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Rússia Economia

Confesso que em 2011 e 2012 publiquei artigos no GLOBO manifestando desapontamento com a atuação de Barack Obama. A origem desse desencanto era a minha expectativa de que seu governo consistiria de sucessivos atos arrojados, dado o discurso reformista adotado durante a campanha de 2008. Imaginei também que o presidente enfrentaria incisivamente a oposição do Partido Republicano que, no Congresso, se transfigurou em obstrução sistemática.

Agora, ao fim de seu mandato, reconheço que fui demasiado rigoroso, influenciado pela atitude comedida por ele adotada e sua sobriedade na divulgação dos êxitos alcançados. Percebo que Obama entrará para a história não apenas como o primeiro presidente negro dos EUA, mas também como exemplo a ser seguido pelos futuros ocupantes da Casa Branca.

Primeiro, porque exerceu o poder de maneira elegante e confiável. Após os 16 anos da escassa credibilidade de George Bush e do controvertido comportamento pessoal de Bill Clinton, o desempenho de Obama revigorou a dignidade da Presidência.

Em segundo lugar, porque o saldo econômico e social de seu governo é positivo. Ao assumir, os EUA encontravam-se sob a maior recessão desde a década de 1930: o PIB retrocedeu em 2,8% em 2009, o desemprego oscilava em torno de 10%, e o déficit público equivalia a 13,2% do PIB. O setor privado e o cenário internacional padeciam de tal intranquilidade que ninguém ousava prever quando começaria a recuperação da atividade econômica.

Mediante políticas coerentes, o presidente americano encurtou o prazo de reativação da economia, embora ainda em ritmo moderado. A dosagem aplicada de estímulos ao aumento da produção e de prudência fiscal reverteram o quadro recessivo: a economia atingiu o crescimento de 2,6%, em 2015, e de 2,9% no terceiro trimestre de 2016 em comparação com igual período de 2015. O desemprego e o déficit público declinaram, em 2016, para 4,9% e 2,9% do PIB, respectivamente.

No campo social, a reforma do sistema público de seguro saúde proporcionou o acesso de 20 milhões de cidadãos de baixa renda aos seus benefícios. Por outro lado, Obama eliminou o abatimento no Imposto de Renda dos ricos, instituído por George Bush, assim como incentivou governos estaduais a elevarem os salários mínimos locais.

Por fim, em terceiro lugar, a política externa praticada merece ser classificada como correta. Num contexto onde a Rússia se deleita em confrontar os EUA, vários focos de violência radical se disseminam em países de Oriente Médio e África, o espaço mundial para negociações encolheu e as vitórias espetaculares em política internacional tornaram-se raras, os americanos conseguiram reduzir a presença militar no exterior e melhorar o relacionamento com alguns dos países tidos como adversários irreconciliáveis, tais como Cuba e Irã.

Hoje percebe-se que o estilo do presidente Obama de não alardear êxitos induziu grande parte da população a subestimá-lo. Porém, desde o início deste ano, sua popularidade decolou, decorrência da espontânea visibilidade dos frutos de iniciativas por ele empreendidas.

Marcello Averbug é economista

oglobo.globo.com | 06-12-2016

RESENDE E RIO - O programa nuclear brasileiro, que ganhou forma no fim dos anos 1960 com a construção da usina de Angra 1, vive nova polêmica, com a paralisação de sua única mina no sudoeste da Bahia, responsável pela exploração de todo o urânio consumido no país. A produção, que era de 400 toneladas anuais, se esgotou há dois anos. E, afetado pela crise política e econômica, o Brasil, embora dono da sexta maior reserva do mineral no mundo, segundo a estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), vem importando tudo o que consome de países como EUA, Alemanha, Holanda e Reino Unido. inb0412

O urânio é matéria-prima para a geração da energia nuclear. Outros países com grandes reservas são Austrália, Canadá e Rússia. No Brasil, a exploração desse mineral ocorre na mina de Caetité, na Bahia, a mais de 600 quilômetros de Salvador. O urânio, então, passa por um processo químico, gerando um pó amarelo (chamado de yellow cake), que posteriormente é enriquecido para gerar energia elétrica nas usinas nucleares.

lResponsável pela exploração e enriquecimento do urânio, a INB tenta buscar recursos para voltar a explorar o minério em novas minas na região de Caetité, o que depende de licenciamento ambiental. A mina a céu aberto tem potencial para produzir 240 toneladas de concentrado de urânio por ano.

A outra mina, subterrânea, pode produzir 400 toneladas anuais. Além disso, segundo a INB, haverá ampliação da unidade química, responsável por transformar o urânio em yellow cake, que já está em fase de projeto executivo. Ao todo, serão investimentos totais de R$ 531 milhões.

A energia nuclear no BrasilApesar de a INB não divulgar a quantidade de importação de urânio, dados da consultoria Barral M Jorge indicam que, em 2015, foram importados 168,1 toneladas de urânio natural (e seus compostos), bem maior que as 6,8 toneladas compradas do exterior em 2014. Neste ano, até outubro, foram adquiridas 33,8 toneladas.

— Nossa mina na Bahia, que produzia anualmente cerca de 400 toneladas por ano de concentrado de urânio, está parada há cerca de dois anos, já que houve esgotamento da mina. Tínhamos um estoque. Um dos focos da INB é retomar a capacidade de produção na Bahia — disse Giovani Moreira, diretor de Produção Nuclear.

FALTAM RECURSOS FINANCEIROS

Mas os desafios da INB vão além do licenciamento. Falta dinheiro, dizem fontes do setor. Por isso, o presidente da INB, João Carlos Derzi Tupinambá, eleito para o cargo no início deste ano, está na China em busca de recursos:

— A INB está em busca de parcerias.

Outro foco para aumentar a produção do combustível nuclear no Brasil é incentivar o avanço do enriquecimento de urânio no país, feito na fábrica da INB em Resende, no sul do Estado do Rio. Segundo Ezio Ribeiro, superintendente da estatal, o país enriquece somente 16% do que é consumido. Para reverter esse cenário, a estatal pretende investir US$ 510 milhões, mas depende do Tesouro Nacional.

— A primeira fase do projeto para elevar o enriquecimento já começou, com novas centrífugas. O importante é ter autonomia e ser autossuficiente — disse Ribeiro.

Para superar esse imbróglio, especialistas afirmam que o Brasil precisa de uma política industrial para o setor nuclear. Para o consultor técnico da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), Francisco Rondinelli, a importação ocorre devido à falta de investimentos em sua expansão, apesar de o Brasil dominar a tecnologia. Segundo ele, seria necessário investir R$ 5 bilhões para o país se tornar autossuficiente e até exportar.

— O Brasil domina a tecnologia de todas as etapas do ciclo do combustível, inclusive a mais estratégica, que é a do enriquecimento. É preciso definir uma política para o ciclo, que poderia contar com recursos do BNDES, para tornar o Brasil exportador de urânio enriquecido — destacou Rondinelli.

OBRAS DE ANGRA 3 PARADAS

Mas os planos da INB esbarram ainda na construção da usina nuclear de Angra 3, que teve suas obras paralisadas em 2015 após denúncias de superfaturamento. É com Angra 3 que a INB pretendia ampliar a fábrica de Resende.

A construção de Angra 3 se arrasta desde 1986. Em Resende, parte do equipamento de Angra 3 já está pronto. Em um local chamado de “açougue”, devido à semelhança com a disposição de produtos em um frigorífico, estão estocados 69 equipamentos (chamados de elemento combustível), que têm em seu interior varetas de quase quatro metros de altura com as pastilhas de urânio enriquecido. Só vão sair dali quando Angra 3 estiver pronta, após 2021, segundo previsões.

— Contamos com Angra 3. Esperamos uma solução desse problema a curto prazo. Sabemos que a Eletronuclear está se mexendo bastante na busca de uma solução — disse Tupinambá.

Antônio Muller, presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento das Atividades Nucleares (Abdan), defende que o país deveria investir para ter capacidade industrial de produção em todas as etapas do combustível nuclear:

— É um desperdício ter os insumos, tecnologia e instalações e estarmos importando o concentrado de urânio. Poderia se fazer parceria com o setor privado para minerar o urânio, por exemplo. E o país poderia até exportar esse produto.

* O repórter viajou a convite da INB

oglobo.globo.com | 04-12-2016

As bolsas de Nova York fecharam em alta nesta segunda-feira, 21, e atingiram novos recordes, impulsionadas por ações de empresas petrolíferas, uma vez que os preços do petróleo avançaram 4% em um otimismo renovado de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) chegará a um acordo para cortar a produção durante a reunião da semana que vem, no dia 30 de novembro.

O Dow Jones fechou com ganho de 0,47%, 18.956,69 pontos; o Nasdaq avançou 0,89%, aos 5.368,86 pontos; e o S&P 500 subiu 0,75%, aos 2.198,18 pontos. A última vez que os três principais índices atingiram recorde no mesmo dia foi em 15 de agosto.

O S&P foi puxado principalmente pelo setor de energia, cujas ações subiram 2%. No Dow Jones e no Nasdaq, o destaque foi para as ações da IBM e da Apple, que avançaram 1,50% e 1,54%, respectivamente.

As commodities em geral tiveram bom desempenho, ajudadas principalmente pelo dólar fraco. No caso do petróleo, que fechou com alta de mais de 4%, o combustível principal foi a expectativa com um acordo da Opep.

Os representantes da Opep fizeram progressos no sentido de reduzir as divisões sobre os cortes na produção de petróleo durante as reuniões desta segunda-feira, mas ainda não decidiram quanto cada um dos 14 países do cartel deverá reduzir, disseram os delegados.

"Estamos discutindo, mas não estamos discordando", disse Mohamed Oun, um representante líbio da Opep, o cartel que controla mais de um terço da produção mundial de petróleo. "As negociações em Viena estão indo bem", acrescentou.

Além disso, o ministro de Petróleo do Iraque disse que o país oferecerá novas propostas para cortar a produção na reunião da próxima semana.

Mais cedo, o petróleo já tinha se beneficiado depois que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que seu país está preparado para congelar a produção. As ações da ExxonMobil e da Chevron subiram 1,42% e 0,90%, nesta ordem. Já a Marathon Petroleum ganhou 8,9%, enquanto a Chesapeake Energy subiu 7,1%.

A segunda-feira foi fraca de indicadores econômicos. O único do dia, o índice de atividade nacional elaborado pelo Federal Reserve de Chicago, subiu de -0,23 em setembro (dado revisado, de -0,14 antes informado) para -0,08 em outubro. De acordo com a instituição, o crescimento econômico cresceu levemente em outubro.

No entanto, um dos destaques foi o vice-presidente do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), Stanley Fischer, que fez comentários sobre como a política fiscal pode ajudar a aumentar a produtividade e, por sua vez, reduzir o ônus do Fed em apoiar a economia.

"Certas políticas fiscais, particularmente aquelas que aumentam a produtividade, podem aumentar o potencial da economia e ajudar a enfrentar alguns de nossos desafios econômicos de longo prazo", disse Fischer.

As perspectivas de estímulo fiscal aumentaram acentuadamente desde 8 de novembro, quando o republicano Donald Trump surpreendeu o mundo ao vencer as eleições presidenciais nos EUA. Logo os investidores ajustaram suas posições e se moveram em grandes quantidades para setores que se beneficiariam com os gastos fiscais. Além disso, a perspectiva de menor regulação no mercado bancário impulsionou as empresas financeiras, que responderam por 73% dos ganhos do S&P nas duas últimas semanas. Cinco ações - Wells Fargo, Bank of America, JPMorgan Chase, Berkshire Hathaway e Citigroup - representaram mais de um terço dos ganhos do índice geral durante esse período. (Com informações da Dow Jones Newswires)

Grande parte do mundo ficou chocada e assustada com o sucesso eleitoral de Donald Trump, mas há aqueles que se deleitaram. “Foi uma vitória para as forças que se opõem à globalização, estão lutando contra a migração ilegal e são a favor de Estados étnicos limpos”, declarou um porta-voz do Aurora Dourada, o partido de extrema-direita da Grécia, muitas vezes caracterizado como neonazista.

Trump - Gabinete - 19.11

Viktor Orbán, o primeiro-ministro húngaro que afirmou querer construir um “Estado iliberal” em seu país, chamou o resultado de “uma grande notícia”. O vice-líder da Frente Nacional, legenda de direita da França historicamente considerada ultranacionalista e antissemita, também ficou exultante.

Ninguém pode ser julgado por aqueles que aprovam suas ações, mas vale a pena tentar entender o que os admiradores de Trump estão comemorando. Em alguns casos, seu apelo é que ele está contra o politicamente correto. Beppe Grillo, o ex-comediante que agora lidera o Movimento Cinco Estrelas, na Itália, observou que, como Trump, seu partido tinha sido rotulado de sexista e populista, mas que as pessoas não se importavam com isso.

Para outros, é o sentimento de parentesco entre homens fortes que não se preocupam com direitos humanos. O ditador sírio Bashar al-Assad chamou Trump de “aliado natural”. Rodrigo Duterte, líder autoritário das Filipinas, disse: “Nós dois somos iguais”. Robert Mugabe, no poder no Zimbábue por 36 anos, se mostrou esperançoso e teria descrito Trump como “um amigo”.

O que unifica os admiradores internacionais de Trump é a ideia de que a ordem global existente é podre e deve ser demolida. Todos os partidos europeus que aplaudem sua vitória buscam a destruição da União Europeia e, de forma mais geral, da comunidade ocidental fortemente unida centrada em valores e interesses partilhados. Eles são quase todos pró-russos porque veem na Rússia de Vladimir Putin um país que busca ativamente minar o atual sistema internacional.

Onda nacionalista ganha força na Europa

Muitos destes grupos têm o apoio secreto ou explícito da Rússia e se beneficiam da guerra cibernética do Kremlin. “Todos precisamos usar (a eleição de Trump) para remodelar o relacionamento transatlântico e acabar com os grandes conflitos na Ucrânia e na Síria, juntamente com a Rússia”, disse a alemã Frauke Petry, líder do partido ultranacionalista Alternativa para a Alemanha.

Mas o que é esse globalismo ao qual essas pessoas tanto se opõem? Depois de 1945, após a Grande Depressão e duas guerras mundiais, as nações ocidentais estabeleceram um sistema internacional caracterizado por regras que honraram a soberania nacional, permitiram o florescimento do comércio global e encorajaram o respeito pelos direitos humanos e liberdades.

Esta ordem resultou no mais longo período de paz entre as maiores potências do mundo, marcado por um crescimento econômico que criou grandes classes médias no Ocidente, garantiu o renascimento da Europa, o crescimento nos países pobres e a propagação da liberdade em todo o mundo.

O papel dos EUA em tudo isso foi fundamental. Ele estabeleceu a agenda e proporcionou segurança, que era mais do que apenas dissuadir a União Soviética e outras potências agressivas. Radek Sikorski, ex-ministro das Relações Exteriores da Polônia, disse: “A influência dos EUA e seus compromissos têm sido nosso cobertor de segurança. Permitiram que as rivalidades nacionais da Europa permanecessem dormentes. Se tirarmos essas garantias, a Europa poderia ficar muito instável”. E vale lembrar que a União Europeia é o maior mercado do mundo e o maior parceiro comercial dos EUA.

Os retratos de Trump por cartunistas

Para os EUA, o “globalismo” produziu enormes vantagens. Com 5% da população mundial, o país domina a economia global, em tecnologia, educação, finanças e energia limpa. Um em cada cinco empregos no país é resultado do comércio, e esse número cresce rapidamente. Os EUA ainda mantêm a moeda de reserva do mundo, o que lhes dá uma enorme vantagem econômica.

Os benefícios do crescimento e da globalização não foram compartilhados igualmente, e o ritmo da mudança causa a ansiedade em toda parte. Mas essas são razões para investir em pessoas e integrar melhor as comunidades. Não são motivo para destruir o sistema internacional mais pacífico e produtivo jamais concebido na história da Humanidade.

*Fareed Zakaria é colunista do Washington Post

oglobo.globo.com | 19-11-2016

WASHINGTON — “Tudo o que já fizemos, fizemos como uma família. Todo projeto que construímos, construímos como uma família”. A declaração é de um dos filhos de Donald Trump, Eric, de 32 anos, e foi publicada numa entrevista este ano, durante a campanha presidencial que culminou com a vitória do magnata. Agora, a frase do filho está se materializando numa inusitada participação da nova primeira-família na montagem do próximo governo.

Trump - 18.11

E, no círculo fechado do clã familiar do republicano — que inclui ainda os outros dois filhos mais velhos, Donald Jr e Ivanka — é seu genro, Jared Kushner, que vem exibindo influência nos bastidores. A ponto de a revista “Vanity Fair” chamá-lo de “Rasputin dos tempos modernos”, em referência ao monge que exercia influência nos bastidores do governo do último czar da Rússia, Nicolau II. O novo “empreendimento familiar” dos Trump teria levado, segundo a CNN, a equipe de transição a consultar o governo sobre a possibilidade de dar autorização de segurança a Eric, Donald Jr, Ivanka e Jared, o que lhes daria acesso a informações confidenciais.

Casado com Ivanka desde 2009, Kushner, 35 anos, é promotor imobiliário como o sogro e emergiu como uma figura-chave na semana passada, quando desempenhou um papel fundamental em ajudá-lo a formar sua equipe de transição na Casa Branca, entrando em colizão direta com Chris Christie, governador de Nova Jersey. Durante a primeira reunião entre Trump e Barack Obama na Casa Branca, imagens mostram Kushner nos jardins da residência oficial junto ao chefe de Gabinete de Obama, Denis McDonough. Trump supostamente havia pedido que o genro tivesse direito a assistir às reuniões diárias, fato confirmado pela imprensa, mas negado por ambos.

Ainda não se sabe o lugar que deve ser ocupado por Kushner — se ele acabaria assumindo uma posição administrativa ou se tornaria um conselheiro. Mas ele é, de acordo com a imprensa americana, o responsável por afastar Trump de Christie — até então um dos políticos mais próximos ao republicano — bem como duas outras pessoas de seu círculo. Tudo porque o governador, quando era procurador-geral de Nova Jersey, processou por evasão fiscal e manipulação de testemunhas o pai de Kushner, muito influente no estado, há cerca de dez anos. Sua prisão, quando o jovem havia acabado de concluir a faculdade em Harvard, foi um trauma na juventude de Kushner.

POSSÍVEL VIOLAÇÃO DA LEI

Para Jeanne Zaino, professora de Ciência Política na Iona College, o genro conseguiu ganhar a confiança de Trump com sua lealdade e “trabalhando duro durante a campanha”, embora continue a ser um homem por trás das cortinas. Ao contrário da mulher e dos outros filhos do magnata, ele nunca se expressa publicamente ou nas redes sociais.

— Temos a impressão de que ele se sente mais confortável trabalhando a portas fechadas — explicou Jeanne.

Como Trump, Kushner é um investidor imobiliário e supervisiona a Kushner Empresas, que opera edifícios comerciais e apartamentos em Nova York e Nova Jersey. Ele também comprou, em 2006, o jornal “The New York Observer”, responsável por ajudar a campanha do sogro nas redes sociais. Ele teria contratado Brad Parscale, especialista em marketing online que conseguiu não só mobilizar os fãs de Trump, mas também desencorajar potenciais eleitores de Hillary Clinton.

A grande família de Trump

Sua possível nomeação à Casa Branca, no entanto, traria desafios legais por uma possível violação da lei federal antinepotismo. No cerne da questão está uma legislação de 1967, assinada pelo então presidente Lyndon Johnson, que impede que funcionários públicos, inclusive o presidente e congressistas, contratem parentes, sejam pais, irmãos, tios, genros ou noras.

— Não estamos falando sobre Kushner funcionando como uma força-tarefa lateral. Estamos falando de um trabalho regular na Casa Branca. Acho que é ilegal — disse ao site especializado “Politico” Norm Eisen, que foi advogado-chefe durante os mandatos de Obama.

Segundo fontes do “New York Times”, Kushner estaria planejando abdicar do salário e congelar seus ativos de investimentos para tentar se precaver da lei. Mesmo assim Richard Painter, que tinha o mesmo cargo na era George W. Bush, acredita que a indicação de Kushner a algum cargo seria inapropriada.

— Ele não pode aceitar um emprego na Casa Branca. É altamente inapropriado. Não sei por que eles acham que podem. Basta ler o estatuto — avaliou Painter.

PAPEL DE IVANKA É ENIGMA

O papel da mulher de Kushner, Ivanka, também é um enigma. Há quem diga que ela seria a primeira-dama de fato — na entrevista do pai ao programa “60 Minutes” ficou ao seu lado e de sua atual mulher, Melania. E aproveitou para usar um bracelete de sua marca, cujo preço (US$ 10.800) foi divulgado depois por assessores — causando constrangimentos na imprensa, que a acusou de misturar seus negócios com o governo.

— Eu vou ser uma filha — rebateu ela com firmeza quando perguntada se estaria procurando emprego no governo.

Até a primeira ex-mulher de Trump, Ivana, já manifestou interesse em ser embaixadora na República Tcheca, país onde nasceu.

— Seria uma escolha excelente — apoiou o presidente tcheco, Milos Zeman, que já havia se mostrado satisfeito com a vitória de Trump.

NOMES PARA O GABINETE

Enquanto isso, aumentam os rumores sobre o Gabinete do presidente eleito. O senador ultraconservador Ted Cruz, que disputou as primárias, foi visto na Trump Tower e trouxe à tona rumores sobre uma possível nomeação como secretário de Justiça.

Para comandar a diplomacia, o ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani — um dos poucos apoiadores incondicionais de Trump durante a campanha — também aparece com força. Outros nomes cotados seriam o ex-embaixador da ONU John Bolton; o senador Bob Corker, presidente da comissão de Relações Exteriores; a governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley; e o ex-candidato presidencial Mitt Romney, ferrenho crítico do republicano.

“Meu time de transição, que está trabalhando longas horas e fazendo um trabalho fantástico, estará vendo muitos grandes candidatos”, escreveu Trump no Twitter.

oglobo.globo.com | 18-11-2016

MOSCOU —O Comitê de Investigação da Rússia anunciou nesta terça-feira a detenção do ministro da Economia, Alexey Ulyukayev, em uma operação surpresa durante a madrugada. No cargo desde 2013, ele é suspeito de aceitar suborno para aprovar uma operação na qual a petroleira estatal Rosneft adquiriu maioria do controle da companhia energética Bashneft no mês passado. Ele teria recebido US$ 2 milhões. obamagrecia

Em nota, o comitê informou que Ulyukayev foi detido no âmbito da investigação por um esquema de corrupção de largas proporções. A investigação foi realizada pelo Serviço Federal de Segurança russo (FSB, sucessor da extinta KGB).

