Français | English | Español | Português

Rússia Economia

Vladimir Putin participa de entrevista coletiva em Vladivostok, na Rússia - Mikhail Klimentyev / AP

MOSCOU — Uma queda nos preços do petróleo e sanções impostas pelo Ocidente devido à crise na Ucrânia estão custando à Rússia até US$ 140 bilhões (R$ 355 bilhões) por ano, informou o ministro das Finanças russo, Anton Sluanov, nesta segunda-feira. De acordo com Siluanov, só as restrições econômicas impostas pelos Estados Unidos e União Europeia são responsáveis pela perda de US$ 40 bilhões (R$ 101 bilhões) para Moscou.

— Estamos perdendo cerca de US$ 40 bilhões de dólares ao ano por causa de sanções geopolíticas, e cerca de US$ 90 bilhões a US$ 100 bilhões por causa da queda dos preços do petróleo em 30% — disse Siluanov, em uma entrevista coletiva. — A principal questão que afeta o orçamento e a economia e o sistema financeiro: é o preço do petróleo e a queda nos fluxos monetários provenientes da venda de recursos energéticos.

Moscou tem sofrido há meses com uma série de sanções ocidentais realizadas em represália às ações russas na crise ucraniana e que levaram a economia do país à beira da recessão. As medidas provocaram uma queda na moeda russa (o rublo), que perdeu quase um terço de seu valor em relação ao euro, e causaram uma significativa fuga de capitais do país. Em resposta, a Rússia proibiu as importações de alimentos provenientes de países da União Europeia.

No entanto, as sanções não são os principais perigos que ameaçam a economia russa. Em junho, o preço do petróleo caiu de US$ 115 (R$ 291) para em torno de US$ 80 (R$ 203) o barril. De acordo com os economistas do Banco Alfa russo, uma queda de US$ 10 dólares por barril de petróleo custaria US$ 10 bilhões para o orçamento federal russo e 0,4% do Produto Interno Bruto.

Para limitar o impacto da queda, Moscou anunciou na sexta-feira uma possível queda na produção de petróleo, a poucos dias da reunião em 27 de novembro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), da qual a Rússia não é um membro. No domingo, o presidente russo, Vladimir Putin, tentou minimizar o impacto da queda dos preços do petróleo e das sanções sobre a economia russa.

— Não é um fato que as sanções, a queda acentuada dos preços do petróleo e a depreciação da moeda nacional vão nos levar a resultados negativos ou a consequências catastróficas. Nada disso, não vai acontecer — afirmou Putin. — Incomoda? Parcialmente, mas não é fatal.

Neste ano, a economia russa deve crescer pouco. Segundo o Banco Central Russo, o crescimento deve se limitar a 0,3% em 2014 e a zero em 2015. Além disso, há a previsão para uma estagnação da economia nos próximos três anos, em um cenário bem distante dos primeiros anos do mandato do presidente Vladimir Putin.

oglobo.globo.com | 24-11-2014

O presidente russo Vladimir Putin disse que Moscou não foi e não poderia ser isolada do cenário internacional e descartou riscos de “consequências” catastróficas para a economia russa por uma combinação de sanções ocidentais e depreciações do petróleo e do rublo. – Entendemos a fatalidade que é para nós a ‘cortina de ferro’. Não iremos [...]

O post Putin alerta que Rússia não aceitará isolamento de nenhuma espécie apareceu primeiro em Jornal Correio do Brasil.

correiodobrasil.com.br | 23-11-2014

“É o começo de uma recessão de três anos para a Rússia”, titula o Nezavissimaya Gazeta, acrescentando que o país vive “tempos mais difíceis do que o Governo pensa”. Segundo o diário de Moscovo, os analistas de um dos maiores bancos estatais da Rússia

acreditam que as previsões oficiais para os próximos três anos estão muito longe da realidade […]: o país está a afundar-se numa profunda recessão que poderá durar pelo menos três anos. Não haverá recuperação económica entre 2015 e 2017. […] O PIB da Rússia cairá 1,3 por cento em 2015, 1 por cento em 2016 e 0,5 por cento em 2017. A recuperação não chegará, pelo menos, até 2018, com 0,3 por cento de crescimento. […] Teremos de nos esquecer do crescimento do investimento nos próximos três anos: a produção industrial cairá 1,8 por cento em 2015 e 1 por cento em 2016. Em 2017, verificar-se-á um crescimento nulo.

A própria previsão de crescimento da Rússia pela sua “economia do petróleo” – uma média de 2,1 por cento de crescimento anual ao longo dos próximos três anos – baseou-se no preço médio de 88 euros por barril no início deste ano, escreve o The Economist. Agora que o preço do barril caiu para baixo de 64 euros, o semanário britânico afirma que “a Rússia está a sofrer”:

quando as economias se encontram numa rota insustentável, as finanças internacionais atuam muitas vezes como acelerador, empurrando os países para o limite mais rápido do que os políticos ou os investidores esperam. […] Mais de dois terços das exportações provêm da energia. O rublo desvalorizou cerca de 23 por cento em três meses. As sanções ocidentais também causaram danos, uma vez que os banqueiros aplicaram restrições não só aos amigos de Putin, mas também a uma ampla lista de empresas russas. De um modo mais geral, os anos de cleptocracia tiveram um efeito corrosivo. Grande parte da riqueza do país foi dividida entre os amigos de Putin. […] Se a economia russa entrar em colapso, serão feitos pedidos inevitáveis ao Ocidente para que as sanções sejam levantadas. Esta semana, Putin realçou que 300 mil empregos alemães dependem de relações comerciais com o seu país. No entanto, Angela Merkel manteve-se firme, e com razão. As ações têm consequências e Putin tem de o aprender. Quando se invade outro país, o mundo insurgir-se-á. E o mesmo acontece com a economia. Se Putin tivesse dedicado mais do seu tempo a fortalecer a economia da Rússia do que a enriquecer os seus amigos, neste momento não se encontraria numa posição tão vulnerável.

www.voxeurop.eu | 21-11-2014

RIO - Governos de vários países já estão advertindo seus cidadãos sobre um site que contém milhares de transmissões ao vivo de monitores de bebê, webcams e sistemas de circuito fechado de TV (CCTV).

De acordo com “BBC”, baseado na Rússia, o site transmite imagens de dispositivos — de mais de 250 países e territórios — que foram comprometidos usando senhas default ou mesmo sem usar qualquer senha.

O banco de dados do site mostra uma lista de 4.591 câmeras nos EUA, 2.059 na França e 1.576 na Holanda.

Um número menor de feeds também são identificados como sendo disponíveis a partir de países com economia em desenvolvimento, incluindo Nicarágua, Paquistão, Quênia, Paraguai e Zimbabwe.

Os sites de notícias estão evitando publicar o endereço do site espião.

Donos de equipamentos com risco de terem sido comprometidos estão sendo aconselhados a trocar a senha de seus dispositivos, verificar seus aparelhos, e desligá-los quando não estiverem em uso.

O fabricante de uma das câmeras sem fio mais exploradas — a Foscam — reiterou este conselho ressaltando que alterou o software que utiliza de modo a forçar os clientes a escolherem uma nova senha no lugar daquela que vem de fábrica. A empresa condenou o que chamou de “uma grave violação da privacidade das pessoas”.

“Uma analogia que melhor descreve esta situação seria a de alguém que simplesmente deixa uma janela de casa aberta, mas não dá permissão a um indivíduo não autorizado a configurar uma câmera mirada para o interior de seu aposento e transmitindo a imagem para o resto do mundo, disse o diretor de operações da Foscam, Chase Rhymes, em um comunicado.

Depois da chinesa Foscam, as marcas mais listadas foram Linksys e Panasonic.

oglobo.globo.com | 21-11-2014

VIENA — Disposição para ceder nas negociações. Esse foi o pedido mútuo do Irã e do grupo de potências mundiais liderado pelos Estados Unidos para o primeiro dia das negociações finais sobre o programa nuclear de Teerã. A cinco dias do prazo final para as negociações, as diferenças entre as partes envolvidas ainda são muito grandes. Para o chefe da diplomacia iraniana, Mohammad Javad Zarif, um acordo é possível, exceto pelas “demandas excessivas” das grandes potências. Já para o secretário americano de Estado, John Kerry, o Irã deve “fazer todos os esforços possíveis durante essa semana crítica”. Já o secretário britânico das Relações Exteriores, Philip Hammond, pediu “flexibilidade” aos representantes do governo iraniano.

As negociações foram abertas com um almoço entre Zarif e a representante da União Europeia, Catherine Ashton. Durante a tarde, representantes do grupo conhecido como 5 + 1 (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China, além da Alemanha) tiveram um encontro com Zarif, e um outra reunião, entre representantes americanos e iranianos também aconteceu.

As grandes potências desconfiam, desde 2002, que o programa nuclear civil do Irã é, na verdade, um projeto para a construção de armas atômicas, acusação que o governo iraniano nega veementemente. A polêmica em torno do programa levou até mesmo a um risco de guerra, alimentado pelo temor de Israel e de países do Golfo que Israel possa dispor de bombas atômicas. Desde então, o Irã tem sofrido com diversas sanções internacionais, e busca acabar com as medidas que minam o desempenho de sua economia.

Por sua parte, as grandes potências exigem que o Irã limite sua capacidade nuclear de forma que a opção militar se torne inviável. Após anos de tentativas, as duas partes iniciaram, há um ano, um ciclo de negociações que busca superar os muitos obstáculos diplomáticos.

“Ainda restam diferenças e ainda não sabemos se conseguiremos superá-las”, afirmou na segunda-feira uma fonte americana.

Os negociadores tentam chegar a um acordo quanto à capacidade de enriquecimento de urânio que o Irã terá após os acordos. O reator de água pesada de Arak, capaz de produzir plutônio — outra via de acesso a armas nucleares — é um dos pontos em discussão, assim como os regimes de inspeção da ONU, aos quais o Irã deverá se submeter caso um acordo seja alcançado e as sanções sejam suspensas. Fontes ocidentais dizem que, com relação ao último ponto, “O Irã não tem aspirações realistas”.

Um eventual acordo abriria um caminho para que as relações entre o Irã e o Ocidente se normalizassem, e a possíveis cooperações com os Estados Unidos nos confrontos no Iraque e na Síria. Além disso, reduziria os riscos de proliferação nuclear no Oriente Médio, e permitiria que o Irã reativasse sua economia.

A importância das negociações fez até mesmo com que Estados Unidos e Rússia deixassem de lado suas divergências quanto ao conflito no Leste da Ucrânia. No último dia 13, John Kerry, e o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, reforçaram a importância de “chegar a um acordo global o quanto antes possível”,

Ainda assim, vários analistas acreditam que um acordo definitivo não sairá até o dia 24 de novembro, e creem que as potências mundiais e o Irã chegarão a um “acordo interino” que permita prolongar as discussões, como já aconteceu em julho, ainda que esta manobra seja vista como uma medida arriscada.

Membros do Congresso americano ameaçam adotar novas sanções contra o Irã caso um acordo não seja alcançado.

oglobo.globo.com | 19-11-2014

DAMASCO — Abu Maruan, sírio na faixa dos 50 anos, já não economiza. Faz mais de três anos que o último turista se foi, um desses que lhe tiraram das mãos os famosos lenços de seda que se vendiam às dezenas, ao preço de 10 euros cada. Numa rodinha com amigos diante de sua loja, Maruan segura numa das mãos o narguilé do qual sorve pausadamente. Com a outra ele joga os dados para tentar a sorte na “taula”, jogo de tabuleiro que, na falta de clientes, ocupa o tempo dos comerciantes e antiquários do bairro de Bab Touma, na zona velha de Damasco, capital da Síria.

— Se vendo apenas um lenço na semana já me considero afortunado — comenta Maruan sem tirar os olhos do jogo.

Ainda assim, esse comerciante volta a cada manhã para abrir sua loja.

— O que vou fazer? Ficar em casa? — indaga.

Para poder chegar ao fim do mês, muitas famílias se reagruparam em apenas uma casa, para assim poder pagar o aluguel. Outros vivem de remessas de familiares do exterior.

— Tento fazer estoque, mas já não chegam tecidos de Aleppo. As fábricas foram fechadas — acrescenta Maruan.

A cada passo, ecoa o som de tecidos carbonizados nas solas de Mohamed Hayani, empresário têxtil de 35 anos que gerencia uma fábrica em Aleppo. Ele caminha sobre quatro anos de trabalho e um milhão de euros de investimentos que viraram cinzas.

— Roubaram todos os aparelhos que permitiam o funcionamento da fábrica e atearam fogo no resto — queixa-se este homem de negócio arruinado.

A zona industrial de Sheij Nayar, dez quilômetros ao norte de Aleppo, a maior cidade síria e considerada a capital econômica do país, abrigava duas mil fábricas como a de Mohamed e dava de comer a 42 mil trabalhadores. Hoje, Sheij Nayar não passa de uma planície, na qual se espalham edifícios em ruínas, montanhas de plástico fundido, máquinas carbonizadas e vidros quebrados, tudo guardado por militares.

— Em tempos pré-guera, chamávamos Aleppo de “Oum al Kheir” (a mãe da bonança, em árabe) — lembra Mohamed Jamour, também empresário de Aleppo que olha desconsolado sua fábrica queimada. — A zona industrial representava 45% do total da produção da cidade, a maioria têxtil. Aleppo (com 4,75 milhões de habitantes antes da guerra) reúne 35% da produção total da Síria.

A maioria dos empresários tenta passar da área têxtil para o setor de construção, mais lucrativo em tempos de guerra.

— Não podemos suportar mais perdas. Os bancos não dão créditos, e ainda que reabríssemos, a maioria dos trabalhadores qualificados fugiu para a Turquia. E se pudéssemos produzir não conseguiríamos fazer frente aos preços exorbitantes do transporte devido à insegurança nas rotas para a capital — explica o empresário.

O corte nos subsídios afeta produtos básicos como o pão, cujo preço passou de 15 para 25 libras sírias (de 7 a 11 centavos de euro), ou o custo da eletricidade e da água, que subiu quase 100%.

— Antes, o quilo do arroz valia 35 libras sírias (17 centavos de euro), hoje vale 150 (70 centavos de euro). É impossível encontrar combustível para aquecer as casas, e as temperaturas estão caindo. No mercado negro custa até 200 libras (95 centavos de euro) o litro, enquanto o preço do governo é 80 (38 centavos de euro) — reclama Taufik, taxista de 35 anos, em Damasco.

A taxa de desemprego chega a 54,3%, segundo dados do The Economista Intelligence Unit, enquanto o restante está empregado ou pelo Estado (40% do total) — com salários de 180 euros mensais — ou pela crescente economia informal. Três milhões de pessoas perderam seu trabalho durante o conflito e outros três milhões se refugiaram em países vizinhos, reduzindo o consumo interno.

Em março de 2011, a exportação de petróleo respondia por 25% das receitas do Estado. O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) tomou os postos de petróleo do noroeste do país, enquanto outros rebeldes fizeram o mesmo na fronteira com a Turquia, deixando apenas duas refinarias sob controle do governo. A produção de 400 mil barris diários da Síria antes da guerra caiu para 25 mil.

À crise causada pelo conflito somam-se as sanções econômicas da Europa e dos Estados Unidos. Somente Rússia e Irã rompem seu isolamento internacional. A potência persa é responsável por 50% das importações sírias. Poucos meses atrás, o Irã anunciava a ajuda de 2.200 milhões de euros para a Síria importar derivados de combustíveis e petróleo bruto. À espera de uma milagrosa recuperação econômica, Abu Maruan e seus amigos continuarão jogando dados para matar o tempo.

oglobo.globo.com | 17-11-2014

BRISBANE. A presidente Dilma Rousseff não deu nenhuma indicação hoje de quem será o novo ministro da Fazenda. Mas seja lá quem for, ela já decidiu uma coisa:

— Nós vamos fazer ajustes.

A presidente garantiu que “nem todos os ajustes são pelo lado de cortar a demanda”. E deixou claro que o foco será outro:

— Eu não acho que você consegue recuperar uma economia sem ter uma política com foco na demanda. Você não pode achar que com restrição à demanda você recupera — disse, referindo-se à política de austeridade aplicada em alguns países, sobretudo na Europa.

Tanto ela quanto o ministro Guido Mantega, da Fazenda, que a acompanhou na reunião de cúpula das 20 maiores economias do mundo, o G-20, se negaram a revelar em que áreas serão feitas os cortes. Dilma explicou que no Brasil hoje há vários gastos e despesas que não resultam nem em mais investimento, nem em aumento de consumo. São estes gastos que serão cortados, avisou:

— Essas despesas que não levam à ampliação de investimento e consumo são aquelas que nós consideramos que podem ser cortadas. Tem outras despesas que temos que olhar porque são excessivas.

E insistiu que o governo não trabalhará com a restrição da demanda :

— Nós vamos fazer um ajuste, mas nós não defendemos que a melhor política seja a restrição da demanda como forma de sair da crise. Não é. Isso está provado na própria União Europeia.

Diante da necessidade de ajuste fiscal, há rumores no mercado de que o governo aumentaria a Cida, isto é, uma contribuição cobrada a cada litro da gasolina — como forma de aumentar a arrecadação. Dilma desmentiu o rumo :

— Não conheço essa possibilidade. Eu não discuti a criação da Cide com ninguém — garantiu.

Mantega assegurou que os ajustes ainda não foram totalmente decididos. Mas que serão feitos ainda este ano. E um dos objetivos será crédito para aumentar o consumo.

— Vamos anunciar no seu devido tempo os cortes que serão feitos. Não está pronto ainda. Está em estudos.

Mantega assegurou que não haverá uma mudança radical de rumo na política econômica do governo. E repetiu o seu principal argumento: de que a população, ao reeleger o governo, aprovou a atual política econômica “que gerou emprego e aumentou a renda da população”. Quando um jornalista quis saber, então, se ele não se sentia injustiçado por estar sendo afastado do governo, Mantega reagiu:

— Desculpe, mas eu não fui afastado. Eu pedi para sair do governo já há algum tempo. Existem problemas familiares. Cheguei no limite.

Dilma e Mantega falaram em frustração no G-20 com a recuperação fraca da economia mundial, bem abaixo do esperado.

— Todos nós consideramos dentro da reunião que teria havia uma frustração do crescimento. Esperava-se no início do ano um crescimento mais robusto. E este crescimento não se verificou da forma como a gente esperava —disse Dilma.

Mantega saiu pessimista da reunião do G-20. Ele disse que dizer que não viu no encontro, que acabou hoje, nenhuma solução que vá realmente resolver o problema do crescimento nos países ricos. Medidas do bloco para estimular o crescimento global, como os planos específicos de cada país ou a criação de um núcleo para atrair investidores para projetos de infraestrutura, “são positivas”, disse Mantega, mas não resolvem o problema:

— A verdade é essa: não apareceu aqui nenhuma solução para estimular a demanda da Europa, principalmente. Os Estados Unidos estão retomando, o Reino Unido está retomando. Mas Europa e Japão, não estão.

Mantega voltou a atribuir o baixo crescimento no Brasil e a desaceleração nos países emergentes ao baixo crescimento nas economias ricas:

— O comércio internacional era estimulado pelos países avançados, pela União Europeia, Estados Unidos, Japão. Então, foram eles que desaceleraram o comércio internacional. Portanto diminuíram as encomendas feitas para a China, os países asiáticos…

Ele citou ainda uma série de problemas específicos do Brasil para explicar o baixo crescimento do país, como uma seca forte, menos dias úteis, repercussão dos ajustes do Fed (o Banco Central dos Estados Unidos) e pressão inflacionária. Até, finalmente, reconhecer que o Brasil precisa fazer ajustes :

— O Brasil tem que fazer ajustes. Temos que reduzir a pressão inflacionária, e ela está sendo reduzida. Temos que fazer outros ajustes, como o fiscal, o que há muitos meses eu venho dizendo. Estamos preparando estes ajustes, quando estiverem prontos serão anunciados — afirmou.

Estes ajustes, do lado fiscal, segundo ele, vão abrir espaço para “uma política monetária mais flexível”.

— O objetivo é caminhar para um superávit fiscal maior em 2015 do tamanho que já foi anunciado na proposta orçamentária que está tramitando no Congresso, em torno de 2% de superávit primário.

Dilma cobra reforma do FMI

Dilma cobrou a prometida reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI), onde para Brasil e outros emergentes foi prometido mais peso. A reforma foi bloqueada pelos Estados Unidos.

— Se não houver saída, ou se não for aprovada esta reforma no âmbito de todos os membros, no caso, dos Estados Unidos, nós procuraremos, junto aos ministros da Fazenda do G-20, soluções alternativas.

