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Rússia Economia

Barack Obama. Presidente americano voltou a culpar o Kremlin por escalada de violência no Leste da Ucrânia, mas descartou ações militares contra a Rússia - Manuel Balce Ceneta / AP

WASHINGTON — O presidente americano, Barack Obama, voltou a afirmar, nesta quarta-feira, que A Rússia é responsável pela violência no Leste da Ucrânia. Segundo Obama, o Kremlin “treina, arma e financia” os rebeldes separatistas na região, e tem deliberadamente violado a soberania e a integridade territorial da Ucrânia.

— Como resultado por suas ações a Rússia sofreu grandes sanções impostas pelos Estados Unidos e por nossos parceiros internacionais, e está mais isolada do que nunca desde o fim da Guerra Fria. O capital está abandonando o país, a economia está em declínio, e as incursões no território ucraniano só trarão mais custos e consequências para a Rússia — afirmou Obama, que participará do encontro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na próxima semana. — Na última semana vimos uma continuação de ações que se repetem há meses. Não há dúvidas de que esse não é um movimento espontâneo de parte da sociedade ucraniana, e sim atos de separatistas que são apoiados, treinados, armados e financiados pela Rússia.

Obama afirmou que espera tomar medidas adicionais contra o governo russo, já que não viu na Rússia um empenho para resolver o conflito de forma diplomática.

— Os russos estão isolados e terão muita dificuldade para se recuperar, mas isso é algo que eles estão causando a si mesmos. Não tomaremos medidas militares, mas estamos mobilizando a comunidade internacional para aplicar pressão sobre a Rússia, e levamos o compromisso de defender nossos aliados da Otan muito a sério. Esse não é um compromisso que temos com a Ucrânia, mas estamos lado a lado com o povo ucraniano na tentativa de achar a melhor solução para essa crise — afirmou o presidente.

'Rússia deve parar de mentir', diz embaixadora na ONU

Samantha Power. Embaixadora americana na ONU acusou Putin de ignorar soluções diplomáticas e mentir quanto a invasões no território ucraniano - Andrew Burton / AFP

A embaixadora americana nas Nações Unidas, Samantha Power criticou a postura do presidente russo, Vladimir Putin, afirmando que o Kremlin tem mentido com relação à entrada de soldados russos em território ucraniano, e à intensificação dos conflitos no Leste do país.

— Na terça-feira, ao se encontrar com o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, em Minsk, Vladimir Putin disse que “era hora de dar um fim ao derramamento de sangue”. Nesse mesmo dia, imagens de satélites mostraram unidades de combate russas cruzando a fronteira, e a Rússia respondeu que se tratava de um engano. Tudo isso numa das fronteiras mais vigiadas do planeta e numa região que tem sido palco de uma das maiores crises dos últimos tempos. — afirmou Power, em discurso na assembleia do ONU — Um dos principais líderes separatistas em Luhansk afirmou que há 4 mil soldados russos reforçando os rebeldes. De acordo com o governo russo, esses soldados nunca estiveram lá, assim como nunca estiveram na Crimeia, até que a Rússia anunciasse a anexação do território. A Rússia precisa parar de mentir.

Para Power, o governo russo tem ignorado soluções diplomáticas.

— Foguetes foram disparados pela fronteira, aviões russos têm violado o espaço aéreo, e o número de tropas na fronteira é o maior desde o início dos conflitos, em maio. A Ucrânia tem buscado soluções políticas desde o início, mas Putin ignora essas tentativas — afirmou a embaixadora.

Powers também criticou o uso do cessar-fogo pelo russos, que aproveitariam os intervalos nos conflitos para reforçar suas tropas.

— A Rússia afirma que a Ucrânia não tem interesse no cessar-fogo, então deixem-me esclarecer: temos todo o interesse no cessar-fogo, assim como os ucranianos. Quem não tem interesse no cessar-fogo são os separatistas russos que renovam seu armamento e recebem soldados e suprimentos através da fronteira — afirmou a embaixadora. — A ameaça à ordem internacional é uma ameaça à paz e à segurança de todos nós. Líderes separatistas afirmam que os soldados russos que se juntaram a eles estavam de férias. Mas um soldado russo que decide lutar na Ucrânia durante as férias ainda é um soldado russo. E o veículo militar blindado que ele dirige não é seu automóvel pessoal.

A embaixadora concluiu seu discurso lembrando que há outros países além da Ucrânia, que podem ser vítimas de incursões de soldados russos.

— Mais de uma dúzia de países têm fronteiras com a Rússia. Como poderemos dizer a eles que sua paz e soberania estão garantidas se não fizermos com que essa mensagem seja ouvida na Ucrânia? Por que eles acreditariam que amanhã, quando Putin decidir apoiar separatistas armados e enviar soldados "de férias", será diferente? Que mensagem passamos a países ao redor do mundo quando deixamos a Rússia cometer essas violações impunemente? Com uma ameaça como essa, o custo da inércia é inaceitável.

oglobo.globo.com | 28-08-2014

MOSCOU - A Rússia disse nesta quinta-feira que surgiu a possibilidade de suspender as sanções contra o Irã devido às negociações internacionais sobre o programa nuclear de Teerã e pediu a todos os países envolvidos para mostrar vontade política para chegar a um acordo.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, irá se reunir com seu homólogo russo, Sergei Lavrov, em Moscou na sexta-feira para discutir as negociações com as potências mundiais o impasse, que já dura dez anos, sobre as ambições nucleares da República Islâmica.

— Apesar das dificuldades do processo de negociação, a possibilidade está surgindo para satisfazer plenamente todos os direitos do Irã como um estado-membro do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, incluindo o direito de enriquecer urânio e a suspensão do regime de sanções — afirmou Lavrov. — Partimos do princípio de que todas as partes envolvidas nas negociações mostrarão a vontade política para chegar a um acordo, mutuamente aceitável que permita restaurar a confiança da comunidade internacional no caráter pacífico do programa nuclear iraniano — acrescentou.

As seis potências mundiais, Estados Unidos, Rússia, Alemanha, China, Reino Unido e França, e o Irã falharan em cumprir um prazo até 20 de julho para negociar um acordo pelo qual o Irã poderia frear suas atividades nucleares em troca de um abrandamento das sanções que têm afetado sua economia.

No entanto, eles concordaram em estender as negociações por quatro meses e o ministério da Relações Exteriores da Rússia disse no comunicado que ainda espera que um acordo seja possível até novembro.

oglobo.globo.com | 28-08-2014
German Chancellor Angela Merkel (3rdR) welcomes international Nobel Laureates before the opening ceremony of the 5th Lindau Nobel Laureate Meetings on Economic Sciences, in Lindau at lake Bodensee August 20, 2014. REUTERS/Michaela Rehle (GERMANY - Tags: POLITICS) - MICHAELA REHLE / REUTERS

BERLIM — Desde a queda do muro de Berlim, há quase 25 anos, o perigo de uma guerra na Europa nunca foi tão grande quanto atualmente. A conclusão é de 17 prêmios Nobel de economia, que estiveram reunidos esta semana em Lindau, no sul da Alemanha, para o seu encontro anual, mas também de Volker Rühe, ex-ministro da defesa da Alemanha Em uma pesquisa de opinião feita pelo jornal “Die Welt”, os gênios da economia afirmaram que já existe uma nova Guerra Fria, o que poderia contribuir para a decadência da Europa também do ponto de vista econômico.

No tradicional encontro de Lindau, iniciado em 1951 como uma iniciativa europeia de reconciliação do continente dividido pela Segunda Guerra Mundial, os 17 economistas apontaram sobretudo o conflito entre a Rússia e a Ucrânia como um dos mais graves no sentido de ter a “capacidade de modificar duradouramente a Europa”, como registrou Edward Prescott, americano de Minneapolis que foi premiado em 2004, juntamente com o seu colega Finn Kydland, pelo seu trabalho sobre macroeconomia.

Segundo ele, acionismo, como a anexação da Crimeia pela Rússia, e toda a tendência expansionista do presidente Vladimir Putin, que representaria de novo, como a liderança soviética durante a guerra fria, também um modelo econômico diferente do que tem o bloco ocidental. O mundo estaria de novo dividido entre dois blocos, sendo que com os graves conflitos existentes no resto do mundo tornariam a situação ainda mais complexa e explosiva.

Por outro lado, os economistas veem o efeito da crise geopolítica no leste da Ucrânia como perigo de agravamento da crise econômica ainda existente no continente europeu. Depois de criticar a política do euro da Alemanha e do Banco Central Europeu – que faz os consumidores europeus ainda mais inseguros em momentos de crises políticas, os economistas concluíram:

— O perigo de uma agressão aberta da Rússia no leste da Ucrânia pode ter efeitos sombrios para a economia do continente, os investimentos seriam retirados e o resultado pode ser visto na crise de crescimento.

O diagnóstico dos economistas acontece pouco depois de o ex-ministro da defesa da Alemanha, Volker Rühe, que fez parte da cúpula da União Democrata Cristã (CDU), o partido da chanceler Angela Merkel, advertir com veemência para o perigo de uma nova guerra na Europa desencadeada pela crise da Ucrânia.

— Há o perigo de uma guerra por equívoco — afirmou Rühe, lembrando a aproximação perigosa recente de um avião de combate russo com um navio de guerra americano, no Mar Negro, marcada pelo clima de nervosismo quase explosivo, e a situação extremamente instável na região.

Se os economistas apontam a Rússia como o grande responsável pela crise atual e possível “nova guerra fria”, Rühe preferiu criticar os dois lados.

— Também o ocidente falhou pela falta de diálogo e de consideração para com as “sensibilidades russas” — disse, referindo-se à tentativa da União Europeia de abrir espaço para a Ucrânia no bloco, sem procurar incluir a Rússia no dialogo entre os dois.

Segundo Rühe, que é especialista de politica do leste europeu da CDU, durante a guerra fria o perigo parecia maior mas era na verdade atenuado pelo dialogo constante entre os envolvidos, Estados Unidos e União Soviética.

— Esse diálogo não existe mais hoje — criticou.

Para Joseph Stiglitz, a estrela dos economistas premiados, a Europa está hoje cheia de riscos. Além do perigo de uma reedição da guerra fria, o continente estaria ameaçado de depressão, o que poder terminar agravando a situação política.

— Há o perigo de uma grande depressão na Europa, como a que aconteceu no Japão.

Esse risco seria ainda maior para o continente do do que o guerra fria. Para o professor da Universidade de Colômbia, premiado em 2001, é a política de austeridade fiscal da Alemanha na zona do euro que faz com que a situação não melhore

— A zona do euro sofre de uma política fatal — disse o economista, lembrando que a crise de 2008, que não foi superada, somada à queda radical dos juros fazem com que a Europa esteja a um passo da depressão.

Já a chanceler Angela Merkel, que abriu oficialmente o encontro, na última quarta, reagiu às alfinetadas que tinha recebido nas conversas preliminares dos premiados, apontando as teorias “fora da realidade” dos gênios da economia, como um dos fatores causadores da crise econômica mundial.

A crise, que começou nos Estados Unidos, em 2008, espalhou-se pelo mundo inteiro, é ainda hoje motivo de dores de cabeça para os europeus, sobretudo os da zona do euro, os mais afetados pela crise.

oglobo.globo.com | 27-08-2014
Para o presidente russo, a decisão da Ucrânia em assinar um acordo de associação com a UE levaria a enormes perdas para a Rússia, que seria forçada a proteger sua economia






SÃO PAULO - A quem pretende passar um período estudando no exterior em 2015 ou planejou a viagem de férias dos sonhos para o ano que vem, o diretor técnico da Apogeo Investimentos, Paulo Bittencourt, costuma dar o seguinte conselho: antecipe todas as despesas possíveis em moeda estrangeira. Se o orçamento permitir, compre já a passagem, pague as diárias do hotel e o curso e vá carregando o cartão de débito para os gastos lá fora. Tudo sem afobação e dentro dos limites da renda de quem vai viajar. Mais do que evitar um prejuízo financeiro, esse tipo de planejamento evita que os planos naufraguem se o dólar ganhar força.

— A questão não é ganhar ou perder dinheiro com as variações do câmbio. Mas realizar um sonho. Então, o melhor planejamento é fazer uma espécie de seguro contra uma variação mais forte do dólar. Isso é possível se a pessoa antecipar as despesas em moeda estrangeira — diz Bittencourt.

Ele recomenda que ninguém saia afobado tomando dívidas para pagar tudo de uma vez. Trata-se de criar uma rotina, sempre dentro dos limites financeiros, e sistematizar esse seguro. O diretor da Apogeo conta que já viu casos de pessoas que estavam se preparando para estudar em Nova York e deixaram para pagar a matrícula do curso no mesmo mês do embarque.

— Se o dólar subisse muito, não teriam os reais suficientes para arcar com essa matrícula — alerta ele.

O cartão de débito, que permite maior controle dos gastos no exterior, também deve ser carregado periodicamente. Mesmo com o aumento do Imposto sobre Transações Financeiras (IOF) de 0,38% para 6,38%, no final de 2013, esse meio de pagamento é mais seguro do que levar dinheiro em espécie e evita estouro do orçamento, risco que se corre ao utilizar descontroladamente o cartão de crédito.

Na prática, dizem os especialistas em câmbio, não é possível prever o patamar do dólar em 2015. Há muitas variáveis a serem consideradas, como a eleição para presidente no Brasil, se os juros subirão nos EUA e como se desdobrarão conflitos geopolíticos, como a disputa entre Rússia e Ucrânia. O consenso é que a tendência é de alta.

— Mas o consenso é que ninguém espera mais um dólar a R$ 1,99 ou R$ 2,00 — diz Bittencourt.

oglobo.globo.com | 24-08-2014

SÃO PAULO E RIO - Seis anos após a crise de 2008, cruzar fronteiras se tornou uma tarefa mais árdua para imigrantes pobres. Os ricos, porém, são bem-vindos. Pressionados pela necessidade de capital para estimular suas economias, países em dificuldade passaram a “vender” a estrangeiros autorizações de residência em seu território e, em alguns casos, a própria cidadania. No mapa da Europa, multiplicam-se as modalidades de vistos especiais para investidores em países como Portugal, Espanha, Irlanda, Grécia, Malta, entre outros. Nos Estados Unidos, um programa criado na década de 1990, sem maior alarde, registra aumento significativo no número de interessados, principalmente chineses.

O polêmico mercado — que, na avaliação de críticos, transforma a cidadania em um bem comercializável — começa, aos poucos, a atrair a atenção de brasileiros endinheirados, em busca de vida nova no exterior ou dos benefícios de um passaporte europeu ou americano.

Em Portugal, 39 brasileiros já receberam autorização especial de residência, com investimentos de € 37 milhões, a maioria deles no mercado imobiliário. O Brasil é a terceira nacionalidade em número de autorizações, atrás de China e Rússia, e a segunda em capital transferido, segundo dados do Consulado Geral de Portugal em São Paulo.

Com o programa criado em outubro de 2012, Portugal já recebeu € 842 milhões em investimentos. Para obter a autorização, é necessário comprar um imóvel de ao menos € 500 mil (R$ 1,5 milhão, equivalente ao preço médio de um apartamento de três quartos em Botafogo, Zona Sul do Rio) ou investir € 1 milhão (R$ 3 milhões) no mercado financeiro ou abrir um negócio que gere a contratação de ao menos dez funcionários. Após cinco anos, é possível solicitar uma autorização permanente de residência e, a partir do sexto ano, a cidadania. Não é preciso nem mesmo morar de fato no país. No primeiro ano de residência, basta comprovar estadia de sete dias. O benefício pode ser estendido ao marido ou esposa e aos filhos, em determinadas condições, após o pagamento de uma taxa.

Portugal: após 6 anos, cidadão europeu

Segundo Pedro Osório Cordeiro, gerente da imobiliária portuguesa House & Home, a maioria dos mais de 1.100 chineses que receberam autorização de residência comprou imóveis e, em seguida, os colocou para alugar. Já os brasileiros escolhem propriedades no Centro de Lisboa ou em condomínios de Cascais para usar como segunda casa ou para férias. É o caso de um cliente paulista que pediu para não ser identificado. Desiludido com o Brasil, comprou um imóvel de 200 metros quadrados em Cascais. A meta é deixar de lado a preocupação com segurança — no Brasil, ele circula em carro blindado — e dividir o tempo entre São Paulo e Lisboa. Um dos pontos decisivos para escolher o investimento foi o passaporte europeu. Com o programa, é possível circular munido só de um cartão de identificação no chamado espaço Schengen, que abrange 25 países europeus.

— Muitos desses esquemas exigem que ao menos parte do investimento seja feito em imóveis. Isso representa uma tentativa de reanimar mercados imobiliários fortemente atingidos pela crise. Em outros países, como Chipre, o investimento pode incluir depósitos num banco local. Essas instituições estiveram perto de quebrar há pouco tempo. Para mim, esses esquemas podem ser vistos como uma pequena parte, embora de valor simbólico significativo, de uma tentativa mais ampla de reanimar um modelo econômico que sob muitos aspectos fracassou — afirma Owen Parker, professor do Departamento de Política da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, que prepara um livro sobre os programas de visto para investidores.

Mas mesmo com um benefício à economia local, a proliferação desse tipo de programa na Europa não é isenta de polêmica. Em Malta, a cidadania era concedida logo após a realização do investimento. Após críticas da vice-presidente da Comissão Europeia, Viviane Reding, que fez um discurso intitulado “A cidadania não pode ser posta à venda” no Parlamento Europeu, em janeiro, a legislação foi alterada e, agora, determina que o interessado precisa mostrar vínculos com o país. É preciso esperar um ano antes de pedir cidadania, embora não seja necessário morar no país durante os 365 dias.

Jelena Dzankic, pesquisadora do Instituto Universitário Europeu, na Itália, ressalta que as regras de cada país para conceder vistos a investidores refletem a extensão dos danos causados pela crise em cada economia. Embora cada membro da União Europeia tenha o direito de determinar suas regras de cidadania, a distribuição de vistos sem exigências de integração com a comunidade, como o aprendizado do idioma local ou um prazo mínimo de moradia, mais comum em países periféricos, muda as regras do jogo.

— Os passaportes desses países se tornaram mais valiosos em virtude de sua associação com a cidadania europeia. Já a cidadania, que significa mais do que um passaporte, foi desvalorizada — diz Jelena.

Nos EUA, o programa de vistos E-B5 abre um caminho para quem quer obter a autorização permanente para morar e trabalhar, mais conhecido como Green Card, ou até mesmo a cidadania americana. É necessária uma aplicação mínima de US$ 500 mil (R$ 1,12 milhão) na abertura de um negócio ou num empreendimento em curso em áreas de taxa elevada de desemprego, que resultem na criação de ao menos dez postos de trabalho. Segundo dados do Departamento de Serviços de Imigração e Cidadania dos EUA, desde 2009, 97 brasileiros obtiveram o visto. Os investidores têm direito a um visto de moradia e trabalho, por dois anos, e que após esse prazo pode ser transformado em autorização permanente. Em cinco anos, já é possível dar entrada ao pedido de cidadania.

