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Rússia Economia

A Rússia vai levar a União Europeia a tribunal devido às sanções contra as suas empresas, anuncia o The Financial Times, que vês nisto “um sinal dos danos que a exclusão das empresas dos mercados de capital estão a causar na economia russa”.

A gigante petrolífera nacional Rosneft e o empresário Arkady Rotenberg pediram ao Tribunal de Justiça Europeu a anulação da decisão que proibiu as companhias petrolíferas e os bancos estatais de angariar fundos nos mercados europeus.

O diário financeiro afirma que o Tribunal já

contestou a decisão do Conselho no passado em relação a medidas semelhantes impostas ao Irão e à Síria, tendo, nomeadamente, determinado que no momento de implementar as sanções, os Estados europeus se basearam demasiado em fontes confidenciais, o que compromete a defesa dos acusados.

O The Financial Times acrescenta que um processo penal pode estender-se por um longo período de tempo, o que significa que a “ação penal não implica um alívio rápido dos danos económicos” provocados pelas sanções.

www.voxeurop.eu | 17-10-2014
Presidente russo, Vladimir Putin, ordenou retirada de tropas da fronteira com a Ucrânia, e se encontrará com presidente ucraniano, Petro Poroshenko, na quinta-feira - ALEKSEY NIKOLSKYI / AFP

MOSCOU — O presidente russo, Vladimir Putin, ordenou a retirada de milhares de soldados russos dos arredores da fronteira ucraniana e o retorno a suas bases militares, informou neste domingo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

De acordo com Peskov, Putin ordenou que 17.600 soldados deixassem Rostov, uma região no Sul da Rússia que faz fronteira com o Leste da Ucrânia, onde rebeldes separatistas enfrentam tropas do governo ucraniano desde abril. O Kremlin afirmava que os soldados em Rostov participavam de exercícios militares, mas a Ucrânia e os países do Ocidente acusavam Moscou de fornecer armas e combatentes aos insurgentes, e aplicaram sanções econômicas à Rússia em resposta às medidas.

Alegações prévias de retirada dos soldados foram desmentidas pela Otan, que em abril afirmou que a Rússia havia posicionado 40 mil soldados na fronteira, embora Putin tenha ordenado uma retirada no fim de maio. Em agosto, a organização atlântica voltou a acusar o Kremlin de posicionar soldados na fronteira, e permitir que soldados e veículos militares entrassem no território ucraniano.

A nova retirada pode ser um sinal de boas intenções antes da viajem de Putin a Milão, onde se encontrará com o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, e líderes da União Europeia na quinta-feira.

Com os efeitos das sanções começando a serem sentidos na economia russa, Moscou pode também esperar que a retirada ajude a suavizar essas medidas. No fim de setembro, a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que a União Europeia ainda não considerava a suspensão das sanções devido aos conflitos que ainda acontecem no Leste da Ucrânia.

Apesar da declaração de cessar-fogo na região, explosões voltaram a ser ouvidas nas proximidades do aeroporto de Donetsk, onde rebeldes e tropas ucranianas seguem se enfrentando.

oglobo.globo.com | 12-10-2014

HELSINKI - Um dos últimos países europeus a envergar a nota de crédito AAA, no topo do ranking das agências de rating, A Finlândia foi expulsa do seleto clube. Citando persistentes problemas de crescimento econômico, a Standard & Poor's cortou, na sexta-feira, o rótulo do país para AA+, com perspectiva estável. A Moody's e a Fitch anunciaram recentemente a manutenção da nota do país.

O país ainda tem de lidar com os problemas de nível de produção, uma vez que suas exportações encolheram em consequência da crise da zona do euro, de problemas em suas indústrias de celulares e de papel e da crise na Ucrânia.

O corte da S&P poupou a Alemanha e Luxemburgo, e os dois passam a ser os últimos países da zona do euro que mantém a nota máxima de crédito das três maiores de rating do mundo.

A redação nota “reflete a nossa percepção de que o risco de a economia finlandesa pode experimentar longa estagnação por causa do envelhecimento de sua população e encolhimento da força de trabalho, enfraquecimento da demanda externa, perde de fatia no mercado global... e um mercado de trabalho relativamente rígido”, apontou a agência em seu relatório.

A Finlândia já teve orgulho de sua posição no maior nível de rating. Em 2011, durante a crise de débito da zona do euro, Alexander Stubb, agora primeiro-ministro, disse que os princípios do darwinismo deveriam se aplicar, e as economias mais forte do bloco deveriam ter a palavra final.

Mas, neste ano, a Finlândia sofreu reveses adicionais com a crise entre a Ucrânia e a desaceleração da Rússia. O vizinho é um de seus principais parceiros comerciais.

No setor corporativo, a Nokia, que já foi líder global em celulares, se debateu para competir em smartphones com a Apple e Google até finalmente vender todo o negócios de telefones para a Microsoft em abril. Aos mesmo tempo, migração dos serviços impressos para online reduziu a demanda por papel na Europa, levando a fortes reestruturaões em firmas com a UPM-Kymmene and Stora Enso.

“As exportações finlandesas ficaram abaixo do esperado desde 2008, o que interpretamos como um sinal de baixa competititiviade”, acrescentou a S&P.

oglobo.globo.com | 11-10-2014
Mulher passa por muro com a inscrição "Donetsk será livre!" acompanhada da bandeira russa. Confrontos entre rebeldes e soldados ucranianos voltaram a deixar mortos no Leste da Ucrânia - JOHN MACDOUGALL / AFP

DONETSK — Três civis morreram e outros quatro ficaram feridos em combates entre as forças de segurança ucranianas e rebeldes pró-Rússia na noite de sexta-feira, em Donetsk, principal reduto de forças separatistas no Leste da Ucrânia, informou neste sábado a prefeitura local.

Os confrontos aconteceram no bairro de Kuibychevski, próximo ao aeroporto de Donestk, disputado pelos dois lados do conflito. Segundo a ONU, o número de vítimas após a declaração de cessar-fogo entre o governo de Kiev e os separatistas já chegou a 331, totalizando mais de 3.600 desde o início dos conflitos.

O primeiro-ministro da autoproclamada República Popular de Donetsk, Alexander Zakharchenko, afirmou na noite de sexta-feira que concluíra juntamente com o governo de Kiev um acordo que demarcava os territórios controlados pelas duas partes, mas a informação foi desmentida pelo Exército ucraniano. Zakharchenko afirmou à agência russa Interfax que, caso seja respeitado um cessar-fogo dentro dessas linhas nos próximos cinco dias, a artilheria separatista se retiraria, criando uma zona-tampão.

Novo encontro entre Kiev e Moscou

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, anunciou neste sábado que se reunirá com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Milão, na Itália, na próxima semana, para discutir o conflito no Leste da Ucrânia.

O Kremlin acenou para a possibilidade do encontro acontecer durante a cúpula de Diálogo entre Ásia e Europa, que reunirá chefes de Estado da União Europeia e de diversos países asiáticos.

O presidente russo afirmou que o adiamento da implementação da parte econômica do acordo de associação entre Ucrânia e União Europeia oferece uma oportunidade para reajustar as cláusulas do documento, cuja aplicação poderá prejudicar significativamente a economia da União Aduaneira e as relações comerciais tradicionais entre Rússia e Ucrânia.

Ao discursar na reunião do Supremo Conselho Eurasiático, nesta sexta-feira, Putin destacou que "tanto Kiev como Bruxelas atenderam aos argumentos russos, tomando a decisão de adiar a implementação da parte econômica do acordo de associação para 31 de dezembro de 2015”.

O Ministro dos Relações Exteriores da Ucrânia, Pavel Klimkin, pediu que as autoridades russas desencorajassem as autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk de realizarem as eleições marcadas para o início de novembro. O chanceler ucraniano, que reconheceu que Kiev não pode impedir que a população do leste do país participe da votação, solicitou que Moscou não reconhecesse este processo e que apoie a proposta oficial ucraniana, de conferir um status de maior autonomia às regiões.

Klimkin destacou que o governo de Kiev está pronto para estabelecer um processo político na Ucrânia, inclusive em Donetsk e Lugansk, com uma maior descentralização. Ao comentar a relação com a Rússia, ele disse que os acordos de associação da Ucrânia com a União Europeia não devem ser um muro que separe os dois países.

oglobo.globo.com | 11-10-2014

WASHINGTON - Com a “forte desaceleração” experimentada em 2014, o Brasil integra o grupo das economias que “estão ficando para trás”, segundo a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde. O desempenho não pode ser atribuído a um padrão comum dos mercados emergentes ou ao cenário externo isoladamente, sugeriu ela, pois todos os grupos de países apresentam atualmente casos de sucesso e de fracasso, diante do mesmo panorama mundial. Ou seja: são fragilidades e deficiências próprias as raízes dos problemas de quem perdeu fôlego ao longo de 2014, como o Brasil.

— O que notamos claramente, na análise que fazemos, é cada vez mais especificidade de cada país. Não é mais como se um grupo de países, economias avançadas ou mercados emergentes, esteja se recuperando e o outro esteja ficando para trás. Dentro de cada grupo, alguns países estão à frente e outros estão ficando para atrás — explicou Lagarde.

Essas forças opostas estão se neutralizando e segurando a recuperação global, criando o que Lagarde chamou de “risco do novo medíocre”. Este é um cenário no qual a comunidade internacional se acostumaria com um baixo ritmo de atividade, que seria o possível, em vez de agir para destravar o crescimento.

O Fundo revisou esta semana a projeção de expansão da economia mundial em 0,1 ponto percentual este ano, para 3,3%, o que significa patinar no mesmo patamar dos dois anos anteriores. Para 2015, o organismo espera um pouco de tração, com taxa a 3,8%, mesmo assim, 0,2 ponto menor do que em julho, quando esperava-se que, no próximo ano, finalmente a barreira psicológica dos 4% seria vencida.

Os sinais do peso da especificidade no comportamento das economias estão evidentes nos panoramas para os quatro principais blocos ricos e mercados emergentes, exemplificou a diretora-gerente do FMI:

— Nos países ricos, claramente a recuperação é puxada pelos Estados Unidos e Reino Unido, enquanto a zona do euro e o Japão estão ficando para trás. Nos mercados emergentes, temos um crescimento razoavelmente forte, ainda que mais lento, na China e (crescimento) melhor do que o esperado na Índia. E claramente temos uma forte desaceleração em países como Brasil e Rússia.

As previsões do FMI confirmam esta divisão. Itália (com retração de 0,2%, terceiro ano seguido de recessão), Rússia (0,2%) e Brasil (0,3%) terão em 2014 as menores taxas de expansão da atividade entre as principais economias.

Na zona do euro, os quatro principais motores (Alemanha, França, Espanha e Itália) tiveram redução da expectativa de crescimento em 2014, ranking que, em magnitude do corte, foi liderado por Brasil (um ponto) e Japão (0,7 ponto). O mercado financeiro já discute o risco de a economia alemã estar em recessão.

Estados Unidos, com previsão de crescimento de 2,2% (alta de 0,5 ponto sobre julho), e Reino Unido, com alta do Produto Interno Bruto (PIB) estimada em 3,2% em 2014, foram destaques positivos dos documentos divulgados esta semana. Bem como China (7,4%) e Índia (5,6%, alta de 0,2 ponto percentual).

O PAPEL DOS BANCOS CENTRAIS

Algumas respostas necessárias são comuns aos retardatários, apesar da especificidade dos problemas, disse Lagarde. As ações expansionistas dos bancos centrais devem continuar e as políticas fiscais precisam serem relaxadas para elevar o incentivo à retomada na Europa e no Japão. Emergentes, por sua vez, devem estar particularmente atentos a possíveis novas turbulências, geradas especialmente pela esperada alta dos juros dos EUA em meados de 2015.

No entanto, isso é pouco. A diretora-gerente afirmou que o mundo precisa de uma nova etapa, após os estímulos fiscais e monetários e a limpeza de balanços de bancos e empresas detonados na crise de 2008: reformas estruturais e investimento pesado em infraestrutura. O FMI acredita que, combinados, estes esforços podem ser o combustível que falta para religar as turbinas globais. É o novo mantra da instituição.

— Acreditamos que reformas estruturais são muito importantes. Temos recomendado enfaticamente que o investimento em infraestrutura pode ser uma forma significativa de estimular o crescimento no curto prazo, ao colocar as pessoas para trabalhar, lançar grandes esforços de construção, mas também ter impacto de médio prazo no lado da oferta ao facilitar e acelerar a criação de valor para mais tarde — explicou Lagarde.

As reformas, porém, reformas devem respeitar as especificidades dos países, enfatizou a diretora-gerente:

— (As reformas) devem ser bem ajustadas para serem politicamente palatáveis e terem o máximo de efeito multiplicador nas economias. É uma questão de fazê-las, não só de falar sobre elas.

REFORMAS TRABALHISTAS

Há duas recomendações extensivas ao Brasil na “Agenda de Política Global”, que formam as recomendações da gerência executiva do Fundo aos países-membros, aos quais cabem a orientação final do foco do FMI.

Lagarde acredita que a reforma trabalhista é uma prioridade para o país. Medidas devem ter alto custo-benefício, ser focadas em treinamento de mão de obra e englobar cortes seletivos dos impostos patronais. O conselho serve ainda para EUA, China, Índia e África do Sul.

A redução de barreiras ao comércio exterior e ao investimento seriam outras contribuições importantes à melhora do ambiente econômico. A diretora-gerente, no documento, salienta ainda a necessidade de o Brasil precisa atuar para reduzir os gargalos de infraestrutura. O objetivo é elevar o crescimento potencial da economia no médio prazo.

Lagarde destacou ainda que, se forem bem planejados, os investimentos públicos em infraestrutura sequer representam risco à disciplina fisca.

— Não só o investimento em infraestrutura é favorável ao crescimento, é favorável até à dívida, se feito sob as condições certas, se a economia está fraca, se as condições de financiamento continuarem sendo liquidez a custo baixo.

oglobo.globo.com | 10-10-2014
Pelo cirtério de paridade de poder de compra, a China é hoje a maior economia do mundo, ultrapassando os EUA - BRENT LEWIN / BLOOMBERG / 5-8-2014

WASHINGTON - Na terça-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou seu mais recente Panorama Econômico Mundial no qual surgiu uma descoberta surpreendente: o Produto Interno Bruto (PIB) dos sete maiores mercados emergentes são muito maiores hoje do que o das nações industrializadas, quando medido em paridade de poder aquisitivo (PPP).

Um novo G7 hipotético, compreendendo os Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – e três das chamadas “economias hortelã” – México, Indonésia e Turquia – têm um PIB combinado de US$ 37,8 trilhões (em paridade de poder aquisitivo) em comparação com os US$ 34,5 trilhões do velho G7 – Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e os EUA.

As novas tentativas de medir o PIB também confirmam que, em termos de PPP, a China é hoje a maior economia do mundo, ultrapassando os EUA, como revelado pelo “Financial Times” em abril. A taxas de câmbio do mercado, a economia dos EUA vale US$ 17,4 trilhões e a chinesa US$ 10,4 trilhões. Com um ajuste para os preços relativos, contudo, a economia da China sobe para o primeiro lugar, com um PIB de US$ $ 17,6 trilhões.

O PPP é uma tentativa de identificar o que um dólar pode comprar em vários. Um corte de cabelo em Xangai, por exemplo, vai custar muito menos do que um em Nova York, embora esses preços não possam ser equalizados pela concorrência internacional.

O cálculo das PPP, no entanto, está longe de ser uma ciência exata. Mesmo com ressalvas, as novas estimativas apontam que o mundo mudou drasticamente. Os mercados de metade das vinte maiores economias emergentes já representam metade do primeiro mundo. A Indonésia entrou no top 10 ultrapassado o Reino Unido para se tornar a nona maior economia do mundo. Já a Nigéria saltou dez posições.

oglobo.globo.com | 08-10-2014

“Se há um país que tirou partido da crise ucraniana, foi a BielorRússia”, escreve o Nezavissimaïa Gazeta, que realça que Minsk abandonou recentemente o seu estatuto de pária internacional e que o seu presidente, Alexandre Lukachenko, já não é considerado pelos seus homólogos como o inaceitável “último ditador da Europa”. Mas o diário russo considera que o papel da BielorRússia nas negociações para a resolução do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, que permitiu mudar a forma como “este Estado dirigido pelo ‘último ditador europeu’ é visto e ganhar uma certa visibilidade na cena política europeia, “foi só um começo”.

Para o Nezavissimaïa Gazeta, Lukachenko, que o jornal descreve como sendo politicamente hábil, na medida em que a sua “estratégia de intermediário entre o Ocidente e a Rússia tem sido até à data bastante lucrativa”,

vai poder tirar partido de Moscovo, que não quer perder o seu parceiro, e do Ocidente, que não quer uma Rússia mais forte e muito menos o desenvolvimento da união aduaneira [com a Rússia e o Cazaquistão].

Além disso,

este também poderá tentar transformar Minsk numa “plataforma mundial” para as relações entre a Rússia e o Ocidente […]. Ou ainda num mercado de ações da UE e da união aduaneira, tendo ainda em conta que os europeus já estão a pensar criar uma zona de comércio livre com a BielorRússia. Um projeto desta dimensão, que poderia propulsar a BielorRússia para o primeiro plano da cena europeia, melhorar a sua imagem e estimular consideravelmente a sua economia, não pode deixar de interessar a Alexandre Grigorievitch Lukachenko, que previu sempre um destino fora do comum para o seu país.

www.voxeurop.eu | 02-10-2014

NOVA DÉLHI E HONG KONG - Pela quarta vez consecutiva, o banco central da Índia manteve a taxa básica de juros nesta terça-feira, dando continuidade à luta contra a mais rápida inflação da Ásia, enquanto o primeiro-ministro Narendra Modi age para fazer o setor manufatureiro renascer. O Banco da Reserva da Índia (RBI, na sigla em inglês) manteve a taxa de juros apesar dos pedidos de redução enquanto a inflação no varejo começa a ficar abaixo de 8% pela primeira vez em cinco anos, segundo o “Wall Street Journal”.

Em Washington, o premier indiano Narendra Modi acena em frente à estátua em homenagem a Mahatma Gandhi - NICHOLAS KAMM / NICHOLAS KAMM/AFP

O presidente do BC indiano Raghuram Rajan manteve a taxa em 8%, informou o RBI em comunicado, nesta terça-feira, em Mumbai. A decisão era prevista por todos os 51 economistas ouvidos pela Bloomberg. Embora as perspectivas de curto prazo para a inflação de preços ao consumidor esteja equilibrada “com uma inclinação de queda”, os riscos à meta de 6% em janeiro de 2016 são “ainda de alta, embora um pouco menor do que na última declaração política”.

— A partir de agora estamos razoavelmente definidos e nós vamos chegar a essa meta, mas muita coisa pode acontecer no mundo — disse Rajan em Mumbai, em referência à meta de janeiro de 2016. — Os preços do petróleo, que são baixos agora, podem subir ou podem cair ainda mais. Qualquer outro fator está sujeito a alguma incerteza. A política responderá aos dados.

Rajan se uniu aos presidentes dos bancos centrais de Brasil e Rússia ao manter a taxa básica de juros neste mês como forma de reduzir as pressões sobre os preços para estabelecer as bases para um crescimento econômico sustentável.

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s disse que espera que o premier Modi implemente políticas para aumentar o crescimento, ao elevar a perspectiva da Índia na semana passada, assim como um melhor desempenho do déficit ou na inflação métricas pode desencadear uma melhor classificação.

— A política econômica vai ser mantida sem alterações no futuro próximo — afirmou Rupa Rege-Nitsure, economista-chefe do Bank of Baroda em Mumbai. — A pressão é mais sobre o governo de Modi do que sobre o controle de inflação.

Se o crescimento global arrefecer, ou se as vulnerabilidades financeiras se materializarem, a inflação ao consumidor será de cerca de 7% no primeiro trimestre de 2016, informou o BC indiano em um outro relatório divulgado nesta terça-feira, acrescentando que os riscos para o alvo de 6% em janeiro de 2016 são significativos. Os preços no varejo subiram 7,8% em agosto, segundo dados do governo, frente a 2% na China e a 3,99% na Indonésia.

De acordo com o “Wall Street Journal”, a inflação da Índia em 7,8% ainda é alta, e Rajan precisa olhar as tendências passadas de curto prazo para atender sua meta de 6% em janeiro de 2016. De qualquer forma, a desaceleração da inflação se deve, em parte, porque os preços estão saindo de uma alta base do ano passado, criando uma ilusão estatística que vai atravessar o fim deste ano.

“Assim, Rajan tem boas razões para não ceder dinheiro fácil à multidão da Índia. Mas, ao mesmo tempo, parece cada vez mais improvável ter ele vá que apertar a política nos próximos meses, em parte graças o Modi”, acrescenta o “Journal”.

De acordo com o jornal americano, Modi avançou mais lentamente do que muitos esperavam na tentativa de impulsionar os investimentos. “Ao atrasar o aumento dos preços do gás natural, na semana passada, por exemplo, Modi perdeu uma oportunidade de incentivar o investimento de energia. Embora a economia tenha acelerado no trimestre de junho e crescido 5,7% em relação a um ano atrás, a produção quase não cresceu em julho em comparação com o ano passado.”

O índice de referência da Bolsa indiana subiu 0,9% nesta terça-feira, tendo valorizado 27% no ano, o melhor resultado entre os maiores mercados do mundo. A rúpia caiu 0,1%, para 61,5975 por dólar, com ganho anual de 0,3%. A Índia usou a força da rúpia para fortalecer suas reservas estrangeiras, disse Rajan.

Em 19 de agosto, a reserva do país totalizava US$ 316 bilhões. Um ano antes estava em US$ 275 bilhões, quando o BC vendeu dólares para recuperar a rúpia de um recorde de baixa após o Federal Reserve (Fed, banco central americano) ter sinalizado que começaria a retirar seus estímulos à economia.

oglobo.globo.com | 30-09-2014

MOSCOU - Especulações de que a Rússia está considerando adotar controles de capital em meio à pior performance entre os países emergentes no câmbio e em títulos empurraram o rublo abaixo do nível que o banco central (BC) havia estipulado como limite para intervir no mercado.

A moeda russa escorregou temporariamente para 44,40 ante a cesta de moedas de dólares e euros usada pelo Banco da Rússia como parâmetro, depois que duas fontes informaram que os gestores da política monetária do país estariam considerando aplicar restrições temporárias, caso a fuga líquida de divisas aumente significativamente. Mais tarde, o BC emitiu um informe, negando que estivesse estudando estabelecer limites no fluxo de capitais. O rendimento dos bônus de dez anos subiu seis pontos básicos, para 9,42%, levando o aumento deste trimestre a 102 pontos básicos.

O presidente Vladimir Putin enfrenta especulações do mercado em meio às sanções de EUA e UE por crise na Ucrânia - RIA NOVOSTI / REUTERS

Sinais de que restrições ao fluxo de dinheiro serão impostas novamente, depois que tal política foi abandonada há oito anos, ameaçam provocar uma corrida de venda de ativos russos. Esse movimento já vem ocorrendo desde que os Estados Unidos e a União Europeia (UE) ampliaram as sanções econômicas contra o presidente Vladimir Putin por causa do conflito com a Ucrânia. O rublo perdeu 14% frente ao dólar este trimestre, quebrando recordes de queda nos últimos três dias.

— A fuga de capitais deverá aumentar fortemente agora — estimou Stanislav Kopulov, gestor do UralSib Asset Management, em Moscou. — Quando se é ameaçado dessa forma (mais controle de capital), é preciso tirar o dinheiro urgentemente.

O BC da Rússia está analisando todos os possíveis cenários sobre como implementar os controles de capital, segundo as fontes, que pediram para não serem identificadas porque a decisão ainda não foi tomada. Elas também não deram um prazo para a implementação das medidas e disseram que estas terão um caráter preventivo, sendo aplicadas apenas se a saída líquida de capital crescer significativamente.

LONGA CONFRONTAÇÃO

Os gestores da política monetária não estão discutindo qualquer limitação sobre os fluxos de capital entre fronteiras, de acordo com nota divulgada no site do banco central. O rublo caía 0,1%, para 44,2573, às 16h57m desta terça-feira, em Londres. A moeda russa perdeu 0,4% frente ao dólar, caindo para 39,5800, elevando a desvalorização no trimestre para 14%, a pior entre os 24 países emergentes analisados pela Bloomberg.

As discussões sobre tais medidas são o sinal mais recente de que as sanções estão atingindo a Rússia e levando a autoridade monetária a repensar a aplicação de políticas que vinha evitando. A queda de hoje ocorre num momento em que a chanceler alemã, Angela Merkel, disse que a UE e os Estados Unidos podem estar enfrentando uma longa confrontação com a Rússia, citando os 40 anos que a Alemanha Oriental levou para escapar ao controle comunista.

