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Rússia Economia

BRASÍLIA — Há pouco mais de uma semana no cargo, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, quer deixar como marca um Itamaraty combativo e com uma posição mais relevante na Esplanada dos Ministérios do que nos últimos 13 anos do governo petista. Com aval do presidente interino, Michel Temer, a estratégia de Serra é rebater as críticas de países contrários ao afastamento de Dilma Rousseff do cargo e, ao mesmo tempo, buscar apoio interno e externo para ampliar a relevância do Brasil no cenário internacional, por meio de acordos com foco comercial e menor peso ideológico.

Serra teve de ser convencido por Temer a aceitar o Itamaraty. Só concordou em assumir a pasta depois de receber a Secretaria-Geral da Câmara de Comércio Exterior (Camex) e a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), ambos até então ligados ao Ministério do Desenvolvimento (MDIC). Na última sexta-feira ouviu do ministro do Planejamento, Romero Jucá, que o governo pagará cerca de US$ 800 milhões que deve a organismos internacionais. Foi uma vitória importante, que agradou os diplomatas.

Serra é senador pelo PSDB de São Paulo. Foi deputado, governador e duas vezes candidato à Presidência da República. Na visão de fontes diplomáticas e especialistas ouvidos pelo GLOBO, o fato de o novo ministro das Relações Exteriores ser um político do calibre de Serra trará dividendos para o ministério e lhe garante interlocução direta com o Planalto e o Congresso.

— Um político do calibre de Serra atrai para o Itamaraty uma visibilidade maior — disse Hussein Kalout, pesquisador da Universidade de Harvard e professor de Relações Internacionais.

DOIS CHEFES DE ESTADO

Um ponto delicado na avaliação dos especialistas, no entanto, é o fato de governo Temer ser interino. Na prática, a visão das chancelarias estrangeiras é que existem dois chefes de Estado no momento, uma vez que Dilma é presidente afastada. Isso dificulta a execução de uma intensa diplomacia governamental, que passaria pela organização de uma ampla agenda de viagens do ministro. Só que várias nações titubeiam em organizar esses encontros neste momento.

Serra

Por enquanto, o único destino certo é a Argentina. Amanhã, Serra desembarcará em Buenos Aires para um encontro com a chanceler do país vizinho, Susana Malcorra. Segundo uma fonte, “será uma viagem simbólica”.

— O governo não se instalou de forma definitiva. Isso faz com que haja pouco espaço para a diplomacia. Não dá, por exemplo, para esperar o reconhecimento dos demais países, até que o processo de impeachment seja consumado. Ao observarmos que não houve declarações de nações como a Rússia e a China, percebemos que eles aguardam uma definição — disse Kalout.

Com aval de Temer, Serra passou a rebater, em duros comunicados para o padrão diplomático, as críticas de países contrários ao afastamento de Dilma, com destaque para Venezuela, Bolívia, Equador, Cuba e Nicarágua. Fontes próximas ao ministro revelaram que ele fez questão de escrever as notas, com algumas anotações do próprio presidente.

— É quase consenso nacional que não podemos submeter os valores e interesses brasileiros a afinidades ideológicas de um partido. Deixamos de fazer muitos acordos bilaterais e regionais por causa dessa predisposição — disse Sérgio Amaral, ex-ministro da Indústria e do Comércio do governo Fernando Henrique Cardoso e um dos embaixadores que têm assessorado Serra.

Crítico contumaz do Mercosul, Serra agora defende a renovação do bloco. Existe a percepção de que o bloco poderá expandir o leque de acordos com outros países, com menos divergências.

— É importante retomar as relações com as grandes potências democráticas. Falo de EUA, Europa, Canadá, Japão e Austrália. Temos em comum a defesa da democracia liberal e dos direitos humanos. Devemos rejeitar atitudes colonialistas, mas não hostilizar EUA e Europa como potências imperiais, como fazia o PT. A Guerra Fria acabou. No mundo globalizado, é preciso negociar com o mundo todo — comentou o consultor internacional Nelson Franco Jobim.

Para ele, o país precisa de uma política externa independente, soberana e flexível. Quanto ao Mercosul, Jobim diz que seria importante resgatar a proposta original de regionalismo aberto.

— Um grupo de países que se une para ter voz mais forte e maior poder de barganha em negociações e foros internacionais. A Venezuela de Maduro atrapalha, mas de que servem Mercosul, Unasul (União de Nações da América do Sul) e Celac (Comunidade dos Estados Latinos e Caribenhos), se não forem capazes de negociar uma transição pacífica na Venezuela. É o problema mais urgente no nosso entorno — enfatizou.

Logo ao assumir, Serra indicou que gostaria de rever custos com embaixadas e a África seria o foco. Porém, pessoas próximas a ele dizem que qualquer escolha de fechamento de embaixadas será feita criteriosamente, uma vez que o continente africano é um mercado importante. Até pouco tempo, empreiteiras brasileiras, enfraquecidas após a Lava-Jato, disputavam com empresas chinesas as contratações de obras de infraestrutura e logística na região.

— O ministro não vai fechar as portas para a África. Nem deixar de olhar para direitos humanos a meio ambiente. Mas vai enfocar o pragmatismo — disse um interlocutor com acesso a Serra.

oglobo.globo.com | 22-05-2016

NOVA YORK- A Organização das Nações Unidas afirmou, nesta quinta-feira, que reduziu a projeção do crescimento econômico global para 2016 em meio ponto percentual, para 2,4%, principalmente por causa de revisões para baixo dos dados referentes a América Latina, África e a Comunidade de Estados Independentes.

links ONU

No relatório “Situação Econômica e Perspectivas Mundiais 2016”, a ONU diz que cortou a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos) mundial para 2,4%, o mesmo de 2015. Em dezembro do ano passado, a previsão era 2,9%.

“As perspectivas de crescimento econômico global em 2017 também permanecem abaixo das tendências anteriores à crise. E um período prolongado de lenta expansão da produtividade e fraco investimento pesa sobre o potencial da economia global no longo prazo”, declarou a ONU.

Outro fator importante é que “o Brasil está inserido em uma recessão mais profunda do que a prevista”, acrescentou.

A organização ainda citou a fragilidade da demanda das economia desenvolvidas, junto com a baixa dos preços das commodities, o que implica em crescente desequilíbrios fiscais e aperto da política monetária em economias exportadoras de matérias-primas.

Outros fatores negativos, segundo o relatório, são “impactos severos vinculados ao clima, desafios políticos e grandes saídas de capital de países em desenvolvimento”. Na região da ex-União Soviética, a ONU aponta que Azerbaijão, Casaquistão e Rússia provavelmente devem apresentar queda no PIB nesse ano. No caso russo, as sanções internacionais são os principais fatores negativos.

As preocupações a cerca do referendo que irá decidir sobre a permanência da Grã-Bretanha na União Europeia também representa um possível risco para a economia global, indicou a entidade.

oglobo.globo.com | 12-05-2016

Desde que assumiu, em 2013, Xi Jinping tenta remodelar o modelo China, deslocando a matriz econômica das exportações e investimento em infraestrutura para o consumo interno. Também mexe em instituições-chave do país, inclusive expurgando altos membros do Comitê Central do Partido Comunista Chinês, das Forças Armadas e de importantes estatais, alguns dos quais acabaram presos por suspeita de corrupção. Agora, o presidente chinês iniciou o que analistas veem como a mais arriscada reforma: a maior reestruturação desde os anos 1950 do Exército de Libertação Popular, o principal núcleo militar do país.

A ideia é transformar a estrutura militar chinesa, baseada no modelo grandioso do Exército Vermelho soviético e construída para defender as fronteiras do país contra inimigos externos potenciais, numa força moderna e mais enxuta, com capacidade de projetar o poder chinês para muito além de suas fronteiras. O foco se desloca, assim, de uma lógica defensiva para outra, expansiva. Segundo informou o “Wall Street Journal”, a reforma será implementada até 2020. No entanto, certamente enfrentará resistências internas e externas.

Se for efetivada, a mudança permitirá que a China possa realizar operações militares em regiões distantes, como o Oriente Médio e a África, rivalizando com outras grandes potências, como EUA e Rússia, que, na gestão de Vladimir Putin, tem atuado na guerra civil síria e no conflito na Ucrânia. O país, aliás, recentemente ampliou a frota naval, com submarinos nucleares, gerando mal-estar nos EUA.

Mas no caso chinês trata-se de uma profunda mudança de paradigma para uma nação constituída culturalmente por uma postura isolacionista desde, pelo menos, a Dinastia Ming, no século XV. Embora Xi possa citar a contribuição que uma China mais atuante internacionalmente poderá dar, por exemplo, na luta antiterror e em iniciativas de ajuda humanitária, os impactos geopolíticos potenciais são enormes. Sobretudo na Ásia e em rotas comerciais marítimas, onde já se vislumbram a escalada de conflitos com os EUA no Mar da China.

Além disso, a reestruturação das Forças Armadas ocorre num momento em que a economia do país preocupa o mundo, diante dos sinais de bolha financeira que começam a se acumular no horizonte chinês. A combinação crise econômica e poder militar não costuma dar boa rima.

oglobo.globo.com | 01-05-2016

HANOVER - O presidente Barack Obama disse neste domingo que a União Europeia e os Estados Unidos precisam avançar com um acordo de livre comércio ainda em fase de negociação, que, segundo seus defensores, poderia impulsionar cada economia em cerca de US$ 100 bilhões. Ele desembarcou em Hanover, norte da Alemanha, para uma reunião com a chanceler Angela Merkel sobre o criticado Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio de Investimento (TTIP).

— É indiscutível que o livre comércio tem fortalecido a economia dos EUA e também trouxe enormes benefícios para os países que se dedicam a isso — disse Obama, em coletiva de imprensa ao lado de Merkel.

Milhares de manifestantes segurando cartazes com frases de ordem como "Parem o TTIP" marcharam no sábado para expressar sua oposição ao acordo. Europeus e americanos temem que o acordo poderia custar empregos e erodir as proteções ao consumidor. Mas Obama disse esperar que o acordo seja acertado neste ano:

— O tempo não está do nosso lado. Se não completarmos as negociações neste ano, então as próximas transições políticas nos EUA e na Europa significariam que este acordo não será concluído por algum tempo.

O salão industrial de Hanover, o mais importante do mundo e que tem este ano os Estados Unidos como país convidado, oferece aos dois governantes uma plataforma ideal para para promover o TTIP.

— Não abandonaremos os esforços para negociar um acordo de livre comércio com nosso maior sócio: o mercado europeu — afirmou Obama à imprensa britânica antes do encontro.

Obama deseja concluir o acordo antes de deixar o poder, no início de 2017.

Neste domingo, o presidente americano reiterou as advertências ao Reino Unido na área comercial a respeito de uma eventual saída do país UE. Na hipótese de 'Brexit', Londres "não estará em posição de negociar algo com os Estados Unidos mais rápido que a UE", destacou.

As negociações sobre o TTIP estão paralisadas por fortes divergências entre as duas partes, alimentadas por um ceticismo crescente das opiniões tanto nos Estados Unidos como na Europa. Em Hanover, dezenas de milhares de pessoas protestaram no sábado contra o megaprojeto.

Também no governo alemão, considerado um dos principais defensores do projeto na Europa, cresce a impaciência.

O acordo "fracassará" se não existirem concessões de Washington, advertiu neste domingo o ministro alemão da Economia, Sigmar Gabriel. O número dois do Executivo germânico rejeitou mais uma vez um texto que, segundo ele, no momento pode ser resumido em poucas palavras: "Compre (produto) americano"

Também na França a resistência aumenta. O presidente François Hollande se nega a falar sobre o TTIP em um encontro que será organizado por Merkel em Hanover na segunda-feira, que terá a presença de Hollande e Obama, além dos chefes de Governo da Grã-Bretanha e da Itália.

A informação foi divulgada pela revista alemã Der Spiegel e tem uma razão: o tema é muito impopular na França.

Apesar das divergências, a escolha de viajar a Alemanha mais uma vez, a quinta desde que chegou ao poder, evidencia a posição que Obama atribui à chanceler Merkel, a dirigente europeia a que melhor conhece após dois mandatos na Casa Branca.

"Guardiã de Europa", de atitude "corajosa" durante a crise migratória. Obama não poupa elogios a Merkel e disse que tem "orgulhoso de que ela seja sua amiga".

"Ela encarna muitas das qualidades que mais admiro em um governante. Se guia ao mesmo tempo por interesses e por valores", disse em uma entrevista ao jornal Bild, o de maior tiragem na Alemanha.

O enfoque político de Obama, muito analítico, é próximo ao de Merkel, com a qual tem uma relação "cerebral sem igual", segundo colaboradores próximos.

O jornal alemão "Frankfurter Allgemeine Zeitung" chamou Obama e Merkel de "almas gêmeas".

Mas a relação nem sempre foi fácil. Durante a crise do euro, Washington criticou Berlim por sua rigidez ideológica a respeito da disciplina fiscal. O momento de maior tensão aconteceu em 2013, com a descoberta das escutas da agência de inteligência americana NSA no telefone celular de Angela Merkel.

Mas os dois se aproximaram com a postura firme a respeito da Rússia na crise ucraniana e durante as negociações que resultaram, ano passado, em um acordo sobre o programa nuclear iraniano.

Obama concluirá a viagem pela Europa na segunda-feira em Hanover com um aguardado discurso sobre sua visão das relações transatlânticas.

DÍVIDA DO PARTIDO

Ainda neste domingo, a imprensa alemã destacou que Merkel esqueceu de pagar a parte da taxa cobrada pelo conservador CDU, partido do qual é líder. A chanceler deve € 9.500 ao partido, segundo o jornal "Bild".

A CDU do estado regional de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, por onde Merkel tem sua cadeira de deputada e que fixa a taxa a ser paga pela chanceler, confirmou a informação de que ela deve ao partido, mas sem revelar a quantia. De acordo com a CDU regional, a falta de pagamento não é culpa de Merkel.

A filial regional mudou o estatuto em 2013 e alterou o sistema de cobrança, mas esqueceu de avisar a chanceler, que desde então passou a pagar menos. O partido informou que Merkel vai saldar a dívida.

oglobo.globo.com | 24-04-2016

Reunidos em Doha (Qatar), no domingo, os principais produtores mundiais de petróleo não chegaram a um acordo para reduzir a produção e ajudar a reequilibrar os preços do barril. O encontro entre representantes da Opep e a Rússia tinha como meta estabelecer um compromisso comum de corte das exportações. Porém, a Arábia Saudita, maior produtor do cartel, se recusou a reduzir a cota sem que houvesse uma contrapartida do Irã.

O país persa, que sequer participou do encontro de Doha, voltou ao mercado há alguns meses, após a suspensão das sanções econômicas devido ao acordo nuclear. Segundo o ministro do Petróleo do Irã, Bijan Namdar Zanganeh, se o país congelar sua produção ao patamar de fevereiro, como querem os produtores da Opep, não poderá se beneficiar do fim do embargo econômico. O impasse entre os dois países não se resume a uma mera disputa por mercados petrolíferos. A rivalidade geopolítica regional entre Arábia Saudita, potência sunita no Oriente Médio, e o Irã, arqui-inimigo xiita, contamina as negociações.

O fracasso de Doha derrubou ontem o preço do barril do Brent (referência internacional), que chegou a cair 6,8% em relação à sexta-feira, antes de se recuperar no fim da sessão, com a notícia de que uma greve no Kuwait reduziu a produção do país em 60%, para 1,1 milhão de barris diários. No fim do pregão, a cotação do Brent recuou 0,4%, para US$ 42,92. Este valor, comparado ao pico de 2008, alcançado alguns meses antes do início da crise financeira global, representa uma desvalorização de 70,6%, queda suficientemente poderosa para mudar a realidade do mercado petrolífero.

Inundar o mercado com excesso de petróleo fez parte da estratégia saudita para inviabilizar os investimentos americanos no gás não convencional, como o de xisto, cuja produção colocou os EUA na liderança do mercado. Também reduziu consideravelmente a dependência de Washington em relação a Riad (o que permitiu que o governo Obama negociasse com o Irã o acordo nuclear, contra os interesses sauditas).

Um preço do barril abaixo de US$ 40 inviabiliza os investimentos para a exploração do xisto nos EUA, que exige tecnologias caras. Mas a longa desvalorização da cotação também traz efeitos nocivos à economia dos países produtores. Não à toa, a Arábia Saudita anunciou no início do mês um amplo pacote econômico para reduzir sua dependência à commodity.

O pré-sal brasileiro também é afetado pelo recuo da cotação do barril. É mais um problema para o país, porque desestimula investidores, já atingidos pela legislação estatista do pré-sal. Por outro lado, a desvalorização do petróleo ajuda a Petrobras, cujos preços internos estão mais altos que no exterior, o que a ajuda a melhorar o caixa, bastante avariado pelo petrolão e o subsídio eleitoreiro de 2014.

oglobo.globo.com | 19-04-2016

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, assinou nesta quinta-feira, 14, em Washington, durante reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), um acordo com o presidente do BC do Paraguai, Carlos Fernándes Valdovinos, para possibilitar o pagamento e o recebimento entre os dois países nas moedas locais, dispensando contratos de câmbio.

Após a assinatura, começa a fase de implementação operacional do acordo, que deve demorar seis meses. O Brasil já tem acordo semelhante, chamado Sistema de Pagamento em Moeda Local (SML), com a Argentina, desde 2008, e com o Uruguai, desde 2014.

Uma das vantagens do SML é reduzir os custos de transação nas operações entre os dois países, pois os contratos não precisam passar pelo dólar. Para o BC, as vantagens vão ajudar a aumentar os níveis de acesso de pequenos e médios agentes ao comércio de bens e serviços entre Brasil e Paraguai. Além disso, deve aumentar a utilização das respectivas moedas, real e guarani.

Além do acordo, Tombini participou hoje em Washington de reuniões com investidores institucionais e representou o Brasil no encontro do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês), mais conhecido como Banco dos Brics (sigla para Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Nos encontros, o presidente do BC notou interesse dos investidores em aportar recursos no Brasil, mas no momento os agentes estão acompanhando a economia brasileira e avaliando a mudança de variáveis, como câmbio e outros indicadores. Tombini segue na reunião do FMI até domingo. Nesta sexta-feira, participa de encontro com o Itaú e das plenárias do G-20, grupo formado pelos 20 países mais ricos do mundo.

HONG KONG - O Alibaba está fazendo seu maior investimento no exterior com um acordo de US$ 1 bilhão para o controle do Lazada Group, levando o gigante chinês de comércio eletrônico para o sudeste asiático e alibaba_1204 mais perto da meta de acabar com a dependência do mercado interno.

A maior loja online da China vai pagar US$ 500 milhões por novas ações na empresa de capital fechado e uma quantidade igual dos investidores existentes, disse o Alibaba em um comunicado. Os investidores que estão vendendo incluem Rocket Internet da Alemanha, a rede de supermercados britânica Tesco e o Investiment AB Kinnevik.

A empresa chinesa está abrindo caminho em uma região onde começa um boom de compras on-line, de rápido crescimento de uso de celular e de Internet, impulsionando os gastos do consumidor. O bilionário presidente da Alibaba, Jack Ma, estabeleceu uma meta de conseguir pelo menos metade da receita da empresa do exterior e com o acordo com a Lazada quer aumentar vendas de vestuário e eletrônicos em seis mercados do sudeste asiático.

O Alibaba conseguiu dominar o e-commerce em seu mercado doméstico, mas permanece dependente da China para a grande maioria de seus negócios. O acordo parece representar uma saída para o Alibaba, que escolheu principalmente crescer organicamente em sua própria casa, disse Saemin Ahn, sócio-gerente da Rakuten Ventures, que gerencia um fundo de US$ 285 milhões e investe nos EUA e Ásia.

— O Alibaba possui muito dinheiro em caixa assim pode fazer este tipo de investimento. Também está buscando empresas que vão crescer no futuro — afirma Marie Sun, analista da Morningstar Investiment Service. — Precisam encontrar algum outro lugar para o crescimento futuro.

MAIOR ACORDO NO EXTERIOR

Enquanto o acordo é o maior negócio do Alibaba no exterior até o momento, não é a primeira mega-aquisição da gigante de e-commerce. Ela concordou em pagar cerca de US$ 5 bilhões para assumir o controle total do serviço de vídeo chinês Youku Tudou em 2015.

O acordo avalia a Lazada em US$ 1,5 bilhão, disse a Rocket em um comunicado separado. Está vendendo uma participação de 9,1% na Lazada e mantém 8,8%. O negócio do Alibaba avalia toda sua participação na companhia em cerca de 15 vezes o total do capital investido de € 18 milhões (US$ 21 milhões), disse a empresa alemã incubadora de tecnologia.

ABRIR CAMINHO

Fundada em 2012 pela Rocket, a Lazada opera na Indonésia, Malásia, Filipinas, Cingapura, Tailândia e Vietnã. A Indonésia, onde compete com a Tokopedia e a MatahariMall, é a maior economia do sudeste asiático, com 256 milhões de pessoas.

O Alibaba está entrando em um mercado onde não há um único ator dominante. Enquanto espera-se que a crescente riqueza do sudeste asiático impulsione o crescimento nas compras on-line, muitos países da região ainda não têm a infraestrutura de transporte e pagamentos tão cruciais para a adoção generalizada do e-commerce.

O negócio também inclui opções para comprar a participação de determinados acionistas da Lazada no período de 12 a 18 meses após o negócio se concretizar. O Credit Suisse assessorou o Alibaba e Goldman Sachs Group foi o assessor financeiro da Lazada.

EXPANSÃO

O Alibaba, que teve mais de 86% de sua receita vinda da China no trimestre encerrado em dezembro, já fez tentativas anteriores de se expandir no exterior por meio de investimentos diretos.