A porta-voz do Comitê de Investigação do Ministério Público russo, Svetlana Petrenko, disse à agência de notícias russa "RIA Novosti" que há suspeitas de que o ministro tenha cometido extorsão para pedir suborno a executivos da companhia Rosneft, além de ter feito ameaças.

— Uliukáyev foi flagrado com a mão na massa — disse a porta-voz.

Se for considerado culpado, Ulyukayev pode enfrentar uma pena entre oito e 15 anos de prisão. Este é o funcionário de mais alto cargo a ser preso desde o golpe fracassado de 1991. Por muitos observadores, o episódio é considerado parte de uma batalha interna entre diferentes grupos do Kremlin

Ulyukayev ocupa cargos no governo desde 2000, e chefia a pasta da Economia desde 2013. Ele é conhecido por ser parte da ala do governo que vem criticando o aumento do envolvimento do governo na Economia.

Segundo o seu porta-voz, o presidente russo, Vladimir Putin, está ciente da investigação sobre Ulyukayev há algum tempo. O chefe do Kremlin estabeleceu o combate a corrupção como prioridade em seu governo, enquanto críticos afirmam que a corrupção está espalhada pelos níveis mais altos do governo. Por isso, surgem as dúvidas se esta não se trata de uma consequência de confrontos internos no governo.

oglobo.globo.com | 15-11-2016
A França de Juppé será mais parecida com a Alemanha de Merkel em matéria de austeridade, mais distante dos Estados Unidos e mais próxima da Rússia. Para o seu conselheiro Benoist Apparu, combate-se Marine Le Pen com a economia.
www.publico.pt | 14-11-2016

WASHINGTON — Para os Estados Unidos e a Europa, chegou a hora de fazer um acerto de contas: o Ocidente como o conhecemos está próximo de chegar ao fim. Os Estados Unidos acabaram de eleger como presidente um homem que não apenas se gaba de apalpar mulheres e enganar parceiros de negócios, mas que também publicamente não gosta de tradicionais aliados americanos — e os europeus acima de tudo.

Não se baseie nas minhas palavras. Ouça o que ele vem dizendo há muitos anos. Em 2000, no livro “A América que merecemos”, Trump escreveu que os “EUA não têm interesse vital em escolher entre facções armadas cuja hostilidade remonta a séculos. Seus conflitos não valem vidas americanas. Afastar-se da Europa poderia anualmente economizar milhões de dólares deste país. O custo de manter tropas da Otan na Europa é enorme. E estes são certamente investimentos que podem ser mais bem utilizados”.

Ao longo da campanha eleitoral, repetiu constantemente essa visão, mesmo que tenha mudado de opinião em relação a quase todo o restante. Mas em relação à Otan — e sobre a Rússia — Trump não muda nunca. Em março, descreveu a organização como obsoleta. Ao mesmo tempo, tem elogiado ditadores mundiais, Vladimir Putin principalmente. Em 2014, enalteceu a invasão russa à Ucrânia. Trump não fala sobre o declínio da economia russa ou do seu feroz autoritarismo, talvez porque não sabia sobre eles ou porque não se importe. Sua campanha recebeu assistência declarada da Rússia.

Não podemos presumir que avanços militares russos na Ucrânia e nos países bálticos serão empurrados para trás por uma aliança de países com posições semelhantes. Sob o comando do presidente Trump, não podemos presumir que os Estados Unidos continuem na liderança dos países livres — ou na liderança de qualquer coisa. O protecionismo, e não o livre comércio, acabou de ganhar esta eleição, e isso terá consequências. O livre comércio teve todos os tipos de consequências, mas uma de suas vantagens é que mantém países política e economicamente conectados. Muros, sejam físicos ou metafóricos, serão construídos.

Nada disso acontecerá rapidamente. Levará tempo para as consequências da mudança no sistema político internacional por vir se desdobrarem. A queda inicial do mercado de ações se inverteu. Mas a mudança está chegando, como populistas têm dito em tantos países. Nos próximos dias e semanas, os americanos estarão focados nas consequências desta eleição em casa, particularmente agora que o Partido Republicano de Trump domina a Câmara e o Senado e irá dominar a Suprema Corte. É importante abrir os olhos para as consequências ao restante do mundo também.

oglobo.globo.com | 13-11-2016

SÃO PAULO E BRASÍLIA - A eleição do republicano Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, com sua retórica antiglobalização, acendeu a luz amarela entre as empresas brasileiras que têm negócios no mercado americano, especialmente as que exportam para lá. Teme-se a adoção de medidas protecionistas, que dificultem o acesso àquele mercado. Há também uma dúvida sobre se o aumento dos investimentos em infraestrutura, prometido por Trump durante a campanha, ocorrerá a curto prazo. Isso beneficiaria as produtoras de matérias-primas, como o minério de ferro, e as siderúrgicas. Trump 1110

No caso da petroquímica Braskem, que acaba de inaugurar uma grande fábrica no México, exclusivamente para atender à demanda por insumos petroquímicos na América do Norte, sendo os EUA o maior cliente, a busca por novos mercados é uma alternativa a ser avaliada.

— Vamos ver como vai ser a tradução da retórica do discurso de campanha para uma realidade de governo. Nossa expectativa é colocar nosso produto no mercado mexicano e outras regiões, caso não seja mais possível exportar para os Estados Unidos. Conseguimos colocar de forma competitiva e rentável o nosso produto em outros mercados, independentemente de possíveis barreiras comerciais nos Estados Unidos — afirmou ontem Fernando Musa, presidente da petroquímica, em teleconferência.

PETROBRAS: VOLATILIDADE

A tensão também existe no setor calçadista brasileiro, já que os EUA são hoje seu principal mercado externo. No ano, até outubro, as vendas para o mercado americano somaram US$ 173,3 milhões, alta de 16,7%. Segundo Heitor Klein, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), é preciso esperar para ver quais serão as primeiras medidas do governo Trump. E, apesar de ele ser considerado imprevisível, Klein ressalta o fato de que, em geral, governos republicanos são menos protecionistas que os democratas.

— Ainda é um pouco cedo para avaliar quais as possíveis consequências para o comércio entre os dois países. No decorrer do processo eleitoral, nada transpareceu em relação a um maior protecionismo no comércio com a América Latina, exceto o México. Ainda assim, uma coisa é o que se fala em campanha, e outra é um governo eleito — disse Klein.

A Petrobras, por sua vez, vê mais volatilidade no mercado.

— Ainda é muito cedo para falar de tendências, mas é claro que a volatilidade aumentou. E acho que esse será o comportamento daqui para frente, de câmbio, taxa de juros, o próprio Brent — afirmou o diretor financeiro da estatal, Ivan Monteiro.

Mas há empresas brasileiras que torcem pela efetivação de algumas promessas de Trump. É o caso da Gerdau: com quase 40% de suas receitas oriundas das siderúrgicas que tem nos EUA, ela pode ser beneficiada pelo aumento dos investimentos em infraestrutura. O republicano prometeu investir US$ 500 bilhões em obras. trump 1011

COMPRAS DE CHINA E MÉXICO

Outros setores, no entanto, avaliam que eventuais medidas protecionistas de Trump podem até abrir para o Brasil as portas de outros mercados. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, acredita que mercados como México e China podem aumentar as compras do Brasil, como forma de reduzir a dependência das relações com os EUA. O outro lado da moeda é que, no caso de uma maior aproximação entre Vladimir Putin e Trump, a Rússia pode reduzir suas compras de produtos brasileiros.

— Não temos receio, porque não acreditamos que perderemos o espaço de nossas exportações com o protecionismo dos EUA. Ao contrário, podemos até aumentar as vendas — afirmou Turra, lembrando que o Brasil não exporta aves para o mercado americano, o maior produtor mundial do setor.

As dúvidas sobre o governo Trump não se resumem a empresários brasileiros. Após uma reunião no Palácio do Planalto, o presidente mundial da Shell, Ben van Beurden, disse ter “grande interesse” em acompanhar como o republicano formulará a política energética americana nos próximos meses.

Já a siderúrgica japonesa Nippon Steel se declarou preocupada com a promessa de Trump de renegociar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês) com Canadá e México. A Nippon tem duas usinas no México.

— Não acreditamos que será fácil acabar com o Nafta, mas, se isso acontecer, o impacto será forte — disse à Reuters o vice-presidente da siderúrgica, Toshiharu Sakae.

oglobo.globo.com | 11-11-2016

Nero pôs fogo em Roma; Hitler, na Europa; e pode ser que Trump venha a incendiar o mundo. Não sou fã de Hillary, mas a considero menos pior. Por conhecer bem os dois candidatos é que quase metade do eleitorado dos EUA se absteve.

Como desmiolado, predador sexual, racista e xenóbofo, tudo se pode esperar de um biliardário, dono de cassinos, que jamais ocupou qualquer função política. Até que não cumpra suas ameaças de campanha, como construir um muro na fronteira de seu país com o México, como se isso fosse evitar a entrada de novos imigrantes.

O fato é que os pobres votaram em Trump. Porque Obama não cumpriu quase nenhuma de suas promessas. E por que imigrantes latinos que vivem nos EUA deram preferência a ele? Porque muitos votam de olho no próprio umbigo. Temem que a chegada de novos estrangeiros venha roubar-lhes os postos de trabalho.

Em 2017, Trump vai dispor de um orçamento de US$ 583 bilhões para despesas militares. O suficiente para erradicar a fome no mundo e resolver o drama dos refugiados que aportam na Europa. Mas com certeza o novo presidente estadunidense não está preocupado com os males que afetam os pobres do mundo. Como declarou ao vencer, quer dobrar o PIB dos EUA. E, na campanha, incluiu entre seus arroubos xenófobos a promessa de que faria as tropas de seu país abandonarem os conflitos externos. Essa seria uma boa medida.

Os EUA possuem uma tropa de 1 milhão e 492 mil homens e mulheres, e mais 1 milhão de reservistas prontos para uma eventual convocação. A soma de seus drones, navios de guerra, porta-aviões, tanques, blindados, canhões e mísseis (sete mil ogivas nucleares) supera o conjunto de arsenais das outras quatro maiores potências militares, China, Reino Unido, França e Rússia.

A esperança dos eleitores de Trump é que ele aplique mais recursos no combate ao desemprego, nos serviços de saúde e reaqueça a economia interna. Pode ser que, num gesto de lucidez, ele reduza o orçamento militar para tentar passar à História como o presidente que tirou os EUA da recessão. Hoje, a classe média estadunidense tem uma renda muito inferior à que tinha na década de 1980.

Felizmente Tio Sam não é dono do mundo. Há um equilíbrio que o obriga a levar em conta a China e a Rússia. E dizem que Trump e Putin se entendem... O fato é que o magnata-presidente já elogiou o controle que Putin tem sobre a Rússia. E deu a entender que os EUA não têm nenhuma obrigação de defender incondicionalmente seus aliados na Otan. O que soa como música aos ouvidos de Putin.

Ainda bem que, em meio a tantos interesses em jogo, há quem ainda raciocina, não por interesses, mas a partir de princípios, como o papa Francisco. Ele é, hoje, o único líder mundial capaz de aglutinar homens e mulheres que buscam a paz como fruto da justiça e um mundo menos desigual e injusto.

A vitória de Trump me faz lembrar que Hitler também não chegou ao poder por golpe de Estado, como Temer, para citar um exemplo recente. Foi democraticamente eleito pelo povo alemão. E deu no que deu...

Enquanto o dinheiro presidir a democracia, esta será, na expressão ianque, apenas um pato manco.

oglobo.globo.com | 10-11-2016

Donald Trump sinalizou que pode adotar um tom diferente no governo do que a demagogia raivosa que o levou à Casa Branca. Mas foi com a pregação do ódio — do nacionalismo, nativismo, xenofobia, racismo, misoginia, do desdém aos direitos civis, às normas democráticas e à verdade — que 59.470.229 americanos viram nele seu líder.

Sua vitória coloca em xeque princípios fundamentais da sociedade americana. Como a mais rica democracia do mundo, berço do liberalismo que defende globalmente, produziu tantos descontentes e raivosos?

Trump tinha o apoio de um eleitorado branco, mais velho e menos educado, de zonas rurais e subúrbios industriais, uma parcela particularmente afetada pela globalização da produção e ressentida por se julgar à margem do “sonho americano” — assim como os ingleses excluídos dos benefícios da União Europeia que votaram pelo Brexit.

Mas ele rompeu as barreiras desse eleitorado, expondo distorções de um sistema que tem sido incapaz de garantir o bem-estar de todos.

Pelo menos 9% de democratas votaram em Trump, que ganhou colégios eleitorais decisivos, como a Flórida, apesar dos imigrantes e negros; e redutos historicamente democratas como Michigan e Pensilvânia.

“Isso é o que acontece quando se tem democracia”, ironizou o Partido Comunista chinês. O descrédito do sistema político, das instituições e da imprensa que a campanha de Trump promoveu é uma vitória para regimes como China e Rússia, e uma derrota moral para os EUA. Mesmo que tenha sido apenas estratégia eleitoral.

Trump prometeu erguer um muro contra mexicanos, jogar duro com chineses, expulsar muçulmanos. Na prática, a China é o principal parceiro comercial dos EUA, fica no México grande parte de seu parque industrial e não só a economia americana, mas o próprio Trump lucra com negócios no Oriente Médio.

É mais incerto como conduzirá assuntos como o acordo nuclear com o Irã e o terrorismo. Entre as promessas, garantiu acabar com a agenda militar intervencionista de disseminar “valores americanos” — até porque ele próprio desdenha de tais valores.

oglobo.globo.com | 10-11-2016
Economia, Saúde e Segurança Social, desigualdade social e tensões raciais, governabilidade, Supremo Tribunal, terrorismo, Rússia, China, Médio Oriente e Europa, eis alguns dos dossiers com os quais o futuro residente na Casa Branca terá de lidar.
www.publico.pt | 09-11-2016

RIO - Durante a campanha presidencial dos EUA, acompanhou-se, além das polêmicas, a série de propostas de Donald Trump em contraponto às dos democratas — e de Hillary Clinton. De economia e política externa a saúde e sociedade, ele acabou marcado por proposições consideradas populistas, e com perspectivas ainda incertas. TRUMP CONTEÚDO

Saúde. O acesso a planos de saúde a preços regulados, promovido pela lei conhecida como Obamacare, chegou a uma marca histórica de 90%. Mas milhões ainda não têm assistência, e os gastos federais e os preços dos seguros de saúde estão subindo, enquanto há reclamações em diferentes áreas sobre a falta de qualidade e de abrangência dos serviços prestados. Dezenas de milhões de americanos que estão envelhecendo e estão inscritos no programa serão os fiéis da balança.

Trump discorda totalmente do plano, chamando-o de desastre, mas pretende manter o programa federal de apoio a idosos e negociações com as empresas farmacêuticas. Não tem qualquer plano concreto na mesma linha, defendendo o fim do programa.

Papel militar dos EUA no mundo. Milhares de soldados morreram nas guerras no Afeganistão e no Iraque. O país ainda vive o desafio de dar fim definitivo à sua participação nos dois conflitos, enquanto vê o Oriente Médio instável, em meio a confrontos internos e a ameaça do terrorismo. Há ainda impasses com Rússia, Irã e Coreia do Norte, além da instabilidade na Líbia. A figura da Otan, responsável pela defesa militar do Ocidente, se desgastou no processo. A cooperação militar sofre ainda com o antagonismo russo e seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU.

Trump defende a política de “os EUA primeiro”, cobrando dos aliados na Europa e na Ásia pagamento completo da contribuição militar do país à defesa deles. Segundo ele, as nações devem ser “menos dependentes do Exército americano”.

Questão racial. O policiamento nos EUA está sob atenção mundial após a série de mortes de homens e jovens negros por guardas flagrados em vídeo. A percepção de impunidade e a suspeita de racismo deu maior voz a reivindicações de grupos civis, como o Black Lives Matter, protestos violentos e até ataques e emboscadas a agentes. A tensão racial fez o presidente Obama entrar na discussão, com medidas para diminuir a desconfiança mútua e aumentar a transparência na atuação dos policiais.

Trump defende a “lei e a ordem”, afirmando que os policiais estão sob condições muito difíceis. É a favor da universalização do controverso método nova-iorquino “stop and frisk”, no qual qualquer potencial suspeito podia ser parado e revistado por agentes.

Estado Islâmico. A ameaça do grupo terrorista, que cresceu com base no vazio de poder deixado pela Guerra no Iraque, tem os EUA como um dos alvos principais. Com o enfraquecimento territorial dos extremistas em Síria, Iraque e agora a Líbia, atentados suicidas e à bomba se tornaram ainda mais visados pelo grupo.

Trump propõe bombardear áreas sob controle do grupo, sem detalhar a logística. Diz ter um plano secreto. Seu diferencial é defender técnicas pesadas de interrogatório, muitas das quais consideradas torturas.

Controle de armas. O direito a portar armas é parte fundamental da cultura americana, previsto na Segunda Emenda da Constituição. Mas o número cada vez maior de massacres e incidentes com pistolas, rifles e fuzis fizeram o governo Obama aumentar a pressão para instituir limitações específicas ao acesso a armas. O tema divide radicalmente os candidatos e os eleitores.

Trump rejeita veementemente as zonas livres de armamento e propõe que os estados permitam o uso de armas escondidas por civis. Não prevê qualquer limitação ao acesso a armas, considerando-as importantes para evitar ataques a tiros em locais públicos.

Comércio e China. A gestão atual do comércio exterior tem sido bastante criticado pelos eleitores. Com a China assumindo um papel cada vez maior na economia global (também subsidiando exportações e manipulando a própria moeda), os EUA têm perdido espaço também nos mercados e na empregabilidade pela burocracia e os custos. E pactos de livre comércio como o Acordo Transpacífico (TPP) podem levar a perdas nos empregos dentro do país, advertem analistas.

Trump opõe-se ao Acordo Transpacífico (TPP) e ao Acordo de Livre Comércio Norte-Americano (Nafta), considerando que o país foi derrotado por negociadores estrangeiros. Propõe aumentar significativamente tarifas à importação de produtos chineses.

Empregos. O desemprego formal vive nível baixo, de apenas 4,9%. No entanto, as ofertas de emprego qualificado em setores-chave na economia têm sido escassas desde a recessão que teve seu auge em 2008. Com índices pouco favoráveis à nova geração de jovens entrando no mercado de trabalho, cresce o número de pessoas que deixam de procurar vagas no setor formal ou que requerem benefícios por invalidez. Os candidatos montaram planos elaborados sobre o tema.

Trump propõe reduzir regulações e impostos para encorajar os negócios a aumentarem de tamanho e, consequentemente, contratarem mais. Propõe abolir acordos de livre comércio e endurecer o comércio com a China para retomar empregos na indústria de manufatura.

Salário mínimo. Greves de funcionários de setores com salários baixos, crescimento de renda escasso e o aumento de empregos pouco remunerados colocaram o salário mínimo como tema crucial. Atualmente a US$ 7,25 a hora, o aumento dos soldos a pelo menos US$ 12 ajudaria ao menos 35 milhões de pessoas (25% da força laboral), mas acarretaria custos maiores a empregadores e poderia desacelerar contratações, advertem economistas. Ambos os candidatos querem avançar na discussão.

Trump defende o aumento para US$ 10, advertindo para o peso que um aumento significativo teria sobre os empregadores. Propõe que os estados decidam.

Acordo nuclear com o Irã. Um dos temas de política externa mais controversos dos últimos anos, o acordo que reduziu a capacidade do programa nuclear iraniano causa divergências. A maior parte dos democratas acredita que o pacto foi benéfico por limitar o acesso a componentes atômicos, em troca da liberação de fundos congelados por sanções. Os republicanos afirmam, por sua vez, que o acordo não dá garantias concretas de que o Irã cesse hostilidades contra vizinhos e que o país ainda recupera fundos para ameaçar a existência de Israel, maior aliado local dos EUA.

Trump critica duramente o acordo, que chama de “estúpido”. Ao contrário de outros republicanos, no entanto, quer renegociá-lo para dificultar as condições para Teerã e não abrir mão de sanções econômicas antes impostas.

Relação com a Rússia. Principal antagonista dos EUA, o país vive um clima de nova Guerra Fria inédito desde o fim da União Soviética. O país tem intensificado sua presença militar no Mar Báltico, na Ucrânia e na Síria, desafiando abertamente o Ocidente, e tem um arsenal de armas nucleares. Até mesmo ataques hacker têm sido atribuídos ao Kremlin. O problema que os EUA vivem, além da ameaça velada do governo de Vladimir Putin, é a necessidade de cooperação com Moscou em temas globais como a guerra síria.

Trump vai na contramão da política atual, defendendo a reaproximação com a Rússia. Elogia Putin, considerando-o um líder firme, “ao contrário de Obama”. Não apresentou um plano diplomático.

Mudanças climáticas. O aquecimento global é uma realidade em curso e criada pelo homem, garantem cientistas. Nos últimos dois anos, as temperaturas globais bateram recordes, e hoje estão 2 graus acima de um século atrás. As graves implicações ecológicas, ambientais e econômicas preocupam autoridades mundiais, assim como dos EUA — maior poluidor mundial, junto à China.

Trump discorda fundamentalmente do conceito de aquecimento global, que chama de “falácia”. Defende a expansão da indústria do carvão, combalida com o atual aumento da indústria de energia solar.

Aborto. Tema polêmico, o aborto divide radicalmente conservadores e progressistas. Enquanto os democratas são a favor da manutenção de programas que permitam a interrupção da gravidez em casos específicos, os republicanos defendem a derrubada judicial desta possibilidade, além de limitar o acesso a clínicas especializadas em reprodução. A vitória de cada um impactaria na escolha de um novo juiz para a Suprema Corte, que muito provavelmente reforçaria a posição política do(a) presidente.

Trump, apesar de ter sido a favor do aborto, anos atrás, diz que é contra. Reforçou a posição com a escolha de seu vice, Mike Pence. Se eleito, escolheria um juiz conservador para a Suprema Corte para tentar reverter decisões e reforçar proibições estaduais.

Imigração e refugiados. Tema de grande impacto na campanha presidencial. Hoje, após bilhões de dólares gastos com barreiras na fronteira, há mais mexicanos deixando os EUA do que entrando. Apesar de a discussão no Congresso se restringir principalmente a se deveria haver anistia aos imigrantes sem documentos, a campanha eleitoral foi mais agressiva sobre o tema, que ganhou ainda um novo fator: a chegada de refugiados sírios.

