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União Européia Economia

O secretário do Reino Unido para o chamado Brexit, David Davis, afirmou nesta quarta-feira que o governo britânico ainda não fez uma avaliação de como a futura saída do país da União Europeia irá after as diferentes partes da economia doméstica, segundo a mídia local.Davis, que falou durante uma audiência do comitê para o Brexit, confirmou que Londres ainda não avaliou quais serão as consequências para setores distintos, com o argumento de que fazer isso agora teria utilidade "próxima de zero". [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 06-12-2017
O impacto econômico da decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia, o famoso Brexit, tem sido relativamente modesto até o momento, afirmou a Moody's em relatório. "O crescimento econômico do Reino Unido continuou estável no terceiro trimestre, reafirmando nossa visão de um impacto negativo moderado do Brexit na economia até agora", disse Colin Ellis, co-autor do relatório e diretor da Moody's. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 23-11-2017
Líderes empresariais da União Europeia e do Reino Unido pediram à primeira-ministra britânica, Theresa May, que acelere as negociações sobre a saída do país do bloco europeu, uma vez que a incerteza sobre as futuras relações comerciais ameaça empregos e investimentos.Nesta segunda-feira, os líderes empresariais pediram ao Reino Unido que faça propostas concretas sobre as questões do divórcio para que as negociações possam avançar. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 13-11-2017
O plano do Reino Unido de deixar a União Europeia afetou moderadamente a economia do país até o momento, embora a pressão continue, afirmou a agência de classificação de risco Moody's. A agência observa uma ligeira recuperação do crescimento econômico, visto que o Produto Interno Bruto (PIB) britânico cresceu 0,4% no terceiro trimestre ante o segundo, o que reafirma a visão da agência de um efeito moderado do Brexit na atividade econômica ate o momento. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 25-10-2017
A votação do Reino Unido para deixar a União Europeia atingiu a economia do país e reverter o processo levaria a um impulso substancial na economia, de acordo com um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A decisão criou "incertezas econômicas sérias que poderiam sufocar o crescimento nos próximos anos", e permanecer perto do bloco é crucial para o padrão de vida dos britânicos, aponta o relatório. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 17-10-2017
O crescimento da economia acelerou quer na zona euro quer na União Europeia (UE) entre Abril e Junho, em termos homólogos e face ao primeiro trimestre. Portugal registou a menor subida trimestral (0,3%)
www.publico.pt | 07-09-2017
O governo britânico ordenou uma avaliação sobre o impacto dos cidadãos da União Europeia na economia do Reino Unido, já que o país pondera como estruturar seu sistema de imigração depois que deixar o bloco.Mais de 3 milhões de cidadãos de outros países da UE vivem no Reino Unido e muitos setores da economia contam com trabalhadores estrangeiros. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 27-07-2017
O secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, Boris Johnson, assegurou aos empresários de tecnologia australianos de que eles continuarão a ser bem-vindos em solo britânico e podem continuar trabalhando no país, mesmo depois que o Reino Unido sair da União Europeia, processo conhecido como Brexit.Johnson foi questionado por executivos do ramo de tecnologia sobre o assunto quando visitou, nesta quarta-feira, o espaço Tyro Fintech Hub, em Sydney, destinado ao desenvolvimento de startups. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 26-07-2017
O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou a previsão de crescimento de 2017 para a economia do Reino Unido, após um primeiro trimestre fraco, que sugeriu que a saída britânica da União Europeia, processo conhecido como Brexit, estivesse começando a pesar sobre consumidores e empresas. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 24-07-2017
Futuro líder enfrentará a saída da União Europeia, os desejos separatistas da Escócia e da Irlanda do Norte, a ameaça à segurança e uma frágil economia
O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, alertou os líderes empresariais da Catalunha neste sábado das "terríveis consequências econômicas" se os separatistas ganharem independência para a região.Falando na cidade costeira de Sitges, Rajoy disse ao grupo empresarial do Círculo de Economia que se a Catalunha se apartar da Espanha, a região poderia perder até 30% do seu PIB e teria de procurar readmissão para a União Europeia. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 27-05-2017

Renata Koch Alvarenga* –  Em meio ao caos que se resultou no país após o impeachment de Dilma Rousseff, com a entrada de um novo governo e com a economia decadente, o discurso da sustentabilidade tornou-se figurante no Brasil e corre o risco de não voltar a estar dentre as prioridades do governo tão cedo – o que é extremamente alarmante. A COP21, Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, aconteceu em dezembro de 2015, somente um mês após o maior desastre ambiental da história do Brasil: o rompimento da barragem em Mariana, Minas Gerais. Apesar disso, o Brasil teve uma posição de liderança nas negociações climáticas, e o Acordo de Paris, que entrou em vigor no final do ano passado, foi adotado por 195 países, incluindo diversas medidas que visam combater as mudanças climáticas. Dentre essas medidas, destaca-se a cláusula para manter o aumento da temperatura média global em menos de 2°C em relação aos níveis pré-industriais, realizando esforços para que o aumento máximo da temperatura seja de 1,5°C. Essa última condição, motivo de polêmica nas negociações em Paris, é crucial, pois esse meio grau Celsius de diferença pode resultar em consequências desastrosas para o planeta – e principalmente para o Brasil. Sede da maior floresta tropical do mundo, o Brasil tem 42% do seu território ocupado pela floresta Amazônica. Devido a essa riqueza natural, o governo brasileiro possui o dever de implementar medidas ambientais que visem proteger a Amazônia. A questão do 1,5°C encaixa-se nisso, já que dentre as principais fontes emissoras de gases de efeito estufa no Brasil está o desmatamento de regiões tropicais como a floresta Amazônica. Um segundo fator diz respeito à queima de combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão mineral), que não são renováveis e causam muita poluição na atmosfera. O setor de produção de energia brasileiro, por meio das termelétricas, é um dos mais poluentes e, desde 2013, tem sido utilizado como medida para amenizar a crise hídrica que atingiu o Brasil – mais um motivo para manter o aumento em 1,5°C. De acordo com o site Carbon Brief, o orçamento atual de carbono revela que em apenas quatro anos de emissões globais de gases de efeito estufa o aumento da temperatura média global será maior do que 1,5°C. Essa informação leva o planeta a um estado de urgência; e o Brasil, como um dos principais emissores do mundo (atrás da China, dos EUA, e da União Europeia), tem enorme responsabilidade na luta para estabilizar a temperatura do planeta. A crise política e econômica do Brasil não deve – e nem pode –  ser deixada de lado em meio à urgência ambiental no planeta. Entretanto, mais do que nunca, as secas e as enchentes, assim como outros desastres ambientais, têm o potencial de desestabilizar o Brasil em proporções catastróficas. Se as mudanças climáticas e o desenvolvimento sustentável não forem vistos como prioridades pelo governo brasileiro e pela população, as consequências serão muito piores do que a atual instabilidade que figura nos […]

O post Por que um Brasil sustentável, logo agora? apareceu primeiro em Envolverde - Revista Digital.

www.envolverde.com.br | 26-05-2017
A União Europeia pediu que seus Estados membros aproveitem a economia em recuperação do bloco para fortalecer suas finanças públicas e promover reformas que busquem combater a desigualdade social.O conselho veio na orientação político-econômica para os 28 Estados-membros do bloco, que foi publicada pela Comissão Europeia. Ela recomendou "aumentar os investimentos, prosseguir com reformas estruturais e garantir políticas fiscais responsáveis". [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 22-05-2017
Emmanuel Macron assumiu neste domingo como presidente da França. Aos 39 anos, o político pretende liderar esforços para reformar a economia francesa e consolidar a força da União Europeia.No início de uma cerimônia no Palácio do Eliseu, Macron caminhou em um tapete vermelho na direção de François Hollande, o presidente que deixa o cargo. Hollande, que ficou no poder entre 2012 e 2017, foi mentor de Macron quando este foi ministro da Economia (2014-2016). [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 14-05-2017
As conversas para um acordo bilateral entre o Mercosul e a União Europeia estão avançadas e o documento final pode ser assinado no começo de 2018, afirmou nesta quinta-feira, 11, o subsecretário geral de assuntos econômicos e financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Carlos Márcio Cozendey.Já as conversas comerciais do Brasil com o México estão "bastante difíceis", disse ele durante seminário do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 11-05-2017

PARIS - O 1º de Maio na França foi marcado por um duelo à distância entre os dois candidatos que disputam o segundo e decisivo turno da eleição presidencial, no próximo domingo. Em seus respectivos comícios, o centrista Emmanuel Macron, do movimento Em Marcha!, e a líder da extrema-direita, Marine Le Pen, da Frente Nacional (FN), multiplicaram ataques recíprocos para desacreditar o adversário e convencer eleitores indecisos e absenteístas nesta reta final do pleito.

Na pesquisa Kantar-Sofres-OnePoint divulgada ontem, Macron diminuiu sua vantagem, mas permanece como o favorito na corrida presidencial contra Le Pen: venceria por 59% a 41%. No Dia do Trabalho, manifestações convocadas por associações e sindicatos resultaram em confrontos de black blocs com as forças de ordem em Paris, com seis policiais feridos e cinco agressores detidos. França cont

A candidata da direita radical abriu o embate ao reunir milhares de simpatizantes em Villepinte, em Seine-Saint-Denis, ao norte de Paris, ao aludir à célebre declaração do então candidato à Presidência François Hollande, em 2012, em que apontou como seu maior inimigo “o mundo da finança”.

— Hoje, o adversário do povo francês ainda é o mundo da finança — disse Le Pen. — Mas desta vez, ele tem um nome, um rosto, um partido, e ele apresenta sua candidatura e todos sonham em vê-lo eleito: ele se chama Emmanuel Macron. Monsieur Macron adotou como slogan “A França reunida”. Seria mais sincero dizer “A finança reunida”.

Le Pen definiu seu oponente como um legítimo herdeiro do governo atual, do qual ele foi ministro da Economia antes de se demitir para lançar seu próprio movimento, e ironizou suas reais preocupações se eleito para o Palácio do Eliseu:

— Macron é Hollande que se agarra ao poder. E pensa mais do que tudo no status de primeira-dama. (...). No 7 de maio, eu os convoco a fazer barragem à finança, à arrogância e ao “dinheiro-rei” — concluiu antes de entoar a Marselhesa, o Hino Nacional francês.

Jean-Marie Le Pen, pai de Marine e um dos fundadores da FN (hoje afastado do partido pela filha), fez seu tradicional discurso de 1º de Maio ao pé da estátua de Joana d’Arc na Praça des Pyramides, na capital francesa, e não poupou o desafiante da filha.

— Macron é um Hollande bis. Ele nos fala de futuro, mas não tem filhos. Ele nos fala dos trabalhadores, mas é um ex-banqueiro do Rothschild. Ele quer dinamizar a economia, mas faz parte daqueles que a dinamitaram — disparou, referindo-se a Marine como uma “mãe de família patriótica e engajada há anos ao serviço do país”.

Em seu discurso de campanha num centro de eventos na Porte de la Villette, em Paris, Macron replicou a pai e filha.

— Sinto em nosso país um imenso temor sobre o futuro das famílias. Eu seria um inimigo porque a minha é um pouco diferente, o que assumo plenamente? — indagou, mirando na plateia sua mulher Brigitte, 24 anos mais velha do que ele. — Sim, há na França muitas famílias, casais de mesmo sexo e de sexos diferentes, há filiações diferentes e há muito amor. Eu protegerei todas as famílias, pois dois homens e duas mulheres que se amam são também famílias. Monsieur Le Pen, eu tenho filhos e netos de coração. É uma filiação que se constrói, e que o senhor não terá!.

O candidato também explorou as recentes hesitações de sua adversária em relação a um dos pontos de referência do programa da FN: a saída da França da zona euro. Nos últimos dias, Le Pen suavizou seu discurso, acenou com negociações mais amplas e duradouras com a União Europeia, e mesmo com a coabitação de duas moedas no país, o franco e o euro.

— Eles nos explicam que não vão sair de imediato do euro, que haverá uma moeda comum, que teremos o franco pela manhã e, à tarde, o euro, e que com estas cédulas de “Monopólio” as coisas serão melhores! É agora que está em jogo a herança intelectual, moral e política da França, mas também o futuro da Europa. Marine Le Pen quer tirar a França da Europa, do mundo e da História. A FN é o partido anti-França — atacou.

SOBRA ATÉ PARA MÉLENCHON

Neste 1º de Maio belicoso, sobrou também para Jean-Luc Mélenchon, que obteve 19,5% de votos no primeiro turno como candidato da frente de esquerda radical França Insubmissa. Mélenchon, que se recusa a indicar apoio, exigiu um gesto da parte de Macron, como a promessa de retirada de seu programa do projeto de reforma trabalhista, sob o argumento de que não se pode “pedir uma adesão sem nada oferecer”.

— Ouvi nestes últimos dias pedidos de modificação do meu programa, como “faça uma concessão, a união, e esqueça sua reforma do trabalho”. Não o farei. Os franceses votaram e escolheram o projeto que inclui estas reformas. Não vou traí-los renegando-as. Nós faremos estas reformas — garantiu Macron.

