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MOSCOU - Apesar do frio glacial, dezenas milhares de pessoas tomam as ruas de Moscou em mais um grande protesto contra o governo e a possível vitória de Vladimir Putin a um terceiro mandato presidencial nas eleições de março próximo. Segundo os organizadores, 120 mil pessoas participam dos protesto. Polícia de Moscou fala em 23 mil. Simpatizantes de Putin, no entanto, também organizaram uma manifestação. De acordo com a polícia, o evento em apoio ao premier estaria mais cheia que o protesto dos opositores: 90 mil pessoas se reúnem na zona oeste da cidade, dizem autoridades. - Alguns amigos meus foram forçados por seus patrões a ir à manifestação pró-Putin, sob ameaça de que seriam despedidos - contou um manifestante durante manifestação da oposição. Com balões e fitas brancas, opositores do Kremlin marcharam da Praça Kaluzhskaya até a Praça Bolotnaya. Juntos, a multidão cantava frases de “Fora, Putin” e “Rússia sem Putin”. Em um cartaz, era possível ler “Putin é uma pessoa sem vergonha ou consciência”. Há semanas Moscou é castigada por baixas temperaturas, e neste sábado os termômetros marcam 20 graus abaixo de zero e a previsão é que piore. Um frio assim torna difícil até respirar, e os organizadores se preparam para não deixar o protesto esvaziado. Entre as soluções encontradas estão centenas de aquecedores portáteis e café e chá gratuitos para os que estiverem presentes. - Se não for assim, muitos vão congelar - disse o ativista Grigory Chxartishvili, um dos organizadores. - Depois ainda vão culpar o protesto por ter causado gripe e pneumonia nas pessoas. A onda de frio, que já matou centenas de pessoas na Europa, é um dos muitos desafios dos manifestantes. A oposição está cada vez mais dividida em como manter quente o clima de contestação com a aproximação das eleições, marcadas para março. E mesmo que consigam, poucos acreditam que será suficiente para evitar que Putin volte à Presidência. Esta é a terceira grande manifestação contra o Kremlin em mês de dois meses. Em dezembro, dezenas de milhares foram às ruas de Moscou e outras cidades russas protestar contra o resultado das eleições parlamentares, que para eles fora fraudada para reduzir o impacto do revés para o partido de Putin. Mas a última grande manifestação foi há seis semanas, antes da onda de frio, e agora a dúvida é o quanto de energia sobrou. - Desta vez, o ímpeto está parcialmente perdido - diz Masha Lipman, uma proeminente analista política russa. - A causa não está clara, e falta liderança. Além disso, tem o frio. É claro que, quando se trata de frio, os russos estão melhor preparados que a maioria. Mas há limites, especialmente para alguns que, como já foi visto nos protestos de dezembro, preferem congelar a usar um casaco quente, mas fora de moda. As autoridades têm usado as baixas temperaturas a seu favor. Gennady Onishchenko, inspetor-chefe de saúde na Rússia, alertou na quinta-feira que os manifestantes podem ficar doentes. - Se você for ao protesto, vista os casacos e botas de feltro de sua avó, aqueles que eram símbolo da riqueza extravagante nos anos 1980, isso se não tiverem sido comidos pelas traças - afirmou. Os mais otimistas lembram que este sábado coincide com o aniversário de uma grande manifestação de 1990 contra o regime soviético. Naquele dia, no entanto, não estava frio como agora.
oglobo.globo.com | 04-02-2012
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MOSCOU - Apesar do frio glacial, milhares de pessoas começam a tomar as ruas de Moscou em mais um grande protesto contra o governo e a possível vitória de Vladimir Putin a um terceiro mandato presidencial nas eleições de março próximo. Há semanas Moscou é castigada por baixas temperaturas, e neste sábado os termômetros marcam 20 graus abaixo de zero e a previsão é que piore. Um frio assim torna difícil até respirar, e os organizadores se preparam para não deixar o protesto esvaziado. Entre as soluções encontradas estão centenas de aquecedores portáteis e café e chá gratuitos para os que estiverem presentes. - Se não for assim, muitos vão congelar - disse o ativista Grigory Chxartishvili, um dos organizadores. - Depois ainda vão culpar o protesto por ter causado gripe e pneumonia nas pessoas. A onda de frio, que já matou centenas de pessoas na Europa, é um dos muitos desafios dos manifestantes. A oposição está cada vez mais dividida em como manter quente o clima de contestação com a aproximação das eleições, marcadas para março. E mesmo que consigam, poucos acreditam que será suficiente para evitar que Putin volte à Presidência. Esta é a terceira grande manifestação contra o Kremlin em mês de dois meses. Em dezembro, dezenas de milhares foram às ruas de Moscou e outras cidades russas protestar contra o resultado das eleições parlamentares, que para eles fora fraudada para reduzir o impacto do revés para o partido de Putin. Mas a última grande manifestação foi há seis semanas, antes da onda de frio, e agora a dúvida é o quanto de energia sobrou. - Desta vez, o ímpeto está parcialmente perdido - diz Masha Lipman, uma proeminente analista política russa. - A causa não está clara, e falta liderança. Além disso, tem o frio. É claro que, quando se trata de frio, os russos estão melhor preparados que a maioria. Mas há limites, especialmente para alguns que, como já foi visto nos protestos de dezembro, preferem congelar a usar um casaco quente, mas fora de moda. As autoridades têm usado as baixas temperaturas a seu favor. Gennady Onishchenko, inspetor-chefe de saúde na Rússia, alertou na quinta-feira que os manifestantes podem ficar doentes. - Se você for ao protesto, vista os casacos e botas de feltro de sua avó, aqueles que eram símbolo da riqueza extravagante nos anos 1980, isso se não tiverem sido comidos pelas traças - afirmou. Aparentemente sem confiar na força do frio, o Kremlin se articula para controlar de outra foram uma grande manifestação. Para o mesmo sábado do protesto, convocou eventos escolares e universitários, e professores denunciaram terem sido obrigados a participar de um ato pró-Putin. No Facebook, cerca de 27 mil pessoas já confirmaram presença no protesto opositor. Os mais otimistas lembram que este sábado coincide com o aniversário de uma grande manifestação de 1990 contra o regime soviético. Naquele dia, no entanto, não estava frio como agora.
oglobo.globo.com | 04-02-2012
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RIO - A Comissão Europeia (CE) considera que os implantes mamários fabricados pela Poly Implant Prothese (PIP) "não parecem representar um risco maior" para a saúde que outras próteses, segundo informou um porta-voz da entidade, que, no entanto, destaca a necessidade de "avaliar individualmente cada caso". O porta-voz, Fréderic Vincent, resumiu os resultados do informe do grupo de especialistas sanitários da União Europeia, que afirma que os dados médicos disponíveis até agora "são insuficientes para tirar conclusões firmes sobre o risco para a saúde das mulheres com implantes PIP". Além disso, a União Europeia disse que vai propor inspeções mais rigorosas de dispositivos médicos, na esteira do escândalo. O comissário de Saúde da UE, John Dalli, afirmou nesta quinta-feira que as propostas visam ao aumento da "capacidade de detectar e minimizar o risco de fraude." O informe reconhece "certas preocupações sobre a possibilidade de inflamação" pelo rompimento dos implantes e recomenda que "cada caso seja avaliado de forma individual". Os especialistas do Comitê Científico da União Europeia para Novos Riscos para a Saúde (SCENIHR, na sigla em inglês) "tiveram que trabalhar muito rápido e com dados muito difíceis de analisar", declarou Vincent numa coletiva de imprensa, e acrescentou que o grupo "continuará investigando para avaliar a situação com maior profundidade". A principal conclusão do informe, de acordo com reportagem publicada no “El Pais”, é que "não parece haver um risco sanitário maior para as pacientes portadoras desses implantes (fabricados pela PIP) que para as de outras próteses", destacou. O maior problema detectado pelos especialistas é o "risco de ruptura do lote de implantes com o passar dos anos", afirma Vincent. A decisão final sobre a retirada massiva dos implantes cabe a cada Estado, recordou o porta-voz, que também indicou que, até agora, cinco países da União Europeia - França, Alemanha, República Tcheca, Holanda e Bélgica - recomendaram que as próteses PIP sejam retiradas de todas as pacientes. Enquanto isso, outros países como Espanha e Reino Unido, apenas consideram necessário retirá-las se houver vazamentos, embora aconselham que todas as portadoras sejam sujeitas a revisão. A CE, o comitê de especialistas e as autoridades sanitárias dos membros da UE conversarão esta tarde para "discutir o acompanhamento da situação", segundo Vincent. Mesmo assim, Bruxelas debaterá com os Estados membros sobre como melhorar a vigilância dos dispositivos médicos dentro do atual marco normativo, e também contempla revisar a legislação vigente para reforçar os controles. Entre as possíveis melhorias que estão sobre a mesa, a CE propõe realizar "inspeções surpresas" aos fabricantes ou tomar um número maior de amostras sobre os produtos que já estejam no mercado. A CE decidiu iniciar uma investigação devido à taxa "estranhamente alta" de ruptura dos implantes PIP, empresa que fez uso fraudulento de silicone industrial para fins médicos.
oglobo.globo.com | 03-02-2012
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Veja também Nos preparativos de qualquer viagem, contam-se as horas para embarcar, chegar ao hotel promissor ou comer no restaurante recomendado. O que ninguém espera é precisar usar o seguro de viagem, item indispensável em qualquer planejamento e cujo mercado vem crescendo junto com a expansão do turismo brasileiro. O setor, antes dominado pelas empresas especializada em assistência de viagem, ganhou nos últimos anos a presença de gigantes dos ramos de seguros, bancos e cartões de crédito, e chegou à internet. Só não mudou o cuidado na hora da assinatura do contrato, que deve ser claro sobre o tipo de cobertura oferecida. O vice-presidente da Associação Brasileira de Cartões de Assistência (ABCA), Celso Guelfi, diz que o número de viajantes que contratam planos de assistência cresceu 42% de 2010 para 2011. E deve aumentar ainda mais com a possibilidade de compra online, de forma direta entre a seguradora e o consumidor. Mas as agências de viagem ainda são a maneira mais popular de contratação do serviço. — À medida em que viaja mais, o brasileiro vai aprendendo que não pode sair de casa sem assistência e a tendência é que o mercado ofereça uma variedade ainda maior de produtos. A presença da internet nesse processo mostra bem essa evolução — analisa o executivo. Seguros na internet e no cartão de crédito Muitas das mais tradicionais empresas do mercado de assistência de viagem, como MIC, GTA e Travel Ace, já oferecem em suas páginas na internet ferramentas para compra online. Há também sites que reúnem várias seguradoras de grande porte, como Porto Seguro e SulAmerica. É o caso, por exemplo, do portal Real Seguro Viagem (seguroviagem.srv.br), onde é possível até comparar planos de empresas diferentes. A internet atraiu também o Itaú, que recentemente incluiu a contratação de assistência de viagem na lista de serviços oferecidos por seu internet banking. Outros bancos e operadoras de cartão de crédito já enxergam no seguro de viagem uma forma de fidelização. — O cliente MasterCard que compra uma passagem com o cartão de crédito ou débito está automaticamente segurado durante o traslado. Se alugar um automóvel com o cartão, vai junto o seguro de locação de veículo — explica o vice-presidente de Relacionamento e Serviços para o Consumidor da MasterCard Brasil, Fábio Estrella. Essa variedade pode ser vista na cartela de planos oferecidos pelas seguradoras. A GTA, por exemplo, tem 33 opções diferentes, incluindo serviços voltados para cruzeiristas. Praticamente todas as companhias oferecem também planos para a prática de esportes, que contam com cobertura médica em caso de acidentes e recursos para busca e salvamento. Há muitos seguros destinados a estudantes, que costumam ter longa duração e limite de atendimento alto. Menos comuns são as assistências a pessoas com necessidades especiais e gestantes, produtos lançados recentemente pela Travel Ace, e que custam cerca de 50% a mais que um plano padrão. Em geral, as seguradoras costumam também cobrar tarifas mais altas para clientes acima de 70 anos. Tanta oferta, no entanto, pode ser inútil, na avaliação da advogada do Procon-RJ, Camile Félix Linhares. Ela afirma que muitas coberturas oferecidas já são garantidas por lei. — O consumidor precisa saber se seu plano de saúde, por exemplo, já não prevê atendimento no exterior. Para perda ou atraso de bagagem, essa já é uma obrigação da companhia aérea. Mas se quiser contratar mesmo assim, precisa ler com muita atenção o contrato. Infelizmente recebemos muitas queixas de não cumprimento por parte das seguradoras — diz. Mas há casos em que a contratação de um plano é mais que uma precaução, e sim obrigatória para a entrada no país de destino. Isso vale para os países da União Europeia signatários do Acordo de Schengen, que exige que o turista estrangeiro viaje com um seguro de pelo menos 30 mil. Apesar de exigirem a comprovação do seguro, Portugal, Espanha, Itália, Grécia e Luxemburgo fazem parte do grupo de países que possuem um acordo com o Brasil para atendimento a brasileiros segurados pelo INSS. Para que o turista seja atendido na rede pública de saúde desses países, basta apresentar o Certificado de Direito a Assistência Médica (CDAM), documento retirado em postos da Divisão de Convênios e Gestão (Dicon), do Ministério da Saúde. No Rio, fica na Rua México 128, e o telefone é 3985-7426. Outros países participantes do acordo são Argentina, Cabo Verde, Chile e Uruguai. Outras informações sobre documentação necessária no site sna.saude.gov.br/cdam/index2.cfm.
oglobo.globo.com | 03-02-2012
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A onda de frio que atinge a Europa Central há uma semana deixou mais quarenta mortos, principalmente em Ucrânia, Polônia e Romênia, com o registro total superando 120 vítimas de temperaturas que beiram menos 30 graus. Segundo os serviços meteorológicos, este período de frio intenso deve se prolongar pelo menos até o final da semana. A companhia de gás austríaca OMV alertou para as possíveis consequências desta onda de frio no fornecimento de gás russo, ressaltando ter "registrado uma redução de 30% no fornecimento" em sua plataforma de distribuição de Baumgarten, por onde passa cerca de um terço das exportações de gás russo para a Europa Ocidental. Os estoques estão elevados graças a um início de inverno particularmente brando. Vinte pessoas morreram de frio na Ucrânia nas últimas 24 horas, elevando para 63 o número de vítimas das temperaturas glaciais em uma semana, segundo as autoridades. Cerca de dois terços das pessoas mortas foram descobertas nas ruas. Como em todos os países afetados, as vítimas são, em sua maioria, moradores de rua ou pessoas alcoolizadas. No momento em que as temperaturas caíram para -25, ou até -30°C em boa parte do país, cerca de 1.150 pessoas estão sendo tratadas com problemas com hipotermia, sendo que mais de 900 foram hospitalizadas. No mesmo período, cerca de 41.300 pessoas foram aos mais de 2.100 postos de emergência instalados em todo o país, onde podiam se aquecer e receber um prato de comida. Mais de 14.000 escolas (de um total de 20.000) foram fechadas, colocando cerca de 2,8 milhões de estudantes em férias forçadas. O frio fez mais nove vítimas na vizinha Polônia, onde as temperaturas caíram para -32 graus no sudeste. No total, desde o início da onda de frio, na sexta-feira, 29 pessoas morreram de hipotermia, segundo a polícia. Vários moradores de rua se reuniram em torno de uma central urbana de aquecimento na zona industrial de Zeran, subúrbio leste de Varsóvia. "Aqui, estamos bem aquecidos, podemos até ficar com camisas de mangas curtas", explica Stanislaw. "Na rádio, eles disseram que a temperatura caiu para -30 graus esta noite, mas estamos bem aqui, não estamos com medo de nada", disse ele, agachado em seu abrigo improvisado em uma estação subterrânea de aquecimento. "Não quero ir para um abrigo. A verdade é que bebo e é lá em cima é proibido". A Romênia, onde o frio chegou a menos 31 no norte, registrou novas oito mortes, elevando para 22 o número de vítimas fatais em uma semana, segundo o Ministério da Saúde. Em algumas localidades, as escolas fecharam e parte das estradas está interditada por causa das camadas de gelo. Na Sérvia, que registrou até menos 36 graus, o frio deixou seis mortos desde o final de semana passado e 11.500 pessoas ficaram bloqueadas em seus povoados, principalmente no oeste e no sudoeste, em decorrência das nevascas. Cerca de 70 pessoas tiveram que ser retiradas de helicóptero e em Belgrado os moradores de rua que não conseguiram encontrar lugar no único abrigo da capital (140 camas), se refugiaram em bondes. Um homem foi encontrado morto em Praga. Em Klapeida, no oeste da Lituânia, uma pessoa morreu, elevando o registro de mortes para nove no país. Na Áustria, as autoridades indicaram mais duas vítimas, entre elas um motorista de 72 anos, que morreu de frio em seu carro após derrapar e sair da estrada, elevando o total de mortes para três. Os países da Europa ocidental, também afetados por temperaturas baixas, não registraram vítimas, mas indicaram complicações no sistema de transportes, a exemplo do centro da Itália, onde dois trens, transportando 200 e 80 passageiros, ficaram parados nas vias durante parte da noite. Na França, as autoridades pediram aos moradores de várias regiões que reduzissem ao máximo o seu consumo de energia elétrica. Da AFP Paris .. Leia Mais... Pernambuco.com | Diario de Pernambuco | Últimas Notícias Copyright © 2012, Pernambuco.com - Grupo Associados, Recife-PE, Brasil
www.pernambuco.com | 02-02-2012
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A Comissão Europeia pediu hoje uma investigação aprofundada sobre o potencial impacto na saúde dos implantes mamários adulterados, fabricados pela empresa francesa PIP e que foram colocados em milhares de mulheres na Europa.
www.rtp.pt | 02-02-2012
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Autoridades de saúde da França cobraram nesta quarta feira controles de segurança mais rígidos nos equipamentos médicos da Europa, após o susto mundial envolvendo próteses mamárias francesas feitas com silicone de baixa qualidade. O departamento de saúde e sua agência reguladora enviaram um relatório para o ministro da Saúde francês, Xavier Bertrand, com recomendações baseadas em uma investigação de quase dois anos sobre a empresa Poly Implant Prothese (PIP), a produtora dos implantes mamários ...
