economia global, tem apenas 3,8% dos votos. No Brics, apenas Rússia e África do Sul têm seu peso econômico ajustado ao poder de voto. O Brasil, com 2,8% do PIB mundial, tem 1,7% dos votos e a Índia, que representa 6%, tem 2,3% das cotas.

— O papel do FMI está consolidado. Agora é preciso que o Congresso americano ratifique o pacote de mudanças, que dará mais recursos ao Fundo e redistribuirá votos, dando poder maior aos emergentes e consolidando a presença da União Europeia como voz unificada. O FMI terá assim mais legitimidade. Mas, junto, é preciso que se repense a relação do G-20 (grupo das 20 maiores economias do mundo), que representa um universo poderoso mas restrito — afirma Boughton.

Marcos Troyjo, diretor do Bric-Lab da Universidade de Columbia, concorda.

— Não basta apenas pensar em representação. Após 2008, há uma tensão entre ação, coordenação e delegação. Os EUA precisam revitalizar sua economia, enchem o mercado de recursos, mas não levam a política dos outros em consideração. O FMI precisa poder implementar as medidas necessárias e falar para os EUA que é hora de ajustar, falar para a China ajustar, como fala para os demais emergentes e nações pobres. O Fundo precisa de um novo mandato.

Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do FMI e professor de Havard, afirma que “será ridículo se o diretor-gerente que substituir Christine Lagarde (francesa) não for de um país emergente”, rompendo a tradição pela qual os EUA indicam o presidente do Bird e a Europa, o dirigente do FMI. Ele adiciona outro ponto para reforma: a dos instrumentos utilizados nos programas de assistência do Fundo. Ele vê com bons olhos a discussão sobre o re-profiling, mecanismo que permitiria a reprogramação do pagamento de dívida privada pelos governos, uma espécie de perdão temporário.

— Esta seria uma grande mudança de paradigma e era claramente a solução para a Europa periférica após 2008, que tinha dívidas altíssimas e, para saná-las, teve que segurar o crescimento, com consequências desastrosas — diz Rogoff.

Para James Boughton, o fortalecimento do FMI é uma peça-chave na nova arquitetura global, diante das dificuldades políticas de se criarem novas instituições e órgãos reguladores internacionais:

— Eu acho irrealizável um novo Bretton Woods, temos que trabalhar dentro do sistema que existe. Dentro do FMI, já temos estruturas tratando dos temas prementes, já temos o board de regulação financeira, temos muito trabalho sendo feito sobre capitais. Os países estão trabalhando regulações nacionais e, com os anos, elas ficarão prontas e as melhores práticas vão se sobressair. É preciso continuar nesta direção e o Fundo pode conectar essas pontas. Se não fortalecermos o FMI, haverá uma nova crise. Esta é a verdade a se encarar. É melhor fazermos as coisas sem precisarmos de nova crise para nos incentivar.

oglobo.globo.com | 20-07-2014

RIO - Insurgentes no Iraque, escalada das tensões entre Israel e Gaza e, nesta semana, o avião comercial abatido na Ucrânia que ameaça acirrar o conflito com a Rússia são riscos geopolíticos que pouco abalaram os mercados financeiros globais. No dia seguinte à queda do avião da Malaysia Airlines, as bolsas europeias fecharam hoje com pequenas variações. O que de fato está no radar dos investidores internacionais neste ano, dizem os analistas, são os juros norte-americanos.

E, no Brasil, as atenções estão voltadas sobretudo para as eleições presidenciais de outubro. Desde março, a Bolsa sobe ou desde ao sabor das pesquisas de intenção de voto, o que deve se acentuar nos próximo meses

Segundo Mauro Schneider, estrategista da CGD, eventos como a anexação da Crimeia pela Rússia e mesmo o avanço de radicais islâmicos no Iraque produziram alguma aversão a risco, mas não têm impacto relevante. A "agenda real" é o ajuste monetário nos EUA, disse Schneider.

— Todos querem saber como e quando se dará o aumento dos juros americanos. Isso é de extrema relevância porque dá o tom dos preços dos ativos no mundo — acrescentou.

Historicamente, conflitos políticos só têm impacto duradouros nos mercados quando se transformam em guerras mais amplas ou em crises de longo prazo, disse Welber Barral, sócio da consultoria Barral M Jorge e ex-secretário de Comércio Exterior.

— As informações que temos sobre conflitos parecem não ser suficientes para prejudicar as expectativas sobre a recuperação da economia americana e global — afirmou Frederico Sampaio, diretor de renda variável da gestora Franklin Templeton no Brasil.

Para Eduardo Velho, economista-chefe INVX Global Capital Asset, mesmo com a recuperação no mercado de trabalho, os juros dos EUA não vão subir antes do segundo semestre de 2015. E, quando o aumento vier, sua magnitude não deve ser elevada. Caso essa previsão se confirme, países como o Brasil serão favorecidos, uma vez que juros mais altos nos EUA reduzem a liquidez global e investimentos em emergentes.

— Dificilmente os títulos do Tesouro dos EUA, mesmo após o aumento dos juros, vão passar de 3,5% ao ano. Isso é bom para os mercados emergentes. E na Europa e Japão também há sinais de manutenção dos juros pelos próximos meses — explicou Velho, lembrando que, atualmente, os títulos do Tesouro norte-americano estão pagando 2,48% ao ano.

O maior risco no horizonte é que a recuperação econômica de Estados Unidos e Europa não se concretize, resultando em “crescimento global pífio”, classificou Welber Barral:

— O ritmo da melhoria americana e europeia tem sido muito lento, e enfrentamos um risco sério de deparar com uma estagnação de abrangência mundial.

Além da preocupação com EUA e Europa, as Bolsas também acumulam tensão com o crescimento da China. A segunda maior economia do mundo quer avançar 7,5% neste ano, mas têm divulgado dados mistos, que não permitem aos investidores “respirar aliviados e tampouco derramar lágrimas”, nas palavras de Mauro Schneider.

oglobo.globo.com | 19-07-2014

WASHINGTON A economia da Ucrânia está entre as vítimas do conflito com separatistas pró-Rússia, que se intensificou a partir de março, quando Moscou anexou a Crimeia. Ameaçado de um colapso econômico, o país fechou em abril um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para receber US$ 17 bilhões nos dois próximos anos. Em troca se comprometeu com um programa que se torna mais difícil de cumprir com o avanço do conflito.

A queda de um Boeing 777 da Malaysia Airlines na quinta-feira, matando as 298 pessoas a bordo e atribuído pelo governo ucraniano a um ataque com míssil por rebeldes pró-Rússia, fez a tensão crescer. Com a escalada do conflito, as condições econômicas pioraram — afetadas inclusive pelo corte no fornecimento de gás pela Rússia. Assim, o cumprimento dos termos do acordo com o Fundo ficaram mais difíceis de serem alcançados.

A missão do FMI encerrou sua primeira revisão da economia da Ucrânia na quinta-feira, afirmando num relatório divulgado ontem que “o conflito põe uma pressão crescente sobre o programa e uma série de elementos cruciais da estrutura macroeconômica ainda terão que ser revisados”. Segundo o FMI, a economia da Ucrânia vai encolher 6,5% este ano, frente a uma previsão de queda anterior de 5%, quando o programa de ajuda foi acertado. Os gastos para conter a rebelião dos separatistas pró-Moscou drenam as reservas da Ucrânia. E a perda de parte do território reduz a arrecadação de receitas.

O acordo com o FMI não alivia os efeitos sociais do aperto fiscal. Em troca da ajuda, a Ucrânia concordou com um programa de austeridade que inclui demissão de 24 mil funcionários públicos, elevação de impostos, venda de ativos estatais e retirada gradual de subsídios ao setor de gás natural. Ciente do momento ruim, o acordo foi desenhado para que o aperto ocorra em 2015 e 2016. Mas, com os custos do conflito, o governo se viu obrigado a fazer, este ano, cortes de gastos equivalente a 1% do PIB (conjunto de bens e serviços produzidos no país).

“O programa se baseia na suposição de que o conflito vai ceder nos próximos meses”, diz a missão do FMI. “Um prolongamento da crise afetaria seriamente a capacidade de reformar a economia sem um aumento substancial da ajuda externa”.

oglobo.globo.com | 19-07-2014

RIO - O acirramento da crise na Ucrânia e o isolamento da Rússia pelos Estados Unidos sugerem um cenário mais delicado para a economia global daqui para a frente. Países da zona do euro podem estar entre os mais afetados, pela ligação comercial e financeira. Há também expectativa de maior aproximação da Rússia com a China, o que indica atenção dos países mais ligados ao gigante asiático, que já precisam lidar com a desaceleração chinesa.

Neste ambiente, produtores de “commodities” metálicas, como Brasil, Chile, Peru, África do Sul e Austrália, devem ser os mais afetados pelo ritmo menor de crescimento chinês, ainda que no segundo trimestre o país tenha registrado expansão de 7,5%, e pela transformação do modelo de crescimento, apontam analistas.

Já a demanda por commodities agrícolas deve se sustentar com o aumento da renda da população chinesa. A intensidade do impacto nos países sinodependentes, no entanto, dependerá se o projeto do governo chinês de promover uma desaceleração suave de sua expansão econômica terá sucesso.

— O impacto deve ser desigual nos emergentes. Quem produz commodities industriais deve sofrer mais porque a desaceleração chinesa é puxada pela fraqueza no setor imobiliário e nos gastos do governo — afirma Qinwei Wang, da consultoria Capital Economics.

A China vem trilhando longo caminho para transferir a força da expansão econômica de exportações e investimento para consumo doméstico. Essa transformação estrutural tem contribuído para a redução do ritmo de crescimento. Ainda assim, as projeções são de crescimento acima de 7% pelo menos até 2016.

— O menor ritmo de crescimento chinês significará um cenário mais difícil para todos, mas não é desastroso. O que se imagina agora é um pouso suave — diz o professor Eduardo Costa Pinto, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Para ele, as tensões no campo geopolítico devem aumentar e é possível uma aproximação entre Rússia e China. Em maio, os dois países assinaram um histórico acordo de fornecimento de gás natural, já depois do anúncio das sanções econômicas contra a Rússia.

— Ao mesmo tempo que há a tensão na Rússia, percebe-se que os EUA estão buscando conter mais a China. As tensões devem aumentar, mas num cenário sem conflito armado a recuperação deve continuar, ainda que lenta. Dependendo, isso pode até ser favorável ao Brasil, já que Rússia e China podem se aproximar mais — diz o professor da UFRJ.

O efeito do crescimento menor da China se daria principalmente pelas exportações. Um ritmo menor de vendas externas pode levar à deterioração da balança comercial e do saldo em transações em conta corrente. Para as commodities agrícolas, a previsão é mais otimista: a demanda por alimentos deve continuar forte com manutenção do aumento de renda da população.

Para o pesquisador do Centro Carnegie-Tsinghua para Política Global Matt Ferchen, países da América do Sul que dependem de exportações de minerais – como Chile e Peru principalmente, mas também o Brasil – têm razão para estarem ansiosos:

— Num cenário otimista, com sucesso no reequilíbrio da economia chinesa, o minério de ferro e o cobre usados em infraestrutura e mercado imobiliário podem ir para as reformas de urbanização e acompanhar o aumento da demanda do consumo doméstico. No cenário pessimista, o boom de commodities acaba e junto a esperança de sustentação dos preços altos — disse Ferchen.

oglobo.globo.com | 19-07-2014
David Luiz em campo durante a Copa do Mundo: segunda transferência mais cara da janela europeia - GABRIEL BOUYS / AFP

RIO — Se o fracasso na Copa do Mundo deixou a impressão de que faltam protagonistas no futebol brasileiro, jogadores com poder de decisão, o mercado de transferências da Europa parece refletir tal realidade. O continente atravessa uma janela de negociações agitada, que movimenta muito dinheiro. E na lista das mais caras transações, o Brasil continua presente. Só que com defensores.

A janela de verão da Europa, às vésperas do início da temporada, costuma concentrar a maior parte dos investimentos. E, até agora, a lista das 20 transações mais caras tem três jogadores nascidos no Brasil: o zagueiro David Luiz, o lateral-esquerdo Filipe Luís e o atacante Diego Costa. Este último, no entanto, é naturalizado espanhol. Jogou a Copa do Mundo com a camisa da Espanha.

David Luiz é, até agora, o segundo jogador mais caro deste período de negociações. Por ele, o Paris Saint-Germain pagou ao Chelsea o equivalente a R$ 153 milhões. Avaliado após o desempenho do zagueiro na Copa, em especial contra a Alemanha, o número pode assustar. Mas David foi negociado antes do Mundial. Ele só perde para Luis Suárez, por quem o Barcelona desembolsou um valor estimado em R$ 285 milhões.

Filipe Luís está em 11º lugar na lista. O Atlético de Madrid recebeu do Chelsea cerca de R$ 70 milhões. Já o agora espanhol Diego Costa, também contratado pelo Chelsea, custou R$ 120 milhões.

Até 2013, a tendência brasileira era pela valorização dos jogadores com características ofensivas. A exceção foi Thiago Silva, vendido em 2012 pelo Milan ao Paris Saint- Germain por cerca de R$ 130 milhões. Naquele ano, ele foi a segunda transferência mais cara da Europa. A primeira foi Hulk, que custou cerca de R$ 165 milhões ao Zenit, da Rússia. Ele jogava no Porto.

Ainda em 2012, Oscar foi o sétimo colocado no ranking de transferências. Foi vendido pelo Internacional ao Chelsea por R$ 90 milhões. Já Lucas, o quarto mais caro, saiu do São Paulo para o PSG por R$ 120 milhões.

Na janela do verão de 2013, o número de brasileiros no topo já diminuíra. Neymar foi um dos dois jogadores ofensivos do Brasil a integrar listas dos mais caros. Inicialmente, o valor oficial de sua contratação divulgado pelo Barcelona era de R$ 170 milhões. Após a inclusão de outros contratos feitos entre o clube e a família do atacante, o número subiu para R$ 260 milhões. O outro foi Willian, comprado pelo Chelsea por R$ 120 milhões. Mais um brasileiro a movimentar altos valores, Fernandinho, um volante, custou R$ 130 milhões ao Manchester City em sua transferência do Shakhtar Donetsk.

TRANSFERÊNCIAS NA JANELA EUROPEIA

Luis Suárez: Vendido pelo Liverpool ao Barcelona por estimados R$ 285 milhões

David Luiz: Antes da Copa do Mundo, trocou o Chelsea pelo PSG por R$ 153 milhões

Filipe Luís: Está em 11º na lista dos mais caros. Saiu do Atlético de Madrid para o Chelsea por R$ 70 milhões

oglobo.globo.com | 19-07-2014

GENEBRA — Irã e seis potências mundiais concordaram na sexta-feira em prorrogar as negociações sobre o programa nuclear do país por mais quatro meses, dizem diplomatas.

