Français | English | Español | Português

Europa Educação

RIO — O técnico Mano Menezes vai usar todos os trunfos possíveis para tentar trazer de Londres o único título que falta ao futebol brasileiro. Nesta sexta-feira, durante o lançamento dos novos uniformes da seleção, que teve Neymar e Paulo Henrique Ganso como maiores atrações, o treinador confirmou que vai convocar para os Jogos Olímpicos os três jogadores com mais de 23 anos que são permitidos pelo regulamento.

— Se o regulamente permite, não há razão para não usá-los. Vamos priorizar os setores mais carentes e dar mais experiência com estes jogadores — explicou o treinador.

Mano não quis revelar em quais posições pretende utilizar os "veteranos", mas é quase um consenso na comissão técnica de que atualmente não há bons zagueiros com menos de 23 anos no futebol brasileiro. Assim, Thiago Silva, que disputou os Jogos de Pequim, em 2008, e David Luiz, ambos da seleção principal, surgem como dois dos mais cotados para ocuparem as três vagas disponíveis.

O treinador confirmou que os cinco amistosos agendados para o primeiro semestre — Bósnia Herzegovina (28/2), Dinamarca (26/5), Estados Unidos (31/5), México (3/6) e Argentina (9/6) — serão disputados pela seleção principal.

— Quem contratou os jogos exigiu a seleção principal. Mesmo assim, posso garantir que teremos um time forte em Londres. O tempo será suficiente — aposta Mano.

Amuletos na camisa

A confiança do treinador, que reunirá o grupo somente a 17 dias da estreia nos Jogos de Londres, se explica. Muitos dos jogadores que estão na equipe principal também fazem parte da seleção olímpica. É o caso de Neymar, Ganso, Lucas, Leandro Damião, Alexandre Pato e Danilo.

— Os dois grupos se misturam. Muitos do time olímpico estarão na Copa de 2014. Mas, além disso, vamos aproveitar o período sem data Fifa (28 de fevereiro a 26 de maio) para reunir por aqui mesmo os jogadores com idade olímpica que atuam nos clubes brasileiros. Já estamos elaborando um calendário para não prejudicar os times brasileiros — adiantou o técnico.

Como os Jogos Olímpicos não fazem parte do calendário oficial da Fifa, os clubes não são obrigados a ceder seus jogadores quando convocados. Apesar de os principais jogadores com idade olímpica ainda atuarem no Brasil, alguns já estão na Europa. Isso obrigará a CBF a negociar a liberação dos convocados. Tarefa que já se mostrou árdua em outros momentos, como nas vésperas dos Jogos de Pequim.

— Estamos usando nosso jogo de cintura, misturado com muita educação e sensibilidade. Estamos tentando mostrar aos clubes o quanto a medalha de ouro olímpica é importante para o futebol brasileiro. O ouro vai valorizar os jogadores — afirmou.

oglobo.globo.com | 04-02-2012

RIO - Em 1912, Oswald de Andrade voltou de sua primeira temporada na Europa praguejando contra o fato de os brasileiros estarem "atrasados 50 anos em cultura". Uma década depois, a Semana de Arte Moderna que ele ajudou a idealizar procurou compensar esse "atraso" sintonizando as artes nacionais com os movimentos de vanguarda que haviam se alastrado pelas metrópoles europeias desde a publicação do Manifesto Futurista, pelo italiano F. T. Marinetti, em 1909. A ansiedade por atualizar a cultura brasileira se nota na programação daqueles três dias de 1922, quando o Teatro Municipal de São Paulo recebeu obras que acenavam para o cubismo (Rego Monteiro), o dadaísmo (Ferrignac), o expressionismo (Anita Malfatti), o futurismo. Este último, mais que influenciar pontualmente uma ou outra obra, inspirou sobretudo o modelo de intervenção pública adotado pelos modernistas brasileiros, com manifestações hiperbólicas, conferências provocadoras e polêmicas na imprensa.

A recepção do futurismo e de outros movimentos no Brasil é um dos temas discutidos pelo poeta e crítico Gilberto Mendonça Teles na antologia "Vanguarda europeia & modernismo brasileiro", publicada pela primeira vez em 1972, por ocasião dos 50 anos da Semana de Arte Moderna, e relançado agora, em sua 20 edição, pela José Olympio. Com dezenas de manifestos, textos críticos e conferências, a coletânea reúne desde autores do século XIX que prefiguraram as revoluções artísticas do século XX (Baudelaire, Rimbaud, Mallarmé) aos principais expoentes daquelas revoluções, como o surrealista francês André Breton, o futurista russo Maiakovski, o dadaísta romeno Tristan Tzara e o incontornável Marinetti, entre muitos outros. Colocando essas manifestações lado a lado com as reflexões dos artistas brasileiros da época, a obra mostra que o procedimento modernista de apropriação crítica e criativa de influências estrangeiras, que tem na antropofagia seu marco mais conhecido, já se insinuava na Semana de 22.

— O modernismo esteve muito próximo da Europa nesse primeiro momento. Um dos manifestos de Maiakovski se chamava "Bofetada no gosto do público", e a Semana de 22 quis ser isso, uma bofetada. Mas os grandes autores modernistas, os que celebramos até hoje como clássicos, foram aqueles que souberam conjugar o estrangeiro e o nacional de uma forma inovadora — diz Teles em entrevista ao GLOBO em sua casa, no Rio.

Teles toma o caso da recepção do futurismo no país para ilustrar a história das relações entre o modernismo e a Europa. Publicado em fevereiro de 1909 na imprensa italiana e logo traduzido na primeira página do diário francês "Le Figaro", o manifesto de Marinetti apareceu em português no mesmo ano: em junho, no jornal "A República", de Natal, e, em dezembro, no "Jornal de Notícias", de Salvador. Os modernistas de São Paulo recebiam dos colegas que passavam pela Europa na década de 1910 (como Oswald, Anita e Graça Aranha) notícias sobre as exortações de Marinetti aos escritores do novo tempo: "Tendo a literatura até aqui enaltecido a imobilidade pensativa, o êxtase e o sono, (...) nós cantaremos as grandes multidões movimentadas pelo trabalho, pelo prazer ou pela revolta; as marés multicoloridas e polifônicas das revoluções nas capitais modernas", exclamou o italiano no primeiro de inúmeros manifestos.

Mário de Andrade recusou futurismo de Marinetti

Esse desejo de renovação literária e confronto com o senso comum é a mesma matéria-prima da Semana de 22. No entanto, lembra Teles, Mário de Andrade rejeitava filiação a Marinetti. Em 1921, quando Oswald, querendo elogiá-lo, chamou-o num artigo de "meu poeta futurista", Mário chiou. No prefácio de "Pauliceia desvairada", publicado em 1922, reforçou: "Não sou futurista (de Marinetti). Disse e repito-o". O único encontro entre os dois foi em 1926, durante uma série de conferências do italiano por Brasil, Argentina e Chile. Com a cabeça em "Macunaíma", que seria lançado no ano seguinte, o anfitrião mal teve assunto com o visitante, que, na época, já causava mais polêmica por sua associação com o fascismo do que pelas teses artísticas, e não parava de tagarelar "sobre futurismo, as mesmas coisas que falava desde 1909. E falava feito uma máquina", lembra Mário em crônica de 1930.

Essa recusa do futurismo não significa que Mário rejeitasse o diálogo com as vanguardas europeias como um todo, é claro. Teles observa, por exemplo, que os primeiros textos críticos do autor (o prefácio de "Pauliceia desvairada" e o ensaio "A escrava que não é Isaura", de 1924), devem muito à leitura atenta da revista francesa "L’Esprit Nouveau", editada entre 1920 e 1925, que pregava uma "poética conciliadora entre presente e passado", diz o crítico.

Vanguardas periféricas, desafios semelhantes

Defendidas ou criticadas, as inovações estéticas que chegavam da Europa (sobretudo via França) tinham circulação intensa no Brasil nas décadas de 1910 e 1920 — o que não aconteceu com movimentos que eclodiram em países periféricos ao mesmo tempo que o modernismo nacional (em certos casos, até antes). Embora lidassem com questões análogas às que fomentaram a Semana de Arte Moderna, manifestações como o modernismo português e os grupos de vanguarda que atuaram por toda a América Latina receberam pouca ou nenhuma atenção dos brasileiros.

Autor do livro "Modernismo brasileiro e modernismo português: subsídios para seu estudo e para a história das suas relações" (publicado em 1986 e lançado no Brasil em 2004 pela Editora da Unicamp), o crítico e poeta português Arnaldo Saraiva sublinha que os dois movimentos surgiram em contextos sociopolíticos semelhantes (em países que viviam crises da oligarquia, urbanização acelerada e progresso industrial) e adotaram estratégias de afirmação parecidas, com manifestos, conferências e performances.

Marco inicial da vanguarda portuguesa, a revista "Orpheu", lançada em 1915 pelo grupo de Fernando Pessoa e Mario de Sá-Carneiro, anunciava-se na primeira edição como uma publicação "luso-brasileira" e listava Ronald de Carvalho como codiretor. Na prática, o diálogo não vingou. A primeira edição, que trazia a "Ode triunfal" de Pessoa (como Álvaro de Campos), esgotou em Lisboa e sequer chegou ao Brasil, assim como a segunda — e última. Também não se teve notícia entre nós do número único de "Portugal futurista", de 1917, que também incluía Pessoa. Em Portugal, por sua vez, a recepção dos modernistas brasileiros só começou a se consolidar no fim da década de 1920.

— Se os modernistas portugueses e brasileiros mutuamente se ignoraram, se ainda sobre eles pesou algum preconceito nacional, isso não impediu que as literaturas e a língua deles tenham finalmente alcançado um reconhecimento internacional que antes não tinham — pondera Saraiva.

A condição periférica em relação aos grandes centros europeus impunha desafios semelhantes ao modernismo brasileiro e aos grupos de vanguarda que se manifestaram por toda a América Latina na década de 1920. Mas o intercâmbio artístico entre os vizinhos de continente foi mínimo. A exceção mais significativa foi Mário de Andrade, que lia o chileno Vicente Huidobro — em francês — na "L’Esprit Nouveau".

Apesar do contato escasso, brasileiros e hispano-americanos encontraram soluções estéticas parecidas para as questões da criação artística na periferia e do equilíbrio entre nacional e estrangeiro, avalia o argentino Gonzalo Aguilar, professor de literatura brasileira da Universidade de Buenos Aires e autor de "Por uma ciência do vestígio errático: ensaios sobre a antropofagia de Oswald de Andrade" (2010), inédito no Brasil.

Nesse cenário, Aguilar destaca a atuação da revista "Martín Fierro", que circulou entre 1924 e 1927, e publicou trabalhos de artistas argentinos hoje canônicos, como o escritor Macedónio Fernández e o pintor Xul Solar. Na "Martín Fierro", o jovem Jorge Luis Borges, então recém-chegado de uma temporada transformadora na Espanha, publicou poemas e textos críticos em que perseguia uma ideia fugaz de identidade argentina. O manifesto fundador da revista, com uma retórica que teria agradado os modernistas brasileiros, proclamava fé "em nossa fonética, em nossa visão, (...) em nossa capacidade digestiva e de assimilação".

— Essa articulação, essa falta de medo em relação à literatura mundial é um dos grandes legados ainda vigentes das vanguardas — diz Aguilar.

oglobo.globo.com | 04-02-2012

LONDRES e KIEV - Subiu nesta sexta-feira para ao menos 220 o número de mortos pela onda de frio glacial que há uma semana atinge a Europa, sobretudo Romênia, Polônia e Ucrânia, onde estão mais da metade das vítimas. As baixas temperaturas, que em alguns pontos da Rússia chegaram a 50 graus negativos, devem continuar durante o fim de semana.

Só na Ucrânia, onde a temperatura chegou a -30°C, foram 101 vítimas. Delas, 64 foram achadas nas ruas, 26 dentro de suas casas e 11 morreram enquanto recebiam tratamento no pior inverno do país dos últimos seis anos. Na Espanha, autoridades advertem para o que pode ser a pior onda de frio das últimas décadas.

Ao divulgar o número, o Ministério de Situações de Emergência ucraniano acrescentou que mais de 1.200 pessoas foram hospitalizadas devido à hipotermia. Autoridades fecharam escolas e universidades e abriram cerca de 3 mil abrigos em todo o território. Hospitais estão sendo orientados a não liberar pacientes sem-teto para que não morram de frio.

Na Romênia, onde o frio já fez 22 vítimas, um bebê de 4 meses morreu de hipotermia dentro de casa. Autoridades recolheram outras nove crianças que estavam subnutridas e alertaram que mais de 1.500 correm risco.

— Nós estamos fazendo o máximo para nos preparar contra o frio e, se a vida de crianças corre risco, vamos tomar as medidas necessárias — disse o porta-voz do governo romeno, Tiberiu Bantas.

A rara nevasca em Roma mudou a paisagem de cartões-postais como a Praça de São Pedro e a Fontana de Trevi, que teve suas águas congeladas, e provocou o fechamento do Coliseu e do Foro Romano. A medida é tomada por precaução sempre que neva na cidade. Esta é a tempestade de neve mais intensa que atinge a capital italiana desde a década de 1980.

A Santa Sé adiou o encontro “Jovens pela paz” agendado para sábado entre o Papa Bento XVI e cerca de 7 mil jovens. O cenário branco chamou a atenção até do Pontífice, que apareceu na janela para olhar a neve.

Na Espanha, as autoridades alertaram prefeituras para se prepararem para “a pior onda de frio dos últimos 20 ou 30 anos” e oferecer todos os recursos aos sem-teto.

As previsões da meteorologia dizem que o frio e a neve podem poderiam diminuir no domingo. O prefeito Gianni Alemanno suspendeu as aulas para não atrapalhar os alunos que não conseguem chegar à escola. O Ministério do Interior recomendou precaução nas estradas e pediu aos italianos que evitem andar de carro.

A Polônia registrou 29 mortos na onda de frio, que chegou a -30°C. A maioria dos mortos também é de pessoas que viviam nas ruas. O governo divulgou um apelo para a população informe imediatamente às autoridades se virem pessoas vagando perdidas ou consumindo álcool.

Na Sérvia, cerca de 11 mil moradores de 6.500 mil casas de vilarejos estão presos em suas comunidades devido ao frio. Cinco pessoas morreram. Helicópteros estão sendo usados para o resgate, assim como na Bósnia, onde uma religiosa cristã, que vivia sozinha, foi retirada de um monastério.

Outros países também registraram vítimas, como Lituânia, Hungria, República Tcheca e Macedônia.

oglobo.globo.com | 03-02-2012

NOVA YORK - Escondido durante mais de um século em um armário no laboratório de Thomas Edison, bem atrás do divã onde ele cochilava, um tesouro de gravações em cilindros de cera de fonógrafo foi trazido de volta à vida depois de mais de um século de silêncio. Os cilindros, de 1889 e 1890, incluem a única gravação conhecida da voz do poderoso chanceler alemão Otto von Bismarck.

Dois deles preservam ainda a voz de Helmuth von Moltke, um venerado estrategista militar do país, recitando trechos de Shakespeare e do “Fausto” de Goethe. Moltke tinha então 89 anos, o que faz com que estas sejam as únicas gravações conhecidas de alguém que tenha nascido no século XVIII. Os outros cilindros da coleção contêm tesouros musicais, como rapsódias tocadas por pianistas e cantores alemães e húngaros no auge da era romântica, incluindo o que se acredita ser a primeira gravação de uma obra de Chopin.

Pesquisadores do antigo laboratório de Edison em West Orange, no estado americano de Nova Jersey, hoje o Parque Nacional Histórico de Thomas Edison, revelaram as gravações recém identificadas nesta segunda-feira.

- Isso é sensacional – disse Ulrich Lappenküper, diretor da Fundação Otto von Bismarck em Friedrichsruh, na Alemanha.

O cilindro com a gravação de Bismarck estava documentado nos arquivos da fundação, mas depois de procurar por ele nos EUA e na Alemanha desde 2005, Lappenküper e seus coleagas presumiram que ele estava perdido para sempre.

As gravações sem etiqueta, todas guardadas na mesma caixa de madeira, tinham sido encontradas em 1957. Mas seu conteúdo continuou desconhecido até o ano passado, quando Jerry Fabris, curador no laboratório de Edison, usou um aparelho de reprodução chamado Archeophone para ouvir os sulcos de 12 dos 17 cilindros da caixa e converter seus sinais elétricos analógicos em arquivos digitais.

Fabris então procurou dois historiadores do som, Patrick Feaster, da Universidade de Indiana University, e Stephan Puille, da Universidade de Ciências Aplicadas de Berlim, para ajudá-lo na identificação das tênues gravações. A tampa da caixa tinha uma importante pista: ela tinha sido arranhada com as palavras “Wangemann. Edison”.

O primeiro nome se refere a Adelbert Theodor Edward Wangemann, que se juntou ao laboratório em 1888 com a missão de transformar o fonógrafo de cilindros de cera de Edison em um produto vendável para escutar música. Wangemann tornou-se um especialista nesta estratégia ao posicionar músicos em torno do “chifre” de gravação de forma a maximizar a qualidade do som.

Em junho de 1889, Edison enviou Wangemann para a Europa, inicialmente para garantir que seu fonógrafo funciona-se à perfeição durante a Feira Mundial de Paris. Depois da capital francesa, Wangemann fez um tour por sua Alemanha nativa, gravando artistas e visitando as casas de integrantes proeminentes da sociedade, que ficaram fascinados com sua “máquina falante”.

Até agora, a única gravação disponível da viagem europeia de Wangemann era o bem conhecido, e bem gasto, cilindro de Brahms tocando um trecho de sua primeira “Dança Húngara”. A gravação está tão danificada “que muitos ouvintes mal podem discernir o som do piano, o que por sua vez manchou as reputações tanto de Wangemann quanto do fonógrafo de Edison no fim dos anos 1880s”, destacou Feaster.

- Esses exemplos recém revelados vingam ambos – acrescentou.

Em outubro de 1889, Wangemann e sua esposa visitaram Bismarck, então com 74 anos e chanceler do Império Alemão, em seu castelo em Friedrichsruh. Bismarck ouviu as gravações feitas em Paris e Berlim e, a pedido de sua esposa, fez sua própria. Ele recitou trechos de poemas e músicas em inglês, latim, francês e alemão. Surpreendentemente, dado seu envolvimento na Guerra Franco-Prussiana, ele escolheu recitar trechos do hino nacional francês.

- Bismarck era um homem muito, muito esperto e recitar a “Marselhesa” o animava – disse Jonathan Steinberg, historiador da Universidade da Pensilvânia e autor da nova biografia “Bismarck: A Life”.

Bismarck termina sua gravação com um conselho, aparentemente direcionado ao seu filho Herbert, que a escutou algumas semanas depois em Budapeste, para que vivesse sua vida com moderação.

- Bismarck era um gigante com apetites e temperamento também gigantes – conta Steinberg – Ele nunca fez nada com moderação, e Herbert era tão pouco moderado quanto ele.

Puille, o historiador do sem de Berlim, conta que não foi fácil identificar a voz de Bismarck. Mas, depois de ter decifrado uma referência a Friedrichsruh na introdução de um dos cilindros “eu imediatamente soube que estava na pista certa”, revelou:

- O nome de Bismarck não é mencionado na gravação, mas juntei todas as informações possíveis sobre este cilindro na imprensa de então e seu conteúdo casa com elas perfeitamente. Sem dúvida é o ponto alto de minha vida como pesquisador.

oglobo.globo.com | 03-02-2012

Zé Manoel é um artista raro. Canta com voz aveludada, afinadíssimo, cheio de suingue, ao mesmo tempo que, sentado, toca piano. Compõe músicas prontas, onde o ouvinte não sente falta nem de uma vírgula. É um letrista de mão cheia, capaz de emocionar com temas batidos, e universais, como o amor e a saudade. Nunca ouviu falar de Zé Manoel? Nascido em Petrolina, morando há cinco anos no Recife, o músico ainda não tem CD. Ou não tinha até esta quinta, data do lançamento do seu primeiro disco, autointitulado. Para comemorar a estreia do disco, ele faz show a partir das 22h30, dentro do festival Pré-Amp, em palco montado na Rua da Moeda, no Recife Antigo, com entrada gratuita.

A carreira de Zé Manoel já tem quase 15 anos. Ainda criança, teve aulas de piano clássico e na adolescência passou a tocar em bares e restaurantes de Petrolina e Juazeiro, na Bahia. Fez parte de uma banda, a Matingueiros, e há cinco anos resolveu que era hora de investir mais na carreira artística. Veio morar com as irmãs no Recife e foi estudar música na Universidade Federal de Pernambuco, onde está na metade do curso de licenciatura. Achou que ia trabalhar como pianista e compositor, mas três meses em um navio de cruzeiro o fizeram despertar para o canto. “O vocalista que eu acompanhava no navio também fazia um musical e às vezes os horários com os shows coincidiam. Então eu tinha que cantar: boleros, bossa nova… o que pediam. Antes, eu só havia cantado no festival da canção Edésio Santos, no Juazeiro”, lembra.

Ao voltar da temporada de trabalho no navio, ele decidiu também ser intérprete. Lançou em 2009 um EP - formato com menos faixas que um CD - e conseguiu fazer alguns shows. No ano passado, venceu o Pré-Amp e recebeu como prêmio R$ 15 mil para gravar a sua estreia. Teve também o apoio do estúdio Carranca, e, entre julho e dezembro do ano passado, conseguiu fazer o disco todo com o dinheiro do prêmio. Ainda viajou para o Rio de Janeiro para gravar o piano no estúdio de Leo Gandelman. O álbum, que deverá ter cem cópias hoje no show e mais outras mil nas lojas até o próximo mês, foi produzido por Zé Manoel ao lado de Carlinhos Borges (do estúdio Carranca) e Albérico Júnior. Com o CD em mãos, o plano do artista para 2012 é cair na estrada. Desde dezembro ele trabalha com novo produtor, Sérgio “Pezão” Valença, que está negociando até uma turnê na Europa. Uma apresentação no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo, já foi fechada, mas ainda com data indefinida. Ao que tudo indica, Zé Manoel tem uma longa estrada pela frente...

Leia Mais...

Pernambuco.com | Diario de Pernambuco | Últimas Notícias
Diversão | Esportes | Tecnologia | Quem somos

Copyright © 2012, Pernambuco.com - Diários Associados, Recife-PE, Brasil

www.pernambuco.com | 02-02-2012
Os líderes da União Europeia acreditam que, por si só, a austeridade não vai resolver a crise. No pacto que deve entrar em vigor a 1 de janeiro de 2013, os países da união monetária apostam em medidas para promover o crescimento, o emprego em geral e o emprego juvenil em particular. A este nível, destaca-se a ambição de Durão Barroso, que pretende que, quatro meses após o fim da escola, cada jovem europeu esteja empregado, ou num processo de estágio ou formação.
www.rtp.pt | 31-01-2012

Os líderes políticos e econômicos, incluindo o FMI, pressionaram mais uma vez neste sábado em Davos a Europa para que tome medidas urgentes contra a crise da dívida e evite o contágio para o restante do mundo, enquanto preveem um futuro sombrio para a zona do euro.

