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Suíça Educação

O bailarino Márcio Mota, aluno da Escola de Dança do Conservatório Nacional, foi selecionado para competir na 46.ª edição do Prix de Lausanne 2018, na Suíça, anunciou a organização da competição internacional, no seu sítio "online".
feeds.jn.pt | 02-11-2017

A Fundação BNP Paribas investirá 6 milhões de euros em projetos de diversos países que estudam as mudanças do clima. A iniciativa faz parte do Climate Initiative, programa lançado em 2010 com objetivo de desenvolver conhecimento sobre a questão climática. A lista de beneficiados é formada por oito projetos que contam com a participação 178 profissionais, entre pesquisadores, professores e engenheiros, e mobilizam uma rede de 73 universidades e instituições de pesquisa em todo o mundo. Um time formado por 17 pesquisadores e quatro engenheiros irá estudar a Cratera de Colônia, uma depressão de 3,6 Km de diâmetro e 300 m de profundidade localizada no bairro de Parelheiros (zona Sul da cidade de São Paulo). O objetivo é analisar o histórico dos últimos 800 mil anos e entender melhor os impactos das mudanças climáticas sobre a biodiversidade tropical. O projeto é coordenado por Marie-Pierre Ledru, do Instituto Francês de Pesquisa para o Desenvolvimento, e André Sawakuchi, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, com auxílio de pesquisadores de quatro instituições brasileiras (UFMG, Unesp, Unicamp e USP) e representantes de mais cinco países: Alemanha, Estados Unidos, França, Reino Unido e Suíça. (Envolverde)  

O post Fundação BNP Paribas investe 6 milhões de euros em pesquisas sobre clima apareceu primeiro em Envolverde - Revista Digital.

www.envolverde.com.br | 20-06-2017

O WEF-World Economic Forum (Fórum Econômico Mundial) define competitividade como um conjunto de instituições, políticas e fatores que determinam o nível de produtividade de um país. O professor da Harvard Business School Michael Porter complementa a definição ao ressaltar “que um país competitivo deve gerar prosperidade para empresas e cidadãos”.

O Fórum Econômico Mundial criou um relatório, na década de 80, e combinou dados estatísticos nacionais e internacionais com os resultados de uma ampla pesquisa de opinião realizada junto a executivos. A pesquisa avalia as condições oferecidas pelo país para que as empresas locais tenham sucesso nos contextos nacional e internacional e, assim, promovam o crescimento sustentável e a melhoria nas condições de vida de sua população.

A edição de 2016 do relatório indica o ranking de competitividade global de 138 países. No documento, 118 variáveis são analisadas e agrupadas em 12 categorias. Este ano, o Brasil caiu 33 posições no ranking, quando comparado com 2012, e está na 81ª colocação. A classificação atesta que o país sofre com a deterioração de fatores básicos para a competitividade, como a confiança nas instituições e o balanço das contas públicas, e elementos de sofisticação dos negócios, como a capacidade de inovar e a educação.

A Suíça manteve-se em 1º lugar no ranking de competitividadedo WEF pelo oitavo ano consecutivo. Líderes em inovação, os suíços têm taxa de desemprego estável, o que está relacionado ao excelente sistema de educação e à eficiência no mercado de trabalho. Cingapura e Estados Unidos vêm na sequência. “A análise mostra que todos os países no topo do ranking têm uma característica marcante em comum: apresentam uma excelente habilidade em nutrir, atrair, apoiar e desenvolver talentos”, afirma Carlos Arruda, diretor da Fundação Dom Cabral. No Brasil, a instituição é parceira do WEF para a realização da pesquisa.

Carlos Arruda explica que “a crise econômica e política que se deteriora desde 2014, associada a fatores estruturais e sistêmicos, como o sistema regulatório e tributário inadequados, infraestrutura deficiente, educação de baixa qualidade e baixa produtividade, resulta em uma economia frágil e incapaz de promover avanços na competitividade interna e internacional”.

Os países com menores índices de competitividade caracterizam-se por terem instituições fracas, infraestrutura deficiente e educação de baixa qualidade, além de um péssimo sistema de saúde. Na educação, a qualidade do ensino básico ficou em 127º lugar e a do ensino superior, em 128º. Ou seja, o Brasil tem um dos onze piores sistemas educacionais do mundo. Este é um dado preocupante porque compromete a competitividade do país em curto e longo prazos. O tamanho do mercado brasileiro, ponto forte do país, ficou em oitavo lugar. O PIB, em bilhões, é o sétimo maior dos 138 países.

No Brasil, o Centro de Liderança Pública (CLP) concebeu, em 2011, o Ranking de Competitividade dos Estados, com o desenvolvimento técnico a cargo da Economist Intelligence Unit. O intuito do estudo é gerar diagnósticos e direcionamentos para a atuação dos líderes públicos estaduais.

O Ranking de Competitividade dos Estados avalia 65 indicadores, distribuídos em dez pilares temáticos considerados fundamentais para a promoção da competitividade do estado. Os pilares são: infraestrutura, sustentabilidade social, segurança pública, educação, solidez fiscal, eficiência da máquina pública, capital humano, sustentabilidade ambiental, potencial de mercado e inovação. A pesquisa faz alguns comparativos com os indicadores do Fórum Econômico Mundial. Em 2016, São Paulo ocupou a primeira posição, seguido pelo Paraná e por Santa Catarina.

Os estados brasileiros precisam colocar a evolução desses indicadores nos seus planos de curto e longo prazos. A globalização, cada vez mais dinâmica, exige essa visão e as consequentes ações para alcançá-los.

Eduardo Carvalho é gestor educacional e Harvard Advanced Leadership Fellow

oglobo.globo.com | 15-04-2017

CAMBRIDGE (ESTADOS UNIDOS) - O juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato em Curitiba, afirmou neste sábado em uma palestra para estudantes brasileiros na Universidade de Harvard, que a corrupção para financiamento de campanha é pior que o desvio de recursos para o enriquecimento ilícito. Ele defendeu o projeto elaborado pelo Ministério Público Federal por acreditar que a atual tipificação do Caixa 2, que trata do caso de forma semelhante à falsificação, como inadequada.

- Temos que falar a verdade, a Caixa 2 nas eleições é trapaça, é um crime contra a democracia. Me causa espécie quando alguns sugerem fazer uma distinção entre a corrupção para fins de enriquecimento ilícito e a corrupção para fins de financiamento ilícito de campanha eleitoral. Para mim a corrupção para financiamento de campanha é pior que para o enriquecimento ilícito. Se eu peguei essa propina e coloquei em uma conta na Suíça, isso é um crime, mas esse dinheiro está lá, não está mais fazendo mal a ninguém naquele momento. Agora, se eu utilizo para ganhar uma eleição, para trapacear uma eleição, isso para mim é terrível. Eu não estou me referindo a nenhuma campanha eleitoral específica, estou falando em geral.

