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Grécia Saúde

SÃO PAULO E RIO - Seis anos após a crise de 2008, cruzar fronteiras se tornou uma tarefa mais árdua para imigrantes pobres. Os ricos, porém, são bem-vindos. Pressionados pela necessidade de capital para estimular suas economias, países em dificuldade passaram a “vender” a estrangeiros autorizações de residência em seu território e, em alguns casos, a própria cidadania. No mapa da Europa, multiplicam-se as modalidades de vistos especiais para investidores em países como Portugal, Espanha, Irlanda, Grécia, Malta, entre outros. Nos Estados Unidos, um programa criado na década de 1990, sem maior alarde, registra aumento significativo no número de interessados, principalmente chineses.

O polêmico mercado — que, na avaliação de críticos, transforma a cidadania em um bem comercializável — começa, aos poucos, a atrair a atenção de brasileiros endinheirados, em busca de vida nova no exterior ou dos benefícios de um passaporte europeu ou americano.

Em Portugal, 39 brasileiros já receberam autorização especial de residência, com investimentos de € 37 milhões, a maioria deles no mercado imobiliário. O Brasil é a terceira nacionalidade em número de autorizações, atrás de China e Rússia, e a segunda em capital transferido, segundo dados do Consulado Geral de Portugal em São Paulo.

Com o programa criado em outubro de 2012, Portugal já recebeu € 842 milhões em investimentos. Para obter a autorização, é necessário comprar um imóvel de ao menos € 500 mil (R$ 1,5 milhão, equivalente ao preço médio de um apartamento de três quartos em Botafogo, Zona Sul do Rio) ou investir € 1 milhão (R$ 3 milhões) no mercado financeiro ou abrir um negócio que gere a contratação de ao menos dez funcionários. Após cinco anos, é possível solicitar uma autorização permanente de residência e, a partir do sexto ano, a cidadania. Não é preciso nem mesmo morar de fato no país. No primeiro ano de residência, basta comprovar estadia de sete dias. O benefício pode ser estendido ao marido ou esposa e aos filhos, em determinadas condições, após o pagamento de uma taxa.

Portugal: após 6 anos, cidadão europeu

Segundo Pedro Osório Cordeiro, gerente da imobiliária portuguesa House & Home, a maioria dos mais de 1.100 chineses que receberam autorização de residência comprou imóveis e, em seguida, os colocou para alugar. Já os brasileiros escolhem propriedades no Centro de Lisboa ou em condomínios de Cascais para usar como segunda casa ou para férias. É o caso de um cliente paulista que pediu para não ser identificado. Desiludido com o Brasil, comprou um imóvel de 200 metros quadrados em Cascais. A meta é deixar de lado a preocupação com segurança — no Brasil, ele circula em carro blindado — e dividir o tempo entre São Paulo e Lisboa. Um dos pontos decisivos para escolher o investimento foi o passaporte europeu. Com o programa, é possível circular munido só de um cartão de identificação no chamado espaço Schengen, que abrange 25 países europeus.

— Muitos desses esquemas exigem que ao menos parte do investimento seja feito em imóveis. Isso representa uma tentativa de reanimar mercados imobiliários fortemente atingidos pela crise. Em outros países, como Chipre, o investimento pode incluir depósitos num banco local. Essas instituições estiveram perto de quebrar há pouco tempo. Para mim, esses esquemas podem ser vistos como uma pequena parte, embora de valor simbólico significativo, de uma tentativa mais ampla de reanimar um modelo econômico que sob muitos aspectos fracassou — afirma Owen Parker, professor do Departamento de Política da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, que prepara um livro sobre os programas de visto para investidores.

Mas mesmo com um benefício à economia local, a proliferação desse tipo de programa na Europa não é isenta de polêmica. Em Malta, a cidadania era concedida logo após a realização do investimento. Após críticas da vice-presidente da Comissão Europeia, Viviane Reding, que fez um discurso intitulado “A cidadania não pode ser posta à venda” no Parlamento Europeu, em janeiro, a legislação foi alterada e, agora, determina que o interessado precisa mostrar vínculos com o país. É preciso esperar um ano antes de pedir cidadania, embora não seja necessário morar no país durante os 365 dias.

Jelena Dzankic, pesquisadora do Instituto Universitário Europeu, na Itália, ressalta que as regras de cada país para conceder vistos a investidores refletem a extensão dos danos causados pela crise em cada economia. Embora cada membro da União Europeia tenha o direito de determinar suas regras de cidadania, a distribuição de vistos sem exigências de integração com a comunidade, como o aprendizado do idioma local ou um prazo mínimo de moradia, mais comum em países periféricos, muda as regras do jogo.

— Os passaportes desses países se tornaram mais valiosos em virtude de sua associação com a cidadania europeia. Já a cidadania, que significa mais do que um passaporte, foi desvalorizada — diz Jelena.

Nos EUA, o programa de vistos E-B5 abre um caminho para quem quer obter a autorização permanente para morar e trabalhar, mais conhecido como Green Card, ou até mesmo a cidadania americana. É necessária uma aplicação mínima de US$ 500 mil (R$ 1,12 milhão) na abertura de um negócio ou num empreendimento em curso em áreas de taxa elevada de desemprego, que resultem na criação de ao menos dez postos de trabalho. Segundo dados do Departamento de Serviços de Imigração e Cidadania dos EUA, desde 2009, 97 brasileiros obtiveram o visto. Os investidores têm direito a um visto de moradia e trabalho, por dois anos, e que após esse prazo pode ser transformado em autorização permanente. Em cinco anos, já é possível dar entrada ao pedido de cidadania.

Segundo Renata Castro, consultora da Exclusive Visas, que dá suporte a investidores que buscam um segundo passaporte, nos últimos anos mudou o perfil dos interessados brasileiros:

— De três anos para cá, aumentou a procura de pessoas de classe média alta. Na maior parte dos casos, vítima ou com medo de sofrer violência — afirmou, lembrando que antes a demanda estava restrita a milionários.

Muitos já chegam ao país planejando oportunidades de trabalho. Foi o caso da pedagoga Katia Franhani. Ela e o marido decidiram, no ano passado, conquistar o E-B5. Venderam o apartamento em Perdizes, Zona Oeste da capital paulista, e usaram todas as economias para investir no sonho americano, que inclui, além do Green Card, uma casa num condomínio em Winter Garden, cidade ao lado de Orlando. É lá que o casal espera que os filhos de 7 e 14 anos tenham acesso a uma melhor educação. Na empreitada, ela também convenceu os pais a realizarem o mesmo investimento — a ampliação de um hospital no estado do Alabama.

— Não vamos ter que lidar tão cotidianamente com a falta de segurança que sentíamos em São Paulo — disse a pedagoga, que planeja abrir um negócio na área de saúde ou educação para atender os brasileiros que vivem na região.

Quem já esteve em situação parecida foi o empresário Flávio Augusto da Silva, ex-dono da Wise Up e que, entre 2009 e 2012, morou nos EUA com a mulher e optou pelo visto EB-5. Na época, o investimento foi feito em uma estação de esqui no estado de Vermont:

— Queria ir para os EUA com visto de residência, mas num primeiro momento fui só para morar. Só depois comecei a abrir unidades da Wise Up por lá.

Brasileiros miram educação dos filhos

De investidor em um EB-5, Silva pode ficar em breve na outra ponta. No ano passado, após vender a escola de inglês para a Abril Educação, comprou um time de futebol, o Orlando City — equipe que é dona do passe do jogador brasileiro Kaká. O desafio é construir um estádio de 25 mil lugares para o time, obra avaliada em US$ 110 milhões. Parte será bancada pelo governo da Flórida e outra, por investidores privados (sendo ele mesmo um deles). Silva não descarta que parte dos recursos venha de investidores em busca do EB-5.

Roger Bernstein, advogado americano especializado em imigração, diz que os chineses dominam os pedidos por visto de permanência nos Estados Unidos. Foram mais de 6 mil emissões para chineses de um total de 8.543 vistos desse tipo concedidos no ano passado. Entre os brasileiros, um dos pontos de destaque é o interesse em colocar os filhos em universidades americanas. Como residentes permanentes, o valor das mensalidades cai:

— O Brasil está entre os três países do continente que mais solicitam esse tipo de visto, atrás de México e Venezuela.

O vice-presidente da Westchester Financial Group, Octavio Cardoso, afirma que um projeto deste tipo requer folga no orçamento, já que o dinheiro investido terá baixo rendimento, não pode ser sacado antes do prazo e há o risco de não recuperar todo o montante investido:

— Recomendamos que a família tenha ao menos US$ 2 milhões de patrimônio.

Outro empecilho é o lado fiscal. Segundo ele, muitos desistem quando descobrem que a incidência de impostos pode ser grande. Isso acontece quando a pessoa opta por deixar parte do patrimônio ou renda no Brasil e outra parcela nos Estados Unidos. Quando isso ocorre, há risco de bitributação, já que o governo americano não aceita fazer compensação de certas taxas.

oglobo.globo.com | 24-08-2014
Remédios à base de plantas são conhecidos desde a Grécia Antiga. Postos de saúde de quase mil cidades brasileiras já oferecem opções.
g1.globo.com | 08-08-2014
A brasileira Camille e o colombiano Ivan - Arquivo pessoal

RIO - A Colômbia, integrante do Grupo C, ao lado de Grécia, Costa do Marfim e Japão, chegou à Copa com ares de favorita. Nas oitavas de final fez uma bela partida contra o Uruguai e chega às quartas para disputar uma vaga contra o Brasil, nesta sexta-feira, às 17h, em Fortaleza. Durante uma viagem a Madri, a brasileira Camille Lages e o colombiano Ivan Martinez se esbarraram enquanto riscavam o salão entre um passo e outro de salsa e estão juntos até hoje. Pela namorada, Martinez se mudou para o Brasil, sem cogitar viver uma batalha em sua própria casa: Neymar ou James? Ela aposta no craque do Barcelona e ele, claro, confia no jogador do Mônaco. A única certeza do arquiteto e da profissional de marketing é: “Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, tudo bem. Mas no futebol não dá”, diz a brasileira.