Trump acusa os imigrantes ilegais mexicanos de trazerem doenças e cometerem crimes. Propõe um muro na fronteira, pago pelo México. Defendeu deportar todos os ilegais, mas hoje afirma que expulsaria apenas aqueles com histórico criminal. Já propôs banir a entrada de muçulmanos, mas passou a defender uma verificação completa de antecedentes e até um teste ideológico e religioso a quem vem de países afetados pelo terrorismo fundamentalista.

Mulheres no mercado de trabalho. Uma das questões mais criticadas por muitos cidadãos americanos é como as mulheres ganham menos do que os homens: pesquisas independentes estimam que elas ganhem até 88% do que eles recebem. Apesar de ilegal, a prática existe, mesmo tendo diminuído. Atualmente, os custos com creche e tratamento infantil crescem drasticamente, com estatísticas mostrando que as mães (grande parte no mercado de trabalho) têm que arcar com a situação e sem ter direito a licença-maternidade paga.

Trump não vê disparidade no pagamento às mulheres. Defende que pais e mães possam deduzir os gastos com creche e tratamento de saúde para seus filhos.

Regulação de Wall Street. Considerado um dos maiores culpados pela crise de 2008, o sistema financeiro é apontado como o principal responsável por ditar os rumos da economia americana. Sob discretas regulações, os bancos e empresas investidoras de Wall Street movimentam trilhões e se envolvem nos mercados de hipotecas, fator que expulsou 5 milhões de famílias de casa durante a recessão. Na mesma crise, quando muitos bancos ficaram à beira da implosão, um pacote econômico multibilionário reergueu o sistema. Isto exacerbou frustrações populares com o poder dos financistas.

Trump propõe que as regulações sejam diminuídas, porque aumentam custos e diminuem o crescimento. Para ele, o Federal Reserve (Banco Central do país) deve ter menos poder, com o Congresso sendo mais ativo na fiscalização das políticas dos bancos.

oglobo.globo.com | 09-11-2016

O Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) anunciou há pouco que a diretora-gerente da Autoridade Monetária de Cingapura (MAS, na sigla em inglês), Jacqueline Loh, foi nomeada presidente da Comissão de Mercados da instituição. A decisão foi tomada ontem durante reunião bimestral, em Basileia, dos presidentes de bancos centrais de 30 economias avançadas e emergentes do mundo, incluindo o Brasil.

O Comitê de Mercados é um fórum no qual os primeiros escalões de bancos centrais acompanham conjuntamente a evolução dos mercados financeiros e avaliam suas implicações para o funcionamento e as operações dos órgãos reguladores e fiscalizadores. Jacqueline assumirá o cargo por três anos, a partir de janeiro, sucedendo Guy Debelle, vice-presidente do Banco Central da Austrália (RBA, na sigla em inglês), à frente do comitê desde junho de 2013.

Em Cingapura, a nova nomeada supervisiona as funções de política monetária e dos mercados e investimentos do banco central, e também é responsável pela área de desenvolvimento e internacional, bem como dos grupos de fintech (tecnologias financeiras) e inovação. Além do Brasil, compõem o grupo os bancos centrais da Argentina, Austrália, Bélgica, Canadá, China, França, Alemanha, Hong Kong, Índia, Indonésia, Itália, Japão, Coreia do Sul, Malásia, México, Holanda, Polônia, Rússia, Arábia Saudita, Cingapura, África do Sul, Espanha, Suécia, Suíça, Tailândia, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos e também o Banco Central Europeu (BCE).

PARIS - O filósofo francês Luc Ferry, que já morou e lecionou nos Estados Unidos, não economiza adjetivos depreciativos ao abordar as eleições presidenciais no país. Embora defina Hillary Clinton como integrante de uma “dinastia elitista e rica”, incapaz de provocar entusiasmo, acredita que uma ida de Donald Trump à Casa Branca ridicularizaria os EUA no mundo. Em caso contrário, adverte: mesmo derrotado, Trump deixará marcas com a popularidade alcançada na campanha presidencial.

Qual o significado político deste pleito?

A mediocridade dos dois candidatos significa algo muito preocupante que ameaça ocorrer em todo o país: a política não é mais atraente para os jovens talentos, que evitam cada vez mais as carreiras intelectuais e políticas e vão para o mundo dos negócios. Na minha juventude, havia ainda nos EUA, como na Europa, primeiros-ministros e presidentes muito jovens. Com exceção da Itália e do Canadá, a maioria dos homens e mulheres na política, hoje, não é muito jovem, e a renovação não se faz presente. A vontade de se ter uma vida bem-sucedida desertou amplamente da política na direção do mundo dos negócios, para as startups e as novas tecnologias.

Qual o impacto e as transformações nos EUA?

Trump é assustador na brutalidade, vulgaridade. E Hillary pertence a uma dinastia elitista e rica que não pode suscitar entusiasmo

Os dois candidatos têm chances de vencer. Os incríveis erros de Hillary, no caso dos e-mails, colocaram Trump de novo na corrida. Se ele ganhar, os EUA serão ridicularizados no mundo, o que não seria bom para ninguém. A única esperança seria que, uma vez no poder, ele se acalmasse, cessasse as agressões verbais contra mulheres, minorias. A popularidade de Trump vem de longe e, mesmo se for vencido, deixará marcas.

Por que o desencanto com a política nos EUA?

O debate americano é tragicamente desastroso. As personalidades dos dois candidatos são extraordinariamente fracas, repulsivas. Trump é assustador na brutalidade, vulgaridade. E Hillary pertence a uma dinastia elitista e rica que não pode suscitar entusiasmo.

Como vê os EUA após os mandatos de Obama?

Obama, simpático e cordial, terá sido um presidente medíocre. Em todos os temas essenciais, de Guantánamo ao Oriente Médio, passando por Síria e Ucrânia, foi calamitoso. O pior, na minha opinião, é o retorno da Guerra Fria com uma Rússia que Obama e seus aliados europeus empurraram na direção da China, o que será catastrófico para o mundo inteiro. Esperava-se muito dele após o aterrador período George W. Bush, e nos decepcionamos terrivelmente.

O senhor partilha da teoria do “fim do sonho americano”?

Não. Independentemente da vida política, a sociedade civil americana permanece fascinante. Toda inovação mundial vem de Silicon Valley e do Gafa (acrônimo para as iniciais de Google, Apple, Facebook, Amazon), ao qual poderíamos ainda acrescentar Microsoft, Tesla, Space X e tantos outros. São essas empresas que, hoje, mudam o mundo. São mais poderosas que a maioria dos Estados, que são incapazes de regulá-las, o que constitui um dos problemas políticos mais importantes no mundo. O mercado se tornou mundial, mas as políticas dos Estados democráticos permaneceram locais, nacionais.

O senhor disse que aprecia os EUA, onde viveu e lecionou, mas que seria o último país a poder dar lição sobre antirracismo e laicidade. Por quê?

Simplesmente porque, até recentemente, os EUA eram um dos países mais racistas do mundo! No final dos anos 1960, os primeiros jovens negros entraram na universidade, que lhes fora até então proibida. Eu me lembro bem que os jovens brancos imitavam macacos para zombar deles. Sobre a laicidade, os americanos ignoram praticamente tudo. Declara-se devoção a Deus a cada manhã nas escolas, e nas cédulas de dinheiro figura “In God we trust” (“Em Deus confiamos”). Pior ainda: poderosos lobbies criacionistas proíbem o ensino das teorias evolucionistas, que até a Igreja Católica finalmente reconheceu. Os EUA são um país de inovação formidável, mas, francamente, sobre questões de racismo e laicidade, o Velho Continente não tem lições a receber dos americanos.

Em seu ensaio “A revolução trans-humanista”, o senhor analisa as estreitas relações entre as revoluções genética e econômica, as duas ligadas ao controle do destino pelo indivíduo. O “trans-humanismo”, a economia colaborativa, a “uberização” se desenvolvem rapidamente nos EUA, onde emergiram. Como agem estes fenômenos em meio às questões políticas nos EUA?

É sobretudo o movimento trans-humanista que se coloca como um problema. É uma corrente de pensamento ao mesmo tempo filosófica e científica que vem dos EUA. Financiada pelo Google, por bilhões de dólares, alcançou uma importância considerável do outro lado do Atlântico, suscitada por milhares de publicações e seminários. E gerou intensos debates entre pensadores como Francis Fukuyama, Michael Sandel ou Jürgen Habermas. O trans-humanismo visa, antes de tudo, passar de uma medicina terapêutica clássica — cuja finalidade há milênios era de curar, “reparar” os corpos acidentados ou doentes — ao modelo de “aumento” ou melhoramento do potencial genético da espécie humana. Daí a ambição de combater o envelhecimento e prolongar a longevidade humana, não apenas erradicando as mortes precoces, como se fez desde o século XVIII, mas recorrendo à “tecnomedicina”, à engenharia genética e à hibridação homem-máquina, para fazer os humanos viverem realmente mais tempo. Admitindo que pudéssemos, um dia, viver mais tempo, veríamos nascer uma Humanidade que seria ao mesmo tempo jovem e velha, rica de experiências pela idade e fisicamente e intelectualmente eficiente. No momento, nada prova que isso é possível para o homem, mesmo que se tenha conseguido, na Universidade de Rochester, aumentar em 30% a vida de ratos transgênicos. Contudo, quem poderá dizer como serão a “tecnomedicina”, as nanotecnologias, a inteligência artificial e a “biocirurgia” no próximo século? É preciso antecipar, desde já, os problemas éticos, políticos e metafísicos que esta nova abordagem da medicina vai trazer. E acrescento um segundo aspecto do projeto trans-humanista: após as lutas contra as desigualdades sociais ligadas à instauração do Estado de bem-estar social, os trans-humanistas visam lutar contra as desigualdades naturais. A loteria genética é cega, insensível, amoral e injusta, e se a livre vontade dos homens puder corrigi-la, seria benéfico. Mas, na minha opinião, o perigo está na competição entre as nações, os exércitos, as famílias, no risco de uma modificação da espécie humana.

oglobo.globo.com | 07-11-2016

BRASÍLIA - Atual presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior, Rubens Barbosa afirma que, sob governos petistas, o Brasil perdeu “oportunidades de avançar no comércio exterior, aumentar as exportações para os EUA, captar investimentos, tecnologia”. EUA Brasil

Qual o impacto da eleição americana sobre o Brasil?

Pouco. A América Latina, em geral, e a América do Sul, em especial, não estão nas prioridades da política externa americana. Ganhe um ou outro, isso não vai mudar. As prioridades estão em Oriente Médio, Ásia, Rússia e Europa.

Uma vitória de Donald Trump seria uma preocupação?

Se Hillary Clinton ganhar, ela conhece o Brasil, é diferente. Trump não conhece nada. A vitória dele seria uma preocupação para o mundo: ninguém sabe o que faria. Mas teria pouquíssimo impacto sobre o Brasil, porque a América Latina não é do interesse deles, principalmente para Trump. Ele não tem política de aproximação.

A que se deve essa pouca aproximação dos EUA com o Brasil?

É resultado dos últimos 13 anos. Por questão partidária, os países desenvolvidos passaram para o segundo plano. Essa política Sul-Sul, que não é nova, transformou-se num instrumento ideológico de afastamento da relação com os países desenvolvidos — das relações institucionais, dos grupos de trabalho, dos contatos entre Brasil e EUA. No geral, se manteve uma relação morna e normal, sem avanço ou retrocesso.

Como ampliar a relação?

Perdemos oportunidades de avançar no comércio exterior, aumentar as exportações para os EUA, captar investimentos, tecnologia. Agora, temos que melhorar o ambiente interno no Brasil para voltar a atrair o interesse das empresas americanas. Para isso, precisa ter estabilidade econômica, segurança jurídica, visão de médio e longo prazo.

Já há mudança na política externa brasileira com Temer?

Ocorre agora mais uma mudança de ênfase, não uma grande guinada. Mudou com relação à Europa, aos Brics, à América do Sul, ao Mercosul. O PT teve novas ênfases, dando destaque aos países em desenvolvimento.

Há espaços para acordos?

O mundo mudou, e o Brasil foi apanhado no contrapé. Enquanto o mundo se abria e fez muitos acordos, o Brasil se fechou, e o Mercosul fez apenas três, inexpressivos comercialmente. Agora que o Brasil quer abrir, o mundo está fechando. Há uma eleição americana contra um acordo com a Ásia. O Brasil agora tem que insistir nas negociações do acordo com a Europa.

oglobo.globo.com | 05-11-2016

BERLIM - Nunca uma eleição fora do continente moveu tanto os europeus quanto o pleito americano, no próximo dia 8. Abandonando a tradicional diplomacia no que se refere a candidatos estrangeiros, os europeus não poupam críticas (ou elogios) ao republicano Donald Trump. Como na sua pátria, também na Europa o magnata imobiliário não deixa ninguém indiferente. Na Itália ele é o “Berlusconi americano”. Na Alemanha, o candidato foi chamado pelo ministro das Relações Exteriores, Frank Walter Steinmeier, de “pregador do ódio”. Mas na Hungria ele só recebe elogios do primeiro-ministro Viktor Orbán.

— Trump ultrapassou todas as fronteiras, e por isso é acompanhado por uma mistura de ódio e amor no mundo inteiro — diz Sabine Hermeling, especialista em relações transatlânticas da Fundação Heinrich Böll.

Não só pelas críticas que fez à política de refugiados da chanceler federal Angela Merkel ou por suas previsões de fim da União Europeia (UE), a perspectiva de um presidente Trump, descendente de alemães, é vista como catastrófica.

Os políticos europeus não procuram nem disfarçar a aversão que sentem pelo candidato republicano, que é criticado pelo presidente francês François Hollande pelos seus excessos e chamado por Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, como um “perigo para o mundo inteiro”. Info - Europa

Rejeitado por 60% dos alemães

“Trump personifica os preconceitos existentes na Europa sobre os Estados Unidos, e a sua eleição marcaria uma nova fase de forte antiamericanismo no continente”, escreveu o jornal berlinense “Der Tagesspiegel”, expressando a opinião de mais de 60% dos alemães, segundo um estudo recente. “O futuro deve tratar de educação, e não de intolerância; de confiança, e não de ódio; de construir pontes, e não muros”.

Para o cientista político Crister Garrett, da Universidade de Leipzig, o “fenômeno Trump”, do populismo acompanhado de xenofobia, existe também na Europa, onde é expressado por políticos como Orbán, a francesa Marine Le Pen ou o polonês Jaroslaw Kaczynski, do Partido Lei e Justiça, hoje chefe do governo.

Kaczynski e Orban recusam, como Trump, os muçulmanos.

— O que é bom para a Europa não poderia ser formulado de maneira melhor — disse Orbán, recentemente, ao falar para a minoria húngara na Romênia, alegando que um político como Trump seria o melhor para o continente.

Já o cientista político italiano Enrico Rusconi, da Universidade de Turim, lembra que o fenômeno Trump pode acontecer também na Europa Ocidental. Trata-se do que ele chama “estilo Berlusconi”, que se tornou possível através de uma “mutação” na sociedade.

— Trata-se da democracia do espectador. Vence o político que consegue se vender melhor na mídia, mesmo que tenha uma forma vulgar de expressão — lembra ele.

Sabine Hermeling também observa que os adeptos de Trump são parecidos com os franceses que apoiam Le Pen, os austríacos partidários de Heinz-Christian Strache, do Partido Democrata Liberal (FPÖ) e os poloneses que apoiam Kaczynski. “Não estou tendo pesadelos com a possibilidade de Trump ser o próximo presidente americano. Não vejo necessidade de responder suas críticas.”

Mesmo políticos moderados, como o ministro das Relações Exteriores da Áustria, Sebastian Kurz, observam Trump com interesse. Kurz chegou a apontar a ideia do magnata de construir um muro na fronteira com o México como interessante, pelo menos do ponto de vista de evitar imigrantes. A Áustria também constrói muros e cercas para evitar o êxodo de refugiados e imigrantes do Sul da Europa.

Mas, na sua maioria, os governos da Europa Ocidental preferem na Presidência dos EUA a democrata Hillary Clinton, de quem esperam mais confiabilidade. Segundo um estudo do “Deutsche Bank Research”, o instituto de pesquisa do Deutsche Bank, a economia europeia conta com uma vitória de Hillary porque enxerga que a cooperação econômica com a ex-secretária de Estado será mais intensa.

“Trump, ao contrário do que se espera de Hillary, quer cortar os laços econômicos com os países estrangeiro e concentrar o seu programa no mercado interno”, diz o estudo.

Medo de interferência

Thomas Jäger, do Instituto de Ciências Políticas da Universidade de Colônia, lembra que qualquer que seja o vitorioso haverá mudanças para pior nas relações com a Europa e com a Rússia.

— Trump não vai se intrometer nas questões europeias, mas também não terá uma influência positiva — considera o analista.

A Europa também espera de uma presidente Hillary mudanças para pior, como a de uma nova política de confrontação com a Rússia.

O jornalista alemão Jakob Augstein, coproprietário da revista “Der Spiegel”, afirmou que o papel que Hillary pode assumir na guerra da Síria, “o conflito mais perigoso do mundo”, terá o efeito de desencadear uma nova Guerra Fria. “Os excessos de Trump dão vontade de vomitar. A democracia está em risco, porque há cada vez mais políticos tentados pelo autoritarismo. Se os americanos escolherem Trump, haverá consequências, porque uma eleição nos EUA é uma eleição global”.

— Os riscos de um novo confronto com a Rússia se Hillary adotar as medidas que anunciou na campanha, como a criação de uma zona de proibição de voo, serão incalculáveis — disse Augstein.

O barril de pólvora da Síria, onde lutam lado a lado Rússia, Irã, Turquia, Israel e Arábia Saudita, mas cada um defendendo os próprios interesses, pode ser transformar em um explosivo para o mundo.

Ordem mundial multipolar

A Europa vê Trump como uma farsa, lembra Augstein, que é de esquerda. Mas mais do que essa farsa, ele receia a volta de uma política intervencionista, que seria possível com Hillary.

O cientista político austríaco Stefan Haderer diz que se Trump ganhar, os europeus vão observar com aversão como um presidente americano, da única superpotência do mundo, “usa uma terminologia que não é digna do seu posto". Mas com uma presidente Hillary Clinton vão sofrer se o novo governo americano se colocar contra uma ordem mundial multipolar. Segundo ele, com Hillary os Estados Unidos “podem retomar o papel de policiais do mundo”.

oglobo.globo.com | 02-11-2016

RIO - As acusações de interferência da Rússia na eleição dos EUA, especialmente da parte democrata, crescem à medida que a campanha chega ao fim. Para Philip Seib, professor de Jornalismo e Diplomacia da Universidade do Sul da Califórnia (USC) especializado na capacidade de atuação russa no campo da informação, os percebidos esforços do presidente Vladimir Putin por influência no pleito visam a desestabilizar o país, desviar o foco de problemas internos cada vez maiores e a maior influência caso Donald Trump seja eleito.

É possível dizer que a Rússia faz uma guerra cibernética com vazamentos, ou isso seria uma provocação?

RússiaEUA

Eu chamaria isso de ciberintromissão. Supondo que os russos estejam por trás, provavelmente estão tentando em primeiro lugar causar uma ruptura geral na política americana e, depois, ajudar Trump, com quem eles presumivelmente consideram mais fácil de lidar.

Que outras armas o país usa?

A Rússia faz uma abrangente campanha de desinformação midiática para distorcer as situações na Ucrânia, na Síria, nos Estados bálticos (Lituânia, Letônia e Estônia), e em outros lugares aonde seu aventureirismo a leva. Eles são pioneiros em achar maneiras de combinar militarismo convencional com esforços cibernéticos.

A Rússia se impõe fora de casa em conflitos, enquanto encara seus próprios problemas econômicos. A cobertura da imprensa pró-Putin, como as agências RT e Sputnik, é muito dura diante dos democratas. O que está em jogo para ele?

Primeiramente, Putin está tentando distrair os russos do estado enfraquecido de sua economia e da elevada corrupção entre o governo e o setor empresarial. Segundo: ele provavelmente sabe que Hillary Clinton seria mais difícil de lidar do que Trump. Assim, mira os ataques nos democratas.

Existe a possibilidade de a Rússia se tornar mais influente se Trump vencer? Como ficariam as situações na Ucrânia e na Síria?

Se Trump vencer, o que parece altamente improvável, as relações exteriores com a Rússia e todo mundo seriam uma desordem imprevisível.

Hillary é ainda mais incisiva contra Moscou do que Barack Obama. Chama Putin de ditador e insinuou que Trump é “sua marionete”. Este duelo pode crescer com ela como presidente?

As relações entre EUA e Rússia estão especialmente muito tensas. Se eleita presidente, Hillary precisaria chegar a algum tipo de acordo junto a Putin para reduzir as tensões. Acho que ela estaria aberta a isso. Putin também. Ele é asqueroso, mas não é maluco.

E como fica o WikiLeaks, outrora elogiado pela imprensa americana, mas hoje associado à Rússia?

O WikiLeaks é o tipo de transparência com a qual o governo e outros agentes terão de se acostumar. Julian Assange (seu fundador) é intrometido, e suas motivações são ainda incertas.

A imensa maioria dos veículos de imprensa deu apoio a Hillary contra Trump. Até jornais conservadores e tradicionalmente republicanos se afastaram dele. É um sinal de medo?

Até mesmo a maior parte das organizações de mídia conservadoras consideram Trump alguém desqualificado e sem princípios. Temem o dano que ele pode provocar como presidente.

O esforço de atacar escândalos de seu passado tem tido efeito sobre o eleitorado republicano?

Sim. Trump tem uma base devota de apoiadores, mas aparentemente não conseguiu expandi-la. Hillary enfatiza seus aspectos negativos para motivar o eleitorado a votar nela, até mesmo os que não têm qualquer entusiasmo em relação a ela.

Que tipo de cobertura da imprensa é possível esperar em caso de vitória de cada um dos candidatos?

Se Trump vencer, o que volto a dizer que é altamente improvável, enfrentará uma cobertura midiática crítica em relação a qualquer coisa que faça. Hillary também enfrentará um rigoroso escrutínio. Muitos na imprensa não gostam particularmente de sua figura, mas desgostam ainda mais da de Trump.

oglobo.globo.com | 01-11-2016

RIO - A criação de um certificado internacional de segurança para a indústria hoteleira é uma das medidas em estudo pelo setor, como reação aos ataques terroristas registrados no Velho Mundo, que vêm afetando o mercado de turismo de diferentes países da região. Para reforçar sua atratividade, os hotéis se submeteriam à certificação, nos mesmos padrões do selo de sustentabilidade.

Para a École Hôtelière de Lausanne (EHL), uma das principais escolas de hotelaria do mundo, não está claro se os efeitos dos atentados e de outras mudanças a nível global vão se cristalizar sobre o setor do turismo ou apenas exigirão que ela se adapte. De qualquer forma, é preciso mudar.