Banco dos Brics vai operar em julho

Mantega disse que os Brics — grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — decidiram se organizar para que o novo banco do bloco, chamado Novo Banco do Desenvolvimento, comece a funcionar a partir de julho do ano que vem. Será indicado um conselho de administração provisória e alguns membros da diretoria antes mesmo de ter a aprovação do Congresso para o funcionamento do banco.

Mantega disse que os emergentes estão preocupados com a demora da economia internacional em superar a crise. E disse que os esforços do G-20 não têm sido suficientes:

— Todos os membros estão preocupados. Os países emergentes dependem do comércio internacional e do dinamismo da economia internacional.

oglobo.globo.com | 16-11-2014

RIO - Com os escândalos de corrupção na Petrobras e a decisão da empresa de adiar a publicação de seu balanço financeiro, analistas temem uma paralisa na empresa que tenha impacto na indústria de petróleo, já que investimentos e decisões importantes estão praticamente suspensos. Embora a companhia continue mantendo e até batendo recorde de produção, é grande o medo, na estatal, de se autorizar qualquer negócio ou operação.

Há cerca de 15 dias, os sistemas internos da companhia ficaram mais fechados. Há cada vez menos funcionários com acesso a contratos. Além disso, a falta de clareza dos impactos das investigações faz com que a autoridade de diversas pessoas na empresa fique em xeque e que todos repensem antes de assinar qualquer documento.

Se os escândalos afetam o cotidiano da estatal, o maior reflexo é nos investimentos. Segundo uma fonte, a maior parte dos investimentos está paralisada. Ninguém aprova projeto novo. Um fornecedor da empresa explicou que apenas a compra de materiais para projetos em andamento segue em ritmo normal.

— Compra de equipamentos e aluguel de embarcações de apoio seguem seu curso normalmente. Mas os grandes projetos estão paralisados. Ninguém quer assinar nada sem todas as autorizações — diz uma fonte.

O advogado André Castro Carvalho afirma que uma reestruturação da imagem da estatal pode levar um ano e que, até lá, as denúncias terão impacto no setor:

— Muitos achavam que o setor de petróleo puxaria a recuperação do país. Agora, pode agir de maneira contrária. Temos que lembrar que a empresa é muito grande e afeta uma cadeia imensa de setores. Vários clientes e empresários ficaram, na sexta-feira, muito apreensivos com os impactos disso na economia.

Edmar de Almeida, do Grupo de Economia da Energia da UFRJ, lembra que os escândalos colocam em xeque os avanços em compliance (permitir que normas e leis sejam respeitadas) e prejudica outras negociações da estatal com seus parceiros.

PESO NA ECONOMIA FLUMINENSE

Júlio Bueno, secretário de Desenvolvimento do Estado do Rio, afirma que o peso do petróleo na economia fluminense é muito grande e foi o responsável pelo aumento do PIB estadual nos últimos anos. Mesmo reconhecendo a gravidade dos escândalos, ele acredita numa retomada:

— O setor do petróleo é acostumado a viver em crises. As grandes empresas internacionais convivem com ditaduras, se sobressaem na Rússia. O setor vai superar.

Ele afirmou, contudo, que esta nova fase de escândalos da empresa vai gerar um debate entre a Petrobras e a sociedade:

— Acredito que isso pode chegar até ao questionamento da Petrobras como operadora única do pré-sal — disse.

oglobo.globo.com | 16-11-2014

A queda do Muro de Berlim e o colapso do chamado socialismo real no fim do século XX marcaram o fim da Guerra Fria e levaram o historiador Francis Fukuyama a proclamar, em livro, o fim da História — isto é, a vitória da democracia liberal capitalista sobre o comunismo. Engano. O comunismo não ressurgiu, mas o capitalismo continua enfrentando suas crises cíclicas — como a Grande Recessão de 2008/9 —, e se fortaleceram inimigos da democracia, como o terrorismo internacional, responsável pelo primeiro ataque estrangeiro ao território dos EUA, o 11 de Setembro de 2001, com o colapso das Torres Gêmeas em Nova York.

A situação no Oriente Médio se complicou muito na esteira das invasões americanas do Afeganistão (2001) e do Iraque (2003), a Primavera Árabe, o impasse persistente Israel/palestinos e a guerra civil síria. Surgiram novas ameaças globais, como o Estado Islâmico. E a disputa entre o Ocidente e a Rússia pela supremacia na Ucrânia tem levado muitos, como Mikhail Gorbatchov, a advertir sobre um possível retorno da Guerra Fria, numa simplificação do atual momento em que as questões mundiais se tornaram muito mais diversificadas. Apareceram, ainda, novas formas de autoritarismo, como o bolivarianismo populista e estatizante na América Latina, na verdade o velho nacional-populismo requentado.

O desafio de enfrentar as mudanças climáticas, por sua vez, adicionaram mais incerteza ao futuro da Humanidade.

Na noite de 9 de novembro de 1989, seções do Muro de Berlim foram derrubadas e a euforia tomou conta da Alemanha. Vinte e cinco anos e €2 trilhões (investimentos do governo alemão na área da antiga RDA) depois, a reunificação alemã avançou muito, mas ainda há muros a derrubar. Thomas Petersen, do Instituto Allensbach, disse ao GLOBO que berlinenses ocidentais e orientais continuam se vendo como se fossem povos diferentes. O desemprego ainda é bem mais alto no Leste alemão (10,3%, em 2013) do que no Oeste (6%), inversamente ao rendimento do trabalhador — média de 2.691 euros mensais (Leste), contra 3.577 euros (Oeste).

Os jovens ainda sofrem com o trauma vivido pelos familiares mais velhos, que do dia para a noite foram confrontados com uma mudança radical de sistema político e econômico. Mas surgem novas percepções. Tanto Gisela Meyer, de 66 anos, quanto o jovem Maximilian Juncker, ambos alemães,concordaram que o chamado muro invisível mudou. “Se ainda há uma divisão, é entre bairros ricos e pobres, que existem dos dois lados da cidade”, comentou Gisela.

Há razão para otimismo. Pesquisa divulgada aos 25 anos da derrubada do muro revela que os alemães entre 14 e 29 anos superarão definitivamente a divisão. Eles são contra os clichês e consideram a reunificação a data mais importante do século XX para o país.

oglobo.globo.com | 16-11-2014

BRISBANE - Três minutos. Foi o tempo que a presidente Dilma Rousseff teve hoje na reunião dos líderes das 20 maiores economias do mundo, o G-20, em Brisbane, na Austrália, para expor suas posições. E, no seu primeiro discurso diante das principais lideranças do mundo desde sua reeleição, o mistério: Dilma não falou sobre o rumo que pretende dar à economia brasileira, segundo um participante.

Por ordem da presidente, tanto o discurso quanto o teor de seus encontros e conversas informais durante o dia inteiro de participação no G-20 foram mantidos em segredo. Dilma usou os três minutos do discurso para repetir a posição que Brasil e seus parceiros dos Brics — grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — haviam fechado numa reunião de manhã: de que países ricos precisam tomar medidas urgentes para fortalecer a demanda e reativar a economia mundial.

Num comunicado divulgado horas antes, os Brics martelaram neste ponto: de que os emergentes estão dando sua contribuição à economia mundial ao manterem “taxas de crescimento elevadas, a despeito de circunstâncias adversas e dos impactos das políticas das principais economias avançadas, sobretudo, monetárias”.

No breve discurso, Dilma destrinchou contribuições do Brasil ao plano que será lançado pelo G-20 neste domingo para reativar a economia mundial. Os líderes do G-20 vão encerrar o encontro de cúpula de Brisbane com uma promessa ambiciosa: gerar 2% de crescimento adicional no mundo nos próximos cinco anos. Para isso, cada país apresentou medidas que pretendem adotar para ativar o crescimento nos seus países. No discurso, Dilma mencionou o Pronatec, para a formação de milhões de alunos.

O G-20 vai lançar também um “hub” — isto é, um núcleo — para organizar, atrair e direcionar investidores para vários projetos de infraestrutura nos países do bloco. Dilma elogiou esta iniciativa no discurso. Ela encerrou sua intervenção repetindo a queixa conjunta dos Brics: de que é preciso encontrar uma solução ao bloqueio dos Estados Unidos à reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI) — uma reivindicação-chave dos países emergentes, que reclamam mais poder na instituição.

O Planalto informou no fim da noite em Brisbane que Dilma teve uma “conversa informal” com o presidente americano Barack Obama. Mas não houve confirmação do esperado encontro bilateral dos dois nem do tema da conversa.

Segundo uma fonte, Dilma estaria disposta a retomar preparativos para uma visita oficial aos Estados Unidos, que havia sido cancelada pelo Planalto depois que a presidente descobriu que foi espionada pela Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês). Obama já pediu desculpas em várias ocasiões.

O silêncio de Dilma e de seus assessores sobre as atividades do Brasil no G-20 contrastou com a transparência de outras delegações. O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, chegou a sair da área reservadas dos líderes do G-20 para ir até o centro de imprensa, onde deu uma entrevista coletiva à imprensa italiana.

oglobo.globo.com | 15-11-2014

BRISBANE - Os líderes dos Brics — grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — cobraram hoje das economias ricas mais esforços para reeguer a economia mundial. Num comunicado oficial após uma reunião pela manhã em Brisbane, na Austrália, onde estão reunidos líderes das 20 maiores economias do mundo, o G-20, os Brics praticamente lavaram as mãos sobre sua responsabilidade pela situação atual da economia mundial, dizendo que emergentes estão contribuindo com crescimento elevado “a despeito de circunstâncias adversas e dos impactos das políticas das principais economias avançadas, sobretudo as monetárias”.

O comunicado diz: “Líderes tomaram nota dos esforços do G-20, mas ressaltaram que é preciso fazer mais para sustentar a demanda global no curto prazo, especialmente por parte das economias avançadas, e para promover um incremento do investimento e do potencial de crescimento de longo prazo”. Os Brics afirmam que “investimentos e reformas econômicas são crucialmente importantes para aumentar a demanda e alavancar o crescimento de longo prazo”. E garantem que “economias emergentes de mercado permanecem, em geral, bem preparadas para enfrentar choques externos”.

A reunião dos Brics foi comandada pela presidente Dilma Rousseff. E não ficou só na cobrança. Os Brics se declararam desapontados e manifestaram “grave preocupação com a falta de implementação nas reformas do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 2010”. E alertaram para o impacto que isso poderá ter na legitimidade e credibilidade da instituição. “A demora injustificada em ratificar o acordo de 2010 está em contradição com os compromissos conjuntos assumidos pelos líderes do G-20 desde 2009”, queixam-se os Brics.

O grupo pediu que o G-20 marque uma discussão sobre “opções quanto aos próximos passos”, caso os Estados Unidos não ratifiquem a reforma do FMI até o fim do ano. O comunicado começa dizendo que a criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) — o banco dos Brics — conduziu a cooperação entre os países do grupo “a um patamar fundamentalmente novo, com a criação de ferramentas que contribuem para a estabilidade do sistema financeiro internacional”.

O comunicado diz que os líderes foram informados sobre os avanços na implementação do banco e anunciaram a formação de um conselho de administração interino. O documento da reunião termina com promessas de mais cooperação entre os Brics e com os líderes se dizendo “profundamente preocupados” com a epidemia de Ebola e seu severo impacto econômico e social. Eles se disseram comprometidos em trabalhar com a comunidade internacional no combate à epidemia.

oglobo.globo.com | 15-11-2014
O mercado está tomado por um pessimismo exagerado em relação ao Brasil, afirmou o economista do Banco Mundial Philip Schellekens. "É como se tivesse havido um otimismo exagerado durante o boom das commodities e agora a situação é que há pessimismo em excesso sobre a situação da economia do Brasil", disse em seminário para debater a situação dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) na Universidade de Columbia, em Nova York.

Segundo ele, parte das razões que explicam esta visão está errada. "Alguns dizem, por exemplo, que o ambiente externo se deteri

WASHINGTON - Em dois anos, a economia mundial nunca esteve tão fora de forma quanto agora. A zona do euro e os mercados emergentes estão se deteriorando, e o perigo de deflação aumenta, segundo a sondagem Bloomberg Global Poll com investidores internacionais.

A maioria relativa de 38% dos consultados nesta semana considera que a economia global está piorando. É mais do que o dobro da proporção que disse o mesmo na última edição da pesquisa, em julho, e o maior número desde setembro de 2012, quando a Europa estava atolada em uma recessão.

Grande parte da preocupação volta a se concentrar na zona do euro: quase dois terços dos consultados disseram que a economia da região está se deteriorando, e 89% considera que a desinflação ou deflação seja uma ameaça maior lá do que a inflação no próximo ano. Os participantes disseram que o Banco Central Europeu e os governos da região estão piorando a situação ao insistir em políticas rígidas demais, e um número menor expressou confiança no presidente do BCE, Mario Draghi, e na chanceler alemã, Angela Merkel.

“A economia da zona do euro tem se deteriorado e piorará se os principais países europeus, especialmente a Alemanha, não implementarem políticas fiscais”, disse por e-mail Sanwook Lee, participante da pesquisa e gerente sênior de carteiras do Shinhan Bank em Seul.

A Europa não é a única fonte de preocupação na economia mundial, segundo a pesquisa trimestral realizada com 510 investidores, operadores e analistas assinantes da Bloomberg. Mais de metade deles disse que as condições nas economias do BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China – estão piorando; em junho, 36% dos participantes tinham afirmado isso.

PONTO POSITIVO

O único ponto positivo foram os EUA. Pouco menos de dois terços disseram que a maior economia do mundo está melhorando, e quase a metade disse que os mercados dos EUA ofereceriam alguns dos melhores retornos nos próximos doze meses. Os mercados da China e da Índia ficaram em segundo lugar muito atrás, com 22% cada.

No entanto, os EUA não foram imunes ao crescente nervosismo dos investidores com a desaceleração dos aumentos nos preços ao consumidor. Quarenta e sete por cento disse que a desinflação ou deflação era um risco maior do que a inflação para os EUA nos próximos doze meses, frente a 31% em julho.

Em setembro, a inflação nos EUA foi de 1,4%, segundo o índice de preços para gastos em consumo pessoal preferido pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Foi o 29º mês consecutivo em que a taxa ficou abaixo da meta de 2% do Fed. Contudo, quase metade dos consultados descreveram a política monetária americana como bastante correta, e 45% considerou-a acomodatícia demais.

O BCE está tendo mais dificuldades do que o Fed para cumprir a meta de inflação. Em outubro, os preços ao consumidor na zona do euro subiram 0,4% em relação ao ano anterior, frente a 0,3%, o mínimo em cinco anos, registrado em setembro, com base nos dados da secretaria de estatísticas da União Europeia em Luxemburgo. O valor corresponde a menos de um quarto da meta do BCE, de pouco menos de 2%.

POLÍTICAS DO BCE

Uma maioria relativa de 43% considera que as políticas monetárias do BCE são restritivas demais, frente a 31% em julho. Como consequência, a popularidade do presidente do BCE Draghi entre os investidores foi afetada: na última pesquisa, cinquenta e nove% tinha uma imagem favorável dele, frente a 74% em julho.

Os participantes da pesquisa consideraram a economia do Japão estável, embora tenham dito que ela também enfrenta o risco de desinflação e deflação. Quase três quartos consideraram isso uma maior ameaça para o país asiático do que a inflação nos próximos doze meses, em comparação com 58% em julho.

A pesquisa com clientes da Bloomberg foi realizada nos dias 11 e 12 de novembro pela Selzer Co., empresa com sede em Des Moines, Iowa. A margem de erro é de mais ou menos 4,3 pontos porcentuais.

oglobo.globo.com | 14-11-2014

SYDNEY - A Rússia está exposta a novas sanções do Ocidente, caso não se comprometa com uma solução para o conflito no leste da Ucrânia, afirmou o primeiro-ministro britânico, David Cameron, que chamou o comportamento de Moscou de inaceitável.

Em um discurso no Parlamento australiano, Cameron afirmou que as atuais sanções impostas pelo Ocidente estão afetando a economia russa.

— A gestão da Rússia na Ucrânia é inaceitável — afirmou Cameron à imprensa, antes de viajar a Brisbane para participar no sábado e domingo da reunião de cúpula do 20, que terá a participação do presidente russo Vladimir Putin.

— Se a Rússia adotar uma atitude positiva a respeito da liberdade e da responsabilidade da Ucrânia, as sanções podem ser retiradas. Mas, se a Rússia continuar agravando as coisas, as sanções podem aumentar. É simples assim — acrescentou.

União Europeia, Estados Unidos e Austrália adotaram sanções contra a Rússia por seu papel no conflito do leste da Ucrânia. As potências ocidentais acusam Moscou de apoiar os rebeldes separatistas.

Na quinta-feira, a Rússia negou novamente ter enviado tropas ao leste da Ucrânia. Os separatistas pró-Rússia e o Exército ucraniano combatem desde abril no leste do país, um conflito que provocou mais de 4.000 mortes e deixou centenas de milhares de deslocados.

oglobo.globo.com | 14-11-2014

Rússia e China assinaram os termos para um acordo de fornecimento de gás pela chamada rota ocidental, meses depois que os dois países selaram um acordo de US$ 400 bilhões em que Moscou entregará à Pequim 38 bilhões de metros cúbicos de gás por ano. O memorando de entendimento foi assinado entre a russa Gazprom [...]

O post Rússia destina mais gás à economia chinesa apareceu primeiro em Jornal Correio do Brasil.

correiodobrasil.com.br | 09-11-2014

BRASÍLIA - Os líderes do G20 (grupo que reúne as 19 maiores economias do mundo e a União Europeia) se reunirão na próxima semana para discutir ações que estimulem o crescimento mundial. Ao final do encontro, que será realizado em Brisbane, na Austrália, nos dias 15 e 16 de novembro, será assinado um comunicado no qual os países se comprometem a adotar medidas para que o Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os produtos e serviços produzidos) global tenha um crescimento adicional de dois pontos percentuais nos próximos cinco anos.

Segundo o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Carlos Cozendey, o Brasil vai contribuir para esse esforço com US$ 50 bilhões em investimentos. Esse montante inclui o programa de concessões na área de infraestrutura, o Pronatec (programa voltado para o aumento da qualificação da mão de obra no país), e incentivos para micro e pequenas empresas, como a reformação do Simples Nacional. Ao todo, os países do grupo vão citar 900 medidas de estímulo no comunicado final da reunião.

Cozendey afirmou ainda que a presidente Dilma Rousseff vai aproveitar o encontro para pedir que os países dêem mais estímulos ao crescimento, especialmente aqueles que têm adotado uma política fiscal muito restritiva. Ela será acompanhada do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

— A presidente vai falar sobre a necessidade de retomada do crescimento global. Para isso, é necessário que os países se mobilizem, especialmente os que tem espaço fiscal para isso, mas que não estão fazendo — disse Cozendey.

Há uma expectativa de que, durante o encontro, a Organização Mundial do Comércio (OMC) apresente um relatório apontando as medidas de defesa comercial adotadas pelos países. O Brasil deve estar entre as nações que mais fecharam sua economia depois da crise global de 2008. Mesmo assim, o secretário afirmou que o governo não tem preocupação com o relatório, pois houve, em todo o mundo, um aumento da prática de dumping, que ocorre quando uma empresa exporta para um país um produto com preço inferior àquele que pratica em seu mercado interno.

Cozendey lembrou que o estudo da OMC não faz julgamentos sobre os países. Trata-se de um levantamento das medidas que eles adotaram. Para ele, o fato de a crise ter gerado uma redução da demanda global acabou criando uma pressão para que as empresas vendessem seus produtos e usassem práticas desleais como dumping. Por isso, o Brasil aumentou a aplicação de direitos antidumping nos últimos anos.

— Houve uma desova de produtos a preços desleais. Mas o Ministério do Desenvolvimento é criterioso na hora de aplicar direitos antidumping. O Brasil está absolutamente tranquilo — disse o secretário.

Além de discutirem o crescimento mundial, os integrantes do G20 vão assumir outros compromissos. Entre eles, trabalhar pela redução do custo das transferências feitas por migrantes. Segundo Cozendey, essas remessas são importantes para várias economias e fazem parte importante do balanço de pagamentos. Por isso, a ideia é discutir com as agências privadas que fazem essas remessas a possibilidade de seu custo ser reduzido para 5%. Outro compromisso é reduzir em 25% a diferença entre a participação de homens e mulheres no mercado de trabalho. A meta é que isso seja atingido até 2025.

O comunicado deve ainda fazer uma referência às clausulas “pari passu” dos contratos de dívidas soberanas para evitar problemas como o que ocorreu na Argentina. Essa cláusula estabelece que todos credores de um país devem ser pagos ao mesmo tempo.

