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Rússia Economia

BRASÍLIA e RIO - A conta de luz de cerca de 24 milhões de unidades consumidoras de nove distribuidoras do Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste ficará mais cara a partir deste mês. Os aumentos variam de 11,16% a 28,99% para residências e foram fortemente influenciados pelo alto custo da compra de energia, devido ao uso das térmicas e aos preços do mercado de curto prazo.

Para as indústrias, a conta sairá ainda mais salgada. A gaúcha Uhenpal (Usina Hidrelétrica Nova Palma Ltda.), por exemplo, foi autorizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a elevar a tarifa da indústria em 35,7% a partir de 19 de abril. A conta dos consumidores residenciais ficará 22% maior. A empresa fornece energia para 15 mil unidades consumidoras de sete cidades do estado.

O custo da energia comprada pelas distribuidoras aumentou substancialmente em razão de três fatores: o uso das usinas térmicas (mais caras), que começou no ano passado, para compensar a escassez de água nos reservatórios das hidrelétricas, a falta de contratos de longo prazo — que forçou as empresas a buscar energia no mercado livre — e assinatura de novos contratos de longo prazo já com preços mais altos.

No Nordeste, os aumentos das quatro distribuidoras — Coelba (BA), Coelce (CE), Energisa (SE) e Cosern (RN) — começam a vigorar no próximo dia 22. Elas fornecem energia para cerca de 10 milhões de consumidores. A tarifa de energia cobrada pela Coelba (BA) subirá 15% para as residências, enquanto para a indústria a alta será de 16,04%. A Coelba, que tem um faturamento anual de R$ 4,2 bilhões, solicitou um aumento a agência de 18,12%.

Com a escalada dos preços da energia, a indústria passou a pagar a 10ª tarifa mais cara, num ranking de 28 países elaborado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). O custo do MWh no país já chega a R$ 301,66. A Índia tem a energia mais cara da lista, a R$ 630,92. Mas o custo no Brasil supera em larga escala o da China (R$ 201,48) e da Rússia (R$ 150,35).

Os reajustes em série de distribuidoras — anunciados a partir do dia 8 de abril — recaem principalmente sobre indústrias eletrointensivas, como siderúrgicas e de alumínio, mas terão impacto também no comportamento dos preços. O economista Eduardo Velho, da INVX Global Partners, estima que os reajustes devem representar ao menos 0,28 ponto percentual na inflação deste ano.

Segundo Velho, ainda há incerteza quanto à intensidade do uso de energia térmica, mais cara, o que pode repercutir nas tarifas. O impacto a mais sobre os índices de preços ocorre no momento em que as projeções do mercado estão muito próximas do teto da meta de inflação do ano, de 6,5%.

— Na indústria de alumínio, a energia representa 42% do custo de produção. Mas o impacto desse aumento de tarifa vai depender do segmento em que cada indústria atua. Se a empresa está num mercado muito competitivo, terá que segurar o repasse de custos. Para fazer isso, pode precisar realizar cortes em outras áreas — destaca Tatiana Lauria, especialista em competitividade de indústria e investimentos do Sistema Firjan.

Estímulo ao consumo

Embora seja difícil mensurar o reflexo do aumento do custo médio da tarifa elétrica para a indústria, o insumo está entre os gastos mais relevantes para o setor, diz Marco Polo de Mello Lopes, presidente do Instituto Aço Brasil.

— O custo da energia já é um fator restritivo à competitividade. É evidente que, com o aumento, o efeito será de piora. A redução da tarifa, anunciada ano passado, não beneficiou a indústria do aço. As usinas atuam no mercado livre, onde a queda foi pequena —diz Lopes.

O problema, segundo a especialista da Firjan é estrutural, refletindo a política energética do país, a despeito dos investimentos em projetos de usinas hidrelétricas.

— Mudar o foco de hidrelétricas com reservatórios para as usinas a fio d’água, por exemplo, exige maior uso de térmicas. É uma escolha para reduzir impacto ambiental. Mas tudo tem um preço. E o governo precisa deixar isso claro, explicitando como vamos usar a energia gerada e a que preço — diz.

Para Cláudio Frischtak, presidente da Inter. B Consultoria Internacional de Negócios, a indústria e o consumidor residencial foram levados a investir num padrão de consumo de quando o país vivia outra situação.

Segundo ele, o cenário de energia abundante baseado no modelo hídrico não condiz mais com a realidade porque o custo da distribuição é elevado. Além disso, exigências ambientais e sociais em áreas próximas a novas hidrelétricas, substituição de reservatórios por usinas a fio d’água e aumento nos prazos das obras encareceram a expansão do sistema.

Além da mudança de cenário, Frischtak ressalta que a entrada de milhões de brasileiros no mercado consumidor nos últimos anos foi acompanhada da compra de um grande número de eletrodomésticos, como televisores, geladeiras, aparelhos de ar-condicionado que fizeram o consumo crescer sem um avanço equivalente no crescimento da energia.

— O governo errou feio e essa barbeiragem está custando bilhões de reais. Só estão autorizando os reajustes agora, porque as contas públicas chegaram ao limite. Um grande equívoco foi a presidente ir para a televisão dizer: vamos baixar o custo da energia para todo mundo. Foi o mesmo que falar “consumam”. As pessoas responderam e passaram a gastar energia a rodo. E para piorar, foi um ano de verão muito quente, o que aumenta o consumo de energia e acelera a evaporação da água — diz o economista.

Rio tem a 4ª energia mais cara

Estimativas da Inter. B mostram que se, em janeiro, quando o governo percebeu que haveria problemas com os reservatórios, tivesse sido feito uma campanha para a população reduzir consumo de energia em 10%, a crise atual teria proporções bem menores.

Afonso Henriques Moreira Santos, ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), também chama atenção para o fato de o governo federal não ter investido em campanha pelo uso racional de energia no país. Para ele, a redução da tarifa de energia como estratégia para elevar a competitividade da indústria resultou em crise no setor elétrico.

— Foi um grande erro em política energética. Só há avanço em competitividade com expansão da produtividade industrial. Vantagens competitivas artificiais não garantem aumento de produção. Teria sido preciso pedir ganho de eficiência, investimento em automação. Países altamente produtivos, como Japão e Chile, importam gás natural liquefeito, que é muito caro. E são muito competitivos — argumenta ele.

O custo de energia no Rio de Janeiro e em São Paulo, segundo a Firjan, também fez os dois polos industriais avançarem no ranking dos estados onde a energia é mais cara. A lista tem Mato Grosso em primeiro lugar, com preço do MWh em R$ 424,27. O Rio passou da 6ª para a 4ª colocação, após reajuste da Ampla, totalizando R$ 368,94/MWh. Já São Paulo, avançou três posições, ficando em 15º lugar, com tarifa de R$ 285,34/MWh.

oglobo.globo.com | 17-04-2014
A economia da Rússia contraiu nos três primeiros meses de 2014 em comparação com o trimestre anterior, com redução do investimento de capital, disse o






www.estadao.com.br | 16-04-2014

GENEBRA — Cidadãos ucranianos de origem russa usaram falsas alegações de que estavam sob ataque para justificar uma intervenção do Kremlin no país, afirmou o escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos em relatório publicado nesta terça-feira. O órgão alerta para a possibilidade de que tal propaganda afete as eleições presidenciais ucranianas, marcadas para 25 de maio.

— Embora tenham ocorrido ataques contra a comunidade russa, eles foram espontâneos e ocasionais — afirmou o vice-secretário-geral para Direitos Humanos, Ivan Simonovic. — Fotografias dos protestos exageraram imensamente os relatos de agressões por parte de extremistas nacionalistas ucranianos, e tais relatos foram usados para criar um clima de medo que se refletiu no apoio à integração da Crimeia na Federação Russa.

A Rússia — que nesta terça-feira afirmou que a Ucrânia estava à beira de uma guerra civil — condenou o relatório, classificando-o como unilateral e afirmando que o documento parecia “fabricado para se encaixar em conclusões pré-determinadas”.

Em um comunicado, o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, declarou que o relatório “omite fatos que mostram que as atividades das ‘novas’ autoridade ucranianas foram realizadas numa atmosfera violenta e desprovida de lei desde o início”, e que o documento também ignora “o crescimento descontrolado do nacionalismo e do neonazismo agressivo” no país.

O relatório da ONU destacou a importância do respeito ao Estado de Direito e aos direitos humanos, e pediu o fim dos “discursos de ódio”, como os de retórica nacionalista e de apologia ao ódio racial e religioso. O envolvimento do grupo nacionalista de extrema-direita “Setor direito” nos protestos foi investigado, mas, segundo o relatório, o medo causado pelas ações do grupo foi desproporcional.

— Não temos evidências de fatos que possam preocupar a população ucraniana de origem russa — afirmou o chefe do escritório nas Américas, Europa e Ásia Central, Gianni Magazzeni.

O relatório afirma ainda que a ONU investiga “alegações críveis” de que jornalistas e ativistas que não apoiaram o referendo de secessão da Crimeia foram vítimas de agressões, prisões arbitrárias e torturas. Segundo o documento, funcionários das Nações Unidas receberam “muitos relatos de fraude eleitoral”, durante o referendo de 16 de março.

O presidente russo, Vladimir Putin, e o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon conversaram ao telefone sobre a crise na Ucrânia. Putin disse ao secretário-geral que a Rússia “espera que as Nações Unidas e a comunidade internacional condenem claramente as ações militares de Kiev”. Em comunicado, o secretário afirmou que “qualquer aumento na crise será profundamente prejudicial a todos os envolvidos, e que todos deveriam trabalhar para minimizar a situação”.

Eslováquia oferece ajuda à Ucrânia

Maior esperança dos ucranianos caso o fornecimento de gás natural seja cortado pela Rússia, a Eslováquia afirmou nesta terça-feira que poderia reativar um pequeno gasoduto que tiraria gás da rota normal, levando-o de volta à Ucrânia. No entanto, o país não aceitou o pedido de Kiev para que o fluxo de um dos principais gasodutos europeus que carregam gás russo seja revertido, o que violaria o contrato eslovaco com a estatal russa Gazprom.

O ministro ucraniano da Economia, Yuri Prodan, afirmou que a medida não garantiria gás suficiente para suprir a demanda do país:

— Juntamente com os acordos que temos com Hungria e a Polônia, isso nos dá alguma segurança, mas digo abertamente que, na atual situação, que é bastante excepcional, precisamos de muito mais.

oglobo.globo.com | 15-04-2014

Com economia ancorada na indústria pesada e próximo à Rússia, Leste do país é palco de confrontos entre ativistas anti e pró-Rússia.
g1.globo.com | 15-04-2014

Os acontecimentos de ontem tornaram ainda mais preocupante a situação da Ucrânia, acossada a Leste pela Rússia, com cerca de 40 mil militares na região da fronteira. A Casa Branca deixou claro que não está estudando uma “ajuda letal” (ou seja, armas) à Ucrânia, o que, em tese, aumentaria sua capacidade de defesa diante das ações desestabilizadoras de Moscou. A União Europeia disse que incluirá mais nomes em sua lista de pessoas ligadas ao governo russo e aos separatistas ucranianos que passarão a sofrer sanções econômicas e financeiras — uma resposta fraca.

Por sua vez, o presidente interino da Ucrânia, Olexander Turchynov, recuou e decidiu aceitar a proposta russa de realizar um referendo para determinar o status político do país. O Kremlin deseja a federalização, uma forma de enfraquecer o governo central, em Kiev. A mudança inesperada aconteceu poucas horas depois do fim do ultimato dado por Turchynov aos separatistas para que entregassem as armas e abandonassem os prédios públicos ocupados no Leste e no Sul do país — regiões de fala majoritariamente russa, mais identificadas com Moscou do que Kiev.

Vladimir Putin falou ao telefone com Barack Obama e assegurou ao presidente dos EUA que as acusações de ingerência russa no Leste e no Sul da Ucrânia “são infundadas”. Ele disse o mesmo antes de tomar da Ucrânia a península da Crimeia, em março. Naquela ocasião, a Rússia enviou “forças de autodefesa” (tradução: invasores mascarados e sem insígnias com a suposta missão de defender os ucranianos de fala russa — maioria absoluta na Crimeia). E faz o mesmo agora nas cidades das regiões Leste e Sul, próximas à fronteira com a Rússia. Se isto não é ingerência, o que seria, então?

O que a Rússia faz é atropelar o multilateralismo. Em primeiro lugar, viola o direito internacional ao intervir num país soberano. Em segundo, viola um tratado específico, firmado com os Estados Unidos para garantir a integridade da Ucrânia em troca do desmantelamento do arsenal nuclear do país, herdado da era soviética. O objetivo do Kremlin é continuar pressionando para desestabilizar o país e tumultuar as eleições marcadas para 25 de maio, das quais sairia um presidente ucraniano com um mandato mais forte, depois da deposição do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovich, em fevereiro.

Há uma reunião entre EUA, UE, Rússia e Ucrânia marcada para quinta-feira. Há muito ceticismo a respeito dela. Se a Ucrânia e o Ocidente não receberem garantias adequadas da Rússia, será inevitável a adoção de sanções realmente sérias contra Moscou, de forma a descarrilar sua economia. Isto vai requerer tanto coragem política quanto consenso entre Washington e Bruxelas.

oglobo.globo.com | 15-04-2014

ESTOCOLMO - Pela primeira vez em dez anos, a Rússia gastou em armas, no ano passado, uma fatia maior de sua economia do que os Estados Unidos, já que o país quer aumentar a sua capacidade militar. O Instituto de Pesquisa Internacional de Paz de Estocolmo apontou um aumento no investimento em 2013 em 4,8%, passando para US$ 87,8 bilhões, o que representa 4,1% do seu produto interno bruto. Enquanto isto, o gasto militar global caiu 1,9%, no mesmo período, para US$ 1,7 trilhão, já que muitos países ocidentais cortaram seus investimentos em armas devido à crise financeira.

O diretor do instituto, Sam Perlo-Freeman, afirmou à “Associated Press” que esse aumento na Rússia vai de acordo com plano estatal de armamento de 2011 a 2020, que prevê gastar mais de US$ 700 bilhões nessa modernização.

- O fortalecimento militar tem sido visto como mais urgente desde a Guerra da Geórgia em 2008, que revelou graves deficiências na tecnologia russa - afirmou.

Entretanto, ele disse que as restrições econômicas podem impedir a Rússia de aumentar o gasto militar mais rápido do que o planejado anteriormente, apesar da crise em andamento na Ucrânia.

- A economia é um fator-chave, incluindo especialmente os preços de óleo e gás, e muitos observadores acreditam que o plano de armamento é baseado nas projeções econômicas superotimistas, de modo que isto pode atuar como uma espécie de restrição na taxa de aumento dos gastos militares - disse.

O corte dos Estados Unidos no gasto militar ficou em 7,8% em 2013, mas o país continuou a ser o maior investidor do mundo, com um gasto de US$ 640 bilhões, ou 3,8% do produto interno bruto. A queda é resultado, principalmente, do fim da Guerra no Iraque e os efeitos do corte orçamentário, apontou o instituto.

A China também aumentou os seus investimentos militares em 7,4% para US$ 188 bilhões, e é o segundo maior investidor do mundo. Segundo o órgão russo, nos últimos anos a despesa militar vem caindo em América do Norte, Europa e Oceania, enquanto que aumentou nas outras regiões.

- Em algumas regiões, tais como aquelas ao redor da China e da Rússia, o perigo do aumento do gasto militar é o aumento das tensões - disse Perlo-Freeman.

Ele disse que a diminuição do investimento militar na Europa Ocidental provavelmente significa a redução da capacidade de países de intervir no exterior, mas disse que a crise na Ucrânia poderia se tornar uma tendência, especialmente em países próximos à Rússia.

oglobo.globo.com | 14-04-2014

Washington — Este deve ser o ano de saída da crise financeira internacional e o cenário é mais positivo, tanto para os países desenvolvidos quanto para os emergentes. A avaliação é do ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista em Washington, divulgada em nota pelo Ministério da Fazenda.

Segundo Mantega, não será uma saída "fulminante, mas gradativa”. A nota informa que, após conversas com representantes dos países que participam de encontro do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (Bird), na capital americana, o ministro observou que Itália e Espanha fazem reformas, a Alemanha se recupera; Espanha e Portugal estão melhorando, com resultado positivo para todos.

Mantega disse que o impacto da crise internacional, a partir de 2008, foi muito grande para os emergentes. O ministro citou relatório do FMI para explicar que a crise nos países avançados teve significativo impacto nos países emergentes, explicando metade da desaceleração da economia. Ele observou que, no caso do Brasil, o impacto da crise no crescimento foi ainda maior, e faz entender cerca de dois terços da desaceleração do período.

O ministro criticou o pessimismo do FMI com as economias emergentes, como a do Brasil, e disse que o Fundo só levou em conta o período ultrapassado do fim de ano e os meses de janeiro e fevereiro, quando houve a redução dos estímulos monetários nos EUA. Na avaliação de Mantega, o mau humor dos mercados com os emergentes, e não só com o Brasil, foi desarmado, com a volta dos fundos de capitais.

Sobre a reforma do FMI, uma das bandeiras do Brasil, o ministro criticou a demora devido a indecisão do Congresso dos Estados Unidos. Segundo ele, o Fundo deveria começar a pensar em alternativas. O ministro também destacou a reunião do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que também foi feita em Washington, que avançou no acordo para a criação de reservas de US$ 100 bilhões para enfrentar momentos de crise.

oglobo.globo.com | 12-04-2014

RIO, SÃO PAULO e LONDRES - A disputa presidencial está provocando volatilidade no mercado financeiro, afirmam economistas. E há quem compare o atual movimento com o observado em 2002, quando a possibilidade de vitória de Luiz Inácio Lula da Silva derrubou os mercados. Alguns, no entanto, argumentam que a magnitude do fenômeno é diferente, assim como o contexto macroeconômico dos dois períodos.

A influência se reflete também no desempenho de empresas estatais com forte peso no mercado, como Petrobras e companhias do setor elétrico, no qual há forte interferência política. No primeiro trimestre de 2002, as ações ordinárias da Petrobras registraram variação de 39,85%. No mesmo período deste ano, em meio a novas polêmicas envolvendo a compra da refinaria de Pasadena, a variação chegou a 30,41%. No caso da Eletrobras, a variação em 2002 foi de 49,9%. Este ano, com o nível baixo das hidrelétricas e o temor de racionamento, os papéis variaram 47,7%. No caso do Banco do Brasil, a diferença é bem maior: 39,13% em 2002, contra 29,30% este ano.

— A atual gestão é deletéria, segundo a percepção do mercado. E a leitura é que a continuidade da atual administração pode ser pior. Por isso, é possível prever mais volatilidade para a Bolsa. O início da campanha eleitoral vai trazer mais dúvidas para o mercado — diz Ricardo Correa, economista-chefe da Ativa Corretora.

A expectativa de mais volatilidade é compartilhada pelo economista-chefe da INVX Capital Partners, Eduardo Velho, que diz que “o risco hoje é da situação, enquanto em 2002 era o da oposição”:

— A percepção de que Dilma pode perder é uma expectativa positiva para os preços dos ativos domésticos. Espera-se que a oposição ou o ex-presidente Lula, se decidir se candidatar, possam ter uma agenda mais pró-reforma, que é fundamental para a valorização da Bolsa. Quando a Dilma cai, espera-se mais ajuste fiscal e mais comprometimento no combate à inflação.

Velho admite que a situação hoje é mais tranquila que em 2002, quando havia expectativa de grande mudança política, mas ressalta que não se pode descartar uma variação semelhante dos ativos.

No primeiro trimestre deste ano, a variação entre a pontuação mais alta da Bolsa e a mais baixa (50.481 e 44.965 pontos) é de 12,26%, enquanto no primeiro trimestre de 2002 foi de 15,75% (12.501 e 14.471 pontos). No segundo trimestre de 2002, a diferença foi de 32,24% (10.397 e 13.750 pontos).

Pelo terceiro dia consecutivo, o índice de referência do mercado de ações brasileiro (Ibovespa) fechou hoje em queda de 0,63%, aos 51.081 pontos. Puxaram a queda as ações de Petrobras e Vale, bem como a baixa expressiva do mercado americano. Já o dólar comercial teve um dia volátil, mas acabou fechando em alta de 0,31%, a R$ 2,204.