noticias.terra.com.br | 01-02-2012
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Autoridades de saúde da França cobraram nesta quarta-feira controles de segurança mais rígidos nos equipamentos médicos da Europa, após o susto mundial envolvendo próteses mamárias francesas feitas com silicone de baixa qualidade. O departamento de saúde e sua agência reguladora enviaram um
www.estadao.com.br | 01-02-2012
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www.rtp.pt | 31-01-2012
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www.rtp.pt | 27-01-2012
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RIO - Preservar praias e mares deveria render dividendos em uma economia verde, afirma relatório divulgado nesta terça-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O estudo “Green Economy in a Blue World” (economia verde em um mundo azul) conclui que a saúde ecológica e a produtividade econômica dos ecossistemas marinhos e costeiros - em declínio no mundo por causa da exploração insustentável - podem fornecer as bases para a nova economia, na qual há geração de energia renovável, ecoturismo, pesca e transportes sustentáveis. A quantidade de nitrogênio que chega aos oceanos aumentou três vezes em relação aos níveis pré-industriais. O número pode crescer 2,7 vezes até 2050 se não houver mudanças na economia. Somente o uso sustentável de fertilizantes e de outros nutrientes para agricultura já ajudaria a reduzir os custos gerados pela poluição marinha. No caso da União Europeia, a economia seria de 80 bilhões de euros por ano. Estima-se que 30% dos estoques de peixes do mundo estão sendo pescados numa velocidade maior do que eles conseguem se reproduzir. E que a exploração de metade dos peixes já está esgotada. A FAO e o Banco Mundial afirmam que a economia global pode ganhar até 50 bilhões de dólares anuais restaurando populações de peixes e reduzindo a capacidade de pesca a um nível ideal. A exploração sustentável dos oceanos será um dos temas da Rio +20, daqui a cinco meses. O relatório pretender trazer para o Rio de Janeiro propostas de como garantir a economia verde no mar. O relatório examina, ainda, a situação dos pequenos Estados insulares, e indica caminhos para que eles reduzam sua vulnerabilidade ao aquecimento global. Cerca de 40% da população global vive a cem quilômetros da costa. Os ecossistemas marinhos do mundo (chamado de mundo azul no relatório) fornecem abrigo, alimentação e meios de subsistência para milhões de pessoas. Mas os impactos da atividade humana começam a cobrar seu pedágio, diminuindo a produtividade de oceanos no mundo. Cerca de 20% dos manguezais foram destruídos e mais de 60% dos recifes tropicais estão sob ameaças imediata e direta. - A vasta gama de serviços do ecossistema, incluindo a segurança alimentar e a regulação do clima, fornecidos por ambientes marinhos e costeiros, estão hoje sob pressão sem precedentes - disse o diretor executivo do Pnuma, Achim Steiner. - Intensificar os investimentos verdes em recursos marinhos e costeiros reforçando a cooperação internacional na gestão destes ecossistemas transfronteiriços são essenciais para uma transição para baixo carbono. A aquicultura, o setor de produção de alimentos que cresce mais rapidamente, está criando novos empregos e oportunidades comerciais. Mas, quando mal planejada, pode aumentar a pressão sobre os ecossistemas. A adoção de tecnologias verdes e investimentos em baixo uso de combustíveis fósseis reduziriam drasticamente a pegada de carbono do setor. O relatório defende, ainda, o fortalecimento de agências regionais e nacionais de pesca, bem como de associações comerciais de pesca e de cooperativas.
oglobo.globo.com | 25-01-2012
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Varsóvia, Polônia, 25/1/2012 – Os planos para privatizar a saúde provocaram variadas manifestações nas ruas das grandes cidades da Romênia há mais de uma semana. As principais demandas são transparência e responsabilidade na tomada de decisões do governo. Esta privatização proposta pelo governo centro-direitista é parte do programa de austeridade, o mais rígido da Europa, [...]
envolverde.com.br | 25-01-2012
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BRASILIA - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quer proibir o uso de dois agrotóxicos no país. A agência abriu na última segunda-feira consulta pública propondo banir o parationa metílica e o forato do mercado brasileiro. Segundo a Anvisa, estudos científicos mostram que as substâncias fazem mal à saúde. O parationa causa problemas no sistema endócrino, transtornos psiquiátricos e afeta o desenvolvimento do embrião e do feto na gravidez. O inseticida é usado no controle de pragas nas plantações de algodão, alho, arroz, batata, cebola, feijão, milho, soja e trigo. O forato aumenta o risco de diabetes na gestação e atinge o sistema respiratório, podendo levar à morte com a exposição a baixas doses. É autorizado para o combate de parasitas e insetos nas lavouras de algodão, amendoim, café, feijão, milho, tomate e trigo. Os dois produtos já são proibidos na Comunidade Europeia e utilizados com restrições nos Estados Unidos. As consultas ficam abertas por dois meses, período em que a população pode opinar sobre o banimento dos agrotóxicos. As contribuições às Consultas Públicas 8 e 9/2011 podem ser feitas pelo site da Anvisa ou pelo e-mail toxicologia@anvisa.gov.br. Outros canais de participação são o fax (61) 3462 - 5726 e cartas para o endereço Agência Nacional de Vigilância Sanitária / Gerência-Geral de Toxicologia, SIA, Trecho 5, Área Especial 57, Lote 200, Brasília, DF, CEP 71.205.050.
oglobo.globo.com | 24-01-2012
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BRASÍLIA - Na primeira reunião ministerial deste ano, nesta segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff determinou que todos os programas de governo tenham monitoramento on line e, preferencialmente, em tempo real. Segundo o porta-voz da Presidência, Dilma disse que esse monitoramento faz parte de "um projeto revolucionário, progressista e indispensável" à reforma do Estado. Veja também A presidente abriu a reunião, depois falaram o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. O secretário-executivo do Ministério da Previdência, Carlos Gabas, apresentaria o sistema de monitoramento adotado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), modelo que inspirou a determinação de Dilma. Os ministérios da Agricultura e da Previdência foram representados por seus secretários-executivos. O futuro ministro da Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp, também estava presente na reunião. Segundo o porta-voz da Presidência, Thomas Traumann, os ministérios têm até metade do ano para apresentar sistemas que permitam o acompanhamento das ações. Na reunião a presidente disse que, essas medidas fazem parte de um movimento iniciado em 2003, com a inclusão de milhões de brasileiros na classe média, o que aumenta a exigência da qualidade dos serviços publicos. Dilma, segundo o porta-voz, definiu o monitoramento como indispensável para a verdadeira reforma do estado, não através da demissão de servidores ou da perda de direitos previdenciários, mas através da gestão de um estado mais profissional e meritocratico. A apresentação da presidente durou 30 minutos. - A ideia é que todos os gastos, todas as ações do governo possam ser vistas e monitoradas e, portanto, cobradas na hora. Vamos imaginar convênios com prefeituras, com ONGs, passam a ter informação de quando foi feito, o que está sendo feito e tenha cobrança direta em relação aos gastos públicos. Isso não é uma questão de reforma de Estado. É como fazer com que o Estado preste serviços melhores para a população - explicou Traumann. O porta-voz disse que os dados poderão ser divulgados, mas o acesso ao sistema de monitoramento será dos membros do governo para acompanhamento dos gastos e das ações, além da realização de ajustes necessários. A intenção, segundo o porta-voz, é melhorar os serviços públicos prestados à população. - Estamos falando de gestão de governo. Eventualmente, sim (serão publicizados). A questão é: o que está sendo gasto hoje, o que você pode corrigir, fazer correções pontuais - afirmou. Depois, Tombini fez uma apresentação sobre crise internacional, dizendo que "o crescimento do PIB deve se acelerar ao longo de 2012, sobretudo no segundo semestre, com a inflação em trajetória descendente e com rumo ao centro da meta". Segundo relatos do porta-voz, Tombini apresentou cenários sobre a economia europeia e disse que a situação no continente preocupa. Ele também falou sobre Estados Unidos, que ele espera ter um crescimento um pouco melhor. Tombini falou por cerca de 15 minutos e também comentou a perspectiva de crescimento da China, que deverá, segundo ele, ser alto, porém inferior ao registrado no ano passado. O presidente do Banco Central já havia feito uma exposição mais detalhada no último sábado, durante reunião setorial da equipe econômica com a presidente Dilma Rousseff em sua residência oficial. Em seguida, Mantega definiu o que seriam as condições de crescimento e desenvolvimento sustentável. Primeiro, crescimento médio acima de 4%, "o que já vem acontecendo desde 2007". Depois, forte geração de emprego, distribuição de renda e redução de pobreza, criação de oportunidades, principalmente de saúde e educação e desenvolvimento regional, criação de mercado de massas e inserção internacional. O porta-voz disse que "esse foi o panorama que ele montou para dizer que o Brasil está sim em desenvolvimento sustentável". Mantega disse ainda que este ano o Brasil vai crescer e será "um dos poucos países do mundo que vai crescer mais do que no ano passado, apesar das condições internacionais desfavoráveis". Mantega falou ainda da importância da confiança da população e dos investidores na situação do país. Segundo o porta-voz, Mantega disse que, em 2009, a população estava mais confiante do que em 2008, em 2010 mais confiante do que em 2009 e em 2012 mais confiante do que em 2011. - Isso, na avaliação dele, é uma prova de que o ciclo econômico que estamos vivendo vai ter continuidade - disse Traumann. Segundo o porta-voz, não se falou em contingenciamento nem de cortes no Orçamento da União. Corte no Orçamento da União de 2012 pode chegar a R$ 70 bilhões Mais cedo, a presidente Dilma Rousseff afirmou que a reunião ministerial, iniciada na noite desta segunda-feira, vai discutir ações do governo em 2012, mas não tratará do corte no Orçamento da União de 2012, que pode chegar a R$ 70 bilhões. No discurso na solenidade de comemoração da bolsa de estudo 1 milhão do ProUni, a presidente escorregou nas palavras e justificou-se dizendo estar cansada da maratona de reuniões setoriais que vem fazendo desde quinta-feira da semana passada. - Não estamos discutindo isso (cortes). Estamos discutindo o governo. A hora em que chegar para discutir qualquer questão relativa ao Orçamento, eu chamo vocês - afirmou a presidente, em uma rápida entrevista. Na solenidade, quando falava que, desde a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo se comprometeu em garantir educação "da creche à pós-graduação", Dilma cometeu um deslize verbal e confessou que estava muito cansada por conta das reuniões setoriais que vem promovendo com seus ministros desde a última quinta-feira. - É muito grave quando se opôs no Brasil um nível de ensino a outro. Era rebaixar por baixo. Rebaixar por baixo é dose, né, gente? Mas hoje eu estou cansada, vou dizer para vocês por quê. Eu venho de uma maratona. Eu comecei a fazer reunião na quinta, na sexta, no sábado, no domingo e hoje. E ainda vou continuar possivelmente na terça. São reuniões muita intensas, mas eu queria dizer que se trata de um processo que rebaixa as expectativas do Brasil. Se você opõe o ensino básico e o ensino universitário, além de ser uma incongruência se trata também de uma desvalorização do país - afirmou. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse que o orçamento de sua pasta é pequeno e não sofreu emendas no Congresso. Ex-ministro do Planejamento, Paulo Bernardo afirmou que não está participando do debate sobre cortes no Orçamento da União, mas disse que pode haver redução de gastos com viagens e custeio da máquina. - Eu não faço a menor ideia. Quando estava no ministério do Planejamento, tinha todas as informações na cabeça. Sobre os R$ 70 bilhões, tenho lido nos jornais. Ninguém no governo falou em cortar R$ 70 bilhões. Quando eu era ministro, dizia que contingenciamento era como Carnaval: todo ano tem e em fevereiro. Acho que é normal isso - disse o ministro. Para ele, é possível que, neste ano, a economia brasileira cresça 4,5%: - Acho que o aquecimento vai ser promovido. O governo fez quatro movimentos para diminuir juros. Os programas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) colocam a economia em trajetória crescente. Vamos começar com o ano menos aquecido, mas vamos melhorar. 4,5% é perfeitamente possível. Encerramos o ano com menos crescimento, o que deve ser refletir no primeiro trimestre, mas o governo tomou medidas, baixou juros, o Minha Casa, Minha Vida está andando. Vamos acelerar durante o ano e terminar melhor que começamos.
oglobo.globo.com | 23-01-2012
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Seja por lazer, esporte ou meio de transporte, ela vem ganhando adeptos. Popular, a bicicleta já deixou de ser apenas o sonho de consumo das crianças e agrada também aos adultos. Mas, se diz o ditado que pedalar é algo que não se esquece, e aqueles que ainda não sabem? Aos 42 anos, o vendedor Jorge Leonardo Vivacqua decidiu aprender e, mesmo sem graça por usar rodinhas, foi em frente. Ele lembra que a primeira aula foi difícil, mas sem quedas. — Moro na Barra, que é um lugar maravilhoso, com praia e natureza. No princípio, pensei que iria pagar mico, mas não vou desistir. Minha família inteira sabe andar de bicicleta, menos eu. Agora também incentivo os outros — comenta ele, que está ansioso para o segundo treino. As aulas são ministradas pela empresa Caminhos da Terra, que organizava apenas passeios turísticos. Percebendo que muitos deixavam de participar por não saber pedalar, os proprietários Alzira Lima e Licurgo Bugyja expandiram o negócio. Com uma lista de mais de 300 ex-alunos, eles se orgulham das duas formaturas já realizadas. — Cerca de 70% dos adultos possuem entre 60 e 90 anos. Alguns deles fizeram as aulas escondidos da família por vergonha e só contaram no dia da formatura. Os parentes ficaram muito orgulhosos — conta Alzira, acrescentando que a empresa atende à domicílio e que o pacote inclui quatro treinamentos de 40 minutos. Para o professor Antônio Carlos Kern, a bike funcionou como remédio. No início do ano passado, ele chegou a ficar internado dez dias numa Unidade de Terapia Intensiva devido a uma pancreatite. Ao sair do hospital, buscou a atividade física como uma forma de encontrar mais qualidade de vida. Ao procurar uma opção que fizesse bem ao corpo, encontrou o ciclismo. Vinte e seis quilos mais magro e com o condicionamento físico melhor, ele afirma que só deixa de pedalar quando chove forte. E gosta de participar de grupos de passeio, como os organizados pelo site Via Pedal. Um dos seus trechos preferidos inclui a orla da Barra da Tijuca, onde mora. — Nós seguimos de Copacabana até Guaratiba. Eu gosto desse percurso porque passamos pela orla e também há trechos de subida e montanha, onde passamos por lugares muito bonitos. E como geralmente há pessoas mais jovens que eu, me sinto rejuvenescido — brinca ele. Como meio de transporte ou a trabalho Mesmo sendo um esporte aparentemente simples, é preciso tomar alguns cuidados na hora de pedalar. A professora Juliana Soares, da Universidade Estácio de Sá, faz um alerta para os iniciantes. — Para quem está começando, é importante seguir as indicações corretas para a regulagem do banco, pois deve ser evitada a extensão total do joelho e também a flexão excessiva. Também é importante procurar orientações médicas e com um profissional de Educação Física quanto à intensidade e frequência — aponta ela. E como escolher o equipamento correto? A gerente da loja Bike Rio do BarraShopping, Elizabeth Fernandes, explica que as recordistas de venda são as bicicletas para passeio e bastante confortáveis. Para as mulheres, não podem faltar cestinhas. Já os homens gostam de levar para casa suportes para garrafa e velocímetros. Mas a bicicleta também pode servir como meio de transporte e até substituir o carro, como prova a empresária Ana Moraes, que trabalha com o preparo de massas frescas. Moradora da Freguesia, quando precisa fazer entregas na região de Jacarepaguá, Barra, e Recreio, ela vai pedalando. — Faço tudo em cima de duas rodas. Além de ser mais funcional, é bom para a saúde. A bicicleta me faz muito bem e até substituiu o divã após o meu divórcio, em 2007. Eu estava separada havia quatro anos e com a cabeça ruim. Hoje estou liberta e feliz — diz. A professora de Educação Física Danielle Picanço é mais uma que usa a bike para se locomover. Defensora do veículo, ela conta que já deixou de ir a médicos porque não poderia se deslocar pedalando. — Eu sempre dizia que não dava para morar na Barra sem carro, mas já desmarquei consultas porque estava chovendo e não poderia ir de bike. Comecei indo só para a academia, mas hoje em dia uso a bicicleta para tudo. A melhor parte disso é conhecer bem todos os lugares, porque posso observar melhor — diz. A paixão de Anderson Zomer pelo ciclismo é tanta que ele fez disso uma segunda profissão. Formado em Farmácia, viaja pelo Brasil para disputar provas e precisa conciliar o escritório com as competições. — O sonho de todo atleta amador é sobreviver dessa atividade. Eu já pensei assim, mas durou pouco porque a realidade é dura. O ciclismo como um esporte não é popular no Brasil e, na comparação com a Europa, estamos a anos luz de distância. Já pensei em desistir, mas adoro essa sensação de liberdade que a bike me dá.