"Ninguém é imune à situação atual europeia", porque o mundo "nunca esteve tão interconectado", disse no Fórum Econômico Mundial a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde. "Por isso, todos têm interesse em que esta crise seja resolvida adequadamente",completou.

Lagarde pediu aos líderes europeus, que na segunda-feira se reúnem em uma novamente em Bruxelas, para que eles ergam rapidamente uma clara e simples barreira para evitar o contágio, adaptem as medidas de consolidação fiscal à realidade de cada país e incentivem políticas de crescimento, porque do contrário a situação pode piorar.

Mesmo os Estados Unidos e o Japão, que têm déficits fiscais maiores que o do velho continente, também têm feito pressões pela redução das dívidas.

Do contrário, podem ser realizadas as previsões de Nouriel Roubini, o único que previu a crise financeira de 2008.

"Há 50% de probabilidade de que a Eurozona se desintegre em três ou cinco anos", disse no Fórum de Davos este professor de Economia e Negócios Internacionais da Universidade de Nova York.

Roubini disse ainda que a Grécia, que negocia atualmente uma perdão de pelo menos metade da dívida em mão dos bancos e seguros, deverá abandonar a Eurozona em um ano e poderá ser seguida por Portugal.

A crise da dívida já comprometeu também os motores econômicos europeus, Alemanha e França, sendo que este último país, segundo Roubini, deve terminar na "periferia" da zona do euro, independentemente do vencedor das eleições presidenciais da próxima primavera.

"As políticas de austeridade extrema adotadas pelos países com problemas para reduzir os abismais déficits orçamentários levarão a Eurozona para a recessão", afirma.

Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Eurozona entrará em recessão em 2012, com uma contração de 0,5% no PIB.

A Espanha, um dos países mais atingidos pela crise, deve apresentar uma contração de 1,7% em 2012 e uma queda de 0,3% em 2013. Já a Itália cairá 2,2% em 2012, segundo o Fundo.

"O novo governo espanhol está tomando as medidas econômicas adequadas", disse Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI. Contudo, segundo o mesmo economista, o país não deverá cumprir sua meta de déficit de 6% do PIB este ano.

"Está claro que este governo está comprometido em tentar fazer o que for preciso e até agora os sinais têm sido positivos", disse Blanchard durante uma coletiva de imprensa, após apresentar uma redução das previsões do Fundo sobre a economia mundial.

O FMI estima que a Espanha tenha fechado 2011 com um déficit de 8%, em linha com o previsto pelo governo conservador de Mariano Rajoy pouco depois de assumir o poder.

Os países emergentes, por sua vez, em particular na Ásia, aparecem como os novos impulsionadores da economia mundial, em particular a China, que espera crescer este ano 8,2%, segundo o FMI, e Índia (7%). O Brasil, por sua vez, crescerá 4%, mais que no último ano.

Da AFP Paris


..

Leia Mais...

Pernambuco.com | Diario de Pernambuco | Últimas Notícias
Divirta-se | Esportes | Tecnologia | Quem somos

Copyright © 2012, Pernambuco.com - Grupo Associados, Recife-PE, Brasil

www.pernambuco.com | 28-01-2012

DAVOS - Dois prêmios Nobel de Economia, Joseph Stiglitz e Michael Spence, concordam: o euro pode ser salvo. Mas Stiglitz afirma que, ao apostar na austeridade, os líderes europeus estão indo na direção errada e oposta do que tem que ser feito para salvar a moeda. E Spence alerta: para o euro sobreviver, "muita coisa tem que acontecer", entre elas, uma reforma bem-sucedida da Itália e da Espanha. Davos, o maior encontro de líderes políticos e empresariais, abriu ontem marcado pela crise e num clima de pessimismo tão grande que, pela primeira vez, admitiu-se o fracasso do atual modelo de capitalismo. Em entrevistas exclusivas, concedidas separadamente ao GLOBO, Stiglitz e Spence eram o retrato deste pessimismo. O primeiro prevê que a situação da Europa vai piorar. Já o segundo aponta para erros passados e diz que a agenda da Europa é complicada. "Vamos ver…", reagiu. Sobre o Brasil, os dois estão convencidos de que, na pior das hipóteses, só vai desacelerar o crescimento.

O GLOBO: O euro pode ser salvo?

JOSEPH STIGLITZ: Certamente, se os líderes políticos fizerem agora a coisa certa. O problema é que não estão fazendo. Decidiram, em dezembro, um quadro de austeridade, que não é a solução. O pacto fiscal não vai nem prever outra crise, porque é parte da crise. A Europa não diagnosticou corretamente o último problema. Agora, imaginar que vão corrigir o atual e prevenir um próximo… Acho que vai piorar. A economia (europeia) vai enfraquecer com a austeridade.

MICHAEL SPENCE: Acho que sim. Mas muita coisa tem de acontecer para ele ser salvo. Itália e Espanha têm de ser reformadas com sucesso. O Banco Central Europeu está resgatando os bancos que perderam capital. E suspeito que a União Europeia, o fundo de estabilidade e o FMI vão ter que intervir nos mercados de dívidas para impedir que os juros subam muito. Mas não estão preparados para dizer que farão isso. O caminho é longo para estabilizar o euro. Muita coisa pode dar errado. E não acho que o desempenho econômico (da Europa) será bom nos próximos anos, pelo menos, durante dois anos. E as coisas podem ir mal nesse caminho.

O que pôs a Europa nessa confusão? Falta de governança econômica?

STIGLITZ: O real problema é o quadro institucional e intelectual, de como o euro foi pensado desde o início. Pensaram que tudo o que precisava ser feito era os governos terem disciplina fiscal. Mas os mercados financeiros tiraram proveito do euro e, irracionalmente, foram para a Espanha, imaginando que a moeda única significava poder emprestar dinheiro a qualquer pessoa, com a mesma taxa de risco. Ajudaram a criar uma bolha. Aprendemos o seguinte: é preciso muito mais que disciplina fiscal para criar uma moeda única.

SPENCE: Nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Espanha, o sistema financeiro permitiu o crescimento da dívida privada, no sistema financeiro e das familias. E, quando a crise chegou, muito dessa dívida passou para o setor público. O efeito foi: sustentaram economias insustentáveis. Isso fez parecer que o euro estava funcionando, que as dívidas soberanas eram parecidas, quando não eram. Um fator que contribuiu para a crise foi logo no começo. Criaram uma união monetária sem centralização fiscal. Muita gente disse que isso era um erro e criava uma situação instável. Mas a resposta dos europeus foi: sabemos disso, mas vamos fazer a união monetária primeiro e depois completar com uma união mais política. Isso não aconteceu.

Foi um erro criar o euro?

STIGLITZ: Foi errado criar o euro sem uma estrutura institucional adequada. A esperança era que criariam mais tarde. Mas isso não aconteceu. E o problema é visto nas discussões atuais. Alguns líderes europeus parecem não entender que austeridade não é a única coisa necessária para fazer uma moeda funcionar. Pode ser um ingrediente importante, mas não é suficiente.

SPENCE: Teriam feito melhor se tivessem criado o euro paralelamente à centralização fiscal. Agora, a chanceler Angela Merkel está insistindo em que seja feita a reforma institucional e a centralização no mesmo momento em que tentam estabilizar o euro. Isso é uma agenda complicada.

Até quando os emergentes, como Brasil e China, podem resistir à crise?

STIGLITZ: A China tem recursos enormes e um compromisso de manter o crescimento. Eles têm os instrumentos, os recursos e a estrutura política para assegurar que poderão compensar uma queda na demanda do exterior. A China vai continuar a crescer, talvez um pouco menos. Para o Brasil, o que acontece na China é mais importante que nos Estados Unidos. O Brasil está relativamente em boa forma e não é dependente da Europa. O país desacelerou, mas se beneficiou dos altos preços do minério de ferro. Se o crescimento (chinês) desacelerar, mesmo alguns pontos percentuais, sempre haverá demanda por minério, mas não de modo a elevar os preços. Nesse sentido o Brasil pode sofrer um impacto.

 

SPENCE: Grandes emergentes, como China, Brasil e Índia, podem ir muito bem se os países ricos tiverem crescimento baixo ou não crescerem. Mas, se houver retração ou uma instabilidade extrema no sistema financeiro, que cause declínio na demanda doméstica, então acho que as economias emergentes vão desacelerar por um tempo. Mas não vai provocar uma retração: só desacelerar. A economia brasileira me parece estar em muito boa forma. É estável, tem níveis razoáveis de dívida, e o crescimento é um equilíbrio entre dinamismo e inclusão social. A educação está melhorando. Acho que o Brasil está num caminho de crescimento sustentado. Todo mundo com quem falo na comunidade empresarial está entusiasmado com oportunidades no Brasil. A economia está bem resistente (à crise).

 

Davos, pela primeira vez, discute o fracasso do capitalismo. Há um novo modelo, radicalmente diferente, sendo pensado ou emergindo?

 

STIGLITZ: O mais espantoso é que, quase quatro anos depois do início da crise, em 2008, as mudanças foram relativamente pequenas. O sistema bancário ainda está frágil. Olhando para trás, diria que não aprendemos qualquer lição. Melhoramos um pouco a regulação, mas não o suficiente: falta transparência. Mudamos o encanamento, mas não fizemos uma verdadeira reforma. Enquanto isso, a desigualdade aumenta nos EUA, e as únicas pessoas que estão bem no país são as que causaram o problema. A renda média de um trabalhador americano hoje é um terço do que era há um século. O que vai mudar isso? Uma crise maior ou reivindicações democráticas. Em algum ponto a esperança (das pessoas) vai acabar. Nossas democracias são imperfeitas. O dinheiro fala mais alto que as pessoas.

 

SPENCE: Não... Também não acho que isso seja papo-furado. Mas acho que é enganador questionar o capitalismo. Sabemos que o capitalismo tem grandes méritos em relação a outros (modelos), promove eficiência, inovação e crescimento. Também aprendemos que os mercados não são, por si só, particularmente bons em estabilidade, distribuição e sustentabilidade. Precisamos, então, de um papel limitado para um capitalismo de Estado. Isto é, um Estado competente e eficaz, capaz de absorver choques e investir em mudanças estruturais para que a economia mundial se movimente corretamente, de incluir as pessoas e lidar com a questão da distribuição. Nos países em desenvolvimento estamos vendo um padrão de (maior) presença do Estado (na economia). E acho que isso está funcionando, apesar de alguns erros. Eu diria aos líderes emergentes: vocês são muito vulneráveis num modelo com pouca presença do Estado. Mantenham a mistura (Estado e setor privado).

oglobo.globo.com | 26-01-2012

DAVOS - A Petrobras foi citada na quarta-feira num debate sobre a América Latina, em Davos, como o lado bom de um novo fenômeno, sobretudo no mundo emergente: o capitalismo do estado. Isto é, o estado assumindo cada vez mais o lugar das empresas privadas, em certos setores. Mas alguns empresários alertaram para o perigo de a prática se expandir demais.

— Isso pode ter uma tremenda implicação política. (O poder que o estado está adquirindo na economia) é extremamente preocupante e perigoso para democracias. E já foi provada que a presença demasiada do estado prejudica a inovação e traz problemas de transparência. Isso tem que ser discutido — alertou o empresário venezuelano Lorenzo Mendoza, da Empresas Polar.

José Sergio Gabrielli, que deixa a presidência da Petrobras no mês que vem e estava na plateia, reagiu:

— É um temor normal. O problema é que o uso dos recursos e os excedentes gerados na América Latina não foram reinvestidos no desenvolvimento e no crescimento — disse ele, que não revelou se vai se candidatar nas próximas eleições na Bahia nem para qual secretaria vai trabalhar no governo Jaques Wagner:

No debate, houve consenso de que o continente nunca teve tão preparado. Guillermo Ortiz, ex-presidente do Banco Central do México, afirmou que "esta é a década da América Latina". Enrique Iglesias, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, lembrou que os latinos reestruturaram suas dívidas, aumentaram impostos, fizeram reforma fiscal e fortaleceram o setor bancário, o que a Europa tem que fazer hoje.

— É uma pena que os europeus não olharam (para a América Latina) — afirmou.

Ricardo Haussman, diretor do Centro para o Desenvolvimento Internacional, da Universidade de Harvard, vê problemas de crescimento para o Brasil:

— O Brasil tem ainda muitos gargalos. A infraestrutura é um desastre. Há muito o que resolver.

oglobo.globo.com | 26-01-2012

O pessimismo sobre o futuro econômico deu o tom do debate sobre o estado do capitalismo, realizado na abertura do Fórum Econômico Mundial nesta quarta-feira na cidade suíça de Davos, antes de o evento ser inaugurado oficialmente ao final da tarde pela chefe do governo alemão, Angela Merkel.

Desemprego, oportunidades para os jovens, os mais afetados pela falta de emprego, desigualdade, competitividade ou inovação marcaram a sessão de abertura deste fórum que busca reformar o capitalismo.

Esse mesmo capitalismo, que levou desenvolvimento ao mundo, em particular à Europa - derrubada agora pela crise da dívida e por uma profunda recessão -, tem gerado um mar oportunidades para o mundo emergente, liderado por Brasil, China e Índia.

"Se formos ao Brasil, teremos uma visão muito diferente de onde está o mundo, assim como se formos à Índia", disse o diretor-executivo da Alcatel-Lucent, Ben Verwaayen.

Para David Rubenstein, co-fundador e diretor do fundo de investimentos americano Carlyle - que acaba de pagar um total de 134 milhões de dólares em dividendos ao término de um excelente ano para sua firma -, o que tem que fazer o Ocidente é reconhecer que "temos alguns problemas graves".

"Creio que teremos de três a quatro anos para melhorar o modelo econômico vigente e se não o fizermos rapidamente perderemos a oportunidade de competir com o capitalismo do mercado emergente ou capitalismo de Estado", afirmou.

 Para Verwaayen, a globalização significa que mesmo que os governos tomem decisões a nível nacional, a "realidade é que a maioria das decisões será gerada a nível regional ou a nível global".

"Temos que redesenhar esse modelo" e "parar com a avareza que prevaleceu no sistema atual", disse Sharan Burrow, secretária-geral da Confederação Sindical Internacional (ITUC), após recordar que há mais de 200 milhões de pessoas sem emprego no mundo e 45 milhões que entram no mercado de trabalho a cada ano.

Burrow acusa os mercados financeiros de "assassinar" a economia real e acusou os bancos de serem os "maiores assassinos do planeta".

O professor de Finanças da Universidade de Chicago, Raghuram G. Rajam, ressaltou a necessidade de reformar os bancos para que estes não acreditem que são muito grandes para quebrar.

A situação econômica da Europa e do planeta será esmiuçada nesta 42º edição do Fórum, que reúne a nata da política e das lideranças econômicas do mundo em Davos.

 A chefe do governo alemão, Angela Merkel, será a encarregada de inaugurar oficialmente o Fórum a partir das 16h30 GMT (14H30 de Brasília), após as palavras do fundador, Klaus Schwab.

A partir desta reunião, que conta com cerca de 2.600 participantes, o novo termo para definir o risco global para 2012 é "distopia", ou "antiutopia", em oposição à utopia, e pode ser entendido como a "desilusão" gerada pelo distanciamento do estado de bem-estar e os indicadores econômicos.

Em Davos não apenas a economia será debatida nos cinco dias de evento. Nas dezenas de debates diários que oferece a agenda, a maioria deles fechados à imprensa, serão abordados também temas como gestão energética, segurança, novas lideranças, a criatividade no trabalho e a mente e a máquina.

Vários chefes de Estado e de governo, entre eles, o mexicano Felipe Calderón, o peruano Ollanta Humala e o panamenho Ricardo Martinelli.

Estarão presentes ainda o primeiro-ministro britânico, David Cameron, o presidente israelense, Shimon Peres, e o secretário americano Tesouro, Timothy Geithner.

Da AFP Paris


..

Leia Mais...

Pernambuco.com | Diario de Pernambuco | Últimas Notícias
Divirta-se | Esportes | Tecnologia | Quem somos

Copyright © 2012, Pernambuco.com - Grupo Associados, Recife-PE, Brasil

www.pernambuco.com | 26-01-2012

RIO - Após assistir à onda de imigração de haitianos, o Brasil pode se tornar o principal destino de migrações relacionadas a problemas ambientais na América do Sul. As mudanças climáticas, a ciência dá como certo, vão agravar as catástrofes naturais. Secas ficarão mais severas, chuvas, mais fortes e a água, escassa. Nestas circunstâncias, algumas regiões do continente devem sofrer. E, sem ter como permanecer em seus países, alertam especialistas, haverá um afluxo de pessoas buscando refúgio em outras nações. Elas chegarão em situação extremamente vulnerável, muitas vezes sem condições de arcar com despesas básicas, como alimentação e moradia. Na hora de escolher um novo lugar para recomeçar a vida, o Brasil é visto como o melhor destino. A enorme fronteira é uma barreira fácil de ser transpassada. O país não atravessa crise econômica e, além da capacidade de absorver a mão de obra, não impõe restrições severas aos estrangeiros, mesmo que ilegais. A política brasileira de imigração é branda, sobretudo quando comparada com a de outras nações, como os Estados Unidos e os países da Europa.

Entre os países que mais deverão sofrer com as mudanças climáticas na América do Sul, destaque para o Peru. O aquecimento global começa a reduzir as geleiras dos Andes peruanos e isto deverá comprometer o abastecimento de água de vilarejos e cidades, de acordo com o coordenador dos cursos de pós-graduação de gestão ambiental da Escola Politécnica da UFRJ, Haroldo Mattos de Lemos.

— Já não há mais tanto gelo dos Andes para derreter, algumas vilas andinas do Peru enfrentam dificuldades de obter água. Se o problema continuar neste ritmo, as pessoas vão ter que se mudar. Este será um dos primeiros problemas ambientais a provocar migrações em larga escala — diz Mattos de Lemos . — Chuvas mais intensas, secas prolongadas, tornados, furacões vão ficar mais frequentes num futuro próximo. Quando isto acontecer, teremos problemas sérios.

Especialistas também citam a Colômbia, a Bolívia, o Equador e a Guiana, além do Peru e do Haiti, como exemplos de países cujos problemas ambientais agravarão movimentos migratórios.

Nem altitude protege mais o gelo dos Andes

Uma das mais majestosas geleiras andinas terá este ano seu fluxo de água de degelo reduzido em 30%. Essa é a previsão de cientistas para a espetacular Cordilheira Branca, no Peru, cujos cumes de numerosas montanhas facilmente ultrapassam os 5 mil metros de altura. Mas nem a grande altitude é capaz de frear o ritmo do aquecimento da temperatura, que faz nevar menos e aumenta o degelo. Segundo uma pesquisa liderada por Michel Baraer, da Universidade McGill, do Canadá — que contou com a participação de especialistas americanos e peruanos e foi publicada há duas semanas na revista “Journal of Glaciology” —, as geleiras que alimentam o Rio Santa, por exemplo, já são pequenas demais para manter o fluxo hídrico.

— As regiões da América Latina que têm uso intensivo de água de geleiras estão entre as mais vulneráveis. — diz Baraer. — Mesmo que as emissões de gases-estufa parem no mundo inteiro, muitas geleiras continuariam retraídas por um tempo.

As geleiras da Patagônia, na Argentina e em parte do Chile, derretem mais rapidamente do que as de qualquer outra parte do planeta, de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Na Bolívia e no Equador a retração do gelo do cume dos Andes acelerou nos últimos 20 anos.

O climatologista José Marengo, do CPTEC/Inpe, ressalta que é difícil estimar com precisão quando os eventos climáticos provocarão migrações em larga escala. Mas considera o derretimento de gelo nos Andes como um caso crítico.

— Os estudos indicam o aumento da temperatura média na região andina. Isso reduz as geleiras. Num primeiro momento, aumenta o degelo e há mais água. Mas depois passa a haver menos gelo e, consequentemente, menos água. Algumas estimativas indicam que em 2025 faltará gelo em várias partes dos Andes. E em certas regiões dos Andes tropicais o gelo desaparecerá totalmente — afirma Marengo. — Sem água, habitantes das áreas montanhosas deverão migrar.

A água do degelo sazonal é importante não só para o consumo e as hidroelétricas. Ela também ameaça a biodiversidade de alimentos. No Peru, por exemplo, há centenas de variedades nativas de batatas, todas vulneráveis.

— Parte dos Andes pode virar deserto sem as geleiras — diz Mattos de Lemos.

O Brasil não está livre dos problemas ambientais que causarão migrações. As secas já castigaram extensas áreas do Rio Grande do Sul. A Amazônia também pode sofrer com a instabilidade do regime de chuvas. A falta de chuvas agravará as condições de vida na Região Nordeste, preveem estudos.

— A Amazônia deverá ter menos chuvas. Tivemos duas secas recentemente como sinais das mudanças climáticas. A floresta se tornaria um cerrado — analisa Lemos. — No Sul, há um pequeno deserto se formando na região de Alegrete.

Especialista em migração agravada por questões climáticas, Fernando Malta ressalta que a movimentação de pessoas já acontece. Ele cita casos em Brasil, Peru e Venezuela, em locais em que populações ribeirinhas são obrigadas a se deslocar para fugir de secas ou inundações.

— Há poucos dados científicos sobre migrações — reclama Malta.

Além de enfrentar as catástrofes naturais, que forçaram o abandono do local de origem, e de não encontrar apoio dos governos de seus países, os migrantes ambientais acabam caindo em um vazio jurídico internacional. Os tratados assinados para proteger refugiados prevê apenas cinco causas de perseguição, seja ela política, cultural ou religiosa, entre outras. Porém, não estão listadas as razões climáticas.

Autora do livro "Para entender o direito internacional dos refugiado: análise crítica do conceito refugiado ambiental" (Del Rey, 2009), a professora Luciana Diniz, do Centro Universitário UNA e da Fumec, de Belo Horizonte, defende a criação de um protocolo que trate do tema.

— É preciso criar a obrigação de proteger as pessoas que se deslocam por causa de problemas ambientais. O problema seria como definir estes desastres: o refúgio terá que ser dado somente quando o local de origem for completamente devastado? — questiona Luciana.

Receber um grande contingente de imigrantes pode ser um problema para o país que abriga estas pessoas. Há competição pelos postos de trabalho e custos sociais. Ao limitar o número de vistos concedidos aos haitianos, o Brasil divide especialistas.

— Para cada migrante legal, haverá outros mil ilegais — critica Malta. — Temos que agir com mais rigor nas fronteiras.

Professor titular de Relações Internacionais da UNB, Eduardo Viola diz que o Brasil tende a ser receptor de refugiados da África e Américas do Sul e Central:

— O Brasil é um país de renda média e menos hostil para imigrantes do que as nações europeias. Onda a renda é maior, o controle também é mais rigoroso.

Já o climatologista Carlos Nobre, à frente da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa Desenvolvimento do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, defende uma postura mais humanitária.