Segundo Renata Castro, consultora da Exclusive Visas, que dá suporte a investidores que buscam um segundo passaporte, nos últimos anos mudou o perfil dos interessados brasileiros:

— De três anos para cá, aumentou a procura de pessoas de classe média alta. Na maior parte dos casos, vítima ou com medo de sofrer violência — afirmou, lembrando que antes a demanda estava restrita a milionários.

Muitos já chegam ao país planejando oportunidades de trabalho. Foi o caso da pedagoga Katia Franhani. Ela e o marido decidiram, no ano passado, conquistar o E-B5. Venderam o apartamento em Perdizes, Zona Oeste da capital paulista, e usaram todas as economias para investir no sonho americano, que inclui, além do Green Card, uma casa num condomínio em Winter Garden, cidade ao lado de Orlando. É lá que o casal espera que os filhos de 7 e 14 anos tenham acesso a uma melhor educação. Na empreitada, ela também convenceu os pais a realizarem o mesmo investimento — a ampliação de um hospital no estado do Alabama.

— Não vamos ter que lidar tão cotidianamente com a falta de segurança que sentíamos em São Paulo — disse a pedagoga, que planeja abrir um negócio na área de saúde ou educação para atender os brasileiros que vivem na região.

Quem já esteve em situação parecida foi o empresário Flávio Augusto da Silva, ex-dono da Wise Up e que, entre 2009 e 2012, morou nos EUA com a mulher e optou pelo visto EB-5. Na época, o investimento foi feito em uma estação de esqui no estado de Vermont:

— Queria ir para os EUA com visto de residência, mas num primeiro momento fui só para morar. Só depois comecei a abrir unidades da Wise Up por lá.

Brasileiros miram educação dos filhos

De investidor em um EB-5, Silva pode ficar em breve na outra ponta. No ano passado, após vender a escola de inglês para a Abril Educação, comprou um time de futebol, o Orlando City — equipe que é dona do passe do jogador brasileiro Kaká. O desafio é construir um estádio de 25 mil lugares para o time, obra avaliada em US$ 110 milhões. Parte será bancada pelo governo da Flórida e outra, por investidores privados (sendo ele mesmo um deles). Silva não descarta que parte dos recursos venha de investidores em busca do EB-5.

Roger Bernstein, advogado americano especializado em imigração, diz que os chineses dominam os pedidos por visto de permanência nos Estados Unidos. Foram mais de 6 mil emissões para chineses de um total de 8.543 vistos desse tipo concedidos no ano passado. Entre os brasileiros, um dos pontos de destaque é o interesse em colocar os filhos em universidades americanas. Como residentes permanentes, o valor das mensalidades cai:

— O Brasil está entre os três países do continente que mais solicitam esse tipo de visto, atrás de México e Venezuela.

O vice-presidente da Westchester Financial Group, Octavio Cardoso, afirma que um projeto deste tipo requer folga no orçamento, já que o dinheiro investido terá baixo rendimento, não pode ser sacado antes do prazo e há o risco de não recuperar todo o montante investido:

— Recomendamos que a família tenha ao menos US$ 2 milhões de patrimônio.

Outro empecilho é o lado fiscal. Segundo ele, muitos desistem quando descobrem que a incidência de impostos pode ser grande. Isso acontece quando a pessoa opta por deixar parte do patrimônio ou renda no Brasil e outra parcela nos Estados Unidos. Quando isso ocorre, há risco de bitributação, já que o governo americano não aceita fazer compensação de certas taxas.

oglobo.globo.com | 24-08-2014
Entrada do pavilhão ucraniano do Centro Panrusso de Exibições. Parque temático passou por reformas e tem atraído milhões de visitantes - Nickolas Titkov / Wikimedia Commons

MOSCOU — O Centro Panrusso de Exibições (VDNKh, na sigla em russo), vitrine dos feitos do comunismo, criado em 1939, em Moscou, está renascendo das cinzas depois de passar os últimos 23 anos abandonado, após a desintegração da União Soviética.

Visitantes passeiam por avenidas reasfaltadas entre pavilhões e fontes, visitam exposições científicas e se divertem com atrações instaladas sob o imponente arco que adorna a entrada do parque.

No centro do parque temático de 237 hectares, o pavilhão principal abriga uma exposição que celebra a História das grandes exibições populares.

Mais adiante começa a área dedicada aos pavilhões das repúblicas soviéticas. Ainda há andaimes no pavilhão da BielorRússia e se ouve o barulho de britadeiras em alguns pontos próximos ao lendário monumento “Trabalhador e mulher colcoziana”, uma obra do realismo socialista realizada pela escultora Vera Mukhina em 1937.

No fundo, um imenso pavilhão apresenta uma exposição de veículos soviéticos. Um gigantesco foguete Soyuz domina o espaço vizinho, dedicado à conquista espacial, grande orgulho da União Soviética.

— Essas reformas eram indispensáveis — diz Svetlana, de 50 anos, ao lado do foguete espacial Burán, o mais caro da História soviética. — Já tinha visitado o parque, mas tudo estava destruído. Havia quiosques e tendas, que não tinham nada a ver com este lugar.

As autoridades não pouparam esforços para renovar o centro de exposições, um dos locais mais retratado pelo cinema soviético. A prefeitura de Moscou recuperou o controle do parque, que era controlado por acionistas privados desde novembro de 2013. As reformas, que começaram em abril de 2014, após uma visita do prefeito Serguei Sobianin, mobilizaram cerca de 6 mil visitantes, e no dia 15 de maio, o parque recuperou seu nome histórico: VDNKh, ou “Exposição de Feitos da Economia Nacional”.

As reformas do parque temático acontecem em um momento que o debate político sobre autosuficiência e patriotismo econômico ganha força como resposta às sanções internacionais aplicadas contra a Rússia por seu apoio aos separatistas no Leste da Ucrânia.

Mais de 3 bilhões de rublos (R$ 187 milhões) foram investidos para transformar este cemitério de elefantes soviéticos em um dos pontos mais visitados da capital russa. Entre 1º e 3 de agosto, três milhões de moscovitas foram conferir as renovações do parque durante o 75º aniversário do VDNKh. As obras durarão até 2015, e o orçamento total chegará a 71 bilhões de rublos (R$ 4,5 bilhões). As renovações fazem parte de um grande plano de renovação dos parques da cidade iniciada pela prefeitura em 2011. Além do parque temático soviético, mais de seis quilômetros de vias para pedestres devem ser inaugurados esse ano.

Seguindo essa política, o Parque Gorky se transformou em local imperdível nos últimos anos, assim como o centro cultural Krasniy Oktyabr (“Outubro Vermelho”), localizado em uma antiga fábrica de chocolates de tijolos vermelhos, no coração de Moscou, que se transformou no epicentro das atividades artísticas na Rússia.

oglobo.globo.com | 24-08-2014

WASHINGTON - A reunião dos banqueiros centrais realizada nesta sexta-feira em Jackson Hole, no estado americano de Wyoming, não está exatamente sendo caracterizada pelo consenso. Muitos deles caminham em direções opostas em suas políticas monetárias para lidar com os efeitos da crise global.

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) começa a se preparar para cortar seu apoio econômico. Na contramão, o Banco Central Europeu (BCE) vem considerando adotar mais estímulos. No mesmo caminho segue o Banco do Japão. Já o Banco da Inglaterra parece seguir em direção ao aumento das taxas de juros.

E não são apenas os bancos centrais das grandes economias que parecem seguir em direções distintas.

Janet Yellen, presidente do Fed, conversa com seu colega do BCE, Mario Draghi, na conferência econômica de Jackson Hole - Bradly J. Boner / Bloomberg

Este ano, os bancos centrais de México, Suécia e Coreia do Sul, entre outros, cortaram suas taxas de juros. Outros — como Rússia e África do Sul, por exemplo — subiram.

Um longo caminho foi percorrido desde 2008, quando as principais instituições monetárias fizeram esforços coordenados, após o estouro da crise financeira global. À medida que os governos reduziam suas taxas de juros e injetaram dinheiro para estimular a economia, os bancos centrais reduziram juros para destrancar o crédito e evitar uma depressão similar à de 1930.

As estratégias atuais dessas instituições não estão livres de riscos. Considere-se, por exemplo, o que aconteceu nos mercados emergentes depois que as autoridades do Fed sinalizaram que iriam começar em breve a reduzir o ritmo de compras mensais de bônus. Essas compras visavam a manter as taxas de empréstimos a longo prazo dos Estados Unidos para encorajar o financiamento e fomentar o crescimento.

POLÍTICAS DISTINTAS

Com o prospecto de ganhos maiores dos bônus americanos, alguns mercados emergentes mergulharam em parafuso. Os investidores tiraram suas aplicações desses países, temendo que o valor de seus investimentos despencaria com a fuga de capital para os Estados Unidos.

Algumas nações em desenvolvimento responderam elevando suas próprias taxas de juros e fortalecendo suas moedas. O tumulto foi temporário, mas ele mostrou o que poderá acontecer depois que o Fed encerrar as compras de bônus e eventualmente elevar a taxa básica de juros — algo que o banco central americano afirma que vai demorar “um tempo considerável”, depois do fim das compras de bônus.

Muitos economistas afirmam que os bancos centrais não têm opção, exceto buscar estratégias divergentes sobre taxas de juros agora por causa das variadas taxas de crescimento de suas economias.

— Isso apenas reflete os estágios da recuperação econômica em diferentes partes do mundo — disse Stuart Hoffman, economista-chefe do PNC Financial Services Group. — A recuperação dos Estados Unidos está bem mais adiantada do que aquelas de Europa e Japão.

Sung Won Sohn, professor de Economia na Califórnia State University, Channel Islands, observou que os Estados Unidos agiram mais rapidamente do que outros para estimular o crescimento com uma agressiva política de baixos juros. Os reguladores americanos também têm sido mais incisivo nos requerimentos sobre os bancos americanos para aumentar capital e lidar com maus empréstimos. Essas ações contribuíram para fortalecer o crescimento americano, disse ele.

Os prospectos de um crescimento mais saudável e a probabilidade de uma taxa de juros mais alta poderá tornar os Estados Unidos crescentemente mais atraente para os investidores. Sohn e Hoffman pensam que o dólar americano vai se valorizar, sobretudo contra o iene do Japão e a moeda comum europeia, o euro, à medida que os investidores migrarem para os títulos americanos.

oglobo.globo.com | 22-08-2014

LINDAU (ALEMANHA) - Ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca no governo Bill Clinton e ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2001, o economista Joseph Stiglitz aprovou e apoiou a proposta de troca de títulos feita pelo governo de Cristina Kirchner. O especialista vem se mostrando simpático à Argentina e já criticou a decisão do juiz Tomaz Griesa que obriga a Argentina a pagar os “fundos abutres” ao mesmo tempo em que quitar os compromissos com os credores que aderiram às reestruturações da dívida.

“Do ponto de vista econômico, foi feito o que é recomendável. Se tenho uma ativo e quero trocá-lo voluntariamente por outro, não vejo razão para não fazê-lo. É a base da economia”, afirmou, em entrevista ao jornal argentino “Ambito Financeiro”.

“De uma perspectiva global, não é possível entender por que um juiz chega a ter o direito de julgar sobre qualquer título no mundo. A extraterritorialidade deveria ser inaceitável”, disse Stiglitz, para quem a Argentina não está em default e chama da situação de “Griesa´s fault”, um trocadilho de “fault” (culpa de Griesa) com “default” (calote).

Sobre eventuais consequências econômicas da troca de jurisdição, Stiglitz se mostrou otimista. “Não posso opinar sobre o que acontecerá com os pontos legais porque não sou especialistas. Mas, de uma perspectiva histórica, os mercados só se interessam por uma coisa: a capacidade de pagamento da dívida. Em geral, logo após uma reestruturação, como a da Rússia ou da Grécia, é possível voltar aos mercados internacionais de maneira bastante rápida, geralmente em dois anos”, afirmou, conforme o periódico argentino. “É por isso que esta decisão não provocará efeitos adversos para o país, no sentido de conseguir financiamento nos mercados internacionais. A Argentino demonstrou, nos últimos anos, a vontade e a capacidade de pagar.”

oglobo.globo.com | 21-08-2014
Ann Lee: ‘O caminho do Brasil é fazer pesquisa junto com a China’ - Divulgação

RIO - Professora da Universidade de Nova York diz que Brasil deve aproveitar transição verde na economia chinesa. Americana nascida na China, a economista Ann Lee dará palestra nesta quarta-feira, no Ibmec do Rio, sobre os desafios que a ascensão chinesa impõe ao mundo.

O que o Brasil pode aprender com a China?

A China tem uma abordagem bastante aberta e experimental à implementação de políticas públicas. Em vez de basear suas escolhas em ideologia, seu método é científico. Eles dizem: “OK, não sabemos se isso vai funcionar, mas vamos tentar em algumas cidades ou províncias”. Depois, um grupo independente de especialistas avalia se aquilo dá certo, como no caso das Zonas Econômicas Especiais. Nos EUA e em outras democracias, as ideias são discutidas mas não são testadas. Além disso, o país tem sido muito sistemático no envio de membros do governo e estudantes ao exterior para experimentar outras culturas e ver como outros países fazem as coisas.

O Brics (que reúne Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul) fundou um banco de desenvolvimento, mas muita gente ainda duvida do seu potencial.

É claro que ainda há muitas diferenças entre o Brics, e histórico de tensões, como entre a China e a Índia. E o Brasil, com exceção do comércio, não se internacionalizou em outras áreas. Essas grandes diferenças podem criar problemas no financiamento de projetos.

Como os EUA viram a criação do banco?

Eles nunca acharam que iria sair do papel, porque os EUA subestimaram a China desde o começo. Eu não descarto a possibilidade de os EUA tentarem atrapalhar a iniciativa. Os americanos têm um histórico nisso, como quando, nos anos 1960, estimulou a Índia a causar problemas à China no Tibete. Os EUA tentarão de tudo para impedir qualquer grupo ou país que tente desafiar sua superioridade militar.

Há uma campanha americana contra a China?

Sim, porque os EUA estão bastante preocupados com a ascensão chinesa. Desde a Segunda Guerra, os americanos são a potência incontestável. E agora, pela primeira vez, há a possibilidade de a China ultrapassá-los na economia daqui a menos de uma geração. Isso perturba especialmente porque os EUA passam por um momento de disfunção política, desindustrialização, imobilidade social e deterioração do padrão de vida.

Uma nova Guerra Fria poderia eclodir?

De certa forma, já estamos nela. O conflito dessa vez é entre Ocidente e Oriente, que inclui muçulmanos, chineses e russos. Mesmo que a China seja muito diferente da União Soviética em termos militares, o modelo de abordagem americana é o mesmo, porque já funcionou.

A China também não teria interesse nessa tensão?

Não, tem zero interesse, porque a China sabe que é completamente vulnerável aos EUA, pois está pelo menos 25 anos atrás em poderio militar. Hoje, seriam completamente destruídos. Os chineses sabem que só poderão continuar crescendo se houver paz no mundo.

É perigoso para o Brasil depender tanto do PIB chinês?

É preciso ter em mente que a China passa por uma transição. O país cresceu rápido com um modelo de exportação, baseado em mão de obra barata, mas isso não funciona mais porque EUA e Europa não estão crescendo e a população está envelhecendo rapidamente. Então, a China precisa depender mais de sua demanda interna. Por isso os veremos importando cada vez mais nas próximas décadas, e isso será uma grande oportunidade para países como o Brasil.

Como o Brasil pode se beneficiar?

As commodities brasileiras continuarão importantes, só que a China reciclará mais. Eles entenderam que o crescimento até aqui não foi sustentável, e o governo passou a direcionar investimentos para energia limpa. Eles já investem mais em energia eólica do que todos os outros países juntos. Uma grande oportunidade para empreendedores são os parques eco-industriais, que terão projetos-piloto em lugares como Beijing e Hubei. E o Brasil tem expertise nessa área.

O Brasil deveria então investir na exportação de produtos tecnológicos ligados à economia verde?

O caminho para o Brasil é realizar pesquisa científica em conjunto com a China nessas áreas. Essa é uma das pontes possíveis para sair do modelo de exportação de commodities para um maior patamar tecnológico. Foi isso o que a China fez com a Alemanha, e é isso o que o Brasil pode fazer com a China.

A economia chinesa está desacelerando. O tempo de crescimento de dois dígitos ficou no passado?

Como eu disse, eles estão passando por uma transição. Quando ela estiver completa, a China pode muito bem decolar de novo, se conseguir reunir todos os talentos necessários para impulsionar o setor de serviços que ainda está muito atrás dos outros. A, China está injetando tanto dinheiro em pesquisa e desenvolvimento que pode surgir de lá, por exemplo, a próxima internet ou algo parecido.

oglobo.globo.com | 19-08-2014

RIO - O primeiro alerta veio da fabricante de relógios suíça Swatch. Depois foi a vez da francesa LVMH, dona das marcas Louis Vuitton e Givenchy, entre outras grifes. Mês passado, o grupo Kering — que tem a Gucci sob seu guarda-chuva — se juntou ao coro. Ao divulgar seus resultados financeiros, esses grupos traçaram um cenário nada alentador para o mercado de luxo. O porquê? Os dois países que lideram o consumo mundial nesse nicho, China e Rússia, vêm enfrentando questões políticas, com reflexos sobre o topo da pirâmide social. Consultorias já apontam desaceleração nas vendas globais do segmento, com crescimento entre 4% e 6% em 2014, ante 6,5% em 2013.

Na China, o freio no consumo de luxo tem relação com denúncias de corrupção contra a chamada “nobreza vermelha”. Elas ganharam peso a partir de janeiro, com a publicação, em jornais, de documentos revelando que a elite chinesa escondia milhões de dólares em paraísos fiscais. No esquema de corrupção, ao menos 13 parentes de ex e atuais dirigentes do Partido Comunista são acusados de manter patrimônio no exterior de forma suspeita.

Diante da repercussão desse e de outros escândalos, o governo iniciou investigação para apurar as denúncias. Com isso, não apenas a fonte de recursos para a compra de artigos de luxo minguou, como houve reação de manifestantes pró-democracia em Hong Kong. A agitação política na ilha, considerada a Miami chinesa, tem afastado compradores.

— O consumo, seja ele de luxo ou não, é uma atividade emocional. Qualquer problema ou desconforto mexe com a segurança do ser humano, o que tende a reduzir o impulso pelo consumo. No caso chinês, há ainda um agravante, pois muitas das pessoas que consumiam itens de luxo estavam de alguma forma ligadas a esse esquema de corrupção — avalia Carlos Ferreirinha, da MCF Consultoria.

Efeito de desvalorização de moedas

Os efeitos das manifestações em Hong Kong foram visíveis no balanço financeiro do segundo trimestre da Swatch. Em maio, a venda de relógios, joias e presentes caiu 25% na ilha, que é destino de 20% das exportações de relógios do grupo. O sinal amarelo também acendeu na LVMH.