Comprou a 11 Main, com sede em San Mateo na Califórnia, mas vendeu o site de e-commerce de nicho depois de alguns anos para a rival online OpenSky quando não conseguiu gerar a sinergia que estava procurando. Em troca, o Alibaba disse na época que iria deter uma participação "significativa" na entidade combinada.

Em casa, o Alibaba está empurrando seu próprio site AliExpress para compradores em mercados emergentes, como Rússia e Brasil. Alimentada por compradores russos procurando melhores ofertas online, o AliExpress, que envia mercadorias diretamente dos vendedores chineses para o mercado externo, se tornou o maior site de compras no país em 2014, segundo a empresa de pesquisas TNS.

oglobo.globo.com | 12-04-2016

MOSCOU — O presidente Vladimir Putin negou nesta quinta-feira ter qualquer ligação com contas offshore e descreveu os “Panama Papers” como parte de uma conspiração liderada pelos Estados Unidos para enfraquecer a Rússia. Falando em um fórum de mídia em São Petersburgo, Putin também rejeitou que existam "elementos de corrupção" entre as pessoas de seu círculo mais próximo citadas nos documentos. Panama Papers

— Que elementos de corrupção? Não há nenhum — afirmou Putin. — Eles (Estados Unidos) estão tentando nos desestabilizar a fim de nos tornar mais complacentes.

Segundo os documentos, o violoncelista Sergei Rolduguin, amigo e padrinho de uma das filhas de Putin, está no centro de uma rede de empresas de fachada formada por pessoas próximas ao presidente russo, conforme revelou o jornal independente “Novaia Gazeta”.

Citando os US$ 11,5 milhões de documentos vazados da firma de advocacia panamenha Mossack Fonseca e divulgados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), o Novaia Gazeta afirma ter descoberto as disposições financeiras que permitiram que pessoas próximas ao presidente russo escondessem até US$ 2 bilhões em paraísos fiscais.

Amigo de infância de Vladimir Putin, Sergei Rolduguin, de 64 anos, violoncelista no teatro Mariinsky, aparece como o testa de ferro nesta rede de empresas de fachada operadas pela Mossack Fonseca.

Serguei Rolduguin é apontado como proprietário das empresas Sonnette Overseas Inc. (SOI) e International Media Overseas (IMO), que adquiriram importantes setores da economia russa através de outras empresas offshore, em uma estrutura semelhante à de um jogo de bonecas russas, segundo Novaia Gazeta.

Como Serguei Rolduguin, a maioria dos russos envolvidos na trama são amigos do presidente. Rolduguin conheceu Putin em 1977 e, “desde então, nunca nos separamos”, segundo relatou em uma biografia de Vladimir Putin publicada em 2000.

Putin aproveitou o fórum em São Petersburgo para defender o violoncelista, dizendo que seu amigo de longa data não fez nada errado. Ele disse que estava orgulhoso de Roldugin, acrescentando que o músico usou seu dinheiro pessoal em projetos culturais.

No dia seguinte à revelação dos documentos, o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, acusou ex-agentes da CIA e do Departamento de Estado americano de estarem por trás do vazamento dos “Panama Papers” e acrescentou que “o principal alvo destes ataques é nosso país, nosso presidente”.

oglobo.globo.com | 07-04-2016

BRASÍLIA - Diante de uma economia em recessão, o governo busca atrair empresas além das nossas infraestrutura_0504 fronteiras para tirar o setor de infraestrutura e logística da letargia. As principais empreiteiras nacionais, fragilizadas após os desdobramentos da Operação Lava-Jato, se mostram incapazes de mobilizar investimentos para garantir uma recuperação sustentável. Neste cenário, a palavra de ordem no governo é facilitar o ingresso de recursos do exterior com medidas regulatórias.

As medidas são resultado de uma série de conversas que ocorreram até o mês passado entre autoridades do governo e potenciais investidores estrangeiros. O objetivo é que empresas de fora ocupem ao menos parte do espaço deixado pelas empreiteiras nacionais. Apenas no setor de logística e transporte, há R$ 44 bilhões em investimentos nos leilões previstos para este ano, em áreas como portos, aeroportos, rodovias e ferrovias.

No setor de rodovias, dez meses depois de lançada a segunda fase do Programa de Investimentos em Logística (PIL), o governo ainda tenta tirar do papel as concessões. As adaptações prometidas aos editais tentam cortejar, principalmente, investimentos estrangeiros no país.

Nos próximos dias, será publicado o edital de licitação do leilão da “Rodovia do Frango”, entre Paraná e Santa Catarina, com mais uma novidade em favor desses potenciais investidores. Pela primeira vez, o governo aceitará que os documentos de qualificação técnica dos concorrentes sejam trazidos do seu país de origem. Ou seja, na prática acaba com a obrigação de que sejam validados por entidades de classe brasileiras — o que era considerado, historicamente, uma barreira informal para o ingresso de novas empresas diante das dificuldades impostas.

INTERESSE EM TRENS DE PASSAGEIROS

O governo aceitou, segundo a Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), que os vencedores dos futuros leilões acompanhem a negociação de medidas ambientais mitigadoras entre Empresa de Planejamento e Logística (EPL) e órgãos ambientais. A justificativa é que muitas medidas aceitas pela EPL acabam se tornando novos custos para os concessionários, que não atuam no processo.

Medida mais relevante para as rodovias, segundo Ricardo Pinto Pinheiro, presidente da ABCR, foi a adoção de gatilhos para que os investimentos sejam executados somente quando o tráfego da estrada exigir ajustes:

— Isso otimiza a aplicação de capital, porque os investimentos se expandem progressivamente, isso reduz ociosidade.

Até agora, porém, o governo tem enfrentado dificuldade em entregar os projetos da área de logística e transporte à iniciativa privada. Ontem, a Secretaria Especial dos Portos (SEP) informou que ocorrerá em 9 de junho o leilão que deveria ter sido realizado na semana passada, de áreas no Pará, que foi suspenso por problemas no edital e falta de interesse de investidores.

Assim que houver aprovação do Tribunal de Contas da União (TCU), o governo quer licitar mais quatro aeroportos — Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Florianópolis. Diferentemente dos primeiros leilões, agora os estrangeiros não terão mais a Infraero como sócia, o que era um pleito dos interessados de fora.

Além disso, ontem, o Departamento de Estatais (Dest) do Ministério do Planejamento deu a palavra final sobre a criação da subsidiária Infraero Serviços. Para facilitar as negociações com a alemã Fraport, que será sócia na nova empresa, a participação da Infraero no negócio ficou em aberto. Inicialmente, a ideia era assegurar à estatal fatia de 51% no negócio. O governo brasileiro decidiu recuar, deixando que a Infraero seja minoritária na subsidiária.

Representantes de empresas de Itália, Reino Unido, França, Rússia e China estão entre os estrangeiros que têm cortejado o governo em visitas aos gabinetes ligados à infraestrutura. Os brasileiros ouvem que, apesar da crise política e econômica, a mudança recente no patamar do câmbio favorece os investimentos externos.

Num indício desse interesse, duas empresas estrangeiras se apresentaram para disputar com um terceiro grupo brasileiro a concessão da BR-153, cujo leilão foi vencido pela Galvão Engenharia em maio de 2014 — e que ficou pelo caminho com o envolvimento da empresa na Lava-Jato. Os interessados pedem mudanças no contrato para assumir a concessão da Galvão, diante da mudança do cenário econômico, assim como ocorre com as linhas de transmissão da Abengoa, que está situação financeira complicada no exterior e aqui.

A cúpula do governo espera que russos e chineses se interessem pelo próximo leilão da Ferrovia Norte-Sul, que deve ocorrer neste ano. Em fevereiro, a equipe econômica recebeu um pedido oficial da CRCC, estatal chinesa de ferrovias para que abra a possibilidade de receber estudos para instalação de novos trens de passageiros. Eles pedem para estudar a rota Campinas - São Paulo - Rio, mas sem especificar o modelo de trem. Isso permitiria até a retomada do projeto de trem de alta velocidade. Os chineses também se interessaram pela Ferrovia do Pequi, que liga Brasília a Goiânia e Anápolis.

Outro grupo chinês de ferrovias, o China Railway Group Limited (CREC), entregou uma segunda carta ao governo confirmando o interesse nas ferrovias a serem licitadas, entre elas os trechos da Norte-Sul que vão a leilão. “Gentilmente pedimos seu apoio para nos guiar em projetos potenciais que se encaixam nos moldes mencionados nesta carta, bem como os passos que precisam ser tomados para que possamos atingir os objetivos propostos”, diz a carta enviada ao ministro da Fazenda, Nelson Barbosa.

oglobo.globo.com | 06-04-2016

RIO - Jornalista e presidente do jornal indiano especializado em economia Business Standard, T.N. Ninan Índia_0504 acaba de lançar um livro sobre o atual momento da economia que ultrapassou a Itália e se tornou a sétima maior economia do mundo em 2015. Na obra "The Turn of the Tortoise" (cujo título sugere a virada da economia indiana), Ninan afirma que a hora da Índia chegou, mas que o país continuará sendo o país do futuro enquanto não acabar com a pobreza. Em entrevista por e-mail, Ninan diz que a Índia estará entre os países com maior ritmo de crescimento nos próximos anos, mas vai permanecer a mais pobre entre as grandes economias. Nesse sentido, continuará "um país do futuro", até que seja capaz de acabar com a pobreza, o que segundo ele não ocorre antes de 2030. O aumento da poupança e do investimento permitiram esse ritmo forte de crescimento da economia indiana, diz ele, mas seus principais problemas são os mesmos de 65 anos (época da independência): pobreza, indicadores ruins de desenvolvimento humano e a necessidade de melhorar as instituições. Ele arrisca até mesmo a falar do Brasil. Segundo Ninan, o comportamento de Brasil e Rússia enfraquecem o Brics. As quatro maiores economias do futuro serão China e talvez Índia, mas não os Brics.

A Índia é hoje uma estrela da economia mundial. O que explica o crescimento?

Nós temos uma taxa de poupança e de investimento razoavelmente alta. O investimento em capital fixo está perto de 30% do Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, a força de trabalho está crescendo. Com a contribuição do capital e do trabalho, temos conseguido taxas de crescimento decentes.

Este crescimento é sustentável? O que vê nos próximos anos?

Sim, é sustentável, porque nenhum desses fatores mencionados vai mudar no futuro mais próximo. A taxa de crescimento melhorar ou piorar depende, claro, se o capital é bem ou mal investido, se melhorar a qualidade da nossa força de trabalho com educação e treinamento e, finalmente, se podemos criar empregos mais produtivos.

Por que afirma que o sistema na Índia é claramente disfuncional?

Há muitas razões. Nossa burocracia dificulta o funcionamento das empresas, o que se reflete na baixa classificação no ranking do Banco Mundial de se fazer negócios, nossos políticos interferem no sistema de preços e assim criam distorções com subsídios, levando a vazamentos e corrupção, e nossos funcionários responsáveis por fiscalizar impostos são corruptos e trabalham de forma arbitrária, criando uma insegurança desnecessária na condução dos negócios. Também temos uma baixa oferta de educação e saúde, o Estado tem capacidade limitada e está sobrecarregado, sem condições de cumprir suas principais funções de forma apropriada (como lei e ordem, administração de uma justiça mais rápida), a reforma da legislação é normalmente barrada porque falta maioria no Parlamento... Poderia continuar...

O senhor mencionou que o mundo quer que a Índia possa contrabalançar o poder da China, mas até agora isso não aconteceu. A Índia tem capacidade de deixar a sombra da China? Qual será o papel da economia nisso?

Os grandes poderes na região estão desconfortáveis com a natureza da ascensão da China, como Japão, Austrália e Vietnã. Eles gostariam de algum país que pode contrabalançar a China regionalmente e a Índia é o único candidato disponível. Mas a economia chinesa é hoje cinco vezes o tamanho da indiana e isso não deve mudar num futuro previsível. Temos um grande desequilíbrio comercial com a China, com as importações baratas chineses ameaçando muitas de nossas indústrias domésticas. Estrategicamente, a China é hoje um poder global, enquanto a Índia é um poder regional. O orçamento de Defesa da China é quatro vezes o da Índia. E a China está num caminho expansionista. Então é inevitável a sombra chinesa vai recair sobre a Índia. Como menciono no livro, todos os vizinhos diretos da Índia têm mais comércio com a China que com a gente, com exceção do Nepal. O Paquistão está comprando tecnologia nuclear, mísseis e equipamentos da China. O papel da economia virá quando a Índia tiver consistemente um desempenho melhor que a China economicamente.

No livro, o senhor menciona algumas políticas do Estado para os mais pobres, como distribuição de arroz, cabras, laptops, luz e até ouro para aqueles que se casam, por exemplo. Pode explicar mais sobre isso e de que forma é uma preocupação?

Essas são promessas que os políticos das regiões fazem na época das eleições para conseguir votos. Se ganham a eleição, eles geralmente cumprem as promessas feitas, embora não seja sempre. É uma preocupação se os estados não podem bancar isso, então assumem dívidas. No momento, os grandes subsídios para a eletricidade são um grande problema.

O senhor diz que a Índia sempre foi um país do futuro, uma coisa que também se fala sobre o Brasil. Acredita que o futuro da Índia chegou ou vai chegar algum dia?

Está claro que o ritmo de crescimento econômico da Índia será muito positivo e que o país continuará entre os de maior crescimento entre as grandes economias. Nesse sentido, a hora da Índia chegou. Por outro lado, a Índia é e vai continuar a mais pobre entre as grandes economias. Dessa perspectiva, a Índia vai permanecer “um país do futuro” até seja capaz de acabar com a pobreza em larga escala. E não vejo isso acontecendo pelo menos até 2030.

Brics é um grupo de países emergentes, mas Rússia, Brasil e África do Sul parecem ter perdido seu apelo. Até a China desacelerou seu ritmo de crescimento. O que acha do Brics hoje?

A lógica do Brics tem se mantido bem por uma década. Em 2003, o Goldman Sachs previu que as economias do Brics chegariam a metade do tamanho do G-6 até 2025. Na verdade, já em 2015 estava perto, mas principalmente por causa da China. Em 2003, o Goldman previu que a Índia teria desempenho melhor que o de Rússia e Brasil, o que teve, e que iria ultrapassar a Itália e se tornar a sétima maior economia em 2015, o que foi exatamente o que aconteceu porque acabamos de ultrapassar a Itália. No entanto, essa lógica não vai se manter no futuro porque tanto o Brasil quanto a Rússia enfrentam um período difícil e não sabemos quanto o ciclo das commodities vai virar e de que maneira. O crescimento da economia brasileira é em fases, intercalada com estagnação, e a Rússia tem sérios problemas internos. Nesse sentido, as economias de grande crescimento no futuro não serão as quatro economias do Brics, talvez a Índia seja, e também a China, apesar de sua desaceleração. Não estou certo, no entanto, quem tomará os outros dois lugares.

Em um texto recente, o senhor sugeriu alguns livros para o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, como “Por que as nações fracassam”, em que se destaca a importância das instituições, e “A economia da Pobreza” (em tradução literal), considerando as dificuldades para fornecer saúde e educação. Quais são os principais problemas da Índia hoje?

Nossos principais problemas são aqueles originais de 65 anos atrás: pobreza generalizada, indicadores ruins de desenvolvimento humano e a necessidade de desenvolver nossas capacidades institucionais. A questão que já lidamos é que as taxas de poupança e de investimento são altas, então temos o capital que precisamos para sustentar o crescimento. Mas precisamos construir nossas capacidades humanas e institucionais.

oglobo.globo.com | 06-04-2016

MOSCOU — A Rússia acusou nesta segunda-feira ex-agentes da CIA e do Departamento de Estado americano de estarem por trás do vazamento dos documentos conhecidos como “Panama Papers“, segundo os quais pessoas próximas ao presidente Vladimir Putin teriam empresas em paraísos fiscais. Iniciada no domingo, a série de reportagens globais sobre como bilionários e políticos esconderam as suas fortunas durante anos teve repercussão em vários países. Os documentos citam 12 atuais ou antigos chefes de Estado e pelo menos 60 pessoas ligadas a eles. vazamento

— Há outros nomes que figuram (na investigação), mas está claro que o alvo principal destes ataques é o nosso país, nosso presidente — criticou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, acrescentando que “não há nada concreto ou novo sobre Putin, não há detalhes, e todo o resto se baseia em especulações”. — Na chamada comunidade jornalística há muitos ex-agentes da CIA e do Departamento de Estado.

Segundo os “Panama Papers” — o vazamento de 11,5 milhões de documentos que implicam 140 personalidades que teriam offshores em paraísos fiscais —, várias pessoas próximas a Putin teriam desviado quase dois bilhões de dólares com a ajuda de bancos e empresas de fachada. Um dos nomes citados é o de Serguei Roldouguin, um amigo de infância de Putin, cujas empresas teriam comprado importantes setores da economia russa.

— Roldoguin e muitas outras pessoas continuam entre os amigos de Putin. Putin tem muitos amigos na Rússia e no exterior — se limitou a declarar Peskov sobre as relações do violoncelista com o presidente russo.

Vazados do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca, os documentos foram obtidos pelo ICIJ — consórcio de jornalismo investigativo formado por 376 jornalistas de 109 veículos em 76 países. No Brasil, as revelações foram divulgadas no domingo pelo UOL, pelo site do jornal “Estado de S. Paulo” e pela Rede TV!.

Embora não seja crime registrar uma empresa em um paraíso fiscal, os documentos mostram que bancos, escritórios de advocacia e outros atores offshores muitas vezes não seguiram requisitos legais para garantir que seus clientes não estivessem envolvidos em atividades criminosas, evasão fiscal ou corrupção política. Em alguns casos, segundo mostram os registros, intermediários offshores se protegeram e a seus clientes ocultando transações suspeitas ou alterando registros oficiais. Rússia acusa ex-agentes da CIA de estarem por trás dos 'Panama Papers'

PREMIER ENFRENTA MOÇÃO DE DESCONFIANÇA

Na Islândia, o primeiro-ministro, Sigmundur David Gunnlaugsson, enfrentará um voto de desconfiança após ter seu nome citado nos documentos. O premie, apontado como tendo uma empresa em paraíso fiscal, descartou uma eventual renúncia.

— Eu não cogito renunciar por isso e não vou renunciar — assegurou o chefe de governo para a emissora Stöð 2, enquanto a oposição pede sua saída por supostamente ter criado junto a sua mulher uma empresa registrada nas Ilhas Virgens Britânicas.

O vazamento também provocou reações no Reino Unido, com o governo britânico prometendo investigar dados que citam o já falecido pai do primeiro-ministro, David Cameron.

Mais cedo, a porta-voz de Cameron se negou a comentar se a família do líder possui dinheiro investido em fundos offshore criados por seu pai, Ian Cameron. Em 2012, a mídia britânica relatou que Ian cuidava de uma rede de fundos de investimento offshore para ajudar a criar a fortuna da família.

A oposição, por sua vez, aproveitou para atacar o primeiro-ministro. O porta-voz para assuntos de finanças da oposição trabalhista, John McDonnell, disse que os vazamentos do Panamá mostram que Cameron não conseguiu acabar com o sigilo fiscal e reprimir offshores ilegais.

GOVERNO ARGENTINO NEGA ILEGALIDADE

Citado nos documentos entre os 570 nomes argentinos, o presidente Mauricio Macri negou ilegalidade. De acordo com o jornal "La Nación", o mandatário, seu pai, Francisco e seu irmão, Mariano, administraram a sociedade Fleg Trading Ltd., constituída nas Bahamas em 1998 e dissolvida em janeiro de 2009.

A Presidência argentina informou em um comunicado que "Macri nunca teve nem tem participação no capital dessa sociedade". De acordo com a nota, Macri foi nomeado ocasionalmente como diretor da Fleg Trading, "sem participação acionária".

Na Ucrânia, legisladores disseram na segunda-feira que o Parlamento deve investigar as alegações de que o presidente Petro Poroshenko utilizou uma empresa offshore para evitar impostos.

oglobo.globo.com | 04-04-2016

RIO - A promessa de que os Brics — grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia, China, Rússia e África do Sul — seriam o motor da economia global no século XXI está em cheque, segundo artigo publicado pelo jornal britânico “The Guardian”. Diante de desafios domésticos e um cenário internacional que não ajuda, o periódico sustenta que a “bolha” do bloco teria estourado. Ou seja, o desempenho do grupo de emergentes está aquém das expectativas.

O conceito de Brics surgiu em 2001. O termo foi cunhado pelo economista Jim O’Neill, então presidente do Goldman Sachs Asset Management. A sigla se transformou em um bloco formal, que já tem o próprio banco de investimentos e um PIB estimado de US$ 16 trilhões. Apesar da grandeza, o artigo do “Guardian” critica a eficiência das ações realizadas até agora.

“Planos ambiciosos para criar uma reserva cambial alternativa ao dólar e desafiar o domínio americano em tecnologia da informação se mostraram pequenos. Enquanto isso, condições econômicas adversas combinadas à queda da demanda global e os menores preços do petróleo e de commodities estão cobrando um preço”, destaca o texto.

O artigo lembra ainda que, em novembro, o Goldman Sachs — o mesmo banco de onde surgiu a sigla — fechou seu fundo de investimentos em Brics, após os ativos derreterem 88%, desde o ápica, alcançado em 2010. Na ocasião, a instituição financeira disse a SEC, a xerife do mercado de capitais dos EUA, que não esperava que os ativos crescessem “significativamente em um futuro previsível”.

— A promessa do crescimento rápido e sustentável dos Brics foi muito desafiada nos últimos cinco anos. O conceito de Brics era popular, mas nada é eterno — diz Jorge Mariscal, gerente de investimento do UBS Wealth Management, em entrevista ao jornal britânico.

