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Europa Turismo

As horas de engarrafamento até a Cidade do Rock, onde aconteceu o Rock in Rio, ano passado, vão parecer uma volta pelo quarteirão depois que você ler esta reportagem. Tem uma galera que embarca em voos longos (com conexões demoradas), enfrenta fila de imigração, atravessa deserto, acampa debaixo de chuva.... Tudo para ver de perto suas bandas e artistas favoritos. São fãs de música que frequentam os maiores festivais do mundo, como o Coachella, na Califórnia; o Roskilde, na Dinamarca, ou o Glastonbury, na Inglaterra. Além de promover dezenas de shows sensacionais num único fim de semana, esses eventos proporcionam experiências inesquecíveis, reunindo várias formas de arte em um ambiente de confraternização. Os cenários também são incríveis. A maioria dos festivais acontece em lugares que, por si só, já renderiam ótimas viagens.

Um circuito americano de Disneylândias da música pop

Um evento do porte do Coachella Valley Music & Arts Festival, que acontece sempre em abril, na Califórnia, é como um parque de diversões da música pop. Num gramado do tamanho de um bairro, diversos palcos espalhados recebem alguns dos melhores shows do mundo. Pessoas usando roupas leves e coloridas estão por todos os lados, andando, assistindo a uma apresentação ou esparramadas sob alguma sombra. Durante três dias ou mais, ninguém quer saber de nada além de se divertir. É como estar numa outra dimensão.

Festivais anuais nesses moldes vêm se espalhando pelo mapa-múndi nos últimos anos. O Brasil, por exemplo, recebe grandes eventos, como o SWU, em São Paulo. Mas os maiores, mais organizados e com as melhores atrações no line up, estão nos Estados Unidos e na Europa. No país de Barack Obama, o calendário começa em março, quando rola o badalado South By Southwest, em Austin, no Texas, e continua com megafestivais como o Coachella, perto de Los Angeles, no deserto da Califórnia, e o tradicional Lollapalooza, em Chicago, em agosto.

— Não tem um festival no Brasil que reúna tantas bandas boas. E vale muito pela viagem também. Se você vai com amigos, a experiência toda fica mais legal — diz a estudante de Artes Plásticas Rafaela Rocha, que já esteve no Coachella e, ano passado, foi ao festival Big Chill, a poucas horas de Londres, na Inglaterra. — Tem gente que viaja para praticar esportes; outros, para fazer compras. No caso dos festivais, um grupo de amigos viaja junto para dividir experiências musicais.

Evento gigantesco que acontece todo ano na pequena cidade de Indio, o Coachella é o festival de maior repercussão nos EUA. Astros como Madonna, Paul McCartney, Prince, Gorillaz, Daft Punk e toneladas de bandas alternativas já se apresentaram no deserto. Momentos memoráveis, como o retorno do Rage Against the Machine após dez anos de hiato e o dueto da popstar Beyoncé com o rapper (e marido) Jay-Z aconteceram lá. Este ano, entre as principais atrações, estão a cultuada banda Radiohead, que não faz shows desde 2009, e um set com Dr. Dre e Snoop Dogg, ídolos do hip-hop.

Ao todo, serão mais de 130 shows, distribuídos entre cinco palcos, ao longo de dois fins de semana. Tendas de música eletrônica, instalações artísticas, estandes de games e até uma roda-gigante ajudam a criar o ambiente de descontração. O público (cerca de 80 mil por dia) usa pouca roupa, por causa do calor, e o pôr do sol púrpura do deserto dá ares místicos ao evento, cuja organização é muito profissional. As apresentações começam pontualmente e há várias praças de alimentação. O único problema é o acesso. De Los Angeles, são quase três horas de estrada.

Os ingressos para o Coachella este ano já se esgotaram. Portanto, quem se animou pode se organizar para 2013, e aí pensar em combinar o festival com algumas semanas viajando pela costa da Califórnia (que tal?). Ou escolher outro megafestival americano, como o South By Southwest e o Lollapalooza. Tem ainda o Bonnaroo, em Manchester, no estado do Tennessee, em junho, que se pode casar perfeitamente com uma viagem pelo do Sul dos EUA. O line up deste ano ainda não foi divulgado, mas em 2011, a programação incluiu Eminem, Arcade Fire, The Strokes, Mumford & Suns, Beirut e muito mais.

Nos quatro dias de evento, a população na pequena Manchester sobe de 10 mil para 100 mil pessoas. Considerado pela revista "Rolling Stone" o melhor festival de 2008, o Bonnaroo é conhecido pela militância ecológica. Numa das edições, os organizadores bolaram a seguinte promoção: quem enviasse uma carta para um deputado apoiando a causa ambiental poderia baixar gratuitamente 17 músicas de artistas que se apresentariam naquele ano. "O Bonnaroo revolucionou o festival de rock moderno", escreveu o jornal "The New York Times".

— A filosofia contagia o público, e ninguém joga lixo no chão. Também fiquei impressionado com o quanto as pessoas são apaixonadas por música — relata o publicitário Rafael Souza, que emendou o festival ano passado com uma viagem para Nashville, capital da música country, e a jazzística Nova Orleans. — Nem é tão perto, mas sempre quis dirigir pelo Sul dos EUA.

O cineasta Rodrigo van Der Put e o gerente de marketing Miguel Cariello, amigos de infância, também se jogaram na estrada depois do Lollapalooza de 2010. Eles dirigiram de Chicago até Miami, pegando um desvio para Nova Orleans. Na bagagem, carregaram a memória de shows antológicos de Lady Gaga, Green Day, Phoenix e muitos outros. Pela primeira vez, o Lollapalooza vai acontecer no Brasil, em abril deste ano. Mas, com 43 shows em dois dias, é uma versão muito menor do que a original.

Na cidade de Al Capone, o circo da música pop tem por volta de 130 atrações em três dias. São oito palcos diferentes, num parque arborizado às margens do Lago Michigan, no centro de Chicago. É um festival "fácil" em vários aspectos. Você não precisa pegar estrada nem acampar. Basta tomar um voo, hospedar-se numa das centenas de hotéis locais e usufruir da rede de transporte público. Fora que a metrópole em si, com ótimos restaurantes, museus, praças e casas de entretenimento merece, no mínimo, uma esticada de três dias.

— O festival foi muito bom. E tem muita coisa para fazer na cidade também. O lugar onde rola o evento fica perto da Millenium Park, por exemplo, onde tem aquela escultura famosa, "Cloud gate", do Anish Kapour. Isso sem falar dos museus e lojas. Tudo ali no centro de Chicago — descreve Van Der Put.

O South by Southwest, em Austin, também se vale da infraestrutura da metrópole para acolher os forasteiros. O formato do evento difere da maioria porque os shows ocorrem dentro de pubs, boates, parques e até igrejas espalhados pela capital do Texas. São mais de duas mil performances em cerca de 90 endereços. Às vezes, é preciso ficar ligado para garantir lugar num bar que vai abrigar determinado show. O REM, por exemplo, já tocou num pub para 800 pessoas. Foi um set inesquecível, para poucos. Além de um evento de música, o SXSW é também um ciclo de debates e um festival de cinema, cuja importância cresce ano após ano.

Cidade medieval, fazenda e capitais abrigam festivais europeus

O avô dos grandes festivais é o célebre Woodstock, que, mergulhado numa atmosfera de contracultura em 1969, reuniu artistas como The Who e Janis Joplin na cidade de White Lake, perto de Nova York, nos EUA. Mas, desde então, foi na Europa que a filosofia desse tipo de evento se propagou de maneira mais intensa. Enquanto os americanos Coachella e Lollapalooza ocorrem desde os anos 90, festivais como Glastonbury, na Inglaterra; Roskilde, na Dinamarca, e Rock Werchter, na Bélgica, acontecem desde os anos 70 no verão do Velho Mundo. Bandas antológicas como Rolling Stones, Nirvana e The Smiths pisaram nesses palcos.

A Inglaterra sozinha pode ser chamada de um "festival de festivais", por sediar mais de 400 eventos ao longo do ano, em lugares como Leeds, Reading e Isle of Wight. Numa fazenda a quatro horas de Londres, o Glastonbury é o mais famoso deles. Ano passado, quando U2, Beyoncé e Coldplay baixaram no evento, foram vendidos 130 mil ingressos. Mas o festival tem seus perrengues. O público pega pesado nas drogas, a chuva constante deixa o acampamento quase impraticável e há casos de violência registrados ao longo dos anos.

Quem quiser ir a um festival na terra da Rainha Elizabeth sem se enfiar numa selva pode procurar eventos um pouco menores, como o Isle of Wight, em junho, na pitoresca ilha de mesmo nome, ou o Big Chill, nos arredores do Castelo de Eastnor, na cidade histórica de Herefordshire. Excepcionalmente este ano, o Big Chill, que rolaria em agosto, foi cancelado por conta dos Jogos Olímpicos de Londres. Já o Isle of Wight, que abrigou uma performance mágica de Jimi Hendrix, em 1970, acontece com line up de gala: Bruce Sprigsteen & The E Street Band, Pearl Jam, Noel Gallagher’s High Flying Birds e várias outras atrações.

— Festivais são parte da cultura na Europa. É difícil conhecer alguém que nunca foi a um deles — explica o inglês David Peterson, que esteve nos eventos de Glastonbury, Reading e Roskilde. — O meu favorito é o Roskilde. O ambiente é amistoso e as dinamarquesas, receptivas.

O festival homônimo da capital medieval da Dinamarca começou envolto por um clima hippie. Hoje, abriga mais de 180 shows em cinco dias, para 80 mil pessoas. Este ano, estão confirmados Björk, Friendly Fires e Bon Iver, entre outros. Assim como no Glastonbury, quase todo o público do Roskilde fica acampado, e a abertura do camping é uma atração à parte. Milhares chegam horas antes e disputam os melhores lugares para as barracas. A corrida dos pelados também é engraçada. Homens e mulheres totalmente nus dão a volta no camping. Os primeiros colocados ganham ingressos para o ano seguinte.

— O único problema dos festivais da Europa é que chove muito — avisa o produtor cultural Pedro Seiler, que já foi ao Reading e ao Rock Werchter, além de várias vezes ao Coachella. — Nesses eventos, você vê seus artistas preferidos e fica por dentro do que de mais relevante está acontecendo no mundo. Tudo em condições agradáveis, com shows, som e luz perfeitos, sem filas etc.

O Rock Werchter vai de 28 de junho a 1 de julho, no vilarejo de Werchter. Num país com fama de muito pacato, o festival significa um fim de semana de exceção, com shows épicos e público de diferentes países próximos. O evento quase sempre acontece na mesma semana do Roskilde e, por isso, muitas bandas tocam em ambos os festivais no mesmo ano. Em 2012, Pearl Jam, Red Hot Chilli Peppers, Blink 182 e The Cure são algumas das principais atrações.

Quem ficou com saudade do Rock in Rio, e não quer esperar até a próxima edição, em 2013, pode correr para as versões do evento em Portugal e Espanha. Em Lisboa, o RIR promove shows de Metallica, Lenny Kravitz, Mastodon, Ivete Sangalo e outros. Já em Madri, vai ter Springsteen, Red Hot e muito mais.

oglobo.globo.com | 03-02-2012

Nos preparativos de qualquer viagem, contam-se as horas para embarcar, chegar ao hotel promissor ou comer no restaurante recomendado. O que ninguém espera é precisar usar o seguro de viagem, item indispensável em qualquer planejamento e cujo mercado vem crescendo junto com a expansão do turismo brasileiro. O setor, antes dominado pelas empresas especializada em assistência de viagem, ganhou nos últimos anos a presença de gigantes dos ramos de seguros, bancos e cartões de crédito, e chegou à internet. Só não mudou o cuidado na hora da assinatura do contrato, que deve ser claro sobre o tipo de cobertura oferecida.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Cartões de Assistência (ABCA), Celso Guelfi, diz que o número de viajantes que contratam planos de assistência cresceu 42% de 2010 para 2011. E deve aumentar ainda mais com a possibilidade de compra online, de forma direta entre a seguradora e o consumidor. Mas as agências de viagem ainda são a maneira mais popular de contratação do serviço.

— À medida em que viaja mais, o brasileiro vai aprendendo que não pode sair de casa sem assistência e a tendência é que o mercado ofereça uma variedade ainda maior de produtos. A presença da internet nesse processo mostra bem essa evolução — analisa o executivo.

Seguros na internet e no cartão de crédito

Muitas das mais tradicionais empresas do mercado de assistência de viagem, como MIC, GTA e Travel Ace, já oferecem em suas páginas na internet ferramentas para compra online. Há também sites que reúnem várias seguradoras de grande porte, como Porto Seguro e SulAmerica. É o caso, por exemplo, do portal Real Seguro Viagem (seguroviagem.srv.br), onde é possível até comparar planos de empresas diferentes.

A internet atraiu também o Itaú, que recentemente incluiu a contratação de assistência de viagem na lista de serviços oferecidos por seu internet banking. Outros bancos e operadoras de cartão de crédito já enxergam no seguro de viagem uma forma de fidelização.

— O cliente MasterCard que compra uma passagem com o cartão de crédito ou débito está automaticamente segurado durante o traslado. Se alugar um automóvel com o cartão, vai junto o seguro de locação de veículo — explica o vice-presidente de Relacionamento e Serviços para o Consumidor da MasterCard Brasil, Fábio Estrella.

Essa variedade pode ser vista na cartela de planos oferecidos pelas seguradoras. A GTA, por exemplo, tem 33 opções diferentes, incluindo serviços voltados para cruzeiristas. Praticamente todas as companhias oferecem também planos para a prática de esportes, que contam com cobertura médica em caso de acidentes e recursos para busca e salvamento. Há muitos seguros destinados a estudantes, que costumam ter longa duração e limite de atendimento alto. Menos comuns são as assistências a pessoas com necessidades especiais e gestantes, produtos lançados recentemente pela Travel Ace, e que custam cerca de 50% a mais que um plano padrão. Em geral, as seguradoras costumam também cobrar tarifas mais altas para clientes acima de 70 anos.

Tanta oferta, no entanto, pode ser inútil, na avaliação da advogada do Procon-RJ, Camile Félix Linhares. Ela afirma que muitas coberturas oferecidas já são garantidas por lei.

— O consumidor precisa saber se seu plano de saúde, por exemplo, já não prevê atendimento no exterior. Para perda ou atraso de bagagem, essa já é uma obrigação da companhia aérea. Mas se quiser contratar mesmo assim, precisa ler com muita atenção o contrato. Infelizmente recebemos muitas queixas de não cumprimento por parte das seguradoras — diz.

Mas há casos em que a contratação de um plano é mais que uma precaução, e sim obrigatória para a entrada no país de destino. Isso vale para os países da União Europeia signatários do Acordo de Schengen, que exige que o turista estrangeiro viaje com um seguro de pelo menos 30 mil.

Apesar de exigirem a comprovação do seguro, Portugal, Espanha, Itália, Grécia e Luxemburgo fazem parte do grupo de países que possuem um acordo com o Brasil para atendimento a brasileiros segurados pelo INSS. Para que o turista seja atendido na rede pública de saúde desses países, basta apresentar o Certificado de Direito a Assistência Médica (CDAM), documento retirado em postos da Divisão de Convênios e Gestão (Dicon), do Ministério da Saúde. No Rio, fica na Rua México 128, e o telefone é 3985-7426. Outros países participantes do acordo são Argentina, Cabo Verde, Chile e Uruguai. Outras informações sobre documentação necessária no site sna.saude.gov.br/cdam/index2.cfm.

oglobo.globo.com | 03-02-2012

CANOA QUEBRADA - O cenário é dos melhores filmes, daqueles dignos de Oscar de fotografia. Dunas que se movem ao sabor do vento constante. A foz de um grande rio margeado por manguezais até desaguar no Oceano Atlântico. Um mar de águas frias salpicadas por pequenas jangadas que se equilibram sobre ondas com suas velas coloridas. Canoa Quebrada, no município de Aracati, no Ceará, é uma centenária comunidade de pescadores, localizada em meio a dunas, que se tornou mundialmente conhecida como rota de um público alternativo, misturando brasileiros e gringos, na década de 1970. Com o passar do tempo, transformou-se no segundo principal destino turístico do estado, atrás apenas da capital, Fortaleza. Mas, mesmo depois de 40 anos e apesar do turismo de massa, ainda atrai diversas "tribos". A magia continua, assim como o anel de lua e estrela, símbolo do local, imagem gravada na terra da falésia, cartão-postal dessa praia.

Passeios em terra, no mar e no ar

Mais do que a natureza, o que continua atraindo os turistas a Canoa Quebrada é o ambiente despojado da vila e seu cotidiano.

— Venho pelo astral do lugar, e sinto-me em casa. Ando descalça, como peixe frito com a mão e à noite danço muito. O melhor de Canoa Quebrada são as pessoas — diz Brigitte Loren, de 25 anos, arquiteta francesa, que visita o lugar pela sétima vez nos últimos cinco anos.

Hoje, para receber turistas brasileiros e estrangeiros, em sua maioria europeus, Canoa Quebrada, que está a 180 quilômetros de Fortaleza, conta com uma infraestrutura consistente: são mais de 80 pousadas, uma gastronomia regional baseada em frutos do mar — saboreados em grandes barracas de dois andares na praia — e uma frota de cem buggies que percorre os 35 quilômetros de costa (sem contar as praias adjacentes), entre o mar, as falésias, as lagoas e as dunas. Além, é claro, das lojinhas de suvenires, as barraquinhas de artesãos... Há programas em terra, mar e ar. À noite, a antiga rua de areia, chamada de Dragão do Mar, transforma-se na "Broadway do Nordeste", com lojas de artesanatos, restaurantes e bares com música ao vivo que só fecham ao amanhecer.

O programa principal, como em quase todo o Ceará, é fazer passeios de buggy. São vários roteiros diferentes, com duração de duas horas até um dia inteiro. Todos os veículos circulam pelas dunas, os mais longos alcançam as praias mais distantes, com paradas gostosas pelo caminho, para beber uma água de coco e dar mergulhos nas lagoas de água doce (mas é preciso subir as dunas na volta). Outro item desses roteiros é o esquibunda, que acontece logo no início no roteiro e está incluído em todos os passeios.

O pôr do sol visto de cima da "duna mãe", que fica bem ao lado da cidade, é um dos pontos altos. Outras opções são os barcos que navegam pelo delta do Rio Jaguaribe — com direito a paradas para mergulhos — e o passeio divertido nas jangadas de aluguel que saem de diversos pontos da praia.

Pelo ar, a prática de voo duplo de parapente com o francês Jerome Saunier, um dos primeiros pilotos a introduzir esse esporte no Brasil, popularmente chamado de voo de lift, é outro ponto alto. Devido ao vento forte e constante, o parapente parece flutuar sobre as falésias em um vaivém mágico, oferecendo uma viagem pela geografia exuberante da região.

A história do lugar remonta ao ano de 1650, quando D. Manuel, Rei de Portugal, mandou Francisco Aires da Cunha, capitão-de-mar-e-guerra, fundar vilas ao norte do Brasil. Sua caravela bateu num arrecife — rochas submersas logo abaixo da superfície da água — e partiu. A tripulação foi resgatada, mas a caravela ficou encalhada. Daí o nome do lugar. Vai ver que, para os nativos, qualquer barco era canoa...

Localizada entre dunas de areia, a colônia de pescadores viveu pacata e tranquila até o início dos anos 1970, quando alguns cineastas franceses ligados ao movimento Nouvelle Vague chegaram a Canoa Quebrada, descobrindo uma espécie de Éden tropical. Um lugar onde os homens enfrentavam o mar em pequenas jangadas e as mulheres teciam os "labirintos", obras de arte em forma de bordado. Não havia luz elétrica. Todos viviam em maio à Natureza, entre as dunas, felizes.

— Essas imagens foram muito difundidas na Europa, e Canoa Quebrada virou uma espécie de esquina do mundo. Passou a fazer parte de um circuito alternativo que incluía Goa, Katmandu, Marrakesh, Machu Picchu, Bali e Bancoc — conta Georgio Guerzoni, um italiano que chegou ao Ceará em 1986, aos 40 anos, acabou criando raízes e hoje é dono de uma das mais tradicionais pousadas da cidade, a Tropicália. — Encontrei um lugar mágico com um povo incrível, generoso, desprovido de ambição consumista — lembra o empresário.

Depois dos cineastas da Nouvelle Vague, outros filmes e documentários foram feitos em Canoa Quebrada entre os anos 1970 e 1980. Em 1998, voltou a ser cenário de um filme, desta vez nacional. "Bela donna", de Fábio Barreto, transformou de vez o lugar em um dos principais destinos turísticos do Nordeste.

Hoje, além da natureza, da boa gastronomia, do artesanato e da música local, é a tela grande que continua dando um ar especial à pequena localidade. Há sete anos Canoa Quebrada é sede de um dos mais tradicionais e alegres eventos de cinema do país, o Festival Internacional de Curta Metragem, conhecido como Curta Canoa. Suas oficinas que duram o ano inteiro não param de formar técnicos, cenógrafos e diretores. Todos nascidos ali na região.

Para o leste e para o oeste, um repertório variado de praias

Canoa Quebrada não é apenas Canoa Quebrada. Uma visita à região, para ser completa, inclui explorar as redondezas, que apresentam uma bela coleção de praias. Infelizmente a ocupação irregular do terreno causou imenso impacto ambiental. O o mar vai tomando a faixa de areia na maré alta, atingindo a parede das falésias, e os banhistas precisam ficar nos quiosques. Mas o panorama é lindíssimo.

São várias praias, com paisagens diferentes, e atividades que agradam aos mais variados perfis de viajantes. Todas acessíveis através dos passeios de buggy, que apresentam os mais diversos itinerários, tempos de duração e valores, com preços entre R$ 140 e R$ 300 (para até quatro pessoas). Também existem roteiros personalizados, que podem ser moldados ao gosto do freguês, durando um dia inteiro. O melhor a se fazer é buscar os que são membros da associação, com preços tabelados e que conhecem bem a área. Os roteiros básicos são três. O das dunas é o mais curto. Com aproximadamente uma hora e meia de duração, tem uma parada na lagoa onde acontece o esquibunda, um primo mais rústico da tirolesa. Entre os roteiros regulares, um segue no sentido oeste, trafegando pelas dunas, indo até o Rio Jaguaribe, e o outro vai até a localidade de Ponta Grossa, viajando pela praia, mais apropriada para os que querem se refrescar pelo caminho.

Os que gostam de"botar a mão na massa" podem escolher alugar quadriciclos ou motos, em empresas como a Canoa Adventure, com direitos a passeios noturnos, durante a lua cheia, que saem a partir de R$ 180 . Esses roteiros são feitos com guias e duram entre uma hora e meia e duas horas e meia. Um dos programas mais concorridos exige disposição: é preciso sair da pousada às 4h30m para ver o dia nascer do alto de uma das dunas mais altas.

Não faltam programas nos arredores, e o repertório de praias tem variedade e qualidade. Em um raio de 60 quilômetros estão situadas as praias de Majorlândia, Quixaba, Porto Canoa, Lagoa do Mato, Fontainha, Peroba, Barreiras, Mutamba, Ponta Grossa, Ibicuitaba, Quitéria, Tremembé, Melancias, Peixe Gordo e Manibu, além das lagoas de Canoa, o Delta do Rio Jaguaribe, Ilha do Pinto, Fortim, Canto da Inveja, Pontal do Maceió, Parajurú, Tapuio, Paripueiras, Prainha do Canto Verde, Coreia, Moita Verde, Piquerí e Uruaú. Para se visitar tudo, são necessários pelo menos quatro dias.

Também há passeios atlânticos. O tour de jangada no mar de Canoa Quebrada tem a duração de 30 minutos e custa R$ 10. A construção desse tipo de embarcação está em extinção, embora ainda haja colônias de pescadores remanescentes das primeiras comunidades que ocuparam o litoral brasileiro, sobretudo no litoral do Ceará e do Rio Grande do Norte.

Dois Chicos de Canoa

Canoa Quebrada também apresenta personagens ilustres, como Francisco José do Nascimento, o Chico da Matilde, chefe jangadeiro que liderou a luta contra a escravidão ajudando o Ceará a se tornar o primeiro estado a aboli-la em 1884, quatro anos antes do restante do país. Chico foi recebido pela corte do Rio como herói, com o título de Dragão do Mar. Hoje é nome de praça e da rua principal.

Outro Chico que virou lenda, mas menos conhecida, foi Francisco Fernandes Pinto, o Chico Eliziário, um artesão. Contam que em 1976, olhando para o céu, viu ao lado da lua crescente uma estrela, na realidade Marte. Num relance, teve a inspiração de esculpir o que via. Acabou transformando esse fenômeno astral em símbolo do lugar. Ele trabalhava com casco de tartaruga e chifre de boi.

— Seu Chico, faz pra mim um brinco? Era o dia todo — lembra sorrindo, Solange, a sua filha. — Ele chegou a fazer centenas de pingentes e anéis a pedido das meninas hippies que começavam a frequentar Canoa Quebrada, vindas de todos os lugares. Como não existiam pousadas, muitas dormiam aqui em casa. O desenho se tornou conhecido nos quatro cantos do mundo — completa, orgulhosa.

Seu Chico teve 7 filhos, quase todos vivendo do turismo hoje em dia. Ele morreu em 1990 e seu nome é lembrado em pequenos totens espalhados pela cidade. (Colaborou Bruno Agostini)

Custodio Coimbra viajou a convite do Festival Internacional de Curta Metragem

oglobo.globo.com | 25-01-2012

CAMBRIDGE E OXFORD - Cambridge ou Oxford, eis a questão. O dilema atinge a todos os que pensam em estudar na Inglaterra e querem fugir da efervescente e frenética Londres. À primeira vista, as duas cidades são parecidas: giram em torno de universidades centenárias e seus imponentes prédios de pedra. As instituições são o orgulho dos seus moradores e também os pivôs da rivalidade que extrapola seus muros e é assumida pelos habitantes. Afinal, a Universidade de Cambridge foi fundada em 1209 por ex-alunos da Universidade de Oxford que discordavam dos rumos da antiga "casa", então com pouco mais de 100 anos. Nem sempre o bom filho à casa torna. As cidades alternam vitórias em vários campos: no ranking das melhores universidades do Reino Unido, nas regatas disputadas anualmente no Rio Tâmisa e até em prêmios Nobel. Berço de cientistas brilhantes ou de bandas de rock, cada uma tem as suas armas para conquistar visitantes.

Parques, bicicletas e noites agitadas em Cambridge

Ao chegar em Cambridge, o visitante logo tem a certeza de que está em uma cidade universitária. Os grupos de jovens andando nas ruas e a mistura de sotaques e idiomas dão um ar cosmopolita ao cenário de ruas estreitas e prédios de pedra que predominam no centro histórico. É lá que se concentra a maioria dos colleges da universidade.

Tanto em Cambridge quanto em Oxford, as instituições se organizam em espécies de cooperativas de escolas, os chamados colleges. Cada um tem um perfil diferente. Há alguns mais liberais, outros mais conservadores, ou com foco em determinada área do conhecimento, como Engenharia ou Artes. Elas são as únicas universidades no mundo organizadas nesse modelo.

Os prédios são centenários e, em sua grande maioria, foram igrejas, abadias e monastérios. Por isso, são fortalezas de pedra com grandes portões de madeira. Visitantes são aceitos apenas por algumas horas na parte da tarde. Apesar do acesso ser restrito aos pátios internos, vale o passeio. Ainda mais porque estão sempre movimentados por estudantes, principalmente no verão.

Os mais bonitos são o do King’s College, o maior e mais importante de todos, e o do Saint John Trinity College. A King’s possui ainda uma imponente capela, sede do seu coral, um dos principais da Europa. Para os amantes da música sacra, o concerto é imperdível, mas é preciso preparar os bolsos, pois os ingressos variam entre 25 e 55 libras (de R$ 68 a R$ 150). As datas das apresentações podem ser consultadas no site kings.cam.ac.uk/choir.

A cerca de 200 metros do King’s College, é possível avistar as instalações do Fitzwilliam Museum, que também faz parte da universidade. Fundado em 1848, o espaço recebe exposições temporárias e possui um acervo comparado ao do British Museum, em Londres, devido a sua abrangência histórica.

A geografia de Cambridge a torna mais simpática do que sua rival, Oxford. No rio que corta o centro, gôndolas pilotadas por estudantes da universidade ficam à disposição dos turistas. No entanto, o serviço só funciona nas épocas mais quentes do ano. Nos dias de sol, o programa típico é dar uma esticada em um dos belos parques.

É possível percorrer toda a cidade a pé ou então de bicicleta, como faz a maioria dos moradores. Há várias lojas que alugam as magrelas por períodos que variam de um dia até três meses. Para estimular e facilitar a circulação, todas as ruas da cidade possuem ciclofaixas. Ótima opção para queimar as calorias dos fish and chips e dos pints servidos nos muitos e animados pubs.

As bicicletas são usadas até para sair à noite. E a agitada vida noturna da cidade atrai estudantes, principalmente brasileiros. Há até quem prefira só ter aulas à tarde para se recuperar das noitadas, que rolam de segunda a segunda. Um dos locais preferidos por estudantes é o misto de bar e boate Revolution, no centro. Nas pistas, predomina a música eletrônica. Agora, é possível que alguém até encontre um Michel Teló.

Para jantar, uma opção é a casa do chef Jamie Oliver, o Jamie’s Italian. Por 40 libras (R$ 110) por pessoa, é possível comer um menu com entrada, prato principal e sobremesa, além de tomar um dos vinhos italianos orgânicos servidos em jarra ou taça.

Antes ou depois de comer, vale a passada no pub The Anchor. Foi lá que James Watson e Francis Crick fizeram a primeira apresentação do trabalho mais importante de suas vidas: a descoberta da molécula do DNA. Além de ponto turístico (há uma placa na parede em memória dos dois), são servidas ótimas cervejas produzidas na região.