oglobo.globo.com | 22-01-2012
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RIO — Eike Batista se mexe na cadeira, reagindo à lembrança de seus tempos de anonimato. "Os brasileiros pensam que eu apareci no ano 2000 a partir do nada", diz Eike, o homem mais rico do Brasil. Poucos brasileiros tinham ouvido falar sobre suas aventuras na Amazônia aos 20 anos de idade, contou ele, quando abandonou a faculdade na Alemanha Ocidental para negociar ouro e apostar os ganhos na construção de uma máquina barulhenta na floresta para processar o metal precioso, sem mineradores. Ao contrário, Eike só apareceu nas revistas de fofocas na década de 1990 depois que se casou com a modelo e dançarina de carnaval Luma de Oliveira. Naquela época, seu pai, Eliezer Batista, um ex-funcionário do governo, disse-lhe para manter a discrição, enquanto sua fortuna em crescimento tornava-o um alvo de sequestradores. Eike Batista não fez nada além de se esconder. Agora, aos 55 anos, ele não só é considerado o homem mais rico da América do Sul, com uma fortuna estimada pela Forbes em US$ 30 bilhões, mas também é uma das figuras mais famosas do Brasil, um empreendedor em série com energia ilimitada para vender a si mesmo e a seu país. "O meu cavalo de corrida é o Brasil", disse ele do 22º andar de seu escritório no quartel-general de sua empresa, a EBX, que tem vista para a Baía de Guanabara. "E o Brasil tem hoje a riqueza que a América tinha na virada do século." Enquanto a presidente Dilma Rousseff o considera um exemplo de executivo do setor privado, empresários rivais afirmam que a principal habilidade dele é como vendedor, ao persuadir investidores a apostar cerca de US$ 24 bilhões em empresas iniciantes de mineração, petróleo, logística, geração de energia e construção naval. "Eles acham que ele vende muitos sonhos e não realidade suficiente", disse Olavo Monteiro de Carvalho, ex-sócio em uma mina de ouro da Amazônia. No início deste ano, Eike Batista tem a chance de afastar esse preconceito, quando sua empresa petrolífera, a OGX, deverá começar a produzir petróleo a partir da descoberta de 10 bilhões de barris no mar. A empresa de Eike de logística também planeja abrir um “superporto” de US$ 2 bilhões no Rio, no ano que vem, e ele diz que vai ser a versão latino-americana de Rotterdam. Situado em território equivalente a uma Manhattan e meia, o porto vai ter capacidade para transportar cerca de 350 milhões de toneladas de importações e exportações por ano, incluindo petróleo e minério de ferro de empresas de Eike. Os brasileiros continuam divididos sobre o que achar do homem simplesmente conhecido como Eike. Alguns o veem como um megalomaníaco exibicionista e debocham de suas fotos tiradas ao lado de seu Mercedes McLaren de US$ 1 milhão. Eike Batista não se arrepende da imagem que criou e diz que está tentando mudar a cultura conservadora sobre riqueza que seu pai viveu, e ensinar aos brasileiros a olhar para seus empresários da forma como os americanos fazem. "Eu quero ajudar toda uma geração de brasileiros a se orgulhar", diz. "Eu sou rico, sim. Eu mesmo construí isso. Não roubei. Simplesmente mostro isso". Ultimamente, Eike está totalmente sem amarras. Ele viaja pelo mundo em seu jato Gulfstream de US$ 61 milhões, muitas vezes dando palestras, e interage com seus mais de 539.600 seguidores no Twitter, a quem oferece "frases educativas" para inspirar. Em seu escritório, ele exibe fotos emolduradas de seus dias como campeão em corrida de lancha e uma espada que lhe foi dada por um parceiro japonês em agradecimento a um negócio fechado. Ele intercala seu inglês com sotaque alemão - uma das cinco línguas que fala fluentemente - com frases em francês como "C'est la vie”. Sua risada contagiante lembra o Charada de 1960 da série de "Batman" na televisão. Eike diz que sua jornada começou como uma "busca à independência financeira" e um desejo ardente de fugir da sombra de seu pai famoso, um engenheiro brasileiro que ajudou a aumentar o comércio internacional de commodities no Brasil. Nascido em Minas Gerais, Eike tem seis irmãos. Quando era pequeno, sofria de asma crônica. Sua mãe, uma alemã, colocava-o na piscina. "Isso abriu meus pulmões", disse ele. Ele continua a ser um ávido nadador e corredor. Quando era adolescente, sua família se mudou para a Europa, vivendo em Genebra, Düsseldorf e Bruxelas. O pai de Batista, que no Brasil tinha sido presidente da empresa estatal de mineração, decidiu entrar em um "exílio amigável" quando o governo militar do Brasil desconfiou que fosse comunista por sua fluência em russo, uma das várias línguas que fala. Na Europa, o pai de Eike trabalhou para construir os negócios internacionais da empresa de mineração. Na década de 1960, o pai de Eike notou que o Brasil poderia lucrar muito com a exportação de minério de ferro para o Japão. Mas a distância era enorme, então convenceu estaleiros a construir grandes embarcações, e ele liderou o desenvolvimento de um porto brasileiro com profundidade suficiente para os navios atracarem. Eike diz que seu pai "fez um monte de coisas incríveis para o Brasil", mas que "nunca quis tomar riscos”. Seus pais voltaram para o Brasil quando Eike tinha 18 anos. Ele ficou em Bruxelas e foi de porta em porta vendendo seguros, e depois negociando diamantes e carne enlatada. Em 1978, Eike leu sobre a corrida do ouro na Amazônia. Aos 22, ele deixou a Universidade de Aachen na Renânia do Norte-Vestfália, onde foi estudar engenharia metalúrgica, e voltou ao Brasil. Ele convenceu um joalheiro no Rio a emprestar-lhe US$ 500 mil - "com certeza, eles sabiam que meu pai foi importante", disse ele - e foi para a Amazônia. Com o empréstimo, ele começou a negociar ouro, agindo como um intermediário entre mineradores e compradores no Rio e em São Paulo. Ele disse que ganhou US$ 6 milhões em um ano e meio de negociação. Depois de uma empresa brasileira de mineração de estanho, tentou copiar a idéia para extração de ouro, percebendo que teria uma margem de lucro enorme mesmo se cometesse erros. "Era à prova de idiotas ricos", disse ele. Aos 23 anos, ele apostou tudo na construção de sua máquina. Mas o custo de comprar dos mineradores e os desafios de conseguir tratores e óleo diesel em uma área repleta de malária e ilegalidade se provou formidável. Ele resistiu até seus últimos US$ 300 mil e se perguntou se "deveria ir para a praia" ou retomar o estudo de engenharia. Em seguida, a máquina começou a funcionar. Logo estava ganhando US$ 1 milhão por mês. Enquanto Eike de alguma forma driblava a malária, ele não evitava problemas. Um dia foi confrontar um minerador que lhe devia dinheiro. O minerador estava bêbado. Eike Batista o xingou. Quando ia embora, o minerador atirou nele pelas costas com um revólver. "Eu estava longe o suficiente para que o impacto não fosse mortal", disse ele. Seus guarda-costas disseram-lhe, mais tarde, que mataram o minerador. Após sua experiência amazônica, Eike procurou as minas de ouro mais ricas do Brasil. Seu pai, temendo que o filho corria o risco de ser sequestrado, o encorajou a pesquisar fora do país. Ele tentou, mas falhou na Rússia, na Grécia, na República Checa, no Equador e na Venezuela, depois de perder centenas de milhões de dólares. As experiências assustaram ele e em 2000 decidiu se dedicar a projetos no Brasil. Ele falhou em outros tipos de negócios, entre jipes, cerveja e até perfume. "Em produtos de consumo, é muito mais difícil", disse ele. "Como você não tem margens de lucro à prova de idiotas, não pode cometer muitos erros." Atualmente, está obcecado em inspirar uma nova geração de empresários brasileiros a tomar riscos como ele. "Nós não precisamos só ter os melhores jogadores de futebol do mundo", disse ele. "Por que não ter o melhor empresário do mundo?" Nos últimos anos, ele investiu muito em restaurar o que chama de "auto-confiança" do povo do Rio de Janeiro, dizendo que gasta US$ 10,7 milhões por ano para ajudar um programa policial a livrar favelas de traficantes de drogas. Quando o governador do Rio, Sérgio Cabral, precisava de dinheiro para ajudar com a candidatura do Rio para a Olimpíada de 2016, Eike Batista disse que concordou em gastar US$ 12,3 milhões para contratar a agência de marketing que ajudou Londres a ganhar os Jogos de 2012. "Olhe o que aconteceu agora", disse Eike. "Os preços dos imóveis triplicaram. As pessoas deveriam me pagar uma comissão".
oglobo.globo.com | 21-01-2012
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SÃO PAULO - A crise na Europa, contraponto com o Brasil em crescimento e uma nova classe média em ascensão, tem atraído cada vez mais as empresas francesas a adquirirem capital de companhias brasileiras. O número de corporações daquele país no Brasil saltou de 436, em 2010, para 520 no fim de 2011, segundo informou ontem Eric Fajole, diretor da Agência para Desenvolvimento das Empresas Francesas no Brasil. Ele disse que há uma tendência de aumentar ainda mais com o agravamento da crise europeia: — O interesse pelo Brasil começou em 2009 quando vimos que ele se saiu melhor que outros países dos Brics. Até 2007, os franceses não tinham o mesmo interesse que têm hoje pelo Brasil. Antes todos estavam mais interessados na Índia ou Rússia. Agora, o negócio é aplicar os investimentos no Brasil. Tecnologia em informática, saúde, mecânica, máquinas industriais e agronegócio são os setores mais atraentes. Além das novas empresas francesas que estão chegando, as que já estavam aqui, como Accor (hotéis), Peugeot e Danone, também passam a investir em produtos mais populares para atrair as classes C e D. As 520 empresas francesas no Brasil já empregam 500 mil funcionários, 95% brasileiros. — As montadoras francesas que estão aqui procuram lançar carros mais baratos, enquanto que a Accor aplica mais recursos em hotéis de preços mais baixos para atrair esse novo consumidor — diz Fajole. — A demanda de empresas francesas aqui é tanta que criamos há um ano no Rio de Janeiro uma agência de inovação para subsidiar os pequenos e médios empresários franceses que desejam vir para cá, tanto por meio de parcerias com empresários brasileiros como por meio de investimentos diretos.
oglobo.globo.com | 21-01-2012
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Quem disse que os romenos têm o dom de suportar o rigor? Pouco antes de terem começado os protestos dos “indignados” em Bucareste, um editorialista romeno escandalizava-se porque o Financial Times sugeria que os seus compatriotas se tinham “familiarizado com a austeridade”, enquanto outros, na Europa, mostravam a sua admiração para com a resistência dos romenos às medidas impostas pelo FMI.
O empréstimo de 13 mil milhões de euros concedido em 2009 certamente salvou o crescimento do país, mas a que preço? Cada uma das medidas de austeridade adotadas pelo executivo romeno foi acompanhada por manifestações de protesto: aumento do IVA, redução dos salários dos funcionários públicos, semana de trabalho de 60 horas… De todas as vezes, a categoria visada desceu à rua.
Mas as manifestações dos últimos dias, que eclodiram na sequência da demissão do popular subsecretário de Estado Raed Araf, em protesto contra a privatização do sistema público de saúde, juntaram todos os romenos: da direita à esquerda, saíram à rua para atacar toda a classe política.
É de crer que tenham atingido o limite da sua proverbial capacidade de resistência perante os sacrifícios. O Governo, esse, mantém-se impassível.
Depois de suportarem o discurso dos responsáveis políticos que repetiam o díptico “austeridade-solidariedade” e rejeitavam os seus fracassos na Europa, em vez de tentarem conjugar rigor e crescimento, os romenos disseram “basta!”.
Os revoltados romenos não são nem mais nem menos do que o reflexo de um descontentamento que poderá abarcar toda a União Europeia. Porque os europeus suportam cada vez menos que lhes exijam sacrifícios sem lhes mostrarem perspetivas claras nem sem que se faça pedagogia.
“Para que o projeto Europa viva ainda, é preciso outra coisa”, escreveu Luca Niculescu, na Revista 22, depois da cimeira europeia de 9 de dezembro. Fazer compreender que a estabilidade passa pela austeridade continua a ser uma tarefa difícil perante povos já sacrificados pela crise. “Haverá outras manifestações”, previa Niculescu. É uma evidência.
Para o remediar, os responsáveis têm de mudar de atitude. Acabem com essas cimeiras que são sempre “cruciais”.
Devem, simplesmente, explicar, pacientemente, que o desaparecimento da moeda única significaria muito mais do que o regresso à peseta, ao franco ou ao marco, e compreender, como sublinha o filósofo holandês Paul Scheffer, que a adesão dos cidadãos só se ganha com argumentos sólidos. Porque a morte do euro significaria simplesmente o fim da União.
(Editorial)
www.presseurop.eu | 20-01-2012
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Uma queda prolongada das taxas de aborto se afunilou e o número de interrupções não seguras da gravidez está aumentando de forma preocupante, revelou um informe que será publicado na edição de quinta-feira da revista científica The Lancet. .. Leia Mais... Pernambuco.com | Diario de Pernambuco | Últimas Notícias Copyright © 2012, Pernambuco.com - Grupo Associados, Recife-PE, Brasil
www.pernambuco.com | 19-01-2012
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A Grécia retomou nesta quarta-feira as negociações com os credores privados para reduzir sua dívida, enquanto a Alemanha anunciou um drástico corte de sua previsão de crescimento para este ano, ao mesmo tempo em que o FMI tenta obter fundos frescos para enfrentar uma crise que se agrava. .. Leia Mais... Pernambuco.com | Diario de Pernambuco | Últimas Notícias Copyright © 2012, Pernambuco.com - Grupo Associados, Recife-PE, Brasil
www.pernambuco.com | 18-01-2012
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MANGARATIBA - No primeiro Fla-Flu do ano do centenário do clássico, a disputa começou antes mesmo de a bola rolar. Mas o Fluminense decidiu não prorrogar os ataques da presidente do rubro-negro, Patrícia Amorim. O tricolor aposta que a melhor resposta será em campo. E com a presença de Thiago Neves, que está por detalhes para assinar o contrato e ser, enfim, anunciado e apresentado. A diretoria tricolor assistiu à entrevista de Patrícia na Gávea e, imediatamente, o presidente Peter Siemsen ligou para os demais dirigentes. A ordem era manter o silêncio. Peter viajará nesta quarta-feira para a Europa e, por isso, o clube e o patrocinador correm para anunciar o jogador. — Não temos que responder nada. A apresentação será a resposta — disse um dirigente. Al-Hilal enviará documento O Fluminense já havia concordado com os termos do contrato, no qual ficará responsável por uma pequena parcela do salário de Thiago, cerca de R$ 50 mil. Falta agora acertar detalhes relativos aos direitos de imagem entre o jogador e a Unimed, que vai pagar a maior parte dos vencimentos (R$ 700 mil) e entrará com o dinheiro para a aquisição dos 90% dos direitos pertencentes ao Al-Hilal, da Arábia Saudita: R$ 16 milhões. Enquanto isso, o clube já planeja como será a apresentação do jogador. O Fluminense deixará a cargo da Unimed a escolha do local, que poderia ser até mesmo na sede da empresa de planos de saúde, na Barra da Tijuca, ou no Salão Nobre das Laranjeiras. Ao que tudo indica, se optar por estes dois locais e não levar o jogador diretamente para Mangaratiba, onde o time faz a pré-temporada, a apresentação de Thiago Neves em sua terceira passagem no Fluminense será digna de uma grande vitória nos bastidores do Fla-Flu, como consideram a diretoria e o patrocinador. Algo para se lembrar daqui a cem anos. Ao ouvir de um dirigente rubro-negro que o Fluminense não teria dinheiro para contratar Thiago Neves, Celso Barros ficou instigado. Ele e a diretoria tricolor teriam sido procurados, primeiro pelo empresário do jogador, Léo Rabello. Depois, pelo Al-Hilal, que concordou em enviar documento que comprove o interesse e a oferta. Tudo isso, segundo o Fluminense, aconteceu após o fim do contrato de Thiago com o Flamengo. Patrícia garantiu que continua na briga, não concordou com a negociação de Thiago com o tricolor, fez duras críticas ao Fluminense, disse que Peter tem "problema" e rompeu relações com o clube. No meio disso tudo, confirmou que Thiago será o dono de seu destino. E o jogador já escreveu, em mensagem enviada ao Fluminense, que deseja "resolver logo isto". — Eu falei com o Peter e ele disse que não tinha nada. Este rapaz tem algum problema. Tenho o registro das ligações — afirmou Patrícia, que continuou com o desabafo: — Eles falam um coisa e agem de outra forma. Impossibilita qualquer tipo de futura parceria (no Maracanã). Isto está criando um problema institucional muito grande. O Peter diz que não sabe de nada. Se têm interesse, assumam! A entrevista de Patrícia aconteceu no início da noite, depois que Léo Rabello convocou entrevista coletiva para praticamente confirmar a negociação com o Fluminense, fato que vinha negando. — Ele me disse que conversou por telefone. Se existe homem traído e mulher traída, imagina empresário? — afirmou Rabello, que ainda falaria com Thiago ontem à noite. O empresário também confirmou que conversou com Celso Barros: — Expliquei que tinha que encerrar a negociação com o Flamengo. Ele disse que esperaria. O Fluminense e a Unimed afirmam que foram procurados por Rabello, que já havia sido informado da negociação. Ele e Patrícia não se dão por vencidos. — Ele (Rabello) diz que as negociações não estão encerradas. O Flamengo confia na palavra do empresário e do jogador. Está nas mãos do empresário e do jogador — disse Patrícia. As mesmas mãos citadas por Patrícia foram usadas pelo jogador para enviar a mensagem de texto ao Fluminense, na qual escreveu que gostaria de fechar o quanto antes. Se depender de Thiago...