— O Brasil pode ser um país diferente. Temos que rediscutir o conceito de fronteira, sobretudo quando ela vira um muro, uma barreira, como nos Estados Unidos ou em Israel. Não é possível imaginar o desenvolvimento humano com muros concretos ou virtuais — comenta Nobre. — As trajetórias sustentáveis têm que levar em consideração o movimento migratório, sem que ele seja uma ameaça global à qualidade de vida, mas sendo entendido de uma maneira mais ampla.

O pesquisador acredita que a Rio+20 será palco da criação de um novo modelo de desenvolvimento, que seja socialmente justo, e no qual as fronteiras não serão intransponíveis. Mais do que enfrentar o problema das migrações motivadas por problemas ambientais, Nobre espera que a conferência da ONU no Rio de Janeiro seja um instrumento para garantir os direitos humanos.

oglobo.globo.com | 24-01-2012

RIO - O número de empregos com carteira assinada criados no país em 2011 caiu 23,5% em relação a 2010, segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho nesta terça-feira. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foram abertas 1,944 milhão de vagas formais, contra 2,54 milhões de novos empregos gerados em 2010.

Somente no mês de dezembro, foram fechados 408,1 mil postos de trabalho. O número é ligeiramente superior ao registrado em dezembro de 2010, quando foram extintos 407,5 mil empregos. O número de admissões em dezembro foi de 1.305.051 e o de desligamentos foi de 1.713.223, nos dois casos, os maiores registrados para o mês.

- Em dezembro, houve o fechamento líquido de 408,1 mil postos de trabalho formais, resultado maior que a estimativa do Banco Fator, que previa 400 mil vagas fechadas. Mas livre de efeitos sazonais, a criação de postos de trabalho melhorou entre novembro e dezembro, passando de 105,1 mil para 136,5 mil, valendo a observação de que esse valor é o maior registrado na segunda metade de 2011 - diz relatório do Banco Fator.

OIT: Após crise, mundo tem quase 200 milhões de desempregados

Mesmo com a forte queda, o resultado de 2011 foi segundo melhor da série histórica menor apenas que o de 2010. A série contém informações ajustadas, ou seja, acrescidas de declarações fora do prazo, até novembro de 2011.

Os estados que mais geraram empregos em 2011 foram São Paulo, com 551.771 novos postos; Minas Gerais, 206.402 postos, Rio de Janeiro, com 202.495 postos, Paraná, 123.916 postos e Rio Grande do Sul, com a criação de122.286 (5,15%). Foram registrados desempenhos recordes no Amazonas, com 45.186 postos: Alagoas, 20.050 postos e Amapá, que gerou mais 7.256 postos. Pernambuco gerou com 89.607 novas vagas; Goiás, 68.053 postos; Pará, 51.493 postos ; Paraíba, 20.273 postos (6,13%) e Sergipe, mais 19.213 postos .

O ministro interino do Trabalho e Emprego, Paulo Roberto Pinto, diz que para este ano, a expectativa em relação à geração de empregos no mercado de trabalho formal é bastante favorável. Segundo ele, deverá haver um incremento em torno de dois milhões de empregos formais. O ministro explicou que o cenário positivo se dará, em parte, pelo conjunto de ações que vem sendo implementadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego com o objetivo de estimular a geração de emprego e renda.

Para Anselmo Luís dos Santos, do Instituto de Economia da Unicamp, a criação de 1,94 milhão de empregos em 2011 foi um resultado excelente, mesmo o número tendo ficado abaixo de 2010.

- O ano de 2010 foi um ano de recuperação econômica e de eleições. No ano passado, o cenário era mais adverso com corte do gasto público feito pelo governo, aumento do juro (Selic) e agravamento da crise europeia. No início do ano, o governo falava na criação de 3 milhões de empregos, o que naturalmente era uma aposta muito alta porque a economia não cresceria tanto. Mas chegar a quase 2 milhões de novos empregos é um número excepcional. Teremos um crescimento do PIB de cerca de 3%, em 2011, enquanto o mercado de trabalho formal terá crescido cerca de 5,4% - diz o especialista.

Segundo ele, na média, esse índice representa um crescimento quase generalizado em todos os setores, embora alguns tenham crescido mais outros menos.

- Mesmo na indústria, que não teve um desempenho bom, houve alguns destaques. O setor extrativista mineral cresceu refletindo as exportações para China e para a Ásia, em geral. Construção Civil foi outro setor com bom crescimento. O programa Minha casa Minha Vida ajudou a puxar esse setor. Teve um desempenho fraco o setor têxtil, calçados e confecções. O câmbio valorizado, a alta carga tributária, a falta de infraestrutura e a concorrência chinesa prejudicaram estes setores. O setor de serviços também teve bom desempenho.

Outro aspecto positivo destacado por Santos foi o crescimento do emprego fora do eixo Sudeste/Sul.

- A região Norte teve um desempenho impressionante. O crescimento do emprego formal lá, mesmo com salários mais baixos, é importante porque é uma região menos industrializada, mais pobre, e contribui para reduzir as desigualdades - diz o especialista.

Para este ano, em que o crescimento da economia deve ficar ao redor de 3% novamente, segundo as previsões, Anselmo Santos espera um crescimento do mercado de trabalho semelhante a 2011.

- Se criarmos 2 milhões de empregos novamente está bom. A população jovem - de 17 a 24 anos - que ingressa no mercado de trabalho está diminuindo. Com o crescimento da renda dos pais, essa turma fica mais tempo na escola. Nas regiões metropolitanas, a taxa de desemprego fica em 5,5%, um índice relativamente baixo. Se repetirmos o desempenho de 2011 vamos contribuir para o desemprego cair ainda mais - diz o especialista.

oglobo.globo.com | 24-01-2012

DUBAI - O embaixador Hossein Mousavian foi porta-voz da equipe de negociadores do Irã nas conversas nucleares com a União Europeia durante o governo de Mohammad Khatami, entre 2003 e 2005. Após a vitória de Mahmoud Ahmadinejad naquele ano, ele permaneceu como conselheiro de política exterior do novo chefe negociador, Ari Larijani. Até abril de 2007, quando ele foi preso sob acusação de espionagem. O juiz não aceitou a denúncia, mas o inabilitou para exercer seu trabalho de décadas, a diplomacia. Pouco depois da controversa reeleição de Ahmadinejad, em 2009, Mousavian se refugiou na universidade americana de Princeton, onde é professor e pesquisador. Mas o mais alto ex-funcionário do governo iraniano que mora nos EUA mantinha seu silêncio.

Até que começou a dar palestras e publicar artigos acadêmicos, há alguns meses. Neste fim de semana, aceitou responder às perguntas de “El País” por e-mail. Para ele, “o Ocidente não está deixando ao Irã nenhuma opção a não ser buscar a arma nuclear”.

O GLOBO: Há crescentes rumores sobre planos israelenses de ataque às instalações nucleares do Irã. O senhor crê que existe um risco real de que isso aconteça?

HOSSEIN MOUSAVIAN: Israel vem ameaçando atacar militarmente o Irã desde 1988, desde o fim da invasão iraquiana no Irã. Entretanto, nunca foi capaz de cumprir essas ameaças. Hoje, o risco é real, mas eu não acredito que Israel ataque o Irã sem o aval dos EUA. E estou convencido de que o governo americano não apoia um ataque militar porque sabe que as consequências seriam catastróficas e arrastariam a comunidade internacional a um caos incontrolável. No caso de um ataque, a existência de Israel estaria mais ameaçada do que nunca.

O GLOBO: Para os israelenses, a prioridade é impedir que o Irã obtenha a capacidade nuclear irreversível. O Irã já chegou a esse ponto?

MOUSAVIAN: Em primeiro lugar, os israelenses não estão em posição de fazer exigências ao Irã, porque o Irã é membro do Tratado de Não Proliferação e não possui armas nucleares. Já Israel é o único país do Oriente Médio que possui armas nucleares e desafia as solicitações da Agência Internacional de Energia Atômica e da comunidade internacional. Em segundo lugar, o Irã já alcançou a capacidade de fabricar armas nucleares caso decida fazê-lo. Mas ter a capacidade de fabricar armas nucleares não é uma violação do TNP. Outros países-membros, como Japão, Alemanha, Argentina e Brasil também têm essa capacidade, e não são alvo do escrutínio internacional.

O GLOBO: O senhor tem segurança para continuar afrmando, como fazia quando participava das negociações, que o governo do Irã não busca armas atômicas?

MOUSAVIAN: O que me preocupa é a estratégia do Ocidente, que na prática não está deixando ao Irã outra opção a não ser buscar a arma nuclear. O Ocidente começou uma guerra global econômica contra o Irã. As pressões e sanções impostas ao Irã são maiores do que as sofridas pela Coreia do Norte, apesar de o Irã ser signatário do TNP e não possuir bombas atômicas, e de a Coreia do Norte ter se retirado do tratado e já ter armas nucleares. Enfrentado a essa realidade, se o Irã já pagou um preço maior do que a Coreia do Norte, por que não ter também a arma dissuasória?

O GLOBO: As sanções financeiras dos EUA e um eventual embargo de petróleo da União Europeia vão mudar alguma coisa nos planos nucleares do Irã?

MOUSAVIAN: Sanções de qualquer espécie prejudicarão a economia do Irã, mas não vão fazê-lo obrigar a renunciar a seus direitos legítimos garantidos pelo TNP, que incluem o enriquecimento de urânio. O Irã vem sofrendo sanções desde a revolução de 1979, mas avançou consideravelmente os campos nuclear, químico, biológico e balístico.

O GLOBO: Um deputado iraniano assegurou que uma recente carta de Obama ao líder supremo Ali Khamenei incluía um convite ao diálogo. Ainda há possibilidade de diálogo? Quais interesses impedem esse diálogo?

MOUSAVIAN: A última palavra nas relações entre o Irã e os EUA cabe ao aiatlá Khamenei. Minhas duas décadas de experiência na política exterior iraniana me fazem acreditar que o Irã sempre esteve disposto a uma relação justa baseada no seguinte: 1) que os americanos assegurem que sua intenção real não é a mudança de regime no Irã, já que o líder supremo sempre acreditou que o objetivo central dos EUA desde 1979 é a mudança de regime por qualquer meio possível; 2) que os americanos busquem uma relação baseada na não interferência, no respeito mútuo e no reconhecimento dos interesses legítimos do Irã na região e fora dela. O fato é que nenhum governo americano desde a Revolução Iraniana conseguiu orquestrar uma política para o Irã baseada num marco realista. Todos os governos americanos só competiram para aumentar sanções, pressões ea maeaças ao Irã. O presidente Obama começou seu mandato prometendo conversar com o Irã e mudar uma história de 30 anos de inimizada, mas agora se diz orgulhoso de ter conseguido mobilizar o mundo e estabelecido um regime de sanções “sem precedentes” contra o Irã.

O GLOBO: Como os EUA podem conversar com o Irã enquanto porta-vozes iranianos ameaçam fechar o estreito de Ormuz?

MOUSAVIAN: Se a política dos EUA está baseada em manter “todas as opções sobre a mesa”, a política do Irã fatalmente será a mesma. Ameaças geram ameaças.

O GLOBO: Sua substituição depois das eleições de 2005 era esperada, mas por que o senhor foi preso? O seu caso foi parte de uma disputa interna por poder?

MOUSAVIAN: Desde minha detenção em abril de 2007, decidi manter silêncio sobre os motivos da minha prisão, e vou continuar a fazê-lo.

O GLOBO: O sr. deixou o Irã após a controversa reeleição de Ahmadinejad. As duas coisas estão relacionadas? O sr. já voltou ao país desde então, ou existe algo que impeça seu regresso?

MOUSAVIAN: Eu não posso exercer nenhum cargo diplomático por cinco anos, contados a partir de abril de 2008. Decidi dedicar esse tempo aos estudos acadêmicos.

O GLOBO: Naquela época, o sr. minimizou a possibilidade de mudança de regime em Teerã, apesar das manifestações. O sr. mudou de opinião depois da Primavera Árabe? O que torna o Irã diferente dos seus vizinhos?

MOUSAVIAN: Após dois anos e meio, vemos que eu estava certo. Enquanto aumentarem as pressões do Ocidente na esperança de forçar a mudança de regime, estou convencido de que isso não vai acontecer.

oglobo.globo.com | 24-01-2012

CAMBRIDGE E OXFORD - Cambridge ou Oxford, eis a questão. O dilema atinge a todos os que pensam em estudar na Inglaterra e querem fugir da efervescente e frenética Londres. À primeira vista, as duas cidades são parecidas: giram em torno de universidades centenárias e seus imponentes prédios de pedra. As instituições são o orgulho dos seus moradores e também os pivôs da rivalidade que extrapola seus muros e é assumida pelos habitantes. Afinal, a Universidade de Cambridge foi fundada em 1209 por ex-alunos da Universidade de Oxford que discordavam dos rumos da antiga "casa", então com pouco mais de 100 anos. Nem sempre o bom filho à casa torna. As cidades alternam vitórias em vários campos: no ranking das melhores universidades do Reino Unido, nas regatas disputadas anualmente no Rio Tâmisa e até em prêmios Nobel. Berço de cientistas brilhantes ou de bandas de rock, cada uma tem as suas armas para conquistar visitantes.

Parques, bicicletas e noites agitadas em Cambridge

Ao chegar em Cambridge, o visitante logo tem a certeza de que está em uma cidade universitária. Os grupos de jovens andando nas ruas e a mistura de sotaques e idiomas dão um ar cosmopolita ao cenário de ruas estreitas e prédios de pedra que predominam no centro histórico. É lá que se concentra a maioria dos colleges da universidade.

Tanto em Cambridge quanto em Oxford, as instituições se organizam em espécies de cooperativas de escolas, os chamados colleges. Cada um tem um perfil diferente. Há alguns mais liberais, outros mais conservadores, ou com foco em determinada área do conhecimento, como Engenharia ou Artes. Elas são as únicas universidades no mundo organizadas nesse modelo.

Os prédios são centenários e, em sua grande maioria, foram igrejas, abadias e monastérios. Por isso, são fortalezas de pedra com grandes portões de madeira. Visitantes são aceitos apenas por algumas horas na parte da tarde. Apesar do acesso ser restrito aos pátios internos, vale o passeio. Ainda mais porque estão sempre movimentados por estudantes, principalmente no verão.

Os mais bonitos são o do King’s College, o maior e mais importante de todos, e o do Saint John Trinity College. A King’s possui ainda uma imponente capela, sede do seu coral, um dos principais da Europa. Para os amantes da música sacra, o concerto é imperdível, mas é preciso preparar os bolsos, pois os ingressos variam entre 25 e 55 libras (de R$ 68 a R$ 150). As datas das apresentações podem ser consultadas no site kings.cam.ac.uk/choir.

A cerca de 200 metros do King’s College, é possível avistar as instalações do Fitzwilliam Museum, que também faz parte da universidade. Fundado em 1848, o espaço recebe exposições temporárias e possui um acervo comparado ao do British Museum, em Londres, devido a sua abrangência histórica.

A geografia de Cambridge a torna mais simpática do que sua rival, Oxford. No rio que corta o centro, gôndolas pilotadas por estudantes da universidade ficam à disposição dos turistas. No entanto, o serviço só funciona nas épocas mais quentes do ano. Nos dias de sol, o programa típico é dar uma esticada em um dos belos parques.

É possível percorrer toda a cidade a pé ou então de bicicleta, como faz a maioria dos moradores. Há várias lojas que alugam as magrelas por períodos que variam de um dia até três meses. Para estimular e facilitar a circulação, todas as ruas da cidade possuem ciclofaixas. Ótima opção para queimar as calorias dos fish and chips e dos pints servidos nos muitos e animados pubs.

As bicicletas são usadas até para sair à noite. E a agitada vida noturna da cidade atrai estudantes, principalmente brasileiros. Há até quem prefira só ter aulas à tarde para se recuperar das noitadas, que rolam de segunda a segunda. Um dos locais preferidos por estudantes é o misto de bar e boate Revolution, no centro. Nas pistas, predomina a música eletrônica. Agora, é possível que alguém até encontre um Michel Teló.

Para jantar, uma opção é a casa do chef Jamie Oliver, o Jamie’s Italian. Por 40 libras (R$ 110) por pessoa, é possível comer um menu com entrada, prato principal e sobremesa, além de tomar um dos vinhos italianos orgânicos servidos em jarra ou taça.

Antes ou depois de comer, vale a passada no pub The Anchor. Foi lá que James Watson e Francis Crick fizeram a primeira apresentação do trabalho mais importante de suas vidas: a descoberta da molécula do DNA. Além de ponto turístico (há uma placa na parede em memória dos dois), são servidas ótimas cervejas produzidas na região.

Cambridge encanta pelo conjunto e é difícil resistir. Ainda mais porque, se bater aquela saudade da cidade grande, basta pegar um trem e, em 45 minutos, chega-se em Londres.

Oxford, a cidade dos fãs: de futebol, Harry Potter e Radiohead

Se Cambridge é ensolarada (no sentido figurado, claro), Oxford é austera. A culpa pode ser da luminosidade cinzenta do início do inverno britânico, mas a impressão de quem caminha pelas ruas do seu centro histórico é de que ela não sorri para os visitantes. No entanto, o lugar possui três trunfos bem diferentes para atrair jovens estudantes: é a principal locação dos filmes da franquia "Harry Potter", a cidade natal da banda de rock Radiohead e possui uma legião de apaixonados por futebol.

O salão onde foram filmados os banquetes de Hogwarts fica no Christ Church College, uma das escolas da universidade, bem no coração do centro histórico. O prédio é enorme e ocupa um quarteirão inteiro, impossível não notá-lo. Você pode simplesmente estar caminhando na rua e dar de cara com os pátios onde Harry, Rony e Hermione faziam suas refeições com trajes de gala. Assim como em Cambridge, entrar em qualquer um dos colleges parece uma viagem no tempo (ou nos filmes). Os horários de visitação também são restritos, então é preciso ficar atento e contar com um pouco de sorte.

O clima da cidade não é dos animados e o inverno é bem frio. E logo se compreende de onde veio o astral meio deprê dos primeiros discos de da banda comandada por Thom Yorke. Os fãs podem conhecer a Jericho Tavern, o pub onde o conjunto fez sua primeira apresentação ainda com o nome de On a Friday. Os mais fanáticos podem até comer no restaurante Browns, onde o guitarrista Ed O’Brien trabalhou como garçom na época das vacas magras.

Não à toa que o quinteto inglês é apaixonado por futebol. O modesto Oxford United disputa a terceira divisão inglesa, mas seu Kassam Stadium, localizado a dez minutos de carro do centro, deixaria muitos brasileiros com inveja. Do lado do estádio, há um complexo com boliche, restaurantes e fliperamas. A cidade respira mesmo o esporte. Até o motorista do táxi perguntava sobre o que tinha acontecido com a seleção brasileira. Quem gosta de tomar uma cerveja e assistir a um jogo de futebol, vai se sentir em casa.

Duas irmãs, duas cidades

Quando minha irmã mais velha, Natália, anunciou que queria uma viagem de presente de 15 anos, dispensando a festa, eu, do alto dos meus 13, achei aquilo incrível. No ano 2000, a agência de viagens só oferecia as tradicionais Oxford e Cambridge para os intercâmbios de quatro semanas, com hospedagem em casa de família.

— Tudo parecia igualmente distante e diferente, numa época em que a gente ainda não corria para os sites de busca para tudo. Queria ir para a Inglaterra. Oxford, para mim, era mais famosa — lembra Natália.

Oxford também tinha em sua conta duas informações que constavam no catálogo da agência: era mais populosa e mais perto de Londres (o que rendeu uma aventureira escapada para ver um show histórico do Oasis no antigo estádio de Wembley, pouco antes de ele ser fechado para demolição).

Minha irmã gostou tanto, tanto, da experiência que, na faculdade, escolheu a Inglaterra para fazer intercâmbio de um ano. Mas só pôde ir para a cinza e industrial Birmingham, e foi então que o país perdeu um bocado de seu apelo para ela.

Antes disso, porém, chegaram os meus 15 anos e eu não tive dúvidas de que iria para a Inglaterra. Escolhi Cambridge porque queria fazer diferente. Mas também adorei a ideia de ter meu próprio meio de transporte, a bicicleta — era a única maneira de curtir a cidade de fato, já que os ônibus paravam de circular cedo (o que não ocorria em Oxford, segundo Natália). Se eu soubesse, na época, que Oxford era terra de Radiohead e Harry Potter, talvez decidisse diferente.

Mas, aos meus olhos, Cambridge era ensolarada, jovem, alegre. Aliás, além de cidades diferentes, vivemos estações diversas: embora as duas tenham ido em julho, eu peguei um dos verões mais quentes da história; minha irmã, um dos mais frios. Temos fotos em vários cartões-postais ingleses: eu, de cabelo preso e short; minha irmã, de casaco e cachecol. Mas voltei, assim como ela, encantada pelo país e com a experiência. (Fernanda Dutra)

Leonardo Cazes viajou a convite do STB

oglobo.globo.com | 24-01-2012

BRASÍLIA - Na primeira reunião ministerial deste ano, nesta segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff determinou que todos os programas de governo tenham monitoramento on line e, preferencialmente, em tempo real. Segundo o porta-voz da Presidência, Dilma disse que esse monitoramento faz parte de "um projeto revolucionário, progressista e indispensável" à reforma do Estado.

A presidente abriu a reunião, depois falaram o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. O secretário-executivo do Ministério da Previdência, Carlos Gabas, apresentaria o sistema de monitoramento adotado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), modelo que inspirou a determinação de Dilma. Os ministérios da Agricultura e da Previdência foram representados por seus secretários-executivos. O futuro ministro da Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp, também estava presente na reunião.

Segundo o porta-voz da Presidência, Thomas Traumann, os ministérios têm até metade do ano para apresentar sistemas que permitam o acompanhamento das ações. Na reunião a presidente disse que, essas medidas fazem parte de um movimento iniciado em 2003, com a inclusão de milhões de brasileiros na classe média, o que aumenta a exigência da qualidade dos serviços publicos.

Dilma, segundo o porta-voz, definiu o monitoramento como indispensável para a verdadeira reforma do estado, não através da demissão de servidores ou da perda de direitos previdenciários, mas através da gestão de um estado mais profissional e meritocratico. A apresentação da presidente durou 30 minutos.

- A ideia é que todos os gastos, todas as ações do governo possam ser vistas e monitoradas e, portanto, cobradas na hora. Vamos imaginar convênios com prefeituras, com ONGs, passam a ter informação de quando foi feito, o que está sendo feito e tenha cobrança direta em relação aos gastos públicos. Isso não é uma questão de reforma de Estado. É como fazer com que o Estado preste serviços melhores para a população - explicou Traumann.

O porta-voz disse que os dados poderão ser divulgados, mas o acesso ao sistema de monitoramento será dos membros do governo para acompanhamento dos gastos e das ações, além da realização de ajustes necessários. A intenção, segundo o porta-voz, é melhorar os serviços públicos prestados à população.

- Estamos falando de gestão de governo. Eventualmente, sim (serão publicizados). A questão é: o que está sendo gasto hoje, o que você pode corrigir, fazer correções pontuais - afirmou.