Ele afirmou que a tipificação imperfeita do Caixa 2 impede uma pena mais justa, que segundo ele não precisa ser tão elevada quanto à de corrupção. Moro afirmou que defende as punições propostas pelo MPF, ou seja, prisão de dois a cinco anos. Dentro do pacote de 10 medidas anti-corrupção enviadas pelo MInistério Público Federal ao congresso, ele também defendeu como uma das primordiais a que tipifica o crime de enriquecimento ilícito de servidores públicos.

- Na Lava-Jato conseguimos ter as provas da corrupção nos casos de enriquecimento ilítico dos ex-diretores da Petrobras que já foram condenados, mas muitas vezes a condenação não ocorre por falta de provas - explicou o juiz.

Aplaudido de pé em diversos momentos, Moro afirmou no evento, onde foi entrevistado pelo também juiz federal Erik Navarro, que a Lava-Jato teve sucesso que não foi obtido por outras operações por uma série de fatores, como o amadurecimento da democracia, sorte, preparo e até mesmo a experiência anterior do Mensalão e algumas mudanças legais que favoreceram a investigação.

Questionado, ele disse que não se encontrou no evento com a ex-presidente Dilma Rousseff em Harvard - ela discursou duas horas antes dele. Ele também preferiu não comentar a frase do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou há alguns dias que está “ansioso” para encontrar o juiz, em depoimento marcado para o começo de maio. Moro afirmou que é favorável a recuperação das empresas que cometeram ilícitos, desde que elas colaborem e mudem suas atitudes.

- Odeio e o pecado e não o pecador, todos tem chances de se reabilitar - disse ele, que afirmou que a Lava-Jato mostrou um casos “sistêmico de corrupção no Brasil, mas disse que é difícil afirmar se este é o maior caso de corrupção do país, pois muitos não foram julgados.

No final de sua palestra, acompanhada por personalidades que palestraram no evento, como Gilberto Gil, O jogador Kaká, o procurador Deltan Dallagnon, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal e o empresário João Paulo Lemann, um dos patrocinadores do evento, Moro ainda defendeu uma modernização do foro privilegiado e tentou passar otimismo sobre o futuro do país. Questionado se defende a descriminalização das drogas, o juiz admitiu que o atual modelo de combate ao tráfico é questionável. Segundo ele, faltam dados para ter informações mais detalhadas sobre a mudança na legislação, mais deixou a porta aberta:

- O trafico de drogas é um desafio no mundo inteiro e embora haja controvérsias sobre a eficácia do enfrentamento de drogas neste momento, as alternativas também são questionáveis porque não se sabe exatamente o resultado da descriminalização das drogas. Mas a descriminalização da maconha resolve o problema? Não sei, porque em casos criminais que passaram na minha mão, pegávamos grandes traficantes afirmando que não traficavam maconha porque perdiam dinheiro. Então não resolverá exatamente o problema - relatou, antes de ponderar - Talvez seja o caso de algum experimentalismo, mas tenho muitas duvidas a respeito - disse.

oglobo.globo.com | 09-04-2017

WASHINGTON — Na última década, cientistas e fotógrafos têm visto na prática a diminuição das geleiras. Agora, eles querem que outras pessoas vejam como o aquecimento global está derretendo massas de gelo através de uma série de fotos que mostram o antes e o depois dos glaciares. Links aquecimento global

O trabalho, publicado nesta segunda-feira no periódico "Geological Society of America Today", mostra imagens das mudanças em cinco glaciares ao redor do mundo.

— Há algo fundamentalmente convincente na abordagem deles. Por toda a nossa ênfase em modelos e na matemática, ver ainda é acreditar — comentou Ted Scambos, da Universidade do Colorado, que não participou da pesquisa.

Em condições naturais, geleiras podem derreter e recuar, enquanto outras crescem e avançam. Mas dados de 5,2 mil glaciares pelo mundo mostram que a elevação das temperaturas fez com que o volume e velocidade dos derretimentos aumentasse. Cientistas atribuem o recuo do gelo a atividades humanas como a queima de carvão, óleo e gás natural.

— Há algo que toca o coração mais profundamente quando você vê isto em fotos do que quando olha para mapas, relatórios ou gráficos. Isto certamente torna a coisa viva — afirma o fotógrafo James Balgo, fundados do Instituto Earth Vision.

Veja algumas imagens abaixo.

Islândia

Gif Solheimajokull

O glaciar Solheimajokull diminuiu 625 metros entre 2007 e 2015.

Alasca

GIF Glaciar Mendenhall

A borda dianteira do glaciar de Mendenhall recuou aproximadamente 550 metros entre 2007 e 2015.

Suíça

GIF Glaciar Stein

O glaciar Stein perdeu 550 metros entre 2006 e 2005.

GIF glaciar Trift

Já o glaciar Trift recuou 1,17 quilômetros de 2006 a 2015.

oglobo.globo.com | 03-04-2017
Menina de 15 anos frequentava escola convencional no Rio, mas pais tiveram de batalhar para conseguir o mesmo na Suíça, onde muitas regiões preferem colocar jovens com Down em escolas especiais.
www.bbc.com | 21-03-2017

LONDRES — Cientistas da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (conhecida pela sigla CERN) anunciaram a descoberta de cinco novas partículas subatômicas, que podem ajudar a explicar como os centros do átomo se mantém unidos. De acordo com a professora Tara Shears, da Universidade de Liverpool, o achado aconteceu por acaso, graças ao poder do Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês).

LINKS LHC

— Essas partículas estavam escondidas em plena vista por anos, mas foi necessária a sensitividade extraordinária do detector de partículas do LHC para nos chamar a atenção — contou Tara, à BBC.

As partículas descobertas são diferentes estados do bárion Ômega-c, cuja existência foi confirmada em 1994. Por anos, os físicos acreditaram na possibilidade da existência de vários diferentes estados de excitação dessa partícula, mas eles nunca foram detectados. Até agora.

Assim como os nêutrons e prótons, o bárion é formado por partículas ainda menores, chamadas quarks, que são classificadas em seis tipos: up, down, strange, charm, bottom e top.

Os nêutrons e prótons são formados por quarks dos tipos “up” e “down”, que são mantidos unidos por uma poderosa força nuclear. Os físicos trabalham com a teoria da cromodinâmica quântica para compreender essas interações, mas previsões requerem cálculos complexos.

Já os bárions são formados por quarks dos tipos “charm“ e “strange”, mais pesados que os “up” e “down”. O bárion Ômega-c-zero é formado por dois quarks “strange” e um “quark”. Além desse estado, os cientistas detectaram que o Ômega-c-zero decai para um outro bárion, chamado “Xi-c-plus”, com um “charm”, um “strange” e um “up”. Por sua vez, esta partícula decai para outras três: um próton p, um káon K- e um píon ?+.