Irã, Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China haviam estabelecido 20 de julho como prazo para conclusão do acordo, que visa resolver uma disputa de dez anos a respeito dos direitos e das ambições de Teerã em relação ao seu programa nuclear.

Estados Unidos e Israel, por exemplo, acusam o Irã de querer desenvolver uma bomba atômica. O país nega e afirma que tem o direito de produzir energia nuclear.

Sanções unilaterais americanas e europeias, assim como as aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU, isolaram a economia do Irã dos mercados mundiais e das finanças globais.

As negociações começaram em fevereiro em Viena, no rastro da eleição do presidente iraniano Hasan Rouhani.

O Irã não quer abrir mão da produção de seu conteúdo atômico, mas os negociadores temem que, dada a capacidade do país, ele use o material para produzir uma bomba, ao invés de energia elétrica e materiais para tratamento médico, por exemplo.

O chanceler iraniano Mohammad Javad Zarif disse que o Irã estaria disposto a retardar o desenvolvimento de seu programa de enriquecimento de urânio em escala industrial por até sete anos e em manter em até 19 mil o número de centrífugas que tem instaladas.

O secretário de Estado Americano disse que a proposta iraniana estava “fora de questão”. Os EUA e seus aliados europeus querem que o Irã restrinja seu programa nuclear por pelo menos 10 anos, o que Teerã considera excessivo.

O Irã, porém, será autorizado a ter acesso a 2,8 bilhões de dólares de recursos congelados durante o período de negociação com seis potências mundiais sobre o programa nuclear iraniano, mas a maioria das sanções contra o país continuará em vigor, disseram os Estados Unidos nesta sexta-feira.

oglobo.globo.com | 19-07-2014

Se algum espírito maligno se dispusesse a aprofundar as tensões globais bem poderia imaginar a queda de um Boeing 777 da Malaysian Airlines no Leste da Ucrânia, onde ocorre um conflito entre forças de Kiev e separatistas apoiados e armados pela Rússia. A realidade dispensou esse espírito.

A opinião pública mundial ainda não se recuperou do golpe do desaparecimento, em março, de outro Boeing 777 da Malaysian que decolou de Kuala Lumpur com destino a Pequim com 239 a bordo, e permanece desaparecido desde então. O desastre de ontem matou as 295 pessoas que iam de Amsterdã para para Kuala Lumpur. Ele ocorreu um dia após os EUA e a União Europeia anunciarem novas sanções à Rússia, por não levar à prática as promessas de pôr um fim à crise na Ucrânia. O fato de o jato ter despencado de 10 mil metros levanta a hipótese de ter sido derrubado por um míssil. Mas é preciso esperar provas irrefutáveis.

O espaço aéreo na fronteira da Ucrânia com a Rússia foi tomado pela crise. Terça-feira, Kiev acusou jatos russos de derrubar um caça SU-25 ucraniano e, na segunda, disse que um certeiro míssil, “provavelmente disparado do território russo”, derrubou um cargueiro da Ucrânia, matando dois tripulantes. Outros incidentes ocorreram nos últimos meses, inclusive em junho, com a derrubada de um cargueiro ucraniano com nove tripulantes e 40 paraquedistas a bordo. Todos morreram.

A nova tragédia apanhou os presidentes Obama e Putin num telefonema em que discutiam a situação no Leste da Ucrânia e, especialmente, as novas sanções adotadas por EUA e UE contra a Rússia por sua posição dúbia de apoiar verbalmente a paz negociada, sem deixar de armar rebeldes separatistas naquela parte da Ucrânia, o que ameaça partir o país em dois.

As novas sanções aumentam muito as dificuldades para a economia russa, ao atingir grandes companhias como Rosneft Oil, Novatek (segunda maior produtora de gás), Gazprombank, Vnesheconombank, fábricas de armamentos, Feodosya (da Crimeia, península tomada pela Rússia da Ucrânia), além de autoridades como o líder da Duma (parlamento), o chefe do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) e um líder separatista ucraniano.

Segundo a Casa Branca, no telefonema Obama advertiu Putin que “passos adicionais estão sobre a mesa se a Rússia não mudar sua atitude”. O porta-voz afirmou que “os EUA estão comprometidos em assegurar a prioridade da norma internacional de que os países respeitem a integridade territorial dos demais”.

De fato, esse é um princípio básico da convivência internacional. A ampliação das sanções à Rússia é a melhor forma de pressionar o Kremlin a não fomentar a disputa no Leste da Ucrânia, onde mais de 700 pessoas, entre civis e militares, morreram desde o início da crise, no fim do ano passado.

oglobo.globo.com | 18-07-2014
O principal índice da Bolsa brasileira fechou esta quinta-feira (17) em leve queda de 0,14%, para 55.637 pontos, influenciado pelo clima de aversão ao risco no exterior em decorrência das novas sanções dos Estados Unidos contra a Rússia e ao agravamento da crise na Ucrânia após a queda de um avião comercial no leste do país. O Ibovespa passou por instabilidade ao longo do dia e chegou a subir cerca de 800 pontos em apenas 30 minutos no meio da tarde, estimulado pela expectativa dos investidores por pesquisas eleitorais previstas para esta semana. O volume financeiro foi de R$ 7,143 bilhões –acima da média diária no mês de julho, de R$ 4,959 bilhões. "Além das turbulências externas e o cenário político nacional, a forte oscilação refletiu também a proximidade do vencimento de opções sobre ações, que ocorre na segunda-feira na BM&FBovespa", diz Alexandre Wolwacz, diretor da escola de investimentos Leandro & Stormer. Leia mais (07/17/2014 - 18h27)
redir.folha.com.br | 17-07-2014

O presidente americano, Barack Obama, declarou nesta quarta-feira que a imposição de novas sanções contra a Rússia são a consequência de suas ações na Ucrânia. "O que esperamos é que os líderes russos se deem conta, de uma vez por todas, de que suas ações na Ucrânia têm consequências, principalmente um enfraquecimento da economia russa e um crescente isolamento diplomático", disse Obama durante um breve discurso....
noticias.terra.com.br | 17-07-2014

CRETA - Creta, a maior e uma das mais famosas ilhas da Grécia, guarda imensuráveis riquezas do Mediterrâneo. Está entre os destinos de maior importância cultural do arquipélago grego. É em Creta, ao sul do Mar Egeu, que você poderá apreciar a beleza dos mares da Líbia, Mirtoico, de Cárpatos; terá a chance de andar por ruínas de sítios arqueológicos minoicos, pequenas ruas em labirínticos centros históricos que parecem cópias do Palácio de Knossos (o do labirinto do minotauro), portos venezianos, e verá vilas, igrejas, mosteiros ortodoxos e desfiladeiros impressionantes. Também será possível admirar campos de oliveiras, aproveitar praias lindas e experimentar pratos da cozinha mediterrânea que marcam o papel central da culinária na filosofia e no estilo de vida do berço da civilização europeia.

Com mais de mil quilômetros de extensão de litoral, para conhecer as principais cidades cretenses — Héraclion, Chania e Rethymno, as mais bonitas e centrais para hospedagem — e ainda outras — como Ierápetra, Agios Nikolaos e Siteía — será necessário ao menos cinco dias. A diversidade da ilha com a sexta maior população da Grécia combina turismo cultural, gastronômico e praiano. O agroturismo também virou negócio local e mostra o papel significativo da olivicultura e da viticultura na região. Enquanto pequenos agricultores mantêm a tradição cuidando de rebanhos que incluem os cabritos selvagens, empresas produtoras de azeite, mel e queijo exportam freneticamente para Brasil, China e Rússia.

Tão conhecida quanto Santorini e Mikonos, Creta se destaca por ser a única ilha da Grécia que seria capaz de sobreviver sem a economia do turismo devido à potência de sua agricultura, pecuária, indústria alimentícia e comercial. A quinta maior ilha do Mediterrâneo tem três aeroportos. O de Rethymno, depois do de Atenas, é o mais movimentado da Grécia.

O Ministério do Turismo grego diz que Creta recebe anualmente cerca de um quarto dos turistas da Grécia, sendo a ilha mais visitada de todo o país. Dados fornecidos pelo Banco da Grécia ao site DiscoverGreece.com, informam que Creta recebeu 3,3 milhões de turistas em 2013. O guia “Lonely Planet” classifica a ilha como um dos destino de férias mais populares da Europa. Creta tem belas paisagens e ao longo delas você vai se deparar com aldeias tradicionais, cavernas — como a de Zeus, que segundo a mitologia grega nasceu e viveu na ilha — e montanhas espetaculares, como as Montanhas Brancas, que alcançam 2.453 metros de altitude, na região de Chania, onde também se encontra o desfiladeiro de Samaria, o mais longo da Europa.

PRAIAS. MAR AZUL-TURQUESA E AREIAS DE VÁRIAS CORES

Os melhores meses para conhecer Creta são entre maio e outubro. Nessa época, a temperatura da água do mar pode ser superior aos 20°C, em agosto chega na casa dos 25°C. A ilha é um destino ideal para quem deseja tranquilidade. Mesmo no auge do verão europeu, em julho e agosto, os preços são acessíveis devido a variedade que Creta oferece aos seus visitantes.

Só de praias, são mais de 350. Algumas com areia branca, outras cor-de-rosa, ou dourada, cheias de pedrinhas coloridas, ou ainda, com milhares de conchas quebradas. Essas inúmeras praias com paisagem diversificada têm águas de tonalidades azul-turquesa que lembram o Caribe.

Nos dois lados da ilha, a tarefa difícil será escolher a sua praia entre as mais bonitas. Há praias badaladas, isoladas, familiares, calmas, agitadas, organizadas e de nudismo. Listamos seis consideradas imperdíveis.

Elafonisi. Majestosa e protegida pela Rede Natura 2000 — áreas de proteção ambiental estabelecidas pela União Europeia — tem paisagem serena, dunas de areia branca, águas cristalinas e rasas. A praia é excelente para crianças. Por ser área protegida, é estritamente proibido cortar plantas ou levar uma garrafa de areia para casa. Os leitores do site TripAdvisor consideraram Elafonisi uma das 20 praias mais bonitas do mundo em 2014. Fica a cerca de 74 quilômetros da cidade de Chania.

Balos. Impressiona com as cores da areia vermelha dourada em combinação com o azul-turquesa das águas. Tem menos turistas. Melhor chegar de barco a partir de Kissamos — de carro a estrada é bastante difícil Balos fica em Gramvousa, a 52 quilômetros de Chania.

Falasarna. Provavelmente a praia mais famosa e encantadora de Creta. Todo ano recebe prêmios de guias de turismo e da imprensa internacional como a praia mais bonita da Grécia e uma das dez melhores da Europa. De cenário espetacular, tem areia quase rosa, águas cristalinas de cor azul-turquesa e montanhas. A praia é organizada, mas com espaço livre o suficiente para aqueles que querem ficar em contato direto com o sol e a areia. Fica em Kissamos, a 54 quilômetros de Chania.

Matala. A pequena vila de pescadores foi paraíso de hippies nos anos 1970. Entre suas características atraentes estão areia fina, rochas brancas e águas azuis cristalinas. As pequenas grutas artificiais aumentaram o turismo na região. A praia é organizada e cercada por tavernas. Está a 68 quilômetros de Heráclion.

Vai. Tem palmeiras exuberantes, areia fina, com algumas pedras, e águas azul-turquesa. A praia está em harmonia com a paisagem natural e deslumbrante do Mediterrâneo. Vai está ocalizada a 25 quilômetros de Agios Nikolaos.

Preveli. Pequeno paraíso onde mar e rio se unem. O visual surpreende com a faixa de areia cortada em diagonal por um rio, de mesmo nome. Uma floresta de palmeiras cerca o local. Isolada, bonita e romântica, depois do banho no mar, vale tirar o sal nas águas doces e límpidas do riacho. A 40 quilômetros de Rethymno, Preveli pode ser alcançada por uma estrada de terra seguida de uma longa escadaria ou por barco.

CIDADES. LABIRINTO E CAFÉ HISTÓRICO

A importância cultural de Creta é grande. A ilha é berço da civilização minoica, uma mais antigas do mundo, na Idade do Bronze (3 mil anos a.C.), considerada mais avançada que a contemporânea civilização da Grécia continental.

O Palácio de Knossos, em Héraclion, é o sítio mais importante e visitado da ilha. Embora não existam provas contundentes, é o endereço conhecido do labirinto do Minotauro. A fila de entrada é longa. Reserve ao menos duas horas para visitação e use um calçado confortável para andar no chão de terra e pequenas pedras. Considerado o maior sítio arqueológico da Idade de Bronze de Creta e um dos mais antigos da Europa, a grandeza da história do palácio impressiona. Depois da visita, o Museu Arqueológico de Héraclion complementa o passeio, com objetos pré-históricos e coleções da civilização minoica. E o Museu Lychnostatis, em Hersonissos (a 25 km de Héraclion), erguido a céu aberto exibe uma rica exposição de cultura folclórica.

No trajeto entre Héraclion e Chania (140 km), aldeias tradicionais de Creta são lugares com visual de cartão-postal. Archanes, em Héraclion, é uma pitoresca vila rural com uma história de cinco mil anos, onde a passagem do tempo não alterou a arquitetura tradicional — a recuperação da aldeia ganhou o Prêmio Europeu de Restauração de Vilas.

Anogia, a meio caminho, no distrito de Rethymno, a 700 metros de altitude, tem 2.500 moradores. Os habitantes mantêm inalterado o dialeto peculiar, que inclui palavras do grego antigo.

Entre os mais bonitos desses povoados está Sfakiá (Hóra Sfakíon), vila de Creta na região de Chania onde os moradores não foram afetados pelas invasões estrangeiras. Lé se vive ainda da agricultura e da pesca. De relevo acidentado e montanhoso, o local tem belas colinas. A 12 km a leste de Sfakiá, o castelo medieval Frangokastello, na costa sul, é famoso pelo fenômeno Drosoulites. Diz a lenda que nas manhãs de maio e junho, sombras de guerreiros fantasmas que morreram na batalha de maio de 1828 rondam o castelo. Explicações científicas atribuem o fenômeno à miragem ou à ilusão.