Como vocês se conheceram?

Camille: Eu e o Ivan nos conhecemos há três anos em Madri dançando salsa e estamos juntos desde então. Há dois anos ele veio morar no Brasil.

O futebol já foi motivo de rivalidade entre vocês? Já tiveram alguma briga?

Camille: Não, nunca! Até porque é a primeira vez que somos adversários.

Ivan: Não, nenhuma briga... até agora.

Vocês esperavam que a Colômbia chegasse até as quartas de final?

Camille: Foi uma grata surpresa ver a Colômbia chegar até aqui. No último jogo da Colômbia (contra o Uruguai) estivemos juntos no Maracanã e eu torci muito por eles. Só que agora acabou! Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, tudo bem. Mas no futebol não dá (risos).

Ivan: Eu tinha confiança de que a Colômbia faria um bom Mundial, porque agora, além de jogadores com têcnica, os colombianos têm experiência internacional. A maioria joga em equipes da Europa.

Quem é melhor Neymar ou James? Por quê?

Camille: Neymar sempre! Mesmo que ele não fosse o melhor. Mas falando sério agora: James é sensacional e está batendo um bolão.

Ivan: Acho que nesta Copa James está melhor do que Neymar, mas são jogadores diferentes. James é mais jogador de meia do que atacante.

Quem vai ganhar Brasil ou Colômbia? Qual vai ser o placar?

Camille: Para mim Brasil, lógico! Placar de 2 a 0.

Ivan: Colômbia ganha de 2 a 0.

O perdedor vai ter que pagar alguma aposta?

Camille: Não pensei nisso, mas é uma ótima sugestão!

Ivan: O perdedor raspa o cabelo todo e faz uma tatuagem com a bandeira do ganhador!

Camille: O castigo seria para ele! Ele é que vai ser obrigado a me ver careca todos os dias!

Onde vocês vão ver o jogo?

Camille: Assistiremos sozinhos em casa para eu não cometer a covardia de colocá-lo no meio de um monte de amigos e familiares brasileiros. Ou então na Fifa Fan Fest, por ser um ambiente um pouco mais democrático.

Ivan: Não tenho amigos colombianos no Brasil, por isso vamos ver o jogo só nós dois.

oglobo.globo.com | 04-07-2014

GENEBRA Uma Europa com crescimento econômico moribundo e claramente dividida em dois blocos — um mais veloz, puxado pela Alemanha, e outro ficando para trás e em crise, como é o caso da Grécia — deverá nomear, hoje, Jean-Claude Juncker, ex-primeiro-ministro de Luxemburgo, como presidente da Comissão Europeia. Isto é, como o novo comandante do poderoso braço executivo da União Europeia (UE), no lugar do português José Manuel Barroso, para um mandato de cinco anos.

A escolha de Juncker, se confirmada, virá com um custo alto: o de uma guerra aberta entre os 28 países do bloco sobre a reforma e os rumos da UE. A Comissão é o órgão que propõe leis, controla os orçamentos dos países e monitora a zona do euro. No centro da guerra está o Reino Unido do premier David Cameron, cada vez mais eurocético e acusando Bruxelas — sede da UE — de ter se tornado demasiado burocrática, poderosa e intrusa nas políticas dos países.

Cameron abriu uma crise no bloco ao trabalhar agressivamente para impedir que Juncker suba ao poder. Ontem mesmo, o britânico tentava convencer países a rechaçar o luxemburguês e ameaçou pedir uma votação hoje, na reunião de líderes que vai decidir o nome. Aparentemente, não terá sucesso: o único líder que sinalizou apoiá-lo foi Viktor Orban, premier nacionalista da Hungria. Cameron disse que fará campanha contra Juncker sem “qualquer remorso”:

— Minha mensagem aos colegas chefes de governo e de Estado é que essa abordagem que estão contemplando adotar (a escolha de Juncker) é a abordagem errada para a Europa — afirmou o primeiro-ministro britânico. — Estão pensando em escolher alguém que acho que vai ter que lutar para ser a voz da reforma e mudança na Europa. O povo europeu e os nossos Estados-nação estão clamando por reforma.

Poder da UE no cerne da discussão

Juncker, aos 59 anos, é o candidato do Parlamento Europeu — situação que mais desagrada a Cameron, que também questiona o poder dos parlamentares. O luxemburguês simboliza a Europa federalista e burocrática que o líder britânico detesta. Os conservadores ingleses querem menos poder para burocratas em Bruxelas e mais nas mãos dos 28 países da UE. E ameaçam até precipitar a saída do Reino depois de 41 anos de participação, por vezes conflituosa, no bloco, caso Juncker seja mesmo escolhido. Para o economista Guntram Wolff, diretor do Instituto Bruegel, em Bruxelas, seja lá quem assumir a Comissão, a reforma da UE tem que ser feita:

— Os ingleses, em alguns pontos, estão certos, como quando dizem que Bruxelas precisa mudar. Mas também têm que aceitar que são parte de uma união e que precisam seguir as regras. A Europa continental não pode aceitar que isso seja questionado (pelos britânicos).

Para Wolff, o próximo presidente terá três grandes desafios pela frente: conseguir um acordo para impulsionar o crescimento da UE; reformar a Comissão; e decidir junto com o presidente do Conselho Europeu (composto pelos chefes de Estado e de governo dos 28 países do bloco) a estratégia da UE para os próximos anos. Segundo Wolff, a Comissão Europeia deveria se concentrar no essencial — como disciplina fiscal — e parar de ficar querendo regulamentar tudo, como a saúde pública.

— A Comissão tem que trabalhar mais em algumas áreas e menos em outras. O que temos, hoje, é uma situação com 28 comissários, cada qual achando que é mais importante que o outro. É muita atividade. Precisam focar em áreas onde há claras consequências econômicas e riscos significativos — ressalta Wolff.

Todos concordam que a UE precisa ser reformada. O problema é que cada um tem uma visão diferente da reforma. Ontem, em Ypres, na Bélgica, os 28 líderes se uniram em um minuto de silêncio numa cerimônia para honrar os mortos na Primeira Guerra Mundial. E esforçaram-se para evitar que o mal-estar provocado pela guerra em torno da escolha da presidência da Comissão estragasse a cerimônia. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, disse:

— Isso nos mostra que os bons tempos que estamos vivendo são graças à existência da União Europeia, e que aprendemos as lições da História.

Hollande diz que apoia votação

Ontem, Cameron parecia cada vez mais isolado na UE. Pesquisas de opinião, no entanto, mostram que o público britânico está ao lado do primeiro-ministro e não se importa: prefere o isolamento a ceder a Bruxelas. Aos poucos, Cameron foi perdendo pessoas que imaginava serem aliados na UE, como o primeiro-ministro da Suécia, Fredrik Reinfeldt, que selou apoio a Juncker quando viu a maioria no bloco apoiar o luxemburguês. Mas Reinfeldt disse que vai fazer de tudo para impedir a saída dos britânicos do bloco.

— Somos todos responsáveis sobre se o Reino Unido conseguirá permanecer na União Europeia. Eu farei o que for possível para que fique — afirmou o sueco.

O presidente da França, François Hollande, que apoia Juncker, se declarou favorável a uma votação, certo de que isso vai marcar o isolamento dos britânicos.

— Se houver pedido de voto (de Cameron), sou a favor. Chega um momento em que a Europa precisa dizer o que pensamos em relação a pessoas e políticas — concluiu Hollande.

oglobo.globo.com | 27-06-2014

RIO - Para não correr riscos de estragar a viagem nas férias de julho, a contratação de um seguro viagem, principalmente para jornadas internacionais, pode ser essencial. Antes da compra, contudo, o consumidor deve observar atentamente as cláusulas do contrato e verificar o que está ou não incluído na cobertura, para evitar transtornos mais tarde em caso de imprevistos.

Nilton Dias, diretor comercial da Seguralta — rede de corretoras de seguro com mais de 600 unidades pelo Brasil — enumera alguns dos pontos que as coberturas básicas devem oferecer, como atendimento médico e odontológico, interrupção e cancelamento de viagem, acidentes pessoais, morte acidental, invalidez permanente parcial ou total por acidente e extravio de bagagens. Outro ponto importante diz respeito a imprevistos com saúde. Nos Estados Unidos, por exemplo, onde o sistema é caro até mesmo para os americanos, existem hospitais que cobram cerca de US$ 2 mil em internações. Dias lembra ainda que o seguro viagem pode ser obrigatório, dependendo do destino.

Na Europa, Reino Unido, França, Irlanda, Alemanha, Espanha, Portugal, Grécia, Noruega, Holanda, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Hungria, Itália, Luxemburgo, Malta, Polônia, República Tcheca e Suécia, países que integram o Tratado de Schengen, exigem seguro viagem que cubra pelo menos € 30 mil para despesas médico-hospitalares. Cuba também exige seguro, enquanto a Austrália requer um seguro-saúde específico chamado Overseas Students Health Cover. Deve-se também considerar se o destino é um local que passa por situação endêmica. Para alguns países africanos, por exemplo, é necessário tomar vacinas.

Dias diz que a cada dia cresce a procura por seguro de viagem que prevê cobertura com despesas de saúde. Em caso de algum imprevisto, as empresas oferecem um serviço telefônico gratuito que presta todas as orientações, desde a unidade mais próxima apta a prestar o atendimento ou, se for o caso, até disponibilizando translado para o centro médico mais adequado para o caso.