A situação dos bônus soberanos, porém, não está tão caótica. Embora tenham recuado no trimestre, os títulos de dez anos do governo completaram seu melhor mês desde maio, depois que o cessar-fogo no Leste da Ucrânia ajudou a aliviar as preocupações dos investidores de que a crise militar na região fosse piorar. O Ministério de Finanças da Rússia informou que fará seu segundo leilão de títulos nesta quarta-feira, oferecendo 15 bilhões de rublos (US$ 379 milhões) por meio de securitizações em moeda local, com vencimento em janeiro de 2028.

ÚLTIMA INTERVENÇÃO

A Rússia provavelmente não vai introduzir controles de capital a não ser que suas reservas internacionais comecem a cair num ritmo mensal de US$ 20 bilhões, afirmou Vladimir Osakovskiy, economista do Bank of America, em comentários difundidos por e-mail. “A declaração é certamente negativa para todos os tipos de ativos na Rússia à proporção que estimula mais desinvestimento”, acrescentou.

A última vez que o BC russo interveio no câmbio foi em maio, elevando a US$ 40 bilhões o total das reservas vendidas pelo governo este ano para conter o êxodo de investidores de ativos locais. Esse movimento se acelerou depois que Putin anexou a região da Crimeia em março.

O BC ampliou a banda de flutuação do rublo em agosto, à medida que se prepara para uma mudança rumo a um rublo flutuante, abandonando a política de usar as reservas para controlar os movimentos de câmbio e administrar a inflação em favor do uso das taxas de juros. Os gestores de política monetária elevaram a taxa básica de juros em 2,5 pontos percentuais para escorar a moeda este ano, mesmo com a economia se aproxima da recessão.

CLIMA RUIM

Quando a Rússia eliminou os controles de capital em 2006, o país se tornou um dos quatro maiores mercados emergentes a permitir um fluxo sem restrições entre suas fronteiras. O Ministério da Economia elevou sua estimativa de saída de capitais este ano para US$ 100 bilhões, uma alta de 64% em relação ao ano passado.

— (O controle de capital) poderá levar alguns estrangeiros a retirarem seu capital, o que poderá provocar aumento de saídas — estimou Olega Popov, do Allianz Investments, o braço de investimentos da maior seguradora da Europa. — Isso é ruim para o clima de investimento. Qualquer investidor calcula o potencial de retorno combinado com o risco que sua aplicação corre.

oglobo.globo.com | 30-09-2014

RIO - O Brasil não tem representantes entre as 200 melhores universidades do mundo, segundo o novo ranking mundial elaborado pela consultoria britânica Times Higher Education e divulgado nesta segunda-feira (29). A edição deste ano do World Universities Rankings listou as primeiras 400 instituições segundo critérios de desempenho acadêmico.

A brasileira mais bem posicionada é a USP, que pulou da faixa entre 226-250ª colocação do ano passado para a banda entre a 201-225 em 2014. Vale lembrar que a THE utiliza faixas de colocação para as instituições abaixo da 200ª posição.

A Unicamp foi a outra representante verde-amarela no ranking, permanecendo na banda entre 301-350, a mesma da edição do ano passado. Com apenas as duas universidades paulistas entre as 400 melhores, o Brasil fica atrás de outros países emergentes como a Turquia (com quatro instituições entre as 200 primeiras), China (três entre as 200) e Cingapura (duas entre as 200).

Brasil não tem universidades entre as 200 primeiras - / Editoria de Arte

No topo da tabela, nenhuma surpresa. A melhor universidade do mundo para a THE continua sendo o Instituto de Tecnologia da Califórnia, seguido pela Universidade de Harvard e pela Universidade de Oxford, na Inglaterra. Das 10 primeiras, sete são americanas e três, britânicas.

Este é apenas mais um dos rankings internacionais divulgados por consultorias mundo afora a cada ano. Somente em 2014, foram seis tabelas lançadas pela organização britânica Quacquarelli Symonds (QS), pela Universidade Jiao Tong, de Xangai, pela consultoria internacional Center for World Uniersities Ranking (CWUR) e, finalmente, pela Times Higher Education.

O Brasil tem desempenho variável, conforme o tipo de ranking. Se a análise for feita entre todas as universidades do mundo, as brasileiras aparecem timidamente. Neste mês, a QS listou a USP como a única representante do país entre as 200 melhores do mundo. A tendência é a mesma do “ranking de Xangai”, divulgado em agosto, que também colocou a instituição paulista na 144ª posição, e pela CWUR, que colocou a USP na 131ª colocação.

Mas conforme a amostra de países diminui, o desempenho brasileiro melhora. Quando apenas os membros dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) são levados em conta, o Brasil tem duas instituições entre as 10 primeiras, segundo ranking da THE divulgado em dezembro passado. Em maio deste ano, o ranking para a América Latina da QS mostrou que o país tem 10 das 20 melhores do subcontinente. A USP, no entanto, caiu do primeiro para o segundo lugar.

INTERNACIONALIZAÇÃO E COBRANÇA DE MENSALIDADE

Especialistas apontam que o desempenho tímido do Brasil em ranking internacionais se deve principalmente à falta de internacionalização de seus cursos. Para o editor da THE, Phil Baty, é preciso que as universidades brasileiras utilizem mais o inglês em seu cotidiano, desde créditos extras para o idioma até a publicação de artigos científicos. Além disso, Baty acredita ainda que o Ciências Sem Fronteiras terá impacto positivo no longo prazo em atrair acadêmicos renomados no cenário internacional para seus campi. No entanto, ele alerta que burocracia ainda é o grande entrave para a autonomia universitária no Brasil.

- As universidades brasileiras devem desenvolver estruturas de gestão mais ágeis e mais dinâmicas de contratação de corpo docente e gestão do orçamento. Para ser uma das universidades do topo do ranking, é importante que as reitorias sejam livres para liderar tomar decisões estratégicas em tempo hábil, sem esbarrar nos tapetes vermelhos da burocracia governamental - disse Baty ao GLOBO.

O novo ranking da THE vem no momento em que a USP enfrenta grave crise financeira e de gestão. A comunidade acadêmica da universidade, que acaba de sair de uma greve, discute ainda a possibilidade de começar a cobrar mensalidades de alunos mais abastados, utilizando critérios de gratuidade semelhantes ao do Prouni. Para Phil Baty, a cobrança seria válida, mas sem deixar de lado a importância de investimentos públicos no ensino superior. Ele cita ainda os casos de sucesso de China, Cingapura e Coreia de Sul, países que avançaram no ranking com forte investimento estatal nas universidades.

- Já que universidades privadas dos EUA, que cobram enormes taxas anuais, continuam a dominar os rankings universitários mundiais, muitos tentam copiar esse modelo. Mensalidades também atendem ao princípio de que as pessoas que se beneficiam do ensino superior devem fazer uma contribuição para os custos da universidade, como forma de gratidão. No entanto, há também grandes benefícios para o investimento público no ensino superior, e eu, pessoalmente, acredito que é importante garantir que haja sempre uma forte participação pública no financiamento das universidades.

Para o professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Robert Verhine, que é doutor em educação comparada e economia da educação, a discussão sobre as cobranças de mensalidade é válida, mas não se aplica ao Brasil, já que esbarra em questões previstas pela Constituição. Segundo ele, o importante, neste momento, é investir na internacionalização das faculdades.

- Infelizmente, o Brasil ainda vai demorar para conseguir subir nesses rankings, principalmente pela falta de internacionalização nas universidades.

Robert exemplifica com a própria UFBA, onde há cerca de 40 mil alunos e apenas 200 são estrangeiros. Segundo ele, isso precisa mudar para que o nome das instituições comece a ser projetado no exterior.

- Não temos infraestrutura para receber alunos e nem conseguimos atrai-los. Também temos poucos professores que ministram aula em inglês. É evidente que o Ciência sem Fronteiras vai ajudar nesse aspecto. Mas não é fácil promover essas mudanças - diz, acrescentando a necessidade de um corpo docente mais internacional também. - Precisamos discutir medidas que facilitem a entrada de professores vindos do exterior.

oglobo.globo.com | 29-09-2014
Stephen Harper. primeiro-ministro canadense quebrou imagem da influência europeia no Canadá e aproximou país dos Estados Unidos - CARLO ALLEGRI / REUTERS

TORONTO — Como Ronald Reagan nos Estados Unidos e Margaret Thatcher no Reino Unido, o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, pertence à linhagem de governantes que aspiram a mais do que simplesmente governar. Ao deixar o poder transformaram seu país para sempre. O conservador Harper foi reeleito duas vezes desde a primeira vitória em 2006, e busca um quarto mandato em 2015, o que o colocaria entre os cinco chefes de governo canadenses com os mandatos mais longos.

Com Harper, se diluiu o velho Canadá: a terra do consenso e do Estado de bem-estar, que colocou seu centro de gravidade na província francófona de Quebec e em sua vizinha, a anglófona Ontario, onde o Partido Liberal era o partido natural do governo. A Escandinávia norte-americana.

E então emerge outro Canadá. Um país que se parece menos para a Europa e mais com a Ásia. Um país onde a explosão do petróleo alterou o equilíbrio econômico e o poder deslocou-se para as províncias do Oeste, mais próximas culturalmente dos Estados Unidos. Mais confiante e menos ligado ao multiculturalismo, marca da política externa canadense no século XX.

Harper nasceu em 1959, em Ontário, mas aos 19 anos mudou-se para o oeste, para Alberta para trabalhar na indústria do petróleo. Ele chegou ao poder sob o estigma entre seus detratores de ser um George W. Bush canadense, o homem que americanizaria o Canadá. Agora, depois da alemã Angela Merkel, é o líder mais veterano do G7. E é, sem dúvida, o mais conservador do grupo. "O líder do mundo livre", o chamam alguns na direita americana, para ressaltar que Barack Obama não está a sua altura.

O Canadá — segundo país mais extenso do planeta, atrás apenas da Rússia, e lar de uma população de 35 milhões de habitantes — abandonou o Protocolo de Kyoto, o acordo internacional para combater a mudança climática. A retórica nacionalista e militarista, um estilo de governo polarizador, o apego aos símbolos da Coroa Britânica (o Canadá é uma monarquia constitucional) e a defesa de um estado mais fraco na economia, e de políticas de lei e ordem, o distinguem da maioria de seus antecessores no número 24 da rua Sussex, a residência do premier canadense em Ottawa.

O cientista político Stephen Clarkson, professor da Universidade de Toronto, observa "uma mudança fundamental na natureza política interna e também na posição do Canadá no mundo". Clarkson co-escreveu “Trudeau e nossos tempos”, a principal biografia do primeiro-ministro Pierre Elliott Trudeau, refundador do Canadá moderno e pai de Justin Trudeau, atual líder do Partido Liberal, que espera derrotar Harper na próxima eleição.

— Na política interna, a mudança fundamental, não é de Harper, mas sim o deslocamento do centro de gravidade de Ontário para Alberta por causa da exploração de recursos petrolíferos, com uma mudança do centro de gravidade político de Ontário para Calgary e Edmonton — afirma Clarkson, em alusão à capital do petróleo e à capital administrativa de Alberta.

Darrell Bricker e John Ibbitson falam do fim do consenso Laurentian, o consenso da elite da bacia do rio St. Lawrence, que vive no corredor entre Montreal e Toronto, passando por Ottawa. Ibbitson, jornalista do diário “Globe and Mail”, e Bricker, diretor-executivo da Ipsos Public Affairs, escreveram The Shift Big ( “A grande mudança”), um ensaio que marcou o debate sobre o novo do Canadá de Harper.

— A grande mudança começou provavelmente em 1970, com a mudança na composição da imigração para o Canadá: nós começamos a ver mais pessoas da Ásia. Mas também, com a transição da população: o movimento de pessoas e poder de Ontário, especialmente nos arredores de Toronto, e no oeste do Canadá. É muito diferente de como funcionava antes o país como uma Entente Cordiale entre Quebec e Ontário — diz Bricker. — Havia a ideia de três culturas fundadoras: a francesa, a inglesa e a aborígene. A mudança de poder reduziu o peso do francês no país: 2011 foi o primeiro ano em uma geração em que o percentual de pessoas que diziam falar francês diminuiu. Devido à grande imigração, a população aborígene tornou-se também uma pequena parte do total da população. O Canadá aceita entre 250 e 300 mil imigrantes por ano, mais do que qualquer outro país em proporção de habitantes, e a maioria vem da Ásia. As velhas identidades, francesa, inglesa ou aborígene, importam menos. O pacto fundador perde relevância. O multiculturalismo promovido por Pierre Trudeau remodelou o país, mas tem ajudado a corroer as elites que o instituíram.

Harper, escrevem Bricker e Ibbitson, construiu uma coalizão entre os novos imigrantes canadenses de um lado, e o Canadá branco dos subúrbios e zonas rurais do Oeste. Se durante o último meio século foram os quebequenses francófonos que lidavam com as alavancas do poder — e Trudeau foi o mais notável deles — agora é a vez dos canadenses ocidentais. Bricker e Ibbitson lembram que o primeiro-ministro tem seu feudo em Alberta, quase a metade do seu grupo parlamentar vem do Oeste ou do Norte e a presidente do Supremo Tribunal Federal é ocidental.

— As políticas de Harper são extremas: não tivemos essa experiência até agora na história do Canadá — diz Clarkson, que lamenta o declínio do peso do país no mundo.

— Harper tentou mover o país para a direita — admite Peter Coleman, presidente da coalizão conservadora Citizens National, cargo que Harper ocupou antes de se tornar primeiro-ministro. — Mas nem de longe é tão conservador como quando ele presidiu a Citizens National.

Mudança leva tempo. O Canadá mantém o sistema público de saúde, a rejeição da pena de morte, e uma cultura política favorável ao consenso. Nunca será os Estados Unidos. Mas também não é mais o velho Canadá de sempre.

— O significado da identidade canadense está em transição — afirma Bricker. — E é provável que Stephen Harper tenha sido o primeiro a entender isso.

oglobo.globo.com | 28-09-2014
Real registra maior valorização frente ao dólar entre as 16 principais moedas do mundo - Susana Gonzalez / Bloomberg

RIO — O aumento da intervenção do Banco Central no câmbio não foi capaz de segurar a alta da moeda americana nesta quinta-feira. O dólar comercial encerrou o dia com valorização de 1,92%, cotado a R$ 2,428 para compra e a R$ 2,430 para venda. Foi a maior alta diária desde 5 de novembro de 2013, quando subiu 1,95%, e o maior valor desde 3 de fevereiro deste ano, quando a divisa fechou valendo R$ 2,437.

O dólar ganhou força em todo o mundo, mas o real foi o que mais perdeu valor entre as 16 principais moedas, segundo o serviço de informações financeiras Bloomberg. Segundo analistas, a moeda brasileira é mais afetada porque, além do cenário global, sofre o impacto dos humores eleitorais.

Também acompanhando a tendência de aversão a risco, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 1,52%, aos 55.962 pontos, com investidores aguardando a divulgação de novas pesquisas de intenções de voto.

Analistas interpretam ser provável que o banco central dos EUA, o Federal Reserve, eleve os juros antes das autoridades monetárias de outros países. Desde a eclosão da crise financeira, em 2008, os BCs de nações desenvolvidas mantêm os juros em patamar historicamente baixo na tentativa de estimular a economia. Mas, nos EUA, dados positivos sobre a atividade econômica dão a entender que esse estímulo pode vir a ser retirado antes do previsto. Com os juros americanos subindo, fica mais vantajoso investir em títulos da dívida americana, elevando a demanda por dólares nos mercados globais, acarretando valorização da divisa.

— Depois da última reunião do Fed, há um consenso de que a elevação dos juros americanos será feita já no primeira semestre do ano que vem, talvez até no primeiro trimestre. Então o cenário externo está contribuindo para isso. Só que, no caso do real, as eleições dão contribuição ainda maior. O BC estava segurando o dólar por conta do seu impacto na inflação e, consequentemente, nas urnas. Como a inflação acabou ficando estacionada, ele deixou que o dólar subisse de patamar — explicou Ítalo Abucater, gerente de câmbio da corretora Icap do Brasil. — O real está se desvalorizando mais do que as outras moedas porque o câmbio aqui estava represado por essa intervenção eleitoreira.

Abucater acrescentou que, com as últimas pesquisas mostrando novo impulso à candidatura da presidente Dilma Rousseff, os investidores acabaram correndo para o dólar por causa da aversão a risco — o mercado financeiro é, em sua maioria, crítico à política econômica atual e costuma reagir com mau humor a notícias favoráveis à reeleição.

A divisa acelerou a alta depois de piora no humor de Wall Street, com o crescente temor de que Rússia passe a confiscar ativos estrangeiros naquele país. A medida foi proposta por membro do partido que governa a Rússia, em resposta a congelamento de propriedades na Itália pertencentes a amigo de infância do presidente Vladimir Putin. A notícia aumentou a versão a risco nos mercados e, como o dólar é considerado um porto seguro, os investidores buscam refúgio na moeda.

DÓLAR DEVE SEGUIR SUBINDO

Hoje, pelo seguindo dia seguido, o BC injetou quase U$$ 750 milhões no mercado com a rolagem de 15 mil contratos de swap cambial — que equivale à venda de dólar no mercado futuro — com vencimento em 1º de outubro. Na prática, é uma operação que inunda o mercado com dólares, elevando a oferta para reduzir seu preço. Até segunda-feira, a rolagem diária vinha sendo de apenas US$ 300 milhões. Além disso, o BC ofereceu mais US$ 198,2 milhões em novos contratos de swap.

— Acredito que o BC não vai além dessas medidas na intervenção. Estamos a poucos dias das eleições, e uma interferência mais firme geraria críticas de que o BC abandonou a política de câmbio flutuante. Isso traria prejuízos eleitorais — comentou Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio corretora Treviso.

Segundo economistas, a tendência é que o dólar se valorize ainda mais até o fim do ano. Na avaliação de Adriana Dupita, economista do Santander, o dólar deve encerrar 2014 valendo R$ 2,55. Para Abucater, dificilmente ficará abaixo de R$ 2,50. Já Galhardo está apostando em algo entre R$ 2,40 e R$ 2,45.

— O real precisa passar por uma desvalorização. O problema de competitividade de nossas empresas acaba gerando um déficit em transações correntes que demanda muitos dólares para ser coberto. Com a elevação dos juros pelo Fed, a disponibilidade de recursos para financiar esse déficit será reduzida. Essa nova conjuntura de oferta e demanda acaba valorizando o dólar — explicou a economista do Santander.

MINÉRIO DE FERRO CAI AO MENOR NÍVEL DESDE 2009

Na Bolsa, pesaram rumores que que as próximas pesquisas eleitorais mostraram maior fôlego da presidente Dilma. As ações da Petrobras, as mais sensíveis ao clima eleitoral, caíram 1,41% (ON, R$ 18,82) e 1,93% (PN, R$ 19,84). O Banco do Brasil registrou queda bem maior que o restante dos bancos, recuando 3,60% (R$ 28,92). Executivos do banco temem que o Fundos Soberano do Brasil despeje no mercado mais de R$ 3,5 bilhões de ações do banco no mercado com o objetivo de ajudar a tapar as contas do governo este ano. O banco tenta convencer o governo de que isso precipitaria um derretimento instantâneo dos papéis do BB na Bolsa.

As ações da Vale abriram em forte queda, mas fecharam com recuo de 1,05% (ordinária, com direito a voto; R$ 27,35) e 0,61% (preferencial, sem voto, R$ 24,25). A mineradora vem sofrendo continuamente com a queda do preço do minério de ferro, seu principal produto, no mercado internacional. Hoje, a cotação do minério caiu ao seu menor nível em mais de cinco anos, com a tonelada custando US$ 78,60.

Em entrevista a agências de notícias na China, o diretor de marketing da Vale, Cláudio Alves, disse estar confiante de que a importação de minério pela China em 2015 vai aumentar ainda mais em relação ao recorde de 900 milhões de toneladas este ano. A desaceleração da economia chinesa é a principal responsável pelo barateamento do produto, já que os chineses são seus principais consumidores.

Tem influencia no cenário brasileiro a taxa de desemprego, que ficou praticamente estável em agosto, em 5%, nas seis principais regiões metropolitanas do país, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) divulgada nesta quinta-feira pelo IBGE. É a menor taxa para meses de agosto da série histórica, iniciada em março de 2002. Mas analistas esperavam número levemente menor, de 4,9%.

WALL STREET EM QUEDA COM JUROS, Rússia E IPHONE

Em Wall Street, as ações também caíram, com investidores especulando que dados melhores sobre o emprego faça o Fed elevar os juros antes do previsto, com o temor dos confiscos na Rússia e com o tombo das ações da Apple motivado por problemas no seu novo iPhone. A tendência se fortaleceu após a divulgação dos pedidos de seguro-desemprego, que somaram 293 mil na semana anterior, em vez dos 296 mil esperados por economistas. O índice Dow Jones caiu 1,54%, enquanto o S&P 500 teve recuo de 1,62%. O Nasdaq teve baixa de 1,94%.

oglobo.globo.com | 25-09-2014

RIO - Relatório divulgado nesta segunda-feira (22) pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) informa que os países que integram o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) colocaram a educação e a capacitação no centro de suas estratégias de desenvolvimento e têm impulsionado o progresso mundial na educação. O documento registra que os cinco países fizeram investimentos maciços em todos os níveis educacionais na busca de atender às necessidades de suas economias emergentes. Juntos, os integrantes do Brics ofertam educação para cerca de 40% da população mundial, segundo o relatório.

A publicação Brics: Construir a Educação para o Futuro buscou identificar os sucessos e desafios enfrentados pela educação nesses países e recomenda uma colaboração mais efetivas entre as cinco economias do bloco para acelerar o progresso na educação.

Apesar de reconhecer os avanços, o relatório indica que para alcançar o crescimento econômico equitativo e o desenvolvimento sustentável é preciso mais investimento na educação, com prioridade para a educação básica, superior e o desenvolvimento de habilidades. Alerta também para as disparidades entre as escolas que fazem com que as crianças mais pobres sofram mais com a baixa qualidade educacional.

Na educação básica, o relatório diz que Brasil, China, Índia e África do Sul devem alcançar a educação primária e secundária universal, reduzir as desigualdades na oferta e aumentar o rendimento escolar. “Os países também devem colocar maior ênfase na expansão de programas de boa qualidade em cuidados e educação na primeira infância”, registra.

Em relação a educação superior, aponta que a demanda por esse nível de ensino tem aumentado e os países do Brics devem expandir a oferta de educação superior e construir centros de excelência mundial em ensino e pesquisa.

Quanto ao desenvolvimento de habilidades, o relatório recomenda que sejam criados sistemas de desenvolvimento de habilidades complexas para que os países diversifiquem suas bases econômicas. Recomenda ainda a expansão e modernização da trajetória técnica e profissional do ensino secundário e superior e a expansão dos programas de formação que têm como alvos jovens e adultos carentes.

O relatório cita como positivas algumas iniciativas brasileiras e, entre elas o Plano Nacional de Educação, que estabelece objetivos de aprendizagem explícitos a médio e longo prazo, e diz que o país tem planos ambiciosos para desenvolver a formação técnica e educação profissional e tecnológica. Cita ainda como positivo o sistema de cotas para estudantes de escolas públicas nas universidades federais e a decisão do governo de destinar 75% dos royalties do petróleo para a educação.

Entre as sugestões de cooperação entre os países do Brics para aprimorar os avanços na educação estão a união de forças para melhorar a qualidade dos dados educacionais; o compartilhamento de experiências na criação e implementação de avaliações nacionais de desempenho de estudantes e gerenciar a rápida expansão do ensino superior.

oglobo.globo.com | 24-09-2014
Obama. Ao ganhar o Prêmio Nobel da Paz em 2009, presidente americano defendeu “um esforço para impedir a proliferação das armas nucleares e a busca por um mundo livre delas” - Jacquelyn Martin / AP

WASHINGTON — O presidente Barack Obama embarcou num amplo programa de revitalização do arsenal nuclear dos EUA que pode gerar gastos de até US$ 1 trilhão nos próximos 30 anos, segundo o jornal “The New York Times” — um legado contraditório para quem ao ganhar o Prêmio Nobel da Paz em 2009 defendeu “um esforço para impedir a proliferação das armas nucleares e a busca por um mundo livre delas”. Nunca se investiu tanto em armas nucleares nos EUA quanto neste ano, segundo o Centro James Martin para Estudos da Não proliferação.

