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Rússia Economia


A prefeitura do Rio entregou neste domingo o Velódromo Olímpico ao Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. A obra sofreu com atrasos e polêmicas na contratação da construtora e de um orçamento inicial de R$ 118 milhões, acabou recebendo R$ 143,5 milhões de investimentos.

"O campo de competições para a Olimpíada está extraordinário e vai permitir um alto nível de competições. Eu creio que o Rio de Janeiro terá a partir do fim das Olimpíadas, como legado, um grande equipamento para desenvolver o ciclismo no estado e no Brasil. Fazemos daqui um ponto de referência para o ciclismo de pista em todo o Brasil", disse Leonardo Picciani, ministro do Esporte, presente ao evento de entrega do Velódromo.

O Velódromo foi a última obra a ser entregue, completando o Parque Olímpico da Barra. O palco das provas de ciclismo e paracilismo de pista recebeu R$ 118,8 milhões do Ministério do Esporte. Neste fim de semana, ciclistas de sete países - Brasil, Suíça, Austrália, Rússia, Japão, China e Hong Kong - realizaram o teste esportivo da pista.

Segundo informações do governo federal, a pista de 250 metros é feita de pinho siberiano e foi desenhada pelo alemão Ralph Schürmann. As placas e tesouras de madeira que dão suporte ao piso foram importadas da Alemanha. Foram utilizados cerca de 55 km de madeira e 94 treliças, além de 1,2 tonelada de pregos.

O tipo de pinho utilizado é menos suscetível à umidade e ao calor, o que torna a pista mais durável. A instalação terá flexibilidade para outras configurações de arena e permitirá que o Rio de Janeiro possa sediar competições internacionais após os Jogos.

O Velódromo é a única estrutura dos Jogos Olímpicos do Rio que ainda não havia sido entregue e também será a única que não receberá nenhum evento-teste. A ideia original era de um evento em março, o que acabou sendo cancelado. Uma segunda data foi sugerida, no dia 29 de abril. Mas também teve de ser anulada.

Considerada uma das construções mais difíceis devido à engenharia complexa da pista, a obra do Velódromo foi prejudicada por erros nos projetos básico e executivo, o que culminou no atraso de quatro meses no seu início. Não bastasse isso, a empresa que venceu a licitação está em recuperação judicial e precisou subcontratar outra empreiteira para executar o serviço. Para completar, a Prefeitura do Rio decidiu romper o contrato com a construtora em maio e o caso está na Justiça.

Contratada em fevereiro de 2014, a Tecnosolo questiona o rompimento. A construtora reclama atraso nos repasses da prefeitura - que afirma estar em dia com os pagamentos - e aponta para erros nos projetos básico e executivo. Segundo a empreiteira, os projetos apresentados no momento da assinatura do acordo precisaram ser refeitos sob risco de a obra apresentar "um enorme risco à população".

A mudança no escopo do contrato e o atraso nas obras obrigou a Prefeitura do Rio a autorizar um aditivo no contrato. Orçado em R$ 118 milhões, o Velódromo tem custo agora de R$ 143 milhões, um aumento de R$ 25 milhões.
O presidente russo, Vladimir Putin, destacou neste sábado durante visita à China os laços econômicos da Rússia com o país asiático e elogiou a relação com os chineses, avaliada como "muito abrangente e estratégica". Putin declarou ao primeiro-ministro chinês Li Keqiang que tal relação eram baseada firmemente em interesses econômicos comuns, em referência ao desejo russo de mais investimentos e importações chinesas de petróleo, gás e itens militares. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 25-06-2016

O Brasil tenta consolidar o primeiro passo de uma mudança: trocar o grupo que detém o poder. Anunciam-se dois passos adicionais. Primeiro, aprimorar o sistema de incentivos pelo qual se regem as transações e os comportamentos individuais. Segundo, retirar a anestesia que tem impedido os consumidores de terem consciência de seu real poder aquisitivo, a faceta mais difícil da reforma macroeconômica.

Estes dois passos adicionais são difíceis em qualquer país, mas particularmente difíceis no Brasil. Pontos que deveriam ser passíveis de modificação por determinação do Executivo ou, no máximo, por maioria congressual simples, demandam aqui votação com maioria qualificada nas duas Casas do Congresso. A forma demasiado detalhada como a Constituição rege fatos econômicos responde parcialmente por isso. Maiorias qualificadas apenas privilegiam a situação vigente (status quo). Esta pode não ser melhor do que várias das opções de mudança.

Modificar o sistema de incentivos de forma a beneficiar inovação e talento não é fácil, porque inovação é difícil e talento é raro. Na visão míope, é legislar para minorias e para o ganho de sucessores. Não dá voto rápido nem fácil. Inovação e talento tomam tempo para dar frutos. O sucesso da estratégia exige uma impecável comunicação com o público.

Dado o poder constituído, inovações são também às vezes contidas pelo temor de mudanças. Nicolau I pensava desta forma e, por isso, pagou um preço alto ao não desenvolver ferrovias na Rússia no século XIX. O fato contribuiu para sua derrota na Guerra da Crimeia. Inovações em políticas públicas costumam ser tão mais disruptivas quanto mais necessárias. E não escapam a este usual temor de mudanças.

Quando o grupo no poder tem pressa ou é fraco, fica mais fácil privilegiar o ganho de uns contra outros. Fecha-se a economia e instituem-se cartórios burocráticos. Ganham os produtores e facilitadores de plantão. Perdem os consumidores. Consomem-se riquezas e endivida-se o setor público, majorando o consumo. Em ambos os casos, desconsidera-se o investimento e o bem-estar daqueles que ainda não votam.

Imobilismo gerado por fraqueza do Executivo em relação aos demais poderes pode levar a situações as mais estapafúrdias. A luz ao fim do túnel não é uma lei natural na qual se possa apostar.

A Comunidade Polônia-Lituânia pagou um alto preço por isto no século XVIII. A fraqueza relativa do Executivo condenou o país ao imobilismo. Através do “veto livre” (liberum veto), qualquer membro do Parlamento podia, sozinho, paralisar tentativas de mudança. A comunidade esfarelou-se. Ao final do século XVIII, foi dividida três vezes entre Áustria, Rússia e PRússia. A Polônia só voltou a ser um país independente 123 anos depois, em 1918, ao final da Primeira Guerra.

Rubens Penha Cysne é professor da FGV/EPGE

oglobo.globo.com | 25-06-2016

Recentemente, a posse de um novo governo reacendeu discussões sobre as relações comerciais entre Brasil e demais blocos econômicos mundiais. Após especulações sobre cortes em orçamentos estratégicos, que incluíam o fechamento de embaixadas em países africanos e caribenhos, foi decidido, com acerto, recuar e manter o diálogo já em curso entre Brasil e África. Prevaleceu o entendimento do ministro José Serra de que “a política externa vai ser feita de modo a atender aos interesses do país, e não de ideologias e conveniências”.

Os negócios, hoje, entre Brasil e países africanos vão muito além da compaixão de outrora, já que os vínculos são de parceiros reais. Se levarmos em conta o intercâmbio comercial entre os players envolvidos nos últimos dez anos (de 2006 a 2015), assistimos a um incremento real de 9%, com crescimento de 10% nas exportações e de 8,1% nas importações, de acordo com dados do Ministério das Relações Exteriores. Diante destes dados, prevaleceu o entendimento de que compensa manter as embaixadas, o que permite ao Brasil alavancar novas posições e expandir sua influência geopolítica.

O país vive um momento em que o corte de gastos é primordial para o resgate da confiança e o reaquecimento da economia. O eventual fechamento de embaixadas e realocação ou dispensa de colaboradores geraria custos extras com a operação de desmonte. Na questão econômica, não há muito o que questionar: o Brasil é um país continental e necessita de relações com todo o planeta. Em seu discurso de posse, o ministro José Serra foi categórico: “Nós vamos levar adiante nossa relação com a África, não com base em culpas do passado, mas sabendo como podemos cooperar também em benefício do Brasil”. É evidente que o titular da pasta está a par da importância geopolítica recíproca para a economia de ambos os partners.

O Instituto Feafro atua desde 2007 como interlocutor entre os países do bloco africano com o Brasil. Temos hoje as credenciais para reunir ministros de Relações Exteriores de várias nações africanas, na busca de manter esse relacionamento vivo. Trabalhamos para que os projetos que vêm se realizando nos últimos anos tenham continuidade. É preciso levar em conta que, a despeito dos avanços conquistados, nações como a Rússia e a China estão presentes no território africano. E concorrem com a gente. Com ou sem o Brasil, é certo que os países africanos continuarão a crescer, pois eles têm petróleo, minério, bancos consistentes, população e terra fértil.

Quanto mais um banco africano se fortalece, como vem ocorrendo, a Europa sofre perdas. Não tem cabimento o Brasil arrefecer o relacionamento diplomático e comercial com os países da África. Isso seria um erro estratégico grave, que nos faria lamentar no decorrer dos próximos anos. Além do mais, o Brasil ganhou cadeira na OMC e na ONU porque os presidentes dos países da União Africana nos elegeram como seus representantes. Não queremos perder essas conquistas — e tudo faremos para desmanchar esse risco.

Há números muito elucidativos. Mais de 70% do cacau produzido no mundo são oriundos da Costa do Marfim e de Gana. A relação comercial dos produtores com a União Europeia se fortaleceria sobremaneira, com o apoio e voto brasileiro em disputas envolvendo esta commodity. Também cabe registrar que 82,5% do petróleo importado pelo Brasil em 2015 vieram da União Africana.

Por fim, é preciso abolir a ideia falsa de que negócios com as nações africanas significam, a piori, ganhos milionários. Não é bem assim, pois o mundo de hoje se pauta pelo conceito de sustentabilidade. Não há mais espaços para mentalidades predatórias, fixadas no lucro pelo lucro. O papel primordial do Instituto Feafro, há quase 12 anos, é o de trabalhar para promover desenvolvimento econômico, criar intercâmbios e contribuir por mais justiça social para os povos brasileiro e das nações africanas.

Silvana Saraiva é presidente do Instituto Feafro

oglobo.globo.com | 25-06-2016

A Organização dos Estados Americanos (OEA) iniciou esta semana reuniões cruciais para discutir a crise da Venezuela. Ontem, o Conselho Permanente da entidade se reuniu com representantes do governo, num encontro mediado pelos ex-chefes de Estado e governo José Luis Rodríguez Zapatero, da Espanha; Leonel Fernández, da República Dominicana; e Martín Torrijos, do Panamá, com apoio da Unasul. Amanhã, o status de democracia do país deverá ser examinado a pedido do secretário-geral Luis Almagro, que invocou a Carta Democrática da OEA, podendo resultar na suspensão da Venezuela por violação de direitos humanos. Caracas tentava ontem suspender este encontro.

Os atores envolvidos nas negociações ressaltam a importância do diálogo entre oposição e o governo de Nicolás Maduro. Mas enquanto a diplomacia regional debate o impasse político, o país afunda na mais grave crise de sua história. Com a maior inflação do mundo e uma economia totalmente desestruturada, a população vive sob escassez generalizada e um índice explosivo de violência. Há racionamento de água e energia elétrica e extensas filas para se obter itens de primeira necessidade, inclusive alimentos e remédios.

A oposição, que domina a Assembleia Nacional, obteve 1,35 milhão de assinaturas para convocar um referendo revocatório do governo. No entanto, o regime, além de manter importantes líderes da oposição na prisão, como Leopoldo López, aparelhou instituições como o Judiciário, o que impede inciativas de mudança. É dessa forma que Maduro tenta anular ou adiar a consulta. Se o referendo não for realizado este ano, em vez de novas eleições, assumirá o vice-presidente, o chavista Jorge Arreaza e tudo continuará igual.

A eleição de Mauricio Macri, crítico de Maduro, para a Presidência da Argentina, e a chegada de José Serra ao Itamaraty, cujo partido liderou no Senado brasileiro um movimento pela punição do regime bolivariano por violação da cláusula democrática do Mercosul, sugeriam uma mudança de posição radical da diplomacia dos dois principais sócios da Venezuela no bloco sul-americano. No entanto, o Itamaraty continua reticente, afirmando que “apoia iniciativas construtivas que visem a promover o entendimento entre o governo da Venezuela e a oposição”.

Macri, por sua vez, mudou de tom para eleger sua chanceler, Susana Malcorra, no lugar de Ban Ki-moon. Ela enfrenta duas rivais na briga pela secretaria-geral da ONU, a búlgara Irina Bokova e Helen Clark, ex-premier da Nova Zelândia. O titular do cargo é indicado pelos países-membros do Conselho de Segurança, onde a Venezuela ocupa um dos assentos rotativos. E o governo argentino vem, segundo a imprensa regional, negociando com Maduro não só o voto venezuelano, mas também sua influência sobre outros membros, como Rússia e China. Diante da calamidade que assola a Venezuela, é frustrante ver importantes nações sul-americanas fugindo à responsabilidade que a situação impõe.

oglobo.globo.com | 22-06-2016

SÃO PAULO - Empresas brasileiras com negócios em Angola, terceiro maior parceiro comercial no continente africano — entre 2006 e 2014, a corrente de comércio bilateral cresceu mais de 80%, tendo alcançado no ano passado US$ 2,37 bilhões —, estão tendo dificuldades para receber pagamentos por produtos e serviços, bem como para remeter dólares ao Brasil. Com a forte queda do preço do petróleo nos mercados internacionais (a commodity representa 90% das exportações de Angola), o país ficou sem reservas em dólares para pagar seus compromissos e sem moeda disponível para pagamentos de empresas privadas com o exterior. Apertos semelhantes de liquidez afetam também a Venezuela e, em menor grau, a Rússia, ambos igualmente muito dependentes das exportações de petróleo.

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Há uma semana, o empresário Abilio Diniz, presidente do Conselho de Administração da BRF, maior exportadora global de carne de frango, queixava-se de que a companhia está enfrentando problemas para receber pagamentos de Angola.

— Angola está dando default, o país está passando por dificuldades, temos uma grande quantidade de pagamentos a receber, mas estão bloqueados — disse o empresário, sem dar detalhes.

Uma fonte com conhecimento dos problemas enfrentados por Angola disse ao GLOBO que há atrasos generalizados nos pagamentos feitos pelo Estado, embora não se consiga quantificar o tamanho do calote. Segundo a fonte, entre as empresas brasileiras, as construtoras estão sendo bastante prejudicadas:

— E as empresas que recebem em kwanzas (a moeda local) têm muita dificuldade em transferir o dinheiro para fora do país, devido às restrições cambiais.

ODEBRECHT TEM FATURAMENTO DE US$ 600 MILHÕES

Uma empresa de tecnologia da informação brasileira com operação em Angola, que recebe em kwanzas, confirmou ao GLOBO que enfrenta dificuldades para fazer a conversão em dólares e remeter o dinheiro ao Brasil.

— Os bancos estão recebendo uma quantidade muito pequena de dólares e restringem as remessas — disse o representante da empresa, que pediu para não ser identificado.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou ter conhecimento de que empresas brasileiras têm enfrentado dificuldades para receber por exportações ou para repatriar recursos de Angola. Segundo o Itamaraty, a embaixada do Brasil em Luanda tem feito gestões junto às autoridades locais, em particular junto ao Banco Nacional de Angola (BNA).

O professor Luiz Brandão, coordenador do Núcleo de Energia e Infraestrutura da Escola de Negócios da PUC-Rio e especialista em economia africana, afirma que, além da queda no preço do petróleo, as exportações do país africano encolheram 50%. Devido a esses fatores, a oferta de dólares em Angola caiu mais de 40%, em 2015.

A BRF disse em nota que não existem bloqueios nos pagamentos das vendas a Angola. Segundo a empresa, todos os valores estão sendo disponibilizados pelos clientes. Mesmo assim, reconhece “que existem algumas restrições à retirada de dinheiro do país”, embora Angola não esteja em default, como disse Abilio. A BRF esclareceu, ainda, que não tem negócios com o governo angolano, somente com empresas privadas.

Entre as construtoras, a Odebrecht tem a maior operação em Angola, onde fatura cerca de US$ 600 milhões e está tocando obras como a Hidrelétrica de Laúca, a maior do país, além de projetos de infraestrutura da futura Refinaria de Lobito. Procurada, a Odebrecht informou, em nota, “que os assuntos relacionados a pagamentos por serviços prestados são objeto de cláusulas de confidencialidade, restritos, portanto, à empresa e seus clientes.”

A Andrade Gutierrez, que toca sete projetos em Angola, segundo informações no site da empresa, disse que não iria comentar. A Petrobras, que tem ativos de óleo e gás no país, e a OAS não responderam aos contatos do GLOBO.

De acordo com o Banco Africano de Desenvolvimento, a expectativa é que a economia angolana cresça 4,2% este ano, depois de ter se expandido 4,5% no ano passado — o Fundo Monetário Internacional (FMI), no entanto, projeta expansão de 2,5%. Um desempenho muito aquém do que o país cresceu entre 2004 e 2008: 17%, na média, chegando a 23% em 2008. A partir de 2009, explica Brandão, da PUC-Rio, esse quadro mudou, e as taxas de crescimento anual caíram para menos de 5%.

Levantamento do banco sul-africano Standard Bank mostra que a reconstrução de Angola, que saiu de uma guerra civil de 27 anos em 2002, atraiu pelo menos 200 empresas brasileiras. Esse movimento reflete ainda a política externa do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011), que incentivou a aproximação com países pobres, especialmente da África.

Mas houve críticas ao salto expressivo dos financiamentos do BNDES a empresas brasileiras em Angola sob a administração petista. Passaram de R$ 5 milhões (US$ 1,88 milhão) em 2001 para R$ 8,76 bilhões (US$ 3,3 bilhões) entre 2007 e 2014. O dinheiro foi concedido na modalidade “pós-embarque” de exportações financiadas, em que a empresa recebe o dinheiro no Brasil e realiza serviços no exterior sem obrigação de usar mão de obra nacional.

Hoje, Brasil e Angola têm 40 acordos comerciais assinados no governo Lula. Há dois anos, foi instalado na capital, Luanda, um centro de negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), para estimular o comércio entre os dois países.

oglobo.globo.com | 18-06-2016
A União Europeia concordou nesta sexta-feira em estender por mais um ano as sanções à Rússia por causa da anexação da Crimeia e de Sebastopol, afirmando que as medidas continuarão vigentes até 23 de junho de 2017.As sanções incluem um veto à compra de produtos da região, a proibição de investimentos europeus e de exportações europeias de alta tecnologia nos setores de transporte, energia e telecomunicações. A decisão já era esperada. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 17-06-2016

A economia da Rússia - totalmente dependente do petróleo - pode crescer ligeiramente este ano se os preços do petróleo continuarem nos níveis atuais, disse nesta sexta-feira o ministro da Economia, Alexei Ulyukayev.

Falando à margem de um fórum anual de economistas em St. Petersbrug, Ulyukayev disse que o Produto Interno Bruto (PIB) pode expandir em até 0,3% este ano, de acordo com a agência de notícias Interfax.

A perspectiva é uma das previsões mais otimistas expressas por uma autoridade do governo depois que a economia contraiu 3,7% em 2015, pressionada pelos baixos preços do petróleo e das sanções ocidentais. O Banco da Rússia prevê que a economia se contraia em até 0,7% este ano.

Ulyukayev também disse que a Rússia pode prever um preço médio do petróleo em US$ 40 por barril no orçamento de 2017 e pode emprestar US$ 3 bilhões aos mercados globais no próximo ano.

Em maio, a Rússia se beneficiou dos mercados internacionais de capitais pela primeira vez depois de ter sido atingida por sanções diante do envolvimento do Kremlin na Ucrânia. A Rússia vendeu US$ 1,75 bilhão em Eurobonds de 10 anos denominados em dólares e pode emprestar mais ainda este ano. Fonte: Dow Jones Newswires.
A economia da Rússia - totalmente dependente do petróleo - pode crescer ligeiramente este ano se os preços do petróleo continuarem nos níveis atuais, disse nesta sexta-feira o ministro da Economia, Alexei Ulyukayev.Falando à margem de um fórum anual de economistas em St. Petersbrug, Ulyukayev disse que o Produto Interno Bruto (PIB) pode expandir em até 0,3% este ano, de acordo com a agência de notícias Interfax. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 17-06-2016

NOVA YORK — Depois da crise financeira de 2008, em 10 economias importantes do mundo, inclusive os EUA, houve uma queda no investimento no setor da infraestrutura — ora urgente de melhorias — segundo um novo estudo do McKinsey Global Institute. A China, enquanto isso, avança a todo vapor nas obras de rodovias, pontes, redes de esgoto.

China 15-06

“A China gasta mais em infraestrutura econômica por ano do que a América do Norte e a Europa Ocidental juntas”, registra o relatório publicado na quarta-feira.

Economistas de todo o mundo argumentam que este é um ótimo momento para investir em infraestrutura porque as taxas de juros estão superbaixas e a economia global poderia se valer do choque de investimentos. “Alguém está orgulhoso do aeroporto Kennedy?”, pergunta o economista da Universidade de Harvard Lawrence Summers.

O relatório do MGI cita 10 países nos quais o investimento em infraestrutura caiu enquanto parcela do Produto Interno Bruto (soma das riquezas nacionais) entre 2008 e 2013: EUA, Reino Unido, Itália, Austrália, Coreia do Sul, Brasil, Índia, Rússia, México e Arábia Saudita. (O estudo abrange 11 economias porque lista a União Europeia como uma entidade separada.) Em contraste, diz o instituto, o investimento em infraestrutura cresceu enquanto fatia do PIB no Japão, Alemanha, França, Canadá, Turquia, África do Sul e China.

No entanto, existe uma espécie de investimento excessivo em infraestrutura. Pelo ritmo de investimento atual, a China, o Japão e a Austrália provavelmente superarão suas necessidades até 2030, projeta o grupo afiliado à McKinsey & Company.