CRISE POLÍTICA PREOCUPA

A crise política é um dos principais entraves para a sustentabilidade das economias do grupo de emergentes. O impasse em Brasília e a possibilidade de que a presidente Dilma Rosseff sofra um impeachment são particularmente preocupantes, ressalta o “Guardian”: “Com cerca de um quarto dos membros do Congresso brasileiro enfrentando algum tipo de investigação criminal, a crise se tornou estrutural e existencial em sua essência, levantando preocupações sobre a durabilidade da jovem democracia do Brasil”

O periódico chega a comparar a situação brasileira à da África do Sul. “Preocupações idênticas surgiram na África do Sul, onde Jacob Zuma, presidente do país, e o governo do Congresso Africano Nacional estão envolvidos em alegações de corrupção e prevaricação. O cenário faz com que companhias estatais tenham desempenho abaixo do esperado e provoca depreciação da moeda, queda nas exportações e inflação em alta”, continua o texto.

Em meio a preocupações com a recessão no Brasil e na Rússia, a crise política africana e a desaceleração da economia chinesa, a Índia é vista como um ponto positivo no bloco. O país deve manter crescimento anual superior a 7% e, na avaliação do analista George Magnus, citado pelo “Guardian”, tem melhorado seu ambiente de negócios. “A Índia certamente não é paradigma de virtude quando se falaem corrupção, nem é eficiente em relação à infraestrutura, mas está empenhada em acelerar sua reforma econômica e de competitividade”, escreveu Magnus, em artigo recente.

FOCO NA GOVERNANÇA

Para o “Guardian”, seria “tolo” descartar os Brics como importantes atores do xadrez econômicom já que todos têm características positivas, como “vastos recursos e jovens populações”. Mas não basta crescer, alerta a publicação: “Para garantir seu lugar no século XXI, os Brics precisam criar sistemas de governança mais abertos e confiáveis. É um desafio de liderança, não de lucro e prejuízo”.

oglobo.globo.com | 28-03-2016

Em 2004, a Al-Qaeda no Iraque (AQI) elaborou uma cartilha, na qual instruía seus militantes a atingir o que os especialistas chamam de “alvos brandos”. Em contraposição aos convencionais alvos militares, os brandos são muito menos bem defendidos e portanto mais fáceis de atacar. São lugares que reúnem grande quantidade de civis e que, uma vez destruídos, causam grande impacto na economia, aí incluído o turismo, e também no dia a dia e no estilo de vida da população. Restaurantes, boates e estádios, como os que foram alvo dos ataques de 13 de novembro em Paris, preenchem esses requisitos. Os meios de transporte também.

Como já havia acontecido antes em Madri, Paris, Londres e Tóquio, por exemplo, o metrô é um alvo brando extremamente proveitoso, do ponto de vista do terrorismo, porque sua condição claustrofóbica provoca pânico entre os usuários. Sua luta para tentar chegar à superfície multiplica as mortes, por pisoteamento, ataques cardíacos, sufocamento e queimaduras. Os aeroportos também são um alvo clássico, por sua repercussão nacional e internacional. Aeroportos vulneráveis inibem o ingresso de turistas e homens de negócios, que trazem receitas para os países.

A doutrina propagada pela AQI, da qual o Estado Islâmico (EI) é sucessor, estabelece como objetivo quebrar a espinha dorsal dos Estados inimigos atacando suas economias. O foco nos alvos brandos também tem por objetivo perturbar o estilo de vida das pessoas comuns, associado à prosperidade e ao desrespeito às normas de conduta moral que os jihadistas pretendem impor.

Essa doutrina representa um enorme desafio para os governos. O fluxo fácil de usuários do transporte público é importante para o funcionamento da economia. As medidas que terão de ser tomadas para proteger melhor os alvos brandos custarão caro, prejudicarão a atividade econômica e não serão suficientes para impedir novos ataques.

POR QUE BRUXELAS

O principal alvo do recrutamento de militantes pelo EI no continente europeu são os jovens descendentes de imigrantes do Norte da África, ex-colônias da França. Depois de Paris, a segunda capital que mais concentra esses jovens francófonos é Bruxelas. Como demonstra a história de Salah Abdeslam, o décimo e último executor dos atentados de Paris, preso no dia 18, há um intenso trânsito de membros dessa comunidade entre as capitais francesa e belga. Descendente de marroquinos, Abdeslam nasceu na Bélgica e obteve cidadania francesa. Carros alugados em Bruxelas foram usados nos atentados de Paris.

A França tem tido um papel protagonista nos ataques a grupos jihadistas, sobretudo no Sahel, a zona intermediária entre o Deserto do Saara e a savana africana. Em janeiro de 2013, a França interveio militarmente no Mali para conter o avanço do Ansar Dine (Defensores da Fé) do norte do país em direção à capital, Bamako. Ao longo daquele ano, as forças francesas, apoiadas por tropas de membros da Comunidade Econômica de Estados Africanos Ocidentais, combateram as células jihadistas no norte do Mali, que se dispersaram e depois se reagruparam em países vizinhos. Hoje, todo o Sahel tem forte presença das células jihadistas, que vêm aderindo ou aliando-se ao EI. A África é uma frente prioritária na expansão do grupo.

A Bélgica em si não tem papel relevante no combate ao jihadismo. Mas Bruxelas é a sede da União Europeia, e o bloco tem se engajado na luta contra o Estado Islâmico e seus aliados. A estação de metrô atacada, Maelbeek, no centro de Bruxelas, é a que dá acesso ao complexo da União Europeia.

O ataque à sede da União Europeia busca elevar ao máximo o impacto de suas ações. Além disso, há a capacidade de mobilização. A periferia de Bruxelas, assim como as de Paris e de Marselha, no sul da França, oferece um grande contingente de jovens descendentes de árabes e de muçulmanos, que não pertencem aos países de seus pais ou avós e também não se sentem como pertencentes ao lugar onde vivem, por razões culturais e socioeconômicas.

Muitos participantes dos atentados têm um passado de criminosos comuns. É o caso dos irmãos Ibrahim e Khalid el-Bakraoui, que se explodiram no aeroporto e no metrô, respectivamente. Salah Abdeslam e Abdelhamid Abaaoud, considerado o mentor intelectual dos ataques de Paris, foram presos por assalto a mão armada em 2010. Abu Musab al-Zarqawi, que fundou a AQI, foi menor infrator em Zarqa, na Jordânia, antes de se converter ao Islã radical. O terrorismo oferece a esses jovens uma nova expressão para sua agressividade.

O Estado Islâmico é, para eles, a oportunidade de conquistar autoestima, tornando-se importantes e famosos. Ainda que isso lhes custe a vida “terrena”, parece-lhes compensador, por vários motivos: essa vida não tem sido prazerosa, e há os prêmios da ressignificação dela e da conquista do paraíso eterno, para o qual acreditam levar, como mártires, outros 16 parentes, quando morrerem. É um desfecho glorioso para muitos desses jovens. O EI só não tem recrutado mais jovens pelas dificuldades inerentes de segurança e logística, não por falta de apelo.

E OS ESTADOS UNIDOS?

Os Estados Unidos continuam um alvo prioritário do EI. Desde os atentados de 11 de setembro de 2001, no entanto, as forças de segurança americanas adotaram medidas que tornaram a relação custo-benefício de agir nos EUA muito desfavorável. Os jihadistas continuam tentando, mas evitam investir todos os seus recursos nos EUA, cuja proteção é mais fácil do que os países europeus. Os Estados Unidos têm apenas duas fronteiras: ao sul, com o México, e ao norte, com o Canadá. A França faz fronteira com a Bélgica, Luxemburgo, Alemanha, Suíça, Itália e Espanha. A Bélgica está cercada pela França, Alemanha, Luxemburgo e Holanda. Esses países pertencem ao Espaço Schengen, que prevê livre trânsito de pessoas pelas fronteiras. Esse tratado provavelmente terá de ser revisto.

Ao atacar na Europa, os jihadistas têm buscado alvos americanos: em Paris, o concerto da banda de rock que atende pelo nome Eagles of Death Metal (Águias do Death Metal) e, no aeroporto de Bruxelas, o guichê da American Airlines.

POR QUE ATACAR

O Estado Islâmico se lançou como grupo guerrilheiro, em sua campanha para criar um califado por sobre as fronteiras nacionais dos países muçulmanos. Tem perdido sua capacidade militar, com os bombardeios liderados pelos Estados Unidos na Síria e no Iraque, e com as hostilidades, no terreno, dos guerrilheiros curdos, apoiados pela Rússia, e do Hezbollah e de outras milícias xiitas encarregadas pelo Irã de proteger o regime de Bashar al-Assad.

Quando um grupo armado perde sua capacidade militar, ele recorre ao terrorismo. O Estado Islâmico está em franca expansão, em um arco que se estende da Indonésia, a maior população muçulmana do mundo, no Sudeste Asiático, até a Tunísia, no Norte da África, e do Oriente Médio até a Europa Ocidental. Ao ampliar sua presença, o grupo aumenta também seu espectro de apoio, atraindo para si agendas nacionais diversas, de grupos locais que passam a integrar sua franquia. Exemplo disso é o poderoso Boko Haram, no norte da Nigéria, que disputa com o governo o controle sobre as riquezas provenientes da extração do petróleo, do qual o país é o maior produtor africano e sexto maior do mundo.

A mensagem do Estado Islâmico foi simples e clara, quatro dias depois da prisão do décimo e último participante identificado dos atentados de Paris: “quanto mais nos prenderem e matarem, mais de nós surgirão”.

oglobo.globo.com | 24-03-2016

RIO - A crise econômica brasileira é tema de uma reportagem publicada nesta quarta-feira no site do jornal americano “The Wall Street Journal” (”WSJ”). O texto afirma que a crise atual não é como aquela vivida pelo país na década de 1990. De acordo com a publicação, nas décadas de 80 e 90, o Brasil tinha, regularmente, as chamadas “paradas repentinas” na economia. Além disso, o real sobrevalorizado e a taxa de inflação alta afetavam a competitividade e também encorajavam a tomada de empréstimos no exterior. Com a fuga do capital estrangeiro “a moeda entra em colapso, e governos, bancos ou companhias, entrariam em default em seus empréstimos em moeda estrangeira”.

Mas o cenário agora é outro, diz o “WSJ”. A moeda flutua, a inflação está em “10% e caindo”, a maioria dos empréstimos do país é em real, os bancos vão bem, e as reservas internacionais são “abundantes”. “Longe de ser uma parada súbita, a crise atual é a consequência de anos de subinvestimento, protecionismo e excesso de regulação”, afirma a reportagem, acrescentando que esses “problemas” vêm da época do boom de commodities, que agora se desvalorizaram.

‘SUCESSO CEGOU PARA FALTA DE REFORMAS’

Ainda conforme o texto, a atual turbulência política se relaciona com os escândalos de corrupção envolvendo a Petrobras, mas, ressalva, “o escândalo real é o quão pouco benefício a riqueza do petróleo do país produziu”. A reportagem destaca, ainda, a disparidade da renda dos brasileiros em relação aos americanos. A renda per capita aqui equivale a 27% da dos Estados Unidos, e o jornal destaca que essa proporção já foi maior: 30% em 2010 e 38% em 1980.

As dificuldades por que o Brasil passa não são diferentes daquelas encaradas por outras nações emergentes, como Rússia e África do Sul, sublinha a publicação, que aproveitaram o boom das commodities puxado pela economia chinesa. E tanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) quanto o Brasil acreditaram — equivocadamente — que esse boom era sustentável.

“O sucesso macroeconômico cegou as pessoas para a falta de reformas”, disse ao “WSJ” o economista-chefe do Itaú, Ilan Goldfajn.

Para o jornal americano, o sistema de impostos no país era e continua sendo oneroso e muito complexo. “O extensivo crédito subsidiado aloca o capital no lugar errado e mina a política monetária”, conclui a publicação. O texto critica, ainda, a aplicação do capital vindo das commodities, dizendo que pouco disso foi investido na “lamentavelmente subdesenvolvida infraestrutura do Brasil”.

oglobo.globo.com | 23-03-2016

CINGAPURA - Um acordo entre produtores de petróleo da Organização dos Países Exportadores de petróleo_2303 Petróleo (Opep) e Rússia para congelar sua produção pode “carecer de sentido” devido ao fato de que a Arábia Saudita é o único país com capacidade de aumentar o bombeamento, afirmou nesta quarta-feira um alto executivo da Agência Internacional de Energia (AIE).

O Qatar, que detém da presidência da Opep, convidou todos os 13 membros do grupo e os principais produtores de fora da organização para se reunir em Doha no dia 17 de abril para outra rodada de negociações a fim de ampliar o acordo de paralisação.

— Entre o grupo de países (que participam da reunião) que temos conhecimento, somente a Arábia Saudita tem alguma capacidade para aumentar a produção — afirmou Neil Atkinson, diretor da divisão de indústria do petróleo e mercados da AIE em evento do setor em Cingapura. — Assim que um congelamento do bombeamento talvez careça de sentido. É mais um tipo de gesto que talvez tenha como objetivo fomentar a confiança de que haverá estabilidade nos preços de petróleo.

O executivo afirmou que o encontro pode acontecer ou não, acrescentando que o impacto sobre a estrutura de oferta será “nenhum mesmo”. Ele espera que o preço médio do barril este ano fique entre US$ 40 e US$ 35.

O barril de petróleo tipo Brent (referência internacional) já recuprou mais de 50% a partir de um patamar mínimo alcançado no início do ano, em torno de US$ 27, após a Rússia, Arábia Sautida, Venezuela e Qatar chegarem a um acordo no mês passado para manter a produção nos níveis recorde de janeiro.

Os preços vêm recuando há dois anos e podem ter atingido o piso, à medida que a redução da oferta de países não integrantes da Opep e disputas dentro do grupo diminuem o excedente global, afirmou a AIE no relatório mensal ao mercado divulgado em 11 de março.

AMEAÇA DOS CORTES DE CUSTOS

De acordo com a AIE, um choque do petróleo pode ser sentido em breve porque a queda de preços do barril reduziu os investimentos que resultariam em oferta futura do combustível. Cortes “históricos” nos investimentos aumentam as chances de surpresas com a segurança em petróleo em um “futuro não muito distante”, disse Atkinson. São necessários aproximadamente US$ 300 bilhões para sustentar o atual nível de produção e países como EUA, Canadá, Brasil e México estão enfrentando dificuldades para manter os investimentos, ele disse.

— Precisamos de muitos investimentos só para nos mantermos estáveis — afirmou Atkinson. — Há perigo porque estamos chegando a um ponto no qual mal investimos em exploração. Se os investimentos não forem retomados em 2017 e 2018, poderemos ver uma disparada dos preços do petróleo porque a oferta não poderá suprir a demanda.

A ConocoPhillips, a Chevron e a BP estão entre as empresas que cancelaram mais de US$ 100 bilhões em investimentos, demitiram dezenas de milhares de funcionários, baixaram dividendos e venderam ativos, em resposta à queda da cotação do barril para menos de US$ 30. Desde meados de fevereiro, o barril se recuperou para aproximadamente US$ 41 e Atkinson disse que talvez o pior tenha passado, uma vez que o preço encontrou um piso “por enquanto”.

— É preciso investir grandes somas de dinheiro apenas para manter a produção existente e, para expandir a produção para suprir o crescimento da demanda que estamos projetando, o dinheiro tem de vir de algum lugar e o que vemos são grandes cortes — disse Atkinson em uma entrevista separada durante o evento à Bloomberg.

oglobo.globo.com | 23-03-2016

O poderoso grupo empresarial chinês Wanda, controlado por um dos homens mais ricos do gigante asiático, converteu-se no novo patrocinador da Fifa, anunciou a instituição em um comunicado, que não menciona os termos do acordo.

Wanda terá direitos nas competições até o Mundial de 2030, inclusive.

Sua chegada é uma boa notícia para a Fifa, que atravessa a pior crise de sua história e que acaba de anunciar um déficit de 107,7 milhões de euros, o primeiro desde as perdas históricas de 2002, que se explicam pelos gastos legais devido aos escândalos de corrupção que sacudiram a entidade no último ano.

O poder do futebol chinês

O acordo foi assinado por Gianni Infantino, o novo presidente da federação internacional em substituição a Joseph Blatter.

O patrocínio da Wanda surge num momento em que o Campeonato Chinês, a Chinese Super League (CSL), se tornou o maior comprador do mercado do futebol, superando a Premier League na última janela de transferência e investindo 331 milhões de dólares em contratação de jogadores.

Wanda é um grupo especializado no setor imobiliário e controla 20% das ações do Atlético de Madrid, finalista da Liga dos Campeões 2014. Recentemente, adquiriu a agência de marketing esportivo Infront.

A Fifa informou em comunicado que Wanda terá a partir de agora "o mais alto nível de direitos de patrocínio, especialmente nas quatro próximas edições da Copa do Mundo -Rússia 2018, Catar 2022, 2026 e 2030".

INVESTIMENTOS EM CINEMA

Diante dos escândalos de corrupção, dois grandes patrocinadores da Fifa, Emirates e Sony, encerraram as relações com a entidade em novembro de 2014 e não haviam sido substituídos.

- Como presidente da Fifa, quero dar mais apoio às federações no desenvolvimento do futebol, e acredito que a colaboração com Wanda permitirá continuar o desenvolvimento da disciplina não só na China, mas também no mundo todo - explicou Infantino.

- Queremos verdadeiramente promover o futebol em todo o país (China) e incentivar a nova geração a praticá-lo - declarou por sua vez Wang Jianlin, presidente do grupo Wanda.

O grupo chinês não se interessa apenas por futebol. Em janeiro, assinou acordo de 3,5 bilhões de dólares para a compra do estúdio de cinema Legendary Entertainment, na maior aquisição internacional da China no setor cultural.

oglobo.globo.com | 18-03-2016

O dólar avançou na sessão desta terça-feira, 15, ante a maior parte das moedas, enquanto o mercado aguarda pela decisão de política monetária do Federal reserve (Fed, o banco central dos EUA), que será divulgada amanhã. A divisa americana, entretanto, perdeu espaço para o iene, depois que o Banco do Japão (BoJ) manteve inalterada sua política monetária e piorou sua previsão de crescimento econômico.

Neste fim de tarde, o dólar caía a 113,09 ienes, de 113,85 ienes ontem, mas subia em relação a moedas de países como Austrália, Canadá, Chile, Índia, México e Rússia, em meio à retração nos preços do petróleo e outras commodities. O euro avançava a US$ 1,1113, de US$ 1,1095.

Os investidores concentram suas atenções na decisão de amanhã do Fed, que será seguida de entrevista coletiva da presidente da instituição, Janet Yellen. A decisão de hoje do BoJ pressionou o iene e ampliou as dúvidas quanto ao futuro da economia global, ao prever apenas um leve crescimento do Produto interno Bruto (PIB) neste trimestre.

Apesar das quedas vistas nas vendas do varejo nos EUA em janeiro e fevereiro, analistas estão confiantes na continuidade do movimento de normalização monetária nos EUA. "Enquanto a economia continuar criando empregos, aos olhos do Fed, há potencial de aumento de salários. Portanto, o foco será a elevação de juros mesmo que o consumo neste momento seja modesto", disse Stephen Barrow, do Standard Bank. Fonte: Dow Jones Newswires

RIO - As últimas semanas lembraram aos investidores da Petrobras um fato quase esquecido: a estatal é uma petrolífera. Durante dois anos, graças ao turbilhão da Operação Lava-Jato, os papéis da companhia foram jogados em uma ciranda política, reagindo muito mais a notícias procedentes de Brasília e Curitiba do que à geopolítica do Oriente Médio. Embora a sensibilidade aos trâmites do poder nunca vá abandonar a estatal por completo, analistas são unânimes em afirmar que, nesse início de 2016, o que deu o tom ao comportamento da Petrobras na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foi a montanha-russa da cotação da commodity.

petrobras 2902

A correlação mais acentuada entre o comportamento da Petrobras na Bolsa e a curva do petróleo se confirma nos números. O analista gráfico da corretora Clear Raphael Figueredo constatou, em estudo feito a pedido do GLOBO, um salto no nível de “relacionamento” entre as duas variáveis este ano, na comparação com o mesmo período de 2015. Em uma escala de 0 a 1, a correlação entre as cotações foi de 0,52 este ano. No início do ano passado, era de apenas 0,03. Quanto mais próximo de 1, mais forte é a relação.

— Isso significa que 52% da variação do preço do petróleo tiveram impacto sobre as ações da Petrobras este ano. Em 2015, a influência era quase nenhuma! — afirma o analista.

‘A EMPRESA ESTAVA LARGADA’

Figueredo utilizou como parâmetros a ação preferencial da Petrobras (sem direito a voto), que é a mais negociada na Bolsa, e o barril de petróleo do tipo WTI, negociado em Nova York. Apesar de a Petrobras usar como referência o Brent, o analista ressaltou que a curva de evolução dos dois tipos de óleo é praticamente igual. O estudo considerou, para os dois anos, as cotações até 23 de fevereiro e apenas dos dias em que houve negociação tanto do WTI como dos papéis da Petrobras.

O analista lembra que, no começo de 2015, a petrolífera se encontrava em um grande impasse. Em primeiro lugar, a companhia ainda não havia publicado o balanço financeiro auditado referente ao terceiro trimestre de 2014. Após dois adiamentos, a Petrobras frustrou o mercado ao divulgar, no fim de janeiro, números que não contabilizavam as perdas com corrupção e não tinham o aval da auditora PwC (o documento auditado só viria em abril). A então presidente da petrolífera, Graça Foster, enfrentava diariamente rumores de que deixaria o cargo — o que ocorreu no início de fevereiro. Alguns dias depois, Aldemir Bendine foi recebido com desconfiança pelos investidores por ter vindo de outra estatal, o Banco do Brasil.

— A empresa estava largada. Isso afastou os investidores, sobretudo os estrangeiros. Além disso, a Petrobras tinha premissas de preço para o petróleo congeladas, em descompasso com o mercado — acrescenta Figueredo. — Tudo isso fez com que a Petrobras operasse praticamente fora do contexto para o petróleo naquela época.