Cambridge encanta pelo conjunto e é difícil resistir. Ainda mais porque, se bater aquela saudade da cidade grande, basta pegar um trem e, em 45 minutos, chega-se em Londres.

Oxford, a cidade dos fãs: de futebol, Harry Potter e Radiohead

Se Cambridge é ensolarada (no sentido figurado, claro), Oxford é austera. A culpa pode ser da luminosidade cinzenta do início do inverno britânico, mas a impressão de quem caminha pelas ruas do seu centro histórico é de que ela não sorri para os visitantes. No entanto, o lugar possui três trunfos bem diferentes para atrair jovens estudantes: é a principal locação dos filmes da franquia "Harry Potter", a cidade natal da banda de rock Radiohead e possui uma legião de apaixonados por futebol.

O salão onde foram filmados os banquetes de Hogwarts fica no Christ Church College, uma das escolas da universidade, bem no coração do centro histórico. O prédio é enorme e ocupa um quarteirão inteiro, impossível não notá-lo. Você pode simplesmente estar caminhando na rua e dar de cara com os pátios onde Harry, Rony e Hermione faziam suas refeições com trajes de gala. Assim como em Cambridge, entrar em qualquer um dos colleges parece uma viagem no tempo (ou nos filmes). Os horários de visitação também são restritos, então é preciso ficar atento e contar com um pouco de sorte.

O clima da cidade não é dos animados e o inverno é bem frio. E logo se compreende de onde veio o astral meio deprê dos primeiros discos de da banda comandada por Thom Yorke. Os fãs podem conhecer a Jericho Tavern, o pub onde o conjunto fez sua primeira apresentação ainda com o nome de On a Friday. Os mais fanáticos podem até comer no restaurante Browns, onde o guitarrista Ed O’Brien trabalhou como garçom na época das vacas magras.

Não à toa que o quinteto inglês é apaixonado por futebol. O modesto Oxford United disputa a terceira divisão inglesa, mas seu Kassam Stadium, localizado a dez minutos de carro do centro, deixaria muitos brasileiros com inveja. Do lado do estádio, há um complexo com boliche, restaurantes e fliperamas. A cidade respira mesmo o esporte. Até o motorista do táxi perguntava sobre o que tinha acontecido com a seleção brasileira. Quem gosta de tomar uma cerveja e assistir a um jogo de futebol, vai se sentir em casa.

Duas irmãs, duas cidades

Quando minha irmã mais velha, Natália, anunciou que queria uma viagem de presente de 15 anos, dispensando a festa, eu, do alto dos meus 13, achei aquilo incrível. No ano 2000, a agência de viagens só oferecia as tradicionais Oxford e Cambridge para os intercâmbios de quatro semanas, com hospedagem em casa de família.

— Tudo parecia igualmente distante e diferente, numa época em que a gente ainda não corria para os sites de busca para tudo. Queria ir para a Inglaterra. Oxford, para mim, era mais famosa — lembra Natália.

Oxford também tinha em sua conta duas informações que constavam no catálogo da agência: era mais populosa e mais perto de Londres (o que rendeu uma aventureira escapada para ver um show histórico do Oasis no antigo estádio de Wembley, pouco antes de ele ser fechado para demolição).

Minha irmã gostou tanto, tanto, da experiência que, na faculdade, escolheu a Inglaterra para fazer intercâmbio de um ano. Mas só pôde ir para a cinza e industrial Birmingham, e foi então que o país perdeu um bocado de seu apelo para ela.

Antes disso, porém, chegaram os meus 15 anos e eu não tive dúvidas de que iria para a Inglaterra. Escolhi Cambridge porque queria fazer diferente. Mas também adorei a ideia de ter meu próprio meio de transporte, a bicicleta — era a única maneira de curtir a cidade de fato, já que os ônibus paravam de circular cedo (o que não ocorria em Oxford, segundo Natália). Se eu soubesse, na época, que Oxford era terra de Radiohead e Harry Potter, talvez decidisse diferente.

Mas, aos meus olhos, Cambridge era ensolarada, jovem, alegre. Aliás, além de cidades diferentes, vivemos estações diversas: embora as duas tenham ido em julho, eu peguei um dos verões mais quentes da história; minha irmã, um dos mais frios. Temos fotos em vários cartões-postais ingleses: eu, de cabelo preso e short; minha irmã, de casaco e cachecol. Mas voltei, assim como ela, encantada pelo país e com a experiência. (Fernanda Dutra)

Leonardo Cazes viajou a convite do STB

oglobo.globo.com | 24-01-2012

BRASÍLIA - Na primeira reunião ministerial deste ano, nesta segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff determinou que todos os programas de governo tenham monitoramento on line e, preferencialmente, em tempo real. Segundo o porta-voz da Presidência, Dilma disse que esse monitoramento faz parte de "um projeto revolucionário, progressista e indispensável" à reforma do Estado.

A presidente abriu a reunião, depois falaram o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. O secretário-executivo do Ministério da Previdência, Carlos Gabas, apresentaria o sistema de monitoramento adotado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), modelo que inspirou a determinação de Dilma. Os ministérios da Agricultura e da Previdência foram representados por seus secretários-executivos. O futuro ministro da Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp, também estava presente na reunião.

Segundo o porta-voz da Presidência, Thomas Traumann, os ministérios têm até metade do ano para apresentar sistemas que permitam o acompanhamento das ações. Na reunião a presidente disse que, essas medidas fazem parte de um movimento iniciado em 2003, com a inclusão de milhões de brasileiros na classe média, o que aumenta a exigência da qualidade dos serviços publicos.

Dilma, segundo o porta-voz, definiu o monitoramento como indispensável para a verdadeira reforma do estado, não através da demissão de servidores ou da perda de direitos previdenciários, mas através da gestão de um estado mais profissional e meritocratico. A apresentação da presidente durou 30 minutos.

- A ideia é que todos os gastos, todas as ações do governo possam ser vistas e monitoradas e, portanto, cobradas na hora. Vamos imaginar convênios com prefeituras, com ONGs, passam a ter informação de quando foi feito, o que está sendo feito e tenha cobrança direta em relação aos gastos públicos. Isso não é uma questão de reforma de Estado. É como fazer com que o Estado preste serviços melhores para a população - explicou Traumann.

O porta-voz disse que os dados poderão ser divulgados, mas o acesso ao sistema de monitoramento será dos membros do governo para acompanhamento dos gastos e das ações, além da realização de ajustes necessários. A intenção, segundo o porta-voz, é melhorar os serviços públicos prestados à população.

- Estamos falando de gestão de governo. Eventualmente, sim (serão publicizados). A questão é: o que está sendo gasto hoje, o que você pode corrigir, fazer correções pontuais - afirmou.

Depois, Tombini fez uma apresentação sobre crise internacional, dizendo que "o crescimento do PIB deve se acelerar ao longo de 2012, sobretudo no segundo semestre, com a inflação em trajetória descendente e com rumo ao centro da meta". Segundo relatos do porta-voz, Tombini apresentou cenários sobre a economia europeia e disse que a situação no continente preocupa. Ele também falou sobre Estados Unidos, que ele espera ter um crescimento um pouco melhor.

Tombini falou por cerca de 15 minutos e também comentou a perspectiva de crescimento da China, que deverá, segundo ele, ser alto, porém inferior ao registrado no ano passado. O presidente do Banco Central já havia feito uma exposição mais detalhada no último sábado, durante reunião setorial da equipe econômica com a presidente Dilma Rousseff em sua residência oficial.

Em seguida, Mantega definiu o que seriam as condições de crescimento e desenvolvimento sustentável. Primeiro, crescimento médio acima de 4%, "o que já vem acontecendo desde 2007". Depois, forte geração de emprego, distribuição de renda e redução de pobreza, criação de oportunidades, principalmente de saúde e educação e desenvolvimento regional, criação de mercado de massas e inserção internacional.

O porta-voz disse que "esse foi o panorama que ele montou para dizer que o Brasil está sim em desenvolvimento sustentável". Mantega disse ainda que este ano o Brasil vai crescer e será "um dos poucos países do mundo que vai crescer mais do que no ano passado, apesar das condições internacionais desfavoráveis".

Mantega falou ainda da importância da confiança da população e dos investidores na situação do país. Segundo o porta-voz, Mantega disse que, em 2009, a população estava mais confiante do que em 2008, em 2010 mais confiante do que em 2009 e em 2012 mais confiante do que em 2011.

- Isso, na avaliação dele, é uma prova de que o ciclo econômico que estamos vivendo vai ter continuidade - disse Traumann.

Segundo o porta-voz, não se falou em contingenciamento nem de cortes no Orçamento da União.

Corte no Orçamento da União de 2012 pode chegar a R$ 70 bilhões

Mais cedo, a presidente Dilma Rousseff afirmou que a reunião ministerial, iniciada na noite desta segunda-feira, vai discutir ações do governo em 2012, mas não tratará do corte no Orçamento da União de 2012, que pode chegar a R$ 70 bilhões. No discurso na solenidade de comemoração da bolsa de estudo 1 milhão do ProUni, a presidente escorregou nas palavras e justificou-se dizendo estar cansada da maratona de reuniões setoriais que vem fazendo desde quinta-feira da semana passada.

- Não estamos discutindo isso (cortes). Estamos discutindo o governo. A hora em que chegar para discutir qualquer questão relativa ao Orçamento, eu chamo vocês - afirmou a presidente, em uma rápida entrevista.

Na solenidade, quando falava que, desde a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo se comprometeu em garantir educação "da creche à pós-graduação", Dilma cometeu um deslize verbal e confessou que estava muito cansada por conta das reuniões setoriais que vem promovendo com seus ministros desde a última quinta-feira.

- É muito grave quando se opôs no Brasil um nível de ensino a outro. Era rebaixar por baixo. Rebaixar por baixo é dose, né, gente? Mas hoje eu estou cansada, vou dizer para vocês por quê. Eu venho de uma maratona. Eu comecei a fazer reunião na quinta, na sexta, no sábado, no domingo e hoje. E ainda vou continuar possivelmente na terça. São reuniões muita intensas, mas eu queria dizer que se trata de um processo que rebaixa as expectativas do Brasil. Se você opõe o ensino básico e o ensino universitário, além de ser uma incongruência se trata também de uma desvalorização do país - afirmou.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse que o orçamento de sua pasta é pequeno e não sofreu emendas no Congresso. Ex-ministro do Planejamento, Paulo Bernardo afirmou que não está participando do debate sobre cortes no Orçamento da União, mas disse que pode haver redução de gastos com viagens e custeio da máquina.

- Eu não faço a menor ideia. Quando estava no ministério do Planejamento, tinha todas as informações na cabeça. Sobre os R$ 70 bilhões, tenho lido nos jornais. Ninguém no governo falou em cortar R$ 70 bilhões. Quando eu era ministro, dizia que contingenciamento era como Carnaval: todo ano tem e em fevereiro. Acho que é normal isso - disse o ministro.

Para ele, é possível que, neste ano, a economia brasileira cresça 4,5%:

- Acho que o aquecimento vai ser promovido. O governo fez quatro movimentos para diminuir juros. Os programas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) colocam a economia em trajetória crescente. Vamos começar com o ano menos aquecido, mas vamos melhorar. 4,5% é perfeitamente possível. Encerramos o ano com menos crescimento, o que deve ser refletir no primeiro trimestre, mas o governo tomou medidas, baixou juros, o Minha Casa, Minha Vida está andando. Vamos acelerar durante o ano e terminar melhor que começamos.

oglobo.globo.com | 23-01-2012

RIO - Para quem aproveita o início do ano para planejar aquele curso no exterior, o cenário de 2012 está bem diferente do que em 2011. Agora, a crise das dívidas na Europa trouxe incertezas para as cotações do dólar. Ainda assim, as empresas do setor apostam na demanda aquecida — aumento da renda e necessidade de qualificação contribuem para isso. Segundo especialistas, as dúvidas sobre para onde vai o dólar não mudam o básico: sai ganhando quem se planeja com antecedência e prevê os custos item por item.

No primeiro semestre do ano passado, a queda no dólar contribuiu para o aumento da demanda por cursos de intercâmbio. Na média, o dólar turismo está cotado a R$ 1,90 no Rio de Janeiro (no dia 18), 6,15% a mais do que em 18 de janeiro de 2011 (R$ 1,79). Em julho, porém, a moeda americana podia ser encontrada em casas de câmbio e nos bancos por R$ 1,65.

Neste mês, os pacotes para estudar inglês nos Estados Unidos, por exemplo, estão custando de US$ 2.360 a US$ 2.670, em função da cidade e da agência de intercâmbio — com curso de um mês e hospedagem inclusos, sem a passagem aérea. Com o dólar a R$ 1,90, os preços variam de R$ 4.484 a R$ 5.342. Há um ano, o valor mínimo ficaria em R$ 4.224, R$ 260 a menos. As empresas parcelam em reais.

Se os preços estão um pouco mais altos em reais, a solução é pesquisar. O primeiro passo é calcular todos os custos — passagem aérea, curso, alimentação, transporte e lazer. Tudo isso varia de acordo com o destino escolhido.

— Do ponto de vista do planejamento, a alta do dólar de 2011 para 2012 não muda nada — destaca o professor de finanças Fábio Gallo Garcia, da FGV-SP e da PUC-SP, autor do livro "Como planejar a educação".

Planejamento deve começar pelo menos um ano antes

Esse planejamento deve começar com de um a dois anos de antecedência. Foi o que fez a consultora Christiane Francely. Em setembro passado, ela começou a pesquisar preços, montando uma planilha de custos. Em novembro, começou a juntar dinheiro. No mês seguinte, fechou o pacote para estudar inglês, por um mês, em Seattle, na Costa Oeste dos EUA. Ela embarcará em agosto.

— Estarei com o curso todo pago 30 dias antes da viagem — diz Christiane.

Segundo executivos das agências que trabalham com intercâmbio, as incertezas com o dólar não deverão adiar planos de estudar fora. O efeito atualmente sentido no setor é um aumento no questionamento por parte dos clientes. Na avaliação da gerente da EF Brasil, Silvia Bizatto, as pessoas estão se informando mais sobre opções e pesquisando preços.

Fora isso, a demanda deverá continuar em alta. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Operadores de Viagens Educacionais e Culturais (Belta, na sigla em inglês), 282 mil estudantes brasileiros deverão fazer algum tipo de curso no exterior em 2012, movimentando US$ 2 bilhões. Apesar do cenário econômico de incerteza, a estimativa prevê crescimento de 31% sobre 2011, quando 215 mil estudantes foram para fora, segundo previsão da pesquisa encomendada pela Belta.

— A motivação dos clientes é melhorar a qualificação profissional. A variação do dólar turismo não foi tão intensa e não influencia muito — destaca Marcelo Albuquerque, diretor da IE Intercâmbio.

Procura por cursos cresce com busca por qualificação

Essa busca pela qualificação está ligada ao aumento da renda dos consumidores, com o desemprego em baixa. Mesmo quem está empregado, para continuar crescendo, precisa de mais qualificação. É o caso da consultora Christiane, que decidiu estudar inglês fora para acabar de vez o que considerava uma lacuna no currículo. Sua opção foi por um curso intensivo, com aulas das 8h às 16h.

— Escolhi Seattle justamente para ficar focada no curso. Na Europa, haveria a tentação de viajar mais e, portanto, gastar mais — diz Christiane, que também aproveitará a estadia na casa de uma amiga.

De acordo com as agências, a crise internacional ainda não modificou o cenário de destinos mais buscados. O Canadá, citado por 90% das agências como o destino mais buscado na pesquisa da Belta, destaca-se pela relação entre custo e benefício. Os EUA têm recuperado terreno nos últimos anos, após deixarem a concessão de vistos mais flexível.

A principal mudança é em relação à Irlanda. Nos últimos anos, o país atraiu brasileiros ao oferecer a oportunidade de aliar o estudo do inglês com trabalho. Mas como o país foi fortemente atingido pela crise — faz parte do grupo Piigs (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha), de nações mais atingidos na Europa —, sumiram os empregos temporários.

— A Irlanda teve seu momento, principalmente para pessoas que queriam trabalhar — diz Tereza Fulfaro, diretora educacional da Central do Intercâmbio (CI).

Além disso, aumentos de preços por causa da variação do dólar ou da situação dos países em crise podem ser compensados com alternativas de destino, lembra Gabriel Freire, gerente regional da STB no Rio:

— Os EUA, por exemplo, se destacam com a variedade de cursos e cidades.

oglobo.globo.com | 23-01-2012

ZAGREB - A Croácia votou neste domingo a favor da entrada na União Europeia em 2013, descartando preocupações sobre os problemas econômicos no bloco, de acordo com resultados oficiais preliminares de um referendo. Com 38% dos votos apurados, 67% disse “Sim” para se tornar o 28º membro do bloco, informou a comissão eleitoral estatal, mais de duas décadas depois de o país deixar o regime socialista da Iugoslávia.

- Este é um grande dia para a Croácia e 2013 será um ponto de virada em nossa história. Estou ansioso para ver toda a Europa se tornar minha casa - disse o presidente Ivo Josipovic depois de votar.

A União Europeia aceitou a Croácia como integrante a partir do dia 1º de julho de 2013, depois de completar sete anos de duras negociações em junho do ano passado. O país será o segundo membro da república iugoslava a ingressar no bloco, seguindo os passos da Eslovênia em 2004. Opositores disseram que este é o momento errado porque a União Europeia não é mais o que foi um dia, dada a crise da dívida que ameaça a moeda única. Houve ainda quem reclamasse de não saber o que se tornar um membro da UE significará para o país de 4,3 milhões de habitantes.

A Croácia se separou da Iugoslávia após uma guerra que durou de 1991 a 1995, e perdeu a expansão do bloco para o leste em 2004 e 2007. O país experimentou um forte crescimento na última década, em função de empréstimos estrangeiros e do setor de turismo focado na sua costa adriática, mas sua economia tem sido duramente atingida pela atual crise global.

Analistas e oficiais do governo dizem que uma rejeição no referendo deste domingo levaria para baixo a classificação de crédito do país, detendo investidores e amortecendo qualquer perspectiva de uma rápida recuperação econômica.

oglobo.globo.com | 22-01-2012

GIGLIO, Itália — Novos trechos do depoimento do capitão Francesco Schettino à Justiça italiana divulgados pela imprensa do país mostram que Schettino não só assume a aproximação com a costa da Ilha de Giglio, como afirma que a ação foi feita com conhecimento da empresa dona do navio e é uma prática frequente na navegação de cruzeiros. O comandante também afirmou que demorou a alertar os passageiros sobre a situação por não querer causar pânico “desnecessariamente” caso não se confirmasse a gravidade do incidente. Neste domingo, equipes de resgate encontraram mais um corpo, o 13º, em um deck do navio.

Schettino, que está em prisão domiciliar, afirmou que se aproximar da costa é uma atividade corriqueira, feita para chamar atenção e saudar os moradores dos lugares por onde os navios passam.

- As saudações são feitas em todo o mundo. Também saudamos na península Sorrentina e em Capri - diz, e quando o interrogador pergunta se aquela foi a primeira vez que se aproximou da Ilha de Giglio, o capitão é claro: - Não. Já fiz isso no passado também com o navio Costa Europa e com outras embarcações. Naquela parte do mar. Não me lembro quantas vezes, mas sim, fiz isso.

Ele reconhece que na noite de 13 de janeiro ele chegou perto de Giglio para homenagear o maitre do navio e o ex-comandante Mario Palombo, nascidos na ilha. Entretanto, afirma que mesmo que não fizesse isso por eles, teria tido a mesma atitude, porque é algo “habitual”.

Quando questionado se a manobra estava planejada desde a partida da embarcação, Schettino responde:

- Sim, estava planejada, até porque já deveríamos tê-la feito na semana anterior, mas não foi possível porque o tempo estava ruim. Porque fazemos navegação turística, nos fazemos ser vistos, fazemos publicidade e saudamos a ilha.

A afirmação do capitão contradiz a do presidente da Costa Cruzeiros, Pier Luigi Foschi, que declarou não ter conhecimento prévio da manobra nem ter autorizado a aproximação extrema com a costa.

Schettino mencionou ainda a existência de uma espécie de competição com outro comandante, Massimo Garbarino, que "fazia suas saudações" no mesmo local.

-Eu o prometi, por e-mail, que faria o mesmo no verão seguinte - disse.

No interrogatório, cuja transcrição tem 135 páginas, também foi perguntado quantas vezes Schettino falou com Roberto Ferrarini, operador da Guarda Costeira. Ele diz não se lembrar, mas afirma que foram várias conversas e que logo após o impacto advertiu sobre a gravidade do que tinha acontecido, dizendo que tinha feito uma besteira. Ele também explicou sua intenção de aproximar o navio da ilha para facilitar o resgate.

- Ferrarino me disse: ‘Sim, faça isso’. E quando o navio parou, ele me ligou novamente, dizendo: ‘A esse ponto, acho que não afundaremos mais’ - relatou Schettino.

Segundo a explicação do comandante, o problema desses 90 minutos de conversa foi o temor de gerar um falso alarme.

- Não se pode evacuar (os passageiros) pelos botes salva-vidas e, depois, se o navio não afunda, dizer “é uma brincadeira”. Não quero criar pânico, porque depois as pessoas morrem por nada - justificou-se.

E relata que o guarda costeiro Roberto Ferrarini lhe instruiu a enviar os dados da caixa preta do navio, antes de abandonar seu posto.

- (Ele) Falou para eu apertar o botão do gravador de voz (da caixa preta), para baixar os dados de navegação das últimas 12 horas e assim torná-los consultáveis, e eu disse ao meu segundo homem, Roberto Bosio, para que fizesse isso - Entretanto, essa se transformou em mais uma falha na trama do acidente. - Quero ser honesto com vocês, até o fim. O back-up do sistema de gravação de voz tinha quebrado 15 dias antes e tínhamos pedido ao inspetor para consertá-lo. Mas isso ainda não tinha sido feito. Bosio, quando já estava em terra, me disse: ‘Comandante, eu apertei aquele botão, mas o sistema estava todo fora do ar’.

A afirmação levanta suspeitas sobre se a caixa preta pode estar de fato vazia. No sábado, um disco com as imagens registradas pelas câmeras de segurança do navio, que vigiavam várias áreas, inclusive a sala de comando, foram resgatados por mergulhadores. Também foi retirado do navio o cofre, malas, passaporte e documentos de Schettino.

Mais um corpo é resgatado; clandestinos podiam estar a bordo

Equipes de resgate encontraram o corpo de uma mulher na parte submersa do navio no início da tarde deste domingo. Esta é a 13º morte confirmada. Ainda restam 19 desaparecidos.

- Mergulhadores encontraram outro corpo no deck sete, em uma área com cerca de dez metros de profundidade - anunciou um porta-voz da Autoridade de Proteção Civil italiana.

Mais cedo, os responsáveis pelo resgate chegaram a anunciar que os mergulhadores não trabalhariam na parte submersa da embarcação porque o mar estava muito agitado. No sábado, foi encontrado o corpo de uma mulher em um corredor próximo ao que teria sido um ponto de saída de emergência dos passageiros, na popa.

O chefe da Defesa Civil, Franco Gabrielli, designado como comissário especial para cuidar do naufrágio do Costa Concordia, afirmou, em coletiva de imprensa, que existe a possibilidade do navio ter levado clandestinos a bordo durante sua última viagem. A hipótese foi levantada em razão da possibilidade do corpo encontrado no sábado ser de uma mulher húngara que não estava na lista de embarque.

- Até agora são 12 as vítimas do naufrágio, oito foram identificadas e quatro não - disse o comissário, detalhando que entre estes estão três homens e a mulher. Os já identificados são quatro franceses, um italiano, um alemão, um húngaro e um espanhol.

Também no sábado, a Guarda Costeira italiana confirmou a presença de combustível “leve” em torno do navio, mas afirmou que não há indícios de derramamento das 2.200 toneladas de combustível pesado que ainda estão a bordo do cruzeiro. O porta-voz da instituição, o capitão Cosimo Nicastro, disse que a substância que está no mar parece ser diesel, utilizado pelos barcos de resgate ou como lubrificante. Nicastro afirmou ainda que a presença da substância é “muito leve, muito superficial” e aparentemente está controlada.

Empresa quer oferecer desconto em futuras viagens para vítimas

A Costa Cruzeiros, dona do Costa Concordia, está oferecendo descontos em novas viagens para quem estava a bordo do cruzeiro durante o acidente. Um porta-voz da empresa afirmou, de acordo com o jornal inglês “Telegraph”:

- A empresa está tentando fazer tudo que pode pelos passageiros que foram diretamente afetados. A empresa não vai apenas ressarcir todos mas também vai oferecer um desconto de 30% em futuros cruzeiros se eles quiserem se manter leais à companhia.

Entretanto, a ideia parece não agradar os passageiros. Brian Page, um inglês de 63 anos de idade, que sobreviveu escalando o deque do navio de um lado para outro para conseguir um barco salva-vidas, ficou indignado com a proposta:

- É uma oferta ridícula e insultante. Estou muito desapontado com eles (a empresa). Eles não estão aceitando sua responsabilidade.

Em outra atitude controversa, a empresa estaria ligando para os passageiros para perguntar se eles têm tido pesadelos, insônia e se precisam de aconselhamento - uma ação desaconselhada por especialistas por poder justamente agravar um estresse pós-traumático.

oglobo.globo.com | 22-01-2012

RIO - Os impactos do acidente do Costa Concordia no litoral italiano no mercado de cruzeiros brasileiro ainda são indefinidos. Enquanto as armadoras evitam falar de possíveis danos na imagem deste popular produto turístico, agências e operadoras de turismo acreditam que o mercado, que vem crescendo no Brasil a uma média de 30% ao ano, continuará atraindo o interesse do viajante brasileiro. Só para esta temporada, entre outubro passado e abril deste ano, eram esperados cerca de 890 mil passageiros em 17 transatlânticos, em múltiplas viagens.

— É muito cedo para avaliar qualquer dano referente a reservas na América do Sul. Hoje (segunda-feira) é o primeiro dia útil após o ocorrido e não temos ainda parâmetros suficientes. Aguardamos orientações da matriz que é quem está lidando com o grande volume de solicitações neste momento — afirmou a diretora de vendas da Costa para o Brasil, Cláudia del Valle.

Indícios de erro humano deixam turistas mais calmos

Na temporada 2011/2012, a Costa trouxe quatro navios para o Brasil: Pacifica ("gêmeo" mais mais novo do Concordia, inaugurado em 2009), Magica, Fortuna e Victoria. Outras duas grandes armadoras presentes no país, a MSC e a Royal Caribbean, também são cautelosas. As duas afirmaram que ainda não é possível saber os impactos do acidente no mercado local.

O vice-presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav), Edmar Bull, diz que a procura, no Brasil, deve continuar "em alta":

— Existe ainda cautela e preocupação por parte dos passageiros. Muitos ligaram para as agências em busca de informações sobre segurança, mas não houve cancelamentos. Todos sabem que foi erro humano e o brasileiro já adquiriu confiança nesse tipo de serviço. Se houver impacto no mercado, será na Europa. Não chegará ao Brasil.

A gerente-geral da Nascimento Turismo do Rio, Dyrana Guimarães, também está otimista:

— Hoje (segunda-feira) mesmo já fechamos alguns pacotes para o carnaval. Não acredito que vá afetar nada. Foi um episódio pontual, um erro humano, em outro país. Se tivesse acontecido na costa brasileira aí sim poderia gerar algum receio. Também não acredito que a imagem da empresa possa ficar comprometida, diferente do que aconteceu no ano passado com a MSC.

A empresa à qual ela se refere foi protagonista de dois casos célebres de problemas envolvendo transatlânticos no Brasil. Em dezembro de 2010, um cruzeiro que partiria do Rio foi cancelado por problemas no sistema de ar-condicionado. Em janeiro de 2009, 380 passageiros de um navio da armadora passaram mal em viagem ao Nordeste, devido a um surto viral.

Em novembro de 2011, o navio Veendam, da companhia Holland America, atracou no Rio com uma passageira morta e outras 86 pessoas com gastroenterite, o mesmo problema dos 310 passageiros do Vision of The Seas, da Royal Caribbean, num cruzeiro por Búzios, em 2010. Os 1.987 passageiros e 765 tripulantes foram proibidos de desembarcar por um dia.

ATENDIMENTO AO PASSAGEIRO

CRUZEIROS DA COSTA NO BRASIL E NO EXTERIOR: Quem já comprou um pacote de cruzeiro para esta temporada e estiver pensando em alterar os planos de viagem, ao ligar para o serviço de atendimento da Costa Cruzeiros no Brasil vai receber a seguinte orientação: as regras para cancelamento dos cruzeiros são as que estão nos contratos dos passageiros. Ou seja, quem tiver comprado, por exemplo, um pacote para roteiro a bordo do Costa Pacifica — um dos quatro navios que a companhia está trazendo para a temporada na costa brasileira — e quiser desistir da viagem por causa do acidente na Itália, vai precisar pagar multa ou as parcelas restantes, dependendo do tipo de contrato e dos prazos estipulados para cancelamento. O mesmo vale para os cruzeiros no exterior programados para outros navios que não o Costa Concordia.

CRUZEIROS NO COSTA CONCORDIA: A única exceção que a empresa está fazendo é para quem já tinha comprado pacotes para o Costa Concordia em datas futuras de saída. Para esses clientes, os casos estão sendo analisados individualmente. O consumidor terá a opção de receber o dinheiro de volta ou ser realocado em outro navio da companhia de cruzeiros, em rotas similares às que o transatlântico acidentado faria nesta temporada de inverno.

oglobo.globo.com | 17-01-2012

LONDRES - O setor de cruzeiros enfrentará agora um desafio para recuperar a confiança dos clientes, assustados pelas imagens do acidente com o navio Costa Concordia, que tombou de lado na costa italiana, bem perto da ilha de Giglio, na última sexta-feira.