Para financiar mais infraestrutura pública, o relatório sugere a elevação das cobranças aos usuários, como pedágios em rodovias, entre outras medidas. Já para incentivar um maior investimento privado em infraestrutura, o MGI defende o aumento da “certeza regulatória” e que se dê aos investidores “a capacidade de cobrar preços que produzam um retorno aceitável ajustado ao risco”.

oglobo.globo.com | 15-06-2016

WASHINGTON - Donald Trump, o magnata republicano que concorre à Casa Branca, só venceria a democrata Hillary Clinton em dois países: China e Rússia. Esse é a conclusão de uma pesquisa global que o instituto Ipsos divulgou nesta terça-feira, após entrevistar 12.500 “eleitores” de 25 países. No Brasil, Hillary teria 52% dos votos, contra 12% de Trump e 36% de indecisos, números próximos às médias globais, que apontam Hillary com 57%, Trump com 13% e 30% de indecisos em uma eventual “eleição planetária”. hillary

A maior lavada da democrata seria, justamente, no México — Trump acusou o país de enviar “criminosos e violadores” aos EUA e quer construir um muro na fronteira dos dois países. Lá, a ex-secretária de estado teria 88% dos votos, contra apenas 1% de Trump. Por outro lado, o bilionário venceria na Rússia (28% a 12%, com 60% de indecisos) e estaria ligeriamente em vantagem, mas dentro da margem de erro na China (32% a 30%, com 39 % de indecisos). A Índia é o terceiro país estrangeiro que dá mais de 20% para o magnata: lá, ele teria 27% dos votos, mas perde feio para Hillary, que teria 48%. Tirando estes países - pouco famosos pela democracia - o magnata só vai bem justamente em casa: neste levantamento ele conta com o apoio de 32% dos americanos, mas perde para os 40% de Hillary, apesar de 28% se declararem indecisos.

O levantamento foi realizado na Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, China, França, Reino Unido, Alemanha, Hungria, Índia, Israel, Itália, Japão, México, Peru, Polônia, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Coreia do Sul, Espanha, Suécia, Turquia e Estados Unidos e tem margem de erro de 4,5 pontos percentuais.

O Brasil, contudo, é o país mais “generoso” com Trump na América do Sul, ao dar 12% de apoio ao republicano. Somente o Peru chega perto, com 10% de votos para o republicano, contra 8% no Chile e na Colômbia e apenas 6% na Argentina. Hillary teria sua melhor posição na região na Colômbia, com 72%, contra 69% no Peru, 64% na Argentina e 63% no Chile, número muito acima dos 52% no Brasil.

Perguntado sobre quem seria melhor para a economia global, 46% do total indicam Hillary, contra 14% Trump, 17% que afirmam que os dois atuariam de forma semelhante e 23% não sabem. Já 54% afirmam que Hillary seria melhor para a paz mundial, contra 9% que apoiam Trump, 14% que não vêem diferenças e 22% que não sabem. Novamente neste quesito, o de segurança global, Trump só se sai melhor na China e na Rússia.

oglobo.globo.com | 07-06-2016

WASHINGTON - Donald Trump, o magnata republicano que concorre à Casa Branca, só venceria a democrata Hillary Clinton em dois países: China e Rússia. Esse é a conclusão de uma pesquisa global que o instituto Ipsos divulgou nesta terça-feira, após entrevistar 12.500 “eleitores” de 25 países. No Brasil, Hillary teria 52% dos votos, contra 12% de Trump e 36% de indecisos, números próximos às médias globais, que apontam Hillary com 57%, Trump com 13% e 30% de indecisos em uma eventual “eleição planetária”. hillary

A maior lavada da democrata seria, justamente, no México — Trump acusou o país de enviar “criminosos e violadores” aos EUA e quer construir um muro na fronteira dos dois países. Lá, a ex-secretária de estado teria 88% dos votos, contra apenas 1% de Trump. Por outro lado, o bilionário venceria na Rússia (28% a 12%, com 60% de indecisos) e estaria ligeriamente em vantagem, mas dentro da margem de erro na China (32% a 30%, com 39 % de indecisos). A Índia é o terceiro país estrangeiro que dá mais de 20% para o magnata: lá, ele teria 27% dos votos, mas perde feio para Hillary, que teria 48%. Tirando estes países - pouco famosos pela democracia - o magnata só vai bem justamente em casa: neste levantamento ele conta com o apoio de 32% dos americanos, mas perde para os 40% de Hillary, apesar de 28% se declararem indecisos.

O levantamento foi realizado na Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, China, França, Reino Unido, Alemanha, Hungria, Índia, Israel, Itália, Japão, México, Peru, Polônia, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Coreia do Sul, Espanha, Suécia, Turquia e Estados Unidos e tem margem de erro de 4,5 pontos percentuais.

O Brasil, contudo, é o país mais “generoso” com Trump na América do Sul, ao dar 12% de apoio ao republicano. Somente o Peru chega perto, com 10% de votos para o republicano, contra 8% no Chile e na Colômbia e apenas 6% na Argentina. Hillary teria sua melhor posição na região na Colômbia, com 72%, contra 69% no Peru, 64% na Argentina e 63% no Chile, número muito acima dos 52% no Brasil.

Perguntado sobre quem seria melhor para a economia global, 46% do total indicam Hillary, contra 14% Trump, 17% que afirmam que os dois atuariam de forma semelhante e 23% não sabem. Já 54% afirmam que Hillary seria melhor para a paz mundial, contra 9% que apoiam Trump, 14% que não vêem diferenças e 22% que não sabem. Novamente neste quesito, o de segurança global, Trump só se sai melhor na China e na Rússia.

oglobo.globo.com | 07-06-2016

BRASÍLIA E BUENOS AIRES - Ao assumir o cargo de ministro das Relações Exteriores há pouco menos de um mês, José Serra anunciou que dará início a um acelerado processo de negociações comerciais, para abrir mercados para as exportações e gerar empregos para os brasileiros, que hoje sofrem com os níveis elevados de desemprego. Avisou que a ação diplomática de curto prazo seria com a Argentina, primeiro país que reconheceu oficialmente o governo Temer. Além do mercado argentino, ele citou como países prioritários os da Aliança do Pacífico (Colômbia, Peru, Chile e México) e da União Europeia, os Estados Unidos, a China, o Japão, a Índia, a África e o Mundo Árabe.

Info - Trocas comerciais

Um levantamento preliminar feito pelo GLOBO mostra que, com pouquíssimas exceções, como as nações sul-africanas, que apresentaram uma pequena alta de 8,6%, houve queda nas vendas brasileiras, entre 2014 e 2015, para todos os mercados citados pelo novo ministro. Nos embarques para a China e os Estados Unidos, principais parceiros comerciais do Brasil, houve reduções de 12,3% e 11% em 2015, em relação ao ano anterior. Para a Índia — país que tem um acordo de livre comércio com o Mercosul para cerca de mil itens — foi registrada uma queda de 24%.

A lista de mercados não é nova. Serra vai trabalhar com os países já mapeados pelo governo anterior. Segundo uma fonte diplomática, “é uma questão matemática. Não dá para fugir da realidade”. Além dos mercados citados pelo chanceler em seu discurso de posse, a área diplomática também tem em seu radar mercados que ou já firmaram ou estão em vias de firmar acordos com o Mercosul, entre os quais Israel, Palestina, Marrocos, Conselho de Cooperação do Golfo, Canadá, Paquistão, Jordânia, Turquia, Rússia, Austrália, Nova Zelândia, Cingapura e República da Coreia.

OPORTUNIDADE NA ARGENTINA

Sobre a África, Serra afirmou que a relação não poderá mais se restringir “a laços fraternos do passado e às correspondências culturais, mas, sobretudo, forjar parcerias concretas no presente e para o futuro”. Ele levou essa mensagem às autoridades de Cabo Verde, em sua segunda visita oficial.

— É claro que queremos vender mais para os africanos. A região está em desenvolvimento — disse um graduado embaixador brasileiro.

Em países como Argentina, Colômbia e Chile, economistas locais acreditam que existe espaço nos respectivos mercados para ampliar a presença de produtos brasileiros. No entanto, nos três casos, os analistas consultados pelo GLOBO alertaram que, para intensificar o comércio entre o Brasil e seus países, é necessário que todos reativem suas economias e saiam da etapa de desaceleração e, no caso da Argentina, recessão em que estão mergulhados.

Em sua recente visita a Buenos Aires, Serra conversou com autoridades locais sobre a necessidade, para ambos os países, de interromper a tendência decrescente do comércio bilateral. Brasil e Argentina atravessam uma delicada crise econômica e, enquanto isso não for superado, opinou o economista Dante Sica, diretor da empresa de consultoria argentina Abeceb, será difícil devolver o vigor perdido ao comércio entre os dois países.

Em 2011, de acordo com dados da Abeceb, o intercâmbio comercial entre os dois principais sócios do Mercosul atingiu US$ 39,6 bilhões. No ano passado, o montante caiu para US$ 23,083 bilhões, uma retração de 42%. A Argentina continua sendo um importante sócio comercial para o Brasil, mas a relação entre ambos passa por um momento difícil em termos comerciais.

— O Brasil quer a mesma coisa que nós queremos, fortalecer nossas exportações. Mas para isso, ambos precisam crescer — disse Sica.

O economista acredita que a mudança de governo na Argentina favorecerá o comércio entre os países da região.

— O governo Macri promove uma maior abertura da economia e aplica uma política comercial compatível com as normas da Organização Mundial de Comércio (OMC) — apontou Sica.

RECESSÃO É BARREIRA

Já os governos Kirchner, lembrou o economista, “não priorizou negociações comerciais e sim interesses políticos”.

— O que preocupa atualmente os empresários argentinos é a dificuldade de acesso ao mercado brasileiro — assegurou Sica.

No caso da Colômbia, o comércio bilateral é bem menor. Hoje o Brasil representa apenas 4,5% das importações que entram anualmente ao mercado colombiano, percentual que, na visão do economista Ricardo Avila, diretor do jornal Portafolio, principal diário econômico do país, “poderia crescer, principalmente no setor automobilístico”.

— Existe a intenção entre os dois países de que a Colômbia importe até 20 mil automóveis por ano do Brasil, isso já foi conversado, mas ainda não saiu do papel — comentou Avila.

Para ele, o problema até agora era o custo dos produtos brasileiros, muito alto:

— Hoje vejo como isso poderia melhorar. Nossos principais sócios na região são México, Equador e Chile. O potencial no caso do Brasil é enorme, principalmente para a compra de manufaturas e automóveis.

Ele destacou, como Sica, a desaceleração da economia como principal obstáculo para que o governo interino de Michel Temer consiga ampliar a presença do Brasil no mercado local:

— Somente nos primeiros meses deste ano, as importações recuaram 25% .

A participação das importações brasileiras no Chile é atualmente de 7,8%, um pouco acima do percentual colombiano. A grande maioria (em torno de 70%) é de produtos energéticos (petróleo e outros combustíveis).

— Poderia existir espaço para aumentar as compras de bens industriais como veículos e maquinaria, nos quais o Brasil tem uma vantagem comparativa em termos de produção. No entanto, para isso, será necessário que o crescimento e os investimentos se recuperem no Chile, o que poderia demorar algum tempo — afirmou Miguel Ricaurte, economista chefe do Itaú CorpBanca.

*Correspondente

oglobo.globo.com | 05-06-2016

BRASÍLIA E BUENOS AIRES - Ao assumir o cargo de ministro das Relações Exteriores há pouco menos de um mês, José Serra anunciou que dará início a um acelerado processo de negociações comerciais, para abrir mercados para as exportações e gerar empregos para os brasileiros, que hoje sofrem com os níveis elevados de desemprego. Avisou que a ação diplomática de curto prazo seria com a Argentina, primeiro país que reconheceu oficialmente o governo Temer. Além do mercado argentino, ele citou como países prioritários os da Aliança do Pacífico (Colômbia, Peru, Chile e México) e da União Europeia, os Estados Unidos, a China, o Japão, a Índia, a África e o Mundo Árabe.

Info - Trocas comerciais

Um levantamento preliminar feito pelo GLOBO mostra que, com pouquíssimas exceções, como as nações sul-africanas, que apresentaram uma pequena alta de 8,6%, houve queda nas vendas brasileiras, entre 2014 e 2015, para todos os mercados citados pelo novo ministro. Nos embarques para a China e os Estados Unidos, principais parceiros comerciais do Brasil, houve reduções de 12,3% e 11% em 2015, em relação ao ano anterior. Para a Índia — país que tem um acordo de livre comércio com o Mercosul para cerca de mil itens — foi registrada uma queda de 24%.

A lista de mercados não é nova. Serra vai trabalhar com os países já mapeados pelo governo anterior. Segundo uma fonte diplomática, “é uma questão matemática. Não dá para fugir da realidade”. Além dos mercados citados pelo chanceler em seu discurso de posse, a área diplomática também tem em seu radar mercados que ou já firmaram ou estão em vias de firmar acordos com o Mercosul, entre os quais Israel, Palestina, Marrocos, Conselho de Cooperação do Golfo, Canadá, Paquistão, Jordânia, Turquia, Rússia, Austrália, Nova Zelândia, Cingapura e República da Coreia.

OPORTUNIDADE NA ARGENTINA

Sobre a África, Serra afirmou que a relação não poderá mais se restringir “a laços fraternos do passado e às correspondências culturais, mas, sobretudo, forjar parcerias concretas no presente e para o futuro”. Ele levou essa mensagem às autoridades de Cabo Verde, em sua segunda visita oficial.

— É claro que queremos vender mais para os africanos. A região está em desenvolvimento — disse um graduado embaixador brasileiro.

Em países como Argentina, Colômbia e Chile, economistas locais acreditam que existe espaço nos respectivos mercados para ampliar a presença de produtos brasileiros. No entanto, nos três casos, os analistas consultados pelo GLOBO alertaram que, para intensificar o comércio entre o Brasil e seus países, é necessário que todos reativem suas economias e saiam da etapa de desaceleração e, no caso da Argentina, recessão em que estão mergulhados.

Em sua recente visita a Buenos Aires, Serra conversou com autoridades locais sobre a necessidade, para ambos os países, de interromper a tendência decrescente do comércio bilateral. Brasil e Argentina atravessam uma delicada crise econômica e, enquanto isso não for superado, opinou o economista Dante Sica, diretor da empresa de consultoria argentina Abeceb, será difícil devolver o vigor perdido ao comércio entre os dois países.

Em 2011, de acordo com dados da Abeceb, o intercâmbio comercial entre os dois principais sócios do Mercosul atingiu US$ 39,6 bilhões. No ano passado, o montante caiu para US$ 23,083 bilhões, uma retração de 42%. A Argentina continua sendo um importante sócio comercial para o Brasil, mas a relação entre ambos passa por um momento difícil em termos comerciais.

— O Brasil quer a mesma coisa que nós queremos, fortalecer nossas exportações. Mas para isso, ambos precisam crescer — disse Sica.

O economista acredita que a mudança de governo na Argentina favorecerá o comércio entre os países da região.

— O governo Macri promove uma maior abertura da economia e aplica uma política comercial compatível com as normas da Organização Mundial de Comércio (OMC) — apontou Sica.

RECESSÃO É BARREIRA

Já os governos Kirchner, lembrou o economista, “não priorizou negociações comerciais e sim interesses políticos”.

— O que preocupa atualmente os empresários argentinos é a dificuldade de acesso ao mercado brasileiro — assegurou Sica.

No caso da Colômbia, o comércio bilateral é bem menor. Hoje o Brasil representa apenas 4,5% das importações que entram anualmente ao mercado colombiano, percentual que, na visão do economista Ricardo Avila, diretor do jornal Portafolio, principal diário econômico do país, “poderia crescer, principalmente no setor automobilístico”.

— Existe a intenção entre os dois países de que a Colômbia importe até 20 mil automóveis por ano do Brasil, isso já foi conversado, mas ainda não saiu do papel — comentou Avila.

Para ele, o problema até agora era o custo dos produtos brasileiros, muito alto:

— Hoje vejo como isso poderia melhorar. Nossos principais sócios na região são México, Equador e Chile. O potencial no caso do Brasil é enorme, principalmente para a compra de manufaturas e automóveis.

Ele destacou, como Sica, a desaceleração da economia como principal obstáculo para que o governo interino de Michel Temer consiga ampliar a presença do Brasil no mercado local:

— Somente nos primeiros meses deste ano, as importações recuaram 25% .

A participação das importações brasileiras no Chile é atualmente de 7,8%, um pouco acima do percentual colombiano. A grande maioria (em torno de 70%) é de produtos energéticos (petróleo e outros combustíveis).

— Poderia existir espaço para aumentar as compras de bens industriais como veículos e maquinaria, nos quais o Brasil tem uma vantagem comparativa em termos de produção. No entanto, para isso, será necessário que o crescimento e os investimentos se recuperem no Chile, o que poderia demorar algum tempo — afirmou Miguel Ricaurte, economista chefe do Itaú CorpBanca.

*Correspondente

oglobo.globo.com | 05-06-2016

Pelo sexto ano consecutivo, o Brasil perdeu posição no ranking das economias mais competitivas no mundo. Entre 61 nações analisadas, o País passou a ocupar o 57º lugar na lista do World Competitiveness Yearbook, anuário da escola de negócios suíça IMD publicado desde 1989. No ano passado, ocupava o 56º lugar no ranking.

Com isso, a eficiência da economia brasileira para o desenvolvimento de negócios só é melhor que a da Croácia, da Ucrânia, da Mongólia e da Venezuela, últimos no ranking. Mesmo tendo perdido seis posições do anuário do ano passado para cá, a Grécia (56º lugar) segue tendo um ambiente mais propício para a iniciativa privada.

A Argentina (55º) também subiu quatro posições e, com isso, ficou melhor que o Brasil na lista.

Pela metodologia do IMD, todos os países são analisados em quatro dimensões, que são as seguintes: Desempenho da Economia, Eficiência do Governo, Eficiência Empresarial e Infraestrutura. Nessa análise, são utilizados dados públicos de organismos internacionais e também pesquisa de campo com escolas de negócios parceiras. No caso do Brasil, o parceiro é a Fundação Dom Cabral.

Em entrevista ao Broadcast (serviço de notícias em tempo real da Agência Estado), o diretor do Centro de Competitividade Mundial do IMD, responsável pela pesquisa, Arturo Bris, explicou que o Brasil está pior classificado do que a Argentina e a Grécia, além de manter distância de grandes parceiros, por ter a pior "eficiência governamental" entre os 61 países. "Além disso, o Brasil tem deficiências na infraestrutura, ao contrário da Rússia; em inovação, ao contrário da Índia; na confiabilidade do governo, ao contrário da África do Sul", afirmou Bris.

Ele avaliou que o governo brasileiro perdeu a oportunidade de realizar as "grandes reformas que são necessárias em um momento em que o crescimento econômico era estelar". "Agora é muito tarde", disse.

O diretor do IMD afirmou ainda que o processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff influenciou "enormemente" o resultado de 2016. "As perspectivas dos executivos, no caso do Brasil, o pessimismo, têm um grande peso nos nossos rankings", disse. Além da corrupção, Bris destacou que prejudicam a visão sobre o País a falta de políticas claras, consenso social e as reformas apropriadas que irão garantir qualidade de vida, segurança no mercado de trabalho e prosperidade para os brasileiros.

Rebaixamento dos EUA

No topo do ranking das economias mais competitivas do mundo, houve algumas mudanças. Os Estados Unidos perderam o primeiro lugar para Hong Kong e passaram a ocupar o terceiro lugar no ranking do IMD. O segundo colocado é a Suíça, que avançou quatro posições em 2016. Cingapura continua no topo, apesar de ter descido do terceiro lugar em 2015 para o quarto neste ano. E a Suécia voltou para o Top 5 em 2016, ao sair da nona posição no ano passado para o quinto lugar neste ano.

Um grande insight que a pesquisa trouxe, segundo Bris, foi a perda de dinamismo da América Latina. Ele destacou ainda o grau de importância da China no contexto asiático, visto que todas as economias da região analisadas pelo IMD, exceto a Tailândia e Hong Kong, perderam posições no ranking. A segunda maior economia do mundo caiu três degraus, passando a ocupar o 25º lugar no ranking de competitividade.

A situação da economia chinesa, aliás, está entre os maiores riscos para os investidores, de acordo com Bris. Além disso, ele citou a evolução dos preços das commodities e a interconectividade entre companhias e nações.

Outras descobertas, continuou Bris, foram a "relevância de boas políticas", o que se refletiu na melhora de países do Leste Europeu, e a necessidade de políticas estáveis e nova infraestrutura nos EUA. "Os Estados Unidos caíram a uma situação de complacência", afirmou.

MUKACHEVO, UCRÂNIA – Antes de percorrer as trilhas e encostas nevadas, boa parte dos esquis do mundo começa a vida nessa fábrica enorme no oeste da Ucrânia.

Aqui, trabalhadores habilidosos combinam fitas flexíveis de fibra de carbono e chapas de titânio rígido, empilhando tudo como em uma espécie de bolo e prensando sob o calor das máquinas, dando forma e polimento até que se tornem os esquis utilizados na prática de cross-country ou downhill.

Aqui, os trabalhadores também usam vapor para dobrar a madeira e fabricar os tacos utilizados por jogadores de hóquei do mundo todo, vendidos por marcas como Nike e Oxelo.

A proprietária austríaca da fábrica, a Fischer Sports, paga o equivalente a US$307 ao mês em média aos funcionários – cerca de um oitavo do valor pago a operadores de máquinas e marceneiros experientes na sede da Fischer.

E desde janeiro deste ano, quando um novo pacto de livre comércio foi firmado entre a Ucrânia e os 28 países da União Europeia, os custos da Fischer caíram ainda mais com a eliminação das tarifas sobre o maquinário e as matérias primas que vão até a fábrica, bem como sobre os produtos finalizados, que são comercializados no restante do continente.

O pagamento pode parecer ruim para os padrões ocidentais, mas os 1.500 funcionários da fábrica veem os empregos como uma oportunidade. A Ucrânia é um dos países mais pobres do Hemisfério Norte, com uma economia que gera menos de US$3.100 per capita ao ano.

