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“2013 corre o risco de ser um ano difícil para os construtores de automóveis europeus” prevê Der Spiegel, após a publicação de um estudo da universidade de Duisburg-Essen, na região do Ruhr onde está instalada uma grande parte da indústria automóvel alemã. Segundo este relatório, as vendas poderão recuar 5% este ano nos países da Europa ocidental em relação a 2012. Apenas 11,9 milhões de carros deverão ser vendidos nos 27 países da União Europeia e na zona de comércio livre europeia, fazendo de 2013 “o pior ano para a indústria automóvel europeia nos últimos 30 anos”, adianta o jornal. Os países mais afetados são os da Europa do Sul, realça a revista: a produção na França, Espanha e Portugal poderá passar de 62 para 58% da capacidade das fábricas, entre 2012 e 2013. O pior cenário está previsto para a Itália, com 49% de volume de produção para 2013. Uma situação que não deverá melhorar nas duas próximas semanas, conclui o Spiegel.
www.presseurop.eu | 11-06-2013
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BERLIM — Num hábito berlinense, a espanhola Esther Vidal, 32 anos, pedala até o emprego, um restaurante italiano onde serve mesas de duas a três vezes por semana, até que tenha mais segurança em seu outro trabalho, o de designer autônoma. Ela para no caminho e, em alemão, cumprimenta clientes de um restaurante mexicano, seu primeiro emprego em Berlim, há dois anos. Trabalhava seis dias por semana. Foi um duro, mas bom começo para quem passara dois anos procurando emprego em seu país. — Tive depressão, vi que após dez anos teria que voltar para a casa dos meus pais. Não queria vir, mas era minha única saída. Foi como se meu próprio país tivesse me expulsando — diz ela, que, formada em engenharia industrial, perdeu o emprego numa empresa de energia solar em Alicante, em 2008, e decidiu fazer mestrado em design. Depois de Esther, mais espanhóis chegaram à Alemanha. E portugueses, gregos e italianos. Os dados da imigração, divulgados em maio, revelam que, em 2012, a Alemanha recebeu o maior número de imigrantes desde 1995: foram 1,081 milhão de entradas oficiais, 966 mil delas de estrangeiros. Cerca de dois terços são da União Europeia (UE). A imigração do Leste Europeu é a maior em números absolutos. Mas, percentualmente, é do Sul, dos países mais atingidos pela crise econômica, que veio o aumento mais significativo: da Espanha entraram 45% a mais em relação a 2011; de Grécia e Portugal, 43% a mais cada; e da Itália, 40%. Considerando-se os que saíram do país, a Alemanha teve um saldo de 369 mil imigrantes, sobretudo jovens e qualificados, o que tem sido comemorado por grande parte da mídia e dos políticos alemães, devido ao déficit interno de mão de obra. Na semana passada, a ministra do Trabalho da Alemanha, Ursula von der Leyen, assinou em Madri um acordo para receber cinco mil jovens espanhóis em quatro anos, em cursos de formação ou empregos. Na Espanha, o desemprego dos jovens com menos de 25 anos chega a 56%, só sendo superado na UE pela Grécia, com 64%. Na Alemanha, são 7,6%. Última onda foi nos anos 90 Para o pesquisador Herbert Brücke, do Instituto de Mercado de Trabalho e Pesquisa Ocupacional, o movimento tem benefício duplo. Por um lado, supre a necessidade de mão de obra na Alemanha — segundo a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em 2020, o país terá 40% menos gente entrando no mercado de trabalho do que se aposentando. Por outro lado, alivia os custos sociais nos países em crise, sem risco de “fuga de cérebros”. — Foram 72 mil imigrantes de Grécia, Portugal, Espanha e Itália em 2012. Não é um número alto dada a taxa de desemprego desses países. Eles vão se beneficiar mais com a emigração — afirma Brücke. O risco, porém, é que a Alemanha, que desde 2000 tem facilitado a imigração altamente qualificada, reforce a divisão entre migrantes desejados e indesejados, mesmo entre os europeus. As duas últimas ondas de imigração ao país foram na década de 1990, após a Guerra dos Bálcãs e a reunificação alemã; e dos anos 1950 aos 1970, com os “trabalhadores convidados” no pós-guerra, sobretudo do Sul da Europa e da Turquia. Foi nesta época que o tio da portuguesa Claudia Sousa chegou a Kaiserslautern, no sudoeste da Alemanha. Seu sonho era voltar para Portugal, mas ele e a mulher se aposentaram em terra estrangeira. Já Claudia, de 24 anos, não se imagina voltando. Em Berlim desde agosto de 2012, conseguiu emprego num escritório de arquitetura em duas semanas. Era recém-formada em planejamento urbano no Porto, onde fez estágio não remunerado na Câmara Municipal. — Não fiz nada em nove meses, porque não havia projetos. Eles queriam que eu ficasse, mas sem salário. Agora a crise é desculpa para não pagar ninguém. Sinto que escapei no momento certo — diz Claudia. O italiano Giovanni Coscia, 31 anos, colega de Claudia, tem a mesma sensação. Desde que deixou Florença, em 2010, a situação em seu país piorou: o escritório onde trabalhava fechou e os impostos subiram. Para os arquitetos, o maior desafio agora é a língua, mas ambos avançam com aulas. No início de 2013, o Ministério do Trabalho alemão lançou um programa de € 139 milhões para financiar cursos de idioma em países da Europa e estágios na Alemanha. Mas muitos aprendem alemão nos intercâmbios universitários da bolsa Erasmus, da UE, que beneficia cerca de 200 mil estudantes por ano. Foi pelo Erasmus que o jornalista espanhol Pablo Barbero, de 27 anos, passou um ano em Bamberg, no Sul da Alemanha. Mesmo já formado, fez seis estágios em Madri, que pagavam até € 300. Chegou a Berlim em setembro de 2012 e, após três meses de estágio na TV alemã Deutsche Welle, foi contratado como produtor do canal em espanhol. Pela primeira vez saiu da casa dos pais e hoje divide apartamento com uma espanhola. — A situação na Espanha é lamentável. Quando meus amigos têm trabalho é na Zara, no Carrefour. Quem não saiu do país mora com os pais — diz ele, que às vezes escreve para o jornal “El Mundo”. — Na Espanha se pensa que tudo aqui é fantástico, mas também há muito trabalho precário. Berlim, de fato, não é a Alemanha. A taxa oficial de desemprego na capital é de 12,4%, cinco pontos percentuais acima da média nacional. Berlim, porém, é mais barata do que as grandes cidades europeias. A italiana Bárbara Savarino, 37 anos, chegou no início de maio e mora num apartamento de € 400. Em Roma, como o aluguel não era menos de € 800, ela vivia com a mãe e a irmã, de 42 anos. Recebia € 8,33 por hora num hotel de luxo, com contrato diário — a cada dia era informada de seu turno seguinte. Em três dias em Berlim, com alemão iniciante, tinha um contrato mensal no mesmo restaurante de Esther: € 7 por hora, mais gorjetas. Não é muito, diz, mas ela agora está “sorrindo de novo”. Esther, aos poucos, diminui o ritmo no restaurante, que talvez abandone depois do verão. Já consegue viver da empresa de design que criou com o marido, e acaba de fechar dois projetos com uma empresa alemã. Desde que chegou, recebe e-mails de espanhóis perguntando qual é a fórmula mágica: — Não é tão simples. É fácil se acostumar à vida de garçom. Muita gente perde o objetivo em Berlim, não aprende a língua e culpa os alemães por tudo. O rancor com os alemães também era parte do cotidiano do grego Nikias Karoulis, mas é com seus conterrâneos que ele se ressente. Formado na Escola Alemã de Thessaloniki, entrou em 2012 para a Universidade Técnica de Berlim, onde estuda Proteção Ambiental: — Já protestei muito, mas hoje se vai a manifestações para quebrar lojas. Nossa crise dura 40 anos. Não dá mais para mudar tanta corrupção.
oglobo.globo.com | 08-06-2013
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“Os que nomeiam esses eventos como a Primavera Turca não conhecem a Turquia”, exclamou o primeiro-ministro Recep Erdogan, enquanto as manifestações se espalhavam nacionalmente, a partir da Praça Taksim, no centro de Istambul. O espectro de uma outra praça — Tahir, no Cairo — atormentava Erdogan e animava os manifestantes. Taksim não é Tahir, mas as duas praças convergem, por vias diversas, à condição de símbolos de uma segunda primavera no Grande Oriente Médio. O que está em jogo é a oportunidade histórica da reforma do Islã, por meio da plena aceitação das liberdades públicas e individuais. Na Praça Tahir, em fevereiro de 2011, o pêndulo se inclinou em definitivo quando os trabalhadores entraram em cena, precipitando a queda do ditador Hosni Mubarak. O levante da Praça Taksim começou pelas classes médias, como em Tahir, mas os trabalhadores ensaiaram uma greve geral já no quinto dia dos protestos. Taksim não é Tahir, por motivos políticos (o governo de Erdogan não é uma ditadura) e culturais (a Turquia não faz parte do mundo árabe). Contudo, Erdogan age como quem “não conhece a Turquia” — ou, ao menos, conhece apenas uma Turquia simplificada, que é islâmica, otomana e imperial. A pátria ideológica e cultural de Erdogan é uma Turquia amputada dos noventa anos de história da república secular, europeísta, fundada por Kemal Ataturk. A fagulha da Primavera Árabe acendeu-se na palha seca de anos de depressão econômica. Na Turquia, pelo contrário, a revolta eclodiu após uma década de forte crescimento econômico. O motor original das manifestações foi um projeto de substituição do Parque Gezi por um complexo de edificações comerciais, culturais e religiosas, mas a revolta levantou voo quando a violenta repressão policial evidenciou uma desconexão política fundamental: nas ruas, os cidadãos estão dizendo que existe uma outra Turquia, cujos valores são desrespeitados pelo governo. “Nós somos filhos de Ataturk”, dizem os cartazes de Taksim. Ataturk, o “pai dos turcos”, reinventou a Turquia como Estado-Nação, renunciando à visão imperial otomana. O plano de Erdogan para a área do Parque Gezi inclui a demolição do Centro Cultural Ataturk e a construção de um simulacro de um antigo quartel otomano. Na raiz da revolta, encontra-se a ampla oposição pública ao envolvimento da Turquia na guerra civil síria — ou seja, ao renascimento neo-otomano acalentado pelo governo. Mas isso não é tudo, nem o principal. Ataturk aboliu o califado, separou a escola da mesquita, conferiu às mulheres direitos iguais aos dos homens. Sob Erdogan, no alto funcionarismo público, mensagens não muito ocultas instruem as mulheres a se vestirem em padrões tradicionais, as escolas reintroduzem cursos corânicos, adverte-se contra o beijo em lugares públicos e uma nova lei restringe o comércio de bebidas alcoólicas. “Nos exames, surgem diversos itens ideológicos adaptados aos apoiadores do governo”, disse um estudante secundarista envolvido nos protestos de Taksim. A praça Taksim não é a Tahir original, mas parece-se com a segunda Tahir, onde as correntes seculares egípcias desafiam o tradicionalismo islâmico do governo da Irmandade Muçulmana. Desde 2001, quando Erdogan fundou o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), a Turquia engajou-se num experimento histórico de vastas implicações. No novo partido, abrigaram-se correntes islâmicas oriundas dos estilhaços de partidos fundamentalistas condenados à ilegalidade, além das novas elites urbanas desencantadas com a corrupção do antigo partido dirigente nacionalista ancorado na herança de Ataturk. Ao longo de uma década de governo, o AKP utilizou os acordos da candidatura turca à União Europeia para quebrar a armadura do chamado “Estado Profundo”, o sistema de poder da cúpula militar kemalista, e introduzir uma coleção de reformas democráticas. Ironicamente, o partido de origens islâmicas deflagrou uma segunda “europeização” da Turquia. Há dois anos, numa coletiva de imprensa, líderes partidários rejeitaram o adjetivo “islamista” convencionalmente associado ao AKP. Na ocasião, o ex-ministro da Educação Huseyin Çelik definiu-o como um “partido democrático conservador”, enfatizando que o conservadorismo “circunscreve-se aos temas morais e sociais”. Filtrou-se da entrevista a ideia de uma “democracia islâmica”, um conceito ambíguo que faz sucesso entre as facções modernizantes da Irmandade Muçulmana egípcia. “Erdogan é um político muito ousado e muito autoritário, e não mais ouve ninguém, mas precisa entender que a Turquia não é um reino”, observou um cientista político da Universidade do Bósforo. Num indício de inquietude, o primeiro-ministro apontou o partido kemalista de oposição como responsável pelo levante. A revolta que se estende pela Turquia não tem a marca de um partido, abrangendo jovens e velhos, homens e mulheres, turcos e curdos, esquerdistas e liberais. Não é a nação inteira que se levanta, mas é quase toda a sua face resolutamente secular. Os protestos têm cobertura limitada dos veículos de comunicação, pois o governo Erdogan aprendeu a manipular de acordo com as suas conveniências as leis de segurança nacional do “Estado Profundo” kemalista que permitem processar jornalistas com base em acusações de ressonâncias orwellianas. A Praça Tahir foi o símbolo das revoluções democráticas que saltaram de um país árabe a outro, derrubando ditaduras e provocando reformas em anacrônicas monarquias. Hoje, porém, em nome do Islã e no váculo político criado pela Primavera Árabe, iracundos fundamentalistas tentam tolher as liberdades civis e seitas de fanáticos perseguem as mulheres que ousam mostrar o rosto em público. A Praça Taksim está enviando uma mensagem, que será ouvida muito além da Turquia, de resistência ao inverno fundamentalista. Erdogan pode dizer o que quiser, mas isso é, sim, uma Primavera Turca. Demétrio Magnoli é sociólogo
oglobo.globo.com | 06-06-2013
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Para combater a recessão na União Europeia (UE), o Banco Central Europeu decidiu, no início deste mês, reduzir a taxa de juros para empréstimos feitos junto à instituição por bancos comerciais. A taxa agora é de 0,5%, a mais baixa desde a criação da Zona do Euro. Com esta medida, aliada ao socorro econômico de Chipre e Grécia e à política de austeridade adotada no bloco, a economia europeia tem dado sinais de que está se recuperando. A estimativa do professor do departamento de Economia da Universidade de São Paulo (USP) Fábio Kanczuk é de que a partir do segundo semestre deste ano já haja indíces positivos de crescimento....
economia.terra.com.br | 15-05-2013
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REINO UNIDO - O Partido Conservador do primeiro-ministro britânico David Cameron vai apresentar nesta terça-feira um projeto de lei que prevê a convocação de um referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia em 2017. O sinal verde do premier à apresentação do projeto é uma tentativa de conter a rebelião da ala eurocética de seu partido, mas não deve acalmar os ânimos dos “eurofóbicos”. O líder dos revoltosos, John Baron, garantiu que não vai retirar a emenda à agenda legislativa do premier para este ano, que exige a adoção de uma lei sobre a consulta popular. Veja também - É uma clara demonstração de nosso compromisso para reforçar a convocação do referendo -, disse à BBC o ministro das Relações Exteriores, William Hague. A proposta consistiria em uma pergunta única sobre a permanência ou a saída do bloco europeu. Cameron preferiu deixar a iniciativa nas mãos de seu grupo parlamentar, em vez de apresentar seu próprio projeto de lei, para não ferir a sensibilidade “europeísta” de seus parceiros democratas liberais no governo de coalizão, que apoiam a continuação do país no bloco europeu. A iniciativa de Cameron, dois dias após vários de seus ministros e funcionários de altos cargos anteciparem que votariam contra a permanência na UE, tenta evitar uma revolta dos próprios conservadores e diminuir o valor simbólico da votação da emenda ao discurso da rainha Elizabeth, que será realizada nesta quarta-feira. Apesar das tentativas do premier de conter o avanço dos revoltosos, a maré de “eurofobia” só cresce. De acordo com uma pesquisa da consultora ICM, encomendada pelo jornal britânico “The Guardian”, o Partido da Independência do Reino Unido (UKIP) se consolida como a terceira força política do Reino Unido, com 18% da preferência total dos votos, contra 34% dos trabalhistas e 28% dos conservadores. O Partido Liberal-Democrata do vice-primeiro-ministro Nick Clegg perde força e está em quarto lugar, com 11%. A UKIP, um partido anti-UE, pressiona Cameron a realizar uma votação sobre a União Europeia agora. Questão divide o Gabinete britânico Na manhã de domingo, o ministro da Educação, Michael Gove, um homem de extrema confiança de Cameron, manifestou publicamente seu desejo de ver seu país fora da União Europeia. Na parte da tarde, foi a vez do titular da Defesa, Philip Hammond, afirmar que se tivesse um referendo votaria pela saída do Reino Unido. Nesta segunda, outros dois pesos pesados se somaram ao apoio ao “não” à UE: o ministro do Trabalho e Pensões, Ian Duncan Smith, e o titular do Meio Ambiente, Owen Paterson. A lista inclui ainda o secretário de Estado para o Emprego, Chris Grayling; a secretária para a Irlanda do Norte, Theresa Villiers; a de Desenvolvimento Internacional, Justine Greening, o ministro de Casa Civil, Francis Maude, e seu segundo, Olivier Letwin.