oglobo.globo.com | 17-01-2012
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O mundo acompanhou no final de 2011 a COP-17, a conferência sobre clima organizada pelas Nações Unidas em Durban. Não faltou quem comemorasse o resultado alvissareiro que lançou as bases para um futuro acordo de controle das emissões de gases poluentes envolvendo todas as nações. Infelizmente o resultado da conferência, a exemplo da de Kyoto em 1995, pode não passar de apenas alvissareiro. Afinal, até 2020 nada se fará pelo combate ao aquecimento global, quando então deverá entrar em vigor “um protocolo com força legal” para tanto, como diz o texto da conferência na África do Sul. Há muito tempo a questão ambiental deixou de ser um problema do futuro, pois é no presente que ele se mostra inevitável, com o pouco que fazemos para sua solução. O Brasil, contudo, tem trabalhado para isso. Entre várias linhas de ação se destaca o Plano Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), que desde 2004 prevê a mistura de 5% de biodiesel no diesel mineral comercializado no país. De lá para cá, uma indústria dinâmica e inovadora se formou em torno deste importante ativo na matriz energética do futuro. Cerca de R$ 4 bilhões foram investidos em pesquisa e desenvolvimento, em um parque fabril composto por mais de 60 usinas espalhadas por todo o país, que geram 1,3 milhão de empregos. O cenário é o de um verdadeiro “pré-sal” verde, onde cada usina é como uma plataforma de produção cercada por um mar de soja e outras culturas agrícolas, a um custo muito menor do que na camada do pré-sal fóssil e com ganhos de sustentabilidade incomparáveis. Sem falar nos riscos de acidentes que a exploração do óleo cru implica, como os no Campo de Frade, no litoral norte do Rio de Janeiro, exatamente quando acontecia a conferência da ONU. Nos últimos cinco anos o setor mobilizou a participação de 103 mil famílias de pequenos agricultores como fornecedores de matérias-primas. Mas o que quase ninguém que se reuniu em Durban sabe é que o caminho pela frente só tende a melhorar se forem dados os passos certos. O Brasil produz hoje de 2,6 a 2,8 bilhões de litros de biodiesel e consome uns 200 milhões de litros a mais. Esse desempenho faz de nós o terceiro produtor mundial e o líder em consumo, com a retração do mercado interno alemão em função da crise na Europa. Portanto, se já investimos R$ 4 bilhões para misturar 5% de biodiesel no diesel vendido no país, para chegarmos a 20% da mistura, como pretendido em 2020, investiremos quase R$ 30 bilhões. Na geração de empregos, chegaremos a 4,7 milhões de postos de trabalho. E, no envolvimento das famílias agricultoras, serão 531 mil. Entretanto, o país não tem ainda leis que assegurem a gradativa introdução do combustível na matriz energética, tanto do Brasil quanto do mercado externo, pois hoje não exportamos uma gota de biodiesel, perdendo competitividade e deixando de contribuir para o saldo da balança comercial. O setor tem contribuído, ao menos, para reduzir o déficit suprindo parte das importações de diesel. Em termos de benefícios ao meio ambiente, à saúde humana e às políticas de saúde pública, os benefícios da adoção do biodiesel são comprovados cientificamente por estudo da Fundação Getúlio Vargas. O combustível emite 57% menos gases poluentes que o diesel fóssil. Com 10% de mistura, a emissão de gás carbônico reduzirá em 8%. Com 20% misturados ao diesel normal, ela cairá em 12%. Com 5% misturados no diesel que move ônibus e caminhões em nossas estradas e cidades, o biodiesel contribui para reduzir em 12.945 o número de internações hospitalares por problemas respiratórios. Com 10% misturados, essa redução pode chegar a 34.520. E a 20% de mistura, 77.672 internações a menos. Na mesma trajetória de aumento de mistura, hoje, com 5% de biodiesel no diesel, 1.838 vidas são poupadas. Com 10%, esse número pode chegar a 4.902. E, quando estivermos com 20%, o Brasil estará salvando 11.029 vidas. Mas enquanto na Europa e na América Latina (Argentina e Colômbia) a previsão é de chegar em 2020 com 20% de mistura de combustível limpo no diesel, a falta de previsão legal no Brasil, apesar do PNPB e de todo o comprometimento institucional, leva a tomar corpo no setor produtivo a proposta de graduação anual de 1,5% da mistura, para que os benefícios sejam permanentes e para todos. O crescente consumo de energia no mundo gera previsões da necessidade de um aumento de 30% na produção nos próximos dez anos, vindos do petróleo. O pré-sal brasileiro tem um importante papel a desempenhar nesse cenário. Não podemos, no entanto, esquecer as alternativas limpas e renováveis. A crise econômica na Europa e nos EUA, a chamada Primavera Árabe e questões como o respeito aos direitos humanos, às minorias e ao meio ambiente podem ser sintomas de que a humanidade vive um momento de inflexão, de onde deve emergir com valores mais nobres, onde o biodiesel pode ser parte desse futuro. ERASMO BATTISTELLA é presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil.
oglobo.globo.com | 17-01-2012
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RIO - Médica, professora e coordenadora do Laboratório de Economia Política da Saúde (LEPS) da UFRJ, a carioca Ligia Bahia, de 56 anos, é enfática: - Aprovar a Emenda 29 sem que a União tenha que dispor de mais recursos para a Saúde é uma tragédia. Para ela, o Sistema Único de Saúde (SUS) padece por conta do subfinanciamento e dos problemas de gestão. - Isso caracteriza o nosso subdesenvolvimento - diz Ligia, que vê o veto ao artigo que determinava a atualização automática dos recursos da Saúde quando houvesse revisão do PIB como "pão-durismo". O GLOBO: Ao sancionar a Lei Complementar 141, a presidente Dilma Rousseff fez 15 vetos. Como a senhora vê o veto ao trecho que determinava a atualização automática dos recursos da Saúde quando houvesse revisão do PIB?
LIGIA: Caracteriza o pão-durismo na Saúde e é o veto que mais afeta o setor. Se nem a variação do PIB vai ser levada em conta, o recado é: é isso para a Saúde e pronto. Fora que não procede a justificativa de que alterar o Orçamento poderia causar instabilidade. Um PIB de mais de R$ 1 trilhão, sendo que a Saúde recebe 3,5% do PIB...
E o veto ao dispositivo que separava os valores a serem aplicados na Saúde em contas específicas? LIGIA: Vejo como um preciosismo esse dispositivo. Já temos os fundos nacional, estaduais e municipais da Saúde, sendo que o Fundo Nacional é a principal rubrica da Saúde. E os fundos, criados pela Lei 8080, podem ser fiscalizados.
Como a senhora viu a aprovação da Emenda 29 sem que houvesse aumento dos gastos da União com a Saúde?
LIGIA BAHIA: Aprovar a Emenda 29 sem que a União tenha que dispor de mais recursos para a Saúde é uma tragédia. Do jeito que aprovaram, a Saúde vai ter mais R$ 3 bilhões; se fossem os 10% da receita da União, o aporte seria de R$ 40 bilhões. Foi bom terem definido o que são gastos com Saúde, mas os R$ 3 bilhões a mais não terão grande impacto. Houve uma derrota de todos os que defendem o SUS, ainda que o governo veja a aprovação como uma grande vitória.
Foi uma surpresa? LIGIA: A gente podia esperar essa negociação de um partido conservador, mas não de partidos sociais democratas, que barraram os 10% dizendo que a crise mundial existe. Mas o PAC está aí. Então, por que cortar na Saúde? Os gastos públicos com Saúde no Brasil hoje são de R$ 127 bilhões/ano. Países da Europa, como Reino Unido e França, gastam R$ 679 bilhões/ano.
A Saúde não é prioridade? LIGIA:Como priorizar a Saúde sem ser prioridade orçamentária de fato? Tivemos alternância democrática, mas os governos não priorizaram a Saúde.
A discussão da criação da Contribuição Social para a Saúde (CSS) prejudicou o debate sobre a Emenda 29? LIGIA: A sociedade estava tão temerosa de um novo imposto, que o governo pode falar em vitória só por não ter aprovado uma nova contribuição. No entanto, o debate sobre a Emenda 29 foi apresentado de forma técnica quando, na verdade, o debate é sobre se a Saúde é prioridade ou não.
Mais de 20 anos depois de ser criado, quais são os principais problemas do SUS? LIGIA: O SUS tem problema de gestão e de financiamento. Isso caracteriza o nosso subdesenvolvimento, porque temos carência de recursos e desperdício. O senso comum da população é que o problema é de gestão. O problema de financiamento é mais abstrato.
Quando o assunto é gestão, qual o principal problema?
LIGIA: É a gestão de recursos humanos, que é o recurso estratégico em qualquer sistema de saúde. Os cargos são ocupados por critérios políticos partidários, a qualidade do trabalho não é controlada, não sabemos que metas devem ser cumpridas, os profissionais são mal pagos e não são valorizados. Fora que corrupção também é problema de gestão. Quando se fala em novo imposto, a sociedade logo diz que vai para corrupção. Isso é prejudicial, mas tem um substrato real.
E no financiamento? LIGIA: Bem, investimos em Saúde menos que o Chile e a Argentina, e menos do que os países que têm a mesmas condições macroeconômicas e políticas que as nossas. Por conta disso, a gente não consegue que os indicadores de saúde tenham a mesma performance dos indicadores econômicos.
Com todos esses problemas, como senhora vê o SUS?
LIGIA: É um consenso vazio. Todo mundo é a favor, contanto que não use. A população tem a ideia de que existem ilhas de excelência, mas também de que é uma grande desorganização. Isso reforça a ideia de que o problema é de gestão e não de financiamento. Se tem gente boa, por que não são os melhores sempre? A resposta é: porque não temos financiamento adequado. Mas essa batalha a gente perdeu.
oglobo.globo.com | 17-01-2012
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RIO - Comer alimentos ricos em magnésio, como vegetais de folhas verdes, nozes, cereais integrais e feijão reduz o risco de acidente vascular encefálico, segundo estudo internacional realizado com 250 mil pessoas. Esta pesquisa, publicada na revista científica American Journal of Clinical Nutrition, liderada por Susanna Larsson, do Instituto Karolinska, na Suécia, diz respeito ao nutriente encontrado em alimentos; não em suplementos. A equipe de Susanna analisou bancos de dados de pesquisas abrangendo os últimos 45 anos para encontrar os estudos que seguiram o quanto as pessoas consumiram de magnésio e qual a incidência de derrame nesse período. Em sete estudos publicados nos últimos 14 anos, milhares de indivíduos nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia foram acompanhados por 11,5 anos. Cerca de 6.500 deles (3%) tiveram um acidente vascular cerebral. De acordo com a investigação, a cada 100 miligramas de magnésio que uma pessoa comia por dia, o risco de um acidente vascular cerebral isquêmico, o tipo mais comum, geralmente causado por um coágulo de sangue, caiu 9%. A ingestão média de magnésio para cidadãos americanos incluídos na análise foi de 242 miligramas por dia. Autoridades de saúde dos Estados Unidos recomendam que homens e mulheres com idade acima de 31 devem consumir 420 e 320 miligramas de magnésio por dia, respectivamente. Nos estudos, os pesquisadores descartaram outros fatores, tais como história familiar. Por outro lado, os autores não sabem se outros hábitos alimentares influenciaram o resultado do estudo. Daí a necessidade de realizar novas investigações. - Essa é uma dieta rica em frutas, legumes e grãos; com baixo teor de sódio, e alto teor de potássio e magnésio - disse Larry Goldstein, diretor do Centro de Acidente Vascular Cerebral na Universidade Duke Medical Center, em Durham, Carolina do Norte. - É a alimentação por si só, não apenas um componente individual - afirma.
oglobo.globo.com | 17-01-2012
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HAVANA - Em seu artigo no jornal oficial “Granma” desta sexta-feira, Fidel Castro diz que o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad está tranquilo ante as ameaças dos Estados Unidos e seus aliados. Ele também comentou o vídeo em que supostos fuzileiros americanos urinam sobre corpos no Afeganistão, classificando o episódio como “imundície”. Em visita esta semana a Venezuela, Nicarágua, Cuba e Equador, Ahmadinejad recebeu apoio destes aliados sul-americanos justo quando aumenta a pressão dos EUA, que aprovaram em dezembro novas sanções contra o Irã visando a punir a cooperação financeira com a República Islâmica. A União Europeia também anunciou medidas punitivas sobre Teerã por sua negativa de suspender os trabalhos de enriquecimento de urânio, e estaria prestes a aprovar um veto às importações de petróleo iraniano até o final deste mês. Fidel, de 85 anos e afastado do poder por problemas de saúde em 2006, reuniu-se na quarta-feira durante duas horas com o líder iraniano, que em sua visita oficial à ilha também se encontrou com o presidente Raúl Castro, com quem revisou acordos de cooperação. “Observei o presidente iraniano absolutamente sossegado e tranquilo, indiferente por completo às ameaças ianques, confiando na capacidade de seu povo de enfrentar qualquer agressão”, escreveu Fidel. “Estou seguro de que, por parte do Irã, não devemos esperar ações irrefletidas, que contribuam para a eclosão de uma guerra. Se esta acontecer, será fruto exclusivo do aventureirismo e da irresponsabilidade congênita do império ianque”, acrescentou o presidente cubano. As declarações de Fidel referiam-se à escalada na disputa nuclear, que gerou temor de um conflito no Golfo Pérsico, assim que o Irã ameaçou fechar o Estreito de Ormuz - um canal importante para o trânsito de petróleo que sai da região - devido a sanções contra o país. Sobre as imagens de soldados americanos urinando sobre cadáveres, Fidel escreveu: “Sente-se pena por aqueles soldados, separados de seus familiares e amigos, a milhares de quilômetros de sua própria pátria, enviados a lutar em países que sequer talvez ouviram falar na escola, onde são mandados a matar ou morrer para enriquecer a empresas transnacionais, fabricantes de armas e políticos inescrupulosos”.
oglobo.globo.com | 13-01-2012
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LONDRES - Uma Escócia independente, o sonho de gerações de nacionalistas, seria um presente para uma economia relativamente rica, que tem seus alicerces no petróleo do Mar do Norte e no setor financeiro de Edimburgo. Mas criaria mais um pequeno Estado na beira de uma Europa vulnerável a impactos globais. Os nacionalistas argumentam que a Escócia, um reino independente até 1707, será o próximo Estado europeu rico em energia, como a Noruega. Já os céticos veem um futuro candidato a socorro financeiro, como a Irlanda. - A economia escocesa caminha razoavelmente bem - disse Brian Ashcroft, professor de Economia da Universidade de Strathclyde. - Está muito bem em comparação ao resto do Reino Unido e seria um Estado rico, mas a receita do petróleo é muito volátil. A Escócia, que mantém um ordenamento jurídico próprio desde o estabelecimento da união, em 1707, tem um governo semiautônomo desde 1999, com poderes sobre saúde, educação e prisões, por exemplo. Sob muitos aspectos, a Escócia já é um país - tem bandeira, seleções esportivas e feitos científicos e literários para apresentar. O governista Partido Nacional Escocês (SNP) argumenta que, embora pequeno, o território poderia prosperar mais por conta própria, pois ficaria com uma grande parte dos dividendos do petróleo extraído no Mar do Norte. O SNP conquistou a maioria no Parlamento escocês em maio do ano passado e, desde então, promete realizar um referendo sobre a independência da Escócia na segunda metade de sua legislatura, ou seja, a partir de 2014. A consulta popular está travada num impasse entre o premier britânico, David Cameron, que quer uma votação o mais em breve possível, e os independentistas, que pretendem esperar até 2014 para terem tempo de fazer campanha pelo "sim". Para o Partido Nacional , Cameron, que é contra a separação, está tentando interferir num assunto que deveria ser tratado apenas pelos escoceses. Quase 40% apoiam divisão Uma pesquisa do instituto Ipsos Mori feita no mês passado mostrou que, entre os eleitores escoceses decididos a votarem num referendo, 38% são favoráveis à independência - três pontos a mais que em agosto. Cerca de 50% são contra, e um dos desafios é convencer esses eleitores de que a Escócia pode sobreviver sozinha. Se a tendência mostrada pela pesquisa for revertida, a Escócia, uma nação de cerca de 5 milhões de habitantes, algo como em Noruega e Dinamarca, teria um divórcio difícil do longo parceiro. Os independentistas querem 90% da receita derivada do petróleo do Mar do Norte, estimada em 13 bilhões de libras por ano, e só 8% da dívida britânica - em linha com a porcentagem da população. Londres deve argumentar que o petróleo tem que ser dividido por todo o Reino Unido e talvez até pedir que uma eventual repartição seja feita de acordo com a população. Além disso, é possível que use na negociação o fato de ter colocado bilhões de libras em bancos escoceses durante a crise. O europeísta SNP está determinado de que a Escócia deveria entrar automaticamente na União Europeia, mas analistas acreditam que um processo de aceitação deverá ser aplicado. Outra questão é a zona do euro, onde a entrada é condicionada a alguns comprometimentos por parte do país - mais um problema para uma independência que ainda parece longe de ser alcançada.
oglobo.globo.com | 13-01-2012
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SÃO PAULO - Dois anos depois do terremoto que matou 200 mil pessoas no Haiti, em 12 de janeiro de 2010, houve progressos na vida dos haitianos, mas ainda há muitos problemas, e a reconstrução segue mais devagar do que o desejado. De acordo com a ONU, cerca de 500 mil pessoas ainda vivem em abrigos. O desemprego atinge 60% da força de trabalho do país, fazendo com que multidões vaguem nas ruas. Um a cada dois haitianos enfrenta algum tipo de escassez de alimentos, e quatro milhões de crianças e adolescentes são afetados pela pobreza crônica. Segundo o governo do Haiti, mais de oito milhões de pessoas vivem sem energia elétrica, cinco milhões são analfabetas e 80% da população vivem com menos de US$ 2 por dia. — Já se passaram dois anos e eu ainda estou morando num acampamento — lamenta o haitiano Jerome Mezil, de 28 anos, que vive em Porto Príncipe. Muitos haitianos acreditam que as medidas tomadas para criar empregos são insuficientes. — O mais importante para mim agora é conseguir trabalho — afirma Margalie Theano, 40 anos, num acampamento . Nas ruas, poucos prédios novos ou reformados podem ser vistos e ainda há destroços provocados pelo terremoto. O Palácio Nacional, sede do governo, ainda não foi restaurado. Preocupados com a necessidade de recursos, órgãos da ONU conclamam a comunidade internacional a fazer doações e afirmam que precisam de US$ 54 milhões para programas imediatos e de longo prazo voltados para crianças e mais US$ 230 milhões para projetos de alimentos. ONU aponta avanços, mas cobra mais ajuda O diretor do Centro de Informação da ONU no Brasil, Giancarlo Summa, diz que gostaria que a ajuda ao Haiti fosse mais rápida, apesar de apontar avanços. Ele teme que a crise econômica na Europa afete a ajuda internacional e diz que indústrias voltaram atrás na intenção de se instalar no Haiti. — Nós gostaríamos que tudo fosse mais rápido, porque centenas de milhares de pessoas vivem em abrigos. O clima não está bom, o orçamento da ONU foi reduzido pela segunda vez na história da organização. Vários países entendem que, em tempos de crise, têm de reduzir contribuições a organismos internacionais — lamenta Summa. Para o governo do Haiti, a ajuda internacional existente precisa ser melhorada. — A ajuda é muito dispersa, falta coordenação. E não é suficientemente relacionada às prioridades do governo ou da comunidade internacional — afirmou recentemente o premier haitiano, Gary Conille. O cólera, doença que atingiu cerca de 520 mil pessoas e matou quase 7 mil no país, ainda preocupa. Teme-se que na próxima temporada de chuvas, em maio e junho, uma nova epidemia ocorra. — A saúde pública no Haiti é péssima. Não há um sistema público de atendimento organizado. O governo não colocou a saúde como uma das primeiras preocupações de agenda. Faltam hospitais e postos de saúde — disse ao GLOBO Gérard Bedock, chefe de missão da organização não governamental Médicos Sem Fronteiras no Haiti. Segundo ele, 200 casos de cólera são registrados por dia. Tentando ajudar a reerguer o país, cerca de 1.600 engenheiros da força de Paz da ONU no Haiti trabalham na construção de prédios e asfaltando ruas. Eles são as "meninas dos olhos" do comandante da Força de Paz das Nações Unidas, o general brasileiro Luiz Eduardo Ramos. Segundo ele, o fornecimento de energia elétrica já foi melhorado em algumas regiões. Por outro lado, o militar afirma que a polícia haitiana ainda não está preparada para assumir a segurança sozinha. — A polícia haitiana tem 10 mil homens e não tem condições de nos substituir em todo o país. Não há gente suficiente — afirmou o general ao GLOBO. Segundo ele, em março cerca de 1.600 dos 8.900 militares de várias nacionalidades que integram a força de paz deixarão o país por determinação da ONU — entre eles, 288 brasileiros. Mesmo assim, ficarão 400 homens a mais do que havia antes do terremoto.