A indústria pode sofrer um golpe em suas vendas em um período-chave para as reservas. Carnival Corporation, a empresa proprietária do barco que naufragou, disse que espera um prejuízo de US$ 90 milhões por causa do acidente de sexta-feira, apenas pelo fato do barco ficar fora de serviço durante o resto do ano.

- As consequências a longo prazo para o setor de cruzeiros podem ser significativas. Este acidente poderia ter um impacto relevante para fim de operações porque estamos na alta temporada para reservas - disse Geoffrey d’Halluin, analista da empresa Natixis.

O primeiro trimestre é um período chave para as reservas de todo o setor de turismo e é pouco provável que as imagens incentivem os turistas europeus de férias, que já enfrentam dificuldades econômicas, a optar por um cruzeiro.

- Creio que vai ser um trimestre horrível e curto - disse à Reuters Wyn Ellis, analista da Numis. - Haverá com segurança um impacto de curto prazo porque é um período de reservas chave e muita gente descartará os cruzeiros a curto prazo.

Não obstante, Ellis considera que o setor se recuperará a longo prazo.

- Acredito que as pessoas têm memórias de muito curto prazo. Esse verão vai ser terrível, mas em termos das avaliações a longo prazo e dos fundamentos da indústria, acredito que o impacto será secundário.

A Carnival já havia anunciado em dezembro uma baixa em seus preços para os cruzeiros em 2012 por causa da menor demanda na Europa, devido ao impacto da crise econômica na região. As ações da empresa caíram 16,3%, diminuindo o valor da companhia em quase US$ 1,07 bilhão. Os títulos da Royal Caribbean Cruises, sua rival no mercado, caíram 7,41%.

A Carnival divulgou estimativas de que o Costa Concordia estará fora de serviço pelo menos até o fim de seu ano financeiro.

oglobo.globo.com | 16-01-2012

RIO e MADRI - Em vez de fila de espera, tapete vermelho. Se depender da equipe formada pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE) para elaborar uma política nacional de imigração, é assim que o governo pretende tratar o profissional estrangeiro altamente qualificado que demonstrar interesse em trabalhar no Brasil. Por outro lado, a fila do visto será mantida para o imigrante sem qualificação, como boa parte dos haitianos que chegaram recentemente pela fronteira norte do país (Acre e Amazonas).

Coordenador do projeto, o economista Ricardo Paes de Barros disse que, se o governo for cuidadoso, poderá abrir um novo ciclo de imigração europeia para o Brasil. Para isso, terá de remover as dificuldades que emperram o processo de concessão de vistos. Embora alterado por atos administrativos ao longo dos anos, é ainda o Estatuto dos Estrangeiros, uma lei de 1980, quando o país ainda vivia sob o regime militar, que define as regras de autorização de trabalho.

— Como o Brasil é agora uma ilha de prosperidade no mundo, há muita gente de boa qualidade que quer vir. Mas a fila do visto é a mesma para todos. Não estamos olhando clinicamente para ver quem vai trazer tecnologia — disse Ricardo.

De janeiro a setembro do ano passado, o Ministério do Trabalho concedeu 51.353 autorizações de trabalho a estrangeiros, um aumento de 32% em relação ao mesmo período do ano anterior. Para obter o visto, o interessado, entre outras exigências, é obrigado a comprovar sua qualificação com documentos autenticados pela rede de consulados brasileiros. Para especialistas, as regras são rigorosas e subjetivas demais.

— Se quisesse trazer o Pablo Picasso, que tipo de documento eu teria de apresentar para provar que ele é pintor? — ironizou o advogado Giovani Lara dvos Santos, sócio de um escritório especializado na regularização de estrangeiros.

O espanhol Javier García-Ramos, de 41, reforçará em breve as estatísticas sobre o crescimento de imigrantes. Dentro de duas semanas, se o visto sair, ele decolará de Madri para tentar uma vida nova em São Paulo. Por causa dos últimos quatro anos de crise econômica, o número de espanhóis no Brasil cresceu, pelo menos, 45%. É um perfil de profissional que escapa entre os dedos da castigada Espanha e que parece interessar às empresas brasileiras, que os recebem com bons salários e participam, junto com o futuro empregado, do laborioso trâmite de solicitação de visto.

— A burocracia é mais complicada do que eu imaginava. O consulado brasileiro não serviu muito —- queixou-se García-Ramos.

O espanhol resolveu contratar uma empresa brasileira de consultoria jurídica em imigração, indicada pela Câmara de Comércio Brasil-Espanha, para agilizar o processo:

— Não atrasarei minha viagem por causa do visto. Enquanto isso, vou aprendendo português e conhecendo melhor o país.

SAE quer propor processo seletivo

A primeira versão do projeto da SAE, elaborada por uma equipe formada por economistas, juristas, demógrafos e sociólogos, deverá sair em dois meses. Os responsáveis admitem que o objetivo é propor o que Paes de Barros chama de processo de imigração seletiva, que priorize a "drenagem de cérebros", mas estabeleça limites para os estrangeiros que chegam fugindo da pobreza de seus países.

— É preciso definir até onde irá a nossa generosidade. Como vamos contribuir para aliviar a pobreza do mundo e absorver essas pessoas. Solidariedade tem de ter limite e caber dentro do que o Brasil pode ajudar — disse Ricardo.

A inspiração para o projeto, explicou o economista, é a política de imigração praticada pelo Canadá e pela Austrália, países que mantêm as portas abertas para os profissionais estrangeiros:

— Na década de 30, São Paulo recebeu muitos imigrantes europeus. E eles chegaram com a capacidade de fazer coisas, como operar as máquinas a vapor.

Para o ministro-chefe da SAE, Moreira Franco, conceder vistos é também transferir tecnologia.

— Não se transfere comprando produtos lá fora. É preciso drenar os cérebros. Tecnologia está na cabeça das pessoas — observou, de olho na massa de desempregados produzida pela crise na Europa.

Executiva de uma agência de viagens, Maria Sanches está entre os 87 mil espanhóis registrados como residentes no Brasil. Ela chegou em São Paulo em 2008 e vai renovar pela quarta vez o visto de trabalho:

— A impressão que tenho é que a Espanha está se desintegrando.

Em vez de enfrentar a burocracia dos vistos, a empresa de engenharia Technip optou por montar uma filial em Lisboa. Aberta no ano passado, ela já trabalha com 45 profissionais portugueses empregados no desenvolvimento de projetos ligados às áreas de óleo e gás no Brasil, sem perder o conteúdo nacional.

Diretor de RH da Technip, Nelson Prochet disse que a empresa enfrenta dificuldade para contratar engenheiros brasileiros porque o mercado está aquecido e falta gente.

O governo passado também tentou criar uma política nacional de imigração. O secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, disse que o Ministério da Justiça chegou a encaminhar o projeto à Casa Civil, mas o presidente Lula não o assinou.

oglobo.globo.com | 15-01-2012

RIO - Logo em sua estreia, em 2005, a editora portuguesa Tinta-da-china movimentou o mercado editorial de seu país com o lançamento de "O pequeno livro do grande terramoto", de Rui Tavares, sobre o terremoto que destruiu Lisboa em 1755. A obra ganhou o prêmio de melhor ensaio do ano, esgotou cinco edições e projetou o autor, que se elegeu deputado do Parlamento Europeu. De lá para cá, a editora ganhou prestígio e lançou quase 180 títulos.

Seleção de crônicas

Agora, a Tinta-da-china desembarca no Brasil, atraída pelos bons ventos da economia local e impulsionada pela crise europeia.

— A Europa está numa crise tremenda — diz Bárbara Bulhosa, que foi livreira por dez anos antes de fundar a Tinta-da-china. — Pensamos: "Para onde expandir? Onde poderíamos ter mais receptividade?". Para o Brasil. E não só porque o país está crescendo, incentivando a leitura, criando uma camada nova de leitores. Mas é também porque é nossa língua, interessa-me divulgar autores portugueses que não estão aqui.

O primeiro livro sai em março. É uma seleção de crônicas de Ricardo Araújo Pereira, um dos grandes fenômenos do humor português, convidado do festival Risadaria deste ano, em São Paulo. Em seguida, é a vez do romance "O retorno", de Dulce Maria Cardoso, considerado um dos livros de 2011 em Portugal pelo jornal "Público" e pelas revistas "Ler" e "Time Out". E, depois, "E a noite roda", romance de estreia de Alexandra Lucas Coelho, correspondente do "Público" no Brasil.

Diferentemente da LeYa e da Babel, outras duas editoras portuguesas que já estão no Brasil e vêm ampliando sua atuação, a Tinta-da-china tem um catálogo pequeno.

— Somos uma editora independente, que lança 40 livros por ano e associa qualidade e venda. Recusamos várias propostas de compra, queremos manter a independência.

Em 2008, a Tinta-da-china ganhou o prêmio de melhor editora portuguesa, conferido pela Ler/Booktailors. Na justificativa, é dito que ela "combina a qualidade editorial à gráfica, aposta em bons materiais e mantém essa forte coerência em todos os livros que publica".

— Gostamos do livro como objeto e acreditamos na sua viabilidade — diz Bárbara, que ainda não publica e-books.

A ideia não é se limitar aos autores portugueses. A Tinta-da-china vai estrear no universo infantil justamente com uma brasileira, Tatiana Salem Levy ("A chave de casa" e "Dois rios"). Ela já começou a escrever o primeiro livro da coleção, que será editado simultaneamente no Brasil e em Portugal.

— Publicaremos também obras de referência na literatura internacional que não se encontram disponíveis no Brasil.

Entre as coleções da editora, um dos destaques é a de literatura de viagens, que inclui desde Werner Herzog e Saul Bellow até Alberto Moravia e Mark Twain.

oglobo.globo.com | 13-01-2012

RIO - O planejamento de uma viagem ao exterior inclui, normalmente, a aquisição de um seguro cujo objetivo é garantir a tranquilidade do viajante, principalmente no caso de problemas de saúde. Entre o plano e a realidade, porém, há uma grande diferença. Mesmo seguindo a orientação dos agentes de viagem e contratando serviços de empresas conhecidas, duas brasileiras tiveram suas viagens de sonho transformadas em pesadelos. Um dos casos está tramitando na Justiça do Rio.

Em dezembro do ano passado, a estudante de Economia Isabela Barata, de 21 anos, embarcou com destino aos Estados Unidos, para um intercâmbio cultural de três meses. Dias depois, contraiu uma forte pneumonia. Nairo Barata, seu pai, conta que ela entrou em contato com a central de atendimento da seguradora em São Paulo, seguiu as orientações e foi atendida por um médico que cobrou US$ 150 (R$ 274,50). O contrato garantia o reembolso do valor e a cobertura de despesas médicas, segundo ele.

Atendimento médico de urgência custou mais de R$ 4 mil nos EUA

No último dia de 2011, a jovem viajou a Los Angeles. Seu estado de saúde piorou, e ela foi levada por uma amiga a um hospital. Lá, após ser submetida a exames e ficar em observação durante uma tarde, foi informada de que o seguro não iria cobrir as despesas. Foi obrigada a pagar US$ 2.500 (R$ 4.575) para deixar a unidade:

— O cartão não foi aceito. Ela conseguiu falar com uma tia, que pagou a despesa. No fim, as duas operações foram efetuadas. Depois de muita briga, a seguradora estornou o valor debitado do cartão de Isabela, mas apenas uma parte do outro. E não reembolsou o valor da primeira consulta. Dizem apenas que preciso aguardar que os documentos cheguem à sede, em Washington — conta Nairo Barata.

A família pretende processar a seguradora pelos prejuízos materiais e danos morais sofridos:

— Tive de fazer empréstimo para mandar a mãe da Isabela cuidar dela, porque não tivemos qualquer apoio da empresa. Já gastei uns R$ 16 mil, e nossos recursos são finitos. A Isabela está melhor, mas continua nos EUA porque ainda não pode viajar de avião. Perdi totalmente a confiança nessa seguradora — diz o pai da estudante.

Já a professora Maria da Conceição de Lima está processando a seguradora que negou reembolso das despesas quando ela viajava com a filha pela Espanha. A jovem passou mal, e, apesar de levar na bagagem uma apólice de seguro que previa cobertura de até US$ 30 mil, Conceição teve de arcar com os custos de uma cirurgia de emergência à qual a filha foi submetida em Barcelona. A seguradora, vinculada a um cartão de crédito, alegou que a doença era preexistente:

— Não entendemos dessa forma. Ela estava muito bem quando viajou — argumenta Janaína Alvarenga, advogada da Associação de Proteção e Assistência aos Direitos da Cidadania e do Consumidor (Apadic), que defende o caso.

A família tenta receber a indenização desde 2009. Segundo Janaína, é preciso ter absoluta atenção para saber o que efetivamente está coberto pelo seguro: acidentes pessoais, exames, consultas, internações, remoção, acompanhante, retorno ao Brasil, entre outros itens, de acordo com a necessidade de cada um.

— O melhor é optar pelo seguro que ofereça a maior cobertura possível. Pesquise, entre nos sites das empresas, compare os serviços oferecidos. Dependendo do caso, é válido combinar o seguro do cartão de crédito com o de uma seguradora — explica a advogada.

Em alguns países, seguro-saúde é obrigatório para estrangeiros

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) também orienta o futuro viajante a adotar cuidados redobrados. Quando a assistência de um plano local é estendida ao exterior, nem sempre a cobertura será igual à do Brasil. Por isso, o consumidor precisa ficar atento às cláusulas contratuais. O Idec lembra que os EUA e alguns países da União Europeia exigem que o estrangeiro contrate um seguro-saúde. Portanto, segundo o órgão, o melhor nesse caso é procurar, antes da viagem, o consulado do país e conferir as condições exigidas.

O consumidor deve ficar alerta ainda para o fato de as companhias aéreas serem proibidas de vincular a contratação de seguro à compra da passagem. O seguro deve ser vendido separadamente, como uma escolha do passageiro. Isso porque a venda casada — de um produto vinculado a outro — é prática condenada pelo Código de Defesa do Consumidor.

A advogada Renata Reis, do Procon-SP, destaca que é preciso ter acesso ao texto das condições gerais, não apenas ao do contrato:

— A apólice é um resumo dos direitos e obrigações. É importante saber todos os detalhes do seguro que está sendo contratado.

Confira as dicas para evitar problemas com o seguro-viagem:

CONDIÇÕES GERAIS: Peça à seguradora o texto completo das condições gerais do contrato do seguro, não apenas o texto da apólice, que traz apenas um resumo.

ABRANGÊNCIA: Verifique atentamente os serviços e procedimentos médicos cobertos pelo seguro.

COBERTURA: Antes de assinar o contrato, observe também o que o seguro não cobre, para não ter surpresas desagradáveis na viagem.

EMPRESA: Esclareça qual é a empresa responsável pelo seguro. Caso ocorra algum problema, é contra ela que você terá de recorrer na Justiça.

AGÊNCIA DE TURISMO: A empresa que vende um pacote de viagem que inclua o seguro também é responsável por eventuais indenizações.

PROMOÇÕES: Seguros a preços baixos exigem atenção redobrada. Desconfie se o valor cobrado estiver muito abaixo da oferta de mercado. Um seguro de viagem básico custa cerca de US$ 100.

DOCUMENTOS: Guarde todos os documentos relativos à negociação e a eventuais despesas médicas no exterior, inclusive dos gastos com transporte e alimentação.

ACORDOS: Brasileiros segurados pelo INSS têm direito a atendimento médico gratuito na rede pública de países com os quais o Ministério da Previdência Social mantém convênio. São eles Argentina, Cabo Verde, Chile, Espanha, Grécia, Itália, Luxemburgo, Portugal e Uruguai. Confira a página para mais informações.

oglobo.globo.com | 11-01-2012

Inaugurada há dois meses no bairro do Alto, em Teresópolis, a Vila St. Gallen é um exemplo de congregação de entusiastas cervejeiros. O complexo de 2.200 metros quadrados teve investimento de R$ 4 milhões e inclui o Bistrô 1912, onde há gastronomia com pitada franco-brasileira e arquitetura art nouveau; e o restaurante Abadia, onde monges servem fumegantes fondues em ambiente que lembra um monastério.

Como não poderia deixar de ser, a vedete da vila é a cervejaria Bierfest, um braço da Therezópolis Gold. Para começar a enumerar as tentações, o local, inspirado na cidade belga de Bruges, tem um espaço para que os clientes aprendam a fazer sua própria bebida, auxiliados pelo mestre Maurício Machado. Os cursos acontecem aos sábados e abordam desde a moagem do malte até a colagem do rótulo.

— Os garçons se vestem como tiroleses, e estamos planejando adotar rituais retirados da Oktoberfest, como usar a bicicleta pedalada por ciclistas movidos a cerveja. Queremos criar um polo para receber turistas de todo o Brasil — revela um dos sócios, Vinícius Claussen, que administra o empreendimento.

No menu, os cervejeiros também não decepcionam. O cardápio tem sopa de shiitake com cerveja; marreco marinado na Therezópolis Rubine; e sobremesa preparada com calda caramelizada da bock encorpada.

Como uma verdadeira república utópica, a Vila St. Gallen terá moeda própria, em breve, que poderá ser utilizada no salão de jogos, na loja de suvenir e em outras partes do complexo.

As geladas recomendadas pela realeza

Na vizinha fábrica da Itaipava, em Pedro do Rio, os visitantes podem observar, desde o começo de outubro, todas as fases do processo de fabricação da cerveja e participar de uma degustação. A visita guiada, batizada de Beer Tour, é gratuita e dura cerca de uma hora.

— Para coroar, oferecemos aos convidados a chance de apreciar o mesmo produto que eles tiveram a oportunidade de ver nascer pessoalmente. As máquinas, os funcionários, as matérias-primas, tudo é visto pelos visitantes ao vivo e sem teatro. Queremos transmitir um pouco da emoção que nós sentimos por participar da fabricação de um produto desejado pelos brasileiros — declara Douglas Costa, gerente de marketing do Grupo Petrópolis.

Seguindo a tendência, a Bohemia, tida como a primeira cerveja produzida no Brasil, também planeja abrir as portas de sua fábrica, em Petrópolis, a partir do final deste mês. Os visitantes poderão também ali acompanhar os processos de fabricação e beber a cerveja que era consumida por Dom Pedro II e sua família.

Por falar em realeza, a tradição cervejeira está tão arraigada nas montanhas de Petrópolis, que até o trineto de Dom Pedro II, o príncipe Francisco de Orleans e Bragança, decidiu mostrar aos brasileiros o fruto de sua cervejaria, a Cidade Imperial. Localizada no bairro da Mosela, a fábrica duplicou suas instalações: está agora com 1.460 metros quadrados.

O príncipe em pessoa assegura que a cerveja é elaborada de acordo com a lei da pureza alemã, ou seja, todos os produtos são preparados a partir de malte, lúpulo e fermento. Além disso, os visitantes podem conferir o envase feito sem filtração e apreciar uma bebida com um teor alcoólico 6%, maior que o de outras marcas.

— Nosso gosto pela bebida é tradição familiar. Meu pai, Dom Pedro Gastão, adorava uma cervejinha. Como nasceu na Europa, tinha o hábito de consumir a bebida em temperatura ambiente. Foi assim que nos acostumamos a apreciá-la — conta o príncipe, cujo tio, D. João, manteve um alambique em Paraty até morrer.

Bearfest começa no dia 27

Se visitar o berço de grandes cervejarias brasileiras e degustar marcas artesanais não é razão suficiente para subir a Serra, o 1o. Circuito Serrano Bier Gourmet com certeza convencerá os fãs de cerveja mais relutantes.

O festival, de 27 deste mês a 28 de fevereiro, reunirá restaurantes e fábricas cervejeiras de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo. A ideia é que os chefs da região harmonizem pratos com as bebidas fabricadas na Serra e criem receitas com diferentes tipos de cervejas. A iniciativa da Secretaria Estadual de Turismo e da TurisRio já obteve verba do Ministério do Turismo no valor de R$ 3 milhões.

— O evento tem como objetivo principal potencializar as iniciativas já existentes em Petrópolis na produção de cervejas artesanais e estimular a abertura de microcervejarias que atuam na produção de cervejas especiais. Queremos incrementar o turismo — afirma Aníbal Duarte, diretor da Fundação de Cultura e Turismo de Petrópolis.

Segundo o Petrópolis Convention & Visitors Bureau, 31 restaurantes da cidade já estão cadastrados para participar do o circuito.

oglobo.globo.com | 07-01-2012

RIO - O branco nas roupas dos milhões de pessoas que festejaram a chegada do ano novo na Praia de Copacabana e nas lajes nas favelas mostrou, nos primeiros momentos de 2012, o clima de paz que a cidade sempre desejou. Pacificadas, as comunidades da Zona Sul e o asfalto confraternizaram unidos, esperançosos de que a paz dure por todo o ano. Na festa em Copacabana, que, segundo a Polícia Militar, reuniu 2 milhões de pessoas, a chuva que caiu no início da noite assustou um pouco o público. Mas, por volta das 23h30m, São Pedro deu um alívio e garantiu o sucesso do show de fogos. Milhares de pessoas que tinham deixado o calçadão retornaram para a praia.

A celebração foi considerada a maior festa de réveillon do mundo pela associação de turismo World Travel Guild. O representante da associação Ian Erix entregou o prêmio, dedicado ao Rio e à empresa SRCOM, que produz o réveillon pelo quinto ano consecutivo, no início da noite ao presidente da Riotur, Antônio Pedro Figueira, no palco Sol. Ao todo, foram 16 minutos e 32 segundos de queima de fogos, com 22 mil bombas de quatro a 14 polegadas.

- Vim de Nova York. Já fui a Ásia, Europa e Austrália, mas ninguém faz uma festa de réveillon como o Rio - disse Erix.

Ao todo, 17 balsas foram usadas para a detonação de fogos nas festas da virada em vários pontos do Rio. Na Zona Sul, além de Copacabana, houve três no Flamengo. Em Icaraí, em Niterói, na Região Metropolitana, o espetáculo de fogos foi feito por três embarcações.

O público ficou encantado com o show pirotécnico de Copacabana. Quando começou a música “All we need is love”, dos Beatles, muitos casais se abraçaram, sendo inspirados pelo queima de fogos. O casal cearense Maria de Jesus e Severino de Farias, comerciantes, achou lindo a festa de Ano Novo na praia. É a terceira que comemoram a passagem ano na cidade do Rio.

- Valeu muito à pena ter vindo passar mais um Ano Novo no Rio. Os efeitos dos fogos são incríveis e adorei um efeito de chuva, que acho que é novidade. Nunca tinha visto este antes – comemorou Maria de Jesus.

O estudante austríaco Renah Schmie veio fazer um intercâmbio em São Paulo mas decidiu passar o Ano Novo em Copacabana. Ele disse estar encantado com a alegria do carioca que, para ele, é o povo mais feliz do mundo e que tem o réveillon mais animado. Shmie afirma ter adorado o clima de paz da festa e prometeu tentar vir outras vezes.

Moradora de Caxias, a aposentada Natália Marques disse que é o terceiro ano seguido que passa em Copacabana. Ela achou que a festa seria abafada pela ininterrupta chuva.

- Assim que os fogos explodiram no céu, a sensação que eu tive foi que as pessoas esqueceram o desconforto da água. Os efeitos dos fogos foram sensacionais e a música contagiante – conta Maria.

Os indícios de que Copacabana lotaria já podiam ser observados às 19h quando ainda não havia começado a chover. Em frente ao Palco Sol, na altura do Hotel Copacabana Palace, a multidão já tomava o calçadão e a areia. A chuva veio e fez a alegria dos camelôs que conseguiram driblar o choque de ordem e vendiam capas a R$ 5, mas não desaninou a multidão. No palco, Beth Carvalho e o Rappa ajudaram a manter o clima.

O casal de namorados Gabriel Almeida e Daniela Mesquita, ambos de 18 anos e moradores da Barra, disseram que a chuva não atrapalhava seus planos. Eles querem acompanhar o show do DJ francês David Guetta, no calçadão ou na areia.

- De forma alguma essa chuva vai atrapalhar minha festa, só estou tomando coragem para ir para o calçadão. Com certeza, na hora da virada, estarei ao ar livre, sem me importar com a chuva - disse Gabriel, enquanto se abrigava no posto próximo ao hotel Sofitel

Moradora de Mesquita na Baixada fluminense, Lucia Regina Coelho, de 44 anos, veio equipada com guarda-chuva, capa e casaco para aguentar o vento até a hora da virada.

- Cheguei às 16h e não saio daqui nem para ir ao banheiro. Ainda mais que vai ter Latino - disse Lucia Regina, que estava acompanhada de outros cinco parentes.

Um grupo de Montes Claros, em Minas Gerais, não se abalou por conta do mau tempo.

- É sensacional o réveillon do Rio. É um carnaval. Tem todo tipo de gente, fora as atrações e a que eu mais quero ver é a banda O Rappa - contou o estudante de engenharia Pedro Henrique Pimenta, de 20 anos, que carregava sua própria bebida para aguentar a noite toda.

As estudantes Ana Carolina Oliveira e Débora Cardoso, de 18 anos, moradoras da Barra, saíram de casa por volta das 18h para curtir os shows na praia de Copacabana. As duas são fãs do DJ David Guetta e estão preparadas para dançar até o amanhecer. A única reclamação das jovens é com relação à limpeza dos banheiros químicos – queixa também da maioria dos que estão na fila para usar os sanitários na altura do Posto 4.

Até as 22h30, a Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil (SMSDC) realizou 237 atendimentos nos sete postos médicos montados na orla de Copacabana. Duas pessoas precisaram ser removidas para unidades municipais, sendo que uma delas é um homem com intoxicação alcoólica e agitação psicomotora que foi transferido para o Instituto Municipal Philippe Pinel, em Botafogo.

No Posto Médico 6, instalado em frente à Rua Barão de Ipanema, registrou, até à 1h15m, 65 atendimentos. Segundo um atendente, que pediu para não ser identificado, em um desses casos, foi necessário remover a pessoa para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, mas não foi informado o motivo. Em dez minutos, duas pessoas chegaram desmaiadas, trazidas por maqueiros, aparentemente por excesso de bebida alcoólica.

Na Rocinha, ocupada desde novembro, a comunidade pode finalmente festejar a virada do ano em paz. De uma laje da Via Ápia a moradora Maria José Barbosa não parava de aplaudir a chegada de um novo ano em paz. Nas vizinhanças, dezenas de pessoas ignoram a chuva e também esperavam nas lajes a queima de fogos de São Conrado

—- Finalmente estou recebendo os amigos e familiares pela primeira vez na minha casa. Daqui temos uma vista privilegiada dos fogos de São Conrado — disse Maria José.

A chuva atrapalhou um pouco o bailão, que teve pela primeira vez alvará e autorização da prefeitura. Mesmo assim, a Via Ápia foi um exemplo de animação. Moradora da Barra da Tijuca, Bruna Lima levou a família toda para a comunidade.

— Resolvi inovar. Passar o réveillon neste bailão da Rocinha foi a forma de apoiar a pacificação. Estou adorando — disse Bruna.

Já na laje de Carlinhos Baiano, próxima à Rua 1, as carnes para o churrasco, as bebidas e os petiscos faziam o deleite de turistas.

— Temos aqui turistas de vários países, entre eles Itália e França. — contou Baiano, todo orgulhoso.

O austríaco Johannes Poppler, de 26 anos, observava tudo com extrema atenção.

— Eu queria ter uma experiência mais autêntica e ver como as pessoas celebram o ano novo nas comunidades — disse o austríaco.

No Pavão-Pavãozinho, onde a UPP está presente desde dezembro de 2009, nem a chuva acabou com a animação de um grupo de cerca de 30 brasileiros e turistas que subiram o morro em bloco. Eles foram para uma laje e, com tamborins, agitaram a comunidade. Entre os que seguiram para o réveillon do Pavão-Pavãozinho, estava o fisioterapeuta Fábio Caruzo, que levou três amigos:

— Daqui, temos visão privilegiada da queima de fogos, pessoas legais, e comida de boa. Melhor é impossível.

Na Avenida Altântica, a multidão pulou, cantou e vibrou.

—- Este réveillon no o Rio é sensacional, com gente feliz e de todo o tipo — vibrava o estudante de engenharia Pedro Henrique Pimenta, de 20 anos, que veio de Montes Claros (MG) e já planeja o réveillon de 2012 em uma favela pacificada.

Na Lagoa, a chuva deu uma pequena trégua para que os fogos pudessem colorir o céu no momento da virada por cerca de dez minutos. O público, que era pequeno por conta da chuva, praticamente dobrou nos minutos que antecederam a virada do ano. Fogos com formas variadas arrancaram suspiros e aplausos dos que assistiam ao espetáculo. Por trás dos morros era possível observar o colorido dos fogos de Copacabana.

A analista de sistemas Simone Bucker e o consultor de sistemas Marcelo Tralhão trouxeram os filhos Beatriz, de 12 anos, e Gustavo, de 8 anos, para assistir à queima de fogos pelo segundo ano consecutivo.

- Este espetáculo foi o mais belo de todos. Gostamos muito - disse Simone.

O advogado Carlos Antonio Barbosa veio pela primeira vez assistir à queima de fogos na Lagoa e aprovou:

- A festa da virada surpreendeu minhas expectativas.

Reportagem de Ludmilla de Lima, Monique Vasconcelos, Bruna Talarico, Isabel Araújo, Luiz Gustavo Schmitt, Renata Leite, Melina Amaral, Melina Pinho e Patrícia de Paula

oglobo.globo.com | 01-01-2012

Os niteroienses estão viajando mais. Agências de turismo da cidade perceberam aumento de até 30% no número de viagens durante o ano passado em relação a 2010. Dezembro não foi um dos meses mais expressivos, mas, ainda assim, teve aumento de cerca de 15%, segundo os negociadores.

Segundo os agentes, os pacotes prediletos foram os que ofereciam viagens de lazer em cruzeiros variados, representando 40% de todas as vendas das agências locais. As demais foram distribuídas entre o Nordeste brasileiro, países da Europa — como Inglaterra, França e Itália — e, em menor escala, para outras regiões.