oglobo.globo.com | 14-05-2013
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BUDAPESTE - Em apenas 10 anos, o Jobbik - que significa Movimento para uma Hungria Melhor - tem se tornado um dos partidos de extrema direita mais bem sucedidos da Europa, junto com a Aurora Dourada na Grécia. É a terceira força política na Hungria, tem 43 deputados em uma câmara de 386 parlamentares. Três de seus membros ocupam o Parlamento Europeu, mesmo sendo “eurófobos” e uma de suas referências internacionais é o Irã. No entanto, a retórica antissemita do partido não é a que mais benefício lhe traz. A grande obsessão da legenda são os ciganos, que representam 10% dos 10 milhões de húngaros. Veja também - A rejeição aos ciganos está mais ligada com os estereótipos que circulam na sociedade húngara, “muito menos anti semita que contrária aos ciganos” - explicou Péter Krekó, especialista em extrema direita. A crise econômica que abala a União Europeia é um impulso para o surgimento destes movimento, mas é somente parte da explicação. O Jobbik já estava ali, antes da crise. - As raízes do crescimento do Jobbik também estão na crise política e institucional da União Europeia. Os partidos tradicionais têm perdido sua credibilidade. A base do Jobbik são jovens, homens, de classe média alta e muitos universitários - explica Krekó. A popularidade do partido na Hungria aparece nas eleições. Em 2010, obteve 17% dos votos. Seu programa se baseia na propagar a segregação dos ciganos, definidos pelos partidários como uma comunidade incapaz de se integrar com a sociedade, pessoas que vivem de subsídios, sem educação e estimulados a conceber filhos de maneira irresponsável. O Jobbik culpa exclusivamente os ciganos por um tipo de delito, uma espécie de roubo com o uso de navalhas. Apesar desta ideia já existir antes da crianção do partido, o discurso lhe dá visibilidade. Tal pensamento surgiu na criação da Guarda Húngara, uma organização vinculada ao Jobbik, formada por civis uniformizados que se dedicava a patrulhar os povoados para aterrorizar os ciganos. Mesmo proibida em 2009, alguns de seus seguidores continuam atuando. O último incidente aconteceu em Miskolc, em outubro, quando 3 mil partidários passaram por bairros ciganos com tochas nas mãos. Um dos perigos mais inquietantes dos movimentos extremistas é a sua capacidade de distorcer a política de um país. Isso porque, embora tenham pouco poder em relação ao número de deputados, tentam condicionar a agenda dos partidos maiores. Em 2014, a Hungria terá novas eleições. O Fidesz, partido conservador de Viktor Orbán, divide com Jobbik o discurso ultranacionalista e, como conta Krekó, “as críticas aos bancos e a ideia de que os políticos europeus conspiram contra a Hungria”. Mas Fidesz não é antissemita. Orbán condena esta atitude em seus discursos e organiza atos para lembrar o Holocausto. Sem impedimento, não mencionou o Jobbik quando falou com líderes judeus. No entanto, Fidesz não critica o enaltecimento, em todo país, do ditador Miklós Horthy, responsável pela deportação de cerca de meio milhão de húngaros para Auschwitz. No ano passado, o governo incluiu no programa educativo dois autores identificados com ideais nazistas e concedeu um prêmio de jornalismo a um reconhecido antissemita, pedindo a devolução do prêmio depois. Estas contradições podem responder porque Fidesz, com a popularidade diminuída desde 2010, está preocupado com a força do Jobbik.
oglobo.globo.com | 14-05-2013
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www.rtp.pt | 14-05-2013
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RIO - O cineasta dinamarquês Thomas Vinterberg venceu o Prix Media pelo filme "The commune", que deve começar a ser produzido no ano que vem. O prêmio é voltado a projetos cinematográficos com potencial para se destacar nas bilheterias, e o ganhador recebe um subsídio de um programa de cinema da União Europeia. Veja também
O diretor, que neste ano preside a mostra Um Certo Olhar (Un Certain Regard) em Cannes, vai dividir o prêmio com o co-roteirista Tobias Lindholm e a produtora Sisse Graum. A cerimônia vai acontecer durante o festival, no domingo, dia do aniversário de 44 anos de Vinteberg. "The commune" vai retratar a vida em uma comuna dinamarquesa nos anos 1970. "O desenvolvimento é uma parte vital e extremamente criativa do processo de um filme. É ótimo ter uma instituição como o programa Media, da União Europeia, que reconhece e apoia a produção de filmes em sua fase mais delicada", disse Vinteberg, que vai receber o prêmio das mãos de Androulla Vassiliou, comissária europeia para a Educação, Cultura, Multilinguismo e Juventude. "Este é um prêmio bem merecido para um dos maiores talentos como diretor. Os filmes de Thomas nunca são comuns. Sao sempre instigantes, muito bem contados e atuados. Ele não tem medo de se arriscar, e, depois do sucesso mundial de sua obra-prima de 2012, 'A caça', todos nós aguardamos ansiosamente pelo seu próximo lançamento", elogiou Androulla Vassiliou. O primeiro Prix Media foi entregue em 2012 para o filme "Le passé", que concorre, neste ano, à Palma de Ouro.
oglobo.globo.com | 13-05-2013
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Este ano, na Bélgica, “€63,17 mil milhões mudarão de mãos na economia paralela”, notícia o jornal De Morgen. O diário de Bruxelas escreve que segundo um estudo realizado em 31 países europeus pela Universidade Johannes Kepler de Linz, na Áustria, a economia paralela belga representa 16,4% do total da economia do país. É o nível mais baixo dos últimos dez anos mas, ainda assim, continua a ser o mais alto dos países da Europa Ocidental: na Alemanha, a média é de 13%, enquanto em França é de 9,9% e na Holanda de 9,1%. Em média, a economia paralela da Europa representa 18,5% do PIB, um decréscimo em relação aos 22,3% registados em 2003, escreve De Morgen, acrescentando que a situação é mais grave na Europa de Leste:
Uma das soluções seria “desencorajar o uso de dinheiro”, escreve o jornal:
www.presseurop.eu | 13-05-2013
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MADRI — Dois anos depois, os espanhóis voltaram às ruas neste domingo para lembrar as manifestações contra as medidas de austeridade na economia, a corrupção e o desemprego. O “movimento dos indignados”, como ficaram conhecidos os protestos de 15 de maio de 2011, reuniu milhares de pessoas na capital do país. Com o lema “Da indignação à rebelião”, os manifestantes saíram de três diferentes pontos de Madri e se reuniram próximo à praça Porta do Sol, que tornou-se símbolo do movimento. Nos vários cartazes, era possível ler mensagens como “Juntos é possível” e “A luta continua”. Os manifestantes comemoraram o aniversário fazendo um minuto de silêncio. Alguns agitavam bandeiras republicanas e outros vestiam a camisa verde que simboliza as mobilizações no setor da educação, duramente atingido, assim como o da saúde, pelos cortes orçamentários. Apesar do programa de austeridade e do desemprego recorde, o movimento não conseguiu mobilizar tanta gente este ano como no início dos protestos. Batalha judicial para manter moradias Mas, alguns manifestantes enfrentaram horas de viagem para participar dos protestos de aniversário. María del Mar Moral, funcionária de um canil, percorreu 12 km para chegar. Há um mês, um juiz da localidade de Valdemoro suspendeu a decisão de despejá-la de sua casa após sentença do Tribunal de Justiça da União Europeia. Maria teve o apoio do movimento para lutar por sua moradia. “ Eu tinha que estar aqui”, disse a mulher. Segundo Carlos Estévez, membro da Assembleia Popular do Bairro da Concepción, em Madri, o movimento conseguiu impedir mais de 600 despejos. Sobre o número menor de participantes das manifestações este ano, Estevez admitiu que esperava mais gente. Agustín García, desenhista e também participante dos protestos, no entanto, considera essa situação passageira. “O movimento teve uma explosão e depois suavizou. É como a chuva, que vai caindo aos poucos”, comparou. “O mais importante dessa comemoração pelos dois anos do movimento é que ele continue existindo”, disse a escritora Olga Lucas, companheira do filósofo José Luis Sampedro que batizou o movimento de “os quinzemaistas”. Segundo ela, a mobilização cidadã é consequência do atraso em questões como a aprovação, só na semana passada, da Lei Orgânica de Melhoria da Qualidade da Educação, pelo Executivo. “Muito pouca coisa mudou apesar do esforço realizado”, afirmou.
oglobo.globo.com | 12-05-2013
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Dois ministros conservadores do governo do britânico David Cameron afirmaram neste domingo que votariam a favor do Reino Unido abandonar a União Europeia (UE) se for realizado um plebiscito. O ministro de Defesa, Philip Hammond, se uniu hoje às palavras expressadas horas antes pelo titular de Educação, Michael Gove....
noticias.terra.com.br | 12-05-2013
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BELFAST — O fim das bombas não foi suficiente para diminuir o medo em Belfast, na Irlanda do Norte. Muros e cercas com arame farpado recortam, até hoje, parte da cidade de 280 mil habitantes. Separam as áreas onde vivem católicos e protestantes, ainda em maioria. Está estampado com cores fortes nas fachadas que a História dos anos de violência é presente e atormenta o imaginário coletivo como uma ameaça iminente. As imagens com palavras de ordem ou apenas a menção à memória dos pelo menos 3.500 mortos nos inúmeros conflitos na província britânica não deixam ninguém esquecer. Por mais que se reconheça a melhora garantida pelo processo de paz iniciado há 15 anos, sabe-se que há ali um pequeno barril de pólvora, no quintal do Reino Unido, dentro da União Europeia, nesta que é tida como uma das regiões mais pobres do bloco. A onda de protestos iniciada em dezembro, após a decisão do Conselho Municipal de só hastear a bandeira britânica em datas comemorativas e não mais diariamente, como se fazia, reacendeu o medo de uma retomada da violência. A medida irritou os chamados “unionistas”, os protestantes que se consideram parte do Reino Unido, que ocuparam ruas importantes da cidade enrolados na bandeira britânica. De pacíficas, as manifestações tornaram-se violentas, com confrontos com a polícia, deixando mais de cem soldados feridos. Os protestos agora arrefeceram, embora os manifestantes continuem presentes, sem, no entanto, bloquear as ruas ou perturbar a ordem. Mas as expectativas é que sejam retomados com força durante o verão europeu, a partir de julho. Por trás das manifestações, mais do que um conflito religioso secular, estão as persistentes desigualdades da região. Para especialistas e jornalistas ouvidos pelo GLOBO em Belfast, é também uma espécie de válvula de escape para uma camada descontente da população, que não se considera beneficiada pelas medidas tomadas nos últimos anos. - O grande desafio é atacar este problema. Não se pode fingir que ele não existe - disse o historiador Seann Brenan, da Universidade de Ulster. Os longos paredões, que ficam particularmente tristes durante os muitos dias cinzentos de Belfast, lembram o Muro de Berlim. Nada que combine menos com o espírito de união da UE, que se orgulha de ter deixado velhas diferenças para trás. Protestantes não ousam viver nos bairros católicos e vice-versa. Temem o apedrejamento de suas casas, que receberam grades reforçadas nas janelas. Os pequenos comércios nestes bairros tampouco aceitam quem pertença ao outro lado como mão de obra. Não há ônibus que liguem diretamente católicos e protestantes. A conexão é feita necessariamente pelo centro de Belfast, considerado área mista. Dados do último Censo, de 2011, indicam que os protestantes são 48% da população, contra 45% de católicos. - Isso tudo é uma grande loucura. Não posso falar isso no pub que frequento. É um alívio poder conversar sobre este tema abertamente - desabafou o guia de turismo Ken Harper. A imprensa também precisa medir bem as palavras para tratar os assuntos locais. Uma importante rede de TV deixou de noticiar sobre um dos novos condomínios da cidade, onde convivem protestantes e católicos - alguns até teriam ficado amigos -, temendo retaliações a essas famílias. No centro de Belfast, todos podem trabalhar ou residir, resultado das políticas que o governo vem adotando para aproximar os lados. Mas a população ainda acha que estão longe de ser eficientes. Cerca de 94% das escolas ainda são protestantes ou católicas. Somente 6% são consideradas mistas. - O primeiro protestante que conheci foi aos 14 anos. As pessoas estão mais segregadas e a única maneira de romper isso é se mostrar, conhecer o outro - admite Aisling Ní Labharí, gerente de boas relações entre as comunidades do centro cultural Cultúrlann McAdam Ó Fiaich. Muros de pé até 2013 A instituição também trabalha com a reaproximação a partir de eventos culturais, exposições e uma série de iniciativas de socialização que têm aproximado sobretudo os jovens. O mesmo acontece no Skainos Project da Missão EBM, colado na comunidade nacionalista Short Strand, na região onde foram desencadeados os protestos de dezembro. O edifício moderno foi construído no local onde havia uma antiga igreja metodista, um projeto de 7 milhões de libras (cerca de R$ 21 milhões) por ano, financiado com recursos públicos, privados e da própria igreja. - Durante os protestos, tentamos deixar os jovens ocupados, para evitar que se envolvessem - diz Sara Cook, assessora de relações institucionais do grupo, nascida nos EUA e norte-irlandesa por opção há sete anos. - A atmosfera era ruim. Hoje, com todos os problemas que ainda têm de ser superados, Belfast mudou para muito melhor. O governo quis derrubar parte dos muros. Mas, além de perceber seu potencial turístico, viu que a população ainda não está preparada para viver sem eles. Nesta semana, foi anunciada a meta oficial de que eles sejam derrubados até 2023 - período no qual o trabalho comunitário de aproximação dos dois lados da cidade partida será intensificado, na esperança de que todos possam se sentir confortáveis com o fim da segregação. (A repórter viajou a convite do governo britânico)
oglobo.globo.com | 12-05-2013
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Blogue Dois anos mudam muita coisa. Em 2011, entrevistámos Mario Monti, por ocasião da conferência State of the Union, organizada no quadro do Festival da Europa, em Florença (de que o Presseurop é parceiro). Na altura, o ex-comissário europeu e presidente da Universidade Bocconi respondeu-nos descontraidamente, durante uma pausa dos trabalhos. Este ano, foi um ex-primeiro-ministro de Itália, cercado por guarda-costas e com uma agenda controlada ao milímetro, que participou na edição de 2013 do State of the Union. Mas após uma curta conferência de imprensa para os muitos jornalistas italianos ávidos do seu prognóstico sobre o governo do seu sucessor, Enrico Letta, Mario Monti aceitou parar dois minutos para nos responder, em francês. Há dois anos, o antigo comissário europeu e reitor da Universidade Boccotransmitiu-nos a sua opinião sobre a ameaça que a crise representava para o mercado único e o euro. O futuro destes dois pilares da União Europeia parece hoje assegurado, mas subsistem dúvidas sobre a forma como a UE e os Estados-membros combatem a crise. Considera Mario Monti que a atmosfera que se vive na Europa é hoje mais favorável à resolução da crise do que em 2011?
Durante o seu mandato de Presidente do Conselho de Itália, em particular na primavera de 2012, Mario Monti tentou, com o francês François Hollande e o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, reequilibrar as relações entre Estados-membros e obter uma certa flexibilização das posições da Alemanha. Acha que as diferenças de pontos de vista entre a França e a Alemanha são um elemento sustentável ainda que incómodo no tratamento da crise e da continuidade do projeto europeu?
www.presseurop.eu | 10-05-2013
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RIO e GENEBRA, Suíça - À frente da Organização Mundial do Comércio (OMC), o brasileiro Roberto Azevêdo terá uma tarefa hercúlea: resgatar o multilateralismo no comércio num mundo em que os países recorrem cada vez mais a acordos bilaterais para maximizar suas trocas. Só assim Azevêdo poderá evitar que a organização que vai comandar caia na irrelevância. Com os sucessivos fracassos das negociações da Rodada Doha, que começou em 2001 e não foi concluída, e o estouro da crise internacional em 2008, muitos países adotaram atitudes protecionistas ou optaram por firmar acordos de preferência de comércio ou buscaram respaldo em blocos regionais. Existem hoje no mundo 213 acordos de livre comércio e 24 uniões aduaneiras, que funcionam como “cupim no porão” da OMC, afirma o diretor da Agroconsult, Marcos Jank. Ao reduzir tarifas para um ou mais países específicos, criam-se preferências, o que, para o multilateralismo, “é muito ruim”, defende Jank. A eleição de Azevêdo, o primeiro latino-americano a comandar o órgão, pode representar, no entanto, um sinal de mudanças na instituição, que tenta recuperar sua credibilidade. — É preciso reformar o processo de governança, o órgão de soluções de controvérsias, discutir como funcionam os acordos bilaterais, mas ele não fará isso sozinho — diz Jank. Veja também
O primeiro teste de Azevêdo acontecerá pouco tempo depois de assumir o cargo: no dia 3 de dezembro, ministros de comércio dos 159 países-membros da OMC se encontram em Bali para tentar desemperrar a Rodada de Doha. Com mais um fracasso, o golpe será duro. Para Ricardo Melendez Ortiz, ex-embaixador colombiano que dirige o International Center for Trade and Sustainable Development ou Ictsd, um centro que acompanha de perto a OMC, destaca que o desafio de Azevêdo será lidar de “forma construtiva” com uma tendência de regionalização no comércio mundial. — Nos últimos anos, foram lançados entre 450 e 500 acordos preferenciais de comércio. A OMC criou as regras mínimas de comércio, com as quais todos os países concordaram. Já estes acordos preferenciais foram negociados a partir destas regras mínimas. Na América Latina, há uma proliferação de acordos bilaterais e plurilaterais. Só o México negociou mais de 42 — explicou Melendez. Ao tentar resgatar o multilateralismo na OMC, Azevêdo terá que lidar com os interesses conflitantes dos grandes atores do comércio global. Os EUA, por exemplo, têm forte viés protecionista na área agrícola. Recentemente, avançaram em iniciativas de livre comércio com dez países banhados pelo Pacífico e com a União Europeia (UE), e o comércio exterior ganhou prioridade na pauta do governo americano. Mas a política voltada para a agricultura continua sendo um tema sensível, lembra Rodrigo Branco, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). — A postura dos EUA em relação à OMC é de descrédito. Eles negociam por fora. Um ato simbólico foi que, quando Obama anunciou que o acordo com a UE estava em negociação, sequer citou a OMC — diz o economista. Agenda própria dos Brics Também a UE ainda não dá indícios de que concordará em reduzir os subsídios que oferece ao campo. Com os problemas internos que enfrenta, as negociações multilaterais se tornaram ainda mais difíceis. Seu principal interesse na OMC é liberalizar serviços. Países emergentes, por sua vez, tradicionalmente lutam pela liberalização do setor agrícola e agem com cautela com serviços. Mas, com o aumento da complexidade do comércio mundial, novos temas entraram em pauta e aumentaram as diferenças entre os países. — Cada um dos Brics (bloco de países formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) hoje tem sua agenda própria — exemplifica Bruno Garschagen, especialista do Instituto Millenium. A Índia se mostra bastante protecionista, sobretudo quanto a produtos agrícolas, na contramão do comportamento de seus pares emergentes. Já a China representa uma incógnita, pela falta de transparência em suas políticas domésticas, defende Leane Naidin, professora de Relações Internacionais da PUC-Rio e coordenadora de Comércio e Desenvolvimento no Brics Policy Center. E mostra uma postura de observação dentro do órgão. O Brasil, por sua vez, tem indústria diversificada, diferentemente de países como Rússia e África do Sul. Para o professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Alcides Costa Vaz, o “estancamento” da Rodada de Doha e a tendência de acordos de livre comércio entre blocos fizeram da OMC uma instituição “combalida”.