Segundo o Ministério do Interior, 142 mil pessoas — 280 mil para a central CGT — se manifestaram em toda a França pelo Dia do Trabalho. Em Paris, as manifestações reuniram 30 mil pessoas, segundo a polícia, e 80 mil, segundo os sindicatos. Os dois candidatos manifestaram solidariedade aos policiais feridos nas passeatas parisienses. Confrontos em Paris à margem de marcha pelo 1º de Maio

oglobo.globo.com | 02-05-2017

PARIS — Favorito às eleições presidenciais da França, o centrista Emmanuel Macron disse à BBC que a União Europeia (UE) deve passar por uma reforma ou, então, enfrentar a perspectiva do “Frexit” — em referência à possibilidade de um referendo sobre a saída francesa do bloco europeu. Embora seja centrista e pró-Europa, o candidato cita as mudanças como medida para amenizar o descontentamento com a UE, protagonista na campanha da sua rival da extrema-direita, Marine Le Pen. No domingo, os eleitores sairão às urnas para decidir qual dos dois candidatos será o próximo presidente.

— Eu sou pró-Europa. Defendi constantemente durante esta eleições a ideia europeia e as políticas eutopeias porque acredito que seja extremamente importante para a população francesa e para a posição do nosso país na globalização — disse Macron, líder do movimento En Marche!, à rede britânica. — Mas, ao mesmo temp, temos que enfrentar a situação, ouvir as nossas pessoas e atentar ao fato de que elas estão muito revoltadas e impacientes hoje. A disfunção da UE não é mais sustentável. Meu mandato será, ao mesmo tempo, para reformar em profundidade a União Europeia e nosso projeto europeu.

Por sua vez, Le Pen tem um discurso bem diferente. Com retórica ultranacionalista e xenofóbica, a líder da Frente Nacional (FN) defende que a França deixe a zona do euro e um referendo sobre o “Frexit”. Segundo a candidata, o país teve sua economia prejudicada pela adoção da moeda europeia, com a queda na produção industrial e nos índices de emprego. Além disso, quer fechar as fronteiras e frear bruscamente a imigração, frente à crise de refugiados na Europa.

Macron, ex-ministro de Economia entre 2014 e 2016 e ex-banqueiro, tenta alavancar sua campanha depois de um início ruim, quando se viu superado por Le Pen, que soube se vender como uma candidata muito próxima ao povo. Mas desde o domingo, quando passou ao segundo turno como o mais votado — com 24,03% dos votos — o candidato de 39 anos vem caindo vários pontos, segundo as pesquisas, que lhe dão uma vitória ainda confortável, mas cada vez mais estreita: o último levantamento o coloca com 59% das intenções de voto contra 41% de sua rival, diferença bem menor do que alguns institutos previam inicialmente.

No domingo, o candidato, que já tem o apoio de representantes dos dois partidos tradicionais — do presidente socialista François Hollande e de boa parte dos Republicanos (centro-direita) — recebeu o reforço do ex-ministro centrista Jean-Louis Borloo. E o líder da extrema-esquerda, Jean-Luc Mélenchon, que conseguiu 19,6% dos votos no primeiro turno, se pronunciou pela primeira vez contra o “terrível erro” de se votar em Le Pen, sem no entanto revelar se votará em branco ou em Macron.

— Não há ambiguidade na minha posição. Eu não votarei na Frente Nacional, eu combato a Frente Nacional. E digo a todos que me escutam: não cometam o terrível erro de colocar uma cédula de votação para a Frente Nacional.

Le Pen, por sua vez, anunciou no sábado que Nicolas Dupont-Aignan — candidato da direita eurofóbica, que terminou o primeiro turno em sexto lugar, com 4,7% dos votos — será o seu primeiro-ministro caso vença no dia 7 maio.

— A aliança entre os dois partidos de direita é simbolicamente importante, pois é a primeira vez que o FN formou um pacto com um partido político dominante — disse Hugh Schofield, correspondente da BBC em Paris.

oglobo.globo.com | 01-05-2017
Representantes da União Europeia (UE) fizeram neste fim de semana uma visita ao Irã que faz parte do acordo antinuclear fechado entre o país do Oriente Médio e os países desenvolvidos, apesar das ameaças dos EUA de revogar o acordo. Os europeus se comprometem a apoiar a economia iraniana. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 30-04-2017
Representantes da União Europeia (UE) fizeram neste fim de semana uma visita ao Irã que faz parte do acordo antinuclear fechado entre o país do Oriente Médio e os países desenvolvidos, apesar das ameaças dos EUA de revogar o acordo. Os europeus se comprometem a apoiar a economia iraniana. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 30-04-2017
O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, que se encontrou com a premiê britânica, Theresa May, na sexta-feira, afirmou que "continuará confiando" na economia do Reino Unido, mesmo após a saída do país da União Europeia.Abe acrescentou que manter a Europa aberta é algo de importância mundial. O líder japonês disse que espera que investidores de fora da UE possam ter "perspectivas de futuro claras" no decorrer do processo de separação. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 29-04-2017

PARIS — Veterano da extrema-direita francesa, Jean-Marie Le Pen criticou nesta terça-feira a campanha da sua filha, Marine Le Pen, na corrida presidencial francesa. Embora não seja a favorita, a candidata da ultranacionalista Frente Nacional (FN), com seu forte discurso xenófobo, se saiu vitoriosa no primeiro turno de domingo e enfrentará o centrista Emmanuel Macron na votação final. O seu pai, no entanto, afirmou que ela deveria ter feito uma campanha ainda mais agressiva, seguindo o exemplo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. frança

— Acho que a campanha dela foi muito contida. Se eu estivesse em seu lugar, teria feito uma campanha do tipo Trump, mais aberta, muito agressiva contra os responsáveis pela decadência de nosso país, seja da esquerda ou da direita — disse Jean-Marie Le Pen, de 88 anos, à rádio RTL.

A intervenção do fundador da FN veio após a filha ter anunciado, na segunda-feira, seu afastamento temporário da liderança da sua legenda radical. Uma briga entre os dois levou à sua expulsão da legenda em 2015, depois que o político fez duros comentários sobre o Holocausto. França: os pontos fracos de Le Pen e Macron

Le Pen tenta se desassociar da imagem racista e antissemita do seu partido, mas mantém um discurso muito agressivo. Na campanha, prometeu acabar com a imigração legal; bloquear a liberação de vistos de longo prazo; restringir os benefícios sociais de imigrantes; fechar fronteiras; e taxar empresas que contratem estrangeiros. Também fala em deixar a zona do euro e realizar um referendo sobre a permanência francesa na União Europeia (UE).

Com 7,5 milhões de votos, Marine Le Pen superou na votação de domingo o recorde eleitoral anterior da Frente Nacional. Mas não conseguiu tomar o primeiro lugar de Macron, candidato pró-União Europeia que já foi ministro da Economia.

Jean-Marie chocou o mundo em 2002 ao avançar para o segundo turno da eleição presidencial francesa. Mas perdeu por larga margem na disputa contra o conservador Jacques Chirac. Macron e Le Pen iniciam campanha para o segundo turno das eleições presidenciais

oglobo.globo.com | 25-04-2017

PARIS — Os dois candidatos à Presidência da França — o centrista Emmanuel Macron e a candidata de extrema-direita, Marine Le Pen — participaram nesta terça-feira de uma homenagem ao policial morto, na semana passada, em um atentado na avenida Champs Elysées, em Paris. O atual presidente, François Hollande, convidou os dois postulantes para uma cerimônia na sede da polícia parisiense em tributo a Xavier Jugelé.

Karim Cheurfi, autor do ataque reivindicado pelo grupo Estado Islâmico, matou o policial com dois tiros na cabeça na famosa avenida comercial no centro de Paris. Também feriu dois policiais e uma turista alemã, antes de ser morto.

— De novo a França perdeu um de seus filhos mais corajosos. A República perdeu um dos guardiões mais valorosos — afirmou Hollande em discurso solene exibido na televisão.

Jugelé recebeu a Legião de Honra, uma das principais honrarias da França, e receberá, em caráter póstumo, a patente de capitão.

O atentado sacudiu a reta final da campanha, uma vez que aconteceu apenas três dias antes do primeiro turno das eleições mais imprevisíveis das últimas décadas.

Os dois candidatos, que disputarão o segundo turno em 7 de maio, têm visões completamente diferentes sobre como proteger a França de ataques extremistas. Marine Le Pen exige o retorno das fronteiras nacionais e a expulsão de todos os estrangeiros que aparecem na lista de vigilância terrorista.

Já Emmanuel Macron, que aos 39 anos é o favorito para se tornar o presidente mais jovem da história da França, pediu aos eleitores que não cedam ao medo. Ele prometeu intensificar a cooperação na área de segurança com os países da União Europeia.

As pesquisas indicam que Macron, que recebeu 24% dos votos no primeiro turno, deve superar Le Pen por ampla margem no segundo turno.

Praticamente toda a classe política francesa, de esquerda e direita, incluindo o presidente Hollande, já expressou apoio ao centrista, ex-executivo do setor bancário e ex-ministro da Economia de Hollande. O candidato disputa uma eleição pela primeira vez e tenta impedir o avanço da extrema-direita.

Macron iniciou na segunda-feira o processo de negociações políticas para conquistar a maioria parlamentar nas legislativas de junho, indispensável para conseguir governar e aplicar seu programa caso seja eleito. O centrista deve retomar à campanha para o segundo turno na quarta-feira.

Já Le Pen espera conquistar votos dos eleitores do conservador François Fillon e do candidato da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon. Ambos foram derrotados no primeiro turno.

oglobo.globo.com | 25-04-2017

Em sintonia com o espírito de 1789, a França revolucionária está um passo à frente de todo mundo. No domingo, o país se tornou a primeira nação ocidental a deixar de lado, numa eleição presidencial, a estrutura partidária que dominou a política europeia desde a Segunda Guerra Mundial. Nem Emmanuel Macron nem Marine Le Pen pertencem à velha gauche ou à velha droite. Também não terão uma maioria parlamentar para apoiá-los, nem representam uma continuação do status quo.frança

Se a grande divisão política — na França, como em qualquer lugar do mundo — costumava ser sobre o tamanho do Estado, a nova cisão não está ligada à economia, e sim a diferentes visões de o que a França representa. Le Pen quer tirar o país das instituições internacionais, incluindo a União Europeia (UE) e a Otan; fechar as fronteiras; limitar o comércio exterior; e impor uma economia quase marxista e dominada pelo Estado. Já Macron representa o novo centro radical e rejeita rótulos políticos. Ministro no governo do Partido Socialista, ele diz que a honestidade o obriga a dizer que não é um socialista, embora acredite em “solidariedade coletiva”. Seus eleitores apoiam a UE e a integração da França com o resto do continente e do mundo.

Desta forma, o segundo turno francês tem uma agenda muito clara. Abertura X fechamento; integracionismo X isolacionismo; futuro X passado. Embora esteja muito atrás de Macron nas projeções, Le Pen deverá conseguir um resultado melhor do que o obtido por seu pai em 2002, e a possibilidade de uma vitória da Frente Nacional não pode ser descartada. Parte da velha esquerda, que apoiou o trotskista Jean-Luc Mélenchon, simpatiza com suas objeções ao comércio internacional e aos banqueiros; e parte da direita, incluindo aqueles que votaram em François Fillon, prefere sua ostentação de “valores tradicionais”.

França: os pontos fracos de Le Pen e Macron

Há ainda muitos que, confusos com as novas divisões políticas, preferirão se abster. A campanha de difamação que virá contra Macron será de uma maldade até então nunca vista, e pode desestimular alguns eleitores.

Qualquer que seja o resultado final, Le Pen e seu partido não irão desaparecer. Eles refletem sentimentos que são reais, que existem em todos os países ocidentais e que agora devem ser confrontados abertamente, pois representam uma genuína e poderosa ameaça à democracia liberal. Embora a Frente Nacional tenha origens fascistas — seus fundadores incluem defensores do governo colaboracionista francês na Segunda Guerra — tais argumentos são insuficientes para descartar sua candidatura. A tarefa agora para Macron é encontrar soluções para os muitos que rejeitam sua política “aberta” e sua visão centrista.

Na noite de domingo, Le Pen conclamou os “patriotas” a apoiarem-na no segundo turno. Em resposta, Macron deve definir novas formas de patriotismo e solidariedade, para aqueles que queiram permanecer franceses, mas ao mesmo tempo abraçar o mundo.Macron e Le Pen iniciam campanha para o segundo turno das eleições presidenciais

oglobo.globo.com | 25-04-2017

Pela primeira vez desde o início da Quinta República, há 59 anos, os franceses irão às urnas, em segundo turno, escolher entre dois candidatos estranhos à tradição política da França, que sempre oscilou entre republicanos (direita) e socialistas (esquerda).

O centrista Emmanuel Macron, do movimento independente En marche! (Avante!), que obteve 23,9% dos votos no primeiro turno, no domingo passado, disputará a segunda rodada com a candidata da Frente Nacional (FN), Marine Le Pen (21,4%). Os dois derrotaram o conservador François Fillon (19,9%), do partido Os Republicanos; o socialista Benoit Hamon (6,3%) e o candidato da extrema-esquerda, Jean-Luc Mélenchon (19,6%), da Frente Insubmissa.