— Essas viagens estão em alta em todo o país, mas os niteroienses têm um gosto particular por esse jeito de viajar, tanto que, quem quiser reservar vaga em um confortável cruzeiro para o carnaval, pode encontrar dificuldades desde já. Temos muita procura — contou Juarez Gonçalves, supervisor da agência Quatro Cantos, de Icaraí.

Viajantes já reservam para o carnaval

Para os interessados em garantir lugar em um dos principais pontos turísticos durante o período de folia, anda há esperança. Gonçalves afirma que ainda existem vagas para cruzeiros, assim como há pacotes para as principais capitais nordestinas, a partir de R$ 1.600.

A ginecologista Mariana Durão, de 36 anos, está planejando uma viagem em família no carnaval. Ela começou a pesquisar preços de cruzeiros em novembro, mas ainda não conseguiu escolher o pacote. Semana passada ficou sabendo que os preços pesquisados já estão desatualizados e as vagas, cada vez mais escassas:

— Precisamos correr, porque as melhores vagas estão se esgotando. Acho que vai ser mais fácil escolher agora, que temos menos opções, mas talvez isso pese no bolso.

O importante é comprar os pacotes com segurança, em agências devidamente cadastradas. De acordo com o Ministério do Turismo, existem 107 empresas regularizadas na cidade. A lista pode ser checada na página do Sistema de Cadastro do Setor do Turismo (Cadastur): .

Quem já teve a experiência, dá alguns conselhos. O advogado Ancelmo Dias, de 29 anos, viajou, em janeiro do ano passado, em um cruzeiro com destino a Salvador e Maceió. A viagem foi planejada com três meses de antecedência. A escolha da agência e dos pacotes foi criteriosa.

— Eu pesquisei entre vários amigos que tinham viajado naquela época. Visitei diversas agências e pesquisei preços. Sempre consegui ofertas melhores, apresentando a dos concorrentes. Depois, valeu muito a pena, porque eu passei dias muito agradáveis, na companhia de uns amigos, com segurança, conforto e sem pagar muito — disse ele.

oglobo.globo.com | 31-12-2011

RIO - Poucas coisas são tão boas para o começo do ano quanto fazer novos planos. Se forem sobre novas viagens, melhor ainda. Neste quesito, 2012 promete levar o viajante, ou pelo menos sua imaginação, para o Oriente. Com a inauguração do voo direto diário da Emirates entre Rio e Dubai não só as duas cidades ficarão mais próximas, mas diversificam-se as possibilidades de conexões no momento de planejar as próximas férias. Novos voos lançados neste ano para Londres, Frankfurt e Roma também aproximaram os cariocas do Velho Continente, que está mais em conta por conta da crise econômica. A capital inglesa, sede das Olimpíadas de 2012, figura em todas as listas de "melhores destinos" do ano. Além dos Jogos, melhorias em urbanismo e infraestrutura hoteleira e grandes eventos culturais fazem de Londres uma ótima opção durante o ano inteiro. Na América do Sul, a gastronomia peruana e a natureza colombiana estão em alta.

Operadoras de turismo jogam as fichas na Ásia e no Oriente Médio

No próximo dia 3 a Emirates inaugura a rota Rio-Dubai, com voos diretos. Especula-se ainda que a Turkish vá iniciar em 2012 o trecho Rio-Istambul. Assim, vai ficar muito mais fácil viajar não só para esses dois lugares, mas para todo o Oriente. Entre o certo e o duvidoso, as operadoras de turismo apostam com segurança na Ásia e no Oriente Médio como os destinos do momento, no Brasil, de maneira geral, e no Rio, especificamente. A cidade turca apresenta ainda outras duas razões para ser a bola da vez: a próxima novela de Glória Perez vai ter cenas passadas na cidade (e na Capadócia) — e, de quebra, a Turquia acaba de ser eleita o "país favorito" pelos leitores do guia Frommer’s.

Dubai é a aposta óbvia do mercado, segundo o diretor comercial da Shangri-lá, Jorge Castro. Mas é apenas a primeira parada de uma viagem mais ampla pelo continente.

— Esse novo voo é certamente a principal novidade do mercado. E representa um leque de possibilidades pela Ásia. Agora está mais fácil — diz Castro, que acredita também na consolidação de lugares que foram novidades nas últimas temporadas. — A Turquia, depois de ser descoberta pelos brasileiros, já se estabeleceu como um destino principal. O Caribe também.

O diretor da Abreu no Brasil, Ronnie Corrêa, compartilha a opinião sobre o mais famoso dos Emirados Árabes Unidos. Para ele, além de Dubai, a grande beneficiada pela nova frequência será a China:

— Já havia uma demanda muito forte pelo país. Com a facilidade do novo voo para Dubai, estamos remodelando nosso roteiro pela China.

Outra novidade da Abreu é o lançamento do programa Europa Premium. Rússia, apesar do momento político conturbado, e Toscana, na Itália, são alguns dos destinos cuja procura tem crescido e que serão abraçados por esse novo serviço, com roteiros mais sofisticados e personalizados.

— Na Rússia, por exemplo, estamos incluindo uma viagem de trem entre Moscou e São Petersburgo, um trecho que normalmente era feito de ônibus. Nessa mesma linha vamos oferecer um city tour em Paris a bordo de um Citroën antigo. A ideia é dar mais charme à viagem — diz Corrêa, que adianta que Califórnia e Canadá serão as apostas da agência de origem portuguesa na América do Norte.

Serviço personalizado e roteiros de luxo são a marca de duas operadoras que também terão novidades em 2012. Queensberry e Teresa Perez Tours acompanharão a maré do mercado, que leva os turistas para o Oriente. Conhecida por seu programa Grupo Brasileiros pelo Mundo (GBM), a Queensberry mantém o foco nos roteiros pela Europa, mas dedica parte de seus esforços para 2012 ao continente mais distante. "O melhor da China e Sudeste Asiático" e "A Rota da Seda — A rota dos encontros" são os dois novos programas que contemplam a Ásia, com ênfase em países como Índia, Vietnã e Camboja. A Europa Oriental também tem seu destaque, no roteiro "As pérolas dos Bálcãs", que passa por Bulgária e Romênia. Em outra categoria de pacotes, a "slow travel", que dá mais tempo em cada cidade, a operadora tem mais duas novidades "orientais": "Transilvânia: lendas e mitos" e "Kiev, São Petersburgo e Moscou: relíquias e tesouros soviéticos".

Na lista de programas indicados para o verão da Teresa Perez Tours, duas pérolas do Oceano Índico chamam a atenção. No roteiro por Bali, na Indonésia, a hospedagem é no luxuoso hotel Bulgari e há passeios a bordo de iates. Já o pacote de Seychelles tem aulas de ioga e voos de helicóptero a partir do Maia Luxury Resort & Spa. Outras opções menos ao Oriente completam a lista de apostas para o verão da agência: Marrocos; ilhas Turks e Caicos, no Caribe; e Punta Mita, na costa noroeste do México.

— As viagens para regiões do Caribe, Indonésia e Seychelles vão demorar a deixar de ser tendência. Além da infraestrutura, com hotéis e restaurantes de luxo, esses lugares carregam todo o fascínio de trechos de praias desertas e arrecifes de corais com cores vibrantes — diz Tomas Perez, presidente da Teresa Perez Tours.

Os caminhos para o leste podem levar também a uma viagem de sete dias pelas águas de Vietnã e Camboja a bordo do AmaLotus, navio para 124 passageiros, com salões panorâmicos e boa gastronomia, que navega pelo Rio Mekong. O pacote, a partir de 20 de fevereiro, é uma boa opção para quem quiser um carnaval diferente, serpenteando por templos, palácios, vilarejos e florestas no Sudeste Asiático.

Sede das Olimpíadas, Londres é a grande aposta na Europa

Os Jogos Olímpicos de 2012 já seriam motivo suficiente para Londres ser considerada um dos destinos turísticos mais quentes do ano que vem. Mas tem mais. Para se preparar para a competição, a cidade expandiu o sistema de aluguel público de bicicletas e as linhas de trem, criando outros meios para se explorar as ruas, e tornando áreas antes segregadas, na região leste, em uma nova atração turística. Para receber os visitantes, hotéis tradicionais se reformularam, como o Four Seasons e o centenário Savoy. Outros cinco estrelas foram inaugurados, entre eles o St. Pancras (dentro da estação de trem homônima) e o 45 Park Lane.

E, simultaneamente aos jogos, ocorrerá a "Olimpíada cultural". O Festival de Londres levará mais de mil eventos e exposições à cidade — do retorno da atriz Cate Blanchett aos palcos da cidade à apresentação de 37 peças de Shakespeare em 37 idiomas — entre 21 de junho e 9 de setembro.

As Olimpíadas de Londres já bateram o recorde de venda de entradas na Tamoyo, agência autorizada a oferecê-los no Brasil.

— Passamos de 17 mil ingressos para Londres 2012, quase empatado com o total vendido para Pequim, que foi de 18 mil. A expectativa é que que sejam vendidos 50 mil ingressos — diz Antonio Carlos Valente, sócio da empresa.

GUIMARÃES, PORTUGAL: Ao norte do país, a cidade medieval portuguesa, ainda pouco explorada por turistas brasileiros, é uma das mais jovens da Europa — quase metade de sua população tem menos de 30 anos. Com uma cena cultural em ebulição, será a Capital Europeia da Cultura de 2012 e terá um extenso calendário de eventos durante o ano.

ITÁLIA: Com o retorno das operações da companhia aérea Alitalia no Galeão, em junho, o país deve ser um dos mais procurados pelos cariocas. Atualmente, há cinco saídas semanais entre Rio e Roma.

— O brasileiro também está tirando proveito da crise econômica no país — diz Ricardo Werwie, diretor da RBW Travel — O setor hoteleiro tem oferecido diárias mais baratas, principalmente em comparação com os preços brasileiros. Muitos clientes que antes ficavam em quatro estrelas hoje ficam em hotéis de cinco.

ÍSTRIA, CROÁCIA: A maior península do Mar Adriático, quase na fronteira com a Itália, tem ganhado fama por suas trufas, seus azeites e seus vinhos brancos de Malvazija. Como se não bastasse o sucesso gastronômico, o litoral emoldurado por colinas, ocupadas por casarões históricos, é de tirar o fôlego. A adesão da Croácia à União Europeia — mesmo em meio à crise financeira — foi aprovada este ano e deve estar concluída até 2013, mas deve incrementar o turismo no país desde já.

oglobo.globo.com | 30-12-2011

RIO - O réveillon ambientalmente correto que a prefeitura quer promover em Copacabana para celebrar a realização em 2012 da Conferência de Meio Ambiente Rio+20 ganhou a sua primeira polêmica. A fogueteira Vivian Pires, responsável pelo show pirotécnico, planejou a queima de fogos de modo a iniciá-la com uma cascata de fogos verdes. Mas os fogos esverdeados — menção ao evento marcado para junho — não poderiam ser mais ecologicamente incorretos. O material que confere o tom esverdeado é o nitrato de bário, considerado por especialistas como o mais poluente entre todos os produtos químicos para colorir fogos.

O nitrato de bário é um produto usado no mundo todo em shows pirotécnicos. Trata-se da única substância barata disponível no mercado internacional em larga escala para conferir o tom esverdeado. A substância já foi usado antes, inclusive no réveillon do Rio, sem problemas. Mas o que chama a atenção desta vez é que “o efeito verde” festejará um evento ambiental internacional.

Os químicos George Steinhauser (austríaco) e Thomas M. Klapötke (alemão), em edição recente da revista germânica especializada “Angewandte Chemie” (“Química Aplicada”, em português), explicam o problema: “Fogos de artifício, apesar de serem instrumentos espetaculares de entretenimento, são poluentes. Muitas substâncias tóxicas chegam ao meio ambiente quando há detonação de fogos (....). De todas as substâncias, o nitrato de bário que produz o efeito químico esverdeado é a mais suja de todas as bombas”.

O secretário municipal de Turismo, Antonio Pedro Figueira de Mello, disse que o formato do espetáculo pirotécnico será mantido. Segundo ele, tudo foi planejado minuciosamente desde setembro. Ele destacou que o mais importante é que, pela primeira vez na história da festa, haverá compensação ambiental pela emissão de gases do efeito estufa. Espécies nativas da Mata Atlântica serão plantadas na bacia do Rio Guandu, em Miguel Pereira, que abastece os mananciais da água potável da capital.

— Não sou um especialista em química, mas há anos o nitrato de bário é usado na Praia de Copacabana. A proposta é usar a festa para despertar a consciência da população para a questão ambiental — diz o secretário.

O analista ambiental Rogério Rocco, do Instituto Chico Mendes, criticou o show pirotécnico tendo a Rio+20 como uma das referências.

— O problema é que o Brasil e o mundo não tem propostas claras para preservação do meio ambiente. O réveillon dará mais uma demonstração disso — disse Rocco.

Para o assessor de meio ambiente da prefeitura do Rio, Sérgio Bessermann, o caso é mais uma demonstração de que o modelo de exploração do planeta tem que ser repensado.

— Simbolicamente, não é bom festejar a Rio+20 assim. Mas esse é mais um reflexo do nosso padrão atual de consumo, onde quase tudo provoca poluição. Para as delegações chegarem ao Rio haverá o consumo de milhares de galões de combustível de aviões. A nafta da aviação é uma das substâncias mais poluentes do mundo — diz Sérgio Bessermann.

O presidente da Sociedade de Amigos Copacabana (SAC), Horácio Magalhães, criticou a associação da Rio+20 com o os fogos do réveillon.

— É um contra-senso. O emprego e fogos mais ou menos poluidores deveria ser um dos critérios de avaliação para a homenagem — disse.

A Pirotecnia Igual, empresa responsável pelos fogos, divulgou nota oficial na qual informa tomar todas as providências para minimizar os efeitos ao meio ambiente da queima de fogos. “As substâncias que serão usadas para produzir as diferentes cores são encontradas na natureza e usadas em outras aplicações comuns, como tintas e plásticos, e não apresentam nenhum perigo nas concentrações usadas. Os fogos que serão usados são homologados nos países com legislações ambientais das mais rígidas do mundo, como países da Comunidade Europeia e os EUA”, diz trecho da nota.

Sobre a concentração de bário, o engenheiro químico professor da PUC-Rio Wilson Bucker Aguiar Junior, consultor da Pirotecnia Igual, informa na nota que a queima será equivalente “ao deságue de uma hora de um rio pequeno no mar”. Com isso, o impacto no oceano seria nulo, avalia.

oglobo.globo.com | 28-12-2011

SÃO PAULO — A crise da dívida da União Europeia (UE) tem abalado as estruturas da economia mundial e deixado alguns em dúvida sobre o futuro do euro como moeda comum do bloco. No site do americano Wall Street Journal, um dos mais importantes jornais econômicos do mundo, uma pergunta, no início de dezembro, desafiava os leitores a refletir sobre o futuro: “Você acredita que o euro vai existir daqui a dez anos?” A maioria dos economistas, que acompanha a crise da dívida na Europa, avalia que a possibilidade de que a Europa “quebrar” e a moeda única se desintegrar é muito pequena. Mas essa visão não é unânime. Algumas empresas na Europa já começam a traçar planos para o caso de um colapso do euro. E já há muitos analistas de mercado projetando os cenários econômicos caso um ou mais países, como Portugal ou Grécia, abandonem a moeda europeia comum, que em 2002 nasceu para concorrer com o dólar.

— Antes da crise da dívida chegar à Itália, a chance do desaparecimento do euro ou de que alguns países abandonem a moeda única era de menos de 10%. Mas essa possibilidade cresceu significativamente nos últimos três ou quatro meses. Não é um risco que possa ser negligenciado. Ainda não chegamos ao fim da crise e, portanto, acidentes acontecem — disse ao GLOBO o estrategista Jens Nordvig, da corretora japonesa Nomura.

A Volkswagen AutoEuropa, de Portugal, já começou a traçar um plano de emergência em caso do fim do euro ou de Portugal abandonar a moeda comum. O diretor financeiro da empresa, Jurgen Dieter Hoffmann, disse ao jornal britânico Financial Times, que como a empresa automobilística é uma das maiores exportadoras de Portugal e faz parte de um grupo mundial, o impacto não seria tão negativo, sem revelar detalhes. Na Alemanha, a operadora de turismo TUI tomou uma medida mais radical. A empresa começou a a exigir a renegociação dos contratos com hotéis gregos expressos em dracmas, a moeda grega antes da entrada do euro. A medida é uma prevenção caso a Grécia saía da zona do euro. O câmbio usado nas transações não foi revelado, mas um estudo feito pela corretora Nomura mostrou que a dracma teria uma desvalorização de pelo menos 57% em relação ao dólar e ao euro, caso fosse restabelecida.

O grupo de varejo Sonae, também de Portugal, encomendou um estudo para saber qual seria o impacto para a economia caso o país abandonasse o euro. O trabalho já foi apresentado à direção da empresa, há um mês, e o Sonae informou que ainda não tem um plano B. O estudo mostrou um quadro muito ruim. Se Portugal voltasse ao escudo e abandonasse a zona do euro, haveria uma queda no valor dos salários e das poupanças entre 30% e 50%, trazendo consequências drásticas para o consumo. O custo de abandonar o euro, ficaria entre 9.500 e 11.500 “per capita” para cada português.

Até alguns bancos centrais já estão preocupados com a possibilidade de ruptura. O BC da Irlanda, por exemplo, já estaria preparando um esquema para imprimir moeda local para substituição do euro. Montenegro, nos balcãs, não tem capacidade para imprimir moeda. O país usava o marco alemão antes da chegada do euro. Agora já pensa numa moeda própria, em caso do fim do euro, terceirizando a impressão.

— O fim do euro ou o abandono da moeda única por alguns países provocaria um cenário econômico difícil de prever. As consequências seriam globais e muito piores do que a quebra do banco Lehman Brothers — diz o economista Raphael Martello, da consultoria Tendência de São Paulo.

Um estudo do Capital Economics, um instituto de análises econômicas, mostrou que se apenas Grécia e Portugal deixassem a zona do euro nos próximos dois anos, o PIB da zona do euro seria reduzido em 1% em 2012 e 2,5% em 2013, a mesma queda registrada na crise de 2008/2009 com a quebra do Lehman Brothers. O banco UBS estimou que se apenas a Grécia abandonasse o euro, isso custaria entre € 9.500 e € 11.500 per capita. Se a Alemanha abandonasse a moeda comum, diz o UBS, o custo por habitante seria de € 6.000 mil a € 8.000 mil.

O estudo do UBS calculou que se a Alemanha abandonar o euro, terá pelo menos um milhão de postos de trabalho dizimados, além de uma redução do PIB de cerca de 3%. Além disso, com uma nova moeda valorizada, a Alemanha perderia terreno nas exportações. O impacto, segundo análise da seguradora Allianz, seria uma redução de 50% nas vendas ao exterior.

Um levantamento da Corretora Nomura mostrou que se a Alemanha voltasse a usar o marco, seria a única moeda da região a ter valorização frente ao dólar e ao euro.

— Sair do euro ajudaria a resolver um problema de câmbio, com desvalorizações das novas moedas, dando fôlego às exportações. Mas o custo para cada país reestruturar sua dívida seria muito mais elevado. Além disso, estar na zona do euro, baixou o custo de captação de recursos para todos. O problema é que, em caso de ruptura, os países perdem acesso ao mercado financeiro. Todos terão dificuldades de financiamento, inclusive as empresas, pois o crédito deve secar. Certamente haverá o travamento de um fluxo de capital importante, e sem precedentes, que pode levar a uma recessão global — avalia o economista Raphael Martello, da Tendências.

Num cenário de caos financeiro, o cidadão comum corre para sacar seu dinheiro do banco. Isso seca o crédito e dificulta o acesso ao capital para as companhias. As empresas, por sua vez, cortam produção, demitem e o crescimento econômico fica travado. É o cenário mais propício para a instabilidade social.

— Por isso, ninguém espera uma ruptura total da moeda, mas sim de saída de algumas nações da zona do euro. Os efeitos do fim do euro seriam muito drásticos e assim é melhor se esforçar e tentar salvá-lo — diz o economista Martello.

oglobo.globo.com | 27-12-2011

ATENAS - Centenas de turistas foram impedidos de visitar a Acrópole de Atenas na véspera de Natal, depois que os guardas do local entraram em greve, exigindo o pagamento dos salários atrasados. Os visitantes tiveram que se contentar em tirar fotos do lado de fora dos portões fechados, neste sábado, espiando entre as grades para poder ver o templo do Século V - A.C..

"Isso é uma droga, porque esse era um dos principais locais de visitação aqui... estraga completamente todo o nosso final de semana," disse Anita Amin, de 25 anos, uma turista norte-americana.

A Grécia tem sofrido com uma série de greves provocadas pelos cortes impostos pelo governo endividado, numa tentativa de cumprir os termos do acordo do resgate financeiro fechado com a União Européia e com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A indústria do turismo do país já sofreu um grande golpe devido à greve dos motoristas de táxi e outros funcionários essenciais.

Os guardas de muitos outros sítios arqueológicos em toda a Grécia entraram em greve no sábado, dizendo que ficariam em casa todos os finais de semana, até que o governo pague os dois meses de pagamento por final de semana que lhes deve. "Somos trabalhadores. Temos visto nossos salários serem reduzidos enormemente devido à crise econômica e não podemos continuar trabalhando sem receber," disse o presidente do sindicato dos guardas, Yannis Mavrikopoulos.

A Acrópole é a principal atração da indústria de turismo, que representa quase um quinto da economia do país em crise."Levando-se em consideração que o turismo é uma das principais receitas do país, acho que eles deveriam encontrar outra maneira de expressar sua decepção com seus empregadores", disse Eduardo Gouveia, de 34 anos, um turista brasileiro.

oglobo.globo.com | 24-12-2011

BRASÍLIA - A ex-jogadora da seleção brasileira Mariléia dos Santos, mais conhecida como Michael Jackson, assumiu nesta quinta-feira a Coordenação Geral de Futebol Feminino do Ministério do Esporte. Uma das tarefas da ex-craque do futebol feminino é estimular as mulheres brasileiras a jogar futebol como acontece hoje nos Estados Unidos, Alemanha e Suécia, entre outros.Numa entrevista horas depois da posse, o ministro Aldo Rebelo destacou o vasto currículo da nova contratada.

- Ela jogou futebol por 30 anos em vários clubes no Brasil e na Europa. Disputou dois mundias e uma olimpíada. É autora de 1567 gols e foi escolhida como a terceira melhor jogadora de futebol da América do Sul no século XX - disse Rebelo.

Num balanço de fim de ano, o ministro disse também que estão concluídas as análises das contas de 111 convênios e contratos com ONGs (organizações não-governamentais). Segundo ele, os fiscais detectaram falhas formais em algumas prestações de contas, mas não encontraram indícios de desvios de dinheiro. A devassa não incluiu os convênios com as ONGs do soldado João Dias Ferreira e outras entidades denunciadas ao longo do processo que resultou na demissão do ex-ministro Orlando Silva. Estes convênios já teriam sido analisados pelo ministério ou pela Controladoria-Geral da União.

- Sempre se encontra irregularidades com prazos, datas, por trocas de nota. Isso é muito comum porque as entidades, mesmo de boa fé, nem sempre têm uma assessoria jurídica e técnica que preencha as exigências dos órgãos de controle. A absoluta maioria são irregularidades formais - disse Rebelo ao ser perguntado sobre o resultado da fiscalização.

O relatório com o resultado da fiscalização fo enviado à Casa Civil e à Controladoria-Geral da União. A devassa nos convênios foi determinada pela presidente Dilma Rousseff depois de sucessivos escândalos nos ministério do Turismo e Esporte. Pelo prazo estabelecido pela presidente, os ministérios devem concluir às análises das prestações de todos os convênios até 29 de janeiro de 2012.

Ministro defende mudança no relatório da Lei Geral da Copa

O ministro defendeu ainda a mudança no relatório do deputado Vicente Cândido (PT-SP), que obriga a União a indenizar eventuais prejuízos à Fifa durante a Copa do Mundo, mesmo que o governo federal não tenha qualquer responsabilidade nos danos. Para Rebelo, o ideal seria a volta das regras prevista no texto original. Pelo projeto, o governo só assumiria despesas com danos causados por ação ou omissão de agentes do estado. O ministro lembrou que o próprio relator já anunciou que fará esta alteração.

Rebelo disse também que o governo está cumprindo todos os compromissos e que o país não terá problemas para promover a Copa. Ele voltou a argumentar que as estruturas da administração pública estão acostumadas com grandes eventos como os carnavais do Rio de Janeiro, Salvador e Olinda e não terão maiores dificuldades em receber torcedores e garantir o bom andamento dos jogos.

- Jogos do Palmeiras e Corinthians têm muito mais tensão, mais energia, que jogos da Copa - disse o ministro.

oglobo.globo.com | 22-12-2011

RIO - O verão chegou oficialmente ao Rio às 3h30m desta quinta-feira, deixando a cidade ensolarada desde o amanhecer. A madrugada, com poucas nuvens, refrescou o ar. E, conforme previu o Climatempo, o dia seguiu com sol forte e céu praticamente sem nuvens. Os níveis de umidade nesta quinta-feira tenderam a ficar abaixo do normal para esta época do ano. E o ar mais seco vai inibir o crescimento de nuvens carregadas. Apesar do calor intenso esperado para tarde, não houve previsão de chuva.

Por volta das 10h, os termômetros passavam dos 30 graus em várias áreas da cidade. A previsão é de que a temperatura chegue aos 38 graus nas áreas mais afastadas do mar. O recorde de calor desde ano é de 41,4 graus, no dia 28 de janeiro.

Ainda segundo o Climatempo, o calor vai continuar intenso na sexta-feira. A previsão é de mais um dia com muito sol, mas já com chance de algumas rápidas pancadas de chuva no fim da tarde e em parte da noite. A temperatura à tarde deve chegar perto dos 40 graus.

Risco de chuva na noite de Natal é alto

O tempo muda no fim de semana, com a chegada de uma nova frente fria. Além do aumento da nebulosidade e das condições para chuva, o ar frio polar que virá junto com a frente fria vai ajudar a baixar a temperatura. O carioca ainda sentirá muito calor e abafamento durante o sábado. O risco de pancadas de chuva na noite da véspera do Natal é alto, por causa do excesso de calor e da aproximação de uma frente fria.

É a chegada dessa frente fria, durante o domingo, que vira completamente o tempo no Rio. O domingo de Natal será com muitas nuvens desde cedo e a chuva pode começar já pela manhã. O risco de chuva forte é alto à tarde e à noite. O aumento da nebulosidade, a chuva e o vento frio chegando à cidade vão derrubar a temperatura. Para os padrões cariocas, o domingo de Natal será com temperatura agradável, que não deve passar dos 30 graus.

Mais turistas em 2011 do que em 2010

A cidade maravilhosa virou destino obrigatório para turistas nacionais e estrangeiros. Segundo a Riotur, são esperados no Rio principalmente brasileiros e sul-americanos, e, apesar da crise econômica no hemisfério norte, os europeus e americanos também não deixarão de aproveitar o verão carioca. A expectativa da empresa de turismo para a temporada é de que a cidade receba mais turistas do que no período passado no período de dezembro a março. São esperados 3.017 milhões de visitantes, gerando uma renda de US$ 2.233 bilhões. No verão passado, a cidade recebeu 2.684 milhões de turistas, e a renda foi de US$ 1.976 bilhões. De acordo com o secretário municipal de Turismo e presidente da Riotur, Antônio Pedro Figueira de Mello, a temporada “promete ser muito boa”.

“Com o agravamento da crise na Europa, a tendência é ocorrer uma substituição do turista europeu pelo sul-americano. Isso se deve não somente a crise, mas ao fato do turismo na América do Sul ter crescido mais do que no restante do mundo, incluindo o Brasil. Porque o brasileiro também vem se mostrando muito propenso a viajar. O turismo interno é visto como uma boa opção e oportunidade para conhecer o nosso país”, explica Mello, por meio de nota.

A Riotur estima fechar 2011 com 1.850 milhão de turistas estrangeiros vindo ao Rio, de janeiro a dezembro. Em 2010, foram 1.610 em 2010. Segundo a Riotur, a marca de turistas nacionais também deve ser superada: 6,5 milhões de visitantes brasileiros, contra 6 milhões em 2010. A taxa de ocupação hoteleira de 2011 deve fechar com média anual de 80%, segundo a ABIH-RJ. Entre os eventos que mais se destacaram no calendário oficial de eventos da cidade do Rio de Janeiro estão o Rock in Rio, UFC Rio, show do Paul McCartney, Justin Bieber e Pearl Jam, Campeonato Mundial e Surf, além do Carnaval.

oglobo.globo.com | 22-12-2011

RIO - Em décimo lugar na parada de álbuns da revista "Billboard" e um punhado de elogios da crítica internacional — nada muito comum hoje em dia para uma banda de heavy metal. Mas foi o que os americanos do Mastodon conseguiram com o seu quinto álbum de estúdio, "The hunter", que acaba de sair no Brasil, quase três meses depois de seu lançamento no exterior.Se, por causa de seus intrincados discos anteriores (em que punham psicodelia e progressivo na mistura, para reforçar a liga), os mastodontes volta e meia eram aclamados como "salvadores do metal", agora o papo é mais sério. Há quem aposte que "The hunter" terá o mesmo impacto que o "Álbum preto" teve para o Metallica 20 anos atrás: o de transformar um expoente do peso numa das maiores bandas de rock de sua era.

— Não canso de me surpreender. É sempre impressionante que as pessoas queiram comprar nossos discos — minimiza, maroto, em entrevista por telefone, o baterista do Mastodon, Brann Dailor.

Ele, no entanto, reconhece considerar "The hunter" um tipo de correspondente da sua banda para o "Álbum preto".

— As músicas desse nosso novo disco são mais simples, e definitivamente mais contagiantes que as antigas. Mas nada foi de propósito. Elas foram surgindo e grudando em nossos cérebros — explica.