oglobo.globo.com | 08-05-2013
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RIO – A eleição de Roberto Azevêdo sugere uma conciliação entre uma agenda liberal e uma preocupação maior com o desenvolvimento econômico no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), apontam especialistas. Há quem acredite que o debate entre a liberalização e o desenvolvimentismo esteja por trás da escolha do nome do brasileiro. Analistas concordam que o mundo hoje está cada vez menos liberal, em consequência da crise econômica global de 2008. — Roberto Azevêdo é alguém com sensibilidade de fazer uma mediação entre o argumento liberal e uma agenda desenvolvimentista. Ele foi eleito com discurso de um comércio mais equilibrado, que aponta para uma liberalização com distribuição e uma preocupação com desenvolvimento econômico — afirma o professor da Universidade de São Paulo e coordenador científico do Centro de Estudos das Negociações Internacionais (Caeni) Amâncio Jorge de Oliveira. Veja também
Esta característica, segundo Oliveira, tornaria o brasileiro mais aberto ao argumento de países em desenvolvimento de que deveriam ter permissão para lançar mão de condições especiais no comércio mundial — o que dá margem, por exemplo, para a formulação de uma política industrial. — Há países que não se sentem aptos para adotar uma liberalização ampla em serviços, por exemplo. É uma agenda de países em desenvolvimento de alguma proteção, em alguma medida — diz o professor da USP. Na avaliação do professor de Relações Internacionais da Unesp/Marília Tullo Vigevani, as políticas de desenvolvimento estão entre as preocupações do novo diretor-geral da OMC. Para ele, reequilibrar liberalização e desenvolvimento está em linha com o pensamento dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), do Mercosul, do governo Barack Obama e de uma parte da União Europeia: — Pode não ser uma razão imediata, mas o pano de fundo da vitória de Azevêdo talvez seja que o debate sobre compatibilização do desenvolvimento com a liberalização comercial está colocado com força. A questão, segundo Vigevani, é que a crise de 2008, que se prolonga além das previsões, levanta o debate sobre planejamento econômico nacional e internacional. — Não tenho dúvidas de que o mundo está ficando menos liberal. Além do diagnóstico crítico dos resultados das políticas liberais, a complexidade dos modelos econômicos atuais demanda um nível de governança que só o mercado não é capaz de cumprir — aponta Alcides Costa Vaz, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (Unb). A crise, segundo Vaz, levou a um debate sobre o reposicionamento do papel do Estado no campo econômico, que nos anos 1990 estava em vias de desaparecer. ‘Papo de campanha’ Amâncio Jorge de Oliveira defende que o melhor desempenho dos países com “boa dose de intervencionismo” acaba enfraquecendo o discurso liberal, de que as intervenções levam a disfuncionalidades. — Os países com intervencionismo estão se saindo melhor, e os liberais estão mal das pernas. Com isso, o argumento liberal perde um pouco de terreno no debate atual, embora não se saiba como será o futuro — diz o professor da USP. Já o advogado Luiz Olavo Baptista, que foi integrante do Órgão de Apelações da OMC, acredita que o argumento de que Roberto Azevêdo tem um viés não liberal foi usado pela campanha do mexicano Herminio Blanco: — Isso foi papo de campanha dos mexicanos para tentar derrubar a candidatura de Azevêdo.
oglobo.globo.com | 08-05-2013
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GENEBRA e BRASÍLIA – A batalha entre Brasil e México pelo comando de uma das mais importantes organizações internacionais — a Organização Mundial de Comércio (OMC) — está se revelando mais complicada do que o governo brasileiro previu. A União Europeia (UE), que detém 30% do comércio mundial, teria decidido ontem secretamente apoiar em bloco o candidato do México, Herminio Blanco, contra o do Brasil, Roberto Azevêdo. O nome do vencedor poderá ser conhecido hoje. Ontem, em Genebra, reinava o suspense total. Na votação interna da UE, o candidato mexicano teria vencido a preferência por apenas dois votos de diferença — 15 contra 13 a favor do mexicano. O que mostra o continente profundamente dividido. Quem mais capitaneou os votos a favor do mexicano foram os dois países que têm parceria estratégica com o Brasil – Reino Unido e França – além da Alemanha, a maior potência europeia. Fontes do governo brasileiro disseram que o resultado já era previsto: o Brasil já não contava com os votos dos europeus. Entre os europeus que apoiaram o Brasil estariam Portugal, Espanha, Itália, Bulgária, Eslovênia, România e Holanda. Brasil teria apoio dos países dos Brics Sem o apoio dos europeus na disputa pelo comando da Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil poderá ficar sem o apoio dos dois grandes blocos econômicos, se os Estados Unidos também se alinharem, como esperado, com o candidato do México. E isso, na OMC, tem peso. Os americanos estão silenciosos desde o início da disputa. Mas na OMC muitos sabem: Blanco, economista com doutorado na Universidade de Chicago e ex-ministro do Comércio, foi um dos negociadores chaves na época da criação do Nafta, o bloco de comércio que une EUA, México e Canadá. E foi ele quem foi ao Congresso americano convencer os parlamentares de que o Nafta era também um bom negócio para os EUA. Nas contas do Brasil, Roberto Azevêdo — diplomata especialista em questões comerciais que, desde 2008, é embaixador do Brasil na OMC — teria o apoio dos Brics — o bloco dos grandes emergentes que reúne Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul. Azevêdo também teria muito apoio na África, Ásia, América Latina e Oriente Médio. Azevêdo precisa de 80 votos O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse ontem que está confiante na vitória de Azevêdo. Para conseguir vencer o mexicano Herminio Blanco, Azevêdo precisa de 80 votos, que corresponde à maioria de um total de 159 países associados. Mas na OMC não é só número de votos que conta : o candidato tem que ter apoio em todas as regiões. — Não é o caso de entrarmos em muita especulação, porque é um momento sensível o final desse processo de seleção, que tem suas peculiaridades. Não é uma votação aberta, como por exemplo na Assembleia Geral da ONU. Aguardamos com confiança, pois o candidato brasileiro tem todas as qualificações para fazer um excelente trabalho à frente da OMC. Aliás, isso é universalmente reconhecido — disse Patriota. A disputa na OMC não é apenas entre dois países. O que está em jogo são duas visões do comércio internacional. Os mais liberais, que querem abrir portas do comércio mundial e quebrar barreiras a qualquer custo, tenderiam a se alinhar com o México. Já os desenvolvimentistas, que acham que liberalização do comércio sozinho não funciona, que estariam mais alinhadas com a visão do Brasil.
oglobo.globo.com | 07-05-2013
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RIO — A primeira arma de fogo inteiramente fabricada em uma impressora 3D funcionou bem em sua primeira sessão de tiro, no sábado, em Austin, Texas, elevando o nível de polêmica em torno da pistola. O grupo que a projetou promete publicar esta semana na internet arquivos CAD (sigla em inglês para design auxiliado por computador) que permitirão a qualquer pessoa com acesso a impressoras 3D fabricar em casa a pistola. A arma foi batizada de Liberator — homenagem às armas baratas distribuídas à Resistência francesa pelos Aliados durante a Segunda Guerra —, é composta por 16 peças de plástico e é capaz de disparar cartuchos convencionais de pistola. Ela foi desenvolvida durante um ano pelo grupo Defense Distributed, encabeçado pelo estudante de Direito da Universidade do Texas Cody Wilson, de 25 anos. O protótipo foi produzidos utilizando uma impressora Dimension SST (que custa cerca de US$ 8 mil no site eBay), abastecida com plástico ABS. — Eu acho que muita gente não esperava que isso desse certo — disse Wilson à rede BBC, cuja repórter Rebecca Morelle testemunhou o teste. — Posso ver um mundo onde a tecnologia diz que você pode ter o que quiser. Isso não cabe mais a atores políticos. Foi a primeira vez em que a Liberator foi disparada pelas mãos de uma pessoa (o próprio Wilson). Antes, a revista “Forbes” havia presenciado a ocasião em que o gatilho foi puxado por um fio. No teste de sábado, a mão de Wilson nem a pistola aparentaram ter sofrido dano, provando que a Liberator é segura para uso. A BBC fez um vídeo próprio do teste (em inglês). Arma letal invisível a detectores e sem número serial A fabricação de armas é um dos pontos mais polêmicos do fenômeno das impressoras 3D, tido como o precursor de uma nova revolução industrial que está a caminho. A tecnologia já existe há alguns anos na indústria, mas só agora modelos domésticos estão chegando às lojas a preços acessíveis. Na sexta-feira, a Staples tornou-se a primeira grande varejista americana a vender impressoras 3D. A gigante dos equipamentos para escritório anunciou que estava disponibilizando em seu site, por US$ 1,3 mil, a Cube 3D Printer, da 3D System. O aparelho estará à venda em algumas lojas físicas da Staples no fim de junho. Os críticos de iniciativas como a Liberator chamam atenção para os potenciais riscos de uma arma de plástico, discreta, potencialmente invisível aos detectores, sem número serial, porém letal, compatível com munição convencional. A controvérsia já teve alguns capítulos. A fabricante de impressoras Stratasys chegou a apreender, em outubro, um aparelho que havia sido alugado para a Defense Distributed, após descobrir para quais fins o produto estava sendo utilizado. Também por causa da movimentação do grupo, o deputado Steve Israel resolveu propor uma alteração na legislação sobre o tema, para regulamentar especificamente as armas impressas em 3D. Na tarde de sexta-feira, o deputado publicou comunicado repudiando o compartilhamento do arquivo CAD. Para o parlamentar, que representa o estado de Nova York, é preciso banir todo tipo de armas letais de plástico. “Checkpoints de segurança, checagem de antecedentes e regulação de armas terão pouco efeito se criminosos puderem imprimir armas de plástico em casa e passá-las por detectores de metal sem ninguém perceber”, argumenta o deputado, no texto enviado à imprensa americana. Para evitar problemas legais, Cody Wilson afirma que o projeto original da Liberator prevê a inclusão de um pedaço de aço, inserido apenas para que a pistola possa ser percebida por detectores de metais, como prevê a lei americana. No entanto, após o arquivo ser disponibilizado para download, eventuais entusiastas podem simplesmente suprimir a peça adicional. Criptoanarquia e liberdade de acesso à informação A União Europeia informou à BBC que está acompanhando de perto o projeto da Liberator. Segundo Victoria Baines, do centro de crimes cibernéticos da Europol, por enquanto criminosos continuarão preferindo armas tradicionais. Mas observou que, conforme a tecnologia das impressoras fica mais amigável e barata, a tendência é que “alguns riscos surjam.” Em março, o Defense Distributed obteve licença federal para produção de armas de fogo. Desde então, a organização é uma fabricante legalizada. Os ideais do grupo são baseados na criptoanarquia e na defesa da liberdade do acesso à informação: “Se realmente acreditamos que a informação deve ser livre, e que sociedades que compartilham são superiores a sociedades que censuram, então por que não armas? Liberdade de informação tem consequências materiais e descentralizadas. E isso é algo bom”, defendem os fundadores, em um texto de apresentação publicado no site oficial.
oglobo.globo.com | 06-05-2013
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Pesquisadores da Universidade da Califórnia, na Escola de Saúde Pública de Berkeley, testaram 32 tipos diferentes de batons e gloss dos mais encontrados em farmácias e lojas de departamento dos Estados Unidos. O resultado foi que detectaram chumbo, cromo, alumínio e outros cinco metais, alguns com níveis que podem aumentar o risco à saúde. Algumas das marcas, que não foram identificadas no estudo, mostraram exposição excessiva ao cromo, um cancerígeno ligado a tumores de estômago e de pulmão. Ingestão de alumínio está associada ao mal de Alzheimer. Cádmio e manganês também foram encontrados nos cosméticos. Com o passar do tempo, a exposição a concentrações exageradas de manganês está ligada a intoxicação do sistema nervoso. Dos produtos analisados, que custam entre US$ 5 e US$ 20, havia chumbo em 24, mas em uma concentração menor que o aceitável. Mas não para crianças, público que costuma brincar com maquiagem, ressaltam os cientistas. autoridades sanitárias da União Europeia consideram inaceitáveis quaisquer níveis de cádmio, cromo ou chumbo em cosméticos. Estudos anteriores já haviam encontrado metais em cosméticos, mas os pesquisadores de Berkeley estimaram o risco à saúde a partir do uso cotidiano do produto, e então compararam esta quantidade com os níveis tolerados descritos em protocolos de saúde pública. — Encontrar o metal tão somente não é a questão, mas sim o nível destes elementos — disse a líder da pesquisa, Katharine Hammond. — alguns dos metais tóxicos são encontrados em níveis que podem ter um possível efeito no longo prazo. Os autores do estudo ponderam que não é o caso de jogar fora os batons, mas sim de manifestar um alerta a autoridades sobre uma norma mais detalhada para os níveis de metais encontrados neste tipo de produto. Batons e gloss são peculiares, pois são ingeridos e absorvidos pouco a pouco. Como referência, os cientistas americanos consideraram que a ingestão média de batons é de 24 miligramas por dia. As moças que costumam retocar a cor do batom o dia todo podem comer até 87 miligramas do produto.
oglobo.globo.com | 02-05-2013
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BRASÍLIA - O candidato brasileiro para chefiar a Organização Mundial do Comércio (OMC) rechaçou críticas de nações ricas de que O Brasil está tornando-se mais protecionista, afirmando que será um negociador neutro para os conflitos comerciais globais caso seja escolhido para o posto mais tarde neste mês. Roberto Azevêdo, experiente diplomata que representa o Brasil na OMC há anos, está competindo contra o mexicano Hermínio Blanco, um importante agente na criação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês), para se tornar o primeiro latino-americano a liderar a organização que regulamenta as relações comerciais globais. Embora ambos os candidatos sejam originários da América Latina, eles representam nações com posturas bastante diferentes sobre o livre comércio. O México defende liberalização mais agressiva enquanto o Brasil prefere um enfoque gradual para derrubar barreiras comerciais e um grande papel para o governo na regulação do comércio. A postura de mão pesada do Brasil em relação ao comércio tornou o país alvo de queixas de países ricos como os Estados Unidos e o Japão e de companheiros emergentes como a China e a Coreia do Sul, que reclamaram de o país sul-americano elevar tarifas para conter importações e proteger a indústria local. O Brasil tem dito que tais medidas são permitidas sob as regras da OMC. Num documento circulado na OMC em meados de abril, a União Europeia, o Japão e os EUA disseram que o Brasil adotou medidas para elevar exigências de conteúdo local que “discriminam” bens importados, incluindo carros, celulares e até fertilizantes. — Eu, como candidato e como diretor-geral, não estarei representando o Brasil — disse Azevêdo em entrevista por telefone na terça-feira. — Eu chequei à reta final dessa seleção do próximo diretor-geral com essas reclamações sobre a mesa, não muda nada. Significa que há um entendimento entre membros do OMC de que o candidato tem que ser independente de seu país e deve ser examinado à luz do mérito da sua candidatura. Questionado se considera o Brasil um país protecionista, Azevêdo não quis comentar. Mesmo sendo respeitado em círculos diplomáticos por sua capacidade de construir consenso, Azevêdo foi criticado por seus esforços para levar a OMC a discutir o impacto de flutuações cambiais sobre o comércio mundial. Blanco foi o negociador, em meados da década de 1990, para a assinatura do acordo Nafta, envolvendo México, EUA e Canadá, e atuou como consultor em outros acordos de livre comércio. Em décadas recentes o México têm mostrado interesse neste tipo de pacto, assinando acordo do gênero com 44 países, de acordo com o Ministério de Comércio mexicano.Esses fatores deveriam torná-lo a escolha certa para chefiar a OMC, cujo mandato não é apenas supervisionar o comércio mundial, mas também trabalhar para liberalizar os fluxos globais. No entanto, a proximidade de Blanco com acordos de livre comércio firmados fora da OMC podem representar um obstáculo na rodada final da disputa, particularmente em meio ao mundo em desenvolvimento, que está cansado da dominância das nações ricas, como os EUA, na política comercial global. A proximidade do México com o livre comércio ao estilo dos EUA tornam Azevêdo um candidato de maior apelo para nações em desenvolvimento, disse Kevin Gallagher, professor de relações internacionais da Universidade de Boston. — Muitos países em desenvolvimento estão em um estágio de liberalização do comércio mais próximo do Brasil do que do México — disse Gallagher. — Eu acredito que mais nações em desenvolvimento vão confiar no Brasil do que no México. Habilidades e influência diplomática para reavivar negociações comerciais globais terão peso maior na próxima rodada de seleção do que a nacionalidade do candidato, dizem alguns especialistas."As características da nação de origem da pessoa não são particularmente importantes, o que é mais importante é se o indivíduo tem poder e influência suficientes para levar países a liberalizar", disse o professor de negócios internacionais na Haas School of Business na University of California em Berkeley. — Liderar a OMC não é uma posição particularmente visível, o que é bastante triste, porque a OMC deveria ser uma instituição muito mais efetiva e poderosa do que é. A credibilidade da OMC sofreu um sério golpe em 2011 quando seus membros reconheceram que as discussões de 10 anos da Rodada de Doha — que deveriam culminar em um novo e arrojado acordo comercial — estavam, se não mortas, pelo menos num impasse. Tanto Azevêdo quanto Blanco disseram que a reativação de Doha é vital para que o comércio global decole. — Vamos ter que nos sentar à mesa com uma visão mais aberta, com um espírito construtivo e uma visão mais inovadora dos temas que estão sobre a mesa. O que só será possível se tivermos a vontade política para superar esse impasse. Essa vontade está presente — disse Azevêdo. Blanco disse que prioridades importantes incluem a eliminação de subsídios para exportações agrícolas que prejudicam países menores, redução de tarifas sobre produtos industriais e a implementação de novas regras sobre a maneira como disputas comerciais são resolvidas. Desde que a crise financeira global de 2008 estourou, o comércio mundial sofreu bastante, crescendo míseros 2% no ano passado, menor aumento anual desde o início da base histórica em 1981 e segundo menor dado após 2009, quando o comércio diminuiu. A OMC até mesmo cortou sua projeção de crescimento do comércio em 2013 para 3,3 por cento, ante 4,5 por cento, e alertou sobre a ameaça protecionista. A Europa, fulminada pela recessão, e os Estados Unidos, num processo de lenta recuperação, estão enfrentando dificuldade para impulsionar suas exportações por meio de novos acordos comerciais regionais que, segundo alguns especialistas, podem minar a relevância da OMC. — Essas negociações plurilaterais, bilaterais e multilaterais sempre aconteceram. O problema é que o multilateral parou de evoluir — disse Azevêdo. — Temos um sistema de regras que reflete a realidade do mundo de negócios de 30 anos atrás, o que significa que o que deveria de ser o motor do comércio mundial parou.