— A Europa é nosso futuro — afirmou Yuri V. Oros, operador de máquinas na linha de esquis.

Porém, o futuro sofre com o passado problemático do país e o conflito da Ucrânia com a Rússia. Agora, o nacionalismo ameaça a solidariedade da União Europeia. Em um referendo votado recentemente pela Holanda, por exemplo, quase dois terços dos eleitores holandeses pediram para que o governo deixe de apoiar o pacto com a Ucrânia.

E embora a Fischer e outras multinacionais, incluindo a Nexans, uma fabricante francesa de cabos elétricos, tenham investido em fábricas na Ucrânia para tirar proveito do acordo de livre comércio, muitas outras empresas ainda têm medo de se arriscar nessa antiga república soviética.

Por isso, não se sabe ao certo quais serão os benefícios do pacto comercial para além da região mais ocidental da Ucrânia, na divisa com a Polônia, onde boa parte dessas fábricas está se instalando, ou na economia desse país de 44,4 milhões de habitantes, dos quais cerca de cinco milhões vivem atualmente em áreas requisitadas pela Rússia, ou por separatistas pró-Rússia.

— Vamos ouvir falar de histórias de sucesso aqui e ali, mas ainda é cedo demais para falar em um sucesso real —afirmou Tymofiy S. Mylovanov, presidente da Escola de Economia de Kiev.

No geral, afirmou Mylovanov, a economia ucraniana mal está crescendo, afetada pela baixa produtividade dos trabalhadores e pela corrupção generalizada. Segundo ele, somente no longo prazo o acordo comercial poderá tirar os ucranianos da pobreza.

O acordo, conhecido como Acordo de Associação com a União Europeia, já percorreu um caminho tortuoso. Depois que um ex-presidente ucraniano o rejeitou em 2013, optando por um acordo com Moscou, cidadãos pró-Europa tomaram as ruas de Kiev em protestos que levaram a uma revolução.

O novo governo em Kiev assinou o acordo com a União Europeia em março de 2014. Mas naquele mesmo mês a Rússia anexou a província ucraniana da Crimeia, levando a uma guerra civil incitada pela Rússia no leste da Ucrânia.

Quando o acordo com a União Europeia entrou em vigor conforme o esperado, muitos ucranianos estavam tão distraídos ou desmoralizados pela guerra e pelos anos de recessão, que praticamente não notaram.

Ainda assim, aqui em Mukachevo, uma cidade pitoresca de ruas de paralelepípedos e um castelo do século XIV construído pelo Império Austro-Húngaro, a fábrica da Fischer representa um sinal de como poderia ser um futuro de maior integração com o restante Europa.

A subsidiária da Fischer na Ucrânia não revela números de faturamento, mas os executivos afirmam que os benefícios do pacto comercial devem representar um aumento de US$565 mil no lucro da fábrica este ano.

— A Ucrânia tem todas as condições iniciais para o investimento — afirmou Vasyl Ryabych, diretor da fábrica, em uma entrevista concedida em seu escritório, com vista para os jardins da fábrica e seus roseirais.

De forma similar a quando o Acordo de Livre Comércio da América do Norte, firmado em 1994, levou a um aumento no número de fábricas leves – conhecidas como “maquiladoras” – na fronteira do México com os Estados Unidos, o acordo de associação deve encorajar o desenvolvimento ao longo das fronteiras da Ucrânia com a União Europeia. Em troca, a Ucrânia fica obrigada a alterar as políticas econômicas por meio de medidas que modificam o judiciário, além de uma reforma nas regras para a concessão de contratos estatais.

A fábrica da Fischer é apenas um dos sinais do investimento estrangeiro surgindo ao redor de Lviv, a capital regional da Ucrânia ocidental.

A francesa Nexans alugou terras nos arredores de Lviv, onde planeja gastar US$4,7 milhões em uma fábrica que empregaria duas mil pessoas na fabricação de cabos elétricos para automóveis. Outra fábrica da Nexans já está produzindo cabos elétricos para a BMW, a General Motors e outras montadoras na região.

A Leoni, concorrente alemã da Nexans, conta com uma fábrica em Stryi, na região de Lviv, produzindo cabos para a Volkswagen, Opel, Porsche e outras montadoras.

Além disso, no ano passado, a Fujikura, fábrica japonesa de componentes automotivos, anunciou planos de abrir uma fábrica nos próximos três anos, empregando mais 3 mil ucranianos.

— A economia está se voltando para a Europa — afirmou Veronika Movchan, economista da VoxUkraine, um grupo de pesquisa com sede em Kiev.

A mudança em favor do Ocidente aumentou o comércio da Ucrânia com a União Europeia para mais de um terço do total de exportações e importações do país, se comparado a menos de um quarto em 2012.

Entretanto, durante o mesmo período as exportações para a Rússia caíram de mais da metade para apenas 12,7 por cento – um número que pode piorar ainda mais, já que Moscou aumentou as tarifas sobre produtos ucranianos, em retaliação ao pacto comercial com a Europa.

Além disso, o fim dos impostos comerciais em transações com a União Europeia representa uma faca de dois gumes: à medida que mais produtos europeus competem com produtos locais, a Ucrânia pode ser incapaz de sustentar até mesmo a modesta previsão de crescimento de um por cento este ano, de acordo com alguns economistas.

O pacto comercial também criou restrições rígidas sobre produtos agrícolas importados pela União Europeia, apesar de a agricultura ser um dos pontos fortes da Ucrânia. As cotas para importação de mel livre de tarifas são tão baixas, por exemplo, que os apicultores ucranianos estouraram o limite nas seis primeiras semanas do ano.

— Se a Ucrânia tem qualquer esperança, ela está na agricultura. Mas o fato de já terem utilizado boa parte das cotas anuais sugere que o acordo não teve o efeito desejado — afirmou Ivan Tchakarov, economista chefe de Estados da antiga União Soviética no banco Citi.

Essa é mais uma razão para que os apoiadores do pacto comercial contem com o sucesso da fábrica da Fischer, que já começa a produzir mais que skis e tacos de hóquei.

Depois de demonstrar sua destreza com materiais a base de fibra de carbono, além de destacar o crescimento da região na fabricação de peças automotivas, a fábrica criou uma oficina que realiza o polimento de componentes para o setor automotivo.

As peças leves incluem bases para motores de alta performance dos modelos BMW M3, além de painéis externos da Audi, Porsche e Tesla. Após o polimento, as peças são enviadas de volta para mercados mais ricos.

Ryabych, o diretor da fábrica, afirmou:

— Somos como a China, mas fazemos fronteira com a Europa.

oglobo.globo.com | 26-05-2016

RIO - A Coca-Cola Brasil trocará de comando em setembro. O mexicano Xiemar Zarazúa, deixará o cargo após oito anos, subindo a vice-presidente de Empreendimentos Estratégicos da companhia para a América Latina. Para seu lugar, virá o brasileiro Henrique Braun, hoje à frente da unidade China e Coreia.

A mudança, como antecipou o colunista do GLOBO Lauro Jardim, integra uma mexida na estrutura de negócios global da líder mundial em bebidas. O objetivo é tornar a estrutura mais simples, unindo áreas, em linha com a operação da rede de franqueados. Foi criada, por exemplo, a unidade de negócios Europa, Oriente Médio e África, que reúne as antigas unidades Europa e Eurásia e África. Será presidida por Brian Smith, hoje presidente da Coca-Cola na América Latina.

“O anúncio de hoje destaca mudanças importantes em nossa estrutura internacional de operações, que melhor sustentam a evolução da cobertura de nosso sistema de franquias”, disse Muhtar Kent, presidente do Conselho e diretor executivo da Coca-Cola Company, em comunicado.

Em fevereiro deste ano, a Coca-Cola anunciou planos de refranquiar seu sistema de produção na América do Norte, processo que terminará até o fim de 2017, e que já está em curso em Europa e África. No mercado chinês, a companhia assinou um memorando de intenções para refranquear fábricas a dois parceiros locais. Com isso, a Coca-Cola passa a se concentrar na gestão de suas marcas e do negócio.

A companhia não esclareceu que prioridades Braun, que ingressou na empresa em 1996, terá no Brasil. Zarazúa acompanha a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil, megaeventos que têm a Coca-Cola como patrocinadora. Entre 2012 e 2016, a empresa chegará a R$ 14,1 bilhões em investimentos no país, 50% mais que nos cinco anos anteriores. Em 2017, o aporte será de R$ 3,2 bilhões, ante R$ 2,7 bilhões este ano.

BRASIL É O QUARTO MAIOR MERCADO

O Brasil é o quarto maior mercado do mundo para a Coca-Cola, atrás de Estados Unidos, México e China. No fim do ano passado, a Coca-Cola Brasil comprou a mineira Laticínios Verde Campo, negócio que marca sua entrada no segmento de produtos lácteos frescos.

A crise econômica, porém, vem freando o desempenho do país. No primeiro trimestre, a companhia registrou lucro global de US$ 1,48 bilhão, 5% menor que o de janeiro a março de 2015, em consequência de perdas em Brasil, Rússia e China.

— A demanda por refrigerantes está caindo. O consumidor vem optando por bebidas mais saudáveis. Então, é preciso diversificar o portfólio, lançar produtos de maior qualidade e valor agregado, como sucos e chás, e focar em saúde, como a Coca-Cola fez ao lançar a versão do refrigerante com estévia — diz o consultor de varejo Marco Quintarelli.

Em 2015, a produção de refrigerantes recuou 5,9% no Brasil. Nos primeiros quatro meses deste ano, a queda foi de 4,1%, a despeito de alta de 7,7% registrada em abril, segundo dados da Receita Federal. Categorias como chás e sucos prontos para beber, contudo, estão em expansão.

oglobo.globo.com | 25-05-2016

PEQUIM — Primeiro foi o Muro de Berlim. Agora, há o Grande Firewall da China — não uma barreira física, impedindo pessoas de sair, mas uma virtual, barrando a entrada no país de informações prejudiciais ao Partido Comunista. Assim como um caiu, o outro será, eventualmente, desmantelado, pois informações, como as pessoas, não podem ser retidas para sempre. Ou, pelo menos, esta é a crença.

Mas tente dizer isso a Pequim. Longe de derrubar o maior sistema de censura do mundo, a China, na verdade, está se movendo cada vez mais confiante na direção oposta, reforçando as bases jurídicas da muralha, fechando brechas e aumentando o controle da web. Defendendo não mais um histórico de censura, a China está confiantemente alardeando sua visão de “soberania na internet” como um modelo para o mundo e está se mexendo para torná-lo uma realidade jurídica em casa. Ao mesmo tempo — confundindo os céticos ocidentais — a internet está, no entanto, prosperando na China, com quase 700 milhões de usuários, colocando quase um em cada quatro da população online do mundo por trás da Grande Firewall.

A China é líder mundial em e-commerce, com o dobro do volume de vendas no varejo digital em comparação com os Estados Unidos e responsável por 40% do total global, de acordo com a empresa de pesquisa de negócios digitais eMarketer. No ano passado, o país também ostentava quatro das dez maiores empresas de internet no mundo, classificadas por capitalização de mercado, segundo o site de dados Statista, incluindo a gigante do e-commerce Alibaba, a empresa de mídias sociais e jogos Tencent e o buscador especializado Baidu.

— Este caminho é a escolha da História e a escolha do povo, e nós percorreremos este caminho cada vez mais firmes e cheios de confiança — afirmou o czar da internet da China, Lu Wei, em janeiro.

Wei explicou que, após duas décadas de desenvolvimento da internet sob a firme liderança do Partido Comunista, o país havia atingido o equilíbrio correto entre “liberdade e ordem” e entre “abertura e autonomia”. A nação, ainda segundo Wei, está trilhando um caminho de “cibergovernança com características chinesas”.

O que a China chama de “Escudo Dourado” é um mecanismo gigante de censura e vigilância que bloqueia dezenas de milhares de sites considerados hostis à narrativa e controle do Partido Comunista, incluindo Facebook, YouTube, Twitter e até mesmo Instagram. Em abril, o governo dos EUA classificou-o oficialmente como uma barreira ao comércio, salientando que oito dos 25 sites mais acessados em nível global estão bloqueados na China. A Câmara Americana de Comércio na China diz que quatro em cada cinco das suas empresas associadas relatam impacto negativo sobre seus negócios pela censura na internet chinesa.

No entanto, não vai se voltar atrás. Ainda este ano, a China deverá aprovar uma nova lei sobre cibersegurança que irá codificar, organizar e fortalecer seu controle sobre a internet. E estão sendo introduzidas novas regras que restringem empresas estrangeiras de publicação de conteúdo online, e propostas regras mais rígidas aos sites para registrar nomes de domínio.

Revelações de Snowden minam Ocidente

As mudanças não são, como alguns inicialmente temiam, um movimento para cortar o acesso ao mundo exterior e estabelecer uma intranet chinesa, mas sim uma tentativa de estender o controle legal e a supervisão sobre o que é publicado online no país. Na verdade, a Grande Firewall da China é muito mais sofisticada e com multicamadas do que um simples interruptor liga-desliga: é a tentativa de construir uma ponte entre duas das contradições mais fundamentais do país — ter uma economia intrinsecamente ligada ao mundo exterior, mas uma cultura política fechada aos tais “valores ocidentais”, como a liberdade de expressão e a democracia.

A internet chegou à China em janeiro de 1996, e o país começou sistematicamente a bloquear alguns sites estrangeiros em agosto de 1996 (o apelido Grande Firewall foi cunhado pela revista “Wired”, em 1997). Mas o sistema, tal como está agora, apenas começou a ser desenvolvido e implementado no início de 2000. O Google foi o primeiro a ser bloqueado, durante nove dias, em setembro de 2002. O YouTube foi bloqueado após distúrbios no Tibete, em 2008, e o Facebook e o Twitter, na sequência, após distúrbios em Xinjiang, em 2009.

Em dezembro, Pequim propagandeou sua visão na Conferência Mundial da Internet, na histórica cidade de Wuzhen, a segunda reunião anual, com a participação de líderes de Rússia, Paquistão e várias outras nações que não têm pontuação alta em rankings globais de liberdade na internet. Embora tenha falhado em convencer o Ocidente, os mais recentes movimentos da China para legalizar e reforçar sua barreira digital é trazer a ideia da “soberania na internet” um passo mais perto da realidade.

— Uma das coisas que o governo chinês está tentando fazer é mudar gradualmente os fatos — ressalta o professor de Direito e Governança Rogier Creemers, da Universidade de Leiden, da Holanda, destacando que a China usa o mesmo tipo da maioria dos sistemas de censura. — Se não pode chegar a um acordo no âmbito internacional sobre a “soberania na internet”, irá apenas apresentar o projeto como um fato consumado.

Ao mesmo tempo, segundo Creemers, as revelações de Edward Snowden sobre a vigilância em escala global conduzida através da internet por agências de Inteligência dos EUA têm sido o principal trunfo para a China, minando qualquer pretensão de que alguém estava realmente jogando segundo as regras ou quaisquer reivindicações ocidentais acerca de superioridade moral.

oglobo.globo.com | 25-05-2016

QUITO — O presidente equatoriano, Rafael Correa, que iniciou nesta terça-feira seu último ano de governo depois de chegar à Presidência em 2007, antecipou que espera um final de mandato “muito duro”, afirmando que a oposição de direita se esforçará para reconquistar o poder.

— Até que eu entregue o governo (em 24 de maio de 2017), será um ano muito duro do ponto de vista humano, econômico, político e internacional — declarou o presidente em seu relato anual diante do Congresso.

Correa, que não concorrerá nas eleições do ano que vem, alertou que “aqueles que estão de luto (opositores) vão tratar de aproveitar as dificuldades econômicas e as investidas ferozes da direita internacional para voltar ao poder, para nos levar ao neoliberalismo, e para nos mandar de volta ao passado”, e instou os eleitores a rechaçarem os candidatos à Presidência que tenham contas em paraísos fiscais.

— Proponho um pacto ético à república: que todos rechacemos os candidatos que tenham seu dinheiro em paraísos fiscais — afirmou Correa. — O elemental para que possamos aspirar a qualquer dignidade popular é que possamos confiar em nossa própria pátria.

Nos últimos dois anos, Correa teve que enfrentar uma tempestade econômica causada pela queda nos preços internacionais de petróleo, principal produto de exportação do Equador, cuja economia está dolarizada desde 2000. Além disso, um tribunal internacional condenou o Estado equatoriano a para US$ 1 bilhão à petrolífera americana Oxy, além da queda financeira na Rússia e na China, dois dos principais mercados não-petrolíferos.

— Em um ano não estarei mais aqui — enfatizou Correa, que classificou parte da imprensa nacional como “terrivelmente corrupta e desonesta” — O país deve descansar de mim, e, sinceramente, eu também devo descansar um pouquinho do país. Não é fácil governar um país como o Equador.

O presidente também relembrou o terremoto de 16 de abril, que arrasou povoados do litoral do país, deixando mais de 600 mortos.

— Venceremos as dificuldades e sairemos fortalecidos apesar da dor de centenas de mortos, feridos e desabrigados.

oglobo.globo.com | 25-05-2016

BRASÍLIA — Há pouco mais de uma semana no cargo, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, quer deixar como marca um Itamaraty combativo e com uma posição mais relevante na Esplanada dos Ministérios do que nos últimos 13 anos do governo petista. Com aval do presidente interino, Michel Temer, a estratégia de Serra é rebater as críticas de países contrários ao afastamento de Dilma Rousseff do cargo e, ao mesmo tempo, buscar apoio interno e externo para ampliar a relevância do Brasil no cenário internacional, por meio de acordos com foco comercial e menor peso ideológico.

Serra teve de ser convencido por Temer a aceitar o Itamaraty. Só concordou em assumir a pasta depois de receber a Secretaria-Geral da Câmara de Comércio Exterior (Camex) e a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), ambos até então ligados ao Ministério do Desenvolvimento (MDIC). Na última sexta-feira ouviu do ministro do Planejamento, Romero Jucá, que o governo pagará cerca de US$ 800 milhões que deve a organismos internacionais. Foi uma vitória importante, que agradou os diplomatas.

Serra é senador pelo PSDB de São Paulo. Foi deputado, governador e duas vezes candidato à Presidência da República. Na visão de fontes diplomáticas e especialistas ouvidos pelo GLOBO, o fato de o novo ministro das Relações Exteriores ser um político do calibre de Serra trará dividendos para o ministério e lhe garante interlocução direta com o Planalto e o Congresso.

— Um político do calibre de Serra atrai para o Itamaraty uma visibilidade maior — disse Hussein Kalout, pesquisador da Universidade de Harvard e professor de Relações Internacionais.

DOIS CHEFES DE ESTADO

Um ponto delicado na avaliação dos especialistas, no entanto, é o fato de governo Temer ser interino. Na prática, a visão das chancelarias estrangeiras é que existem dois chefes de Estado no momento, uma vez que Dilma é presidente afastada. Isso dificulta a execução de uma intensa diplomacia governamental, que passaria pela organização de uma ampla agenda de viagens do ministro. Só que várias nações titubeiam em organizar esses encontros neste momento.

Serra

Por enquanto, o único destino certo é a Argentina. Amanhã, Serra desembarcará em Buenos Aires para um encontro com a chanceler do país vizinho, Susana Malcorra. Segundo uma fonte, “será uma viagem simbólica”.

— O governo não se instalou de forma definitiva. Isso faz com que haja pouco espaço para a diplomacia. Não dá, por exemplo, para esperar o reconhecimento dos demais países, até que o processo de impeachment seja consumado. Ao observarmos que não houve declarações de nações como a Rússia e a China, percebemos que eles aguardam uma definição — disse Kalout.

Com aval de Temer, Serra passou a rebater, em duros comunicados para o padrão diplomático, as críticas de países contrários ao afastamento de Dilma, com destaque para Venezuela, Bolívia, Equador, Cuba e Nicarágua. Fontes próximas ao ministro revelaram que ele fez questão de escrever as notas, com algumas anotações do próprio presidente.

— É quase consenso nacional que não podemos submeter os valores e interesses brasileiros a afinidades ideológicas de um partido. Deixamos de fazer muitos acordos bilaterais e regionais por causa dessa predisposição — disse Sérgio Amaral, ex-ministro da Indústria e do Comércio do governo Fernando Henrique Cardoso e um dos embaixadores que têm assessorado Serra.

Crítico contumaz do Mercosul, Serra agora defende a renovação do bloco. Existe a percepção de que o bloco poderá expandir o leque de acordos com outros países, com menos divergências.

— É importante retomar as relações com as grandes potências democráticas. Falo de EUA, Europa, Canadá, Japão e Austrália. Temos em comum a defesa da democracia liberal e dos direitos humanos. Devemos rejeitar atitudes colonialistas, mas não hostilizar EUA e Europa como potências imperiais, como fazia o PT. A Guerra Fria acabou. No mundo globalizado, é preciso negociar com o mundo todo — comentou o consultor internacional Nelson Franco Jobim.

Para ele, o país precisa de uma política externa independente, soberana e flexível. Quanto ao Mercosul, Jobim diz que seria importante resgatar a proposta original de regionalismo aberto.

— Um grupo de países que se une para ter voz mais forte e maior poder de barganha em negociações e foros internacionais. A Venezuela de Maduro atrapalha, mas de que servem Mercosul, Unasul (União de Nações da América do Sul) e Celac (Comunidade dos Estados Latinos e Caribenhos), se não forem capazes de negociar uma transição pacífica na Venezuela. É o problema mais urgente no nosso entorno — enfatizou.

Logo ao assumir, Serra indicou que gostaria de rever custos com embaixadas e a África seria o foco. Porém, pessoas próximas a ele dizem que qualquer escolha de fechamento de embaixadas será feita criteriosamente, uma vez que o continente africano é um mercado importante. Até pouco tempo, empreiteiras brasileiras, enfraquecidas após a Lava-Jato, disputavam com empresas chinesas as contratações de obras de infraestrutura e logística na região.