oglobo.globo.com | 12-01-2012
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O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, chegou nesta quarta-feira a Cuba, terceira escala de seu giro latino-americano, fazendo um "V" da vitória com os dedos, em meio a uma crescente tensão com o Ocidente por seu programa atômico, agravada pelo assassinato de um cientista nuclear iraniano. .. Leia Mais... Pernambuco.com | Diario de Pernambuco | Últimas Notícias Copyright © 2012, Pernambuco.com - Grupo Associados, Recife-PE, Brasil
www.pernambuco.com | 11-01-2012
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RIO - O planejamento de uma viagem ao exterior inclui, normalmente, a aquisição de um seguro cujo objetivo é garantir a tranquilidade do viajante, principalmente no caso de problemas de saúde. Entre o plano e a realidade, porém, há uma grande diferença. Mesmo seguindo a orientação dos agentes de viagem e contratando serviços de empresas conhecidas, duas brasileiras tiveram suas viagens de sonho transformadas em pesadelos. Um dos casos está tramitando na Justiça do Rio. Em dezembro do ano passado, a estudante de Economia Isabela Barata, de 21 anos, embarcou com destino aos Estados Unidos, para um intercâmbio cultural de três meses. Dias depois, contraiu uma forte pneumonia. Nairo Barata, seu pai, conta que ela entrou em contato com a central de atendimento da seguradora em São Paulo, seguiu as orientações e foi atendida por um médico que cobrou US$ 150 (R$ 274,50). O contrato garantia o reembolso do valor e a cobertura de despesas médicas, segundo ele. Atendimento médico de urgência custou mais de R$ 4 mil nos EUA No último dia de 2011, a jovem viajou a Los Angeles. Seu estado de saúde piorou, e ela foi levada por uma amiga a um hospital. Lá, após ser submetida a exames e ficar em observação durante uma tarde, foi informada de que o seguro não iria cobrir as despesas. Foi obrigada a pagar US$ 2.500 (R$ 4.575) para deixar a unidade: — O cartão não foi aceito. Ela conseguiu falar com uma tia, que pagou a despesa. No fim, as duas operações foram efetuadas. Depois de muita briga, a seguradora estornou o valor debitado do cartão de Isabela, mas apenas uma parte do outro. E não reembolsou o valor da primeira consulta. Dizem apenas que preciso aguardar que os documentos cheguem à sede, em Washington — conta Nairo Barata. A família pretende processar a seguradora pelos prejuízos materiais e danos morais sofridos: — Tive de fazer empréstimo para mandar a mãe da Isabela cuidar dela, porque não tivemos qualquer apoio da empresa. Já gastei uns R$ 16 mil, e nossos recursos são finitos. A Isabela está melhor, mas continua nos EUA porque ainda não pode viajar de avião. Perdi totalmente a confiança nessa seguradora — diz o pai da estudante. Já a professora Maria da Conceição de Lima está processando a seguradora que negou reembolso das despesas quando ela viajava com a filha pela Espanha. A jovem passou mal, e, apesar de levar na bagagem uma apólice de seguro que previa cobertura de até US$ 30 mil, Conceição teve de arcar com os custos de uma cirurgia de emergência à qual a filha foi submetida em Barcelona. A seguradora, vinculada a um cartão de crédito, alegou que a doença era preexistente: — Não entendemos dessa forma. Ela estava muito bem quando viajou — argumenta Janaína Alvarenga, advogada da Associação de Proteção e Assistência aos Direitos da Cidadania e do Consumidor (Apadic), que defende o caso. A família tenta receber a indenização desde 2009. Segundo Janaína, é preciso ter absoluta atenção para saber o que efetivamente está coberto pelo seguro: acidentes pessoais, exames, consultas, internações, remoção, acompanhante, retorno ao Brasil, entre outros itens, de acordo com a necessidade de cada um. — O melhor é optar pelo seguro que ofereça a maior cobertura possível. Pesquise, entre nos sites das empresas, compare os serviços oferecidos. Dependendo do caso, é válido combinar o seguro do cartão de crédito com o de uma seguradora — explica a advogada. Em alguns países, seguro-saúde é obrigatório para estrangeiros O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) também orienta o futuro viajante a adotar cuidados redobrados. Quando a assistência de um plano local é estendida ao exterior, nem sempre a cobertura será igual à do Brasil. Por isso, o consumidor precisa ficar atento às cláusulas contratuais. O Idec lembra que os EUA e alguns países da União Europeia exigem que o estrangeiro contrate um seguro-saúde. Portanto, segundo o órgão, o melhor nesse caso é procurar, antes da viagem, o consulado do país e conferir as condições exigidas. O consumidor deve ficar alerta ainda para o fato de as companhias aéreas serem proibidas de vincular a contratação de seguro à compra da passagem. O seguro deve ser vendido separadamente, como uma escolha do passageiro. Isso porque a venda casada — de um produto vinculado a outro — é prática condenada pelo Código de Defesa do Consumidor. A advogada Renata Reis, do Procon-SP, destaca que é preciso ter acesso ao texto das condições gerais, não apenas ao do contrato: — A apólice é um resumo dos direitos e obrigações. É importante saber todos os detalhes do seguro que está sendo contratado. Confira as dicas para evitar problemas com o seguro-viagem: CONDIÇÕES GERAIS: Peça à seguradora o texto completo das condições gerais do contrato do seguro, não apenas o texto da apólice, que traz apenas um resumo. ABRANGÊNCIA: Verifique atentamente os serviços e procedimentos médicos cobertos pelo seguro. COBERTURA: Antes de assinar o contrato, observe também o que o seguro não cobre, para não ter surpresas desagradáveis na viagem. EMPRESA: Esclareça qual é a empresa responsável pelo seguro. Caso ocorra algum problema, é contra ela que você terá de recorrer na Justiça. AGÊNCIA DE TURISMO: A empresa que vende um pacote de viagem que inclua o seguro também é responsável por eventuais indenizações. PROMOÇÕES: Seguros a preços baixos exigem atenção redobrada. Desconfie se o valor cobrado estiver muito abaixo da oferta de mercado. Um seguro de viagem básico custa cerca de US$ 100. DOCUMENTOS: Guarde todos os documentos relativos à negociação e a eventuais despesas médicas no exterior, inclusive dos gastos com transporte e alimentação. ACORDOS: Brasileiros segurados pelo INSS têm direito a atendimento médico gratuito na rede pública de países com os quais o Ministério da Previdência Social mantém convênio. São eles Argentina, Cabo Verde, Chile, Espanha, Grécia, Itália, Luxemburgo, Portugal e Uruguai. Confira a página para mais informações.
oglobo.globo.com | 11-01-2012
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RIO - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou na tarde desta terça-feira que decidiu cancelar o registro da prótese mamária da marca holandesa Rofil, vendidas com o nome M-Implante, que terceirizou a produção do silicone para a Poly Implant Prothese (PIP), fabricante francesa que está no centro de um escândalo mundial. Os produtos que estão disponíveis no mercado nacional serão recolhidos. A decisão ainda será divulgada no Diário Oficial da União. ece-auto-gen 5ae7a920-28cf-459b-a114-4f97bd3b07a9 Em nota divulgada em seu site, a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS, na sigla em inglês) informou que as investigações francesas indicam que a maioria dos implantes fabricados e distribuídos tanto pela PIP, quanto pela Rofil, desde 2001, é preenchida com silicone industrial. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) mantém a recomendação de que, por enquanto, as mulheres não precisam procurar seus médicos para troca das próteses. — Pacientes com implantes de próteses PIP, ou mesmo Rofil, devem consultar seus médicos para avaliação. Normalmente, a revisão de um implante é feita após dez anos, mas nesses casos, deve ser feita antes — diz José Horacio Aboudib Junior, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). — A troca é necessária apenas se o implante se romper. Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/saude/medicos-aconselham-revisao-das-proteses-para-avaliar-riscos-3590839#ixzz1j5iaVz00 © 1996 - 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.
"A taxa de ruptura destes implantes parece ser cinco vezes maior em comparação com outros implantes. Isso significa que eles não atendem aos requisitos legais ou padrões da indústria", diz o informe. A ISAPS destacou que apoia a recomendação francesa de que pacientes com implantes de mama devem verificar com seus médicos se seus silicones foram fabricados pela PIP ou se têm M-Implante, fabricado pela Rofil. "Mesmo sem sinais clínicos de ruptura, estes implantes devem ser removidos ou trocados para evitar maiores riscos para a saúde", diz a sociedade. Por fim, a ISAPS destaca que não está confirmada a ligação entre câncer e os implantes PIP. Segundo a Anvisa, a prótese mamária M-Implante teve seu primeiro registro no Brasil em setembro de 2001, concedido à empresa Pró Life Importação e Exportação Ltda, que pediu o cancelamento do registro em setembro de 2006. Ainda de acordo com a agência, em 2004, a empresa Andema Comercial e Importadora Ltda, teve dois registros publicados, que venceram em setembro de 2009 e não foram renovados. O registro da Pharmedic Pharmaceutical Importadora, a última a vender as próteses no país, foi concedido em janeiro de 2009. Em março de 2010 a autoridade sanitária da França determinou o fechamento da fábrica PIP. No Brasil, as próteses foram suspensas no dia primeiro de abril do mesmo ano e tiveram seu registro cancelado no dia 30 de dezembro de 2011. A Anvisa informou que recebeu reclamações de usuárias das próteses M-Implante e que discutiria o problema numa reunião nesta terça-feira. Ainda não foram informadas quantas reclamações e quais tipos de problema as mulheres apresentaram. Na próxima quarta-feira, a a presidente da Comissão de Silicone da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Wanda Elizabeth Corrêa, irá à sede da agência para debater essas questões. Ela disse que a entidade ainda não registrou queixas de pacientes. - Não sabemos quantas próteses foram importadas ou vendidas paras as usuárias no país. Por isso estamos criando o cadastro das cirurgias feitas - disse ela, referindo-se ao banco de dados que a SBCP está criando para registrar todos os procedimentos estéticos feitos no país. Wanda também informou que, quando a PIP teve as vendas proibidas no Brasil e também na Europa, em 2010, a Rofil parou de vender seus produtos. A Comissão de Silicone solicitou à SBCP que peça aos fabricantes de silicone vendidos no país um documento garantindo que seus produtos são seguros. - Nós, médicos, estamos preocupados com o que está acontecendo e vamos fazer o possível por nossos pacientes - destacou Wanda. Na reunião que acontecerá na quarta-feira, na Anvisa, a SBCP vai pedir à Anvisa uma vigilância mais rigorosa dos produtos aprovados para importação, para evitar que problemas como esse voltem a acontecer. - Apesar de a Anvisa ser bem rigorosa e de este ter sido um problema que ocorreu no mundo todo, achamos que essa fiscalização não foi suficiente, que só isso não basta.
oglobo.globo.com | 11-01-2012
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RIO - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está investigando problemas em outra marca de próteses mamárias. Trata-se da holandesa Rofil, que era vendida no Brasil com o nome M-Implante. O órgão recebeu reclamações de usuárias que tiveram problemas com os produtos vendidos pela Pharmedic Pharmaceuticals Importação. Técnicos estão reunidos nesta terça-feira e a agência deve se pronunciar oficialmente sobre o assunto ainda hoje. Em nota divulgada em seu site, a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS, na sigla em inglês) informou que as investigações francesas indicam que a maioria dos implantes fabricados e distribuídos tanto pela PIP, quanto pela Rofil, desde 2001, é preenchida com silicone industrial. "A taxa de ruptura destes implantes parece ser cinco vezes maior em comparação com outros implantes. Isso significa que eles não atendem aos requisitos legais ou padrões da indústria", diz o informe.
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A ISAPS destacou ainda que apoia a recomendação francesa de que pacientes com implantes de mama devem verificar com seus médicos se seus silicones foram fabricados pela PIP ou se têm M-Implante, fabricado pela ROFIL. "Mesmo sem sinais clínicos de ruptura, estes implantes devem ser removidos ou trocados para evitar maiores riscos para a saúde", diz a sociedade. Por fim, a ISAPS destaca que não está confirmada a ligação entre câncer e os implantes PIP.
oglobo.globo.com | 10-01-2012
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RIO - A Alemanha se somou nesta segunda-feira às recomendações da França e da República Tcheca, e indicou que todas as mulheres que colocaram implantes de silicone da empresa francesa Poly Implant Prothèse (PIP) no seio retirem a prótese. Também nesta segunda, a imprensa espanhola noticiou que o Ministério da Saúde vai oferecer a remoção das próteses se, após consulta com o cirurgião, a mulher continuar preocupada e ambos acreditarem que é melhor realizar o procedimento. Além disso, o governo vai substituir os implantes se a cirurgia original foi realizada pela rede pública em mulheres que fizeram mastectomia. Já segundo o Instituto Federal de Medicamentos e Produtos Sanitários (BfArM), ligado ao Ministério da Saúde alemão, não é necessário que esses implantes com defeito se rompam para que produzam vazamentos de silicone e, ainda que não haja evidências científicas, suspeita-se da relação entre os PIP e o câncer. Até agora, o BfArM havia recomendado que as pacientes afetadas revisassem os implantes para verificar uma possível ruptura, mas a estratégia mudou, em vista dos últimos informes recebidos, que são os que concluem a informação de que, "com o tempo, o silicone desses implantes pode vazar, inclusive quando não há ruptura". Veja também No Brasil, o Ministério da Saúde vai atender as mulheres que operaram pelo SUS — que faz implantes em caso de reconstrução de mama — e as que não tiverem condições de serem atendidas em clínicas particulares. Quando o médico do serviço público julgar necessário, será oferecida a cirurgia de substituição. E, a partir desta semana, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) vai montar um banco de dados de todos os implantes mamários que forem realizados no país. Os cirurgiões agora preencherão um formulários após os procedimentos, cujos dados irão para arquivo e ficarão, parte disponível para acesso de membros da sociedade, parte disponível para acesso apenas de médicos e pacientes (no caso das informações sigilosas). A ideia já estava sendo elaborada mesmo antes do escândalo do PIP. - É a primeira iniciativa deste tipo em todo o mundo - diz José Horacio Aboudib Junior, presidente da SBCP. Já o Reino Unido mantém a posição de que "não há provas" que justifiquem a retirada das próteses mamárias PIP, mas, por outro lado, oferece a cirurgia gratuitamente. As autoridades se comprometeram com as mulheres que se submeteram à cirurgia de reconstrução de mama pelo Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês) e estão "preocupadas" e querem remover os implantes, após consulta com um médico. Além disso, disseram esperar que as clínicas privadas ofereçam a mesma solução para suas pacientes. A Venezuela e a Colômbia também se ofereceram para pagar os custos da remoção do PIP, embora no caso da Colômbia as condições sejam mais restritas. De acordo com a vice-ministra de Proteção Social, Paula Acosta, a cirurgia será feita quando a prótese foi implantada em um processo de reconstrução, se foi recomendada por um médico, ainda que com fins estéticos, ou quando houver uma ruptura, o que será tratado num procedimento de urgência. Os custos dos novos implantes não serão cobertos, seja na Venezuela ou na Colômbia. Na última semana, foi divulgado que Jean-Claude Mas, fundador da empresa fabricante de próteses mamárias PIP, disse à polícia que sabia que o silicone usado no produto não era homologado. Em suas declarações, feitas em 2010 e que foram tornadas públicas agora, Mas, que está sendo procurado pela Justiça francesa, disse que não tinha "nada a dizer" às potenciais vítimas das próteses que se romperam. Ele reconheceu ter usado "conscientemente um gel sem autorização" porque era mais barato e afirmou que as pessoas que estão denunciando a fraude estavam tomando esta atitude "para obter dinheiro". Ele garantiu à polícia que era "fácil" enganar o órgão que certificava as próteses e que esta era uma tarefa "cotidiana": "eu dava a ordem de ocultar qualquer documento com rastro do gel PIP sem homologar e, sobre os recipientes, os empregados eram encarregados de fazê-los sumir". Estas declarações foram feitas em novembro de 2010 aos investigadores da unidade de investigação de Marsella, sul da França, depois de uma denúncia apresentada pela Agência Francesa de Segurança Sanitária e Produtos da Saúde (AFSSAPS). Sobre a razão por que decidiu utilizar esse componente nas próteses, Mas disse que era completamente satisfatório e que não tinha conhecimento de que representava um risco para a saúde. Além disso, quando os interrogadores lhe perguntaram sobre como se sentia por saber que havia denúncia contra sua empresa pelos implantes defeituoso, disse: - Há 30 anos que me sinto bem. Em outra declaração, desta vez em outubro de 2011, Mas insistiu diante da polícia que havia eleito o gel usado no PIP porque "era mais barato (...) e de melhor qualidade". O fundador da empresa fabricante, de 72 anos, enfrenta duas investigações judiciais por fraude. No total, estima-se que entre 400 mil e 500 mil mulheres usem os implantes em todo o mundo.
oglobo.globo.com | 10-01-2012
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O escândalo das próteses mamárias produzidas pela marca francesa Poly Implants Protheses (PIP) pegou médicos e autoridades sanitárias de surpresa, além de deixar mulheres de todo o mundo alarmadas, inclusive no Brasil, onde cerca de 12 mil pacientes compraram os implantes. A fábrica — que chegou a ser a terceira maior produtora de próteses do mundo — está fechada desde 2010, quando se descobriu a presença de silicone industrial nos implantes e se verificou que sua taxa de ruptura era maior que a das demais marcas do mercado. Agora, porém, 20 francesas que usam PIP apareceram com câncer, o que reacendeu a polêmica. E mesmo que não esteja comprovada qualquer relação da doença com os implantes mamários, as autoridades de saúde são unânimes em recomendar que pacientes com modelos PIP procurem seus médicos para checar se está tudo bem. — Normalmente, a revisão de um implante é feita após dez anos. O que ocorre com a PIP é que ela deve ser avaliada o quanto antes — diz José Horacio Aboudib Junior, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Ele ressalta que não há indicação para que as mulheres troquem as próteses preventivamente: — A troca é necessária apenas se o implante se romper. E se isso ocorrer? Especialistas explicam que não há chances de o silicone circular pelo corpo, já que ele é material denso que não entra na corrente sanguìnea. Além disso, quando o implante é feito, o organismo forma naturalmente uma cápsula fibrosa que isola o material. Trata-se de uma reação natural de defesa, que impede o silicone de entrar em contato com os tecidos da mama. E mesmo no caso da PIP — cujo recheio tem composição ainda não completamente desvendada (o material ainda está sendo analisado em laboratório na França) —, os médicos acalmam as pacientes. — Pode acontecer uma reação inflamatória no local, o que é tratado com cirurgia — explica Natale Gontijo, médica do Instituto Ivo Pitanguy.