oglobo.globo.com | 01-05-2013
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LONDRES E ATENAS - Estudo do economista político David Stuckler, da Universidade de Oxford, e Sanjay Basu, epidemiologista da Universidade Stanford, revelou que as políticas de austeridade adotadas pelos países estão tendo um efeito devastador sobre a saúde da população. O caso da Grécia é especialmente dramático. Segundo os dois acadêmicos, com a redução do acesso a medicamentos e atendimento médico, casos de suicídio, depressão e doenças infecciosas cresceram no país. A Grécia voltou até mesmo a registrar casos de malária, depois que os cortes orçamentários do governo afetaram os programas de combate ao mosquito transmissor. Em um livro a ser lançado nesta semana, Stuckler e Basu afirmam que mais de dez mil suicídios e até um milhão de casos de depressão foram diagnosticados durante o período que eles batizaram como “Grande Recessão”, quando os governos da Europa e da América do Norte adotaram medidas de austeridade. Na Grécia, medidas como cortes orçamentários nos programas de prevenção à Aids coincidiram com um aumento de mais de 200% nas infecções pelo vírus HIV desde 2011 — o que tem como explicação também a disparada no uso de drogas, num contexto em que o desemprego juvenil chega a 50%. Pressionado pela troika — formada por União Europeia (UE), Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Central Europeu (BCE) —, o governo grego, liderado pelo conservador Antonis Samaras, adotou medidas de aperto fiscal, para reduzir o déficit público, num plano que envolveu cortes de gastos e o aumento de impostos. Na mais recente medida, o Parlamento grego aprovou no último domingo um plano de demissão de 15 mil servidores até 2014. A economia grega continua em queda livre, tendo encolhido 20% nos últimos cinco anos. A taxa de desemprego supera os 27%, o maior patamar da Europa. A maior parte dos desocupados está sem trabalho há mais de um ano. Segundo reportagem do “New York Times”, a crise grega também se reflete na fome, especialmente de crianças. “Nossos políticos precisam levar em conta as sérias e em alguns casos profundas consequências das escolhas econômicas”, disse, em nota, Stuckler, coautor do livro “The Body Economic: Why Austerity Kills” (A economia do corpo: por que a austeridade mata). “No final, o que vimos é que a piora da saúde não é uma consequência inevitável das recessões econômicas. É uma escolha política”, disse, por sua vez, Basu na nota.
oglobo.globo.com | 30-04-2013
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GENEBRA - No site oficial de Hermínio Blanco, candidato do México ao comando da Organização Mundial de Comércio (OMC), 63 anos, casado, com dois filhos, se destaca logo uma grande distinção junto ao seu nome: “dr.”, ou seja, doutor. Sua formação acadêmica (é doutor em Economia da Universidade de Chicago), bem como o país de origem (México), não deixa dúvida da orientação em matéria de comércio mundial: é um liberal, nos moldes dos Estados Unidos.
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Blanco tem como maior trunfo no seu currículo o fato de ter sido chefe das negociações para a criação do Nafta (1990 a 1993), o acordo de livre comércio que uniu Estados Unidos, México e Canadá, derrubando barreiras comerciais por todo lado no bloco. Logo depois, de 1994 a 2000, foi ministro do Comércio e da Indústria. E é com base nesta experiência que ele, sem modéstia, se vende como “o mais experiente negociador do mundo”. Numa entrevista à televisão francesa France 24, ele lançou: — Eu acho que sou o mais experiente negociador do mundo. Fui negociador-chefe do Nafta, o ministro que chefiou negociações (comerciais) entre União Europeia e México. E passei os últimos 12 anos no setor privado e conheço a visão diferente (do lado das empresas). Blanco também conhece profundamente os Estados Unidos. E não apenas pelo estudo na Universidade de Chicago. Foi ele quem se encarregou de convencer os congressistas americanos a aceitarem o Nafta como um bom acordo para os Estados Unidos. Nos anos 80, também trabalhou como professor assistente de Economia na Universidade Rice, no Texas. — Ele é brilhante. Tem PHD em Economia, foi um bom ministro do Comércio, trabalhou muito com o setor privado e é visto como alguém que conhece as questões. Mas ao contrário de Roberto Azevêdo, desde 2000 ele não tem se envolvido em nenhuma negociação de comércio — comentou Ricardo Melendez, que dirige o International Center for Trade and Sustainable Development (ICTSD), um centro que acompanha de perto a OMC. No seu site, Blanco defende sua candidatura perguntando “Por que eu?”. E, na resposta, insiste num ponto: — Eu trago um novo olhar, um novo ouvido e novas ideias – afirma. É a sua resposta ao um dos pontos fortes do seu principal rival na disputa: o brasileiro Roberto Azevêdo frequenta a OMC há 20 anos, é considerado um negociador que busca consenso, tem bom trânsito com embaixadores e conhece bem o funcionamento da casa. Blanco liderou negociações de 10 acordos de livre comércio do México, com países ricos e pobres. E explora isso na campanha para dizer que entende os dois mundos: rico e pobre. — Eu fui bem-sucedido porque entendi as respectivas realidades (dos ricos e pobres). Fui capaz de constuir as necessárias pontes e confiança para concluir as negociações — escreveu Blanco. Sua preocupação não é por acaso. A imagem do México é de um país aliado aos ricos, sobretudo à filosofia liberal dos Estados Unidos. Na OMC, dá-se como certo o apoio dos Estados Unidos à sua candidatura, apesar de os americanos não terem se pronunciado oficialmente. O México é membro da Organização para a Cooperação Econômica e o Desenvolvimento (OCDE), uma espécie de clube dos países ricos, que hoje é comandada por um mexicano, Ángel Gurría. E, entre os ricos, também conseguirá apoio. O candidato brasileiro, Roberto Azevedo, tem a mesma preocupação, do lado oposto: se livrar da imagem de candidato que vai se alinhar à posição do Brasil, considerada para muitos como protecionista. Azevêdo sustenta de que a ideia de que a imagem protecionista do Brasil atrapalha sua candidatura é mais recorrente na imprensa, do que nas conversas em Genebra. E a prova é que chegou à final na disputa. Já o mexicano, em todas as aparições, insiste em outro ponto: o de que é “o único candidato” com 12 anos de experiência no setor privado. Ele dirige a empresa de consultoria IQOM Inteligência Comercial, que vende, entre outras, análises diárias sobre comércio mundial. O candidato mexicano promete que, se eleito, vai mudar as regras internas da organização para “atualizá-la” e torná-la relevante. — O desafio para a OMC é ser relevante. Tem as mesmas regras há 20 anos e é preciso atualizá-las — disse. Mas, todos negociadores sabem, o cargo de diretor-geral tem prestígio, mas é limitado. Na OMC, quem manda são os 159 países-membros. E, como tudo é decidido por consenso, sem eles, nada muda.
oglobo.globo.com | 26-04-2013
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Um grupo de pesquisadores de câncer de 12 países do continente americano lançou um estudo que alerta a América Latina sobre um impasse no enfrentamento da doença. A conclusão do trabalho, que também serve para o Brasil, é que enquanto os habitantes desta região do planeta ganham hábitos de comportamento e consumo que os aproximam de países desenvolvidos, inclusive o sedentarismo e a obesidade, os mesmos países não conseguem dar assistência médica em nível correspondente. Como resultado, a incidência de câncer entre os latino-americanos se aproxima da dos EUA, da União Europeia e do Japão, mas a proporção das pessoas que morrem deste mal é bem maior no nosso subcontinente. Se nada for feito, estima o trabalho, mais de um milhão de pessoas vão morrer da doença por ano a partir de 2030. O estudo, publicado na revista “Lancet Oncology”, destaca que a proporção de pessoas que morrem de câncer na América Latina é bem maior em comparação com os Estados Unidos. Na região, para que 13 pessoas morram por causa da doença, tem que haver 22 casos de câncer, ou 59%. Nos EUA, são 37 ocorrências para as mesmas 13 mortes, o que equivale a 35%. O Brasil está no meio do caminho, com 29 casos para o mesmo nível de mortalidade, segundo dados de 2008. Brasil gasta U$ 8 para cada novo paciente O trabalho, do Grupo de Cooperação em Oncologia da América Latina, tem um quadro que relaciona o quanto cada país da região gasta com cada novo paciente. O Brasil perde na comparação com vizinhos sul-americanos, segundo dados de 2009. São U$ 8,04 por paciente, enquanto, no Chile, a soma é quase o dobro, U$ 15,09. No Uruguai, estava em U$ 26,63. Nos EUA, são U$ 460,17 por indivíduo diagnosticado. Em resposta, o Ministério da Saúde informa que ampliou em 26% o investimento na assistência oncológica nos últimos dois anos para R$ 2,4 bilhões em 2012. — Não se trata apenas de aumentar o dinheiro gasto com câncer no Brasil, mas também de distribui-lo melhor — alerta Paul Goss, líder da pesquisa. — A política para a doença não está bem implementada por inteiro, há discrepâncias no atendimento em grandes centros urbanos e no interior do país, sobretudo com populações indígenas, como se houvesse dois “brasis”. O pesquisador, da Escola de Medicina de Harvard, acrescenta, por meio do estudo, que a distribuição desigual de recursos humanos e materiais para tratamento de câncer não é exclusividade do Brasil e afeta a maioria dos países latino-americanos. Entre os brasileiros, onde a média é de 144 médicos por 100 mil pessoas, existem apenas 60 médicos por 100 mil nas áreas menos desenvolvidas da Região Norte, contra 210 para o mesmo número de habitantes no Sudeste. No Norte e no Nordeste, onde a fatia da população que vive em áreas rurais é maior, cerca de 40% das mulheres com 25 anos ou mais fazem o exame de mamografia; na Região Sudeste, 65% das mulheres fizeram exames para detecção do câncer em 2008. Não à toa, o estudo diz que só 20% dos casos de câncer de mama são detectados nas fases iniciais. Mas, neste caso, o número é contestado pelo Ministério da Saúde, que, em comentário feito no próprio relatório, diz que o índice de detecção está perto do patamar americano, de 60%. Em resposta, o Ministério da Saúde informa que, para reduzir as desigualdades regionais foram assinados 11 convênios para criação de serviços de referência no diagnóstico e tratamento ao câncer de colo do útero nas regiões Norte e Nordeste e aprovadas outras 31 propostas. Até 2014, continua o ministério, estão previstos investimentos de R$ 4,5 bilhões em ações de prevenção e na expansão de serviços de diagnóstico e tratamento do câncer de mama e do colo do útero, que são os que mais atingem as mulheres. Além disso, foi prometida a estruturação e ampliação de 80 serviços de radioterapia, aumentando em 32% a assistência aos pacientes no país.
oglobo.globo.com | 26-04-2013
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www.rtp.pt | 10-04-2013
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LONDRES - Ao longo de sua carreira política, Margaret Thatcher foi perseguida pela alcunha de “Vilã do Leite”, graças a uma decisão, tomada quando foi secretária de Educação entre 1970 e 1974, de passar a fazer a entrega gratuita de leite nas escolas para crianças a partir de 11 anos - e não a partir dos sete, como era feito anteriormente. Veja também
A decisão, que provocou uma onda de protestos no Partido Trabalhista e na mídia inglesa, gerou uma reflexão da ex-primeira-ministra na sua autobiografia, frase que melhor resumiria seus 11 anos de poder: “Provoquei o ódio político máximo por um benefício político mínimo”. Ela tornou-se amada e odiada em igual medida ao subjugar os sindicatos, privatizar vastos setores da indústria britânica, brigar com a União Europeia e travar uma guerra com a Argentina pela Ilhas Malvinas. Como primeira-ministra, ela foi responsável por muitas das mudanças que agora são tocadas pelo atual secretário da Educação, Michael Gove. A GERBIL - Grande Reforma da Educação (assim chamada pelo secretário Kenneth Baker), de 1987, foi responsável pela criação de padrões de fiscalização e ciclos regulares de inspeções escolares, permitindo às escolas optarem por autoridades educacionais locais e dando a elas o controle sobre os próprios orçamentos. Ela poderia, no entanto, ser pragmática e recuar nos planos de introduzir a política de empréstimos estudantis, em face da oposição maciça de alunos, no início dos anos 1980. Houve apenas um atraso na implantação. Governança local Margaret Thatcher não era grande adepta da democracia local, apesar de ser filha de um vereador. A maior transferência de poder local para o governo central dos tempos modernos foi quando, de um golpe, ela aboliu a taxa de juros, que costumava ser paga diretamente aos conselhos locais, mas que desde 1990 passou a ir para o Tesouro. Seu governo também foi o primeiro a usar a lei para restringir os gastos dos conselhos. Eles tentaram sanções financeiras e, em seguida, definir um limite legal nos orçamentos. Conselheiros em Liverpool e Lambeth que se recusaram a cumprir a decisão foram desqualificados. Por fim, Thatcher decidiu pelo que parecia ser a arma definitiva: o manifesto dos conservadores para as eleições gerais de 1987 incluiu uma promessa de abolir as taxas definitivas. Thatcher e seus seguidores acreditavam que os altos gastos dos conselhos do Trabalho eram aprovados por pessoas isentas do pagamento de taxas, e fizeram com que fosse cobrada uma taxa fixa sobre cada adulto - o que obrigaria os conselhos a cortar gastos para evitar infligir elevados encargos sobre seus próprios correligionários. Ela chamou o novo imposto de “custo comunidade”, classificado pela oposição de “imposto eleitoral”. A cobrança foi introduzida na Escócia em 1989, e na Inglaterra e País de Gales em 1990. Assim que os conselhos definiram suas taxas, houve distúrbios em todo o país, culminando em um grande manifestação em Londres, em maio de 1990. Isso contribuiu mais do que qualquer outra política doméstica para a queda de Thatcher naquele ano. Habitação Margaret Thatcher foi determinada ao promover um aumento no número de proprietários de imóveis, acreditando que havia muitos inquilinos no município. Durante os anos 1970, muitos deles queriam comprar suas casas - mas os conselhos resistiram, já que tinham a obrigação de abrigar os sem-teto e não queriam seu estoque esgotado. Thatcher e seu secretário de Meio Ambiente Michael Heseltine criaram leis para obrigar os conselhos a vender a um preço de custo, para qualquer inquilino que quisesse comprar o imóvel, e os proibiu de usar os recursos para construir novas casas - tudo isso para reduzir as dívidas. Com a medida, milhares de eleitores trabalhistas passaram a apoiar os conservadores, ainda que o estoque tenha encolhido e que milhares de sem teto começaram a aparecer nas ruas pela primeira vez desde a guerra. Em 1979, também havia regras rigorosas para bancos e construtoras. Os bancos não faziam hipotecas e construtoras não foram autorizadas a manter contas de poupança ou contrair empréstimos no mercado monetário. Os compradores eram obrigados a guardar uma parte substancial do custo de sua primeira casa, e, em seguida, esperar em uma fila de hipoteca. Em 1989, as dívidas hipotecárias de casais ultrapassaram o valor de mercado de suas casas. Indústria e sindicatos Margaret Thatcher chegou ao poder determinada a coibir os sindicatos, após a epidemia de greve dos anos 1970, e a reduzir os subsídios do governo para a indústria. O setor siderúrgico foi o primeiro a ser afetado e depois a mineração. Siderúrgicas que não eram rentáveis, ou não rentável o suficiente, foram fechadas. Na cidade do aço de Consett, condado de Durham, o desemprego atingiu 50%. Após 1985, cerca de 230 mil mineiros perderam seus postos de trabalho e 165 minas foram fechadas pelo governo conservador, depois de um impasse de um ano entre a primeira-ministra e os mineiros em greve. A combinação entre alto desemprego e mudanças na lei que coibiam greves minaram o movimento sindical.
oglobo.globo.com | 08-04-2013
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RIO - Mulher de posições fortes e a primeira a ocupar o cargo de premier no Reino Unido, Margaret Thatcher tinhas posições definidas, que deixou bem claras em suas declarações. Conheça algumas delas: “Eu não acho que verei uma mulher premier durante a minha vida”, quando era ministra de Educação, em 1973. “Pessoas com o meu tipo de background precisam estudar gramática para competir com crianças que vêm de casas privilegiadas”, como líder conservadora em 1977. “Qualquer mulher que compreenda os problemas de administrar uma casa estará perto de compreender os problemas de administrar um país”, em 1979, o ano em que foi eleita primeira-ministra. “Aonde houver discórdia, que eu leve a harmonia. Aonde houver erro, que eu leve a verdade. Aonde houver dúvida, que eu leve a fé”, em sua eleição como primeira-ministra, em 1979. “Não estamos pedindo um centavo do dinheiro da Comunidade para o Reino Unido. O que estamos pedindo é uma grande parte de nosso dinheiro de volta”, ao negociar o Orçamento da Comunidade Europeia em 1979. “Eu quero o meu dinheiro de volta”, numa reunião de cúpula da União Europeia em Dublin, em 1980. “Adoro uma discussão. Adoro um debate. Não espero que alguém simplesmente se sente e concorde comigo. Esse não é o meu trabalho”, em 1980. “Não me importo com o quanto os ministros falem, desde que façam o que eu digo”, em 1980. “Ninguém se lembraria do Bom Samaritano se ele tivesse apenas boas intenções. Ele tinha dinheiro também”, em 1980. “Tivemos que combater o inimigo externo nas Falklands. Sempre tivemos de estar atentos ao inimigo interno, que é mais difícil de combater e mais perigoso para a liberdade”, sobre a greve dos mineiros, em 1984/1985. “Eu luto, eu luto para vencer”, em 21 de novembro de 1990, após não conseguir votos suficientes para evitar um segundo turno pela liderança do Partido Conservador. “Foi traição com um sorriso no rosto. Talvez tenha sido o pior de tudo”, em 1993, sobre membros do Gabinete que a aconselharam a retirar a candidatura. “Lar é o lugar para aonde você vai quando não tem nada melhor a fazer”, em maio de 1991, seis meses depois de deixar o governo.