— O ministro não vai fechar as portas para a África. Nem deixar de olhar para direitos humanos a meio ambiente. Mas vai enfocar o pragmatismo — disse um interlocutor com acesso a Serra.

oglobo.globo.com | 22-05-2016

NOVA YORK- A Organização das Nações Unidas afirmou, nesta quinta-feira, que reduziu a projeção do crescimento econômico global para 2016 em meio ponto percentual, para 2,4%, principalmente por causa de revisões para baixo dos dados referentes a América Latina, África e a Comunidade de Estados Independentes.

links ONU

No relatório “Situação Econômica e Perspectivas Mundiais 2016”, a ONU diz que cortou a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos) mundial para 2,4%, o mesmo de 2015. Em dezembro do ano passado, a previsão era 2,9%.

“As perspectivas de crescimento econômico global em 2017 também permanecem abaixo das tendências anteriores à crise. E um período prolongado de lenta expansão da produtividade e fraco investimento pesa sobre o potencial da economia global no longo prazo”, declarou a ONU.

Outro fator importante é que “o Brasil está inserido em uma recessão mais profunda do que a prevista”, acrescentou.

A organização ainda citou a fragilidade da demanda das economia desenvolvidas, junto com a baixa dos preços das commodities, o que implica em crescente desequilíbrios fiscais e aperto da política monetária em economias exportadoras de matérias-primas.

Outros fatores negativos, segundo o relatório, são “impactos severos vinculados ao clima, desafios políticos e grandes saídas de capital de países em desenvolvimento”. Na região da ex-União Soviética, a ONU aponta que Azerbaijão, Casaquistão e Rússia provavelmente devem apresentar queda no PIB nesse ano. No caso russo, as sanções internacionais são os principais fatores negativos.

As preocupações a cerca do referendo que irá decidir sobre a permanência da Grã-Bretanha na União Europeia também representa um possível risco para a economia global, indicou a entidade.

oglobo.globo.com | 12-05-2016

Desde que assumiu, em 2013, Xi Jinping tenta remodelar o modelo China, deslocando a matriz econômica das exportações e investimento em infraestrutura para o consumo interno. Também mexe em instituições-chave do país, inclusive expurgando altos membros do Comitê Central do Partido Comunista Chinês, das Forças Armadas e de importantes estatais, alguns dos quais acabaram presos por suspeita de corrupção. Agora, o presidente chinês iniciou o que analistas veem como a mais arriscada reforma: a maior reestruturação desde os anos 1950 do Exército de Libertação Popular, o principal núcleo militar do país.

A ideia é transformar a estrutura militar chinesa, baseada no modelo grandioso do Exército Vermelho soviético e construída para defender as fronteiras do país contra inimigos externos potenciais, numa força moderna e mais enxuta, com capacidade de projetar o poder chinês para muito além de suas fronteiras. O foco se desloca, assim, de uma lógica defensiva para outra, expansiva. Segundo informou o “Wall Street Journal”, a reforma será implementada até 2020. No entanto, certamente enfrentará resistências internas e externas.

Se for efetivada, a mudança permitirá que a China possa realizar operações militares em regiões distantes, como o Oriente Médio e a África, rivalizando com outras grandes potências, como EUA e Rússia, que, na gestão de Vladimir Putin, tem atuado na guerra civil síria e no conflito na Ucrânia. O país, aliás, recentemente ampliou a frota naval, com submarinos nucleares, gerando mal-estar nos EUA.

Mas no caso chinês trata-se de uma profunda mudança de paradigma para uma nação constituída culturalmente por uma postura isolacionista desde, pelo menos, a Dinastia Ming, no século XV. Embora Xi possa citar a contribuição que uma China mais atuante internacionalmente poderá dar, por exemplo, na luta antiterror e em iniciativas de ajuda humanitária, os impactos geopolíticos potenciais são enormes. Sobretudo na Ásia e em rotas comerciais marítimas, onde já se vislumbram a escalada de conflitos com os EUA no Mar da China.

Além disso, a reestruturação das Forças Armadas ocorre num momento em que a economia do país preocupa o mundo, diante dos sinais de bolha financeira que começam a se acumular no horizonte chinês. A combinação crise econômica e poder militar não costuma dar boa rima.

oglobo.globo.com | 01-05-2016

HANOVER - O presidente Barack Obama disse neste domingo que a União Europeia e os Estados Unidos precisam avançar com um acordo de livre comércio ainda em fase de negociação, que, segundo seus defensores, poderia impulsionar cada economia em cerca de US$ 100 bilhões. Ele desembarcou em Hanover, norte da Alemanha, para uma reunião com a chanceler Angela Merkel sobre o criticado Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio de Investimento (TTIP).

— É indiscutível que o livre comércio tem fortalecido a economia dos EUA e também trouxe enormes benefícios para os países que se dedicam a isso — disse Obama, em coletiva de imprensa ao lado de Merkel.

Milhares de manifestantes segurando cartazes com frases de ordem como "Parem o TTIP" marcharam no sábado para expressar sua oposição ao acordo. Europeus e americanos temem que o acordo poderia custar empregos e erodir as proteções ao consumidor. Mas Obama disse esperar que o acordo seja acertado neste ano:

— O tempo não está do nosso lado. Se não completarmos as negociações neste ano, então as próximas transições políticas nos EUA e na Europa significariam que este acordo não será concluído por algum tempo.

O salão industrial de Hanover, o mais importante do mundo e que tem este ano os Estados Unidos como país convidado, oferece aos dois governantes uma plataforma ideal para para promover o TTIP.

— Não abandonaremos os esforços para negociar um acordo de livre comércio com nosso maior sócio: o mercado europeu — afirmou Obama à imprensa britânica antes do encontro.

Obama deseja concluir o acordo antes de deixar o poder, no início de 2017.

Neste domingo, o presidente americano reiterou as advertências ao Reino Unido na área comercial a respeito de uma eventual saída do país UE. Na hipótese de 'Brexit', Londres "não estará em posição de negociar algo com os Estados Unidos mais rápido que a UE", destacou.

As negociações sobre o TTIP estão paralisadas por fortes divergências entre as duas partes, alimentadas por um ceticismo crescente das opiniões tanto nos Estados Unidos como na Europa. Em Hanover, dezenas de milhares de pessoas protestaram no sábado contra o megaprojeto.

Também no governo alemão, considerado um dos principais defensores do projeto na Europa, cresce a impaciência.

O acordo "fracassará" se não existirem concessões de Washington, advertiu neste domingo o ministro alemão da Economia, Sigmar Gabriel. O número dois do Executivo germânico rejeitou mais uma vez um texto que, segundo ele, no momento pode ser resumido em poucas palavras: "Compre (produto) americano"

Também na França a resistência aumenta. O presidente François Hollande se nega a falar sobre o TTIP em um encontro que será organizado por Merkel em Hanover na segunda-feira, que terá a presença de Hollande e Obama, além dos chefes de Governo da Grã-Bretanha e da Itália.

A informação foi divulgada pela revista alemã Der Spiegel e tem uma razão: o tema é muito impopular na França.

Apesar das divergências, a escolha de viajar a Alemanha mais uma vez, a quinta desde que chegou ao poder, evidencia a posição que Obama atribui à chanceler Merkel, a dirigente europeia a que melhor conhece após dois mandatos na Casa Branca.

"Guardiã de Europa", de atitude "corajosa" durante a crise migratória. Obama não poupa elogios a Merkel e disse que tem "orgulhoso de que ela seja sua amiga".

"Ela encarna muitas das qualidades que mais admiro em um governante. Se guia ao mesmo tempo por interesses e por valores", disse em uma entrevista ao jornal Bild, o de maior tiragem na Alemanha.

O enfoque político de Obama, muito analítico, é próximo ao de Merkel, com a qual tem uma relação "cerebral sem igual", segundo colaboradores próximos.

O jornal alemão "Frankfurter Allgemeine Zeitung" chamou Obama e Merkel de "almas gêmeas".

Mas a relação nem sempre foi fácil. Durante a crise do euro, Washington criticou Berlim por sua rigidez ideológica a respeito da disciplina fiscal. O momento de maior tensão aconteceu em 2013, com a descoberta das escutas da agência de inteligência americana NSA no telefone celular de Angela Merkel.

Mas os dois se aproximaram com a postura firme a respeito da Rússia na crise ucraniana e durante as negociações que resultaram, ano passado, em um acordo sobre o programa nuclear iraniano.

Obama concluirá a viagem pela Europa na segunda-feira em Hanover com um aguardado discurso sobre sua visão das relações transatlânticas.

DÍVIDA DO PARTIDO

Ainda neste domingo, a imprensa alemã destacou que Merkel esqueceu de pagar a parte da taxa cobrada pelo conservador CDU, partido do qual é líder. A chanceler deve € 9.500 ao partido, segundo o jornal "Bild".

A CDU do estado regional de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, por onde Merkel tem sua cadeira de deputada e que fixa a taxa a ser paga pela chanceler, confirmou a informação de que ela deve ao partido, mas sem revelar a quantia. De acordo com a CDU regional, a falta de pagamento não é culpa de Merkel.

A filial regional mudou o estatuto em 2013 e alterou o sistema de cobrança, mas esqueceu de avisar a chanceler, que desde então passou a pagar menos. O partido informou que Merkel vai saldar a dívida.

oglobo.globo.com | 24-04-2016

Reunidos em Doha (Qatar), no domingo, os principais produtores mundiais de petróleo não chegaram a um acordo para reduzir a produção e ajudar a reequilibrar os preços do barril. O encontro entre representantes da Opep e a Rússia tinha como meta estabelecer um compromisso comum de corte das exportações. Porém, a Arábia Saudita, maior produtor do cartel, se recusou a reduzir a cota sem que houvesse uma contrapartida do Irã.

O país persa, que sequer participou do encontro de Doha, voltou ao mercado há alguns meses, após a suspensão das sanções econômicas devido ao acordo nuclear. Segundo o ministro do Petróleo do Irã, Bijan Namdar Zanganeh, se o país congelar sua produção ao patamar de fevereiro, como querem os produtores da Opep, não poderá se beneficiar do fim do embargo econômico. O impasse entre os dois países não se resume a uma mera disputa por mercados petrolíferos. A rivalidade geopolítica regional entre Arábia Saudita, potência sunita no Oriente Médio, e o Irã, arqui-inimigo xiita, contamina as negociações.

O fracasso de Doha derrubou ontem o preço do barril do Brent (referência internacional), que chegou a cair 6,8% em relação à sexta-feira, antes de se recuperar no fim da sessão, com a notícia de que uma greve no Kuwait reduziu a produção do país em 60%, para 1,1 milhão de barris diários. No fim do pregão, a cotação do Brent recuou 0,4%, para US$ 42,92. Este valor, comparado ao pico de 2008, alcançado alguns meses antes do início da crise financeira global, representa uma desvalorização de 70,6%, queda suficientemente poderosa para mudar a realidade do mercado petrolífero.

Inundar o mercado com excesso de petróleo fez parte da estratégia saudita para inviabilizar os investimentos americanos no gás não convencional, como o de xisto, cuja produção colocou os EUA na liderança do mercado. Também reduziu consideravelmente a dependência de Washington em relação a Riad (o que permitiu que o governo Obama negociasse com o Irã o acordo nuclear, contra os interesses sauditas).

Um preço do barril abaixo de US$ 40 inviabiliza os investimentos para a exploração do xisto nos EUA, que exige tecnologias caras. Mas a longa desvalorização da cotação também traz efeitos nocivos à economia dos países produtores. Não à toa, a Arábia Saudita anunciou no início do mês um amplo pacote econômico para reduzir sua dependência à commodity.

O pré-sal brasileiro também é afetado pelo recuo da cotação do barril. É mais um problema para o país, porque desestimula investidores, já atingidos pela legislação estatista do pré-sal. Por outro lado, a desvalorização do petróleo ajuda a Petrobras, cujos preços internos estão mais altos que no exterior, o que a ajuda a melhorar o caixa, bastante avariado pelo petrolão e o subsídio eleitoreiro de 2014.

oglobo.globo.com | 19-04-2016

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, assinou nesta quinta-feira, 14, em Washington, durante reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), um acordo com o presidente do BC do Paraguai, Carlos Fernándes Valdovinos, para possibilitar o pagamento e o recebimento entre os dois países nas moedas locais, dispensando contratos de câmbio.

Após a assinatura, começa a fase de implementação operacional do acordo, que deve demorar seis meses. O Brasil já tem acordo semelhante, chamado Sistema de Pagamento em Moeda Local (SML), com a Argentina, desde 2008, e com o Uruguai, desde 2014.

Uma das vantagens do SML é reduzir os custos de transação nas operações entre os dois países, pois os contratos não precisam passar pelo dólar. Para o BC, as vantagens vão ajudar a aumentar os níveis de acesso de pequenos e médios agentes ao comércio de bens e serviços entre Brasil e Paraguai. Além disso, deve aumentar a utilização das respectivas moedas, real e guarani.

Além do acordo, Tombini participou hoje em Washington de reuniões com investidores institucionais e representou o Brasil no encontro do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês), mais conhecido como Banco dos Brics (sigla para Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Nos encontros, o presidente do BC notou interesse dos investidores em aportar recursos no Brasil, mas no momento os agentes estão acompanhando a economia brasileira e avaliando a mudança de variáveis, como câmbio e outros indicadores. Tombini segue na reunião do FMI até domingo. Nesta sexta-feira, participa de encontro com o Itaú e das plenárias do G-20, grupo formado pelos 20 países mais ricos do mundo.

HONG KONG - O Alibaba está fazendo seu maior investimento no exterior com um acordo de US$ 1 bilhão para o controle do Lazada Group, levando o gigante chinês de comércio eletrônico para o sudeste asiático e alibaba_1204 mais perto da meta de acabar com a dependência do mercado interno.

A maior loja online da China vai pagar US$ 500 milhões por novas ações na empresa de capital fechado e uma quantidade igual dos investidores existentes, disse o Alibaba em um comunicado. Os investidores que estão vendendo incluem Rocket Internet da Alemanha, a rede de supermercados britânica Tesco e o Investiment AB Kinnevik.

A empresa chinesa está abrindo caminho em uma região onde começa um boom de compras on-line, de rápido crescimento de uso de celular e de Internet, impulsionando os gastos do consumidor. O bilionário presidente da Alibaba, Jack Ma, estabeleceu uma meta de conseguir pelo menos metade da receita da empresa do exterior e com o acordo com a Lazada quer aumentar vendas de vestuário e eletrônicos em seis mercados do sudeste asiático.

O Alibaba conseguiu dominar o e-commerce em seu mercado doméstico, mas permanece dependente da China para a grande maioria de seus negócios. O acordo parece representar uma saída para o Alibaba, que escolheu principalmente crescer organicamente em sua própria casa, disse Saemin Ahn, sócio-gerente da Rakuten Ventures, que gerencia um fundo de US$ 285 milhões e investe nos EUA e Ásia.

— O Alibaba possui muito dinheiro em caixa assim pode fazer este tipo de investimento. Também está buscando empresas que vão crescer no futuro — afirma Marie Sun, analista da Morningstar Investiment Service. — Precisam encontrar algum outro lugar para o crescimento futuro.

MAIOR ACORDO NO EXTERIOR

Enquanto o acordo é o maior negócio do Alibaba no exterior até o momento, não é a primeira mega-aquisição da gigante de e-commerce. Ela concordou em pagar cerca de US$ 5 bilhões para assumir o controle total do serviço de vídeo chinês Youku Tudou em 2015.

O acordo avalia a Lazada em US$ 1,5 bilhão, disse a Rocket em um comunicado separado. Está vendendo uma participação de 9,1% na Lazada e mantém 8,8%. O negócio do Alibaba avalia toda sua participação na companhia em cerca de 15 vezes o total do capital investido de € 18 milhões (US$ 21 milhões), disse a empresa alemã incubadora de tecnologia.

ABRIR CAMINHO

Fundada em 2012 pela Rocket, a Lazada opera na Indonésia, Malásia, Filipinas, Cingapura, Tailândia e Vietnã. A Indonésia, onde compete com a Tokopedia e a MatahariMall, é a maior economia do sudeste asiático, com 256 milhões de pessoas.

O Alibaba está entrando em um mercado onde não há um único ator dominante. Enquanto espera-se que a crescente riqueza do sudeste asiático impulsione o crescimento nas compras on-line, muitos países da região ainda não têm a infraestrutura de transporte e pagamentos tão cruciais para a adoção generalizada do e-commerce.

O negócio também inclui opções para comprar a participação de determinados acionistas da Lazada no período de 12 a 18 meses após o negócio se concretizar. O Credit Suisse assessorou o Alibaba e Goldman Sachs Group foi o assessor financeiro da Lazada.

EXPANSÃO

O Alibaba, que teve mais de 86% de sua receita vinda da China no trimestre encerrado em dezembro, já fez tentativas anteriores de se expandir no exterior por meio de investimentos diretos.

Comprou a 11 Main, com sede em San Mateo na Califórnia, mas vendeu o site de e-commerce de nicho depois de alguns anos para a rival online OpenSky quando não conseguiu gerar a sinergia que estava procurando. Em troca, o Alibaba disse na época que iria deter uma participação "significativa" na entidade combinada.

Em casa, o Alibaba está empurrando seu próprio site AliExpress para compradores em mercados emergentes, como Rússia e Brasil. Alimentada por compradores russos procurando melhores ofertas online, o AliExpress, que envia mercadorias diretamente dos vendedores chineses para o mercado externo, se tornou o maior site de compras no país em 2014, segundo a empresa de pesquisas TNS.

oglobo.globo.com | 12-04-2016

MOSCOU — O presidente Vladimir Putin negou nesta quinta-feira ter qualquer ligação com contas offshore e descreveu os “Panama Papers” como parte de uma conspiração liderada pelos Estados Unidos para enfraquecer a Rússia. Falando em um fórum de mídia em São Petersburgo, Putin também rejeitou que existam "elementos de corrupção" entre as pessoas de seu círculo mais próximo citadas nos documentos. Panama Papers

— Que elementos de corrupção? Não há nenhum — afirmou Putin. — Eles (Estados Unidos) estão tentando nos desestabilizar a fim de nos tornar mais complacentes.

Segundo os documentos, o violoncelista Sergei Rolduguin, amigo e padrinho de uma das filhas de Putin, está no centro de uma rede de empresas de fachada formada por pessoas próximas ao presidente russo, conforme revelou o jornal independente “Novaia Gazeta”.

Citando os US$ 11,5 milhões de documentos vazados da firma de advocacia panamenha Mossack Fonseca e divulgados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), o Novaia Gazeta afirma ter descoberto as disposições financeiras que permitiram que pessoas próximas ao presidente russo escondessem até US$ 2 bilhões em paraísos fiscais.

Amigo de infância de Vladimir Putin, Sergei Rolduguin, de 64 anos, violoncelista no teatro Mariinsky, aparece como o testa de ferro nesta rede de empresas de fachada operadas pela Mossack Fonseca.

Serguei Rolduguin é apontado como proprietário das empresas Sonnette Overseas Inc. (SOI) e International Media Overseas (IMO), que adquiriram importantes setores da economia russa através de outras empresas offshore, em uma estrutura semelhante à de um jogo de bonecas russas, segundo Novaia Gazeta.

Como Serguei Rolduguin, a maioria dos russos envolvidos na trama são amigos do presidente. Rolduguin conheceu Putin em 1977 e, “desde então, nunca nos separamos”, segundo relatou em uma biografia de Vladimir Putin publicada em 2000.

Putin aproveitou o fórum em São Petersburgo para defender o violoncelista, dizendo que seu amigo de longa data não fez nada errado. Ele disse que estava orgulhoso de Roldugin, acrescentando que o músico usou seu dinheiro pessoal em projetos culturais.

No dia seguinte à revelação dos documentos, o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, acusou ex-agentes da CIA e do Departamento de Estado americano de estarem por trás do vazamento dos “Panama Papers” e acrescentou que “o principal alvo destes ataques é nosso país, nosso presidente”.

oglobo.globo.com | 07-04-2016

BRASÍLIA - Diante de uma economia em recessão, o governo busca atrair empresas além das nossas infraestrutura_0504 fronteiras para tirar o setor de infraestrutura e logística da letargia. As principais empreiteiras nacionais, fragilizadas após os desdobramentos da Operação Lava-Jato, se mostram incapazes de mobilizar investimentos para garantir uma recuperação sustentável. Neste cenário, a palavra de ordem no governo é facilitar o ingresso de recursos do exterior com medidas regulatórias.

As medidas são resultado de uma série de conversas que ocorreram até o mês passado entre autoridades do governo e potenciais investidores estrangeiros. O objetivo é que empresas de fora ocupem ao menos parte do espaço deixado pelas empreiteiras nacionais. Apenas no setor de logística e transporte, há R$ 44 bilhões em investimentos nos leilões previstos para este ano, em áreas como portos, aeroportos, rodovias e ferrovias.

No setor de rodovias, dez meses depois de lançada a segunda fase do Programa de Investimentos em Logística (PIL), o governo ainda tenta tirar do papel as concessões. As adaptações prometidas aos editais tentam cortejar, principalmente, investimentos estrangeiros no país.

Nos próximos dias, será publicado o edital de licitação do leilão da “Rodovia do Frango”, entre Paraná e Santa Catarina, com mais uma novidade em favor desses potenciais investidores. Pela primeira vez, o governo aceitará que os documentos de qualificação técnica dos concorrentes sejam trazidos do seu país de origem. Ou seja, na prática acaba com a obrigação de que sejam validados por entidades de classe brasileiras — o que era considerado, historicamente, uma barreira informal para o ingresso de novas empresas diante das dificuldades impostas.

INTERESSE EM TRENS DE PASSAGEIROS

O governo aceitou, segundo a Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), que os vencedores dos futuros leilões acompanhem a negociação de medidas ambientais mitigadoras entre Empresa de Planejamento e Logística (EPL) e órgãos ambientais. A justificativa é que muitas medidas aceitas pela EPL acabam se tornando novos custos para os concessionários, que não atuam no processo.