André Guilherme Pereira Perfeito, economista-chefe da Gradual, compara o pessimismo atual do mercado ao clima da primeira eleição de Lula. Segundo ele, as notícias políticas começaram muito cedo, o que abre espaço para quedas na Bolsa. Ele, porém, acredita que o mercado está vendo de forma prematura os dados políticos.

— Como há uma dificuldade de o Brasil atrair investimentos, assim como os outros mercados emergentes, há uma pressão maior em cima das empresas públicas. Mas não basta olhar a questão de forma linear. No caso da Petrobras, não é simples elevar o preço da gasolina, pois os preços já estão altos e a população, endividada — ressaltou Perfeito.

Para Álvaro Bandeira, economista-chefe da Órama Investimentos, os momentos são bem diferentes, principalmente porque a situação econômica em 2002 estava bem mais deteriorada. Também há rearranjo do fluxo de recursos entre os países emergentes, diante da redução gradual dos estímulos nos EUA e da situação da Rússia.

— O quadro econômico hoje é muito mais benigno. Quando Lula começou a subir nas pesquisas, perdemos todas as linhas de crédito, e a inflação disparou.

Já a agência de classificação de risco Fitch Ratings alertou nesta quinta-feira que o próximo governo deverá ajustar a política fiscal, recuperar a confiança dos investidores e segurar a inflação para manter sua avaliação.

A contenção do processo de deterioração dos índices de preços deveria começar ainda este ano. Estes são pontos que continuarão a ser monitorados pela instituição, que não deve mudar a atual nota do Brasil – “BBB” – nos próximos 18 a 24 meses. No entanto, segundo o diretor para Brasil, Rafael Guedes, são quase nulas as chances de o país vir a ter uma nota maior no médio prazo.

* Colaborou Vivian Oswald

oglobo.globo.com | 11-04-2014

MOSCOU — O presidente da Rússia, Vladimir Putin, advertiu nesta quinta-feira que pode cortar o fornecimento de gás para a Ucrânia se não pagar as contas e, por consequência, reduzir o envio para a Europa, numa crise que tem a Crimeia como pano de fundo. Em uma carta a líderes europeus, Putin pediu consultas urgentes para estabilizar a economia ucraniana. O presidente russo advertiu ainda que 11,5 bilhões de metros cúbicos de gás — no valor de US$ 5,5 bilhões — precisam ser bombeados para a Ucrânia para garantir o fornecimento ininterrupto.

A Gazprom, empresa controlada pelo governo russo, interrompeu em duas vezes no passado o fornecimento de gás para a Ucrânia, em 2005/2006 e 2008/2009. O fato levou à redução no suprimento para países europeus que recebem o gás russo por meio de dutos que atravessam a Ucrânia. A empresa afirma que a Ucrânia deve US$ 2,2 bilhões.

A estatal “se verá obrigada a pedir um pagamento adiantado de seu fornecimento de gás (à Ucrânia) e, em caso de as condições não serem respeitadas, levar a uma suspensão total ou parcial do abastecimento de gás”, diz a carta de Putin a 18 países europeus, incluindo França e Alemanha. O presidente russo propõe ainda ajudar a economia da Ucrânia “em partes iguais com os europeus”.

Críticas à Otan

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia acusou a Otan nesta quinta-feira de usar a crise na Ucrânia para aumentar seu apelo junto aos membros e justificar sua existência, reunindo-os contra uma ameaça imaginária. O secretário-geral da organização atlântica, Anders Fogh Rasmussen, avisou que Moscou deve retirar suas tropas da fronteira com a Ucrânia ou enfrentará consequências caso resolva intervir no país.

Especialistas russos afirmam que Putin quer provocar caos no Leste da Ucrânia, sem intervir militarmente.

— Uma intervenção militar seria totalmente absurda. Nossos líderes já entenderam que o risco é muito alto, e que há a possibilidade de duras sanções econômicas. — afirmou o analista Alexei Malachenko, do Centro Carnegie.

Uma análise divulgada pelo jornal econômico “Vedomosti” lembrou que as regiões do Leste não estão isoladas geograficamente, nem têm uma base militar russa, como era o caso na Crimeia. “A situação social e o nível de apoio não têm nada a ver com o que se viu na Crimeia, o risco é muito mais alto de todos os pontos de vista", afirma o jornal em seu editorial, afirmando que o Kremlin apoia a instabilidade na região “para colocar em xeque a legitimidade das eleições presidenciais e tentar influenciar nas reformas constitucionais ucranianas”.

— A Rússia quer conseguir no mínimo que a Ucrânia se torne uma federação, na qual as regiões pró-russas tenham autonomia suficiente para negociar acordos comerciais e diplomáticos diretamente com Moscou — afirmou o analista russo Konstantin Kalachev.

oglobo.globo.com | 10-04-2014

LONDRES — Impossível não notar a presença russa na capital britânica. Em “Londongrado” ou “Moscou-sobre-o-Tâmisa” — como passou a ser chamada por alguns nos últimos anos — eles não são apenas os donos dos iates ostensivamente atracados na beira do rio e dos carros de luxo estacionados nos melhores bairros da cidade, ou ainda os excêntricos endinheirados cercados por mulheres bonitas e garrafas caríssimas de champagne nos melhores restaurantes ingleses. São os proprietários de jornais importantes, de uma das maiores livrarias do país e de um percentual razoável dos imóveis mais caros desta “pequena ilha”, como teria se referido o porta-voz do presidente russo, Vladimir Putin, à Albion meses atrás.

A lista dos homens mais ricos do Reino Unido tem lugar de destaque para os bilionários russos que se instalaram no país desde o colapso da União Soviética. O mesmo acontece com grandes empresas russas atrás de capital estrangeiro. Há 70 delas com ações negociadas na London Stock Exchange (LSE), a bolsa britânica, contra duas na de Nova York. A gigante do petróleo inglesa British Petroleum também tem negócios importantes na Rússia e uma fatia de 20% da Rosnem.

Tudo isso explica a relutância do governo britânico de manifestar em alto e bom som a vontade de impor sanções à Rússia desde o início da crise na Ucrânia. Nas últimas semanas, o primeiro-ministro David Cameron até subiu o tom e defendeu a expulsão dos russos do G8. Novas sanções, no entanto, além das restrições impostas a um grupo da elite russa e ucraniana, ainda são vistas com cautela por Downing Street.

O Reino Unido virou reduto de oligarcas e milionários russos já há algum tempo. E o governo britânico sabe disso. Boa parte deles se fixa no país usando o expediente legal do “visto de negócios”. Basta que o estrangeiro aplique um milhão de libras em bônus do Tesouro para que receba o sinal verde para ficar. Estimativas oficiais mostram que os russos são os principais a lançar mão disso.

Estudo realizado pela fabricante de aviões Beechcraft Corp mostrou que quatro em cada 10 propriedades vendidas no mercado com valores acima de um milhão de libras (R$ 4 milhões) foram adquiridas por russos, de longe a principal nacionalidade estrangeira tão ativa no setor imobiliário do país. Foram 264 imóveis na casa dos sete dígitos somente no ano passado.

— Com eles não tem tempo ruim. Não há como dar dar garantias ou referências para o aluguel? Então, pagam logo contatos de dois ou três anos de uma só vez em cash — disse um corretor de imóveis.

A comunidade não é muito maior do que a dos cipriotas e é bem menos representativa do que a dos poloneses, por exemplo, um das que mais cresceu nos últimos anos. Mas é poderosa. Especialistas garantem que, em boa medida, o dinheiro russo que circula no mercado financeiro inglês e, sobretudo, no imobiliário, que continua crescendo a despeito das turbulências internacionais, é um dos principais motivos para a economia britânica siga imune aos efeitos mais nefastos da crise financeira que assolou o mundo inteiro desde setembro de 2008. Os petrorublos estariam por toda parte financiando uma parcela importante da economia britânica.

Os bairros nobres de Belgravia e Kensington são dominados por eles. Não é só o idioma russo que se ouve o tempo todo na rua, a Waterstone's, comprada há dois anos pelo russo Alexander Mamut por 53 milhões de libras (pouco mais de R$ 200 milhões), abriu na loja de um dos seus endereços mais centrais, em Picadilly, uma livraria com mais de cinco mil títulos em russo ou sobre a Rússia vendidos por funcionários russófonos.

Nos hospitais privados há placas em russo. E as escolas britânicas disputam os endinheirados estrageiros. Dados do conselho das escolas mostram que os filhos dos russos são responsáveis pelo pagamento de pelo menos 300 milhões de libras (cerca de R$ 1,2 bilhão) pelos custos de tuição.

O dinheiro russo também movimenta um percentual respeitável do caríssimo mercado de advogados e contadores britânicos, embora não haja estatísticas oficiais. Recentemente, a disputa judicial entre os bilionários Bóris Berezovsky, encontrado morto no ano passado na casa sua mansão em Ascott, e Roman Abramovitch, dono do Chelsea desde 2003, envolveu nada menos que seis bilhões de dólares.

Berezovsky pedia indenização por perdas relacionadas a sua particiação em uma companhia de petróleo e outros ativos. Ele perdeu e teve de pagar 35 milhões de libras pelos gastos de Abramovitch no processo, que teria custado ao todo cerca de 100 milhões de libras, segundo a mídia britânica.

oglobo.globo.com | 10-04-2014

LONDRES - As operações de carry trade nos mercados de câmbio — em que os investidores pegam emprestado em um país a determinado patamar de juros, e aplicam em outra moeda, com juros mais elevados — estão de volta. Atraídos pela percepção de que a economia global vive uma recuperação liderada pelos Estados Unidos, os investidores estão voltando a fazer apostas mais arriscadas em moedas de países emergentes, com o euro como um provável perdedor.

Está em alta a demanda por moedas dos chamados “cinco frágeis” (nações dependentes de capital estrangeiro): o real brasileiro, a lira turca, o rand sul-africano, a rúpia indonésia e a rúpia indiana. Esses cinco países viram os investidores fugirem, temerosos de que a retirada dos estímulos monetários nos Estados Unidos provocaria uma retirada de recursos dos mercados emergentes.

Mas as movimentações nos mercados sugerem que há um rali, estimulado pela percepção de que as principais moedas cairão. Isso encoraja os investidores a correr riscos em busca de lucros maiores. Essas aplicações de risco, em que os agentes de mercado tomam emprestado em uma moeda de baixo rendimento para comprar outra de maior retorno, são especialmente populares entre gestores de ativos ágeis, especuladores e fundos de hedge.

Elas abocanharam lucros estáveis e de longo prazo, mas no primeiro trimestre deste ano perderam fôlego, devido a preocupações de uma aguda desaceleração econômica na China e o conflito entre Rússia e o Ocidente por causa da Ucrânia, o que poderia afetar a recuperação econômica global.

O maior perigo nas operações de carry trade é a volatilidade. O prospecto de uma repentina queda na moeda mais volátil pode apagar os lucros provenientes de uma taxa de juros mais alta. Porém, tais preocupações de algum modo diminuíram, permitindo aos investidores se concentrarem em políticas monetárias e tendências macroeconômicas.

Em direção inversa

Enquanto o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vem gradualmente reduzindo a política de compra de bônus e as expectativas são de que volte a apertar a política monetária a partir de meados de 2015, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão estão ambos prometendo inundar os mercados com dinheiro para apoiar o crescimento e afastar o risco de uma espiral deflacionária.

Na semana passada, o presidente do BCE, Mario Draghi, acenou com a possibilidade de aplicar uma espécie de quantitative easing (QE, a política sem precedentes dos EUA de estímulos, como a compra mensal de bônus) à europeia. Os sinais de Draghi ganham mais consistência à proporção que parece ceder a oposição da Alemanha a tais políticas.

O QE eleva a oferta de moeda e normalmente leva a uma queda em seu valor, além da redução do custo de financiamentos. Esses dois aspectos são uma boa notícia para quem aposta em carry trade. Esse investidor deve buscar o euro e o iene, e talvez substituir o dólar como moeda preferida para investidores que querem tomar emprestado a taxas muito baixas.

— O arrefecimento das tensões geopolíticas permitiu que os mercados voltem a se concentrar em divergências de políticas monetárias e também em carry trade — afirmou Chris Turner, estrategista-chefe da corretora ING. — A confiança do Fed na recuperação está claramente crescendo e o caminho para a normalização, e um dólar mais forte, deve continuar. Estamos preferindo financiar carry (trade) em euros.

Especulação e volatilidade

Os investidores também estão comprando os dólares de Nova Zelândia, Austrália e Canadá e a coroa norueguesa, entre as moedas mais negociadas. Eles as financiam vendendo euro, iene e, até certa medida, o dólar. Especuladores se desfizeram de suas posições em dólar australiano na semana encerrada em 1º de abril em quase um quinto, e continuam apostando no dólar da Nova Zelândia.

As moedas emergentes menos ativas se superaram, com a lira turca e o rand sul-africano alcançando os maiores níveis em três meses em relação ao dólar; ao passo que o real atingiu esta semana seu maior patamar em cinco meses. A rúpia indiana bateu no maior nível em oito meses na semana passada, e a rúpia da Indonésia vem se mantendo nos mesmos patamares de outubro do ano passado.

Todas essas moedas viram um movimento abrupto e amplo de venda no segundo semestre de 2013, quando os bônus do Tesouro dos Estados Unidos — que chegaram a alcançar o maior nível em dois anos em setembro — atraíram muitos investidores para os ativos denominados em dólar.

Depois de testemunhar saídas de mais de US$ 50 bilhões no primeiro trimestre, os fundos globais emergentes de investimento receberam US$ 5,2 bilhões na semana encerra em 2 de abril. Já os fundos de dívida receberam apenas US$ 1 bilhão, segundo dados do EPFR, um operador de fundos com sede em Boston.

Esses influxos revelam um retorno dos carry trade, que geraram lucros anuais de 5% nas últimas três décadas, segundo um estudo de 2012, da Cass Business School. Para os analistas da Société Générale, o revival dos carry trade nos últimos dias é promissor. A cesta de carry trade de moedas do G-10 está obtendo lucros de 3%, desde o início do ano. Uma cesta de moedas de países emergentes apresenta quase o dobro desse desempenho.

Com o custo do financiamento em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, a zona do euro e a Suíça, próximo a zero e os ganhos dos bônus ancorados no momento, a chance de fazer dinheiro nas moedas desses países é limitada.

oglobo.globo.com | 09-04-2014

RIO - Economista da inglesa Capital Economics, Neil Shearing não crê em mudanças para reequilibrar economia antes das eleições.

Como o senhor avalia a revisão da projeção do FMI para o Brasil?

Compartilhamos do mesmo pessimismo do FMI. A revisão do Fundo aproxima as projeções das nossas. Acreditamos que a economia brasileira deve crescer 2% em 2014 e 2,5% em 2015, o que é basicamente a mesma.

Por que esse pessimismo?

Há vários fatores. O fim do boom das commodities, do qual o Brasil se beneficiou, a desaceleração do crédito, as altas de juros recentes, mas, fundamentalmente, os problemas são estruturais: há restrições que fazem com que o crescimento econômico permaneça fraco, com inflação alta. Apesar do crescimento fraco dos últimos anos, o desemprego está muito baixo, o que sugere que há restrições de oferta, com baixos investimentos e baixa produtividade.

Como escapar disso?

O Brasil precisa de reformas para reequilibrar a economia, afastando a dependência de consumo e permitindo mais investimentos. Mas não acredito em uma grande onda de reformas antes das eleições.

Alguns argumentam que há excesso de pessimismo sobre o Brasil no exterior, assim como houve excesso de euforia no passado. O que o senhor acha?

Não vejo isso. O diagnóstico é que o país precisa de reformas para gerar crescimento.

A redução da projeção do FMI para a Rússia também foi muito forte. Como o senhor vê a economia russa no momento?

A economia russa já estava enfraquecendo muito antes da crise na Ucrânia, que apenas exacerbou os problemas. Há questões muito além da Crimeia, como o excesso de dependência do petróleo. São pontos muito mais complexos e que afetam o futuro.

oglobo.globo.com | 09-04-2014
A Rússia precisa aumentar os gastos públicos e relaxar sua rígida política fiscal para superar a estagnação econômica, impulsionar investimentos e con






www.estadao.com.br | 08-04-2014

MOSCOU — Os livros escolares russos enaltecem Pedro, o Grande, como visionário cultural que fomentou a indústria e transformou seu país numa potência europeia. A Rússia tornou-se temida, mas também respeitada por seus vizinhos, e Pedro é o czar-herói oficial da História russa. Já Vladimir Putin é como outro czar, Nicolau I, que tropeçou em conflitos militares com britânicos e franceses, rejeitando apelos por reformas básicas necessárias para tornar a Rússia competitiva junto às potências da época. Nicolau tinha uma perspectiva minguada e personalidade arrogante. Sempre atento às Forças Armadas e aos serviços secretos, negligenciou a necessidade de modernizar a economia e a sociedade. O país pagou caro por isso quando viu seu Exército humilhado na Guerra da Crimeia de 1853 a 1856.

A política externa de Putin mostra uma falta de visão igualmente bruta. Ao abocanhar 4,5% do território ucraniano, Putin realizou a façanha improvável de destruir seu próprio sonho, a “União da Eurásia” sob a liderança da Rússia. Antes, ele planejava manter o presidente Viktor Yanukovich como seu fantoche em Kiev. Agora, Yanukovich está refugiado em algum lugar da Rússia, e o governo da Ucrânia está reforçando a cooperação com a União Europeia.

Este é um desastre para a política externa de Putin. Seu maior erro de cálculo é sobre a própria Rússia. A crise na Ucrânia tem levado os super-ricos da Rússia a enviar ainda mais suas fortunas para o Ocidente. Até US$ 70 bilhões deixaram o país só este ano.

Centenas de milhares de brilhantes jovens russos arrumaram suas malas e partiram para o Vale do Silício, Nova York e Londres. Isso tem ocorrido desde o colapso do comunismo, mas Putin não fez nada para frear a tendência. Os jovens querem viver na meritocracia, onde o talento por si só é o que conta. O modelo deles é de Sergey Brin, da Google, e não o dos ministros e empresários decadentes da corte de Putin.

Desde sua eleição, em 2000, Putin fez pouco para limpar a corrupção. Puniu espetacularmente um punhado de oligarcas, mas apenas para redistribuir suas fortunas a amigos políticos. O Estado de Direito é maleável sempre que os homens de poder veem seus interesses em risco. Ele tampouco fez o bastante para diversificar e abrir a economia.

Após começar o ano mostrando soft power nas Olimpíadas de Inverno de Sochi, apresentando um país de estilo, esporte e cultura, Putin mandou tropas à Crimeia um dia depois da cerimônia de encerramento. Agora, o Banco Mundial sugere uma recessão no fim do ano.

As potências ocidentais não vão começar uma segunda Guerra da Crimeia, mas têm mais oportunidades de exercer pressão sobre a Rússia do que Putin imaginava. Ele faria bem em considerar o precedente do czar Nicolau I.

oglobo.globo.com | 08-04-2014

KIEV - A Ucrânia alertou neste sábado (5) que levará a Rússia para o tribunal de arbitragem se negociações com Moscou não resultarem na redução dos preços do gás natural. Kiev classificou o recente aumento de agressão econômica. Em mais um capítulo da crise entre os dois países, o governo russo praticamente dobrou o valor que a Ucrânia paga pelo gás. A medida, imediatamente, forçou Kiev a entrar em negociações de emergência com outros vizinhos europeus. Os esforços são no sentido de aumentar a importação de gás mais barato para não combaliar ainda mais uma economia já destroçada.

A Ucrânia, que importa mais da metade de seu gás da Rússia, acusa o país vizinho de usar o aumento dos preços como instrumento de pressão econômica depois que protestos em Kiev derrubaram o presidente pró-Rússia Viktor Yanukovich, em fevereiro. O gesto deteriorou a boa convivência entre duas ex-repúblicas soviéticas. A Rússia tomou a região ucraniana da Crimeia e a anexou formalmente no mês passado, alimentando o maior impasse entre russos e o Ocidente desde o fim da Guerra Fria.