oglobo.globo.com | 08-04-2013
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RIO - No terraço da casa da jornalista Sônia Bridi, no Itanhangá, na Zona Oeste do Rio, dez conjuntos de tubos pretos reluzem em meio ao verde que cerca o local. Virado para o sol, o equipamento é responsável por transformar os raios que incidem durante todo o dia em calor, aquecendo a água usada em banhos, na cozinha e na piscina. O sistema chama a atenção na paisagem de lajes cinzas das outras residências da vizinhança. E, em breve, ganhará um reforço de peso. A partir de maio, ele dividirá espaço com mais 50 painéis fotovoltaicos, cada um pesando cerca de 20 quilos, com potencial de gerar 12,5KWs — o que seria suficiente para abastecer cinco casas pequenas. Esses painéis vão mudar o status da casa da jornalista, que, de simples usuária do aquecimento solar isolado, passará a ser uma das primeiras parceiras da concessionária de energia elétrica da cidade do Rio, a Light. No meio do ano, quando o novo sistema estiver funcionando, a residência se tornará uma geradora oficial de energia. Sim, isso é possível, embora a maior parte dos brasileiros sequer saiba. Há pouco mais de três meses, entrou em vigor resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que regula a geração descentralizada de energia no país. Até então, energias renováveis, como solar, eólica ou biomassa, podiam ser produzidas em casa, mas de forma isolada, pessoal. Agora, será possível uma residência fazer parte do sistema oficial de energia do país. Se produzir energia além do que a casa consome, esse excedente abastecerá os vizinhos. Se não produzir energia o suficiente, a residência receberá eletricidade da rede normal.Com a medida da Aneel, famílias já podem ter um sistema para produzir qualquer tipo de energia renovável em casa. Se a casa não conseguir produzir toda a energia de que precisa, pagará na conta de luz apenas a diferença. Caso gere excedente, receberá créditos para uso no futuro. As microusinas estão sendo consideradas uma forma de investimento, com retorno de longo prazo. No caso de Sônia, o investimento inicial foi de R$ 67 mil, que serão recuperados em cerca de nove anos.
oglobo.globo.com | 02-04-2013
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BERLIM — Voluntários se revezam na tenda de informações da Oranienplatz, praça em Kreuzberg, um dos bairros centrais de Berlim. Um homem pergunta se necessitam de roupas para crianças. Outro deixa remédios. Vizinhos reivindicam a área para seus filhos brincarem. Desde outubro de 2012, a praça é a casa de refugiados marroquinos, iranianos, sudaneses, iraquianos, argelinos, sírios, que improvisaram um acampamento no bairro multiétnico, lar da primeira geração de imigrantes turcos após a Segunda Guerra Mundial. Vindos de diversas partes da Alemanha, eles desafiam uma lei que, na União Europeia, é exclusiva do Estado alemão: quem espera reconhecimento de asilo - que pode durar anos - precisa de permissão para sair do distrito onde corre seu processo. Há uma semana, milhares de refugiados ignoraram a lei e chegaram para a manifestação que partiu da Oranienplatz e seguiu até o Parlamento Federal sob o frio de cinco graus negativos. Após o ato, alguns refugiados voltaram para seus abrigos oficiais, mas outros permaneceram, vendo no movimento que chegou à grande mídia alemã uma possibilidade de fugir do isolamento e da rotina disciplinar dos alojamentos coletivos, que costumam ficar a mais de 20 quilômetros das áreas urbanas. - É uma prisão. Há grades e seguranças na porta. Só podemos comer o que querem que a gente coma, na hora em que querem que a gente coma. Lá só comemos e dormimos, e a todo momento entram em nosso quarto para fazer revistas - conta, em inglês, a sudanesa Napuli Paul, ativista de direitos humanos que saiu do país após ser torturada. Em Braunschweig, aonde chegou há um ano, Napuli recebia um euro por hora para limpar a cozinha - já que nenhum requerente de asilo pode trabalhar no primeiro ano de espera pela decisão judicial, instituiu-se nos alojamentos o “trabalho de um euro”. Em agosto, a sudanesa se uniu à caravana de vans que percorreu a Alemanha fazendo protestos em frente aos abrigos, até aportar em Berlim em outubro. O estopim para a posição mais agressiva dos refugiados na Alemanha foi o suicídio do requerente de asilo iraniano Mohammed Rahsepar, que se enforcou em janeiro de 2012 em Würzburg, no Sul, de onde cerca de 20 refugiados caminharam 600km a pé, por 29 dias, até o Portão de Brandemburgo, ponto turístico de Berlim. - Vimos que a luta local não era suficiente - diz o turco Turgay Ulu, de 39 anos, que fez o percurso a pé. - Nosso maior problema é o isolamento. Banho só de favor Preso político por 15 anos na Turquia, Ulu foi solto após campanha da Anistia Internacional. Saiu do país há um ano e meio e morou em três alojamentos na Alemanha. Agora vive entre a Oranienplatz e o prédio de uma antiga escola no mesmo bairro, ocupado desde dezembro, quando chegou o inverno: nos dois locais, calcula-se que hoje haja cerca de 250 refugiados. Na escola, ao fim de um corredor de quartos repletos de famílias ciganas, Ulu ocupa um cômodo com pia, geladeira, máquina de lavar, mesa, cadeiras, colchões. Na parede, fotos de Marx e Engels. Todo mês ele volta ao abrigo de Hanôver, sua residência oficial, para receber os vales de alimentação e vestuário, que só pode usar em algumas lojas locais. Mas Kreuzberg é o seu bairro. No caminho da praça à escola, ele conversa com conhecidos em turco e no alemão que aprendeu na rua - já que, à espera do asilo, não tem direito ao ensino da língua. Como os outros, conta com a boa vontade dos vizinhos para tomar banho, pois não há chuveiro na escola. Mudanças pontuais foram conseguidas em 2012, quando a Corte Federal nivelou o benefício social dos requerentes de asilo ao salário mínimo alemão, de € 382 por mês. Antes, eles recebiam 70% desse valor. Além disso, alguns estados mudaram a lei de residência compulsória (Residenzpflicht), permitindo a mobilidade não apenas no distrito administrativo, mas dentro ou entre estados - como no acordo entre Brandemburgo e Berlim. Os refugiados, porém, lutam por uma nova lei federal. - Muitos alemães nem sabiam que havia leis como o Residenzpflicht - diz Martina Mauer, do Conselho de Refugiados de Berlim. - O acampamento na Oranienplatz é caótico, não tem uma estratégia de saída, mas é fenomenal que eles estejam ali e tenham chamado a atenção pública. A escola deveria ter sido desocupada este mês, mas Franz Schulz, prefeito do distrito de Friedrichshain-Kreuzberg (Partido Verde, de oposição ao governo federal), estendeu o prazo até que se decida entre diferentes propostas de ocupação, discutidas com os moradores do bairro. - Apoiamos as exigências dos refugiados, mas sabemos que esse é um processo lento. Por isso o acampamento ficará na Oranienplatz ao menos até as eleições federais, em setembro - disse Schulz. O contato mais direto com o governo federal, até agora, foi a presença de quatro refugiados no Parlamento, em novembro de 2012. Napuli estava entre eles, mas diz que os parlamentares não esperavam política, mas gratidão. De forma geral, há grande apoio político à permissão de trabalho e mesmo à livre locomoção, mas pouca adesão a demandas como o fim dos alojamentos coletivos e das deportações. Para associações de ajuda humanitária como a Diakonie, de base religiosa, deve-se manter uma fronteira clara entre o asilo político e casos como o do argelino Arafa Safiana, que foi à Alemanha por razões econômicas. - Tinha um bom trabalho vendendo roupas. Mas fui ambicioso. Agora não posso voltar, seria uma vergonha - diz Safiana, que chegou a Berlim há uma semana. Em sua identidade, uma linha vermelha sinaliza o Duldung, a negação final do pedido de asilo: ele pode ser deportado a qualquer momento. É o mesmo caso do marroquino Mohamed Abdelghafour, de 26 anos, na Europa desde os 17. Ele viveu seis anos sem documentos em Sevilha e, em espanhol fluente, conta que foi deportado da Espanha para Marrocos “quase 20 vezes”. Sempre retornou, de barco, testemunhando muitas mortes na travessia. Na Alemanha, para ter mais chances de ficar, disse que vinha da Palestina, mas a mentira foi descoberta por um tradutor de Horst, considerado um dos alojamentos de piores condições no país, a cerca de 50 quilômetros de Hamburgo. Abdelghafour não fala alemão, mas, como os outros, domina todo o vocabulário dos refugiados: Residenzpflicht, Duldung, Lager (alojamento). Após a “rotina de prisão” em Horst - para onde sempre volta para receber o dinheiro, mas, com medo, nunca dorme no quarto reservado a ele e outros três refugiados -, ele agora se sente bem na Oranienplatz: - Aqui pelo menos a gente conhece outras pessoas, se sente livre, come a comida que quer. Podemos lutar pelo nosso futuro. Aqui não sinto medo.
oglobo.globo.com | 31-03-2013
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BRASÍLIA – Com a queda da ajuda externa, os países de baixa renda aumentaram o déficit de financiamento em educação nos últimos três anos. Dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), revelam que é necessária ajuda externa de US$ 26 bilhões anuais para que esses países universalizem a educação fundamental, até o ano de 2015. O valor aumentou. Em 2010, os cálculos apontavam que ainda que os governo priorizassem a educação, faltariam US$ 16 bilhões anuais para que toda criança tivesse pelo menos seis anos de formação inicial.
Veja também
Os números constam no relatório Tornar a Educação Acessível até 2015 e no Período Posterior (Making Education for All Affordable by 2015 and Beyond). A meta de universalização até 2015 é um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, firmados na Cúpula do Milênio, em 2000 e assinados por 189 países, entre eles o Brasil. Segundo a Unesco, são necessários ao todo US$ 53 bilhões anuais para o ensino fundamental, mas apenas a metade disso é investida no setor. Incluindo-se o ensino médio, o financiamento necessário aumenta para US$ 77 bilhões anuais, o que aumenta o déficit de financiamento para US$ 38 bilhões anuais. A menos de mil dias do prazo final da meta, a coordenadora de Educação da Unesco no Brasil, Rebeca Otero, disse que a meta não conseguirá ser finalizada, mas que nesse período, muitas lições foram aprendidas: — Ainda temos muitas crianças fora das escolas, muitos jovens e adultos analfabetos, ambientes escolares inadequados, etc. Mas, aprendemos que a formação dos professores é central para o aprendizado e que o nível de conhecimento desses profissionais é fundamental para a qualidade do ensino. No último relatório de acompanhamento das metas, de 2012, consta que 112 países teriam que formar mais 5,4 milhões de docentes para o ensino primário, destes, 2 milhões seriam postos adicionais e 3,4 milhões para substituir os professores aposentados ou que deixam a profissão. Mais de 2 milhões de vagas deficitárias se concentram nos países da África Subsariana. O Brasil aparece nos relatórios como um país que apresenta avanços no setor educacional, embora ainda enfrente dificuldades no setor. A Unesco propõe, inclusive, que o país aumente as contribuições externas e estipule objetivos mais ambiciosos de investimento nas economias de baixa renda para depois de 2015. O Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) investem atualmente US$ 163 milhões anuais na educação básica de países com dificuldade de financiamento do setor. A Unesco propõe também que 5% do imposto sobre as transações financeiras internacionais da União Europeia (UE) sejam destinados à educação. A medida agregaria ao setor US$ 2,4 bilhões. Além disso, o documento sugere que o setor privado poderia aumentar o repasse, uma vez que “a contribuição ao ensino fundamental em países em desenvolvimento continua sendo mínima”.
oglobo.globo.com | 28-03-2013
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RIO – Com a crise em Chipre, o mercado volta sua atenção agora para Itália e Holanda, apontados por especialistas como as futuras fontes de dor de cabeça para a União Europeia, dada a vulnerabilidade de seus sistemas bancários. Os analistas dizem ainda que, apesar de seu peso econômico reduzido (apenas 0,2% do PIB da zona do euro) e das particularidades de sua economia (por ser considerado um paraíso fiscal), Chipre tem uma importância simbólica. Isso porque é o primeiro resgate em que correntistas terão parte dos recursos confiscados, caso de empresas e pessoas físicas com depósitos superiores a € 100 mil. Isso abre um precedente para a implementação de um novo modelo de socorro em futuras crises. E ainda assim, nem a permanência na zona do euro está garantida, na opinião de especialistas. — Será que vai ocorrer uma corrida bancária? Tudo virou uma bagunça. Evitaram um problema no fim de semana, mas existe risco de outros mais à frente. — disse Barry Eichengreen, professor da Universidade da Califórnia. Para Nicolas Veron, do Instituto Peterson, o acordo marca uma nova etapa na crise da zona do euro, na qual os depósitos não são mais protegidos. No caso italiano, o que preocupa os economistas é o elevado grau de exposição dos bancos às dívidas públicas de governos estaduais e municipais. Quanto à Holanda, a fragilidade é resultado da exposição das instituições financeiras ao crédito imobiliário e à indústria naval, setor em recessão há cinco anos na Europa. — Caso precisem de ajuda, é possível que o modelo de resgate seja diferente do adotado na primeira leva (Portugal, Irlanda, Espanha e Grécia) e o Chipre passe a ser referência, com os credores sendo prejudicados, não apenas os acionistas dos bancos. No médio prazo, isso pode trazer dificuldades para os países europeus conseguirem financiamento — diz a diretora da consultoria Galanto, Monica de Bolle. Para ela, o endurecimento dos termos do resgate se deve ao fato de a chanceler federal Angela Merkel estar buscando a simpatia do eleitor alemão — cansado de pagar a conta da crise europeia — para obter novo mandato na eleição em setembro. A economista disse que o confisco cipriota se assemelha ao corralito argentino, de 2001. Nos dois casos, o governo tomou a decisão porque não havia a possibilidade de emissão de moeda (em Chipre, a moeda é o euro e na Argentina era o dólar). No Brasil, o confisco promovido por Fernando Collor de Melo, em 1990, foi diferente. O objetivo era combater a inflação. Para ela, as decisões do governo cipriota são um misto de corralito e Proer, o programa de resgate de bancos do governo de Fernando Henrique Cardoso. Aqui e em Chipre, os ativos ruins e saudáveis dos bancos foram separados.
oglobo.globo.com | 26-03-2013
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EDIMBURGO - No dia 18 de setembro de 2014, os eleitores escoceses terão que responder a uma única pergunta: "A Escócia deve ser um país independente?" Nesse dia, o país votará em um referendo para decidir se deve deixar o Reino Unido após 300 anos de união. O anúncio foi feito no Parlamento por Alex Salmond, o primeiro-ministro escocês. Ele afirmou que a ruptura dos laços com o governo britânico daria à população a chance de construir um país melhor. - A escolha se torna mais clara a cada dia que passa: a oportunidade de usar nossos vastos recursos e talentos para construir um país melhor, ou continuar com o sistema de Westminster, que simplesmente não está funcionando para a Escócia - discursou Salmond. As pesquisas de intenção de voto mostram, porém, que a maioria dos escoceses preferia manter a situação como está, caso a votação fosse realizada agora. Cerca de 30% do eleitorado são a favor da independência, enquanto 50% preferem a manutenção do controle britânico. O Parlamento escocês, criado em 1999, tem poderes limitados em áreas como saúde e educação. Mas o Parlamento britânico, em Londres, ainda exerce controle sobre decisões importantes de gastos do governo em diversos setores. O Partido Nacional Escocês (SNP), de Salmond - a favor da independência - conquistou a maioria Parlamento escocês nas eleições de maio de 2011. Mas o SNP enfrentará uma dura batalha para ganhar o referendo, que será realizado no ano do 700º aniversário da Batalha de Bannockburn, uma célebre vitória sobre os ingleses. O SNP argumenta que as receitas com o petróleo do Mar do Norte, combinados com a agricultura local e as indústrias de pesca e uísque permitiriam que uma Escócia independente prosperasse. Outros partidos em Edimburgo e o governo britânico dizem que o país e o restante do Reino Unido sairiam perdendo. A convocação do referendo foi decidida em um acordo histórico firmado por Salmond e David Cameron, o primeiro-ministro britânico, em 15 de outubro do ano passado. Ambas as partes se comprometeram a aceitar o resultado da votação. Caso a resposta seja positiva, a Escócia não se tornaria imediatamente independente. Durante um período estimado de um ou dois anos, Edimburgo e Londres deveriam definir os termos concretos sobre a independência. Entre as questões, estão a partilha de petróleo do Mar do Norte, a divisão da dívida pública do Reino Unido e a desnuclearização do território escocês, que atualmente aloja bases de submarinos do programa de dissuasão nuclear britânico Trident. O país enfrentaria ainda um assunto delicado: a permanência ou não de uma Escócia independente na União Europeia.