Os preços de contratação vão variar conforme a extensão das coberturas. Segundo Dias, uma viagem do Brasil para o Reino Unido com quatro pessoas, por um período de 15 dias, pode ter um custo de R$ 700, com cobertura de R$ 200 mil por morte ou invalidez, R$ 30 mil em despesas médicas e US$ 500 de atendimento odontológico. Para viagens nesse período dentro do Brasil, o capital segurado seria de R$ 100 mil para um prêmio de R$ 260.

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) observa que o consumidor deve estar atento às especificações das coberturas oferecidas. No seguro viagem, por exemplo, a Circular 302/2005, em seu artigo 30, só regulamenta as coberturas no caso de morte e de invalidez permanente ou temporária. Os demais produtos que são ofertados ainda são tema de discussão e devem ter sua regulamentação definida em breve.

A diretora do Instituto Brasileiro de Proteção ao Passageiro Aéreo (Ibraer), Helem Francisquini, observa que há três tipos de produtos no mercado: o seguro viagem, o seguro saúde e o assistência à viagem, que diferem nas cláusulas contratuais. Enquanto o seguro viagem trabalha no sistema de reembolso, o de assistência de viagem opera com rede conveniada com limites de cobertura.

— Antes de decidir pela contratação do seguro viagem, o consumidor precisa ter bem definido o que ele espera da cobertura. Ele tem ainda a opção de não contratar o serviço diretamente na agência que vai vender o pacote, podendo solicitar o seguro diretamente com um corretor — diz Helem.

A diretora do Ibraer lembra que nem sempre os seguros mais baratos oferecem o melhor custo benefício. Segundo ela, algumas empresas trabalham com o sistema de franquia. Assim, se o viajante tiver uma emergência odontológica, por exemplo, que custe US$ 1 mil e a franquia for de US$ 400, ele terá que pagar o valor total no exterior e ser reembolsado em US$ 600 após o retorno ao Brasil.

Helem dá alguns conselhos na hora de contratar um seguro viagem. Além de ficar atento às coberturas oferecidas, é mais vantajoso escolher planos que não tenham franquia, assim como optar sempre que possível por assistência 24 horas em português. Por fim, ela lembra que qualquer despesa motivada por antecipação na viagem, que não seja motivada por força maior — como um problema meteorológico, por exemplo — pode não ser coberta pelo seguro.

— Se o viajante contratar um seguro viagem de oito dias para a Disney, pegar uma gripe forte e tiver que voltar antes do prazo, o seguro pode não ser pago caso aconteça algum imprevisto durante esse retorno.

oglobo.globo.com | 12-06-2014

RIO — O rei Juan Carlos I da Espanha, que acaba de abdicar do trono aos 76 anos, foi, durante décadas, um símbolo da democracia espanhola, embora nos últimos anos a sua imagem tenha sido manchada por escândalos.

Nascido em 5 de janeiro de 1938, em Roma, onde seu avô, o rei Alfonso XIII, vivia em exílio depois da proclamação da Segunda República Espanhola, Juan Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Borbón nunca viu seu pai, Don Juan de Bourbon, subir ao trono por conta da ditadura de Franco, que durou de 1939 até a morte do ditador, em 1975.

Franco, que chegou ao poder após o fim sangrento do regime republicano em uma longa guerra civil (1936-1939), achava as opiniões de Don Juan de Bourbon muito liberais e preferiu que o jovem Juan Carlos fosse seu sucessor e assumisse o trono. O futuro rei foi chamado a Espanha em 1948 para que continuasse os seus estudos longe de seus pais, que viviam no exílio em Portugal. Após completar seu treinamento militar e seus estudos de direito e economia, o príncipe se casou em 1962 em Atenas com a princesa Sofia, filha mais velha do rei Paulo I da Grécia.

O jovem casal se estabeleceu no Palácio da Zarzuela, onde vive desde então, embora a residência oficial seja o Palácio Real de Madri. Os dois tiveram três filhos: a infanta Elena, em 1963, Cristina, em 1965, e Felipe, em 1968.

Sucessor nomeado líder em 1969 e coroado em 1975, o jovem rei rapidamente se livrou da pesada herança de Franco, e empreendeu o caminho da democracia. Ao contrário do que esperavam os nostálgicos do ditador, Juan Carlos logo levantou o estado democrático: legalizou os partidos políticos, nomeou Adolfo Suárez como presidente do país e o instruiu a organizar as eleições e a aprovar uma nova Constituição.

Mas foi uma aparição na televisão, quase de madrugada, o auge do reinado de Juan Carlos: era 23 de fevereiro de 1981, e o jovem monarca, em uniforme militar, frustrou a tentativa de golpe do tenente-coronel da Guarda Civil Antonio Tejero e ordenou, em um discurso histórico, que os rebeldes que ocupavam o Congresso retornassem aos seus quartéis. Embora o episódio do golpe fracassado ainda esteja sendo estudado e debatido por historiadores, Juan Carlos foi então considerado o salvador da frágil democracia espanhola.

Ao longo dos anos, o rei, fã de esportes e muito discreto em sua vida privada, ganhou respeito dentro e fora do seu país. Mas desde 2008, com a crise econômica, sua imagem começou a sofrer os impactos da falta de prosperidade do país e da desconfiança do povo em relação às instituições.

Desde o casamento do príncipe herdeiro Felipe com Letizia Ortiz - uma jornalista plebeia e divorciada -, em 2004, e a separação de sua filha mais velha, a infanta Elena, em 2007, a família real vem acumulando alguns desgostos. O que realmente estremeceu o vínculo entre o monarca e seus súditos foi o caso de corrupção Noos, envolvendo o marido da infanta Cristina (a filha mais nova do rei), Inaki Urdangarin, que veio à tona em 2011.

O pior momento da trajetória de Juan Carlos, no entanto, ocorreu em 18 abril de 2012, quando ele surpreendeu o país ao falar diante das câmeras de televisão e fazer um pedido de desculpas histórico depois da luxuosa viagem para caçar elefantes em Botsuana, que teria permanecido secreta se o rei não tivesse sido repatriado em caráter de urgência após uma queda. "Então, desculpe eu cometi um erro e não vai acontecer de novo", disse ele sobre a polêmica. Um escândalo que a Espanha, atolada em uma grave crise econômica, não poupou.

O monarca também vem se abatendo em função de incessantes problemas de saúde que tiveram início com a remoção de um tumor pulmonar benigno em maio de 2010.

oglobo.globo.com | 02-06-2014

Chicago, EUA - Um morador de Illinois que teve contato íntimo com o paciente de Indiana que foi o primeiro caso conhecido de Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS, na sigla em inglês), testou positivo para o vírus, segundo anúncio dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças neste sábado.

Autoridades de saúde dizem que o morador de Illinois nos procurou ou precisa de cuidados médicos e se sente bem, mas seu estado de saúde vem sendo monitorado desde 3 de maio.

O primeiro caso confirmado de MERS nos EUA foi descoberto em Indiana no início de maio, quando um homem se sentiu mal logo depois de voltar da Arábia Saudita, onde morava. O segundo caso foi relatado na Flórida, em 11 de maio, em um homem da Arábia Saudita que visitava o estado.

oglobo.globo.com | 17-05-2014

ORLANDO - Autoridades sanitárias dos Estados Unidos confirmaram o segundo caso do coronavírus da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS) em seu território. Assim como o primeiro infectado, o paciente é um profissional de saúde que trabalha na Arábia Saudita, onde 139 mortes foram relatadas desde 2012, quando o vírus foi identificado.

O paciente está internado em Orlando, na Flórida. Não há informações sobre seu estado de saúde. Segundo o Centro de Controle de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês), em 1º de Maio o homem viajou para os EUA para visitar parentes na região. Ele teria se sentido mal no avião, mas somente no dia 8 de maio foi hospitalizado.

O primeiro paciente, cuja doença foi anunciado em 2 de maio, se recuperou e foi liberado do hospital onde estava internado, em Munster, Indiana.

Segundo Thomas R. Frieden, diretor do CDC que classificou o caso como “desagradável e não esperado”, o segundo paciente está “indo bem”. Ele tranquilizou os moradores dizendo que o risco de contaminação é “extremamente baixo”.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) — que havia divulgado na semana passada que desde 2012 538 casos foram registrado, sendo 145 fatais — convocou uma reunião de emergência para esta terça-feira.

— Um número crescente de casos em diferentes países tem levantado questões — declarou um porta-voz da OMS, lembrando que o comitê de emergência realizou quatro reuniões desde o início da crise, incluindo uma em dezembro passado.

A Arábia Saudita é o país mais afetado pelo coronavírus, mas outros casos de infecção foram recentemente identificados em Jordânia, Egito, Líbano e EUA.

Após o primeiro infectado nos EUA, funcionários de saúde fizeram análises em mais de 500 pessoas que haviam entrado em contato com o paciente. Nenhum resultado positivo para o vírus foi encontrado.

Autoridades da Flórida disseram que estão procedendo da mesma maneira, e que os parentes do homem internado ficarão isolados em casa por 14 dias.

oglobo.globo.com | 13-05-2014

ATENAS - O primeiro caso do coronavírus MERS - Síndrome Respiratória do Oriente Médio - foi registrado na Grécia. O Ministério da Saúde grego afirmou que o idoso de 69 anos foi infectado na Arábia Saudita e se encontra em estado crítico. Desde 2012, quando o vírus foi descoberto, os sauditas relataram 81 mortes.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a síndrome respiratória já atingiu 243 pessoas em todo o mundo, causando 93 mortes.