Outra vila interessante é Therissos (a 16 km de Chania), cercada pela vegetação do desfiladeiro de Theriso, com belas águas e árvores densas. Therissos fica aos pés das Montanhas Brancas, a 580 metros de altitude. Na região, pode-se também atravessar o desfiladeiro de Samaria, o mais longo da Europa. O percurso de 18 km de extensão leva de cinco a sete horas, dependendo do ritmo do visitante. É recomendável para pessoas com certo grau de resistência física. Fica em um parque com excelente infraestrutura com banheiros por todo o caminho e fontes de água. Perto dali, em Akrotiri, está o túmulo do ex-primeiro-ministro da Grécia, Eleftherios Venizelos — que duplicou as terras gregas durante as guerras mundiais e é considerado pelos cretenses como pai da Grécia moderna. O local tem bela vista panorâmica de Chania.

Em Chania, vale visitar o Museu Arqueológico; a Catedral da Apresentação da Virgem Maria, com pinturas religiosas em bom estado, e o Mosteiro ortodoxo de Agia Triada, conhecido por sua capela dedicada aos 12 apóstolos. Construído em 1634, o mosteiro oferece degustação de vinhos e uma pequena loja com produtos artesanais. O Museu de Tipografia exibe livros, jornais raros e prensas de ferro fundido.

Em Chania se toma o melhor café grego da ilha, no Café Kipos, no jardim nacional. Aberto desde 1870, o local serve vários tipos de doces e faz parte da Associação de Cafés Históricos da Europa.

GASTRONOMIA. PESCADOS, ERVAS, CARACÓIS E RAKI

Creta é acolhedora e está repleta de tavernas, restaurantes, bares e clubes. A ilha fica na região com a melhor gastronomia da Grécia e a fama de ser um dos melhores lugares para comer na Europa. A comida é temperada com especialidades como erva-doce, manjericão, orégano, limão e azeite. E os melhores azeites da Grécia vêm de Creta. Graças às condições climáticas, posição geográfica e geologia, a ilha é também um paraíso botânico, com 1.742 espécies registradas de plantas, 159 das quais endêmicas. O aroma das ervas é percebido por toda parte, principalmente na primavera, entre março e junho. Nas tavernas, vasos de orégano e manjericão decoram os ambientes.

As tavernas são ideais para provar as especialidades de Creta, pois servem variados tipos de mezzes (porções fartas em pratos de sobremesa). E tudo vem ao mesmo tempo: os quentes, os frios, as entradas e os principais. Belisque das diferentes porções em vez de se servir individualmente. Nas tavernas, a comida é compartilhada.

Entre as especialidades, experimente tortas e pastéis de queijo e espinafre; stáka (ovo frito coberto por uma espécie de mingau de queijo); dakos (pão regado ao azeite e coberto por queijo branco e tomate); haniotiko boureki (bolo salgado recheado de queijo branco, batata e abobrinha); pilafe de zigouri (parecido com risoto, servido com carne cozida de cabrito), e os queijos myzithra, anthotyros, graviera e feta. Creta fabrica vários tipos de queijos e os mantêm como produto básico e tradicional. Aproveite como aperitivo, acompanhamento, lanche ou sobremesa.

Peixes ou frutos do mar podem vir cozidos, fritos, assados. Para saborear os pescados fresquinhos, peça os do dia. A maioria das tavernas de peixes estão próximas ao mar e são chamadas de psarotavernas. Perto das montanhas, são servidas carnes, principalmente as de carneiro. Outra especialidade são os caracóis — particularmente saborosos por se alimentarem de ervas aromáticas, que junto ao alho temperam os moluscos.

Já os doces, a maioria tem como ingredientes principais o mel e o queijo. Prove as kalitsounias, pastel doce com recheio de queijo e mel. Os iogurtes são deliciosos. No verão, a preferência é por frutas frescas, como melancia, melão, figo e uvas.

Na maioria das vezes, as tavernas oferecem de graça sobremesas como queijos e iogurtes com mel ou frutas. A cortesia é acompanhada de um copinho de raki — bebida típica, parecida com licor, derivada de uva e com 40% a 45% de álcool. Muitas vezes, quando o visitante pede um café ou copo d’água, o garçom traz o raki com a desculpa de que em Creta a hospitalidade é brindada de forma clássica. Em qualquer lugar da ilha, de mosteiros aos restaurantes mais luxuosos, esta será a bebida servida para brindar ao visitante. Contudo, se o gosto forte não agradar, opte pelo rakomelo, que vem misturado com mel.

NÃO PERCA

Portos e ruas. Caminhe pela pequenas ruas dos portos de Chania e Rethymno sem medo de se perder. Todas as ruas terão saída para o lado do mar.

Suvenires. Em Chania e Rethymno, há lembrancinhas em madeira e folhas de oliveira que custam menos de R$ 4. Pechinchar preços funciona. Em Chania, uma das lojas mais bonitas para peças de cerâmica é a Flakatoras.

Hammam. No quebra-cabeça arquitetônico de Chania, há vários banhos otomanos. Experimente o Al Hammam, na praça Eleftherios Venizelos.

Aquários. O Cretaquarium, em Héraclion, tem mais de 250 espécies marinhas do Mediterrâneo em 60 tanques. O Aquaworld Aquarium, em Hersonissos, abriga um museu de história natural com exibição da vida marinha e répteis de várias partes do mundo.

Festas. O Panigiri é uma festa folclórica grega, realizada em diversas datas na primavera e no verão, com danças tradicionais, boa comida e vinho.

oglobo.globo.com | 16-07-2014
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, destacou nesta terça-feira (15) na 6ª Cúpula do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), em Fortaleza, que o grupo ocupa um lugar único na economia global, pois é o maior mercado do mundo. Os cinco países detém 21% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, informou, e continuará em crescimento nos próximos anos.

“Os nossos países desempenham cada vez mais um papel importante no cenário político mundial, graças ao papel assumido pela China e pela Rússia no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), quando preve
A presidente Dilma Rousseff disse nesta terça-feira (15) que está otimista com a criação do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics e de um fundo de reservas para o bloco, que reúne cinco países – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Ao sair do hotel onde está hospedada em Fortaleza, para participar da sexta reunião de cúpula do bloco, ela ressaltou que a instituição deverá beneficiar os países emergentes e em desenvolvimento.

“O banco vai contribuir com recursos para garantir investimentos em infraestrutura. O Acordo Contingente de Reservas, com montante de US$ 100 bilh
O grupo dos Brics - formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - divulgou comunicado conjunto na tarde desta terça-feira, 15, ao final da 4ª Reunião dos Ministros de Comércio Externo do bloco, dentro da VI Cúpula, realizada em Fortaleza (CE).
atarde.uol.com.br | 15-07-2014

FORTALEZA - O presidente da China, Xi Jinping, destacou os avanços na cooperação entre os países do Bric (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) nos últimos cinco anos e defendeu uma parceria ainda mais sólida em seu discurso de encerramento da VI Cúpula do Brics. Xi ressaltou a importância da abertura comercial e também defendeu mais voz para os países emergentes nas instituições internacionais.

- Estamos comprometidos em promover o comércio (...) e também voltados para a democracia nas relações internacionais. Há cinco anos, nossa cooperação floresceu em muitas áreas, trazendo benefícios intangíveis aos nossos povos. (...) Nada disso foi impedido por mares ou montanha - afirmou.

Xi disse que é preciso trabalhar para a melhoria da governança econômica e "aumentar a representatividade e a voz dos países em desenvolvimento". Além disso, destacou a importância da abertura comercial:

- Precisamos manter o espírito da abertura para fazer pleno uso de nossos pontos fortes. Precisamos incorporar o espírito da inclusão e o benefício mútuo entre os diferentes modelos de desenvolvimento.

O presidente chinês afirmou, em sua apresentação, que a China é hoje a principal parceria comercial de 128 países do mundo:

- Em 2013, a China tornou- se o maior parceiro comercial de 128 paises do mundo. A importação gira em torno de US$ 2 trilhões e nossos investimentos em outros países somam US$ 19 bilhões. E esses números continuam aumentando.

oglobo.globo.com | 15-07-2014

FORTALEZA - Na reta final para a criação do banco de desenvolvimento do Brics, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, os ministros da Fazenda e presidentes dos bancos centrais dos cinco países não conseguiram, hoje, chegar a um acordo sobre onde será a sede da instituição e que país assumirá a primeira presidência do banco de desenvolvimento, que a partir de 2016 vai financiar projetos de infraestrutura de nações emergentes. A decisão terá de ser tomada nesta terça-feira, durante a reunião de cúpula dos líderes do Brics na capital cearense.

— Não há nada definido. Muita gente quer — disse ao GLOBO Guido Mantega, ministro da Fazenda.

Até o último domingo, estava praticamente certo que Xangai, na China, sediaria o banco, e o Brasil seria o presidente. Porém, divergências marcaram os debates, na véspera da reunião de chefes de Estado do Brics, amanhã. Índia, Rússia e África do Sul, que também se candidatam à sede, passaram a reivindicar a presidência da instituição caso percam a disputa para a China.

Apesar das dificuldades para se chegar a um acordo, a presidente Dilma Rousseff preparou um discurso citando o banco de desenvolvimento do Brics como um dos principais resultados do encontro de cúpula. Segundo uma fonte ligada ao Palácio do Planalto, Dilma dirá que a instituição é uma resposta às necessidades dos países emergentes, que continuam duplamente prejudicados pela falta de reformas em organismos multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional, e a lenta recuperação das economias dos países desenvolvidos.

— Há uma preocupação com o lento processo de recuperação econômica, que continua a prejudicar os investimentos e o fluxo de comércio. As incertezas relacionadas ao crescimento e as respostas dos países desenvolvidos podem levar ao aumento da volatilidade dos mercados financeiros — disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges.

Junto com o banco, que terá um capital inicial de US$ 50 bilhões para financiar projetos do Brics e de outros emergentes, será criado o Arranjo Contingente de Reservas (ACR), com cerca de US$ 100 bilhões, que poderão ser usados em caso de problemas nos balanços de pagamentos dos cinco países.

Os líderes do Brics assinarão, na quarta-feira, um documento com 50 artigos, a Declaração de Fortaleza. Nele, além do banco e do ACR, serão firmados dois acordos de cooperação entre as agências de garantias de crédito à exportação e os bancos de fomento, o que inclui o BNDES.

Como nas últimas reuniões de cúpula, a declaração não incluirá os termos “democracia” e “liberdade de expressão”. Haverá uma pequena evolução em direitos humanos, com uma lembrança de que os cinco países fazem parte do conselho que trata do assunto nas Nações Unidas.

— Esses princípios (democracia e liberdade de expressão) já são incorporados solidamente em nossa filosofia de vida. São valores que têm de ser perpetuados. Não devemos abrir mão de nossas posições, e cada um do Brics age como achar que deve agir — disse Jorge Gerdau, presidente do Conselho de Gestão da Presidência da República.

A discussão sobre democracia hoje acabou virando uma gafe do presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade. Perguntado sobre uma possível entrada da Argentina no Brics, disse que o país não se encaixava no conceito do bloco, que inclui não apenas crescimento econômico, mas segurança jurídica e democracia. Mais tarde, perguntado novamente sobre a participação da Argentina no bloco, por um jornalista daquele país, ele voltou atrás:

— Não falei que falta democracia nem segurança jurídica. A Argentina é um grande parceiro do Brasil e da indústria brasileira.

Em comunicado conjunto, os ministros de Comércio do Brics ressaltaram a preocupação com a situação econômica global e com a reação dos países desenvolvidos. O texto destaca ainda que o bloco busca o cumprimento de objetivos e prazos estabelecidos na Conferência de Bali (dezembro), a fim de retomar as negociações da Rodada de Doha, de liberalização do comércio global.

oglobo.globo.com | 15-07-2014
Empresários de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul querem o uso das moedas locais desses países nas transações entre si, sem a necessidade de conversão para outra moeda, como o dólar, e depois para a moeda local, gerando perdas. A proposta, feita pelos brasileiros, foi apresentada em reunião nesta segunda-feira (14), em Fortaleza, para discutir maneiras de fortalecer a integração econômica e intensificar investimentos entre eles.

O encontro empresarial dá início à sexta cúpula do Brics, grupo formado por essas cinco economias emergentes. A ideia é aproveitar a aliança p

Sábado

1) CONTE ALGO QUE NÃO SEI – p. 2 – ‘A bandeira da Copa russa será a tolerância’

- primeira resposta: A Copa na Rússia vai ser totalmente inclusiva e não descriminatória.

Crítica: erro de grafia (confusão com parônimo)

Certo: A Copa na Rússia vai ser totalmente inclusiva e não discriminatória.

2) LEIA TAMBÉM – p. 2 – Rio / segundo tópico

- Câmara de Vereadores altera emenda para permitir indicações políticas ao Tribunal de Contas do Município

Crítica: falta de vírgula (ambiguidade: a emenda era para isso ou a alteração é para isso?)

Melhor: Câmara de Vereadores altera emenda, para permitir indicações políticas ao Tribunal de Contas do Município

3) PANORAMA POLÍTICO – p. 2 – A engenharia

- José Agripino, coordenador da campanha, admite o drama mas garante que ele pode ser superado.

Crítica: falta de vírgula antes do “mas”

Certo: José Agripino, coordenador da campanha, admite o drama, mas garante que ele pode ser superado.

4) PANORAMA POLÍTICO – p. 2 – A tentação não é de agora

- Um ministro do governo FH conta que, depois do Brasil perder a Copa de 1998, foi procurado por integrantes do governo para...

Crítica: combinação inadequada

Certo: Um ministro do governo FH conta que, depois de o Brasil perder a Copa de 1998, foi procurado por integrantes do governo para...

5) PAÍS – p. 3 – Acréscimo bilionário

- Os três grupos aparecem numa planilha apreendida pela Polícia Federal que registrou, segunda as investigações, repasses de R$ 31 milhões a empresas, algumas de fachada, de Youssef.

Crítica: erro no emprego do relativo (ambiguidade: quem registrou? A planilha ou a PF?)

Certo: Os três grupos aparecem numa planilha apreendida pela Polícia Federal a qual registrou, segunda as investigações, repasses de R$ 31 milhões a empresas, algumas de fachada, de Youssef.

6) PAÍS – p. 3 – NHENHENHÉM / Arrancada

- Dilma começa sua campanha de verdade à partir do dia 20, com viagens pelo país.

Crítica: erro no emprego do acento grave

Certo: Dilma começa sua campanha de verdade a partir do dia 20, com viagens pelo país.

7) PAÍS – p. 3 – NHENHENHÉM / Solto

- ...numa espécie de “campanha paralela” da campanha da pupila.

Crítica: repetição de “campanha” e erro de regência

Certo: ...numa espécie de “campanha paralela” à da pupila.

8) PAÍS – p. 4 – A força da propaganda

- ...bem menos em relação a campanha presidencial de 2010, quando José Serra teve com sete minutos e 18 segundos.