Este ano, a Argentina foi obrigada pela Justiça dos Estados Unidos a pagar imediatamente tanto os credores que possuíam bônus de sua dívida quanto os que não aceitaram a proposta de reestruturação do país (conhecidos com fundos abutres). O governo argentino queria honrar primeiro o compromisso com os credores que aceitaram a reestruturação e que são maioria entre os detentores de bônus. O impasse deixou o país em calote técnico. Segundo o governo brasileiro, a cláusula "pari passu" pode ter impacto negativo sobre futuras reestruturações de dívidas de outros países.

Durante o encontro, também será criado um Centro Mundial de Infraestrutura. A ideia, segundo Cozendey, é que ele seja um espaço onde os investidores internacionais possam obter informações detalhadas sobre projetos de infraestrutura espalhados pelos países do G20. Inicialmente, esse centro vai funcionar durante quatro anos.

— É um casamento entre investidores e projetos de investimento.

Paralelamente ao encontro do G20, também deve ser realizada uma reunião dos Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Nela, serão tratados temas como a criação do bancos dos Brics.

oglobo.globo.com | 07-11-2014

SANTA MONICA — Por duas vezes nos últimos meses, o cinema americano teve sua supremacia global testada. No início de setembro, a fantasia chinesa "The monkey king" chegou à 21ª posição das bilheterias mundiais, com US$ 186 milhões. Semanas depois, a comédia "Breakup buddies" ficou na 22ª, com US$ 143 milhões. É pouco, na competição desigual, mas Hollywood demonstra séria preocupação.

Na quarta (5), quando cerca de 8 mil representantes do cinema — compradores, vendedores e produtores — se reúnem na feira American Film Market, o que se pode esperar é uma série de negociações e discursos preocupados por parte das figuras locais. Curiosamente, nos últimos anos, as empresas americanas continuaram dominando o cinema mundial, vendo como os melhores resultados estrangeiros apenas o francês "Os intocáveis" e "Os miseráveis", produlção britânica da própria divisão da Universal.

A bilheteria doméstica americana emperrou, sem dúvida: cai 3,8% neste ano. Mas fora dos EUA, recordes continuam sendo batidos. O maior deles foi "Transformers: a era da extinção", com cerca de US$ 1,1 bilhão, a maioria da China. Mercados estrangeiros somaram US$ 25 bilhões dos US$ 35,9 mundiais do ano passado.

Jonathan Wolf, diretor da American Film Market, vem acompanhando uma "saída global" do produto americano nos últimos 25 anos. Em uma década, a fatia das exportações de filmes em inglês em sua feira caiu de 73% para 63%, enquanto as produções americanas passaram de 53% para 47%.

— Este fenômeno vai continuar, e provavelmente irá acelerar — acredita Wolf.

MUITA BILHETERIA, POUCA REPRESENTATIVIDADE

A China é um grande alvo: o país é o segundo maior mercado do mundo no cinema, e apenas em bilheteria deve ultrapassar US$ 5 bilhões neste ano. Mas com o incentivo do governo local e a questão cultural de apreciar o cinema doméstico, há mais um empecilho. De acordo com a agência Rentrak, filmes americanos ficaram em 39% da bilheteria de 2013 no país, contra os 44% de 2012. Dos nove que ultrapassaram receita acima de US$ 100 milhões por lá, cinco eram chineses.

Apesar da bem-sucedida cultura de ação de Hong Kong, o cinema chinês tem um longo caminho para se tornar um exportador na área. Poucos de seus longas efetivamente conquistam o mercado internacional. Há, por sua vez, as companhias que querem mudar isso: Dalian Wanda, Fosun International e Le Vision Pictures fazem parte novamente da U.S.-China Film Summit, parte da programação da American Film Market que estimula o comércio entre os dois mercados.

Na Rússia, os filmes americanos novamente vêm sendo encarados de forma tensa por políticos. Alguns políticos locais discutem aumento de impostos com base neles, suspensões e até seu banimento. A Motion Picture Association of America se recusa a discutir a questão política, e as produtoras lamentam o fato.

— Os estúdios estão tentando uma estratégia que evite estes tipos de riscos — diz Riza Aziz, coproprietário da Red Granite, produtora de "Debi & Lóide 2", que sai no dia 14 nos EUA. — A relutância americana em usar seu próprio capital para gerar lucro é visível pelo investimento em vendas para o exterior.

Se já não bastam as tensões comerciais e políticas, tudo isso ainda tem um quê a mais: a economia também é um motivo de preocupação. Afinal, uma crise como a de 2008 afeta qualquer tipo de indústria bilionária.

oglobo.globo.com | 04-11-2014

NOVA YORK — Se a guerra no Iraque foi uma questão determinante nas eleições de meio de mandato de 2006 e os conservadores do Tea Party dominaram o pleito de 2010, a economia é um fator-chave no ciclo de amanhã, que deve representar grandes perdas para os democratas. Outros temas também entraram na conta, como as novas ofensivas militares dos Estados Unidos no Oriente Médio e o surto de Ebola, que vem rendendo cada vez mais críticas ao presidente Barack Obama.

— Duas questões estão na mente do eleitor americano: economia e segurança. Neste momento os americanos não sentem confiança na habilidade do presidente, e por consequência do Partido Democrata, de lidar com nenhuma delas — diz Mark Kennedy, professor da Escola de Pós-Graduação em Gerenciamento Político da Universidade George Washington.

A popularidade de Obama — atualmente em 44%, um recorde negativo, segundo pesquisa Washington Post-ABC divulgada hoje — vem caindo junto com a confiança da população de que a economia vai melhorar, ainda que os números mostrem avanços. O desemprego caiu para 5,9% (em janeiro de 2013, estava em 7,9%), — e a economia cresceu 3,5% no terceiro trimestre deste ano, completando o semestre de alta mais forte em uma década. Apesar das notícias otimistas, opina Kennedy, a maioria dos norte-americanos não sente que está colhendo esses ganhos:

— Isso cria espaço para os republicanos dizerem que é hora de dar um novo enfoque e voltar a economia para a classe média. Depois de escutar as mesmas políticas dos democratas por seis anos, os eleitores tendem a ouvir uma alternativa.

Jefrey Pollock, presidente-fundador da empresa de pesquisas Global Strategy Group e professor adjunto de relações públicas e internacionais da Universidade de Columbia, também atribui à economia a questão mais importante para o eleitorado do país hoje.

— A opinião pública não está casando com a realidade econômica — confirma. — Para políticos, quando você está em campanha, a realidade é irrelevante. Percepção é realidade. Então você tem que fazer campanha no ambiente em que a percepção está, não no que os indicadores econômicos dizem.

Na reta final, os republicanos vêm se esforçando para alavancar sua vantagem sobretudo em temas relativos a segurança nacional e terrorismo – tanto que o Estado Islâmico entrou na pauta com mais força recentemente.

— Parece que a cada semana uma nova ameaça de segurança, seja o Estado Islâmico no Oriente Médio, o Ebola no oeste da África e nos Estados Unidos, ou uma Rússia mais e mais beligerante, pula nas manchetes. Como os republicanos levam tradicional vantagem em questões de segurança, isso tem sido um estímulo às suas perspectivas nas urnas — diz Mark Kennedy.

Pollock afirma, contudo, que não há evidências do impacto do tema da segurança na campanha. Especificamente quanto ao Ebola, o analista afirma que "o americano médio ainda não acha que o vírus chegou ao seu bairro".

— Embora essas coisas estejam ganhando relevância enquanto a insegurança e o terrorismo crescem, elas ainda não estão nem perto do que a economia representa na mente das pessoas — diz.

Professor e ex-presidente do Departamento de Políticas Sociais da Universidade de Columbia, Robert Shapiro não vê um único ponto-chave pautando o eleitorado nesta eleição.

— É o desapontamento dos votantes com a administração Obama em política externa, indo da Rússia ao Oriente Médio e à China. A economia, em termos de salários e desigualdade. O status da reforma do sistema de saúde. A performance do governo com o Ebola, o IRS, o Serviço Secreto — enumera.

Professor de ciências políticas da mesma universidade, Robert Erikson evita apontar qualquer questão como determinante para o resultado da campanha. Para ele, o que deve ser levado em conta é que o partido que não está na Casa Branca geralmente ganha as eleições de meio de mandato.

— Os republicanos devem sair ganhando dessas eleições. E isso é esperado porque o partido "de fora" geralmente melhora a sua demonstração nas midterms — resume.

oglobo.globo.com | 04-11-2014

SÃO PAULO - A empresa de alimentos BRF, que detém as marcas Sadia e Perdigão, obteve lucro líquido de R$ 624 milhões no terceiro trimestre, aumento de 117,5% frente ao ano passado. O resultado foi impulsionado principalmente por maiores vendas no mercado interno, em meio a mudanças de métodos e processos realizados pela companhia no último ano, de acordo com a companhia.

O lucro superou a expectativa de R$ 498,2 milhões apontada por analistas. O resultado também foi muito superior ao lucro de R$ 267 milhões registrado no segundo trimestre deste ano.

Produtos de Sadia e Perdigão, marcas da BRF, em supermercado do Rio - André Teixeira / Agência O Globo

A receita operacional líquida no Brasil somou R$ 3,45 bilhões, alta de 8% na comparação com igual período de 2013, puxado pelo crescimento de volumes e bom desempenho no pequeno varejo, segundo a empresa.

AMPLIAÇÃO DA REDE DE CLIENTES

"No Brasil, o projeto 'go-to-market' já possibilitou ampliarmos nossa rede de clientes e potencializarmos as oportunidades de vendas das nossas marcas. O incremento do volume vendido no 3T14 é consequência deste trabalho", afirmaram em relatório o presidente do Conselho de Administração da BRF, Abilio Diniz, e o diretor-presidente global Cláudio Galeazzi.

A receita operacional líquida total subiu 5,3 % na comparação anual para R$ 8 bilhões. A BRF teve um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 1,216 bilhão, alta de 61,3 % ante o mesmo trimestre de 2013.

MERCADO EXTERNO

As vendas externas da maior exportadora global de carne de frango também cresceram, ficando próximas do total faturado no mercado interno, com aumento de 3,8 % na comparação anual, para R$ 3,37 bilhões.

"No mercado internacional, o desempenho foi especialmente sólido neste trimestre e em linha com o conjunto de ações implementadas no decorrer do ano, como otimização de volumes, rentabilização dos principais mercados, assim como a estratégia de aquisição de distribuidores no Oriente Médio", continuaram Abilio e Galeazzi. Este último fica no cargo até o final do ano, sendo substituído por Pedro Faria, que assumirá em janeiro.

A companhia destacou que o segmento suíno apresentou forte elevação nos preços devido à redução de oferta do produto na América do Norte, enquanto as vendas de carnes de aves ganharam mercado na Rússia, com sanções impostas por Moscou a produtos de importantes exportadores.

Ainda no campo externo, a BRF lembrou que concluiu as obras da fábrica de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, com inauguração prevista para 26 de novembro. A unidade "celebrará a expansão da companhia rumo a mercados estratégicos e, acima de tudo, do nosso empenho em transformá-la em uma organização com atuação global".

Os investimentos realizados no trimestre totalizaram R$ 512 milhões, com crescimento de 35,6% na comparação anual.

oglobo.globo.com | 31-10-2014

Tenazes poderosas aproximam inimigos jurados — Estados Unidos e Irã —, com reflexos nas negociações que os dois países, junto a mais cinco nações, empreendem para chegar a um acordo que limite a vertente militar (leia-se: bomba atômica) do programa nuclear iraniano.

Por conta do programa, que o Irã diz ter fins pacíficos, mas não convence, Teerã está sob sanções econômicas, comerciais e financeiras ocidentais, com aprovação da ONU. Às sanções, causa de enormes dificuldades para a economia iraniana, se soma a queda dos preços do petróleo — 25% a 30% desde junho —, o que aperta ainda mais o caixa do regime dos aiatolás, altamente dependente das exportações do combustível. A receita do Estado iraniano caiu cerca de 50%. É o “New York Times” quem informa que, para equilibrar o orçamento, o Irã precisa que o preço do óleo vá a US$ 140 o barril (está em US$ 80).

Sob intensa pressão, o Irã estaria mais inclinado a um acordo com o grupo Cinco + 1 (EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia e China, mais Alemanha), pelo qual aceitaria cortar as asas “militares” de seu programa nuclear para não ter que abrir mão de subsídios que mantêm o apoio popular ao regime. O plano do presidente Hassan Houhani é: acordo nuclear, levantamento de sanções e retomada dos investimentos estrangeiros na economia do país. Alguma dose de ceticismo é admissível.

Mas forças poderosas impelem os EUA na direção de Teerã. A principal delas é a ameaça à estabilidade global (em todos os sentidos) representada pelo Estado Islâmico (EI) na Síria e Iraque. Ela é de tal monta que consegue unir praticamente todos, amigos e inimigos, contra essa instituição de alto grau de fundamentalismo sunita, que degola ocidentais e extermina inimigos, inclusive muçulmanos de outras vertentes do Islã. Sobre o EI, EUA e Irã concordam em conversar debaixo dos panos.

Desde que Washington foi obrigado a reiniciar operações militares no Iraque, a Guarda Revolucionária, unidade iraniana de elite, instruiu aliados a não alvejar americanos em ação contra o EI. Já os EUA, segundo o “Wall Street Journal”, usaram canais como o premier iraquiano, Haider al-Abadi, e o aiatolá Ali al-Sistani, da alta hierarquia religiosa xiita, para transmitir a Teerã que os ataques ao EI na Síria evitariam atingir grupos que lutam a favor do ditador Bashar Assad, aliado do Irã.

Contudo, é preciso ver o tabuleiro com cautela. Há muito o que avançar nas negociações entre o grupo Cinco + 1 (membros permanentes do Conselho de Segurança e a Alemanha) e o Irã para que se chegue a um acordo sobre o programa nuclear até 24 de novembro, data de encerramento das conversações. Além disso, alertam analistas, ninguém pode prever o que decidirá, em última instância, o aiatolá Ali Khamenei, que tem a palavra final sobre tudo no Irã. Mas diálogos antes inimagináveis no Oriente Médio podem causar surpresas.

oglobo.globo.com | 30-10-2014

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff se reuniu na tarde desta segunda-feira no Palácio da Alvorada com o governador da Bahia, Jaques Wagner, que conseguiu eleger seu sucessor no estado e está cotado para assumir um ministério no novo governo. Wagner veio acompanhado de sua esposa, Fátima Mendonça, e do governador eleito da Bahia, Rui Costa (PT) e sua esposa, Aline Peixoto. A presidente passou o dia todo no Alvorada, onde recebeu os cumprimentos de 10 chefes de Estado pela vitória de domingo.

Governador eleito da Bahia, Rui Costa, deixa o Alvorada após encontro com a presidente Dilma - André Coelho / Agência O Globo

Ligaram para Dilma os presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, da Rússia, Vladimir Putin, do Peru, Ollanta Humala, da Argentina, Cristina Kirchner, do Paraguai, Horacio Cartes, do Chile, Michelle Bachelet, do Equador, Rafael Correa e da Venezuela, Nicolas Maduro. No início da noite, ela recebeu os telefonemas do presidente da França, François Hollande, e o primeiro-ministro da Suécia, Stefan Löfven. O assessor especial para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, a acompanhou no recebimento das ligações.

Outros chefes de Estado também se manifestaram sobre a reeleição de Dilma pelo Twitter. O presidente americano, Barack Obama, parabenizou Dilma, por meio de seu secretário de imprensa. Disse que o Brasil é um importante parceiro dos Estados Unidos e que seu governo está comprometido em continuar trabalhando com o Brasil e em fortalecer as relações bilaterais entre os dois países. Obama deve ligar para Dilma nos próximos dias, segundo sua assessoria.

O presidente da Alemanha, Joachim Gauck, também saudou Dilma, e diz que espera que mais estudantes brasileiros do programa “Ciência sem Fronteiras” possam ser enviados à Alemanha: “Espero que mais jovens estudantes brasileiros possam ser recebidos à Alemanha, com a ajuda de seu impressionante programa 'Ciência sem fronteiras', e tragam consigo um pouco da cultura de receptividade brasileira tão admirada pelo mundo", escreveu Gauck.

A União Europeia, em texto, afirmou que a reeleição de Dilma é “oportunidade única para a consolidação da inequívoca trajetória de construção da democracia e inclusão social no Brasil”

Índia, México, Paraguai, Bolívia, Unasul, Haiti e República Dominicana também felicitaram Dilma, pelo Twitter. Nicolás Maduro, presidente venezuelano, enviou pela na rede social “mil abraços de irmandade”, e disse que Dilma teve “coragem e valentia frente a tanta maldade”, e que “o povo brasileiro não falhou à História”.

Rafael Correa, presidente do Equador, também foi efusivo no Twitter, citando o PT e também Lula: “Maravilhoso triunfo de Dilma no Brasil. Nosso gigante segue com o Partido dos Trabalhadores. Felicitações, Dilma, Lula, Brasil!!!”

Ao longo do dia Dilma recebeu no Alvorada os ministros Guido Mantega (Fazenda) e José Eduardo Cardozo (Justiça). À noite, a presidente dará duas entrevistas ao vivo: ao jornal da TV Record, às 20h, e ao Jornal Nacional, da TV Globo, às 20h45. Amanhã a presidente concede entrevistas às TVs Band e SBT.

oglobo.globo.com | 27-10-2014

NOVA YORK — A economia dos Estados Unidos está perto do que é considerada uma situação normal. É o dizem as estatísticas e o desempenho econômico das empresas. Executivos de grandes corporações consideram o país uma ilha na maré de incerteza global. Mas o que o cidadão comum sente está longe da solidez que mostram os números. Seis anos após a Grande Recessão, e às vésperas das eleições legislativas de novembro, o presidente Barack Obama e os democratas lutam para convencer a maioria dos eleitores de que sua estratégia foi adequada.

A recuperação em curso, como indicam no Credit Suisse, não é percebida como a experimentada após recessões anteriores. Dito de outra forma, não é o pior dos momentos, mas também não o melhor. Por isso, o desafio para os democratas que lutam pelos assentos no Capitólio é grande. Jogando na ofensiva, tentam chamar a atenção para os indicadores mais positivos. E na defensiva, estão consciente dos problemas.

Obama está usando na campanha os cenários que servem para ilustrar esse progresso. Falou sobre a queda da taxa de desemprego, dos 10,3 milhões de postos de trabalho criados no setor privado, do aumento na produção de energia e do seguro de saúde mais barato. Explicou que o progresso é “real” e lembrou das decisões tomadas no início de seu mandato, como o resgate da indústria automobilística.

A economia já está no nível pré-crise. A taxa de desemprego caiu para 5,9% em setembro, o menor nível em seis anos, e 248 mil vagas foram preenchidas. O indicador de outubro será anunciado três dias depois de votação de 4 de novembro. Obama se agarra a esses dois números na reta final da campanha para obter votos para os democratas. O compara ao desemprego de 10% no auge da crise, no verão de 2009.

A melhoria deve servir, em princípio, para compensar outras frentes, como a crise no Oriente Médio, o conflito entre Ucrânia e Rússia, os protestos contra a discriminação racial em Ferguson (Missouri), ou, agora, a gestão do Ebola. Mas a situação real da economia não está tão clara e isso o impede de receber o crédito que precisa para somar votos, como indicado pelo IHS Global. John Raines, especialista em risco político, lembra que se vota com o bolso.

Como o próprio presidente admite, o caminho para a recuperação foi complicado e levou mais tempo do que o esperado. O desempenho do crescimento reflete isso. No primeiro trimestre deste ano, encolheu 2,1%, devido a um inverno rigoroso. Subiu para 4,6% no segundo. É esperado que no terceiro se estabilize a 3%.

A melhoria das finanças públicas é outra conquista que apresenta o governo Obama. O deficit fiscal foi reduzido para US$ 483.400 milhões em 2014 — 2,8% do PIB, o menor desde 2007 —, em comparação a US$ 680.200 milhões do ano anterior. É três vezes menos do que em 2009 e a mais rápida diminuição do deficit desde a Segunda Guerra Mundial.

Wall Street triplicou seu valor desde o mínimo na primavera de 2009. E isso apesar da Bolsa estar estar estagnada este ano. O mercado imobiliário também reviveu em 2011 e o preços da habitação recuperou grande parte do valor perdido.

— É muito difícil argumentar que as coisas não melhoraram — diz Raines. — Mas as pessoas se sentem inseguras.