BV Terrorismo

A entidade está para publicar seu “Relatório de Lausanne”, em que traça cenários para o futuro do setor. O trabalho considera não somente as consequências dos ataques terroristas, como também das mudanças climáticas e dos fluxos de migração que, ressalta a EHL em nota enviada ao Boa Viagem, não têm precedentes:

“Nos vários cenários traçados pelo relatório, há os que dizem que a indústria se tornará cada vez mais frágil, e há os que apontam para maior flexibilidade e capacidade de adaptação. Só o tempo dirá. Precisamos é capacitar futuros líderes para enfrentar esses novos desafios”.

O turismo na França é um dos que mais vêm sentindo os efeitos do clima de insegurança. Haja vista o Louvre, que estima que perderá até dois milhões de visitantes este ano. Tudo se intensificou a partir de janeiro de 2015, quando, em ataque ao semanário francês “Charlie Hebdo”, 12 pessoas foram mortas em Paris.

Só a França teve, depois, duas tragédias de grandes proporções: o massacre simultâneo no Bataclan e outras duas áreas da Grande Paris (há um ano) e em Nice (julho último). A partir dali, a queda de pernoites no país chegou a 10%, com redução de 20% na Riviera Francesa, no pós Nice.

Turquia e Bélgica também sofreram sérios ataques entre janeiro e março deste ano. Resultado: o turismo da região se vê diante de atentados relativamente próximos, que dificultam sua recuperação. Pesquisa da ForwardKeys, empresa especializada na análise de Big Data para o setor de viagens, mostra que caíram em média 7,7% as reservas feitas por chineses para a Europa, de meados de novembro de 2015 até meados deste mês. Para Paris, perda de 23,4%.

Enquanto isso, países percebidos como mais seguros, como Portugal, Espanha e Dinamarca, ganham destaque — tanto entre turistas das Américas, quanto asiáticos. Portugal chama atenção. Em cinco anos, a percepção de segurança do país deu um pulo: no Índice Global da Paz (Global Peace Index), calculado pelo Instituto para Economia e Paz, nossos patrícios subiram do 16º lugar de 2012, para a 5ª colocação este ano.

A República Tcheca, agora em sexto no ranking, também teria se beneficiado desse desvio de rotas, acredita Luiz Fernando Destro, diretor do escritório de turismo tcheco no Brasil: o país tem tido expansão anual de 3% a 5%. A Rússia é outra que identifica ganhos: Segundo a pesquisa da Forwardkeys, as reservas feitas por asiáticos para Moscou cresceram 23%.

RESORTS E CRUZEIROS, OPÇÕES QUE SE DESTACAM

Quanto vai custar a criação de um certificado internacional é uma das questões em debate entre os especialistas. E até que ponto os turistas estariam dispostos a pagar por maior segurança, também. Diante do novo cenário mundial, a indústria hoteleira passou a se debruçar sobre estudos para desenvolver planos de segurança e melhorar infraestrutura e logística próprias.

Investir em resorts e cruzeiros — ou em outros tipos de hospedagens menos expostos ao perigo — é uma tendência. Até porque os riscos se diferenciam entre os estabelecimentos. Hotéis próximos a locais públicos, que podem ser alvo de terrorismo, como aeroportos, são considerados mais vulneráveis. Na outra ponta, cresceu a procura por regiões de praia e sol, informa o Turismo da Suíça.

Aliás, a Suíça é outro país que subiu no ranking do Índice Global da Paz, passando do 10º lugar, em 2002, para a 7ª posição em 2016. O indicador, que inclui 163 nações este ano, considera o nível de paz de cada país, segundo os graus de segurança, interna e externa, e militarização.

Entre os países que tiveram piora de desempenho nos últimos cinco anos — além da França, que foi do 40º lugar para o 46º — estão a Bélgica (de 11º a 18º) e a Turquia, que já tinha sérios problemas de segurança e deixou a 130ª colocação para passar a 145ª. No caso do Egito, a perda de posições foi maior, de 111º para 142º.

Para a Ásia, via Dubai

— O que está acontecendo é triste e injusto para com os destinos do norte da África, que dependem do turismo e estão sofrendo muito — lamenta Filipe Silva, conselheiro do Turismo de Portugal, ao analisar o cenário atual principalmente no Egito, acrescentando que as pessoas, num primeiro momento, evitaram pegar avião. — Deram preferência a ficar perto de casa ou pela vizinhança. E, assim, observamos um acréscimo no fluxo de turistas para Portugal.

Silva diz ainda que as companhias aéreas sentiram uma forte retração no início do ano e agora estão se recompondo. Só que parcialmente:

— Se formos comparar com 2015, ainda há déficit.

No caso de nós brasileiros — que sentimos a tensão, mas de longe — a crise econômica foi o principal fator de desaceleração do mercado este ano. Considerando especificamente os atentados, diz Marco Lourenço, diretor da operadora de viagens Queensberry, registrou-se uma pequena estremecida em relação a viagens para a Europa e quem perdeu mesmo foi a Turquia:

— A Turquia zerou!

Um roteiro que vem crescendo na operadora é o direcionado ao Sudeste asiático. Via Dubai. Ou seja, nada de Paris, Londres ou Frankfurt.

ENTREVISTA

Urs Eberhard: ‘A Europa, em geral, não se recuperou’

O turismo na Suíça está sofrendo os efeitos dos ataques terroristas à vizinhança. Afinal, muita gente costuma viajar ao país, combinando roteiros que incluem a França. O vice-presidente de Marketing do Turismo da Suíça, Urs Eberhard, ressalta ainda que, desta vez, ao contrário do usual, os turistas tendem a não esquecer dos acontecimentos com facilidade.

Segundo a OMT, o turismo na Europa cresceu 4% no primeiro trimestre do ano, mas com clara retração no caso dos países afetados pelo terrorismo. A Suíça não é um deles. Há efeitos sobre o país?

Sim, a Suíça está sendo afetada. Muitos turistas estrangeiros costumam combinar roteiros que incluem a Suíça e a França, principalmente Paris; muitos vão de Roma a Paris, via Suíça. Um grande número de visitantes asiáticos (de Japão e China) cancelou sua ida a Paris e, assim, também à Suíça. Mas a Suíça ainda é percebida como um lugar seguro, e as viagens domésticas e de países vizinhos registraram alta no verão. Além disso, tivemos crescimento de turistas americanos.

Os turistas estão realmente assustados? A vida parece voltar rapidamente ao normal em lugares que recebem ataques terroristas, como ocorreu na Londres de 2015.

As pessoas costumam esquecer rapidamente, sim, e os lugares afetados normalmente respondem com ações de marketing e promoções, que logo equilibram o mercado. No entanto, se estamos diante de vários ataques num curto período de tempo e existe uma ameaça de ataques permanentemente, as pessoas tendem a adiar viagens ou a optar por destinos tidos como seguros. A série de incidentes em meses próximos na França, Bélgica, Alemanha e Turquia fez com que esses países, assim como a Europa em geral, ainda não tenham se recuperado.

Há destinos “se beneficiando” dessa situação? Quais?

Espanha, Ilhas Baleares, Itália e Grécia são os ganhadores. Os viajantes estão evitando o sul da França, a Turquia, o norte da África e têm procurado opções de sol e praia.

oglobo.globo.com | 27-10-2016

O presidente Michel Temer disse, por meio de seu porta-voz, que não deu a entender que teve um encontro bilateral com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante a cúpula dos Brics, realizada no fim de semana em Goa, na Índia.

"Houve apenas uma pergunta que lhe foi dirigida e a qual o presidente respondeu que informalmente pôde conversar por cerca de uma hora e meia com o presidente Vladimir Putin. Esta conversa abrangeu temas como a PEC do Teto, pela qual se interessou o presidente russo, bem como a Reforma da Previdência e a economia brasileira em geral", afirmou.

Segundo o porta-voz Alexandre Parola, "no contexto desta troca de ideias" Temer pediu ao presidente russo a libertação professor Eduardo Rocha, detido na Rússia, no fim de agosto, por trazer em sua bagagem substância ayahuasca. De acordo com Parola, neste momento da conversa, Temer chamou o ministro das Relações Exteriores, José Serra, para informar que havia mencionado o tema. "O presidente Putin reagiu declarando que pedia ao seu ministro de relações exteriores para tratar do assunto", afirmou.

A mensagem oficial reforçou ainda que os dois líderes "tiveram ocasião, portanto, para discutir temas de relevo para a relação bilateral, bem como de trocarem impressões sobre tema da agenda global".

Temer foi o único chefe de Estado e de governo a não ser recebido em encontro bilateral pelo presidente da Rússia durante a cúpula dos Brics. Em diplomacia, a reunião bilateral é uma deferência política ou um gesto de proximidade e, não raro, de simpatia entre dois dirigentes políticos. O russo se reuniu em Goa com o presidente da China, Xi Jinping, com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e com Jacob Zuma, da África do Sul, mas não teve encontro bilateral com Temer durante os dois dias em que estiveram na Índia para a cúpula.

Segundo o canal de informação Russia Today, a escolha de não se aproximar de Temer se deu em virtude da "mudança brusca", como se referem ao impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff. Em Tóquio, ao chegar da Índia, o presidente brasileiro não se referiu à falta de encontro com Putin, mas insinuou, ao contrário, uma certa aproximação com o líder russo.

BRASÍLIA, SÃO PAULO E RIO - O Banco Central (BC) cortou ontem a taxa de juros básica da economia (Selic) em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, conforme expectativa da maioria dos analistas do mercado financeiro. Foi a primeira redução desde agosto de 2012, quando a Selic recuou de 7,5% para 7,25%. A diminuição da Selic, sem viés, foi aprovada por unanimidade pelos membros do Comitê de Política Monetária (Copom). Em comunicado divulgado após o fechamento do mercado, o BC, apesar de ter deixado uma aberta a janela para intensificar o corte de juros, adotou um discurso de cautela ao colocar como condicionantes a celeridade da implementação do ajuste fiscal e o recuo mais rápido da inflação. O cenário atual, segundo o Copom, “é compatível com uma flexibilização moderada e gradual”. Economistas consideraram o movimento um sinal para o mercado e ressaltaram a importância das medidas de ajuste fiscal para uma efetiva recuperação da atividade econômica.

copom 2010

A recente queda na inflação, além das expectativas do mercado, favorecida pela redução dos preços dos alimentos e o baixo nível da atividade, mesmo que ainda abaixo do esperado, com a economia em “alto nível de ociosidade”, estão entre os principais motivos que levaram o BC a reduzir a Selic. Os primeiros passos no processo de ajuste fiscal — como a aprovação, em primeiro turno na Câmara, da proposta de emenda constitcional (PEC) que cria um teto para o gasto público — também foram levados em consideração pelo Copom. Para o BC, no entanto, esse processo ainda é longo e incerto. Outra preocupação se refere ao período prolongado de inflação alta, com expectativas acima da meta, que pode tornar mais lenta a convergência de preços para a meta, de 4,5%.

“O Comitê entende que a convergência da inflação para a meta para 2017 e 2018 é compatível com uma flexibilização moderada e gradual das condições monetárias”, diz o comunicado do BC. “A magnitude da flexibilização monetária e uma possível intensificação do seu ritmo dependerão de evolução favorável de fatores que permitam maior confiança no alcance das metas para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos-calendário de 2017 e 2018.”

No texto, a autoridade monetária reitera que o cenário externo continua favorável aos países emergentes. Mas ressalta que as incertezas em relação ao crescimento da economia global persistem, especialmente o comportamento dos juros nos EUA.

Economistas consideraram o início cauteloso do processo de alívio monetário uma sinalização importante para as expectativas dos agentes econômicos, mas que não terá qualquer efeito imediato para a retomada da atividade. A resolução da crise fical, com a adoção de um teto para os gastos e a reforma da Previdência, é o que servirá de alavanca para a economia. Assim, avaliam, números melhores para o Produto Interno Bruto (PIB) só virão em 2017.

De acordo com Alberto Ramos, economista para a América Latina do Goldman Sachs, o início do ciclo de queda de juros é parte do processo para consertar os desequilíbrios macroeconômicos do país.

— De tudo o que está posto, o mais importante é a questão fiscal. E, ainda, nada está ganho. O juro não resolve os problemas da economia. Ou se resolve o problema fiscal, ou a economia vai se dar mal, como ocorreu nos últimos anos — afirmou Ramos, resaltando ainda que “a aceleração para o ritmo de 0,5 ponto percentual certamente não está no piloto automático”.

Info Selic 19-10

Professor de economia do Ibmec-RJ, Daniel Sousa concorda:

— O efeito da queda dos juros na atividade é muito pequeno. A redução da taxa é muito mais um indicativo para o mercado, é um sinal, algo que contribui para a melhora das expectativas.

Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do BC, estima que a Selic seja cortada em pelo menos mais 4 pontos percentuais até o fim de 2017, levando a taxa aos 10% ao ano. Segundo ele, a perspectiva é de um período de juros menores mais duradouro que o observado em 2012.

— Quando o Banco Central começou a baixar os juros numa conjuntura de preços fixos e conjuntura maligna, ele deu um tiro no pé. Agora, é outra conjuntura, é benigna — explicou Freitas.

Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, também vê espaço para mais quedas, mas acredita que o BC será um pouco mais cauteloso, levando a taxa a 11,25% ao ano até o ano que vem. Ele espera mais um corte de 0,25 ponto na próxima reunião e, depois, seguidas reduções de 0,5 ponto:

— O BC está olhando à frente. Acho que ele não foi mais agressivo porque tem essa incerteza, especialmente na questão fiscal, a PEC do teto de gastos tem mais três votações e ainda há a reforma da Previdência. Acho que, especialmente por conta do fiscal, eles decidiram ser mais comedidos agora.

copom2 2010

Para a economista Alessandra Ribeiro, da consultoria Tendências, a queda de juros tende a ajudar a retomada da economia na medida em que estimula os bancos a oferecerem mais crédito. Mas, pondera, não é possível esperar “uma avalanche de empréstimos” como no passado recente.

O corte de ontem é “muito pequeno para estimular o crédito”, segundo Tatiana Pinheiro, economista do banco Santander. Em sua visão, a redução de ontem é o início de um ciclo de queda da Selic, que traz “efeito marginal na atividade econômica, mas um efeito positivo em cima da expectativa”.

Otto Nogami, professor do MBA Insper, observa que a aprovação da PEC do teto dos gastos do governo é fundamental, porque alivia a necessidade de financiamento do déficit do setor público, liberando recursos para investimento no setor produtivo.

— Por enquanto, não vemos investimentos para aumentar a produção. E isso será fundamental quando a inflação recuar e os juros caírem para atender o crescimento da demanda — afirmou Nogami.

Alessandra, da Tendências, diz que as projeções da consultoria são de que a economia cresça 1,5% em 2017. Ainda pesa o mercado de trabalho ruim.

— Com esse nível de desemprego a renda dos trabalhadores fica comprometida. E temos a inflação rodando acima de 8%, o que é muito alto — afirmou ela.

O início do processo de redução dos juros é aguardado há meses, principalmente por causa do efeito benéfico que um alívio monetário pode ter sobre a atividade. A expectativa, no entanto, é que exista uma defasagem entre o corte de juros e a retomada do crescimento.

— Os primeiros impactos devem começar a ser vistos no primeiro trimestre de 2017 — afirmou Thais Zara, economista-chefe da Rosenberg Associados.

BRASIL AINDA TEM MAIOR JURO REAL

Para Bruno Fernandes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o varejo — que acumula queda de 6,6% no acumulado do ano até agosto — deve demorar a perceber, porque a queda da Selic demora a impactar o bolso do consumidor.

— O crédito deve se manter ainda alto por um bom tempo, a gente tem um spread alto ainda por causa de inadimplência. As condições não são boas. O final do ano já está praticamente contratado e gente espera Natal com resultado negativo em relação ao ano passado — explicou Fernandes.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, elogiou a decisão do Copom:

— Se o Banco Central decidiu fazer isso, significa que há condições. É positivo porque é uma decisão técnica e autônoma e que significa que estamos no caminho para ter uma inflação na meta. Essa é a grande notícia na questão da inflação.

Assim como fez com a decisão da Petrobras de reduzir o preço da gasolina, Meirelles alfinetou o governo Dilma Rousseff ao falar em autonomia. Dilma foi criticada várias vezes por ter pressionado o BC.

— Foi uma decisão do Banco Central, que é uma instituição que tem autonomia operacional. A decisão foi divulgada enquanto eu estava em reunião. Ainda não vi o comunicado para saber as razões que o Banco Central teve para decidir isso. Mas não há dúvida que, se o BC decidiu fazer isso, foi depois de uma análise criteriosa que abreviou a possibilidade de se começar um processo flexibilização de política monetária.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, comemorou a decisão do Copom em sua conta do Twitter: “A confiança na retomada da economia anda a passos largos. Avante.”

De forma reservada, outro ministro de Estado preferiu comemorar a decisão do Copom de forma cautelosa. Segundo ele, a conjutura atual é ainda muito complicada, e a retomada da confiança na economia dependerá da capacidade do governo em votar as medidas de ajuste fiscal e do comportamento da inflação. Mas reconheceu que a inflação deu uma trégua.

Entidades empresariais e centrais sindicais comemoraram a decisão, mas criticaram a timidez do corte. Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), afirmou que faltou ao BC coragem para um corte maior. Para a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), “a continuidade e a intensidade” da redução “dependem da concretização da agenda fiscal”. E o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (SD-SP), presidente da Força Sindical, disse que o Copom “acertou no remédio, mas errou na dose”.

Levantamento feito pelo economista Jason Vieira, da Infinity Asset Management, que compara a taxa de 40 países, mostra que o Brasil permanece na liderança com folga, com juro real de 8,49% ao ano. Em segundo lugar está a Rússia, com juro real de 4,27% ao ano.

Info Efeitos na economia real

oglobo.globo.com | 20-10-2016

WASHINGTON - O terceiro e último debate entre Hillary Clinton e Donald Trump, transmitido na quarta-feira de Las Vegas, foi mais polido que as edições anteriores, mas ainda assim marcado por fortes ataques entre os candidatos. Houve muito menos interrupções e momentos tensos e, muitas vezes, coube ao mediador fazer as perguntas polêmicas. De acordo com a pesquisa realizada pela CNN após o debate, 52% dos entrevistados consideram que Hillary venceu o confronto.

O clima menos pesado abriu espaço para a comparação de propostas — principalmente sobre economia —, algo que quase não ocorreu nos dois primeiros embates. Os dois, no entanto, não se cumprimentaram em nenhum momento do encontro. Questionado se aceitaria o resultado das eleições, Trump manteve o suspense e disse que “iria decidir na hora”.

As ofensas aconteceram do meio para o fim do debate e começaram a esquentar quando o mediador, Chris Wallace, da Fox News, questionou Trump sobre as mulheres que o acusaram de molestá-las sexualmente:

— Essas histórias foram amplamente desmascaradas. Talvez elas quisessem fama — rebateu o republicano, aproveitando para atacar Hillary: — Tenho a sensação de que sua campanha que fez isso. Se você seguir o que Hillary está dizendo, você pode pegar o bebê no nono mês e rasgar para fora do útero da mãe

Trump afirmou que “ninguém” respeita mais as mulheres que ele, provocando risos na plateia. No fim do encontro, ele ainda chamou a adversária de “uma mulher desagradável”.

— Toda vez que Donald é pressionado ,ele nega sua responsabilidades, nunca pede desculpas. E isso não é apenas com as mulheres.

Na pergunta sobre a Fundação Clinton — suspeita de tráfico de influência por receber doações de empresas e países enquanto Hillary era secretária de Estado — Trump foi à forra:

— Ela fala que defende os direitos dos gays, das mulheres, mas sua fundação recebeu recursos da Arábia Saudita, Qatar e de países que punem os gays, que matam as mulheres. Por que você não devolveu este dinheiro? Seria um grande gesto.

A democrata lembrou que sua fundação tem projetos como o tratamento de HIV, enquanto a Fundação Trump “pegou o dinheiro das pessoas para comprar um grande retrato de Donald”.

— Tudo o que fiz como secretária de Estado foi em prol do interesse de nosso país e de nossos valores — disse, tentando se esquivar da resposta: — Mas estou feliz de falar sobre a Fundação Clinton, uma instituição de caridade de renome mundial.

Em um dos momentos polêmicos, questionado se aceitará o resultado das eleições, Trump afirmou que “vai ver isso no momento”, e passou a atacar a mídia, que segundo ele persegue sua campanha. Hillary disse que é “horripilante” que qualquer revés seja classificado por ele como uma fraude. E aproveitou para dizer que o republicano era contra Ronald Reagan nos anos 1980, tentando atrair parte do voto conservador, que vê no ex-presidente um ídolo.

Os ataques começaram quando discutiam o aborto. Trump diz que indicará juízes “pró-vida” para a Suprema Corte:

— Se você seguir o que Hillary está dizendo, você pode pegar o bebê, no nono mês, e rasgá-lo para fora do útero da mãe. Não é OK para mim.

Hillary contra-atacou explicando que não é o que acontece nestes casos:

— Utilizar este tipo de retórica do medo é terrivelmente infeliz. Você deve conhecer algumas das mulheres que foram afetadas. Ele nem mesmo sabe o que acontece, ele pensa que os médicos são uns monstros.

Confira: O QUE COBRIMOS DURANTE O DEBATE

Partiu do mediador Chris Wallace questionar Hillary sobre o vazamento de suas palestras, feitas pelo WikiLeaks. E citou um trecho que de uma palestra privada a um banco brasileiro, quando disse que “sonhavam com um continente americano sem fronteiras”. Na campanha, a candidata tem se posicionado contra os tratados comerciais.

— Eu estava falando de energia. Nós comercializamos mais energia com os nossos vizinhos do que o resto do mundo junto — rebateu, criticando a espionagem que permitiu a divulgação de seus textos.

Trump voltou a defender a construção de um muro na fronteira com o México e disse que recebeu o apoio de mais de 200 generais e almirantes. Foi a deixa para Hillary tratar da relação do republicano com a Rússia.

— Você é um fantoche de Putin — acusou, reafirmando que ele não é preparado para ser presidente.

O magnata, por sua vez, disse que o russo “a enganou” sobre a guerra na Síria e que “claro” que condena qualquer interferência da Rússia.

— Eu nem conheço Putin, nunca me encontrei com ele, mas posso dizer que ele é mais esperto que você e que (o presidente Barack) Obama. Vladimir Putin não tem respeito por esta pessoa.