O aumento dos casos na Arábia Saudita motivou a demissão de Abdullah al-Rabiah, ministro da Saúde saudita, nesta terça-feira. Na semana passada, ele havia visitado hospitais em Jidá na tentativa de acalmar a população, que começou a mostrar sinais de pânico pela propagação do vírus. De acordo com o ministério, o país registrou 261 casos da infecção.

Mesmo com o caso na Grécia, a OMS afirmou que não há razão para fazer qualquer restrições de viagem por causa do MERS.

oglobo.globo.com | 22-04-2014

SAN ANTONIO - Esqueçam os caubóis, as paisagens de deserto e as longas fileiras de gado nas ruas. O Texas de San Antonio é uma espécie de México em miniatura, mas com organização ianque. E o Texas de Houston é moderno e cosmopolita, com vocação para o turismo cultural. Essas duas cidades, diferentes e complementares, mostram que o Texas não é um só.

Apesar de sua principal atração, o Alamo, lembrar da luta do estado para se separar do território mexicano, San Antonio parece não ter passado para o lado de lá da fronteira, marcada pelo Rio Grande. A aconchegante cidade vive em um ritmo tranquilo, reverenciando o passado sem muita pressa de encontrar o futuro. É assim que se sente quem desliza pelo Rio San Antonio a bordo de um dos muitos barquinhos turísticos, ou visita as missões jesuítas dos arredores da cidade, uma herança da presença latina que é expressa ainda hoje em restaurantes e na arquitetura.

A 300 quilômetros a leste, Houston é um contraponto de respeito. Nada pode ser mais americano que esta metrópole com vias largas, automóveis enormes e 2,1 milhões de habitantes, boa parte deles atraídos pela poderosa indústria do petróleo, carro-chefe da economia local. Houston, porém, não é só um destino de negócios — ou saúde, como atestam seus muitos hospitais de referência mundial.

Em pleno Downtown, a Discovery Green é uma praça onde crianças jogam bola e engravatados esquecem suas planilhas por uns minutos. E no Museum District, 20 museus e galerias oferecem uma das maiores concentrações de cultura por metro quadrado do país. Uma boa opção para quem fará uma parada em um dos voos diários que ligam a cidade americana ao Rio e a São Paulo.

História e latinidade ao longo do rio

Um guarda com chapéu de caubói e pinta de xerife observa, à distância, a movimentação em frente ao Alamo, uma das atrações turísticas mais visitadas dos Estados Unidos e principal atrativo de San Antonio. Ele mesmo, sem querer, vira parte da paisagem, que simboliza a cidade, muito voltada ao passado, erguida em um pedaço do Texas onde Estados Unidos e México se confundem.

Construído originalmente fora do povoado de San Antonio de Béxar, o Alamo hoje está encravado no coração de Downtown, com prédios altos e comércio intenso como vizinhos. Ainda assim essa antiga missão jesuíta, construída pelos espanhóis em 1718, se destaca. A fachada, em pedra, guarda detalhes do luxo original e não esconde as marcas deixadas pela página mais marcante não só de sua história, como a do Texas. É por causa da Batalha do Alamo, em 1836, que até hoje a cidade recebe uma legião de visitantes, que parecem não deixar o lema daquela época, “Remember The Alamo”, ser esquecido.

O museu que funciona dentro da antiga igreja conta como as tropas mexicanas cercaram o Alamo por 12 dias antes de invadir e matar mais de 200 pessoas, de soldados a mulheres e crianças, que se refugiaram na construção. Essa derrota serviu de motivação para os rebeldes texanos, que tentavam sua independência do México. Pouco mais de um mês depois ela foi conseguida, na Batalha de San Jacinto. A história do Texas como república independente também é contada, em outra ala do Alamo, que tem ainda um interessante jardim interno.

O Alamo fica em plena área central da cidade e a poucos passos do River Walk, um charmoso calçadão às margens do rio que leva o mesmo nome da cidade. É nesta área que San Antonio parece ser bem menor do que é. Ali é impossível lembrar que se está em uma cidade de 1,3 milhão de habitantes, a segunda maior do Texas.

O atual projeto de urbanização nasceu de uma tragédia. Após uma grande enchente, em 1921, que deixou 50 mortos, autoridades locais decidiram canalizar o Rio San Antonio e aproveitar melhor suas margens. Vem daquela época o rebaixamento do rio muitos metros em relação às ruas e a revitalização da área. Hoje em dia, os principais hotéis da cidade não só estão às margens do rio como dão acesso direto a ele, assim como uma intensa indústria turística.

Durante o dia, restaurantes servem em suas mesas nas calçadas pratos típicos da culinária tex-mex. À noite casais em busca de romantismo topam com jovens festeiros entrando e saindo de bares e casas noturnas. A trilha sonora é sempre a mesma, uma sequência de música latina, country ou apresentações en vivo de mariachis.

Alguns canais adicionais foram abertos a partir do rio ao longo do ano, o que confere um ar de labirinto em muitas partes do River Walk. Quem tiver tempo deve caminhar sem destino pelo calçadão, descobrindo cantinhos escondidos. Mas a melhor maneira de conhecer o rio é a bordo de um dos pequenos barcos turísticos que fazem cruzeiros fluviais de cerca de duas horas. Em alguns deles é servida uma refeição, almoço ou jantar. Prefira um que comece no fim da tarde, que permita apreciar o acender das luzes e sirva de aquecimento para a animada noite local.

Às margens do River Walk estão alguns centros comerciais. O mais curioso deles é o La Villita, reprodução de uma típica vila do norte do México, que reúne interessantes lojas de roupas, produtos de couro, artesanato indígena e mexicano e lembrancinhas variadas. É bastante turístico, mas, num canto escondido, uma imagem de Nossa Senhora de Guadalupe soa como exemplo bem autêntico da presença da cultura mexicana por ali.

E como não poderia deixar de ser, a latinidade está presente nas mesas de San Antonio. Dos incontáveis restaurantes mexicanos na cidade, o Mi Tierra, na área conhecida como El Mercado, se destaca pelo cardápio que não se resume aos tacos e quesadillas básicos, cobrindo a culinária de boa parte do país.

San Antonio ‘de las misiones’

O Alamo foi a primeira (com o nome de San Antonio de Valero, em 1718) e é a mais famosa, mas não é a única missão espanhola em San Antonio. Um dos detalhes que tornam a cidade um destino tão peculiar nos Estados Unidos é justamente a presença desse tipo de construção. Ao sul do centro da cidade há mais quatro missões do século XVIII, todas bem preservadas e inseridas em agradáveis parques e áreas verdes às margens do Rio San Antonio, que está sendo recuperado neste trecho pelo National Park Service, com novas trilhas, ciclovias e até melhorias de navegação.

Seguindo pela Mission Road, a primeira delas é a Concepción, datada de 1755. A bela igreja, reformada em 2010, é um dos endereços mais disputados para casamentos, e é raro que um deles não esteja acontecendo aos fins de semana. A seguinte é a Missão San José, a maior da região. Construída entre 1720 e 1782, chegou a abrigar mais de 300 indígenas e parte de sua infraestrutura está muito bem preservada até hoje, como o moinho e o celeiro onde eram guardados os grãos produzidos ali. Ela também passou por uma longa restauração, em 2011.

Mais ao sul o visitante encontrará a Missão San Juan Capistrano, de 1731, cujos sinos ainda hoje dobram. Do outro lado do rio está parte do que foi o aqueduto da Missão Espada, a última do complexo. O sistema de irrigação desta missão era sua grande marca e parte dele ainda pode ser visto.

Fábricas de cultura e gastronomia

O Rio San Antonio não flui apenas para zonas boêmias e históricas. O trecho ao norte de Downtown é chamado de Museum Reach e leva até museus e complexos culturais, alguns deles funcionando em antigas instalações industriais. É o caso das duas maiores atrações da região, o San Antonio Museum of Art e o Pearl, por acaso duas antigas cervejarias que ganharam novo uso nas últimas décadas.

Em 2001, chegava ao fim uma história iniciada exatamente 120 anos antes. A Pearl Brewery Company, que surgiu em 1881 com o nome de City Brewery, fechava as portas e vendia sua fábrica de 93 mil metros quadrados, a poucos quilômetros do centro de San Antonio e às margens do rio, a um grupo de investidores que aos poucos transformou a antiga cervejaria em um complexo gastronômico e cultural.

O Pearl reúne restaurantes, lojas e apartamentos e recebe cursos, eventos e uma feira semanal de produtos orgânicos, num belo exemplo de reinvenção do espaço público. E o complexo ganhará um hotel, operado pela rede Kimpton, com inauguração prevista ainda para este ano. Será um hotel butique com 146 quartos no imponente prédio central, em estilo vitoriano. O prédio de tijolos aparentes ganhará ainda dois restaurantes, uma piscina no terraço e um bar.

Uma das vantagens deste hotel é que os hóspedes poderão ser os primeiros a chegar na Pearl Farmers Market, que acontece todos os sábados em frente ao prédio. A feira só vende produtos orgânicos produzidos em um raio de 240 quilômetros dali. O turista que não estiver procurando ingredientes frescos para o almoço de sábado pode explorar as barraquinhas de comida, de simples sanduíches a doces elaborados, e produtos diversos, como velas e artesanato.

Mas é bom não beliscar muito porque boa parte da fama do Pearl vem de suas opções gastronômicas. O complexo abriga o terceiro campus do Culinary Institute of America, renomada escola gastronômica que ali tem um foco especial no encontro das tradições americanas com os sabores latinos. Muito do que é desenvolvido nas aulas é apresentado no NAO, o restaurante-escola. Há mais 11 estabelecimentos, de restaurante vegetariano a sorveteria, no Pearl.