Depois, Tombini fez uma apresentação sobre crise internacional, dizendo que "o crescimento do PIB deve se acelerar ao longo de 2012, sobretudo no segundo semestre, com a inflação em trajetória descendente e com rumo ao centro da meta". Segundo relatos do porta-voz, Tombini apresentou cenários sobre a economia europeia e disse que a situação no continente preocupa. Ele também falou sobre Estados Unidos, que ele espera ter um crescimento um pouco melhor.

Tombini falou por cerca de 15 minutos e também comentou a perspectiva de crescimento da China, que deverá, segundo ele, ser alto, porém inferior ao registrado no ano passado. O presidente do Banco Central já havia feito uma exposição mais detalhada no último sábado, durante reunião setorial da equipe econômica com a presidente Dilma Rousseff em sua residência oficial.

Em seguida, Mantega definiu o que seriam as condições de crescimento e desenvolvimento sustentável. Primeiro, crescimento médio acima de 4%, "o que já vem acontecendo desde 2007". Depois, forte geração de emprego, distribuição de renda e redução de pobreza, criação de oportunidades, principalmente de saúde e educação e desenvolvimento regional, criação de mercado de massas e inserção internacional.

O porta-voz disse que "esse foi o panorama que ele montou para dizer que o Brasil está sim em desenvolvimento sustentável". Mantega disse ainda que este ano o Brasil vai crescer e será "um dos poucos países do mundo que vai crescer mais do que no ano passado, apesar das condições internacionais desfavoráveis".

Mantega falou ainda da importância da confiança da população e dos investidores na situação do país. Segundo o porta-voz, Mantega disse que, em 2009, a população estava mais confiante do que em 2008, em 2010 mais confiante do que em 2009 e em 2012 mais confiante do que em 2011.

- Isso, na avaliação dele, é uma prova de que o ciclo econômico que estamos vivendo vai ter continuidade - disse Traumann.

Segundo o porta-voz, não se falou em contingenciamento nem de cortes no Orçamento da União.

Corte no Orçamento da União de 2012 pode chegar a R$ 70 bilhões

Mais cedo, a presidente Dilma Rousseff afirmou que a reunião ministerial, iniciada na noite desta segunda-feira, vai discutir ações do governo em 2012, mas não tratará do corte no Orçamento da União de 2012, que pode chegar a R$ 70 bilhões. No discurso na solenidade de comemoração da bolsa de estudo 1 milhão do ProUni, a presidente escorregou nas palavras e justificou-se dizendo estar cansada da maratona de reuniões setoriais que vem fazendo desde quinta-feira da semana passada.

- Não estamos discutindo isso (cortes). Estamos discutindo o governo. A hora em que chegar para discutir qualquer questão relativa ao Orçamento, eu chamo vocês - afirmou a presidente, em uma rápida entrevista.

Na solenidade, quando falava que, desde a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo se comprometeu em garantir educação "da creche à pós-graduação", Dilma cometeu um deslize verbal e confessou que estava muito cansada por conta das reuniões setoriais que vem promovendo com seus ministros desde a última quinta-feira.

- É muito grave quando se opôs no Brasil um nível de ensino a outro. Era rebaixar por baixo. Rebaixar por baixo é dose, né, gente? Mas hoje eu estou cansada, vou dizer para vocês por quê. Eu venho de uma maratona. Eu comecei a fazer reunião na quinta, na sexta, no sábado, no domingo e hoje. E ainda vou continuar possivelmente na terça. São reuniões muita intensas, mas eu queria dizer que se trata de um processo que rebaixa as expectativas do Brasil. Se você opõe o ensino básico e o ensino universitário, além de ser uma incongruência se trata também de uma desvalorização do país - afirmou.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse que o orçamento de sua pasta é pequeno e não sofreu emendas no Congresso. Ex-ministro do Planejamento, Paulo Bernardo afirmou que não está participando do debate sobre cortes no Orçamento da União, mas disse que pode haver redução de gastos com viagens e custeio da máquina.

- Eu não faço a menor ideia. Quando estava no ministério do Planejamento, tinha todas as informações na cabeça. Sobre os R$ 70 bilhões, tenho lido nos jornais. Ninguém no governo falou em cortar R$ 70 bilhões. Quando eu era ministro, dizia que contingenciamento era como Carnaval: todo ano tem e em fevereiro. Acho que é normal isso - disse o ministro.

Para ele, é possível que, neste ano, a economia brasileira cresça 4,5%:

- Acho que o aquecimento vai ser promovido. O governo fez quatro movimentos para diminuir juros. Os programas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) colocam a economia em trajetória crescente. Vamos começar com o ano menos aquecido, mas vamos melhorar. 4,5% é perfeitamente possível. Encerramos o ano com menos crescimento, o que deve ser refletir no primeiro trimestre, mas o governo tomou medidas, baixou juros, o Minha Casa, Minha Vida está andando. Vamos acelerar durante o ano e terminar melhor que começamos.

oglobo.globo.com | 23-01-2012

RIO - Em 2012, a nova realidade do mercado editorial brasileiro vai permitir que um autor seja representado por um agente baseado em Nova York, tenha seu original aprovado por um executivo morando em Portugal, assine um contrato com uma empresa da Espanha e seja imediatamente traduzido para uma editora na Inglaterra. Com a iminente chegada de um gigante da venda de livros virtuais, a nova realidade do mercado pode permitir, ainda, que a obra daquele autor seja lida com facilidade em qualquer canto do país, com um simples toque num botão de um tal Kindle.

Como tem sido repetido por aí em outras áreas, o Brasil também se tornou a "bola da vez" nos livros. A última etapa desse movimento foi o anúncio, na última semana, de que a jornalista Luciana Villas-Boas deixará o poderoso cargo de diretora editorial do Grupo Record, um dos maiores do país, para se dedicar a uma nova agência literária, chamada Villas-Boas & Moss. Hoje, o mercado brasileiro conta apenas com uma agência de relevância para livros estrangeiros e nacionais, a Agência Riff, cujos autores incluem Ariano Suassuna, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Fonseca, Luis Fernando Verissimo, Lya Luft e Zuenir Ventura.

— Não fazia sentido o Brasil ainda estar desprovido de mais agências — afirma Lucia Riff, fundadora da Agência Riff. — O fato é que as editoras brasileiras estão mais sólidas, com expectativa de crescimento. A estabilidade da economia, o edital da Biblioteca Nacional de apoio a traduções e o surgimento dos e-books favorecem o mercado. É curioso que, enquanto vemos uma Europa em crise, aqui temos uma meta a ser alcançada para os livros. Temos um público a conquistar, diferentemente de outros países.

Luciana Villas-Boas, por sua vez, prefere não revelar ainda quem serão os autores de sua agência (leia entrevista na página 2), mas é praticamente certo que Edney Silvestre, Alberto Mussa, Francisco Azevedo e Rafael Cardoso, todos escritores publicados pela Record, estarão entre eles. Ela admite que o bom momento do setor pesou em sua decisão de montar a empresa, mas faz um alerta quanto a comentários nacionalistas que vem ouvindo sobre o investimento de grupos estrangeiros no Brasil:

— O impacto de uma internacionalização da indústria brasileira do livro é positivo para aumentar a profissionalização das relações. Nos EUA, a maior parte da indústria editorial já está completamente desnacionalizada. Há poucas editoras de peso que não foram compradas por grupos estrangeiros. Isso não afeta a literatura americana — diz.

Editoras preparam reestruturação

A nova agente literária se refere às aquisições recentes de editoras brasileiras por grupos estrangeiros. No ano passado, a editora portuguesa Leya, que tem operações no Brasil desde setembro de 2009, comprou 59% das ações da editora carioca Casa da Palavra e ainda passou a cuidar dos lançamentos das obras da Barba Negra, empresa especializada em quadrinhos.

Em dezembro, a principal notícia que surpreendeu o mercado, porém, foi a compra de 45% das ações da Companhia das Letras pelo grupo britânico Penguin, num negócio que pode ter ficado na casa dos R$ 50 milhões. A própria Record, onde Luciana vai se manter como diretora até 31 de março, já sofreu investidas de editoras estrangeiras.

— Eu coloco várias condições para começar uma conversa. Quero saber qual o grau de interesse em comprar a empresa e se será um processo que vai somar. Já houve interesse, mas nunca percebi solidez nas ofertas — afirma Sergio Machado, presidente do Grupo Record. — Acontece que, hoje, qualquer analista internacional que esteja pensando estrategicamente no segmento editorial precisa ter um plano-Brasil. Se eles não estiverem dispostos a entender os ideogramas chineses ou o alfabeto russo, o Brasil é o país que apresenta as melhores opções para o mercado. A questão é que o crescimento da renda da classe média brasileira e as melhorias da educação têm começado a dar resultado no aumento do consumo de livros.

Os sinais de mudança, porém, não estão apenas nas boas relações sendo firmadas entre o mercado editorial do Brasil com o exterior. Por aqui, chamam atenção o fortalecimento de editoras jovens, como a Novo Conceito e a Intrínseca, e a reestruturação de antigas. Assim como aconteceu com a Record, a Objetiva — que, aliás, teve 75% de suas ações compradas pelo grupo espanhol Prisa-Santillana em 2005 — perdeu sua diretora editorial, Isa Pessoa, no fim do ano passado. Ela está na Itália e voltará a atuar no mercado em fevereiro de forma ainda não anunciada. Ambas as companhias estão fazendo reformulações e devem dividir as antigas funções de direção editorial entre mais de um profissional.

Na Companhia das Letras, as novidades vão além. Agora com quatro publishers respondendo a Luiz Schwarcz, a empresa planeja novas frentes editoriais para este ano, sobretudo nos ramos dos livros digitais e nos didáticos, e está reestruturando seu departamento de marketing. Já a Ediouro contratou em setembro Sandra Espilotro, ex-Globo Livros, para dar foco na prospecção internacional dos negócios.

— Sou casado com uma historiadora, então acho que as mudanças não acontecem de uma hora para outra. Nos últimos anos, surgiram novos participantes, novas empresas, algumas estrangeiras, outras nacionais. É um sinal de força que vem se construindo — afirma Schwarcz. — Já faz tempo, por exemplo, que o mercado brasileiro é um importante comprador de direitos. Compramos royalties em valores bastante altos e estamos na prioridade dos agentes literários.

Todos esses investimentos ocorrem, ainda, em meio às especulações sobre o início da operação da livraria virtual Amazon, líder em vendas no mundo, no Brasil. No início deste ano, a empresa americana contratou Mauro Widman, ex-executivo da Livraria Cultura, como seu gerente de vendas para o Kindle. A Amazon já vem negociando com as editoras brasileiras há meses, mas o entrave tem sido o preço: a companhia teria pedido descontos de mais de 60% na venda de livros para lançar o serviço, o que desagradou as casas nacionais. Porém, recentemente a Amazon cedeu a percentuais menores, com a intenção de lançar seus serviços em até seis meses.

Venda de e-books ainda é insignificante

A Amazon também estuda como fará para vender seu leitor de e-books, o Kindle, no país. Hoje, o aparelho só pode ser importado de seu site internacional, mas a empresa estuda até fabricá-lo no Brasil. Se os acordos se concretizarem, o Kindle pode representar o maior incentivo até o momento para a popularização dos e-books — apesar do investimento recente das editoras e de livrarias como a Cultura e a Saraiva, a venda de livros virtuais ainda é quase insignificante frente a de obras físicas.

— A Amazon vai chegar, e a tendência é que os tablets como o Kindle comecem a ficar acessíveis ao grande público. A partir daí o mercado de e-books vai existir — afirma Pascoal Soto, diretor editorial da Leya no Brasil. — Antes mesmo desse período de vacas gordas da economia, o setor dos livros no Brasil já era atraente para o mundo. As pessoas começaram a perceber que existe um país interessantíssimo além do carnaval e do futebol.

oglobo.globo.com | 23-01-2012

RIO - Para quem aproveita o início do ano para planejar aquele curso no exterior, o cenário de 2012 está bem diferente do que em 2011. Agora, a crise das dívidas na Europa trouxe incertezas para as cotações do dólar. Ainda assim, as empresas do setor apostam na demanda aquecida — aumento da renda e necessidade de qualificação contribuem para isso. Segundo especialistas, as dúvidas sobre para onde vai o dólar não mudam o básico: sai ganhando quem se planeja com antecedência e prevê os custos item por item.

No primeiro semestre do ano passado, a queda no dólar contribuiu para o aumento da demanda por cursos de intercâmbio. Na média, o dólar turismo está cotado a R$ 1,90 no Rio de Janeiro (no dia 18), 6,15% a mais do que em 18 de janeiro de 2011 (R$ 1,79). Em julho, porém, a moeda americana podia ser encontrada em casas de câmbio e nos bancos por R$ 1,65.

Neste mês, os pacotes para estudar inglês nos Estados Unidos, por exemplo, estão custando de US$ 2.360 a US$ 2.670, em função da cidade e da agência de intercâmbio — com curso de um mês e hospedagem inclusos, sem a passagem aérea. Com o dólar a R$ 1,90, os preços variam de R$ 4.484 a R$ 5.342. Há um ano, o valor mínimo ficaria em R$ 4.224, R$ 260 a menos. As empresas parcelam em reais.

Se os preços estão um pouco mais altos em reais, a solução é pesquisar. O primeiro passo é calcular todos os custos — passagem aérea, curso, alimentação, transporte e lazer. Tudo isso varia de acordo com o destino escolhido.

— Do ponto de vista do planejamento, a alta do dólar de 2011 para 2012 não muda nada — destaca o professor de finanças Fábio Gallo Garcia, da FGV-SP e da PUC-SP, autor do livro "Como planejar a educação".

Planejamento deve começar pelo menos um ano antes

Esse planejamento deve começar com de um a dois anos de antecedência. Foi o que fez a consultora Christiane Francely. Em setembro passado, ela começou a pesquisar preços, montando uma planilha de custos. Em novembro, começou a juntar dinheiro. No mês seguinte, fechou o pacote para estudar inglês, por um mês, em Seattle, na Costa Oeste dos EUA. Ela embarcará em agosto.

— Estarei com o curso todo pago 30 dias antes da viagem — diz Christiane.

Segundo executivos das agências que trabalham com intercâmbio, as incertezas com o dólar não deverão adiar planos de estudar fora. O efeito atualmente sentido no setor é um aumento no questionamento por parte dos clientes. Na avaliação da gerente da EF Brasil, Silvia Bizatto, as pessoas estão se informando mais sobre opções e pesquisando preços.

Fora isso, a demanda deverá continuar em alta. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Operadores de Viagens Educacionais e Culturais (Belta, na sigla em inglês), 282 mil estudantes brasileiros deverão fazer algum tipo de curso no exterior em 2012, movimentando US$ 2 bilhões. Apesar do cenário econômico de incerteza, a estimativa prevê crescimento de 31% sobre 2011, quando 215 mil estudantes foram para fora, segundo previsão da pesquisa encomendada pela Belta.

— A motivação dos clientes é melhorar a qualificação profissional. A variação do dólar turismo não foi tão intensa e não influencia muito — destaca Marcelo Albuquerque, diretor da IE Intercâmbio.

Procura por cursos cresce com busca por qualificação

Essa busca pela qualificação está ligada ao aumento da renda dos consumidores, com o desemprego em baixa. Mesmo quem está empregado, para continuar crescendo, precisa de mais qualificação. É o caso da consultora Christiane, que decidiu estudar inglês fora para acabar de vez o que considerava uma lacuna no currículo. Sua opção foi por um curso intensivo, com aulas das 8h às 16h.

— Escolhi Seattle justamente para ficar focada no curso. Na Europa, haveria a tentação de viajar mais e, portanto, gastar mais — diz Christiane, que também aproveitará a estadia na casa de uma amiga.

De acordo com as agências, a crise internacional ainda não modificou o cenário de destinos mais buscados. O Canadá, citado por 90% das agências como o destino mais buscado na pesquisa da Belta, destaca-se pela relação entre custo e benefício. Os EUA têm recuperado terreno nos últimos anos, após deixarem a concessão de vistos mais flexível.

A principal mudança é em relação à Irlanda. Nos últimos anos, o país atraiu brasileiros ao oferecer a oportunidade de aliar o estudo do inglês com trabalho. Mas como o país foi fortemente atingido pela crise — faz parte do grupo Piigs (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha), de nações mais atingidos na Europa —, sumiram os empregos temporários.

— A Irlanda teve seu momento, principalmente para pessoas que queriam trabalhar — diz Tereza Fulfaro, diretora educacional da Central do Intercâmbio (CI).

Além disso, aumentos de preços por causa da variação do dólar ou da situação dos países em crise podem ser compensados com alternativas de destino, lembra Gabriel Freire, gerente regional da STB no Rio:

— Os EUA, por exemplo, se destacam com a variedade de cursos e cidades.

oglobo.globo.com | 23-01-2012

Você se formou no ensino médio e sonhava tirar seis meses de férias para viajar antes de começar a faculdade? Se pretende estudar na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), melhor rever seus planos. Das 9.150 vagas oferecidas em cursos superiores da uiversidade, 3.920 são para o segundo semestre e só serão preenchidas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) do meio de ano, cuja data o Ministério da Educação (MEC) ainda não definiu. Com isso, muita gente está tendo que mudar seu planejamento e até continuar estudando.

É o caso de Leticia Chrispim, de 18 anos. Candidata a uma vaga em História na UFRJ, ela pretendia fazer um intercâmbio na Califórnia no primeiro semestre e só começar a faculdade no segundo semestre. Mas a mudança da universidade, que acabou com seu vestibular e aderiu integralmente ao Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), cuja nota é usada no ranking do Sisu, também obrigou a estudante a ter que se replanejar.

— Estou na posição 70 de 38 vagas para o primeiro semestre. Se eu não passar para o segundo, vou ter que fazer o Enem de novo. Mas só vou saber disso no meio do ano. Achei muito ruim, prejudicou os planos de muitos alunos, inclusive os meus — reclama Leticia.

Universidade quer evitar desistências

Até 2011, a UFRJ definia o destino de todas as vagas de ambos os semestres no início do ano letivo. De acordo com Luiz Otávio Langlois, coordenador de acesso à graduação da UFRJ, a mudança este ano tem o objetivo de evitar vagas ociosas por desistência.

— O Sisu fará uma oferta de vagas separada para o segundo semestre. Se fizéssemos isso agora, muitos estudantes não apareceriam no meio do ano. Preferimos deixar para mais perto para se inscreverem apenas os candidatos realmente interessados — justifica Langlois.

A explicação não convence Anna Carolina Sermarini, de 19 anos. Depois de seu segundo Enem, ela passou para o primeiro semestre em Engenharia Química na UFRJ. Mas teve que abdicar dos seis meses que pretendia passar na Europa.

— Se pudesse escolher, optaria pelo segundo semestre. Queria descansar, sair um pouco desse universo de estresse pelo segundo ano seguido — lamenta Anna Carolina.

Sua amiga Vanessa Prevedello, de 21 anos, está há quatro anos na disputa por uma vaga em Medicina. Para ela, seis meses fazem diferença. Como não passou para o primeiro semestre nem tem como saber se será aprovada para o segundo (há 96 vagas para cada período), ela vai se matricular novamente no cursinho pré-vestibular.

— Com isso, vou gastar mais dinheiro não só com o cursinho, mas também com alimentação e deslocamento — prevê Vanessa.

Talita Delmonte já foi aprovada para o primeiro semestre em Relações Internacionais na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, que também adota o Sisu. Mas ainda sonha com uma vaga no segundo semestre da maior universidade do país.

— Eu queria fazer um curso de inglês por três meses e depois viajaria pela Europa. Agora, tenho que passar pelo estresse mais uma vez. Além de ficar seis meses sem saber o que fazer da vida — conta Talita.

Raissa Zylberglejd, de 17 anos, vive uma incerteza diferente. Ela quer fazer Engenharia de Produção na UFRJ, mas ficou na 41 posição, e são de 28 vagas para o primeiro semestre.

— Se eles usarem as mesmas pessoas que se inscreveram como primeira opção para o segundo semestre, entrariam do 29 ao 56, e eu estaria dentro — diz Raissa, que passou para Administração para a Fundação Getúlio Vargas, mas não é sua prioridade. Por isso, a estudante reclama do novo modelo adotado para a UFRJ. — As pessoas que acham que têm chances de passar para o segundo semestre, mereciam saber agora, junto com o primeiro, para ajeitar sua vida, e tomar outras decisões importantes, como o que fazer nesses seis meses. Mas, como o resultado só sai em julho, a decisão terá que ser tomada sem uma certeza.

oglobo.globo.com | 23-01-2012

Seja por lazer, esporte ou meio de transporte, ela vem ganhando adeptos. Popular, a bicicleta já deixou de ser apenas o sonho de consumo das crianças e agrada também aos adultos. Mas, se diz o ditado que pedalar é algo que não se esquece, e aqueles que ainda não sabem?

Aos 42 anos, o vendedor Jorge Leonardo Vivacqua decidiu aprender e, mesmo sem graça por usar rodinhas, foi em frente. Ele lembra que a primeira aula foi difícil, mas sem quedas.

— Moro na Barra, que é um lugar maravilhoso, com praia e natureza. No princípio, pensei que iria pagar mico, mas não vou desistir. Minha família inteira sabe andar de bicicleta, menos eu. Agora também incentivo os outros — comenta ele, que está ansioso para o segundo treino.

As aulas são ministradas pela empresa Caminhos da Terra, que organizava apenas passeios turísticos. Percebendo que muitos deixavam de participar por não saber pedalar, os proprietários Alzira Lima e Licurgo Bugyja expandiram o negócio. Com uma lista de mais de 300 ex-alunos, eles se orgulham das duas formaturas já realizadas.

— Cerca de 70% dos adultos possuem entre 60 e 90 anos. Alguns deles fizeram as aulas escondidos da família por vergonha e só contaram no dia da formatura. Os parentes ficaram muito orgulhosos — conta Alzira, acrescentando que a empresa atende à domicílio e que o pacote inclui quatro treinamentos de 40 minutos.

Para o professor Antônio Carlos Kern, a bike funcionou como remédio. No início do ano passado, ele chegou a ficar internado dez dias numa Unidade de Terapia Intensiva devido a uma pancreatite. Ao sair do hospital, buscou a atividade física como uma forma de encontrar mais qualidade de vida.

Ao procurar uma opção que fizesse bem ao corpo, encontrou o ciclismo. Vinte e seis quilos mais magro e com o condicionamento físico melhor, ele afirma que só deixa de pedalar quando chove forte. E gosta de participar de grupos de passeio, como os organizados pelo site Via Pedal. Um dos seus trechos preferidos inclui a orla da Barra da Tijuca, onde mora.

— Nós seguimos de Copacabana até Guaratiba. Eu gosto desse percurso porque passamos pela orla e também há trechos de subida e montanha, onde passamos por lugares muito bonitos. E como geralmente há pessoas mais jovens que eu, me sinto rejuvenescido — brinca ele.

Como meio de transporte ou a trabalho

Mesmo sendo um esporte aparentemente simples, é preciso tomar alguns cuidados na hora de pedalar. A professora Juliana Soares, da Universidade Estácio de Sá, faz um alerta para os iniciantes.