CENÁRIO AINDA INCERTO PARA O BARRIL

Hoje, tanto a Petrobras como o petróleo estão em um outro momento, o que explicaria uma correlação maior entre os dois.

Primeiro porque, este ano, a commodity se tornou o centro das ansiedades dos investidores de todo o mundo, não só dos acionistas da Petrobras. Em um sintoma do crescente temor quanto à economia global e ao excesso de oferta de petróleo, em 20 de janeiro, o barril do tipo Brent ficou abaixo dos US$ 28 pela primeira vez desde 2003. Thiago Biscuola, economista da RC Consultores, observa que o fim do ciclo de incentivo monetário nos EUA no último ano valorizou o dólar, o que também acabou depreciando as commodities.

Em fevereiro, Arábia Saudita, Rússia, Qatar e Venezuela concordaram em congelar sua produção de petróleo no patamar de janeiro, desde que outros países façam o mesmo, o que proporcionou uma certa recuperação nos preços. O governo russo afirmou que a medida entraria em vigor amanhã, 1º de março. Biscuola, no entanto, acha pouco provável que isso se concretize plenamente:

— O mercado está mais pulverizado. Se você deixa de produzir, alguém vai vender no seu lugar. Os EUA ainda vão virar exportadores, por exemplo. O petróleo está buscando um patamar, mas deve ficar pelos US$ 30 ou US$ 40 a médio prazo.

Para Bruno Piagentini, da Coinvalores, isso dificulta a venda de ativos pela Petrobras. O objetivo era vender US$ 15,1 bilhões entre 2015 e 2016, mas, até agora, só foram US$ 700 milhões.

— Para a Petrobras, o preço do petróleo se tornou preponderante, porque a venda de ativos que a companhia está promovendo é parte central em sua estratégia para reduzir seu imenso endividamento. A pressão sobre o valor do barril dificulta a geração de caixa com a venda desses ativos — diz Piagentini.

Biscuola, da RC, acrescenta que também é preponderante para a Petrobras a viabilidade dos projetos de exploração, sobretudo os do pré-sal, que acabam sendo comprometidos pela queda da commodity. Segundo Piagentini, a exploração do pré-sal se paga com o barril de óleo equivalente pelo menos acima dos US$ 45 (embora a tendência, no futuro, é que esse custo diminua). Hoje, o Brent está na casa dos US$ 35, e o WTI, na dos US$ 32.

BENEFÍCIO PARA O INVESTIDOR

A questão da viabilidade é mais preponderante que o fato de a Petrobras ganhar muito hoje com a venda de combustível dentro do Brasil, cujo preço não foi reduzido após o tombo da commodity. Segundo Biscuola, a gasolina pura no Brasil custa 40% a mais que nos EUA. Em meados de 2014, quando o petróleo valia mais de US$ 100 e o governo não reajustava a gasolina a fim de segurar a inflação, a Petrobras vendia mais barato do que comprava.

— Se ela se beneficia da conta do abastecimento, que agora se inverteu, por outro lado a receita da empresa em dólar fica prejudicada no lado das exportações de petróleo — pondera Biscuola.

Para o investidor, diz Figueredo, da Clear, uma maior correlação entre a Petrobras e o petróleo é benéfica. Segundo ele, a relação atual segue as de outras petrolíferas, como Chevron e Shell. Dessa forma, o acionista pode tomar decisões mais baseadas no contexto petrolífero global do que no noticiário político.

— Estar mais sensível ao petróleo é positivo até para a própria Petrobras, o que não significa que vai resolver o problema dela. É uma empresa extremamente endividada que precisa vender ativos. Mas o mercado ainda enxerga muita dificuldade nisso — diz o analista.

oglobo.globo.com | 29-02-2016

BRASÍLIA - As reformas da Previdência e fiscal serão protagonistas no discurso que o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, preparou para levar à reunião do G-20 — grupo das 19 maiores economias do mundo e a União Europeia. Ele embarcou para a China, onde ministros de finanças e presidentes de bancos centrais se encontrarão esta semana.

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Segundo integrantes da equipe econômica, a China, que ocupa a presidência do grupo pela primeira vez, já indicou que um dos temas de destaque na reunião serão reformas estruturais para recuperar o crescimento econômico mundial. Barbosa, afirmam os técnicos, aproveitará a oportunidade para apresentar aos líderes globais as propostas do Brasil.

As ideias da área econômica para a reforma fiscal foram apresentadas na última sexta-feira, quando Barbosa anunciou projeto, que encaminhará ao Congresso, fixando um teto para os gastos públicos. Caso este limite seja descumprido, serão disparados vários gatilhos para que as despesas voltem ao patamar desejado. Um desses mecanismos é o congelamento do reajuste real do salário-mínimo. Já na reforma da Previdência, entre outras medidas, a meta é definir uma idade mínima para aposentadoria.

— O Brasil tem uma agenda de reformas interessante a apresentar — afirmou um integrante da equipe econômica.

MUDANÇAS NO FMI

Ele disse ainda que apesar das dificuldades pelas quais o Brasil passa — com recessão, rombo nas contas públicas e o novo rebaixamento pela agência de classificação de risco Standard & Poor´s — o país ainda tem fundamentos fortes que são reconhecidos pelos demais integrantes do G-20:

— Não sofremos fuga de capitais, temos reservas elevadas e não tivemos uma crise de balanço de pagamentos.

Outros temas da reunião devem ser a reforma de cotas do Fundo Monetário Internacional (FMI) para ampliar a participação de economias emergentes na instituição e o tratamento de dívidas soberanas. Segundo técnicos do governo, o FMI tem debatido alterações nas chamadas cláusulas de ação coletiva (CAC) para proteger países com dificuldades com os “fundos abutres”, caso da Argentina, em que os credores não aceitam a proposta de reestruturação do país.

Os CACs foram alterados para que quando os países emitirem novos títulos e tiverem problemas para honrá-los, se a maioria dos credores entrar em acordo, os demais tenham que aceitá-lo.

Barbosa passará a semana na China, mas antes de chegar a Xangai, onde acontece a cúpula do G-20 dias 26 e 27, ele irá a Pequim, nos dias 24 e 25, para conversas com integrantes do governo chinês e investidores na área de infraestrutura. Ele quer aproveitar para promover projetos do Programa de Investimentos em Logística (PIL).

Em Xangai, o ministro visitará a sede do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) — banco dos Brics — que se prepara para conceder os primeiros empréstimos aos países membros (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Os recursos devem ser liberados em abril ou maio. No caso brasileiro, os recursos serão repassados ao BNDES, que financiará projetos de infraestrutura. O governo brasileiro já fez um aporte no NBD, em janeiro, de US$ 150 milhões. O segundo aporte, de US$ 250 milhões, está previsto para janeiro de 2017.

oglobo.globo.com | 22-02-2016

Com os preços do petróleo derretendo, alguns dos principais exportadores anunciaram na terça-feira que vão congelar a produção nos níveis de janeiro de 2016: Arábia Saudita, Rússia, Qatar, Kuwait e Venezuela. Mas, para que a medida seja efetiva, será necessário convencer outros exportadores, dentro e fora da Opep. Trata-se de um acordo difícil de costurar, à medida que interesses e conjunturas específicas vêm determinando as políticas de produção desses países. Isto inclui guerras, conflitos geopolíticos, disputas por mercado, política de preços, crise econômica, entre outras.

Desde 2014, os preços despencaram mais de 70%. E, apesar do anúncio do congelamento da produção, a cotação do barril do petróleo do tipo Brent, referência internacional, caiu na terça-feira 3,6%, para US$ 32,18. Especialistas afirmam que, mesmo que se consiga um acordo para congelar a produção mundial, os preços do barril não se recuperariam antes do fim de 2017. O volume de petróleo ainda estaria cerca de 300 milhões de barris anuais acima da demanda global, segundo a Agência Internacional de Energia.

A produção do gás não convencional americano, o shale gas, mudou as características do mercado, até então dominado pela Opep. A Arábia Saudita, maior produtor mundial, implementou uma estratégia arriscada de deprimir os preços para inviabilizar os investimentos no shale gas. Os sauditas e aliados mantiveram uma produção crescente, apesar da queda vertiginosa de preços. A estratégia deu certo, e a produção americana caiu este ano cerca de 400 mil barris diários, com a fuga de investidores devido à reduzida expectativa de lucro com preços tão desvalorizados. Mas o remédio amargo afetou a todos.

Agora, a Arábia Saudita terá que convencer outros produtores a cortar sua produção, inclusive o arquirrival no Oriente Médio, o Irã. Este corre contra o tempo para recuperar mercado após anos de sanções por seu programa nuclear. Desde o fim do embargo, o país elevou a produção em 400 mil barris diários e começou a exportar para a UE. O governo do moderado Hassan Rouhani tem pressa em traduzir o acordo nuclear em benefícios para a população. Ontem, o ministro de Petróleo iraniano, Bijan Namdar Zanganeh, disse que apoia medidas para estabilizar o mercado, mas não esclareceu se vai cortar a produção.

Já o Iraque produz hoje 4,35 milhões de barris diários, um recorde, como forma de financiar sua guerra contra o Estado Islâmico. E os produtores americanos estão ávidos para reativar os quatro mil poços de shale gas já escavados em Texas, Oklahoma e Dakota do Norte. Esperam apenas que os preços se recuperem para voltar à ativa.

A oferta mundial ainda supera a demanda e os estoques globais, já em nível recorde, continuam crescendo. Ou seja, a tendência para o setor é de queda de preços e os analistas apostam que o congelamento, até onde a vista enxerga, não funcionará. Ou não como os otimistas esperam.

oglobo.globo.com | 18-02-2016

WASHINGTON - Autoridades do Federal Reserve, Banco Central dos Estados Unidos, temiam no mês passado que as condições financeiras globais mais apertadas poderiam afetar a economia americana e consideraram mudar a trajetória planejada de altas de juros em 2016.

"Se o recente aperto das condições financeiras globais for sustentado, pode ser um fator amplificando os riscos" à economia, de acordo com a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) divulgada nesta quarta-feira.

A maioria das autoridades ainda esperava aumentar os juros e até discutiu se uma elevação seria justificada em janeiro. Mas após extensa discussão sobre os riscos globais, o comitê decidiu que condições financeiras mais apertadas podem ser "aproximadamente equivalentes" a novos aumentos. Os legisladores discutiram "alterar suas visões anteriores sobre a trajetória apropriada para a taxa básica de juros", de acordo com a ata.

No entanto, o Fomc concordou que seria prematuro alterar sua perspectiva para a economia dos EUA, dizendo que vai monitorar atentamente os desenvolvimentos econômicos globais, além dos preços do petróleo e das ações.

Isso sugere que a recente desaceleração do crescimento global e fortes quedas nos mercados de ações estão levando o Fed a considerar recuar dos sinais que enviou em dezembro, quando indicou que poderia aumentar os juros quatro vezes neste ano.

"Vários integrantes estavam preocupados com o possível peso sobre a economia dos EUA proveniente dos efeitos mais amplos de desaceleração maior do que a esperada na China e outros (emergentes)", de acordo com a ata.

Wall Street tem adotado postura cética em relação à possibilidade de o Fed aumentar os juros neste ano. Antes da divulgação da ata, os contratos futuros de juros nos EUA apontavam que investidores viam chance de cerca de 40% de elevação em dezembro e menos do que isso nas reuniões anteriores, de acordo com o CME Group.

Os mercados financeiros globais têm apresentado volatilidade desde a reunião de janeiro do Fed, levando o México, um dos principais parceiros comerciais dos EUA, a aumentar os juros nesta quarta-feira para combater a alta do dólar contra o peso.

A ata ressaltou que os problemas da China podem pesar sobre México e Canadá, outro parceiro comercial importante dos EUA.

Na época da reunião de janeiro, os preços do petróleo ainda tinham forte queda, mas nesta quarta-feira chegaram a subir 7 por cento após o Irã expressar apoio aos esforços encabeçados por Rússia e Arábia Saudita para limitar a produção.

A presidente do Fed, Janet Yellen, disse na semana passada que o banco central norte-americano ainda deve aumentar os juros gradualmente mas reconheceu que o enfraquecimento da economia global e o forte tombo das bolsas de valores estão apertando as condições financeiras mais rapidamente do que o Fed deseja.

COMPORTAMENTO 'MÁGICO DE OZ' DO FED

O mais novo legislador do Fed, Neel Kashkari, fez declarações incisivas sobre o recente desempenho do Fed. Em entrevista ao "Financial Times" nesta quarta-feira, ele afirma que a autarquia deve fazer um trabalho melhor para responder à crescente raiva econômica nos EUA que leva a um surto de protecionismo retórico nas campanhas presidenciais.

Segundo ele, o Fed estava pagando o preço por décadas de comunicação "muito precária" durante as quais a entidade "adotou esse discurso dessa rotina Mágico de Oz de que 'somos tão misteriosos que você não consegue entender o que nós estamos fazendo". Ele afirma que isso "realmente fere a confiança entre o povo e a instituição".

Em seu primeiro discurso público na terça-feira, ao integrar a equipe do Fed de Minneapolis, Kashkari pediu aos reguladores americanos que tomassem uma ação radical para controlar bancos e proteger contribuintes. O ex-executivo do Goldman Sachs e funcionário do Tesouro americano nas gestões de Bush e no primeiro mandato de Obama pediu ao Congresso que considere "regras ousadas, transformadoras", inclusive a separação dos maiores bancos nacionais para evitar resgates.

— Agora é o momento certo para o Congresso considerar ir além com soluções ousadas, transformadoras para resolver esse problema de uma vez por todas.

Segundo ele, a separação pediu urgência na avaliação da ideia de grandes bancos "em entidades menores, menos conectadas e menos importantes".

oglobo.globo.com | 17-02-2016

CARACAS - O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou nesta quarta-feira um pacote de medidas econômicas e defendeu a criação de um novo sistema que alavanque a economia do país. No Palácio de Miraflores, o mandatário anunciou um aumento significativo da gasolina (primeira alta em 20 anos) e a desvalorização de 37% do bolívar para remédios e alimentos. Ele também aumentará o salário mínimo em 20% buscando aumentar o poder de compra dos venezuelanos.

Está prevista ainda a manutenção e amplicação do Conselho Nacional de Economia Produtiva, órgão criado após ele anunciar um decreto de emergência no setor. Ele voltou a culpar opositores e empresários pela situação de recessão no país.

— A emergência não é apenas um decreto, mas uma realidade. A Assembleia Nacional se pôs de costas ao país ao negá-la. Vene

Por mais de três horas, o mandatário acusou empresários e o site DolarToday (que monitora o preço real da moeda americana em relação ao bolívar) de serem os inimigos da chamada guerra econômica, provocando especulação quanto à produção do país. A queda dos preços do petróleo, alardeada pelo chavismo como único motivo da crise, foi mencionada novamente.

Ele afirmou que aumentará os preços da gasolina pela primeira vez em 20 anos — atualmente a mais barata no mundo. De US$ 0,01 dólar o litro da gasolina com 91% de octanagem, o preço salta para US$ 0,95. Em bolívares, o preço passa para 1. A com 95% de octanagem custará 6 bolívares — o equivalente a mais de 6.000% de aumento.

Maduro havia anunciado um pacote para marcar o primeiro mês desde o anúncio do decreto, para “tocar um conjunto de elementos-chave para a recuperação econômica”, alegando foco nas classes de maior privação socioeconômica. Entre as 14 principais soluções, que ele ressaltou no novo anúncio, estão o investimento maior na produção de hidrocarbonetos, investimento nos setores agroalimentar, petroquímica e saúde, e reforçar a mineração.

— Temos que educar o povo para uma nova economia, entre elas o fim de uma cultura rentista e dependente do petróleo.

O presidente disse ainda que o acordo para congelar a produção de petróleo firmado em Doha por Rússia, Qatar, Arábia Saudita e Venezuela representa o primeiro passo para construir uma nova aliança entre países produtores de dentro e fora Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Maduro admitiu ainda erros na gestão econômica, sem especificar quais, e disse que os grandes mercados nas ruas do país sofrem com a corrupção. Ele vem sendo muito criticado por abrir caminho para a expropriação de bens de empresas privadas com o decreto recente.

MUDANÇAS

Dois dias antes, o ministro da Economia, o professor Luis Salas, deixou o cargo por problemas pessoais, anunciou o presidente. O empresário Miguel Pérez Abad, que chefiava o Ministério da Indústria e Comércio desde o início do ano, assume a função. Salas estava no cargo há apenas 40 dias.

— A Venezuela vive a pior crise de sua História. Os jovens não têm nem o que comprar. Briga-se por farinha — criticou o líder opositor e ex-oponente eleitoral Henrique Capriles, governador do estado de Miranda, ao defender que o mandato do presidente deveria ser encurtado.

A Assembleia Nacional não validou o decreto no mês passado, mas o Tribunal Supremo de Justiça deu aval à medida, considerando-a constitucional. Desde então, o conflito político entre governo e oposição paralisou a adoção de novos pacotes econômicos. Enquanto isso, os opositores estudam formas legais de tirar Maduro do poder.

oglobo.globo.com | 17-02-2016

DOHA - A Arábia Saudita e a Rússia, os dois maiores produtores mundiais de petróleo, concordaram nesta terça-feira em congelar o nível de produção da commodity no nível de janeiro, desde que outros países façam o mesmo. Em reunião, os dois gigantes, juntamente com Qatar e Venezuela, consideraram que manter o patamar produtivo do primeiro mês deste ano é o mais adequado para manter a demanda dos consumidores. O objetivo da medida é conter a derrubada dos preços do barril.

— Com o objetivo de estabilizar os mercados petrolíferos, os quatro países decidiram congelar a produção ao seu nível de janeiro, desde que os outros grandes produtores façam o mesmo — declarou aos jornalistas o ministro Mohammad bin Saleh al-Sada, ministro de Energia do Qatar.

Logo após o anúncio, o barril do Brent, de referência internacional, subia 2,4% em Londres, para US$ 34,20. Antes disso, já havia se valorizado 6,5%.

— Um congelamento não vai gerar uma mudança radical, mas dá uma melhor base para a recuperação dos preços no segundo semestre — afirmou Olivier Jakob, consultor-chefe da Petromatrix. — É a primeira grande decisão de gerenciamento do fornecimento desde novembro de 2014, e mesmo que alguns tentem minimizá-la e dizer que não é um corte, é uma mudança. É uma grande mudança política.

De acordo com a Agência Internacional de Energia, a Arábia Saudita produziu 10,2 milhões de barris por dia em janeiro, abaixo do último pico, de 10,5 milhões, registrado em junho de 2015. A Rússia produziu quase 10,9 milhões de barris diários no mesmo mês, maior patamar na era pós-soviética, de segundo dados oficiais russos.

O Qatar vai monitorar o acordo de congelamento da produção, de acordo com o ministro de Energia do país. Ele destacou que os baixos preços da commodity não têm sido algo positivo para o mundo. A derrubada no valor do barril afetou a economia dos países produtores, forçando-os a cortar gastos, prever aumento do déficit, elevar empréstimos e realizar reformas impopulares.

O ministro do Petróleo da Venezuela, Eulogio Del Pino, visitou os principais países produtores nas últimas semanas, defendendo a ideia de congelamento do nível de produção como uma saída para evitar a queda livre nos preços no barril.

Nos últimos 20 meses, os preços do petróleo caíram mais de 70% frente ao pico registrado em junho de 2014, graças a recordes de produção dos membros da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), assim como de outros produtores como a Rússia.

Há pouco mais de um ano, a Opep decidiu não cortar a produção para, desta forma, pressionar para cima os preços do barril. A oferta ainda excede a demanda, o que é agravado pelo fato de os estoques mundiais só crescerem, empurrando os preços para baixo. O Goldman Sachs, por exemplo, prevê que o barril possa ser negociado a menos de US$ 20.

oglobo.globo.com | 16-02-2016

MOSCOU - A economia russa vem sendo afetada por diferentes fatores, que vão dos embargos impostos devido ao conflito com a Ucrânia à derrocada no preço do barril de petróleo. Há ainda a desvalorização do rublo. Esse quadro fez com que o PIB russo tivesse em 2015 a maior queda desde 2009. Ainda assim, o mercado de carros de luxo continua aquecido, ressalta o site CNN Money.

Rússia crise 1502Duas marcas de luxo disseram ter registrado recorde no país em 2015. Uma delas é a Porsche, cujas vendas avançaram 12,4% no ano passado, diz o site. Para se ter uma ideia da diferença desse nicho para os números do setor, as vendas do grupo Volkswagen (ao qual a Porsche pertence) despencaram 37% em 2015.

A inglesa Rolls-Royce foi outra que disse ter anotado recorde de vendas na Rússia no ano passado. Bentley e Lexus, divisão de carros de luxo da Toyota, também entram na lista daquelas que registraram crescimento em 2015: 7% e 6%, respectivamente, conforme a agência de notícias Reuters.

O CNN Money ressalta a diferença entre esses números e aqueles registrados pelo setor automotivo russa, que encolheu cerca de 36% em 2015, após crescer com força durante dez anos.

A explicação é relativamente simples: “Os ricos da Rússia simplesmente têm mais dinheiro e mais confiança para fazer compras”, resumiu Tim Urquhart, analista automotivo na consultoria IHS, em entrevista ao CNN Money.

Há ainda outra explicação. A desvalorização do rublo diante do dólar — o site lembra que em janeiro a moeda russa caiu a seu menor patamar ante a divisa americana: 82 rublos por dólar — deixa os produtos mais baratos para quem tem reservas em dólar.

A queda na cotação do rublo também afeta esse mercado de outras formas. Uma delas, como Urquhart explica, é que os russos buscam ativos físicos como forma de proteger suas reservas financeiras, caso a moeda perca ainda mais seu valor.