O resultado do primeiro turno é significativo pela derrota das agremiações convencionais, sobretudo o Partido Socialista (PS), refletindo a insatisfação do eleitor francês com o presidente François Hollande. Também evidenciou, mais uma vez, que o eixo atual da disputa ideológica, sobretudo no campo eleitoral, não se dá tanto entre esquerda e direita, mas especialmente entre aqueles que defendem um mundo integrado mediante regras comuns e os que preferem retornar ao isolacionismo e ao protecionismo do nacional-populismo.

Os números também apontam o forte avanço da esquerda radical e da extrema-direita, com bandeiras parecidas. As pesquisas, porém, indicam que Macron deve derrotar Le Pen no segundo turno, no próximo dia 7 de maio. Defensora de um nacionalismo que evoca o III Reich, a candidata da FN é controversa, com opiniões polêmicas sobre o Holocausto, refugiados sírios e globalização. Ela elogia as bravatas populistas de Donald Trump e, como ele, defende o fechamento de fronteiras, especialmente a muçulmanos. Le Pen prometeu que, se eleita, implementará o Frexit — a saída da França da União Europeia (UE), a exemplo do Reino Unido (Brexit).

Mais do que isso: Le Pen faz da xenofobia marca eleitoral e cativa o eleitor conservador do interior da França, embora também tenha crescido entre os jovens, ao contrário de Trump e dos eleitores britânicos que apoiaram o Brexit. Analistas dizem que a candidata da FN não consegue angariar muitos votos fora do seu eleitorado, ao contrário do rival, que já recebeu promessas de apoio de alguns dos candidatos derrotados no primeiro turno. Mélenchon, no entanto, anunciou que vai consultar “as bases” do partido, antes de anunciar quem terá seu apoio.

O centrista Macron é um defensor eloquente da integração europeia, a favor da economia de mercado e da saúde fiscal. Se sua vitória for confirmada, será mais um sinal de que a onda nacional-populista que varreu a Europa e o mundo nos últimos anos começa a perder força. Um alento bem-vindo.

oglobo.globo.com | 25-04-2017

frança PARIS— Logo depois de ter confirmado seu lugar no segundo turno das eleições presidenciais francesas, Marine Le Pen anunciou que deixará temporariamente a liderança do seu partido, a Frente Nacional (FN). A candidata aparentemente tenta se desvincular da legenda radical, cujo passado é marcado por acusações de antissemitismo e racismo. Ela justificou a decisão dizendo que focará na corrida presidencial, em que enfrenta o centrista Emmanuel Macron.

— Hoje, eu não sou mais a presidente da Frente Nacional. Sou a candidata presidencial — disse Le Pen á televisão francesa.

Com forte discurso antissistema, Le Pen lança mão de uma retórica muito agressiva na sua candidatura. Os seus críticos dizem que suas declarações ultranacionalistas e xenófobas dividiriam a sociedade francesa.

O presidente francês, François Hollande, conclamou os eleitores a votarem em Macron no segundo turno das eleições, afirmando que Le Pen, é um risco para o país. Hollande advertiu que a líder da Frente Nacional devastaria a economia, ameaçando a liberdade francesa.

Macron venceu com 24,01% dos votos, contra 21,30% de Le Pen. O conservador François Fillon ficou em terceiro, com 19,94% , enquanto o concorrente de extrema-esquerda Jean-Luc Mélenchon foi o quarto, com 19,61% , segundo dados do Ministério do Interior. França: os pontos fracos de Le Pen e Macron

Os mercados globais reagiram com alívio ao resultado do primeiro turno, que deixou Macron — um político de centro pró-União Europeia — como favorito para se tornar o próximo presidente francês. O euro atingiu brevemente um pico de cinco meses, enquanto as ações europeias subiram consideravelmente.

Embora Macron, de 39 anos, seja relativamente inexperiente na política e nunca tenha exercido um cargo eleito, pesquisas de opinião realizadas após o resultado de domingo mostram o candidato vencendo facilmente o combate final contra Le Pen, de 48 anos.

Para o segundo turno, que será realizado em 7 de maio, uma sondagem da empresa Harris mostrou Macron vencendo com 64% das urnas, e Le Pen atrás com 36%. Uma pesquisa Ipsos/Sopra Steria apresentou um resultado semelhante, e um novo levantamento da Opinionway divulgado nesta segunda-feira falou em uma vitória de Macron com 61% dos votos diante de 39 da adversária.

Eichenberg comenta resultado histórico nas eleições francesas

Info - França resultados parciais

oglobo.globo.com | 24-04-2017

SÃO PAULO - A semana será marcada pelas discussões em torno das reformas econômicas e a divulgação de dados fiscais. O governo Temer se esforça para conseguir apoio para concluir as mudanças nas regras para aposentadoria e também nas leis trabalhistas, mas encontra dificuldade em encontrar apoio na própria base.
José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, lembra que os desdobramentos da "Lista de Fachin", que determinou a abertura de inquérito contra oito ministros de Temer, além de dezenas de outros políticos, podem dificultar essas negociações. "O ambiente tenso em Brasília tempera as negociações sobre a reforma da previdência e trabalhista. A temperatura vai subindo na medida em que maio se aproxima e alista de Fachin tem desdobramentos "inesperadamente esperados"", afirmou, em relatório a clientes.
Para tentar apoio à Reforma da Previdência, o governo já cedeu em alguns pontos. Mas dada a continuidade do impasse, a votação em plenário pode ser adiada. Em outra frente, o governo tenta aprovar as mudanças nas regras trabalhistas, que por não se tratar de tema constitucional tem uma tramitação mais simples.
Os economistas e analistas também estarão de olho nos dados econômicos, em especial as referentes às contas públicas.
No exterior, o principal fato de atenção é a repercussão em torno do primeiro turno das eleições presidenciais na França. No segundo turno estão o social-liberal Emmanuel Macron, considerado um candidato de centro, e a nacionalista Marine Le Pen, de extrema direita. Está em jogo a permanência do país na União Europeia.
Nos Estados Unidos, que conhecerá os dados do PIB do primeiro trimestre na sexta-feira, o presidente Donald Trump deve divulgar mais informações sobre os planos de incentivo à economia.



DIA 24 - Eleições na França
Os mercados internacionais estarão de olho nas repercussões do primeiro turno da eleição para presidente na França. O social-liberal Emmanuel Macron, favorável à permanência do país na União Europeia, e a nacionalista Marine Le Pen disputam o segundo turno em 7 de maio.
DIA 25 - Reformas
A comissão especial da Reforma da Previdência discute o parecer do relator, Arthur Maia. O governo pode adiar a votação das mudanças nas regras de aposentadoria para garantir mais apoio. Também estão no radar as discussões em torno da reforma trabalhista.
DIA 26 - Crédito
O Banco Central divulga os dados referente ao comportamento do crédito e da inadimplência no mês de março. Será possível verificar se os juros dos empréstimos já começaram a cair para o consumidor, refletindo a queda da Selic, e se a taxa de calotes dá sinais de melhora.
DIA 27 - Contas Públicas
Saem na quinta-feira os dados de arrecadação e despesa do governo central. Os analistas vão estar de olho, principalmente, no comportamento das receitas, que estão demorando mais para reagir e podem comprometer a meta de déficit primário (despesas acima das receitas, sem contar os gastos com juros).
DIA 28 - EUA
O Departamento de Comércio dos Estados Unidos divulga os dados do Produto Interno Bruto (PIB) referente ao primeiro trimestre. A expectativa é de um crescimento anualizado de 1,2%. Além do comportamento dos três primeiros meses do ano, analistas e economias avaliam as novas medidas do governo de Donald Trump. Cinco fatos que vão mexer com a economia na semana Cinco fatos que vão mexer com a economia na semana Cinco fatos que vão mexer com a economia na semana Cinco fatos que vão mexer com a economia na semana Cinco fatos que vão mexer com a economia na semana

oglobo.globo.com | 24-04-2017

FRANKFURT - Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, pode estar considerando optar pela rota mais rápida para a normalização da política monetária do que o inicialmente esperado. A maioria dos economistas ouvidos pela Bloomberg espera que Draghi revise as diretrizes para juros e programa de compra de ativos na reunião de junho — seis meses antes do previsto na pesquisa anterior.

Divergências públicas entre legisladores sênior nas últimas semanas estimularam especulações de que o BCE está próximo de sinalizar o fim de seus extraordinário pacote de estímulo.

Enquanto Draghi tem tentado conter esse falatório, e as eleições francesas — cujo primeiro turno aconteceu neste domingo — ainda representa uma ameaça para a zona do euro, a recuperação da região, que vem se reforçando continuamente, pode convencê-lo a, pelo menos, dar pistas sobre sua estratégia para a saída da estratégia monetária atual.

— Supondo que não haja grandes choques, então o BCE vai querer começar a retirar o estímulo monetário, ainda que em um ritmo modesto — avaliou Alan McQuaid, um economista da Merrion Capital, em Dublin. — É provável que comece mudando as diretrizes após a eleição francesa.

No encontro do BCE previsto para a próxima quinta-feira em Frankfurt, pode começar a discussão dessa saída que, até agora, só foi citada em aparições públicas e entrevistas a meios de comunicação. Em março, após uma reunião do Conselho de Governo, Draghi afirmara que este não era um tópico em debate. E, em discurso no início de abril, destacou que a economia não oferecia bases para “alterar nossa avaliação das projeções para inflação”.

Muito disso depende dos sinais vindos da eleição francesa, na qual Marine Le Pen faz campanha usando uma plataforma anti-euro e anti-União Europeia. Segundo pesquisas de boca de urna, Le Pen seguirá para o segundo turno do pleito contra Emmanuel Macron.

Hoje, o BCE diz esperar manter os juros “nos níveis atuais ou mais baixos por um período estendido” e até “bem depois” do fim do programa de compra de ativos, chamado de quantitative easing (QE).

Uma vez que a autoridade monetária tenha iniciado a comunicação que vai levar ao fim do QE e dos juros ultrabaixos, economistas preveem que a ação será mais rápida do que esperada anteriormente.

Mais de 60 dos analistas esperam que a redução do QE seja anunciada em setembro deste ano, com 93% acreditando que a diminuição acontecerá a partir do primeiro trimestre de 2018 — prazo antes indicado por apenas 88% dos entrevistados.

oglobo.globo.com | 23-04-2017

PARIS - Dentre os 11 candidatos à Presidência da França, os agora postulantes ao segundo turno demonstram posições radicalmente opostas em temas que vão de imigração a economia. O centrista ex-ministro da Economia Emmanuel Macron e a líder da extrema-direita nacionalista, a eurodeputada Marine Le Pen, divergem principalmente sobre o papel da colaboração econômica com a União Europeia e a recepção a refugiados e imigrantes. Entenda melhor algumas destas diferenças. LINKS BOCA DE URNA

Aos 39 anos, Macron concorre pelo partido que fundou em 2016, o Em Marcha!. Ele se posiciona como um liberal social e defende uma terceira via política diante da tradicional disputa entre o Partido Socialista (de cujo governo fez parte) e Os Republicanos (antigo União por um Movimento Popular, de centro-direita). Na sua campanha, usou muito as redes sociais para se mostrar como figura de forte contraponto aos demais candidatos num cenário dividido. Começou com poucas chances, mas rapidamente ganhou espaço e passou a liderar as intenções de voto até o fim, com pequena vantagem sobre os principais rivais.

Entre suas principais propostas, Macron defende uma redução no quadro de funcionários do Estado e redução do gasto público; maior acesso ao mercado comum da União Europeia e maior união econômica dentro do bloco; um sistema universal de seguro desemprego a partir de impostos; subsídios à energia limpa e aos alimentos orgânicos; proibição da contratação de parentes no setor público; limitação do número de mandatos de parlamentares; vale-cultura para jovens; novos postos de contratação de agentes de polícia e segurança; serviço militar temporário obrigatório; maior avaliação de antecedentes e solicitações de asilo.

Já Le Pen tem uma candidatura altamente polêmica, que preocupa os vizinhos europeus. Com forte discurso ultranacionalista, a líder do partido Frente Nacional (FN) não economiza em promessas agressivas contra imigrantes — num estilo semelhante ao do presidente dos EUA, Donald Trump, de quem é confessa admiradora. Seu programa defende ainda maior soberania da economia francesa, aplicando medidas protecionistas para fortalecer a indústria nacional.

Entre suas principais propostas, Le Pen quer negociar a saída da zona do euro e o afastamento das regras de fronteiras da UE; diminuir tratados de livre comércio; reduzir a imigração anual para até 10 mil pessoas; restringir condições de asilo e união familiar de migrantes; melhorar condições de aposentadoria e apoio financeiro para franceses; impostos para produtos que venham de empresas que saíram da França; restringir a saída de empresas; desfiscalizar horas extras no trabalho; proibir o cultivo de transgênicos; reforçar a polícia e agentes fronteiriços; abandonar a direção da Otan; investir mais em Defesa; estender o laicismo do Estado.