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Como ainda não se sabe quando a fraude começou — a aprovação pela Anvisa, antecedida de testes no material, foi em 2004 — a SBCP ressalta que provavelmente nem todas as próteses têm problemas.Não foi o caso dos implantes usados pela dona de casa Yeda Valéria Rocha, 51 anos, moradora de Brasília. Ela colocou silicone em 2008 e, em 2010, teve que substituí-los, pois o da mama direita havia se rompido. — Senti um pouco de dor dias antes de ir ao médico fazer o exame — conta ela, que teve um prejuízo de mais de R$ 20 mil e vai processar a EMI, empresa importadora das próteses. Em países como França e Venezuela, os governos farão cirurgias de retirada das próteses PIP. No Reino Unido, serão refeitos os implantes realizados pelo serviço público. No Brasil, o Ministério da Saúde vai atender as mulheres que operaram pelo SUS — que faz implantes em caso de reconstrução de mama — e as que não tiverem condições de serem atendidas em clínicas particulares. Quando o médico do serviço público julgar necessário, será oferecida a cirurgia de substituição. Quem quiser garantir seu direito de substituir a prótese pode acionar judicialmente a EMI: — A importadora é quem deve ser responsabilizada por todo e qualquer dano que tenha sido causado à paciente — esclarece Camile Felix Linhares, consultora jurídica do Procon-RJ. Além de acompanhar as investigações na França, a Anvisa iniciou um processo administrativo sanitário para analisar o silicone PIP, o que pode resultar em multa e até fechamento da EMI, responsável pelo material no país. O registro do implante foi cancelado na semana passada. Cerca de dez mil próteses que não foram vendidas agora serão queimadas. Procurada, a importadora não retornou o contato feito pela reportagem. Após o primeiro teste para conceder o registro, a Anvisa faz nova análise desse tipo de material na hora de renovar a autorização, o que costuma demorar cinco anos. Na opinião do cirurgião plástico Jorge Wagenführ Júnior, proprietário da Lifesil, produtora de implantes de silicone, no entanto, a vigilância deveria ser mais rigorosa. — Se a agência fizesse uma avaliação dos produtos importados ou das fábricas no exterior todos os anos, este tipo de problema poderia ser evitado no Brasil. Na próxima semana, Anvisa, Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Mastologia e SBCP se reúnem para discutir um novo protocolo de procedimentos para estes casos.
oglobo.globo.com | 07-01-2012
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Cenário: O calendário mudou, mas o fio condutor dos negócios continua sendo a crise da dívida soberana europeia. As preocupações sobre a saúde do sistema bancário europeu e o pesado cronograma de emissões de dívida dos países ofuscaram os dados de emprego melhores do que o esperado nos Estados
www.estadao.com.br | 07-01-2012
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PRAGA - O porta-voz do Ministério do Interior da República Tcheca, Pavel Novak, confirmou nesta sexta-feira que o país aceitou o pedido de asilo político requisitado por Oleksander Tymoshenko, marido da ex-primeira-ministra da Ucrânia Yulia Tymoshenko. Mais cedo, o ministro do Exterior tcheco, Karel Schwarzenberg, tinha confirmado que o pedido de asilo foi feito ao país no final do ano passado. Schwarzenberg ainda reforçou que gostaria de manter boas relações com o governo da Ucrânia, mesmo sabendo que o abalo será inevitável. A ex-premier Yulia, atual líder da oposição no país, foi condenada a 7 anos de prisão por abuso de poder, em outubro - sentença que os EUA e a União Europeia denunciaram como sendo um julgamento com motivações políticas. Fontes da oposição dizem que a saúde da ex-premier está frágil e que ela não está recebendo o auxílio médico necessário na prisão de Kiev. A República Tcheca tem uma política de apoiar a oposição em países que têm históricos duvidosos em relação aos direitos humanos, um legado do ex-presidente Vaclav Havel. No início de 2011, o país concedeu asilo ao ex-ministro da Economia, e aliado de Yulia, Bohdan Danylyshin. Ele também estava sendo processado por abuso de poder na Ucrânia. O apoio da República Tcheca balançou as relações com o governo de Kiev.
oglobo.globo.com | 06-01-2012
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As taxas pagas pelos países da União Europeia, com exceção da Alemanha, apresentavam alta nesta quinta-feira no mercado da dívida, afetadas pelo retorno dos temores sobre a saúde do setor bancário europeu. .. Leia Mais... Pernambuco.com | Diario de Pernambuco | Últimas Notícias Copyright © 2012, Pernambuco.com - Grupo Associados, Recife-PE, Brasil
www.pernambuco.com | 05-01-2012
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RIO - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realiza nesta quinta-feira audioconferência com a Agência Francesa de Segurança Sanitária dos Produtos de Saúde (AFSSAPS), para discutir procedimentos relacionados às próteses mamárias da marca Poly Implant Prothese (PIP). Participam da reunião, que começa às 11h30m, técnicos das duas instituições, além de Caroline Laborde, responsável pela área de cooperação internacional e europeia do setor de relações internacionais da agência francesa. A Anvisa quer saber detalhes da inspeção realizada pela AFSSAPS na empresa PIP em 2010, além dos resultados dos testes de laboratório realizados com a prótese, dos lotes enviados para o Brasil, da relação existente entre a prótese PIP e a possibilidade de aumento de risco para casos de câncer e dos resultados da reunião realizada dia 21 de dezembro entre as autoridades sanitárias da Europa. No Brasil, as próteses tiveram o registro cancelado. Ao todo, o Brasil importou 34.631 unidades, das quais 24.534 foram comercializadas. As outras 10.097 próteses serão recolhidas e descartadas.
oglobo.globo.com | 05-01-2012
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RIO - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realiza nesta quinta-feira audioconferência com a Agência Francesa de Segurança Sanitária dos Produtos de Saúde (AFSSAPS), para discutir procedimentos relacionados às próteses mamárias da marca Poly Implant Prothese (PIP). Participam da reunião, que começa às 11h30m, técnicos das duas instituições, além de Caroline Laborde, responsável pela área de cooperação internacional e europeia do setor de relações internacionais da agência francesa. A Anvisa quer saber detalhes da inspeção realizada pela AFSSAPS na empresa PIP em 2010, além dos resultados dos testes de laboratório realizados com a prótese, dos lotes enviados para o Brasil, da relação existente entre a prótese PIP e a possibilidade de aumento de risco para casos de câncer e dos resultados da reunião realizada dia 21 de dezembro entre as autoridades sanitárias da Europa. No Brasil, as próteses tiveram o registro cancelado. Ao todo, o Brasil importou 34.631 unidades, das quais 24.534 foram comercializadas. As outras 10.097 próteses serão recolhidas e descartadas.
oglobo.globo.com | 05-01-2012
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A Comissão Europeia propôs aos Estados membros a criação de um sistema comum de avaliação para analisar os riscos e o impacto dos implantes de mama Poly Implant Prothèse (PIP). Durante uma reunião do Comitê de Segurança Sanitária da Comissão Europeia, que inclui especialistas dos 27, Bruxelas propôs a criação de "uma espécie de sistema de avaliação comum sobre esse assunto", explicou nesta quinta feira em entrevista coletiva o porta voz comunitário de Saúde e Proteção ao Consumidor, Fréderic ...
noticias.terra.com.br | 05-01-2012
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Depois do escândalo internacional dos implantes de mama da empresa francesa PIP, as injeções para eliminar as rugas já são motivo de preocupação na Europa, onde o sistema de vigilância sanitária é considerado não muito rigoroso. .. Leia Mais... Pernambuco.com | Diario de Pernambuco | Últimas Notícias Copyright © 2012, Pernambuco.com - Grupo Associados, Recife-PE, Brasil
www.pernambuco.com | 05-01-2012
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RIO - Íntimo da geografia carioca depois de ter reproduzido (com muita licença poética) as paisagens locais para a coleção de HQs "Cidades ilustradas", o parisiense Jano emprestou seu traço e sua acidez ao cinema para levar às telas a vida de uma lenda da música americana. "Mojo Blues", que o cineasta francês Alexis Lavillat corre para finalizar até o fim do ano, narra a trajetória do cantor e compositor americano Robert Johnson (1911-1938). Ícone da irreverência >ita Hoje com 56 anos, Jano voltará ao Brasil no segundo semestre, para participar da edição 2012 da convenção anual Rio Comicon, cuja data ainda não foi divulgada. Até lá, sua versão para a cinebiografia de Johnson, retratado como um gato preto, já incluirá episódios como uma suposta negociação de alma entre o músico e o Diabo e a composição de canções como "Crossroads Blues" e "Hellhound of my trail". — Eu já tinha feito algumas experiências com curtas-metragens, mas é a primeira vez que faço desenhos para um longa de ficção. Como sempre, preservo meu estilo, retratando pessoas reais com feições animais. Johnson precisava ser um felino, para encarnar a imagem de artista vagabundo associada aos bluesmen em sua época — diz Jano em entrevista por telefone ao GLOBO.
Aventuras inéditas no Rio Homenageado pelo cinema brasileiro no documentário "Rio de Jano" (2003), de Anna Azevedo, Eduardo Souza Lima e Renata Baldi, o quadrinista, cujo nome verdadeiro é Jean Leguay, exporta para "Mojo Blues" o humor que lhe deu fama graças às peripécias do rato Kebra, que criou em 1978. — O problema do cinema é a chatice de ter que esperar orçamento para ver o trabalho ir adiante. Tenho feito os desenhos com a minha marca, ou seja, usando a comédia para expressar as sensações que vejo na realidade ao meu redor. Agora cabe ao estúdio que apoia "Mojo Blues" conseguir o que falta para finalizar o projeto — diz o quadrinista, que promete voltar ao Rio trazendo na mala aventuras inéditas da personagem que ajudou a fazer dele um autor cult: a mulher-guepardo Gazoline. Até março, Jano entrega a seus editores europeus a versão definitiva de "Belle et rebelle", uma coletânea de contos que traz a guerreira criada em 1983 como uma sátira para heroínas de ficção científica como Barbarella. Lançada em 1989, a graphic novel "Gazoline et la planète rouge" conquistou o prêmio de melhor álbum do ano em Angoulême, na França, cujo festival anual de quadrinhos é considerado o de maior prestígio do setor na indústria editorial. — Gazoline faz aquele tipo sexy que, por vezes, cai na estupidez. Minha ideia, ao criá-la, era explorar o universo do gênero sci-fi, brincando com seus estereótipos — diz Jano, casado há dez anos com a tradutora finlandesa Kirsi Kinnunen, sua aliada na luta contra seu principal adversário: o computador. — Sou um homem pré-histórico. Não tenho e-mail e desenho à mão. Quando preciso enviar alguma coisa a alguém, Kirsi envia. Comparado a mestres da arte sequencial como Jean "Moebius" Giraud (autor de "A garagem hermética") quando lançou "Carnet d’Afrique" (1986) e "Wallaye" (1987), Jano analisa o impacto da recente crise econômica na Europa sobre os quadrinhos sem pessimismo. Entusiasta do quadrinista Vincent Paronnaud, mais conhecido pelo pseudônimo Winshluss, o criador de Gazoline diz que há uma nova geração trabalhando à revelia das recessões. — Eu lancei "Au Bonheur des fans" em 2007 e depois caí doente. Nos dois anos em que passei sem produzir, tratando dos problemas de saúde, notei que o número de publicações de quadrinhos na França só fez aumentar. O dinamismo nesse mercado sempre foi grande, pois existe leitura. O problema não é a crise. O problema é baixa qualidade estética daquilo que é publicado — avalia Jano. — O número de porcarias que chega às livrarias só faz crescer.
oglobo.globo.com | 04-01-2012
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NOVA YORK - Os pesos e os comprimentos de bebês nascidos em Ohio, nos Estados Unidos, aumentaram nas últimas décadas, mostra um estudo, mas nenhuma relação com a obesidade nos anos seguintes foi encontrada. A nova pesquisa, publicada no "Journal of Pediatrics", usou dados que remontam a 1929 para rastrear os tamanhos dos bebês ao nascer e em anos posteriores, e descobriu que os nascidos depois de 1970 eram cerca de 0,45 kg mais pesados e mais de 1,27 cm mais compridos que os bebês nascidos nas décadas anteriores. - O que seria considerado uma criança grande em 1930 não seria considerado hoje - disse Ellen Demerath, uma das autoras do estudo e professora associada da Divisão de Epidemiologia e Saúde Comunitária da Escola de Saúde Pública da Universidade de Minesota. Mas com cerca de um ano, a maioria dos bebês tinha mais ou menos o mesmo tamanho que os de idade correspondente na geração anterior, o que sugere que bebês nascidos menores no passado apresentaram uma rápida recuperação do crescimento no primeiro ano de vida para alcançar pesos médios semelhantes aos das crianças modernas. O tamanho médio das mães, no entanto, definitivamente aumentou nas últimas décadas, como medido pelo Índice de Massa Corporal (IMC). Entre 1930 e 1949, 18% das mães no estudo tinham IMCs que as qualificavam como "obesas", enquanto 48% se encaixavam nesta categoria entre 1990 e 2008. Alguns pesquisadores especularam que IMCs maiores das mães estão influenciando o aumento de tamanho dos bebês, o que pode, por sua vez, contribuir para a obesidade na infância. Para testar estas ideias, Ellen e seus colegas pesquisadores usaram dados de um estudo realizado em Ohio com bebês nascidos desde 1929 e suas mães. Os 620 bebês acompanhados eram pesados e medidos do nascimento até os 3 anos, e todos eram de ascendência europeia. Houve enormes mudanças no crescimento infantil. O desenvolvimento se mostrou menor durante o primeiro ano de vida nos recém-nascidos das últimas gerações. As diferenças nas taxas de crescimento após o nascimento entre os bebês das gerações anteriores e das posteriores se deram provavelmente devido à saúde das mães durante a gravidez. - No período pré-1970, o peso no nascimento é relativamente baixo e a saúde das mães provavelmente não era tão boa quanto é agora - diz Ellen. A pesquisadora afirma ainda que a pequena taxa de crescimento durante o primeiro ano desafia aqueles que acreditam que bebês maiores são responsáveis pela atual epidemia de obesidade: - Você não precisa de um ganho de peso infantil elevado para acabar com um problema de obesidade. Emily Oken, professora associada do Departamento de Medicina Populacional em Harvard Medical School, adverte que é difícil prever o crescimento global de uma pessoa em uma idade precoce. - Acho que na faixa dos dois aos cinco anos de idade é difícil trazer à tona o que as perspectivas de longo prazo para o tamanho do corpo e os riscos à saúde - diz. Em um estudo de 2010, que usou como base dados de mais de 36 milhões de bebês em todos os EUA, Oken e seus colegas descobriram que os bebês nascidos em 2005 eram menores do que os nascidos em 1990. O grupo não conseguiu explicar a tendência pelas características das mães ou dos bebês. Ela afirma que seu resultado não pode contradizer os resultados em Ohio, porque seu estudo é baseado apenas em dados mais recentes e representa uma população nacional. Ela também observou que, em geral, os bebês ao redor do mundo estão ficando cada vez maiores desde 1950. Na opinião de Ellen, a saúde maternal realmente vive uma situação diferente de décadas atrás. Mas, ela e seus colegas concluíram, taxas de crescimento no primeiro ano de vida não podem explicar tendências a obesidade mais tarde.