E as semelhanças acabam por aí. Brann diz não acreditar que "The hunter" faça a história se repertir — nem como farsa — duas décadas depois.

— O "Álbum preto" é uma referência para os caras do Metallica. Mas acho impossível que o rock chegue a essas alturas novamente. Eles ainda são muito populares, só que o grande público não quer mais saber de rock — lamenta.

Com faixas mais concisas do que de costume, o Mastodon chega a "The hunter" sem deixar de lado o peso, a eficiência técnica e a variedade sonora. Em "Curl of the burl" (que valeu à banda uma indicação ao Grammy de melhor performance de hard rock e metal) e em "Bedazzled fingernails", a condução rítmica tende ao jazz, quase dançante. Mais lenta, "Stargasm" explora texturas psicodélicas próximas de um Pink Floyd. A faixa-título, por sua vez, remete ao melhor do Black Sabbath. E em "Spectrelight", "Blasteroid" e "Octopus has no friends", eles deixam estampada a assinatura Mastodon: rapidez, fluidez e nenhuma pedra sobre pedra depois que passam.

O novo disco foi o primeiro que o grupo fez com Mike Elizondo, produtor originário da cena rap (já trabalhou com 50 Cent e Eminem), hoje assinando CDs de bandas pop como o Maroon 5. Uma novidade, mas nem tão significativa assim.

— Não acho que Mike tenha necessariamente trazido novas cores para o nosso som. Ele simplesmente nos deixou ser nós mesmos e fazer um disco do Mastodon. Sempre nos concentramos no desempenho. Queremos tocar bem, cantar bem. Acreditamos na qualidade do que fazemos. O resto é consequência — diz.

Mais do que apenas um baterista, Brann é letrista (ele veio com todo o conceito por trás do disco anterior do Mastodon, "Crack the skye", envolvendo a Rússia czarista, viagens atrais e as teorias do físico Stephen Hawking) e ainda é o compositor de faixas como "Crystal skull", do CD "Blood mountain". Para esse novo disco, ele fez "Creature lives", na qual também canta.

— Somos muito colaborativos. Uma banda no real significado do termo — afirma.

"The hunter" é dedicado a Brad, irmão do guitarrista Brent Hinds, que morreu de ataque cardíaco. Assim como "Crack the skye" foi por Skye, irmã de Brann, que se matou aos 14 anos de idade.

— A morte não está só em volta da banda, mas de todo mundo. Quando escrevemos sobre o tema, é para celebrar a vida das pessoas, não para deprimi-las. É uma coisa bacana que você pode fazer para os que se foram — diz o baterista, que agora segue com o Mastodon pela Europa, depois Austrália, Japão, China e EUA. — Quem sabe aí a gente vai ao Brasil? — deixa no ar.

oglobo.globo.com | 16-12-2011

RIO - Os pilotos da Iberia cruzarão os braços nos dias 18 e 29 de dezembro, para protestar contra a criação de uma subsidiária do grupo, que seguirá o modelo das empresas de baixo custo, informou a companhia aérea espanhola nesta quarta-feira. A greve resultará no cancelamento de 91 voos no próximo domingo (30% dos voos programados para a data), entre eles dois no Brasil. A lista dos voos que serão afetados pela paralisação no dia 29 ainda não foi divulgada.

Os pilotos temem que a nova companhia, batizada de Iberia Express e que fará rotas de curto e médio alcance apenas na Europa, resulte em demissões e degradação das condições de trabalho. A Iberia assegurou que a legislação trabalhista do país será respeitada e informou que serão criadas 500 vagas com a criação da nova empresa. Esta entrará em operação em abril.

Os dois voos no Brasil que serão afetados são os de número 6820 e 6825. O primeiro sairia de São Paulo no dia 17 de dezembro, às 21h35, com chegada em Madri prevista para 10h40 do dia seguinte. O segundo sairia de Madri às 0h20 do dia 18 deste mês, com aterrissagem em São Paulo às 8h30 do mesmo dia.

Os passageiros que já fizeram reservas ou compraram bilhetes para esses voos serão realocados em aviões da própria Iberia ou de outras companhias, em voos do mesmo dia ou em datas próximas. A companhia espanhola fez acordo com 27 empresas para reorganizar as viagens dos clientes e firmou uma parceria com o hotel Meliá para hospedar, nos arredores de Madri, os clientes prejudicados. Caso prefiram, os passageiros também poderão alterar a data dos voos, sem custo, ou pedir reembolso integral das passagens.

O telefone para remarcar voos ou tirar dúvidas no Brasil é 11 3218-7130. Informações também podem ser obtidas por meio do site http://www.iberia.com.br

Os voos com destino ou partida do Rio de Janeiro não serão afetados. A Iberia faz quatro voos diários (incluindo ida e volta) na rota Madri-São Paulo e dois por dia no trajeto Rio-Madri. Além destes, há quatro voos semanais entre Barcelona e São Paulo, que também não serão afetados pela greve.

oglobo.globo.com | 14-12-2011

RIO - O segundo idioma da indústria do turismo carioca será menos o inglês e mais o espanhol nesta alta temporada. A estimativa da Riotur é de que nossos vizinhos sul-americanos serão os grandes responsáveis pelo incremento do turismo estrangeiro na cidade este ano, quando a contagem de visitantes de fora do país chegará ao recorde de 1,85 milhão. Ano passado, os estrangeiros foram 1,61 milhão no Rio.

A análise do secretário municipal de Turismo, Antônio Pedro Figueira de Mello, é de que, com o agravamento da crise europeia e nos Estados Unidos, o turismo na América do Sul tem crescido mais que a média mundial. Nossos vizinhos já representam 46% do total de estrangeiros. A proximidade do nosso idioma também facilita as coisas.

— O espanhol é uma demanda importante para o mundo todo hoje. E estamos mais bem preparados para o espanhol pela semelhança com a nossa língua — disse o secretário.

Os dados mais recentes da Riotur sobre o ranking dos países que mais mandam visitantes para o Rio, de 2010, informa que a Argentina é a origem mais comum, com 21,9% do total. Os americanos vêm em seguida, com 18,3% dos turistas estrangeiros. O terceiro lugar fica com a França, com 6,4 %.

— Como efeito da Copa do Mundo e das Olimpíadas de 2016, temos tido o incremento de voos direto do Rio com países estrangeiros, o que beneficia o aumento do turismo estrangeiro — concluiu o secretário.

Participação decisiva de brasileiros

Os turistas de dentro do Brasil também têm dado contribuição decisiva para a boa maré na rede hoteleira carioca. Só para os meses da alta temporada — dezembro e março — são esperados 3 milhões de turistas, em mais uma estimativa da Riotur. Três em cada quatro visitantes esperados moram no país. A expectativa é que desembarquem aqui US$ 2,23 bilhões em consumo de produtos e serviços cariocas.

O valor esperado supera em 17,36% o da alta temporada passada, quando os 2,8 milhões de turistas que vieram à Cidade Maravilhosa gastaram US$ 1,9 bilhão.

Mais gente de fora na cidade representou também bons números de ocupação da rede hoteleira, na avaliação do secretário Antônio Pedro. Números da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis mostram que a ocupação média dos quartos da cidade ao longo do ano deve fechar 2011 em 80%.

oglobo.globo.com | 14-12-2011

Deu no New York Times: o mineiro Paulo Nazareth, que mora em Santa Luzia, é o único com bom trabalho na exposição Art positions, setor dedicado aos artistas emergentes da Art Bassel Miami, maior feira de arte contemporânea dos Estados Unidos. Para a crítica Karen Rosemberg, que assina resenha sobre o evento (encerrado dia 4) no suplemento Art&Design, quem está chegando ao circuito artístico faz arte que deixa a sensação de algo já visto e derivado de propostas conhecidas. A única exceção, para ela, é Paulo Nazareth. O mineiro, apresentado pela galeria paulista Mendes Wood, mostrou uma Kombi com uma tonelada de bananas, vendidas por ele mesmo, ao lado de cartazes com textos como: “Não se esqueçam de mim quando eu for nome importante”; “Vendo imagem de homem exótico” etc. A obra chamou atenção e foi parar nas páginas de várias publicações, entre elas o Wall Street Journal.

A feira de arte já terminou, mas até quinta-feira Paulo Nazareth, com “inglês torto e francês gauche”, vende bananas em Miami. Só que nas ruas de Little Haiti, para onde levou sua instalação. Na Bassel, cada fruta custava US$ 10. Na rua 100 delas estão sendo vendidas a US$ 1. “Descobri que é mais fácil vender banana em feira de arte do que em Little Haiti”, conta, por telefone, explicando que, inicialmente, a comunidade ficou desconfiada da origem (e do preço baixo) das frutas. Aos poucos, habitantes do local passaram a ajudá-lo na empreitada. “Relações ricas com a vida são o material da minha arte”, avisa, explicando que suas ações são políticas, poéticas e estéticas. “Bananas verdes, que, aos poucos, foram ficando amarelas, pintadinhas, dentro da Kombi verde, ficou tudo muito bonito”, observa, vendo no forte aspecto estético um dos motivos do rumor que a obra provocou.

A instalação [banana banana] ganhou nos Estados Unidos, à revelia do artista, o nome de Mercado de bananas/Mercado de arte. Foca o desejo dos americanos do Sul de migrar para o Norte. A peça faz parte de série chamada Notícias da América, em desenvolvimento a partir de residência artística em Nova York. Trabalho que o artista trocou por vagar pela cidade, durante dois dias, com o movimento Occupy Wal Street e também por viagens pela América Latina, aprofundando pesquisa sobre deslocamentos. “Estou na exposição para `terceiro-mundializar’ os Estados Unidos, começando por Miami”, provoca Paulo. Promete, agora, trazer notícias dos EUA para a América Latina, em outra exposição, mostrando trabalhos realizados durante as viagens. Estima que, “se não se perder” na viagem de volta (que será feita por terra, exatamente como ele foi para os Estados Unidos) e “se Deus quiser”, estará de volta ao Brasil em três meses.

BLACK POWER  A série Notícias da América, para Paulo, começou no momento em que ele foi tirar o passaporte e o computador recusou sua foto, já que o padrão não reconhecia o cabelo black power, sendo ele identificado como índio com cocar. Na hora de tirar o visto de entrada nos Estados Unidos, devido ao mesmo problema, teve de colocar um turbante, o que facilitou identificação como árabe. “Foi a expansão do conceito de pessoa, de lugar e homenagem à minha origem”, brinca o artista. “Sou neto de krenaks, bisneto de italiano, asiático segundo teoria do povoamento da América. Me chamo Paulo Nazareth de Jesus, isto é, tenho nome de cidade do Oriente Médio – Nazaré – e católico, dado por mãe, que é do candomblé”, acrescenta, com humor. O bom andamento da carreira credita a promessas da mãe, para São Judas Tadeu, padroeiro das causas impossíveis, para que os projetos dele dessem certo. Para trabalhar, teve de driblar problemas nas fronteiras entre México, Guatemala e Estados Unidos.

Mais: como Paulo Nazareth queria chegar aos Estados Unidos impregnado de América Latina, foi por terra. Ficou, inclusive, “seis meses e 15 dias sem lavar os pés”, para que a poeira (“que não considero sujeira”) permanecesse neles. Usou meias, na fronteira com o México, para que fiscais não vissem como estavam os pés dele, só lavados no Rio Hudson, já em Nova York. Também jogou no rio, em 28 de outubro, imagem de São Judas Tadeu. “Quando me inscrevi no Bolsa Pampulha, ela rezou para o santo para que os meus projetos dessem certo e as rezas continuam ajudando”, garante. A participação na Art Bassel rendeu vários convites para eventos na Europa, mas Paulo quer chegar lá, “depois de passar pela África”, repetindo o que fez agora.

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www.pernambuco.com | 12-12-2011

RIO - O Código de Defesa do Consumidor (CDC) brasileiro é considerado uma das leis mais modernas na área de consumo. No entanto, quando o assunto é troca de produtos, nossa legislação está muito distante da proteção oferecida pela Europa e pelos Estados Unidos. Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a lei brasileira foi desvirtuada, pois o lojista teria que trocar o produto com defeito no período de 90 dias e não orientar o consumidor a levar o produto para a autorizada.

— O problema é jogado para o consumidor. Ele é quem tem que procurar o fabricante pedindo a troca do produto, depois de esperar por um mês pelo conserto. Este problema merecia uma fiscalização ferrenha — afirma Maria Elisa Novaes, gerente jurídica do Idec.

Maria Elisa explica que, pelo artigo 18 do CDC, os fornecedores respondem solidariamente pelos defeitos nos produtos que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo. Não sendo o defeito resolvido no prazo de 30 dias, o consumidor pode exigir, à sua escolha, a substituição por outro, a restituição da quantia paga ou o abatimento proporcional do preço:

— O lojista não assume a sua responsabilidade solidária e só troca em um prazo que ele mesmo determina. Se passar deste período, ele manda o consumidor levar o produto na autorizada. Mas, no entendimento do Idec, o lojista tem que trocar o produto durante o período de 90 dias. Isso sem falar em roupas e sapatos, que as lojas enviam sempre para análise de 30 dias como forma de o consumidor desistir de reclamar do defeito. Troca no Brasil é uma palhaçada, pois desvirtuaram o que diz o CDC.

A gerente jurídica lembra que nas compras pela internet, pelo CDC, o consumidor tem o prazo de sete dias para troca após a entrega e não precisa justificar porque não quer.

Com o crescimento das viagens para o exterior, o brasileiro está aprendendo que a proteção lá fora é muito maior. $Galvão, que passou três meses no Canadá, conta que suas experiências com trocas foram muito boas:

— Comprei um iPad 2 na Apple Store on-line com meu nome gravado. Dois dias depois de ter comprado percebi que havia escolhido o modelo errado, precisava do iPad com 3G. Mesmo com o nome gravado, a Apple disse que não havia problema em trocar. Mandaram uma etiqueta de devolução, não paguei o reenvio, e o dinheiro foi devolvido no cartão dois dias depois. Fiz novamente a compra. E o outro iPad veio com meu nome gravado.

A outra compra, continua Julia, foi no Walmart de London (Canadá). Ela comprou uma saia e quando a experimentou em casa, não vestiu bem:

— Fui na central de atendimento com a nota fiscal. Eles perguntam: é por defeito? Pedem essa informação pois, caso seja por defeito, o produto é devolvido ao fabricante. Recebi o dinheiro na hora. Comprei também um casaco de neve e, depois de usar um mês, percebi que estava soltando umas peninhas. Fui à loja e a vendedora disse que geralmente era assim, mas se até a semana seguinte continuasse do mesmo jeito, era só voltar à loja com a nota fiscal que ela trocaria o casaco ou devolveria o dinheiro.

Na Europa, troca por defeito pode ser feita em até dois anos

Norma Garcia, da Consumers Union, explica, por e-mail, que não há uma regra única para todo o mercado, depende do produto, da loja e do fabricante. Cada um pode ter a sua política, no entanto, normalmente as regras da loja estão impressas no verso do recibo. Há desde casos em que não se aceita devolução, até troca sem que o consumidor precise dar explicação.

Maria Inês Dolci, coordenadora $da Pro Teste Associação de Consumidores, consultou a Deco Pro Teste, em Portugal. Lá, a Directiva europeia (que reúne a legislação dos países do bloco) sobre esse assunto existe desde 1999.

— Na Europa o consumidor pode trocar o produto direto na loja, quando tem defeito, em até dois anos, independentemente da compra ter sido feita pela internet, telefone ou na loja física. O prazo para o fornecedor fazer a troca pode ser de até 30 dias. E caso compre pela internet, o prazo de devolução é de 14 dias seguidos.

Mário Frota, professor de Direito do Consumidor da Universidade de Coimbra, em seu artigo na Revista Luso-Brasileira de Direito de Consumo, explica que esta Directiva é a lei básica, mas os estados membros da União Europeia podem oferecer mais. Ele explica que a reparação por falta de conformidade é um conceito amplo. Por exemplo, o produto pode não ser "conforme com a descrição que dele é feita pelo vendedor ou não possuir as qualidades que o vendedor tenha apresentado ao consumidor".

oglobo.globo.com | 10-12-2011

SÃO PAULO - A companhia aérea TAP alerta que os brasileiros com viagem marcada para a Europa podem sofrer algum tipo de transtorno com a convocação de uma paralisação entre esta sexta-feira e a próxima segunda-feira feita pelo Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC). De acordo com uma nota divulgada pela TAP, os motivos da paralisação estão relacionados ao processo de privatização da TAP. Segundo a empresa, não existe confirmação se todos os pilotos e demais funcionários vão aderir ao movimento.

Os trabalhadores, no entanto, dizem que há alguns anos fizeram um acordo com o governo português pelo qual teriam direito a 20% da empresa. Dessa forma, a companhia tentava compensar uma demanda por reajuste salarial que não foi concedida na época. Mas o governo jamais cumpriu com sua palavra. Os pilotos resolveram, então, aproveitar que a TAP está em processo de privatização para retomar sua reivindicação. Daí a greve.

A empresa informou que os passageiros serão reembolsados ou terão a viagem remarcada, em caso de cancelamento de voos. Em caso de conexões, será providenciada hospedagem ou reacomodação em outra companhia aérea. A TAP tem 75 frequências semanais para o Brasil, a partir de nove cidades, entre elas o Rio

A TAP alerta que existe a possibilidade de que alguns voos ocorram, com pilotos que não aderirem à greve. Mas, segundo a empresa, não é possível determinar antecipadamente quais voos estarão em operação. A TAP recomenda que os passageiros com bilhetes comprados que acessem o site da companhia, a rede social Facebook ou entrem em contato com os balcões de apoio nos aeroportos, pelo telefone 0300.210.6060 ou através dos agentes de viagens.

Para os passageiros com voos marcados no período da paralisação, a empresa pede que entrem em contato com a companhia para alterá-los para datas posteriores. Segundo a nota da empresa, a TAP tentará reduzir os impactos da paralisação. No último dia 24 de novembro, uma greve geral em Portugal em protesto contra as medidas de austeridade adotadas pelo governo, cancelou 121 dos 140 voos da TAP, sendo 20 com destino ou saída do Brasil.

Leia a íntegra da nota da TAP:

"O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) marcou uma greve para os próximos dias 09, 10, 11 e 12 de dezembro. Os motivos estão relacionados ao processo de privatização da TAP. Até o momento não existe informações adicionais se de fato ocorrerá a paralisação.

Caso confirmada, existe a possibilidade de que alguns voos ocorram, com pilotos que não aderirem à greve, tarão em operação.mas não é possível determinar antecipadamente quais voos estarão em operação.

Preocupada em garantir a viagem de seus clientes, a TAP reitera que, para quaisquer informações, acessem o site da companhia, a rede social Facebook, entrem em contato com os balcões de apoio da TAP nos aeroportos, pelo telefone 0300.210.6060 ou através dos agentes de viagens.

A TAP solicita ainda que os passageiros dos voos marcados no período da paralisação entrem em contato com a companhia ou com o seu agente de viagens, para alterá-los em datas fora do período.

A companhia trabalha intensamente com o objetivo de minimizar os impactos decorrentes dessa paralisação, e fará todos os esforços que estiverem ao seu alcance para atenuar esta situação adversa.

A TAP agradece a compreensão de todos os seus clientes".

oglobo.globo.com | 08-12-2011

RIO - Uma das paisagens mais belas e famosas do mundo está em mutação. Os Alpes franceses perdem a neve que um dia se pensou eterna em ritmo mais acelerado do que o calculado por cientistas. Enquanto um acordo global para combater as mudanças climáticas agonizava em Durban, África do Sul, ontem, geofísicos franceses apresentavam o mais detalhado quadro da doença dos Alpes em São Francisco, EUA, durante a reunião da União Americana de Geofísica (AGU, na sigla em inglês), o maior encontro de ciências da terra do mundo. As geleiras dos Alpes franceses perderam um quarto de sua área nos últimos 40 anos.

Não se trata de mudanças que podem, ou não, acontecer. Já é fato concreto e bem visível.

O grupo de Marie Gardent, da Universidade da Savóia, na França, estava triste quando apresentou seu trabalho. Sua terra natal perde a sua marca registrada, os picos nevados que todos os anos atraem multidões de turistas, esquiadores e alpinistas e movimentam a economia de muitas cidades. No fim dos anos 60 e no início dos 70, as geleiras e campos de gelo que cobriam as encostas do Mont Blanc (a montanha mais elevada da Europa Ocidental, com 4.850 metros) e montes vizinhos se espalhavam por uma área de 375 quilômetros quadrados. No fim dos anos 2000, essa área havia caído para 275 km2.

Gardent e seus colegas analisaram dados de 600 geleiras. Além do Mont Blanc, foram estudaram os maciços de Ecrins, Vanoise, Ubaye, Belledonne e Grand Rousse Arves. Os pesquisadores combinaram uma série de tecnologias para medir a retração do gelo. Usaram mapas antigos, imagens de satélites e fotos aéreas. Calibraram manualmente os dados das fotos com medições em campo.

- Fomos às geleiras e comparamos os dados de satélite com os coletados no local. Com isso conseguimos evitar dados dúbios sobre a cobertura de gelo observada por satélites - explicou Gardent.

Os Alpes da França não perdem suas geleiras sozinhos. O mesmo fenômeno de retração está em curso em Suíça, Áustria, Eslovênia, Alemanha e Itália.

O trabalho de Gardent é acompanhado de outros para continuar a monitorar a situação das geleiras. A redução das geleiras pode ter dramáticas consequências econômicas. O gelo das montanhas alimenta muitos rios franceses. Dependem das geleiras dos Alpes, rios como o Rhone. A água de degelo é essencial para a agricultura e a geração de energia hidroelétrica. Num primeiro momento, quando começa a retração, há até mais água. Com os anos, porém, a água se torna cada vez mais escassa, pois há menos gelo para derreter. A famosa vinicultura francesa pode ser seriamente afetada.

Outra indústria importante que sofre com a perda do gelo é o turismo. Nos últimos anos, várias estações de esqui tiveram seu funcionamento prejudicado e um estudo de seguradoras mostrou que algumas estão condenadas a fechar nos próximos anos.

O gelo é um dos grandes agentes do clima e a perda das geleiras tem impacto no clima local. A retração, porém, ocorre de forma desigual. As maiores perdas foram registradas no Maciço de Belledonne, onde as geleiras praticamente desapareceram. Outra área muito afetada é a do Maciço de Ecrins, onde a retração foi três vezes maior do que a observada no Maciço do Mont Blanc.

- Os Alpes do Sul sofrem bem mais do que os do Norte, como o Mont Blanc. Atribuímos isso ao fato de serem mais baixos. O clima também é distinto. Neva mais no Norte e também há mais nuvens por lá - explicou Gardent.

oglobo.globo.com | 07-12-2011

RIO- As companhias aéreas barateiras se tornaram uma opção comum para viagens curtas dentro da Europa e dos Estados Unidos. Muitas vezes, as passagens custam menos que trens e ônibus, e a chegada ao destino é mais rápida. Porém, a política das empresas low cost de botar o preço lá embaixo e taxar bagagem, marcação de lugar e até cartão de embarque às vezes acaba pregando peças no viajante. Se você se distrair na hora da compra online, pode ter que desembolsar 1 euro para receber as informações de voos no seu celular. Ou se não tiver o cartão de embarque impresso corretamente, um novo pode lhe custar até 40 euros. Conversando com viajantes que viram o barato sair caro, selecionamos pontos que merecem sua atenção na hora de aproveitar a próxima promoção de baixo custo.

Para economizar, a maior parte das companhias low cost não vende suas passagens por agências de viagem ou em outros sites que não os próprios. Resta se aventurar em um universo de layouts poluídos e confusos — é assim, na maioria das vezes, que você acaba clicando em algo que não pretendia e vê o preço subir. Símbolo das low cost, a irlandesa Ryanair fez escola com dezenas de caixinhas de sim e não. Antes de pagar o bilhete, o cliente passa por ofertas de seguro, malas para despachar, SMS informativo, prioridade de embarque (como não há lugar marcado, com 5 euros você passa na frente de todos e escolhe onde sentar), poltronas mais espaçosas, aluguel de carros, hotéis e outros.

Durante a viagem, o serviço de bordo é cobrado, claro: um sanduíche custa a partir de 6 euros; bebidas, a partir de 2 euros. Também há venda de raspadinhas, cigarros eletrônicos que não emitem fumaça... E a companhia já cogitou cobrar pelo uso do banheiro. O diretor da Ryanair Michael O’Leary disse que o dinheiro iria para a caridade e que, na realidade, ele queria tirar um dos banheiros para acrescentar seis poltronas. A última de O’Leary foi anunciar que ofereceria filmes eróticos para laptops, tablets e smartphones.

Quem sai do Brasil com duas malas dificilmente aproveita alguma promoção low cost. Todas cobram por bagagem despachada. Na hora da compra, é preciso informar quantas malas, peso e tamanho. Nos EUA, nem sempre dá para pagar com antecedência a taxa, que custa em média US$ 20 para 20 quilos, com restrições de tamanho.

Pouca bagagem evita gastos extras

Outra questão que costuma dar dor de cabeça ao brasileiro em uma viagem no exterior por uma companhia aérea de baixo custo é a bagagem que vai na cabine. Cada passageiro tem direito a levar uma bolsa, pasta, mochila ou mala de mão, e apenas uma. Ou a bolsa de mão vai dentro da mala de bordo ou uma das duas será despachada. O tamanho e peso costumam ser conferido antes do embarque, e cada quilo extra custa 20 euros (na Ryanair; preço que as outras costumam seguir). Já a empresa americana Spirit, que calcula e soma à passagem o preço do combustível, nem oferece a chance de levar uma mala na cabine. Só pode bolsa, mochila pequena ou pasta.

As companhias também costumam cobrar, no momento da compra, uma taxa pela transação em cartão de crédito. Os de débito são taxados também, mas o valor é menor.

— Na hora da compra, tem que tomar cuidado porque eles incluem automaticamente taxas de prioridade no embarque/desembarque, seguro de viagem e outros itens. Tem que desmarcar uma a uma todas as opções que não interessam — conta a jornalista Marina Ferraz.

Vale dizer: as taxas são por trecho, então acabam duplicadas. Mas considere comprar o seguro de viagem através da empresa de baixo custo, principalmente se não tem todo o roteiro bem planejado. Trocar de data e até consertar o nome no cartão de embarque — o que normalmente é coberto pelos seguros — pode custar três vezes o preço da passagem.

Grandes terminais, com maior infraestrutura, cobram taxas mais altas às companhias aéreas. Para evitar esses custos, as low cost usam aeroportos menores, normalmente distantes do centro da cidade e nem sempre servidos por metrô, trens e ônibus.

— Alguns aeroportos são tão low cost quanto as companhias. Parecem que foram construídos para serem desmontados a qualquer momento. Em Marselha, os dois são vizinhos, tipo primo pobre, primo rico — descreve a estudante Iana Lua.

No aeroporto de Ciampino, a quase 30 quilômetros do centro de Roma, Iana passou por um sufoco:

— O voo saía às 5h. Planejei dormir no aeroporto, como qualquer mochileiro faz quando tem voo de madrugada. Só que o aeroporto não era 24h, e fechava de meia-noite às 4h. Tive que ir atrás de um albergue.

Sem assento marcado, o momento do embarque também pode ser um sufoco.

— Todos ficam espremidos no portão, até quem viaja com criança. Era necessário caminhar na pista para embarcar. E um monte de gente começou a correr para chegar primeiro ao avião — conta Iana.

Por conta da distância dos centros, sair de táxi do aeroporto pode custar até o mesmo valor que a passagem de avião. Na Europa, em geral, há traslados ou ônibus até as estações centrais. A companhia aérea húngara Wizz Air tem um serviço simpático: transfers próprios podem ser adquiridos com antecedência. Do aeroporto de Budapeste, são 4 euros. De Roma, 8,50 euros. A empresa também reserva táxis por um preço mais razoável.

Em agosto, um caso curioso virou notícia. Um homem teve uma parada cardíaca em um voo da Ryanair de Londres para Estocolmo. Os comissários de bordo ofereceram um sanduíche e um refrigerante, pensando que o passageiro estava com a pressão baixa — e cobraram, claro. A sorte é que a mulher do sueco era enfermeira. É comum as empresas low cost serem acusadas de oferecer pouca ou nenhuma assistência aos passageiros. A própria Ryanair, inclusive, criou este ano uma taxa de 2 euros para repassar ao cliente os custos com comida, hotel e traslados no caso de cancelamentos ou atrasos de voos, como manda a lei europeia, alegando que perdeu mais de 100 milhões com isso em 2010.

Nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, as condições metereológicas nos Estados Unidos e na Europa também jogam contra essas companhias. No inverno no Hemisfério Norte, as nevascas muitas vezes fecham os aeroportos, causando atrasos e cancelamentos de voos. Além da falta de assistência, há outro problema: normalmente as companhias têm dias e horários limitados para cada destino. Portanto, se você perder o voo, pode ficar no meio do nada por alguns dias.

Antes de ir para o aeroporto, leia e releia todos os documentos que a companhia aérea lhe enviar. Em alguns casos, você não embarca se já não tiver impresso o cartão de embarque. E a impressão, aliás, tem regras: é preciso estar em uma única folha A4. Também há um horário limite para se fazer o check-in on-line. Na Ryanair, são quatro horas antes do voo (15 dias antes já dá para confirmar a presença). Sem isso, resta fazê-lo no balcão ao custo de 40 euros.