Entenda a eleição na França em 1 minuto

DIVERGÊNCIAS FEROZES

Macron e Le Pen têm se acusado na campanha por divergências que envolvem a relação econômica da França com a UE. Ela quer taxar as importações de dentro do bloco, enquanto Macron alega que o efeito do protecionismo seria negativo para as exportações francesas.

O movimento político liderado por Macron não se identifica nem de direita nem de esquerda. Ele diz que sua intenção é renovar a elite política francesa. Seu princípio geral de campanha busca unir estímulos ao livre mercado com medidas de amparo social, com moldes semelhantes aos do "New deal" americano de Franklin D. Roosevelt.

A seis dias da votação, Le Pen prometeu suspender toda a imigração legal para o país, a fim de conter “uma situação louca e descontrolada”, e bloquear a liberação de vistos de longo prazo — para que o governo possa verificar se migrantes estão tirando empregos dos cidadãos franceses. Ela também quer fechar as fronteiras e cobrar impostos de qualquer empresa que contrate trabalhadores estrangeiros.

Filha de Jean-Marie Le Pen — um dos históricos defensores da extrema-direita francesa, que foi expulso da FN em 2015 —, a candidata também fala em deixar a zona do euro. Ela diz que a França se prejudicou com a criação da moeda única, reduzindo a produção industrial do país, enquanto a Alemanha saiu em vantagem. Numa proposta ainda mais radical, defende a realização de um referendo sobre a permanência francesa na União Europeia (UE), seguindo o caminho aberto pelo Brexit no Reino Unido.

Quem é Marine Le Pen, a candidata que lidera a corrida presidencial na França?

oglobo.globo.com | 23-04-2017
Os eleitores franceses estão de mau humor: ao se dirigirem às urnas neste domingo, estão dispostos a enviar um completo estranho, talvez da extrema-esquerda ou da extrema-direita, para o segundo turno da eleição presidencial. A causa desse mau humor não é difícil de encontrar. A economia da França é uma das mais fracas entre os países avançados. O desemprego tem se mantido em cerca de 10% há quatro anos e está bem acima da média da União Europeia. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 23-04-2017

PARIS — Sob forte aparato de segurança, os franceses foram às urnas neste domingo para o primeiro turno de uma eleição presidencial marcada pela indefinição, e considerada crucial para o futuro da União Europeia. Os pontos de votação abriram às 8h pelo horário local (3h pelo horário de Brasília), três dias após um ataque terrorista em Paris. No total, 50 mil policiais e 7 mil militares foram mobilizados para garantir a segurança em todo o território francês.

LINKS FRANÇA ELEIÇAO

Analistas apontam que esta seja a mais imprevisível eleição presidencial da história recente da França, com uma disputa acirrada entre quatro dos 11 candidatos, e nível elevado de indecisão dos eleitores. O centrista Emmanuel Macron e a líder de extrema-direita, Marine Le Pen, lideravam as pesquisas de intenção de voto publicadas nas sexta-feira, mas o conservador François Fillon e o candidato da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, acompanhavam de perto. A diferença entre eles está dentro da margem de erro, o que significa que todos têm chances de chegar ao segundo turno.

De acordo com o Ministério do Interior Francês, a taxa de participação alcançou 28,54% ao meio-dia pelo horário local, uma ligeira alta em relação ao pleito de 2012, quando a parcial teve taxa de 28,29%. Os quatro principais candidatos já depositaram os seus votos.

Marine Le Pen, líder da Frente Nacional (FN), de 48 anos, espera beneficiar-se da onda populista que resultou na vitória de Donald Trump nos EUA e o voto a favor da saída do Reino Unido da União Europeia (UE). Com um programa centrado no "patriotismo" e na "preferência nacional", Le Pen defende a saída do euro e da UE, promessas que, caso cumpridas, poderiam representar um golpe fatal a um bloco já fragilizado pelo Brexit.

Entenda a eleição na França em 1 minuto

Emmanuel Macron, ex-ministro da Economia do presidente François Hollande, fez uma campanha com um programa abertamente europeísta e liberal, com o desejo de reativar o motor do continente. O ex-executivo do setor bancário, praticamente desconhecido há apenas três anos e que nunca disputou uma eleição, pode se tornar, aos 39 anos, o presidente mais jovem da história da França.

A reta final da campanha presidencial foi sacudida por um atentado na avenida Champs-Élysées, num país traumatizado por uma onda de ataques jihadistas que provocou mais de 230 mortes desde 2015. Apesar de ser difícil medir o impacto deste ataque na eleição, alguns especialistas acreditam que a sensação de medo pode influenciar o eleitorado.

— Não influenciou o meu voto. De qualquer maneira, você já não está seguro em nenhum lugar — declarou à AFP Anne Piechaud, uma arquiteta de 59 anos que votou em Burdeous.

Conheça os candidatos à Presidência da França

CAMPANHA ATÍPICA

A campanha foi considerada atípica. Com recorde de impopularidade, o presidente François Hollande renunciou à disputa da reeleição, algo nunca visto na França em mais de 60 anos. O seu primeiro-ministro, Manuel Valls, foi eliminado nas primárias do Partido Socialista por um candidato mais à esquerda, Benoît Hamon. Porém, segundo as pesquisas, os socialistas não têm chances de chegar ao segundo turno.

O conservador François Fillon perdeu sua condição de favorito após a imprensa revelar que sua esposa e dois de seus cinco filhos se beneficiaram de cargos públicos supostamente fictícios. Acusado de desvio de verbas públicas e apropriação indébita, Fillon diz ser inocente, mas perdeu muitos apoios após o escândalo.

Marine Le Pen também é investigada por empregos supostamente fictícios no Parlamento Europeu, onde ocupa o cargo de eurodeputada, e por supostas irregularidades no financiamento de campanhas passada. Mas difente de Fillon, ela se nega a ser interrogada pela Justiça, invocando sua imunidade.

A última surpresa chegou da esquerda radical. Mélenchon, um ex-socialista convertido em símbolo da frente “França Insubmissa”, teve uma escalada nas intenções de votos e encostou nos outros três candidatos que lideravam a corrida. Admirador do ex-presidente venezuelano, Hugo Chávez, e do ex-líder cubano, Fidel Castro, se diz disposto a pôr fim na política de austeridade.

A votação termina às 20h (15h de Brasília). Os dois candidatos com o maior número de votos disputarão o segundo turno em 7 de maio.

oglobo.globo.com | 23-04-2017

PARIS — Em eleições acirradas marcadas pela incerteza, a França sai às urnas neste domingo para o primeiro turno da votação que escolherá seu novo presidente. Enquanto o país vive um momento delicado, alguns temas sensíveis protagonizaram a disputa: a crise migratória, a relação com a União Europeia (UE) e a ameaça terrorista. Conheça os programas dos cinco principais candidatos à Presidência francesa.

EUROPA: PARTIR OU REFORMAR?

A questão europeia agita as tradicionais divisões francesas desde que o general Charles de Gaulle (1890-1970) e os comunistas combatiam a integração europeia, então defendida por centristas e socialistas.

Mais tarde, nos referendos realizados em 1992, sobre o Tratado de Maastricht, e em 2005, sobre a Constituição europeia, os votos "sim" e "não" recrutaram partidários à esquerda e à direita do espectro político.

E o mesmo se repete desta vez, nas eleições presidenciais de 2017. A líder da extrema-direita, Marine Le Pen, e o ícone da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, acusam Bruxelas de impor a austeridade fiscal à França; e, por isso, defendem a saída francesa da União Europeia, se as negociações não permitirem transformações profundas. A campanha eurocética segue o caminho aberto pelo Brexit no Reino Unido.

Os outros candidatos querem transformar a UE, mas não deixá-la. Por exemplo, o socialista Benoît Hamon quer o alívio no rigor orçamentário. E, assim como o centrista Emmanuel Macron, propõe um Parlamento da zona do euro e investimentos maciços europeus. O candidato da direita, François Fillon, diz que renegociaria o Acordo de Schengen, para controlar ainda mais as fronteiras da UE.

IMIGRAÇÃO E ISLÃ

François Fillon e Marine Le Pen defendem uma política de imigração restritiva, sobretudo frente à crise de refugiados na Europa. Os dois candidatos querem medidas que limitem o reagrupamento familiar, os benefícios sociais para os imigrantes e a concessão da nacionalidade francesa.

À esquerda, Benoît Hamon e Jean-Luc Mélenchon não fazem da imigração ou da concessão de asilo a refugiados um tema dominante nsa suas campanhas. No entanto, Hamon propõe um visto humanitário para os refugiados; e ambos dizem que concederiam direito de voto aos estrangeiros nas eleições locais.

Ao centro, Emmanuel Macron não considera oferecer direito ao voto para os estrangeiros. Mas, assim como Hamon, destaca a discriminação na contratação da jovens da periferia.

Conheça os candidatos à Presidência da França

INSTITUIÇÕES

Este é um assunto bastante delicado nas eleições. Fillon e Macron afirmam que não desejam mudar a Constituição. Enquanto isso, Mélenchon e Hamon querem uma VI República, com menos poder ao chefe de Estado e mais referendos estaduais de iniciativa popular.

Os referendos também são prometidos por Le Pen, que promete incluir as preferências nacionais na Constituição.

Fillon também promete criar cotas de imigração e é o único que não quer introduzir a representação proporcional nas eleições — os outros candidatos defendem, em diferentes graus, a mudança no sistema de votação.

Já Macron e Hamon prometem exigir dos políticos eleitos uma ficha judicial limpa. Mélenchon diz que, se eleito, os condenados por corrupção, se tornariam inelegíveis em caráter definitivo.

ECONOMIA E SOCIEDADE

Tradicionalmente, as questões econômicas e sociais opõem direita e esquerda. Mas nesta história Le Pen é exceção: a sua estratégia para atrair classes populares leva o seu programa menos à direita do que Fillon, cuja linha econômica é bastante liberal.

Fillon diz que a idade de aposentadoria seria gradualmente aumentada para 65 anos. Hamon e Macron, enquanto isso, falam em mantê-la em 62 anos, com algunas exceções. E Le Pen e Mélechon prometem reestabelecê-la em 60 anos.

Além disso, Fillon diz que revogaria a carga horária de trabalho obrigatória de 35 horas semanais. Macron e Le Pen prometem mantê-la, com modulações, derrogações e horas adicionais. Hamon e Mélenchon querem reduzir o tempo de trabalho.

O imposto sobre grandes fortunas (ISF) seria suprimido por Fillon, amenizado por Macron, mantido por Le Pen, fundido ao imposto sobre a propriedade por Hamon e reforçado por Mélenchon.

Fillon promete eliminar 500 mil cargos públicos e Macron 120 mil, enquanto Mélenchon diz que criaria 200 mil postos de trabalho no setor.

ENERGIA NUCLEAR

Mélenchon e Hamon dizem que abandonariam progressivamente a energia nuclear, defendida por Fillon e Le Pen. Macron, por sua vez, diz que reduziria a sua importância.

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oglobo.globo.com | 23-04-2017

BRASÍLIA — O presidente de governo da Espanha chega nesta segunda-feira ao Brasil para uma visita de dois dias — a primeira de um líder europeu ao país desde que o presidente Michel Temer tomou posse, em maio de 2016. Ele passará por Brasília e São Paulo. Em entrevista ao GLOBO, por escrito, Rajoy revelou que a economia dominará a conversa com Temer, afirmou que o Brasil é parceiro estratégico e enfatizou que o terror só será combatido com esforço internacional. Rajoy_2304

A União Europeia enfrenta um momento de indefinições e incertezas ante a saída do Reino Unido do bloco. Quais são as consequências do Brexit?

Não existe um Brexit bom. Nós sempre estivemos contra o Brexit, e continuo pensando que não é bom nem para a Europa nem para o Reino Unido. O que devemos, agora, é tentar fazer uma negociação inteligente e rápida, que limite ao máximo os danos que serão causados com a saída do Reino Unido da UE. As consequências serão de todos os tipos e serão constatadas com o tempo. A prova é que a maioria dos principais responsáveis pelo Brexit se retiraram do primeiro plano para não terem que enfrentar as consequências de seus discursos.

Qual a sua expectativa sobre um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia?

Creio que, agora, temos as condições mais favoráveis para essas negociações. De fato, na última reunião do Conselho Europeu foi decidido, a pedido de Espanha e Portugal, acelerar os contatos para firmar o acordo com o Mercosul e atualizar o que já existe com o México. A Europa, que está saindo de uma crise gravíssima, continua apostando no livre comércio e isso é uma boa notícia para todo o mundo. O comércio continua sendo um dos motores mais potentes do crescimento, ao sustentar milhões de postos de trabalho e fomentar a prosperidade. Os momentos mais graves na crise da União Europeia

Qual avaliação o senhor faz da situação política hoje na Europa, com os ventos nacionalistas bem fortes em alguns países? O senhor acha que esses movimentos vão crescer ou são uma onda passageira?