— Para quem está começando, é importante seguir as indicações corretas para a regulagem do banco, pois deve ser evitada a extensão total do joelho e também a flexão excessiva. Também é importante procurar orientações médicas e com um profissional de Educação Física quanto à intensidade e frequência — aponta ela.

E como escolher o equipamento correto? A gerente da loja Bike Rio do BarraShopping, Elizabeth Fernandes, explica que as recordistas de venda são as bicicletas para passeio e bastante confortáveis. Para as mulheres, não podem faltar cestinhas. Já os homens gostam de levar para casa suportes para garrafa e velocímetros.

Mas a bicicleta também pode servir como meio de transporte e até substituir o carro, como prova a empresária Ana Moraes, que trabalha com o preparo de massas frescas. Moradora da Freguesia, quando precisa fazer entregas na região de Jacarepaguá, Barra, e Recreio, ela vai pedalando.

— Faço tudo em cima de duas rodas. Além de ser mais funcional, é bom para a saúde. A bicicleta me faz muito bem e até substituiu o divã após o meu divórcio, em 2007. Eu estava separada havia quatro anos e com a cabeça ruim. Hoje estou liberta e feliz — diz.

A professora de Educação Física Danielle Picanço é mais uma que usa a bike para se locomover. Defensora do veículo, ela conta que já deixou de ir a médicos porque não poderia se deslocar pedalando.

— Eu sempre dizia que não dava para morar na Barra sem carro, mas já desmarquei consultas porque estava chovendo e não poderia ir de bike. Comecei indo só para a academia, mas hoje em dia uso a bicicleta para tudo. A melhor parte disso é conhecer bem todos os lugares, porque posso observar melhor — diz.

A paixão de Anderson Zomer pelo ciclismo é tanta que ele fez disso uma segunda profissão. Formado em Farmácia, viaja pelo Brasil para disputar provas e precisa conciliar o escritório com as competições.

— O sonho de todo atleta amador é sobreviver dessa atividade. Eu já pensei assim, mas durou pouco porque a realidade é dura. O ciclismo como um esporte não é popular no Brasil e, na comparação com a Europa, estamos a anos luz de distância. Já pensei em desistir, mas adoro essa sensação de liberdade que a bike me dá.

oglobo.globo.com | 22-01-2012

RIO — Eike Batista se mexe na cadeira, reagindo à lembrança de seus tempos de anonimato. "Os brasileiros pensam que eu apareci no ano 2000 a partir do nada", diz Eike, o homem mais rico do Brasil.

Poucos brasileiros tinham ouvido falar sobre suas aventuras na Amazônia aos 20 anos de idade, contou ele, quando abandonou a faculdade na Alemanha Ocidental para negociar ouro e apostar os ganhos na construção de uma máquina barulhenta na floresta para processar o metal precioso, sem mineradores.

Ao contrário, Eike só apareceu nas revistas de fofocas na década de 1990 depois que se casou com a modelo e dançarina de carnaval Luma de Oliveira. Naquela época, seu pai, Eliezer Batista, um ex-funcionário do governo, disse-lhe para manter a discrição, enquanto sua fortuna em crescimento tornava-o um alvo de sequestradores.

Eike Batista não fez nada além de se esconder. Agora, aos 55 anos, ele não só é considerado o homem mais rico da América do Sul, com uma fortuna estimada pela Forbes em US$ 30 bilhões, mas também é uma das figuras mais famosas do Brasil, um empreendedor em série com energia ilimitada para vender a si mesmo e a seu país.

"O meu cavalo de corrida é o Brasil", disse ele do 22º andar de seu escritório no quartel-general de sua empresa, a EBX, que tem vista para a Baía de Guanabara. "E o Brasil tem hoje a riqueza que a América tinha na virada do século."

Enquanto a presidente Dilma Rousseff o considera um exemplo de executivo do setor privado, empresários rivais afirmam que a principal habilidade dele é como vendedor, ao persuadir investidores a apostar cerca de US$ 24 bilhões em empresas iniciantes de mineração, petróleo, logística, geração de energia e construção naval.

"Eles acham que ele vende muitos sonhos e não realidade suficiente", disse Olavo Monteiro de Carvalho, ex-sócio em uma mina de ouro da Amazônia.

No início deste ano, Eike Batista tem a chance de afastar esse preconceito, quando sua empresa petrolífera, a OGX, deverá começar a produzir petróleo a partir da descoberta de 10 bilhões de barris no mar.

A empresa de Eike de logística também planeja abrir um “superporto” de US$ 2 bilhões no Rio, no ano que vem, e ele diz que vai ser a versão latino-americana de Rotterdam. Situado em território equivalente a uma Manhattan e meia, o porto vai ter capacidade para transportar cerca de 350 milhões de toneladas de importações e exportações por ano, incluindo petróleo e minério de ferro de empresas de Eike.

Os brasileiros continuam divididos sobre o que achar do homem simplesmente conhecido como Eike. Alguns o veem como um megalomaníaco exibicionista e debocham de suas fotos tiradas ao lado de seu Mercedes McLaren de US$ 1 milhão.

Eike Batista não se arrepende da imagem que criou e diz que está tentando mudar a cultura conservadora sobre riqueza que seu pai viveu, e ensinar aos brasileiros a olhar para seus empresários da forma como os americanos fazem.

"Eu quero ajudar toda uma geração de brasileiros a se orgulhar", diz. "Eu sou rico, sim. Eu mesmo construí isso. Não roubei. Simplesmente mostro isso".

Ultimamente, Eike está totalmente sem amarras. Ele viaja pelo mundo em seu jato Gulfstream de US$ 61 milhões, muitas vezes dando palestras, e interage com seus mais de 539.600 seguidores no Twitter, a quem oferece "frases educativas" para inspirar.

Em seu escritório, ele exibe fotos emolduradas de seus dias como campeão em corrida de lancha e uma espada que lhe foi dada por um parceiro japonês em agradecimento a um negócio fechado.

Ele intercala seu inglês com sotaque alemão - uma das cinco línguas que fala fluentemente - com frases em francês como "C'est la vie”. Sua risada contagiante lembra o Charada de 1960 da série de "Batman" na televisão.

Eike diz que sua jornada começou como uma "busca à independência financeira" e um desejo ardente de fugir da sombra de seu pai famoso, um engenheiro brasileiro que ajudou a aumentar o comércio internacional de commodities no Brasil.

Nascido em Minas Gerais, Eike tem seis irmãos. Quando era pequeno, sofria de asma crônica. Sua mãe, uma alemã, colocava-o na piscina. "Isso abriu meus pulmões", disse ele. Ele continua a ser um ávido nadador e corredor.

Quando era adolescente, sua família se mudou para a Europa, vivendo em Genebra, Düsseldorf e Bruxelas. O pai de Batista, que no Brasil tinha sido presidente da empresa estatal de mineração, decidiu entrar em um "exílio amigável" quando o governo militar do Brasil desconfiou que fosse comunista por sua fluência em russo, uma das várias línguas que fala. Na Europa, o pai de Eike trabalhou para construir os negócios internacionais da empresa de mineração.

Na década de 1960, o pai de Eike notou que o Brasil poderia lucrar muito com a exportação de minério de ferro para o Japão. Mas a distância era enorme, então convenceu estaleiros a construir grandes embarcações, e ele liderou o desenvolvimento de um porto brasileiro com profundidade suficiente para os navios atracarem.

Eike diz que seu pai "fez um monte de coisas incríveis para o Brasil", mas que "nunca quis tomar riscos”.

Seus pais voltaram para o Brasil quando Eike tinha 18 anos. Ele ficou em Bruxelas e foi de porta em porta vendendo seguros, e depois negociando diamantes e carne enlatada.

Em 1978, Eike leu sobre a corrida do ouro na Amazônia. Aos 22, ele deixou a Universidade de Aachen na Renânia do Norte-Vestfália, onde foi estudar engenharia metalúrgica, e voltou ao Brasil. Ele convenceu um joalheiro no Rio a emprestar-lhe US$ 500 mil - "com certeza, eles sabiam que meu pai foi importante", disse ele - e foi para a Amazônia.

Com o empréstimo, ele começou a negociar ouro, agindo como um intermediário entre mineradores e compradores no Rio e em São Paulo. Ele disse que ganhou US$ 6 milhões em um ano e meio de negociação.

Depois de uma empresa brasileira de mineração de estanho, tentou copiar a idéia para extração de ouro, percebendo que teria uma margem de lucro enorme mesmo se cometesse erros. "Era à prova de idiotas ricos", disse ele.

Aos 23 anos, ele apostou tudo na construção de sua máquina. Mas o custo de comprar dos mineradores e os desafios de conseguir tratores e óleo diesel em uma área repleta de malária e ilegalidade se provou formidável.

Ele resistiu até seus últimos US$ 300 mil e se perguntou se "deveria ir para a praia" ou retomar o estudo de engenharia. Em seguida, a máquina começou a funcionar. Logo estava ganhando US$ 1 milhão por mês.

Enquanto Eike de alguma forma driblava a malária, ele não evitava problemas. Um dia foi confrontar um minerador que lhe devia dinheiro. O minerador estava bêbado. Eike Batista o xingou. Quando ia embora, o minerador atirou nele pelas costas com um revólver. "Eu estava longe o suficiente para que o impacto não fosse mortal", disse ele.

Seus guarda-costas disseram-lhe, mais tarde, que mataram o minerador.

Após sua experiência amazônica, Eike procurou as minas de ouro mais ricas do Brasil. Seu pai, temendo que o filho corria o risco de ser sequestrado, o encorajou a pesquisar fora do país. Ele tentou, mas falhou na Rússia, na Grécia, na República Checa, no Equador e na Venezuela, depois de perder centenas de milhões de dólares.

As experiências assustaram ele e em 2000 decidiu se dedicar a projetos no Brasil.

Ele falhou em outros tipos de negócios, entre jipes, cerveja e até perfume. "Em produtos de consumo, é muito mais difícil", disse ele. "Como você não tem margens de lucro à prova de idiotas, não pode cometer muitos erros."

Atualmente, está obcecado em inspirar uma nova geração de empresários brasileiros a tomar riscos como ele. "Nós não precisamos só ter os melhores jogadores de futebol do mundo", disse ele. "Por que não ter o melhor empresário do mundo?"

Nos últimos anos, ele investiu muito em restaurar o que chama de "auto-confiança" do povo do Rio de Janeiro, dizendo que gasta US$ 10,7 milhões por ano para ajudar um programa policial a livrar favelas de traficantes de drogas. Quando o governador do Rio, Sérgio Cabral, precisava de dinheiro para ajudar com a candidatura do Rio para a Olimpíada de 2016, Eike Batista disse que concordou em gastar US$ 12,3 milhões para contratar a agência de marketing que ajudou Londres a ganhar os Jogos de 2012.

"Olhe o que aconteceu agora", disse Eike. "Os preços dos imóveis triplicaram. As pessoas deveriam me pagar uma comissão".

oglobo.globo.com | 21-01-2012

SÃO PAULO - O crescimento menor do PIB chinês em 2011, de 9,2% ante 10,3% no ano anterior, foi recebido sem surpresas pelos economistas, uma vez que a desaceleração está em linha com as medidas de contração adotadas pelo governo para conter as ameaças de alta inflacionária — que, junto com a sucessão no Partido Comunista chinês, está entre os principais riscos para a economia do gigante. Mas as opiniões divergem quanto às perspectivas de crescimento. Para alguns analistas, com a economia mundial desacelerando, na esteira dos problemas na zona do euro, e a expansão do mercado doméstico ainda insuficiente para compensar a queda nas exportações, a tendência é que o crescimento do PIB chinês caminhe para um patamar próximo a 8%. Outros, entendem que o país terá de manter taxas entre 9% e 10% para sustentar a modernização econômica.

— Este ano o crescimento chinês será ligeiramente menor, pela continuidade do processo de a economia se voltar mais para o mercado interno. E também pela mudança no comando político do país, que nunca é simples — diz Antônio Carlos Manfredini, professor da Escola de Administração e Economia da FGV de São Paulo.

O Partido Comunista chinês elegerá este ano os sucessores dos atuais ocupantes dos dois principais postos políticos do país: Hu Jintao, o presidência, e Wen Jiabao, o primeiro-ministro. Embora o fantasma de uma inflação maior tenha passado, observa Manfredini, os processos de sucessão em regimes como o chinês são sempre delicados e têm reflexos nos mercados.

— Não é nada dramático e será uma desaceleração suave, mantendo a China como a economia que lidera o crescimento mundial — diz ele, que prevê crescimento de 8,5% este ano.

Sem um mercado doméstico robusto o suficiente para compensar a freada na economia global, Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, estima que o PIB chinês terá expansão próxima de 8% a partir de agora. Nível mais que suficiente, diz, para manter o padrão de crescimento dos preços das commodities, uma boa notícia, que deve permitir ao Brasil sustentar a balança comercial.

— Apesar da perda de fôlego do PIB, ainda teremos uns quatro ou cinco anos com a China conseguindo sustentar nossa balança comercial — afirma Vale.

‘Crescer menos que 8% é como ficar estagnada’

Com a inflação relativamente controlada e a necessidade de o país dar sequência ao processo de urbanização, conseguindo absorver a migração da população do campo para as cidades, Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, considera que o governo deve empenhar-se em manter a economia num ritmo de crescimento acima de 9%, como projeta o Fundo Monetário Internacional (FMI) para os próximos três anos.

— Para a China, crescer menos que 8% é como ficar estagnada, pois a população economicamente ativa é de 250 milhões de pessoas, e quase metade da população, de 1,34 bilhão de chineses, ainda vive no campo. E, para absorver a mão de obra entrante no mercado e a migração do campo, o crescimento terá de se manter elevado — diz Agostini.

Os riscos do surgimento de "bolhas", por causa da expansão acelerada do crédito e de setores como o imobiliário, teriam sido reduzidos por medidas restritivas e de controle adotas em 2011, na visão dos economistas ouvidos pelo GLOBO. Mas não estão descartados.

Agostini lembra que os temores de uma explosão da inadimplência foram dirimidos pelo aperto monetário e não há grande exposição do país a riscos nos mercados globais, dado o conservadorismo do governo na gestão dos US$ 1,5 trilhão de reservas. Para Manfredini, as ameaças externas estão dadas e uma piora nas condições na Europa não seria tão dramática para a China. O setor bancário chinês, contudo, pode assustar os mercados, adverte Vale:

— Não se tem ideia real da situação dos bancos.

oglobo.globo.com | 18-01-2012

RIO - Embora o anúncio “sobre educação” que a Apple fará no dia 19, em Nova York, ainda seja um mistério, o site especializado Ars Technica tem uma pista. A página publicou nesta terça-feira que a companhia vai introduzir no evento do Museu Guggenheim uma plataforma que facilitará a criação de e-books interativos, com componentes como vídeos e áudios. O sistema já está sendo chamado de “um GarageBand para e-books”, em referência ao programa da Apple que popularizou a criação caseira de músicas.

Os livros atuais da plataforma iBook da Apple - que utiliza o padrão ePub 2 - já comportam recursos interativos, mas para isso requerem extensões de HTML 5, o que dificulta o processo de edição dos títulos. Com a nova plataforma, a Apple começará a suportar livros no formato ePub 3, que é baseado no HTML 5.

Se for verdade, o “GarageBand para e-books” vai tornar muito mais fácil a criação de livros interativos. A notícia é especialmente boa para a nova onda de autores que publicam suas próprias obras, que poderão elaborar títulos mais complexos sem maiores dificuldades. A plataforma também será positiva para educadores, que poderão, por exemplo, criar materiais didáticos que atraiam mais a atenção dos alunos.

O mercado de livros eletrônicos encrencou a Apple no ano passado. O órgão regulador antitruste da União Europeia e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos informaram em dezembro que estavam investigando se a companhia e cinco grandes editoras formaram um cartel de e-books. A Apple é acusada de, ilegalmente, ter ajudado as editoras a elevar os preços dos títulos quando lançou seu tablet iPad e a loja iBookstore, em 2010.

Apesar disso, a Apple continua determinada a abalar a liderança da Amazon no segmento. O novo projeto, aliás, tinha significado especial para Steve Jobs, que trabalhou nele durante anos, de acordo com as fontes do Ars Technica. O site apurou que o anúncio estava programado para outubro do ano passado, juntamente com a apresentação do iPhone 4S.

“Os planos foram adiados no último minuto, talvez até por causa da morte iminente de Jobs”, disse o Ars Technica.

oglobo.globo.com | 17-01-2012

LONDRES - O rosto dos anúncios e posteres pertence a Meryl Streep, mas a sombra que paira sobre o Reino Unido é definitivamente de Margaret Thatcher. A reação ao filme "A Dama de Ferro" expôs como a figura da ex-premier ainda polariza os britânicos mais de duas décadas após ter deixado o número 10 de Downing Street.

Ame-a ou deixe-a: ninguém em Londres parece conseguir ver o filme sem transportar seus sentimentos pessoais para ele e escolher um dos dois lados - e há muita gente em cada um.

- Não é possível para uma pessoa que viveu a era Thatcher encarar isso de forma objetiva - diz um comerciante de arte de 57 anos após assistir ao filme em Londres. - Eu não gostei, pois não mostrou muitas das políticas sociais e econômicas que levaram o país a essa Inglaterra moderna e egoísta em que vivemos agora.

O filme desperta ainda mais paixão entre os britânicos porque oferece um olhar sobre um passado que parece se repetir agora.

Depois de um longo hiato, o Reino Unido é novamente governado pelo Partido Conservador, de Thatcher, uma legenda liderada por políticos que cresceram durante sua gestão e que se consideram sucessores da ideologia de governo pequeno e livre iniciativa. Um olhar sobre o atual governo mostra que o premier David Cameron embarcou em drásticos cortes públicos mais profundos que qualquer um já feito na era Thatcher.

O índice de desemprego, que cresceu durante os primeiros anos do governo Thatcher, está agora no nível mais alto desde 1994. Como a ex-premier, Cameron trava uma briga com os sindicatos britânicos e com a Europa, o bicho papão dos conservadores.

A sensação de deja vu político conseguiu apenas aguçar as diferenças abertas por Thatcher, que continuam na sociedade britânica.

Para os admiradores, ela será sempre a líder que tirou tirou o Reino Unido do seu torpor socialista e restaurou a autoestima do país. Muitos conservadores ainda evocam seu nome e defendem zelosamente sua reputação e legado como a mais dominante premier do século XX - após Winston Churchill.

- Foi uma grande atuação de Meryl Streep, mas não se pode deixar de questionar por que tinha que ser lançado logo agora? -, reclamou Cameron, em entrevista recente à BBC, sobre o fato de o filme mostrar os últimos anos de Thatcher. - É muito mais sobre envelhecimento e elementos da demência do que sobre a incrível primeira-ministra.

Cameron, que tinha 12 anos quando Thatcher assumiu o governo, em 1979, vem tentando evitar se retratar com um thatcherista, preferindo a alcinha de um novo torie.

- Os conservadores têm uma face mais humana com Cameron - opina Jon Tonge, cientista político da Universidade de Liverpool. - Mas eu não diria que as políticas são tão diferentes das de Thatcher.

Por outro lado, muitos dos detratores de Thatcher ainda a olham como o monstro que promoveu um individualismo desatento e que uma vez declarou que "essa coisa de sociedade não existe", algo que o governo atualmente, dizem, está buscando.

Para os detratores, a era Thatcher é uma ferida que não só não melhorou, como piorou. Eles também não gostam do retrato da ex-premier como uma mulher sofrendo com o avanço da idade - não porque prefeririam vê-la em seu auge, mas porque o filme acaba por humanizar uma mulher que ainda consideram o diabo.

- É preciso apenas dizer o seu nome que o povo expressa sua opinião mais veemente - diz o diretor do filme, Phyllida Lloyd. - Eu já estive com amigos que disseram: "Eu vou ficar despedaçado com o filme, porque eu fiz um pacto com um amigo na faculdade de que nós comemoraríamos a morte dela”.

A antipatia parece não ter minado a performance do filme no Reino Unido, onde foi o lançamento de melhor bilheteria em sua semana de estreia: talvez apropriadamente para uma mulher que nunca hesitou em usar o plural majestático, "A Dama de Ferro arrecadou nos cinemas britânicos três vezes mais que "A Rainha" (2006).

oglobo.globo.com | 17-01-2012

RIO - Comer alimentos ricos em magnésio, como vegetais de folhas verdes, nozes, cereais integrais e feijão reduz o risco de acidente vascular encefálico, segundo estudo internacional realizado com 250 mil pessoas. Esta pesquisa, publicada na revista científica American Journal of Clinical Nutrition, liderada por Susanna Larsson, do Instituto Karolinska, na Suécia, diz respeito ao nutriente encontrado em alimentos; não em suplementos.

A equipe de Susanna analisou bancos de dados de pesquisas abrangendo os últimos 45 anos para encontrar os estudos que seguiram o quanto as pessoas consumiram de magnésio e qual a incidência de derrame nesse período. Em sete estudos publicados nos últimos 14 anos, milhares de indivíduos nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia foram acompanhados por 11,5 anos. Cerca de 6.500 deles (3%) tiveram um acidente vascular cerebral. De acordo com a investigação, a cada 100 miligramas de magnésio que uma pessoa comia por dia, o risco de um acidente vascular cerebral isquêmico, o tipo mais comum, geralmente causado por um coágulo de sangue, caiu 9%.

A ingestão média de magnésio para cidadãos americanos incluídos na análise foi de 242 miligramas por dia. Autoridades de saúde dos Estados Unidos recomendam que homens e mulheres com idade acima de 31 devem consumir 420 e 320 miligramas de magnésio por dia, respectivamente. Nos estudos, os pesquisadores descartaram outros fatores, tais como história familiar. Por outro lado, os autores não sabem se outros hábitos alimentares influenciaram o resultado do estudo. Daí a necessidade de realizar novas investigações.

- Essa é uma dieta rica em frutas, legumes e grãos; com baixo teor de sódio, e alto teor de potássio e magnésio - disse Larry Goldstein, diretor do Centro de Acidente Vascular Cerebral na Universidade Duke Medical Center, em Durham, Carolina do Norte. - É a alimentação por si só, não apenas um componente individual - afirma.

oglobo.globo.com | 17-01-2012

Brasília – O agravamento da crise externa e, por consequência, a perspectiva de menor crescimento econômico deve levar o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) a reduzir mais uma vez a taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 ponto percentual, no próximo dia 18. A expectativa é de economistas e analistas do mercado financeiro. Atualmente, a Selic está em 11% ao ano. Em dezembro, ao divulgar o Relatório de Inflação, o BC indicou que a queda da Taxa Selic, para reaquecer a economia neste ano, leva ao risco de maior inflação em 2013. No cenário de mercado, em que são consideradas as expectativas do mercado financeiro para o comportamento do câmbio e a variação da Selic, a inflação deve ficar mais distante do centro da meta em 2013. Hoje, esse parâmetro está em 4,5%. A previsão do mercado é que a inflação fique em 4,8%, em 2012, e 5,3%, em 2013. Em 2011, a inflação ficou no limite superior da meta (6,5%).