E independentemente de ter feito o check-in online, passageiro estrangeiro precisa passar pelo balcão da companhia. Cabe à equipe em terra conferir o passaporte e carimbar o cartão de embarque. Não é raro ver gente correndo de volta ao balcão — que fecha 40 minutos antes do voo — para conseguir o tal carimbo.

oglobo.globo.com | 06-12-2011

RIO- As companhias aéreas barateiras se tornaram uma opção comum para viagens curtas dentro da Europa e dos Estados Unidos. Muitas vezes, as passagens custam menos que trens e ônibus, e a chegada ao destino é mais rápida. Porém, a política das empresas low cost de botar o preço lá embaixo e taxar bagagem, marcação de lugar e até cartão de embarque às vezes acaba pregando peças no viajante. Se você se distrair na hora da compra online, pode ter que desembolsar 1 euro para receber as informações de voos no seu celular. Ou se não tiver o cartão de embarque impresso corretamente, um novo pode lhe custar até 40 euros. Conversando com viajantes que viram o barato sair caro, selecionamos pontos que merecem sua atenção na hora de aproveitar a próxima promoção de baixo custo.

Para economizar, a maior parte das companhias low cost não vende suas passagens por agências de viagem ou em outros sites que não os próprios. Resta se aventurar em um universo de layouts poluídos e confusos — é assim, na maioria das vezes, que você acaba clicando em algo que não pretendia e vê o preço subir. Símbolo das low cost, a irlandesa Ryanair fez escola com dezenas de caixinhas de sim e não. Antes de pagar o bilhete, o cliente passa por ofertas de seguro, malas para despachar, SMS informativo, prioridade de embarque (como não há lugar marcado, com 5 euros você passa na frente de todos e escolhe onde sentar), poltronas mais espaçosas, aluguel de carros, hotéis e outros.

Durante a viagem, o serviço de bordo é cobrado, claro: um sanduíche custa a partir de 6 euros; bebidas, a partir de 2 euros. Também há venda de raspadinhas, cigarros eletrônicos que não emitem fumaça... E a companhia já cogitou cobrar pelo uso do banheiro. O diretor da Ryanair Michael O’Leary disse que o dinheiro iria para a caridade e que, na realidade, ele queria tirar um dos banheiros para acrescentar seis poltronas. A última de O’Leary foi anunciar que ofereceria filmes eróticos para laptops, tablets e smartphones.

Quem sai do Brasil com duas malas dificilmente aproveita alguma promoção low cost. Todas cobram por bagagem despachada. Na hora da compra, é preciso informar quantas malas, peso e tamanho. Nos EUA, nem sempre dá para pagar com antecedência a taxa, que custa em média US$ 20 para 20 quilos, com restrições de tamanho.

Pouca bagagem evita gastos extras

Outra questão que costuma dar dor de cabeça ao brasileiro em uma viagem no exterior por uma companhia aérea de baixo custo é a bagagem que vai na cabine. Cada passageiro tem direito a levar uma bolsa, pasta, mochila ou mala de mão, e apenas uma. Ou a bolsa de mão vai dentro da mala de bordo ou uma das duas será despachada. O tamanho e peso costumam ser conferido antes do embarque, e cada quilo extra custa 20 euros (na Ryanair; preço que as outras costumam seguir). Já a empresa americana Spirit, que calcula e soma à passagem o preço do combustível, nem oferece a chance de levar uma mala na cabine. Só pode bolsa, mochila pequena ou pasta.

As companhias também costumam cobrar, no momento da compra, uma taxa pela transação em cartão de crédito. Os de débito são taxados também, mas o valor é menor.

— Na hora da compra, tem que tomar cuidado porque eles incluem automaticamente taxas de prioridade no embarque/desembarque, seguro de viagem e outros itens. Tem que desmarcar uma a uma todas as opções que não interessam — conta a jornalista Marina Ferraz.

Vale dizer: as taxas são por trecho, então acabam duplicadas. Mas considere comprar o seguro de viagem através da empresa de baixo custo, principalmente se não tem todo o roteiro bem planejado. Trocar de data e até consertar o nome no cartão de embarque — o que normalmente é coberto pelos seguros — pode custar três vezes o preço da passagem.

Grandes terminais, com maior infraestrutura, cobram taxas mais altas às companhias aéreas. Para evitar esses custos, as low cost usam aeroportos menores, normalmente distantes do centro da cidade e nem sempre servidos por metrô, trens e ônibus.

— Alguns aeroportos são tão low cost quanto as companhias. Parecem que foram construídos para serem desmontados a qualquer momento. Em Marselha, os dois são vizinhos, tipo primo pobre, primo rico — descreve a estudante Iana Lua.

No aeroporto de Ciampino, a quase 30 quilômetros do centro de Roma, Iana passou por um sufoco:

— O voo saía às 5h. Planejei dormir no aeroporto, como qualquer mochileiro faz quando tem voo de madrugada. Só que o aeroporto não era 24h, e fechava de meia-noite às 4h. Tive que ir atrás de um albergue.

Sem assento marcado, o momento do embarque também pode ser um sufoco.

— Todos ficam espremidos no portão, até quem viaja com criança. Era necessário caminhar na pista para embarcar. E um monte de gente começou a correr para chegar primeiro ao avião — conta Iana.

Por conta da distância dos centros, sair de táxi do aeroporto pode custar até o mesmo valor que a passagem de avião. Na Europa, em geral, há traslados ou ônibus até as estações centrais. A companhia aérea húngara Wizz Air tem um serviço simpático: transfers próprios podem ser adquiridos com antecedência. Do aeroporto de Budapeste, são 4 euros. De Roma, 8,50 euros. A empresa também reserva táxis por um preço mais razoável.

Em agosto, um caso curioso virou notícia. Um homem teve uma parada cardíaca em um voo da Ryanair de Londres para Estocolmo. Os comissários de bordo ofereceram um sanduíche e um refrigerante, pensando que o passageiro estava com a pressão baixa — e cobraram, claro. A sorte é que a mulher do sueco era enfermeira. É comum as empresas low cost serem acusadas de oferecer pouca ou nenhuma assistência aos passageiros. A própria Ryanair, inclusive, criou este ano uma taxa de 2 euros para repassar ao cliente os custos com comida, hotel e traslados no caso de cancelamentos ou atrasos de voos, como manda a lei europeia, alegando que perdeu mais de 100 milhões com isso em 2010.

Nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, as condições metereológicas nos Estados Unidos e na Europa também jogam contra essas companhias. No inverno no Hemisfério Norte, as nevascas muitas vezes fecham os aeroportos, causando atrasos e cancelamentos de voos. Além da falta de assistência, há outro problema: normalmente as companhias têm dias e horários limitados para cada destino. Portanto, se você perder o voo, pode ficar no meio do nada por alguns dias.

Antes de ir para o aeroporto, leia e releia todos os documentos que a companhia aérea lhe enviar. Em alguns casos, você não embarca se já não tiver impresso o cartão de embarque. E a impressão, aliás, tem regras: é preciso estar em uma única folha A4. Também há um horário limite para se fazer o check-in on-line. Na Ryanair, são quatro horas antes do voo (15 dias antes já dá para confirmar a presença). Sem isso, resta fazê-lo no balcão ao custo de 40 euros.

E independentemente de ter feito o check-in online, passageiro estrangeiro precisa passar pelo balcão da companhia. Cabe à equipe em terra conferir o passaporte e carimbar o cartão de embarque. Não é raro ver gente correndo de volta ao balcão — que fecha 40 minutos antes do voo — para conseguir o tal carimbo.

oglobo.globo.com | 05-12-2011

RIO - Maria Flor já perdeu as contas das vezes — "Mais de seis", calcula — que foi a Londres. Ela conheceu a capital inglesa aos 14 anos, em sua primeira viagem à Europa, e a identificação foi imediata. A história da atriz com a cidade é contada logo na abertura do primeiro episódio de "Todo mundo", série em quatro capítulos apresentada por ela com estreia marcada para quinta-feira, às 22h, no Multishow.— Eu já tinha um namoro com o canal há tempos e fui para Londres no início deste ano rodar o filme do Fernando Meirelles (o longa "360"). Fiquei mais dois meses por lá e decidi experimentar um formato de programa na cidade — explica a atriz, de 28 anos.

Com planos de emplacar um seriado de ficção no Multishow no ano que vem, Maria Flor decidiu estrear primeiro com "Todo mundo". Com uma linguagem documental, a atração, filmada em apenas 15 dias, mostra como vivem brasileiros na terra da rainha Elizabeth II. A atriz e agora apresentadora faz questão de esclarecer que não se trata de um programa de turismo. Ela tampouco tem a intenção de mostrar cartões-postais da cidade.

— Não é nada formal. O que faço é bater papo com as pessoas, nem considero entrevistas. Mostro gente tentando se encontrar fora do país. Apesar de não ter moral da história, sinto que todo mundo amadurece mais rápido numa situação dessa — palpita.

A atração foi elaborada pela Fina Flor Filmes, produtora da mãe da atriz, Márcia Leite, que também assina a direção. Em cena, jovens de diferentes estados brasileiros contam como foram viver fora do Brasil e falam da adaptação na nova cidade. Muitos dos entrevistados são amigos de Maria Flor, como o músico João Brasil e sua mulher, Silvia, moradores da capital inglesa desde 2009. A produtora Dani Mazzer é outra que aparece para dar seu depoimento sobre como é estar longe de sua terra natal.

— Eu tenho uma relação com Londres como a que tenho com o Rio. Lá também elegi o meu bairro preferido, sei onde posso fazer a unha e em que lugar encontrar o bolo que mais gosto — $a atriz, que já faz planos para eventuais futuras temporadas do programa em outras cidades como Berlim, Roma e Lisboa: — Tudo depende de como ele vai funcionar.

Longe da TV desde o seriado "Aline", interrompido pela Globo em janeiro antes do final do segundo ano — e exibido agora pelo GNT —, Maria Flor gravou participação em um episódio da série "As brasileiras", ao lado de Marcos Palmeira, com previsão de exibição para 2012. Quanto ao cancelamento precoce da trama protagonizada por ela, a atriz afirma já ter superado o fato.

— Foi triste porque tenho um carinho muito grande pela personagem e por aquela equipe. Mas a vida segue e eu já tinha o convite para fazer o filme do Fernando — argumenta.

Sem contrato fixo com a Globo, ela se dedicou ao longa no primeiro semestre. Na película, faz Laura, par do ator Juliano Cazarré, que trai a jovem com a personagem de Rachel Weisz — ela, por sua vez, é casada com Jude Law na fita. Elogiada pelo diretor, com quem já havia trabalhado na minissérie "Som e fúria", Maria Flor encarou uma cena de 16 páginas de texto com o veterano Anthony Hopkins.

— Assisti ao cara em "O silêncio dos inocentes" e, de repente, estava contracenando com ele. Claro que pensei: "Como vim parar aqui?". Mas, no final das contas, ele é uma pessoa normal. O meu maior nervosismo era atuar em outra língua. Neste sentido, o Fernando me deixou muito à vontade.

oglobo.globo.com | 04-12-2011

BERLIM - A estabilidade política, a liderança regional e principalmente o crescimento econômico, que somente este ano deve chegar a 6,6%, segundo o FMI, fazem da Turquia a protagonista do mais novo fenômeno migratório da Europa. Cinquenta anos depois do início da ida em massa de turcos para a Alemanha — possível graças a um acordo firmado entre os dois países para a contratação de mão de obra turca (barata) pelas empresas alemãs (em expansão) — turcos e seus descendentes agora fazem o contrário: deixam a Alemanha e voltam para seu país de origem. A busca é por melhores condições de trabalho; afinal, a Alemanha faz parte da debilitada União Europeia, mesmo sem viver uma crise da mesma magnitude que os vizinhos. E os turco-alemães alegam ainda que nunca conseguiram se livrar do preconceito que sofrem na Alemanha.

Segundo a Associação dos Turcos da Alemanha, principal organização que lida com migração, 140 mil turcos e seus descendentes voltaram da Alemanha para a Turquia nos últimos cinco anos. Só no ano passado, foram cerca de 40 mil. Quase todos são jovens altamente qualificados, entre 25 e 40 anos.

— A vida na Alemanha deixou de valer a pena economicamente e, para nós, não é mais interessante nos submetermos à discriminação que há contra estrangeiros — conta a jornalista e cientista política turca Dilek Zaptcioglu, de 50 anos, que cresceu e se formou na Alemanha, mas hoje vive num apartamento em Istambul, à beira do rio Bósforo.

Dilek nasceu na Alemanha, onde frequentou também a universidade. De Istambul, colabora para jornais europeus e recentemente escreveu um livro sobre a história do Islã.

A psiquiatra Mutlu (ela não quis revelar o sobrenome) tem 45 anos e mora em Munique. Mas não vê a hora de voltar ao país dos seus pais. Segundo ela, seu diploma de medicina vale muito menos na Alemanha do que em Istambul, onde quer se estabelecer.

— Aqui só atendo gente pobre, da minoria turca, por fazer parte dela. Em Istambul, com 15 milhões de habitantes, posso ganhar cinco vezes mais.

Atualmente cerca de três milhões de turcos e seus descendentes vivem na Alemanha. Nas grandes cidades, as lanchonetes de döner kebab, um sanduíche criado por imigrantes turcos há 40 anos, competem com o McDonald’s pela clientela jovem. Mesut Özil, o melhor jogador da seleção alemã, é filho de imigrantes turcos, e o presidente do Partido Verde, Cem Özdemir, também faz parte da minoria.

De um modo geral, porém, os turcos são retratados como imigrantes pobres. Em 1985, o livro "Cabeça de Turco", do jornalista Günter Wallraff, denunciou o problema da discriminação, após o autor se disfarçar de trabalhador turco.

Na Alemanha, imigrantes temem ação de extremistas

Outro sinal dos problemas foi a descoberta do caso de uma célula de terror da extrema direita de Zwickau, na antiga Alemanha Oriental. O grupo praticou atentados e matou, à queima-roupa, dez pessoas nos últimos dez anos: oito turcos, um grego e uma policial alemã. O saldo de crimes da extrema-direita é de 170 mortos antes disso, além dos inúmeros incêndios praticados contra prédios onde vivem a minoria.

— O problema é que os descendentes de turcos receiam não apenas os extremistas. Eles têm medo que certos setores oficiais desejem mesmo o êxodo em massa da minoria turca — diz Dilek.

Talvez levando em conta as reclamações do grupo, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, tenha — em recente visita à Alemanha para as comemorações dos 50 anos do acordo de imigração — dito que quem atacasse integrantes da minoria estaria comprando uma briga com ele e com a Turquia. Diplomático, mas autoconfiante, Erdogan criticou a Alemanha por ter deixado ao léu os imigrantes que, apesar de terem vindo a convite do governo, foram entregues ao próprio destino.

A primeira geração que migrou era composta por pessoas simples, predominantemente da Anatólia, região pobre da Turquia. Muitos não sabiam ler nem no idioma materno. Uma vez na Alemanha, eles foram concentrados em bairros específicos, que viraram guetos existentes até hoje. Muitos turcos nunca aprenderam alemão, e a maioria continuou isolada socialmente.

Mas até a queda do Muro de Berlim o esquema mais ou menos funcionava. Com a abertura do mercado de trabalho para o Leste europeu, os turcos, que tinham empregos mais simples, foram os primeiros a serem postos na rua. Desde os anos 90, os políticos alemães reconhecem a existência de sociedades paralelas.

Na Turquia, turismo e exportações em alta

Ekrem Senol, de 36 anos, neto de um dos primeiros imigrantes, reclama que os salários foram "achatados". Antigamente, as pessoas com empregos mais simples recebiam um salário razoável diretamente do empregador. Hoje são vítimas de empresas de "empréstimo de trabalho". Agências que oferecem trabalho terceirizado, com baixa remuneração em relação ao oferecido aos trabalhadores locais.

— Os imigrantes turcos foram os que mais perderam com esse modelo — reclama Senol, um advogado de 36 anos, que vive em Colônia e já tece planos de ir embora para a Turquia, país que conhece apenas das férias com o pai, um metalúrgico da montadora Ford.

Já na Turquia, o clima é do mais profundo otimismo. Desde a fundação do país após o fim do Império Otomano por Mustafa Kemal Atatürk, em 1923, o país nunca viveu um momento de tanta prosperidade quanto agora, diz o cientista político Hüseyin Bagci, da Universidade de Ancara.

Para muitos, o primeiro-ministro Erdogan, no cargo desde 2003, é o responsável pelo boom da economia turca. Mas Bagci lembra que o milagre econômico tem muitos pais, e a Turquia tirou muito proveito da globalização: o país atrai capital do mundo inteiro atualmente. Só no último ano, as exportações para a União Europeia duplicaram. Ao contrário de antigamente, quando a Turquia exportava mais frutas, hoje os navios e produtos industriais, como máquinas, são os principais produtos vendidos para outros países.

E não é só a produção industrial forte que chama a atenção. Segundo o Ministério do Turismo, somente no ano passado o país atraiu 28,6 milhões de visitantes, no sétimo lugar entre os destinos de viagens mais procurados.

Além disso, há toda a liderança regional do país, como observado durante a Primavera Árabe. E a Turquia — apesar de relatos de abusos à liberdade de imprensa, por exemplo, e da repressão aos curdos — é um modelo citado como objeto de desejo para os islamistas em países como Marrocos, Tunísia, Líbia e Egito.

O êxito do país nas relações econômicas e diplomáticas acabou por deixar em segundo plano um antigo sonho: o ingresso na União Europeia. Ironicamente, cabe à Alemanha o papel principal na tentativa de resgatar o bloco da maior crise de sua história.

oglobo.globo.com | 04-12-2011

PARIS e TEERÃ - A França deve reduzir temporariamente sua embaixada no Irã, trazendo de volta parte dos funcionários e familiares da representação do país em Teerã, informou neste sábado fonte do Ministério das Relações Exteriores francês que pediu para não ser identificada. A decisão teria sido tomada em resposta ao recente ataque de manifestantes iranianos à embaixada do Reino Unido. Apesar disso, a autoridade francesa afirmou que a embaixada em Teerã continuará aberta.

Já o Ministério das Relações Exteriores do Irã alertou, também neste sábado, que o Ocidente deve evitar aprofundar a crise diplomática que se seguiu à invasão da embaixada britânica. Segundo Ramin Mehmanparast , porta-voz da chancelaria iraniana, o Reino Unido está tentando estender para outros países um problema que é exclusivamente entre Londres e Teerã.

- Dissemos aos países europeus para não submeter seus laços conosco ao tipo de problemas que existem entre o Irã e o Reino Unido - afirmou.

Na última terça-feira, uma multidão invadiu a embaixada britânica no centro de Teerã e um outro complexo diplomático no Norte da capital. Gritando frases como "morte à Inglaterra", os manifestantes escalaram os muros da embaixada, rasgaram a bandeira britânica, quebraram janelas, queimaram um carro e destruíram documentos. Em resposta, o Reino Unido não só retirou todos os seus funcionários do Irã como deu 48 horas para diplomatas iranianos deixarem o país, que chegaram ontem a Teerã. A Noruega também decidiu fechar temporariamente sua embaixada em Teerã, enquanto França, Alemanha e Holanda convocaram seus embaixadores para consulta.

Em discurso na Parlamento, o chanceler britânico, William Hague, disse que seria irreal pensar que os ataques à embaixada e às residências de seus funcionários ocorreram sem algum grau de consentimento das autoridades iranianas. Ele afirmou que não é possível manter a missão nas atuais circunstâncias e que entre os cerca de 200 manifestantes que invadiram as representações estavam "estudantes basijj", milícia que atua como braço da Guarda Revolucionária iraniana, uma das instituições mais poderosas do país.

- Se qualquer país torna impossível para nós operar em seu solo, não pode esperar ter uma embaixada funcionando aqui - disse Hague na quarta-feira.

Mesmo assim, os britânicos não cortaram relações com Teerã. Ainda na semana passada, os ministros de Relações Exteriores da União Europeia aprovaram uma nova leva de sanções contra o Irã. As medidas atingem 37 pessoas e 143 companhias e incluem o congelamento de ativos na União Europeia e a proibição de viagens para qualquer um dos 27 países-membros. Entre os alvos estão a Companhia de Navegação do Irã e integrantes de entidades controladas pela Guarda Revolucionária. Na prática, porém, as punições deixaram de fora medidas mais ambiciosas - e eficazes, na avaliação de especialistas - para cortar recursos do programa nuclear iraniano, como restrições ao Banco Central e um embargo ao petróleo.

Com o preço do barril na faixa dos US$ 100 e a Europa mergulhada em uma crise de dívida sem sinal de solução a curto prazo, há receio de que qualquer interferência no setor de óleo e gás iraniano jogue para cima a cotação do petróleo no mercado internacional e contribua para deixar a região em um cenário econômico ainda mais negativo. O Irã é um dos maiores exportadores de petróleo do mundo.

oglobo.globo.com | 03-12-2011
A TAP foi eleita a melhor companhia área da Europa, entre outras 30 companhias de renome internacional, pela revista norte-americana de turismo Global Traveler, divulgou hoje a empresa em comunicado.
www.rtp.pt | 03-12-2011

RIO - Seja pela curiosidade de como vivem seus moradores ou pela vista estonteante de cima dos morros, as favelas se consolidaram como importante destino turístico, principalmente no roteiro dos visitantes estrangeiros. Nos anos 90, inúmeros jipes passaram a circular pela Rocinha lotados de turistas. Nos últimos anos, com a pacificação, os destinos se diversificaram. Comunidades como o Dona Marta, em Botafogo, e Chapéu Mangueira e Babilônia, no Leme, despertam para o potencial de geração de trabalho e renda dessa atividade e oferecem atrativos, que vão desde uma bela paisagem vista de uma laje até a receita para fisgar o turista pelo estômago: feijoada e caipirinha.

— Muita, muita caipirinha — ressalta Vitor Hugo Medina, guia do Chapéu Tour e dono do hostel Favela Inn, opção de hospedagem no Chapéu Mangueira.

Morador da comunidade, Vitor abriu seu albergue em novembro de 2010, após a pacificação da comunidade. Com 18 vagas, costuma ficar lotado na alta temporada, que vai do réveillon até depois do carnaval. A dica para investir no turismo veio de um cliente da sua barraca de praia.

— Um freguês que trabalha numa agência me disse que o turismo de comunidade ia crescer. Isso há uns sete anos. Começamos então a fazer as visitas guiadas. Levamos os turistas a restaurantes e lanchonetes, para todos ganharem um pouco — explica Vítor.

Ele costuma ainda fechar a laje do hostel para grupos, com feijoada e roda de samba. O cardápio é o mesmo na comunidade vizinha, na laje de César Zerbinato, próximo à sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Percebendo o aumento na procura, o morador está fazendo obras em sua casa na Babilônia, para oferecer banheiro com ducha aos visitantes.

O ecoturismo é um dos pontos fortes na comunidade. Com um guia, grupos sobem em meio às casas, até chegar ao topo do morro, todo reflorestado ao longo dos últimos 15 anos. No caminho, os visitantes conhecem casas de pau a pique. O condutor Jair Coelho Agenor explica que essas moradias devem ser demolidas pelo governo, por estarem em área de proteção ambiental:

— A comunidade nasceu de cima para baixo. Por isso, as casas do topo são as mais antigas. Estamos tentando manter pelo menos uma delas, mesmo que vazia, para que os turistas possam conhecer como um dia foi toda a favela.

Lá do alto, a vista alcança a Baía de Guanabara de um lado, com a Ponte Rio-Niterói ao fundo, e a Praia de Copacabana de outro, em meio a folhagens. Na descida, muitos param no premiado Bar do Davi, uma alternativa às lajes. O restaurante serve comida caseira a preços convidativos e sabor que lhe valeu reconhecimento em alguns concursos de gastronomia, como o da revista Rio Show do GLOBO. A pacificação rendeu a David Bispo mais clientes, mas não a formalização:

— Disseram que eu seria o primeiro a ganhar alvará, mas até agora não consegui o documento. Quero trabalhar dentro da lei, até para dar mais conforto aos meus clientes — diz David.

O Dona Marta, em Botafogo, também recepciona bem os turistas. Há guias locais, que levam os grupos até a parte alta do morro pelo plano inclinado e depois descem pelos becos mostrando atrativos, como a Laje de Michael Jackson. Em 1996, o rei do pop gravou ali o clipe da música "They don´t care about us". O local ganhou estátua do cantor e painel de Romero Britto.

É lá também que acontecem as aulas de pipa para os estrangeiros, nas quais crianças ensinam os turistas a construírem o brinquedo e empiná-lo. Há ainda outras atividades criativas, como o jogo de futebol com os moradores da comunidade. Se a ideia é comer feijoada ao som de samba ou pagode, o Lajão Cultural, com telhado retrátil, é uma opção.

— Também organizamos aulas de samba no pé — conta Thiago Firmino, dono do Lajão Cultural e guia na comunidade.

Para quem gosta de aventura, há a trilha para o Mirante Dona Marta e o paintball, a última novidade na favela. As armas de verdade saíram de cena e a guerra virou brincadeira.

Ocupados, mas ainda sem UPP, o Complexo do Alemão e a Rocinha começam a formar seus guias locais. Entre os atrativos turísticos que ainda não foram descobertos na favela de São Conrado, estão duas cachoeiras: uma no Labouriaux e outra na Dioneia. Após dias de chuva, a água se torna mais intensa e os poços atraentes. Nos últimos anos, porém, as quedas d'água deixaram de ser frequentadas até mesmo pelos moradores, porque ficam no meio do mato, local que era usado como esconderijo por traficantes.

Com vista para a Lagoa, as praias do Leblon e de Ipanema e o Cristo Redentor, o Visual, no Labouriaux, é mais um ponto que não pode ficar fora do roteiro turístico. O Bar da Vera garante a cerveja gelada e o petisco para quem admira a bela paisagem. Vista bonita é o que não falta na Rocinha. Que o diga Carlinhos Baiano, que mora na favela há mais de 30 anos e recebe turistas em sua laje por R$ 3. De lá, da esquina da Rua 1 com a Estrada da Gávea, a vista é para a Praia de São Conrado.

Turistas também param na barraca de Raquel Freitas, na Estrada da Gávea, que vende quadros retratando a favela. Custam de R$ 10 a R$ 150. A artista está preocupada com a possibilidade de ter que deixar o local:

— Vieram pessoas da prefeitura dizendo que teríamos que sair. Vendo há 10 anos aqui. Poderiam criar um espaço próprio para que a gente pudesse expor nossos produtos.

Trilha por onde traficantes fugiram vira atração

Na Rocinha, ainda são poucos os guias locais. A maior parte das visitas é feita por empresas de fora da comunidade. No Alemão, os moradores também aproveitam pouco os frutos do turismo, segundo os guias Ricardo Wagner e Marcelo Louven. Eles tentam desenvolver um roteiro que misture as atrações do complexo com as igrejas e quadras de escolas de samba do entorno.

— Após a ocupação, muitos turistas vieram ao Alemão, mas após confrontos a procura diminuiu — diz Ricardo.

Entre as atrações da comunidade, estão a trilha por onde fugiram os traficantes na ocupação da Vila Cruzeiro, a vista do alto da Matinha e a Praça do Conhecimento, obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na Nova Brasília, em fase de finalização. O espaço, todo reformado, ganhará um centro comercial com lojas e um prédio com oficinas de audiovisual.

Atualmente, os turistas optam por andar de teleférico para ver a comunidade do alto. O casal de paranaenses Maurizio e Andreza Lima fizeram o passeio na quinta-feira. Não pretendiam circular pela favela, por receio. Mas o vento forte paralisou o teleférico, obrigando-os a saltar.

— Acabamos perdendo o medo e tivemos contato com algumas pessoas do Alemão. Valeu a pena, até pela aventura. Vamos ter muitas histórias para contar — disse Andreza.

Estrangeiros querem ver até a pobreza

A maioria dos turistas que visitam favelas no Rio é estrangeira e nem sabe do processo de pacificação de comunidades. Eles querem ver a pobreza e, muitas vezes, até a violência, que assistiram em filmes como "Cidade de Deus" e "Tropa de Elite". Essas são algumas das conclusões da pesquisa "Turismo em comunidades pacificadas", da Fundação Getúlio Vargas, encomendada pelo Ministério do Turismo. Os resultados serão lançados até o fim deste mês.

— No exterior, o Brasil é visto como uma mistura de futebol, mulata, carnaval e favela. O pacote que envolve as comunidades sempre girou em torno da pobreza e violência. Mesmo nos morros ocupados, a presença da polícia e da arma é muito evidente. Não é como circular por Copacabana. Existe um reforço até por parte das agências de turismo de que existe algo diferente nessas comunidades, para o bem e para o mal. Estereótipos da favela como berço do samba e do funk, com uma cultura própria em relação à cidade, são reforçados — avalia a antropóloga Bianca Freire-Medeiros, coordenadora da pesquisa e autora do livro "Gringo na Laje: Produção, circulação e consumo da favela turística".

Segundo a pesquisa, que ouviu 400 turistas no Dona Marta e 900 no Aeroporto Internacional do Galeão, a maioria dos visitantes que vai a favelas é da Europa (42,2%). Entre os pontos altos da visita, os destaques ficaram com o conhecimento da arquitetura da favela (citado por 55,9% dos entrevistados), a vista da cidade (41,1%), o conhecimento de projetos sociais (34,9%) e a interação com os moradores (27,5%).

oglobo.globo.com | 03-12-2011

LONDRES – Após serem expulsos pelo governo britânico, diplomatas do Irã deixaram o Reino Unido nesta sexta-feira. Segundo o ministério do Exterior, os iranianos partiram em um avião alugado do aeroporto de Heathrow. Um grupo de jovens espera para recebê-los no aeroporto da capital iraniana, informou a agência semi-estatal Fars. Os diplomatas foram expulsos do Reino Unido após a embaixada britânica em Teerã ser invadida e vandalizada por manifestantes. Os diplomatas tinham até 14h (horário local) para deixarem o território britânico.

O incidente da terça-feira, quando manifestantes iranianos atacaram a embaixada britânica, piorou ainda mais a já tensa relação entre os dois países. O Reino Unido, assim como os EUA, se opõe ao programa nuclear do Irã e pede que o país suspenda o enriquecimento de urânio.Teerã afirma que suas pesquisas têm objetivo puramente científico e visam a produção de energia. Mas países ocidentais acreditam que o Irã planeja construir armas nucleares.