"Nossos vizinhos russos realizaram outra forma de agressão contra a Ucrânia: a agressão do gás. Esse preço é o maior no território europeu e não é econômico, mas sim político", afirmou o primeiro-ministro ucraniano, Arseny Yatseniuk. O governo ucraniano segue em conversações com a Rússia para diminuir o preço do gás, que Moscou aumentou para 485 dólares por mil metros cúbicos, ante um preço anterior de 268,50 dólares.

A empresa que detém o monopólio do gás russo, Gazprom GAZP.MM, afirmou que cobra em média entre 370 e 380 dólares pela mesma quantidade para seus consumidores europeus.

Merkel fala em sanções

A chanceler alemã Angela Merkel, disse, neste sábado, que as autoridades não devem duvidar de novas sanções da União Europeia (UE) à Rússia se o país continuar desestabilizando a Ucrânia. Ela reconheceu diferenças de posição entre os países da UE sobre a crise na Ucrânia, mas afirmou que isso não impediria o bloco de ter uma posição unificada.

"Se a integridade territorial da Ucrânia continuar sendo violada, então teremos que impor sanções econômicas", afirmou Merkel em um congresso da União Democrata-Cristã (CDU), antes das eleições para o Parlamento Europeu, que serão realizadas no próximo mês.

"Ninguém deveria duvidar. Somos todos diferentes na Europa, mas temos a sorte de sermos unidos, e juntos vamos tomar essa decisão", afirmou a líder da maior economia do continente.

oglobo.globo.com | 05-04-2014

Fatos como a anexação da Crimeia pela Rússia parecem bem distantes do público brasileiro. Mas não estão — ao menos na realidade do G-Zero, termo cunhado pelo cientista político americano Ian Bremmer para descrever a atual realidade geopolítica, em “destruição criativa”. Ele vê um mundo onde a velha ordem já não vale mais nada; onde o grupo dos sete países mais industrializados do mundo (G-7) tornou-se obsoleto, enquanto o G-20 e seus atores emergentes, como o Brasil, representam um bloco amplo demais para ser eficaz na criação de políticas uníssonas.

Aos 44 anos, Bremmer transformou-se numa espécie de guru da avaliação de riscos políticos. Fundador e presidente da consultoria Eurasia Group, ele vê as tentativas de impor sanções à Rússia pela anexação da Crimeia como o maior erro da diplomacia americana desde a Guerra Fria. Hoje, o presidente Vladimir Putin, alerta, não vê problemas em estar sozinho. E poderá buscar amigos entre os chamados Brics — principalmente na China, numa aliança que poderia desafiar toda a estratégia brasileira de política externa. Bremmer conversou com o GLOBO durante uma passagem pelo Rio para uma palestra no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).

O que o presidente Vladimir Putin quer, de fato, na Ucrânia?

Putin quer dar um basta no declínio consistente neste país nos últimos 20 anos. Perderam muito em energia, a economia está em colapso... Putin não vai desistir da Ucrânia. Ainda existe o sentimento de que aquilo ali é deles, de que a Rússia é uma grande nação, de que não só a Crimeia é território russo, mas a Ucrânia toda. Mikhail Gorbachev disse isso. Não tenho dúvidas de que os americanos impulsionaram a Rússia, mais do que gostariam, ao não compreender que sanções não podem demover a Rússia. Os Estados Unidos não deveriam isolar a Rússia, mas ajudar a Ucrânia. E ao isolar a Rússia, vão prejudicar a Ucrânia. Em primeiro lugar, empresas americanas não querem isolar os russos, mas mesmo se quisessem, os europeus não iam querer. E se você isola a Rússia, você empurra a Rússia para a China, que é algo que ninguém deveria quer. É perigoso. O governo de Putin é muito popular e está ainda mais por causa da crise na Ucrânia, ele não vai desistir e também não vai aceitar uma Ucrânia pró-Ocidente. Este governo russo deu aos ucranianos entre US$ 80 e US$ 200 bilhões nos 20 últimos anos. Não fizeram isso por diversão ou visando ao lucro. Fizeram porque eles acreditam que aquele território é deles.

Se por um lado a Rússia nunca aceitou a independência de lugares como Chechênia e Daguestão, por outro, tolerava a de ex-repúblicas soviéticas como a Ucrânia. Por quê a mudança? Ela se explica por conta da necessidade de manter a base naval na Crimeia?

Não. Se fosse isso, bastava a anexação da Crimeia! É porque há centenas de séculos todo russo acha que a Ucrânia é da Rússia. Um terço da população ucraniana fala russo, a História os liga. A Rússia não é um doador humanitário conhecido, por que teria investido tanto dinheiro na Ucrânia? Fazem por achar que é deles. Se alguém quiser forçar os russos para fora da Ucrânia, terá que fazer para eles algo que importe mais que a Ucrânia. Não temos essa possibilidade, não vai funcionar. Por isso, isolar a Rússia é uma má ideia.

Diante desse senso de propriedade, o senhor diria que a anexação fora, de alguma forma, planejada? O Kremlin estaria apenas esperando uma oportunidade, que foi a crise em torno do presidente ucraniano deposto Viktor Yanukovich?

Não. Acho que Putin cometeu um erro na questão de Yanukovich. Quando Yanukovich esteve em Sochi, Putin disse a ele para sufocar as manifestações em troca de US$ 2 bilhões. Mas Yanukovich era fraco, e Putin ficou surpreso com o nível de instabilidade gerado pelo povo ucraniano. Então, tivemos o presidente da Ucrânia basicamente forçado a fechar um acordo com a oposição. E aí foi o Ocidente que cometeu um erro quando viu o acordo entrar em colapso. O que o Ocidente deveria ter feito era: se vocês querem mais dinheiro, têm que voltar ao acordo, que previa governo de transição, volta à Constituição de 2004 e eleições. Mesmo que os americanos não acreditassem nisso, era o que devia ter sido feito. Mas não foi; o Ocidente escolheu apoiar um novo governo. Os russos estavam preparados para aquele acordo, mesmo que tentassem influenciar o desempenho das eleições. Foi uma vitória para os EUA, mas a Rússia mostrou que não se calaria e não desistiria.

Há 40 mil tropas russas na fronteira e um nível alto de movimentação militar. Quais as chances de uma ofensiva real contra a Ucrânia?

O chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que o único caminho adiante é uma federação ucraniana não alinhada a bloco algum. Se não entendermos isso, é possível que os russos não estejam apenas falando alto e façam coisas no Sul e no Leste da Ucrânia para mostrar que o governo ucraniano não está trabalhando e fazer com que a população russa peça ajuda a Moscou.

Por que, mesmo diante dessa perspectiva, a diplomacia, sobretudo a americana, continua emperrada?

O Ocidente não entende que não se pode ganhar 100% na Ucrânia. Tudo o que foi feito nas últimas quatro semanas refletiram a percepção de que o Ocidente pode ganhar a Ucrânia. Esse é um erro terrível que vai nos custar caro. Esse é facilmente o maior erro de política externa que fizemos depois da Guerra Fria. Podemos voltar atrás, mas será difícil, porque o presidente Barack Obama saiu muito diretamente contra Putin, pessoalmente. Não está claro o por quê. Pode ser tática psicológica, porque Obama não gosta de ser desrespeitado, principalmente, por alguém que ele não considera importante. Quando Obama diz que não se trata de uma Guerra Fria porque Putin é apenas um líder regional, Obama não está atingindo nenhum objetivo ao fazer isso! Me parece que Obama está tomando esta crise de maneira um pouco pessoal, o que é ruim, o que o conduz a erros.

Quais impactos concretos podemos notar na geopolítica regional após a anexação russa da Crimeia?

As sanções que vimos até agora são basicamente a indivíduos, mas atingiram oligarcas e um banco russo. Vemos a retirada de recursos russos dos Estados Unidos para alocação no Brasil e em outros países. Durante o encontro do G-7 na semana passada, anunciou-se uma nova reunião para discutir políticas energéticas, o que significa reduzir a dependência da Rússia. Se a Rússia vir europeus e americanos tentando buscar outras fontes de energia, terá que fazer alguma coisa, pois sua economia não está boa. E a Rússia vai fazer. Vai tentar ir à China; o encontro mais importante da política internacional este ano, até agora, será a viagem de Putin a Pequim em maio.

E se a Rússia seguir adiante, no resto da Ucrânia?

Eu acho que isso vai acontecer. A pergunta é como. Eles não vão parar na Crimeia, porque não estão numa situação estável. Se forem adiante, haverá mais sanções americanas, com o apoio de alguns europeus, rachados. Dividir a Europa é um feito grande.

A possibilidade de uma aliança Rússia-China afeta os chamados Brics?

Os Brics têm uma unidade política interessante. Apensar de diferentes, nenhum deles votou na ONU a favor da condenação à Rússia. Nenhum deles está no G-7. Obama diz que toda a comunidade internacional está a favor da Ucrânia. Então os Brics não fazem parte da comunidade internacional?! É verdade que até agora essa abstenção não se traduziu numa posição política coordenada, e a pergunta é se isso vai continuar assim. Por enquanto, acho que sim, em parte, porque a economia americana está indo bem, o que importa muito para os Brics, fora da Rússia. E importa para a China, que é muito pragmática. Mas a Rússia pode oferecer aos chineses alguma coisa que faça Pequim mudar de ideia. Isso é possível. Se acontecer, o Brasil não vai apoiar a Rússia. Mas se russos e chineses se unirem para criar uma nova organização e disserem a Brasil e Índia: “olha, não somos parte do G-7, não somos parte da Parceria Transpacífica (TPP) e vamos nos unir...” Não acho que o Brasil se uniria à tal iniciativa, mas o Brasil ficaria numa situação muito ruim. Vocês não querem estar nessa situação, mas podem ficar. Trotsky uma vez disse: “às vezes vocês não quer a guerra, mas a guerra quer você”.

O Brasil tradicionalmente recorre ao princípio de não ingerência em questões de outros países...

O Brasil não quer ter que adotar posições em assunto nenhum. As abstenções brasileiras mostram isso, o Brasil não quer responsabilidade. Nem na Síria, na Crimeia, em lugar nenhum. É uma ótima posição para o Brasil, mas que não vai poder se sustentar por muito tempo.

O que estaria sobre a mesa numa eventual aliança Rússia-China que tanto assusta o Ocidente?

A Rússia precisa de amigos. A Rússia precisa que a China vote com ela e não com os Estados Unidos. Os chineses não precisam da Rússia estrategicamente, mas podem muito bem usar energia russa, já que o Oriente Médio está mais instável; pode usar petróleo e gás; pode usar terras russas para grandes populações chinesas no Leste da Sibéria; pode desenvolver aquela região. A Rússia tem um território enorme e pouca gente, ao contrário da China, que tem menos território e muito mais gente. Eles podem fazer muitas coisas juntos, mas também há muitas razões para que não tenham sucesso. A China tem uma excelente relação econômica com os EUA e não gosta de correr riscos; os russos têm antipatia histórica pela China. Mas, se os russos não tiverem mais amigos, se sobrarem a Moscou apenas Armênia, Tadjiquistão e BielorRússia....

Essas possibilidades podem mudar a agenda da 6ª Conferência dos Brics em julho, aqui no Brasil?

Pode ser. Mas não depende do Brasil. Por enquanto, o Brasil é um observador passivo. As escolhas serão feitas por russos e chineses, e os brasileiros vão torcer para que eles não façam escolha alguma. É isso que o Brasil quer. Não é interesse do Brasil ver os Brics como uma organização mais forte, porque o Brasil quer ser uma economia global, que está ficando mais rica, numa região sem problemas geopolíticos... O Brasil quer trabalhar com todas as potências a longo prazo, mas se tiver que escolher entre EUA e China, certamente vai escolher os EUA. Se os Brics ficarem mais fortes, como um bloco anti-Ocidente, anti-EUA, vai ser muito ruim para o Brasil.

A pressão sobre a presidente Dilma Rousseff vai ser maior, não? Afinal, nesse cenário, a conferência vai ganhar um destaque maior do que ela esperava ou desejava...

O problema é que as relações dela com os EUA foram muito prejudicadas com o escândalo da espionagem revelado pelo ex-técnico da NSA Edward Snowden. Neste momento, o que vocês têm? O Mercosul? É neste grupo que vocês querem estar ou no TPP? Neste momento, vocês são os perdedores econômicos da América Latina! Não é esse o futuro que o Brasil quer. O Brasil é uma economia vibrante, que embora esteja lenta agora, tem empresas, negócios, recursos. A Venezuela vai entrar em colapso, a Argentina vai entrar em colapso... Não são modelos a se copiar.

oglobo.globo.com | 05-04-2014

RIO - Para os cidadãos comuns pode soar estranho, mas para o BNDES e alguns empresários é uma oportunidade séria: revolucionar o transporte global de cargas com dirigíveis. Inédito no planeta, o projeto já movimenta mais de R$ 100 milhões e promete levantar voo até o fim de 2016. Ousada, a proposta de criar uma aeronave que vai, ainda, estrear um novo modal logístico prevê uma frota inicial de até 20 dirigíveis, que poderão transportar até 30 toneladas cada e fazer o Brasil passar a frente de países como Estados Unidos, Inglaterra, Rússia e Alemanha, que já têm projetos semelhantes.

A americana Lockheed Martin, por exemplo, pretende desenvolver um dirigível para transporte de tropas e equipamentos. A ideia surgiu na Guerra do Afeganistão. Os canadenses, que têm de atender à população isolada em suas províncias geladas perto do Ártico, veem nos dirigíveis uma opção mais barata e eficiente às estradas. Russos e ingleses também têm projetos militares.

O projeto da Airship do Brasil é o primeiro do BNDES, dentro da categoria de infraestrutura, que conseguiu se enquadrar com a rubrica — e as condições mais suaves — da inovação. Localizada em São Carlos (SP), a empresa, que quer ser “a Embraer dos dirigíveis” tem como sócios a Engevix, de engenharia, e a Bertolini, de transportes. Com uma proposta tecnicamente viável, o grupo conseguiu empréstimo de R$ 102,7 milhões do BNDES para investimentos que, apenas na fase de desenvolvimento e protótipo, chegarão a R$ 119 milhões.

— Foi uma análise difícil, tivemos de mandar técnicos para o exterior, descobrimos até que temos um funcionário com doutorado em dirigíveis, mas apoiamos o projeto por entender que ele é realmente viável, técnica e economicamente — diz Ronaldo Vianna, gerente do Departamento de Logística do BNDES.

Voando a cerca de 500 metros do solo e com velocidade de até 120 quilômetros por hora, os dirigíveis da Airship do Brasil serão utilizados, em um primeiro momento, em situações especiais. O equipamento se adapta ao transporte de grandes volumes, como turbinas de hidrelétricas ou pás de geradores eólicos, para locais de difícil acesso, como a Amazônia ou as plataformas do pré-sal, bem como para áreas isoladas por catástrofes naturais. No futuro e com modelos ainda maiores — com capacidade de até 200 toneladas — os dirigíveis poderão até mesmo substituir os caminhões no transporte de soja. O equipamento poderia voar em segurança do campo diretamente para os navios, aliviando estradas e portos.

— A proposta é revolucionária. Desafoga estradas e ferrovias, gera economia de, no mínimo, 25% no custo do transporte, não causa problemas para aviões e helicópteros e ainda é mais ecológica que os outros modais — diz Vianna, que aprovou o financiamento em setembro de 2012.

O projeto começou em 2006. O diretor técnico da empresa, James Waterhouse, conta que a ideia inicial era voltada a estudos e pesquisas. Em 2012, concluiu-se que era hora de investir na parte operacional. Ele diz que já há diversos pedidos de patentes pela empresa.

— Primeiro foi necessário montar uma rede de engenheiros para desenvolver o projeto. Agora temos que pensar em criar uma rede de pilotos — afirma Waterhouse, lembrando que a empresa já começou o processo de homologação juntos aos órgãos públicos para que o protótipo possa voar até o fim de 2016, o que permitiria o início da operação comercial em 2017.

Waterhouse garante que a tecnologia atual é muito mais moderna e que não há mais riscos de explosão, como no passado, graças ao uso do gás hélio. Ele diz ainda que a viabilidade econômica está comprovada:

— Estimamos que nos próximos anos serão necessários de mil a 1.500 geradores de energia eólica, quase sempre em locais de difícil acesso. Podemos ter uma estrutura para montar e manter as linhas de transmissão de energia na Amazônia.

Além do projeto de um dirigível grande, de até 140 metros de comprimento e capacidade de carga de 30 toneladas, a empresa pode aproveitar a estrutura para fabricar dirigíveis menores. Estes poderão ser utilizados como antenas móveis em locais de grande concentração de pessoas, como um jogo de futebol. Há outra empresa em Campinas (SP) que desenvolve um produto semelhante, a Altave.

No passado, alemães investiram US$ 600 milhões, sem sucesso, em um projeto semelhante. A empresa esbarrou no 11 de Setembro e no estouro da bolha das empresas de tecnologia nos mercados. Segundo Sergio Varella, uma das poucas pessoas do mundo com doutorado em dirigíveis, o assunto sempre esteve em radar quando havia crises nos preços de petróleo.

Tecnologia avançada

Varella começou a se interessar por dirigíveis nos anos 80, quando o governo planejava investir até US$ 1 bilhão (à época) para criar uma rede de transporte deste tipo na Amazônia. A idéia não vingou, mas foi o que o fez largar tudo e ir à Inglaterra fazer doutorado no tema.

Ao voltar, tornou-se sócio, com Paul Jerry, no dirigível da Pepsi que sobrevoava o Rio. Ele explica que a aeronave planejada é muito diferente da que existe no imaginário das pessoas, pois a tecnologia é mais desenvolvida. Hoje há 15 dirigíveis de publicidade no mundo — a Goodyear é a marca que mais investe neste modelo —, chamados de blimp. Ele conta que começam a surgir dirigíveis Vant para espionagem, sobretudo em fronteiras, e até a Petrobras chegou a cogitar seu uso no pré-sal.

— O dirigível custa menos que o caminhão e, embora não tenha a velocidade dos jatos, é viável. Eles são perfeitos para nichos. O desafio é conseguir o financiamento e a criação de uma rede — diz.

oglobo.globo.com | 05-04-2014

RIO - Para os cidadãos comuns pode soar estranho, mas para o BNDES e alguns empresários é uma oportunidade séria: revolucionar o transporte global de cargas com dirigíveis. Inédito no planeta, o projeto já movimenta mais de R$ 100 milhões e promete levantar voo até o fim de 2016. Ousada, a proposta de criar uma aeronave que vai, ainda, estrear um novo modal logístico prevê uma frota inicial de até 20 dirigíveis, que poderão transportar até 30 toneladas cada e fazer o Brasil passar a frente de países como Estados Unidos, Inglaterra, Rússia e Alemanha, que já têm projetos semelhantes.

A americana Lockheed Martin, por exemplo, pretende desenvolver um dirigível para transporte de tropas e equipamentos. A ideia surgiu na Guerra do Afeganistão. Os canadenses, que têm de atender à população isolada em suas províncias geladas perto do Ártico, veem nos dirigíveis uma opção mais barata e eficiente às estradas. Russos e ingleses também têm projetos militares.

O projeto da Airship do Brasil é o primeiro do BNDES, dentro da categoria de infraestrutura, que conseguiu se enquadrar com a rubrica — e as condições mais suaves — da inovação. Localizada em São Carlos (SP), a empresa, que quer ser “a Embraer dos dirigíveis” tem como sócios a Engevix, de engenharia, e a Bertolini, de transportes. Com uma proposta tecnicamente viável, o grupo conseguiu empréstimo de R$ 102,7 milhões do BNDES para investimentos que, apenas na fase de desenvolvimento e protótipo, chegarão a R$ 119 milhões.

— Foi uma análise difícil, tivemos de mandar técnicos para o exterior, descobrimos até que temos um funcionário com doutorado em dirigíveis, mas apoiamos o projeto por entender que ele é realmente viável, técnica e economicamente — diz Ronaldo Vianna, gerente do Departamento de Logística do BNDES.

Voando a cerca de 500 metros do solo e com velocidade de até 120 quilômetros por hora, os dirigíveis da Airship do Brasil serão utilizados, em um primeiro momento, em situações especiais. O equipamento se adapta ao transporte de grandes volumes, como turbinas de hidrelétricas ou pás de geradores eólicos, para locais de difícil acesso, como a Amazônia ou as plataformas do pré-sal, bem como para áreas isoladas por catástrofes naturais. No futuro e com modelos ainda maiores — com capacidade de até 200 toneladas — os dirigíveis poderão até mesmo substituir os caminhões no transporte de soja. O equipamento poderia voar em segurança do campo diretamente para os navios, aliviando estradas e portos.