Na avaliação da professora de economia da Universidade de São Paulo (USP) Leda Paulani, a atual diretoria do BC tem “uma postura um pouco diferente do que estávamos acostumados”.

— Essa equipe é um pouco mais preocupada com a questão do crescimento econômico —ressalta a professora.

Leda considera que está havendo uma pequena alta nos índices de inflação, mas dentro de “um padrão normal”. Por isso, para ela, é importante estimular a economia com corte de juros, em momento de agravamento da crise econômica externa. “A situação externa não vai se resolver no curto prazo. São problemas estruturais das economias da Europa”, acrescenta.

O vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Oliveira, também avalia que o governo está atualmente mais preocupado com o estímulo ao crescimento econômico, do que com a possibilidade de alguma alta dos preços. “Mas isso não quer dizer que o Banco Central vá descuidar da inflação. A própria desaceleração econômica contribui para que a inflação não dispare”, analisa.

Oliveira disse ainda que se o governo deixasse a economia sem estímulos, haveria aumento do desemprego e da inadimplência. Ele acredita que, de agora em diante, o consumidor contará com taxa de juros cada vez menores, por influência da queda da Selic, mas terá que lidar com uma inflação um pouco mais alta.

De acordo com a pesquisa Focus, feita pelo BC com analistas do mercado financeiro, a expectativa para a primeira reunião do ano do Copom é de mais uma redução de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros. A pesquisa, divulgada na semana passada, mostra que, para o fim de 2012, a expectativa é que a Selic fique em 9,5% ao ano. Para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 2012, a estimativa é de 5,31%, com crescimento da economia de 3,3%.

Com expectativa de inflação maior em 2013 do que neste ano, o banco Itaú acredita que “o BC optará por cortar mais os juros no curto prazo para garantir a retomada da atividade e, em 2013, elevará a Selic até 11,50% para reequilibrar a economia”. Para este ano, a expectativa do banco é que a Selic seja reduzida a até 9%, com quatro quedas consecutivas de 0,5 ponto percentual.

Mas o banco pondera que há sinalizações de mais cautela do BC e a possibilidade de que outros instrumentos sejam usados para estimular o crescimento econômico, o que pode levar a um ciclo mais curto de redução dos juros básicos. A instituição financeira espera por crescimento econômico de 3,5% e inflação de 5,2%, em 2012. “A elevação substancial do salário mínimo e a redução temporária do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para bens duráveis vão contribuir para o crescimento no primeiro trimestre. Mais adiante, o efeito dos juros menores e gastos públicos em alta ganharão tração, levando a economia a um pico de crescimento no segundo semestre”, avalia o banco, em relatório.

oglobo.globo.com | 15-01-2012

RIO - O poder de atração do Brasil entre os estrangeiros extrapolou a área da diversão e chegou ao mercado de trabalho. Para eles, o crescimento econômico do país, a proximidade da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 e o pré-sal, associados às crises na Europa e nos Estados Unidos, transformaram o Brasil em uma espécie de porto, se não seguro, pelo menos, promissor.

Segundo levantamento da multinacional de recrutamento on-line Monster, ao longo do ano passado, cerca de 80 mil estrangeiros cadastraram currículo no site da empresa interessados em encontrar uma vaga no Brasil. No total, 400 mil estão de olho nas oportunidades daqui. O próprio Monster, criado em 1997, nos Estados Unidos, com atuação em mais de 50 países, instalou-se em São Paulo, em 2010, por conta do bom momento econômico do Brasil.

— Há cerca de quatro anos, o Monster contratou uma consultoria, e o Brasil apareceu no topo em relação à abertura de novos negócios — destaca a gerente de Marketing do Monster Brasil, Andreza Santana, acrescentando que a empresa recruta pessoas daqui e de fora para mais de 300 clientes brasileiros.

Mas há estrangeiros que nem tiveram o trabalho de procurar uma vaga. O geofísico holandês Ruben Thomassen, de 33 anos, por exemplo, estava há quatro trabalhando em Paris para a CGG Veritas, que realiza serviços geofísicos na área de petróleo e gás, quando foi convidado para vir para o Brasil. Apesar de ser casado com uma brasileira, ele conta que os ganhos financeiros e profissionais foram determinantes para arrumar as malas:

— A proposta foi muito boa. E, no meu caso, foi mais fácil, pois não havia a barreira da língua.

Aqui, ele mora em um apartamento de 110 metros quadrados, em Ipanema. E ri ao comparar com os exíguos 30 metros quadrados do imóvel em Paris. No trabalho, garante não existir animosidades de brasileiros pelo fato de ser estrangeiro.

— Sei de outras pessoas que vieram trabalhar no Brasil. Tem gente da Europa, Canadá e Rússia. Em geral, são pessoas com mais experiência — diz ele, que presta serviços para a Petrobras por meio da CGG Veritas.

Andreza confirma uma mudança no perfil desses profissionais: são mais qualificados e ficam mais tempo no Brasil:

— Até há pouco tempo, eles vinham para experiências passageiras. Agora, muitos trazem a família, têm interesse na cultura, matriculam os filhos na escola. É um perfil "vou de mala e cuia".

A distribuição dos currículos cadastrados no Monster revela que eles são provenientes, em sua maioria, dos Estados Unidos e da Europa. Em novembro do ano passado, na distribuição por nacionalidade, os americanos respondiam por 33,3% dos currículos, seguidos de franceses (14,4%), italianos (8,3%) e espanhóis (8,2%).

— Temos convicção de que essa procura dos estrangeiros está associada à crise — afirma Andreza, acrescentando que as vagas mais disputadas por esses profissionais são nas áreas de petróleo e gás, engenharias e tecnologia da informação.

Assim como Ruben, a francesa Florine, de 25 anos, veio ocupar uma vaga na filial de uma empresa francesa no Rio, que atua na área de petróleo e gás. Nunca havia pisado aqui antes.

— O Brasil ainda tem a imagem do país do carnaval, do samba e da violência, mas isso está mudando, especialmente por causa da economia e de eventos como a Copa e as Olimpíadas — diz a geofísica, que pediu para omitir o sobrenome.

oglobo.globo.com | 15-01-2012

HAVANA - Em seu artigo no jornal oficial “Granma” desta sexta-feira, Fidel Castro diz que o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad está tranquilo ante as ameaças dos Estados Unidos e seus aliados. Ele também comentou o vídeo em que supostos fuzileiros americanos urinam sobre corpos no Afeganistão, classificando o episódio como “imundície”.

Em visita esta semana a Venezuela, Nicarágua, Cuba e Equador, Ahmadinejad recebeu apoio destes aliados sul-americanos justo quando aumenta a pressão dos EUA, que aprovaram em dezembro novas sanções contra o Irã visando a punir a cooperação financeira com a República Islâmica.

A União Europeia também anunciou medidas punitivas sobre Teerã por sua negativa de suspender os trabalhos de enriquecimento de urânio, e estaria prestes a aprovar um veto às importações de petróleo iraniano até o final deste mês.

Fidel, de 85 anos e afastado do poder por problemas de saúde em 2006, reuniu-se na quarta-feira durante duas horas com o líder iraniano, que em sua visita oficial à ilha também se encontrou com o presidente Raúl Castro, com quem revisou acordos de cooperação.

“Observei o presidente iraniano absolutamente sossegado e tranquilo, indiferente por completo às ameaças ianques, confiando na capacidade de seu povo de enfrentar qualquer agressão”, escreveu Fidel.

“Estou seguro de que, por parte do Irã, não devemos esperar ações irrefletidas, que contribuam para a eclosão de uma guerra. Se esta acontecer, será fruto exclusivo do aventureirismo e da irresponsabilidade congênita do império ianque”, acrescentou o presidente cubano.

As declarações de Fidel referiam-se à escalada na disputa nuclear, que gerou temor de um conflito no Golfo Pérsico, assim que o Irã ameaçou fechar o Estreito de Ormuz - um canal importante para o trânsito de petróleo que sai da região - devido a sanções contra o país.

Sobre as imagens de soldados americanos urinando sobre cadáveres, Fidel escreveu:

“Sente-se pena por aqueles soldados, separados de seus familiares e amigos, a milhares de quilômetros de sua própria pátria, enviados a lutar em países que sequer talvez ouviram falar na escola, onde são mandados a matar ou morrer para enriquecer a empresas transnacionais, fabricantes de armas e políticos inescrupulosos”.

oglobo.globo.com | 13-01-2012

LONDRES - Uma Escócia independente, o sonho de gerações de nacionalistas, seria um presente para uma economia relativamente rica, que tem seus alicerces no petróleo do Mar do Norte e no setor financeiro de Edimburgo. Mas criaria mais um pequeno Estado na beira de uma Europa vulnerável a impactos globais.

Os nacionalistas argumentam que a Escócia, um reino independente até 1707, será o próximo Estado europeu rico em energia, como a Noruega. Já os céticos veem um futuro candidato a socorro financeiro, como a Irlanda.

- A economia escocesa caminha razoavelmente bem - disse Brian Ashcroft, professor de Economia da Universidade de Strathclyde. - Está muito bem em comparação ao resto do Reino Unido e seria um Estado rico, mas a receita do petróleo é muito volátil.

A Escócia, que mantém um ordenamento jurídico próprio desde o estabelecimento da união, em 1707, tem um governo semiautônomo desde 1999, com poderes sobre saúde, educação e prisões, por exemplo.

Sob muitos aspectos, a Escócia já é um país - tem bandeira, seleções esportivas e feitos científicos e literários para apresentar. O governista Partido Nacional Escocês (SNP) argumenta que, embora pequeno, o território poderia prosperar mais por conta própria, pois ficaria com uma grande parte dos dividendos do petróleo extraído no Mar do Norte.

O SNP conquistou a maioria no Parlamento escocês em maio do ano passado e, desde então, promete realizar um referendo sobre a independência da Escócia na segunda metade de sua legislatura, ou seja, a partir de 2014.

A consulta popular está travada num impasse entre o premier britânico, David Cameron, que quer uma votação o mais em breve possível, e os independentistas, que pretendem esperar até 2014 para terem tempo de fazer campanha pelo "sim".

Para o Partido Nacional , Cameron, que é contra a separação, está tentando interferir num assunto que deveria ser tratado apenas pelos escoceses.

Quase 40% apoiam divisão

Uma pesquisa do instituto Ipsos Mori feita no mês passado mostrou que, entre os eleitores escoceses decididos a votarem num referendo, 38% são favoráveis à independência - três pontos a mais que em agosto. Cerca de 50% são contra, e um dos desafios é convencer esses eleitores de que a Escócia pode sobreviver sozinha.

Se a tendência mostrada pela pesquisa for revertida, a Escócia, uma nação de cerca de 5 milhões de habitantes, algo como em Noruega e Dinamarca, teria um divórcio difícil do longo parceiro.

Os independentistas querem 90% da receita derivada do petróleo do Mar do Norte, estimada em 13 bilhões de libras por ano, e só 8% da dívida britânica - em linha com a porcentagem da população.

Londres deve argumentar que o petróleo tem que ser dividido por todo o Reino Unido e talvez até pedir que uma eventual repartição seja feita de acordo com a população. Além disso, é possível que use na negociação o fato de ter colocado bilhões de libras em bancos escoceses durante a crise.

O europeísta SNP está determinado de que a Escócia deveria entrar automaticamente na União Europeia, mas analistas acreditam que um processo de aceitação deverá ser aplicado. Outra questão é a zona do euro, onde a entrada é condicionada a alguns comprometimentos por parte do país - mais um problema para uma independência que ainda parece longe de ser alcançada.

oglobo.globo.com | 13-01-2012
A Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM) apresentou uma queixa no Tribunal de Contas Europeu (TCE) contra o Estado português por alegada má utilização de dinheiros comunitários. Em causa estão os fundos destinados a bolsas de estudo para os alunos do Ensino Superior que, segundo a estrutura estudantil, não estão a ser aplicados de acordo com o que tinha sido acordado com a União Europeia.
feedproxy.google.com | 12-01-2012

 A rainha Margreth II da Dinamarca (Margrethe Alexandrine Þórhildur Ingrid) celebra neste final de semana 40 anos de reinado, período em que se transformou de uma jovem tímida e fumante inveterada na soberana mais popular da Europa.

Os festejos vão de sexta-feira a domingo para recordar o 14 de janeiro de 1972, quando a princesa ainda de luto pelo pai tornou-se, aos 31 anos, a primeira mulher a subir ao trono da monarquia mais antiga da Europa.

Margreth, a mais velha das três filhas do rei Frederik IX da Dinamarca e da princesa Ingrid, da Suécia, casou-se com o francês Henri de Laborde de Montpezat, o príncipe consorte Henrik, tendo tido dois filhos, o príncipe herdeiro Frederik e o príncipe Joachim.

"Daisy", como é chamada na intimidade, ainda se mantém esbelta e dinâmica. Aos 71 anos veste-se com roupas de cores fortes e chapéus excêntricos.

É muito querida por seus súditos porque soube "modernizar uma monarquia envelhecida e adaptá-la à evolução da sociedade" sem sobressaltos, explica o professor da Universidade de Copenhague Lars Hovbakke Soerensen.

Quase oito em cada dez dinamarqueses são favoráveis à monarquia, segundo pesquisa publicada em dezembro, o que torna a Dinamarca o reinado "mais popular da Europa", segundo Soerensen.

Margreth é particularmente querida desde o começo dos anos 1980, quando assumiu a veia de artista polivalente.

Esta intelectual poliglota dedicou-se também à tradução, elaborando em 1981, com um pseudônimo e em colaboração com o marido, uma versão dinamarquesa da obra de Simone de Beauvoir "Todos os homens são mortais".

A rainha também criou o vestuário e o cenário de numerosos espetáculos e séries de televisão.

Mas ela se destaca, principalmente, no desenho e na pintura.

Margreth ilustrou numerosas obras literárias, como a reedição, em 2002, de "O Senhor dos Anéis", de J. R. R. Tolkien.

Suas pinturas quase abstratas estão expostas em museus e galerias importantes, tanto na Dinamarca como no exterior.

Em seu discurso de Ano Novo, de 1984, Margreth II pediu tolerância aos dinamarqueses e denunciou "observações estúpidas" e "frieza" em relação aos imigrantes.

"Posso pensar o que quiser, como todos. Mas não posso dizer tudo o que penso. Muitos deveriam fazer o mesmo de vez em quando", declarou numa entrevista, em 1988.

Embora Margreth II seja amada, a maioria dos dinamarqueses gostaria que abdicasse para deixar o trono a Frederik dentro de cinco ou dez anos, segundo pesquisa publicada no dia 2 de janeiro.

Da AFP Paris


..

Leia Mais...

Pernambuco.com | Diario de Pernambuco | Últimas Notícias
Diversão | Esportes | Tecnologia | Quem somos

Copyright © 2012, Pernambuco.com - Grupo Associados, Recife-PE, Brasil

www.pernambuco.com | 12-01-2012

SÃO PAULO - O crescimento econômico do Brasil tende a transformar o país em novo destino para migrantes do mundo, e entrada maciça de haitianos expôs a fragilidade das instituições brasileiras para lidar com situações que envolvem imigração ilegal. É o que dizem especialistas ouvidos pelo GLOBO a respeito da onda de imigração haitiana no país e as últimas medidas do governo.

Para o coordenador do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC e integrante do Instituto de Relações Internacionais da USP, Giorgio Romano, o fluxo imigratório deve crescer.

- O crescimento do Brasil, as novas perspectivas abertas não só com a Copa e os Jogos Olímpicos, mas sobretudo com o pré-sal, e a proposta de crescimento sustentado no futuro próximo devem provocar esse tipo de movimento - diz ele, para quem as medidas restritivas são acertadas.

- A decisão não poderia ser diferente, para evitar que a situação fugisse do controle das autoridades brasileiras. O Brasil há muitos anos está comprometido com a pacificação, a reconstrução e o desenvolvimento do Haiti - acrescenta Romano, para quem o Brasil não deixou para trás questões humanitárias ao adotar tais ações.

Para o professor de Direito Internacional da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) Salem Nasser, a decisão sobre a obrigatoriedade dos vistos foi pensada como uma solução para contenção de uma crise. Problemas relativos às fronteiras do Brasil, por exemplo, continuam escancarados.

- Percebo a medida do governo como tentativa de melhor gerenciar o problema dos imigrantes brasileiros. Para o Brasil, é problema porque adiciona situação crítica a outras que o país abriga. E chama instituições a responderem desafios novos, para os quais talvez não estejam totalmente preparadas - diz Nasser.

A decisão de exigir visto é considerada correta por ele. Com o controle, que deve diminuir o ritmo de entrada de haitianos, o governo estaria se mostrando preocupado em tomar medidas apropriadas para os quatro mil haitianos que já estão no Brasil.

- Do ponto de vista humanitário, o Brasil parece estar tomando medidas apropriadas em relação aos imigrantes que já estão em território nacional. Com relação aos que viriam, e que agora precisarão de visto, o raciocínio do governo foi provavelmente orientado pela ideia de que a ajuda humanitária, na forma de permissão de entrada aos imigrantes, não pode ser ilimitada, já que o Brasil não teria como sustentar isso.

Para ele, o governo deveria passar a exigir proposta de trabalho aos imigrantes como forma de tentar garantir melhores condições aos que chegam ao país fugindo da condição de miséria em que o Haiti se encontra desde o terremoto de 2010.

E analisa:

- Esse é um tema sempre em pauta na Europa, e ficou mais em evidência por ocasião dos levantes no mundo árabe. Esse é um dos problemas maiores da sociedade internacional e do seu Direito. O que estamos vendo no Brasil é de dimensão muito pequena, na comparação.

Anteontem, o governo francês informou ter batido o recorde de expulsões de estrangeiros em 2011, com total de 32.922 imigrantes deportados. Em entrevista à Rádio França Internacional, o ministro francês do Interior, Claude Guéant, conhecido pela determinação em localizar e expulsar estrangeiros da França, disse que a meta é atingir 35 mil expulsões em 2012.

oglobo.globo.com | 12-01-2012

O cientista nuclear iraniano Mostafa Ahmadi Roshan morreu nesta quarta-feira em um atentado com carro-bomba em Teerã, em uma ação atribuída pelo regime islâmico a Israel e em mais um episódio da tensão entre a comunidade internacional e o Irã por seu programa nuclear.

Ahmadi Roshan trabalhava na central de enriquecimento de urânio de Natanz (centro), informou a agência Mehr.

O vice-governador de Teerã, Safar Ali Baratloo, atribuiu o atentado à "entidade sionista" israelense, ao alegar que o método utilizado - dois motociclistas que prendem uma bomba magnética a um veículo - é similar ao empregado para matar outros três cientistas iranianos nos últimos dois anos.

O ataque aconteceu durante a manhã perto da Universidade Alameh Tabatabai, zona leste da capital iraniana.

Ahmadi Roshan, de 32 anos, morreu na hora e seu guarda-costas faleceu logo depois, segundo as agências Fars e ILNA. O terceiro ocupante do carro está hospitalizado.

"O engenheiro Ahmadi Roshan, que há nove anos se formou em Química na Universidade Sharif, era o vice-diretor para assuntos comerciais da central de Nantanz", destacou a agência Mehr.

Natanz é a principal central de enriquecimento de urânio do Irã e tem mais de 8.000 centrífugas. A Universidade Sharif de Teerã é a de maior prestígio entre os centros de formação científica do país.

Outra agência iraniana, a Fars, afirmou, com base no depoimento de um colega de Ahmadi Roshan, que o cientista trabalhava em um projeto de membranas de polímeros utilizados na separação de gases.

Ele também era um acadêmico e membro da milícia basiyi controlada pela Guarda Revlucionária, segundo comunicado do grupo.

No Parlamento iraniano, a notícia foi recebida pelos deputados com gritos de "Morte a Israel" e "Morte aos Estados Unidos".

"Atualmente, os que alegam lutar contra o terrorismo atacam nossos cientistas. Mas devem saber que os cientistas iranianos estão mais decididos do que nunca a avançar pelo caminho do progresso científico", afirmou o vice-presidente iraniano, Mohamad Reza Rahimi.

Tanto a imprensa como autoridades iranianas acusam a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) de ter passado o nome de Roshan aos serviços secretos israelenses e americanos. "Os inspetores da AIEA se reuniram com ele há pouco", noticiou a agência Mehr.

A agência atômica iraniana emitiu um comunicado no qual confirma que Roshan "trabalhava na indústria nuclear" e acrescentou que "as ações fúteis dos regimes criminosos israelenses e americano não interferirão no caminho que o povo iraniano escolheu".

Rahmini, que está à frente do executivo devido à ausência do presidente Mahmud Ahmadinejad, em visita à América Latina, afirmou que "eles (Israel e Estados Unidos) devem saber que os cientistas iranianos estão mais determinados do que nunca no progresso do Irã".

Em Israel, o porta-voz militar, general Yoav Mordechai, informou que ignorava quem foi o responsável pelo atentado, que qualificou de ato de "vingança".

 Forças de segurança examinam o local da explosão de uma bomba magnética que matou um cientista perto da Universidade de Teerã
© AFP Sajad Safari 
"Não sei quem se vingou do cientista iraniano, mas não vou derramar nenhuma lágrima", disse.

O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, está em uma viagem por países da América Latina hostis aos Estados Unidos. Nesta quarta-feira viajará de Nicarágua a Cuba.

A viagem acontece em um momento de forte pressão dos países ocidentais, que suspeitam que a meta do programa nuclear iraniano é produzir uma bomba atômica. Os Estados Unidos reforçaram as sanções e a União Europeia anunciou um princípio de acordo para decretar um embargo às importações de petróleo iraniano.

Nesta quarta-feira, quatro embaixadores ocidentais acusaram o Irã perante a ONU de cometer uma "clara ruptura das resoluções do Conselho de Segurança com o enriquecimento de urânio a 20%".

A República Islâmica já foi objeto de seis condenações do Conselho de Segurança da ONU e de severas sanções internacionais por suas atividades nucleares.

Teerã nega um objetivo militar e alega que o programa nuclear tem apenas finalidades civis.

Para aumentar a tensão, na semana passada o Irã advertiu contra a presença militar americana no Golfo Pérsico e ameaçou fechar o Estreito de Ormuz, por onde passa 35% do transporte marítimo mundial de petróleo.

Dois dos três cientistas iranianos assassinados desde janeiro de 2010 trabalhavam para o programa nuclear do país.

O atual diretor da Organização Iraniana de Energia Atômica, Fereydun Abasi, escapou de um atentado similar em 2010. Ele conseguiu escapar de um automóvel ao perceber que um motociclista havia fixado uma bomba na porta do veículo, segundo o governo iraniano.

As autoridades iranianas acusam Israel e Estados Unidos de responsabilidade pelos atentados, assim como por um ataque virtual com o vírus Stuxnet, que teria afetado atividades de enriquecimento de urânio do Irã em 2010.

Da AFP Paris


..

Leia Mais...