Uma pesquisa da Universidade George Washington revela que dois terços dos consultados afirmam que sua situação estagnou ou piorou nos últimos anos. Outra pesquisa, encomendada pela NBC e pelo “The Wall Street Journal” divide esse sentimento por gênero. Quando se pergunta aos homens se os Estados Unidos ainda estão em recessão, 43% respondem que sim. Para as mulheres, o número sobe para 54%. Elas estão particularmente preocupadas de que a desigualdade enfraqueça a ideia de que qualquer pessoa pode prosperar, e só 37% acreditam que isso é possível. É o principal fator por trás dessa insatisfação e que levou as eleições a serem batizadas de “guerra pelas mulheres”. Na verdade, as campanhas focam as mulheres brancas.

Janet Yellen, presidente do Federal Reserve (Fed), deu voz a essa “grande" preocupação”.

— É pertinente se perguntar se essa tendência é compatível com os valores que estão na raiz da nossa nação, tais como a igualdade de oportunidades — disse, em um discurso em Boston.

Na percepção do cidadão influencia, portanto, os fatores mais profundos. A economia dos EUA terá retornado ao nível pré-crise, mas a riqueza dos cidadãos não: quando seu patrimônio líquido é ajustado pela inflação o resultado é um valor é menor do que em 1989. Entre 2000 e 2011, o rendimento médio para os 20% da população mais desfavorecida caiu US$ 5.124 dólares, enquanto que para os 20% mais ricos aumentou em US$ 61.379. Dito de outra forma: em 2000, os mais ricos tinham uma renda 40 vezes maior do que os mais pobres. Agora, é 80 vezes. E aumenta a desigualdade para as minorias.

A queda da renda média das famílias é um dos fatores que questionam a solidez da saída da crise e que explicam, de acordo com o Center for American Progress, por que é tão custoso para a classe média se recuperar. Os salários estão estagnados e desemprego de longa duração é ainda muito elevado. Na verdade, a melhoria do indicador de desemprego é atribuído principalmente a uma contração da população ativa. Em setembro, caiu para 62,7%, nível de meados dos anos 70. Se as pessoas que não estão procurando ativamente emprego são somadas aos sete milhões obrigadas a trabalhar em tempo parcial, o subemprego é quase o dobro.

Isso explica por que os democratas enfatizam propostas como o aumento do salário mínimo, altamente apoiada pelas mulheres. Os republicanos reconhecem que Obama herdou uma situação muito complicada, mas lembram que ele teve cinco anos para implantar sua estratégia. Os democratas têm, portanto, razão para se preocupar. O presidente, destaca Raine, é “tóxico” para os candidatos que concorrem aos assentos mais disputados.

— Não querem se separar dele, mas também não se somam à sua agenda, porque não funciona como esperado.

oglobo.globo.com | 27-10-2014
Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) voltam a se enfrentar nas urnas - Agência O Globo / Marcelo Carnaval

RIO - Entre debates acalorados sobre a economia, disputas incessantes sobre a eficácia e a paternidade dos programas sociais, e uma enxurrada de ataques pessoais, os milhões eleitores que vão às urnas neste domingo ficaram sem saber – durante a campanha – que ideias a presidente Dilma Rousseff e o oposicionista Aécio Neves guardam para conduzir o Brasil no cenário internacional no quadriênio 2015-2018. Os rumos da política externa do país, no entanto, já são vislumbrados por especialistas consultados pelo GLOBO, e englobam desde mais do mesmo a novas acomodações e fortes rupturas, dependendo do tema em questão.

Um dos mais sensíveis é a relação com os Estados Unidos, abalada pela espionagem da Agência de Segurança Nacional americana (NSA, na sigla em inglês) no Brasil, incluindo em seus alvos a presidente. O caso veio à tona com as revelações do ex-técnico da NSA Edward Snowden e levou Dilma a cancelar uma visita de Estado aos EUA. As expectativas nesse caso são de normalização.

— Concordo com a posição dela, mas espero que, se for reeleita, Dilma faça um recomeço com os EUA. Acredito que num segundo mandato ela vai reajustar varias coisas, vai procurar mais os EUA para dinamizar a economia porque, independentemente de quem for presidente, a economia vai ter problemas. E Aécio com certeza vai priorizar as relações com os EUA — disse, dos EUA, o brasilianista James Green, do programa Brazil Initiative, da Brown University.

Para o embaixador Luiz Augusto de Castro Neves, do Centro Brasileiro de Relações Internacionais, a relação da China como principal parceiro comercial não deve ser alterada caso qualquer um dos candidatos ganhe as eleições. Ele explica que, do ponto de vista econômico, nos últimos 14 anos a China tem buscado aumentar a exportação e comprar as commodities brasileiras, sobretudo minério e soja. E não tem interesse em mudar de maneira alguma essa relação.

— Vale lembrar que Brasil e China reataram suas relações em plena ditadura militar, ou seja, é uma relação muito mais comercial que política. O propósito chinês é assegurar e garantir que os produtos que o governo precisa continuar importando saiam mais baratos — afirma Castro Neves, que no período de 2004 a 2008 foi embaixador no país asiático.

ITAMARATY, VIZINHOS E BRICS NA PAUTA

No que diz respeito aos Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), no entanto, o coordenador do Laboratório de Estudos Asiáticos da UFRJ, Leonardo Valente, acredita que as relações estratégicas podem ser “congeladas”, caso Dilma não seja reeleita. Para ele, é improvável que a vitória de Aécio signifique a reversão em acordos já feitos, mas todas as parcerias podem entrar na geladeira.

— O governo Dilma tem parceria estratégica com a China. Há projetos que podem não ser aprofundados por Aécio. A tendência do PSDB é de ênfase a alianças com parceiros tradicionais, como EUA e Europa.

A relação com a América Latina também está em jogo. Para Tullo Vigevani, do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Unesp, as diferenças são mais retóricas, ao menos no campo econômico.

— O discurso de Aécio tem sido crítico ao Mercosul e alguns vizinhos. Mas não creio que possa mantê-lo. A América do Sul é o melhor mercado para produtos brasileiros mais sofisticados. Deve separar-se o discurso eleitoral do que será possível fazer.

COM CUBA, POSSÍVEL MUDANÇA

A relação com Cuba, seja pelos contratos assinados no Porto de Mariel, seja pelos médicos cubanos no Brasil graças ao programa Mais Médicos, é outra questão de destaque na campanha. Para Vigevani, há possibilidade de mudança no segundo caso.

— Em relação a Mariel, não creio que nada mude. A presença brasileira na região, com tecnologia, infraestrutura, serviços, pode ser de interesse nacional brasileiro — acredita. — No caso dos médicos, há chance de mudança, porque há pressões na sociedade contra esses médicos.

Já sobre o Oriente Médio, o professor Mamede Jarouche, do Centro de Estudos Árabes da USP, crê não haver diferenças significativas entre os dois candidatos em relação ao processo de paz palestino-israelense, no qual o Brasil mantém o apoio a uma solução de dois Estados.

— O PT é mais simpático à causa palestina, mas o PSDB não me parece antipático. Não são tão diferentes como parecem.

oglobo.globo.com | 26-10-2014

BRASÍLIA e SÃO PAULO — As contas externas são mais um desafio para o próximo governo. Um conjunto de fatores levou o país a acumular nos últimos 12 meses um déficit de US$ 83,6 bilhões (ou 3,7% do Produto Interno Bruto), patamar que na visão de especialistas coloca o país em uma posição de vulnerabilidade. Os problemas vão de baixa competitividade das empresas no comércio exterior, a aumento dos gastos externos, desconfiança dos empresários e comércio internacional frágil. O quadro só não é pior porque a economia estagnada fez as importações desacelerarem, e os juros altos atraem capitais ao país.

As estimativas para o saldo da balança comercial este ano variam de zero a um pequeno superávit de US$ 2 bilhões. O saldo já chegou a US$ 46,4 bilhões em 2006. Neste ano, de janeiro a setembro, o déficit está em US$ 690 milhões e as contas do comércio continuam extremamente dependentes de commodities, cujos preços estão em queda livre no mercado internacional.

Fazer novos acordos comerciais e melhorar a pauta exportadora com a introdução de mais manufaturados estão entre as tarefas do próximo governante. Nos últimos anos, a indústria sofreu com toda a mudança no cenário mundial. Nem a alta do dólar em 2014 foi capaz de fazer o Brasil a recuperar mercado e salvar a frágil balança comercial.

PIOR DESEMPENHO DOS BRICS

Como muitos empresários, Carlos Tilkian, que há 20 anos está à frente da Estrela, aponta a alta carga tributária e a falta de um projeto de desenvolvimento industrial como os principais fatores da queda nas exportações. No setor de brinquedos, 50% do preço ao consumidor são impostos.

— É um conjunto de fatores que dificulta a competitividade de nossas exportações — diz ele, salientando que o próximo presidente terá que ter um “olhar mais adequado para a indústria”.

O Brasil expandiu sua corrente de comércio (soma de exportações com importações) nos últimos quatro anos a uma taxa de 23,4% — acima de México (21,6%), Argentina (15,5%) e Chile (9,2%), mas abaixo de China (35,3%), Rússia (31,8%) e Índia (42,5%), dos Brics.

O presidente eleito terá também que domar um problema que nem sempre responde às fórmulas dos economistas: a queda da confiança de empresários e investidores internacionais.

— O desafio do setor externo é imenso. Temos o problema de baixa credibilidade e atratividade e precisamos de dólares para fechar as contas, mas crescemos pouco, temos inflação alta e a indústria vai mal. O governo terá de resolver isso — alerta Sidney Nehme, sócio da corretora NGO.

Analistas avaliam que, com o mercado internacional cada vez mais acirrado, as vendas de bens manufaturados, de maior valor agregado, estão mais disputadas. E qualquer vantagem de custo em relação aos concorrentes é decisiva. Assim, é preciso uma nova estratégia, que impulsione a indústria a exportar para reduzir a vulnerabilidade externa.

oglobo.globo.com | 26-10-2014

Na ditadura militar, com ênfase no governo Ernesto Geisel, o país se tornou ainda mais protecionista, a fim de realizar o sonho de contar com uma indústria de base própria, para substituir as importações de insumos petroquímicos, de máquinas e equipamentos.

Uma formidável massa de dinheiro público foi destinada a este projeto estratégico, lastreado em uma ampla reserva de mercado. O desfecho foi um estrondoso fracasso.

Constituiu-se, na história republicana do país, uma das maiores transferências de renda do contribuinte para um pequeno número de empresários, os “campeões nacionais” daquela época. Quase quarenta anos depois, num governo do PT, na outra ponta do espectro ideológico, o país comete o mesmo erro: ergue mais barreiras protecionistas, restabelece a ideia de reserva de mercado, também com a vã ideia de aumentar o “conteúdo” local da produção de sua indústria. Colherá o mesmo fracasso.

Como o mundo é outro, bem mais globalizado, o equívoco se torna mais visível. É o que está registrado no relatório anual da Organização Mundial do Comércio (OMC), dirigida pelo brasileiro Roberto Azevêdo, divulgado segunda-feira.

Nele, a brasileira é uma das últimas colocadas numa relação das economias mais integradas a cadeias globais de produção. Enquanto apenas 40% das importações brasileiras são de componentes de bens a serem exportados, este índice chega a 75% em Taiwan, a primeira colocada neste ranking em que o Brasil se encontra na 27ª posição. Até a China, de economia ainda muito centralizada, um capitalismo selvagem de estado sob uma ditadura comunista, está mais bem situada que o Brasil, no 20º lugar.

O próprio Azevêdo lamenta, porque, como diz, participar dessas cadeias globais aumenta a produtividade e, por decorrência, o crescimento econômico. Tudo aquilo que escasseia no país nos tempos que correm.

Na raiz deste equívoco está o erro crasso da política externa de aprofundar a dependência do Mercosul, bloco comercial hoje alimentado muito mais por ideologia do que por interesses nacionais legítimos.

Sem se abrir a acordos bilaterais de comércio, o Brasil subordina as exportações de produtos manufaturados ao destino de economias como a argentina — atemorizante, como se sabe. E não consegue índices de produtividade para entrar em outros mercados, nada que a taxa de câmbio consiga resolver.

Entende-se por que o Global Trade Alert, entidade que acompanha medidas de política comercial pelo mundo, coloque o Brasil como o quarto país com maior número de medidas protecionistas decretadas desde 2008, abaixo apenas da Rússia, Índia e, nenhuma surpresa, a aliada Argentina. Péssima companhia e futuro preocupante.

oglobo.globo.com | 24-10-2014

A redução do crescimento da China, o fraco desempenho da economia global e a revolução energética nos EUA fizeram com que o preço do petróleo despencasse 30% desde junho — dos US$ 110 o barril, por quase quatro anos, para os US$ 80/90. E põe em situação difícil países da petrocracia, como Rússia, Venezuela e Irã, em que o poder é altamente dependente da receita dos hidrocarbonetos.

Os últimos indicadores mostram que a economia russa estagnou ou mesmo se contraiu em setembro, enquanto o rublo teve desvalorização recorde frente ao dólar e ao euro, contribuindo para uma elevação da inflação via encarecimento de produtos importados. Dados oficiais mostram que a inflação ao consumidor atingiu taxa anualizada de 8,3% no terceiro trimestre, a mais elevada do ano. Isto obrigaria o banco central a considerar a quarta elevação dos juros este ano. Apesar de dispor de amplo colchão de reservas cambiais acumuladas durante o período de bonança, a queda na receita e o efeito das sanções ocidentais, em função da questão ucraniana, criam uma situação delicada para o presidente Putin. A exportação de óleo e gás responde por cerca de metade da receita do governo russo. A alternativa seria cortar gastos ou aumentar impostos — o que desgastaria o Kremlin. O risco é a Rússia se tornar mais imprevisível em todos os sentidos.

A situação da Venezuela é muito pior. O país já sofre com desabastecimento, escassez de divisas, inflação anual acima de 60% e desinvestimento público e privado. O país acumula pagamentos atrasados de US$ 2 bilhões somente a empresas brasileiras. A queda do petróleo deverá levar ao limite a capacidade do governo chavista e da própria população de resistir ao impacto. Caracas precisaria do barril a US$ 120 para financiar programas sociais, base de sustentação do chavismo. O agravamento da crise pode levar a situações imprevisíveis.

O presidente Nicolás Maduro, como antes Hugo Chávez, se apoia nas Forças Armadas, cujos oficiais detêm altos cargos. Não se pode afastar o risco de uma intervenção militar direta, diante de um quadro de insegurança e agitação social.

Thomas L. Friedman, colunista do “New York Times”, vê um viés geopolítico na baixa do petróleo, provocada, em parte, pelo espetacular aumento da produção de gás não convencional nos EUA, que reduz, e pode acabar, a dependência americana do petróleo importado. Isto pune rivais — Rússia, Irã e Venezuela. E, em certa medida, interessa ao aliado americano entre os grandes produtores, a Arábia Saudita, inimiga do Irã. Mas, diante do avanço de um inimigo maior, o Estado Islâmico, EUA e Irã se aproximam, Irã e sauditas conversam. Sofre mais quem está sob sanções: Rússia e Irã. Mesmo sem elas, a Venezuela afunda. O petróleo mexe com a geopolítica mundial.

oglobo.globo.com | 23-10-2014

RIO - Desde junho, os preços do petróleo do tipo Brent (referência internacional) apresentam uma tendência acentuada de queda, oscilando negativamente 27%, entre o pico de US$ 115,06 o barril, em 19 de junho, aos US$ 83,78, em 15 de outubro, menor patamar do período. Na terça-feira, a cotação do Brent deu um alívio e avançou 0,57% em relação à véspera, para US$ 85,89, mas permanece bem abaixo de sua posição em junho. Para analistas e operadores, há duas forças puxando os preços para baixo, uma econômica e a outra, geopolítica. Em ambas as explicações há igualmente uma boa dose de especulação.

- Bloomberg News

No campo das finanças, há um crescente desânimo abatendo investidores e outros agentes econômicos, diante da percepção que a recuperação econômica das principais potências começa a perder fôlego, num momento em que as autoridades monetárias praticamente esgotaram seus arsenais de estímulos. Os principais bancos centrais, como o Federal Reserve (Fed, o BC americano), adotaram medidas não convencionais, como corte de juros a zero e a compra de ativos mensais — o chamado “quantitative easing” — para estimular a recuperação. E, apesar de tudo, a deflação continua uma ameaça concreta no horizonte.

Uma economia decadente significa queda de demanda por petróleo, à proporção que a atividade, em geral, diminui. E, apesar disso, o mercado não está vendo membros importantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) reduzindo sua produção para se adequar à demanda menor. A razão disso, dizem os analistas, seria uma disputa por participação de mercado, o que estimularia estas nações a continuarem produzindo, apesar de os países importadores estarem com suas reservas cheias.

Empregado ajusta a válvula numa unida de processamento de petróleo e gás, na Rússia: produção em alta, apesar da queda de preços - Andrey Rudakov / Bloomberg/4-2-2014

A esta percepção acrescentam-se os conflitos geopolíticos, como a refrega entre Rússia e Ucrânia, que levou os Estados Unidos e a União Europeia (UE) a adotarem sanções contra o governo de Putin, cujos efeitos negativos estão respingando na zona do euro. Os protestos por democracia nas ruas de Hong Kong colocam outro ator importante no front dos conflitos: a China. Motor dos emergentes na recuperação da economia global, com uma taxa de expansão anual média acima de 8%, o país já sinalizou que terá um crescimento mais modesto nos próximos anos (em média 5,5%) e menos ainda a longo prazo (3,9%). A perspectiva de sanções do Ocidente por causa de Hong Kong só piora o humor dos mercados.

Por fim, a chegada do vírus do Ebola a Dallas, por mais que seja improvável uma disseminação da doença no país, contribui para o desamparo geral.

ANALISTAS DIVIDIDOS

Os analistas estão divididos tanto sobre as razões da forte venda de papéis da commodity nos últimos quatro meses quanto se esta continuará seu caminho ladeira abaixo. Economistas do Goldman Sachs e do Morgan Stanley afirmaram que o ciclo de venda está exagerado e, portanto, perto do fim. Porém, outros especialistas dizem que novas quedas provavelmente vão ocorrer no futuro.

Nas últimas sessões, os preços se recuperaram um pouco, puxados por notícias como a interrupção da produção em um campo petrolífero conjunto de Arábia Saudita e Kuwait devido a preocupações ambientais. Além disso, um relatório saudita mostrou um declínio no maior exportador de petróleo do mundo. Por outro lado, o Irã recuou de uma reunião de emergência da Opep para discutir cortes de produção e defesa de preço, o que significa que qualquer alteração sobre o volume de produção só ocorrerá na reunião protocolar, marcada para 27 de novembro.

“A questão se resume a se já chegamos ao fundo; e eu não creio que tenhamos chegado lá”, disse ao jornal “Wall Street Journal” o analista Gene McGillian, da Tradition Energy. “É como se o mercado estivesse tentando se estabilizar, mas temores de uma atividade econômica em declínio e estoques elevados vão continuar puxando os preços para baixo.”

SHALE GAS

A queda dos preços do petróleo já está levando analistas a reavaliarem o valor do boom do gás não convencional americano, que promete uma revolução energética, que colocará os Estados Unidos como líder mundial no setor energético. E os mesmo vale para o pré-sal brasileiro. Segundo analistas, com um preço abaixo de US$ 80, um terço da produção americana de gás se tornaria economicamente inviável. Pela primeira vez, desde 2010, as petrolíferas acrescentariam menos barris à produção doméstica em relação aos anos anteriores, segundo as firmas Macquarie Group, ITG Investment Research e PKVerleger, ouvidas pela Bloomberg.

A perfuração horizontal de gás não convencional representa 55% da produção americana e a Agência Internacional de Energia previu que os Estados Unidos vão ultrapassar Rússia e Arábia Saudita para se tornar o maior produtor do mundo em 2015. Embora haja sinais de recuperação e estabilização, uma crescimento mais lento da produção americana abalaria as percepções em relação ao mercado global, avaliou Vikas Dwivedi, economista especializado em petróleo e gás da Macquire.

TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO

A queda tão vertiginosa de preços do petróleo — 27% desde junho — gerou algumas teorias da conspiração, especialmente num mercado fortemente orientado por decisões políticas. A mais popular delas é a de que americanos e sauditas estão em conluio para abalar financeiramente as economias de seus inimigos — Rússia e Irã. Segundo essa lógica, em ambos os casos, uma queda de receita proveniente das exportações de petróleo poderia levar o presidente Vladimir Putin e o supremo líder iraniano, aiatolá Ali Khamenei, à mesa de negociações, para tratar de um acordo sobre a Ucrânia e as ambições nucleares do Irã.

Em artigo para o “Financial Times”, Nick Butler, especialista em energia, afirmou não descartar tal teoria, embora a considere improvável. O importante, escreveu ele, é “observa o que acontecerá a seguir. O risco para o setor petrolífero e para muitos países dependentes das receitas do petróleo é que os jogos da Arábia Saudita levou ao descontrole do mercado. Preços podem cair bem mais, com consequências imprevisíveis e negativas, a começar com maior instabilidade regional e um corte de investimento que só pode alimentar o próximo ciclo.”