oglobo.globo.com | 03-01-2012
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BRASÍLIA. A nova lei da TV paga — sancionada este ano e com regulamentação prevista para março — tem potencial para provocar um boom no número de assinantes nos próximos anos. De acordo com o governo, a expectativa é que, entre 2012 e 2015, os clientes quase tripliquem, passando dos atuais 13 milhões para 35 milhões. Mas esses clientes deverão ficar concentrados nos grandes centros, o que não interessa nem um pouco ao governo, que quer aproveitar a TV por assinatura para expandir a banda larga. A mola propulsora desta expansão será a entrada das operadoras de telecomunicações no segmento, pois elas representam uma rede nacional de cabos de fibra óptica, uma das tecnologias tradicionais da TV por assinatura. E a possibilidade de fazer IPTV, isto é, prestar o serviço pelo computador, também deverá ser fundamental para essa expansão. Chegada de novos grupos vai acelerar aumento da oferta A chegada de novos players para tecnologias como o satélite (que permite uma oferta mais imediata do serviço) será outro incentivo. Na última licitação de satélites da Anatel, a vencedora — a americana Hughes — informou que tem interesse em desembarcar também na TV paga. Porém, para que a projeção de expansão da base de assinantes se confirme, um obstáculo principal precisa ser ultrapassado: o preço do serviço. Rodrigo Abdalla, especialista em Planejamento e Pesquisa do Ipea, acredita que, por enquanto, por causa dos $ços altos, com mensalidade em torno de R$ 70, tanto a TV paga quanto a banda larga ainda não serão acessíveis para as famílias com renda abaixo de cinco salários mínimos. Outro efeito colateral da nova lei será a expansão da banda larga. O serviço que mais cresceu este ano foi o de TV via satélite, mas o governo quer incentivar o aumento da TV a cabo. Quanto mais ampla esta infraestrutura, mais se pode entregar internet em alta velocidade. A Oi já atua no mercado de TV por satélite (DTH) e afirma que vai fazer mais investimentos no setor. A operadora acredita que isto também vai acontecer com a Telefônica (que tem no grupo a Vivo), a Telmex (controladora de Embratel, Claro e NET) e com a GVT, que também já anunciou esta intenção. A Telefônica informou que "está analisando a proposta da Anatel", em referên$à regulamentação da nova lei da TV paga, posta em consulta pública. A proposta de criação da licença única para a TV paga, que permite a operadora definir onde vai prestar o serviço — em um bairro, uma cidade ou mais municípios — na avaliação corrente de especialistas, vai permitir que empresas de médio porte possam atuar no setor. Polêmica sobre a obrigação de cobertura pelas empresas Acredita-se que o governo está bem intencionado ao querer desonerar as redes de fibra óptica, para aproveitar e universalizar a banda larga em conjunto com a TV por assinatura. Mas os especialistas afirmam que não há mágica. A infraestrutura é cara e será instalada onde tem demanda. No Brasil, 70% da população vivem em apenas 200 municípios. Nos Estados Unidos e na Europa, quando houve a abertura do mer$, cresceram os investimentos tanto em fibra óptica, que é a plataforma das teles, quanto a prestação do serviço por computador (IPTV). O presidente da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), Alexandre Annenberg, alerta que somente a instalação de novas redes não será suficiente para garantir a popularização do serviço: é preciso criar demanda com a oferta de serviços de educação, saúde e segurança pela internet. Uma nova proposta incluída na consulta pública da Anatel, está causando muita polêmica no mercado. A agência vai consultar a população para saber se as empresas devem ter obrigações de cobertura e precisam construir novas redes terrestres para a transmissão de TV por assinatura e banda larga, como foi feito para as teles móveis. Isto atende o objetivo do governo de massificar a internet de alta velocidade no país.
oglobo.globo.com | 02-01-2012
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RIO - O branco nas roupas dos milhões de pessoas que festejaram a chegada do ano novo na Praia de Copacabana e nas lajes nas favelas mostrou, nos primeiros momentos de 2012, o clima de paz que a cidade sempre desejou. Pacificadas, as comunidades da Zona Sul e o asfalto confraternizaram unidos, esperançosos de que a paz dure por todo o ano. Na festa em Copacabana, que, segundo a Polícia Militar, reuniu 2 milhões de pessoas, a chuva que caiu no início da noite assustou um pouco o público. Mas, por volta das 23h30m, São Pedro deu um alívio e garantiu o sucesso do show de fogos. Milhares de pessoas que tinham deixado o calçadão retornaram para a praia. A celebração foi considerada a maior festa de réveillon do mundo pela associação de turismo World Travel Guild. O representante da associação Ian Erix entregou o prêmio, dedicado ao Rio e à empresa SRCOM, que produz o réveillon pelo quinto ano consecutivo, no início da noite ao presidente da Riotur, Antônio Pedro Figueira, no palco Sol. Ao todo, foram 16 minutos e 32 segundos de queima de fogos, com 22 mil bombas de quatro a 14 polegadas. - Vim de Nova York. Já fui a Ásia, Europa e Austrália, mas ninguém faz uma festa de réveillon como o Rio - disse Erix. Ao todo, 17 balsas foram usadas para a detonação de fogos nas festas da virada em vários pontos do Rio. Na Zona Sul, além de Copacabana, houve três no Flamengo. Em Icaraí, em Niterói, na Região Metropolitana, o espetáculo de fogos foi feito por três embarcações. Veja também O público ficou encantado com o show pirotécnico de Copacabana. Quando começou a música “All we need is love”, dos Beatles, muitos casais se abraçaram, sendo inspirados pelo queima de fogos. O casal cearense Maria de Jesus e Severino de Farias, comerciantes, achou lindo a festa de Ano Novo na praia. É a terceira que comemoram a passagem ano na cidade do Rio. - Valeu muito à pena ter vindo passar mais um Ano Novo no Rio. Os efeitos dos fogos são incríveis e adorei um efeito de chuva, que acho que é novidade. Nunca tinha visto este antes – comemorou Maria de Jesus. O estudante austríaco Renah Schmie veio fazer um intercâmbio em São Paulo mas decidiu passar o Ano Novo em Copacabana. Ele disse estar encantado com a alegria do carioca que, para ele, é o povo mais feliz do mundo e que tem o réveillon mais animado. Shmie afirma ter adorado o clima de paz da festa e prometeu tentar vir outras vezes. Moradora de Caxias, a aposentada Natália Marques disse que é o terceiro ano seguido que passa em Copacabana. Ela achou que a festa seria abafada pela ininterrupta chuva. - Assim que os fogos explodiram no céu, a sensação que eu tive foi que as pessoas esqueceram o desconforto da água. Os efeitos dos fogos foram sensacionais e a música contagiante – conta Maria. Os indícios de que Copacabana lotaria já podiam ser observados às 19h quando ainda não havia começado a chover. Em frente ao Palco Sol, na altura do Hotel Copacabana Palace, a multidão já tomava o calçadão e a areia. A chuva veio e fez a alegria dos camelôs que conseguiram driblar o choque de ordem e vendiam capas a R$ 5, mas não desaninou a multidão. No palco, Beth Carvalho e o Rappa ajudaram a manter o clima. O casal de namorados Gabriel Almeida e Daniela Mesquita, ambos de 18 anos e moradores da Barra, disseram que a chuva não atrapalhava seus planos. Eles querem acompanhar o show do DJ francês David Guetta, no calçadão ou na areia. - De forma alguma essa chuva vai atrapalhar minha festa, só estou tomando coragem para ir para o calçadão. Com certeza, na hora da virada, estarei ao ar livre, sem me importar com a chuva - disse Gabriel, enquanto se abrigava no posto próximo ao hotel Sofitel Moradora de Mesquita na Baixada fluminense, Lucia Regina Coelho, de 44 anos, veio equipada com guarda-chuva, capa e casaco para aguentar o vento até a hora da virada. - Cheguei às 16h e não saio daqui nem para ir ao banheiro. Ainda mais que vai ter Latino - disse Lucia Regina, que estava acompanhada de outros cinco parentes. Um grupo de Montes Claros, em Minas Gerais, não se abalou por conta do mau tempo. - É sensacional o réveillon do Rio. É um carnaval. Tem todo tipo de gente, fora as atrações e a que eu mais quero ver é a banda O Rappa - contou o estudante de engenharia Pedro Henrique Pimenta, de 20 anos, que carregava sua própria bebida para aguentar a noite toda. As estudantes Ana Carolina Oliveira e Débora Cardoso, de 18 anos, moradoras da Barra, saíram de casa por volta das 18h para curtir os shows na praia de Copacabana. As duas são fãs do DJ David Guetta e estão preparadas para dançar até o amanhecer. A única reclamação das jovens é com relação à limpeza dos banheiros químicos – queixa também da maioria dos que estão na fila para usar os sanitários na altura do Posto 4. Até as 22h30, a Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil (SMSDC) realizou 237 atendimentos nos sete postos médicos montados na orla de Copacabana. Duas pessoas precisaram ser removidas para unidades municipais, sendo que uma delas é um homem com intoxicação alcoólica e agitação psicomotora que foi transferido para o Instituto Municipal Philippe Pinel, em Botafogo. No Posto Médico 6, instalado em frente à Rua Barão de Ipanema, registrou, até à 1h15m, 65 atendimentos. Segundo um atendente, que pediu para não ser identificado, em um desses casos, foi necessário remover a pessoa para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, mas não foi informado o motivo. Em dez minutos, duas pessoas chegaram desmaiadas, trazidas por maqueiros, aparentemente por excesso de bebida alcoólica.
Na Rocinha, ocupada desde novembro, a comunidade pode finalmente festejar a virada do ano em paz. De uma laje da Via Ápia a moradora Maria José Barbosa não parava de aplaudir a chegada de um novo ano em paz. Nas vizinhanças, dezenas de pessoas ignoram a chuva e também esperavam nas lajes a queima de fogos de São Conrado —- Finalmente estou recebendo os amigos e familiares pela primeira vez na minha casa. Daqui temos uma vista privilegiada dos fogos de São Conrado — disse Maria José. A chuva atrapalhou um pouco o bailão, que teve pela primeira vez alvará e autorização da prefeitura. Mesmo assim, a Via Ápia foi um exemplo de animação. Moradora da Barra da Tijuca, Bruna Lima levou a família toda para a comunidade. — Resolvi inovar. Passar o réveillon neste bailão da Rocinha foi a forma de apoiar a pacificação. Estou adorando — disse Bruna. Já na laje de Carlinhos Baiano, próxima à Rua 1, as carnes para o churrasco, as bebidas e os petiscos faziam o deleite de turistas. — Temos aqui turistas de vários países, entre eles Itália e França. — contou Baiano, todo orgulhoso. O austríaco Johannes Poppler, de 26 anos, observava tudo com extrema atenção. — Eu queria ter uma experiência mais autêntica e ver como as pessoas celebram o ano novo nas comunidades — disse o austríaco. No Pavão-Pavãozinho, onde a UPP está presente desde dezembro de 2009, nem a chuva acabou com a animação de um grupo de cerca de 30 brasileiros e turistas que subiram o morro em bloco. Eles foram para uma laje e, com tamborins, agitaram a comunidade. Entre os que seguiram para o réveillon do Pavão-Pavãozinho, estava o fisioterapeuta Fábio Caruzo, que levou três amigos: — Daqui, temos visão privilegiada da queima de fogos, pessoas legais, e comida de boa. Melhor é impossível. Na Avenida Altântica, a multidão pulou, cantou e vibrou. —- Este réveillon no o Rio é sensacional, com gente feliz e de todo o tipo — vibrava o estudante de engenharia Pedro Henrique Pimenta, de 20 anos, que veio de Montes Claros (MG) e já planeja o réveillon de 2012 em uma favela pacificada.
Na Lagoa, a chuva deu uma pequena trégua para que os fogos pudessem colorir o céu no momento da virada por cerca de dez minutos. O público, que era pequeno por conta da chuva, praticamente dobrou nos minutos que antecederam a virada do ano. Fogos com formas variadas arrancaram suspiros e aplausos dos que assistiam ao espetáculo. Por trás dos morros era possível observar o colorido dos fogos de Copacabana. A analista de sistemas Simone Bucker e o consultor de sistemas Marcelo Tralhão trouxeram os filhos Beatriz, de 12 anos, e Gustavo, de 8 anos, para assistir à queima de fogos pelo segundo ano consecutivo. - Este espetáculo foi o mais belo de todos. Gostamos muito - disse Simone. O advogado Carlos Antonio Barbosa veio pela primeira vez assistir à queima de fogos na Lagoa e aprovou: - A festa da virada surpreendeu minhas expectativas. Reportagem de Ludmilla de Lima, Monique Vasconcelos, Bruna Talarico, Isabel Araújo, Luiz Gustavo Schmitt, Renata Leite, Melina Amaral, Melina Pinho e Patrícia de Paula
oglobo.globo.com | 01-01-2012
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RIO - As bolsas de valores da Ásia terminaram o ano de 2011 com a primeira queda anual em três anos, perdendo quase um quinto de seu valor por conta da crise de dívida da Europa e turbulência financeira, que abalou o apetite de investidores, conduzindo-os a ativos mais seguros, como o dólar e o ouro. Investimentos considerados seguros provavelmente vão continuar beneficiados no início de 2012, com os agentes monitorando de perto esforços para conter a crise de dívida da Europa e a saúde da economia chinesa, que pode determinar o retorno ao risco. - A perspectiva geral é que no começo do próximo ano vai haver muitos fatores negativos a monitorarmos vindos da crise de dívida soberana europeia. O mercado continuará muito sensível aos desdobramentos na Europa no começo do ano - afirmou Kenichi Hirano, da Tachibana Securities, em Tóquio - O Japão especificamente vai se beneficiar dos gastos do governo para financiar sua reconstrução após o terremoto que devastou o país em março desde ano - acrescentou. Refletindo a fuga de ativos de maior risco, os Treasuries de dez anos renderam ao investidor um retorno de cerca de 17 % em 2011, enquanto os papéis alemães tiveram rentabilidade de 13 %, e o ouro, de cerca de 10 %. Por outro lado, os preços do cobre despencaram quase 23 %, por preocupações sobre o esfriamento da demanda global, e o índice MSCI de ações de mercados emergentes tombou em torno de 18%. O índice MSCI de ações Ásia-Pacífico, com exceção do Japão acumula queda de mais de 18% neste ano, enquanto o índice S&P/ASX 200 da Austrália desabou 14,5 %, marcando a primeira série de quedas em 30 anos. O índice Nikkei da Bolsa de Tóquio registrou sua segunda baixa anual seguida, perdendo 17 % em 2011. Nesta sexta-feira, o mercado subiu 0,20 % em Hong Kong, e a bolsa de Taiwan teve queda de 0,04 %. O índice referencial de Xangai subiu 1,19 %. Cingapura caiu 0,68 %, e o australiano S&P/ASX 200 cedeu 0,36 %.
oglobo.globo.com | 30-12-2011
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CARACAS - O presidente venezuelano Hugo Chávez fez especulações nesta quarta-feira sobre a frequente ocorrência de câncer em líderes latino-americanos. Para Chávez, os Estados Unidos podem ter desenvolvido uma tecnologia para causar a doença nos chefes de Estado. Cristina Kirchner anunciou estar com câncer na tireoide na noite de terça-feira, tornando-se a quinta líder do bloco a ter o problema de saúde. Apesar da controversa declaração, o presidente da Venezuela ressaltou que não estava fazendo acusações, apenas levantando questões sobre o assunto. - Não seria estranho se eles tiverem desenvolvido uma tecnologia para induzir câncer e ninguém esteja sabendo disso até agora... Não sei. Estou apenas refletindo. Mas é muito, muito, muito estranho... É um pouco difícil de explicar isso, as razões, inclusive pelas leis de probabilidades - disse em um discurso para tropas de uma base militar. Chávez disse ainda que outros líderes da região devem ficar atentos, como o seu aliado Evo Morales, presidente da Bolívia. - Nós temos que cuidar bem de Evo. Tome cuidado, Evo - afirmou. E citou o cubano Fidel Castro: - Fidel sempre me disse “Chávez, tome cuidado. Essa gente desenvolveu a tecnologia. Você tem muito pouco cuidado. Cuide do que você come, do que eles te dão para comer... Uma pequena agulha e eles te injetam ‘sei lá o quê’”. Críticas à reação americana e europeia às eleições russas Durante sua fala, Hugo Chávez também não poupou de críticas e acusações o governo americano e seus aliados europeus por estarem cobrando satisfações das eleições parlamentares na Rússia. Ele afirmou que esses mesmos “inimigos” estão planejando a mesma ação para a eleição presidencial da Venezuela, em outubro, quando ele tentará a reeleição. - Eles estão dizendo que houve fraude e que as eleições têm que ser refeitas... Eles estão tentando desestabilizar nada menos que a Rússia, um poder nuclear. Essa é a loucura do Império. Eu digo isso porque aqui na Venezuela o Império Ianque, a burguesia local, e boa parte do que eles chamam de partidos de oposição aqui, estão preparando um plano parecido. Eu peço para que as Forças Armadas fiquem alertas e que o povo venezuelano fique alerta. Porque não vamos deixar o Império Ianque desestabilize a Venezuela outra vez como já fizeram no passado - afirmou.
oglobo.globo.com | 28-12-2011
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Os investidores do sul da Europa, receosos em relação à saúde financeira dos seus bancos e ao futuro do euro, estão transferindo seu patrimônio para moedas, imóveis e produtos de investimento fora da zona do euro, dizem banqueiros e autoridades governamentais.