Medida mais relevante para as rodovias, segundo Ricardo Pinto Pinheiro, presidente da ABCR, foi a adoção de gatilhos para que os investimentos sejam executados somente quando o tráfego da estrada exigir ajustes:

— Isso otimiza a aplicação de capital, porque os investimentos se expandem progressivamente, isso reduz ociosidade.

Até agora, porém, o governo tem enfrentado dificuldade em entregar os projetos da área de logística e transporte à iniciativa privada. Ontem, a Secretaria Especial dos Portos (SEP) informou que ocorrerá em 9 de junho o leilão que deveria ter sido realizado na semana passada, de áreas no Pará, que foi suspenso por problemas no edital e falta de interesse de investidores.

Assim que houver aprovação do Tribunal de Contas da União (TCU), o governo quer licitar mais quatro aeroportos — Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Florianópolis. Diferentemente dos primeiros leilões, agora os estrangeiros não terão mais a Infraero como sócia, o que era um pleito dos interessados de fora.

Além disso, ontem, o Departamento de Estatais (Dest) do Ministério do Planejamento deu a palavra final sobre a criação da subsidiária Infraero Serviços. Para facilitar as negociações com a alemã Fraport, que será sócia na nova empresa, a participação da Infraero no negócio ficou em aberto. Inicialmente, a ideia era assegurar à estatal fatia de 51% no negócio. O governo brasileiro decidiu recuar, deixando que a Infraero seja minoritária na subsidiária.

Representantes de empresas de Itália, Reino Unido, França, Rússia e China estão entre os estrangeiros que têm cortejado o governo em visitas aos gabinetes ligados à infraestrutura. Os brasileiros ouvem que, apesar da crise política e econômica, a mudança recente no patamar do câmbio favorece os investimentos externos.

Num indício desse interesse, duas empresas estrangeiras se apresentaram para disputar com um terceiro grupo brasileiro a concessão da BR-153, cujo leilão foi vencido pela Galvão Engenharia em maio de 2014 — e que ficou pelo caminho com o envolvimento da empresa na Lava-Jato. Os interessados pedem mudanças no contrato para assumir a concessão da Galvão, diante da mudança do cenário econômico, assim como ocorre com as linhas de transmissão da Abengoa, que está situação financeira complicada no exterior e aqui.

A cúpula do governo espera que russos e chineses se interessem pelo próximo leilão da Ferrovia Norte-Sul, que deve ocorrer neste ano. Em fevereiro, a equipe econômica recebeu um pedido oficial da CRCC, estatal chinesa de ferrovias para que abra a possibilidade de receber estudos para instalação de novos trens de passageiros. Eles pedem para estudar a rota Campinas - São Paulo - Rio, mas sem especificar o modelo de trem. Isso permitiria até a retomada do projeto de trem de alta velocidade. Os chineses também se interessaram pela Ferrovia do Pequi, que liga Brasília a Goiânia e Anápolis.

Outro grupo chinês de ferrovias, o China Railway Group Limited (CREC), entregou uma segunda carta ao governo confirmando o interesse nas ferrovias a serem licitadas, entre elas os trechos da Norte-Sul que vão a leilão. “Gentilmente pedimos seu apoio para nos guiar em projetos potenciais que se encaixam nos moldes mencionados nesta carta, bem como os passos que precisam ser tomados para que possamos atingir os objetivos propostos”, diz a carta enviada ao ministro da Fazenda, Nelson Barbosa.

oglobo.globo.com | 06-04-2016

RIO - Jornalista e presidente do jornal indiano especializado em economia Business Standard, T.N. Ninan Índia_0504 acaba de lançar um livro sobre o atual momento da economia que ultrapassou a Itália e se tornou a sétima maior economia do mundo em 2015. Na obra "The Turn of the Tortoise" (cujo título sugere a virada da economia indiana), Ninan afirma que a hora da Índia chegou, mas que o país continuará sendo o país do futuro enquanto não acabar com a pobreza. Em entrevista por e-mail, Ninan diz que a Índia estará entre os países com maior ritmo de crescimento nos próximos anos, mas vai permanecer a mais pobre entre as grandes economias. Nesse sentido, continuará "um país do futuro", até que seja capaz de acabar com a pobreza, o que segundo ele não ocorre antes de 2030. O aumento da poupança e do investimento permitiram esse ritmo forte de crescimento da economia indiana, diz ele, mas seus principais problemas são os mesmos de 65 anos (época da independência): pobreza, indicadores ruins de desenvolvimento humano e a necessidade de melhorar as instituições. Ele arrisca até mesmo a falar do Brasil. Segundo Ninan, o comportamento de Brasil e Rússia enfraquecem o Brics. As quatro maiores economias do futuro serão China e talvez Índia, mas não os Brics.

A Índia é hoje uma estrela da economia mundial. O que explica o crescimento?

Nós temos uma taxa de poupança e de investimento razoavelmente alta. O investimento em capital fixo está perto de 30% do Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, a força de trabalho está crescendo. Com a contribuição do capital e do trabalho, temos conseguido taxas de crescimento decentes.

Este crescimento é sustentável? O que vê nos próximos anos?

Sim, é sustentável, porque nenhum desses fatores mencionados vai mudar no futuro mais próximo. A taxa de crescimento melhorar ou piorar depende, claro, se o capital é bem ou mal investido, se melhorar a qualidade da nossa força de trabalho com educação e treinamento e, finalmente, se podemos criar empregos mais produtivos.

Por que afirma que o sistema na Índia é claramente disfuncional?

Há muitas razões. Nossa burocracia dificulta o funcionamento das empresas, o que se reflete na baixa classificação no ranking do Banco Mundial de se fazer negócios, nossos políticos interferem no sistema de preços e assim criam distorções com subsídios, levando a vazamentos e corrupção, e nossos funcionários responsáveis por fiscalizar impostos são corruptos e trabalham de forma arbitrária, criando uma insegurança desnecessária na condução dos negócios. Também temos uma baixa oferta de educação e saúde, o Estado tem capacidade limitada e está sobrecarregado, sem condições de cumprir suas principais funções de forma apropriada (como lei e ordem, administração de uma justiça mais rápida), a reforma da legislação é normalmente barrada porque falta maioria no Parlamento... Poderia continuar...

O senhor mencionou que o mundo quer que a Índia possa contrabalançar o poder da China, mas até agora isso não aconteceu. A Índia tem capacidade de deixar a sombra da China? Qual será o papel da economia nisso?

Os grandes poderes na região estão desconfortáveis com a natureza da ascensão da China, como Japão, Austrália e Vietnã. Eles gostariam de algum país que pode contrabalançar a China regionalmente e a Índia é o único candidato disponível. Mas a economia chinesa é hoje cinco vezes o tamanho da indiana e isso não deve mudar num futuro previsível. Temos um grande desequilíbrio comercial com a China, com as importações baratas chineses ameaçando muitas de nossas indústrias domésticas. Estrategicamente, a China é hoje um poder global, enquanto a Índia é um poder regional. O orçamento de Defesa da China é quatro vezes o da Índia. E a China está num caminho expansionista. Então é inevitável a sombra chinesa vai recair sobre a Índia. Como menciono no livro, todos os vizinhos diretos da Índia têm mais comércio com a China que com a gente, com exceção do Nepal. O Paquistão está comprando tecnologia nuclear, mísseis e equipamentos da China. O papel da economia virá quando a Índia tiver consistemente um desempenho melhor que a China economicamente.

No livro, o senhor menciona algumas políticas do Estado para os mais pobres, como distribuição de arroz, cabras, laptops, luz e até ouro para aqueles que se casam, por exemplo. Pode explicar mais sobre isso e de que forma é uma preocupação?

Essas são promessas que os políticos das regiões fazem na época das eleições para conseguir votos. Se ganham a eleição, eles geralmente cumprem as promessas feitas, embora não seja sempre. É uma preocupação se os estados não podem bancar isso, então assumem dívidas. No momento, os grandes subsídios para a eletricidade são um grande problema.

O senhor diz que a Índia sempre foi um país do futuro, uma coisa que também se fala sobre o Brasil. Acredita que o futuro da Índia chegou ou vai chegar algum dia?

Está claro que o ritmo de crescimento econômico da Índia será muito positivo e que o país continuará entre os de maior crescimento entre as grandes economias. Nesse sentido, a hora da Índia chegou. Por outro lado, a Índia é e vai continuar a mais pobre entre as grandes economias. Dessa perspectiva, a Índia vai permanecer “um país do futuro” até seja capaz de acabar com a pobreza em larga escala. E não vejo isso acontecendo pelo menos até 2030.

Brics é um grupo de países emergentes, mas Rússia, Brasil e África do Sul parecem ter perdido seu apelo. Até a China desacelerou seu ritmo de crescimento. O que acha do Brics hoje?

A lógica do Brics tem se mantido bem por uma década. Em 2003, o Goldman Sachs previu que as economias do Brics chegariam a metade do tamanho do G-6 até 2025. Na verdade, já em 2015 estava perto, mas principalmente por causa da China. Em 2003, o Goldman previu que a Índia teria desempenho melhor que o de Rússia e Brasil, o que teve, e que iria ultrapassar a Itália e se tornar a sétima maior economia em 2015, o que foi exatamente o que aconteceu porque acabamos de ultrapassar a Itália. No entanto, essa lógica não vai se manter no futuro porque tanto o Brasil quanto a Rússia enfrentam um período difícil e não sabemos quanto o ciclo das commodities vai virar e de que maneira. O crescimento da economia brasileira é em fases, intercalada com estagnação, e a Rússia tem sérios problemas internos. Nesse sentido, as economias de grande crescimento no futuro não serão as quatro economias do Brics, talvez a Índia seja, e também a China, apesar de sua desaceleração. Não estou certo, no entanto, quem tomará os outros dois lugares.

Em um texto recente, o senhor sugeriu alguns livros para o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, como “Por que as nações fracassam”, em que se destaca a importância das instituições, e “A economia da Pobreza” (em tradução literal), considerando as dificuldades para fornecer saúde e educação. Quais são os principais problemas da Índia hoje?

Nossos principais problemas são aqueles originais de 65 anos atrás: pobreza generalizada, indicadores ruins de desenvolvimento humano e a necessidade de desenvolver nossas capacidades institucionais. A questão que já lidamos é que as taxas de poupança e de investimento são altas, então temos o capital que precisamos para sustentar o crescimento. Mas precisamos construir nossas capacidades humanas e institucionais.

oglobo.globo.com | 06-04-2016

MOSCOU — A Rússia acusou nesta segunda-feira ex-agentes da CIA e do Departamento de Estado americano de estarem por trás do vazamento dos documentos conhecidos como “Panama Papers“, segundo os quais pessoas próximas ao presidente Vladimir Putin teriam empresas em paraísos fiscais. Iniciada no domingo, a série de reportagens globais sobre como bilionários e políticos esconderam as suas fortunas durante anos teve repercussão em vários países. Os documentos citam 12 atuais ou antigos chefes de Estado e pelo menos 60 pessoas ligadas a eles. vazamento

— Há outros nomes que figuram (na investigação), mas está claro que o alvo principal destes ataques é o nosso país, nosso presidente — criticou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, acrescentando que “não há nada concreto ou novo sobre Putin, não há detalhes, e todo o resto se baseia em especulações”. — Na chamada comunidade jornalística há muitos ex-agentes da CIA e do Departamento de Estado.

Segundo os “Panama Papers” — o vazamento de 11,5 milhões de documentos que implicam 140 personalidades que teriam offshores em paraísos fiscais —, várias pessoas próximas a Putin teriam desviado quase dois bilhões de dólares com a ajuda de bancos e empresas de fachada. Um dos nomes citados é o de Serguei Roldouguin, um amigo de infância de Putin, cujas empresas teriam comprado importantes setores da economia russa.

— Roldoguin e muitas outras pessoas continuam entre os amigos de Putin. Putin tem muitos amigos na Rússia e no exterior — se limitou a declarar Peskov sobre as relações do violoncelista com o presidente russo.

Vazados do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca, os documentos foram obtidos pelo ICIJ — consórcio de jornalismo investigativo formado por 376 jornalistas de 109 veículos em 76 países. No Brasil, as revelações foram divulgadas no domingo pelo UOL, pelo site do jornal “Estado de S. Paulo” e pela Rede TV!.

Embora não seja crime registrar uma empresa em um paraíso fiscal, os documentos mostram que bancos, escritórios de advocacia e outros atores offshores muitas vezes não seguiram requisitos legais para garantir que seus clientes não estivessem envolvidos em atividades criminosas, evasão fiscal ou corrupção política. Em alguns casos, segundo mostram os registros, intermediários offshores se protegeram e a seus clientes ocultando transações suspeitas ou alterando registros oficiais. Rússia acusa ex-agentes da CIA de estarem por trás dos 'Panama Papers'

PREMIER ENFRENTA MOÇÃO DE DESCONFIANÇA

Na Islândia, o primeiro-ministro, Sigmundur David Gunnlaugsson, enfrentará um voto de desconfiança após ter seu nome citado nos documentos. O premie, apontado como tendo uma empresa em paraíso fiscal, descartou uma eventual renúncia.

— Eu não cogito renunciar por isso e não vou renunciar — assegurou o chefe de governo para a emissora Stöð 2, enquanto a oposição pede sua saída por supostamente ter criado junto a sua mulher uma empresa registrada nas Ilhas Virgens Britânicas.

O vazamento também provocou reações no Reino Unido, com o governo britânico prometendo investigar dados que citam o já falecido pai do primeiro-ministro, David Cameron.

Mais cedo, a porta-voz de Cameron se negou a comentar se a família do líder possui dinheiro investido em fundos offshore criados por seu pai, Ian Cameron. Em 2012, a mídia britânica relatou que Ian cuidava de uma rede de fundos de investimento offshore para ajudar a criar a fortuna da família.

A oposição, por sua vez, aproveitou para atacar o primeiro-ministro. O porta-voz para assuntos de finanças da oposição trabalhista, John McDonnell, disse que os vazamentos do Panamá mostram que Cameron não conseguiu acabar com o sigilo fiscal e reprimir offshores ilegais.

GOVERNO ARGENTINO NEGA ILEGALIDADE

Citado nos documentos entre os 570 nomes argentinos, o presidente Mauricio Macri negou ilegalidade. De acordo com o jornal "La Nación", o mandatário, seu pai, Francisco e seu irmão, Mariano, administraram a sociedade Fleg Trading Ltd., constituída nas Bahamas em 1998 e dissolvida em janeiro de 2009.

A Presidência argentina informou em um comunicado que "Macri nunca teve nem tem participação no capital dessa sociedade". De acordo com a nota, Macri foi nomeado ocasionalmente como diretor da Fleg Trading, "sem participação acionária".

Na Ucrânia, legisladores disseram na segunda-feira que o Parlamento deve investigar as alegações de que o presidente Petro Poroshenko utilizou uma empresa offshore para evitar impostos.

oglobo.globo.com | 04-04-2016

RIO - A promessa de que os Brics — grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia, China, Rússia e África do Sul — seriam o motor da economia global no século XXI está em cheque, segundo artigo publicado pelo jornal britânico “The Guardian”. Diante de desafios domésticos e um cenário internacional que não ajuda, o periódico sustenta que a “bolha” do bloco teria estourado. Ou seja, o desempenho do grupo de emergentes está aquém das expectativas.

O conceito de Brics surgiu em 2001. O termo foi cunhado pelo economista Jim O’Neill, então presidente do Goldman Sachs Asset Management. A sigla se transformou em um bloco formal, que já tem o próprio banco de investimentos e um PIB estimado de US$ 16 trilhões. Apesar da grandeza, o artigo do “Guardian” critica a eficiência das ações realizadas até agora.

“Planos ambiciosos para criar uma reserva cambial alternativa ao dólar e desafiar o domínio americano em tecnologia da informação se mostraram pequenos. Enquanto isso, condições econômicas adversas combinadas à queda da demanda global e os menores preços do petróleo e de commodities estão cobrando um preço”, destaca o texto.

O artigo lembra ainda que, em novembro, o Goldman Sachs — o mesmo banco de onde surgiu a sigla — fechou seu fundo de investimentos em Brics, após os ativos derreterem 88%, desde o ápica, alcançado em 2010. Na ocasião, a instituição financeira disse a SEC, a xerife do mercado de capitais dos EUA, que não esperava que os ativos crescessem “significativamente em um futuro previsível”.

— A promessa do crescimento rápido e sustentável dos Brics foi muito desafiada nos últimos cinco anos. O conceito de Brics era popular, mas nada é eterno — diz Jorge Mariscal, gerente de investimento do UBS Wealth Management, em entrevista ao jornal britânico.

CRISE POLÍTICA PREOCUPA

A crise política é um dos principais entraves para a sustentabilidade das economias do grupo de emergentes. O impasse em Brasília e a possibilidade de que a presidente Dilma Rosseff sofra um impeachment são particularmente preocupantes, ressalta o “Guardian”: “Com cerca de um quarto dos membros do Congresso brasileiro enfrentando algum tipo de investigação criminal, a crise se tornou estrutural e existencial em sua essência, levantando preocupações sobre a durabilidade da jovem democracia do Brasil”

O periódico chega a comparar a situação brasileira à da África do Sul. “Preocupações idênticas surgiram na África do Sul, onde Jacob Zuma, presidente do país, e o governo do Congresso Africano Nacional estão envolvidos em alegações de corrupção e prevaricação. O cenário faz com que companhias estatais tenham desempenho abaixo do esperado e provoca depreciação da moeda, queda nas exportações e inflação em alta”, continua o texto.

Em meio a preocupações com a recessão no Brasil e na Rússia, a crise política africana e a desaceleração da economia chinesa, a Índia é vista como um ponto positivo no bloco. O país deve manter crescimento anual superior a 7% e, na avaliação do analista George Magnus, citado pelo “Guardian”, tem melhorado seu ambiente de negócios. “A Índia certamente não é paradigma de virtude quando se falaem corrupção, nem é eficiente em relação à infraestrutura, mas está empenhada em acelerar sua reforma econômica e de competitividade”, escreveu Magnus, em artigo recente.

FOCO NA GOVERNANÇA

Para o “Guardian”, seria “tolo” descartar os Brics como importantes atores do xadrez econômicom já que todos têm características positivas, como “vastos recursos e jovens populações”. Mas não basta crescer, alerta a publicação: “Para garantir seu lugar no século XXI, os Brics precisam criar sistemas de governança mais abertos e confiáveis. É um desafio de liderança, não de lucro e prejuízo”.

oglobo.globo.com | 28-03-2016

Em 2004, a Al-Qaeda no Iraque (AQI) elaborou uma cartilha, na qual instruía seus militantes a atingir o que os especialistas chamam de “alvos brandos”. Em contraposição aos convencionais alvos militares, os brandos são muito menos bem defendidos e portanto mais fáceis de atacar. São lugares que reúnem grande quantidade de civis e que, uma vez destruídos, causam grande impacto na economia, aí incluído o turismo, e também no dia a dia e no estilo de vida da população. Restaurantes, boates e estádios, como os que foram alvo dos ataques de 13 de novembro em Paris, preenchem esses requisitos. Os meios de transporte também.

Como já havia acontecido antes em Madri, Paris, Londres e Tóquio, por exemplo, o metrô é um alvo brando extremamente proveitoso, do ponto de vista do terrorismo, porque sua condição claustrofóbica provoca pânico entre os usuários. Sua luta para tentar chegar à superfície multiplica as mortes, por pisoteamento, ataques cardíacos, sufocamento e queimaduras. Os aeroportos também são um alvo clássico, por sua repercussão nacional e internacional. Aeroportos vulneráveis inibem o ingresso de turistas e homens de negócios, que trazem receitas para os países.

A doutrina propagada pela AQI, da qual o Estado Islâmico (EI) é sucessor, estabelece como objetivo quebrar a espinha dorsal dos Estados inimigos atacando suas economias. O foco nos alvos brandos também tem por objetivo perturbar o estilo de vida das pessoas comuns, associado à prosperidade e ao desrespeito às normas de conduta moral que os jihadistas pretendem impor.

Essa doutrina representa um enorme desafio para os governos. O fluxo fácil de usuários do transporte público é importante para o funcionamento da economia. As medidas que terão de ser tomadas para proteger melhor os alvos brandos custarão caro, prejudicarão a atividade econômica e não serão suficientes para impedir novos ataques.

POR QUE BRUXELAS

O principal alvo do recrutamento de militantes pelo EI no continente europeu são os jovens descendentes de imigrantes do Norte da África, ex-colônias da França. Depois de Paris, a segunda capital que mais concentra esses jovens francófonos é Bruxelas. Como demonstra a história de Salah Abdeslam, o décimo e último executor dos atentados de Paris, preso no dia 18, há um intenso trânsito de membros dessa comunidade entre as capitais francesa e belga. Descendente de marroquinos, Abdeslam nasceu na Bélgica e obteve cidadania francesa. Carros alugados em Bruxelas foram usados nos atentados de Paris.

A França tem tido um papel protagonista nos ataques a grupos jihadistas, sobretudo no Sahel, a zona intermediária entre o Deserto do Saara e a savana africana. Em janeiro de 2013, a França interveio militarmente no Mali para conter o avanço do Ansar Dine (Defensores da Fé) do norte do país em direção à capital, Bamako. Ao longo daquele ano, as forças francesas, apoiadas por tropas de membros da Comunidade Econômica de Estados Africanos Ocidentais, combateram as células jihadistas no norte do Mali, que se dispersaram e depois se reagruparam em países vizinhos. Hoje, todo o Sahel tem forte presença das células jihadistas, que vêm aderindo ou aliando-se ao EI. A África é uma frente prioritária na expansão do grupo.