Embora o arsenal de armas esteja diminuindo quantitativamente, as propostas do governo Obama visam a uma completa renovação dessas armas e das instalações militares onde elas são pesquisadas, produzidas, testadas e armazenadas. Segundo o “New York Times”, Obama indicou ao Pentágono que se prepare para um plano englobando 12 novos submarinos, cem bombardeiros e 400 mísseis, sejam eles novos ou reformados. Oito fábricas e laboratórios de desenvolvimento e produção de ogivas nucleares, empregando mais de 40 mil pessoas, já estão sendo modernizados. Os gastos da fabricação do arsenal, se aprovados, atingiriam seu ápice entre 2024 e 2029. E os custos totais da empreitada nuclear devem variar de US$ 900 bilhões a US$ 1,1 trilhão ao longo de três décadas. Os números são de um relatório do Centro James Martin, que avalia: “Somente agora os responsáveis pelas decisões começam a se dar conta do escopo desses custos”.

A ideia original do pacifista Obama era que uma renovação modesta do complexo nuclear aceleraria a reforma de armamentos, aumentaria a confiança no arsenal e abriria caminho para novos tratados que reduziriam significativamente o número de ogivas, diz o “New York Times”.

ACORDO COM RUSSOS E REPUBLICANOS

O presidente fez movimentos nessa direção. Um deles foi a assinatura do Novo Start, um acordo de redução das armas nucleares, com o então presidente russo, Dmitri Medvedev. O tratado restaurou inspeções e propôs reduções mútuas para 1.550 ogivas nucleares armadas, até 2018. O acordo foi considerado pouco ambicioso, porque o arsenal da Rússia já estava declinando e os EUA o alcançariam facilmente, já que possuíam cerca de 1.720. Mesmo assim, o acordo com os russos foi aprovado em 2010 no Congresso. E, para conseguir apoio, Obama fez um acordo com os republicanos e estabeleceu uma agenda nuclear pelas próximas décadas, prevendo a ampla renovação do arsenal do país.

O governo Obama está agora envolvido numa extensa renovação atômica e obtendo em troca apenas uma pequena redução de armas nucleares. Já são 21 grandes reformas nucleares aprovadas e 36 propostas, segundo o Escritório de Controladoria do Governo. Os defensores do controle de armas, bem como conselheiros mais próximos de Obama, se dizem decepcionados com o presidente, destaca o “New York Times”. O governo alega que a renovação é necessária para melhorar a eficácia do arsenal nuclear do país e continuar permitindo cortes em seu tamanho. Além disso, o arsenal dos EUA inibiria os aliados do país de buscarem armas atômicas, pois teriam a proteção americana caso fossem atacados.

NOVA CHANCE PARA O LEGADO

Mas não são só os pacifistas e favoráveis ao desarmamento nuclear completo que estão preocupados, aponta o jornal: relatórios do próprio governo indicam que o dinheiro do contribuinte americano está sendo mal gerenciado pelo empurrão nuclear modernizador de Obama. Um desses relatórios afirma que os gestores do complexo atômico americano omitem e subestimam os custos em bilhões de dólares, deixando o plano “com menos dinheiro do que será necessário”.

Esta expansão vem de um presidente que liderou campanha para um mundo livre de armas nucleares e fez do desarmamento um dos principais objetivos de sua política de defesa. Em 2009, Obama fez um de seus mais marcantes discursos, em Praga, na República Tcheca, em que vislumbrava um mundo sem armas nucleares.

— A barganha básica é clara: países com armas nucleares irão caminhar para o desarmamento, países sem armas nucleares não vão adquiri-las, e todos os países terão acesso à energia nuclear pacífica — disse Obama na época.

No mês passado, a Casa Branca afirmou que estava revendo planos de expansão nos investimentos nucleares, se antecipando à discussão sobre o Orçamento de 2016 que será feita no próximo ano.

— Este será o Orçamento do legado de Obama. É sua última chance para fazer as escolhas difíceis e prioritárias — disse uma autoridade do governo, sob anonimato.

Mas, analistas ouvidos pelo “New York Times” afirmam que as crescentes tensões dos EUA com a Rússia e a China, além do crescimento do arsenal do Paquistão, fazem com que um legado de desarmamento de Obama seja cada vez menos provável.

— É difícil de explicar — diz o ex-senador Sam Nunn, que influenciou o discurso desarmamentista de Obama. — A visão do presidente foi uma mudança significativa de direção. Mas o processo preservou o status quo.

oglobo.globo.com | 23-09-2014

CAIRNS - Líderes financeiros do G20 continuam empenhados em perseguir o crescimento global mais elevado, mas estão divididos sobre como alcançá-lo, com a Alemanha contrária aos pedidos dos Estados Unidos e de outros para mais estímulo imediatos.

Ao abrir um encontro de ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais das principais economias do mundo neste sábado, o ministro do Tesouro da Austrália, Joe Hockey, delineou uma ambiciosa agenda para impulsionar o crescimento global, deixar o sistema bancário mundial à prova de fogo e fechar brechas fiscais para grandes multinacionais.

"Temos a oportunidade de mudar o destino da economia global", disse Hockey, que em fevereiro lançou uma campanha para adicionar 2 pontos percentuais para o crescimento mundial em 2018 como parte da presidência da Austrália do G20.

Tal meta tem parecido cada vez mais distante, com membros da China ao Japão, Alemanha e Rússia tendo falhado nos últimos meses. Ainda essa semana, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduziu suas previsões de crescimento para a maioria das principais economias.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jack Lew, pediu para a zona euro e o Japão fazerem mais para incrementar a demanda e revitalizar a atividade, sinalizando que a Alemanha tem escopo para fazer muito mais, graças ao seu superávit comercial crescente.

Berlim não ficou feliz.

"Nós não vamos concordar com estímulos míopes", disse um representante alemão no G20, argumentando que na maioria dos países a dívida ainda era demasiadamente elevada para permitir o aumento dos gastos.

ZONA DO EURO

A Alemanha tem estado sob intensa pressão para permitir que a zona do euro alivie a austeridade fiscal para impulsionar sua economia por meio de mais gastos do governo ou cortes de impostos.

Mais de 900 propostas individuais de crescimento foram submetidas e analisados ​​pelas autoridades, disse o ministro das Finanças canadense, Joe Oliver, o co-chefe de um grupo de trabalho do G20 sobre o crescimento.

"Acreditamos que essas ações no total - e se implementadas, e que é fundamental - viriam muito perto de 2 por cento", disse ele à Reuters.

O ministro das Finanças francês Michel Sapin estava certamente colocar ênfase no estímulo de curto prazo.

"Eu quero repetir e repetir que a preocupação imediata com o curto prazo é muito evidenciada", disse, afirmando que era a sua mensagem aos seus colegas do G20.

"A preocupação imediata é realmente recuperar o crescimento, enquanto o crescimento global em 2014 ainda está deprimido."

oglobo.globo.com | 21-09-2014

RIO - Em busca de piedade. E tarde demais. Esta é a principal leitura de acionistas minoritários do grupo X sobre as primeiras declarações de Eike Batista após um ano de silêncio. O empresário afirmou ter hoje patrimônio líquido negativo de US$ 1 bilhão e reforçou que nunca ludibriou investidores. Ele ressaltou ainda que trabalha para a recuperação das companhias.

- Em nenhum momento, depois de um ano, Eike Batista fala em garantias a credores e minoritários - diz Aurélio Valporto, do conselho da Associação Nacional de Proteção aos Acionistas Minoritários.

Para o economista, Eike pareceu estar em busca de piedade da opinião pública, ao insistir na riqueza incontestável por trás dos projetos das empresas do grupo, afirmando que a derrocada foi puxada por uma fatalidade ocorrida na OGX (hoje OGPar, em recuperação judicial), a petroleira do grupo.

- Ele insiste que o mercado de petróleo, e também o de ações, é de alto risco. Ninguém está reclamando de prejuízo no mercado, mas de roubo. Perder no mercado é parte do jogo. Ser roubado, não - afirma.

Para o advogado Márcio Lobo, minoritário da OGX, Eike Batista decidiu falar tarde demais.

- Dizer que contratou mal e que, agora, botou todo o seu patrimônio nas mãos de credores não o isenta de responsabilidade. Sofrer as consequências dos próprios erros não o isenta de ter que ressarcir as pessoas e as empresas que lesou - argumenta.

Lobo representa grupos de acionistas que preparam novas ações contra o empresário. Eles já têm outras tramitando na Justiça. O advogado defende ainda que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM, xerife do mercado financeiro) é corresponsável pela proporção da crise nos negócios do grupo X.

- Eike diz que houve crise de confiança. Mas a verdade é que foi tudo uma aventura. O mercado não identificou que ele era um sonhador.

O advogado de Eike Batista, Sérgio Bermudes, afirma que o empresário não ignora a situação de minoritários e credores. E procura reparar prejuízos.

- Ele nunca negou a importância dos investidores e não disse que vai deixar de pagar - afirmou.

Eike segue acreditando em seus projetos. Ao GLOBO, afirmou estar certo de que a gestão da OGX não poderia ter sido diferente. Fez poucas ressalvas: "Deveria ter vendido participações, fechado o capital das companhias e ficado no mercado de private equity. É dinheiro privado que tem mais prazo, em que você aguenta o tranco numa queda gigante e tem chance de recuperar", disse o empresário.

Na defesa que apresenta, Eike chama atenção para o Porto do Açu, empreendimento sob o chapéu da Prumo (antiga LLX, de logística), em São João da Barra, no Norte Fluminense. Ele o classifica como o projeto com maior potencial para atrair investidores e gerar resultado para o grupo.

Outro destaque é o avanço do fundo Mubadala - um dos principais credores de Eike Batista, junto com os bancos Bradesco e Itaú - em participações em companhias do empresário. Trata-se de um processo de reestruturação do investimento do fundo nas empresas do grupo X.

O Mubadala Development Co é um fundo soberano de Abu Dhabi. Estabelecido em 2002, seus ativos financeiros somam US$ 223,8 bilhões, com uma carteira declarada de investimentos em 72 empresas dos mais diversos setores, segundo o serviço de informações financeiras da Bloomberg. Do total, 36 das companhias nas quais investiu estão baseadas nos Emirados Árabes, nove nos EUA e quatro na Rússia.

O fundo é presidido por Mohamed Bin Zayed al Nahyan, príncipe e vice-comandante supremo das Forças Armadas dos Emirados Árabes Unidos. O diretor executivo Khaldoon Khalifa al Mubarak é um empresário educado nos EUA, que acumula a presidência do time de futebol inglês Manchester City - comprado em 2008 pelo fundo de private equity Abu Dhabi United Group, também ligado à família real.

O mais novo ativo a chegar às mãos do parceiro árabe é a IMX. A empresa é uma joint-venture na área de esportes e entretenimento com a gigante estrangeira IMG. A IMX é sócia do Rock in Rio e do Cirque du Soleil na América do Sul, além de gerir arenas como o Maracanã.

Em outra frente de investimento, a AUX, empresa de mineração de ouro que detém direitos minerários na Colômbia, passou para o Mubadala e, este mês, foi vendida pelo fundo para um grupo de empresários do Qatar, por cerca de US$ 400 milhões, segundo Bermudes.

No início do mês passado, a MMX, mineradora do grupo, anunciou uma transferência de 10,52% de ações da empresa em nome de Eike para a Mubadala. Outra fatia do empresário na Prumo, de 10,44%, também ficará nas mãos do fundo.

O Mubadala e a trading Trafigura fizeram aporte de US$ 400 milhões no Porto do Sudeste, projeto da MMX, em Itaguaí. Com a operação, adquiriram 65% do negócio fechado em fevereiro.

oglobo.globo.com | 19-09-2014
As sanções adotadas pelo Ocidente contra a Rússia estão afetando a economia do país, reconheceu nesta quinta-feira o primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev.
atarde.uol.com.br | 18-09-2014
Produção no pré-sal já ultrapassa os 550 mil barris diários - / Divulgação/28-02-2014

RIO - A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, anunciou nesta quinta-feira, que de 2014 até 2018 serão investidos cerca de US$ 200 bilhões no desenvolvimento das reservas potencialmente estimadas existente no pré-sal que são da ordem de 40 bilhões de barris.

Na palestra de encerramento da Rio Oil & Gas, no Riocentro, Graça Foster fez uma apresentação eminentemente técnica falando dos resultados alcançados nos últimos pela petrobras e indústria nacional. Ela não mencionou em nenhum momento a atual onda de escândalos que atingem a estatal, e nem os empresários presentes, que contudo demonstraram seu apoio à executiva, com muitos aplausos e efusivos cumprimentos.

– Temos 40 bilhões de barris de óleo olhando para nós. Os recursos são conhecidos e impressionantemente altos – destacou Graça ao afirmar que essa estimativa de investimentos incluiem a Petrobras e seus parceiros.

O potencial de volume recuperável de petróleo a ser produzido no Brasil é da ordem de 106 bilhões de barris, segundo informou, nesta quinta-feira, o presidente da PPSA, estatal que vai gerir os contratos de Partilha no pré-sal, Oswaldo Pedrosa. Segundo ele, esse volume representa 88% do total de recursos recuperáveis, incluindo o potencial de reservas e volume já produzidos no total de 120 bilhões de barris.

Pedrosa destacou que esse é o maior índice entre alguns principais produtores, o que mostra o grande potencial de desenvolvimento da indústria petrolífera no país. Segundo ele, na Arábia Saudita, o potencial de reservas para produção é da ordem de 75%, enquanto que esse percentual nos Estados Unidos é de 50% e na Rússia, de 65%.

— Esse é um indicador de atratividade para a indústria petrolífera em qualquer lugar do mundo — destacou Pedrosa que participou nesta quinta-feira de almoço-palestra na Rio Oil & Gas, no Riocentro.

Segundo o executivo, o Brasil é reconhecido como líder mundial de descobertas de petróleo nos últimos dez anos, o que é um sinal claro da atratividade do pré-sal para o desenvolvimento do setor petrolíero a nível mundial.

Pedrosa disse que a produção no pré-sal no Brasil já supera os 550 mil barris diários. Ele lembrou que somente nos blocos que estão com a Petrobras no contrato de cessão onerosa e do excedente da cessão onerosa, as os números podem chegar a 27 bilhões de barris.

oglobo.globo.com | 18-09-2014
O autor do estudo, Saumil Parikh, previa taxas de expansão de 3% a 5% - Bloomberg/17-2-2011 / Jonathan Alcorn

SÃO PAULO - A gestora americana de recursos Pimco, uma das maiores do mundo, cortou suas projeções de crescimento para os países emergentes. No grupo composto por Brasil, Rússia, Índia e México - apelidado de BRIM - a expectativa é de uma expansão média da atividade econômica de 2% em 2015, abaixo da faixa de 3% a 5% registrada em anos anteriores.

Uma das razões para essa desaceleração é a dependência das economias emergentes em relação à China, cuja previsão de crescimento é de 6,5% para o ano que vem, ante os 7,5% que devem ser registrados em 2014.

Para Saumil Parikh, diretor da Pimco, as economias em desenvolvimento possuem uma forte vinculação com o que acontece no gigante asiático.

"Enquanto o México e a Índia estão menos vinculados à China e, recentemente, ambos mostram sinais de aceleração após mudanças políticas estruturais necessárias para o crescimento, o Brasil e a Rússia vão continuar a olhar para a China para atender à demanda externa", afirmou, em relatório.

O especialista lembra ainda que o grupo dos países do BRIM estão lutando para implementar certar políticas que possam ajudar a superar os obstáculos ao crescimento. Na avaliação de Parikh, a demanda externa para os países em desenvolvimento será afetada por uma economia americana mais competitiva e um baixo crescimento na zona do euro. No entanto, o principal problema para essas economias foi a opção tomada no período após a crise de 2008, uma vez que em que não se privilegiou as reformas estruturais.

"A parte mais importante do problema é que os países em desenvolvimento desperdiçaram o período pós-crise ao focarem mais em mudanças de políticas cíclicas em oposição a mudanças estruturais", disse.

Ainda de acordo com as perspectivas da gestora, a economia americana poderá atingir um crescimento entre 2,5% e 3% no próximo ano, com a contribuição da política monetária. No caso da zona do Europa, a expectativa é de um crescimento de 1%. A Pimco possui quase US$ 2 trilhões em ativos sob sua administração.

oglobo.globo.com | 17-09-2014

FLÓRIDA – A NASA anunciou nesta terça-feira o retorno das missões americanas no envio de astronautas ao espaço, mas agora com a ajuda de empresas privadas. A tradicional Boeing e a novata SpaceX vão dividir a responsabilidade em contratos que somam US$ 6,8 bilhões para a construção de aeronaves que servirão de veículo de transporte para a Estação Espacial Internacional, com os primeiros voos previstos para 2017.

“Hoje, com a escolha da Boeing e da SpaceX para serem as primeiras companhias americanas a lançar nossos astronautas para a Estação Espacial Internacional, a NASA monta o palco para o que promete ser o capítulo mais ambicioso e emocionante na história da exploração espacial”, diz a agência americana, em comunicado.

A Boeing ficou com a maior parte do contrato: US$ 4,2 bilhões para a espaçonave CST-100. Já a SpaceX (Space Exploration Technologies, fundada há pouco mais de dez anos pelo bilionário Elon Musk) terá US$ 2,6 bilhões para desenvolver a aeronave Dragon. Os lançamentos serão realizados no Kennedy Space Center, no complexo de Cabo Canaveral, na Flórida.

O anúncio põe fim à dependência americana em relação aos foguetes russos no lançamento de astronautas ao espaço. Desde julho de 2011, quando o ônibus espacial Atlantis retornou de sua última missão, que os EUA não lançam astronautas a partir do solo americano. Atualmente, a NASA paga US$ 70 milhões por pessoa para pegar carona nas cápsulas russas Soyuz.

URGÊNCIA POR CAUSA DA CRISE NA UCRÂNIA

Segundo a agência Reuters, o contrato ganhou urgência nos últimos meses por causa da escalada das tensões com a Rússia envolvendo a Ucrânia. Desde a aposentadoria dos ônibus espaciais a Rússia detém o monopólio do envio de astronautas para a Estação Espacial Internacional. A China, único país além de EUA e Rússia capaz de enviar homens ao espaço, não faz parte do consórcio de 15 países que mantem a estação.

Para solucionar o problema da falta de voos partindo de solo americano, a NASA criou em 2010 o Commercial Crew Program. Desde então, cerca de US$ 1,5 bilhão foram investidos em empresas privadas para o desenvolvimento de espaçonaves capazes de transportar, com segurança, astranautas ao espaço.

A CST-100 da Boeing faz parte do programa e já recebeu mais de US$ 100 milhões de investimentos da agência americana. A espaçonave vai acomodar até sete passageiros, ou uma combinação de carga e pessoas. Em 2012, a Dragon, da SpaceX, foi a primeira nave privada a entregar carga na Estação Espacial Internacional. Segundo a empresa, ela será adaptada para transportar pessoas.

oglobo.globo.com | 16-09-2014
Sergey Lavrov. Ministro russo das Relações Exteriores afirmou que Estados Unidos querem cortar laços econômicos da Europa com a Rússia, e declarou que a União Europeia está disposta a "sacrificar economia por política" - Ivan Sekretarev / AP

MOSCOU — O ministro russo da Relações Exteriores, Sergey Lavrov, acusou os Estados Unidos de quererem “cortar os laços econômicos” entre Moscou e a União Europeia, para obrigar os países do bloco a comprarem seu gás natural.

— Os Estados Unidos querem aproveitar a situação atual para cortar os laços econômico entre Europa e Rússia, para impor seu gás, muito mais caro, à Europa — afirmou Lavrov neste sábado, um dia após a entrada em vigor de novas sanções europeias contra a Rússia por sua participação no conflito no Leste da Ucrânia.

Segundo Lavrov, Washington quer “garantir as condições mais favoráveis de negociações para a criação de um acordo comercial transatlântico”, e “tenta impor à Europa o envio de gás liquefeito americano a preços que não podem competir com o gás russo”.

O ministro acusou também a União Europeia, afirmando que o bloco “está disposto a sacrificar sua economia pela política”, e destacou que Bruxelas decidiu preparar uma nova leva de sanções econômicas contra a Rússia no dia 5 de setembro, mesmo dia em que foi assinado um acordo de cessar-fogo para o Leste da Ucrânia, “graças, principalmente, à iniciativa do presidente russo, Vladimir Putin”.

oglobo.globo.com | 13-09-2014

O presidente Vladimir Putin até parece estar certo quando considera “um pouco estranho” que os EUA e a União Europeia ampliem as sanções econômicas à Rússia, como fizeram ontem, justo quando o cessar-fogo na Ucrânia completa uma semana. Mas apenas parece. As sanções se referem ao fato de Moscou dizer uma coisa e fazer outra, ou seja, continuar apoiando com tropas os separatistas que, a seu mando, combatem as forças ucranianas. O objetivo é forçar uma situação de fato em que a Ucrânia perca, ou tenha muito reduzida, a soberania sobre o Leste do país, a área mais industrializada do país. Putin chama a região de “Nova Rússia”, mantendo um expansionismo extemporâneo e perigoso para a Europa.

Os combates no Leste da Ucrânia, iniciados em abril após a anexação da Crimeia pela Rússia, já causaram a morte de pelo menos três mil pessoas, incluindo 298 passageiros de um jato comercial malaio abatido por engano. Forças russas, descaracterizadas, avançaram e tomaram importantes cidades da região, como Donetsk e Luhansk. Tropas ucranianas conseguiram reconquistar algumas áreas, em luta renhida. A situação na região é grave. Ontem, o Programa Mundial de Alimentos, da ONU, que costuma atuar na África, anunciou que começou a distribuir comida em abrigos de refugiados na área, algo impensável num país que, na era soviética, era considerado o celeiro da URSS.

A aproximação do Ocidente e a queda de um governo pró-Moscou em Kiev enfureceram Putin. Desde então, ele e seu governo mentem sem ruborizar quando insistem que o problema na Ucrânia é entre Kiev e os separatistas do Leste (a soldo de Moscou), e que a Rússia não fornece tropas ou armas aos chamados “rebeldes”. Mas a Otan informou que a Rússia ainda tem cerca de mil soldados fortemente armados no Leste ucraniano.

O Kremlin teve ontem uma vitória na luta para manter o país vizinho em sua órbita. Reunidos em Bruxelas, representantes da UE, da Ucrânia e da Rússia concordaram que o acordo comercial firmado entre os dois primeiros só começará a ser implementado em 2016. Kiev aposta numa nova relação comercial com a UE para tirar a economia ucraniana do poço em que se encontra. Mas terá de esperar. O presidente Petro Poroshenko, feliz pela primeira semana sem combates (e mortes) no país em vários meses, afirmou que o cessar-fogo parece estar se tornando mais sólido a cada dia. Evitou criticar Moscou e reiterou que deseja uma saída pacífica para a crise.

Agem certo os EUA e a UE ao expandir as sanções à Rússia. A crise ucraniana joga luz no caráter nada confiável do “czar” Putin. Limitar seu raio de ação e criar constrangimentos à economia russa parecem ser a única forma de fazê-lo engavetar seus sonhos expansionistas

oglobo.globo.com | 13-09-2014

BRASÍLIA - Os ministros de Finanças e presidentes de Bancos Centrais dos países do G-20 (grupo que reúne as 19 maiores economias do mundo e a União Europeia) se reunirão na próxima semana para discutir medidas que estimulem o crescimento global. Segundo técnicos do governo brasileiro, a ideia é que, juntas, essas ações adicionem 2 pontos percentuais ao Produto Interno Bruto (PIB) mundial nos próximos cinco anos. A reunião será realizada em Cairns, na Austrália, de 20 a 21 de setembro.

Segundo os técnicos da equipe econômica, cada país vai apresentar que medidas está adotando para ajudar a estimular a economia mundial. No caso do Brasil, os representantes do governo vão citar o programa de concessões na área de infraestrutura, o Pronatec, programa voltado para o aumento da qualificação da mão de obra no país, e incentivos para micro e pequenas empresas, como a reformação do Simples Nacional.

Representantes dos Brics na reunião do G-20 em 2013, na Rússia - Sergei Karpukhin / AP

O cálculo de quanto cada ação vai impactar o PIB mundial está sendo feito pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), pela Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômica (OCDE) e pelo Banco Mundial. Pelos cálculos do FMI, a economia global terá um crescimento de 3,4% em 2014 e de 4% em 2015.

Outro tema que deverá ser tratado no encontro será a situação da Argentina, que foi obrigada pela Justiça dos Estados Unidos a pagar imediatamente os credores que possuem bônus de sua dívida e que não aceitaram a proposta de reestruturação do país, conhecidos como fundos abutres. O governo argentino queria honrar primeiro o compromisso com os credores que aceitaram a reestruturação e que são maioria entre os detentores de bônus.