Para os cientistas, a esperança é que com o estudo desses “primos” dos nêutrons e prótons seja possível compreender melhor o funcionamento das forças nucleares.

— Essa é uma descoberta importante que vai jogar luz sobre como os quarks ficam unidos — disse Greid Cowan. — Isso deve ter implicações não apenas para o melhor entendimento de prótons e nêutrons, mas também para estados mais exóticos de quarks múltiplos, como tetraquarks e pentaquarks.

O Grande Colisor de Hádrons é o maior acelerador de partículas do mundo, instalado num túnel com 27 quilômetros de circunferência na fronteira entre a França e a Suíça. Em 2013, o laboratório ganhou destaque na imprensa internacional pela detecção do Bóson de Higgs, conhecido popularmente como a “partícula de Deus”.

oglobo.globo.com | 21-03-2017

RIO - Dois anos depois de ver sua delação premiada dar origem à primeira lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e levar à abertura de inquérito contra 54 políticos no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa vive uma rotina tranquila em Petrópolis, na Região Serrana do Rio. Sem ser reconhecido, Paulo Roberto agora bate ponto uma vez por semana em uma escola particular do município para cumprir a pena de serviços comunitários. Desde fevereiro, acompanha durante quatro horas as aulas e também auxilia alunos do ensino médio com dúvidas sobre Matemática, Física, História e Geografia. (Clique aqui e receba as newsletters do GLOBO)

O nome da escola ele guarda a sete chaves. Quer manter a rotina de idas ao colégio sem chamar a atenção, como tem sido até agora, pelos três anos em que fará o serviço comunitário. A medida foi estabelecida pela Justiça Federal de Petrópolis, cidade em que ele mora, após determinação vinda da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, onde correm os processos contra o ex-diretor da Petrobras. As atividades do primeiro delator da Lava-Jato na escola foram definidas junto ao diretor. Além de ajudar os alunos com algumas matérias, Paulo Roberto vai abrir uma série de palestras sobre profissões. Vai explicar as áreas da Engenharia. Nas aulas, já falou sobre o pré-sal.

— Também vou preparar um programa, obviamente em modelo reduzido, e montar com os alunos um projeto de energia eólica, um catavento, para eles verem como se gera energia elétrica. Vamos montar também um projeto de energia solar, para ver como é gerada. Vou fazer um trabalho nessa área de pesquisa com os alunos — afirmou o ex-diretor ao GLOBO.

MUDANÇAS DE VISUAL

No colégio, o delator não é o único a prestar serviços comunitários. Um colega ensina os adolescentes a tocar violão. A cada seis meses, tanto Paulo Roberto quanto a escola têm que apresentar um relatório à Justiça. O ex-diretor disse acreditar que os alunos não o reconhecem e afirmou que nunca ninguém no colégio lhe perguntou sobre a Lava-Jato. A curiosidade dos alunos fica por conta da Engenharia. Prestes a fazerem vestibular, muitos alunos querem tirar dúvidas sobre a profissão. Mas, se algum dia algum estudante vier a indagá-lo sobre os crimes do passado, Paulo Roberto diz já saber como responder:

Lava-Jato

— Estou pagando uma pena e estou no colégio por determinação judicial, para ajudar. Estou lá para colaborar com conhecimento que tenho na área.

Desde que foi descoberto na Lava-Jato, Paulo Roberto tem mudado com frequência de visual para evitar ser reconhecido. Já adotou barba, depois bigode, raspou o cabelo e já deixou os fios crescerem novamente. Usa boné e óculos escuros, para não chamar atenção.

O ex-diretor foi preso temporariamente (por cinco dias) em março de 2014, três dias depois de ser deflagrada a Operação Lava-Jato. Ele já havia prestado depoimento sobre seu envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, mas a Polícia Federal informou à Justiça que ele havia tentado destruir provas e obstruir as investigações, pois suas filhas e genros haviam sido flagrados retirando documentos do escritório da Paulo Roberto Global, empresa de consultoria que ele usava para firmar falsos contratos e continuar recebendo propina mesmo depois de ter deixado o cargo.

Paulo Roberto passou dois meses preso e foi libertado no dia 19 de maio daquele ano. Menos de um mês depois, em 11 de junho de 2014, ele teve a prisão preventiva decretada depois que foram localizadas contas em nome dele e de parentes, na Suíça e no Canadá, com US$ 23 milhões. No total, Paulo Roberto passou cerca de cinco meses presos.

O acordo de delação premiada do ex-diretor da Petrobras foi homologado pelo STF no dia 30 de setembro de 2014, e ele foi libertado no dia seguinte, quando passou a cumprir prisão domiciliar por um ano, com tornozeleira eletrônica. Na delação, confessou ter sido indicado para o cargo pelo PP, em troca de arrecadar propina para o partido. A Diretoria de Abastecimento, comandada por ele, era a responsável por grandes volumes de investimentos da petrolífera, como o da Refinaria Abreu e Lima, em Recife (PE).

Em outubro de 2015, Paulo Roberto progrediu para o regime semiaberto, ainda com uso da tornozeleira e obrigatoriedade de permanecer em casa à noite e nos fins de semana. Desde então, já podia trabalhar e viajar, desde que autorizado pela Justiça. Em novembro do ano passado, a tornozeleira foi retirada, e o juiz Sérgio Moro determinou que o delator cumprisse os serviços comunitários.

FATOS QUE COMEÇARAM LÁ ATRÁS

Agora, além da atividade instituída pela Justiça Federal, Paulo Roberto quer voltar a trabalhar com consultorias e se dedicar a um livro que está escrevendo. Nele, vai contar bastidores da prisão em Curitiba e de sua visão da Lava-Jato. Já foram 210 depoimentos prestados sobre o escândalo.

Hoje, ao ler sobre a segunda lista de Janot, baseada nas delações de executivos da Odebrecht que deram origem a outros 83 inquéritos contra políticos no STF, Paulo Roberto diz não se surpreender.

— É uma sequência de fatos que começaram lá atrás. Tem depoimento meu na CPI, para o Ministério Público Federal, dizendo lá atrás que o acontecia na Petrobras ocorria no Brasil inteiro, nos portos, aeroportos, hidrelétricas, usina nuclear, rodovias, ferrovias — declarou o delator responsável pelas informações que levaram à primeira lista do procurador-geral da República.

oglobo.globo.com | 17-03-2017

RIO - Ah, Paris... Era 1968, um ano histórico para a França, marcado por manifestações estudantis e greves de trabalhadores — o Maio de 68. Aos 16 anos, Gilberto Ururahy desembarcou com a família de mala e cuia na Rue des Écoles, no Quartier Latin. O pai, engenheiro militar, começaria um mestrado de três anos. A paixão da família pela cidade em ebulição foi imediata.

— Flanávamos em Paris como se estivéssemos em casa. A parada obrigatória era sempre na livraria Gibert Jeune, no Boulevard Saint-Michel — lembra Gilberto.