Na quinta-feira, o Senado americano aprovou, por unanimidade, a aplicação de sanções econômicas ainda mais duras ao Irã, por conta das suspeitas sobre a natureza de seu programa nuclear.

Também em represália ao programa nuclear iraniano, ministros de Relações Exteriores da União Europeia aprovaram uma nova série de sanções contra Teerã. As medidas atingem 37 pessoas e 143 companhias e incluem o congelamento de ativos na União Europeia e a proibição de viagens para qualquer um dos 27 países-membros.

oglobo.globo.com | 02-12-2011

GENEBRA - Durante uma reunião de emergência do Conselho Direitos Humanos da ONU para discutir a situação da Síria, a comissária das Nações Unidas para o tema, Navi Pillay, afirmou que as recentes informações sobre a crise no país reforçam a necessidade de que o caso seja levado ao Conselho de Segurança e remetido pelo organismo ao Tribunal Penal Internacional (TPI). Um dia depois de afirmar que a Síria já vive uma guerra civil, Navi disse nesta sexta-feira que a comunidade internacional precisa agir com rapidez.

Uma resolução que já conta com apoio de países árabes, africanos, europeus, asiáticos e americanos pede o estabelecimento de um investigador especial para a Síria, mas deixa em aberto o possível envio do caso ao TPI. O conselho não tem poderes para impor tal medida, que deveria passar pelo Conselho de Segurança, onde Rússia e China - que têm poder de veto no organismo - vem se opondo a medidas mais duras contra o governo de Bashar al-Assad.

- À luz da manifesta falha das autoridades sírias para proteger seus civis, a comunidade internacional precisa tomar medidas urgentes e efetivas para proteger o povo sírio - afirmou Navi durante a reunião em Genebra.

A comissária afirmou que, diante de dados como a morte de 307 crianças assassinadas na repressão a protestos antigoverno, o mundo precisa responsabilizar o regime Assad. O raro consenso entre diferentes países deve levar a aprovação de uma resolução ainda nesta sexta. As discussões no conselho se baseiam no relatório liderado pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, que acusa a Síria de cometer crimes contra a Humanidade.

- A sessão do conselho (de Direitos Humanos) é importante para que chegar ao Conselho de Segurança e também para mandar uma mensagem aos que estão dando suporte a uma ação drástica - disse Navi.

Segundo o representante britânico na ONU em Genebra, Peter Gooderham, as medidas no Conselho de Direitos Humanos estão sendo lideradas pelos próprios países árabes.

- Alguns embaixadores árabes estão tão ou mais preocupados que a União Europeia e os Estados Unidos e possivelmente até mais - disse Gooderham, na quarta-feira, quando a sessão foi convocada.

Inicialmente hesitantes sobre medidas contra o vizinho, Estados da região reunidos na Liga Árabe aprovaram no domingo a imposição de sanções contra a Síria. Medidas como a proibição de viagens de ministros e de um irmão de Assad serão votadas em uma reunião do bloco no sábado. Na quinta-feira, a União Europeia aprovou a extensão das sanções a mais 11 entidades e 12 personalidades sírias.

oglobo.globo.com | 02-12-2011

Friedrich Hayek, no livro “Os fundamentos da liberdade”, lembra, em defesa da tese liberal e do capitalismo, que os trabalhadores da Europa, que hoje viajam com a família de avião nas férias, tinham como ascendentes os integrantes das hordas de famintos que perambulavam sem trabalho pelo interior do continente na Idade Média.

Sem entrarmos na discussão dos méritos ou deméritos do capitalismo, podemos dizer que o crescimento da nova classe média também vem contribuindo, e muito, para o expressivo aumento de viagens de avião no Brasil. Aumento este que tem como uma de suas consequências o chamado caos aéreo em que, vez por outra, mergulhamos em nosso país. A exemplo do trânsito nas cidades, esse caos é o resultado da conjugação da afluência de parte da população com a timidez com que o Poder Público investe na infraestrutura de transporte no Brasil.

A crise aeroportuária, séria no país, é especialmente grave no Rio de Janeiro. São Paulo e adjacências possuem três aeroportos de porte (Congonhas, Cumbica e Viracopos). Lá, além da privatização de Viracopos, já se fala de um quarto aeródromo. Na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, de porte, temos o Santos Dumont, com suas conhecidas limitações, e o Galeão, que o Governo reluta em privatizar. Tampouco se fala de um novo aeroporto por aqui.

Bem que o Rio merecia um novo aeroporto. De preferência, internacional. Recorde-se que no Galeão funcionava uma antiga base de aviação naval sob a gestão da Marinha, transferida em 1941 para a administração da Força Aérea Brasileira, então recém-criada. Nascia então a Base Aérea do Galeão, que funciona até hoje. Não obstante o fato de a pista então existente ter sido construída para uso militar, ela já vinha sendo parcialmente utilizada, desde o início da década de 1940, por aviões civis. Contudo, somente em 1952 o Aeroporto Internacional do Galeão foi oficialmente institucionalizado e inaugurado.

A pergunta cabível neste instante é: por que não adotamos para a Base Aérea de Santa Cruz o modelo utilizado com sucesso no Galeão? A pista de Santa Cruz, com mais de 2.600 metros, permite, ao nível do mar, o recebimento de praticamente todos os aviões comerciais em serviço no mundo. Tal medida proveria o Rio de Janeiro de uma excelente alternativa aeroportuária, com excepcional localização, junto a um dos mais importantes polos industriais e logísticos do país. Nas suas proximidades estão instaladas, entre outras indústrias, a CSA, a Nuclep, a Valesul e a Gerdau. Além disso, a Base de Santa Cruz é muito próxima do Porto de Itaguaí e de importantes terminais portuários privativos, como o Porto Sudeste e a base de apoio logístico offshore para o pré-sal que a Petrobras está estudando na Baia de Sepetiba. Acresce a facilidade de ligação viária com a Zona Oeste, inclusive a Barra da Tijuca, que se tornará facilmente acessível a partir daquela região através do Túnel da Grota Funda, ora em construção.

Apesar de algumas unidades da FAB estarem sediadas em Santa Cruz, a utilização militar da pista não deve ser tão intensa que não permita seu uso compartilhado com aviões de carreira (como, de resto, ocorre no Galeão). Naturalmente haveria que se providenciar o estudo das condições de adequação do aeródromo para uso civil, com os investimentos para tanto necessários. Mas certamente valeria a pena.

MARCOS POGGI é economista.

E-mail: marcospoggi27@gmail.com

oglobo.globo.com | 01-12-2011

Sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irã:

- As primeiras sanções foram impostas após estudantes iranianos invadirem a embaixada americana e tomar diplomatas como reféns em 1979. Produtos iranianos passam a não poder entrar nos Estados Unidos, a não ser pequenos presentes, material informativo, produtos alimentares e alguns tapetes.

- Em 1995, o presidente Bill Clinton determinou ordens para que as empresas americanas não investissem no petróleo e gás iraniano nem fizessem negócios com o país. O Irã buscou outros países para se tornarem seus consumidores.

- No mesmo ano, o Congresso aprovou uma lei requerendo que o governo impusesse sanções em firmas estrangeiras que investiam mais de US$ 20 milhões por ano no setor de energia iraniano.

- Em outubro de 2007, Washington impôs sanções em três bancos iranianos e marcou a Guarda Revolucionária como uma proliferadora de armas de destruição em massa. O Tesouro americano já adicionou vários outros bancos iranianos à sua lista negra desde então.

- O Tesouro identificou cerca de 20 empresas de petróleo e petroquímica que estariam sob o controle do governo do Irã, uma ação que as colocou sob o embargo comercial.

- O Congresso aprovou novas sanções unilaterais em 24 de junho de 2010, para enfraquecer o setor energético e bancário do Irã, o que poderia também afetar empresas de outros países que tinham negócios com Teerã.

- As medidas de 2010 impuseram penalidades para as firmas que abasteciam o Irã com produtos de petróleo refinado que alcançavam o valor de US$ 5 milhões em um ano. Também privava os bancos estrangeiros de acessar o sistema financeiro americano caso eles fizessem negócios com os bancos iranianos ou com a Guarda Revolucionária.

- Em maio, os EUA colocou em sua lista negra o 21º banco estatal iraniano, o Banco da Indústria e da Mineração, por ter feito transações com dois bancos já sob sanção: o Banco Mellat e o Europaeisch-Iranische Handelsbank.

- Também em maio, são anunciadas novas sanções na companhia estatal de petróleo da Venezuela, a PDVSA, e outras seis empresas menores de petróleo e de transporte por se envolver em negócios com o Irã. A medida irrita o governo do presidente Hugo Chavez.

- Em 11 de junho, são anunciadas novas sanções à Guarda Revolucionária Islâmica, à Força de Resistência Basji, as Forças de Aplicação das Leis do Irã e seu comandante, Ismail Ahmadi Moghadam. As sanções congelaram todos os bens dos relatados sob jurisdição dos EUA e proibiu pessoas e instituições americanas de negociar com eles.

- Em 21 de novembro, os EUA nomearam o Irã como uma área de “preocupação primária de lavagem de dinheiro”, um passo para dissuadir os bancos não americanos de negociar com o país. Os EUA também adicionaram 11 entidades suspeitas de ajudar o programa nuclear iraniano à sua lista negra e expandiram as sanções para abranger empresas que contribuíam para a indústria de petróleo e petroquímica do Irã. Entretanto, os Estados Unidos pararam por um tempo de mirar no Banco Central do Irã.

- As sanções impostas pelos EUA ao Irã podem ser vistas no site do Tesouro americano.

Sanções impostas pelo Reino Unido:

- Em 21 de novembro, em uma ação coordenada com Estados Unidos e Canadá, o Reino Unido ordenou que todas as instituições financeiras britânicas parassem de fazer negócios com seus pares iranianos, inclusive com o Banco Central do Irã. As sanções foram uma resposta a um relatório de oito de novembro da AIEA que afirmava que o Irã trabalhou no desenvolvimento de armas nucleares. As sanções proibiram que instituições financeiras e de crédito do Reino Unido iniciassem transações ou negócios com os bancos do Irã.

Sanções impostas pelo Canadá:

- Em 21 de novembro, o Canadá anunciou que iria banir imediatamente a exportação ao Irã de todos os produtos usados nas indústrias petroquímicas e de petróleo e gás, como parte de um pacote de sanções internacionais. A medida, porém, não se aplica a contratos firmados antes do dia 22 de novembro.

Sanções impostas pela Suíça:

- Em 18 de novembro, o país adicionou cinco pessoas e 111 organizações para sua lista de entidades iranianas sob sanção. Sanções anteriores incluíam a proibição de certas transações financeiras e a venda ou entrega dos chamados bens de uso dual por empresas suíças.

Sanções impostas pela ONU:

- O Conselho de Segurança impôs quatro conjunto de sanções ao Irã: em dezembro de 2006, março de 2007, março de 2008 e junho de 2010.

- Em 2006, as sanções abrangiam materiais nucleares e o congelamento de bens de pessoas e companhias iranianas ligadas ao programa nuclear.

- Em 2007, estendeu-se o congelamento de bens a mais 28 grupos, empresas e pessoas envolvidas ou que apoiavam a pesquisa nuclear ou o desenvolvimento de mísseis balísticos.

- Em 2008, o pacote de sanções aumentou as restrições financeiras e de viagens a pessoas e empresas. Expandiu uma proibição parcial nos negócios com itens que podem ser usados com fins militares ou civis para encobrir as vendas de tecnologia ao Irã. Em setembro deste ano, o Conselho de Segurança aprovou com unanimidade uma resolução ordenando que o Irã parasse com o enriquecimento de urânio, o que não foi cumprido.

- Uma resolução do Conselho de Segurança aprovada em 9 de junho de 2010 pedia medidas contra novos bancos iranianos no exterior caso houvesse suspeitas de uma conexão com o programa nuclear ou de mísseis.

- Expandiu um embargo de armas contra Teerã e colocou três empresas controladas pela companhia marítima iraniana e outras 15 pertencentes à Guarda Revolucionária Islâmica à sua lista negra. A resolução também pedia a criação de um regime de inspeção de cargas.

- Anexada à resolução estava uma lista de 40 empresas que deviam ser adicionadas à já existente lista negra da ONU.

Sanções impostas pela União Europeia:

- Em 12 de agosto de 2010, a União Europeia endureceu suas sanções contra Teerão, incluindo a proibição da criação de joint ventures com empresas no Irã que estivessem ligadas com as indústrias de petróleo e gás natural e qualquer subsidiária ou afiliada sob seu controle.

- Os estados-membros da UE deveriam proibir a prestação de seguros ou resseguros ao governo do Irã. A venda, compra, corretagem ou assistência com a emissão de títulos públicos ou publicamente garantidos pelo governo iraniano, Banco Central ou bancos iranianos são proibidas.

- A importação ou exportação de armas e equipamentos que possam contribuir para o enriquecimento de urânio ou ter “uso dual” são proibidas.

- As sanções proíbem a venda e abastecimento ou transferência de tecnologia e equipamentos energéticos usados pelo Irã para refinar, liquefazer, explorar e produzir gás natural.

- Em maio de 2011, os ministros das Relações Exteriores dos países da UE aumentou significativamente as sanções e concordou em acrescentar mais de 100 novas entidades à lista de empresas e pessoas ligadas a essas companhias, incluindo as que pertenciam ou eram controladas pela companhia de transporte iraniana.

- Em outubro, a UE impôs sanções em 29 pessoas, levando a relação que lista pessoas ligadas a violações dos direitos humanos a ter 61 nomes.

- Em 1º de dezembro de 2011, o bloco fez uma lista de alvos que inclui 180 autoridades e empresas iranianas.

- Todas as sanções ao Irã podem ser conferidas no site da União Europeia.

oglobo.globo.com | 01-12-2011

BEIRUTE - O crescente número de mortos, que já passa de 4 mil em nove meses, e as cada vez mais frequentes deserções nas Forças Armadas, que impõem uma resistência ao regime do ditador Bashar al-Assad, colocam a Síria em estado de guerra civil. A afirmação foi feita nesta quinta-feira por Navy Pillay, comissária da ONU para direitos humanos. Segundo ela, há indícios ainda de que Damasco comete crimes contra a Humanidade e que, por isso, deve ser processado.

- Eu disse em agosto, diante do Conselho de Segurança, que assim que o número de desertores aumentasse e eles começassem a pegar em armas haveria uma guerra civil. - explicou Navy. - E, neste momento, é assim que vejo a situação.

As duras críticas de Navy reforçam uma pressão que, interna e externamente, já era grande contra o governo Assad. Nesta quinta-feira, o Conselho Nacional Sírio (CNS), principal grupo de oposição do país, anunciou que vai se unir ao Exército Sírio Livre, composto por desertores, numa ação coordenada contra o governo de Damasco.

O CNS garantiu que os soldados dissidentes concordaram em suspender os ataques contra forças sírias, informou a BBC. Os líderes do CNS, Burhan Ghalioun, e do Exército desertor, Riyad al-Asaad, se encontraram na província turca de Hatay. A união dos opositores pode representar um golpe ainda mais duro contra o regime sírio, acreditam analistas.

Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores do Kuwait orientou seus cidadãos que estão na Síria a deixarem o país imediatamente para sua própria segurança. O governo também recomendou que sejam canceladas viagens ao território sírio, em função dos protestos e da violenta repressão por parte do governo.

Em mais um sinal do isolamento do governo de Bashar al-Assad, a União Europeia também concordou em intensificar as sanções à Síria. Os novos alvos são 11 empresas e 12 indivíduos. Não foram divulgadas, porém, quais são as sanções.

A violência no país continua apesar da condenação internacional. Mais cedo, ativistas sírios informaram que tropas do governo atacaram a aldeia de Traimseh, na região central do país, deixando cinco mortos. Outra pessoa morreu na cidade de Homs, um dos focos da resistência ao regime de Assad. Em Hama, mais seis civis foram mortos.

A oposição síria convocou uma greve geral em protesto contra a repressão ao protestos por democracia, iniciados em março. Segundo a rede de TV al Jazeera, a paralisação já acontece em várias cidades. É mais uma dificuldade imposta ao regime Assad, que já é alvo de sanções econômicas unilaterais.

No domingo, a Liga Árabe também aprovou sanções contra o país. A organização divulgou na quarta-feira uma lista de 17 autoridades que poderão ter proibidas suas viagens para países do bloco. Entre os nomes estão o ministro da Defesa, o do Interior, o magnata das telecomunicações Rami Makhluf e Maher al-Assad, irmão do presidente sírio.

oglobo.globo.com | 01-12-2011

INTERLAKEN - A boa infraestrutura para a prática de esportes é um dos motivos que levam 36 milhões de turistas todos os anos à Suíça, aliada à beleza da paisagem e à qualidade da gastronomia, entre outros atrativos. O país reúne condições ideais para alpinismo e esportes de inverno como esqui e snowboard. Outra atividade popular é o hiking, modalidade de caminhada em trilhas, mais comum em terrenos montanhosos, como os encontrados entre os cantões de Valais e Berna — onde fica a estação de Jungfrau, a mais alta da Europa e que em 2012 completa cem anos de operação — Jura e Neuchâtel, este com o Creux du Van e suas vistas de rara beleza a 500 metros de altura. Um terço das trilhas para caminhada na Suíça está distribuído nas montanhas e quem planeja uma viagem pode ir se programando ainda em casa. Um sistema de marcação por cores indica a intensidade e o tipo de cada trilha — desde as amarelas, que não exigem muito esforço até as cor-de-rosa, para serem percorridas no inverno.

De Interlaken para o Topo da Europa

Localizada no Oberland Bernês, a parte mais alta do cantão de Berna, entre os lagos Thun e Brienz e aos pés dos Alpes, Interlaken é o ponto de partida para quem quer se aventurar pelas paisagens montanhosas da Suíça. De lá se pode observar as três principais montanhas da região: Eiger, Mönch e Jungfrau, que fazem parte do maciço do Jungfrau. A cidade é um dos destinos mais procurados por suas trilhas para hiking.

Além de infraestrutura hoteleira, Interlaken tem boa gastronomia e intensa vida noturna. Seus muitos bares e restaurantes oferecem os mais variados tipos de cozinha: da típica culinária suíça, onde o fondue é a pedida mais comum, aos cardápios de sotaque italiano, francês, indiano, tailandês, chinês e japonês.

De Interlaken se vai para a ferrovia do Jungfrau, uma das principais atrações turísticas da Suíça. Pode-se ir direto de trem até Jungfraujoch ou descer nas estações intermediárias para conhecer os belos lugares pelo caminho. Funiculares, bondinhos e teleféricos complementam a rede de transporte na região, que interliga cidades e vilarejos.

A Jungfraujoch, ou Topo da Europa, como também é conhecida, é a estação ferroviária mais alta do continente, localizada a 3.454 metros acima do nível do mar e que em 2012 completa 100 anos de funcionamento. As comemorações começam logo na primeira semana de janeiro, com uma projeção de imagens na face norte do Jungfrau, entre elas o retrato de Adolf Guyer Zeller, idealizador e fundador da Estrada de Ferro Jungfrau.

A cerimônia oficial do centenário da Jungfraujoch acontece em 1º de agosto de 2012, data exata do aniversário de abertura da estação. Lá de cima, o visitante tem uma vista impressionante das montanhas do maciço do Jungfrau e da geleira Aletsch, a maior da Europa, com 23 km de extensão e 117 km. A Aletsch foi considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 2001 e pode ser observada antes mesmo da chegada ao Jungfraujoch, nos mirantes da estação de Eismeer, a última da ferrovia antes da chegada ao topo.

Tirolesa para relaxar

A viagem de trem até o Topo da Europa partindo da estação Interlaken Ost dura 2h20m, e desde o início se vê belas paisagens. Pode-se optar por dois trajetos: via Lauterbrunnen ou via Grindelwald. O ideal é reservar um dia inteiro para o passeio, para poder desembarcar aqui e ali, e fazer um caminho na ida e outro na volta, em um roteiro circular.

Descendo em uma das estações pelo circuito, há trilhas de caminhada para serem percorridas a pé até a próxima parada e que permitem apreciar a exuberante paisagem do maciço do Jungfrau. Uma das trilhas de pouco esforço mais utilizadas é a Eiger Walk. Um de seus trechos liga as estações de Eigergletscher e Kleine Scheidegg — a 2.060 metros via Grindelwald. O melhor é fazer este percurso na viagem de volta do Jungfraujoch para Interlaken, aproveitando a descida. Nessa trilha, passando por vacas, praticantes de parapente e alguns ciclistas, admiram-se os três picos nevados Eiger, Mönch e Jungfrau. Em função da altitude, o tempo pode mudar com frequência, cobrindo a paisagem de nuvens, o que não estraga a beleza da região.

No Jungfrau, não é preciso ser um alpinista experiente para chegar próximo às altas montanhas. Mas, a 3.454 metros de altitude, com ar rarefeito, é preciso caminhar devagar, pois a beleza da paisagem em Jungfraujoch é de tirar o fôlego, literalmente.

Para quem planeja visitar a região no inverno, Jungfrau tem 110 quilômetros de pistas de esqui e ótimas condições para o snowboard. Um dos eventos mais populares na região é a corrida de esqui de Lauberhorn, na cidade de Wengen (em 2012, será de 13 a 15 de janeiro). Também muito procurada para o esqui é a estação de Mürren-Schilthorn, a mais alta do cantão de Berna, a quase 3 mil metros acima do nível do mar. A temporada costuma se estender até quase a primavera. A ferrovia do Jungfrau fica aberta o ano todo. Para caminhadas, o calor é menos intenso entre o fim de agosto e meados de outubro.

Para relaxar depois das atividades físicas no Topo da Europa, que podem incluir também tirolesa e tubing (uma boia gigante para deslizar na neve), aprecie a vista do observatório Sphinx, onde há uma cafeteria e quatro restaurantes, entre eles o Bollywood, de cozinha indiana. A região é muito usada como locação para produções cinematográficas da Índia. Outro local curioso é o palácio de gelo. Construído no interior da montanha do mirante Sphinx, tem vários ambientes que exibem esculturas de gelo de animais.

Inverno sem riscos na geleira

Em outubro, o outono mais quente do que o normal na Suíça preocupou autoridades quanto a eventuais riscos de uma avalanche na região do Jungfrau. O prefeito de uma das cidades mais importantes da área, Lauterbrunnen, veio a público dar o alarme.

— Não sabemos exatamente quanto gelo há ali, mas se houver uma avalanche, ela será imensa — disse, à época.

A preocupação tinha origem numa profunda fenda na geleira de Giesen, a 2.800 metros de altura. Agora, a proximidade do inverno acalmou os suíços. Pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique informam, porém, que nunca houve risco direto para a população.

— Observamos a situação desde 2008. A área que poderia ser afetada, caso houvesse uma avalanche, é remota e inabitada. Não há absolutamente nenhum risco para a população — esclarece o professor Martin Funk.

O órgão de turismo local informa que pequenas avalanches costumam ocorrer. O Instituto de Tecnologia de Zurique diz que mantém o monitoramento, e instalou câmeras especiais na região. (Colaborou Fernanda Dutra)

COMO CHEGAR DE TREM:

Uma das melhores opções para se circular pelas regiões dos cantões de Jura, Neuchâtel, Berna e Valais, onde está localizado o maciço do Jungfrau, é de trem. Com o Swiss Pass, o passe de transporte suíço, o viajante tem acesso a trens, ônibus e barcos por todo o país. São 26 mil quilômetros de estradas e ferrovias que cobrem cada cantão do país. O passe dá direito também a entrada gratuita em mais de 400 museus e descontos diversos. Quem compra o Swiss Pass tem 50% de desconto no bilhete do trem da ferrovia do Jungfrau. O trajeto de ida e volta de Interlaken Ost a Jungfraujoch custa 186,20 francos suíços (R$ 374), em segunda classe, ou 198 francos suíços (R$ 398), na primeira classe. Uma boa notícia é que no ano que vem, por causa do centenário da ferrovia, jovens até 16 anos viajarão de graça de Interlaken até o Topo da Europa. O Swiss Pass pode ser comprado em versões de quatro, oito, 15, 22 ou 30 dias consecutivos. Os preços começam em 266 francos suíços (R$ 533) para quatro dias, em segunda classe. Quinze dias na primeira classe, por exemplo, saem por 698 francos suíços (R$ 1.340).

Ivo Gonzalez viajou a convite de Switzerland Tourism e Swiss International Air Lines

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oglobo.globo.com | 01-12-2011

RIO - À margem das negociações climáticas e fora dos maiores debates internacionais, está um ecossistema que cobre 71% do planeta e serve de lar para 80% dos seres vivos. Os oceanos são o tema de um relatório, idealizado por seis instituições e divulgado ontem na internet. Enraizadas em mais de 20 países, elas tentam levar sua causa, a proteção aos mares, para os fóruns de Durban.

Trata-se, no entanto, de uma bandeira difícil de hastear. Diretor do Instituto Scripps de Oceanografia, da Universidade da Califórnia em San Diego, Tony Haymet é lacônico: nenhum político é eleito para representar o oceano. Os estresses a que eles são submetidos, portanto, estão longe de serem tratados como prioridades. São três os maiores perigos para o oceano, todos já em franco andamento: sua acidificação, aquecimento e a perda de oxigênio. E todos têm origem nos gases-estufa.

Em dois séculos, desde a Revolução Industrial, cerca de 30% do CO2 emitido pelo homem foi absorvido no mar. Com isso, seu pH, hoje, é o menor dos últimos 60 milhões de anos. O oceano nunca foi tão ácido.

Maior ONG do mundo dedicada ao mar, a Oceana fez uma análise de que países serão mais impactados pela acidificação daquele ecossistema.

— São os que mais perderão acesso a frutos do mar, que terão maior prejuízo em atividades turísticas que ali acontecem — explica Jacqueline Savitz, diretora de campanhas e cientista-sênior da organização. — No topo da lista há países desenvolvidos, como os Estados Unidos, Japão e Reino Unido. Estes são alguns dos maiores emissores de CO2. Mas há, também, pequenas nações insulares entre as maiores prejudicadas.

Estados polinésios também enfrentam outro problema vindo do mar: o aumento de seu nível, provocado pelo derretimento das geleiras. A origem dessa mazela é, como a anterior, as emissões de CO2.

— Vejo muitas nações, que estão abaixo do nível do mar ou são de baixa elevação, forçadas a tomar medidas — destaca Haymet. — O presidente das Maldivas já está preocupado com isso. E o embaixador de Granada também. Mas há também regiões em risco em países que, teoricamente, estariam seguros. A Flórida, por exemplo, no caso dos EUA.

As geleiras derretem porque o mundo está mais quente — consequência que, claro, também se reflete nos oceanos. Nos últimos cem anos, a superfície dos mares já aqueceu, em média, 0,7 graus Celsius. E a previsão é que este índice aumente cerca de 3 graus em algumas regiões até o fim do século.

Num oceano mais aquecido, haverá menos mistura entre águas profundas, ricas em nutrientes, com as da superfície, pobres nestas substâncias. A falta do cruzamento afetará particularmente as zonas tropicais, e terá consequências negativas na produtividade do mar.

— As indústrias de combustíveis fósseis, dependentes de carvão, petróleo e gás e emissoras de CO2, impedem os países de priorizar os oceanos — acusa Jacqueline. — Por causa delas, atividades econômicas baseadas no mar, como pesca, aquicultura e turismo e similares serão prejudicadas. A não ser, claro, que eles passem a liberar menos carbono na atmosfera.

Muitos países conduzem esforços locais para trocar suas fontes de energia — sai de campo o petróleo e entram alternativas limpas, como hidroelétricas e a indústria eólica. Para Jacqueline, na Europa, Reino Unido e Dinamarca estão à frente dos Estados dispostos a reduzir sua dependência do carbono. Perceberam um filão que, para os ambientalistas, ainda não é apreciado como deveria por empresas e autoridades.

— A energia limpa é a solução que nos livrará dos combustíveis fósseis — ressalta. — Quem a adotar primeiro será beneficiado economicamente, visto que poderá exportar essa tecnologia para o resto do mundo.

As temperaturas mais elevadas — e a menor mistura de nutrientes — deixariam o oceano mais estratificado. O suprimento de oxigênio para baixo da superfície seria afetado. Com a menor concentração dessa substância, muitas espécies teriam sua existência ameaçada. E outros organismos, mais tolerantes à carência desse gás (micróbios, particularmente), se multiplicariam com maior facilidade, alterando o equilíbrio da cadeia alimentar.

Estima-se que, no próximo século, o estoque global de oxigênio nos mares será reduzido de 1 a 7%. Mas, segundo o relatório divulgado ontem, há “incertezas consideráveis” em relação à escala e as localidades que serão mais acometidas pela carência de oxigênio, assim como o impacto no meio ambiente.

oglobo.globo.com | 29-11-2011

RIO E SÃO PAULO — A escalada do dólar provocada pela crise na Europa volta a ser um dilema para os brasileiros que estão planejando viajar ao exterior nas festas de fim de ano ou nas férias de janeiro. O dólar comercial teve picos de valorização e passou de R$ 1,90 na quinta e na sexta-feira, fechando a semana com alta de quase 6%, mesmo após um alívio na sexta-feira. O avanço acumulado no mês está em 11% e, no ano, em 13%. Na sexta-feira, o dólar turismo (cotação usada por bancos, casas de câmbio e agências de viagens) ficou em R$ 1,97 no Rio de Janeiro e R$ 2,03 em São Paulo.

Nesse cenário aparecem as seguintes dúvidas: comprar agora os dólares para levar na viagem ou esperar a cotação recuar? Fechar na agência de turismo o pacote cotado em moeda americana ou adiar a compra? Quando a decisão envolve viagem e câmbio, avisam os especialistas, há sempre risco envolvido em momentos de especulação.