Segundo os técnicos do governo, o Brasil vai falar em favor da Argentina e lembrar que a decisão da Justiça americana pode acabar tendo impacto negativo sobre futuras reestruturações de dívidas de outros países:

_ O enfoque do Brasil será sobre o impacto sistêmico que os julgamentos que as cortes americanas têm sobre os contratos. Elas entendem que, se o país pagar a (dívida) renegociada, tem que pagar também a não renegociada. Mas quando um país quiser fazer isso (reestruturar sua dívida) no futuro, qual a disposição que os credores vão ter em renegociar se for vantajoso ficar com os títulos e não renegociar? _ explicou o técnico.

Outro tema que também será tratado na reunião do G-20 é a cooperação na área tributária. Os países do grupo assumiram um compromisso de fazer uma troca automática de informações para combater a sonegação fiscal e a lavagem de dinheiro. O problema é que cada lugar tem uma legislação específica que precisa ser adaptada para que isso seja colocado em prática. Assim, cada integrante do G-20 vai dizer quando terá condições de fazer a troca automática de informações. No caso do Brasil, a ideia é que tudo esteja pronto até 2018.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, não vão à reunião. Eles serão representados pelo secretário de Assuntos Internacionais da Fazenda, Carlos Cozendey, e pelo diretor de Assuntos Internacionais do BC, Luiz Awazu.

oglobo.globo.com | 12-09-2014

STEENOKKERZEEL (Bélgica) - Para Kurt Ryon, prefeito de Steenokkerzeel, um vilarejo a 16 quilômetros no Nordeste de Bruxelas, assistir a campanha da independência da Escócia na reta final antes do referendo, é como assistir a um bom jogo de futebol.

— Eles estavam perdendo no primeiro tempo e na metade do segundo — diz Ryon acrescentando. — Mas agora eles estão no 85º minutos e podem ganhar.

Ryon, um nativo flamengo que deseja que a sua região, os Flanders, se separe da Bélgica, está torcendo para que a Escócia faça o mesmo com o Reino Unido. E como qualquer fanático por futebol, ele tem até camiseta da pró-independência da Escócia, uma coleção de broches com o "sim" na sua jaqueta jeans, e grandes quantidades de uma cerveja especialmente fabricada por nacionalistas flamengos para expressar sua solidariedade. O rótulo diz: "Ja" ao lado de uma bandeira escocesa, flamengos para o sim.

Da Catalunha ao Curdistão, passando por Quebec, movimentos nacionalistas e separatistas na Europa observam o referendo de independência da Escócia de perto, as vezes mais dos que os próprios britânicos, que parecem ter acordado só agora para a possibilidade da Escócia votar na próxima quinta-feira e por fim a 307 anos de união.

No país Basco, uma comunidade autônoma no Norte da Espanha, o líder do partido nacionalista ficou conhecido por usar kilt (vestimenta típica dos homens escoceses) e brincar que os bascos preferiam ser parte de uma Escócia independente do que continuar a fazer parte da Espanha, que descartou a possibilidade de qualquer tipo de votação. Em Veneto, uma região do Norte da Itália, os nacionalistas realizaram um referendo on-line nos moldes do escocês, e agora afirmam que nove em cada 10 habitantes querem a autonomia.

Catalães, corsos, bretões e “finlandeses - suecos“, estão indo para a Escócia para acompanhar a votação. Até a Bavária (que se autodenomina a 7ª maior economia da Europa) está mandando uma delegação.

— Isso pode criar um precedente importante — diz Naif Bezwan da Mardin Artuklu Universidade no Curdistão da Turquia. Do outro lado da fronteira com o Iraque ("a fronteira curda-curda", como Mr. Bezwan se refere), uma confluência de guerra, disputas de petróleo e turbulência política renovou o debate sobre a secessão.

— Todos aqui estão de olho — diz Hemin Lihony, gerente de web da Rudaw, a maior empresa de mídia curda, baseada em Erbil, no Iraque.

DIVÓRCIO CONSENSUAL ENTRE NAÇÕES É RARO

A História oferece alguns exemplos de nações que se separam consensualmente. O divórcio entre os tchecos e os eslováquios em 1993 é um exemplo. O referendo de independência da Noruega da Suécia em 1905 outro. Mas, a maioria da nações fazem guerras para defender fronteiras.

Os Estados Unidos enfrentou uma guerra civil para defender a união do país. A Turquia brigou com os curdos nacionalistas por décadas. Kosovo declarou a independência da Sérvia só depois da guerra, em 1990.

O presidente Vladimir Putin da Rússia — que anexou a Crimeia depois de uma invasão e referendo não reconhecido pela comunidade internacional, e tem sido acusado de ajudar os rebeldes separatistas no Leste da Ucrânia — está apoiando a independência escocesa. Mas seu apego à causa é seletivo, já que nas repúblicas russas da Chechênia e do Daguestão, ele usou força selvagem para esmagar os separatistas muçulmanos.

Em alguns casos, o referendo escocês é combustível de novas esperanças, ainda que improvável, entre grupos marginais separatistas. Quando o presidente do Texas Movimento Nacionalista, Daniel Miller, foi convidado pela Universidade de Stirling, na Escócia, este ano, ele disse que os escoceses estavam abrindo o caminho para a independência do Texas. Em outras palavras, o voto está gerando debates com considerável importância geopolítica.

Em Taiwan, que a China reivindica como parte de seu território, mesmo que Taiwan seja efetivamente independente, com a sua própria moeda, militares e um governo democraticamente eleito, alguma esperança de um voto "sim" escocês poderia levar a uma deliberação mais cuidadosa sobre o futuro da ilha.

Mas é na Europa que se a Escócia votar “sim” provavelmente criará mais reações.

Seria a primeira vez que um Estado membro da União Europeia enfrentaria a secessão de uma região ansiosa para se tornar um membro de pleno direito. Se a Escócia conseguir negociar a sua própria participação no bloco, isso faria parecer a perspectiva da independência mais segura e atraente no resto da Europa, disse George Robertson, ex-secretário-geral da Otan.

— "Há um sério risco de efeito dominó — segundo Robertson, ele mesmo escocês e adversário da independência.

No escritório de Bruxelas da Aliança Livre Europeia, que agrupa 40 partidos que representam na Europa "nações sem Estado," um mapa mostra como a Europa seria se todos eles se tornassem independentes. François Alfonsi, o presidente da Aliança e um orgulhoso corso, admite que seria confuso, mas "a democracia é confusa e democracia é o que a Europa precisa.

Mark Demesmaeker, um flamengo membro do Parlamento Europeu, que decorou seu escritório com uma bandeira escocesa e mantém uma cópia do Livro Branco sobre a independência escocesa em sua mesa, fala que "Estados-nação falharam."

Na sua opinião, o Reino Unido deixou de dar aos escoceses e galeses uma representação adequada no Parlamento, e a Espanha falha ao não permitir que catalães e bascos tenham o seu próprio referendo.

Movimentos nacionais pró-europeus, como o seu próprio, a Nova Aliança Flamenga - agora o maior partido não apenas no Flandres, mas em toda a Bélgica - são o melhor antídoto contra a extrema-direita.

— Se Escócia votar “sim”, abrirá os olhos de muitas pessoas na rua — disse Demesmaeker acrescentando. A maioria das pessoas acha que é o nosso destino fazer parte da Bélgica. Mas Flanders poderia ser uma nação próspera. É uma evolução democrática que está acontecendo em diferentes países da União Europeia. Eventualmente nós queremos Flanders para tomar o seu lugar na União Europeia.

O referendo escocês ocorre poucos dias antes da confirmação do governo regional da Catalunha que está decidindo se fará uma votação para a sua própria independência no dia 9 de novembro, que há objeções jurídicas e políticas de Madri.

Alfred Bosch, um parlamentar catalão, disse que os seus homólogos na Escócia mostraram pouco interesse em ser associados aos eventos da Catalunha.

— Os escoceses provavelmente querem se distanciar de tudo o que eles veem como não tão maduro quanto o seu próprio processo. Eles não querem criar qualquer hostilidade com a Espanha ou outros países que também pode ter movimentos pró-independência, até porque os governos terão de reconhecer uma Escócia independente, e considerar a possibilidade de fazer parte da União Europeia — disse Bosh.

Seja qual for o resultado do referendo, muitos nacionalistas dizem que a Escócia já ganhou.

— Eles têm a oportunidade de decidir o seu próprio futuro", disse Andoni Ortuzar, o presidente do governante Partido Nacionalista Basco, que usava um kilt no carnaval de 2012 para comemorar o anúncio do referendo escocês naquele ano.

— Isso é o que a autodeterminação nacional é. Isso é tudo o que pedimos.

oglobo.globo.com | 12-09-2014

SIMFEROPOL — Problemas como transporte de passageiros e distribuição de água se acumulam na Crimeia, anexada pela Rússia em março. As dificuldade surgem no vazio jurídico entre uma legislação ucraniana e outra russa. O abastecimento dos supermercados é irregular, e as mercadorias são escassas. Especialmente os laticínios.

Apesar disso, Serguei Axionov, primeiro-ministro da Crimeia, afirma que em três anos o território estará completamente incorporado ao Estado russo.

— Até no máximo 2017 estaremos completamente incorporados ao regime legislativo da Federação Russa e, do ponto de vista econômico, ficaremos no nível das regiões médias da Rússia.

Axionov foi eleito para seu cargo no final de fevereiro em uma eleição considerada irregular por Kiev e com o parlamento ocupado por miliciais armadas pró-Russia. Antes, ele liderava um pequeno partido com três deputados em uma Câmara com 100 cadeiras. O funcionário, de 41 anos, nascido na Moldávia, estudou na academia político-militar de Simferopol antes de virar empresário nos anos noventa.

Mocou aprovou um plano de 14 bilhões de euros para o desenvolvimento da Crimeia e de Simferopol. Axionov é, junto com o governo de Sebastopol, um dos encarregados de distribuir esses fundos.

A Crimeia depende da água da Ucrânia para 80% de seu abastecimento. Agora, a água do rio Dnieper não flui pelo canal Severo-Krymski. As colheitas de arroz foram arruinadas e Axionov aposta em uma “reorientação de cultivos”, para o girassol ou o trigo e considera trazer água da Rússia, além de estar buscando água no subsolo. Ele também pensa na instalação de plantas desalinizadoras.

— Por enquanto não há ameaça de falta de água potável — diz.

Já a eletricidade sofre cortes nas duas linhas de alta tensão vindas da Ucrânia, deixando a região sem luz por até seis horas por dias. Axionov diz que tanto o corte de água quanto o de eletricidade se devem a motivos políticos e que é mentira que a Crimeia não paga a conta de água.

Navios garantem a comunicação com a Rússia pelo estreito de Kerch. Clima e geografia dificultam a construção de uma ponte. Axionov afirma que a “principal artéria de transporte” da Crimeia pode estar pronta até o fim de 2018.

— Não decidimos se será uma ponte ou um túnel. Há 50 projetos para a ponte e 20 projetos para o túnel.

Na Crimeia está sendo criada uma zona econômica para captar investimentos e fomentar o desenvolvimento de novas empresas. Axionov acredita que pode trazer empresários estrangeiros apesar das sanções e menciona uma empresa francesa para construir um parque de diversões.

— Agora virão os ingleses, chineses, holandeses, portugueses, indianos — disse, embora reconheça que nada tenha sido assinado até agora, nem mesmo com os chineses que fizeram acordos com o ex-presidente Viktor Yanukovich. — Ninguém investiu porque não começamos a formalizar o direito à propriedade imobiliária.

Após a anexação, as autoridades da Crimeia nacionalizaram propriedades controladas pelo Estado ucraniano. Axionov afirma que os proprietários privados podem registrá-las de acordo com a legislação russa, com exceção de Igor Kolomoisky, governador de Dniepropetrovsk — que teve suas propriedades confiscadas para pagar os mais de cem mil correntistas da Crimeia que tinham contas no Privatbank, banco do oligarca.

— Kolomoiski é o único caso e não vamos compensá-lo porque enganou os poupadores. Privatbank não pagou um centavo para eles e levou todo o dinheiro para Ucrânia, e o usou para pagar os soldados dos batalhões de punição que atuam no Leste — disse.

Axionov diz que, na Crimeia, segue funcionando a empresa de construção naval Sevmorzavod de Sebastopol, cujo principal proprietário é o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko.

A Rússia proibiu a importação de bens de consumo da Ucrânia, mas a “Crimeia é uma exceção”, diz Axionov, que afirma que as autoridades da península permitem que “contratos já firmados sejam cumpridos”.

Entre agosto e o começo de setembro, durante as noites, colunas militares russas entraram na Crimeia como parte do que Rússia classifica de incremento de seus efetivos na península. Ao ser perguntado sobre se a Crimeia voltará a ter armas nucleares, Axionov responde que “dependerá de como decida o presidente”.

oglobo.globo.com | 10-09-2014

BUENOS AIRES E RIO - As Nações Unidas aprovaram na tarde desta terça-feira a proposta encabeçada pela Argentina para criar um marco legal para a reestruturação das dívidas dos países. A proposta, que foi apoiada pelo chamado G77 (que reúne países emergentes) e pela China, contou com o voto favorável de 124 países, contra 11 votos negativos e 41 abstenções. A proposta do marco jurídico foi apresentada pela Casa Rosada em entre os pontos principais, o texto prevê que, caso uma reestruturação de dívida seja aprovada por 66% dos credores, os outros 33% são obrigados a aceitar os termos. Isso impediria ações como a efetuada pelos “abutres”, que representam menos de 10% dos credores da Argentina, não aceitaram a reestruturação da moratória de 2002 e hoje cobram na Justiça o pagamento de US$ 1,5 bilhão.

Segundo o jornal “La Nación”, a votação na Assembleia da ONU, em Nova York, mostrou a divisão dos países: a Rússia votou a favor da proposta argentina, enquanto que o Japão e os Estados Unidos votaram conta. A decisão de ir à ONU foi anunciada pelo governo argentino em meados de agosto, uma semana após o país ter recorrido à Corte de Haia para protestar contra a ação dos fundos litigantes. O tribunal internacional, no entanto, se negou a tomar qualquer medida, informando que só poderia agir se e quando o governo dos EUA aceitasse a jurisdição da corte.

Os países em desenvolvimento chegaram a certo consenso em relação à necessidade de regulamentar melhor a ação dos fundos de hedge sobre as economias soberanas, cujos papéis chegam a US$ 75 bilhões em todo o mundo. Em julho, um artigo do “New York Times” chegou a questionar a extensão do poder dessas companhias. No entanto, a ideia encontra resistência em parte dos países desenvolvidos, que querem que o Fundo Monetário Internacional (FMI) continue a conduzir as reestruturações de dívidas.

Ainda nesta terça-feira, em Buenos Aires, Axel Kicillof, ministro argentino da economia, disse que os fundos “abutres” têm “um plano para atracar a Argentina” e disse que querem obter lucros de 1.600% sobre o valor que compraram os papéis.

oglobo.globo.com | 09-09-2014
"Os Estados Unidos estão finalizando medidas para aprofundar e ampliar nossas sanções aos setores de finanças, energia e defesa da Rússia", disse porta-voz do Departamento de Defesa






A chanceler alemã, Angela Merkel, cumprimenta o presidente do Conselho da União Europeia, Herman Van Rompuy, na cúpula da Otan. - LEON NEAL / AFP

BRUXELAS — A União Europeia aprovou novas sanções contra a Rússia pelo seu envolvimento na guerra da Ucrânia, nesta segunda-feira, mas adiou a aplicação delas para que haja tempo de avaliar se o cessar-fogo na Ucrânia será mantido.

As sanções, que têm como alvo a capacidade dos maiores produtores de petróleo da Rússia de levantar capital na Europa, entrariam em vigor na terça-feira, mas foram postergadas depois de alguns governantes membros da União Europeia sugerirem que se dê uma chance ao cessar-fogo no Leste da Ucrânia.

Alguns países-membros que se opõem a mais punição a Moscou veem o cessar-fogo, que foi declarado na sexta-feira e permanece intacto nesta segunda-feira, como uma oportunidade para bloquear o novo pacote de sanções da União Europeia e evitar a retaliação da Rússia, disseram alguns diplomatas.

“A entrada em vigor (das novas sanções), através da publicação no Diário Oficial, terá lugar nos próximos dias. Isso dará tempo para avaliar a implementação do acordo de cessar-fogo e do plano de paz”, disse o presidente do Conselho da União Europeia, Herman Van Rompuy, em comunicado.

— Dependendo da situação na região, a União Europeia está disposta a rever as sanções acordadas no todo ou em parte — afirmou, após embaixadores da União Europeia realizarem uma reunião extraordinária para discutir o assunto.

Um diplomata europeu disse que não há clareza sobre quando as novas sanções teriam efeito. O assunto deve ser discutido pelos embaixadores na quarta-feira. Insinuando desunião na União Europeia, o diplomata disse que seria necessário apoio “político” para que as sanções tenham efeito, o que sugere que os embaixadores teriam que levar o problema para um nível mais elevado de seus governos.

A data limite para os governos da União Europeia concordarem com as novas sanções já havia sido adiada.

DIVISÕES

A União Europeia sempre se dividiu em relação às sanções contra a Rússia, com países como a Polônia e os países bálticos, fazendo a linha dura, enquanto os primeiros-ministros da Hungria e Eslováquia foram publicamente hostis às sanções.

Na reunião de segunda-feira dos embaixadores, alguns governantes da União Europeia queriam discutir se as novas sanções devem ser congeladas antes de sua aplicação por causa do cessar-fogo na Ucrânia, ou, em alternativa, caso sejam implementadas as novas sanções, como elas poderiam ser suspensas e quando.

A União Europeia sempre afirmou que suas sanções seriam reversíveis se a Rússia parasse de desestabilizar a Ucrânia. Moscou anexou a região da Crimeia, da Ucrânia, em março e, de acordo com a Otan, a Rússia chegou a enviar milhares de soldados para ajudar os separatistas pró-Rússia na parte leste do país.

Áustria, Finlândia, Suécia, Chipre e Eslováquia estão entre os países que querem dar ao cessar-fogo mais tempo, de acordo com um diplomata da União Europeia.

O cessar-fogo na Ucrânia é parte de um plano de paz destinado a acabar com um conflito de cinco meses que, de acordo com o enviado de direitos humanos da ONU, matou mais de 3.000 pessoas. A trégua foi amplamente mantida nesta segunda-feira, apesar de cada lado ter acusado o outro de bombardeios esporádicos, inclusive em Mariupol, uma cidade de cerca de meio milhão de pessoas.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse aos membros conservadores do parlamento, em uma reunião a portas fechadas realizada nesta segunda-feira, em Berlim, que as sanções eram necessárias apesar do acordo de cessar-fogo, de acordo com participantes.

Merkel disse aos deputados que a Rússia já havia enganado o Ocidente repetidamente com promessas não cumpridas e ressaltou que as tropas russas ainda estão na Ucrânia, disseram as fontes. "A União Europeia deveria agir de forma decisiva agora", teria dito a chanceler.

As propostas de novas sanções da União Europeia colocaram os principais produtores de petróleo da Rússia e os operadores de dutos Rosneft, Transneft e Gazprom Neft em uma lista de empresas estatais russas de que não serão autorizadas a levantar capital ou pedir emprestado nos mercados europeus, disse um diplomata da União Europeia.

GAZPROM EXCLUÍDA

As sanções da União Europeia, no entanto, não incluem o setor de gás e, em particular, a propriedade estatal Gazprom, maior produtora de gás do mundo e maior fornecedora de gás para a Europa.

Em geral, as sanções sobre as empresas russas que lucram na União Europeia serão aplicáveis ​​a empresas que têm faturamento superior a um trilhão de rublos (US$ 26,95 bilhões), metade dos quais é gerada a partir da venda ou transporte de petróleo, disse o diplomata.

Mais 24 pessoas serão adicionadas a uma lista de pessoas proibidas de entrar para o bloco e cujos bens na União Europeia estão congelados.

Os detalhes das novas sanções só serão públicos quando constarem no Diário Oficial da União Europeia.

A lista deve incluir novos líderes separatistas no Leste da Ucrânia, o governo da região da Crimeia, anexada por Moscou, e os decisores russos e oligarcas.

Rússia sinalizou, nesta segunda-feira, que poderia proibir as companhias aéreas ocidentais de voar sobre o seu território como parte de uma resposta “assimétrica” ​​às novas sanções da União Europeia sobre a crise na Ucrânia.

Culpando o Ocidente por prejudicar a economia russa e desencadear sanções “estúpidas”, disse o primeiro-ministro Dmitry Medvedev, Moscou pressionaria com medidas para reduzir a dependência das importações, começando com o aumento da produção de aeronaves nacionais.

oglobo.globo.com | 09-09-2014

BRASÍLIA — Rebatendo a candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, a presidente Dilma Rousseff defendeu, nesta segunda-feira, a importância das transações comerciais com o Mercosul; disse que o Brasil tem responsabilidade com a América Latina por ser a maior economia da região; e afirmou que ninguém vai fazer política externa "com base em ideologia".

Em entrevista coletiva no Palácio da Alvorada, a presidente afirmou que o mercado internacional encolheu, o que cria dificuldades para as exportações, e que os Estados Unidos estão fazendo uma política protecionista. Nesse contexto, ela ressaltou a suposta importância do Mercosul:

— Por que é importante o Mercosul, apesar de ter gente achando que Mercosul e América Latina é uma questão ideológica? Porque 80% das exportações que fazemos para a América Latina são de manufaturas, é valor agregado. Acabar com o Mercosul é dar um tiro no pé.

Em seu programa de governo, Marina propõe priorizar a assinatura de acordos bilaterais, em vez do Mercosul. "Como hoje 40% do comércio mundial de alimentos se dá no âmbito de acordos bilaterais, é imperioso que o Brasil firme acordos dessa natureza com países importantes ou grupos de países como a União Europeia, independentemente do Mercosul", diz trecho do documento do PSB.

Dilma afirmou que o Brasil tem responsabilidade com a América Latina e disse que "temos sorte", porque todos os países da região são democracias:

— Somos a maior economia da América Latina, somos importante na região, temos que ter responsabilidade. Temos que perceber o tamanho desse mercado. Todos são democracias, temos essa sorte.

Ao dizer que pretende ampliar as relações com a China e a Rússia, Dilma afirmou que ninguém vai fazer política externa "com base em ideologia":

— Ninguém vai fazer política externa com base em ideologia. Eu não posso sentar com nenhum país e colocar na pauta só duas coisas que me separam deles. Exemplo: não posso sentar nos Estados Unidos e falar só de Guantánamo. Também não posso sentar com a China e falar só de direitos humanos, porque ou vamos ter uma política de direitos humanos clara, que não se use ideologicamente para dividir de um lado ou de outro... Defendo em todos os fóruns multilaterais posição que direitos humanos não é negociável.

oglobo.globo.com | 09-09-2014

NOVA YORK — O progresso do conflito no Leste da Ucrânia é totalmente previsível. Desde que a rebelião começou com o apoio da Rússia, há cinco meses, era óbvio que o Kremlin não permitiria que os rebeldes fossem esmagados pela força. O presidente Vladimir Putin investiu tão profundamente em sua estratégia ucraniana, e na imagem da força russa, que para garantir uma vitória militar ucraniana ameaçaria a estabilidade e até mesmo a existência de seu próprio regime.

Como muitos observadores têm escrito desde o início do conflito, nunca houve uma chance de que o governo ucraniano ganhasse militarmente. A Rússia tem demonstrado uma capacidade de enviar, de qualquer maneira levemente disfarçada, todas as forças que forem necessárias para levar o Exército ucraniano a uma completa paralisação. Para o Ocidente, encorajar Kiev a buscar uma vitória militar — como seus governos parecem estar fazendo — só poderia levar a uma derrota inevitável. Se for confirmado, os relatados movimentos ucranianos em direção a um acordo com Moscou sobre um cessar-fogo com os rebeldes são um passo lógico.

Até porque, mesmo que o Ocidente fornecesse ajuda militar suficiente a Kiev para dar uma chance real de esmagar os rebeldes, também criaria uma chance real de uma invasão russa em larga escala. Tal invasão só poderia ser interrompida pela introdução de um Exército ocidental — algo que não é simplesmente uma possibilidade. A invasão russa seria um desastre tanto para a Ucrânia quanto para a Rússia — e uma humilhação desastroso para a Otan e o Ocidente.