Foi nas aulas de anatomia, higiene e fisiologia do liceu, num curso equivalente ao nosso ensino médio, que o menino se encantou pela medicina. De volta ao Rio, em 1971, entrou para a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mas nunca desfez os laços com a França. E esse caso de amor, que já dura quase cinco décadas, será selado nesta quinta-feira: praticante da medicina preventiva e sócio da clínica Med-Rio Check-up, ele receberá a Ordem Nacional do Mérito da França, no Country Club, em Ipanema, com a presença do embaixador da França no Brasil, Laurent Bili.

— Gilberto é associado há 14 anos da Câmara de Comércio França-Brasil. É um membro muito ativo e engajado, promove a nossa presença e reforça os laços franceses com o Rio e o Brasil, em particular no setor de saúde. É um embaixador da amizade franco-brasileira, e queremos reconhecer essa contribuição — destaca Brice Roquefeuil, cônsul-geral da França no Rio de Janeiro.

CONCEITO PIONEIRO

Na mesma ocasião, Gilberto também será homenageado com a medalha da Academia Nacional de Medicina da França, que será entregue pelo secretário perpétuo da entidade, Dr. Raymond Ardaillou:

— Raramente, em minha vida profissional, vivenciei o que estou sentindo agora, uma mistura de alegria e surpresa. As medalhas vão materializar a minha vida franco-brasileira. É um reconhecimento do meu dia a dia com a França, nos âmbitos médico, familiar, pessoal e cultural — destaca Gilberto, que já foi homenageado no Rio com as medalhas Pedro Ernesto e Tiradentes.

Gilberto é responsável pelo comitê de saúde da Câmara de Comércio França-Brasil desde 2003. Em 2005, participou de várias atividades culturais do Ano do Brasil na França. Na ocasião, lançou o seu segundo livro — “O Cérebro emocional” —, em Paris, onde conheceu sua atual mulher, Marie. Antes disso, fora casado com outra francesa, mãe de seu filho caçula, Philippe, um estudante de 19 anos. Em 2014, ele organizou o primeiro fórum médico franco-brasileiro, entre as academias nacionais de medicina dos dois países. E foi em solo francês que o médico conheceu a música de Paulinho da Viola e se tornou portelense.

— Em 1969, um primo desembarcou em Paris com um LP de Paulinho da Viola. Quando voltei para o Rio, a primeira coisa que fiz foi ir à Portela e fazer uma credencial. Me apaixonei.

Gilberto também é pai dos administradores Gilberto Bisneto, de 37 anos, e de Fabiana, de 35, e avô coruja de três meninos e uma menina, do tipo que conta histórias para eles dormirem. O médico tem outros dois “filhos” de papel: os livros “Como se tornar um bom estressado”, de 1997, e “Emoções e saúde”, de 2015. Suas três obras lançadas até agora foram escritas em parceria com o psiquiatra francês Eric Albert, considerado o maior especialista em estresse no trabalho na França.

— Em 1994, quatro anos depois de abrirmos a Med-Rio, li uma entrevista do Eric numa revista médica francesa com estatísticas do Ifas (Instituto Francês sobre Ansiedade e Stress), mostrando como os profissionais se estressam. Ele tinha a teoria e a prática no âmbito corporativo. E vi que isso tinha tudo a ver com meu trabalho. Na clínica, identificamos no corpo de cada cliente as manifestações do estresse — conta Gilberto, que se prepara para lançar o quarto livro, “A importância do diagnóstico precoce”, com o sócio Galileu Assis.

Para o parceiro Eric, Gilberto “não é especial, mas excepcional e de uma energia indescritível”:

—Quando Gilberto está envolvido em um projeto, ele move montanhas. É de uma generosidade sem limites. De uma inteligência e um profissionalismo ímpares.

A Med-Rio foi aberta em 1990, na torre do Riosul, já com um conceito pioneiro: afastar o check-up médico do ambiente hospitalar.

— O hospital é entendido como a casa do doente e da doença, suscetível a infecções. Achávamos que não era local para check-up médico. Em cinco horas, o cliente é atendido por uma equipe médica de ponta, faz os exames necessários, toma café da manhã ou lancha em nossa cafeteria e tem os resultados à disposição em nosso aplicativo, em 24 horas úteis, formando um dossiê médico, que, numa emergência, pode salvar uma vida — ressalta Gilberto, acrescentando que esse conceito já foi implantado em Genebra, na Suíça, e, em breve, será levado para Paris.

Para quem não sabe da importância do check-up anual, Gilberto alerta que, num exame físico do paciente, é impossível detectar com os dedos, por exemplo, um tumor de quatro milímetros:

— Quanto mais precoce o diagnóstico, melhor o prognóstico — diz o médico, acrescentando que, após check-up, é possível montar um programa de saúde levando em consideração o estilo de vida do paciente.

MAIS DE 100 MIL ATENDIMENTOS

Para o médico, o grande vilão do mundo moderno é o estresse: segundo uma pesquisa da Universidade de Stanford, na Califórnia, 73% das mortes no mundo atual são decorrentes de um estilo de vida inadequado. E 80% de todas as consultas realizadas mundialmente têm relação direta com o estresse, segundo Harvard. info-estresse

— A geração dos hormônios ligados ao estresse, como cortisol e adrenalina, acarreta problemas como queda da imunidade, depressão, baixo desejo sexual, destruição de células ligadas à memória, insônia e ganho de peso. Com o tempo, o corpo vai ficando fragilizado, e as portas para múltiplas doenças se abrem, dependendo das individualidades — explica Gilberto.

Ao longo de 26 anos — sendo os últimos cinco também em uma filial, na Barra da Tijuca —, mais de cem mil check-ups foram realizados na Med-Rio. Atualmente, mais de 400 empresas utilizam os serviços da clínica, para assegurar a saúde de seus profissionais estratégicos.

— A empresa hoje precisa contar com seus executivos em plena forma. Já entenderam que mais vale investir em saúde do que gastar em doença. Hoje, o check-up médico é considerado instrumento de segurança empresarial — observa Gilberto.

Da análise desses milhares de check-ups, foi possível identificar um aumento no percentual de doenças que atingem os executivos: em 2015, 8% deles sofriam de depressão. Em 2016, esse número saltou para 11% e, no início de 2017, chegou a 12%. Os pacientes vítimas de ansiedade deram um salto de 18% para 30%; os acometidos por insônia, de 20% para 26%.

PACIENTE MAIS CONSCIENTE

A amostragem também identificou que, em 1990, de cada nove vítimas de infarto, uma era mulher. Hoje, as mulheres, cada vez mais jovens, representam um terço do total de infartados.

