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Dinamarca Educação

Os cariocas terão a oportunidade de conhecer o aclamado Quinteto Vento em Madeira, músicos de grande talento que sabem passear pela música brasileira com beleza e sabedoria. Reproduzo abaixo texto da Assessoria de imprensa do grupo para quem não conhece este belo trabalho.

"O paulista Quinteto Vento em Madeira quer uma música popular e erudita, improvisada e estruturada, camerística, mas com um pouco das ruas. Algo de aldeia e de global que ao mesmo tempo em que valoriza nossa tradição vinda do século passado, aponta para um futuro em que atenção, concentração e responsabilidades serão requeridas.

Os flautistas e compositores Léa Freire e Teco Cardoso têm uma parceria musical duradoura e produtiva, iniciada nos anos 70 no CLAM (escola de música do Zimbo Trio), que já rendeu vários frutos. Os mais importantes são o CD Quinteto, resultante da turnê do primeiro CD de Teco, Meu Brasil (1997); CD Cartas Brasileiras (2007) de Léa Freire, e o álbum Waterbikes (2008) gravado na Dinamarca com o pianista Thomas Clausen, com elogiosas críticas da imprensa. O álbum Cartas Brasileiras acabou tornando-se um panorama da música instrumental paulista contemporânea, envolvendo mais de sessenta músicos em diversas formações. Para abrir o CD, foi escolhida a composição Vento em Madeira, que nos leva a um verdadeiro passeio pelo Brasil. Ficou um desafio: como transpor as novas composições, arranjos e orquestrações para uma formação com menos músicos, mas com as mesmas características?

Nasce o Quinteto Vento em Madeira, formado pelo piano elegante de Tiago Costa , que contribui como compositor e arranjador; o contrabaixo preciso, fundamental e londrino de Fernando Demarco , que retorna ao Brasil após longa temporada morando na Europa; a bateria/percussão polirrítmica e criativa de Edu Ribeiro , que também contribui como autor. ‘Encontro de uma invisível e poderosa força como a do vento, atemporal, imaterial, com a sólida e enraizada estrutura da matéria/madeira que também o recicla e reoxigena, Yin/Yang, consonâncias e dissonâncias, vento e madeira'.
São as madeiras que se articulam ao vento das flautas e saxes de Léa e Teco, também compositores. O trabalho traz oito composições próprias, entre elas, Choro na Chuva, Mamulengo, Frango no Trevo, além do ‘clássico' Luz Negra, de Nelson Cavaquinho e Amâncio Cardoso, que tem participação especial de Mônica Salmaso. A cantora também está presente em Vento em Madeira, Viva Júlia e Mamulengo, além das inéditas Brincando com Theo (Lea Freire) e Temperança (Léa e Francesca Ancarola).
Vento em Madeira, por Teco Cardoso: ‘Um grupo é um casamento, forma-se ali uma família e esta não poderia ser mais harmônica. Bom humor e boa vontade, aliada a muita dedicação e admiração mútua. Aos poucos fomos sentindo que o grupo criava uma linguagem própria e que as composições iam amadurecendo. Algo entre o espontâneo e a liberdade da música popular improvisada e o acabamento e o rigor da música de câmara erudita, buscamos ir além, transcendendo limites, apaixonados pela música e seu aprendizado, com a vontade e a disposição de estudar e de melhorar sempre, mostrando um outro Brasil, mais complexo, mais elaborado e talvez até mais contemporâneo - uma opção que dá mais trabalho, mas também muito mais prazer'."

Studio RJ – R. Viera Souto, 110, Arpoador
tel. 21-2523 1204 - www.studiorj.org
06/03, terça-feira, às 21h30
Entrada: R$ 30 (meia-entrada, lista amiga ou para quem levar 1kg de alimento não perecível); R$ 60 (inteira).
www.samba-choro.com.br | 01-03-2012

RIO — O técnico Mano Menezes vai usar todos os trunfos possíveis para tentar trazer de Londres o único título que falta ao futebol brasileiro. Nesta sexta-feira, durante o lançamento dos novos uniformes da seleção, que teve Neymar e Paulo Henrique Ganso como maiores atrações, o treinador confirmou que vai convocar para os Jogos Olímpicos os três jogadores com mais de 23 anos que são permitidos pelo regulamento.

— Se o regulamente permite, não há razão para não usá-los. Vamos priorizar os setores mais carentes e dar mais experiência com estes jogadores — explicou o treinador.