Sou um europeísta convicto, como a maioria dos espanhóis. Portanto, não compartilho dessas posições contrárias à União Europeia. Acabamos de celebrar os 60 anos do Tratado de Roma e não há mais necessidade de se comparar a História da Europa nestes 60 anos e a que sofremos nos 60 anos anteriores: nem mais nem menos do que duas guerras mundiais e todos os tipos de totalitarismos. A Europa é um êxito indiscutível, por mais que alguns tenham decidido convertê-la numa espécie de madrasta responsável por todos os males, quando foi totalmente o contrário. Saberemos dar uma resposta às preocupações dos cidadãos e definir um rumo para os próximos anos. A Europa sairá fortalecida desta crise. Sete consequências e insatisfações deixadas pelo Brexit

A própria Espanha e o senhor enfrentaram grandes dificuldades para formar o governo atual, após um ano e várias tentativas fracassadas. A Espanha foi berço de novos partidos bem polarizados, tanto de esquerda como de direita e ainda convive com a questão da Catalunha. Diante desse quadro, o senhor diria que o modelo político vigente se esgotou?

Esse modelo que alguns dizem que está esgotado ajudou a Europa a criar um sistema de proteção social sem comparação com o resto do mundo e é um exemplo de respeito às liberdades e aos direitos das pessoas. No caso da Espanha, a evolução é ainda mais chamativa: há muitos poucos países no mundo que tenham experimentado um progresso como o da Espanha, e isso se deu com um modelo bipartidário, baseado na moderação e na capacidade de alcançar grandes consensos nacionais. Creio que ninguém pôde demonstrar que haja uma fórmula melhor, ou que renda melhores resultados para as pessoas. Os populistas prometem tudo, mas na hora da verdade, eu não conheço nenhum governo populista que tenha feito seu país prosperar. Outra coisa é que sempre devemos estar abertos a fazer reformas e melhorar o sistema. Essa vontade deve estar sempre aí.

O Brasil passa por momento de transição após o Congresso ter feito o impeachment da ex-presidente Dilma. Como a Espanha acompanhou esse processo e qual avaliação o senhor faz do atual momento do Brasil?

Acompanhamos o Brasil com a atenção e o interesse que nos desperta qualquer país que é um sócio estratégico e com o qual compartilhamos interesses e valores. Temos seguido de muito perto os acontecimentos políticos no Brasil, mas com a tranquilidade e a confiança de que há solidez nas suas instituições.

O que o senhor elegeria como mais importante a ser acertado em seu encontro com o presidente Michel Temer durante sua visita ao Brasil?

Esta viagem tem um inegável componente econômico, que desejaria ressaltar. O Brasil é o terceiro maior destino dos investimentos espanhóis no mundo, só atrás dos Estados Unidos e do Reino Unido, e, de todos os países que investem no Brasil, a Espanha é o terceiro, depois dos Países Baixos e dos EUA. Em 2014, a Espanha tinha um estoque de investimentos de € 47,202 bilhões, e nossas empresas fizeram uma aposta estratégica no futuro deste país. Também espero tratar com o presidente Temer a questão das negociações entre a União Europeia e o Mercosul. Como sabem, a Espanha é o impulsor mais firme da UE para uma aproximação comercial e também política entre as duas regiões.

O governo Temer prepara um amplo processo de concessões em áreas estratégicas de infraestrutura e logística. Como os empresários espanhóis estão se preparando?

Como dizia, nos momentos de maior dificuldade, as empresas espanholas demonstraram que sua aposta no Brasil era de longo prazo. Agora, podem oferecer sua experiência internacional e sua liderança em setores, como infraestrutura de transportes, energia, telecomunicações e meio ambiente. O governo espanhol também está disposto a apoiar, com instrumentos financeiros, aquelas companhias que queiram aproveitar a oportunidade de se internacionalizar.

Em sua opinião, como operações da Polícia Federal como a Lava-Jato, que atingiu as principais empreiteiras do Brasil e está investigando um gigantesco esquema de corrupção envolvendo agentes públicos, influencia na imagem internacional do Brasil?

A corrupção é sempre condenável e deve ser combatida de maneira implacável no Brasil, na Espanha e em todo o mundo. Contra esse flagelo, é preciso apoiar o trabalho de instituições fiscais, procuradores, juízes e forças de segurança. Esse tipo de operação demonstra a sua independência. É certo que também produzem alarme e mal-estar na população, mas são a prova evidente de que as instituições funcionam e não existe impunidade. Seis atentados terroristas em 30 dias de 2016

A Espanha e outros países da Europa têm sido alvos frequentes de ataques terroristas. O que o senhor pode comentar sobre isto?

A Espanha tem sofrido durante muitos anos a violência do ETA, que, felizmente, está em vias de desaparecer. Mas, agora, todos os países enfrentamos outro tipo de ameaça, que é a do terrorismo jihadista. É uma ameaça global, que requer uma resposta global da comunidade internacional. É preciso atuar sobre as novas formas de doutrinação, intercambiar informações entre os diversos serviços de Inteligência, atuar sobre os mecanismos de financiamento das redes e prevenir o fenômeno dos combatentes retornados. Sem dúvida, superaremos essa ameaça, como temos superado outras no passado. Mas só poderemos fazê-lo com muita cooperação internacional.

oglobo.globo.com | 23-04-2017
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou sua previsão de crescimento para o Reino Unido, afirmando que a economia britânica se mostrou mais resistente à votação do Brexit do que se esperava. O fundo acrescentou, ainda, que ainda antecipa um crescimento moderado para o Reino Unido nos próximos anos, uma vez que a decisão de tirar os britânicos da União Europeia provavelmente afetará o comércio e o investimento. [Leia mais...]
atarde.uol.com.br | 18-04-2017

PARIS — Um clima de Guerra Fria surgiu na França desde que Jean-Luc Mélenchon, candidato nas eleições presidenciais pelo movimento de esquerda radical França Insubmissa, cresceu nas pesquisas de opinião a ponto de poder reivindicar uma passagem ao segundo turno no próximo domingo e uma eventual vitória na disputa pela sucessão do presidente François Hollande. A perspectiva de que Mélenchon possa se tornar o próximo inquilino do Palácio do Eliseu provocou temores — “verdadeiros ou simulados”, como apontam analistas — no mercado financeiro e em investidores, ressuscitando antigos discursos contra a “ameaça comunista”. Seus principais adversários na corrida presidencial passaram a considerá-lo como um sério concorrente e alvo privilegiado de ataques. françca

Sem deixar de responder aos críticos, o autoproclamado candidato “antissistema” prossegue sua campanha reunindo centenas de milhares de pessoas em seus comícios, apresentando-se como a única e real opção de ruptura com o atual modelo político e econômico.

— Hoje se fala no “risco Mélenchon” para os bancos e o sistema financeiro. Que risco? Eu sou perigoso? — ironizou ontem o próprio candidato, num de seus encontros com eleitores.

O candidato direitista François Fillon acusou-o de “sonhar em ser o capitão do encouraçado Potemkin (navio russo palco de um motim em 1905, tema do célebre filme do cineasta Serguei Eisenstein), mas que acabará negociando a sucata do Titanic”. O presidenciável centrista Emmanuel Macron chamou-o de “revolucionário comunista”, e a líder da extrema-direita, Marine de Le Pen, do partido Frente Nacional (FN), de “imigracionista absoluto”. Já o jornal conservador “Le Figaro” não hesitou em rebatizá-lo de “Chávez francês”, em alusão ao falecido presidente venezuelano Hugo Chávez, e “Maximilien Ilitch Mélenchon”, numa combinação dos nomes do revolucionário Maximilien Robespierre (do período do Grande Terror da Revolução Francesa de 1789) e de Vladimir Ilitch Lenin (um dos líderes da Revolução Russa de 1917).

Para Bruno Cautrès, do Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences-Po), é preciso distinguir o medo exagerado e fantasioso das reais consequências na hipótese de uma vitória Mélenchon.

— Se ele ganhar a eleição presidencial, a França não vai retroceder no tempo e passar à dominação soviética. Mélenchon se reivindica como alguém de tradição gaullista, numa posição nacional típica, mas com uma tonalidade da cultura da esquerda, na ideia de independência e da não submissão aos EUA. Já em relação à Europa, no entanto, o caso é outro. Conheça os candidatos à Presidência da França

AMEAÇA DE SAÍDA DA UNIÃO EUROPEIA

O programa de Jean-Luc Mélenchon prevê uma renegociação dos atuais tratados europeus, com o abandono da austeridade e um incremento de investimentos em políticas públicas. Em caso de fracasso no estabelecimento de novas regras, numa anunciada queda de braço com a chanceler federal alemã, Angela Merkel, ele ameaça com o Frexit, a saída da França da União Europeia (UE), a exemplo do que ocorreu no Reino Unido.

— Uma parte da esquerda francesa acusa a Europa pelas políticas de restrição orçamentária e de austeridade na França. Mélenchon não é o antieuropeu visceral da FN, que acentua a soberania e a identidade nacional. Nele, temos a combinação entre a tradição intelectual da esquerda internacionalista e um discurso crítico em relação à Europa liberal e suas instituições. Mas é verdade que, oferecer todos os benefícios sociais que promete, só será possível via renegociação dos tratados europeus ou pela saída da Europa — diz Cautrès.

Em nível nacional, Mélenchon prega a diminuição do idade de aposentadoria de 62 para 60 anos; aumento da remuneração do funcionalismo público e do salário mínimo — dos atuais € 1.150 para € 1.326 — ou um maior rigor na aplicação da lei de 35 horas de trabalho semanais, com possível redução a 32h. O Observatório Francês das Conjunturas Econômicas (OFCE) avaliou o programa econômico do candidato como incoerente, acusando-o de não levar em conta as obrigações externas e as finanças públicas do país.

— É verdade que seu programa econômico não se adéqua muito aos limites da França, que já possui uma dívida pública muito importante, de mais de € 2 trilhões. Mas além de econômica, trata-se também de uma questão ideológica. Mélenchon fez uma boa campanha, e uma boa parte do eleitorado decidiu mostrar que a esquerda não está morta. O tema desta eleição é o “sistema”, principalmente após as denúncias de corrupção (contra François Fillon). Há uma tendência de “varrer o sistema”, o que explica em parte a dinâmica Mélenchon — conclui Cautrès.

Em duas pesquisas divulgadas ontem, Mélenchon aparecia com 18% de intenções de voto. Macron mantinha-se em primeiro, com 24% e 22%, em empate técnico com Le Pen, que obtinha 23% e 22%. Já Fillon vinha com 21% e 19,5%. Quem é Marine Le Pen, a candidata que lidera a corrida presidencial na França?

oglobo.globo.com | 18-04-2017

RIO e ISTAMBUL — Ibrahim Dogus, diretor do Centro de Estudos Turcos, critica censura no país e afirma ser improvável que a Turquia consiga completar um processo de integração ao bloco nos próximos dez anos. Turquia_domingo

Como a disputa com a Holanda e a Alemanha fortaleceu o discurso do presidente Recep Tayyip Erdogan às vésperas do referendo?

A crise que sucedeu a tentativa fracassada de golpe em julho fez com que Erdogan precisasse sair em busca de apoio, e ele soube usar as oportunidades para elevar tensões no país. Ele se aliou ao MHP, um partido nacionalista e racista que usa a minoria curda como bode expiatório. E — a menos que consiga um novo acordo com os curdos e se aproxime do Partido do Povo Republicano (CHP, principal legenda da oposição) — terá problemas, já que seus aliados enfrentam fortes divisões internas.

De que maneira as emendas constitucionais aumentam o poder do presidente?

Erdogan diz que as novas medidas irão modernizar a Turquia, transformando-a numa democracia ao estilo americano, mas isso não poderia estar mais distante da verdade. O governo já ignora o Estado de direito, e Erdogan já decide o destino do país praticamente sozinho. Com as novas medidas ele será capaz nomear juízes e compor tribunais, e a mínima autonomia que o Judiciário tenta manter será extinta.

Nos últimos anos, o governo turco intensificou a repressão à imprensa, prendendo jornalistas e fechando veículos. Quais os riscos para a imprensa caso Erdogan triunfe no referendo?

Hoje, menos de 10% da imprensa turca podem ser considerados livres. Todos sofrem censuras, e muitos simplesmente ignoram a política e não se atrevem a cobrir nada que possa desagradar ao governo. Na Turquia, é difícil imaginar que esse cenário possa piorar muito mais.

Entenda o referendo na Turquia em um minuto

Como a retórica de Erdogan ameaça a relação com a Europa, e seus planos de levar o país à União Europeia?

É muito improvável que a Turquia consiga completar um processo de integração ao bloco nos próximos dez anos. Poucos Estados-membros ainda mantêm boas relações com Ancara, e Erdogan usou a crise artificial com Holanda e Alemanha como arma de negociação na questão da crise dos refugiados. No entanto, a Europa já percebe que não pode ser refém, e não creio que essa tática funcione por muito tempo.E quais os passos da oposição no caso de uma derrota?

Apesar das muitas críticas e da economia enfraquecida, há a percepção entre os eleitores de que Erdogan fez coisas incríveis pelo país, e, com uma vitória, a ideia ganhará força. Além disso, ele tem um talento especial para culpar os outros, e isso dificulta a situação da oposição, que já enfrenta complicações muito maiores que as do presidente. A maioria dos opositores está na cadeia, e os líderes de seus partidos estão sem poder algum. (F.B.)

oglobo.globo.com | 16-04-2017

LONDRES — O Reino Unido almeja um acordo com os EUA que daria a bancos sediados em Londres livre acesso a Wall Street, segundo o secretário de Comércio Internacional, Liam Fox. Para Fox, a economia britânica vai prosperar mesmo sem um acordo sobre as condições de saída da União Europeia. Em entrevista à Bloomberg, Fox afirmou que quer maior abertura nas negociações com os EUA "em todo setor", incluindo serviços financeiros. Ele antecipa que o segmento será parte importante das futuras negociações comerciais entre Londres e Washington.