A dureza da posição da Rússia não é resultado somente de cálculos de Putin. Também deve-se ao fato de que um grande número de russos comuns, incluindo aqueles que são, basicamente, pró-Ocidente e anti-Putin, consideram o apoio americano para a derrubada de um governo democraticamente eleito (ainda que repugnante) no inverno passado como absolutamente ultrajante e uma ameaça para os interesses russos vitais. A popularidade de Putin subiu como resultado de sua posição em relação à Ucrânia, e não mostra sinais de declínio. Como Thomas Graham da Kissinger Associates tem escrito, a Rússia se preocupa com o que acontece na Ucrânia muito mais do que o Ocidente faz — por razões que devem ser óbvias para quem já passou 10 minutos estudando a história da Rússia e da Ucrânia.

Ao mesmo tempo, o Kremlin continua a ser relativamente cauteloso — se não fosse assim, o Exército russo estaria em Kharkiv e Odessa agora. Moscou não fez nada depois da repressão aos manifestantes pró-russos em outras partes do Leste e Sul da Ucrânia (incluindo a morte de mais de 40 em Odessa) e aceitou o controle dessas áreas por Kiev.

Moscou também aceita como legítima a eleição de Petro Poroshenko como presidente, abandonando o seu apoio ao ex-presidente Viktor Yanukovich. Deve-se reconhecer, portanto, que na busca de controle da Crimeia e na influência informal decisiva sobre a região de Donetsk, o Kremlin tem escalado drasticamente suas esperanças de onde estavam há um ano, quando Moscou queria trazer toda a Ucrânia para um bloco dominado pela Rússia, e até mesmo de sua primeira resposta à revolta em Kiev. Isso permite a possibilidade de uma solução política, o que só pode ser constituída por um estatuto de autonomia especial para a região de Donetsk dentro Ucrânia.

O Ocidente deve aproveitar todos os esforços de cessar-fogo para elaborar e fortemente defender esta solução, e deve, então, negociar os termos precisos com Kiev e Moscou. Legal e moralmente, não pode haver objeção ocidental para isso. Em outro ex-território soviético, Nagorno-Karabakh, o Ocidente foi mais longe e propôs a forma de confederação com o Azerbaijão. Esta solução corresponde à história e realidade local; Donetsk é de fato uma região com a sua própria cultura e tradições.

Para separar a região desta forma, enquanto preserva o princípio da integridade territorial da Ucrânia, é preciso permitir que o Ocidente ajude no desenvolvimento e consolidação do resto da Ucrânia, sem constantes perturbações no Oriente. Isso abriria a possibilidade da Ucrânia aderir à União Europeia; e se as pessoas da região nesse ponto escolhessem se separar e perder os benefícios da adesão à União Europeia, bem, pior para eles.

Uma objeção levantada a esta solução tem sido a de que, a curto prazo, daria à região de Donetsk um veto sobre a adesão à Otan da Ucrânia. Mas como a Otan, obviamente, não tem qualquer intenção de lutar para defender a Ucrânia, oferecer a adesão na aliança seria moralmente e geopoliticamente criminal.

A escolha de hoje não é entre a Ucrânia unida totalmente no campo ocidental, ou a Ucrânia que perdeu parte do seu território para a Rússia. Como recentes desenvolvimentos militares têm demonstrado, o primeiro resultado simplesmente não vai acontecer. A escolha é entre a Ucrânia com uma região autônoma, Donetsk, juntamente com uma chance real de desenvolvimento da democracia e da economia do país em uma direção ocidental, ou a Ucrânia que será mergulhada em um conflito que irá minar todas as esperanças de progresso. O caminho para sair deste desastre é óbvio, se os governos ocidentais tiveram o coragem para tomá-lo.

Anatol Lieven é professor de Relações Exteriores do Qatar na Universidade de Georgetown do Qatar, e autor de “Ucrânia e Rússia.: A Rivalidade Fraterna”.

oglobo.globo.com | 04-09-2014
Secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen e primeiro-ministro britânico, David Cameron. Otan reavalia papel estratégico em reunião no País de Gales - LEON NEAL / AFP

A disposição da Rússia de anexar a península da Crimeia e fomentar separatistas no Leste da Ucrânia revigorou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar de 28 países que, aos 65 anos, vem de período de esvaziamento desde a queda do Muro de Berlim e realiza a mais importante reunião de cúpula em uma década. Porém, a sede de confronto do presidente russo, Vladimir Putin, torna imperativas a resolução de divergências internas e a redefinição do papel estratégico, diante da ameaça à estabilidade da Europa, dizem analistas.

Segundo Stewart Patrick, diretor do Programa de Instituições Internacionais e Governança Global do americano Council on Foreign Relations, a crise ucraniana prova que a Otan continua sendo um investimento desejável dos países do Ocidente. Mas seus membros estão divididos em relação à ameaça que Moscou representa, à força da reação à presença russa no Leste da Ucrânia e ao volume de investimentos militares necessários para conter Putin.

— A Otan continua sendo uma expressão simbólica da solidariedade Ocidental, particularmente relevante em momentos como este. Mas, para ser efetiva, não pode apenas reassegurar seus integrantes, com a força especial de resposta rápida de 4 mil homens e treinamento dos aliados. Isso não será suficiente para conter Moscou. É preciso enviar aparato militar e conselheiros a Kiev, e treinar militarmente as forças ucranianas — avalia Patrick.

Pelo artigo 5 do Tratado do Atlântico Norte, os países se obrigam a defender os aliados em caso de agressão. O conflito na Ucrânia, que não é membro da Otan, é entre Kiev e separatistas. E Moscou não invadiu reconhecidamente o país. A mudança na natureza das guerras, e portanto da ameaça à segurança europeia, clama por uma atualização desta visão, diz Michael McFaul, ex-embaixador dos EUA na Rússia e cientista político de Stanford:

— Não dá para entender que a Rússia pode agir dentro da Ucrânia, mas a Otan violaria regra internacional se socorrer Kiev. Putin precisa ser coagido.

Professor de geopolítica da ICN Business School, em Nancy, França, o russo Alexandre Melnik concorda:

— Putin se sente liberado, acha que pode avançar sem barreiras. Ele tem mentalidade do século 19. Só a ameaça de uma força (Otan) pode conter sua força. Não se trata de desencadear uma guerra, mas de ser firme. É preciso mostrar à Rússia que há determinação ocidental.

Enquanto o Leste Europeu e os países bálticos fronteiriços à Rússia pressionam por aumento da presença militar e resposta mais dura da Otan, com apoio dos EUA, nações da Europa Ocidental como Alemanha, França e Itália estão céticas. Se preocupam com a possibilidade real de a Rússia reagir com a intensificação do conflito na Ucrânia, tornando quase impossível uma solução pacífica no curto prazo.

— As provas até agora apresentadas pela Ucrânia não são muito convincentes no plano técnico, em particular. Devemos ser prudentes. Não é do nosso interesse, num momento de crise econômica que atinge toda a Europa, integrar (no bloco europeu) uma Ucrânia que é um país problema — afirma o general francês Jean-Vincent Brisset, diretor de pesquisas do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (Iris), em Paris.

Ex-representante dos EUA na Otan, presidente do Conselho de Assuntos Globais de Chicago, Ivo Daalder rejeita a noção de que uma ação mais contundente vai irritar Putin, com consequências mais graves para a região:

—Putin já se sente provocado o suficiente, o tempo todo. A escalada do conflito é muito possível independentemente da resposta. Putin tem um projeto de poder real. Ele queria a Crimeia, assim como quer Kiev. Ele foi para o confronto por isso, não porque havia ameaça real da Otan, após a adesão de novos países.

Uma questão que deve ser tratada pelos membros é o orçamento militar que sustenta a aliança. O alvo individual de 2% do PIB existente há mais de uma década é descumprido por 21 dos 28 aliados e os EUA, que desembolsam 3,8% do PIB, bancam mais de 75% das despesas do bloco.

— Isso é importante não apenas para fazer frente à crise ucraniana, mas para redefinições estratégicas do papel global da organização. Após integrar as forças internacionais no Afeganistão e a ofensiva na Líbia que depôs Muahamar Kadafi, a Otan precisa lidar com os desafios do século 21, como os representados pelo sectarismo religioso do Estado Islâmico, células terroristas no Norte da África, pirataria na costa africana, operações de contra insurgência e ataques cibernéticos — diz Patrick. A revisão do artigo 5 também é relevante para incorporar estes temas, avalia Daalder.

— A Otan tem que mudar completamente seu software — resume Melnik.

oglobo.globo.com | 04-09-2014

Continua a safra de notícias negativas sobre a economia brasileira, com a divulgação de mais um Relatório de Competitividade Global, do Fórum Econômico Mundial. Somando-se as diversas fragilidades acumuladas pelo país, não poderia ser outro o resultado: num ranking de 144 economias, a brasileira caiu de 56º para 57º lugar, cedendo a posição à África do Sul. Outros países em situação melhor que o Brasil são, por exemplo, Bulgária (54º), Costa Rica (51º) e Panamá (48º).

No âmbito do Brics, além da África do Sul, também China (28º) e Rússia (52º) são mais competitivos no mundo. Quer dizer, o Brasil, apesar contribuir com a primeira letra para o acrônimo Brics, está na lanterna no ranking do grupo.

O resultado é coerente com o “Doing Business", conhecido levantamento sobre o ambiente de negócios, feito pelo Banco Mundial (Bird). O Brasil também não se sai bem nesta foto. Na pesquisa deste ano, em 189 países, o Brasil aparece no modesto 116º posto.

O Bird acompanha uma dezena de itens relacionados ao cotidiano das empresas: burocracia para a abertura e fechamento de firmas, encargos trabalhistas, registro de propriedade, pagamento de impostos, segurança jurídica, e por aí vai.

Quem já precisou de algo em uma repartição pública sabe do que se trata. Para as empresas, é pior, pois o relacionamento com a burocracia é diário.

Eis por que é importante o Simples, pelo qual reduzem-se impostos para empresas de pequeno porte e simplifica-se o recolhimento dos gravames. Pena que este não seja o padrão geral.

Além da elevada carga tributária em si — 37% do PIB —, em geral, manter-se em dia com os diversos tributos e taxas federais, estaduais e municipais consome, segundo o Banco Mundial, 2.600 horas anuais de trabalho. Elas fazem parte do custo Brasil.

A indiscutível baixa capacidade de competição brasileira vem da falta de empenho em áreas específicas. Uma delas, os investimentos em infraestrutura, em que só na parte final do governo Dilma começou a ser superado o preconceito contra a iniciativa privada, essencial para a execução de projetos a tempo e a hora. Outro erro: pouca consideração com as chamadas “microrreformas”, aquelas voltadas à desburocratização e simplificação de rotinas no seu sentido mais amplo.

Chega em bom momento a pesquisa do Fórum Mundial, quando a campanha para o primeiro turno das eleições presidenciais ganha velocidade. Para desobstruir os caminhos em praticamente todos os itens avaliados nesta e outras pesquisas, a ação do Estado é básica. Muita coisa, portanto, pode vir a ser resolvida, ou não, a depender de quem subirá a rampa do Planalto dia 1º de janeiro.

oglobo.globo.com | 04-09-2014

Vladimir Putin mantém alta sua popularidade na Rússia com jogadas nacionalistas para a plateia. O objetivo é recriar o antigo poderio da União Soviética e o velho esplendor czarista. Boa parte de sua política externa se baseia no fato de a Rússia ser ainda uma potência nuclear.

A estratégia para a Ucrânia do enxadrista e antigo espião, que manda na Rússia desde 1999, se baseia na desfaçatez. Ela é calculadamente errática para surpreender. O que é relativamente fácil diante de um país enfraquecido, com a economia em frangalhos, e ameaçado de perder mais território para a Rússia, depois da Crimeia.

Apoiadores da Ucrânia, EUA e a União Europeia mal disfarçam a dificuldade de frear o “czar”. De todo modo, sanções foram aplicadas e causam problemas à Rússia.

Putin reagiu com fúria a acontecimentos que aproximaram a Ucrânia da UE — Moscou considera o país parte de seu espaço vital. Com isto, criou uma das maiores crises na Europa desde o fim da Guerra Fria.

Segundo a BBC, mais de 2.600 civis e combatentes morreram e mais de um milhão de pessoas foram deslocadas de suas casas desde o início do conflito, em abril.

Embora o Kremlin negue sempre participação direta na ocupação das regiões Leste e Sul do país, onde operam “rebeldes” pró-Moscou, a cada dia novos fatos comprovam o oposto. Em carta aos “rebeldes”, o presidente russo ressuscitou o termo Novorossiya, ou Nova Rússia, termo usado na era czarista para se referir ao Leste e Sul da Ucrânia, onde a população fala russo (e não ucraniano, como no Oeste) e tem mais afinidade com Moscou do que com Kiev.

Na terça, ele infiltrou, numa conversa com Durão Barroso, da Comissão Europeia, a frase: “Se quiser, tomo Kiev em duas semanas”. Ontem, o anúncio de um cessar-fogo pelo presidente ucraniano Petro Poroshenko, depois de conversa telefônica com Putin, virou grande confusão. Logo, um porta-voz do Kremlin diria que não havia cessar-fogo porque a Rússia não era parte no conflito. Cinismo.

Pouco depois, Putin divulgaria os sete pontos para um acordo, a maioria favorável à sua postura de manter presença na Ucrânia.

Os próximos dias serão agitados nessa frente. Hoje, os líderes da Otan, presidente Barack Obama incluído, se reúnem no País de Gales, com a Ucrânia no topo da agenda.

A Aliança Atlântica deverá anunciar a criação de uma força de reação rápida para defender seus membros na Europa Oriental — a Ucrânia não é da Otan, mas tem muita vontade de entrar. Putin disse esperar um acordo num encontro amanhã em Minsk, Bielo-Rússia, entre Poroshenko e líderes separatistas (apoiados pela Rússia).

Putin está na fase de demonstrar “cooperação”. Pode até ser. Mas, a julgar pelos antecedentes, toda a cautela é necessária.

oglobo.globo.com | 04-09-2014

SÃO PAULO - Mesmo com a manutenção da Selic em 11% ao ano, o Brasil se mantém como o país que tem a maior taxa de juro real entre quarenta pesquisados. O ranking foi elaborado pelo economista Jason Vieira, da consultoria Moneyou, e leva em conta a expectativa de inflação futura para os próximos 12 meses. Em julho, quando o Copom também manteve a Selic em 11%, o Brasil já ocupava a primeira posição nesse ranking.

De acordo com o levantamento, a taxa de juro real no Brasil é de 4,48%, seguida pela China (com taxa de 3,41%), Índia (2,27%) e Rússia (1,98%). Em quinto lugar aparece a Hungria, com juros reais de 1,79%, seguida pela Colômbia, com 1,55%.

— O interessante é que o ranking mostrou os países do Bric (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China) nas quatro primeiras posições, com o Brasil liderando. A expectativa de inflação futura para Rússia e Índia, considerando os próximos 12 meses, é semelhante a do Brasil. A da Rússia é de 5,9%; da Índia, 5,6% e do Brasil 6,24%. A China é a exceção, com estimativa de inflação de 2,5%, em 12 meses, mas o país tem metade da taxa nominal de juros dos demais, o que acaba colocando-a como segunda no ranking dos maiores juros reais — explica Jason Vieira, da Moneyou.

O economista observa que a manutenção de taxas de juros reais em patamares elevados acabam drenando recursos que poderiam ser investidos na produção para o mercado financeiro.

— Num cenário de baixo crescimento econômico, com consumo em queda, aumenta a incerteza dos empresários, que reduzem o investimento em produção e aplicam em renda fixa, onde o retorno fica mais generoso, com risco mais baixo — analisa Jason Vieira.

JURO AO CONSUMIDOR SUBIU 4 VEZES MAIS

Enquanto a Selic subiu 3,75 pontos percentuais (de 7,25% ao ao ano para 11%), de abril de 2013, quando o BC iniciou o ciclo de aperto monetário, até abril passado, os juros ao consumidor subiram 14,39 pontos percentuais, quase quatro vezes mais, no mesmo período. O cálculo é do diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira. Segundo Ribeiro de Oliveira, em seis modalidades de crédito (juros do comércio, cartão de crédito, cheque especial, financiamento de automóveis, empréstimo pessoal em bancos e financeiras), a taxa média de juro subiu de 87,97% para 102,36% ao ano.

— Houve um descolamento da alta do juro ao consumidor das elevações na Selic. Quando o BC começou a elevar os juros, os bancos, as financeiras e o comércio acompanharam o ritmo. Mas com a piora da economia, da perspectiva de aumento da inadimplência, da alta da inflação, os juros na ponta do consumidor passaram a subir num ritmo mais forte — diz Miguel Ribeiro de Oliveira.

Mesmo nas reuniões em que o Copom não elevou os juros (maio e julho), as taxas ao consumidor continuaram subindo.

— Os bancos fazem financiamentos em 24, 36 meses. A piora nas expectativas faz com as instituições cobrem juros mais altos como forma de se precaver contra o aumento da inadimplência — diz Ribeiro de Oliveira.

oglobo.globo.com | 04-09-2014

GENEBRA — O Brasil em 2014 é um país menos competitivo : caiu do 56º lugar para 57º lugar no ranking mundial . É o que revela o último “Relatório da Competitividade Global” do Fórum Econômico Mundial (Wef, na sigla em inglês), que avaliou a situação de 144 países. Pelos critérios do Fórum, Panamá (48° lugar), Costa Rica (51º lugar) , Bulgária (54º lugar) e até África do Sul (56º lugar) são hoje mais competitivos que o Brasil. A má notícia não acaba aí :

“O país (Brasil) está prestes a enfrentar fortes ventos por conta de recentes mudanças na economia global, com a queda do preço internacional de commodities e possíveis saídas de capital que havia entrado no país vindo de economias avançadas no auge da crise financeira ”alerta o relatório do Fórum.

A lista de motivos para a queda no Brasil no ranking mundial é longa : o país perde posição não apenas pelo fraco desempenho macroeconômico, como também por “deficiências persistentes” de infraestrutura de transporte, “percepção” de que o funcionamento de suas instituições se deteriora, “preocupação crescente com a eficência do governo”, além de corrupção.

Do lado positivo, o Wef diz que o Brasil ainda se beneficia de pontos fortes, especialmente o fato de ter um grande mercado e uma comunidade de empresários “bastante sofisticada”, com excelência em inovação “em alguns nichos”.

Em Genebra, o espanhol Beñat Bilbao, economista senior e um dos diretores do Centro de Competitividade e Desempenho Global do Wef, disse que competitividade exige reformas e investimentos. Quem segue a regra, diz, colhe no longo prazo. E fez a clássica comparação: Brasil e Coréia do Sul.

— Vemos que no longo prazo o Brasil tem crescimento relativamente estável. Mas quando comparamos com a Coréia nos últimos 30 anos, vemos que em 1980, a Coréia do Sul tinha um Produto Interno Bruto (PIB) menor do que o Brasil, no final de 2012, a Coréia tinha o triplo do PIB do Brasil. É a competitividade que explica isso — disse.

Bilbao diz que o mercado brasileiro não está funcionando de maneira “ tão eficaz como deveria”, sobretudo do que diz respeito à alocação de recursos. E citou “rigidez” e “falta de abertura” da economia brasileira como fatores.

— Mas, certamente, o fator chave que diferencia o Brasil da Coreia do Sul é o investimento na educação e na inovação — disse.

Sobre o quão duro vai ser para o Brasil enfrentar "os ventos contrários" da economia mundial daqui para frente, como a queda no preços de commodities, ele alertou :

— É muito difícil dizer, mas certamente existem áreas que, sem a implementação de reformas para aumentar a produtividade, podem afetar severamente a economia brasileira.

Bilbao insistiu que competivididade é essencial sobretudo agora, que a economia mundial "ainda está enfrentando riscos significativos":

— Focar em competitividade é tão crucial porque é isso que vai realmente permitir uma recuperação econômica robusta e aumentar a resiliência das economias que enfrentam alguns ventos contrários hoje. As economias mais competitivas são aquelas que são capazes de criar empregos produtivos — explicou.

A cada ano, desde 1979, equipes do Fórum Econômico Mundial analisam dados de várias organizações internacionais, como o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional (FMI), e organizam uma sondagem com mais de 1400 empresários do mundo inteiro para apontar as virtudes e fraquezas dos países nos quais operam. Tudo passa por escrutínio : da burocracia à educação da mão-de-obra.

Este ano, numa avaliação de 144 países, o Brasil Brasil ficou em 85º lugar em matéria de desempenho macroeconômico, e teve uma das piores piores avaliações do sistema de educação (126º lugar), que, segundo o relatório, "fracassa em fornecer trabalhadores com o conjunto de habilidades necessárias para uma economia que está num processo de mudança para atividades baseadas no conhecimento".

"Abordar estas fraquezas, para o Brasil bem como para outras economias dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) vai exigir a implementação de reformas e se engajar em investimentos produtivos. Esta abordagem não é apenas importante, mas tornou-se urgente de reforçar a resiliência do Brasil", afirma o relatório.

No topo da lista dos "fatores mais problemáticos" para fazer negócios no Brasil está a regulamentação tributária (18.2), seguido de regulamentações trabalhistas restritivas (15.0), infraestrutura inadequada (15.0), taxas de impostos (13.5), burocracia ineficiente do governo (12.8), corrupção (8.8), mão de obra inadequadamente educada (6.1). Depois disso,em importância decrescente, vêm acesso a financiamentos (3.4), instabilidade de políticas de governo (2.4), inflação (1.4), capacidade de inovação insuficiente (1.1), crime e roubo (0.8), baixa ética de trabalho na mão de obra do país (0.8), regulamentos de moeda estrangeira (0.6) e más condições de saúde pública (0.1).

Na lista, só ficou com "O" — isto é, nenhuma preocupação — o quesito " instabilidade do governo e golpes de estado".

O Brasil não foi o único da América Latina a cair na lista de competitividade. O México baixiou seis posições, ficando em 61º lugar. Brasileiros e mexicanos foram amplamente ultrapassados pelos chilenos (33º lugar) e até Panamá (50º lugar) e Costa Rica (51º lugar). A principal parceira do Brasil no Mercosul, Argentina, continua "estável" na sua posição entre os países menos competitivos do mundo: 104º lugar entre 144 países. Pior que a Argentina, só a Venezuela, que está em 131º lugar, imersa em "profunda crise macroeconômica e institucional", diz o relatório.

Entre os países emergentes, o melhor posicionado é a Malásia, em 20º lugar, seguida da China (28º lugar), uma posição acima em relação ao ano passado. A Índia tem caído no ranking nos últimos seis anos, ficando este ano em 71° lugar.

— Em relação aos emergentes, a situação não é tão brilhante como no passado. Com exceção da China, a maioria dos emergentes está posicionada na metade do ranking e isso tem consequências globais, porque muitos destes países estão enfrentando fortes ventos com o contexto econômico atual e sem um bom nível de competitividade não vai conseguir enfrentar (os ventos) — alertou Bilbão.

oglobo.globo.com | 03-09-2014

GENEBRA — O Brasil em 2014 é um país menos competitivo : caiu do 56º lugar para 57º lugar no ranking mundial . É o que revela o último “Relatório da Competitividade Global” do Fórum Econômico Mundial (Wef, na sigla em inglês), que avaliou a situação de 144 países. Pelos critérios do Fórum, Panamá (48° lugar), Costa Rica (51º lugar) , Bulgária (54º lugar) e até África do Sul (56º lugar) são hoje mais competitivos que o Brasil. A má notícia não acaba aí :

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“O país (Brasil) está prestes a enfrentar fortes ventos por conta de recentes mudanças na economia global, com a queda do preço internacional de commodities e possíveis saídas de capital que havia entrado no país vindo de economias avançadas no auge da crise financeira ”alerta o relatório do Fórum.

A lista de motivos para a queda no Brasil no ranking mundial é longa : o país perde posição não apenas pelo fraco desempenho macroeconômico, como também por “deficiências persistentes” de infraestrutura de transporte, “percepção” de que o funcionamento de suas instituições se deteriora, “preocupação crescente com a eficência do governo”, além de corrupção.

Do lado positivo, o Wef diz que o Brasil ainda se beneficia de pontos fortes, especialmente o fato de ter um grande mercado e uma comunidade de empresários “bastante sofisticada”, com excelência em inovação “em alguns nichos”.

Em Genebra, o espanhol Beñat Bilbao, economista senior e um dos diretores do Centro de Competitividade e Desempenho Global do Wef, disse que competitividade exige reformas e investimentos. Quem segue a regra, diz, colhe no longo prazo. E fez a clássica comparação: Brasil e Coréia do Sul.

— Vemos que no longo prazo o Brasil tem crescimento relativamente estável. Mas quando comparamos com a Coréia nos últimos 30 anos, vemos que em 1980, a Coréia do Sul tinha um Produto Interno Bruto (PIB) menor do que o Brasil, no final de 2012, a Coréia tinha o triplo do PIB do Brasil. É a competitividade que explica isso — disse.