Dois merecem destaque. O Boiler House tem uma leitura moderna da tradicional cozinha texana e também é forte nos peixes e frutos do mar americanos, além de contar com a adega mais prestigiada do Pearl. Para quem quer algo mais direto ao ponto, a pedida é o The Granary Cue and Brew, especializado em carnes e que honra a tradição de funcionar em uma centenária cervejaria e serve a bebida que produz ali mesmo.

Não muito longe dali, outra centenária cervejaria de San Antonio já havia secado as torneiras nos anos 1970, quando a histórica fábrica da Lone Star Brewery começou a se transformar no San Antonio Museum of Art. O museu abriu as portas em 1981, com um acervo eclético e impressionante, voltado para a arte do continente americano. Na parte mais antiga do prédio, vemos peças de culturas pré-colombianas, como um adereço de ouro da cultura Nazca, do Peru, do século V, ou obras sacras do barroco espanhol.

Há desde paisagistas americanos do século XIX, como Albert Bierstadt e Martin Johnson Heade, a modernistas mexicanos do início do século XX, como Diego Rivera e David Siqueros. Obras de artistas como Fernando Botero e Vik Muniz dão a dimensão da amplitude do acervo dedicado à arte americana, que dialoga também com a região.

Exemplo é a presença de um dos peixes gigantes de fibra de vidro de Donald Lipski, igual aos que o artista pregou sob uma ponte que cruza o rio, ali perto.

Mas é o segundo pavilhão do museu, com as obras doadas nos anos 1990, que chama mais a atenção. É ali que estão expostas peças de arte da Antiguidade, da Ásia e do Oriente Médio. Um busto egípcio, de aproximadamente 2.600 antes de Cristo, dá as boas-vindas ao visitante, que vê, em seguida, outras tantas peças do Egito antigo e, na sala seguinte, dezenas de estátuas e bustos do período clássico da Grécia.

O museu conta com um importante acervo também de arte oriental, que vai de budas e cerâmicas da China a estátuas de divindades hindus, passando por impressionantes armaduras de samurais. Mas nada é tão hipnotizante quanto a mandala de areia colorida feita por monges tibetanos, sob autorização especial de Dalai Lama.

Serviço

River Tours: A Rio San Antonio Cruises faz os passeios pelo rio, que custam a partir de US$ 8,25 por pessoa. riosanantonio.com

Alamo: Diariamente, das 9h às 17h30m, com entrada gratuita. 300 Alamo Plaza. thealamo.org.

Pearl Farmer Market: A feira acontece aos sábados, das 9h às 13h. 303 Pearl Pkwy. atpearl.com

San Antonio Museum of Art: De terça-feira a domingo. Entrada a US$ 10. 200 West Jones Ave. samuseum.org

Eduardo Maia viajou a convite do Turismo do Texas e da United Airlines

oglobo.globo.com | 20-03-2014

RIO - Professora da University College London (UCL) e economista reconhecida pela busca de um capitalismo mais ético, a inglesa Noreena Hertz, de 46 anos, afirma que o desemprego juvenil na Europa é uma bomba-relógio. Para Noreena, que já foi capa de revistas como “Newsweek” e é nome frequente entre os palestrantes do Fórum Econômico Mundial, na Suíça, a permanência por muitos anos fora do mercado de trabalho compromete o futuro desses jovens e, mais do que isso, é um problema para a sociedade civil, já que acaba levando as pessoas às ruas. A despeito disso, ela comemora o fato de que enfim os governos europeus começam a pensar o crescimento como parte de suas estratégias pós-crise, após a onda de austeridade. Noreena lança este mês no Brasil o livro “De olhos bem abertos: como tomar decisões inteligentes em um mundo confuso” (selo Fontanar, pela editora Objetiva). Num mundo com um “dilúvio de informações’, diz ela, é preciso ser muito cuidadoso com o que se encontra na internet e sugere um questionamento constante dos chamados especialistas, que podem muitas vezes se enganar, como ocorreu na crise financeira.

Logo depois da crise global houve um debate sobre o aspecto moral daquele momento e a necessidade de mudança. Acredita que algo mudou na sociedade?

Acho que há um cenário dúbio. Por um lado, o setor bancário foi menos afetado por regulação do que se esperaria. Ao mesmo tempo, acreditava-se que após a crise o mundo poderia tornar-se mais igual e no fundo ficou mais desigual. Os mais ricos se deram melhor no momento pós-crise. Ao mesmo tempo, no entanto, vemos algum avanço. Nos Estados Unidos, a campanha à prefeitura de Nova York de Bill de Blasio debateu muito a desigualdade, tema também forte nos discursos de Obama. Além disso, cada vez mais presidentes de empresas avaliam que não é do interesse deles ter um mundo muito dividido. E percebem que têm um papel na resolução dos problemas, como no caso do desemprego juvenil.

Como vê o desemprego juvenil na Europa?

A situação é muito séria. Países como Itália, Grécia e Espanha têm mais de 50% da população abaixo de 25 anos desempregada. É uma bomba-relógio. Quando alguém não tem emprego por alguns anos, suas chances na vida são comprometidas. Isso afeta a sociedade civil, porque se pode esperar aumento nas manifestações. Não é um problema apenas para esses países: a Europa ainda está muito fragilizada economicamente.

Como encara o declínio do Estado de bem-estar social na Europa?

Como consequência da crise, temos o Fundo Monetário Internacional (FMI) demandando austeridade, corte de gastos e do déficit, o que afeta o quanto os governos podem gastar em bem-estar. Há muitos países menos desejosos ou capazes de financiar educação e saúde, por exemplo. A austeridade tem um impacto grande nas pessoas e na economia. Ela essencialmente reduz a capacidade de as pessoas consumirem num momento em que precisamos que elas consumam mais, para estimular o crescimento.

Qual seria a alternativa?

A Europa deveria ter focado mais em crescimento. Há necessidade de um investimento maciço em infraestrutura em muitos países europeus, o que aumentaria a competitividade no futuro e traria empregos. Agora estão começando a pensar nisso, finalmente entrou no discurso político a percepção de que precisamos focar no crescimento e pensar o que pode ser feito.

Como analisa a situação da economia americana?

É muito cedo para ser otimista demais sobre uma recuperação. O mundo hoje é tão interconectado que qualquer choque pode afetar a fase inicial de recuperação em que estamos. É preciso cautela.

A senhora já foi chamada de economista antiglobalização muitas vezes, mas nega o rótulo. Como se define?

Sempre fui muito internacionalista, acredito que as pessoas não deveriam ser limitadas pelo local em que nasceram. Numa economia global, é preciso governança global, de acordos globais para lidar com os problemas. Sempre me vi como uma pessoa "pró-global", a favor de uma globalização mais ética e justa. É uma aspiração pragmática: todos nos saímos melhor se todos se saírem melhor.

No livro a senhora menciona as limitações dos especialistas e cita o fato de não terem previsto a crise. Qual é a importância de se questionar os especialistas?

Na verdade, especialistas têm uma média baixa de acertos em geral em previsões e diagnósticos. A maioria dos economistas não previu a crise financeira. Pouco antes, Alan Greenspan falou sobre a segurança dos derivativos. Agências de rating falharam completamente. E não se trata apenas de economistas: médicos fazem um diagnóstico errado a cada cinco. É preciso ter muito cuidado para não acreditar cegamente nos especialistas e saber em quem acreditar.

A senhora fala do atual "dilúvio de informações". Como o cidadão pode se proteger e se beneficiar do excesso de informações?

Há definitivamente hoje um "dilúvio de informações". Apenas uma edição do jornal "New York Times" tem mais informação do que estaríamos expostos em toda uma vida no século XVII. Adicione a isso e-mails, internet, Twitter, Facebook... O desafio é descobrir no que confiar e em quem acreditar. Ao mesmo tempo, temos uma grande oportunidade de sermos nós mesmos compiladores de informação. Se há motivo para não confiar na versão oficial de algo, podemos buscar por conta própria ou pelos jornalistas-cidadãos. É uma grande oportunidade para ouvir as redes sociais. Só é preciso manter o cérebro ligado e tirar partido do dilúvio de informações e não se afogar nele.

oglobo.globo.com | 04-03-2014

Logo depois da eclosão da crise financeira de 2008, eu adverti que, a menos que políticas adequadas fossem adotadas, uma enfermidade à japonesa — baixo crescimento e rendas perto da estagnação durante anos — poderia acontecer. Líderes de ambos os lados do Atlântico alegaram que tinham aprendido a lição do Japão, mas prontamente começaram a repetir os erros. Agora, até um importante ex-funcionário dos EUA, o economista Larry Summers, alerta para o risco de estagnação.

O ponto básico que levantei há meia década foi que a economia americana estava doente mesmo antes da crise: era apenas uma bolha no preço dos ativos, criada por regulação frouxa e baixas taxas de juro, o que fazia a economia parecer robusta. Abaixo da superfície, havia muitos problemas: desigualdade em expansão; necessidade não atendida de reforma estrutural (sair de uma economia baseada na manufatura para uma de serviços e se adaptar a vantagens comparativas globais em mudança); desequilíbrios globais persistentes; e um sistema financeiro mais sintonizado com a especulação do que em investimentos que gerassem empregos, aumentassem a produtividade e redirecionassem superávits para maximizar os ganhos sociais.

A resposta das autoridades à crise falhou em abordar essas questões; pior, exacerbou algumas delas e criou outras novas — e não apenas nos EUA. O resultado foi aumento no endividamento de muitos países nos quais o colapso do PIB solapou as receitas dos governos. Além disso, subinvestimento, tanto no setor público quanto no privado, criou uma geração de jovens ociosos e alienados num momento de suas vidas em que deveriam aprimorar suas capacidades e aumentar sua produtividade.