Crítica: falta do acento grave (indicador da crase)

Certo: ...bem menos em relação à campanha presidencial de 2010, quando José Serra teve com sete minutos e 18 segundos.

9) PAÍS – p. 9 – Justiça nega anulação de ação contra Pimentel

- ...para tentar anular provas do processo que ele responde por fraude em licitação e desvio de recursos...

Crítica: erro de regência no emprego do relativo

Certo: ...para tentar anular provas do processo a que ele responde por fraude em licitação e desvio de recursos...

10) ESPECIAL – p. 13 – COI elogia Mundial e diz que Olimpíada será excelente

Crítica: uso fora do padrão O GLOBO

Certo: COI elogia Mundial e diz que Olimpíadas serão excelentes

11) OPINIÃO/artigo – p. 19 – Pelo hermanos alemães

- olho: Alguém devia pedir à psicóloga para, com jeito, comunicar ao técnico o que de fato aconteceu, não na sua cabeça pós-choque traumático, mas na realidade

Crítica: erro na regência do verbo “pedir”

Certo: Alguém devia pedir à psicóloga que, com jeito, comunicasse ao técnico o que de fato aconteceu, não na sua cabeça pós-choque traumático, mas na realidade

12) ECONOMIA – p. 28 – Virtude rara / Os pontos-chave / 3

- Brasileiro mostrou o melhor dele mesmo, tentando compensar falhas nas obras de infraestrutura

Crítica: erro no emprego do pronome pessoal

Certo: Brasileiro mostrou o melhor de si, tentando compensar falhas nas obras de infraestrutura

13) COPA 2014 – p. 6 – PANORAMA ESPORTIVO / Quem cala, consente

Crítica: mau uso da vírgula (Não se separa sujeito de verbo!)

Certo: Quem cala consente

Domingo

1) CAPA – Brics quer ter mais voz nos fóruns globais

- ...para debater uma maior participação nas decisões globais.

Crítica: cacofonia

Melhor: ...para debater uma participação maior nas decisões globais.

2) PAÍS – p. 4 – A pátria nos ombros / Os pontos-chave / 3

- ...para se dedicar de corpo e alma ao objetivo de serem campeões aos trancos e barrancos.

Crítica: erro de grafia / digitação

Certo: ...para se dedicar de corpo e alma ao objetivo de serem campeões aos trancos e barrancos.

3) PAÍS – p. 4 – A pátria nos ombros

- “Só queria poder dar uma alegria ao meu povo, a minha gente que sofre tanto.”

Crítica: falta do acento grave (facultativo) recomendado (inclusive pelo paralelismo)

Certo: “Só queria poder dar uma alegria ao meu povo, à minha gente que sofre tanto.”

4) PAÍS – p. 4 – Sem bola de cristal / Entenda um dos modelos / 2011-2013

- As commodities chegam ao um recorde em 2011...

Crítica: incoerência: duplo uso do artigo

Certo: As commodities chegam ao recorde em 2011...

Ou então: As commodities chegam a um recorde em 2011...

5) PAÍS – p. 6 – No PR, três candidatos farão disputa acirrada

- O PT nunca ganhou eleições para Presidente da República no Paraná.

Crítica: cacofonia

Melhor: O PT jamais ganhou eleições para Presidente da República no Paraná.

6) PAÍS – p. 7 – Dilma reclamou de texto em site da campanha

- Ela pediu para Franklin tirar o texto do ar, e ele, incomodado, com a interferência, insistiu em mantê-lo.

Crítica: erro de regência na construção com o verbo “pedir”

Certo: Ela pediu a Franklin que tirasse o texto do ar, e ele, incomodado, com a interferência, insistiu em mantê-lo.

7) PAÍS – p. 9 – No Rio, Everaldo controlou a entrega do Cheque Cidadão

- ...e integrou o núcleo de governo de Anthony Garotinho, coordenando um carros-chefe da administração...

Crítica: falta da palavra “dos”

Certo: ...e integrou o núcleo de governo de Anthony Garotinho, coordenando um dos carros-chefe da administração...

8) PAÍS – p. 10 – ‘Renda não é suficiente sem serviços públicos’

- última coluna, primeira resposta: A diferença, é que todos estão tentando algo.

Crítica: mau uso da vírgula (Não se separa sujeito de verbo)

Certo: A diferença é que todos estão tentando algo.

9) PAÍS – p. 10 – ‘Renda não é suficiente sem serviços públicos’

- final: Quem não tem dinheiro para pagar mais, tem um serviço pior.

Crítica: mau uso da vírgula (Não se separa sujeito de verbo!)

Certo: Quem não tem dinheiro para pagar mais tem um serviço pior.

10) OPINIÃO/artigo – p. 13 – O ouro do Brasil no Mundial

- A previsão da Confederação Nacional do Comércio (CNC) é de que o balanço da Copa do Mundo feche com movimento de R$ 863 milhões com as vendas totais no varejo.

Crítica: “de” a mais

Certo: A previsão da Confederação Nacional do Comércio (CNC) é que o balanço da Copa do Mundo feche com movimento de R$ 863 milhões com as vendas totais no varejo.

11) ESPECIAL – p. 19 – PLANOS DO PREFEITO / Transmissões ao ar live

Crítica: erro de grafia (digitação)

Certo: Transmissões ao ar livre

12) ESPECIAL – p. 21 – Fifa sai em defesa do diretor da Match

- Ele chegou a ser fotografado senado em um ponto de ônibus...

Crítica: erro de grafia (digitação)

Certo: Ele chegou a ser fotografado sentado em um ponto de ônibus...

13) RIO – p. 27 – A triste história de Herculano

- olho: “Nunca ganhou um centavo”

Crítica: cacofonia

Certo: “Jamais ganhou um centavo”

Segunda

1) RICARDO NOBLAT – p. 2 – A VERDADE É QUE...

- Abrem-se as cortinas e começa um novo espetáculo – dessa vez, o das eleições gerais.

Crítica: falta de vírgula antes do “e” (mudança de sujeito) e mau uso do demonstrativo (é a vez atual...)

Certo: Abrem-se as cortinas, e começa um novo espetáculo – desta vez, o das eleições gerais.

2) COPA 2014 – p. 6 – Final só aumentou o vexame do Brasil / Sem brasileiros

- ...Hummels (Alemanha), Vlaar (Holanda) e Blind (Holanda); Mascherano (Argentina), Schwensteiger (Alemanha) e James Rodriguez (Colômbia); Messi (Argentina), Hummels (Alemanha) e Robben (Holanda).

Crítica: repetição de “Hummels (Alemanha)”

Certo (provável): ...Hummels (Alemanha), Vlaar (Holanda) e Blind (Holanda); Mascherano (Argentina), Schwensteiger (Alemanha) e James Rodriguez (Colômbia); Messi (Argentina), Müller (Alemanha) e Robben (Holanda).

3) COPA 2014 – p. 6 – ‘Obrigado’

- E a seleção que mais curtiu a Copa no país do futebol não esqueceu do anfitriões na comemoração.

Crítica: erros de regência e de concordância (do artigo)

Certo: E a seleção que mais curtiu a Copa no país do futebol não esqueceu os anfitriões na comemoração.

Ou então: E a seleção que mais curtiu a Copa no país do futebol não se esqueceu dos anfitriões na comemoração.

4) COPA 2014 – p. 8 – Menino de ouro

- terceira coluna: Apesar do protagonismo ter batido à porta de outros jogadores, Götze não pode ser considerado uma surpresa.

Crítica: combinação inadequada

Certo: Apesar de o protagonismo ter batido à porta de outros jogadores, Götze não pode ser considerado uma surpresa.

5) COPA 2014 – p. 14 – Imagens do fim de semana / 2. Sangue e suor

- Após pancada de Agëro, punido apenas com cartão amarelo...

Crítica: erro no nome

Certo: Após pancada de Agüero, punido apenas com cartão amarelo...

6) SEGUNDO CADERNO – p. 2 – O alemão

- Lembro do placar e tudo, lembro do espanto de ver aqueles gols todos enfiados em menos de dez minutos, mas, de resto, já apagou.

Crítica: erro de regência: falta do pronome

Certo: Lembro-me do placar e tudo, lembro-me do espanto de ver aqueles gols todos enfiados em menos de dez minutos, mas, de resto, já apagou.

Ou melhor: Lembro-me do placar e de tudo, lembro-me do espanto de ver aqueles gols todos enfiados em menos de dez minutos, mas, de resto, já apagou.

Ou então: Eu me lembro do placar e de tudo, eu me lembro do espanto de ver aqueles gols todos enfiados em menos de dez minutos, mas, de resto, já apagou.

7) SEGUNDO CADERNO – p. 3 – GENTE BOA / ‘Isso é Brasil. E é o máximo’

- terceiro tópico: “Espero finalizar esse filme este ano, mas para lançá-lo, preciso que a família de Jorge diminua os valores de direitos autorais...”

Crítica: falta de vírgula no início da circunstância interposta

Certo: “Espero finalizar esse filme este ano, mas, para lançá-lo, preciso que a família de Jorge diminua os valores de direitos autorais...”

8) SEGUNDO CADERNO – p. 6 – PATRÍCIA KOGUT / Tudo no susto

- A queixa geral nos bastidores de “Cidade alerta” é de que o programa precisa de recursos.

Crítica: “de” a mais

Certo: A queixa geral nos bastidores de “Cidade alerta” é que o programa precisa de recursos.

oglobo.globo.com | 14-07-2014

FORTALEZA - Líderes das empresas do Conselho Empresarial do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) destacaram nesta segunda-feira o potencial dos negócios do grupo e a necessidade de união no atual momento de incerteza na economia. Além disso, foi ressaltada a importância de medidas concretas para o incremento dessa integração econômica entre os países.

— A união é muito importante para as comunidades empresariais do Brics, especialmente neste momento de grandes mudanças e incertezas na economia mundial, que nos apresentam grandes dificuldades, e quando o crescimento dos países do Brics está mais lento. Há quem diga que o brilho dos Brics está diminuindo por causa do ritmo de crescimento da economia. Agora todos estão no mesmo barco. Vamos remar com confiança — afirmou o presidente da seção chinesa do Conselho, Ma Zehua.

Já Sergey Katyrin, da seção russa do Conselho, defendeu medidas concretas no âmbito do Brics, diante do interesse da comunidade internacional:

— Há muitos países prestando atenção no nosso trabalho e no nosso futuro. Nos próximos anos, a sociedade mundial vai esperar algo de nós e é preciso pensarmos em algo concreto.

O Conselho Empresarial do Brics foi criado na Cúpula de Durban, no ano passado, e reúne 25 empresas, sendo cinco empresas de cada um dos países. Eles se reuniram em agosto em Joanesburgo e desde então tiveram teleconferências mensais para tratar de uma agenda comum. Foram levantados mais de 200 áreas e projetos com perspectivas de incremento no comércio e investimentos.

A maior dificuldade foi coordenar os diferentes interesses e objetivos, segundo o presidente da Marcopolo, José Rubens de la Rosa, que é o presidente da seção brasileira do Conselho e assume a presidência do Conselho em Fortaleza.

— Não é tão simples coordenar interesses e objetivos. A primeira impressão é que vai ser difícil fazer negócios, já que todos só querem comprar. Mas há sim diversas áreas de cooperação — apontou de La Rosa.

Nesta terça-feira, o Conselho Empresarial do Brics vai entregar uma lista de sugestões com o resultados das discussões nos últimos meses. O pedido para que as transações comerciais sejam em moedas locais está entre as prioridades, de maneira a reduzir os custos. A criação do banco de investimentos do Brics é vista com bons olhos pelos empresários:

— O banco de investimentos é muito importante para as empresas dos cinco países, principalmente para o financiamento com garantias. É fundamental que aceitem as garantias da matriz no Brasil — disse o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson de Andrade.

Questionado sobre a possível inclusão da Argentina no Brics, Andrade afirmou que a Argentina não se enquadra no conceito de criação do bloco. Ele citou que, além de crescimento econômico, há a questão de “segurança jurídica e do caminho da democracia plena”. Mais tarde, no entanto, o presidente negou que não haja democracia na Argentina e destacou que o país é um grande parceiro comercial.

oglobo.globo.com | 14-07-2014

FORTALEZA - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que a reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI) está demorando “injustificadamente” e que os países do Brics precisam participar de forma mais ativa do sistema de decisões do Fundo e do Banco Mundial. Em entrevista à agência de notícias russa Itar-Tass, antes de chegar ao Brasil para a VI Cúpula do Brics, disse que o tema será objeto de discussões no encontro, assim como a situação na Síria, no Iraque e, em especial, na Ucrânia.

— Prestaremos atenção especial à situação na Ucrânia e às medidas da comunidade internacional que ajudarão a acabar com o banho de sangue no sudeste do país — disse Putin, para depois denunciar que a Rússia está sob “ataque” de sanções vindas dos Estados Unidos e de seus aliados.

O presidente abordou ainda o interesse da Argentina em participar do Brics. Ele saudou o interesse das autoridades argentinas e disse que a expansão do bloco não é avaliada de forma prática hoje, mas poderá ser discutida futuramente:

— Em geral, hoje cada vez mais países estão enxergando as perspectivas da nossa associação. Por isso, no futuro provavelmente surgirá a questão da ampliação gradual do Brics.

A união dos países do Brics, cuja importância no mundo contemporâneo multipolar vem crescendo, podia contribuir para mudanças significativas no sistema das relações internacionais. Qual é a agenda e quais planos o senhor acha necessário abordar com os parceiros do Brics durante a cúpula?

O mundo contemporâneo, na verdade, é multipolar, complexo e dinâmico – essa é a realidade objetiva. E as tentativas de criar um modelo das relações internacionais em que as decisões seriam tomadas no âmbito de um “polo” só não são eficazes, constantemente falham e, afinal de contas, são condenadas ao fracasso.

Não é por acaso que o formato da interação entre países tão poderosos como os membros do Brics, como proposto pela Rússia, provou ser necessário. E os nossos trabalhos conjuntos na verdade contribuem para previsibilidade e estabilidade das relações internacionais.

A agenda da cúpula próxima é unida pelo tema comum – “Crescimento para todos e com participação de todos: soluções confiáveis”. Então, analisaremos todos os temas atuais da política internacional, economia e, claro, desenvolvimento do Brics.

Acho que chegou a hora de elevar o papel do Brics a outro nível, fazer com que a nossa união se torne uma parte integral do sistema da governança global nos interesses do desenvolvimento sustentável.

Como isto pode ser feito?