Mais calmo que nos outros encontros, e sem interromper com tanta frequência sua oponente, ele ainda ressaltou que é orgulhoso de receber o apoio da Associação Nacional de Rifles (NRA, na sigla em inglês) e afirmou que é contra qualquer restrição às armas, citando o caso de Chicago — cidade que tem algumas das leis mais restritivas para armas e, mesmo assim, é uma das mais violentas do país.

Hillary reiterou que apoia a Segunda Emenda — que garante o direito ao porte de armas — mas que não se pode esquecer que há por ano 33 mil mortes por tiros nos EUA, e que precisa haver algum tipo de restrição, como melhorar a pesquisa sobre antecedentes criminais e proibir a venda para pessoas que estejam na lista de suspeitos de ligação com o terrorismo.

Democratas temem ‘já ganhou’

As horas que antecederam o debate foram de boas notícias para os democratas. Novas pesquisas indicavam que a vantagem de Hillary sobre Trump cresceu, tanto em nível nacional quanto nas simulações em estados até então indefinidos, além das projeções do Colégio Eleitoral. Nacionalmente, Hillary apareceu no levantamento da Bloomberg com 47% das intenções de voto, nove pontos a mais que Trump (38%), seguidos pelo libertário Gary Johnson (8%) e pela verde Jill Stein (3%). A Universidade Quinnipiac deu vantagem de sete pontos para a democrata. Na média de pesquisas calculadas pelo Realclearpolitics, ela tem 6,2 pontos sobre o magnata.

Mas as sondagens estaduais foram mais comemoradas. No Arizona, tradicionalmente republicano, Hillary apareceu 5 pontos à frente de Trump. Na Carolina do Norte, duas pesquisas davam a ela dois pontos de vantagem. Em New Hampshire, a democrata tem oito pontos a mais; sete em Wisconsin; e quatro na Pensilvânia. Segundo a CNN, Hillary teria, hoje, 307 delegados, 37 a mais que os 270 mínimos para eleger-se. E Trump, apenas 179 votos do Colégio Eleitoral. Ainda há 52 em disputa, em Ohio, Arizona, Utah e Carolina do Norte. À exceção do primeiro estado, os outros três eram considerados votos certos para os republicanos no início da campanha.

Estes resultados têm ampliado o clima de “já ganhou”, que assusta e preocupa o Partido Democrata. Como o voto não é obrigatório nos EUA e o índice de rejeição a Hillary é de mais de 50%, há o temor de que muitos, ao acreditarem que Trump está fora do jogo, não compareçam às urnas. O que pode ser decisivo em estados onde a margem da candidata não é tão grande. As pesquisas mostram, ainda, que os eleitores de Trump são mais empolgados, com mais chance de irem votar, do que os de Hillary. Em entrevistas, a democrata afirma que a eleição ainda está aberta e pede aos americanos que votem. O mesmo têm feito os integrantes de peso do partido, como o presidente Barack Obama.

Trump passou o dia de ontem tentando fazer pegar, pelo Twitter, seu novo bordão: “Vamos drenar o pântano”, referência à “reforma ética” que promete fazer, controlando o lobby em Washington e criando um limite de mandatos que um congressista pode ter. Nesta reta final, além de se declarar vítima, ele tem se colocado, novamente, como um outsider, estratégia que funcionou no ano passado, no início do processo de primárias republicanas.

oglobo.globo.com | 20-10-2016

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer afirmou, em entrevista à imprensa logo após desembarcar no Japão, que o controle da dívida pública brasileira só será alcançado dentro de dois a três anos. Segundo dados divulgados na segunda-feira pelo Tesouro Nacional, o estoque da dívida pública federal em agosto chegou a R$ 2,9 trilhões.

TEMER JAPÃO

— Ela [dívida] é de difícil controle, não é? Mas talvez não impossível — afirmou.

Perguntado sobre uma declaração que teria sido feita por Moreira Franco (secretário do Programa de Parceiras e Investimentos) de que a dívida seria "absolutamente incontrolável", o presidente respondeu:

— Ao longo do tempo, penso que o ministro Moreira quis dizer, é que neste momento vai ser difícil. Não há dúvida que nesses dois, três próximos anos, não é fácil controlá-la, mas que nós estamos trabalhando para o absoluto controle lá para frente, não tem a menor dúvida disso. Medidas estão sendo tomadas, não é?

Temer disse que, por outro lado, a proposta de emenda constitucional (PEC) que limita os gastos públicos está sendo bem vista por outros países. Segundo ele, durante a cúpula do Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), houve grande interesse, principalmente, de russos e indianos pelo tema.

— O que eu pude perceber foi o seguinte: não só o primeiro-ministro indiano (Nahendra Modi) se interessou, como o presidente russo (Vladimir Putin) se interessou vivamente, tanto que eu dei explicações mais variadas sobre o nosso projeto. Até porque, é interessante, há identidade muito grande de questões econômicas entre a Rússia e o Brasil — afirmou.

Ele disse que foi ao Japão para reforçar as relações com o país asiático em conversas com autoridades, investidores e empresários japoneses. Um dos pontos fortes que Temer destacará em relação ao seu governo é que este está promovendo o recomeço do Brasil.

— O que eu pretendo trazer é exatamente este, digamos, vou chamar de recomeço do nosso país, que se baseia fundamentalmente na ideia do diálogo. Se eu tivesse uma palavra-chave para o governo, eu diria que a palavra é diálogo. Diálogo com o Congresso Nacional — e um diálogo muito frutífero, como puderam perceber, porque nós já conseguimos aprovar muita coisa no Congresso Nacional ao longo destes meses. Inclusive, uma questão mais complicada, como a questão do teto dos gastos públicos, que foi aprovado por grande maioria.

Temer citou, ainda, o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Disse que o programa será apresentando ao primeiro-ministro Shinzo Abe e aos empresários daquele país.

— Vamos trazer também a notícia de que nós teremos absoluta segurança jurídica em todos os contratos que se estabelecerem no nosso país, que temos portanto, ao levar investimento estrangeiro para lá, juntamente com investimento do capital nacional, nós queremos preservar os contratos.

Já em entrevista a jornalistas japoneses, Temer voltou a enfatizar a interação entre o governo e o Congresso. Lembrou que, após a PEC dos gastos, o Executivo se prepara para enviar ao Legislativo sua proposta de reforma da Previdência.

— E quando falamos desses dois projetos — primeiro teto dos gastos, depois a reforma da Previdência — é para, em primeiro lugar, combater o desemprego. Portanto, dar emprego a muitos desempregados. E, em segundo lugar, fazer com que aqueles que hoje contribuem para a Previdência Social possam bater às portas do governo daqui a alguns anos e poder receber as suas pensões.

oglobo.globo.com | 18-10-2016

O ministro das Relações Exteriores, José Serra, disse que a queda dos índices de preços pode levar à redução das taxas de juros "nos próximos". "Vai acontecer, dadas as condições atuais de retração da inflação e alguns casos como o da Petrobras", complementou, referindo-se ao anúncio, pela estatal, da redução do preço da gasolina e do diesel a partir deste sábado, 15. O Comitê de Política Monetária, que decide a taxa básica de juros do País, a Selic, concluirá sua próxima reunião na quarta-feira, 19.

Em participação na Cúpula dos Brics, na Índia, Serra também elogiou o esforço do governo Temer para aprovar a PEC do Teto de Gastos, que restringe o crescimento das despesas da União à inflação do ano anterior. Ele afirmou que, "no atacado", a adoção do teto é positiva, sobretudo do ponto de vista da política fiscal e das expectativas dos agentes econômicos. A proposta foi aprovada em primeiro turno na Câmara e deve passar por mais uma entre os deputados e duas entre os senadores.

"Tendem a melhorar muito as expectativas, que são uma condição para o crescimento. É preciso também ter outras condições de financiamento, abertura de comércio, para que haja crescimento", apontou o ministro.

Na avaliação do chanceler, a economia vai logo entrar numa nova rota de retomada de expansão com a política do governo de buscar o reequilíbrio fiscal e recuperar a área social, que segundo ele foi muito prejudicada com a recessão. "Para adiante temos que atrair o investimento, que é o que vai gerar emprego, mais renda, receita governamental. A prioridade é o investimento", destacou Serra. " Não é por menos, aliás, que insistimos aqui com a Índia para concluir o acordo de facilitação de investimentos e estamos fazendo isso por toda a parte. Isso é fundamental."Mais cedo, Michel Temer havia dito que a superação da crise econômica brasileira está 'desenhada': "será a combinação da responsabilidade fiscal com a responsabilidade social". "Promoveremos, sim, o ajuste das contas públicas. Estamos estabelecendo um teto de gastos, que será inscrito na própria Constituição", disse Temer. O presidente destacou que o governo enviará ao Congresso em breve uma proposta de reforma da Previdência Social, a fim de tornar o sistema de benefícios para quem se aposenta "sustentável e mais justo".

Encerramento oficial

A Declaração de Goa, o comunicado final da VIII Cúpula dos Brics, defendeu o uso de todos os instrumentos de gestão macroeconômica, como os monetários e fiscais, sejam eles adotados de forma individual ou conjunta, para que os países membros do grupo possam atingir o objetivo de crescimento forte, sustentável e inclusivo. "A política monetária continuará a apoiar a atividade econômica e assegurar a estabilidade dos preços, de forma consistente com os mandatos dos bancos centrais", destaca o documento.

"Contudo, a política monetária sozinha não pode gerar o crescimento sustentável e equilibrado", aponta a declaração dos Brics, ao ressaltar o papel essencial de reformas estruturais. "Enfatizamos que as políticas fiscais são igualmente importantes para apoiar nossos objetivos comuns de crescimento." O texto aponta também que efeitos colaterais de políticas adotadas por países avançados podem trazer impactos adversos às perspectivas de expansão do PIB de economias emergentes.

"Reconhecemos a necessidade do uso de medidas na área de política tributária e gastos públicos numa forma mais amigável ao crescimento, considerando o espaço fiscal disponível, a fim de promover inclusão e garantir a sustentabilidade da dívida como proporção do PIB."

O comunicado dos Brics também destacou a importância de investimentos públicos e privados em infraestrutura, incluindo conectividade, para viabilizar o crescimento sustentável no longo prazo. Neste contexto, foi citada a relevância de adoção de mecanismos de financiamento para estes projetos de longa maturação, com o apoio de bancos multilaterais de desenvolvimento.

"Destacamos a aprovação dos primeiros financiamentos do Novo Banco de Desenvolvimento, particularmente em projetos de energia para os países dos Brics", apontou a documento. "Estamos satisfeitos que o Acordo Contingente de Reservas tem fortalecido a rede de proteção financeira global."

A declaração fez uma menção sobre a eventual criação de uma agência de classificação de risco para atuar junto ao grupo formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. "Avaliamos como bem-vinda a posição de especialistas sobre a possibilidade de definir uma agência de rating independente dos Brics, orientada por princípios de mercado, com o objetivo de fortalecer de forma adicional a governança global."

GOA, Índia - O banco de desenvolvimento do Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, aumentará o volume de empréstimos dos atuais US$ 911 milhões para US$ 2,5 bilhões no ano que vem. A declaração foi dada na VIII Cúpula do grupo, realizada neste fim de semana, na Índia.

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- Vamos ser uma organização ágil para atender os nossos países - prometeu o presidente da instituição financeira, KV Kamath. - Estamos nos preparando para trabalhar com velocidade.

No encontro realizado neste domingo, ele disse que o banco aceita ter um observador do Conselho Empresarial dos Brics. Esse conselho fez várias propostas aos chefes de Estado. Uma delas é fazer uma rede de investidores-anjo para criar um ecossistema de startups para promover a inovação nos cinco países.

O presidente da China, Xi Jinping, disse que o Brics tem de aproveitar ao máximo as próprias vantagens. Para ele, a inovação é o alicerce para o crescimento econômico e também para particularmente dar um grande salto no nosso progresso.

- Temos de ter ideias inovadoras. Temos de apoiar a implementação de estratégias inovadoras e desenvolvimento dos nossos países para reestruturação econômica para promover o crescimento e assegurar os países Brics no caminho de desenvolvimento econômico firmemente - afirmou. - Os países Brics estão entrando numa nova fase. Agora, estamos enfrentando desafios, mas também estamos enfrentando oportunidade para um futuro mais brilhante.

O tamanho do mercado formado do Brics foi um dos aspectos levantados pelo presidente russo, Vladimir Putin. Ele lembrou que os cinco países tem uma população de três bilhões de pessoas. E frisou que o seu país está interessado em estreitar relações.

- A Rússia quer contribuir para estreitar laços com o Brics. Temos de melhorar o acesso a mercados - afirmou.

Já o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, foi além. Ressaltou que o comércio não pode ser apenas de produtos básicos.

- Precisamos coordenar investimentos e comércio de produtos de maior valor agregado - frisou ao citar áreas como seguros, resseguros, infraestrutura e geração de energia.

*Enviada Especial

oglobo.globo.com | 16-10-2016

GOA, Índia - O presidente Michel Temer voltou a destacar neste domingo a necessidade de equilibrar as contas públicas para que o Brasil volte a crescer e, com isso, gerar empregos. Em discurso durante encontro privado dos chefes de estado e de governo dos Brics em Goa, na Índia, Temer afirmou que a responsabilidade fiscal é questão urgente no país uma vez que o desarranjo das contas públicas é "a causa-mor da crise que enfrentamos".

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— A superação da crise econômica brasileira está desenhada: será a combinação da responsabilidade fiscal com a responsabilidade social — afirmou ele. — No Brasil de hoje, responsabilidade social significa, antes de mais nada, empregos. Só teremos emprego com crescimento, e só teremos crescimento com o equilíbrio das contas públicas.

No discurso, o presidente afirmou que em breve será enviado ao Congresso Nacional a proposta de reforma da Previdência, com o objetivo de eliminar privilégios, e lembrou o novo modelo de parcerias com o setor privado como fator de geração de empregos e melhora da infraestrutura.

— Já começamos a colher os frutos. O Brasil começa a entrar nos trilhos. As previsões para a economia brasileira em 2017 já melhoraram...Já é possível verificar positiva reversão de expectativas, com decidida elevação nos níveis de confiança dos agentes econômicos — completou Temer.

O presidente brasileiro também referiu-se à questão do terrorismo, manifestando solidariedade aos países dos Brics — grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — que tenham sofrido ataques.

Também neste domingo, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, afirmou que os líderes dos países do grupo foram unânimes em reconhecer a ameaça apresentada pelo terrorismo às economias globais.

oglobo.globo.com | 16-10-2016

GOA, Índia - Na tentativa de atrair investimentos para o Brasil, o presidente Michel Temer disse a uma plateia repleta de empresários que eles encontrarão no Brasil um país com estabilidade política, com respeito aos contratos e com grande mercado consumidor. Sem fazer referência ao governo passado, ele ressaltou que as agências reguladoras brasileiras voltaram a funcionar. As declarações foram dadas no encontro do Conselho Empresarial do Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, neste domingo.

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— Convido, portanto, as empresas dos países do Brics a investirem no Brasil, a participarem desse nosso novo momento. As senhoras e os senhores encontrarão um país com estabilidade política, com segurança jurídica e com grande mercado consumidor — falou o presidente.

Ele ainda disse que faz votos que as empresas que já mantêm investimentos no Brasil ampliem sua presença.

— Minhas palavras, já que falo para empresários, são de otimismo quanto à recuperação da economia brasileira. Nosso governo está empenhado em promover reformas que trarão de volta o crescimento e o emprego.

No discurso, o presidente registrou que o governo está empenhado em melhorar o ambiente de negócios. Prometeu “desburocratizar processos, reduzir custos de operação e zelar pela previsibilidade e pela segurança jurídica”. Informou que foi lançado o programa de parcerias de investimentos e disse que a iniciativa é fundada em regras estáveis. Detalhou os setores em que o país procura parceiros: portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, energia, óleo e gás. E deu mais garantias.

— As agências reguladoras voltarão a ter papel efetivo de supervisão.

Michel Temer disse que com as primeiras medidas adotadas, já é possível constatar sinais da volta da confiança. Lembrou que a inflação dá sinais de desaceleração. E encorajou os empresários brasileiros a conhecerem mais as oportunidades de negócios existentes nos demais países do grupo. E disse que o relacionamento entre empresa dos países do Brics devem ser cada vez mais constante e incentivado pelo conselho empresarial do grupo.

— Os senhores podem contar com o renovado compromisso do Brasil com o diálogo entre o Brics e o setor privado. Estudaremos as propostas deste conselho com grande interesse.

AMBIENTE PROPÍCIO PARA NOVOS INVESTIMENTOS

Durante a planária com os chefes de Estado, o presidente afirmou que o governo cria um ambiente propício para novos investimentos.

— O Brasil passa por momento de transformações. Estamos adotando ações para recuperar o crescimento e gerar empregos. Estamos aprimorando os nossos marcos regulatórios, reforçando a segurança jurídica, criando ambiente propício para novos investimentos.

Em relação ao comércio exterior, Michel Temer disse que o Brics podem avançar na remoção de barreiras não-tarifárias, como a simplificação de procedimentos aduaneiros e o reconhecimento mútuo de padrões e certificados. Neste domingo, foi assinado um acordo sobre o assunto.

— Barreiras sanitárias e fitossanitárias são sempre fonte de incerteza no comércio. Devemos impedir que essas medidas sejam utilizadas para fins protecionistas.

Frisou ainda que outro terreno promissor é a internacionalização das pequenas e médias empresas. Ele afirmou que, no Brasil, há medidas destinadas a ampliar o crédito a pequenas empresas, a apoiar operações de exportação e a capacitar pequenos empresários.

Disse ainda que, na área social, há boas perspectivas de avançar. Citou que no campo da saúde, o desenvolvimento de medicamentos e vacinas é assunto da maior relevância.

— Os Brics têm experiências exitosas a compartilhar. Maior engajamento nesse tema aproximará o grupo das demandas de nossas populações.

RESPONSABILIDADE SOCIAL

Temer disse que o caminho para o Brasil sair da recessão está traçado e inclui a responsabilidade social. E que essa é "um dever maior e uma tarefa urgente". Frisou que o Brasil começou a colher frutos das mudanças feitas e já entra nos trilhos.

— A superação da crise econômica brasileira está desenhada: será a combinação da responsabilidade fiscal com a responsabilidade social — frisou o presidente, que completou:

— Responsabilidade fiscal é, para nós, um dever maior e tarefa urgente. É dever maior porque, sem ela, põem-se em risco os avanços sociais do Brasil. É tarefa urgente porque o desarranjo das contas públicas é a causa-mor da crise que enfrentamos.

Disse ter consciência de que a responsabilidade fiscal, por si só, não basta. Falou que dela, é indissociável a responsabilidade social. São, segundo ele, como duas faces da mesma moeda.

— No Brasil de hoje, responsabilidade social significa, antes de mais nada, empregos. Só teremos emprego com crescimento, e só teremos crescimento com o equilíbrio das contas públicas.

De acordo com ele, a responsabilidade social traduz-se em serviços públicos mais eficientes e na revalorização de nossa proteção social. É, de acordo com ele, o que tem sido feito com saúde, educação e com programas de transferência de renda.

— Já começamos a colher os frutos. O Brasil começa a entrar nos trilhos. As previsões para a economia brasileira em 2017 já melhoraram.

Ele informou os demais líderes que o governo enviará ao Congresso Nacional, em breve, a proposta de reforma da previdência social para torná-la sustentável e mais justa. Disse que o país busca uma seguridade social que elimine privilégios e possa servir a todos, no médio e no longo prazo.

Sobre o cenário externo, ele disse aos líderes que instabilidade e incerteza são as marcas da realidade internacional. Disse que o mundo ainda se recupera da crise financeira global e que o Brics afirmaram-se como “esteio da reforma da governança financeira internacional”, mas desafios persistem. Ele citou como exemplo um retorno da tentação protecionista.

— Há que resisti-la. Há muito que podemos fazer para garantir mais comércio, mais crescimento e mais prosperidade.

Defendeu a reforma o Conselho de Segurança das Nações Unidas. E afirmou que o terrorismo é um dos grandes desafios atuais e que nenhuma pessoa ou lugar está imune a esse flagelo.

Ainda comentou a questão do conflito na Síria. Disse que fez abater-se sobre a população civil uma das mais graves crises humanitárias de nosso tempo. Defendeu que é responsabilidade da comunidade internacional encontrar uma solução política.

oglobo.globo.com | 16-10-2016

GOA, Índia - Numa longa conversa durante o jantar desse sábado, o presidente russo, Vladimir Putin, questionou o presidente Michel Temer sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que limita os gastos públicos. Segundo a assessoria do Palácio do Planalto, o diálogo — que durou cerca de uma hora e vinte minutos — foi centrado no interesse do líder da Rússia pelas mudanças econômicas que ocorrem no Brasil. Além do ajuste fiscal, Putin também fez perguntas sobre o controle das expectativas de inflação.

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Os assessores informaram que o presidente russo fez comparações entre o processo inflacionário dos dois países nos últimos anos. No ano passado, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 11,67%. Já a inflação oficial na Rússia foi de 12,9%. No entanto, a alta de preços no Brasil tem dado sinais de maior resistência. Nos últimos 12 meses, o IPCA é de 8,48%. Na Rússia, é de 7,3%.

Por isso, os juros russos já começaram a cair. Ambas nações vivem um processo desinflacionário e tem metas parecidas para a alta de preços. Os objetivos dos dois países são similares. No Brasil, o objetivo é manter a inflação em 4,5% (com uma margem de tolerância de 2 pontos percentuais). Na Rússia, a meta para 2017 é de 4% com margem de tolerância de 5% a 6%.

— Putin pareceu muito interessado em saber dos avanços econômicos no Brasil. Perguntou sobre a inflação, mas queria saber, principalmente, do controle de gastos — disse um interlocutor do presidente.

Segundo ele, o presidente Temer foi interpelado sobre a estrutura do ajuste fiscal. Queria informações sobre como as despesas serão controladas com a PEC e até como que a matéria conseguiu ser aprovada pela Câmara dos Deputados. Na semana passada, o presidente Temer conseguiu uma vitória relevante ao aprovar a proposta por 366 votos a favor a 111 contrários.

A assessoria de Temer já está acostumada com o estilo Putin de indagações. Segundo assessores mais próximos, ele chega com fichas sobre os assuntos que tem interesse e não perde tempo com conversas introdutórias. Vai direto ao ponto.

Temer e Putin sentaram-se lado a lado no jantar dos chefes do Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), realizado no sábado à noite. Os dois conversaram por meio de interpretes.