Bilbao diz que o mercado brasileiro não está funcionando de maneira “ tão eficaz como deveria”, sobretudo do que diz respeito à alocação de recursos. E citou “rigidez” e “falta de abertura” da economia brasileira como fatores.

— Mas, certamente, o fator chave que diferencia o Brasil da Coreia do Sul é o investimento na educação e na inovação — disse.

VENTOS CONTRÁRIOS

Sobre o quão duro vai ser para o Brasil enfrentar "os ventos contrários" da economia mundial daqui para frente, como a queda no preços de commodities, ele alertou :

— É muito difícil dizer, mas certamente existem áreas que, sem a implementação de reformas para aumentar a produtividade, podem afetar severamente a economia brasileira.

Bilbao insistiu que competivididade é essencial sobretudo agora, que a economia mundial "ainda está enfrentando riscos significativos":

— Focar em competitividade é tão crucial porque é isso que vai realmente permitir uma recuperação econômica robusta e aumentar a resiliência das economias que enfrentam alguns ventos contrários hoje. As economias mais competitivas são aquelas que são capazes de criar empregos produtivos — explicou.

A cada ano, desde 1979, equipes do Fórum Econômico Mundial analisam dados de várias organizações internacionais, como o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional (FMI), e organizam uma sondagem com mais de 1400 empresários do mundo inteiro para apontar as virtudes e fraquezas dos países nos quais operam. Tudo passa por escrutínio : da burocracia à educação da mão-de-obra.

Este ano, numa avaliação de 144 países, o Brasil Brasil ficou em 85º lugar em matéria de desempenho macroeconômico, e teve uma das piores piores avaliações do sistema de educação (126º lugar), que, segundo o relatório, "fracassa em fornecer trabalhadores com o conjunto de habilidades necessárias para uma economia que está num processo de mudança para atividades baseadas no conhecimento".

"Abordar estas fraquezas, para o Brasil bem como para outras economias dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) vai exigir a implementação de reformas e se engajar em investimentos produtivos. Esta abordagem não é apenas importante, mas tornou-se urgente de reforçar a resiliência do Brasil", afirma o relatório.

No topo da lista dos "fatores mais problemáticos" para fazer negócios no Brasil está a regulamentação tributária (18.2), seguido de regulamentações trabalhistas restritivas (15.0), infraestrutura inadequada (15.0), taxas de impostos (13.5), burocracia ineficiente do governo (12.8), corrupção (8.8), mão de obra inadequadamente educada (6.1). Depois disso,em importância decrescente, vêm acesso a financiamentos (3.4), instabilidade de políticas de governo (2.4), inflação (1.4), capacidade de inovação insuficiente (1.1), crime e roubo (0.8), baixa ética de trabalho na mão de obra do país (0.8), regulamentos de moeda estrangeira (0.6) e más condições de saúde pública (0.1).

Sobre a recessão brasileira, Beñat Bilbao afirmou :

_ Nós sempre dissemos que a situação do Brasil, como de outros países da América Latina, não se sustentava no tempo porque os fundamentos (da economia) não eram muito sólidos. A corrupção saiu como um dos fatores mais importantes. Mas, sobretudo, era a situação do funcionamento dos mercados, porque o Brasil não implementou reformas como fizeram países como Chile.

Entre as reformas que o Brasil deixou de fazer, o economista citou flexibilização do mercado (de trabalho), abertura de mercado e mais investimentos em infraestrutura, que virou um cavalo de batalha ainda não resolvido. Básicamente, os maiores problemas do Brasil podem ser resumidos em 4, segundo ele : "impostos muito altos que distorcem mercado", ineficiência de instituições, (baixa) infraestrutura e educação. Bilbao não concorda com os que acham que hoje há uma divisão nítida na América Latina, entre países da Aliança do Pacífico, como Chile ou Colômbia, que reformaram suas economias e continuam crescendo, e outros como Brasil e Argentina, que estagnaram.

_ A diferença é que Brasil e Argentina contam com um potencial que outros não têm que é o tamanho do mercado e capacidade para inovar em determinadas áreas.

SÓ INSTABILIDADE POLÍTICA NÃO PREOCUPA

Na lista, só ficou com "0" — isto é, nenhuma preocupação — o quesito " instabilidade do governo e golpes de estado".

O Brasil não foi o único da América Latina a cair na lista de competitividade. O México baixou seis posições, ficando em 61º lugar. Brasileiros e mexicanos foram amplamente ultrapassados pelos chilenos (33º lugar) e até Panamá (50º lugar) e Costa Rica (51º lugar). A principal parceira do Brasil no Mercosul, Argentina, continua "estável" na sua posição entre os países menos competitivos do mundo: 104º lugar entre 144 países. Pior que a Argentina, só a Venezuela, que está em 131º lugar, imersa em "profunda crise macroeconômica e institucional", diz o relatório.

Entre os países emergentes, o melhor posicionado é a Malásia, em 20º lugar, seguida da China (28º lugar), uma posição acima em relação ao ano passado. A Índia tem caído no ranking nos últimos seis anos, ficando este ano em 71° lugar.

— Em relação aos emergentes, a situação não é tão brilhante como no passado. Com exceção da China, a maioria dos emergentes está posicionada na metade do ranking e isso tem consequências globais, porque muitos destes países estão enfrentando fortes ventos com o contexto econômico atual e sem um bom nível de competitividade não vai conseguir enfrentar (os ventos) — alertou Bilbão.

oglobo.globo.com | 03-09-2014
Alexéi Chaly cerra o punho, vitorioso, ao se encontrar com Putin - SERGEI ILNITSKY / AFP

FORÓS, CRIMEIA — Alexey Chaly, o empresário e cientista que liderou o levante pró-russo em Sebastopol (Crimeia), em fevereiro, acredita que as sanções ocidentais contra Moscou “podem criar algum isolamento, mas não são nenhum perigo” para a cidade histórica, sede exclusiva da frota russa do Mar Negro depois que a Marinha da Ucrânia abandonou a península anexada.

Fundador de uma holding de equipamentos elétricos com dezenas de filiais internacionais, Chaly, de 54 anos, goza de respeito para além da Crimeia, mas as sanções o impedem de viajar ao Ocidente e o tem obrigado a vender a participação no conglomerado, que “segue trabalhando com outros donos na Alemanha, na África do Sul, no Brasil, no Reino Unido, na China e na Índia”, dirigido por jovens, “que foram meus alunos”, conta ele.

— A questão é se as sanções serão utilizados para mobilizar ou para impor restrições à sociedade. O importante é em que direção vamos, porque, para viver no mundo global, tem que ser competitivo — afirma Chaly.

Em 23 de fevereiro, um comício em Sebastopol elegeu Chaly “prefeito popular” da cidade sublevada contra a Praça Maidan, de Kiev. O empresário foi um dos signatários dos acordos (não reconhecidos internacionalmente) para incorporar a Crimeia e a cidade de Sebastopol à Rússia, na qualidade de províncias. Chaly renunciou, depois, a governar, mas retorna a ela. “A equipe Chaly” encabeça a lista da Rússia Unida (o partido do Kremlin) nas primeiras eleições legislativas dentro do sistema russo, em setembro.

Chaly dirige a Agência de Desenvolvimento Estratégico de Sebastopol, uma entidade criada para desenvolver a economia e fomentar a pesquisa, apoiando-se na indústria de defesa e nas companhias “que produzem coisas únicas por suas características técnicas”.

— A indústria militar pode dar um impulso ao desenvolvimento de Sebastopol, sobretudo no início, mas as tecnologias que queremos promover não são somente militares, senão destinadas à exportação no futuro — explica o empresário.

Chaly sonha em transformar Sebastopol na “Califórnia russa, em uma cidade de tecnologia, como São Francisco”. As sanções marcam outros horizontes.

— Encontramos empresas russas que podem multiplicar por dez vezes o PIB regional e algumas delas estão na cidade. Um dos objetivos é substituir os componentes proibidos pelas sanções por outros próprios. Dentro de três anos, quando me reunir com meus colegas alemães, não necessitaremos da sua produção — analisa o empresário.

Quando o presidente Viktor Yanukovich fugiu de Kiev, Chaly esquiava na Áustria. Voltou de imediato a Sebastopol e acabou, ao final, perseguido durante anos.

— Antes, havíamos preparado a cidade para tomar o poder. Agora, que nos impuseram sanções, posso dizer abertamente. Eu me preparei para que Sebastopol abandonasse a Ucrânia, em 2004, quando sentimos que o poder central se debilitava durante a Revolução Laranja, e em 2008, durante a guerra da Geórgia. Houve outras tentativas antes, mas nunca se chegou ao limite. Em 2014, a transferência de poder (em Kiev) foi ilegal e aproveitamos o momento — sentencia o empresário.

Chaly se relacionou pela primeira vez com o presidente russo, Vladimir Putin, durante a assinatura dos acordos que vincularam a Crimeia e Sebastopol com a Rússia, em março. Neto de um almirante, diz que nunca foi um cidadão da Ucrânia e acusa a “diáspora ucraniana no Canadá e nos EUA” de “impor sua concepção da história” e motivar, com isso, o surgimento de uma geração de jovens que “não conhecem a história real da Ucrânia, BielorRússia e Rússia, três países eslavos com um tronco comum”.

— O estado de espírito antirrusso predominante nas três regiões ocidentais no final dos anos 1980 e princípios dos 90, quando eu trabalhava em Lvov, agora se estende à metade da Ucrânia — recorda Chaly. — Dos EUA, conseguiram criar uma fissura entre ucranianos e russos. A uns disseram que eram descendentes da Rus de Kiev e aos outros, que não eram descendentes, senão conquistadores.

Para o empresário, a Crimeia, por si mesma, não interesse ao Ocidente e é somente um terreno para lutar contra a Rússia:

— Na Rússia, não havia ninguém até que, em 2000, apareceu Vladimir Putin. Estou convencido de que Putin acredita representar os interesses do Estado russo. Em vez disso, todos os presidentes da Ucrânia estavam mais interessados no capital e no ego.

Chaly opina que “não existe um direito internacional absoluto”:

— De um ponto de vista histórico e familiar, as fronteiras (entre Rússia e Ucrânia) são artificiais. Em 1991, com a desintegração da URSS, por acaso outros países não violaram a Ata Final de Helsinque? Por que não disseram que Gorbachev era o presidente legítimo da URSS e por que não denunciaram os bandidos que se reuniram contra ele nos bosques de BielorRússia? Os líderes da BielorRússia, Rússia e Ucrânia violaram a legalidade, mas nem os americanos, nem os europeus defenderam Gorbachev, porque a situação lhes convinha. Agora, como não os convêm, se escandalizam.

Para o empresário, a origem da desestabilização no mundo não está na Crimeia:

— Os EUA estão há mais de duas décadas trabalhando para desestabilizá-lo. A Rússia não pode permitir uma corrida armamentista, pelo PIB e pelas reservas financeiras. Na melhor das hipóteses, pode exercer uma posição defensiva ativa. A Rússia não ameaça nem à Otan, nem à Europa.

Para vencer a guerra na Ucrânia, Chaly propõe a “criação da Nova Rússia, como um país cujas fronteiras seriam traçadas de acordo com o resultado de plebiscitos em diversas regiões da Ucrânia”.

— Há vários meses, essas regiões teriam sido capazes de continuar como parte da Ucrânia, com ampla autonomia, como na Suíça. Agora, a solução pacífica já não é possível porque há muitos mortos e tem que se fazer um acordo, como na Iugoslávia — analisa Chaly.

Pode-se optar por uma fórmula como a de Gasavyurt, o acordo de 1996 pelo qual o Kremlin reconhecia uma independência de fato dos insurgentes da Chechênia. Ou pela “independência plena após referendos controlados por observadores internacionais”. Também para a Crimeia?

— A Crimeia já fez o seu referendo e é uma questão separada, uma vez que a Rússia reconheceu isso — afirma o empresário.

Sobre o apoio da Rússia aos separatistas de Donbas, Chaly acredita que “não devemos temer as consequências.”

— Superamos uma grande guerra, sobreviveremos. Só tem que se botar a trabalhar, fortalecer-se, e não me refiro a armas nucleares, porque nesse campo tudo está em ordem e não nos atacarão facilmente, senão no sentido econômico e social.

oglobo.globo.com | 02-09-2014

Sábado

1) CAPA – Putin diz a Ocidente para ‘não se meter’ com Rússia

Crítica: erro de regência

Certo: Putin diz a Ocidente que ‘não se meta’ com Rússia

2) PAÍS – p. 3 – Empate já no 1o turno

- Com 15%, Marina Silva aparece entre os que tem menor rejeição.

Crítica: erro de concordância / grafia

Certo: Com 15%, Marina Silva aparece entre os que têm menor rejeição.

3) PAÍS – p. 12 – Deputado federal tem salário penhorado

- segunda coluna: Advogados de João Lyra tem contestado esses valores...

Crítica: erro de concordância / grafia

Certo: Advogados de João Lyra têm contestado esses valores...

4) RIO – p. 22 – Fiscalização de técnicos constatou pista precária

- Por ano, são transportados 1,25 milhão de passageiros.

Crítica: ordem não preferencial para a concordância atrativa

Melhor: Por ano, 1,25 milhão de passageiros são transportados.

5) ECONOMIA – p. 31 – OPINIÃO / Réquiem

- final: NÃO FOI por falta de aviso. Afinal, já não havia dado certo na Argentina.

Crítica: cacofonia

Certo: NÃO FOI por falta de aviso. Afinal, já não tinha dado (ou dera) certo na Argentina.

6) ECONOMIA – p. 35 – Telefónica vê € 4,7 bi em sinergia com GVT

- legenda da foto: Aquisição. Telefónia em Madri

Crítica: erro no nome

Certo: Aquisição. Telefónica em Madri

7) ECONOMIA – p. 36 – Muito além do mundo tech / Números / 44 trilhões de Gigabytes

- É o volume de dados projetado para ocupar o universo digital todo o mundo em 2020

Crítica: falta do “de”

Certo: É o volume de dados projetado para ocupar o universo digital de todo o mundo em 2020

8) ESPORTES – p. 43 – Conectados com o Intercolegial

- Eles vão usar o celular para produzir textos, fotos e vídeos, que serão publicados no site e nas redes sociais do Intercolegial, que tem patrocínio do Oi Galera.

Crítica: repetição do “que”

Melhor: Eles vão usar o celular para produzir textos, fotos e vídeos, que serão publicados no site e nas redes sociais do Intercolegial, cujo patrocínio é do Oi Galera.

9) SEGUNDO CADERNO – p. 3 – GENTE BOA / Vida que segue

- ...e dá palestras sobre reciclagem pelo o Brasil afora.

Crítica: “o” a mais

Certo: ...e dá palestras sobre reciclagem pelo Brasil afora.

10) SEGUNDO CADERNO – p. 3 – GENTE BOA / Notícias do Japão

- As novidades eram tantas que quando a jornalista Taiga Gomes se mudou com a família para o Japão tratou logo de criar o blog Tokyorio,com para contar suas histórias por lá.

Crítica: falta de vírgulas separando a circunstância interposta

Certo: As novidades eram tantas que, quando a jornalista Taiga Gomes se mudou com a família para o Japão, tratou logo de criar o blog Tokyorio,com para contar suas histórias por lá.

11) SEGUNDO CADERNO – p. 3 – GENTE BOA / Os 98 anos da MENINA CLEO

- “Eu até hoje não sei se ele queria sair ou chegar em algum lugar”, dizia Adriana.

Crítica: erro de regência

Certo: “Eu até hoje não sei se ele queria sair ou chegar a algum lugar”, dizia Adriana.

Melhor: “Eu até hoje não sei se ele queria sair de ou chegar a algum lugar”, dizia Adriana.

12) SEGUNDO CADERNO – p. 3 – GENTE BOA / Parabéns, Tony!

- penúltima resposta: As pessoas são muito sensíveis em relação a como os outros a acolhem de forma risonha ou carrancuda...

Crítica: erro de concordância na referência pronominal

Certo: As pessoas são muito sensíveis em relação a como os outros as acolhem de forma risonha ou carrancuda...

13) SEGUNDO CADERNO – p. 3 – PATRÍCIA KOGUT / Navegantes

- Gugu Liberato e Homem Salles, seu eterno braço direito, já começaram...

Crítica: erro de grafia: falta do hífen

Certo: Gugu Liberato e Homem Salles, seu eterno braço-direito, já começaram...

Domingo

1) PANORAMA POLÍTICO – p. 2 – De olho na crise

- ...a evolução da crise econômica os obrigará a refletir sobre quem levou o país a essa situação, quem é melhor...

Crítica: mau uso do demonstrativo (é a situação atual)

Certo: ...a evolução da crise econômica os obrigará a refletir sobre quem levou o país a esta situação, quem é melhor...

2) PAÍS – p. 2 – A utilidade do voto

- O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso venceu as duas eleições presidenciais que disputou no primeiro turno, derrotando Lula.

Crítica: má ordenação dos termos: falta de clareza

Melhor: O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso venceu, no primeiro turno, as duas eleições presidenciais que disputou, derrotando Lula.

3) PAÍS – p. 2 – Dilma diz que governo de ‘melhores’ lembra ditadura

- O encontro de prefeito que Dilma participou foi organizado por Michel Temer.

Crítica: falta de plural e erro de regência no emprego do relativo

Certo: O encontro de prefeitos de que Dilma participou foi organizado por Michel Temer.

4) PAÍS – p. 7 – Mudança de opinião sobre transgênicos e São Francisco

- ...que liberou os transgênicos, e pesquisas com células tronco.

Crítica: erro de grafia: falta do hífen

Certo: ...que liberou os transgênicos, e pesquisas com células-tronco.

5) PAÍS – p. 10 – ELIO GASPARI / As bolsas plebiscito de Dilma e Marina

- Falta provar que esteja em crise evidente uma democracia na qual elegeu-se senadora...

Crítica: erros de grafia (falta do hífen) e de colocação do pronome pessoal oblíquo átono

Certo: As bolsas-plebiscito de Dilma e Marina / Falta provar que esteja em crise evidente uma democracia na qual se elegeu senadora...

6) PAÍS – p. 10 – ELIO GASPARI / As bolsas plebiscito de Dilma e Marina

- Ela diz que nesse país em crise “a representação não se dá de forma equilibrada...”

Crítica: mau uso do demonstrativo (é o país em que estamos)

Certo: Ela diz que neste país em crise “a representação não se dá deforma equilibrada...”

7) ESPORTES – p. 52 – Quinta da Boa Vista é a linha de chegada

- Em primeiro chegou o brasileiro Rafael Andriato...

Crítica: falta de vírgula no final da circunstância antecipada

Certo: Em primeiro, chegou o brasileiro Rafael Andriato...

8) ESPORTES – p. 52 – Quinta da Boa Vista é a linha de chegada

- última coluna: Em segundo está o também espanhol Gustavo Veloso, da OFM, a 10s.

Crítica: falta de vírgula no final da circunstância antecipada e mau uso do “também” (não há alusão a outro espanhol)

Certo: Em segundo, está o espanhol Gustavo Veloso, da OFM, a 10s.

9) ESPORTES – p. 53 – Dada a largada

- segunda coluna: Mas como o próprio Dunga falou no dia em que foi apresentado, ele

reviu alguns conceitos, mas, na essência, continua o mesmo.

Crítica: falta de vírgula no início da circunstância interposta e repetição do “mas”

Certo: Mas, como o próprio Dunga falou no dia em que foi apresentado, ele reviu

alguns conceitos, apesar de, na essência, continuar o mesmo.

10) ESPORTES – p. 54 – Entre o fantasma e o sonho mais alto

- Ele só de permite falar em “sair da confusão”.

Crítica: erro de digitação

Certo: Ele só se permite falar em “sair da confusão”.

11) ESPORTES – p. 55 – Boçais à solta / Lá como cá

- Sabe o que fariam os acionistas de uma empresa que chegasse a esse ponto (ou até bem antes de chegar à esse ponto)?

Crítica: mau uso do acento grave

Certo: Sabe o que fariam os acionistas de uma empresa que chegasse a esse ponto (ou até bem antes de chegar a esse ponto)?

12) ESPORTES – p. 55 – Boçais à solta / Lá como cá

- E a nível de sanções, elas têm que ser do tipo rebaixamento para a série abaixo e/ou limitação da massa salarial – e precisam ser respeitadas integralmente.

Crítica: modismo [mau uso da palavra “nível”] e redundância

Certo: E, em relação às sanções, elas têm que ser do tipo rebaixamento para outra série e/ou limitação da massa salarial – e precisam ser respeitadas integralmente.

Segunda

1) RICARDO NOBLAT – p. 2 – À espera de Marina / Foi aberta...

- E a acusação mais leve que lhe fazem nas redes sociais é de que poderá vir a ser o novo Collor.

Crítica: “de” a mais

Certo: E a acusação mais leve que lhe fazem nas redes sociais é que poderá vir a ser o novo Collor.

2) RICARDO NOBLAT – p. 2 – À espera de Marina / Como Collor...

- Como Collor, se diz que Marina chegaria à presidência...

Crítica: erro na colocação do pronome pessoal oblíquo átono

Certo: Como Collor, diz-se que Marina chegaria à presidência...

3) PAÍS – p. 3 – Muito longe da meta / As propostas dos candidatos / Aécio

- ...prestadores de serviço utilizem novas formas de contração, como Parcerias Público-

Privadas.

Crítica: erro de grafia: digitação

Certo: ...prestadores de serviço utilizem novas formas de contratação, como Parcerias Público-Privadas.

4) PAÍS – p. 3 – Muito longe da meta / As propostas dos candidatos / Aécio

- Também propõe o incentivo à criação de consórcios pelos municípios e ao reuso da água para irrigação...

Crítica: erro de grafia: falta do acento

Certo: Também propõe o incentivo à criação de consórcios pelos municípios e ao reúso da água para irrigação...

5) PAÍS – p. 3 – Redução do desperdício de água geraria ganho de R$ 29,9 bi até 2025

- última coluna: O ministério considera os dados da Pnad/IBGE de 2012, que computa a população servida por poço com canalização interna no domicílio.

Crítica: cacofonia: conjugação de verbo defectivo

Melhor: O ministério considera os dados da Pnad/IBGE de 2012, que contabiliza a população servida por poço com canalização interna no domicílio.

6) PAÍS – p. 4 – Aécio vê eleitores entre ele e Marina

- legenda da foto: Em campo. Aécio marca gol de pênalti em jogo de futebol com ex-

atletas que o apoiam no campo do ex-jogador Zico

Crítica: má colocação do termo: falta de clareza

Melhor: Em campo. Aécio, no campo do ex-jogador Zico, marca gol de pênalti em jogo de futebol com ex-atletas que o apoiam

7) PAÍS – p. 4 – Churrasco e futebol com cercadinho VIP e bossa nova

- ...mas só tinha acesso a essa área os portadores de pulseirinhas VIP.

Crítica: erro de concordância (número)

Certo: ...mas só tinham acesso a essa área os portadores de pulseirinhas VIP.

8) PAÍS – p. 5 – Recuo do PSB é ironizado na internet

- Não demorou muito para que perfis no Twitter e páginas no Tumblr fossem criadas para satirizar...

Crítica: erro de concordância (gênero)

Certo: Não demorou muito para que perfis no Twitter e páginas no Tumblr fossem criados para satirizar...

9) PAÍS – p. 5 – Recuo do PSB é ironizado na internet

- Na descrição da página não-oficial, o texto é simples...

Crítica: com a reforma, a palavra “não” usada como prefixo não admite o hífen

Certo: Na descrição da página não oficial, o texto é simples...

10) PAÍS – p. 5 – Neca Setúbal minimiza revisões e diz que propostas são avançadas

- Integrantes do time argumentam que mesmo com a alteração, a proposta da candidata é mais avançada...

Crítica: falta de vírgula no início da circunstância interposta

Certo: Integrantes do time argumentam que, mesmo com a alteração, a proposta da candidata é mais avançada...

oglobo.globo.com | 01-09-2014
Linhas de energia próximas a Foz do Iguaçu - Dado Galdieri / Bloomberg

RIO — Pouco mais de um ano e meio depois do pronunciamento em rede de rádio e TV da presidente Dilma Rousseff anunciando redução na tarifa da energia — 18% para as residências e de até 32% para as indústrias, agricultura, comércio e serviços —, levantamento da Firjan aponta que o custo da energia elétrica para as indústrias, que à época teve redução de 28%, já é maior este mês do que em janeiro de 2013, quando a MP 579 entrou em vigor. O estudo, atualizado dia 27 deste mês, revela que o custo é de R$/MWh 342,74. Em janeiro do ano passado era de R$/MWh 263,00. Para dezembro deste ano, segundo a Firjan, a previsão é que chegue a R$/MWh 360,00.