O desafio agora, disse ele, é saber se os sauditas têm condições de inverter a queda de preços. O risco é que a tendência que se vê desde junho leve outros países a elevar suas produções a curto prazo para aumentar uma tão necessária receita. “Cada campo que pode produzir mais é pressionado a fazê-lo. Paradas de manutenção programadas são adiadas e assim por diante”, disse Butler. E esse é o ponto central: até agora, a queda vertiginosa dos últimos meses não provocou um corte na produção.

oglobo.globo.com | 22-10-2014

A Rússia vai levar a União Europeia a tribunal devido às sanções contra as suas empresas, anuncia o The Financial Times, que vês nisto “um sinal dos danos que a exclusão das empresas dos mercados de capital estão a causar na economia russa”.

A gigante petrolífera nacional Rosneft e o empresário Arkady Rotenberg pediram ao Tribunal de Justiça Europeu a anulação da decisão que proibiu as companhias petrolíferas e os bancos estatais de angariar fundos nos mercados europeus.

O diário financeiro afirma que o Tribunal já

contestou a decisão do Conselho no passado em relação a medidas semelhantes impostas ao Irão e à Síria, tendo, nomeadamente, determinado que no momento de implementar as sanções, os Estados europeus se basearam demasiado em fontes confidenciais, o que compromete a defesa dos acusados.

O The Financial Times acrescenta que um processo penal pode estender-se por um longo período de tempo, o que significa que a “ação penal não implica um alívio rápido dos danos económicos” provocados pelas sanções.

www.voxeurop.eu | 17-10-2014
Presidente russo, Vladimir Putin, ordenou retirada de tropas da fronteira com a Ucrânia, e se encontrará com presidente ucraniano, Petro Poroshenko, na quinta-feira - ALEKSEY NIKOLSKYI / AFP

MOSCOU — O presidente russo, Vladimir Putin, ordenou a retirada de milhares de soldados russos dos arredores da fronteira ucraniana e o retorno a suas bases militares, informou neste domingo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

De acordo com Peskov, Putin ordenou que 17.600 soldados deixassem Rostov, uma região no Sul da Rússia que faz fronteira com o Leste da Ucrânia, onde rebeldes separatistas enfrentam tropas do governo ucraniano desde abril. O Kremlin afirmava que os soldados em Rostov participavam de exercícios militares, mas a Ucrânia e os países do Ocidente acusavam Moscou de fornecer armas e combatentes aos insurgentes, e aplicaram sanções econômicas à Rússia em resposta às medidas.

Alegações prévias de retirada dos soldados foram desmentidas pela Otan, que em abril afirmou que a Rússia havia posicionado 40 mil soldados na fronteira, embora Putin tenha ordenado uma retirada no fim de maio. Em agosto, a organização atlântica voltou a acusar o Kremlin de posicionar soldados na fronteira, e permitir que soldados e veículos militares entrassem no território ucraniano.

A nova retirada pode ser um sinal de boas intenções antes da viajem de Putin a Milão, onde se encontrará com o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, e líderes da União Europeia na quinta-feira.

Com os efeitos das sanções começando a serem sentidos na economia russa, Moscou pode também esperar que a retirada ajude a suavizar essas medidas. No fim de setembro, a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que a União Europeia ainda não considerava a suspensão das sanções devido aos conflitos que ainda acontecem no Leste da Ucrânia.

Apesar da declaração de cessar-fogo na região, explosões voltaram a ser ouvidas nas proximidades do aeroporto de Donetsk, onde rebeldes e tropas ucranianas seguem se enfrentando.

oglobo.globo.com | 12-10-2014

HELSINKI - Um dos últimos países europeus a envergar a nota de crédito AAA, no topo do ranking das agências de rating, A Finlândia foi expulsa do seleto clube. Citando persistentes problemas de crescimento econômico, a Standard & Poor's cortou, na sexta-feira, o rótulo do país para AA+, com perspectiva estável. A Moody's e a Fitch anunciaram recentemente a manutenção da nota do país.

O país ainda tem de lidar com os problemas de nível de produção, uma vez que suas exportações encolheram em consequência da crise da zona do euro, de problemas em suas indústrias de celulares e de papel e da crise na Ucrânia.

O corte da S&P poupou a Alemanha e Luxemburgo, e os dois passam a ser os últimos países da zona do euro que mantém a nota máxima de crédito das três maiores de rating do mundo.

A redação nota “reflete a nossa percepção de que o risco de a economia finlandesa pode experimentar longa estagnação por causa do envelhecimento de sua população e encolhimento da força de trabalho, enfraquecimento da demanda externa, perde de fatia no mercado global... e um mercado de trabalho relativamente rígido”, apontou a agência em seu relatório.

A Finlândia já teve orgulho de sua posição no maior nível de rating. Em 2011, durante a crise de débito da zona do euro, Alexander Stubb, agora primeiro-ministro, disse que os princípios do darwinismo deveriam se aplicar, e as economias mais forte do bloco deveriam ter a palavra final.

Mas, neste ano, a Finlândia sofreu reveses adicionais com a crise entre a Ucrânia e a desaceleração da Rússia. O vizinho é um de seus principais parceiros comerciais.

No setor corporativo, a Nokia, que já foi líder global em celulares, se debateu para competir em smartphones com a Apple e Google até finalmente vender todo o negócios de telefones para a Microsoft em abril. Aos mesmo tempo, migração dos serviços impressos para online reduziu a demanda por papel na Europa, levando a fortes reestruturaões em firmas com a UPM-Kymmene and Stora Enso.

“As exportações finlandesas ficaram abaixo do esperado desde 2008, o que interpretamos como um sinal de baixa competititiviade”, acrescentou a S&P.

oglobo.globo.com | 11-10-2014
Mulher passa por muro com a inscrição "Donetsk será livre!" acompanhada da bandeira russa. Confrontos entre rebeldes e soldados ucranianos voltaram a deixar mortos no Leste da Ucrânia - JOHN MACDOUGALL / AFP

DONETSK — Três civis morreram e outros quatro ficaram feridos em combates entre as forças de segurança ucranianas e rebeldes pró-Rússia na noite de sexta-feira, em Donetsk, principal reduto de forças separatistas no Leste da Ucrânia, informou neste sábado a prefeitura local.

Os confrontos aconteceram no bairro de Kuibychevski, próximo ao aeroporto de Donestk, disputado pelos dois lados do conflito. Segundo a ONU, o número de vítimas após a declaração de cessar-fogo entre o governo de Kiev e os separatistas já chegou a 331, totalizando mais de 3.600 desde o início dos conflitos.

O primeiro-ministro da autoproclamada República Popular de Donetsk, Alexander Zakharchenko, afirmou na noite de sexta-feira que concluíra juntamente com o governo de Kiev um acordo que demarcava os territórios controlados pelas duas partes, mas a informação foi desmentida pelo Exército ucraniano. Zakharchenko afirmou à agência russa Interfax que, caso seja respeitado um cessar-fogo dentro dessas linhas nos próximos cinco dias, a artilheria separatista se retiraria, criando uma zona-tampão.

Novo encontro entre Kiev e Moscou

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, anunciou neste sábado que se reunirá com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Milão, na Itália, na próxima semana, para discutir o conflito no Leste da Ucrânia.

O Kremlin acenou para a possibilidade do encontro acontecer durante a cúpula de Diálogo entre Ásia e Europa, que reunirá chefes de Estado da União Europeia e de diversos países asiáticos.

O presidente russo afirmou que o adiamento da implementação da parte econômica do acordo de associação entre Ucrânia e União Europeia oferece uma oportunidade para reajustar as cláusulas do documento, cuja aplicação poderá prejudicar significativamente a economia da União Aduaneira e as relações comerciais tradicionais entre Rússia e Ucrânia.

Ao discursar na reunião do Supremo Conselho Eurasiático, nesta sexta-feira, Putin destacou que "tanto Kiev como Bruxelas atenderam aos argumentos russos, tomando a decisão de adiar a implementação da parte econômica do acordo de associação para 31 de dezembro de 2015”.

O Ministro dos Relações Exteriores da Ucrânia, Pavel Klimkin, pediu que as autoridades russas desencorajassem as autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk de realizarem as eleições marcadas para o início de novembro. O chanceler ucraniano, que reconheceu que Kiev não pode impedir que a população do leste do país participe da votação, solicitou que Moscou não reconhecesse este processo e que apoie a proposta oficial ucraniana, de conferir um status de maior autonomia às regiões.

Klimkin destacou que o governo de Kiev está pronto para estabelecer um processo político na Ucrânia, inclusive em Donetsk e Lugansk, com uma maior descentralização. Ao comentar a relação com a Rússia, ele disse que os acordos de associação da Ucrânia com a União Europeia não devem ser um muro que separe os dois países.

oglobo.globo.com | 11-10-2014

WASHINGTON - Com a “forte desaceleração” experimentada em 2014, o Brasil integra o grupo das economias que “estão ficando para trás”, segundo a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde. O desempenho não pode ser atribuído a um padrão comum dos mercados emergentes ou ao cenário externo isoladamente, sugeriu ela, pois todos os grupos de países apresentam atualmente casos de sucesso e de fracasso, diante do mesmo panorama mundial. Ou seja: são fragilidades e deficiências próprias as raízes dos problemas de quem perdeu fôlego ao longo de 2014, como o Brasil.

— O que notamos claramente, na análise que fazemos, é cada vez mais especificidade de cada país. Não é mais como se um grupo de países, economias avançadas ou mercados emergentes, esteja se recuperando e o outro esteja ficando para trás. Dentro de cada grupo, alguns países estão à frente e outros estão ficando para atrás — explicou Lagarde.

Essas forças opostas estão se neutralizando e segurando a recuperação global, criando o que Lagarde chamou de “risco do novo medíocre”. Este é um cenário no qual a comunidade internacional se acostumaria com um baixo ritmo de atividade, que seria o possível, em vez de agir para destravar o crescimento.

O Fundo revisou esta semana a projeção de expansão da economia mundial em 0,1 ponto percentual este ano, para 3,3%, o que significa patinar no mesmo patamar dos dois anos anteriores. Para 2015, o organismo espera um pouco de tração, com taxa a 3,8%, mesmo assim, 0,2 ponto menor do que em julho, quando esperava-se que, no próximo ano, finalmente a barreira psicológica dos 4% seria vencida.

Os sinais do peso da especificidade no comportamento das economias estão evidentes nos panoramas para os quatro principais blocos ricos e mercados emergentes, exemplificou a diretora-gerente do FMI:

— Nos países ricos, claramente a recuperação é puxada pelos Estados Unidos e Reino Unido, enquanto a zona do euro e o Japão estão ficando para trás. Nos mercados emergentes, temos um crescimento razoavelmente forte, ainda que mais lento, na China e (crescimento) melhor do que o esperado na Índia. E claramente temos uma forte desaceleração em países como Brasil e Rússia.

As previsões do FMI confirmam esta divisão. Itália (com retração de 0,2%, terceiro ano seguido de recessão), Rússia (0,2%) e Brasil (0,3%) terão em 2014 as menores taxas de expansão da atividade entre as principais economias.

Na zona do euro, os quatro principais motores (Alemanha, França, Espanha e Itália) tiveram redução da expectativa de crescimento em 2014, ranking que, em magnitude do corte, foi liderado por Brasil (um ponto) e Japão (0,7 ponto). O mercado financeiro já discute o risco de a economia alemã estar em recessão.

Estados Unidos, com previsão de crescimento de 2,2% (alta de 0,5 ponto sobre julho), e Reino Unido, com alta do Produto Interno Bruto (PIB) estimada em 3,2% em 2014, foram destaques positivos dos documentos divulgados esta semana. Bem como China (7,4%) e Índia (5,6%, alta de 0,2 ponto percentual).

O PAPEL DOS BANCOS CENTRAIS

Algumas respostas necessárias são comuns aos retardatários, apesar da especificidade dos problemas, disse Lagarde. As ações expansionistas dos bancos centrais devem continuar e as políticas fiscais precisam serem relaxadas para elevar o incentivo à retomada na Europa e no Japão. Emergentes, por sua vez, devem estar particularmente atentos a possíveis novas turbulências, geradas especialmente pela esperada alta dos juros dos EUA em meados de 2015.

No entanto, isso é pouco. A diretora-gerente afirmou que o mundo precisa de uma nova etapa, após os estímulos fiscais e monetários e a limpeza de balanços de bancos e empresas detonados na crise de 2008: reformas estruturais e investimento pesado em infraestrutura. O FMI acredita que, combinados, estes esforços podem ser o combustível que falta para religar as turbinas globais. É o novo mantra da instituição.

— Acreditamos que reformas estruturais são muito importantes. Temos recomendado enfaticamente que o investimento em infraestrutura pode ser uma forma significativa de estimular o crescimento no curto prazo, ao colocar as pessoas para trabalhar, lançar grandes esforços de construção, mas também ter impacto de médio prazo no lado da oferta ao facilitar e acelerar a criação de valor para mais tarde — explicou Lagarde.

As reformas, porém, reformas devem respeitar as especificidades dos países, enfatizou a diretora-gerente:

— (As reformas) devem ser bem ajustadas para serem politicamente palatáveis e terem o máximo de efeito multiplicador nas economias. É uma questão de fazê-las, não só de falar sobre elas.

REFORMAS TRABALHISTAS

Há duas recomendações extensivas ao Brasil na “Agenda de Política Global”, que formam as recomendações da gerência executiva do Fundo aos países-membros, aos quais cabem a orientação final do foco do FMI.

Lagarde acredita que a reforma trabalhista é uma prioridade para o país. Medidas devem ter alto custo-benefício, ser focadas em treinamento de mão de obra e englobar cortes seletivos dos impostos patronais. O conselho serve ainda para EUA, China, Índia e África do Sul.

A redução de barreiras ao comércio exterior e ao investimento seriam outras contribuições importantes à melhora do ambiente econômico. A diretora-gerente, no documento, salienta ainda a necessidade de o Brasil precisa atuar para reduzir os gargalos de infraestrutura. O objetivo é elevar o crescimento potencial da economia no médio prazo.

Lagarde destacou ainda que, se forem bem planejados, os investimentos públicos em infraestrutura sequer representam risco à disciplina fisca.

— Não só o investimento em infraestrutura é favorável ao crescimento, é favorável até à dívida, se feito sob as condições certas, se a economia está fraca, se as condições de financiamento continuarem sendo liquidez a custo baixo.

oglobo.globo.com | 10-10-2014
Pelo cirtério de paridade de poder de compra, a China é hoje a maior economia do mundo, ultrapassando os EUA - BRENT LEWIN / BLOOMBERG / 5-8-2014

WASHINGTON - Na terça-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou seu mais recente Panorama Econômico Mundial no qual surgiu uma descoberta surpreendente: o Produto Interno Bruto (PIB) dos sete maiores mercados emergentes são muito maiores hoje do que o das nações industrializadas, quando medido em paridade de poder aquisitivo (PPP).

Um novo G7 hipotético, compreendendo os Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – e três das chamadas “economias hortelã” – México, Indonésia e Turquia – têm um PIB combinado de US$ 37,8 trilhões (em paridade de poder aquisitivo) em comparação com os US$ 34,5 trilhões do velho G7 – Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e os EUA.

As novas tentativas de medir o PIB também confirmam que, em termos de PPP, a China é hoje a maior economia do mundo, ultrapassando os EUA, como revelado pelo “Financial Times” em abril. A taxas de câmbio do mercado, a economia dos EUA vale US$ 17,4 trilhões e a chinesa US$ 10,4 trilhões. Com um ajuste para os preços relativos, contudo, a economia da China sobe para o primeiro lugar, com um PIB de US$ $ 17,6 trilhões.

O PPP é uma tentativa de identificar o que um dólar pode comprar em vários. Um corte de cabelo em Xangai, por exemplo, vai custar muito menos do que um em Nova York, embora esses preços não possam ser equalizados pela concorrência internacional.

O cálculo das PPP, no entanto, está longe de ser uma ciência exata. Mesmo com ressalvas, as novas estimativas apontam que o mundo mudou drasticamente. Os mercados de metade das vinte maiores economias emergentes já representam metade do primeiro mundo. A Indonésia entrou no top 10 ultrapassado o Reino Unido para se tornar a nona maior economia do mundo. Já a Nigéria saltou dez posições.

oglobo.globo.com | 08-10-2014

“Se há um país que tirou partido da crise ucraniana, foi a BielorRússia”, escreve o Nezavissimaïa Gazeta, que realça que Minsk abandonou recentemente o seu estatuto de pária internacional e que o seu presidente, Alexandre Lukachenko, já não é considerado pelos seus homólogos como o inaceitável “último ditador da Europa”. Mas o diário russo considera que o papel da BielorRússia nas negociações para a resolução do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, que permitiu mudar a forma como “este Estado dirigido pelo ‘último ditador europeu’ é visto e ganhar uma certa visibilidade na cena política europeia, “foi só um começo”.

Para o Nezavissimaïa Gazeta, Lukachenko, que o jornal descreve como sendo politicamente hábil, na medida em que a sua “estratégia de intermediário entre o Ocidente e a Rússia tem sido até à data bastante lucrativa”,

vai poder tirar partido de Moscovo, que não quer perder o seu parceiro, e do Ocidente, que não quer uma Rússia mais forte e muito menos o desenvolvimento da união aduaneira [com a Rússia e o Cazaquistão].

Além disso,

este também poderá tentar transformar Minsk numa “plataforma mundial” para as relações entre a Rússia e o Ocidente […]. Ou ainda num mercado de ações da UE e da união aduaneira, tendo ainda em conta que os europeus já estão a pensar criar uma zona de comércio livre com a BielorRússia. Um projeto desta dimensão, que poderia propulsar a BielorRússia para o primeiro plano da cena europeia, melhorar a sua imagem e estimular consideravelmente a sua economia, não pode deixar de interessar a Alexandre Grigorievitch Lukachenko, que previu sempre um destino fora do comum para o seu país.

www.voxeurop.eu | 02-10-2014

NOVA DÉLHI E HONG KONG - Pela quarta vez consecutiva, o banco central da Índia manteve a taxa básica de juros nesta terça-feira, dando continuidade à luta contra a mais rápida inflação da Ásia, enquanto o primeiro-ministro Narendra Modi age para fazer o setor manufatureiro renascer. O Banco da Reserva da Índia (RBI, na sigla em inglês) manteve a taxa de juros apesar dos pedidos de redução enquanto a inflação no varejo começa a ficar abaixo de 8% pela primeira vez em cinco anos, segundo o “Wall Street Journal”.

Em Washington, o premier indiano Narendra Modi acena em frente à estátua em homenagem a Mahatma Gandhi - NICHOLAS KAMM / NICHOLAS KAMM/AFP

O presidente do BC indiano Raghuram Rajan manteve a taxa em 8%, informou o RBI em comunicado, nesta terça-feira, em Mumbai. A decisão era prevista por todos os 51 economistas ouvidos pela Bloomberg. Embora as perspectivas de curto prazo para a inflação de preços ao consumidor esteja equilibrada “com uma inclinação de queda”, os riscos à meta de 6% em janeiro de 2016 são “ainda de alta, embora um pouco menor do que na última declaração política”.

— A partir de agora estamos razoavelmente definidos e nós vamos chegar a essa meta, mas muita coisa pode acontecer no mundo — disse Rajan em Mumbai, em referência à meta de janeiro de 2016. — Os preços do petróleo, que são baixos agora, podem subir ou podem cair ainda mais. Qualquer outro fator está sujeito a alguma incerteza. A política responderá aos dados.

Rajan se uniu aos presidentes dos bancos centrais de Brasil e Rússia ao manter a taxa básica de juros neste mês como forma de reduzir as pressões sobre os preços para estabelecer as bases para um crescimento econômico sustentável.

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s disse que espera que o premier Modi implemente políticas para aumentar o crescimento, ao elevar a perspectiva da Índia na semana passada, assim como um melhor desempenho do déficit ou na inflação métricas pode desencadear uma melhor classificação.

— A política econômica vai ser mantida sem alterações no futuro próximo — afirmou Rupa Rege-Nitsure, economista-chefe do Bank of Baroda em Mumbai. — A pressão é mais sobre o governo de Modi do que sobre o controle de inflação.

Se o crescimento global arrefecer, ou se as vulnerabilidades financeiras se materializarem, a inflação ao consumidor será de cerca de 7% no primeiro trimestre de 2016, informou o BC indiano em um outro relatório divulgado nesta terça-feira, acrescentando que os riscos para o alvo de 6% em janeiro de 2016 são significativos. Os preços no varejo subiram 7,8% em agosto, segundo dados do governo, frente a 2% na China e a 3,99% na Indonésia.