— A proposta é revolucionária. Desafoga estradas e ferrovias, gera economia de, no mínimo, 25% no custo do transporte, não causa problemas para aviões e helicópteros e ainda é mais ecológica que os outros modais — diz Vianna, que aprovou o financiamento em setembro de 2012.

O projeto começou em 2006. O diretor técnico da empresa, James Waterhouse, conta que a ideia inicial era voltada a estudos e pesquisas. Em 2012, concluiu-se que era hora de investir na parte operacional. Ele diz que já há diversos pedidos de patentes pela empresa.

— Primeiro foi necessário montar uma rede de engenheiros para desenvolver o projeto. Agora temos que pensar em criar uma rede de pilotos — afirma Waterhouse, lembrando que a empresa já começou o processo de homologação juntos aos órgãos públicos para que o protótipo possa voar até o fim de 2016, o que permitiria o início da operação comercial em 2017.

Waterhouse garante que a tecnologia atual é muito mais moderna e que não há mais riscos de explosão, como no passado, graças ao uso do gás hélio. Ele diz ainda que a viabilidade econômica está comprovada:

— Estimamos que nos próximos anos serão necessários de mil a 1.500 geradores de energia eólica, quase sempre em locais de difícil acesso. Podemos ter uma estrutura para montar e manter as linhas de transmissão de energia na Amazônia.

Além do projeto de um dirigível grande, de até 140 metros de comprimento e capacidade de carga de 30 toneladas, a empresa pode aproveitar a estrutura para fabricar dirigíveis menores. Estes poderão ser utilizados como antenas móveis em locais de grande concentração de pessoas, como um jogo de futebol. Há outra empresa em Campinas (SP) que desenvolve um produto semelhante, a Altave.

No passado, alemães investiram US$ 600 milhões, sem sucesso, em um projeto semelhante. A empresa esbarrou no 11 de Setembro e no estouro da bolha das empresas de tecnologia nos mercados. Segundo Sergio Varella, uma das poucas pessoas do mundo com doutorado em dirigíveis, o assunto sempre esteve em radar quando havia crises nos preços de petróleo.

Tecnologia avançada

Varella começou a se interessar por dirigíveis nos anos 80, quando o governo planejava investir até US$ 1 bilhão (à época) para criar uma rede de transporte deste tipo na Amazônia. A idéia não vingou, mas foi o que o fez largar tudo e ir à Inglaterra fazer doutorado no tema.

Ao voltar, tornou-se sócio, com Paul Jerry, no dirigível da Pepsi que sobrevoava o Rio. Ele explica que a aeronave planejada é muito diferente da que existe no imaginário das pessoas, pois a tecnologia é mais desenvolvida. Hoje há 15 dirigíveis de publicidade no mundo — a Goodyear é a marca que mais investe neste modelo —, chamados de blimp. Ele conta que começam a surgir dirigíveis Vant para espionagem, sobretudo em fronteiras, e até a Petrobras chegou a cogitar seu uso no pré-sal.

— O dirigível custa menos que o caminhão e, embora não tenha a velocidade dos jatos, é viável. Eles são perfeitos para nichos. O desafio é conseguir o financiamento e a criação de uma rede — diz.

oglobo.globo.com | 05-04-2014

MOSCOU — A Rússia negou nesta quinta-feira as acusações da Ucrânia de que seus serviços secretos estiveram envolvidos na morte de cerca de 90 pessoas durante as manifestações de fevereiro, que provocaram a queda do regime pró-russo em Kiev. A Rússia cancelou nesta mesma quinta o último desconto concedido à Ucrânia no fornecimento de gás, uma medida de pressão contra as novas autoridades de Kiev, que agora terá que pagar 485 dólares por 1.000 metros cúbicos, um dos preços mais altos aplicados por Moscou a países europeus. As novas acusações do governo de Kiev podem intensificar ainda mais a tensão entre a Rússia e os países ocidentais.

Na apresentação dos resultados preliminares da investigação sobre os tiros disparados por franco-atiradores, o novo chefe dos serviços de segurança ucranianos, Valentin Nalivaichenko, afirmou que agentes do FSB (os serviços secretos russos) participaram do planejamento e da execução da suposta operação antiterrorista durante as manifestações da Maidan, a Praça da Independência no centro da capital.

O registros de 18 a 20 de fevereiro, quando ocorreram os ataques, chegou a 90 mortes. O então presidente pró-russo Viktor “Yanukovytch deu a ordem criminosa de disparar contra os manifestantes entre 18 e 20 de fevereiro”, acrescentou, acompanhado pelo ministro do Interior interino da Ucrânia, Arsen Avakov.

O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, reagiu às acusações, dizendo que essa versão “contradiz as muitas provas que demonstram o contrário”. Lavrov citou, em particular, uma conversa telefônica entre a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, o ministro estoniano das Relações Exteriores, Urmas Paet, gravada clandestinamente e na qual se falava de um possível envolvimento da oposição ucraniana nos fatos. O FSB também negou qualquer envolvimento.

— A verdade deve ser estabelecida de forma transparente — acrescentou Lavrov.

O primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk, por sua vez, declarou à BBC que as autoridades vão processar Yanukovytch, sobre quem já pesa uma ordem de busca e captura por assassinatos em massa. O ex-presidente, refugiado na Rússia, já havia desmentido na quarta qualquer responsabilidade, em declarações a uma rede de televisão russa.

Depois de três meses de violentas manifestações contra o governo em Kiev, os confrontos do fim de fevereiro levaram o Parlamento ucraniano a derrubar do poder o presidente pró-russo e seu governo. Em muitos casos, as vítimas morreram atingidas por tiros aparentemente disparados por franco-atiradores. As duas partes se acusam mutuamente de terem provocado a violência, mas até agora a investigação dos incidentes não havia sido levada adiante.

Segundo as autoridades russas, foram os grupos nacionalistas ucranianos os primeiros a atirar contra a polícia, em uma tentativa de atribuir a violência ao presidente Yanukovytch e a seus aliados de Moscou. Os confrontos colocaram em evidência as divisões deste país de 46 milhões de habitantes entre as regiões favoráveis a Moscou (principalmente no leste e no sul) e os partidários da aproximação entre o Ocidente e a União Europeia.

Além do aumento do preço do gás, Moscou exigiu que Kiev pague o quanto antes sua dívida energética, avaliada em 2,2 bilhões de dólares, no momento em que a economia da ex-república soviética está em crise. O ministro ucraniano da Energia, Yuri Prodan, considerou o novo preço do gás “inaceitável para a Ucrânia, um preço político”.

Após a destituição de Yanukovytch em fevereiro, a península da Crimeia, onde a maioria de seus dois milhões de habitantes é de origem e língua russas, votou em um referendo sua integração à Rússia, confirmada pouco depois pelo Parlamento e pelo governo de Moscou.

oglobo.globo.com | 03-04-2014
As autoridades da Rússia sinalizaram que o país conseguiu passar pelo pior da tempestade econômica causada pela anexação da Crimeia, mas admitiu que a crise afetou o crescimento e impulsionou a inflação.
online.wsj.com | 03-04-2014

RIO — Na visão tradicional e romântica, para se fazer arte são necessários um artista, poucos recursos e muita inspiração. Já na realidade do mercado internacional de arte, é preciso muito mais. Um galerista tem que adotar o artista, um investidor deve alocar os recursos para se realizar a obra, consultores tratam de espalhar a relevância daquela criação pelo mundo, e os leiloeiros cuidam para que ela seja vendida por muito dinheiro.

E a inspiração? Ao se seguirem os caminhos apontados pelo documentário “A corrida da arte” (assista acima a um trecho), a conclusão é que a inspiração deixou de ser essencial. O filme, que será exibido pelo É Tudo Verdade — festival de documentários que começa nesta quinta-feira em São Paulo e na sexta no Rio, e segue até o dia 13 de abril —, é um retrato extremamente crítico sobre o funcionamento do mercado contemporâneo de arte. Nele são apresentados personagens como os galeristas Larry Gagosian e Charles Saatchi, o negociante David Nahmad e os colecionadores Donald e Mera Rubell — todos sujeitos da transformação da arte num negócio de cifras absurdamente altas.

— Para a maioria das pessoas, a arte é um alimento para a alma. Mas, de repente, se transformou numa commodity, um item que é vendido ao redor do mundo como qualquer outro — diz, em entrevista por telefone, a cineasta francesa Marianne Lamour, diretora de “A corrida da arte”.

O documentário de Marianne foi inspirado pelo livro “Grandes e pequenos segredos do mundo da arte”, escrito pelas jornalistas Danièle Granet e Catherine Lamour, esta última irmã da diretora — os direitos do livro foram comprados no Brasil pela editora Tinta Negra, mas ainda não há data de publicação. O filme cita casos como o do americano Jeff Koons, cuja versão laranja da obra “Baloon dog” foi leiloada pela Christie’s, em novembro de 2013, por US$ 58,4 milhões, maior valor já alcançado por um artista vivo.

“O problema dos novos artistas é que a especulação nubla sua visão da arte. De uma hora para outra, um jovem já está valendo US$ 10 milhões”, diz, em entrevista ao filme, o bilionário libanês David Nahmad, um dos maiores negociantes de arte do mundo. “Qual a diferença entre US$ 20 milhões e US$ 40 milhões?”, ironiza Philippe de Montebello, ex-diretor do museu Metropolitan, em Nova York.

— Antes, artistas, críticos, curadores e estudiosos definiam o valor cultural de uma obra. Hoje, o controle está todo com os megacolecionadores. Eles são donos de megagalerias e têm em seu catálogo mega-artistas. O mundo da arte se transformou num negócio apenas dos megas — brinca Marianne, ressaltando o papel da internet na globalização do mercado. — Você aí no Brasil pode comprar uma obra que está em leilão em Londres e a revender para a China, ganhando uma boa comissão.

Em boa parte do filme, o foco sai de cidades tradicionais, como Paris e Veneza, e percorre feiras que ganharam relevância na última década, como as Art Basel de Miami e Hong Kong ou eventos em Dubai e Cingapura. Vários entrevistados lembram que os milionários de países emergentes passaram a se interessar por arte. “O mercado é dominado pelos novos ricos. São administradores de fundos de investimentos ou empresários de Rússia, China ou Oriente Médio que enriqueceram com petróleo ou outras formas de energia. Eles gastam dinheiro em arte, assim como gastam comprando iates ou relógios Rolex”, diz Georgina Adam, editora da publicação especializada “The Art Newspaper”.

O Brasil é citado em momentos do documentário como parte desse admirável mundo novo. Mas Marianne não veio nem ao Brasil nem a outro país da América do Sul, dedicando-se a observar como os colecionadores sul-americanos se portam em feiras internacionais. Segundo ela, fazia mais sentido para o filme ir aos países árabes ou à China, que investem milhões de dólares em arte.

Damien Hirst como grande nome do século XX

A diretora se recorda de uma conversa, numa feira em Hong Kong, sobre qual seria o artista mais importante do século XX. Ela esperava que alguém respondesse Picasso ou, numa visão menos tradicional, Andy Warhol. Mas se surpreendeu quando a maioria apontou Damien Hirst. “O tempo vai julgar o artista, mas o mercado já julgou o homem de negócios. Este é um gênio”, narra ela no documentário:

— O mais curioso é que em quatro anos muita coisa já mudou. Em 2010, quando começamos a filmar, era possível para um jornalista ir a feiras de arte e encontrar os grandes colecionadores e marchands. Mas, hoje, essas pessoas se tornaram tão ricas e glamourosas que as feiras são feitas de um jeito que elas não precisam se encontrar com ninguém de fora do seu círculo. É um mundo fechado e cada vez mais controlado pelos milionários.

oglobo.globo.com | 01-04-2014

SÃO PAULO - Os fundos que investem recursos do FGTS nas ações da Petrobras foram a melhor aplicação em março, mesmo com as denúncias recentes envolvendo a petrolífera, que também teve sua avaliação de crédito rebaixada pela agência de classificação de risco Standard & Poor's. Segundo dados da Associação Brasileira dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), esses fundos renderam 5,97% no mês, até o dia 26, embora no ano ainda acumulem perda de 14%. Os ganhos indicados pela Anbima são nominais, ou seja, não descontam a inflação no período. Em março, o IGP-M ficou em 1,67% e o IPCA-15, que é um prévia da inflação oficial medida pelo IPCA, subiu 0,73%.

- Mesmo com notícias ruins de curto prazo para a empresa, como a investigação da compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, as ações da empresa chegaram a subir 8% em apenas um dia após pesquisa mostrar queda de popularidade do governo da presidente Dilma Rousseff. Na avaliação do mercado, a possibilidade de troca de governo mudaria a gestão da empresa. O mercado já colocou o fato 'eleição' na pauta - avalia Maurício Pedrosa, estrategista e sócio da Queluz Asset Management.

Na ponta negativa do ranking de aplicações financeiras, ficaram os fundos FGTS que investem em ações da Vale, com perda de 7,65%. As incertezas sobre o crescimento da economia chinesa e a queda no preço do minério de ferro, no mercado externo, afetaram o desempenho das ações da Vale.

Os fundos cambiais, que aplicam principalmente no dólar americano, além de outras moedas, também tiveram perda. Quem investiu nessa família de fundos esperando ganhar com a valorização do dólar teve uma perda de 1,13%, até o dia 26 de março. No mês de março, o dólar comercial se desvalorizou 3,2% frente ao real, refletindo no desempenho dessa aplicação. Em fevereiro, o fundos cambiais já haviam apresentado perdas de 3,5%, após quatro meses consecutivos de alta. No ano, o prejuízo acumulado desse tipo de investimento é de 2,29%, enquanto em 12 meses eles ainda apresentam valorização de 15,46%.

Para o economista do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, a possibilidade de rebaixamento do rating do país já estava refletida também no câmbio, e havia sido antecipada pelo mercado. Com isso, a decisão da Standard & Poor's, anunciada na semana passada, não afetou o real.

"Em vez disso, a moeda valorizou-se significativamente, após a notícia, com os investidores estrangeiros procurando moedas de países com altas taxa de juros", diz o economista, em relatório.

Esse fluxo já tinha sido visto nas últimas semanas, quando o ambiente externo ficou mais calmo, desde que a possibilidade de um conflito mais sério entre a Rússia e os países do Ocidente, por causa da Ucrânia, foi afastada. Aliás, uma parte dos recursos externos que ia para a Rússia acabou procurando outros destinos com a crise geopolítica e o Brasil foi beneficiado. Com isso, o dólar perdeu força frente ao real.

O boletim Focus, compilação feita pelo Banco Central com economistas do mercado, mostrou que a estimativa para o dólar, no final deste ano, recuou de R$ 2,49 para R$ 2,46.

Para especialistas, entretanto, a tendência do dólar frente ao real continua sendo de alta, enquanto o banco central dos Estados Unidos o Federal Reserve) continuar a reduzir os estímulos à economia.

Os fundos de renda fixa tiveram um retorno de 0,70% no mês e lideram a rentabilidade no ano, com rendimento de 2,5%. O desempenho da Renda Fixa foi similar aos Fundos DI, que acompanham a alta da Selic, a taxa básica de juros. Os fundos DI ofereceram ganho de 0,65% no mês de março, até o dia 26, e no ano o retorno oferecido é de 2,32%.

- O que é ruim para a economia acaba sendo bom para o poupador. O fato de o Banco Central elevar a taxa de juros para conter a inflação já se reflete nos ganhos da renda fixa e dos DI. Em relação aos fundos de renda fixa, a chamada 'marcação a mercado' (variação diária do preço dos títulos), que provocou rentabilidade negativa em alguns fundos que tinham papéis pré-fixados em suas carteiras, ficou mais suave - afirma o consultor financeiro Mauro Calil.

Para Calil, o governo deverá continuar subindo os juros para conter a inflação, na semana que vem e em maio, o que deve continuar beneficiando a renda fixa. Ele lembra também que outro fator beneficiou a rentabilidade desses produtos. Boa parte dos fundos reduziu a taxa de administração a 1% para não perder investidores para a poupança.

- Com mais fundos com taxas menores, a rentabilidade média desses fundos subiu. O resumo é que a renda fixa voltou a ficar atrativa - diz Calil.

Ibovespa Ativo e fundos livres decepcionam

Depois de quatro meses de perdas consecutivas, os fundos que investem em ações também tiveram bom desempenho em março. Os fundos Ibovespa Ativo - que têm como objetivo superar o desempenho do Ibovespa, índice de referência do mercado de ações brasileiro, tiveram ganho de 0,51%, segundo Anbima. O desempenho foi ruim até a data, considerando que o Ibovespa subiu 7,04% no mês fechado. No ano, entretanto, esses fundos ainda acumulam uma perda de 7%. Os fundos Ações Livre - que não têm seu desempenho atrelado a nenhum índice específico - também tiveram ganho de 0,30%, depois de uma perda de 1,62% em fevereiro.

- Um fluxo maior de investidores estrangeiros para a Bolsa, recompra de ações feitas pelas próprias empresas (que consideram que seus papéis estão muito baratos) e fundos institucionais rebalanceando suas carteiras trouxeram uma onda de otimismo para a Bolsa nas últimas semanas - diz Marcio cardoso, sócio-diretor da Easynvest Título Corretora.

Os fundos que investem em títulos públicos ligados à inflação - chamados de fundos de renda fixa índice - ganharam 0,55% no mês e têm ganho de 2,35% no ano. Os títulos em que esses fundos aplicam - como as Notas do Tesouro Nacional da Série B (NTN-B) - costumam ter um desempenho mais positivo quando a expectativa de taxa básica de juros, a Selic, é de queda.

Já os fundos multimercado multiestratégia, produtos que aplicam em ativos, como câmbio, ações e títulos, e por isso considerados mais arriscados, renderam 0,13% no mês, menos do que a caderneta de poupança (que oferece ganho de 0,55% ao mês). No ano, esses produtos oferecem um retorno de 0,64% aos investidores.

oglobo.globo.com | 01-04-2014

RIO — A chegada em massa de africanos na Europa racha o discurso do Velho Mundo: um estrato da sociedade defende políticas assistencialistas; outro ergue a bandeira da direita radical e hostil aos “invasores”. No Ártico, o derretimento das geleiras acirra a tensão entre as grandes potências mundiais, que cobiçam as novas rotas de navegação e a extração do petróleo. Milhões de pessoas deixarão o Leste da Ásia, constantemente inundado, e, no Brasil, nordestinos trocarão suas casas pelo Sudeste. Estes conflitos, entre tantos outros que já aparecem timidamente no cenário internacional, provocarão ainda mais embaraços nas próximas décadas. A explicação para tantos episódios caóticos é a mesma — as mudanças climáticas.

Divulgado neste domingo, o novo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) dedica um capítulo inteiro à relação entre clima e segurança. Esta é a primeira vez que o órgão deu ênfase à ligação entre clima e crescimento da extrema-direita.

Segundo o IPCC, a temperatura global pode aumentar, no máximo, 2 graus Celsius para que o clima do planeta seja “administrável”. Mais do que isso, o homem perderia o controle sobre os fenômenos naturais. Hoje, no entanto, acredita-se que os termômetros devem chegar a mais de 4 graus Celsius até o fim do século. Com isso, aumenta a ocorrência de eventos climáticos extremos, que arrasam os recursos fundamentais para a economia de cada país — terras cultiváveis e água, principalmente.

— A escassez acirra questões que já são sensíveis — alerta Suzana Kahn, vice-presidente do IPCC e professora da Coppe/UFRJ. — O ambiente alterado aumentará o fosso entre as nações. Populações inteiras, que têm muito pouco a perder, vão se transformar em refugiados climáticos. Em um mundo já lotado, elas sempre serão recebidas com hostilidade. Criamos um barril de pólvora.

Confrontos pela água

Os eventos climáticos extremos atingirão com maior ferocidade os países em desenvolvimento, especialmente na região tropical. A desertificação africana já provoca o deslocamento das populações, que voltarão cada vez mais suas atenções para a Europa. Assustado com o assédio de suas ex-colônias, o Velho Mundo testemunha o crescimento dos militantes anti-imigração. Um exemplo é o referendo no mês passado na Suíça, em que a nação optou por permanecer fora da União Europeia. O resultado foi citado como um modelo por líderes da extrema-direita de países como Áustria, França e Itália.