Com a moeda se desvalorizando também é possível que quem tem dinheiro antecipe as compras planejadas antes que os preços sejam reajustados.

oglobo.globo.com | 15-02-2016

Com o lançamento de um foguete de longo alcance no último domingo, a Coreia do Norte reforçou seu papel de vilã da comunidade internacional, gerando tensões em torno de seu programa nuclear. Segundo o governo norte-coreano, tratou-se apenas da colocação em órbita de um satélite, dentro do cronograma de um programa espacial com fins científicos. Mas a recente realização de testes nucleares pelo país e o histórico de bravatas de seu líder supremo, Kim Jong-un, não deixam dúvidas acerca das verdadeiras intenções de Pyongyang.

A iniciativa gerou protestos dos países vizinhos, inclusive d a China, além do Reino Unido, da Rússia e dos EUA. Para eles, o foguete norte-coreano nada mais foi do que um teste de tecnologia de “míssil”, o que viola as resoluções da ONU impostas ao país. Japão, Coreia do Sul e EUA solicitaram uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para discutir o assunto.

A TV estatal norte-coreana afirmou que o satélite Kwangmyongsong-4 (Estrela Brilhante-4) entrou em órbita nove minutos e meio após o lançamento, sendo equipado com “aparelhos de medição e de telecomunicações necessários para a observação da Terra”. O comunicado oficial acrescenta que o governo tem o direito de explorar o espaço com fins pacíficos e independentes.

O anúncio de Pyongyang, porém, não convenceu. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou o lançamento do foguete e exortou o governo norte-coreano a suspender as provocações. O secretário de Defesa dos EUA, John Kerry, classificou o lançamento como uma afronta à ONU, e o presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, considerou a iniciativa “um ato de provocação”.

Ontem, o governo do Japão anunciou novas sanções econômicas contra a Coreia do Norte, que incluem restrições a viagens entre os dois países e a proibição de acesso de navios norte-coreanos aos portos japoneses ou embarcações de outras nacionalidades que tenham passado antes pelo país. Tóquio também restringiu o envio de dinheiro à Coreia do Norte ao teto de US$ 880 (cem mil ienes) e exclusivamente por razões humanitárias. Já a Coreia do Sul suspendeu suas operações no complexo industrial de Keasong, administrado pelos dois governos, numa rara parceria.

Estas decisões, que afetam a já precária economia da nação comunista, se somam a uma resolução que a ONU vem preparando para ampliar as sanções contra Pyongyang, depois que o país realizou, no dia 6 de janeiro, seu quarto teste nuclear. A aplicação de medidas punitivas e de restrições contra a dinastia Kim Jong-un, como mostra o exemplo iraniano, é um passo na direção certa para recolocar a Coreia do Norte no caminho da convivência pacífica com seus vizinhos e a comunidade internacional.

oglobo.globo.com | 11-02-2016

TENERIFE, Espanha - Um cartão de crédito que, ao realizar saques em caixas automáticos, retira o dinheiro, mas mantém o balanço da conta intacto. Pode ser um sonho para qualquer pessoa, mas se tornou um pesadelo para o sistema bancário. Um grupo criminoso operando na Rússia, apelidado como Metel, criou uma técnica para hackear computadores específicos dentro das redes dos bancos que são capazes de restaurar o saldo de contas após movimentações financeiras.

— É como um cartão mágico — explica Sergey Golovanov, pesquisador-chefe de segurança da Kaspersky Lab — O criminoso retira dez mil e o sistema restaura esses dez mil. Ele vai para outro caixa, realiza outro saque de dez mil, e o sistema restaura novamente o valor, indefinidamente.

O novo golpe foi detectado pela primeira vez na metade do ano passado, em mais de uma dúzia de bancos russos, mas o anúncio público aconteceu apenas nesta segunda-feira, primeiro dia do Security Analyst Summit 2016, evento de segurança da informação promovido pela firma de segurança digital Kaspersky, em Tenerife, na Espanha. De acordo com especialistas, o Metel continua operando. Até o momento, as ações se restringiram ao território russo, mas é possível que bancos de outros países se tornem vítimas. O caso está sendo investigado pela polícia local.

O ataque começa com a definição do alvo. Por meio de engenharia social, os criminosos identificam algum funcionário que trabalhe com computadores com acesso a transações financeiras, como profissionais da área de atendimento e suporte aos clientes. Depois disso, criam um e-mail específico para essa pessoa, técnica conhecida como spear phishing.

— É só procurar no LinkedIn. As redes sociais estão cheias de informações profissionais — diz Golovanov. — Depois de selecionarem o alvo, eles enviam um e-mail específico, como de um possível cliente falando sobre investimentos. Por mais que os funcionários sejam treinados, eles acabam abrindo.

Após infectarem esses computadores específicos em dúzias de bancos, os criminosos fizeram apenas uma ação, mas provocaram prejuízo de milhões de dólares. Durante uma noite, por sete horas, o grupo esvaziou caixas eletrônicos em diversas cidades russas e desapareceu sem deixar pistas.

ATAQUES CONTRA BANCOS

O Metel é o mais recente caso de uma nova onda de sofisticados ataques hackers. No início, os criminosos miravam nos clientes, elo mais fraco da cadeia; depois passaram a focar em intermediários na prestação de serviços financeiros; agora, nos próprios bancos.

— No ano passado nós encontramos três grandes ataques: o Metel, o Carbanak e o GCMAN, todos infectando sistemas bancários — diz Golovanov. — É uma tendência. Tenho certeza que surgirão outros.

Os três golpes usam uma técnica similar para se manterem camuflados. Após a infecção, os hackers entram nos sistemas bancários e apagam o malware usado para a invasão. A partir de então, começam a usar softwares legítimos para vasculhar a rede em busca de informações e lançar ações pontuais.

No caso do GCMAN, o sistema do banco ficou comprometido por um ano e meio, até que os criminosos rodaram um script que transferia somas de US$ 200 — limite máximo para pagamentos anônimos na Rússia — por minuto para a conta de uma “mula”. No Carbanak, caixas eletrônicos eram instruídos a liberar dinheiro automaticamente, em um determinado horário.

* O repórter viajou a convite da Kaspersky

oglobo.globo.com | 09-02-2016

BOMBAIM, ÍNDIA - A Índia anunciou que sua economia cresceu 7,3% de outubro a dezembro, na comparação com o quarto trimestre de 2014 — resultado em linha com as estimativas de analistas — e uma estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 7,6% no ano fiscal que termina em março, sobre um avanço de 7,2% um ano antes.

A Índia assiste a um crescimento que pode ultrapassar a China em desaceleração, um ritmo que o primeiro-ministro Narendra Modi sofrerá pressão para manter quando apresentar o orçamento do país no próximo dia 29 de fervereiro, de acordo com a “Bloomberg”. A China cresceu 6,9% em 2015, enquanto a economia da Rússia encolheu em 3,7% e o Brasil tem previsão de perda de 3,7%.

Ainda de acordo com a Bloomberg, o primeiro-ministro indiano estaria entre a urgência em estimular o consumo numa economia que demonstra sinais misturados de força, com a necessidade de conter as despesas para cumprir a meta de déficit e obter reduções de taxas pelo banco central. As ações, títulos e a moeda indianas tiveram o pior janeiro desde 2011, em parte devido à derrapagens fiscais.

— O ônus está sobre o governo para sustentar o ritmo atual — disse Prasanna Ananthasubramanian, diretor executivo da ICICI Securities Primary Dealership, em Bombaim, à Bloomberg. — Os vetores de crescimento, segundo os dados, sugerem que os gastos do governo e o consumo estão realmente fortes.

A publicação ressalta que, ainda que historicamente o maior gasto fiscal na Índia costuma vir acompanhado de crescimento mais forte, nesse cenário, a inflação também sobe. Isso põe em risco a meta de 5% traçada pelo banco central indiano para março de 2017, o que poderia obrigar

Economistas ouvidos em uma pesquisa feita pela “Bloomberg” veem Modi atingindo a meta de déficit de 3,9% do PIB no ano corrente, eles estimam 3,6% para o próximo ano, ao invés de 3,5% previstos anteriormente.

Em paralelo, houve entraves no Parlamento do país que impediram Modi de aprovar leis chaves na área econômica, incluindo uma taxa sobre bens e serviços, chamada de GST. A nova cobrança substituirá mais de uma dúzia de tributos e deve elevar a receita e o crescimento, afirmam legisladores relataram à “Bloomberg”.

oglobo.globo.com | 08-02-2016

NOVA YORK - Após um ano de preços baixos, apenas 0,1% da produção mundial de petróleo foi reduzida por não ser lucrativa, de acordo com um relatório de consultores da Wood Mackenzie que destaca a resiliência do setor. A análise, publicada antes da reunião anual do setor petroleiro, que acontecerá em Londres na próxima semana, sugere que os preços do petróleo terão que cair ainda mais — ou continuar em baixa por mais tempo — para reduzir significativamente a produção mundial.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e grandes empresas de petróleo, como BP e Occidental Petroleum, apostam que os preços baixos vão levar a uma redução da produção e, eventualmente, elevar os preços. Isso está demorando mais do que se esperava, em parte por causa da resiliência do setor de gás xisto dos EUA e da desvalorização da moeda em países ricos em petróleo, que reduziu custos de produção em países como Rússia e Brasil.

A análise da Wood Mackenzie oferece uma estimativa para a quantidade que sofreu um impacto direto dos preços baixos – 100 mil barris por dia desde o início de 2015 – ao invés de ser afetada por novos projetos e queda de envelhecimento dos campos . O Canadá, os Estados Unidos e o Mar do Norte foram os mais afetados por fechamentos relacionados a preços baixos.

‘ASSUMIR O PREJUÍZO’

A Agência Internacional de Energia (AIE) de fato estima mudanças ano a ano e diz que a produção mundial no quarto trimestre foi de 96,9 milhões de barris por dia. A AIE prevê que, fora da Opep, a produção cairá neste ano em 600 mil barris por dia, a maior queda anual desde 1992. No ano passado, a produção de fora da Opep subiu em 1,4 milhão de barris por dia.

“Desde a queda dos preços do petróleo no ano passado tem ocorrido relativamente poucas suspensões de produção”, de acordo com o relatório da consultoria.

A empresa, que acompanha a produção e os custos em mais de 2 mil campos de petróleo em todo o mundo, estima que outros 3,4 milhões de barris diários de produção estão perdendo dinheiro com os preços atuais, cerca de US$ 34 o barril. Ela chamou a atenção para a expectativa de mais fechamentos, porque “muitos produtores continuarão a assumir o prejuízo na esperança de que os preços se recuperem”.

Para as grandes empresas de petróleo, alguns poucos meses de prejuízo podem fazer mais sentido do que pagar para desmontar uma plataforma no Mar do Norte ou interromper e reiniciar um projeto, o que poderia demorar meses e custar milhões de dólares.

— Há obstáculos para a saída — disse Robert Plummer, vice-presidente de pesquisa de investimento da Wood Mackenzie.

PREÇOS ‘IRRACIONAIS’

Khalid al-Falih, presidente do conselho da empresa de petróleo estatal da Arábia Saudita, a Saudi Aramco, disse no mês passado que os preços atuais são “irracionais” porque estão baixos demais para justificar o investimento em produção nova. Mas acrescentou:

— No curto prazo, embora haja excesso de capacidade, os preços são definidos por custos variáveis e a maioria dos produtores consegue pagar o custo de dinheiro dentro do preço atual.

A produção de petróleo ainda pode cair com as empresas deixando de investir e de perfurar novos poços, permitindo que a produção caia naturalmente. Com o envelhecimento dos campos, a produção normalmente cai de 5% a 10% ao ano. Os novos poços de gás xisto dos EUA têm taxas de declínio mais acentuadas, então a produção das empresas cai mais rapidamente se elas não perfurarem novos poços.

Além do declínio natural e da falta de novos investimentos, o relatório da Wood Mackenzie sinaliza que a produção continuará resiliente.

“Ter o caixa negativo significa simplesmente que os custos de produção são mais altos do que o preço recebido. Isso não significa necessariamente que a produção será interrompida”, afirma o documento.

EUA: MENOS SONDA

As petroleiras americanas reduziram o número de sondas de exploração de petróleo em atividade no país pela sétima semana consecutiva, para os menores níveis desde março de 2010, mostraram dados nesta sexta-feira, com as empresas continuando a reduzir gastos devido ao colapso nos preços do petróleo.

As petroleiras removeram 31 sondas de petróleo na semana encerrada em 5 de fevereiro, o maior corte desde abril do ano passado, reduzindo a contagem de sondas para 467, disse a companhia de serviços de petróleo Baker Hughes em um aguardado relatório semanal.

oglobo.globo.com | 05-02-2016

FRANKFURT — A Volkswagen não está sob pressão para vender sua divisão de caminhões e levantar dinheiro para enfrentar os prejuízos de milhares de milhões de euros, depois de admitir a manipulação de testes de emissão de poluentes, disse Andreas Renschler, membro do conselho de gestão da empresa, ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung.

“Os resultados operacionais do grupo Volkswagen são bons, apesar de tudo. Não haverá uma liquidação”, afirmou Renschler, que também dirige a divisão de caminhões da VW, segundo entrevista publicada neste domingo.

Renschler disse ainda que a situação na América do Sul, especialmente no Brasil, é "extremamente difícil", mas que a decisão correta era esperar a crise passar e manter a produção no Brasil até que a economia se recupere.

A VW contratou Renschler, ex-executivo da Daimler, no ano passado para alinhar sua fabricante de caminhões MAN e sua filial sueca Scania e esculpir um negócio global para competir melhor com as líderes da indústria, Daimler e Volvo.

Questionado sobre se a nova estrutura poderia significar que a divisão de caminhões, agora separada da de automóveis de passageiros da VW, poderia ser dividida e listada separadamente na bolsa de valores, Renschler disse ao jornal: "Tudo é possível, mas só se fizer sentido estratégico."

Renschler também avaliou que o mercado da Rússia, por sua vez, parece já ter atingido o fundo do poço, enquanto o americano provavelmente deva diminuir um pouco o ritmo. Já o da África é promissor.

"Temos esperanças para o Irã, mesmo não havendo a atmosfera de 'corrida do ouro' que alguns estão esperando", acrescentou.

oglobo.globo.com | 31-01-2016

MOSCOU - A economia russa encolheu em 2015 pressionada pela queda no preço do petróleo e na cotação do rublo. De acordo com dados divulgados nesta segunda-feira, a retração foi de 3,7%, após alta de 0,6% em 2014. Outro fator que pesou na maior queda no Produto Interno Bruto (PIB) da Rússia desde 2009 foram as sanções internacionais impostas ao país em função do conflito com a Ucrânia, que dificultaram o acesso a financiamento no exterior.

Economistas consultados pela Bloomberg previam, em média, queda de 3,8%. Também foram divulgados ontem dados sobre o consumo no país em dezembro. As informações mostram que o gasto dos consumidores continuou em declínio diante da queda na renda. As vendas no varejo despencaram 15,3% em dezembro, ante o mesmo mês de 2014. Já os salários, ajustados pela inflação, caíram 10%, acima da previsão de analistas.

“A economia está passando por grandes ajustes. Ela ainda é ‘viciada’ em petróleo”, disse, por e-mail, Vladimir Miklashevsky, estrategista do Danske Bank, de Helsinque. “O rublo fraco e a substituição de importações vão continuar a apoiar a produção local, embora em um caminho moderado. É uma jornada longa e dolorosa até a recuperação”.

INFLAÇÃO PIORA O QUADRO

O país que é o maior exportador de energia do mundo pode enfrentar em 2016 seu segundo ano de contração depois de o petróleo voltar a cair, fazendo com que o rublo tivesse desvalorização recorde. A divisa russa já perdeu mais de 7% diante do dólar só este ano, o pior desempenho entre as 24 moedas de países emergentes analisadas pela Bloomberg. E desde o início de 2016, o preço do barril de petróleo já caiu cerca de 15%.

— É pouco provável que nós vejamos uma recuperação em forma de “V” devido à perspectiva de preços do petróleo mais baixos por mais tempo e à contínua contração da demanda doméstica — afirmou Piotr Matys, estrategista para moedas de mercados emergentes do Rabobank, em Londres.

A presidente do Banco Central da Rússia, Elvira Nabiullina, disse que a autoridade monetária está monitorando “vigilantemente” a situação e pronta para agir. O BC russo não vende moeda estrangeira desde o fim de 2014 após mudar sua política para permitir a livre flutuação do rublo.

A situação é agravada pela inflação. Enquanto o crescimento dos preços ao consumidor em dezembro tenha desacelerado, ele ainda está em 12,9%. A meta do banco central é de chegar ao fim de 2017 com o indicador a 4%. E há fatores que podem pressionar os preços, incluindo a recente desvalorização do rublo e as barreiras impostas a produtos turcos, como frutas e vegetais depois que militares da Turquia derrubaram um avião de guerra russo perto da fronteira da Síria.

oglobo.globo.com | 25-01-2016

WASHINGTON - O cenário não poderia ser pior para o Brasil. As novas perspectivas globais do Panorama Econômico Mundial (WEO, na sigla em inglês), do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgadas na manhã desta terça-feira, indicam que a economia do país se retraiu em 3,8% em 2015 e deverá sofrer outra queda de atividade, de 3,5%, neste ano. O FMI ainda afirma que o país terá crescimento zero em 2017, ou seja, a tão esperada retomada do ficaria para 2018. Na previsão de outubro, a expectativa era de recessão de 3% em 2015 e de nova queda de 1% neste ano.

Assim, o Brasil tem as piores perspectivas entre as nações destacadas pelo Fundo, superando a Rússia, que até a previsão de outubro tinha piores previsões para 2015 — por causa dos problemas econômicos após o embargo com a incorporação da Crimeia e sentindo fortemente a queda do preço do petróleo. O Brasil é apontado pelo Fundo como um dos responsáveis pela redução da expectativa de crescimento global para os dois anos. Segundo o FMI, depois de ter um crescimento de 3,4% em 2014, a economia global avançou 3,1% em 2015 e terá expansão de 3,4% neste ano e de 3,6% em 2017 — os valores de 2016 e de 2017 foram cortados, cada um, em 0,2 ponto percentual, na comparação com as expectativas de outubro.

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“Sobre a composição dos países, as revisões podem ser atribuídas principalmente ao Brasil, cuja recessão (causada pela incerteza política em meio ao rescaldo da ininterruptas investigações da Petrobras) está se demonstrando ser mais profunda e prolongada que o esperado”, afirma o documento que afirma que toda a América Latina também apresentará recessão em 2016, “apesar do crescimento positivo na maioria dos países da região. Isso reflete a recessão do Brasil e de outros países em dificuldades econômicas”, conclui o documento.

O FMI estima que o crescimento global será mais gradual que o previsto anteriormente. O Fundo acredita que as economia avançadas continuarão a viver “uma recuperação moderada e desigual”, enquanto os países emergentes terão panorama variado, embora sempre com desafios. Entre eles a desaceleração da economia chinesa — que nesta terça-feira (noite de segunda no Brasil) anunciou que cresceu 6,9% em 2015, a menor taxa em 25 anos —, a queda dos preços das matérias primas e “tensões” que encontram algumas grandes economia emergentes. O documento prevê que o preço do petróleo, que caiu 47,1% em dólar em 2015, deva retroceder mais 17,6% neste ano.

“Em 2015, a atividade econômica internacional se manteve atenuada. Apesar de ainda gerarem mais de 70% do crescimento mundial, as economias de mercados emergentes e em desenvolvimento se desaceleraram pelo quinto ano consecutivo”, informou o documento, que também listou como desafios para este ano a queda do preço da energia e o endurecimento da política monetária dos Estados Unidos, que começou a elevar seus juros.

Sobre a desaceleração chinesa, o documento afirma que ela ocorre dentro do esperado, mas que a queda mais brusca e rápida que o esperado das importações do país asiático, por causa do abrandamento dos investimentos industriais, juntamente com dúvidas sobre o desempenho futuro da China, “está contagiando outras economias através dos canais comerciais e da queda do preço da matéria prima, assim como diante de uma menor confiança e uma piora na volatilidade dos mercados financeiros”.

O economista-chefe do FMI, Maurice Obstfeld, afirmou nesta terça-feira em Londres que os mercados financeiros globais parecem estar reagindo de maneira exagerada à queda dos preços do petróleo e à China:

— Não é um exagero sugerir que (os mercados) podem estar reagindo de maneira muito forte às pequenas evidências em um ambiente de volatilidade e aversão a risco.

O Fundo também apontou quatro fatores de risco que podem piorar suas previsões: uma desaceleração mais forte que o previsto do crescimento chinês, dificuldade de empresas endividadas em dólar com a valorização da moeda americana, aumento exacerbado de aversão ao risco e aumento das tensões geopolíticas, que poderiam afetar o fluxo comercial, financeiro e de turismo no mundo.

oglobo.globo.com | 19-01-2016

DUBAI/PARIS - A compra de 114 aeronaves civis da fabricante europeia Airbus pode ser um dos primeiros grandes negócios do Irã em um boom de comércio e investimento que pode mudar a economia do Oriente Médio.

Neste domingo, um dia após potências mundiais suspenderem as sanções contra Teerã em troca de restrições sobre seu programa nuclear, o presidente Hassan Rohani twittou: - A economia do Irã está agora livre das cadeias de sanções, e é hora de construir e crescer".

A declaração do planejamento da compra foi feita pelo ministro iraniano dos Transportes, no sábado, antes da suspensão das sanções internacionais contra o Irã. - Temos dado o primeiro passo para um acordo com a Airbus para comprar 114 aviões -, disse Abbas Akhoondi, segundo a agência de notícias Tasnim.

A Airbus disse no sábado que ainda não tinha mantido conversações comerciais com o Irã, e que as empresas que operam na República Islâmica continuará a enfrentar grandes obstáculos. Os riscos incluem os bancos endividados iranianos, um sistema jurídico primitivo, corrupção e um mercado de trabalho inflexível.