— Levará alguns meses, senão alguns trimestres, para que a situação se normalize — disse o diretor financeiro da LVMH, Jean-Jacques Guiony, referindo-se à agitação política na ilha e seus efeitos sobre as vendas do grupo, quando da divulgação de resultados, no fim de julho.

O movimento de desaceleração no consumo na China foi capturado na pesquisa “Global Luxury Goods Worldwide Market Study”, divulgada em maio pela Bain & Company. No estudo, a consultoria diz que “a repressão contra a corrupção faz as vendas caírem”. A previsão de crescimento do mercado de luxo chinês para 2014 é de 2% a 4%, abaixo do ritmo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos) do país, que ficou em 7,5% no segundo trimestre.

Na Rússia, a estimativa é de queda de 4% a 6% nas vendas de itens de luxo em 2014. O país enfrenta violento conflito com a Ucrânia, após o então presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, ter se recusado, em novembro, a assinar acordo de livre comércio com a União Europeia (UE). A divergência fomentou grupos separatistas ucranianos pró-Rússia. Estados Unidos e UE impuseram sanções à Rússia, o que deve agravar a situação econômica.

— As sanções não afetam diretamente o mercado de luxo, mas abalam a economia, o que afeta a confiança — diz Massimo Mazza, líder da área de bens de luxo na América Latina da McKinsey.

A instabilidade político-econômica na Rússia afetou o desempenho da Gucci na Europa. François-Henri Pinault, presidente do grupo Kering, disse que o consumo de luxo na continente foi “lento” no primeiro semestre deste ano por causa da queda no fluxo de turistas russos e japoneses.

Mazza cita a desvalorização das moedas em países como Rússia, China e Brasil como fator que contribui para o desaquecimento do mercado. Com moeda fraca, o poder de compra da população desses países cai, já que muitos itens são importados. Em 2013, 330 milhões de consumidores no mundo movimentaram € 217 bilhões ao adquirir artigos de luxo, segundo a Bain & Company.

oglobo.globo.com | 17-08-2014
Presidente da CBF, José Maria Marin entrega camisa à presidente da GM, Mary Barra - Divulgação

RIO - A CBF anunciou nesta sexta-feira, em São Paulo, seu 14º patrocinador: a empresa norte-americana General Motors. O patrocínio será estampado em shorts de treino, agasalhos, no ônibus oficial da Seleção e também em placas publicitárias. A empresa substitui a Volkswagen, que teve seu contrato encerrado após a Copa do Mundo.

Estiveram presentes no evento, além do mandatário da CBF, José Maria Marin, a presidente da GM, Mary Barra, o presidente da Chevrolet no Brasil, Santiago Chamorro e o presidente da empresa na América do Sul, Jaime Ardila. Chamorro acredita que a parceria vai inspirar a seleção brasileira em seu novo ciclo.

- Estamos orgulhosos de unir duas marcas fortes e queridas pelos brasileiros nesta parceria, que reforça ainda mais a presença da Chevrolet no futebol. Acreditamos que o espírito de engenhosidade e criatividade da Chevrolet vão inspirar a seleção brasileira a trilhar novos caminhos de superação e êxito - disse Chamorro.

Segundo Marin, o interesse da montadora norte-americana mostra que o futebol brasileiro não perdeu seu prestígio internacional. Segundo ele, outras empresas de grande porte estão fazendo contatos com a CBF para se tornar patrocinadores da seleção. Ele afirmou também que o número de convites para amistosos aumentou após o Mundial.

- A GM está disposta a fazer grandes investimentos no Brasil, como disse a presidente da empresa, o que torna sintomática a ação da marca Chevrolet se associar à marca seleção brasileira. Isso mostra, de maneira inquestionável, que o futebol brasileiro continua desfrutando do prestígio de sempre em todo o mundo. Por comparação, a seleção brasileira está recebendo convites para disputar amistosos em maior número do que acontecia antes da Copa. Isso nos deixa muito felizes e confiantes em prosseguir o trabalho na nossa administração.

A estreia da parceria acontece no amistoso contra a Colômbia, nos Estados Unidos, no dia 5 de setembro. O contrato de cinco anos, abrange as Olimpíadas de 2016 e a Copa de 2018 na Rússia.

oglobo.globo.com | 15-08-2014
O presidente da CBF, José Maria Marin, entrega camisa autografada da seleção brasileira de futebol para a CEO da GM, Mary Barra - Divulgação

SÃO PAULO - A General Motors (GM) é a nova patrocinadora da seleção brasileira de futebol pelos próximos cinco anos. A montadora americana substitui a alemã Volkswagem, que patrocinou o time brasileiro até o mês passado, quando terminou a Copa do Mundo no Brasil. Curiosamente, a parceria com os alemães termina depois da goleada de 7 a 1 da seleção da Alemanha no Brasil.

O anúncio foi feito nesta sexta-feira pela presidente mundial da GM, Mary Barra, durante entrevista no centro tecnológico da montadora em São Caetano do Sul, no ABC paulista. Na quinta, a CEO da GM anunciou, em Brasília, em encontro com a presidente Dilma Rousseff, que pretende fazer investimentos de R$ 6,5 bilhões no país, nos próximos cinco anos.

Mary recebeu uma camisa da seleção autografa pelos jogadores das mãos do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin, selando a parceria. O contrato, cujo valor não foi revelado, também contempla a equipe feminina de futebol pelo mesmo período.

A gravata dourada da Chevrolet, a marca mais popular da GM e conhecida dos brasileiros, foi escolhida para ser estampada nos calções de treino e nos agasalhos dos jogadores, além de ilustrar as placas publicitárias e o ônibus da seleção. A estreia do patrocínio será já no jogo do Brasil com a Colômbia, no dia 5 de setembro, em Miami, nos Estados Unidos. O período de patrocínio também inclui os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio, e a Copa do Mundo de 2018, na Rússia.

— Estamos orgulhosos de unir duas marcas fortes e queridas pelos brasileiros nesta parceria, que reforça ainda mais a presença da Chevrolet no futebol. Acreditamos que o espírito de engenhosidade e criatividade da Chevrolet vão inspirar a seleção brasileira a trilhar novos caminhos de superação e êxito — afirmou Santiago Chamorro, presidente da GM do Brasil.

Procurada, a Volkswagen disse que a parceria com a CBF foi firmada em 2009, com objetivo específico de patrocinador na Copa do Mundo no Brasil. Segundo a montadora, com atributos de uma marca tão integrada ao país e fabricante do modelo Gol, era fundamental estar ao lado da seleção brasileira em uma Copa no Brasil. “Assim”, diz a nota, “conforme planejado, e após o sucesso do patrocínio em dois mundiais, a empresa conclui sua participação de forma muito satisfatória.”

oglobo.globo.com | 15-08-2014

A economia da zona do euro registrou estagnação no segundo trimestre do ano, pressionada pela contração na Alemanha e pela falta de crescimento na França. O resultado divulgado pela agência de estatísticas Eurostat nesta quinta-feira foi um alarme para políticos e autoridades econômicas da região de 18 países, que já se prepara para o impacto [...]

O post UE impõe sanções à Rússia mas o tiro saiu pela culatra apareceu primeiro em Jornal Correio do Brasil.

correiodobrasil.com.br | 14-08-2014
Transação pode elevar o valor da Cavalli a € 833 milhões - Vincent Mundy / Bloomberg

RIO - O VTB, segundo maior banco estatal da Rússia, que tem sido alvo de sanções dos Estados Unidos e da União Europeia, está em negociações para comprar uma fatia controladora na casa de moda italiana Roberto Cavalli. A informação, divulgada nesta terça-feira por reportagem do The Wall Street Journal, é de uma fonte familiriazada com as transações.

As negociações, que começaram antes da introdução das sanções, estão avançando, mas os dois lados ainda estão discutindo um preço para a participação de 60%. A fonte confirmou para uma reportagem do jornal diário russo Vedomosti que o negócio pode valer até € 500 milhões, o que iria valorizar a empresa em € 833 milhões.

Enquanto as sanções contra a Rússia parecem ter despertado a ira de sua liderança, elas estão longe de acabar o comércio entre a Rússia e o Ocidente. A União Europeia depende do país para uma parte substancial das suas importações de energia, e, embora possa tentar diversificar as fontes, essa é uma solução de longo prazo, que requer novos investimentos em infraestrutura e da vontade política de pagar preços mais elevados. Os Estados Unidos, por outro lado, têm os negócios com a defesa russa e com as indústrias aeroespaciais que não podem ser encerrados de um dia para o outro.

oglobo.globo.com | 12-08-2014
O crescimento económico da Rússia, afetado pela crise ucraniana, abrandou no segundo trimestre para 0,8% em comparação com o período homólogo de 2013, de acordo com números divulgados hoje pelo instituto de estatísticas Rosstat.
www.rtp.pt | 12-08-2014
Aeronave E-195 da Embraer - Divulgação

SÃO PAULO - O fraco desempenho da economia brasileira no primeiro semestre do ano derrubou pela metade as vendas de jatos executivos da Embraer em relação ao mesmo período do ano passado. A informação é do presidente de Aviação Executiva da companhia, Marco Túlio Pellegrini. Segundo ele, além da desconfiança dos empresários brasileiros com os rumos da economia do país, a desaceleração da demanda dos outros países do Brics (Rússia, China e Índia) também ajudou na redução expressiva das vendas de aeronaves de pequeno porte. Mesmo assim, ele espera uma recuperação desse mercado até o final do ano, puxada pela retomada da confiança dos empresários e de um desempenho melhor das economias da Europa e Estados Unidos.

— Os clientes continuam interessados, só não estão comprando por conta dessa desconfiança dos empresários na economia. Tínhamos uma expectativa de que o mercado iria bombar este ano com China, Brasil e Índia, mas acabou não se concretizando. Agora, esperamos que a feira (Labace) nos mostre uma tendência de retomada nas vendas — disse Pellegrini nesta segunda-feria, durante entrevistas a jornalistas na Labace, maior evento da aviação executiva do país, que começa amanhã no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Segundo o executivo da Embraer, o mercado mundial de jatos executivos tem potencial de vendas de pouco maias de 9 mil unidades ao longo dos próximos dez anos, o que deve movimentar US$ 265 bilhões. Os Estados Unidos lidera o mercado de jatos executivos , com 50% das vendas, e a América Latina, tem 9%. Pellegrini também espera que o Brasil ultrapasse o México em número de jatos. Hoje, os dois países juntos somam cerca de 800 aeronaves, com frotas praticamente iguais. Somente na América Latina, o número de jatos chega a 890 unidades. A Embraer também está apostando no lançamento do jato Legacy 500 para impulsionar suas vendas a partir da Labace, que servirá de termômetro de uma possível retomada da demanda por jatos no país.

oglobo.globo.com | 11-08-2014

Naadia quer chegar a algum lugar. Para isso, a dupla russa formada por Nadezda Gritzke (sintetizadores) e Mariia Teriaeva (guitarra e violão) escolheu o metrô de Moscou como plataforma para divulgar o seu trabalho. Ao menos duas vezes por semana, as duas montam seus equipamentos em estações como Komsomolskaya, com seus imponentes corredores, e tentam capturar a atenção de alguns dos nove milhões de passageiros que frequentam o sistema, inaugurado em 1935. Ali, em apresentações curtas, que não duram mais de 45 minutos, elas mostram as músicas de sotaque pop eletrônico que estão gravando há quase um ano — James Blake e Caribou são suas principais influências — e vão estar em seu primeiro álbum independente, ainda sem previsão de lançamento.

— Mas não é nada fácil. Perto dos trilhos, é proibido tocar, cantar e fazer qualquer tipo de manifestação artística — conta Nadezda. — Só conseguimos tocar nos corredores e sempre de forma tensa, com medo de a segurança vir e confiscar os equipamentos. Mesmo assim, quando alguém para e se interessa pelo nosso som, vale a pena todo esse risco.

REAÇÕES ESPONTÂNEAS

A próxima parada da Naadia é o Rio, onde a dupla se apresenta, a partir de amanhã, como uma das nove atrações internacionais e três locais do Sounderground, festival de músicos do metrô patrocinado pela Red Bull. O evento — que vai se espalhar por seis estações até sexta-feira, com estilos que vão do rock instrumental ao tango e sons barrocos — serve como um pequeno exemplo da vida de músicos de rua do mundo todo, uma prática milenar que vem ganhando novos contornos com a ascensão das mídias sociais, que têm ajudado tais artistas a ecoar seus trabalhos para bem além desses barulhentos ambientes de trabalho.

— Tocar na rua gera uma reação espontânea. Ninguém ali é seu amigo ou está ali porque foi convidado. Se alguém parar para elogiar ou ouvir sua música, é porque está sendo sincero — afirma Antonio Paoli, baixista do Astro Venga, que se apresenta em lugares como o Largo da Carioca e a Praça Quinze e se define como “um grupo móvel sustentável”. — Não estamos virtualmente presos a nada ou a ninguém. Somos livres. Estamos nas ruas e nas redes sociais.

Formado no Rio há pouco mais de um ano, o power trio chamou tanta atenção com seus incendiários sets de rock instrumental — cujos vídeos podem ser conferidos no YouTube — que já tem um álbum pronto, gravado ao vivo, apropriadamente intitulado “Explodiram a Perimetral”, com versões de Jimi Hendrix, Stevie Wonder e Tim Maia, cujas mil cópias promocionais foram bancadas por uma rede de lanchonetes. O grupo anda junto com Beach Combers, Tree e Dominga Petrona, entre outros, nos trilhos da revigorada cena musical de rua da cidade.

— Temos uma relação amigável e colaborativa com essas e outras bandas. Todos sabemos da importância de tocar nas ruas, onde às vezes as pessoas descobrem que gostam de um som que nem sabiam que gostavam. Só é preciso ir aonde elas estão. Nesse sentido, a Praça Quinze é perfeita, ali parece uma confluência de rios — garante Paoli.

O TOM DA DEMOCRACIA

Segundo Marcelo Beraldo, idealizador do festival, que chega pela primeira vez ao Rio após duas edições em São Paulo em 2010 e 2012, as diferentes percepções sentidas pela dupla russa e pelo trio carioca refletem as naturais variáveis de apresentações de rua.

— A presença de músicos, seja no metrô ou nas ruas, está ligada ao nível de liberdade e de democracia em cada país — diz ele, que visitou metrôs de 14 países para dar um formato ao Sounderground. — Londres, Paris e Barcelona, por exemplo, incentivam essa prática, enquanto cidades como Pequim e Moscou em geral a reprimem.

Após abandonar a Moldávia, ainda adolescente, em busca de trabalho, o acordeonista Anatol Eremciu passou pela França até chegar à Espanha, fixando-se em Barcelona, onde atua como professor do instrumento e toca sons do leste europeu no metrô e nas ruas da cidade.

— Em Barcelona, a organização dos músicos de rua é bem maior do que em Paris. Temos uma comissão, que verifica sempre as condições dos lugares onde vamos tocar e faz a ponte com a prefeitura para que tudo corra bem — conta ele. — A única coisa que não podemos organizar é a economia do país. Com a atual crise econômica, tem sido bem difícil ganhar dinheiro tocando nas ruas da Espanha. O momento é ruim para todos. Mesmo assim, essa é uma escola fantástica, de música e de vida. O melhor público é aquele que não espera nada de você.

ALGUMAS DAS ATRAÇÕES

Naadia. A dupla da Rússia posa nos imponentes corredores da estação de Komsomolskaya, em Moscou, onde costuma apresentar seu pop eletrônico ao menos duas vezes por semana, apesar da repressão das autoridades.

Astro Venga. Formado no Rio há pouco mais de um ano, o power trio de rock instrumental prepara o lançamento do seu primeiro álbum, gravado ao vivo, intitulado “Explodiram a Perimetral".

Anatol Eremciu. Nascido na Moldávia, o acordeonista fixou-se em Barcelona, na Espanha, onde toca sons do leste europeu. “Com a crise, tem sido difícil ganhar dinheiro nas ruas”, diz ele.

Nomadic Mystics. O grupo liderado por Tunde Jegede (foto) mistura ritmos africanos com jazz e funk, e é presença constante nas estações de metrô de Londres, na Inglaterra.

Akil Dasan. O cantor e instrumentista americano toca regularmente no metrô de Nova York, com músicas próprias e versões de Marvin Gaye, D’Angelo e Bruno Mars.

oglobo.globo.com | 10-08-2014

RELATÓRIO 14 155 O GLOBO 8/8/2014

1) CAPA – Brasil vende mais carne para Rússia

- Com as sanções a EUA e UE, Brasil deve vender mais US$ 500 milhões para os russos.

Crítica: falta dos artigos (provável má influência da tradução)

Melhor: Com as sanções aos EUA e à UE, o Brasil deve vender mais US$ 500 milhões para os russos.

2) PANORAMA POLÍTICO – p. 2 – Intercâmbio comercial

- A ministra da Defesa sueca, Karin Enströn, vista a Embraer na próxima segunda-feira para conhecer os cargueiros KC390.

Crítica: erro de grafia (digitação)

Certo: A ministra da Defesa sueca, Karin Enströn, visita a Embraer na próxima segunda-feira para conhecer os cargueiros KC390.

3) PAÍS – p. 3 – Dia de bater ponto

- Aécio vai a porta de fábrica e Dilma se reúne com centrais; ambos prometem garantir empregos e salários

Crítica: falta de vírgula antes do “e” (mudança de sujeito)

Certo: Aécio vai a porta de fábrica, e Dilma se reúne com centrais; ambos prometem garantir empregos e salários

4) PAÍS – p. 3 – Dia de bater ponto

- legenda da foto de cima: Segura peão. Aécio é erguido por operários, a quem prometeu crescimento econômico para garantir empregos

Crítica: falta da vírgula separando o vocativo e do ponto de exclamação

Certo: Segura, peão! Aécio é erguido por operários, a quem prometeu crescimento econômico para garantir empregos

5) PAÍS – p. 3 – Campos afirma que indústria brasileira vive pior momento em 40 anos

- Em um discurso que agradou a plateia de empresários e executivos...

Crítica: falta do acento grave (indicador da crase)

Certo: Em um discurso que agradou à plateia de empresários e executivos...

6) PAÍS – p. 4 – Voto útil

- Na disputa com Aécio Neves, a candidata-incumbente venceria hoje por uma diferença...

Crítica: erro de grafia: mau uso do hífen

Certo: Na disputa com Aécio Neves, a candidata incumbente venceria hoje por uma diferença...

7) PAÍS – p. 4 – Pedro Taques, do PDT, lidera em Mato Grosso

- terceira coluna: A pesquisa, encomendada pela TV Centro América, afiliada da Rede Globo está registra na Justiça Eleitoral...

Crítica: erro de grafia (digitação)

Certo: A pesquisa, encomendada pela TV Centro América, afiliada da Rede Globo está registrada na Justiça Eleitoral...

8) PAÍS – p. 8 – Réu do mensalão, José Genoíno cumprirá resto da pena em casa

- quinta coluna: Depois de preso, ele fez um curso de informática a distância, o que pode ser transformado em remissão...