oglobo.globo.com | 21-03-2013
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TEL AVIV - Líderes políticos de Israel assinaram nesta sexta-feira um acordo de coalizão que pode complicar o já difícil processo de negociação de paz com a Palestina - a apenas cinco dias da primeira visita do presidente Barack Obama ao país, para tratar da agenda regional. A disposição final da aliança, encabeçada pelo enfraquecido primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, confirmou a importância política de duas novas estrelas da eleição de janeiro: Yair Lapid, do partido de centro criado em 2012 Yesh Atid (Há Futuro), que ficou em segundo no Parlamento, e Naftali Bennet, do direitista Bayit Yehudi (Casa Judaica). Lapid ganhou a pasta de ministro das Finanças com uma plataforma eleitoral voltada para o aumento dos preços imobiliários e do custo de vida. Seu partido também cuidará do Ministério da Educação. Bennet será ministro da Economia e do Comércio. O Casa Judaica também ficará responsável pelo Ministério da Construção e Vivenda, que é central na política de assentamentos, e comandará a Comissão de Finanças do Parlamento, com influência sobre o Orçamento. Jornalista e ex-apresentador de televisão, Lapid prometeu aliviar as pressões financeiras sobre a classe média. O que representa um desafio para o responsável pela redução do atual déficit de 4,2% do Produto Interno Bruto - o dobro da meta. Para chegar ao novo objetivo do governo, de 3%, ele precisará cortar gastos públicos no equivalente a R$ 76 bilhões e arrecadar R$ 4 bilhões a mais em impostos. O novo governo, com maioria de 68 cadeiras num Parlamento de 120, é o terceiro a não incluir os ultraortodoxos desde 1997. A atual coalizão é formada por cinco grupos com posições conflitantes sobre a questão palestina. O partido de Bennet, popular entre os colonos religiosos, defendeu a anexação de grandes partes da Cisjordânia e da Faixa de Gaza durante a campanha. Já o partido de Lapid e o Hatnuá (O Movimento), de Tzipi Livni, apoiam o estabelecimento de um Estado palestino e o rápido retorno às negociações. Oficialmente, Netanyahu também apoia a coexistência dos dois Estados, mas um de seus principais aliados, ultranacionalista Avigdor Lieberman, fez duras críticas ao presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, nas eleições de janeiro. Irã no centro da agenda A Casa Branca fez nesta sexta-feira uma reunião por telefone para discutir a visita do presidente americano a Israel, Cisjordânia e Jordânia entre terça-feira e sábado da próxima semana. - Nossos esforços tratarão de prevenir que o Irã possua armas nucleares, da situação na Síria, dos acontecimentos na região que colocam tanto oportunidades quanto desafios de segurança e de desenvolvimento de esforços para fazer avançar a paz entre Israel e Palestina - disse Ben Rhodes, assessor de Segurança Nacional para Comunicações Estratégicas. Entre tais acontecimentos recentes estão o acirramento da guerra na Síria, que fez dois anos com os rebeldes sendo acusados de executar prisioneiros, e o reforço dos movimentos diplomáticos dos EUA e da União Europeia para aprovar sanções ao Irã sem causar um novo choque do petróleo.
oglobo.globo.com | 15-03-2013
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Os diplomatas europeus junto à Autoridade Nacional Palestina (ANP) redigiram um relatório com duras críticas à colonização israelense na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental e exortaram a União Europeia a aplicar sanções econômicas contra os assentamentos.De acordo com o relatório, que foi vazado para o jornal israelense "Haaretz", os diplomatas recomendam que os 27 países da UE tomem medidas para impedir investimentos em projetos relacionados aos assentamentos.O documento destaca a necessidade de diferenciação entre produtos fabricados em Israel e mercadorias provenientes dos assentamentos. Além disso, recomenda que as redes de supermercados europeias marquem os produtos dos assentamentos de forma que o consumidor possa entender que esses não foram produzidos em Israel.Israel tem um acordo de livre comércio com o bloco europeu, e segundo o relatório dos diplomatas, "os produtos dos assentamentos não devem usufruir dos benefícios" do acordo.O documento também recomenda que os países europeus examinem com cuidado os planos de cooperação nas áreas de pesquisa e desenvolvimento tecnológico "para que não ajudem de maneira direta ou indireta os assentamentos".'Provocação'O relatório destaca a colonização israelense em Jerusalém Oriental e afirma que "Israel atua de maneira sistemática contra a presença palestina em Jerusalém, por intermédio de limitações à construção, destruição de casas, expulsão de moradores, discriminação na liberdade de acesso a locais religiosos e em serviços de educação, saúde e recursos municipais".Segundo os autores, as construções israelenses em Jerusalém Oriental são "propositais, sistemáticas e provocadoras".A ampliação de três bairros israelenses em Jerusalém Oriental - Har Homa, Gilo e Givat Hamatos - é vista como "parte de uma estratégia para impedir a transformação de Jerusalém em capital dos dois Estados"O governo de Israel ainda não publicou uma reação oficial ao relatório dos diplomatas europeus, porém o tema foi divulgado amplamente pela mídia local.O deputado Eli Ben Dahan, do partido de extrema direita Habait Hayhudi (Lar Judaico) criticou o relatório."Novamente somos testemunhas de uma intervenção grosseira e tendenciosa em favor dos palestinos, na política do Estado de Israel", disse o deputado ao site de notícias"Walla"."Os europeus devem saber que o Mandato Britânico na Terra de Israel terminou há 65 anos, hoje em dia Israel é um Estado independente", acrescentou Ben Dahan.Iniciativas corajosasA porta-voz da Organização pela Libertação da Palestina (OLP), Hanan Ashrawi, qualificou o relatório como "corajoso" e declarou que espera que seja seguido por "medidas concretas e punitivas"."Apelamos à União Europeia para que enfrente Israel e implemente iniciativas corajosas para exigir que o bloco retire os investimentos em assentamentos em em relação a produtos vindos desses assentamentos", afirmou a porta-voz da OLP à agência de noticias palestina "Maan"."O projeto de colonização de Israel é a ameaça mais significativa à solução de dois Estados e agora é o momento de exercer a vontade politica necessária para responsabilizar Israel, antes que todas as chances de paz sejam destruídas",...
noticias.terra.com.br | 27-02-2013
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ROMA - Neste domingo e nesta segunda-feira, a Itália testa os nervos do mercado internacional e mergulha numa incógnita. Italianos vão escolher o Parlamento e um novo líder para comandar a terceira maior economia da zona do euro. O resultado deve sair nesta segunda-feira. Adivinhem quem poderá assumir a liderança do país em recessão, com recordes de desemprego e as contas desequilibradas? Silvio Berlusconi — o homem que domina a política italiana há duas décadas.
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Tudo aponta para uma vitória de Pier Luigi Bersani — ex-presidente do Partido Comunista Italiano, legenda que se reciclou no Partido Democrático, de centro-esquerda. Mas ninguém aposta mais em nada na Itália. O bilionário da mídia Berlusconi — 169ª fortuna mundial, estimada em US$ 5,9 bilhões, segundo a revista americana “Forbes” — é um mestre em surpresas. Aos 76 anos, com uma condenação por fraude fiscal e um rastro de escândalos sexuais, ele já foi três vezes primeiro-ministro. E não desiste. Cada vez que o deram como morto, voltou por cima. A maioria das sondagens aponta para cinco a seis pontos percentuais de vantagem para o esperado vencedor, Bersani. Mas há sondagens em que a diferença é bem menor: apenas dois pontos. Nas ruas de Roma, a polarização e confusão é tal que os eleitores reagem com intensidade nos debates: — Anote aí: se vencer Berlusconi, vou me exilar no Brasil ou no Caribe. É uma ofensa viver 20 anos na Itália nas mãos de Berlusconi! — revolta-se o bancário Nello Cervi, de 60 anos. Ele é eleitor de Bersani. Bem mais jovem (61 anos) e com sua calvície assumida (Berlusconi não apenas implanta cabelo, como pinta), o político da esquerda, filho do dono de um pequeno posto de gasolina em Piacenza, no Norte da Itália, não poderia fazer maior contraste com o magnata da mídia: formado em Filosofia pela Universidade de Bolonha, mede as palavras, fala devagar e tem ar professoral. Está sempre sério. Sua campanha está centrada na criação de empregos, no combate à corrupção e no fortalecimento do Estado. — Não podemos vencer contando fábulas porque não se pode governar assim — proclamou Bersani quando foi escolhido candidato. Promessa de devolver imposto Berlusconi conseguiu monopolizar todas as TVs e ter seu nome estampado em todas as manchetes de jornais nos últimos dias. Numa aparição pública, ele virou-se para uma bela vendedora de 30 anos, Angela Bruno, casada e com filhos, e perguntou, no microfone, se ela tinha orgasmo. As feministas protestaram em fúria. Mas os eleitores do Cavaliere não se importam. Alguns até o admiram por dizer e fazer o que muito homem gostaria. Num restaurante de Roma, um homem não tirava os olhos de seu celular: assistia, compenetrado, a um debate com Berlusconi. Sentado à mesa a seu lado, o advogado Antonello Pierro, 43 anos, bradou: — Berlusconi! É o único que tem ideias novas. Pois na Itália de hoje, eu pago todos os impostos e não me sobra nenhuma lira (antiga moeda italiana, antes do euro). A última “ideia nova” de Berlusconi surgiu na semana passada e foi recebida pelos adversários como um golpe baixo. Ele prometeu restituir dinheiro a todos os italianos que pagaram um novo imposto imobiliário criado por Mario Monti, o tecnocrata que comanda a Itália desde novembro de 2011 — período do auge da crise — e convocou eleições em dezembro, por falta de apoio. Gino Tarquinio, 31 anos, o proprietário do restaurante, opinou: — Para mim, é Berlusca! Quando ele estava no poder, estávamos muito bem. Não havia tantos impostos. E os pobres, pessoas ricas e de classe média não tinham medo de gastar. A eleição italiana foi antecipada em dois meses, quando o partido de Berlusconi — o Povo da Liberdade ou PdL — retirou seu apoio ao governo tecnocrata de Monti. Católico praticante e sisudo, Monti assumiu a Itália cultivando a imagem de que estava acima dos partidos. E para evitar que o navio afundasse numa Europa contagiada pela crise, implementou reformas na aposentadoria e nas leis trabalhistas que os mercados e o FMI consideram vitais. Conquistou os estrangeiros. Mas não os italianos. Monti hoje pena nas sondagens e deverá ser ultrapassado pelo maior fenômeno destas eleições — o homem que, para muitos, vai acabar decidindo quem ganha: Beppe Grillo, um comediante transformado em ativista político. Fazendo piadas obscenas contra a classe política, negando-se a participar de debates ou a ser entrevistado por jornalistas, Grillo atrai hoje uma multidão por onde passa. Da esquerda à direita, captou bem o atual espírito dos italianos: nojo da classe política do país e dos banqueiros. — Estamos sem tempo para nos salvarmos! — proclamou, num comício em Milão, a milhares de pessoas. Caçada ao voto inconformado Com as eleições apertadas e um resultado incerto, políticos estão batalhando pelos votos dos inconformados — isto é, todos aqueles por trás do Movimento Cinco Estrelas — o que transformou o comediante em peça-chave na eleição. Para os investidores, o pior cenário não é o país descambar mais para a direita ou a esquerda: é não haver uma combinação política que garanta um governo forte. — Mercados não gostam nisso. Não se trata da cor da política, mas sim da força do novo governo — disse Tanguy Le Saout, da Pioneer Investments, ao jornal inglês “Financial Times”. Segundo ele, é a incerteza que está afetando as empresas e bancos do país. Seja lá quem chegar ao poder, terá uma lista de problemas a resolver: a mais longa recessão em 20 anos, uma taxa de desemprego de mais de 11% (36% entre jovens) e a segunda maior dívida em relação ao PIB (a soma das riquezas de um país) da União Europeia.
oglobo.globo.com | 24-02-2013
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RIO — Foi em 2011. No mesmo ano em que Silvio Berlusconi renunciou ao cargo de primeiro-ministro da Itália, Giada De Angelis e Antonio Dell’Isola, ambos de 28 anos, deixaram o país. Saíram, literalmente, da zona do euro. De Nápoles para Reading, na Inglaterra, cidade que fica a 60 quilômetros de Londres. Não que fossem contra a renúncia do ex-premier, envolvido em processos de corrupção e até prostituição de menores. É que a Itália estava passando por um dos piores momentos da crise econômica: sua dívida correspondia a 120% do PIB, e o custo de financiamento do país disparava juntamente com o desemprego. A saída encontrada pela Itália, então, foi trocar o governo de pouca credibilidade de Berlusconi por um de perfil técnico. A solução encontrada por Giada e Antonio foi tentar a vida a dois fora dali, construindo uma história longe de família, amigos — e crise. — Mudar para a Inglaterra foi uma decisão comum, influenciada pela crise. Um não teria ido sem o outro — diz Giada. — Sabíamos que seria difícil morar num país estrangeiro, mas estamos passando por tudo isso juntos. Quando um tem um problema sabe que pode contar com o outro. Veja também
A mudança de vida só foi possível porque Antonio, formado em Química, como Giada, conseguiu uma bolsa de estudos de pós-graduação na Universidade de Reading. A italiana ainda procura emprego, mesmo fora de sua área, enquanto aperfeiçoa o inglês. — Estou fazendo PhD. Hoje em dia, a pesquisa acadêmica não é bem remunerada na Itália. Por dois motivos: além de a crise econômica ter afetado a pesquisa pública, é difícil ter uma boa colaboração entre universidade e indústria — explica Antonio. — Por conta disso, o financiamento de bolsas de estudo está ficando cada vez mais raro. Enquanto os dois se qualificam na Inglaterra, a maioria dos amigos está sem emprego na Itália. São tantos que eles até se perdem nas contas. Giada diz que a crise afetou, principalmente, a geração mais jovem. — Está muito complicado conseguir um trabalho bom. Quando há, é temporário. Além disso, muitos empregos são sub-remunerados. Como a situação está desse jeito, os casais jovens têm dificuldade para planejar um casamento ou até mesmo morar juntos. Veja o nosso caso. Em Nápoles, nós morávamos nas casas dos nossos pais. É caro ter um carro, porque o preço do combustível só aumenta. Os italianos estão tendo que pagar mais impostos, há mais empregos temporários e menos ajuda do governo para a educação das crianças — enumera Giada, apresentando alguns dos efeitos da crise na vida real. Os números ajudam a entender por que a situação chegou a esse ponto crítico descrito pela italiana. Desde 2008, quando a crise estourou nos Estados Unidos, até 2012, foram anos de recessão, ou seja, de encolhimento da economia. O pior deles foi 2009, quando o PIB teve uma queda de 5,5%. Para tentar arrumar as contas públicas, o governo italiano fez os chamados “ajustes”, um eufemismo para aumento de impostos, corte de gastos, congelamento de salários e aumento da idade para se aposentar. A mesma receita adotada por outros países da região. O mercado de trabalho também sentiu o golpe. Os amigos de Giada e Antonio estão sem emprego porque a taxa de desocupação entre os jovens conseguiu a façanha de piorar. Quando eles trocaram o euro pela libra, estava em 30%. Agora, subiu para 36,6%, segundo a Eurostat, agência de estatísticas da União Europeia. Para se ter uma ideia, a taxa de desemprego juvenil no Brasil é de 12,4%. Longe de casa, fazer amigos é difícil Ao fazer um balanço de como tem sido a vida na Inglaterra, o casal diz que o saldo é positivo, mas há prós e contras pendendo dos dois lados da balança. — É uma grande experiência. Viver num ambiente multicultural abre seu horizonte e sua própria visão de mundo. É bom também porque é uma oportunidade para melhorar o inglês — diz Giada. — Além disso, você conhece pessoas de diferentes culturas, pode aprender um pouco sobre cada uma. Por outro lado, após os primeiros meses, você começa a sentir saudades de casa. Sente falta da sua família, dos amigos e da sua cidade. Para ela, outro ponto negativo é a dificuldade de fazer amigos. — É difícil manter uma amizade mais duradoura, porque muitas pessoas que conhecemos não são daqui. E não é fácil se integrar com os ingleses. Nós também levamos um tempo para compreender coisas do dia a dia, como funcionava, por exemplo, a parte de assistência médica. Sobre os planos para o futuro, Giada é direta e diz que, na Itália, é difícil pensar nisso: — Apesar de termos vontade de voltar, a crise está aumentando. Então, não seria uma ideia muito boa. Eles não sabem por quanto tempo ficarão em Reading, ou se terão que voltar para Nápoles. Mas não há dúvidas de que querem continuar juntos.
oglobo.globo.com | 16-02-2013
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WASHINGTON - O presidente dos EUA, Barack Obama, propôs na terça-feira um aumento do salário mínimo em mais de 20%, investir US$ 50 bilhões em estradas e rodovias antigas e gastar US$ 15 bilhões em programas de emprego na construção civil, na tentativa de incentivar o crescimento econômico do país.