A Bélgica em si não tem papel relevante no combate ao jihadismo. Mas Bruxelas é a sede da União Europeia, e o bloco tem se engajado na luta contra o Estado Islâmico e seus aliados. A estação de metrô atacada, Maelbeek, no centro de Bruxelas, é a que dá acesso ao complexo da União Europeia.

O ataque à sede da União Europeia busca elevar ao máximo o impacto de suas ações. Além disso, há a capacidade de mobilização. A periferia de Bruxelas, assim como as de Paris e de Marselha, no sul da França, oferece um grande contingente de jovens descendentes de árabes e de muçulmanos, que não pertencem aos países de seus pais ou avós e também não se sentem como pertencentes ao lugar onde vivem, por razões culturais e socioeconômicas.

Muitos participantes dos atentados têm um passado de criminosos comuns. É o caso dos irmãos Ibrahim e Khalid el-Bakraoui, que se explodiram no aeroporto e no metrô, respectivamente. Salah Abdeslam e Abdelhamid Abaaoud, considerado o mentor intelectual dos ataques de Paris, foram presos por assalto a mão armada em 2010. Abu Musab al-Zarqawi, que fundou a AQI, foi menor infrator em Zarqa, na Jordânia, antes de se converter ao Islã radical. O terrorismo oferece a esses jovens uma nova expressão para sua agressividade.

O Estado Islâmico é, para eles, a oportunidade de conquistar autoestima, tornando-se importantes e famosos. Ainda que isso lhes custe a vida “terrena”, parece-lhes compensador, por vários motivos: essa vida não tem sido prazerosa, e há os prêmios da ressignificação dela e da conquista do paraíso eterno, para o qual acreditam levar, como mártires, outros 16 parentes, quando morrerem. É um desfecho glorioso para muitos desses jovens. O EI só não tem recrutado mais jovens pelas dificuldades inerentes de segurança e logística, não por falta de apelo.

E OS ESTADOS UNIDOS?

Os Estados Unidos continuam um alvo prioritário do EI. Desde os atentados de 11 de setembro de 2001, no entanto, as forças de segurança americanas adotaram medidas que tornaram a relação custo-benefício de agir nos EUA muito desfavorável. Os jihadistas continuam tentando, mas evitam investir todos os seus recursos nos EUA, cuja proteção é mais fácil do que os países europeus. Os Estados Unidos têm apenas duas fronteiras: ao sul, com o México, e ao norte, com o Canadá. A França faz fronteira com a Bélgica, Luxemburgo, Alemanha, Suíça, Itália e Espanha. A Bélgica está cercada pela França, Alemanha, Luxemburgo e Holanda. Esses países pertencem ao Espaço Schengen, que prevê livre trânsito de pessoas pelas fronteiras. Esse tratado provavelmente terá de ser revisto.

Ao atacar na Europa, os jihadistas têm buscado alvos americanos: em Paris, o concerto da banda de rock que atende pelo nome Eagles of Death Metal (Águias do Death Metal) e, no aeroporto de Bruxelas, o guichê da American Airlines.

POR QUE ATACAR

O Estado Islâmico se lançou como grupo guerrilheiro, em sua campanha para criar um califado por sobre as fronteiras nacionais dos países muçulmanos. Tem perdido sua capacidade militar, com os bombardeios liderados pelos Estados Unidos na Síria e no Iraque, e com as hostilidades, no terreno, dos guerrilheiros curdos, apoiados pela Rússia, e do Hezbollah e de outras milícias xiitas encarregadas pelo Irã de proteger o regime de Bashar al-Assad.

Quando um grupo armado perde sua capacidade militar, ele recorre ao terrorismo. O Estado Islâmico está em franca expansão, em um arco que se estende da Indonésia, a maior população muçulmana do mundo, no Sudeste Asiático, até a Tunísia, no Norte da África, e do Oriente Médio até a Europa Ocidental. Ao ampliar sua presença, o grupo aumenta também seu espectro de apoio, atraindo para si agendas nacionais diversas, de grupos locais que passam a integrar sua franquia. Exemplo disso é o poderoso Boko Haram, no norte da Nigéria, que disputa com o governo o controle sobre as riquezas provenientes da extração do petróleo, do qual o país é o maior produtor africano e sexto maior do mundo.

A mensagem do Estado Islâmico foi simples e clara, quatro dias depois da prisão do décimo e último participante identificado dos atentados de Paris: “quanto mais nos prenderem e matarem, mais de nós surgirão”.

oglobo.globo.com | 24-03-2016

RIO - A crise econômica brasileira é tema de uma reportagem publicada nesta quarta-feira no site do jornal americano “The Wall Street Journal” (”WSJ”). O texto afirma que a crise atual não é como aquela vivida pelo país na década de 1990. De acordo com a publicação, nas décadas de 80 e 90, o Brasil tinha, regularmente, as chamadas “paradas repentinas” na economia. Além disso, o real sobrevalorizado e a taxa de inflação alta afetavam a competitividade e também encorajavam a tomada de empréstimos no exterior. Com a fuga do capital estrangeiro “a moeda entra em colapso, e governos, bancos ou companhias, entrariam em default em seus empréstimos em moeda estrangeira”.

Mas o cenário agora é outro, diz o “WSJ”. A moeda flutua, a inflação está em “10% e caindo”, a maioria dos empréstimos do país é em real, os bancos vão bem, e as reservas internacionais são “abundantes”. “Longe de ser uma parada súbita, a crise atual é a consequência de anos de subinvestimento, protecionismo e excesso de regulação”, afirma a reportagem, acrescentando que esses “problemas” vêm da época do boom de commodities, que agora se desvalorizaram.

‘SUCESSO CEGOU PARA FALTA DE REFORMAS’

Ainda conforme o texto, a atual turbulência política se relaciona com os escândalos de corrupção envolvendo a Petrobras, mas, ressalva, “o escândalo real é o quão pouco benefício a riqueza do petróleo do país produziu”. A reportagem destaca, ainda, a disparidade da renda dos brasileiros em relação aos americanos. A renda per capita aqui equivale a 27% da dos Estados Unidos, e o jornal destaca que essa proporção já foi maior: 30% em 2010 e 38% em 1980.

As dificuldades por que o Brasil passa não são diferentes daquelas encaradas por outras nações emergentes, como Rússia e África do Sul, sublinha a publicação, que aproveitaram o boom das commodities puxado pela economia chinesa. E tanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) quanto o Brasil acreditaram — equivocadamente — que esse boom era sustentável.

“O sucesso macroeconômico cegou as pessoas para a falta de reformas”, disse ao “WSJ” o economista-chefe do Itaú, Ilan Goldfajn.

Para o jornal americano, o sistema de impostos no país era e continua sendo oneroso e muito complexo. “O extensivo crédito subsidiado aloca o capital no lugar errado e mina a política monetária”, conclui a publicação. O texto critica, ainda, a aplicação do capital vindo das commodities, dizendo que pouco disso foi investido na “lamentavelmente subdesenvolvida infraestrutura do Brasil”.

oglobo.globo.com | 23-03-2016

CINGAPURA - Um acordo entre produtores de petróleo da Organização dos Países Exportadores de petróleo_2303 Petróleo (Opep) e Rússia para congelar sua produção pode “carecer de sentido” devido ao fato de que a Arábia Saudita é o único país com capacidade de aumentar o bombeamento, afirmou nesta quarta-feira um alto executivo da Agência Internacional de Energia (AIE).

O Qatar, que detém da presidência da Opep, convidou todos os 13 membros do grupo e os principais produtores de fora da organização para se reunir em Doha no dia 17 de abril para outra rodada de negociações a fim de ampliar o acordo de paralisação.

— Entre o grupo de países (que participam da reunião) que temos conhecimento, somente a Arábia Saudita tem alguma capacidade para aumentar a produção — afirmou Neil Atkinson, diretor da divisão de indústria do petróleo e mercados da AIE em evento do setor em Cingapura. — Assim que um congelamento do bombeamento talvez careça de sentido. É mais um tipo de gesto que talvez tenha como objetivo fomentar a confiança de que haverá estabilidade nos preços de petróleo.

O executivo afirmou que o encontro pode acontecer ou não, acrescentando que o impacto sobre a estrutura de oferta será “nenhum mesmo”. Ele espera que o preço médio do barril este ano fique entre US$ 40 e US$ 35.

O barril de petróleo tipo Brent (referência internacional) já recuprou mais de 50% a partir de um patamar mínimo alcançado no início do ano, em torno de US$ 27, após a Rússia, Arábia Sautida, Venezuela e Qatar chegarem a um acordo no mês passado para manter a produção nos níveis recorde de janeiro.

Os preços vêm recuando há dois anos e podem ter atingido o piso, à medida que a redução da oferta de países não integrantes da Opep e disputas dentro do grupo diminuem o excedente global, afirmou a AIE no relatório mensal ao mercado divulgado em 11 de março.

AMEAÇA DOS CORTES DE CUSTOS

De acordo com a AIE, um choque do petróleo pode ser sentido em breve porque a queda de preços do barril reduziu os investimentos que resultariam em oferta futura do combustível. Cortes “históricos” nos investimentos aumentam as chances de surpresas com a segurança em petróleo em um “futuro não muito distante”, disse Atkinson. São necessários aproximadamente US$ 300 bilhões para sustentar o atual nível de produção e países como EUA, Canadá, Brasil e México estão enfrentando dificuldades para manter os investimentos, ele disse.

— Precisamos de muitos investimentos só para nos mantermos estáveis — afirmou Atkinson. — Há perigo porque estamos chegando a um ponto no qual mal investimos em exploração. Se os investimentos não forem retomados em 2017 e 2018, poderemos ver uma disparada dos preços do petróleo porque a oferta não poderá suprir a demanda.

A ConocoPhillips, a Chevron e a BP estão entre as empresas que cancelaram mais de US$ 100 bilhões em investimentos, demitiram dezenas de milhares de funcionários, baixaram dividendos e venderam ativos, em resposta à queda da cotação do barril para menos de US$ 30. Desde meados de fevereiro, o barril se recuperou para aproximadamente US$ 41 e Atkinson disse que talvez o pior tenha passado, uma vez que o preço encontrou um piso “por enquanto”.

— É preciso investir grandes somas de dinheiro apenas para manter a produção existente e, para expandir a produção para suprir o crescimento da demanda que estamos projetando, o dinheiro tem de vir de algum lugar e o que vemos são grandes cortes — disse Atkinson em uma entrevista separada durante o evento à Bloomberg.

oglobo.globo.com | 23-03-2016

O poderoso grupo empresarial chinês Wanda, controlado por um dos homens mais ricos do gigante asiático, converteu-se no novo patrocinador da Fifa, anunciou a instituição em um comunicado, que não menciona os termos do acordo.

Wanda terá direitos nas competições até o Mundial de 2030, inclusive.

Sua chegada é uma boa notícia para a Fifa, que atravessa a pior crise de sua história e que acaba de anunciar um déficit de 107,7 milhões de euros, o primeiro desde as perdas históricas de 2002, que se explicam pelos gastos legais devido aos escândalos de corrupção que sacudiram a entidade no último ano.

O poder do futebol chinês

O acordo foi assinado por Gianni Infantino, o novo presidente da federação internacional em substituição a Joseph Blatter.

O patrocínio da Wanda surge num momento em que o Campeonato Chinês, a Chinese Super League (CSL), se tornou o maior comprador do mercado do futebol, superando a Premier League na última janela de transferência e investindo 331 milhões de dólares em contratação de jogadores.

Wanda é um grupo especializado no setor imobiliário e controla 20% das ações do Atlético de Madrid, finalista da Liga dos Campeões 2014. Recentemente, adquiriu a agência de marketing esportivo Infront.

A Fifa informou em comunicado que Wanda terá a partir de agora "o mais alto nível de direitos de patrocínio, especialmente nas quatro próximas edições da Copa do Mundo -Rússia 2018, Catar 2022, 2026 e 2030".

INVESTIMENTOS EM CINEMA

Diante dos escândalos de corrupção, dois grandes patrocinadores da Fifa, Emirates e Sony, encerraram as relações com a entidade em novembro de 2014 e não haviam sido substituídos.

- Como presidente da Fifa, quero dar mais apoio às federações no desenvolvimento do futebol, e acredito que a colaboração com Wanda permitirá continuar o desenvolvimento da disciplina não só na China, mas também no mundo todo - explicou Infantino.

- Queremos verdadeiramente promover o futebol em todo o país (China) e incentivar a nova geração a praticá-lo - declarou por sua vez Wang Jianlin, presidente do grupo Wanda.

O grupo chinês não se interessa apenas por futebol. Em janeiro, assinou acordo de 3,5 bilhões de dólares para a compra do estúdio de cinema Legendary Entertainment, na maior aquisição internacional da China no setor cultural.

oglobo.globo.com | 18-03-2016

O dólar avançou na sessão desta terça-feira, 15, ante a maior parte das moedas, enquanto o mercado aguarda pela decisão de política monetária do Federal reserve (Fed, o banco central dos EUA), que será divulgada amanhã. A divisa americana, entretanto, perdeu espaço para o iene, depois que o Banco do Japão (BoJ) manteve inalterada sua política monetária e piorou sua previsão de crescimento econômico.

Neste fim de tarde, o dólar caía a 113,09 ienes, de 113,85 ienes ontem, mas subia em relação a moedas de países como Austrália, Canadá, Chile, Índia, México e Rússia, em meio à retração nos preços do petróleo e outras commodities. O euro avançava a US$ 1,1113, de US$ 1,1095.

Os investidores concentram suas atenções na decisão de amanhã do Fed, que será seguida de entrevista coletiva da presidente da instituição, Janet Yellen. A decisão de hoje do BoJ pressionou o iene e ampliou as dúvidas quanto ao futuro da economia global, ao prever apenas um leve crescimento do Produto interno Bruto (PIB) neste trimestre.

Apesar das quedas vistas nas vendas do varejo nos EUA em janeiro e fevereiro, analistas estão confiantes na continuidade do movimento de normalização monetária nos EUA. "Enquanto a economia continuar criando empregos, aos olhos do Fed, há potencial de aumento de salários. Portanto, o foco será a elevação de juros mesmo que o consumo neste momento seja modesto", disse Stephen Barrow, do Standard Bank. Fonte: Dow Jones Newswires

RIO - As últimas semanas lembraram aos investidores da Petrobras um fato quase esquecido: a estatal é uma petrolífera. Durante dois anos, graças ao turbilhão da Operação Lava-Jato, os papéis da companhia foram jogados em uma ciranda política, reagindo muito mais a notícias procedentes de Brasília e Curitiba do que à geopolítica do Oriente Médio. Embora a sensibilidade aos trâmites do poder nunca vá abandonar a estatal por completo, analistas são unânimes em afirmar que, nesse início de 2016, o que deu o tom ao comportamento da Petrobras na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foi a montanha-russa da cotação da commodity.

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A correlação mais acentuada entre o comportamento da Petrobras na Bolsa e a curva do petróleo se confirma nos números. O analista gráfico da corretora Clear Raphael Figueredo constatou, em estudo feito a pedido do GLOBO, um salto no nível de “relacionamento” entre as duas variáveis este ano, na comparação com o mesmo período de 2015. Em uma escala de 0 a 1, a correlação entre as cotações foi de 0,52 este ano. No início do ano passado, era de apenas 0,03. Quanto mais próximo de 1, mais forte é a relação.

— Isso significa que 52% da variação do preço do petróleo tiveram impacto sobre as ações da Petrobras este ano. Em 2015, a influência era quase nenhuma! — afirma o analista.

‘A EMPRESA ESTAVA LARGADA’

Figueredo utilizou como parâmetros a ação preferencial da Petrobras (sem direito a voto), que é a mais negociada na Bolsa, e o barril de petróleo do tipo WTI, negociado em Nova York. Apesar de a Petrobras usar como referência o Brent, o analista ressaltou que a curva de evolução dos dois tipos de óleo é praticamente igual. O estudo considerou, para os dois anos, as cotações até 23 de fevereiro e apenas dos dias em que houve negociação tanto do WTI como dos papéis da Petrobras.

O analista lembra que, no começo de 2015, a petrolífera se encontrava em um grande impasse. Em primeiro lugar, a companhia ainda não havia publicado o balanço financeiro auditado referente ao terceiro trimestre de 2014. Após dois adiamentos, a Petrobras frustrou o mercado ao divulgar, no fim de janeiro, números que não contabilizavam as perdas com corrupção e não tinham o aval da auditora PwC (o documento auditado só viria em abril). A então presidente da petrolífera, Graça Foster, enfrentava diariamente rumores de que deixaria o cargo — o que ocorreu no início de fevereiro. Alguns dias depois, Aldemir Bendine foi recebido com desconfiança pelos investidores por ter vindo de outra estatal, o Banco do Brasil.

— A empresa estava largada. Isso afastou os investidores, sobretudo os estrangeiros. Além disso, a Petrobras tinha premissas de preço para o petróleo congeladas, em descompasso com o mercado — acrescenta Figueredo. — Tudo isso fez com que a Petrobras operasse praticamente fora do contexto para o petróleo naquela época.

CENÁRIO AINDA INCERTO PARA O BARRIL

Hoje, tanto a Petrobras como o petróleo estão em um outro momento, o que explicaria uma correlação maior entre os dois.

Primeiro porque, este ano, a commodity se tornou o centro das ansiedades dos investidores de todo o mundo, não só dos acionistas da Petrobras. Em um sintoma do crescente temor quanto à economia global e ao excesso de oferta de petróleo, em 20 de janeiro, o barril do tipo Brent ficou abaixo dos US$ 28 pela primeira vez desde 2003. Thiago Biscuola, economista da RC Consultores, observa que o fim do ciclo de incentivo monetário nos EUA no último ano valorizou o dólar, o que também acabou depreciando as commodities.

Em fevereiro, Arábia Saudita, Rússia, Qatar e Venezuela concordaram em congelar sua produção de petróleo no patamar de janeiro, desde que outros países façam o mesmo, o que proporcionou uma certa recuperação nos preços. O governo russo afirmou que a medida entraria em vigor amanhã, 1º de março. Biscuola, no entanto, acha pouco provável que isso se concretize plenamente:

— O mercado está mais pulverizado. Se você deixa de produzir, alguém vai vender no seu lugar. Os EUA ainda vão virar exportadores, por exemplo. O petróleo está buscando um patamar, mas deve ficar pelos US$ 30 ou US$ 40 a médio prazo.

Para Bruno Piagentini, da Coinvalores, isso dificulta a venda de ativos pela Petrobras. O objetivo era vender US$ 15,1 bilhões entre 2015 e 2016, mas, até agora, só foram US$ 700 milhões.

— Para a Petrobras, o preço do petróleo se tornou preponderante, porque a venda de ativos que a companhia está promovendo é parte central em sua estratégia para reduzir seu imenso endividamento. A pressão sobre o valor do barril dificulta a geração de caixa com a venda desses ativos — diz Piagentini.

Biscuola, da RC, acrescenta que também é preponderante para a Petrobras a viabilidade dos projetos de exploração, sobretudo os do pré-sal, que acabam sendo comprometidos pela queda da commodity. Segundo Piagentini, a exploração do pré-sal se paga com o barril de óleo equivalente pelo menos acima dos US$ 45 (embora a tendência, no futuro, é que esse custo diminua). Hoje, o Brent está na casa dos US$ 35, e o WTI, na dos US$ 32.

BENEFÍCIO PARA O INVESTIDOR

A questão da viabilidade é mais preponderante que o fato de a Petrobras ganhar muito hoje com a venda de combustível dentro do Brasil, cujo preço não foi reduzido após o tombo da commodity. Segundo Biscuola, a gasolina pura no Brasil custa 40% a mais que nos EUA. Em meados de 2014, quando o petróleo valia mais de US$ 100 e o governo não reajustava a gasolina a fim de segurar a inflação, a Petrobras vendia mais barato do que comprava.

— Se ela se beneficia da conta do abastecimento, que agora se inverteu, por outro lado a receita da empresa em dólar fica prejudicada no lado das exportações de petróleo — pondera Biscuola.

Para o investidor, diz Figueredo, da Clear, uma maior correlação entre a Petrobras e o petróleo é benéfica. Segundo ele, a relação atual segue as de outras petrolíferas, como Chevron e Shell. Dessa forma, o acionista pode tomar decisões mais baseadas no contexto petrolífero global do que no noticiário político.

— Estar mais sensível ao petróleo é positivo até para a própria Petrobras, o que não significa que vai resolver o problema dela. É uma empresa extremamente endividada que precisa vender ativos. Mas o mercado ainda enxerga muita dificuldade nisso — diz o analista.

oglobo.globo.com | 29-02-2016

BRASÍLIA - As reformas da Previdência e fiscal serão protagonistas no discurso que o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, preparou para levar à reunião do G-20 — grupo das 19 maiores economias do mundo e a União Europeia. Ele embarcou para a China, onde ministros de finanças e presidentes de bancos centrais se encontrarão esta semana.

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Segundo integrantes da equipe econômica, a China, que ocupa a presidência do grupo pela primeira vez, já indicou que um dos temas de destaque na reunião serão reformas estruturais para recuperar o crescimento econômico mundial. Barbosa, afirmam os técnicos, aproveitará a oportunidade para apresentar aos líderes globais as propostas do Brasil.

As ideias da área econômica para a reforma fiscal foram apresentadas na última sexta-feira, quando Barbosa anunciou projeto, que encaminhará ao Congresso, fixando um teto para os gastos públicos. Caso este limite seja descumprido, serão disparados vários gatilhos para que as despesas voltem ao patamar desejado. Um desses mecanismos é o congelamento do reajuste real do salário-mínimo. Já na reforma da Previdência, entre outras medidas, a meta é definir uma idade mínima para aposentadoria.

— O Brasil tem uma agenda de reformas interessante a apresentar — afirmou um integrante da equipe econômica.

MUDANÇAS NO FMI

Ele disse ainda que apesar das dificuldades pelas quais o Brasil passa — com recessão, rombo nas contas públicas e o novo rebaixamento pela agência de classificação de risco Standard & Poor´s — o país ainda tem fundamentos fortes que são reconhecidos pelos demais integrantes do G-20:

— Não sofremos fuga de capitais, temos reservas elevadas e não tivemos uma crise de balanço de pagamentos.