Crítica: falta do acento grave recomendado (para evitar ambiguidade)

Certo: Depois de preso, ele fez um curso de informática à distância, o que pode ser transformado em remissão...

9) PAÍS – p. 11 – Meteorologia já prevê a mesma falta d’água em São Paulo em 2015

Crítica: incoerência no uso de “mesma” e falta de vírgula(s)

Certo: Meteorologia já prevê falta d’água igual em São Paulo, em 2015

Ou então: Meteorologia já prevê falta d’água igual, em São Paulo, em 2015

10) ECONOMIA – p. 26 – O tempo do emprego

- A questão chave é a expectativa.

Crítica: erro de grafia: falta do hífen

Certo: A questão-chave é a expectativa.

oglobo.globo.com | 09-08-2014

O clima de volta à Guerra Fria ganha força à medida que o Ocidente e a Rússia trocam chumbo devido à crise na Ucrânia. Moscou considerou uma afronta a aproximação entre a Ucrânia e a União Europeia, vista como uma intervenção num “espaço vital” russo, e passou a reagir de forma drástica e ameaçadora. Primeiro, reanexou a Crimeia, cedida em 1954; depois, enviou tropas com uniformes descaracterizados para “proteger a população russa do Oeste e Sul da Ucrânia”. A intenção, na verdade, é transformar essas regiões em satélites da Rússia ou, simplesmente, anexá-las. Os combates com forças ucranianas já mataram mais de 1.100 pessoas, com cerca de 300 mil refugiados.

Se o timing da aproximação Ucrânia/UE pode ser questionado, a reação do presidente russo, Vladimir Putin, não deixa dúvida sobre sua estratégia de usar seu comando imperial sobre o país para insuflar o nacionalismo russo contra supostas ameaças do Ocidente, conduzindo a crise ucraniana no fio da navalha: ora se mostra simpático a tentativas de cessar-fogo; mas mantém o suprimento de armas e apoio logístico a suas forças descaracterizadas. A crise chegou ao auge quando os rebeldes pró-Moscou, usando um míssil terra-ar russo, derrubaram um Boeing 777 da Malaysian Airlines no dia 17 de julho, matando as 298 pessoas a bordo.

A partir daí, e da relutância de Putin de ordenar a seus comandados permissão para total acesso de investigadores independentes ao local da queda do jato, os EUA e a UE adotaram sanções comerciais e financeiras pesadas contra a Rússia. O “czar” acaba de retaliar com o banimento de todas as importações de alimentos dos EUA, UE, Austrália, Canadá e Noruega, por um ano, medida que poderá beneficiar grandes exportadores de alimentos, como o Brasil. Na área militar, houve perigosos incidentes envolvendo aviões e navios americanos e russos, numa reedição de cenas da Guerra Fria.

Internamente, do ponto de vista político, tudo vai bem para Putin e sua democracia de fachada. Pesquisa do centro independente Levada, feita entre os dias 1º e 4º com 1.600 pessoas, atribuiu ao líder russo uma aprovação de 87%, resvalando a favor, também, do premier Dmitri Medvedev, que viu o seu índice subir de 48% (em janeiro) para 71% este mês.

O jogo de Putin, porém, tem alcance limitado. As sanções comerciais e financeiras contra empresas e pessoas têm um custo para o país, inclusive com aumento da inflação, o que poderá inverter a escalada da popularidade. A economia russa não tem hoje como sustentar uma guerra comercial e financeira contra o Ocidente, embora a Europa dependa do gás russo para 40% de seu abastecimento.

Putin, espião treinado, mantém o desafio para ver quem pisca primeiro. Suas chances não parecem boas.

oglobo.globo.com | 08-08-2014
Sanções foram impostas por esforço de Rússia para desestabilizar Ucrânia. Casa Branca disse que sanções não impactaram exportações dos EUA.
g1.globo.com | 07-08-2014
O presidente dos EUA Barack Obama disse nesta quarta-feira que as sanções contra a Rússia por seu apoio aos separatistas ucranianos estão prejudicando a economia russa, que estacionou.
atarde.uol.com.br | 07-08-2014
Vladimir Putin, em Voronezh, durante uma sessão do Conselho Estadual. Presidente ordenou medidas retaliatórias contra sanções que a Rússia recebeu dos Estados Unidos e da União Europeia - RIA Novosti / REUTERS

MOSCOU — O presidente russo Vladimir Putin assinou nesta quarta-feira um pacote de medidas para proteger a economia russa, que impõe a suspensão por um ano de alimentos e produtos agrícolas de países que participaram das sanções à Rússia. A ação foi motivada pela decisão de vários países de aplicar sanções devido à crise entre Rússia e Ucrânia, afirmou o Kremlin em sua página oficial na internet.

Embora as medidas entrem em vigor imediatamente, o governo tem a missão de elaborar uma lista concreta de importações a serem suspensas. O Kremlin espera conter a inflação e aumentar o número de produtos nacionais nas prateleiras russas.

Depois da emissão do decreto de Putin, a VPSS disse que irá discutir a opção de ampliar as importações de alimentos de Equador, Brasil, Chile e Argentina com os embaixadores destes países na quinta-feira.

Os produtores brasileiros poderiam enviar 150 mil toneladas adicionais de frango por ano para a Rússia para compensar a escassez, declarou o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, em São Paulo.

Na última semana, a União Europeia aprovou o pacote mais duro de sanções até agora, que atingiu os setores de energia, finanças e defesa da economia russa. Na última terça, antes de assinar as novas medidas, Putin declarou que a resposta russa deveria ser “cautelosa”.

— Obviamente temos que fazer isso de maneira cautelosa para apoiar os produtores domésticos sem atingir os consumidores — declarou o presidente, que descreveu as pressões políticas sobre a Rússia como “inaceitáveis”, afirmando que elas violavam leis internacionais.

O diário “Vedomosti“ noticiou que a Rússia limitará voos europeus para a Ásia que cruzem o espaço aéreo da Sibéria, em resposta às sanções que levaram a companhia russa Dobrolet a cancelar os voos de segunda-feira. No entanto, o ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, desmentiu as informações.

O diretor-executivo da Associação Russa de Varejistas, Andrey Karpov, garantiu que a suspensão de importações agrícolas não afetará os consumidores comuns. Por sua vez, o embaixador da União Europeia em Moscou, Vygaudas Ušackas, afirmou que as limitações de importações não alterarão a posição da União Europeia com relação à Ucrânia.

Enquanto em que os combates se intensificam e os separatistas perdem território no Leste da Ucrânia, a Rússia anunciou a realização de exercícios militares na região da fronteira.

“Não vamos fazer suposições sobre o que passa na mente dos russos, mas podemos ver o que a Rússia está fazendo, e isso gera uma enorme preocupação. São cerca de 20 mil soldados prontos para o combate na fronteira oriental da Ucrânia. Moscou poderia usar o pretexto de uma missão de paz ou humanitária para introduzir tropas no Leste da Ucrânia”, afirmou a porta-voz da Otan, Oana Lungescu, em um comunicado.

Um porta-voz do Ministério russo da Defesa minimizou as declarações da Otan. “Escutamos isso há três meses”, afirmou o funcionário.

Moscou anexou a península da Crimeia em março, e é acusada de financiar e armar rebeldes pró-Rússia que enfrentam o governo ucraniano desde abril no Leste do país.

oglobo.globo.com | 07-08-2014
A porta-voz do governo dos EUA, Laura Lucas Magnuson, disse nesta quarta-feira que o decreto da Rússia banindo importações de produtos agrícolas norte-americanos vai servir apenas para aumentar ainda mais o isolamento russo do resto da comunidade internacional.
atarde.uol.com.br | 06-08-2014

MOSCOU — A Rússia vai impor “um embargo bastante substancial” a produtos alimentícios vindos dos Estados Unidos e da União Europeia, informou o governo do presidente Vladimir Putin nesta quarta-feira. Em uma primeira medida, a importação de carne de frango de empresas americanas foi suspensa, enquanto uma lista mais ampla é elaborada.

Ptin assinou um decreto nesta quarta-feira banindo ou limitando a importação de produtos agrícolas, em resposta às sanções impostas devido à crise ucraniana. Mas a medida pode contribuir para o aumento dos preços dos alimentos no país e para fortalecer o descontentamento da população russa com a desaceleração econômica que analistas relacionam indiretamente ao apoio aos insurgentes que lutam contra as forças do governo ucraniano.

Putin havia prometido proteger os consumidores russos dos efeitos de qualquer medida de retaliação tomada em resposta às sanções do Ocidente.

O Kremlin afirmou em comunicado que o decreto de Putin tem como objetivo “proibir ou limitar por um ano as importações do território russo de certos tipos de produtos agrícolas, de matérias-primas e de produtos alimentícios provenientes de países que decidiram instaurar sanções econômicas contra a Rússia”.

A porta-voz do governo, Natalia Timakova, informou que os ministros estão elaborando a lista de bens que devem sofrer futuras restrições. As estatísticas oficiais demonstram que a Rússia importou cerca de um terço dos alimentos consumidos na última década.

Algumas dessas importações vieram de nações da antiga União Soviética que têm vínculos estreitos com Moscou. A crescente classe média russa, no entanto, já se acostumou com os produtos europeus.

As últimas sanções impedem que companhias nos EUA e na UE negociem com os setores de armas e de petróleo da Rússia. As principais empresas estatais russas tiveram seu acesso ao mercado de capitais do Ocidente bastante restrito e enfrentam um possível congelamento das negociações de suas ações nas bolsas da Europa e de Nova York.

Nos últimos dias, o jornal russo “Vedomosti” afirmou que o governo russo considera a possibilidade de contra-atacar a UE com a proibição total ou parcial dos voos sobre a Sibéria.

Estima-se que as sanções conduzam a fraca economia russa para a beira da recessão até o final do ano.

“As medidas de retaliação trazem custos significativos para a economia russa”, afirma em nota a consultoria Capital Economic. “A curto prazo, a economia deve entrar em uma profunda recessão, com uma contração entre 2% e 3 %.”

As sanções do Ocidente, contudo, não foram capazes persuadir Putin a convencer os insurgentes separatistas que lutam contra as forças do governo da Ucrânia desde abril a depor suas armas.

A OTAN informou nesta semana que a Rússia aumentou de 12 mil para 20 mil o número de soldados deslocados para a fronteira.

oglobo.globo.com | 06-08-2014
Medvedev se reúne com o ministro dos Transportes, Maxim Sokolov: possível retalização contra companhias aéreas europeias - RIA Novosti / REUTERS

MOSCOU — O primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, ameaçou retaliar nesta terça-feira a proibição de voo à subsidiária da companhia aérea nacional Aeroflot com as sanções da União Europeia. Segundo um jornal russo, os voos europeus para a Ásia poderiam ser impedidos de sobrevoar a Sibéria. A notícia vem no mesmo dia em que o presidente Vladimir Putin determinou que seu gabinete estude possíveis sanções contra o Ocidente devido a penalidades pela crise ucraniana.

A empresa de baixo custo Dobrolyot, operada pela Aeroflot, suspendeu todos os voos na semana passada após o contrato de arrendamento da companhia aérea ter sido cancelado sob sanções da União Europeia, por voar para a Crimeia, uma região ucraniana anexada pela Rússia em março. 

— Devemos discutir uma possível retaliação — disse Medvedev em uma reunião com o ministro dos Transportes da Rússia e um vice-diretor executivo da Aeroflot.

Segundo o jornal “Vedomosti”, especializado em economia, a Rússia pode restringir ou proibir as companhias europeias de voar sobre a Sibéria em rotas asiáticas, uma medida que imporia custos adicionais, tornando os voos mais demorados e exigindo mais combustível. 

O “Vedomosti” citou fontes anônimas dizendo que ministros das Relações Exteriores e do Transporte estavam discutindo a ação, o que colocaria as companhias aéreas europeias em desvantagem em relação às rivais asiáticas, mas também custaria dinheiro à Rússia que arrecada com taxas de sobrevoo. 

As ações da Aeroflot — que, de acordo com o “Vedomosti”, recebe US$ 300 milhões por ano em taxas pagas pelas companhias aéreas estrangeiras que sobrevoam a Sibéria — caíram após a reportagem. 

No auge da Guerra Fria, a maioria das companhias aéreas ocidentais foram impedidas de voar no espaço aéreo russo para cidades asiáticas. Elas tiveram de  operar através do Golfo ou do Aeroporto de Anchorage, na rota polar do Alasca.

No entanto, as companhias europeias agora sobrevoam a Sibéria em suas rotas de rápido crescimento para países como China, Japão e Coreia do Sul, com o pagamento de taxas que foram motivo de uma longa disputa entre Bruxelas e Moscou. 

O jornal citou uma fonte dizendo que a proibição poderia custar às companhias aéreas Lufthansa, British Airways e Air France US$ 1,3 bilhão ao longo de três meses. 

No entanto, a estatal Aeroflot também será prejudicada com a perda das taxas. As ações da Aeroflot tiveram o seu pior desempenho em Moscou nesta terça-feira.

A Lufthansa opera cerca de 180 voos por semana através do espaço aéreo siberiano, mas não quis fazer comentários, assim como a British Airways. 

A União Europeia ampliou suas sanções após derrubada de um avião de passageiros da Malaysian Airlines no Leste da Ucrânia controlado por rebeldes pró-Moscou, no mês passado, matando 298 pessoas. 

A suspensão de voos para a Crimeia à companhia aérea russa impede os cidadãos russos de aproveitarem feriados baratos na península do Mar Negro, em resorts como Yalta. Isto contribui para um verão catastrófico no qual uma série de empresas de viagens russas quebraram, enquanto a economia flerta com a recessão e o rublo cai.

Cerca de 15 mil turistas estão presos no exterior, após o colapso da maior empresa de viagens, a Labirint, embora autoridades do setor tenham prometido compensação aos clientes, por meio das seguradoras dessas companhias. 

oglobo.globo.com | 05-08-2014

RIO - Ser um dos dez maiores do mundo. Tarefa que não é para qualquer um, mas para os grandes. E é isso que o Time Brasil — como o Comitê Olímpico Brasileiro, o COB, chama a delegação nacional nas Olimpíadas e Jogos Pan-Americanos — deseja alcançar em casa, em 2016. O objetivo é o top 10 no quadro de medalhas.

Mas vale ressaltar: o COB está considerando o total de medalhas, e não o número de ouros, critério usado pelo COI e a maioria dos países. Enquanto para a entidade o Brasil foi 15º em Londres, com 17 medalhas (3 ouros, 5 pratas e 9 bronzes), pelo COI foi 22º, com três.

Em 2016, a delegação brasileira deverá reunir 400 atletas. O ano de 2013 foi o melhor do país em campeonatos de esportes olímpicos, com 27 medalhas conquistadas em Mundiais. Nas Olimpíadas, se será um orgulho subir ao pódio, as medalhas vão ser joias que custarão caro.

— No COB, usamos como critério o total de medalhas. Tem sido assim desde quando o presidente Carlos Arthur Nuzman assumiu, em 1996. Para sermos top 10 em 2016, desejamos ganhar cerca de 30 medalhas — calcula o superintendente executivo de Esportes, Marcus Vinícius Freire. — Os três primeiros colocados em Londres, Estados Unidos (104), China (88) e Rússia (82) investem, cada um, US$ 1 bilhão no quadriênio anterior ao evento.

Segundo Freire, Reino Unido, Austrália, França e Alemanha, do quarto ao oitavo lugares, respectivamente, em 2012, gastam mais de US$ 700 milhões antes dos Jogos:

— Nós pretendemos gastar mais de US$ 600 milhões neste ciclo olímpico, entre 2012 a 2016.

Esportes em categorias

Disposto a não fazer feio em casa, o COB separa os esportes olímpicos em categorias.

— Vitais são aqueles de cujos resultados o Brasil não abre mão: vôlei, vôlei de praia, judô, iatismo, futebol. Potenciais são aqueles em que houve evolução constante, como boxe, ginástica (medalhistas em Londres-2012), e que requerem investimento maior. Os contribuintes são os que cresceram, como o pentatlo moderno (bronze em Londres, com Yane Marques), nos quais é preciso investir para aumentar a as expectativas — diz a ex-atleta Adriana Behar, prata olímpica ao lado de Shelda no vôlei de praia em Sydney-2000 e Atenas-2004 e hexacampeã do Circuito Mundial, e hoje gerente de Planejamento Esportivo do COB. — Os de legado não têm resultados neste ciclo, mas ficarão para o futuro, em Tóquio-2020 ou nos Jogos de 2024. Os investimentos são feitos nos vários esportes dentro de metas, de expectativas e do cenário mundial. Todos têm de cumprir metas, sejam medalhas ou não.

O Comitê determina que cada confederação tenha seu livro-guia, relacionando destaques, metas, projetos e custos, visando até 2024. Uma das rotinas é acompanhar semanalmente 196 atletas individuais de potencial para 2016. De acordo com Jorge Bichara, gerente de Performance, uma de suas tarefas é dar suporte às diferentes modalidades, incluindo a importação de equipamento e contratação de técnicos estrangeiros. O fato de os atletas brasileiros estarem em casa é alvo de atenções:

— Está sendo feita uma preparação mental. A psicologia não é a salvação, mas faz parte para que se tenha bons resultados. Os Jogos no Rio trazem uma ansiedade maior, e a Copa serviu de exemplo. É preciso explorar o positivo e neutralizar o negativo.

Já para o Pan-2015, em Toronto, o objetivo é ficar entre os três melhores no total de medalhas, embora em algumas modalidades já classificadas para 2016 o Brasil vá mandar a equipe B. Gerente para 2020 e 2024, o ex-judoca Sebastian Pereira lança sementes para futuros ciclos, por meio de Jogos Escolares Brasileiros:

— Trabalhamos com dois milhões de atletas de 14 modalidades em 40 mil escolas dos 27 estados em 3,9 mil cidades. Pode parecer um número pequeno, diante da população total, mas é o início de um trabalho. É certo que 72% dos 98 atletas que irão aos Jogos de Nanquim passaram pelos Jogos Escolares — calcula.

oglobo.globo.com | 05-08-2014
Rebeldes pró-Rússia comemoram o dia do paraquedista em Donetsk - Dmitry Lovetsky / AP

KIEV - O comando militar da Ucrânia anunciou nesta segunda-feira a abertura de corredores humanitários para que a população civil possa abandonar as cidades de Lugansk, Donetsk e Gorlovka, atualmente sob o controle das milícias separatistas pró-russas.

Os corredores humanitários, um para cada uma dessas três cidades, estarão abertos entre as 10h e 14h ( 4h e 8h no horário de Brasília), explica um comunicado do comando das forças ucranianas que atuam contra os separatistas no leste do país.

Cada corredor, segundo a nota, tem uma rota claramente estabelecida e no período de seu funcionamento as tropas ucranianas não abrirão fogo a menos de 200 metros do mesmo ao longo de toda seu percurso.