online.wsj.com | 23-12-2011
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A Câmara dos Deputados americana vota amanhã um projeto de lei que atende pela sigla SOPA. É o Ato para Encerrar Pirataria On-line; ao menos, aquela pirataria que ocorre dentro das fronteiras do país. Para seus críticos, é uma lei radical que ameaça transformar a internet nos EUA tão livre quanto a da China. Se aprovada na Câmara e no Senado e o presidente Barack Obama sancionar, SOPA dará poderes sem precedentes à Justiça. Um mandado judicial simples pode bloquear por completo acesso a determinados sites. Os provedores de acesso à rede serão obrigados a fazer tal bloqueio, o Google será responsabilizado por retirar os links de sua busca, empresas de pagamento on-line como PayPal e mesmo tradicionais, como Visa, serão proibidas de transferir dinheiro para os acusados. Um mandado com tanto poder assim não precisa de muito para ser emitido. Basta que pessoa ou empresa acuse um determinado site de distribuir conteúdo ilegal. Pode ser uma faixa de música, pode ser a venda de remédios estrangeiros. Não é tão simples do ponto de vista técnico. Para que um site seja bloqueado, é preciso interferir nos DNSs, grandes servidores que servem de mapa da rede. Quando o leitor digita oglobo.com.br em seu browser, a internet consulta um DNS para saber a que endereço numérico corresponde o domínio. Alterar o DNS, bloquear domínios inteiros, é coisa que só países como a China faziam. Talvez não baste. Como a lei aumenta o escrutínio sobre o download ilegal e obriga provedores de acesso a monitorarem esse tipo de tráfego, será preciso entender o que cada usuário americano está fazendo on-line. Só há um jeito: inspecionar a natureza dos pacotes sendo trocados. Sem tecniquês explica-se mais fácil. Ver o que cada um está baixando para seu computador. Não é só violar privacidade. É, tecnicamente, um esforço gigantesco. Talvez até impossível do ponto de vista prático. Nem todos os provedores de acesso têm a estrutura para essa vigília. Não é a primeira vez que a indústria cultural se mobiliza para tentar bloquear a pirataria nos EUA, alterando como a rede funciona. Mas nunca chegaram tão perto. Nenhum analista político é capaz de dizer se SOPA passa ou não. Há deputados de ambos os partidos empenhados em sua aprovação. Assim como também há deputados republicanos e democratas horrorizados com a possibilidade. Os lobbies são fortes. De um lado está Hollywood, as gravadoras e as farmacêuticas. Do outro, toda a indústria da tecnologia. De Apple a Google, passando por Microsoft e Yahoo!, quem vive da internet luta contra. As farmacêuticas entraram no pacote por causa da maneira como cobram por medicamentos. Nos EUA, remédio é muito mais caro que no Canadá. Sempre foi, mas o consumidor não sabia. Paga-se mais porque a indústria sabe que os seguros-saúde bancam o custo alto. É praxe adequar o preço ao país onde se vende (o mesmo ocorre com DVDs). Uma indústria paralela se formou on-line para exportar remédios do Canadá para os EUA, e um público de aposentados sem saúde pública usa o serviço. Às vezes, o remédio é original, fabricado pela mesma empresa. Mas a compra é ilegal. Também esses se interessam pelo pedaço da lei que proíbe repasses de dinheiro a sites piratas. Se SOPA passar, os americanos que vivem na internet logo descobrirão que burlar não é difícil. Basta contratar um serviço chamado VPN, custa uns US$ 50 por ano. Ele é como um portal que transfere sua conexão de país. Faz parecer que seu computador está conectado à internet na Europa. Ou no Brasil. Um país onde não há restrição de uso à rede. É uma lei que altera por completo a maneira de a internet funcionar, é sujeita a abusos, complicada de se implementar tecnicamente e simples que só de burlar. Mas há um risco. Os EUA servem de exemplo para o mundo quando o assunto é internet. Se uma lei assim passa lá, ela pode se espalhar. Com a intenção de proteger propriedade intelectual, fratura a espinha livre da internet.
oglobo.globo.com | 20-12-2011
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PRAGA e LONDRES - Morreu no domingo, aos 75 anos, o ex-presidente tcheco Vaclav Havel em sua casa de campo ao norte de Praga. Ex-fumante inveterado, Havel enfrentou várias operações contra o câncer de pulmão e de intestino, este último quase o matou no fim dos anos 1990, deixando sua saúde frágil pelo resto de sua vida. A morte durante o sono em sua casa de campo ao norte de Praga comoveu os tchecos e levou à reflexão todo um continente rachado e abalado pela crise econômica. Em Praga, bandeiras negras foram hasteadas lado a lado da bandeira da República Tcheca em sinal de luto pela morte do ex-presidente. Uma multidão enfrentou o frio e a neve do inverno europeu para prestar homenagem a um dos maiores expoentes do movimento de dissidentes que desafiou apenas com palavras a antiga União Soviética. Na Praça Venceslau, milhares de pessoas homenagearam Havel balançando chaves no ar — como era hábito nas manifestações anticomunistas — cantando o hino nacional e fazendo um minuto de silêncio. Muitos acenderam velas na praça e diante da casa dele na cidade. Às 18h, os sinos das igrejas e catedrais soaram em todo o país, e uma bandeira negra foi hasteada no Castelo de Praga, sede da Presidência, onde o corpo de Havel ficará em exposição na quarta-feira. Líderes políticos mundiais lembraram de Havel, líder da “Revolução de veludo”, de 1989, que derrubou o regime comunista, como fonte de inspiração contra a tirania em todo o mundo, um humilde herói cuja resistência ao comunismo ajudou a libertar uma Europa unida, enquanto intelectuais lamentavam a perda do escritor e dramaturgo que amava o jazz e o teatro. Num comunicado, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que foi inspirado por Havel: “Sua resistência pacífica abalou as fundações de um império, exposto ao vácuo de uma ideologia repressora, e provou que a liderança moral é mais poderosa que qualquer armamento”. A chanceler alemã Angela Merkel ressaltou a importância do legado de Havel para a Europa unida, em nota endereçada ao sucessor de Havel, o presidente tcheco Vaclav Klaus: “Ele também incorporou as aspirações de metade do continente atingido pela Cortina de Ferro, e ajudou a deslanchar marés da história que resultaram numa Europa democrática e unida... Nós vamos lembrar seu compromisso com a liberdade e a democracia tanto quanto a sua grande humanidade. Nós, alemães, especialmente, temos muito a agradecê-lo. Lamentamos juntos a perda de um grande europeu”, escreveu Merkel. Para o presidente Nicolas Sarkozy, a França “perde um amigo, e a Europa perde um de seus homens sábios”. O primeiro-ministro britânico David Cameron lembrou a revolução de 1989 em Praga que deu fim ao regime apoiado pelo regime soviético: “Ninguém de minha geração vai jamais se esquecer daquelas fortes cenas na Praça Wenceslas há duas décadas.” Já o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, que incluiu em 1999 disse que Havel “será lembrado em todo o mundo como um grande escritor, um visionário e líder que ajudou a reunir a Europa depois de meio século de divisão”. Lech Walesa, ex-presidente polonês e do movimento sindicalista Solidariedade que enfrentou o comunismo no leste da Europa, disse que Havel foi “grande e benemérito homem”. Walesa, que ganhou um nobel da Paz por liderar seu país contra o regime comunista, disse que Havel, que foi repetidamente indicado ao prêmio Nobel da Paz, também deveria ter recebido a honra, “mas no mundo, nem tudo é justo”. Trajetória singular Havel teve uma trajetória singular. Eleito presidente da República Tcheca, pela Assembleia Federal, em 29 de dezembro de 1989, o dramaturgo e ensaísta, nascido em 1936, em Praga, enfrentou uma terrível contradição. Havia passado apenas dois meses da queda do muro de Berlim, e a Europa Central e Oriental, de obediência comunista, vivia uma explosão de manifestações e protestos a caminho da liberdade. Os movimentos cívicos, que haviam se configurado na oposição mais ativa contra as ditaduras comunistas, se converteram na vanguarda dos movimentos democráticos. Assim, alguns líderes dissidentes foram forçados a tomar o poder. O mais notável foi o de Havel, uma das lideranças da revolução democrática, foi promovido a mais alta autoridade da Tchecoslováquia. Poucos exemplos existiam na história contemporânea da Europa de escritores que haviam alcançado tal posto de poder, sem tê-lo pretendido. Esta circunstância coincidiu sempre com os períodos revolucionários, de aceleração histórica, para ascensão à sede do Estado ou de governo de figuras populares que tiveram o apoio de sua estatura e sua carreira intelectual, diz o “El País”. O jornal espanhol lembra que, na Espanha, a ascensão de Havel pode ser comparada à de Manuel Azaña, procedente do movimento antimonárquico e a favor da democracia, que chegou a ser ministro e, mais tarde, primeiro-ministro e presidente da República. Nestes personagens, com seus sucessos e fracassos, sempre prevaleceu a ética política e seus próprios princípios morais sobre os caprichos de oportunismo partidário. São justamente essas contradições que sofreu Havel, de uma forma ou de outra, durante seus 13 anos como chefe da Tchecoslováquia. Em setembro de 2008, em uma entrevista concedida ao “El País”, em Praga, o político e intelectual, ao responder a pergunta se havia se arrependido de aceitar a presidência tcheca, disse: - É difícil responder a essa pergunta, porque eu tive que desistir de muitas coisas para mergulhar na política. Foi, sem dúvida, um sacrifício para mim. Agora, reconheço que também significou um presente do destino, porque eu pude influenciar alguns eventos-chave para o meu país e para a Europa. Desde a fundação da capital tcheca, um Havel amigável, mas sóbrio, definia nestes termos o que deve ser o papel do intelectual: - Eu acho que um intelectual tem mais responsabilidade com a sociedade do que outros. É claro, a voz de um intelectual é importante e os políticos deveriam ouvir mais os intelectuais porque a reflexão radical é muito necessária para a prossecução de um mundo melhor. Nascido no seio de uma família burguesa (seu pai era empresário e seu avô materno havia sido um famoso diplomata e jornalista), o jovem Havel teve problemas para cursar os estudos. Finalmente pode matricular-se na faculdade de Economia, em Praga, e, em 1964, casou-se com Olga Splichalova, uma mulher de origem operária. De toda forma, a vocação cultural de Havel estava clara e ele resolveu dedicar-se ao teatro, pôs-se a estudar arte dramática por correspondência. No começo dos anos de 1970, com as peças “A festa do jardim” e “ O memorando”, o dramaturgo tcheco torna-se uma revelação, tanto em seu país como no exterior. Em 1968, este segundo trabalho é representado em Nova York, o que dá uma projeção notável Havel em todo o mundo. Enquanto sua obra teatral é reconhecida no exterior, suas peças são proibidas na República Tcheca e o regime comunista impedia a saída de Havel para outros países. Ao lado de seu trabalho intelectual, aumentava seu compromisso político, especialmente depois de seu envolvimento com a chamada “Primavera de Praga”, a experiência do socialismo democrático reprimida pelos tanques soviéticos e que marcou toda uma geração de democratas nos países da região. Com a repressão, Havel se viu forçado a voltar a trabalhar em uma cervejaria, trabalho que mais tarde estaria refletido em sua obra “Audiência”. Nas décadas dos anos de 1970 e 1980, Havel foi condenado em várias ocasiões pelo regime comunista e passou longos períodos na prisão. Sua mais longa estada na cadeia durou de 1979 a 1984 e é descrita em um ensaio intitulado “Cartas à Olga”, sua esposa na época. Além de sua dramática passagem pela prisão, Havel escreveu ensaios ao longo de sua vida analisando, especialmente, o cotidiano sob o domínio da ditadura e as reações morais e políticas provocadas na sociedade. Um admirador dos grandes líderes da resistência não-violenta, como Gandhi ou Martin Luther King, o escritor checo tornou-se um respeitado intelectual da resistência contra o comunismo. A crise do bloco de Leste, que resultou na perestroika na URSS, liderado na época pelo presidente Mikhail Gorbachev e culminando com a queda do Muro de Berlim, em 09 de novembro de 1989, transformou-o em um dos líderes da sociedade, já que ele havia liderado a luta anticomunista. Líder do Fórum Cívico, Havel foi eleito presidente da Tchecoslováquia nos últimos dias de 1989, ano que mudou o mundo. Após um breve hiato, por discordar da separação pacífica da República Tcheca e da Eslováquia, em 1993, Havel ocupou a presidência do país até 2003. Não foi sem controvérsia que atravessou esse longo período frente a presidência, entre elas a anistia geral declarada logo após sua chegada ao poder. No entanto, a sua autoridade moral permaneceu praticamente intacta e seu talento como integrador, abriu as portas da República Tcheca para o mundo democrático. Casado em 1997 com a atriz Dagmar Veskrnova, após a morte de sua primeira esposa no ano anterior, Havel passou seus últimos anos na liderança de uma fundação cultural em Praga e trabalhando em suas memórias que foram publicadas na Espanha em 2007 sob o título: “Seja breve”.
oglobo.globo.com | 19-12-2011
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RIO - Valdomiro Minoru Dondo, o empresário brasileiro que enriqueceu no socialismo de mercado angolano, não operou o milagre sozinho. Dono de um conglomerado de mais de 20 empresas, cujo cliente solitário é o próprio governo, ele é sócio de pelo menos cinco autoridades locais, incluindo dirigentes de pastas que fizeram contratos milionários com o empresário. Mas a relação com o poder vai além. No Brasil, Minoru negociou pelo menos três imóveis com dirigentes angolanos e seus parentes. Sua mulher, Agla Dondo, é amiga pessoal da primeira-dama Ana Paula dos Santos, mulher de José Eduardo dos Santos, o presidente que tem de poder em Angola as mesmas três décadas que Minoru tem de negócios. Considerado mito naquele país, o empresário lucra ali oficialmente R$ 90 milhões anuais com contratos públicos. No Brasil, embora não tenha a mesma popularidade, é conhecido no circuito VIP pelas festas de aniversário da mulher — numa delas, mandou fazer um bolo gigante com o formato de uma bolsa Louis Vuitton. Importador e exportador, mantém um nicho de amigos na Polícia Federal, que lhe garante tratamento privilegiado na entrada e na saída do país, e circula discretamente pelo mundo do samba, onde já foi tido como patrono da escola de samba Unidos da Tijuca — o presidente da agremiação, Fernando Horta, nega.
Três mil ônibus para 1.500 motoristas habilitados Nos negócios de Minoru, não há limites entre o público e o privado. Como pessoa física, é sócio de Pedro Sebastião Teta, vice-ministro da Ciência e Tecnologia, na Júpiter; do brigadeiro Leopoldino Fragoso, o Dino, na Supermar; da irmã da primeira-dama, Artemísia Cristina Cristóvão de Lemos, no Bob's; novamente de Leopoldino Fragoso, na Tilápia Psicultura; de Pitra Neto, ministro do Trabalho e Segurança Social, na 2000 Empreendimentos; do chefe da Casa Militar da Presidência e diretor do Gabinete de Reconstrução Nacional, general Manuel Hélder Vieira Dias, o Kopelipa, na Medicamentos e Cosméticos do Prenda; e ainda, como pessoa jurídica (pela Midras), do ex-ministro das Finanças José Pedro de Morais, na Gesa Health. Minoru é também o terceiro maior acionista do BNI, banco que tem na composição societária novamente o ex-ministro José Pedro de Morais, o ex-chefe de Estado Maior e general do Exército João de Matos e o presidente da Assembleia Nacional, Paulo Kassoma, representado pela filha, Kanda. Há oito anos, José Pedro de Morais e o ex-governador do Banco Nacional (o Banco Central daquele país) Amadeu de Jesus Castelhano Maurício (demitido em 2009) foram favorecidos com 21 remessas do Trade Link Bank (uma offshore nas Ilhas Cayman), procedentes do Brasil, no valor total de US$ 2,7 milhões. Pelos extratos bancários obtidos com a quebra do sigilo bancário da Trade Link nos Estados Unidos, durante as investigações sobre o valerioduto, a offshore fez 20 remessas no valor aproximado de US$ 2,6 milhões para contas de Morais entre 2003 e 2005. As remessas variaram de US$ 76 mil a US$ 360 mil. Os documentos oficiais registram que, só em 2003, a Trade fez 12 transferências para o ex-ministro, no valor de US$ 1,4 milhão. Os recursos saíram de uma conta do Trade Link, no Banco Standard, em Nova York, e seguiram até uma conta em nome de Morais no Banco Internacional de Crédito (BIC), em Lisboa, Portugal. Nos extratos da offshore, consta também uma remessa de US$ 176 mil para Amadeu Castelhano, então a mais alta autoridade monetária de Angola, no dia 12 de março de 2002. O dinheiro saiu da conta da Trade no Standard, passou pelo Banco Africano de Investimentos e, depois do giro, voltou a uma conta em nome de Amadeu, no Citibank, em Nova York. Minoru é próximo de ambos. De Morais, é sócio em dois negócios. Já os cartórios de registro de imóveis do Rio revelam que, em 30 de janeiro de 2004, o empresário comprou de Antônio Jacinto Castelhano (parente de Amadeu) as sobrelojas 207 e 208 do edifício situado na Avenida Presidente Vargas 590, no Centro. Nos anos 1990, revela ainda a pesquisa nos cartórios cariocas, Minoru fez dois negócios com Sebastião Basto Lavrador, outro ex-governador do Banco Nacional: em novembro de 1997, o empresário foi procurador de Maria Fernanda Noguera Alcântara Monteiro Lavrador (mulher de Lavrador) na compra do apartamento 301 da Praça Ataualpa 86; dois anos depois, em 9 de julho de 1999, o empresário vendeu para o próprio Lavrador a sala 201 do bloco 10 da Avenida das Américas 500, na Barra, com direito a quatro vagas de garagem. Em Angola, Minoru já foi acusado de fazer negócios com o Ministério da Saúde, a Casa Militar, o Ministério das Finanças e vários governos provinciais, supostamente transferindo os recursos para empresas suas situadas em paraísos fiscais, como Ilha da Madeira, Ilhas Cayman, Suíça e Miami. Mas as investigações ordenadas pelas autoridades locais nada constataram até hoje. O escândalo mais recente, divulgado pelos meios de comunicação independentes, atingiu a Midras, unidade do grupo VMD (a holding de Minoru) para a área de medicamentos. Para disfarçar a grande concentração de recursos e de contratos nas mãos de uma única empresa (a Midras), Minoru teria criado mais de uma dezena de filiais para receber os recursos federais, sustentou a denúncia. Como ocorre com as empresas de Minoru no Brasil, que recebem recursos do BNDES para atender às encomendas do governo angolano, a Midras teria captado empréstimos em bancos de várias partes do mundo, especialmente da Europa, em nome do Ministério da Saúde, para fornecimento de medicamentos para a rede pública hospitalar. De acordo com a denúncia, o empréstimo é originalmente concedido à Neofarma, do grupo VMD, começando assim um efeito cascata destinado a disfarçar o desvio de parte do empréstimo. Na etapa seguinte, a Neofarma encomenda a compra a outra empresa de Minoru, a Nova África, que ficaria com parte do lucro. Mais empresas completam essa cadeia, até garantir que uma fatia do empréstimo se perca no caminho. A pioneira das mais de 20 empresas de Minoru em Angola é a Macon, criada para explorar os transportes coletivos no país, até então limitados a táxis (lotada) e caminhonetes. Em reportagem sobre os investimentos do governo central em grandes "elefantes brancos", cuja utilidade é duvidosa, a "The Economist" citou que foram comprados três mil ônibus, mas o país só tinha na ocasião 1.500 motoristas. A última manobra de Minoru teria sido a aquisição da empresa DGM, que cuida do desenvolvimento de sistemas de pagamento de benefícios para o Instituto Nacional da Segurança Social. A DGM teria sido comprada pela Angola Prev em junho. Suspeita-se que o governo esteja preparando a compra da DGM por US$ 500 milhões, muitas vezes mais do que o seu real valor: a avaliação feita por uma empresa brasileira foi desqualificada por uma instituição financeira internacional.
oglobo.globo.com | 19-12-2011
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