— A mulher moderna fuma mais do que o homem, bebe igual, tem dupla ou tripla jornada de trabalho. É alvo fácil do estresse. O câncer de mama é o que mais assusta, mas as doenças cárdio e cérebro-vasculares matam duas vezes mais do que todos os cânceres femininos reunidos — afirma Gilberto.

No entanto, há resultados bastante positivos entre os executivos que adotaram o programa de promoção à saúde após o check-up, com redução de casos de estresse, diabetes e tabagismo, segundo o médico:

— Os pacientes saem de nossas clínicas com a consciência de que têm que se cuidar. Entre as medidas que recomendamos estão melhoria nos hábitos alimentares, redução da ingestão de cafeína, nicotina e açúcar, prática de exercícios físicos regulares, sono de qualidade e interação com amigos.

E Gilberto segue à risca as indicações: aos 62 anos, pratica todos os dias, com o auxílio de um personal trainer, exercícios aeróbicos, musculação e pilates. Quando tem um tempinho livre, foge com a mulher para Paris: ao menos duas vezes por ano aportam em solo francês.

— Fazemos toda a programação que minha mulher gosta, como estar com a família e os amigos. Gosto muito de ir aos antiquários médicos da Rue Jacob, no quartier de Saint-Germain. Fico ali pesquisando, curtindo e aprendendo. Gosto do contraste do antigo com o moderno — conta.

COZINHA COMO DIVERSÃO

Amigo de Gilberto há 20 anos, o deputado estadual Carlos Minc (sem partido), de 65 anos, faz check-up anual na Med-Rio desde 2002 e, seguindo as recomendações médicas, adotou alimentação equilibrada e rotina de exercícios diários. Os resultados positivos ele sente em momentos importantes de sua vida, como no carnaval: info-piramide

— Eu me sinto melhor e mais forte hoje do que há 15 anos. Saio em muitos blocos e sambo até o final.

Para Gilberto, uma diversão é cozinhar. Ele é muito amigo do chef francês Roland Villard, que, desde a abertura das clínicas, é o responsável pela organização dos lanches para os clientes. Gilberto adora exercitar as receitas que ele ensina em seu livro, “A dieta do chef”.

— Gosto de cozinhar frutos do mar. Já minha mulher não cozinha, só consome — diverte-se o médico, que tem suas preferências à mesa: — Não dispenso um bom arroz com feijão e farofa.

Roland Villard lembra que Gilberto foi uma das primeiras pessoas que ele conheceu, assim que chegou ao Rio, em 1997:

— Quando tenho qualquer dúvida, a primeira pessoa que consulto é o Gilberto. A opinião dele é muito importante para mim.

Agora, Gilberto se prepara para um novo desafio: ampliar a Med-Rio Botafogo, que, até junho, ocupará uma fachada e meia da Torre do Rio Sul:

— Dobraremos de tamanho. Mas a minha maior satisfação é, por meio de diagnósticos, contribuir para a longevidade com autonomia.

oglobo.globo.com | 05-03-2017

O debate sobre a equalização da idade mínima para aposentadoria entre homens e mulheres, em pauta no âmbito de uma reforma da Previdência que atropela e pouco esclarece, parece ser hoje um divisor de águas entre feministas.

De um lado, estão as que julgam que a sobrecarga do trabalho doméstico nas jornadas que se multiplicam em apenas 24 horas demanda tratamento diferenciado. Diga-se de passagem que o argumento, com ares “corporatistas”, nada tem de estranho à lógica capitalista, em que ônus variados costumam ser compensados através de deduções fiscais, isenções e outras vantagens financeiras.

Desigualdade Mulher De outro, encontram-se as que clamam por igualdade entre os sexos, princípio que deve ser reconhecido e aplicado, em nome da coerência intelectual e do entendimento de que, reivindicar as tarefas domésticas como nossas, apenas nos encerra numa divisão sexual do trabalho que repudiamos. Ou seja, enquanto não houver mudança de mentalidades de modo a que o tempo alocado às atividades domésticas seja equitativamente dividido entre homens e mulheres, o diferencial salarial de gênero resistente no mercado de trabalho será replicado na inatividade forçada que a idade impõe.

Na verdade, sabemos que é uma falsa clivagem, da mesma forma que não há modelo ideal de Previdência. Este, qualquer que seja seu desenho, vai expressar um determinado contrato social. Desde meados da década de 1970, com a mudança na dinâmica do capitalismo, o padrão redistributivo que caracterizava os regimes previdenciários passa a ser questionado e de forma quase permanente se redefinem os parâmetros que regulam direitos. Entre eles, o tempo de contribuição e a idade mínima para aposentadoria.

Esses “ajustes” acabaram levando à adoção, em alguns casos, de regras uniformes entre homens e mulheres. Mas rapidamente à compreensão de que, invariavelmente, havia um claro prejuízo para as mulheres que, ao se aposentar, recebiam benefícios de baixo valor, inadequado para manter um padrão de consumo satisfatório, e, por vezes, inferior ao patamar da pobreza. Até porque, em virtude da maior esperança de vida e da incidência crescente dos divórcios e de novos padrões de conjugalidade, as mulheres, ao se tornarem idosas, tendem mais e mais a dispor apenas de seu próprio benefício, um benefício individual.

A situação de desvantagem reflete aquilo que caracteriza a ocupação feminina remunerada em todos as latitudes do planeta, qual seja maior intermitência do emprego, mais contratos precários quando existem, informalidade como regra, rupturas frequentes nas trajetórias profissionais, maior exposição ao desemprego. Como a gente sabe, o trabalho doméstico é só parte do problema. Até sem filhos, sem cônjuge e sem outras responsabilidades familiares, a inserção mais permanente, em funções mais bem remuneradas, valorizadas e portadoras de êxito e reconhecimento é sina para poucas.

Para enfrentar os determinantes estruturais das desigualdades de gênero, a grande maioria dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) instituiu o sistema de crédito de aposentadorias para as mulheres, alguns deles estendendo isso aos homens, por razões de isonomia. Assim, Suécia, Noruega, Suíça, e em tantos outros países, as mulheres que podem justificar dedicação a filhos e idosos, familiares doentes, ou até desemprego de longo prazo, receberam créditos (menos tempo de contribuição ou idade mínima menor para aposentar) ou terão suas contribuições ao sistema pagas pelo Estado. Ainda assim, indicam pesquisas, tais mecanismos compensatórios não conseguem resgatar as perdas acumuladas por quebras na atividade remunerada.

A outra medida foi desconsiderar, para cálculo de aposentadorias, o diferencial de sobrevida das mulheres. Usam-se tábuas demográficas unissex.