Antes de a comida ser servida, Temer conversou com o presidente chinês, Xi Jinping. Sem tanta euforia quanto Putin, o líder da China também perguntou sobre as mudanças econômicas no Brasil. Os dois conversaram a respeito do momento atual da economia mundial.

oglobo.globo.com | 16-10-2016

GOA, Índia - Os goverrnos de Índia e Rússia assinaram neste sábado acordos bilionários nas áreas de energia e defesa, em uma cúpula que buscou reaproximar os laços entre os dois países, que vêm sendo testados pelas novas alianças globais e pelo conflito no Oriente Médio. No maior acordo, um grupo liderado pela estatal de petróleo russa Rosneft disse que pagará US$ 12,9 bilhões por uma fatia de controle da indiana Essar Oil e da infraestrutura portuária que ela possui.

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Os países, que tiveram fortes laços durante a Guerra Fria, anunciaram planos para se unirem na fabricação de helicópteros na Índia. O governo indiano disse também que comprará um sistema de mísseis terra-ar e fragatas invisíveis aos radares.

— A nossa é realmente uma relação única e privilegiada — disse o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, depois de conversas com o presidente russo Vladimir Putin, em Goa, cidade na costa leste do país.

O acordo Rosneft-Essar será a maior aquisição estrangeira na Índia, e o maior acordo desse tipo da Rússia no exterior, segundo dados da Reuters.

O pacto surge no momento em que a Rússia reafirma seu papel em assuntos globais e está com a sua própria economia estagnada, afetada por sanções do Ocidente e baixos preços do petróleo.

oglobo.globo.com | 15-10-2016

GOA /ÍNDIA — O presidente Michel Temer chegou na manhã deste sábado à Goa, na Índia, para a cúpula dos Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, neste final de semana. Acompanhado pela primeira-dama, Marcela, o presidente evitou a imprensa e foi direto para o quarto do hotel onde está hospedado.

— Agora, é madrugada lá. Falo à noite — prometeu Temer.

Na comitiva presidencial, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, afirmou que é favorável à criação de uma agência de classificação de risco (rating) para projetos dos Brics que serão financiados pelo banco do grupo. Como revelado pelo GLOBO nessa sexta-feira, o Brasil é o principal opositor à ideia. O Ministério da Fazenda brasileiro é contrário à proposta por considerar que ela não teria o respaldo do mercado financeiro.

— Eu em tese seria favorável, mas não está na agenda para ser aprovado. Há discussões e debates a esse respeito. Eu concordaria pelo ministério, mas não poderia dizer que essa é uma posição do governo brasileiro — disse o ministro.

Questionado sobre se esse é um momento crucial para o Brics, José Serra afirmou que não considera esse um momento crucial, mas “um daqueles decisivos”. Segundo ele, o grupo tem de cooperar com a recuperação da economia mundial.

— Se a economia mundial não caminha, os Brics estão caminhando. Se pudermos trabalhar conjuntamente, será uma contribuição fundamental. Não só para a gente, mas para o mundo inteiro — frisou o ministro.

José Serra ainda falou sobre a possibilidade de maior cooperação na área de medicamentos, como revelado pelo GLOBO no último domingo. Disse que o Brasil tem interesse. O primeiro passo é um acordo que será fechado entre os indianos e a Anvisa para a cooperação nesse setor, confirmado pelo ministro.

Após um breve descanso, o presidente e Serra participarão de um almoço com empresários. Estarão presentes, por exemplo, os presidentes da Vale, Murilo Ferreira; da Weg, Harry Schmelzer e da Perto, Thomas Elbing. Participarão ainda o presidente do Conselho Empresarial dos Brics e CEO da Marcopolo, José Rubens de La Rosa, o vice-presidente Global da Stephanini, Ailton Nascimento, o vice-presidente da Fiesp e presidente da Camara de Comércio Brasil-Índia, Roberto Paranhos do Rio Branco.

Marco Túlio de Oliveira Mendonça, gerente regional do Banco do Brasil para a Ásia também almoçará com o presidente. Assim como a secretária-executiva o conselho empresarial Brics/Confederação Nacional da Indústria (CNI).

oglobo.globo.com | 15-10-2016

Istambul, Turquia, 14/10/2016 – A Arábia Saudita e a Rússia vão colaborar e trabalhar com a Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), bem como com outros produtores, para melhorar o mercado em beneficio próprio, dos consumidores e da economia global, segundo o ministro de Energia saudita, JalidAl Falih, e seu colega russo, Alexander Novak. […]

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www.envolverde.com.br | 14-10-2016

NOVA YORK e PORTO PRÍNCIPE — O terrível terremoto de 2010, que matou mais de 200 mil haitianos, tinha magnitude de 7 graus na escala Ritcher. Na Nova Zelândia, um tremor semelhante com intensidade um pouco maior, de 7,2 de magnitude, poucos meses depois, não deixou vítimas fatais. De acordo com um estudo das Nações Unidas divulgado ontem, o número de mortos por desastres naturais é, em média, cinco vezes maior em países pobres do que em nações ricas. Entre 1996 e 2015, pelo menos 1,35 milhão de pessoas morreram por catástrofes do tipo — 90% delas em países pobres ou de renda média. Em seu relatório anual, também publicado ontem, Cruz Vermelha e Crescente Vermelho alertam para a capacidade de antecipar os desastres e assim reduzir seu impacto. O Haiti, que além do terremoto viveu um surto de cólera iniciado naquele mesmo ano e três anos de seca causados pelo fenômeno El Niño, foi o que registrou mais mortes nas duas últimas décadas: 229.699.

No caso do país, particularmente vulnerável em condições meteorológicas, os vínculos entre pobreza e catástrofes naturais são “muito claros”, de acordo com o representante especial das Nações Unidas para a Redução dos Riscos de Catástrofe, Robert Glasser.

— Considero realmente escandaloso e inaceitável que nós, à exceção do Haiti, tenhamos podido ver pela televisão como a tempestade se aproximava, enquanto era impossível avisar a população haitiana com alertas precoces. E quando se mandavam alertas, eles não serviam de nada pela falta de preparo da população — lamentou.

O documento da ONU, que contabiliza sete mil desastres naturais no período, mostra ainda que, além da pobreza, a falta de sistemas de alerta e prevenção agrava os casos. “Os países de renda alta registram enormes perdas econômicas, mas, nos países com baixa renda, as pessoas pagam com a vida”, alertou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em nota.

Mais desastres ligados ao clima

Entre 1991 e 2010, foram perdidos US$ 846 bilhões (R$ 2,3 trilhões) em catástrofes. E cerca dez milhões de pessoas estão expostas a riscos possíveis de serem previstos.

“As necessidades humanitárias atingiram níveis sem precedentes. Conseguir mais dinheiro não é suficiente para crises futuras. Algo tem de mudar. Investimentos de prevenção devem ser levados mais a sério”, diz o relatório da Cruz Vermelha.

Em setembro, líderes mundiais concordaram em reduzir a pobreza até 2030. Yolette Etienne, coordenadora executiva da ActionAid no Haiti, lembra que o país é o mais pobre e desigual nas Américas e um dos mais pobres do mundo.

— As zonas rurais, que foram mais afetadas já têm muito pouco acesso à saúde, educação, água e saneamento básico. O suprimento de alimentos é baixo, o que é agravado pelo impacto da seca e da persistência do cólera em várias regiões — afirma ao GLOBO. — As necessidades mais urgentes agora são alimentos, água potável e abrigo.

O relatório mostra ainda que, se terremotos e tsunamis são os “maiores homicidas”, eles são seguidos de perto por desastres ligados ao clima. A mudança climática, aliás, desempenhou um papel importante em 2015, o ano mais quente já registrado: quase o mesmo número de pessoas que morreram no terremoto no Nepal — cerca de cinco mil — foram vítimas de ondas de calor no ano passado no mundo. Os desastres relacionados com o clima mais que dobraram ao longo dos últimos 40 anos, passando de três mil a 6.392.

“Um tipo diferente de megadesastre vem aumentando, quase em segredo, graças à mudança climática. Terremotos ainda podem dominar as manchetes e as estatísticas, mas os desastres relacionados ao clima são mais difíceis de calcular, devido a baixa notificação em países mais pobres, especialmente sobre a mortalidade por ondas de calor”, indica a ONU.

Depois do Haiti, os países com maior número de mortes ligadas a catástrofes naturais são Indonésia, afetada pelo tsunami de dezembro de 2004 no Oceano Índico, e Mianmar, varrido pelo ciclone Nargis em maio de 2008. Na sequência, aparecem China, Índia, Paquistão, Rússia, Sri Lanka, Irã e Venezuela. Dentre os 20 países mais afetados também aparecem nações ricas como França, Itália, Espanha e Japão.

(Colaborou Marina Gonçalves)

oglobo.globo.com | 14-10-2016

BRASÍLIA - Embalado pela vitória na primeira votação da proposta de emenda constitucional (PEC) que limita os gastos públicos na Câmara dos Deputados, o presidente Michel Temer usará seu primeiro discurso na reunião do Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) neste fim de semana , no estado indiano de Goa, para defender a política de ajuste fiscal e dizer que sua prioridade é a retomada do crescimento econômico. Segundo informações obtidas pelo GLOBO, Temer afirmará que o governo faz um amplo esforço para reordenar a economia nacional e citará iniciativas que já estariam em curso, como a reforma da Previdência e também a trabalhista, que já teria sido descartada , pelo menos temporariamente , comentam fontes do governo.

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Temer dirá que essas reformas são ponto importante do ajuste amplo e sustentável . Dirá que esses ajustes criar ão condições para a retomada do crescimento . O presidente ressaltará que só as intenções do governo e as primeiras mudanças (feitas após o afastamento da presidente Dilma Rousseff) já surtiram efeito na economia real. Ressaltará que houve uma reversão de expectativas dos agentes econômicos e uma alta de confiança.

Ele afirmará, entretanto, que o crescimento não pode estar baseado somente em aumento da estabilidade fiscal ou até dos fluxos de comércio. Dirá que a retomada depende também de estratégias de modernização e de inovação.

REFORMAS NA ONU

P ara a plateia de chefes de Estado, Temer mencionará a necessidade de ajustes nos organismos internacionais, tema caro e antigo para o Brasil. O presidente dirá que, n o Brics, há interesses comuns no aprofundamento das reformas de governança e quotas. Falará que, nos últimos anos, os países emergentes assumiram papel fundamental e propositivo na economia global. E que, agora, as instituições financeiras internacionais não podem prescindir de maior participação dos países emergentes. Por isso, é preciso que haja mudanças.

Ressaltará ainda a necessidade de reforma das Nações Unidas. O argumento do presidente será que os países do Brics são membros fundadores da ONU e querem contribuir para a paz e o desenvolvimento mundial. Há anos, o Brasil tenta uma vaga permanente no Conselho de Segurança da entidade.

Na oportunidade, Temer deve dizer que é “frustrante” que a reforma do conselho ainda não saiu. Afirmará ainda que esse fórum deveria expandir seu número de membros permanentes e não permanentes para adaptar-se à realidade geopolítica atual.

De acordo com fontes ouvidas pelo GLOBO, o presidente argumentará que o Brics é o espaço ideal para a retomada da discussão sobre a constituição de “ecossistemas de inovação” inclusivos, dinâmicos e cooperativos. Com a intenção de atrair investimentos dos demais países do bloco , ele dirá que o Brics pode encontrar “sinergias” entre as economias integrantes do grupo para aumentar os sistemas nacionais de inovação.

Michel Temer dirá que o G-20 já tem um Plano de Ação sobre Inovação do G20, que reconhece a importância da tecnologia para o desenvolvimento sustentável e promove a cooperação entre países . Destacará que o plano tem em vista, entre outros horizontes, a melhor inserção da mulher no mercado de trabalho futuro. Sugerirá que o mesmo deva ser feito entre o Brics.

Temer ainda afirmará que o grupo deve avançar na cooperação em saúde e no acesso a medicamentos. Dirá que o Brasil espera que o Brics possa desenvolver iniciativas comuns , com foco na ampliação do acesso a medicamentos essenciais, tema que considera de extrema relevância para todos.

O GLOBO informou , na edição do último domingo , que um acordo na área de medicamentos está sendo costurado pelo Brasil. Em primeiro lugar, será fechada uma cooperação na área de saúde. A ideia é avançar para a quebra de patentes de medicamentos caros.

Michel Temer também ressaltará avanços recentes como o Acordo de Paris, o qual classificará como um tratado ambicioso, equilibrado e duradouro, para questões do clima.

oglobo.globo.com | 13-10-2016

BRASÍLIA - O governo brasileiro começou a negociar um acordo entre o Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) para produzir, comercializar e baratear medicamentos. O foco são os remédios de alto custo, caso daqueles que tratam doenças crônicas como a Aids. Segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, os cinco países discutem como quebrar patentes e fabricar os medicamentos com um custo menor.

Esse é um dos temas que estarão nas conversas da 8ª Cúpula do Brics, que será realizada no próximo fim de semana em Goa, na Índia. Os países devem debater quais tipos de medicamentos podem entrar em um acordo de livre comércio. A discussão não é simples. Afinal, cada nação tenta proteger a sua própria produção. Esse acordo ainda está em fase inicial e não deve ser concluído no encontro.

— É uma discussão que está no início, mas que é muito importante e pode significar uma revolução para a distribuição de medicamentos de alto custo entre o Brics. Mas ainda temos um longo caminho de negociação — disse uma alta fonte do governo brasileiro.

EFEITO EM ATÉ DEZ MEDICAMENTOS

Inicialmente, um acordo de quebra de patente incluiria um número limitado de medicamentos. Seria algo entre cinco e dez remédios que não são produzidos pelos países do Brics. Se vingar, cada país será responsável pela fabricação de um ou dois itens e deve fornecer para os demais integrantes do grupo.

A ideia desse acerto para a troca de tecnologias entre os países foi levada pelo Brasil ao encontro da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Nos bastidores, as conversas têm sido conduzidas pelo ministro das Relações Exteriores, José Serra, que tem experiência no assunto.

Em 2001, em meio a uma guerra de preços com laboratórios, Serra ameaçou quebrar patentes de medicamentos para a Aids, mas não precisou cassar a licença. Ao verem que os cientistas de Manguinhos tinham condições de desenvolver os produtos, os laboratórios farmacêuticos responsáveis passaram a negociar reduções de preços. Na época, Serra era ministro da Saúde do governo Fernando Henrique Cardoso. De acordo com fontes ouvidas pelo GLOBO, ele tem usado a experiência brasileira como exemplo.

A patente garante ao inventor de um produto os direitos de reprodução e comercialização de seu invento. No Brasil, a patente pode ser quebrada em caso de interesse nacional.

O Brasil também quer exportar o modelo de genéricos. No entanto, há grandes diferenças entre os modelos de saúde dos países. Na Índia, por exemplo, não há laboratórios públicos como no Brasil. Isso encarece o remédio fornecido para a população, porque sobre o produto público não há incidência de impostos.

PROPOSTA DEPENDE DE AVAL DE INDIANOS

Um grande acordo como esse tem um longo caminho a percorrer antes de ser fechado. O que deve ser assinado na cúpula de Goa é um memorando de entendimento em cooperação e regulação de produtos farmacêuticos entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o órgão correspondente na Índia. Após muita negociação, o texto está pronto e espera o aval dos indianos para ser fechado. É o primeiro passo para o acordo de comércio e investimentos na área de medicamentos.

Ajustes são acordados por uma equipe de diplomatas e representantes da Anvisa. O objetivo inicial é firmar a cooperação com os indianos, mas a tratativa não tem sido fácil.

Desde 2013, o governo indiano quer avançar na proposta de um acordo com o Brasil. Essa é uma das prioridades da Índia no relacionamento entre os dois países. Com a crise política e a indefinição de qual seria o governo no Brasil, o diálogo foi suspenso.

As conversas foram retomadas em junho, já no governo interino do presidente Michel Temer. Foram apresentadas três propostas de memorandos de entendimento pelo governo indiano, nas áreas de medicina tradicional e homeopatia, plantas medicinais e cooperação universitária. Uma cátedra de medicina indiana deve ser criada no Brasil. O Ministério da Saúde apresentou uma contraproposta, mas, pouco antes da reunião bilateral, ainda não havia resposta dos indianos.

Brasil é grande importador

O Brasil tem interesse no acordo, considerado estratégico pela Anvisa por causa do perfil da indústria farmacêutica indiana, sobretudo no setor de genéricos, dos quais o Brasil é grande importador. Com o acerto, seria possível facilitar o processo de inspeção e promover o reconhecimento de inspeções homologadas.

A equipe de Temer deve fechar o acordo bilateral no início da semana que vem. Uma reunião entre o presidente brasileiro e o primeiro-ministro Narendra Modi deve selar o entendimento. Os dois países têm muito em comum: ambos buscam implementar reformas estruturais para aumentar a competitividade.

O encontro entre os dois chefes de Estado acontecerá após a reunião do Brics. É o oitavo encontro do grupo. Desde 2012, já foram anunciadas iniciativas como a criação de um banco de desenvolvimento e um contingente de reservas. Desde que a Índia assumiu a presidência do bloco, há alguns ruídos entre os membros.

— Há interesse da Índia em avançar em assuntos nos quais não há consenso — diz uma fonte do Itamaraty.

Nesse sentido, a cúpula em Goa é vista como uma chance de estabelecer novos entendimentos.

oglobo.globo.com | 09-10-2016

Os principais índices acionários de Nova York fecharam em queda nesta sexta-feira,7, com Wall Street digerindo o relatório de emprego (payroll) de setembro mais fraco do que o esperado e reagindo à queda dos preços do petróleo.

O Dow Jones fechou em queda de 0,15%, aos 18.240,49 pontos, e também acumulou perdas na semana, de 0,37%. Já o S&P 500 recuou 0,33%, aos 2.153,74 pontos, e perdeu 0,67% na semana. O Nasdaq caiu 0,27% e fechou aos 5.292,41 pontos, queda acumulada de 0,37% na semana.

As ações estáveis que pagam dividendos lideraram as perdas, com os investidores se acostumando à ideia de que é provável um aumento dos juros nos EUA antes do fim do ano. Num primeiro momento, os dados mais fracos do que o esperado do payroll levaram certa volatilidade aos ativos, mas muitos analistas passaram a ponderar que o indicador não foi fraco o suficiente para mudar a percepção de aperto monetário em dezembro.

Os dados do Departamento de Trabalho mostraram que a economia norte-americana criou 156 mil vagas em setembro, o ganho mais modesto desde maio. O número ficou abaixo da previsão de 170 mil feita por analistas consultados pelo Wall Street Journal. A taxa de desemprego também registrou leve avanço, para 5,0%, de 4,9% em agosto, uma consequência do avanço da taxa de participação na força de trabalho, que subiu de 62,8% para 62,9%.

Além disso, os preços do petróleo tiveram queda nesta sessão, após a Rússia esfriar a possibilidade de entrada no acordo preliminar anunciado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de corte na produção. A queda da commodity pressionou o setor de energia, que caiu 0,46%, mas afetou ainda mais o setor industrial, que recuou 1,21%.

Segundo operadores, no entanto, a queda não foi inesperada devido à falta de convicção acerca dos ganhos recentes do petróleo. "A expectativa é de que a commodity vai cair novamente", afirmou Kent Engelke, estrategista-chefe da Capitol Securities Management. Fonte: Dow Jones Newswires

RIO E ARGEL - A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) acertou ontem a redução da produção de seus membros, o primeiro acordo do tipo em oito anos. Os países que integram o cartel, que responde por 40% do petróleo global, terão uma produção conjunta entre 32,5 milhões e 33 milhões de barris por dia, contra os atuais 33,24 milhões de bpd. A notícia fez os preços da commodity saltarem mais de 5% e puxou as Bolsas mundiais. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) avançou 1,67%, aos 59.355 pontos, enquanto o dólar, que ficou a maior parte do dia em alta, inverteu seu movimento e encerrou em queda de 0,30%, cotado a R$ 3,221. Na mínima, atingiu R$ 3,2150.

— A Opep tomou uma decisão excepcional hoje. Depois de dois anos e meio, a Opep chegou a um consenso para administrar o mercado — disse à agência Reuters o ministro de Petróleo do Irã, Bijan Zanganeh, após a reunião na capital da Argélia. — Decidimos reduzir a produção em cerca de 700 mil barris por dia.

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A decisão sobre quanto cada país vai cortar de sua produção será tomada na próxima reunião formal da Opep, em novembro. O Irã, que até pouco tempo enfrentava sanções econômicas, não precisará congelar sua produção. No encontro de novembro, o cartel vai convidar países não membros, como a Rússia, a aderirem ao movimento.

PREÇOS DO PETRÓLEO SALTAM MAIS DE 5%

Com a notícia do acordo, o barril do Brent, referência internacional, saltou 5,92%, a US$ 48,69 — na máxima, chegou a US$ 48,96, uma alta de 6,5%, segundo a Bloomberg. Já o WTI, negociado em Nova York, avançou 5,33%, a US$ 47,05.

— O corte é claramente otimista — disse à agência Bloomberg Mike Wittner, diretor de Mercado Petrolífero do Société Générale.

O acordo terá efeitos para além dos membros da Opep, pois vai melhorar as perspectivas tanto para as petrolíferas, como Petrobras, quanto para economias fortemente dependentes do petróleo, como Rússia e Arábia Saudita. O governo saudita registrou, no ano passado, um déficit de US$ 98 bilhões, e está sendo obrigado a cortar salários do funcionalismo. O país é o maior produtor da Opep e um dos maiores do mundo, com 10,7 milhões de bpd.

— A notícia surpreendeu muito, porque o rumor que circulava no dia era que não haveria qualquer acordo. Então, o mercado caminhava meio avesso a risco, com a fala da presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) sugerindo que o aumento de juros no país estaria mais provável. Quando a notícia da Opep se confirmou, o mercado se movimentou rápido, com o salto do petróleo puxando as ações americanas e pressionando o dólar para baixo — explicou Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora. — Não significa que o petróleo vai para a casa dos US$ 100, mas é uma ótima notícia para a Petrobras e para as empresas do Brasil em geral.

Com a disparada súbita do petróleo, as ações da Petrobras deram um salto. Os papéis ordinários (ON, com direito a voto) fecharam com alta de 4,64%, a R$ 15,33, enquanto as preferenciais (PN, sem voto) avançaram 5,56%, a R$ 13,85. Houve ainda outras razões:

— O mercado comemora o aumento, em 30 dias, do período de exclusividade nas negociações com a Alpek para venda da Petroquímica Suape e Citepe — ressaltou Celson Plácido, estrategista-chefe da XP Investimentos.

Mas a maior alta foi da petroquímica Braskem, cujo papel PNA avançou 10,29%, a R$ 25,41. Na terça-feira, o Conselho de Administração da empresa aprovou pagamento de dividendos de R$ 1 bilhão, ou R$ 1,237 por ação e R$ 2,51 por American Depositary Receipt (ADR). Só terão direito aos valores os investidores que mantiverem os papéis da companhia até o fechamento da próxima segunda-feira, e a distribuição começará no dia 11 de outubro.