Mano não quis revelar em quais posições pretende utilizar os "veteranos", mas é quase um consenso na comissão técnica de que atualmente não há bons zagueiros com menos de 23 anos no futebol brasileiro. Assim, Thiago Silva, que disputou os Jogos de Pequim, em 2008, e David Luiz, ambos da seleção principal, surgem como dois dos mais cotados para ocuparem as três vagas disponíveis.

O treinador confirmou que os cinco amistosos agendados para o primeiro semestre — Bósnia Herzegovina (28/2), Dinamarca (26/5), Estados Unidos (31/5), México (3/6) e Argentina (9/6) — serão disputados pela seleção principal.

— Quem contratou os jogos exigiu a seleção principal. Mesmo assim, posso garantir que teremos um time forte em Londres. O tempo será suficiente — aposta Mano.

Amuletos na camisa

A confiança do treinador, que reunirá o grupo somente a 17 dias da estreia nos Jogos de Londres, se explica. Muitos dos jogadores que estão na equipe principal também fazem parte da seleção olímpica. É o caso de Neymar, Ganso, Lucas, Leandro Damião, Alexandre Pato e Danilo.

— Os dois grupos se misturam. Muitos do time olímpico estarão na Copa de 2014. Mas, além disso, vamos aproveitar o período sem data Fifa (28 de fevereiro a 26 de maio) para reunir por aqui mesmo os jogadores com idade olímpica que atuam nos clubes brasileiros. Já estamos elaborando um calendário para não prejudicar os times brasileiros — adiantou o técnico.

Como os Jogos Olímpicos não fazem parte do calendário oficial da Fifa, os clubes não são obrigados a ceder seus jogadores quando convocados. Apesar de os principais jogadores com idade olímpica ainda atuarem no Brasil, alguns já estão na Europa. Isso obrigará a CBF a negociar a liberação dos convocados. Tarefa que já se mostrou árdua em outros momentos, como nas vésperas dos Jogos de Pequim.

— Estamos usando nosso jogo de cintura, misturado com muita educação e sensibilidade. Estamos tentando mostrar aos clubes o quanto a medalha de ouro olímpica é importante para o futebol brasileiro. O ouro vai valorizar os jogadores — afirmou.

oglobo.globo.com | 04-02-2012

LONDRES - Uma Escócia independente, o sonho de gerações de nacionalistas, seria um presente para uma economia relativamente rica, que tem seus alicerces no petróleo do Mar do Norte e no setor financeiro de Edimburgo. Mas criaria mais um pequeno Estado na beira de uma Europa vulnerável a impactos globais.

Os nacionalistas argumentam que a Escócia, um reino independente até 1707, será o próximo Estado europeu rico em energia, como a Noruega. Já os céticos veem um futuro candidato a socorro financeiro, como a Irlanda.

- A economia escocesa caminha razoavelmente bem - disse Brian Ashcroft, professor de Economia da Universidade de Strathclyde. - Está muito bem em comparação ao resto do Reino Unido e seria um Estado rico, mas a receita do petróleo é muito volátil.

A Escócia, que mantém um ordenamento jurídico próprio desde o estabelecimento da união, em 1707, tem um governo semiautônomo desde 1999, com poderes sobre saúde, educação e prisões, por exemplo.

Sob muitos aspectos, a Escócia já é um país - tem bandeira, seleções esportivas e feitos científicos e literários para apresentar. O governista Partido Nacional Escocês (SNP) argumenta que, embora pequeno, o território poderia prosperar mais por conta própria, pois ficaria com uma grande parte dos dividendos do petróleo extraído no Mar do Norte.

O SNP conquistou a maioria no Parlamento escocês em maio do ano passado e, desde então, promete realizar um referendo sobre a independência da Escócia na segunda metade de sua legislatura, ou seja, a partir de 2014.

A consulta popular está travada num impasse entre o premier britânico, David Cameron, que quer uma votação o mais em breve possível, e os independentistas, que pretendem esperar até 2014 para terem tempo de fazer campanha pelo "sim".

Para o Partido Nacional , Cameron, que é contra a separação, está tentando interferir num assunto que deveria ser tratado apenas pelos escoceses.

Quase 40% apoiam divisão

Uma pesquisa do instituto Ipsos Mori feita no mês passado mostrou que, entre os eleitores escoceses decididos a votarem num referendo, 38% são favoráveis à independência - três pontos a mais que em agosto. Cerca de 50% são contra, e um dos desafios é convencer esses eleitores de que a Escócia pode sobreviver sozinha.