Não por acaso, os exemplos acima referem-se a sociedades onde o grau de formalização é elevado, onde a taxa de atividade das mulheres é alta (superior a 80% em muitos deles), onde um dos florões da política social são os benefícios universais para crianças, forma de evitar ex ante que a pobreza ou períodos de escassez e dificuldades possam comprometer o desenvolvimento das novas gerações. E onde a provisão pública de serviços que substituem com qualidade o tempo das mulheres (creches, escolas tempo integral, serviços de care para idosos, etc) tende a ser consequente e efetiva. No Brasil, a taxa de atividade das mulheres é da ordem de 62%. Ora, ao invés de se pensar em como estimular a participação feminina no mercado de trabalho para elevar sua densidade contributiva, por meio do aumento da produtividade da sua força de trabalho, da sua taxa de atividade e do número de horas trabalhadas por semana, visa-se a outra ponta, que penaliza.

Mas na América Latina a proteção às mulheres mais velhas levou Chile e Uruguai a adotarem o crédito de aposentadoria por filho, aumentando o valor dos benefícios nos grupos mais vulneráveis. A compreensão de que a velhice é um fenômeno essencialmente feminino não se resolve com restrições à cobertura previdenciária das mulheres, exigindo mais tempo de contribuição, o que torna cada vez menos plausível cumprir com os requerimentos. Ademais, o tempo obrigatório de contribuição tende a ser vinte anos, menor do que o que se pretende implantar no Brasil.

O que está em jogo, de fato, não é tão somente a questão demográfica, senão e prioritariamente mudanças no mercado de trabalho em decorrência de novas formas de produzir riqueza que restringem o crescimento econômico, cada vez mais anêmico, gerando menos e piores empregos.

Discutir uma reforma previdenciária em fatias, sem a visão do todo, deixando de lado as mudanças que se pretende implementar com a reforma trabalhista — cuja meta é generalizar o trabalho precário e agravar a rotatividade da mão de obra —, tudo isso na ausência de uma reforma tributária séria capaz de corrigir as distorções que nos impedem de sermos uma sociedade mais igualitária, é apostar contra o povo brasileiro. Portanto, também contra as mulheres. Aqui vale o refrão feminista: nem uma a menos. Seguimos juntas, todas!

Lena Lavinas é professora da UFRJ e visitante da Universidade de Berlim

oglobo.globo.com | 05-03-2017

RIO — “A casa é sua, pode entrar”, diria um carioca, receptivo que ele só, se um grafiteiro paulistano, aborrecido com a pouca sensibilidade do prefeito João Doria à arte de rua, resolvesse aportar em solo carioca de spray e cuia. E teria ainda as boas-vindas do prefeito do Rio, Marcelo Crivella, que deixou as portas abertas para quem quiser trocar o cinza pelo colorido na paisagem da cidade.

— O grafite se integrou à cultura do Rio. É muito importante que, em propriedades privadas, se tenha autorização. Se não, fica algo arrogante e que tira a beleza da arte. No espaço público, desde que não seja pichação, tudo bem, se incorporou à nossa cultura — diz Crivella.

Toz e Titi Freak comentam o cenário do grafite no Rio

Ao que tudo indica, é um caminho sem volta. Assim como as maiores metrópoles do mundo, o Rio hoje transpira arte urbana. A popularização da street art foi sacramentada durante a Olimpíada, quando o Boulevard Olímpico foi tomado por grandes murais, como o “Etnias”, de Eduardo Kobra, que atraíram milhares de admiradores e serviram de pano de fundo para inúmeras selfies.

LEIA TAMBÉM: Meeting of Favela, grafite que transforma perspectivas

Novos eventos na Zona Portuária

Os curadores dos painéis que enfeitaram a Orla Conde, a carioca Andrea Franco e o paulistano Kléber Pagu, sócios da agência RUA, agora preparam novas ofensivas contra o cinzento mau humor: os festivais “Rio das Cores”, de grafites em empenas de prédios, e “Rio Chalk Festival”, de pinturas em 3D realizadas no chão, com giz. Ambos serão realizados ainda neste semestre, na Zona Portuária, e com a participação de artistas nacionais e internacionais, incluindo grafiteiros de renome de São Paulo.

— O Rio tem grandes possibilidades para a arte de rua, que são reforçadas no momento em que você começa a ter os grafites apagados em São Paulo — opina Pagu em referência à decisão do prefeito da capital paulista de, em janeiro, mandar cobrir de cinza um mural de cinco quilômetros feito por centenas de artistas na Avenida Vinte e Três de Maio, o maior da América Latina. — Ações desse tipo acabam fortalecendo o evento, que já estava marcado.

Um dos paulistanos confirmados no “Rio das Cores”, Binho Ribeiro, com 32 anos de experiência com os sprays, acredita que, no Rio, há uma clareza maior sobre “a colaboração da arte urbana”:

— Os focos no turismo e no entretenimento deixam a impressão de que o Rio é mais aberto para a arte em todos os sentidos. Em São Paulo, é uma barreira a ser rompida a cada dia.

Outra participação paulistana garantida no festival, Tikka, de 30 anos de idade e 15 de grafite, chama atenção para outro predicado do Rio:

— O cenário sempre contribui para a inspiração — diz a artista, que também participa anualmente do Meeting of Favela (MOF), festival organizado pelos grafiteiros Kajaman e Carlos Bobi, que, desde 2006, levam a cultura urbana para a Vila Operária, em Caxias.

O paulistano Toddy, que teve um dos seus grafites apagados por Doria, diz que a “ditadura da arte que se instalou em São Paulo vai criar uma resistência e dar mais motivos para o pessoal querer pintar” por lá. Mas grafitar no Rio, diz, “é sempre incrível”:

— O tratamento é bem diferente. Já fiz grafites dentro das casas das pessoas, dei entrevista em rádio comunitária... Aqui, em São Paulo, o pessoal ainda tem um certo preconceito, não entende muito e não cede o muro com facilidade.

Também de São Paulo, Titi Freak está passando uma temporada no Rio para grafitar as paredes externas de um antigo barracão da Mangueira, no Santo Cristo, a convite dos organizadores do festival Art Rua. Um dos pioneiros do grafite na cena paulista, Titi diz perceber a evolução que vem acontecendo no Rio ao longo dos anos.

— O espaço está bem aberto, na Zona Portuária principalmente, tanto para projetos como esse, gigantescos, quanto para um artista novo que queira pintar ali na esquina — afirma.

Quem passa pela Zona Portuária vê que é uma questão de tempo. E que o processo, inclusive, está bem adiantado, muito por iniciativa de Andre Bretas, idealizador do Art Rua. Desde a primeira edição do festival, que acontece em paralelo à Feira Internacional de Arte do Rio (ArtRio) e traz artistas do Brasil e do exterior para expor seus trabalhos aqui, mais de 40 galpões e empenas de prédios da região ganharam grafites e cor.

— Fui algumas vezes à Art Basel (feira de arte internacional realizada em Miami) e conheci o Wynwood, bairro revitalizado por meio da arte. Achei que seria uma forma legal de transformar a Zona Portuária. Fico feliz de ter conseguido plantar essa semente — afirma Andre, comparando o cenário atual com o que encontrou há seis anos. — Tínhamos que apresentar o grafite para os comerciantes e síndicos liberarem suas fachadas. Hoje, as pessoas já sabem o que é e a maioria aprova.