De acordo com o “Wall Street Journal”, a inflação da Índia em 7,8% ainda é alta, e Rajan precisa olhar as tendências passadas de curto prazo para atender sua meta de 6% em janeiro de 2016. De qualquer forma, a desaceleração da inflação se deve, em parte, porque os preços estão saindo de uma alta base do ano passado, criando uma ilusão estatística que vai atravessar o fim deste ano.

“Assim, Rajan tem boas razões para não ceder dinheiro fácil à multidão da Índia. Mas, ao mesmo tempo, parece cada vez mais improvável ter ele vá que apertar a política nos próximos meses, em parte graças o Modi”, acrescenta o “Journal”.

De acordo com o jornal americano, Modi avançou mais lentamente do que muitos esperavam na tentativa de impulsionar os investimentos. “Ao atrasar o aumento dos preços do gás natural, na semana passada, por exemplo, Modi perdeu uma oportunidade de incentivar o investimento de energia. Embora a economia tenha acelerado no trimestre de junho e crescido 5,7% em relação a um ano atrás, a produção quase não cresceu em julho em comparação com o ano passado.”

O índice de referência da Bolsa indiana subiu 0,9% nesta terça-feira, tendo valorizado 27% no ano, o melhor resultado entre os maiores mercados do mundo. A rúpia caiu 0,1%, para 61,5975 por dólar, com ganho anual de 0,3%. A Índia usou a força da rúpia para fortalecer suas reservas estrangeiras, disse Rajan.

Em 19 de agosto, a reserva do país totalizava US$ 316 bilhões. Um ano antes estava em US$ 275 bilhões, quando o BC vendeu dólares para recuperar a rúpia de um recorde de baixa após o Federal Reserve (Fed, banco central americano) ter sinalizado que começaria a retirar seus estímulos à economia.

oglobo.globo.com | 30-09-2014

MOSCOU - Especulações de que a Rússia está considerando adotar controles de capital em meio à pior performance entre os países emergentes no câmbio e em títulos empurraram o rublo abaixo do nível que o banco central (BC) havia estipulado como limite para intervir no mercado.

A moeda russa escorregou temporariamente para 44,40 ante a cesta de moedas de dólares e euros usada pelo Banco da Rússia como parâmetro, depois que duas fontes informaram que os gestores da política monetária do país estariam considerando aplicar restrições temporárias, caso a fuga líquida de divisas aumente significativamente. Mais tarde, o BC emitiu um informe, negando que estivesse estudando estabelecer limites no fluxo de capitais. O rendimento dos bônus de dez anos subiu seis pontos básicos, para 9,42%, levando o aumento deste trimestre a 102 pontos básicos.

O presidente Vladimir Putin enfrenta especulações do mercado em meio às sanções de EUA e UE por crise na Ucrânia - RIA NOVOSTI / REUTERS

Sinais de que restrições ao fluxo de dinheiro serão impostas novamente, depois que tal política foi abandonada há oito anos, ameaçam provocar uma corrida de venda de ativos russos. Esse movimento já vem ocorrendo desde que os Estados Unidos e a União Europeia (UE) ampliaram as sanções econômicas contra o presidente Vladimir Putin por causa do conflito com a Ucrânia. O rublo perdeu 14% frente ao dólar este trimestre, quebrando recordes de queda nos últimos três dias.

— A fuga de capitais deverá aumentar fortemente agora — estimou Stanislav Kopulov, gestor do UralSib Asset Management, em Moscou. — Quando se é ameaçado dessa forma (mais controle de capital), é preciso tirar o dinheiro urgentemente.

O BC da Rússia está analisando todos os possíveis cenários sobre como implementar os controles de capital, segundo as fontes, que pediram para não serem identificadas porque a decisão ainda não foi tomada. Elas também não deram um prazo para a implementação das medidas e disseram que estas terão um caráter preventivo, sendo aplicadas apenas se a saída líquida de capital crescer significativamente.

LONGA CONFRONTAÇÃO

Os gestores da política monetária não estão discutindo qualquer limitação sobre os fluxos de capital entre fronteiras, de acordo com nota divulgada no site do banco central. O rublo caía 0,1%, para 44,2573, às 16h57m desta terça-feira, em Londres. A moeda russa perdeu 0,4% frente ao dólar, caindo para 39,5800, elevando a desvalorização no trimestre para 14%, a pior entre os 24 países emergentes analisados pela Bloomberg.

As discussões sobre tais medidas são o sinal mais recente de que as sanções estão atingindo a Rússia e levando a autoridade monetária a repensar a aplicação de políticas que vinha evitando. A queda de hoje ocorre num momento em que a chanceler alemã, Angela Merkel, disse que a UE e os Estados Unidos podem estar enfrentando uma longa confrontação com a Rússia, citando os 40 anos que a Alemanha Oriental levou para escapar ao controle comunista.

A situação dos bônus soberanos, porém, não está tão caótica. Embora tenham recuado no trimestre, os títulos de dez anos do governo completaram seu melhor mês desde maio, depois que o cessar-fogo no Leste da Ucrânia ajudou a aliviar as preocupações dos investidores de que a crise militar na região fosse piorar. O Ministério de Finanças da Rússia informou que fará seu segundo leilão de títulos nesta quarta-feira, oferecendo 15 bilhões de rublos (US$ 379 milhões) por meio de securitizações em moeda local, com vencimento em janeiro de 2028.

ÚLTIMA INTERVENÇÃO

A Rússia provavelmente não vai introduzir controles de capital a não ser que suas reservas internacionais comecem a cair num ritmo mensal de US$ 20 bilhões, afirmou Vladimir Osakovskiy, economista do Bank of America, em comentários difundidos por e-mail. “A declaração é certamente negativa para todos os tipos de ativos na Rússia à proporção que estimula mais desinvestimento”, acrescentou.

A última vez que o BC russo interveio no câmbio foi em maio, elevando a US$ 40 bilhões o total das reservas vendidas pelo governo este ano para conter o êxodo de investidores de ativos locais. Esse movimento se acelerou depois que Putin anexou a região da Crimeia em março.

O BC ampliou a banda de flutuação do rublo em agosto, à medida que se prepara para uma mudança rumo a um rublo flutuante, abandonando a política de usar as reservas para controlar os movimentos de câmbio e administrar a inflação em favor do uso das taxas de juros. Os gestores de política monetária elevaram a taxa básica de juros em 2,5 pontos percentuais para escorar a moeda este ano, mesmo com a economia se aproxima da recessão.

CLIMA RUIM

Quando a Rússia eliminou os controles de capital em 2006, o país se tornou um dos quatro maiores mercados emergentes a permitir um fluxo sem restrições entre suas fronteiras. O Ministério da Economia elevou sua estimativa de saída de capitais este ano para US$ 100 bilhões, uma alta de 64% em relação ao ano passado.

— (O controle de capital) poderá levar alguns estrangeiros a retirarem seu capital, o que poderá provocar aumento de saídas — estimou Olega Popov, do Allianz Investments, o braço de investimentos da maior seguradora da Europa. — Isso é ruim para o clima de investimento. Qualquer investidor calcula o potencial de retorno combinado com o risco que sua aplicação corre.

oglobo.globo.com | 30-09-2014

RIO - O Brasil não tem representantes entre as 200 melhores universidades do mundo, segundo o novo ranking mundial elaborado pela consultoria britânica Times Higher Education e divulgado nesta segunda-feira (29). A edição deste ano do World Universities Rankings listou as primeiras 400 instituições segundo critérios de desempenho acadêmico.

A brasileira mais bem posicionada é a USP, que pulou da faixa entre 226-250ª colocação do ano passado para a banda entre a 201-225 em 2014. Vale lembrar que a THE utiliza faixas de colocação para as instituições abaixo da 200ª posição.

A Unicamp foi a outra representante verde-amarela no ranking, permanecendo na banda entre 301-350, a mesma da edição do ano passado. Com apenas as duas universidades paulistas entre as 400 melhores, o Brasil fica atrás de outros países emergentes como a Turquia (com quatro instituições entre as 200 primeiras), China (três entre as 200) e Cingapura (duas entre as 200).

Brasil não tem universidades entre as 200 primeiras - / Editoria de Arte

No topo da tabela, nenhuma surpresa. A melhor universidade do mundo para a THE continua sendo o Instituto de Tecnologia da Califórnia, seguido pela Universidade de Harvard e pela Universidade de Oxford, na Inglaterra. Das 10 primeiras, sete são americanas e três, britânicas.

Este é apenas mais um dos rankings internacionais divulgados por consultorias mundo afora a cada ano. Somente em 2014, foram seis tabelas lançadas pela organização britânica Quacquarelli Symonds (QS), pela Universidade Jiao Tong, de Xangai, pela consultoria internacional Center for World Uniersities Ranking (CWUR) e, finalmente, pela Times Higher Education.

O Brasil tem desempenho variável, conforme o tipo de ranking. Se a análise for feita entre todas as universidades do mundo, as brasileiras aparecem timidamente. Neste mês, a QS listou a USP como a única representante do país entre as 200 melhores do mundo. A tendência é a mesma do “ranking de Xangai”, divulgado em agosto, que também colocou a instituição paulista na 144ª posição, e pela CWUR, que colocou a USP na 131ª colocação.

Mas conforme a amostra de países diminui, o desempenho brasileiro melhora. Quando apenas os membros dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) são levados em conta, o Brasil tem duas instituições entre as 10 primeiras, segundo ranking da THE divulgado em dezembro passado. Em maio deste ano, o ranking para a América Latina da QS mostrou que o país tem 10 das 20 melhores do subcontinente. A USP, no entanto, caiu do primeiro para o segundo lugar.

INTERNACIONALIZAÇÃO E COBRANÇA DE MENSALIDADE

Especialistas apontam que o desempenho tímido do Brasil em ranking internacionais se deve principalmente à falta de internacionalização de seus cursos. Para o editor da THE, Phil Baty, é preciso que as universidades brasileiras utilizem mais o inglês em seu cotidiano, desde créditos extras para o idioma até a publicação de artigos científicos. Além disso, Baty acredita ainda que o Ciências Sem Fronteiras terá impacto positivo no longo prazo em atrair acadêmicos renomados no cenário internacional para seus campi. No entanto, ele alerta que burocracia ainda é o grande entrave para a autonomia universitária no Brasil.

- As universidades brasileiras devem desenvolver estruturas de gestão mais ágeis e mais dinâmicas de contratação de corpo docente e gestão do orçamento. Para ser uma das universidades do topo do ranking, é importante que as reitorias sejam livres para liderar tomar decisões estratégicas em tempo hábil, sem esbarrar nos tapetes vermelhos da burocracia governamental - disse Baty ao GLOBO.

O novo ranking da THE vem no momento em que a USP enfrenta grave crise financeira e de gestão. A comunidade acadêmica da universidade, que acaba de sair de uma greve, discute ainda a possibilidade de começar a cobrar mensalidades de alunos mais abastados, utilizando critérios de gratuidade semelhantes ao do Prouni. Para Phil Baty, a cobrança seria válida, mas sem deixar de lado a importância de investimentos públicos no ensino superior. Ele cita ainda os casos de sucesso de China, Cingapura e Coreia de Sul, países que avançaram no ranking com forte investimento estatal nas universidades.

- Já que universidades privadas dos EUA, que cobram enormes taxas anuais, continuam a dominar os rankings universitários mundiais, muitos tentam copiar esse modelo. Mensalidades também atendem ao princípio de que as pessoas que se beneficiam do ensino superior devem fazer uma contribuição para os custos da universidade, como forma de gratidão. No entanto, há também grandes benefícios para o investimento público no ensino superior, e eu, pessoalmente, acredito que é importante garantir que haja sempre uma forte participação pública no financiamento das universidades.

Para o professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Robert Verhine, que é doutor em educação comparada e economia da educação, a discussão sobre as cobranças de mensalidade é válida, mas não se aplica ao Brasil, já que esbarra em questões previstas pela Constituição. Segundo ele, o importante, neste momento, é investir na internacionalização das faculdades.

- Infelizmente, o Brasil ainda vai demorar para conseguir subir nesses rankings, principalmente pela falta de internacionalização nas universidades.

Robert exemplifica com a própria UFBA, onde há cerca de 40 mil alunos e apenas 200 são estrangeiros. Segundo ele, isso precisa mudar para que o nome das instituições comece a ser projetado no exterior.

- Não temos infraestrutura para receber alunos e nem conseguimos atrai-los. Também temos poucos professores que ministram aula em inglês. É evidente que o Ciência sem Fronteiras vai ajudar nesse aspecto. Mas não é fácil promover essas mudanças - diz, acrescentando a necessidade de um corpo docente mais internacional também. - Precisamos discutir medidas que facilitem a entrada de professores vindos do exterior.

oglobo.globo.com | 29-09-2014
Stephen Harper. primeiro-ministro canadense quebrou imagem da influência europeia no Canadá e aproximou país dos Estados Unidos - CARLO ALLEGRI / REUTERS

TORONTO — Como Ronald Reagan nos Estados Unidos e Margaret Thatcher no Reino Unido, o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, pertence à linhagem de governantes que aspiram a mais do que simplesmente governar. Ao deixar o poder transformaram seu país para sempre. O conservador Harper foi reeleito duas vezes desde a primeira vitória em 2006, e busca um quarto mandato em 2015, o que o colocaria entre os cinco chefes de governo canadenses com os mandatos mais longos.

Com Harper, se diluiu o velho Canadá: a terra do consenso e do Estado de bem-estar, que colocou seu centro de gravidade na província francófona de Quebec e em sua vizinha, a anglófona Ontario, onde o Partido Liberal era o partido natural do governo. A Escandinávia norte-americana.

E então emerge outro Canadá. Um país que se parece menos para a Europa e mais com a Ásia. Um país onde a explosão do petróleo alterou o equilíbrio econômico e o poder deslocou-se para as províncias do Oeste, mais próximas culturalmente dos Estados Unidos. Mais confiante e menos ligado ao multiculturalismo, marca da política externa canadense no século XX.

Harper nasceu em 1959, em Ontário, mas aos 19 anos mudou-se para o oeste, para Alberta para trabalhar na indústria do petróleo. Ele chegou ao poder sob o estigma entre seus detratores de ser um George W. Bush canadense, o homem que americanizaria o Canadá. Agora, depois da alemã Angela Merkel, é o líder mais veterano do G7. E é, sem dúvida, o mais conservador do grupo. "O líder do mundo livre", o chamam alguns na direita americana, para ressaltar que Barack Obama não está a sua altura.

O Canadá — segundo país mais extenso do planeta, atrás apenas da Rússia, e lar de uma população de 35 milhões de habitantes — abandonou o Protocolo de Kyoto, o acordo internacional para combater a mudança climática. A retórica nacionalista e militarista, um estilo de governo polarizador, o apego aos símbolos da Coroa Britânica (o Canadá é uma monarquia constitucional) e a defesa de um estado mais fraco na economia, e de políticas de lei e ordem, o distinguem da maioria de seus antecessores no número 24 da rua Sussex, a residência do premier canadense em Ottawa.

O cientista político Stephen Clarkson, professor da Universidade de Toronto, observa "uma mudança fundamental na natureza política interna e também na posição do Canadá no mundo". Clarkson co-escreveu “Trudeau e nossos tempos”, a principal biografia do primeiro-ministro Pierre Elliott Trudeau, refundador do Canadá moderno e pai de Justin Trudeau, atual líder do Partido Liberal, que espera derrotar Harper na próxima eleição.

— Na política interna, a mudança fundamental, não é de Harper, mas sim o deslocamento do centro de gravidade de Ontário para Alberta por causa da exploração de recursos petrolíferos, com uma mudança do centro de gravidade político de Ontário para Calgary e Edmonton — afirma Clarkson, em alusão à capital do petróleo e à capital administrativa de Alberta.

Darrell Bricker e John Ibbitson falam do fim do consenso Laurentian, o consenso da elite da bacia do rio St. Lawrence, que vive no corredor entre Montreal e Toronto, passando por Ottawa. Ibbitson, jornalista do diário “Globe and Mail”, e Bricker, diretor-executivo da Ipsos Public Affairs, escreveram The Shift Big ( “A grande mudança”), um ensaio que marcou o debate sobre o novo do Canadá de Harper.

— A grande mudança começou provavelmente em 1970, com a mudança na composição da imigração para o Canadá: nós começamos a ver mais pessoas da Ásia. Mas também, com a transição da população: o movimento de pessoas e poder de Ontário, especialmente nos arredores de Toronto, e no oeste do Canadá. É muito diferente de como funcionava antes o país como uma Entente Cordiale entre Quebec e Ontário — diz Bricker. — Havia a ideia de três culturas fundadoras: a francesa, a inglesa e a aborígene. A mudança de poder reduziu o peso do francês no país: 2011 foi o primeiro ano em uma geração em que o percentual de pessoas que diziam falar francês diminuiu. Devido à grande imigração, a população aborígene tornou-se também uma pequena parte do total da população. O Canadá aceita entre 250 e 300 mil imigrantes por ano, mais do que qualquer outro país em proporção de habitantes, e a maioria vem da Ásia. As velhas identidades, francesa, inglesa ou aborígene, importam menos. O pacto fundador perde relevância. O multiculturalismo promovido por Pierre Trudeau remodelou o país, mas tem ajudado a corroer as elites que o instituíram.

Harper, escrevem Bricker e Ibbitson, construiu uma coalizão entre os novos imigrantes canadenses de um lado, e o Canadá branco dos subúrbios e zonas rurais do Oeste. Se durante o último meio século foram os quebequenses francófonos que lidavam com as alavancas do poder — e Trudeau foi o mais notável deles — agora é a vez dos canadenses ocidentais. Bricker e Ibbitson lembram que o primeiro-ministro tem seu feudo em Alberta, quase a metade do seu grupo parlamentar vem do Oeste ou do Norte e a presidente do Supremo Tribunal Federal é ocidental.

— As políticas de Harper são extremas: não tivemos essa experiência até agora na história do Canadá — diz Clarkson, que lamenta o declínio do peso do país no mundo.

— Harper tentou mover o país para a direita — admite Peter Coleman, presidente da coalizão conservadora Citizens National, cargo que Harper ocupou antes de se tornar primeiro-ministro. — Mas nem de longe é tão conservador como quando ele presidiu a Citizens National.

Mudança leva tempo. O Canadá mantém o sistema público de saúde, a rejeição da pena de morte, e uma cultura política favorável ao consenso. Nunca será os Estados Unidos. Mas também não é mais o velho Canadá de sempre.

— O significado da identidade canadense está em transição — afirma Bricker. — E é provável que Stephen Harper tenha sido o primeiro a entender isso.

oglobo.globo.com | 28-09-2014
Real registra maior valorização frente ao dólar entre as 16 principais moedas do mundo - Susana Gonzalez / Bloomberg

RIO — O aumento da intervenção do Banco Central no câmbio não foi capaz de segurar a alta da moeda americana nesta quinta-feira. O dólar comercial encerrou o dia com valorização de 1,92%, cotado a R$ 2,428 para compra e a R$ 2,430 para venda. Foi a maior alta diária desde 5 de novembro de 2013, quando subiu 1,95%, e o maior valor desde 3 de fevereiro deste ano, quando a divisa fechou valendo R$ 2,437.

O dólar ganhou força em todo o mundo, mas o real foi o que mais perdeu valor entre as 16 principais moedas, segundo o serviço de informações financeiras Bloomberg. Segundo analistas, a moeda brasileira é mais afetada porque, além do cenário global, sofre o impacto dos humores eleitorais.

Também acompanhando a tendência de aversão a risco, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 1,52%, aos 55.962 pontos, com investidores aguardando a divulgação de novas pesquisas de intenções de voto.

Analistas interpretam ser provável que o banco central dos EUA, o Federal Reserve, eleve os juros antes das autoridades monetárias de outros países. Desde a eclosão da crise financeira, em 2008, os BCs de nações desenvolvidas mantêm os juros em patamar historicamente baixo na tentativa de estimular a economia. Mas, nos EUA, dados positivos sobre a atividade econômica dão a entender que esse estímulo pode vir a ser retirado antes do previsto. Com os juros americanos subindo, fica mais vantajoso investir em títulos da dívida americana, elevando a demanda por dólares nos mercados globais, acarretando valorização da divisa.