Se a tendência mostrada pela pesquisa for revertida, a Escócia, uma nação de cerca de 5 milhões de habitantes, algo como em Noruega e Dinamarca, teria um divórcio difícil do longo parceiro.

Os independentistas querem 90% da receita derivada do petróleo do Mar do Norte, estimada em 13 bilhões de libras por ano, e só 8% da dívida britânica - em linha com a porcentagem da população.

Londres deve argumentar que o petróleo tem que ser dividido por todo o Reino Unido e talvez até pedir que uma eventual repartição seja feita de acordo com a população. Além disso, é possível que use na negociação o fato de ter colocado bilhões de libras em bancos escoceses durante a crise.

O europeísta SNP está determinado de que a Escócia deveria entrar automaticamente na União Europeia, mas analistas acreditam que um processo de aceitação deverá ser aplicado. Outra questão é a zona do euro, onde a entrada é condicionada a alguns comprometimentos por parte do país - mais um problema para uma independência que ainda parece longe de ser alcançada.

oglobo.globo.com | 13-01-2012

 A rainha Margreth II da Dinamarca (Margrethe Alexandrine Þórhildur Ingrid) celebra neste final de semana 40 anos de reinado, período em que se transformou de uma jovem tímida e fumante inveterada na soberana mais popular da Europa.

Os festejos vão de sexta-feira a domingo para recordar o 14 de janeiro de 1972, quando a princesa ainda de luto pelo pai tornou-se, aos 31 anos, a primeira mulher a subir ao trono da monarquia mais antiga da Europa.

Margreth, a mais velha das três filhas do rei Frederik IX da Dinamarca e da princesa Ingrid, da Suécia, casou-se com o francês Henri de Laborde de Montpezat, o príncipe consorte Henrik, tendo tido dois filhos, o príncipe herdeiro Frederik e o príncipe Joachim.

"Daisy", como é chamada na intimidade, ainda se mantém esbelta e dinâmica. Aos 71 anos veste-se com roupas de cores fortes e chapéus excêntricos.

É muito querida por seus súditos porque soube "modernizar uma monarquia envelhecida e adaptá-la à evolução da sociedade" sem sobressaltos, explica o professor da Universidade de Copenhague Lars Hovbakke Soerensen.

Quase oito em cada dez dinamarqueses são favoráveis à monarquia, segundo pesquisa publicada em dezembro, o que torna a Dinamarca o reinado "mais popular da Europa", segundo Soerensen.

Margreth é particularmente querida desde o começo dos anos 1980, quando assumiu a veia de artista polivalente.

Esta intelectual poliglota dedicou-se também à tradução, elaborando em 1981, com um pseudônimo e em colaboração com o marido, uma versão dinamarquesa da obra de Simone de Beauvoir "Todos os homens são mortais".

A rainha também criou o vestuário e o cenário de numerosos espetáculos e séries de televisão.

Mas ela se destaca, principalmente, no desenho e na pintura.

Margreth ilustrou numerosas obras literárias, como a reedição, em 2002, de "O Senhor dos Anéis", de J. R. R. Tolkien.

Suas pinturas quase abstratas estão expostas em museus e galerias importantes, tanto na Dinamarca como no exterior.

Em seu discurso de Ano Novo, de 1984, Margreth II pediu tolerância aos dinamarqueses e denunciou "observações estúpidas" e "frieza" em relação aos imigrantes.

"Posso pensar o que quiser, como todos. Mas não posso dizer tudo o que penso. Muitos deveriam fazer o mesmo de vez em quando", declarou numa entrevista, em 1988.

Embora Margreth II seja amada, a maioria dos dinamarqueses gostaria que abdicasse para deixar o trono a Frederik dentro de cinco ou dez anos, segundo pesquisa publicada no dia 2 de janeiro.

Da AFP Paris


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www.pernambuco.com | 12-01-2012

RIO - Se as festas de fim de ano representam uma preocupação para sua dieta e saúde, você ficará feliz em saber que o brinde a 2012 regado a espumante pode, na verdade, ser um bom aliado. Pesquisas mostram que a bebida traz benefícios para o pulmão e o coração, ajudando a controlar a pressão, se ingerida sem exageros. Além disso, uma taça do tipo mais consumido no país, o Brut, tem pouco menos de 100 calorias. Ou seja, se balanceada com alimentos mais leves, a festa de Ano Novo não precisa se transformar num pesadelo estendido até janeiro.