Arte de rua

Um dos grandes expoentes do ramo, o baiano Toz, radicado no Rio há mais de 20 anos, acompanhou de perto essa transformação.

— Há várias frentes sendo formadas: projetos de grandes murais, festivais de street art, artistas indo para galerias... — observa Toz, que já fez trabalhos como um painel gigante no prédio da ONU em Genebra, na Suíça, mas ainda dá valor aos pequenos prazeres. — Até hoje pinto ilegalmente com amigos nas ruas. Acho que isso que dá graça ao movimento e desenvolve a criatividade de vários artistas — defende ele, que grafitou até uma alegoria que a tradicional Mangueira levará ao sambódromo este ano.

Galeria: os expoentes do grafite do Rio e de São Paulo

Defesa da liberdade de expressão

Marcelo Ment, outro talento das bandas de cá, também é defensor da liberdade de expressão.

— A ocupação das ruas é um movimento legítimo e reflexo do tipo de sociedade em que vivemos. Antropologicamente, o homem sempre se expressou nos muros — constata Ment.

O paulistano Mauro Neri, que foi preso no final de janeiro por tentar restaurar um de seus grafites apagados pela gestão de Doria, defende até que “grafite e pichação ocupem o mesmo espaço”:

— É uma linha muito tênue.

Opinião que ganha coro de Rui Amaral, um dos curadores do corredor de arte urbana que foi apagado na capital paulista:

— Não gosto de vandalismo, mas a questão não está ligada à polícia. É cultural — argumenta ele, que se dispôs a ajudar Doria, interessado agora em criar um museu de arte de rua a céu aberto.

Apesar disso, no imbróglio paulistano, o prefeito determinou multa de R$ 50 mil para quem pintar monumentos e de R$ 5 mil para pichadores de muros. Em outra mão, no entanto, Lisette Lagnado, diretora da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, além de crítica de arte e curadora, reforça que tanto grafite quanto pichação “são manifestações para reivindicar um espaço público”:

— Estudos sociológicos mostram que os enclaves fortificados têm proliferado em São Paulo, e os muros se tornaram um suporte de expressão pública. O que está em jogo é o que a tinta cinza encobre.

Nascido no Campo Limpo, bairro da periferia de São Paulo, e hoje artista de renome internacional, Eduardo Kobra destaca que uma das saídas para o abismo social é justamente a arte de rua:

— Tive a oportunidade de seguir o caminho das drogas, do crime. Tive que lutar contra essas propostas, muito sedutoras, e seguir o caminho da arte. O primeiro ponto é perceber que muitos artistas são de origem muito simples e autodidatas. Com incentivas básicos é possível oferecer perspectivas de vida para jovens talentosos.

oglobo.globo.com | 05-02-2017

RIO - A melhor descrição sobre o poeta e escritor Oswald de Andrade (1890-1954) foi dada pelo crítico Antonio Candido, em 1964: “gigantesco, transbordante, cintilante, generoso, violento e risonho, infantil e maduríssimo, sempre alerta, sempre combativo, sempre disposto à luta e a esquecer os espinhos da luta”. A famosa verve de Oswald, tão bem definida por Candido, está presente em 22 poemas inéditos até agora. Os textos estavam em cadernos e folhas avulsas que, na década de 1990, permaneciam com a família do modernista paulistano e hoje estão guardados no Fundo Oswald de Andrade, no Centro de Documentação Alexandre Eulalio da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A descoberta foi feita por Dilea Zanotto Manfio e Gênese Andrade durante pesquisa para elaboração das “Obras incompletas”, uma edição crítica coordenada pelo professor Jorge Schwartz, da Universidade de São Paulo (USP), e que faria parte da Coleção Archives. Contudo, as “Obras incompletas” nunca foram publicadas, e os poemas saem agora, pela primeira vez, em “Poesias reunidas”, (Companhia das Letras). A editora começou a relançar no segundo semestre do ano passado todas as obras do poeta e escritor.

— Não sabemos por que Oswald não os publicou. São bons, de qualidade, têm valor estético e dialogam com seus contemporâneos — explica Gênese, que coordena a reedição das obras em conjunto com Schwartz, ressaltando que um dos textos, “História de José Rabicho”, foi publicado numa revista, há mais de dez anos.

Além dos inéditos, “Poesias reunidas” traz, num mesmo volume, “Pau Brasil” (1925), “Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade” (1927), “Cântico dos cânticos para flauta e violão” (1942) e “O escaravelho de ouro” (1946). Em seguida, vêm “Poemas menores”, com textos escritos entre 1925 e 1944, mas já publicados em outras antologias, e “Poemas dispersos”, com alguns versos publicados em revistas, mas jamais em livro.

— Poemas como “sol” e “meditação no horto” (com títulos em letras minúsculas mesmo) foram publicados na “Revista de Antropofagia”, mas são inéditos em livro. É bem curioso que Oswald não os tenha incluído na edição de 1945 das “Poesias reunidas” — aponta Gênese.

Schwartz vê uma relação entre os textos inéditos e as obras “Pau Brasil” e “Primeiro caderno do aluno de poesia...”. “História de José Rabicho”, na sua opinião, mostra o caráter altamente experimental de Oswald. O poeta escreveu duas versões: a primeira, composta de 14 pequenos poemas, e a segunda, um texto único de prosa poética. Já como exemplo de síntese, o professor cita o poema inédito dedicado à filha de Tarsila do Amaral, Dulce, chamada por Oswald de “Dolur”.

— No poema “dreams can never be true”, está: “Um poema no espelho/ No one but you”. Vemos aqui quase um ready-made linguístico, como o chamara Haroldo de Campos — explica Schwartz. — Essa série de poemas, verdadeiros achados de Dilea e Gênese, revelam bastidores e exercícios que finalmente hoje vêm à luz.

Na fortuna crítica de “Poesias reunidas” está “O lado oposto”, carta de Oswald a Menotti del Picchia publicada no “Correio Paulistano”, em 1925, acerca da recepção de seu livro “Pau Brasil”. Começa o poeta: “Apenas me afastei de São Paulo dez dias, e tive o prazer de contar dez tentativas de assassinato da Poesia Pau Brasil”. O tom ácido e não raro debochado, comum a Oswald, trouxe problemas para suas relações pessoais, diz Schwartz.

— Oswald perdia o amigo, mas não a piada. Como sempre lembra Antonio Candido, ele não sabia o que era rancor. No dia seguinte, esquecia a piada, o que não acontecia com os amigos. O caso mais conhecido é a sua relação com Mário de Andrade. De uma intensa amizade intelectual a uma ruptura no fim dos anos 1920, por conta principalmente de piadas indigestas que nunca foram assimiladas por Mário.