Outros temas da reunião devem ser a reforma de cotas do Fundo Monetário Internacional (FMI) para ampliar a participação de economias emergentes na instituição e o tratamento de dívidas soberanas. Segundo técnicos do governo, o FMI tem debatido alterações nas chamadas cláusulas de ação coletiva (CAC) para proteger países com dificuldades com os “fundos abutres”, caso da Argentina, em que os credores não aceitam a proposta de reestruturação do país.

Os CACs foram alterados para que quando os países emitirem novos títulos e tiverem problemas para honrá-los, se a maioria dos credores entrar em acordo, os demais tenham que aceitá-lo.

Barbosa passará a semana na China, mas antes de chegar a Xangai, onde acontece a cúpula do G-20 dias 26 e 27, ele irá a Pequim, nos dias 24 e 25, para conversas com integrantes do governo chinês e investidores na área de infraestrutura. Ele quer aproveitar para promover projetos do Programa de Investimentos em Logística (PIL).

Em Xangai, o ministro visitará a sede do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) — banco dos Brics — que se prepara para conceder os primeiros empréstimos aos países membros (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Os recursos devem ser liberados em abril ou maio. No caso brasileiro, os recursos serão repassados ao BNDES, que financiará projetos de infraestrutura. O governo brasileiro já fez um aporte no NBD, em janeiro, de US$ 150 milhões. O segundo aporte, de US$ 250 milhões, está previsto para janeiro de 2017.

oglobo.globo.com | 22-02-2016

Com os preços do petróleo derretendo, alguns dos principais exportadores anunciaram na terça-feira que vão congelar a produção nos níveis de janeiro de 2016: Arábia Saudita, Rússia, Qatar, Kuwait e Venezuela. Mas, para que a medida seja efetiva, será necessário convencer outros exportadores, dentro e fora da Opep. Trata-se de um acordo difícil de costurar, à medida que interesses e conjunturas específicas vêm determinando as políticas de produção desses países. Isto inclui guerras, conflitos geopolíticos, disputas por mercado, política de preços, crise econômica, entre outras.

Desde 2014, os preços despencaram mais de 70%. E, apesar do anúncio do congelamento da produção, a cotação do barril do petróleo do tipo Brent, referência internacional, caiu na terça-feira 3,6%, para US$ 32,18. Especialistas afirmam que, mesmo que se consiga um acordo para congelar a produção mundial, os preços do barril não se recuperariam antes do fim de 2017. O volume de petróleo ainda estaria cerca de 300 milhões de barris anuais acima da demanda global, segundo a Agência Internacional de Energia.

A produção do gás não convencional americano, o shale gas, mudou as características do mercado, até então dominado pela Opep. A Arábia Saudita, maior produtor mundial, implementou uma estratégia arriscada de deprimir os preços para inviabilizar os investimentos no shale gas. Os sauditas e aliados mantiveram uma produção crescente, apesar da queda vertiginosa de preços. A estratégia deu certo, e a produção americana caiu este ano cerca de 400 mil barris diários, com a fuga de investidores devido à reduzida expectativa de lucro com preços tão desvalorizados. Mas o remédio amargo afetou a todos.

Agora, a Arábia Saudita terá que convencer outros produtores a cortar sua produção, inclusive o arquirrival no Oriente Médio, o Irã. Este corre contra o tempo para recuperar mercado após anos de sanções por seu programa nuclear. Desde o fim do embargo, o país elevou a produção em 400 mil barris diários e começou a exportar para a UE. O governo do moderado Hassan Rouhani tem pressa em traduzir o acordo nuclear em benefícios para a população. Ontem, o ministro de Petróleo iraniano, Bijan Namdar Zanganeh, disse que apoia medidas para estabilizar o mercado, mas não esclareceu se vai cortar a produção.

Já o Iraque produz hoje 4,35 milhões de barris diários, um recorde, como forma de financiar sua guerra contra o Estado Islâmico. E os produtores americanos estão ávidos para reativar os quatro mil poços de shale gas já escavados em Texas, Oklahoma e Dakota do Norte. Esperam apenas que os preços se recuperem para voltar à ativa.

A oferta mundial ainda supera a demanda e os estoques globais, já em nível recorde, continuam crescendo. Ou seja, a tendência para o setor é de queda de preços e os analistas apostam que o congelamento, até onde a vista enxerga, não funcionará. Ou não como os otimistas esperam.

oglobo.globo.com | 18-02-2016

WASHINGTON - Autoridades do Federal Reserve, Banco Central dos Estados Unidos, temiam no mês passado que as condições financeiras globais mais apertadas poderiam afetar a economia americana e consideraram mudar a trajetória planejada de altas de juros em 2016.

"Se o recente aperto das condições financeiras globais for sustentado, pode ser um fator amplificando os riscos" à economia, de acordo com a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) divulgada nesta quarta-feira.

A maioria das autoridades ainda esperava aumentar os juros e até discutiu se uma elevação seria justificada em janeiro. Mas após extensa discussão sobre os riscos globais, o comitê decidiu que condições financeiras mais apertadas podem ser "aproximadamente equivalentes" a novos aumentos. Os legisladores discutiram "alterar suas visões anteriores sobre a trajetória apropriada para a taxa básica de juros", de acordo com a ata.

No entanto, o Fomc concordou que seria prematuro alterar sua perspectiva para a economia dos EUA, dizendo que vai monitorar atentamente os desenvolvimentos econômicos globais, além dos preços do petróleo e das ações.

Isso sugere que a recente desaceleração do crescimento global e fortes quedas nos mercados de ações estão levando o Fed a considerar recuar dos sinais que enviou em dezembro, quando indicou que poderia aumentar os juros quatro vezes neste ano.

"Vários integrantes estavam preocupados com o possível peso sobre a economia dos EUA proveniente dos efeitos mais amplos de desaceleração maior do que a esperada na China e outros (emergentes)", de acordo com a ata.

Wall Street tem adotado postura cética em relação à possibilidade de o Fed aumentar os juros neste ano. Antes da divulgação da ata, os contratos futuros de juros nos EUA apontavam que investidores viam chance de cerca de 40% de elevação em dezembro e menos do que isso nas reuniões anteriores, de acordo com o CME Group.

Os mercados financeiros globais têm apresentado volatilidade desde a reunião de janeiro do Fed, levando o México, um dos principais parceiros comerciais dos EUA, a aumentar os juros nesta quarta-feira para combater a alta do dólar contra o peso.

A ata ressaltou que os problemas da China podem pesar sobre México e Canadá, outro parceiro comercial importante dos EUA.

Na época da reunião de janeiro, os preços do petróleo ainda tinham forte queda, mas nesta quarta-feira chegaram a subir 7 por cento após o Irã expressar apoio aos esforços encabeçados por Rússia e Arábia Saudita para limitar a produção.

A presidente do Fed, Janet Yellen, disse na semana passada que o banco central norte-americano ainda deve aumentar os juros gradualmente mas reconheceu que o enfraquecimento da economia global e o forte tombo das bolsas de valores estão apertando as condições financeiras mais rapidamente do que o Fed deseja.

COMPORTAMENTO 'MÁGICO DE OZ' DO FED

O mais novo legislador do Fed, Neel Kashkari, fez declarações incisivas sobre o recente desempenho do Fed. Em entrevista ao "Financial Times" nesta quarta-feira, ele afirma que a autarquia deve fazer um trabalho melhor para responder à crescente raiva econômica nos EUA que leva a um surto de protecionismo retórico nas campanhas presidenciais.

Segundo ele, o Fed estava pagando o preço por décadas de comunicação "muito precária" durante as quais a entidade "adotou esse discurso dessa rotina Mágico de Oz de que 'somos tão misteriosos que você não consegue entender o que nós estamos fazendo". Ele afirma que isso "realmente fere a confiança entre o povo e a instituição".

Em seu primeiro discurso público na terça-feira, ao integrar a equipe do Fed de Minneapolis, Kashkari pediu aos reguladores americanos que tomassem uma ação radical para controlar bancos e proteger contribuintes. O ex-executivo do Goldman Sachs e funcionário do Tesouro americano nas gestões de Bush e no primeiro mandato de Obama pediu ao Congresso que considere "regras ousadas, transformadoras", inclusive a separação dos maiores bancos nacionais para evitar resgates.

— Agora é o momento certo para o Congresso considerar ir além com soluções ousadas, transformadoras para resolver esse problema de uma vez por todas.

Segundo ele, a separação pediu urgência na avaliação da ideia de grandes bancos "em entidades menores, menos conectadas e menos importantes".

oglobo.globo.com | 17-02-2016

CARACAS - O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou nesta quarta-feira um pacote de medidas econômicas e defendeu a criação de um novo sistema que alavanque a economia do país. No Palácio de Miraflores, o mandatário anunciou um aumento significativo da gasolina (primeira alta em 20 anos) e a desvalorização de 37% do bolívar para remédios e alimentos. Ele também aumentará o salário mínimo em 20% buscando aumentar o poder de compra dos venezuelanos.

Está prevista ainda a manutenção e amplicação do Conselho Nacional de Economia Produtiva, órgão criado após ele anunciar um decreto de emergência no setor. Ele voltou a culpar opositores e empresários pela situação de recessão no país.

— A emergência não é apenas um decreto, mas uma realidade. A Assembleia Nacional se pôs de costas ao país ao negá-la. Vene

Por mais de três horas, o mandatário acusou empresários e o site DolarToday (que monitora o preço real da moeda americana em relação ao bolívar) de serem os inimigos da chamada guerra econômica, provocando especulação quanto à produção do país. A queda dos preços do petróleo, alardeada pelo chavismo como único motivo da crise, foi mencionada novamente.

Ele afirmou que aumentará os preços da gasolina pela primeira vez em 20 anos — atualmente a mais barata no mundo. De US$ 0,01 dólar o litro da gasolina com 91% de octanagem, o preço salta para US$ 0,95. Em bolívares, o preço passa para 1. A com 95% de octanagem custará 6 bolívares — o equivalente a mais de 6.000% de aumento.

Maduro havia anunciado um pacote para marcar o primeiro mês desde o anúncio do decreto, para “tocar um conjunto de elementos-chave para a recuperação econômica”, alegando foco nas classes de maior privação socioeconômica. Entre as 14 principais soluções, que ele ressaltou no novo anúncio, estão o investimento maior na produção de hidrocarbonetos, investimento nos setores agroalimentar, petroquímica e saúde, e reforçar a mineração.

— Temos que educar o povo para uma nova economia, entre elas o fim de uma cultura rentista e dependente do petróleo.

O presidente disse ainda que o acordo para congelar a produção de petróleo firmado em Doha por Rússia, Qatar, Arábia Saudita e Venezuela representa o primeiro passo para construir uma nova aliança entre países produtores de dentro e fora Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Maduro admitiu ainda erros na gestão econômica, sem especificar quais, e disse que os grandes mercados nas ruas do país sofrem com a corrupção. Ele vem sendo muito criticado por abrir caminho para a expropriação de bens de empresas privadas com o decreto recente.

MUDANÇAS

Dois dias antes, o ministro da Economia, o professor Luis Salas, deixou o cargo por problemas pessoais, anunciou o presidente. O empresário Miguel Pérez Abad, que chefiava o Ministério da Indústria e Comércio desde o início do ano, assume a função. Salas estava no cargo há apenas 40 dias.

— A Venezuela vive a pior crise de sua História. Os jovens não têm nem o que comprar. Briga-se por farinha — criticou o líder opositor e ex-oponente eleitoral Henrique Capriles, governador do estado de Miranda, ao defender que o mandato do presidente deveria ser encurtado.

A Assembleia Nacional não validou o decreto no mês passado, mas o Tribunal Supremo de Justiça deu aval à medida, considerando-a constitucional. Desde então, o conflito político entre governo e oposição paralisou a adoção de novos pacotes econômicos. Enquanto isso, os opositores estudam formas legais de tirar Maduro do poder.

oglobo.globo.com | 17-02-2016

DOHA - A Arábia Saudita e a Rússia, os dois maiores produtores mundiais de petróleo, concordaram nesta terça-feira em congelar o nível de produção da commodity no nível de janeiro, desde que outros países façam o mesmo. Em reunião, os dois gigantes, juntamente com Qatar e Venezuela, consideraram que manter o patamar produtivo do primeiro mês deste ano é o mais adequado para manter a demanda dos consumidores. O objetivo da medida é conter a derrubada dos preços do barril.

— Com o objetivo de estabilizar os mercados petrolíferos, os quatro países decidiram congelar a produção ao seu nível de janeiro, desde que os outros grandes produtores façam o mesmo — declarou aos jornalistas o ministro Mohammad bin Saleh al-Sada, ministro de Energia do Qatar.

Logo após o anúncio, o barril do Brent, de referência internacional, subia 2,4% em Londres, para US$ 34,20. Antes disso, já havia se valorizado 6,5%.

— Um congelamento não vai gerar uma mudança radical, mas dá uma melhor base para a recuperação dos preços no segundo semestre — afirmou Olivier Jakob, consultor-chefe da Petromatrix. — É a primeira grande decisão de gerenciamento do fornecimento desde novembro de 2014, e mesmo que alguns tentem minimizá-la e dizer que não é um corte, é uma mudança. É uma grande mudança política.

De acordo com a Agência Internacional de Energia, a Arábia Saudita produziu 10,2 milhões de barris por dia em janeiro, abaixo do último pico, de 10,5 milhões, registrado em junho de 2015. A Rússia produziu quase 10,9 milhões de barris diários no mesmo mês, maior patamar na era pós-soviética, de segundo dados oficiais russos.

O Qatar vai monitorar o acordo de congelamento da produção, de acordo com o ministro de Energia do país. Ele destacou que os baixos preços da commodity não têm sido algo positivo para o mundo. A derrubada no valor do barril afetou a economia dos países produtores, forçando-os a cortar gastos, prever aumento do déficit, elevar empréstimos e realizar reformas impopulares.

O ministro do Petróleo da Venezuela, Eulogio Del Pino, visitou os principais países produtores nas últimas semanas, defendendo a ideia de congelamento do nível de produção como uma saída para evitar a queda livre nos preços no barril.

Nos últimos 20 meses, os preços do petróleo caíram mais de 70% frente ao pico registrado em junho de 2014, graças a recordes de produção dos membros da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), assim como de outros produtores como a Rússia.

Há pouco mais de um ano, a Opep decidiu não cortar a produção para, desta forma, pressionar para cima os preços do barril. A oferta ainda excede a demanda, o que é agravado pelo fato de os estoques mundiais só crescerem, empurrando os preços para baixo. O Goldman Sachs, por exemplo, prevê que o barril possa ser negociado a menos de US$ 20.

oglobo.globo.com | 16-02-2016

MOSCOU - A economia russa vem sendo afetada por diferentes fatores, que vão dos embargos impostos devido ao conflito com a Ucrânia à derrocada no preço do barril de petróleo. Há ainda a desvalorização do rublo. Esse quadro fez com que o PIB russo tivesse em 2015 a maior queda desde 2009. Ainda assim, o mercado de carros de luxo continua aquecido, ressalta o site CNN Money.

Rússia crise 1502Duas marcas de luxo disseram ter registrado recorde no país em 2015. Uma delas é a Porsche, cujas vendas avançaram 12,4% no ano passado, diz o site. Para se ter uma ideia da diferença desse nicho para os números do setor, as vendas do grupo Volkswagen (ao qual a Porsche pertence) despencaram 37% em 2015.

A inglesa Rolls-Royce foi outra que disse ter anotado recorde de vendas na Rússia no ano passado. Bentley e Lexus, divisão de carros de luxo da Toyota, também entram na lista daquelas que registraram crescimento em 2015: 7% e 6%, respectivamente, conforme a agência de notícias Reuters.

O CNN Money ressalta a diferença entre esses números e aqueles registrados pelo setor automotivo russa, que encolheu cerca de 36% em 2015, após crescer com força durante dez anos.

A explicação é relativamente simples: “Os ricos da Rússia simplesmente têm mais dinheiro e mais confiança para fazer compras”, resumiu Tim Urquhart, analista automotivo na consultoria IHS, em entrevista ao CNN Money.

Há ainda outra explicação. A desvalorização do rublo diante do dólar — o site lembra que em janeiro a moeda russa caiu a seu menor patamar ante a divisa americana: 82 rublos por dólar — deixa os produtos mais baratos para quem tem reservas em dólar.

A queda na cotação do rublo também afeta esse mercado de outras formas. Uma delas, como Urquhart explica, é que os russos buscam ativos físicos como forma de proteger suas reservas financeiras, caso a moeda perca ainda mais seu valor.

Com a moeda se desvalorizando também é possível que quem tem dinheiro antecipe as compras planejadas antes que os preços sejam reajustados.

oglobo.globo.com | 15-02-2016

Com o lançamento de um foguete de longo alcance no último domingo, a Coreia do Norte reforçou seu papel de vilã da comunidade internacional, gerando tensões em torno de seu programa nuclear. Segundo o governo norte-coreano, tratou-se apenas da colocação em órbita de um satélite, dentro do cronograma de um programa espacial com fins científicos. Mas a recente realização de testes nucleares pelo país e o histórico de bravatas de seu líder supremo, Kim Jong-un, não deixam dúvidas acerca das verdadeiras intenções de Pyongyang.

A iniciativa gerou protestos dos países vizinhos, inclusive d a China, além do Reino Unido, da Rússia e dos EUA. Para eles, o foguete norte-coreano nada mais foi do que um teste de tecnologia de “míssil”, o que viola as resoluções da ONU impostas ao país. Japão, Coreia do Sul e EUA solicitaram uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para discutir o assunto.

A TV estatal norte-coreana afirmou que o satélite Kwangmyongsong-4 (Estrela Brilhante-4) entrou em órbita nove minutos e meio após o lançamento, sendo equipado com “aparelhos de medição e de telecomunicações necessários para a observação da Terra”. O comunicado oficial acrescenta que o governo tem o direito de explorar o espaço com fins pacíficos e independentes.

O anúncio de Pyongyang, porém, não convenceu. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou o lançamento do foguete e exortou o governo norte-coreano a suspender as provocações. O secretário de Defesa dos EUA, John Kerry, classificou o lançamento como uma afronta à ONU, e o presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, considerou a iniciativa “um ato de provocação”.

Ontem, o governo do Japão anunciou novas sanções econômicas contra a Coreia do Norte, que incluem restrições a viagens entre os dois países e a proibição de acesso de navios norte-coreanos aos portos japoneses ou embarcações de outras nacionalidades que tenham passado antes pelo país. Tóquio também restringiu o envio de dinheiro à Coreia do Norte ao teto de US$ 880 (cem mil ienes) e exclusivamente por razões humanitárias. Já a Coreia do Sul suspendeu suas operações no complexo industrial de Keasong, administrado pelos dois governos, numa rara parceria.

Estas decisões, que afetam a já precária economia da nação comunista, se somam a uma resolução que a ONU vem preparando para ampliar as sanções contra Pyongyang, depois que o país realizou, no dia 6 de janeiro, seu quarto teste nuclear. A aplicação de medidas punitivas e de restrições contra a dinastia Kim Jong-un, como mostra o exemplo iraniano, é um passo na direção certa para recolocar a Coreia do Norte no caminho da convivência pacífica com seus vizinhos e a comunidade internacional.

oglobo.globo.com | 11-02-2016

TENERIFE, Espanha - Um cartão de crédito que, ao realizar saques em caixas automáticos, retira o dinheiro, mas mantém o balanço da conta intacto. Pode ser um sonho para qualquer pessoa, mas se tornou um pesadelo para o sistema bancário. Um grupo criminoso operando na Rússia, apelidado como Metel, criou uma técnica para hackear computadores específicos dentro das redes dos bancos que são capazes de restaurar o saldo de contas após movimentações financeiras.

— É como um cartão mágico — explica Sergey Golovanov, pesquisador-chefe de segurança da Kaspersky Lab — O criminoso retira dez mil e o sistema restaura esses dez mil. Ele vai para outro caixa, realiza outro saque de dez mil, e o sistema restaura novamente o valor, indefinidamente.

O novo golpe foi detectado pela primeira vez na metade do ano passado, em mais de uma dúzia de bancos russos, mas o anúncio público aconteceu apenas nesta segunda-feira, primeiro dia do Security Analyst Summit 2016, evento de segurança da informação promovido pela firma de segurança digital Kaspersky, em Tenerife, na Espanha. De acordo com especialistas, o Metel continua operando. Até o momento, as ações se restringiram ao território russo, mas é possível que bancos de outros países se tornem vítimas. O caso está sendo investigado pela polícia local.

O ataque começa com a definição do alvo. Por meio de engenharia social, os criminosos identificam algum funcionário que trabalhe com computadores com acesso a transações financeiras, como profissionais da área de atendimento e suporte aos clientes. Depois disso, criam um e-mail específico para essa pessoa, técnica conhecida como spear phishing.

— É só procurar no LinkedIn. As redes sociais estão cheias de informações profissionais — diz Golovanov. — Depois de selecionarem o alvo, eles enviam um e-mail específico, como de um possível cliente falando sobre investimentos. Por mais que os funcionários sejam treinados, eles acabam abrindo.

Após infectarem esses computadores específicos em dúzias de bancos, os criminosos fizeram apenas uma ação, mas provocaram prejuízo de milhões de dólares. Durante uma noite, por sete horas, o grupo esvaziou caixas eletrônicos em diversas cidades russas e desapareceu sem deixar pistas.

ATAQUES CONTRA BANCOS

O Metel é o mais recente caso de uma nova onda de sofisticados ataques hackers. No início, os criminosos miravam nos clientes, elo mais fraco da cadeia; depois passaram a focar em intermediários na prestação de serviços financeiros; agora, nos próprios bancos.

— No ano passado nós encontramos três grandes ataques: o Metel, o Carbanak e o GCMAN, todos infectando sistemas bancários — diz Golovanov. — É uma tendência. Tenho certeza que surgirão outros.