O Brasil pode ter sua própria onda migratória. A desertificação do sertão e do Leste da Amazônia levaria mais pessoas para as já saturadas capitais do Centro-Sul do país.

Coordenador de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, André Nahur concorda que a disputa por água e alimentos será uma das maiores motivações para os confrontos deste século.

— A queda da disponibilidade de água vai gerar um cenário de incerteza — destaca. — O estresse hídrico pode ser visto em diferentes partes do mundo. O Leste da Ásia, cada vez mais sacudido por eventos extremos, como furacões, pode não ter a água necessária para abastecer sua população. Outro exemplo é a disputa, entre Rio e São Paulo, pela Bacia do Rio Paraíba do Sul.

Para Fábio Scarano, coautor do relatório do IPCC e vice-presidente sênior da Divisão da América da Conservação Internacional, a América Latina é uma das áreas vulneráveis aos confrontos protagonizados pela água:

— Em nosso continente, a água é usada para energia, irrigação e saneamento nas cidades. À medida que o clima traz impacto à sua disponibilidade, as atividades econômicas correm risco e aumenta a competição pelos recursos naturais.

Efeitos seguirão por décadas

O aquecimento global, no entanto, é festejado em regiões como o Norte da Rússia, onde a maior exposição ao Sol vai proporcionar mais áreas cultiváveis. Mas o derretimento do gelo vem acompanhado de polêmicas, como a maneira de explorar gás e mineração, entre outras riquezas pouco estudadas da região.

Durante a Conferência do Clima de Copenhague, em 2009, representantes do Conselho Circumpolar Inuit, da Groenlândia, denunciaram o aumento da presença militar naquele território.

— O degelo do Ártico também traz um conflito em potencial — alerta Suzana. — Sem as geleiras, novas rotas de navegação estão sendo criadas, e o petróleo da região está atraindo as grandes potências. Mais uma disputa surge ali.

Mesmo que as emissões de carbono fossem interrompidas agora — o que sequer é cogitado —, os efeitos das mudanças climáticas seguirão por décadas, inclusive a possibilidade de confrontos.

— Os mais vulneráveis às mudanças climáticas são os pobres — destaca Scarano. — Então, os objetivos devem ser reduzir a miséria e, ao mesmo tempo, adaptar os ecossistemas.

oglobo.globo.com | 31-03-2014

RIO — A chegada em massa de africanos à Europa racha o discurso do Velho Mundo: um estrato da sociedade defende políticas assistencialistas. Outro ergue a bandeira da direita radical e hostil aos “invasores”. No Ártico, o derretimento das geleiras acirra a tensão entre as potências mundiais, que cobiçam novas rotas de navegação e extração do petróleo. Milhões de pessoas deixam o Leste da Ásia, constantemente inundado, e, no Brasil, nordestinos trocam suas casas pelo Sudeste. Estes conflitos, entre tantos outros que já aparecem timidamente no cenário internacional, provocarão mais embaraços nas próximas décadas. A explicação para tantos episódios caóticos são as mudanças climáticas.

Divulgado neste domingo, o novo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) dedica um capítulo inteiro à relação entre clima e segurança. Esta é a primeira vez que o órgão deu ênfase à ligação entre clima e crescimento da extrema-direita.

Segundo o IPCC, a temperatura global pode aumentar, no máximo, 2 graus Celsius para que o clima do planeta seja “administrável”. Mais do que isso, o homem perderia o controle sobre os fenômenos naturais. Hoje, no entanto, acredita-se que os termômetros devem chegar a mais de 4 graus Celsius até o fim do século. Com isso, aumenta a ocorrência de eventos climáticos extremos, que arrasam os recursos fundamentais para a economia de cada país — terras cultiváveis e água, principalmente.

— A escassez acirra questões que já são sensíveis — alerta Suzana Kahn, vice-presidente do IPCC e professora da Coppe/UFRJ. — O ambiente alterado aumentará o fosso entre as nações. Populações inteiras, que têm muito pouco a perder, vão se transformar em refugiados climáticos. Em um mundo já lotado, elas sempre serão recebidas com hostilidade. Criamos um barril de pólvora.

Confrontos pela água

Os eventos climáticos extremos atingirão com maior ferocidade os países em desenvolvimento, especialmente na região tropical. A desertificação africana já provoca o deslocamento das populações, que voltarão cada vez mais suas atenções para a Europa. Assustado com o assédio de suas ex-colônias, o Velho Mundo testemunha o crescimento dos militantes anti-imigração. Um exemplo é o referendo no mês passado na Suíça, em que a nação optou por permanecer fora da União Europeia. O resultado foi citado como um modelo por líderes da extrema-direita de países como Áustria, França e Itália.

O Brasil pode ter sua própria onda migratória. A desertificação do sertão e do Leste da Amazônia levaria mais pessoas para as já saturadas capitais do Centro-Sul do país.

Coordenador de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, André Nahur concorda que a disputa por água e alimentos será uma das maiores motivações para os confrontos deste século.

— A queda da disponibilidade de água vai gerar um cenário de incerteza — destaca. — O estresse hídrico pode ser visto em diferentes partes do mundo. O Leste da Ásia, cada vez mais sacudido por eventos extremos, como furacões, pode não ter a água necessária para abastecer sua população. Outro exemplo é a disputa, entre Rio e São Paulo, pela Bacia do Rio Paraíba do Sul.

Para Fábio Scarano, coautor do relatório do IPCC e vice-presidente sênior da Divisão da América da Conservação Internacional, a América Latina é uma das áreas vulneráveis aos confrontos protagonizados pela água:

— Em nosso continente, a água é usada para energia, irrigação e saneamento nas cidades. À medida que o clima traz impacto à sua disponibilidade, as atividades econômicas correm risco e aumenta a competição pelos recursos naturais.

Efeitos seguirão por décadas

O aquecimento global, no entanto, é festejado em regiões como o Norte da Rússia, onde a maior exposição ao Sol vai proporcionar mais áreas cultiváveis. Mas o derretimento do gelo vem acompanhado de polêmicas, como a maneira de explorar gás e mineração, entre outras riquezas pouco estudadas da região.

Durante a Conferência do Clima de Copenhague, em 2009, representantes do Conselho Circumpolar Inuit, da Groenlândia, denunciaram o aumento da presença militar naquele território.

— O degelo do Ártico também traz um conflito em potencial — alerta Suzana. — Sem as geleiras, novas rotas de navegação estão sendo criadas, e o petróleo da região está atraindo as grandes potências. Mais uma disputa surge ali.

Mesmo que as emissões de carbono fossem interrompidas agora — o que sequer é cogitado —, os efeitos das mudanças climáticas seguirão por décadas, inclusive a possibilidade de confrontos.

— Os mais vulneráveis às mudanças climáticas são os pobres — destaca Scarano. — Então, os objetivos devem ser reduzir a miséria e, ao mesmo tempo, adaptar os ecossistemas.

oglobo.globo.com | 31-03-2014

PARIS — O secretário de Estado americano, John Kerry, disse na noite deste domingo que ele e o colega russo, Sergei Lavrov, discutiram sugestões para reduzir a crise ucraniana durante as quatro horas de conversa em Paris. Kerry afirmou em uma coletiva de imprensa que os Estados Unidos deixaram claro que ainda consideram as ações russas na Crimeia "ilegais e ilegítimas".

"Os EUA e a Rússia têm diferenças de opinião sobre os eventos que levaram a essa crise, mas ambos reconhecem a importância de encontrar uma solução diplomática e, ao mesmo tempo, atender às necessidades dos ucranianos", disse Kerry. "Os dois lados deram sugestões para diminuir a situação política e de segurança na Ucrânia e em seus entornos."

Kerry e Lavrov procuravam criar um acordo para reduzir as tensões envolvendo a anexação da região da Crimeia, com líderes ocidentais considerando ampliar sanções contra a Rússia para atingir setores importantes de sua economia, incluindo a indústria de petróleo e gás.

Os presidentes Vladimir Putin e Barack Obama conversaram por telefona na última sexta-feira. A ação da Rússia na Crimeia, que aconteceu depois da destituição do presidente ucraniano em fevereiro, provocou o pior conflito entre Oriente e Ocidente desde o fim da Guerra Fria, há duas décadas.

Kerry também falou com Lavrov sobre "fortes preocupações" em relação à presença de tropas russas na fronteira ucraniana, o que, segundo ele, criou um clima de medo e intimidação. Washington disse que há 40 mil tropas russas nos limites da Ucrânia. Kerry afirmou que o governo ucraniano precisa liderar negociações sobre o seu futuro.

"Os Estados Unidos estão se consultando com a Ucrânia em todas as etapas desse processo, e nós não vamos aceitar uma direção em que um governo ucraniano legítimo não esteja na mesa", disse.

'Federalização da Ucrânia'

Mais cedo, Serguei Lavrov apelou por um compromisso com base em uma “federalização” da Ucrânia, com maior autonomia às regiões do leste e sul do país, onde, segundo Moscou, as novas autoridades pró-europeias violam os direitos dos habitantes de origem russa. Em declarações à televisão estatal, Lavrov pediu um diálogo nacional com o objetivo de aprovar “uma nova Constituição que garanta uma organização federal (...) e os direitos de todos os habitantes da Ucrânia”, proposta prontamente rejeitada por Kiev.

“Queríamos recomendar à Rússia que pare de ditar seus ultimatos a um país soberano e independente e centre sua atenção na situação catastrófica e na ausência total de direito de suas próprias minorias, incluindo as ucranianas”, indicou o ministério ucraniano de Relações Exteriores em um comunicado. “Por que a Rússia não adota realmente o federalismo em nome de seu Estado? Por que não reconhece outros idiomas além do russo como o oficial, incluindo o ucraniano, idioma de milhões de cidadãos?”.

De acordo com Lavrov, as sanções do Ocidente à Rússia geraram algum transtorno, mas não têm sido muito “doloridas” para o país. EUA e União Europeia impuseram duas rodadas de sanções à Rússia, que incluíram proibições de viagem e congelamento de bens para alguns dos associados mais próximos do presidente russo, Vladimir Putin. O objetivo das medidas foi punir Moscou pelo que os países ocidentais classificam como tomada ilegal da Crimeia.

oglobo.globo.com | 31-03-2014

MOSCOU — Antes do encontro que terá com o secretário de Estado americano, John Kerry, neste domingo, o chanceler russo, Serguei Lavrov, apelou por um compromisso com base em uma “federalização” da Ucrânia, com maior autonomia às regiões do leste e sul do país, onde, segundo Moscou, as novas autoridades pró-europeias violam os direitos dos habitantes de origem russa. Em declarações à televisão estatal, Lavrov pediu um diálogo nacional com o objetivo de aprovar “uma nova Constituição que garanta uma organização federal (...) e os direitos de todos os habitantes da Ucrânia”, proposta prontamente rejeitada por Kiev.

“Queríamos recomendar à Rússia que pare de ditar seus ultimatos a um país soberano e independente e centre sua atenção na situação catastrófica e na ausência total de direito de suas próprias minorias, incluindo as ucranianas”, indicou o ministério ucraniano de Relações Exteriores em um comunicado. “Por que a Rússia não adota realmente o federalismo em nome de seu Estado? Por que não reconhece outros idiomas além do russo como o oficial, incluindo o ucraniano, idioma de milhões de cidadãos?”.

De acordo com Lavrov, as sanções do Ocidente à Rússia geraram algum transtorno, mas não têm sido muito “doloridas” para o país. EUA e União Europeia impuseram duas rodadas de sanções à Rússia, que incluíram proibições de viagem e congelamento de bens para alguns dos associados mais próximos do presidente russo, Vladimir Putin. O objetivo das medidas foi punir Moscou pelo que os países ocidentais classificam como tomada ilegal da Crimeia.

— Eu não quero dizer que as sanções são ridículas e que a gente não se importa. Essas medidas não são coisas prazerosas — afirmou Lavrov à imprensa russa. — Mas não há uma sensação de dor. Já vivemos épocas mais difíceis.

O chanceler declarou que o Ocidente colocou restrições não oficiais em prática, orientando diplomatas em Moscou a boicotarem reuniões com autoridades e parlamentares russos. E disse que os representantes russos nas capitais da União Europeia também não estão sendo recebidos por autoridades diplomáticas. O encontro entre Lavrov e Kerry está previsto para este domingo em Paris. Os dois lados se movimentam para aliviar as tensões no pior impasse desde a Guerra Fria.

— Diplomacia é a arte de negociar e fazer acordos. Se diplomatas são motivados a se tornar instrumentos de sanções, isso é então uma história totalmente diferente.

O Ocidente ameaça sanções mais duras contra Moscou se mais tropas forem enviadas à Ucrânia. Em março, moradores da Crimeia votaram num plebiscito a favor de se separar da Ucrânia e se juntar à Rússia, uma votação que não foi aceita pelos governos ocidentais. De acordo com eles, o referendo violou a Constituição ucraniana e foi realizado depois que os militares russos cercaram a região.

Encontro de última hora

Kerry e Lavrov se reúnem neste domingo em Paris para tentar acabar com o conflito entre Moscou e o Ocidente, após a incorporação da península ucraniana da Crimeia à Rússia. O encontro foi organizado logo após um telefonema na sexta-feira à noite entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o da Rússia, Vladimir Putin — o primeiro contato direto entre os dois chefes de Estado desde o anúncio das sanções. Kerry, que voltava a Washington depois de uma visita ao Oriente Médio, mudou seus planos durante o voo e se dirigiu a Paris.

Ambas as partes concordaram com a necessidade de negociações para acabar com a escalada de tensão entre as duas potências, sem precedentes desde a Guerra Fria. De acordo com Washington e Kiev, Moscou enviou milhares de tropas para a fronteira com a Ucrânia, uma região de língua russa e palco de manifestações separatistas, com vista a uma possível invasão.

oglobo.globo.com | 30-03-2014

BRASÍLIA — O quadro de instabilidade na Ucrânia e a ameaça de sanções à Rússia por causa da anexação da Crimeia a seu território pode ter ajudado a valorizar as ações da Petrobras nos últimos dais, segundo especulavam na sexta-feira fontes do governo e do setor privado. Os rumores que chegaram a Brasília é que os russos estariam enviando recursos para países emergentes, entre os quais o Brasil, e o setor de petróleo estaria no topo das preferências.

— O que os russos entendem bem é do mercado de petróleo. A Petrobras vive uma crise institucional, mas as perspectivas quanto aos próximos cinco anos são as melhores possíveis, principalmente com o pré-sal, e eles (os russos) sabem disso — comentou um técnico.

O fato é que, desde que estourou a crise na Ucrânia, a Rússia vem sofrendo uma fuga de capitais. Investidores russos e estrangeiros buscam, agora, oportunidades de investimentos.

Por outro lado, qualquer que seja a posição do Brasil em relação ao tema — se ficará ao lado da Ucrânia, dos Estados Unidos e da União Europeia, ou se apoiará a Rússia — será delicada. Isto porque, de um lado, o governo brasileiro tem grandes interesses junto aos ucranianos, por causa do acordo espacial firmado há dez anos com aquele país, que prevê o lançamento de foguetes na base de Alcântara, no Maranhão, a partir de 2015.

Até o momento, Brasil e Ucrânia já gastaram, cada um, US$ 230 milhões para a construção do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) e do Veículo Lançador Cyclone 4, projetado por empresas ucranianas. Faltam mais US$ 470 milhões, valor a ser dividido pelas duas partes. Os ucranianos detêm tecnologia de ponta na área espacial desde que faziam parte da extinta União Soviética.

Por outro lado, os interesses do Brasil na Rússia são variados. O país é um dos integrantes do Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), mas é um parceiro comercial pouco expressivo. Na pauta de exportações brasileiras, está em 20º lugar como destino.

Para o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, há grande potencial de crescimento das exportações do Brasil para a Rússia que, hoje, compra US$ 1,2 bilhão em carne bovina; US$ 600 milhões em açúcar em bruto e US$ 410 milhões em carne suína. Ao mesmo tempo, a agricultura brasileira tem no mercado russo um grande fornecedor de matérias primas para adubos e fertilizantes, como ureia, cloreto de potássio e nitrato de amônia.

— Se a ONU aprovar sanções à Rússia, o Brasil terá de obedecer. Mas em uma votação como esta, os brasileiros, certamente, terão de se abster — previu Castro.

oglobo.globo.com | 29-03-2014

Os Estados Unidos caem novamente em contradição lógica. Como o que aconteceu com a ameaça de ação militar contra a Síria, o governo Obama na questão da Rússia e da Ucrânia vai além do que o país está disposto e é capaz de impor.

No começo do mês, o Presidente Barack Obama alertou que os EUA "isolariam a Rússia" caso ela tomasse mais territórios, e esta semana indicou a possibilidade de mais sanções. De igual modo, o secretário de Estado, John Kerry, declarou que o G7 estava "preparado para fazer de tudo" para isolar a Rússia.

Mas o discurso de Washington é perigosamente excessivo, por três razões principais: a Ucrânia é bem mais importante para Vladimir Putin do que para os EUA; será difícil para os Estados Unidos e a Europa cumprirem as suas ameaças de sanções severas; e outros países podem, no final das contas, enfraquecê-los.

Em primeiro lugar, os Estados Unidos precisam enxergar a crise da Ucrânia sob o ponto de vista russo. As ameaças dos EUA e da Europa nunca serão o fator determinante na tomada de decisão de Putin. A Ucrânia é a única questão de segurança nacional da Rússia além das suas fronteiras, e as políticas de Putin, inclusive se vão ou não anexar mais territórios da Ucrânia, serão formadas preponderantemente pelos interesses da segurança nacional, e não pela economia de curto prazo.

Além disso, a Rússia já deu cerca de US$ 200 bilhões a US$ 300 bilhões à Ucrânia em subsídios para o gás natural desde 1991. No caso de um governo ucraniano que não seja pró-Rússia, é provável que Moscou interrompa esses subsídios, eliminando uma carga econômica enorme justo quando o Ocidente tenta pressioná-la financeiramente.

Em segundo lugar, se a Rússia empreender novas incursões na Ucrânia, a tentativa dos EUA de sanções mais rígidas semelhantes às do Irã, coordenadas com os aliados, fracassarão no final. De fato, se Putin insistir em uma campanha militar mais abrangente, é improvável que haja uma reação semelhantemente robusta por parte tanto dos EUA quanto da Europa.

As exportações de energia da Rússia, o seu poder comercial e o seu tamanho tornam os custos do seu isolamento proibitivamente altos para a Europa. Apesar da recente exclusão da Rússia do G7, os europeus não querem chegar a extremos. O embaixador da Ucrânia para a União Europeia chamou as atuais sanções de uma "picada de mosquito"; e mesmo essas ações modestas deixaram muitos governos europeus ariscos. O Reino Unido e a França têm agido com muita cautela, os austríacos e os cipriotas mais ainda. (A Áustria compra mais da metade do seu gás natural da Rússia; Chipre tem grande envolvimento bancário com a Rússia.)

E finalmente, mesmo que os EUA tentem sanções severas, outras nações irão ignorá-las e compensarão qualquer dano causado. A Índia se recusa totalmente a tratar a Rússia como vilã. E o mais importante, a China não observará essas sanções.

O problema básico é que o governo Obama não quer assumir os custos envolvidos com uma política externa ativa. Isso é compreensível. Uma pesquisa feita pela Pew em dezembro revelou o menor nível de apoio da opinião pública a uma política externa ativa nos EUA desde 1964.

Essa pressão interna é evidente na Síria. O erro de Obama não foi recuar de uma ação militar e aceitar a proposta russa para eliminar as armas químicas da Síria. O erro foi impor limites cuja manutenção seria mais onerosa do que os EUA estavam dispostos a tolerar. Os EUA perderam a credibilidade internacionalmente por não cumprirem a ameaça.

Infelizmente, o governo está repetindo o mesmo erro na Ucrânia.

Quando a Rússia prosseguiu com a anexação da Crimeia, os Estados Unidos e a Europa reagiram com medidas severas que tiveram certo impacto econômico. Porém, eles de maneira alguma "fizeram de tudo". Em vez disso, os americanos e europeus estabeleceram um limite maior na questão ao fazer ameaças vãs de sanções abrangentes caso a Rússia tentasse tomar mais territórios da Ucrânia.