Em ambos os lados do Atlântico, o PIB deverá crescer consideravelmente mais rápido este ano do que em 2013. Mas, antes que os líderes que abraçaram políticas de austeridade espouquem champanhes e façam brindes, deveriam examinar onde estamos e levar em conta os danos quase irreparáveis que essas políticas causaram.

Toda crise acaba um dia. A marca da boa política é conseguir fazê-la menos profunda e mais curta do que poderia ser. A marca das políticas de austeridade que muitos governos adotaram é que elas tornam a crise mais profunda e mais longa do que o necessário, com consequências de longa duração.

O PIB per capita (ajustado pela inflação) no Atlântico Norte é hoje mais baixo do que em 2007; na Grécia, a economia encolheu algo como 23%. A Alemanha, o país europeu com melhor desempenho econômico, obteve miserável crescimento anual médio de 0,7% nos últimos seis anos. A economia americana ainda é cerca de 15% menor hoje do que seria se o crescimento tivesse continuado nos níveis moderados de antes da crise.

Mesmo esses números não contam toda a história de como as coisas estão ruins, porque o PIB não é uma boa medida do sucesso. Muito mais relevante é o que aconteceu com a renda das famílias. A renda real média nos EUA está abaixo da de 1989, há um quarto de século; a renda média para trabalhadores em tempo integral é menor hoje do que há mais de 40 anos.

Alguns, como o economista Robert Gordon, sugeriram que nós deveríamos nos ajustar a uma nova realidade na qual o crescimento da produtividade a longo prazo será significativamente menor do que no último século. Dado o desempenho medíocre dos economistas em fazer previsões, ninguém deve ter muita confiança em uma bola de cristal que antecipa décadas futuras. Mas isto parece claro: a menos que os governos mudem suas políticas, devemos esperar um longo período de desapontamento.

Os mercados não se autocorrigem. Os problemas que descrevi antes poderiam ter sido piores — e muitos são. Desigualdade enfraquece a demanda; desigualdade crescente a enfraquece ainda mais; e, na maioria dos países, incluindo os EUA, a crise agravou a desigualdade.

Os mercados nunca foram bons em obter rápidas transformações estruturais por sua própria conta; a transição da agricultura para a manufatura, por exemplo, foi tudo, menos suave; ao contrário, foi acompanhada por significativo deslocamento social e pela Grande Depressão. Desta vez não é diferente, mas de alguma forma pode ser pior: os setores que deveriam estar crescendo, ao refletir necessidades e desejos dos cidadãos, são serviços como educação e saúde, que tradicionalmente recebem financiamento público, e por uma boa razão. Mas, em vez de os governos facilitarem a transição, a política de austeridade a inibe.

Malaise é melhor do que recessão, e recessão é melhor do que depressão. Mas as dificuldades que enfrentamos agora não resultam de inexoráveis leis da economia, às quais simplesmente precisamos nos ajustar, como no caso de um desastre natural, um terremoto ou tsunami. Nem são um tipo de penitência pela qual devemos passar para expiar pecados — embora, com certeza, as políticas neoliberais que prevaleceram nas últimas três décadas tenham muito a ver com nossa atual situação.

Nossas atuais dificuldades resultam de políticas defeituosas. Há alternativas. Mas não as encontraremos na complacência satisfeita das elites, cuja renda e portfólios de ações estão novamente em alta. Apenas alguns, parece, devem se adaptar permanentemente a um padrão de vida mais baixo. Infelizmente, essas pessoas são a maioria.

oglobo.globo.com | 04-03-2014

LONDRES (INGLATERRA) - A União Europeia abriu um processo judicial contra o Reino Unido tendo como causa a não redução da quantidade de poluentes lançados ao ar pelo país, informa a BBC News. O bloco alega que os níveis de dióxido de azoto (ou dióxido de nitrogênio), principalmente de motores diesel, são excessivamente altos em muitas cidades britânicas.

A Comissão afirma que este gás pode levar a grandes doenças respiratórias e a mortes prematuras. A Grã-Bretanha deveria cumprir os limites da União Europeia até 2010, mas o governo admite que Londres não vai alcançar este padrão até 2025.

O problema do Reino Unido com a poluição do ar decorre de uma nova norma estabelecida pela União Europeia a partir de 2008. Ela estabeleceu limites para os níveis de poluentes transportados, incluindo partículas e óxidos de nitrogênio, gases que são produzidos a partir da queima de combustíveis fósseis - que podem prejudicar a saúde humana, bem como plantas e animais.

O dióxido de nitrogênio (NO2), que em sua maior parte é produzida por carros a diesel e caminhões, tem a capacidade de inflamar o revestimento dos pulmões e causar doenças respiratórias.

Ele representa um risco maior para as pessoas que vivem perto de estradas nas grandes cidades e aqueles que sofrem com a asma.

Excesso de gás

Controlar a quantidade desse poluentes no ar tem sido particularmente difícil para o Reino Unido.

Para os efeitos da poluição do ar, o país é dividido em 43 zonas. Em 2010, quando as restrições da União Europeia entraram em vigor, os níveis de dióxido de azoto ultrapassaram os limites em 40 dessas áreas.

Após longa negociação, os estados obtiveram a prorrogação de mais cinco anos para reduzir os níveis de NO2. No entanto, o Reino Unido já admitiu que os limites relativos a 16 zonas, incluindo Londres, não serão cumpridos dentro do prazo previsto.

Para outras dessas áreas, incluindo a Grande Manchester, West Midlands, Merseyside e Glasgow, o governo acredita que os níveis poderão ser alcançados até 2020. Em Londres, no entanto, especula-se que a meta só sera batida em 2025.

Para a União Europeia, esse prazo representa muito tempo. O órgão decidiu, portanto, lançar o primeiro processo contra um país por violar os limites de NO2. Embora outros membros do grupo, incluindo a França, a Suécia, a Dinamarca e a Grécia, também não devam cumprir suas metas, os diretores negam que haja perseguição ao Reino Unido.

- Nossa prioridade é proteger a saúde pública e o meio ambiente. Pensamos que isso também é o que a população do Reino Unido quer - disse à BBC News o porta-voz da Comissão Europeia Joe Hennon .

Segundo ativistas, se quiser alcançar os índices, o governo terá que adotar medidas drásticas: entre elas, a redução pela metade da venda de carros à diesel.

O Reino Unido tem dois meses para responder à Comissão Europeia. A BBC News chegou a procurar o Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (Defra, na sigla em inglês) para comentar sobre a ação, mas o órgão não se pronunciou.

oglobo.globo.com | 20-02-2014

SÃO FRANCISCO - A empresa de pornografia Kink.com, de São Francisco, Estados Unidos, foi multada em mais de U$ 78.000 nesta semana, por oferecer condições de trabalho perigosas, como submeter seus atores a cenas de sexo sem o uso de preservativos.

A Cybernet Entertainment, empresa responsável pela Kink.com, argumentou que muitos de seus artistas preferem não usar preservativos e que a multa anunciada nesta sexta-feira é resultado de uma longa campanha liderada por aqueles que se opõem à indústria do cinema adulto.

“A multa é excessiva e acreditamos que possui motivação politica", disse o fundador da Cybernet, Peter Acworth, em comunicado. "As queixas que motivaram a inspeção não foram feitas por funcionários, mas por grupos de fora com uma longa história de oposição ao filme adulto. Vamos recorrer da decisão."

Registros do órgão responsável pela Segurança e Saúde no Trabalho da Califórnia atribuiram à Cybernet uma série de violações, após uma inspeção feita em agosto do ano passado. A maior parte da multa - U$ 75 mil - se deve à política da Cybernet de permitir que seus artistas escolham se querem ou não usar preservativos.

O porta-voz do órgão, Melton, disse que houve várias queixas contra Kink.com no ano passado, e descreveu a multa como um valor "significativo". A inspeção foi motivada por uma queixa formal apresentada contra a Kink.com pela Fundação AIDS Healthcare, um grupo de defesa da saúde de Los Angeles.

Anteriormente, a fundação já havia pressionado com sucesso para que o uso de preservativos fosse obrigatório em sets pornográficos na cidade de Los Angeles e, posteriormente, em todo o Condado de Los Angeles.

A fundação apresentou as queixas depois que um casal de artistas da Kink.com foram diagnosticados como portadores de HIV no ano passado. A empresa, por sua vez, disse que eles haviam contraído a infecção em suas vidas privadas.

Para a AIDS Healthcare, entretanto, pouco importa se os artistas contraíram HIV em conjunto ou em suas vidas privadas, pois a fundação defende que os preservativos sejam usados em qualquer contexto.

oglobo.globo.com | 01-02-2014

Os franceses obviamente vivem melhor que os brasileiros. Têm mais renda, empregos bem remunerados, boas aposentadorias, saúde e escola públicas de qualidade, transporte público entre os melhores da Europa e, pois, do mundo, belas estradas. Além disso, os franceses inventaram e cultivam com cuidado e inovação algumas das melhores coisas da vida: a velha e a nova cozinha, os vinhos, os queijos, a moda e o estilo das mulheres. Em resumo: civilização, arte, cultura.

Mas em todas as pesquisas sobre felicidade pessoal — o modo como cada um percebe sua vida e seu futuro — o francês aparece no fim da lista. Declara-se infeliz e, não raro, muito infeliz. Já os brasileiros aparecem nas primeiras colocações.

Na ultima edição do Barômetro Global de Otimismo, do Ibope Inteligência em parceria com a Worldwide Independent Network of Market Research (WIN), entre os moradores de 65 países, o brasileiro aparece como o decimo mais feliz. Nada menos que 71% dos brasileiros se declararam satisfeitos com a própria vida.