— Depois da última reunião do Fed, há um consenso de que a elevação dos juros americanos será feita já no primeira semestre do ano que vem, talvez até no primeiro trimestre. Então o cenário externo está contribuindo para isso. Só que, no caso do real, as eleições dão contribuição ainda maior. O BC estava segurando o dólar por conta do seu impacto na inflação e, consequentemente, nas urnas. Como a inflação acabou ficando estacionada, ele deixou que o dólar subisse de patamar — explicou Ítalo Abucater, gerente de câmbio da corretora Icap do Brasil. — O real está se desvalorizando mais do que as outras moedas porque o câmbio aqui estava represado por essa intervenção eleitoreira.

Abucater acrescentou que, com as últimas pesquisas mostrando novo impulso à candidatura da presidente Dilma Rousseff, os investidores acabaram correndo para o dólar por causa da aversão a risco — o mercado financeiro é, em sua maioria, crítico à política econômica atual e costuma reagir com mau humor a notícias favoráveis à reeleição.

A divisa acelerou a alta depois de piora no humor de Wall Street, com o crescente temor de que Rússia passe a confiscar ativos estrangeiros naquele país. A medida foi proposta por membro do partido que governa a Rússia, em resposta a congelamento de propriedades na Itália pertencentes a amigo de infância do presidente Vladimir Putin. A notícia aumentou a versão a risco nos mercados e, como o dólar é considerado um porto seguro, os investidores buscam refúgio na moeda.

DÓLAR DEVE SEGUIR SUBINDO

Hoje, pelo seguindo dia seguido, o BC injetou quase U$$ 750 milhões no mercado com a rolagem de 15 mil contratos de swap cambial — que equivale à venda de dólar no mercado futuro — com vencimento em 1º de outubro. Na prática, é uma operação que inunda o mercado com dólares, elevando a oferta para reduzir seu preço. Até segunda-feira, a rolagem diária vinha sendo de apenas US$ 300 milhões. Além disso, o BC ofereceu mais US$ 198,2 milhões em novos contratos de swap.

— Acredito que o BC não vai além dessas medidas na intervenção. Estamos a poucos dias das eleições, e uma interferência mais firme geraria críticas de que o BC abandonou a política de câmbio flutuante. Isso traria prejuízos eleitorais — comentou Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio corretora Treviso.

Segundo economistas, a tendência é que o dólar se valorize ainda mais até o fim do ano. Na avaliação de Adriana Dupita, economista do Santander, o dólar deve encerrar 2014 valendo R$ 2,55. Para Abucater, dificilmente ficará abaixo de R$ 2,50. Já Galhardo está apostando em algo entre R$ 2,40 e R$ 2,45.

— O real precisa passar por uma desvalorização. O problema de competitividade de nossas empresas acaba gerando um déficit em transações correntes que demanda muitos dólares para ser coberto. Com a elevação dos juros pelo Fed, a disponibilidade de recursos para financiar esse déficit será reduzida. Essa nova conjuntura de oferta e demanda acaba valorizando o dólar — explicou a economista do Santander.

MINÉRIO DE FERRO CAI AO MENOR NÍVEL DESDE 2009

Na Bolsa, pesaram rumores que que as próximas pesquisas eleitorais mostraram maior fôlego da presidente Dilma. As ações da Petrobras, as mais sensíveis ao clima eleitoral, caíram 1,41% (ON, R$ 18,82) e 1,93% (PN, R$ 19,84). O Banco do Brasil registrou queda bem maior que o restante dos bancos, recuando 3,60% (R$ 28,92). Executivos do banco temem que o Fundos Soberano do Brasil despeje no mercado mais de R$ 3,5 bilhões de ações do banco no mercado com o objetivo de ajudar a tapar as contas do governo este ano. O banco tenta convencer o governo de que isso precipitaria um derretimento instantâneo dos papéis do BB na Bolsa.

As ações da Vale abriram em forte queda, mas fecharam com recuo de 1,05% (ordinária, com direito a voto; R$ 27,35) e 0,61% (preferencial, sem voto, R$ 24,25). A mineradora vem sofrendo continuamente com a queda do preço do minério de ferro, seu principal produto, no mercado internacional. Hoje, a cotação do minério caiu ao seu menor nível em mais de cinco anos, com a tonelada custando US$ 78,60.

Em entrevista a agências de notícias na China, o diretor de marketing da Vale, Cláudio Alves, disse estar confiante de que a importação de minério pela China em 2015 vai aumentar ainda mais em relação ao recorde de 900 milhões de toneladas este ano. A desaceleração da economia chinesa é a principal responsável pelo barateamento do produto, já que os chineses são seus principais consumidores.

Tem influencia no cenário brasileiro a taxa de desemprego, que ficou praticamente estável em agosto, em 5%, nas seis principais regiões metropolitanas do país, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) divulgada nesta quinta-feira pelo IBGE. É a menor taxa para meses de agosto da série histórica, iniciada em março de 2002. Mas analistas esperavam número levemente menor, de 4,9%.

WALL STREET EM QUEDA COM JUROS, Rússia E IPHONE

Em Wall Street, as ações também caíram, com investidores especulando que dados melhores sobre o emprego faça o Fed elevar os juros antes do previsto, com o temor dos confiscos na Rússia e com o tombo das ações da Apple motivado por problemas no seu novo iPhone. A tendência se fortaleceu após a divulgação dos pedidos de seguro-desemprego, que somaram 293 mil na semana anterior, em vez dos 296 mil esperados por economistas. O índice Dow Jones caiu 1,54%, enquanto o S&P 500 teve recuo de 1,62%. O Nasdaq teve baixa de 1,94%.

oglobo.globo.com | 25-09-2014

RIO - Relatório divulgado nesta segunda-feira (22) pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) informa que os países que integram o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) colocaram a educação e a capacitação no centro de suas estratégias de desenvolvimento e têm impulsionado o progresso mundial na educação. O documento registra que os cinco países fizeram investimentos maciços em todos os níveis educacionais na busca de atender às necessidades de suas economias emergentes. Juntos, os integrantes do Brics ofertam educação para cerca de 40% da população mundial, segundo o relatório.

A publicação Brics: Construir a Educação para o Futuro buscou identificar os sucessos e desafios enfrentados pela educação nesses países e recomenda uma colaboração mais efetivas entre as cinco economias do bloco para acelerar o progresso na educação.

Apesar de reconhecer os avanços, o relatório indica que para alcançar o crescimento econômico equitativo e o desenvolvimento sustentável é preciso mais investimento na educação, com prioridade para a educação básica, superior e o desenvolvimento de habilidades. Alerta também para as disparidades entre as escolas que fazem com que as crianças mais pobres sofram mais com a baixa qualidade educacional.

Na educação básica, o relatório diz que Brasil, China, Índia e África do Sul devem alcançar a educação primária e secundária universal, reduzir as desigualdades na oferta e aumentar o rendimento escolar. “Os países também devem colocar maior ênfase na expansão de programas de boa qualidade em cuidados e educação na primeira infância”, registra.

Em relação a educação superior, aponta que a demanda por esse nível de ensino tem aumentado e os países do Brics devem expandir a oferta de educação superior e construir centros de excelência mundial em ensino e pesquisa.

Quanto ao desenvolvimento de habilidades, o relatório recomenda que sejam criados sistemas de desenvolvimento de habilidades complexas para que os países diversifiquem suas bases econômicas. Recomenda ainda a expansão e modernização da trajetória técnica e profissional do ensino secundário e superior e a expansão dos programas de formação que têm como alvos jovens e adultos carentes.

O relatório cita como positivas algumas iniciativas brasileiras e, entre elas o Plano Nacional de Educação, que estabelece objetivos de aprendizagem explícitos a médio e longo prazo, e diz que o país tem planos ambiciosos para desenvolver a formação técnica e educação profissional e tecnológica. Cita ainda como positivo o sistema de cotas para estudantes de escolas públicas nas universidades federais e a decisão do governo de destinar 75% dos royalties do petróleo para a educação.

Entre as sugestões de cooperação entre os países do Brics para aprimorar os avanços na educação estão a união de forças para melhorar a qualidade dos dados educacionais; o compartilhamento de experiências na criação e implementação de avaliações nacionais de desempenho de estudantes e gerenciar a rápida expansão do ensino superior.

oglobo.globo.com | 24-09-2014
Obama. Ao ganhar o Prêmio Nobel da Paz em 2009, presidente americano defendeu “um esforço para impedir a proliferação das armas nucleares e a busca por um mundo livre delas” - Jacquelyn Martin / AP

WASHINGTON — O presidente Barack Obama embarcou num amplo programa de revitalização do arsenal nuclear dos EUA que pode gerar gastos de até US$ 1 trilhão nos próximos 30 anos, segundo o jornal “The New York Times” — um legado contraditório para quem ao ganhar o Prêmio Nobel da Paz em 2009 defendeu “um esforço para impedir a proliferação das armas nucleares e a busca por um mundo livre delas”. Nunca se investiu tanto em armas nucleares nos EUA quanto neste ano, segundo o Centro James Martin para Estudos da Não proliferação.

Embora o arsenal de armas esteja diminuindo quantitativamente, as propostas do governo Obama visam a uma completa renovação dessas armas e das instalações militares onde elas são pesquisadas, produzidas, testadas e armazenadas. Segundo o “New York Times”, Obama indicou ao Pentágono que se prepare para um plano englobando 12 novos submarinos, cem bombardeiros e 400 mísseis, sejam eles novos ou reformados. Oito fábricas e laboratórios de desenvolvimento e produção de ogivas nucleares, empregando mais de 40 mil pessoas, já estão sendo modernizados. Os gastos da fabricação do arsenal, se aprovados, atingiriam seu ápice entre 2024 e 2029. E os custos totais da empreitada nuclear devem variar de US$ 900 bilhões a US$ 1,1 trilhão ao longo de três décadas. Os números são de um relatório do Centro James Martin, que avalia: “Somente agora os responsáveis pelas decisões começam a se dar conta do escopo desses custos”.

A ideia original do pacifista Obama era que uma renovação modesta do complexo nuclear aceleraria a reforma de armamentos, aumentaria a confiança no arsenal e abriria caminho para novos tratados que reduziriam significativamente o número de ogivas, diz o “New York Times”.

ACORDO COM RUSSOS E REPUBLICANOS

O presidente fez movimentos nessa direção. Um deles foi a assinatura do Novo Start, um acordo de redução das armas nucleares, com o então presidente russo, Dmitri Medvedev. O tratado restaurou inspeções e propôs reduções mútuas para 1.550 ogivas nucleares armadas, até 2018. O acordo foi considerado pouco ambicioso, porque o arsenal da Rússia já estava declinando e os EUA o alcançariam facilmente, já que possuíam cerca de 1.720. Mesmo assim, o acordo com os russos foi aprovado em 2010 no Congresso. E, para conseguir apoio, Obama fez um acordo com os republicanos e estabeleceu uma agenda nuclear pelas próximas décadas, prevendo a ampla renovação do arsenal do país.

O governo Obama está agora envolvido numa extensa renovação atômica e obtendo em troca apenas uma pequena redução de armas nucleares. Já são 21 grandes reformas nucleares aprovadas e 36 propostas, segundo o Escritório de Controladoria do Governo. Os defensores do controle de armas, bem como conselheiros mais próximos de Obama, se dizem decepcionados com o presidente, destaca o “New York Times”. O governo alega que a renovação é necessária para melhorar a eficácia do arsenal nuclear do país e continuar permitindo cortes em seu tamanho. Além disso, o arsenal dos EUA inibiria os aliados do país de buscarem armas atômicas, pois teriam a proteção americana caso fossem atacados.

NOVA CHANCE PARA O LEGADO

Mas não são só os pacifistas e favoráveis ao desarmamento nuclear completo que estão preocupados, aponta o jornal: relatórios do próprio governo indicam que o dinheiro do contribuinte americano está sendo mal gerenciado pelo empurrão nuclear modernizador de Obama. Um desses relatórios afirma que os gestores do complexo atômico americano omitem e subestimam os custos em bilhões de dólares, deixando o plano “com menos dinheiro do que será necessário”.

Esta expansão vem de um presidente que liderou campanha para um mundo livre de armas nucleares e fez do desarmamento um dos principais objetivos de sua política de defesa. Em 2009, Obama fez um de seus mais marcantes discursos, em Praga, na República Tcheca, em que vislumbrava um mundo sem armas nucleares.

— A barganha básica é clara: países com armas nucleares irão caminhar para o desarmamento, países sem armas nucleares não vão adquiri-las, e todos os países terão acesso à energia nuclear pacífica — disse Obama na época.

No mês passado, a Casa Branca afirmou que estava revendo planos de expansão nos investimentos nucleares, se antecipando à discussão sobre o Orçamento de 2016 que será feita no próximo ano.

— Este será o Orçamento do legado de Obama. É sua última chance para fazer as escolhas difíceis e prioritárias — disse uma autoridade do governo, sob anonimato.

Mas, analistas ouvidos pelo “New York Times” afirmam que as crescentes tensões dos EUA com a Rússia e a China, além do crescimento do arsenal do Paquistão, fazem com que um legado de desarmamento de Obama seja cada vez menos provável.

— É difícil de explicar — diz o ex-senador Sam Nunn, que influenciou o discurso desarmamentista de Obama. — A visão do presidente foi uma mudança significativa de direção. Mas o processo preservou o status quo.

oglobo.globo.com | 23-09-2014

CAIRNS - Líderes financeiros do G20 continuam empenhados em perseguir o crescimento global mais elevado, mas estão divididos sobre como alcançá-lo, com a Alemanha contrária aos pedidos dos Estados Unidos e de outros para mais estímulo imediatos.

Ao abrir um encontro de ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais das principais economias do mundo neste sábado, o ministro do Tesouro da Austrália, Joe Hockey, delineou uma ambiciosa agenda para impulsionar o crescimento global, deixar o sistema bancário mundial à prova de fogo e fechar brechas fiscais para grandes multinacionais.

"Temos a oportunidade de mudar o destino da economia global", disse Hockey, que em fevereiro lançou uma campanha para adicionar 2 pontos percentuais para o crescimento mundial em 2018 como parte da presidência da Austrália do G20.

Tal meta tem parecido cada vez mais distante, com membros da China ao Japão, Alemanha e Rússia tendo falhado nos últimos meses. Ainda essa semana, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduziu suas previsões de crescimento para a maioria das principais economias.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jack Lew, pediu para a zona euro e o Japão fazerem mais para incrementar a demanda e revitalizar a atividade, sinalizando que a Alemanha tem escopo para fazer muito mais, graças ao seu superávit comercial crescente.

Berlim não ficou feliz.

"Nós não vamos concordar com estímulos míopes", disse um representante alemão no G20, argumentando que na maioria dos países a dívida ainda era demasiadamente elevada para permitir o aumento dos gastos.

ZONA DO EURO

A Alemanha tem estado sob intensa pressão para permitir que a zona do euro alivie a austeridade fiscal para impulsionar sua economia por meio de mais gastos do governo ou cortes de impostos.

Mais de 900 propostas individuais de crescimento foram submetidas e analisados ​​pelas autoridades, disse o ministro das Finanças canadense, Joe Oliver, o co-chefe de um grupo de trabalho do G20 sobre o crescimento.

"Acreditamos que essas ações no total - e se implementadas, e que é fundamental - viriam muito perto de 2 por cento", disse ele à Reuters.

O ministro das Finanças francês Michel Sapin estava certamente colocar ênfase no estímulo de curto prazo.

"Eu quero repetir e repetir que a preocupação imediata com o curto prazo é muito evidenciada", disse, afirmando que era a sua mensagem aos seus colegas do G20.

"A preocupação imediata é realmente recuperar o crescimento, enquanto o crescimento global em 2014 ainda está deprimido."

oglobo.globo.com | 21-09-2014

RIO - Em busca de piedade. E tarde demais. Esta é a principal leitura de acionistas minoritários do grupo X sobre as primeiras declarações de Eike Batista após um ano de silêncio. O empresário afirmou ter hoje patrimônio líquido negativo de US$ 1 bilhão e reforçou que nunca ludibriou investidores. Ele ressaltou ainda que trabalha para a recuperação das companhias.

- Em nenhum momento, depois de um ano, Eike Batista fala em garantias a credores e minoritários - diz Aurélio Valporto, do conselho da Associação Nacional de Proteção aos Acionistas Minoritários.

Para o economista, Eike pareceu estar em busca de piedade da opinião pública, ao insistir na riqueza incontestável por trás dos projetos das empresas do grupo, afirmando que a derrocada foi puxada por uma fatalidade ocorrida na OGX (hoje OGPar, em recuperação judicial), a petroleira do grupo.

- Ele insiste que o mercado de petróleo, e também o de ações, é de alto risco. Ninguém está reclamando de prejuízo no mercado, mas de roubo. Perder no mercado é parte do jogo. Ser roubado, não - afirma.

Para o advogado Márcio Lobo, minoritário da OGX, Eike Batista decidiu falar tarde demais.

- Dizer que contratou mal e que, agora, botou todo o seu patrimônio nas mãos de credores não o isenta de responsabilidade. Sofrer as consequências dos próprios erros não o isenta de ter que ressarcir as pessoas e as empresas que lesou - argumenta.

Lobo representa grupos de acionistas que preparam novas ações contra o empresário. Eles já têm outras tramitando na Justiça. O advogado defende ainda que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM, xerife do mercado financeiro) é corresponsável pela proporção da crise nos negócios do grupo X.

- Eike diz que houve crise de confiança. Mas a verdade é que foi tudo uma aventura. O mercado não identificou que ele era um sonhador.

O advogado de Eike Batista, Sérgio Bermudes, afirma que o empresário não ignora a situação de minoritários e credores. E procura reparar prejuízos.

- Ele nunca negou a importância dos investidores e não disse que vai deixar de pagar - afirmou.

Eike segue acreditando em seus projetos. Ao GLOBO, afirmou estar certo de que a gestão da OGX não poderia ter sido diferente. Fez poucas ressalvas: "Deveria ter vendido participações, fechado o capital das companhias e ficado no mercado de private equity. É dinheiro privado que tem mais prazo, em que você aguenta o tranco numa queda gigante e tem chance de recuperar", disse o empresário.

Na defesa que apresenta, Eike chama atenção para o Porto do Açu, empreendimento sob o chapéu da Prumo (antiga LLX, de logística), em São João da Barra, no Norte Fluminense. Ele o classifica como o projeto com maior potencial para atrair investidores e gerar resultado para o grupo.

Outro destaque é o avanço do fundo Mubadala - um dos principais credores de Eike Batista, junto com os bancos Bradesco e Itaú - em participações em companhias do empresário. Trata-se de um processo de reestruturação do investimento do fundo nas empresas do grupo X.

O Mubadala Development Co é um fundo soberano de Abu Dhabi. Estabelecido em 2002, seus ativos financeiros somam US$ 223,8 bilhões, com uma carteira declarada de investimentos em 72 empresas dos mais diversos setores, segundo o serviço de informações financeiras da Bloomberg. Do total, 36 das companhias nas quais investiu estão baseadas nos Emirados Árabes, nove nos EUA e quatro na Rússia.

O fundo é presidido por Mohamed Bin Zayed al Nahyan, príncipe e vice-comandante supremo das Forças Armadas dos Emirados Árabes Unidos. O diretor executivo Khaldoon Khalifa al Mubarak é um empresário educado nos EUA, que acumula a presidência do time de futebol inglês Manchester City - comprado em 2008 pelo fundo de private equity Abu Dhabi United Group, também ligado à família real.

O mais novo ativo a chegar às mãos do parceiro árabe é a IMX. A empresa é uma joint-venture na área de esportes e entretenimento com a gigante estrangeira IMG. A IMX é sócia do Rock in Rio e do Cirque du Soleil na América do Sul, além de gerir arenas como o Maracanã.

Em outra frente de investimento, a AUX, empresa de mineração de ouro que detém direitos minerários na Colômbia, passou para o Mubadala e, este mês, foi vendida pelo fundo para um grupo de empresários do Qatar, por cerca de US$ 400 milhões, segundo Bermudes.

No início do mês passado, a MMX, mineradora do grupo, anunciou uma transferência de 10,52% de ações da empresa em nome de Eike para a Mubadala. Outra fatia do empresário na Prumo, de 10,44%, também ficará nas mãos do fundo.

O Mubadala e a trading Trafigura fizeram aporte de US$ 400 milhões no Porto do Sudeste, projeto da MMX, em Itaguaí. Com a operação, adquiriram 65% do negócio fechado em fevereiro.

oglobo.globo.com | 19-09-2014
As sanções adotadas pelo Ocidente contra a Rússia estão afetando a economia do país, reconheceu nesta quinta-feira o primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev.
atarde.uol.com.br | 18-09-2014
Produção no pré-sal já ultrapassa os 550 mil barris diários - / Divulgação/28-02-2014

RIO - A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, anunciou nesta quinta-feira, que de 2014 até 2018 serão investidos cerca de US$ 200 bilhões no desenvolvimento das reservas potencialmente estimadas existente no pré-sal que são da ordem de 40 bilhões de barris.