Um estudo realizado na Dinamarca mostra que as pessoas que tomam vinho tendem a se alimentar melhor. A pesquisa catalogou os hábitos de consumo de quem comprava vinho e de quem adquiria cerveja em supermercados. Os apreciadores da uva optavam por azeitonas, frutas, vegetais, queijos e carnes magras. Já quem escolhia cerveja preferia pratos prontos, manteiga ou margarina, salsichas, cordeiro e refrigerantes.

Essa é a lógica da escritora Cara Alwill Leyba, de 31 anos, que afirma ter mudado de vida após adotar a Dieta do Champanhe, há alguns anos. Cara, que tem um blog e está terminando um livro sobre o assunto, explica que não se trata de um programa fechado. A ideia é "glamorizar" o cardápio e, consequentemente, consumir alimentos mais leves:

— Se tiver que escolher entre um hambúrguer com refrigerante e um salmão com champanhe, você escolherá a segunda opção — defende.

Além de duas taças de espumante, Cara diz ter seguido cardápios de 1200 a 1400 calorias por dia. Na opinião da nutricionista da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica Mariana Del Bosco, a fórmula para perder peso não tem mistério:

— Não vejo comprovação científica no uso do espumante para emagrecer. Para perder peso, é preciso ter déficit calórico, havendo álcool ou não na dieta. Mas a recomendação para esse consumo tem que ser cuidadosa.

Ela lembra que a Organização Mundial da Saúde indica que mulheres bebam até uma dose diária de álcool e homens, duas. Se ao usar a moderação é possível manter a boa forma, o consumo de espumante pode ainda proteger o coração, mostra uma pesquisa da Universidade de Reading, no Reino Unido:

— Os espumantes e vinhos tintos têm antioxidantes, os polifenóis, que ajudam na liberação do óxido nítrico. Ele promove o relaxamento dos vasos, evitando aterosclerose — explica Serafim Borges, cardiologista da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio.

O cardiologista Jairo Monson de Souza Filho, que há 20 anos estuda sobre vinhos, lembra que os tintos têm mais polifenóis que os demais e, por isso, seus benefícios são mais reconhecidos. Mas, para alguns efeitos, a quantidade não é importante. Além disso, vinhos tranquilos são diuréticos e ajudam na função pulmonar, segundo o especialista. Outra característica é que o espumante é rico em potássio, magnésio e gás carbônico, o que melhora a digestão e, em certas condições, ajuda no combate à pressão alta.

oglobo.globo.com | 23-12-2011
Lone Scherfig começou na Dinamarca, fazendo pequenos filmes do Dogma. Italiano para Principiantes, Wilbur Quer se Matar. Premiada em Berlim e Sundance, ela foi cooptada por Hollywood e fez Educação, baseada em Nick Hornby. O filme foi para o Oscar e Lone, com o aval da grande indústria, propõe
www.estadao.com.br | 01-12-2011

RIO - À margem das negociações climáticas e fora dos maiores debates internacionais, está um ecossistema que cobre 71% do planeta e serve de lar para 80% dos seres vivos. Os oceanos são o tema de um relatório, idealizado por seis instituições e divulgado ontem na internet. Enraizadas em mais de 20 países, elas tentam levar sua causa, a proteção aos mares, para os fóruns de Durban.

Trata-se, no entanto, de uma bandeira difícil de hastear. Diretor do Instituto Scripps de Oceanografia, da Universidade da Califórnia em San Diego, Tony Haymet é lacônico: nenhum político é eleito para representar o oceano. Os estresses a que eles são submetidos, portanto, estão longe de serem tratados como prioridades. São três os maiores perigos para o oceano, todos já em franco andamento: sua acidificação, aquecimento e a perda de oxigênio. E todos têm origem nos gases-estufa.

Em dois séculos, desde a Revolução Industrial, cerca de 30% do CO2 emitido pelo homem foi absorvido no mar. Com isso, seu pH, hoje, é o menor dos últimos 60 milhões de anos. O oceano nunca foi tão ácido.

Maior ONG do mundo dedicada ao mar, a Oceana fez uma análise de que países serão mais impactados pela acidificação daquele ecossistema.

— São os que mais perderão acesso a frutos do mar, que terão maior prejuízo em atividades turísticas que ali acontecem — explica Jacqueline Savitz, diretora de campanhas e cientista-sênior da organização. — No topo da lista há países desenvolvidos, como os Estados Unidos, Japão e Reino Unido. Estes são alguns dos maiores emissores de CO2. Mas há, também, pequenas nações insulares entre as maiores prejudicadas.