Mas o plano da Airbus salientou o potencial do Irã: com cerca de 80 milhões de pessoas e produção anual de cerca de US$ 400 bilhões, é a maior economia a voltar a participar do sistema de comércio global desde que a União Soviética acabou mais de duas décadas atrás.

O acordo nuclear eliminou os entraves que restringiam a economia do Irã. Isso permitirá ao país satisfazer a demanda reprimida por bens e serviços que tiveram dificuldade em obter a preços acessíveis sob sanções, a partir de aeronaves a fábrica de máquinas, medicamentos e alguns bens de consumo, como cosméticos e roupas de marca.

EXPORTAÇÕES ALEMÃS PODEM DOBRAR

A indústria alemã espera um crescimento acentuado nas exportações para o Irã na sequência da suspensão de sanções internacionais, e o ministro da Economia, Sigmar Gabriel, disse neste domingo que iria buscar fomentar o comércio em visita à Teerã no começo de maio.

- Isso foi mais rápido do que o esperado -, disse Reinhold Festge, diretor do grupo de engenharia alemão VDMA, adicionando que agora diplomatas entregaram que era o momento de companhias e bancos aproveitarem a nova oportunidade.

Por décadas antes da imposição das sanções, a Alemanha era o maior parceiro comercial do Irã. A lacuna nas importações iranianas da Alemanha e outros países ocidentais foi amplamente preechida por competidores chineses, coreanos e do Oriente Médio.

A Câmara do Comércio e Indústria da Alemanha, espera que as exportações para o Irã dobrem para 5 bilhões de euros nos próximos anos e alcancem duas vezes este número no longo prazo.

Isso poderia compensar, ao menos parcialmente, a demanda minguante de bens alemães da China, Rússia e outros países emergentes.

O ministro da Economia que lidera a primeira visita de alto nível do governo alemão a Teerã em 13 anos em julho, estará no Irã no início de maio para copresidir uma conferência econômica com seu homólogo Ali Tayyebnia.

oglobo.globo.com | 17-01-2016

RIO - O Índice Big Mac, divulgado pela revista britânica “The Economist” nesta quinta-feira, aponta que o Brasil tem o 17º Big Mac mais caro entre os 57 países pesquisados. O sanduíche mais popular do Brasil custaria, em dólares, US$ 3,35 (cerca de R$ 13,50), o que representa queda de 22% frente aos US$ 4,26 do lanche no último ranking, em julho de 2015, quando o Brasil estava em 9º lugar.

Segundo a publicação, o índice compara o custo do famoso sanduíche do McDonald’s em diferentes países a partir da conversão da moeda local em dólar usando taxas de câmbio do mercado (com base em 6 de janeiro). O resultado é usado para mostrar o poder de compra das moedas dos países pesquisados. De acordo com a lista, o real se desvalorizou 32% frente ao dólar.

Nos Estados Unidos, o Big Mac custa US$ 4,93. No topo da lista, apenas na Suíça (US$ 6,44), Suécia (US$ 5,23) e Noruega (US$ 5,21) o sanduíche é mais caro, fato destacado pela “Economist”. Nos outros 23 países, mais a zona do euro, o lanche se mostrou mais barato após a conversão, o que indica que a maioria das moedas globais estão mais baratas com relação ao dólar.

Isso se deve principalmente pela queda no preço das commodities, que afetou diretamente o real frente ao dólar, e a desaceleração da economia da China, que reduziu a demanda ao exterior. Além disso, a decisão do Federal Reserve (Banco Central dos Estados Unidos) em elevar a taxas de juros em dezembro também pesa na depreciação cambial, aponta a revista.

A revista aponta que as exportações brasileiras perderam 22% em valor em 2015, enquanto aumentaram 10% em volume como resultado da compensação de exportadores de commodities compensando a redução das receitas com maior venda de minerais e petróleo.

O Brasil se mostra na posição mais alta do ranking entre os Brics. A China (US$ 2,68) ocupa a 29ª posição, enquanto a Índia (US$ 1,90), África do Sul (US$ 1,77) e Rússia (US$ 1,53) estão entre os últimos lugares da lista.

Veja os 20 primeiros no ranking do Índice Big Mac:

1º lugar: Suíça

2º lugar: Suécia

3º lugar: Noruega

4º lugar: Estados Unidos

5º lugar: Dinamarca

6º lugar: Israel

7º lugar: Reino Unido

8º lugar: Canadá

9º lugar: Costa Rica

10º lugar: Países da zona do euro

11º lugar: Nova Zelândia

12º lugar: Austrália

13º lugar: Uruguai

14º lugar: Coreia do Sul

15º lugar: Emirados Árabes

16º lugar: Turquia

17º lugar: Brasil

18º lugar: Cingapura

19º lugar: Arábia Saudita

20º lugar: Japão

oglobo.globo.com | 07-01-2016

MADRI - “Sobreviverei” é a famosa música que inaugura o baile no casamento de Hazar Salbah, de 34 anos, e Hala Darwish, de 21. Um casal que, apesar da guerra civil e da economia, tenta começar uma vida nova na Síria. Os dois mantiveram a festa mesmo tendo que dividir por quatro o número de convidados e comemorar de dia para evitar os morteiros noturnos. Nos últimos dois meses, as condições de vida dos sírios pioraram drasticamente. E isso inclui Damasco, a capital do país e refúgio de grande parte dos oito milhões dedeslocados que fogem da guerra. Hoje, os pais de família vivem presos em uma corrida constante para pagar as contas todo mês.

"O botijão de gás custa entre 2.000 e 4.000 libras sírias [entre 22,5 e 45,1 reais]", diz Mahmoud, que carrega uma das valorizadas garrafas na véspera do que promete ser um duro inverno. Leva o botijão de bicicleta, numa cidade onde o aumento no preço do combustível tem feito muita gente caminhar ou recorrer às duas rodas como meio de transporte. Os moradores de Damasco contam com no máximo oito horas diárias de eletricidade.

Sem energia, o dia a dia fica mais lento. Os eletrodomésticos se tornam aparatos inúteis que estorvam nas cozinhas. O lavar à mão substitui a máquina de lavar: se há eletricidade não há dinheiro para armazenar comida. A moeda síria se desvalorizou em 700% desde o início da guerra, em março de 2011, passando de 12 libras para 85 libras a cada real. O poder aquisitivo do sírio míngua a cada dia, como o número de sacolas que traz do mercado.

"O quilo de tomate valia 10 libras em 2010, hoje vale 235", alfineta a funcionária pública Nadia, de 51 anos e mãe de quatro, que hoje tem de escolher cuidadosamente o que levar para a mesa. A flutuação geográfica dos combates também dita a lei da oferta e da procura. A carne de boi desaparece da dieta síria, e somente aqueles em situação mais folgada podem comer frango. "O frango inteiro valia anteontem 650 libras, hoje, 850. Trazemos de Zabadani, e quando há confrontos os preços sobem", diz Abdelkarim, vendedor no mercado de Hamidie, em Damasco. Produtos importados, como o peixe merluza ou arroz, competem com os locais.

A isso se soma o estancamento dos salários, equiparáveis aos do pré-guerra, com um valor equivalente a 330 reais por mês. Os aluguéis, que oscilam entre 400 e 600 reais por apartamento por mês, continuam sendo a principal despesa. Para arcar com ela, várias famílias dividem uma mesma casa, ocupando um quarto cada uma. No entanto, passados quase cinco anos de guerra, os moradores de Damasco concordam em que o esgotamento psicológico é hoje o maior obstáculo para a população.

"Se for feita uma comparação com outros conflitos, como o libanês, a desvalorização da libra síria não foi tão drástica. Além disso, o Governo conseguiu manter os subsídios de produtos básicos, como o pão, cujo preço mal variou", pondera o economista sírio Siman Kahaf. Subvenções mantidas em parte com empréstimos de Governos aliados, como os da Rússia e Irã, que injetou o equivalente a 4,15 bilhões de reais em julho. A deterioração econômica acabou alterando a estrutura social. "Hoje a classe média passa a engrossar a classe pobre, em contraposição a um punhado cada dia mais reduzido de ricos", avalia Mahmoud Marai, político oposicionista e membro do Comitê Nacional de Ação Democrática síria.

Adolescentes olham para a EuropaDurante o verão, e depois de uma fuga maciça de dezenas de milhares de jovens, os adolescentes são talvez os que mais modificaram o panorama na rua. Jovens deslocados de todo o país vão em massa à capital para concluir os estudos. À tarde, fogem de um lar às escuras, dedicando-se a vagar pelos parques, conversando em grupos e fumando cigarros. "Quando terminar o curso de turismo, irei para a Europa", diz Dima, de 18 anos, que teve de sair de Hama e conversa com duas amigas em um parque.

Atrás delas, um casal aproveita a intimidade que os cortes de luz lhes propiciam para namorar sentados em um banco. Os menores, fartos de olhar para um televisor negro, nutrem o novo negócio dos cafés com videogames, onde se dedicam a lutar em uma guerra fictícia, apesar de que ao fundo ressoa uma real, com o som dos morteiros e o sobrevoo de bombardeiros.

Os jovens mais abastados inundam uma vibrante e crescente oferta de bares alternativos. Alguns procuram ficar embriagados à base de bebidas alcoólicas de produção duvidosa, e nem por isso baratas. "O copo de vodca ou whisky local custa 700 libras, a importada, 2.000", explica Anmar Hazin, dono do bar A Marioneteque abriu as portas meses atrás. Aos que emigram se opõem os que se negam a abandonar o país. Ocupado com a maquinaria bélica, o controle do regime se afrouxa, dando lugar a um florescente debate intelectual e artístico.

O Exército fica à espreita daqueles que não são filhos únicos nem dispõem de uma ajuda em razão dos estudos. "Se te pegam você não sairá nunca do front", diz um jovem, sob anonimato. Com medo de serem interceptados nos controles militares, muitos tiveram de perder, com grande pesar, o jogo do Barça x Real Madrid. "É nos cafés e nesse tipo de ocasião onde [os militares] mais buscam jovens", acrescenta.

A cada dia, predominam mais nas ruas os rostos de mulheres, em uma geração empurrada para a sangria migratória. São os homens os que fogem do serviço militar ou da falta de trabalho. Para trás, deixam corações despedaçados se lamentando tanto nos parques como nas páginas do Facebook. As mais precavidas obrigam os namorados a passarem pela mesquita ou o altar antes que os rapazes saiam em disparada rumo à Europa.

oglobo.globo.com | 03-01-2016

RIO — O acordo de comércio entre a União Europeia e a Ucrânia, que entra nesta sexta-feira em vigor, vai facilitar as exportações ucranianas e os investimentos europeus, mas implica restrições econômicas impostas pela Rússia como retaliação pela aproximação do país à Europa.

“Estamos prontos a pagar o preço da nossa liberdade e da nossa escolha europeia”, assegurou em dezembro o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, ao selar em Bruxelas o Acordo Abrangente e Aprofundado de Comércio Livre.

O preço foi definido pelo presidente russo, Vladimir Putin, que decidiu suspender o acordo de comércio livre que unia Moscou e Kiev desde 2011, alegando “circunstâncias que prejudicam os interesses e a segurança econômica” da Rússia. Trata-se, segundo Moscou, de evitar uma entrada maciça de produtos europeus mais baratos, com etiqueta ucraniana, no mercado russo.

Além da suspensão do pacto de 2011, Moscou vai estender à Ucrânia o embargo aos produtos alimentares europeus decidido em retaliação pelas sanções econômicas que lhe foram impostas após a anexação da Crimeia em março de 2014.

Em resposta, Kiev anunciou também a suspensão do pacto comercial com a Rússia, a partir deste sábado, e a proibição da importação de produtos alimentares russos, a partir do dia 10, no território ucraniano e mais tarde na Crimeia, península que não tem ligação por terra com a Rússia e depende em grande medida dos produtos ucranianos.

O acordo comercial União Europeia-Ucrânia insere-se no Acordo de Estabilização e Associação assinado em 27 de junho de 2014, um pacto político e comercial considerado um primeiro passo para uma futura adesão ao bloco.

Esse acordo esteve na origem do conflito na Ucrânia, desencadeado em 2014 com a contestação popular à decisão do presidente pró-Rússia Viktor Ianukovich de não assinar o pacto, seguida da sua deposição, da insurreição separatista no Leste e da anexação da Crimeia pela Rússia.

oglobo.globo.com | 01-01-2016

WASHINGTON - Quando os números finais forem computados, 2015 provavelmente vai contar como outro ano decepcionante para o crescimento global. O desempenho foi fraco embora os bancos centrais tenham continuado injetando liquidez, os preços do petróleo caíram novamente e a inflação foi moderada.

Também foi um ano com desempenhos divergentes. A queda dos preços das commodities tirou o brilho dos grandes mercados emergentes, como Rússia e Brasil, mas outras economias emergentes, como Índia e Vietnã, surpreenderam no lado positivo. No mundo desenvolvido, o robusto crescimento dos empregos nos EUA levou o Federal Reserve a ajustar a política monetária pela primeira vez desde 2006, mas o pessimismo se aprofundou no vizinho Canadá. Com o ano chegando ao fim, eis alguns dos vencedores e perdedores.

DESEMPENHO DIVERGENTE

No mundo dos mercados emergentes, os maiores destaques foram o Vietnã, a Tanzânia e, surpresa, a China. Mesmo depois da queda de US$ 5 trilhões no mercado de ações e do que deverá ser o crescimento mais lento em 25 anos, o aumento geral do PIB da China continua relativamente forte em comparação com seus pares. A economia da Índia também se expandiu mais rápido do que o esperado no terceiro trimestre, quando o PIB aumentou 7,4% em comparação com o ano anterior, depois de uma expansão de 7% no trimestre anterior.

Os desempenhos mais fracos incluíram os suspeitos de sempre. A Rússia está a caminho da recessão mais longa em duas décadas, principalmente por causa dos baixos preços do petróleo. O Brasil se atrapalhou com a queda dos commodities, a turbulência política, um escândalo de corrupção e um crescente déficit orçamentário. Goldman Sachs Group Inc. advertiu que o país está afundando para “uma depressão completa”.

Uma ausência notável na lista é a Venezuela: isso porque o banco central não publicou os dados do PIB deste ano.

Nas economias avançadas, os países europeus menores estiveram entre os melhores desempenhos. A economia da Irlanda cresceu 7% no terceiro trimestre – mais rápido do que a China – e bem à frente do 1,6% de crescimento da zona do euro no mesmo período.

Em contraste, o quadro foi mais moderado na Finlândia. O membro do euro mais ao norte, um dos mais críticos da Grécia durante as negociações do resgate, está sofrendo com a crise em suas principais indústrias, como fabricação de papel e de bens de consumo eletrônicos. A demanda fraca de exportações da Rússia também piora a situação.

O Japão merece uma menção especial para a recessão que nunca chegou. Uma revisão de dados mostrou que o PIB cresceu no terceiro trimestre, em vez de se contrair, como se pensava antes. Ou seja, a terceira maior economia do mundo evitou pela segunda vez uma recessão em três anos. Alguns economistas dizem que o desempenho mostra que a economia do Japão está no caminho da recuperação, mesmo com a continuidade de importantes desafios.

DESEMPREGO

Longe dos números do PIB, os dados sobre o emprego em todo o mundo pintam um quadro contraditório. As mais baixas taxas de desemprego podem ser encontradas em países como Japão e Suíça, ou Tailândia e Singapura, mas a Europa Ocidental continua com níveis elevados de desemprego. As taxas de dois dígitos em lugares como Grécia e Espanha salientam os desafios futuros.

oglobo.globo.com | 30-12-2015

MOSCOU - A Rússia, maior produtor de petróleo do mundo, acredita que a decisão dos Estados Unidos de acabar com uma proibição de 40 anos às exportações de petróleo não vão afetar o mercado global da commodity, disse nesta quinta-feira o ministro russo de Energia, Alexander Novak.

Os preços globais do petróleo caíram a menos de 40 dólares o barril, sendo negociados próximos de mínimas de 11 anos, pressionados pela oferta em excesso e em meio à resistência dos maiores produtores, incluindo a Rússia, em cortar a produção.

Na última sexta-feira, o Congresso dos EUA votou por revogar a proibição às exportações de petróleo pelos EUA, imposta depois do choque do petróleo nos início dos anos 70 que elevou os preços da gasolina e contribuiu para fazer a inflação sair de controle.

— Isso não deveria afetar o mercado, pois esse país (os EUA) é um importador, ele precisa comprar petróleo no mercado — disse Novak a jornalistas.

Novak também disse que as companhias russas de petróleo estão analisando cenários de estresse com preços da commodity a entre US$ 30 e US$ 35 o barril, e que a produção preliminar de petróleo da Rússia em 2015 foi de cerca de 533 milhões de toneladas, ou 10,7 milhões de bpd.

Preços baixos do petróleo e sanções do Ocidente sobre a Rússia têm colocado pressão sobre o rublo desde o ano passado, fazendo da indústria petroleira russa uma das de menor custo e ajudando a ampliar investimentos.

Novak disse que os investimentos na produção de petróleo na Rússia foram de cerca de 1,1 trilhão de rublos (US$ 15,7 bilhões) neste ano, ante cerca de 980 bilhões de rublos em 2014.

A produção de petróleo da Rússia deve subir para um novo recorde pós-era soviética em 2016, em uma média de 10,78 milhões de bpd, conforme novos campos passam a produzir e as empresas aproveitam-se de custos menores, mostrou uma pesquisa da Reuters nesta semana.

oglobo.globo.com | 24-12-2015

ESKISEHIR, TURQUIA — Uma nova linha férrea de alta velocidade, entregue em 2014, agora liga a cidade de Eskisehir a Istambul, no Oeste do país, e Ancara, no Leste. Um rio estreito serpenteia pelo Centro da cidade, pontilhado por belas pontes azuis em praticamente todos os quarteirões, atraindo turistas do mundo todo. As fábricas da cidade produzem de tudo, de bolos e biscoitos a caminhões Ford e peças para aviões.

Ainda assim, apesar da aparência de prosperidade, a economia de Eskisehir sentiu a crise que se abateu sobre o país, à medida que as exportações para a China e o Oriente Médio perderam a força. Além disso, a Rússia interrompeu boa parte do turismo para a Turquia e ameaçou interromper a importação de alimentos do país depois que jatos F-16 turcos abateram um avião de combate russo na fronteira com a Síria em novembro, tornando ainda mais delicada a situação econômica.

— Com a taxa de desemprego crescendo a cada dia, nossa economia perdeu a força — afirma o prefeito de Eskisehir, Yilmaz Buyukersen.

A Rússia é um dos maiores mercados exportadores da Turquia, atrás apenas da Alemanha. A cidade de Eskisehir tem uma grade refinaria que produz açúcar com as beterrabas colhidas nos campos da região e exporta mais de US$ 30 milhões (R$ 116,7) em biscoitos, bolos, bolachas e outros alimentos para a Rússia, de acordo com a câmara de comércio local.

A Turquia estava aumentando o volume de alimentos exportados para a Rússia nos últimos meses, quando os conflitos políticos entre os russos e os países ocidentais levaram à redução das importações de alimentos da União Europeia (UE).

Os russos também estavam entre os principais turistas na Turquia até 2014, quando uma queda no valor do rublo e as sanções do Ocidente geradas pelo apoio aos insurgentes ucranianos levaram a uma queda brusca no número de pessoas capazes de realizar viagens internacionais. A queda no turismo já preocupava os economistas turcos antes mesmo da queda do jato da Rússia.

— O déficit comercial está fora de controle. As exportações não são suficientes para compensar as importações, então o faturamento do turismo é fundamental para manter nossas contas equilibradas — explica o diretor da Faculdade de Economia da Universidade de Bilkent, Erinc Yeldan, nos arredores de Ancara.

Ainda assim, vice-diretor-geral de assuntos econômicos gerais e bilaterais do Ministério do Exterior turco, Cengiz Kamil Firat, observa que a economia do país está em melhor forma do que pode parecer. A decisão russa de desencorajar o turismo, por exemplo, ocorreu justamente no início da baixa temporada turca. O país é basicamente um destino de verão e não espera um grande número de turistas antes do mês de junho.

— Os problemas provavelmente vão ser resolvidos muito antes da estação — aposta Firat.

As exportações turcas para a Rússia corresponderam a 0,8% da produção econômica do país em 2014. Mas Yeldan afirma que, mais importante que o valor do dólar ou as sanções comerciais, é que a Rússia não leve o mercado internacional a deixar de trazer os investimentos necessários para equilibrar o déficit crônico da balança comercial turca.

As dificuldades econômicas da Turquia são preocupantes para o Ocidente. A UE e os Estados Unidos têm buscado ajuda turca para limitar o número de europeus que usam o país como porta de entrada ou saída de áreas na Síria e no Iraque controladas pelo Estado Islâmico.

A crise da economia de Eskisehir, e da Turquia como um todo, vai muito além de lidar com imigrantes indesejados ou com uma possível queda no número de turistas. Muitos mercados emergentes têm enfrentado problemas com a desaceleração do comércio internacional.

A Turquia depende há muito tempo da exportação de produtos manufaturados para a Europa e o Oriente Médio, duas regiões onde a demanda está em baixa nos últimos tempos. Isso se deve em parte à geopolítica e em parte à sobreprodução industrial chinesa, que leva à exportação de produtos com custo baixíssimo para os mercados outrora cativos da Turquia no Oriente Média, na Europa e na África.

Tradicionalmente, o Iraque costumava ser o segundo maior mercado de exportação da Turquia, atrás apenas da Alemanha, mas os anos de guerra afetaram drasticamente as vendas. A Síria, outro importante mercado para a Turquia, está em plena guerra civil e o transporte de produtos através das rodovias que passam pela Síria ou pelo Iraque em direção ao Golfo Pérsico se tornou difícil e perigoso.