Na palestra de encerramento da Rio Oil & Gas, no Riocentro, Graça Foster fez uma apresentação eminentemente técnica falando dos resultados alcançados nos últimos pela petrobras e indústria nacional. Ela não mencionou em nenhum momento a atual onda de escândalos que atingem a estatal, e nem os empresários presentes, que contudo demonstraram seu apoio à executiva, com muitos aplausos e efusivos cumprimentos.

– Temos 40 bilhões de barris de óleo olhando para nós. Os recursos são conhecidos e impressionantemente altos – destacou Graça ao afirmar que essa estimativa de investimentos incluiem a Petrobras e seus parceiros.

O potencial de volume recuperável de petróleo a ser produzido no Brasil é da ordem de 106 bilhões de barris, segundo informou, nesta quinta-feira, o presidente da PPSA, estatal que vai gerir os contratos de Partilha no pré-sal, Oswaldo Pedrosa. Segundo ele, esse volume representa 88% do total de recursos recuperáveis, incluindo o potencial de reservas e volume já produzidos no total de 120 bilhões de barris.

Pedrosa destacou que esse é o maior índice entre alguns principais produtores, o que mostra o grande potencial de desenvolvimento da indústria petrolífera no país. Segundo ele, na Arábia Saudita, o potencial de reservas para produção é da ordem de 75%, enquanto que esse percentual nos Estados Unidos é de 50% e na Rússia, de 65%.

— Esse é um indicador de atratividade para a indústria petrolífera em qualquer lugar do mundo — destacou Pedrosa que participou nesta quinta-feira de almoço-palestra na Rio Oil & Gas, no Riocentro.

Segundo o executivo, o Brasil é reconhecido como líder mundial de descobertas de petróleo nos últimos dez anos, o que é um sinal claro da atratividade do pré-sal para o desenvolvimento do setor petrolíero a nível mundial.

Pedrosa disse que a produção no pré-sal no Brasil já supera os 550 mil barris diários. Ele lembrou que somente nos blocos que estão com a Petrobras no contrato de cessão onerosa e do excedente da cessão onerosa, as os números podem chegar a 27 bilhões de barris.

oglobo.globo.com | 18-09-2014
O autor do estudo, Saumil Parikh, previa taxas de expansão de 3% a 5% - Bloomberg/17-2-2011 / Jonathan Alcorn

SÃO PAULO - A gestora americana de recursos Pimco, uma das maiores do mundo, cortou suas projeções de crescimento para os países emergentes. No grupo composto por Brasil, Rússia, Índia e México - apelidado de BRIM - a expectativa é de uma expansão média da atividade econômica de 2% em 2015, abaixo da faixa de 3% a 5% registrada em anos anteriores.

Uma das razões para essa desaceleração é a dependência das economias emergentes em relação à China, cuja previsão de crescimento é de 6,5% para o ano que vem, ante os 7,5% que devem ser registrados em 2014.

Para Saumil Parikh, diretor da Pimco, as economias em desenvolvimento possuem uma forte vinculação com o que acontece no gigante asiático.

"Enquanto o México e a Índia estão menos vinculados à China e, recentemente, ambos mostram sinais de aceleração após mudanças políticas estruturais necessárias para o crescimento, o Brasil e a Rússia vão continuar a olhar para a China para atender à demanda externa", afirmou, em relatório.

O especialista lembra ainda que o grupo dos países do BRIM estão lutando para implementar certar políticas que possam ajudar a superar os obstáculos ao crescimento. Na avaliação de Parikh, a demanda externa para os países em desenvolvimento será afetada por uma economia americana mais competitiva e um baixo crescimento na zona do euro. No entanto, o principal problema para essas economias foi a opção tomada no período após a crise de 2008, uma vez que em que não se privilegiou as reformas estruturais.

"A parte mais importante do problema é que os países em desenvolvimento desperdiçaram o período pós-crise ao focarem mais em mudanças de políticas cíclicas em oposição a mudanças estruturais", disse.

Ainda de acordo com as perspectivas da gestora, a economia americana poderá atingir um crescimento entre 2,5% e 3% no próximo ano, com a contribuição da política monetária. No caso da zona do Europa, a expectativa é de um crescimento de 1%. A Pimco possui quase US$ 2 trilhões em ativos sob sua administração.

oglobo.globo.com | 17-09-2014

FLÓRIDA – A NASA anunciou nesta terça-feira o retorno das missões americanas no envio de astronautas ao espaço, mas agora com a ajuda de empresas privadas. A tradicional Boeing e a novata SpaceX vão dividir a responsabilidade em contratos que somam US$ 6,8 bilhões para a construção de aeronaves que servirão de veículo de transporte para a Estação Espacial Internacional, com os primeiros voos previstos para 2017.

“Hoje, com a escolha da Boeing e da SpaceX para serem as primeiras companhias americanas a lançar nossos astronautas para a Estação Espacial Internacional, a NASA monta o palco para o que promete ser o capítulo mais ambicioso e emocionante na história da exploração espacial”, diz a agência americana, em comunicado.

A Boeing ficou com a maior parte do contrato: US$ 4,2 bilhões para a espaçonave CST-100. Já a SpaceX (Space Exploration Technologies, fundada há pouco mais de dez anos pelo bilionário Elon Musk) terá US$ 2,6 bilhões para desenvolver a aeronave Dragon. Os lançamentos serão realizados no Kennedy Space Center, no complexo de Cabo Canaveral, na Flórida.

O anúncio põe fim à dependência americana em relação aos foguetes russos no lançamento de astronautas ao espaço. Desde julho de 2011, quando o ônibus espacial Atlantis retornou de sua última missão, que os EUA não lançam astronautas a partir do solo americano. Atualmente, a NASA paga US$ 70 milhões por pessoa para pegar carona nas cápsulas russas Soyuz.

URGÊNCIA POR CAUSA DA CRISE NA UCRÂNIA

Segundo a agência Reuters, o contrato ganhou urgência nos últimos meses por causa da escalada das tensões com a Rússia envolvendo a Ucrânia. Desde a aposentadoria dos ônibus espaciais a Rússia detém o monopólio do envio de astronautas para a Estação Espacial Internacional. A China, único país além de EUA e Rússia capaz de enviar homens ao espaço, não faz parte do consórcio de 15 países que mantem a estação.

Para solucionar o problema da falta de voos partindo de solo americano, a NASA criou em 2010 o Commercial Crew Program. Desde então, cerca de US$ 1,5 bilhão foram investidos em empresas privadas para o desenvolvimento de espaçonaves capazes de transportar, com segurança, astranautas ao espaço.

A CST-100 da Boeing faz parte do programa e já recebeu mais de US$ 100 milhões de investimentos da agência americana. A espaçonave vai acomodar até sete passageiros, ou uma combinação de carga e pessoas. Em 2012, a Dragon, da SpaceX, foi a primeira nave privada a entregar carga na Estação Espacial Internacional. Segundo a empresa, ela será adaptada para transportar pessoas.

oglobo.globo.com | 16-09-2014
Sergey Lavrov. Ministro russo das Relações Exteriores afirmou que Estados Unidos querem cortar laços econômicos da Europa com a Rússia, e declarou que a União Europeia está disposta a "sacrificar economia por política" - Ivan Sekretarev / AP

MOSCOU — O ministro russo da Relações Exteriores, Sergey Lavrov, acusou os Estados Unidos de quererem “cortar os laços econômicos” entre Moscou e a União Europeia, para obrigar os países do bloco a comprarem seu gás natural.

— Os Estados Unidos querem aproveitar a situação atual para cortar os laços econômico entre Europa e Rússia, para impor seu gás, muito mais caro, à Europa — afirmou Lavrov neste sábado, um dia após a entrada em vigor de novas sanções europeias contra a Rússia por sua participação no conflito no Leste da Ucrânia.

Segundo Lavrov, Washington quer “garantir as condições mais favoráveis de negociações para a criação de um acordo comercial transatlântico”, e “tenta impor à Europa o envio de gás liquefeito americano a preços que não podem competir com o gás russo”.

O ministro acusou também a União Europeia, afirmando que o bloco “está disposto a sacrificar sua economia pela política”, e destacou que Bruxelas decidiu preparar uma nova leva de sanções econômicas contra a Rússia no dia 5 de setembro, mesmo dia em que foi assinado um acordo de cessar-fogo para o Leste da Ucrânia, “graças, principalmente, à iniciativa do presidente russo, Vladimir Putin”.

oglobo.globo.com | 13-09-2014

O presidente Vladimir Putin até parece estar certo quando considera “um pouco estranho” que os EUA e a União Europeia ampliem as sanções econômicas à Rússia, como fizeram ontem, justo quando o cessar-fogo na Ucrânia completa uma semana. Mas apenas parece. As sanções se referem ao fato de Moscou dizer uma coisa e fazer outra, ou seja, continuar apoiando com tropas os separatistas que, a seu mando, combatem as forças ucranianas. O objetivo é forçar uma situação de fato em que a Ucrânia perca, ou tenha muito reduzida, a soberania sobre o Leste do país, a área mais industrializada do país. Putin chama a região de “Nova Rússia”, mantendo um expansionismo extemporâneo e perigoso para a Europa.

Os combates no Leste da Ucrânia, iniciados em abril após a anexação da Crimeia pela Rússia, já causaram a morte de pelo menos três mil pessoas, incluindo 298 passageiros de um jato comercial malaio abatido por engano. Forças russas, descaracterizadas, avançaram e tomaram importantes cidades da região, como Donetsk e Luhansk. Tropas ucranianas conseguiram reconquistar algumas áreas, em luta renhida. A situação na região é grave. Ontem, o Programa Mundial de Alimentos, da ONU, que costuma atuar na África, anunciou que começou a distribuir comida em abrigos de refugiados na área, algo impensável num país que, na era soviética, era considerado o celeiro da URSS.

A aproximação do Ocidente e a queda de um governo pró-Moscou em Kiev enfureceram Putin. Desde então, ele e seu governo mentem sem ruborizar quando insistem que o problema na Ucrânia é entre Kiev e os separatistas do Leste (a soldo de Moscou), e que a Rússia não fornece tropas ou armas aos chamados “rebeldes”. Mas a Otan informou que a Rússia ainda tem cerca de mil soldados fortemente armados no Leste ucraniano.

O Kremlin teve ontem uma vitória na luta para manter o país vizinho em sua órbita. Reunidos em Bruxelas, representantes da UE, da Ucrânia e da Rússia concordaram que o acordo comercial firmado entre os dois primeiros só começará a ser implementado em 2016. Kiev aposta numa nova relação comercial com a UE para tirar a economia ucraniana do poço em que se encontra. Mas terá de esperar. O presidente Petro Poroshenko, feliz pela primeira semana sem combates (e mortes) no país em vários meses, afirmou que o cessar-fogo parece estar se tornando mais sólido a cada dia. Evitou criticar Moscou e reiterou que deseja uma saída pacífica para a crise.

Agem certo os EUA e a UE ao expandir as sanções à Rússia. A crise ucraniana joga luz no caráter nada confiável do “czar” Putin. Limitar seu raio de ação e criar constrangimentos à economia russa parecem ser a única forma de fazê-lo engavetar seus sonhos expansionistas

oglobo.globo.com | 13-09-2014

BRASÍLIA - Os ministros de Finanças e presidentes de Bancos Centrais dos países do G-20 (grupo que reúne as 19 maiores economias do mundo e a União Europeia) se reunirão na próxima semana para discutir medidas que estimulem o crescimento global. Segundo técnicos do governo brasileiro, a ideia é que, juntas, essas ações adicionem 2 pontos percentuais ao Produto Interno Bruto (PIB) mundial nos próximos cinco anos. A reunião será realizada em Cairns, na Austrália, de 20 a 21 de setembro.

Segundo os técnicos da equipe econômica, cada país vai apresentar que medidas está adotando para ajudar a estimular a economia mundial. No caso do Brasil, os representantes do governo vão citar o programa de concessões na área de infraestrutura, o Pronatec, programa voltado para o aumento da qualificação da mão de obra no país, e incentivos para micro e pequenas empresas, como a reformação do Simples Nacional.

Representantes dos Brics na reunião do G-20 em 2013, na Rússia - Sergei Karpukhin / AP

O cálculo de quanto cada ação vai impactar o PIB mundial está sendo feito pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), pela Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômica (OCDE) e pelo Banco Mundial. Pelos cálculos do FMI, a economia global terá um crescimento de 3,4% em 2014 e de 4% em 2015.

Outro tema que deverá ser tratado no encontro será a situação da Argentina, que foi obrigada pela Justiça dos Estados Unidos a pagar imediatamente os credores que possuem bônus de sua dívida e que não aceitaram a proposta de reestruturação do país, conhecidos como fundos abutres. O governo argentino queria honrar primeiro o compromisso com os credores que aceitaram a reestruturação e que são maioria entre os detentores de bônus.

Segundo os técnicos do governo, o Brasil vai falar em favor da Argentina e lembrar que a decisão da Justiça americana pode acabar tendo impacto negativo sobre futuras reestruturações de dívidas de outros países:

_ O enfoque do Brasil será sobre o impacto sistêmico que os julgamentos que as cortes americanas têm sobre os contratos. Elas entendem que, se o país pagar a (dívida) renegociada, tem que pagar também a não renegociada. Mas quando um país quiser fazer isso (reestruturar sua dívida) no futuro, qual a disposição que os credores vão ter em renegociar se for vantajoso ficar com os títulos e não renegociar? _ explicou o técnico.

Outro tema que também será tratado na reunião do G-20 é a cooperação na área tributária. Os países do grupo assumiram um compromisso de fazer uma troca automática de informações para combater a sonegação fiscal e a lavagem de dinheiro. O problema é que cada lugar tem uma legislação específica que precisa ser adaptada para que isso seja colocado em prática. Assim, cada integrante do G-20 vai dizer quando terá condições de fazer a troca automática de informações. No caso do Brasil, a ideia é que tudo esteja pronto até 2018.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, não vão à reunião. Eles serão representados pelo secretário de Assuntos Internacionais da Fazenda, Carlos Cozendey, e pelo diretor de Assuntos Internacionais do BC, Luiz Awazu.

oglobo.globo.com | 12-09-2014

Com uma economia muito diversificada, a Federação Russa possui importantes recursos naturais e humanos, que constituem forte potencial de desenvolvimento económico. O povo russo em geral, já a partir de meados da década de 1950, vivia bem melhor que os cidadãos de países capitalistas há muito orientados para o mercado, como o México, a Índia, o Brasil ou a Argentina. A taxa de analfabetismo era virtualmente zero, o ensino superior era muito bom e economicamente acessível; o desemprego quase não existia, a igualdade entre os géneros era uma das mais desenvolvidas do mundo, com as mulheres a chegar por vezes mais longe do que os homens nas suas carreiras, especialmente na ciência. Muitas famílias possuiam automóveis, TVs, gravadores de cassetes e podiam viajar de avião pelo menos uma vez por ano até às áreas balneares famosas do mar Negro. Mas a produção e distribuição de produtos de consumo (particularmente de vestuário e alimentos) era relativamente ineficiente e havia uma falta de habitação muito pronunciada em muitas das áreas urbanas, se bem que fossem raras situações de habitação precária ou insalubre. Contudo, desde a desintegração da União Soviética, em 1991, o caminho para a estabilização macroeconómica tem sido longo e difícil, A partir daquele ano, o país sofreu severa contracção económica ao longo dos cinco anos seguintes, enquanto o governo e o parlamento divergiam sobre a implementação das reformas. A base industrial do país foi seriamente atingida. O país tem passado por diversas crises, destacando-se a crise financeira de 1998, resultante fundamentalmente da crise financeira do Sudeste Asiático. Depois da dissolução da URSS, causada mais por razões étnicas do que económicas, a primeira recuperação russa, ainda ligeira mas já a mostrar os sinais da influência do mercado livre, ocorreu em 1997. Porém a crise financeira asiática daquele ano acabou por atingir a economia russa. Diante da significativa desvalorização do rublo, o governo Russo aumentou a taxa de juros, mas as medidas de política econômica fracassaram e a Rússia declarou uma moratória unilateral, gerando perdas a seus credores internos e externos. Assim, 1998 ficou marcado por ser o ano da crise financeira Russa, com intensa fuga de capitais e, na sequência, recessão. A economia começou a se recuperar em 1999, entrando numa fase de rápida expansão, com o PIB a crescer a uma taxa média de 6.8% por ano, entre 1999 e 2004, apoiado em preços mais altos no petróleo, num rublo mais fraco, e no aumento na produção de industrial e de serviços. Esta recuperação, a par de um renovado esforço governamental em 2000 e 2001 para fazer avançar as reformas estruturais, aumentou a confiança das empresas e dos investidores para a segunda década de transição. A Rússia permanece fortemente dependente de exportações de matérias-primas, em particular do petróleo, do gás natural, de metais e de madeira, que correspondem a mais de 80% do total das exportações, o que deixa o país vulnerável às oscilações dos preços do mercado mundial. Em anos recentes, no entanto, a economia também foi impulsionada pela crescente procura interna, que cresceu cerca de 12% ao ano entre 2000 e 2004, o que mostra o vigor do seu mercado interno. O PIB do país atingiu 535 bilhões de dólares em 2004, fazendo da economia russa a 16ª economia mundial, sendo que Moscou, concentra 30% da produção do país. Um dos maiores desafios dos formuladores da política econômica russa é o de encorajar o desenvolvimento de PMEs num ambiente empresarial dominado por oligarcas e dotado de um sistema bancário jovem e disfuncional. Muitos dos bancos russos pertencem a grandes empresários ou oligarcas, que usam frequentemente os depósitos para financiar os seus próprios negócios. O Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento e o Banco Mundial tentaram normalizar as práticas bancárias fazendo investimentos em acções ordinárias e na dívida, mas com um sucesso muito limitado. Outros problemas incluem um desenvolvimento económico desigual entre as regiões do país. Enquanto que a região de Moscovo, com a sua imensa população de 20 milhões de habitantes, é uma metrópole moderna, com setores de tecnologia de ponta e renda per capita próxima à das economias mais fortes da eurozona, o resto do país, em especial as comunidades indígenas e rurais da Ásia, vive como vivia no fim da Idade Média. A integração ao mercado também se faz sentir noutras cidades grandes como São Petersburgo, Kaliningrad e Ekaterinburg. Estimular o investimento estrangeiro é também um grande desafio. Até agora, o país tem se beneficiado do aumento nos preços de petróleo e tem sido capaz de pagar uma boa parte da sua dívida externa, que era gigantesca. O reinvestimento dos lucros obtidos pela exploração de recursos naturais em outros sectores da economia também é um problema. Em 2003, a prisão de Mikhail Khodorkovski, um dos oligarcas russos e, à época, o mais rico empresário do país, sob a acusação de fraude, evasão fiscal e corrupção durante as grandes privatizações conduzidas no governo de Boris Yeltsin, gerou certa desconfiança entre os investidores estrangeiros. Muitas das grandes fortunas actuais, na Rússia, parecem ter resultado da aquisição de propriedades estatais a muito baixo preço ou da aquisição barata de concessões governamentais. Outros países manifestaram a sua preocupação com a aplicação "selectiva" da lei contra empresários individuais. Apesar de tudo, algumas grandes firmas internacionais têm grandes investimentos na Rússia. Um exemplo é a fabricante de bebidas Scottish & Newcastle, que descobriu que o mercado da cerveja na Rússia crescia muito mais rapidamente do que noutras áreas da Europa. Quase duas décadas após o colapso da União Soviética, em 1991, a Rússia continua a tentar estabelecer uma economia de mercado moderna e de fato tem conseguido altas taxas de crescimento económico. Ao longo da década de 2000, a economia russa registrou taxas de crescimento acima de 7% em 2000 (10%), 2001, 2002, 2003, 2004 e 2007 (8,1%). Em 2005 teve alta de 6,4 e, em 2006, de 6,8%. Em 2008, a Rússia cresceu 6% e foi a 9ª economia do mundo. No entanto, diante da crise mundial e a queda dos preços do petróleo, as perspectivas para 2009 são mais sombrias. Em dezembro de 2008, a ministra da Economia, Elvira Nabiullina, previu 2,4% de crescimento do PIB para 2009, o índice mais baixo desde 1998 - o fatídico ano da moratória russa. A Rússia integra a área da APEC (Asia-Pacific Economic Cooperation), um bloco econômico que tem por objetivo transformar o Pacífico numa área de livre comércio e que engloba economias asiáticas, americanas e da Oceania.


De dbpedia, licença creative commons CC-BY-SA
w3architect.com | hosting p2pweb.net
afromix.org | afromix.info | mediaport.net | webremix.info