Estados polinésios também enfrentam outro problema vindo do mar: o aumento de seu nível, provocado pelo derretimento das geleiras. A origem dessa mazela é, como a anterior, as emissões de CO2.

— Vejo muitas nações, que estão abaixo do nível do mar ou são de baixa elevação, forçadas a tomar medidas — destaca Haymet. — O presidente das Maldivas já está preocupado com isso. E o embaixador de Granada também. Mas há também regiões em risco em países que, teoricamente, estariam seguros. A Flórida, por exemplo, no caso dos EUA.

As geleiras derretem porque o mundo está mais quente — consequência que, claro, também se reflete nos oceanos. Nos últimos cem anos, a superfície dos mares já aqueceu, em média, 0,7 graus Celsius. E a previsão é que este índice aumente cerca de 3 graus em algumas regiões até o fim do século.

Num oceano mais aquecido, haverá menos mistura entre águas profundas, ricas em nutrientes, com as da superfície, pobres nestas substâncias. A falta do cruzamento afetará particularmente as zonas tropicais, e terá consequências negativas na produtividade do mar.

— As indústrias de combustíveis fósseis, dependentes de carvão, petróleo e gás e emissoras de CO2, impedem os países de priorizar os oceanos — acusa Jacqueline. — Por causa delas, atividades econômicas baseadas no mar, como pesca, aquicultura e turismo e similares serão prejudicadas. A não ser, claro, que eles passem a liberar menos carbono na atmosfera.

Muitos países conduzem esforços locais para trocar suas fontes de energia — sai de campo o petróleo e entram alternativas limpas, como hidroelétricas e a indústria eólica. Para Jacqueline, na Europa, Reino Unido e Dinamarca estão à frente dos Estados dispostos a reduzir sua dependência do carbono. Perceberam um filão que, para os ambientalistas, ainda não é apreciado como deveria por empresas e autoridades.

— A energia limpa é a solução que nos livrará dos combustíveis fósseis — ressalta. — Quem a adotar primeiro será beneficiado economicamente, visto que poderá exportar essa tecnologia para o resto do mundo.

As temperaturas mais elevadas — e a menor mistura de nutrientes — deixariam o oceano mais estratificado. O suprimento de oxigênio para baixo da superfície seria afetado. Com a menor concentração dessa substância, muitas espécies teriam sua existência ameaçada. E outros organismos, mais tolerantes à carência desse gás (micróbios, particularmente), se multiplicariam com maior facilidade, alterando o equilíbrio da cadeia alimentar.

Estima-se que, no próximo século, o estoque global de oxigênio nos mares será reduzido de 1 a 7%. Mas, segundo o relatório divulgado ontem, há “incertezas consideráveis” em relação à escala e as localidades que serão mais acometidas pela carência de oxigênio, assim como o impacto no meio ambiente.

oglobo.globo.com | 29-11-2011

RIO — A era dos tablets está só começando. Mas as projeções para o fim deste ano indicam a venda global de 62,5 milhões a 63,6 milhões de aparelhos, segundo as consultorias Gartner e IDC. Em 2015, chegarão a ser vendidas 326 milhões de unidades, com a Apple e seu iPad abiscoitando 83% do mercado. Outros gadgets móveis, como os e-readers, alcançarão 67 milhões de unidades nos próximos anos, segundo a Juniper Networks. E, no Brasil, de acordo com a Impacta Tecnologia, cada vez mais trabalhadores usam dispositivos móveis em seu dia a dia (com Android e iOS disputando a preferência). Nesse cenário, os aplicativos móveis se multiplicam — 500 mil na App Store (18 bilhões baixados) e 370 mil no Android Market (7 bilhões baixados). Mas serão eles bem projetados? Não, dizem especialistas: a usabilidade num tablet ainda engatinha, embora haja apps inteligentes no setor.

Para Jakob Nielsen, papa da usabilidade e doutor em interface humano-computador pela Universidade Técnica da Dinamarca, há ainda muitos erros observados nas aplicações boladas para o iPad e afins.

— Os maiores erros são os botões virtuais pequenos demais e áreas de toque muito próximas umas das outras — diz Nielsen. — Toques acidentais são um desastre para uma interface touch. Outro grande problema é quando o conteúdo feito para telas maiores não cabe direito nos tablets de tela menor, como o novo Kindle Fire.

Rafael Cruz, diretor de tecnologia da desenvolvedora de aplicativos Conception, acrescenta que a questão da adequação às telas é especialmente difícil no Android.