“Gostaríamos de ver o ambiente de comércio mais aberto possível entre Reino Unido e EUA. É razoável pensar que, diante do estado da economia britânica e do estado da economia dos EUA, o setor de serviços desempenhará papel muito importante”, disse Fox.

Garantir entrada mais fácil em Wall Street potencialmente compensaria os bancos britânicos por qualquer perda de acesso à UE após o Brexit e também daria à primeira-ministra, Theresa May, poder de barganha nas negociações com o bloco. Cada vez mais, presume-se que a saída do Reino Unido da UE custará aos bancos que operam em Londres o chamado direito de passaporte, que permite que prestem serviços em todo o bloco.

O presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizou estar disposto a discutir um acordo comercial com o Reino Unido quando se encontrou com May na Casa Branca em janeiro. Há relatos de que o governo dele gostaria de oferecer ao Reino Unido um esquema de passaporte semelhante ao da UE. Quando perguntaram se Fox gostaria de explorar planos dessa natureza para serviços financeiros, ele respondeu: “Com certeza, tenho apetite para liberalizar em todo setor.”

Cronograma do Brexit

Ele diz que ainda não deu início a conversas detalhadas com os EUA, mas espera que os trabalhos em torno do acordo transatlântico se acelerem quando Robert Lighthizer for confirmado ao cargo de representante comercial de Trump, o que pode acontecer na semana que vem.

Enquanto isso, Reino Unido e UE se preparam para conversas formais pela primeira vez. Cada lado busca vantagens estratégicas antes do início das negociações para a saída oficial do Reino Unido, em março de 2019. Fox é um dos maiores defensores do governo britânico e, muito antes do referendo de junho, afirmava que o Reino Unido estaria melhor fora da UE.

Durante a entrevista, Fox afirmou que oportunidades de expansão em outras partes do mundo darão um futuro melhor ao setor financeiro britânico. Ele vê potencial para explorar o status do Reino Unido como líder mundial em inovação em tecnologia financeira.

“Quando vemos gente mudando do Vale do Silício para o Reino Unido, dá para dizer que há algo a nosso favor – e não é o clima”, disse Fox.

oglobo.globo.com | 15-04-2017

MADRI - Em nenhum outro lugar se sente com mais força o Brexit do que em Gibraltar, o enclave britânico de 6km quadrados no Sul da Espanha. Além de perder o acesso ao mercado comum, a saída da União Europeia (UE) poderia prejudicar a economia até agora próspera, baseada em serviços bancários, seguros, turismo e indústria de apostas. gibraltar

O governo espanhol aproveitou a brecha do Brexit para fazer a reivindicação diplomática. O país oferece a Gibraltar — em mãos britânicas há mais de 300 anos — que aceite a soberania espanhola (ou um regime compartilhado) como modo de salvar sua participação na UE.

O conflito aumentou agora, após Michael Howard, ex-líder dos conservadores, dizer que o governo britânico está disposto a defender Gibraltar como fez a então premier Margaret Thatcher com as Ilhas Malvinas: usando intervenção militar.

May baixou o tom após dois dias, mas insistiu que a soberania é inegociável. Ela disse isso a Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, a quem recebeu para avançar nas negociações de saída. Tusk irritara os britânicos quando anunciou que a UE dará à Espanha poder de veto a qualquer acordo que o bloco chegue com o Reino Unido sobre Gibraltar. Isto acelerou a ansiedade de seus moradores.

Se a Espanha tenta forçá-los a mudar de nacionalidade, a lógica indica que bloqueará um eventual pacto que outorgue a Gibraltar a liberdade de circulação e o acesso ao mercado comum, aspectos vitais para que o enclave não entre numa grave crise.

— A fronteira e o acesso ao mercado comum são cruciais. Nós importamos tudo o que comemos. Um terço dos trabalhadores cruza diariamente a fronteira com a Espanha — assinalou Edward Macquisten, chefe da Câmara de Comércio local.

Os moradores de Gibraltar reconhecem o papel da Europa em seu destino: 95,9% deles votaram contra o Brexit. Porém, mesmo assim, é unânime o desejo de manter o vínculo com o Reino Unido.

oglobo.globo.com | 12-04-2017

VALLETTA — Ministros das Finanças da União Europeia admitiram neste sábado que as 20 maiores economias do mundo (G20) não atingirão meta de gerar crescimento adicional através de reformas até 2018 e pediu reflexões sobre porque eles falharam. As economias do G20 concordaram em 2014 em impulsionar o crescimento em suas economias em pelo menos 2% a mais em cinco anos através de reformas, somando mais de US$ 2 trilhões à economia global e criando milhares de empregos.

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“Parece provável que não iremos alcançar nossa ambição de crescimento 2 em 5 até 2018”, disse um documento de termos de referência aprovado pelos ministros das Finanças da UE para a próxima reunião de líderes financeiros do G20, que acontecerá em 20 e 21 de abril, em Washington.

“Nós deveríamos refletir na comunicação apropriada sobre nosso objetivo 2 em 5 e construir uma avaliação em conjunto e um entendimento sobre os motivos pelos quais não atingimos completamente. Também é vital acelerar a implementação de reformas estruturais e de investimento em infraestrutura produtiva", disse o documento, obtido pela Reuters.

Delegações da UE para a reunião do G20 em Washington também irão reiterar que o G20 "deve evitar todas as formas de protecionismo, apoiar o acordo de Paris sobre mudança climática, o trabalho sobre finanças verdes e a abordagem multilateral sobre taxação e regulamentação financeira", revelou o documento.

A declaração, ainda que padrão em reuniões anteriores do G20 e comunicados, se tornou problemática desde que Donald Trump se tornou o presidente dos Estados Unidos no ano passado.

Em reunião em março na cidade alemã de Baden Baden, ministros das Finanças do G20 abandonaram a promessa de manter o comércio global livre e aberto, cedendo a um Estados Unidos cada vez mais protecionista.

Rompendo a tradição de uma década de apoiar o livre comércio, o G20 fez apenas uma referência simbólica ao comércio em seu comunicado em uma clara derrota para a anfitriã Alemanha, que lutou contra tentativas do novo governo norte-americano de diluir compromissos passados.

Os líderes financeiros do grupo também removeram de seu comunicado uma promessa de financiar a luta contra as mudanças climáticas, em um resultado antecipado após Trump chamar o aquecimento global de "engano".

oglobo.globo.com | 08-04-2017

PARIS - Com todos os 11 candidatos à Presidência francesa frente a frente, o primeiro debate aberto entre os postulantes, na noite de terça-feira, viu uma polarização com o embate entre os dois favoritos: o centrista Emmanuel Macron e a líder de extrema-direita Marine Le Pen. O ex-ministro da Economia e a eurodeputada, que as pesquisas mostram no segundo turno, se criticaram duramente pelas visões opostas sobre a relação com a Europa e a posição frente ao terrorismo — a ponto de Macron afirmar que a família Le Pen mente há décadas. Eleição França

— O nacionalismo é guerra. Sei porque venho de uma região cheia de túmulos — disse Macron, em referência à ampla destruição em sua cidade natal, Amiens, na Primeira e na Segunda Guerras Mundiais.

Le Pen, que também foi criticada pelo rival de direita François Fillon por sua postura antieuro e a favor de um referendo pela saída da União Europeia, rebateu Macron:

— Você não deveria fingir que é algo novo quando fala como os velhos fósseis de 50 anos atrás — disse ela, que em outro momento chamou a França atual de "universidade de jihadistas". Le Pen se referia ao fato de que Macron participou do governo de François Hollande, do tradicional Partido Socialista.

— Desculpe dizer, madame Le Pen, mas você está dizendo as mesmas mentiras que ouvimos de seu pai por 40 anos — rebateu Macron, em referência às tentativas de Le Pen de se desvincular da imagem do pai, o radical de ultradireita e fundador de sua Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen.

Macron e Le Pen têm se acusado na campanha por divergências que envovlem a relação econômica da França com a União Europeia. Ela quer impostos a importações de dentro do bloco, enquanto Macron alega que o efeito deste protecionismo seria o mesmo para as exportações franceses.

No debate, Macron ainda atacou Le Pen por considerar que uma eventual saída do euro representaria um severo déficit — sendo rebatido pela afirmação de que a moeda única seria responsável por um desafavorecimento comercial na balança francesa diante do bloco europeu.

PARA TODOS OS GOSTOS

Com Macron, Le Pen, Fillon, o socialista Benoit Hamon e o líder de extrema-esquerda Jean-Luc Melenchon no debate, houve ainda espaço para os demais candidatos — a maior parte deles não alcançando mais do que 2% das intenções de voto.

A 19 dias do primeiro turno (27 de abril), Macron e Le Pen aparecem em empate técnico de 25% nas intenções para a etapa inicial. No entanto, para o segundo turno, o ex-ministro leva ampla vantagem. Levantamentos dão conta de que ele teria cerca de 61% dos votos válidos, contra 39% da rival.

O ex-premier Fillon, que caiu drasticamente nas pesquisas após o estouro de um escândalo pela contratação fantasma de sua mulher e filhos na Assembleia Nacional, aparece em terceiro, seguido de perto por Melenchon, também ex-ministro socialista. No debate, Fillon afirmou que se recusaria a comentar com jornalistas as acusações que sofre — e pelas quais foi indiciado recentemente.

— Eu seria um presidente exemplar — afirmou o conservador.

Outro ex-membro do Gabinete de François Hollande, o próprio socialista Hamon, fica mais abaixo ainda, sem alcançar dois dígitos. Após o ex-premier Manuel Valls, a quem derrotou nas primárias do partido, anunciar apoio a Macron, ele caiu significativamente nas pesquisas.

Conheça os candidatos à Presidência da França

oglobo.globo.com | 04-04-2017

GENEBRA - A Organização Mundial do Comércio (OMC) criou nesta segunda-feira um painel para examinar a abordagem usada pela União Europeia para calcular as medidas antidumping aplicadas às exportações chinesas, a pedido de Pequim.

Quando a China aderiu à OMC, em 2001, foi acordado que os demais Estados-membros poderiam tratá-la como uma economia de não mercado por 15 anos. O prazo venceu no final do ano passado, mas a UE ainda quer operar com regras que protejam seu mercado dos produtos chineses, mais baratos.

Na semana passada, a China pediu à OMC a abertura de um painel de especialistas para decidir sobre a exigência de que a UE deixasse de tratar o país como economia de não mercado - comparando o preço dos produtos chineses ao de um terceiro país - para determinar se a China está vendendo seus produtos abaixo dos preços de mercado, o que caracterizaria a prática de dumping.

A UE rejeitou esse pedido, mas quando a China apresentou uma segunda demanda, as regras da OMC exigiam que o organismo criasse um painel.

Em dezembro do ano passado, a China apresentou controvérsias contra UE e Estados Unidos sobre essa questão, que estão sendo tratadas separadamente.

Quando as partes não conseguem chegar a um consenso nas consultas lideradas pela OMC, conta-se com a possibilidade de abertura de um painel, no qual especialistas avaliam a controvérsia.

A UE indicou que gostaria que os Estados Unidos fossem aliados na OMC contra práticas chinesas consideradas injustas, entretanto, o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, disse que pode ignorar todas as decisões da organização de comércio.

Os painéis de especialistas da OMC em geral levam meses para anunciar suas decisões, que podem apontar para medidas de retaliação ao país que desrespeita as regras comerciais.

oglobo.globo.com | 04-04-2017

PARIS/BORDEAUX — A candidata presidencial francesa Marine Le Pen disse em um comício político, neste domingo, que a moeda comum europeia, o euro, o qual ela quer abandonar, é como uma “facada” no torso do povo francês. A líder do partido Frente Nacional, que defende políticas anti-União Europeia e anti-imigração, também disse, durante o comício em Bordeaux, que a eleição para presidente deste ano poderia trazer uma “mudança na civilização”.

LEIA TAMBÉM: Se eleita, Le Pen promete converter parte da dívida francesa em moeda nacional

Encorajada pela inesperada eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e pela referendo britânico que decidiu pela saída do Reino Unido da UE, Le Pen espera capitalizar sobre a força de um movimento populista de direita na França, embora pesquisas de opinião sugiram que ela deve perder na votação de 7 de maio.

“Estamos à mercê de uma moeda adaptada para a Alemanha e não para nossa economia. O euro é, principalmente, uma facada em nossas costelas para nos forçar a ir aonde outros querem nos levar”, disse ela, em meio a aplausos e gritos de apoio.

Reiterando seu ponto de vista anti-globalização e anti-imigração, ela declarou:

“Nós não queremos que a França seja aberta a todos os fluxos comerciais e humanos, sem proteção e fronteiras”.