É verdade que piorou um tanto. Em 2012, 81% se consideravam de bem com a vida. Mas os 71% da ultima pesquisa ainda superam a média mundial.

Aliás, houve aqui um movimento invertido. Se o número de brasileiros felizes caiu no ano passado, no mundo, a porcentagem de felicidade aumentou, de 53% para 60%.

Já na França, apenas 25% dos entrevistados se declararam felizes; 33% consideram-se infelizes; 42% nem uma coisa nem outra, o restante nem respondeu.

Pode-se dizer que a França ainda passa por uma crise longa e dolorosa, com aumento do desemprego. Mas isso ocorreu em praticamente toda a Europa e não cresceu da mesma maneira o número de infelizes.

Na Inglaterra, um país parecido com a França, tirante a comida e os vinhos, 53% se consideram felizes. Na Grécia, onde a crise foi mais devastadora, 30% dos habitantes se consideram felizes, número maior que os infelizes (23%).

E, para complicar de vez a questão, reparem nestes dados: afegãos felizes, 59%; sudaneses do Sul, 53%; palestinos em seus territórios, 20% (só aqui um número menor do que na França).

E então? Na edição especial de fim de ano, a revista “Economist” trouxe um excepcional ensaio sobre a malaise francesa. Tem a ver com a situação atual, mas pouco. Tem também algo a ver com a perda da importância global, inclusive a língua. E muito a ver com a cultura que forma e desenvolve um estado de espírito miserável.

Invertendo os termos, talvez se possa entender por que tantos países emergentes aparecem na ponta do ranking da felicidade. Além do Brasil, estão entre os dez mais animados: Colômbia (86% de moradores felizes), Arábia Saudita (80%), Argentina (78%), México (75%), Índia (74%) e Indonésia (74%).

Os emergentes, com poucas exceções, tiveram desempenho extraordinário desde o inicio deste século. Equilibraram suas economias, eliminaram velhos fantasmas, como a inflação, cresceram, ganharam renda e reduziram o número de pobres. E passaram com menores danos pela crise global justamente porque suas economias estavam com os fundamentos arrumados.

O sentimento geral é de melhora constante, o que deixa o pessoal mais animado em relação ao futuro. A vida normal nos emergentes, digamos assim, é de crescimento e melhora. Há de tudo por fazer e consumir: de metrôs a mais comida; de residências a celulares; de usinas hidrelétricas a motos. Mesmo em um ano fraco, permanece a sensação de que há muita coisa por fazer — e, pois, muitas oportunidades.

Já na Europa rica, parece que está tudo feito e que, daqui em diante, só pode piorar. O pessoal precisa se esforçar para manter o que tem e não sabe se isso é possível. Ou seja, é forte o sentimento de que se perderá algo, inevitavelmente, e que as novas gerações não serão tão ricas quanto a de seus pais.

Resumindo: nos emergentes, os habitantes estão em condições econômicas piores, mas vêm melhorando e mantêm a expectativa de melhora. Nos ricos, a sensação seria a de que a festa está acabando.

Entre os dez de mais bom astral, há apenas dois países ricos, FinIândia (com 78% de felizes) e Dinamarca (74%). Em comum: pequenas nações, pequenas populações, mais fácil de manter o padrão. Explica?

E quem são os mais felizes?

Os 88% dos 890 mil moradores das ilhas de Fiji, no Pacífico Sul. Têm um PIB per capita de 4.500 dólares, o que os classifica como pobres, numa economia dominantemente de subsistência. Passaram por uma sequência de golpes militares, o atual governo é ditadura. O lugar é lindo.

Vai saber.

oglobo.globo.com | 16-01-2014

RIO - Maria Callas morreu em setembro de 1977, prematuramente, aos 53 anos, de infarto. Deixou de cantar óperas completas em 1965, por causa da saúde fragilizada. Isso há quase meio século. E, ainda assim, a soprano continua a exercer um imenso fascínio. Encantamento gerado por um talento sem par, unido ao temperamento difícil e à vida de glórias e tristezas. A mistura ajudou a eternizar Maria Callas como um mito, revestido da mesma aura das heroínas trágicas que habitavam as óperas que ela representou.

Nascida em Nova York, Maria Cecilia Sofia Anna Kalogeropoulou, filha de pais gregos, foi obrigada a partir para a Grécia com a família, por razões econômicas. Lá, construiu a sólida base musical que a levaria, mais tarde, a se tornar não só a prima donna do La Scala de Milão (debutou na Itália em 1947), mas a maior cantora lírica da história, dona de versatilidade que a levaria a defender, com igual desenvoltura, os grandes papéis do repertório lírico. Callas era temperamental. Difícil de trabalhar. Arranjava desavenças com diretores, mantinha uma rivalidade pública com a soprano Renata Tebaldi, tinha uma relação para lá de complicada com a mãe. No trabalho, era muito exigente consigo mesma. Ensaiava horas a fio. Mas não cuidava só da voz. Oferecia a mesma atenção à parte dramática. Em cena,não era apenas dona de voz sublime e distinta, com tessitura, timbre e alcance únicos. Ela interpretava seus personagens com tamanha entrega que, não raro,terminava as récitas fisicamente esgotada.

A mesma paixão dedicou ao milionário grego Aristóteles Onassis, que conheceu no final da década de 1950. Por ele, abandonou o primeiro marido, o empresário Giovanni Battista Menegghini, e viu sua disciplina diminuir. Callas cancelou apresentações, deixou de ensaiar para frequentar festas e eventos sociais.

A falta de rigor colaborou para o declínio de sua saúde e de sua voz, que já não encontrava o mesmo alcance e sustentação. Em1965, ao interpretar Norma, não aguentou ir até o fim, desmaiando na terceira parte. A partir daí, não cantou mais em óperas encenadas.A vida amorosa também entrou em derrocada, após ser abandonada por Onassis.

A última apresentação de Callas foi em 1974, no Japão. O resto de seus dias ela passou reclusa, em seu apartamento em Paris, na Avenue Georges Mandel. Com sua morte, deixou de ser só diva para virar mito.

oglobo.globo.com | 11-01-2014

BUENOS AIRES - À Argentina coube o grupo da morte nas Copas de 2002 e 2006, nas quais ficou pelo caminho (na Coreia/Japão, caiu na primeira fase, e na Alemanha, perdeu nas quartas de final). A seleção de Lionel Messi confia na sorte desta vez, na esperança de ter mais tranquilidade nos três primeiros jogos.

Diante da expectativa para o sorteio na Costa do Sauípe, nesta sexta-feira, os argentinos respiraram aliviados com a notícia de que Pelé não sorteará os grupos da Copa de 2014. "Gênio do mal" para a Argentina, Pelé acabou empurrando os "hermanos" duas vezes ao grupo da morte. Por obra das mãos de Pelé a Argentina caiu em chaves complicadas em 2002 e 2006.

Para a Copa na Ásia, em 2002, Pelé sorteou um grupo que tinha Nigéria, Inglaterra e Suécia no caminho dos argentinos, que sequer passaram às oitavas de final. No Mundial seguinte, a Argentina teve logo de saída Holanda, Costa do Marfim e Sérvia e Montenegro. Passou adiante, mas caiu nas quartas de final. Aliás, nos últimos cinco Mundiais, a Argentina foi no máximo às quartas.

O que pode acontecer desta vez? O pior cenário para os argentinos, que são cabeça de chave, os deixaria com outras potências do futebol mundial, como Portugal, França, Itália e México ou Estados Unidos. Já num panorama favorável, caberia à Argentina um grupo que poderia sair dos seguintes possíveis adversários: Grécia, Argélia, Irã, Bósnia, Honduras e Costa Rica.

Mário Kempes, máximo goleador da Copa do Mundo de 1978, vencida pela Argentina dentro de casa, será uma das lendas do futebol mundial presentes no sorteio na Costa do Saípe. Após duas Copas, os argentinos terão novamente o técnico da seleção na solenidade. No sorteio para 2006, José Pekerman não foi devido a um problema de saúde. E no de 2010, Diego Maradona estava proibido de comparecer por uma suspensão imposta pela Fifa depois das palavras obscenas que proferiu contra seus críticos quando classificou a seleção nas eliminatórias. Agora, para 2014, no Brasil, a Argentina espera dar um drible no azar.

oglobo.globo.com | 04-12-2013
A Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou hoje um pedido de desculpas pela divulgação, em setembro, de um relatório segundo o qual metade dos novos casos de infecção pelo vírus HIV na Grécia teriam sido causados deliberadamente por pessoas interessadas em receber benefícios do governo.
atarde.uol.com.br | 26-11-2013

DUBLIN - A polícia irlandesa levou uma menina loira que vivia com uma família cigana em Dublin, numa ação estimulada por um caso similar ocorrido na Grécia. O Departamento de Serviços de Saúde do governo informou que aguarda ainda hoje uma liberação judicial para encaminhar a jovem para a assistência social, enquanto a polícia investiga a sua origem.

As autoridades informaram que os policiais retiraram a menina da casa onde vivia na segunda-feira. O casal, que alega ser os pais da criança, afirma que ela tem 7 anos e é sua filha biológica. A maternidade indicada por eles, no entanto, não tinha nenhum registro de nascimento da garota. Ninguém foi preso na operação.

Ainda segundo a polícia, foram os vizinhos da família de origem romani que denunciaram o casal, após verem a repercussão do caso grego, no qual o casal Christos Sali e Eleutheria Dimopoulou - também de origem cigana - está sendo acusado de sequestrar uma menina de 4 anos com traços nórdicos, conhecida como Maria e apelidada pela imprensa de “Anjo Loiro”.

oglobo.globo.com | 22-10-2013

Os partidos de extrema-direita, neofascistas, crescem em todo o continente europeu, e o pior é que muita gente está gostando do fenômeno.