Pernambuco.com | Diario de Pernambuco | Últimas Notícias
Diversão | Esportes | Tecnologia | Quem somos

Copyright © 2012, Pernambuco.com - Grupo Associados, Recife-PE, Brasil

www.pernambuco.com | 12-01-2012

O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, chegou nesta quarta-feira a Cuba, terceira escala de seu giro latino-americano, fazendo um "V" da vitória com os dedos, em meio a uma crescente tensão com o Ocidente por seu programa atômico, agravada pelo assassinato de um cientista nuclear iraniano.

"O distinto visitante se encontrará com o general do Exército Raúl Castro Ruz, Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, e desenvolverá outras atividades", noticiou o jornal oficial Granma em uma nota.

Ahmadinejad, que permanecerá menos de 24 horas na ilha, também dará uma palestra na Universidade de Havana, segundo o programa oficial, mas meios de comunicação iranianos afirmaram que também está previsto um encontro com o líder histórico da ilha, Fidel Castro, de 85 anos, afastado do poder desde 2006 por problemas de saúde.

O presidente iraniano, que chegou de Manágua, foi recebido no aeroporto pelo vice-presidente cubano Estaban Lazo, a quem saudou com um abraço. Depois fez várias vezes um "V" da vitória com os dedos e saiu do terminal aéreo em um automóvel oficial sem dar declarações à imprensa.

Nas escalas anteriores deste giro por quatro países latino-americanos com um discurso hostil com relação a Washington, Ahmadinejad recebeu apoio para seu programa nuclear - que ele garante ter fins pacíficos - do presidente venezuelano Hugo Chávez, em Caracas, e do nicaraguense Daniel Ortega, em Manágua.

A tensão entre ocidente e a República Islâmica aumentou ainda mais nesta quarta-feira, após o assassinato do cientista nuclear iraniano Mustafa Ahmadi Roshan, um dos vice-diretores da usina de enriquecimento de urânio de Natanz (centro), após a explosão de uma bomba magnética colocada em seu automóvel a leste de Teerã.

 Daniel Ortega, Hugo Chávez e Ahmadinejad em Manágua em 10 de janeiro
© AFP Rodrigo Arangua 
O vice-presidente do Irã, Mohamad Reza Rahimi, acusou Estados Unidos e Israel de estarem por trás deste atentado, afirmando que estes ataques não iriam deter os "progressos" do programa nuclear iraniano.

"Esta ação terrorista cometida pelos agentes da opressão (Estados Unidos) e do regime sionista (Israel) está destinada a impedir que nossos cientistas sirvam" ao seu país, declarou Rahimi, citado pela televisão estatal.

A Casa Branca negou qualquer envolvimento no fato.

"Os Estados Unidos não têm nada a ver com isto. Condenamos energicamente todos os atos de violência, inclusive atos de violência como este", disse o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional americano, Tommy Vietor.

Cuba, a escala giro de Ahmadinejad mais próxima dos Estados Unidos (a 140 km da costa da Flórida), defendeu o direito de Teerã desenvolver energia nuclear com fins pacíficos, embora Fidel Castro tenha criticado em setembro de 2010 o presidente iraniano por sua retórica antijudia.

A agência de notícias iraniana Irna, citando o embaixador cubano em Teerã, William Carbó, afirmou que Ahmadinejad se reunirá com Fidel Castro. No entanto, os meios de comunicação cubanos, todos sob o controle estatal, nada informaram a respeito.

Ahmadinejad se reunirá com Raúl Castro na tarde desta quarta-feira, após sua palestra na Universidade de Havana e de depositar flores diante do monumento ao herói nacional José Martí na Praça da Revolução, um símbolo do regime comunista cubano.

No início de quinta-feira, ele seguirá viagem ao Equador, última etapa de seu giro à América Latina, iniciado na Venezuela no domingo.

Fidel Castro, que criticou em vários artigos de imprensa Estados Unidos, Europa e Israel por suas políticas em relação ao Irã, recebeu Ahmadinejad em 2006 - pouco depois de delegar o poder ao seu irmão Raúl - durante uma cúpula do Movimento de Países Não Alinhados, em Havana.

Cuba e Irã, aliados políticos sobretudo diante de Washington, viveram revoluções que mudaram sua história e sua posição diante do mundo: Cuba em 1959 (comunista) e Irã em 1979 (islâmica).

Os dois países têm posições próximas em organismos internacionais, onde Teerã condena o embargo americano à ilha e Havana reconhece o direito iraniano de desenvolvimento de seu programa nuclear com fins pacíficos.

Ambos os governos trabalham atualmente para impulsionar suas relações de cooperação e dinamizar o comércio bilateral, que caiu de 46,4 milhões de dólares em 2008 para 27 milhões em 2009, de acordo com os números oficiais mais recentes.

Da AFP Paris


..

Leia Mais...

Pernambuco.com | Diario de Pernambuco | Últimas Notícias
Divirta-se | Esportes | Tecnologia | Quem somos

Copyright © 2012, Pernambuco.com - Grupo Associados, Recife-PE, Brasil

www.pernambuco.com | 11-01-2012
Os ashkenazis, judeus de origem centro europeia, possuem uma variação genética que os protege do mal de Parkinson e que agora será analisada por cientistas da Universidade de Tel Aviv para o desenvolvimento de remédios contra esta doença. A pesquisa, realizada com 1.360 pessoas dessa origem étnica, uma parte portadora da doença e outra sadia, demonstrou que um em cada quatro ashkenazis que vivem em Israel é imune devido a uma modificação genética, informou nesta quarta feira o jornal Israel ...
noticias.terra.com.br | 11-01-2012
 Os askenazis, judeus de origem centro-europeia, têm uma variação genética que os protege contra o Parkinson que está sendo analisada por cientistas da Universidade de Tel Aviv. Cientistas querem saber se é possível transportá-la, de alguma forma, a medicamentos. A pesquisa, feita com 1.360 pessoas
www.estadao.com.br | 11-01-2012

WASHINGTON - Para marcar os dez anos da prisão militar de Guantánamo, grupos de direitos humanos estão organizando eventos em todo o mundo nesta semana, de comícios a protestos relâmpagos e até concertos. O próprios detentos estão lembrando o aniversário, mas de modo mais quieto, com manifestações pacíficas.

Os detentos planejaram três dias de protestos, que teriam começado nesta terça-feira, de acordo com o advogado de um grupo de presos. Alguns pretendiam se recusar a retornar para suas celas para o encarceramento de quatro horas durante a noite e pretendiam tentar dormir em áreas de recreação. Outros planejavam recusar comida durante três dias.

- Estes protestos pacíficos são a resposta mais eloquente à recusa do governo americano de fechar a presão e suas alegações de que Guantánamo é uma instalação normal - disse Ramzi Kassem, professor de Direito na Universidade de Nova York e conselheiro de alguns dos detentos de Guantánamo.

Kassem disse que os representantes de blocos de presos planejaram alertar os militares sobre os protestos na noite de segunda.

O governo Bush colocou 20 prisioneiros em Cuba em 11 de janeiro de 2002, os primeiros de quase 800 homens que já estiveram detidos em uma série de campos ao longo da costa da base. Dez anos depois, 171 detentos permanecem na instalação, quase todos eles detidos no Campo 6, onde vivem em blocos comunais, e no Campo 5, uma instalação fechada para detentos julgados que não estão de acordo com o regime militar de detenção.

Os detentos de Guantánamo já protagonizaram diversos protestos no passado, incluindo o aniversário do ano passado, que ocorreram sem incidentes. Há sempre uma série de detentos em greve de fome, alguns deles foram forçados a se alimentar pelos militares.

Em um determinado ponto no ano passado alguns detentos mancharam as celas com fezes, uma tática adotada pelo Exército Republicano Irlandês como "protestos sujos" no fim da década de 70 na prisão de Maze na Irlanda do Norte.

No décimo aniversário, a Anistia Internacional e outros grupos estão organizando eventos em toda a Europa, incluindo a construção de uma cela similar a Guantánamo em Berlim e a entrega de uma réplica de um detento para a embaixada dos EUA em Madri.

- Guantánamo contaminou tudo que tocou - disse Tom Parker, diretor de política da Anistia Internacional americana para contraterrorismo e direitos humanos. - Nós marcamos esse sombrio aniversário sabendo com o coração pesado que apesar das promessas do presidente Obama de fechar a instalação, ela vai começar seu décimo ano em operação mais profundamente arraigada na vida americana do que nunca.

Haverá também uma demonstração do lado de fora da Casa Branca nesta quarta-feira, a ser seguida de uma marcha até a Suprema Corte.

Shaker Aamer, um dos detentos do Campo 5, um cidadão saudita que era antigamente um morador do Reino Unido, disse que ele e outros prisioneiros estavam "muito gratos pela expressão de solidariedade de americanos em relação aos prisioneiros de Guantánamo e suas famílias", segundo Kassem, seu advogado.

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse na segunda-feira que o presidente Obama mantém o compromisso de fechar a prisão de Guantánamo.

- Todos estamos cientes dos obstáculos de conseguir isso tão rápido quanto o presidente gostaria, quais eram eles e o fato de que ainda continuam a existir - disse Carney. - Mas o compromisso do presidente não mudou em nada.

O Congresso preveniu o governo contra a transferência de qualquer detento para julgamento nos EUA, e efetivamente interrompeu a transferência de presos para outros países, mesmo daqueles que foram liberados para soltura pela força-tarefa liderada pelo Departamento de Justiça. Ninguém foi transferido de Guantánamo em um ano, e o conselheiro geral do Pentágono descreveu as condições impostas pelo Congresso como "onerosas".

Dos 171 detentos que permanecem em Guantánamo, 59 foram liberados para transferência. O governo também determinou que outros 30 iemenitas poderiam ser repatriados se as condições melhorarem em seu país de origem.

oglobo.globo.com | 11-01-2012
O ministro da Educação e Ciência defendeu hoje a proposta de revisão curricular do Governo como forma de contrariar a dispersão de disciplinas no ensino básico e secundário, que afirmou "não ter paralelo" na Europa.
www.rtp.pt | 11-01-2012

BERLIM - Uma rara carta escrita a mão por Ludwig van Beethoven, reclamando de doença e falta de dinheiro, foi descoberta em um instituto no norte da Alemanha como parte de uma herança. O Instituto Brahms, na cidade de Luebeck, disse que a carta de seis páginas traz a assinatura do compositor e seu selo original. Nela, Beethoven tentava vender sua conhecida "Missa solemnis", completada em 1823, pedindo ajuda ao harpista e compositor Franz Anton Stockhausen para encontrar compradores.

Stefan Weymar, pesquisador musical do instituto, diz que o mais surpreendente na carta são os detalhes sobre a situação pessoal do compositor, como as preocupações financeiras, uma doença ocular e uma tentativa de encontrar um dentista amante de música que havia escrito para ele.

"Meu salário baixo e minha doençaa exigem esforços para fazer melhor fortuna", escreveu Beethoven na carta, que ficou amarelada com o tempo e por isso precisa ser armazenada em condições especiais e tocada com luvas. Beethoven tinha 53 anos quando escreveu a carta e escreve que a educação de seu sobrinho era dispendiosa e o garoto precisaria de apoio após sua morte. A escrita, que se inclina para a direita, dá a impressão de bagunçada e está repleta de correções e rabiscos.

"Beethoven não era um compositor com uma letra bonita. Era espontâneo e ele escreveu coisas, então as rabiscou, seus pensamentos mudaram conforme escrevia, e é essa a impressão deixada pela carta", disse Weymar à Reuters.

No final, ele escreve: "todas as cartas a mim não precisam de nada além de 'para L. v. Beethoven em Viena', onde eu recebo tudo".

Nascido na cidade alemã de Bonn, em 1770, Beethoven mudou-se para Viena ainda jovem e se tornou um dos compositores mais célebres de todos os tempos, abrangendo as eras clássica e romântica. Sua surdez no fim da vida tornam suas realizações musicais ainda mais surpreendentes. Ele morreu em 1827, quatro anos depois de escrever a carta, e foi enterrado em Viena e a missiva terminou nas mãos da professora de música Renate Wirth, descendente do destinatário.

"O legado é de um valor histórico extraordinário - uma sorte para o Instituto Brahms. A carta de Beethoven está avaliada em mais de 100 mil euros (US$ 127 mil)", disse o chefe do instituto, Wolfgang Sandberger.

A Sonata ao Luar para piano e as quatro notas de abertura de sua Quinta Sinfonia estão entre as obras de música clássica mais conhecidas já escritas e sua Ode à Alegria, parte da Nona Sinfonia, foi adotada como o Hino da União Europeia.

"O apelo de uma carta escrita a mão por Beethoven é certamente muito grande", disse Michael Ladenburger, chefe do museu Beethoven House, em Bonn.

Esse apelo está refletido nos leilões - uma lista de compras com apenas seis palavras foi leiloada por 60 mil euros no ano passado.

"As cartas dele eram raras e a extensão desta, com a compreensão que fornece de sua vida pessoal, torna-a de fato muito interessante", disse Ladenburger.

O Instituto Brahms exibirá a carta a partir da próxima semana.

oglobo.globo.com | 10-01-2012

SÃO PAULO — O economista americano Jan Kregel, professor da Universidade do Missouri, disse em entrevista ao GLOBO que se o Brasil tivesse um controle mais efetivo do capital financeiro, o país poderia sofrer menos os impactos da crise europeia e da desaceleração da economia chinesa. O resultado seria uma taxa de câmbio menos apreciada, diz o economista. Kregel, um dos principais acadêmicos keynesianos dos Estados Unidos, avalia que se o BNDES não existisse, o Brasil praticamente não teria nenhum financiamento de longo prazo para desenvolver sua indústria.

O americano afirma ainda que o capital financeiro, ao contrário de contribuir para o desenvolvimento, tem sido um fator de desestabilização do país e das economias da América Latina, nos últimos anos:

— O capital especulativo só trouxe riqueza para gente do próprio mercado financeiro.

Kregel chega a São Paulo, nesta terça-feira, para participar do Programa Avançado de Reavaliação de Macroeconomia e Desenvolvimento da América Latina (Laporde, na sigla em inglês), um programa de debates sobre os novos rumos do desenvolvimento da América Latina, organizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com a Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Ordem dos Economistas do Brasil. O tema do economista no congresso será

O GLOBO: Qual será o impacto da crise europeia e da desaceleração da economia chinesa para o Brasil e o demais países da América Latina?

JAN KREGEL: O impacto virá principalmente da queda da demanda da China por produtos agroindustriais da América Latina. A China já enfrenta problemas como queda na produção industrial e baixa no preço dos imóveis. A Europa também vai sofrer com a desaceleração chinesa, já que o país é o principal mercado de exportação para os europeus. Além disso, muitas economias latinoamericanas já sofrem com taxas de câmbio sobrevalorizadas e haverá uma deterioração dos saldos externos.

O GLOBO: O que os países latinoamericanos poderiam fazer para minimizar os impactos da crise?

KREGEL: O controle sobre o capital financeiro é necessário para que os países latinoamericanos administrem a taxa de câmbio e retenham competitividade. Além disso, a maioria dos países da região não tomou nenhuma atitude para fortalecer ou expandir seu mercado interno e tornou-se mais exposta aos ciclos internacionais e ao capital externo. América Central e México ainda têm excessiva dependência dos EUA para exportação. A América do Sul já não é tão dependente dos americanos para exportação, mas tem dependência financeira. O Brasil poderia escapar dos efeitos diretos da crise se tivesse um mercado consumidor mais forte. A América Latina também precisa de políticas mais agressivas para melhorar o equilíbrio entre a produção da indústria e a produção agrícola em suas economias. O Brasil tem feito isso, mas não avançou no controle de capitais financeiros.

O GLOBO: Por que o senhor defende o controle de capitais financeiros?

KREGEL: Não há nenhuma evidência teórica ou estatística que a abertura financeira dos mercados latinoamericanos tenha produzido ganhos ao emprego ou na renda real das pessoas. Os ganhos têm sido principalmente para quem trabalha no setor financeiro. As perdas ficaram com a economia real. No Brasil, por exemplo, houve perdas nos últimos anos para empresas. A Sadia perdeu milhões para cobrir cotratos futuros de dólar (usados para se proteger de variações cambiais) e a Aracruz teve prejuízo de bilhões pelo mesmo motivo. Havia, aparentemente, mais de cem empresas em posições semelhantes com contratos de derivativos para compensar o impacto da enorme valorização da taxa de câmbio causada pelo aumento deste capital especulativo.

O GLOBO: Mas o mercado de capitais não tem a função de desenvolver a indústria?

KREGEL: Sim, essa é a função do mercado de capitais. Mas esse capital que está chegando está à procura de ganhos de curto prazo, seja pela taxa de juro ou pela variação do câmbio. Esse capital não tem nenhum interesse no desenvolvimento de longo prazo da indústria nacional. Quanto mais forte a entrada de capitais especulativos, menos eficiente é a capacidade de um país de desenvolver um mercado de capitais doméstico. Se o BNDES não existisse o Brasil não teria tido praticamente nenhum financiamento de longo prazo para desenvolver sua indústria.

O GLOBO: Nesse caso, o senhor acha que o capital financeiro está sendo um fator de desestabilização das economias da América Latina e do Brasil?

KREGEL: Isso me parece muito claro a partir da experiência da década perdida dos anos 1980. Começou com a crise mexicana, depois veio a crise asiática, da Rússia e a crise cambial brasileira na década de 1990. Em seguida, veio o colapso da Argentina.

O GLOBO: O Brasil ainda tem a taxa de juro mais alta do mundo. Sem reduzi-la o país não pode iniciar um círculo virtuoso?

KREGEL: Com juro alto, o Brasil não pode evitar a excessiva entrada de capital financeiro e a taxa de câmbio sobrevalorizada que penaliza a indústria. O Banco Central, sob o comando do seu novo presidente, tem estado muito mais disposto a operar uma política de taxas de juros mais flexível. Não há nenhuma razão para que não possa fazer mais.

oglobo.globo.com | 09-01-2012

Não é de hoje que profissionais de áreas criativas tentam conciliar a sedutora tirania da era digital com pelo menos um nanossegundo de tempo, espaço e silêncio para pensar.

Três anos atrás, nos Estados Unidos, um doutorando da Universidade da Carolina do Norte inventou um programa que permite ao usuário bloquear o acesso de seu computador à internet por um período de até oito horas . O marketing do software, espertamente batizado de Freedom (liberdade), tinha alvo certo. “Freedom te liberta das distrações, te devolve o tempo[de que você precisa] para escrever, analisar, criar”, proclamava o anúncio.

Ao contrário de outros programas de desintoxicação digital — um dos mais úteis congela a tela em intervalos variáveis para induzir o usuário a levantar e dar uma relaxada —, o Freedom interrompe a conectividade com a internet de forma xiita. Não basta um clique para desfazer o apagão. É necessário desligar e religar o computador, o que equivale a uma eternidade para quem está trabalhando.

Pois ninguém menos do que Nick Horny, Nora Ephron, Zadie Smith e Naomi Klein, para citar alguns escritores da safra de talentos da atualidade, aderiram com entusiasmo à ferramenta. E derramam-se em elogios à reconquista da liberdade de criar.

Em apenas uma geração, o estado de exaltação diante do inebriante ganho de tempo e expansão de conhecimento proporcionado pela era digital começa a ser mitigado por quem se sente sufocado ou distraído pelas demandas ininterruptas da conectividade. Segundo pesquisa recente, quem envereda pela pantagruélica massa de páginas da internet, dedica, em média, não mais de dez segundos a cada uma que acessa.

Em recente ensaio sobre a urgência de uma desaceleração em benefício de se ter mais tempo e espaço para pensar, o escritor e ensaísta britânico Pico Iyer observa que a revolução da informação veio sem manual de instrução. E portanto ainda não sabemos fazer uso adequado dessa ferramenta que alterou o ritmo de nossas vidas. Iyer aproveita para recorrer a Blaise Pascal, que atribuía todos os problemas do ser humano à nossa incapacidade de ficarmos sozinhos e calados num quarto. “Distração é a única coisa que nos consola de nossas misérias, embora seja ela a maior de nossas misérias”, filosofou o pensador francês já no século 17.

Para procurar um tipo de felicidade “que não depende do que está acontecendo”, Pico Iyer deixou a vida hiperconectada de Manhattan e mudou- se para o Japão. Ali concluiu seu livro mais recente, “The Man Within My Head”, que chega às livrarias americanas esta semana, acessando a internet somente após concluir seu período diário de criação literária. Versão moderna da técnica usada por Victor Hugo no século 19. O autor de clássicos como “Os miseráveis”e “Nossa Senhora de Paris” tinha por hábito escrever nu; cabia a seu mordomo esconder as vestimentas do patrão para impedi-lo de sair às ruas antes de concluído o tempo que ele se alocara para escrever.

Na área da educação, dúvidas também se amontoam. Poucos meses atrás, Diana Senechal, membro do Conselho de Ensino Público de Nova York, soou o alarme ao analisar o desempenho dos alunos de primeiro ano das faculdades públicas da cidade: 75% precisavam de aulas de reforço. Em um estudo recente, “A república do ruído”, Senechal fala da perda de quietude por parte dos estudantes — a perda da capacidade de pensar e refletir de forma independente sobre um tema , em meio a tantos aparelhinhos que piscam, vibram, chamam, cujas minitelas se alternam ininterruptamente e geram um vazio semelhante à saciedade.

“Os alunos não aprendem mais a lidar com momentos de dúvida, eles se habituaram a produzir algo o tempo todo. Somos uma nação grudada em smartphones e telas de computador, checando e-mails e alimentando tweets.”

Senechal não advoga jogar IPads e IPhones no lixo nem prega o isolamento sem rumo; apenas reivindica uma vida tecnológica que contemple a formação de ideias e a prática da quietude.

O americano Nicholas Carr, talvez o mais arguto observador da era digital, já havia tumultuado o coreto com seu provocativo ensaio “Is Google Making Us Stupid?”, publicado em meados de 2008. Sua obra mais recente , “A geração superficial — o que a internet está fazendo com nossos cérebros” (Editora Agir), que lhe valeu ser finalista do prêmio Pulitzer de 2011, aprofunda ainda mais as mudanças relacionadas à era digital.

Até aí pode-se dizer que são análises teóricas, experimentações e preocupações de intelectuais com nossa existência digital ainda em construção.

Coube à Volkswagen de Wolfsburg, Alemanha, maior montadora de automóveis da Europa, colocar algo concreto na mesa de negociações trabalhistas que começam a se formar em torno dessa equação. Pressionada pelo über sindicato IG Metall, a empresa aceitou permitir que 1.154 de seus funcionários munidos de Blackberry corporativos os desliguem 30 minutos após o final do expediente e só voltem a atender a chamadas 30 minutos antes da retomada do trabalho, no dia seguinte.

Assim, pela primeira vez desde a introdução da conectibilidade móvel na empresa, funcionários que se sentiam poderosos a bordo de seus smartphones (até se darem conta de que responder a e-mails de chefes à meia-noite era um atraso de vida) puderam cair na folia no fim de ano sem ficar de olho no aparelhinho. A alforria não se aplica aos executivos sênior nem ao grosso dos quase 190 mil funcionários da VW na Alemanha.