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Em seu discurso anual Estado da União, na noite de terça-feira, Obama pediu ao Congresso apoio a seus planos, que incluem reformas tributárias e de educação que o governo acredita que ajudarão a atrair empresas de volta aos Estados Unidos. O custo completo do programa seria compensado por cortes de gastos e reformas tributárias que serão detalhados na proposta orçamentária do governo nas próximas semanas, disseram autoridades do governo a repórteres após o discurso. O aumento do salário mínimo aumentaria os ganhos de 15 milhões de norte-americanos e seria feito em etapas, disseram as autoridades, garantindo que diversos executivos de importantes companhias apoiam a medida. Como esperado, Obama também anunciou durante o discurso o início das negociações para o livre comércio entre Estados Unidos e a União Europeia.
oglobo.globo.com | 13-02-2013
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Elas já são coloridas, com sabores artificiais, distribuídas de graça, como faz o governo federal, que nos dias de folia disponibilizará cerca de 70 milhões de camisinhas aos estados brasileiros. Mas a resistência pelo uso ainda existe, a preocupação com doenças sexualmente transmissíveis e com a gravidez indesejada passa longe da cabeça de boa parte. Por isso é que pesquisadores e empresas de vários países se debruçam sobre novos materiais, mais resistentes; e novas formas, mais anatômicas, para colombina, pierrot, Christian Grey, dançarina de cabaré ou pirata nenhum botar defeito. Elas não chegam ao mercado para este carnaval, mas já dá para ir imaginando o que vem por aí. — As companhias de preservativos começaram a focar na sensação de prazer. A maioria das relações sexuais ocorre porque é prazerosa. Portanto, dada a importância da camisinha, é preciso que aqueles que as produzem entendam o que os consumidores gostam e como elas contribuem para o sexo — explicou Michael Reece, diretor adjunto de pesquisa e pós-graduação da Escola de Saúde Pública da Universidade de Indiana (EUA), responsável por um dos maiores estudos em comportamento sexual. É o que também defende o designer de produtos Daniel Resnic, dono da americana Strata, responsável pela Origami Condoms: “funcionalidade e prazer devem andar juntos, sem negligenciar um ou outro”. Em 1994, descobriu ser HIV positivo, o provável resultado de uma camisinha rasgada, o que o fez se envolver na causa. A primeira mudança que implementou foi no material: um adeus ao látex, usado há quase um século, para dar lugar ao silicone. Segundo ele, é mais flexível, tem menos fricção e bloqueia vírus com mais segurança. No design, uma espécie de acordeon promete transformar o sexo com camisinha melhor do que sem ela. Preservativo para sexo anal é uma das apostas A grande novidade, na verdade, é o estudo para a criação de um preservativo especial para o sexo anal, uma das principais formas de transmissão do vírus HIV. Ele levaria em consideração a diferente anatomia, e o parceiro ativo não a vestiria, seria parecido com o diafragma, que já é usado informalmente por alguns no sexo anal. — O preservativo anal teria um consumidor esperado de homossexuais masculinos, no entanto, o maior mercado para este dispositivo é de heterossexuais, simplesmente devido às proporções populacionais, de 10% de gays contra 90% de héteros — afirmou Resnic, por email. Com patrocínio do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, as pesquisas estão no estágio de testes clínicos. De acordo com Resnic, está prevista uma avaliação da Food and Drugs Administration (FDA), a agência regulatória do país, em outubro de 2014. Em seguida, na União Europeia e no Brasil. Se aprovado, seria uma enorme mudança comparada com o início do uso de preservativos. A primeira referência na literatura médica é do século XVI, quando o anatomista Gabriele Falloppio inventou uma espécie de linho feito de pele de animais, intestino e bexiga, para ser usado contra a sífilis. Diz a lenda que o galanteador Casanova chegou a testá-lo nos carnavais de Veneza, mas não curtiu. Depois de outras experiências malsucedidas, o látex chegou por volta da década de 1920, e pouco mudou nos anos subsequentes. Um novo protótipo de diafragma, o SILC, também vem sendo testado pelo Programa de Pesquisa Contraceptiva (Conrad). Uma barreira de silicone se diferenciaria de outros dispositivos por ser de tamanho único, capaz de se adequar a qualquer corpo feminino. Além disso, diafragmas em geral impedem a gravidez e o contágio de algumas doenças sexualmente transmissíveis, mas não são eficazes contra a Aids. — A Conrad irá testar o SILC junto com o gel tenofovir, o primeiro produto que mostrou reduzir infecções, como o HIV. Ele já vem sendo testado em nove países no sul da África — defendeu a pesquisadora Annette Larkin. Gel contra Aids é testado de diferentes formas Além da Conrad, outros centros põem o gel microbicida no front das pesquisas. Na própria Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o setor de estudos genéticos criou, a partir de algas, um gel capaz de prevenir a Aids. O objetivo, neste caso, seriam países, como alguns africanos, em que até 60% das mulheres foram contaminadas, e onde a opinião prevalente é a do homem, que tem maior resistência quanto ao uso do preservativo. A Universidade Laval, de Quebec, no Canadá, vem trabalhando num estudo parecido. Um aplicador introduziria o gel da “camisinha invisível”. — Homens sempre tiveram o controle sobre a camisinha. Mulheres não têm voz. Nosso objetivo seria ajudar as mulheres — disse a professora Rabeea Omar, à revista “New Scientist”. Na Universidade de Washington, um tipo de fibra, chamada electrospun, seria aplicada na vagina e dissolveria o germicida, eficiente para a contracepção e ainda preveniria contra o HIV. — Nós já temos as drogas para fazer isto. O que precisamos é de uma tecnologia para aplicá-la de forma que as torne mais potentes e façam com que a mulher queira utilizá-la — defendeu Kim Woodrow, autora do estudo publicado na “PLos One” e premiado pela Fundação Bill e Melinda Gates. O pesquisador Michael Reece ainda pondera sobre esta tecnologia de germicidas: — Mais pesquisas ainda são necessárias. Alguns previnem contra gravidez e HIV, mas não contra infecções de pele, como herpes e verrugas genitais. E também precisamos entender melhor como eles seriam utilizados — disse ele, que ainda garante que já houve mudanças significativas nos últimos cinco anos. — Hoje elas vêm em diferentes formas, texturas e materiais, com lubrificantes que trazem mais prazer. A indústria de preservativos tem seguido as preferências dos consumidores. Mitos provocam resistência a uso O mercado global de preservativos deve atingir a marca de 27 bilhões de unidades vendidas e de US$ 6 bilhões arrecadados no ano de 2015. Mas números da ONU mostram que 34 milhões de pessoas estão vivendo com o vírus da Aids. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, são 608.230 casos registrados de Aids. Anualmente, no país, a doença ainda mata 12 mil pessoas. O pesquisador Michael Reece, diretor adjunto de pesquisa e pós-graduação da Escola de Saúde Pública da Universidade de Indiana, publicou recentemente um estudo sobre o uso de preservativos e diz que a resistência ao uso ocorre por causa de certos mitos: — Não é verdade que as camisinhas diminuem o prazer. Hoje estamos aprendendo que tanto homens quanto mulheres afirmam que acham o sexo agradável com ou sem camisinha. Outro mito comum é que elas não são eficientes como os métodos anticoncepcionais. Isto não é verdade. Cada preservativo é testado individualmente antes de ser distribuído, e eles são o único método contraceptivo que ainda garante proteção contra infecções sexualmente transmissíveis — afirma. A pesquisa ainda mostrou que as pessoas acham o preservativo uma importante parte do prazer da experiência sexual, porque acreditam em sua eficiência (que é de quase 100%) e não se preocupam com as consequências do ato sexual, se sentindo mais relaxados durante o momento. Além da Aids, o preservativo protege contra uma série de outras doenças. No Brasil, são registrados por ano 937 mil casos de sífilis; 1.541.800 de gonorreia; 1.967.200, de clamídia; 640.900, de herpes genital; e 685.400, de HPV. Outras doenças cujas estatísticas são hepatites B e C, candidíase e outras infecções.
oglobo.globo.com | 09-02-2013
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Dois projectos de investigação da Universidade do Minho, financiados pela União Europeia, vão explorar as aplicações industriais do grafeno, um sub-produto da grafite. O objectivo desta parceria, que vai envolver um investimento de 1,2 milhões de euros, é tornar os produtos tecnológicos baseados nesta matéria em objectos mais úteis e acessíveis à sociedade.
rss.feedsportal.com | 29-01-2013
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SANTIAGO (CHILE) - A presidente Dilma Rousseff se reuniu, na manhã deste sábado, com o presidente do Chile, Sebastián Piñera. A presidente chegou ao Palácio La Moneda às 8h50m (9h50m, horário de Brasília), que estava enfeitado com a bandeira da Alemanha, em vez da brasileira. A explicação oficial é que o encontro Brasil-Chile é uma reunião de trabalho e, em seguida, Piñera se reuniria com a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel. Dilma e Piñera participaram da assinatura de três atos bilaterais, nas áreas de educação, cultura e pesquisa científica. O acordo científico permitirá que o Brasil use as instalações chilenas na Antártida, enquanto as brasileiras estão sendo reconstruídas. Em fevereiro do ano passado, a Base Comandante Ferraz pegou fogo. Dilma passará o fim de semana em Santiago, onde participará da reunião da Comunidade de Estados Latino- Americanos e Caribenhos (Celac) e União Europeia, cuja abertura está marcada para esta tarde. Dilma chegou sexta-feira às 22h, acompanhada do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e da ministra da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Helena Chagas. Os ministros de Relações Exteriores, Antonio Patriota, e do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, além do assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, já estavam em Santiago. Ainda neste sábado, a presidente se encontrará com Merkel, o presidente do México, Peña Nieto, e a presidente da Argentina, Cristina Kirchner. Dilma retornará ao Brasil neste domingo.
oglobo.globo.com | 26-01-2013
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BRASÍLIA - O Brasil vai enviar 100 doutores e pós-doutores aos principais centros de pesquisa da União Europeia, pelo Programa Ciência Sem Fronteiras, adiantou o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério de Ciência e Tecnologia, Carlos Nobre. Veja também
O acordo, que será assinado nesta quinta-feira (24), prevê intercâmbio entre profissionais brasileiros e europeus, além de realização de seminários. A presidente Dilma Rousseff e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, estão reunidos na 6ª Cúpula Brasil-União Europeia (UE), que ocorre nesta quinta, no Palácio do Planalto. Segundo Nobre, os centros ficam em países como Bélgica, Alemanha, Holanda, Espanha, Itália, entre outros. Eles promovem estudos avançados em áreas de interesse do governo brasileiro, como prevenção a desastres naturais e crises, mudanças climáticas e gestão sustentável de recursos naturais, energia e nanotecnologia. Também estão sendo discutidos temas como a crise financeira internacional, o G20 (grupo das 20 maiores economias no mundo) e questões de segurança internacional no Oriente Médio e na África – que enfrentam crises específicas, como no Mali (África) e na Síria (África). Participam do encontro Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu (órgão político do bloco) e o comissário do Comércio, Karel de Gucht, além de ministros brasileiros de várias áreas, como Antonio Patriota (Relações Exteriores).
oglobo.globo.com | 24-01-2013
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BRASÍLIA — Pela sexta vez, as autoridades do Brasil e da União Europeia se reúnem para discutir temas específicos envolvendo as duas regiões. Estarão em debate temas como a crise financeira internacional, o G20 (grupo das 20 maiores economias no mundo) e questões de segurança internacional no Oriente Médio e na África – que enfrentam crises específicas, como no Mali e na Síria. O encontro ocorrerá nesta quinta-feira, no Palácio do Planalto. Veja também
Serão duas etapas de reuniões: na primeira, a presidenta Dilma Rousseff conversa com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e o presidente do Conselho Europeu (órgão político do bloco), Herman Van Rompuy. Na segunda, os três se reúnem com os ministros brasileiros e as autoridades europeias. Os encontros vão se subdividir em assuntos multilaterais, regionais e específicos. Dilma deve aproveitar a ocasião para defender a ampliação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Para o Brasil, é fundamental aumentar o número de assentos – atualmente são 15, dez rotativos e cinco fixos. O pleito brasileiro conta com o apoio da França e do Reino Unido. A presidente deve mencionar ainda a necessidade de estimular as ações baseadas no desenvolvimento sustentável e na inclusão social. Também vão ser tratados acordos de cooperação em ciência, tecnologia e inovação e em educação relativos ao programa Ciência sem Fronteiras No fim desta semana, haverá a Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos, Caribe e União Europeia em Santiago, no Chile. A expectativa é que nessa reunião sejam tratados alguns temas que ainda enfrentam entraves nas relações entre os blocos, como o comércio de produtos agrícolas. A parceria estratégica entre a União Europeia e o Brasil foi lançada em julho de 2007 em Lisboa, Portugal.
oglobo.globo.com | 24-01-2013
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LONDRES - O assassinato de trabalhadores estrangeiros no deserto argelino ameaça a produção da maior indústria de petróleo e gás do Norte africano, principal fonte de receita de um país que evitou manifestações no período em que a Primavera Árabe varreu os regimes políticos de toda a região. A ação sangrenta que ocorreu na quinta-feira para resgatar reféns num campo de gás natural da britânica BP, responsável por 12% da produção da Argélia, deixará exploradores estrangeiros mais cautelosos sobre o trabalho no país, afirmou Ahmed Amdimi, professor de Ciência Política da Universidade de Argel (capital da Argélia). A Companhia Espanhola de Petróleo (Cepsa), a Statoil e a BP foram as primeiras empresas a retirar seus trabalhadores do local. Veja também
- As instalações de petróleo e gás eram até mais seguras do que o quartel do Exército. Tratava-se de oásis num país inseguro - garantiu James Le Sueur, professor de História da Universidade de Nebraska, em Lincoln, nos Estados Unidos, e autor do livro “Argélia desde 1989: entre o terrorismo e a democracia”. - O fato de eles terem chegado a estas unidades indica uma ameça muito substancial. Terceiro maior fornecedor da Europa A Argélia é o terceiro maior fornecedor de gás das 27 nações da União Europeia, que o distribui por tubulações que chegam ao continente passando sob o Mar Mediterrâneo. A energia representa em torno de 70% das receitas fiscais e 98% das exportações, de acordo com o Banco de Desenvolvimento Africano. A redução da segurança no deserto do Saara pode retardar perfurações por produtores incluindo a francesa Total, a italiana ENI e a norueguesa Statoil. - A Argélia vive de petróleo e gás. Atingir este setor é como abater o país como um todo. Se outras operações ocorrerem, isto terá um efeito muito perigoso para a economia argelina - alertou Amdimi. A BP afirmou num comunicado à imprensa que planeja retirar funcionários que não sejam essenciais do país. A Statoil, parceira da BP em In Amenas (cidade argelina próxima à fronteira com a Líbia), também disse ontem que nove de seus 17 funcionários da fábrica já estão seguros. A companhia mandará ao todo 40 empregados de volta para casa. A Cepsa também retirou os funcionários estrangeiros de dois locais a até 250 quilômetros de In Amenas. - Estamos nos coordenando urgentemente com empresas britânicas e ocidentais na região, e medidas adicionais de segurança serão adotadas quando necessário - disse o premier britânico, David Cameron. Preço do gás já aumentou O preço do gás já registrou aumento na quinta-feira na Itália, país que recebe 33% de seu abastecimento da Argélia, capaz de produzir cerca de 1,2 milhão de barris de petróleo por dia. - Devido à importância da exportação da produção argelina para a Europa, particularmente para a Itália, os grandes produtores estão vigilantes - afirmou Nicolo Sartori, analista de energia e defesa do Instituto de Relações Exteriores de Roma. - Se um conflito interno ocorrer na Argélia, estaríamos olhando para um cenário diferente que poderia representar um sério risco de abastecimento de gás. Enquanto a Argélia - uma república democrática onde o Exército mantém uma forte força política - evitou os protestos iniciados há dois anos na Tunísia (culminando com a queda de regimes no Egito, Tunísia e Líbia), os ataques desta semana podem ser um sinal de que o país está se envolvendo num conflito regional com rebeldes islâmicos aliados da al-Qaeda. O fechamento do campo de In Amenas, onde as companhias Sonatrach e Statoil também operam, se somará a um declínio pelo sétimo ano consecutivo nas exportações de gás argelino, motivadas pelo aumento do consumo interno de energia, aponta Thierry Bros, analista do mercado de gás da Societé Generale. Só o campo gera receitas aproximadas de US$ 4 bilhões por ano. “A Europa teria de recorrer a outras fontes”, alertou o analista numa nota, acrescentando que a Gazprom russa poderia aproveitar a oportunidade para aumentar suas exportações para a região.
oglobo.globo.com | 19-01-2013
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Emprego | Desemprego em nível recorde
“A crise económica levou o desemprego na zona euro a um nível recorde. Segundo [os números](http://epp.eurostat.ec.europa.eu/cache/ITY_PUBLIC/3-08012013-BP/FR/3-08012013-BP-FR.PDF) publicados a 8 de fevereiro pelo Eurostat, no mês de novembro havia 18,8 milhões de pessoas sem trabalho nos países da moeda única”, o que equivale, escreve o diário, “a 11,8% da população ativa, ou seja 0,1% (ou 113 mil) mais do que no mês anterior e 2,01 milhões mais do que no mesmo mês do ano anterior”. – La Voix du Luxembourg, Luxemburgo | Artigo original – La Voix du Luxembourg Emprego | Aumento do desemprego: um mal europeu e uma exceção suíça
Segundo os números publicados pela secretaria de Estado da Economia, a taxa de desemprego na Suíça foi, em média, de 2,9% em 2012, conta 10,7% na União Europeia (e 11,8% na zona euro). Uma “exceção helvética”, que o diário explica nomeadamente com uma legislação de trabalho favorável e a flexibilidade do mercado de trabalho. – Le Temps, Genebra | Artigo original – Le Temps Os mais altos responsáveis políticos não sabem que têm dinheiro
A comissão eslovena de luta contra a corrupção revelou que o património do primeiro-ministro de centro-direita, Janez Janša, “aumentou de forma inexplicável e desproporcionada €210 mil” entre 2004 e 2012. Quanto ao presidente da Câmara de Liubliana e chefe da oposição de centro-esquerda, Zoran Janković, decidiu não declarar €2,4 milhões que a comissão descobriu na sua conta bancária. O presidente do parlamento e chefe da Lista cívica (centro-direita), Gregor Virant, exige a demissão destes dois homens. – Delo, Liubliana | Artigo original – Delo A receita do FMI para cortar 4 mil milhões
No início de 2013, o FMI apresentou uma longa lista de recomendações para reformar o Estado Português e atingir os cortes necessários de quatro mil milhões de euros na despesa. O relatório “Rethinking the State - Selected Expenditure Reforms Options” [Repensar o Estado – Seleção de Despesas e Opções de Reformas], encomendado pelo Governo, e a que o *Jornal de Negócios* teve acesso, o FMI diz que o Estado português precisa de “reformas inteligentes”, sugerindo como prioridade os cortes com pessoal e salários nos setores da Educação, Saúde e Forças de Segurança. O Fundo propõe um aumento das taxas para os doentes que usam o Serviço Nacional de Saúde, cortes nas pensões de reforma e também a dispensa de 50 mil professores. – Jornal de Negócios, Lisboa | Artigo original – Jornal de Negócios Esquece-me!