Na França, com quase 25% de preferências, lideram as pesquisas de intenção de voto para as eleições europeias, previstas para maio próximo.

Não se trata de um fato isolado.

Na Suíça, desde 2003 o principal partido político é de extrema-direita. Em outros países do norte da Europa, consagrados pelo alto grau de civilidade, os neofascistas despontam. Em Noruega, Dinamarca, Holanda, Hungria, Eslováquia e Grécia, aparecem em terceiro lugar, participando, não raro, de coalizões governamentais. Na Itália, governam várias regiões do norte do país, tendo já integrado coligações governamentais. Na Finlândia, saíram da irrelevância para alcançar quase 20% dos votos nas últimas eleições parlamentares, realizadas há dois anos. Na Áustria também atingiram o segundo lugar. Na Suécia, ganharam há pouco o direito de ingressar no Parlamento. Na Alemanha já estão em alguns parlamentos regionais. Não apenas cresce sua força própria, mas condicionam todo o debate político nos respectivos países.

Disfarçam-se sob nomes anódinos e abrangentes. Na Suíça, Centro Democrático. Partido do Progresso, na Noruega. Na Holanda e na Áustria, Partido da Liberdade. Frente Nacional, na França. E se ofendem quando chamados pelo que são de fato: partidários da restauração do fascismo.

Mas não ocultam ideias e concepções de mundo.

Detestam as tradições multiculturais que fizeram — e fazem — a vitalidade da Europa. O Islã e o islamismo, substituindo os judeus, são os bodes expiatórios dos medos que alimentam. Denunciam supostas “invasões” de muçulmanos que ameaçam a “pureza” europeia. E reclamam políticas rígidas de controle da imigração, ocultando o fato óbvio de que os trabalhos — indispensáveis — realizados pelos estrangeiros são recusados pelos europeus há décadas.

Propõem a erradicação da corrupção endêmica dos “políticos profissionais”, dos “plutocratas parasitas” e dos “tecnocratas insensíveis”, associados, todos, no processo de uma construção europeia “elitista” e “antinacional”. E propõem reconstruir — ou refundar — nações impossíveis, que só existem em suas imaginações reacionárias. Querem uma Ordem inalcançável, porque perdida, fundada na autoridade patriarcal e na família monogâmica heterossexual.

Esta espécie de programa rastejava há tempos na cena política europeia. Era simplesmente rejeitado, como se fora mercadoria estragada. Ou, segundo a parábola de Ionesco, como um feio rinoceronte.

Do que se trata é compreender melhor como e por que se multiplicam os rinocerontes, como e por que passaram a ser considerados e votados.

A crise em que se afunda a Europa desde 2008 oferece uma primeira explicação. Conforme mostrou Joseph Stiglitz, apesar do falso otimismo de alguns, a economia europeia continua em recessão. Um quarto dos trabalhadores, desempregados. Em números absolutos: 27 milhões de pessoas querendo, e não encontrando, um trabalho. Em alguns países, como na Grécia e na Espanha, cerca de 50% dos jovens estão parados. E nada indica um retorno ao pleno emprego.

Em vez de políticas de retomada do desenvolvimento e de regulamentação e controle do capital, taxando em particular a especulação financeira, e dando fim aos “paraísos fiscais”, o que se tem observado são as políticas de “austeridade”, que punem os assalariados. Em nome da governabilidade do “sistema”, tudo se faz para salvar da bancarrota imensas instituições financeiras, consideradas “grandes demais” para quebrar, gerando, sempre segundo Stiglitz, “perdas cumulativas de produção — na Europa e nos EUA — que já passaram de 5 trilhões de dólares”.

Ao mesmo tempo, e em consequência, reduziram-se os recursos que viabilizavam o Estado de Bem-Estar Social (saúde, educação, transportes, moradias), melhor e maior ganho registrado pelos trabalhadores europeus em toda a sua história.

A tudo isto assistem, passivos, quando não cúmplices, ativos, os principais partidos políticos, mesmo os de esquerda, como ficou evidente neste último episódio da infame expulsão de Leonarda Dibrani, uma garota de apenas 15 anos, sacada pela polícia de uma excursão escolar e posta, com toda a família, para fora da França, sob a complacência — e a autorização — de um governo socialista.

Tempos sombrios.

É nesse caldo — grosso de ressentimentos e de frustrações — que vicejam as propostas neofascistas. E que se multiplicam os rinocerontes.

De nada adiantará fingir que as coisas não estão assim tão graves. Como Nicolas Sauger, que afirma peremptório: “Os neofascistas não têm maioria, nem vão tê-la.” Ou como Cas Mudde, que insiste em minimizar os ganhos recentes dos partidos de extrema-direita. A menos que eles já estejam achando os rinocerontes bonitinhos. Ou se preparando para se transformar num desses belos animais.

Daniel Aarão Reis é professor de História Contemporânea da UFF

oglobo.globo.com | 22-10-2013

O mais famoso médico da Grécia antiga, Hipócrates, considerado o pai da Medicina, dizia: “Para os males extremos, só são eficazes os remédios intensos.” A frase é oportuna quando se observa que a Saúde no Brasil encontra-se em colapso. Do Sistema Único de Saúde (SUS) aos planos privados, alguns verdadeiras arapucas.

Apesar da crise, políticos permanecem enaltecendo o SUS, muito embora só utilizem o Sírio (Hospital Sírio Libanês), onde são recebidos à porta pelos professores-doutores de plantão. Enquanto isso, menos da metade dos cidadãos confia nos hospitais aos quais têm direito como simples mortais.

Pesquisa da ONU, divulgada no primeiro trimestre deste ano, com base em dados coletados entre 2007 e 2009, revelou que entre 126 países o Brasil ficou em 108° lugar no que diz respeito à satisfação com a qualidade dos serviços prestados. Apenas 44% dos brasileiros sentem-se satisfeitos com os padrões aqui oferecidos. Em nenhum país da América Latina, à exceção do Haiti (35%), foi identificado índice tão baixo quanto o que os brasileiros revelaram. Nesse campeonato, perdemos, por exemplo, para o Uruguai (77%), Bolívia (59%), Afeganistão (46%) e Camarões (54%), onde a população considera os serviços de saúde melhores do que a percepção que temos sobre os nossos.

Aparentemente, o dinheiro não é o fator que mais contribui para o caos. Conforme dados da OMS de 2011, somando-se todas as principais formas de financiamento (impostos/contribuições sociais, sistemas privados de pré-pagamento e desembolsos diretos dos pacientes), o Brasil gasta anualmente com saúde 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB). O percentual é semelhante ao da Espanha (9,4%) e não muito inferior às aplicações da França (11,6%). No entanto, na maioria dos países desenvolvidos a maior parcela do financiamento provém de fontes públicas que respondem, em média, por 70% do gasto global. Em nosso país, o setor público — que atende 150 milhões de pessoas — contribui com apenas 45,7% do total das despesas integrais com Saúde.

Nesse cenário, será que nos últimos anos a Saúde tem sido considerada como prioridade entre as políticas públicas? O programa Mais Médicos irá salvar a saúde da pátria? Infelizmente, ambas as respostas são negativas.

Ainda que os recursos globais do Ministério da Saúde tenham aumentado nos últimos anos, as despesas realizadas mantiveram praticamente a mesma relação com o PIB. Em 2002, o total pago representou 1,87%, percentual que subiu para 1,88% em 2012. Em suma, de FHC a Dilma, com ou sem CPMF, trocamos seis por meia dúzia.

Quanto aos investimentos em Saúde (construção de hospitais, UPAs, aquisições de equipamentos etc.), nos últimos 12 anos foram autorizados nos orçamentos da União R$ 67 bilhões, mas apenas R$ 27,5 bilhões (41%) foram pagos. A título de comparação, o Ministério da Defesa investiu no mesmo período R$ 56,2 bilhões, literalmente o dobro das aplicações da Pasta da Saúde. Estamos comprando blindados, aviões de caça e construindo submarinos nucleares para enfrentar imagináveis inimigos externos enquanto, por aqui, mais de um milhão de brasileiros protestam por serviços públicos de melhor qualidade.

Em 2013, a situação é semelhante. A dotação prevista para os investimentos do Ministério da Saúde é de R$ 10 bilhões. Até setembro apenas R$ 2,9 bilhões foram pagos, incluindo os restos a pagar. O valor investido coloca o Ministério da Saúde em 5° lugar comparativamente aos outros ministérios.

Na verdade, há muito por fazer. Para começar, é difícil imaginar um país saudável em que quase a metade dos domicílios não tem rede de esgotos. Por opção, vamos gastar R$ 7,1 bilhões nos estádios de futebol padrão Fifa, enquanto em dez anos aplicamos somente R$ 4,2 bilhões em saneamento. O Mais Médicos — mesmo sem o Revalida e com certificados distribuídos a esmo — vai gerar o primeiro atendimento em cidades até então desprovidas, o que é bom. Mas por trás das “boas intenções” está a reeleição de Dilma, o fortalecimento da candidatura de Padilha ao governo de São Paulo, além do financiamento da ditadura cubana.

Dessa forma, o programa passa ao largo de questões cruciais como a necessidade de mais investimentos públicos, melhor gestão, atualização das tabelas de ressarcimento do SUS, aumento das vagas nos cursos de Medicina, nas UTIs e nas residências médicas, entre outros problemas a serem enfrentados. Tal como dizia Hipócrates, urgem remédios intensos. A reconstrução da saúde no Brasil exige mais ações e menos hipocrisia.

Gil Castello Branco é economista e fundador da organização não governamental Associação Contas Abertas

oglobo.globo.com | 08-10-2013
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