Em primeiro lugar, é preciso fomentar plenamente a cooperação no âmbito da ONU, se opor veementemente às tentativas de alguns países de impor à comunidade internacional a política de remover regimes indesejáveis e promover as variantes unilaterais da solução de situações de crise. Sugerimos estabelecer um mecanismo de consultas regulares ao nível alto entre os nossos ministérios da política externa sobre vários conflitos regionais para adotar, onde possível, posições comuns e aplicar os esforços conjuntos para contribuir para resolução político-diplomática deles.

Também é preciso coordenar de forma mais ativa a política do Brics no que se refere ao combate às ameaças e desafios a segurança, inclusive combate ao terrorismo. Inclusive é necessário usar os mecanismos de consultas sobre temas de contraterrorismo. Terão lugar importante na agenda da cúpula os assuntos da cooperação antidrogas. Estamos dispostos a incrementar os esforços conjuntos a fim de reforçar o regime do direito internacional do controle de drogas.

Achamos importante a promoção da elaboração de regras do comportamento responsável no espaço global de informação. Elas devem consolidar os princípios de respeito à soberania estatal, não-ingerência nos assuntos internos dos países, respeito aos direitos e liberdades do indivíduo, bem como direitos iguais de todos os países à participação da governança da Internet. Acredito que via esforços conjuntos conseguiremos as posições de liderança do Brics nos assuntos referentes à consolidação da segurança internacional de informação.

Planejamos estabelecer uma política de informação conjunta na arena internacional em apoio às atividades do Brics, bem como a fim de providenciar uma cobertura mais objetiva do quadro no mundo.

Com certeza, analisaremos em detalhe a situação em áreas de atenção do planeta. Vamos tratar da situação na Síria e Iraque, onde as posições de grupos extremistas e terroristas estão fortalecendo. Prestaremos atenção especial à situação na Ucrânia e às medidas da comunidade internacional que ajudarão a acabar com o banho de sangue no sudeste do país.

Na área da economia global discutiremos a reforma do FMI. Os países do Brics estão preocupados com que a conversa real, concreta sobre esse tema demora injustificadamente. Isso prejudica todos os esforços do G-20 nessa direção. Entretanto, trata-se do cumprimento das exigências legítimas das “economias novas” para adequar o FMI com as realidades do século 21.

Mais um assunto importante que pretendemos levantar durante a cúpula é sobre casos frequentes de uso em massa de sanções unilaterais. Agora a Rússia está sob “ataque” de sanções vindas dos EUA e seus aliados. Agradecemos os parceiros do Brics que de várias formas condenaram essa prática. Ao mesmo tempo, é preciso tirar conclusões substantivas sobre o que está acontecendo. Ponderar juntos um sistema de medidas que permitiria impedir a “caça” dos países que discordam com certas decisões na área da política externa tomadas pelos EUA e os aliados deles, mas conduzir diálogo civilizado, baseado em respeito mútuo sobre todos os assuntos controversos.

Como está indo a implementação dos planos concretos da promoção da interação econômica entre os países Brics? Recentemente falava-se da criação de um banco da união, porém, essa iniciativa ainda não foi realizada. Quais são as perspectivas nessa área? Será que é possível ponderar ações conjuntas concretas dos países Brics para reagir a vários desafios?

Nós procuramos desenvolver ativamente os laços econômicos e comerciais no âmbito dos “cinco”. A cota dos países-membros do Brics no comércio exterior da Rússia vem crescendo de forma constante: se no ano passado foi de 12,5%, nos primeiros quatro meses do ano corrente já chegou a 13,1%. Apesar da conjuntura instável, está aumentando o volume do intercâmbio comercial entre os países Brics (em 2013 excedeu US$ 300 bilhões).

O nosso interesse comum é tirar o máximo proveito o fator das economias nacionais complementares. As oportunidades de cooperação aqui são realmente enormes. Trata-se do mercado com cerca de três bilhões de consumidores. Os países Brics têm recursos naturais e matérias primas únicos, potencial tecnológico, financeiro e industrial significativo.

Agora, conforme a iniciativa da Rússia está sendo elaborada a estratégia de cooperação econômica dos “cinco”, que visa a criar as condições para acelerar o desenvolvimento econômico e reforçar a competitividade internacional dos nossos países, expandir e diversificar as relações comerciais, proporcionando interação para crescimento inovador. Para “saturar” esse documento com investimentos, trabalhamos sobre uma lista de projetos de cooperação promissores.

É de assinalar que no ano passado foi formado por empresários dos nossos países o Conselho Empresarial do Brics. Essa estrutura ainda não aproveitou todo o seu potencial, mas já começaram os trabalhos orientados para identificar e remover as barreiras impedindo a interação de negócios no âmbito dos “cinco”.

Como se sabe, todas as economias do Brics necessitam modernização profunda da infraestrutura. Nossa iniciativa de criar um banco de desenvolvimento tem por objetivo ampliar a cooperação neste domínio. Um ano após a cúpula de Durban, conseguimos progresso considerável neste sentido. Esperamos que no futuro próximo sejam acordados todos os assuntos pendentes e nós possamos usar o potencial do Banco para realizar grandes projetos em nossos países.

Está em andamento mais uma iniciativa importante – sobre a formação de um pool de reservas cambiais do Brics. Ele é destinado a virar uma espécie de “rede de segurança”, direcionada para responder juntos aos desafios financeiros.

Quero enfatizar que tanto o banco de desenvolvimento quanto o pool de reservas cambiais são os passos práticos dos nossos países dirigidos para fortalecer a arquitetura financeira internacional e atribuir a ela um caráter mais equilibrado e justo.

Os países do Brics têm posições comuns em relação a outros desafios contemporâneos na área econômica. Entre eles – concluir o mais rápido possível as negociações da Rodada de Doha, formar um sistema comercial global mais justo, garantir a transparência na assinatura de acordos comerciais regionais.

Quão forte pode ser a união de um grupo de países cuja maioria não tem fronteiras comuns? Os processos globais não levarão a uma situação em que a interação entre os países-membros, eventualmente, virá a nada, como acontece com associações regionais? Há planos de fortalecer o componente político do Brics e introduzir a questão militar para a interação entre esses países?

O fator de fronteiras no mundo contemporâneo não desempenha um papel definitivo. Ao contrário, os processos globais nos estimulam a juntar os esforços, pois os desafios e problemas viram comuns. No caso do Brics – nós vemos um conjunto inteiro de interesses estratégicos coincidentes.

Em primeiro lugar, é aspiração comum a reforma do sistema monetário e financeiro internacional. Na condição atual ele é injusto em relação aos países do Brics e, em geral, às “economias novas”. Temos que participar de forma mais ativa no sistema de decisões do FMI e do Banco Mundial. O próprio sistema monetário internacional depende muito da posição do dólar, ou melhor dizer da política monetária e financeira das autoridades americanas. Os países do Brics querem mudar essa situação.

Mais um interesse comum a longo prazo dos “cinco” é o reforço da primazia do direito internacional e do papel central da ONU no sistema internacional. Para ser sincero, sem posição intransigente da Rússia e da China no Conselho de Segurança da ONU sobre a Síria, a situação nesse país a um bom tempo estaria desenvolvendo conforme o cenário da Líbia e do Iraque.

Sem dúvida, os países do Brics pretendem reforçar a componente político da sua cooperação. Para fazer isso, vamos expandir a prática de consultas mútuas e ações conjuntas em organizações internacionais, principalmente na ONU. No futuro criaremos um secretariado virtual do Brics. Ao mesmo tempo, quero sublinhar que não há planos de formar uma aliança político—militar à base do Brics.

Em março, apareceu a informação que a Argentina poderia se tornar o sexto país do Brics. Esta ideia foi apoiada por três dos cinco países — Índia, Brasil e África do Sul. Qual é a opinião da Rússia sobre o assunto? Seria razoável expandir o Brics? Quais são os critérios para a eventual adesão de um país ao Brics?

A Rússia saúda a aspiração das autoridades argentinas a aproximar—se do Brics. É possível estabelecer uma parceria estratégica do Brics com a Argentina – como acontece com outros grandes países em desenvolvimento – em aspectos políticos, econômicos e financeiros internacionais.

No entanto, a questão da expansão do Brics não está sendo examinada em termos práticos. Primeiro é preciso ajustar os trabalhos de vários formatos de cooperação já existentes no âmbito da união. Não há critérios rigorosos para aderir ao Brics. A decisão é tomada individualmente.

Em geral, hoje cada vez mais países estão enxergando as perspectivas da nossa associação. Por isso no futuro provavelmente surgirá a questão da ampliação gradual do Brics.

oglobo.globo.com | 14-07-2014

WASHINGTON, BOMBAIM, MOSCOU E PEQUIM - Cansados do domínio americano do sistema financeiro global, cinco potências emergentes vão lançar esta semana sua própria versão do Banco Mundial (Bird) e Fundo Monetário Internacional (FMI). Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — o chamado grupo do Brics — estão buscando “alternativas à ordem mundial existente”, segundo as palavras de Harold Trinkunas, diretor da Iniciativa Latino-Americana do Brookings Institute.

Anton Siluanov, ministro de Finanças da Rússia: “É uma espécie de miniFMI” - Andrey Rudakov / Bloomberg/22-5-2014

Numa reunião de cúpula de terça-feira a quinta-feira no Brasil, os cinco países vão revelar sua versão do FMI: um fundo de US$ 100 bilhões para combater crises financeiras, chamado Arranjo de Reserva Contingencial. Eles também vão lançar um Banco Mundial alternativo, uma nova instituição que fará empréstimos para projetos de infraestrutura em todo o mundo emergente. O FMI possui ativos de mais US$ 300 bilhões e o Bird, US$ 490 bilhões.

Os cinco países do Brics vão investir, cada um, US$ 10 bilhões no banco de fomento, cujo nome, ainda provisório, é Novo Banco de Desenvolvimento. Outros US$ 50 bilhões são esperados à medida que outros países se engajem no projeto.

As potências do Brics ainda estão disputando onde será a sede do banco — Xangai, Moscou, Nova Délhi ou Johannesburg. A disputa faz parte de uma briga maior para evitar que a China, segunda maior economia do mundo, domine o novo banco da mesma forma como os Estados Unidos têm dominado o Banco Mundial, cuja sede é em Washington.

DIFERENÇAS ABISSAIS

O bloco contém países com economias muito distintas, assim como políticas internacionais e sistemas políticos — da democracia singular da Índia ao Estado de partido único da China.

Mas, independentemente de suas diferenças, os países do Brics compartilham um desejo comum de maior voz na política econômica mundial. Após décadas de rápido crescimento, os cinco países representam quase um quinto da atividade econômica mundial. Cada um viveu experiências dolorosas com o domínio financeiro ocidental. Sofreram sanções econômicas impostas pelas potências ocidentais. Também foram forçados a adotar apertos fiscais dolorosos e a atender a outras estritas prescrições para se qualificarem para receber empréstimos emergenciais do FMI.

A Rússia sofreu com um endividamento multibilionário nos anos 1990, mas pagou seu débito no início dos anos 2000. Desde então, relutou recorrer a novos financiamentos ou a buscar assistência do FMI ou outras instituições financeiras ocidentais, que são amplamente vistas no país como predadoras.

— A China apoia ativamente a criação do Banco de Desenvolvimento do Brics e a reserva contingencial o mais rapidamente possível, para dar aos países do Brics sua própria rede de proteção — afirmou o vice-ministro de Relações Exteriores da China, Li Baodong, na semana passada.

CONGRESSO AMERICANO

Os países emergentes também estão frustrados porque o Congresso americano tem se recusado a aprovar a legislação provendo dinheiro extra para permitir que o FMI possa dar mais empréstimos a países em dificuldades. O dinheiro é parte de uma reforma mais ampla que daria a China e outros países em desenvolvimento maior poder de voto no FMI.

As novas instituições financeiras surgem num momento em que os países emergentes vivem um lento crescimento econômico. Também estão vulneráveis a choques financeiros, à proporção que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) reduz a compra massiva de bônus, uma política de estímulos extraordinários à economia americana. À medida que a política de dinheiro fácil do Fed diminui, as taxas básicas de juros dos Estados Unidos deverão subir e atrair de volta o dinheiro de investidores que está alocado nos mercados emergentes, derrubando os preços das ações e o câmbio desses países.

— Concordamos que é importante, nas condições atuais de fuga de capital, ter esta reserva, uma espécie de miniFMI — disse o ministro de Finanças da Rússia, Anton Siluanov, antes de embarcar para a América Latina na delegação do presidente Vladimir Putin. — O fundo estará em condição de reagir prontamente à fuga de capital, provendo liquidez em moeda firme, isto é, em dólares.

Antes de embarcar para a reunião de cúpula no domingo, o novo premier indiano Narendra Modi reconheceu que “muitas economias emergentes têm vivido uma desaceleração, o que aumentou o desafio de buscar um desenvolvimento inclusivo e sustentável”.

NOVA ORDEM

Uri Dadush, economista do Carnegie Endowment for International Peace, não vê problema em relação ao banco de desenvolvimento dos países do Brics e seu fundo para crises financeiras. No entanto, ele teme que a decisão dos cinco países de buscar uma alternativa às instituições existentes hoje represente um sinal da “fratura do sistema (econômico) do pós-guerra que nos deu tanta paz e prosperidade. O sistema não conseguiu se adaptar à nova realidade, ao surgimento de novas potências.”

O FMI e o Bird parecem reagir bem aos novos desafios.

— Todas as iniciativas para fortalecer a rede de instituições de financiamento multilateral e elevar o potencial de financiamento para desenvolvimento e infraestrutura são bem-vindas — disse a porta-voz do FMI, Conny Lotze. — O que é importante é que as novas instituições complementem as existentes.

Ao responder uma pergunta sobre o banco de desenvolvimento do Brics no início do mês, o presidente do Bird, Jim Kim, disse:

— Damos as boas-vindas a qualquer nova organização... Pensamos que a demanda por novos investimentos em infraestrutura é enorme, e achamos que podemos trabalhar muito bem e de forma cooperativa com qualquer um desses novos bancos, uma vez que eles se tornem realidade.

oglobo.globo.com | 14-07-2014
Para evitar o surgimento de "elefantes brancos", a Fifa planeja convencer a Rússia a cortar dois estádios da próxima Copa do Mundo.

O presidente Joseph Blatter afirmou nesta segunda-feira (14) que gostaria que a competição em 2018 fosse disputada em dez estádios diferentes, e não em 12, como aconteceu no Brasil. "Teremos encontros em setembro para debater se 12 cidades na Rússia é certo ou se podemos reduzir para 2010. Precisamos garantir que investimentos sejam feitos para gerar um legado, não uma dívida", disse.