Tal retórica incisiva do Ocidente poderia forçar Putin a ser ainda mais agressivo. Isso porque ele não acredita que o Ocidente irá tratar a Rússia como trata o Irã, e que instituirá sanções severas que isolariam do Ocidente grandes áreas da economia russa. Como Putin explicou recentemente, em um mundo globalizado "é possível prejudicar o outro — mas isso haveria dano recíproco".

"Isolar a Rússia" como se ela fosse o Irã ou a Coreia do Norte não é uma ameaça que os EUA podem cumprir de forma viável. Só porque Putin está agindo como líder de um Estado vilão, o seu país não pode ser considerado vilão. A Rússia possui a oitava maior economia do mundo. Considerando a vulnerabilidade das corporações americanas em relação à Rússia, haveria sérios retrocessos no setor privado caso Obama tente atribuir a ela a posição de Estado vilão. O governo Obama precisa pregar o que de fato irá fazer. Do contrário, a credibilidade dos EUA pode diminuir ainda mais quando o país volta atrás em suas palavras.

Uma reação mais linha dura não é a solução. Obama estava certo em rejeitar a alternativa militar; a diplomacia é o único caminho viável para os EUA.

Contudo, Washington precisa antecipar uma resposta do ponto de vista russo. Em um grande discurso na quarta-feira, Obama sugeriu que mais medidas seriam criadas caso a Rússia mantenha o curso atual. Isso é um erro. A Rússia não vai voltar a trás, e tal conversa só aumentará as tensões.

O governo americano deveria se concentrar no apoio a Kiev, em vez de na punição de Moscou. Isso significa usar a sua influência na Europa para garantir que esse apoio dê certo, e que o novo governo da Ucrânia não faça nada que provoque uma resposta extrema. Isso exigirá um reconhecimento dos interesses centrais da Rússia e das limitações dos EUA — e um fim às ameaças vazias.

* Ian Bremmer é presidente do Grupo Eurásia e professor de pesquisa global da Universidade de Nova York.

oglobo.globo.com | 29-03-2014

LONDRES — Em um ano em que os prognósticos econômicos para a Rússia já não pareciam promissores, as projeções de especialistas e do próprio governo de Vladimir Putin são cada vez mais sombrias desde o reconhecimento da independência da Península da Crimeia — e a sua posterior anexação pelos russos. A empreitada, considerada bem-sucedida politicamente por Moscou, economicamente pode jogar o país numa recessão, com o pior desempenho da economia em uma década.

Embora as sanções anunciadas pelos governos do Ocidente até agora não tenham impacto direto sobre as finanças do país como um todo, os efeitos indiretos das retaliações dão os primeiros sinais. Para economistas, o país começa a enfrentar uma crise de confiança, o que deve levar investidores a retirarem o dinheiro que mantinham aplicado na Rússia. A Capital Economics estima que, somente nos primeiros três meses deste ano, a fuga de capitais chegue a US$ 70 bilhões. Trata-se de mais do que os US$ 63 bilhões que deixaram a Rússia durante 2013.

A economia russa já não vinha bem e, no ano passado, teve sua pior taxa de crescimento desde a recessão de 2009. Segundo o ministro de Economia, Alexei Ulyukayev, a saída líquida de capital pode chegar a US$ 100 bilhões em 2014, e as autoridades já trabalham com uma taxa de crescimento bem menor para este ano.

— A situação já não era boa antes da crise com a Ucrânia e só deve piorar. O rublo também já estava fraco antes de tudo isso. O processo foi acelerado — disse ao GLOBO a economista para mercados emergentes da Capital Economics, Lisa Eamolenko.

UE reticente com sanções

Nesse ritmo, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto dos bens e serviços produzidos no país), que era esperado para algo em torno de 2,5% este ano, pode virar uma desaceleração de 0,6%, de acordo com as estimativas do governo russo. Ontem, o Banco Mundial alertou que a escalada da crise na Ucrânia poderia levar a economia russa a ter contração de até 1,2% do PIB e enfrentar forte fuga de capitais. Diante de tantos riscos, na semana passada as agências de classificação de riscos Standard and Poor's e Fitch reviram para baixo a perspectiva da Rússia, que passou de estável a negativa.

O vice-premier Igor Shuvalov admitiu que o governo começou a montar um plano de contingência para minimizar o impacto das sanções antes mesmo do início da crise. Putin também chegou a anunciar a criação de um sistema de pagamentos próprio para a Rússia, numa clara tentativa de escapar da pressão financeira - Visa e Mastercard interromperam o sistema de pagamentos aos clientes de vários bancos russos. Quase 95% dos pagamentos por meio de cartões de crédito na Rússia são feitos com sistemas estrangeiros, segundo a presidente do Banco Central, Elvira Nabiulina.

Mas os especialistas são unânimes ao dizer que a medida não deverá ajudar a economia do país. A implementação de sistema semelhante levaria no mínimo dois anos - e não se sabe se ele seria reconhecido internacionalmente. Na segunda-feira, o Sberbank, dono da maior carteira de crédito da Rússia, afirmou que o sistema de pagamento PRO 100, que está sendo desenvolvido há alguns anos, deve ser inaugurado em grande escala em alguns meses.

A estabilidade econômica da Rússia sempre foi vista como um marco dos 14 anos da era Putin, associada ao renascimento da economia do país da crise na qual mergulhou após o colapso da União Soviética. No entanto, nos últimos cinco anos o país não tem apresentado resultados exuberantes, ficando para trás entre as economias do grupo de países conhecido pelo acrônimo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Os europeus ainda são reticentes em relação a sanções mais profundas que afetem a economia russa como um todo. A União Europeia é hoje o maior parceiro comercial da Rússia, comprando quase que a metade de tudo o que o país tem para exportar; no entanto, os europeus tampouco sairiam ganhando com uma a medida mais drástica. Os russos são seu terceiro maior mercado.

oglobo.globo.com | 29-03-2014

KIEV — Toda a turbulência política que culminou com a anexação da Crimeia pela Rússia só fez agravar o mau momento econômico que a Ucrânia vem enfrentando desde a crise mundial de 2008. Para o futuro próximo, o prognóstico é desanimador.

As reformas exigidas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para iniciar empréstimos bilionários são impopulares, e persiste o risco de que a insatisfação dos ucranianos — principalmente os de língua ou etnia russa, no Leste — volte a incendiar o país num ano no qual a economia deve encolher 3%, segundo o premier interino Arseniy Yatseniuk.

— O país está à beira da quebra — alertou.

Entre os principais pontos do acordo para o empréstimo de até US$ 18 bilhões estão uma desvalorização ainda mais forte da hryvnia, a moeda local, e o fim dos subsídios ao gás natural. Ao mesmo tempo, segundo Yatseniuk, a Rússia suspenderá a partir de terça-feira o desconto concedido à Ucrânia no fornecimento do produto. A Naftogaz, estatal ucraniana do setor, já anunciou que o preço do gás vai sofrer aumento de 50% a partir de maio, diluído até 2018. E, segundo o premier interino, o fim do desconto russo levará a uma inflação de entre 12% e 14% este ano.

O corte no preço do gás foi uma arma usada pelo governo de Vladimir Putin para evitar que a Ucrânia assinasse um acordo de aproximação com a União Europeia (UE) e garantir que Kiev mantivesse a frota russa do Mar Negro na Crimeia. Em paralelo, o governo interino diz precisar de US$ 35 bilhões para honrar seus compromissos nos próximos dois anos. Segundo a agência de classificação de riscos Fitch, a Ucrânia fechou 2013 com uma dívida de 40% do PIB, com previsão de 48% para 2014.

Segundo a empresa de pesquisa econômica Capital Economics, de Londres, o pacote do FMI deverá ser o suficiente para que a Ucrânia consiga arcar com seus compromissos imediatos. O maior obstáculo deverá ser convencer a população, principalmente a das regiões mais ligadas à Rússia, a aceitarem as reformas.

Olena Bilan, economista-chefe do banco Dragon Capital, de Kiev, citou uma pesquisa recente em que 60% dos ucranianos se dizem dispostos a aceitar reformas impopulares. Mas o índice despenca para 34% quando se trata apenas dos habitantes do Leste, falante de russo.

— Os desafios deste governo são os maiores desde a independência (em 1991) — disse Olena ao jornal “Financial Times”. — É necessário desenvolver uma rede de segurança muito boa para as pessoas afetadas pelas medidas de austeridade, e explicar tudo isso com muito cuidado à população no Leste.

oglobo.globo.com | 29-03-2014
A economia da Rússia poderá registrar contração neste ano, se a fuga de capitais continuar nos níveis atuais, afirmou o ministro da Economia Alexei Ul






www.estadao.com.br | 28-03-2014
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou nesta quarta-feira (26) em queda de 0,45%, aos 47.965 pontos, encerrando uma sequência de sete altas. "O rali da Bolsa desde a semana passada abriu espaço para os investidores embolsarem lucros", diz João Pedro Brügger, analista da consultoria Leme Investimentos. "Além disso, o mercado nacional sofreu influencia dos EUA, onde as Bolsas caíram após o discurso de Obama sobre a Crimeia e a tensão política com a Rússia", acrescenta.

As ações da Oi lideraram as perdas do Ibovespa no dia, com baixa de 11,14%

MOSCOU - O presidente russo, Vladimir Putin, usou a quase unanimidade na Rússia como um argumento poderoso a favor da anexação da Crimeia. Na votação que referendou a medida, essa quase unanimidade se comprovou. Na Duma (Câmara baixa do Parlamento), 443 parlamentares, entre governistas e opositores, votaram a favor da anexação. Dois se abstiveram, e apenas um votou contra: o deputado independente Ilya Ponomarev. Agora, ele está ameaçado de perder o cargo no Parlamento.

- (A tentativa de cassar o mandato) é absolutamente ilegal. Estou muito tranquilo — disse Ponomarev em entrevista ao jornal espanhol “El País”.

Eleito pelo Partido Social-Democrata para representar a região de Novosibirsk, o deputado tem um histórico de desavenças com o governo. Ele foi um dos líderes dos protestos após as contestadas eleições parlamentares de 2011, e já chamou seus colegas de Parlamento de “vigaristas e ladrões” - comentário que levou a Duma a proibi-lo de se pronunciar durante sessões por um mês.

Agora, ele diz que a anexação da Crimeia se deve ao “enorme sentimento imperialista” do presidente Vladimir Putin, e que seu voto é uma tentativa de “evitar uma guerra entre duas nações irmãs”.

A posição de Ponomarev sobre a independência da península, porém, mostra que a pretensão ucraniana de manter o território encontra pouca simpatia até entre a mais ferrenha oposição russa.

- Nunca fui contrário à independência da Crimeia. Defendo o direito de autodeterminação dos povos. Mas sua anexação pela Rússia desembocou num sentimento de ódio dos ucranianos contra a Rússia. Também se criaram dificuldades para viajar e há famílias que ficaram divididas em dois países que agora se odeiam - diz Ponomarev, para quem a Ucrânia não aceitará facilmente a perda da região - O novo governo de Kiev lutará pela Crimeia. É certo que perderá, mas ao menos tentará e começará a luta.

Ponomarev, porém, é contrário à imposição de sanções a setores inteiros da economia russa como maneira de convencer o Kremlin a abdicar da anexação da península.

- Os únicos que sofrerão com o isolamento serão os cidadãos. Deveriam aumentar a lista de pessoas sancionadas, e centrar-se nos empresários, os que têm dinheiro e poder. E quanto mais próximos de Putin, melhor.

O deputado ecoa os temores daqueles que receiam que a Rússia repita com a Transnístria - território da Moldávia que pleiteia a anexação por Moscou - os passos da Crimeia.

- A Transnístria se unirá à Rússia. Mas quando chegar o momento de votar, votarei novamente não. Uma anexação sem passar pela independência só aumenta a inimizade com a Rússia.

oglobo.globo.com | 26-03-2014
O custo de integração da Crimeia à Rússia será de cerca de 100 bilhões de rublos (US$ 2,8 bilhões) ao ano, afirmou o ministro de Economia do país, Ale






www.estadao.com.br | 24-03-2014
Christine Lagarde falou sobre a situação de Kiev em visita à China. Economia local foi afetada pela anexação da Crimeia pela Rússia.
g1.globo.com | 23-03-2014

PEQUIM - A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, afirmou que espera que o órgão e a Ucrânia finalizem um plano de financiamento nos “próximos dias”. Segundo ela, o desenho do plano foi necessário para estabilizar a economia ucraniana, mas detalhes, como o tamanho do pacote, não foram divulgados.

A economia da Ucrânia tem estado sob pressão adicional desde que a Rússia anexou a região da Crimeia e reuniu tropas na fronteira oriental do país. Lagarde fez esses comentários em resposta a questionamentos de estudantes da Universidade de Tsinghua, em Pequim. No evento, ela exortou o governo chinês a colocar uma reforma fundamental da economia da China, antes de estímulos de curto prazo com vistas a estimular a vacilante economia doméstica.

“É melhor investir em capital durável a longo prazo, como educação” e saúde, do que adotar medidas de curto-prazo, disse aos estudantes.

A uma pergunta sobre o fato de a mídia ocidental ser supostamente tendenciosa em seu relato sobre a China, que arrancou aplausos da plateia, Lagarde expressou simpatia. “A mídia é sempre tendenciosa”, disse, “não importa onde você esteja (e) quem você é”, acrescentou.

oglobo.globo.com | 23-03-2014

PEQUIM — Desde que Xi Jinping assumiu a Presidência da China há exatamente um ano, boa parte do “sonho chinês” tem sido reforçar o peso do país na arena internacional com base nos valores universais. A China deveria dar impulso à democratização das relações internacionais e buscar uma ordem mundial mais justa e tolerante.

Ante à crise da Crimeia, no entanto, a China mergulhou no silêncio. Pensava-se que o veto do país sobre a Síria em aliança com Moscou começaria a ser um contrapeso ao Ocidente. Mas com a resolução das Nações Unidas para declarar ilegal o referendo da Crimeia, a China se absteve de votar. A atitude não favoreceu nem a Rússia, nem a contraparte formada por Estados Unidos, França e o Reino Unido.

A razão é que esse conflito tem implicações para as relações bilaterais e, potencialmente, na condução internacional de seus próprios assuntos domésticos.

— A China respeita a soberania, a independência e a integridade territorial de todos os países. Nossas sugestões se concentram em estabelecer um mecanismo de cooperação internacional em que todas as partes encontrem uma solução política para atenuar a crise ucraniana — disse Qin Ganh, porta-voz da Chancelaria chinesa, a respeito da abstenção do país.

A China sabe que, ao assumir uma posição, afetaria a relação com alguma das partes.

— A posição da China é muito complicada. A abstenção era a única saída, mas acaba favorecendo aos Estados Unidos — sinaliza um especialista em relações internacionais do centro Carnegie-Tsinghua, em Pequim, em condição de anonimato. — Ainda precisamos de tempo para ver como se desenrola a situação. Mas, no momento, parece que (a abstenção) terá uma impacto negativo nas relações bilaterais com a Rússia.

Outros analistas oferecem um ponto de vista diferente. É o caso de Wu Nanlin, professor da Universidade de Tecnologia de Harbin, especializado em economia russa.

— China protegeu seus próprios interesses ao abster-se, sem prejudicar os da Rússia e nem os dos Estados Unidos. A relação com Moscou seguirá igual, já que sempre estiveram apoiados um no outro, em equilíbrio.

A Rússia — e antes a União Soviética — é uma parceira estratégica da China em assunto de política e economia. Ambos os países, sem ser aliados formais, sustentam vínculos comerciais estreitos. Em 2013, firmaram 21 tratados comerciais, entre os quais incluem um acordo que proporcionará 100 milhões de toneladas de petróleo à empresa estatal chinesa Sinopec. Esse acordo converteu a China no maior comprador de petróleo russo.

Nem tudo é economia, contudo. A afinidade política e ideológica entre os dois países vem de anos atrás. É comum que se apoiem entre si nas votações do Conselho de Segurança, quase sempre alinhadas ao princípio de não intervenção e respeito à soberania. No entanto, apesar desses vínculos, a China considera difícil e até prejudicial para seus interesses e à sua coesão territorial apoiar as ações de Moscou sobre a Ucrânia.

A posição frente ao referendo da Crimeia coloca o país em uma situação sem saída. Por um lado, a decisão é um paralelo do que poderia se passar com regiões como Xinjiang e o Tibete, de etnias diferentes da maioria e que estariam prestes a se tornar independentes, ou de uma potencial separação definitiva de territórios que a China considera seus, como Taiwan e até mesmo Hong Kong.

Emitir uma crítica ou se opor às sanções russas seria recebido como uma intervenção nos assuntos internos de outros países, algo que a China tradicionalmente se opõe para se proteger da ingerência de terceiros. Tampouco é viável se aliar aos Estados Unidos nesta situação, porque daria base ao Ocidente a uma eventual interferência em seus assuntos internos. Além disso, opor-se às sanções econômicas é uma mostra de boa vontade para Moscou.

Existem, inclusive, os interesses na Ucrânia, um aliado em termos econômicos e militares. As transações comerciais de mais de US$ 5 milhões e a cooperação tecnológica entre Pequim e Kiev são fatores para que Washington e Moscou entendem a posição chinesa.

oglobo.globo.com | 21-03-2014
Clientes de vários bancos impedidos de utilizar cartões bancários para transacções e agências de rating apresentam perspectivas negativas para a Rússia.
feedproxy.google.com | 21-03-2014
Presidente norte-americano assinou também uma nova ordem executiva, que prevê a possibilidade da aplicação de sanções a "sectores-chave da economia russa". Rússia proíbe entrada no país de membros do Congresso americano e conselheiros de Obama.
feedproxy.google.com | 20-03-2014
O Presidente norte-americano, Barack Obama, anunciou hoje sanções contra novos responsáveis e um banco russos, em resposta à integração da república da Crimeia na Rússia, e ameaçou impor medidas que afetem os "setores-chave" da economia russa.
www.rtp.pt | 20-03-2014

LONDRES — Finanças e petróleo são dois dos principais setores da economia da Escócia e, se as empresas votassem no referendo de 18 de setembro, escolheriam o “não” à independência. Naturalmente, as companhias afirmam que a decisão está nas mãos dos escoceses, mas nomes de peso como os bancos Royal Bank of Scotland (RBS), Lloyds e Barclays, assim como a Shell, têm alertado para as complicações da independência. A seguradora Standard Life e a gestora de investimentos Alliance Trust já iniciaram planos de contingência para mudarem-se ao sul da fronteira caso o “sim” vença.

Os comentários em voz alta das grandes empresas refletem em parte o nervosismo pelo fortalecimento, nas pesquisas, do ainda minoritário voto favorável à saída do Reino Unido. Uma pesquisa do YouGov mostra 53% das intenções de voto para o “não” e 35% para o “sim”; uma vantagem considerável, mas há seis meses o placar era de 60% a 28%. Já o levantamento do Survation dá 47,6% ao “não” e 39,3% ao “sim”, a porcentagem mais alta para a independência em seis meses.

O executivo-chefe da Shell, Ben van Beurden, falou não só da Escócia, mas do perigo de que o Reino Unido deixe a União Europeia (UE). Para ele, o melhor seria o status quo: o Reino Unido na UE, e a Escócia no Reino Unido.

— Estamos acostumados a operar em entornos de incerteza política e econômica. Mas, se pudermos escolher, preferimos saber com a maior precisão possível que condições de investimento se esperam para os próximos dez, 20 anos. Por isso, somos a favor de que o Reino Unido mantenha sua arraigada posição no coração da UE: dá maior estabilidade e segurança ao investimento — disse Van Beurden em Londres. — Por razões muito similares gostaríamos que a Escócia continuasse fazendo parte do Reino Unido.

Com sede em Edimburgo e estabelecida na Escócia desde sua fundação, em 1825, a seguradora Standard Life anunciou ter começado planos de contingência, como o estabelecimento de seguradoras na Inglaterra.

— De forma alguma queremos dizer às pessoas como devem votar, mas temos que garantir a continuidade do negócio — disse o executivo-chefe da empresa, David Nish.