Um governo sob a presidência de Le Pen tiraria a França da zona do euro e traria de volta a moeda nacional, realizaria um referendo sobre sua filiação à UE e aplicaria impostos sobre importações e sobre companhias que contratassem estrangeiros.

oglobo.globo.com | 02-04-2017

MADRI — A União Europeia (UE) irritou os britânicos ao oferecer à Espanha, nesta sexta-feira, o poder de veto sobre qualquer futura relação entre Gibraltar e o bloco depois que o Reino Unido concluir o Brexit. O futuro de Gibraltar, um enclave rochoso britânico no Sul da Espanha, é apontado como o maior ponto de contenção nos acordos de saída, juntamente com o acesso do Reino Unido ao mercado comum e aos direitos dos cidadãos europeus que vivem no país. Enquanto 52% dos britânicos mostraram-se a favor da saída da UE no referendo de junho de 2016, 96% dos eleitores de Gibraltar votaram contra. brexit

A cláusula, contida dentro das diretrizes da negociação sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, pode ser mal recebida em Londres, que defende os interesses de Gibraltar, frente às reivindicações da Espanha. A medida da UE irritou o território britânico, que teme que Madri use a cláusula para afirmar sua soberania sobre o local, que pertencia ao país até 1713. A região já havia rejeitado uma proposta do Reino Unido de compartilhar o território com a Espanha, em um referendo de 2002.

O ministro de Gibraltar, Fabian Picardo, acusou o texto de descriminatório.

“Isso é uma tentativa vergonhosa da Espanha de manipular o Conselho Europeu para seus próprios interesses políticos”, afirmou Picardo em um comunicado. “O Brexit já é por si só complicado e a Espanha pode tentar complicá-lo ainda mais. O mundo inteiro e a União Europeia devem saber que isso não muda nada nossa continuada e exclusiva soberania britânica”.

Gibraltar, que tem 32 mil habitantes em uma superfície de 7 km², abandonará a União Europeia quando a saída do Reino Unido for efetiva. Madri propôs novamente ao Reino Unido, em outubro, compartilhar a soberania sobre Gibraltar, para que o território possa permanecer na União Europeia depois do Brexit. Gibraltar é dependente da Espanha para seu abastecimento, mas sua próspera economia, especializada em serviços financeiros, também beneficia o país ao contratar 10 mil trabalhores espanhóis.

“Depois que o Reino Unido abandonar o bloco, nenhum acordo entre a UE e o Reino Unido poderá se aplicar em Gibraltar, massim um acordo entre a Espanha e o Reino Unido”, diz o texto apresentado em Malta pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

Diferentemente do território britânico, o governo espanhol concordou com o texto.

“É uma decisão que nos satisfaz”, celebrou o porta-voz espanhol, Íñigo Méndez de Vigo.

oglobo.globo.com | 31-03-2017

RIO - Bom dia. A prisão de conselheiros do TCE-RJ expôs uma série de bastidores que mais parecem enredo de filme: do uso do dinheiro das passagens de ônibus às manobras do delator do esquema. Já na ficção, o novo longa com Scarlett Johansson está cercado de polêmica. Boa leitura.

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(Des)crédito

Uma pequena mudança na legislação, aprovada pela Assembleia Legislativa fluminense em dezembro, abriu caminho para as empresas de ônibus embolsarem R$ 90 milhões em créditos do Riocard. O presidente da Alerj, Jorge Picciani, é suspeito de ter organizado repasses aos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ).

Contas do delator

Quando surgiram as primeiras denúncias contra o TCE, Jonas Lopes de Carvalho desengavetou processos sobre grandes obras do governo Cabral, mas a estratégia não colou, e ele optou por delatar companheiros.

Vizinha do barulho

Adriana Ancelmo foi recebida com panelaço na volta ao Leblon para cumprir prisão domiciliar. Assista ao vídeo.

Tempo fechado

Justiça determina arresto nas contas do Estado do Rio para pagar aos servidores do Ministério Público. Enquanto isso, a votação do projeto de ajuda financeira ao Rio saiu de pauta na Câmara por falta de 'clima'.

Faz Diferença

A menina Ana Júlia Aleixo, que recebeu um coração após reportagem do GLOBO sobre aviões da FAB, foi com a família receber o Prêmio Faz Diferença, na categoria País. Veja outros destaques da festa.

‘Sou quilombola’

Flávia Oliveira conta que parte das terras da fazenda que pertenceu ao bisavô foi reconhecida como comunidade remanescente quilombola.

Sem saída

Após laudo do Crea condenando a falta de segurança da ciclovia que despencou, a Justiça decretou a interdição por tempo indeterminado da pista.

Fim do alívio fiscal

Governo retira desoneração da folha de pagamento de 50 setores. Incentivo só será mantido para grandes empregadores. Economistas dizem que decisão pode adiar retomada.

E mais cortes de gastos

Cortes de R$ 42,1 bilhões no Orçamento vão afetar investimentos, com redução de obras do PAC.

Retrato da infância

Quem são as crianças que não têm acesso a creches públicas, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

Divórcio litigioso

A saída do Reino Unido da União Europeia já começa sob acusações de chantagem contra a premier britânica.

“A vigilante do amanhã”

Em meio à polêmica de “embranquecer” a protagonista, “Ghost in the shell” estreia hoje, com Scarlett Johanson no papel principal. Veja o que o Bonequinho achou.

Segundo passo

Com a vaga assegurada à Copa, dirigente da CBF viaja domingo para a Rússia, onde inicia preparação.

Use e abuse

Conheça resorts, pousadas e hotéis no Estado do Rio que têm o programa de day use, ideal para fugir da rotina.

ACOMPANHE COM A GENTE

Os desdobramentos da Operação Quinto do Ouro

oglobo.globo.com | 30-03-2017

LONDRES - Pela primeira vez em seus 60 anos de existência, a União Europeia (UE) recebeu na quarta-feira a notificação oficial de saída de um de seus membros, o Reino Unido, peça até então essencial para o funcionamento do bloco. A retirada britânica (Brexit), comunicada pela premier Theresa May através de uma carta de seis páginas enviada ao Conselho Europeu, foi decidida em plebiscito há nove meses, mas só agora o divórcio começa formalmente, marcando o início de um processo que durará dois anos e não terá como evitar crises. Uma amostra já foi dada ontem mesmo com acusações a Londres de estar buscando chantagear a UE usando a cooperação na área de segurança — palavra mencionada 11 vezes na carta. May causou reações tanto no Parlamento britânico como em Bruxelas ao dizer que “se não houver acordo, a cooperação em defesa pode ser menor”. brexit

— A segurança dos nossos cidadãos é muito importante para começarmos uma barganha — disse o coordenador do Parlamento Europeu para o Brexit, Guy Verhofstadt.

As negociações sobre o fim do casamento de 44 anos inauguram um período turbulento para os britânicos, afetando milhões de cidadãos que se beneficiam da livre circulação na UE e acordos comerciais. Até 2019, a relação entre Londres e Bruxelas será toda revista, enquanto a própria integração do Reino Unido pode não resistir, já que Escócia e Irlanda do Norte não queriam o Brexit.

Logo após invocar o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, que dá início à histórica saída britânica da UE, May discursou no Parlamento em tom de conciliação e prometendo buscar uma relação “profunda e especial” com os 27 membros restantes do bloco. A Alemanha, no entanto, deixou claro que o caminho não será fácil. A chanceler Angela Merkel rejeitou a proposta de May para iniciar as conversas sobre novos acordos de comércio paralelamente às discussões sobre os termos do divórcio. Embora ressaltasse a importância de preservar boas relações com Londres, a alemã afirmou que o primeiro passo será desfazer os atuais acordos para, só então, “estabelecer novos laços”.

O primeiro desafio começa na quinta-feira, quando May detalhará o anteprojeto da Lei da Revogação, que vai rever a supremacia das leis europeias sobre as britânicas. Entenda o Brexit em um minuto

Áreas distintas como direitos trabalhistas, serviços financeiros e regras ambientais, entre outras regulamentações determinadas pela UE, serão examinadas pelo Parlamento britânico. O debate determinará que tipo de país será o Reino Unido.

— De acordo com o desejo do povo britânico, o Reino Unido está deixando a UE. Este é um momento histórico e sem volta. Vamos tomar nossas próprias decisões e fazer nossas próprias leis. Vamos assumir o controle daquilo que mais importa para nós. E vamos aproveitar para construir um Reino Unido mais forte e mais justo — anunciou May, depois de enviar a carta ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

A tentativa da premier de parecer otimista e mais flexível que de costume contrastou com o tom frio de Bruxelas, onde o dia de ontem foi definido como de tristeza.

— Nós já sentimos sua falta. Obrigado e adeus — disse Tusk, acrescentando que no processo do Brexit “não haverá vencedores”.

Em cinco cenários, o que acontece com a União Europeia após o Brexit?

ACERTO DE CONTAS

O divórcio mal começou e a partilha já envolve um gigantesco acerto de contas. Os negociadores de Bruxelas indicaram que o Reino Unido precisa liberar entre € 50 bilhões e € 60 bilhões para pagar dívidas pendentes. Os britânicos, por sua vez, calculam que a conta está em torno de € 20 bilhões. Outra questão fundamental, e ainda incerta, é o que acontece com os três milhões de cidadãos europeus que vivem hoje em território britânico. O controle da imigração foi um dos principais pontos defendidos na campanha pelo Brexit.

— O governo alemão fará o possível para que o impacto (do Brexit) sobre a vida desses cidadãos seja o menor possível — prometeu Merkel.

Analistas concordam que a separação é uma longa e imprevisível novela que rachou o Reino Unido — o Brexit foi aprovado por 52% dos eleitores. Pesquisas recentes mostram que os britânicos continuam divididos em relação à retirada da UE, temendo principalmente os estragos sobre a economia, que ainda não foram sentidos. Para Catherine Barnard, especialista em Direito Europeu da Universidade de Cambridge, trata-se de uma “obra shakespeareana”, cujo primeiro ato foi a ativação do Artigo 50.

— Como em qualquer boa peça de Shakespeare, há mais drama à frente. O segundo ato envolverá as negociações com a UE, com uma subtrama relativa às alterações da legislação interna. O terceiro ato será sobre os termos do divórcio, sobretudo o pagamento de dívidas pelo Reino Unido. O quarto ato pode envolver um acordo comercial, e o quinto será o desenlace do enredo e a grande revelação: as condições do Brexit — comparou a analista. Info - longa separacao 2

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oglobo.globo.com | 30-03-2017

Com a primeira-ministra Theresa May dando início à saída do Reino Unido da União Europeia, não há qualquer dúvida de que será um divórcio doloroso para ambas as partes — e muito mais para os britânicos, sem dúvida. Mas isso não quer dizer que não haja um lado positivo. O acordo certo saberá reconhecer as oportunidades e aproveitar o máximo delas.

Mesmo a mais harmoniosa das separações, que mantenha a maioria dos privilégios comerciais do Reino Unido, deixaria o país em desvantagens econômicas. A queda na libra esterlina desde o referendo já atinge o poder de compra das receitas britânicas. Além disso, a saída também é uma tentativa de recuperar o controle de suas fronteiras — no entanto, a imigração, em termos econômicos, é algo positivo, e um aumento nas restrições do fluxo de trabalhadores já é, por si só, uma punição, independentemente de se tratar de uma punição autoinfligida. brexit

O Reino Unido, é importante lembrar, sempre foi um ponto fora da curva, fundamentalmente oposto, ao contrário dos outros Estados-membros, ao princípio básico da UE, de uma união cada vez maior. Por ter mantido sua própria moeda, sempre esteve com um pé fora do bloco. Essas diferenças vão de encontro à ideia de que, se o país escapar agora com apenas alguns arranhões, outras nações também deixarão o bloco em seguida. O perigo de futuras saídas crescerá a longo prazo, caso a UE não consiga se recuperar do Brexit.

Isso nos leva ao lado positivo da saída britânica pelo ponto de vista da UE. Uma das mais claras lições dos últimos dez anos é a de que colocar a zona do euro nos eixos exigirá mais doses de integração nas políticas econômicas. É verdade que tais iniciativas agora não têm muito apoio, mas isso não as torna menos necessárias, e elas não podem ser procrastinadas para sempre. Em algum momento o tratado precisará de mudanças e, com elas, do apoio unânime dos Estados-membros. Mesmo sem o Reino Unido e suas arraigadas desconfianças sobre o projeto europeu, garantir esse apoio não será fácil — mas pelo menos não será algo impossível.

Há um lado positivo para o Reino Unido também. O país terá de volta parte da autonomia que perdeu como integrante de UE. Haverá um custo, sem dúvida, mas ele pode ser reduzido com uma parceria cooperativa com a UE, e aproveitando a saída do bloco para liberalizar a economia e suas outras relações comerciais. De novo, não será algo fácil — mas pelo menos não será algo impossível.