— As rotas não estão fechadas. Ainda há muito contrabando e as pessoas precisam disso para viver na Síria — explica Savas M. Ozaydemir, poderoso industrial de Eskisehir ligado à fabricação de telhas, materiais elétricos e ao setor imobiliário. — Mas a queda nas vendas foi de mais de 70%.

Ainda assim, a indústria Turca teve alguns bons momentos e a previsão é de que a economia do país continue a crescer em torno de 3% ao ano pelos próximos anos — menos do que os 5% aos quais a economia turca se habituou nas épocas de vacas gordas, mais ainda assim mais do que a maioria dos países.

Uma das áreas mais fortes é a construção de casas. Temendo instabilidades no mundo árabe, famílias de todo o Oriente Médio estão comprando apartamentos na Turquia. Juntamente com as baixas taxas de juros, isso gerou um boom imobiliário em Ancara e Istambul.

Em Eskisehir, a nova linha de trem de alta velocidade e a transformação de um velho distrito industrial no Centro em um bairro de apartamentos luxuosos levou a um aumento no número de projetos de construção. Mas, por enquanto, muitos proprietários estão preocupados.

— Vivo em Eskisehir há 15 anos e nunca vi a economia tão devagar quanto agora — afirmou Sinan Atinar, dono de uma lanchonete no Centro.

oglobo.globo.com | 23-12-2015

RIO - Em um intervalo de apenas 48 horas na semana passada, ocorreram três dos acontecimentos que o investidor brasileiro mais vinha temendo. Entre quarta e sexta-feira, o Brasil perdeu seu grau de investimento por uma segunda agência de classificação de risco a Fitch; viu o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) aumentar a taxa básica de juros, que há sete anos estava em zero; e, para completar, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, considerado até então o fiador de uma nova política econômica mais austera, pediu demissão e foi substituído por Nelson Barbosa.

Embora os dois primeiros eventos viessem sendo antecipados há meses por quem investe, analistas observam que se trata de um divisor de águas que terá efeito negativo para a conjuntura econômica e, por consequência, para os mercados. Espera-se pressão maior no câmbio, na inflação e nos juros, além de empecilhos à recuperação da Bolsa, o que resulta em atratividade ainda maior para aplicações de renda fixa.

A economista Julia Gottlieb, do Itaú Unibanco, analisou como a perda do grau de investimento afetou a conjuntura macroeconômica e financeira em 11 países a partir de 1997. O grupo inclui europeus como Romênia (downgrade ocorrido em 2008), Grécia (2010), e Portugal (2012), e vizinhos nossos como Colômbia (1999) e Uruguai (2002). A conclusão do levantamento é que, por um lado, a perda de grau de investimento tem impacto importante nas perspectivas de crescimento, que pioram, e na aceleração dos preços, que aumenta. Além disso, o downgrade acaba precedendo algum ajuste fiscal e nas contas externas, que costumam melhorar rapidamente. Por outro lado, o efeito sobre os preços dos ativos é mais restrito. Essa análise de ativos considerou um universo mais restrito de países: Rússia, Portugal, Hungria, Croácia e Grécia.

— O que vemos é que, na maior parte dos casos, o preço dos ativos antecipa a perda do investment grade. Quanto às moedas, há depreciação ao longo do tempo pré-rebaixamento e, depois, não necessariamente há maior desvalorização. A dinâmica é semelhante — observa Julia.

De acordo com a economista, os juros tendem a subir depois do evento, mas a alta costuma ter duração curta, retornando ao patamar mais baixo cerca de um mês depois. Mas a Bolsa apresenta comportamento um pouco diferente. Ao contrário dos outros ativos, as bolsas seguem em queda depois de os países serem classificados como grau especulativo.

BANCO CENTRAL PODE SUBIR SELIC EM JANEIRO

O câmbio mais depreciado, por sua vez, costuma aumentar a inflação, em média, em dois pontos percentuais no ano do rebaixamento. No caso brasileiro, o Itaú projeta o dólar valendo R$ 4,50 no fim de 2016, mas por causa do Fed, não em virtude do rebaixamento.

— Com o Fed subindo juros, diminui o fluxo de capitais para outros países, sobretudo para emergentes. Isso torna menor o financiamento externo e põe pressão no câmbio —diz Julia.

Tadzio Gaspar, analista de investimento do Bullmark Financial Group, acredita que tanto o rebaixamento do Brasil quanto a elevação dos juros pelo Fed são eventos que aumentam a pressão por uma alta das taxas aqui no Brasil.

— Quando essas coisas acontecem, quem está em uma estratégia pós-fixada será beneficiado. Quem tem aplicações prefixadas, por sua vez, sofrerá um certo deságio. De qualquer forma, há muitos eventos acontecendo de forma simultânea no Brasil que podem levar os juros a patamares ainda maiores. Por enquanto, é muito melhor seguir no pós-fixado — recomenda. — A curva dos DIs (contratos de juros futuros), aliás, já antecipa uma alta na taxa básica Selic pelo Banco Central nas próximas três ou quatro reuniões, para 15,75% ao ano.

Além disso, teme-se que a alta de juros piore ainda mais a recessão econômica.

— Espera-se uma elevação já em janeiro, com a justificativa de controlar as expectativas inflacionárias. O problema é que não acreditamos que essas expectativas serão ancoradas, e, no cenário em que estamos, juros mais altos serão péssimos para o crescimento — diz Camila Abdelmalack, economista-chefe da CM Capital Markets.

Por outro lado, Camila vê, como fator positivo do anúncio do Fed, a maior previsibilidade para o câmbio.

— Para o investidor que quer entrar em equity (ações), como há muitas empresas endividadas em dólar, o comunicado do Fed diminui um pouco a incerteza que pairava sobre os seus caixas. Isso é benéfico.

investidor deve buscar pós-fixado e liquidez

Para Gaspar, a perda do grau de investimento prejudica as chances de uma recuperação no futuro, além de elevar a volatilidade do mercado:

— Tudo bem que os dois fatos já eram esperados, mas e a incerteza que fica sobre quando a Bolsa vai retomar a força? Ao pressionar os juros, o rebaixamento estimula ainda mais a ida para a renda fixa, dificultando a retomada da Bolsa. Eu espero que as ações não andem apenas “de lado”, como também vão oscilar muito ao longo do caminho. O resultado é menor liquidez e volume, afugentando a pessoa física, que já está distante da Bolsa.

Raphael Figueredo, da Clear Corretora, vê como fator mais negativo a dificuldade maior que as empresas terão para se financiar, já que o downgrade implica juros mais altos para captação e acesso restrito aos mercados de capitais.

— O rebaixamento é ruim, marca uma nova etapa, mas tem pouco efeito a curto prazo. O impacto é mais significativo a médio e longo prazos. As empresas terão mais dificuldade para se financiar, e os juros vão subir — diz Figueredo. — O mercado precisa de uma luz no fim do túnel. O problema é que, hoje, essa luz não existe.

NÃO É HORA PARA DECISÕES DE LONGO PRAZO

Com toda essa conjuntura, consultorias de investimento recomendam permanecer em aplicações de renda fixa pós-fixadas, que se beneficiam de eventuais altas de juros.

— O ideal é ficar mais tempo em uma estratégia pós-fixada e esperar o que vai acontecer, qual será o posicionamento do BC no próximo ano — recomenda Aline Sun, sócia da Guide Investimentos. — Prefixado, só é indicado o Tesouro IPCA, que protege da inflação, que deve continuar em patamares elevados.

Também é importante, segundo Sandra Blanco, da Órama, buscar aplicações com alta liquidez — que permitem a retirada com facilidade — e ter consciência de que não dá para antecipar o longo prazo.

— Para juros, se já havia uma possibilidade de aumento, pode ser que a taxa atinja agora um nível maior do que se esperava. A recomendação continua sendo a renda fixa, que vai trazer a segurança neste momento de crise. Como o nível de incerteza é grande, não é bom tomar uma decisão de longo prazo no momento — diz Sandra. — Enquanto isso, o investidor pode fazer uma aplicação pós-fixada com maior liquidez, como fundos referenciados DI com liquidez diária, fundos de crédito privado de baixo risco e o título público Tesouro Selic.

oglobo.globo.com | 21-12-2015

SEUL - A Hyundai Motor, maior fabricante de veículo da Coreia do Sul, se prepara para encontrar resultado inferior do que o esperado na venda de veículos pela primeira vez desde a crise financeira global de 2008, após uma desaleceração econômica na China afetar a demanda no país e os ganhos de mercados emergentes caírem devido à taxas cambiais desfavoráveis.

A montadora precisará vender ao menos 50% mais do que a média mensal no restante deste ano em dezembro para alcançar a meta anual de 5,05 milhões de veículos. Tal objetivo, no entanto, é improvável, afirmam analistas consultados pela Bloomberg. Eles também preveem que as vendas da Hyundai em 2016 serão menores do que o marco estabelecido este ano dada à falta de novos modelos “best-seller” e contínua fraqueza nas condições econômicas da Rússia e do Brasil.

A Hyundai se beneficiou nos últimos anos de um surto de demanda por automóveis na China, que tornou-se o maior mercado para a fabricante em 2009. Porém a dependência crescente foi freada após um crescimento econômico moderado e uma derrota no mercado de ações no meio do ano que abalou a confiança dos consumidores. A pressão da Hyundai em mercados emergentes também se deparou com a desvalorização do real e a rúbia este ano.

— Acho que ninguém esperava que as vendas na China despencassem como neste ano porque estamos todos acostumados com a China como um “cavaleiro branco” — afirmou Sang Hyun, analista da IBK Securities, à Bloomberg. — Embora as vendas na China devam melhorar em 2016, a partir de como a situação do mercado deve se desenrolar, as coisas não parecem tão animadoras.

A última vez que a Hyundai fracassou na meta de vendas foi em 2008, quando a companhia deixou de vender 327 mil unidades do objetivo de 3,11 milhões como consequência da queda na demanda americana na época da crise financeira que desencadeou uma recessão mundial. No ano seguinte, a montadora não estabeleceu uma meta.

A Hyundai se recusou a comentar e planeja divulgar o relatório integral das vendas anuais em 4 de janeiro.

Apesar do resultado mais fraco, as vendas americanas foram um ponto positivo para a empresa em 2015. As entregas supereram a indústria e cresceram 5,6% para 698.202 veículos de janeiro a novembro, impulsionadas pelas vendas dos modelos Tucson e Santa Fe junto à queda nos preços do combustível no país.

Em contrapartida, na China, o desempenho das vendas caiu 6,9% até novembro para 934.806 unidades, puxadas pela economia e na mudança dos hábitos de consumo de sedans para carros menores. As entragas ressaltaram em outubro após o governo chinês cortar impostos sobre veículos de porte menor. Existem planos do país para introduzir novas rodadas de subsídios para a compra de automóveis em áreas ruais, informaram fontes próximas ao assunto este mês, segundo a Bloomberg.

Mesmo com uma recuperação da China, a Hyundai enfretará dificuldades na Rússia e no Brasil, onde a depreciação da rúbia e do real reduziram o valor de ganhos repatriados, segundo a KTB Securities, que espera que as duas moedas permaneçam fracas em 2016.

— É improvável que a situação na Rússia e no Brasil se revertam no ano que vem — afirmou Moon Yong Kwon, analista na KTB Securities. — Em 2016, o ponto chave será ganhar vantagem de reduções tributárias na China para recuperar vendas e a taxa de produção no país.

oglobo.globo.com | 20-12-2015

LONDRES - A UK Coal, uma das principais empresas de extração de carvão mineral no Reino Unido, fechou a última mina da matéria-prima no país após 50 anos em atividade na sexta-feira. A mina de Kellingley Colliery se situa em Beal, na região norte de Yorkshire. Cerca de 450 vagas de emprego serão perdidas com a medida.

Os trabalhadores receberão do governo pacotes de indenização no valor de 12 salários mínimos. A desativação da mina marca o fim de uma era, visto que a indústria do carvão na Grã-Bretanha foi o núcleo do crescimento econômico do país no início do século XX, quando chegou a empregar cerca de 1,2 milhões de pessoas em aproximadamente 3 mil minas de carvão.

No entanto, a extração subssolo de carvão perdeu a lucratividade pela forte competição com mercados mais baratos como a Colômbia e a Rússia, o que diminuiu a demanda interna e levou o governo a se afastar da geração de energia pela commodity. A UK Coal assumiu a administração da mina em 2013 após dificuldades com a elevação de custos, responsabilidades com pensões e forte competição do exterior.

No último mês, o governo anunciou planos de fechar usinas de energia movidas à carvão até 2025, tornando-se a primeira grande economia mundial a impor uma data para desativar usinas de carvão na intenção de conter emissões de carbono. As fábricas de geração de energia à base de carvão forneceram cerca de um terço da eletricidade do Reino Unido no ano passado, mas muitas das usinas antigas devem fechar ao longo dos próximos dez anos para alcançar padrões ambientais mais restritos da União Europeia.

oglobo.globo.com | 19-12-2015

Um dos pensamentos célebres de Pierre de Coubertin, idealizador das Olimpíadas da Era Moderna, diz que “celebrar os Jogos Olímpicos é valer-se da História”. Quando se olha o desempenho dos continentes no quadro de medalhas desde 1894, a frase ganha contornos quase proféticos para a América do Sul. O modelo educacional, a relação das instituições com o esporte e até o posicionamento geográfico — além, é claro, do dinheiro — são alguns dos fatores que fazem o bloco sul-americano amargar a última colocação no ranking de pódios olímpicos.

— No século XIX, a história prevalecia na interpretação do país. Isso ainda faz algum sentido hoje em dia, embora não da forma exagerada como se pensava. O interessante é que o Barão de Coubertin não era um cara do esporte, ele era estudioso da história e da geografia. Os Jogos Olímpicos não são produto do esporte, mas sim da história — analisa o pesquisador Lamartine da Costa, professor da UERJ e membro do Centro de Pesquisas do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Lamartine lembra que a fragilidade institucional nos primórdios dos Jogos fez o Brasil passar por situações folclóricas. Nas Olimpíadas de Berlim, em 1936, uma guerra de poder travada entre o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) — hoje chamado Comitê Olímpico do Brasil — e a antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD) levou ao envio de duas delegações brasileiras para a Alemanha. A questão teve de ser resolvida pelo próprio COI.

Outro problema era a dificuldade para vencer grandes distâncias à época. Segundo o pesquisador, os atletas brasileiros levaram um mês para chegar de navio a Los Angeles, nos Jogos de 1932. Aos poucos, a evolução tecnológica e a consolidação do COB como instituição olímpica do Brasil atenuaram esses problemas. Mas o bonde da história já acelerava. Para os sul-americanos, o jeito foi correr atrás enquanto ainda calçavam os tênis.

— O padrão de desenvolvimento esportivo explica muita coisa. O Brasil, por exemplo, não tem um nicho de atletas. Acabamos nos destacando nos esportes coletivos, que não trazem tantas medalhas. É preciso, contudo, afastar a ideia de que existe vocação natural de um povo para algum esporte. É uma questão cultural: a conquista de medalhas gera expectativa de novas vitórias — explica Victor Andrade de Melo, professor da Escola de Educação Física da UFRJ.

PADRÃO QUÊNIA

Para o americano Bill Mallon, membro e cofundador da Sociedade Internacional de Historiadores Olímpicos (ISOH, na sigla em inglês), os resultados dos continentes em Olimpíadas se explicam também pelo uso — nem sempre correto — do dinheiro disponível.

— A maioria dos países que ganhou uma grande quantidade de medalhas são poderosos economicamente, como os EUA, Alemanha, Japão e China. Em outros casos, as nações ganham medalhas por conta de sistemas esportivos nacionalizados, muitas vezes acompanhado por sistema de dopagem, como a Alemanha Oriental, União Soviética e, agora, a Rússia — analisa Mallon.

O abismo entre América do Sul e continentes como Europa, Ásia e América do Norte no quadro de medalhas não é um grande mistério. É mais difícil, no entanto, entender a desvantagem em relação à América Central e África, continentes com semelhanças geográficas, históricas e situações econômicas até piores.

Antes de servir para o esporte, a escola tem que ser boa em sua atividade-fim, que é formar cidadãos

Para Lamartine da Costa, o fator de maior impacto no desempenho olímpico é a presença do esporte nas escolas. Isso explica, por exemplo, a supremacia de EUA e países europeus no quadro de medalhas. O pesquisador critica a concentração de investimentos estatais em atletas de alto rendimento, em vez de investir na formação de novos talentos.

— Nós adotamos o Padrão Quênia: joga todo o dinheiro em meia dúzia de sujeitos e abandona o resto. Fomos para o ápice da pirâmide e esquecemos o resto. Se não tem base, não tem renovação. O governo é culpado disso — lamenta.

O professor Victor Andrade de Melo destaca a força do esporte escolar em Cuba e Jamaica, responsáveis por mais de 80% das medalhas olímpicas da América Central. Só os cubanos alcançaram 211 pódios em Jogos Olímpicos, quase o dobro dos 108 atingidos pelo Brasil, o recordista da América do Sul. O professor alerta, no entanto, a discussão do esporte na escola não pode ser feita de forma “enviesada”.

— Antes de servir para o esporte, a escola tem que ser boa em sua atividade-fim, que é formar cidadãos — argumenta.

No caso da África, Lamartine enxerga resultados “artificiais” por conta da concentração do investimento em treinadores estrangeiros e em uma elite de atletas. O problema, em sua avaliação, é que países sul-americanos, como o Brasil, estão fazendo algo semelhante:

— Quem não tem esporte de base injeta dinheiro em alguns esportistas de alto rendimento. É o que o Brasil optou com programas como o Bolsa-Atleta. A questão é: alguém se compromete a manter esse investimento depois de 2016? Tudo isso pode se perder depois dos Jogos.

oglobo.globo.com | 19-12-2015
Os países emergentes que estão mais em risco a partir da efetiva elevação dos juros nos Estados Unidos tendem a ser Brasil, Turquia, Rússia e em alguma extensão a África do Sul, afirma a agência de classificação de risco Moody's em relatório comentando o impacto da alta das taxas para a economia mundial.
atarde.uol.com.br | 14-12-2015

RIO - Em cinco anos, o Brasil avançou apenas três posições no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O país ocupa a 75ª colocação na lista de 188 países acompanhados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), segundo dados de 2014, os últimos disponíveis. O desempenho brasileiro entre 2009 e o ano passado é menor do que o registrado por outras nações emergentes, como a Turquia, que subiu 16 degraus, alcançando a 72ª colocação. A China também se destaca, com um salto de 13 casas, embora tenha IDH menor que o do Brasil. Com índice de 0,727 (considerado alto, como o do Brasil), o país asiático ocupa o 90º lugar da lista.

Os outros integrantes do Brics (grupo de emergentes que, além de Brasil e China, inclui Rússia, Índia e África do Sul) avançaram a um ritmo mais veloz que o brasileiro. A Rússia, melhor colocada do bloco, na 50ª posição, saltou oito casas. Já a Índia avançou seis posições, mas tem IDH considerado apenas médio: 0,609, o que rende ao país a 130ª colocação. A África do Sul subiu quatro degraus no ranking, porém também tem IDH médio, de 0,666, ficando na 116ª posição na lista.

Info IDH evolução

LÍBIA FOI O QUE MAIS REGREDIU

IDH 1 O Brasil também perde para seus pares na velocidade de avanços desde 1990, quando o IDH foi divulgado pela primeira vez. O índice brasileiro avançou 0,91% nesses últimos 25 anos. No mesmo período, as nações em desenvolvimento registraram alta média de 1,06%. O país, no entanto, saiu-se melhor que os vizinhos da América Latina: a média da região foi de alta de 0,75%.

O balanço dos últimos cinco anos registra retrocessos importantes. Entre 2009 e 2014, a Líbia foi a nação que mais regrediu no ranking (27 posições). O país foi um dos principais focos da Primavera Árabe, em 2011, que culminou com a morte do ditador Muamar Kadafi. Em meio a conflitos entre milícias e ações de grupos terroristas, a Líbia ainda não se estabilizou.

IDH 2 Para se ter uma ideia, em 2010 — último ano com ranking completo divulgado pelo Pnud —, a Líbia tinha IDH de 0,756, ocupando a 67ª colocação na lista. O número era melhor que o do Brasil que, naquele ano, estava na 80ª posição, com IDH de 0,737. Em 2014, passou ao 94º lugar, com IDH significativamente menor, de 0,724. O mesmo ocorre com a Síria, que passa por uma guerra civil, que caiu 15 degraus, entre 2009 e 2014. O país tem IDH médio, de 0,594, na 134ª colocação, empatado com a pequena ilha de Vanuatu, na Oceania.

No período que marca os efeitos da crise financeira global, que eclodiu no fim de 2008, países desenvolvidos também registraram perdas. Os EUA, que em 1990 chegaram a ocupar a segunda colocação do ranking, perderam três posições entre 2009 e 2014. A maior economia do mundo, no entanto, ainda figura no grupo de 49 nações com IDH classificado pelo Pnud como muito alto. Em 2014, os EUA tinham IDH de 0,915, número que garante ao país a oitava posição. O Japão também está entre os que perderam seu lugar no ranking, com recuo de três degraus. Hoje, figura na 20ª posição, com IDH de 0,891.

O compilado do Pnud mostra ainda pouca mobilidade nos extremos da lista. Noruega, Austrália e Suíça — as nações "top 3" do IDH — mantiveram suas posições estáticas nos últimos cinco anos. O mesmo ocorreu com o Níger, que ocupa a última posição do ranking no período.

oglobo.globo.com | 14-12-2015

BRASÍLIA, RIO e TERESINA - A crise econômica bateu em cheio na renda dos brasileiros e, pela primeira vez desde 2010, fez o país cair no ranking de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas (ONU). O Brasil passou da 74ª posição para 75ª numa lista de 188 nações que são classificadas com base em três indicadores: saúde, educação e renda. Juntos, esses três fatores são combinados para compor o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que varia de zero a 1. Quanto mais próximo de 1, maior é a qualidade de vida da população. A renda per capita brasileira anual baixou de US$ 15.288 em 2013 para US$ 15.175 em 2014, recuo de 0,73%.