O projeto russo para a Copa pl

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira que o Brasil derrotou os pessimistas e fez com que a anunciada Copa das Copas se tornasse realidade. De cada 20 turistas estrangeiros que vieram ao Brasil durante a Copa do Mundo, 19 têm intenção de voltar ao país. Eles são de 202 nacionalidades diferentes, percorreram 378 municípios brasileiros e ficaram, em média, 13 dias no Brasil. Além disso, o Brasil atendeu plenamente ou superou as expectativas de 83% dos turistas. Ao todo, 1,02 milhão de turistas visitaram o Brasil durante a Copa. A maioria (61%) visitou o país pela primeira vez. Os números foram divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério do Turismo, que ouviu 6.627 turistas em 12 aeroportos e dez fronteiras terrestres.

- Sem sombra de dúvidas, os torcedores e amantes do futebol asseguraram uma festa que sem dúvida é uma das mais bonitas do mundo. A gente dizia que teríamos a Copa das Copas. Nós tivemos a Copa das Copas - disse Dilma, acrescentando:

- O Brasil demonstrou sua capacidade de organização. Os vaticínios, os prognósticos que se faziam sobre a copa eram os mais terríveis possíveis. Começava do "não vai ter Copa" a "Copa do caos". O estádio do Maracanã, que ontem foi palco de momento belíssimo, só ia ficar pronto em 2038 ou 2024. Enfim, não ficaria pronto nunca. Não teríamos aeroportos, e não teríamos a capacidade de receber milhões e milhões de turistas, Enfim, nós derrotamos sem dúvida essa previsão pessimista e realizamos uma imensa, maravilhosa contribuição, a Copa das Copas.

O quesito mais bem avaliado pelos estrangeiros foi a hospitalidade: 98,1% deles aprovaram. Em seguida vêm gastronomia (93,1%), segurança pública (92%), informação turística (90%), táxi (90%), transporte público (89,2%), sinalização turística (81,2%) e aeroportos (80%). Os pesquisadores, da Fundação Instituto de Pesquisa Econômicas (Fipe) continuarão em campo até o dia 23 de julho.

Dilma fez elogios a seu governo e também aos governos dos estados e cidades onde houve jogos. Segundo ela, foi um esforço conjunto, que também contou com o apoio do povo brasileiro.

- Foi uma árdua conquista para o meu governo. Todos nós nos empenhamos para assegurar que a Copa do Mundo trouxesse não só uma grande oportunidade para sediar o mais importante torneio de futebol do planeta, como também queríamos estar demonstrando naquela circunstância, quando a Copa começou, que o Brasil estava capacitado e tinha todas as condições para assegurar infraestrutura, segurança, telecomunicações, tratamento adequado aos turistas - disse a presidente.

O ministro da Casa Civil, Alozio Mercadante, concordou com a chefe sobre a organização da Copa no Brasil.

- Perdemos a taça, mas o Brasil ganhou. O mundo inteiro admirou. O Brasil soube ganhar, soube perder, soube celebrar em clima altamente receptivo, o que encantou o mundo - disse Mercadante.

O Ministério do Turismo também ouviu 6.038 turistas brasileiros que viajaram pelo país durante a Copa. Os turistas brasileiros saíram principalmente de São Paulo (858.825 pessoas), Rio de Janeiro (260.527), Bahia (220.021), Minas Gerais (204.425) e Paraná (165.694). A maioria (67%) estava visitando pela primeira vez a cidade para onde viajaram. O quesito mais aprovado foi o atendimento e receptividade (90,5%), opções de lazer e turismo (87,2%), segurança (83,8%), aeroporto (81%), hospedagem (80,6%) e informação turística (77,2%). Ao todo, 3,06 milhões de brasileiros visitaram as cidades-sede durante o Mundial.

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, manifestou condolências pela morte dos operários na construção dos estádios e de dois jornalistas argentinos em acidentes em São Paulo e Minas Gerais. O ministro fez um balanço positivo da organização da Copa e ironizou as previsões pessimistas:

- Nem um jornalista, nem um turista foi mordido por cobra.

AEROPORTOS

O Brasil sediou uma Copa do Mundo nos últimos 30 dias, mas o evento não impactou muito os aeroportos do país. Números divulgados pela Secretaria de Aviação Civil (SAC), pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) ao longo das últimas semanas mostram que, no geral, o movimento não fugiu do normal e o índice de atrasos ficou dentro do satisfatório. Mas houve exceções, especialmente nos aeroportos das cidades-sede nos dias em que elas receberam jogos, e no caso dos voos fretados.

A Copa começou, inclusive, com um movimento abaixo da média. Em 12 de junho, o primeiro dia da Copa, passaram pelos 20 principais aeroportos do Brasil 434,4 mil pessoas e 3.686 aeronaves. Segundo a SAC informou em 13 de junho, a média esperada para esta época do ano é de 500 mil passageiros por dia. Nos dias seguintes, a movimentação foi maior, mas ficou dentro da normalidade. A média diária da primeira semana foi de 471 mil passageiros.

Nas semanas seguintes, o movimento aumentou. Foram 487 mil por dia, em média, na segunda semana de competição, e 507 mil na terceira. Na quarta semana, 495 mil. O recorde foi no dia 3 de julho, véspera dos primeiros jogos das quartas de final, quando 548 mil pessoas passaram pelos principais aeroportos brasileiros.

No balanço desta segunda-feira, a SAC informou que os 21 aeroportos que atenderam as demandas da Copa tiveram um movimento de 16,74 milhões de passageiros.

O ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Moreira Franco, destacou que o tempo de restituição de bagagem em voos internos durou, em média, oito minutos e 36 segundos. Já nos voos internacionais, foram 28 minutos e 18 segundos. O tempo médio de inspeção no raio-x foi de dois minutos e 13 segundos. Já o índice de atrasos (voos que partem mais de 30 minutos depois do previsto) foi 7,03%. São considerados satisfatórios índices de até 15%.

- Se tivemos condições de atingir esse índice (na Copa), não temos nenhuma razão para não garantir aos brasileiros esses patamares.

Embora os índices de atrasos tenham ficado dentro do satisfatório, alguns aeroportos foram mais problemáticos, como os de Cuiabá e Porto Alegre. Boletins divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) ao longo das últimas semanas mostram que, em oito dias, os atrasos foram superiores a 15% em Cuiabá. No caso de Porto Alegre, foram sete dias.

Nesta segunda, Moreira Franco trouxe informações diferentes daquelas divulgadas anteriormente pela SAC. Em 13 de junho, boletim da SAC informou que, no dia anterior, quando houve a abertura da Copa, 434,4 mil pessoas haviam passado pelos principais aeroportos brasileiros, concluindo: “o número está abaixo da média esperada para esta época do ano, de cerca de 500 mil passageiros por dia”.

Na semanas seguintes, o movimento aumentou, mas ainda ficou dentro da normalidade. A média diária da primeira semana foi de 471 mil passageiros. Foram 487 mil por dia, em média, na segunda semana de competição, 507 mil na terceira, 495 mil na quarta. O recorde foi no dia 3 de julho, véspera dos primeiros jogos das quartas de final, quando 548 mil pessoas passaram pelos principais aeroportos brasileiros.

Nesta segunda, o ministro informou que os 21 aeroportos que atenderam as demandas da Copa tiveram um movimento de 16,74 milhões de passageiros, acima dos 15 milhões da mesma época no ano passado. Disse ainda que, antes da Copa, os recordes tinham sido verificados em 28 de fevereiro deste ano, no Carnaval, quando 467 mil passageiros passaram pelos aeroportos, e em 20 de dezembro do ano passado, com 420 mil passageiros.

- Nós podemos dizer com muito orgulho, com muita alegria que a infraestrutura aeroportuária brasileira conseguiu atender adequadamente o maior evento de futebol do planeta. Eu fui criado querendo a celebração. Foi um fato que se deu não apenas pelos investimentos da Copa nos aeroportos das capitais, mas por uma política que visa colocar a aviação civil em outro patamar - disse Moreira Franco.

COMUNICAÇÕES

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, destacou os números do setor, como as 15.012 antenas de telefonia móvel 3G e 4G instaladas nas cidades-sede e as 4,4 milhões de ligações telefônicas realizadas nos estádios.

- Foi montada uma rede de pouco mais de 15 mil km de fibras óticas, toda ela interconectada em todos os estádios, campos de treinamento, comitês de imprensa, todos os locais onde foi necessária a transmissão. Tivemos um trabalho bem sucedido, com 527 horas de transmissão. Não tivemos nenhuma interrupção. Os estádios tinham pelo menos duas redes operando separadamente. Se houvesse acidente em uma, a outra tinha condição de resolver o problema - disse Paulo Bernardo, destacando que foram instadas antenas de 2G, 3G e 4G em todos os estádios.

Ele disse ainda que os estrangeiros não tiveram problemas para comprar chips e fazer roaming internacional.

SEGURANÇA

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também disse que o país venceu as previsões negativas e teve uma estrutura de segurança exemplar, que já estaria até servindo de referência para a polícia de outros países. Ao todo, 59.523 homens das Forças Armadas trabalharam na segurança do evento: 13.125 da Marinha, 38.233 do Exército e 8.165 da Aeronáutica. Além disso, 61 helicópteros e outras 77 aeronaves foram usadas durante a Copa. Segundo ele, o governo federal R$ 1,113 bilhão em equipamentos e na estrutura das forças policiais. Toda essa estrutura deverá ser utilizada para reforçar a segurança nas estradas, vigilância das fronteiras e também na segurança das Olimpíadas de 2016. Segundo ele, o governo conseguiu um desconto de 39,7% de desconto na compra de equipamentos. O dinheiro que sobrou foi reinvestido na compra de mais equipamentos.

Cardozo também destacou a integração entres as forças de segurança federais e estaduais. Segundo ele, 176.579 policiais e bombeiros participaram da segurança da Copa.

- O legado maior é o rompimento do isolacionismo dos órgãos de segurança - disse Cardozo.

ATENDIMENTOS NA ÁREA DE SAÚDE

O Ministério da Saúde informou que foram feitos 17.042 atendimentos dentro e fora dos estádios, o que inclui ainda o entorno dos locais de competição, fan fests e outros locais de grande concentração de turistas. Do total, 7.055 atendimentos ocorreram nos estádios. Em 192 casos, foi preciso fazer remoção para unidades de saúde. As queixas mais comuns de quem passou mal foram dor de cabeça, mal de estar súbito, hipertensão, lesões, torções e quedas de baixa gravidade. Os números são do Centro Integrado de Operações Conjuntas da Saúde Nacional (CIOCS), do próprio ministério.

O governo divulga nesta segunda-feira balanço da Copa do Mundo. Além da presidente Dilma, há 16 ministros participam do evento: José Eduardo Cardozo (Justiça), Celso Amorim (Defesa), Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores), Arthur Chioro (Saúde), Edison Lobão (Minas e Energia), Mirian Belchior (Planejamento), Paulo Bernardo (Comunicações), Aldo Rebelo (Esporte), Vinicius Lages (Turismo), Gilberto Occhi (Cidades), Moreira Franco (Secretaria de Aviação Civil), Luíz Inácio Adams (Advocacia-Geral da União), José Elito (Gabinete de Segurança Institucional), Thomas Traumann (Comunicação Social) Ideli Salvatti (Direitos Humanos) e Aloizio Mercadante (Casa Civil).

oglobo.globo.com | 14-07-2014

BRASÍLIA - Em entrevista de 25 minutos à TV árabe Al-Jazeera, transmitida no fim da manhã de ontem, a presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, tratou abertamente sobre o pleito deste ano. Indagada sobre os motivos para o povo brasileiro lhe conceder um novo mandato, a presidente deixou claro qual será o tom de campanha: disse que será trava uma "disputa democrática entre quem sabe fazer e quem teve a oportunidade de fazer e não conseguiu". Em seguida, pediu mais quatro anos de mandato.

Durante a entrevista, Dilma disse ainda que o Brasil deveria tirar "nota máxima" em relação à realização da Copa do Mundo e que o governo conseguiu reverter a "campanha negativa" em torno dos jogos. No campo da economia, a presidente disse que o Brasil se prepara para entrar num "novo clico" e defendeu um "Estado sem burocracia e mais amigável com o cidadão e empresários".

A presidente Dilma falou a respeito da campanha eleitoral nos minutos finais da entrevista.

- Vai ser travada essa disputa democrática entre os caminhos. Oferecemos o seguinte: quem fez, sabe continuar fazendo. Quem, quando pôde, não fez, não sabe fazer. É simples a opção - disse Dilma, ao final da conversa.

Dilma destacou as conquistas sociais alcançadas pelos governos do PT desde 2003 como motivo que dá lastro a esse pedido de mais um mandato:

- Acredito que o povo brasileiro deve me dar uma oportunidade de um novo período de governo pelo fato de que nós fazemos parte de um projeto que transformou o Brasil. O Brasil tinha 54% de sua população entre pobres e miseráveis em 2002. Hoje 75% da população brasileira vive na classe C para cima. É três em cada quatro brasileiros. Nós transformamos a vida dessas pessoas. Hoje, existem pobres, dá uns 23%, 24%. O restante é classe média, A e B. O Brasil mudou de perfil, e foi feito isso com a democracia vigindo, com a democracia vigente, com todos os direitos de expressão, manifestação e divergência - defendeu Dilma.

Neste momento, a presidente fez uma crítica aos seus adversários, sem citar os nomes dos candidatos Aécio Neves (PSDB) ou Eduardo Campos (PSB).

- Tanto é assim que como é que você explica o sucesso da Copa do Mundo em termos de infraestrutura? A uma semana antes de a Copa começar, você sabe o que se dizia a respeito da infraestrutura da Copa, você sabe que tinha gente que dizia que estava envergonhada do país porque não teria condição de receber (os visitantes) - alfinetou a petista.

COPA DO MUNDO

Ao falar da Copa do Mundo, a presidente justificou os gastos. E, para ela, em termos de desafios que o Brasil precisa enfrentar, "o menor deles é a Copa".

- O Brasil se superou ao organizar esta Copa. E teríamos que ter a nota máxima. Não superamos só as questões concretas, como garantir os estádios prontos, aeroportos funcionando plenamente, uma segurança bastante firme no que se refere à proteção das diferentes seleções e dos chefes de Estado que vieram nos visitar. Mas também superamos uma campanha negativa contra a Copa do Mundo no Brasil - disse Dilma, acrescentando:

- Há um ganho imenso para o Brasil em ter feito essa Copa do Mundo. No mesmo período em que os estádios começaram, e os estádios começaram em 2010, se você considerar de 2010 a 2013, o Brasil gastou mais de US$ 850 bilhões em Educação e Saúde. Os US$ 4 bilhões gastos para fazer os estádios é algo de muito pouco significativo no que se refere ao gasto geral. Precisamos do triplo de infraestrutura da que foi feita para a Copa.