— Quem já comprou a passagem ou fechou o pacote para viajar para fora do país deve comprar os dólares que vai levar agora. Seja em espécie ou em cartão de débito, quando o saldo em reais é convertido em dólares pela cotação do dia. Essa é a melhor maneira de se prevenir contra possíveis aumentos futuros da moeda — diz o diretor financeiro do Grupo Par e consultor financeiro em Brasília, Marcelo Maron.

Ele diz que, no atual contexto, em que não há solução efetiva para os problemas europeus, qualquer previsão que se faça sobre a moeda americana perde em precisão.

— Não sabemos até onde a crise na Europa vai nos pegar —diz o consultor.

Para quem ainda não fechou a viagem, a orientação de Maron é esperar um pouco mais. Ele lembra que, em setembro, a moeda americana também teve um pico de valorização, chegou a subir 18% no mês, mas depois cedeu, quando o Banco Central (BC) atuou no mercado.

— O risco, nesse caso, é que o dólar continue subindo nas próximas semanas e a viagem encareça acima do orçamento do viajante. Eu aguardaria um pouco mais e aplicaria num fundo de renda fixa — diz o consultor.

Para quem pensa em usar os fundos cambiais —investimentos atrelados à moeda americana — como forma de se proteger, Maron alerta para o seguinte:

— Em alguns casos, os fundos cambiais não estão apenas lastreados no dólar, mas numa cesta de moedas. Isso faz com que a valorização não acompanhe exatamente a alta da divisa americana e pode haver perdas. Além disso, esses fundos têm Imposto de Renda —lembra o consultor.

O turista também deve ficar atento para gastos em dólar com o cartão de crédito, diz o consultor. Na volta, o susto pode ser grande se o dólar se valorizar ainda mais. Além disso, lembra ele, o IOF sobre compras no exterior com cartões de crédito subiu para 6,38%, em abril passado.

— Usar o cartão de débito em viagens ao exterior é vantagem porque o IOF para operações desse é de 0,38% — explica.

Operadores ainda esperam cotação entre R$ 1,80 e R$ 1,80

Operadores do mercado de câmbio ainda esperam que a cotação do dólar recue para entre R$ 1,80 e R$ 1,85, mesmo após a forte alta da semana passada. João Medeiros, diretor da corretora de câmbio Pionner, estima que até o fim do ano o dólar fique estabilizado entre R$ 1,80 e R$ 1,85.

— Antes de a crise na Europa se intensificar, nossa previsão era de que o dólar encerraria o ano entre R$ 1,70 e R$ 1,75. Mas agora esse patamar dificilmente será atingido — diz Medeiros.

Para diretor da Pionner, embora a crise seja uma incerteza para o câmbio, o BC tem “muita munição” para entrar no mercado e derrubar a cotação da moeda, como fez recentemente, quando o dólar chegou a R$ 1,90. Já na avaliação do gerente de câmbio da Fair Corretora, José Roberto Carreira, houve muita informação desencontrada e especulação na semana passada e o mercado deverá ficar mais equilibrado a partir desta segunda-feira.

— O BC sabe a posição de cada banco e tem US$ 350 bilhões de reservas para estancar a escalada do dólar. O cenário atual é muito diferente de antigamente, quando o BC era pressionado pelo mercado. Antes era o mercado que assustava o BC, hoje é o contrário — explica Medeiros.

No entanto, um outro operador do mercado, que concorda com a previsão de dólar entre R$ 1,80 e R$ 1,85, ressalta a importância do cenário externo. O BC, para essa fonte, só atuará caso o real tenha comportamento muito diferente das outras moedas, por causa de especulação. Uma piora ainda maior nos mercados globais poderia levar a moeda americana a R$ 2.

O consultor Maron acredita que se a tendência de alta da moeda americana persistir, o BC entrará no mercado de câmbio para derrubar a cotação. Para o consultor, mais do que atrapalhar as viagens ao exterior dos brasileiros, o dólar em alta signica repique de inflação.

— Hoje o Brasil tem uma economia mais aberta. Uma alta continuada do dólar bate diretamente na inflação, que é o pior dos impostos — diz Maron.

oglobo.globo.com | 28-11-2011

RIO - O avanço da crise europeia sobre os países mais fortes da região pode atrapalhar neste fim de ano o aguardado "rali" de dezembro, o mês em que uma soma de fatores empurra o preço das ações para cima e ajuda os investidores a pagarem as festas de fim de ano. Esse ganho se repete sucessivamente desde 1998, última vez em que houve perdas no mês, em meio à crise da Rússia. Para especialistas, os investidores precisam fazer as escolhas certas de papéis e cruzar os dedos para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) finalmente interromper sua sequência de cinco semanas no vermelho.

Segundo o banco de dados da consultoria Economatica, o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, avançou em 14 dos 16 últimos meses de dezembro, ou seja, desde 1995, início do Plano Real. Isso significa um aproveitamento de 88%. O ganho médio nesse mês foi de 4,75% em 16 anos. Já os piores meses para os investidores ao longo desse período foram janeiro, maio e junho.

— Temos visto uma alta consistente nos mercados em dezembro. Não é folclore, é estatística — diz William Castro Alves, analista da XP Investimentos. — Mas claro que temos muita indefinição e volatilidade. Uma alta é bastante incerta no mês. Não dá para contar com isso. Tudo vai depender da Europa.

 

Corretores indicam papéis defensivos

Com as incertezas sobre dezembro, as corretoras seguem indicando aos clientes apostas defensivas na Bolsa. Papéis do setor de energia elétrica e telefonia, que pagam boa parcela do lucro aos acionistas, e voltadas ao mercado doméstico, que podem se beneficiar do corte dos juros básicos — na próxima quarta-feira o Banco Central deve anunciar novo corte na taxa. É o caso de ações como Telefônica, Pão de Açúcar, Itaú Unibanco e Gafisa. Na próxima quarta-feira, as corretoras começam a divulgar suas carteiras recomendadas para outubro.

Entre as ações de mais peso no mercado brasileiro, os papéis preferenciais (PN, sem direito a voto) da Petrobras registram uma das melhores estatísticas de ganhos. Nos últimos 16 anos, a ação subiu em 13 meses de dezembro, com uma taxa média de 7,04% no período. O pior mês para a estatal é junho. No caso das ações PNA da Vale, o rali de dezembro não se confirma. O papel subiu em 10 dos 16 meses, menos do que em setembro (13 vezes) e junho (12 vezes). A taxa média da mineradora para dezembro é de 5,09%. Já as ações ordinárias (ON, com voto) da Souza Cruz têm um desempenho apenas mediano no mês, com uma taxa média de valorização de 2,24% nos 16 anos. O papel tem melhor desempenho em janeiro, o mês que costuma ser de queda na Bolsa.

Segundo o analista da XP, um motivo para acreditar no rali deste ano é que o mercado subiu mesmo em dezembro de 2008, o ano da pior crise mundial desde 1928. Naquele mês, o índice avançou 2,61%, marcando a estabilização da crise na Bolsa brasileira. Em março seguinte, o Ibovespa iniciou sua trajetória de fortes valorizações.

Os especialistas atribuem diferentes razões para o rali de fim de ano. Uma delas seria o pagamento do décimo terceiro salário, o que levaria pequenos investidores a comprarem ações. Na semana passada, corretoras começaram a se movimentar para atrair esse dinheiro, oferecendo palestras sobre como aplicar o dinheiro do abono.

— Temos 80 mil clientes e vemos 25% deles investirem o décimo terceiro em ações. Outra parte acaba gastando com férias, viagens e gastos de fim de ano — explica Fabiano Peçanha, consultor financeiro da corretora Geração Futuro.

Falta motivo para uma alta, diz economista

Uma outra razão seria o rebalanceamento das carteiras de ações de grandes fundos estrangeiros. Para Marco Melo, chefe da área de análise e pesquisa da Ágora Corretora, esse ajuste da política de investimentos com foco no ano seguinte é o principal fator da alta de dezembro.

— Não é uma ciência exata. Existem variáveis, com o noticiário sobre o crescimento econômico, que podem se sobrepor aos ganhos de dezembro. E não existe otimismo no mercado para o ano que vem — diz Melo.

 

Segundo cálculos da Yield Capital, esse comportamento de dezembro é visto nos mercados americanos. O S&P 500, índice que reúne as 500 principais ações negociadas em Nova York, apresenta um alta média de 1,46% nos meses de dezembro. E o número tem como base dados do mercado desde 1928.

Para Hersz Ferman, gestor de renda variável da Yield Capital, o comportamento do mercado, contudo, não passaria de coincidência. Ele explica que julho tem um comportamento médio um pouco melhor do que dezembro no mercado americano, de 1,48% no período. Setembro seria o pior mês, com baixa de 1,16% nesses mais de 90 anos.

— O mercado tem vários PhDs em algoritmos e ninguém descobriu ainda uma fórmula de ganhar dinheiro com isso. Já teriam descoberto se realmente existisse um padrão de comportamento — diz Ferman.

Para Mauro Schneider, economista-chefe da Banif, o cenário macroeconômico torna um rali improvável.

— Do ponto de vista macroeconômico, falta motivo para uma alta. Se todo dezembro sobe, esse mês pode falhar pela primeira vez por causa da crise externa e o cenário de desaceleração da economia brasileira — explica Schneider.

oglobo.globo.com | 28-11-2011

DAMASCO - A Liga Árabe aprovou neste domingo a aplicação imediata de sanções econômicas à Síria, numa decisão sem precedentes na história do bloco e classificada como uma traição por Damasco. A medida deixa mais isolado o regime de Bashar al-Assad , já pressionado pelo Ocidente a conter uma onda de repressão que, segundo a ONU, deixou mais de 3.500 mortos em nove meses.

Aprovadas com o voto de 19 dos 22 membros, as sanções são uma retaliação ao fato de a Síria não ter aceitado a presença de observadores estrangeiros em seu território. A resolução proíbe viagens de altos representantes sírios a outros países árabes, e impede voos tendo a Síria como origem ou destino - a exceção são aviões que transportam mercadorias. Também ficam suspensos os investimentos de países árabes em novos projetos na Síria e todo tipo de transação com o banco central. O documento estipula, ainda, o bloqueio dos fundos financeiros do governo e de dirigentes do país — uma lista de nomes ainda será elaborada.

— Este é um dia muito triste. Eu esperava que os irmãos sírios acabariam com a violência e libertariam prisioneiros políticos — afirmou o chanceler do Qatar, Hamad bin Jassim Al Thani, referindo-se ao acordo negociado entre o governo de Assad e a Liga Árabe, no início do mês.

Pouco antes da confirmação da aprovação, a Síria, que já enfrenta sanções também de União Europeia e EUA, condenou a decisão da Liga Árabe, um bloco que ajudou a fundar. Por meio do jornal oficial "al-Thawra", acusou o grupo de "trair a solidariedade árabe".

Numa carta enderaçada à Liga Árabe no sábado, o chanceler sírio, Walid al-Moallem, acusou a organização de tentar transformar os problemas da Síria numa crise internacional.

"As sanções são um convite para uma intervenção internacional, ao invés de evitá-la. O que entendemos por essa decisão da Liga Árabe é uma luz verde tácita para a internacionalização da situação na Síria, e uma ingerência em nossos assuntos internos", escreveu o chanceler.

A abstenção de Iraque e Líbano, dois importantes pareceiros econômicos da Síria, enfraqueceu a medida. Cerca de 50% do comércio exterior sírio é realizado com países árabes, e o Iraque é o segundo da lista, respondendo a 13% do total do comércio exterior do país, atrás apenas da União Europeia. Além disso, Irã e Rússia, aliados de Damasco, poderiam reforçar a ajuda ao governo de Assad - minando os esforços árabes.

Ainda neste domingo, aproveitando a pressão internacional, novas manifestações eclodiram nas ruas das cidades sírias de Homs e Deir Balaba, sedes do movimento de oposição no país. Outro movimento surgiu também na frente da embaixada síria na cidade de Sofia, na Bulgária. Os manifestantes exibiram bandeiras no movimento revolucionário na Síria e riscaram imagens com o rosto de Assad.

oglobo.globo.com | 27-11-2011

CAIRO - Os países-membros da Liga Árabe planejam cortar laços comerciais com o governo sírio e congelar seus bens no exterior como parte de um plano para elevar a pressão contra o regime de Bashar al-Assad, segundo um documento que será discutido - e provavelmente aprovado - por autoridades árabes neste domingo.

As sanções incluiriam também uma suspensão em voos comerciais para a Síria, e impediriam viagens de autoridades do país. Além disso, as transações com o banco central sírio seriam congeladas, mas produtos básicos dos quais dependem a população do país ficariam de fora da lista de sanções.

O documento foi redigido pela Comissão Econômica e Social da Liga Árabe numa reunião no Cairo neste sábado, e ainda precisa ser ratificado por ministros dos países-membros.

- É importante que a comunidade internacional avance para resolver esse problema e mande uma mensagem poderosa para o governo sírio - disse o vice-chanceler turco, Ali Babacan. - Amanhã (domingo) tomaremos decisões firmes para interromper a violência na Síria.

O governo sírio perdeu o prazo de sexta-feira para aceitar uma proposta da Liga Árabe de enviar observadores ao país, onde a ONU diz que 3.500 pessoas morreram durante uma revolta contra o presidente Bashar al-Assad que já dura oito meses. Neste sábado, segundo ativistas, pelo menos mais 24 civis foram mortos nas cidades de Homs e Qusayr, incluindo crianças.

Apesar da promessa feita pela Síria este mês de retirar o Exército das áreas urbanas e de permitir a entrada dos observadores, a violência continuou, gerando represálias da Liga Árabe, uma forte censura da Turquia e a propostas da França de uma intervenção humanitária.

A Síria , onde a família Assad já governa há 41 anos, diz que as potências regionais ajudaram a incitar a violência, que o governo atribui a grupos armados que atacam civis e suas forças de segurança.

O ministro das Relações Exteriores iraquiano, Hoshyar Zebari, disse que seu país não pretende participar das deliberações de domingo e que vários vizinhos árabes da Síria tinham reservas sobre as sanções.

- O Iraque é um país vizinho da Síria e existem interesses. Há centenas de milhares de iraquianos vivendo na Síria - disse a repórteres em Najaf. - O Líbano também pensa assim e a Jordânia também já manifestou sua oposição às sanções.

A economia da Síria já está sofrendo devido aos meses de agitação, agravada pelas sanções impostas pelos EUA e pela Europa às exportações de petróleo e a diversas empresas estatais.

oglobo.globo.com | 27-11-2011

RIO - Depois de os sites de venda coletiva descobrirem o turista brasileiro, chegou a vez de o serviço de flash-sales (vendas-relâmpago) chegar ao mercado de viagens de luxo nacional. Até o final do mês entra no ar a versão local da francesa Voyage Privé, que encontrará um concorrente já estabelecido há seis meses, o pioneiro Zarpo. Em comum aos dois, o modelo de clube fechado, exclusivo para "sócios" previamente cadastrados.

Voltados para a classe A, os sites oferecem diariamente ofertas de hospedagem em hotéis boutique, cinco estrelas, pousadas de luxo e resorts no Brasil e no exterior. Às vezes, passeios, jantares ou transporte aéreo são incluídos nos pacotes, sempre com descontos. No Zarpo (zarpo.com.br), as ofertas costumam durar de cinco a dez dias, com validade para três meses, em média, e descontos de até 50% no valor total da hospedagem. A Voyage Privé (www.voyage-prive.com.br) promete abatimentos de 30% a 70%. Mas se engana quem pensa que vai encontrar pechinchas:

— Nossos sócios não vão achar as opções mais baratas, e sim o melhor custo-benefício. Além disso, o sócio não procura o serviço só pela oferta. Parte do nosso trabalho é sugerir novos destinos, de qualidade comprovada — explica a CEO da Voyage Privé Brasil, Joana Picq.

"Sócios" são os usuários dos sites, que precisam se registrar ou ser convidados por outros membros para terem acesso às promoções. Esse sistema de convites foi implantado por empresas pioneiras no segmento, como a americana Jetsetter (jetsetter.com) e a francesa Voyage Privé — esta abre sua filial brasileira depois de cinco anos na Europa. Mas atualmente quase não é exigido. Nas empresas que atuam no Brasil, basta se cadastrar e esperar pela confirmação.

Outra diferença fundamental entre esse serviço e o modelo mais conhecido de venda coletiva é a forma de reserva. Nos sites mais populares, o cliente compra um cupom que precisa ser trocado com o prestador de serviço, o que, no caso de hotéis pode gerar problemas como incompatibilidade de datas. Nesse novo sistema, o consumidor reserva direto pelo site a data em que quer se hospedar e só fecha a compra depois que estiver tudo confirmado.

— O processo é o mesmo de uma agência de viagens — exemplifica Numa Sales de Paiva, um dos sócios da Zarpo, que já está há seis meses em atividade no Brasil. — Adotamos uma linha de curadoria, fazemos a triagem do que consideramos interessante para nossos clientes. Nosso site sempre vai ter os clássicos, como Paris, Buenos Aires, Nova York, mas procuramos oferecer destinos como a Polinésia Francesa e o Marrocos.

Serviços similares também começam a chegar a países vizinhos. Semana passada foi lançado no Chile o site Bungolow, também com conteúdo fechado. No caso deles, a prioridade de destinos é a América Latina.

No começo desta semana, pelo site Zarpo, três noites no Cana Brava Resort, em Ilhéus, entre 25 e 28 de novembro, sairiam a R$ 768. Reservando diretamente com o hotel, o valor total seria R$ 1.260. Outra oferta era do cinco-estrelas Relais Christine, em Paris, cuja diária para uma suíte Jr. duplex custa R$ 1.110. Clientes do Zarpo reservariam o mesmo quarto por R$ 999, valor que pode ser parcelado em três vezes sem juros.

Ainda sites como o Tablet (tablethoteis.com.br); Splendia (Splendia.com); Relais Châteaux (relaischateaux.com) e Hoteis.com (hoteis.com) também trazem ofertas de última hora no segmento luxo.

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oglobo.globo.com | 26-11-2011

DAMASCO - Se a pressão política não foi suficiente para convencer o presidente Bashar al-Assad a deixar o poder, as potências mundiais apostam que uma lenta implosão da economia será capaz de levar o governo sírio a negociar o fim do regime. Depois das sanções aprovadas nos últimos meses pelos EUA e pela União Europeia contra o petróleo sírio — uma importante fonte de divisas para o governo — Assad tem agora as relações estremecidas com os parceiros regionais, reproduzindo na economia o isolamento político de seu regime.

A Liga Árabe deu esta sexta-feira como ultimato para que a Síria decida se aceitará uma missão de observadores estrangeiros em seu território. E deixou claro o que pode acontecer caso a resposta seja negativa: sanções sem precedentes que incluiriam a suspensão de voos comerciais, restrições a acordos financeiros, além do congelamento dos bens de Damasco.

As restrições ao Banco Central devem prejudicar as operações bancárias internacionais e a abertura de linhas de crédito para o país. No mês passado, o ministro da Economia sírio, Mohammad Nidal al-Shaar, disse que a economia "estava em estado de emergência".

O presidente do Banco Central sírio, Adib Mayalah, definiu recentemente a situação do país como "muito séria", lembrando que o desemprego está em alta, as importações estão caindo e a renda do governo está reduzida. Além disso, em áreas de protestos praticamente não há atividade econômica e as pessoas deixam de pagar impostos. Da mesma forma, deixam de pagar empréstimos, o que afeta o desempenho dos bancos.

Depois do petróleo e derivados, as sanções agora miram em outros setores. O turismo, que representa cerca de 12% do PIB (Produto Interno Bruto), já havia sido fortemente prejudicado e deve sentir o impacto de eventuais suspensões de voos.

Na Liga Árabe, os principais parceiros comerciais da Síria são Iraque, Líbano e Arábia Saudita. As declarações do grupo não indicam a hipótese de um embargo comercial, mas sugerem a possível interrupção do comércio com o governo sírio. Assad deve buscar cada vez mais o apoio da China, destino recorrente para os países alvos de sanções ocidentais.

A piora na situação do país já foi incorporada nas estatísticas internacionais. Mesmo sem novas sanções, já se espera um encolhimento do PIB de 2% este ano, segundo projeção do FMI (Fundo Monetário Internacional). Com novas restrições, resta saber se a economia síria será capaz de se reerguer em 2012.

Árabes descartam intervenção

A decisão foi tomada num encontro no Cairo entre os representantes dos países da Liga Árabe, que geralmente é reticente em punir seus membros. Em comunicado, o grupo explicou que pedirá às Nações Unidas que tome as medidas necessárias para ajudar na resolução da complicada situação na Síria, onde a repressão ao movimento contra o presidente Bashar al-Assad já se estende por oito meses e deixou, segundo a ONU, mais de 3.500 mortos.

Em condição de anonimato, um diplomata deixou claro, no entanto, que o pedido à ONU não tem a intenção de firmar bases para uma eventual intervenção militar estrangeira na Síria, o que a Liga Árabe rejeita.

- Amanhã (sexta-feira) é o prazo para a Síria aceitar o acordo. Se eles não aceitarem (a entrada de observadores), o conselho econômico e social (da Liga Árabe) vai se reunir para discutir as sanções econômicas - disse Afifi Abdel Wahab, representante da organização..

O site da rede de TV al-Arabiya diz que Riyadh al-Asaad, líder do grupo opositor Exército Sírio Livre, pediu que potências estrangeiras façam ataques aéreos a alvos estratégicos na Síria, como forma de enfraquecer o regime de Bashar al-Assad. Ele descarta, porém, a entrada de tropas estrangeiras no país, propondo um modelo semelhante ao que Otan adotou na Líbia e que foi fundamental para a queda do regime de Muamar Kadafi.

Há semanas a Síria viola o plano estabelecido pela Liga Árabe para que se encerre a violência no país. Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores do Iraque, Hoshiyar Zebari, chegou a dizer que Assad estava pronto para assinar de vez o acordo da organização - mas a situação não evoluiu.

Assad havia aceitado há duas semanas o plano da Liga Árabe que previa o recuo das forças de segurança, a libertação de presos políticos, e a autorização para a entrada de jornalistas e grupos de defesa dos direitos humanos na Síria. O descumprimento do acordo levou a organização a suspender o país, acenando com a possibilidade de adotar sanções.

Um ultimato chegou a ser dado ao presidente sírio para que encerrasse a violenta repressão, mas o prazo expirou sem que a Liga tenha tomado qualquer medida contra o regime sírio. Agora, os ministros reunidos nesta quinta-feira no Cairo voltaram a discutir a possibilidade de sanções, o que, segundo o chanceler iraquiano, levou Assad a voltar atrás.

- A Síria concordou completamente com o protocolo - afirmou Zebari.

Representantes da Síria e da Liga Árabe não comentaram as declarações. Suspensos da organização, os sírios não participaram da reunião desta quinta.

Chanceler francês quer observadores armados

Além da pressão regional, Assad enfrenta também cobranças de potências internacionais. A França deu mais detalhes nesta quinta sobre sua proposta de criar um corredor humanitário. O ministro das Relações Exteriores, Alain Juppé, disse que apresentaria o plano aos chanceleres no Cairo.

- Há duas possibilidades. Uma é que a comunidade internacional, a Liga Árabe e a ONU consigam autorização do regime para permitir esses corredores. Mas se esse não for o caso, teremos que buscar outra solução, com observadores internacionais - disse Juppé a uma rádio francesa.

O corredor humanitário seria, de acordo com o chanceler, protegido por observadores armados. Mas Juppé voltou a descartar a possibilidade de uma intervenção militar Ele se reuniu na quarta-feira em Paris com o chefe do Conselho Nacional Sírio, grupo que reúne a oposição síria no exílio, e disse que proporá na semana que vem à União Europeia uma forma de ajudar os civis no país.

oglobo.globo.com | 25-11-2011

MOSTAR - Quem chega à cidade medieval de Mostar e atravessa sua Ponte Velha (Stari Most) — construída no século XVI, sobre o Rio Neretva — para entrar no charmoso centro histórico, tem a impressão de que, pelo menos, essa região da Herzegóvina foi poupada durante a guerra. Mas relatos dos moradores e fotografias comprovam que o conjunto arquitetônico, uma herança do período otomano, sofreu inúmeros bombardeios dos inimigos posicionados nas montanhas ao redor. Os ataques destruíram inclusive, em 1993, a ponte, maior marco da cidade.

Passadas quase duas décadas, não por acaso, Mostar já reerguida é considerada uma espécie de símbolo de vitória. A Ponte Velha, reconstruída em 2004, e o centro histórico ganharam status de Patrimônio da Humanidade, título concedido pela Unesco em 2005.

Hoje, a cidade, às margens do Rio Neretva, de águas limpas e claras, atrai dezenas de grupos de turistas diariamente. Está situada a 70 quilômetros da fronteira com a Croácia e a 130 quilômetros de Sarajevo, de onde saem tours regulares para essa região da Bósnia.

É na chegada à cidade, antes de atravessar a ponte, que o visitante tem a melhor vista panorâmica do conjunto arquitetônico de Mostar. A rua de acesso à Ponte Velha já é repleta de muitas lojinhas de suvenires e bons restaurantes — alguns deles com vista para o rio.

Cruzar a Ponte Velha de Mostar é quase um ritual. A inclinação acentuada e o calçamento de pedra polida pela ação do tempo deixam o piso muito liso, o que representa um certo grau de dificuldade para "marinheiros de primeira viagem". É preciso ter cuidado para evitar escorregões.

Na travessia, uma meia dúzia de rapazes da cidade aborda os visitantes se oferecendo para saltar da parte mais alta da ponte para o Neretva, em troca de alguns trocados de euros ou dólares. Felizmente, raros são os turistas que incentivam essa prática arriscada.

Chegando ao centro histórico, fica visível que a saúde financeira do vilarejo depende do turismo, em ascensão. Todos os primeiros pavimentos dos imóveis abrigam lojas de decoração, artesanato, cafés e restaurantes. Um bazar em estilo muçulmano faz sucesso entre os turistas. Embora a maioria dos visitantes faça passeios de apenas um dia a Mostar, há no centro velho e arredores opções de hospedagem, com pelo menos oito hotéis.

Circulando pelas ruas de Mostar, capital do cantão de Herzegóvina-Neretva, nota-se a delicada e mesmo tensa relação entre a sua população dividida entre bósnios (muçulmanos) e croatas (católicos). É preciso ter cautela para não confundi-los.

— Sou católico, da Herzegóvina. Veja... — reagiu um funcionário de uma loja de Mostar, puxando para fora da camisa um cordão que ostenta um crucifixo em forma de pingente, ao ser perguntado se era bósnio.

Mas a convivência tolerante acontece e pode ser constatada no dia a dia. O pequeno centro histórico de Mostar abriga sinagoga, mesquita, catedral católica e igreja ortodoxa. Todas, obviamente, incluídas no roteiro das principais atrações turísticas da região.

Medjugorje, 20 milhões de peregrinos em três décadas

Há quem diga que tudo não passou de uma farsa. Mas para milhares de peregrinos que chegam anualmente do mundo todo, inclusive do Brasil, o vilarejo de Medjugorje é um lugar sagrado e cenário de milagres. Nessa região do interior da Herzegóvina teriam começado a ocorrer, na década de 1980, aparições da Virgem a um grupo de crianças e jovens pertencentes a famílias de lavradores.

As notícias sobre os contatos — o primeiro deles no dia 24 de junho de 1981 — teriam sido recebidas, inicialmente, com incredulidade pela população do vilarejo, mas outras aparições ocorridas naquela mesma época chegaram a reunir cerca de 15 mil pessoas. A partir daí, Medjugorje se tornou destino de católicos, pois, em 1983, o governo da antiga Iugoslávia autorizou as peregrinações.

Mesmo ainda não reconhecido oficialmente pelas autoridades do Vaticano, o vilarejo de Medjugorje divide hoje com os santuários de Lourdes, na França, e Fátima, em Portugal, status de um dos mais importantes locais de peregrinação da Europa relacionados à Virgem.

Localizada a cerca de três horas de Sarajevo, a pequena cidade ganhou um santuário em homenagem à Virgem. Segundo estimativas, Medjugorje já teria sido visitado por 20 milhões de peregrinos desde a década de 1980.

O número crescente de turistas ao longo dos anos, principalmente nas datas em que se comemoram as primeiras aparições, tornou necessária também a construção de um altar ao ar livre, onde são celebradas missas campais. O grande terreno que serve de estacionamento para os ônibus de excursões fica pequeno nessas ocasiões para tantos visitantes que chegam de outras cidades ou países vizinhos.

Acompanhando a visibilidade que o local ganhou, logo surgiu um comércio próspero no entorno do santuário. São dezenas de lojinhas de suvenires, instaladas na rua principal, que oferecem toda sorte de medalhinhas, terços, imagens e outras lembranças de Medjugorje.

Quem visita o santuário pela primeira vez se surpreende com o fato de a imagem (em tamanho natural) da Virgem de Medjugorje não estar instalada no altar principal. Na verdade, ela ocupa um modesto espaço na lateral da igreja (à direita de quem entra). Não está abrigada num nicho, nem protegida por vidros. A escultura é cercada apenas por um manto e flores. Devotos da Virgem costumam fazer vigília.

Do lado de fora da igreja, uma imagem do Cristo crucificado também faz parte do roteiro dos peregrinos. Dos joelhos da escultura, em bronze, há testemunhos de que costuma escorrer água. Por conta disso, os fiéis levam consigo bilhetes com pedidos de milagres, fotografias ou santinhos para esfregar na superfície da imagem, instalada no centro de um belo jardim com pés de louro. Ao redor foram construídos pequenos altares que marcam as estações da Via-Crúcis. Ainda na área externa do santuário está instalada uma fonte, na qual os fieis enchem garrafinhas com água potável que, após ser benzida, é levada para casa.

Agências de turismo de Sarajevo oferecem passeios diários até Medjugorje (em geral combinado com a visita a Mostar) e que custam em torno de 70 euros. O trajeto até lá passa pelas montanhas e inclui belas vistas panorâmicas de vales e rios.

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oglobo.globo.com | 24-11-2011

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