O custo da tarifa residencial também vem subindo. Em abril, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou reajuste de 28,99% nas tarifas de baixa tensão (residenciais) da distribuidora AES Sul para o estado do Rio Grande do Sul. Em junho, a Copel, do Paraná, foi autorizada a reajustar as tarifas residenciais em 33,49%. A Celpe, em Pernambuco, reajustou em 17,69%. No Sudeste, consumidores de Minas, do Rio e de São Paulo viram o custo aumentar. A mineira Cemig, por exemplo, reajustou em 14,24%. No Mato Grosso do Sul, a Enersul, em 9,4%.

— O que Dilma fez não foi de todo mau, a intenção era boa, mas foi de forma drástica. A maneira como a redução foi conduzida (MP 579) causou desbalanço grande para as distribuidoras e houve ainda o despacho térmico. A canetada foi sentida menos em 2013, é sentida agora e vai ter reflexo em 2015 — diz Mônica Souza, consultora da Gas Energy.

— A redução para a indústria foi eliminada semana passada, e a previsão que fizemos anteriormente para dezembro foi atingida em agosto — conta Cristiano Prado, gerente de competitividade industrial e investimentos do Sistema Firjan: — A tendência é de alta para 2015 por conta dos aportes no setor e a necessidade de continuar com as termelétricas, graças à seca.

De acordo com o levantamento da Firjan, o Brasil tem o 8º maior custo de energia para a indústria dentre 27 países pesquisados. Por aqui, o custo é 167% maior que a média do custo nos Estados Unidos. Além disso, quando comparado com China e Rússia — que fazem parte do BRICs —, o Brasil também tem custo superior.

— A MP foi imposta, e agora algumas distribuidoras precisam de aportes. O governo simulou que todas as concessões seriam renovadas e determinou um valor. Mas algumas distribuidoras não aceitaram. O preço subiu no mercado à vista, parou de chover, as termelétricas tiveram que ser usadas e isso abriu um rombo nas distribuidoras — explica Prado: — O governo tenta combater os efeitos colaterais, mas eles vão impactar em 2015, 2016, 2017... As indústrias vão tentando se adaptar, mas a preocupação existe. Que ações o governo fará para reduzir o custo de forma segura? Impostos federais e estaduais oneram o custo; e, até agora, 48 das 63 distribuidoras tiveram reajustes aprovados.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, “a redução de custos com a edição da MP 579/12 foi estrutural, reduziu em média 20% as tarifas de energia, tendo esse efeito sido bem superior para o consumidor cativo industrial, considerando sua maior participação na carga contratada. Independentemente desse fato, a tarifa teria crescido para cobrir os custos incorridos pelas distribuidoras para aquisição de energia para suprir seus consumidores, industriais ou não, em função do cenário hidrológico desfavorável. Sendo assim, o efeito desse aumento de custo teria sido bem mais perverso e oneroso à indústria se a redução estrutural de tarifas não tivesse ocorrido”.

Advogado especializado no setor elétrico e presidente da Associação Brasileira das Companhias de Energia Elétrica, Alexei Vivan diz que, a curto prazo é difícil encontrar solução, mas que a médio e longo é possível reduzir o custo:

— O benefício da MP já foi anulado. Todos somos a favor de reduzir tarifa, já que tarifa elevada provoca inadimplência e perda de competitividade, mas o governo tem que investir na melhora do serviço, na manutenção dos parques de transmissão, em novas obras, tem que privilegiar a eficiência das empresas. E é necessário dar ao investidor percepção de risco menor e segurança jurídica.

oglobo.globo.com | 31-08-2014

BRUXELAS E FRANKFURT - Líderes da União Europeia (UE) farão uma reunião de emergência no dia 7 de outubro para promover o crescimento econômico e a geração de empregos, atendendo a pedidos da Itália, segundo o esboço de um comunicado que será emitido após um encontro da UE neste sábado.

Líderes da UE discutirão crescimento econômico em outubro - Nikolay Doychinov/AFP

A mudança foi motivada, sobretudo, com a divulgação de parâmetros econômicos ruins na zona do euro nos últimos dias. Como resultado desses fatores, haverá um encontro no dia 7 de outubro, cujo anfitrião será o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, focado em emprego, “especificamente o emprego dos jovens, investimentos e crescimento”.

Já Benoît Cœuré, membro executivo do Banco Central Europeu (BCE), disse à edição do jornal “Ta Nea” desde sábado que a instituição está pronta para alterar a política monetária e aumentar o financiamento aos bancos, para estimular os empréstimos.

A instituição, com sede em Frankfurt, “está pronta para ajustar ainda mais a direção da política monetária, se for necessário”, escreveu Cœuré em um artigo publicado no jornal grego. O BCE “está pronto para oferecer liquidez adicional aos bancos, com a condição de que os bancos elevem seu crédito à economia real”.

Os comentários de Cœuré ocorreram depois que o presidente do BCE, Mario Draghi, sinalizou na semana passada que as expectativas de queda de inflação na zona do euro estão empurrando o BCE para a adoção de uma política de “quantitave easing” (instrumento monetário não convencional de injeção de liquidez no mercado usado por bancos centrais quando as ações convencionais se mostram ineficientes porque as taxas de juros já estão baixas demais).

FANTASMA DA DEFLAÇÃO

A inflação no bloco de 18 países recuou para 0,3% em agosto, o menor índice desde 2009, comparado à meta do BCE de um índice de até 2%. O conselho da autoridade monetária do bloco europeu se reunirá nesta segunda-feira em Frankfurt para discutir opções de política monetária.

“O maior desafio que vamos enfrentar nos próximos anos será evitar vulnerabilidades na zona do euro”, escreveu Cœuré. “No nível nacional, importantes reformas econômicas e financeiras ainda são necessárias na maioria dos países europeus, inclusive a Grécia.”

Draghi sugeriu, no simpósio econômico anual do Federal Reserve de Kansas City, em Jackson Hole, Wyoming, que o BCE está mais perto de embarcar num movimento em grande escala de compra de ativos, instrumento que até agora vinha evitando.

Em junho, o BCE lançou um pacote de medidas sem precedentes, inclusive uma taxa de depósito negativa e empréstimos a longo prazo direcionados a bancos para enfrentar os riscos de deflação. Na semana passada, Draghi disse que os gestores da política monetária europeia usarão “todos os instrumentos disponíveis para garantir a estabilidade de preços” e que “estão prontos para ajustar a política monetária ainda mais.”

NOVOS LÍDERES

Os líderes da UE elegeram neste sábado Donald Tusk como presidente do Conselho Europeu, para suceder a partir de dezembro Herman Van Rompuy. Historiador e talentoso orador de 57 anos, Tusk liderou a coalizão de centro-direita do governo da Polônia desde 2007, supervisionando seu contínuo crescimento econômico.

Os líderes europeus também elegeram Federica Mogherini, chefe da diplomacia italiana, como a nova titular da política exterior do bloco. Ela sucederá a partir de novembro a Catherine Ashton. A escolha ocorre num momento em que recrudescem as tensões entre a UE e a Rússia devido à crise política na Ucrânia.

oglobo.globo.com | 30-08-2014

RIO - O desempenho pior do que o esperado da economia no segundo trimestre obrigou o mercado a reduzir as estimativas de crescimento do Brasil em 2014. Em 11 novos cálculos compilados pelo GLOBO, a mediana das projeções caiu de 0,6% para 0,4%. Mas já há bancos prevendo que o PIB ficará estacionado este ano.

É o caso do Banco Fibra, que diminuiu de 0,5% para zero sua expectativa de expansão da atividade na comparação com 2013. O Itaú Unibanco também está bastante pessimista. O banco calcula que a expansão ficará entre zero e 0,2%, em vez do 0,6% previsto anteriormente.

O americano Goldman Sachs é outro que cortou significativamente sua projeção para o PIB em 2014, de 0,75% para 0,25%.

Já a consultoria MB Associados revisou de 0,6% para 0,5% a estimativa de crescimento para 2014. É o mesmo número esperado pelo banco Bradesco, que previa anteriormente um avanço de 1% e refez os cálculos por enxergar piora no “cenário de desaceleração da demanda doméstica, via redução do consumo do governo e dos investimentos e acomodação do consumo das famílias.”

Ao reduzir de 0,7% para 0,1% sua estimativa de avanço do PIB este ano, o Barclays espera agora que o Brasil tenha o quinto pior desempenho econômico entre 34 países. O banco inglês acredita que a economia brasileira só se dará melhor em 2014 do que Venezuela (-2,9%), Argentina (-0,8%), Itália (-0,1%) e Rússia (-0,1%). A média global de crescimento projetada pelo banco é de 3,2% em 2014.

Já para o Nomura, o PIB brasileiro crescerá 0,3% em vez de 1%. A Rosemberg Associados, por sua vez, reviu sua projeção de 0,8% para 0,5%, enquanto a Confederação Nacional do Comércio (CNC) reduziu de 0,9% para 0,6%. A economista Silvia Matos, da Fundação Getulio Vargas, previu uma expansão de 0,4%, em vez do 0,6% anterior, assim como a Kyros Investimentos.

oglobo.globo.com | 30-08-2014
Vladimir Putin. Em entrevista à TV, presidente russo, que voltou a se referir ao Leste da Ucrânia como "Nova Rússia", elogiou o ucraniano Poroshenko e afirmou que ajuda humanitária chegará à região por trens - Mikhail Klimentyev / AP

MOSCOU — Em entrevista ao Canal 1 da TV russa, o presidente russo, Vladimir Putin, elogiou nesta sexta-feira o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, afirmando que se trata de “um parceiro com quem é possível negociar”.

Na entrevista, que irá ao ar na íntegra nesta domingo, o presidente russo firma que o ucraniano teria chegado a um acordo para o envio de ajuda humanitária ao Leste da Ucrânia por vias ferroviárias.

As declarações do presidente russo foram divulgadas um dia após Poroshenko acusar a Rússia de invadir a Ucrânia. Putin e Poroshenko se encontraram na última terça-feira em Minsk, na BielorRússia, mas não chegaram a nenhuma espécie de acordo.

— Na minha opinião, a reunião com Poroshenko foi muito positiva e muito franca — afirmou Putin na entrevista. — Poroshenko é o tipo de parceiro com quem se pode dialogar, e decidimos que executaremos um plano que ele sugeriu para entregar ajuda humanitária aos necessitados de Luhansk e Donetsk através das ferrovias.

A ‘Nova Rússia

Nesta sexta-feira Putin se dirigiu diretamente aos separatistas pró-russos da Ucrânia, classificando-os como defensores da "Novorossiya" (Nova Rússia), um termo usado na era czarista para denominar os redutos imperiais da região.

Analistas indicaram que a mensagem direta aos separatistas representa um passo significativo nos quase cinco meses de combates na Ucrânia, já que o presidente parece agora disposto a criar um pequeno Estado independente na Ucrânia.

— Putin definitivamente decidiu pela alternativa da Nova Rússia — disse Alexander Morozov, analista político crítico ao Kremlin. — Ele acredita que a Nova Rússia deve existir.

Por sua vez, Konstantin Kalachev, líder do grupo de análise política Political Expert Group em Moscou, disse que "é quase óbvio que a Nova Rússia irá acontecer".

Morozov acredita que o Kremlin concentrará nos próximos dois meses seus esforços na definição das fronteiras do território planejado.

O porta-voz do presidente russo defendeu o uso da palavra no documento oficial do Kremlin:

— Esta é a maneira como o território foi denominado historicamente e se você revisa a história, assim foi chamada, Nova Rússia, nos últimos séculos — disse Dmitry Peskov à rádio. — É o nome absolutamente russo do território. Foi assim que estas terras foram chamadas na Rússia.

A mensagem de Putin aos rebeldes ocorre em meio a uma escalada dramática dos combates, e quando a Ucrânia e o Ocidente dizem que há tropas regulares russas no território que combatem ao lado de grupos separatistas apoiados pelo Kremlin.

A Rússia desmentiu em várias ocasiões ter enviado tropas, apesar dos indícios apresentados nos últimos dias de que enviaram integrantes do exército para combater na Ucrânia.

A primeira menção por parte de Putin da Nova Rússia ocorreu em um programa especial de televisão quando falou com russos em abril e argumentou que o Leste e o Sul da Ucrânia já pertenceram à Rússia, mas foram entregues à Ucrânia pelos bolcheviques em 1920.

— Por que fizeram isso? Só Deus saberá — disse o presidente russo, lembrando que os territórios foram conquistados para a Rússia em famosas batalhas por Catarina, a Grande.

Putin usou uma lógica similar para justificar a anexação da Crimeia em março, ao indicar que a Rússia corrigia o erro ao devolver a si mesma o que lhe pertencia desde antes de 1954.

A analista política independente Maria Lipman disse que a mensagem de Putin ao Ocidente é clara: "Estou pronto para ir muito longe, e vocês?".

— Putin está mostrando literalmente ao Ocidente que a Ucrânia está na órbita de seus interesses vitais — acrescentou Lipman.

Várias rodadas de sanções ocidentais afetaram a economia russa, mas não amedrontaram o presidente russo, que ordenou um embargo virtual às importações alimentares da União Europeia e americanas.

Alguns analistas sugerem que Putin quer estabelecer com as regiões rebeldes ucranianas um pequeno Estado parecido com a região de Transnístria, na Moldávia.

Kalachev disse que o presidente está sendo encorajado por um desejo visceral de punir a Ucrânia, depois que o ex-Estado soviético decidiu assinar acordos e negociações com a União Europeia, um movimento considerado uma afronta pela Rússia.

O analista considera que a crise ucraniana serve a Putin como uma missão para reivindicar e provar que é o único líder determinado no mundo. E precisa de um Estado vassalo.

oglobo.globo.com | 29-08-2014
Barack Obama. Presidente americano voltou a culpar o Kremlin por escalada de violência no Leste da Ucrânia, mas descartou ações militares contra a Rússia - Manuel Balce Ceneta / AP

WASHINGTON — O presidente americano, Barack Obama, voltou a afirmar, nesta quarta-feira, que A Rússia é responsável pela violência no Leste da Ucrânia. Segundo Obama, o Kremlin “treina, arma e financia” os rebeldes separatistas na região, e tem deliberadamente violado a soberania e a integridade territorial da Ucrânia.

— Como resultado por suas ações a Rússia sofreu grandes sanções impostas pelos Estados Unidos e por nossos parceiros internacionais, e está mais isolada do que nunca desde o fim da Guerra Fria. O capital está abandonando o país, a economia está em declínio, e as incursões no território ucraniano só trarão mais custos e consequências para a Rússia — afirmou Obama, que participará do encontro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na próxima semana. — Na última semana vimos uma continuação de ações que se repetem há meses. Não há dúvidas de que esse não é um movimento espontâneo de parte da sociedade ucraniana, e sim atos de separatistas que são apoiados, treinados, armados e financiados pela Rússia.

Obama afirmou que espera tomar medidas adicionais contra o governo russo, já que não viu na Rússia um empenho para resolver o conflito de forma diplomática.

— Os russos estão isolados e terão muita dificuldade para se recuperar, mas isso é algo que eles estão causando a si mesmos. Não tomaremos medidas militares, mas estamos mobilizando a comunidade internacional para aplicar pressão sobre a Rússia, e levamos o compromisso de defender nossos aliados da Otan muito a sério. Esse não é um compromisso que temos com a Ucrânia, mas estamos lado a lado com o povo ucraniano na tentativa de achar a melhor solução para essa crise — afirmou o presidente.

'Rússia deve parar de mentir', diz embaixadora na ONU

Samantha Power. Embaixadora americana na ONU acusou Putin de ignorar soluções diplomáticas e mentir quanto a invasões no território ucraniano - Andrew Burton / AFP

A embaixadora americana nas Nações Unidas, Samantha Power criticou a postura do presidente russo, Vladimir Putin, afirmando que o Kremlin tem mentido com relação à entrada de soldados russos em território ucraniano, e à intensificação dos conflitos no Leste do país.

— Na terça-feira, ao se encontrar com o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, em Minsk, Vladimir Putin disse que “era hora de dar um fim ao derramamento de sangue”. Nesse mesmo dia, imagens de satélites mostraram unidades de combate russas cruzando a fronteira, e a Rússia respondeu que se tratava de um engano. Tudo isso numa das fronteiras mais vigiadas do planeta e numa região que tem sido palco de uma das maiores crises dos últimos tempos. — afirmou Power, em discurso na assembleia do ONU — Um dos principais líderes separatistas em Luhansk afirmou que há 4 mil soldados russos reforçando os rebeldes. De acordo com o governo russo, esses soldados nunca estiveram lá, assim como nunca estiveram na Crimeia, até que a Rússia anunciasse a anexação do território. A Rússia precisa parar de mentir.

Para Power, o governo russo tem ignorado soluções diplomáticas.

— Foguetes foram disparados pela fronteira, aviões russos têm violado o espaço aéreo, e o número de tropas na fronteira é o maior desde o início dos conflitos, em maio. A Ucrânia tem buscado soluções políticas desde o início, mas Putin ignora essas tentativas — afirmou a embaixadora.

Powers também criticou o uso do cessar-fogo pelo russos, que aproveitariam os intervalos nos conflitos para reforçar suas tropas.

— A Rússia afirma que a Ucrânia não tem interesse no cessar-fogo, então deixem-me esclarecer: temos todo o interesse no cessar-fogo, assim como os ucranianos. Quem não tem interesse no cessar-fogo são os separatistas russos que renovam seu armamento e recebem soldados e suprimentos através da fronteira — afirmou a embaixadora. — A ameaça à ordem internacional é uma ameaça à paz e à segurança de todos nós. Líderes separatistas afirmam que os soldados russos que se juntaram a eles estavam de férias. Mas um soldado russo que decide lutar na Ucrânia durante as férias ainda é um soldado russo. E o veículo militar blindado que ele dirige não é seu automóvel pessoal.

A embaixadora concluiu seu discurso lembrando que há outros países além da Ucrânia, que podem ser vítimas de incursões de soldados russos.

— Mais de uma dúzia de países têm fronteiras com a Rússia. Como poderemos dizer a eles que sua paz e soberania estão garantidas se não fizermos com que essa mensagem seja ouvida na Ucrânia? Por que eles acreditariam que amanhã, quando Putin decidir apoiar separatistas armados e enviar soldados "de férias", será diferente? Que mensagem passamos a países ao redor do mundo quando deixamos a Rússia cometer essas violações impunemente? Com uma ameaça como essa, o custo da inércia é inaceitável.

oglobo.globo.com | 28-08-2014

MOSCOU - A Rússia disse nesta quinta-feira que surgiu a possibilidade de suspender as sanções contra o Irã devido às negociações internacionais sobre o programa nuclear de Teerã e pediu a todos os países envolvidos para mostrar vontade política para chegar a um acordo.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, irá se reunir com seu homólogo russo, Sergei Lavrov, em Moscou na sexta-feira para discutir as negociações com as potências mundiais o impasse, que já dura dez anos, sobre as ambições nucleares da República Islâmica.

— Apesar das dificuldades do processo de negociação, a possibilidade está surgindo para satisfazer plenamente todos os direitos do Irã como um estado-membro do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, incluindo o direito de enriquecer urânio e a suspensão do regime de sanções — afirmou Lavrov. — Partimos do princípio de que todas as partes envolvidas nas negociações mostrarão a vontade política para chegar a um acordo, mutuamente aceitável que permita restaurar a confiança da comunidade internacional no caráter pacífico do programa nuclear iraniano — acrescentou.

As seis potências mundiais, Estados Unidos, Rússia, Alemanha, China, Reino Unido e França, e o Irã falharan em cumprir um prazo até 20 de julho para negociar um acordo pelo qual o Irã poderia frear suas atividades nucleares em troca de um abrandamento das sanções que têm afetado sua economia.

No entanto, eles concordaram em estender as negociações por quatro meses e o ministério da Relações Exteriores da Rússia disse no comunicado que ainda espera que um acordo seja possível até novembro.

oglobo.globo.com | 28-08-2014
German Chancellor Angela Merkel (3rdR) welcomes international Nobel Laureates before the opening ceremony of the 5th Lindau Nobel Laureate Meetings on Economic Sciences, in Lindau at lake Bodensee August 20, 2014. REUTERS/Michaela Rehle (GERMANY - Tags: POLITICS) - MICHAELA REHLE / REUTERS

BERLIM — Desde a queda do muro de Berlim, há quase 25 anos, o perigo de uma guerra na Europa nunca foi tão grande quanto atualmente. A conclusão é de 17 prêmios Nobel de economia, que estiveram reunidos esta semana em Lindau, no sul da Alemanha, para o seu encontro anual, mas também de Volker Rühe, ex-ministro da defesa da Alemanha Em uma pesquisa de opinião feita pelo jornal “Die Welt”, os gênios da economia afirmaram que já existe uma nova Guerra Fria, o que poderia contribuir para a decadência da Europa também do ponto de vista econômico.

No tradicional encontro de Lindau, iniciado em 1951 como uma iniciativa europeia de reconciliação do continente dividido pela Segunda Guerra Mundial, os 17 economistas apontaram sobretudo o conflito entre a Rússia e a Ucrânia como um dos mais graves no sentido de ter a “capacidade de modificar duradouramente a Europa”, como registrou Edward Prescott, americano de Minneapolis que foi premiado em 2004, juntamente com o seu colega Finn Kydland, pelo seu trabalho sobre macroeconomia.

Segundo ele, acionismo, como a anexação da Crimeia pela Rússia, e toda a tendência expansionista do presidente Vladimir Putin, que representaria de novo, como a liderança soviética durante a guerra fria, também um modelo econômico diferente do que tem o bloco ocidental. O mundo estaria de novo dividido entre dois blocos, sendo que com os graves conflitos existentes no resto do mundo tornariam a situação ainda mais complexa e explosiva.

Por outro lado, os economistas veem o efeito da crise geopolítica no leste da Ucrânia como perigo de agravamento da crise econômica ainda existente no continente europeu. Depois de criticar a política do euro da Alemanha e do Banco Central Europeu – que faz os consumidores europeus ainda mais inseguros em momentos de crises políticas, os economistas concluíram:

— O perigo de uma agressão aberta da Rússia no leste da Ucrânia pode ter efeitos sombrios para a economia do continente, os investimentos seriam retirados e o resultado pode ser visto na crise de crescimento.

O diagnóstico dos economistas acontece pouco depois de o ex-ministro da defesa da Alemanha, Volker Rühe, que fez parte da cúpula da União Democrata Cristã (CDU), o partido da chanceler Angela Merkel, advertir com veemência para o perigo de uma nova guerra na Europa desencadeada pela crise da Ucrânia.

— Há o perigo de uma guerra por equívoco — afirmou Rühe, lembrando a aproximação perigosa recente de um avião de combate russo com um navio de guerra americano, no Mar Negro, marcada pelo clima de nervosismo quase explosivo, e a situação extremamente instável na região.

Se os economistas apontam a Rússia como o grande responsável pela crise atual e possível “nova guerra fria”, Rühe preferiu criticar os dois lados.

— Também o ocidente falhou pela falta de diálogo e de consideração para com as “sensibilidades russas” — disse, referindo-se à tentativa da União Europeia de abrir espaço para a Ucrânia no bloco, sem procurar incluir a Rússia no dialogo entre os dois.

Segundo Rühe, que é especialista de politica do leste europeu da CDU, durante a guerra fria o perigo parecia maior mas era na verdade atenuado pelo dialogo constante entre os envolvidos, Estados Unidos e União Soviética.

— Esse diálogo não existe mais hoje — criticou.

Para Joseph Stiglitz, a estrela dos economistas premiados, a Europa está hoje cheia de riscos. Além do perigo de uma reedição da guerra fria, o continente estaria ameaçado de depressão, o que poder terminar agravando a situação política.

— Há o perigo de uma grande depressão na Europa, como a que aconteceu no Japão.

Esse risco seria ainda maior para o continente do do que o guerra fria. Para o professor da Universidade de Colômbia, premiado em 2001, é a política de austeridade fiscal da Alemanha na zona do euro que faz com que a situação não melhore

— A zona do euro sofre de uma política fatal — disse o economista, lembrando que a crise de 2008, que não foi superada, somada à queda radical dos juros fazem com que a Europa esteja a um passo da depressão.

Já a chanceler Angela Merkel, que abriu oficialmente o encontro, na última quarta, reagiu às alfinetadas que tinha recebido nas conversas preliminares dos premiados, apontando as teorias “fora da realidade” dos gênios da economia, como um dos fatores causadores da crise econômica mundial.