CRESCIMENTO DO PAÍS

A presidente também reagiu à pergunta sobre o baixo crescimento do Brasil durante o seu governo, se comparado ao governo Lula. Dilma argumentou que os países emergentes passaram a sofrer em 2011 os efeitos da crise econômica internacional que começou em 2008. Para ela, são necessárias quatro ações para melhorar a produtividade do país: investimentos em infraestrutura, em Educação, em inovação tecnológica e ainda modernizar o Estado.

- Estamos numa fase de baixa do ciclo econômico, mas sabemos que vamos entrar numa outra fase do ciclo econômico. E temos de nos preparar de forma a melhorar a competitividade do nosso país, aumentar as condições pelas quais vamos poder enfrentar essa nova etapa que vai surgir. Se não surgir para o resto do mundo, te asseguro que vai surgir para o Brasil. Temos tomado todas as medidas para entrar num novo ciclo. E qual é o novo ciclo? Temos de melhorar a produtividade da economia brasileira - disse Dilma.

Neste momento, com discurso de candidata, ela falou em redução da burocracia.

- O Brasil é um país que tem demorado muito para modernizar seu Estado. Precisamos de um país sem burocracia, um Estado muito mais amigável tanto para os cidadãos quanto para os empresários, empreendedores e trabalhadores.

Dilma também voltou a tratar da questão da espionagem americana. Segundo ela, o pedido de desculpas americano não se completou por não ter tratado de como seria a conduta futura do governo:

- O pedido de desculpas só teria sentido se fosse acoplado a uma coisa que nos interessava mais: que era como vai ser daqui para frente. Porque não acredito que o governo Obama, de forma deliberada, estava espionando o governo brasileiro, as empresas brasileiras ou cidadãos brasileiros. O que queremos é que fique claro como vai ser daqui para frente. É o que mais nos interessa. Porque um pedido de desculpas acaba na hora em que é feito. Só se torna real quando se diz que não tem mais essa hipótese disso ocorrer. Acredito que o caminho está aberto para que isso ocorra.

BRICS

A presidente ainda comentou o encontro dos Brics (grupo econômico formado por Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul), que começou nesta segunda-feira em Fortaleza.

- Nessa reunião do Brics, temos duas propostas que se transformam em realidade neste encontro. A primeira é o novo Banco de Desenvolvimento dos Brics, ele faz parte da consciência destes países que é necessários construir uma instituição financeira que viabilize financiamentos, tanto aqueles ligados à ampliação da infraestrutura quanto aos relacionados a desenvolvimentos produtivos, inclusive a projetos maiores de infraestrutura social.

Dilma também aproveitou para defender a reforma do Conselho de Segurança da ONU, ao comentar o mais recente conflito entre palestinos e israelenses.

- Condeno tanto a morte e o sequestro de três jovens, como repudio a morte principalmente de mulheres e crianças por parte das forças militares israelenses. É chegada a hora de ter uma posição mais enfática, mais forte no sentido de propiciar a abertura do diálogo. É um momento muito claro em que fica visível a necessidade de se reformar o Conselho de Segurança da ONU. A paralisia leva a mais mortes - disse Dilma.

oglobo.globo.com | 14-07-2014

BRASÍLIA e SÃO PAULO - Aliados da presidente Dilma Rousseff querem sepultar o tema Copa do Mundo — e também a derrota da seleção — para evitar que o mau humor dos brasileiros contamine seu desempenho na corrida pela reeleição. A solidariedade da presidente com os jogadores encerrou-se na carta que ela enviou ou grupo ontem, e não há nenhuma intenção de recebê-lo no Palácio do Planalto. Quem acompanhou a presidente ao Maracanã ontem disse que Dilma não se deixou abalar pelas vaias que ouviu no estádio. Segundo fontes próximos a ela, a presidente deixou o local tranquila apesar de ter sido hostilizada mais uma vez, repetindo cenário visto no Itaquerão, na abertura do Mundial.

Segundo o deputado José Guimarães (CE), ex-líder do PT na Câmara, se alguém tentar culpar Dilma pelo mau resultado da seleção, dará um tiro no pé. Para ele, Dilma chamou para si a responsabilidade de organizar a melhor Copa da História e não pode ser responsabilizada pela derrota do Brasil.

— O fato de a seleção ter sido humilhada é responsabilidade unicamente dos jogadores e do Felipão. Não tivemos uma seleção à altura do que o governo realizou fora dos campos — afirmou ele. — A solidariedade que a presidente Dilma teve da população anula qualquer efeito de vaia. Apostaram no caos, e não teve isso. A Copa acaba hoje (ontem), e o assunto também. Vamos virar a página e começar a campanha imediatamente. Amanhã, mãos à obra, militância nas ruas para ganharmos a eleição.

Mau humor só no futebol

O deputado Eduardo Cunha (RJ), líder do PMDB na Câmara, aposta que as atenções vão se centrar agora na participação da presidente na reunião dos chefes de estado dos Brics (Brasil, Rússia, Índia China e África do Sul), que acontece esta semana, em Fortaleza. Para ele, a campanha virá logo depois.

— É necessário virar a página. Os registros da grande Copa que fizemos vão ficar. A frustração que ficará é para a história do nosso futebol. Em poucos dias a campanha dará o tom do debate nacional. É possível que haja mau humor em relação à desclassificação do Brasil, mas também o consciente reconhecimento de que tudo funcionou bem na Copa. Dos aeroportos à hospitalidade e alegria do povo brasileiro — ressaltou, por sua vez, o presidente da Câmara, o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Se, por um lado, os governistas querem virar a página e acham que, mais uma vez, a população vai ser solidária com a presidente pelas novas vaias ouvidas ontem no Maracanã, a oposição diz que a candidata do PT gastou sua bala de prata e não terá o resultado eleitoral esperado se tentar misturar Copa do Mundo com votos.

Um dos coordenadores da campanha do tucano Aécio Neves, o ex-governador Alberto Goldman (SP) classificou ontem a presidente como a grande perdedora por ter tentado “faturar” algo que não é dela: o entusiasmo do povo brasileiro pelo futebol.

— A presidente vai amargar a frustração de todos. Mas tudo isso não define as eleições. O que define é o péssimo governo que ela realiza. Inclusive a herança que a Copa deixa, que será explícita nas próximas semanas: estádios caros e vazios e dívidas dos clubes que não serão pagas.

O deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), um dos coordenadores da campanha do presidenciável Eduardo Campos (PSB) e candidato a governador do Rio Grande do Sul, afirmou, por sua vez, que os 80% de brasileiros que queriam mudança antes da Copa seguirão com esse propósito.

— O governo Dilma é um fracasso. Um retrocesso em relação ao de Lula. Dilma e Felipão são iguais: ultrapassados, teimosos e sem comando.

Na mesma linha, o secretário geral do PSB e coordenador da campanha de Campos, Carlos Siqueira, ressaltou que, independente do resultado da Copa, o eleitorado já deu sinais claros de que deseja mudar de governante.

— A frustração com o resultado não é determinante, e todos lamentamos. O eleitor brasileiro tem muitas razões para votar na oposição e por isso creio que a candidata chapa branca retornará a sua casa em Porto Alegre. Agora o jogo eleitoral começa para valer mesmo.

Economia e propostas definem eleição

Apesar do atrito evidente entre governistas e oposição, cientistas políticos ouvidos pelo GLOBO afirmam que ainda não é possível prever se a boa organização e a repercussão internacional positiva que o Brasil teve ao organizar a Copa pesarão a favor da presidente Dilma. Eles destacam que, por outro lado, houve o fracasso da seleção e que ele talvez possa “colar” na imagem dela. A maioria, no entanto, acredita que o assunto Copa do Mundo será logo esquecido e não deve ter impacto nenhum na campanha.

Vera Chaia, professora do Departamento de Política da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), acredita que o assunto será explorado pela oposição, mas diz que ainda é cedo para saber o impacto que terá.

— É possível fazer dois balanços dessa Copa. O positivo tem como ingredientes a boa organização, os estádios funcionando perfeitamente (mesmo tendo sido concluídos em cima da hora, não houve nenhum desastre) e a diminuição dos protestos. Tudo isso gerou um efeito muito positivo para os prefeitos e governadores e também influencia a imagem de Dilma — destaca ela. — O aspecto negativo foi o fracasso da seleção, que despertou uma série de críticas à CBF e à própria Fifa. Agora que o evento terminou, as manifestações de rua tendem a voltar assim como as cobranças com o dinheiro público gasto e os estádios que se transformarão em “elefantes brancos”. Por isso, ainda é cedo para saber qual dos dois aspectos pesará mais.

Especialista vê saldo positivo para Dilma

Para o cientista político Cláudio Couto, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), o saldo para o governo e para a imagem de Dilma será mais positivo do que negativo.

— Havia uma expectativa ruim sobre a realização da Copa, o que acabou não se concretizando. A reversão de expectativa é sempre mais benéfica do ponto de vista de imagem.

Couto não acredita, no entanto, que a avaliação positiva da Copa possa decidir as eleições, já que as pessoas votarão baseadas em outros critérios.

O professor de ciência política José Álvaro Moisés, da Universidade de São Paulo, vê como inevitável que a organização da Copa influencie na imagem do governo e da presidente.

— Essa Copa está politizada desde o início. Quando o ex-presidente Lula propôs a candidatura do Brasil, atrelou-a ao desempenho do governo.

Para o cientista político, desde o ano passado, com os protestos nas ruas, a população se tornou mais crítica, passando a comparar a organização da Copa com serviços considerados essenciais.

— As pessoas estão mais críticas, mas também não é uma coisa direta. Não é porque a seleção fracassou que a Dilma vai perder a eleição. Mas elas entendem que, a despeito do clima favorável durante a Copa, o país tem muitos problemas que precisam ser encarados de frente — acredita.

Já para Fernando Abrúcio, cientista político também da FGV-SP, a derrota da seleção não deverá ter impacto em Dilma ou na oposição.

— A Copa só teria efeito relevante na campanha se tivesse uma desgraça maior do ponto de vista estrutural. E a verdade é que a eleição reage a estímulos clássicos: economia, propostas e aliados. São esses fatores que definirão a eleição. Nenhum outro.

oglobo.globo.com | 14-07-2014

FORTALEZA - O Brasil deverá assumir a primeira presidência do banco de desenvolvimento que será criado nesta terça-feira, durante encontro de cúpula de chefes de Estado e de governo do Brics, sigla do bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Segundo fontes envolvidas nas negociações, as chances de a cidade chinesa de Xangai ser a sede da instituição são bastante promissoras, apesar da forte pressão indiana por Nova Délhi. O único empecilho no caminho do Brasil é que o país que perder a disputa da sede pode exigir, como compensação, o direito de ser o primeiro presidente.

A favor dos brasileiros na presidência do banco está o fato de o país ter sido o único entre os cinco membros que não se candidatou como sede da instituição. Moscou teria desistido da disputa, que tem como concorrentes mais fortes Xangai e Nova Délhi. A África do Sul teria poucas chances com Joanesburgo. Outra vantagem é que o Brasil é anfitrião da reunião do Brics, que acontecerá nestas segunda e terça-feiras na capital cearense.

A instituição começará a operar a partir de 2016. Com um capital inicial de US$ 50 bilhões para financiar projetos de infraestrutura sustentáveis sob os pontos de vista econômico, social e ambiental, o banco será dirigido por um diretor executivo (CEO) — a ser indicado pelo país que estiver na presidência — e um conselho de administração com um mandato de cinco anos não renováveis.

CONTA DE US$ 10 BI POR PAÍS

Cada um dos cinco países terá uma conta de US$ 10 bilhões. A repartição igual tem por fim evitar pesos diferentes nas decisões da instituição, cuja atividade se assemelha ao que faz, hoje, o Banco Mundial. Em um segundo momento, o banco emprestará recursos para outras nações em desenvolvimento que não fazem parte do bloco.

Fontes afirmam que o modelo de gestão do banco seria semelhante ao da Corporação Andina de Fomento (CAF), que é o banco de desenvolvimento de 18 países de América Latina, Caribe e Europa com sede em Caracas, na Venezuela. A avaliação é de que haveria um foco na viabilidade econômica dos projetos financiados, com uma preocupação efetiva de retorno das operações. Outra questão em discussão é qual será o peso das condicionantes democráticas e ambientais para a liberação dos recursos.

Nessa vertente econômica, além do banco de desenvolvimento, os líderes do Brics assinarão três acordos: a criação do Arranjo de Contingente de Reservas (ACR, uma espécie de fundo), com US$ 100 bilhões para ajudar a resolver problemas nas economias dos países do bloco; um acordo de cooperação entre as respectivas seguradoras de crédito à exportação; e uma espécie de convênio entre os bancos de fomento, sendo o BNDES no caso do Brasil.

— Com o banco e o fundo, o Brics cria mais institucionalidade, assume um novo patamar de institucionalização. Não se trata de um grupo de mercados emergentes, mas de países que reivindicam um papel político. Mas há também uma segunda dimensão, que é a pressão desses instrumentos sobre a arquitetura internacional e o processo de reformas de instituições como Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial — diz o supervisor do think thank Brics Policy Center, Paulo Esteves.

PREOCUPAÇÃO COM POLÍTICA MONETÁRIA

Um tema que deve ganhar especial atenção na Declaração de Fortaleza, a preocupação com a política monetária da União Europeia e dos Estados Unidos, já foi parte do documento final da Cúpula de Durban, no ano passado. Na ocasião. o texto citava que os bancos centrais de países desenvolvidos deviam evitar as consequências indesejadas das políticas monetárias não convencionais que tinham sido adotadas para reagir aos riscos na economia global. Entre essas consequências estavam o aumento da volatilidade dos fluxos de capital e dos preços de commodities e moedas, que poderiam ter efeito negativo no crescimento de outros países, especialmente aqueles em desenvolvimento.

Agora, a preocupação dos países do Brics será a reversão dessa política monetária. Na semana passada, os Estados Unidos anunciaram o fim das medidas de estímulo à economia em outubro.

oglobo.globo.com | 14-07-2014

NOVA YORK - Os brasileiros tiveram emoções ambíguas sobre a Copa do Mundo antes mesmo da humilhação de sua seleção na semifinal contra a Alemanha. Agora terão que lidar com o que foi gasto na competição e o que terão como legado dela — um retorno em investimento bastante desanimador.