A mineradora Vale também teve um dia de ganhos: as ações ON subiram 3,35%, a R$ 18,19, e as PNA avançaram, 3,61%, a R$ 15,80. A companhia informou previsão de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado entre US$ 4,5 bilhões e US$ 5,4 bilhões no segundo semestre, ante US$ 4,4 bilhões na primeira metade do ano. Entre as siderúrgicas, CSN ganhou 8,01%, e Usiminas, 6,41%.

No mercado de câmbio, o dólar passou boa parte do dia em alta depois de a presidente do Fed, Janet Yellen, reforçar a percepção de que a economia dos EUA está mais forte, embora tenha ponderado que “não existe um cronograma” para subir juros. Em depoimento no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes, Yellen afirmou que a expectativa é que a taxa de desemprego caia mais.

Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones, o principal da Bolsa de Nova York, avançou 0,61%. As ações da Exxon Mobil, a maior petrolífera do mundo, fecharam com ganho de 4,2%. Já o índice S&P 500, mais amplo, subiu 0,53%, e a bolsa eletrônica Nasdaq, 0,24%.

Os principais índices europeus, por sua vez, refletiram as declarações do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, que defendeu reformas estruturais para que os juros possam subir com segurança no futuro. O FTSE 100, de Londres, avançou 0,61%; o DAX, de Frankfurt, subiu 0,74%; e o CAC 40, de Paris, 0,77%.

Na Ásia, o índice Nikkei, de Tóquio, recuou 1,31%. Já a Bolsa de Xangai perdeu 0,34%, enquanto Hong Kong ficou estável.

*Com agências internacionais

oglobo.globo.com | 29-09-2016

As bolsas de valores de Nova York se recuperaram e fecharam em alta nesta terça-feira, 27, impulsionadas por ganhos nos setores de tecnologia e consumo, em um dia de dados positivos na economia americana. A percepção de a candidata democrata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, saiu vitoriosa no debate de ontem também ajudou os índices, mas o recuo dos preços do petróleo pressionou o setor de energia, limitando os ganhos da sessão.

O índice Dow Jones fechou em alta de 0,74%, para 18.228,30 pontos; o S&P 500 subiu 0,64%, para 2.159,93 pontos; e o Nasdaq avançou 0,92%, para 5.305,71 pontos.

Os papéis das companhias de tecnologia subiram 1,2% no S&P 500, beneficiados pela notícia de que o índice de confiança do consumidor dos EUA, medido pelo Conference Board, subiu a 104,1 em setembro, de 101,8 na leitura revisada de agosto. Este é o melhor nível desde a recessão. O resultado contrariou a expectativa de analistas consultados pela Dow Jones Newswires, que previam queda a 99,1.

As ações de companhias de viagem ganharam fôlego. A Carnival subiu 4,81%, a Royal Caribbean Cruises ganhou 4,76% e a TripAdvisor viu seus papéis avançarem 3,83%, ficando entre os maiores ganhadores do dia. Empresas do setor de construção também observaram um bom desempenho.

Hoje, a S&P/Case-Shiller informou que o índice nacional de preços de moradias nos EUA subiu 5,1% em julho ante igual mês do ano passado, após registrar alta anual de 5,0% em junho, segundo dados publicados nesta manhã. O dado adicionou bom humor no mercado acionário.

No entanto, os ganhos dos índices de ações foram limitados pela queda do preço do petróleo, depois que o Irã minimizou expectativas de um acordo de produção da commodity, chamando a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da Rússia, marcada para amanhã, de "consultiva".

A queda do petróleo também atenuou o bom humor do mercado - observado no início da sessão - com a percepção de que a candidata do Partido Democrata para a presidência dos EUA, Hillary Clinton, venceu o debate ontem contra o seu rival republicano, Donald Trump. A pesquisa da CNN/ORC mostrou que, entre os telespectadores que viram o encontro, 62% afirmaram que Hillary se saiu melhor e 27% disseram que foi Trump.

Na sequência do debate, o dólar caiu 2,3% contra o peso mexicano, que tem sido altamente sensível às eleições americanas, uma vez que uma possível vitória de Trump é vista como um mal negócio para o país latino, uma vez que o candidato anunciou planos para construir um muro entre as nações vizinhas.

Muitos participantes do mercado disseram que acreditam que uma vitória de Hillary ofereceria mais apoio a ativos de risco como ações - pelo menos no curto prazo - em razão de uma maior clareza de suas propostas e menos incertezas sobre acordos de comércio. (Com informações da Dow Jones Newswires)

QUITO — O presidente do Equador, Rafael Correa, disse, neste sábado, que espera que seja fechado um acordo entre os paises da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) na próxima reunião, que acontece na Argélia, entre segunda e quarta-feira, para estabilizar o mercado petrolífero, já que, do contrário, advertiu, o cartel poderia enfrentar ''graves'' riscos.

“É uma reunião por outros motivos, mas estão todos os membros da Opep. Esperamos ter reuniões informais e chegar a acordos para estabilizar o mercado de petróle”, disse Correa em seu habitual informe semanal. “Se não acontecer, as consequências podem ser muito graves. A própria Opep pode se desintegrar(...). Este problema não tem sido econômico, mas sim político e geopolítico (...) Inclusive há grave risco de os preços do petróleo despencarem de novo”, advertiu o governante.

O Equador apoia a postura da Venezuela, que insiste que os grndes produtores de petróleo devem chegar a um acordo para congelar os níveis de produção e fazer com que os preços subam, em meio a uma enorme escassez de suprimentos.

Nas últimas semanas, a ideia tem tido certa acolhida por parte de grandes produtores, como a Rússia, Arábia Saudita e até mesmo o Irã.

“Todos nós devemos estabilizar o preço do petróleo”, disse Correa.

O menor membro da Opep teve um sério impacto sobre sua economia com a queda dos preços do petróleo, o que obrigou o governo a novas fontes de financiamento para cobrir problemas de liquidez e reduzir os planos de investimento público.

oglobo.globo.com | 24-09-2016

Após um avanço acentuado na semana passada, o dólar fechou em queda nesta segunda-feira ante a maioria das principais moedas e algumas emergentes diante da expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) irá manter os juros na quarta-feira (21). Além disso, os investidores seguem atentos também à decisão de juros do Banco do Japão (Boj), marcada para o mesmo dia, e apontam ser quase improvável que o banco central anuncie alguma medida para conter a força recente do iene.

Dados mistos dos EUA ultimamente prejudicaram as expectativas para o Fed aumentar as taxas de juros em sua reunião de setembro, que acontece nos dias 20 e 21, pesando sobre o dólar. Taxas mais baixas tornam a moeda dos EUA menos atrativa para os investidores que procuram rendimento.

De acordo com uma compilação do CME Group com base nos Fed funds, a chance de o Fed elevar os juros nesta reunião é de apenas 12%.

Ao mesmo tempo, alguns investidores acreditam que o Banco do Japão ficou sem munição em sua batalha para impulsionar a economia do país, mantendo o iene em alta.

"As políticas dos bancos centrais devem conduzir as moedas esta semana", disseram os analistas do Standard Bank em nota aos clientes. "Esperamos que o Fed deixe sua política inalterada, o que poderia pesar sobre o dólar. O Banco do Japão, por outro lado, pode até anunciar algo, mas talvez não o suficiente para conter a forte alta do iene".

No final da tarde, o dólar caía a 101,82 ienes, de 102,37 ienes no fim da tarde de sexta-feira. O euro subia a US$ 1,1180, de US$ 1,1155 de sexta-feira, e a libra avançava a US$ 1,3039, de US$ 1,3019 de sexta. Entre as emergentes, o dólar recuou ante a dólar australiano e o rublo, da Rússia. Fonte: Dow Jones Newswires.
A economia da Rússia vai contrair entre 0,4% e 0,7% no terceiro trimestre ante o mesmo período do ano passado, de acordo com o banco central do país. Assim, o ritmo da economia em temos anuais ficará próximo ao do segundo trimestre, quando o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 0,6%. Em todo o ano de 2016, a economia está no caminho para encolher até 0,7% após perder 3,7% de seu valor no ano passado. Fonte: Dow Jones Newswires.
atarde.uol.com.br | 17-09-2016

FILADÉLFIA, EUA — Pela primeira vez discursando sozinho nesta campanha presidencial, o presidente dos EUA, Barack Obama, saiu em defesa da democrata Hillary Clinton em um comício desta terça-feira. Ele substitui no palanque a candidata, afastada por ordens médicas após ter sido diagnosticada com pneumonia. E tentou convencer seu diversificado leque de apoiadores de que a sua colega de partido merece o seu voto nas eleições de novembro. obamahillary

— Posso apenas dizer que eu estou muito a fim de eleger Hillary Clinton? — disse Obama à multidão, que o recebeu com entusiasmo em Filadélfia. — Não estou apenas seguindo a maré aqui. Eu quero muito, muito, muito eleger Hillary Clinton.

Nos últimos dias, cresceram os questionamentos sobre a saúde de Hillary depois que a candidata deixou mais cedo a cerimônia de homenagem às vítimas do 11 de Setembro. Republicanos e, em particular, o seu rival Donald Trump já levantavam dúvidas quanto às suas condições físicas para ocupar a Presidência.

No domingo, um vídeo, que circulou pelas redes sociais, mostrava a democrata visivelmente tonta e, amparada pelos seus assessores, com muita dificuldade de se locomover. O episódio rapidamente alimentou o discurso dos republicanos e chamou a atenção da imprensa. Hillary passa mal e deixa mais cedo cerimônia do 11 de Setembro

Logo em seguida, veio à tona que ela havia sido recentemente diagnosticada com pneumonia, mas não informou ao seu eleitorado nem interrompeu a campanha. Agora, por ordens médicas, ela passa alguns dias em repouso, enquanto líderes democratas — incluindo também o vice-presidente, Joe Biden, e a primeira-dama, Michelle Obama — falam em seu favor na disputa contra o republicano Donald Trump.

Em seu discurso, Obama também aproveitou para alfinetar mais uma vez o magnata. Ele criticou os elogios de Trump ao presidente russo, Vladimir Putin, por ter alto índice de aprovação em seu país. Recentemente, o magnata disse que o chefe do Kremlin era um líder superior a Obama.

— Pensem no que está acontecendo com o Partido Republicano — disse Obama. — E agora o candidato deles está por aí elogiando um cara, dizendo que ele é um líder forte porque ele evade países menores, prende seus oponentes, controla a imprensa e leva a economia a uma longa recessão.

Recentemente, o magnata disse que o chefe do Kremlin era um líder superior a Obama. A dois meses das eleições que designarão o sucessor de Obama, Trump insiste em sua vontade de transformar as relações com a Rússia, atualmente em seu nível mais baixo desde o fim da Guerra Fria.

oglobo.globo.com | 13-09-2016

WASHINGTON - Em dois anos, muitos analistas passaram da euforia ao descrédito sobre a América Latina, afirma Enrique Garcia, presidente do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF). E isso, segundo ele, piora com a situação política, que se apresenta como o maior risco para a região. Sem entrar no mérito do impeachment de Dilma Rousseff, o economista, cuja instituição aprovou no total US$ 12,2 bilhões (R$ 39,9 bilhões) em projetos no ano passado, lembra que os prognósticos agora são sombrios e adverte: um Brasil que cresce pouco não é um problema apenas para os brasileiros, mas para todo o continente.

— Para mim, o maior risco para a América Latina é sua situação política —afirmou o presidente ao GLOBO, na sexta-feira, em Washington, onde o CAF fez seu seminário anual. — E os desafios do Brasil são os mesmos da região: restabelecer a estabilidade política e o diálogo. Não vou entrar no juízo de valor do que aconteceu no país (impeachment de Dilma Rousseff), mas a missão deste novo governo é avançar para evitar que existam graves desequilíbrios macroeconômicos, além de criar uma agenda, para que a administração seguinte chegue com algum espaço de ação, além de atrair investimentos. caf1209

Garcia afirma que a falta de uma agenda de longo prazo é um dos principais problemas da região, e a crise política que afeta todos os países latinos de alguma maneira é o que mais impede este planejamento. Ele diz que é necessário fazer isso em um ambiente democrático, onde a ideia de país supere as disputas partidárias.

Somente com o retorno da confiança da sociedade nas instituições, que precisam de mais transparência e controle, será possível começar a mudar o prognóstico da região — que, segundo ele, não deve crescer mais que algo entre 2% e 3% ao ano nos próximos cinco anos, o que considera insuficiente para atingir o objetivo de reduzir o atraso latino em relação às economias desenvolvidas.

O presidente do CAF lembra que a América Latina segue como a parte mais desigual do mundo e que há um risco muito grande de que as pessoas que subiram para a classe média nos últimos anos regridam à pobreza caso a situação piore. Se o crescimento chinês e o apetite do país por produtos básicos geraram uma época de bonança para os países da América Latina, agora a região paga por não ter diversificado a economia, quando os preços destes produtos estão baixos. Isso explica parte dos problemas fiscais, ainda mais graves no Brasil, que vive uma das maiores recessões de sua história.

PARCERIA COM BANCO DO BRICS

Assim, na opinião de Garcia, o ajuste fiscal que o Brasil tem de fazer deve levar em conta a necessidade de investimentos para reposicionar o país, que precisa apostar em produtos de maior valor agregado, não apenas em matéria prima.

— Hoje, na média, a taxa de investimento da América Latina está em 20% do PIB. Precisamos de algo entre 26% e 27% para que a região cresça de forma sustentável, acima de 5% ao ano, para reduzirmos as distâncias dos países industrializados até 2030 — disse ele, boliviano que há 20 anos preside a instituição. — Mas o grande desafio é a baixa taxa de poupança dos nossos países. Até podemos aumentar isso um pouco, mas precisaremos atrair capital privado e investimentos externos.

Neste contexto, ele acredita que o CAF pode auxiliar. O banco — que já administra operações de crédito de US$ 2,6 bilhões no Brasil, e está preparando ou estudando outras frentes que podem somar US$ 3,3 bilhões em projetos —, quer intensificar sua atuação no país. Além de criar um fundo de investimento, a instituição está fazendo parcerias com o Novo Banco de Desenvolvimento, o chamado banco dos Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), para criar formas alternativas de captação de recursos:

— Podemos não só entrar com recursos, mas com nossa atuação atrair fundos de pensão, bancos e instituições estrangeiras — afirmou ele. — Nosso desafio é grande: precisamos duplicar os investimentos em infraestrutura e logística, e agora sem descuidar da sustentabilidade social e ambiental dos projetos.

Além disso, Garcia diz ser necessário relançar os projetos de integração da região, de forma mais pragmática, citando os impasses do Mercosul e da Unasul. Ele afirma que os líderes da região precisam de planos que durem mais que um ou dois mandatos presidenciais. Segundo o boliviano, só a volta da credibilidade nas instituições permitirá um avanço duradouro:

— Vemos um movimento nacionalista em vários locais, mas isso não vai durar — disse ele, que não se mostrou muito preocupado com uma eventual eleição de Donald Trump, que faz toda campanha baseado no nacionalismo, no protecionismo e na aversão aos latinos: — Em política tudo pode acontecer e, se há algo realmente bom nos Estados Unidos, é a força de suas instituições, com um legislativo poderoso e um Judiciário independente. O poder executivo não pode fazer o que quiser.

oglobo.globo.com | 12-09-2016

Com uma meta ousada de terminar em quinto lugar no quadro de medalhas, o Comitê Paralímpico Brasileiro acredita num sucesso duplo: de pódios e público. A expectativa é de mais de dois milhões de ingressos vendidos até o fim do evento, que começa hoje, com a cerimônia de abertura no Maracanã. Até o momento, foram cerca de 1,5 milhão de bilhetes comercializados. Destes, um número significativo foi para as competições do primeiro fim de semana, no Parque Olímpico, na Barra, que ultrapassou a venda da Olimpíada.

Paralimpíada esportes em 6 de setembro

— A cerimônia de abertura será muito importante, como foi na Olimpíada. Ela deu confiança ao público e aumentou a vontade de estar no evento. Tanto que houve um aumento de público na segunda semana se comparado com a primeira. Um dado importante é que já foram vendidos mais ingressos do primeiro final de semana dos Jogos Paralímpicos do que nos Olímpicos — destaca Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro.

Encabeçado pelo nadador André Dias, o Brasil irá com a maior delegação da história paralímpica, que vai participar de todas as modalidades, com 286 atletas, e o maior investimento de todos os tempos — foram cerca de R$ 350 milhões desde 2009, metade dos R$ 700 milhões do COB para o time olímpico. Por isso, a confiança de atingir o objetivo traçado lá atrás. Assim que o Rio ganhou o direito de sediar a Paralimpíada, em 2009, a meta do quinto lugar foi colocada sobre a mesa. Porém, ele ressalta que isso não é uma promessa. Outra posição no quadro de medalhas não poderá ser considerado como fracasso de antemão.

— Não fizemos projeção do que consideramos fracasso. O quinto lugar é o nosso alvo, uma forma de mensurar se conseguimos entregar os resultados que propusemos. Ainda não temos uma conta do que seria fracasso, do que seria bom ou seria ótimo, mas estamos firmes em buscar o quinto lugar — afirmou Parsons, que só fará essa avaliação após o dia 18. — Se ficarmos em sexto, não me parece um fracasso; se , ficarmos no mesmo sétimo lugar, temos que avaliar se tivemos mais medalhas, mais resultados. Terá que ser feita uma avaliação em cima da performance para sabermos se foi um fracasso ou um sucesso ou se mantivemos o mesmo lugar de Londres.

MINISTÉRIO GARANTE PARCERIA

Parsons evita quantificar as medalhas necessárias para chegar ao quinto lugar — o método de classificação usado pelo CPB é do total de ouros. Ele argumenta que houve mudanças no quadro geral no último ciclo e que a proibição da participação da Rússia embolou a disputa em algumas modalidades.

— Há uma diferença grande de quando se propôs ficar em sétimo em Londres (em Pequim-2008, o Brasil ficou em nono). A Austrália, por exemplo, ficou em quinto em 2008 com 23 medalhas de ouro; em Londres, conquistou 33 ouros e também ficou em quinto. Por isso, não fazemos projeções de medalhas de ouro nem total. Se projetássemos 25 ouros logo após Pequim, ficaríamos com o quinto lugar. Agora, não, nos dariam o mesmo sétimo lugar. O que temos feito é acompanhar o ranking em todas as modalidades. E a saída da Rússia vai dar uma embaralhada, pois muitas medalhas russas vão para os nossos adversários — explicou Parsons, que reconhece como principais concorrentes a Austrália, os Estados Unidos e a Alemanha.

O voo alto pretendido pelo CPB não pretende ser apenas um solo no Rio. O dirigente prevê crescimento contínuo, com resultados tão bons ou até melhores em Tóquio-2020.

— O quinto lugar é factível agora, e voos mais altos podem ser factíveis em 2020, pois vamos ter mais investimentos e o centro de treinamento paralímpico brasileiro — acredita Parsons, referindo-se ao equipamento construído em parceria com a união e o governo do Estado de São Paulo, que reúne 15 modalidades paralímpicas na capital paulista.

O ministro do Esporte, Leonardo Picciani, garantiu que a parceira da pasta com o comitê vai continuar. Porém, admite que o orçamento da pasta pode ter redução caso a crise econômica se mantenha no ano que vem.

— O ministério e o governo brasileiro vão investir cada vez mais no esporte paralímpico, que vem numa espiral crescente. Por lei, o CPB assegura 1% da receita bruta das loteiras, é uma fonte perene de receita que financia o desenvolvimento do esporte paralímpico. Reativaremos e ampliaremos dentro do possível e do nosso orçamento essa política de parceria com o comitê — declarou o ministro.

oglobo.globo.com | 07-09-2016

HANGZHOU (CHINA) — A boa notícia anunciada pela cúpula do G-20, encerrada nesta segunda-feira na cidade chinesa de Hangzhou, é que a economia mundial finalmente voltou a crescer. A má, porém, é que o ritmo está aquém do necessário. O problema é que novos desafios podem agravar a trajetória da recuperação quando associados aos riscos já conhecidos da volatilidade dos mercados financeiros, a oscilação dos preços das matérias-primas, a desaceleração do comércio internacional, a queda da produtividade e o desemprego. A reconfiguração geopolítica, com o aumento do fluxo de refugiados, assim como terrorismo e conflitos "complicam as perspectivas econômicas mundiais", segundo o comunicado final divulgado pelo grupo. G-20 05.09

— O nosso objetivo é retomar motores de crescimento do comércio e do investimento internacional — disse o presidente da China, Xi Jinping, durante a declaração de encerramento.

Pela primeira vez, os líderes do G-20 reconhecem no documento que o excesso de capacidade de produção de aço e em outras indústrias é um problema global que exige uma resposta coletiva. Para isso, será criado um fórum global para buscar soluções para o problema. O comunicado saiu depois de, na sexta-feira, o governo dos Estados Unidos decidir manter contra Brasil, Índia, Coreia do Sul e Inglaterra tarifas de importação de aço laminado a frio, determinando que os produtos vindos da Rússia não estão prejudicando a indústria norte-americana.

As tarifas impostas contra as importações de produtos dos quatro países são de até 58,36%. No caso do Brasil, as exportações para os EUA são feitas por CSN e Usiminas. A China responde por metade da produção anual mundial de aço de 1,6 bilhão de toneladas e vem tentando reduzir a estimativa de 300 milhões de toneladas de capacidade excedente. No entanto, a alta dos preços do produto vem estimulando o aumento da produção.

O comunicado destaca que os líderes do G-20 esperam que o Reino Unido e União Europeia (UE) sejam parceiros. Os britânicos votaram por separar-se do grupo europeu em junho deste ano. O combate ao protecionismo deu a tônica da cúpula, cujos integrantes representam 85% do PIB e dois terços da população do Planeta.

Nesta segunda, o presidente Michel Temer fez um pronunciamento sobre o crescimento inclusivo, uma das prioridades da pauta do G-20. Ele afirmou que não há desenvolvimento sustentável, sem a criação de empregos e a promoção do trabalho decente. Mas não deixou de dar o recado que veio trazer às 20 maiores economias do mundo em sua estreia na cena internacional. Garantiu aos interlocutores que o Brasil está reordenando a sua economia justamente para criar as condições de geração de empregos e que as medidas para tirar o paíse da crise em que se encontra já estão sendo tomadas..

— Não há crescimento sustentável e inclusivo sem a criação de empregos de qualidade e a promoção do trabalho decente — disse Temer em discurso durante almoço de trabalho na cidade chinesa de Hangzhou. — Temos de agir para criar empregos para nossas populações.