A UE quer introduzir o direito ao esquecimento na Internet. A 10 de janeiro o Parlamento Europeu deverá começar [a apreciar o projeto de diretiva](http://www.europarl.europa.eu/meetdocs/2009_2014/documents/libe/pr/923/923072/923072en.pdf) que defende a proteção de dados pessoais. “O projeto tem como objetivo as redes sociais como o Facebook, mas também as empresas e instituições públicas tais como hospitais, bibliotecas, companhias aéreas e supermercados”, explica o diário. O consentimento dado ao registo de dados deverá poder expirar automaticamente e quem revela os seus dados pessoais na Internet deve poder apagá-los totalmente. – Die Tageszeitung, Berlim | Artigo original – Die Tageszeitung Casamento homossexual: Hollande não cede, os opositores mobilizam-se
Enquanto a polícia prevê uma manifestação “de dimensão excecional” contra o “casamento para todos”, a 13 de janeiro em Paris, François Hollande garante que não pretende “ceder à rua”. Uma posição que, para o diário de direita, contradiz a promessa do Presidente de organizar grandes debates sobre as reformas da sociedade francesa. O parlamento deverá dar início à análise do projeto de lei a 14 de janeiro. – Le Figaro, Paris | Artigo original – Le Figaro É preciso aumentar o ordenado do patrão
Um estudo realizado por um grupo de investigadores americanos e dinamarqueses em dez mil empresas dinamarquesas revelou que quando um patrão é pai pela primeira vez, o seu salário aumenta mais do que o dos seus colegas que não tenham tido filhos nesse ano: 6% se o bebé for um rapaz e 3,5% se for uma filha. Quanto aos seus funcionários, os homens veem o seu salário diminuir ligeiramente, contrariamente às mulheres. – Berlingske, Copenhaga | Artigo original – Berlingske
www.presseurop.eu | 09-01-2013
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Até o fim do mês, a Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, vai escolher dois projetos de pesquisa futurista que receberão financiamento bilionário para saírem das pranchetas para a realidade. A lista de finalistas inclui desde um gigantesco sistema de captação e análise de dados, uma espécie de sistema nervoso global, que poderia prever crises financeiras e eventos históricos a robôs capazes de fazer companhia a pessoas. Há ainda modelos computacionais para simular à perfeição o funcionamento do cérebro e do corpo humanos, aplicações práticas para o grafeno, material revolucionário cuja descoberta rendeu o Nobel de Física de 2010, e uma rede de sensores de uso pessoal para monitorar a saúde de indivíduos e os riscos ambientais a que estão submetidos. Os seis projetos em estudo foram selecionados em 2011 por um painel de cientistas de um conjunto original de 30 propostas. Desde então, cada um recebeu recursos da ordem de 1,5 milhão de euros (cerca de R$ 4 milhões) para delinear seus planos e objetivos. Em dezembro do ano passado, um novo grupo de especialistas analisou os resultados obtidos nos últimos 18 meses e apresentou suas conclusões à Comissão Europeia, que pode ou não seguir sua recomendação na decisão prevista para o fim de janeiro. Os vencedores da disputa, oficialmente batizada Iniciativa de Futuras e Emergentes Tecnologias, poderão então ter acesso a investimentos de 1 bilhão de euros (R$ 2,7 bilhões) ao longo dos próximos dez anos. Grandiosidade e burocracia O formato da iniciativa, no entanto, é alvo de críticas de cientistas europeus. Para eles, a grandiosidade dos projetos e o enorme orçamento podem deixar sem recursos outras pesquisas importantes, assim como levar ao desperdício. Segundo Peter König, neurocientista computacional da Universidade de Osnabrück, na Alemanha, os projetos em sua área recebem financiamentos médios de apenas 300 mil euros. — Ninguém conseguiu me explicar como substituir 3 mil bons projetos por um projeto pode ser uma boa ideia — disse König à revista “Science”, que publica uma avaliação das propostas concorrentes na sua edição desta semana. Já Stefan Hornbostel, sociólogo da Universidade Humboldt, em Berlim, vê na burocracia o principal perigo para o avanço dos projetos escolhidos: — Há o risco de que eles não persigam mais as grandes questões científicas, mas sim a lógica burocrática de que o dinheiro deve ser gasto. Outros cientistas, porém, elogiam a ousadia da Comissão Europeia em sonhar alto. Segundo eles, a Europa tem ficado para trás em termos de inovação e a alta aposta em projetos ambiciosos pode recolocar o continente na liderança mundial nos campos escolhidos. E ambição e ousadia são mesmo as melhores palavras para descrever os projetos finalistas da iniciativa. Candidato melhor posicionado na primeira fase da seleção, o sistema que une prospecção de dados com inteligência artificial, batizado FuturICT, pretende prever o futuro da sociedade de uma maneira que lembra a vista na série de ficção científica “Fundação”, escrita por Isaac Asimov e na qual o matemático Henri Seldon desenvolveu a ciência da “psicohistória”, conseguindo assim evitar um eventual colapso da Humanidade milhares de anos à frente de seu tempo. — Não estamos construindo uma bola de cristal — garantiu Dirk Helbing, físico e matemático do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça em Zurique e um dos líderes do FuturICT. — O que temos é uma ferramenta para entender relações causais, para ver porque alguns sistemas são estáveis e outros completamente instáveis.
oglobo.globo.com | 04-01-2013
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CARACAS, BOGOTÁ, SANTIAGO, BUENOS AIRES e CIDADE DO MÉXICO — Pelo segundo ano consecutivo, o Grupo de Diários América — aliança de imprensa mais importante da região — pediu a influentes representantes da política latino-americana que elegessem os fatos mais importantes de 2012 e os temas que serão relevantes em 2013. Chanceleres atuais e antigos, embaixadores, acadêmicos e diretores de centros de estudos concordaram que o novo mandato do venezuelano Hugo Chávez foi uma questão-chave neste ano. Sobretudo porque é um modelo que outros governos latino-americanos pretendem imitar. Ainda assim, o início dos diálogos de paz entre o governo colombiano e as Farc abre um novo cenário numa região em que a China cada vez se faz mais presente, e num momento em que a população latina nos Estados Unidos demonstrou seu verdadeiro peso e influência nas eleições deste ano. Venezuela: vitória e incertezas Hugo Chávez foi reeleito em outubro para um quarto mandato com 8 milhões de votos. Em 16 de dezembro, seu Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) ficou com 20 governos dos 23 estados do país. Mas é incerto se o chefe de Estado venezuelano poderá continuar no comando. O próprio Chávez semeou a dúvida ao anunciar uma nova operação em Cuba e ungir o vice-presidente Nicolás Maduro como seu sucessor ante a eventualidade de não poder tomar posse em 10 de janeiro, quando começa o mandato que vai até 2019. Há três cenários: Hugo Chávez se recupera e continua no poder; o presidente fica sem capacidade para governar; ou não supera a doença. Os dois últimos casos significariam a realização de uma eleição, convocada em 30 dias, se o presidente não assumir ou se ele morrer nos quatro primeiros anos do mandato. Após os resultados das eleições regionais, a grande pergunta é o que fará a oposição para enfrentar um novo pleito presidencial. O governador Henrique Capriles Radonski, que obteve 6,5 milhões de votos em outubro, poderia ser o melhor candidato, mas a oposicionista Mesa de Unidade Democrática (MUD) não adiantou cenários. A vitória do chavismo reavivou o debate sobre a consolidação do socialismo bolivariano do século XXI. A ideia aposta no Estado comunal, um modelo que polariza o país. O presidente Chávez quer que, em 2019, 68% dos 30,6 milhões de venezuelanos vivam em três mil comunas socialistas, não vinculadas à estrutura de governo municipal. O objetivo é substituir o Estado federal como concebido na Constituição por uma nova estrutura baseada em autogoverno de comunidades organizadas. Chávez verá seu sonho se tornar realidade, mas os analistas têm dúvidas se a marca do presidente venezuelano pode se estender a outros países da região. — O chavismo não é um produto de exportação, porque emergiu e se desenvolveu em condições materiais que nenhum outro país latino-americano tem. (Cristina) Kirchner gostaria de insultar todos os empresários, mas não pode, pois depende deles, de seu trabalho produtivo. Chávez pode porque controla os recursos petrolíferos — diz Luis Pedro España, sociólogo e diretor do Instituto de Ciências Econômicas e Sociais da Universidade Andrés Bello, admitindo que o processo político venezuelano pode influenciar grupos de esquerda e forças progressistas. — Como ocorreu em Cuba, com a luta armada. Mas não esqueçamos que a exportação da revolução cubana não funcionou. A conquista da China A América Latina vê a China como um ator-chave no comércio e por isso aposta em estreitar os laços com o gigante asiático — o principal sócio comercial do Peru, e o segundo de México, Colômbia e Uruguai. O Brasil lhe vende mais do que compra, e o México poderia se converter num sério competidor, tendo em vista o encarecimento da mão de obra chinesa. — Em 2017, a China desbancará a União Europeia como sócio comercial (da América Latina), e já o fez como principal importador — disse recentemente Osvaldo Rosales, da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal). A gestão macroeconômica responsável de muitos governos explica, em parte, o fato de a América Latina estar enfrentando a ameaça da crise econômica com bastante solidez. Mas essa solidez também decorre de a China ter mantido elevada sua demanda por matérias-primas latino-americanas. A economia não é o único aspecto no qual a China marca presença. Paulatinamente, os países da região têm cerrado fileiras com Pequim em temas como o Tibete e Taiwan, evitando questionamentos ao regime político chinês. A América Latina optou por relações bilaterais, longe de uma estratégia regional mais articulada ante o país. Por exemplo, em 2008 a China publicou seu Livro Branco sobre a América Latina (no qual detalha suas políticas para a região) mas até agora não existe uma resposta equivalente. O país desembarcou em nossa região, mas o futuro da relação não depende apenas de Pequim. Agora é a vez de a América Latina iniciar a “conquista da China” com seus produtos, e também com sua inteligência. Sonho de reeleição Eleição, reeleição, re-reeleição. A onda começou nos anos 90, com Alberto Fujimori no Peru e Carlos Menem na Argentina, mas viveu seu momento de glória em outubro, quando Hugo Chávez conseguiu um quarto mandato na Venezuela para arredondar, se a saúde permitir, 20 anos como chefe de Estado. Com a restauração democrática nos anos 80, os povos latino-americanos propuseram um só mandato aos presidentes, reeleição alternada ou ainda um segundo mandato consecutivo apenas. A ordem do dia era rotação, pluralismo. Mas os diques contra o caudilhismo cederam. Agora, Chávez é o ideal. Sobre suas próprias intenções de um terceiro mandato, Cristina Kirchner disse em setembro: —Não depende de mim uma reforma constitucional. Poderia ter dito “não”, como Lula, em 2010. Os Kirchner já haviam aberto um precedente na região com a “reeleição conjugal”, com Cristina sucedendo o marido, Néstor, em 2007. O guatemalteco Álvaro Colom quis fazer o mesmo com a primeira-dama Sandra Torres, mas a Constituição do país não permitiu a candidatura de um parente direto do presidente em exercício. Eles tiveram a ideia de se divorciar com um raciocínio elementar: se não há casamento, não há nepotismo. Não funcionou. O nicaraguense Daniel Ortega, que chegou ao poder em 1979 e voltou em 2006, fez lobby até acabar com os limites às eleições presidenciais. No ano passado, obteve um novo mandato presidencial. A conjunção de bonança econômica, políticas clientelistas e fragilidade das instituições favoreceram as arbitrariedades dos presidentes e sua primazia nas urnas, segundo os especialistas da região. Quem também vai pelo caminho cesarista é o presidente do Equador, Rafael Correa. Eleito em 2006, convocou uma Assembleia Constituinte que lhe deu a chance de reeleição imediata. Caminha agora para o terceiro mandato, com as eleições de fevereiro de 2013. O boliviano Evo Morales seguiu o padrão: triunfo eleitoral, Assembleia Constituinte, Constituição sob medida, novas eleições, outra candidatura provável em 2014, e um outro presidente que se vê no momento como insubstituível.
oglobo.globo.com | 24-12-2012
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União Europeia | Patente cheia de emoções
As empresas europeias temem os efeitos secundários da adoção da [patente unitária europeia, a 11 de dezembro último](3152441). O diário de Varsóvia explica que as “empresas polacas deverão pagar mais por tecnologias estrangeiras e que as empresas ocidentais têm medo que os seus concorrentes possam escapar mais facilmente à sua responsabilidade em caso de violação de direitos da propriedade industrial”. – Gazeta Wyborcza, Varsóvia | Artigo original – Gazeta Wyborcza Hungria | Governo suprime o sistema de quotas de lugares na universidade
No seguimento das [manifestações de estudantes da passada semana](3156551), o primeiro-ministro Viktor Orbán anunciou a supressão do elemento mais controverso da reforma universitária: a redução drástica do número de lugares nas universidades públicas. O outro aspeto polémico da reforma, que obriga os estudantes bolseiros a trabalharem na Hungria durante alguns anos depois de terem terminado o seu curso, continua em vigor. As organizações estudantis encaram a possibilidade de continuarem os protestos. – Magyar Hírlap, Budapeste | Artigo original – Magyar Hírlap França-Suíça | Justiça francesa prepara-se para pôr UBS sob investigação
Segundo várias fontes, o banco deverá ser muito em breve investigado enquanto pessoa jurídica. A justiça francesa, que investiga o caso desde abril passado, suspeita de um esquema de evasão fiscal da França para a Suíça. Três antigos quadros foram já investigados por “cumplicidade de ação ilícita” e “branqueamento e ocultação”. – Le Temps, Genebra | Artigo original – Le Temps Alemanha | O Deutsche escândalo Bank
A nova direção do maior banco alemão, em funções desde o início de 2012, tinha prometido uma mudança de cultura e o abandono da estratégia do lucro absoluto. Mas o banco está inundado de escândalos. A 12 dezembro, [foi alvo de buscas](3156551) no quadro de uma investigação de uma fraude fiscal de centenas de milhões de euros. A 14, foi condenado a pagar à família de Leo Kirch uma indemnização que poderá ascender a milhões de euros. O magnata da comunicação social responsabilizou o Deusche Bank pela falência do seu império porque a instituição declarou, em 2002, que as suas finanças não eram sólidas. – Der Spiegel, Hamburgo | Artigo original – Der Spiegel Polónia-Chipre | Paraíso perdido
A Polónia assinou um acordo com o Chipre que tende a tornar mais difícil a evasão fiscal para os polacos empregados ficticiamente em empresas cipriotas para pagarem menos impostos. O ministro das Finanças calcula que os polacos criaram cerca de cinco mil empresas em Chipre para “otimizarem os seus impostos”. – Rzeczpospolita, Varsóvia | Artigo original – Rzeczpospolita Dinamarca | A eletricidade está muito mais cara?
O parlamento dinamarquês adotou uma lei que pretende tornar mais concorrencial o setor da energia obrigando, nomeadamente, as grandes empresas de eletricidade a explicarem por escrito aos seus clientes como mudar de fornecedor. Um deles, a Natur-Energi, considerou que tal exigência não pode ser obrigatória e pediu à Comissão Europeia para declarar que essa é uma forma de ajuda pública ilegal aos produtores-fornecedores. – Berlingske, Copenhaga | Artigo original – Berlingske Grécia | Como a Google nos rouba
Entre 2009 e 2011, a Google Grécia pagou 328 mil euros de impostos ao Estado grego, para um volume de negócios anunciado de cerca de sete milhões de euros. Na verdade, esse número ascende a vários milhares de milhões de euros. Mas “a publicidade comprada pelos clientes gregos é paga diretamente em contas sedeadas na Irlanda”, onde está a sede europeia da empresa californiana e onde a fiscalidade é mais generosa, explica o jornal. – Ta Nea, Atenas | Artigo original – Ta Nea
www.presseurop.eu | 17-12-2012
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Durante a maior parte do século XXI, a Índia será a maior economia em termos de população, a China em termos de produção e os EUA o país mais rico entre as principais economias em termos de renda per capita. Assim são descritas as principais tendências do século atual no livro “Uma nova época - Os grandes desafios do século”, dos economistas e Mauro F. Emilio Ontiveros Guillén (Galaxia Gutenberg), uma análise prospectiva que excede o campo especializado da economia. Neste mapa não aparece a Europa, a velha Europa. Pela primeira vez na História, vários países inverteram suas pirâmides etárias, tendo mais pessoas acima de 60 anos do que menores de 20 anos, mais pessoas vivendo em cidades do que no campo e mais pessoas sofrendo de obesidade do que de fome. Isso gera mudanças sociais muito substanciais, incluindo as relacionadas ao estado do bem-estar e de seus programas mais importantes, a educação, o desemprego, pensões e saúde. Os autores do livro entendem que, com as maiores taxas de dependência e de envelhecimento da população, “vai se tornar mais difícil manter os benefícios nos níveis atuais.” Essas dificuldades são adicionadas à profundidade da Grande Recessão, que afeta a Europa com mais virulência do que outras áreas do planeta. Como resultado desta braçadeira dupla (condições objetivas e a escolha de determinadas políticas econômicas), o contrato que dá origem ao modelo social europeu após a II Guerra Mundial, a melhor utopia possível da humanidade, está em jogo. Aquele contrato implícito entre as principais forças políticas — social-democratas e democratas cristãos — proporcionou o período mais intenso de crescimento econômico (a era de ouro do capitalismo) e a formação dos Estados de bem-estar moderno. A velha Europa não conta na redivisão do mais ricos do mundo Stiglitz resumiu desta forma: um pacto entre a parte alta da sociedade e o resto, em que os primeiros concordaram em fornecer empregos e prosperidade, e os demais permitiam que estes levassem seus benefícios. “Todos vocês terão toda uma fatia, mas tomamos o maior”, diziam. Esse acordo tácito, que sempre foi frágil, desmoronou ruidosamente: os ricos continuam a riqueza, mas outras fornecem mais angústia e incerteza. A classe média está sendo espremida e o sofrimento de que estão abaixo vai se tornando mais palpável à medida que o desemprego aumenta e se tornam evidentes as deficiências da rede previdência, com os cortes nos programas públicos de ajuda e nos bens públicos. Isso leva à crise mais intensa na curta história da União Europeia (UE), com a desnaturalização de um projeto que muitos consideram uma das construções políticas mais importantes do século XX. As políticas econômicas que estão sendo implementadas são um fracasso, provocam uma redistribuição de renda e riqueza tão regressiva que geraram forte dose de insatisfação, e corroem um modelo social que tem sido a marca do velho continente diante de zonas do mundo mais desenvolvido, e a que todos aspiravam. Urge, por isto, outro pacto social europeu, atualizado, que leve em consideração as novas condições objetivas (sociedades mais velhas, a presença de milhões de imigrantes) e corrija os efeitos injustos das políticas econômicas adotadas (ausência de pleno emprego, empobrecimento etc.) recompondo o consenso cidadão. Para fazer isso, o primeiro passo é mandar para o lixo o diagnóstico errado em que essas políticas são baseadas (a crise foi causada pelo descontrole orçamentário, os déficits não são consequência da gestão e dos benefícios fiscais) e definir um mais em sintonia com a realidade, que começa com o infarto do sistema financeiro, o crescimento do endividamento privado, a recessão que a crise financeira provocou sobre a economia real, as grandes assimetrias entre os países da área do euro, a construção incompleta da união monetária, a falta de união econômica e de união política, e assim por diante. O diagnóstico atual é baseado em preconceitos ideológicos que dominam, derivados dos contínuos sofismas com os quais tentam nos confundir. * JOAQUÍN ESTEFANÍA é economista
oglobo.globo.com | 16-12-2012
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A União Europeia expressou na noite desta sexta-feira, 14, sua "consternação" e "horror" pelo massacre que deixou 27 mortos nos Estados Unidos, incluindo 20 crianças, em uma escola de Connecticut.
atarde.uol.com.br | 15-12-2012
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