Torcedores brasileiros na Vila Madalena, em São Paulo: decepção com a seleção na Copa pode ser momento de maturidade - MAURICIO LIMA / NYT

Enquanto o Brasil digere isso, o país vai sediar a sexta reunião dos países do Brics esta semana. Talvez se torne um alívio dar as boas-vindas às delegações de Rússia, Índia, China e África do Sul para discutir o futuro das maiores economias emergentes do mundo. Há realmente muito trabalho a ser feito neste encontro, por isso talvez o Brasil apresente uma imagem mais propositiva do que tem feito ultimamente. Mas também poderá abrir ainda mais as feridas.

Vamos falar primeiro da catástrofe no futebol. É difícil exagerar a frustração dos brasileiros neste momento. Vi a alegria dos torcedores em Copacabana após a seleção brasileira derrotar a Colômbia e ouvi seus cantos alegres em jogos onde o Brasil sequer estava jogando. Muitas coisas podem decepcioná-los, mas eles são orgulhosos de seu futebol. E então vi esse orgulho despencar após o jogo contra a Alemanha. Foi de cortar o coração.

O Brasil ainda tem um tanto para amadurecer no que se refere ao futebol. Já não possui jogadores do calibre daqueles de seus anos de ouro, entre os anos 1960 e o início dos 1980. Durante anos, sua seleção tem sido vencedora, mas não mais dominante como fora. Nesse sentido, as expectativas ficaram fora de alcance e o país caminhava para o infortúnio.

Não fariam mal um pouco mais de realismo e a percepção de que o futebol é apenas um jogo. Talvez esse tipo de maturidade seja o que estejamos vendo agora, apesar do desânimo. A vida continua. É isso, pelo menos, que me mantém torcedor do Manchester United.

Vale a pena lembrar que o Brasil não é o primeiro país — e não será o último — a gastar dinheiro num megaevento esportivo. Recurso que poderia ter sido melhor gasto em outras coisas. O mesmo foi verdade para a África do Sul na Copa de 2010, e provavelmente para Japão e Coreia do Sul, na Copa de 2002 (em 2006, a Alemanha já possuía praticamente tudo o que precisava para a competição).

Ou pense nas Olimpíadas, onde investimentos desperdiçados em grande escala são quase uma exigência. O Rio vai sediar os Jogos de 2016, e portanto seus organizadores podem ter aprendido uma coisinha ou outra nos últimos dias.

Embora seja correto que os brasileiros protestem contra o custo excessivo — aliás, uma bem-vinda expressão de expectativa democrática — o país não deveria se martirizar demasiadamente em relação aos gastos com a Copa do Mundo. E muito menos ser criticado por estrangeiros que cometeram o mesmo erro.

Enquanto isso, a economia do Brasil não está exatamente brilhando. Os últimos anos foram decepcionantes. Minha previsão anterior de crescimento de 5% nesta década é quase certo que não se confirmará. O fim dos anos turbinados pelas commodities não tem sido fácil.

Mas, novamente, é preciso pôr as coisas em perspectiva. O Brasil só cresceu tão fortemente na década passada por causa do altíssimo valor de sua moeda e do aumento dos preços das commodities. Isso se traduziu em aumentos rápidos na produção e gastos denominados em dólar. O crescimento real do Produto Interno Bruto foi menos de 4% por ano naquela década. E mais: por mais desapontador que seja o crescimento de parcos 2% nesta década, as crises típicas do Brasil são algo distante na memória.

Analistas que escrevem sobre a crescente e alta inflação do país — atualmente em torno de 6% — esquecem que os preços subiam algumas vezes 6% por mês nos anos 1970 e 1980. A moeda perdia valor tão rapidamente que precisou ser repetidas vezes ser anulada e substituída. Esses dias se foram.

Certamente o governo tem que sair do caminho e deixar de agir à chinesa, tentando dirigir a maior parte da economia (nem mesmo a China tem feito mais isso). O Brasil precisa ser mais competitivo e mais inventivo; precisa que suas empresas privadas invistam mais na criação de riqueza e elevação da produtividade.

Assim, esta reunião do Brics poderá ter um papel útil, embora pequeno. O Brasil pode pressionar pela tão discutida criação de um banco de desenvolvimento do Brics da forma correta. Onde será sua sede? Como será capitalizado? Quais grandes projetos ele poderá ajudar? Talvez algum financiamento para as Olimpíadas no Rio?

Como criador do acrônimo, tenho uma participação no Brics. Quero vê-lo prosperar, e tenho certeza que há o potencial. Por várias razões, agora seria a hora certa para o B do Brics tomar algumas decisões e calar os descrentes.

oglobo.globo.com | 13-07-2014

RIO - Pouco mais de um ano depois da criação do Conselho Empresarial do Brics, na V Cúpula do Brics, em Durban, empresários de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul conseguiram reunir mais de 200 áreas e projetos em que há interesse de expansão de comércio e investimentos. O levantamento é resultado de meses de trabalho entre 25 empresas dos países membros, sendo cinco de cada um.

O grupo se reúne amanhã e terça-feira no Centro de Convenções do Estado do Ceará, em Fortaleza, quando conclui um documento para levar aos cinco chefes de Estado e de governo, com sugestões para o aprofundamento da integração econômica entre os cinco países.

— O Brics é um projeto inovador que vamos amadurecer ao longo do tempo. Pelas reuniões do Conselho, vimos que há muita boa vontade de todos, e o potencial é estimulante. Esse documento final será um retrato das conversas dos empresários desde o ano passado — diz o diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abijaodi.

‘QUEREMOS ESTREITAR LAÇOS’

Criado em Durban em março de 2013, o Conselho Empresarial do Brics se reuniu em agosto em Johhanesburgo e, desde então, tem feito teleconferências mensais para discutir formas de ampliar os negócios entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Há uma empresa líder de cada país, mas as demais participantes também fazem parte das discussões.

— Queremos estreitar os laços de negócios entre os países. Há alguma dificuldade em negociar diante de tantos pontos de vista, mas tentamos caminhar pelos itens mais evidentes e conseguimos chegar a uma lista extensa de tópicos de possíveis áreas de colaboração. Todos estão colocando suas ambições, e agora vamos traduzir em possibilidades — afirma o presidente da Marcopolo, José Rubens de la Rosa, que é a líder entre as cinco empresas brasileiras que participam do Conselho (Marcopolo, Vale, Weg, Banco do Brasil e Gerdau).

Os segmentos de interesse estão distribuídos em cinco áreas: infraestrutura, serviços financeiros, indústria, energia e economia verde, treinamento e desenvolvimento de parcerias. Entre os projetos, há desde uma rede de fibra óptica submarina, que ligaria os países do Brics sem passar pelos Estados Unidos, até uma linha de transmissão de energia entre o Norte e Sul da África, com oito mil quilômetros de extensão.

TRANSAÇÕES EM MOEDAS LOCAIS

Temas como eliminação dos obstáculos ao comércio e de subsídios à exportação na agricultura, aumento das transações em moedas locais, engajamento dos líderes para cuidar de questões como dumping e subsídios, redução de barreiras não tarifárias e facilitação de emissão de vistos para viajantes a negócios devem estar entre as recomendações dos empresários aos líderes dos países-membros do Brics.

— Preparamos uma agenda positiva, com medidas que acreditamos que podem acelerar o ambiente de negócios. Mas são sugestões, e precisamos ver como serão tratadas pelos líderes — diz o presidente da Marcopolo, empresa que tem 25% de sua produção de carrocerias de ônibus concentrada em Rússia, Índia, China e África do Sul.

Além do Conselho Empresarial, também haverá um Encontro Empresarial e uma rodada de negócios, na qual se espera uma movimentação de US$ 3,9 bilhões. Mais de 700 empresários devem participar do encontro em Fortaleza.

— Queremos facilitar a comunicação entre os países e gerar oportunidades de negócios — aponta Abijaodi.

OS PRINCIPAIS PROJETOS

Índia: Ferrovia ligando Nova Délhi a Bombaim, porto na cidade de Sagar e investimentos na indústria com apoio da política industrial nacional, entre outros

China: Projetos de infraestrutura na África e nos países do Brics, trens de alta velocidade e parcerias entre portos chineses e exportadores de commodities

Rússia: Projetos de energia solar, indústria siderúrgica e logística

África do sul: Corredor Norte-Sul da África, rede de fibra óptica submarina e usina hidrelétrica na Zâmbia

oglobo.globo.com | 13-07-2014

Com uma economia muito diversificada, a Federação Russa possui importantes recursos naturais e humanos, que constituem forte potencial de desenvolvimento económico. O povo russo em geral, já a partir de meados da década de 1950, vivia bem melhor que os cidadãos de países capitalistas há muito orientados para o mercado, como o México, a Índia, o Brasil ou a Argentina. A taxa de analfabetismo era virtualmente zero, o ensino superior era muito bom e economicamente acessível; o desemprego quase não existia, a igualdade entre os géneros era uma das mais desenvolvidas do mundo, com as mulheres a chegar por vezes mais longe do que os homens nas suas carreiras, especialmente na ciência. Muitas famílias possuiam automóveis, TVs, gravadores de cassetes e podiam viajar de avião pelo menos uma vez por ano até às áreas balneares famosas do mar Negro. Mas a produção e distribuição de produtos de consumo (particularmente de vestuário e alimentos) era relativamente ineficiente e havia uma falta de habitação muito pronunciada em muitas das áreas urbanas, se bem que fossem raras situações de habitação precária ou insalubre. Contudo, desde a desintegração da União Soviética, em 1991, o caminho para a estabilização macroeconómica tem sido longo e difícil, A partir daquele ano, o país sofreu severa contracção económica ao longo dos cinco anos seguintes, enquanto o governo e o parlamento divergiam sobre a implementação das reformas. A base industrial do país foi seriamente atingida. O país tem passado por diversas crises, destacando-se a crise financeira de 1998, resultante fundamentalmente da crise financeira do Sudeste Asiático. Depois da dissolução da URSS, causada mais por razões étnicas do que económicas, a primeira recuperação russa, ainda ligeira mas já a mostrar os sinais da influência do mercado livre, ocorreu em 1997. Porém a crise financeira asiática daquele ano acabou por atingir a economia russa. Diante da significativa desvalorização do rublo, o governo Russo aumentou a taxa de juros, mas as medidas de política econômica fracassaram e a Rússia declarou uma moratória unilateral, gerando perdas a seus credores internos e externos. Assim, 1998 ficou marcado por ser o ano da crise financeira Russa, com intensa fuga de capitais e, na sequência, recessão. A economia começou a se recuperar em 1999, entrando numa fase de rápida expansão, com o PIB a crescer a uma taxa média de 6.8% por ano, entre 1999 e 2004, apoiado em preços mais altos no petróleo, num rublo mais fraco, e no aumento na produção de industrial e de serviços. Esta recuperação, a par de um renovado esforço governamental em 2000 e 2001 para fazer avançar as reformas estruturais, aumentou a confiança das empresas e dos investidores para a segunda década de transição. A Rússia permanece fortemente dependente de exportações de matérias-primas, em particular do petróleo, do gás natural, de metais e de madeira, que correspondem a mais de 80% do total das exportações, o que deixa o país vulnerável às oscilações dos preços do mercado mundial. Em anos recentes, no entanto, a economia também foi impulsionada pela crescente procura interna, que cresceu cerca de 12% ao ano entre 2000 e 2004, o que mostra o vigor do seu mercado interno. O PIB do país atingiu 535 bilhões de dólares em 2004, fazendo da economia russa a 16ª economia mundial, sendo que Moscou, concentra 30% da produção do país. Um dos maiores desafios dos formuladores da política econômica russa é o de encorajar o desenvolvimento de PMEs num ambiente empresarial dominado por oligarcas e dotado de um sistema bancário jovem e disfuncional. Muitos dos bancos russos pertencem a grandes empresários ou oligarcas, que usam frequentemente os depósitos para financiar os seus próprios negócios. O Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento e o Banco Mundial tentaram normalizar as práticas bancárias fazendo investimentos em acções ordinárias e na dívida, mas com um sucesso muito limitado. Outros problemas incluem um desenvolvimento económico desigual entre as regiões do país. Enquanto que a região de Moscovo, com a sua imensa população de 20 milhões de habitantes, é uma metrópole moderna, com setores de tecnologia de ponta e renda per capita próxima à das economias mais fortes da eurozona, o resto do país, em especial as comunidades indígenas e rurais da Ásia, vive como vivia no fim da Idade Média. A integração ao mercado também se faz sentir noutras cidades grandes como São Petersburgo, Kaliningrad e Ekaterinburg. Estimular o investimento estrangeiro é também um grande desafio. Até agora, o país tem se beneficiado do aumento nos preços de petróleo e tem sido capaz de pagar uma boa parte da sua dívida externa, que era gigantesca. O reinvestimento dos lucros obtidos pela exploração de recursos naturais em outros sectores da economia também é um problema. Em 2003, a prisão de Mikhail Khodorkovski, um dos oligarcas russos e, à época, o mais rico empresário do país, sob a acusação de fraude, evasão fiscal e corrupção durante as grandes privatizações conduzidas no governo de Boris Yeltsin, gerou certa desconfiança entre os investidores estrangeiros. Muitas das grandes fortunas actuais, na Rússia, parecem ter resultado da aquisição de propriedades estatais a muito baixo preço ou da aquisição barata de concessões governamentais. Outros países manifestaram a sua preocupação com a aplicação "selectiva" da lei contra empresários individuais. Apesar de tudo, algumas grandes firmas internacionais têm grandes investimentos na Rússia. Um exemplo é a fabricante de bebidas Scottish & Newcastle, que descobriu que o mercado da cerveja na Rússia crescia muito mais rapidamente do que noutras áreas da Europa. Quase duas décadas após o colapso da União Soviética, em 1991, a Rússia continua a tentar estabelecer uma economia de mercado moderna e de fato tem conseguido altas taxas de crescimento económico. Ao longo da década de 2000, a economia russa registrou taxas de crescimento acima de 7% em 2000 (10%), 2001, 2002, 2003, 2004 e 2007 (8,1%). Em 2005 teve alta de 6,4 e, em 2006, de 6,8%. Em 2008, a Rússia cresceu 6% e foi a 9ª economia do mundo. No entanto, diante da crise mundial e a queda dos preços do petróleo, as perspectivas para 2009 são mais sombrias. Em dezembro de 2008, a ministra da Economia, Elvira Nabiullina, previu 2,4% de crescimento do PIB para 2009, o índice mais baixo desde 1998 - o fatídico ano da moratória russa. A Rússia integra a área da APEC (Asia-Pacific Economic Cooperation), um bloco econômico que tem por objetivo transformar o Pacífico numa área de livre comércio e que engloba economias asiáticas, americanas e da Oceania.


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