A crise, que começou nos Estados Unidos, em 2008, espalhou-se pelo mundo inteiro, é ainda hoje motivo de dores de cabeça para os europeus, sobretudo os da zona do euro, os mais afetados pela crise.

oglobo.globo.com | 27-08-2014
Para o presidente russo, a decisão da Ucrânia em assinar um acordo de associação com a UE levaria a enormes perdas para a Rússia, que seria forçada a proteger sua economia






SÃO PAULO - A quem pretende passar um período estudando no exterior em 2015 ou planejou a viagem de férias dos sonhos para o ano que vem, o diretor técnico da Apogeo Investimentos, Paulo Bittencourt, costuma dar o seguinte conselho: antecipe todas as despesas possíveis em moeda estrangeira. Se o orçamento permitir, compre já a passagem, pague as diárias do hotel e o curso e vá carregando o cartão de débito para os gastos lá fora. Tudo sem afobação e dentro dos limites da renda de quem vai viajar. Mais do que evitar um prejuízo financeiro, esse tipo de planejamento evita que os planos naufraguem se o dólar ganhar força.

— A questão não é ganhar ou perder dinheiro com as variações do câmbio. Mas realizar um sonho. Então, o melhor planejamento é fazer uma espécie de seguro contra uma variação mais forte do dólar. Isso é possível se a pessoa antecipar as despesas em moeda estrangeira — diz Bittencourt.

Ele recomenda que ninguém saia afobado tomando dívidas para pagar tudo de uma vez. Trata-se de criar uma rotina, sempre dentro dos limites financeiros, e sistematizar esse seguro. O diretor da Apogeo conta que já viu casos de pessoas que estavam se preparando para estudar em Nova York e deixaram para pagar a matrícula do curso no mesmo mês do embarque.

— Se o dólar subisse muito, não teriam os reais suficientes para arcar com essa matrícula — alerta ele.

O cartão de débito, que permite maior controle dos gastos no exterior, também deve ser carregado periodicamente. Mesmo com o aumento do Imposto sobre Transações Financeiras (IOF) de 0,38% para 6,38%, no final de 2013, esse meio de pagamento é mais seguro do que levar dinheiro em espécie e evita estouro do orçamento, risco que se corre ao utilizar descontroladamente o cartão de crédito.

Na prática, dizem os especialistas em câmbio, não é possível prever o patamar do dólar em 2015. Há muitas variáveis a serem consideradas, como a eleição para presidente no Brasil, se os juros subirão nos EUA e como se desdobrarão conflitos geopolíticos, como a disputa entre Rússia e Ucrânia. O consenso é que a tendência é de alta.

— Mas o consenso é que ninguém espera mais um dólar a R$ 1,99 ou R$ 2,00 — diz Bittencourt.

oglobo.globo.com | 24-08-2014

SÃO PAULO E RIO - Seis anos após a crise de 2008, cruzar fronteiras se tornou uma tarefa mais árdua para imigrantes pobres. Os ricos, porém, são bem-vindos. Pressionados pela necessidade de capital para estimular suas economias, países em dificuldade passaram a “vender” a estrangeiros autorizações de residência em seu território e, em alguns casos, a própria cidadania. No mapa da Europa, multiplicam-se as modalidades de vistos especiais para investidores em países como Portugal, Espanha, Irlanda, Grécia, Malta, entre outros. Nos Estados Unidos, um programa criado na década de 1990, sem maior alarde, registra aumento significativo no número de interessados, principalmente chineses.

O polêmico mercado — que, na avaliação de críticos, transforma a cidadania em um bem comercializável — começa, aos poucos, a atrair a atenção de brasileiros endinheirados, em busca de vida nova no exterior ou dos benefícios de um passaporte europeu ou americano.

Em Portugal, 39 brasileiros já receberam autorização especial de residência, com investimentos de € 37 milhões, a maioria deles no mercado imobiliário. O Brasil é a terceira nacionalidade em número de autorizações, atrás de China e Rússia, e a segunda em capital transferido, segundo dados do Consulado Geral de Portugal em São Paulo.

Com o programa criado em outubro de 2012, Portugal já recebeu € 842 milhões em investimentos. Para obter a autorização, é necessário comprar um imóvel de ao menos € 500 mil (R$ 1,5 milhão, equivalente ao preço médio de um apartamento de três quartos em Botafogo, Zona Sul do Rio) ou investir € 1 milhão (R$ 3 milhões) no mercado financeiro ou abrir um negócio que gere a contratação de ao menos dez funcionários. Após cinco anos, é possível solicitar uma autorização permanente de residência e, a partir do sexto ano, a cidadania. Não é preciso nem mesmo morar de fato no país. No primeiro ano de residência, basta comprovar estadia de sete dias. O benefício pode ser estendido ao marido ou esposa e aos filhos, em determinadas condições, após o pagamento de uma taxa.

Portugal: após 6 anos, cidadão europeu

Segundo Pedro Osório Cordeiro, gerente da imobiliária portuguesa House & Home, a maioria dos mais de 1.100 chineses que receberam autorização de residência comprou imóveis e, em seguida, os colocou para alugar. Já os brasileiros escolhem propriedades no Centro de Lisboa ou em condomínios de Cascais para usar como segunda casa ou para férias. É o caso de um cliente paulista que pediu para não ser identificado. Desiludido com o Brasil, comprou um imóvel de 200 metros quadrados em Cascais. A meta é deixar de lado a preocupação com segurança — no Brasil, ele circula em carro blindado — e dividir o tempo entre São Paulo e Lisboa. Um dos pontos decisivos para escolher o investimento foi o passaporte europeu. Com o programa, é possível circular munido só de um cartão de identificação no chamado espaço Schengen, que abrange 25 países europeus.

— Muitos desses esquemas exigem que ao menos parte do investimento seja feito em imóveis. Isso representa uma tentativa de reanimar mercados imobiliários fortemente atingidos pela crise. Em outros países, como Chipre, o investimento pode incluir depósitos num banco local. Essas instituições estiveram perto de quebrar há pouco tempo. Para mim, esses esquemas podem ser vistos como uma pequena parte, embora de valor simbólico significativo, de uma tentativa mais ampla de reanimar um modelo econômico que sob muitos aspectos fracassou — afirma Owen Parker, professor do Departamento de Política da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, que prepara um livro sobre os programas de visto para investidores.

Mas mesmo com um benefício à economia local, a proliferação desse tipo de programa na Europa não é isenta de polêmica. Em Malta, a cidadania era concedida logo após a realização do investimento. Após críticas da vice-presidente da Comissão Europeia, Viviane Reding, que fez um discurso intitulado “A cidadania não pode ser posta à venda” no Parlamento Europeu, em janeiro, a legislação foi alterada e, agora, determina que o interessado precisa mostrar vínculos com o país. É preciso esperar um ano antes de pedir cidadania, embora não seja necessário morar no país durante os 365 dias.

Jelena Dzankic, pesquisadora do Instituto Universitário Europeu, na Itália, ressalta que as regras de cada país para conceder vistos a investidores refletem a extensão dos danos causados pela crise em cada economia. Embora cada membro da União Europeia tenha o direito de determinar suas regras de cidadania, a distribuição de vistos sem exigências de integração com a comunidade, como o aprendizado do idioma local ou um prazo mínimo de moradia, mais comum em países periféricos, muda as regras do jogo.

— Os passaportes desses países se tornaram mais valiosos em virtude de sua associação com a cidadania europeia. Já a cidadania, que significa mais do que um passaporte, foi desvalorizada — diz Jelena.

Nos EUA, o programa de vistos E-B5 abre um caminho para quem quer obter a autorização permanente para morar e trabalhar, mais conhecido como Green Card, ou até mesmo a cidadania americana. É necessária uma aplicação mínima de US$ 500 mil (R$ 1,12 milhão) na abertura de um negócio ou num empreendimento em curso em áreas de taxa elevada de desemprego, que resultem na criação de ao menos dez postos de trabalho. Segundo dados do Departamento de Serviços de Imigração e Cidadania dos EUA, desde 2009, 97 brasileiros obtiveram o visto. Os investidores têm direito a um visto de moradia e trabalho, por dois anos, e que após esse prazo pode ser transformado em autorização permanente. Em cinco anos, já é possível dar entrada ao pedido de cidadania.

Segundo Renata Castro, consultora da Exclusive Visas, que dá suporte a investidores que buscam um segundo passaporte, nos últimos anos mudou o perfil dos interessados brasileiros:

— De três anos para cá, aumentou a procura de pessoas de classe média alta. Na maior parte dos casos, vítima ou com medo de sofrer violência — afirmou, lembrando que antes a demanda estava restrita a milionários.

Muitos já chegam ao país planejando oportunidades de trabalho. Foi o caso da pedagoga Katia Franhani. Ela e o marido decidiram, no ano passado, conquistar o E-B5. Venderam o apartamento em Perdizes, Zona Oeste da capital paulista, e usaram todas as economias para investir no sonho americano, que inclui, além do Green Card, uma casa num condomínio em Winter Garden, cidade ao lado de Orlando. É lá que o casal espera que os filhos de 7 e 14 anos tenham acesso a uma melhor educação. Na empreitada, ela também convenceu os pais a realizarem o mesmo investimento — a ampliação de um hospital no estado do Alabama.

— Não vamos ter que lidar tão cotidianamente com a falta de segurança que sentíamos em São Paulo — disse a pedagoga, que planeja abrir um negócio na área de saúde ou educação para atender os brasileiros que vivem na região.

Quem já esteve em situação parecida foi o empresário Flávio Augusto da Silva, ex-dono da Wise Up e que, entre 2009 e 2012, morou nos EUA com a mulher e optou pelo visto EB-5. Na época, o investimento foi feito em uma estação de esqui no estado de Vermont:

— Queria ir para os EUA com visto de residência, mas num primeiro momento fui só para morar. Só depois comecei a abrir unidades da Wise Up por lá.

Brasileiros miram educação dos filhos

De investidor em um EB-5, Silva pode ficar em breve na outra ponta. No ano passado, após vender a escola de inglês para a Abril Educação, comprou um time de futebol, o Orlando City — equipe que é dona do passe do jogador brasileiro Kaká. O desafio é construir um estádio de 25 mil lugares para o time, obra avaliada em US$ 110 milhões. Parte será bancada pelo governo da Flórida e outra, por investidores privados (sendo ele mesmo um deles). Silva não descarta que parte dos recursos venha de investidores em busca do EB-5.

Roger Bernstein, advogado americano especializado em imigração, diz que os chineses dominam os pedidos por visto de permanência nos Estados Unidos. Foram mais de 6 mil emissões para chineses de um total de 8.543 vistos desse tipo concedidos no ano passado. Entre os brasileiros, um dos pontos de destaque é o interesse em colocar os filhos em universidades americanas. Como residentes permanentes, o valor das mensalidades cai:

— O Brasil está entre os três países do continente que mais solicitam esse tipo de visto, atrás de México e Venezuela.

O vice-presidente da Westchester Financial Group, Octavio Cardoso, afirma que um projeto deste tipo requer folga no orçamento, já que o dinheiro investido terá baixo rendimento, não pode ser sacado antes do prazo e há o risco de não recuperar todo o montante investido:

— Recomendamos que a família tenha ao menos US$ 2 milhões de patrimônio.

Outro empecilho é o lado fiscal. Segundo ele, muitos desistem quando descobrem que a incidência de impostos pode ser grande. Isso acontece quando a pessoa opta por deixar parte do patrimônio ou renda no Brasil e outra parcela nos Estados Unidos. Quando isso ocorre, há risco de bitributação, já que o governo americano não aceita fazer compensação de certas taxas.

oglobo.globo.com | 24-08-2014
Entrada do pavilhão ucraniano do Centro Panrusso de Exibições. Parque temático passou por reformas e tem atraído milhões de visitantes - Nickolas Titkov / Wikimedia Commons

MOSCOU — O Centro Panrusso de Exibições (VDNKh, na sigla em russo), vitrine dos feitos do comunismo, criado em 1939, em Moscou, está renascendo das cinzas depois de passar os últimos 23 anos abandonado, após a desintegração da União Soviética.

Visitantes passeiam por avenidas reasfaltadas entre pavilhões e fontes, visitam exposições científicas e se divertem com atrações instaladas sob o imponente arco que adorna a entrada do parque.

No centro do parque temático de 237 hectares, o pavilhão principal abriga uma exposição que celebra a História das grandes exibições populares.

Mais adiante começa a área dedicada aos pavilhões das repúblicas soviéticas. Ainda há andaimes no pavilhão da BielorRússia e se ouve o barulho de britadeiras em alguns pontos próximos ao lendário monumento “Trabalhador e mulher colcoziana”, uma obra do realismo socialista realizada pela escultora Vera Mukhina em 1937.

No fundo, um imenso pavilhão apresenta uma exposição de veículos soviéticos. Um gigantesco foguete Soyuz domina o espaço vizinho, dedicado à conquista espacial, grande orgulho da União Soviética.

— Essas reformas eram indispensáveis — diz Svetlana, de 50 anos, ao lado do foguete espacial Burán, o mais caro da História soviética. — Já tinha visitado o parque, mas tudo estava destruído. Havia quiosques e tendas, que não tinham nada a ver com este lugar.

As autoridades não pouparam esforços para renovar o centro de exposições, um dos locais mais retratado pelo cinema soviético. A prefeitura de Moscou recuperou o controle do parque, que era controlado por acionistas privados desde novembro de 2013. As reformas, que começaram em abril de 2014, após uma visita do prefeito Serguei Sobianin, mobilizaram cerca de 6 mil visitantes, e no dia 15 de maio, o parque recuperou seu nome histórico: VDNKh, ou “Exposição de Feitos da Economia Nacional”.

As reformas do parque temático acontecem em um momento que o debate político sobre autosuficiência e patriotismo econômico ganha força como resposta às sanções internacionais aplicadas contra a Rússia por seu apoio aos separatistas no Leste da Ucrânia.

Mais de 3 bilhões de rublos (R$ 187 milhões) foram investidos para transformar este cemitério de elefantes soviéticos em um dos pontos mais visitados da capital russa. Entre 1º e 3 de agosto, três milhões de moscovitas foram conferir as renovações do parque durante o 75º aniversário do VDNKh. As obras durarão até 2015, e o orçamento total chegará a 71 bilhões de rublos (R$ 4,5 bilhões). As renovações fazem parte de um grande plano de renovação dos parques da cidade iniciada pela prefeitura em 2011. Além do parque temático soviético, mais de seis quilômetros de vias para pedestres devem ser inaugurados esse ano.

Seguindo essa política, o Parque Gorky se transformou em local imperdível nos últimos anos, assim como o centro cultural Krasniy Oktyabr (“Outubro Vermelho”), localizado em uma antiga fábrica de chocolates de tijolos vermelhos, no coração de Moscou, que se transformou no epicentro das atividades artísticas na Rússia.

oglobo.globo.com | 24-08-2014

WASHINGTON - A reunião dos banqueiros centrais realizada nesta sexta-feira em Jackson Hole, no estado americano de Wyoming, não está exatamente sendo caracterizada pelo consenso. Muitos deles caminham em direções opostas em suas políticas monetárias para lidar com os efeitos da crise global.

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) começa a se preparar para cortar seu apoio econômico. Na contramão, o Banco Central Europeu (BCE) vem considerando adotar mais estímulos. No mesmo caminho segue o Banco do Japão. Já o Banco da Inglaterra parece seguir em direção ao aumento das taxas de juros.

E não são apenas os bancos centrais das grandes economias que parecem seguir em direções distintas.

Janet Yellen, presidente do Fed, conversa com seu colega do BCE, Mario Draghi, na conferência econômica de Jackson Hole - Bradly J. Boner / Bloomberg

Este ano, os bancos centrais de México, Suécia e Coreia do Sul, entre outros, cortaram suas taxas de juros. Outros — como Rússia e África do Sul, por exemplo — subiram.

Um longo caminho foi percorrido desde 2008, quando as principais instituições monetárias fizeram esforços coordenados, após o estouro da crise financeira global. À medida que os governos reduziam suas taxas de juros e injetaram dinheiro para estimular a economia, os bancos centrais reduziram juros para destrancar o crédito e evitar uma depressão similar à de 1930.

As estratégias atuais dessas instituições não estão livres de riscos. Considere-se, por exemplo, o que aconteceu nos mercados emergentes depois que as autoridades do Fed sinalizaram que iriam começar em breve a reduzir o ritmo de compras mensais de bônus. Essas compras visavam a manter as taxas de empréstimos a longo prazo dos Estados Unidos para encorajar o financiamento e fomentar o crescimento.

POLÍTICAS DISTINTAS

Com o prospecto de ganhos maiores dos bônus americanos, alguns mercados emergentes mergulharam em parafuso. Os investidores tiraram suas aplicações desses países, temendo que o valor de seus investimentos despencaria com a fuga de capital para os Estados Unidos.

Algumas nações em desenvolvimento responderam elevando suas próprias taxas de juros e fortalecendo suas moedas. O tumulto foi temporário, mas ele mostrou o que poderá acontecer depois que o Fed encerrar as compras de bônus e eventualmente elevar a taxa básica de juros — algo que o banco central americano afirma que vai demorar “um tempo considerável”, depois do fim das compras de bônus.

Muitos economistas afirmam que os bancos centrais não têm opção, exceto buscar estratégias divergentes sobre taxas de juros agora por causa das variadas taxas de crescimento de suas economias.

— Isso apenas reflete os estágios da recuperação econômica em diferentes partes do mundo — disse Stuart Hoffman, economista-chefe do PNC Financial Services Group. — A recuperação dos Estados Unidos está bem mais adiantada do que aquelas de Europa e Japão.

Sung Won Sohn, professor de Economia na Califórnia State University, Channel Islands, observou que os Estados Unidos agiram mais rapidamente do que outros para estimular o crescimento com uma agressiva política de baixos juros. Os reguladores americanos também têm sido mais incisivo nos requerimentos sobre os bancos americanos para aumentar capital e lidar com maus empréstimos. Essas ações contribuíram para fortalecer o crescimento americano, disse ele.

Os prospectos de um crescimento mais saudável e a probabilidade de uma taxa de juros mais alta poderá tornar os Estados Unidos crescentemente mais atraente para os investidores. Sohn e Hoffman pensam que o dólar americano vai se valorizar, sobretudo contra o iene do Japão e a moeda comum europeia, o euro, à medida que os investidores migrarem para os títulos americanos.

oglobo.globo.com | 22-08-2014

Com uma economia muito diversificada, a Federação Russa possui importantes recursos naturais e humanos, que constituem forte potencial de desenvolvimento económico. O povo russo em geral, já a partir de meados da década de 1950, vivia bem melhor que os cidadãos de países capitalistas há muito orientados para o mercado, como o México, a Índia, o Brasil ou a Argentina. A taxa de analfabetismo era virtualmente zero, o ensino superior era muito bom e economicamente acessível; o desemprego quase não existia, a igualdade entre os géneros era uma das mais desenvolvidas do mundo, com as mulheres a chegar por vezes mais longe do que os homens nas suas carreiras, especialmente na ciência. Muitas famílias possuiam automóveis, TVs, gravadores de cassetes e podiam viajar de avião pelo menos uma vez por ano até às áreas balneares famosas do mar Negro. Mas a produção e distribuição de produtos de consumo (particularmente de vestuário e alimentos) era relativamente ineficiente e havia uma falta de habitação muito pronunciada em muitas das áreas urbanas, se bem que fossem raras situações de habitação precária ou insalubre. Contudo, desde a desintegração da União Soviética, em 1991, o caminho para a estabilização macroeconómica tem sido longo e difícil, A partir daquele ano, o país sofreu severa contracção económica ao longo dos cinco anos seguintes, enquanto o governo e o parlamento divergiam sobre a implementação das reformas. A base industrial do país foi seriamente atingida. O país tem passado por diversas crises, destacando-se a crise financeira de 1998, resultante fundamentalmente da crise financeira do Sudeste Asiático. Depois da dissolução da URSS, causada mais por razões étnicas do que económicas, a primeira recuperação russa, ainda ligeira mas já a mostrar os sinais da influência do mercado livre, ocorreu em 1997. Porém a crise financeira asiática daquele ano acabou por atingir a economia russa. Diante da significativa desvalorização do rublo, o governo Russo aumentou a taxa de juros, mas as medidas de política econômica fracassaram e a Rússia declarou uma moratória unilateral, gerando perdas a seus credores internos e externos. Assim, 1998 ficou marcado por ser o ano da crise financeira Russa, com intensa fuga de capitais e, na sequência, recessão. A economia começou a se recuperar em 1999, entrando numa fase de rápida expansão, com o PIB a crescer a uma taxa média de 6.8% por ano, entre 1999 e 2004, apoiado em preços mais altos no petróleo, num rublo mais fraco, e no aumento na produção de industrial e de serviços. Esta recuperação, a par de um renovado esforço governamental em 2000 e 2001 para fazer avançar as reformas estruturais, aumentou a confiança das empresas e dos investidores para a segunda década de transição. A Rússia permanece fortemente dependente de exportações de matérias-primas, em particular do petróleo, do gás natural, de metais e de madeira, que correspondem a mais de 80% do total das exportações, o que deixa o país vulnerável às oscilações dos preços do mercado mundial. Em anos recentes, no entanto, a economia também foi impulsionada pela crescente procura interna, que cresceu cerca de 12% ao ano entre 2000 e 2004, o que mostra o vigor do seu mercado interno. O PIB do país atingiu 535 bilhões de dólares em 2004, fazendo da economia russa a 16ª economia mundial, sendo que Moscou, concentra 30% da produção do país. Um dos maiores desafios dos formuladores da política econômica russa é o de encorajar o desenvolvimento de PMEs num ambiente empresarial dominado por oligarcas e dotado de um sistema bancário jovem e disfuncional. Muitos dos bancos russos pertencem a grandes empresários ou oligarcas, que usam frequentemente os depósitos para financiar os seus próprios negócios. O Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento e o Banco Mundial tentaram normalizar as práticas bancárias fazendo investimentos em acções ordinárias e na dívida, mas com um sucesso muito limitado. Outros problemas incluem um desenvolvimento económico desigual entre as regiões do país. Enquanto que a região de Moscovo, com a sua imensa população de 20 milhões de habitantes, é uma metrópole moderna, com setores de tecnologia de ponta e renda per capita próxima à das economias mais fortes da eurozona, o resto do país, em especial as comunidades indígenas e rurais da Ásia, vive como vivia no fim da Idade Média. A integração ao mercado também se faz sentir noutras cidades grandes como São Petersburgo, Kaliningrad e Ekaterinburg. Estimular o investimento estrangeiro é também um grande desafio. Até agora, o país tem se beneficiado do aumento nos preços de petróleo e tem sido capaz de pagar uma boa parte da sua dívida externa, que era gigantesca. O reinvestimento dos lucros obtidos pela exploração de recursos naturais em outros sectores da economia também é um problema. Em 2003, a prisão de Mikhail Khodorkovski, um dos oligarcas russos e, à época, o mais rico empresário do país, sob a acusação de fraude, evasão fiscal e corrupção durante as grandes privatizações conduzidas no governo de Boris Yeltsin, gerou certa desconfiança entre os investidores estrangeiros. Muitas das grandes fortunas actuais, na Rússia, parecem ter resultado da aquisição de propriedades estatais a muito baixo preço ou da aquisição barata de concessões governamentais. Outros países manifestaram a sua preocupação com a aplicação "selectiva" da lei contra empresários individuais. Apesar de tudo, algumas grandes firmas internacionais têm grandes investimentos na Rússia. Um exemplo é a fabricante de bebidas Scottish & Newcastle, que descobriu que o mercado da cerveja na Rússia crescia muito mais rapidamente do que noutras áreas da Europa. Quase duas décadas após o colapso da União Soviética, em 1991, a Rússia continua a tentar estabelecer uma economia de mercado moderna e de fato tem conseguido altas taxas de crescimento económico. Ao longo da década de 2000, a economia russa registrou taxas de crescimento acima de 7% em 2000 (10%), 2001, 2002, 2003, 2004 e 2007 (8,1%). Em 2005 teve alta de 6,4 e, em 2006, de 6,8%. Em 2008, a Rússia cresceu 6% e foi a 9ª economia do mundo. No entanto, diante da crise mundial e a queda dos preços do petróleo, as perspectivas para 2009 são mais sombrias. Em dezembro de 2008, a ministra da Economia, Elvira Nabiullina, previu 2,4% de crescimento do PIB para 2009, o índice mais baixo desde 1998 - o fatídico ano da moratória russa. A Rússia integra a área da APEC (Asia-Pacific Economic Cooperation), um bloco econômico que tem por objetivo transformar o Pacífico numa área de livre comércio e que engloba economias asiáticas, americanas e da Oceania.


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