A Alliance Trust, sediada em Dundee, fez o mesmo, apesar de alertar que é “prematuro” falar de uma transferência de sede. Outras seguradoras, como a Aviva, a maior do país, têm dito que a independência não as afetaria. Mas se trata de uma companhia que tem sua sede e o grosso de seu negócio na Inglaterra.

O caso dos bancos é mais delicado. Empresas como a RBS e as filiais escocesas da Lloyds podem se ver legalmente obrigadas a transferir a sede para a Inglaterra, porque uma norma europeia de 1995 pode forçar que a sede de uma empresa esteja onde ela registra maior atividade. Com quartel-general em Londres, mas registrada em Edimburgo, a Lloyds confirmou que estuda a norma. O RBS, sediado em Edimburgo mas com a grande maioria de suas operações na Inglaterra, faz o mesmo. O que mais inquieta os bancos é a possibilidade de deixar de ter acesso ao Banco da Inglaterra como prestatário, e temem também um aumento da regulação dos impostos caso a independência vença.

Curiosamente, segundo a agência de classificação de riscos Standard & Poor’s, a saída de parte dos bancos da Escócia não necessariamente será algo negativo. Segundo a agência, um dos riscos da Escócia é ser muito pequena para o tamanho de seu sistema financeiro, 12,5 vezes maior que o PIB escocês, uma proporção muito superior à do conjunto do Reino Unido (quatro vezes).

Para a Standard & Poor’s, uma Escócia independente teria no começo problemas de crescimento e qualificação de sua dívida, mas com o tempo seria financeiramente viável e poderia ter sua própria moeda. Outros especialistas, como o investidor George Soros, questionaram que a Escócia possa continuar usando a libra, como pretende, e acham que o país estaria melhor ingressando na zona do euro.

oglobo.globo.com | 18-03-2014

BERLIM — A Guerra Fria está de volta. A ocupação militar russa da Crimeia e os preparativos para uma possível anexação da província do sul da Ucrânia reavivaram temores, cálculos e reflexos enferrujados desde a queda do Muro de Berlim, em 1989. Se a crise desencadeada pela tentativa do presidente Vladimir Putin de impedir a Ucrânia — uma ex-república soviética estratégica — de se voltar ao Ocidente vai se tornar um ponto crucial nas relações internacionais como os ataques da al-Qaeda contra os Estados Unidos ou a crise dos mísseis em Cuba 1962, ainda não é certo.

Há ainda passos a serem dados. Mas políticos e analistas estratégicos já estão pensando nas consequências de uma guerra potencialmente longa Leste-Oeste. Os países no meio, como Alemanha e Polônia, começam a pesar ajustes desconfortáveis para suas políticas. O impasse já está despertando perguntas difíceis sobre o equilíbrio entre sanções e diplomacia, estabelecendo testes de fidelidade a aliados e aumentando o risco de contágio por outros conflitos e de possíveis guerras por procuração.

“Bem-vindo à Guerra Fria Dois. Os episódios recentes têm efetivamente colocado fim ao interregno de parceria e cooperação entre o Ocidente e a Rússia que geralmente prevaleceu no quarto de século depois da Guerra Fria”, escreveu o analista russo Dmitri Trenin, da Fundação Carnegie para a Paz Internacional, em artigo na revista “Foreign Policy”.

Conflitos reabertos em ex-repúblicas soviéticas

Trenin não está só. Muitos veem a luta pela Ucrânia como o maior divisor de águas na segurança europeia desde o colapso da União Soviética em 1991. Embora ninguém imagine as superpotências retornando à arrepiante confrontação nuclear ou a uma escalada militar de blocos contra blocos, as implicações para outros problemas de segurança e para a economia mundial são significativas. Conflitos congelados em Moldávia, Geórgia e Azerbaijão poderiam ser reativados.

Em Berlim, o temor é que a Rússia possa aumentar suas apostas e parar de cooperação com o Ocidente em questões como o programa nuclear do Irã, a guerra civil na Síria, a segurança no Afeganistão e o acompanhamento do imprevisível líder da Coreia do Norte. Qualquer um desses atores poderia tornar a vida mais desconfortável para os Estados Unidos e seus aliados europeus e asiáticos através da desestabilização do Oriente Médio e do sul da Ásia ou mesmo do aumento da tensão na Península Coreana.

A percepção de que a Alemanha, o poder central da Europa, não tem influência especial com a Rússia quando as cartas geopolíticas estão em baixa, e que a chanceler federal Angela Merkel tem sido incapaz de convencer Putin, apesar de suas línguas comuns, tem chamado a atenção.

Em retrospectiva , a intervenção militar da Rússia em regiões separatistas da Geórgia em 2008 foi uma corrida seca. Teve menos impacto global, em parte, porque um líder georgiano errático disparou os primeiros tiros, mas também porque quase não mudou o status quo.

— A Ucrânia é diferente. Está na linha de frente e é muito grande — diz Constanze Stelzenmueller, pesquisadora do centro de estudos German Marshall Fund. — Agora estamos entrando numa competição sistêmica. É por isso que acho a analogia da Guerra Fria precisa.

Moscou é o 11º parceiro comercial de Berlim

Apesar de seus fortes interesses econômicos na Rússia, onde 6.200 empresas alemãs fazem negócios, e sua dependência do gás natural russo para 40% do abastecimento, Stelzenmueller ainda espera que a Alemanha surpreenda “positivamente pela firmeza”.

Moscou é apenas o 11º parceiro comercial de Berlim, abaixo da Polônia. Na semana passada, o principal órgão de comércio da Alemanha disse que um conflito comercial prejudicaria os negócios alemães, mas seria quase fatal para a economia russa estagnada. Como observou o ex-governador de Hong Kong, Chris Patten, enquanto quase todos os lares europeus possuem bens fabricados na China, poucos ou nenhum têm nada produzido na Rússia — com exceção de gás e vodka.

As economias da Europa Central poderia ser fortemente perturbadas se Moscou jogar com as torneiras de gás, mas os estoques estão altos, o inverno terminou, e a Rússia precisa da receita.

Na primeira Guerra Fria, falcões nos Estados Unidos e na Europa Ocidental temiam que a então Alemanha Ocidental pudesse ficar neutra em sua busca de distensão com a União Soviética e seus aliados do Leste Europeu, incluindo a Alemanha Oriental comunista.

Isso nunca aconteceu. Bonn permaneceu firmemente ancorada no campo político e militar ocidental. Mas havia algumas batalhas épicas transatlânticas ao longo do caminho — como o choque com os EUA em 1982 sobre o acordo de um gasoduto germano-soviético que, temia o governo Reagan, tornaria a Alemanha Ocidental perigosamente dependente de Moscou.

Concessões à vista para a Europa

Os alemães se mantiveram firmes. O gasoduto foi construído, e é uma das razões pelas quais a Alemanha continua tão atrelada à energia russa. Essa disputa, apenas um ano depois de uma repressão militar na Polônia, inspirada em Moscou, pode ter lições para qualquer nova Guerra Fria. Um ano depois, Bonn resistiu a protestos em massa e ameaças de Moscou para implantar mísseis americanos de médio alcance em seu território em resposta aos foguetes soviéticos SS- 20 apontados para o Ocidente. Isso levou finalmente a um fim negociado para a corrida armamentista Leste-Oeste.

Àquela época, como hoje, a ameaça russa uniu europeus e americanos, apesar das dúvidas públicas refletidas hoje em pesquisas de opinião que mostram que nem alemães, nem americanos estão contentes por endurecer com a Rússia. Àquela época, como hoje, tanto Moscou quanto o Ocidente se voltaram à China para tentar fazer pender a balança.

Se Putin avança para anexar a Crimeia, os europeus pode ter que contemplar sacrifícios embaraçosos em breve para mostrar sua determinação. Para França, isso significaria suspender o contrato para vender helicópteros de transporte militar à Rússia. Para o Reino Unido, fechar mansões e cofres bancários para magnatas próximos a Putin. Para a Alemanha, iniciar medidas graduais para reduzir a dependência do gás russo.

Será preciso uma determinação de estilo Guerra Fria para que tudo isso aconteça. Manter a unidade da União Europeia, se as coisas ficam difíceis, com os Estados do sul da Europa como Itália, Grécia, Chipre e Bulgária mais perto de Moscou, pode revelar-se um desafio.

oglobo.globo.com | 18-03-2014

TÓQUIO - O Japão impôs modestas sanções à Rússia nesta terça-feira por reconhecer a independência da Crimeia que consistem em suspender conversas para reduzir exigências de visas e planos de investimento, exploração espacial e cooperação militar.

O ministro das Relações Exteriores do Japão, Fumio Kishida, assinalou em uma declaração que o Japão não reconhece o resultado do referendo da Crimeia que levou à sua separação da Ucrânia por considerar uma violação à Constituição.

- É lamentável que a Rússia reconheça a independência da Crimeia porque interfere com a integração, soberania e o território da Ucrânia. Não podemos passar por cima da tentativa de mudar o estado das coisas à força como fez a Rússia - disse Kishida.

As medidas são consideradas leves em comparação com as sanções que impuseram os Estados Unidos e a União Europeia, que congelaram ativos de indivíduos vinculados com a instabilidade em Crimeia ou que apoiaram o referendo na região.

Mas autoridades japonesas destacaram que um seminário de investimentos patrocinado por uma instituição privada mas apoiado por ambos os governos que está programado para iniciar nesta quarta-feira segue firme.

As relações entre a Rússia e o Japão têm sido tensas durante décadas devido a uma disputa por uma série de ilhas em poder de Moscou localizadas ao norte da ilha de Hokkaido que os russos chamam de Kuriles e os japoneses de Territórios Norte. A disputa impediu que ambos países firmem um tratado de paz posterior à Segunda Guerra Mundial.

Kishida pediu para a Rússia cumprir o direito internacional, retratar-se de seu reconhecimento à independência da Crimeia e não tomar passos para a anexação do território.

oglobo.globo.com | 18-03-2014

As relações entre o Kremlin e o Ocidente chegaram a seu ponto mais crítico desde o fim da Guerra Fria, com a imposição de sanções pelos EUA e UE a altos funcionários russos e da Crimeia, depois de o referendo realizado na península resultar em apoio de 96,7% de sua população à anexação do território à Rússia. O mal-estar se confirmou com a assinatura ontem, pelo presidente Vladimir Putin, de decreto que reconhece a Crimeia como um estado soberano.

Em telefonema a Putin no domingo, o presidente Obama reiterou que considerava o referendo ilegal, pois ele não foi autorizado pela Ucrânia, e confirmou que seriam aplicadas sanções a Moscou caso a consulta fosse levada adiante. Mas o presidente dos EUA fez questão de mencionar que ainda havia espaço para a diplomacia atuar. É claro. Por mais que aumente a tensão entre os velhos ex-inimigos, não pode haver outra solução para a crise que não seja a diplomática. A Guerra Fria já ficou, mesmo, para trás.

Dito isto, é inaceitável a decisão russa de invadir a Crimeia — desde 1954 pertencente à Ucrânia — em retaliação à liderança provisória ucraniana, favorável à aproximação entre o país e a UE. Como inaceitável é também a destituição dos líderes da Crimeia e sua substituição por testas de ferro do Kremlin, que em tempo recorde organizaram um referendo sob ocupação russa. Por mais que exista identificação entre a Crimeia e a Rússia, o resultado de 96,7% favoráveis à anexação tem cheiro de stalinismo, já que há na Crimeia minorias ucranianas e tártaras que preferem continuar na Ucrânia. E que representam muito mais que os 3,3% que faltaram para uma altamente improvável decisão unânime do eleitorado.

Mal comparando, seria como se líderes da região de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, reconhecidamente admiradores do Brasil, aprovassem num plebiscito a anexação da província ao território brasileiro, à revelia de La Paz, e Brasília decidisse ocupá-la militarmente. Tanto quanto a ocupação russa da Crimeia, a hipótese mencionada seria uma inaceitável violação do direito internacional, uma intervenção descabida em assuntos internos de outro país soberano.

A bola está agora no campo de Putin. Mas o Ocidente, que adotou sanções brandas até agora — elas valem mais pelo gesto ousado de punir o Kremlin — precisa estar preparado para uma segunda rodada de sanções, mais duras e efetivas, para mostrar que está resoluto na defesa da soberania territorial da Ucrânia.

É preciso refrescar a memória de Putin sobre o quanto a Rússia tem a perder com um crescente isolamento econômico. Miliardários russos têm elevados investimentos no Ocidente. Da mesma forma, empresas europeias apostaram alto no mercado russo. Todos têm a perder com a teimosia do Kremlin.

oglobo.globo.com | 18-03-2014

WASHINGTON — O presidente dos Estados Unidos Barack Obama aprovou na última quinta-feira sanções econômicas contra a Rússia e ameaçou com um “isolamento político” se as tropas do presidente Vladimir Putin continuarem a se apropriar do controle da península da Crimeia, na Ucrânia. Durante as últimas duas semanas, a União Europeia hesitou em impor sanções ao regime do ex-presidente ucraniano Victor Yanukovich. E, ao mesmo tempo, o bloco abria a porta a uma nova via de relações bilaterais com Cuba. Há uma mudança na política de embargos? Essas medidas atingem seus fins? Quem é prejudicado pelas sanções?

O objetivo dos embargos internacionais econômicos é “mudar o comportamento dos regimes autoritários para melhorar a situação do país”, segundo a UE. Mas os pesquisadores e as ONGs de direitos humanos consultadas — Human Rights Watch e Anistia Internacional — concordam que, com exceção da África do Sul, onde as sanções de 1987 contribuíram para terminar com o regime racista do apartheid, essas medidas não são só a causa de um “impacto fatal” na população, como também não são eficazes para alcançar seus objetivos.

Desde 2008, no entanto, esses isolamentos foram aperfeiçoados e ficaram conhecidos como “sanções inteligentes”, afetando apenas determinados cidadãos e empresas. Dessa forma, pretende-se evitar o sofrimento indiscriminado da população. Atualmente são 22 os países alvos de sanções inteligentes por parte da ONU, segundo o Sanctionsapp, um aplicativo desenvolvido por uma equipe da Universidade de Brown, nos Estados Unidos, e do Graduate Institute, Suíça.

— Ninguém se beneficia com as sanções internacionais — afirma Daniel Keohane, diretor de Pequisa do Fride, um centro de pesquisa europeu sobre política externa.

Ele sustenta, convencido, que “a outra opção é a guerra”, tese compartilhada por quase todos os especialistas consultados:

— A única razão para a imposição de sanções é evitar uma intervenção militar no país.

As sanções econômicas existem desde o ano 433 a.C, quando Péricles, pouco antes de começar a primeira guerra do Peloponeso, impôs o decreto de Megara pelo qual os mercadores foram excluídos do comércio de Atenas. O motivo: os megareses supostamente haviam ocupado terras sagradas para serem cultivadas. A economia foi colapsada.

Mas somente 25 séculos depois, a partir de 1960, esse ato de “violência econômica” se tornou popular, segundo Carlos Espósito, catedrático de direito internacional público da Universidade Autônoma de Madri. Os Estados Unidos, para punir o regime comunista de Fidel Castro por expropriar terras e bens de cidadãos americanos na ilha, impôs de forma unilateral um embargo econômico ao país caribenho que dura até hoje. Em Cuba, a escassez de equipes médicas em hospitais e medicamentos segue afetando os habitantes que sofrem os efeitos “desastrosos” das sanções, de acordo com a Human Rights Watch. Já somam-se 54 anos de castigo, e o regime castrista perdura.

— As sanções podem ajudar a flexibilizar alguma política, como o enriquecimento de urânio do Irã ou interromper o programa de armas químicas que o já falecido Muamar Kadafi desenvolvia na Líbia. Mas, para promover a democracia, tem sido um completo fracasso. A população é que sofre todas as consequências — comenta Richard Younghs, ex-diretor da Fride.

Mas as sanções econômicas não acabaram com o regime castrista em Cuba, nem com Muamar Kadafi na Líbia.

No último dia 20 de janeiro, a política externa do Irã experimentou um dos maiores pontos de inflexão. Os Estados Unidos e a UE fizeram uma declaração de intenções e anunciaram o início da retirada de algumas das sanções econômicas que pesavam sobre o regime desde a Revolução Islâmica, em 1979. A decisão foi uma compensação ao avanço das negociações sobre a suspensão do programa nuclear do presidente iraniano Hassan Rouhani.

O Vietnã é a outra face da moeda. O país asiático sofreu um bloqueio americano durante três décadas (1964-1994). Mas a decisão do ex-presidente Bill Clinton em propor o fim dos embargos significou a decolagem do país que, anos mais tarde, se converteu em uma economia competitiva.

— Os embargos não têm sido eficazes para derrotar os regimes e ditadores — argumenta o pesquisador do Peterson Institute Gary Hufbauer e também autor de Economic Sanctions Reconsidered (Sanções Econômicas Reconsideradeas, em tradução livre).

Em um país embargado, os cidadãos se veem desprovidos dos instrumentos mais básicos para a sobrevivência: medicamentos, acesso à água potável, material de construção, alimentos, eletricidade. É o caso da Faixa de Gaza, que sofre um duro bloqueio israelense desde 2006.

— Além do mais, os produtos encarecem e os mais vulneráveis (doentes, idosos e desempregados) não podem enfrentar (a situação) — explica Reinhard Lamfuss, da Anistia Internacional.

Mas alguns pesquisadores como Keohane, o consolo é que “ao menos não estão em guerra”. Trata-se, ele defende, de a “menos ruim” das opções.

Sussane Gratius, especialista em América Latina, acredita que as sanções econômicas “não são um instrumento que sirvam para promover a democracia”. O governo, contra o qual as medidas se destinam, com poucas margens de manobra, atribui a opressão de seus cidadãos aos embargos.

oglobo.globo.com | 17-03-2014

SEBASTOPOL — À margem do referendo de domingo na Crimeia sobre sua anexação à Rússia, há uma importante questão sobre o futuro dessa península: quais serão as consequências econômicas para a região caso decida cortar os laços com a Ucrânia? Uma semana antes da votação, um parlamentar russo anunciou que Moscou estava pronto para fornecer uma ajuda de mais de US$ 1 bilhão à península no sul da Ucrânia, ponto de acesso estratégico ao Mar Negro e que está sob controle russo.

Por parte da Ucrânia, Kiev promete “cobrir todas as despesas orçamentais na Crimeia, que será financiada, como de costume”, segundo o ministro das Finanças da Ucrânia, Oleksandr Chlapak.

— A Ucrânia assegura aos dois milhões de habitantes da Crimeia, cuja área é ligeiramente menor do que a da Bélgica, 85% dos recursos hídricos da península e 82% de sua eletricidade — afirma o especialista em energia Mykhailo Gonchar, do Centro Nomos em Kiev, contactado pela AFP.

As necessidades de gás da Crimeia são cobertas pela empresa estatal Tchornomornaftogaz, que extrai 1,6 bilhões de metros cúbicos de gás natural do Mar Negro a cada ano, ressalta o especialista. No entanto, se a Crimeia fizer parte da Rússia, esta última “não será capaz de compensar os recursos de curto prazo que a Ucrânia fornece à Crimeia, porque não existe infraestrutura entre a Rússia e a Crimeia”, avisa.

Turismo teme perdas

Um pequeno trecho de mar separa a Rússia do extremo leste da Crimeia, e apesar de o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, ter assinado em 3 de março um decreto sobre a construção de uma ponte, esta ficaria pronta apenas em alguns anos.

Para a Crimeia, um destino privilegiado na era soviética e até hoje muito procurado por turistas russos, o turismo é um dos principais pilares de sua economia. Mas, com a chegada das tropas russas e navios de guerra, os resorts, como os de Yalta e Evpatoria, já temem perdas e uma péssima temporada turística.

— Muitas pessoas decidiram não ir para a Crimeia, porque é perigoso, não é um lugar seguro —explica Sevguil Mousaïeva, famoso jornalista ucraniano. — No ano passado, mais de dois milhões de turistas passaram pela Crimeia, o que vai ser este ano? Eu não consigo imaginar.

As empresas, que correm o risco de perder seus clientes se a Crimeia passar a integrar a Rússia, “estão chocadas com esta situação. Elas não conseguem acreditar. Ontem era um território ucraniano, agora há um monte de soldados perto dos escritórios, muitas bandeiras russas nas prefeituras, escolas”.