Os três golpes usam uma técnica similar para se manterem camuflados. Após a infecção, os hackers entram nos sistemas bancários e apagam o malware usado para a invasão. A partir de então, começam a usar softwares legítimos para vasculhar a rede em busca de informações e lançar ações pontuais.

No caso do GCMAN, o sistema do banco ficou comprometido por um ano e meio, até que os criminosos rodaram um script que transferia somas de US$ 200 — limite máximo para pagamentos anônimos na Rússia — por minuto para a conta de uma “mula”. No Carbanak, caixas eletrônicos eram instruídos a liberar dinheiro automaticamente, em um determinado horário.

* O repórter viajou a convite da Kaspersky

oglobo.globo.com | 09-02-2016

BOMBAIM, ÍNDIA - A Índia anunciou que sua economia cresceu 7,3% de outubro a dezembro, na comparação com o quarto trimestre de 2014 — resultado em linha com as estimativas de analistas — e uma estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 7,6% no ano fiscal que termina em março, sobre um avanço de 7,2% um ano antes.

A Índia assiste a um crescimento que pode ultrapassar a China em desaceleração, um ritmo que o primeiro-ministro Narendra Modi sofrerá pressão para manter quando apresentar o orçamento do país no próximo dia 29 de fervereiro, de acordo com a “Bloomberg”. A China cresceu 6,9% em 2015, enquanto a economia da Rússia encolheu em 3,7% e o Brasil tem previsão de perda de 3,7%.

Ainda de acordo com a Bloomberg, o primeiro-ministro indiano estaria entre a urgência em estimular o consumo numa economia que demonstra sinais misturados de força, com a necessidade de conter as despesas para cumprir a meta de déficit e obter reduções de taxas pelo banco central. As ações, títulos e a moeda indianas tiveram o pior janeiro desde 2011, em parte devido à derrapagens fiscais.

— O ônus está sobre o governo para sustentar o ritmo atual — disse Prasanna Ananthasubramanian, diretor executivo da ICICI Securities Primary Dealership, em Bombaim, à Bloomberg. — Os vetores de crescimento, segundo os dados, sugerem que os gastos do governo e o consumo estão realmente fortes.

A publicação ressalta que, ainda que historicamente o maior gasto fiscal na Índia costuma vir acompanhado de crescimento mais forte, nesse cenário, a inflação também sobe. Isso põe em risco a meta de 5% traçada pelo banco central indiano para março de 2017, o que poderia obrigar

Economistas ouvidos em uma pesquisa feita pela “Bloomberg” veem Modi atingindo a meta de déficit de 3,9% do PIB no ano corrente, eles estimam 3,6% para o próximo ano, ao invés de 3,5% previstos anteriormente.

Em paralelo, houve entraves no Parlamento do país que impediram Modi de aprovar leis chaves na área econômica, incluindo uma taxa sobre bens e serviços, chamada de GST. A nova cobrança substituirá mais de uma dúzia de tributos e deve elevar a receita e o crescimento, afirmam legisladores relataram à “Bloomberg”.

oglobo.globo.com | 08-02-2016

NOVA YORK - Após um ano de preços baixos, apenas 0,1% da produção mundial de petróleo foi reduzida por não ser lucrativa, de acordo com um relatório de consultores da Wood Mackenzie que destaca a resiliência do setor. A análise, publicada antes da reunião anual do setor petroleiro, que acontecerá em Londres na próxima semana, sugere que os preços do petróleo terão que cair ainda mais — ou continuar em baixa por mais tempo — para reduzir significativamente a produção mundial.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e grandes empresas de petróleo, como BP e Occidental Petroleum, apostam que os preços baixos vão levar a uma redução da produção e, eventualmente, elevar os preços. Isso está demorando mais do que se esperava, em parte por causa da resiliência do setor de gás xisto dos EUA e da desvalorização da moeda em países ricos em petróleo, que reduziu custos de produção em países como Rússia e Brasil.

A análise da Wood Mackenzie oferece uma estimativa para a quantidade que sofreu um impacto direto dos preços baixos – 100 mil barris por dia desde o início de 2015 – ao invés de ser afetada por novos projetos e queda de envelhecimento dos campos . O Canadá, os Estados Unidos e o Mar do Norte foram os mais afetados por fechamentos relacionados a preços baixos.

‘ASSUMIR O PREJUÍZO’

A Agência Internacional de Energia (AIE) de fato estima mudanças ano a ano e diz que a produção mundial no quarto trimestre foi de 96,9 milhões de barris por dia. A AIE prevê que, fora da Opep, a produção cairá neste ano em 600 mil barris por dia, a maior queda anual desde 1992. No ano passado, a produção de fora da Opep subiu em 1,4 milhão de barris por dia.

“Desde a queda dos preços do petróleo no ano passado tem ocorrido relativamente poucas suspensões de produção”, de acordo com o relatório da consultoria.

A empresa, que acompanha a produção e os custos em mais de 2 mil campos de petróleo em todo o mundo, estima que outros 3,4 milhões de barris diários de produção estão perdendo dinheiro com os preços atuais, cerca de US$ 34 o barril. Ela chamou a atenção para a expectativa de mais fechamentos, porque “muitos produtores continuarão a assumir o prejuízo na esperança de que os preços se recuperem”.

Para as grandes empresas de petróleo, alguns poucos meses de prejuízo podem fazer mais sentido do que pagar para desmontar uma plataforma no Mar do Norte ou interromper e reiniciar um projeto, o que poderia demorar meses e custar milhões de dólares.

— Há obstáculos para a saída — disse Robert Plummer, vice-presidente de pesquisa de investimento da Wood Mackenzie.

PREÇOS ‘IRRACIONAIS’

Khalid al-Falih, presidente do conselho da empresa de petróleo estatal da Arábia Saudita, a Saudi Aramco, disse no mês passado que os preços atuais são “irracionais” porque estão baixos demais para justificar o investimento em produção nova. Mas acrescentou:

— No curto prazo, embora haja excesso de capacidade, os preços são definidos por custos variáveis e a maioria dos produtores consegue pagar o custo de dinheiro dentro do preço atual.

A produção de petróleo ainda pode cair com as empresas deixando de investir e de perfurar novos poços, permitindo que a produção caia naturalmente. Com o envelhecimento dos campos, a produção normalmente cai de 5% a 10% ao ano. Os novos poços de gás xisto dos EUA têm taxas de declínio mais acentuadas, então a produção das empresas cai mais rapidamente se elas não perfurarem novos poços.

Além do declínio natural e da falta de novos investimentos, o relatório da Wood Mackenzie sinaliza que a produção continuará resiliente.

“Ter o caixa negativo significa simplesmente que os custos de produção são mais altos do que o preço recebido. Isso não significa necessariamente que a produção será interrompida”, afirma o documento.

EUA: MENOS SONDA

As petroleiras americanas reduziram o número de sondas de exploração de petróleo em atividade no país pela sétima semana consecutiva, para os menores níveis desde março de 2010, mostraram dados nesta sexta-feira, com as empresas continuando a reduzir gastos devido ao colapso nos preços do petróleo.

As petroleiras removeram 31 sondas de petróleo na semana encerrada em 5 de fevereiro, o maior corte desde abril do ano passado, reduzindo a contagem de sondas para 467, disse a companhia de serviços de petróleo Baker Hughes em um aguardado relatório semanal.

oglobo.globo.com | 05-02-2016

FRANKFURT — A Volkswagen não está sob pressão para vender sua divisão de caminhões e levantar dinheiro para enfrentar os prejuízos de milhares de milhões de euros, depois de admitir a manipulação de testes de emissão de poluentes, disse Andreas Renschler, membro do conselho de gestão da empresa, ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung.

“Os resultados operacionais do grupo Volkswagen são bons, apesar de tudo. Não haverá uma liquidação”, afirmou Renschler, que também dirige a divisão de caminhões da VW, segundo entrevista publicada neste domingo.

Renschler disse ainda que a situação na América do Sul, especialmente no Brasil, é "extremamente difícil", mas que a decisão correta era esperar a crise passar e manter a produção no Brasil até que a economia se recupere.

A VW contratou Renschler, ex-executivo da Daimler, no ano passado para alinhar sua fabricante de caminhões MAN e sua filial sueca Scania e esculpir um negócio global para competir melhor com as líderes da indústria, Daimler e Volvo.

Questionado sobre se a nova estrutura poderia significar que a divisão de caminhões, agora separada da de automóveis de passageiros da VW, poderia ser dividida e listada separadamente na bolsa de valores, Renschler disse ao jornal: "Tudo é possível, mas só se fizer sentido estratégico."

Renschler também avaliou que o mercado da Rússia, por sua vez, parece já ter atingido o fundo do poço, enquanto o americano provavelmente deva diminuir um pouco o ritmo. Já o da África é promissor.

"Temos esperanças para o Irã, mesmo não havendo a atmosfera de 'corrida do ouro' que alguns estão esperando", acrescentou.

oglobo.globo.com | 31-01-2016

MOSCOU - A economia russa encolheu em 2015 pressionada pela queda no preço do petróleo e na cotação do rublo. De acordo com dados divulgados nesta segunda-feira, a retração foi de 3,7%, após alta de 0,6% em 2014. Outro fator que pesou na maior queda no Produto Interno Bruto (PIB) da Rússia desde 2009 foram as sanções internacionais impostas ao país em função do conflito com a Ucrânia, que dificultaram o acesso a financiamento no exterior.

Economistas consultados pela Bloomberg previam, em média, queda de 3,8%. Também foram divulgados ontem dados sobre o consumo no país em dezembro. As informações mostram que o gasto dos consumidores continuou em declínio diante da queda na renda. As vendas no varejo despencaram 15,3% em dezembro, ante o mesmo mês de 2014. Já os salários, ajustados pela inflação, caíram 10%, acima da previsão de analistas.

“A economia está passando por grandes ajustes. Ela ainda é ‘viciada’ em petróleo”, disse, por e-mail, Vladimir Miklashevsky, estrategista do Danske Bank, de Helsinque. “O rublo fraco e a substituição de importações vão continuar a apoiar a produção local, embora em um caminho moderado. É uma jornada longa e dolorosa até a recuperação”.

INFLAÇÃO PIORA O QUADRO

O país que é o maior exportador de energia do mundo pode enfrentar em 2016 seu segundo ano de contração depois de o petróleo voltar a cair, fazendo com que o rublo tivesse desvalorização recorde. A divisa russa já perdeu mais de 7% diante do dólar só este ano, o pior desempenho entre as 24 moedas de países emergentes analisadas pela Bloomberg. E desde o início de 2016, o preço do barril de petróleo já caiu cerca de 15%.

— É pouco provável que nós vejamos uma recuperação em forma de “V” devido à perspectiva de preços do petróleo mais baixos por mais tempo e à contínua contração da demanda doméstica — afirmou Piotr Matys, estrategista para moedas de mercados emergentes do Rabobank, em Londres.

A presidente do Banco Central da Rússia, Elvira Nabiullina, disse que a autoridade monetária está monitorando “vigilantemente” a situação e pronta para agir. O BC russo não vende moeda estrangeira desde o fim de 2014 após mudar sua política para permitir a livre flutuação do rublo.

A situação é agravada pela inflação. Enquanto o crescimento dos preços ao consumidor em dezembro tenha desacelerado, ele ainda está em 12,9%. A meta do banco central é de chegar ao fim de 2017 com o indicador a 4%. E há fatores que podem pressionar os preços, incluindo a recente desvalorização do rublo e as barreiras impostas a produtos turcos, como frutas e vegetais depois que militares da Turquia derrubaram um avião de guerra russo perto da fronteira da Síria.

oglobo.globo.com | 25-01-2016

WASHINGTON - O cenário não poderia ser pior para o Brasil. As novas perspectivas globais do Panorama Econômico Mundial (WEO, na sigla em inglês), do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgadas na manhã desta terça-feira, indicam que a economia do país se retraiu em 3,8% em 2015 e deverá sofrer outra queda de atividade, de 3,5%, neste ano. O FMI ainda afirma que o país terá crescimento zero em 2017, ou seja, a tão esperada retomada do ficaria para 2018. Na previsão de outubro, a expectativa era de recessão de 3% em 2015 e de nova queda de 1% neste ano.

Assim, o Brasil tem as piores perspectivas entre as nações destacadas pelo Fundo, superando a Rússia, que até a previsão de outubro tinha piores previsões para 2015 — por causa dos problemas econômicos após o embargo com a incorporação da Crimeia e sentindo fortemente a queda do preço do petróleo. O Brasil é apontado pelo Fundo como um dos responsáveis pela redução da expectativa de crescimento global para os dois anos. Segundo o FMI, depois de ter um crescimento de 3,4% em 2014, a economia global avançou 3,1% em 2015 e terá expansão de 3,4% neste ano e de 3,6% em 2017 — os valores de 2016 e de 2017 foram cortados, cada um, em 0,2 ponto percentual, na comparação com as expectativas de outubro.

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“Sobre a composição dos países, as revisões podem ser atribuídas principalmente ao Brasil, cuja recessão (causada pela incerteza política em meio ao rescaldo da ininterruptas investigações da Petrobras) está se demonstrando ser mais profunda e prolongada que o esperado”, afirma o documento que afirma que toda a América Latina também apresentará recessão em 2016, “apesar do crescimento positivo na maioria dos países da região. Isso reflete a recessão do Brasil e de outros países em dificuldades econômicas”, conclui o documento.

O FMI estima que o crescimento global será mais gradual que o previsto anteriormente. O Fundo acredita que as economia avançadas continuarão a viver “uma recuperação moderada e desigual”, enquanto os países emergentes terão panorama variado, embora sempre com desafios. Entre eles a desaceleração da economia chinesa — que nesta terça-feira (noite de segunda no Brasil) anunciou que cresceu 6,9% em 2015, a menor taxa em 25 anos —, a queda dos preços das matérias primas e “tensões” que encontram algumas grandes economia emergentes. O documento prevê que o preço do petróleo, que caiu 47,1% em dólar em 2015, deva retroceder mais 17,6% neste ano.

“Em 2015, a atividade econômica internacional se manteve atenuada. Apesar de ainda gerarem mais de 70% do crescimento mundial, as economias de mercados emergentes e em desenvolvimento se desaceleraram pelo quinto ano consecutivo”, informou o documento, que também listou como desafios para este ano a queda do preço da energia e o endurecimento da política monetária dos Estados Unidos, que começou a elevar seus juros.

Sobre a desaceleração chinesa, o documento afirma que ela ocorre dentro do esperado, mas que a queda mais brusca e rápida que o esperado das importações do país asiático, por causa do abrandamento dos investimentos industriais, juntamente com dúvidas sobre o desempenho futuro da China, “está contagiando outras economias através dos canais comerciais e da queda do preço da matéria prima, assim como diante de uma menor confiança e uma piora na volatilidade dos mercados financeiros”.

O economista-chefe do FMI, Maurice Obstfeld, afirmou nesta terça-feira em Londres que os mercados financeiros globais parecem estar reagindo de maneira exagerada à queda dos preços do petróleo e à China:

— Não é um exagero sugerir que (os mercados) podem estar reagindo de maneira muito forte às pequenas evidências em um ambiente de volatilidade e aversão a risco.

O Fundo também apontou quatro fatores de risco que podem piorar suas previsões: uma desaceleração mais forte que o previsto do crescimento chinês, dificuldade de empresas endividadas em dólar com a valorização da moeda americana, aumento exacerbado de aversão ao risco e aumento das tensões geopolíticas, que poderiam afetar o fluxo comercial, financeiro e de turismo no mundo.

oglobo.globo.com | 19-01-2016

Com uma economia muito diversificada, a Federação Russa possui importantes recursos naturais e humanos, que constituem forte potencial de desenvolvimento económico. O povo russo em geral, já a partir de meados da década de 1950, vivia bem melhor que os cidadãos de países capitalistas há muito orientados para o mercado, como o México, a Índia, o Brasil ou a Argentina. A taxa de analfabetismo era virtualmente zero, o ensino superior era muito bom e economicamente acessível; o desemprego quase não existia, a igualdade entre os géneros era uma das mais desenvolvidas do mundo, com as mulheres a chegar por vezes mais longe do que os homens nas suas carreiras, especialmente na ciência. Muitas famílias possuiam automóveis, TVs, gravadores de cassetes e podiam viajar de avião pelo menos uma vez por ano até às áreas balneares famosas do mar Negro. Mas a produção e distribuição de produtos de consumo (particularmente de vestuário e alimentos) era relativamente ineficiente e havia uma falta de habitação muito pronunciada em muitas das áreas urbanas, se bem que fossem raras situações de habitação precária ou insalubre. Contudo, desde a desintegração da União Soviética, em 1991, o caminho para a estabilização macroeconómica tem sido longo e difícil, A partir daquele ano, o país sofreu severa contracção económica ao longo dos cinco anos seguintes, enquanto o governo e o parlamento divergiam sobre a implementação das reformas. A base industrial do país foi seriamente atingida. O país tem passado por diversas crises, destacando-se a crise financeira de 1998, resultante fundamentalmente da crise financeira do Sudeste Asiático. Depois da dissolução da URSS, causada mais por razões étnicas do que económicas, a primeira recuperação russa, ainda ligeira mas já a mostrar os sinais da influência do mercado livre, ocorreu em 1997. Porém a crise financeira asiática daquele ano acabou por atingir a economia russa. Diante da significativa desvalorização do rublo, o governo Russo aumentou a taxa de juros, mas as medidas de política econômica fracassaram e a Rússia declarou uma moratória unilateral, gerando perdas a seus credores internos e externos. Assim, 1998 ficou marcado por ser o ano da crise financeira Russa, com intensa fuga de capitais e, na sequência, recessão. A economia começou a se recuperar em 1999, entrando numa fase de rápida expansão, com o PIB a crescer a uma taxa média de 6.8% por ano, entre 1999 e 2004, apoiado em preços mais altos no petróleo, num rublo mais fraco, e no aumento na produção de industrial e de serviços. Esta recuperação, a par de um renovado esforço governamental em 2000 e 2001 para fazer avançar as reformas estruturais, aumentou a confiança das empresas e dos investidores para a segunda década de transição. A Rússia permanece fortemente dependente de exportações de matérias-primas, em particular do petróleo, do gás natural, de metais e de madeira, que correspondem a mais de 80% do total das exportações, o que deixa o país vulnerável às oscilações dos preços do mercado mundial. Em anos recentes, no entanto, a economia também foi impulsionada pela crescente procura interna, que cresceu cerca de 12% ao ano entre 2000 e 2004, o que mostra o vigor do seu mercado interno. O PIB do país atingiu 535 bilhões de dólares em 2004, fazendo da economia russa a 16ª economia mundial, sendo que Moscou, concentra 30% da produção do país. Um dos maiores desafios dos formuladores da política econômica russa é o de encorajar o desenvolvimento de PMEs num ambiente empresarial dominado por oligarcas e dotado de um sistema bancário jovem e disfuncional. Muitos dos bancos russos pertencem a grandes empresários ou oligarcas, que usam frequentemente os depósitos para financiar os seus próprios negócios. O Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento e o Banco Mundial tentaram normalizar as práticas bancárias fazendo investimentos em acções ordinárias e na dívida, mas com um sucesso muito limitado. Outros problemas incluem um desenvolvimento económico desigual entre as regiões do país. Enquanto que a região de Moscovo, com a sua imensa população de 20 milhões de habitantes, é uma metrópole moderna, com setores de tecnologia de ponta e renda per capita próxima à das economias mais fortes da eurozona, o resto do país, em especial as comunidades indígenas e rurais da Ásia, vive como vivia no fim da Idade Média. A integração ao mercado também se faz sentir noutras cidades grandes como São Petersburgo, Kaliningrad e Ekaterinburg. Estimular o investimento estrangeiro é também um grande desafio. Até agora, o país tem se beneficiado do aumento nos preços de petróleo e tem sido capaz de pagar uma boa parte da sua dívida externa, que era gigantesca. O reinvestimento dos lucros obtidos pela exploração de recursos naturais em outros sectores da economia também é um problema. Em 2003, a prisão de Mikhail Khodorkovski, um dos oligarcas russos e, à época, o mais rico empresário do país, sob a acusação de fraude, evasão fiscal e corrupção durante as grandes privatizações conduzidas no governo de Boris Yeltsin, gerou certa desconfiança entre os investidores estrangeiros. Muitas das grandes fortunas actuais, na Rússia, parecem ter resultado da aquisição de propriedades estatais a muito baixo preço ou da aquisição barata de concessões governamentais. Outros países manifestaram a sua preocupação com a aplicação "selectiva" da lei contra empresários individuais. Apesar de tudo, algumas grandes firmas internacionais têm grandes investimentos na Rússia. Um exemplo é a fabricante de bebidas Scottish & Newcastle, que descobriu que o mercado da cerveja na Rússia crescia muito mais rapidamente do que noutras áreas da Europa. Quase duas décadas após o colapso da União Soviética, em 1991, a Rússia continua a tentar estabelecer uma economia de mercado moderna e de fato tem conseguido altas taxas de crescimento económico. Ao longo da década de 2000, a economia russa registrou taxas de crescimento acima de 7% em 2000 (10%), 2001, 2002, 2003, 2004 e 2007 (8,1%). Em 2005 teve alta de 6,4 e, em 2006, de 6,8%. Em 2008, a Rússia cresceu 6% e foi a 9ª economia do mundo. No entanto, diante da crise mundial e a queda dos preços do petróleo, as perspectivas para 2009 são mais sombrias. Em dezembro de 2008, a ministra da Economia, Elvira Nabiullina, previu 2,4% de crescimento do PIB para 2009, o índice mais baixo desde 1998 - o fatídico ano da moratória russa. A Rússia integra a área da APEC (Asia-Pacific Economic Cooperation), um bloco econômico que tem por objetivo transformar o Pacífico numa área de livre comércio e que engloba economias asiáticas, americanas e da Oceania.


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