As negociações pela frente serão carregadas. Elas podem fracassar antes mesmo que os diálogos se aprofundem — com as exigências financeiras da Europa, com as discussões sobre a questão dos migrantes europeus, com a indefinição sobre o calendário das negociações. O que deve ser entendido é que a sorte está lançada, que mais reclamações sobre o processo que levou ao Brexit não servem para nada, e que a melhor aposta para os dois lados é aproveitar a situação ao máximo.

oglobo.globo.com | 30-03-2017

RIO E LONDRES — O início da histórica ruptura com a União Europeia (UE) conduz o Reino Unido a um caminho de incertezas e a um longo processo de negociações. Para Jonathan Portes, professor de Economia e Política Pública do King’s College e membro do programa “Reino Unido em uma Europa em Transformação”, o rompimento, em vez de ser uma ameaça para a integridade do bloco, pode fortalecer a unidade dos Estados-membros. Ele acredita que uma eventual vitória da líder de extrema-direita Marine Le Pen nas eleições francesas seria uma ameaça maior à UE do que o Brexit. Reino Unido

Qual é o clima no país após o início formal do Brexit?

Algumas pessoas estavam felizes e animadas, esperando isso por um longo tempo. Outras estavam muito descontentes. Mas não foi de fato uma surpresa. Para a maioria da população, nada mudou ainda.

Quais são as principais preocupações da população com a saída da UE?

Há muita preocupação em torno dos eventuais impactos econômicos. Mais especificamente, se o comércio e a livre circulação pelos membros do bloco se tornarão mais difíceis. Já vimos, por exemplo, um aumento da inflação.

As incertezas do processo podem trazer impactos negativos para o país?

No curto prazo, há um aumento de incertezas, e a economia pode começar a desacelerar. Mas não seria um desastre ou representaria um grande impacto. No médio prazo, há uma preocupação de que as negociações não tenham êxito e de que o país saia da UE sem nenhum tipo de acordo. Isso poderia ser muito problemático economicamente: veríamos novos controles de fronteira, novas taxas alfandegárias. E no longo prazo, o lado negativo seria perder o comércio com a UE. E o lado positivo seria estabelecer mais relações comerciais com o resto do mundo. A maioria dos economistas acredita que o balanço no longo prazo será de alguma forma negativo, que as perdas provavelmente serão maiores que os ganhos, mas isso levará um longo tempo para aparecer.

O senhor acredita que o Brexit poderia dar combustível para outros países deixarem a UE?

Ainda não há evidências disso. Até o momento, a reação ao Brexit na maioria dos países é que as pessoas têm ficado mais relutantes em considerar uma saída do bloco e se posicionado mais pró-UE. Talvez o Brexit tenha ajudado a fortalecer a unidade do resto da UE. Os outros países estão coordenando a sua posição em relação ao Reino Unido para manter uma frente unida nas negociações.

Então a integridade do bloco europeu não está em risco?

O Reino Unido sempre teve uma relação um pouco difícil com a UE, com menos apego ao conceito de integração política. O Brexit pode, de certa forma, tornar mais fácil à UE avançar para uma maior integração, e não há sinal de que outros países queiram seguir o caminho do Reino Unido. Assim, o Brexit não constitui uma ameaça direta à integridade da UE neste momento. Ao contrário, se Marine Le Pen — líder de um partido abertamente racista, cujos princípios são diretamente opostos a muitos valores e políticas da UE — for eleita na França, que é um dos primeiros Estados-membros fundadores da UE, seria muito mais ameaçador para a integridade e a coesão do bloco do que o Brexit, econômica e politicamente.

Como o senhor avalia a forma com que a premier Theresa May lida com o processo?

Do ponto de vista político, tem sido bem-sucedida. Ela é muito popular e seu partido se uniu. Mas, para fazer isso, teve que adotar uma linha dura para encarar essa difícil ruptura.

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, já rejeitou negociar nos termos do Reino Unido. A Alemanha pode representar um entrave para as negociações?

A posição já é adotada pela Comissão Europeia, mas talvez Merkel tenha surpreendido. Acho que está mandando uma mensagem muito clara para os britânicos de que o resto da UE negociará junto. Se os países mantiverem uma posição unida, o Reino Unido terá que aceitar.

Um dos pontos mais polêmicos é a questão migratória... O que pode mudar?

Pessoas que já estão morando no Reino Unido provavelmente terão permissão para ficar. Mas, no longo prazo, será mais difícil para europeus viverem no Reino Unido. Profissionais europeus não vão querer morar no Reino Unido, o que também pode afetar a economia. Entenda o Brexit em um minuto

oglobo.globo.com | 30-03-2017
Tiago Brandão Rodrigues considerou ainda que os cidadãos da União Europeia no Reino Unido são “uma força de trabalho importante para concretizar a economia britânica”.
www.publico.pt | 29-03-2017

BRASÍLIA - Numa ofensiva para superar a crise da carne, o presidente Michel Temer assinou, nesta quarta-feira, um decreto que endurece as punições a empresas e fiscais sanitários. O novo decreto atualiza o Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Rispoa), de 1952, editado pelo então presidente Getúlio Vargas, e que está em vigor hoje. Ele traz, entre outros pontos, penalidades leves, graves e gravíssimas a empresas que atuam no setor, podendo chegar a proibir a comercialização em caso de três penalidades gravíssimas no mesmo ano.

Temer mais uma vez reforçou a importância da agricultura para a economia brasileira e disse que o Brasil "está vencendo a batalha" contra a crise envolvendo a carne do país.

— Esse episódio foi provocativo. Fez com que todos nós quando vimos, sentíssemos na pele e na carne a importância do agronegócio para o Brasil — afirmou o presidente.

Secretário-adjunto do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki disse que o novo decreto não é uma consequência da Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal, e que o novo texto não foi feito de forma "corrida", mas admitiu que o momento é oportuno para dar uma resposta em relação à crise envolvendo o país, um dos maiores exportadores de carne do mundo.

— Esse decreto não foi uma atualização açodada ou corrida, isso começou há alguns anos, a revisão começou em 2007, é um regulamento muito extenso e por isso exigiu um trabalho meticuloso — afirmou Novacki:

— Ele não foi motivado pela operação em si, mas é uma resposta oportuna, porque estamos criando regras coercitivas para os infratores e regras claras de procedimentos.

O novo decreto traz penalidades leves, graves e gravíssimas às empresas e fiscais sanitários envolvidos na atividade. A partir de agora, se uma empresa cometer três penalidades gravíssimas em um ano terá o seu Serviço de Inspeção Federal (SIF), espécie de RG das empresas, cassado.

Novacki elencou ainda, como duas das principais inovações do decreto, a preocupação com o bem-estar animal e com a sustentabilidade.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, reconheceu que o país ficou em situação delicada com a deflagração da Operação Carne Fraca. China e Egito, que estão entre os maiores importadores de proteína animal brasileira, haviam suspendido as compras.

— O Brasil ficou muito ameaçado. Ficamos numa posição muito difícil, muito complicada — declarou Maggi, emendando:

— A situação era de emergência. Se nós não tomássemos as devidas providências imediatamente, os fechamentos de mercados internacionais seriam consequência muito danosa, extremamente danosa para o Brasil.

Apesar de comemorar a volta das compras internacionais da carne brasileira, o ministro da Agricultura defendeu que o governo tem outra luta pela frente: reconquistar o mercado.

COBRANÇAS ‘DURAS’

Blairo Maggi reuniu-se ontem com o comissário da União Europeia para Saúde e Segurança Alimentar, Vytenis Andriukaitis. O bloco estuda tomar medidas mais rigorosas em relação ao mercado brasileiro após a Carne Fraca. O ministro reconheceu que as cobranças foram "bastante duras", e que o governo brasileiro ainda não tem garantias de que não perderá mercados. Nesta quinta-feira, haverá outra audiência sobre o tema.

— As cobranças foram bastante duras. Eu disse que estamos prontos e dispostos a aceitar sugestões — afirmou, completando:

— Obviamente, não nos deu nenhuma garantia, nem poderia dar. Não depende só dele (comissário da União Europeia).

Em abril e maio, representantes do Ministério da Agricultura devem fazer duas viagens internacionais. Em maio, o périplo deve durar vinte dias e passar por Emirados Árabes, Arábia Saudita, China e União Europeia.

Blairo Maggi voltou a criticar a "comunicação" da Polícia Federal, e enfatizou que não estava atacando a operação.

— Em nenhum momento reclamei da operação. Nunca reclamei

oglobo.globo.com | 29-03-2017

BRASÍLIA - A União Europeia (UE) pediu nesta segunda-feira que o Brasil trabalhe para recuperar a confiança dos importadores, enquanto o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, admitiu que a imagem do país foi "muito atacada" pelo escândalo.

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— Espero que as autoridades brasileiras entendam que precisam atuar o mais rápido possível para restabelecer a confiança em seus sistemas de controle — disse o comissário europeu de Saúde e de Segurança Alimentar, Vytenis Andriukaitisk em uma entrevista à AFP no Rio de Janeiro.

O comissário europeu será recebido na terça-feira em Brasília pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

A visita de Andriukaitis "é um espaço importante (...) para fazer todos os esclarecimentos, mostrar quais são os procedimentos, onde estão as nossas preocupações", disse Maggi em uma entrevista coletiva em Brasília.

A Polícia Federal revelou no dia 17 de março a operação "Carne Fraca", com denúncias de que grandes frigoríficos haviam subornado fiscais sanitários para que eles autorizassem a venda de carne vencida ou adulterada.

O caso repercutiu imediatamente no exterior, e vários países importadores bloquearam suas compras, embora alguns importadores importantes, como a China, tenha limitado a suspensão aos frigoríferos envolvidos no escândalo.

— Nossa imagem foi muito atacada nos últimos dias, os comentários fora são muito ruins — admitiu Maggi. — Nossos concorrentes, aqueles que querem nossos lugares, estão se aproveitando desse momento de fragilidade para poderem conquistar e fazer os mercados serem melhores para eles — acrescentou.

O ministro anunciou que fará nas próximas horas uma teleconferência com autoridades de Hong Kong para tentar reverter as restrições do maior importador de carne bovina do Brasil.

— Temos respondido a todos os questionamentos, mas se querem mais alguma explicação estamos prontos para dar. Vamos ver se hoje à noite a gente consegue convencê-los de que as informações são suficientes — acrescentou Maggi.

As vendas de carne trouxeram de US$ 13 bilhões à economia brasileira em 2016. A China é o segundo maior comprador de carne bovina e de frango do Brasil.

Na semana passada, o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) informou que as exportações de carne tiveram uma queda de US$ 63 milhões diários de antes do escândalo para 74.000 dólares registrados no dia 21 de março.

No entanto, nessa segunda-feira o ministério informou que a queda das vendas de carne da semana passada se limitou a 20% em relação à semana anterior, sem detalhar o volume das vendas diárias.

oglobo.globo.com | 27-03-2017

A Lei 8.248/91, conhecida como Lei de Informática, foi sancionada em outubro de 1991, com previsão inicial de vigência até 1999, e desde então, além de prorrogada, foi objeto de diversas alterações de critérios.

No fim de 2016, após um processo movido pelo Japão e pela União Europeia, a Organização Mundial de Comércio (OMC) considerou “ilegais” sete programas da política industrial brasileira. O questionamento foi com relação à política de incentivos fiscais concedidos à indústria eletrônica, sobretudo no tratamento diferenciado nos campos tributário e comercial.

Na verdade, o desafio brasileiro é ir além das objeções levantadas pela OMC e conceber nova política para impactar o setor, visando sobretudo efeito interno.

Desde 2014, quando a lei foi prorrogada, representantes no Congresso Nacional prometeram revê-la, de forma que ela pudesse se transformar verdadeiramente num valioso instrumento capaz de beneficiar não só o hardware por meio dos benefícios fiscais, bem como o software por meio das contrapartidas, abrindo espaço para que a indústria nacional de software e serviços de TI atraísse maiores investimentos.

Agora, o governo federal anuncia que, enfim, a Lei de Informática deverá ser revista para se adequar aos novos tempos, já que é voltada especificamente para apoio à produção de equipamentos. Para elaborar a nova proposta, foi criado um grupo de trabalho com representantes de seis ministérios e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para estabelecer a Estratégia Digital Brasileira (EDB).

A proposta seria ampliar sua abrangência, para incluir o estímulo a novas etapas de produção de maior valor agregado, bem como as áreas de software e o desenvolvimento de aplicativos, entre outros segmentos, tendo como um dos focos o empreendedorismo digital.

Segundo declarações recém-divulgadas, pretende-se incorporar mecanismos de apoio às startups, empresas iniciantes, que criam produtos e aplicativos inovadores, mas que, em sua maioria, têm dificuldade de chegar ao mercado.

É importante ressaltar que, no Brasil, trabalham cerca de 500 mil profissionais de software e serviços, com uma média salarial superior a R$ 6 mil. A retração do mercado de trabalho no setor foi de apenas 1% em 2016, muito inferior aos números nacionais em outras atividades.

Ou seja, as empresas já constituídas, algumas com décadas de funcionamento, precisam de apoio e não podem ser esquecidas em favor de “novos empreendimentos.”

Por sua clara importância, a discussão sobre a nova política não pode, entretanto, ser limitada ao âmbito governamental, sem participação da sociedade, em especial das representações dos setores de ponta que desenvolvem tecnologia nacional e precisam de uma efetiva política de fomento para gerar riqueza e novos empregos.

Benito Paret é presidente do Sindicato das Empresas de Informática do Estado do Rio de Janeiro

oglobo.globo.com | 27-03-2017
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