— Com dezenas de fabricantes apostando no Android, é meio complicado desenvolver para ele, pois, quando se pensa no aplicativo, é preciso pensar nas várias resoluções de telas dos diversos aparelhos e suas diferentes características — explica Cruz. — Algumas telas não mantêm a resolução original quando se vira um tablet. Você acaba tendo um problema que já existia na web, em que sites não suportavam determinadas resoluções.

Interface além da ideia de navegação

Segundo Eduardo Torres, diretor-executivo da Huge, empresa de design estratégico responsável por criar plataformas digitais para marcas mundiais e que movimenta US$ 12,5 bilhões por ano internacionalmente, uma interface hoje não pode mais estar presa à ideia de navegação, já que vivemos a alvorada da internet dos aplicativos. E usabilidade requer muita pesquisa.

— Fazemos extensas pesquisas com usuários para ver como eles preferem usar uma interface — conta Torres. — Às vezes uma empresa tem ideias preconcebidas sobre a organização dos assuntos num aplicativo (acha que deve ser a mesma que existe em seu site, digamos). Para mostrar-lhes como os usuários pensam, damos a estes nas entrevistas cartões com os temas para que os organizem em ordem de importância. Muitas vezes o resultado é totalmente diferente do que o cliente pensa.

A objetividade e a simplicidade nunca devem ser perdidas de vista num app. De acordo com Nielsen, o segredo é privilegiar o que o usuário faz mais constantemente no programa, deixando isso bem claro na interface, e colocar num segundo plano as atividades mais densas, que requerem aquela “fuçada” extra no app.

— Por exemplo, você deve caprichar na multimídia quando o usuário pedir por ela — explica. — Grandes fotos e vídeos devem aparecer depois que o usuário decidiu se aprofundar num assunto dentro do aplicativo. A navegação inicial deve ser mais restrita e focada, dando um overview nos assuntos, com textos pequenos e, eventualmente, fotos pequenas.

Entre as plataformas, a Apple é, aparentemente, a que mais maturou seu pensamento sobre a usabilidade. Ao desenvolver para o iOS, os programadores têm acesso a um documento (Human Interface Principles) que os guia no processo de criação do aplicativo.

— O documento traz tudo mastigado, abordando detalhes como as posições dos botões no app — conta o desenvolvedor independente Marcos Gurgel. — Isso é interessante, porque induz não só a uma interface objetiva, como também a uma consistência entre os aplicativos.

Entre os programinhas que Gurgel aponta como bem azeitados no iPad estão o Reeder, leitor de RSS, e o próprio Twitter.

— O Reeder tem uma interface que flui. No modo horizontal ele mostra do lado esquerdo a lista de artigos e, à direita, os artigos propriamente ditos. Ao passá-lo para o modo vertical, mostra só os artigos. Ao ler um, basta um toque de leve ao fim da página para seguir para o artigo seguinte — diz Gurgel. — Outro app de qualidade é o do Twitter, que tem funções interessantes de recarregar listas e uma simplicidade maravilhosa para fazer uma navegação reversa e voltar até onde você estava. E, entre os games, há o “Tiny Wings”, onde o único movimento que o usuário faz é apertar ou soltar a tela, para um passarinho voar. Ele é tão bem acabado na física que vira um vício.

Já Adriano Rayol, diretor da Uplay Mobile, que desenvolve apps móveis, prefere programas como o Flipboard (que puxa conteúdo de redes sociais e da mídia) e o Pulse (leitor de sites de notícias que cria um mosaico).

— Também impressionam pela usabilidade o Instagram, de compartilhamento instantâneo de fotos, e o Zinio, que reúne revistas de todos os lugares. De fato, as diretrizes da Apple ajudam a criar uma identidade nesses apps.

Por falar em revistas, os aplicativos da “Wired” e da “New Yorker” estão entre os preferidos da professora Karin Breitman, do Departamento de Informática PUC-Rio, usando recursos multimídia, mas com uma interface bem equilibrada.

— O que é estranhamento para a geração X é intimidade para a geração Y, os jovens de hoje, que são nativos digitais. Um tablet é mais do que natural para eles — diz Karin.

Eduardo Torres lembra que os apps devem fazer parte de uma plataforma de design estratégico. Cita como exemplo o aplicativo HBO Go, desenvolvido pela Huge, que permite (lá fora) ao usuário continuar a assistir no iOS um filme do canal que começou a ver em casa.

Já entre os apps com mau aproveitamento, Nielsen chegou a criticar muito o do “USA Today”, que, na primeira versão, não tinha um botão para levar às editorias.

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