"O distintivo para a população civil será uma bandeira branca para grupos de pessoas e um bracelete branco para cada cidadão", acrescenta o comunicado, que diz que quem sair pelos corredores humanitários poderá levar consigo seus pertences.

AUMENTA CERCO AOS REBELDES EM DONETSK

As forças ucranianas apertaram o cerco a Donetsk, principal reduto dos separatistas pró-Rússia do leste do país, e pediram à população civil que abandone a região.

— Pedimos que a população pacífica abandone as zonas ocupadas pelos terroristas que estão saqueando a população local, realizando sequestros e se apoderando de imóveis e veículos particulares — declarou o porta-voz militar ucraniano Andrii Lysenko.

O Estado-Maior ucraniano pediu aos separatistas em Donetsk que observem um cessar-fogo em certas artérias para permitir a saída de civis da cidade.

O Exército ucraniano, que afirma ter recuperado 645 localidades em cerca de quatro meses de ofensiva, diz que está às portas de Donetsk após a queda de Iasynuvata, 20 quilômetros ao norte. Segundo a prefeitura, nesta segunda-feira ocorreram intensos combates em Mariinka, na periferia sudoeste de Donetsk.

— Donetsk e Lugansk são cidades-chave nas quais se encontram a maior parte dos terroristas e das armas. Sabemos que não será fácil libertá-las, mas tenho 100% de certeza de que a vitória está muito próxima. Mas o mundo deve saber que a Rússia adota represálias. Nada os impede, somos alvos de tiros oito vezes ao dia a partir do território russo — denunciou o ministro ucraniano da Defesa, Valeri Gueletei.

Donetsk está praticamente em estado de sítio. A prefeitura informou durante a madrugada desta segunda-feira que tiros de artilharia foram ouvidos, o que provocou um movimento de fuga de civis.

Kiev afirma que sua estratégia é isolar os insurgentes em Donetsk e Lugansk, não atacar a cidade, diante do risco de combates particularmente mortíferos.

Em Lugansk, a prefeitura, que advertiu no fim de semana sobre uma possível catástrofe humanitária, afirmou ser incapaz de oferecer um novo balanço, pois a energia elétrica e a rede de telefonia foram cortadas. A ONU calcula em mais de 1.100 o número de pessoas mortas desde o início da ofensiva ucraniana. O ministro da Defesa afirmou que as forças ucranianas recuperaram 645 localidades desde o início da ofensiva.

Moscou anunciou nesta segunda-feira que pelo menos 400 soldados ucranianos em missão no leste do país se renderam e foram admitidos em território russo. Mas um porta-voz ucraniano afirmou que os militares foram obrigados a seguir para um posto de fronteira russo em consequência dos combates.

VOO MH17 E SANÇÕES

Apesar dos confrontos, vários especialistas holandeses, australianos e, pela primeira vez, malaios, trabalhavam nesta segunda-feira no local da queda do voo MH17 e procuravam por corpos e objetos pessoais.

A tragédia, que deixou 298 mortos em 17 de julho, provocou novas tensões internacionais e mais sanções ocidentais.

As forças ucranianas se comprometeram a não iniciar combates na área de destroços do avião da Malaysia Airlines, que está sob controle rebelde. Mas no restante do território separatista prossegue a ofensiva.

As sanções europeias contra a economia russa motivadas pela queda da aeronave atingiram, entre outros, a Dobrolet, a filial de baixo custo da Aeroflot, que voava para a península ucraniana da Crimeia (que a Rússia anexou em março). No domingo à noite a empresa anunciou os dois novos Boeing 737 permaneceriam no solo.

O governo alemão bloqueou um projeto de fornecimento de equipamento militar do grupo de defesa Rheinmetall para a Rússia, anunciou o ministério da Economia nesta segunda-feira, acrescentando esperar que os europeus também proíbam de maneira retroativa o fornecimento de armamento a Moscou.

oglobo.globo.com | 05-08-2014
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que a Rússia é uma nação "que não faz nada" e disse em entrevista à revista "Economist" que o Ocidente precisa ser "bem firme" com a China agora que o país asiático tenta expandir seu papel na economia mundial. Obama tem tentado focar a política externa dos Estados Unidos na Ásia, uma resposta ao poder econômico e militar da China. Mas há meses esse esforço tem sido ofuscado por uma corrente de crises internacionais, incluindo o apoio da Rússia aos separatistas na Ucrânia. Obama minimizou a importância de Moscou no cenário internacional, classificando o presidente Vladimir Putin como um líder que está causando problemas para um ganho político a curto prazo que vai afetar a Rússia no longo prazo. Leia mais (08/03/2014 - 19h02)
redir.folha.com.br | 03-08-2014

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que a Rússia é uma nação "que não faz nada" e disse em uma entrevista para a revista Economist que o Ocidente precisa ser "bem firme" com a China agora que Beijing tenta expandir seu papel na economia mundial. ...
noticias.terra.com.br | 03-08-2014

PARATY - O dia das mesas de caráter mais político da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) começou com discursos em defesa da liberdade, críticas aos governos americano, israelense e até brasileiro e a constatação de que certos tipos de crimes, cometidos por pessoas influentes e abastadas, passam impunes. Num debate intitulado “Liberdade liberdade”, o jornalista Glenn Greenwald e o cineasta Charles Ferguson, ambos nascidos nos EUA, ambos reconhecidos por investigações sobre práticas escusas do governo e de instituições americanas, sintetizaram em cerca de uma hora e 20 minutos algumas das maiores preocupações do mundo nas últimas décadas.

Os debatedores foram chamados de “pedras no sapato do governo americano” pelo curador da Flip, Paulo Werneck, em sua apresentação. Coube também a Werneck mediar o encontro, já que a jornalista Lucia Guimarães teve uma indisposição e não pôde estar presente – o mesmo ocorrera na sexta-feira, na mesa de Michael Pollan. Werneck logo lembrou uma declaração feita ontem pelo presidente americano, Barack Obama, em decorrência das acusações que a CIA espionou computadores do Senado para obter informações sobre uma investigação de tortura praticada por agentes americanos após o 11 de Setembro. Na ocasião, Obama reconheceu que os EUA “torturam algumas pessoas”.

Mesa 'Liberdade, liberdade', com Charles fergusson (centro) e Glenn Greenwald (à direita), mediada por Paulo Werneck - André Teixeira / Agência O Globo

A resposta de Greenwald, o jornalista que revelou em reportagens o esquema de espionagem praticado pela National Security Agency (NSA) ao redor do mundo, inclusive grampeando telefones de autoridades estrangeiras, foi enfática:

– Foi uma ameaça absurdo ao Senado americano. E Obama ainda admitiu que houve tortura, mas a maneira casual com que ele fez isso fez parecer que não foi um fato grave, como se ele estivesse justificando a tortura.

Depois, Obama também foi atacado por Ferguson. O cineasta americano é responsável por “Trabalho interno” (2010), filme que deu a ele um Oscar de melhor documentário, e no qual detalhou a crise financeira de 2008, com destaque para revelações sobre a corrupção das instituições financeiras dos EUA.

– O que aconteceu na economia não foi um acidente, não foi um erro, foi um crime, um crime de fraude. E o presidente Obama, quando perguntado sobre o assunto, disse que muitas coisas ruins acontecem e que, como não havia provas, nada podia ser feito. Obama estudou Direito em Harvard. Ele sabe que está mentindo – afirmou Ferguson, o primeiro vencedor do Oscar a participar de uma Flip.

A conversa saiu dos EUA e veio para o Brasil quando Greenwald tratou da situação atual de Edward Snowden, ex-funcionário da NSA que vazou documentos para as reportagens de Greenwald publicadas em jornais ao redor do mundo, inclusive no GLOBO. Hoje, Snowden vive na Rússia, para evitar ser preso pelo governo americano. Ele chegou a pedir asilo ao Brasil, até hoje não concedido.

– Todos os países que se beneficiaram das denúncias de Snowden tinham não apenas a obrigação legal, mas a obrigação moral de dar seu apoio. O Brasil não recebe Snowden porque parece estar mais com medo de desagradar os EUA do que com medo de ser espionado – disse Greenwald.

O jornalista americano também criticou o uso que se dá à palavra “terrorismo”, elemento sempre utilizado pelo governo dos EUA para justificar suas atividades de espionagem. E aproveitou para tratar do atual conflito entre Israel e a Faixa de Gaza.

– Apesar de “terrorismo” ser usado excessivamente, a palavra não tem significado algum.Entre 75% e 80% das 800 pessoas que Israel matou em Gaza até o início da semana eram inocentes. Mas nenhuma das pessoas mortas por palestinos durante esta guerra era civil. Foram apenas militares israelenses. Mesmo assim, há gente dizendo que o estado que mata inocentes representa a democracia, enquanto Gaza representa o terrorismo – disse Greenwald.

Ferguson, por sua vez, comentou que seu próximo filme, já em andamento, será sobre energia, sustentabilidade e os desafios globais frente à mudança climática. O cineasta lembrou ainda que interrompeu um projeto de documentário que faria para a rede CNN acerca de Hillary Clinton, ex-senadora, ex-primeira dama e ex-secretária de Estado dos EUA, por pressões.

– Assim que assinei o contrato, recebi uma ligação do assessor de Hillary – disse Ferguson. – Eu adoro quando vejo que há pessoas querendo que eu não descubra alguma coisa sobre elas. É o tipo de coisa que me incentiva.

oglobo.globo.com | 02-08-2014
Vítimas se reúnem em frente ao portão de uma fábrica após uma explosão em Kunshan, na província chinesa de Jiangsu - STR / AFP

KUNSHAN — A China sofreu o seu pior acidente industrial em um ano neste sábado, quando uma explosão matou pelo menos 68 pessoas e feriu mais de 120 em uma fábrica que produz rodas para montadoras dos Estados Unidos, incluindo a General Motors. O incidente na rica província oriental de Jiangsu ocorreu por volta de 7h30 na cidade de Kunshan, a cerca de uma hora de carro de Xangai, depois que uma explosão destruiu uma oficina que lustra parte das rodas.

Uma investigação preliminar sugeriu que a explosão na fábrica Kunshan Zhongrong Metal Products foi desencadeada quando uma chama foi acesa em uma sala cheia de poeira, disse o governo local em entrevista coletiva, descrevendo o incidente como uma violação grave de segurança. Vários funcionários da empresa foram detidos, segundo o governo. A agência de notícias estatal Xinhua afirmou que cinco representantes da companhia estão sob custódia das autoridades.

Sobreviventes com pele queimada foram vistos sendo levados para ambulâncias, enquanto moradores locais diziam terem ouvido a explosão a dois quilômetros de distância. No local da explosão, imagens de televisão mostraram muros destruídos e máquinas pesadas que foram arremessadas pelas janelas.

— Nós ouvimos uma explosão muito alta por volta das 7h, então corremos para fora dos nossos dormitórios — disse Zhou Xu, um trabalhador de 26 anos de uma fábrica em frente. — Primeiro, a ambulância chegou, então, como a notícia veio à tona na mídia, muitas famílias, especialmente as mulheres, correram para o local para ver se seus maridos estavam bem.

Imagens nos sites e na TV mostraram grandes nuvens de fumaça negra saindo de um edifício branco baixo. Muitos dos feridos, que pareciam gravemente queimados em roupas chamuscadas, foram mostrados deitados sobre paletes de madeira, esperando para serem levados de maca em caminhões, ônibus públicos e ambulâncias. Instado pelo presidente chinês, Xi Jinping, a não poupar esforços nos trabalhos de resgate, o governo de Kunshan disse que estava trazendo médicos de Xangai e outras regiões.

— Em meus 20 anos de trabalho nunca vi tantos pacientes com queimaduras em mais de 80% dos seus corpos — disse um médico na conta da emissora chinesa CCTV no microblog Weibo, alertando que o número de mortos pode ser muito alto.

A China, segunda maior economia do mundo, tem um histórico precário de segurança no trabalho. Funcionários são muitas vezes mal treinados e mal equipados para se protegerem de acidentes industriais.

oglobo.globo.com | 02-08-2014

BERLIM, Alemanha – Três semanas depois de conquistar o título histórico da Copa do Mundo, no Maracanã, a Alemanha é de novo campeã no futebol. Desta vez foi a seleção sub-19 que venceu Portugal na final do Campeonato Europeu Juvenil (Sub-19), nesta quinta-feira, em Budapeste. Com um gol do berlinense Hany Mukhtar, o time alemão, comandado por Marc Stendera, venceu por 1 a 0, poucos dias depois de golear a Áustria, na semifinal, por 4 a 0, com um saldo de gols quase como na Copa do Brasil.

O grande sucesso no futebol, na economia e o crescimento da importância política do país faz com que os países vizinhos exagerem nos elogios. Mesmo os ingleses, que antigamente costumavam associar a Alemanha apenas aos nazistas ou aos “panzers” (blindados), começaram a elogiar os antigos rivais. Para a revista americana “Newsweek”, este é o "século alemão". Quase 70 anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, o país começou a fazer sucesso em quase todos os setores, voltando a ter uma posição número 1 no ranking mundial, como tinha sido no início do século XX.

Depois dos anos depressivos da virada do século, no futebol e na economia – na Eurocopa de 2000 o time foi desclassificado na primeira fase, enquanto do ponto de vista econômico a Alemanha foi nessa época a "lanterninha" da UE ou o “paciente alemão”, como era chamado pelos vizinhos europeus – o país vive um bom momento que foi possível depois que, nos dois setores, economia e futebol, os problemas foram “encarados de frente” e solucionados.

O "novo milagre" alemão em termos de futebol é garantido por jogadores geniais que estão começando a vida profissional. Segundo a revista esportiva “Kicker”, o mundo já precisa aprender o nome de um jovem jogador alemão, Marc Stendera, nascido há 18 anos, em Kassel, que seria o “novo Beckenbauer”.

- Stendera é criativo, capaz de jogadas geniais, assim como antigamente Franz Beckenbauer – diz Thomas Schaaf, treinador do Eintracht Frankfurt, time que descobriu o novo craque.

Já o jornal “Süddeutsche Zeitung”, de Munique, prefere comparar Stendera a Mario Götze, que chama de "Götzinho", por causa do seu estilo brasileiro de jogar, e a seleção sub-19 ao time alemão que conquistou o tetra no Brasil.

- Os jovens jogadores da sub-19 brilharam no Campeonato Europeu na Hungria com um método de jogo incrivelmente parecido ao usado por Joachim Löw no Brasil – escreveu o jornal alemão.

Se não fossem as lesões que sofreu nos últimos meses, Stendera teria provavelmente participado da Copa do Brasil. Mas os conselheiros e acompanhantes do jovem jogador evitam o excesso de "estrelato".

- Ele ainda tem muito tempo. Primeiro precisa concluir a escola para poder dedicar-se integralmente ao futebol – diz Bruno Hübner, diretor esportivo do Eintracht.

Pelo menos cinco jogadores jovens estão a caminho de fazer parte da seleção titular de Joachim Löw que vai disputar a próxima Eurocopa, dentro de dois anos, e a Copa da Rússia, dentro de quatro anos. Além de Stendera, mais quatro jogadores da mesma idade, que estão saindo do sistema nacional de fomento aos talentos, chamaram a atenção: Julian Brandt, que joga no Bayer Leverkusen, Lavin Öztunali, também do Bayer Keverkusen, neto do legendário Uwe Seeler, Niklas Stark, do Nuremberg, e Davie Selke, do Werder Bremen, artilheiro da competição.

oglobo.globo.com | 31-07-2014

RIO - O BNDES aprovou um financiamento para a modernização de aeroportos cubanos, que será feita pela Construtora Odebrecht. Embora o banco não forneça o valor, a data de aprovação e quais aeroportos serão beneficiados, fontes do negócio confirmam que serão destinados US$ 150 milhões (cerca de R$ 336 milhões) e que o acordo foi fechado há cerca de 30 dias. O banco confirma, apenas, que o financiamento está em fase de contratação. É provável, segundo fontes do mercado, que os valores comecem a ser liberados ainda neste ano.

O financiamento para a melhoria dos aeroportos cubanos está dentro da linha de exportações brasileiras de bens e serviços de engenharia. O banco afirma que isso é uma tendência internacional e que beneficia empresas brasileiras, com o BNDES auxiliando a competitividade das companhias nacionais. “Os desembolsos de recursos são efetuados em reais, no Brasil, diretamente ao exportador brasileiro, com base nas exportações efetivamente realizadas e comprovadas”, informou o banco.

O modelo de financiamento aprovado pelo BNDES é o mesmo utilizado pelo banco para que a Odebrecht modernizasse o porto de Mariel, também em Cuba. Na época, o financiamento foi de US$ 802 milhões (cerca de R$ 1,796 bilhão pelo câmbio atual). A primeira parte do dinheiro foi liberada em 2009. Em sua recente visita à ilha, em janeiro, a presidente Dilma Rousseff anunciou outro financiamento de US$ 290 milhões (cerca de R$ 650 milhões) para a criação de uma área especial industrial junto ao porto.

Na ocasião, a presidente lembrou que esse tipo de operação beneficia empresas brasileiras, é estratégico e gera uma relação “ganha-ganha”, lembrando que esse financiamento não significa que o país não está investindo em portos no Brasil. O BNDES não informou o valor total dos financiamentos em empreendimentos de empresas brasileiras em Cuba.

O governo brasileiro também está apoiando a construção de um grande porto no Uruguai, que poderá, até, concorrer com terminais do Sul do Brasil, conforme noticiou O GLOBO em maio. Embora esse apoio ainda esteja em fase inicial, a operação pode significar mais um empréstimo do BNDES para alguma construtora brasileira, e, segundo fontes, o valor do negócio pode chegar a US$ 1 bilhão (R$ 2,24 bilhões).

No momento, o Brasil está apoiando o país vizinho com informações técnicas, mas operadores portuários brasileiros reclamam dessa parceria, por se tratar de um concorrente direto dos portos brasileiros, que terá uma capacidade maior e menos custos burocráticos.

A Odebrecht confirma as negociações para o Projeto de Ampliação e Modernização da Infraestrutura Aeroportuária de Cuba, mas a empresa não conseguiu, até o fechamento desta edição, informar detalhes do projeto e quando as obras devem começar. A empresa divide a liderança no ranking de financiamento do BNDES nessa modalidade de crédito com a Embraer desde 2009.

Em 2013, a construtora obteve financiamentos que somam US$ 908 milhões, abaixo do US$ 1,072 bilhão da Embraer, sendo que esta linha somou, no total, US$ 2,5 bilhões. No primeiro trimestre de 2014, dos US$ 367,2 milhões liberados nesse tipo de financiamento, a Odebrecht recebeu US$ 153 milhões, contra US$ 142 milhões da fabricante de aviões.