As companhias não têm cedido ao pânico, segundo o jornalista, mas a situação econômica da península, que já não era positiva, pode piorar à medida que a crise diplomática se agrave, considera Olexiï Chorik, presidente dos Fundos de Desenvolvimento para a Crimeia.

Além do turismo, um dos motores da economia da península é a agricultura, que é “altamente dependente dos recursos hídricos que vêm do resto da Ucrânia, por isso todos temem os cortes caso a situação piore”, observa Chorik.

— É ridículo dizer que haverá investimentos na Crimeia, se o desconforto continuar. A Crimeia é um território perdido para o desenvolvimento econômico — diz ele.

Quarta-feira, os líderes autoproclamados da Crimeia avisaram que iriam começar a invadir as empresas estatais ucranianas, assegurando que não tocariam nas empresas privadas.

A cada ano, a Ucrânia gasta 2,8 bilhões de hryvnia (220 milhões de euros) na Crimeia, segundo Valerii Tchali, vice-diretor do Centro Razumkov, um centro de estudos com sede em Kiev, e ex-vice-ministro das Relações Exteriores da Ucrânia.

Se Moscou pagar os US$ 1,1 bilhões de dólares como declarou o parlamentar russo Pavel Dorokhine, membro da comissão parlamentar da Duma sobre a indústria, “não será o suficiente para manter as novas autoridades e garantir todos os benefícios dos cidadãos da Crimeia”, incluindo as pensões e salários, declarou Tchali.

E se a economia sofre por ter cortado seus laços com a Ucrânia, esta última não verá nenhuma diferença, pelo menos no curto prazo, acredita Tchali.

— A economia local da Crimeia no produto interno bruto da Ucrânia não exceda 3%, por isso não é uma grande perda por agora. Mas as consequências a longo prazo serão mais sensíveis — advertiu.

oglobo.globo.com | 15-03-2014

SIMFEROPOL — O projeto separatista da Crimeia mergulhou a península num mar de incertezas sobre seu futuro econômico, tanto se a região se incorporar à Rússia imediatamente quanto se ela se unir por algum tempo ao grupo de ex-territórios soviéticos que, como Abcásia e Ossétia do Sul, se autoproclamaram independentes, sem serem reconhecidos por boa parte da comunidade internacional.

Cidadãos e empresários não têm consciência clara de que a transformação da Crimeia na província de número 84 da Rússia e sua integração ao sistema legal russo não são instantâneas. Tampouco têm total consciência de que a falta de reconhecimento internacional (na Rússia ou fora dela) implica não poder exportar diretamente aos países ocidentais, limitações para as transações financeiras e o fechamento das linhas aéreas internacionais.

O futuro é visto de diferentes perspectivas. Aqueles que recebem benefícios do Estado ucraniano se sentem tentados pela maior quantia de pensões e benefícios russos, tema destacado pela imprensa local às vésperas do referendo. Os municípios que confiam no orçamento russo em compensação aos investimentos que Kiev autorizou, mas nunca chegou a pagar, estão otimistas. E os empresários com contratos não pagos por esses municípios esperam que a Rússia também assuma essas dívidas.

Mas especialistas ucranianos e grandes empresários locais, como os produtores de vinhos de Masandra, cuja clientela, liderada por Ucrânia e Rússia se estende do Báltico à China, evitam dar declarações. “Os rumores difundidos sobre os planos de bloqueio de contas e outros problemas são provocações”, diz um letreiro num caixa da sede do Privatbank (o primeiro banco da Ucrânia) em Simferopol.

No início do mês, o presidente Vladimir Putin chamou de “pilantra singular” Igor Kolomoiski, o proprietário do Privatbank. Pouco depois, Moscou interveio na filial do Privatbank na capital russa, oficialmente para evitar sua bancarrota.

Os dirigentes da Crimeia esquentam os ânimos com planos de “nacionalizar” empresas estatais da Ucrânia. Por outro lado, 80% da eletricidade consumida na península vêm da Ucrânia, além de 80% da água e a maioria de alimentos e produtos. Não está claro se Kiev vai cortar o fornecimento ou cobrar por ele, diz o economista Andrei Klimenko.

Coexistência de moedas

O chefe do Conselho Supremo da Crimeia, Vladimir Konstantinov, contempla a possibilidade de que a moeda russa, o rublo, e a ucraniana, a grívnia, coexistam durante um tempo após uma eventual incorporação à Rússia. Os salários seriam convertidos a rublos, assim como os preços.

— Sem uma saída, isso aqui será transformado numa área cinza, onde não se saberá quais leis funcionam. Se a Crimeia se incorporar à Rússia, as empresas ucranianas se encontrarão num campo jurídico ilegal — afirmou Klimenko.

Em Moscou, o vice-chefe da Comissão de Indústria da Duma (Câmara baixa do Parlamento), Pavel Dorojin, disse que a Rússia pode entregar à Crimeia até 40 bilhões de rublos (cerca de US$ 1 bilhão) para empresas de construção de equipamentos. Estimativas do Partido Comunista da Rússia indicam que a Crimeia custará à Rússia ao menos 84 bilhões de rublos por ano (US$ 2,3 bilhões).

oglobo.globo.com | 14-03-2014

RIO - Em uma lista de 17 países, o Brasil é o sétimo mais vulnerável a uma provável desaceleração da economia chinesa, segundo levantamento elaborado pelo jornal britânico “Financial Times”. Os dados surpreendentemente fracos do gigante asiático divulgados nesta quinta-feira deixaram os mercados em alerta e, destaca o periódico, podem afetar principalmente os países emergentes, exportadores de commodities para a segunda maior economia do mundo.

De acordo com o ranking do “FT”, a economia mais vulnerável ao freio na China é o Chile, seguido pela Colômbia, Rússia, África do Sul e Peru. Para calcular o nível de exposição, o jornal utilizou critérios como o peso das exportações de commodities não alimentícias para a China no PIB e parcela desse tipo de commodities no total das exportações de cada país. Com o resultado, chegou a um índice, que ficou em 62 no caso do Chile. O placar do Brasil ficou em 42, enquanto o da Hungria, emergente menos vulnerável à China segundo o “FT”, é de apenas 14.

O cálculo, feito por uma consultoria especializada em mercados emergentes, é divulgado horas após a China revelar que os investimentos em ativos fixos, importante motor da economia, cresceram 17,9% no primeiro bimestre de 2013, abaixo da expectativa do mercado e a menor alta em 11 anos. Além disso, a produção industrial (8,6%) e as vendas no varejo (11,8%) também decepcionaram projeções. Tudo isso reforça a ideia de que a China crescerá a um ritmo mais lento. O país continua mirando a meta de 7,5% para este ano, abaixo dos 7,7% do ano passado.

No caso do Brasil, o levantamento mostra que as exportações para a China representam cerca de 2% do PIB, o que coloca o país, nessa base de comparação, em décimo no ranking de vulnerabilidade. Quando o critério utilizado é a parcela de commodities não alimentícias no total de exportações, o país passa a ser o quinto mais vulnerável, com o percentual na ordem de 90%. O Brasil está menos exposto quando o parâmetro utilizado é o impacto da redução de preços das commodities, já que o país exporta muito, mas também se beneficiaria com a queda nas importações.

A expectativa é que a diminuição do ritmo do gigante continue a reduzir os preços das commodities ao redor do mundo, o que pode ser preocupante para grandes exportadores para a China, mas uma oportunidade, destacou o “FT”.

“À medida que os preços de commodities caem ao redor do mundo — puxados principalmente pela diminuição da demanda chinesa — isso deve representar um boom para países que importam mais que exportam”, ponderou a publicação.

oglobo.globo.com | 13-03-2014
EUA se dizem contra anexação da península da Crimeia à Rússia. Líderes também discutirão como alavancar economia da Ucrânia.
g1.globo.com | 09-03-2014

GENEBRA - A crise na Ucrânia e a intervenção russa na Península da Crimeia podem levar a uma corrida armamentista na região. Ontem, um avião de controle de fronteira da Ucrânia foi alvejado e uma missão militar de observação desarmada da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) foi recebida a tiros quando se aproximaram da região ucraniana da Crimeia. Não houve feridos em nenhum dos casos, mas esse foi o terceiro dia consecutivo em que a OSCE tenta sem sucesso passar pelo istmo que liga a península do mar Negro ao restante da Ucrânia.

A Rússia ameaça suspender as inspeções internacionais de armas nucleares em seu território em resposta às medidas tomadas pelos EUA na crise da Ucrânia. As inspeções estão registradas no tratado Start III, sobre armas estratégicas, assinado por ambos os países em 2010 e que prevê a redução tanto do número de ogivas nucleares como de dispositivos de lançamento de mísseis. Um funcionário do Ministério da Defesa russo comentou às agências locais que está em estudo tal suspensão porque as inspeções “são uma medida de confiança, mas por causa das multas declaradas pelos EUA não podem existir contatos regulares e normais relacionados com o cumprimento de tratados”.

Assustada com a imprevisibilidade do presidente Vladimir Putin, a Polônia já fala em “modernizar” suas Forças Armadas; Letônia e Lituânia anunciaram que querem aumentar seus gastos com defesa, e até a Suécia considera uma “mudança doutrinária” na sua defesa.

- Estão alarmados com a forma como a Rússia se comporta. Putin tem mentido insistentemente - diz Andrew Wood, ex-embaixador britânico em Moscou, hoje pesquisador da Chatham House.

Para Wood, ao invadir a Crimeia, Putin corre o risco de destruir seu próprio sonho de uma União Eurasiática - uma aliança com países da ex-URSS. O bloco está planejado para ser lançado no dia 1º de janeiro de 2015 e criará políticas comuns de comércio, trabalho, investimentos e energia. Por enquanto, apenas dois países embarcaram neste projeto: Cazaquistão e BielorRússia. Outros ex-países soviéticos, como Armênia, Quirguistão e Tajiquistão sinalizaram interesse.

- Eu não vejo uma União Eurasiática emergir agora. Os cazaques estão conturbados com o que Putin fez. E agora a Rússia não vai conseguir trazer a Ucrânia (para a aliança) - disse.

‘Você não pode esperar acontecer’

Wood diz que o declínio econômico e político da Rússia desde que Putin voltou à Presidência em 2012 explicam suas “políticas de repressão” e o fato de estar “inventando inimigos para si mesmo”.

- Putin está mais nervoso sobre como assegurar apoio dentro da Rússia, agora que a economia está em declínio e ele não é um líder tão atrativo.

O humor dos vizinhos piorou, sobretudo nos países bálticos, que sempre alertaram contra as ambições de poder da Rússia, mas eram pouco ouvidos. A presidente da Letônia, Dalia Grybauskaite, que há alguns anos defendia o congelamento dos gastos com defesa, agora é quem mais quer se armar:

- A Rússia é uma ameaça à toda Europa - afirmou Grubauskaite, na última quinta-feira, em Bruxelas.

A Suécia enviou dois jatos para Gotland, uma ilha báltica que havia sido praticamente desmilitarizada nos últimos anos. O ministro das Finanças, Anders Borg, defendeu aumento dos gastos militares, dizendo que a Rússia está “mais errática e imprevisível”.

O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, foi na mesma linha e afirmou que irá acelerar a modernização das suas Forças Armadas. A Polônia vai receber dos EUA 12 jatos de combate F-16 e 300 americanos para exercícios militares. O Pentágono também está aumentando o número de jatos que participam das missões de patrulha no espaço aéreo da Otan nos países bálticos. Antes da crise na Ucrânia, a Polônia já planejava gastar US$ 45 bilhões na próxima década para construir um novo sistema de mísseis e melhorar o transporte de armas, como helicópteros e tanques.

Para Lorenz Wojciech, pesquisador do Instituto Polonês de Assuntos Internacionais, a História pesa: estes países foram destruídos durante a Segunda Guerra Mundial, e ainda passaram os 45 anos seguintes sob controle da União Soviética.

- Quando você vive na sombra de um país que não é democrático, tem um enorme Exército, mísseis nucleares e intenções pouco claras, você não pode simplesmente sentar e esperar acontecer - disse.

A Rússia, de acordo com Wojciech, gasta US$ 70 bilhões por ano em defesa, tem 850 mil soldados, submarinos nucleares mísseis balísticos com milhares de ogivas nucleares. Não há como ganhar uma corrida armamentista contra a Rússia. A única coisa que países da região podem fazer, é manter a despesa de defesa na ordem de 2% do PIB, como recomendado pela Otan:

- Se a Rússia decidir atacar, eles devem ser capazes de se defender por muito tempo, até que a Otan tenha tempo para decidir vir a socorro.

Ogivas em troca de acordo rompido

A Ucrânia chegou a ser a terceira maior potência nuclear do mundo por um breve período. Mas, em 1994, o governo de Kiev devolveu a Moscou milhares de ogivas nucleares dos tempos soviéticos em um acordo no qual recebeu garantias de Rússia e Estados Unidos de que as duas potências jamais usariam a força ou ameaçariam uma ação militar contra o recém-independente país — um acerto rompido agora pelo presidente Vladimir Putin e sua ofensiva contra a Crimeia.

Há 20 anos, o Memorando de Budapeste sobre Garantias de Segurança era assinado por EUA, Rússia, Reino Unido e Ucrânia. E é esse documento o principal argumento usado pelo Ocidente para condenar a ocupação russa. Políticos como o secretário de Estado americano, John Kerry, já alertaram que a violação do acordo pode ter consequências duradouras em negociações de segurança — incluindo os esforços de não proliferação de russos e americanos.

- Há obrigações legais claras ameaçadas - afirmou Kerry.

Na quarta-feira, os signatários do acordo marcaram uma reunião em Budapeste para discutir o problema. E o principal convidado, o chanceler russo, Sergei Lavrov, não apareceu.

Mas os países ocidentais têm um problema. Caíram numa armadilha jurídica internacional: como o memorando não tem o status de tratado, tampouco tem um mecanismo que supervisione sua aplicação e não prevê nenhuma pena caso um dos signatários viole as regras.

oglobo.globo.com | 09-03-2014

Com uma economia muito diversificada, a Federação Russa possui importantes recursos naturais e humanos, que constituem forte potencial de desenvolvimento económico. O povo russo em geral, já a partir de meados da década de 1950, vivia bem melhor que os cidadãos de países capitalistas há muito orientados para o mercado, como o México, a Índia, o Brasil ou a Argentina. A taxa de analfabetismo era virtualmente zero, o ensino superior era muito bom e economicamente acessível; o desemprego quase não existia, a igualdade entre os géneros era uma das mais desenvolvidas do mundo, com as mulheres a chegar por vezes mais longe do que os homens nas suas carreiras, especialmente na ciência. Muitas famílias possuiam automóveis, TVs, gravadores de cassetes e podiam viajar de avião pelo menos uma vez por ano até às áreas balneares famosas do mar Negro. Mas a produção e distribuição de produtos de consumo (particularmente de vestuário e alimentos) era relativamente ineficiente e havia uma falta de habitação muito pronunciada em muitas das áreas urbanas, se bem que fossem raras situações de habitação precária ou insalubre. Contudo, desde a desintegração da União Soviética, em 1991, o caminho para a estabilização macroeconómica tem sido longo e difícil, A partir daquele ano, o país sofreu severa contracção económica ao longo dos cinco anos seguintes, enquanto o governo e o parlamento divergiam sobre a implementação das reformas. A base industrial do país foi seriamente atingida. O país tem passado por diversas crises, destacando-se a crise financeira de 1998, resultante fundamentalmente da crise financeira do Sudeste Asiático. Depois da dissolução da URSS, causada mais por razões étnicas do que económicas, a primeira recuperação russa, ainda ligeira mas já a mostrar os sinais da influência do mercado livre, ocorreu em 1997. Porém a crise financeira asiática daquele ano acabou por atingir a economia russa. Diante da significativa desvalorização do rublo, o governo Russo aumentou a taxa de juros, mas as medidas de política econômica fracassaram e a Rússia declarou uma moratória unilateral, gerando perdas a seus credores internos e externos. Assim, 1998 ficou marcado por ser o ano da crise financeira Russa, com intensa fuga de capitais e, na sequência, recessão. A economia começou a se recuperar em 1999, entrando numa fase de rápida expansão, com o PIB a crescer a uma taxa média de 6.8% por ano, entre 1999 e 2004, apoiado em preços mais altos no petróleo, num rublo mais fraco, e no aumento na produção de industrial e de serviços. Esta recuperação, a par de um renovado esforço governamental em 2000 e 2001 para fazer avançar as reformas estruturais, aumentou a confiança das empresas e dos investidores para a segunda década de transição. A Rússia permanece fortemente dependente de exportações de matérias-primas, em particular do petróleo, do gás natural, de metais e de madeira, que correspondem a mais de 80% do total das exportações, o que deixa o país vulnerável às oscilações dos preços do mercado mundial. Em anos recentes, no entanto, a economia também foi impulsionada pela crescente procura interna, que cresceu cerca de 12% ao ano entre 2000 e 2004, o que mostra o vigor do seu mercado interno. O PIB do país atingiu 535 bilhões de dólares em 2004, fazendo da economia russa a 16ª economia mundial, sendo que Moscou, concentra 30% da produção do país. Um dos maiores desafios dos formuladores da política econômica russa é o de encorajar o desenvolvimento de PMEs num ambiente empresarial dominado por oligarcas e dotado de um sistema bancário jovem e disfuncional. Muitos dos bancos russos pertencem a grandes empresários ou oligarcas, que usam frequentemente os depósitos para financiar os seus próprios negócios. O Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento e o Banco Mundial tentaram normalizar as práticas bancárias fazendo investimentos em acções ordinárias e na dívida, mas com um sucesso muito limitado. Outros problemas incluem um desenvolvimento económico desigual entre as regiões do país. Enquanto que a região de Moscovo, com a sua imensa população de 20 milhões de habitantes, é uma metrópole moderna, com setores de tecnologia de ponta e renda per capita próxima à das economias mais fortes da eurozona, o resto do país, em especial as comunidades indígenas e rurais da Ásia, vive como vivia no fim da Idade Média. A integração ao mercado também se faz sentir noutras cidades grandes como São Petersburgo, Kaliningrad e Ekaterinburg. Estimular o investimento estrangeiro é também um grande desafio. Até agora, o país tem se beneficiado do aumento nos preços de petróleo e tem sido capaz de pagar uma boa parte da sua dívida externa, que era gigantesca. O reinvestimento dos lucros obtidos pela exploração de recursos naturais em outros sectores da economia também é um problema. Em 2003, a prisão de Mikhail Khodorkovski, um dos oligarcas russos e, à época, o mais rico empresário do país, sob a acusação de fraude, evasão fiscal e corrupção durante as grandes privatizações conduzidas no governo de Boris Yeltsin, gerou certa desconfiança entre os investidores estrangeiros. Muitas das grandes fortunas actuais, na Rússia, parecem ter resultado da aquisição de propriedades estatais a muito baixo preço ou da aquisição barata de concessões governamentais. Outros países manifestaram a sua preocupação com a aplicação "selectiva" da lei contra empresários individuais. Apesar de tudo, algumas grandes firmas internacionais têm grandes investimentos na Rússia. Um exemplo é a fabricante de bebidas Scottish & Newcastle, que descobriu que o mercado da cerveja na Rússia crescia muito mais rapidamente do que noutras áreas da Europa. Quase duas décadas após o colapso da União Soviética, em 1991, a Rússia continua a tentar estabelecer uma economia de mercado moderna e de fato tem conseguido altas taxas de crescimento económico. Ao longo da década de 2000, a economia russa registrou taxas de crescimento acima de 7% em 2000 (10%), 2001, 2002, 2003, 2004 e 2007 (8,1%). Em 2005 teve alta de 6,4 e, em 2006, de 6,8%. Em 2008, a Rússia cresceu 6% e foi a 9ª economia do mundo. No entanto, diante da crise mundial e a queda dos preços do petróleo, as perspectivas para 2009 são mais sombrias. Em dezembro de 2008, a ministra da Economia, Elvira Nabiullina, previu 2,4% de crescimento do PIB para 2009, o índice mais baixo desde 1998 - o fatídico ano da moratória russa. A Rússia integra a área da APEC (Asia-Pacific Economic Cooperation), um bloco econômico que tem por objetivo transformar o Pacífico numa área de livre comércio e que engloba economias asiáticas, americanas e da Oceania.


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