Outras corporações também buscam caminhos semelhantes, prevenindo-se contra o que por enquanto é apenas uma sigla — a ITSO, ou “incapacidade de desligar”, em inglês. Para as quatro letras adquirirem status de mais uma síndrome do mundo moderno, sujeita a tratamento médico e processos trabalhistas, é um pulo.

DORRIT HARAZIM é jornalista.

oglobo.globo.com | 08-01-2012

NOVA YORK - Os pesos e os comprimentos de bebês nascidos em Ohio, nos Estados Unidos, aumentaram nas últimas décadas, mostra um estudo, mas nenhuma relação com a obesidade nos anos seguintes foi encontrada.

A nova pesquisa, publicada no "Journal of Pediatrics", usou dados que remontam a 1929 para rastrear os tamanhos dos bebês ao nascer e em anos posteriores, e descobriu que os nascidos depois de 1970 eram cerca de 0,45 kg mais pesados e mais de 1,27 cm mais compridos que os bebês nascidos nas décadas anteriores.

- O que seria considerado uma criança grande em 1930 não seria considerado hoje - disse Ellen Demerath, uma das autoras do estudo e professora associada da Divisão de Epidemiologia e Saúde Comunitária da Escola de Saúde Pública da Universidade de Minesota.

Mas com cerca de um ano, a maioria dos bebês tinha mais ou menos o mesmo tamanho que os de idade correspondente na geração anterior, o que sugere que bebês nascidos menores no passado apresentaram uma rápida recuperação do crescimento no primeiro ano de vida para alcançar pesos médios semelhantes aos das crianças modernas.

O tamanho médio das mães, no entanto, definitivamente aumentou nas últimas décadas, como medido pelo Índice de Massa Corporal (IMC). Entre 1930 e 1949, 18% das mães no estudo tinham IMCs que as qualificavam como "obesas", enquanto 48% se encaixavam nesta categoria entre 1990 e 2008.

Alguns pesquisadores especularam que IMCs maiores das mães estão influenciando o aumento de tamanho dos bebês, o que pode, por sua vez, contribuir para a obesidade na infância.

Para testar estas ideias, Ellen e seus colegas pesquisadores usaram dados de um estudo realizado em Ohio com bebês nascidos desde 1929 e suas mães. Os 620 bebês acompanhados eram pesados e medidos do nascimento até os 3 anos, e todos eram de ascendência europeia. Houve enormes mudanças no crescimento infantil. O desenvolvimento se mostrou menor durante o primeiro ano de vida nos recém-nascidos das últimas gerações.

As diferenças nas taxas de crescimento após o nascimento entre os bebês das gerações anteriores e das posteriores se deram provavelmente devido à saúde das mães durante a gravidez.

- No período pré-1970, o peso no nascimento é relativamente baixo e a saúde das mães provavelmente não era tão boa quanto é agora - diz Ellen.

A pesquisadora afirma ainda que a pequena taxa de crescimento durante o primeiro ano desafia aqueles que acreditam que bebês maiores são responsáveis pela atual epidemia de obesidade:

- Você não precisa de um ganho de peso infantil elevado para acabar com um problema de obesidade.

Emily Oken, professora associada do Departamento de Medicina Populacional em Harvard Medical School, adverte que é difícil prever o crescimento global de uma pessoa em uma idade precoce.

- Acho que na faixa dos dois aos cinco anos de idade é difícil trazer à tona o que as perspectivas de longo prazo para o tamanho do corpo e os riscos à saúde - diz.

Em um estudo de 2010, que usou como base dados de mais de 36 milhões de bebês em todos os EUA, Oken e seus colegas descobriram que os bebês nascidos em 2005 eram menores do que os nascidos em 1990. O grupo não conseguiu explicar a tendência pelas características das mães ou dos bebês.

Ela afirma que seu resultado não pode contradizer os resultados em Ohio, porque seu estudo é baseado apenas em dados mais recentes e representa uma população nacional. Ela também observou que, em geral, os bebês ao redor do mundo estão ficando cada vez maiores desde 1950.

Na opinião de Ellen, a saúde maternal realmente vive uma situação diferente de décadas atrás. Mas, ela e seus colegas concluíram, taxas de crescimento no primeiro ano de vida não podem explicar tendências a obesidade mais tarde.

oglobo.globo.com | 03-01-2012

BRASÍLIA. A nova lei da TV paga — sancionada este ano e com regulamentação prevista para março — tem potencial para provocar um boom no número de assinantes nos próximos anos. De acordo com o governo, a expectativa é que, entre 2012 e 2015, os clientes quase tripliquem, passando dos atuais 13 milhões para 35 milhões. Mas esses clientes deverão ficar concentrados nos grandes centros, o que não interessa nem um pouco ao governo, que quer aproveitar a TV por assinatura para expandir a banda larga.

A mola propulsora desta expansão será a entrada das operadoras de telecomunicações no segmento, pois elas representam uma rede nacional de cabos de fibra óptica, uma das tecnologias tradicionais da TV por assinatura. E a possibilidade de fazer IPTV, isto é, prestar o serviço pelo computador, também deverá ser fundamental para essa expansão.

Chegada de novos grupos vai acelerar aumento da oferta

A chegada de novos players para tecnologias como o satélite (que permite uma oferta mais imediata do serviço) será outro incentivo. Na última licitação de satélites da Anatel, a vencedora — a americana Hughes — informou que tem interesse em desembarcar também na TV paga.

Porém, para que a projeção de expansão da base de assinantes se confirme, um obstáculo principal precisa ser ultrapassado: o preço do serviço. Rodrigo Abdalla, especialista em Planejamento e Pesquisa do Ipea, acredita que, por enquanto, por causa dos $ços altos, com mensalidade em torno de R$ 70, tanto a TV paga quanto a banda larga ainda não serão acessíveis para as famílias com renda abaixo de cinco salários mínimos.

Outro efeito colateral da nova lei será a expansão da banda larga. O serviço que mais cresceu este ano foi o de TV via satélite, mas o governo quer incentivar o aumento da TV a cabo. Quanto mais ampla esta infraestrutura, mais se pode entregar internet em alta velocidade.

A Oi já atua no mercado de TV por satélite (DTH) e afirma que vai fazer mais investimentos no setor. A operadora acredita que isto também vai acontecer com a Telefônica (que tem no grupo a Vivo), a Telmex (controladora de Embratel, Claro e NET) e com a GVT, que também já anunciou esta intenção. A Telefônica informou que "está analisando a proposta da Anatel", em referên$à regulamentação da nova lei da TV paga, posta em consulta pública.

A proposta de criação da licença única para a TV paga, que permite a operadora definir onde vai prestar o serviço — em um bairro, uma cidade ou mais municípios — na avaliação corrente de especialistas, vai permitir que empresas de médio porte possam atuar no setor.

Polêmica sobre a obrigação de cobertura pelas empresas

Acredita-se que o governo está bem intencionado ao querer desonerar as redes de fibra óptica, para aproveitar e universalizar a banda larga em conjunto com a TV por assinatura. Mas os especialistas afirmam que não há mágica. A infraestrutura é cara e será instalada onde tem demanda. No Brasil, 70% da população vivem em apenas 200 municípios. Nos Estados Unidos e na Europa, quando houve a abertura do mer$, cresceram os investimentos tanto em fibra óptica, que é a plataforma das teles, quanto a prestação do serviço por computador (IPTV).

O presidente da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), Alexandre Annenberg, alerta que somente a instalação de novas redes não será suficiente para garantir a popularização do serviço: é preciso criar demanda com a oferta de serviços de educação, saúde e segurança pela internet.

Uma nova proposta incluída na consulta pública da Anatel, está causando muita polêmica no mercado. A agência vai consultar a população para saber se as empresas devem ter obrigações de cobertura e precisam construir novas redes terrestres para a transmissão de TV por assinatura e banda larga, como foi feito para as teles móveis. Isto atende o objetivo do governo de massificar a internet de alta velocidade no país.

oglobo.globo.com | 02-01-2012

A cantora nepalesa e monja, Ani Choying Dolma, em outubro.
© AFP/arquivo Prakash Mathema

Com uma túnica marrom e a cabeça raspada, Ani Choying Dolma anda cautelosamente em um hotel de Katmandu, transbordando compostura e serenidade, como é esperado de uma monja budista.

 

Mas essa mulher de 40 anos não é uma devota qualquer, Dolma, mais conhecida por seu apelido "A monja cantora", é a mais improvável das estrelas musicais, fazendo turnê no mundo para mudar a vida de milhares de meninas nepalesas atingidas pela pobreza.

 

Ela já gravou 12 álbuns e, por mais de uma década, tem participado de festivais e shows na Europa e nos Estados Unidos.

 

O dinheiro que ela consegue com sua música elevada, uma adaptação contemporânea dos sons tradicionais tibetanos, vai quase inteiramente para projetos de educação e bem-estar promovidos por monjas budistas.

 

No entanto, a história de Dolma tem uma parte obscura - uma infância marcada pela brutalidade que ela acredita que a teria deixado consumida pelo ódio se um professor não tivesse reconhecido seu talento.

 

Nascida em uma família de tibetanos que fugiram da ocupação chinesa e crescida à sombra de um monastério budista em Katmandu, Dolma descreve ter sido agredida diariamente pelo pai e diz que sua juventude foi "fisicamente e emocionalmente dolorosa".

 

Mas "um rebelde em mim assumiu o controle", lembrando como optou por escapar de sua família aos 13 anos para se tornar uma monja.

 

"Eu era corajosa o suficiente para dizer que não queria mais aquilo", disse à AFP em entrevista.

 

Ela se mudou para um monastério localizado nas montanhas sobre Katmandu onde encontrou um professor, Tulku Urgyen Rinpoche, um mestre budista influente no Nepal.

 

"Todo o crédito pela pessoa que sou hoje vai para meu professor. Eu não sei o que eu seria se não tivesse sido abençoada com os ensinamentos dele. Isso transformou meu ódio interior em compaixão".

 

Dolma aprendeu inglês, tendo deixado a escola aos 13 anos, falando com estrangeiros que visitavam o monastério, e aprendeu o canto espiritual com Rinapoche e sua esposa, Kunseong Dechen.

 

Ela poderia estar destinada a cantar para o prazer de apenas algumas monjas e turistas no monastério, se não fosse pela chance de encontrar o músico americano Steve Tibbetts.

A monja cantora se alegra em proporcionar momentos de prazer às pessoas.
© AFP Prakash Mathema

Tibbetts, que é reconhecido por sua abordagem original influenciado pela viagem à Ásia, estava passando por Katmandu quando ouviu Dolma cantando no monastério e se propôs a gravar as músicas dela.

 

Estava hesitante à princípio, mas consultou seu professor, que a incentivou a aproveitar a oportunidade.

 

 "Eu não tinha certeza, mas ele me disse que aquelas eram canções espirituais, cheias de bênçãos, assim quem quer que as escutasse, seria beneficiado", lembrou Dolma.

 

A carreira decolou imediatamente com uma turnê nos Estados Unidos em 1998.

 

Uma vez que ela recebeu ofertas para shows pelo mundo e as vendas de seus álbuns cresceram, começou a usar sua fama para ajudar as meninas desamparadas no Nepal.

 

Em julho de 2005, ela construiu a escola Arya Tara, casa de aproximadamente 100 meninas, com idades entre 7 a 23 anos, de comunidades budistas do Himalaia. Segundo ela, "a maioria veio de vilas, onde os pais acham que suas filhas não precisam ir à escola".

 

A autobiografia, My Voice for Freedom, publicada na França em 2008, foi traduzida em 12 línguas incluindo nepalês.

 

Apesar de sua carreira estar decolando no Ocidente, Dolma continuava relativamente desconhecida em casa, a princípio.

 

Mas em 2005, ela publicou "Momento de felicidade", um álbum com a música "Phulko Ankhama" (In the Eyes of Flowers), que se tornou um hit instantaneamente em casa, transformando-a em uma celebridade no Nepal.

 

"Quando ando na rua, as pessoas vêm me dizer: ′Oh Ani Choying!`. Elas abrem um largo sorriso. É uma verdadeira benção saber que posso proporcionar um momento de prazer para alguém".


..

Leia Mais...

Pernambuco.com | Diario de Pernambuco | Últimas Notícias
Divirta-se | Esportes | Tecnologia | Quem somos

Copyright © 2011, Pernambuco.com - Grupo Associados, Recife-PE, Brasil

www.pernambuco.com | 29-12-2011

RIO - Na chamada agricultura de precisão, imagens de satélite e processamento de dados são insumos fundamentais para o campo. A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) desenvolve um serviço que utiliza a ciência para melhorar a qualidade dos vinhedos. O objetivo é encontrar a quantidade de água exata para obter a uva perfeita.

O aplicativo, chamado de GrapeLook, oferece a resposta combinando dados proporcionados pelos satélites que observam a terra com medições realizadas no campo de cultivo.

A tecnologia melhora a qualidade da uva e ainda diminui custos, dando uma contribuição ambiental uma vez que os vinicultores podem reduzir o consumo de água e fertilizantes.

GrapeLook foi desenvolvido pela companhia WaterWatch, em colaboração com a ESA e a universidade KwaZulu-Natal, na África do Sul.

Os dados sobre a umidade do solo são transmitidos em tempo real a um centro de processamento através de uma conexão via satélite. O avalia se a água está sendo usada de maneira eficiente. Uma vez que todos os dados são processados, os mapas, baseados no Google Maps, são publicados na internet para que os vinicultores possam acessá-los.

Um grupo da África do Sul foi o primeiro a testar o sistema. Durante os testes, eles receberam informações sobre suas terras e sobre a quantidade de água que necessitavam desde 22 de dezembro de 2010.

Participantes dos testes afirmaram que o programa os ajudou a monitorar o crescimento das culturas. Na África do Sul, a água é um recurso muito limitado pelo qual competem os setores agrícola e industrial. Em Western Cape, 43% da água se destina à irrigação do campo. Por isso, otimizar o uso é uma prioridade.

A ESA espera que o GrapeLook ajude a incrementar as culturas dos vinhedos. O próximo passo será aplicar o sistema em outras áreas e nas demais culturas.

Na Espanha, a empresa Deimos, na qual participa o astronauta Pedro Duque, usa a informçaão oferecida por seu satélite Deimos 1 para assessora agricultores e empresas sobre como melhorar a produção e economizar recursos. A partir de 2013, contarão com novo satélite com maior resolução, o Deimos 2.

oglobo.globo.com | 27-12-2011
Em tempos de Tintim, é bom saber o que aconteceria se o quadrinista de maior sucesso da Europa influenciasse o resto do mundo. O francês Yop entrou na brincadeira e fez o maior dos mashups entro os quadrinhos belgas e ianques: X-Men por Hergé! A brincadeira, de quatro páginas sensacionais, envolve Magneto vindo mais uma vez à Escola para Jovens Superdotados do Professor X tentando convencê-los que os mutantes devem dominar o mundo. É legal ver como o artista colocou os clichês de Tintim entre os X-Men - repare quem são os irmãos Dupont e Dumond nesta versão. A paródia ...
omelete.uol.com.br | 24-12-2011

O acelerador de partículas conhecido como grande colisor de hádrons (LHC, na sigla em inglês), engajado na busca pelo bóson de Higgs ou "partícula de Deus", econtrou uma variedade mais pesada de uma partícula subatômica descoberta inicialmente um quarto de século atrás, informaram cientistas nesta quinta-feira.

A nova partícula, chamada Chi-b(3P), foi descoberta em meio a destroços de prótons que colidiram, segundo uma pesquisa publicada no jornal online arxiv.

 

Assim como a elusiva partícula de Deus e o fóton, trata-se de um bóson, o que significa que é uma partícula que carrega força.

 

Mas embora não se acredite que o bóson de Higgs seja feito de partículas menores, o Chi-b(3) compreende duas partículas relativamente pesadas: o quark beleza e seu antiquark.

 

Eles são ligados pela denominada força "forte", que também faz os núcleos atômicos ficarem unidos.

 

A Chi-b(3P) é uma versão mais pesada de uma partícula observada pela primeira vez cerca de 25 anos atrás.

 

"A Chi-b(3P) é uma partícula que foi prevista por muitos teóricos, mas não foi observada em experimentos anteriores", afirmou James Walder, físico britânico citado pela Universidade de Birmingham em um comunicado de imprensa.

 

Descrito por alguns como a maior máquina do mundo, o grande colisor de hádrons está localizado em um túnel em forma de anel com 27 km perto de Genebra, que de espalha pela fronteira franco-suíça a 175 metros de profundidade.

 

Correntes de prótons são disparadas em direções opostas, mas paralelas, no túnel.

 

Os feixes são, então, subjugados por poderosos ímãs de forma que alguns dos prótons colidam em quatro gigantescos laboratórios, alinhados com detectores para registrar os destroços subatômicos resultantes.

 

No último dia 13, físicos da Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern) afirmaram ter reduzido o campo de busca pelo bóson de Higgs, que pode conferir massa.

 

A teoria por trás do bóson é que a massa não deriva das partículas. Ao invés disso, vem de um bóson que interage fortemente com algumas partículas e menos, quando interage, com outras.

 

Encontrar a Chi-b(3P) será um teste futuro para a potência do LHC, que se tornou o maior colisor de partículas do mundo, quando foi concluído, em 2008.

 

"Nossas novas medições são uma grande forma de testar cálculos teóricos das forças que atuam em partículas fundamentais, e nos levará mais perto do entendimento de como o universo se mantém unido", explicou Miriam Watson, cientista britânica que trabalha na pesquisa com o CHi-b(3).

 

Esforço colaborativo maciço que atrai cientistas de todo o mundo, o LHC custou mais de 6,03 bilhões de francos suíços (US$ 4,5 bilhões).

DA AFP Paris


..

Leia Mais...

Pernambuco.com | Diario de Pernambuco | Últimas Notícias
Diversão | Esportes | Tecnologia | Quem somos

Copyright © 2011, Pernambuco.com - Grupo Associados, Recife-PE, Brasil

www.pernambuco.com | 23-12-2011
Mais de 28 por cento dos portugueses, entre os 18 e 24 anos, abandonaram a escola em 2010 antes de concluírem o Ensino Secundário. Portugal fica bastante acima da média europeia, que é de 14,1 por cento.
tvnet.sapo.pt | 21-12-2011

O cientista político Hanns Maull, da Universidade de Trier, diz que Kim Jong-un será impedido de introduzir reformas por membros da família, interessados em manter o status quo.

A experiência de Kim Jong-un na Europa vai contribuir para que ele introduza reformas democráticas?

HANNS MAULL: Se ele pudesse decidir sozinho, talvez sim. Mas a realidade é que Kim Jong-un vai ter junto de si uma estrutura familiar interessada na manutenção do status quo. Não haverá mudança de sistema.

A oposição poderá ganhar mais espaço?

MAULL: Não há oposição. Um movimento semelhante à Primavera Árabe não seria possível na Coreia do Norte. Se houver mudança, ela poderia acontecer por meio de golpe militar.

A ameaça atômica poderá aumentar com um político inexperiente no poder?

MAULL: A Coreia do Norte continuará sendo uma fonte de perigo para o mundo. Trata-se de um "país-zumbi", que tem a bomba atômica e, por outro lado, uma situação econômica catastrófica. O país pode entrar em colapso por causa da crise de abastecimento. Por enquanto, o regime continua sobrevivendo com a ajuda da China.

Até que ponto o Ocidente pode intervir para diminuir o perigo atômico?

MAULL: O Ocidente não pode fazer nada. O único país que pode exercer uma certa influência é a China, que tem medo do problema dos refugiados e da perda de controle sobre as armas atômicas.

Há chance de aproximação com a Coreia do Sul?

MAULL: Talvez mais tarde. No início, o jovem ditador vai preferir um jogo de força também com a Coreia do Sul para consolidar o seu poder.

oglobo.globo.com | 20-12-2011

RIO - O planeta produz milhares de toneladas de mercúrio, que, após ser expelido para a atmosfera, retorna com a chuva ou a neve, pousando em qualquer parte do globo e invadindo o ecossistema aquático. Nele, este metal, potencialmente venenoso, entra na cadeia alimentar e é responsável pela morte de um enorme contingente de peixes. As transformações químicas por que o elemento passa durante esta trajetória são tema de um estudo da Universidade de Washington Bothell, divulgado ontem na edição online da revista "Nature".

O mercúrio pode permanecer suspenso por longos períodos entre a troposfera superior e a atmosfera inferior, área onde passa por uma transformação: de mercúrio elementar para oxidado.

— A atmosfera superior atua como um reator químico, onde o mercúrio torna-se mais apto para ser depositado no ecossistema — explica Seth Lyman, autor principal da pes$e professor assistente da Universidade de Washington Bothell.

A observação foi possível graças a dados recolhidos em voos de pesquisa, promovidos entre outubro e novembro do ano passado, pelo Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas dos Estados Unidos.

Um dispositivo, construído em Bothell, colhia amostras de ar sobre a América do Norte e Europa e gravava estas leituras a cada 2,5 minutos. O equipamento permitia identificar, no mesmo recipiente, tanto mercúrio elementar quanto oxidado — um feito cujo registro conjunto é inédito. Os pesquisadores costumavam restringir-se a altitudes de 5,7 mil a 6,9 mil metros, muito abaixo da convergên$da troposfera para a estratosfera. Ainda assim, diversas vezes encontraram fluxos de ar descendo da estratosfera ou de perto dela.

Uma vez convertido em oxidado, o mercúrio é rapidamente removido da atmosfera, na maioria das vezes por precipitação, retornando à superfície.

Quando volta ao planeta, chega a hora da segunda mudança: as bactérias transformam o mercúrio oxidado em metilmercúrio — esta sim, uma forma que pode ser aproveitada na cadeia alimentar.

Algumas regiões, como o sudoeste dos Estados Unidos, parecem ter condições climáticas específicas, que as permitem receber mais mercúrio oxidado da atmosfera superior do que $áreas. Mas, na verdade, este elemento pode se instalar em locais a milhares de quilômetros de onde foi emitido. Por exemplo, o mercúrio resultante da queima de carvão na Ásia pode ser liberado para a atmosfera e circular o globo terrestre diversas vezes antes de ser oxidado — e, daí, viajar para qualquer região da superfície. Entender onde é oxidado e depositado poderia ajudar a prever os impactos ao ecossistema causados pelas emissões de mercúrio.

— O mercúrio emitido no outro lado do globo pode ser depositado do lado de nossas portas, dependendo de onde e como será transportado, transformado quimicamente e depositado — assegura Lyman.

oglobo.globo.com | 20-12-2011
O Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, vai ser distinguido com o grau de Doutor Honoris Causa pela Universidade Técnica de Lisboa (UTL), no âmbito da Cerimónia Solene de Encerramento das Comemorações dos 80 Anos da UTL. O evento terá lugar no dia 21 de dezembro, pelas 17 horas.
tvnet.sapo.pt | 19-12-2011

w3architect.com | hosting p2pweb.net
afromix.org | afromix.info | stars-news.info | mediaport.net | webremix.info