A reforma dos aeroportos cubanos é importante para a economia combalida do país. No ano passado, o setor gerou US$ 1,8 bilhão (R$ 4 bilhões) para a ilha de 11 milhões de habitantes. No total, entraram no país 2,851 milhões de turistas, número 0,5% acima do registrado no ano anterior, mas ainda distante da meta de 3 milhões de turistas por ano. Os canadenses são o principal grupo de turistas do país – com mais de um milhão de viajantes –, seguidos de residentes do Reino Unido, Alemanha, França, Argentina, Itália, México, Espanha, Rússia e Venezuela.

oglobo.globo.com | 31-07-2014
Caricatura. No centro de Kiev, mulher observa desenhos feitos pelo artista ucraniano Oleh Smal que ridicularizam o presidente russo Vladimir Putin - SERGEI SUPINSKY / AFP

BRUXELAS E WASHINGTON — A União Europeia (UE) e os Estados Unidos aplicaram as mais duras sanções contra a Rússia desde o fim da Guerra Fria como forma de punir o país pelo que afirmam ser uma tentativa de Moscou de desestabilizar a Ucrânia. O bloco, os EUA e o governo pró-Ocidente em Kiev acusam a Rússia de armar e dar apoio aos separatistas do Leste da Ucrânia e afirmam que os rebeldes são responsáveis pela derrubada, com um míssil, de um avião da Malaysia Airlines numa área controlada pelos militantes, matando 298 pessoas.

As restrições coordenadas entre Bruxelas e Washington terão como alvo quatro setores econômicos: finanças, equipamento militar, armas e produção de petróleo. Segundo os diplomatas europeus, as medidas devem entrar em vigor amanhã.

“O pacote de medidas restritivas acordado pelas partes da UE é um poderoso sinal para os líderes da Federação Russa: desestabilizar a Ucrânia, ou qualquer Estado vizinho da Europa Oriental, trará pesados custos para a sua economia”, diz o comunicado de Bruxelas, que afirma ainda que Moscou “se encontrará cada vez mais isolada em suas ações”.

Os líderes europeus afirmaram em comunicado que as sanções poderiam ser retiradas se o Kremlin parasse de “desestabilizar a Ucrânia”. Segundo uma das fontes diplomáticas, as medidas serão revistas após três meses.

Numa declaração para anunciar as novas sanções, o presidente americano, Barack Obama, negou se tratar de um retorno da rivalidade entre superpotências que dividiu o século XX:

— Isto não é uma nova Guerra Fria. Trata-se de uma questão muito específica, relacionada com a falta de vontade da Rússia em reconhecer que a Ucrânia pode traçar seu próprio caminho.

O primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, disse que vai anunciar novas sanções contra a Rússia nos próximos dias. Outro membro do G7, o Japão também lançou sanções contra a Rússia horas antes dos europeus. Moscou afirmou que as “imposições de Tóquio” atingiam amplamente as relações bilaterais entre os países e as “faziam retroceder”.

O Kremlin não se posicionou imediatamente sobre as sanções ocidentais, mas uma análise do Citigroup apostava que o país não mudaria seu cálculo geopolítico e deveria continuar enfatizando sua “capacidade própria de resiliência”.

ISOLAR FINANÇAS E TECNOLOGIA

Um dos principais objetivos das sanções é impedir a modernização das indústrias de armamento e energia russas — setores vitais da economia da segunda maior potência militar do planeta — e isolar os bancos estatais do país. As empresas de energia, por exemplo, não poderão captar novos investimentos emitindo títulos nos mercados financeiros dos 28 países do bloco europeu que tenham um prazo de validade superior a 90 dias. Os americanos, por sua vez, não poderão negociar com os bancos russos VTB e Agrícola.

As sanções não afetam a renovação de equipamentos de tecnologia para o gás natural, fonte de energia para a Europa. Exportações de armas já acordadas, como a venda de dois navios de guerra da França no valor de € 1,2 bilhão (R$ 3,6 bilhões), também não foram afetadas.

Washington já argumentava com os aliados europeus sobre a necessidade de punir a Rússia pela questão ucraniana antes da queda do voo MH17 da Malaysia Airlines, há duas semanas. A UE, porém, se limitava a congelar ativos e vistos de alguns indivíduos, já que o vizinho do Leste é um de seus maiores parceiros comerciais. A Federação Alemã de Engenheiros, de fabricantes de máquinas, afirmou que apenas a ameaça das sanções já prejudicou as exportações do setor para a Rússia, que caíram 20% nos primeiros cinco meses deste ano em comparação com o mesmo período de 2013.

Boa parte das vítimas do MH17 eram cidadãos europeus, e a Holanda lidera as investigações para esclarecer os motivos da queda. A agência civil de aviação da ONU marcou para fevereiro uma reunião para rediscutir as normas internacionais de segurança.

Mas foram imagens como a de um rebelde tirando um anel de uma das vítimas do voo e a afirmação de agências de inteligência da Ucrânia e dos EUA de que foram os separatistas a disparar os mísseis, que pioraram ainda mais o clima entre Bruxelas e Moscou.

O Kremlin nega as acusações feitas pelo Ocidente e rebate com afirmações parecidas: diz que a desestabilização da Ucrânia foi causada pelo apoio dos europeus e americanos a “fascistas” que tomaram o poder após os protestos iniciados em dezembro levarem à derrubada do presidente Viktor Yanukovich. E também acusa as tropas de Kiev de terem disparado o míssil contra o MH17.

A relação entre as potências nucleares Rússia e EUA chegou à própria questão atômica: um dia antes do anúncio das sanções, Washington acusou Moscou de violar o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário e pediu diálogos bilaterais urgentes sobre o assunto.

oglobo.globo.com | 30-07-2014

BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff aproveitou sua fala na cúpula do Mercosul em Caracas, capital venezuelana, para fazer uma cobrança à União Europeia por sua contrapartida no acordo de associação entre os dois blocos. A presidente disse que o Mercosul já fez sua parte, mas a Europa ainda não, e que o acordo só será possível quando houver um “intercâmbio simultâneo” entre ambos os lados.

- No caso do acordo de associação entre o Mercosul e a União Europeia, nosso bloco já concluiu oferta compatível com os compromissos assumidos na negociação de 2010. Esperamos agora que o lado europeu consolide a sua oferta. Essa negociação só poderá prosperar com intercâmbio simultâneo de ofertas e o equilibro entre o que demandamos, o que demandam eles, o que oferecemos e o que oferecem eles – disse Dilma.

Ela também deu o recado de que o Mercosul não é um bloco economicamente insignificante. E que o recente encontro entre o Brics( bloco formando entre Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul) e países sulamericanos em Brasília mostrou que há novas oportunidades ao alcance do Mercosul junto a grandes emergentes.

- O Mercosul não é um espaço econômico insignificante, pelo contrário, tem o segundo maior território, a quarta maior população e a quinta maior economia do mundo. Possui as maiores reservas de água doce, um dos maiores potenciais energéticos e minerais, além de uma agricultura moderna de alta produtividade. Também temos uma indústria que se não é inteiramente completa é extremamente significativa - pontuou a presidente em seu discurso.

oglobo.globo.com | 29-07-2014
O presidente norte-americano, Barack Obama, anunciou nesta terça-feira (29) que os Estados Unidos vão impor novas sanções à Rússia nos setores de energia, finanças e de armamento por instigar a violência separatista no Leste da Ucrânia.

“Hoje, estendendo o âmbito das medidas que anunciamos há duas semanas, os Estados Unidos impõem novas sanções em setores fundamentais para a economia da Rússia: energia, armamento e finanças”, indicou o chefe de Estado norte-americano.

Vamos bloquear as exportações de bens e tecnologias específicos ao setor da energia russo e vamos
Pressão aumentou depois de o voo MH17 ser abatido por míssil no leste da Ucrânia; Obama: 'Essa é a escolha da Rússia'.
www.bbc.co.uk | 29-07-2014
A diretora gerente do FMI, Christine Lagarde - JIM WATSON / AFP

WASHINGTON - Às vésperas do recesso de verão do Fundo Monetário Internacional (FMI), a diretora-gerente Christine Lagarde reuniu-se na manhã desta terça-feira com um grupo de jornalistas, na sede do organismo multilateral, para discutir as perspectivas da economia mundial. Ao falar do Brasil, brincou que o país foi “uma força perturbadora” dos trabalhos do organismo por um mês, devido à Copa do Mundo, durante a qual funcionários, diretores e ela própria pararam constantemente para acompanhar os jogos. Mas também falou sério. Questionada se, diante de 15 meses de prognósticos ruins e repetição das mesmas recomendações, o governo brasileiro estava falhando na adoção de políticas para corrigir fragilidades, diplomaticamente concordou:

— Temos reiterado as mesmas fortes recomendações para que reformas estruturais sejam feitas, gargalos sejam reduzidos na economia e que o potencial, a capacidade de o Brasil entregar crescimento seja liberada. E isso não vem sendo feito — afirmou a diretora-gerente, que colocou o Brasil ainda em estado de atenção em relação à expansão do déficit em conta corrente (que fechou em 3,6% do PIB, ou 2,9% justados, em 2013, para um patamar que o Fundo considera ideal entre 1% e 2,5%).

Lagarde reforçou a mensagem de que o mundo passa por um período de retomada desigual do crescimento, com tração nos motores dos países ricos e desaceleração sincronizada e sistemática das nações emergentes. Alertou para os riscos associados à nomalização das políticas monetárias dos EUA e do Reino Unido, que pode provocar turbulências e desarrumar ainda mais a casa dos países em desenvolvimento.

O receituário para vencer os obstáculos, disse Lagarde, é inequívoco: reformas estruturais, conserto dos problemas macroeconômicos (inflação alta, déficits em contas externas, desequilíbrios fiscais) e muita coordenação entre autoridades.

Ela acredita ainda que a criação de mecanismos como o Arranjo de Contingência de Reservas (ACR) das nações que compõem o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) não afronta o FMI, e sim convoca parceria entre os diversos agentes, refletindo um mundo multipolar mas interdependente. A diretora-gerente considera ainda que a falha do Congresso dos EUA em ratificar a reforma de governança do Fundo, que dará mais poder aos emergentes, não afeta a eficiência da instituição nem lhe retira credibilidade.

Sobre a iminência de default da Argentina, nesta quarta-feira, Lagarde afirma que os efeitos serão circunscritos ao país sul-americano, do ponto de vista de turbulências. Mas o episódio acentuará a necessidade de reavaliação dos processos de reestruturação de dívida, da eficiência da ação coletiva, “(d)a escolha de leis e outros critérios legais tipicamente encontrados nesses casos”. O próximo trabalho do FMI sobre o tópico será apresentado à diretoria-executiva do órgão entre o fim de setembro e o início de outubro, pouco antes da Reunião Anual da instituição e do Banco Mundial, em Washington.

Abaixo, alguns trechos da entrevista.

CONDIÇÕES GLOBAIS

“Estamos passando por uma recuperação desigual do crescimento global. O que estamos identificando é risco associado com a normalização das políticas monetárias dos países ricos, começando com EUA e Reino Unido. O Fed (Federal Reserve, BC americano) e o Banco da Inglaterra estão agora considerando o fim dos estímulos e a elevação dos juros. Banco Central Europeu e Banco do Japão provavelmente continuarão mais um tempo com a política acomodativa. Haverá consequências. Se a comunicação for bem calibrada e feita, acreditamos que os efeitos colaterais serão administráveis. Mas claramente temos em mente o que aconteceu em maio do ano passado e como apenas a comunicação da intenção afetou os mercados emergentes”.

EMERGENTES

“Também temos uma desaceleração mais sincronizada dos emergentes. Eu colocaria a China de lado, pois medidas tomadas vão segurar o crescimento de 7,5%. Mas demais emergentes, sim. Isso terá ‘consequências para a vizinhança’, no sentido de que os países que comercializam ou se beneficiam de investimentos dessas nações emergentes vão arcar com os efeitos desta desaceleração sincronizada. Se levarmos esses dois elementos em consideração (desaceleração e normalização monetária dos ricos), claramente haverá impacto na tentativa das autoridades tomarem medidas e realçar a fragilidade do crescimento”.

SETOR EXTERNO E AÇÕES

“(Antes), era mais uma questão do superávit da China versus o déficit dos EUA no debate. O que vemos agora é menos desequilíbrio, mas esta questão está mais espalhada. Do lado superavitário, claramente vemos dois líderes, China e Alemanha. Do lado do déficit, temos os suspeitos de sempre, os EUA e alguns dos países europeus, mas também países como Turquia, África do Sul e Brasil. Está espalhando-se esse lado do déficit. Então, acreditamos que o caminho de políticas é manter a casa em ordem, cada um com suas particularidades no caso dos emergentes. O que é comum a todos é fazer reformas estruturais de diversas categorias. E nos frontes monetário e fiscal, cada um também tem políticas para adotar. A segunda recomendação é: falem uns com os outros. E a terceira é cooperem o quanto puderem. Parece incongruente recomendar cooperação em tempos em que você não vê muita cooperação, mas, economicamente, isso é o mais desejável, mais comunicação, mais cooperação, particularmente os banqueiros centrais, quando forem mudar o curso de política”.

COPA DO MUNDO

“O Brasil foi uma força perturbadora do trabalho do FMI recentemente, porque a Copa do Mundo mobilizou todo mundo nesta instituição, todos grudados na tela de TV por um mês e muitos jogos. Afetou todos os níveis da instituição, dos diretores-executivos ao staff, incluindo a diretora-gerente, embora eu não tenha assistido todos os jogos, mas vi alguns”.

BRASIL

“É verdade que temos revisado para baixo nossas projeções para o Brasil e é verdade que todos temos reiterado as mesmas fortes recomendações para que reformas estruturais sejam feitas, gargalos sejam reduzidos na economia e que o potencial, a capacidade de o Brasil entregar crescimento seja liberada. E isso não vem sendo feito”.

ARGENTINA

“Estamos obviamente monitorando a situação. A Argentina está fora dos mercados financeiros e de qualquer círculo financeiro há muito tempo e, embora defaults sejam sempre lamentáveis, nós não temos a visão de que teria grandes consequências significativas além daquela situação geográfica particular (...) (há) a questão significativa dos princípios da reestruturação de dívidas e qual seria o resultado das decisões legais que estão sendo tomadas em NY no momento, que têm significado mais amplo. Os princípios da reestruturação de dívidas e a eficiência da ação coletiva precisarão ser reavaliadas, junto com escolhas de leis e outros critérios legais tipicamente encontrados nesses casos. É neste ponto em que estamos trabalhando e continuaremos nos próximos meses”.

REFORMA DE GOVERNANÇA E CREDIBILIDADE O FMI

“Sobre (a redistribuição das) cotas, não acho que afete a eficiência do Fundo, a efetividade da diretoria. Quando olho para os nossos programas, linhas de crédito em vigor, a estabilidade que tentamos entregar por intermédio da nossa assistência técnica, da supervisão bilateral que oferecemos baseada em 70 anos de expertise em campo, não acho que a falha de alguns membros em aprovar a reforma de governança é um impedimento às nossas operações. Isso está corroendo a credibilidade da instituição. Alimenta algumas pesquisas acadêmicas e alguns editoriais de observadores, mas na minha vida cotidiana, nas nossas operações com o staff e os membros da diretoria, e, mais importante, nas minhas tratativas com as autoridades dos países, incluindo com as dos países do Brics, isso não afeta o Fundo e não corrói nossas ações”.

INICIATIVAS FINANCEIRAS DO BRICS

“O Arranjo de Contingência de Reservas (ACR) criado pelo Brics vem sendo construído nos últimos três ou quatro anos. Então, acho que é bastante independente da falha dos EUA em ratificarem a reforma (de governança). É atribuída uma ligação pelos observadores, mas o Brics já vinha falando disso há algum tempo, eles decidiram em um encontro deles, há alguns anos, os princípios (do ACR). Há uma cooperação intrínseca entre o ACR e o FMI. Dos US$ 100 bilhões que o Brics reservaram, cada membro pode sacar do que aportou até 30%. Para mais, tem que ter um programa em curso com o FMI. Quando se olha para a relação do FMI com essas novas agências, os acordos, é muito similiar ao Chiang Mai (mecanismo de contingência e reserva) criado pelos países asiáticos, que tem o FMI do outro lado. Não digo que foi um ‘corte e cola’. O Brics não é uma região, Brics é um agrupamento com interesses comuns. Embora, por interesses comuns, eu digo a mim mesma ‘eles não são a mesma coisa de forma alguma’...”.

PAPEL DO FMI

“Estamos celebrando os 70 anos das instituições de Bretton Woods e há muita nostalgia expressa sobre os objetivos dos ‘fundadores’. O mundo mudou ao redor do FMI e o próprio Fundo mudou imensamente. E continuará a mudar. Esta é uma das belezas desta instituição, ela se ajusta, é flexível, mudamos os instrumentos e os programas ao longo do tempo, mudamos a supervisão, ampliamos massivamente a assistência técnica. E continuaremos a fazê-lo. Todo o mundo está mudando continuamente. O equilíbrio de poder está mudando, há confrontos e há poderes econômicos emergindo, se consolidando e cooperando, há efeitos sobre os vizinhos, que valerá a pena continuar explorando. O fato é que a rede de proteção que os coreanos particularmente demandaram no encontro do G-20 vem sendo construída, em torno do arranjo do Chiang Mai, do mecanismo europeu de estabilidade, do ACR, dos instrumentos de swap entre vários bancos centrais. Isso reflete o fato de que o mundo é vastamente global e interdependente e precisa, provavelmente, de diferentes camadas nesta rede de proteção. Mas não vejo nada que seja inconsistente com a missão do FMI, que acho que é coordenação, cooperação entre os pilares das redes de proteção internacionais – das quais o FMI é a peça central”.

oglobo.globo.com | 29-07-2014
A União Europeia chegou a um acordo para impor sanções contra setores da economia da Rússia, segundo diplomatas.
atarde.uol.com.br | 29-07-2014

BRUXELAS — Os governos da União Europeia chegaram a um acordo nesta terça-feira de impor uma série de sanções econômicas contra a Rússia, na tentativa de forçar o presidente Vladimir Putin a parar o apoio aos rebeldes no Leste da Ucrânia. As restrições terão como alvo quatro setores econômicos: finanças, equipamento militar, armas e produção de petróleo. Segundo os diplomatas, as medidas devem entrar em vigor na quinta-feira.

— Um acordo político sobre um pacote de sanções econômicas foi concluído — afirmou a porta-voz do serviço diplomático da UE durante uma reunião dos embaixadores em Bruxelas.

Os representantes dos 28 países membros passaram a manhã desta terça-feira discutindo a adoção de sanções, incluindo restrições para os bancos estatais russos operarem no mercado de capitais europeu e a proibição de venda de armas para a Rússia. Segundo uma das fontes diplomáticas, as medidas serão revistas após três meses.

O bloco europeu afirmou que o objetivo das sanções é aumentar o custo para a Rússia de seu contínuo apoio para os rebeldes no Leste da Ucrânia. Moscou nega as acusações por parte da UE e dos EUA de que está fornecendo armas pesadas para os separatistas.

Com esta nova rodada de restrições, o bloco europeu dá um passo importante. Pela primeira vez, a UE impõe medidas para afetar setores econômicos russos, mesmo assumindo o custo para a própria economia. Vários países da União Europeias têm relações comerciais estreitas com a Rússia.