A edição inclui ainda uma carta de Carlos Drummond de Andrade sobre “Primeiro caderno de poesia...”, de 1928, uma entrevista concedida pelo poeta a Mário da Silva Brito, em 1943, e o clássico ensaio de Haroldo de Campos “A poética da radicalidade”, de 1965, além de ilustrações feitas por Tarsila do Amaral e Lasar Segall para várias obras. Alguns desenhos de Tarsila para a primeira edição de “Pau Brasil” estão reproduzidos nesta página.

— Oswald foi moderno e hoje é contemporâneo. “Pau Brasil” foi uma ruptura com o cânone da poesia em língua portuguesa — afirma Schwartz. — Se hoje a “apropriação” é assunto crucial nas artes visuais, Oswald soube se apropriar de vários tipos de discursos, para transfigurá-los em poesia.

ALGUNS POEMAS INÉDITOS

“música”

Nêgo du bombo

Quano vae

Tocano marcha

Nêgo da caxa

Bota o pé

No carcanhá

Caxa véia

Já tem mais

De mile rombo

Nêgo du bombo

Tem pé de chapuá

“poema pontifical”

Vittel tanto de tanto

Cheguei da Suíça

O governo mandou pôr anil

No Lago Lemano

Sarei da doença

Morro da cura

Nesta Lorena que não vale

A de Guaratinguetá

“que felicidade”

Ontem às 18 horas

Foi dia de Milagre

Nossa Senhora do Amor

Endireitou minha vida

Ontem às 18 horas

Fiquei noivo

Nossa Senhora do Brasil

Vai ser nossa madrinha

oglobo.globo.com | 28-01-2017

A Politize!, startup de Joinville voltada à educação política nas escolas, foi pela segunda vez uma das premiadas pelo Fórum Econômico de Davos, na Suíça. O projeto está entre os ganhadores do prêmio Shaping a Better Future 2016(Moldando um Futuro Melhor), desenvolvido pela Coca-Cola, que oferece financiamento de aceleração para sustentar e expandir iniciativas lideradas […]

O post Politize! apareceu primeiro em Envolverde.

www.envolverde.com.br | 26-01-2017

DAVOS - O desenvolvimento de uma economia não pode ser medido apenas distribuição de renda entre sua população. Ele também precisa considerar outros aspectos como o acesso das pessoas a educação, serviços, emprego, intermediação financeira, proteção social e patrimônio. Com base nessa premissa, o Fórum Econômico Mundial (WEF) de Davos, na Suíça, divulgou, nesta terça-feira, o novo “Relatório sobre Desenvolvimento e Crescimento Inclusivos”. O documento traz um ranking de 109 países com base nesses indicadores e também nos efeitos que problemas como a corrução trazem para a qualidade de vida dos cidadãos.

DAVOSO Brasil aparece em 30º na lista dos 79 países em desenvolvimento observados, atrás de outras economias como Argentina (11º lugar), Venezuela (26º lugar) e México (29º) . Isso porque embora tenha uma renda per capita mais elevada, a desigualdade faz o país perder posições. “Alguns países têm um ranking de Desenvolvimento maior que sua renda per capita, o que sugere que eles fizeram um bom trabalho em tornar seu processo de crescimento inclusivo. Isso inclui, por exemplo, Camboja, República Tcheca, Nova Zelândia, Coreia do Sul e Vietnã. Em contraste, outros têm um índice significativamente mais baixo que sua renda per capita, indicando o contrário. Isso inclui Brasil, Irlanda, Japão, México, Nigéria, África do Sul e Estados Unidos” diz o documento.

No caso brasileiro, se o critério de avaliação fosse apenas o crescimento econômico, ele ocuparia a 9ª posição. No entanto, quando se observa apenas o critério da desigualdade, o país despenca para a 42ª colocação. Entre os emergentes, os três líderes no ranking são Lituânia, Azerbaijão e Hungria. Já os desenvolvidos têm no topo Noruega, Luxemburgo e Suíça.

De acordo com o documento, 51% dos países analisados viram seu índice de Desenvolvimento Inclusivo cair nos últimos cinco anos, o que comprova que os governantes têm dificuldades em fazer com que o crescimento econômico se transforme em progresso social.

— Existe um consenso global de que o crescimento inclusivo foi muito mais teórico do que prático. Para responder de maneira mais eficiente a problemas sociais, a política econômica precisa de reformas estruturais e também que ministros de finanças priorizem a inclusão tanto quanto a política macroeconômica tradicional — afirmou Richard Samans, um dos autores do documento.

oglobo.globo.com | 17-01-2017

RIO - O Festival de Berlim divulgou, nesta segunda-feira, os 23 filmes de 19 países que irão concorrer ao prêmio na categoria de curta-metragem. O brasileiro "Estás vendo coisas", de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, está entre os indicados.

Este ano, o júri será formado por Christian Jankowski, artista e professor da Universidade Estadual de Arte e Design de Stuttgart, Kimberly Drew, curadora e gerente de mídias sociais do Metropolitan, em Nova York, e Carlos Núñez, diretor artístico do Festival Internacional de Santiago.

O Festival de Berlim será realizado entre os dias 9 e 19 de fevereiro.

Veja a lista dos curtas indicados:

"Altas Cidades de Ossadas", João Salaviza, Portugal

"Avant l'envol", Laurence Bonvin, Suíça

"The Boy from H2", Helen Yanovsky, Israel e Palestina

"Call of Cuteness", Brenda Lien, Alemanha

"Centauro", Nicolás Suárez, Argentina

"Cidade Pequena", Diogo Costa Amarante, Portugal

"Coup de Grâce", Salomé Lamas, Portugal

"The Crying Conch", Vincent Toi, Canadá

"Ensueño en la Pradera", Esteban Arrangoiz Julien, México

"Estás vendo coisas", Bárbara Wagner & Benjamin de Burca, Brasil

"Everything", David OReilly, EUA e Islândia

"Le film de l'été", Emmanuel Marre, França e Bélgica

"Fishing Is Not Done On Tuesdays", Lukas Marxt & Marcel Odenbach, Alemanha e Áustria

"Fuera de Temporada", Sabrina Campos, Argentina

"Hiwa", Jacqueline Lentzou, Grécia

"Os Humores Artificiais", Gabriel Abrantes, Portugal

"Keep that dream burning", Rainer Kohlberger, Alemanha e Áustria

"Kometen", Victor Lindgren, Suécia

"Martin Pleure", Jonathan Vinel, França

"Miss Holocaust", Michalina Musielak, Polônia e Alemanha

"Monangambeee", Sarah Maldoror, Argélia

"Oh Brother Octopus", Florian Kunert, Alemanha

"The Rabbit Hunt", Patrick Bresnan, EUA e Hungria

"Street of Death", Karam Ghossein, Líbano e Alemanha

oglobo.globo.com | 09-01-2017
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