Debutante também na cúpula, a primeira-ministra britânica, Theresa May, pediu que os governos façam "mais para garantir que os trabalhadores realmente se beneficiem das oportunidades criadas pelo livre comércio." May tem pela frente o desafio de negociar as novas bases da relação britânica com a UE e com o resto do mundo. A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional Internacional (FMI), Christine Lagarde, juntou-se ao coro e disse que o crescimento era prioridade para a economia global.

— Precisamos de um maior crescimento, mas ele precisa ser mais equilibrado, mais sustentável e inclusivo para beneficiar todas as pessoas —disse.

oglobo.globo.com | 05-09-2016

HANGZHOU (CHINA) — Os antibióticos podem se tornar o pivô de uma disputa entre países ricos e nações em desenvolvimento nos próximos meses. O prejuízo que a resistência às superbactérias pode causar ao mundo nos próximos anos levou as 20 maiores nações do Planeta a incluir o tema na pauta econômica do G-20. Relatório do Reino Unido apresentado aos líderes do grupo na China mostraram a necessidade de se financiar as pesquisas por novos antibióticos pelos laboratórios, que alegam não terem lucros suficientes para investir eles próprios em inovação. Muitos indicam que o advento dos medicamentos genéricos teria reduzido ainda mais as suas margens de lucro. O Brasil foi o primeiro país a rejeitar a demanda, que também teve o sinal negativo por parte da Índia e da África do Sul. G-20 05.09

— Se os países desenvolvidos estiverem dispostos a financiar, não tenho nada contra. Mas, dependendo de como for tratado o assunto, pode-se acabar abrindo caminho para setores da indústria que querem subsídios inibir a concorrência dos genéricos — disse o ministro das Relações Exteriores, José Serra.

O comunicado final da cúpula do G-20 de Hangzhou manifestou em um parágrafo a preocupação com tema e determinou a criação de um grupo formado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para estudar respostas econômicas para o problema. A declaração, no entanto, acabou mais evasiva do que o desejado exatamente pelo fato de já ter provocado polêmica na primeira rodada de conversas.

O relatório encomendado pelo governo britânico e liderado pelo economista Jim O'Neill, o pai do termo BRIC ( grupo que até recentemente incluía Brasil, Rússia, Índia e China), sugere um plano que requer pelo menos US$ 2 bilhões em investimentos para estimular as pesquisas. Ele alega que a economia global perderá cerca de US$ 100 trilhões até 2050 e que uma pessoa morrerá a cada três segundos por conta das chamadas superbactérias. Uma das causas para a criação desses microorganismos resistentes seria o uso excessivo de antibióticos pelas pessoas.

O ministro brasileiro reconhece a importância das discussões, mas ressalta que há países em que a população não tem acesso a antibióticos. Segundo ele, o debate deve ser feito de maneira equilibrada e a conta não pode recair sobre os países em desenvolvimento. Ele destacou também que a discussão não pode ameaçar a conquista dos medicamentos genéricos.

— Por outro lado, neste caso, dependendo de quem esteja falando, até mesmo inibir a concorrência com os genéricos. Olhando do ângulo dos países em desenvolvimento a conquista que os genéricos trouxeram e a possibilidade de quebrar patentes tem que ser fortalecida e não enfraquecida. Tem que manter a ofensiva dos produtos genéricos.

O argumento brasileiro na cúpula do G-20 foi que os fundos para a pesquisa só poderão ser concedidos se não ficarem restritos aos grandes laboratório internacionais. Boa parte deles, por sinal, está baseada no Reino Unido. Os recursos teriam de ser destinados a pequenos laboratórios, sobretudo em países em desenvolvimento.

oglobo.globo.com | 05-09-2016

LANSING, EUA — A candidata democrata à Casa Branca, Hillary Clinton, prometeu nesta quinta-feira fazer “com que a economia dos Estados Unidos funcione para todos e não só para os que estão no topo”. Em um evento em Michigan, a ex-secretária de Estado apresentou as suas propostas econômicas caso seja eleita presidente. E, mais uma vez, aproveitou para alfinetar seu rival, Donald Trump, dizendo que a agenda do candidato republicano poderia levar o país à recessão.

— Somos resilientes, determinados e trabalhadores. Não há nada que os Estados Unidos não possam fazer se fizermos isso juntos — disse ela, para depois atacar Trump: — Ele não ofereceu soluções reais para problemas econômicos.

Sobre impostos, ela defendeu que “multimilionários não devem ser capazes de pagar uma taxa de imposto mais baixa do que os seus secretários”.

— Trump daria trilhões em cortes de impostos para grandes corporações, milionários e investidores de Wall Street — afirmou. — Trump quer eliminar o imposto imobiliário. O que isso significaria: sua família recebe um corte fiscal de US $ 4 bilhões. 99,8% dos americanos não recebem nada.

Uma das propostas de Hillary é investir US$ 10 bilhões em apoio à indústria americana. Opondo-se ao Tratado Trans-Pacífico, ela sugeriu que interromperia qualquer acordo que cause perda de empregos para os americanos.

— Como presidente, vou enfrentar a China e qualquer outra pessoa que tente tirar vantagem de trabalhadores americanos e empresas — afirmou.

Mais cedo, Trump acusou o presidente dos EUA, Barack Obama, e Hillary de serem os “cofundadores” do Estado Islâmico. Em resposta, a campanha da democrata classificou os comentários como uma “alegação falsa”.

“Esse é mais um exemplo de Trump falando mal dos Estados Unidos”, disse em comunicado o conselheiro político da campanha de Hillary Jake Sullivan. “O que é impressionante sobre os comentários de Trump é que, mais uma vez, ele ecoa os pontos que têm sido falados pelo (presidente da Rússia, Vladimir) Putin e por nossos adversários nos ataques aos líderes americanos e aos interesses americanos, ao mesmo tempo que fracassa em apresentar planos para combater o terrorismo e tornar este país mais seguro”.

HILLARY NA FRENTE

A democrata lidera as intenções de voto nas últimas 19 pesquisas do portal Real Clear Politcs. Na média, a ex-secretária de Estado obtém 48% dos votos contra 40% do milionário.

A campanha de Hillary tira vantagem do mau momento do republicano. Nas últimas duas semanas, Trump já enfrentou problemas por suas declarações sobre a Rússia e contra os pais de um ex-militar americano-muçulmano morto no Iraque.

Cada dia aumenta mais a lista de conservadores que se viram contra a candidatura de Trump. A maioria não diz por quem votará. Alguns asseguram ter eleito o candidato liberal, Gary Johnson, ou afirmam que escreverão simbolicamente na cédula de voto o nome de personalidades como Colin Powell, mesmo que não seja candidato.

oglobo.globo.com | 11-08-2016

RIO — Uma tentativa de golpe militar na Turquia. A Rússia em constante atrito com o Ocidente, ocupando a Península da Crimeia, lutando no Leste da Ucrânia e deixando em alerta os países do Báltico. Azerbaijão e Armênia ainda em conflito por Nagorno-Karabakh. Como é ser presidente de um país no meio disso tudo?

Estamos falando de uma das mais dinâmicas regiões do mundo, o Cáucaso, com os mares Cáspio e Negro ao redor. Uma região dinâmica não só hoje, mas historicamente. A Geórgia é um país que tem se defendido e mantido sua identidade por mais de dois mil anos. Somos uma nação com alfabeto próprio, nossa própria língua e história. A questão é que é uma região historicamente conturbada, com grandes impérios em conflito: o otomano, o russo, árabes, turcos, persas, bizantinos, mongóis. Esta é a região onde nossa história foi fundada, e onde fomos capazes de manter nossa identidade. De tempos em tempos, fomos ocupados por grandes forças, mas sempre mantivemos nossa identidade. Fomos uma república soviética, mas, depois do colapso (da URSS, em 1991), tínhamos muito bem definida nossa identidade histórica e geopolítica. E a nossa mensagem mais clara sobre como enxergamos o futuro do nosso país é na criação de pontes entre Europa e Ásia, entre grandes mercados, e temos tido sucesso nisto.

De que maneira?

Hoje, a Geórgia é parte crucial da cooperação energética entre o Oriente e o Ocidente. Até o fim de 2019, o Gasoduto Trans-Cáspio (TAP, na sigla em inglês, um duto submarino, atravessando o Mar Cáspio, de Cazaquistão e Turcomenistão ao Azerbaijão, que vai incrementar o fornecimento para a União Europeia) vai estar finalizado. E, até o fim do ano, teremos finalizado a linha ferroviária entre Geórgia e Turquia, que vai conectar Baku (Azerbaijão), Tbilisi (Geórgia) e Kars (Turquia), e conectar o sistema ferroviário asiático com o europeu. Temos também uma grande cooperação com os parceiros chineses, na criação da malha ferroviária Rota da Seda (prevista para conectar China à Ucrânia, via Cazaquistão, Azerbaijão e Geórgia). Estamos muito engajados também em integrar o comércio dos países da área do Mar Cáspio, como o mercado afegão, com as nações do Mar Negro. A Geórgia está contribuindo para desenvolver 14 nações da região. Esta é a nossa estratégia.

Como está a questão do movimento separatista de Abcásia e Ossétia do Sul? A Geórgia ainda pensa em ter de volta as duas regiões, que hoje contam com bases militares russas, após a ocupação em 2008?

É um grande problema. A Rússia violou todas as regulamentações e leis internacionais. Além disso, violou as boas relações entre nações vizinhas. É inaceitável quando uma grande potência, uma potência nuclear, decide que pode resolver disputas com operações militares. Infelizmente, assim é como os russos encaram suas relações na região. Aceitamos o fato de que a Rússia é um grande país, uma grande economia, mas não aceitamos o fato de que a Rússia não quer falar pelos caminhos diplomáticos e racionais, mas somente através de armas.

A Rússia é uma ameaça?

A Rússia é uma ameaça porque não construiu um diálogo baseado em interesses comuns. Você mencionou a situação de 2008, quando a Rússia ocupou partes da Geórgia: é uma das mais esquisitas guerras da História da Humanidade. Uma guerra sem vencedores. A Rússia não precisa destes territórios: eles são o maior país do mundo e não precisam mais daqueles quilômetros quadrados...

Não seria por conta da disputa entre Rússia e Ocidente?

Eu e você estamos tentando adivinhar por que eles foram à guerra. Talvez encontremos respostas hipotéticas. O fato é que eles receberam o repúdio internacional por conta desta agressão. E é uma tragédia para a Geórgia, porque nosso território foi ocupado e ninguém foi beneficiado. É uma guerra sem nenhuma lógica. E, infelizmente, não há lógica no que os russos fazem com os vizinhos.

O senhor teme outra invasão?

Eu não vejo nenhuma razão para a Geórgia... A Geórgia é uma nação amiga da Rússia, com uma exceção: a Rússia tem que respeitar as leis internacionais e respeitar a integridade do nosso território e da nossa soberania.

Mas, hoje, vocês não têm relações diplomáticas com os russos...

Sim, porque a Rússia não respeita nossa soberania e territorialidade. A Rússia, na política externa, vê os vizinhos como se fossem seu quintal. Não aceitamos isso. Somos uma nação com uma antiga história, anterior a Cristo, e vamos manter nossa identidade e território. Não vejo nenhuma razão pela qual a Rússia possa realizar operações militares na Geórgia. Ao mesmo tempo, vemos a Rússia utilizando cada vez mais o soft power (poder brando, o exercício de influência através da economia ou cultura), tentando influenciar politicamente a Geórgia, com uma clara propaganda focada nisso.

A proximidade entre os presidentes turco, Recep Tayyip Erdogan, e russo, Vladimir Putin, preocupa?

Isto é uma questão interna entre Rússia e Turquia. Somos parceiros estratégicos da Turquia, e vamos aprofundar isso, por conta, inclusive, de todos os projetos que já citei. Somos pela paz na região. O quanto podem estar próximos Putin e Erdogan não é uma preocupação nossa: estaríamos preocupados se houvesse algum indício de tensão.

Geórgia e Turquia ainda planejam a instalação de um gasoduto, com origem em Baku, para transportar gás do Mar Cáspio, chegando até a Europa. No conflito russo-ucraniano, também há a disputa pelo transporte do gás. Este gasoduto Baku-Tbilisi-Erzurum pode aumentar as tensões?

A Geórgia tem uma vantagem competitiva: não misturamos política nos projetos econômicos. E, como você mencionou, com correção em sua análise: a Rússia coloca componentes políticos em meio a projetos econômicos, e isto torna os projetos deles perigosos para todo mundo. Temos uma das economias mais liberais da região. Temos livre comércio com a Europa, com a Turquia e com as ex-repúblicas soviéticas. Temos a mais baixa taxa de criminalidade na região e uma das mais altas taxas de sucesso em novos empreendimentos. E vemos o nosso futuro baseado na cooperação. Já a Rússia...

Em setembro, a União Europeia deve suspender a exigência de vistos da Geórgia. Por conta da turbulência na região e da situação econômica ainda instável, o senhor teme que esta facilidade possa contribuir para um movimento migratório para a Europa?

Não. Definitivamente, não. Acredito que georgianos sempre podem ver alguma oportunidade em ir para a Europa, e que isso pode ser simplificado com o fim da exigência do visto. Nos últimos 20 anos, georgianos têm migrado para a Europa, Rússia, outros países...

Mas as pessoas podem sentir medo pelo situação no entorno da Geórgia...

Francamente, não encaro assim. A migração da Geórgia, basicamente, deveu-se ao colapso da economia soviética. E acredito que esta migração cessou. Infelizmente, hoje, não podemos definir qual é o lugar mais seguro para se viver: Europa, ou Bruxelas...

Falando sobre Olimpíada, em que medida o fim da União Soviética afetou o potencial esportivo da Geórgia?

Tivemos uma perda, principalmente depois do colapso da economia soviética. Mas a Geórgia é um dos países mais proeminentes em esportes em todo o mundo. Se você comparar em tamanho de território, da população, e quantidades de medalhas que a Geórgia ganhou, é realmente impressionante. Os atletas de luta greco-romana são sempre muito bons, bem como os de rúgbi, a seleção de futebol...

Qual seu esporte favorito?

Não é olímpico: é o alpinismo (para Tóquio-2020, o Comitê Olímpico Internacional aprovou, entre cinco novas modalidades, a escalada esportiva).

oglobo.globo.com | 05-08-2016

ANCARA — A tentativa de golpe em 15 de julho na Turquia tem afetado negativamente os cofres públicos do país. Até o momento, cálculos iniciais do Ministério do Comércio apontam que os gastos bélicos desde o episódio custaram ao menos US$ 100 bilhões à economia turca, informou ontem o titular da pasta, Bülent Tüfencki.

Esse prejuízo pode aumentar a médio prazo, principalmente pelo efeito no setor de turismo e no comércio exterior, com cerca de 1 milhão de cancelamentos de reservas até agora e investidores hesitantes em negociar diante da instabilidade.

— Se levarmos em conta aviões-caça, helicópteros, armas, bombas e os prédios (danificados), o custo é de 300 bilhões de liras (US$ 100 bilhões) no mínimo — avaliou Tüfencki, em reunião com a imprensa na capital, Ancara.

O ministro afirmou que os golpistas criaram um “país de terceiro mundo”, afastando estrangeiros. Em junho, a chegada de turistas registrou uma queda de 40% em relação ao mesmo mês de 2015. Tüfencki indicou que o setor já sofria impacto com a crise diplomática com a Rússia e ataques terroristas.

Segundo o jornal local “Hurriyet Daily News”, Tüfencki destacou a manutenção dos serviços bancários e financeiros, que retomaram atividades no primeiro dia útil após a tentativa de golpe. Ele reconheceu perdas na principal Bolsa de Valores, mas foi um recuo “limitado”.

ACUSAÇÃO AO OCIDENTE

Apesar do otimismo do ministro, o desgaste político tem sido alto para o governo do presidente Recep Tayyip Erdogan, que ontem acusou os países do Ocidente de apoiar o terrorismo e os conspiradores. O ministro da Justiça do país enviou aos Estados Unidos ontem o segundo pedido de extradição do clérigo Fethullah Gülen, exilado na Pensilvânia desde 1999, a quem o governo turco acusa de orquestrar o golpe. Os EUA disseram que só vão extraditá-lo com indícios de atos ilegais.

oglobo.globo.com | 03-08-2016

Com uma economia muito diversificada, a Federação Russa possui importantes recursos naturais e humanos, que constituem forte potencial de desenvolvimento económico. O povo russo em geral, já a partir de meados da década de 1950, vivia bem melhor que os cidadãos de países capitalistas há muito orientados para o mercado, como o México, a Índia, o Brasil ou a Argentina. A taxa de analfabetismo era virtualmente zero, o ensino superior era muito bom e economicamente acessível; o desemprego quase não existia, a igualdade entre os géneros era uma das mais desenvolvidas do mundo, com as mulheres a chegar por vezes mais longe do que os homens nas suas carreiras, especialmente na ciência. Muitas famílias possuiam automóveis, TVs, gravadores de cassetes e podiam viajar de avião pelo menos uma vez por ano até às áreas balneares famosas do mar Negro. Mas a produção e distribuição de produtos de consumo (particularmente de vestuário e alimentos) era relativamente ineficiente e havia uma falta de habitação muito pronunciada em muitas das áreas urbanas, se bem que fossem raras situações de habitação precária ou insalubre. Contudo, desde a desintegração da União Soviética, em 1991, o caminho para a estabilização macroeconómica tem sido longo e difícil, A partir daquele ano, o país sofreu severa contracção económica ao longo dos cinco anos seguintes, enquanto o governo e o parlamento divergiam sobre a implementação das reformas. A base industrial do país foi seriamente atingida. O país tem passado por diversas crises, destacando-se a crise financeira de 1998, resultante fundamentalmente da crise financeira do Sudeste Asiático. Depois da dissolução da URSS, causada mais por razões étnicas do que económicas, a primeira recuperação russa, ainda ligeira mas já a mostrar os sinais da influência do mercado livre, ocorreu em 1997. Porém a crise financeira asiática daquele ano acabou por atingir a economia russa. Diante da significativa desvalorização do rublo, o governo Russo aumentou a taxa de juros, mas as medidas de política econômica fracassaram e a Rússia declarou uma moratória unilateral, gerando perdas a seus credores internos e externos. Assim, 1998 ficou marcado por ser o ano da crise financeira Russa, com intensa fuga de capitais e, na sequência, recessão. A economia começou a se recuperar em 1999, entrando numa fase de rápida expansão, com o PIB a crescer a uma taxa média de 6.8% por ano, entre 1999 e 2004, apoiado em preços mais altos no petróleo, num rublo mais fraco, e no aumento na produção de industrial e de serviços. Esta recuperação, a par de um renovado esforço governamental em 2000 e 2001 para fazer avançar as reformas estruturais, aumentou a confiança das empresas e dos investidores para a segunda década de transição. A Rússia permanece fortemente dependente de exportações de matérias-primas, em particular do petróleo, do gás natural, de metais e de madeira, que correspondem a mais de 80% do total das exportações, o que deixa o país vulnerável às oscilações dos preços do mercado mundial. Em anos recentes, no entanto, a economia também foi impulsionada pela crescente procura interna, que cresceu cerca de 12% ao ano entre 2000 e 2004, o que mostra o vigor do seu mercado interno. O PIB do país atingiu 535 bilhões de dólares em 2004, fazendo da economia russa a 16ª economia mundial, sendo que Moscou, concentra 30% da produção do país. Um dos maiores desafios dos formuladores da política econômica russa é o de encorajar o desenvolvimento de PMEs num ambiente empresarial dominado por oligarcas e dotado de um sistema bancário jovem e disfuncional. Muitos dos bancos russos pertencem a grandes empresários ou oligarcas, que usam frequentemente os depósitos para financiar os seus próprios negócios. O Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento e o Banco Mundial tentaram normalizar as práticas bancárias fazendo investimentos em acções ordinárias e na dívida, mas com um sucesso muito limitado. Outros problemas incluem um desenvolvimento económico desigual entre as regiões do país. Enquanto que a região de Moscovo, com a sua imensa população de 20 milhões de habitantes, é uma metrópole moderna, com setores de tecnologia de ponta e renda per capita próxima à das economias mais fortes da eurozona, o resto do país, em especial as comunidades indígenas e rurais da Ásia, vive como vivia no fim da Idade Média. A integração ao mercado também se faz sentir noutras cidades grandes como São Petersburgo, Kaliningrad e Ekaterinburg. Estimular o investimento estrangeiro é também um grande desafio. Até agora, o país tem se beneficiado do aumento nos preços de petróleo e tem sido capaz de pagar uma boa parte da sua dívida externa, que era gigantesca. O reinvestimento dos lucros obtidos pela exploração de recursos naturais em outros sectores da economia também é um problema. Em 2003, a prisão de Mikhail Khodorkovski, um dos oligarcas russos e, à época, o mais rico empresário do país, sob a acusação de fraude, evasão fiscal e corrupção durante as grandes privatizações conduzidas no governo de Boris Yeltsin, gerou certa desconfiança entre os investidores estrangeiros. Muitas das grandes fortunas actuais, na Rússia, parecem ter resultado da aquisição de propriedades estatais a muito baixo preço ou da aquisição barata de concessões governamentais. Outros países manifestaram a sua preocupação com a aplicação "selectiva" da lei contra empresários individuais. Apesar de tudo, algumas grandes firmas internacionais têm grandes investimentos na Rússia. Um exemplo é a fabricante de bebidas Scottish & Newcastle, que descobriu que o mercado da cerveja na Rússia crescia muito mais rapidamente do que noutras áreas da Europa. Quase duas décadas após o colapso da União Soviética, em 1991, a Rússia continua a tentar estabelecer uma economia de mercado moderna e de fato tem conseguido altas taxas de crescimento económico. Ao longo da década de 2000, a economia russa registrou taxas de crescimento acima de 7% em 2000 (10%), 2001, 2002, 2003, 2004 e 2007 (8,1%). Em 2005 teve alta de 6,4 e, em 2006, de 6,8%. Em 2008, a Rússia cresceu 6% e foi a 9ª economia do mundo. No entanto, diante da crise mundial e a queda dos preços do petróleo, as perspectivas para 2009 são mais sombrias. Em dezembro de 2008, a ministra da Economia, Elvira Nabiullina, previu 2,4% de crescimento do PIB para 2009, o índice mais baixo desde 1998 - o fatídico ano da moratória russa. A Rússia integra a área da APEC (Asia-Pacific Economic Cooperation), um bloco econômico que tem por objetivo transformar o Pacífico numa área de livre comércio e que engloba economias asiáticas, americanas e da Oceania.


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