A mudança de posição ocorreu após a queda do voo MH17 da Malaysia Airlines, no Leste da Ucrânia, que matou as 298 pessoas a bordo, a maioria de nacionalidade holandesa. Os governos ocidentais acreditam que os rebeldes derrubaram o avião com um míssil russo.

Em Amsterdã, o ministro das Relações Exteriores holandês, Frans Timmermans, afirmou que as sanções sobre os mercados de capitais russos em resposta à crise Ucrânia teria um efeito imediato. Em um debate no parlamento sobre a derrubada da aeronave, Timmermans ressaltou que as sanções enviaram um sinal forte a Moscou.

— Acho que as medidas vão ter um efeito de longo alcance e imediato — declarou o ministro no parlamento.

Nesta terça-feira, mais uma vez uma equipe internacional não conseguiu ter acesso ao local do acidente, em meio a intensos combates entre as forças ucranianas e os rebeldes.

oglobo.globo.com | 29-07-2014

A política externa é uma das que mais foram alteradas desde que o PT chegou ao Planalto, em janeiro de 2003. Ficou visível que o Itamaraty como instituição deixou de ter peso nas decisões, ao mesmo tempo em que uma visão de mundo condicionada por um nacionalismo de esquerda, antiamericanista, do pós-guerra, passou a ser preponderante. Foram engavetadas características da diplomacia profissional: a busca pelo equilíbrio, a não intervenção em crises políticas de outros países, o bom relacionamento com americanos e europeus, sem se afastar do mundo emergente.

O curioso é que onde se esperavam alterações de fundo, na política econômica, nada aconteceu. E ainda bem, porque foi a manutenção de princípios da administração tucana que evitou o descarrilamento da economia, atingida por uma séria crise de confiança causada pela perspectiva de chegada do próprio PT ao poder. Consta que, para manter as fileiras petistas unidas, a política externa foi cedida, em contrapartida, às frações mais à esquerda do partido.

E no momento observa-se mais um surto de esquerdização da diplomacia, quando o Planalto necessita de um PT unido, às vésperas da que deverá ser a mais árdua batalha eleitoral que o partido enfrentará, desde a vitória de Lula, em 2002.

O último sintoma do surto foi a decisão do governo Dilma de convocar o embaixador em Tel Aviv , Henrique Sardinha, “para consultas", devido ao “uso desproporcional da força” por parte de Israel em Gaza. Havia formas menos estridentes de comunicar o justificável mal-estar com as mortes de civis em Gaza — mas também sem deixar de registrar a contrariedade com os constantes ataques de foguetes feitos pelo Hamas contra cidades israelenses, incluindo, agora, Tel Aviv.

A atitude gerou a resposta, também desequilibrado, da chancelaria israelense, com o uso do deplorável termo “anão diplomático” para qualificar o Brasil. O ministro das Relação Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, embaixador de carreira, respondeu dentro dos códigos da atividade, enquanto Marco Aurélio Garcia, assessor especial da presidência, militante petista, uma espécie de ministro das Relações Exteriores “do b", manteve o nível do porta-voz israelense, classificando-o de “sub do sub do sub do sub do sub” — copiando o ex-presidente Lula na resposta a um comentário de autoridade americana de que não gostou.

Mais uma prova de que os profissionais da diplomacia estão em segundo plano é a tíbia posição brasileira diante do ataque ao jato comercial por grupos de rebeldes ucranianos apoiados pela Rússia de Putin, outro aliado preferencial do Planalto. O avião, malaio; o míssil, russo. Morreram 298 pessoas.

O governo evita qualquer condenação à Rússia e faz o mesmo com a Síria de Assad, ditador já com mais de 150 mil mortos na biografia. O conceito é simples: faz-se tudo aquilo que contraria a política externa americana. Parece birra, mas há quem considere eficaz para conseguir votos.

oglobo.globo.com | 29-07-2014

LONDRES Uma das historiadoras mais respeitadas, a canadense Margaret MacMillan vê semelhanças quase aflitivas — para quem a ouve — entre o mundo atual e aquele de 100 anos atrás, quando o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando por terroristas em Sarajevo desencadeou a primeira grande guerra mundial. Os Bálcãs de antes poderiam perfeitamente ser o Oriente Médio ou os mares do Sul da China de hoje, segundo ela. Cercada por livros em seu gabinete na Universidade de Oxford, onde passa a maior parte do tempo, disse ao GLOBO que os riscos não podem ser descartados. Mas não está completamente pessimista. Para ela, o mundo de hoje tem instituições internacionais mais fortes e um sentimento de Humanidade compartilhado que podem evitar uma nova grande guerra. “Então, vamos tentar ter confiança nisso...”, disse, sorridente, a autora do livro “A guerra que acabou com a paz: como a Europa trocou a paz pela primeira guera mundial”.

A senhora diz o mundo está parecido com o do pré-I Guerra. Quais as semelhanças?

Ambos são muito globalizados. O período de 1914 já era, com a disseminação das comunicações, dos telégrafos, das ferrovias, o movimento de povos pelo planeta, com os europeus partindo para o novo mundo. Os eventos em uma parte do mundo afetavam as outras. Havia uma expansão da prosperidade, mas a divisão era muito desigual. Havia também os movimentos de trabalhadores, os movimentos revolucionários. Havia ainda um medo exagerado, talvez como agora, do poder dos terroristas, de ataques. O nacionalismo também se repete: nos Bálcãs, ou na Escócia, logo ali, querendo deixar o Reino Unido, e em partes da Ásia, no Japão. E uma força de partidos de direita, como o Tea Party ou o Ukip aqui no Reino Unido. Não se trata mais de partidos de direita tradicionais, mas antielite, novas organizações política. Os protestos eram mais organizados em 1914 do que agora. Os sindicatos estavam em ascensão e agora estão em queda. Mas há greves na China. Há problemas que se repetem, embora não necessariamente nas mesmas partes do mundo. As pessoas também estão pensando de maneira mais internacional.

As semelhanças indicam riscos similares de uma guerra hoje?

Seríamos bobos se não tivéssemos cautela, ou não pensássemos em riscos. Temos que estar preocupados. Há o risco da corrida armamentista, da mudança do clima, das grandes epidemias, vírus. Uma nova guerra mundial não é provável, porque tivemos duas e sabemos o que pode acontecer, ainda mais agora que as armas têm uma capacidade de destruição muito maior. Poderia ser o fim de tudo. Uma semelhança interessante são as partes do mundo em que há problemas e disputas locais que ameaçam envolver países (poderes) de fora. Antes de 1914 eram os Bálcãs; hoje poderiam ser, por exemplo, o Oriente Médio ou os mares do Sul e do Leste da China.

Conflitos como o da Ucrânia não significam que a tensão pode estar no ar?

Os países do Ocidente não souberam lidar com a Rússia corretamente desde o fim da Guerra Fria. É um país orgulhoso. O discurso de Putin por conta da anexação da Crimeia mostra que há muito ressentimento e orgulho ferido. Ele menciona o Kosovo, em que o Ocidente agiu exatamente da mesma maneira. Tudo isso importa. E agora quer desestabilizar a região. Uma das coisas que mais me assustam hoje são as estatísticas. Há 51 milhões de refugiados no mundo, muito mais do que em qualquer momento de guerra.

Como a senhora mesma diz: não aprendemos com a I Guerra?

O aprendizado aconteceu de maneira diversa no mundo. A Europa aprendeu, prova disso é a importância da União Europeia. Mas isso é algo que as gerações mais jovens, que não viveram a guerra diretamente, já não sabem valorizar.

A senhora compara as turbulências nos Bálcãs, que acabaram por desencadear a Primeira Guerra, ao Oriente Médio. Há riscos semelhantes?

O perigo sempre depende de como os poderes de fora lidam com a situação, disso depende o risco. Cada um tinha os seus interesses nos Bálcãs, daí a importância que ganhou. O Oriente Médio é parte problemática do mundo, com países que podem levar suas forças para lá. Há interesses na Síria, no Iraque. Qualquer lugar pode oferecer risco. A China, com a militarização e os problemas no mar do Sul e do Leste, é um exemplo. O Japão também vem se movimentando com investimentos militares. Os Estados Unidos têm um acordo de defesa com o Japão, se a China e o Japão se desentendem…

Mas o mundo já não está dividido nas mãos de algumas potências como cem anos atrás...

O mundo está mais multipolar do que naquela época. Acho que podemos ver agrupamentos mais regionais, com potências regionais. A China pode, ou não, tornar-se a potência hegemônica no lugar dos Estados Unidos. Mas pode não querer sê-lo, ou não ser capaz.

Se no mundo globalizado de 1914 já havia tantos riscos, hoje, com a internet, usada para promover protestos pacíficos e a propaganda jihadista, eles não são potencializados?

A internet é neutra. Mas ajuda a pôr em contato pessoas do mal. Pode, sim, servir de combustível para ações do mal. Mas também pode ser usada para o bem, para caridade. Os governos já perceberam a importância e o poder da rede, e estão tentando usá-la a seu favor. Sabem que as pessoas usam a internet para atrair uma audiência cada vez maior.

Há uma corrida armamentista no mundo. E não é só em países como Irã, ou Síria. EUA e o Reino Unido gastam bilhões. Não é uma ameaça?

No caso britânico, é mais uma ressaca imperial. Tem valor simbólico. Para que precisa disso tudo? Os EUA também continuam se armando. Israel não diz ter armas nucleares, mas todos sabem que sim. Tem o Paquistão, uma ameaça no Irã. A Ucrânia desistiu em troca de integridade territorial quando se tornou independente da URSS. A proliferação de armamentos de massa é um grande risco.

A senhora diz que a Primeira Guerra aconteceu por um conjunto de acidentes e decisões tomadas pelos líderes da época. Que acidentes podem acontecer hoje?

Os chineses com seus navios de guerra, por exemplo, podem esbarrar em uma embarcação filipina ou num barco pesqueiro japonês. Tudo isso por engano. A Coreia do Norte agir de maneira imprudente, o que não é impossível. Se o Isis resolver atacar o Irã… Não podemos descartar nada. O assassinato de Francisco Ferdinando foi um acidente. Os terroristas acharam que, matando o arquiduque, as coisas automaticamente se resolveriam. Não previram os desdobramentos. Nunca pensaram numa guerra global. Faz parte da natureza humana ter problemas. Sempre os teremos de uma maneira ou de outra.

oglobo.globo.com | 28-07-2014

GENEBRA — Países emergentes , como Brasil ou China, “não têm uma visão de mundo” como tiveram os Estados Unidos no pós-guerra: não sabem o que querem . É o que sustenta o inglês Guy de Jonquière, pesquisador do European Centre for International Political Economy (Ecipe), em Bruxelas.

— Não vejo uma visão de mundo nos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). E esta palavra (Brics) é uma invenção ridícula. A única coisa que eles têm em comum é que são todos ressentidos com a dominância americana — diz.

Jonquières lembra que o atual sistema multilateral – ou seja, toda a estrutura que governa a relação entre países no mundo, como Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e outros, foi construída à partir da visão dos Estados Unidos, que emergiram poderosíssimos da Segunda Guerra. A estrutura, segundo ele, baseada em estabilidade, equidade e estado do direito, “teve enorme sucesso” e a prova é que “o mundo tem muito mais países prósperos hoje do que jamais na História”.

O que mudou, então ? Duas coisas, diz Jonquières. Primeiro, países que prosperaram e emergiram se tornaram mais assertivos: não agem sempre como americanos esperam. Segundo, a vontade e a capacidade dos EUA de jogarem o papel de líder mundial diminuiu:

— Sua economia não tem o mesmo poder de antes e os americanos não querem mais se engajar militarmente no exterior. Liderança custa: economica, financeira, militar, diplomática e políticamente. Eles não querem mais arcar com todos os custos — afirma.

O problema agora, para o pesquisador, é que os novos atores — os emergentes — não têm uma visão de mundo. Nem sabem o que querem. A China é um exemplo

— A política externa da China é desconcertante, para dizer o mínimo. É incrivelmente imprevisível. É uma liderança constantemente assombrada por uma profunda inseguraça sobre o seu papel, mas determinada a ser aceita como uma grande potência. O que isso significa não é de todo claro — afirma.

Para Jonquières o mundo de hoje se encontra num “desequilíbrio estável”. Que ordem multilateral, então, ele vê emergindo ?

— Uma (ordem) muito confusa, com diversos centros de poder. Para onde estamos indo? Que tipo de arquitetura vai emergir deste mundo fluido e estranho ? Impossível dizer. Mas a América ainda é poderosa e os chineses erraram ao assumir que ela está em declínio irreversível.

oglobo.globo.com | 28-07-2014

BRASÍLIA - O anúncio de investimentos bilionários em infraestrutura e crédito para o Brasil e para a América Latina, feito pelo governo chinês durante a visita do presidente Xi Jinping ao país, na reunião do Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), há duas semanas, faz parte de um projeto maior da nação asiática para controlar grandes rotas logísticas no mundo e assegurar suprimento de minerais e alimentos.

A construção do canal da Nicarágua — que cortará o país numa rota alternativa ao Canal do Panamá — e da ferrovia Transcontinental, que atravessará o Brasil e o Peru, ligando Atlântico e Pacífico, fazem parte desse projeto.

Conheça ops projetos de interesse dos chineses. O canal da Nicarágua, projeto de US$ 40 bilhões, começará a ser construído no fim deste ano e tem entrega prevista para 2019. Deverá percorrer 278 quilômetros — quase quatro vezes o canal do Panamá, inaugurado há um século — passando por florestas, terras indígenas e o lago da Nicarágua, no interior do país.

O traçado foi definido há duas semanas pelo concessionário HKND Group. O empreendimento envolve também dois portos, uma zona de livre comércio, hotéis, um aeroporto e estradas. O tamanho da obra levou o governo da Nicarágua a aprovar leis e medidas em prol do projeto, com orçamento de quatro vezes o tamanho da economia do país.

Redução no frete

Apesar de o canal do Panamá ter capacidade disponível, a China apoia a iniciativa na Nicarágua porque não teria controle sobre as rotas logísticas no Panamá, devido à influência americana, que tem bases na região e é responsável por sua defesa militar.

— Para eles, faz muito sentido um segundo canal. A China é e continuará sendo um importador de matérias-primas. Tudo o que facilite e reduza fretes é positivo e se paga no longo prazo — disse Cláudio Frischtak, da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios.

O canal da Nicarágua gera grande interesse geopolítico internacional. No mês passado, o país recebeu uma visita do presidente russo Vladimir Putin, sinalizando o interesse daquele país na futura ligação marítima. O canal deverá comportar os maiores navios existentes atualmente, como aqueles que levam minérios da Vale para China.

Na apresentação da rota, o HKND Group reconhece que atravessar áreas protegidas é inevitável, mas promete planos de mitigação e compensação. O lago da Nicarágua é rico em biodiversidade, e a movimentação de navios de porte gigantesco pode alterar significativamente o ecossistema.

Ferrovia no Brasil

O embaixador Sergio Amaral, presidente do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), destaca que os investimentos agora promovidos pela China mundo afora, principalmente na América Latina, tem uma preocupação com a preservação do ambiente local, diferentemente de investimentos feitos no passado pelo país na África, que não deixaram retornos econômicos e socioambientais significativos para os moradores afetados.

— O que é impressionante no caso da China é a visão estratégica e a capacidade de realização. Estão criando alternativas para chegarem aos seus objetivos sem fazer ruídos — disse Amaral.

No caso da ferrovia Transcontinental, o governo brasileiro espera realizar ainda este ano o leilão da primeira obra desse traçado, entre Lucas do Rio Verde (MT) e Campinorte (GO), com orçamento estimado em US$ 2,3 bilhões. A gigante China Railway Construction Corporation (CRCC) deverá participar dessa licitação em parceria com a Camargo Corrêa, embora o grupo ainda considere refazer todos os estudos do trecho, o que pode adiar o leilão, assim como o prazo para a conclusão, reconhece uma fonte do governo.

— Acredito que as parcerias em infraestrutura e agricultura ainda têm muito potencial para crescer, porque trazem benefícios aos dois povos — disse Sun Chenghai, diretor geral da Agência de Desenvolvimento Comercial do governo chinês, a uma plateia de empresários brasileiros durante a visita oficial do presidente Xi Jinping ao país neste mês.

Caminho pelo ártico

Com outro projeto de levar navios pelo Ártico em rotas que se abrem pelo aquecimento global, a China quer se firmar como operadora logística global, principalmente por meios marítimos. Segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), 90% do volume de negócios internacionais feitos no mundo em 2012 passaram pelos mares e oceanos.

oglobo.globo.com | 27-07-2014

BUENOS AIRES - Com dramatismo digno de um tango, muitos argentinos se perguntam, em meio à disputa judicial entre a Casa Rosada e os chamados “fundos abutres” nos tribunais de Nova York, se existirá vida depois do próximo dia 30 de julho. Nessa data vence o prazo para que o país possa alcançar um acordo com os credores que não participaram das operações de reestruturação da dívida de 2005 e 2010, os holdouts, e evitar um cenário inédito no mundo: um calote técnico, ou seja, não por falta de recursos ou vontade, mas sim por uma impossibilidade judicial, já que o juiz Thomas Griesa, encarregado do caso, exige que qualquer pagamento aos credores reestruturados inclua, também, os abutres.

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Analistas econômicos, investidores e operadores de mercado estão em clima de contagem regressiva e ninguém se atreve a antecipar o que acontecerá a partir da próxima quarta-feira, caso o governo da presidente Cristina Kirchner não consiga selar um entendimento com os fundos NML, do milionário Paul Singer, Aurelius Capital e outros holdouts que foram favorecidos por uma sentença questionada por todos os governos latino-americanos, autoridades de outros países como Rússia, Suíça, Itália, o Grupo dos 77 mais China, até mesmo o Fundo Monetário Internacional (FMI) e jornais de prestígio internacional como o “Financial Times".

— As consequências não serão iguais às do calote de 2001, e haverá vida depois do dia 30. O que não sabemos é que tipo de vida, onde estaremos e como estaremos — opinou o ex-secretário de Finanças Daniel Marx, diretor executivo da Quantum Finanças.

Segundo ele, um dos principais especialistas em dívida da Argentina, “estamos vivendo uma situação que não está controlada, por isso não sabemos quais serão os efeitos de uma eventual suspensão de pagamentos”.

— Existe uma lógica que nos levaria a pensar num acordo no último minuto, mas neste momento não imagino o governo fazendo uma proposta (de pagamento em bônus, nos moldes do acordo com o Clube de Paris) e sim a Justiça adotando alguma decisão ou os litigantes fazendo algum pedido — disse Marx, referindo-se à possibilidade de que os fundos abutres solicitem ao juiz a reposição de uma liminar que suspenda a aplicação de sua sentença e permita à Argentina negociar sem correr o risco de sofrer embargos.