IDH 1 Em seu último relatório, referente a 2014, o IDH brasileiro foi calculado em 0,755, o que mantém o país no grupo de nações com alto desenvolvimento humano, onde também estão Uruguai, México, Venezuela, Colômbia e Turquia. O número é levemente maior que o registrado em 2013, de 0,752, mas não evitou que o Brasil caísse no ranking. Em 2013, Brasil e Sri-Lanka estavam empatados na 74ª colocação, mas em 2014, o Sri Lanka avançou uma posição e passou à frente do Brasil.

INFO - IDH interativo

Entre os países do Brics, o Brasil foi o único que perdeu posição. A Rússia permaneceu na 50ª colocação, a Índia, que está no grupo de médio desenvolvimento humano, subiu de 131º para o 130º. A África do Sul, que está no mesmo grupo da Índia, também avançou uma posição: de 117ª para 116ª. A China teve o melhor desempenho, subiu três posições: de 93ª para 90ª.

‘QUEDA TEM A VER COM RITMO DE CRESCIMENTO’

Os números do Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH), onde está o novo ranking do IDH, ainda não refletem o agravamento da crise econômica brasileira este ano. A Renda Nacional Bruta (RNB) per capita usada na composição do IDH foi calculada com base em dados de 2014, quando a economia ficou estagnada. Como a retração esperada da atividade este ano é de 3,5%, a tendência é que o índice piore daqui para frente, alertam os técnicos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), responsável pelo IDH.

IDH 2 — A queda no ranking tem a ver com o ritmo de crescimento do país — explica a coordenadora do relatório no Brasil, Andréa Bolzon, que avalia que a crise econômica vai afetar os indicadores do Brasil no ano que vem. — É possível que tenhamos impacto já que a gente tem um PIB de menos 3% aí. Isso terá um reflexo na renda e, claro, pode puxar os outros indicadores lá para baixo.

Ela lembra que, em 2014, a situação econômica do país era bem melhor. No ano passado, o PIB avançou 0,1% e a inflação foi de 6,41%. A deterioração foi acelerada de lá para cá. E o Brasil encerrará este ano numa forte recessão entre 3,5% e 4% e com alta média de preços acima de 10%.

Em Teresina, no Piauí, o tratador de animais Fernando José viu seus ganhos minguarem de R$ 1.100 para R$ 724 de um ano para cá. As horas extras foram cortadas juntamente com o salário. Ele conseguiu terminar de pagar o financiamento da moto antes de o salário cair e não tem mais condições de comprar qualquer bem durável por enquanto. O dinheiro agora só dá para alimentação e para ajudar os pais que moram em outra cidade:

— As fazendas estão reduzindo pessoal. Tudo hoje é cortado, não tem mais horas extras ou ajuda para viagens. Com a virada do ano, a situação piorou muito. Triste foi cortar a ajuda para meus pais. Conseguia dar a eles R$ 600 por mês, agora só dou R$ 400. Neste Natal nem pensei em comprar nada de presente para eles.

Mesmo com a queda na renda, dificilmente o Brasil deixará de ser considerado um país de alto desenvolvimento humano. Dos 188 países do ranking, os que ocupam as posições 50 a 105 — com índices entre 0,7 e 0,8 — têm essa classificação. Os melhores do ranking ocupam o grupo de muito alto desenvolvimento, com a Noruega figurando na primeira posição.

INFO - IDH mapa

MELHORA EM EXPECTATIVA DE VIDA E ANOS DE ESTUDO

Além da renda, o IDH também leva em conta a expectativa de vida — como indicador de saúde — e média de anos de estudo e anos de escolaridade esperada como indicadores de educação. Nesses campos, o Brasil avançou.

A expectativa de vida subiu de 74,2 para 74,5 anos: número de vários países da elite do IDH, o grupo de desenvolvimento humano muito alto. Na Noruega — o primeiro do ranking — a perspectiva é viver 81,6 anos. Realidade bem distante do pequeno país africano Lesoto, de baixo desenvolvimento humano, onde vive-se menos de 50 anos.

A média de anos de estudo cresceu de 7,4 para 7,7 anos. Já a estimativa de escolaridade brasileira permaneceu em 15,2 anos pelo quinta edição seguida do ranking. O número está bem abaixo dos 20,2 anos de estudo da Austrália, o país com a maior previsão, mas igual à do Chile, que se encontra na lista dos países com desenvolvimento humano muito alto. No Níger, último do ranking do IDH, os estudantes têm a perspectiva de ficar apenas 5,4 anos na sala de aula.

O IDH brasileiro está acima da média de 0,744 correspondente aos países do grupo de alto desenvolvimento e acima da média de 0,748 dos países da América Latina e do Caribe.

oglobo.globo.com | 14-12-2015

SÃO PAULO/RIO - Evitar o rebaixamento do Brasil por mais uma agência de classificação de risco é tarefa quase impossível, e isso pode ocorrer, na conta de analistas e economistas, até o primeiro trimestre do ano que vem. A passagem de grau de investimento, que equivale a um selo de bom pagador, para junk (grau especulativo, com maior risco de calote) deve levar investidores a venderem parte dos ativos financeiros atrelados ao país — as projeções chegam a US$ 20 bilhões. Além disso, o custo de captação de recursos ficará mais elevado para as empresas, em um momento de crise econômica interna e perspectiva de juro maior nos Estados Unidos.

A Standard & Poor’s (S&P) retirou o grau de investimento do Brasil no dia 9 de setembro, e na quarta-feira a Moody’s alertou que pode fazer o mesmo em até três meses. O país também é considerado bom pagador pela Fitch, outra agência que prepara a revisão da nota do Brasil. O problema é que alguns fundos de investimento globais têm como regra aplicar apenas em papéis que tenham o selo de bom pagador em duas agências. Sem esse aval, a expectativa é que ocorra uma venda forçada (o chamado sell off) de títulos brasileiros negociados no exterior.

DECISÃO PODE OCORRER NO 1º TRIMESTRE DE 2016

Em meados deste ano, relatório do banco de investimento JP Morgan estimou que a perda do grau de investimento por duas agências levaria a uma venda forçada de US$ 6,2 bilhões em títulos soberanos brasileiros em moeda estrangeira. Além disso, haveria uma retirada provável de US$ 14 bilhões em títulos da dívida de empresas brasileiras. O Deutsche Bank, por sua vez, afirmou ontem em relatório que um novo rebaixamento levaria à revisão das classificações de risco das empresas brasileiras. O setor bancário seria um dos mais pressionados, com US$ 12 bilhões em títulos sob o risco de sell off.

Já o Barclays estima venda líquida de ativos de US$ 1,6 bilhão, já que o movimento de venda seria parcialmente compensado pela compra por investidores especializados em títulos especulativos. Além disso, segundo relatório do banco em outubro, a maior parte dos ativos brasileiros está em fundos exclusivamente dedicados a mercados emergentes, que não exigem grau de investimento.

Para o português Alberto Ramos, economista-chefe do Goldman Sachs para América Latina, a maior parte dos investidores já se antecipou a um eventual downgrade.

— Esses gestores não esperam um rebaixamento para agir. Na verdade, esse movimento já está acontecendo. A perda do grau de investimento, então, não representará surpresa, já está no preço dos ativos. Os investidores já vêm protegendo sua exposição ao risco do Brasil — afirmou Ramos, que prevê que o Brasil perca mais um investment grade “certamente no primeiro semestre de 2016, possivelmente no primeiro trimestre”.

Em relatório a clientes, o banco Santander avaliou que o rebaixamento pela Moody’s “pode acontecer em uma questão de meses, no primeiro trimestre de 2016”. E ressalta que parte desse risco já está no preço dos ativos financeiros. Pablo Spyer, diretor da corretora coreana Mirae Asset Securities, também espera um corte no primeiro trimestre de 2016. Mas, em sua opinião, um downgrade “não está completamente no preço dos ativos”:

— Quando vier o segundo rebaixamento, o país vai sofrer.

Devido a uma sucessão de notícias ruins, Spyer não espera mudança nesse quadro. Segundo analistas, embora o governo possa tomar medidas fiscais, como aumento de tributos, o maior problema é o cenário político. A crise política, que envolve o início do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, não deve ser resolvida a curto prazo, o que aumenta as incertezas sobre a economia brasileira.

Além da possibilidade de downgrade pela Moody’s, em relatório publicado ontem sobre o cenário para os mercados emergentes em 2016, a S&P reafirmou a perspectiva negativa para a nota do Brasil, o que significa a possibilidade de um novo rebaixamento no ano que vem. Como fatores de instabilidade, a agência citou o processo de impeachment e “investigações de empresas e pessoas de destaque”.

Ontem, o dólar comercial avançou 1,55%, a R$ 3,799. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuou 1,04%, aos 45.630 pontos. Na quarta-feira, o anúncio da Moody’s ocorreu próximo ao fechamento dos mercados.

— A ameaça de rebaixamento ajudou a pressionar o dólar — disse Paulo Gomes, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management.

FITCH: MAIOR ‘DOWNGRADE’ DE EMPRESAS

Segundo relatório da Fitch, em 2016 o número de rebaixamentos de firmas brasileiras deve ser dez vezes maior que o de elevação de notas. Atualmente, 31 das 61 companhias brasileiras analisadas têm perspectiva negativa ou já estão em revisão para rebaixamento.

“Entre elas, 12 serão provavelmente rebaixadas se o rating soberano do Brasil for rebaixado em 2016. Apenas três brasileiras têm perspectiva positiva. Inflação alta e juros elevados vão prejudicar a atividade econômica”, afirmou a Fitch.

A agência estima que um terço das empresas brasileiras por ela analisadas gasta hoje mais de metade de sua geração de caixa com o serviço da dívida, frente a 24% no fim de 2013. “As companhias com os maiores percentuais são as que têm grau de investimento e incluem ALL, Gol e CSN”.

Ontem, no fim do dia, a Moody’s rebaixou a nota da Vale, de “Baa2” para “Baa3” — ainda grau de investimento —, com perspectiva negativa. A agência citou a queda nos preços do minério de ferro.

Já a S&P tirou, este ano, o grau de investimento de 11 empresas brasileiras, acompanhando o rebaixamento do país promovido em setembro. Apenas a Rússia, com 15, teve mais empresas perdendo o selo de boas pagadoras.

Após a retirada do grau de investimento pela S&P em setembro, o custo de captação das empresas brasileiras já aumentou. Um dos indicadores dessa tendência é o aumento do rendimento (yield) dos títulos de dívida emitidos pelas empresas de 1º de setembro até ontem. Quanto maior o rendimento, maior o risco identificado pelos investidores e mais a empresa tem de pagar para emitir novos títulos.

— É difícil dizer quanto, mas não há dúvida de que ocorreria aumento do custo de captação das empresas. Isso porque a economia como um todo sai da faixa de confiança e entra na faixa duvidosa. No caso de estatais, o impacto é direto. No restante das empresas, esse impacto se dá de forma indireta — explicou Alex Agostini, economista-chefe na Austin Rating. — Para o mercado, se o país é rebaixado, é porque a politica econômica tem problemas, o que afetará de forma negativa as empresas.

oglobo.globo.com | 11-12-2015

SÃO PAULO - A queda de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre em relação a igual período de 2014 manteve o Brasil na rabeira de um ranking de 42 países elaborado pela Austin Rating. Na penúltima posição (41ª) da lista, entre julho e setembro a economia brasileira teve desempenho menos pior apenas que a da Ucrânia, que convive com uma guerra civil e cujo PIB encolheu 7% no período. Até a Rússia, que além de crise econômica enfrenta embargo de países ocidentais, e no segundo trimestre aparecia na antelanterna do ranking, passou o Brasil no segundo trimestre — seu PIB encolheu 4,1% no trimestre, colocando-a na 40ª posição da lista.

— Nos resultados do acumulado do ano até o terceiro trimestre, o principal destaque negativo, mais uma vez, ficou a cargo dos investimentos (-12,7%), refletindo o ambiente político extremamente conturbado e que afeta diretamente a contínua perda de confiança na economia — observou Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating e responsável pela elaboração do ranking.

pib 0112

O economista cita ainda o consumo das famílias, que representa aproximadamente dois terços da formação do PIB, e foi o pilar do crescimento econômico nos últimos 12 anos, e que neste ano já acumula retração de 3,0%.

A Índia aparece no topo do ranking, com crescimento de 7,4% no PIB do terceiro trimestre ante o o mesmo período de 2014, à frente da China, que mesmo com a desaceleração na atividade doméstica está na segunda posição, com expansão de 6,9% na mesma comparação.

Entre as economias latino americanas, o Peru é o mais bem colocado, com expansão de 2,9% no trimestre passado, na 12ª posição. Com expansão de 2,6%, o México é o 14º, e o Chile, com avanço de 2,2% no PIB, é o 22º.

oglobo.globo.com | 01-12-2015
A Rússia, que se define como um país com uma economia em transição, não assumirá compromissos ...
noticias.terra.com.br | 27-11-2015

MOSCOU - A Rússia afirmou nesta sexta-feira que o presidente turco Recep Rayyip Erdogan solicitou uma reunião com Vladimir Putin na próxima segunda-feira em Paris, quando os líderes estarão na cidade para a COP 21, cúpula das Organização das Nações Unidas sobre clima. O primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davutoglu, sustentou em publicação em um jornal britânico que o governo de Ancara pretende trabalhar com a Rússia e os aliados para “acalmas as tensões” após jatos F-16 da Força Aérea Turca derrubarem um caça russo SU-24 na terça-feira por invasão do espaço aéreo do país perto da fronteira com a Síria.

— Uma proposta do lado turco sobre um encontro entre os chefes de Estado foi entregue ao presidente — declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira. — É tudo que posso dizer.

Peskov confirmou a informação de que Erdogan telefonou para Putin sete ou oito horas depois do incidente com os caças. Na quinta-feira, o presidente turco informou que tentou contato com o presidente russo, mas não obteve sucesso, após o Kremlin criticar a Turquia por não ter pedido desculpa pela derrubada do avião militar, nem enviado uma explicação plausível sobre a situação. Um dos pilotos foi morto a tiros após ter saltado de paraquedas e o outro foi resgatado por comandos russos e sírios na região do acidente.

Já o premier turco disse que o governo está discutindo o caso em um artigo publicado no jornal britânico “The Times”:

“As discussões necessáris estão sendo realizadas”, escreveu. “Embora medidas de defender nosso território permançam, a Turquia vai trabalhar com a Rússia e nossos aliados para acalmar as tensões”.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro da Rússia, Dmitry Medvedev convocou uma reunião de gabinete para estudar a possibilidade de realizar sanções econômica à Turquia como retaliação pela derrubada do caça, como a suspensão de investimentos conjuntos entre os dois países. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia orientou turistas russos na Turquia a retornarem para casa.

Segundo o governo turco, os pilotos russos foram avisados 10 vezes em um período de cinco minutos sobre a violação do espaço aéreo, mas a Rússia nega tais alertas. A Força Aérea Turca, então, divulgou áudios, em inglês, que supostamente comprovariam a ação de prevenção.

oglobo.globo.com | 27-11-2015
A Rússia está tentando atingir a economia da Turquia com uma série de sanções em resposta ao abatimento do caça russo por forças turcas na região fronteiriça entre o país e a Síria.
atarde.uol.com.br | 26-11-2015

Com uma economia muito diversificada, a Federação Russa possui importantes recursos naturais e humanos, que constituem forte potencial de desenvolvimento económico. O povo russo em geral, já a partir de meados da década de 1950, vivia bem melhor que os cidadãos de países capitalistas há muito orientados para o mercado, como o México, a Índia, o Brasil ou a Argentina. A taxa de analfabetismo era virtualmente zero, o ensino superior era muito bom e economicamente acessível; o desemprego quase não existia, a igualdade entre os géneros era uma das mais desenvolvidas do mundo, com as mulheres a chegar por vezes mais longe do que os homens nas suas carreiras, especialmente na ciência. Muitas famílias possuiam automóveis, TVs, gravadores de cassetes e podiam viajar de avião pelo menos uma vez por ano até às áreas balneares famosas do mar Negro. Mas a produção e distribuição de produtos de consumo (particularmente de vestuário e alimentos) era relativamente ineficiente e havia uma falta de habitação muito pronunciada em muitas das áreas urbanas, se bem que fossem raras situações de habitação precária ou insalubre. Contudo, desde a desintegração da União Soviética, em 1991, o caminho para a estabilização macroeconómica tem sido longo e difícil, A partir daquele ano, o país sofreu severa contracção económica ao longo dos cinco anos seguintes, enquanto o governo e o parlamento divergiam sobre a implementação das reformas. A base industrial do país foi seriamente atingida. O país tem passado por diversas crises, destacando-se a crise financeira de 1998, resultante fundamentalmente da crise financeira do Sudeste Asiático. Depois da dissolução da URSS, causada mais por razões étnicas do que económicas, a primeira recuperação russa, ainda ligeira mas já a mostrar os sinais da influência do mercado livre, ocorreu em 1997. Porém a crise financeira asiática daquele ano acabou por atingir a economia russa. Diante da significativa desvalorização do rublo, o governo Russo aumentou a taxa de juros, mas as medidas de política econômica fracassaram e a Rússia declarou uma moratória unilateral, gerando perdas a seus credores internos e externos. Assim, 1998 ficou marcado por ser o ano da crise financeira Russa, com intensa fuga de capitais e, na sequência, recessão. A economia começou a se recuperar em 1999, entrando numa fase de rápida expansão, com o PIB a crescer a uma taxa média de 6.8% por ano, entre 1999 e 2004, apoiado em preços mais altos no petróleo, num rublo mais fraco, e no aumento na produção de industrial e de serviços. Esta recuperação, a par de um renovado esforço governamental em 2000 e 2001 para fazer avançar as reformas estruturais, aumentou a confiança das empresas e dos investidores para a segunda década de transição. A Rússia permanece fortemente dependente de exportações de matérias-primas, em particular do petróleo, do gás natural, de metais e de madeira, que correspondem a mais de 80% do total das exportações, o que deixa o país vulnerável às oscilações dos preços do mercado mundial. Em anos recentes, no entanto, a economia também foi impulsionada pela crescente procura interna, que cresceu cerca de 12% ao ano entre 2000 e 2004, o que mostra o vigor do seu mercado interno. O PIB do país atingiu 535 bilhões de dólares em 2004, fazendo da economia russa a 16ª economia mundial, sendo que Moscou, concentra 30% da produção do país. Um dos maiores desafios dos formuladores da política econômica russa é o de encorajar o desenvolvimento de PMEs num ambiente empresarial dominado por oligarcas e dotado de um sistema bancário jovem e disfuncional. Muitos dos bancos russos pertencem a grandes empresários ou oligarcas, que usam frequentemente os depósitos para financiar os seus próprios negócios. O Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento e o Banco Mundial tentaram normalizar as práticas bancárias fazendo investimentos em acções ordinárias e na dívida, mas com um sucesso muito limitado. Outros problemas incluem um desenvolvimento económico desigual entre as regiões do país. Enquanto que a região de Moscovo, com a sua imensa população de 20 milhões de habitantes, é uma metrópole moderna, com setores de tecnologia de ponta e renda per capita próxima à das economias mais fortes da eurozona, o resto do país, em especial as comunidades indígenas e rurais da Ásia, vive como vivia no fim da Idade Média. A integração ao mercado também se faz sentir noutras cidades grandes como São Petersburgo, Kaliningrad e Ekaterinburg. Estimular o investimento estrangeiro é também um grande desafio. Até agora, o país tem se beneficiado do aumento nos preços de petróleo e tem sido capaz de pagar uma boa parte da sua dívida externa, que era gigantesca. O reinvestimento dos lucros obtidos pela exploração de recursos naturais em outros sectores da economia também é um problema. Em 2003, a prisão de Mikhail Khodorkovski, um dos oligarcas russos e, à época, o mais rico empresário do país, sob a acusação de fraude, evasão fiscal e corrupção durante as grandes privatizações conduzidas no governo de Boris Yeltsin, gerou certa desconfiança entre os investidores estrangeiros. Muitas das grandes fortunas actuais, na Rússia, parecem ter resultado da aquisição de propriedades estatais a muito baixo preço ou da aquisição barata de concessões governamentais. Outros países manifestaram a sua preocupação com a aplicação "selectiva" da lei contra empresários individuais. Apesar de tudo, algumas grandes firmas internacionais têm grandes investimentos na Rússia. Um exemplo é a fabricante de bebidas Scottish & Newcastle, que descobriu que o mercado da cerveja na Rússia crescia muito mais rapidamente do que noutras áreas da Europa. Quase duas décadas após o colapso da União Soviética, em 1991, a Rússia continua a tentar estabelecer uma economia de mercado moderna e de fato tem conseguido altas taxas de crescimento económico. Ao longo da década de 2000, a economia russa registrou taxas de crescimento acima de 7% em 2000 (10%), 2001, 2002, 2003, 2004 e 2007 (8,1%). Em 2005 teve alta de 6,4 e, em 2006, de 6,8%. Em 2008, a Rússia cresceu 6% e foi a 9ª economia do mundo. No entanto, diante da crise mundial e a queda dos preços do petróleo, as perspectivas para 2009 são mais sombrias. Em dezembro de 2008, a ministra da Economia, Elvira Nabiullina, previu 2,4% de crescimento do PIB para 2009, o índice mais baixo desde 1998 - o fatídico ano da moratória russa. A Rússia integra a área da APEC (Asia-Pacific Economic Cooperation), um bloco econômico que tem por objetivo transformar o Pacífico numa área de livre comércio e que engloba economias asiáticas, americanas e da Oceania.


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