Governo contava com mais tempo

Nesse cenário, que vem sendo defendido pelos advogados do país perante tribunais de Nova York, a Casa Rosada poderia continuar pagando seus vencimentos aos credores reestruturados e evitaria o calote. Mas Griesa já negou várias vezes a solicitação de novo stay (liminar) e insiste em que o governo argentino deve sentar-se à mesa para discutir uma solução com os abutres. Cristina e o ministro da Economia, Axel Kicillof, resistem, principalmente, porque o principal temor da equipe econômica é que seja ativada a cláusula Rights Upon Future Offers (Rufo). Ela estabelece que caso uma oferta aos holdouts seja feita — o que obrigatoriamente implicaria melhorar as condições das trocas de 2005 e 2010 —, deverá reconhecer os mesmos direitos aos credores reestruturados. Segundo cálculos de economistas do setor privado, isso poderia implicar até US$ 20 bilhões em novas demandas, mais da metade das reservas do Banco Central argentino.

Assim, Kicillof evita qualquer ação que possa ativar a Rufo, até mesmo um encontro tête-à-tête com os abutres. A famosa cláusula que atormenta Cristina e seu ministro vence no próximo dia 31 de dezembro, razão pela qual o governo argentino vem empurrando o conflito com os holdouts nos últimos anos. Com declarações como “nem um centavo aos abutres”, a presidente afastou qualquer chance de acordo, sempre imaginando que eventual negociação ficaria para 2015, seu último ano de mandato. O problema surgiu quando, em junho, a Suprema Corte americana se negou a tratar do caso argentino. O governo Kirchner contava com mais tempo, achando que a Corte aceitaria o caso e o derivaria ao procurador geral, o que teria significado, ao menos, mais seis meses de oxigênio.

— Há duas opções: um novo stay ou default (calote). Muitos advogados americanos analisam o alcance da Rufo. Não é uma invenção do governo argentino, é uma realidade — disse Walter Molano, da BCP Securities, em Nova York.

Demanda por bônus deve crescer

Para ele, o mercado entenderá, no pior dos casos, “que se trata de um calote técnico”.

— O que deverá acontecer é uma maior demanda por papéis argentinos, esperando uma valorização em 2015, quando deverá ser fechado um acordo — explicou Molano.

Numa das últimas apresentações feitas pelos advogados da Cleary Gottlieb Steen & Hamilton, que defendem a Argentina, a Griesa, o país afirmou que “se for ativada, a cláusula Rufo poderia levar a novas demandas de outros credores por bilhões de dólares, colocando em risco as operações de 2005 e 2010”. Os advogados da Argentina indicaram que se Griesa continuar ignorando o obstáculo legal “tornará a situação mais difícil de ser resolvida”.

A estratégia de Cristina parece clara: o governo argentino responsabilizará Griesa e a Justiça americana por um eventual calote, o quarto da história do país. Já a ativação da Rufo, que poderia implicar até mesmo demandas penais contra funcionários, seria culpa da Casa Rosada.

— O temor à responsabilidade legal por um eventual colapso das trocas de 2005 e 2010, improvável, mas não impossível, representa hoje o principal obstáculo na negociação — enfatizou o economista Eduardo Levy Yeyati, da Elypsis.

Na cruzada contra os fundos abutres, o governo Kirchner obteve apoios importantes.

— A comunidade internacional é contra a sentença de Griesa porque boicota futuras reestruturações. Apoiaram o país prêmios Nobel como Stiglitz, e governos como França, México e Brasil — disse a jornalista Mara Laudonia, autora de “Os abutres da dívida”.

No país, alguns economistas como Martin Tetaz, pesquisador da Universidade de La Plata, acreditam num acordo de última hora. Caso contrário, o país terá, nos próximos meses, mais instabilidade cambial (leia-se alta do dólar), inflação e recessão.

oglobo.globo.com | 27-07-2014

GENEBRA Era 29 de junho de 1919. Das cinzas da Primeira Guerra Mundial, o tratado de paz de Versalhes lançou uma das maiores utopias do século: a Liga das Nações, uma organização que, no ideal do presidente americano Woodrow Wilson, impediria guerras. Sem poder e cheia de contradições, a liga morreu ao não evitar a Segunda Guerra, mas teve um mérito: lançou as bases da Organização das Nações Unidas (ONU) e da atual estrutura de governança do mundo.

Hoje, cem anos depois, esta estrutura se multiplicou e guia a relação entre países com base em regras, e não mais na força, como no passado: ONU, suas agências especializadas, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e, mais recentemente, a Organização Mundial do Comércio (OMC), está sendo colocada à prova. Não por uma guerra, mas pela crise econômica e mudança na estrutura da economia global e no jogo de poder no mundo, com a emergência de novos atores, como China, Brasil, Índia, Rússia, entre outros. Alguns perguntam: é a crise do multilateralismo?

três fatores que desconstroem o sistema

O especialista do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri) Philippe Moreau Defarges acha que sim. E vê três razões fundamentais. A primeira: o sistema, construído e comandado pelos países ocidentais no pós-guerra, continua sob as rédeas deles. Hoje, “tem que ser alargado para incorporar países não ocidentais”.

— O presidente do FMI é sempre um europeu, e o do Banco Mundial, um americano. Talvez tenha que se colocar no comando destas organizações um chinês ou um brasileiro.

Para Defarges, o debate pautou a escolha do primeiro brasileiro e latino, Roberto Azevêdo, para comandar a OMC, que regulamenta o comércio mundial. Azevêdo assumiu num momento crítico: a OMC está num marasmo. A rodada de negociações que a OMC lançou em 2001 para abrir ainda mais o comércio internacional (Rodada de Doha) está paralisada, porque países estão preferindo buscar abertura de comércio em acordos bilaterais e regionais do que na OMC. Como admitiu Azevêdo numa entrevista ao GLOBO em 2013, para não cair na irrelevância, a instituição precisa se atualizar:

— O que temos hoje (na OMC) ainda reflete uma forma de conduzir negócios dos anos 80.

A ONU também tem sido colocada à prova na função mais fundamental: manutenção da paz e segurança no mundo. Em 2003, a intervenção no Iraque liderada pelos EUA — sem a autorização do Conselho de Segurança da ONU — levou os mais alarmistas a prever o colapso do sistema. Não aconteceu, mas expôs os limites.

O Conselho de Segurança tem sido questionado pelos emergentes, como Brasil e Índia, por ter a mesma estrutura do pós-guerra, com cinco países com cadeira permanente tomando decisões cruciais: EUA, China, Rússia, Reino Unido e França. A ONU começou a estudar uma reforma em 1993, mas que não resultou em nada.

Com o fim da Guerra Fria, o Conselho de Segurança da ONU ficou mais intervencionista e teve sucessos. Mais recentemente, aprovou sanções contra Coreia do Norte e o Irã por conta dos programas nucleares. Mas resquícios da Guerra Fria continuam, quando China e Rússia se uniram em 2012 para vetar uma série de ações contra o regime de Bashar al-Assad, na Síria, país que se radicalizou e que está sendo destruído por uma guerra civil.

A ONU teve notórios fracassos nas missões de manutenção de paz: não impediu o último grande genocídio do século 20, em Ruanda, e fracassou em operações na guerra da Bósnia e na Somália.

Defarges acha que, apesar de tudo, as Nações Unidas obtiveram êxito:

— A ONU é um formidável sucesso. Hoje, quando há uma crise internacional, o Conselho de Segurança se reúne: discute, debate, grita, diverge. Mas não fazemos mais a guerra. O multilateralismo está em crise, mas fez enormes progressos.

Segunda razão da crise, segundo Defarges: todas estas instituições multilaterais foram concebidas para regular a relação entre estados. Mas o sistema hoje precisa “se tornar mais democrático, onde o povo e as sociedades estejam mais presentes”. E a terceira razão: há uma crise real no mundo atual.

— Há uma crise econômica e conflitos geopolíticos importantes. Então, o sistema multilateral sofre porque não está se sustentando numa situação política e econômica internacional favorável.

O professor de política internacional Kanishka Jayasuriya, da Universidade de Adelaide, na Austrália, vê os problemas do multilateralismo hoje por outro prisma:

— O que temos não é crise ou colapso do sistema multilateral pós-guerra, mas a substituição por um leque de arranjos mais complexo e pluralístico que, às vezes, é difícil de administrar e ter coerência.

As negociações na área de mudanças climáticas, segundo Jayasuriya, são emblemáticas desta mudança. A última grande tentativa multilateral para abordar o problema desabou numa conferência da ONU em Copenhague, em 2009. Mas, para o professor, a ação dos países continuou de outra forma:

— Cada vez mais a ação está partindo de grupos e alianças entre Estados, através de arranjos com o Banco Mundial e de trocas de emissões (mecanismo para reduzir gases poluentes) entre países.

TRANSFORMAÇÃO SEM PODER CENTRAL

Na área do comércio, há o mesmo fenômeno, segundo Jayasuriya. A Iniciativa Transpacífica (TPP, na sigla em inglês), um acordo de livre comércio negociado entre 12 países — dos EUA ao Japão e Chile —, tornou-se num dos principais motores da política comercial na Ásia e no Pacífico.

— A Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, que também está sendo formada entre Europa e Estados Unidos, é outro exemplo de como estes acordos regionais estão cada vez mais esvaziando as rodadas de negociação multilaterais de comércio. Isso, em certo sentido, reflete esta crise do multilateralismo — enfatiza o professor.

A tese de Jayasuriya é de que há uma transformação fundamental da ordem multilateral, “mas que não está sendo guiada por nenhum tipo de poder central, como no início da Guerra Fria”:

— O que vejo emergindo é uma colcha de retalhos de instituições para gerar a ordem econômica e política globais. Não significa que instituições multilaterais, como a ONU, a OMC ou o Banco Mundial, vão desaparecer. Mas cada vez mais vão ter que existir num espaço muito mais complexo, com outras instituições e foros.

oglobo.globo.com | 27-07-2014
O ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, pediu mudanças na implementação de sanções contra setores da economia da Rússia.
atarde.uol.com.br | 26-07-2014
O ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, pediu mudanças na implementação de sanções contra setores da economia da Rússia.
atarde.uol.com.br | 26-07-2014

Nem a morte de 298 inocentes na queda de um jato da Malaysian Airlines sobre o Leste da Ucrânia, atingido por um míssil fornecido pela Rússia aos separatistas ucranianos, foi capaz de fazer o czar Vladimir Putin suavizar a estratégia de apoio a essas forças, em aberto desafio à comunidade internacional. Os EUA acusam Moscou de atacar com artilharia o território do país vizinho e de planejar o envio de novos lançadores de mísseis e armas pesadas para os separatistas, numa escalada do conflito. Na quarta-feira, mais dois caças ucranianos SU-25 foram abatidos sobre a região conflagrada, ficando apenas a dúvida se foram os rebeldes ou os próprios russos.

A conduta do Kremlin no episódio da derrubada do avião comercial foi deplorável. Levou dias até que os separatistas, aliados de Moscou, permitissem o trabalho de investigadores internacionais junto aos destroços do jato num campo aberto. Eles constataram que a área tinha sido adulterada pelos rebeldes, para encobrir evidências de que a aeronave fora atingida por um míssil. Quando finalmente os mercenários a soldo da Rússia liberaram os corpos, constatou-se que não estavam todos os 298.

Putin continua dúbio. Concorda em conversar e faz acenos a propostas para pôr fim ao conflito que ameaça dividir a Ucrânia ao meio, mas, na prática, continua fornecendo homens e armas para que suas forças de aluguel no Leste do país, fronteira com a Rússia, sigam combatendo o exército regular ucraniano. Mas evidências de que tem havido ataques de artilharia a partir do território russo muda o caráter do conflito, até aqui tratado como algo interno, entre os separatistas e o governo de Kiev. Passa a ser um embate entre dois países.

Citando fontes da inteligência americana, o jornal “Financial Times” revelou que entre as armas que a Rússia está enviando aos separatistas estão tanques T-64, lançadores de mísseis Grad, veículos de combate com canhões automáticos, veículos militares de transporte e sistemas anti-aéreos como o que derrubou o jato da Malaysian Airlines.

O recurso usado pelo Ocidente para tentar demover Putin são as sanções. Evidentemente, elas precisam ser intensificadas. A União Europeia, até agora reticente em apertar o laço devido aos interesses econômicos na Rússia, caminha para um consenso em torno de restrições à venda de armas, de tecnologia usada pelos militares russos e de equipamentos para exploração não convencional de petróleo.

Além disso, o mercado europeu seria fechado para investimentos e instrumentos financeiros russos, um duro golpe para a economia comandada pelo Kremlin.

O presidente Obama disse à CNBC que, provavelmente na próxima semana, os EUA vão adotar sanções mais duras contra bancos e companhias de energia e de armamentos da Rússia. Espera-se que os europeus não fiquem atrás.

oglobo.globo.com | 26-07-2014

Com uma economia muito diversificada, a Federação Russa possui importantes recursos naturais e humanos, que constituem forte potencial de desenvolvimento económico. O povo russo em geral, já a partir de meados da década de 1950, vivia bem melhor que os cidadãos de países capitalistas há muito orientados para o mercado, como o México, a Índia, o Brasil ou a Argentina. A taxa de analfabetismo era virtualmente zero, o ensino superior era muito bom e economicamente acessível; o desemprego quase não existia, a igualdade entre os géneros era uma das mais desenvolvidas do mundo, com as mulheres a chegar por vezes mais longe do que os homens nas suas carreiras, especialmente na ciência. Muitas famílias possuiam automóveis, TVs, gravadores de cassetes e podiam viajar de avião pelo menos uma vez por ano até às áreas balneares famosas do mar Negro. Mas a produção e distribuição de produtos de consumo (particularmente de vestuário e alimentos) era relativamente ineficiente e havia uma falta de habitação muito pronunciada em muitas das áreas urbanas, se bem que fossem raras situações de habitação precária ou insalubre. Contudo, desde a desintegração da União Soviética, em 1991, o caminho para a estabilização macroeconómica tem sido longo e difícil, A partir daquele ano, o país sofreu severa contracção económica ao longo dos cinco anos seguintes, enquanto o governo e o parlamento divergiam sobre a implementação das reformas. A base industrial do país foi seriamente atingida. O país tem passado por diversas crises, destacando-se a crise financeira de 1998, resultante fundamentalmente da crise financeira do Sudeste Asiático. Depois da dissolução da URSS, causada mais por razões étnicas do que económicas, a primeira recuperação russa, ainda ligeira mas já a mostrar os sinais da influência do mercado livre, ocorreu em 1997. Porém a crise financeira asiática daquele ano acabou por atingir a economia russa. Diante da significativa desvalorização do rublo, o governo Russo aumentou a taxa de juros, mas as medidas de política econômica fracassaram e a Rússia declarou uma moratória unilateral, gerando perdas a seus credores internos e externos. Assim, 1998 ficou marcado por ser o ano da crise financeira Russa, com intensa fuga de capitais e, na sequência, recessão. A economia começou a se recuperar em 1999, entrando numa fase de rápida expansão, com o PIB a crescer a uma taxa média de 6.8% por ano, entre 1999 e 2004, apoiado em preços mais altos no petróleo, num rublo mais fraco, e no aumento na produção de industrial e de serviços. Esta recuperação, a par de um renovado esforço governamental em 2000 e 2001 para fazer avançar as reformas estruturais, aumentou a confiança das empresas e dos investidores para a segunda década de transição. A Rússia permanece fortemente dependente de exportações de matérias-primas, em particular do petróleo, do gás natural, de metais e de madeira, que correspondem a mais de 80% do total das exportações, o que deixa o país vulnerável às oscilações dos preços do mercado mundial. Em anos recentes, no entanto, a economia também foi impulsionada pela crescente procura interna, que cresceu cerca de 12% ao ano entre 2000 e 2004, o que mostra o vigor do seu mercado interno. O PIB do país atingiu 535 bilhões de dólares em 2004, fazendo da economia russa a 16ª economia mundial, sendo que Moscou, concentra 30% da produção do país. Um dos maiores desafios dos formuladores da política econômica russa é o de encorajar o desenvolvimento de PMEs num ambiente empresarial dominado por oligarcas e dotado de um sistema bancário jovem e disfuncional. Muitos dos bancos russos pertencem a grandes empresários ou oligarcas, que usam frequentemente os depósitos para financiar os seus próprios negócios. O Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento e o Banco Mundial tentaram normalizar as práticas bancárias fazendo investimentos em acções ordinárias e na dívida, mas com um sucesso muito limitado. Outros problemas incluem um desenvolvimento económico desigual entre as regiões do país. Enquanto que a região de Moscovo, com a sua imensa população de 20 milhões de habitantes, é uma metrópole moderna, com setores de tecnologia de ponta e renda per capita próxima à das economias mais fortes da eurozona, o resto do país, em especial as comunidades indígenas e rurais da Ásia, vive como vivia no fim da Idade Média. A integração ao mercado também se faz sentir noutras cidades grandes como São Petersburgo, Kaliningrad e Ekaterinburg. Estimular o investimento estrangeiro é também um grande desafio. Até agora, o país tem se beneficiado do aumento nos preços de petróleo e tem sido capaz de pagar uma boa parte da sua dívida externa, que era gigantesca. O reinvestimento dos lucros obtidos pela exploração de recursos naturais em outros sectores da economia também é um problema. Em 2003, a prisão de Mikhail Khodorkovski, um dos oligarcas russos e, à época, o mais rico empresário do país, sob a acusação de fraude, evasão fiscal e corrupção durante as grandes privatizações conduzidas no governo de Boris Yeltsin, gerou certa desconfiança entre os investidores estrangeiros. Muitas das grandes fortunas actuais, na Rússia, parecem ter resultado da aquisição de propriedades estatais a muito baixo preço ou da aquisição barata de concessões governamentais. Outros países manifestaram a sua preocupação com a aplicação "selectiva" da lei contra empresários individuais. Apesar de tudo, algumas grandes firmas internacionais têm grandes investimentos na Rússia. Um exemplo é a fabricante de bebidas Scottish & Newcastle, que descobriu que o mercado da cerveja na Rússia crescia muito mais rapidamente do que noutras áreas da Europa. Quase duas décadas após o colapso da União Soviética, em 1991, a Rússia continua a tentar estabelecer uma economia de mercado moderna e de fato tem conseguido altas taxas de crescimento económico. Ao longo da década de 2000, a economia russa registrou taxas de crescimento acima de 7% em 2000 (10%), 2001, 2002, 2003, 2004 e 2007 (8,1%). Em 2005 teve alta de 6,4 e, em 2006, de 6,8%. Em 2008, a Rússia cresceu 6% e foi a 9ª economia do mundo. No entanto, diante da crise mundial e a queda dos preços do petróleo, as perspectivas para 2009 são mais sombrias. Em dezembro de 2008, a ministra da Economia, Elvira Nabiullina, previu 2,4% de crescimento do PIB para 2009, o índice mais baixo desde 1998 - o fatídico ano da moratória russa. A Rússia integra a área da APEC (Asia-Pacific Economic Cooperation), um bloco econômico que tem por objetivo transformar o Pacífico numa área de livre comércio e que engloba economias asiáticas, americanas e da Oceania.


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